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Ao cantar do galo, marcando o começo de mais um dia, Nephilio se encolheu e virou

rosto para longe da luz que preguiçosamente entrava pelas frestas do estabulo. Esse foi
o único lugar seco que ele encontrou no meio da chuva torrencial da noite passada, e
da possível presença da guarda seguindo seu rastro.

Lentamente o elfo esguio de cabelos pretos despertou, uma coroa de palha adornava
sua cabeça, presente da pilha de feno que ele tinha escolhido para ser sua cama pela
noite. O estabulo era pequeno, tinha cerca de quatro metros de largura por quatro de
comprimento, o espaço para cavalos se resumia a três baias simples, das quais apenas
uma estava ocupada no momento.

Uma escada na parede oposta as baias, levava até um andar superior abarrotado de
fardos de feno e sacos de aveia. Levantando da pilha de feno, Nephilio se espreguiçou
enquanto ia em direção a porta do estabulo, passando pelo único cavalo no local, que
lhe encarava com olhar vago, o elfo tomou a rua vazia e enlameada.

Com um sorriso maroto no rosto, Nephilio pôs a mão na cintura, sentindo o peso
confortante do saco de moedas que há poucas horas tinha conseguido “desapropriar”
de um mercador itinerante. –Incrível como uma caneca de cerveja e pouco de lábia faz um
tolo e seu dinheiro logo se separarem. Murmurou em voz baixa enquanto contava as
moedas dentro do saco. Sete moedas de prata, “Comida decente e sapatos quente para os
moleques, Larial, isso vai deixá-los menos emburrados”, e tão rápido quando o bom humor
trazido pelas moedas veio, o mesmo foi embora ao pensar Larial. Morta há dois anos, a
dor ainda era uma ferida profunda, Nephilio olhou para sua mão esquerda, a aliança
barata de cobre ainda estava lá, ele a girou duas vezes no dedo, quase como se ela
coçasse.

Afastando os pensamentos nebulosos da mente, elfo apertou o passo, seguindo por


ruas sujas e irregulares da parte pobre de Aremselle. Prédios baixos e tortos
flanqueavam a via estreita, o cheiro de fuligem expelida pelas chaminés era constante
no ar, quase como o perfume próprio dos Tocos, nome dado ao bairro miserável da
cidade por sua semelhança a tocos de arvores cortadas.

Aqueles de viam Aremselle de fora imaginavam a cidade élfica como uma das utopias
do mundo quando a realidade destoava completamente disto. A cidade é dividida
entre ricos e pobres, numa espécie de sistema de castas fixas, onde os nascidos em
berço pobre, nunca tem expectativa de algum dia andar pela cidade alta, a não ser para
roubar e enganar, e assim, garantir comida na mesa, para si e para o seus.

E era isso que Nephilio e tantos outros faziam, criavam jogos de azar ou esquemas de
bater carteira e roubo de pequenas cargas, na esperança de ter o que comer ao fim do
dia. Virando uma esquina, o elfo finalmente chegou ao seu destino, um prédio de dois
pavimentos torto para à direita, sua pintura, uma vez de cor amarelada, agora era
apenas uma camada encardida e descascada de tinta. Entrando no prédio, Nephilio
tirou as botas sujas e rapidamente passou os olhos pelo cômodo central. Era pequeno,
quatro pessoas teriam dificuldade de se mover pela sala, onde também ficava a
pequena cozinha, com um fogareiro agora repleto de brasas fracas. Os moveis eram
baixos e usados, porém, não havia outro lugar no mundo que Nephilio chamava de
casa se não este.
Movendo-se devagar para não acordar os outros moradores da casa, o elfo foi na ponta
dos pés em direção à escada levando ao primeiro andar. Porém, num momento de
distração, acertou com o pé direito a quina de um pequeno armário. –Merda! Praguejou
baixo, enquanto pulava em um único pé.

-Achei que você chegaria mais cedo, quantas conseguiu dessa vez? Perguntou o jovem elfo
parado ao pé da escada, observando o fracasso de Nephilio em ser silencioso. Ele tinha
os cabelos negros do pai, porém a cor de pele e os olhos eram copias idênticas dos da
mãe, uma lembrança constate para Nephilio da sua falta.

-Desculpe te acordar tão cedo Loxo, eu deveria ter mais cuidado. Disse o elfo mais velho
enquanto sentava em uma das cadeiras bambas presentes no pequeno cômodo.

-Não se preocupe, eu já ia levantar para preparar o café, eles ficaram até tarde te esperando,
ainda vão dormir um pouco mais. Respondeu Loxoceles, o mais velho de cinco filhos, ao
mesmo tempo que acendia o fogareiro. –Diga logo, quanto conseguiu ontem, quando você
não voltou fiquei preocupado que talvez a guarda tinha posto as mãos em você.

-A guarda nem passou perto de mim, eu sei o que faço. Achei um comerciante de Mal’frair, com
um pouco de cerveja e lábia eu já tinha a bolsa dele antes da noite terminar. Decidi dormir no
estabulo da taverna do Galo por conta da chuva de ontem, consegui sete moedas de prata. Disse
Nephilio balançando a pequena bolsa de veludo, antes de lançar ela em direção a
Loxoceles.

-Isso vai cobrir umas duas semanas de comida, e botar um par de sapatos no pé de Tiguel.
Obrigado pai, mamãe...ela ficaria feliz. Disse o jovem elfo, sem esconder o tom de tristeza.

-É, eu sei. Respondeu simplesmente Nephilio, novamente girando a aliança no dedo.

-Seus avós passaram aqui? Perguntou o pai, quebrando o silêncio pesaroso.

-Só a vovó. Ela deixou um pouco de pão, brincou com Vafrilo e Nephiel enquanto Tiguel e
Lehrir me ajudavam a fazer a janta. Ela disse que você não devia ficar tanto tempo fora, que
mamãe não ia gostar.

-Bom, sua avó tem a péssima tendência de falar o que acha que sua mãe diria. Nephilio falou,
cheio de veneno e ressentimento. Os pais de Larial nunca gostaram dele, sempre
acharam que a filha poderia ter conseguido um marido melhor, algo que Nephilio no
fundo amargamente concordava. Desde a morte da filha, as relações entre os avós e o
pai dos meninos deteriorara ainda mais.

Antes que Loxoceles pudesse responder, os outros quatro garotos desceram as escadas,
e com rapidez se jogaram no pai, fazendo-o cair para trás no chão. Nephilio ria
enquanto abraçava os filhos, sua maior conquista e orgulho, e ali no chão, ele lembrou
da promessa que fez à sua esposa, de que ele daria uma vida decente aos filhos, nunca
mais eles passariam fome, frio ou qualquer outro tipo de necessidade, pelo seu sangue,
ele manteria essa promessa.
-Mais uma vitória para vocês garotos. São mais espertos que um cão farejador. Disse Nephilio
rindo enquanto soterrado pelos filhos, ele e os três menores passaram boa parte da
manhã brincando de esconde-esconde pelos cômodos pequenos da casa. Para surpresa
do pai, os meninos tinham uma mente afiada para esconderijos, ganhando o jogo por
uma grande margem.

-O jogo foi ótimo, mas agora o pai precisa resolver umas coisas. Nephilio falou enquanto
levantava da pilha de crianças, que rapidamente fecharam a cara. –Mas você disse que ia
brincar o dia todo com a gente! Protestou Vafrilo.

-Isso mesmo! Você sempre sai antes da brincadeira terminar, papai. Completou Nephiel, o
rosto uma carranca que lembrava Nephilio de Larial, em seus momentos de raiva.

-Só mais um pouquinho! Por favor! Disse Tiguel, com os olhos marejados.

Vendo a reação dos filhos Nephilio respirou fundo e ajoelhou-se. Olhando para os três
garotos disse. –Eu sempre quero brincar mais com vocês, mas papai precisa trazer dinheiro
para casa, o inverno está chegando e vocês precisam de roupas quentes. Vou fazer o possível para
voltar o quanto antes, tudo bem? Papai ama vocês. Por fim, beijou cada um dos três na testa
e desceu escada, indo em direção à porta da casa.

-Vai se encontrar com o Magro? Perguntou Loxoceles, sem nem mesmo levantar os olhos
do caldeirão de guisado borbulhante sobre o fogareiro.

-Vou, ele disse que tinha uma proposta de trabalho, coisa grande ou algo assim. Não devo
demorar. Respondeu o elfo mais velho depois de um segundo.

-Certo, boa sorte então. Disse Loxoceles numa voz monótona.

Torcendo o nariz, Nephilio terminou de calçar as botas e saiu porta afora. Sempre que
algo lhe desagrava, Loxoceles respondia de forma monótona, quase num tom de
reprovação. Dessa vez, porém, sua desaprovação tinha certo fundamento. O Magro,
um elfo criminoso de certo renome, muitos anos atrás ele fora um dos maiores gatunos
desse lado dos Tocos. Um homem que poderia lhe ajudar a fazer fortuna, ou ser a
garantia de uma morte lenta.

Nos últimos anos de sua vida como ladrão profissional, o Magro, contraiu uma doença
misteriosa. Aos poucos ele começou a definhar, deixando no lugar uma casca
esquelética do que um dia fora.

O sucesso de Nephilio na noite anterior aconteceu devido a uma dica do próprio


Magro, na condição que ele retornasse na manhã seguinte para relatar o feito.
Caminhando pelas ruas do bairro pobre, Nephilio logo chegou à praça central. Fileiras
de barracas abarrotavam a praça, pessoas indo e vindo, em busca de alimentos fresco e
outros produtos. O cheiro de comida emanava de algumas barracas de comida,
vendedores barganhavam preços. Mais um dia comum.

Não muito longe dali estava a taverna mencionada pelo Magro. Assim como os outros
ao seu redor, o prédio era baixo e malcuidado, com vidraças empoeiradas. Dentro
estavam poucos clientes, alguns pareciam nem ter deixado o local desde a noite
anterior.
Sentado no canto direito da taverna, estava o Magro. Seus olhos verdes emoldurados
num rosto cadavérico, encaravam a porta de entrada. Notando a presença de Nephilio,
ele levantou a caneca que segurava em sinal de reconhecimento.

Nephilio foi em direção a mesa do outro elfo, parando para notar o seu estado. O
apelido de magro tinha fundamento, o corpo franzino quase esquelético mal preenchia
as roupas que ele usava. Vestia uma camisa branca puída e calças azuis desbotadas,
roupas de uma época onde ainda tinha corpo para usá-las.

Puxando uma das cadeiras, Nephilio sentou e encarou o Magro, que bebericava em
uma caneca de cerveja. O silencio era pesado e desconfortável, nenhum dos dois falou
uma palavra sequer por quase um minuto inteiro.

-Hm... Primeiro eu queria agrade-

-Não precisa agradecer garoto. Você precisava da dica, eu lhe dei a dica. Cortou rapidamente o
Magro, colocando a cerveja sobre a mesa novamente. –Quanto conseguiu? Nove, dez
moedas?

-Algo por aí, sim. Disse Nephilio de forma tímida.

Balançando a cabeça como se o valor fosse esperado, o Magro voltou a beber da sua
caneca de cerveja morna. O silencio voltou à mesa, Nephilio tornava a mexer na aliança
de cobre, a ansiedade sobre o que esse encontro poderia ser estava crescendo dentro
dele.

-Do jeito que eu vejo, você me deve, e agora é a hora de cobrar. Disse o elfo esquelético
enquanto terminava a caneca. –Eu tenho um trabalho em breve, eu quero você nele. Três
pessoas, uma residência na cidade alta, bom dinheiro.

-OQUE?! Disse Nephilio surpreso quase derrubando a cadeira e atraindo a atenção dos
outros frequentadores da taverna.

-Sente e cale a boca, está chamando atenção. Disse o Magro numa voz dura.

Engolindo em seco, Nephilio lentamente voltou a se sentar. –Magro, eu agradeço a


oportunidade, mas eu não posso me envolver nisso! Uma coisa é roubar um armazém, a bolsa de
um mercador bêbado, mas uma casa?! Ainda mais na cidade alta?! É suicídio. Obrigado pela
conversa mais eu tenho que ir.

-Você tem oque? Cinco filhos? Cinco barrigas para alimentar e vestir, muita coisa não acha? Eu
mesmo nunca tive vontade de ter filhos, as crianças... são muito frágeis, concorda? Disse o
Magro quando Nephilio estava quase de pé. O tom de voz fez um calafrio digno das
noites mais frias de inverno percorrer o corpo de Nephilio.

Parado entre levantar e sentar, o elfo mais jovem voltou a sentar.

-Eu acho que eu não fui claro, você me deve Nephilio, e como eu disse, agora eu estou cobrando.
Você vai fazer este trabalho por bem ou por... Bem, eu não preciso dizer mais nada a esse ponto.

O rosto do Magro a esse ponto lembrava Nephilio de uma assombração. Naquele


momento o pai de cinco crianças sabia que Loxoceles não podia estar mais certo, e
Nephilio temeu por cada um de seus filhos.
-Quando? Perguntou somente, odiando o quão fraco soava.

-Em três dias. Aqui mesmo, às oito da noite, fale com o taverneiro, diga que tem uma entrega de
nabos. Disse a figura cadavérica levantando da mesa.

-Você fez a escolha certa garoto. Se fizer tudo direitinho não vai se arrepender. Disse o Magro
apertando o ombro do outro elfo que permanecia sentado. A mão ossuda surpreendeu
Nephilio pela sua força.

-Três dias, e não se atrase.

Era tarde da noite quando Nephilio colocou seus filhos para dormir. Os garotos
dividiam uma única cama larga em um dos quartos pequenos da casa. O elfo viúvo
afagou os cabelos de Tiguel enquanto aproveitava o silencio daquela noite, gravando
na memória as faces plácidas dos seres mais importantes em sua vida.

Levantando devagar, Nephilio fez seu caminho em direção a porta do quarto. Três dias
se passaram desde a sua conversa com o Magro, hoje era a noite que ele deveria voltar
até a taverna.

-Pai? Chamou Loxoceles de cabelos desgrenhados, ainda em um estado semiacordado.

-Sim Loxo?

-Só... cuidado, por favor...

Um sorriso apareceu no canto da boca do elfo mais velho.

-Tomarei filho, volte a dormir, falo com você amanhã. Tranquilizou Nephilio, siando do
quarto indo em direção a porta de entrada da casa.

Sentada em uma das cadeiras bambas da cozinha, estava a mãe de Larial. Seus cabelos
loiros prateados que iam até o meio das costas emolduravam o rosto fino e olhos
castanhos.

Ela havia chegado no final da tarde para visitar os netos, e desde que os garotos foram
dormir, a avó de cinco se encontrava tricotando.

Assim que avistou Nephilio, seu semblante endureceu. Ela não lembrava quantas
vezes avisou a filha para não casar com um elfo dos tocos, mas Larial estava
apaixonada e agora...

-Saindo a essa hora? Você sabe que Larial não gostava das suas caminhadas noturnas.

Engolindo o veneno que havia se formado em sua língua Nephilio suspirou.

-Eu não quero brigar hoje Sabatana.

-Tudo o que eu estou dizendo é que você é pai de cinco garotos, e não deveria deixá-los sozinhos
em casa.

-Mas eles não estão sozinhos, você está aqui. Respondeu Nephilio, perdendo a paciência.
-Está não é a minha obrigação! Sim, eu fico sempre que possível, mas eles são seus filhos! Disse
Sabatana levantando da cadeira. –Se Larial estivesse aqui ela...

-Mas ela não está! Ela morreu Sabatana! Explodiu Nephilio.

Surpresa pela reação de seu genro, a elfa se viu sem voz. As lembranças da filha cheia
de vida vieram como uma torrente. Larial sempre foi uma jovem doce, compreensiva e
amorosa, um orgulho para os pais.

Sabatana costumava chamá-la de Sil’Pretir, A Pequena Estrela. Uma única lagrima


correu de seu olho esquerdo.

-Você não precisa me dizer isso Nephilio. Disse em voz baixa e tremula. –Eu sinto a dor ter
perdido a minha única filha todos os dias, de hoje até o fim dos tempos.

-E eu perdi o amor da minha vida e a mãe dos meus filhos. Disse, mantendo a cabeça baixa
para esconder a vergonha e as lagrimas.

O silencio que se seguiu era pesado. Os dois ali, parados revivendo cada memoria que
tinham de Larial.

-Sabe, eu vejo muito dela em Tiguel. Todos eles puxaram mais a ela do que a mim, mas o sorriso
dele sempre me lembra ela. Lembrou Nephilio à medida que tornava a mexer na aliança.

-Eu sei, eu vejo isso nele. Respondeu Sabatana, com a mesma melancolia.

Nephilio fez o percurso de casa até a taverna próxima do mercado com passos rápidos.
Tantos pensamentos corriam por sua mente a mesma nem parecia notar o frio cortante
da noite. Ele revivia a memória da conversa com o Magro em vivido detalhe, os poucos
clientes, as roupas puídas daquele ser cadavérico, os olhos verdes duros e
principalmente a ameaça.

A grandiosidade do trabalho à frente lhe enchia a cabeça de dúvidas e medos. E se a


casa não estiver vazia? E se o dono voltar mais cedo? E se a guarda aparecer? E se?

Perguntas todas muito cruciais, das quais ele não tinha nenhuma resposta.

Parado em frente a porta da taverna, Nephilio engoliu em seco antes de entrar. Umas
duas horas após o pôr do sol, a taverna se encontrava abarrotada, e com dificuldade o
jovem elfo chegou até o balcão. Pigarrando para chamar a atenção do taberneiro, que
lhe olhou da forma mais irritada que já vira.

-E-Eu tenho uma encomenda de nabos. Disse Nephilio sem conseguir esconder o
nervosismo.

O elfo carrancudo atrás do balcão lhe encarou por uns bons dez segundos antes de se
virar para a garçonete de cabelos ruivos ao seu lado lhe dizendo para tomar conta das
coisas por um tempo. Fazendo um sinal para Nephilio, começou a seguir em direção
aos fundos da taverna em direção a adega.
No cômodo pequeno e mal iluminado, abarrotado de barris de cerveja e cheirando a
mofo, três pessoas sentadas em volta de uma mesa redonda encaravam os recém-
chegados.

Assim como antes, o Magro se encontrava virado observando a porta de entrada da


adega, e com um sinal de cabeça do mesmo, o taverneiro seguiu o caminho de volta ao
andar superior, deixando Nephilio parado em pé próximo a mesa.

Puxando a cadeira vazia, o jovem elfo tomou seu tempo observando os seus futuros
parceiros de trabalho. A sua esquerda se encontrava um elfo de pele morena e cabeça
raspada, seu rosto carregava uma cicatriz velha começando do topo da testa até a
metade da bochecha, ele brincava de forma habilidosa com uma faca, girando-a na
palma de uma de suas mãos enquanto encarava Nephilio.

A sua direita, uma linda elfa de cabelos curtos cor de caramelo encarava o nada, as
pernas sobre a mesa e a cadeira inclinada para trás, a figura da calma antes da
tempestade.

-Vamos começar. Disse o Magro, levantando da cadeira. Nephilio, esses são Grendel e
Talissa, agora que já foram apresentados vamos aos negócios.

Rapidamente a figura cadavérica espalhou papeis sobre a mesa. Desenhos bem feitos
da planta da casa preenchiam as folhas. –O trabalho é esse, um dos comerciantes da cidade
alta tem um cofre em um quarto secreto, a informação é solida antes que vocês perguntem. Um
dos empregados viu o patrão acessando esse quarto e me passou a dica.

-Vocês vão entrar na casa, na noite daqui a dois dias. O dono estará em um baile e os
empregados serão dispensados pelo resto do dia. Entrem na casa, vão até o escritório no segundo
andar, acionem a alavanca atrás da última prateleira de livros da direita para esquerda, não se
esqueçam desse detalhe, e peguem tudo de valor lá dentro antes de amanhecer, simples assim.

O silencio perdurou por um minuto enquanto os três absorviam as informações.

-Todos de acordo? Perguntou o Magro, vendo as cabeças a mesa balançar em afirmação.

-Muito bem, mantenham a cabeça fria, sejam rápidos e terão dinheiro suficiente para qualquer
coisa por muito tempo.

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