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A cidade do Renascimento

DISCIPLINA: ARQUITETURA E URBANISMO DO CLÁSSICO AO INDUSTRIAL


PROFESSORA: THAÍS ZENKNER

• Referências no Urbanismo romano:

- Ato sagrado, marcado pela observação de um ritual arcaico dos etruscos,


composto de quatro fases:
1- Agouro: assegurar que os deuses não se opõem a fundação.
2- Orientatio: determinação de dois grandes eixos (decumanus e o cardo)
3- Limitatio: traçando com um arado um sulco na terra que interrompe nos
locais previstos para as portas.
4- Consagração: proteção dos deuses.

- Emprego sistemático do traçado ortogonal (quarteirões quadrados e


loteamento regular)
Implantação de uma Cidade Romana
Fonte: Construção de uma cidade romana, 1989
• Referências no Urbanismo romano:

Vista geral de uma Cidade Romana


Fonte: Construção de uma cidade romana, 1989
• A urbanística de Vitrúvio

Primeiro a escrever um tratado sobre arquitetura e também sobre a cidade:


- Preocupação maior com a salubridade: tratava do sítio, da exposição do
ar, da água e da localização dos edifícios públicos.
- Rigoroso estudo do regime dos ventos para depois determinar o traçado
das ruas.
- Preocupação com a comodidade e a estética.

• Roma

Foi a cidade onde se colocou pela primeira vez o pleno sentido de


regulamentação urbanística:
- Existiam regras e posturas para orientar nas demolições, construções,
crescimento urbano e circulação.
- Existiam repartições competentes para cuidar da limpeza pública e das
construções.
- Lugares públicos como, teatros, anfiteatros, fórum.... Eram “monumentos”
que se destacavam na cidade.
Cidade descrita por Vitrúvio – plano radiocêntrico
Fonte: Lamas, 2001
• Roma

Reconstituição do centro de Roma


Fonte: Lamas, 2004
• Pompéia

Planta geral e uma rua em Pompéia


Fonte: Benévolo, 2001
• Leon Battista Alberti – século XV
Em 1452 escreveu “De Re Aedificatoria.”
- cidade ideal: ruas retas que se cortam em ângulos retos; preocupação
estética; praça central (quadrado ou retângulo); pórticos de formatos
uniformes.
- “Commoditas e Voluptas”.

Capa do Livro “De Re Aedificatoria”


Fonte: A História da Arquitetura, 2001
• Leon Battista Alberti – século XV

Visão de uma cidade ideal, atribuída a Piero della Francesca, influenciado pelo
tratado de Alberti.
- Praça com um grande monumento redondo.

Painel do Palácio Ducale em Urbino (Palácio de Frederico Montefeltro)


Fonte: A História da Arquitetura, 2001
• Características do urbanismo Renascentista:

- preocupação com a planificação das cidades


- Loteamento metódico = beleza
- Figuras geométricas engenhosas: polígonos regulares, quadrícula
- Fortificações e ruas retilíneas
- Perspectiva monumental (colocação de um monumento na
extremidade de uma rua, como marco e ponto de referência da
visão)
- Praças irradiam ruas principais (praças circulares e quadradas)
- Fachadas clássicas para uma arquitetura uniforme
- Preocupação estética, com a racionalidade, geometricidade,
simetria, formatos uniformes.
- Desejo de ordem e disciplina geométrica.
• Cidades ideais renascentistas: Antônio Filarete, é o inventor desses
traçados urbanos em forma de estrelas.
Autor do “Tratado de arquitetura”, regido a serviço de François Sforza -1464.
“Sforzinda” tem um plano radiocêntrico com a muralha circular com 20 km;
formato em estrela com 8 pontas, onde ruas cada uma de 20 m de largura
convergem para a praça central, onde fica o palácio do soberano; este
conjunto tem ainda praças secundárias, e uma grande rua formando um
anel.

Sforzinda
Lamas, 2001
• Cidades ideais renascentistas: Scamozzi (centralidade x traçados
ortogonais)

Cidades renascentistas
Fonte: Lamas, 2001
Palma Nuova 1593 – Vicenzo Scamozzi
Fonte: Wikipédia, 2015
Palma Nuova 1593 - Scamozzi
Fonte: Wikipédia, 2013
Palma Nuova 1593 – Scamozzi (5.344 habitantes e área de 13 km)
Fonte: Wikipédia, 2015
Palma Nuova 1593 – Scamozzi (5.344 habitantes e área de 13 km)
Fonte: Wikipédia, 2015
Palma Nuova 1593 localizada a 111 km de Veneza - Scamozzi
Fonte: Wikipédia, 2014
Cidades italianas na Renascença: intervenções no tecido medieval

PIENZA:
- pequeno burgo medieval – Corsignano - território de Siena (6 hectares)
- 1459, o papa Pio II construiu uma residência temporária
- Influências de Alberti
- Projetos de Bernado Rosselino:
Palácio Picolomini; Catedral;
Palácio Público e
Palácio Episcopal.

Vista da cidade pelo Vale do Orcia


Fonte: Benévolo, 2001
PIENZA: praça trapezóidal em frente a Catedral e os dois palácios, do outro
lado da rua o palácio público. Conjunto habitacional.

Planta da cidade e em preto os quatro edifícios de Rosselino


Fonte: Benévolo, 2001
PIENZA:
- Palácio
Piccolomini:
pátio central
e pórtico na
fachada
posterior.

Implantação dos quatro edifícios na praça


Fonte: Benévolo, 2001
PIENZA: 3.000 mil habitantes

Jardins do Palácio
Fonte: Wikipédia, 2014
PIENZA:

Vista da praça a partir do Palácio Público e Fachada do palácio Picolomini


Fonte: Benévolo, 2001
PIENZA:

Fachada do palácio Picolomini e Palácio Rucellai de Alberti


Fonte: Benévolo, 2001 e Panorama da Arquitetura Ocidental, 2002
PIENZA:

Catedral e Palácio
Fonte: Google, 2012
Cidades italianas na Renascença: intervenções no tecido medieval
URBINO:
- Pequena cidade construída sobre duas colinas (40 hectares)
- Duque Frederico de Montefeltro (senhor de Urbino entre 1444 a 1482)
contrata um grupo de artistas locais para uma séries de intervenções
sucessivas: espaços externos (praças e ruas retilíneas) e edifícios que
formam o conjunto do Palácio Ducal.

Pintura feita por Piero della Francesca


Fonte: Graça Proença, 1989
URBINO:

Mapa com os espaços dos arranjos de


Frederico e o Palácio Ducal
Fonte: Benévolo, 2001
URBINO: entrada principal da cidade, voltada para Roma.

Vista aérea
Fonte: Benévolo, 2001
URBINO:

Planta do Palácio de Ducal e pintura de Piero Della Francesca conservada no palácio


Fonte: Benévolo, 2001
URBINO: 15.128 habitantes

Palácio de Ducal e uma rua medieval


Fonte: Wikipédia,, 2014
URBINO:

Palácio de Ducal
Fonte: Wikipédia, 2014
URBINO:

Palácio de Ducal
Fonte: Wikipédia, 2013
Cidades italianas na Renascença: intervenções no tecido medieval

FERRARA:

- Situada próxima a Veneza (200 hectares)


- Metade do século XV a cidade ganha dois novos bairros, planificados
conforme as novas regras urbanísticas:

1451 – adição de Borso, realizada pelo Duque Borso;

1492 – adição de Hércules, projetada pelo duque Hercules I.


(430 hectares)
Planta da cidade no final do século XVI
Fonte: Benévolo, 2001
FERRARA: traçado retilíneo

Adição de Hércules: Rua Mortara


Fonte: Benévolo, 2001
FERRARA: traçado retilíneo
130.461 habitantes

Uma Rua em Ferrara


Fonte: Google, 2012
FERRARA:

- Praça Ariostea: retângulo de


120 x 200 metros.
- Em Ferrara, a transformação
urbana acontece em duas etapas:
ruas e muros e depois os edifícios.

Adição de Hércules: Praça Ariostea e a cidade no final do século XVI


Fonte: Benévolo, 2001
ROMA:

- Metade do século XV, pequeno centro abandonado (40.000 habitantes)


- 1447 a 1455 o papa Nicolau V estabeleceu o programa de governo
papal: reconstruir a cidade imperial e transforma – lá numa cidade
moderna sob a autoridade do pontífice.
- Para isso era necessário restaurar as benfeitorias ainda utilizáveis,
recuperar monumentos antigos destinando novas funções e restaurar as
basílicas cristãs e construir a cidadela da corte papal.(Vaticano)
PAPAS
Sisto IV (1471 – 1484) – Donato Bramante (Tempieto e Palácio Della
Cancellaria).
Júlio II (1503) – Michelangelo, Rafael, Sangallo e Bramante (planta da
Basílica de São Pedro); surgem ruas retas e edifícios regulares no tecido
da cidade medieval. (rua Lungura e via Giulia)
Leão X(1513) – Florença e Roma (Rafael) – Saque de Roma 1527
Paulo III (1534 – 1550) – Michelangelo (Capitólio, conclui a pintura da
Capela Sistina, Planta e Cúpula de S. Pedro e coordena as portas da
cidade)
Sisto V (1585 – 1590) – trama de ruas retilíneas que vão ligar a cidade
antiga a cidade moderna.
ROMA: muros de Aureliano

Roma no final do século XV


Fonte: Benévolo, 2001
ROMA: Bramante,
vem de Milão para
Roma em1449.

papas: Sisto IV e Júlio II

Tempieto, a Planta da basílica de São Pedro e Via Giulia (Bramante)


Fonte: Benévolo, 2001 e Panorama da Arquitetura Ocidental, 2002
ROMA: Michelangelo trabalha para o papa Júlio II e Paulo III. Com este
primeiro papa esculpe seu túmulo e pinta o teto da Capela Sistina

Michelângelo
Fonte: Wikipédia, 2019
ROMA: Michelangelo trabalha para o papa Paulo III. Com este reforma o
Capitólio.

Capitólio (Michelângelo)
Fonte: Benévolo, 2001
ROMA: Sede da administração municipal

Capitólio (Michelângelo)
Fonte: Benévolo, 2001 e Summerson, 1997
ROMA: Ainda sob a proteção de Paulo III, desenha a cúpula de São Pedro.

Planta da Basílica e Cúpula de São Pedro (Michelângelo)


Fonte: Benévolo, 2001
ROMA: As três ruas que convergem para Praça do Povo: Carlo Rainaldi
(100.000 hab)
Rua Corso; Ripetta e Babuíno.
Roma cidade – museu da cultura europeia. (classicismo antigo e moderno)

Ruas abertas pelos papa Sisto V – século XVI


Fonte: Benévolo, 2001
Planta de Roma no século XVIII
e as ruas abertas pelos papas
nos séculos XV e XVI
Fonte: Benévolo, 2001
Uma Rua em Roma
Fonte: Arquivo pessoal, 2011
• O Renascimento no Novo Mundo

- Os colonizadores encontram um enorme espaço vazio


- A exploração além – mar (portugueses e espanhóis)
- Leis das Índias: Vigência das ordenações de Povoamento de Felipe II
(1573), considerada a primeira lei urbanística moderna.
- Transmitidas pelos engenheiros militares

- Algumas cidades:

• Tenochtitlán (atual cidade do México)


• Cholula, México
• Guadalajara, México
• Quito, Equador
• Mazagão, África
• Damão, Índia
• Filadelfia, Estados Unidos
• São Luís, Brasil
“Leis das Índias”

- Preocupação com os sistemas defensivos e econômicos;


- Fundação de Fortificações (Cidade-fortaleza)
- Igrejas ocupam um local de destaque na cidade assim como palácios,
casa de câmara e os fortes;
- Traçado ortogonal dos arruamentos; largura constante das ruas sem
distinção de categorias primárias e secundárias ;
- Orientação de acordo com os pontos cardeais; simetria; regularidade;
- Traçada por meios de cordas e piquete;
- Tamanho da praça principal devia ser proporcional ao número de
habitantes;
- Ruas convergem para praça; nos quatro ângulos devem desembocar
sem serem obstruídas pelos pórticos das praças
- Regularidade cartesiana privilegiando quarteirões quadrados
- Lotes e quarteirões de formatos uniforme
Plano da cidade de Guadalajara, México em 1800
Fonte: Benévolo, 2001.
Planta da cidade de Damão, Índia
Fonte: Benévolo, 2001
Plano da cidade da Filadélfia, Estados Unidos, elaborado por Willian Pen – 1682
Fonte: Benévolo, 2001
São Luís – Maranhão, Brasil (1612). Engenheiro militar: Francisco Frias de
Mesquita

Maragnon In Zuid América van westvan Brasil


Fonte: Cd Rom- Imagens de Vilas e Cidades do Brasil Colonial de Nestor Goulart
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2 8

3 2

“A malha proposta por Frias era constituída por oito ruas, quatro no sentido leste-
oeste (rua João Vital, rua 14 de Julho, rua Direita e rua da Saúde) e quatro no
sentido norte-sul (rua Formosa, rua da Palma, rua do Giz e rua da Estrela)
originando um damero perfeito. Essas ruas apresentavam-se retas e com larguras
constantes, privilegiando uma perfeita regularidade e simetria de ruas e quadras.”
(ZENKNER, 2002, p. 75). Mapa século XVII.
Planta da cidade de São Luís, século XX
Fonte: Centro Histórico de São Luís, 1998
A força do traçado iniciado no século XVII:

Mapa do Cetro Histórico de São Luís


Fonte: :Guia de Arquitetura e Paisagem, 2008
A força do traçado iniciado no século XVII:

Rua do Giz em 1908 e atualmente


Fonte: Andrès, 1998
A força do traçado iniciado no século XVII:

Rua da Estrela até a Praça do Comércio, foto de 1908


Fonte: Centro Histórico de São Luís, 1998
A força do traçado iniciado no século XVII:

Rua da Estrela até a Praça do Comércio, século XX


Fonte: Centro Histórico de São Luís, 1998
Considerações finais a respeito da urbanística renascentista:

- Construção de sistemas de fortificações;


- Modificação de zonas da cidade com criação de espaços públicos ou
praças e arruamentos retilíneos;
- Construção de novos bairros e expansões urbanas, utilizando quadrícula
regulares;
- Reestruturação de cidades pelo rasgamento de nova rede viária;
- O modelo em tabuleiro é estabelecido como padrão geométrico na
construção das cidades no novo mundo;
- A cidade renascentista é muitas vezes um objeto teórico (Europa)

“Na Europa selecionam-se os especialistas de alto nível, mas não se fazem


trabalhos importantes; nas colônias há tudo por fazer, mas faltam os
especialistas...” (BENÉVOLO, pág. 469, 2001)
QUESTÃO 1- As Leis das Índias eram ordenações de povoamento de
Felipe II (1573), considerada a primeira lei urbanística moderna. São regras
dessas ordenações:
a) A regularidade cartesiana privilegiando quarteirões quadrados além de
lotes e quarteirões de formatos uniforme.
b) Ruas tortuosas com casas de vários pavimentos.
c) Todas as cidades deveriam ter muralhas duplas.
d) Os castelos ocupam um local de destaque na cidade.

QUESTÃO 2- Os colonizadores encontram um enorme espaço vazio no


novo mundo e aplicaram as regras das ordenações das Leis das Índias. Das
cidades abaixo quais foram fundadas seguindo essas orientações:
a) São Luís e Ouro Preto
b) Porto Alegre e Manaus
c) Damão e São Luís
d) Filadélfia e Siena

QUESTÃO 3- Cite algumas características do urbanismo renascentista:

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