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QUINTILHA NARRATIVA

HERANÇAS AFRICANAS HISTORIOGRAFIA ENSINO DE HISTÓRIA


Tradição Oral e Religiosidade Literatura e Narrativa histórica Devemos trabalhar áfrica em sala de aula?
HERANÇAS AFRICANAS
Miguel Mariano Vilela

TRADIÇÃO ORAL
Quando paramos para pensar herança dentro do contexto África, automaticamente
somos direcionados a pensar escravidão, racismo e religião, elementos esses que na
maioria das vezes se resumem a toda a base de conhecimento que temos sobre todo um
continente que vive na raiz das veias brasileiras. Pouco se sabe e pouco se busca saber
sobre África, e isso, talvez por conta de toda a lógica colonizadora europeia que ainda
tanto nos alimenta.
Vez ou outra caímos no erro de traçar uma análise sobre uma herança específica como
algo que represente todo o continente africano, como por exemplo a capoeira, que é
descrita e entendida por muitos de nós como uma prática que acontece em qualquer
canto do território continental africano, minimizando e inviabilizando toda uma cultura
que se expande em 54 países. Além de extremamente equivocada, essa linha de
pensamento só continua reforçando o que o filósofo Friedrich Hegel defende lá em 1830,
caracterizando o povo africano como um povo primitivo e dando margem para toda uma
geração de pesquisadores se escorar nessa teoria eurocêntrica e colonizadora.
ORALIDADE COMO HERANÇA
A oralidade e a história contada, para nós brasileiros poderia hoje ser reconhecida com patrimônio cultural da história do

nosso povo, pois a mesma, é a principal responsável por manter nossas tradições e nossos costumes, para que muito tempo depois,

esses pudessem se tornar fonte de pesquisa para o meio acadêmico. Embora a história tenha tamanho impacto de importância

como fonte de conhecimento e tradição, muitas vezes sua prática é negligenciada e menosprezada perante a escrita documentada,

e isso provavelmente, por conta de uma elitização da produção de conhecimento.

É bastante comum dentro de famílias afro brasileiras os membros mais velhos relatarem histórias de escravidão vividas por

seus pais ou seus avós, essas histórias em sua maioria são contadas por senhoras e senhores iletrados e passadas de geração a

geração através da oralidade, fazendo com que a narrativa daquele negro escravizado não deixe de existir já que sua história

documentada lhe foi negada lá atrás. Este exemplo ilustra bem a importância da história contada e como ela está imersa em nosso

cotidiano, e além dessa situação em específico, o folclore brasileiro também pode exemplificar acertadamente uma narrativa que

seria perdida se não fosse o uso da oralidade como tradição e costume pedagógico de expansão de conhecimento.

Como pudemos perceber, o uso da história oral está presente nas narrativas das civilizações, e quando pensamos em África,

essa realidade não se torna diferente, pelo contrário, segundo o mestre tradicionalista Amadou Hampâté Bâ a tradição oral e a

história contada é um fator de unidade cultural de todo o continente africano, obviamente, com suas diversas variações enquanto

prática por estarmos falando de todo um continente. Mas falando especificamente da região do Mali no oeste africano, Hampâté Bâ

vai traçar sua pesquisa salientando que ali por exemplo principalmente para os povos Bambara e Peu, a palavra é uma entidade, ou

seja, algo do campo espiritual, sendo colocado como um elemento vivo. Dessa maneira, a gente consegue entender a importância

que a palavra tem para essa civilização, nos fazendo entender que se trata de uma relação de respeito e pertencimento enquanto

sociedade.

Como já mencionado, estamos falando de uma herança tradicional que se coloca de maneira diferente em determinadas

sociedades. No livro ‘’O mundo se despedaça’’ do nigeriano Chinua Achebe, a oralidade se coloca presente como prática de

transmissão de conhecimento para o clã Ibo, povo protagonista da narrativa. Esse clã preza a valorização das vivências ancestrais, e

materializa a oralidade como principal responsável pela formação dos homens.

Por fim, concluímos entendendo que a oralidade e a história contada é uma herança de cada civilização, uma herança passada de

pai pra filho a gerações, uma herança também africana e também negra, uma herança decolonial e de resistência.

‘’A escrita é uma coisa, e o saber, outra. A escrita é a fotografia do saber, mas não o saber em si.
O saber é uma luz que existe no homem. A herança de tudo aquilo que nossos ancestrais vieram a
conhecer e que se encontra latente em tudo o que nos transmitiram, assim como o boabá já existe
em potencial em sua semente.’’

Tierno Bokar
RELIGIOSIDADES
João Gabriel Mayer

A religiosidade africana se mostra como uma singular visão


sobre o mundo, as dinâmicas e fenômenos naturais e as
relações entre humanos e desses com os deuses. Trata-se de
uma tradição religiosa diversa, reflexo que é da pluralidade
cultural e étnica que é marca do continente africano. Mesmo
assim, as variadas religiosidades encontram semelhanças entre
si, semelhanças essas que tornam a religião presente em cada
momento da vida tradicional, e são verdadeiros pilares do
pensamento, sentimento e ser religioso dos africanos. A religião
em África é marcada pela impossibilidade de se separar a
esfera religiosa das demais esferas da existência: os plantios e
colheitas, os ritos de passagem, as orientações em tempos de
dificuldades, os rituais coletivos e a as tradições que organizam
a forma de se estar no mundo e constituir um corpo social;
todas essas experiências e qualquer que se possa imaginar
estão permeadas pela religião e justificados dentro dessa
vivência religiosa. A vida compreendida pela religiosidade
africana não se finda com a morte, sendo essa a passagem
para um outro plano, que mantém suas relações com o mundo
dos vivos. Os laços não são desfeitos, e os descendentes do
falecido prestam-lhe honras e respeitos em terra e têm em
seus ancestrais verdadeiros guias que os acompanham e
orientam É tido de grande importância que os vivos honrem
seus ancestrais, respeitem as tradições que praticaram ao
igualmente viverem-nas, mantendo-nas e mantendo sua
própria linhagem, formando um ciclo de gerações que estão
profundamente ligadas, por meio da continuidade de suas
tradições, de suas relações e seu respeito pela genealogia.

Existe certa hierarquia das divindades, sendo Acima de todas as “classes espirituais” se
que a comunicação com o mundo espiritual encontra o grande deus criador, que se
se dá geralmente por meio das interações com relaciona com os homens não por uma relação
os espíritos dos ancestrais, que como já vimos, quase que direta, mas pela sua onipresença
transitam e dialogam de diversos modos com em tudo o que constitui a própria vida, já que
o mundo dos vivos. Nessa hierarquização, os essa tem naquele a sua origem. Certos ofícios
deuses vêm logo abaixo dos ancestrais, da tradição bambara tem correlação com os
podendo ser guardiões de espaços físicos e feitos de Maa, - deus criador na percepção
processos naturais, de práticas e ritos religiosa dessa tradição, durante o processo de
necessários à vida comunitária; podem ser criação e do homem, que teve sua gênese na
acompanhantes dos seres humanos, cada qual figura do Maa Ngala, criação e interlocutor de
com seu “chi” pessoal, como exposto por Maa - e por isso tais ofícios são dotados de
Chinua Achebe em “O Mundo se despedaça”. elevada sacralidade. Dentre eles, é possível
Diversas são as ações humanas que podem citar o ofício do ferreiro. As palavras, nessa
desagradar ou honrar certa divindade e muitas cosmovisão e em outras existentes em África,
são as cerimônias coletivas em adoração e tem o poder de reverberar a criação de Maa,
agradecimento aos deuses. Ocorre realizada pelas forças criadoras que delas
representação dessas divindades e ancestrais provêm. Ao conceder ao Maa Ngala, de quem
por meio de figuras e artefatos totêmicos, mas toda a humanidade será descendente, a força
tais totens não são as divindades em si. divina e criadora das palavras se mantém.
Por meio da palavra se transmite as sabedorias ancestrais, as formas de se estar no
mundo e se organizar em sociedade. Assim, o valor da palavra para a tradição
africana é inestimável, pois é a própria base dessa tradição. Diante seu caráter
essencial, criador e motor, a palavra é dirigida sempre cuidadosamente para que
contenha a verdade em si, de natureza religiosa, divina e ancestral, na medida em
que mantém viva sua cultura e religiosidade. Os organismos sociais, a hierarquia
dentro das comunidades e etnias, a ordenação do tempo, as atividades produtivas,
o próprio funcionamento da sociedade estavam em sincronia com essa
cosmovisão, herança dos antepassados e por isso mesmo do próprio deus. Toda
vida social e individual, portanto, se apoiava se orientava pelas bases da tradição e
religiosidade. Essas não eram estáticas ou imutáveis, mas mantinham sua forma e
sua essência por essa intrincada rede de relações. A continuidade tradicional
africana sofreu dilacerantes fissuras durante a ocupação colonial, que se utilizou
como mecanismo para submeter os povos africanos justamente o ataque à sua
tradição religiosa e por conseguinte sua cultura. A religiosidade cristã, com suas
institucionalizações e dogmas, acabava por desmerecer e desrespeitar a tradição
africana, considerando-se superior a essa, e se mostrava incompatível com essa, na
medida em que seu objetivo era exatamente subjugar tal forma religiosa em
benefício da sua. Uma das incompatibilidades se dá pela teologia cristã considerar
possível separar as esferas secular e espiritual, um aspecto que logo de início irá
produzir tensões e atritos, e que afasta da possibilidade real o diálogo entre essas
religiosidades. Ocorre a imposição de uma série de estruturas coloniais:
administrativas, educacionais e exploradoras, que jamais poderiam, e nem tinham
o interesse, de dialogar com as estruturas africanas nem com a sua cosmovisão
religiosa, já que nesse aparato paralelo não havia espaço para suas crenças e viver
de acordo com elas. Como bem mostrado na já citada obra de Achebe, “O Mundo
se despedaça”, a penetração dessas novas práticas e ideias que subjugaram a
forma de ser e crer dos africanos teve impactos devastadores, destruindo unidades
étnicas, desagregando e dividindo os próprios povos e linhagens e rompendo com
as formas de transmissão da tradição religiosa e cultural.

Houve um longo processo de resistências dos povos africanos frente a dominação colonial,
se utilizando de suas crenças, buscando força nas suas tradições, divindades e
antepassados, colocando a religião como um dos elementos dessa resistência ao mesmo
tempo em que se apresentava como um motivo para que se lutasse em defesa de sua
tradição. A resistência era também a da própria tradição religiosa, que se negou a
abandonar subitamente os indivíduos e descendentes daqueles que por tanto tempo nela
acreditaram, por ela se orientaram e por meio dela criaram sua existência. Kofi Asare
Opoku, proeminente estudioso das religiosidades africanas, identifica que a resistência no
campo religioso ocorre em três estágios: o de adesão, negação e adaptação, e o pensador
distingue suas atuações e os variados grupos que a praticaram no capítulo 20 do livro
sétimo da História Geral da África, intitulado “A religião na África durante a época colonial”.
A adaptação talvez manifesta de forma mais marcante a capacidade da tradição em se
tornar fluida e acompanhar os homens, seus formadores e por ela também formados.
Dessa maneira, são contemplados aspectos que dialogam

com os povos africanos, suas origens e tradições, com seu

modo de estar no mundo. É impossível considerar que a

tradição religiosa tenha recuperado toda sua

proeminência ou que tenha passado pelo processo de

colonização intocada. Mas nesse espaço se dará ênfase na

capacidade de uma cultura se ressignificar absorver as

mudanças do tempo e as impostas pelos homens e disso

tirar forças para encontrar o caminho de sua existência, de

se fazer presente na vida dos descendentes daqueles que

experimentaram tal tradição, tal religião em sua

totalidade. E não cabe condicionar a religiosidade africana

apenas à essa forma com que adaptou o cristianismo,

existindo outras maneiras que a tradição religiosa

encontrou de se manter. A religiosidade africana vem


Essa forma de resistência estabelece pontes
encontrando seu caminho de volta para o caráter
entre a religiosidade cristã e a tradição africana,
originário de suas práticas e crenças e também se
tornando possível o diálogo entre elas,
fortalece por meio da busca das origens ancestrais feitas
resguardando e ressignificando práticas e
costumes ancestrais, tornando aquela religião pelos descendentes de povos africanos escravizados. Este

“estranha” e “ exterior”, vinda da Europa e do próprio projeto, e outros que com ele se assemelham, é

homem branco, inteligível dentro de uma uma maneira de dar voz, de dirigir o olhar para as

cosmovisão particular e milenar. tradições africanas e também fortalecê-las e protegê-las.


DESCOLONIZANDO OLHARES
As experiências histórias do século XX nos
confrontam com histórias de ditaduras, guerras,
apartheid, violência, catástrofes, destruição em
Repensando a Arte massa, aniquilação, que nos impossibilita
qualquer tentativa de glorificar o passado,
fazendo com que as promessas da visão da
Larissa Christine Oliveira Ferreira
modernidade ocidental do século XIX se
escurecesse. Isto é, vemos uma quebra nas
crenças de um processo histórico evolutivo, pois,
como acreditar em evolução do tempo histórico
quando seu presente é dominado pelos traumas?
Como resultado, fechando nossas possibilidades
de futuro, passamos a nos concentrar no
presente, mas não um presente qualquer, um
presente inundado pelas memórias do passado.
Fazendo deste um lugar marcado pelas
sobrevivência, dos traumas, onde
representificamos o tempo todo esse passado de
violência.
Essa nova forma de se relacionar com o tempo é
visível devido a emergência dos discursos de
memória, principalmente do Holocausto, com
uma sensação de um "passado que não passa"
devido a imagem da dor dos eventos passados.
Temos então, a sensação de um presente
onipresente e a impossibilidade da construção e
de imaginação de um futuro que não seja
simplesmente a reprodução deste presente.

Antes de continuar, é importante pensar na formação da disciplina histórica, fundada no século XIX tem como base um
regime temporal onde o passado era algo a ser superado, sendo um estágio inferior de desenvolvimento humano, o presente como
uma etapa curta que é ultrapassada em função de um futuro visto como algo utópico e progressista. A questão é pensar como essa
disciplina histórica sendo fundamentalmente um discurso moderno e, consequentemente então, colonial e com pretensões
universais, produziu uma historiografia voltada para a formação do Estado-Nação e assim, orientada por uma sustentação de um
projeto colonial e de futuro

Levando em conta os estudos pós-coloniais e decoloniais, o processo de criação de um


sistema global, a partir das colonizações europeias, há a criação de um sistema mundo moderno
colonial com uma estrutura de poder organizada gerando a sociedade capitalista, originando a
modernidade e, consequentemente, a colonialidade. É importante pensar na noção de
continuidade pra falarmos de colonialidade, pois se argumenta que mesmo após a
descolonização temporal, a colonização não teve fim, se caracterizando por uma estrutura de
opressão violenta e combinada que mantém os países do sul global em condição periférica,
colonização suas mentes, corpos, produções de conhecimento e outros. Através dessa
hierarquização social é produzido consequentemente a marginalização de temporalidades e
organizações de vida distintas da europeia, fazendo com que elas sejam integradas nesse tempo
único, da história única. Vale ressaltar que o mundo social é construído através do discurso e
narrativa, estes passam a ser instrumentos de poder. Sobre isso, temos o poder europeu que
coloca como normal um certo sujeito, este sendo branco, hétero, cis, europeu, carregando assim
os marcadores da heteronormatividade, e excluindo da sua concepção de humano as pessoas
dissidentes dessa norma.
Esse tipo de tecnologia de poder social, aparece pensando no tempo de forma homogênea, com uma única direção possível,
acaba colocando a Europa como sujeito teórico do conhecimento e do progresso.
Uma das tecnologias de poder é a colonialidade do saber, na qual a formulação de um conhecimento científico vai ser o
instrumento mais durável de dominação social, estruturando o mundo até os dias de hoje. Diante disso, se acredita ser possível
medir a localização das culturas no tempo, colocando nações como subdesenvolvidas ou atrasadas, surgindo com isso, de
acordo Chakrabarty, a possibilidade de pensar numa divisão do mundo entre "povos com história" e os "povos sem história",
com os povos esperando, nas suas condições de destituídos de história e incivilizados, a chegada da modernidade por meio do
domínio imperial europeu e assim superando sua condição de atraso, rumo ao Estado-Nação, ao capitalismo, a civilização, as
normatizações. Tendo em vista a palestra "O perigo de uma história única" da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie
onde argumenta a importância de diversificar as fontes do conhecimento para desconstruir estereótipos e produzir
pluralidades. E, pensando a colonização na vertente da continuidade até hoje, como um lugar de dor, é importante pensar em
produções que lidem com essas demandas de justiça, reconhecimento, pluralidades, rompendo com tecnologias
disciplinadoras, estabelecendo possibilidades de novas formas de futuro, buscando lidar com a urgência dessas memórias e
desse dever ético. Pensando nisso, separamos formas diferentes de expressão artistica, fontes alternativas de tratar o passado,
possibilitando a abertura para reflexão de usos variados de representação.

Romuald Hazoumè: artista plastico, Benin


Artista multiplataforma, que só usa materiais recicláveis pra criar suas
obras, de forma politizada e ao mesmo tempo lúdica, mostrando as
convergências entre culturas. Conhecido por sua obra contínua
Máscaras, que ele, por meio de matérias recicláveis, cria rostos,
fazendo alusão às máscaras iorubás usadas para fins religiosos

Fathi Hassan: pintor, Egito

Através de sua arte experimenta com a palavra escrita e falada,


explorando o tema das línguas antigas apagadas pela dominação
colonial.

Zanele Muholi: artista plástica, África do Sul


Ativista, por meio de uma visão interseccional, indo contra o
binarismo europeu e colonizador, discute temas como gênero, raça,
identidade sexual e reconhecimento.

Scholastique Mukasonga: escritora, Ruanda

Sobrevivente do genocídio tutsi, é conhecida por suas obras


autobiográficas onde evidência as engrenagens do genocídio tutsi e
busca por meio da sua escrita um dever ético

Seydou Keïta: fotógrafo, Mali

Por meio de retratos mostra um registro da sociedade malinesa,


apresentando uma sociedade em transição entre a tradição e a
modernidade

Mayra Andrade: cantora, Cabo Verde

Sua música apresenta um continente contemporâneo consciente da


própria força e a potência de ser uma mulher africana

Nuruddin Farah: escritor, Somália

Buscando fazer um retrato de sua terra, conhecido principalmente


por seu livro Mapas, onde trata da problemática da divisão do
continente africano de acordo com as relações de poder dos
colonizadores

Léonora Miano: escritora, Camarões


Com uma narrativa angustiante busca fazer um resgate de memória
abordando temas como colonialismo, invisibilidade de minorias,
tráfico negreiro e escravidão, temas que vão ser tratados no seu mais
famoso livro A estação das sombras
ORALIDADE E NARRATIVA HISTÓRICA
A busca do terceiro continente dentro do continente esquecido
Marcio Afonso Junior
sobre o terceiro mundo é onde vejo entrar
personagens como Achebe, que por meio de
uma narrativa, um romance ficcional,
conseguiu, para mim, passar um conhecimento
histórico usando das tradições orais como
objeto de estudo, muito maior doonal,
contando como foi o encontro entre os Igbo e
europeus, mas diferente dessa visão
colonialista, Achebe da o lugar de fala, o
protagonismo, ao outro lado da moeda, nos
familiariza com o cotidiano da comunidade na
visão de Okwonko, o personagem central da
trama, e com isso temos nova perspectiva deste
encontro, uma perspectiva muito mais próxima
do leitor, que torna a leitura muito mais
agradável, um livro que a gente consegue
muitos textos acadêmicos que li. E ao me
questionar o porque disso, cheguei a conclusão
Desde o primeiro contato com a disciplina consenso em relação a isso, espero), voltada
que assim como Jablonka diz, o espaço da
da História me foi despertado uma espécie de para satisfazer a academia. E bom, o impacto
criação de obras produtoras de inteligibilidade
fascínio pela historiografia, que se trata da área que vejo disto tudo dentro dos historiadores em
tem de ser anfíbio, assim como a História tem
em que se estuda a escrita da História, e formação é a constante indagação de “ para
de ser uma ciência fundada com métodos, ela
particularmente percebi que práticas quem fazemos a história?”. E neste breve artigo
também é arte, com os romances e narrativas
ortodoxas da escrita, práticas perpassada pelas falo um pouco sobre a questão da oralidade e
que produzem inteligibilidade, e a resultante
gerações de historiadores eurocentristas e narrativa na visão de Chinua Achebe, literário
dessas produções é o segundo ponto que a
documentalistas por escolha de fonte, nigeriano, e Ivan Jablonka, historiador francês
obra de Achebe me traz, a aproximação com o
deixavam passar grande parte de informações sobre essas duas fontes de saber e o quão elas
leitor, a sensação de ser uma História tangível,
e construções da História ao ausentar a são importantes para o resgate do objetivo da
que possui representatividade e
oralidade, a narrativa e outras fontes de produção histórica e a importância de se ver a
principalmente, um rosto, um EU, uma
informações que não tratarei neste artigo. Essa História de um lugar como algo pertencente, e
valorização da tradição oral um ressignificação
negligência com as fontes nos traz a alguns não adaptado, e como bengala uso “ o mundo
da função social de se produzir história, ou um
questionamentos, de primeira mão a questão se despedaça”, livro escrito pelo próprio Chinua
resgate de sua verdadeira função, trazer
do EU, da identidade dentro do trabalho, a Achebe.
conhecimento histórico para todos. E me
minha visão como graduando, essa isenção do Chinua Achebe toca no problema da
despeço trazendo um questionamento para
autor é um dos fatores, juntamente com representatividade dentro da produção
você leitor. A tradição oral, a narrativa presente
elementos como a exclusão, ou como prefiro literária sendo opositor dessa colonialidade,
em Chinua Achebe, não seria a prática do
dizer, negligenciamento da narrativa e da esse silenciamento do lugar de fala, e ficou
terceiro continente abordado por Jablonka?
oralidade, que retiram o lugar de fala de povos muito evidenciado para mim lendo “ o mundo
que perpassam sua cultura e sua história por se despedaça”. Trata-se de uma obra ficci ler
meio dessas fontes, e tornam a máquina da em uma sentada. Ao ler o livro, me lembrei de
História monopolizada enas mãos de autores duas coisas, a primeira delas é o que Jablonka
que produzem História a partir de um mesmo fala no seu “terceiro continente” acerca de cada
ponto de vista, de uma mesma fonte, de um vez mais os historiadores saírem dessa tal zona
mesmo interesse de silenciamento que fazem de conforto da historiografia tradicional e
da produção histórica cada vez mais se afastar buscar novas formas de se produzir conteúdo, e
de quem realmente sua produção deveria ser ele aborda muito bem a questão de se existir
voltada, à população, e não um gênero dois mundos, o da literatura, romancista e o
puramente acadêmico, ou uma ciência chamado utilitário, onde se encaixam os
académica (um dia vamos chegar a um documentos, e quando ele fala justamente
consens
ÁFRICA NO ENSINO DE HISTÓRIA
Maria Beatriz de S Thiago Ragon

Quando estudamos história na escola, o Bom, essa é uma pergunta bem simples à É preciso mudar não só o conteúdo que
máximo que ouvimos falar do primeira vista, mas quando analisada mais ensinamos em sala de aula, mas toda a
continente africano é ou em relação ao a fundo, é possível perceber que ela nossa maneira de pensar a educação e,
Egito (isso quando posto enquanto contém diversas nuances e interesses por também a história. Essa clara disputa pelo
África), ou em relação à exploração do trás. Para quem é e para quem não é controle narrativa, colocando a cultura
homem branco ou, ainda, falando sobre interessante que se conte essa história? A europeia como superior que penetrou em
os movimentos de independência no resposta para essa é um pouco mais fácil: todos os aspectos do ensino. Não somos
pós guerra. Isso fez com que se não é interessante para aqueles que capazes de enxergar uma forma de
construísse no imaginário popular uma carregam a culpa. A culpa do genocídio ensinar que não essa a qual estamos
imagem de uma África empobrecida, não só de incontáveis populações, mas de acostumados. Algumas pessoas nos
sem cultura, passiva dentro de sua várias culturas. É interessante que as vozes trouxeram grandes avanços, como Paulo
própria história e meramente um daqueles que tanto foram violentados e Freire e bell hooks, mas ainda assim
expoente a ser explorado por outros oprimidos sejam silenciadas para que elas estamos longe de alcançar um modelo de
povos "mais civilizados". E o pior de tudo: não reforcem essa culpa carregada pelo ensino que se livre de fato das amarras da
o ensino de história nas escolas é um dos agressor. No caso dos africanos, esse colonialidade. No entanto, existem
principais responsáveis por essa imagem agressor é principalmente o homem algumas mudanças mais imediatas que
que se tem do continente. Ao ignorar a branco europeu. Ele desclassifica e coloca são possíveis e urgentes e devem começar
história dos povos africanos, o ensino de as populações africanas enquanto "povos a ser aplicadas em todo o currículo de
história reforça todos esses estereótipos sem história". Não tem nada de ensino de história, do ensino fundamental

que cada vez mais inerentes às pessoas. interessante lá que mereça ou seja digno ao ultimo ano do médio. E esse deve ser

Mas então, por que continuamos a não da nossa atenção. E como a nossa maneira um esforço que parta primeiro do

contar a história da África? de ensinar dentro das escolas foi moldada professor, buscando trazer a experiência
dentro dessa perspectiva eurocêntrica, o da alteridade para dentro da sala de aula,
ensino de história não poderia ser expandindo as fronteiras do
diferente. Por isso é necessária a mudança. conhecimento.
Um primeiro passo a ser dado, então, é incluir o ensino de história da
África nas escolas na prática. É preciso apontar o grande avanço que foi a
inclusão desse ponto na Base Nacional Curricular Comum, no entanto,
como ressaltado pela Associação Nacional de História (ANPUH):
"É preciso apontar que o destaque dado à área de História da África na
proposta atual da BNCC é de grande importância e fornece uma contribuição
para o ensino de História e para o enfrentamento dos atuais desafios à plena
integração social e ao exercício da cidadania no Brasil. Contudo, [...] os
conteúdos relativos a esse campo do conhecimento não contemplam toda a
complexidade das organizações sociais, culturais e políticas africanas,
necessária à compreensão da História do continente."
Ou seja, ainda é preciso mais! Precisamos falar da África pré-colonial,
explorar a grandeza de seus reinos e impérios, do poderoso Mali até povos
nômades como os tuaregues. Mostrar o avanço islâmico no continente e a
pluralidade já existente antes do contato com povos não africanos. E isso

Mas como seria possível explorar toda a ainda seria só o começo!

grandiosidade de um continente em míseros


2/3 tempos de aula que muitas vezes mal dão
conta do conteúdo já explorado em sala? Uma
importante ferramenta que pode ajudar nessa
difícil tarefa é a interdisciplinaridade. A
conversa com outras disciplinas é essencial não
só para a formação integral do conhecimento,
mas como também para expandir os
conteúdos. Usar da geografia, por exemplo,
tratando de questões como a territorialidade
(exemplo na figura ao lado), que já pertencem
a disciplina, porém, através de um outro viés,
que inclua a questão africana.

Uma outra disciplina que permite esse diálogo é o português e mais


especificamente literatura. Trazer a literatura africana para dentro de
sala de aula possibilita para além de uma diferente maneira de se
enxergar a história, mas também a possibilidade de dar voz para que
os africanos contem a sua própria história. Um romance perfeito para
isso seria "O mundo se despedaça" de Chinua Achebe. Essa obra além
de permitir uma intensa imersão na cultura nigeriana de uma tribo
igbo, que por si só já deslocaria o eixo da narrativa normalmente
contada, mostra a chegada do colonizador no continente africano,
mas não do ponto de vista do europeu, como estamos acostumados,
e sim do africano que tem as bases de sua sociedade balançada e sua
cultura colocada em xeque, mostrando a desintegração da vida tribal
e tudo que era conhecido até então por eles. Trazer essa
nova perspectiva para dentro de sala de aula mudaria a Nota da autora: Assim, é possível perceber a inegável importância do
maneira como enxergamos o continente africano, visto ensino de história da África nas escolas a fim de combater os
como "o outro", pois ajudaria a aproximar a narrativa da estereótipos propagados na sociedade e buscar trazer de fato a experiência
da alteridade, aproximando o ensino da realidade do aluno, e permitindo a
realidade do aluno pelo simples movimento de permiti-
voz para aqueles que tanto foi negado.
lo conhecê-la.
A seguir ouça nosso podcast
sobre o livro do escritor
Chinua Achebe, O mundo se

ORALIDADE
despedaça, livro que por
meio da história do
personagem Okonkwo e
uma comunidade ficcional,
vai fazer um retrato cultural
de um período onde a
colonização começa a
avançar para o interior do
continente africano, com
sua religião, suas leis, seu
modo de vida,
desintegrando uma cultura
e fagocitando a vida das
tradições tão queridas por
Okonkwo.

Abra com a câmera do


seu celular e você será
direcionado para o
nosso podcast
Com o objetivo de ilustrarmos melhor
elementos culturais das civilizações
africanas, decidimos construir um canal
no YouTube com o objetivo de fazermos a
leitura de alguns contos do livro do
professor congolês Butoa Balingene
‘’Alguns Contos Africanos’’ publicado em
2016. Muitas das vezes, esses contos são
passados de geração a geração através
da oralidade e da memória de um povo,
sem necessariamente ter tal história
escrita ou documentada. A experiência
de acessar tais histórias por meio da
escuta ao invés da leitura, nos coloca em
um papel de reflexão sobre o uso da
palavra como forma de transmissão de
conhecimento cultural.

Abra com a câmera do


seu celular, e você será
direcionado para nosso
canal no Youtube

CONTOS AFRICANOS
A E Q U I P E

Márcio Maria Beatriz Larissa

Graduando em Licenciatura Graduanda em Licenciatura Graduanda em Licenciatura


em História-7ºperíodo em História - 3º período em História - 7º período
Matrícula: 201728013 Matrícula: 202011033 Matrícula: 201711040

João Gabriel Miguel

Graduando em Licenciatura Graduando em Licenciatura


em História-2ºperíodo em História-7ºperíodo
Matrícula: 202011009 Matrícula: 201711054
UFJF HISTÓRIA DA AFRICA 2020.2

BIBLIOGRAFIA
ACHEBE, Chinua. O mundo se despedaça. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
ADICHIE, Chimamanda Ngozi. O Perigo de Uma História Única. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
ABREU, Marcelo; RANGEL, Marcelo. Memória, cultura histórica e ensino de História no mundo contemporâneo.
História e Cultura, Franca, v. 4, n. 2, p. 7-24, set. 2015.
ÁVILA, Arthur. “Povoando o presente de fantasmas”: feridas históricas, passados presentes e as políticas do tempo
de uma disciplina, Revista Expedições, v. 7, n.2, p. 189-209, 2017.
BALINGENE, Butoa. Alguns contos africanos. UFLA, 2016.
CARDOSO, C. F. História e Verdade. Palestra desenvolvida no âmbito da Universidade Federal Fluminense, 2012.
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UFJF HISTÓRIA DA ÁFRICA 2020.2

ANEXOS
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http://vaiali.com/blog/a-cultura-africana-e-sua-importancia-na-constituicao-social-pt-1/
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https://medium.com/brasil-in-the-darkness/laibon-os-ex%C3%B3ticos-mortos-vivos-africanos-de-vampiro-a-m%C3%A1scara-63c4adf81b2e
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https://raizafricana.wordpress.com/2009/08/21/serie-orixas/
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http://www.soseul.pe.kr/xe/index.phpmid=Aura&document_srl=20410&listStyle=viewer&search_target=regdate&search_keyword=201110&l=de
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https://www.artskop.com/artist/romuald-hazoume-119
https://en.wikipedia.org/wiki/Fathi_Hassan
https://awarewomenartists.com/en/magazine/zanele-muholi-portrait-dune-lionne-noire/
https://veja.abril.com.br/blog/meus-livros/o-dever-da-memoria-da-autora-que-sobreviveu-ao-genocidio-de-ruanda/
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https://expresso.pt/cultura/2019-02-17-Mayra-Andrade-Sinto-me-mais-forte-do-que-ha-10-anos
https://www.bozar.be/en/activities/111046-nuruddin-farah
https://mundonegro.inf.br/leonora-miano-esta-no-brasil-esse-mes-para-promover-romance/
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https://educezimbra.wordpress.com/2019/06/01/griots-os-contadores-de-historias-da-africa-antiga/
https://www.nytimes.com/2013/03/23/world/africa/chinua-achebe-nigerian-writer-dies-at-82.html
PAG. 10:
http://turmadahistoria.blogspot.com/2019/09/griots-os-contadores-de-historias-da.html
PAG 11:
https://www.todamateria.com.br/africa-pre-colonial/
https://www.planocritico.com/critica-o-mundo-se-despedaca-de-chinua-achebe/
PAG 12:
Ilustração para a coluna da filósofa e curadora Keyna Eleison para revista do Goethe Institut/C&. 2019
https://www.google.com/doodles/chinua-achebes-87th-birthday
PAG 13:
https://www.resenhando.com/2020/12/gratis-sesc-sp-lanca-literatura-livre.html
PAG 14:
Campanha matrícula UNOi. 2014 >> https://br.pinterest.com/pin/295900638014739635/