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BANDURA, Albert

(1925-)

Psicólogo canadiano, doutorou-se na Universidade de Iowa onde se começou a


interessar pelos processos de aprendizagem. A partir de 1953 vai leccionar para a
Universidade de Stanford. As suas investigações incidiram sobre o processo de
aquisição de comportamentos tendo desenvolvido a teoria da aprendizagem social. As
várias experiências que realiza levam-no a concluir que a aprendizagem se processa
por observação e imitação. Estudou também o efeito dos meios de comunicação
social na aquisição de comportamentos. As suas concepções estão expressas nas
obras: Social Learning Theory e Social Foundations of Thought and Action esta
última publicada em 1986. Mais recentemente, em 1995, publicou o livro Self
Efficacy in Changing Societies. Em 1998 recebeu o prémio da Associação Americana
de Psicologia pelo trabalho desenvolvido.

BINET, Alfred
(1857-1911)

Psicólogo francês que, depois de se ter formado em Direito, vai estudar Medicina. Em
1894 defende uma tese de doutoramento em Ciências passando depois a dirigir o
Laboratório de Psicologia na Sorbonne. Desenvolve uma intensa actividade de
investigação em várias manifestações do psiquismo humano, privilegiando a
observação e a experimentação. Em 1904 o Ministro de Instrução Pública convida
Binet a integrar uma comissão encarregada de detectar as crianças que apresentavam
atraso intelectual para lhes ser aplicada uma pedagogia própria. Para diagnosticar a
deficiência com o maior rigor possível, Binet, em colaboração com Theodore Simon,
constrói a Escala Métrica de Inteligência composta por perguntas simples adequadas
às diferentes idades. Será a partir da avaliação das respostas que será possível
determinar a idade mental de uma criança que pode ser superior ou inferior à idade

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cronológica. Mais tarde, o psicólogo alemão Stern introduz a noção de Quociente
Intelectual – razão entre a idade mental e a idade cronológica. De entre as obras de
Binet destaca-se Les Idées modernes sur les enfants, considerada o seu testamento
pedagógico. Funda em 1899 a Sociedade Livre para o Estudo Psicologia da Criança.

BION,Wilfred R.
(1897-1979)

Psicanalista e psiquiatra britânico nasceu na Índia e morreu em Oxford. Foi aluno de


Melanie Klein tendo-se debruçado sobre o desenvolvimento mental da criança e sobre
as psicoses. Deu particular atenção ao funcionamento dos pequenos grupos
distinguindo no seu funcionamento o nível racional, que se manifesta, e o nível
afectivo, irracional e inconsciente. Desenvolve estas concepções na obra Recherches
sur les petits groupes publicada em 1961.

BOWLBY, John
(1907-1990)

Psicólogo inglês que procurou conciliar as concepções da Psicanálise com as da


Etologia. Foi o primeiro psicanalista a ter proposto um modelo de desenvolvimento e
de funcionamento da personalidade distinto das teses defendidas por Freud. acabando
por ser expulso da Sociedade de Psicanálise.
Bowlby considera que a necessidade de vinculação – apego, attachement – se
manifesta pela necessidade de proximidade espacial, de contacto entre o bebé e a
mãe. Segundo este autor a vinculação não é produto da aprendizagem: é uma
necessidade básica semelhante à alimentação e à sexualidade, sendo um elemento
organizador importante da actividade sócio-emocional da criança.
Bowlby pode ser considerado um inovador na forma como abordou as relações
precoces mãe-filho. De entre as suas obras pode-se destacar Attachment and Loss.

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BREUER, Joseph
(1842-1925)

Médico alemão, desenvolveu trabalhos sobre a respiração e o sentido de equilíbrio.


Contudo, a sua fama advém do facto de ter trabalhado com Freud: é Breuer que inicia
o fundador da Psicanálise na utilização da hipnose como terapia nas perturbações
resultantes da histeria. É ele que designa este método como "catártico", isto é,
purificador. Em 1885 publicam, em conjunto, a obra Estudes sur l'hysterie onde
consideram que a doença é provocada pela retenção de recordações traumáticas no
inconsciente. Em 1896 Freud abandona o trabalho conjunto porque considerar que a
hipnose era um método limitado com resultados pouco duradouros. Por outro lado
Breuer recusa a tese defendida por Freud segundo o qual a histeria teria origem
sexual.

BRUNER, Jerome S.
(1915-)

Psicólogo norte-americano, formou-se na Universidade de Duke em 1937. Em 1941


obtém o doutoramento em Psicologia na Universidade de Harvard tendo a sua tese
como tema as técnicas de propaganda nazi.
Vai desenvolver pesquisas sobre a percepção tendo demonstrado que os valores e as
necessidades influenciam o modo como se percepciona o mundo. As suas concepções
vão contribuir para a constituição da corrente americana designada por Psicologia
Cognitiva tendo colaborado na fundação do Centro de Estudos Cognitivos da
Universidade de Harvard em 1960. Interessou-se pela Psicologia educacional tendo
valorizado a intuição no processo de aprendizagem – as crianças resolvem problemas
recorrendo mais à compreensão imediata do que à análise planeada. Vai valorizar a
aprendizagem por descoberta em que o sujeito tem um papel activo no acto de
aprender. De entre as suas obras destaca-se The Process of Education onde

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desenvolve as suas concepções sobre o processo educativo, recorrendo a um discurso
acessível aos educadores. Pode-se ainda referir a obra Studies of Cognitive Growth.

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LACAN, Jacques M.
(1901-1981)

Psicanalista e médico francês, estudou Medicina e Psiquiatria, apresentando, em 1932


uma tese que já reflecte uma influência psicanalítica: A Psicose Paranóica nas Suas
Relações com a Personalidade. Vai desempenhar um papel importante no movimento
fundado por Freud ao procurar um retorno às raízes. Segundo Lacan, a Psicanálise
ter-se-ia afastado da sua orientação original pelo que preconiza um regresso ao seu
objecto: o inconsciente. Concebe esta instância do psiquismo como uma rede de
"significantes" sendo necessário estudar o campo onde se manifesta: a palavra.
Sempre controverso animou o movimento psicanalítico com contribuições
consideradas por muitos polémicas.
De entre as suas obras pode-se destacar: Écrits e L' Ethique de la Psychanalyse.

LAGACHE, Daniel
(1903-1972)

Psicólogo francês, estudou Filosofia e Medicina tendo sido professor de Psicologia


nas Universidades de Estrasburgo e Sorbonne. É o responsável pela introdução da
Psicanálise nesta última. Desenvolve uma concepção "clínica" de Psicologia: esta
deveria estudar as condutas individuais no contexto afectivo e cultural. De entre as
suas obras pode-se destacar: La Jalousie Amoureuse e L´Unité de la Psychologie.

LEWIN, Kurt
(1890-1947)

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Psicólogo alemão, foi professor de Psicologia na Universidade de Berlim, vendo-se
obrigado pelos nazis a abandonar a Alemanha, refugiando-se nos EUA. Aí lecciona
nas universidades de Stanford, Cornell e Harvard desenvolvendo as concepções
gestaltistas defendidas por Kohler, Wertheimer e Koffka. Desenvolveu os métodos e
aplicou o fundamental do gestaltismo ao estudo da personalidade e da motivação.
Estudou experimentalmente o funcionamento dos pequenos grupos introduzindo o
conceito de "dinâmica de grupo".
Desenvolveu também experiências sobre a comunicação no interior dos grupos e
sobre tipos de autoridade (distingue autoridade autoritária, democrática e liberal).
Inspirado nos conceitos da Física, desenvolve a teoria de campo psicológico em que o
indivíduo é encarado no seu contexto de vida.
De entre as suas obras pode-se destacar: A Dynamic Theory of Personality e
Principles of Topological Psychology.

LORENZ, Konrad
(1903-1963)

Etólogo austríaco, cresceu num meio familiar que lhe desenvolveu o gosto por
animais. O pai criava gansos cinzentos que virão a ser objecto de estudo profundo por
parte de Konrad Lorenz. Forma-se em Medicina e em Filosofia, tendo-se
especializado em Zoologia. Em 1937 publica o artigo O companheiro no mundo dos
pássaros, onde começa a desenvolver o conceito de "imprinting" ou "cunhagem".
Este termo designa o fenómeno que surge, após o nascimento de animais como
gansos e patos, e que consiste na resposta do recém-nascido em seguir o primeiro
objecto móvel que percepciona. Constata que, por exemplo, os gansos logo depois de

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nascer, não seguem apenas a mãe, mas qualquer coisa que se mova, como, por
exemplo, próprio Lorenz.
Interrompe a sua actividade em 1941 quando foi mobilizado para o exército alemão.
Em 1948 reinicia a sua actividade como professor e investigador na Universidade de
Viena. Em 1973 recebe o Prémio Nobel da Fisiologia e da Medicina, conjuntamente
com Niko Tinbergen e Karl von Frisch. Pode-se considerar que é o trabalho destes
investigadores que contribui para que a Etologia definisse o seu objecto de estudo no
campo das ciências.