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Copyright © 2020 Evilane Oliveira

Horas Contadas
1ª Edição

Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens e acontecimentos que


aqui serão descritos são produto da imaginação da autora. Qualquer
semelhança com nomes, datas e acontecimentos reais é mera coincidência.
Esta obra segue as regras da Nova Ortografia da Língua Portuguesa. É
proibido o armazenamento e/ou a reprodução de qualquer parte desta obra,
através de quaisquer meios, sem o consentimento escrito da autora. A
violação dos direitos autorais é crime estabelecido pela lei nº. 9.610. /98 e
punido pelo artigo 184 do Código Penal.

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Edição Digital | Criado no Brasil.


ÍNDICE
CAPÍTULO UM
CAPÍTULO DOIS
CAPÍTULO TRÊS
CAPÍTULO QUATRO
CAPÍTULO CINCO
CONTATO
OUTRAS OBRAS
24 de Dezembro às 17:27hrs

Calculei os pratos e fiz uma varredura do salão. Era minha última


festa até eu ir para casa e ir à minha própria. Os pratos estavam
acabando , então chamei Zaya.
— Ok. É Natal e eu estou trabalhando. O que você quer? — sua voz
estridente me fez rir. Ela adorava reclamar. Era uma das coisas que eu mais
odiava e amava na mulher loira.
— Pegue mais pratos. E peça a Jenny para arrumar o seu uniforme,
por favor.
— Ok. Você vai quinta? Preciso de você naquela festa. — ela
perguntou mascando chiclete e eu respirei profundamente.
— Eu gostaria muito, mas eu tenho um compromisso...
— Com o seu cachorro e o sofá. Eu sei. Emília Black você não tem
escolha. Eu fiz ela por você. Já deu. Um ano sem transar é muito até para a
puritana de Nova York. — ela riu quando eu corei olhando ao redor para ter
certeza que ninguém tinha escutado.
— Obrigada por contar ao condado inteiro.
— Sexo quente com o barman. Repita na sua cabeça e nós duas
vamos nos divertir. — Zaya se afastou rapidamente antes que eu pudesse
mandá-la calar a boca.
Quando nós duas finalizamos a organização, eu deixei os funcionários
do buffet para trás enquanto Zaya foi para casa também.
Entrei em meu carro e suspirei sentindo o cheiro gostoso do perfume
de lavanda que mamãe tinha me dado. Eu o colocava no carro todos os dias e
amava a sensação de entrar nele. Sorri ligando o veículo e gemi quando ele
morreu em seguida. Meu Deus. Tentei mais três vezes e quando desisti,
meu celular tocou.
— Você já saiu daí? Temos dez minutos até você chegar. Você sabe
como seu pai odeia essa espera. Ele quer comer tudo. — mamãe parou de
falar comigo e gritou ao fundo com alguém e eu sabia que era meu pai.
— Meu carro morreu. Vou pedir um Uber e depois mando o reboque.
Juro que em dez minutos estarei aí. Dê um pouco de comida ao meu pai. Não
briguem por isso. — murmurei olhando para o celular enquanto a chamada
estava no viva-voz. Chamei um Uber e suspirei enquanto esperava dentro do
carro. — Estarei logo aí. Cindy chegou?
— Sim. Os gêmeos estão bem grandinhos. Você precisa ver.
— Eu vou vê-los em dez minutos. Amo você. Preciso desligar.
Mamãe desligou depois de dizer que me amava.
O Uber estacionou perto do meu carro minutos depois e eu saí. Andei
diretamente e entrei no veículo depois de conferir a placa e o rosto do
motorista.
— Boa noite! Com licença. — murmurei sorrindo e o homem que
estava olhando para o celular ergueu o rosto me fazendo engolir em seco.
— Fique à vontade. Boa noite! — ele murmurou de volta e eu tentei
disfarçar o quanto seu olhar castanho claro e o cabelo loiro escuro me
deixaram sem fala momentaneamente. — Você estava dirigindo um carro. —
o rapaz comentou e eu ergui o rosto. Ele sorriu e seus olhos ficaram pequenos
pelo retrovisor.
— Sim. Ele me deixou na mão. — expliquei rapidamente e passei as
pontas dos dedos pelos meus cabelos.
Eu era baixa, tinha cabelos escuros e olhos azuis. Minha mãe disse
que se apaixonou por mim assim que olhou em meus olhos. Eu os amava .
— Sinto muito. — ele fez uma careta e eu acenei.
Nós ficamos em silêncio por um tempo e quando chegamos a entrada
do túnel que dava caminho ao bairro dos meus pais, eu olhei para fora. Uma
criança estava sorrindo pela janela e eu lhe dei um aceno com os dedos. A
neve cobria a maior parte da pista e todo mundo estava agasalhado.
— Você é minha última viagem. — o motorista murmurou me tirando
da menina e eu o encarei. — Você está indo para casa, certo?
Ele estava com um casaco grosso enquanto eu tinha o meu molhado
por andar na chuva. O ar quente me esquentou bastante. Eu não via a hora
de chegar em casa e comer com minha família.
— Sim. Para a dos meus pais, pelo menos. — eu sorri pegando
minha bolsa. — Eu moro...
Minhas palavras foram engolidas por um estrondo. Eu gritei com
medo e o motorista fez o mesmo. Uma nuvem grande de poeira cobriu o
nosso redor e eu fechei meus olhos abraçando a mim mesma.
O barulho durou mais um tempo e quando eu achava que tinha
parado, ele recomeçou.
— Oh, meu Deus. — murmurei gemendo e ergui o rosto. O motorista
estava com a cabeça para o lado e isso me deixou em pânico. — Moço. —
chamei, empurrando seu ombro, mas ele não se mexeu. Me movi entre os
bancos da frente e o encarei. Sua testa estava sangrando e eu percebi que uma
pedra enorme estava em cima do seu capô. Olhei para suas pernas e agradeci
por não ver sangue nelas.
— Moço. — chamei novamente e suas pálpebras se mexeram quase
que imperceptivelmente.
Me sentei no banco ao seu lado e apertei a bolsa em meu colo.
Olhei pela janela tentando ver alguém, mas estava coberto com escombros. O
túnel desabou. A constatação fez minha respiração acelerar . Tampei meus
lábios, evitando gritar em pânico, mas o choro estrangulado saiu.
18:30h
Minhas lágrimas tinham secado. O motorista não tinha acordado e eu
estava tentando ouvir alguém ao lado. Eu me arrependi em seguida. Os gritos
de uma mulher estavam me matando lentamente. Ela pedia por socorro. Dizia
que sua perna havia sido arrancada. As imagens se formaram em minha
mente, mesmo eu odiando isso.
— Você está bem? — a voz rouca ecoou e eu me virei limpando meu
rosto.
— Graças a Deus. Você está bem, moço? — eu gritei, me sentando de
lado.
— Preston.
— O que?
— Meu nome é Preston. — sua resposta me fez fechar os lábios e ele
me encarou de cima a baixo. — Você não se machucou. Que bom. — Preston
tocou sua testa e fez uma careta quando viu o sangue nos dedos.
— Você sente alguma coisa? — perguntei, tremendo levemente e ele
negou com um suave balanço de cabeça. — O túnel desabou ou parte dele...
— digo devagar, temendo que ele surte como eu fiz.
— Eu vi. — Preston suspirou e ergueu os olhos para mim. — Logo
resgatarão a gente.
— Você acha? — perguntei, engolindo em seco e Preston acenou.
— Sim. É Natal. Precisamos de um milagre. — ele tentou brincar,
mas eu estava assustada demais para rir.
— Se tudo desabar? Eu não quero morrer. — choraminguei para
Preston e ele tocou minha mão em um aperto firme.
— Não vamos morrer. — seu olhar me fez acenar, acreditando em
suas palavras firmes. — Droga. — ele pegou o celular no chão e a tela estava
preta e trincada. — Onde está o seu?
Meu celular.
Corri para pegar minha bolsa e suspirei ao achá-lo .
— Tem área? — Preston questionou e eu acenei, vendo os três
pontinhos.
— Vou ligar para minha mãe. — murmurei, já levando meu celular ao
ouvido. Enquanto chamava, eu senti o pânico me invadir mais uma vez.
Tremi, fungando e Preston acariciou meu braço dessa vez.
— Graças a Deus! Você viu o desabamento no túnel? Eu fiquei com
medo de você estar nele. — mamãe chorou na linha e eu apertei meus olhos.
— Eu estou aqui embaixo, mamãe. O motorista disse que logo
seremos resgatados. Eu acredito nele. — murmurei pausadamente para não
chorar e ouvi o grito dela pelo fone. — Mamãe. Eu vou ficar bem. Só avise a
polícia ou quem quer que esteja tentando nos tirar daqui que há pessoas
vivas. Por favor. — eu murmurei, tentando não desabar a cada soluço dela.
— Eu vou te buscar. Eu prometo. — ela disse firme e eu engoli em
seco, tentando acreditar que eu sairia daqui viva.
Desliguei o celular e vi Preston com os olhos fechados. O frio já
estava dando as caras e eu me arrependi por não ter colocado mais roupas
hoje.
— Você está bem? — perguntei, preocupada.
— Sim. Eu posso usar seu celular? — ele questionou, inquieto e eu
passei o aparelho para suas mãos. — A área caiu. Tentarei novamente.
Preston passou um bom tempo tentando pegar área, mas não
conseguiu. Quando anoiteceu, o frio aumentou e eu comecei a tremer
levemente.
— Acho melhor passarmos para o banco de trás. — Preston passou a
mão pelo cabelo e eu acenei.
Ficamos contra as portas, porém ao passar das horas, o frio ficou
insuportável. Preston estava com os lábios roxos e eu não sentia meus dedos.
— Vem para cá. — ele chamou de olhos fechados e eu fiquei quieta.
— Eu realmente quero aquecer você.
— Você precisa ser aquecido, não eu. — falei rápido e ele riu
devagar. Preston me fez relaxar e eu me arrastei até ficar contra seu peito. Ele
me abraçou e eu relaxei. Seu corpo, mesmo no frio, estava quente e eu me
agarrei a ele como se eu estivesse no oceano e ele fosse a minha única
salvação.
— Eles vão tirar a gente daqui. — Preston murmurou mais uma vez e
eu acenei, fechando os olhos.
Eu não sei em qual momento adormeci, mas eu o fiz.

23:45h
— Você tem alguma comida? — Preston perguntou quando eu
acordei. Nós dois ainda estávamos colados um no outro enquanto o frio
estava mais longe.
— Por que eu teria? — questionei baixinho e ele riu. Seu peito
balançou e eu senti uma inquietação começar em meu estômago.
— Mulheres sempre tê m.
— Ok. Eu tenho, mas só porque eu estava em uma festa e sempre levo
esses sanduíches para o meu pai. Ele ama. — eu disse, fazendo-o rir
enquanto acenava. Me movi pegando minha bolsa e peguei o papel
alumínio. Dois sanduíches de peru. Minha barriga roncou e eu peguei a
garrafa de água que eu carregava para todos os lugares. — Toma. — passei
um dos sanduíches para ele e me virei devagar, me afastando.
— Eu disse. — ele riu e eu prendi um suspiro. Seu cabelo estava sujo
de poeira e sua bochecha ainda tinha vestígios de sangue.
— Espero que quando eu chegar, meu pai tenha deixado um pedaço
do p eru para mim. — eu disse, desviando os olhos de Preston e ele riu.
— Nossa ceia só tem o peru de Natal. — ele mordeu o sanduíche
ao mesmo tempo que eu. emi apreciando o gosto saboroso e lambi
meus lábios, catando os resquícios que ficaram. Abri meus olhos sorrindo e
encontrei Preston me encarando. Seus olhos estavam escuros e eu fiquei sem
ar por alguns segundos.
— Beba um pouco de água. — eu passei a garrafa, sentindo minhas
bochechas pegarem fogo. Preston tocou meus dedos e segurou com firmeza.
Meu peito sacudiu e eu tentei engolir o caroço na minha garganta.
— Quantos anos você tem? — sua pergunta me pegou desprevenida.
— 27 anos. — murmurei a resposta e Preston esticou o braço e tocou
minha bochecha. — E você?
— 30 anos.
Ambos ficamos calados por longos segundos, até que ele quebrou
nosso contato visual e levou a garrafa aos lábios.
Eu realmente não entendia por que eu reagia a Preston dessa
maneira. Já vi milhares de homens bonitos. Todos eram legais e alguns até se
interessaram por mim, mas esse homem era diferente. Eu não sabia o por
quê.
— Você quer brincar de cinco adivinhações? — Preston quebrou meu
constrangimento e eu franzi a testa, confusa.
— Nunca ouvi falar dessa brincadeira. — expliquei, assistindo-o
dar uma risada.
— Você precisa supor cinco coisas a meu respeito e eu farei o
mesmo. — ele mordeu o lábio e eu engoli em seco, tentando tirar minha
atenção da sua boca. — Topa?
— Topo! — acenei, desviando meus olhos para a garrafa de água.
— Eu começo. — avisou e eu apenas acenei mais uma vez. — Você é
advogada, mora com seus pais, gosta de sorvete, assiste La Casa de Papel
e... é solteira. — sua voz ficou grave na palavra solteira. Eu quis muito pular
em seu pescoço e juntar minha boca na sua, mas eu não podia.
Não estando debaixo de escombros de um túnel.
— Você acertou três coisas. — eu mordi meu lábio e abracei meu
próprio corpo. — Agora é minha vez...
— O quê ? Você tem que dizer as verdades...
— É o nosso jogo. Estou fazendo regras. Deixe as suposições no ar.
— Preston fez uma careta com minhas palavras. — Vamos lá. Você é um
rato de academia, mora sozinho, dirige porque gosta, ama cozinhar e é
solteiro.
Preston me encarou sem reação e, por um momento, eu pedi
silenciosamente que ele realmente fosse solteiro.
— Errei quantas?
— Você acertou uma. — Preston fez mistério e eu respirei
profundamente.
— Você... — parei de falar quando um grito cortou o ar.
O barulho do estrondo veio em seguida. Preston se moveu rápido e
cobriu meu corpo com o dele. Mais poeira entrou pelo vidro quebrado e eu
estremeci, sentindo seu coração batendo contra mim e o cheiro dele me
rodeando.
Eu pedi mentalmente enquanto ouvia o barulho e sentia Preston
contra mim, que se eu fosse morrer que fosse rápido.
24 de Dezembro às 17:00h

Eu poderia contar seus passos, pois eu já sabia decorados. Ela dava


dois para frente e um para o lado e fazia tudo novamente. Minha sobrinha
tinha alguns toques que sempre a caracterizaram, mas minha irmã decidiu
investigar. Então hoje foi uma das sessões com a psicóloga. Eu fui
designado a vir. Apoio moral e etc.
— Titio, você poderia me levar para o seu trabalho divertido. — ela
murmurou, erguendo os bracinhos e eu a peguei no colo.
Andamos para o meu carro e eu sorri, abrindo a porta.
— Não, você sabe que não pode. — brinquei, pondo ela na
cadeirinha. Sophie tinha quatro anos e era uma coisa pequena que eu amava.
— É chato ficar em casa. — ela fez bico e eu toquei seu queixo.
— Faça ser divertido. Enquanto chegamos, pense em algo.
Eu dirigi para a casa da minha irmã, vendo Sophie realmente focada
em pensar em algo. Eu estacionei e Penny saiu da casa com um sorriso largo.
— Como foi? — ela questionou depois de tirar Sophie da cadeirinha.
— A psicóloga disse que vai precisar de mais sessões, mas que TOC é
um prognóstico quase confirmado. — eu respirei fundo e Penny mordeu o
lábio. — Logo tudo ficará melhor. Você vai ver. — apertei sua mão e ela
suspirou devagar.
— Obrigada por levá-la.
Nós nos despedimos e eu liguei o aplicativo de viagens. A primeira
que apareceu eu aceitei e me dirigi à localização da cliente.
Espero pela mulher, mexendo no celular e quando ela entra, eu ainda
levo alguns segundos para vê-la.
Mulheres bonitas sempre entram em meu carro, mas essa... Eu não
sabia explicar, eu fiquei um pouco desconcertado, mas me recuperei
imediatamente.
Seu rosto parecia de um anjo e eu não gostei das coisas que imaginei
fazer com ela.

00:00h
— Feliz Natal. — Emília sorriu para mim e eu relaxei em cima do seu
corpo. Seu cheiro era perfeito. Eu estava tentando me controlar, mas era
difícil. Sua boca era uma tentação e mesmo que ela deixasse que eu a
beijasse, eu não poderia.
— Feliz Natal, Emília. — eu devolvi o sorriso e me afastei quando
nenhum barulho soou mais.
— Você estava indo para casa? Para a ceia de Natal? — ela também
se sentou e seus olhos azuis brilharam.
— Sim. — respondi, pegando novamente o sanduíche que eu deixei
de lado para subir em Emília.
Voltei a comer e ela fez o mesmo. A água da sua garrafa não era
muita, mas eu tinha uma na parte da frente. Eu tomo muita água, então
sempre tenho garrafas dentro do carro.
— Você acha que podemos sair do carro? É seguro estar aqui
dentro ou lá fora? — Emília questionou, olhando pela janela. Conseguíamos
ver uma das paredes do túnel por ela.
Nossa frente estava com pedras e a parte de trás também. Eu não
conseguia entender como e onde desabou. Foi todo? Uma parte? Eu queria
poder sair do carro, mas talvez aqui fosse mais seguro.
— Eu não sei. — minha voz morreu quando Emília começou a tremer
novamente. Estava muito frio e ela parecia ser refém dele. — Vem cá. —
chamei suavemente e ela se moveu para mim. Dessa vez, Emília sentou em
meu colo e enterrou o rosto em meu pescoço.
Sua respiração me arrepiou, seu cheiro me inebriou e por um
momento eu desejei segurar seu cabelo e beijar sua pele suave e macia.
— Se sairmos vivos daqui, eu quero que passe a virada comigo. —
sua voz falhou e ela riu nervosa. — Você topa?
— Claro. Quais os seus planos? — perguntei, tentando afastar a onda
de desejo.
— Eu iria para a Times Square e você?
— É a tradição. Estaremos lá então. — eu afirmei, completamente
certo e Emília sorriu, me abraçando com mais força.
— Eu amo meus pais. Tipo, absurdamente.
— Por que está falando isso? — questionei, franzindo as
sobrancelhas.
— Quero que eles saibam que eu realmente os amava. Você conta
para eles? — sua voz ficou fraca.
— Você vai dizer isso.
Emília se afastou e seu nariz estava vermelho. As lágrimas fizeram
morada em seus olhos e ela fungou devagar.
— Eu sinto que vou morrer aqui. É uma sensação. — ela fungou mais
uma vez e eu toquei sua bochecha.
— Essa sensação está errada. Nós vamos passar o Ano Novo na
Times Square.
Emília sorriu e segurou minha mão contra seu rosto. Nós ficamos em
silêncio e ela suspirou.
— Eu realmente quero beijar você. — suas palavras me deixaram
boquiaberto. Emília corou e eu pude sentir meu peito vibrar.
— Eu quero beijar você também. Realmente quero. — admiti,
engolindo em seco. — Mas não vou. Não hoje, pelo menos. Na virada.
— Está combinado? — Emília sorriu e eu a puxei para mim.
— Combinado.
Ela relaxou e pelas próximas horas nós ficamos calados.

03:49h
O celular de Emília tocou e eu era o único acordado. Passei minha
m ão por sua coluna e tentei acordá-la. Emília se mexeu e seus olhos
despertaram.
— Alô. — atendi , levando o celular à orelha e a voz de um
homem me deixou desconfortável.
— Sou Charles Glassman e estou trabalhando para tirar vocês daí.
Onde estão? É no começo ou final da via?
— Começo. Acho que fomos o último carro a entrar no túnel antes de
tudo desabar. — eu expliquei, lembrando rapidamente e ele falou ok.
— Vamos levar mais algumas horas para tirar vocês daí. Graças a
Deus tudo está ocorrendo rápido. Tem alguém ferido?
— Não. Eu estou com um ferimento na cabeça, mas é superficial. —
eu falei, vendo Emília encarando o ferimento.
— Ok. Suas famílias estão aqui. — quando ele falou isso, eu respirei
profundamente. — Vou passar a ligação.
— Você está bem? Meu Deus eu nunca tive tanto medo. — Penny
choramingou na minha orelha e eu engoli em seco imaginando quão
preocupada ela ficou.
— Estou bem. Eu juro.
— Você... — a ligação começou a falhar e o silêncio foi minha única
resposta quando comecei a chamar pela minha irmã.
— Está tudo bem? — Emília questionou quando lhe entreguei o
celular. — Vamos sair daqui, certo?
— Sim. Nós vamos.
Emília ficou me olhando por longos segundos e eu sorri tocando seu
pescoço. Puxei ela de volta para mim e beijei seus cabelos.
— Durma. Quando acordar, talvez já estejamos fora daqui. —
murmurei, sonolento.
— Quero ficar com você. — ela informou sem me encarar. — Diga
uma lembrança boa da sua infância.
Eu não precisei pensar muito sobre o que falar. Mamãe sempre foi
minha lembrança mais feliz.
— Minha mãe costumava levar a gente para o parque todos os
domingos. Ela fazia todas as comidas que gostávamos e colocava em uma
cesta. Minha irmã tem essa cesta até hoje. — eu sorri com a lembrança. —
Nos sentávamos e comíamos enquanto as pessoas faziam o mesmo. Eu
brincava com outras crianças até o sol começar a se pôr. Minha mãe nos
chamava e nos sentávamos ao lado dela vendo o céu se tornar laranja e
depois escuro. Eu quero fazer isso com meus filhos.
— É uma lembrança linda, Preston. — Emília sorriu e tocou meu
peito. — Minha lembrança preferida é a chegada da escola. Meu pai sempre
estava na porta. Ele me pegava no colo e caminhava até a cozinha. Mamãe
sempre me entregava um biscoito e beijava meus cabelos. — ela sorriu como
se estivesse vivendo aquele momento e eu sorri instantaneamente. — Era
tudo tão fácil quando éramos crianças. Até a adolescência tudo era fácil. Por
que somos tão dramáticos quando adolescentes? Eu olho para trás e dou um
gemido a cada vez que me vejo batendo minha porta.
— Intensidade sempre foi o principal. Éramos muito intensos.
Emília riu concordando. Ela travou a costura do casaco e ficou em
silêncio.
— O que você mais gosta em seu trabalho? — a pergunta voou dos
meus lábios e ela me encarou. Seus dentes apertaram seu lábio e ela sorriu.
— Eu trabalho com minha melhor amiga. Quando estamos juntas eu
sempre estou sorrindo. Acho que Zaya é o que mais gosto.
— Sério? — perguntei, rindo e ela deu de ombros.
— Eu também amo o rostos dos clientes quando entram na festa que
organizei. Eles ficam intensamente felizes e eu fico orgulhosa de mim
mesma. — Emília abraçou a si mesma e me olhou. — E você?
— Eu sempre tenho histórias para contar. — murmurei, relaxado e
sorri. — As pessoas amam falar e quando é com um desconhecido isso se
multiplica.
— Imagino que sim. — Emília riu e puxou o gorro que cobria os seus
cabelos. — Fale a melhor história que já ouviu.
Eu não precisei pensar muito.
— Um dia eu peguei um casal de idosos. Charlie e Marie. Eles eram
casados há cinquenta anos. Charlie disse dentro do carro que fez bem em ter
roubado Marie de seu irmão. Eu fiquei chocado. Marie riu e deu tapinhas na
perna do esposo. — Emília arregalou seus olhos e isso me fez rir. — Charlie
disse que o irmão não saberia cuidar de Marie e que Marie nunca o amaria
como o amava. Eu realmente fiquei tocado por aquelas palavras e quis saber
mais, então perguntei o porquê.
"Marie me olhou e disse que ela não poderia amar seu cunhado, pois
já amava Charlie. Perguntei se já conheciam e ela riu. De outras vidas, foi sua
resposta. Marie reconheceu Charlie de outra vida. Assim que o viu pela
primeira vez. Desde então ambos ficaram juntos. Seu irmão ficou chateado,
mas logo passou."
— Uau! — Emília estava com o rosto sonhador, ainda mais bela do
que eu lembrava minutos atrás.
— Eu já ouvi milhões de histórias, mas a deles me tocou durante os
dias que se seguiram. Ela me fez fazer questionamentos.
— Essa história é linda, sem dúvidas. Espero que Marie e Charlie
estejam bem e juntos. — Emília apertou meu joelho e eu acenei, porque sim,
eles estavam.
— Você organiza festas de casamentos? Qual foi o maior escândalo?
— perguntei, para mudar de assunto e Emília riu assim que parou para
pensar.
— Desculpe. Eu ri porque na época foi muito engraçado, porém é um
pouco triste... — ela franziu as sobrancelhas e parou de rir. — O casal foi à
festa após o casamento e ambos estavam felizes. Pareciam tão apaixonados...
Em um dado momento ele sumiu. — Emília fez uma careta e me olhou. —
Alguém filmou ele traindo a noiva no banheiro da festa e colocou no telão. A
mulher era a sogra dele. Todo mundo viu. Ficamos horrorizados.
— E a parte engraçada? — perguntei, curioso e Emília riu novamente.
— A noiva se ergueu e beijou seu sogro. E a sua sogra bateu nela e
tudo virou uma confusão de pratos e gritos. Foi caótico, mas todas as vezes
que relembro a cara do noivo vendo sua noiva beijar seu pai, eu choro de rir.
— Emília riu até engasgar e eu a acompanhei. Eu não sabia que podia rir
tanto, mas a cada vez que via os olhos brilhantes e sua boca aberta rindo,
eu gargalhava mais. — Ok. Ok. Foi horrível, porém cômico. Espero que
Jesus não me castigue. — Emília tirou um crucifixo de dentro do casaco e
beijou a cruz de ouro.
— Ele não vai. — eu ri por último e ela bocejou. Já eram quatro
horas da manhã de Natal e Emília e eu estávamos rindo, mesmo estando
embaixo de pedras. — O tempo passará mais rápido se a gente for dormir.
— Você quer que o tempo passe rápido? — sua pergunta a
surpreendeu. Eu vi em seus olhos e na sua expressão. — Quero dizer, claro.
É, eu estou com sono.
Ela mentiu.
Ela deitou sobre mim mais uma vez e fechou os olhos. Eu soube pela
sua respiração que ela não dormiu. Porém, fiquei quieto. E enquanto os
segundos viraram minutos e os minutos horas, eu desconectei.

25 de Dezembro às 7:00h
Um barulho alto soou e eu acordei já apertando Emília junto a mim.
Ela suspirou e abriu as pálpebras. Olhei ao redor e quando vi uma pequena
luz longe da gente, eu soube que iriam nos resgatar.
Respirei lentamente e Emília se sentou, se afastando de mim. A neve
estava atacando lá fora e o frio fez o ar gelado sair dos meus lábios quando
falei.
— Você está bem? Eles chegaram. — minhas palavras fizeram Emília
acenar diversas vezes.
— Estou bem. — ela suspirou e tocou minha mão. — Virada. Times
Square.
— Virada. Times Square.
Nossos olhos ficaram presos um no outro e eu senti algo ruim apertar
meu estômago. Algo me atormentou e eu empurrei a sensação para baixo.
Eu não queria sentir nada.
Mas Emília me fez sentir tudo.
E isso era um erro.
Quando conseguiram tirar todas as pedras e abrir o carro, eu senti
alívio e as lágrimas encheram meus olhos. Alguém colocou um casaco
enorme sobre os meus ombros e outra pessoa me colocou sentada em uma
maca. Eu podia andar, mas não queria discutir com ninguém. Procurei
Preston ao meu redor, mas as pessoas já tinham o rodeado. Vi seu cabelo
loiro escuro e suspirei quando braços me rodearam.
— Oh meu D eus, obrigada! — mamãe chorou em meu ombro
enquanto eu tremia e via algo que fez meu coração ser pisoteado.
Preston estava sendo beijado.
Uma mulher loira e elegante chorava enquanto afastava seus lábios
dos dele. Lábios que eu desejei beijar nas horas contadas que estivemos
juntos. Ele era comprometido.
— Você está me ouvindo? Ela está em choque! Médico! — minha
mãe gritou, chamando atenção das pessoas e eu vi o rosto dele virar e me
ver.
Preston engoliu em seco e desviou o olhar. Culpado.
— Estou bem, mamãe. — falei, olhando diretamente para ela. Toquei
seus ombros e a abracei devagar. — Estou bem.
Eu murmurei para ela e para mim.
— Está quebrado? Algo está quebrado? — Zaya gritou, correndo e eu
quis rir do seu desespero.
— Nada.
Só meu coração.
Talvez, nem ele.
A única coisa que estava partida era minha esperança de sair com
Preston, mas isso não era algo tão importante.
Preston não era importante.
— Mimi. Você está bem. É um milagre que agradecerei todos os dias
à nossa Santa. — meu pai me abraçou e eu acenei diversas vezes. —
Vamos agradecer. Deus lhe deu uma nova chance e você vai fazer valer a
pena.
— Eu vou. — afirmei, engolindo em seco e limpei minhas lágrimas.
— Eu amo vocês. Obrigada por tudo.
— Cindy está em casa com os meninos. Vamos acompanhar você ao
hospital e ela vai te visitar.
— Eu estou bem, mamãe. — murmurei em resposta e olhei para o
túnel.
— Ele não desabou completamente. Foi sua sorte, Mimi. — papai
beijou meus cabelos e eu acenei.
Minha sorte.
— Alguém morreu? — questionei, com medo e mamãe acenou,
mordendo o lábio.
— Você precisa ir ao médico. — Zaya me abraçou depois que
murmurou e eu acenei.
Eu precisava.

No hospital eu fui examinada e me fizeram tomar soro. Minha irmã


veio me ver e chorou dizendo o quanto o medo de me perder fez ela entender
que morar longe não é mais uma opção.
— Cindy, não faça isso. Eu estou bem, eu juro. — murmurei, vendo-a
andar pelo quarto com o celular na mão. — Sua vida em São Francisco é
boa. Tem seu trabalho, seus filhos e seu marido. Por favor, reconsidere. —
pedi, sentada na cama, observando seus passos. Mamãe havia saído para
pegar meu jantar assim que minha irmã chegou.
— Eu posso ter tudo isso e estar perto da minha família. — ela sorriu
e se curvou, beijando meus cabelos. — Eu amo você e não vou desperdiçar
meu tempo com vizinhos que detesto podendo morar perto da minha família.
Agora descanse.
Eu respirei fundo e desisti de fazê-la entender.
O hospital estava decorado para o Natal e tanto quanto eu amava a
data e toda a cor que ela trazia, agora eu estava ligando a festividade ao meu
acidente.
E a Preston.
— O rapaz que estava com você passou por uma cirurgia. Ele parecia
bem, não era? — mamãe entrou carregando uma bandeja e eu arregalei os
olhos.
— O quê ? Mas por quê? — minha voz soou urgente e mamãe
colocou a bandeja em meu colo.
— Algo em sua cabeça. — ela me respondeu e eu franzi as
sobrancelhas. — Você quer que eu pergunte algo? Não pensei que ficaria tão
perturbada.
— Eu preciso ver ele. Ele está no quarto? — perguntei, desviando os
olhos e mamãe negou.
— Não sei. Vou me informar e aviso a você. Pode ser? — eu acenei,
respondendo-a e ela apertou minha mão. — Agora coma tudo.
Minha barriga deu voltas e mais voltas, porém forcei minha bile para
baixo. Mamãe não foi em busca de informações enquanto não terminei meu
jantar.
— Ele era legal? — Cindy deu dois passos até mim e parou na ponta
da cama.
— Sim. Ele era.
Menos a parte que ele disse que queria me beijar, mesmo estando em
um relacionamento. A cena do beijo que a mulher loira deu em seus lábios
me fez retrair.
Quando mamãe voltou, ela sorriu e sentou na poltrona. Sua atenção
ficou em seu celular por alguns minutos e eu bufei.
— Mãe, e aí?
— Ah, desculpa, querida. — ela riu e me olhou. — Ele já foi liberado.
A noiva dele é médica aqui e disse que cuidaria dele em casa.
Noiva.
A palavra se repetiu em minha cabeça diversas vezes e eu senti
vontade de vomitar. Porém, não o fiz.
— Ok.
— Seu pai vem nos buscar amanhã.
— Não posso ir embora hoje? — questionei, incomodada e ela
balançou a cabeça.
— O moço tem uma médica, você tem dois velhos cabeça dura em
casa.
Ela riu e eu a segui. Mamãe era incrível e eu a amava.
Preston não era importante.
Minha família sim.

29 de Dezembro às 20:47hrs
Quatro dias depois eu estava em casa com Zaya enquanto nos
arrumávamos para ir a uma festa que ela me convidou. Eu estava bem e tudo
já tinha se normalizado em minha vida.
— Você fica melhor no preto. — ela estudou os vestidos e jogou o
tecido escuro contra meu peito.
Eu o vesti rapidamente e soltei meus cabelos do bob. Zaya terminou
de passar batom e nós duas descemos as escadas.
Zaya não me deixou dirigir e ela não fez caso para ser a motorista da
vez, já que iria beber. Eu abri o app da Uber, lembrando como a última vez
acabou. Não consegui chamar.
— Eu chamo. — Zaya tocou meu braço e eu acenei, engolindo em
seco.
Em alguns minutos nós já estávamos dentro do carro. Eu encarei o
homem e procurei semelhanças entre ele e Preston. Não havia nenhuma.
— Tem algo que você não me contou? — Zaya questionou quando
entramos no bar onde a banda que ela amava tocaria hoje.
— Não. Por quê?
— Eu conheço você. — ela falou, sentando em nossa mesa e eu
engoli em seco. — Você ficou com o motorista?
Eu arregalei os olhos.
— Como você transou no carro? Ele não estava amassado ou algo
assim?
— Eu não transei, Zaya, meu Deus. — olhei ao redor com medo das
pessoas terem ouvido e minha amiga continuou me encarando. — Eu me
senti atraída. E ele também. Eu acho. — Desviei os olhos dos seus e cutuquei
minha unha. — Mas você viu. Ele é noivo.
— Ele não te contou? — Zaya perguntou, fazendo uma careta e
eu neguei. — Que filho da mãe!
— Eu sei, parece horrível e eu fiquei com raiva, mas ele não me
beijou quando eu, abertamente, disse que queria beijá-lo.
— Você ousada é algo que nunca vi. — Zaya riu e eu dei de ombros,
rindo junto. — Você realmente gostou do cara?
— Sim. Eu realmente gostei. Mas não, eu não estou apaixonada, eu
só queria saber o que daria... Eu queria conhecer ele fora daquele carro,
queria ver se sairia alguma coisa...
— Eu entendi. — Zaya sorriu com simpatia e eu grunhi. — Ver
você fora da sua zona é reconfortante.
— Você é terrível! — murmurei de volta e uma garçonete se
aproximou.
Nós duas fizemos nossos pedidos e depois de alguns copos Zaya me
puxou para perto do palco e nós duas curtimos ao som da banda que ela
amava.
— Ok. Eu preciso ir ao banheiro. — Zaya gritou para mim e eu
acenei. Segui minha amiga e nós duas fizemos xixi.
— Podemos ir embora? — perguntei à ela assim que a banda se
despediu. Nós duas já estávamos mais bêbadas do que era permitido.
— Eu preciso de um cara para a noite.
— Você tem namorado. — lembrei a ela enquanto sentamos de volta
em nossa mesa.
— Eu sei! É dele que estou falando. — ela riu, me mandando a língua
e começou a teclar no celular. — Ele nos mandou pegar um Uber. Seu carro
está morto. Vamos lá!
Eu acenei e nós duas saímos do local. Zaya chamou o Uber e logo ele
estacionou. Eu entrei depois dela e sorri vendo ela agarrada com a garrafa de
cerveja.
— Boa noite! — a voz timbrada, suave e que me arrepiou a primeira
vez que a ouvi, soou dentro do carro.
Meu coração bateu forte quando ergui meu rosto e vi os olhos
brilhantes e o cabelo loiro escuro .
— Merda. — Zaya resmungou e eu apertei sua mão, pedindo em
silêncio que ela ficasse quieta. — Eu devo me preocupar?
Fiquei em silêncio por alguns segundos e Preston também. Só quando
desviei os olhos dos seus foi que recordei a frase da minha amiga.
— Com o quê ? — questionei, engolindo em seco.
— De um túnel cair sobre as nossas cabeças.
— Zaya. — adverti e ela ergueu as mãos.
Me virei para a janela e fiquei em silêncio. O caminho até a casa do
Gideon foi feito em silêncio e quando Preston parou, Zaya me olhou.
— Quer ficar conosco? — sua pergunta me fez suspirar e neguei.
— Você quer seu namorado. Vá ficar com ele. — murmurei sorrindo
e ela abriu a boca novamente.
— Posso pedir outro Uber...
Eu sabia que Preston estava ouvindo nossa conversa. Eu odiei isso.
Odiei que as palavras e ações de Zaya diziam a ele como eu estava me
sentindo.
— Não precisa. Se divirta. Nos vemos amanhã. — beijei seu rosto e
ela saiu do carro. — Pode ir. — falei para Preston sem olhar em sua direção.
— Podemos conversar? — eu ignorei sua voz. — Emília, por favor.
A paisagem de Nova York era bonita. A decoração de Natal ainda
estava espalhada. O ano novo seria amanhã e logo a magia das festas
cessaria.
O carro derrapou em um acostamento e eu ouvi Preston abrir sua
porta. Não me mexi. Eu não queria.
Ele abriu minha porta e ficou agachado me encarando. Mesmo que eu
quisesse, eu não poderia deixar de olhar para ele. A neve cobria a paisagem e
Preston já estava com o nariz e bochechas vermelhas.
— Você acha que eu quis me sentir atraído por você?
— Não importa.
— Importa. Para mim, importa. — Preston suspirou e esfregou o
rosto. — Eu noivei dias antes do acidente...
— Eu não preciso saber disso, Preston! Não tenho nada a ver com a
sua vida e está bom assim. Volte para o carro e dirija. Eu preciso estar em
casa.
— Por que você precisa? — sua pergunta me pegou desprevenida. —
Você está saindo com alguém?
— Quem você pensa que é? Você é noivo, Preston. Volte para o
carro. — eu soei indignada e eu realmente estava.
— Eu soube que era você assim que o nome da sua amiga apareceu
no visor. Eu queria te ver.
— Se eu tivesse imaginado que você era o motorista, eu jamais teria
entrado nesse carro. — afirmei, destravando meu cinto. Saí do carro e peguei
meu celular. A neve estava branda hoje, graças a Deus.
— O que está fazendo?
— Chamando um carro que possa me levar para casa. — expliquei,
suspirando e Preston se aproximou mais uma vez. Estávamos em uma
avenida no meio de árvores altas.
— Não faça isso. Eu só quero conversar com você! — Preston gritou,
se aproximando e eu me afastei. — Por favor, me escuta.
— Ok, Preston, fala! O que foi? — olhei para seu rosto e ele abriu a
boca e a fechou. — Você poderia ter me dito que era comprometido. Só isso.
Eu não tenho nada a ver com a sua vida, porém, sim, eu gostaria de saber que
você tinha uma mulher em sua vida.
— Eu deveria, sim, mas não quis dizer. Me desculpe...
— E a Times Square? — minha voz soou baixa no meio da escuridão.
— Eu quero estar lá. E eu vou. Mas preciso saber que você vai. —
suas palavras eram tão distorcidas. — Você vai?
— Sua noiva vai? — perguntei, e me recriminei por ter esperanças de
que ele respondesse que não.
— Não. Eu não tenho mais noiva. — Preston esclareceu rapidamente
e eu senti algo se retorcer dentro do meu estômago. — Você vai estar lá?
— Você estava noivo. Isso é algo gigante. Como não tem mais noiva?
— Eu entendi a Marie.
Eu fiquei confusa por apenas dois segundos, no terceiro eu pisquei e
tentei falar, mas nada saiu.
— Isso não existe...
— Quem vai dizer que não? É meu sentimento. Eu o sinto dentro de
mim. Quem pode dizer que não é real? — Preston deu mais um passo em
minha direção e eu tentei me mexer, me afastar, mas não consegui.
— Preston...
— Contrariando tudo, eu passei o melhor Natal dos últimos anos
dentro daquele carro com você. Eu sei o que senti e sei o que você sentiu.
— Então o quê ? -, ergui meu queixo e sua imagem ficou
embaçada. Pisquei e as lágrimas caíram. — O que disse a ela? A pessoa que
pensou que tinha morrido, que o ama?
— O que você teria dito?
— Eu não falaria nada! — berrei, tremendo e Preston acenou,
desviando os olhos dos meus. — Eu pouparia essa dor à ela, pouparia, pois
ela já havia passado por uma assustadora. Ela achou que te perdeu, você
voltou e a deixou. Você entende o que estou dizendo?
— Sim. Você quer que eu vá lá e peça perdão? Quer que eu volte para
ela? — Preston gritou de volta e eu me agachei na neve segurando meus
cabelos.
Eu odiava o sentimento que estava dentro de mim. O alívio dele a ter
deixado. O pensamento egoísta que dizia que agora eu poderia tê-lo.
— Eu estou me colocando no lugar dela. Como eu sei que Charlie se
colocou no lugar do irmão. É isso, Preston. — expliquei, me erguendo.
Abracei meu corpo e respirei fundo. — Me leva para casa. Por favor.
Preston fechou os olhos e acenou. Ele esperou que eu entrasse no
carro e deu a volta. Quando saímos do acostamento, eu senti que estava
deixando meu coração ali.
Naquele asfalto coberto de neve.
Apertei o volante até meus dedos ficarem brancos. Emília continuava
em silêncio e eu queria fazê-la entender que por mais que eu estivesse
noivo quando nos conhecemos, eu realmente senti como se a conhecesse há
muito tempo . Eu a desejei e nunca me perdoaria se eu casasse com
Mandy. Porque eu estaria a enganando, certo? Desejar outra mulher é uma
traição?
— Seria errado. — a minha voz saiu e vi Emília me encarar. — Seria
errado estar com ela querendo você. Eu fui honesto. Jamais a magoaria com
uma traição.
— Eu sei. Eu sei. — Emília respirou fundo e olhou pela janela. — Eu
não sei o que estou sentindo.
— Você sabe, Emília. — afirmei frustrado e ela me olhou novamente.
— E o que faremos com isso? — sua pergunta me fez suspirar. Seu
celular tocou na hora e ela o atendeu. — Sim. Estou bem. Não se preocupe.
Ok. Te amo! Tchau.
Fiquei em silêncio e esperei que ela dissesse quem era.
— Zaya está monitorando o percurso. Ela pensou que algo tinha
acontecido.
— O túnel? — arrisquei, querendo tirar um sorriso do seu rosto, mas
Emília fez uma careta.
— Recente demais para piadas.
— Você está certa. — murmurei, entrando em seu bairro. — Você
está bem? Digo, depois de tudo.
— Ah, sim, tudo certo. Por que fez uma cirurgia? Eu pensei que
estava bem. — ela perguntou com os olhos presos em mim. — Minha mãe
me disse.
— Não fiz cirurgia. Acho que ela se enganou. — eu disse confuso e
Emília acenou, dando de ombros.
— Sim, talvez.
Eu estacionei em frente ao prédio e olhei para cima. Emília ficou
parada e me encarou.
— Você quer subir? — suas bochechas queimaram assim que ela
ouviu sua própria pergunta. — Não é para...
— Eu sei. Está tudo bem. — falei devagar já desligando o carro. —
Vamos lá.
Eu saí do carro e andei até à sua porta. Emília abriu antes que eu
pudesse fazê-lo. Ela andou diretamente para a portaria e eu a segui, apertando
meu casaco. Emília acenou para o porteiro e nós entramos no elevador. O
aquecedor logo nos deixou mais quentes.
— Você mora sozinha? — questionei quando saímos no seu andar.
Emília abriu a porta e me deixou passar enquanto acenava.
— Já tentei morar com Zaya, mas ela é terrível. Gideon ia para nossa
casa e eu era a ouvinte número um das fodas deles . — Emília riu enquanto
eu olhei ao redor. Seu apartamento era clássico, marrom com tons claros e
sua TV era bem grande. — Eu gosto de ver jogos da NFL.
— Não me diga. — eu ri, me virando e ela deu de ombros. — Você
vai ao Super Bowl?
— O quê ? Você não vai? — Emília me olhou cética e eu relaxei,
negando.
— Jamais. Eu nem assisto. Football não é minha praia.
— E qual é? — questionou, indo até ao que eu achava ser a cozinha.
Quando ela retornou, eu tive certeza. Em suas mãos havia cervejas.
— Lacross. — Emília me entregou uma garrafa e riu.
— Você só me surpreende. — ela sentou no sofá e eu fiz o mesmo.
Emília prendeu o cabelo em um coque malfeito e bebeu um gole da
cerveja. Eu fiz o mesmo, tentando parar de olhar para o seu decote exposto.
— Você já namorou? — minha pergunta fez ela morder o lábio.
— Sim. Dois anos atrás e vários dramas. — Emília sorriu triste e
deu de ombros.
— Ele era um idiota.
— Todos os homens são. — ela retrucou com firmeza e eu ergui as
mãos.
— Culpado.
O silêncio se estendeu e eu me ergui depois de terminar minha bebida.
Sentei perto de Emília e ela ergueu o queixo para me encarar.
— Está com frio? — sussurrei com os olhos presos nela.
Emília abriu a boca e retornou a fechá-la. Eu pensei que tivesse ido
longe demais até ela se aproximar e encostar a cabeça em meu peito. Abracei
seu corpo e respirei profundamente contra seus cabelos. O mesmo cheiro, a
curva do seu pescoço. Tudo era igual, porém melhor.
— Fica comigo. Só por hoje. — pedi, parecendo tão necessitado
quanto realmente estava. Eu a queria. Queria provar seu beijo pela primeira
vez.
— E depois? — Emília perguntou e apoiou seu queixo em meu peito
para me encarar. As luzes da árvore de Natal refletiram em seus olhos e eu
perdi o fôlego. — Como eu vou superar o que teremos hoje?
— Não quero que supere. Quero que encontremos um jeito de
ficarmos juntos. — respondi honestamente e Emília beijou meu peito. Ela
rastejou até se sentar em meu colo, descansando suas pernas ao meu redor.
Emília olhou para minha boca e lambeu os lábios devagar. Toquei sua
bochecha e me inclinei. Quando nossas bocas ficaram juntas, eu me senti
queimando. Emília chupou meu lábio inferior e eu gemi, sentindo suas mãos
em meu cabelo. Nossas línguas se enroscaram e eu me perdi no sabor da sua
boca. O sabor que eu venho imaginando há dias.
Apertei sua cintura com a mão esquerda e toquei seu pescoço com a
direita. Sua cintura se moveu e eu apreciei nosso contato.
Emília se segurou em mim quando comecei a me erguer. Sua boca me
inebriou e eu queria cada vez mais. Eu a beijei como nunca e me afastei para
morder seu pescoço e chupar a pele sensível.
— Esquerda. — Emília gemeu, me guiando pelo corredor e eu puxei
as alças do seu vestido para baixo.
Quando chegamos em seu quarto, eu abri seu vestido. Seus seios eram
pesados com bicos marrons que me deram água da boca. Puxei um para os
meus lábios e chupei, lambi e mordisquei ouvindo os barulhos de Emília. Eu
a guiei até a cama e me afastei. Tirei minha camisa e ela suspirou, deitada
apenas de calcinha.
— Você é perfeita. Porra, eu nem acredito que estou aqui. — gemi,
puxando minha calça para fora.
— Por favor. — seu pedido envia uma onda de posse sobre mim. Eu
quero que ela seja apenas minha. Eu a desejava mais que tudo.
Subi em seu corpo e beijei sua barriga. Lambi seu mamilo e voltei
para sua boca. Peguei o papel laminado e deslizei pelo meu membro. Emília
gemeu quando entrei em seu corpo. Seus seios subiram quando ela se
curvou e eu mordi a lateral de um deles.
— Preston.
— Eu quero você.
— Eu estou aqui.
— Não apenas hoje. — falei, entrando e saindo do seu corpo.
Tomando seu prazer como meu. — Diga que vai tentar.
— Não faça isso. — Emília pediu, se curvando mais uma vez. Eu saí
do seu corpo e a virei. Ela ficou sobre seus joelhos e eu deslizei em seu corpo
novamente. Mais lento, fazendo Emília gritar em agonia. — Preston, pare de
me torturar.
— Diga.
— Você quer mesmo que eu fale que quero ficar com você enquanto
estou desesperada pelo seu toque? — ela perguntou, empurrando sua bunda
contra mim.
— Diga. Por favor.
— Eu quero ficar com você, Preston. Só você. — sua voz repleta de
desejo me despertou. Eu empurrei meus quadris contra o seu corpo cada vez
mais forte e Emília gritou enquanto o clímax a atingia. Eu não demorei a
segui-la.
Caí na cama lutando contra minha respiração e puxei seu corpo
contra o meu. Emília descansou a cabeça em meu peito e eu suspirei sentindo
suas pernas se enroscarem nas minhas.
— Você falou por desespero? — minha voz estava rouca e
angustiada. Ela ergueu um pouco a cabeça e me olhou.
— Eu falei porque é o que eu quero. Quero desesperadamente. — ela
sorriu e tocou minha barba por fazer. — Eu só preciso que tenha certeza.
— Eu tenho. Você é o que desejo.
Emília sorriu e beijou meus lábios mais uma vez. Eu relaxei e a puxei
junto a mim. Eu tinha certeza porque os dias que se passaram desde que nos
conhecemos foram um borrão com a necessidade de vê-la. De querer estar
perto dela.
Agora que Emília estava em meus braços, eu não me imaginava
deixando ela escapar.

30 de Dezembro às 07:35h
— Você trabalha apenas dirigindo? — Emília perguntou assim que
nos sentamos para tomar café na manhã seguinte.
Seu cabelo estava bagunçado e ela vestia uma camisola vermelha.
Ainda mais bonita na minha opinião.
— Não. Estou de férias do trabalho real. — eu ri, encarando seus
olhos e ela franziu as sobrancelhas.
— O que faz então? — sua pergunta foi interrompida pela campainha.
Emília se ergueu e eu agradeci por já estar pronto para sair.
— E agora? — ela me encarou com os olhos arregalados e eu me
ergui também. — Se for minha mãe... Ela está aparecendo do nada depois do
acidente...
— Calma. Está tudo bem. — murmurei tocando sua cintura e a puxei
contra mim. — Estamos juntos, certo?
Emília engoliu em seco e mordeu o lábio.
— Vamos esperar um pouco. — suas palavras me fizeram fechar os
olhos. — Eu quero muito, mas você estava noivo recentemente. Por favor,
podemos ir devagar?
Sua voz era triste e mesmo contra gosto eu acenei. Eu não poderia
mudar sua decisão agora.
— Se ela perguntar, você estava por perto e me trouxe um café.
Eu acenei mais uma vez e ela se afastou indo para a porta. Em dois
segundos eu vi Zaya entrar, segurando uma mochila e usando um boné
cobrindo a metade do seu rosto.
— Vou indo. — murmurei, andando para Emília e ela me encarou.
— Olá, Preston. Bom dia! — Zaya gritou do sofá e eu respondi seu
cumprimento.
— Bom dia. — me aproximei de Emília e segurei seu rosto. Ela
engoliu em seco e eu deixei minha mão cair.
Saí do seu apartamento em silêncio e dirigi para casa. Assim que
entrei, eu vi Mandy na sala sentada.
— Onde dormiu? — sua pergunta causou dor em mim. Em todos os
lugares.
Mandy havia sumido depois que eu terminei nosso relacionamento.
Nós nos conhecíamos há um ano. Noivamos dias antes do meu acidente e eu
queria dizer que não amava Mandy e que estava em um relacionamento ruim,
mas não era o caso. Mandy sempre foi incrível. Eu a amei sim. Quis casar e
exatamente por isso a pedi em casamento.
Mas Emília apareceu.
Tudo mudou.
— Onde esteve? — questionei, jogando minhas chaves na mesa ao
lado da porta.
— Fui para casa. Onde mais? — ela empurrou seu cabelo loiro para
trás e engoliu em seco. — Nunca imaginei que você me deixaria. Era a única
certeza que eu tinha...
— Não faça isso.
— O que mudou, Preston? O que aconteceu nas horas que ficou
naquele carro?
— Tudo. Você merece mais. Da vida. De alguém que a ame. —
respondi, me sentando no sofá, diante dela. — Eu não sou essa pessoa mais,
Mandy.
— Eu queria que você fosse. — ela olhou para as mãos enquanto seus
olhos se encheram de lágrimas.
— Eu sei.
— Emília é uma boa mulher. — suas palavras me fizeram ficar rígido.
— Ninguém desiste de um noivado se não tiver outra pessoa por trás,
Preston. Eu sou inteligente o suficiente.
— Ela realmente não tem culpa. Eu sou o cara que deve focar sua
raiva.
— Eu sei. — ela acenou, pegando sua bolsa e tirou a chave extra da
minha casa. — Seja feliz, Preston. Eu vou ser.
— Obrigado. Desejo sua felicidade mais que tudo. — murmurei,
acompanhando- a até a saída.
Mandy foi embora e eu senti um peso sair dos meus ombros. Eu não
queria machucar ela ou qualquer pessoa. Meu único desejo era poder ter
Emília comigo, sem problemas. Sem drama.
Caí no sofá e suspirei ao ouvir meu celular começar a tocar. Puxei ele
do bolso e vi o nome da minha irmã.
— Ei.
— Vem aqui. Sophie quer ver você.
— Estou indo.
Guardei o celular e andei até a casa da minha irmã. Ela morava duas
quadras abaixo da minha.
— Titio! — minha menina gritou, correndo assim que me viu entrar.
A peguei nos braços e caminhei até a cozinha.
— Você já abriu meu presente? — perguntei, sorrindo enquanto
minha irmã se movia pela cozinha.
— Sim! Amei minha boneca! — eu sorri, contente e beijei sua
bochecha.
Sophie foi buscar a boneca e minha irmã beijou minha bochecha.
— Você está bem?
Do que eu reclamaria? Nada.
— Estou bem.
— E a Mandy? — Penny perguntou e eu respirei fundo.
— Acabou. De verdade.
— Você será feliz em todas as suas decisões. Prometo. — ela se
afastou depois de afagar meu cabelo.
Brinquei com Sophie por pouco tempo e fui para casa. Hoje era minha
volta ao trabalho. Eu estava ansioso para retornar depois de um mês longe.
Não tanto quanto eu achei que estaria por conta do acidente. As pessoas
achavam que eu morreria. Elas estavam emotivas. E emoção em demasia
sempre me desestabilizou.
Zaya estava me olhando com as esferas verdes acusatórias depois que
me obrigou a contar tudo que aconteceu entre mim e Preston.
— O que, Zaya? Fala de uma vez! — pedi, andando para o meu
quarto. Ela me seguiu, trazendo sua mochila.
— Você é uma imbecil.
— Uau. Você é tão delicada. — revirei os olhos, pegando minha calça
jeans e uma blusa de linho. Peguei um sobretudo junto com botas e uma
bolsa.
— Não, nossa, ok você querer dar uma de boa moça. Okay, ele saiu
de um relacionamento agora. Mas daí a colocar sua vida em standby quando
nem ele está é ridículo. — Zaya gritou do banheiro e eu fechei meus olhos.
Ok.
Ela tomou seu banho em silêncio e eu fui para o banheiro do corredor.
Assim que ficamos prontas para o trabalho, Zaya me olhou séria.
— Preston é um cara bom. Só dele ter realmente terminado, sido
sincero com a noiva, você percebe isso. Quantos caras ficariam com a noiva e
tentariam levar você na conversa mole? — ela parou de falar e deu de
ombros. — Você é adulta. Eu sou sua amiga e estou lhe dando uma
perspectiva que ninguém dará.
— Obrigada, Zaya. De verdade. — eu suspirei e nós saímos de casa.
O salão de festas era bonito. A empresa multinacional ficava em um
prédio espelhado bem perto da Times Square. Era de tirar o fôlego. A festa
que fomos contratadas para organizar é uma comemoração simples para o
chefe que estava retornando depois de dias fora.
— Eu já verifiquei duas vezes o champanhe e os petiscos. Tem algo
faltando? — Zaya chegou carregando uma flor. Eu ergui a sobrancelha,
fazendo ela bufar. — Isso? Caiu de um arranjo.
— Voltando; falta apenas o anfitrião da festa...
— Puta que pariu. — a voz dela me fez pular. Me virei para onde ela
estava olhando e dei de cara com uma versão do homem que estava em
minha cama hoje de manhã.
Preston estava vestido com um terno impecável completamente preto.
Os cabelos alinhados e um sorriso que aqueceu meu estômago.
Completamente diferente do cara despojado que estava naquele carro
comigo.
As pessoas ao redor começaram a se mover em direção a ele, o
cumprimentando.
— Preston é o anfitrião? Tipo, o presidente da empresa? Que porra é
essa? — Zaya se expressou da maneira que eu queria, mas não conseguia.
Preston olhou para todos e quando seus olhos pousaram em mim, a
mesma surpresa estava refletida em seu rosto.
— Ele está vindo.
— Estou vendo. Seja profissional. — pedi e Zaya acenou
discretamente.
— Ei, você. — seu sorriso foi suave e eu vi a mesma frustração de
mais cedo, quando eu disse que queria ir devagar, refletida em seu rosto.
— Oi! Não sabia que era presidente daqui. — resmunguei, engolindo
em seco e Preston deu de ombros olhando ao redor. — Talvez devesse ter
contado enquanto estava na minha cama hoje.
— Não era pra sermos profissionais? — Zaya questionou entredentes,
sorrindo ao olhar ao redor.
— Eu estou trabalhando. — falei para Preston e fingi um sorriso. —
Nos falamos depois.
Ele concordou e antes de se afastar acenou cumprimentando Zaya.
— Vou conferir os próximos drinks.
Zaya não me impediu de fugir do salão. E eu não me impedi de sentir
que um buraco estava se abrindo entre eu e Preston.

— Olá. O Sr. Castellani requisitou sua presença na sala dele. — uma


mulher loira e elegante se aproximou assim que eu estava pronta para ir
embora.
— Claro. — respondi suspirando e me movi em direção aos
elevadores. Zaya já tinha ido embora com Gideon. Ambos viajam hoje
para passar a virada com a família dele.
Assim que cheguei na presidência, eu senti que estava vestida de
forma inadequada. Os quatro cantos do lugar cheiravam à riqueza. Por que
Preston estava dirigindo se era tão rico?
— Você está bem? — a moça questionou abrindo a porta e eu acenei.
Preston estava atrás da mesa olhando para fora. Ele se virou assim que
entrei. A moça se retirou e eu imaginei que ela fosse sua secretária.
— Achei melhor conversarmos aqui. — ele murmurou, se
aproximando e eu engoli em seco. — Você está chateada por eu não ser um
motorista em tempo integral?
— Eu só estou confusa. — falei, encarando seu rosto. — Por que
estava dirigindo se é... Rico?
— Porque eu gosto de dirigir. Eu estava de férias e decidi fazer isso.
— Preston explicou como se fosse simples e eu acenei.
— Ok. — andei pelo seu escritório enquanto Preston se apoiou na
mesa e cruzou os braços.
— Vem aqui. — ele me chamou e eu suspirei, me virando. Preston
acenou e eu dei passos até estar diante dele. — Eu ser o dono da empresa é
mais um empecilho?
Era?
— Não. Não é isso. — eu gemi enterrando meu rosto em seu peito e
suspirei. — Estou cansada de lutar contra nós dois.
— Então não lute. — ele pediu contra meus cabelos e eu ergui o
rosto. Preston escovou os lábios nos meus e eu suspirei de alívio e felicidade.
— Você precisa trabalhar.
— Não. Eu preciso beijar você.
Eu sorri, derretendo e Preston beijou meus lábios. Seu gosto bateu em
minha língua e eu gemi, segurando seus ombros. Preston me puxou contra
seu peito e eu me coloquei nas pontas dos pés para aprofundar nosso beijo.
Quando nos afastamos, ele afagou meu cabelo e eu deixei um
selinho em seus lábios antes de me afastar por completo.
— Vejo você à noite.
— Na Times Square? — perguntei, com um sorriso largo e Preston se
inclinou.
— Também.
Ele me beijou e eu senti meu coração bater mais forte. Eu estava me
apaixonando, caindo tão duro e rápido por ele que eu poderia me perder no
processo.
E o que mais me assustou foi: eu não estava preocupada.

31 de Dezembro às 23:10
Eu fiquei pronta mais rápido do que calculei. Estava com um
casaco grosso, botas altas e um vestido de pano quentinho que alcançava
meus joelhos. Tudo era branco, m enos as botas. Eu havia explicado à
Zaya que estava bem e iria para a Times com Preston assim que ela ligou
para mim, dizendo estar preocupada de eu passar a virada sozinha.
— Você está linda! — Preston apareceu na minha porta e eu derreti.
Eu realmente não queria parecer tão boba, mas meus sentimentos em relação
a ele estavam crescendo e me sufocando.
— Você também.
Ele riu, passando a mão na cabeça e eu vislumbrei seu casaco,
cachecol e touca. Todos em tons de cinza claro ao escuro.
Preston pegou minha mão e me guiou até a saída. O caminho até a
Times não foi longo. Ele continuou com a mão na minha enquanto
andávamos juntos. Era simples e acolhedor. Nós paramos juntos e ele me
abraçou por trás. Não era tão cedo. Estava perto da virada e eu optei por vir
nesse horário apenas para estar aqui para ver o relógio bater à meia noite.
— Você realmente vinha para a Times antes de eu perguntar? —
questionei, encostando mais contra seu corpo.
Preston se inclinou e beijou o lóbulo da minha orelha.
— Não. Eu ficaria na festa da empresa. — sua risada seguida da sua
explicação me fez rir, porém, ao mesmo tempo, suspirar. Ele era perfeito para
mim.
Me virei devagar e envolvi seu corpo com meus braços.
— Você realmente se apaixonou à primeira vista?
— Nas horas contadas que tivemos.
Meu coração deu mais um salto e eu apoiei minha cabeça em seu
peito.
— Feliz Ano Novo, Emília.
— Feliz Ano Novo, Preston.
Nós sorrimos e seus lábios desceram sobre os meus, carinhosos e
gentis. Eu suspirei com paixão e devolvi seu gesto com a mesma
intensidade que me foi entregue.
Jamais pensei que minha noite de Natal mudaria minha vida, mas sim,
em horas contadas tudo se modificou.
Preston se transformou em dias e depois em anos. E depois, na
eternidade.
Olhei com expectativa para meus netos e eles suspiraram. Preston
riu ao meu lado e senti seu beijo em meus cabelos.
— Vamos lá, todo mundo agora sabe como a vovó e o vovô se
apaixonaram perdidamente enquanto estavam soterrados em um túnel.
Abriremos os presentes em dois minutos! — Jolie, a mais velha dos nossos
três filhos, gritou e todas as crianças se espalharam, alegres pelos presentes
que receberiam.
— Você sempre acaba na melhor parte. — Preston riu, me encarando
e eu ergui a mão passando em seu rosto.
— Nossos netos não precisam saber que no nosso aniversário de um
mês de namoro descobrimos que eu estava grávida.
— E nem que casamos um mês depois. — Preston completou rindo e
eu acariciei seus cabelos grisalhos.
— Não. Não precisam. — eu sorri e ele se aproximou. Seus lábios
beijaram os meus e eu me aconcheguei em seu peito. Eu amava fazer isso
desde o momento que nos conhecemos.
E eu faria para sempre.
FIM!
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