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LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL

Terrorismo
Renato Brasileiro
Aula 1

ROTEIRO DE AULA

Tema: Terrorismo – Lei n. 13.260/16

Sugestão de leitura: Manual de Legislação Criminal Especial, Professor Renato Brasileiro, trata o assunto de modo
completo.

1. Mandados de criminalização (ou de penalização).

São normas constitucionais que criam para o legislador infraconstitucional a obrigação de criminalizar lesões a
determinados bens jurídicos. Veja:

Constituição Federal
Art. 5º (...)
(...)
XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura , o tráfico ilícito de
entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes,
os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;

Dica de leitura: Obra do professor Alberto Silva Franco – Crimes Hediondos.

Legislação:

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Crimes hediondos – L. 8.072/90;
Trafico ilícito de entorpecentes – L. 11. 343/06;
Tortura – L. 9455/97;
Terrorismo – L. 13.260/16.

Porque demorou tanto?

1º - ausência de histórico terrorista no Brasil;


2º - dificuldade em conceituar terrorismo.

Lei n. 13.260/16
Art. 1o Esta Lei regulamenta o disposto no inciso XLIII do art. 5º da Constituição Federal, disciplinando o terrorismo,
tratando de disposições investigatórias e processuais e reformulando o conceito de organização terrorista.

2. Conceito do crime de terrorismo no Direito Pátrio.

2.1. (In) existência do crime de terrorismo no Brasil antes da Lei n. 13.260/16.

1º corrente (minoritária) -> Antonio Scarance Fernades: o terrorismo já estava previsto no ordenamento jurídico, no
art. 20 da Lei 7.170/83 (Lei de Segurança Nacional – define os crimes políticos).

Lei n. 7.170/83
Art. 20. Devastar, saquear, extorquir, roubar, sequestrar, manter em cárcere privado, incendiar, depredar, provocar
explosão, praticar atentado pessoal ou atos de [terrorismo], por inconformismo político ou para obtenção de fundos
destinados à manutenção de organizações políticas clandestinas ou subversivas.

2ª corrente (majoritária) -> Alberto Silva Franco: o terrorismo não estava previsto no ordenamento jurídico porque o
art. 20, da L. 7.170/83, muito embora contenha a expressão “atos de terrorismo”. não define o que é terrorismo. E,
considerar a expressão como forma de crime, seria uma violação ao princípio da legalidade, em uma de suas vertentes,
ou seja, a taxatividade – “nullum crimen nulla poena sine lege certa”.

O STF reconheceu, indiretamente, a 2ª corrente, no julgado da PPE 730/2014, ao determinar que não seria possível a
extradição por falta de previsão no ordenamento jurídico brasileiro.

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Conclusão: hoje não há mais controvérsia, com o advento da L. 13.260/16, seu art. 2º traz, expressamente, o conceito
de terrorismo.

Lei n. 13.260/16 (vigência em 18/03/2016)

Crime:
Art. 2o O terrorismo consiste na prática por um ou mais indivíduos dos atos previstos neste artigo, [1] por razões de
xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com [2] a finalidade de
provocar terror social ou generalizado, [3] expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade
pública.

Meios de execução:
§ 1o São atos de terrorismo:
I - usar ou ameaçar usar, transportar, guardar, portar ou trazer consigo explosivos, gases tóxicos, venenos, conteúdos
biológicos, químicos, nucleares ou outros meios capazes de causar danos ou promover destruição em massa;
II – (VETADO);
III - (VETADO);
(...)
IV - sabotar o funcionamento ou apoderar-se, com violência, grave ameaça a pessoa ou servindo-se de mecanismos
cibernéticos, do controle total ou parcial, ainda que de modo temporário, de meio de comunicação ou de transporte, de
portos, aeroportos, estações ferroviárias ou rodoviárias, hospitais, casas de saúde, escolas, estádios esportivos,
instalações públicas ou locais onde funcionem serviços públicos essenciais, instalações de geração ou transmissão de
energia, instalações militares, instalações de exploração, refino e processamento de petróleo e gás e instituições
bancárias e sua rede de atendimento;
V - atentar contra a vida ou a integridade física de pessoa:
Pena - reclusão, de doze a trinta anos, além das sanções correspondentes à ameaça ou à violência.

Cuidado: ataques do PCC não é terrorismo por ausência dos 3 elementos constantes nos caput do art. 2º.

2.2. Terrorismo com crime equiparado a hediondo.

a) Corrente ampliativa: arts. 2º + 3º + 5º + 6º, da L. 13.260/16.

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A CF, no art. 5º, XLIII, estabelece que o tráfico ilícito de drogas, a tortura e o terrorismo (T.T.T) são equiparados aos
crimes hediondos.

Mas a qual espécie de terrorismo a CF equipara a crime hediondo?

Para a corrente ampliativa, os crimes de terrorismo, que podem ser equiparados aos hediondos, são todos os previstos
na L. 13.260/16, ou seja, os arts. 2º + 3º + 5º + 6º.

Entenda que a L. 13.260/16 possui 4 crimes:

1) terrorismo
Art. 2o O terrorismo consiste na prática por um ou mais indivíduos dos atos previstos neste artigo, por razões de
xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar
terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública.
§ 1o São atos de terrorismo:
(...)

2) organização terrorista
Art. 3o Promover, constituir, integrar ou prestar auxílio, pessoalmente ou por interposta pessoa, a [organização
terrorista] -> definição de organização criminosa da L. 12.850/13
Pena - reclusão, de cinco a oito anos, e multa.

3) atos preparatórios de terrorismo


Art. 5o Realizar [atos preparatórios de terrorismo] com o propósito inequívoco de consumar tal delito:
Pena - a correspondente ao delito consumado, diminuída de um quarto até a metade.
§ lo Incorre nas mesmas penas o agente que, com o propósito de praticar atos de terrorismo:
I - recrutar, organizar, transportar ou municiar indivíduos que viajem para país distinto daquele de sua residência ou
nacionalidade; ou
II - fornecer ou receber treinamento em país distinto daquele de sua residência ou nacionalidade.
(...)

4) financiamento ao terrorismo
Art. 6o Receber, prover, oferecer, obter, guardar, manter em depósito, solicitar, investir, de qualquer modo, direta ou
indiretamente, recursos, ativos, bens, direitos, valores ou serviços de qualquer natureza, para o [planejamento, a
preparação ou a execução] dos crimes previstos nesta Lei:

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Pena - reclusão, de quinze a trinta anos.

A corrente ampliativa é equivocada, porque a CF é clara ao especificar que o delito equiparado ao crime hediondo é o
“terrorismo”, portando os demais (organização terrorista, atos preparatórios e financiamento do terrorismo) não!

b) Corrente restritiva: apenas o delito do art. 2º, da L. 13.260/16, é equiparado aos crimes hediondos.

Para fundamentar a posição da corrente restritiva, arts. 17 e 18 da L. 13.260/16:

L. 13.260/16
Art. 17. Aplicam-se as disposições da Lei n. 8.072/90 (crimes hediondos), aos crimes previstos nesta Lei.
Art. 18. O inciso III do art. 1o da Lei n. 7.960/89 (lei da prisão temporária), passa a vigorar acrescido da seguinte alínea p:
“Art. 1º
III (...)
p) crimes previstos na Lei de Terrorismo.”

2.3. Bem jurídico tutelado.

Qual é o bem jurídico do crime de terrorismo?

Na obra Derecho Penal Del Terrorismo, Mariona Llobet Angli diz que podemos ter ao menos 3 correntes:

1ª corrente = mesmo bem jurídico tutelado pelo ato de terrorismo;


2ª corrente = atenta contra a própria democracia, porque os agentes visam, através de um terror social generalizado,
alguma mudança política;
3ª corrente = é a paz pública, que pode ser definida nos seguintes termos: sentimento que a sociedade tem em relação
à sua segurança.

Para provas de concursos públicos, assuma a posição da 3ª corrente.

Entenda por que a 1ª e 2ª corrente devem ser descartadas:

O erro da 1ª corrente -> o terrorismo (art. 2º, caput) é diferente de atos de terrorismo (art. 2º, §1º) e, o dispositivo, ao
estabelecer a pena, já afasta a aplicabilidade do princípio da consunção (crimes fins absorvem os crimes meios):

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Pena - reclusão, de doze a trinta anos, além das sanções correspondentes à ameaça ou à violência.

Ou seja, 12 a 30 anos, em concurso formal impróprio com o crime de ameaça ou violência, portanto os bens jurídicos
tutelados são diversos.

O erro da 2ª corrente -> no Brasil o terrorismo não contém o especial fim de agir de provocar mudanças políticas.

Por tudo isso, o ideal é dizer que o bem jurídico tutelado é a paz pública.

Curiosidade: tramita, no Congresso Nacional, um PL 236/2012 de alteração do Código Penal, que determina a
incorporação dos crimes previstos em leis penais especiais ao Código Penal, e, por esse PL, a L. 13.260/16 foi adicionada
ao Código Penal, no capítulo que trata dos crimes que tutelam a paz pública!

Também, para o doutrinador André Luis Calegario, é a paz pública o bem jurídico tutelado.

2.4. Sujeitos do crime.

O terrorismo é um crime comum, ou seja, aquele que pode ser praticado por qualquer pessoa. A lei não exige nenhuma
qualidade especial do agente.

Obs. 1: qualidade organizacional como elementar do crime de terrorismo:

O crime de terrorismo tem que ser praticado por uma organização terrorista?

Para doutrina estrangeira, a organização terrorista é uma elementar do crime de terrorismo, de modo que pode ser
praticado por um agente, mas desde que tal agente faça parte de uma organização terrorista.

No Brasil não! O art. 2º é claro ao dizer que o terrorismo pode ser praticado “por um ou mais indivíduos”, sendo assim
não é elementar do crime ser praticado por uma organização terrorista.

Obs. 2: terrorismo individual:

No ordenamento jurídico brasileiro o crime de terrorismo é unissubjetivo (que pode ser praticado por uma ou mais
pessoas). E, veja que:

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Se praticado por 1 pessoa -> responde o agente pelo art. 2º, caput;
Se praticado por 1 pessoa participante de uma organização terrorista -> responde o agente pelo art. 2º, acrescido do
art. 3º e pelos demais crimes que houver cometido (homicídios, ameaças, lesões corporais, danos, incêndio, explosivo e
outros.

Terminologia usada pela doutrina estrangeira - LOBO SOLITÁRIO – Long Wolf -> alguém que organiza e executa atos
terroristas sem estar associado à nenhuma organização terrorista.

O FBI está evitando a expressão lobo porque traduz a ideia de um animal bonito e simpático, e, por isso, nos EUA eles
substituem por RATO SOLITÁRIO – Long Rat.

2.5. Tipo objetivo.

O crime de terrorismo é praticado através da execução, reiterada e aleatória, de crimes violentos contra bens jurídicos
essenciais.

As condutas descritas pelo art. 2º correspondem a outros crimes já previstos no CP.

Agora, atenção e cuidado!

O caput do art. 2º, por conter a expressão “dos atos previstos neste artigo”, é uma Norma Penal Em Branco*, que
necessita de complementação, e que, por isso, traz no § 1º os atos de terrorismo, que não define o crime de terrorismo,
mas estabelece os Meios De Execução do crime de terrorismo.

*Como o próprio artigo, em seu §1º, já traz a complementação, que foi editada pelo mesmo órgão (Congresso Nacional)
e oriundo do mesmo ramo do direito (penal), trata-se de uma Norma Penal Em Branco Homogênea e Homovitelina.

2.6. Tipo subjetivo.

Principal problema!

Dificilmente, condutas têm sido enquadradas como terrorismo devido ausência do preenchimento de todas
elementares atinentes ao tipo subjetivo.

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O tipo subjetivo é constituído por um elemento geral (dolo = consciência e vontade) somado ao especial motivo de agir
e especial fim de agir.

2.6.1. Especial motivo de agir (motivação).

Evidente que, o especial MOTIVO não se confunde com o especial FIM de agir! Porque, como o próprio nome indica,
refere-se aos MOTIVOS que impulsionaram a conduta:

a) Xenofobia: xénos = estrangeiro / phóbos = medo -> hostilidade ao estrangeiro;

b)Discriminação: promover qualquer tipo de distinção ou exclusão, mediante ações negativas (discriminação negativa);
porque a discriminação positiva (cotas racias, por exemplo) é permitida;

c) Preconceito: opinião formada antecipadamente;

Perceba que, apesar da lei usar “ou” o correto seria “e”, porque o preconceito se materializa através de algum ato de
discriminação:

Art. 2o O terrorismo consiste na prática por um ou mais indivíduos dos atos previstos neste artigo, [1] por razões de
xenofobia, discriminação (“ou”) preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com [2] a finalidade de
provocar terror social ou generalizado, [3] expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade
pública.

Entenda que a discriminação e preconceito estão obrigatoriamente, e diretamente, ligados com as elementares abaixo:

d)Raça: conjunto de pessoas com características físicas ou biológicas semelhantes porque transmitidas
hereditariamente -> mas, o conceito de raça, vem sendo criticado pela doutrina mais moderna, inclusive HC 82.424 do
STF, porque não pode estabelecer diferença sob ponto de vista biológico;

e) Cor: a tonalidade epidérmica;

f) Etnia: vínculos culturais semelhantes;

g) Religião; modo de manifestação da fé ou da ausência de fé, portanto ate o ateu poder ser vítima.

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2.6.2. Especial fim de agir de provocar terror social ou generalizado.

O especial FIM de agir refere-se à finalidade, ou seja, o objetivo do agente ao praticar o delito, qual seja, de provocar
terror social ou generalizado.

Aqui, surge o que a doutrina chama de:

Método terrorista:

a) Caráter aleatório (ou indiscriminado de escolha das vítimas - vítimas sem rosto); porque gera mais pânico;
b) Instrumentalização das vítimas (intimidação massiva); vitimas são usadas como instrumentos para intimidar toda a
sociedade;
c) Perspectiva de reiteração dos atos; o terrorismo não é crime habitual, basta a perspectiva de que haverão outros
d) Terrorismo e mídia; a mídia tem a obrigação e direito de levar informações, mas, por conta da internet, as imagens de
um ato terrorista circulam de um aparelho eletrônico para outro de modo rápido e impactante, causando um temor nas
pessoas.

Obs. 1: (des) necessidade de finalidades políticas; lei brasileira não exige.

2.7. Consumação e tentativa.

A consumação ocorre quando houver a prática de um dos atos terroristas;


A tentativa é possível, ao menos em tese, porque o terrorismo é um crime plurissubsistente (que pode ser fracionado),
contudo é necessário analisar o caso concreto.

2.8. Classificação doutrinária do crime de terrorismo do art. 2º, caput, da Lei n. 13.260/16.

O terrorismo é um crime:

-comum – cometido por qualquer pessoa;


-unissubjetivo – por uma pessoa ou concurso de agentes;
-perigo concreto – a situação de perigo está inserida no próprio tipo penal funcionando como elementar do delito;
-formal – existe um resultado previsto no tipo penal que não precisa ocorrer para consumação do delito;
-ação múltipla ou conteúdo variado – por vários atos diferentes;
-de intenção – porque requer um agir com ânimo e finalidade.

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2.9. Distinção entre o crime de terrorismo e atos de terrorismo.

O crime de terrorismo está tipificado no art. 2º, já os atos de terrorismo são meios de execução, especificados no §1º.

Crime:
Art. 2o O terrorismo consiste na prática por um ou mais indivíduos dos atos previstos neste artigo, [1] por razões de
xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com [2] a finalidade de
provocar terror social ou generalizado, [3] expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade
pública.

Meios de execução:
§ 1o São atos de terrorismo:
I - usar ou ameaçar usar, transportar, guardar, portar ou trazer consigo explosivos, gases tóxicos, venenos, conteúdos
biológicos, químicos, nucleares ou outros meios capazes de causar danos ou promover destruição em massa;
II – (VETADO);
III - (VETADO);
(...)
IV - sabotar o funcionamento ou apoderar-se, com violência, grave ameaça a pessoa ou servindo-se de mecanismos
cibernéticos, do controle total ou parcial, ainda que de modo temporário, de meio de comunicação ou de transporte, de
portos, aeroportos, estações ferroviárias ou rodoviárias, hospitais, casas de saúde, escolas, estádios esportivos,
instalações públicas ou locais onde funcionem serviços públicos essenciais, instalações de geração ou transmissão de
energia, instalações militares, instalações de exploração, refino e processamento de petróleo e gás e instituições
bancárias e sua rede de atendimento;
V - atentar contra a vida ou a integridade física de pessoa:
Pena - reclusão, de doze a trinta anos, além das sanções correspondentes à ameaça ou à violência.

2.10. Conflito aparente de normas.

2.11. Manifestações sociais e terrorismo.

Aposta de questão para prova de Defensoria Pública.

As manifestações sociais NÃO tipificam o terrorismo, por ausência do especial motivo de agir.

Mas, se a parte inicial do § 2º, expressamente se refere ao art. 2º, como ficam os demais crimes?

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Art. 2º(...)
§ 2o O disposto [neste artigo] não se aplica à conduta individual ou coletiva de pessoas em manifestações políticas,
movimentos sociais, sindicais, religiosos, de classe ou de categoria profissional, direcionados por propósitos sociais ou
reivindicatórios, visando a contestar, criticar, protestar ou apoiar, com o objetivo de defender direitos, garantias e
liberdades constitucionais, [sem prejuízo da tipificação penal contida em lei].

O §2º deve ser interpretado extensivamente aos demais crimes previstos na L. 13.260/16.

A parte final do §2ª acrescenta que as manifestações sociais podem caracterizar outros delitos.

3. Organização terrorista.

Lei n. 13.260/16
Art. 3o Promover, constituir, integrar ou prestar auxílio, pessoalmente ou por interposta pessoa, a organização
terrorista:
Pena - reclusão, de cinco a oito anos, e multa.

Como o artigo 3º da L. 13.260/16 não definiu o conceito de organização terrorista, deve-se aproveitar o conceito de
organização criminosa, da L. 12.850/13, atrelado ao terrorismo

Obs. 1: conceito legal de organização criminosa;


Lei n. 12.850/13
Art. 1º (...)
§ 1o Considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente ordenada e
caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente,
vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores a 4
(quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional.

4. Preparação de terrorismo.

Lei n. 13.260/16
Art. 5o Realizar [atos preparatórios] de terrorismo com o propósito inequívoco de consumar tal delito:
Pena - a correspondente ao delito consumado, diminuída de um quarto até a metade.
§ lo Incorre nas mesmas penas o agente que, com o propósito de praticar atos de terrorismo:

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I - recrutar, organizar, transportar ou municiar indivíduos que viajem para país distinto daquele de sua residência ou
nacionalidade; ou
II - fornecer ou receber treinamento em país distinto daquele de sua residência ou nacionalidade.

Combatente terrorista estrangeiro: aqueles indivíduos que viajam para um Estado distinto daqueles de sua residência
ou nacionalidade, com o propósito de perpetrar, planejar, preparar ou participar de atos terroristas, ou fornecer ou
receber treinamento para o terrorismo, inclusive em conexão com conflitos armados.

Para entender o art. 5º, lembre se do Iter Criminis:

cogitação preparação execução consumação


Exceção: Regra:
-> art. 288/291, DPenal ->
CP; art. 5º da intervem
L.13.260/16

A regra é que o direito penal intervenha quando houver atos de execução, todavia, alguns atos preparatórios são tão
graves que serão punidos como crime. Ex: arts. 288, 291, do CP; e art. 5º da L. 13.260/16.

Pergunta de prova: existe inconstitucionalidade em o legislador punir atos preparatórios?

NÃO.

Na verdade o problema do art .5º não é punir atos preparatórios, mas a falta de definição legal do que seriam atos
preparatórios de terrorismo.

E, a pouca doutrina que temos, sobre a L.13.260/90, vem questionando do art. 5º sob a ótica do princípio da legalidade,
sobre a regra da taxatividade - “nullum crimem nulla poena sine lege certa”, porque o tipo penal não descreve o que é
atos preparatórios de terrorismo.

Veja que o § 1º, do art. 5º, também pune atos preparatórios de terrorismo, mas, ao invés de se valer de uma fórmula
genérica e aberta (como a do caput), ele específica quais seriam os atos preparatórios.

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Combatente terrorista estrangeiro: aqueles indivíduos que viajam para um Estado distinto daqueles de sua residência
ou nacionalidade, com o propósito de perpetrar, planejar, preparar ou participar de atos terroristas, ou fornecer ou
receber treinamento para o terrorismo, inclusive em conexão com conflitos armados.

Treinamento para terrorismo: deve ser compreendido como o fato de dar instruções para o fabrico ou para a utilização
de explosivos, armas de fogo ou outras armas ou substâncias nocivas ou perigosas ou para outros métodos e técnicas
específicos tendo em vista a prática de uma infração terrorista ou contribuir para a sua prática, sabendo que os
conhecimentos específicos fornecidos visam à realização de tal objetivo;

5. Financiamento ao terrorismo e às organizações terroristas.

Art. 6o Receber, prover, oferecer, obter, guardar, manter em depósito, solicitar, investir, de qualquer modo, direta ou
indiretamente, recursos, ativos, bens, direitos, valores ou serviços de qualquer natureza, para o planejamento, a
preparação ou a execução dos crimes previstos nesta Lei:
Pena - reclusão, de quinze a trinta anos.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem oferecer ou receber, obtiver, guardar, mantiver em depósito, solicitar,
investir ou de qualquer modo contribuir para a obtenção de ativo, bem ou recurso financeiro, com a finalidade de
financiar, total ou parcialmente, pessoa, grupo de pessoas, associação, entidade, organização criminosa que tenha como
atividade principal ou secundária, mesmo em caráter eventual, a prática dos crimes previstos nesta Lei.

O crime do art. 6º (financiamento ao terrorismo) se assemelha ao crime do art. 36 (financiamento ao terrorismo) da L.


11.343/06.

6. Desistência voluntária e arrependimento eficaz na Lei n. 13.260/16.

É a chamada ponte de ouro que o ordenamento jurídico coloca no iter criminis para que o agente, que já haja praticado
atos executórios, possa voltar atrás:

CP
Art. 15. O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução [ou] impede que o resultado se produza, só
responde pelos atos já praticados.

Ex: marido envenena sua esposa, com intenção de matá-la, mas, desiste e impede o resultado lhe oferecendo um
antídoto.

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Agora veja a diferença com na L. 13.260/16:
Lei n. 13.260/16
Art. 10. Mesmo antes de iniciada a execução do crime de terrorismo, na hipótese do art. 5 o desta Lei, aplicam-se as
disposições do art. 15 do Código Penal.

Ex; agente vai ao Paraguai compra um fuzil, mas desiste de cometer o terrorismo, por isso vai responde pelos atos já
praticados.

7. Juiz natural para o processo e julgamento dos crimes previstos na L. 13.260/16

Lei n. 13.260/16

Art. 11. Para todos os efeitos legais, considera-se que os crimes previstos nesta Lei são praticados contra o interesse da
União, cabendo à Polícia Federal a investigação criminal, em sede de inquérito policial, e à Justiça Federal o seu
processamento e julgamento, nos termos do [inciso IV do art. 109 da Constituição Federal].
|
Para prova objetiva,
conheça o texto legal!

Mas, de acordo com a doutrina, que escreve sobre a L.13.260/16, nesse ponto a redação do artigo 11 é manifestamente
inconstitucional.

Veja alguns dos 5 motivos elencados no Manual de Legislação Criminal Especial, do Professor Renato Brasileiro:

1º) o crime de terrorismo não é praticado contra a União, porque o bem jurídico tutelado, sendo a paz pública, pertence
a toda sociedade:

2º) a República Federativa do Brasil não é sinônimo de União;

3ª) o crime de terrorismo não tem o requisito de internacionalidade territorial do resultado exigido para os crimes
previstos em tratado ou convenção internacional;

Então, é inconstitucional, segundo o professor, assim como para Fabio Roque (Legislação Criminal Especial, Fábio Roque,
Nestor Távora e Rosmar Rodrigues Alencar)

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8. Atribuições investigatórias em relação aos crimes previstos na L. 13.260/16

A quem compete investigar?

A atribuição da investigação é da Polícia Federal:

Lei n. 13.260/16
Art. 11. Para todos os efeitos legais, considera-se que os crimes previstos nesta Lei são praticados contra o interesse da
União, cabendo à [Polícia Federal] a investigação criminal, em sede de inquérito policial, e à Justiça Federal o seu
processamento e julgamento, nos termos do inciso IV do art. 109 da Constituição Federal.

O art. 11 é constitucional porque está em conformidade com o art. 144, §1º, I, da CF:

Constituição Federal

Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da
ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos:

§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, estruturado em carreira, destina-se a:

I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou
de suas entidades autárquicas e empresas públicas, (1) assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão
interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, (2) segundo se dispuser em lei;

L. 10.446/02

L. 13. 260/16

Lei n. 13.260/16
Art. 11. Para todos os efeitos legais, considera-se que os crimes previstos nesta Lei são praticados contra o interesse da
União, cabendo à [Polícia Federal] a investigação criminal, em sede de inquérito policial, e à Justiça Federal o seu
processamento e julgamento, nos termos do inciso IV do art. 109 da Constituição Federal.

Conclusão:

Para a prova objetiva, a posição adotada deve ser conforme a lei, por isso:

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-a competência será da Justiça Federal, e, a atribuição investigatória, da Polícia Federal.

Para a prova subjetiva, a posição adotada deve ser:

-a atribuição investigatória é da Polícia Federal (conforme a CF), MAS a competência da Justiça Federal é
inconstitucional.

9. Aplicação das disposições da Lei das Organizações Criminosas para a investigação, processo e julgamento dos crimes
previstos na Lei Antiterrorismo

Lei n. 13.260/16
Art. 16. Aplicam-se as disposições da Lei n. 12.850/13, para a [investigação], [processo e julgamento] na dos crimes
previstos nesta Lei. |
L. 12.694/12
Prevê um Juízo Colegiado

Como o legislador, no art. 16, disse menos do que pretendia, deve-se interpretar, extensivamente, o art. 16 nos
seguintes termos:

“Aplicam-se as disposições das leis:

L. 12.850/13 (Investigação) + L. 12.694/12 (processo e julgamento)

10. Aplicação das disposições da Lei dos Crimes Hediondos aos crimes previstos na Lei n. 13.260/16.

Lei n. 13.260/16
Art. 17. Aplicam-se as disposições da Lei n. 8072/90 aos crimes previstos nestas lei.

11. Cabimento de prisão temporária em relação aos crimes previstos na Lei de Terrorismo.

Lei n. 13.260/16

Art. 18. O inciso III do art. 1º da Lei n. 8.072/90 passa a vigorar acrescido da seguinte alínea p:
“Art. 1º (...)
III (...)

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p) crimes previstos na Lei de Terrorismo.” (NR)

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