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Universidade Católica de Moçambique

Instituto de Ensino à Distância de Pemba

Modificação e Subsistência da Constituição

Fátima Amane Saide


708204949

Curso: Administração Pública


Disciplina: Direito C. P. Privado
Ano de Frequência: 2º ano

Pemba, Maio de 2021


Folha de feedback
Classificação
Categorias Indicadores Padrões Pontuação Nota do Subtot
máxima tutor al
 Capa 0.5
 Índice 0.5
Aspectos
 Introdução 0.5
Estrutura organizaciona
is  Discussão 0.5
 Conclusão 0.5
 Bibliografia 0.5
 Contextualização
(Indicação clara do 1.0
problema)
Introdução  Descrição dos
objectivos 1.0

 Metodologia adequada
ao objecto do trabalho 2.0

 Articulação e
domínio do discurso
académico
Conteúdo 2.0
(expressão escrita
cuidada, coerência /
Análise coesão textual)
e  Revisão bibliográfica
Discussão nacional e
Internacionais 2.
relevantes na área de
estudo
 Exploração dos dados 2.0

Conclusão  Contributos práticos


2.0
teóricos
 Paginação, tipo e
tamanho de letra,
Aspectos
Formatação paragrafo, 1.0
gerais
espaçamento entre
linhas
Normas APA  Rigor e coerência das
Referências 6ª edição em
citações/referências 4.0
Bibliográficas citações e
bibliográficas
Bibliografia
Folha para recomendações de melhoria: A ser preenchida pelo tutor
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ÍNDICE

1. INTRODUÇÃO....................................................................................................................1
2. MODIFICAÇÕES E SUBSISTÊNCIA DA CONSTITUIÇÃO..........................................2
2.1. Conceito de Constituição..................................................................................................2
1.2. Modificações da Constituição...........................................................................................2
3. Vicissitudes constitucionais..................................................................................................6
3.1. Caracterização dos diversos tipos de Vicissitudes Constitucionais..................................6
a) Quanto ao modo como se produzem podem ser:..................................................................6
b) Quanto ao objecto podem ser:..............................................................................................6
4. CONCLUSÃO......................................................................................................................8
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................................9
1. INTRODUÇÃO

Este trabalho resulta no âmbito avaliativo da disciplina de Direito Constitucional, Publico e


Privado do curso de Administração Pública, II ano, ministrada no Instituto de Educação à
Distância da Universidade Católica de Moçambique - Delegação de Pemba e tem como tema
“Modificação e Subsistência da Constituição”.

A constituição corresponde a organização jurídica fundamental que é um conjunto de normas


positivas que regem a produção do direito, isto é, regras concernentes a forma do Estado e do
governo, ao modo de aquisição e exercício do poder, criação e aos limites de actuação dos
orgaos do Estado. Ela agrega um conjunto de normas formalmente qualificadas como
constitucionais e revestidas a forca jurídica superior à de quaisquer outras normas.

Sendo que como instrumento, é um documento em texto contendo normas que estejam em vigor
ou não, ela pode estar sujeita a certas modificações e vicissitudes constitucionais, que por sua
vez, podem ser parciais ou completas ou totais.

Neste contexto, o trabalho tem como objectivo principal contextualizar as modificações e


subsistências da Constituição.

No que tange a metodologia usada para a concretização do trabalho, importa referir que uma
pesquisa bibliográfica, onde foram consultadas obras cujo, autores encontram-se citados no
interior do trabalho e na respectiva referência bibliográfica. O método usado para a realização
do trabalho foi, o bibliográfico acompanhado pela pesquisa científica.

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2. MODIFICAÇÕES E SUBSISTÊNCIA DA CONSTITUIÇÃO

2.1. Conceito de Constituição

Sendo a Constituição a base socio-cultural expressa pelo sentido de compromisso colectivo


mantido durante séculos de existência dos povos e em cuja complexidade assenta a identidade
nacional dos moçambicanos, a Lei Constitucional surge como a forma escrita ou legal deste
compromisso assumido desde os nossos ancestrais e construído com múltiplos sacrifícios entre
guerras e mortes, muitas das quais com marcas profundas na alma de cada nacional.

A Constituição é difusa comportando valores maleáveis às circunstâncias e exigências históricas


dos povos no seu processo evolutivo reflectindo por fim o seu inconsciente político colectivo. É
a dimensão abstracta dos laços fundamentais ou a matriz, se quisermos, das relações de
convivência perene que se tornam concretas com a Lei Constitucional.

1.2. Modificações da Constituição

Segundo Miranda (1996), toda constituição está sujeita de modificações durante a sua aplicação
de modo a responder ao actual contexto e exigências constitucionais. Tendo em conta as
circunstâncias concretas da aplicação da constituição, a sua modificação pode variar em função
da extensão e do seu modo.

Portanto, percebe-se que as constituições são modificáveis e modificadas, e não se esgotam


somente no momento da sua construção ou feitura.

Assim, Miranda (1996) aponta 8 tipos de modificações constitucionais a saber:

ora o legislador constituinte prefira a terminologia Constituição da República.

a) Revisão Constitucionais

De acordo com Felisberto (sd), a revisão constitucional é a modificação da constituição


expressa, parcial, de alcance geral ou abstrato, que traduz o principio de continuidade
institucional . è a modificação destinada a autorregeneração e auto conservação, oque se traduz
na expurgação das normas que já não se justificam do ponto de vista politico, social, jurídico, e
na introducao de novos elementos revitalizadores.

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Ainda o mesmo autor, acrescenta que a revisão constitucional ocorre nos precisos termos
previstos na Constituição ou, não havendo previsão destes termos na constituição, a revisão vai
ocorrer nos termos resultantes do sistema de órgãos e actos jurídico-constitucionais. Esta revisão
constitucional pode consistir na modificação directa do texto constitucional ou na aprovação de
um novo texto autónomo da constituição (lei constituição autónoma).

Neste contexto, pode-se concluir que uma verdadeira revisão constitucional, sempre será parcial,
salvo se essa consistir apenas na mudança total da constituição instrumental, mantendo a
constituição material, ou por outra, não trocando os principios e regras fundamentais de Direito.

b) Derrogação Constitucionais

De acordo com Felisberto (sd), a derrogação constitucional traduz-se na quebra ou roptura


material similitude do processo, integra-se juntamente com a revisão striti sensu, no conceito de
revisão lato sensu. No entanto, a derrogação diferencia-se da revisão constitucional pelos
resultados, na medida em que , a derrogação consiste na edificação de uma norma geral e
concreta e ate de uma norma individual, de jus singular e não de norma geral e abstrata.

Para o autor, a derrogação representa a edição de uma excepção, temporária em face do


princípio ou da regra constitucional. Introduz uma excepção à regra , isto é, consiste na
violação, a titulo excepcional, de uma prescrição legal- constitucional para um ou vários casos
concretos, quanto tal é permitido por uma lei constitucional ou resulta do processo prescrito
para as variações constitucionais. È a modificação da constituição levada a cabo por meio de
processo de revisão que se traduz na excepção a um principio constitucional ou na
regulamentação de um caso concreto (Miranda, 1996).

Portanto, as normas constitucionais obrigatórias de princípio constitucionais podem resultar da


revisão constitucional ou podem ser previstas pelo poder constituinte originário. Quando
imanadas pelo poder constituinte são também designadas por outo-ruptura da constituição e têm
sido contestadas pela doutrina, sobretudo quando incontroladas, uma vez que podem traduzir em
manipulações constitucionais, o que pode conduzir num congelamento de rupturas, originando
uma nova constituição diferente.

De acordo com Felisberto (sd, citado por Miranda (1996), quando as normas derrogatórias
afectam um principio fundamental constitucional, traduz-se numa derrogação originaria, oque

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representa a produção de verdadeiras normas inconstitucionais, não devendo ser admissível,
quando não afectam principios fundamentais, trata-se de apenas de derrogação superveniente1.

c) Revisão indirecta

De acordo com Felisberto (sd, citado por Miranda (1996), a revisão indirecta ocorre nos casos
em que, tendo havido uma revisão constitucional, haja necessidade de interpretação sistemática
da norma não revista, de modo a ser não consentânea com a nova norma que resultou que
resultou da revisão constitucional. Trata-se de uma interpretação sistemática de uma norma,
conforme outra norma resultante da revisão constitucional.

Portanto, é uma forma particular de interpretação sistemática e consiste no reflexo sobre certa
norma de modificação operada por revisão: sentido de uma norma não objecto de rescisão
constitucional vem a ser alterado por virtude de sua interpretação sistemática e evolutiva em
face da nova norma constitucional ou da alteração ou eliminação de norma preexistente
(Miranda, 1996).

a) Costume Constitucional

O costume constitucional faz parte das modificações que consistem na eliminação de certas
normas constitucionais (Miranda, 1996).

a) Interpretação Constitucional

De acordo com Felisberto (sd, citado por Miranda (1996), a interpretacao constitucional deve
ser objectiva e evolutiva e è determinada pela necessidade de:

a) Congregar as normas interpretadas com as demais do sistema


b) Atender os destinatários actuais (não os do tempo da entrada em vigor da constituição) e;
c) Reconhecer o papel activo do intérprete, que se encontra situado no ordenamento em
transformação.

d) Revolução e ruptura não revolucionária

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Derrogação originariamente inconstitucional que  apresenta-se compatível em relação às modificações
introduzidas na Constituição por meio do exercício do poder reformador (Miranda, 1996).
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A revolução e a ruptura não revolucionária ou modificações da constituição sem observância
das regras processuais respectivas são alterações constitucionais strito sensu, e podem ser totais
ou parciais.

A ruptura parcial ou ruptura não revolucionaria é uma ruptura na ordem constitucional, que não
poe em causa a validade em geral da constituição, mas apenas a sua validade circunstancial. A
ruptura parcial contínua a reconhecer p principio da legalidade no qual assenta a constituição,
entretanto, lhe um novo limite ou aplica de novo o limite por forma originaria (Miranda, 1996).

e) Transição Constitucional

De acordo com Felisberto (sd, citado por Miranda (1996), a transição constitucional é a
passagem de uma Constituição material a outra com observância das formas constitucionais,
sem ruptura, ou seja, muda apenas a Constituição material, porem permanece a Constituicao
instrumental e, eventualmente, a Constituição formal.

De acordo com Miranda (1996), a transição constitucional pode:

 Resultar de um processo de revisão, nos novos casos em que pode contar de preceitos
constitucionais expressos. A este respeito, aponta-se os casos em que as Constituições
estabelecem um regime de revisão dos seus principios fundamentais;

 Pode consistir na utilizacao do processo geral de revisão constitucional, verificados


certos requisitos, para remoção de principios fundamentais ou para substituição de
regime politico.

f) Suspensão Constitucional

De acordo com Miranda (1996), a suspensão da constituição consiste na não vigência de


algumas normas constitucionais, durante certo periodo de tempo, decretada por causa de
determinadas circunstancias. Normalmente, traduz-se na suspensão de certos direitos, liberdades
e garantias e opera através da declaração do estado de sitio, estado de emergência ou outras
situações excepcionais.

Neste contexto, pode-se perceber que a suspensão é uma medida excepcional resultante de casos
de extrema necessidade.

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3. Vicissitudes constitucionais

Segundo Felisberto (s.d), as vicissitudes constitucionais constituem eventos, acontecimentos,


factos políticos, sociais, jurídicos novos que se projectem sobre a subsistência da constituição ou
de alguma normas constantes na constituição. O autor ainda acrescenta que estes
acontecimentos são classificados em função ao modo, objecto, consequência sobre a ordem
constitucional e duração dos seus efeitos.

3.1. Caracterização dos diversos tipos de Vicissitudes Constitucionais

a) Quanto ao modo como se produzem podem ser:


Expressas: o evento constitucional produz-se como consequência a ele especificamente
dirigido, porque altera-se o texto constitucional. Baseiam-se numa vontade e traduzem-se em
actos jurídicos, que, por sua vez, ser totais ou parciais. Podem tornar as modalidades ou formas
de revisão constitucional, derrogação constitucional2, revolução, certas formas de transição
constitucional e de roptura não revolucionaria.

Tácitas: o evento é um resultado indirecto, uma consequência que se extrai a posteriori de um


facto normativo historicamente localizado, aqui apenas modifica-se o conteúdo da norma,
mantendo intacto o texto. Em regra gerai, são parciais, embora possam ser abstratas ou
concretas. Podem tomar as formas de costume constitucional, interpretação evolutiva e revisão
indirecta.

b) Quanto ao objecto podem ser:


Totais: modificações que atingem todas as normas constitucionais ou, apenas todos os
principios fundamentais. Portanto atingem toda a constituição, surgindo uma nova constituição,
por via evolutiva ou por roptura.

Parciais: modificações que incidem apenas sobre algumas normas constitucionais, não
atingindo os principios definidores da ideia de Direito, pelo que, são consideradas as verdadeiras
modificações em termos mais religiosos.

a) Quanto ao alcance ou às situações da vida e aos destinatários das normas constitucionais


postos em causa pelas vicissitudes, podem ser:
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Revogação parcial da constituição, isto é, uma parte dela permanece em vigor, enquanto outra parte é extinta em
decorrência da publicação de uma nova constituição que expressamente declare revogado determinados
dispositivos ou quando tratar da mesma matéria, mas de forma diversa (Miranda, 1996)
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Gerais e Abstratas: são as vicissitudes que abrange toda e quaisquer situações idênticas e todos
os destinatários que se encontrem num determinado contexto, podendo ser totais ou parciais.

Concretas ou excepcionais: são modificações que incidem sobre certas situações concretas,
verificadas ou por se verificar, e atingem algum destinatário abrangidos pelas normas. Essas
regra geral, são parciais e representam uma verdadeira derrogação constitucional.

b) Quanto as consequências sobre a ordem constitucional, as vicissitudes podem ser:

Modificações que representam uma evolução constitucional: são as vicissitudes que não
colidem com a integridade da constituição e constituem uma continuidade destas. Regra geral,
são parciais e implicam meras modificações.

Modificações que representam roptura constitucional: são modificações que constituem um


corte com a constituição. Constituem alterações constitucionais strito sensu, e são, em regram
alterações totais.

c) Quanto a duração dos eventos, as vicissitudes podem ser:

Vicissitudes de efeitos temporários: são as vicissitudes que corresponde suspensões


constitucionais, podendo ser totais ou parciais e ser feitas com observância da constituição ou
com desrespeito da mesma. A suspensão parcial da constituição, de alcance geral e abstrato, na
forma própria da constituição integra as medidas de necessidades ou previdências.

Vicissitudes de efeitos definitivos: são totas modificações menos a suspensão parcial da


constituição.

4. CONCLUSÃO

Neste trabalho, conclui-se que, sendo A Constituição, um documento escrito contendo normas
constitucionais que reflecte os princípios unanimemente escolhidos pelo povo, está sujeita de
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modificações e vicissitudes constitucionais durante a sua aplicação por forma a responder os
contextos actuais e exigências constitucionais. Essas modificações e vicissitudes podem variar
em função ao modo como produzem, ao objecto ao alcance ou às situações da vida e aos
destinatários das normas posto em causa, as consequências sobre a ordem constitucional, quanto
a duração dos efeitos.

Em relação a caracterização dos tipo de vicissitudes, estas podem ser de revisão constitucional,
de derrogação constitucional, de costume constitucional, de interpretação constitucional , de
interpretação evolutiva da própria constituição, revisão indirecta, , revolução, , ruptura não
revolucionaria, transição constitucional e de suspensão parcial de algumas normas da própria
constituição.

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MIRANDA, Jorge. (1996). Manual de Direito Constitucional: Constituição e


Inconstitucionalidade. Tomo II, 3ª. Ed. Coimbra Editora.

8
FELISBERTO, Justino. (sd). Manual de Direito Constitucional, Publico e Privado. UCM –
CED. Beira.