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Direito Civil VI – Cleverson Nolacio

1- INTRODUÇÃO

1- CONCEITO E CONTEÚDO DO DIREITO DE FAMÍLIA

- “É o conjunto de regras que disciplinam os direitos pessoais e patrimoniais


das relações de família” (Paulo Lôbo).

Ex.: Tudo que envolve relação familiar, como por exemplo, Cônjuge, regimes
de bens, doações e vendas entres pais e filhos e etc…

“Direito de família é um ramo do direito que trata das questões e litígios entre entes
da comunidade familiar. Possui normas jurídicas que trabalham de acordo com
orientação constitucional do conceito de família, levando em conta o entendimento
jurisprudencial, em âmbito jurídico, e transformações sociais, no âmbito da sociologia.”

Ex.:O pai pode doar ou vendar um bem ao Filho?


Sim, pode. * DOAÇÃO É DIFERENTE DE VENDA! *

Para vender um bem a um de seus filhos é necessário que os outros concordem com
isso, o que não ocorre na doação. Na doação não existe a necessidade de consentimento
dos outros filhos para que seja feita.

Doar: não precisa comunicar, mas importa o adiantamento do que cabe como herança e
essa doação não pode ultrapassar 50% do patrimônio/valor proporcional ao que I
benefiário tem direito. “É como se fosse adiantamento da herença.”
Venda: Consentimento dos demais. “Se não houver o consentimento é anulavel a venda
e o prazo é de dois anos para anular essa venda.”

Art. 496. É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros


descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido.
Parágrafo único. Em ambos os casos, dispensa-se o consentimento do cônjuge se o
regime de bens for o da separação obrigatória.

Tipos de relações de famílias:

→ Relações pessoais: efeitos pessoais do matrimônio, da filiação, investigação


de paternidade;

→ Relações patrimoniais: entre cônjuges (regime de bens), entre pais e filhos


(venda/doação de bens)

→ Relações assistenciais: tutela, curatela, tomada de decisão apoiada


(pessoas com defiiciências)

A tomada de decisão apoiada é um instrumento de proteção jurídica criado por lei


para assegurar às pessoas com deficiência maior segurança e autonomia com o apoio
que for necessário para a prática de determinados atos de sua vida civil.
Imagine só um jovem com síndrome de down, que tenha recebido todos os cuidados e
estímulos necessários para ter uma vida adulta independente. Ele pode perfeitamente
ser bem resolvido e manifestar sua própria vontade. Mas, pode ser que necessite de
algum apoio para interpretar cláusulas contratuais e celebrar determinados negócios.

Eis que surge a tomada de decisão apoiada como solução. Mais branda do que
a curatela, por exemplo, garante a segurança jurídica necessária tanto para a pessoa
com deficiência, quanto para o terceiro que celebra negócios com ela.

O Direito de família se divide da seguinte maneira:

→ Direito Existencial de Família: está baseado na pessoa humana, sendo as


normas correlatas (relacionamentos) de ordem pública ou cogentes. (Ex.:
assumir a paternidade)

→ Direito Patrimonial de Família: tem o seu cerne principal no patrimônio,


relacionado a normas de ordem privada ou dispositivas. (Ex.: separação de
bens)

2- EVOLUÇÃO LEGISLATIVA
→ Código Civil de 1916 (Era um código extremamente patrimonialista,
individualista e paternalista)

Visão estreita e discriminatória da família. (Era necessário ser casado


diante o Estado para ser considerado família.)
Dissolução dificultada do casamento. (Era dificultoso a separação)
Distinção entre filhos (filhos ilegítimos, espúrios, bastardos era os filhos
fora do casamento)
→ Estatuto da Mulher Casada (Lei 4.121/1962)

Devolveu plena capacidade à mulher casada (antes a mulher casada era


considerada “relativamente incapaz”, sendo seu marido considerado o seu
assessor. Com o Estatuto houve a devolução da capacidade plenamente
da mulher.)
Assegurar a propriedade dos bens adquiridos com o fruto do seu trabalho.
(As mulheres conquistaram o direito de administrar os seus próprios
bens.)
→ Emenda Constitucional 09/1977 e Lei 6.515/1977 (Regulamentação do
divórcio)
instituição do divórcio (A emenda permitiu a dissolução do casamento)
→ Constituição Federal/1988
Igualdade entre homem e mulher (Se estabeleceu uma igualdade entre
homens e mulheres.)
Alargamento do conceito de família = união estável, monoparental (além
do casamento de forma expressa surgiu a possiblidade de casamento sem
ser expresso.)
Igualdade entre os filhos
→ Emenda Constitucional 66/2010

Consagrou o divórcio como a única forma de acabar com o matrimônio

3- CONCEITO E NATUREZA JURÍDICA DA FAMÍLIA


- Família é um termo equívoco (mais de um sentido)
- “Possibilidade de convivência, marcada pelo afeto e pelo amor” (Maria
Helena Diniz)
Lugar (de)
Afeto
Respeito

“Família é o lar onde tem lugar de afeto e respeito”

→ Tentativa conceitual

É o agrupamento humano motivado pela conjugalidade (casamento e


união estável) ou pela parentalidade (relação pais e filhos, entre irmãos,
primos, amigos), pelo qual os seus membros conservam uma relação
espontânea, pública e estável, baseada na afetividade e na solidariedade,
com o propósito de garantir o bem-estar e a felicidade de cada um.
→ Direito público ou direito privado?
Critério topológico: como está inserido no Código Civil, pode-se dizer que
é de direito privado.
O critério topológico tem como referência a localização das normas de
determinado ramo do Direito no nosso ordenamento jurídico. Por
exemplo: onde estão as normas relativas ao Direito de Família? Estão
dentro do Código Civil. Logo, pelo critério topológico (identificamos a
localização das normas - dentro do Código Civil), é possível concluir que o
Direito de Família é ramo do Direito Privado.
Perfil publicista: incidência de normas cogentes (pois contém comandos e
proibições que visam interesses gerais)
OBS. O direito de família é genuinamente privado, pois os sujeitos
de suas relações são entes privados, apesar da predominância das normas
cogentes ou de ordem pública.
4- PRINCÍPIOS DO DIREITO DE FAMÍLIA
4.1) Dignidade da pessoa humana (refere-se a trata todos os tipos de
famílias com igualdades.)

- Significa conferir igual dignidade para todas as entidades familiares.


- Provocou a despatrimonialização e a personalização dos institutos
jurídicos, de modo a colocar a pessoa humana no centro protetor do
direito. (Preocupação com a felicidade do ser humano)
- Preservação do afeto, solidariedade, união, respeito, confiança, amor,
projeto de vida comum, etc.
 MULTIPARENTALIDADE: A multiparentalidade consiste na possibilidade de
registrar um filho por mais de um pai ou mais de uma mãe, podendo ser feito
concomitantemente ao registro da parentalidade biológica e/ou socioafetiva.
4.2) Liberdade familiar
- Todos têm a liberdade de escolher o seu par ou pares, seja do sexo que for, bem
como o tipo de entidade que quiser para constituir sua família.
- Liberdade de dissolver o casamento e extinguir a união estável.
- alteração do regime de bens na vigência do casamento - ART. 1.639, § 2º, CC
(pode escolher, mas existe uma exceção) (Existe a opção de mudar o regime de
bem, inclusive na vigência do casamento)
Art. 1.639. É lícito aos nubentes, antes de celebrado o casamento, estipular, quanto aos
seus bens, o que lhes aprouver.
§ 1o O regime de bens entre os cônjuges começa a vigorar desde a data do casamento.
§ 2o É admissível alteração do regime de bens, mediante autorização judicial em
pedido motivado de ambos os cônjuges, apurada a procedência das razões invocadas e
ressalvados os direitos de terceiros. (Por que precisa de autorização judicial, pois existe
a possibilidade de fraudar credores. Ex.: Pode ocorrer de um bem ser usado para pagar
uma dívida, os cônjuges mudam o regime de bem para universal tentando segurar a
metade do bem, o bem passando a pertencer ao outro cônjuge terá que ser reservado
a meia ação do contra cônjuge.)

Do Regime de Bens entre os Cônjuges


Art. 1.641. É obrigatório o regime da separação de bens no casamento:
I - das pessoas que o contraírem com inobservância das causas suspensivas da celebração
do casamento;
II - da pessoa maior de sessenta anos;
(Revogado)
II – da pessoa maior de 70 (setenta) anos; (Redação dada pela Lei nº 12.344, de 2010)
III - de todos os que dependerem, para casar, de suprimento judicial.

 O princípio da  liberdade  é um dos mais importantes no âmbito do direito


de  família, está presente no Código Civil ao proibir a interferência de qualquer
pessoa ou do Estado na constituição   familiar  (artigo 1.513), o livre
planejamento  familiar  (artigo 1565), a forma do regime de bens (artigo 1639),
a forma com administrar o patrimônio da   família  (artigo 1.642 e 1.643) e o
pleno exercício do poder  familiar  (artigo 1.634).
OBS. Maria Berenice Dias entende que a imposição do regime de separação
total de bens aos maiores de 70 anos (art. 1.641, II, CC) afronta o princípio da
liberdade. (Pois, se entende que a lei está dizendo que os maiores de 70 anos são
incapazes de ser responsabilizar pelos seus atos. A senioridade (mais idosa/idade
avançada) não traz uma situação de incapacidade.)
OBS. A instituição da monogamia é uma forma de supressão do princípio da
liberdade familiar?
Monogamia: é regime ou costume em que é imposto ao homem ou à mulher ter apenas um
cônjuge, enquanto se mantiver vigente o seu casamento

4.3) Igualdade e respeito à diferença

- Banimento da desigualdade de gêneros


- Igualdade entre os filhos
- Igualdade de direitos e deveres dos cônjuges - ART. 1.511, CC
- Com relação à guarda dos filhos, nenhum dos genitores tem preferência - ARTS. 1.583
e 1.584 (*é mito que a mãe tem preferência na guarda*)
Art. 1.583. A guarda será unilateral ou compartilhada. (Redação dada pela Lei nº 11.698, de
2008).
§ 1º Compreende-se por guarda unilateral a atribuída a um só dos genitores ou a alguém
que o substitua ( art. 1.584, § 5 o ) e, por guarda compartilhada a responsabilização
conjunta e o exercício de direitos e deveres do pai e da mãe que não vivam sob o mesmo
teto, concernentes ao poder familiar dos filhos comuns. (Incluído pela Lei nº 11.698, de
2008).
§ 2 o A guarda unilateral será atribuída ao genitor que revele melhores condições para
exercê-la e, objetivamente, mais aptidão para propiciar aos filhos os seguintes fatores:
(Incluído pela Lei nº 11.698, de 2008).
§ 2º Na guarda compartilhada, o tempo de convívio com os filhos deve ser dividido de
forma equilibrada com a mãe e com o pai, sempre tendo em vista as condições fáticas e os
interesses dos filhos: (Redação dada pela Lei nº 13.058, de 2014)
I – afeto nas relações com o genitor e com o grupo familiar; (Incluído pela Lei nº 11.698, de
2008).
I - afeto nas relações com o genitor e com o grupo familiar; (Incluído pela Lei nº 11.698, de
2008).
II – saúde e segurança; (Incluído pela Lei nº 11.698, de 2008).
II - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.058, de 2014)
III – educação. (Incluído pela Lei nº 11.698, de 2008).
III - (revogado). (Redação dada pela Lei nº 13.058, de 2014)
§ 3 o A guarda unilateral obriga o pai ou a mãe que não a detenha a supervisionar os
interesses dos filhos. (Incluído pela Lei nº 11.698, de 2008).
§ 3º Na guarda compartilhada, a cidade considerada base de moradia dos filhos será
aquela que melhor atender aos interesses dos filhos. (Redação dada pela Lei nº 13.058, de
2014)
§ 4º (VETADO) . (Incluído pela Lei nº 11.698, de 2008).
§ 5º A guarda unilateral obriga o pai ou a mãe que não a detenha a supervisionar os
interesses dos filhos, e, para possibilitar tal supervisão, qualquer dos genitores sempre será
parte legítima para solicitar informações e/ou prestação de contas, objetivas ou subjetivas,
em assuntos ou situações que direta ou indiretamente afetem a saúde física e psicológica e
a educação de seus filhos. (Incluído pela Lei nº 13.058, de 2014)

Art. 1.584. A guarda, unilateral ou compartilhada, poderá ser: (Redação dada pela Lei nº
11.698, de 2008).
I – requerida, por consenso, pelo pai e pela mãe, ou por qualquer deles, em ação autônoma
de separação, de divórcio, de dissolução de união estável ou em medida cautelar; (Incluído
pela Lei nº 11.698, de 2008).
II – decretada pelo juiz, em atenção a necessidades específicas do filho, ou em razão da
distribuição de tempo necessário ao convívio deste com o pai e com a mãe. (Incluído pela
Lei nº 11.698, de 2008).
§ 1º Na audiência de conciliação, o juiz informará ao pai e à mãe o significado da guarda
compartilhada, a sua importância, a similitude de deveres e direitos atribuídos aos
genitores e as sanções pelo descumprimento de suas cláusulas. (Incluído pela Lei nº 11.698,
de 2008).
§ 2 o Quando não houver acordo entre a mãe e o pai quanto à guarda do filho, será
aplicada, sempre que possível, a guarda compartilhada. (Incluído pela Lei nº 11.698, de
2008).
§ 2º Quando não houver acordo entre a mãe e o pai quanto à guarda do filho,
encontrando-se ambos os genitores aptos a exercer o poder familiar, será aplicada a
guarda compartilhada, salvo se um dos genitores declarar ao magistrado que não deseja a
guarda do menor. (Redação dada pela Lei nº 13.058, de 2014)
§ 3 o Para estabelecer as atribuições do pai e da mãe e os períodos de convivência sob
guarda compartilhada, o juiz, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, poderá
basear-se em orientação técnico-profissional ou de equipe interdisciplinar. (Incluído pela
Lei nº 11.698, de 2008).
§ 3º Para estabelecer as atribuições do pai e da mãe e os períodos de convivência sob
guarda compartilhada, o juiz, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, poderá
basear-se em orientação técnico-profissional ou de equipe interdisciplinar, que deverá visar
à divisão equilibrada do tempo com o pai e com a mãe. (Redação dada pela Lei nº 13.058,
de 2014)
§ 4 o A alteração não autorizada ou o descumprimento imotivado de cláusula de guarda,
unilateral ou compartilhada, poderá implicar a redução de prerrogativas atribuídas ao seu
detentor, inclusive quanto ao número de horas de convivência com o filho. (Incluído pela
Lei nº 11.698, de 2008).
§ 4 o A alteração não autorizada ou o descumprimento imotivado de cláusula de guarda
unilateral ou compartilhada poderá implicar a redução de prerrogativas atribuídas ao seu
detentor. (Redação dada pela Lei nº 13.058, de 2014)
§ 5 o Se o juiz verificar que o filho não deve permanecer sob a guarda do pai ou da mãe,
deferirá a guarda à pessoa que revele compatibilidade com a natureza da medida,
considerados, de preferência, o grau de parentesco e as relações de afinidade e afetividade.
(Incluído pela Lei nº 11.698, de 2008).
§ 5º Se o juiz verificar que o filho não deve permanecer sob a guarda do pai ou da mãe,
deferirá a guarda a pessoa que revele compatibilidade com a natureza da medida,
considerados, de preferência, o grau de parentesco e as relações de afinidade e afetividade.
(Redação dada pela Lei nº 13.058, de 2014)
§ 6 o Qualquer estabelecimento público ou privado é obrigado a prestar informações a
qualquer dos genitores sobre os filhos destes, sob pena de multa de R$ 200,00 (duzentos
reais) a R$ 500,00 (quinhentos reais) por dia pelo não atendimento da solicitação. (Incluído
pela Lei nº 13.058, de 2014)

4.4) Solidariedade familiar (seja solidário com outro)


Tendo em vista que na relação entre seus membros existe o dever de mútua
assistência, em especial, no que diz respeito aos filhos, cônjuges, companheiros e
alguns parentes.

- Dispõe de acentuado conteúdo ético


- Compreende a fraternidade e a reciprocidade
- Ex: dever dos pais de assistência aos filhos (art. 229, CF) e dever de amparo às
pessoas idosas (art. 230, CF)
4.5) Pluralismo das entidades familiares
É o reconhecimento jurídico-constitucional de que no Brasil convivemos com um
conceito aberto de família, que viabiliza legitimamente a constituição de famílias a
partir do princípio da autonomia privada.

- É encarado como o reconhecimento pelo Estado da existência de várias


possibilidades de arranjos familiares
- Cláusula implícita de inclusão (porque a CF não excluem outros tipos de
modalidades, é como se CF estivesse aceitando outros de tipos de família desde que
tenha alguns requisitos) contida na Constituição Federal (Paulo Lôbo)
4.6) Proteção integral a crianças, adolescentes, jovens e idosos (O próprio Ministério
Público que busca a efetividade desde dispositivos.)

- art. 227, § 6º, CF


- ECA
- Estatuto do Idoso

4.7) Proibição de retrocesso social


Não se pode haver retrocesso quando houve avanço em algum assunto relacionado ao
direito de família.
A condição de verdadeiros direitos de defesa contra as medidas de natureza
retrocessiva, cujo objetivo seria a sua destruição ou redução. Nessa linha, o Tribunal
Constitucional português reconheceu a existência do princípio da proibição de
retrocesso social.

- Os direitos conquistados, sobretudos os fundamentais, servem de obstáculo a que se


operem retrocessos sociais.
4.8) Da afetividade
- Não tem previsão expressa na Constituição Federal
- Fundamenta o direito das famílias na estabilidade das relações socioafetivas e na
comunhão de vida
- Primazia do afeto em face de critérios patrimonial e biológico

OBS. Afeto ≠ Afetividade. 


O afeto corresponde a um fato psicológico ou a sentimentos diversos, como
amor e ódio.  (sem obrigações)
A afetividade é o dever que recai sobre os pais em relação aos seus filhos, ainda
que sejam desafetos, e também abrange as relações conjugais. É uma obrigação
inerente às relações familiares e cessa apenas com a morte. (tem obrigações)
MULTIPARENTALIDADE: A multiparentalidade consiste na possibilidade de registrar
um filho por mais de um pai ou mais de uma mãe, podendo ser feito
concomitantemente ao registro da parentalidade biológica e/ou socioafetiva.
RICARDO CALDERON – Autor que fala sobre afetividade

5 - MODALIDADES FAMILIARES
5.1) Matrimonial

- Na vigência do Código Civil de 1916, o casamento:


→ era considerado indissolúvel; 
→ tornava a mulher relativamente incapaz;
→ tinha como regime oficial o da comunhão universal de bens;
→ só poderia ser anulado em razão de erro essencial sobre a pessoa ou se o homem
alegasse desvirginamento 

5.2) Homoafetiva
A união homoafetiva como modelo familiar é um exemplo de mudança social que
precisa ser respeitado na medida em que engloba uma relação familiar baseada no
aspecto socioafetivo. É importante destacar que no preâmbulo da CR/88, o legislador
sustenta o compromisso do Estado com o cidadão baseado no Princípio da Igualdade e
da Liberdade.

- Sexualidade como um direito natural


- União homoafetiva como espécie do gênero união estável
- Necessidade de interpretação conforme a constituição
1. Relação ESTABILIDADE: Existe uma relação estável
2. Relação OSTENSIBILIDADE: Todos tem visibilidade na família
3. Relação de afetividade: Tem obrigações
Existindo esses três critérios de relação de família, se configura em uma entidade
familiar.

OBS. Paulo Lôbo faz uma crítica sustentando que a união homoafetiva deixou
de ser uma entidade familiar autônoma. (é uma crítica, porque perdeu o sentindo de
diferenciar a união homoafetiva as demais tipos de união, pois a lei já permite que seja
aplicada todas as regras como se fosse união estável.)
5.3) Simultâneas ou paralelas
Famílias paralelas ou simultâneas são as constituídas por dois ou mais
núcleos familiares, com um de seus membros comuns a ambas, podendo existir tanto
no casamento como na união estável. Portanto, encampando foi nesta família o
concubinato, antigo concubinato impuro.
Dispõem de habilidade para se desdobrar em dois relacionamentos simultâneos: dividem-se
entre duas casas, mantêm duas mulheres e têm filhos com ambas. É o que se chama de
famílias paralelas.

- Surgem a partir da existência de dois ou mais núcleos familiares e de um integrante


comum que participe de todos eles
- Meros passatempos sexuais e relações eventuais não configuram tal modalidade
familiar
Obs.: É diferente da bigamia que é o ato de contrair matrimônio quando a pessoa já é
casada. No Brasil, é proibido se casar novamente se a pessoa ainda for legalmente
casada com outra.
Obs.: O STF não reconhece os direitos da pessoa que viveu/vive uma relação paralela,
mas os filhos dessa relação têm direitos sobre os bens do pai/mãe.
5.4) Poliafetiva

É a união conjugal formada por mais de duas pessoas convivendo em interação e


reciprocidade afetiva entre si. Também chamada de família poliamorosa.

- Baseada no poliamor
- Possibilidade de se amar mais de uma pessoa simultaneamente
- Há apenas um núcleo familiar
- Princípios do autoconhecimento e da honestidade extrema
- Novo conceito do dever de fidelidade
5.5) Monoparental
Família em que somente uma pessoa exerce a função de pai e mãe, arcando com
todas as responsabilidades da criação de seus filhos.

- art. 226, § 4º, CF


§ 4º Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos
pais e seus descendentes.

- grupo familiar formado por um dos genitores (pai/mãe) e seus filhos menores e pode
surgir por diversos motivos, como viuvez, separação de fato, divórcio, adoção
unilateral, simultaneidade familiar ou, até mesmo, pelo simples desejo pessoal.
5.6) Anaparental
A família anaparental é o círculo familiar onde a presença do pai ou mãe não se faz
ativa. Ao contrário de outros modelos familiares, os genitores não participam da
criação física, mental e moral dos filhos. Seja por qualquer motivo, essa
responsabilidade é repassada à outra pessoa, geralmente os avós ou tios.

- convivência entre parentes ou entre pessoas, ainda que não parentes, dentro de uma
estruturação com identidade de propósito, impõe o reconhecimento de uma entidade
familiar.
Obs.: A família anaparental é formada por parentes ou não pelo convívio sem a
presença dos genitores.
5.7) Composta, pluriparental ou mosaico ou ensamblada (Argentina)
Essa família é chamada de família mosaico, composta ou pluriparental, conhecida
família “dos seus, dos meus e dos nossos”. Com efeito, se formam novos vínculos.
-  multiplicidade de vínculos
- os meus, os teus, os nossos

OBS. O cônjuge ou companheiro do genitor pode adotar? SIM! É chamada de adoção


unilateral e há a necessidade de concordância do pai registral - ART. 41, § 1º, ECA.
É aquela ideia que de uma união a pessoa teve filho e casou novamente com outra
pessoa que constitui uma família Monoparental (que tem filho). Nesse caso os meus,
os teus e os nossos forma vinculo familiar.
Art. 41 (ECA). A adoção atribui a condição de filho ao adotado, com os mesmos direitos e
deveres, inclusive sucessórios, desligando-o de qualquer vínculo com pais e parentes, salvo
os impedimentos matrimoniais.
§ 1º Se um dos cônjuges ou concubinos adota o filho do outro, mantêm-se os vínculos de
filiação entre o adotado e o cônjuge ou concubino do adotante e os respectivos parentes.
§ 2º É recíproco o direito sucessório entre o adotado, seus descendentes, o adotante, seus
ascendentes, descendentes e colaterais até o 4º grau, observada a ordem de vocação
hereditária.

Obs.: Nesse caso de adoção rompe todos os vínculos anterior que a criança tinha com
outro genitor, atualmente é feito a multiparentalidade.
OBS. É reconhecido ao filho do cônjuge ou companheiro direito a alimentos, comprovada a
existência de vínculo afetivo entre ambos, e que tenha ele assegurado sua mantença
durante o período em que conviveu com o seu genitor. (comprovado a existência de
vinculo afetivo os pagamentos alimentos podem ser comprado, mesmo sem registro de
paternidade.)
OBS. O enteado pode acrescentar o nome do padrasto? Art. 57, § 8º, Lei 6.015/1973,
com a redação dada pela Lei 11.924/2009. (Sim pode.)

Art. 57. A alteração posterior de nome, somente por exceção e motivadamente, após
audiência do Ministério Público, será permitida por sentença do juiz a que estiver sujeito o
registro, arquivando-se o mandado e publicando-se a alteração pela imprensa, ressalvada a
hipótese do art. 110 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 12.100, de 2009).
§ 8o O enteado ou a enteada, havendo motivo ponderável e na forma dos §§ 2o e 7o deste
artigo, poderá requerer ao juiz competente que, no registro de nascimento, seja averbado o
nome de família de seu padrasto ou de sua madrasta, desde que haja expressa
concordância destes, sem prejuízo de seus apelidos de família. (Incluído pela Lei nº 11.924,
de 2009)

Obs.: Substituir um nome de genitor pelo outro, a principio não pode, mas é possível entrar
com uma ação é fundamentar com um motivo justo. É comum ver processos desses com o
fundamento de abandono afetivo.

5.8) Socioafetiva
A filiação socioafetiva é aquela baseada em laços de afeto, decorre da posse de estado de
filho, ou seja, da crença da filiação. São relações nas quais a maternidade ou paternidade
biológica perdem valor diante do vínculo afetivo criado entre a criança e aquele que cuida
dela.

AFESTO = AFETIVIDADE, ESTABILIDADE E OSTENSIBILIDADE

- o afeto é um elemento determinante para a caracterização de uma


entidade familiar
- a afetividade é o conjunto de atos concretos que representam
determinado sentimento afetivo por alguém e podem ser captados pelo
Direito, por meios usuais de prova
- a socioafetividade configura-se pelo reconhecimento social de uma
manifestação de afetividade ou pela percepção por uma determinada
coletividade de uma relação afetiva, cuja repercussão também pode ser
assimilada pelo Direito. (O reconhecimento socioafetivo através da
sociedade, quando existe esse reconhecimento surge a socioafetividade.)
OBS. Provimentos n.ºs 63/2017 e 83/2019, do CNJ: autorizam o
reconhecimento extrajudicial da paternidade socioafetiva. (Possibilitou o
reconhecimento através do cartório.)
Livro: RICARDO CALDERON - O PRINCIPIO DA AFETIVIDADE NAS RELAÇÕES
FAMILIARES

5.9) Eudemonista
família eudemonista é um conceito moderno que se refere à família que
busca a realização plena de seus membros, caracterizando-se pela
comunhão de afeto recíproco, a consideração e o respeito mútuos entre
os membros que a compõe, independente do vínculo biológico.

- é a família que busca a felicidade individual, por meio da emancipação de


seus membros.
- eudemonismo é a doutrina que enfatiza o sentido da busca pelo sujeito
de sua felicidade.

Biológica ou não, oriunda do casamento ou não, matrilinear ou patrilinear, monogâmica ou


poligâmica, monoparental ou poliparental, não importa. Nem importa o lugar que o
indivíduo ocupe no seu âmago (lugar/centro), se o de pai, se o de mãe, se o de filho; o que
importa é pertencer ao seu âmago, é estar naquele idealizado lugar onde é possível
integrar sentimentos, esperanças, valores, e se sentir, por isso, a caminho da realização
de seu projeto de felicidade pessoal (Giselda Hironaka)

II - RELAÇÕES DE PARENTESCO

1) Conceito

- são vínculos decorrentes da consanguinidade, da afinidade, da adoção e


da socioafetividade, que ligam as pessoas a determinado grupo familiar
- imposição legal → direitos e deveres recíprocos (Essa relação de
parentesco é por imposição legal que tem direitos e deveres recíprocos)
- o parentesco em linha reta é ilimitado - ART. 1.591, CC
- na linha colateral (existência de ancestral comum), limita-se ao quarto
grau, ao menos para efeitos jurídicos e 1.595, § 2º, CC)
OBS. Os cônjuges e companheiros são parentes entre si? ART. 1.595, caput, CC –
Não são parentes entre si, mas os parentes do outro cônjuge poderão ser meus parentes.

Art. 1.591. São parentes em linha reta as pessoas que estão umas para com as outras na
relação de ascendentes e descendentes.

Art. 1.595. Cada cônjuge ou companheiro é aliado aos parentes do outro pelo vínculo da
afinidade.
§ 2o Na linha reta, a afinidade não se extingue com a dissolução do casamento ou da união
estável.

2) Importância

→  impedimentos matrimoniais - ART. 1521, I, CC (Pessoas que não podem casar entre si,
por conta do impedimentos matrimoniais.)
→ alimentos (os primeiros convocados a prestar alimentos são os parentes mais próximos)
- ART. 1.696, CC (As relações parentescos vão determinar de acordo com a situação os
deveres de alimentos. Ex.: Os pais tem dever de pagar alimentos e ao inverso também.)
→ direito sucessório - ART. 1.829, CC (Precisa respeitar a ordem de vocação hereditário para
saber quem recebe os bens primeiros.)

Art. 1.521. Não podem casar:


I - os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil;
II - os afins em linha reta;
III - o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do
adotante;
IV - os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro grau inclusive;
V - o adotado com o filho do adotante;
VI - as pessoas casadas;
VII - o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio
contra o seu consorte.

Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte: (Vide Recurso Extraordinário
nº 646.721) (Vide Recurso Extraordinário nº 878.694)
I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este
com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens
(art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não
houver deixado bens particulares;
II - aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge;
III - ao cônjuge sobrevivente;
IV - aos colaterais.

Art. 1.696. O direito à prestação de alimentos é recíproco entre pais e filhos, e extensivo a
todos os ascendentes, recaindo a obrigação nos mais próximos em grau, uns em falta de
outros.

3) Classificação
3.1) Natural e civil

- ART. 1.593, CC

Art. 1.593. O parentesco é natural ou civil, conforme resulte de consangüinidade ou outra


origem.

- natural: vínculos de consanguinidade


→ linha reta (ilimitada) ou colateral até 4º grau
→ duplo ou simples: irmãos germanos nascidos dos mesmos pais (gêmeos)
→ unilateral: filhos de somente um dos genitores. (meio irmão, ex.: Irmão só por parte de
pai)

- civil: vínculo decorrente de adoção ou de qualquer outra origem (esse vínculo civil não
tem uma relação consanguinidade.)

→ Enunciado 103, CJF.

103 – Art. 1.593: o Código Civil reconhece, no art. 1.593, outras espécies de parentesco civil
além daquele decorrente da adoção, acolhendo, assim, a noção de que há também
parentesco civil no vínculo parental proveniente quer das técnicas de reprodução assistida
heteróloga relativamente ao pai (ou mãe) que não contribuiu com seu material fecundante,
quer da paternidade sócio-afetiva, fundada na posse do estado de filho.

OBS. Desbiologização da parentalidade: reconhecimento de outros vínculos de parentesco,


sendo a inseminação artificial heteróloga umas delas (art. 1.597, V, CC).

A inseminação artificial será heteróloga, quando o material genético, espermatozóide ou


óvulo, tiverem como origem um doador estranho à pessoa a ser fecundada, podendo ser
denominado também de doação.

Art. 1.597. Presumem-se concebidos na constância do casamento os filhos:


I - nascidos cento e oitenta dias, pelo menos, depois de estabelecida a convivência
conjugal;
II - nascidos nos trezentos dias subsequentes à dissolução da sociedade conjugal, por
morte, separação judicial, nulidade e anulação do casamento;
III - havidos por fecundação artificial homóloga, mesmo que falecido o marido;
IV - havidos, a qualquer tempo, quando se tratar de embriões excedentários, decorrentes
de concepção artificial homóloga;
V - havidos por inseminação artificial heteróloga, desde que tenha prévia autorização do
marido.

Livro: BIODIREITO - MARIA HELENA DINIZ

3.2) Parentesco por Afinidade


- tem origem na lei e se constitui quando do casamento ou da união estável e vincula o
cônjuge e o companheiro aos parentes do outro

- em linha reta não tem limite de grau e mantém mesmo após a dissolução do casamento e
da união estável - art. 1.595, § 2º, CC

- na linha colateral, a afinidade não passa do segundo grau e se restringe aos cunhados,
mas é extinto após a dissolução da união ou casamento

4) Contagem de graus de parentesco consanguíneo


III - DO CASAMENTO
1) Conceito

É o ato jurídico negocial solene (tem regras), público e complexo, mediante o qual o
casal constitui família, pela livre manifestação de vontade e pelo reconhecimento do
Estado (Paulo Lôbo).

2) Natureza jurídica
→ Corrente individualista: vê o casamento como um contrato de vontades
convergentes para obtenção de fins jurídicos. PABLO STOLZE (contrato especial)
(Porque as partes minifesta vontade é por isso considera um contrato)
→ Corrente institucional: o casamento é uma instituição, por se tratar de um conjunto
de normas imperativas a que aderem os nubentes. MARIA HELENA DINIZ (Essa
instituição é um conjunto de normas de caráter cogentes e que essas normas não
podem ser alteradas, pois são normas imperativas.)
→ Corrente eclética: vê o casamento como ato complexo, um contrato quando de sua
formação e uma instituição no que diz respeito ao seu conteúdo. FLÁVIO TARTUCE E
PAULO LÔBO. (O contrato é um ato completo porque antes de celebrar o casamento
pode ser considerado um contrato quando a sua formação sim porque eu escolho com
quem e quando eu vou casar “existe uma decisão”, há um acordo de vontade. Mas
depois que da celebração do casamento existe os efeitos que não pode se controlar.
Ex.: Dever de sustento do cônjuge, caso acontece a separação existe a obrigação de
pagamento de alimento isso é um efeito que não se pode controlar.)
3) Caracteres

→ Liberdade na escolha do nubente (Tem a liberdade de escolher com quem e quando


vai casar.)
Salvo em casos especiais, a lei dá aos nubentes a liberdade de escolher o regime que
deverá reger o patrimônio de ambos. Assim, salvo exceções, o Princípio
da Liberdade permite não só escolher um dos regimes, mas também modificá-los,
combiná-los, inventar outras espécies, desde que não fira interesses públicos .
→ Solenidade do ato nupcial (Procedimento/formalidade que inicia desde o momento
que vai se habilitar casamento.)
Pacto nupcial é um contrato solene, realizado antes do casamento, por meio do qual
as partes dispõem sobre o regime de bens que vigorará entre elas durante o
matrimônio e deve ser realizado no Cartório de Notas da cidade dos Nubentes.
→ Legislação matrimonial de ordem pública (não é absoluta, uma vez que há
liberdade, em regra, na escolha do regime de bens) – Ordem pública por diversos
efeitos no casamento não é possível controlar. Não é absoluta, pois tem possibilidade
de escolher regime.
→ União permanente (?) – Não, essa união pode ser dissolvida pelo divórcio.
→ União exclusiva (?) – É se houver uma família simultânea? A maioria da doutrina
considera uma característica do casamento.

4) Princípios do direito matrimonial

4.1) Livre união dos futuros cônjuges

- o casamento advém do consentimento dos próprios nubentes


O Casamento tem que ter uma vontade dos nubentes para acontecer.

4.2) Monogamia (?)


É um regime ou costume em que é imposto ao homem ou à mulher ter apenas um cônjuge,
enquanto se mantiver vigente o seu casamento.
A monogamia é princípio de exclusividade do casamento porque o art. 1521, VI, traz como
impedimento patrimônio que uma pessoa se case de novo. (Existe até crime bigamia)

- art. 1.521, VI, CC - VI - as pessoas casadas. (As pessoas que são casadas não podem casar
sem antes dissolver o casamento anterior.)

- art. 1.548 II, CC


Art. 1.548. É nulo o casamento contraído:
I - pelo enfermo mental sem o necessário discernimento para os atos da vida civil;
(Revogado)
I - (Revogado) ; (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)
II - por infringência de impedimento.

Infringência de impedimento é o inciso II, do artigo 1548 do Código Civil, que se refere
ao casamento nulo. Essa expressão "infringência de impedimento", remete ao artigo
1521 do Código Civil, em que trata dos impedimentos para o casamento. Enfim,
infringência significa infringir, desobedecer, ... logo, infringência de impedimento é a
violação do artigo 1521, do código civil.

OBS. A monogamia como um princípio de observância obrigatória é algo


questionável, já que não há norma positivada e expressa nesse sentido. (O que a lei
que proibir é o ato fraudulento é fraude a boa-fé porque nas maiorias dos casos que
existe outro casamento alguém está sedo enganado.)
4.3) Comunhão indivisa

- O matrimônio tem por objetivo criar uma plena comunhão de vida entre os cônjuges
- ART. 1.511, CC
Art. 1.511. O casamento estabelece comunhão plena de vida, com base na igualdade de
direitos e deveres dos cônjuges.

O casamento já uma modalidade de familiar, sendo assim os cônjuges tem objetivo de criar
uma comunhão de plena de vida.

Art. 1.727. As relações não eventuais entre o homem e a mulher, impedidos de casar,
constituem concubinato. (Concubinato de duas pessoas casadas (com terceiros), ou em que
uma delas apenas é casada (com outrem))

5) Existência, validade e regularidade do matrimônio

→ Elementos existenciais:
- Diversidade de sexo (?) - art. 1.517, CC (Muitas as doutrinas tem que haver essa
diversidade, mas é questionável. A diversidade de sexo não é mais um empecilho para
o casamento constituído pelos mesmos sexos.)
Art. 1.517. O homem e a mulher com dezesseis anos podem casar, exigindo-se autorização
de ambos os pais, ou de seus representantes legais, enquanto não atingida a maioridade
civil.
Parágrafo único. Se houver divergência entre os pais, aplica-se o disposto no parágrafo
único do art. 1.631.

- Celebração (ato solene)


- Consentimento (Vontade)

→ Requisitos de validade

A) Idade núbil = a partir dos 16 anos com autorização dos pais.

- art. 1.520, CC = nulidade absoluta?


Art. 1.520. Não será permitido, em qualquer caso, o casamento de quem não atingiu a
idade núbil, observado o disposto no art. 1.517 deste Código . (Redação dada pela Lei nº
13.811, de 2019)

Art. 1.550. É anulável o casamento: (Vide Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)


I - de quem não completou a idade mínima para casar;
II - do menor em idade núbil, quando não autorizado por seu representante legal;
III - por vício da vontade, nos termos dos arts. 1.556 a 1.558 ;
IV - do incapaz de consentir ou manifestar, de modo inequívoco, o consentimento;
V - realizado pelo mandatário, sem que ele ou o outro contraente soubesse da revogação
do mandato, e não sobrevindo coabitação entre os cônjuges;
VI - por incompetência da autoridade celebrante.
§ 1 o . Equipara-se à revogação a invalidade do mandato judicialmente decretada.
§ 2 o A pessoa com deficiência mental ou intelectual em idade núbia poderá contrair
matrimônio, expressando sua vontade diretamente ou por meio de seu responsável ou
curador. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)

Art. 1.551. Não se anulará, por motivo de idade, o casamento de que resultou gravidez.

OBS. Flávio Tartuce entende que não é caso de nulidade, mas, sim, de anulabilidade,
uma vez que o artigo 1.550, I, e  art. 1.551, ambos do Código Civil não foram
revogados.
B) Potência

- admite-se a anulação do casamento nos casos de impotentia coeundi, desde que


interesse ao cônjuge que antes ignorava esse defeito físico irremediável - ART. 1.557,
III,
CC).
Impotentia coeundi, ou seja, que impede a relação sexual, tanto no homem quanto na
mulher, diferentemente da impotência generandi, que impede a gravidez. A
importância legal dessa diferença constitui na possibilidade de anulação do casamento
por vício de vontade (1550, III, CC),
Art. 1.557. Considera-se erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge:
I - o que diz respeito à sua identidade, sua honra e boa fama, sendo esse erro tal que o seu
conhecimento ulterior torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado;
II - a ignorância de crime, anterior ao casamento, que, por sua natureza, torne insuportável
a vida conjugal;
III - a ignorância, anterior ao casamento, de defeito físico irremediável, ou de moléstia
grave e transmissível, pelo contágio ou herança, capaz de pôr em risco a saúde do outro
cônjuge ou de sua descendência; (Vide Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)
(Revogado)
IV - a ignorância, anterior ao casamento, de doença mental grave que, por sua natureza,
torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado. (Vide Lei nº 13.146, de 2015)
(Vigência)
(Revogado)
III - a ignorância, anterior ao casamento, de defeito físico irremediável que não caracterize
deficiência ou de moléstia grave e transmissível, por contágio ou por herança, capaz de pôr
em risco a saúde do outro cônjuge ou de sua descendência; (Redação dada pela Lei nº
13.146, de 2015) (Vigência)
IV - (Revogado) . (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)

OBS. E a impotentia generandi? Não dá lugar à invalidade do casamento.


Impotência Generandi: é a incapacidade do homem para gerar filhos (procriar). A
causa pode estar sediada na glândula reprodutora ou nas vias de tramitação de sêmen.
Pode haver falta de testículos por agenesia ou por extirpação de variadas causas
(terapêutica, acidental, criminosa, mística).

C) Sanidade física

- defeito ou doença que não caracterize deficiência


- capacidade de pôr em risco a saúde do outro cônjuge ou de sua descendência (erro
essencial)
- exame pré-nupcial (não é exigido para habilitação, exceto para casamento de
parentes colaterais de terceiro grau)
Essa doença não pode ser deficiência, mas o que vai permitir essa nulidade desse
casamento é uma situação genética ou física que pode colocar a vida outro cônjuge ou
decadência em risco.
→ Regularidade do matrimônio 
- são condizentes à sua celebração, por ser solene o ato nupcial
- competência da autoridade celebrante
6) Impedimentos matrimoniais e causas suspensivas
→ Impedimento matrimonial é a falta de legitimação para realização de casamento
válido em algumas circunstâncias, cuja consequência será a nulidade ABSOLUTA do ato
- ART. 1548, II, CC
Ex.: Casar com sogro (a) = NULO. “Independente de tempo é nulo, pois não tem
prazo.”
Tem a capacidade genética, mas para casar com a sogra falta a legitimação porque
existe uma previsão matrimonial que é o vinculo de parentescos em linha reta por
afinidade.
O que é o impedimento matrimonial? É a falta de legitimação para contrair o
matrimonio em determinadas circunstâncias.
Art. 1.548. É nulo o casamento contraído:
II - por infringência de impedimento.

OBS. Não confundir com a incapacidade para casar (arts. 1.517 a 1.520, CC), pois se refere à
vontade e à idade núbil.

→ Causa suspensiva é um fato suspensivo do processo de celebração do casamento.


Adverte os nubentes que não devem casar-se, sob pena de sanção (ARTS. 1.641, I e 1.489,
II).

Suspender o processo de celebração do casamento até tentar regularizar aquela


determinada situação.
Essa causa suspensiva pode existir e ninguém alegar e o casamento é celebrado porque
alguém tem que se manifestar.

Por exemplo, uma pessoa não pode se casar se for divorciado e ainda não tiver feito a
partilha de bens do último casamento; também é causa suspensiva quando uma pessoa
morre e deixa um viúvo ou viúva com filhos e este se casa antes de ter feito o inventário e
separação de bens dos herdeiros, também não se podem casar pessoas que tem
parentesco em linha reta.

A lei permite que case, mas obriga o regime de Separação obrigatória de bens. A lei não
proíbe e nem torna o casamento nulo, mas você vai ter que casar no regime Separação
obrigatória de bens para não ter confusão patrimonial.

Art. 1.641. É obrigatório o regime da separação de bens no casamento:


I - das pessoas que o contraírem com inobservância das causas suspensivas da celebração
do casamento;
II - da pessoa maior de sessenta anos;
(Revogado)
II – da pessoa maior de 70 (setenta) anos; (Redação dada pela Lei nº 12.344, de 2010)
III - de todos os que dependerem, para casar, de suprimento judicial.

Art. 1.489. A lei confere hipoteca:


I - às pessoas de direito público interno (art. 41) sobre os imóveis pertencentes aos
encarregados da cobrança, guarda ou administração dos respectivos fundos e rendas;
II - aos filhos, sobre os imóveis do pai ou da mãe que passar a outras núpcias, antes de
fazer o inventário do casal anterior;
III - ao ofendido, ou aos seus herdeiros, sobre os imóveis do delinqüente, para satisfação
do dano causado pelo delito e pagamento das despesas judiciais;
IV - ao co-herdeiro, para garantia do seu quinhão ou torna da partilha, sobre o imóvel
adjudicado ao herdeiro reponente;
V - ao credor sobre o imóvel arrematado, para garantia do pagamento do restante do
preço da arrematação.

6.1) Impedimentos - art. 1.521, CC (*NULO*)

- pode ser alegado por qualquer pessoa capaz e pelo Ministério Público - art. 1.522, CC
O interesse é coletivo, sendo qualquer pessoa capaz e o MP pode alegar.

→ Impedimentos resultantes de parentesco - art. 1.521, I a V, CC

1. (hipótese) Impedimentos resultantes de parentesco – Casamentos entre pais e


filhos, por exemplo, não podem casar.
2. O pai adotivo não pode casar com o filho adotivo.

Esses impedimentos de parentes têm duas razoes uma moral e a outra razão biológica.

→ Razão moral: evitar o incesto

→ Razão biológica: evitar problemas congênitos à prole.

A princípio não pode haver casamentos entres tios e sobrinhos (até 3 grau).
É possível o casamento entre pessoas com 4° Grau, primos. (Não existe impedimento
patrimonial, mas existe a preocupação genética)

OBS. O impedimento entre colaterais de 3º grau (tio e sobrinha) pode ser sanado
por certificado pré-nupcial, por meio do qual médicos atestem que não há
incompatibilidade genética que cause risco à eventual prole (Decreto-Lei nº 3.200/1941 e
Enunciado 98 do CJF). Trata-se do casamento AVUNCULAR.

Obs.: A Doutrina ainda defende o casamento entre tios e sobrinhos, dedes que tenha uma
certificado pré-nupcial que é um documento medico comprovando que não existe
problemas médicos. (O objetivo é evitar problemas congênitos)

Casamentos entre tios e sobrinho se chama CASAMENTO AVUNCULAR.


O casamento avuncular nada mais é o nome que se dá ao casamento entre tios (as) e
sobrinhos (as), ou seja, entre parentes colaterais em terceiro grau. Em 1941 foi editado um
Decreto-Lei que versou sobre a possibilidade do casamento entre tio (a) e sobrinho (a)

→ Impedimento de afinidade - art. 1.521, II, CC

→ Impedimento de adoção - art. 1.521, I, III e V, CC

→ Impedimento de vínculo - art. 1.521, VI, CC

OBS. A existência de casamento religioso constitui impedimento? NÃO! Apenas será


impedimento se for registrado - art. 1.515, CC

Impedimento de vínculo = é para quem já é casado. (Esse casamento é nulo,)

Obs.: A existência de um casamento no religioso. O agente decide se casar no civil, mas já é


casado no religioso, o que acontece? o casamento no religioso é valido? Para fim de
impedimento patrimônio não há nenhum impedindo, só seria impedimento patrimonial se
o agente estivesse um casamento no civil. Mesmo o agente casando no civil já tendo um
casamento no religioso, os feitos do casamento terão validado sobre o casamento civil.
O casamento no religioso tem efeito jurídico, mas impedimento não. Como esse casamento
não foi registrado tem todos os efeitos de uma união estável, essa pessoa que não tem o
casamento registrado não tem proteção, mas se pode buscar dizendo que a outra estava
de boa-fé alegando uma união putativa.

→ Impedimento de crime - art. 1.521, VII, CC

OBS. Só diz respeito ao homicídio doloso. E se o acusado for absolvido ou se o


delito prescrever? Com extinção da punibilidade, não há impedimento matrimonial (tem
que haver condenação).

Impedimento de crime: Estou casado e me apaixonei por outra pessoa e preciso me livrar
do traste que está com ela. Você mata a pessoa e casa com a esposa dele, não pode casar
com quem matou o meu cônjuge, pois existe um impedimento de crime, esse impedimento
só vai existir se for um crime doloso e precisa ser condenado. Caso aconteça de não ser
condenado por prescrição ou por qualquer outro motivo não será aplicado esse
impedimento.

Ex.: Pode acontecer um acidente no trânsito e a esposa vier a falecer, o rapaz sobreviveu e a
moça que causou o acidente foi de maneira culposa sem a intenção, em razão do
acontecido a vítima se aproxima da pessoa que casou a morte do cônjuge dela. Começa
criar um laço afetivo e surge um relacionamento, nesse caso é possível o casamento porque
não se tratou de um crime doloso.

Regra: Dos impedimentos patrimoniais trás nulidade absoluta e qualquer pessoa pode
alegar e exclusivo o Ministério Público.

6.2) Causas suspensivas (suspende o casamento já realizado até resolver a situação e do


casamento ainda não realizado se faz necessário que resolva antes para efetuar o
casamento, a pessoa não está proibida de casar até pode, mas desde que seja por regime
de obrigatório de separação de bens.)

As causas suspensivas se traduzem em um impedimento à realização do casamento,


porquanto podem gerar sanções àqueles que contraírem o matrimônio, uma vez que o
casamento não é nulo, nem anulável, apenas irregular. Estão dispostas nos incisos do art.
1523 do Código Civil.

As causas suspensivas não tornam o casamento nulo e nem anulável, mas vão impor os
cônjuges.

- não tornam o casamento nulo, nem anulável, mas impõem sanções patrimoniais ao
cônjuges (art. 1.641, I, CC)
- interesse da prole
- evitar confusão sanguinis e confusão patrimonial

→ Viúvo ou viúva que tiver filho do cônjuge falecido, enquanto não fizer o inventário dos
bens do casal e der partilha aos herdeiros - art. 1.523, CC

Viúva: Enquanto não fizer o inventário dos bens do casal não pode ser casar, pode até
casar, mas somente sobre o regime de obrigatório de separação de bens.

Qual o interesse? Confusão patrimonial

→ Viúva ou mulher cujo matrimônio se desfez por ser nulo ou por ter sido anulado, até 10
meses depois do começo de viuvez, ou da dissolução da sociedade conjugal - ART. 1.523, II,
CC

Mulher/viúva: A preocupação lei é evitar confusão da pole e sanguíneo, lei quer dizer as
mulheres que estão gravidas não case, porque se você casa antes dos 10 meses do divórcio
ou viuvez pode acontecer confusão sanguíneo e a preocupação da pole. (Pode desde que
seja por regime de obrigatório de separação de bens.)

Art. 1.523. Não devem casar:


I - o viúvo ou a viúva que tiver filho do cônjuge falecido, enquanto não fizer inventário dos
bens do casal e der partilha aos herdeiros;
II - a viúva, ou a mulher cujo casamento se desfez por ser nulo ou ter sido anulado, até dez
meses depois do começo da viuvez, ou da dissolução da sociedade conjugal;
III - o divorciado, enquanto não houver sido homologada ou decidida a partilha dos bens
do casal;
IV - o tutor ou o curador e os seus descendentes, ascendentes, irmãos, cunhados ou
sobrinhos, com a pessoa tutelada ou curatelada, enquanto não cessar a tutela ou curatela, e
não estiverem saldadas as respectivas contas.
Parágrafo único. É permitido aos nubentes solicitar ao juiz que não lhes sejam aplicadas as
causas suspensivas previstas nos incisos I, III e IV deste artigo, provando-se a inexistência
de prejuízo, respectivamente, para o herdeiro, para o ex-cônjuge e para a pessoa tutelada
ou curatelada; no caso do inciso II, a nubente deverá provar nascimento de filho, ou
inexistência de gravidez, na fluência do prazo.
→ O divorciado enquanto não houver sido homologada ou decidida a partilha dos bens do
casal - art. 1.523, III

→ Tutor, curador e seus parentes - art. 1.523, IV, CC

Pode um tutor casar com seu tutelado? Pessoas incapazes, quais são os interesses para
esse casamento, existe qual uma limitação) Pode casar, desde que seja por regime de
separação de bens.

CUIDADO! Em todas as hipóteses acima, havendo prova da ausência de prejuízo


aos envolvidos, a causa suspensiva desaparece, conforme prevê o artigo 1.523, P.U., CC.

Obs.: Existe exceções, se as partes conseguiram provar que não existe nenhum prejuízo, por
exemplo, o único imóvel que tem para ser divido já está em uso fruto dos meus filhos e não
uso, provo que não há o prejuízo a causa desaparece.

6.3) Oposição dos impedimentos e causas suspensivas

6.3.1) Limitações concernentes às pessoas

→ Impedimentos

- devem ser opostos, ex officio, pelo oficial do registro civil, pelo juiz ou por quem celebrar
o casamento - 
- qualquer pessoa pode opor → ATÉ O MOMENTO DA CELEBRAÇÃO - art. 1.522, CC

Quem pode alegar? Juiz ou qualquer pessoa. “Tem interesse da sociedade.”

Obs.: A oposição tem que ser feita até o momento da celebração. Caso o casamento seja
celebrado, pode entrar com uma ação declaratória de nulidade afirmando que aquele
casamento já estava nulo desde do seu nascimento (celebração).

→ Causas suspensivas

- não podem ser conhecidas de ofício por eventual juiz ou oficial do cartório
- só poderão ser arguidas pelos (art. 1.524, CC):
  - parentes, em linha reta, de um dos nubentes (afins também)
- colaterais, EM SEGUNDO GRAU (irmãos ou cunhado)

De oficio não pode fazer, porque a causa suspensivas só interessa as partes envolvidas. Só
as partes envolvidas podem alegar, porque é um interesse individual. Só as partes não
alegar não haverá a concretização da causa suspensivas.

Se o casamento já foi celebrado, se faz necessário entrar com uma ação judicial para
declara essa causa suspensiva.

OBS. O acolhimento da suspensão impedirá a expedição do certificado de habilitação (art.


1.529, CC), resultando a proibição da celebração do ato nupcial.
O efeito: 1529
Se a causa for acolhida pode ser impedido a celebração, mas caso queira casar antes de
resolver a causa suspensivas, pode casar por regime obrigatório de separação de bens.

Art. 1.529. Tanto os impedimentos quanto as causas suspensivas serão opostos em


declaração escrita e assinada, instruída com as provas do fato alegado, ou com a indicação
do lugar onde possam ser obtidas.

7) Formalidades preliminares à celebração - processo de habilitação

- Cartório de Registro Civil de domicílio do casal, sob pena de nulidade relativa - arts. 1.525,
1.550, IV; 1.560, II e 1.554, CC)

É feito no cartório do domicilio do casal, podendo ser feito no domicílio de qualquer um.
Ex.: Juana mora em SP e Bruno em MT os dois decide casar e escolhe o cartório do
domicilio de Joana.

Art. 1.525. O requerimento de habilitação para o casamento será firmado por ambos os
nubentes, de próprio punho, ou, a seu pedido, por procurador, e deve ser instruído com os
seguintes documentos:
I - certidão de nascimento ou documento equivalente;
II - autorização por escrito das pessoas sob cuja dependência legal estiverem, ou ato
judicial que a supra;
III - declaração de duas testemunhas maiores, parentes ou não, que atestem conhecê-los e
afirmem não existir impedimento que os iniba de casar;
IV - declaração do estado civil, do domicílio e da residência atual dos contraentes e de seus
pais, se forem conhecidos;
V - certidão de óbito do cônjuge falecido, de sentença declaratória de nulidade ou de
anulação de casamento, transitada em julgado, ou do registro da sentença de divórcio.

Art. 1.560. O prazo para ser intentada a ação de anulação do casamento, a contar da data
da celebração, é de:
I - cento e oitenta dias, no caso do inciso IV do art. 1.550;
II - dois anos, se incompetente a autoridade celebrante;
III - três anos, nos casos dos incisos I a IV do art. 1.557;
IV - quatro anos, se houver coação.
§ 1o Extingue-se, em cento e oitenta dias, o direito de anular o casamento dos menores de
dezesseis anos, contado o prazo para o menor do dia em que perfez essa idade; e da data
do casamento, para seus representantes legais ou ascendentes.
§ 2o Na hipótese do inciso V do art. 1.550, o prazo para anulação do casamento é de cento
e oitenta dias, a partir da data em que o mandante tiver conhecimento da celebração.

Art. 1.554. Subsiste o casamento celebrado por aquele que, sem possuir a competência
exigida na lei, exercer publicamente as funções de juiz de casamentos e, nessa qualidade,
tiver registrado o ato no Registro Civil.

→ Documentos necessários

A) Certidão de nascimento ou documento equivalente


B) Autorização das pessoas sob cuja dependência legal estiverem, ou ato judicial que o
supra - art. 1.517, 1,519, 1.550, II e § 2º, CC

 ambos os pais → possibilidade de aplicação do artigo 1.570 em razão da


ausência de um dos cônjuges. OBS. Será possível o suprimento judicial de vontade do(a)
genitor(a) que se recusar a autorizar o casamento, sem um motivo justo (Art. 1.517, P.U. c/c
Art. 1.631, P.U., CC).
 E o emancipado? De acordo com o Enunciado 512 do CJF, os emancipados não
precisam de autorização dos pais para contrair o matrimônio.
OBS. A autorização pode ser revogada? SIM, desde que até a data da celebração -
ART. 1.518, CC.

Autorização dos pais para menores de 18 anos e maior de 16 anos.


Art. 1570, caso um dos pais não autorizem. Traz a possibilidade de caso um dos pais não
tiver presente outro somente autorizar na sua ausência. Caso o outro não autorize e
possível mover uma ação para suprimento judicial de vontades.

Emancipado precisa de autorização? 512 do CJF, não se aplica ao emancipado.

CJF = importante para interpretar os artigos.

O art. 1.517 do Código Civil, que exige autorização dos pais ou responsáveis para
casamento, enquanto não atingida a maioridade civil, não se aplica ao emancipado.

C) Declaração de duas testemunhas maiores, parentes ou não, que atestem conhecer os


nubentes e afirmem não existir impedimento que os iniba de casar - ART. 1.525, III  e ART..
42 da Lei 6.015/1973

D) Declaração do estado civil, do domicílio e da residência atual dos contraentes e de seus


pais, se forem conhecidos.

→ Conclusão

- art. 1.527, CC
- lavratura dos proclamas do casamento e publicação de edital por 15 dias 
- certidão declarando que os pretendentes estão habilitados para casar dentro do prazo de
90 DIAS, contados da data em que a certidão for extraída - arts. 1.531 e 1.532, CC

OBS. O juiz pode dispensar a publicação do edital de proclamas do casamento?


Enunciado 513 do CJF (pode dispensar de esperar o prazo de 15 dias)

OBS. Há despesas para o processo de habilitação? ART. 1.512, CC.

8) Celebração do casamento

- art. 1.533, CC → designação da cerimônia


portas abertas e presença de duas testemunhas ou de 4 testemunhas (celebração em
edifício particular) - Lei 1.408/1951, art. 5º, P.U
- presença real e simultânea dos contraentes, em regra (é possível o casamento por
procuração)
- manifestação de vontade de forma clara e espontânea - art. 1.538, CC

CUIDADO! O nubente que der causa à suspensão do ato não poderá se retratar no
mesmo dia (art. 1.538, P.U., CC).

- dizeres - art. 1.535, CC

OBS. A partir de qual momento se considera existente o casamento? Quando o juiz


os declara casados - ART. 1.514, CC.

OBS. Em São Paulo, quem celebra o casamento é o juiz de casamento, cuja atuação
não é remunerada, sendo indicado pelo Secretário da Justiça. Necessidade de
regulamentação do artigo 98, II, CF/88

9) Casamento por procuração - art. 1.542, CC

Um casamento por procuração (ou bodas por procuração) é um tipo de matrimônio em


que um ou ambos os indivíduos que estão sendo unidos não estão fisicamente presentes,
geralmente representado em vez por outra pessoa, nomeada e qualificada .

- Poderes especiais = necessidade de individuação (Pública com poderes específicos =


procuração pública)

Tem que haver essa necessidade de individuação = casar com quem, quando? Tem que
estar especifico os poderes.

- escritura pública (essa procuração tem que ser feito por escritura)
- Revogável até o momento da celebração do ato nupcial

A procuração foi outorgada, mas me arrependi? É possível revogar? Sim, mas somente
até a celebração do casamento é possível revogar a procuração.

OBS. E se o casamento for celebrado sem que o procurador ou o outro contraente tenha
ciência da revogação? O mandante responderá por eventuais perdas e danos - ART. 1.542, §
1º, CC (ex. danos morais e materiais - honra, vexame sofrido, gastos com preparativos de
festas).

Ex.: Como fazer isso? Tentei ligar, entrar em contato com o procurador da procuração,
mas não consigo o contato para revogar estou expressando a minha vontade de revogar,
mas sem o contato com o procurador e sem que outro nubente tenha a ciência da minha
vontade de revogar. O casamento foi celebrado. Aquele que revogou pode sofrer algum
dano? Sim, responde indenização por perdas e danos por casamento frustrado. Art. 1542,

Danos = morais (por abalo emocional) e danos matérias = pelos gastos.

Art. 1.542. O casamento pode celebrar-se mediante procuração, por instrumento público,
com poderes especiais.
§ 1o A revogação do mandato não necessita chegar ao conhecimento do mandatário; mas,
celebrado o casamento sem que o mandatário ou o outro contraente tivessem ciência da
revogação, responderá o mandante por perdas e danos.
§ 2o O nubente que não estiver em iminente risco de vida poderá fazer-se representar no
casamento nuncupativo.
§ 3o A eficácia do mandato não ultrapassará noventa dias.
§ 4o Só por instrumento público se poderá revogar o mandato.

OBS. Possibilidade de anulação em razão da revogação não sabida → prazo de 180 dias, a
partir da data em que o mandante tiver conhecimento da celebração (ART. 1.550, V, c/c
ART. 1.560, § 2º, CC).

O casamento aconteceu, mas queria revogar? Pode anular esse casamento? O


Casamento pode ser revogado em até 180 dias a partir que a mandate tiver conhecimento
da celebração.

Art. 1560

Art. 1.560. O prazo para ser intentada a ação de anulação do casamento, a contar da data
da celebração, é de:
I - cento e oitenta dias, no caso do inciso IV do art. 1.550;
II - dois anos, se incompetente a autoridade celebrante;
III - três anos, nos casos dos incisos I a IV do art. 1.557;
IV - quatro anos, se houver coação.
§ 1o Extingue-se, em cento e oitenta dias, o direito de anular o casamento dos menores de
dezesseis anos, contado o prazo para o menor do dia em que perfez essa idade; e da data
do casamento, para seus representantes legais ou ascendentes.
§ 2o Na hipótese do inciso V do art. 1.550, o prazo para anulação do casamento é de cento
e oitenta dias, a partir da data em que o mandante tiver conhecimento da celebração

Já havia passado o período para revogar a procuração. O mandante tinha ciência da


celebração e tentou anular após o período de 180 dias, o que acontece? Só com o divórcio
para dissolver esse casamento.

Obs.: Fazendo anulação no prazo retorno o estado civil de solteiro, mas se perder o prazo
a separação é só através do divórcio nesse caso o agente terá estado de divorciado.

OBS. E se o mandante falecer antes das núpcias? Ter-se-á ausência de consentimento e,


portanto, o ato será INEXISTENTE.

É se o nubente (mandate) morrer antes da cerimonie e ninguém tinha ciência da sua


morte, mas celebração já aconteceu? Não existe o nubente (porque morreu) o casamento
é inexistente.

10) Casamento nuncupativo e em caso de moléstia grave

→ Casamento nuncupativo - art. 1.540, CC


O casamento nuncupativo é aquele realizado " in extremis vitae momentis " ou "in articulo
mortis", ou seja, no caso de um dos contraentes se encontrar em iminente risco de vida e
não for possível obter a presença da autoridade celebrante ou de seu substituto.

O nubente sobrevivente vai mover uma ação para homologar esse casamento, e as
testemunhas vão comparecer diante ao juiz para relatar como foi efetuado o casamento.
Ex.: O juiz vai questionar as testemunhas quais foram as maneiras que esse casamento foi
celebrado, por exemplo, o nubente estava consciente para manifestar sua vontade?

- as formalidades de habilitação não são cumpridas em razão de urgência e falta de tempo

- iminente risco de vida (ex. doença terminal)

- a presença de autoridade competente pode ser dispensada - os nubentes serão os


próprios celebrantes

- presença de seis testemunhas → deverão comparecer, dentro de 10 dias, ante a


autoridade judicial mais próxima - art. 1.541, CC

- homologação posterior do juiz - o assento retroagirá à data da celebração - art. 1.541, §


4º, CC

Art. 1.540. Quando algum dos contraentes estiver em iminente risco de vida, não obtendo
a presença da autoridade à qual incumba presidir o ato, nem a de seu substituto, poderá o
casamento ser celebrado na presença de seis testemunhas, que com os nubentes não
tenham parentesco em linha reta, ou, na colateral, até segundo grau.

→ Casamento em caso de moléstia grave - art. 1.539, CC

Assim, o artigo 1.539 dispõe a respeito do chamado casamento em caso de moléstia grave,
que tem por premissa o precário estado de saúde de um dos nubentes, com gravidade que
o impeça de se locomover e também de adiar a celebração. Ressalva-se que é admitido
também em caso de acidentes e a celebração pode ser mesmo durante a noite.

Um dos nubentes está doente e por causa de sua doença não pode comparecer no
cartório, nesse caso o cumprimento das formalidades preliminares é realizado em casa.
- as partes podem solicitar a presença da autoridade celebrante e do oficial em sua casa

- cumprimento das formalidades preliminares - art. 1.531, CC

- presença de duas testemunhas que saibam ler e escrever

Art. 1.539. No caso de moléstia grave de um dos nubentes, o presidente do ato irá celebrá-
lo onde se encontrar o impedido, sendo urgente, ainda que à noite, perante duas
testemunhas que saibam ler e escrever.
§ 1o A falta ou impedimento da autoridade competente para presidir o casamento suprir-
se-á por qualquer dos seus substitutos legais, e a do oficial do Registro Civil por outro ad
hoc, nomeado pelo presidente do ato.
§ 2o O termo avulso, lavrado pelo oficial ad hoc, será registrado no respectivo registro
dentro em cinco dias, perante duas testemunhas, ficando arquivado.

11) Casamento religioso com efeitos civis

A) Casamento religioso precedido de habilitação civil - art. 1.516, CC


- habilitação perante o Registro Civil

- fornecimento de certidão para se casarem perante ministro religioso → prazo de validade


de 90 dias

- após a celebração religiosa, contar-se-á novo prazo de 90 dias para assento no Registro
Civil - art. 1.516, § 1º, CC

B) Casamento religioso não precedido de habilitação civil

- poderá ser registrado a qualquer tempo

- apresentação dos documentos exigidos pelo art. 1.525, CC

- prévia habilitação - art. 1.516, § 2º c/c art. 1.532, CC

CUIDADO! O registro do casamento religioso terá efeito ex tunc, retroagindo desde a data
da celebração, nos termos do artigo 1.515, CC.

OBS. E se antes do registro do casamento religioso, uma das partes contrair casamento
civil com outra pessoa? ART. 1.516, § 3º, CC. – O casamento religioso não tem efeito civil,
mas tem aplicação de união estável.

§ 3o Será nulo o registro civil do casamento religioso se, antes dele, qualquer dos
consorciados houver contraído com outrem casamento civil.

A qualquer tempo pode registrar esse casamento, todo o procedimento de habilitação tem
que ser feito.

Ex.:

Casamento religioso precedido por habilitação civil.

1. Nubentes vão fazer a habitação para o casamento


2. Após, conseguir a certidão de habilitação
3. Com a certidão tem 90 dias para celebrar o casamento religioso
4. Celebrado, agora tem a certidão do religioso
5. Após isso, tem mais 90 dias para fazer assentamento.

Terá efeito ex tunc. Desde da celebração.

Art. 1.515. O casamento religioso, que atender às exigências da lei para a validade do
casamento civil, equipara-se a este, desde que registrado no registro próprio, produzindo
efeitos a partir da data de sua celebração.
12) Efeitos jurídicos do matrimônio

12.1) Efeitos pessoais

12.1.1) Direitos e deveres de ambos os cônjuges  - art. 1.566, I a IV

1.
→ Fidelidade mútua - Direitos e deveres recíprocos a serem cumpridos.

- adultério é ato ilícito?

1. Não se fala de crime em adultero, mas pode considerado um ato ilícito no civil?
Sim, pode. Pode entrar com uma ação de perdas e danos, mas só serão pagos
dependendo do caso concreto. (Depende das consequências que esse adultério
causar)

- e a infidelidade virtual x infidelidade física?

→ Vida em comum, no domicílio conjugal

- o matrimônio requer a coabitação (MHD), de modo que o seu desrespeito pode gerar
ofensa à honra do outro cônjuge;

- MBD entende que a coabitação não é requisito para o casamento

→ Mútua assistência

- cuidados pessoais, apoio nas adversidades e auxílio constante

- deveres implícitos: respeito e consideração mútua (art. 1.566, V, CC)

- injúria grave - art. 1.573, III, CC

Mutua assistente? Apoio moral e auxiliar financeiramente. Esse auxilio ele se estende
mesmo após o fim do casamento. Ex.: Pagamentos de alimentos.

Obs.: Pode adotar o sobrenome do outro cônjuge após a separação, sim.


Para ter outro nome, precisa remover o meu? Tema polêmico. O código diz acrescenta,
não diz sobre remover.
O que é visto na prática, é que não pode suprimir todos os sobrenomes paternos e
maternos, mas pode acrescentar o sobrenome do contraente.

→ Igualdade de direitos entre os cônjuges

- dirigir a sociedade conjugal - art. 1.567, CC


- intervenção em assuntos particulares: leituras, vestimentas, penteados, visita a parentes,
etc.

- ausência de um dos cônjuges - art. 1.570, CC

- sustento da família e educação dos filhos - art. 1.568, CC

- adoção do sobrenome do outro cônjuge - art. 1.565. § 1º, CC

OBS. Um cônjuge pode suprimir seu sobrenome para adotar o do outro? O código
civil fala em “acrescer”.

→ Direitos e deveres dos pais para com os filhos - art. 1.566, IV, CC


- responsabilidade pelos atos lesivos - art. 932, I, CC

- criação e educação - art. 1.634, I a IX, CC

- consentimento para casar

- suspensão ou destituição do poder familiar - art. 1.637 e 1.638, CC

- resolução da guarda quando do divórcio

- problema da síndrome de alienação parental

2.2) Efeitos jurídicos patrimoniais

12.2.1) Conceito de regime de bens

- é o conjunto de normas aplicáveis às relações e interesses econômicos resultantes do


casamento.

Interesse econômico? Sim, existe o interesse.

12.2.2) Princípios fundamentais 

12.2.2.1) Variedade de regime de bens

- quatro tipos: comunhão universal, comunhão parcial, separação e participação final nos
aquestos

- critério da comunicação ou da separação dos seus patrimônios

12.2.2.2) Liberdade dos pactos antenupciais


- em regra, a escolha do regime de bens é livre

- podem combinar os regimes

Tem a livre escolha do tipo de regime que deseja casar. (a escolha é livre.)
Mas existe as exceções que obriga se casar somente por separação de bens. (Causas
suspensivas, mais de 70 anos, e menor).
Obs.: É possível fazer uma combinação dos regimes.

Pacto antenupcial = é um contrato, que tem vontade, solene que é realizado antes do
casamento. Distante esse pacto se manifesta o time de regime do casamento.

12.2.2.2.1) Pacto antenupcial

A) Conceito

- é contrato solene, realizado antes do casamento, por meio do qual as partes


dispõem sobre o regime de bens que vigorará entre elas - art. 1.639, § 1º, CC

Esse pacto tem que ser feito por escritura pública. Não fazendo por escritura sob pena de
nulidade.

B) Forma

- por escritura pública, sob pena de nulidade absoluta

- eficácia perante terceiros: após assentamento no Registro de Imóveis do


domicílio dos cônjuges (art. 1.657, CC) ou na Junta Comercial (art. 979, CC)

Pode ser feito no cartório de registro de imóveis e caso os nubentes seja empresário no
Juscesp (para ter efeito sobre terceiro.)
Caso não faço o registro não quer dizer que seja nulo, mas pode não ter eficaz sobre
terceiro.
Ele pode ser registrado a qualquer tempo? Sim, não tem validade. Mas sem esse registro
não terá eficaz sobre terceiro.

Art. 1.639. É lícito aos nubentes, antes de celebrado o casamento, estipular, quanto aos
seus bens, o que lhes aprouver.
§ 1o O regime de bens entre os cônjuges começa a vigorar desde a data do casamento.
§ 2o É admissível alteração do regime de bens, mediante autorização judicial em pedido
motivado de ambos os cônjuges, apurada a procedência das razões invocadas e
ressalvados os direitos de terceiros.

- Enunciado 635, CJF.


Art. 1.655: O pacto antenupcial e o contrato de convivência podem conter cláusulas
existenciais, desde que estas não violem os princípios da dignidade da pessoa humana, da
igualdade entre os cônjuges e da solidariedade familiar.
OBS. Provimento nº 100/2020 do CNJ = permite que o pacto antenupcial seja
realizado por meio digital ou eletrônico, observando-se os seguintes requisitos:

→ videoconferência notarial para captação do consentimento das partes

→ concordância expressada pelas partes com os termos do ato notarial

→ assinatura digital pelas partes, exclusivamente pelo e-notariado

→ assinatura digital do Tabelião com certificado digital ICP-Brasil

OBS. A falta de assentamento (registro civil ou na JUCESP) acarreta a nulidade do


pacto? NÃO! Ele apenas não terá efeito erga omnes.

OBS. E se o pacto for nulo? Vigorará o regime legal.


OBS. A nulidade do pacto afeta o casamento? NÃO! 
C) Conteúdo (Pacto)

- relações econômicas dos cônjuges


Regimes de bens = relações econômicas
- art. 1.655, CC
Art. 1.655. É nula a convenção ou cláusula dela que contravenha disposição absoluta de lei.

- casos de nulidade:
- alteração da ordem de vocação hereditária
- afastar o regime da separação obrigatória
- venda de imóveis sem a outorga conjugal
OBS. CUIDADO! Salvo no regime da separação absoluta de bens, a alienação de bens
imóveis depende da autorização do outro cônjuge (pouco importa se o bem é anterior
ao casamento e, em tese, não se comunicaria), nos termos do artigo 1.647, I, CC.
OBS. Adoção do regime na participação final nos aquestos - art. 1.656, CC.
Art. 1.656. No pacto antenupcial, que adotar o regime de participação final nos aqüestos,
poder-se-á convencionar a livre disposição dos bens imóveis, desde que particulares.

O artigo 1.656 é uma exceção, se adotar o regime de participação final nos aquestos eu
posso dispensar autorização do outro cônjuge para realizar uma venda de umas bem
imóveis. Só se admite essa manobra de dispensar autorização do outro se for no regime de
participação final de aquestos.
OBS. O pacto antenupcial pode conter cláusula que tenha por objeto um conteúdo
existencial, como regras relativas à boa convivência do casal? Enunciado 635, CJF.
Obs.: Boa convivência do casal? Tudo que se relaciona com o bom convívio do casal
pode se inserido no pacto, por exemplo divisão de tarefas, dormi juntos/separados.
O pacto antenupcial e o contrato de convivência podem conter cláusulas existenciais,
desde que estas não violem os princípios da dignidade da pessoa humana, da igualdade
entre os cônjuges e da solidariedade familiar.

Ex.: Pode colocar uma clausula que os cônjuges podem não pagar alimentos após a
separação? Não, porque atinge a dignidade humana.
Ex.: O nosso regime é comum de bens, mas os nubentes tem um pacto antinupcial com
uma clausula que os bens adquiridos antes do casamento não se comunicarão.
Art. 1829 a ordem das sucessõees
Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte: (Vide Recurso Extraordinário
nº 646.721) (Vide Recurso Extraordinário nº 878.694)
I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este
com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens
(art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não
houver deixado bens particulares;
II - aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge;
III - ao cônjuge sobrevivente;
IV - aos colaterais.

Ex.: De caso de nulidade, no pacto mudar as ordens das sucessões dos herdeiros, nesse
caso é nulo.

Vendas de imóveis: Precisa sempre da autorização do cônjuge, mas o imóvel foi adquirido
antes do casamento não posso vender? Pode vende desde que tenha autorização do outro
cônjuge, pois enquanto estiver na constância do casamento necessita da autorização do
outro cônjuge e caso não tenha corre o risco de anulabilidade.

Art. 1647
Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem
autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta:
I - alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis;
II - pleitear, como autor ou réu, acerca desses bens ou direitos;
III - prestar fiança ou aval;
IV - fazer doação, não sendo remuneratória, de bens comuns, ou dos que possam integrar
futura meação.
Parágrafo único. São válidas as doações nupciais feitas aos filhos quando casarem ou
estabelecerem economia separada.

D) Facultatividade

- somente será necessário se os nubentes optarem por regime diverso do legal


- a adoção pelo regime legal se dá nos autos do processo de habilitação - art. 1.640,
P.U, CC
O pacto é facultativo. O pacto só é obrigado se você for adicionar regime diverso do
legal. (O regime legal é de comum parcial de bem)
Nos próximos atos de habilitação é feito adoção (escolha) do regime de bens.

12.2.2.3) Mutabilidade justificada do regime adotado - art. 1.639, § 2º, CC


Art. 1.639. É lícito aos nubentes, antes de celebrado o casamento, estipular, quanto
aos seus bens, o que lhes aprouver.
§ 1 º O regime de bens entre os cônjuges começa a vigorar desde a data do
casamento.
§ 2 º É admissível alteração do regime de bens, mediante autorização judicial em
pedido motivado de ambos os cônjuges, apurada a procedência das razões invocadas e
ressalvados os direitos de terceiros.
- mediante decisão judicial
- pedido formulado por ambos os cônjuges
- não pode haver prejuízo a terceiros - ex: apresentar certidões negativas do
fisco, de protesto e de distribuições de ações
- procedimento: art. 734, §§ 1º a 3º, CPC
- intervenção do MP
- efeitos ex nunc “deste momento em diante “(a alteração não retroage à data da
celebração do casamento)
- para ter efeitos erga omnes precisa ser averbado no Registro Civil e Junta Comercial
Pode mudar o regime de bem? Sim, pode através de uma ação judicial, o pedido tem
que ser formulado por ambos os cônjuges. Necessário apresentação de um motivo
justo para a modificação. (A preocupação se essa mudança é para prejudicar terceiro
(credores), precisa provar que não tem débitos ficais/devendo em praça (devendo).
Para que a celebração tenha efeito precisa averbar no cartório civil e jucesp (no jucesp
se for empresário) (cópia da sentença e fazer averbação)

 Os efeitos começam a valer a partir da sentença entre as partes “os cônjuges”,


mas para ter efeitos perante terceiros precisa estar averbado
12.2.2.4) Imediata vigência do regime de bens
- vigora desde a data do casamento - art. 1.639, § 1º, CC - ESSA REGRA NÃO PODE SER
NEGOCIADA ENTRE OS CÔNJUGES
§ 1o O regime de bens entre os cônjuges começa a vigorar desde a data do casamento.
Não pode colocar termo de vigência (ex.: Até dois anos após a celebração a separação
de bem só será valido, após dois anos) não pode mencionar a vigência do regime, a lei
descrê que a vigência é desde a celebração do casamento.
12.2.3) Regime da Comunhão Parcial

- regime legal: art. 1.640, CC


Art. 1.640. Não havendo convenção, ou sendo ela nula ou ineficaz, vigorará, quanto aos
bens entre os cônjuges, o regime da comunhão parcial.
Parágrafo único. Poderão os nubentes, no processo de habilitação, optar por qualquer dos
regimes que este código regula. Quanto à forma, reduzir-se-á a termo a opção pela
comunhão parcial, fazendo-se o pacto antenupcial por escritura pública, nas demais
escolhas.

- exclui da comunhão os bens que os consortes possuem ao casar ou que venham a


adquirir por causa anterior e alheia ao casamento
Os bens anteiros não se comunica com a vigências do casamento (são chamados de
bens individuais) e aqueles bens que são adquiridos na constância do casamento tem
comunicação (é serão dívidos)
A) Bens incomunicáveis - art. 1.659, CC
Art. 1.659. Excluem-se da comunhão:
I - os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância do
casamento, por doação ou sucessão, e os sub-rogados em seu lugar;
II - os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em
sub-rogação dos bens particulares;
III - as obrigações anteriores ao casamento;
IV - as obrigações provenientes de atos ilícitos, salvo reversão em proveito do casal;
V - os bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de profissão;
VI - os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge;
VII - as pensões, meios-soldos, montepios e outras rendas semelhantes.

Bens que não podem ser divididos mesmo durante a vigência do casamento.

1) Os que cada cônjuge possuir ao casar e os que lhe sobrevierem, na constância do


casamento, por doação ou sucessão e os sub-rogados em seu lugar

OBS. Bens objeto de herança se comunicam? NÃO, uma vez que já havia a expectativa
de direito (quanto à abertura da sucessão) antes do casamento (causa anterior).
O ônus de provar que o bem foi adquirido antes do casamento é do cônjuge (dono do
bem)
2) Os adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges, em sub-
rogação dos bens particulares.
Sub-rogado = pessoal/real. Pessoal = substituição do devedor, real = substituição do
bem/coisas. Paguei a divida de alguém e estou sub-rogando no lugar de alguém.
São aqueles adquiridos por um dos cônjuges na constância do matrimônio em
substituição aos bens que já possuía antes da constituição do casamento, ou
adquiridos com recursos exclusivos, também anteriores à celebração do vínculo.

Isso não é automático, se o imóvel está sendo comprando sobre sub-rogação, esse
apartamento tem uma matricula, na hora do registro tem que constar expressamente
na matricula que é um móvel sub-rogado. (se não colocar vai ter que dividir o bem.)

3) As obrigações anteriores ao casamento.


Ex.: Dividas anteriores não se comunica.

4) As obrigações provenientes de atos ilícitos, salvo reversão em proveito do casal.


Ex.: Apenas um cônjuge responde, ou seja, aquele que casou o ato ilícito, por exemplo,
acidente de trânsito. Só se comunica se for para reverter em favor do casal, por
exemplo, uma dívida paga o valor vai integrar os bens dos cônjuges.

5) Os bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de profissão.

6) Os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge (salários, vencimentos,


aposentadoria, FGTS, PIS)
OBS. O tema é polêmico, mas há entendimento no sentido de que a
incomunicabilidade seria só do direito à percepção dos proventos, que, uma vez
percebidos, integrarão o patrimônio do casal, passando a ser coisa comum.
OBS. RESP 646.529 = verbas trabalhistas se comunicam = Ao cônjuge casado pelo
regime de comunhão parcial de bens é devida à meação das verbas trabalhistas
pleiteadas judicialmente durante a constância do casamento.
O direito da percepção é seu, mas quando você recebe é do casal, para que haja ação
das verbas trabalhista tem que acontecer durante a constância do casamento.

OBS. E o FGTS? De acordo com o STJ, deve ser reconhecido o direito à meação dos
valores depositados em conta vinculada ao FGTS auferidos durante a constância da
união estável ou do casamento celebrado sob o regime da comunhão parcial ou
universal de bens, ainda que não sejam sacados imediatamente após a separação do
casal ou que tenham sido utilizados para aquisição de imóvel pelo casal durante a
vigência da relação (RESP 1.399.199/RS).
7) As pensões, meio-soldos, montepios e outras rendas semelhantes

→ Meio-soldo: é a metade do soldo (parcela relativa ao posto, graduação e por


adicionais e gratificações) paga pelo Estado a militar reformado.
→ Montepio: é a pensão que o Estado paga aos herdeiros do funcionário falecido
8) Bens cuja aquisição tiver por título uma causa anterior ao casamento -

Ex.: venda anterior de imóvel a crédito, cujo valor só é pago na constância do


casamento; ação reivindicatória art. 1.661, CC proposta antes do casamento.
Art. 1.661. São incomunicáveis os bens cuja aquisição tiver por título uma causa anterior ao
casamento.

B) São comunicáveis

1) Os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso, ainda que só em


nome de um dos cônjuges
OBS. art. 1.662, CC = os bens móveis presumem-se adquiridos na constância do
casamento (presunção juris tantum = válida até prova em contrário.) “Se você não
consegue provar que o bem foi adquirido antes do casamento se presume que o bem
foi adquirido na constância do casamente e nesse caso terá que dividir o bem.”
Art. 1.662. No regime da comunhão parcial, presumem-se adquiridos na constância do
casamento os bens móveis, quando não se provar que o foram em data anterior.
2) Os adquiridos por fato eventual (jogo, aposta, rifa, loteria), com ou sem concurso de
trabalho ou despesa anterior.
Ex.: Ganhei na mega da virada tem que se divido, independentemente se o outro
cônjuge ajudar a pagar ou não.

3) Os adquiridos por doação, herança ou legado, em favor de ambos os cônjuges

4) As benfeitorias em bens particulares de cada cônjuge


OBS. Desde que haja presunção de que foram feitas com o produto do esforço comum.
5) Os frutos (civis ou naturais) dos bens comuns ou dos particulares de cada cônjuge,
percebidos na constância do casamento, ou pendentes ao tempo de cessar a
comunhão
Ex.: Tenho um imóvel adquirido antes do casamento e decido alugar esse imóvel, neste
caso o valor do aluguel tem que ser divido os regimentos dos alugueis.

C) Quanto ao passivo (dividas)

- Cada consorte responde pelos próprios débitos, desde que anteriores ao casamento,
pelo fato de os patrimônios conservarem-se separados - art. 1.659, III, CC

- As dívidas contraídas no exercício da administração do patrimônio comum são de


responsabilidade de ambos - art. 1.663, § 1º, CC (Ex.: Divida do IPTU do imóvel do
casal)

- As dívidas, contraídas por qualquer dos cônjuges na administração de seus bens


particulares e em benefício destes, não obrigam os bens comuns - art. 1.666, CC.
(FGV - 2017 - OAB - Exame de Ordem Unificado - XXIII - Primeira Fase) Arlindo e Berta
firmam pacto antenupcial, preenchendo todos os requisitos legais (é valido), no qual
estabelecem o regime de separação absoluta de bens. No entanto, por motivo de
saúde de um dos nubentes, a celebração civil do casamento não ocorreu na data
estabelecida.
Diante disso, Arlindo e Berta decidem não se casar e passam a conviver maritalmente.
Após cinco anos de união estável, Arlindo pretende dissolver a relação familiar e
aplicar o pacto antenupcial, com o objetivo de não dividir os bens adquiridos na
constância dessa união.
Nessas circunstâncias, o pacto antenupcial é
A) válido e in(FGV - 2015 - OAB - Exame de Ordem Unificado - XVIII -
Primeira Fase) Roberto e Ana casaram-se, em 2005, pelo regime da
comunhão parcial de bens. Em 2008, Roberto ganhou na loteria e, com os
recursos auferidos, adquiriu um imóvel no Recreio dos Bandeirantes. Em
2014, Roberto foi agraciado com uma casa em Santa Teresa, fruto da
herança de sua tia. Em 2015, Roberto e Ana se separaram.
 
Tendo em vista o regime de bens do casamento, assinale a afirmativa
correta.
A Apenas o imóvel situado em Santa Teresa deve ser partilhado, sendo o imóvel situado no Recreio
. dos Bandeirantes excluído da comunhão, por ter sido adquirido com o produto de bem advindo de
fato eventual.

B Nenhum dos dois imóveis deverá ser partilhado, tendo em vista que ambos são bens particulares
. de Roberto.

C Os imóveis situados no Recreio dos Bandeirantes e em Santa Teresa são bens comuns e, por isso,
. deverão ser partilhados em virtude da separação do casal.

D Apenas o imóvel situado no Recreio dos Bandeirantes deve ser partilhado, sendo o imóvel situado
. em Santa Teresa bem particular de Roberto.

. (valido, pois preenche todos os requisitos. Ineficaz, pois não foi celebrado o
casamento então tem eficaz entre as partes.)

B) válido e eficaz.

C) inválido e ineficaz.

D) inválido e eficaz.
12.2.4) Regime da Comunhão Universal

- instaura um estado de indivisão, de modo que cada cônjuge passa a ter o direito à
metade ideal do patrimônio comum - art. 1.667, CC.
A) São excluídos da comunhão:

1) Os bens doados ou herdados com cláusula de incomunicabilidade e os sub-rogados


em seu lugar
OBS. A cláusula de incomunicabilidade pode ser quebrada? De acordo com o
STJ, é possível, visto que a cláusula tem que ser interpretada com um um
benefício/proteção aos donatários, de modo que, se lesa os interesses destes, torna-se
inócua.
OBS. Bens doados com cláusula de reversão - art. 547, CC.
OBS. Os aluguéis retirados por um dos cônjuges em relação a um imóvel
recebido com cláusula de incomunicabilidade são comunicáveis.
2) Bens gravados de fideicomisso e o direito do herdeiro fideicomissário, antes de
realizada a condição suspensiva

- O fideicomisso é uma situação em que o testador (fideicomitente) determina que o


fiduciário deve, por sua morte ou a certo tempo, ou condição, transmitir o bem ao
fideicomissário.

→ Fiduciário: é o titular de um domínio resolúvel e o fideicomissário é o titular de um


direito eventual, pois, se o fideicomissário falecer antes do fiduciário, caduca o
fideicomisso, consolidando-se a propriedade nas mãos do fiduciário - art. 1.958, CC.
3) As dívidas anteriores ao casamento, salvo se provierem de despesas com seus
aprestos, ou reverterem em proveito comum

4) As doações antenupciais feitas por um dos cônjuges ao outro com cláusula de


incomunicabilidade

5) Os bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de profissão

6) Os proventos do trabalho pessoal de cada consorte (vide item da comunhão parcial)

7) As pensões, meio-soldos, montepios e outras rendas semelhantes (vide item da


comunhão parcial)
8) Os bens de herança necessária a que se impuser a cláusula de incomunicabilidade -
art. 1.848, CC
12.2.5) Regime da participação final nos aquestos

- durante o casamento há uma separação convencional de bens, e, no caso de


dissolução da sociedade conjugal, algo próximo de uma comunhão parcial de bens

- finda a união, cada cônjuge terá direito a uma participação daqueles bens para os
quais colaborou para aquisição, devendo provar o esforço patrimonial para tanto (art.
1.672, CC)  FLÁVIO TARTUCE
OBS. Venda de bens imóveis → art. 1656, CC.
OBS. Em qual momento será verificado o montante dos aquestos? ART. 1.683,
CC = no momento em que tiver cessado a convivência.
OBS. Durante a vigência do regime matrimonial, o cônjuge pode renunciar o
seu direito à meação? ART. 1.682, CC = NÃO!!
→ São excluídos da participação:
1. os bens anteriores ao casamento e os sub-rogados em seu lugar
2. os obtidos por  cada cônjuge por herança, legado ou doação
3. débitos relativos a esses bens
→ Relação com os credores

- Presume-se (juris tantum) que, perante terceiros, os móveis encontrados em poder


do casal pertencem ao cônjuge-devedor, para facilitar a execução do crédito pelo
credor, salvo se o bem for de uso pessoal do outro - ART. 1.680, CC.

→ Aquisição de bem pelo esforço comum

- Se os bens forem adquiridos pelo trabalho conjunto, cada um dos cônjuges terá
direito a uma quota igual no condomínio ou no crédito - art. 1.679, CC
12.2.6) Regime da separação de bens

- é aquele em que cada consorte conserva, com exclusividade, o domínio, posse e


administração de seus bens presentes e futuros e a responsabilidade pelos débitos
anteriores e posteriores ao matrimônio

OBS. O que pode ser feito pelo cônjuge que teve seu patrimônio atingido por
restrição judicial em razão de dívida do outro? Poderão lançar mão do remédio
processual dos embargos de terceiro para obter o levantamento da penhora → ART.
674, § 2º, I, CPC.

→ Espécies

A) Obrigatório ou legal

- Das pessoas que celebrarem o casamento com infração das causas suspensivas
- Da pessoa maior de 70 anos
OBS. E se os nubentes já viviam há muitos anos em união estável? Enunciado
261 da III Jornada de Direito Civil do CJF.

- De todos os que dependerem, para casar, de suprimento judicial - arts. 1.517, 1.519,
CC

B) Separação convencional

- Pura ou absoluta: é a que estabelece a incomunicabilidade de todos os bens


adquiridos antes e depois do matrimônio.

- Limitada ou relativa: circunscreve-se aos bens presentes, comunicando-se os frutos e


rendimentos futuros.
OBS. Súmula 377, STF: Tanto no regime da separação legal quanto no regime da
separação convencional, comunicam-se os adquiridos na constância do casamento,
desde que tal aquisição seja onerosa e resulte de esforço comum, como
reconhecimento de uma verdadeira sociedade de fato.

(FGV - 2020 - OAB - Exame de Ordem Unificado XXXI - Primeira Fase) Aldo e Mariane
são casados sob o regime da comunhão parcial de bens, desde setembro de 2013. Em
momento anterior ao casamento, Rubens, pai de Mariane, realizou a doação de um
imóvel à filha. Desde então, a nova proprietária acumula os valores que lhe foram
pagos pelos locatários do imóvel.
No ano corrente, alguns desentendimentos fizeram com que Mariane pretendesse se
divorciar de Aldo. Para tal finalidade, procurou um advogado, informando que a
soma dos aluguéis que lhe foram pagos desde a doação do imóvel totalizava R$
150.000,00 (cento e cinquenta mil reais), sendo que R$ 50.000,00 (cinquenta mil
reais) foram auferidos antes do casamento e o restante, após. Mariane relatou,
ainda, que atualmente o imóvel se encontra vazio, sem locatários.
Sobre essa situação e diante de eventual divórcio, assinale a afirmativa correta.

A) Quanto aos aluguéis, Aldo tem direito à meação sob o total dos valores.

B) Tendo em vista que o imóvel locado por Mariane é seu bem particular, os aluguéis
por ela auferidos não se comunicam com Aldo.

C) Aldo tem direito à meação dos valores recebidos por Mariane, durante o
casamento, a título de aluguel.
D) Aldo faz jus à meação tanto sobre a propriedade do imóvel doado a Mariane por
Rubens, quanto sobre os valores recebidos a título de aluguel desse imóvel na
constância do casamento.
(FGV - 2015 - OAB - Exame de Ordem Unificado - XVIII - Primeira Fase) Roberto e Ana
casaram-se, em 2005, pelo regime da comunhão parcial de bens. Em 2008, Roberto
ganhou na loteria e, com os recursos auferidos, adquiriu um imóvel no Recreio dos
Bandeirantes. Em 2014, Roberto foi agraciado com uma casa em Santa Teresa, fruto
da herança de sua tia. Em 2015, Roberto e Ana se separaram.

Tendo em vista o regime de bens do casamento, assinale a afirmativa correta.

A) Os imóveis situados no Recreio dos Bandeirantes e em Santa Teresa são bens


comuns e, por isso, deverão ser partilhados em virtude da separação do casal.

B) Apenas o imóvel situado no Recreio dos Bandeirantes deve ser partilhado, sendo o
imóvel situado em Santa Teresa bem particular de Roberto.

C) Apenas o imóvel situado em Santa Teresa deve ser partilhado, sendo o imóvel
situado no Recreio dos Bandeirantes excluído da comunhão, por ter sido adquirido
com o produto de bem advindo de fato eventual.

D) Nenhum dos dois imóveis deverá ser partilhado, tendo em vista que ambos são
bens particulares de Roberto
Com base no Código Civil, julgue o item a seguir.

O pacto antenupcial por escritura pública é necessário ao casal que escolher o


regime da comunhão universal, o da separação absoluta de bens ou o da
participação final nos aquestos.

A) Certo

B) Errado
(Ano: 2020 Banca: FCC Órgão: TJ-MS Prova: FCC - 2020 - TJ-MS - Juiz Substituto) Em
relação ao direito patrimonial entre os cônjuges:

A) é obrigatório o regime da separação de bens no casamento da pessoa maior de


sessenta anos.
B) é admissível a livre alteração do regime de bens, independentemente de
autorização judicial, ressalvados porém os direitos de terceiros.

C) podem os cônjuges, independentemente de autorização um do outro, comprar,


mesmo que a crédito, as coisas necessárias à economia doméstica, bem como obter,
por empréstimo, as quantias que a aquisição dessas coisas exigir, situações que os
obrigarão solidariamente.
D) em nenhuma hipótese pode o cônjuge, sem autorização do outro, alienar ou gravar
de ônus real os bens imóveis.

E) é anulável o pacto antenupcial se não for feito por escritura pública, e nulo se não
lhe seguir o casamento.

13) Sistema de nulidades do casamento

- os critérios e princípios do regime das nulidades dos negócios jurídicos não são
inteiramente aplicáveis, pois, se o ato nulo não produz efeito algum, tal não ocorre com o
matrimônio nulo - ART. 1.561, §§ 1º e 2º, CC.

- nulidade = efeitos ex tunc

- anulabilidade = efeitos ex nunc

13.1) Causas de nulidade

A) Infração de qualquer impedimento matrimonial - art. 1.548, II, CC

B) De quem não completou a idade mínima para casar - art. 1.517, CC (?)

13.2) Causas de anulabilidade

- A sentença anulatória terá caráter constitutivo, já que dissolve o casamento existente,


revelando uma verdade oculta.

A) De quem não completou a idade mínima para casar - art. 1.550, I (?)

B) O menor em idade núbil, quando não autorizado por seu representante legal - art.
1.550, II

→ Legitimidade

- quem tem o direito de consentir (pais, tutor) = prazo de 180 dias, contados da
data do casamento;

- pelo próprio cônjuge menor, dentro do prazo de 180 dias, contados da data em que
atingir 18 anos de idade - ART. 1.555, § 1º, CC.

B) Erro essencial quanto à pessoa do outro cônjuge - art. 1.556 e 1.557, CC

- O fato deve ser anterior ao casamento

- identidade, honra e boa fama, sendo esse erro tal, que o seu reconhecimento torne
insuportável a vida em comum ao consorte enganado

- ignorância de crime anterior ao casamento

OBS. Não se exige condenação com trânsito em julgado.

OBS. Impotência coeundi é causa de anulabilidade, mas a impotência generandi não.

- identidade física (error in corpore) e civil (identificação na sociedade)

- Ex: cônjuge sádico, viciados em tóxicos, etc.

→ Legitimidade

- somente o cônjuge enganado poderá propor a ação anulatória - art. 1.559, CC, dentro do
prazo decadência de 03 anos, contado da data da celebração do casamento (art. 1.560, III,
CC)

C) Coação

- vício de consentimento que atinge a vontade livre, decorrendo de ameaça grave, injusta e
iminente → PRAZO PARA ANULAÇÃO - 04 ANOS = 1.560, IV, CC

D) Casamento que se realiza por meio de mandatário, sem que o outro nubente
soubesse da revogação ou da invalidade do mandato

- Prazo: 180 dias, contados da data em que teve conhecimento da celebração do


casamento - art. 1.560, § 2º, CC

E) Casamento celebrado perante autoridade incompetente ratione loci (em razão do


local) e ratione persona (em razão da pessoa)

- juiz que não está em exercício ou que celebra o ato fora dos limites do seu distrito;

- prazo = 02 anos - art. 1.560, II, CC


14) Declaração da putatividade do casamento nulo e anulável

- art. 1.561, CC

- a boa-fé deve existir no instante do ato nupcial

- os efeitos civis, pessoais ou patrimoniais ocorridos da data de sua celebração até o dia da
sentença anulatória, em relação aos cônjuges e à prole, permanecerão tendo eficácia ex
tunc - art. 1.563, CC

14.1) Efeitos pessoais

- cessam os deveres de fidelidade, coabitação (?) e mútua assistência

- prevalece a emancipação (se estiver de boa-fé);

14.2) Efeitos patrimoniais

- os dois de boa-fé: os bens serão divididos equitativamente

- apenas um estava de boa-fé: o culpado perderá para o outro as vantagens econômicas,


não podendo pretender meação no patrimônio com que o cônjuge de boa-fé entrou para a
comunhão - art. 1.564, I, CC

- o pacto antenupcial será executado em favor do cônjuge de boa-fé e o culpado ainda terá
que cumprir as promessas que fez - art. 1.564, II, CC

OBS. Não havendo outros herdeiros, o cônjuge supérstite, se de boa-fé, herdará


todos os bens, desde que o óbito tenha ocorrido antes da sentença anulatória.

(FGV - 2011 - OAB - Exame de Ordem Unificado - III - Primeira Fase) João foi
registrado ao nascer com o gênero masculino. Em 2008, aos 18 anos, fez cirurgia para
correção de anomalia genética e teve seu registro retificado para o gênero feminino,
conforme sentença judicial. No registro não constou textualmente a indicação de
retificação, apenas foi lavrado um novo termo, passando a adotar o nome de Joana.
Em julho de 2010, casou-se com Antônio, homem religioso e de família tradicional
interiorana, que conheceu em janeiro de 2010, por quem teve uma paixão fulminante
e correspondida. Joana omitiu sua história registral por medo de não ser aceita e
perdê-lo. Em dezembro de 2010, na noite de Natal, a tia de Joana revela a Antônio a
verdade sobre o registro de Joana/João. Antônio, não suportando ter sido enganado,
deseja a anulação do casamento.

Conforme a análise da hipótese formulada, é correto afirmar que o casamento de


Antônio e Joana
A) só pode ser anulado até 90 dias da sua celebração.

B) poderá ser anulado pela identidade errônea de Joana/João perante Antônio e a


insuportabilidade da vida em comum.

C) é inexistente, pois não houve a aceitação adequada, visto que Antônio foi levado ao erro
de pessoa, o que tornou insuportável a vida em comum do casal.

D) é nulo; portanto, não há prazo para a sua arguição.

(TJ-SP Prova: VUNESP - 2018 - TJ-SP - Titular de Serviços de Notas e de Registros -


Provimento) Apresentado requerimento de habilitação para o casamento, constatou-
se que o nubente contava com dezessete anos de idade, mas tinha sido emancipado,
enquanto que a nubente possuía dezessete anos, porém estava sob tutela. Nesse caso
hipotético, no que concerne à autorização para contrair matrimônio, deve o Oficial do
Cartório de Registro Civil exigir autorização

A) dos genitores da nubente sob tutela ou ato judicial que a supra.

B) do tutor da nubente ou ato judicial que a supra.

C) dos genitores de ambos os nubentes ou ato judicial que a supra.

D) dos genitores do nubente emancipado, bem como de um curador especial nomeado


para a nubente sob tutela ou ato judicial que a supra.

IV - DA UNIÃO ESTÁVEL

1) Conceito

- É uma relação afetiva de convivência pública e duradoura entre duas pessoas, do mesmo
sexo ou não, com o objetivo imediato de constituição de família.

2) Requisitos - art. 1.723, CC

2.1) Publicidade

- a convivência deve ser pública, o que diferencia a união estável de uma relação
clandestina
2.2) Continuidade

- relacionamentos fugazes, sem animus de permanência e definitividade, não se convertem


em uma modalidade familiar

- se diferencia dos “casamentos por usucapião” = namoros longos

2.3) Estabilidade

- convivência duradoura entre os sujeitos, diferenciando-a da mera ficada

2.4) Objetivo de constituição de família

- é tênue e sutil a fronteira existente entre um simples namoro (relação instável sem
potencial repercussão jurídica) e uma relação de companheirismo (relação estável de
família com potencial repercussão jurídica)

OBS. Contrato de namoro: negócio jurídico firmado com o nítido propósito de


afastar o regramento do Direito de Família.

OBS. No namoro qualificado, há um objetivo  de família futura, enquanto na união


estável já existe, entrando em cena o tratamento dos companheiros (tractatus), bem como
o reconhecimento social de seu estado (reputatio).

3) Elementos acidentais

3.1) Tempo de convivência e existência de prole

- estará configurada a união estável, qualquer que seja o tempo de união do casal

- não se exige a existência de filhos

3.2) Coabitação

- não se configura indispensável - Súmula 382, STF.

4) Natureza jurídica

- De acordo com Paulo Lôbo, por ser ato-fato jurídico, a união estável não necessita de
qualquer manifestação de vontade para que produza seus efeitos jurídicos, bastando a sua
configuração fática.
5) Impedimentos

- a união estável não se constituirá se ocorrerem os impedimentos do art. 1.521, não se


aplicando a incidência do inciso VI no caso de a pessoa casada se achar separada de fato
ou judicialmente

- as causas suspensivas do art. 1.523 não impedirão a caracterização da união estável

6) Efeitos pessoais

- art. 1724, CC

a) dever de lealdade;

OBS. No casamento, exige-se fidelidade. A lealdade engloba a fidelidade, mas não


necessariamente. 

b) dever de respeito;

c) dever de assistência;

d) dever de guarda, sustento e educação dos filhos.

7) Efeitos patrimoniais

- antes não se falava em regime de bens, pois se tratava de concubinato, no entanto, com o
passar dos anos, alguns direitos foram sendo reconhecidos à concubina (ação indenizatória
de serviços domésticos prestados)

- a união passou a ser reconhecida como uma sociedade de fato - direito das obrigações

- modificação do cenário com o advento da Constituição Federal - art. 226, § 3º, CF

- nos termos do artigo 1.725, CC,  salvo  contrato  escrito  em  sentido  diverso,
consubstanciado no contrato de convivência, o regime de bens aplicável à união estável no
Brasil é o da comunhão parcial.

8) Conversão da União Estável em casamento

- De acordo com o art. 1.726, CC, a  união estável  poderá  converter-se  em  casamento, 
mediante  pedido  dos  companheiros  ao  juiz  e  assento  no Registro Civil.

9) Alteração do nome
Embora a lei apenas mencione expressamente a possibilidade de inclusão do sobrenome
do cônjuge (ou seja, no casamento) o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já reconheceu que
os companheiros em união estável também possuem esse direito. Contudo, a inclusão do
sobrenome do companheiro só é possível caso a união estável tenha sido declarada em
documento público (sentença judicial ou escritura pública) e se houver concordância de
ambos. → RESP 1.206.656/GO

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