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11/01/2013

Apocalipse
Apenas Uma Panorâmica
O que oferece esperança ao cristão
em meio à tribulação e ao
sofrimento?

Por mais incrível que pareça,


simplificando o tema, este o objetivo
principal do livro de Apocalipse.
Pr. Fernando Fernandes
PIB em Penápolis, 30/12/12 e 06/01/2013 2

A salvação escatológica como O nome original do livro é Revelação,


apresentada em Apocalipse se reporta com o sentido de “descortinar”, “abrir
a esperança cristã que deve preencher a cortina” e revelar o que nos dá
o mais profundo anseio espiritual de esperança e o que está por vir, se
toda a criatura, embora nem sempre
perseveramos na esperança da
tenhamos plena consciência de que a
escatologia comprova e reafirma o salvação.
fato de que somos objetos do amor de
Deus e de sua graça salvadora Porém, devemos ter em mente que
revelados em Cristo Jesus e originariamente Apocalipse não era
demonstrados na cruz. 3 um livro de “mistérios”. 4

O autor é João, Ap 1.9,


que estava preso na
ilha de Patmos. Eles chegaram a esta conclusão por
causa do estilo do livro, que aponta
Na verdade,
que o escritor era um cristão de
atribuímos a autoria
ao Apóstolo João origem hebraica, e pelo profundo
devido as afirmações conhecimento que este autor
de Justino Mártir em demonstra ter do Antigo Testamento.
150 d.C. e de Irineu em
200 d.C.. 5 6

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João escreveu o
Apocalipse por volta
do ano 90 d.C. e o Domiciano exigia ser adorado e
endereçou às 7 Igrejas desejava implantar uma base de
da Ásia, que são as unidade espiritual no Império
igrejas do grande Romano, mas os cristãos se recusavam
avivamento relatado a adorá-lo, declarando que só Jesus é
em Atos 19.1-22, mas Senhor, sendo o único digno de toda
que estavam sendo adoração e de todo o louvor.
perseguidas pelo
Imperador Domiciano. 7 8

Essa recusa e essas declarações, bem


Além disso, Domiciano afirmava ter o como a pregação cristã, deflagraram a
destino do mundo em suas mão e os perseguição que foi mais acirrada
cristão rebatiam declarando e contra as igrejas da Ásia Menor, as
proclamando que Deus é quem tem o mais avivadas, em especial às igrejas
destino da história em suas poderosas de 2ª e 3ª geração, nas quais não se
mãos. tinha mais testemunhas oculares do
Ministério terreno do Senhor Jesus.
9 10

Nessas igrejas, o fervor quanto ao Diante desses fatos, João escreve ao


retorno de Cristo já não ardia com povo de Deus para fortalecê-los nas
tanta intensidade nos corações, a fé tribulações que enfrentavam e que
em Deus como sendo poderosa para ainda enfrentariam, apesar de todo o
livrar do jugo cruel de Roma era sofrimento, a fim de que mantivessem
questionada e, por isso, era grande a vívida na mente e nos corações a
pressão de falsos mestres na tentativa esperança de que o Senhor Jesus
de corromper a fé e a integridade voltaria em breve para destruir Roma
moral dos cristão, e de promover o e todos os inimigos da Igreja,
sincretismo, associando a fé cristã libertando o seu povo e garantindo a
com a servidão à Roma. 11
herança celestial eterna. 12

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Como João estava preso, ele não


Temos livros apocalípticos no Antigo
podia usar uma linguagem clara para
Testamento e na literatura religiosa
exortar a seus leitores e, por isso, ele
judaica que prevaleceu no período
optou pela literatura apocalíptica,
interbíblico, e que eram conhecidos
com uma linguagem extremamente
dos cristãos do 1º século, o que
escatológica, que só seria
facilitou a divulgação do livro de
compreendida pelos leitores cristãos,
Apocalipse escrito por João.
conhecedores deste tipo de literatura.
13 14

A literatura apocalíptica na Bíblia é


encontrada em Daniel 1 a 12, Isaías 24 Além dos livros canônicos, os cristãos
a 27; 33; 34 e 35, Ezequiel 2.8- a 3.39, conheciam o Livro de Henoque, que é
Zacarias 12 a 14, Joel 2, no discurso aceito até hoje pelas igrejas da
escatológico de Jesus em Marcos 13, etiópia, e o Apocalipse de Esdras, que
Mateus 24 e Lucas 21, nas cartas de aparece como apéndice na Vulgata e
Paulo, 1 Tessalonisences 4.13 a 5.11 e na Bíblia usada pela Igreja da
2 Tessalonisences 2, e no próprio livro Armênnia.
de Apocalipse.
15 16

Fora da Bíblia os livros apocalípticos,


O Apocalipse não é apenas um livro,
que são chamados de Livros Apócrifos,
mas sim todo um gênero literário que
são o Apocalipse de Pedro, o Segundo
surgiu e floresceu no Oriente Médio,
Livro de Enoque, o Livro dos Jubileus,
nos séculos I e II AEC (Antes da Era
atribuído a Moisés, a Assunção de
Cristã), e aparece nas literaturas
Moisés, o Livro de Baruque e o
judaica, cristã, gnóstica, grega, persa e
Testamento dos 12 Patriarcas,
latina.
atribuído aos 12 filhos de Jacó.
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É por isso que uma característica


A essência de um apocalipse não é o marcante do gênero apocalíptico é sua
fim do mundo, como geralmente se relação problemática e contraditória
pensa, mas uma revelação do futuro com a História.
glorioso que aguarda os escolhidos de
Deus que sofrem perseguição no Porém, cada apocalipse foi escrito em
tempo real e no espaço físico, natural, resposta a uma situação histórica
da história. concreta, normalmente a submissão a
algum conquistador mais forte.
19 20

Entretanto, os apocalipses não se Todos os apocalipses surgiram em


preocupam com a história passada, situações históricas específicas,
mas sim com a que virá, com a tempos de grande opressão e
enumeração dos fatos históricos que perseguição, quando os fiéis já não
ainda acontecerão antes do fim dos tinham mais esperanças de libertação.
tempos e da vitória final dos
escolhidos. Os autores dos apocalipses, e isso
inclui João, acreditavam viver no pior
Porém, de um modo ou de outro, a dos mundos e escreveram para
história, pregressa ou futura, está leitores que compartilhavam dessa
sempre presente nos apocalipses. 21 opinião. 22

A literatura apocalíptica é uma


literatura em crise, de crise e para um Na atualidade, para entendermos o
tempo de crise aguda, numa tentativa Apocalipse, devemos estudar a
de organizar e entender um mundo Escatologia, que é a Ciência do Fim da
avassalador que já não faz mais História, porém, sem perdermos de
sentido, mas também é uma literatura vista o fato de que a literatura
de crítica social, escrita por uma apocalíptica/escatológica não é uma
minoria descontente, impotente e literatura pura e simplesmente
desprivilegiada, mas fiel às suas profética.
convicções espirituais ou religiosas.
23 24

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Por ser recheado de figuras e de


simbolismo, os apocalipses e a
Também não podemos esquecer ou
literatura escatológica em si, são de
negligenciar o contexto histórico de
difícil interpretação.
cada livro escatológico, inclusive o do
Apocalipse de João, que escreveu aos
São muitos símbolos estranhos e
cristãos que vivenciavam momento
alguns até bizarros, com um gênero
histórico delicado, de perseguição e
peculiar e bem distinto, devendo, por
de esfriamento espiritual.
isso, se ter extremo cuidado em seu
estudo e em sua interpretação. 25 26

É por isso que devemos estudar o livro


Assim sendo, ao estudarmos o livro de de Apocalipse a partir do Método
Apocalipse, devemos ter em mente Histórico, que encara o livro como
que toda a sua simbologia está uma profecia simbólica de toda a
relacionada à esperança escatológica, história da igreja até a volta de Cristo
mas também ao contexto histórico de e o fim dos tempos, em que os
governo perverso, de desânimo e da símbolos apenas identificam os
cultura relativista e sincrética da diversos acontecimento e tendências
época. da história do mundo ocidental e da
27 Igreja. 28

Com base em Apocalipse 12, este


Mas também podemos estudá-lo pelo método afirma que a Besta é o mau
Método Idealista, que evita o em qualquer forma que ele tome para
problema de ter que encontrar oprimir a Igreja de Jesus Cristo.
cumprimento histórico para os seus
símbolos e vê somente um quadro
simbólico do conflito cósmico
espiritual entre o reino de Deus e os
poderes satânicos.
29 30

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O Método Futurista se divide em duas


Alguns preferem, entre estes a grande
vertentes, a Moderada, que entende
maioria pentecostal, o Método
que o povo que sofre a perseguição é
Futurista, que interpreta o Apocalipse
a Igreja de Jesus Cristo, a Israel de
como uma profecia de
Deus, e que lê as 7 cartas às igrejas
acontecimentos futuros, colocada em
apenas como escritas para igrejas
termos simbólicos, e que apontam e
históricas e não como uma predição
levam ao fim do mundo.
de períodos da história da Igreja.
31 32

As dispensações, expressas em
símbolos, caracterizam os 7 principais
períodos de declínio e de apostasia da
Já a vertente Dispensacionalista, igreja, bem como o arrebatamento
simboliza o arrebatamento da Igreja
defendida pelos pentecostais no fim dos tempos.
históricos, entende as 7 cartas às
Igrejas da Ásia como 7 épocas
sucessivas da História da Igreja.

33 34

Para os dispensacionalistas os
capítulos 6 a 18 de Apocalipse
retratam a grande tribulação, que Há ainda os que preferem o Método
acontecerá na última dispensação, Literal de interpretação do Apocalipse,
quando o Anticristo praticamente
defendendo a tese de que a
destruirá o povo de Deus, que é a
nação de Israel, em sua volta para interpretação verdadeira e correta da
Jerusalém, protegidos por um selo Bíblia é a que se baseia na literalidade
divino, Ap 7.1-8, para reconstruir o do texto escrito.
templo, Ap 11.1-3, posto que a igreja,
arrebatada, não mais estará na Terra. 35 36

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Há ainda aqueles que optam pelo


O problema deste método é que não Método Alegórico, que interpreta o
poderíamos entender as profecias do Apocalipse de maneira “figurada,
Antigo Testamento e as escatológicas, espiritual e mais profunda”, mas que
sobre o governo de Cristo como na verdade é espiritualizada e
cumpridas na história ou suscetíveis despreza totalmente o significado
de cumprimento, posto que reino de histórico do texto, prevalecendo as
Deus e de seu Cristo não é deste ideias mirabolantes do intérprete que
mundo e nem geopolítico, mas muitas vezes perverte a mensagem
bíblica para sustentar o seu obscuro e
espiritual.
37 manipulador teologismo escatológico. 38

Neste método, o sentido das palavras


Por fim, alguns, como eu, preferem o devem ser apurados mediante
Método Histórico-Gramatical, que dá considerações históricas e gramaticais
a cada palavra o mesmo sentido do tempo da escrita e do cotidiano
básico e exato que teriam no uso dos leitores originais em sua realidade
costumeiro, normal e cotidiano sociocultural, sem desprezar, porém, a
empregado na transmissão oral, simbologia, a tipologia e a alegoria
escrita, gramatical e conceitual do utilizadas pelos leitores originais na
Texto Sagrado. interpretação e na compreensão do
39 Texto Sagrado. 40

Na verdade, as grandes diferenças de Algumas questões


interpretação e os grandes debates
relevantes
sobre o milênio (pré-milenarismo,
pós-milenarismo e amilenarismo), devemos se
sobre o arrebatamento) da Igreja (pré- considerar sobre a
tribulacionista, midi-tribulacionista e escatologia e o
pós-tribulacionista), sobre a besta, estudo do livro de
sobre o Anticristo, sobre Israel e a Apocalipse.
igreja resultam do método de
interpretação utilizado para o estudo
do Apocalipse. 41
São elas: 42

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a) A Escatologia é um preceito bíblico


e deve ser levada a sério como
b) Ao estudarmos o Apocalipse
Doutrina, mas não é um fim em si
devemos ter em mente uma estrutura
mesma e nem é superior a
antitética, ou seja, um fato histórico,
necessidade de comunhão com Deus,
uma figura, um símbolo ou uma
de fidelidade a Deus e a Jesus, e de
profecia está sempre em oposição ao
santidade, e nem supera a ordenança
seu equivalente no mundo real, físico
da pregação do evangelho, seja pela
e natural.
autoridade testemunhal ou pela
proclamação. 43 44

c) Em Apocalipse o contraste entre a


era presente e a vindoura é
Vemos esta estrutura em 1Co 13.12, parcialmente rompido, visto que sua
Mc 10.30, Lc 18.30, Mt 12.32 e Hb 6.4- interpretação depende da convicção
5, e esta dinâmica antitética é o que de que o Rei Messias se fez carne e
deve orientar a nossa interpretação veio ao mundo para salvar os que nele
sobre o que “JÁ” e o que “AINDA NÃO” creem, e para resgatar aqueles que
se cumpriu na profecia escatológica ou “já” estão santificados e preparados
para o arrebatamento e o juízo final, e
apocalíptica. que se motivam pela parousia, a
45
segunda vinda do Rei Messias. 46

e) Sobre os “últimos dias” em


d) Ao lermos e estudarmos o Apocalipse, para melhor
Apocalipse, devemos ter em mente compreendermos o seu significado,
que a questão dos últimos dias no devemos ter em mente o sermão de
Novo Testamento deve ser Pedro em Atos 2, em especial os vs. 17
e 18, quando ele cita Joel 2.28-29,
compreendida como a expansão e o porém, sem afirmar que aquele dia
cumprimento da Profecia e da História era “O” dia do Senhor, mas apenas
do Antigo Testamento, da mesma indicando que algum dos aspectos dos
forma como os escritores bíblicos “últimos dias” mencionados em Joel
judeus do NT a compreendiam. haviam se cumprido e estavam
47 acontecendo. 48

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Esta compreensão é importante f) Ao estudarmos o Apocalipse


porque nos ajuda a perceber que os devemos ter em mente que “o dia do
“últimos dias” do Antigo Testamento Senhor” não é um dia específico na
não está se referindo somente ao fim história, um evento pontual, mas sim,
absoluto ou à plena consumação da
como no caso dos “últimos dias”, é
Terra, mas também aos muitos
acontecimentos antecedentes à uma expressão que vem do Antigo
segunda vinda de Jesus e aos eventos para o Novo Testamento com o
e cataclismos conducentes a este sentido de um tempo de intervenção
momento, bem como ao fim de Deus na história, para acerto de
derradeiro do mundo. 49 contas. 50

1. A diferenciação entre o justo e o


injusto, Amós 5.18-24.
Neste sentido, de intervenção de Deus
na história para acerto de contas,
reside a dimensão escatológica do
“dia do Senhor, que abrange três
aspectos distintos:

51 52

3. O julgamento ou juízo final vai


2. A salvação/regeneração de todos os acontecer de fato,
que renunciaram tudo por Jesus e que Salmo 9.17 e Joel 3.8-9.
perseveraram até o fim, Mateus 19.28.

53 54

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b) Devemos não apenas desejar esta


Além desses aspectos, uma coisa é
volta, 1 Coríntios 16.22, Filipenses
certa:
3.20, Tito 2.12-13 e Apocalipse 22.20,
mas devemos estar preparados para a
a) Haverá uma volta súbita, pessoal,
parousia, a segunda vinda de Jesus,
corpórea e visível de Jesus Cristo,
no fim dos tempos, Mateus 24.44 e
Mateus 24.44, João 145.3, Atos 1.11,
50, Mateus 25.13, Marcos 13.32-33,
1 Tessalonicenses 4.16, Hebreus 9.28,
1 Tessalonicenses 5.2, Tiago 5.7-9,
Tiago 5.8, 2 Pedro 3.10, 1 João 3.2 e
Hebreus 10.25, 1 Pedro 4.7,
Apocalipese22.20.
55 Apocalipse 1.3, 22.7, 12 e 20. 56

c) A nossa compreensão sobre a Porém, a escatologia da salvação só


escatologia e sobre o livro de faz sentido e só reflete a Revelação
Apocalipse só fará sentido quando nos bíblica quando é vinculada e centrada
libertarmos do desejo de decifrar o no senhorio de Cristo sobre a Igreja,
simbolismo enigmático do tema e Corpo de Cristo, sobre a Igreja Local,
quando entendermos que a nossa nossa Eclesiologia e Identidade
salvação é, de fato, escatológica, Doutrinária e, de forma integral e
Mateus 20.22-23, Mt 24.10-13 e incondicional, visto sermos Igreja,
Hebreus 10.35-37. sobre as nossas vidas.
57 58

i. As Duas Cidades,
d) Devemos também tomar cuidado de Santo Agostinho.
com algumas interpretações da
Doutrina das Últimas Coisas, a
Escatologia, que exercem influência
sobre várias denominações
evangélicas, inclusive a nossa, Batista,
tais como:
59 60

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Doutrina expressa no livro A Cidade ii. A Divina Comédia,


de Deus, tem como tema central o de Dante Alighieri.
colapso do Império Romano e a queda
de Roma, como resultado da
complexidade da relação entre a
“cidade de Deus”, destino dos fiéis, e a
“cidade dos homens”, onde vivemos,
apresentando a igreja como uma
espécie de exílio neste período
intermediário entre a encarnação de
Jesus e a sua volta final em glória.
61 62

Este livro acabou por definir o


iii. A Esperança em
conceito cristão católico de inferno e
Face da Morte,
de danação eterna, bem diferente, em
Doutrina
vários aspectos, daquilo que é
desenvolvida pelo
ensinado por Jesus na Bíblia Sagrada,
Pastor Anglicano
e, devido a influência do catolicismo
Jeremy Taylor,
no Brasil, influencia também a ideia
quando da morte
de inferno de muitos cristãos
de sua esposa
evangélicos.
63 64

O problema desta
Esta doutrina tem como tônica a ideia doutrina é que, por ter
sido mau interpretada,
de que “morrer bem é uma grande gerou um muitos uma
arte”, razão pela qual o cristão não acomodação espiritual
deve ter medo da morte, mas sim contemplativa que se
alimentar a sua esperança cristã pela expressa através de um
exagerado triunfalismo
contemplação daquilo que ele expresso na maioria
encontrará depois e além da morte. dos hinos fúnebres do
65
cancioneiro evangélico.
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É por causa desse triunfalismo e dessa


iv. A
acomodação nefasta que costumo
Demitologização
dizer, citando o “profeta” Raul Seixas,
da Escatologia e
que tem muita gente sentada nos
do Apocalipse de
bancos das igrejas “com a boca
João, proposta
arreganhada cheia de dentes
por Rudolf
esperando a morte chegar”, enquanto
Bultmann.
o céu não vem.
67 68

Para Bultimann não haverá um “juízo


Bultmann alegava que as crenças final”, posto que não haverá
sobre o fim da história como previstas julgamento futuro ou depois do fim do
na Escatologia e em Apocalipse eram mundo.
apenas mitos e que deveriam ser
interpretadas existencialmente, visto Para ele, o que realmente existe e
que tais mitos dizem respeito ao aqui acontece é o julgamento que fazemos
e o agora da existência humana, das de nós mesmos a cada dia, e que este
decisões que tomamos e da nossa julgamento influencia o nosso destino
no futuro, se o fim do mundo não for
própria morte.
69 apenas um mito. 70

Para Moltmann, Deus é parte do


v. A Teologia da processo do tempo, em direção ao
Esperança, futuro, não sendo, portanto, absoluto,
proposta por mas apenas estando a caminho do
Jürgen Moltmann, futuro, onde se cumprirão as suas
no livro publicado promessas.
em 1964, na
Alemanha. O futuro é a natureza essencial de
71
Deus.
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Segundo Moltmann, a ressurreição de Em lugar de olhar a


Jesus Cristo como evento histórico não partir da tumba vazia
tem nenhuma importância. em direção ao futuro,
ele sugere olharmos
A importância da ressurreição de sempre para o futuro,
Cristo é escatológica e deve ser vista porque é o futuro que
pela perspectiva do futuro, porque dá legitimará a
aos cristãos a “esperança” de uma ressurreição de
ressurreição geral no futuro. Cristo.
73 74

Para ele, o homem participa na


teologia da cruz aceitando que os
A solução para o homem e seu pecado
desafios da vida são momentos
é associar-se a Deus, que “se
futuros que se rompem no presente,
apresenta sempre que a humanidade
razão pela qual devemos participar
se despreza ou se brutaliza”, através
ativamente na sociedade, para
do que Moltmann, que era Luterano,
transformá-la, eliminando as
chama de teologia da cruz.
diferenças de “raças, classes, status e
igrejas nacionais.”
75 76

A igreja é o instrumento de Deus para


a mudança, para reconciliar aos ricos
com os pobres, as raças e as
estruturas sociais, provocando uma
grande revolução, que pode ser um
dos meios para que a igreja introduza
mudanças radicais no mundo e na
sociedade.
77 78

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Porém, ele faz uma perigosa e errônea


dissociação da História com a
Escatologia, negando o verdadeiro Assim pensando, Jürgen Moltmann
significado da história e seus eventos, nega a compreensão normal da
negando também, por isso, a História e rejeita o significado da
imutabilidade de Deus, Malaquias 3.6, historicidade da ressurreição de
visto que, para ele, Deus “se move Cristo, encarando tudo como uma
para o futuro”, mas sem intervir na mera previsão do futuro.
história vivenciada e escriturada pelo
ser humano. 79 80

Não é difícil perceber a influência do Sem dúvida alguma, as Teologias da


Marxismo e do “Marxismo Cristão” de Libertação, da Prosperidade, da
Ernst Bloch nesta proposta de Igreja Confissão Positiva e o Teísmo Aberto
transformando a sociedade e o têm as suas raízes na Teologia da
mundo. Esperança e na proposta de revolução
e mudança social de Moltmann.

81 82

“Esteja atento, e tenha um espírito


avivado [...] Seja sempre mais zeloso
do és agora. Analise as épocas
Para encerrar esta panorâmica sobre o
cuidadosamente. Olhe para Aquele
estudo de Apocalipse, deixo com os
que está acima de todo o tempo, que
amados alguns sábios conselhos:
é eterno e invisível, e que, no entanto,
se tornou visível para o nosso bem”.
Inácio de Antioquia
83 84

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Santo Inácio, um dos


Pais da Igreja Primitiva,
o terceiro bispo de “Que a graça venha, e este mundo
Antioquia, e chamado passe. Hosana ao Deus (Filho) de Davi!
de “Inácio, o Teóforo”, Se alguém é santo, que venha, se
o que traz Deus com
alguém não é santo, que se
ele, e que já idoso foi
levado acorrentado a arrependa. Maranata. Amém.
Roma, onde foi O Didaquê – 10.6
martirizado no Coliseu,
lançado às feras. 85 86

O Didaquê é o livro
de instrução
doutrinária, com “Por que, então, não rejeitar todo o
base nos cuidado terreno e nos preparar para
ensinanentos dos encontrar o Senhor Jesus Cristo?”
Apóstolos, que
circulou nas igrejas Efraim da Síria
cristãs entre 120 e
150 d.C.
87 88

Efraim foi um poeta


cristão sírio que
A minha oração é para que a partir do
viveu entre 306 e
dia 13/01, terceiro domingo de
373 d.C., e seus
janeiro, tenhamos proveitosas,
manuscritos foram
abençoadas e abençoadoras aulas
encontrados, ainda
sobre o livro de Apocalipse em nossa
sem tradução,
EBD.
somente no século
20.
89 90

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Fontes:

LADD, George. Apocalipse – Introdução e


Comentário. Mundo Cristão e Vida Nova

STURZ, Richard J. Teologia Sistemática.


Vida Nova

PENTECOST, J. Dwigth. Manual de


Amém. 91
Escatologia. Vida 92

PANNENBERG, Wolfhart. Teologia


McGRATH, Alister E. Teologia Sistemática,
Sistemática. Vol. 3. Academia Cristã e
Histórica e Filosófica. Shedd
Paulus
GEISLER, Norman. Teologia Sistemática.
CULVER, Robert D. Teologia Sistemática,
Vol. 2. CPAD
Bíblica e Histórica. Shedd
Comentário Bíblico Bradman. Vol. 12 –
GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática.
Hebreus a Apocalipse, JUERP
Vida.
93 94

A Bíblia de Estudo do Discípulo/IBB

http://interney.net/blogs/lll/2008/05/06/
o_que_e_a_literatura_apocaliptica/

http://doutrinacalvinista.blogspot.com.br
/2012/01/teologia-da-esperanca-jurgen-
moltmann.html
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