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USO E OCUPAÇÃO DO SOLO E OS IMPACTOS AMBIENTAIS NA FAIXA

COSTEIRA DA PRAIA DE JENIPABU, MUNICÍPIO DE EXTREMOZ-RN


Maria Jin-Leine da Silva
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
mariajinleine@gmail.com
Zuleide Maria Carvalho Lima
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
zuleide@ufrnet.br

RESUMO

Na zona costeira norte-rio-grandense, presenciamos grandes transformações no quadro natural, em


consequência das variadas formas de uso e ocupação humana. O presente trabalho tem como objetivo
analisar o uso e ocupação do solo na faixa costeira da praia de Jenipabu, localizada na porção litorânea
do município de Extremoz-RN, um recorte espacial que constitui a Área de Proteção Ambiental – APA
Jenipabu, identificando os principais impactos negativos em face do uso e ocupação irregular sobre as
unidades do relevo que compõe está área. Para consecução foi realizada pesquisa bibliográfica,
caracterização dos aspectos físico-naturais, análise em fotografias aéreas e na legislação pertinente a
conservação do ambiente costeiro e o trabalho de campo. Os resultados constatam que as intervenções
humanas nos compartimentos da área, são as principais causas que propicia os impactos negativos
existentes, repercutindo diretamente na transformação da paisagem.

Palavras-chaves: Uso e ocupação; Impactos ambientais; Praia de Jenipabu.

INTRODUÇÃO

Os estudos desenvolvidos sobre o litoral do Estado do Rio Grande do Norte, nos


últimos anos, têm abordado a questão ambiental, devido às transformações que têm
ocorrido em toda essa área, em face das variadas formas de uso e ocupação humana
que vem se expandindo desordenadamente sem se preocupar com a conservação da
natureza, causando nesta área vários conflitos decorrentes destas ações antrópicas.
Nesse contexto, está inserida a área de estudo que compreende a faixa costeira
da praia de Jenipabu, a qual vem passando por um intenso processo de uso e
ocupação do solo, em face de sua localização privilegiada e por apresentar grandes
potencialidades ecológicas e paisagísticas. Esse fato é percebido pela proliferação de
imóveis de primeira e segunda residência, comerciais e diversificados
empreendimentos hoteleiros, que se expandem sobre as unidades do relevo. Tais
características têm como consequências direta e indireta vários impactos ao meio
natural, alterando significativamente a dinâmica costeira, promovendo a degradação
dos recursos ambientais e, sobretudo, conferindo uma nova paisagem.

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Dessa forma, o presente trabalho tem como objetivo analisar o uso e ocupação
do solo na faixa costeira da praia de Jenipabu, identificando os principais impactos
ambientais negativos, causados pela ação antrópica que vem modificando o espaço
natural. Para a realização desta pesquisa foi necessário estudar os conceitos básicos
sobre geomorfologia costeira, a fim de entender as características dos aspectos físico-
naturais, suas fragilidades ambientais, associando-as ao contexto social da área;
análise em fotografias aéreas e na legislação pertinente a conservação do ambiente
costeiro. Esta última, como respaldo para identificar os tipos de uso e ocupação que
vão contra a legislação vigente.
Assim, esse estudo propõe subsidiar planos de ação desenvolvidos pelo Plano
Nacional de Gerenciamento Costeiro, entre outros projetos de gestão integrada que
venham ser desenvolvidos na área.

METODOLOGIA

Dentre os procedimentos práticos, inicialmente, foi efetuado o levantamento


bibliográfico dos trabalhos existentes acerca da geomorfologia costeira da área.
Posteriormente, foi efetuada a caracterização geográfica da área, resaltando os
aspectos físico-naturais, com o objetivo conhecer as fragilidades ambientais
existentes, frente aos processos de ocupação antrópica. A etapa seguinte consistiu
no levantamento de mapa através de imagens de satélite e das fotografias aéreas.
Em seguida, foram analisados os instrumentos legislativos pertinentes ao
ambiente costeiro, principalmente, as leis relacionadas as proposta de planejamento,
gestão e restrição do uso e ocupação do solo e dos recursos naturais inseridos na
zona costeira. Dentre os procedimentos práticos, destaca-se o trabalho de campo,
etapa primordial para realização desta pesquisa, uma vez que permitiu identificar os
impactos ambientais e sociais, através da observação direta in loco e por meio de
registro fotográfico, que vem ocorrendo em todo compartimento da faixa costeira,
frente às pressões antrópicas.
Mediante os resultados obtidos, foi possível perceber a amplitude dos impactos
negativos, os quais resultam na degradação ambiental da faixa litorânea da praia de
Jenipabu, e sugerir algumas recomendações com o propósito de colaborar nas ações

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do poder público, visando à minimização dos impactos visualizados e um
melhoramento das ações do gerenciamento costeiro.
CARACTERÍSTICAS FÍSICAS

A área selecionada como objeto de estudo, compreende o espaço onde está


inserida a faixa costeira da praia de Jenipabu, localizada no litoral do município de
Extremoz, no Estado do Rio Grande do Norte/RN, limitando-se ao Norte com o
município de Ceará-Mirim e ao Sul com a praia de Santa Rita (Figura 1). Esta porção
do litoral está inserida na Área de Proteção Ambiental Jenipabu – APA Jenipabu, a
qual abrange os municípios de Natal e Extremoz. A APA Jenipabu possui uma área
de aproximadamente 1.739 hectares, onde a maior parte de sua área total, que
compreende 96,9%, está inserida no município de Extremoz situado ao Norte da
cidade do Natal.

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Figura 1 – Mapa de localização da área de estudo. Carta imagem da praia de Jenipabu
e imagem de satélite com a delimitação da faixa costeira compreendida no presente
estudo (área objeto de estudo posicionada dentro do recorte tracejado em vermelho)
(Fonte: dados do IDEMA, 2006).
Segundo Mendonça (2007), o clima tropical litorâneo úmido e quente, se
diferencia dos climas mais secos do interior do Estado, as temperaturas são elevadas
durante todo ano, apresentando uma pequena queda nos meses de inverno, oscilando
entre 23°C e 26°C, e a média das máximas podendo atingir 30°C.
Sobre as características deste clima, as direções predominantes dos ventos
locais são, principalmente de Sudeste (SE), seguidos pelos ventos de Leste (E), de
Sul (S) e de Nordeste (NE), com médias de velocidade oscilando entre 3,0 e 5,5 m/s.
A umidade relativa do ar apresenta uma média anual de 77%. Quanto aos índices
pluviométricos, a média anual varia entre 1000 a 2000 mm na região litorânea oriental
do Estado. Em relação ao regime das chuvas, a estação chuvosa se concentra
principalmente no período de fevereiro a julho, quando os totais mensais variam em
média entre 120 e 230 mm, tendo os meses de agosto a janeiro como os mais secos,
com médias da precipitação total mensal sempre abaixo de 80 mm (DINIZ, 2002).
A cobertura vegetal que recobre toda a faixa litorânea está relacionada às feições
geomorfológicas desta área costeira. De acordo com o Plano de Manejo da APA
Jenipabu, a formação vegetal da área divide-se em três grandes grupos: as pioneiras
herbáceas e arbustivas com influência marinha, encontradas nas praias e dunas; a
savana arborizada e a Floresta Estacional Semidecidual nos tabuleiros costeiros e as
formações pioneiras arbóreas e herbáceas com influência marinha, nos manguezais
e campos salgados (IDEMA, 2009).
Segundo o IDEMA (2009), a praia de Jenipabu, assim como toda área territorial
que compreende o município de Extremoz, está localizada regionalmente na Bacia
Sedimentar Costeira do RN, com 49,45% do seu território inserido na Bacia
Hidrográfica do rio Ceará-Mirim, 22,03% na Bacia Hidrográfica do rio Doce e 28,53%
na Faixa Litorânea Leste de Escoamento Difuso.
No que concerne aos sistemas aquíferos, à região de Extremoz constitui
sistemas aquíferos de comportamento distintos, sendo que o principal manancial
subterrâneo está representado pelo sistema Aquífero Dunas-Barreiras, o qual

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apresenta comportamento de aquífero confinado, semiconfinado e livre em algumas
áreas (IDEMA, 2013).
Além deste aquífero, cabe mencionar o aquífero Dunar das áreas de
dunas/paleodunas, localizado nos depósitos dunares dispostos sobre os sedimentos
do Grupo Barreiras. Esse aquífero, de comportamento livre, desenvolve-se ao longo
do litoral, sendo alimentado em função da rápida infiltração das águas pluviais, devido
à alta permeabilidade das areias das dunas.
Com relação aos corpos hídricos superficiais, destaca-se a lagoa de Jenipabu,
inserida nos campos de dunas, preenchendo as depressões nas superfícies
aplainadas que caracterizam os tabuleiros costeiros. Este manancial é perene e sua
origem está relacionada à disponibilidade de água subterrânea aprisionada no
Aquífero Dunar, sendo este caracterizado por ser um lençol freático sub-superficial
(IDEMA, 2009).
Na Geologia da área ocorre a abrangência dos sedimentos cenozóicos, os quais
se encontram subdivididos em sedimentos Tércio-quarternários do Grupo Barreiras,
os sedimentos quarternários sub-recentes e os sedimentos quarternários recentes. Os
sedimentos correlacionados ao Grupo Barreiras de idade Tércio-quarternário,
predominam areias quartzosas a subarcosianas de coloração creme, mediamente
selecionadas, com aspecto maciço, podendo por vezes se desenvolver solos com até
dois metros de espessura; areias quartzosas a subarcosianas apresentando cores
vivas, variando entre alaranjado, vermelho e roxo, devido os diferentes estágios de
oxidação; argilas maciças e siltes de cores variadas e diamictitos com baixa densidade
de cascalhos e seixos (CHAVES, 2000).
Recobrindo as rochas do Grupo Barreiras e alterando as formas do relevo local,
estão os sedimentos quarternários sub-recentes compreendendo as rochas supra-
barreiras e a formação potengi, e os quarternários recentes. Deste último, estão os
expressivos campos dunares composto por dunas fixas, quando recobertas pela
vegetação e as dunas móveis que cobrem praticamente toda faixa litorânea que
constitui a APA Jenipabu. As mesmas são compostas, principalmente, por areias
quartzosas bem selecionadas, com granulometria média a fina, de cor creme a
amarelada, inconsolidadas ou parcialmente consolidadas. De acordo com Chaves

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(2000), estas formações de dunas apresentam direção predominantemente de SE-
NW.
A faixa de praia é constituída por sedimentos arenoquartzosos de granulometria
e cores variadas, apresentando minerais pesados, micas, fragmentos de rochas,
como também, organismos diversos (CHAVES, 2000), formando principalmente a
zona de estirâncio. Acompanhando a faixa litorânea encontra-se a presença de
cordões de arenitos de praia (beachrocks), de origem marinha (IDEMA, 2013). Os
mesmos identificando antigas linhas de costa.
O USO E OCUPAÇÃO DO SOLO E O REFLEXO IMPACTANTE SOBRE A FAIXA
COSTEIRA DA PRAIA DE JENIPABU

Nos últimos anos, a zona costeira do Estado do Rio Grande do Norte tem se
apresentado como uma região na qual as ações antrópicas, se intensificaram
substancialmente, sobretudo no litoral oriental e gerado fortes transformações na sua
morfodinâmica e na paisagem natural. Esse fato se concretiza devido este espaço
apresentar os maiores índice populacionais associados à forte concentração de
programas de desenvolvimento, interesses econômicos e as variadas tendências de
uso e ocupação do solo.
Em virtude das ações antrópicas, novos cenários são atribuídos à paisagem
costeira, condicionando conflitos de ordem ambiental e social. Cabe ressaltar, que o
ambiente costeiro pela sua própria natureza, constitui um ambiente interdependente
que constantemente passa por alterações na sua morfodinâmica, em face das suas
características naturais que são altamente frágeis e instáveis, sendo constantemente
remobilizados pela ação dos agentes dinâmicos costeiros, tais como: o vento, ondas,
marés e correntes costeiras. E, diante do cenário social e econômico atual, está área
passou a ser também, fonte de recursos naturais utilizados pelo homem no contexto
econômico, havendo assim, uma disputa pelo mesmo espaço geográfico por
diferentes atividades e finalidades.
Nesse contexto, está inserida a faixa costeira da praia de Jenipabu, área em
estudo, apresentando várias unidades geoambientais, que continuamente vem sendo
submetidas a um amplo processo de transformação e, modificação no relevo e nas
unidades da paisagem. Neste recorte espacial, os principais processos responsáveis

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pela degradação ambiental e descaracterização do meio, ocorrem em virtude do uso
e ocupação do solo nos diferentes compartimentos geomorfológicos da área, que por
ocorrer de forma desordenada e irregular torna-se uma ação predatória, em face da
fragilidade ambiental da área.

Ocupação na faixa de praia

A faixa de praia apresenta uma intensa dinâmica de processos praiais eólicos e


ação das ondas, sendo também marcada, pela presença de bancos de arenitos de praia
(beachrock), constituindo uma área de alta fragilidade ambiental às atividades
humanas.
De acordo com o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro (BRASIL, Lei n.
7.661/88), a faixa de praia é considerada como uma área de uso comum do povo
(Figura 2), com acesso livre e franco, podendo ser utilizada para fins recreacionais
como banho de mar, surf, jogos, caminhada, entre outros, sendo proibida a construção
de empreendimentos particulares com finalidade a benefício próprio.

Figura 2 – Fotografia mostrando a placa da União que identifica o alinhamento da praia


e o limite para a ocupação antrópica (Foto: Maria Jin-Leine da Silva, agosto/2011).

Porém, em descumprimento a legislação ambiental vigente, observa-se que


nesta área o processo de uso ocupação desordenada ocorre em todos os
compartimentos da praia de Jenipabu, principalmente, para fins turísticos e de lazer,

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devido ao fato de que esta praia compõe um dos principais destinos turísticos do
Estado, com destaque nacional e internacional.

Ocupação na pós-praia

Na pós-praia tem-se uma ocupação densa, constituída pelas construções de


casas de primeira e de segunda residência, bares, hotéis, pousadas, entre outras
estruturas para fins recreativos e de lazer, que são estimulados pela atividade
turística. Esses empreendimentos ultrapassam o alinhamento de praia confrontando-
se com a face de praia avançando em direção ao mar (Figuras 3 e 4), por vezes,
modificando a morfologia local, comprometendo a dinâmica natural deste espaço,
como por exemplo, o bloqueio do fluxo dos sedimentos e os níveis de marés. Este
último tende a provocar o avanço do mar sobre essas construções, intensificando o
processo de erosão costeira.

3 4

Figuras 3 e 4 – Fotografia 3: mostra a disposição das construções ultrapassando o


limite de alinhamento da praia. Fotografia 4: mostra a vista parcial da sequência das
edificações na pós-praia (Foto: Maria Jin-Leine da Silva, agosto/2011).

Esse processo de ocupação tem aumentado substancialmente, sendo um


resultado proporcionado pela classe média local, principalmente, oriundos da capital
do Estado, e pela atividade turística, devido às potencialidades naturais e a
atratividade paisagística deste ambiente. É válido mencionar que os aspectos
paisagísticos torna a exploração na pós-praia um fator quase incontrolável pela
especulação imobiliária e pela própria atividade turística.

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Cabe ressaltar, que a disposição destes imóveis feita de forma contínua em todo
o compartimento da praia, não repercute de forma negativa apenas nos processos de
ordem natural, essa sequência de edificações gera também impactos de ordem social,
pois favorece a valorização do solo, fator que contribui para o deslocamento da
população nativa para outras localidades. Consequentemente, a maioria da população
nativa que é deslocada, vai ocupar áreas de alta fragilidade no contexto ambiental. De
acordo com as observações feitas in loco, outro impacto relevante é causado devido
à existência de poucos acessos a praia, fator que dificulta o ir e vir dos pedestres. São
raros os acessos existentes. Na maior parte desta praia a população visitante tem
acesso à face de praia pelos bares e restaurantes devido à falta de acesso. Outra
problemática agravante devido à ocupação é à disposição de resíduos sólidos na praia
e o lançamento de efluentes domésticos por parte das residências, hotéis, bares,
barracas rígidas, entre outros. Isso pelo fato desta área não dispor de saneamento,
fator que compromete a qualidade das águas e do solo, passando a comprometer a
qualidade ambiental da área.
Cabe destacar que o uso desordenado do solo na faixa costeira, afeta
consideravelmente a qualidade ambiental de todo ecossistema e incrementa
mudanças na linha de costa. Além desses fatores, cumpre destacar que as
construções existentes neste ambiente, disposta sem nenhuma forma de
ordenamento e sem levar em consideração a dinâmica natural e a capacidade de
suporte da área, podem comprometer o padrão de escoamento do aquífero livre, que
escoa em direção ao mar por pequenos canais denominados de Maceió.

Ocupação no estirâncio

O estirâncio corresponde à área situada entre a maré alta e a maré baixa. Na


área em foco, neste compartimento da praia é possível encontrar zonas onde
predominam a presença dos arenitos de praia (beachrocks) que ficam dispostos
paralelamente à linha de costa atual (Figura 5).

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Figura 5 – Fotografia mostrando os arenitos de praia (beachrocks) (Foto: Maria Jin-
Leine da Silva, agosto/2012).

Este ambiente constitui uma área de alta fragilidade no contexto ambiental,


tornando-se suscetíveis a impactos, mediante a ocupação antrópica. Neste
compartimento a interferência antrópica está representada pela disposição de
barracas dos bares particulares que ocupam grande parte do estirâncio. Cabe
destacar que a dimensão da ocupação por cada proprietário das barracas é mediante
a dinâmica da maré. No período da maré baixa, a quantidade de cadeiras com mesas
ocupam toda faixa do estirâncio, as quais vão sendo recolhidas à medida que a maré
vai enchendo (Figura 6). Estas ocupações dificultam o ir e vir dos transeuntes que
buscam na praia um momento de lazer. Associada a essa ocupação convém
mencionar a disposição incorreta dos resíduos sólidos, tanto por parte dos
empreendimentos, como também, pelo próprio turista.

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Figura 6 – Fotografia mostrando a ocupação por barracas móveis localizadas no
estirâncio (Foto: Maria Jin-Leine da Silva, agosto/2011).

Outra problemática agravante de ocupação evidenciada in loco, está relacionada


ao constante tráfego de carros, principalmente de buggys (Figuras 7 e 8) que são
utilizados para os passeios turísticos e transitam normalmente pela orla pondo em
risco a segurança dos banhistas. Além dos automóveis, o tráfego de animais para
passeio é constante, nesta modalidade de passeio destaca-se o passeio de
dromedários que circulam com os turistas pela praia e as cavalgadas que ocorre
constantemente na APA Jenipabu. Esses passeios com animais, além de expor os
banhistas ao risco, deixam a praia completamente suja de fezes de animais, latas de
bebidas entre outros objetos.

7 8

Figuras 7 e 8 – Fotografias mostrando o de tráfego de buggys e de animais (cavalgada)


na zona de estirâncio (Foto: Maria Jin-Leine da Silva, julho/2011).

Ocupação nos campos de dunas

O campo dunar localizado na área em estudo apresenta-se ora definindo a linha


de costa, ora penetrando em direção ao interior do continente constituindo as lagoas
interdunares (Figura 9).

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Figura 9 – Fotografia aérea oblíqua mostrando o campo de dunas fixas e móveis,
juntamente com a Lagoa de Jenipabu (fonte: Diniz 2009).

As dunas originam condições excelentes do ponto de vista da recarga dos


aquíferos e das lagoas interdunares, além de proteger a qualidade da água e compor
uma beleza paisagista ímpar. Estas, localizadas na área de estudo, representam um
dos principais cartões postais do Estado.
Com base na legislação ambiental, por meio das Resoluções CONAMA 303, de
20 de março de 2002 e 369 de 28 de março de 2006, o ambiente de dunas, por conferir
um ecossistema de interesse especial de alta fragilidade ambiental, é definido como
Área de Preservação Permanente (APP), apresentando restrições quanto ao uso e
ocupação do solo. Além dessas, existem as leis estaduais e municipais, que tratam
da questão ambiental e restrições à intervenção humana.
Porém, apesar da importância que atribuem ao ecossistema dunar local,
observa-se um desrespeito às restrições impostas pela legislação ambiental através
do incremento, de forma intempestiva, das construções dos empreendimentos
imobiliários, das atividades econômicas, principalmente, as ligadas à indústria do
turismo, sobre estas unidades. Fator que tem causado sérios impactos,
comprometendo todo o ecossistema inserido neste ambiente que apresenta alta
relevância ambiental.
A retirada da vegetação, somada as edificações de pousadas, casas de primeira
e segunda residência, barracas de comércio ambulantes, loteamentos, aplainamento
e retirada de sedimentos das dunas para construção civil, são as principais causas da
degradação ambiental, responsável pelas modificações na dinâmica natural,
principalmente os relacionados ao transporte eólico dos sedimentos das dunas
móveis. Nas observações feitas in loco verificou-se que as construções iniciam-se
desde a base das dunas, se expandindo ao longo do cordão dunar, sendo que

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algumas destas construções se encontram encravadas sobre o topo destas unidades,
modificando a beleza cênica paisagística (Figuras 10 e 11).

10 11

Figuras 10 e 11 – Fotografia 10: mostra as construções encravadas sobre o topo das


dunas (Foto: Maria Jin-Leine da Silva, agosto/2011). Fotografia 11: fotografia aérea
oblíqua registrando o avanço do uso e ocupação sobre o campo de dunas (Fonte: Diniz,
2009).

Outro problema impactante referente à ocupação neste ambiente observado in


loco, e que chamam particular atenção é o intenso tráfego de buggys (Figura 12),
passeios de dromedários (Figura 13), complementado pelo esporte denominado de
skyduna que são realizados sem dar devida atenção à capacidade de suporte destas
unidades. Estas atividades com fins turísticos, também são responsáveis por
movimentar um intenso comércio informal que funciona sobre as dunas móveis, fator
que intensifica o tráfego de turistas e demais transeuntes sobre as dunas. Esse
constante fluxo de pessoas ocorre durante todo ano, sendo intensificado no período
do verão. No entanto, à medida que estas atividades vão se desenvolvendo,
ocasionam uma complexidade de impactos no meio natural, sobretudo, o
rebaixamento das dunas, descaracterizando sua forma original, comprometendo a
morfodinâmica local. Essas atividades realizadas sem planejamento podem ser
responsáveis por impactos muitas vezes irreversíveis.

12 13

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Figuras 12 e 13 – Fotografia 12: mostra o intenso tráfego de buggys sobre as dunas.
Fotografia 13: mostra os dromedários que são utilizados para os passeios turísticos
sobre as dunas (Foto: Maria Jin-Leine da Silva, agosto/2012).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Na área em estudo, o intenso processo de uso e ocupação desordenada do solo,


somado as demais interferências antrópicas voltadas quase exclusivamente para a
atividade turística, tem resultado em uma série de impactos ambientais negativos,
ocasionando a depredação e norteando a perda do patrimônio natural e da beleza
cênica paisagística nesta faixa de praia.
A disposição irregular dos diversos tipos de construções e arruamentos, que vem
se expandindo sobre as unidades geoambientais no local, sem dar a devida atenção
à capacidade de suporte da área, vem resultando em mudanças significativas nas
unidades da paisagem e na morfodinâmica do relevo neste espaço, intensificando os
impactos negativos, uma vez que se trata de uma área que apresenta grande
fragilidade aos processos de ocupação humana, dadas pelas suas características
naturais: dunas fixas e móveis, lagoas interdunares e lençol freático próximo à
superfície e, por vezes, aflorante.
A partir das observações, verifica-se que a interferência humana além de
promover impactos nos aspectos físicos da área, também tem gerado conflitos de
ordem social, a saber: valorização do solo e falta de acesso à praia.
Mediante constatação, é notório perceber que a intensa ocupação desordenada
e intempestiva, sem estudo prévio, além de causar sérios impactos negativos,
materializa a orla, promovendo um cenário de casario e, por conseguinte, a
degradação da paisagem natural.
Assim, visando evitar o agravamento destes conflitos, sugere-se um maior
esforço através dos órgãos públicos responsáveis pelo planejamento, licenciamento
e gestão dos recursos naturais, no que concerne a fiscalização e cumprimento da
legislação ambiental vigente que trata do gerenciamento costeiro e das áreas
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instituídas como APA. Além destes procedimentos, se faz necessário uma maior
atuação na implementação de infraestrutura adequada à manutenção da qualidade
ambiental da área, considerando os aspectos físicos e sociais.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/index.cfm>. Acesso em:
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