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UNIVERSIDADE AGOSTINHO NETO

FACULDADE DE ENGENHARIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA

DAVID MANUEL LEITÃO DE CAETANO


n.º 49774

PROPOSTA DE UMA METODOLOGIA DE GESTÃO DE


RESÍDUOS SÓLIDOS PARA FACULDADE DE ENGENHARIA DA
UNIVERSIDADE AGOSTINHO NETO

Luanda

2020
UNIVERSIDADE AGOSTINHO NETO
FACULDADE DE ENGENHARIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA

DAVID MANUEL LEITÃO DE CAETANO

n.º 49774

PROPOSTA DE UMA METODOLOGIA DE GESTÃO DE


RESÍDUOS SÓLIDOS PARA FACULDADE DE ENGENHARIA DA
UNIVERSIDADE AGOSTINHO NETO

Monografia apresentada como requisito parcial para


obtenção do grau de licenciatura em Engenharia
Química do DEI de Engenharia Química da
Universidade Agostinho Neto

Orientador: MSc. Rosa Leydis Girón Guillot

Co-orientador: Dr.ª Elaine Ojeda Armaignac

Luanda

2020

i
Dedico este trabalho à minha
família, em especial à minha filha,
Celda Aurora Oliveira de Caetano.

ii
AGRADECIMENTOS

À direcção da Faculdade de Engenharia e ao corpo docente do Departamento de Ensino e


Investigação de Engenharia Química da Universidade Agostinho Neto.
À MSc. Rosa Leydis Girón Guillot (Orientadora) e Drª. Elaine Ojeda Armaignac (Co-
orientadora) pela orientação prestada para realização do trabalho.
Ao Doutor Pedro Guilherme e ao Doutor Rojer Máfua pela orientação prestada pelo
conhecimento conferido para a correcção e compilação deste trabalho.
A todo leque de trabalhadores e discentes da FEUAN que participaram tanto na recolha
dos resíduos sólidos no interior da instituição bem como no tempo dispensado para o
preenchimento do questionário e entrevistas, ferramentas fundamentais para a
concretização da metodologia descrita neste trabalho.
A todos os professores não mencionados por nome, mas que contribuíram para a
materialização do presente trabalho.
À minha amiga, MSc. Elizabeth Alexandre, pelos conselhos, ajuda prestada em diversos
sentidos e particularmente na estruturação metodológica do trabalho.
À minha amiga e colega, Eng.ª Dinamene da Costa pelo tempo dispensado, conselhos e
ajuda prestada em diversos sentidos para concretização deste trabalho.
Ao meu amigo, Emanuel Miguel Domingos da Gama pelas correcções e revisões
linguísticas em todas as fases de execução do trabalho.
Ao meu amigo Eng. Jerónimo Francisco pelo apoio incondicional em todos os momentos.
Em especial aos meus Pais, Tios, Irmãos e Sobrinhos pelo amor e incentivo integral nas
horas difíceis ao longo da minha formação, por acreditarem em mim, servindo de suporte
durante a minha vida.
Agradeço aos meus amigos e colegas que contribuíram directa ou indirectamente para que
este trabalho se tornasse uma realidade. A todos aqueles que de alguma forma deram o
seu contributo para que este projecto se tornasse uma realidade.
Os meus sinceros agradecimentos.

iii
RESUMO

O aumento da produção de resíduos tem levantado preocupações quanto ao futuro das


sociedades. A visão holística dos problemas ambientais relacionados à gestão de resíduos
sólidos produzidos em Instituições de Ensino Superior é uma exigência a ser atendida. Na
qual será possível a partir da integração do conhecimento produzido nas diferentes áreas
e da construção de uma gestão académica diferenciada, moderna, contemporânea, em que
a consciência ambiental esteja presente na concepção, planeamento, implementação e
operacionalização das actividades de ensino, pesquisa, investigação e extensão. A Gestão
de Resíduos Sólidos, especialmente num ambiente universitário, abrange diferentes
aspectos e metodologias aplicadas para reduzir a quantidade de resíduos e deve ser
iniciada na fonte geradora com participação dos envolvidos para minimizar a quantidade
de resíduos gerados, utilizando-se etapas do ciclo de melhoria contínua, como a
segregação, reutilização, reaproveitamento e descarte para posterior reciclagem. O
conhecimento das características dos resíduos é de fundamental importância para definir
o melhor destino final. Neste trabalho aborda-se de forma sistemática a metodologia sobre
a gestão de resíduos sólidos urbanos da Faculdade de Engenharia da Universidade
Agostinho Neto, utilizando como base, estudos de caso realizados em Instituições de
Ensino Superior a nível regional e internacional. O objectivo deste trabalho é de propor
uma metodologia de gestão de resíduos sólidos para a Faculdade de Engenharia da
Universidade Agostinho Neto. A pesquisa metodológica é qualitativa e quantitativa do
tipo descritiva. Utilizou-se como instrumento de investigação a colecta de dados por meio
de um diagnóstico, recorrendo a entrevistas e questionários, observação in loco. Obteve-
se as características dos resíduos a partir da triagem manual e sua composição
gravimétrica, o que permitiu conhecer o percentual de cada componente presente na massa
de resíduo. Os resultados obtidos da análise gravimétrica revelaram que a maior
quantidade de resíduos orgânicos gerados são de fonte alimentícia com 31%, sendo que o
cumulativo dos resíduos recicláveis foi de 54%. Este estudo aferiu que, na práctica,
produz-se uma elevada quantidade de resíduos sólidos na Faculdade que agregam valores
em si e podem ser reaproveitados em outros processos. A proposta de uma estrutura de
gestão ambiental para a Faculdade que do ponto vista estratégico se posicionaria como
vector impulsionador de mudanças em questões ambientais, cumpre parcialmente o
previsto no Plano de Desenvolvimento Nacional (2018 - 2022).

Palavras-chave: Resíduos sólidos, Instituição de Ensino Superior, Gestão de resíduos


sólidos.

iv
ABSTRACT

The increase of waste production has been raising concerns about the future of societies.
The holistic vision of the environmental problems related to solid waste management that
is produced in higher education institutions is a demand to be dealt.This will be possible,
starting from an integration of knowledge from different areas together with the
construction of a distinct, modern, contemporary academic management. Where
environmental consciousness must be present in the setup, planning, applying and
functioning of various teaching activities such as, research, investigation and extension.
Solid Waste Management, especially in a university environment, includes different
aspects and methodologies applied to reduce the quantity of waste. Solid Waste
Management must be started at the source, where there is the contribution of those who
are involved in minimizing the amount of generated waste, using the steps of continuous
improvement cycle, such as segregation, reuse, exploitation and discard for subsequent
recycling. The knowledge about the characteristics of solid waste has a fundamental
importance to define its best final destiny. In this work, the methodology about the
management of urban solid waste of the Faculty of Engineering of Agostinho Neto
University, is tackled in a systematic way and using as a foundation, the study cases
carried out by regional and international higher education institutions. The aim of this
work is to propose a solid waste management methodology for the Faculty of Engineering
of the Agostinho Neto University. Regarding, the methodology of research, both
descriptive qualitative and quantitative methods were used. The research instrument used
was data collection by means of a diagnosis, observation in loco, interviews and
questionnaires.The characteristics of the solid waste was obtained by manual screening
and following its gravimetric composition, which allowed to know the mass percentage
of each component present. The results obtained in the gravimetric analysis, revealed that
greatest percentage of generated waste comes from food sources, with 31%, classify as
organic waste in this study.while the cumulative of recyclable waste was determined to be
54%. This study concluded that, in practice a great amount of solid waste is produced at
Faculty that can be exploited or reused in other processes. These premises allowed
proposing actions that according to the strategic point of view, will position Faculty as a
promoting vector for changes in environmental matters, this way, fulfilling the proposed
National Plan for Development (2018 – 2022).

Key words: Solid Wastes, Higher Education Institution, Solid Waste Management.

v
ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 2.1. Classificação de resíduos segundo a OMS ................................................ 20


Figura 2.2. Resíduos orgânicos ................................................................................... 22
Figura 2.3. Resíduos inorgânicos ................................................................................ 23
Figura 2.4. a) Resíduos hospitalares e b) Resíduos de construção e demolição .......... 26
Figura 2. 5. Sequência de prioridade de gestão de resíduos sólidos ............................. 31
Figura 3.1. Faculdade de Engenharia da Universidade Agostinho Neto....................... 50
Figura 3.2. Distribuição de cursos na FEUAN ............................................................ 51
Figura 3.3. Pavilhões Centrais da FEUAN, área de estudo .......................................... 52
Figura 3.4. Ferramenta para determinação do tamanho da amostra ............................. 53
Figura 3.5. Etapas de pesquisa .................................................................................... 55
Figura 3.6. a) e b) Local da triagem dos resíduos produzidos na área analisada e sua
deposição. ............................................................................................................ 58
Figura 3.7. Luvas e máscara para protecção individual. .............................................. 58
Figura 3.8. Balança utilizada para pesagem dos resíduos produzidos. ......................... 59
Figura 3.9. a) Pesagem de resíduos por categorias; b) Resíduos separado por categorias.
............................................................................................................................. 59
Figura 3.10. Referência do software Past .................................................................... 61
Figura 3.11. Ambiente de trabalho do software Past ................................................... 62
Figura 3.12. Abertura do programa e ambiente de trabalho do Statgraphics Centurion XVI
............................................................................................................................. 62
Figura 3.13 Árvore de decisões para aplicar os testes estatísticos ................................ 64
Figura 4.1 Áreas de circulação com depósitos de resíduos: a) Sala de aula; b) Pátio; c)
Área adjacente ; d)Sala de espera; e) Corredor de um departamento; f) Gabinete .. 66
Figura 4.2. Resíduos armazenados de forma inadequada ............................................. 67
Figura 4.3 a) Área adjacente ao pátio; b) Parque de estacionamento ........................... 68
Figura 4.4. Depósitos de resíduos disponíveis no pátio principal da FEUAN .............. 68
Figura 4.5. Área externa ao refeitório ......................................................................... 69
Figura 4.6 Resíduos perigosos expostos...................................................................... 70
Figura 4.7 Ilustração da actual gestão dos resíduos na FEUAN ................................... 71
Figura 4.8. Ferramenta para determinação do tamanho da amostra ............................. 72
Figura 4.11. Proposta de estrutura de gestão ambiental para FEUAN. ......................... 90

vi
Gráfico 4.2 Resumo estatístico ................................................................................... 80
Gráfico 4.3 Histograma de dados de resíduos semanais não normalizados .................. 82
Gráfico 4.4. Curvas de probabilidade não normal dos dados semanais de resíduos da
FEUAN. ............................................................................................................... 82
Gráfico 4.5. Histograma de dados de resíduos semanais normalizados. ....................... 84
Gráfico 4.6. Curva de probabilidade normal dos dados semanais de resíduos .............. 84
Gráfico 4.7. Histograma de distribuição normal dos resíduos produzidos em maior
quantidade ............................................................................................................ 87
Gráfico 4.8. Curva de probabilidade normal para os resíduos produzidos em maior
quantidade ............................................................................................................ 87

vii
ÍNDICE DE TABELAS

Tabela 2.1 Elementos principais da gestão de resíduos................................................ 33


Tabela 2.2 Tipologia das cores para a recolha selectiva ............................................... 33
Tabela 2.3 Classificações da recolha selectiva ............................................................ 34
Tabela 2.4 Conceito dos 3Rs....................................................................................... 40
Tabela 3.1 Alocação de pesos e elaboração do cálculo dos graus de consciência ambiental
............................................................................................................................. 57
Tabela 3.2 Grau de consciencialização dos participantes ............................................. 57
Tabela 3.3 Registro das pesagens de resíduos sólidos produzidos. .............................. 60
Tabela 4.1 Frequência de respostas do conjunto percepção ambiental - administrativos e
docentes ............................................................................................................... 73
Tabela 4.2 Cálculo do grau de consciência ambiental – administrativos e docentes ..... 73
Tabela 4.3. Frequência de respostas do conjunto percepção ambiental - discentes ....... 74
Tabela 4.4 Cálculo do grau de consciência ambiental – discentes................................ 74
Tabela 4.5. Frequência de respostas do conjunto percepção ambiental – zeladores de
limpeza ................................................................................................................ 75
Tabela 4.6. Cálculo do grau de consciência ambiental – zeladores de limpeza ............ 75
Tabela 4.7 Tabela utilizada para registro das pesagens de resíduos sólidos ................. 76
Tabela 4.8 Quantidade de resídos por semana em Kg.................................................. 77
Tabela 4.9 Caracterização da geração dos resíduos sólidos produzidos na área em estudo
............................................................................................................................. 78
Tabela 4.10 Estudos utilizadas na comparação da produção per capita ........................ 79
Tabela 4.11. Tratamento estatístico dos dados semanais ............................................. 80
Tabela 4.12. Teste de normalidade de Shapiro – Wilk dados semanais ........................ 81
Tabela 4.13. Transformação logarítmica dos dados de resíduos semanais ................... 83
Tabela 4.14. Teste SW com os valores normalizados. ................................................. 83
Tabela 4.15 Tratamento estatístico de dados dos resíduos produzidos em maior
quantidade. ........................................................................................................... 85
Tabela 4.16 Teste de normalidade de Shapiro – Wilk de resíduos produzidos em maior
quantidade ............................................................................................................ 86
Tabela 4.17. Teste paramétrico Anova para o grupo de resíduos produzidos em maior
quantidade ............................................................................................................ 86

viii
ABREVIATURAS E SIGLAS

Siglas e Abreviaturas Designações


ASTM American Society for Testing and Materials
CURC College and University Recycling Council
CI Comunicação e Imagem
CPLP Comunidade de Países de Língua Portuguesa
CONAMA Conselho Nacional do Meio Ambiente
CRA Constituição da República de Angola
DEDS Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável
DEI Departamento de Ensino e Investigação
EA Educação Ambiental
EPA Environmental Protection Agency
EUA Estados Unidos de América
FE Faculdade de Engenharia
FEUAN Faculdade de Engenharia da Universidade Agostinho Neto
GSQGA Gabinete de Sistema de Qualidade e Gestão Ambiental
GA Gestão Ambiental
GRS Gestão de Resíduos Sólidos
GO Green Office
IES Instituição de Ensino Superior
ISEP Instituto Superior de Engenharia do Porto
ISO International Standartization for Organization
NBR Norma Brasileira de Regulamentação
NV Núcleo Verde
ONU Organização das Nações Unidas
PAST Paleontological Statistics
PDN Plano do Desenvolvimento Nacional
PESGRU Plano Estratégico para Gestão de Resíduos Urbanos

ix
PGRS Plano de Gestão de Resíduos Sólidos
PET Politereftalato de etileno
PUC-G Pontifícia Universidade Católica de Goiás
P-Valor Probabilidade de significância ou nível descritivo
PPC Produção Per Capita
PNQA Programa Nacional da Qualidade Ambiental
PIEA Programa Internacional de Educação Ambiental
RS Resíduos Sólidos
RSU Resíduos Sólidos Urbanos
RCRA Resouce Conservation Reservation Authority
SG Secretaria Geral
SA Sistema de Auditorias
SGA Sistema de Gestão Ambiental
SQGA Sistema de Qualidade e Gestão
SW Shapiro Wilk
UABC Universidad Autónoma de Baja California
UFG Universidade Federal de Goiás
UNB-FUP Universidade de Brasília – Faculdade de UNB de Planaltina
UCS Universidade de Caixas do Sul
UNBC University of Northem British Columbia
UPBSB Universidad Polontificia Bolivariana Seccional Bucaramanga
UTFPR Universidade Tecnológica Federal do Paraná

x
SÍMBOLOS

S: desvio padrão
𝑒: erro ou erro máximo permitido
𝑥̅ : média
𝑥̃: mediana
Mo: moda
𝛿 : nível de confiança escolhido, expresso em número de desvios-padrão
n1: número de amostras
q: probabilidade complementar ou percentagem complementar
p: probabilidade do fenômeno ocorrer ou percentagem com o qual o fenômeno se verifica
n: tamanho da amostra
N: tamanho da população total

FÓRMULAS

Equação 3.1 Cálculo do tamanho da amostra da população finita................................ 53


Equação 3.2 Cálculo da composição gravimétrica de resíduo sólido ........................... 60
Equação 3.3. Cálculo de produção diária de resíduo sólido ......................................... 60
Equação 3.4. Cálculo produção per capita de resíduos sólidos .................................... 60

xi
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO................................. ....................................................................... 14

1.1. Enquadramento ...................................................................................................14


Problema ........................................................................................................... 16
Hipótese ............................................................................................................ 16
Objectivos ......................................................................................................... 16
Objetivo geral ............................................................................................. 16
Objectivos específicos ................................................................................ 16
Justificativa ....................................................................................................... 17
Estrutura do trabalho .......................................................................................... 18
2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS....... ........................................................................ 19

Resíduos sólidos ................................................................................................ 19


Conceitos Gerais ......................................................................................... 19
Classificação dos resíduos sólidos ............................................................... 20
Características dos resíduos sólidos urbanos ............................................... 27
Impactes dos resíduos sólidos no ambiente ........................................................ 28
Gestão de resíduos sólidos ................................................................................. 30
Etapas de gestão dos resíduos sólidos.......................................................... 32
Aspectos legais aplicáveis aos resíduos sólidos .................................................. 36
Enquadramento legal .................................................................................. 36
Normas internacionais ................................................................................ 38
A educação ambiental e as instituições de ensino superior ................................. 38
Resenha histórica: desenvolvimento sustentável em instituições de ensino
superior ........................................................................................................................ 41
Gestão de resíduos sólidos em instituições de ensino superior ............................ 45
3 MATERIAIS E MÉTODOS............ ........................................................................ 49

Abordagem da pesquisa ..................................................................................... 49


Caracterização da área de estudo ........................................................................ 50
Área de estudo ............................................................................................ 50
Universo de trabalho ................................................................................... 52
Etapas de pesquisa ............................................................................................. 54
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO...... ....................................................................... 66

Diagnóstico ....................................................................................................... 66
Observação in loco ..................................................................................... 66
Inquérito ..................................................................................................... 71
Experimento ...................................................................................................... 75

xii
Determinação da composição gravimétrica e tratamento estatístico dos dados .... 78
Proposta de uma metodologia de gestão de resíduos sólidos para Faculdade de
Engenharia da Universidade Agostinho Neto ................................................................ 88
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES .......................................... 93

Considerações finais .......................................................................................... 93


Recomendações ................................................................................................. 94
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................... 95

ANEXO B - REFERÊNCIAS MUNDIAIS DE METODOLOGIAS DE GESTÃO


DE RESÍDUOS SÓLIDOS........................................................................................ 100

APÊNDICE A - MODELO DE CARTA UTILIZADA DIRIGIDA A DECANA DA


FEUAN............................................... ........................................................................ 102

APÊNDICE B – MODELO DE CARTA EXPLICATIVA APRESENTADA AOS


PARTICIPANTES.............................. ...................................................................... 103

APÊNDICE C – QUESTIONÁRIOS. ...................................................................... 104

xiii
1 INTRODUÇÃO

1.1. Enquadramento

A gestão de resíduos é uma ferramenta fundamental de relevância mundial tanto para


diagnosticar o ambiente quanto para correcta preparação de seu monitoramento, visto que
as populações aumentam a nível exponencial, os resíduos produzidos pelas suas
actividades diárias na base da satisfação própria e promoção da qualidade de vida vêm
aumentando da mesma maneira. Nesta perspectiva, a produção de resíduos levanta
preocupações quanto às necessidades de um ambiente limpo e sustentado para as gerações
futuras das sociedades, conforme abordado em conferências mundiais das Nações Unidas
em prol do meio ambiente.
A gestão de resíduos influencia o ambiente e os aspectos sociais e económicos, por
exemplo, a proliferação de infra-estruturas implica um aumento significativo da geração
de resíduos sólidos. Este facto merece uma melhor atenção por parte dos governos e da
população em geral, para que os impactes causados pelos resíduos sobre o ambiente sejam
minimizados (Almeida, 2017).
A deposição inadequada dos Resíduos Sólidos (RS) em locais tais como: fundos de valas,
bermas de ruas, passeios, lancis ou em cursos de águas, gera inúmeros impactes
ambientais, originando a contaminação de corpos de água, poluição do solo,
assoreamento, enchentes, proliferação de vectores transmissores de doenças, tais como
cães, gatos, ratos, baratas, moscas e vermes, poluição visual, mau cheiro e contaminação
do ambiente, e quando queimados a céu aberto em lixeiras e aterros sanitários, estes
emitem grandes quantidades de dióxido de carbono (CO2) e outros gases de efeito estufa,
contribuindo para o aumento do aquecimento global. Todos os países enfrentam este
problema, no entanto, países desenvolvidos conseguem administrar melhor a gestão de
resíduos e são extremamente limpos. Os países subdesenvolvidos, como é o caso de
Angola, não têm o mesmo desempenho e a população é obrigada a conviver ao lado de
toneladas de lixo (Paulo et al, 2016).
Angola situa-se no sudoeste de África e tem uma área de aproximadamente 1.246.700
km2. O país esteve em guerra civil desde 1975 até 2002 e, até hoje os vestígios da guerra

14
influenciam os aspectos sociais e ambientais da sociedade Angolana. Esta situação é ainda
mais grave em Luanda, a capital do país, onde se concentram cerca de 8,2 milhões dos
habitantes do país. Este número corresponde a quase 27,3% de toda a população de Angola
o que tem reflexos na urbanização e no aumento dos padrões de consumo que apontam
para o crescimento da quantidade e complexidade dos Resíduos Sólidos Urbanos (RSU)
na cidade de Luanda e no país em geral. A capital de Angola produz cerca de 7.000 t de
RSU por dia. Neste contexto, os resíduos produzidos revelam-se como outro factor que
afecta de forma negativa e prejudica ainda mais os habitantes, sujeitando-os a graves
problemas sanitários (Almeida, 2017; Paulo et al, 2016; Bernardo, 2008).
A degradação ambiental que tem ocorrido à nível das universidades tem introduzido novas
preocupações. Nos encontros, debates e grandes conferências realizadas para a discussão
deste assunto é consensual a necessidade da mudança de mentalidade e a busca de novos
valores e de uma nova ética para reger as relações sociais, cabendo à educação um papel
fundamental neste processo. A Gestão de Resíduos Sólidos (GRS), em uma Instituição de
Ensino Superior (IES), exige uma visão holística sobre vários pontos das etapas das
actividades de ensino que interferem nos processos de planeamento, transformação,
movimentação e utilização de insumos e demais produtos (Rossi, 2017).
Este trabalho apresenta uma abordagem sistemática viabilizando uma metodologia de
gestão de RS como proposta piloto, tendo em vista o estabelecimento da Faculdade de
Engenharia da Universidade Agostinho Neto como área de implementação, podendo ser
adaptado futuramente para outras IES existentes em Angola.
A Faculdade de Engenharia em suas actividades diárias e por possuir diferentes locais
interligados, como salas de aula, laboratórios, sectores administrativos, refeitórios,
repografia, posto médico, entre outros locais, produz variedades de resíduos de diferentes
propriedades e perigos de contaminação associados. A inexistência de um plano
estratégico influencia a gestão dinâmica dos resíduos produzidos. Consequentemente
torna-se necessário que a instituição proponha e aplique acções para dispor correctamente
os resíduos que produz.

15
Problema
A inexistência de uma metodologia influencia negativamente na gestão dinâmica dos
resíduos sólidos produzidos na Faculdade de Engenharia da Universidade Agostinho
Neto, causando perigos de contaminação associados.

Hipótese
Se se implementar uma metodologia de gestão de resíduos sólidos na Faculdade de
Engenharia da Universidade Agostinho Neto se levaria acabo uma adequada redução e
aproveitamento dos mesmos, diminuindo os perigos de contaminação associados.

Objectivos
Objetivo geral
Propor uma metodologia de gestão de resíduos sólidos para a Faculdade de Engenharia
da Universidade Agostinho Neto.

Objectivos específicos

1. Caracterizar os resíduos sólidos produzidos na Faculdade de Engenharia da


Universidade Agostinho Neto.
2. Avaliar a opinião e o comportamento dos utentes da Faculdade de Engenharia em
relação à gestão dos resíduos sólidos, por meio da aplicação de questionários e
entrevistas.
3. Propor uma estrutura de gestão ambiental para Faculdade de Engenharia da
Universidade Agostinho Neto.

16
Justificativa
As IES devem ter a responsabilidade e compromisso de adoptar atitudes e
comportamentos que savaguardem o ambiente. Actualmente muitas IES à nível da região
africana e internacional, vêm desenvolvendo estudos e medidas em seus campus com
adopção de modelos de gestão dos resíduos gerados de forma eficaz e sustentável. Sendo
a Faculdade de Engenharia da Universidade Agostinho Neto (FEUAN) uma IES com
necessidades a este nível, por gerar resíduos, este trabalho justifica-se no sentido de trazer
consigo um modelo de mudança prática de atitudes, agregando a consciencialização da
comunidade estudantil para a formação de novos hábitos, com aplicação de uma proposta
de gestão integradora e sustentável dos resíduos sólidos produzidos. Com a
implementação do modelo sugerido para a FEUAN será possível minimizar e valorizar os
resíduos gerados, na medida em que implica uma significativa redução da poluição
ambiental e do desperdício, elevando a responsabilidade social. Para a existência deste
processo a longo prazo, propõe-se a criação de uma estrutura de gestão ambiental na
FEUAN.

17
Estrutura do trabalho
O presente trabalho está dividido em cinco capítulos.
O Capítulo 1 apresenta o tema, o problema, a hipótese, os objectivos, e a justificativa para
a realização do estudo.
O Capítulo 2 aborda a revisão da literatura, contendo, conceitos sobre os resíduos,
classificação, armazenamento e tratamento integrado destes resíduos, elementos sobre a
legislação vigente em Angola assim como também exemplos de gestão em outras
universidades.
O Capítulo 3 apresenta a metodologia utilizada para o desenvolvimento do trabalho,
contendo o tipo e fontes de pesquisa, amostragem e os instrumentos de recolha de dados.
O Capítulo 4 apresenta os resultados obtidos e análise dos mesmos, utilizando ferramentas
de softwares apropriados.
O capítulo 5 descreve as considerações finais do presente estudo, estabelecendo também
as limitações e o alcance dos objectivos delineados na pesquisa, bem como as
recomendações para os estudos futuros.
Nos elementos pós-textuais, apresentam-se sequencialmente as referências bibliográficas,
os anexos e os apêndices mencionados ao longo dos capítulos desta monografia.

18
2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS

Neste capítulo é apresentado um panorama de informações associadas à temática,


destacando-se os conceitos gerais sobre os resíduos, gestão de resíduos sólidos, os
impactes ambientais, os aspectos legais e as experiências de IES relactivamente à
metodologia de gestão ambiental.

Resíduos Sólidos
Conceitos Gerais
Devido aos impactes sobre o meio ambiente e a sociedade, a questão dos resíduos sólidos
tem sido muito discutida nas últimas décadas, por isso, urge a necessidade de se repensar
as práticas de gestão no âmbito ambiental, ecológico e social.

O Decreto Presidencial n.°190/12 de 24 de Agosto, no seu artigo 3.º sobre a gestão de


resíduos define resíduos como substâncias ou objectos de que o detentor se desfaz ou tem
a intenção ou obrigação legal de se desfazer, que contêm características de risco por serem
inflamáveis, explosivas, corrosivas, tóxicas, infecciosas ou radioactivas ou por
apresentarem qualquer outra característica que constitua perigo para a vida ou saúde das
pessoas e para o ambiente.
Segundo De Rossi (2017) resíduo sólido é definido como resíduos nos estados sólido e
semissólido, que resultam de actividades de origem industrial, doméstica, hospitalar,
comercial, agrícola, de serviços e de varredura. Ficam incluídas nesta definição as lamas
provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e
instalações de controlo de poluição, bem como determinados líquidos cujas
particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos
de água ou exijam para isso soluções técnicas e economicamente inviáveis face a melhor
tecnologia disponível.
À medida que se verifica o desenvolvimento de um país observa-se a proliferção dos
resíduos sólidos. A geração de resíduos nos países industrialmente desenvolvidos é maior
comparativamente aos menos desenvolvidos, porém estes resíduos são melhor geridos,
porque a maioria dos países industrializados adoptam a filosofia da “Hierarquia de Gestão

19
de Resíduos” baseada na prevenção/minimização, recuperação de materiais, incineração
e aterro sanitário. A população hoje tem um grande déficit em não se preocupar com a
quantidade de resíduos produzidos e a forma do seu descarte. Existem diferentes tipos de
resíduos, mas todos recebem o mesmo processo linear simples de uso e descarte (Oliveira,
2017).

Classificação dos resíduos sólidos


Existem vários tipos de classificações para os RS. A seguir é apresentada a classificação
segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) citada por Rojas (2014):

Figura 2.1. Classificação de resíduos segundo a OMS


Fonte: Adaptado de Rojas (2014)

Os RS podem ainda ser classificados segundo a legislação angolana, isto é, de acordo com
o que estabelece o Decreto Presidencial n.º 190/12, de 24 de Agosto no seu Artigo 4º da
seguinte forma: perigosos e não perigosos.

20
Categorias dos resíduos não perigosos:
a) Resíduos sólidos domestícos;
b) Resíduos domésticos volumosos;
c) Resíduos de limpeza pública;
d) Resíduos de construção e demolição;
e) Resíduos sólidos comerciais;
f) Resíduos sectoriais;
g) Resíduos de jardins;
h) Resíduos sólidos industriais.

Categorias dos resíduos perigosos:


a) Resíduos clínicos resultantes de tratamento médico em hospitais, centros médicos
e clínicas;
b) Resíduos provenientes da produção e preparação de produtos farmacêuticos;
resíduos de medicamentos e produtos farmacêuticos;
c) Resíduos provenientes da preparação de bio-ácidos e de produtos
fitofarmacêuticos;
d) Resíduos resultantes da produção, preparação e utilização de produtos
preservadores da madeira;
e) Resíduos resultantes da produção, preparação e utilização de solventes orgânicos;
f) Resíduos de tratamento térmico e de operações de têmpera, contendo cianetos;
resíduos de óleo minerais impróprios para o seu uso original;
g) Resíduos de misturas e emulsão de óleos/água ou hidrocarbonetos/água; resíduos
à base de alcatrão provenientes do tratamento de refinação, destilação ou qualquer
pirólise;
h) Resíduos resultantes da produção, preparação e utilização de produtos químicos e
materiais fotográficos; resíduos de natureza explosiva quando abrangidos por
outra legislação, entre outros.
A incidência deste estudo baseia-se na análise dos resíduos não perigosos gerados. E sobre
a gestão destes resíduos, a regulamentação Angolana plasmada no Decreto Presidencial
nº 190/12 de 24 de Agosto, no seu artigo 3.º define os Resíduos Urbanos como aqueles

21
provenientes de habitações ou outros resíduos semelhantes, em razão da sua natureza ou
composição, nomeadamente os provenientes do sector de serviços ou de estabelecimentos
comerciais ou industriais e de unidades prestadoras de cuidados de saúde, desde que, em
qualquer dos casos, a produção diária não exceda os 1100 litros por produtor.

Segundo Rojas (2014) define-se ainda RSU como todos os resíduos gerados em
actividades desenvolvidas nas cidades ou conglomerados urbanos e cuja gestão está a
cargo das autoridades municipais. Nesta definição incluem-se os resíduos domiciliares,
comerciais, públicos e em alguns casos os resultantes das demolições.
Dentre as várias maneiras de se classificar os resíduos sólidos as mais comuns são:
 Por sua composição química;
 Pela sua natureza física;
 Pelos riscos potenciais de contaminação ao meio ambiente e a saúde;
 Pela sua origem.
Segundo Clavell (2014) os RS podem ser classificados quanto à composição química em:
 Resíduos Orgânicos: são todos os resíduos de origem animal ou vegetal. São de
uma maneira geral, biodegradáveis, por apresentarem na sua constituição grande
teor de matéria orgânica, tais como sobras de alimentos (carnes, vegetais, cascas
de ovos, frutas, ossos, folhas das árvores, podas de jardim, papel, papelão, madeira
dentre outros).

Figura 2.2. Resíduos orgânicos


Fonte: https://resgatefossa.com.br/importancia-da-coleta-de-residuos-organicos, acessado em 26 de
Agosto de 2019.

22
 Resíduos Inorgânicos: são todos os resíduos que não possuem origem biológica,
isto é, produzido através de meios humanos. Estes tipos de resíduos levam muito
tempo para serem degradados pela natureza por serem, de uma meneira geral, não
biodegradáveis, requerendo pórem maior rigor no que concerne à sua disposição
no meio, tais como plásticos, vidros, borrachas, tecidos, metais (alumínio), velas,
entre outros.

Figura 2.3. Resíduos inorgânicos


Fonte:https://recicle2017.wordpress.com/2017/11/08/lixo-organico-e-lixo-inorganico/, acesso em 26 de
Agosto de 2019.

Para um melhor manuseamento os RS inorgânicos são divididos em recicláveis e não


recicláveis.
 Resíduos inorgânicos recicláveis: são os resíduos inorgânicos que podem retornar
à cadeia de produção, por meio de transformação física ou química, e gerar novos
produtos para o consumo, tais como latas de metal, garrafas, frascos e potes de
plástico ou vidro, brinquedos, sacos, cascos de vidro dentre outros (Clavell, 2014).
Na gestão de RS, a reciclagem é apontada como uma solução viável gerando
alguns beneficios à preservação do ambiente, a economia de energia e de recursos
naturais, assim como emprego e renda para a sociedade.
 Resíduos inorgânicos não recicláveis: são os resíduos inorgânicos que não podem
ser reutilizados após transformação química ou física. Por exemplo, fotografias,
papel higiénico, papéis e guardanapos com gorduras, papéis metalizados,
parafinados ou plastificados, materiais radioactivos, cabos de panela, espelhos,
cristal, ampolas de medicamentos, cerâmicas e louças e pneus.

23
Segundo a Secretaria Especial do Desenvolvimento Urbano do Brasil (SEDU-2006)
classifica os resíduos quanto às características físicas, em seco e húmido. A humidade
representa a quantidade relativa de água contida na massa dos resíduos, e pode variar de
acordo com a composição destes. Esta classificação é muito usada nos programas de
recolha selectiva por ser facilmente compreendida pela população.
 RS seco – apresenta baixo teor de humidade. É composto geralmente por materiais
potencialmente recicláveis, como por exemplo, plásticos, papéis, metais, couros
tratados, tecidos, vidros, madeiras, guardanapos e toalhas de papel, lâmpadas,
parafina, cerâmicas, porcelana, espumas e cortiças.
 RS húmido – apresenta alto teor de água contida em sua massa. A massa húmida
corresponde à parte orgânica, como por exemplo, sobras de alimentos, cascas de
frutas, restos de poda, cascas de verduras, ovos, legumes e alimentos estragados.
Pelos riscos potenciais que representam para o meio ambiente e a saúde, segundo
Figueiredo (2007), os RS são classificados em duas classes em função de seus riscos:
 Os resíduos classe I - denominados como perigosos, são aqueles que em função de
suas propriedades físicas, químicas ou biológicas, podem apresentar riscos à saúde
e ao meio ambiente. São caracterizados por possuírem uma ou mais das seguintes
propriedades: inflamáveis, corrosivos, reactivos, tóxicos, patogénicos,
cancerígenos, infecciosos, tóxicos para a reprodução mutagénicos, ecotóxicos,
explosivos, comburentes, irritantes, entre outros.
 Os resíduos classe II - denominados não perigosos e subdividem-se em duas
classes: classe II-A e classe II-B.
 Os resíduos classe II-A - são aqueles que não apresentam periculosidade, pórem
não inertes, podem ter as seguintes propriedades: biodegradabilidade,
combustibilidade ou solubilidade em água.
 Os resíduos classe II-B - inertes, não apresentam nenhum de seus constituintes
solubilizados em concentrações superiores aos padrões de potabilidade da água,
com excepção dos aspectos da cor, turbidez, dureza e sabor; são aqueles que por
suas características intrínsecas não oferecem riscos à saúde e ao ambiente; muitos
destes resíduos são recicláveis.

24
Segundo Clavell (2014) os resíduos podem ser classificados quanto à sua origem da
seguinte forma:
 Resíduos domiciliares: são os gerados nas actividades diárias em residências,
constituem-se por restos de alimentos (tais como cascas), produtos deteriorados,
jornais, revistas, garrafas, embalagens em geral, papel higiénico, fraldas
descartáveis, entre outros, podem conter alguns resíduos tóxicos;
 Resíduos comerciais: são gerados em diversos estabelecimentos comerciais e de
serviços, tais como bancos, supermercados, lojas, bares e restaurantes. São
normalmente constituídos pelos mesmos itens encontrados no lixo doméstico, mas
em maior proporção;
 Resíduos de serviços públicos: são gerados dos serviços de limpeza urbana,
incluindo todos os resíduos resultantes de limpezas de praias, galerias, restos de
podas de plantas, entre outros;
 Resíduos hospitalares: resultam do descarte por parte dos hospitais, farmácias e
clínicas veterinárias (algodão, seringas, agulhas, restos de curativos, sangue
coagulado, órgãos e tecidos removidos, meios de cultura e animais utilizados em
testes, restos fotográficos de raio X). Em função das suas características merecem
um cuidado especial, devendo ser incinerados e os resíduos levados para um aterro
sanitário;
 Resíduos de portos, aeroportos, terminais rodoviários e ferroviários: possuem
legislação própria e não se encaixam nos urbanos e nos comerciais. Estes resíduos
são gerados nos terminais e dentro dos navios, aviões e veículos de transporte,
decorrentes do consumo dos passageiros. São resíduos sépticos, ou seja, que
contêm ou podem conter germes patogénicos. Basicamente, originam-se de
material de higiene pessoal e restos de alimento. O perigo deste tipo de material
reside no risco de transmissão de doenças já erradicadas de um país;
 Resíduos industriais: são gerados pelas actividades dos diversos ramos da
indústria, tais como: a metalúrgica, a química, da papelaria, da alimentícia, entre
outros. O resíduo industrial é bastante variado, podendo ser representado por cinza,
resíduos alcalinos ou ácidos, plásticos, papel, madeira, fibras, borracha, metal,

25
escórias, vidros, cerâmicas. Este tipo de resíduo necessita de tratamento especial
pelo seu potencial de perigosidade e toxicidade;
 Resíduos radioactivos: são resíduos provenientes da actividade nuclear (resíduos
de actividades com urânio, césio, tório, rádio) devem ser manuseados apenas com
equipamentos e técnicas adequadas. A elevada radioactividade deste tipo de
resíduo representa grave perigo à saúde da população e deve ser disposto em local
adequado e inacessível;
 Resíduos agrícolas – são resíduos sólidos originados das actividades agrícolas e
pecuárias, como embalagens de adubos, defensivos agrícolas de colheita, entre
outros. O resíduo proveniente de pesticidas é considerado tóxico e necessita de
tratamento especial;
 Resíduos de construção e demolição (entulho): são resíduos gerados pela
construção civil, compostos em sua maioria por uma mistura de materiais inertes
como concretos, argamassa, madeira, plásticos, metais, solos de escavações.
Também podem conter materiais tóxicos como tintas, solventes e peças de
amianto. O entulho é geralmente inerte, passível de reaproveitamento.

a) b)

Figura 2.4. a) Resíduos hospitalares e b) Resíduos de construção e demolição


Fonte: https://tibagi.pr.gov.br/noticias/residuos-hospitalares-sao-encontrados.em-lixo-com, acesso em 26
de Agosto, 2019 a) e https://residuoall.com.br/2017/05/17/residuos-solidos-da-construcao-civil-o-que-
fazer, acesso em 26 de Agosto de 2019 b)

26
Características dos resíduos sólidos urbanos
As características dos RSU são complexas e podem variar em função de aspectos sociais,
económicos, culturais, geográficos e climáticos, ou seja, os mesmos factores que também
diferenciam as comunidades entre si e as próprias cidades, reflectindo assim a qualidade
de vida das populações que os produzem. Não obstante a sua grande heterogeneidade
podem distinguir-se neles três fracções principais (Oliveira, 2009 e Clavell, 2014):
 Fracção biodegradável, constituída por matéria orgânica facilmente destruída pela
actividade microbiana (resíduos alimentares, papel, cartão, relva cortada
proveniente de jardins e de outros espaços verdes, restos de podas de árvores e
arbustos, entre outros);
 Fracção combustível, constituída por matéria orgânica que é difícil de digerir ou
não é digerível nas condições e nos períodos em que tal é possível (madeira de
dimensões significativas, plásticos ou outros materiais industriais não
biodegradáveis);
 Fracção inerte, constituída por pedras, areia, vidro e metais.
As principais caracteristicas dos resíduos sólidos são as seguintes:
 Físicas;
 Químicas ;
 Biológicas.
Segundo Rojas (2014) as principais características físicas dos RS são: composição física
ou gravimétrica ou mássica (%), peso específico (Kg/m3), produção per capita
(kg/hab.dia), teor de humidade (%), grau de compactação.
No que diz respeito à produção per capita a mesma é definida pela quantidade diária de
resíduos produzidos por uma pessoa. Em Angola os valores encontram-se entre 0.5 e 1.1
kg por habitante diariamente (Alves, 2014).
A característica química - consiste na determinação dos teores de cinzas, matéria
orgânica, carbono, potássio, cálcio, fósforo, resíduo mineral total e solúvel e gorduras.
De acordo com Moreira (2008), as principais características químicas são: potencial de
hidrogénio (pH), relação carbono/nitrogénio, poder calorífico.

27
 Potencial de hidrogénio (pH)- este indica o teor de acidez ou alcalinidade do
resíduo e que em geral situa-se na faixa de 5 a 7.
 Relação carbono/nitrogénio - indica o grau da composição da matéria orgânica
presente no resíduo. Os valores dete parâmetro, encontram-se na ordem de 35/1 a
20/1.
 Poder calorífico – é a capacidade potencial do material de libertar calor quando
submetido à queima. É um parâmetro importante nos processos de tratamento
térmico dos resíduos. Existem dois tipos de poder calorífico: poder calorífico
superior e o poder calorífico inferior, a diferença resulta da consideração do estado
final da mistura de gases de combustão e do vapor de água que se forma na queima
de substâncias hidrogenadas. O poder calorífico médio do lixo doméstico se situa
na faixa de 5.000 kcal/kg (Soares, 2011 e Rojas, 2014).
É importante conhecer as propriedades químicas dos resíduos porque é destes que depende
a sua capacidade de queima e conteúdo energético, elementos importantes para optar pela
sua incineração com recuperação energética. Isto porque os resíduos são uma combinação
de materiais combustíveis e não combustíveis (Russo, 2003).
As caraterísticas biológicas (bacteriológicas) estão relacionadas com as populações de
microrganismos (fungos e bactérias) presentes e responsáveis pela decomposição da
matéria orgânica, além de serem determinantes na escolha dos métodos de tratamento e
deposição final dos resíduos sólidos, têm sido utilizadas no desenvolvimento de inibidores
de cheiro (remoção de odor) e de retardadores ou aceleradores da decomposição da
matéria orgânica. Também podem ser encontrados entre os resíduos organismos
patogénicos (coliformes, bactérias, vírus, protozoários e vermes) potencialmente
causadores de doenças em seres humanos (Correia, 2012 e Rojas 2014).

Impactes dos resíduos sólidos no ambiente


Em termos teóricos os resíduos por si só não se movem, isto faz com que sejam vistos
onde foram descartados e o seu grau de impacte varia muito de acordo com o tipo de
resíduo descartado. A água poluída ou mesmo o ar contaminado têm capacidade de

28
renovação e restabelecimento ambiental devido às suas propriedades físicas e químicas
(Almeida, 2017).
Os RSU têm componentes orgânicas e inorgânicas e, quando não são inertes, sofrem ao
longo do tempo processos de natureza bioquímica, física e microbiológica. A composição
física, principalmente a matéria orgânica de origem biológica, como os resíduos
alimentares, contêm nutrientes e desenvolvem microrganismos a temperatura ambiente
quando em contacto com o ar, a água e o solo. Alguns podem ser patogénicos responsáveis
pela decomposição da matéria orgânica e fundamentais para a manutenção do ciclo de
vida. A produção de odores e lixiviados são os resultados mais evidentes destes fenómenos
(Veiga, 2012).
Os RSU quando são depositados em espaços abertos e sem qualquer processo de
tratamento causam contaminação dos solos que se pode agravar pelo escorrer da água da
chuva que arrastra excessiva carga orgânica que pode contaminar aquíferos e solos com
elementos patogénicos afectando negativamente a vida aquática(Cruz, 2005).
Diariamente, em Luanda, são depositados resíduos sólidos urbanos sem adequado destino
sanitário e ambiental. Quem vive hoje na cidade de Luanda tem a sensação de que a
problemática dos RS já não tem solução, não obstante os investimaentos realizados
(insuficientes) e a ausência de melhorias.
Apesar de terem sido ensaiados vários modelos de gestão de RS, os mesmos não tiveram
sucesso e, a verdade é que a recolha e tratamento dos RS é cada vez mais deficitária. A
gestão adequada dos resíduos é uma importante estratégia de preservação do ambiente
assim como de promoção e proteção da saúde. Deste modo, a existência de apenas um
aterro sanitário continua a comprometer a qualidade do solo e do ar afectados por
compostos orgânicos voláteis, pesticidas, solventes, metais pesados, entre outros. Outro
aspecto a ter em conta no que toca a gestão dos RS é que a deposição não controlada de
resíduos pode comprometer os aspectos epidemiológicos. Não sendo correcto afirmar que
os resíduos sólidos são causadores directos de doenças, podem, no entanto, ser um meio
para a transmissão de enfermidades para o homem e outros animais através de
microrganismos que neles se multiplicam e outros que são por eles atraídos. Estes
microrganismos são denominados vectores de transmissão de doenças, sendo
classificados em dois grandes grupos: os macrovectores, como por exemplo ratos, baratas,

29
moscas, cães, aves, suínos e equinos (enquadrando o homem neste grupo enquanto
catador) e os microvectores como vermes, bactérias, fungos e vírus, uns que utilizam os
resíduos apenas em determinado período da sua vida e outros que os utilizam a vida toda.
Esta situação representa um grave problema por ser uma fonte contínua de agentes
patogénicos. Estes, quando em contacto com o homem, são responsáveis pelo
aparecimento de doenças respiratórias, epidérmicas e intestinais que podem ser letais
como a cólera, a febre tifóide, a leptospirose, entre outras (Hester et al, 2002).
A inadequada deposição dos RSU tem consequências e riscos para a saúde humana.
Segundo Almeida (2017), áreas próximas a aterros ou lixeiras apresentam níveis elevados
de compostos orgânicos e metais pesados, e as populações residentes nas proximidades
desses locais apresentam níveis elevados desses compostos no sangue. Assim, constituem
potenciais fontes de exposição para as populações, potenciando o aumento de diversos
tipos de câncer, anomalias congénitas, baixo peso das crianças ao nascerem, abortos e
mortes neonatais em populações frequentadoras ou vizinhas desses locais.
Em quase todos os bairros de Luanda existe um lugar onde o lixo é depositado de forma
desordenada formando lixeiras e a seguir são queimados produzindo quantidades variadas
de substâncias tóxicas, como gases, partículas de metais pesados, compostos orgânicos,
dioxinas e furanos emitidos para a atmosfera (CEIC - UCA, 2012).
As decisões que envolvem a gestão de RSU deviam ter em conta os problemas de saúde
pública e não apenas as questões políticas, económicas, sociais e ambientais. Dessa forma
seria possível caminhar para um desenvolvimento mais saudável, numa perspectiva
socialmente justa e ambientalmente sustentável (Almeida, 2017).

Gestão de resíduos sólidos


Depois de feita a classificação e a caracterização dos resíduos é útil abordar o aspecto da
sua gestão.
A gestão dos resíduos é uma metodologia que ocorre em uma dada população que visa
definir e implementar estratégias para preservação, recolha, redução, tratamento,
eliminação e destino final adequado dos resíduos, e assim alcançar o desenvolvimento
sustentável; a gestão é um processo cíclico de ajustes e revisões frequentes (Luque, 2010).

30
A regulamentação angolana sobre a gestão de resíduos, plasmada no Decreto Presidencial
nº 190/12 de 24 de Agosto, no seu artigo 3.º alínea k) define:
Gestão de Resíduos são todos os procedimentos viáveis com vista a assegurar uma gestão
ambientalmente segura, sustentável e racional dos resíduos, tendo em conta a necessidade
da sua redução, reciclagem e reutilização, incluindo a separação, recolha, transporte,
armazenagem, tratamento, valorização e eliminação, bem como a posterior protecção dos
locais de eliminação, de forma a proteger a saúde humana e o ambiente contra os efeitos
nocivos que possam advir dos mesmos.
A gestão de resíduos é uma ferramenta importante para reduzir os impactes ambientais, e
neste âmbito deve ser um compromisso de todos, do sector público, das administrações
provinciais, distritais, municipais e comunais, de iniciativas privadas, de seguementos
organizados da sociedade civil dentre outros (Oliveira , 2017).
Para que se efective a gestão de resíduos é necessário elaborar e implementar um Plano
de Gestão de Resíduos Sólidos (PGRS) que contribuirá para a redução da geração de
resíduos sólidos e oriente para o correcto acondicionamento, armazenamento, recolha,
transporte, reutilização e reciclagem por meio de tecnologias sociais, tratamento e destino
final (Gonçalves et al, 2010).
Relativamente ao Plano de Gestão de Resíduos, o Decreto Presidencial n.º 190/12, de 24
de Agosto no seu Artigo 3.º , alinea (o) refere que:
O Plano de Gestão de Resíduos é um “ documento que contém informação técnica
sistematizada sobre as operações de recolha, transporte, armazenamento, tratamento,
valorização ou eliminação de resíduos, incluindo a monitorização dos locais de descarga
durante e após o encerramento das respectivas instalações, bem como o planeamento
dessas operações”.
Segundo Oliveira (2017) a gestão de resíduos sólidos deve atender a seguinte ordem de
prioridade, conforme estruturada na Figura 2.5.

Não Deposição
Redução Reutilização Reciclagem Tratamento
Geração Final

Figura 2. 5. Sequência de prioridade de gestão de resíduos sólidos


Fonte: Adaptado de Oliveira (2017)

31
Segundo Luque (2010) a gestão de resíduos urbanos tem os seguintes objectivos:
 Ecológicos: reduzir lixeiras a céu aberto e, portanto, a principal fonte de
contaminação associada aos resíduos gerados pela actividade humana. Promover
o uso racional dos recursos naturais renováveis e não renováveis através da
reciclagem e reutilização de resíduos;
 Sanitários: eliminar as patologias associadas, doenças infecciosas transmitidas por
vectores normais (roedores e insectos) como a leptospirose e dengue, entre outras.
Da mesma forma se diminui o risco de consumo de água contaminada;
 Educativos: mediante programas educativos, introduzir no seio das famílias
hábitos culturais que permitam as boas práticas ambientais, começando com a
classificação domiciliar dos resíduos;
 Económicos: obter um desenvolvimento sustentável no qual se aproveita os
resíduos e se diminui em muitos casos os custos de elaboração de produtos.

Etapas de gestão dos resíduos sólidos


Segundo Castilhos Jr et al. (2003) citado por De Rossi (2017) a gestão integrada de
resíduos sólidos urbanos deve abranger etapas articuladas entre si, desde a não geração
até a desposição final, com actividades compatíveis com as dos demais sistemas de
saneamento ambiental, sendo essencial a participação activa e cooperativa do primeiro,
segundo e terceiro sector (governo, iniciativa privada e sociedade civil organizada,
respectivamente). O Tabela 2.1 apresenta as etapas de gestão dos resíduos sólidos.

32
Tabela 2.1 Elementos principais da gestão de resíduos
Elementos Descrição
Geração de Etapa de identificação da população sem um real controle por
resíduos parte do indivíduo que produz;
Separação e A separação de componentes de resíduos ocorre na fonte
Acondicionamento geradora por meio de características similares dos resíduos. O
acondionamento engloba o local onde os recipientes são
colocados e posteriormente serão carregados para o ponto de
recolha;
Recolha e A recolha inclui o acto de recolher os resíduos sólidos e os
Transporte materiais recicláveis. O transporte destes materiais ocorre por
meio de um veículo de recolha esvaziado de forma adequada até
uma estação de transferência, local de tratamento e/ou deposição
final;
Transferência A transferência de resíduos ocorre do veículo de recolha para um
local de processamento ou eliminação;
Reaproveitamento Por meio da separação e processamento de resíduos em
instalações de recuperação os materiais são reaproveitados;
Tratamento São utilizados para reduzir o volume e peso dos resíduos
podendo ser eliminados e recuperados produtos de conversão e
de energia;
Deposição Final Ocorre a eliminação dos resíduos por métodos de deposição em
instalações de destinação final dos resíduos sólidos.
Fonte: Adaptado de Tchobanoglous e Kreith (2002)

A pré-recolha é uma fase onde os resíduos são segregados na fonte geradora, para tal
existem diferentes métodos. Um dos métodos mais utilizados é a instalação de contentores
de pré-recolha selectiva, que geralmente se diferenciam pelas cores onde cada cor
corresponde a um tipo de resíduo estabelecido. A recolha selectiva pode ser realizada nos
domicílios, por veículo de carroceria adaptada, com frequência semanal ou através de
Postos de Entrega Voluntária (PEVs), mediante a instalação de caçambas e contêineres de
cores diferenciadas, em pontos estratégicos, onde a população possa levar os materiais
segregados, conforme ilustra a Tabela 2.2 (Leite, 2002).

Tabela 2.2 Tipologia das cores para a recolha selectiva


Azul Vermelho Verde Amarelo Preto Laranja Branco Lilás Castanho Cinza
Papel
/papelão Plástico Vidro Metal Madeira Perigosos Hospitalares Radioactivos Orgânicos Contaminados

Fonte: Adaptado de http://www.portalresiduossolidos.com/gestao-e-gerenciamento, acessado em 3 de


Maio, 2019

33
Para além da classificação por tipologia de material existem 4 tipos de sistema para a
recolha dos materiais recicláveis. As caracterizações destes sistemas são descritas no
Tabela 2.3.
Tabela 2.3 Classificações da recolha selectiva
Tipo de recolha Descrição
Recolha selectiva É o procedimento de recolha semelhante a recolha regular de
resíduo, porém os veículos de recoha que não possuem
porta a porta
compactador e percorrem as residências em dias e horários
específicos que não coincidam com a recolha normal.
Recolha selectiva É conhecida como os pontos fixos de pequenos depósitos de
resíduos recicláveis. Dentro dos acessos viários urbanos como
voluntária
ruas ou avenidas e rodovias, entre outros, de uma cidade. O
cidadão espontaneamente deposita os recicláveis em locais como
os Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) e os Locais de Entrega
Voluntária (LEVs).
Posto de Funciona como uma alternativa aos cidadãos que por algum
motivo não colocaram os seus resíduos nos dias normais da
recebimento ou
recolha porta a porta. Assim, os postos de recebimento são locais
troca afastados dos centros urbanos que recebem o resíduos recicláveis.
Alguns postos ainda recebem lâmpadas, pneus e óleos
lubrificantes, entre outros resíduos especiais.
Catadores Os catadores são conhecidos como “agentes” da recolha
selectiva. Actuando efectivamente na recolha dos resíduos que
são cruciais para o abastecimento do mercado de matérias
recicláveis, e responsáveis pela recolha de vários tipos de
materiais.
Fonte: Adaptado de Oliveira (2017)

O transporte dos RSU segundo Correia (2012) é importante tanto para a confirmação das
quantidades produzidas, como para o reconhecimento dos fluxos origem-destino e
identificação dos agentes com os quais deverá ser estabelecido o diálogo que induzida à
sua participação no processo. Os resíduos produzidos precisam ser transportados
mecanicamente do ponto de geração à deposição final. As viaturas de recolha e transporte
de RSU’s mais usuais podem ser de dois tipos:
 Com compactação;
 Sem compactação.
Segundo Braga e Morgado (2012) citados por (Almeida, 2017), o transporte dos RSU,
deve obedecer as seguintes condições:

34
 Os resíduos sólidos devem ser transportados em veículos de caixa fechada ou, pelo
menos, com a carga devidamente coberta;
 Os resíduos constituintes de um carregamento devem ser devidamente arrumados
e escorados;
Se no carregamento, durante o percurso ou na descarga, ocorrer algum derrame, a zona
contaminada deve ser imediatamente limpa.
Segundo Martinho e Gonçalves (2000) citados por (Almeida, 2017), o local de deposição
dos resíduos não se deve distanciar mais do que 25 km da última zona de recolha, isto
porque o veículo de remoção tem velocidade reduzida e, neste caso, pode ser mais
dispendioso no que diz respeito ao tempo no transporte do que na recolha propriamente
dita. Se os volumes forem significativos, podem-se construir postos de transferência para
o transporte para a maior distância.
O tratamento é a fase em que se procede à eliminação dos resíduos ou à valorização,
procedimentos esses destinados a recuperar os recursos existentes nos RS’s e a reduzir a
quantidade ou o potencial poluidor dos resíduos sólidos, seja impedindo o descarte de
resíduos em ambiente ou local inadequado, ou transformando-o em material inerte ou
biologicamente estável. Os tratamentos mais comuns são a deposição em aterro sanitário,
compostagem, reciclagem e a produção de biogás a partir de um biodigestor ou
processamento para posterior utilização por técnicas especializadas (Luque, 2010 e De
Rossi, 2017). As centrais de incineração, reciclagem ou compostagem interferem sobre a
actividade biológica até que ela cesse, tornando o resíduo inerte e não mais poluidor.
Segundo Costi et al (2004) citado por De Rossi (2017) especificamente, nas últimas duas
décadas, consideráveis esforços de pesquisa foram direcionados para o desenvolvimento
de modelos de optimização económica para alocação do fluxo de resíduos sólidos urbanos.
No entanto, uma abordagem meramente baseada em considerações económicas não pode
ser considerada completamente satisfatória em relação a problemas de gestão de resíduos.
Na verdade, o planeamento de um sistema de gestão de resíduos sólidos é uma tarefa
muito complexa, porque é necessário considerar simultaneamente objectivos conflituosos.
Além disso, esses problemas são geralmente caracterizados por uma incerteza intrínseca
no que diz respeito às estimativas de custos e impactes ambientais.

35
Aspectos legais aplicáveis aos resíduos sólidos
A gestão de resíduso sólidos é uma atitude que proporciona um ambiente sadio e
protegido, garantindo a qualidade de vida das populações. Em Angola, começou-se a
demostrar interesse por aspectos relacionados com o ambiente (protecção do ambiente)
quando se fez a revisão/transição constitucional de 1992. Porém, uma das alterações
significativas nessa revisão/transição constitucional foi, a agregação do “dever de
defender e preservar o ambiente” ao “direito a viver num ambiente sadio e não poluído”
conforme referncia o artigo 39º/1 da lei magna da República de Angola, Constituição da
República de Angola (CRA), (Gomes, 2012).

Enquadramento legal
A experiência acumulada nos últimos anos tanto a nível internacional como nacional, tem
produzido uma nova consciência global acerca das implicações ambientais do
desenvolvimento humano, traduzida por uma maior responsabilização da sociedade como
um todo, diante das referidas implicações. Entretanto, cabe aos Estados, em primeiro
lugar, definir políticas ambientais que correspondam a essa nova consciência global, como
o objecto não só de ronovar ou utilizar correctamente os recursos naturais disponíveis,
garantindo assim o desenvolvimento sustentado de toda a humanidade, como também de
assegurar, permanentemente, a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos (Lei de Base
do Ambiente n. 5/98)
A constituição Angolana no seu artigo 39º estabelece o ambiente como um direito
fundamental dos cidadãos, portanto, a defesa do mesmo é uma questão de interesse
público pelo que, é necessário assegurar que todos os cidadãos desfrutem de um ambiente
sadio e equilibrado. O artigo 39º da CRA estabelece também que todos têm o direito de
viver num ambiente sadio e não poluído bem como têm o dever de o defender e preservar.
Para dar cumprimento a esta norma constitucional, existe a Lei de Base do Ambiente (Lei
n. 5/98) que enuncia de forma exaustiva os grandes princípios do Direito do Ambiente,
fixa os direitos e deveres dos cidadãos para com ambiente, a responsabilidade do Estado
e dos cidadãos nesta matéria.

36
Alguns Princípios do Direito do Ambiente plasmados no artigo 4º da Lei nº 5/98 de 19 de
Junho enunciam-se a seguir.
1-Príncípio da Formação e educação ambiental
2-Príncipio da Participação
3-Principio da Prevenção
4-Princípio do Equilíbrio
5-Principio da Responsabilidade
Ao longo dos últimos anos foi produzido um conjunto de legislação significativa na área
do ambiente, mais concretamente para o sector dos resíduos (ISWA/APESB, 2014):
1. O Decreto Presidencial nº 02/07, de 28 de Agosto, realça que as administrações
Municipais, são responsáveis pela gestão dos resíduos sólidos e a promoção do
saneamento básico;
2. Decreto Presidencial nº196/12, de 30 Agosto, que define o Plano Estratégico
para Gestão de Resíduos Urbanos (PESGRU);
3. Decreto Presidencial nº 190/12, de 24 de Agosto que estabelece o Regulamento
sobre a Gestão de Resíduos;
4. Decreto Executivo nº 234/13, 18 de Julho, que aprova as Normas para
elaboração dos Planos de Acção Provinciais de Gestão Resíduos Urbanos;
5. Plano Estratégico das Novas Tecnologias Ambientais;
6. Programa Nacional da Qualidade Ambiental (PNQA);
7. Plano de Desenvolvimento Nacional 2018 – 2022 (PDN 2018 – 2022);
8. A Lei das Transgressões Administrativas (Lei n.º 12/11 de 16 de Fevereiro),
que diz respeito a transgressões administrativas cometidas em nome individual
ou coletivo por cidadãos ou entidades público-privadas.
Contudo, tendo em conta os esforços legislativos e administrativos tendentes à resolução
das questões ambientais, é de salientar que os mesmos ainda não são suficientes para lidar
com a totalidade das situações ambientas que ocorrem no país. A necessidade urgente de
se fazer uma análise detalhada da legislação existente com o intuito de torná-la mais
específica no que concerne a gestão de resíduos sólidos, de modo que se possa minimizar
e valorizar os mesmos.

37
Pode-se aqui afirmar que não basta ter leis bem elaboradas, é necessário aplicá-las e
monitorar o seu cumprimento.

Normas internacionais
A caracterização de resíduos sólidos é feita com recurso às normas que padronizam a
forma de amostragem e classificação dos resíduos sólidos. Existem várias metodologias
sobre a amostragem de RSU e, dentro dessa variabilidade de metodologias encontram-se
três formas básicas de estimar a quantidade e a composição dos resíduos; pode ser por
amostragem, levantamento por questionário e factores de conversão. Estas não são
necessariamente exclusivas e podem ser usadas em conjunto. Das três formas básicas de
estimar a quantidade e caracterização dos resíduos, o método mais utilizado para
quantificar e caracterizar os RSU é amostragem por triagem manual.
A seguir são apresentados os nomes de algumas metodologias de referência elaboradas
por entidades reconhecidas internacionalmente ou por concertação de esforços de vários
países (Carvalho, 2005):
1. Metodologia da ASTM international
2. Metodologia da US EPA
3. Metodologia da ERRA
4. Metodologia da REMECOM
5. Metodologia ARGUS (Alemanha)
6. Metodologia IBGE (Bélgica)
7. Metodologia MODECOM (França)
8. Metodologia EPA (Irlanda)
9. Metodologia SWA-TOOL

A educação ambiental e as instituições de ensino superior

A Educação Ambiental (EA) é o veículo motor e alternativo para reeducar e motivar a


comunidade em benefício do meio ambiente.

38
Segundo Souza (2003) citado por Oliveira (2017) a EA formulou-se ao longo do processo
histórico, construindo-se por meio de reuniões, conferências, encontros, publicações,
movimentos ou até mesmo em disputas de relação sociedade-natureza.
As primeiras reuniões oficiais internacionais organizadas começaram a ocorrer na década
de 1970 com a discussão das diretrizes gerais para a EA. O Clube de Roma em 1972
deixou de ser apenas um grupo isolado com pensamentos pequenos e passou a ser um
movimento ambientalista com a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente.
Nesta conferência recomendou-se a elaboração de um Programa Internacional de EA
(PIEA), o qual foi consolidado no ano de 1975 pelo Seminário Internacional de Belgrado
sobre EA, (Oliveira, 2017).
Segundo Souza (2003) citado por Oliveira (2017) o PIEA, com sede no Chile, descreve
que a EA deve ser continua, multidisciplinar, integrada às diferenças regionais e voltada
para os interesses nacionais. Nesse mesmo ano, o Congresso de EA reconheceu que a
pobreza é o maior problema ambiental.
Segundo Oliveira (2017), a Conferência Intergovernamental sobre EA em Tbilisi na
Geórgia, realizada no ano de 1977, abordou como principais pontos, entre outros: os
problemas ambientais na sociedade contemporânea, o papel da educação para enfrentar os
desafios de problemas ambientais e os actuais níveis nacionais e internacionais para o
desenvolvimento da EA. Nesta conferência de 1977, definiu-se pela Carta de Belgrado a
meta da EA, os objectivos, as estratégias, as características e as suas diretrizes, dentre os
quais vale destacar a meta da EA: “Formar uma população mundial consciente e
preocupada com o meio ambiente e com os problemas associados, e que tenha
conhecimento, aptidão, atitude, motivação e compromisso para trabalhar individual e
colectivamente na busca de soluções para os problemas existentes e para prevenir novos
problemas (Carta de Belgrado: Uma estrutura global para a EA (1975)”.
Assim, a EA surge pela necessidade da percepção, identificação e resolução dos
problemas ambientais. Além da preocupação de contribuir para as soluções destes
problemas ecológicos enfatizados na década de 70, a EA obteve todo um contexto sócio
histórico favorável para o seu surgimento. A Declaração da Conferência
Intergovernamental de Tbilisi sobre EA em 1977 conceitua EA, como (Oliveira, 2017):

39
“A EA deve ser dirigida à comunidade, despertando o interesse do indivíduo em participar
de um processo activo no sentido de resolver os problemas dentro de um contexto de
realidades específicas, estimulando a iniciativa, o senso de responsabilidade e o esforço
para construir um futuro melhor. (...) pode ainda contribuir satisfatoriamente para a
renovação do processo educativo (Declaração da Conferência Intergovernamental de
Tbilisi sobre EA, (1977))”.
Segundo Furiam e Günther (2006) citados por Oliveira (2017) o adjectivo “ambiental”
acrescentado à “educação” diferencia a EA da Educação Geral, no entanto, as suas
finalidades são similares, isto é, levam às pessoas informações que estimulam a
consciência, ao desenvolvimento de atitudes e comportamentos, de forma que estas
participem de maneira activa e positiva no seu entorno.
A década de 2000 é conhecida como a Década da Educação para o Desenvolvimento
Sustentável (DEDS). O seu principal compromisso é construir uma educação para a
sustentabilidade, desenvolvida por meio de acções educativas com características
participativas, questionadoras e reflexivas. Portanto, a EA é um caminho necessário para
uma sociedade mais crítica e inovadora, considerada um dos factores imprescindíveis para
a gestão adequada e sustentável dos resíduos sólidos (Oliveira, 2017).
Segundo Oliveira (2017) a EA possui três categorias de concepção: conservadora, com
ênfase na proteção ao mundo natural; a pragmática, com foco na acção e busca de soluções
para os problemas ambientais; e a crítica, que por sua vez, apresenta a relação do homem
com a natureza, leva o cidadão a compreender os motivos de ser incentivado ao
consumo.Vale ressaltar os conceitos dos 3 Rs como sendo um dos princípios básicos da
EA, segundo a descrição no Tabela 2.4.
Tabela 2.4 Conceito dos 3Rs
PASSOS DO 3RS DESCRIÇÃO
Passo 1 Reduzir Estimular o cidadão a reduzir a quantidade de resíduos que
gera para combater o desperdício e favorecer a preservação
dos recursos naturais
Passo 2 Reutilizar Reaproveitar sempre os materiais utilizados por meio da
reutilização
Passo 3 Reciclar Contribuir com os programas de recolha selectiva, separando
e entregando os materiais recicláveis, quando não for possível
reduzi-los ou reutilizá-los
Fonte: Adaptado de Oliveira (2017)

40
A EA aplicada à gestão de resíduos sólidos dentro de um processo educacional deve tratar
da mudança de atitudes, de forma qualitativa e continuada, mediante a realização de
actividades com envolvimento do meio acadêmico e da comunidade, que não se restringe
apenas às questões de preservação e uso sustentável dos recursos naturais, mas realiza um
trabalho muito mais amplo de consciencialização e mobilização da sociedade, formando
indivíduos capazes de compreender o mundo e agir nele de forma crítica e coerente,
resultando em mudanças de atitudes e comportamento efectivadas com a EA em qualquer
nível de ensino. A EA não deve estar presente no currículo escolar como uma disciplina,
mas que exista nas actividades escolares com o fim de inserir os temas ambientais na vida
dos estudantes e acadêmicos. As práticas de dinâmica escolar são importantes para buscar
a minimização dos impactes ambientais na cidade e também desperta na comunidade
acadêmica a preocupação ambiental individual e em toda a comunidade (Oliveira, 2017).
A EA deve contribuir para a construção de uma cidadania responsável voltada para
culturas de sustentabilidade socioambiental, envolvendo o entendimento de uma educação
cidadã, responsável, crítica, participativa, em que cada sujeito aprende com
conhecimentos científicos e com o reconhecimento dos saberes tradicionais,
possibilitando, assim, a tomada de decisões transformadoras a partir do meio ambiente
natural ou construída no qual as pessoas se integram e assumem um papel protagonista
(Baganha et al, 2018).

Resenha histórica: desenvolvimento sustentável em instituições de ensino


superior
A origem e definição do termo desenvolvimento sustentável consta do relatório de
Brunttland onde se refere que: “desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento que
satisfaz as necessidades da geração presente sem comprometer a capacidade das gerações
futuras para satisfazer as suas próprias necessidades”. Neste relatório foram definidas
ainda as acções e metas a serem desenvolvidas pelos Estados em âmbito mundial (Gazzoni
et al, 2018).
Neste sentido, a aplicabilidade do termo desenvolvimento sustentável deve igualmente
abarcar as universidades e os respectivos campus, pois neles geram-se resíduos que devem

41
ser geridos correctamente e, sobretudo porque estas instituições podem contribuir
decisivamente para a solução de problemas da sociedade no que diz respeito aos resíduos
sólidos.
As IES podem contribuir em matéria de desenvolvimento Sustentável (DS) ensinando
temas de foro ambiental, investigando, avaliando, verificando e controlando os impactes
ambientais provocados pela execução das actividades realizadas em seus campus.
A sustentabilidade em um campus universitário não é algo que se circunscreve apenas a
sua definição como tal, mas sim a algo que define a instituição que a desenvolve. O
comprometimento de uma IES com os temas ambientais acontece por meio de campanhas
e eventos em todos os temas: resíduos, água, energia, alimentos e transporte, sendo
necessário e fundamental o envolvimento de todos, professores, estudantes e funcionários
da instituição (Oliveira, 2017).
As temáticas relacionadas com o ambiente começaram a ser consideradas nas instituições
de ensino superior a partir dos anos sessenta. As primeiras experiências surgiram nos
Estados Unidos, simultaneamente com as promoções de profissionais nas ciências
ambientais e se estenderam ao longo dos anos setenta. Já nos anos oitenta, o destaque foi
para políticas mais específicas relativas à gestão de resíduos e a eficiência energética (Dos
Santos, 2012).
O período entre as Conferências de Estocolmo em 1972 e do Rio de Janeiro em 1992, foi
marcado pela emergência de envolvimento dessas instituições, na Declaração de Talloires,
em Outubro 1990, reitores e vice-reitores de universidades de várias regiões do mundo
tornaram público seu interesse sobre a escala e a velocidade sem precedentes da poluição
e da degradação ambiental. Estas mudanças ambientais ameaçam a sobrevivência dos
seres humanos, dos milhares de outras espécies vivas, da integridade da terra, da sua
biodiversidade, da segurança das nações e das gerações futuras. A declaração de Talloires,
como é chamada no campus europeu em Talloires – França refere que é fundamental
desenvolverem-se acções urgentes para a resolução dos problemas ambientais de forma a
se reverterem as tendências actuais. Um ano mais tarde, em dezembro de 1991 em Halifax,
Canadá, representantes das universidades vinculadas à ONU e das associações das
universidades e faculdades do Canadá uniram-se motivados pela crescente degradação e
poluição do meio ambiente com representantes das universidades de várias partes do

42
mundo, a exemplo do Brasil, Indonésia e Zimbábwe. A declaração de Halifax expressou
o seu desânimo relativo à degradação disseminada e contínua do meio ambiente, das
práticas ambientais insustentáveis, além do perverso aumento da pobreza. Ainda no
âmbito do DS em universidades, em Agosto de 1993, na conclusão da conferência da
associação das universidades comunitárias na Suécia, participantes de 400 universidades,
de 47 países diferentes, focalizaram o tópico dos povos e do meio ambiente, com intuito
de que as universidades comunitárias, seus líderes e estudantes vinculassem seus projectos
as metodologias para responder ao desafio da sustentabilidade, sendo que; as soluções
destes problemas estariam na base de se reunirem as habilidades dos povos e empregar-se
de forma positiva e cooperativa as soluções advindas desta sinergia (Juliatto et al, 2011).
Segundo Oliveira (2017) as IES´s que incluem o DS em seus programas educacionais
deverão vivenciar não só as práticas ambientais, mas também demonstrar e inspirar estes
princípios a outras IES. O conceito de DS é obtido através do desenvolvimento da Gestão
Ambiental (GA) para busca da qualidade ambiental em nosso quotidiano. Por isso, as
próprias IES´s devem trabalhar com a GA aplicada por meio do Sistema de Gestão
Ambiental (SGA) elaborado para o controle e prevenção da poluição do meio ambiente,
de formas a minimizar os impactes ambientais provocados por suas actividades
desenvolvidas no ambiente da instituição. Nas IES´s, o SGA tem como objectivo
coordenar, acompanhar e contribuir para execução de todas as acções ambientais,
principalmente quando estas acções contam com a participação dos docentes, discentes e
funcionários administrativos.
Citando Lara (2012), Oliveira (2017) ressaltou que a implementação do SGA em uma
instituição de ensino, deve considerar todas as actividades de todos os departamentos, as
disciplinas ministradas e as estruturas de gestão aplicadas na instituição, bem como os
sujeitos envolvidos directa ou indirectamente na instituição. Destaca-se também que a
criação de uma identidade ambiental na instituição é fundamental para um bom
planeamento e, a mesma deve estar centralizada em cada campus, considerando a forma
de gestão e funcionamento dos mesmos.
Para implementação de um SGA dentro da IES é necessário, identificar os factores e
variáveis que determinam e interferem no conjunto de mudanças e atitudes da comunidade
académica em relação à produção e manuseamento dos resíduos sólidos. As barreiras do

43
SGA nas instituições caracterizam a falta de informação da sociedade sobre práticas
sustentáveis, a não valorização do meio ambiente por diversos colaboradores, a não
percepção da universidade como uma fonte potencial de poluição, entre outras barreiras
(Oliveira, 2017).
Segundo Vaz et al (2010), existem aproximadamente 140 universidades, a nível mundial,
que têm compromisso com o desenvolvimento sustentável e a política ambiental.
De acordo com Ashbrook e Reinhardt (1985) citados por Vaz et al (2010), várias
instituições americanas implementaram seus programas de gestão de resíduos, a partir da
década de 70 (as universidades da Califórnia, de Winscosin, do Estado do Novo México,
de Illinois e de Minnesota). Existem cerca de dez universidades que estão certificadas com
a ISO 14001, sendo a Universidade Mälardalen, na Suécia a IES pioneira na implementaão
do Sistema de Gestão Ambiental, certificada com a norma ISO 14001. No entanto, a
primeira IES no mundo a ser certificada com a norma ISO 14001 foi a Universidade de
Tóquio.
Na Europa, surgiu a Ecocampus, um sistema de gestão ambiental direcionado para a
implementação em IES´s. No Reino Unido existem onze IES´s, que implementaram um
sistema de gestão ambiental; entre elas, estão a Bishop Burton College, que desenvolveu
um guia de boas práticas sustentáveis; a Wigan e Leigh College Wigan, que apontou
melhoria do desempenho ambiental, com a introdução do desenvolvimento sustentável
em todas as áreas da faculdade. Nos Estados Unidos, a University of Missouri-Rolla foi
certificada com a norma ISO 14001(Vaz et al, 2010).
A universidade de Maastricht na Holanda criou em 2010, o Green Office (GO) o primeiro
escritório verde como departamento de sustentabilidade. O GO é um escritório dirigido
por estudantes voluntários ou staff de estudantes dos diferentes sectores da universidade
interessados em matéria de sustentabilidade. O GO recebe apoio institucional em termos
de financiamento para manter o espaço de trabalho.
Essa iniciativa levou a universidade de Maastricht em 2010 a ser vencedora do prémio da
UNESCO Japão sobre Educação para o desenvolvimento sustentável, facto que levou
muitas universidades Europeias a replicar o modelo adoptado pela universidade de
Maastricht (https://pt.qwerty.wiki/wiki/Green_Office, acessado em 26 de Junho, 2019).

44
Este movimento global das instituições de ensino superior evidencia a crescente busca por
modelos de gestão ambiental para universidades. E no entendimento desta problemática
específica percebeu-se que, os casos de gestão ambiental encontrados no mundo
constituem, na maioria das vezes, práticas isoladas em situações em que a instituição já
está implementada e funcionando. Esta situação revela a preocupação crescente de
adaptação das universidades em busca de um desenvolvimento sustentável, não só no
aspecto do ensino, mas de práticas de funcionamento ambientalmente correctas. Resgata-
se então a importância da essência das universidades como laboratórios de idéias, espaços
de fomento de novas perspectivas na busca de soluções para velhas problemáticas, que
transcendam a aplicação de antigos modelos adaptados às novas realidades (Juliatto et al,
2011).

Gestão de resíduos sólidos em instituições de ensino superior


As IES´s são pequenos núcleos urbanos, que desenvolvem actividades de ensino, pesquisa
e extensão. Como consequência das suas actividades há geração de diversos tipos de
resíduos sólidos (Oliveira, 2017).
As universidades não são instituições somente formadoras de profissionais, mas
formadoras de cidadãos. A importância das instituições de ensino superior para disseminar
temas ambientais é de suma importância, visto que, uma instituição de ensino superior
tem muito a contribuir para a preservação e sustentabilidade do planeta, além de ser ela
mesma sustentável para servir de exemplo para a comunidade onde está inserida. As
universidades “como instituições responsáveis pela produção e socialização do
conhecimento e a formação de recursos humanos devem dar o exemplo o respeitando o
meio ambiente” (De Rossi, 2017).
A construção de uma gestão de resíduos em uma IES depende muito da visão da instituição
em classificar os seus resíduos. A aplicação e construção do PGRS numa IES depende de
um alto envolvimento da administração da instituição, bem como da atenção, participação
e cuidado de todos no campus (Oliveira, 2017).
No âmbito do DS muitas são as universidades que têm desenvolvido dentro dos seus
programas, metodologias aplicadas à gestão dos resíduos, este facto pode ser observado

45
em vários estudos, no cenário internacional. A seguir são apresentadas as diferentes
experiências no cenário internacional das IES´s.
No cenário mundial, podem encontrar-se exemplos do que se afirmou acima. É o caso da
Appalachian State University, dos EUA, que tem parcerias com a comunidade local para
a promoção de práticas de gestão sustentável que visam a conservação dos recursos
naturais por meio do uso da reciclagem e compostagem nos edifícios académicos e
administrativos do campus (Oliveira, 2017).
Em algumas universidades dos EUA, promovem-se campanhas de reutilização de
envelopes com o fim de reduzir a geração de resíduos de papel. Outras prácticas que visam
igualmente a conservação de recursos consistem na reutilização do lado não utilizado do
papel para fazer cópias em bruto, memorandos e relatórios. O correio electrónico é usado
como principal meio para comunicar informações ao invés do papel e o uso de impressoras
que imprimem em ambos os lados do papel são também estratégias usadas. A maioria
dessas estratégias pode ser aplicada imediatamente e reduzem consideravelmente o
consumo (Oliveira, 2017).
O uso de programas de reciclagem e reutilização de materiais é uma excelente alternativa
para propiciar a preservação de recursos naturais nas IES´s (Oliveira, 2017).
Na pesquisa executada por Gallardo et al., (2016) citado por Oliveira (2017) durante o ano
lectivo de 2013-2014, a Jaume I University, universidade pública da Espanha, teve como
objectivo principal determinar uma metodologia por meio de ferramentas estatísticas para
análise da geração dos resíduos e a composição do mesmo. Assim, todos os resíduos
produzidos na instituição passaram pelas seguintes etapas: identificação de resíduos nas
fontes geradoras (por meio da realização de entrevistas), a estimativa da produção e
composição destes resíduos e, por fim, análises estatísticas, o quer permitiu verificar a não
existência de variação nas taxas de geração dos resíduos durante o período lectivo
analisado.
O recente estudo de Painter, Thondhlana e Kua (2016) citado por Oliveira (2017) avalia
os factores que influenciam na quantidade dos resíduos alimentares produzidos nas
instalações do refeitório na Universidade de Rhodes na África do Sul.
Na Nova Zelândia, a University of Massey implementou em seu campus um programa de
desperdício zero em restaurantes universitários, com base em discussões dos seus

46
estudantes relativas a preocupação dos mesmos com as questões ambientais. Na Tanzânia,
inúmeras instituições praticam o reaproveitamento dos resíduos alimentares em seus
restaurantes universitários. No México, os exemplos de gestão de resíduos acontecem na
University of Mexicali (Baja Califórnia) e na University of Yucatán (Oliveira, 2017).
Taghizadeh et al., (2012) citado por Oliveira (2017) em seu estudo caracterizou os
resíduos produzidos na University of Tabriz, localizada na cidade do Irão. Por meio da
avaliação da quantidade e qualidade destes materiais, em particular os resíduos orgânicos,
o estudo propõe seis passos para a gestão dos resíduos dentro da universidade, estes são:
evitar a geração dos resíduos; reduzir a geração; reutilizar os resíduos; composição
orgânica dos resíduos; reciclagem dos resíduos recicláveis e eliminação sanitária dos
resíduos não recicláveis.
A University of Southampton Highfield Campus, no Reino Unido, desenvolve práticas de
abordagem para administrar os resíduos de uma forma cada vez mais sustentável em seu
campus garantindo assim a redução dos custos dos resíduos e o aumento da taxa de
reciclagem da instituição (Oliveira, 2017).
A Covenant University localizada na Nigéria caracteriza os resíduos sólidos gerados nas
dependências da instituição através da pesagem dos mesmos durante 10 semanas. Como
resultado foram obtidas taxas de geração diária de cada material, sendo o maior destaque
para os resíduos alimentares, que evidenciaram o grande desperdício que a instituição
tinha com a falta de alternativas para a gestão de resíduos (Oliveira, 2017).
Segundo Sales et al. (2006) citado por Oliveira (2017), no ano de 1999 foi desenvolvido
no Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), em Portugal, um programa de gestão
de resíduos, que envolveu estudantes, professores e técnicos do laboratório da Engenharia
Química da instituição. Tratou-se de um programa que contribuiu para o aumento da
consciência dos produtores de resíduos e ao mesmo tempo ajudava a compreender a
disciplina de Química Aplicada no contexto ambiental. Os resultados foram observados
de imediato, com a redução dos resíduos por meio da separação, reutilização, reciclagem
ou tratamento quimico na própria fonte.
O caso do Gana segundo Fei-Baffoe et al. (2015), citado por De Rossi (2017) Kwame
Nkrumah University of Science and Technology (KNUST), é motivo de preocupação,
porque a maioria dos aterros são principalmente despejos abertos sem lixiviação ou

47
sistemas de recuperação de gás, localizados em áreas ecológicas ou hidrologicamente
sensíveis, representando assim uma ameaça significativa para a saúde pública. Fei-Baffoe
e outros investigadores realizaram estudos que confirmaram que a conformação de lodos
de esgoto e resíduos sólidos orgânicos produzidos por co-compostagem é viável e possui
níveis suficientes de nutrientes necessários para uso como fertilizante. Dessa forma, a
grande quantidade de resíduos orgânicos e o lodo de esgoto dessecada, gerados no campus
da universidade, podem ser utilizadas na produção de composto de alta qualidade, que
pode ser usado na estufa da universidade, nos jardins e para outros produtos agrícolas
De acordo com Adeniran et al. (2017), a caracterização de resíduos é o primeiro passo
para qualquer política de gestão de resíduos bem-sucedida. A caracterização e a tendência
dos resíduos sólidos gerados na Universidade de Lagos, Nigéria, foram realizadas usando
a norma ASTM D5231-92 e o método do RCRA (Resource Conservation and Recovery
Act) para amostragem dos resíduos. Os resíduos orgânicos gerados poderiam ser
gerenciados através de formação de composto ou integração com o sistema de gestão de
esgoto.

48
3 MATERIAIS E MÉTODOS

Neste capítulo são apresentados os métodos de investigação, o escopo do trabalho, o


período em que foram realizadas as amostragens e os materiais utilizados para recolha dos
resíduos.

Abordagem da pesquisa
Para se propor um programa e acções voltadas a gestão ambiental na Faculdade, buscou-
se, neste estudo, conhecer a realidade actual da gestão de resíduos na FEUAN, verificar o
nível de consciência ambiental, caracterizar qualitativamente e quantitativamente os
resíduos produzidos. Assim, mediante tais objectivos e finalidades do estudo, do ponto de
vista da abordagem, foi realizada pesquisa de natureza descritiva, visando conhecer,
interpretar a realidade, por meio da observação, descrição das características, classificação
e interpretação de fenómenos (Rúdio, 2001).
Quanto ao delineamento, a pesquisa se configura como bibliográfica realizada por meio
de levantamento de dados em livros, teses, dissertações, entre outros.
Quanto a natureza do problema pesquisado, adoptou-se a abordagem qualitativa e
quantitativa, e optou-se pela combinação das duas abordagens com o fim de melhor se
compreender o problema da pesquisa (Oliveira, 2017). Foi utilizada também a abordagem
quantitativa e qualitativa para analise dos questionários e das entrevistas estruturadas e
não estruturadas, ou seja, foi feita a análise do conteúdo das respostas, com carácter
exploratório não conclusivo. Estes são estudos usados para conhecer, compreender e
aprofundar as razões, as motivações, os desejos, as imagens e as percepções. Fez-se uma
abordagem experimental, para classificação dos resíduos por tipologia, pela triagem
manual.
Foram utilizados métodos estatísticos. Segundo Marconi & Lakatos (2003) a estatística
pode ser considerada mais do que apenas um meio de descrição racional, é também, um
método de experimentação e prova, pois é método de análise.

49
Caracterização da área de estudo
Área de estudo
O estudo foi realizado na Faculdade de Engenharia da Universidade Agostinho Neto,
localizada em Luanda, na Rua Avenida 21 de Janeiro, junto ao aeroporto 4 de fevereiro,
segundo a Figura 3.1.

Figura 3.1. Faculdade de Engenharia da Universidade Agostinho Neto


Fonte: www.google.com/maps/place/Faculdade+de+Engenharia, acessado em 03 de Abril, 2019

A Faculdade de Engenharia é uma das unidades orgânicas da Universidade Agostinho


Neto e tem como atribuições, formar engenheiros, bem como realizar pesquisas e prestar
serviços à comunidade. A Faculdade tem vários serviços, incluindo Serviços
Administrativos, departamentos de ensino e investigação, laboratórios e Departamentos
de Apoio. No fluxograma da Figura3.2 apresenta-se a distruibuição de cursos na FEUAN:

50
FEUAN

Bacharelatos Licenciaturas Mestrados Doutoramentos

 Arquitectura  Arquitectura  Ambiente  Ambiente


 Civil  Civil  Catálise e  Química
 Electrónica  Electrotécnica e Energias
(Telecomunicações) Telecomunicações Renováveis
 Electrotécnica  Electrotécnica  Estrutura
(Sistemas de  Informática  Hidráulica
potência)  Mecânica  Matemática
 Informática  Minas  Ordenamento e
 Mecânica  Química Planejamento de
(Electromecânica)  Petróleo Áreas Urbanas
 Minas (Minas e  Sistemas
Ambiente) Industriais
 Química

Figura 3.2. Distribuição de cursos na FEUAN


Fonte: Autor, 2019

51
Universo de trabalho

O trabalho delimitou-se ao Bloco 2 dos Pavilhões Centrais onde localizam-se os


departamentos de Engenharia Química, Minas e Petróleo, a área administrativa e o
refeitório. No geral, cerca de 270 pessoas exercem a sua actividade laboral e estudantil
nas estruturas acima referidas. A Figura 3.3 abaixo apresenta o bloco 2.

Figura 3.3. Pavilhões Centrais da FEUAN, área de estudo


Fonte: Autor, 2019.

A composição das estruturas e o pessoal que nelas labora descrevem-se a seguir:


O Departamento de Minas está constituído por 3 salas de aulas, 1 secretaria, 2 salas de
informática, 4 gabinetes, 1 sala de reuniões e 1 sala para professores, cerca de 16 docentes,
4 trabalhadores não docentes e 74 alunos (ano lectivo 2019).
O Departamento de Química está constituído por 3 salas de aulas, 1 secretaria, 1 sala de
informática, 8 gabinetes, 2 laboratórios, 9 professores, 4 trabalhadores não docentes e 123
alunos no DEI Química (ano lectivo 2019).
O Departamento de Petróleo e Gás está constituído por 1 sala de aula, 2 secretarias, 1 sala
de reunião, 5 professores e 28 alunos (ano lectivo 2019).
A Direcção da FEUAN, é constituída pelo Hall de entrada com acesso a direcção da
Faculdade, 4 gabinetes, a secretaria da Faculdade, 1 sala de espera, 1 sala de reuniões, 1

52
quarto de banho, 3 gestores da Faculdade, 5 funcionários administrativos, 1 sala onde
opera o Departamento dos Assuntos Académicos da Faculdade, com 7 trabalhadores.
A investigação abrangiu apenas uma parte dessa população (universo), de maneira que
fosse representativa da população e permitisse a realização dos objectivos propostos neste
estudo.
Para se determinar o tamanho de amostras para populações finitas, utilizou-se a equação
3.1 segundo Gil (1989):
𝛿 2 𝑝.𝑞.𝑁
𝑛 = 𝑒 2 (𝑁 −1)+ 𝛿2 .𝑝𝑞 Equação 3.1

Onde:
n: tamanho da amostra;
𝛿 : nível de confiança escolhido, expresso em número de desvios-padrão (1.96);
p: probabilidade de o fenómeno ocorrer ou percentagem com o qual o fenómeno
se verifica;
q: probabilidade complementar ou percentagem complementar;
𝑒: erro ou erro máximo permitido;
N: tamanho da população total.
Para validar a equação segundo Gil (1989) utilizou-se a ferramenta elaborada no programa
Excel, segundo a Figura 3.4:

Figura 3.4. Ferramenta para determinação do tamanho da amostra


Fonte: http://www.siqueiracampos.com/_downloads/calculo-tamanho-amostral.xls, acessado em 20 de
Maio, 2019.

53
Segundo Gil (1989), esses resultados apresentam sempre um erro de medição, que diminui
na proporção em que aumenta o tamanho da amostra. O erro de medição é expresso em
termos percentuais e nas pesquisas sociais trabalha-se usualmente com uma estimativa de
erro entre 3 e 5% . Quando os valores de p e q não são conhecidos, atribui-se o valor de
0,5 para as duas variáveis. Para se obter um índice de 95% de confiança, utiliza-se o valor
de 1,96 (Anexo A). E por fim, utiliza-se o erro de 0,05 devido ao facto de o índice de erro
ser de 5%.

Etapas de pesquisa
Neste tópico são descritas as etapas de pesquisa utilizadas para o estudo, no qual analisou-
se de forma exaustiva o referencial teórico, identificando-se diversos estudos no cenário
regional e internacional, com a mesma visão obtendo-se subsídios para a metodologia de
gestão de resíduos sólidos correspondente a realidade da FEUAN. Sendo assim, os
quadros no Anexo B, p. 100-101, apresentam estudos considerados semelhantes e
relevantes em relação ao objectivo deste estudo. Estes estudos fornecem as directrizes, a
partir das quais permitem seguir uma metodologia para a gestão de resíduos sólidos. As
etapas e metodologias seguidas nesta pesquisa estão delineadas na Figura 3.5.

54
Etapas de
pesquisa

 Obtenção de
1. Diagnóstico dados
 Observação in loco  Tratamento
 Inquérito  Análise

2. Experimento

3. Método
gravimétrico de análise

4. Tratamento e análise de dados


 Excel 2013
 PAST 3.22
 Statgraphics 16.2.04

5. Resultados e discussão

6. Proposta de uma
metodologia de
GRS

Figura 3.5. Etapas de pesquisa


Fonte: Autor, 2019

Ponto 1. Diagnóstico
O diagnóstico foi realizado no período de Abril de 2019 à Agosto de 2019, comportando
duas fases específicas:
1ª Fase: Diagnóstico Observacional, a recolha sistemática de dados em amostras
representativas de uma população definida é o primeiro passo na investigação formal em
estudos descritivos (Oliveira, 2014).
Observou-se a disposição e organização dos dispositivos de acondicionamento de resíduos
no pátio, nas salas de aulas, nas salas dos professores, nos gabinetes, nas secretarias

55
administrativas, e como os utentes de cada local da instituição gerem os resíduos
produzidos.
A equipe que cuida da limpeza da FEUAN é composta por 8 funcionários de limpeza,
observou-se como os funcionários de limpeza processam o seu trabalho, partindo do
acondicionamento, recolha, armazenamento, transporte e eliminação dos resíduos
produzidos na instituição.
Os dados apresentados obtidos neste trabalho resultam principalmente das respostas dos
próprios estudantes, que indicam que a falta de participação na melhoria da gestão dos
resíduos na faculdade, está relaccionada com diversos factores que se expõem a seguir:
 Tempo insuficiente de permanência na faculdade para tomarem atitutes
ambientalmente correctas;
 Não separação dos resíduos por falta de pontos de recolha selectiva ou
padronização.
2ª Fase: Diagnóstico por Inquérito, a partir do inquérito pode-se obter dados sobre o perfil
dos participantes, bem como ter-se uma noção real da amostra (população) submetida a
estudo, direccionando as acções específicas a serem implementadas e as acções
estratégicas de comunicação para um trabalho de educação mais eficiente (Dos Anjos,
2016). Para a execução do inquérito utilizou-se os instrumentos de recolha de dados,
questionários e entrevistas não estruturadas. Estes instrumentos foram aplicados aos
funcionários administrativos, docentes, discentes e funcionário de limpeza. O inquérito
focou aspectos sobre o conhecimento e comportamento dos utentes relactivamente a
gestão dos resíduos sólidos produzidos na área em estudo.
O tratamento dos dados obtidos foi realizado com o auxílio do Software Microsoft Excel
2013. As respostas aos questionários foram analisadas aplicando o modelo de Brandalise
et al. (2009), para a avaliação do grau de consciência ambiental dos participantes, tal como
se descreve nas Tabelas 3.1 e 3.2 respectivamente.

56
Tabela 3.1 Alocação de pesos e elaboração do cálculo dos graus de consciência ambiental

(a) Nº Resposta (b) Pontuação (a×b) Resultado


A 4
B 3
C 2
D 1
(c) Soma dos
resultados
(d) Nº de questões
(e) ꞊ c/d, resultado

Fonte: Adaptado de Brandalise et al (2009)

Tabela 3.2 Grau de consciencialização dos participantes


Classificação dos participantes Pontuação
Consciente em relação ao meio ambiente 4 a 3.5
Potenciais traços de consciência ambiental 3.4 a 2.5
Poucos traços de consciência ambiental 2.4 a 1.5
Não possui consciência ambiental 1.4 a 1
Fonte: Adaptado de Brandalise et al. (2009)

Ponto 2. Experimento
Para a classificação dos resíduos fez-se a triagem manual e depois procedeu-se a
caracterização para determinação da composição gravimétrica. A composição
gravimétrica é representada pela percentagem de cada RSU produzido em relação ao peso
total da amostra. Os RSU’s produzidos foram classificados em 9 categorias:
1. Papel/ Papelão;
2. Tetra Pak;
3. Plástico;
4. Saco plástico;
5. Metal (metais ferrosos e não ferrosos);
6. Vidro;
7. Orgânico;
8. Rejeito (banheiros, guarda-napos de papel);
9. Outros.

57
Após recolha dos resíduos durante 12 dias intercalados, 3 vezes por semana, totalizando
4 semanas, realizou-se a caracterização gravimétrica. Escolheu-se um local como
referencial para a deposição e separação dos resíduos após a recolha dos resíduos em sacos
retirados dos departamentos seleccionados para o estudo.
Os funcionários da limpeza recolhiam os resíduos em cada departamento em sacos e
posteriormente transportavam os mesmos para o local escolhido para a separação e análise
conforme a ilustra a figura 3.6.
a) b)

Figura 3.6. a) e b) Local da triagem dos resíduos produzidos na área analisada e sua deposição.
Fonte: Autor, 2019

A fim de cumprir com as regras de higiene e segurança no trabalho, durante a separação


dos resíduos utilizaram-se equipamentos de protecção individual, nomeadamente, bata,
luvas e máscara.

Figura 3.7. Luvas e máscara para protecção individual.


Fonte: Autor, 2019

58
Após a segregação dos resíduos em sacos de plástico, pesou-se em balança comercial com
capacidade de 25kg x 100g de precisão equipada com ganchos para a fixação do material
a pesar.

Figura 3.8. Balança utilizada para pesagem dos resíduos produzidos.


Fonte: Autor, 2019

A pesagem foi levada a cabo para as 9 categorias dos resíduos conforme ilustra a Figura
3.9.
a) b)

Figura 3.9. a) Pesagem de resíduos por categorias; b) Resíduos separado por categorias.
Fonte: Autor, 2019.

Os dados obtidos foram codificados e tratados utilizando a ferramenta Microsoft Excel


2013, para posterior análise e discussão. A compilação dos dados foi feita utilizando a
Tabela 3.3.

59
Tabela 3.3 Registro das pesagens de resíduos sólidos produzidos.
Massa de resíduos em kg
Data Orgânico Papel/papelão Tetra Saco Plástico Vidro Metais Rejeitos Outros
de Pak plástico
recolha

Fonte: Autor, 2019.

Ponto 3. Método gravimétrico de análise


Para determinar o cálculo da composição gravimétrica de cada uma das categorias de
resíduos, utilizou-se a equação 3.2.
𝑀𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑑𝑜 𝐶𝑜𝑚𝑝𝑜𝑛𝑒𝑛𝑡𝑒 (𝑘𝑔)
𝐶𝑜𝑚𝑝𝑜𝑠𝑖çã𝑜 𝐺𝑟𝑎𝑣𝑖𝑚é𝑡𝑟𝑖𝑐𝑎 = 𝑀𝑎𝑠𝑠𝑎 𝑇𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑎 𝐴𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎 (𝑘𝑔) × 100

Equação 3.2

Para determinar a produção diária no local de estudo, utilizou-se a equação 3.3.

Média do Peso Total da Amostra de Categoria (kg)


Produção diária de RS =
Número de Dias de Coleta ( dia)

Equação 3.3.

A produção diária per capita, que corresponde a quantidade de quilogramas por pessoa ao
dia, determinou-se usando a equação 3.4.

𝑘𝑔
𝑀é𝑑𝑖𝑎 𝐷𝑖á𝑟𝑖𝑎 𝑑𝑒 𝑝𝑟𝑜𝑑𝑢çã𝑜 𝑑𝑜𝑠 𝑅𝑆𝑈 ( )
𝑑𝑖𝑎
Produção per capita = 𝑃𝑜𝑝𝑢𝑙𝑎çã𝑜 𝑑𝑎 á𝑟𝑒𝑎 (ℎ𝑎𝑏.)

Equação 3.4.

Para se determinar a produção per capita (ppc) diária, foi necessário estimar o número de
utentes da área em estudo. Essa estimativa foi feita com base no número de estudantes
inscritos no período normal de aulas do ano de 2019 e, abrangeu os meses de Março a
Junho e o número de funcionários administrativos e docentes.

60
Ponto 4. Tratamento e Análises de Dados
Após a triagem manual dos resíduos e a caracterização dos mesmos, realizaram-se
tratamentos estatísticos para avaliar a consistência das medições efectuadas e sua
representatividade para a FEUAN. Autores como (Colvero et al, 2017), (Santória et al,
2012) e (Bassani, 2011) também adaptaram esta metodologia de cálculos estatísticos em
centrais de tratamento de resíduos, em municípios e condomínios.
Para analisar os dados relativos às quantidades de resíduos urbanos recolhidos e pesados
na FEUAN, foram utilizadas técnicas estatísticas como a análise descritiva e testes não
paramétricos. A análise estatística foi feita com recurso as ferramentas do Excel 2013, do
software estatístico Past 3.22 (Paleontological Statistics) e do programa profissional
Statgraphics Centurion XVI, versão 16.2.04 (32 bit). Toda inferência estatística foi
realizada a um nível de 5% de significância. A seguir são apresentados os ícones de
referência dos programas usados para os tratamentos estatísticos, as Figuras 3.10, 3.11 e
3.12 respectivamente.

Figura 3.10. Referência do software Past


Fonte: Autor, 2019.

61
Figura 3.11. Ambiente de trabalho do software Past
Fonte: Autor, 2019.

Figura 3.12. Abertura do programa e ambiente de trabalho do Statgraphics Centurion XVI


Fonte: Autor, 2019.

A análise descritiva é o primeiro passo num estudo estatístico, pois permite que a amostra
(n1) seja caracterizada. Para isso são utilizadas as medidas de tendência central, como a
média (𝑥̅ ), a mediana (𝑥̃) e a moda (Mo), que possibilitam a caracterização do valor que
ocorre com mais frequência. Também são importantes as medidas de dispersão, como o
desvio padrão (s), o mínimo, o máximo e os quartis, que apontam a dispersão em torno
das estatísticas de tendência central (Colvero et al, 2017).

62
Segundo Neto (2017), a análise descritiva bem como a inferencial, podem ser sumarizadas
em gráficos Box Plots. Os gráficos mostram o centro (mediana) da distribuição dos dados,
a dispersão e a distribuição dos dados e a presença ou não de outliers (valores individuais
atípicos que distorcem os valores de tendência central e de dispersão). Além disso, podem
ser construídos para dar destaque ao resultado do desfecho primário.
Após a análise descritiva, realiza-se a inferência estatística, que testa se a amostra se ajusta
devidamente a determinada distribuição teórica. Ela serve para testar a significância de
elementos que podem influenciar a resposta da variável mensurada, que é a que se deseja
examinar se o tratamento teve ou não um efeito significativo. Para este estudo foram
utilizadas as metodologias dos testes paramétricos e não paramétricos (Colvero et al,
2017). Para identificar o teste a ser utilizado, realizou-se além da exploração dos dados
por meio de estatísticas descritivas e de gráficos, um teste de normalidade dos dados, que
é o principal pressuposto dos testes paramétricos mais conhecidos.
Para se verificar a normalidade dos dados, utilizou-se os testes de Kolmogorov-Smirnov
ou de Shapiro-Wilk, conforme se ilustra na Figura 3.13.

63
Testar a normalidade
dos dados
n > 30 n< 30

Teste de Teste de
Kolmogorov-Smirnov Shapiro-Wilk

sim não

É
normal?

Teste paramétrico: Teste t de Teste não paramétrico:


Student, ANOVA Wilcoxon (Mann-Whitney),
Kruskal Wallis, Transformação
matemática [log(Y), raiz
quadrada(Y) ou inverso (1/Y)]
Figura 3.13 Árvore de decisões para aplicar os testes estatísticos
Fonte: Adaptado de Colvero (2017)

Os testes não-paramétricos têm diversas vantagens sobre os métodos paramétricos, uma


delas é que não exigem todos os pressupostos restritivos dos testes paramétricos, são uma
boa opção quando os pré-requisitos não são atendidos, isto é, as variáveis não vêm de uma
distribuição Normal ou não são homogêneas.
Para tanto, é necessário que as variáveis sejam ordenáveis para se aplicar os postos ou
ordem. Os testes são feitos em cima destes postos, e não dos valores reais das observações.
O uso de postos torna as técnicas não-paramétricas menos sensíveis aos erros de medidas
e a valores extremos que os testes paramétricos (Bassani, 2011).

Ponto 5. Resultados e Discussão


Neste ponto, são apresentados e discutidos os resultados obtidos do Bloco 2 da FEUAN
abordados no capítulo 4, p.66 a partir dos objectivos delineados.

64
Ponto 6. Proposta de uma metodologia de gestão de resíduos sólidos
A FEUAN deve ter uma atitude ambiciosa e uma visão holística das questões ambientais,
com capacidade para implementar uma metodologia de gestão de resíduos sólidos. Essa
metodologia deverá ser dinamizada com a implantação de uma estrutura de gestão
ambiental que cria os seus próprios programas, planos e acções estratégicas definidas, de
formas a alcançar a sustentabilidade. Uma estrutura de gestão ambiental inclui a
participação activa da direcção, dos órgãos de decisão e dos próprios estudantes.
A partir de informações obtidas como resultado deste estudo foram propostas melhorias
baseadas em trabalhos desenvolvidos em outras universidades estrangeiras (incluindo
faculdades de universidades da CPLP e da África Austral). Os modelos usados por essas
universidades podem mediante adaptações ser reproduzidos com sucesso na FEUAN.

65
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Diagnóstico
Observação in loco
Com a finalidade de se comprender o actual cenário relativo à gestão de resíduos sólidos
na FEUAN fez-se um levantamento por meio de um diagnóstico descritivo e explicativo
tendo como inferência a produção incessante de resíduos sólidos. Visto que os resíduos
laboratoriais e hospitalares (provenientes do posto médico) envolvem outro tipo de gestão
e caracterização com aplicação de procedimentos específicos de destinação e recolha,
neste estudo não se faz referência aos mesmos.
Em relação, à identificação dos aspectos operacionais, foram detectadas algumas fontes
principais geradoras de resíduos na área de estudo (salas de aula, sala dos professores,
secretarias, casas de banho para senhores e senhoras, corredores, pátios e as áreas
contíguas e adjacentes) conforme ilustram as imagens fotográficas na Figura 4.1.

a) b) c)

d) e) f)

Figura 4.1 Áreas de circulação com depósitos de resíduos: a) Sala de aula; b) Pátio; c) Área adjacente ;
d)Sala de espera; e) Corredor de um departamento; f) Gabinete
Fonte: Autor, 2019.

66
Verificou-se que em todas as salas de aula, secretarias administrativas e gabinetes dos
professores encontram-se cestos para depósito de resíduos desprovidos de cobertura ou
tampa de pedal, geralmente sem sacos de lixo e sem codificação nos quais os resíduos são
acondicionados de forma aleatória sem segregação prévia, podendo ser fonte de vectores
de transmissão de doenças ou de contaminação, gerando desconforto aos utentes pelo mau
cheiro. A figura 4.2 apresenta um local inadequado para armazanamento de resíduos que
pode causar desconforto aos utentes.

Figura 4.2. Resíduos armazenados de forma inadequada


Fonte: Autor, 2019

Algumas áreas da faculdade, como por exemplo, no local de estacionamento, não possuem
depósitos de acondicionamento de resíduos e nas áreas contíguas aos corredores e pátios,
os depósitos encontram-se em mau estado de conservação ou são totalmente
inapropriados.

67
a) b)

Figura 4.3 a) Área adjacente ao pátio; b) Parque de estacionamento


Fonte: Autor, 2019.
As especificações para uso de depósitos de resíduos não são observadas na FEUAN. Os
depósitos distribuídos pelo pátio da Faculdade estão colocados a céu aberto, são cestos
metálicos cilíndricos fixos por uma base ao chão, de cor cinzenta e encontram-se em mau
estado de conservação devido a diversos factores que impactam na sua deterioração, sendo
estes: a disposição e colocação na linha dos aparelhos de ar condicionado o que favorece
a oxidação por ferrugem e corrosão, a ausência de sacos plásticos para o lixo nos
respectivos depósitos, humidade permanente em alguns pontos por deposição de resíduos
húmidos e a falta de cobertura e/ou tampa de pedal. Em época de chuva a sua degradação
acentua-se.

Figura 4.4. Depósitos de resíduos disponíveis no pátio principal da FEUAN


Fonte: Autor, 2019

A FEUAN possuí um refeitório que tem na sua entrada um depósito de resíduos e no


interior da cozinha colocaram-se baldes nos quais são acondicionados os resíduos de
forma indeferênciada. A maior parte de resíduos produzidos nesse local são orgânicos.

68
Figura 4.5. Área externa ao refeitório
Fonte: Autor, 2019.

Observou-se uma incisiva variação na quantificação dos resíduos no local de estudo no


primeiro semestre de 2019. De maneira geral, os resíduos mais comuns encontrados nos
cestos são papéis, latas de alumínio, sacos e copos de plástico, garrafas de plástico de
Politereftalato de Etileno (PET), resíduos de fonte alimentícia (resíduos orgânicos), entre
outros. As características dos materiais produzidos em todos os locais observados tornam
a instituição uma fonte geradora de resíduos de diferente natureza.
Este diagnóstico apurou que efectivamente existem problemas de gestão de resíduos
sólidos na FEUAN e baixa a qualidade ambiental na instituição é notória a degradação
ambiental, o que obriga a elaboração e implementação de estratégias para mitigar os
impactes advindos da forma como atualmente se gerem os RS na instituição.
Durante a fase de recolha de informação foi destacado que são gastos diariamente 4 a 6
sacos de 50 L ou 100 L de capacidade para a deposição dos resíduos. Os depósitos de
acondicionamento de resíduos não estão protegidos com tampas e sacos, podem surgir
problemas relacionados com a contaminação de alimentos, pragas devidas ao lixo não-
tratado contendo micro e macro vectores.
A maior parte dos funcionários de limpeza considera o trabalho regular, por encontrarem
dificuldades para lidar com os resíduos produzidos na instituição, especificamente os
resíduos especiais e perigosos provenientes do centro médico, laboratórios e casas de
banho. Os resíduos provenientes destes locais podem infectar e ser tóxicos para os
funcionários que os manusearem com o objectivo de colocá-los nos pontos onde podem

69
ser recolhidos para destinação final. A figura 4.6 ilustra uma das situações referidas acima
neste parágrafo.

Figura 4.6 Resíduos perigosos expostos


Fonte: Autor, 2019

Ainda de acordo com as informações recolhida no âmbito deste trabalho, não existe e nem
foi implementada a nivel da FEUAN alguma campanha de educação ambiental que tivesse
como alvos funcionários da instituição (membros da direcção, pessoal docente e não
docente), discentes e outros frequentadores. Por exemplo, por falta de educação de base
ambiental e de constantes alertas, os pensos de higiene feminina são colocados
directamente no vaso sanitário ou inapropriadamente expostos ao ar livre nos cestos e, em
muitas ocasiões são encontradas garrafas PET de 500 ml contendo urina nos depósitos de
lixo. A consciência ambiental dos utentes não está treinada para as questões relativas ao
ambiente e para os perigos que dessa conduta podem advir, pois, é também frequente os
mesmos cuspirem nos cestos e colocarem constantemente resíduos húmidos que
contribuem para a rápida degradação dos recipeintes de depósito do lixo, o que minimiza
o tempo de vida útil destes recipientes
Diante do que se constatou, percebe-se que a gestão de resíduos da FEUAN baseia-se no
modelo de gestão sem segregação prévia na fonte geradora. Tal como se ilustra na figura
4.7, a recolha não é feita de forma selectiva, o acondicionamento é feito em sacos e depois
o funcionário faz o transporte dos resíduos sem nenhum equipamento e os deposita em
contentores públicos de depósito de resíduos que se encontram fora do recinto da

70
faculdade. O transporte para a deposição final é feito por uma empresa indicada pelo
Governo da Província de Luanda. Geralmente estas empresas usam camiões
compactadores.

Figura 4.7 Ilustração da actual gestão dos resíduos na FEUAN


Fonte: Autor, 2019

A ausência de meios para a segregação correcta dos resíduos não deve inibir a aplicação
das boas práticas ambientais à nível da FEUAN. As pessoas devem ser sensibilizadas
continuamente para que separem correctamente os resíduos e, claro, há a necessidade de
elaboração de uma boa estratégia para que a recolha selectiva e reciclagem sejam
efectuadas em obediência as boas prácticas ambientais. O acondicionamento segregado
dos resíduos na fonte deve ser feito obrigatoriamente, pois, determinados resíduos com
características específicas podem prejudicar a saúde.

Inquérito
O inquérito visou aferir o nível de conhecimento e consciência ambiental dos utentes da
área em estudo. A recolha de dados foi realizada para um tamanho de amostra de 270
pessoas no período normal de aulas do ano lectivo de 2019 e no período de Março à Junho.
Utilizou-se o valor de 1,96 para a determinação do tamanho total da amostra, o índice de
confiança a 95% (Anexo A) e margem de erro de 5%. Para esta estimativa utilizou-se a
equação 3.1, e obteve-se o valor de 158,80, a partir do qual considerou-se o conjunto

71
amostral de 159 indivíduos representativo do amplo espectro da faculdade para a aplicação
dos questionários e entrevistas.
Este mesmo valor foi confirmado utilizando a ferramenta elaborada no Excel para
determinação do tamanho amostral para populações finitas e infinitas.

Figura 4.8. Ferramenta para determinação do tamanho da amostra


Fonte: http://www.siqueiracampos.com/_downloads/calculo-tamanho-amostral.xls, acessado em 20 de
Maio, 2019.

Para a recolha de dados sobre conhecimento e educação ambiental associados à temática


sobre resíduos sólidos do pessoal que labora na FEUAN, elaboraram-se 3 questionários
que foram aplicados aos funcionários administrativos, pessoal docente e não docente,
estudantes e funconários de limpeza.
Os questionários foram elaborados com base em trabalhos de Dos Anjos (2016), De Rosss
(2017) e Oliveira (2017) que seguiram os preceitos éticos estabelecidos para pesquisas
envolvendo seres humanos.
Da amostra total de 159 participantes, aplicou-se o questionário 1 (Apêndice C) a 45
funcionários administrativos e docentes, o questionário 2 (Apêndice C) a 109 discentes e
o questionário 3 (Apêndice C) a 5 funcionários de limpeza.
No que se refere a percepção ambiental e ao cálculo do grau de consciência ambiental dos
funcionários da faculdade, encontrou-se um índice de 2.72 o que revela a existência de
“potenciais traços de consciência ambiental” segundo a Tabela 3.2.

72
A seguir as Tabelas 4.1 e 4.2, apresentam os resultados desse inquérito.

Tabela 4.1 Frequência de respostas do conjunto percepção ambiental - administrativos e docentes

Questões Sim(A) As vezes (B) Não sei (C) Não(D)


1 44 0 0 1
2 8 21 0 16
3 5 0 34 6
5 2 0 35 8
6 42 0 0 3
8 15 0 22 18
Total 116 21 91 52
Fonte: Autor, 2019.

Tabela 4.2 Cálculo do grau de consciência ambiental – administrativos e docentes


Respostas N.º (a) Pontuação (b) Resultado (a×b)
A 116 4 464
B 21 3 63
C 91 2 182
D 52 1 52
( c) Soma dos resultados 761
(d) N.º de questões 280
( e=c/d) resultados 2,72
Fonte: Autor, 2019.

Durante a fase de aplicação de questionários e entrevistas, verificou-se que os


intervenientes neste processo mencionaram que os projectos socioambientais devem estar
directamente envolvidos nos programas do Curso de Mestrado em Engenharia do
Ambiente ministrado pela faculdade. O que se tem feito é insuficiente, já que, deve existir
maior preocupação com as questões ambientais, mesmo quando existem dificuldades
relativas ao financiamento das actividades de investigação científica neste sector.

73
No que se refere a percepção ambiental e ao cálculo do grau de consciência ambiental
relactivamente aos discentes da faculdade, encontrou-se um índice de 2. Este indica que
existem “poucos traços de consciência ambiental” segundo a Tabela 3.2.
A seguir as Tabelas 4.3 e 4.4, apresentam os resultados desse inquérito.

Tabela 4.3. Frequência de respostas do conjunto percepção ambiental - discentes


Questões Sim (A) As vezes (B) Não sei (C) Não (D)
1 5 32 0 72
3 1 0 0 108
4 9 14 0 86

5 98 0 0 6
Total 113 46 0 272
Fonte: Autor, 2019
Tabela 4.4 Cálculo do grau de consciência ambiental – discentes
Respostas N.º (a) Pontuação (b) Resultado (a×b)
A 113 4 452
B 46 3 138
C 0 2 0
D 272 1 272
( c) Soma dos resultados 862
(d) N.º de questões 431
( e=c/d) resultados 2

Fonte: Autor, 2019.

Quanto a percepção ambiental e ao cálculo do grau de consciência ambiental, para os


funcionários de limpeza da faculdade, encontrou-se um índece de 1,40. Este valor mostra
que esta categoria de funcionários “Não possui consciência ambiental” segundo a Tabela
3.2.
A seguir as Tabelas 4.5 e 4.6, apresentam os resultados desse inquérito.

74
Tabela 4.5. Frequência de respostas do conjunto percepção ambiental – zeladores de limpeza
Questões Sim (A) Não sei (B) Não (C)
1 2 0 3
2 1 0 4
3 0 0 5
Total 3 0 12
Fonte: Autor, 2019.

Tabela 4.6. Cálculo do grau de consciência ambiental – zeladores de limpeza


Respostas N.º (a) Pontuação (b) Resultado (a×b)
A 3 3 9
B 0 2 0
C 12 1 12
( c) Soma dos resultados 21
(d) N.º de questões 15
( e=c/d) resultados 1,40
Fonte: Autor, 2019.

A partir das observações e análise das respostas aos inquéritos realizados para este
trabalho, verificou-se que os participantes têm noções básicas sobre questões ambientais,
mas no seu quotidiano, suas acções não promovem e nem reflectem tais noções.
Entretanto, ter ideia sobre questões ambientais não é suficiente, a consciência ambiental
envolve a forma de ser e de estar do indivíduo e, esta forma conduta pode ser considerada
como o ponto de partida alicerçado na comunicação estratégica e efectiva para dinamizar
as acções correctas.

Experimento
A caracterização dos resíduos é um procedimento indispensável para se conhecer
efectivamente os resíduos que são gerados numa determinada área em estudo.
Depois da separação, os resíduos foram ensacados e identificados visualmente para
finalmente serem pesados na balança.
Estes procedimentos tiveram a duração de 12 dias (4 semanas consecutivas) conforme
apresentada na Tabela 4.7.

75
Tabela 4.7 Tabela utilizada para registro das pesagens de resíduos sólidos

Massa de resíduos em kg
Data Orgânico Papel/papelão Tetra pak Saco Plástico Vidro Metal Rejeito Outro
plástico
20/5/19 3,4 1,2 0,4 0,5 3,9 0,7 0,5 0,9 0,5
22/5/19 6,7 2,0 0,5 1,5 5,6 0,1 0,8 2,3 1,5
24/5/19 8,4 4,4 0,3 1,7 4,9 1,0 0,4 2,7 0,7
27/5/19 3,8 1,6 0,2 0,8 3,7 0,2 1,0 1,0 0,6
29/5/19 3,8 2,9 0,4 1,3 3,6 0,3 3,5 2,1 1,1
31/5/19 7,8 3,0 0,6 2,0 4,5 0,2 0,6 2,6 0,9
03/6/19 1,6 1,8 0,2 0,5 2,2 0,1 0,8 1,1 0,3
05/6/19 4,6 2,2 0,3 1,0 3,2 0,1 0,4 1,6 0,5
07/6/19 4,8 2,4 0,2 0,9 2,5 0,1 0,5 1,4 0,6
10/6/19 1,8 0,7 0,1 0,3 0,7 0,0 0,2 0,3 0,1
12/6/19 3,0 1,9 0,2 0,6 2,1 0,2 0,3 1,0 0,3
14/6/19 4,7 3,1 0,4 1,2 3,2 0,6 0,4 1,6 0,7
Total 54,4 27,2 3,8 12,3 40,1 3,6 9,4 18,6 7,8

Fonte: Autor, 2019

76
Fez-se o agrupamento dos dados dos resíduos por semana para fazer-se o tratamento do
mesmo, conforme representado na Tabela 4.8.

Tabela 4.8 Quantidade de resídos por semana em Kg


Semana 1 Semana 2 Semana 3 Semana 4
0,1 0,2 0,1 0,1
0,3 0,2 0,1 0,1
0,4 0,2 0,1 0,2
0,4 0,3 0,2 0,2
0,5 0,4 0,2 0,2
0,5 0,6 0,3 0,3
0,5 0,6 0,3 0,3
0,5 0,6 0,4 0,3
0,7 0,8 0,5 0,3
0,7 0,9 0,5 0,4
0,8 1,0 0,5 0,4
0,9 1,0 0,6 0,6
1,0 1,1 0,8 0,6
1,2 1,3 0,9 0,7
1,5 1,6 1,0 0,7
1,5 2,0 1,1 0,7
1,7 2,1 1,4 1,0
2,0 2,6 1,6 1,2
2,3 2,9 1,6 1,6
2,7 3,0 1,8 1,8
3,4 3,5 2,2 1,9
3,9 3,6 2,2 2,1
4,4 3,7 2,4 3,0
4,9 3,8 2,5 3,1
5,6 3,8 3,2 3,2
6,7 4,5 4,6 4,7
8,4 7,8 4,8 0,0
Fonte: Autor, 2019

77
Determinação da composição gravimétrica e tratamento estatístico dos
dados
Para caracterização da composição mássica dos resíduos, recorreu-se a metodologias
variadas pesquisadas na literatura científica, ja citadas, tendo como variante a área
específica de estudo, na qual a análise gravimétrica revelou as composições dos resíduos
produzidos.
Para obtenção do percentual da geração dos resíduos de cada categoria, utilizou-se a
Tabela 4.7. Os dados foram colocados numa planilha do Microsoft Excel 2013 e a análise
dos mesmos foi feita com recurso a equação 3.2. Os resultados dessa operação são
apresentados na Tabela 4.9.

Tabela 4.9 Caracterização da geração dos resíduos sólidos produzidos na área em estudo
Tipologia de Composição Percentagem (%) Média
resíduos gravimétrica(kg) diária(kg/dia)
Orgânico 54,4 30,700 4,533
Papel/papelão 27,2 15,350 2,267
Tetra pak 3,8 2,144 0,317
Saco plástico 12,3 6,941 1,025
Plástico 40,1 22,630 3,342
Vidro 3,6 2,032 0,300
Metais 9,4 5,305 0,783
Rejeito 18,6 10,497 1,550
Outro 7,8 4,402 0,650
Total 177,2 100 14,767
Fonte: Autor, 2019.

Segundo a Tabela 4.9, a geração dos resíduos correspondeu em média a 14,767 kg/dia.
Sabendo que a população estimada no estudo foi de 270 pessoas, tornou-se simples
determinar a taxa da produção per capita (ppc) que de acordo com a equação 3.4, foi
considerada como o resultado da divisão da média quantitativa dos resíduos recolhidos
(14,767 kg/dia) pela população da área estudada (270 pessoas), resultando em 0,055
kg/hab×dia. O Tabela 4.10 compara a ppc encontrada com outras IES´s estrangeiras.

78
Tabela 4.10 Estudos utilizadas na comparação da produção per capita

IES Produção per capita (kg/hab.dia) Fonte


UPBSB, Bolívia 0,052 Meza & Bricenõ (2013)
UCS 0,054 Finkler et al (2014)
POLIUSP 0,084 Gomes (2012)
UNB – FUP 0,047 Dos Anjos (2016)
PUC – Goiás 0,0072 Oliveira (2017)
Moi University, Kenya 0,14 Starovoytova (2018)
FEUAN 0,055 Autor (2019)
Fonte: Autor, 2019

A ppc de resíduos na FEUAN corresponde a 0,055 kg/ha.dia, este valor encontra-se dentro
do intervalo de ppc reportados pela literatura em diferentes IES´s.
A análise gravimétrica revelou que a maior quantidade de resíduos gerados provém de
fonte alimentícia com 31%. Os resíduos de origem alimentar neste estudo descrevem-se
como resíduos orgânicos. Em termos genéricos a composição dos resíduos recolhidos na
FEUAN revelou que os mesmos estão constituídos por materiais recicláveis como,
plástico, papel/papelão, sacos de plástico, metal, tetra pak e vidro, com composições 23%,
15%, 7%, 5%, 2% e 2%, respectivamente, sendo que o acumulado dos resíduos recicláveis
é de 54%.
Os parâmetros estatísticos foram determinados para a amostra de resíduos tratados, a partir
da estatística descritiva e inferencial sendo os resultados apresentados na Tabela 4.11.

79
Tabela 4.11. Tratamento estatístico dos dados semanais
Variáveis estatísticas Semana 1 Semana 2 Semana 3 Semana 4
Contagem 27 27 27 27
Soma 57,5 54,1 35,9 29,7
Mínimo 0,1 0,2 0,1 0
Máximo 8,4 7,8 4,8 4,7
Amplitude( intervalo) 8,3 7,6 4,7 4,7
Média 2,12963 2,0037 1,32963 1,1
Erro padrão 0,422 0,345 0,250 0,231
Mediana 1,2 1,3 0,9 0,6
Moda 0,5 0,2 0,5 0,3
Desvio padrão 2,19051 1,79111 1,29995 1,2016
Variância da amostra 4,798 3,208 1,689 1,444
Coeficiente de variação 102,859% 89,3898% 97,7675% 109,236%
Assimetria 1,460 1,409 1,395 1,534
Curtose 1,58553 2,78265 1,65318 1,98505
Fonte: Autor, 2019

O Gráfico 4.2 boxplot é um gráfico útil para sumarizar e analisar dados quantitativos,
especialmente contínuos (Neto et al, 2017). Neste gráfico foi possível observar vários
parâmetros em simultâneo tais como: mínimo, máximo, quartis e os valores atípicos
(outliers) que podem ser visualizados para a semana 1 e semana 4. Os valores atípicos
exercem grande influência na média, distorcendo a verdadeira natureza da distribuição,
destacando-se a importância da identificação dos outliers.

Box-and-Whisker Plot

Semana 1

Semana 2

Semana 3

Semana 4

0 2 4 6 8 10
response

Gráfico 4.1 Resumo estatístico


Fonte: Autor, 2019

80
A assimetria e a curtose são usadas para verificar a tendência da normalidade de um
determinado conjunto de dados, sendo de realce os valores obtidos, situados no intervalo
de (– 2) e (+ 2), com excepção da semana 2. Para confirmar se os dados obedecem ou não
a distribuição normal, utilizou-se o teste estatístico de normalização de Shapiro-Wilk
(SW), pelo facto de a amostra ter um n < 30. A análise estatística dos dados obtidos
realizou-se considerando um nível de significância de 5%. Para os valores de p > 0,05,
não existe significância estatística, ou seja, a distribuição é normal. Para valores p < 0,05,
implica que sim, existe diferença dos dados na distribuição normal existindo significância
estatística, ou seja, os dados não são normais. Os valores semanais obtidos neste estudo
de p-valor, são inferiores a 0,05 (p < 0,05), pelo que se utilizaram testes não-paramétricos,
nomeadamente o teste de Kruskal-Wallis e a Transformação matemática. A verificação
do ajuste dos dados a uma distribuição normal foi determinada a partir do teste de SW
com análise descritiva do conjunto de dados utilizando-se software estatístico PAST e
Statgraphics. Os resultados da análise são apresentados na tabela 4.12.

Tabela 4.12. Teste de normalidade de Shapiro – Wilk dados semanais


Semana 1 Semana 2 Semana 3 Semana 4
N 27 27 27 26
Shapiro-Wilk 0,8109 0,854 0,8376 0,7986
P( Normal ) 0,0002124 0,001384 0,000662 0,0001667
Fonte: Autor, 2019
Os valores de p-valor (probabilidade de significância ou nível descritivo), indicados pelo
teste de SW mostram claramente que os dados não são normais. A inexistência da
normalidade é verificada pelo histograma (Gráfico 4.3) e o gráfico de probabilidade
normal (Gráfico 4.4).

81
Gráfico 4.2 Histograma de dados de resíduos semanais não normalizados
Fonte: Autor, 2019

Gráfico 4.3. Curvas de probabilidade não normal dos dados semanais de resíduos da FEUAN.
Fonte: Autor, 2019

Tanto o histograma quanto o gráfico de probabilidade normal, indicam que os resíduos


não apresentam uma distribuição normal. Diante desses pressupostos utilizou-se o teste
não-paramétrico de Kruskal-Wallis, obtendo-se o resultado de 7,474 a um p-valor de
0,058 para o teste estatístico. Paralelamente, utilizou-se a transformação logarítmica para
normalização dos dados, os valores apresentam-se Tabela 4.13.

82
Tabela 4.13. Transformação logarítmica dos dados de resíduos semanais
Semana 1 Semana 2 Semana 3 Semana 4
-1,000 -0,698 -1,000 -1,000
-0,523 -0,698 -1,000 -1,000
-0,398 -0,698 -1,000 -0,699
-0,398 -0,523 -0,699 -0,699
-0,301 -0,398 -0,699 -0,699
-0,301 -0,222 -0,523 -0,522
-0,301 -0,222 -0,523 -0,522
-0,301 -0,222 -0,398 -0,522
-0,155 -0,097 -0,301 -0,522
-0,155 -0,046 -0,301 -0,398
-0,097 0,000 -0,301 -0,398
-0,046 0,000 -0,222 -0,222
0,000 0,041 -0,097 -0,222
0,079 0,114 -0,046 -0,155
0,176 0,204 0,000 -0,154
0,176 0,301 0,041 -0,154
0,230 0,322 0,146 0,000
0,301 0,415 0,204 0,079
0,362 0,462 0,204 0,204
0,431 0,477 0,255 0,255
0,531 0,544 0,342 0,278
0,591 0,556 0,342 0,322
0,643 0,568 0,380 0,477
0,690 0,579 0,398 0,491
0,748 0,579 0,505 0,505
0,826 0,653 0,663 0,672
0,924 0,892 0,681 0,000
Fonte: Autor, 2019.

De acordo com a prática, os valores resultantes da transformação logarítmica foram


sobmetidos ao Teste de SW, o que permitiu a obtenção de valores normalizados,
apresentados na Tabela 4.14, em contraste com os valores não normalizados apresentados
na Tabela 4.12.
Tabela 4.14. Teste SW com os valores normalizados.
Semana 1 Semana 2 Semana 3 Semana 4
N 27 27 27 26
Shapiro-Wilk 0,9721 0,9439 0,9533 0,9605
P( Normal ) 0,6583 0,1516 0,2568 0,4024
Fonte: Autor, 2019

83
Os Gráficos 4.5 e 4.6 apresentam o histograma no qual se verifica o enquadramento dos
resultados a uma distribuição normal dos dados e a probabilidade normal,
respectivamente.

Gráfico 4.4. Histograma de dados de resíduos semanais normalizados.


Fonte: Autor, 2019.

Gráfico 4.5. Curva de probabilidade normal dos dados semanais de resíduos


Fonte: Autor, 2019

A quantidade de resíduos é relativamente pequena, e os seus valores variam muito,


influenciando directamente no tratamento estatístico dos dados, originando valores
atípicos , entretanto optou-se tratar os dados dos resíduos mais segnificativos (mais
produzidos) de forma individual.

84
Os recicláveis dentro do grupo dos orgânicos, plásticos, papel/papelão, pelo facto de
serem produzidos em maior quantidade na FEUAN podem ser valorizados para o melhor
aproveitamento desses resíduos especificamente. Com este propósito realizou-se o
tratamento estatístico para este grupo específico de resíduos sendo o resultado apresentado
na Tabela 4.15.

Tabela 4.15 Tratamento estatístico de dados dos resíduos produzidos em maior quantidade.
Variáveis Orgânico Plástico Papel/papelão
estatísticas
Contagem 12 12 12
Soma 54,40 40,10 27,20
Mínimo 1,60 0,70 0,70
Máximo 8,40 5,60 4,40
Amplitude 6,80 4,90 3,70
Média 4,53 3,34 2,27
Erro padrão 0,62 0,39 0,28
Mediana 4,20 3,40 2,10
Moda 3,80 3,20 -
Desvio 2,16 1,35 0,98
padrão
Variância da 4,65 1,81 0,97
amostra
Coeficiente 47,59% 40,30% 43,44%
de variação
Assimetria 0,56 -0,24 0,62
Curtose -0,42 0,14 0,86
Fonte: Autor, 2019

Como se desconhece a distribuição dos dados dos diferentes grupos de resíduos há a


necessidade de se verificar a normalidade dos mesmos. Para o efeito, aplicou-se o teste de
normalidade de Shapiro – Wilk. Os resultados apresentam-se na tabela 4.16.

85
Tabela 4.16 Teste de normalidade de Shapiro – Wilk de resíduos produzidos em maior quantidade
Orgânico Plástico Papel/papelão
N 12 12 12
Shapiro-Wilk 0,93 0,99 0,97
P( Normal ) 0,42 0,99 0,89
Fonte: Autor, 2019

Os resultados apresentados no teste de normalidade de SW apresentam valores de p >


0,05, este facto indica que o conjunto de dados dos distintos grupos têm uma distribuição
normal. A partir destes resultados, recorreu-se ao teste paramétrico Anova, de modo a se
verificar as inferências estatísticas, conforme a Tabela 4.17.

Tabela 4.17. Teste paramétrico Anova para o grupo de resíduos produzidos em maior quantidade

ANOVA
Fonte da SQ Gl MQ F valor-P F
variação crítico
Entre grupos 30,85 2 15,43 6,22 0,01 3,28
Dentro dos 81,82 33 2,48
grupos
Total 112,68 35
Fonte: Autor, 2019

A normalidade da distribuição dos dados pode ser verificada tanto no histograma quanto
nos gráficos de probabilidade normal, o que indica que os resíduos (orgânico, plástico e
papel/papelão) apresentam efectivamente uma distribuição normal.

86
Gráfico 4.6. Histograma de distribuição normal dos resíduos produzidos em maior quantidade
Fonte: Autor, 2019

Gráfico 4.7. Curva de probabilidade normal para os resíduos produzidos em maior quantidade
Fonte: Autor, 2019

A quantidade de amostra de resíduos sólidos tratados durante o estudo é relactivamente


pequeno (177,2 Kg). Este valor influencia directamente no valor de p, incidindo na
diferença estatística dos dados, mas não recaí sobre o seu impacto do ponto de vista
prático, o que levou a proposta de medidas que possam corrigir e melhorar as questões
ambientais da faculdade.

87
De acordo com o tratamento estatístico, permitiu conclui-se que os dados são
representativos e têm significância estatística, para o local de estudo (Bloco 2),
estendendo-se para o amplo espectro da Faculdade de Engenharia.
O plano de gestão de resíduos sólidos é uma boa opção para redução, reaproveitamento
de resíduos na fonte geradora e prevê os tratamentos adequados para cada tipo de resíduo.
É de realçar que os planos são eficazmente dinamizados quando são planeados a partir de
uma estrutura de gestão ambiental.

Proposta de uma metodologia de gestão de resíduos sólidos para


Faculdade de Engenharia da Universidade Agostinho Neto
A Universidade existe para dar resposta aos problemas da sociedade, ser um exemplo para
comunidade cumpridora da legislação e inovadora. O Decreto Presidencial nº 229/11 de
19 de agosto, no seu artigo 3º refere:
A UAN. é uma instituição de ensino superior integrada no subsistema de ensino superior,
que tem por objecto o desenvolvimento de actividades de ensino, investigação científica
e prestação de serviços à comunidade, através da promoção, difusão, criação, transmissão
da ciência e cultura, bem como a promoção e realização da investigação científica nas
diversas áreas do saber.
Este trabalho de fim do curso de licenciatura contém subsídios para a elaboração de uma
metodologia com programas piloto que podem gerar planos efectivos integrados de gestão
de resíduos para universidades, comunas, distritos, municípios e por extensão as
províncias. As idéias expressas neste trabalho contribuem de igual modo para a mudança
de atitudes e para a melhoria contínua dos processos de gestão de RSU e elevação da
educação ambiental dos utentes de IES´s.
Conforme a Figura 3.5, o desenvolvimento das actividades da proposta para as EIS´s
devem ser executadas cumprindo com as seguintes acções:
 Educação ambiental;
 Plano de Gestão Integrado de Resíduos;
 Estrutura de gestão ambiental.

88
A educação ambiental na instituição será a chave para a mudança de mentalidades e
atitudes do pessoal que funciona e estuda na FEUAN a partir de campanhas internas de
informação, grupos de debates, palestras, oficinas de trabalho, se poderão tomar decisões
exequíveis a curto, médio e longo prazos que contribuirão para a melhoria da gestão de
resíduos à nível da Facudade. Ainda sobre a educação ambiental, deve-se incluir a
capacitação dos funcionários de limpeza para preparar-se para desafios relaccionados com
a gestão integrada dos resíduos sólidos. Este passo é primordial para o desenvolvimento
de acções concretas do plano de gestão de resíduos sólidos na FEUAN.
Devido a alta percentagem de fracção reciclável de resíduos produzidos na FEUAN, deve-
se recorrer a uma metodologia de gestão dos resíduos que visa o seu reaproveitamento.
Com a implementação de um Plano de Gestão Integrado de Resíduos Sólidos (PGIRS),
esses poderiam deixar de ter como destino os depósitos urbanos de resíduos ou o aterro
sanitário.
Um plano de gestão de resíduos ajudará a FEUAN a ter melhor controlo da quantidade de
resíduos produzidos e assim projectar o devido tratamento ou valorização. A
implementação de um plano de gestão contribuirá para a adopção da cultura de
reutilização e reciclagem, minimizando assim a produção de resíduos e despesas de alguns
materiais.
Um plano de gestão de resíduos sólidos em acção, agregado a educação ambiental seria
benéfica para a melhoraria da cultura ambiental dos estudantes contribuindo deste modo
para a sustentabilidade ambiental da FE. Neste plano deve ser incluída a colaboração com
empresas que fazem a valorização dos resíduos sólidos.
Em Luanda nos bairros de Viana e Morro Bento existem empresas tais como a Tonangol,
que faz a reciclagem de consumíveis electrônicos, a Embalang que faz o reaproveitamente
de plásticos, papel/papelão, respectivamente. Essas empresas estão disponíveis para junto
de diversas instituições estatais ou privadas criarem parcerias para o estabelecimento de
pontos de recolha de resíduos (como matéria prima) que as mesmas usariam nos seus
processos de produção de novos insumos.
Deste modo, a elaboração de um plano de gestão de resíduos que preveja os
acontecimentos do ciclo de vida do produto, contenha programas de mitigação dos
impactes ambientais e de avaliação de riscos, tornariam a FEUAN numa instituição

89
activamente alinhada com os objectivos do desenvolvimento sustentável do Plano de
Desenvolvimento Nacional (PDN 2018-2022). A FEUAN se posicionaria como vector
impulsionador de mudanças na temática da gestão de resíduos nas IES espalhadas pelo
País.
Para se ter um ambiente sustentável na FEUAN é indispensável a participação activa da
direcção e dos órgãos de decisão. A gestão de topo deve colaborar com as faculdades de
outras universidades da CPLP e da África Austral, no âmbito de intercâmbios de ideias,
recolha de experiências e adaptando para a nossa realidade projectos e planos já
implementados e funcionais.
Em suma, a FEUAN deve ter uma atitude ambiciosa e uma visão holística sobre as
questões ambientas, isto é, ter capacidade para implantar uma estrutura de gestão
ambiental que cria os seus próprios programas, que gere planos e acções estratégicas
definidas na área ambiental. A integração dos próprios estudantes na estrutura de gestão
ambiental, sendo estes geradores de ideias inovadoras e executores dos programas,
amplificaria o espectro de interesse na aplicação dos planos e aumentaria o entendimento
das questões sustentáveis e o correcto monitoramento das mesmas.
Essa estrutura deve conter os seguintes sectores: responsável pela estrutura, área de
comunicação, gabinete para as políticas ambientais e gabinete de núcleo verde. A estrutura
é representada abaixo na figura 4.11:

Gabinete de Sistema de
Qualidade e Gestão
Ambiental

Secretaria
Geral

Comunicação Núcleo Verde


e Imagem

Figura 4.9. Proposta de estrutura de gestão ambiental para FEUAN.


Fonte: Autor, 2019.

90
A estrutura de gestão ambiental proposta para a FEUAN, deve estar sob responsabilidade
da direcção do topo da faculdade ou órgão a ela vinculada como entidade supervisora e
fiscalizadora. Deve, ser dotada de autonomia para o controlo e gestão integrada de toda a
problemática ambiental, com competências para criar, reestruturar e estabelecer a política
ambiental de acordo com a missão, visão, metas ou valores e objetivos da Instituição. A
estrutura de gestão ambiental, deve também implementar e fazer cumprir as normas, leis,
regulamentos internos e resolver todas aquelas questões que possam inferir directa ou
indirectamente na sua a estrutura e funcionamento. Deve ser ainda o elemento responsável
pelo Sistema de Auditorias (SA), dando anuência e autonomia para as auditorias internas
e externas sobre matérias ambientais.
As atribuições para cada área designada na estrutura são descritas a seguir:
1. Gabinete do Sistema de Qualidade e Gestão Ambiental (GSQGA): este gabinete
deve estar formado por um funcionário da instituição e pelo menos por dois estudantes
e com as seguintes atribuições: identificar e organizar as equipas; criar as
funcionalidades e competências conforme as atribuições necessárias ao Sistema de
Qualidade e Gestão Ambiental (SQGA); Criar os procedimentos e documentos afins
internos para o funcionamento do processo, codificação e catalogação de documentos,
controlo dos registros, arquivos, revisões, políticas, entre outros.
2. Secretariado-geral (SG): órgão de apoio ao GSQGA
3. Comunicação e Imagem (CI): núcleo de divulgação e marketing.
4. Núcleo Verde (NV), este núcleo deve estar formado no mínimo por dois professores
e os restantes membros serão estudantes, estes deverão receber apoio institucional
para a manutenção do espaço de trabalho. O núcleo verde será o órgão de divisão de
apoio técnico ao tripé de sustentabilidade (social, económico e ambiental), com as
seguintes atribuições:
 Centrar-se nos estudantes como dinamizadores de todas as acções voltadas para o
ambiente e sustentabilidade na FEUAN;
 Participar na elaboração das políticas sustentáveis e nos planos estratégicos da
FEUAN, com participação activa em actividades pró-ambientais, tais como,

91
controlo do consumo de água e energia eléctrica, gestão de resíduos sólidos,
energias alternativas, entre outros;
 Motivar os estudantes desde o ínicio da carreira para a área de investigação na área
ambiental, juntamente com professores e investigadores experientes no
desenvolvimento de soluções de problemas pontuais da sociedade, incentivando a
divulgação dos trabalhos para a comunidade ciêntífica. Os esforços para dinamizar
os trabalhos, devem ser conjuntamente desenvolvidos com a sociedade civil,
organizações públicas estatais e não-estatais, empresas e ONGs em questões
ambientais ligadas a contaminação de solos, poluição de corpos de água, poluição
atmosférica, entre outros;
 Dinamizar actividades de limpeza de ruas da vizinhaça, de recolha de resíduos
plásticos para reciclagem, consciencialização e educação ambiental com objectivo
de educar a comunidade em geral, para mudança de atitudes e implantação de uma
cultura ambiental.

92
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES

Neste capítulo apresenta-se o resumo dos pontos significativos consoante as metas


propostas e seu alcance. São apresentadas também as sugestões e críticas.

Considerações finais
Diante dos objectivos traçados chegaram-se as seguintes considerações finais:
1. A partir da caracterização dos resíduos sólidos produzidos a Faculdade de
Engenharia da Universidade Agostinho Neto, produz 14,767 Kg/dia de resíduos
correspondente a 0,055Kg/hab×dia para estimativa de 270 pessoas da área
estudada; Constatou-se que a maior quantidade de resíduos gerados é de fonte
alimentícia (orgânico) perfazendo 31%, correspondendo a 4,533 kg/dia.
Relactivamente aos resíduos recicláveis como, plástico (23%) e papel/papelão
(15%) a quantidade gerada foi de 3,342 kg/dia e 2,267 kg/dia, respectivamente.
2. Verificou-se que apesar dos utentes da Faculdade terem conhecimentos sobre as
questões ambientais, os mesmos têm inúmeras dificuldades em adoptar atitutes
pró-ambientais. Logo, para colmatar estes deficts, devem realizar-se acções
(campanhas, palestras, seminários, cursos de curta duração e etc) de educação
ambiental a nível da FEUAN e consequentemente da UAN.
3. Na FEUAN deve ser implantada uma estrutura de gestão ambiental com planos
estratégicos bem definidos como parte da metodologia de gestão de resíduos
sólidos.

93
Recomendações
Para trabalhos futuros recomenda-se a realização de:
 Estudos voltados para a educação ambiental massiva e generalizada nas IES´s de
Angola;
 Desenvolvimento e implementação de políticas de sustentabilidade, prevendo
diferentes métodos de gestão de resíduos sólidos ajustados à realidade existente;
 Valorização dos resíduos orgânicos gerados no refeitório e da jardinagem;
 Elaboração de um plano de gestão de resíduos provenientes do centro médico e
dos laboratórios.

94
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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engenharia ambiental pela Universidade Católica Portuguesa.

98
ANEXO A – TABELA DE TESTES DE SIGNIFICÂNCIA TESTE T DE STUDENT

99
ANEXO B - REFERÊNCIAS MUNDIAIS DE METODOLOGIAS DE GESTÃO DE RESÍDUOS
SÓLIDOS

Tabela B.1 Estudos de referência mundialmente publicados sobre gestão de resíduos sólidos
Instituição Período e local de pesquisa Objectivo Referência
Elaboração diagnóstico do
Universidade Federal de Goiás (UFG) 2007- Campí I e II – Goiás gerenciamento dos resíduos sólidos Cruz et al., 2009
nas unidades acadêmicas de Goiânia
Orientar a administração da
University of Northem British 2007-2008 – Campus Prince George – Universidade de como gerenciar seus
Smyth et al. 2010
Columbia (UNBC) Canadá resíduos: adequar ao “ greening the
campus”
Elaboração de um plano de
Universidade Tecnológica Federal do 2009- Campus Francisco Beltrão-
gerenciamento de resíduos sólidos Gonçalves et al., 2010
Paraná (UTFPR) Paraná
(PGRS)
Elaborar estratégias de gestão de
University of Tabriz 2010- Campus principal – Irão resíduos com a quantificação da Taghizadeh et al., 2012
composição dos resíduos
Não se menciona- Campus Esentepe – Implementar uma planta de
Sakarya University Boysan et al., 2015
Turquia reciclagem de materiais recicláveis
Não menciona- Campus Cannanland Sugerir melhores práticas de gestão de
Covenant University Coker et al., 2016
– Nigéria resíduos
2014-2015 – Campus Unilag Akoka – Implementação de uma gestão
University of Lagos Adeniran et al, 2017
Nigéria sustentável de resíduos
Aplicar um diagnóstico descritivo e
explicativo, para elaborar uma
metodologia integradora e sustentavel
Pontíficia Universidade Católica de 2016-2017 – Campus I da PUC-Goiás
com medidas correctivas e Oliveira, 2017
Goiás (PUC – Goiás) – Goiás
preventivas no gerenciamento dos
resíduos sólidos urbanos produzidos
em uma área amostral da PUC-Goiás
Fonte: Adaptado Da Silva e Tavares (2018)

100
Caracterização gravimétrica
Universidade/País Amostragem Classificação Referência
UFG – Brasil Dados de composição gravimétrica obtidos por meio de NBR 10.004 (2004b) Cruz et al., 2009
questionários junto às unidades acadêmicas. Não foram
especificadas quais os procedimentos.
Adaptações de diversas metodologias, sem especificar
todas elas. Baseada principalmente na norma do
município de Fraser Fort George (RDFFG, 2007) e a do
Estado de Ontário (Ontario Ministry of Environment,
1994) para a classificação dos resíduos. A adaptação
UNBC – Canadá Não informa Smyth et al., 2010
ocorreu pela limitação do número de amostras
ensacadas e analisadas (50% das selecionadas) por
conta da alta demanda de tempo para a triagem de
acordo com a caracterização por categorias que poderia
comprometer a amostragem.
UTFPR – Brasil Procedimentos da metodologia de Monteiro et al. (2001) CONAMA 313 (2002) – Inventário de Resíduos Gonçalves et al.,
no Manual Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos Industriais, e a NBR 10.004 (2004b) 2010
Sólidos, que são os mesmos da NBR 10.007 (2004a).
ASTM D5231-92 (ASTM, 2016) e metodologias
Adaptada de diversas metodologias com utilização, utilizadas por diferentes estudos em diferentes países,
principalmente, das metodologias padronizadas da sem especificá-los e quais singularidades de
ASTM (2016). Não especificaram quais foram essas procedimentos que as singularidades que os levaram a Taghizadeh et al.,
Tabriz – Irão adaptações. utilizá-los 2012
Boysan et al.,
Sakarya – Turquia Não informada Não informada 2015
Não especificada: observações dos autores e realização
de entrevistas com os catadores para obtenção de dados A caracterização de resíduos foi feita em categorias dos
Covenant – Nigéria referentes à composição de resíduos. tipos de resíduos quanto à origem deles. Coker et al., 2016
ASTM D5231-92 (2016) e a Resource Conservation Feita manualmente com auxílio do trabalho publicado
Reservation Authority (RCRA) Waste Sampling Draft por Vega et al. (2008) na UABC com utilização da
Technical Guidance da Environmental Protection CURC (2001). Foi adaptada por conta da
Adeniran et al.,
Lagos – Nigéria Agency (EPA/EUA). particularidade da diferença na composição dos
2017
resíduos entre as duas universidades. Ao contrário da
UABC, na universidade de Lagos o material “couro”
foi categorizado por exemplo.
PUC – Goiás – Brasil Náo informa Não especifica a metodologia para classificação. Oliveira, 2017
Tabela B.2 Descrição das metodologias adoptadas de análise gravimétrica em instituições de ensino
Fonte: Adaptado de Da Silva e Tavares (2018)

101
APÊNDICE A - MODELO DE CARTA UTILIZADA DIRIGIDA A
DECANA DA FEUAN

UNIVERSIDADE AGOSTINHO NETO


FACULDADE DE ENGENHARIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA

A Exma. Senhora Decana da


Faculdade de Engenharia
Prof.ª Catedrática, Dra Alice Ceita,Ph.D.
Luanda

Assunto: Autorização para aplicação de entrevistas e questionários


Eu, David Manuel Leitão de Caetano, estudande n.º 49774, finalista do 5º ano do curso
superior de Engenharia Química, a realizar o trabalho de monografia com o tema
“Proposta de uma Metodologia de Gestão de Resíduos Sólidos para Faculdade de
Engenharia da Universidade Agostinho Neto” relacionado com a gestão eficaz e
sustentável dos resíduos sólidos urbanos que são produzidos no interior da instituição, sob
orientação da Professora Rosa Leydis Girón Guillot, venho solicitar a Sª Exma., a
autorização, para aplicação de questionários e entrevistas direccionado aos docentes, não-
docentes, discentes e aos zeladores da limpeza da instituição.
A recolha dos dados deverá ser realizada no espaço temporal de 22 de Julho a 15 de Agosto
de 2019 do presente ano lectivo.
Comprometo-me a respeitar as regras deontológicas e os trâmites legais vigentes, bem
como o envio dos resultados do trabalho de investigação, caso me seja solicitado.
Pede deferimento,
Luanda aos 16 de Julho de 2019.
O aluno A orientadora

______________________________ ___________________________
David Manuel Leitão de Caetano Rosa Leydis Girón Guillot

102
APÊNDICE B – MODELO DE CARTA EXPLICATIVA
APRESENTADA AOS PARTICIPANTES

FACULDADE DE ENGENHARIA – UNIVERSIDADE AGOSTINHO NETO


DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA
David Manuel Leitão de Caetano (2019)
PROPOSTA DE UMA METODOLOGIA DE GESTÃO DE RESÍDUOS
SÓLIDOS PARA FEUAN

CARTA EXPLICATIVA AOS PARTICIPANTES


Chamo-me David Manuel Leitão de Caetano, sou estudante finalista, ramo de Engenharia
Química da Faculdade de Engenharia. Venho convidá-lo (a) a participar num estudo que
estou a desenvolver, para a minha monografia, que tem como principal objectivo
apresentação de um plano eficaz e sustentável para a gestão integrado dos resíduos sólidos
urbanos (RSU) que são produzidos no interior da instituição.
A informação recolhida neste estudo poderá, no futuro auxiliar a FE e outras instituições
de ensino superior (IES) a implementar formas organizadas para mitigar os impactes
causados pelos resíduos, assim como se verifica na maioria dos países que têm tomado
consciência da necesssidade de diminuir a poluição ambiental, sendo que os resíduos
sólidos são os principais contribuidores.
Este documento é composto por 1 página para cada participante, seja docentes, não-
docentes e zeladores de limpeza, na qual devendo o tempo pré-estabelecido para o
preenchimento do mesmo ser de 1h a 3 h. A participação é livre e voluntária. O presente
trabalho não acarreta nenhum risco para os participantes e não traz consigo nenhuma
vantagem directa para os participantes. Todo o material recolhido será codificado e tratado
de forma anónima e confidencial, sendo conservado à responsabilidade do DEI de
Química.
Os dados são recolhidos através do preenchimento do questionário de perguntas abertas e
fechadas e entrevistas não-estruturadas, direccionado aos docentes e não-docentes e aos
zeladores de limpeza da FEUAN. A informação será recolhida e tratada pelo próprio
investigador.
Os resultados deste estudo serão divulgados no âmbito da apresentação perante a banca
de defesa do trabalho de projecto de monografia.
Caso surja alguma dúvida, ou necessite de informação adicional, por favor queira
contactar, David Caetano atravês do email: davidleitao.eng@hotmail.com.

103
APÊNDICE C – QUESTIONÁRIOS

QUESTIONÁRIO PARA DOCENTES E NÃO DOCENTES - 1


Dados de identificação
Departamento:_______________________________________________________
_______
Assinale com um X o intervalo de idade e sexo:
(18 - 28)___ (29 - 38)___ (39 - 48)___ (49 - 58)____ (59 +)____ M( )
F( )
Responda as questões abaixo de forma clara
1. Você se interessa por um ambiente sustentável ?
( ) Sim ( ) Não ( ) Indeferente
2. Você separa o material orgânico do reciclável?
( ) Sim ( ) Não ( ) Às Vezes
Em caso afirmativo da questão 2, em quais locais você separa os resíduos?
( ) Residência ( ) Trabalho ( ) Nos dois Locais ( ) Em outros
lugares:_____________
3. A FEUAN está envolvida em algum projecto socioambiental?
( ) Sim . Quais? ________________________ ( ) Não ( ) Não sei
4. Qual deve ser a responsabilidade da FEUAN em relação ao tratamento dado aos
Resíduos Sólidos? (Marque com um X 2 opções possíveis)
( a ) Cumpridora da legislação ( b ) Exemplo para comunidade ( c ) Inovadora ( d )
Estendida à comunidade ao redor ( e ) Interna
5. Existe um plano de gestão de resíduos sólidos na FEUAN ?
( ) Sim ( ) Não ( ) Não sei

6. Em sua opinião, a FEUAN deveria elaborar um plano para o gestão dos resíduos
sólidos que prevê fases que envolvem desde a sua geração até a deposição final?
( ) Sim ( ) Não

104
Por favor justifique a sua resposta:_______________________
7. Dos procedimentos a seguir qual consegue identificar e executar com mais
facilidade?
( ) Reutilização ( ) Reciclagem ( ) Compostagem ( ) Incineração (
) Outros
( ) Nenhum
8. Na FEUAN os resíduos sólidos são acondicionados de forma selectiva?
( ) Sim ( )Não ( ) Não sei
Porque?:_____________________________________
9. Identifique quais destas técnicas seriam mais eficazes para a implementação do
PGRS na FEUAN ?
( ) Postes ( ) Grupos de discussões ( ) Aulas Expositivas ( ) Palestras ( )
Debates
( ) Workshop ( ) Mesa Redonda ( ) Oficina/Cursos ( ) Seminários ( )
Outro_____________

10. Há, em sua opinião, algum aspecto sobre a implementação de gestão de resíduos
sólidos urbanos que não tenha sido abordado neste questionário de pesquisa? Se,
sim qual? ____________________________________________

105
QUESTIONÁRIO PARA DISCENTES - 2
Dados de identificação
Curso:___________________________________________________________
Assinale com um X o intervalo de idade e sexo:
(18 - 28)___ (29 - 38)____ (39 - 48)___ (49 - 58)____ (59 +)____ M( )
F( )
Responda as questões abaixo de forma clara
1. Você separa o material orgânico do reciclável?
( ) Sim ( ) Não ( ) Às Vezes
2. Em caso afirmativo da questão 1, em quais locais você separa os resíduos?
( ) Residência ( ) Trabalho ( ) Na faculdade ( ) Em todos lugares
3. Já participou em algum projecto socioambiental da FEUAN?
( ) Sim, Qual:_______________________________ ( ) Não
4. Tem participado em alguma campanha sobre a Educação Ambiental e a
importância da Recolha Selectiva de Resíduos Sólidos?
( ) Sim ( ) Não ( ) Às vezes
5. Em sua opinião, a FEUAN deveria realizar um plano para o gerenciamento dos
resíduos sólidos que prevê fases que envolvem desde a sua geração até a
disposição final?
( )Sim ( )Não Porque?:
_________________________________________________
6. Dos procedimentos a seguir qual consegue identificar e executar com mais
facilidade?
( ) Reutilização ( ) Reciclagem ( ) Compostagem ( ) Incineração ( )
Outros
7. O que tem feito para melhorar a questão do gestão dos resíduos sólidos da
FEUAN?

106
R:_______________________________________________________________
_________________________________________________________________
______________
8. Há, em sua opinião, algum aspecto sobre a implementação do gestão de resíduos
sólidos urbanos que não tenha sido abordado neste questionário de pesquisa? Se é sim.
Qual seria?
9.Agora que conhece o objectivo deste questionário. Que opinião tèm do mesmo ?
a) É bom ( ) b) É mal ( ) c) É muito bom ( ) d) Deve ser
melhorado

Porque?:
__________________________________________________________________

107
QUESTIONÁRIO PARA ZELADORES DE LIMPEZA - 3

Dados de identificação
Tempo que está na FEUAN:_____
Assinale com um X o intervalo de idade e sexo:
(18 - 28)___ (29 - 38)___ (39 - 48)___ (49 - 58)____ (59 +)____ M( ) F(
)
Responda as questões abaixo de forma clara

1. Você saberia separar corretamente o lixo para reciclagem? ( ) Sim (


) Não
2. Você sabe o que é coleta seletiva? ( ) Sim ( ) Não
3. Há benefícios em separar o lixo? ( ) Sim ( ) Não ( ) Não sei
4. Quais são na sua opinião os problemas causados pelo lixo sem nenhum
tratamento? Múltipal escolha ( ) Poluição visual ( ) Poluição do ar (
) Poluição da água ( ) Aparecimento de pragas ( ) Não sei ( ) Outros
_____________
5. Qual a quantidade de sacos de lixo gasto e o seu tamanho ? _______________
6. Quantos funcionários são encarregados para limpeza da área em estudo? ______
7. Como você avalia o seu ambiente de trabalho referente ao tratamento dado ao
lixo?
( ) Ótimo ( ) Bom ( ) Regular ( ) Ruim Por quê?

108

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