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Necessidades e

recomendações
nutricionais da
lactante e do
lactente
Maria Cristina Pinto CRN 17725/P
Amamentação e

cólica do lactente
❖ Cólicas Infantis em crianças amamentadas
exclusivamente com LM:
• Passagem de substâncias heterólogas (formadas
por um conjunto de compostos pertencentes a
funções diferentes, mas que apresentam o
mesmo número de átomos de carbono. Ex:
Etano (C2H6), etanol (C2H6O), etanal (C2H4O) e ácido
etanoico (C2H4O2))
para o LM a partir de alimentos
consumidos pela mãe => fato comprovado.
• Relação com ingestão de leite de vaca pela
mãe.

• Cólica x quadro alérgico => saber diferenciar;


• Passagem de beta-lactoglobulina (não temos
enzima para digerar essa proteína) para o LM
=> alergia de lactente
• Bebê alimentado exclusivamente com LM =>
suspensão de uso de leite de vaca e produtos
diversos pela mãe => eliminação dos sintomas
pelo lactente.

Observações


Se a mãe não tem hábito de tomar leite:


• Não há razão para fazê-lo só por causa
da amamentação;
• Cuidados com o consumo de cálcio =>
déficit;
• Nutricionista deve avaliar necessidade
de suplementação
Se a mãe tem hábito de consumir
leite ou seus produtos:

• Sem antecedentes pessoais e/ou


familiares de alergia => não há
justificativa para suspendê-lo de sua
alimentação por queixa de cólica.

Ocorrência da Cólica

• 10 a 30% dos lactentes;
• Choro inexplicado;
• Irritabilidade;
• Choro inconsolável por +2h por dia e 3x/
semana;
• Início, em geral, 2 a 3 primeiras semanas de
vida;

Ocorrência da Cólica

• Desaparecem por volta do final do 3º mês de
vida;
• Excesso de gases, imaturidade do TGI,
hipermotilidade intestinal, estresse (familiar);
• Resposta adaptativa do lactente ao meio
externo => ETIOLOGIA MULTIFATORIAL
(próprio lactente, mãe, ambiente).

O que fazer ?

=> Alimentos considerados desencadeadores:
• Café; Chocolate; Amendoim; Refrigerantes; e,
Frutas cítricas.

=> Questiona-se, atualmente: eliminação de


alimentos da dieta materna x risco de
deficiência dietética.
Conduta Nutricional – Como

ajudar
• Antes de eliminar qualquer alimento da dieta
materna:
1- questionar as características da cólica do
lactente;
2- verificar se os intervalos das mamadas não
estão curtos, devido à técnicas inadequadas
de amamentação => sobrecarga de lactose
=> flatulência;
3- verificar todos os demais aspectos envolvidos
na amamentação.
Recomendação alimentar materna

durante amamentação

• Ingestão de líquidos com frequência;


• Alimentação rica em frutas, verduras e
legumes;
• Esclarecer que hidratação eficiente é feita com
água;
• Ingestão de bebidas alcoólicas é
contraindicada;
Recomendação alimentar materna

durante amamentação

• Esclarecer às mães a falta da necessidade de


uso de subterfúgios (alimentos específicos,
simpatias, chás, etc);

• Se possível, ingerir peixes 3x/semana =>


ômega 3 é necessário para o desenvolvimento
do sistema nervoso e retina do lactente.
Cafeína

• 1 xícara média de café = 100 – 150 mg de


cafeína.
• Níveis mais elevados no LM => 1h após o
consumo
• Consumo Máximo Diário:
• 3 xícaras = 150ml
• No lactente causa insônia e irritabilidade
Requerimentos Nutricionais na Lactação

• Lactação demanda muito nutricionalmente.


• Requer consumo aumentado da maioria dos
nutrientes.
• Lactantes que sofreram cirurgia bypass
gástrico precisam de muita atenção: níveis
baixos de Fe, Vita A, Vit D, Vit K, folato e Ca.
• A produção de leite varia de acordo com a
dieta da mãe.
Requerimentos Nutricionais na Lactação

• A composição de ácidos graxos do leite de


uma mãe reflete seu consumo dietético, além
das concentrações de Selênio, iodo, algumas
vitaminas do complexo B.
Energia

• Produção de leite 80% eficiente: 100ml de leite


(aproximadamente 75 Kcal) exige um gasto de
85 Kcal.
• Primeiros 6 meses de lactação: produção
média de 750mL/dia, com uma variação de 550
a 1.200 mL/dia.
• Produção de leite: depende da frequência,
duração e intensidade da sucção pelo lactente.
Energia

• A DRI estabelece durante a lactação 330 Kcal a


mais durante os 6 primeiros meses e 440 Kcal a
mais 6 meses de lactação em relação à mulher
não grávida.
• Obs1: mulheres obesas e com sobrepeso podem
não requerer esses valores.
• Obs2: Mulheres eutróficas que consomem menos
de 1.800 Kcal/dia podem ter a produção de leite
diminuída.
Proteínas

• A DRI sugere um adicional de 25g a 71 g de


proteína/dia para a lactação (é necessário
avaliação clínica).
Carboidratos

• A RDA para CHO é de 210g/dia: quantidade


recomendada para fornecer calorias suficientes
na dieta para volumes adequados de leite e
manter os níveis de glicose sanguínea
apropriada durante a lactação.
Lipídio

• Não há DRI para o total de lipídios durante a


lactação, pois depende da quantidade de
caloria requerida pela mãe para manter a
produção de leite.
• IA para ácidos graxos poli insaturados w6 é de
13 g/dia, w3 é de 1,3 g/dia.
• As gorduras trans devem ser evitadas.
Vitaminas e Minerais

• Vit D: depende do consumo da mãe e


exposição ao sol.
• Ca: não está relacionado ao consumo da mãe
• Iodo: pode estar relacionado ao consumo da
mãe.
• Zn: requisitos maiores na lactação, mas os
seus níveis caem no processo de lactação
normal.
ORIENTAÇÕES NUTRICIONAIS NOS PRIMEIROS
DOIS ANOS DE VIDA

• A alimentação, principalmente no 1º ano


de vida, é fator determinante na saúde
da criança. As fases iniciais do
desenvolvimento humano são
influenciadas por fatores nutricionais e
metabólicos levando a efeitos de longo
prazo na programação metabólica da
saúde na vida adulta.
PRÁTICAS ADEQUADAS DA
ALIMENTAÇÃO INFANTIL- OMS
• Fornecer quantidade de alimentos
adequada para suprir os requerimentos
nutricionais;
• Proteger as vias aéreas da criança contra
a aspiração de substâncias estranhas;
• Não exceder a capacidade funcional e
metabólica do trato gastrointestinal e dos
rins da criança.
Cuidado
• A criança é um ser em evolução e necessita de
substrato para crescer e se desenvolver
adequadamente.
1° ano- aumento de 24cm e 6000g
2° ano-aumento de 12cm e 2500g
3° ano em diante- 5 a 7cm ao ano
aquisição de capacidades psicomotoras e
neurológicas que podem ser observadas a cada
mês.
O Ministério da Saúde/Organização Pan-Americana da
Saúde adota 10 passos para alimentação saudável:

• PASSO 1

• Dar somente leite materno até os 6 meses,


sem oferecer água, chás ou qualquer outro
alimento.
PASSO 2

• Ao completar 6 meses, introduzir de forma


lenta e gradual outros alimentos, mantendo o
leite materno até os 2 anos de idade ou mais.

• Obs: Aos 6 meses de idade o leite materno


não é mais suficiente para atender a todas as
necessidades nutricionais da criança.
O lactente já apresenta maturidade fisiológica e
neurológica para receber outros alimentos:
- enzimas digestivas em quantidade
suficiente;
- aparecimento da dentição;
- desaparecimento do reflexo de protusão
da língua;
- pescoço firme.
• Oferecer água (tratada, filtrada, fervida).
• A criança tende a rejeitar as primeiras
ofertas dos alimentos: tudo é novo, a
colher, a consistência e o sabor.
• Respeitar a identidade cultural e
alimentar da região.
PASSO 3

• Ao completar 6 meses, dar alimentos


complementares (cereais, tubérculos, carnes,
leguminosas, frutas e legumes) três vezes ao
dia, se a criança estiver em aleitamento
materno.
• Três vezes ao dia: papa de fruta, papa salgada
e papa de fruta.
• Fornecem energia, proteína e micronutrientes e
preparam para a formação de hábitos
saudáveis.
• Aos 7 meses se acrescenta a 2° papa salgada.
• Ovo pode ser introduzido aos 6 meses-
considerar história familiar de alergia.
PASSO 4

• A alimentação complementar deve ser


oferecida de acordo com os horários de
refeição da família, em intervalos regulares e
de forma a respeitar o apetite da criança.
• Ao iniciar a alimentação a criança
está aprendendo a testar novos
sabores e texturas.
• Pequena capacidade gástrica: 20 a
30 ml por kg de peso.
• Intervalos regulares entre as
refeições ( 2 a 3 horas).
FATORES QUE INTERFEREM NO
AUTOCONTROLE PELA DEMANDA DE ALIMENTO

• Desconhecimento do comportamento normal


da criança;
• Dificuldade para distinguir fome de outras
causas de choro (sede, calor, frio, etc...);
• Expectativa exagerada quanto ao volume de
alimentos que a criança deve receber.
PASSO 5

• A alimentação complementar deve ser


espessa desde o início e oferecida de colher;
iniciar com a consistência pastosa (papas/
purês) e, aumentar a consistência até chegar
à alimentação da família.
• As refeições espessas têm mais
densidade energética (cal/gr) do que as
ralas (sucos e sopas), dando mais
aporte calórico às crianças que têm
estômago pequeno.
• Estímulo na função de lateralização da
língua- melhorando o reflexo de
mastigação.
PASSO 6

• Oferecer à criança diferentes alimentos ao dia.


Uma alimentação variada é uma alimentação
colorida.
• Oferecer alimentos de todos os grupos,
todos os dias.
• Carne e fígado- contém ferro e facilitam
a absorção do ferro contido nos vegetais.
• Oferecer 2 tipos de frutas por dia.
• Oferecer os alimentos separados no
prato.
PASSO 7

• Estimular o consumo diário de frutas, verduras


e legumes nas refeições.
• Frutas, legumes e verduras são as principais
fonte de vitaminas, minerais e fibras.
• As frutas devem se oferecidas in natura,
amassadas, ao invés de sucos.
• No início podem ser pouco aceitos pelas
crianças pequenas, que normalmente
preferem o sabor doce.
• São necessárias 8 a 10 exposições a um
novo alimento para que ele seja aceito
pela criança.
• As refeições não devem ser substituídas
por lácteos ou lanches.
• Não se recomenda que os alimentos
sejam muito misturados- sabores e
texturas.
PASSO 8

• Evitar açúcar, café,


enlatados, frituras,
refrigerantes, balas,
salgadinhos e outras
guloseimas, nos
primeiros anos de
vida. Usar sal com
moderação.
• Até 1 ano a criança tem a mucosa gástrica
sensível- as substâncias presentes no café,
chás, mate, enlatados e refrigerantes podem
irritá-la, comprometendo a digestão e a
absorção dos nutrientes, além de terem baixo
valor nutricional.
• Alimentos industrializados, enlatados e
embutidos contêm sal em excesso, aditivos e
conservantes artificiais.
• As frituras são desnecessárias. A fonte de
lipídeos está presente no leite, nas proteínas e
no óleo vegetal usado no cozimento dos
alimentos.
• O mel está contra-indicado no 1° ano pelo
risco do botulismo.
• O consumo deste tipo de alimento está
associado à anemia, ao sobrepeso e às
alergias alimentares.
PASSO 9

• Cuidar da higiene no
preparo e manuseio
dos alimentos;
garantir o seu
armazenamento e
conservação
adequados.
• A introdução da alimentação complementar expõe
ao risco de infecções (doença diarréica).
• Problemas:-contaminação da água e alimentos;
-inadequada higiene pessoal e utensílios;
-alimentos mal cozidos;
-contato com insetos, pó e animais;
-temperatura de conservação inadequada
PASSO 10

• Estimular a criança doente e convalescente a


se alimentar, oferecendo sua alimentação
habitual e seus alimentos preferidos,
respeitando a sua aceitação.
• A anorexia na criança doente é um fenômeno
universal e pode persistir além do episódio da
doença.
ESTRATÉGIAS

• Manter o aleitamento materno;


• Aumentar a frequência das refeições;
• Oferecer alimentos prediletos;
• Ricos em calorias;
• Em consistência que facilite a deglutição;
• Flexibilizar horários e regras alimentares.
FERRO

• Sua deficiência se associa a:

- anemia ferropriva;
- retardo do DNPM (desenvolvimento
neuropsicomotor);
- diminuição das defesas;
- queda da capacidade intelectual e motora.
• Uso do ferro profilático:
RN prematuros e baixo peso – 2mg/kg dos 30
aos 60 dias. Depois, como as outras crianças.
com LM – 1 a 2mg/kg dos 6 aos 18 meses
sem LM – 1 a 2mg/kg dos 4 aos 18 meses.
Biodisponibilidade do ferro:
produtos animais – 22%
produtos vegetais – 1 a 6%
VITAMINA A

• Essencial para o crescimento e


desenvolvimento das crianças;

• Problema só nas áreas endêmicas –


estudo mostrou que a média de ingesta
no Brasil em menores de 2 anos é
adequada;
• Alimentos ricos em vit. A:
- fígado
- gema de ovo
- produtos lácteos
- vegetais e frutas cor de laranja
- folhas verde escuras
VITAMINA D

• Única das vitaminas que é sintetizada pelo


organismo, desde que haja exposição solar.
• Sua deficiência causa o raquitismo.

• Profilaxia
- exposição à luz solar (5 a 7 min/dia)
- suplementação com vit. D, nos meses de inverno, no
sul- 400UI/dia
Esquema alimentar para criança
amamentada:
Esquema alimentar para criança não
amamentada
Conceitos

• Alimentação Complementar: alimento


nutritivo oferecido à criança em adição
ao leite materno.

• Alimentação Complementar Oportuna:


introduzida a partir do sexto mês de
vida.
Conceitos

• Alimento de transição: preparado


especialmente para a criança

• Alimento consumido pela família e


modificado para atender as habilidades
da criança.
PRÁTICAS DE ACONSELHAMENTO

• Estimule a mãe/cuidador a falar


sobre como estão alimentando a
criança;
• Elogie;
• Informe;
PRÁTICAS DE ACONSELHAMENTO

• Sugira;
• Confirme o entendimento; e
• Marque consulta de
acompanhamento.

Desvantagens da introdução precoce


• Substituir o leite materno


• Déficit de nutrientes
• Aumenta risco de doença
• Aumenta risco de gravidez

Desvantagens da introdução tardia


• Retardo do crescimento e
desenvolvimento
• Aumenta risco de desnutrição
• Aumenta risco de anemia
Características dos alimentos adequados

• Ricos em energia e
micronutrientes (Fe, Zn, Ca, Vit
A, Vit C e folatos)
• Isento de germes patogênicos,
toxinas ou produtos químicos
prejudiciais.
Características dos alimentos adequados

• Sem muito sal ou condimentos;


• De fácil consumo e boa aceitação pela
criança;
• Quantidades apropriadas;
• Fáceis de preparar a partir de alimentos da
família; e
• Custo aceitável para a maioria das famílias.

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