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Nº 3/15

A TRIBUTAÇÃO ANGOLANA (VII): O NOVO


CÓDIGO GERAL TRIBUTÁRIO

INTRODUÇÃO

No âmbito da reforma tributária em curso em


Angola foi, no passado dia 22 de Outubro de
2014, publicada a Lei n.º 21/14, que aprovou
um novo Código Geral Tributário. Este diploma
entrou em vigor no passado dia 1 de Janeiro de
2015 e, simultaneamente, revogou o Código
Geral Tributário, de 30 de Dezembro de 1968,
e correspondentes alterações.

Ao contrário do que sucedeu em muitos


outros diplomas, que foram sujeitos, apenas, a
pequenas actualizações e ajustamentos, o
Código Geral Tributário sofreu uma profunda
revisão, com o intuito de o tornar compatível
TAX & BUSINESS com os princípios constitucionalmente
reconhecidos e, bem assim, com as exigências
do actual quadro económico e globalização.

AS DISPOSIÇÕES
DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS
TRANSITÓRIAS

A título preliminar, foram desde logo


A presente Informação Fiscal destina-se a ser distribuída entre Clientes e Colegas e a efectuados alguns esclarecimentos
informação nela contida é prestada de forma geral e abstracta. Não deve servir de base para
qualquer tomada de decisão sem assistência profissional qualificada e dirigida ao caso
relacionados, também, com a aplicação da lei
concreto. O conteúdo desta Informação Fiscal não pode ser reproduzido, no seu todo ou em no tempo.
parte, sem a expressa autorização do editor. Caso deseje obter esclarecimentos adicionais
sobre este assunto contacte contacto@rffadvogados.pt. 01
*** O legislador considerou os regimes de
Esta Informação Fiscal é enviada nos termos dos artigos 22.º e 23.º do Decreto-Lei n.º tributação das actividades petrolífera e
7/2004, de 7 de Janeiro, relativa ao envio de correio electrónico não solicitado. Caso mineira como regimes especiais, pelo que se
pretenda ser removido da nossa base de dados e evitar futuras comunicações semelhantes,
por favor envie um email com “Remover” para o endereço email
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mantêm em vigor, na medida que não A INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO
INTEGRAÇÃO DAS
DAS
contrariem as disposições do presente código. NORMAS TRIBUTÁRIAS

Por sua vez, os benefícios fiscais existentes O legislador esclarece que a interpretação das
antes da data de entrada em vigor deste normas tributárias deve atender à letra da lei
Código são mantidos e a sua duração deverá e, bem assim, às regras e métodos previstos
ser determinada de acordo com a legislação no Código Civil, sendo que, quando se
que justificou a sua concessão. empreguem termos próprios de outros ramos
do direito, os mesmos devem, em regra, ser
Esclarece também o legislador, no que ao novo interpretados no sentido que aí assumem.
prazo de prescrição, previsto na presente lei,
diz respeito, que o mesmo deverá ser aplicável No que diz respeito à integração de lacunas
aos tributos em divida a 1 de Janeiro de 2015, normativas, o legislador estabelece que, nos
salvo quando, a aplicação do Código anterior casos não previstos em leis tributárias, deve
se demonstre mais favorável ao contribuinte. atender-se à norma tributária aplicável aos
casos análogos ou às normas de outros ramos
O ÂMBITO DE APLICAÇÃO de direito.

O novo Código Geral Tributário esclarece, Não obstante, é proibida a integração


expressamente, que se aplica às relações analógica de normas de incidência, de normas
tributárias, em geral, excepto quando esteja referentes a benefícios fiscais, a taxas de
em causa a aplicação de normas de direito imposto e a infracções tributárias.
internacional que vinculam o Estado angolano
e, bem assim, normas internas de natureza A APLICAÇÃO NO TEMPO E NO ESPAÇO
especial.
No que diz respeito à aplicação da lei no
No que diz respeito à criação, modificação e tempo, o legislador vem concretizar o princípio
extinção de taxas ou outras contribuições da proibição da retroactividade fiscal.
especiais e, bem assim, quanto às
contribuições para a segurança social, o É estabelecido que as normas só dispõem para
Código Geral Tributário tem aplicação o futuro, pelo que a criação de impostos, a
subsidiária em face das leis reguladoras ampliação de normas de incidência tributária,
próprias de cada regime. o agravamento de taxas ou a revogação de
benefícios fiscais, não podem ser alvo de
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aplicação retroactiva, excepto se houver
fundamento em ilegalidade.

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Todavia, é admitida a aplicação retroactiva sendo a sua duração determinada com base na
sempre que as normas sejam mais favoráveis legislação que justificou a sua concessão.
ao contribuinte e, bem assim, no caso de
normas referentes a procedimento e processo AS GARANTIAS DOS CONTRIBUINTES
CONTRIBUINTES
tributário.
O Código Geral Tributário prevê diversas
Por outro lado, e relativamente à aplicação da garantias gerais do contribuinte, de onde
lei fiscal no espaço, o Código Geral Tributário cumpre salientar, designadamente: i) o direito
considera que as normas tributárias se de não pagar impostos que sejam
aplicam aos factos tributários ocorridos em inconstitucionais; ii) o direito de reclamar,
território nacional angolano, salvo disposição recorrer e impugnar actos da Administração
em contrário no direito internacional. tributária; iii) o direito à fundamentação e
notificação da liquidação; iv) o direito à
OS BENEFÍCIOS FISCAIS audição antes da decisão final, informação e
confidencialidade, e v) o direito a juros
O Código Geral Tributário consagrou um indemnizatórios e de mora.
capítulo autónomo relativo aos benefícios
fiscais. A OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA

Prevê-se, que o Estado, Institutos Públicos, O novo Código vem esclarecer que a obrigação
Autarquias, instituições públicas de tributária constitui-se com a verificação de
previdência e de segurança social e os partidos factos que definem a incidência do tributo.
políticos, associações públicas e instituições Não obstante, sempre que os actos ou os
religiosas beneficiem de uma isenção em sede negócios jurídicos ineficazes produzam os
de impostos sobre o rendimento e do efeitos económicos pretendidos, nada obsta à
património. sua tributação.

Adicionalmente, à excepção do Estado, O mesmo se aplica, especificamente, aos


Institutos Públicos e Autarquias, as restantes negócios simulados, porquanto a nulidade do
entidades acima mencionadas, podem ainda acto ou negócio jurídico simulados em nada
ter direito à restituição dos impostos pagos prejudica a tributação do acto ou negócio
sobre o consumo, nos casos expressamente subjacente (dissimulado). Assim, quando se
previstos na lei. verifique uma divergência entre o preço real e
o preço declarado, a tributação recai sobre o
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Como referido, e de acordo com disposição preço mais alto.
transitória, os benefícios fiscais existentes à
data de 1 de Janeiro de 2015 são mantidos,

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A REPRESENTAÇÃO FISCAL se for aprovada pelo beneficiário, caso
contrário, o gestor de negócios deverá assumir
No que diz respeito à representação fiscal os direitos e deveres do sujeito passivo da
verificaram-se alterações relativamente à obrigação tributária.
representação de não residentes e dos
residentes ausentes do país, à representação O DOMICÍLIO
OMICÍLIO FISCAL
dos patrimónios autónomos e organizações de
facto e, bem assim, quanto à gestão de É também esclarecido o que se entende por
negócios. domicílio e residência fiscal, sendo que, no
caso das pessoas singulares, o domicílio fiscal
Assim, e relativamente aos não residentes, é o lugar da sua residência habitual,
sempre que estes desenvolvam uma considerando-se assim, residente em Angola
actividade económica em Angola, estão aquele que dispuser, em 31 de Dezembro de
obrigados à nomeação de um representante cada ano, uma habitação que tenha intenção
fiscal, excepto se forem tributados, de manter e ocupar como residência habitual
exclusivamente, por retenção na fonte. ou quem, permanecer em Angola mais de 183,
dias seguidos ou interpolados.
Por sua vez, é também obrigatória a nomeação
de representação nos casos em que os No caso de um contribuinte ter mais do que
sujeitos passivos residentes se ausentem do uma residência habitual, considera-se
país por mais de 180 dias corridos. domiciliado naquela em que repute ter
residência habitual ou que é o centro mais
Relativamente aos patrimónios autónomos, a importante dos seus interesses.
obrigação de imposto é de cada um dos
contitulares ou participantes, atendendo às Relativamente aos não residentes que aufiram
respectivas quotas-partes. Porém, os mesmos rendimentos pelo exercício regular ou
podem ser representados por quem tiver sido ocasional de uma actividade tributável e que
designado no âmbito dos estatutos ou, caso possuam bens em Angola, são considerados
isso não se verifique, por quem tiver sido domiciliados na residência ocasional, isto é, no
nomeado pelos membros, sob pena de ser a local de permanência por período de 60 dias,
Administração tributária a designar o seu salvo os casos em que tenham nomeado
representante. representante fiscal, sendo a residência
habitual deste o local em que os não
Relativamente à gestão de negócios prevê-se residentes se consideram domiciliados.
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que os actos em matéria tributária, podem ser
praticados por gestor de negócios. Não Por seu lado, no que diz respeito às pessoas
obstante, a gestão de negócios só será válida colectivas uma das alterações relevantes,

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reporta-se à clarificação das situações que Neste panorama, é densificado o regime
configuram um estabelecimento estável. aplicado aos juros compensatórios,
Neste sentido, considera-se que o facto de indemnizatórios e de mora.
uma sociedade residente em território
nacional controlar ou ser controlada por uma Relativamente aos juros compensatórios, que
sociedade residente ou que exerça sua são devidos sempre que, por facto imputável
actividade em qualquer outro Estado, não é, só ao contribuinte, for retardada a liquidação
por si, bastante para fazer de qualquer dessas verificou-se a diminuição da taxa fixada de
sociedades estabelecimento estável da outra. 2,5% para 1% ao mês.

Atendendo ao cumprimento mais eficiente das Quanto aos juros de mora, são aplicados
obrigações acessórias previstas na lei, a sempre que uma prestação ou a totalidade de
Administração tributária pode fixar, uma divida tributaria não for paga – uma vez
oficiosamente, ou mediante requerimento dos liquidado o tributo –, sendo a taxa aplicável
interessados, o domicilio ou residência também de 1% ao mês, que poderá ser
especial. reduzida em 50%, caso a divida seja
voluntariamente paga nos primeiros 5 dias
Nas situações em que o contribuinte pretende úteis após a data vencimento da obrigação.
alterar a morada, deve comunicá-la à
repartição fiscal ou ao serviço local, no prazo Por fim, quanto aos juros indemnizatórios, são
de 30 dias, sob pena de ser aplicada uma devidos sempre que se determine que houve
multa e, bem assim, de a mudança de erro imputável aos serviços e do qual resulte o
residência ou domicilio não comunicada ser pagamento de uma dívida tributária em
considerada ineficaz montante superior ao legalmente devido e,
bem assim, nos casos em que o imposto não
OS JUROS
JUROS tiver sido reembolsado ou restituído ao
contribuinte, no prazo de 60 dias, a contar do
No âmbito da introdução de um novo capítulo acto que procedeu ao reconhecimento do
referente ao objecto da obrigação tributária, é direito à sua anulação, mormente em caso de
esclarecido que tal obrigação compreende: i) o decaimento da Administração fiscal em
crédito e divida tributários; ii) os juros reclamações ou impugnações.
compensatórios; iii) os juros de mora; iv) os
juros indemnizatórios; e, v) o direito a O exercício do direito a juros indemnizatórios
dedução, reembolso ou restituição do deverá ocorrer no momento da apresentação
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imposto. das respectivas acções judiciais ou
contenciosas, sendo a taxa aplicável, de 4% ao
ano (muito embora, sejam contados dia a dia).

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O CUMPRIMENTO E A COMPENSAÇÃO A CADUCIDADE E A PRESCRIÇÃO

No capítulo da extinção da prestação tributária O novo Código geral Tributário passa também,
o legislador procedeu a alterações no que diz a prever regimes de caducidade e de
respeito ao pagamento do imposto em prescrição específicos.
espécie, dação em cumprimento e
compensação. No que diz respeito à caducidade, prevê que
um tributo só possa ser liquidado nos 5 anos
O novo Código passa a prever, agora, também, seguintes àquele a que a matéria colectável
a possibilidade do pagamento da prestação respeite. Porém, o prazo de caducidade
tributária em espécie, nos casos previstos na poderá ser de 10 anos, sempre que o
lei. retardamento da liquidação resulte de
infracção.
Desde logo, é prevista a possibilidade de
extinção da obrigação tributária, mediante Tendo em consideração o prazo geral fixado, o
dação em cumprimento, que, no entanto, só novo Código refere, ainda, que as entidades
pode ser efectuada em processo de execução que exerçam qualquer actividade empresarial,
fiscal, mediante requerimento do executado. comercial ou profissional em Angola, devem
Porém, para que a dação em cumprimento conservar todos os documentos e registos
requerida seja aceite, a lei estabelece que é referentes às operações efectuadas nos
necessário que o Estado tenha superior últimos 5 anos.
interesse na aquisição dos bens oferecidos.
No que se refere à prescrição, o novo Código
Por fim, quanto à extinção pela compensação estabelece um prazo de prescrição de 10 anos,
de dívidas tributárias, prevê-se que a sendo que, anteriormente, o prazo era de 20
obrigação tributária se possa extinguir anos e, que começa a contar, a partir da data
mediante requerimento do contribuinte, da notificação da liquidação. Todavia, este
solicitando a compensação com um crédito prazo suspende-se com a citação, a
que detenha sobre qualquer imposto, desde reclamação, a impugnação e o recurso de
que seja reconhecido pela Administração qualquer acto administrativo de que a
tributária. Nos processos de execução fiscal, a liquidação dependa, bem como por diversos
Administração tributária pode, oficiosamente, outras causas, melhor elencadas no presente
efectuar a compensação. A compensação de Código.
créditos tributários por dívidas não tributárias,
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porém, só é admissível nos casos previstos A prescrição é de conhecimento oficioso, por
expressamente na lei. parte da Repartição Fiscal ou serviço local

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equiparado para promover o processo de OS PRINCÍPIOS PROCEDIMENTA
PROCEDIMENTAIS
DIMENTAIS
execução fiscal, e, bem assim, pelo Tribunal.
Foi também, no âmbito da presente reforma,
De novo, importa referir que o prazo de aditado um capítulo referente ao
prescrição a que se refere o novo Código é procedimento tributário, verificando-se, ainda,
aplicável aos tributos em dívida no momento diversas alterações que cumpre salientar.
da sua entrada em vigor, excepto nos casos
em que falte menos tempo para o prazo Desde logo, foi aditado o princípio nos termos
anterior terminar, caso em que se mantem do qual a Administração tributária tem o dever
aplicável o prazo anterior. de decisão em tempo útil. De acordo com o
que decorre deste dever, a Administração está
AS GARANTIAS
ARANTIAS DAS OBRIGAÇÕES
OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS obrigada a pronunciar-se, em tempo útil, sobre
todos os assuntos da sua competência, que
No capítulo referente às garantias das lhe sejam apresentados pelos contribuintes.
obrigações tributárias em geral, houve
alterações no âmbito da suspensão da Excepcionalmente, não está obrigada nos
cobrança da prestação tributária, pelo que, se casos em que já se tiver pronunciado há
prevê que a cobrança da prestação tributária e menos de dois anos sobre pedido com mesmo
das multas resultantes de transgressão fiscal autor, objecto e fundamentos e, bem assim,
se possa suspender, mediante a prestação de quando o acto já não é susceptível de
garantia idónea, na pendência de contencioso modificação ou revogação.
administrativo ou judicial, ou pagamento em
prestações autorizado. Por outro lado, foi aditado um dever de
colaboração entre a Administração tributária e
Por outro lado, verificou-se um alargamento os contribuintes. Assim, a Administração deve
das garantias pessoais admitidas, colaborar com os contribuintes mediante a
nomeadamente, com o aditamento de normas prestação de informações necessárias, o
sobre i) responsabilidade dos sócios de esclarecimento de dúvidas fundadas, e a
sociedade de responsabilidade ilimitada; ii) emissão de certidões sobre actos e termos do
responsabilidade do substituto tributário; e, iii) procedimento, no prazo de 10 dias, ou num
responsabilidade dos gestores de bens ou prazo inferior mediante o pagamento de taxa
direitos de não residentes. de urgência.

Quanto ao contribuinte, o dever de


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colaboração com a Administração tributária
deriva do cumprimento dos deveres fiscais
acessórios a que estes, legalmente, estão

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obrigados e a prestação de esclarecimentos OS PRAZOS
PRAZOS
quando legalmente solicitado.
No que diz respeito aos prazos, no âmbito do
Por outro lado, prevê-se, também, que os procedimento tributário, os princípios que
contribuintes e seus representantes devem ser deverão reger, prendem-se com a celeridade e
ouvidos, previamente, à conclusão do simplicidade que devem ser garantidas,
procedimento tributário quando a decisão lhes rejeitando-se, assim, tudo o que impertinente
for desfavorável. Este direito de audição deve ou dilatório para o andamento do processo.
ser exercido no prazo de 15 dias, de forma
escrita ou presencial. Neste sentido, foi fixado que o prazo de
conclusão do procedimento tributário é de 90
Por fim, é previsto também, o dever de dias, sob pena de estar em causa a omissão do
confidencialidade e sigilo. Todos os dever de decisão e fundamento para recurso
funcionários, ou aqueles que prestem serviço à hierárquico necessário ou impugnação judicial.
Administração tributária, estão sujeitos,
obrigatoriamente, ao dever de Quanto aos actos interlocutórios do
confidencialidade e sigilo, durante e após o procedimento devem ser praticados no prazo
exercício das suas funções, relativamente aos de 10 dias sendo que, os actos a praticar pela
dados recolhidos referentes à situação Administração tributária devem verificar-se no
tributária dos contribuintes. prazo de 15 dias.

O dever de confidencialidade e sigilo cessa, A FUNDAMENTAÇÃO


apenas, quando o contribuinte autorizar, por
escrito, a revelação dos dados referidos e, bem O novo Código prevê, agora, expressamente,
assim, não prevalece sobre os deveres que a decisão deva ser sempre fundamentada
especiais de colaboração e de informação da por meio de exposição das razões, de facto e
Administração tributária. de direito, que a justificaram, devendo ser
notificada aos contribuintes juntamente com a
A DENÚNCIA decisão. No entanto, é admissível, também,
uma fundamentação sumária, com indicação
Relativamente ao procedimento tributário, das disposições legais aplicáveis e das
passa a ser possível o seu início com operações necessárias ao cálculo da
fundamento em denúncia, desde que o liquidação.
denunciante se identifique e não seja
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manifesta a improcedência da denúncia.

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AS NOTIFICAÇÕES
NOTIFICAÇÕES independentemente, da instauração ou não, de
qualquer procedimento.
Relativamente às notificações, considera-se
que os actos tributários só são eficazes Neste sentido, a Administração tributária pode
quando notificados aos interessados. prestar informações vinculativas e não
vinculativas.
Todavia, prevê-se que, quando a notificação
não contenha a fundamentação da decisão, os Relativamente às informações não
meios de defesa do contribuinte ou outros vinculativas, embora não vinculem a
elementos relevantes, pode o contribuinte Administração tributária, sempre que estejam
requerer a indicação dos elementos omitidos erradas, poderão responsabilizar o Estado.
na notificação ou a emissão de certidão, no
prazo de 30 dias. Quanto às informações vinculativas prestadas
pela Administração tributária, as mesmas
A PROVA vinculam a Administração para o futuro,
devendo atender à concreta situação tributária
No procedimento tributário podem ser do contribuinte, sempre que solicitada por
utilizados todos os meios de prova admissíveis escrito.
em direito, pelo que se prevê, agora, que o
ónus da prova no procedimento tributário é de A Administração tributária deverá responder a
quem invoque os factos constitutivos de estes pedidos de informação no prazo de 30
direitos. Assim sendo, em regra, e a titulo de dias, prorrogáveis por igual período, sempre
exemplo, a Administração tributária tem o que se justifique. Na sequência da informação
ónus de provar a existência de um rendimento vinculativa prestada, não é admissível a sua
e o contribuinte o ónus de provar a existência contestação administrativa e judicial.
de um custo.
A SUBSTITUIÇÃO DA
DA AUTOLIQUIDAÇÃO
AS INFORMAÇÕES VINCULATIVAS
VINCULATIVAS E NÃO
VINCULATIVAS O novo Código prevê a possibilidade de
apresentar uma declaração de substituição de
O regime das informações prestadas pela autoliquidação até ao termo do prazo de
Administração tributária é também caducidade, quando, desta substituição,
reformulado. resulte o pagamento de imposto de valor
superior ao inicialmente autoliquidado ou
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De acordo com o novo regime, o contribuinte matéria colectável negativa inferior à
pode exercer o direito à informação, inicialmente apurada.

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Por sua vez, nos casos em que da consagrou-se a possibilidade de o
apresentação de declaração de substituição contribuinte, caso pretenda discutir a
resulte tributo igual ou inferior ao inicialmente legalidade do acto tributário, apresentar
autoliquidado ou matéria colectável negativa reclamação, excepto se já tiver sido deduzida
superior à inicialmente auto liquidada, a impugnação judicial.
declaração de autoliquidação pode ser
substituída até ao termo do ano posterior ao A novidade prende-se com os prazos
da sua apresentação. estabelecidos para esta reclamação
administrativa que, nos termos do novo código
Tal não obsta à eventual existência de deve, em regra, ser apresentada no prazo de
responsabilidade penal ou contra- 15 dias (sem distinção consoante o Imposto de
ordenacional. que se trate), contados a partir i) da
notificação, pela Administração tributária,
A COMPENSAÇÃO referente à recusa da confirmação de nova
declaração; ii) do termo do prazo legal da
Nos casos em que haja imposto entregue em ultima entrega do ano a que respeita a
excesso, pelo substituto tributário e sempre prestação tributaria reclamada, caso seja
que o erro seja evidente na sua contabilidade retenção na fonte ou quando a prestação
ou escrita, é deduzido nas entregas seguintes tributária reclamada é repercutida a terceiros
das retenções relativas ao mesmo ano e e, iii) da notificação de qualquer outro acto
imposto. desfavorável ao contribuinte.

A REVISÃO OFICIOSA Todavia, se o fundamento da reclamação for a


nulidade ou inexistência do acto reclamado, a
O novo Código prevê ainda que, quando na reclamação pode ser apresentada no prazo de
liquidação oficiosa se verificar que foram 90 dias a contar do pagamento indevido da
cometidos erros de facto ou de direito, ou que prestação tributária.
houve omissões de que resultou prejuízo para
contribuinte, a Repartição fiscal competente OS BENEFÍCIOS FISCAIS NÃO AUTOMÁTICOS
AUTOMÁTICOS
ou serviço local equiparado deve corrigir
oficiosamente esse erro, anulando as referidas No que se refere ao reconhecimento e
liquidações. manutenção dos benefícios fiscais, considera-
se que o reconhecimento de benefícios fiscais
A RECLAMAÇÃO ADMINISTRATIVA
ADMINISTRATIVA não automáticos depende de requerimento
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dos interessados, dos quais conste a prova do
O regime da reclamação administrativa foi benefício fiscal cujo reconhecimento se
também alvo de revisão. O legislador pretende.

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Com efeito, em regra, o procedimento
Quanto à manutenção dos benefícios fiscais inspectivo apenas poderá ocorrer uma vez,
não automáticos, deve ser submetido à relativamente ao mesmo sujeito passivo,
Administração tributária, dentro do prazo obrigado tributário, imposto e período de
geral de liquidação. tributação. Excepcionalmente, pode ser
efectuado mais do que uma acção de
Por fim, quanto à revogação dos referidos inspecção, mediante decisão fundamentada
benefícios fiscais, deve ser comunicada a em factos novos do dirigente máximo dos
cessação à Administração tributária, no prazo serviços que o ordene.
de 30 dias, sob pena de o contribuinte ter de
pagar o imposto devido, acrescido de multa. Por sua vez, no que diz respeito aos poderes
dos órgãos competentes da inspecção
O RECURSO HIERÁRQUICO tributária, o legislador estabelece que a recusa
ao exercício dos poderes inspectivos é
O legislador estabelece que é admitido recurso legítima, sempre que as diligências de
hierárquico da decisão final do procedimento, inspecção impliquem o acesso a espaço
dirigido ao órgão de escalão superior da habitacional do contribuinte, a violação do
Administração tributária e apresentado junto segredo bancário, ou o acesso a factos da vida
do autor do acto recorrido no prazo de 15 dias íntima dos cidadãos.
a contar da data da notificação da decisão.
Posteriormente, no prazo de 10 dias, o autor AS INFRACÇÕES TRIBUTÁRIAS
do acto recorrido deve remeter ao órgão de
escalão superior o processo respeitante ao Tal como se verificou quanto aos benefícios
recurso hierárquico, prazo durante o qual fiscais, o novo Código Geral Tributário criou
ainda pode revogar o acto recorrido. um capítulo, autónomo, relativo a infracções
tributárias.
O recurso hierárquico deve ser decidido no
prazo máximo de 45 dias e tem natureza Relativamente às alterações relevantes
facultativa e efeito meramente devolutivo. introduzidas importa, desde logo, salientar o
aumento dos limites máximos das penas e
INSPECÇÕES TRIBUTÁRIAS
TRIBUTÁRIAS mínimos para as infracções tributárias
praticadas por pessoas colectivas ou
O novo código estabelece alguns limites no entidades equiparadas, que foram elevados
que diz respeito ai âmbito temporal das acções para o dobro.
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de inspecção tributária e, bem assim, ao seu
âmbito objectivo. Por sua vez, foi estabelecida uma coima para o
não pagamento de qualquer prestação ou da

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totalidade do tributo, dentro do prazo fraude contra a segurança social; iv) fraude no
legalmente previsto, equivalente a 35% do transporte de mercadores em regime
tributo em falta, com o mínimo suspensivo; v) fraude às garantias fiscais
correspondente a Kz 5.000,00. aduaneiras; vi) fraude fiscal aduaneira; vii)
frustração de créditos; viii) abuso de confiança
No que diz respeito à aplicação das penas, o fiscal; ix) violação do sigilo fiscal; x)
novo Código introduz algumas situações de adulteração do sistema informático da
redução de multas. administração tributária; xi) obstrução à acção
dos funcionários; xii) usurpação das funções
Desde logo, são reduzidas para 30% do de funcionário tributário; xiii) contrabando de
montante mínimo aplicável, as multas pagas, importação e exportação; xiv) contrabando de
espontaneamente, pelo infractor, desde que circulação; xv) contrabando qualificado; xvi)
não esteja em causa um crime tributário, ou, contrabando privilegiado; xvii) contrabando de
sempre que seja o infractor a comunicar a mercadorias não declaradas ou não
infracção ou solicitar a regularização da manifestadas; xviii) oposição a verificação ou a
situação tributária. exame; xix) contrafacção, uso e quebra de
mercas e de selos; xx) receptação de
Por outro lado, as multas são reduzidas para mercadorias objecto de infracção fiscal
20% do montante mínimo aplicável, sempre aduaneira; xxi) auxílio material; xxii)
que das multas lavradas em auto de notícia, na associações criminosas em matérias
sequência de acção de inspecção, o infractor tributárias; xxiii) instigação à prática de crime
proceda à sua regularização no prazo de 15 fiscal aduaneiro; e, xxiv) perturbação de
dias, do imposto em falta, da multa, e outros arrematações.
encargos.
O legislador tipificou, ainda, as seguintes
Ainda no que diz respeito às alterações transgressões tributárias: i) não entrega
referentes às reduções de multas, considera- negligente de prestação; ii) não entrega de
se que deverão ser liquidadas pelo montante documento; iii) inexistência, inexactidão,
mínimo, sempre que o infractor proceder à omissões ou outras irregularidades; iv) falta de
regularização da sua situação tributária no exibição pública de documentos
respectivo prazo de defesa. comprovativos do pagamento do imposto; e, v)
incumprimento de outros deveres acessórios.
Paralelamente, e ainda no que diz respeito ao
capítulo das infracções tributárias, o legislador Foi também agravada a punição dos
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promoveu à criação de diversos crimes funcionários e agentes da Administração
tributários específicos, designadamente: i) o tributária que pratiquem ou ajudem a praticar
de fraude fiscal; ii) fraude fiscal qualificada; iii)

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infracções, mediante prerrogativas oficiais,
que são, nesta situação, punidos como crimes.

Por fim, prevê-se, ainda, que os peritos de


contabilidade, consultoria e auditoria que
actuem em representação da Administração
tributária são punidos com multa, caso não
cumpram os deveres legais ou contratuais a
que estão obrigados, podendo a multa ser
elevada para o dobro se estiver em causa um
acto doloso.

Trata-se de um Código moderno que rivaliza


com outros códigos europeus e que pode
potenciar as garantias dos contribuintes,
mormente se puder se aplicado sem outros
constrangimentos pela Administração
tributação e pelos tribunais.

Lisboa, 6 de Janeiro de 2015

Rogério M. Fernandes Ferreira


Francisco de Carvalho Furtado
Marta Machado de Almeida
José Mègre Pires
Catarina Ribeiro Caldas

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