Você está na página 1de 6

FICHAMENTO DE LEITURA

Curso: MESTRADO EM DESENVOLVIMENTO REGIONAL


Professor: Miguel Ângelo Perondi
Aluno: Marcelo Guilherme Kühl
Disciplina: Fundamentos do Desenvolvimento Regional
Tipo: Livro
Assunto / tema: Educação – Economia Política
Referência bibliográfica:
LEWIS, Arthur W. O Desenvolvimento com Oferta Ilimitada de Mão
de Obra. Em Agarwale, A.N e S. Singh. A economia do
Subdesenvolvimento. Rio de Janeiro, Forense, 1969. (digitalizado)
Resumo / conteúdo de interesse:
Nesse artigo tem o propósito, segundo seu autor Lewis, descobrir o que se pode aproveitar
do marco clássico (economistas clássicos) para resolver os problemas da distribuição,
acumulação e crescimento, em primeiro lugar, numa economia fechada e em segundo lugar
numa economia aberta. Inicia seu artigo com o enfoque uma oferta de mão de obra ilimitada
a salários de subsistência, aceitos ou supostos por Smith a Marx, os quais perguntaram como
aumenta a produção com o decorrer do tempo? A resposta foi: a acumulação do capital
(analisada pela distribuição de rendimento), permanecendo essa afirmação na era
neoclássica, porém a oferta da mão de obra deixou de ser ilimitada (em algumas regiões),
assim o modelo formal não explica a expansão através do tempo; mesmo naquelas que se
tem ilimitada não é garantia de crescimento econômico, dito por ele como países com
excedentes populacionais. Refuta também os modelos keynesianos (Keynes), nos quais
revelam que levavam em conta, não só mão de obra ilimitada, como capital e terra, o não se
constata. Assim ele busca, com a finalidade de atualizar, os esquemas dos modelos de
economista clássicos, à luz do conhecimento moderno, verificando em que medida podem
auxiliar na compreensão dos problemas contemporâneos de grandes zonas da Terra.
1º) ECONOMIA FECHADA: inicia com a hipótese de uma oferta de trabalho ilimitada, sendo
válida apenas a alguns países, os quais não se encaixam nas hipóteses neoclássicas,
tampouco nas keynesianas; como Egito, Índia ou Jamaica, onde há uma oferta ilimitada de
trabalho (população numerosa) em relação ao capital e recursos naturais. Aqui Lewis, aponta
outros autores que apontam para a existência do desemprego disfarçado (nessas regiões),
quando exemplifica os trabalhadores ambulantes, os carregadores do porto e de malas,
biscateiros; classificando-os como trabalhadores eventuais, que não viam seus rendimentos
reduzir-se a zero. Além desses trabalhadores não assalariados, cita aqueles que o são,
atuando em serviços domésticos (mão de obra feminina) e todo um código de ética
envolvendo a cultura de um povo; e classifica outra três classe de trabalhadores (fontes de
renda): A) Mulheres (esposas e filhas) trabalhando fora de casa, cujo incidência depende de
uma série de fatores, mas que é marcante no desenvolvimento econômico, que tem um
custo, mas o lucro é razoável. Nessa primeira classe, o autor conclui da importância de se
criar novas fontes de ocupação fora de casa para as mulheres, pois é uma das maneiras mais
seguras de aumentar o rendimento nacional. B) Aqui Lewis discute população, taxas de
natalidade e mortalidade, trazendo o conceito de Ricardo (David) sobre o aumento da
população, com aumento do emprego (mas sem aumento de salários reais), e a teoria da Lei
de Malthus (1766-1834 – nessa teoria o aumento da população seria a causa de todos os
males). Algumas taxas de natalidade e mortalidade, são apontados por Lewis, afirmando que
o números apontados da mortalidade (diminuição) tem sim, como responsável o
desenvolvimento, porém o mesmo não se aplica as taxas de natalidade, ou é incerto; assim
ele conclui que que o desenvolvimento tem um efeito imediato no aumento demográfico, e se
a taxa de natalidade estiver em torno de 40%, o efeito é um aumento também na oferta de
trabalho. C) Nessa terceira classe, Lewis cita Marx, que cita Ricardo, onde a máquina poderia
reduzir o emprego, porém Marx, inseri não só esses desempregados pelas máquinas, como
também aqueles que o foram pelos grandes capitalistas.
Citando as fontes de rendas acima, o autor afirma que numa economia superpovoada não há
escassez de trabalho não qualificado, pela expansão das indústrias e oportunidades, bem
como a oferta de trabalho (trabalho não qualificado) é ilimitada, do ponto de vista do efeito
econômico sobre os salários. Porém em qualquer momento, existe limites ou escassez nas
ofertas de mão de obra qualificada, em todos os setores, a essa qualificação o autor cita
Marshall que chama de “quase estrangulamento”, temporal, mas na falta da mesma, aquele
que dispões dos recursos naturais ou o capital (esses são os verdadeiros estrangulamentos),
proporcionam de imediato as facilidades par o treinamento, obtendo um maior número de
trabalhadores qualificados. Desse ponto em diante, o autor analisa alguns dados
(graficamente), no gráfico um, com as variáveis: Quantidade de Trabalho (no eixo das
abscissas), Produto Marginal (no eixo das ordenadas), Capital, Salários e mão de obra na
faixa capitalista e fora dessa faixa (subsistência) e a mão de obra excedente; trazendo
reflexões dessas variáveis, levando em conta a hipótese da maximização dos lucros no setor
capitalista em expansão. Fazendo ponderações em cada uma dessas faixas (do gráfico),
setores capitalistas e não capitalistas, trazendo a tona algumas reflexões: conceito de setor
produtivo (do capitalismo) e não produtivo (fora do capitalismo), combatendo o significado
que improdutivo é aquele que não dá lucro; excesso de investimentos em alguns setores e
falta em outros, o que reflete num desequilíbrio na economia. Não deixa de enfatizar os
níveis de salários, que no setor capitalista em expansão é ditado pelo aquilo que o
trabalhador pode ganhar fora desse setor e não (no modelo clássico), pelo necessário a
subsistência; ou seja, tudo será feito para empobrecer os setores fora do capitalismo (como
agricultura), como por exemplo expulsão dos camponeses de suas terras (acumulação
primitiva de Marx). Com relação às diferenças de salários (rendimento) entre os setores
capitalista e de subsistência (em torno de 30%), citando prováveis causas, entre elas : “Pode,
ainda, ser um reconhecimento de que a mão-de-obra não qualificada torna-se inclusive mais
útil para o sector capitalista, após ter permanecido neste por algum tempo, do que o trabalho
do homem recém-chegado do campo.” No gráfico três, Lewis traz o excedente capitalista (a
mão de obra de subsistência é trazida ao setor capitalista, pelo reinvestimento, aumentando
o excedente, o que aumenta o capital, que será reinvestido, até que desaparece o excedente
de mão de obra. O que fazer com o excedente capitalista? Questões levantadas e abordadas
pelos clássico Malthus, Ricardo e Marx. Já Lewis enfatiza que “O problema central da
teoria do desenvolvimento económico é a compreensão do processo pelo qual uma
comunidade que anteriormente não, poupava nem investia mais que 4 ou 5 por cento da sua
renda nacional, ou ainda menos, transforma-se numa economia em :que a poupança
voluntária se situa por volta de 12 ou 15% do rendimento nacional, ou mais. Este é o
problema central porque a questão principal do desenvolvimento económico é a rápida.
acumulação de capital (incluindo aí os conhecimentos e especializações). Nenhuma,
revolução "industrial” pode ser explicada (como o pretendiam alguns historiadores
económicos) enquanto não se puder explicar por que aumentou, relativamente a poupança
em relação ao rendimento nacional”, ou seja, a distribuição do rendimento se altera em
benefício da classe poupadora (10%). No seu modelo econômico, Lewis apresenta também as
proporções entre poupança, lucros e rendimentos, e fatores que influenciam nessas
variáveis: como a revolução técnica, onde todo o lucro proveniente das invenções vai
engrossar o excedente e torna-se útil para um acumulação maior de capital; outro fator é
desigualdade que acompanha os lucro, pois favorece a formação de capital, sendo assim, ele
afirma que não é a desigualdade que acompanha a renda da terra. Em sua análise traz um
questionamento sociológico do surgimento da classe capitalista, como ela se dá? Não
encontra uma resposta geral, mas para o capitalista nativo: “Quanto aos capitalistas privados
nativos, o seu surgimento está, provavelmente, ligado à existência de novas oportunidades,
principalmente as que ampliem o mercado, associadas a alguma técnica nova que aumente
bastante a produtividade do trabalho, quando este e o capital são utilizados conjuntamente.”
Além dos lucros obtidos, serem o ponto de observação do modelo de Lewis, ressalta também
o foco no setor do crédito bancário (oferta de dinheiro), para aumentar o capital, que no
modelo neoclássico só pode ser criado retirando-se recursos da produção e bens de consumo,
após exemplos de formação de capital financiada pelo crédito e inflação dos custos, Lewis
conclui que a inflação que tem como finalidade aumentar o capital é autodestrutiva, pois os
preços começam a aumentar, mas a produção pode aumentar além da inflação, o que leva os
preços a um custo abaixo do que o inicial. De outro lado, a formação do capital não é somente
financiada pelos lucros mas também pela expansão do crédito, acelerando o aumento do
capital e o rendimento real, implicando em alguma distribuição do rendimento nacional.
Além do modelo apresentado por Lewis, ter relacionado capitalistas, assalariados e produtos
de subsistência, faz um enfoque indispensável no tocante aos governos, que afetam o
acúmulo de capital, principalmente no tocante a inflação. Do ponto de vista da formação do
capital Lewis afirma que o melhor é que o dinheiro vá para as mãos daqueles que voltarão a
investir de forma produtiva, e isso só acontece com a classe dos industriais, pois as classes
dos: mercantis iriam especular com o dinheiro, a classe média iria consumir e os
camponeses iriam pagar dívidas ou comprar mais terra; dessa forma o autor propõe que o
governo desenvolvesse medidas para que o industrial tenha um aumento mais rápido dos
lucros investidos, e então taxar esses lucros. A inflação continua enquanto o povo não
guardar uma quantidade igual ao gasto de investimento acrescido, e para que a inflação
termine seria necessário criar incentivos para que os investimentos sejam voltados em
obrigações do governo. Com relação ao capital e o produto, é prudente investir naquilo que
dá retorno mais rápido, Lewis afirma: “Mas seria igualmente tolice utilizá-los em programas
que demoram muito tempo para dar pequenos resultados, quando há outros programas que
dariam excelentes resultados rapidamente”. O processo de acumulação de capital pode ser
detido pela razão econômica, que mesmo tendo excesso de trabalho, os salários reais
aumentam até reduzir o lucro dos capitalistas, pelo consumo total dos lucros, não havendo
investimento líquido. De que maneira conseguir essa detenção do acúmulo de capital? Lewis
responde por quatro rações: 1º) Aumento do acúmulo de capital maior que o aumento da
população, assim número menor de pessoas para dividir o produto. 2º) Aumento no setor
capitalista maior que o de subsistência, obrigando o capitalista a pagarem aos seus
trabalhadores, percentagens mais elevada do seu produto (rendimento real). 3º) Setor de
subsistência pode tornar-se mais produtivo que o técnico, imitando as técnicas do setor
capitalista, que por consequência aumenta a produtividade daquela, obrigando aos salários
do setor capitalista serem aumentados, diminuindo assim o excedente e a taxa de acúmulo
capitalista. 4º) O modo de vida dos trabalhadores tendendo a serem parecidos com o
capitalista, exigindo uma diferença de ganho maior entre esse e o de subsistência.
Lewis afirma a existência de uma forte relação diretamente proporcional, entre
desenvolvimento industrial e agrícola, se essa para a industrial acompanha a estagnação,
fazendo, citando Ricardo, quanto a preocupação no aumento das rendas dentro do setor
capitalista, e a do autor é fora do sistema capitalista.
Com relação a expansão do capital em função do aumento demográfico, diferente de Ricardo
e Marx, somente Smith percebe que a acumulação do capital cria eventualmente, escassez de
trabalho, o que eleva os salários acima do nível de subsistência. Quando o excedente de
trabalho desaparece, termina o modelo de economia fechada apresentada por
Lewis. Como é visto pelos modelos considerados marcos da economia, Lewis apresenta: “No
mundo clássico, todos os países apresentam excedente de trabalho. No mundo neoclássico o
trabalho é escasso em todos os países. No entanto, no mundo real os países que atingiram a
escassez de trabalho vêm-se cercados por outros que apresentam trabalho em abundância.”
Assim Lewis apresenta a ECONOMIA ABERTA, detendo-se na expansão do setor
capitalista de um país imerso na economia mundial, apresentando a busca de mão de obra
pelos capitalistas, que está escassa em seu país, em outro (incentivando a imigração), onde é
abundante, ou levando seu capital até eles, onde tem a mão de obra excedente a salários de
subsistência. O autor confronta taxas de imigração com níveis salariais, fazendo uma análise
de aumento ou diminuição, inferindo: “Esta é uma das razões pelas quais, em todos os países
onde o nível de salários é relativamente elevado, os sindicatos são violentamente hostis à
imigração, tentando limitá-la exceto quando se refere a algumas pessoas de categorias
especiais.” De outro modo, trata a exportação do capital e suas consequências, sejam elas,
falta de mão de obra para gerar capital no país exportador do mesmo ou elevando o nível de
vida do país exportador, tudo dependerá do tipo de concorrência entre os países em questão.
Assim o autor analisa como esse investimento de capital externo interfere nas economias dos
países envolvidos, trazendo questões como recursos naturais, material humano e quantidade
de capital já investido num país; pois desses fatores depende a rentabilidade do investimento
nesse país; sendo os mais produtivo aqueles que aceleram o desenvolvimento dos recursos
naturais de fácil acesso; ou investindo em países (mão de obra nos mesmos)de cultura
capitalista, bem como naqueles que já têm um certo de número de indústria, ou seja, já são
países capitalizados. Citando Marshall, Lewis traz uma resposta correta com relação a
tendência natural da diminuição da taxa de lucro (afirmada pelos economistas clássicos)
numa economia fechada e refutada por Marshall: “que o capital crescente per capita tende a
diminuir o rendimento do capital, enquanto que o conhecimento tecnológico crescente tende
a elevá-lo. Vemos assim, dizia Marshall, que o rendimento diminuiu de 10% na Idade Média
para 3% em meados do século XVIII - longo período de lento progresso técnico - quando a
diminuição se deteve devido ao grande número de oportunidades para utilizar capital. ”
Lewis analisa o aumento ou a diminuição dos salários entre dois países, não concorrentes,
produzindo bens diferentes, de modo que a : “A moral da história é que a exportação pode
chegar a beneficiar os trabalhadores quando o capital é aplicado a fim de aumentar a oferta
dos bens que importam”. Nessa relação comercial entre os países (valores de troca entre os
bens produzidos em cada um deles - intercâmbio); Lewis traz a chave do problema, citando
porque produtos tropicais são tão baratos, pois nesses países não se tem investimentos nos
setores de subsistência (aqueles que produzem alimentos), os investimentos são focados
naquilo que a terra oferta de melhor e em abundância, tanto natural como mão de obra, a
exemplo o açúcar, contraposto com o cacau, que exige terras adequadas, portanto escassas, o
que proporciona a esses “camponeses” lucros maiores. Lewis cita a Leis dos Custos
Comparativos, e os erros que economistas clássicos cometeram, pois divergiram entre o real
e o que deveria se constituir, onde direcionar esforços? Especializar-se ou importar?
Referindo-se a destruição de indústrias em prol das importações baratas, como a de algodão
na Índia em 1950, onde “as indústrias artesanais e domésticas que poderiam proporcionar
emprego até 10% da população dos países atrasados, não utilizam, praticamente, nenhum
recurso de capital. E assim mesmo são as primeiras indústrias a serem destruídas pelas
importações baratas de manufaturas.” Esse intercâmbio, ou seja, a relação de troca (quanto
custa ou quanto vale os bens produzidos em relação a um dia de trabalho nos países
exportadores e importadores de capital), ele transforma-se sempre de modo desfavorável
tanto para os produtos alimentícios quanto aos comerciais dos países excedentes, os
importadores de capitais.

Citações: Página
1 A transferência das mulheres de suas casas para os trabalhos comerciais é um dos
traços mais notáveis do desenvolvimento económico. Essa utilização da mão-de-
obra feminina não deixa de ter o seu custo, mas o lucro é considerável, visto que a
maioria das coisas que as mulheres produzem em casa, pode ser produzida, de
modo muito melhor e mais barato fora de casa, graças às economias de grande
escala da especialização e graças também à utilização de capital (trituração de grãos, 5
coleta de água no rio ou na fonte. confecção de tecidos e vestidos, preparação da
comida, ensino às crianças, atendimento aos doentes, etc.). Portanto, uma das
maneiras mais seguras de aumentar o rendimento nacional consiste em criar novas
fontes de ocupação fora de casa para as mulheres.
2 Não No entanto, o trabalho qualificado é exatamente o que Marshall teria
chamado de “quase estrangulamento”, se não tivesse o sentido da linguagem
elegante. Isto porque se trata, unicamente de um estrangulamento temporal, no
sentido de que se se dispõe de capital para o desenvolvimento, os capitalistas ou o
governo proporcionarão de imediato as facilidades para o treinamento de maior 6-7
número de trabalhadores qualificados. Os verdadeiros estrangulamentos são,
portanto, o capital e os recursos naturais e podemos continuar supondo que sempre
que se dispuser dos mesmos, também se poderá dispor da qualificação necessária,
ainda, que com algum desfasamento temporal..
3 Nas economias atrasadas o conhecimento é um dos bens mais escassos. 9
4 Pode, ainda, ser um reconhecimento de que a mão-de-obra não qualificada torna-
se inclusive mais útil para o sector capitalista, após ter permanecido neste por 11
algum tempo, do que o trabalho do homem recém-chegado do campo
5 Para fins desta análise é, de qualquer forma, desnecessário distinguir entre
formação capital e aumento de conhecimento no sector capitalista. O aumento
conhecimento técnico fora deste sector seria fundamentalmente importante visto 14
que elevaria o nível dos salários e reduziria o excedente capitalista.
6 Mas, dentro do sector capitalista, o conhecimento e o capital atuam na mesma
direção, a fim de elevar o excedente e incrementar a ocupação. Trabalham também 14
em conjunto.
7 Alguns historiadores assinalaram que o capital para a revolução industrial
britânica era proveniente dos lucros que tornaram possível o dilúvio de invenções 19
que ocorreu nessa época.
8 Quanto aos capitalistas privados nativos, o seu surgimento está, provavelmente,
ligado à existência de novas oportunidades, principalmente as que ampliem o 20
mercado, associadas a alguma técnica nova que aumente bastante a produtividade
do trabalho, quando este e o capital são utilizados conjuntamente.
9 Chegamos, finalmente, à relação entre capital e produto. Se a intenção é financiar
a formação de capital mediante a criação de crédito, os melhores instrumentos para
tal política serão os que produzem rapidamente um rendimento considerável.
Financiar a construção de escolas mediante a criação de crédito é criar
problemas. Por outro lado, há grande quantidade de programas agrícolas
(abastecimento de água, fertilizantes, granjas experimentais de seleção de sementes,
30
extensão agrária) dos quais se pode esperar resultados consideráveis e rápidos com
gastos modestos. Havendo recursos ociosos disponíveis para a formação de capital é
tolice não os utilizar devido simplesmente a dificuldades técnicas ou políticas
fiscais. Mas seria igualmente tolice utilizá-los em programas que demoram muito
tempo para dar pequenos resultados, quando há outros programas que dariam
excelentes resultados rapidamente.
10 A rentabilidade do investimento num país depende de seus recursos naturais, de
36
seu material humano e da quantidade de capital já investido no mesmo.
11 Nas partes bem desenvolvidas do mundo, no sentido de recursos, a principal
oportunidade de investimento produtivo é a melhoria de técnicas; estes países
36
encontram-se bem desenvolvidos (e inclusive super-desenvolvidos) no que diz
respeito aos recursos, mas encontram-se subdesenvolvidos nas suas técnicas.
12 As diferenças no grau de alfabetização, nas formas de governo, nas atitudes
frente ao trabalho e nas relações sociais podem implicar, em geral, uma grande 37
diferença na produtividade.
13 A exceção mais notável é a de Marshall, que deu uma resposta correta - que o
capital crescente per capita tende a diminuir o rendimento do capital, enquanto que
o conhecimento tecnológico crescente tende a elevá-lo. Vemos assim, dizia
37
Marshall, que o rendimento diminuiu de 10% na Idade Média para 3% em meados
do século XVIII - longo período de lento progresso técnico - quando a diminuição se
deteve devido ao grande número de oportunidades para utilizar capital.
14 Também concorreram para enganar a muitos países que permitiram (ou foram
obrigados a permitir) que suas indústrias fossem destruídas por importações
estrangeiras baratas, resultando daí apenas um aumento do volume do excedente da 42
mão de obra, quando a renda nacional teria aumentado se, pelo contrário, as
indústrias nacionais tivessem sido protegidas contra as importações.

Indicação da obra: professores de todas as áreas, pedagogos, acadêmicos de


cursos ligados à agronomia, economia, administração, educação, pós-graduandos
em ensino.

Você também pode gostar