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RELAÇÃO DOS VERBETES

A Assinatura
Aberto/fechado (discurso –) Atenuador
Ação Ato de fala
Ação linguageira Ato de linguagem
Ações /eventos (em narratologia) Ato de linguagem indireto
Acontecimento discursivo Ato diretor
Acontecimento lingüístico Ato subordinado
Actante Ator
Alocutário Atualização
Alocutivo (ato –) Auditório
Alteridade (princípio de –) Autodesignação
Ambigüidade Automática (análise –)
Anáfora Autonímia
Análise automática do discurso Autor
Análise conversacional Autoridade
Análise de conteúdo Avaliação
Análise do discurso
Analítica (abordagem –) C
Analogia Cadeia de referência
Antífrase Campo
Antítese Campo discursivo
Apelativo Canal (de transmissão)
Apreciação Canônico (gênero –)
Argumentação Captação
Argumento Catáfora
Arqueológica (análise –) Cena de enunciação
Arquitexto Cenário
Arquitextualidade Cenografia
Arquivo Circunstâncias de comunicação
Aspas Clichê
Asserção Código linguageiro

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| relação dos verbetes
Co-enunciador Credibilidade (estratégia de –)
Coerência Cristalização
Coesão
Colingüismo D
Colocação Debreagem/embreagem
Competência discursiva Dedução
Complementar / simétrica (relação –) Definição
Composição Dêitico
Comunicação Dêixis
Comunicacional (nível –) Deliberação
Comunidade de fala Delocutivo (ato –)
Comunidade discursiva Demonstração
Comunidade translinguageira Denominação / designação
Conativa (função –) Denotação
Concessão Desambigüização
Conclusão Descrição
Concordância Descristalização
Condições de produção Desculpa (pedido de –)
Conectividade Designação
Conector Destinatário
Conector argumentativo Diafonia
Configuração Dialética
Configuração/ arquivo Dialogal / dialógico
Confirmativa (troca –) Dialógico / monológico
Conhecimento / crença (saber de –) Dialogismo
Conotação Diálogo
Constituinte (discurso –) Didaticidade
Conteúdo / relação Didático (discurso –)
Contexto Diegese
Contra-argumentação Diglossia
Contradição Dilema
Contrato de comunicação Discursivo (nível –)
Conversação Discurso
Co-ocorrência Discurso / história (Benveniste)
Co-ocorrência (em lexicometria) Discurso citado
Cooperação Disposição
Corpus (pl. corpora) Doxa
Co-referência Dupla coerção
Co-texto

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relação dos verbetes |
E Exolíngüe (comunicação –)
Efeito de sentido Explicação
Efeito pretendido / efeito produzido Explicação e transmissão de conhe-
Elaboração da intriga cimentos
Elipse Explicitação / implicitação
Elocutivo (ato –) Explícito
Embreado (plano –) / não-embreado Exposição discursiva
Embreador Expressiva (função –)
Embreagem
Emissor F
Emoção Face
Endófora / exófora Fática (função –)
Ênfase Fechado / aberto (discurso –)
Enquadramento Fiador
Entimema Figura
Enunciação Figuração
Enunciado Finalidade
Enunciador Focalização
Epitexto Footing
Erística Formação discursiva
Escola Francesa de Análise do Discurso Formação linguageira
Escrito / oral Formato
Espaço discursivo Formato participativo
Especialidade (discurso de – / Fórmula
língua de –) Frase / enunciado
Especificidades Fraseologia
Esquema Funções da linguagem
Esquematização Funções da linguagem (no trabalho)
Estereótipo
Estilística G
Estratégia de discurso Generalização
Ethos Gênero de discurso
Etimologia social Gênero e história
Etnografia da comunicação Gênero retórico
Etnometodologia Gestualidade
Eufemismo Gíria
Evento de comunicação Gramática de texto
Exófora

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| relação dos verbetes
H Intertextualidade
Heterogeneidade mostrada / consti- Intervenção
tutiva Intradiscurso
Hipérbole Intralocutor
Hipertextualidade Intrusão
Hipotexto Investimento genérico
História Ironia
História / discurso Isotopia
História / discurso (Benveniste) Itálico

I L
Identidade Legitimação (estratégia de –)
Ideologia Lei de passagem
Ilocucionário ou ilocutório (ato –) Leis do discurso
Imagem Leitor
Implicação Leitor modelo
Implicatura Letramento
Implicitação Lexema / vocábulo
Implícito Lexia
Incorporação Lexicalização
Indicialidade Léxico / vocabulário
Individuação Lexicometria
Indução Língua de madeira
Inferência Lingüística textual
Influência (princípio de –) Lítotes
Informação Local de emprego
Insegurança discursiva Locutivo (ato –)
Instância de enunciação Locutor
Instauração discursiva Locutor coletivo
Instituição discursiva Lógica / discurso
Integradora (abordagem –) Lógica clássica
Interação Lugar comum
Intercultural Lugares (relação de –)
Interdiscursividade
Interdiscurso M
Interlíngua Macroato de linguagem
Interlocutor Mal-entendido
Intertexto Marcador conversacional

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relação dos verbetes |
Materialidade discursiva Observação (situação de –)
Matriz discursiva Opinião
Máxima conversacional Oponente
Memória discursiva Oral
Metacomunicação / metadiscurso Organizador
Metáfora Orientação argumentativa
Metalingüística Ouvinte
Metatextualidade
Método harrisiano P
Metonímia Palavra
Micro-universo Papel
Midialogia Par adjacente
Mímica Paradigma definicional / desig-
Minimizador nacional
Modalidade Paráfrase
Modalização Paralingüística
Modalização autonímica Paralogismo
Modelo (leitor – / ouvinte –) Paratexto
Modo de organização do discurso Paratopia
Modo discursivo Paraverbal
Módulo conversacional Parêntese
Momento discursivo Paródia
Monologal / monológico Pastiche
Monológico / dialógico Pathos
Monologismo Performativo
Monólogo
Período
Peritexto
N
Perlocucionário ou perlocutório
Narração
(ato –)
Narrador / narratário
Persuasão
Narrativa
Petição de princípio
Narrativa / discurso
Pivô (termo –)
Negociação
Plano de texto
Neologia
Plurigrafia
Norma
Plurissemioticidade
O Poética (função –)
Objeção Polêmica
Objeto de discurso Polidez

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| relação dos verbetes
Polifonia Reinvestimento
Poligrafia Relação / conteúdo
Polílogo Relação interpessoal
Ponto de vista Relevância (princípio de –)
Pontuação Rema
Posicionamento Reparação
Pragmática Réplica
Prática discursiva Representação social
Prática linguageira Retórica
Praxema Retrato discursivo
Praxemática Ritos genéticos
Praxeograma Ritual
Pré-construído Rotina
Prescrito
Pressuposto / pressuposição S
Processo discursivo Script
Progressão temática Segmentação gráfica
Proponente Segmento repetido
Propósito Semiolingüístico (nível –)
Prosódia Seqüência
Prova Seqüência conversacional
Proxêmica Silogismo
Simétrica / complementar
Q Sincronização interacional
Quadro participativo Sincronização intersemiótica
Questão (em argumentação) Sinédoque
Situação de comunicação
R Situação de enunciação
Receptor Situacional (nível –)
Redator Slogan
Referência Sloganização
Referencial (função –) Sobre-destinatário
Reformulação Sofisma
Reformulação argumentativa Subentendido
Refutação Subjetividade
Regime discursivo Subversão / captação
Registro Sujeito comunicante
Regulação (princípio de –) Sujeito destinatário
Regulador Sujeito do discurso
relação dos verbetes |
Sujeito enunciante Vocação enunciativa
Sujeito falante Vulgarização
Sujeito interpretante
Superestruturas textuais
Superfície discursiva
Suporte de escritura

T
Taxema
Tema / rema
Terminologia
Termo
Território
Texto
Tipo de discurso
Tipologia dos discursos
Topologia discursiva
Tópos
Trabalho (discurso em situação de ––)
Trajeto temático
Transfrástico
Transtextualidade
Tratamento (formas de –)
Trílogo
Troca
Tropo
Turno de fala

U
Universo de conhecimento
Universo de crença
Universo discursivo

V
Valor
Verossímil
Vocabulário / léxico
Vocábulo / lexema

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PREFÁCIO
Este dicionário apresenta-se, antes de tudo, como um instrumento de trabalho
para todos aqueles que, a cada dia mais numerosos, trabalham com as produções
verbais de uma perspectiva da análise do discurso. Mas, ao publicá-lo, queremos
igualmente assinalar a emergência de uma disciplina e marcar de alguma forma o
território de um campo de pesquisas que é cada vez mais visível na paisagem das
ciências humanas e sociais.
Após um período, nos anos 60-70, durante o qual a Lingüística, sob o im-
pulso do estruturalismo e do gerativismo, renovou os estudos filológicos e
gramaticais com novas hipóteses sobre o funcionamento da linguagem e métodos
novos de análise dos sistemas lingüísticos, essa disciplina foi problematizada por
múltiplas contribuições: a psicolingüística, a sociolingüística, a pragmática, a
etnografia da comunicação, a etnometodologia, a psicossociologia da linguagem...
Do mesmo modo, é plenamente justificado que se tenha mudado a denominação
da disciplina, que, há algum tempo, pelo menos na França, tem passado a chamar-
se “ciências da linguagem”.
No interior das ciências da linguagem, a análise do discurso não nasceu de
um ato fundador, mas como resultado da convergência progressiva de movimen-
tos com pressupostos extremamente diferentes, surgidos nos anos 60 na Europa e
nos Estados Unidos; eles se desenvolvem em torno do estudo de produções
transfrásticas, orais ou escritas, cuja significação social se busca compreender. Uma
grande parte dessas pesquisas foi desenvolvida em domínios empíricos, o que fez
com que cada um elaborasse uma terminologia própria, ignorando aquilo que se
fazia nos domínios vizinhos. A partir dos anos 80, e isso se vai acentuar considera-
velmente nos anos 90, produziu-se uma descompartimentalização generalizada
entre as diferentes correntes teóricas que tomaram o “discurso” como objeto. A
publicação deste dicionário consagra esse fenômeno.
A França foi um dos maiores centros de desenvolvimento da análise do discur-
so. Nos anos 60, os trabalhos da “Escola francesa” e as reflexões de Michel Foucault
em A arqueologia do saber produziram uma imagem muito forte das pesquisas
francófonas, mas isso não aconteceu sem prejuízos, já que suas problemáticas tam-
bém contribuíram para ocultar a grande diversidade de trabalhos realizados na

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| prefácio
França sobre corpora e com desenvolvimentos muito diferentes. Hoje, a análise do
discurso tornou-se internacional, mas a difusão cada vez mais vasta dos trabalhos,
o contato cada vez mais forte entre correntes que antes se ignoravam não implicam
uniformidade das problemáticas e das terminologias. A internacionalização vai
principalmente no sentido da constituição de redes (os adeptos de tal ou tal forma de
análise do discurso se repartem em um grande número de países).
Em matéria de pesquisa, não se pode raciocinar como se se tratasse de uniformi-
zar pesos e medidas. O problema não é somente de terminologia. Ele diz respeito,
também, aos pressupostos das pesquisas. As pesquisas em análise do discurso não se
desenvolvem sobre o mesmo solo na Europa continental, e mais particularmente na
França, e em outras regiões do mundo. Ao mesmo tempo, a análise do discurso se apóia
em uma longa tradição de estudos de textos, na qual a retórica, a hermenêutica literária
ou religiosa, a filologia deixaram traços profundos, e sobre uma história, muito mais
curta, das ciências humanas e sociais, da psicanálise ou da filosofia. O desenvolvimento
das pesquisas em análise do discurso tira grande proveito da confrontação de
investigações que se baseiam em universos teóricos diversos.
Nossa intenção é, então, fazer deste dicionário a expressão de um campo de
pesquisas apreendido em sua diversidade, e não apenas a expressão da doutrina de
seus autores, como é o caso de outras obras. Mas não podemos, de maneira nenhu-
ma, satisfazer a todos, oferecer uma paisagem conceitual caótica. Por isso, nos esfor-
çamos em definir um caminho que nos pareceu realista. Tomamos em consideração
diferentes domínios existentes no campo dos estudos do discurso e recorremos a
especialistas, constituídos em equipe, que os estudam. É evidente que certos termos
são próprios de um ou outro domínio (“minimizador”; “intrusão”...) e que outros
são comuns a vários domínios, mas com sentidos diferentes (“arquivo”; “captação”...)
e que outros, enfim, podem ser considerados como “transversais” (“discurso”;
“enunciado”; “gênero”...). Também para evitar uma dispersão muito grande ou
redundâncias, foi necessário fazer uma divisão equilibrada, focalizando os termos
“transversais” e, em alguns momentos, inserir, em um mesmo verbete, diferentes
definições. Além disso, para aqueles – raros – verbetes que nem os responsáveis pelo
dicionário nem as equipes associadas ao projeto puderam ou quiseram tratar,
recorremos a pesquisadores de disciplinas vizinhas.
Quais foram nossas opções no que diz respeito à nomenclatura e ao tratamento
das definições? Para definir uma nomenclatura que seja útil àqueles que desenvolvem
pesquisas em análise do discurso e àqueles que lêem as publicações dessa área, pedimos
às diferentes equipes que nos indicassem os termos que lhes pareciam deverem ser objeto
de um verbete. Por outro lado, como os dois responsáveis pelo dicionário trabalham a
partir de pressupostos e com objetos muito diferentes, o estabelecimento da

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prefácio |
nomenclatura e as múltiplas decisões necessárias foram objeto de uma negociação. Desse
modo, evitamos toda definição a priori, de maneira a propor uma obra que não seja
monolítica e que reflita toda a diversidade de um campo de pesquisa.
O estabelecimento de tal nomenclatura coloca problemas consideráveis, sem
dúvida mais delicados quando se trata de resolvê-los em outra instância. A análise
do discurso é, com efeito, pluridisciplinar, já que, de um lado, o discurso integra
dimensões sociológicas, psicológicas, antropológicas... e, de outro lado, está no
coração dessas mesmas disciplinas... Aliás, isso coloca problemas de relações com-
plexos com essas outras disciplinas que trabalham sobre o discurso. A questão das
fronteiras – ou de sua ausência – é fonte de discussões permanentes: retórica ou
teoria da argumentação, sociolingüística, lingüística textual, análise das conversa-
ções, estilística... Se pretendêssemos introduzir neste dicionário a totalidade dos
termos que um leitor pode encontrar em um artigo ou em um livro que trate do
discurso, seria necessário mobilizar a quase totalidade do campo das ciências huma-
nas e sociais. Foi necessário, então, fazer escolhas, que foram guiadas por duas
preocupações: de um lado, privilegiar os termos que os dicionários ou as enciclopé-
dias já existentes ignoram ou marginalizam; de outro, incluir os termos indispensá-
veis para as pesquisas em análise do discurso. Também se encontram neste livro dois
subconjuntos de termos: o primeiro – de longe o mais importante – constituído por
termos surgidos nessas duas últimas décadas nos trabalhos sobre o discurso (“turno
de fala”; “formação discursiva”; “ação linguageira”; “intradiscurso” etc.); o outro,
constituído por termos que aparecem nas problemáticas ou disciplinas vizinhas
(“anáfora”; “reformulação”; “tropo”; “argumento”...), mas tratados do ponto de
vista da análise do discurso e não da maneira como são abordados em um dicionário
da lingüística, da retórica, da sociologia... Ademais, não consideramos verbetes
relacionados aos tipos de corpora como a mídia, o discurso religioso ou escolar, nem
aos gêneros de discurso como o panfleto político, a consulta médica, o jornal televisivo.
Desse modo, face à impossibilidade de dar conta de uma nomenclatura que
pretendesse cobrir a infinita diversidade das pesquisas empíricas, quisemos elaborar
uma obra de um volume razoável que pudesse oferecer os vários pontos de vista
teóricos e metodológicos.
Essas escolhas conferem uma característica importante a este dicionário: salvo
exceções, ele registra a terminologia em uso nos trabalhos francófonos de análise do
discurso, mesmo que um grande número desses termos sejam traduzidos ou
adaptados de outras línguas, do inglês em particular, para aquilo que diz respeito à
análise conversacional. Ocorre, com efeito, que os países francófonos – mas tam-
bém, e cada vez mais, um certo número de países de línguas românicas, hispanófonos
e lusófonos em particular – estão particularmente implicados nas pesquisas desen-

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| prefácio
volvidas em análise do discurso: basta observar a riqueza e a diversidade dos traba-
lhos que são feitos no espaço da Suíça românica. Parece-nos, em todo caso, que o
público que se interessa pelas pesquisas inspiradas pela análise do discurso francófona
tem todo o interesse em dispor de uma terminologia em francês.
Quanto ao tratamento das definições, tivemos que resolver um outro proble-
ma. É raro que no domínio do discurso as noções sejam unívocas. Em geral, há, para
um mesmo termo, várias acepções, e é muito difícil deixá-las claras para os que não
têm experiência nesse tipo de pesquisa. Como, então, fazer aparecerem várias
definições sem cair em uma longa exposição das diferentes teorias nas quais elas se
inscrevem, sem fazer do dicionário uma rede inextrincável? Uma outra solução seria
proceder a uma simples recensão das acepções, mas se ela não fosse colocada em
perspectiva, em nada esclareceria ao leitor. Por isso, optamos por uma exposição dos
diferentes empregos dos termos referindo-nos aos diferentes autores que os definiram,
sem, no entanto, deixar de colocar essas noções em perspectiva. Isso não impede que
se encontrem certos artigos que privilegiem claramente a perspectiva teórica e outros
que insistam, sobretudo, na recensão dos empregos.
Por outro lado, um sistema de remissões internas permite ao leitor circular
melhor entre todas as definições. Essas remissões operam em dois níveis. No interior
dos artigos, um asterisco colocado no final de um ou de outro termo indica que ele é
objeto de um verbete no dicionário. Esse asterisco é regularmente colocado no
primeiro termo quando se trata de um grupo de palavras. Assim, para “ato de
linguagem”, o asterisco é colocado sobre “ato*”, conforme a ordem alfabética segui-
da pelo dicionário. Essa decisão tem inconvenientes, certamente, mas não mais do
que se tivéssemos tomado a decisão contrária. Além disso, para não complicar a
tipografia, esse asterisco não é repetido no interior do mesmo verbete, e é assinalado
apenas na primeira ocorrência. O recurso ao asterisco não é, entretanto, sistemático:
não se coloca o asterisco a cada ocorrência de termos como “discurso” ou “texto”, por
exemplo, que ocorrem constantemente. No final de cada artigo, em negrito, são
indicados outros verbetes que permitem enriquecer a leitura. Não se trata de todos
os verbetes suscetíveis de esclarecer o verbete em questão, mas somente de uma
seleção de artigos realmente complementares.
Enfim, neste gênero de obra, a bibliografia é fonte de dificuldades. Nós desisti-
mos de colocar ao final de cada artigo uma bibliografia de leituras sugeridas; elas
estão inseridas no interior do texto, segundo as convenções atualmente dominantes.
Essas referências desempenham dois papéis que se complementam: algumas assinalam
uma publicação que apóia as propostas do redator do artigo; outras indicam a
referência de uma citação. Uma bibliografia detalhada, no final do livro, reúne todas
as indicações bibliográficas referidas no interior dos artigos.

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prefácio |
Para concluir, gostaríamos de agradecer a todos aqueles que aceitaram colabo-
rar nesta obra, submetendo-se a coerções às vezes pouco agradáveis. Recebemos
sempre a melhor acolhida de sua parte e eles demonstraram uma enorme paciência.
Cremos ver nisso o signo de que eles têm consciência de que esta empreitada vai
além da simples produção de uma obra útil, que ela consagra a emergência de um
novo campo de saber, o resultado de mais de quatro décadas de esforços por
muito tempo deixados na obscuridade, para fazer prevalecer percursos que, fre-
qüentemente, os partidários das disciplinas mais antigas consideraram marginais
ou supérfluos. Evidentemente, é muito mais difícil justificar a existência de pesqui-
sas sobre o discurso do que sobre a linguagem, a literatura, a psique, a sociedade,
a história... Mas as pesquisas em análise do discurso não são fruto de alguns
espíritos originais, elas derivam de uma transformação profunda da relação que
nossa sociedade estabelece com seus enunciados, presentes ou passados. Uma tal
empreitada está ainda em seu início, mas, pela primeira vez na história, é a totalidade
das produções verbais, em sua multiplicidade, que pode se transformar em objeto
de estudo: das trocas mais cotidianas aos enunciados mais institucionais, passando
pelas produções dos meios de comunicação de massa. Que o homem é um ser de
linguagem, eis algo que não nos cansamos de repetir há muito tempo; que ele seja
um homem de discurso, eis uma inflexão cuja dimensão ainda é impossível
mensurar, mas que toca em algo de essencial.

Patrick CHARAUDEAU / Dominique MAINGUENEAU


(M. R. G.)

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