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XII CONVENÇÃO DE CONTABILIDADE DO RIO GRANDE DO SUL


09 a 11 de setembro de 2009 – Bento Gonçalves-RS

Área Temática 5 – Contabilidade para Usuários Externos

Análise das alterações que a Lei 11.638-07, MP 449-08 e Lei 11.941-09


trouxeram para o Balanço Patrimonial: um estudo da prática empresarial no
exercício social de 2008

AUTORES:

DÉBORA GOMES MACHADO


Contadora – CRCRS nº 56.671
E-mail: debora_furg@yahoo.com.br

RAFAEL STAHOSKI BRUM


E-mail: salimmochiba@yahoo.com.br

ARTUR ROBERTO DE OLIVEIRA GIBBON


Contador – CRCRS nº 62.796
E-mail: argibbon@uol.com.br
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Análise das alterações que a Lei 11.638/07, a MP 449/08 e a Lei 11.941/09,


trouxeram para o Balanço Patrimonial: Um estudo da prática
empresarial no exercício social de 2008.

Resumo

Um mercado mais globalizado facilitou os investimentos, havendo a necessidade de


que as normas contábeis brasileiras convergissem para um modelo de cunho internacional,
sendo sancionadas: a Lei 11.638/07, a MP 449/08, e a Lei 11.941/09, alterando a Lei
6.404/76, possibilitando que a contabilidade brasileira viesse a adotar padrões internacionais.
O objetivo geral desse estudo é observar como as empresas estão procedendo em referência a
essas novas regulamentações da legislação. A pesquisa se desenvolveu pelos métodos:
dedutivo e estruturalista, classificando-se como pesquisa aplicada, exploratória, documental e
ex-post-facto; para coleta dos dados utilizou-se o Jornal Zero Hora e a BOVESPA. A amostra
foi composta de 10 empresas, sendo 5 companhias de capital aberto e 5 de capital fechado. Ao
término do estudo nota-se que houve, em grande parte das empresas, adoção das alterações
trazidas pela nova legislação. Ficou evidente no estudo que o fato de serem companhias
abertas ou fechadas não fez diferença quanto à adoção da nova legislação, comprovando
assim que ambas procuram se adaptar as mudanças o mais breve possível. A dimensão das
modificações é inúmera para a contabilidade, sendo necessária a demonstração, dessas
atualizações para os alunos e profissionais da área contábil.

Palavras-chave: Nova Lei das Sociedades Anônimas; Lei 11.638; MP 449/08; Lei 11.941/09.

Área Temática: Contabilidade para Usuários Externos.


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1. Introdução

Um mercado mais globalizado deixou as empresas dos mais variados pontos do


mundo mais próximas, facilitando as negociações e investimentos, para tanto houve a
necessidade de que as normas contábeis brasileiras convergissem para um modelo,
internacionalmente adotado pelas mais diversas entidades econômicas. Após anos de espera
pela promulgação de leis que viessem a determinar tais mudanças, em 28 de dezembro de
2007 foi sancionada a Lei 11.638. No ano seguinte, em 03 de dezembro de 2008, foi editada a
Medida Provisória 449, e ainda, em 27 de maio do mesmo ano foi promulgada a Lei 11.941.
Toda essa legislação trouxe alterações na Lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976, conhecida
como a Lei das Sociedades Anônimas, possibilitando que a contabilidade brasileira viesse a
adotar padrões internacionais.

Com o advento dessas legislações houve mudanças significativas em diversos


procedimentos e classificações de contas adotadas na contabilidade, destacando-se as
exigências de novas Demonstrações Financeiras, as alterações na estrutura das demonstrações
existentes, novidade nos critérios de avaliação patrimonial, novas possibilidade de cálculo de
depreciação, atualização das notas explicativas, dentre outras.

Diante do exposto, surge o seguinte problema de pesquisa: Como as empresas estão


divulgando as alterações da Lei 11.638, da MP 449 e Lei 11.941 no Balanço Patrimonial do
exercício social de 2008?

O objetivo geral desta pesquisa é observar como as empresas de diferentes ramos estão
procedendo em referência a essas novas regulamentações da legislação, já que grande parte
das alterações devem ser consideradas no fechamento do balanço do referido exercício.

Os objetivos específicos, que se derivam do objetivo geral, são coletar Balanços


Patrimoniais de companhias abertas e fechadas que divulgam suas demonstrações financeiras
e analisar as alterações que a nova legislação trouxe com relação ao Balanço Patrimonial.

Dentre as várias alterações esse estudo delimita-se a estudar apenas as relativas a


estrutura do Balanço Patrimonial. A seguir, na seção 2, encontra-se a literatura de suporte, ou
seja, o embasamento legal, do estudo.

2. Nova Estrutura do Balanço Patrimonial

Com a necessidade de a contabilidade brasileira convergir para as normas


internacionais, deixando de ser apenas de cunho fiscal para direcionar-se a prestar
informações que podem ser interpretadas com facilidade pelos administradores, proprietários
e investidores, tanto no Brasil como no exterior, os legisladores brasileiros optaram por
reformular e atualizar a legislação que regia as relações entre as empresas de capital aberto e
seus usuários.

Para auxiliar nessa missão foram sancionadas a Lei 11.638/07, a MP 449/08 e a Lei
11.941/09, que promoveram alterações na Lei 6.404/76. Num primeiro momento essas
legislações trouxeram consigo muitas dúvidas para os profissionais da contabilidade. A
Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Conselho Federal de Contabilidade (CFC)
fizeram diversos pronunciamentos com o intuito de contribuir nas interpretações das referidas
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alterações.

Dentre as diversas alterações introduzidas pela nova legislação, podem-se citar as


concernentes as Demonstrações Financeiras. A atual disciplina legislativa tornou obrigatória a
publicação da Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) em substituição a Demonstração das
Origens e Aplicações de Recursos (DOAR), ainda que esta última seja considerada pelos
especialistas como uma demonstração mais rica em termos de informações, como por
exemplo, a variação do capital circulante líquido.

Outra novidade é a obrigatoriedade da publicação da Demonstração de valor


Adicionado (DVA) para as companhias de capital aberto. A DVA, de acordo com Braga e
Almeida (2008, p.30), tem por objetivo evidenciar “o quanto de riqueza uma empresa
produziu, ou seja, o quanto ela adicionou de valor, e de que forma essa riqueza foi distribuída
(entre empregados, governo, acionistas, financiadores de capital, etc.) e o quanto ficou retido
na empresa”. Com a adoção desta demonstração o Brasil se coloca ao lado de países do
primeiro mundo atendendo, inclusive, uma recomendação da Organização das Nações Unidas
(ONU).

Quanto a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA), o entendimento


é de que a nova legislação pertinente em vigor eliminou-a, uma vez que a conta lucros ou
prejuízos acumulados foi extinta do Balanço Patrimonial.

No tocante ao Balanço Patrimonial, o novo regramento legal trouxe alterações


substanciais. Pode-se citar o surgimento de um novo subgrupo no Ativo Permanente, segundo
a letra c, § 1 º, do art. 178 da Lei 11.638 o “ativo permanente, dividido em investimentos,
imobilizado, intangível e diferido”.

O subgrupo Intangível, desdobrado do Imobilizado, que segundo o inciso VI do art.


179 da Lei 11.638, ficou definido como “os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos
destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade, inclusive o fundo
de comércio adquirido”, vem contemplar um antigo anseio dos gestores modernos. É
crescente o aumento de ativos não corpóreos dentro das organizações, em número, mas
especialmente em valor. Posteriormente, a Lei 11.941 suprimiu a denominação ativo
permanente e também o exigível a longo prazo.

As contas que compõem o Ativo Circulante, o Realizável a Longo Prazo, o Passivo


Circulante não sofreram modificações em suas classificações, conforme a Lei 11.941/09.
Porém, o Passivo Exigível a longo Prazo e os Resultados de Exercícios Futuros foram
excluídos.

Além disso, houve a eliminação do Ativo Diferido e a regulamentação sobre qual o


procedimento a ser adotado quando a existência de saldo nesta conta, em 31/12/2008. O
artigo 299-A da Lei 11.941/09, prevê que havendo saldo neste grupo no final de 2008 e, na
impossibilidade deste saldo ser alocado em outro grupo, o mesmo poderá permanecer no ativo
até a sua completa amortização. Ressalta-se a necessidade de sujeitar esta possibilidade a
recuperação tratada no artigo 183, § 3º, da Lei das S.A.

A edição da MP 449, ratificada na Lei 11.941/09, trouxe modificações significativas


nas classificações dos grupos e subgrupos de contas do Balanço Patrimonial, em ambos os
grupos Ativo e Passivo. Segundo o artigo 37 da Lei 11.941/09, o ativo será dividido em
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circulante e não circulante e, este último, composto por ativo realizável a longo prazo,
investimentos, imobilizado e intangível. Assim, desaparece a denominação Ativo Permanente,
que foi substituída pela denominação ativo não circulante.

No lado do Passivo a nova legislação dividiu o grupo em passivo circulante e não


circulante. A Lei 11.941/09, no seu artigo 37, estabelece que “as obrigações da companhia,
inclusive financiamentos para aquisição de direitos do ativo não circulante, serão classificadas
no passivo circulante, quando se vencerem no exercício seguinte, e no passivo não circulante,
se tiverem vencimento em prazo maior, observado o disposto no parágrafo único do art. 179
desta Lei”.

O Patrimônio Líquido sofreu alteração em sua divisão conforme a letra d, § 2º, do art.
178 da Lei 11.638, corroborado no artigo 37 da Lei 11.941/09, que divide o patrimônio
líquido em “capital social, reservas de capital, ajustes de avaliação patrimonial, reservas de
lucros, ações em tesouraria e prejuízos acumulados”.

Como pode ser observado, houve a eliminação da conta Reservas de Reavaliação. Tal
mudança tem como justificativa que este procedimento contraria o Princípio Contábil do
Registro pelo Valor Original. Em contra partida, os Ajustes de Avaliação Patrimonial trazido
pela Lei 11.638, alterado pelo § 3º do art. 182 da MP 449 dispõe que:

Serão classificadas como ajustes de avaliação patrimonial, enquanto


não computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de
competência, as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor
atribuídos a elementos do ativo e do passivo, em decorrência da sua avaliação
a valor justo, nos casos previstos nesta Lei ou, em normas expedidas pela
Comissão de Valores Mobiliários, com base na competência conferida pelo
§ 3º do art. 177.

O valor justo pode ser entendido como sendo a diferença entre o valor de aquisição e o
valor líquido apurado, portanto o valor justo pode ser atribuído a cada um dos elementos do
ativo e do passivo, sendo assim os referidos ajustes podem ser positivos ou negativos.

Outra alteração significativa é a transformação da conta de Lucros ou Prejuízos


Acumulados em somente Prejuízos Acumulados, não podendo mais haver saldo de lucros
Acumulados devendo todo o saldo ter uma destinação, nos termos dos Artigos 194 a 197 da
Lei 11.638. Após esta entrar em vigor, a Comissão de Valores Mobiliários emitiu uma
interpretação sobre a aplicação dos termos desta lei no que se refere a saldo positivo na conta
de Lucros Acumulados, conforme o que consta no art. 5 º e parágrafo único da Instrução
CVM 469, de 02 de maio de 2008, que:

No encerramento do exercício social, a conta de lucros e prejuízos


acumulados não deverá apresentar saldo positivo, Parágrafo Único. Eventual
saldo positivo remanescente na conta de lucros e prejuízos acumulados
deverá ser destinado para reserva de lucros, nos termos dos art. 194 a 197 da
Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, ou distribuído como dividendo.

De acordo com a Lei 11.941, artigo 37, os ajustes de avaliação patrimonial são as
contrapartidas de aumentos ou diminuições de valores atribuídos a elementos do ativo e do
passivo, em decorrência da sua avaliação a valor justo, enquanto não computados no resultado
do exercício em obediência ao regime de competência. O valor justo pode ser entendido como
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sendo o valor de mercado de um bem ou direito.

A seguir, o quadro 1 demonstra como era a estrutura do Balanço Patrimonial antes e


como ficou após entrar em vigor a Lei 11.638/07 e a Lei 11.941/09.

Estrutura anterior Estrutura atual


Balanço Patrimonial Balanço Patrimonial
Ativo Passivo Ativo Passivo

Ativo Circulante Passivo Circulante Ativo Circulante Passivo Circulante


Ativo Realizável a LP Passivo Exigível a LP Ativo Não Circulante Passivo Não Circulante
Resultados de Exercícios
Ativo Permanente Futuros Ativo Realizável a LP Patrimônio Líquido

Investimentos Patrimônio Líquido Investimentos Capital Social

Imobilizado Capital Social Imobilizado Reservas de Capital

Diferido Reservas de Capital Intangível Reservas de Lucros


Ajustes de Avaliação
Res. de Reavaliação Patrimonial
Reservas de Lucros (-) Ações em Tesouraria
Lucros ou Prejuízos
Acumulados (-) Prejuízos Acumulados
Quadro 1 - Nova estrutura do Balanço Patrimonial.
Fonte: Elaborado a partir da Lei 11.638/07 e Lei 11.941/09.

O novo Balanço Patrimonial, demonstrado no Quadro 01, sofreu diversas outras


inovações, relativas, principalmente, as avaliações do patrimônio. Não foram objetos desse
estudo as alterações quanto às: depreciações, arrendamento mercantil, classificação no ativo
intangível, valor recuperável de ativos, ajuste a valor presente, equivalência patrimonial, notas
explicativas, dentre outras. A seguir, na seção 03, a descrição dos procedimentos
metodológicos utilizados nesse estudo.

3. Procedimentos Metodológicos

3.1 Método

Quanto à abordagem o estudo usa o método dedutivo, que de acordo com Marconi e
Lakatos (2006) estabelece uma conexão descendente da teoria. Nessa pesquisa a principal
fonte consultada foram as leis e normas, partindo do que elas reformularam genericamente
para partes específicas, como a determinação de confecção de novas demonstrações
financeiras e a reclassificação e/ou eliminação de grupos e subgrupos de contas.

Quanto ao método de procedimento dos diversos métodos utilizados o Estruturalista é


o mais adequado, pois começa os estudos em objetos concretos, sendo que cada entidade
adota o que lhe for mais pertinente, existindo uma discussão sobre a adoção das normas e leis
e por último a sua utilização. As autoras explicam que o método parte de um fenômeno
concreto e eleva-se para um nível abstrato, por intermédio de um modelo que represente o
objeto de estudo, retornando por fim ao concreto, dessa vez como uma realidade estruturada e
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relacionada com a experiência do sujeito social. No retorno, o método estruturalista dispõe de


um modelo para analisar a realidade concreta dos diversos fenômenos.

3.2 Classificação da Pesquisa

A pesquisa possui inúmeras classificações, quanto a sua natureza, esta é considerada


aplicada, por não envolver conhecimentos abstratos ou opiniões sendo toda embasada em
demonstrações financeiras e legislações específicas relacionadas com a área, tornando-a
explorativa quanto aos objetivos, por trazer conhecimentos gerais sobre mudanças emanadas
de legislações, não vindo a fazer estudos de cunho específico.

Gil (2002, pág. 42) expõe que normalmente a pesquisa exploratória envolve: 1)
levantamento da literatura acerca do tema tratado, buscando abarcar as diversas variáveis que
envolvem o problema, explicando o mesmo com base em referências teóricas já publicadas; e
2) análise de exemplos que possam contribuir para a compreensão do problema e dos
prováveis resultados. O objetivo principal da pesquisa exploratória, segundo o autor, é o
“aprimoramento de idéias e/ou a descoberta de intuições”.

As fontes examinadas são de primeira mão, pois as mesmas ainda não foram objeto de
análises, com isso ao relacionar a pesquisa aos procedimentos torna-se uma pesquisa
documental, de acordo com Gil (2002) a pesquisa documental vale-se de materiais que ainda
não receberam nenhum tratamento analítico. Também pode ser classificada como a pesquisa
ex-post-facto por analisar legislações sancionadas e como as entidades procederam sobre
essas novas determinações.

Na pesquisa ex-post-facto, conforme Silva (2003), o experimento é efetivado depois


dos fatos e o pesquisador não possui controle sobre as variáveis, no caso a legislação atual
sobre a estrutura do balanço patrimonial. No caso o fato é a legislação nova.
Por haver a interpretação das alterações causadas pela nova legislação e por haver a
necessidade de investigar as atitudes adotadas pelas entidades, torna-se uma pesquisa
qualitativa quanto à abordagem do problema. Segundo Raupp e Beuren (2004) na mesma
concebem-se análises mais profundas em relação ao fenômeno estudado.

3.3 Técnica de Coleta, Tratamento e Análise de Dados


Para realizar esta pesquisa foram utilizados dois tipos de fontes: a documental e a
internet, esta para ter acesso às demonstrações financeiras oriundas do sitio da Bolsa de
Valores de São Paulo – BOVESPA e a documental se refere as demonstrações financeiras
publicadas em jornal de grande circulação do estado e, também as disponibilizadas no portal
da BOVESPA.
Os dados coletados sofreram análise de conteúdo, que segundo Bardin (2004) é um
conjunto de técnicas de análise das comunicações, podendo se valer da descrição analítica,
que funciona segundo procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição dos conteúdos das
mensagens.
A análise de conteúdo pode ser aplicada tanto na abordagem do problema de forma
qualitativa quanto quantitativa. Neste estudo o conteúdo das demonstrações financeiras sofreu
análise de conteúdo, primeiramente, os dados foram agrupados em categorias para posterior
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análise descritiva. Esta, conforme Collauto e Beuren (2004) se preocupa em investigar as


características de um fenômeno.

3.4 População e Amostra


A população do estudo são as empresas brasileiras, diante do contexto da nova
legislação. A amostra foi não-probabilística intencional, foram selecionadas cinco
companhias abertas com ações à venda na BOVESPA em junho de 2009, sendo uma do ramo
de informática, uma concessionária, uma de bebidas, uma de fertilizantes e uma metalúrgica.
Ainda, para proceder uma comparação com as companhias abertas foram selecionadas 5
empresas, sendo Sociedades Anônimas, que divulgaram suas demonstrações financeiras, em
abril de 2009, no caderno de publicações oficiais do Jornal Zero Hora. A relação das mesmas
está demonstrada no quadro 2, a seguir.

JORNAL ZERO HORA BOVESPA


Banco Matone S.A. Cia Bebidas das Américas - AMBEV
Casarita Participações S.A. Empresa Concessionária de Rodovias do Sul
S.A. - ECOSUL
RBS – Zero Hora Jornalística S.A. Gerdau S.A.
RIC – Rede Integrada de Comunicações S.A. Positivo Informática S.A.
Televisão Alto Uruguai S.A Yara Brasil Fertilizantes S.A.
Quadro 2 – Empresas componentes da amostra
Fonte: BOVESPA (2009) e Zero Hora (2009)

As empresas da amostra divulgadas no caderno de publicações oficiais do jornal Zero


Hora são: quatro do ramo de comunicação e uma instituição financeira, sendo que não houve
critério para seleção das mesmas, apenas foram publicadas no mês de abril deste ano, no
mesmo caderno. A seguir, na seção 4, a análise dos resultados.

4.Análise dos Resultados

Analisados os Balanços Patrimoniais do exercício social de 2008, e levando-se em


consideração que a Lei 11.941 foi sancionada apenas em 27 de maio de 2009, ou seja, após a
publicação dos balanços patrimoniais, e que a medida provisória 449 de 3 de dezembro de
2008, havia sido editada a apenas 4 meses, de acordo com a amostra do estudo, as dez
empresas apresentaram uma congruência com a legislação atual da seguinte forma:

Tabela 1- Evidenciação do grupo - Ativo Permanente


sim não total
Ativo Permanente
80% 20% 100%

Nota-se que a maioria das empresas segregou o grupo de Ativo Permanente, embora
pela legislação atual, Lei 11.941, não seja mais necessária essa divisão. Possivelmente tenha
se mantido a segregação por não ter havido tempo hábil entre a publicação da Lei e o
fechamento das demonstrações contábeis e sua conseqüente publicação.
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Tabela 2 – Descrição do grupo - Ativo Diferido


sim não total
Ativo Diferido
20% 80% 100%

O estudo evidenciou que a maior parte das empresas já não tinha saldo no grupo ativo
diferido, sendo assim, as empresas da amostra, já estão, em sua quase totalidade, adaptadas a
nova legislação quanto a esse quesito.

Tabela 3 – descrição do grupo - Ativo Intangível


sim não total
Ativo Intangível
90% 10% 100%

Quanto à segregação do grupo ativo intangível a grande maioria das empresas já fez
essa evidenciação. Estando assim em conformidade com a lei 11.638 editada no final do ano
de 2008.

Tabela 4 – Divisão do Ativo e Passivo


Ativo Não-Circulante e sim não total
Passivo Não-Circulante 90% 10% 100%

A nova estruturação do Ativo e Passivo trazida pela medida provisória 449,


extinguindo o ativo permanente e o exigível a longo prazo, foi aplicada pela maioria das
empresas, é necessário lembrar que a Lei 11.941 apenas confirmou a divisão descrita na MP,
a adoção foi quase plena, embora houvesse possibilidade de revogação da Medida Provisória.

Tabela 5 – Descrição do grupo- Exigível a Longo Prazo


sim não total
Passivo Exigível a Longo Prazo
40% 60% 100%

Nota-se que as empresas ficaram divididas na extinção do referido grupo, o que é


defensável, pois a Lei 11941 que consolidou a MP 449 foi editada apenas em final de maio
deste ano, ou seja, após a publicação dos referidos balanços patrimoniais.

Tabela 6 – Descrição do grupo - REF


sim não total
Resultados de Exercícios Futuros
0% 100% 100%

Todas as empresas da amostra já estão adequadas a legislação atual, quanto aos


resultados de exercícios futuros, admite-se que a atividades das mesmas talvez não utilizem as
contas do referido grupo, fato que deve ser investigado em outras atividades.

Tabela 7 – Descrição do grupo - Reservas de Reavaliação


sim não total
Reservas de Reavaliação
30% 70% 100%

As empresas da amostra em sua maioria não possuíam saldo na conta reservas de


reavaliação, nem do exercício de 2008 e nem no exercício de 2007, fato que não demonstra
adaptação a nova legislação, pois as empresas, 30%, que possuem saldo nessa conta, também
possuem no exercício anterior, essas demonstram não ter se adaptado a nova legislação que já
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estava em vigor na data do balanço patrimonial, ou seja, a Lei 11.638/07. Embora a lei
permita a manutenção do saldo na referida conta para posterior destinação.

Tabela 8 – Saldo da Conta Lucros Acumulados


sim não total
Lucros Acumulados
30% 70% 100%

Percebe-se que a maioria das empresas já destinou o saldo da conta lucros


acumulados, mantendo apenas saldo, 30% dessas, de prejuízos acumulados, conforme
demonstrado na tabela 10.

Tabela 9 – Descrição do grupo – Ações em Tesouraria


sim não total
Ações em Tesouraria
30% 70% 100%

Quanto à segregação do grupo de ações em tesouraria, nota-se que a minoria das


empresas, 30%, já demonstrou tal separação, ainda que as outras empresas, 70%, poderiam
não possuir saldo de ações em tesouraria, fato que não fica esclarecido no balanço patrimonial
se não houver manutenção de saldo. Mas, de forma geral, já está havendo uma adaptação a
nova legislação.

Tabela 10 – Saldo da conta Prejuízos Acumulados


sim não total
Prejuízos Acumulados
30% 70% 100%

Em contraposição a tabela 8, percebe-se que as empresas apresentaram em pequena


representação, 30%, saldo na conta de prejuízos acumulados, as demais, 70%, não possuíam
saldo ou ainda já haviam destinado a totalidade de seus lucros acumulados. Desta forma, em
total consonância com a nova legislação.

Tabela 11 – Descrição do grupo – Ajustes de Avaliação Patrimonial


sim não total
Ajustes de Avaliação Patrimonial
20% 80% 100%

Quanto ao novo grupo de ajustes de avaliação patrimonial, ainda que insipiente por ser
uma inovação dentro do grupo do Patrimônio Líquido, já apresentou aderência a nova
legislação, mesmo que por uma pequena parte da amostra.

Salienta-se que nos grupos de ativo diferido, intangível e quanto à utilização da nova
denominação ativo não-circulante e passivo não-circulante todas as empresas de capital aberto
estão adaptadas, em contrapartida as sociedades anônimas de capital fechado somente uma
pequena minoria não se adaptou.

5.Considerações Finais

A pesquisa buscou responder como as empresas estão divulgando as alterações


trazidas pela Lei 11.638/07, pela MP 449/08 e pela Lei 11.941/09 no Balanço Patrimonial. Ao
término do estudo nota-se que houve, em grande parte das empresas, adoção das alterações
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trazidas pela nova legislação, muito embora, a assimilação dessas alterações esteja muito
insipiente pelos profissionais da contabilidade, e mesmo pelos acadêmicos da área, pois foram
muitos anos de espera por alterações tão relevantes e tão profundas na Lei 6.404/76.

Nota-se que o fato de serem companhias abertas ou fechadas não fez diferença quanto
à adoção da nova legislação, comprovando assim que ambas procuram se adaptar as
mudanças.

A dimensão das modificações é inúmera para a contabilidade, sendo necessária a


demonstração, urgentemente, desses acontecimentos e atualizações para os alunos e
profissionais da área contábil. De forma que os mesmos contextualizem-se com a nova
estrutura do Balanço Patrimonial, e ainda, habituem-se às novas nomenclaturas adotadas nas
demonstrações financeiras.

Faz-se relevante e urgente mencionar que a literatura permanente a cerca da


contabilidade, especificamente, das demonstrações financeiras sejam atualizadas para que os
graduandos, graduados e profissionais tenham acesso à estrutura correta e atualizada de
acordo com a nova legislação.

Como recomendação para novos estudos, cita-se replicar esta pesquisa a empresas de
outros estados brasileiros, dando ênfase na atualização do contador gaúcho, comparando
como o profissional e as empresas gaúchas estão em relação aos demais entes federados.

REFERÊNCIAS

BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. 3ª ed. Lisboa: Edições 70, 2004.

BOLSA DE VALORES DE SÃO PAULO – BOVESPA. Demonstrações Financeiras de


Empresas Listadas. 2009. Disponível em
http://www.bovespa.com.br/Home/redirect.asp?end=InfoArq Acesso em 06 jun.2009.

BRAGA, Hugo Rocha; ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Mudanças contábeis na lei


societária: Lei N° 11.638, de 28-12-2007. São Paulo: Atlas, 2008.

BRASIL. Lei 6404 de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades Anônimas. In:
Diário Oficial da União, Brasília, 17 dez. 09.

BRASIL. Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei nº


6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei nº 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e estende às
sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações
financeiras. In: Diário Oficial da União, Brasília, Edição Extra, 28 dez 07.

BRASIL. Lei 11.941 de 17 de maio de 2009. Altera a legislação tributária federal relativa ao
parcelamento ordinário de débitos tributários; concede remissão nos casos em que especifica;
institui regime tributário de transição, alterando: o Decreto 70.235, as Leis 8.212, 8.213,
8.218, 9.249, 9.430, 9.469, 9.532, 10.426, 10.480, 10.522, 10.887, 6.404, Decreto-Lei 1.598, e
as Leis 8.981, 10.925, 10.637, 10.833, 11.116, 11.732, 10.260, 9.873, 11.171, 11.345,
prorroga a vigência da Lei 8.989, revoga dispositivos das Leis 8.383, e 8.620, do Decreto-Lei
73, das Leis 10.190, 9.718, 6.938, e 9.964, e, a partir da instalação do Conselho
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Administrativo de Recursos Fiscais, os Decretos 83.304, e 89.892, e o art. 112 da Lei 11.196,
e dá outras providências. In: Diário Oficial da União, Brasília, 28 mai. 09.

BRASIL. Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Altera a legislação


tributária federal relativa ao parcelamento ordinário de débitos tributários, concede remissão
nos casos em que especifica, institui regime tributário de transição, e dá outras providências.
In: Diário Oficial da União, Brasília, 04 dez 08.

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