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Influência de William Blake na Poesia de Ian Curtis

Influence of William Blake on Ian Curtis’ Poetry

2004
Saulo Alencastre

Palavras-chave: poesia inglesa, romantismo, rock and roll.

Keywords: English poetry, romanticism, rock and roll.


Agradeço à professora Mayra Rodrigues Gomes, pelo apoio intelectual e por tê-la conhecido;
ao professor John Milton pela atenção e pelos pontos de vista divergentes; à minha avó
paterna pelo apoio; ao meu amigo Bruno Bortoli Brigatto pela ajuda em conseguir o material
de pesquisa e clarear certas opiniões; ao meu amigo Felipe Dreher pelas discussões sobre o
tema; e finalmente à minha amiga Sandra Campos Rodrigues pela confirmação de algumas
idéias.

Thanks to Professor Mayra Rodrigues Gomes, for the intellectual support and for having met
her; Professor John Milton for the attention and the diverging points of view; my fatherly
grandmother for the support; my friend Bruno Bortoli Brigatto for the help in getting the
research material and in clarifying certain opinions; my friend Felipe Dreher for the discussions
over the themes; and finally my friend Sandra Campos Rodrigues for confirming some ideas.
Síntese

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Este ensaio visa o reconhecimento das vias mentais que podem ter levado os pensamentos de
William Blake, com mais ou menos força, até Ian Curtis. Após uma exposição de temas acerca
de seus trabalhos e suas vidas, comparam-se dialeticamente as obras de ambos os autores, em
um esforço para identificar pontos comuns em um nível mais profundo do discurso. Também
são abordados, para fins de estudo, alguns conceitos artísticos e culturais, inter-relacionando
idéias aparentemente distantes.

Abstract

This essay is a survey of the mental ways that may have led William Blake’s thoughts, in lesser
or greater power, to Ian Curtis. After an exposition of themes surrounding their works and
their lives, it dialectically compares the oeuvres of both authors, in an effort to identify
common points in a deeper level of the discourse. It also boards, for study purposes, some
artistic and cultural concepts, inter-relating apparently distant ideas.

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Nota

O presente ensaio foi originalmente redigido em língua inglesa. Na conversão para o


português, tomei a liberdade de traduzir os títulos das obras e as citações, visto que os textos e
nomes originais estão inclusos na redação em inglês. Os itálicos nas citações foram colocados
para fins explicativos. As referências bibliográficas não foram traduzidas, encontrando-se no
final do ensaio em inglês.

Note

The italics in the quotes were placed for explanatory purposes.

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Influência de William Blake na Poesia de Ian Curtis

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Pois não consideramos as coisas que são vistas, mas as coisas que não são vistas: pois as coisas
que são vistas são temporais; mas as coisas que não são vistas são eternas.

Paulo, o Apóstolo, Segunda Epístola aos Coríntios, 4:18.

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Introdução

O romantismo, como escola de arte, é caracterizado por alta subjetividade, imaginação,


paisagens de sonhos, ruptura formal com padrões clássicos, temas industriais e urbanos bem
como espirituais, referências a arte gótica, a busca por liberdade, e pode ser visto, de fato,
como uma mudança de paradigma na feitura da arte, do grande cuidado com a perfeição da
forma a uma mais introspectiva expressão da alma. Melancolia, noite, escuridão, solidão e
sentimentos humanos são usuais na produção romântica. Ao mesmo tempo em que reflete o
vazio do mundo material, conforme a sociedade dá menos importância à religião, ele aponta às
altas esferas dos ideais platônicos. Alguns dos seus poetas mais representativos, como Percy
Bysshe Shelley e Lorde Byron, contudo, tiveram uma vida bastante curta e desafiadora da
moral, em paralelo com artistas do rock and roll do século XX.
Viver rápido morrer jovem, o lema do rock and roll, poderia bem ter sido dito por um
poeta do século XIX. Muitos poetas românticos e do rock and roll morreram precocemente:
Álvares de Azevedo, por exemplo, morreu aos vinte, John Keats, aos 25, Shelley aos 29,
Byron, 36, Jimi Hendrix, Janis Joplin e Kurt Cobain morreram aos 27. Temas industriais e
urbanos são usuais no rock, bem como tons melancólicos, especialmente após os anos de
1970. O uso de drogas é também muito relevante aqui: levar a sensibilidade aos seus extremos
– fazer qualquer coisa para conseguir essa nova sensação. E, acima de tudo, a busca romântica
por liberdade é muito presente no rock and roll, pois ele é realmente uma grito por liberdade
numa sociedade hipócrita. Também, referências góticas são comuns tanto no rock como no
romantismo. Mas o ritmo é cada vez mais rápido, e as luzes artificiais são mais coloridas e
brilhantes no século XX.
Sobre arte gótica, um ponto importante uma vez que influenciou tanto o romantismo
quanto o rock and roll, é um estilo tradicional nascido na Idade Média com a catolização dos
povos bárbaros do oeste e norte europeu. Essencialmente, é uma forma de expressão cristã-
bárbara, cujos maiores exemplos são as monumentais igrejas góticas da Alta Idade Média.
Caracterizada por temas espirituais, alto nível de detalhe, uso indistinto de formas grotescas e
sublimes, e uma inexprimível profundidade inerente aos seus trabalhos, ela é, de fato, um
nome impreciso. Como diz Martindale,

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Sempre é sábio ser cauteloso com o uso da palavra ‘gótico’. A caça por ‘características góticas’ é
estorvada desde o início pela natureza vaga e imprecisa do termo. Como bem é sabido, ela foi
primeiramente aplicada à arte nos séculos XVI e XVII com sentido depreciativo para denotar arte
que em geral possuísse uma aparência pré-renascentista e não-italiana. Nunca foi uma palavra de
descrição precisa, uma vez que foi cunhada por homens que não estavam interessados em fazê-la
precisa. Significava, com efeito, ‘bárbaro’.

Talvez devido ao crescimento industrial e urbano da sociedade, o desenvolvimento da


cultura de massa e o estabelecimento de comunicações mais velozes, entre outros fatos da
história dos últimos dois séculos, a alma humana – com permissão dos psicólogos – em geral
ficou mais distante da natureza, poeticamente falando, o que é visto em sintomas sociais como
altas taxas de depressão e suicídio, e refletido em expressões artísticas. Enquanto na Idade
Média a consciência social era dominada pelas idéias espirituais da Igreja, conforme a ciência se
desenvolvia e o capitalismo emergia ela foi se afastando das idéias espirituais em direção à
realidade empírica e sensorial – citando Harvey, “o grande fracasso do mundo moderno, que
ele permitiu se divorciar da vida”. De Deus como centro do universo, o homem mudou o
centro para si próprio e, daí, para as finanças.
A alma humana, oprimida e perdida no labirinto de suas próprias criações, procura um
escape, que pode ser a expressão artística. Como a tecnologia evoluiu entre as eras romântica e
do rock and roll, obviamente há diferenças nas formas de produção de suas expressões, a
principal sendo o uso da eletricidade que o rock faz. As drogas usadas pelos artistas
desenvolveram-se também, sendo quimicamente sintetizadas, tornando-se mais poderosas e
destrutivas. Ainda assim, de um ou outro modo, a alma humana é essencialmente a mesma. E,
sendo assim, tem essencialmente as mesmas necessidades através das eras. Como os tempos
evoluíram, também o fez o romantismo, e o rock and roll surgiu em seu século. Ambas as
formas de expressão criticam essencialmente os mesmos aspectos da sociedade: a hipócrita
moral civil que regula a sociedade burguesa, a desumanização das formas de produção, e o
poder terreno da Igreja. Claro que há diferenças, no século XX a Igreja tinha perdido algo de
sua força enquanto o capitalismo se solidificava mais. Mas o movimento ainda é o mesmo, o
rock and roll é um desenvolvimento do romantismo.
O objetivo deste presente trabalho é encontrar similaridades nos discursos das obras
escritas de William Blake e Ian Curtis, considerando a hipótese de uma influência de Blake no

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trabalho de Curtis. Como artistas ingleses, distantes no tempo aproximadamente um século e
meio, eles têm, para começar, uma base cultural nacional comum. É desconhecido se Curtis
literalmente leu Blake ou diretamente viu uma de suas pinturas, mas no tempo em que Curtis
viveu a popularidade de Blake havia crescido admiravelmente. Assim, como Blake influenciou
a cultura em geral, no mínimo uma influência indireta de seu trabalho alcançou Curtis.
O estudo da influência de William Blake na poesia de Ian Curtis pode ser também
tomado por um estudo amostrador da influência da alta cultura na baixa cultura, sendo Blake,
como um dos primeiros poetas românticos, um representante da alta, erudita cultura, e Curtis,
como um compositor de rock and roll, da cultura popular de massa. Como a arte está além de
categorizações, não há limites reais entre alta e baixa cultura; por exemplo, se um artista pop lê
um livro clássico ele absorve sua influência em sua mente inconsciente e pode aplicá-la em seus
trabalhos, mesmo que não esteja consciente dos mecanismos por trás da construção do livro
clássico. O inverso é verdadeiro: se um pintor erudito escuta uma canção popular sua mente
inconsciente sofre uma influência que pode surgir em seus próximos trabalhos. Então o
presente estudo, através de um recorte restrito do universo, desenvolve também esta idéia.
Como ponto de partida, algo sobre as vidas deles será abordado.

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Capítulo 1: Sobre William Blake

William Blake nasceu em Londres, Inglaterra, em 28 de novembro de 1757, o segundo de


cinco filhos e uma filha. Pintor, poeta, gravador, escritor e místico, adquiriu fama como artista
revolucionário e visionário somente após a morte, sendo aclamado como um dos maiores
poetas ingleses de todos. Praticamente desconhecido em vida, no século XX tornou-se popular
entre os adeptos da contracultura – beatniks, hippies e artistas e filósofos vanguardistas – tendo
sido largamente estudado e interpretado pela academia em tentativas de encontrar significados
simbólicos em sua obra. Morreu em 12 de agosto de 1827, enquanto ainda trabalhava nas
ilustrações a aquarela para a Divina Comédia de Dante. Apesar de Blake nunca ter ido mais longe
de Londres do que sessenta milhas, seu trabalho desvela e explora um mundo infinito de
imaginação e revelação.
Diz-se que desde cedo Blake teve experiências místicas como “visões” de e
“conversações” com figuras bíblicas, bem como escutava vozes sobrenaturais – citando a
Academy of American Poets, “aos quatro anos ele viu Deus colocar sua cabeça pela janela; por
volta dos nove, enquanto andava pelo campo, ele viu uma árvore cheia de anjos”. Mais tarde
em sua vida, no Catálogo Descritivo da exposição de 1809, ele declarou que

O Artista tendo sido levado em visão até as repúblicas antigas, monarquias e patriarcados da Ásia,
viu aqueles maravilhosos originais chamados nas Escrituras Sagradas de Querubins, que eram
esculpidos e pintados nas paredes dos Templos, Torres, Cidades, Palácios, e erigidos nos altamente
cultivados estados do Egito, Moabe, Edom, Aram, entre os Rios do Paraíso, sendo originais para os
quais os gregos e etrúrios copiaram Hércules, Farnese, Vênus de Médice, Apolo Belvidere, e todos
os grandes trabalhos de arte antiga. [...] O Artista se empenhou em emular a grandeza daqueles
apreendidos em sua visão, e em aplicá-la a Heróis modernos, numa escala menor. (Número II, Seu
Companheiro)

Blake de início estudou em casa, onde aprendeu a ler e escrever principalmente com
sua mãe; aos dez anos, como demonstrava uma inclinação para as artes, matriculou-se na
escola de desenho de Henry Pars, encorajado por seu pai. Embora ele não tenha cursado a
escola regular, era bem versado em arte e poesia grega e latina, além de inglesa, e começou a

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escrever bem cedo. Aos quatorze tornou-se aprendiz do gravador James Basire, por sete anos.
Nessa atividade foi profundamente influenciado pela arte e arquitetura gótica, de acordo com
William Blake Online “Blake foi mandado à Abadia de Westminster [uma igreja gótica famosa]
para fazer desenhos das tumbas e monumentos. Lá aprendeu a amar a arte gótica. Ele subia
nas tumbas para vê-las melhor e até fez esboços quando a cova de Edward I foi aberta”. Após
o aprendizado, em 1779, com 21 anos, Blake entrou na Academia Real de Artes, mas não ficou
lá por muito tempo, embora tenha exposto algumas pinturas pela instituição. Então passou a
exercer a profissão de gravador, que garantiu seu modesto sustento pelo resto da vida.
Em agosto de 1782 casou-se com Catherine Boucher, a filha analfabeta de um
jardineiro. Blake a ensinou a ler e escrever, e ela ajudou-o com as pinturas e gravuras mais
tarde. Em 1783 seu primeiro livro, Esboços Poéticos, o único não gravado ou iluminado, foi
publicado com a ajuda de seus amigos. Ele apresenta poemas e canções, uma peça dramática
intitulada “Rei Edward Terceiro”, juntamente com alguns textos em prosa, e no geral mostra a
influência dos gregos e romanos, bem como de Shakespeare, no jovem Blake. Na época até
mesmo se falou em levantar fundos para ma ndar Blake a Roma, onde ele estudaria os mestres
renascentistas Raphael e Michelangelo. Mas logo ele desiludiu-se com o círculo social de seus
amigos, o qual satiriza no nãopublicado Uma Ilha na Lua. Em 1784 seu pai morreu.
Blake associou-se ao seu colega aprendiz James Parker para tocar uma venda de
impressos, mas a parceria terminou em 1787, o mesmo ano em que seu amado irmão mais
novo, Robert Blake, morreu. William ajudou-o em seus últimos dias, e “disse ter visto seu
espírito passar pelo teto no caminho para o céu” (William Blake Online). Nessa época ele
começou a trabalhar nas gravuras com sua mulher em casa, publicando Todas as Religiões são
Uma e Não Há Religião Natural, em 1788, que sintética e poderosamente delineiam os princípios
do pensamento de Blake. Em 1789 publicou Canções da Inocência e o Livro de Thel, que mostram
um Blake neoclássico, árcade, muito pastoral e bucólico, e também escreveu o não publicado
Tiriel. As gravuras foram feitas usando placas de cobre, e então pintadas manualmente com
aquarela, assim publicando seu próprio trabalho em poucas cópias artesanais, sendo cada peça
única. “Blake disse que o espírito de Roberto veio a ele ‘numa visão na noite’ e revelou a
técnica secreta de combinar poema e pintura numa única placa de impressão.” (William Blake
Online)
Os anos seguintes foram os mais criativos e produtivos da vida de Blake. Em 1790 ele
terminou seu livro central, O Matrimônio do Céu e do Inferno, no qual usou verso e prosa num

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esforço de expor a realidade velada, os reinos do Gênio Poético, abusando de referências
bíblicas com uma abordagem original dos textos sagrados, contrária à da Igreja, e introduz seu
próprio universo mítico desenvolvido em outros trabalhos. Por situações oníricas, Blake
caminha no fogo do inferno, conversa com os profetas Isaías e Ezequiel e com um anjo que se
torna um demônio, descreve uma conversa entre um anjo e um demônio, e traz os Provérbios
do Inferno e asserções sobre a verdade última. O Matrimônio do Céu e do Inferno também
comenta o Paraíso Perdido de John Milton e cita Dante e Shakespeare como fontes de
verdadeira sabedoria, enquanto condena a Analítica de Aristóteles como um limitador de visão,
assim sendo um trabalho de denso conteúdo filosófico bem como de belos cenários poéticos.
Em 1791 Blake escreveu A Revolução Francesa, seu poema mais político, considerado
perigoso demais para ser publicado. Em 1793 publicou sua última tentativa comercial, Os
Portões do Paraíso para Crianças (reeditado em 1818 como Para os Sexos: Os Portões do Paraíso), e os
primeiros livros proféticos iluminados, Visões das Filhas de Albion e América: Uma Profecia. Em
América Blake usou seu universo mítico para contar eventos do seu tempo (a Revolução
Americana) numa escala cósmica. Em 1792 sua mãe morreu. Em 1794 ele publicou sua
coleção de poemas Canções da Inocência e da Experiência: Mostrando os Dois Estados Contrários da
Alma Humana, uma segunda edição para Canções da Inocência (1789) com uma coleção de
poemas inteiramente nova, as Canções da Experiência, incluída. As Canções da Experiência mostram
um Blake bem mais sombrio, desiludido com os males do mundo e a cegueira dos homens. No
mesmo ano ele publicou Europa: Uma Profecia e O Primeiro Livro de Urizen, seguidos em 1795 por
A Canção de Los (composta pelos poemas continentais África e Ásia), O Livro de Ahania e O
Livro de Los. Em 1795 também começou a escrever o seu primeiro poema épico, Vala (mais
tarde revisado e renomeado como Os Quatro Zoas), o qual não foi publicado até quase um
século após sua morte, mas é essencial para sua obra, e algumas partes dele aparecem nos
épicos posteriores. Além desses livros, no mesmo período ele trabalhou num grande número
de ilustrações a aquarela (que eram comercializadas muito mais facilmente), compondo uma
produção assombrosa. Em 1797 terminou a série de 537 aquarelas para os Pensamentos Noturnos
de Edward Young. Ele pintou muitas outras aquarelas e têmperas também.
Em 1800 Blake mudou-se para Felpham, uma vila costeira, com a mulher e a irmã, para
trabalhar perto e sob a patronagem de William Hayley. Num primeiro momento Blake
deliciou-se com a atmosfera litorânea e os campos abertos, onde ele teria visões místicas mais

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claras e escutaria melhor as vozes, como demonstra em sua carta ao amigo John Flaxman, de
21 de setembro de 1800:

Felpham é um doce lugar para Estudar, pois é mais Espiritual que Londres. O Céu abre aqui em
todos os lados seus Portões dourados, suas janelas não são obstruídas por vapores. Vozes dos
habitantes Celestiais são muito mais distintamente ouvidas & suas formas mais distintamente vistas
& meu Chalé é também a Sombra de suas casas.

Mas ele irritou-se e sentiu-se reprimido pelos vizinhos vãos e pela sociedade de Hayley,
e em três anos voltou para Londres, o que ele comenta na sua carta para o amigo Thomas
Butts , de 25 de abril de 1803:

Agora posso dizer a você o que talvez eu não devesse ousar dizer a mais ninguém. Que eu somente
posso voltar a prosseguir com meus estudos visionários sem perturbação em Londres & que eu
possa conversar com meus amigos na Eternidade. Ver Visões, Sonhar Sonhos, & profetizar & falar
Parábolas sem ser observado & livre das dúvidas de outros Mortais.

Ele também teve um mal-entendido com um soldado, que terminou num julgamento
em Chichester em janeiro de 1804, no qual foi absolvido das acusações – o soldado havia
acusado-o de dirigir palavras desrespeitosas ao rei.
De volta a Londres, Blake começou a trabalhar nas suas maiores impressões
iluminadas: Milton e Jerusalém. De acordo com Weissman, “a mente de Blake dá outra volta,
além das alucinações auditórias de Os Quatro Zoas para a escrita automática de Milton e
Jerusalém”. Nesse período ele tornou-se mais e mais desiludido com seus trabalhos comerciais,
ficando muito desapontado com suas finanças. Seus trabalhos incluem as ilustrações para o
Paraíso Perdido, e ele publicou seu épico Milton Um Poema pela primeira vez em 1808. Pretendido
a ser publicado em doze livros, como se lê no frontispício, apenas o primeiro e o segundo
livros foram feitos. Blake inspirou-se profundamente nos trabalhos de Milton, o que faz dele o
melhor exemplo para a “ansiedade de influência” de Harold Bloom, isto é, que cada poeta
forte teria um (ou mais) pai poético. No poema, o próprio Milton volta à Terra para corrigir
algumas de suas asserções, fazendo do livro uma revisão ou interpretação dos trabalhos do
poeta, mas não limitado a isso, conforme Blake expande sua mitologia pessoal e sua exposição

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de pensamentos, em passagens brilhantes como nesta em que expõe o conceito de vórtice
(chapa 15 ou 17):

A natureza do infinito é esta: Que toda coisa tem seu


Próprio Vórtice; e uma vez um viajante da Eternidade
Tenha passado esse Vórtice, percebe-o rolar por trás
De seu caminho, num globo que envolve a si próprio; como um sol:
Ou como uma lua, ou como um universo de majestade estelar,
Enquanto ele segue em frente a sua maravilhosa jornada na terra
Ou como uma forma humana, um amigo com quem viveu benevolente.
Como o olho do homem vê o leste & oeste abrangendo
Seu vórtice; e o norte & sul, com todas suas estrelas;
Também o sol nascente & a lua poente ele vê rodeando
Seus milharais e seus vales de quinhentos acres quadrados.
Assim é a Terra um plano infinito, e não como aparece
Ao fraco viajante confinado abaixo da sombra lunar.
Assim é o céu um vórtice já passado, e a terra
Um vórtice não passado ainda pelo viajante da Eternidade.

Em 1808 ele expôs algumas de suas aquarelas na Academia Real. Em 1809, aos 51
anos, Blake fez uma exposição de dezesseis pinturas na casa de seu irmão James, mas atraiu
muito pouca atenção e críticas desfavoráveis, ainda assim, seu Catálogo Descritivo tornou-se
bastante celebrado entre seus trabalhos muito após sua morte. Os anos subseqüentes foram
um período de pobreza na vida de Blake, apesar de todos os seus esforços ele continuou
vivendo em isolamento enquanto trabalhava por seu próprio interesse. Em 1812 mostrou
várias pinturas na última exposição da Associação dos Artistas de Aquarela. Durante esses anos
gravou as cem chapas de seu magnífico poema épico final, Jerusalém, do qual apenas seis cópias
são conhecidas, e apenas uma colorida. Ele foi impresso em 1820. Em 1818 Blake escreveu O
Evangelho Perpétuo, que permaneceu inacabado, e no mesmo ano conheceu John Linnell, um
jovem artista que tornou-se seu patrão e deu-lhe novo interesse em seu trabalho, e lançou uma
nova, revisada, edição de Portões do Paraíso, com o subtítulo de Para os Sexos.
Os últimos anos da vida de Blake foram mais tranqüilos. Sua arte encontrou
reconhecimento entre alguns jovens artistas, que chamavam-se Os Antigos e que tornaram-se
seus amigos. Em 1821 trabalhou nas famosas Ilustrações para o Livro de Jó, e publicou seu último

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livro iluminado, O Fantasma de Abel, um diálogo endereçado a Lorde Byron. Em 1824 começou
as ilustrações para a Divina Comédia, um trabalho ao qual se dedicou tanto a ponto de aprender
italiano para ler os originais. Em 1826 gravou Laocoonte (baseado na famosa escultura
helenística), seu último impresso, morrendo em 1827, com quase setenta anos, enquanto ainda
trabalhava nas ilustrações para a Comédia. A arte de Blake desses últimos anos demonstra uma
maior dedicação à figura de Jesus Cristo, identificado com a própria arte e a imaginação.
Considerado um dos primeiros poetas românticos, William Blake foi tomado por louco
e foi aclamado profeta. Sua vasta obra, das primeiras canções neoclássicas aos posteriores
épicos místicos, apresenta uma extraordinária unidade e coesão. Criando sua própria mitologia
Blake tornou-se o homem verdadeiro de Todas as Religiões são Uma, um poeta antigo, como
aqueles das eras primitivas, antes que a escrita ou a religião fossem sequer pensadas, e tudo era
natureza e a consciência do homem era mais harmonizada com ela. De acordo com O
Matrimônio do Céu e do Inferno,

Os Poetas antigos animaram todos os objetos sensíveis com Deuses ou Gênios, chamando-os pelos
nomes e adornando-os com as propriedades das madeiras, rios, montanhas, lagos, cidades, nações, e
o que quer que seus amplos & numerosos sentidos pudessem perceber. E particularmente eles
estudaram o gênio de cada cidade & cada país, colocando-o sob sua deidade mental. Até que um
sistema foi formado, do qual alguns tomaram vantagem & escravizaram o vulgo pela tentativa de
perceber ou abstrair as deidades mentais de seus objetos: assim começou o Sacerdócio. Escolhendo
formas de adoração de contos poéticos. E com o tempo eles pronunciaram que os Deuses tinham
ordenado tais coisas. Assim os homens se esqueceram que Todas as deidades residem no peito
humano.

Como um poeta antigo, Blake teria composto uma religião em seu trabalho – a “Bíblia
do Inferno” citada no mesmo livro pode ser sua obra iluminada na totalidade –, provando que
todos os textos religiosos são derivados de poesia ancestral, primitiva, e alertando quão
obscura a percepção do homem tinha se tornado. Seu trabalho visionário transcenderia a
própria arte, inspirando seus admiradores a olhar as deidades dentro de seus próprios peitos.
Talvez em sua loucura ele podia ver o eterno brilho divino em tudo, e estava tentando mostra-
lo em suas pinturas e poesia. Blake costumava dizer que escrevia de acordo com o Espírito
Santo. Em minha opinião, ele acessava partes obscuras da mente, sendo mais consciente de sua
própria mente inconsciente, isto é, do Deus dentro dele. De acordo com Ferrara, “Pode ser

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sugerido, então, que Blake experimentou a Iluminação (A Visão Divina) e expressou-a em
símbolos e na linguagem disponível a ele por sua herança cultural ocidental”. De uma forma
ou de outra, William Blake foi um artista sincero e singular; seus olhos e sentidos, além das
restrições de localidade e tempo, olhavam para a eternidade.

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Capítulo 2: Sobre Ian Curtis

Ian Kevin Curtis nasceu em Manchester, Inglaterra, em 15 de julho de 1956, e alcançou a fama
por suas apresentações como vocalista da banda punk Joy Division. Ícone definitivo da cultura
gótica pop, ele também é a figura principal de todo o movimento de música pop de
Manchester que começou no fim dos anos de 1970 e exerceu uma influência pesada na cultura
pop mundial fazendo da cidade uma referência internacional. Curtis cometeu suicídio
enforcando-se aos 23 anos, às vésperas de uma turnê da Joy Division pelos EUA, deixando
esposa e filha.
Criado na pequena cidade de Macclesfield, Inglaterra, Curtis interessou-se por música
rock and roll durante toda a sua adolescência, inclusive tentando formar uma banda com seus
colegas de escola, inspirado pelos ídolos Iggy Pop e Lou Reed (cuja apresentação presenciou
em 1973 em Liverpool). Durante os anos escolares ele usou algumas drogas recreativas no
tempo livre, tendo seu estômago lavado algumas vezes. Bom aluno, História e Divindade eram
de seu especial interesse. Quanto à família, ele tinha um pai policial, mãe e uma irmã menor.
Apesar de ter uma vida social regular, ele era um tanto recluso e obscuro; encantado pelo
glamour do estrelato do rock chegou até a falar sobre morrer jovem para sua então namorada
Deborah, com quem se casou em 1975. Ela diz, em Tocando à Distância:

Quando ‘Todos os Caras Jovens’ de Mott the Hoople chegou às paradas, Ian começou a usar suas
letras como confissão. Ele escolhia algumas músicas e letras como ‘Acelere criança, não quero
continuar vivo quando você estiver com vinte e cinco’, ou ‘Suicídio Rock and Roll’ de David Bowie,
e se deixava levar pela mágica romântica de uma morte precoce. Ele idolatrava pessoas como Jim
Morrison que morreram no auge. Esta foi a primeira indicação que qualquer um teve de que ele
estava ficando fascinado com a idéia de não viver além de vinte e poucos anos, e o início do período
de brilho e glamour em sua vida.

Tendo terminado seus estudos e casado, Curtis trabalhava de dia mas não estava feliz
com sua distância do mercado de música. Um de seus empregos foi numa loja de discos.
Assistia apresentações locais, lia a imprensa musical, viajou à França para ir a um festival punk
em 1976.

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Curtis não era um músico muito bom, mas seu gosto apurado e conhecimento amplo
da música popular, adicionado do vigoroso espírito punk de faça você mesmo, empurrou-o à
composição de músicas. Sua primeira tentativa de formar um grupo foi colocar anúncios,
obtendo então resposta de apenas um guitarrista, de nome Iain Gray. Juntos eles tentaram
fazer alguma coisa, mas não conseguiram frutos satisfatórios.
Em 1976, nos dias que seguiram as primeiras apresentações dos Sex Pistols em
Manchester, os amigos de escola Bernard Dicken (guitarra) e Peter Hook (baixo) formaram
uma banda com Terry Mason na bateria, inicialmente chamada de Stiff Kittens. Pelo fim do ano
ou começo de 1977, Curtis foi admitido como vocalista. Logo eles se renomearam Warsaw,
referência a uma música de Bowie certamente trazida por Curtis. O grupo ensaiou e fez
algumas apresentações em bares e clubes locais, crescendo como conjunto – em julho
gravaram uma demo. Mas Warsaw tinha problemas em possuir um baterista permanente,
tendo tocado com vários diferentes até que Curtis finalmente encontrou Steve Morris em
Macclesfield, que ficou definitivamente na posição.
Curtis levava a banda a sério, procurando contatos na imprensa e na indústria musical
para ajudá-los. Enquanto não tinha uma situação financeira muito confortável em casa, sempre
acreditou em seu sucesso com a banda. No começo de 1978 eles mudaram seu nome para Joy
Division e lançaram sua primeira gravação, um EP chamado Um Ideal para Viver. Então, com o
empresário Rob Gretton, sua popularidade realmente cresceu e lhes foram oferecidas mais
apresentações. Outra figura importante que ajudou a carreira da Joy Division foi Tony Wilson
da Factory Records, o selo que prensou seus discos.
No mesmo ano Ian Curtis começou a ter seus ataques grand mal – ele era epilético.
Conforme a banda tocava mais, ele se forçava mais e mais, piorando sua condição, contudo de
alguma forma controlada por medicamentos. Mas as mesmas drogas causavam efeitos
colaterais que eventualmente afetaram a psique de Curtis, e sua rotina noturna era um
impedimento para o tratamento. Em 16 de abril de 1979 sua filha Natalie nasceu.
Em junho de 1979 o primeiro LP da Joy Division, Prazeres Desconhecidos, produzido por
Martin “Zero” Hannet, foi lançado, seguido pelo compacto “Transmissão”. Curtis disse à
esposa, nas palavras dela, “que quando ‘Transmissão’ e Prazeres Desconhecidos foram lançados,
tinha atingido suas ambições. Agora não havia mais nada para ele fazer. Tudo que ele sempre
pretendeu era ter um álbum e um compacto prensado. Suas aspirações nunca tinham se
estendido a gravar ‘O Amor nos Arrasará’ ou Mais Perto”.

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Joy Division continuou seu caminho, tocando por toda a Inglaterra e parte da Europa
(Bélgica, França, Holanda, Alemanha), dando entrevistas e shows para o rádio e aparecendo na
imprensa musical. Por outro lado, a introspecção de Curtis crescia progressivamente, e ele
ficava cada vez pior. Algumas vezes ele apenas sentava para esperar um ataque. Sua condição
epilética combinada com o rápido estilo de vida rock and roll acabaram por derrubá-lo e
empurrá-lo mais baixo em sua depressão. Além disso, a família de Curtis se degradava: ele a
ignorava, e tinha um caso em turnê com outra mulher, a belga Annik Honoré.
De qualquer modo continuou a compor canções no seu quarto azul em casa. Curtis
tinha muito interesse em assuntos nazistas da Segunda Guerra Mundial, e em sofrimento
humano em geral. Ele lia regularmente. Foi dito que parecia viver em outro mundo, numa
espécie de transe, enquanto trabalhava no que viria ser sua obra-prima, Mais Perto, tão grande
era sua dedicação a ela. O álbum revela um desespero humano infinito, é um retrato do buraco
na alma do homem industrial.
Em 17 de maio de 1980, Ian Curtis foi para sua casa em Macclesfield e assistiu Stroszek
de Werner Herzog na televisão, um filme que conta a história de um europeu que vai para os
EUA e, lá, dividido entre o amor de duas mulheres, comete suicídio. Bebeu uma grande
quantidade de café e uma garrafa de uísque, e disse para Deborah passar a noite fora. Quando
ela voltou na manhã de domingo, esperando que tivesse tomado o trem para Manchester para
partir para os EUA, encontrou seu corpo ajoelhado morto na cozinha, O Idiota de Iggy Pop
ainda rodando no toca-discos. Ele tinha se enforcado.
O suicídio de Curtis aconteceu no fim de semana que antecedia o que seria a turnê da
Joy Division pelos EUA. A banda estava em seu auge, quase conquistando sucesso mundial, e
Curtis preferiu não vê-lo de fato acontecer. Menos de dois meses depois, eles lançaram o
compacto “O Amor nos Arrasará”, a sua música mais popular, e o álbum Mais Perto, mas então
a Joy Division já havia acabado. Este artigo da revista RCD não economiza elogios para o
álbum e a banda:

Mais Perto é praticamente uma inovação por música: aquele baixo impulsivo, bateria à frente,
guitarras cortantes, sintetizadores fractais, atmosferas aquáticas – eles não apenas evitaram todo o
pântano da new wave como precederam quase todo disco de goth-rock já feito e os mais frios dos
novos românticos. [...] Seu trabalho tornou-se sinônimo de torpor de quarto adolescente e inspirou
uma nação a conhecer verdadeira ‘poesia’ sobre morte, futilidade da vida e religião que parecem ser,

18
em retrospecto, algumas das melhores diversões que a adolescência pode oferecer. O resto da Joy
Division começou novamente.

As canções de Curtis em geral desenham uma busca pelo caminho, uma luta com as
emoções interiores; elas mostram um sentimento de solidão e perda que é quase palpável.
Frustração, desespero, isolamento, depressão, falta de vontade e figuras escuras das cidades
modernas junto com referências bíblicas pontuam suas linhas. Elas retratam a necessidade de
expressão de um poço de sensações restringidas numa sociedade hipócrita na qual as pessoas
são encorajadas a dar importância para valores vazios, como fama, status e sucesso financeiro –
elas são a voz de alguém gritando na imensidão plástica. Para Middles,

Curtis era especial. Numa noite boa – e você tinha que ter sorte para pegar Joy Division numa noite
boa, seu gênio era furiosamente errático – ele parecia usar a energia da platéia. Era uma sensação
estranha, estar lá em um clube suado e desalinhado, encontrando-se crescentemente intoxicado pela
intensidade bizarra criada pela banda no palco. Assistir a desajeitada dança de Curtis que, braços
abanando selvagemente, poderia levantar a atmosfera em picos ocasionais. Ninguém jamais fez uma
performance como Ian Curtis. Você deixaria a apresentação desacreditando e, no dia seguinte,
arrastaria um amigo cético por metade do país onde Joy Division estivesse tocando naquela noite.
Uma vez instalado em algum apavorante ex-salão de bingo em Coventry, ou outro lugar, Joy
Division produziria uma seqüência tão enfadonha, tão sem gosto que o colega escolhido
imediatamente o ameaçaria de assassinato. Hoje tenho amigos que viram Joy Division em pelo
menos seis ocasiões e ainda se perguntam sobre o que era todo o burburinho.

Joy Division é considerada uma das primeiras bandas punk góticas, sendo
extremamente influente no final do século XX. Um revival e atualização da arte gótica ocorreu
no período, e o estilo se espalhou por toda a cultura pop, obviamente sem a profundidade, mas
algo de sua essência ainda estava lá. De fato, desde que a arte gótica começou na Europa
civilizada na Idade Média ela nunca deixou de possuir adeptos. E o romantismo fez grande uso
dela, sendo de fato sua continuação.
O rock and roll é, em si, muito romântico. Contudo, os tempos ficaram mais velozes, a
eletricidade tornou-se parte da vida do homem moderno, a tuberculose deixou de ser uma
grande ameaça, a tecnologia sintetizou drogas muito mais potentes que as naturais usadas pelos
primeiros românticos, e a esperança real por mudança social e conscietização da era romântica
(revivida pelos hippies na década de 1960) se foi. O jornalista S. Grant cosidera a música da

19
Joy Division distintamente oposta ao romantismo, colocando-a assim como uma expressão
caracteristicamente contemporânea:

Se houve uma banda que não fez nada ‘direito’, foi Joy Division. [...] Eles voaram na cara da
sabedoria convencional do rock, transmutando de punk para heavy metal, mas não alcançaram uma
audiência tão grande. Ao invés Joy Division deu o próximo grande salto, desenvolvendo uma forma
de música anti-metal, sendo para o heavy metal o que a antimatéria é para a matéria. Desse modo
eles colocaram-se – acidentalmente ou não – contra o grande dragão do rock, o romantismo. [...]
O movimento se recusa a morrer; as noções mais acalentadas do rock – nós podemos mudar o
mundo, o amor conquista tudo, sempre há esperança, etc. – vêm do romantismo. Ainda assim o
romantismo em última análise teve seu clímax na formação da Alemanha nazista, que glorificava-se
no naturalismo, magia negra e superioridade cultural.
O romantismo alcançou seu fim naquele grande lugar errado do século XX tardio, a fracassada zona
industrial do norte da Inglaterra. Não é coincidência que essa área tenha dado à luz Joy Division em
1977, tocando com os Buzzcocks e outras bandas de Manchester. [...]
A morte sempre foi a grande lenda romântica da música rock. O artista sofrido, o jovem herói
cortado em seu melhor – tudo isso foi aplicado a Ian Curtis nos dois últimos anos, descuidadamente
e com pouca preocupação pelo fato.
Curtis não foi um herói romântico; suas canções não possuíam visão romântica. Elas são editoriais,
observações da condição humana neste mundo neste tempo – especificamente condições no
noroeste da Inglaterra, onde pobreza, desemprego e desespero misturam-se a glórias passadas numa
confusão infeliz – que moeu qualquer noção de romantismo. Os gritos de Curtis eram de solidão no
escuro; ele era obviamente um homem inteligente e sensível tentando dar sentido a um mundo que
não podia compreender. As respostas a que ele chegou, se é isso que são suas letras, não são nada
confortantes. Suas músicas, as músicas da Joy Division, mostram que não há romance na vida. A
morte desafortunada, feia, de Curtis mostra que não há romance no suicídio, também. [...]
Para Joy Division, a realidade, não importa quão árida ou opressiva, é melhor que a fantasia. Essa
atitude pode assustar e confundir algumas pessoas.
Acima de tudo, Joy Division era música íntima, pessoal. Muito dela lida com a inabilidade de
comunicar os sentimentos precisamente, de romper barreiras que isolam as pessoas umas das
outras, o que faz da Joy Division a primeira banda existencial da história do rock.

Apesar de Ian Curtis se encaixar no lado escuro do romantismo, ele também foi
influenciado pelo minimalismo e seus ambientes limpos, robóticos e sem emoção, tão
característicos do período pós-guerra. Seu comportamento introspectivo, sua doença, seu
interesse no sofrimento e desespero humano, os retratos divinos e góticos de sua poesia,
poderiam ser características de um poeta romântico do século XIX, sem mencionar sua morte

20
prematura, mas ele viveu durante a Guerra Fria, quando a paixão revolucionária e o otimismo
da era romântica (e até de seu breve revival flower power) havia se dissipado. Ele foi muito fundo
em si mesmo, o que se reflete em suas composições, e por isso Curtis é definitivamente um
gênio e poeta verdadeiro. As drogas prescritas para sua epilepsia, contudo, podem ter
embotado seus pensamentos e agravado sua condição psíquica. Mas isso, talvez, torna sua obra
mais significante para a arte: tal tipo de tratamento médico também reflete o fracasso do
mundo moderno.

21
Capítulo 3: Comparando

Para começar a comparação entre os poetas ingleses é essencial descrever os cenários nos quais
cada um deles viveu. Apesar de ambos terem nascido no mesmo país, viveram em cidades
diferentes, separados por aproximadamente um século e meio.
William Blake viveu nos tempos conturbados que viram as revoluções americana e
francesa, a ascensão e queda de Napoleão e a “independência” política de algumas colônias,
bem como a abolição da escravatura em muitos países. A virada do século XVIII para o XIX
foi a era do romantismo, e filosoficamente o pensamento ainda era dominado pelo iluminismo,
já apontando para o positivismo. Era a aurora da era industrial, e o homem estava estupefato
com suas próprias conquistas tecnológicas e tinha toda a fé na ciência e no progresso. Como
habitante da cosmopolita Londres, Blake tinha todo acesso às notícias, de ciência e artes, em
primeira mão, bem como a grandes museus e bibliotecas que lhe proporcionaram um
embasamento cultural rico.
Ian Curtis viveu no meio da Guerra Fria, após o movimento flower power, uma época
confusa em que medo e esperança conviviam lado a lado. A televisão e a mídia de massa se
popularizavam numa escala impressionante, precedendo a era digital. A década de 1970 viu o
desenvolvimento contínuo da sociedade de consumo, o culto das celebridades e da fama, e não
havia limites para a ciência, visto que o homem acabara de pisar na Lua. Filosoficamente o
pensamento era influenciado pelo existencialismo, e, após as duas guerras mundiais, o homem
tinha perdido muito de sua fé. Habitante da cidade industrial de Manchester (ou melhor, de um
de seus subúrbios), Curtis tinha bom acesso à cultura, como o cidadão britânico médio.
A segunda metade da década de 1970 foi marcada pela explosão do punk rock na
Inglaterra. A cultura hippie dos anos de 1960 já havia sido absorvida pela mídia, e não mais
representava uma ameaça para o sistema – ela havia se tornado convencional, e a nova geração
não tinha outra opção perante o tédio de suas longas viagens lisérgicas, e os astros do rock
estavam distantes demais das pessoas comuns. Assim o punk foi nascendo, para aproximar o
público e o artista, e para, mais uma vez, e possivelmente em definitivo, romper com a ordem
estabelecida. Muitas bandas de garagem foram formadas no período, especialmente após as
apresentações ao vivo da londrina Sex Pistols na televisão. O movimento punk na realidade

22
começou nos EUA, na cidade de Nova York (com precedentes, é claro), por volta de 1970,
mas tornou-se popular apenas após o lançamento, em 1977, do disco dos Sex Pistols, fato que
colocou o punk rock na imprensa. Em Manchester, as apresentações dos Sex Pistols em julho
de 1976 marcaram o início de uma efervescência cultural que cresceu durante os anos de 1980
e colocou muitas bandas locais, que lançaram discos por selos locais, no mapa mundial da
música pop. Joy Division lançar seus discos pela Factory Records é um grande exemplo disso.
O punk rock foi uma ruptura com o rock and roll do circo midiático, assim como o
romantismo no século XVIII foi uma ruptura com a tradição clássica. Ele coloca que qualquer
um, mesmo e mais comumente não músicos, pode tocar numa banda, trazendo o público mais
perto daqueles que se apresentavam, opondo-se ao conceito de celebridade. A filosofia punk é
sintetizada pelo lema faça você mesmo. Ele deu algum significado para as vidas dos jovens
nascidos após a Segunda Guerra Mundial e criados pela televisão, que cresceram acostumados
a dar importância a imagens, ignorando pensamentos espirituais, e não tinham esperança de ser
tão importantes quanto as pessoas que viam na tela.
Blake, como os punks, desprezava a vaidade e a falsa moral, representadas
principalmente pela alta sociedade. Ele almejava uma revolução intelectual e espiritual por
meio da arte, baseada na liberdade de pensamento, busca da verdade e fraternidade da
humanidade – ele era um partidário dos ideais dos revolucionários franceses, pelo menos do
início. A liberdade romântica última, na política, é a anarquia – ilustrativamente, no poema de
Shelley “A Máscara da Anarquia” ela é personificada:

VIII
Finalmente veio Anarquia; ele montava
Um cavalo branco, borrifado com sangue;
Era pálido até os lábios,
Como Morte no Apocalipse.

Como na canção punk dos Sex Pistols “Anarquia no Reino Unido” (John Lydon) ela
aparece novamente:

Eu sou um anticristo
Eu sou um anarquista
Não sei o que quero mas sei como consegui-lo
Eu quero destruir o transeunte

23
Por que eu
Eu quero ser anarquia
Cachorro de ninguém

Anarquia no Reino Unido


Está vindo alguma hora poderia estar
Eu dou o tempo errado paro a luz do semáforo
Seu sonho de futuro é um esquema de compras

Embora Blake fosse um cristão fervoroso, especialmente nos últimos anos de sua vida,
ele opunha-se radicalmente à visão tradicional do Cristianismo, à Igreja, e propôs uma nova
leitura das escrituras, conciliando Céu e Inferno, ou os estados contrários da alma humana, e
por isso, ironicamente, ele poderia ser chamado de um “anticristo”. No Evangelho Perpétuo [e],
ele diz:

A Visão de Cristo que tu tens


É o Maior Inimigo da minha Visão
A tua tem um grande nariz como o teu
A minha tem um nariz arrebitado como o meu
A tua é Amiga de Toda Humanidade
A minha diz em parábolas aos Cegos
A tua ama o mesmo mundo que a minha odeia
Tuas portas do Céu são meus Portões do Inferno
Sócrates ensinou o que Melitus
Abominava como a Maldição mais amarga de uma Nação
E Caifas era em sua pópria Mente
Um benfeitor da Humanidade
Ambos liam a Bíblia dia & noite
Mas tu lês preto onde eu leio branco.

Assim Blake e os punks são, em suas próprias maneiras, revolucionários. Blake, como
um homem altamente espiritualizado, lutou contra a devoção iluminista à razão e à ciência, e
era contra o desenvolvimento industrial e tecnológico que estava desumanizando a sociedade,
fazendo-a, usando um discurso poético, distanciar-se de Deus em direção ao materialismo. De
fato um ponto muito importante dos escritos de Blake é a expansão da consciência humana

24
para o infinito. Isto foi estudado por Aldous Huxley em As Portas da Percepção (título baseado
na famosa frase do Matrimônio do Céu e do Inferno de Blake: “Se as portas da percepção fossem
purificadas tudo apareceria ao homem como é: infinito. Pois o homem fechou-se em si
mesmo, até que vê todas as coisas através de pequenas fendas de sua caverna”), livro que levou
Jim Morrison a conhecer a obra de Blake e o fez dar o nome The Doors para sua banda. A
expansão dos sentidos foi explorada abusivamente pelos hippies do movimento flower power,
que induziam o estado transcendental de consciência tomando poderosas drogas alucinógenas
como LSD, mescalina, peiote, cogumelos, etc. Os índios norte-americanos usavam (alguns
ainda o fazem) peiote em seus rituais sagrados. Blake menciona isto em O Matrimônio do Céu e
do Inferno: “o desejo de elevar outros homens a uma percepção do infinito isto as tribos norte-
americanas praticam. & é honesto ele que resiste a seu gênio e a sua consciência. Somente por
causa de alívio presente ou gratificação?”. Morrison cita Blake textualmente na canção “Fim da
Noite”:

Tome a auto-estrada para o fim da noite


Fim da noite, fim da noite
Faça uma jornada até a meia-noite brilhante
Fim da noite, fim da noite

Reinos de beatitude, reinos de luz


Alguns nascem para a doce delícia
Alguns nascem para a doce delícia
Alguns nascem para a noite sem fim
Fim da noite, fim da noite
Fim da noite, fim da noite

As linhas em itálico são de “Augúrios da Inocência” de Blake, do seguinte fragmento:

Toda noite & toda manhã


Alguns nascem para a miséria
Toda manhã & toda noite
Alguns nascem para a doce delícia
Alguns nascem para a doce delícia
Alguns nascem para a noite sem fim
Somos levados a acreditar numa mentira

25
Quando não vemos pelo olho
Que foi nascido numa noite para perecer numa noite
Quando a alma dorme em raios de luz
Deus aparece & Deus é luz
Para aquelas pobres almas que habitam a noite
Mas mostra uma forma humana
Àqueles que habitam os reinos do dia.

Curtis admirava muito Morrison. Assim, através do poeta americano, há uma influência
indireta de Blake em sua poesia. Em uma tentativa de encontrar a influência de Morrison em
Curtis, compara-se “Atravesse Quebrando (Para o Outro Lado)” de Morrison com “Auto-
sugestão” de Curtis:

Atravesse Quebrando (Para o Outro Lado) (Morrison)

Você sabe que o dia destrói a noite


A noite divide o dia
Tentou correr
Tentou se esconder
Atravesse quebrando para o outro lado
Atravesse quebrando para o outro lado
Atravesse quebrando para o outro lado, sim

Perseguimos nossos prazeres aqui


Enterramos tesouros lá
Mas você ainda pode recordar
O tempo em que choramos
Atravesse quebrando para o outro lado
Atravesse quebrando para o outro lado

Sim!
Venha, sim
Todo mundo ama minha garota
Todo mundo ama minha garota
Ela fica
Ela fica
Ela fica

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Ela fica alta

Encontrei uma ilha em seus braços


O campo em seus olhos
Braços que nos acorrentam
Olhos que mentem
Atravesse quebrando para o outro lado
Atravesse quebrando para o outro lado
Atravesse quebrando, oh!
Oh, sim!

Fez a cena
Semana a semana
Dia a dia
Hora a hora
O portão é estreito
Profundo e largo
Atravesse quebrando para o outro lado
Atravesse quebrando para o outro lado
Atravesse quebrando
Atravesse quebrando
Atravesse quebrando
Atravesse quebrando
Sim, sim, sim, sim
Sim, sim, sim, sim, sim

Auto-sugestão (Curtis)

Aqui, aqui,
Tudo é por aparência,
Tudo é por aparência.

Aqui, aqui,
Tudo é guardado dentro.
Então agarre uma oportunidade e pise fora,
Suas esperanças, seus sonhos, seu paraíso.

27
Heróis, ídolos quebrados como gelo.

Aqui, aqui,
Tudo é guardado dentro.
Então agarre uma oportunidade e pise fora.
Pura frustração face a face.
Um ponto de vista cria mais ondas,
Então agarre uma oportunidade e pise fora.

Agarre uma oportunidade e pise fora.


Perca algum sono e diga que tentou.
Encontre a frustração face a face.
Um ponto de vista cria mais ondas.

Então perca algum sono e diga que tentou.


Então perca algum sono e diga que tentou.
Então perca algum sono e diga que tentou.
Então perca algum sono e diga que tentou.
Diga que tentou.
Diga que tentou.
Diga que tentou.
Diga que tentou.
Diga que tentou.
Diga que tentou.
Diga que tentou.
Diga que tentou.
Diga que tentou.
Diga que tentou.
Diga que tentou.
Sim, perca algum sono e diga que tentou.
Sim, perca algum sono e diga que tentou.
Sim, perca algum sono e diga que tentou.
Sim, perca algum sono e diga que tentou.

Ambas as canções podem ser interpretadas como poemas sobre a consciência: o outro
lado de Morrison possivelmente é uma metáfora para o reino dos sonhos e da imaginação, a
percepção do infinito de que Blake falava, a mente inconsciente. É o outro lado da realidade

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sensorial. Dentro e fora de Curtis podem ser lugares mentais: nesse sentido, “Atravesse
quebrando para o outro lado” significa essencialmente o mesmo que “Então arrisque e pise
fora”, com a ressalva de que Curtis é mais cuidadoso que Morrison – ao invés de atravessar
quebrando, o sujeito deveria agarrar sua oportunidade, arriscar e pisar fora da realidade
sensorial. Eles levam ao mesmo lugar, onde ficam “Suas esperanças, seus sonhos, seu paraíso”.
Sabe-se que Morrison tomou LSD, que subitamente muda a percepção – esta subitaneidade
provavelmente é o que se quer dizer com “quebrando”. A epilepsia de Curtis certamente lhe
deu experiências assustadoras, assim sua cautela é justificada pelo medo. Suficientemente
interessante, os lobos temporais são as partes do cérebro afetadas tanto pelo LSD quanto pela
epilepsia; de acordo com Feldman1 (extraído de Murphy):

Os lobos temporais são partes do cérebro que medeiam os estados de consciência. Leituras de
eletroencefalograma dos lobos temporais são marcadamente diferentes quando uma pessoa está
dormindo, tendo uma convulsão alucinatória, ou sob efeito de LSD. Desordens convulsivas
confinadas aos lobos temporais (convulsões parciais complexas) têm sido caracterizadas como
debilitações da consciência.

Blake também, quase certamente, experimentou estados de consciência


dramaticamente diferentes (alucinações), e defendia que a imaginação era realidade tanto
quanto a percepção dos sentidos. Em suas cartas muitas vezes se refere a suas visões divinas e
audições sobrenaturais. De acordo com Weissman, “Blake retinha sua capacidade para
originalidade enquanto escutava vozes, e reconhecia o que nenhum poeta antes dele havia
reconhecido, que a voz de comando do demônio poderia ser a voz de uma cultura que havia
dado errado, como a Inglaterra e a Europa Ocidental haviam dado errado ao escolher guerra
ao invés de paz e máquinas ao invés de seres humanos”. Ilustrativamente, passagens de suas
cartas são transcritas aqui:

Ao Reverendo Dr Trsler, Lambeth, 23 de agosto de 1799:

E eu sei que Este Mundo É um Mundo de Imaginação & visão eu vejo Tudo que pinto neste
Mundo, mas Todos não vêem do mesmo modo. [...] Para Mim Este mundo é todo Uma contínua
Visão de Fantasia ou Imaginação & eu me sinto Lisonjeado quando me dizem Isso. O que coloca

1 Feldman, Robert G. Complex Partial Seizures (Psychomotor or Temporal Lobe Seizures). In Brown, M.D. & Feldman, M.D. Epilepsy:

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Homero, Virgílio & Milton numa posição tão alta na Arte. Por que é a Bíblia mais Interessante &
Instrutiva que qualquer outro livro. Não é porque eles são endereçados à Imaginação que é
Sensação Espiritual & apenas mediante o Entendimento ou Razão Tal é Pintura Verdadeira e tal
somente <era> valorizado pelos gregos & pelos melhores Artistas modernos.

A Thomas Butts, 22 de novembro de 1802:

Agora eu tenho uma visão quádrupla


E uma visão quádrupla me é dada
Quádrupla em minha delícia suprema
E tripla na suave noite de Beulah
E dupla Sempre. Que Deus nos proteja
Da visão Única & do sono de Newton

Há uma relação parcial entre as visões espirituais de Blake e a epilepsia de Curtis, de


fato epiléticos são considerados por ter faculdades psíquicas acentuadas, como intuição e
cognição – a epilepsia era chamada de doença sagrada pelos gregos e também em algumas
culturas tribais os epiléticos costumavam tornar-se xamãs. O próprio Blake poderia, talvez isso
possa ser sugerido, até ter sido epilético, como em idade avançada ele disse ter experimentado
“acessos de tremor”; epilepsia pode aparecer em qualquer idade da vida de um homem, em
maior ou menor intensidade. Em suas próprias palavras, de suas cartas:

A J Linnell, março de 1825:

Um retorno do velho Acesso de Tremor veio nesta Manhã tão logo eu acordei & agora estou na
Cama – Melhor & como penso quase bom Se puder eu possivelmente estarei na casa do Sr. Lahees
amanhã de Manhã. Estes ataques são sérios demais por ora para me permitir colocar fora da Cama.
Mas eles passam com repouso que parece ser Tudo o que quero.

A John Linnell, 19 de maio de 1826:

Caro Senhor
Eu tive outro acesso de tremor desesperado. Ele veio ontem à tarde após uma manhã tão boa como
qualquer uma que experimentei. Ele começou com uma Dor que mordia o estômago & logo se
espalhou, um sentimento mortal por todos os membros que traz o acesso de tremor quando eu sou

Diagnosis and Management.. Little: Brown & Co., 1983. (Apareceu em Murphy.)

30
forçado a ir para cama onde me contorço para conseguir uma pequena Transpiração que o leva
bastante embora. Era noite quando ele me deixou então eu não levantei mas justo quando eu estava
levantando esta manhã o acesso de tremor atacou-me novamente & a dor com seu acompanhante
sentimento mortal eu entrei de novo em uma transpiração & estava bem mas tão enfraquecido que
ainda estou na cama. Isto me impede completamente do prazer de vê-lo domingo em Hampstead
pois eu temo um novo ataque quando estiver longe de casa.
Sou grato Senhor
Sinceramente
William Blake

Muitas personalidade brilhantes da história humana foram epiléticos, como Júlio César,
Maomé, Lorde Byron, Machado de Assis. Epilepsia é também associada a criatividade. Aqui
cito LaPlante (extraído de Pickover):

LaPlante, em seu livro Convulsionado1, soma de modo apto as crescentes evidências relacionando
Epilepsia do Lobo Temporal e criatividade:

‘Escondido ou diagnosticado, admitido ou desconhecido, os estados mentais que ocorrem nas


convulsões de Epilepsia do Lobo Temporal são mais que simples sintomas neurológicos. Em
pessoas como Tennyson, São Paulo, e Van Gogh esses estados podem ter provido material para
religião e arte. Pessoas com Epilepsia do Lobo Temporal, conhecendo ou não as causas fisiológicas
das suas convulsões, freqüentemente incorporam seus sintomas em poemas, histórias e mitos. E a
desordem faz mais que prover a coisa da experiência religiosa e trabalho criativo. Epilepsia do Lobo
Temporal é associada com mudança de personalidade mesmo quando as convulsões não estão
ocorrendo; ela amplia as próprias características que levam as pessoas para a religião e a arte.’

Voltando à comparação dos cenários históricos, enquanto Blake viveu em um estágio


inicial da era industrial, condenou muito do progresso tecnológico e todos os seus efeitos na
natureza (incluindo a espécie humana), Curtis viveu numa cidade industrial enegrecida pela
fuligem das indústrias. Tudo o que Blake condenava no desenvolvimento do uso cego dos
princípios de Newton havia crescido numa escala monstruosa na época em que Curtis nasceu.
Pois o maior problema da humanidade, segundo Blake, era que o intelecto e a razão haviam
tomado o lugar do espiritual, do intuitivo, da sabedoria, como bem coloca Ferrara:

1 LaPlante, E. Seized. New York: Harper Collins, 1993. (Apareceu em Pickover.)

31
Na mitologia blakeana, Urizen (o intelecto) usurpa o lugar de Urthona (o princípio da sabedoria),
assim criando uma bifurcação primária na consciência e obscurecendo a Visão Divina. Para Blake, a
perda da Visão Divina é a raiz de todas as desgraças da humanidade. Quando a humanidade puder
acordar do sonho de Urizen, nós retornaremos à nossa natureza original. Este retorno é um tipo de
reversão a um campo unificado de consciência. De fato, a restauração da Visão Divina é o tema dos
três maiores poemas proféticos de Blake: Jerusalém, Milton, e Os Quatro Zoas (1797).

A época em que viveu Curtis, em suas próprias palavras:

Era do Gelo (Curtis)

Eu vi as verdadeiras atrocidades,
Enterradas na areia,
Empilhadas seguramente para alguns,
Enquanto permanecemos de mãos dadas.

Estou vivendo na era do Gelo,


Estou vivendo na era do Gelo,
Nada sustentará,
Nada encaixará,
No frio,
Não é um eclipse.
Vivendo na era do Gelo,
Vivendo na era do Gelo,
Vivendo na era do Gelo.

Procurando por um outro caminho,


Esconde atrás da porta,
Viveremos em buracos e poços em desuso,
Espera um pouco mais.

Estou vivendo na era do Gelo,


Estou vivendo na era do Gelo,
Nada sustentará,
Nada encaixará,
No frio,
Nenhum sorriso em seus lábios,
Vivendo na era do Gelo,

32
Vivendo na era do Gelo,
Vivendo na era do Gelo,
Vivendo na era do Gelo,
Vivendo na era do Gelo,
Vivendo na era do Gelo,
Vivendo na era do Gelo.

Blake, no prefácio de Milton, escreveu o seguinte poema, que envolve as terras da


Inglaterra. Ele conhecia uma antiga lenda que dizia que Jesus Cristo andou na Inglaterra, ou
pelo menos José de Arimatéia, supostamente o título de Tiago, irmão de Jesus, que teria
construído uma igreja em Glastonbury – isto pode ser usado numa leitura da primeira estrofe:

E será que aqueles pés em tempo antigo,


Andaram sobre as verdes montanhas da Inglaterra:
E foi o sagrado Cordeiro de Deus,
Nos agradáveis pastos da Inglaterra visto!

E será que a Face Divina,


Brilhou sobre nossas colinas nubladas?
E foi Jerusalém construída aqui,
Entre estes escuros Engenhos Satânicos?

Traga-me meu arco de ouro fumegante:


Traga-me minhas Flechas de desejo:
Traga-me minha Lança: Ó nuvens esclareçam!
Traga-me minha Carruagem de fogo!

Eu não desistirei da Luta Mental


Nem minha Espada dormirá em minha mão:
Até que tenhamos construído Jerusalém,
Na Terra verde & agradável da Inglaterra.

Os escuros Engenhos Satânicos (que também podem ser traduzidos por fábricas) foram
interpretados como as fábricas onde as pessoas trabalhavam em condições sub-humanas,
também como as universidades de Cambridge e Oxford, as únicas da época, que abrangiam
somente o conhecimento científico e o consideravam a verdade final. É uma expressão dele

33
bastante conhecida, e simbolicamente pode representar os caminhos errados dos homens de
sua era. O jornalista Terry Lane usa a metáfora em um artigo:

Uma vez eu visitei uma “escura fábrica satânica” nos arredores de Manchester. A Curadoria
Nacional Britânica arrumou o lugar e o Disneyzou, mas você ainda pode obter uma vaga idéia do
que aconteceu lá nos começos da revolução industrial. [...] Mas há algo que faz especial esta escura
fábrica satânica, mesmo entre os conhecidos horrores da revolução industrial pré-união do
comércio. Lá havia um orfanato anexo à fábrica. O dono teve a idéia brilhante de comprar um asilo
para crianças sem pais na Manchester metropolitana e transportar seu conteúdo para sua fábrica.
Um monte de crianças pequenas, arruinadas e alojadas e forçadas a trabalhar na fábrica.

Apesar de as condições dos trabalhadores terem melhorado, com a política do bem-


estar social por exemplo, a propaganda e a mídia em geral direcionaram os modos de pensar
para o consumo e as posses materiais de uma maneira anti-espiritual. Para Blake, a ignorância é
o sono mortal da humanidade, representada por Albion, o Homem Universal, que pode
também ser tomado como metáfora para seu país, a Inglaterra. Nesta visão extraída de Jerusalém
(chapa 15), ele claramente coloca-se contra as realizações que seguiram Newton, bem como o
método tradicional de educação:

Eu vejo o Homem Quádruplo. A Humanidade em sono mortal


E sua Emanação caída. O Espectro & sua Sombra cruel.
Eu vejo o Passado, Presente & Futuro, existindo ao mesmo tempo
Ante mim; Ó Espírito Divino sustenta-me em tuas asas!
Que eu possa despertar Albion de seu longo & frio repouso.
Pois Bacon & Newton revestiram-se com lúgubre aço, seus terrores pendem
Como flagelos de ferro sobre Albion, Raciocínios como vastas Serpentes
Envolvem meus membros, machucando minhas minutas articulações
Eu viro meus olhos para as Escolas & Universidades da Europa
E lá eu observo o vulto de Locke cujo Tecido enraivece-se horrendo
Lavado pelas rodas d’Água de Newton. Negro o pano
Em pesado trançar envolve cada Nação; cruéis Trabalhos
De muitas Rodas eu vejo, roda sem roda, com dentes tirânicos
Movendo por compulsão uma a outra: não como aquelas no Éden: as quais
Roda dentro de Roda em liberdade giram em harmonia & paz.

34
Jerusalém, seu trabalho mais extenso, é cheio de visões como essa. Jerusalém, no poema,
tem sido interpretada de vários modos, um deles sendo o Reino de Deus na Terra e dentro dos
corações de cada e todo homem. Nas linhas seguintes (chapa 26) ela é colocada como um
símbolo para liberdade:

TAIS VISÕES ME APARECERAM


COMO EU CORRIA CONFORME ORDENADO
JERUSALÉM É NOMEADA LIBERDADE
ENTRE OS FILHOS DE ALBION

Em “Isolação” de Curtis, uma visão, apesar de nem de perto tão imponente como
aquelas de Blake, (não) é descrita nesta estrofe:

Mas se você pudesse ver a beleza,


Destas coisas que nunca poderia descrever,
Estes prazeres uma distração instável,
Este é o meu prêmio de sorte.

A poesia de Blake, apesar de longe de ingênua, é mais otimista que a de Curtis. Nas
letras de Curtis sentimentos ruins são óbvios, elas carregam descrições de lugares sinistros e
personagens desorientados, e um senso de desesperança é quase sempre presente. Enquanto
Blake não está contente com os caminhos da Igreja, das relações sociais, da devoção científica
irrestrita, da educação, e, sinteticamente, da excessiva importância dada à razão, sua poesia
ainda emana uma certa tranqüilidade. Há fé e esperança em Blake, que não podem ser
encontradas em Curtis, mesmo que este cite Deus em muitas de suas linhas. Parece que Curtis
estava desesperadamente buscando um caminho, enquanto Blake, em sua obra como um todo,
delineia um caminho. Um ponto comum a ambos é as suas posições contrárias aos
ensinamentos das igrejas, exemplificado aqui:

O limpador de chaminé (Blake)

Uma coisinha negra no meio da neve:


Gritando chora, chora em notas de pesar!
Onde estão teu pai & mãe? Dize?

35
Os dois foram para a igreja rezar.

Por que eu estava feliz entre os pagãos,


E sorri entre as neves do inverno:
Eles me vestiram com as roupas da morte,
E me ensinaram a cantar as notas de pesar.

E porque sou feliz, & danço & canto,


Eles pensam que não me causaram mal:
E foram adorar Deus & seu Padre & Rei
Que fazem de nossa miséria.um céu.

E nestas linhas de “Páscoa Judia”:

Movendo-se conforme os caminhos de Deus,


A segurança se senta ao fogo,
Santuário desses sorrisos febris,
Deixados com um marca na porta,
É este o presente que eu quis dar?
Perdoar e esquecer é o que ensinam,
Ou passar pelos desertos mais uma vez
E assistir como eles passam pela praia.

Ambos parecem ter estado descontentes com a ordem estabelecida – a Igreja, as


formas de educação, a economia, as relações sociais. Apesar de suas atitudes perante ela
diferirem enormemente – Blake assumiu a posição poética de um guerreiro, enquanto Curtis,
confuso e talvez movido pelo medo, escolheu a saída fácil – seus conflitos interiores eram
essencialmente similares: seus inimigos não eram ninguém que não eles próprios. Seus
discursos são obviamente diferentes, mas no nível profundo alguns pontos podem ser ligados.
No seguinte fragmento de Jerusalém (chapas 78 e 79), Blake descreve visões de antigos tempos
bíblicos:

Meu irmão & meu pai não existem mais! Deus me abandonou
As flechas do Todo Poderoso chovem em mim & meus filhos
Eu pequei e sou um marginal da Presença Divina!
Minhas tendas caíram! Meus pilares estão em ruínas! Meus filhos atiraram-se

36
Sobre os pisos de ferro do Egito, & os pavimentos de marfim da Assíria;
Eu derreto minha alma em raciocínios entre as torres de Hesbom;
O Monte Sião tornou-se uma rocha cruel & sem mais orvalho
Nem chuva: não mais a primavera da rocha aparece: mas frios
Duros & obdurados são os canais da montanha de vinho & óleo:
A montanha da benção é ela própria uma maldição & um espanto:
As colinas da Judéia caíram comigo no mais profundo inferno
Distante das Nações da Terra, & das Cidades das Nações,
Eu ando até Efraim. Eu busco Silo: Eu ando como uma ovelha perdida
Entre precipícios de desespero: em Gosém eu busco luz
Em vão: e em Gileade um físico e um confortador.
Gosém seguiu Filistéia: Gileade juntou-se a Og!

Nesta canção Curtis afirma ter “viajado [...] através de muitos tempos diferentes” – o
que inclui tempos antigos:

Imensidão Selvagem (Curtis)

Eu viajei por toda a parte através de muitos tempos diferentes,


O que você viu lá?
Eu vi os santos com seus brinquedos,
O que você viu lá?
Eu vi todo o conhecimento destruído.
Eu viajei por toda a parte através de muitos tempos diferentes.

Eu viajei por toda a parte através de prisões da cruz,


O que você viu lá?
O poder e a glória do passado,
O que você viu lá?
O sangue de Cristo em suas peles,
Eu viajei por toda a parte através de muitos tempos diferentes.

Eu viajei por toda a parte e mártires desconhecidos morreram,


O que você viu lá?
Eu vi os julgamentos de um só lado,
O que você viu lá?
Eu vi lágrimas enquanto choravam,
Eles tinham lágrimas em seus olhos,

37
Lágrimas em seus olhos,
Lágrimas em seus olhos,
Lágrimas em seus olhos.

Apesar de muito diferentes, ambos os textos têm o assunto comum de visões antigas.
O de Blake é um fragmento de um poema muito maior, talvez o seu trabalho mais cheio de
esperança, enquanto que os versos de Curtis dão a impressão de que não há nada a ser visto
em lugar e tempo algum. Blake conduz a uma direção, enquanto Curtis não vê direção alguma.
Ainda assim, eles talvez pudessem concordar que os caminhos do homem deram errado em
um nível insuportável. A prisão das regras sociais faz os homens usarem máscaras para se
socializar, a liberdade de expressão individual é restringida pelo contrato social. O “Espectro”
nos seguintes versos de Blake (Jerusalém, chapa 41) pode ser lido como a persona social:

Cada Homem está no


poder do seu Espectro
Até a chegada
da hora .
Quando sua Humanidade
desperta
e joga seu Espectro
dentro do Lago

Na seguinte estrofe de “Transmissão”, Curtis canta as atitudes falsas e vazias das


pessoas perante a vida:

E nós seguiríamos como se nada estivesse errado


E nos esconderíamos desses dias em que permanecemos totalmente sozinhos.
Permanecendo no mesmo lugar, só ficando fora do tempo.
Tocando à distância,
Mais distante o tempo todo.

Parece que, em última análise, ambos os poetas buscavam um entendimento maior da


verdade dentro deles mesmos. Suas buscas individuais se refletem nas maneiras que cada um
viu a sociedade, e nas suas principais fontes de inspiração. Blake espelhava-se em artistas
universais, Milton, Shakespeare, Dante, Raphael, Homero, enquanto Curtis via os astros do

38
rock do século XX, Morrison, Lou Reed, David Bowie, Iggy Pop, como modelos. Ambos
tomavam imagens da Bíblia, e Blake até mesmo se enxergava como um profeta na tradição
bíblica (Ezequiel era um de seus favoritos). Definitivamente, Blake era muito mais espiritual
que Curtis – os sintomas do ponto de vista material de Curtis aparecem em suas letras. De um
modo ou de outro, nenhum deles estava satisfeito, porém Blake aprendeu o contentamento no
decorrer de sua vida. Seus não entendimentos e não aceitações comuns dos caminhos errados
do homem, as guerras, confrontos e disputas, são apresentados nos seguintes textos:

A Voz do Antigo Bardo (Blake)

Juventude de delícia aproxime-se


E veja a manhã se abrindo,
Imagem da verdade recém-nascida.
A dúvida foge & nuvens de razão.
Escuras disputas & implicâncias arteiras.
A tolice é um labirinto sem fim,
Raízes emaranhadas complicam seus caminhos,
Quantos lá caíram!
Eles tropeçam a noite toda sobre ossos dos mortos;
E sentem que não sabem com o que preocupar;
E desejam liderar outros quando eles deviam ser liderados.

Colônia (Curtis)

Um grito de socorro, uma indicação de anestesia,


O som de lares partidos,
Nós costumávamos nos encontrar aqui sempre.
Como ele dorme, ela o toma em seus braços,
Algumas coisas que tenho de fazer, mas não lhe quero mal.

Um olhar preocupado de mãe, um beijo, um último adeus,


Lhe entrega a mala que fez, as lágrimas que tenta esconder,
Um vento cruel que se curva ante nossa insânia,
E o deixa aqui com frio nesta colônia.

39
Eu não consigo ver o porquê de todos esses confrontos,
Eu não consigo ver o porquê de todos esses desarranjos,
Nenhuma vida familiar, isso me faz sentir inquieto,
Plantado aqui nesta colônia.
Nesta colônia, nesta colônia, nesta colônia, nesta colônia.

Querido Deus em sua sabedoria tomou-lhe pela mão,


Deus em sua sabedoria o fez entender.
Deus em sua sabedoria tomou-lhe pela mão,
Deus em sua sabedoria o fez entender.
Deus em sua sabedoria tomou-lhe pela mão,
Deus em sua sabedoria o fez entender.
Deus em sua sabedoria tomou-lhe pela mão,
Deus em sua sabedoria o fez entender.
Nesta colônia, nesta colônia, nesta colônia, nesta colônia.

Colônia provavelmente é uma metáfora para sociedade, uma sociedade em que os


líderes deveriam ser de fato liderados, uma sociedade imersa em ignorância e ilusão. Blake
esperava despertar as pessoas, e Curtis mostrou nu do que as pessoas deviam despertar. Os
escritos de Blake são cobertos por uma aura mística ao estilo da Bíblia que faz o seu
entendimento muito difícil, possivelmente para sua própria proteção. Os de Curtis são
profundamente pessoais e crus, psicologicamente, e muito mais fáceis de se compreender.
Como artistas individuais, talvez sintonizados a um inconsciente coletivo, eles escreveram
sobre coisas maiores que palavras, seja para o bem ou para o mal.

40
Capítulo 4: Últimas palavras

A análise de arte não é um trabalho fácil, pois as expressões podem ser interpretadas por uma
gama infinita de pontos de vista. No decorrer da feitura deste presente ensaio, optei por uma
aproximação dialética das produções textuais de ambos os autores, considerando
principalmente fatores semânticos, bem como sociais, históricos e mesmo psicológicos. Creio
ter conseguido expor satisfatoriamente vários aspectos que envolvem os temas das
composições abordadas e das obras de cada um em geral.
Contudo, há muitas outras abordagens relevantes que não foram suscitadas. Uma
análise lingüística mais profunda certamente levantaria aproximações surpreendentes entre os
trabalhos de William Blake e Ian Curtis, porém os limites físicos, mentais e temporais
restringiram o enfoque. Mesmo o embasamento teórico histórico, psicológico e social é
superficial – em verdade procurei me ater à poesia em si.
Quanto à relevância do tema abordado no presente trabalho, acredito que o ponto mais
importante seja o modo do uso de pontos de partida definidos para a exposição de diferentes
idéias inter-relacionadas. Talvez os caminhos apresentados sejam mais importantes do que
qualquer conclusão a que pudesse chegar – não há, empiricamente, uma conclusão.
Por fim, devo colocar que o espírito da arte é eterno; manifesta-se em cada momento
de maneiras diferentes, por vias diferentes, mas é imutável e indefinível. Qualquer palavra
adicional seria loquacidade neste momento.

41
Influence of William Blake on Ian Curtis’ Poetry

42
While we look not at the things which are seen, but at the things which are not seen: for the
things which are seen are temporal; but the things which are not seen are eternal.

Paul the Apostle, The Second Epistotle to the Corinthians, 4:18.

43
Introduction

Romanticism, as an art school, is characterized by high subjectivity, imagination, dreamlike


scenarios, formal rupture with classical patterns, industrial and urban themes as well as
spiritual, references to gothic art, the search for freedom, and can be seen, in fact, as a
paradigm shift in the making of art, from the great care with perfection of the form to the
more introspective expression of the soul. Melancholy, the night, darkness, loneliness and
human feelings are usual in romantic production. At the same time that it reflects the
emptiness of the material world, as society gives less importance to religion, it points to the
high spheres of Platonic ideals. Some of its most representative poets, such as Percy Bysshe
Shelley and Lord Byron, though, had a quite short and moral-defying life, in parallel with 20th
Century rock and roll artists.
Live fast die young, the motto of rock and roll, could well have been said by a 19th
Century poet. Romantic as well as rock and roll poets often died at an early age: Álvares de
Azevedo, for instance, died at twenty, John Keats, at 25, Shelley, at 29, Byron at 36, Jimi
Hendrix, Janis Joplin and Kurt Cobain died at 27. Urban and industrial themes are usual in
rock, as well as melancholic tunes, specially after the 1970s. The use of drugs is very relevant
here as well: taking sensibility to its extremes – doing anything to get this new feeling. And,
above all, the romantic search for freedom is very present in rock and roll, for it really is a cry
for liberty in a hypocritical society. Also, gothic references are common in rock as in
romanticism. The pace is ever faster, and the artificial lights are more colorful and bright in the
20th Century, but there clearly is a trend of development in the course of the centuries.
As of gothic art, an important point since it has influenced both romanticism and rock
and roll, it is a traditional style born in the Middle Ages with the catholicization of the
barbarian peoples of western and northern Europe. Essentially, it is a christian-barbarian form
of expression, whose greatest examples are the monumental gothic churches of the High
Middle Ages. Characterized by spiritual themes, high level of detail, the indistinct use of
grotesque and sublime forms, and an inexpressible profundity inherent to its works, it is, as a
matter of fact, an imprecise name. As says Martindale,

44
It is always wise to be cautious in the use of the word ‘gothic’. The hunt for ‘gothic characteristics’
is hampered from the start by the vague and imprecise nature of the term. As is well know, it was
first applied to art in the sixteenth and seventeenth centuries in derogatory sense to denote art
which possessed in general a pre-Renaissance and non-Italianate appearance. It was never a precise
descriptive word, since it was coined by men who were uninterested in making it precise. It meant,
in effect, ‘barbarian’.

Maybe because of the urban and industrial growth of society, the development of mass
culture and the establishment of faster communications, among other facts of the history of
the last two centuries, human soul in general became more distant from nature, poetically
speaking, seen in social symptoms such as high depression and suicide rates, and reflected in
artistic expressions. While in the Middle Ages the social conscience was dominated by the
spiritual ideas of the Church, as science developed and capitalism emerged it moved away from
the spiritual ideas towards empiric and sensorial reality – quoting Harvey, “the great failing of
the modern world, that it has allowed itself to become divorced from life”. From God as
center of the universe, man changed the center to himself and, then, to finances.
Human soul, oppressed and lost in the labyrinth of its own creations, looks for an
escape, which can be artistic expression. As technology evolved between the romantic and the
rock and roll ages, there obviously are differences in the forms of production of their
expression, the main one being the use of electricity that rock makes. The drugs used by the
artists developed as well, being chemically synthesized, thus becoming more powerful and
destructive. Still, in one way or another, human soul is essentially the same. And, being so, has
essentially the same needs throughout the ages. As times evolved, so did romanticism, and
rock and roll came up in its century. Both forms of expression criticize essentially the same
aspects in society: the hypocrite civil morals that regulate bourgeois society, the
dehumanization of the forms of production, and the earthly power of the Church. There are of
course relevant differences, for instance by the 20th Century the Church had lost some of its
strength while capitalism grew more solid. But the movement is still the same, rock and roll is a
development of romanticism.
The object of this present work is to find similarities in the discourses of the written
oeuvres of William Blake and Ian Curtis, considering the hypothesis of an influence of Blake in
the work of Curtis. As English artists, distant approximately one and a half century in time,
they have a common cultural national background to start with. It is unknown if Curtis literally

45
read Blake or if he has directly seen one of his pictures, but at the time that Curtis lived Blake’s
popularity had increased admirably. Thus, as Blake influenced culture in general, at least an
indirect influence of his work reached Curtis.
The study of William Blake’s influence on Ian Curtis’ poetry can also be taken as a
sample study of the influence of high culture in low culture, being Blake, as one of the first
romantic poets, a representative of high, erudite culture, and Curtis, as a rock and roll
songwriter, of mass popular culture. As art is beyond categorizations, there are no real
boundaries between high and low culture; for instance, if a pop artist reads a classic book he
absorbs its influence in his unconscious mind and may apply it in his works, even though he
may not be aware of the mechanisms behind the construction of the classic book. The inverse
is true: if an erudite painter listens to a popular song his unconscious mind suffers an influence
that may show up in his later works. So the present study, through a restricted cutout of the
universe, develops this idea as well. As a starting point, some about their lives shall be
considered.

46
Chapter 1: About William Blake

William Blake was born in London, England, in November 28, 1757, the second of five sons
and one daughter. Painter, poet, engraver, writer and mystic, he achieved fame as a
revolutionary and visionary artist only after his death, being acclaimed as one of the greatest
English poets of all. Mostly unknown during his lifetime, in the 20th Century he became
popular among the counterculture adepts—beatniks, hippies and avant-garde artists and
philosophers—having been largely studied and interpreted by the academy in attempts to find
symbolical meanings in his oeuvre. He died on August 12, 1827, while still working on
watercolour illustrations to Dante’s Divine Comedy. Although Blake never went farther than
sixty miles from London, his work unveils and explores an infinite world of imagination and
revelation.
From an early age Blake is said to have had mystical experiences such as “visions” of
and “conversations” with biblical figures, as well as hearing of supernatural voices—quoting
The Academy of American Poets, “at four he saw God put his head to the window; around
age nine, while walking through the countryside, he saw a tree filled with angels”. Later in his
life, in the Descriptive Catalogue for the 1809 exhibition, he declared that

The Artist having been taken in vision into the ancient republics, monarchies, and patriarchates of
Asia, has seen those wonderful originals called in the Sacred Scriptures the Cherubim, which were
sculptured and painted on walls of Temples, Towers, Cities, Palaces, and erected in the highly
cultivated states of Egypt, Moab, Edom, Aram, among the Rivers of Paradise, being originals from
which the Greeks and Hetrurians copied Hercules, Farnese, Venus of Medicis, Apollo Belvidere,
and all the grand works of ancient art. [...] The Artist has endeavoured to emulate the grandeur of
those seen in his vision, and to apply it to modern Heroes, on a smaller scale. (Number II, Its
Companion)

Blake first studied at home, where he learned to read and write mainly with his mother;
at ten, as he demonstrated an inclination to arts, he enrolled in Henry Pars’s drawing school,
encouraged by his father. Although he did not attend regular school, he was well versed in
Greek and Latin art and poetry, as well as English, and begun to write very early. At fourteen

47
he became an apprentice of engraver James Basire, for seven years. In this activity he was
deeply influenced by gothic art and architecture, according to William Blake Online “Blake was
sent to Westminster Abbey [a famous gothic church] to make drawings of tombs and
monuments. Here he learned to love gothic art. He stood on the tombs to view them better
and even made sketches when the grave of Edward I was opened”. After the apprenticeship, in
1779, at 21, Blake entered the Royal Academy of Arts, but did not stay there for long even
though he exhibited some paintings for the institution. Then he went to act as an engraver, the
profession that made his humble living through the rest of his life.
In August 1782 he married Catherine Boucher, the illiterate daughter of a market
gardener. Blake taught her to read and write, and she helped him with the paintings and
engravings later. In 1783 his first book, Poetical Sketches, the only one not engraved or
illuminated, was published with the help of his friends. It presents some of his first poems and
songs, a dramatic piece entitled “King Edward the Third”, along with some prose texts, and in
overall it shows the influence of Greeks and Romans, as well as that of Shakespeare, on young
Blake. At the time there was even talk of raising funds to send Blake to Rome, where he would
study Renaissance masters Raphael and Michelangelo. But soon he turned disillusioned with
the social circle of his friends, which he satirizes on the unpublished An Island in the Moon. In
1784 his father died.
Blake tried an association with fellow apprentice James Parker to run a print seller, but
the partnership ended in 1787, the same year that his beloved younger brother, Robert Blake,
died. William assisted him in his last days, and “claimed to see his spirit pass through the
ceiling on its way to heaven” (William Blake Online). By that time he began to work on his
engravings with his wife at his house, publishing All Religions are One and There is No Natural
Religion, in 1788, books that synthetically and powerfully outline the principles of Blake’s
thought. In 1789 he published Songs of Innocence and The Book of Thel, works that show a very
pastoral and bucolic, neoclassical, arcadian Blake, and he also wrote the unpublished Tiriel. The
engravings were made using copperplates, and then hand-painted in watercolour, thus
publishing his own work in few manual copies, each one a unique piece. “Blake said that the
spirit of Robert came to him ‘in a vision in the night’ and revealed the secret technique for
combining poem and picture on a single printing plate.” (William Blake Online)
The following years were the most creative and productive times of Blake’s life. In
1790 he finished his central book, The Marriage of Heaven and Hell, in which he used both verse

48
and prose in an effort to expose the veiled reality, the realms of the Poetic Genius, abusing of
biblical references with an original approach to the sacred texts, contrary to the Church, and
introduced his own mythic universe developed in the later works. Through oneiric situations,
Blake walks in the fires of hell, talks to prophets Isaiah and Ezekiel and to an angel that
becomes a devil, describes a conversation between an angel and a devil, and brings up the
Proverbs of Hell and statements on the ultimate truth. The Marriage of Heaven and Hell also
comments on John Milton’s Paradise Lost and cites Dante and Shakespeare as sources of true
wisdom, while condemning Aristotle’s Analytics as a vision restrainer, thus being a work of
dense philosophical content as well as of beautiful poetic scenarios.
In 1791 Blake wrote The French Revolution, his most political poem, considered too
dangerous to be published. In 1793 he published his last commercial attempt, The Gates of
Paradise for Children (reedited in 1818 as For the Sexes: The Gates of Paradise) as well as the first
prophetic illuminated books, Visions of the Daughters of Albion and America: A Prophecy. In
America Blake used his mythical universe to tell events of his time (the American Revolution)
on a cosmic scale. In 1792 his mother died. In 1794 he published the collection of poems Songs
of Innocence and of Experience: Shewing the Two Contraries States of the Human Soul, a second edition to
Songs of Innocence (1789) with a whole new set of poems, the Songs of Experience, included. The
Songs of Experience show a much darker Blake, disillusioned with the evils of the world and the
blindness of men. In the same year he published Europe: A Prophecy and The First Book of Urizen,
followed in 1795 by The Song of Los (composed by the continental poems Africa and Asia), The
Book of Ahania and The Book of Los. In 1795 he also began to write his first epic poem, Vala
(later revised and renamed The Four Zoas), which was not published until nearly a century after
his death, but is essential for the understanding of his whole oeuvre, and some parts of it
appear on his later epics. Besides those books, in the same period he worked on a great
number of colour print illustrations (which were much more easily commercialized),
composing an astonishing production. In 1797 he finished his series of 537 watercolour
designs for Edward Young’s Night Thoughts. He painted several other watercolour and tempera
as well.
In 1800 Blake moved to Felpham, a coastal town, with wife and sister, to work near
and under the patronage of William Hayley. At first Blake was delighted with the seaside
atmosphere and the open fields, where he would have more clear mystical visions and hear
better the voices, as it appears on his letter to his friend John Flaxman, from September 21st,

49
1800:

Felpham is a sweet place for Study, because it is more Spiritual than London. Heaven opens here
on all sides her golden Gates, her windows are not obstructed by vapours. Voices of Celestial
inhabitants are more distinctly heard & their forms more distinctly seen & my Cottage is also a
Shadow of their houses.

But he became annoyed and felt restrained by the vain neighbours and Hayley’s society,
and in three years he went back to London, as he comments in his letter to his friend Thomas
Butts, of April 25, 1803:

Now I may say to you what perhaps I should not dare to say to any one else. That I can alone carry
on my visionary studies in London unannoyd & that I may converse with my friends in Eternity.
See Visions, Dream Dreams, & prophecy & speak Parables unobserv’d & at liberty from the
Doubts of other Mortals.

He also had a misunderstanding with a soldier, ending up in a trial at Chichester in


January 1804, in which he was acquitted of the charges – the soldier had accused him of using
disrespectful words towards the king.
Back to London Blake began to work on his greatest illuminated printings: Milton and
Jerusalem. According to Weissman, “Blake’s mind takes another turn, beyond the auditory
hallucinations of The Four Zoas into the automatic writing of Milton and Jerusalem”. In that
period he became more and more disillusioned with his commercial works, turning very
disappointed with his finances. His works included illustrations for Paradise Lost, and he first
published his epic Milton a Poem in 1808. Intended to be published in twelve books, as it reads
in the frontispiece, only the first and second books were done. Blake was deeply inspired by
Milton’s works, what makes himself the best example for Harold Bloom’s “anxiety of
influence”, that is, that every strong poet would have one (or more) poetical father. In the
poem, Milton himself comes back to Earth to correct some of his statements, making the book
a revision or interpretation of the poet’s works, but not limited to it, as it expands Blake’s
personal mythology and exposition of thoughts, with brilliant passages such as this one, in
which he exposes the concept of vortex (plate 15 or 17):

50
The nature of infinity is this: That every thing has its
Own Vortex; and when once a traveller thro Eternity.
Has passd that Vortex, he perceives it roll backward behind
His path, into a globe itself infolding; like a sun:
Or like a moon, or like a universe of starry majesty,
While he keeps onwards in his wondrous journey on the earth
Or like a human form, a friend with whom he livd benevolent.
As the eye of man views both the east & west encompassing
Its vortex; and the north & south, with all their starry host;
Also the rising sun & setting moon he views surrounding
His corn-fields and his valleys of five hundred acres square.
Thus is the earth one infinite plane, and not as apparent
To the weak traveller confind beneath the moony shade.
Thus is the heaven a vortex passd already, and the earth
A vortex not yet passd by the traveller thro Eternity.

In 1808 he exhibited some of his watercolours at the Royal Academy. In 1809, at 51,
Blake held an exhibition of sixteen pictures at the house of his brother James, which attracted
very little attention and unfavourable critiques, but, still, its Descriptive Catalogue became very
celebrated among his works long after his death. The subsequent years were a period of
poverty in Blake’s life, despite all his efforts he went on living in retirement while working on
his own interest. In 1812 he showed many pictures at the last exhibition of the Associated
Artists in Water Colour. During those years he was etching the 100 plates of his magnificent
final epic poem, Jerusalem, of which only six copies are known, and only one coloured. It was
printed in 1820. In 1818 Blake wrote The Everlasting Gospel, which remained unfinished, and in
the same year he met John Linnell, a young artist who became his patron and gave new interest
to his work, and issued a new, revised edition of Gates of Paradise, subtitled as For the Sexes.
The last years of Blake’s life were more tranquil ones. His art found recognition among
some young artists, who called themselves The Ancients and befriended him. In 1821 he
worked on the famous Illustrations to the Book of Job, and published his last illuminated book The
Ghost of Abel, a dialogue addressed to Lord Byron. In 1824 he started the illustrations for the
Divine Comedy, a work to which he dedicated himself so much as to learn Italian to read the
originals. In 1826 he engraved Laöcoon (based on the famous Hellenistic sculpture), his last
print, dying in 1827, at almost seventy, while still working on the illustrations for the Comedy.

51
Blake’s art of those last years shows a greater dedication to the figure of Jesus Christ, identified
with art itself and imagination.
Considered one of the first romantic (or pre-romantic) poets, William Blake was said to
have lived in madness and has been hailed prophet. His vast oeuvre, from his first neoclassical
songs to his later mystical epics, presents a remarkable unity and cohesion. By creating his own
mythology Blake becomes the true man of All Religions are One, an ancient poet, such as those
of the primitive ages, before writing or religion were ever thought, and all was nature and
man’s conscience was more harmonized with it. According to The Marriage of Heaven and Hell,

The ancient Poets animated all sensible objects with Gods or Geniuses, calling them by the names
and adorning them with the properties of woods, rivers, mountains, lakes, cities, nations, and
whatever their enlarged & numerous senses could perceive. And particularly they studied the
genius of each city & each country, placing it under its mental deity. Till a system was formed,
which some took advantage of & enslav’d the vulgar by attempting to realize or abstract the mental
deities from their objects: thus began Priesthood. Choosing forms of worship from poetic tales.
And at lenght they pronouncd that the Gods had ordered such things. Thus men forgot that All
deities reside in the human breast.

As an ancient poet, Blake would have composed a religion in his work—the “Bible of
Hell” cited in the same book may be the whole Blake’s illuminated art—, proving that all
religious texts are derived from ancestral, primitive poetry, and alerting how unclear man’s
perception had become. His visionary work would transcend art itself, inspiring his admirers to
look at the deities inside their own breasts. Perhaps in his madness he could see the eternal
divine gleam in everything, and was trying to show it in his paintings and poetry. Blake used to
say that he wrote accordingly to the Holy Spirit. In my opinion, he accessed obscure parts of
his mind, being more conscious of his own unconscious mind, that is, of God within himself.
According to Ferrara, “It may be suggested, then, that Blake experienced Enlightenment (The
Divine Vision) and expressed it in the symbols and language available to him from his Western
cultural heritage”. In a way or another, William Blake was a sincere and singular artist; his eyes
and senses, beyond the time and location restrainers, looked at eternity.

52
Chapter 2: About Ian Curtis

Ian Kevin Curtis was born in Manchester, England, on July 15, 1956, and reached fame by his
presentations as lead singer of the punk rock band Joy Division. The ultimate icon of the late-
20th Century pop gothic culture, he is also the main figure of the whole Manchester pop music
movement that began in the end of the 1970s and has heavily influenced the world’s pop
culture making the city an international reference. Curtis committed suicide by hanging himself
at the age of 23, on May 18 1980, on the vespers of a Joy Division tour across the USA,
leaving wife and daughter.
Raised in the small town of Macclesfield, England, Curtis had an interest in rock and
roll music through all his adolescence, having tried to form a band with his schoolmates,
inspired by idols Iggy Pop and Lou Reed (whose concert he attended in 1973 in Liverpool).
During the school years he used some recreational drugs in the spare time, having had his
stomach pumped sometimes. A good student, History and Divinity were of his special interest.
As for his family, he had a policeman father, a mother, and a younger sister. Although he had a
regular social life, he was somewhat reclusive and obscure; charmed by the glamour of rock
stardom he even talked about dying young to his then girlfriend Deborah, with whom he got
married in 1975. She says, in Touching from a Distance:

When Mott the Hoople’s ‘All the Young Dudes’ hit the charts, Ian began to use the lyrics as his
creed. He would choose certain songs and lyrics such as ‘Speed child, don’t wanna stay alive when
you’re twenty-five’, or David Bowie’s ‘Rock and Roll Suicide’, and be carried away with the
romantic magic of an early death. He idolized people like Jim Morrison who died at their peak.
This was the first indication anyone had that he was becoming fascinated with the idea of not living
beyond his early twenties, and the start of the glitter and glamour period in his life.

Having finished his studies and married, Curtis worked daytime but was not happy
with his distance to the music business. As a collector of records he used to look for different
sounds, one of his jobs was in a record store. He watched local gigs, read the music press, went
in a trip to France to attend a punk rock festival in 1976.
Curtis himself was not a good musician, but his accurate taste and vast knowledge of

53
popular music, in addition to the vigorous do it yourself punk spirit, pushed him towards the
composition of songs. His first attempt to form a group was by posting advertisings, getting
then the response of only one guitar player, named Iain Gray. Together they tried to work
something out, but it was mostly fruitless.
By 1976, on the days that followed the first Sex Pistols concerts in Manchester, school
friends Bernard Dicken (guitar) and Peter Hook (bass) formed a band with Terry Mason on
drums, initially called the Stiff Kittens. By the end of the year or the beginning of 1977, Curtis
was admitted as lead singer. Soon they were renamed Warsaw, a reference to a Bowie song
certainly brought up by Curtis. The group rehearsed and made a number of gigs in local pubs
and clubs, growing as a whole—by July they recorded a demo. But Warsaw had problems with
having a permanent drummer, having played with different ones until Curtis finally found
Steve Morris in Macclesfield to stay definitely in the place.
Curtis took the band very seriously, looking for contacts in the press and in the music
industry to help them out. While not having a very comfortable financial situation at home, he
always believed in his success with the band. At the beginning of 1978 they had their name
changed to Joy Division and released their first record, an EP called An Ideal for Living. Then,
with manager Rob Gretton, they really grew in popularity and were offered more gigs. Another
important figure that helped Joy Division’s career was Tony Wilson of Factory Records, the
label through which they pressed their records.
In that same year Ian Curtis began to have his grand mal attacks—he was an epileptic.
As the band played more, he pushed himself more and more, worsening his condition,
although somehow controlled by medicines. But these same drugs had some side effects that
eventually affected Curtis’ psyche, and his nightlife routine was a hindrance for the treatment.
In April 16th 1979 his daughter Natalie was born.
By June 1979 Joy Division first long play Unknown Pleasures, produced by Martin
“Zero” Hannet, was released, followed by the single “Transmission”. Curtis said to his wife, in
her own words, “that when ‘Transmission’ and Unknown Pleasures had been released, he had
achieved his ambitions. Now there was nothing else left for him to do. All he ever intended
was to have one album and one single pressed. His aspirations had never extended to
recording ‘Love Will Tear Us Apart’ or Closer”.
Joy Division kept on its way, playing a number of concerts all over England and part of
Europe (Belgium, France, Holland, Germany), giving interviews and shows to the radio and

54
appearing in the music press. On the other hand, Curtis was increasingly introspective, getting
more and more ill. Sometimes he would just sit and wait for an attack. His epileptic condition
combined with his fast rock and roll lifestyle ended up overwhelming him and pushing him
down on his depression. Besides, Curtis’ family was degrading: he ignored it, and had an affair
on tour with another woman, the Belgian Annik Honoré.
Anyway he kept on composing songs in his blue room at home. Curtis was very
interested in Second World War Nazi subjects, and in human suffering in general. He used to
read regularly. He was said to be living in another world, in some kind of trance, while working
on what would be his masterpiece, Closer, so great was his dedication to it. The album reveals
an infinite human desperation, it is a picture of the hole in the soul of the industrial man.
On May 17 1980, Curtis went to his home in Macclesfield and watched Werner
Herzog's Stroszek on television, a film that tells the story of an European man that goes to the
USA and, there, divided by the love of two women, commits suicide. He drank on that day a
large quantity of coffee and a bottle of whisky, and told Deborah to spend that night away.
When she went back there on Sunday morning, expecting him to have taken the train to
Manchester to leave to the USA, she found his body kneeling dead on the kitchen, Iggy Pop’s
The Idiot still turning on the record player. He had hanged himself.
Curtis’ suicide happened on the weekend before the would-be Joy Division’s USA tour.
The band was at their peak, about to achieve world success, and Curtis preferred not to see it
actually happen. In less than a couple of months later, they released the single “Love Will Tear
Us Apart”, their most popular song, and the album Closer, but by then Joy Division was over.
This RCD magazine article saves no praises to the album and the band:

Closer is practically an innovation per song: that compelling bass, up-front drums, chainsaw guitars,
fractious synthesizers, watery atmospherics – not did they preclude the swamp of new wave
miserabilism but just about every goth-rock record ever made and the more chilly of the new
romantics. […] Their work became synonymous with teenage bedroom torpor and inspired a
nation to some truly bollocks ‘poetry’ about death, life’s futility and religion which seems in
retrospect some of the best fun adolescence had to offer. The rest of Joy Division started again.

Curtis’ songs in general depict a search for the path, a struggle with one’s inner
emotions; they give a sense of loneliness and loss that is almost palpable. Frustration,
desperation, isolation, depression, lack of will and dark images of modern cities, along with

55
biblical references, punctuate his lines. They portray the necessity of expression of a pool of
feelings restrained in a hypocrite society where people are encouraged to give importance to
empty values such as fame, status and financial success—they are the voice of one crying in
the plastic wilderness. To Middles,

Curtis was special. On a good night – and you had to be lucky to catch Joy Division on a good
night, their genius was infuriatingly erratic – he would seem to drain the energy from the audience.
It was an odd feeling, stand there in a seedy, sweaty club, finding yourself becoming increasingly
intoxicated by the bizarre intensity created by the band on stage. Watching the ungainly dance of
Curtis, who, arms flailing wildly, could lift the atmosphere into occasional peaks. Nobody ever
performed like Ian Curtis. You’d leave the gig in disbelief and, the next day, you would grab a
skeptical friend and drag him halfway across the country to where Joy Division would be playing
the next night. Once installed in some dreadful ex-bingo hall in Coventry, or somewhere, Joy
Division would produce a set so dull, so unappealing that the chosen colleague would immediately
threaten murder. To this day I have friends who saw Joy Division on at least six occasions and still
wonder what all the fuss was about.

Joy Division is considered one of the first punk gothic bands, being extremely
influential throughout the end of the 20th Century. A whole revival and updating of gothic art
occurred in the period, and the style spread all over pop culture, of course losing all the
profundity, but some of the essence of gothic was still there. In fact, since gothic art began in
civilized Europe on the Middle Ages it never lacked followers. And romanticism made great
use of it, being indeed its continuation.
Rock and roll is, by itself, very romantic. However, times have gone faster, electricity
has become part of modern man’s life, tuberculosis ceased to be a big threat, technology
synthesized much more potent drugs than the natural ones used by the early romantics, and
the actual hope for social change and consciousness raising of the romantic era (revived by the
hippies) is gone. Journalist S. Grant regards Joy Division music as distinctly opposed to
romanticism, thus placing it as a distinguishing contemporary expression:

If ever there was a band that did nothing ‘right’, it was Joy Division. […] They flew in the face of
conventional rock wisdom, mutating from punk to heavy metal, but didn’t grasp for that huge
audience. Instead Joy Division made the next big jump, developing into a form of anti-metal music,
being to heavy metal what anti-matter is to matter. In this mode they set themselves—accidentally
or not—against the great rock dragon, romanticism. […]

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The movement dies hard; rock’s most cherished notions—we can change the world, love conquers
all, there is always hope, etc.—come from romanticism. Yet romanticism ultimately climaxed in the
formation of Nazi Germany, which gloried in naturalism, black magic and cultural superiority.
Romanticism reached its dead end in that great wrong place of the latter 20 th century, the failing
industrial North of England. It’s no coincidence that this area gave birth to Joy Division in 1977,
playing bills with the Buzzcocks and other Manchester bands. […]
Death has always been the great romantic legend of rock music. The suffering artist, the youthful
hero cut down in his prime – all this has been applied to Ian Curtis in the last two years, carelessly
and with little concern for fact.
Curtis was no romantic hero; his songs held no romantic vision. They are editorials, observations
of the human condition on this world in this time—specifically conditions in the northwest of
England, where poverty, unemployment and despair mingle with past glories in a sorry mess—that
grind any notion of romanticism underfoot. Curtis’ cries were of loneliness in the dark; he was
obviously an intelligent, sensitive man trying to make sense of a world he couldn't understand. The
answers he arrived at, if that’s what his lyrics are, are anything but comforting. His songs, the songs
of Joy Division, point out that there is no romance in life. Curtis’ unfortunate, ugly death points
out that there is no romance in suicide, either. […]
For Joy Division, reality, no matter how bleak or oppressive, is better than fantasy. That attitude
can frighten and confuse some people.
Above all, Joy Division’s was intimate, personal music. Much of it deals with the inability to
communicate feelings accurately, to break through barriers that isolate people from each other,
which makes Joy Division the first existential band in rock history.

While Ian Curtis fits in the dark side of romanticism, he has also been influenced by
minimalism and its clean robotic emotioless environments, so characteristic of the post-war
period. His introspective behaviour, his sickness, his interest in human suffering and despair,
the divine and gothic pictures of his verse, could be characteristics of a 19th Century romantic
poet, without mentioning his early death, but he lived during the Cold War, when the
revolutionary passion and optimism of the romantic era (and even its brief flower power
revival) had dissipated. He went very deep into himself, what is reflected in his compositions,
and for that Curtis was definitely a genius and a true poet. The prescribed drugs to his epilepsy,
however, may have blunted his thoughts and aggravated his psychic confusion, pushing him
beyond his mental limits. But this, perhaps, makes his oeuvre more significant to art: that kind
of medical treatment also reflects the failing of the modern world.

57
Chapter 3: Comparing

To start the actual comparison between the English poets, it is essential to picture the
scenarios in which each of them lived. Although both of them were born in the same country,
they lived in different cities and approximately one and a half century apart.
William Blake lived in the troubled times that saw the American and French
revolutions, the rise and fall of Napoleon and the political “independence” of some colonies,
as well as the abolishment of slavery in many countries. The turning of the 18 th to the 19th
Century was the age of romanticism, and philosophically the thought was still dominated by
illuminism, already pointing to positivism. It was the dawn of the industrial era, and man was
amazed with his own technological achievements and had all the faith in science and progress.
As an inhabitant of the cosmopolite London, Blake had all access to the news, in science and
arts, in first hand, as well as to great museums and libraries which provided him a rich cultural
background.
Ian Curtis lived in the middle of the Cold War, after the flower power movement, a
confused time in which fear and hope were side by side. Television and mass media were
growing popular in an astonishing scale, preceding the digital era. The decade of 1970 saw the
continual development of the society of consume, the cult of celebrities and fame, and there
were no limits to science, as man had just reached the Moon. Philosophically the thought was
influenced by existentialism, and, after the two world wars, man had lost much of his faith. As
an inhabitant of the industrial city of Manchester (actually of one of its suburbs), Curtis had
good enough access to culture, like the average British citizen.
The second half of the 1970 decade was marked by the explosion of punk rock in
England. The hippie culture of the 1960s had already been absorbed by mainstream media, and
no longer represented a threat to the system—it had become conventional, and the new
generation could not help but get bored with its long lysergic trips, and rock stars were too far
from common people. Thus punk was being born, to approximate the audience and the artist,
and to, once again, break up with the establishment. Many garage bands were formed in that
period, specially after the Londoner Sex Pistols live presentations on television. The punk
movement actually began in the USA, in New York City, around 1970 (with precedents, of

58
course), but became popular only after the release, in 1977, of the Sex Pistols record, fact that
put punk rock on the press. In Manchester, the July 1976 Sex Pistols concerts marked the
beginning of a cultural effervescence that grew through the 1980s and put many Mancunian
bands in the map of world pop music. Local groups released records by local record labels, Joy
Division releasing their records by (Mancunian) Factory Records being a major example of it.
Punk rock was a rupture with the media circus rock and roll, just as the romanticism in
the 18th Century was a rupture with the classical tradition. It estates that anyone, even and most
commonly non-musicians, can play in a band, bringing the public closer to the showmen, in
opposition to the concept of celebrity. Punk philosophy is synthesized in the motto do it
yourself. It gave some meaning to the lives of youngsters born after the Second World War and
raised by television, who grew up used to giving importance to image and ignoring any spiritual
thoughts, and had no hope of being as important as the people they saw on the screen.
Blake, as the punk rockers, despised the vanity and false morals, mainly represented by
high society. He intended an intellectual and spiritual revolution through art, based on the
freedom of thought, pursue of truth and fraternity of mankind—he was a partisan of the
French revolutionaries ideals, at least of the beginning. Ultimate romantic freedom, in politics,
is anarchy—illustratively, in Shelley’s poem “The Mask of Anarchy” it is impersonated:

VIII
Last came Anarchy: he rode
On a white horse, splashed with blood;
He was pale even to the lips,
Like Death in the Apocalypse.

In the punk Sex Pistols song “Anarchy in the UK” (John Lydon) it appears again:

I am an antichrist
I am an anarchist
Don’t know what I want but I know how to get it
I want to destroy the passerby

’Cos I
I wanna be anarchy
No dog’s body

59
Anarchy for the U.K.
It’s coming some time it might be
I give a wrong time stop the traffic light
Your future dream is a shopping scheme

Although Blake was a fervent Christian, specially in the last years of his life; he radically
opposed the traditional view of Christianity, the Church, and proposed a new reading of the
scriptures, conciliating Heaven and Hell, or the contrary states of human soul, and for that,
ironically, he might be called an “antichrist”. In the Everlasting Gospel [e], he says:

The Vision of Christ that thou dost see


Is my Visions Greatest Enemy
Thine has a great nose like thine
Mine has a snub nose like to mine
Thine is the Friend of All Mankind
Mine speaks in parables to the Blind
Thine loves the same world that mine hates
Thy Heaven doors are my Hell Gates
Socrates taught what Melitus
Loathed as a Nations bitterest Curse
And Caiphas was in his own Mind
A benefactor of Mankind
Both read the Bible day & night
But thou readst black where I read white.

Thus Blake and the punks are, in their on ways, revolutioners. Blake, as a highly
spiritualized man, fought the illuminist devotion to reason and science, and was against the
industrial and technological development that was de-humanizing society, making it, using
poetical speech, move away from God and towards materialism. In fact, one of the most
important points of Blake’s writings is the expansion of man’s conscience to infinite. This has
been studied by Aldous Huxley in The Doors of Perception (title based on the famous phrase from
Blake’s Marriage of Heaven and Hell: “If the doors of perception were cleansed every thing would
appear to man as it is: infinite. For man has closed himself up, till he sees all things thro’
narrow chinks of his cavern”), book that led Jim Morrison to know Blake’s oeuvre and made

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him give the name The Doors to his band. The senses expansion was abusively explored by
the hippies of the flower power movement, who induced the transcendental state of
consciousness by taking powerful hallucinatory drugs as LSD, mescal, peyote, mushrooms, etc.
The North American Indians used (some still do) peyote in their sacred rituals. Blake mentions
it in the Marriage of Heaven and Hell: “the desire of raising other men into a perception of the
infinite this the North American tribes practise. & is he honest who resists his genius or
conscience. Only for the sake of present ease or gratification?” Morrison textually quotes
William Blake in the song “End of the Night”:

Take the highway to the end of the night


End of the night, end of the night
Take a journey to the bright midnight
End of the night, end of the night

Realms of bliss, realms of light


Some are born to sweet delight
Some are born to sweet delight
Some are born to the endless night
End of the night, end of the night
End of the night, end of the night

The lines in italic are from Blake’s “Auguries of Innocence”, from the following
fragment:

Every Night & every Morn


Some to Misery are Born
Every Morn & every Night
Some are Born to sweet delight
Some are Born to sweet delight
Some are Born to Endless Night
We are led to Believe a Lie
When we see not Thro the Eye
Which was Born in a Night to perish in a Night
When the Soul Slept in Beams of Light
God appears & God is Light
To those poor Souls who dwell in Night

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But does a Human Form Display
To those who Dwell in Realms of day

Curtis greatly admired Morrison. Thus, through the American poet, there is an indirect
influence of Blake on his poetry. In an attempt to find the influence of Morrison on Curtis,
Morrison’s “Break on Through (To the Other Side)” with Curtis’ “Autosuggestion” are
compared:

Break on Through (To the Other Side) (Morrison)

You know the day destroys the night


Night divides the day
Tried to run
Tried to hide
Break on through to the other side
Break on through to the other side
Break on through to the other side, yeah

We chased our pleasures here


Dug our treasures there
But can you still recall
The time we cried
Break on through to the other side
Break on through to the other side

Yeah!
C’mon, yeah

Everybody loves my baby


Everybody loves my baby
She get
She get
She get
She get high

I found an island in your arms


Country in your eyes

62
Arms that chain us
Eyes that lie
Break on through to the other side
Break on through to the other side
Break on through, oww!
Oh, yeah!

Made the scene


Week to week
Day to day
Hour to hour
The gate is straight
Deep and wide
Break on through to the other side
Break on through to the other side
Break on through
Break on through
Break on through
Break on through
Yeah, yeah, yeah, yeah
Yeah, yeah, yeah, yeah, yeah

Autosuggestion (Curtis)

Here, here,
Everything is by design,
Everything is by design.

Here, here,
Everything is kept inside.
So take a chance and step outside,
Your hopes, your dreams, your paradise.
Heroes, idols cracked like ice.

Here, here,
Everything is kept inside.

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So take a chance and step outside.
Pure frustration face to face.
A point of view creates more waves,
So take a chance and step outside.

Take a chance and step outside.


Lose some sleep and say you tried.
Meet frustration face to face.
A point of view creates more waves.

So lose some sleep and say you tried.


So lose some sleep and say you tried.
So lose some sleep and say you tried.
So lose some sleep and say you tried.
Say you tried.
Say you tried.
Say you tried.
Say you tried.
Say you tried.
Say you tried.
Say you tried.
Say you tried.
Say you tried.
Say you tried.
Say you tried.
Yeah, lose some sleep and say you tried.
Yeah, lose some sleep and say you tried.
Yeah, lose some sleep and say you tried.
Yeah, lose some sleep and say you tried.

Both songs can be interpreted as poems about consciousness: Morrison’s other side is
possibly a metaphor for the realm of dreams and imagination, the perception of infinite that
Blake talked about, the unconscious mind brought up to aware conscience. It is the other side
of sensorial reality. Curtis’ inside and outside may be mental places: in that sense, “Break on
through to the other side” essentially means the same that “So take a chance and step outside”,
put aside that Curtis is more careful than Morrison—instead of break through, one should take
his chance and step out sensorial reality. They lead to the same place, where lay “Your hopes,

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your dreams, your paradise”. Morrison is known to have taken LSD, which suddenly shifts
one’s perception—this suddenness probably is what is meant by “break”. Curtis’ epilepsy most
certainly gave him fearful experiences, thus his caution is justified by fear. Interestingly enough,
the temporal lobes are the parts of the brain affected by both LSD and epilepsy; according to
Feldman (extracted from Murphy):

The temporal lobes are the parts of the brain that mediate states of consciousness. EEG
[electroencephalogram] readouts from the temporal lobes are markedly different when a person is
asleep, having a hallucinogenic seizure, or on LSD. Seizural disorders confined to the temporal
lobes (complex partial seizures) have been characterized as impairments of consciousness. 1

Blake as well, most certainly, experienced dramatically different states of consciousness


(hallucinations), and he defended that imagination was reality as much as the senses’
perception. In his letters he many times refers to his divine visions and supernatural hearings.
According to Weissman, “Blake retained his capacity for originality while he was hearing
voices, and he recognized what no poet before him had, that the commanding voice of the
devil could be the voice of a culture gone wrong, as England and Western Europe had gone
wrong by choosing war over peace and machines over human beings”. Illustratively, passages
from his letters are here transcribed:

To Revd Dr Trsler, Lambeth, August 23, 1799:

And I know that This World Is a World of Imagination & vision I see Every thing I paint In this
World, but Every body does not see alike. […] To Me This world is all One continued Vision of
Fancy or Imagination & I feel Flatterd when I am told So. What is it sets Homer, Virgil & Milton
in so high a rank of Art. Why is the Bible more Entertaining & Instructive than any other book. Is
it not because they are addressed to the Imagination which is Spiritual Sensation & but mediately to
the Understanding or Reason Such is True Painting and such <was> alone valued by the Greeks &
the best modern Artists.

To Thomas Butts, November 22, 1802:

1 Feldman, Robert G. Complex Partial Seizures (Psychomotor or Temporal Lobe Seizures). In Brown, M.D. & Feldman, M.D. Epilepsy:
Diagnosis and Management.. Little: Brown & Co., 1983. (Appeared in Murphy.)

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Now I a fourfold vision see
And a fourfold vision is given to me
Tis fourfold in my supreme delight
And three fold in soft Beulahs night
And twofold Always. May God us keep
From Single vision & Newtons sleep

There is a partial relation between Blake’s spiritual visions and Curtis’ epilepsy, in fact
epileptics are regarded to have enhanced psychic faculties, such as intuition and cognition—
epilepsy was called the sacred disease by the Greek and also in some tribal cultures epileptics
used to become shamans. Blake himself might, perhaps it can be suggested, even have been an
epileptic, as in his old age he said to have experienced “shivering fits”; epilepsy may appear on
any age of a man’s life, on smaller or greater intensities. In his own words, from his letters:

To J Linnell, March, 1825:

A return of the old Shivering Fit came on this Morning as soon as I awaked & I am now in Bed –
Better & as I think almost well If I can possibly I will be at Mr. Lahees tomorrow Morning. these
attacks are too serious at the time to permit me out of Bed. But they go off by rest which seems to
be All that I want.

To John Linnell, May 19, 1826:

Dear Sir
I have had another desperate Shivring Fit. It came on yesterday afternoon after as good a morning
as I ever experienced. It began by a gnawing Pain in the Stomach & soon spread, a deathly feel all
over the limbs which brings on the shivring fit when I am forced to go to bed where I contrive to
get into a little Perspiration which takes it quite away. It was night when it left me so I did not get
upbut just as I was going to rise this morning the shivring fit attackd me again & the pain with its
accompanying deathly feel I got again into a perspiration & was well but so much weakend that I
am still in bed. This entirely prevents me from the pleasure of seeing you on Sunday at Hampstead
as I fear the attack again when I am away from home.
I am Dr Sir
Yours sincerely
William Blake

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Many brilliant personalities of human history were epileptics, for instance Julius Caesar,
Mohammad, Lord Byron, Machado de Assis. It is also associated with creativity. Here I quote
LaPlante (extracted from Pickover):

LaPlante, in her book Seized1, aptly sums up the growing evidence linking TLE [Temporal Lobe
Epilepsy] and creativity:

‘Hidden or diagnosed, admitted or unknown, the mental states that occur in TLE seizures are more
than simply neurological symptoms. In people like Tennyson, Saint Paul, and van Gogh these
states may have provided material for religion and art. People with TLE, whether or not they know
the physiological cause of their seizures, often incorporate their symptoms into poems, stories and
myths. And the disorder does more than provide the stuff of religious experience and creative
work. TLE is associated with personality change even when seizures are not occurring; it amplifies
the very traits that draw people to religion and art.’

Returning to the matter of the historical scenarios, while Blake lived in an earlier stage
of the industrial era, he condemned much of the technological progress and all of its effects in
nature (mankind included), and Curtis lived in a industrial city blackened by the industries’
ashes. That is to say, all that Blake condemned in the development of the blind usage of
Newton’s principles had grown in a monstrous scale by the time Curtis was born. For the
biggest problem of humanity, according to Blake, was that intellect and reason had took place
of spiritual, intuitive, wisdom, as well puts Ferrara:

In Blakean mythology, Urizen (the intellect) usurps the place of Urthona (the wisdom principle),
thus creating a primary bifurcation in consciousness and obscuring the Divine Vision. For Blake,
the loss of the Divine Vision is the root of all the woes of humankind. When humankind can
awake from the dream of Urizen, we return to our original nature. This return is a kind of reversion
back to a unified field of consciousness. Indeed, the restoration of the Divine Vision is the theme
of Blake’s three greatest prophetic poems: Jerusalem, Milton, and The Four Zoas (1797).

The times in which Curtis lived, in his own words:

Ice Age (Curtis)

1 LaPlante, E. Seized. New York: Harper Collins, 1993. (Appeared on Pickover.)

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I’ve seen the real atrocities,
Buried in the sand,
Stockpiled safety for a few,
While we stand holding hands.

I’m living in the Ice age,


I’m living in the Ice age,
Nothing will hold,
Nothing will fit,
Into the cold,
It’s not an eclipse.
Living in the Ice age,
Living in the Ice age,
Living in the Ice age.

Searching for another way,


Hide behind the door,
We’ll live in holes and disused shafts,
Hopes for little more.

I’m living in the Ice age,


I’m living in the Ice age,
Nothing will hold,
Nothing will fit
Into the cold,
No smile on your lips,
Living in the Ice age,
Living in the Ice age,
Living in the Ice age.
Living in the Ice age,
Living in the Ice age,
Living in the Ice age,
Living in the Ice age.

Blake, in the preface for Milton, wrote the following poem, which encircles England’s
lands. He was aware of an ancient legend that said that Jesus Christ walked in England, or at
least Joseph of Arimathea, supposedly the title of James, brother of Jesus, who would have

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built a church in Glastonbury—this may be used in a reading of the first stanza:

And did those feet in ancient time,


Walk upon Englands mountains green:
And was the holy Lamb of God,
On Englands pleasant pastures seen!

And did the Countenance Divine,


Shine forth upon our clouded hills?
And was Jerusalem builded here,
Among these dark Satanic Mills?

Bring me my Bow of burning gold:


Bring me my Arrows of desire:
Bring me my Spear: O clouds unfold!
Bring me my Chariot of fire!

I will not cease from Mental Fight,


Nor shall my Sword sleep in my hand:
Till we have built Jerusalem,
In Englands green & pleasant Land.

The dark Satanic Mills have been interpreted as the factories (textile mills) where people
worked in subhuman conditions, also as the universities of Cambridge and Oxford, the only
ones at the time, that encompassed only scientific knowledge and regarded it as the final truth.
It is a very well known expression of him, and symbolically it may represent the wrong ways of
the men of his era. Journalist Terry Lane even uses the metaphor in an article:

Once upon a time I visited a “dark satanic mill” on the outskirts of Manchester. The British
National Trust has spruced the place up and Disneyfied it to within an inch of its life, but you can
still get an inkling of what went on there in the early days of the industrial revolution. […] But
there is something that makes this particular DSM special, even among the taken-for-granted
horrors of the pre-trade union industrial revolution. There was an orphanage attached to the mill.
The owner had the bright idea of buying up an asylum for parentless children in metropolitan
Manchester and transporting the contents to his mill. Lots of little kids, given board and lodging
and forced to work in the factory.

69
Although workers’ conditions improved, with the social welfare politics for instance,
advertisement and the media in general have driven the thinking ways towards consuming and
material possessions in an anti-spiritual manner. For Blake, ignorance is the deadly sleep of
mankind, represented by Albion, the Universal Man, who can also be taken as a metaphor for
his country of England. In this vision off Jerusalem (plate 15), he clearly puts himself against the
achievements that followed Newton, as well as the traditional method of education:

I see the Four-fold Man. The Humanity in deadly sleep


And its fallen Emanation. The Spectre & its cruel Shadow.
I see the Past, Present & Future, existing all at once
Before me; O Divine Spirit sustain me on thy wings!
That I may awake Albion from his long & cold repose.
For Bacon & Newton sheathd in dismal steel, their terrors hang
Like iron scourges over Albion, Reasonings like vast Serpents
Infold around my limbs, bruising my minute articulations

I turn my eyes to the Schools & Universities of Europe


And there behold the Loom of Locke whose Woof rages dire
Washd by the Water-wheels of Newton. black the cloth
In heavy wreathes folds over every Nation; cruel Works
Of many Wheels I view, wheel without wheel, with cogs tyrannic
Moving by compulsion each other: not as those in Eden: which
Wheel within Wheel in freedom revolve in harmony & peace.

Jerusalem, his longest work, is full of visions as such. Jerusalem, in his poem, has been
interpreted in a number of ways, one of those being the Kingdom of God on Earth and inside
the hearts of each and every man. In the following lines (plate 26) it is put as a symbol for
freedom:

SUCH VISIONS HAVE APPEARED TO ME


AS I MY ORDERD RACE HAVE RUN
JERUSALEM IS NAMED LIBERTY
AMONG THE SONS OF ALBION

70
In “Isolation” by Curtis, a vision, although not nearly as imposing as those of Blake, is
(not) described in this stanza:

But if you could just see the beauty,


These things I could never describe,
These pleasures a wayward distraction,
This is my one lucky prize.

Blake’s verse, although far from naïve, is more optimistic than Curtis’. In Curtis’ lyrics
dark feelings are obvious, they bear descriptions of sinister places and disoriented characters,
and a sense of hopelessness is almost ever-present. While Blake is not content with the ways of
the church, social relations, unrestricted scientific devotion, education, and, synthetically, the
overreached importance given to reason, his poetry still emanates a certain tranquility. There is
faith and hope in Blake, which cannot be found in Curtis, even though the later quotes God in
many of his lines. It seems that Curtis was desperately looking for a way, while Blake, in his
oeuvre as whole, may have been learning to walk on the path. One common point to both of
them is their position contrary to the churches’ teachings, exemplified here:

The Chimney Sweeper (Blake)

A little black thing among the snow:


Crying weep, weep, in notes of woe!
Where are thy father & mother? Say?
They are both gone up to the church to pray.

Because I was happy upon the heath,


And smil’d among the winters snow:
They clothed me in the clothes of death,
And taught me to sing the notes of woe.

And because I am happy, & dance & sing,


They think they have done me no injury:
And are gone to praise God & his Priest & King
Who make up a heaven of our misery.

71
And in these lines from Curtis’ “Passover”:

Moving along in our God given ways,


Safety is sat by the fire,
Sanctuary from these feverish smiles,
Left with a mark on the door,
Is this the gift that I wanted to give?
Forgive and forget’s what they teach,
Or pass through the deserts and wastelands once more,
And watch as they drop by the beach.

Both seem to have been discontent with the establishment—the Church, the forms of
education, the economics, the social relations. Although their attitudes towards it differed
enormously—Blake assumed the poetical position of a warrior, while Curtis, confused and
perhaps moved by fear, chose the easy way out—their inner struggles were essentially similar:
their enemies were no one but themselves. Their discourse is obviously different, but in the
deep level some points may be linked. In the following fragment of Jerusalem (plates 78 and 79),
Blake describes visions of ancient biblical times:

My brother & my father are no more! God hath forsaken me


The arrows of the Almighty pour upon me & my children
I have sinned and am an outcast from the Divine Presence!
My tents are fall’n! my pillars are in ruins! My children dashd
Upon Egypts iron floors, & the marble pavements of Assyria;
I melt my soul in reasonings among the towers of Heshbom;
Mount Zion is become a cruel rock & no more dew
Nor rain: no more the spring of the rock appears: but cold
Hard & obdurate are the furrows of the mountain of wine & oil:
The mountain of blessing is itself a curse & an astonishment:
The hills of Judea are fallen with me into the deepest hell
Away from the Nations of the Earth, & from the Cities of the Nations;
I walk to Ephraim. I seek for Shiloh: I walk like a lost sheep
Among precipices of despair: in Goshen I seek for light
In vain: and in Gilead for a physician and a comforter.
Goshen hath followed Philistea: Gilead hath joind with Og!

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In this song Curtis affirms to have “travelled […] through many different times” –
what includes ancient times:

Wilderness (Curtis)

I travelled far and wide through many different times,


What did you see there?
I saw the saints with their toys,
What did you see there?
I saw all knowledge destroyed.
I travelled far and wide through many different times.

I travelled far and wide through prisons of the cross,


What did you see there?
The power and glory of sin,
What did you see there?
The blood of Christ on their skins,
I travelled far and wide through many different times.

I travelled far and wide and unknown martyrs died,


What did you see there?
I saw the one sided trials,
What did you see there?
I saw the tears as they cried,
They had tears in their eyes,
Tears in their eyes,
Tears in their eyes,
Tears in their eyes.

Although very different, both pieces have the common subject of ancient visions.
Blake’s text is a fragment of a much larger poem, perhaps his most hopeful work, while Curtis’
lines give the impression that there is nothing to see anywhere and anytime. Blake leads to a
direction, while Curtis sees no direction at all. Still, they could perhaps agree that the ways of
man have gone wrong to an unbearable level. The prison of the social rules makes men use
masks to socialize, as freedom of individual expression is restrained by the social contract. The
“Spectre” in the following Blake’s lines (Jerusalem, plate 41) may be read as the social persona:

73
Each Man is in
his Spectre’s power
Until the arrival
of the hour .
When his Humanity
awake
And cast his Spectre
into the Lake

In the following stanza from “Transmission”, Curtis sings people’s empty and fake
attitudes towards life:

And we would go on as though nothing was wrong.


And hide from these days we remained all alone.
Staying in the same place, just staying out the time.
Touching from a distance,
Further all the time.

It seems, ultimately, that both poets were seeking for a greater understanding of the
truth within themselves. Their individual search was reflected in the manner that each of them
saw society, and in their main sources of inspiration. Blake mirrored himself in universal artists,
Milton, Shakespeare, Dante, Raphael, Homer, while Curtis looked at 20 th Century rock stars,
Morrison, Lou Reed, David Bowie, Iggy Pop, as models. Both of them draw images from the
Bible, and Blake even saw himself as a prophet in the biblical tradition (Ezekiel was one of his
favourites). Definitely, Blake was much more spiritualized then Curtis—the symptoms of
Curtis’ material point of view appear on his lyrics. In a way or another, neither of them was
satisfied, though Blake learned contentment throughout his life. Their common
misunderstanding and non-acceptance of the wrong ways of man, the wars, confrontations and
disputes, is present in the following pieces:

The Voice of the Ancient Bard (Blake)

Youth of delight come hither:


And see the opening morn,

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Image of truth new born.
Doubt is fled & clouds of reason.
Dark disputes & artful teasing.
Folly is an endless maze,
Tangled roots perplex her ways,
How many have fallen there!
They stumble all night over bones of the dead;
And feel they know not what but care;
And wish to lead others when they should be led.

Colony (Curtis)

A cry for help, a hint of anaesthesia,


The sound from broken homes,
We used to always meet here.
As he lays asleep, she takes him in her arms,
Some things I have to do, but I don’t mean you harm.

A worried parent’s glance, a kiss, a last goodbye,


Hands him the bag she packed, the tears she tries to hide,
A cruel wind that bows down to our lunacy,
And leaves him standing cold here in this colony.

I can’t see why all these confrontations,


I can’t see why all these dislocations,
No family life, this makes me feel uneasy,
Stood alone here in this colony.
In this colony, in this colony, in this colony, in this colony.

Dear God in his wisdom took you by the hand,


God in his wisdom made you understand.
God in his wisdom took you by the hand,
God in his wisdom made you understand.
God in his wisdom took you by the hand,
God in his wisdom made you understand.
God in his wisdom took you by the hand,

75
God in his wisdom made you understand.
In this colony, in this colony, in this colony, in this colony.

Colony is probably a metaphor for society, a society in which the actual leaders should
in fact be led, a society immersed in ignorance and illusion. Blake hoped to wake people up,
and Curtis showed bare naked what people should wake up from. Blake’s writings are covered
by a mystic aura in the Bible’s fashion that makes its understanding very difficult, possibly for
their own protection. Curtis’ writings are deeply personal and raw, psychologically, and much
easier to comprehend. As individual artists, perhaps tuned to a collective unconsciousness,
circa one and a half century distant, they have written of things greater than words, be for
good or for evil.

76
Chapter 4: Final Words

Art analysis is not an easy work, for the expressions can be interpreted from an infinite
range of points of view. In the course of making this present essay, I opted for a dialectical
approximation of the textual productions of both authors, considering mainly semantic factors,
as well as social, historical and even psychological ones. I believe to have achieved to expose
satisfactorily various aspects that involve the themes of the approached compositions and of
each one’s oeuvre in general.
There are, although, many other significant approaches that were not raised. A deeper
linguistic analysis certainly would bring up surprising approximations between the works of
William Blake and Ian Curtis, but the physical, mental and temporal limits restricted the focus.
Even the psychological and social theoretical foundations are superficial—in truth I searched
to attain to poetry itself.
As of the relevance of the theme boarded in the present work, I believe that the most
important point is the manner of using definite starting points to expose different inter-related
ideas. The presented ways may be more important than any conclusion that I might achieve—
there is, empirically, no conclusion.
At last, I must state that the spirit of art is eternal; it manifests in each moment by
different means and forms but it is immutable and indefinable itself. Any additional word
would be loquacity at this moment.

77
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