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O RECURSO A ATIVIDADES LÚDICAS NO

PROCESSO DE AQUISIÇÃO DA
ORALIDADE DOS ALUNOS DE PORTUGUÊS
LÍNGUA NÃO MATERNA (PLNM)

Mónica Monteiro Mendes


(Nº 2019017)

Trabalho apresentado no âmbito da unidade curricular de


Didática do Português no 1.º e no 2.º CEB
1.º ano do Mestrado em Ensino do 1.º CEB e de Português e
História e Geografia de Portugal no 2.º CEB
Docente: Carolina Gonçalves

2019-2020
ÍNDICE GERAL

1. Introdução ..................................................................................................................... 1

2.Fundamentação da problemática ................................................................................... 3

3.Planificação de atividades ............................................................................................. 8

4.O que preciso de aprofundar........................................................................................ 23

Referências ..................................................................................................................... 25

Anexos ............................................................................................................................ 27

Anexo A. Ficha de Identificação nível A2………..…………………………… 28

Anexo B. Ficha de Identificação nível B1………..…………………………… 30

Anexo C. Lista de vocabulário…………………..…………………………….. 32

Anexo D. Lista de caraterísticas físicas e psicológicas..…………………….… 35

Anexo E. Lista de caraterísticas dos alunos……………………………………..38

Anexo F. Pictionary……………………………………………………………..40

2
Lista de abreviaturas

PLMN- Português Língua não Materna

QECR- Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas

3
1. INTRODUÇÃO

1
No âmbito da Unidade Curricular de Didática do Português no 1.º e 2.º Ciclo do
Ensino Básico, foi-nos proposto a realização de um trabalho individual, com o propósito
de planificar uma atividade, de acordo com uma problemática que nos suscitasse
particular interesse. Deste modo, defini como problemática deste trabalho “O recurso a
atividades lúdicas no processo de aquisição da oralidade dos alunos de Português Língua
não Materna (PLNM)”.

A escolha desta problemática para tema central do trabalho desenvolvido, deve-


se ao facto da heterogeneidade linguística e cultural, ser, cada vez mais, uma caraterística
das escolas e, consequentemente, das turmas portuguesas. No entanto, durante o meu
percurso académico, apesar da diferenciação pedagógica ter sido um tópico bastante
abordado, acredito que, o ensino relativamente a este tema e às suas especificidades é
realizado de um modo bastante geral. Assim sendo, e tendo em conta que o
desconhecimento da língua portuguesa é um dos maiores obstáculos à integração dos
alunos de PLNM, acredito que é meu dever, na qualidade de futura docente, saber
“responder às necessidades de uma comunidade escolar linguisticamente heterogénea,
através da implementação de diversas medidas relativas ao ensino do Português Língua
Não Materna (PLNM)” (Leiria, 2008, p. 3).
Neste seguimento, decidi, portanto, abordar a aquisição da oralidade através de
atividades lúdicas pelas diversas vantagens e resultados que esta abordagem tem vindo a
apresentar. Condessa (2009), defende que a criação de ambientes lúdicos, em situações
de aprendizagem escolar, permite com que as crianças consigam, mais facilmente,
assimilar conceitos e linguagens considerados abstratos. A mesma autora, complementa
esta afirmação, explicando que estudos de investigação têm demonstrado que as crianças
que foram estimuladas a partir de contextos lúdicos obtêm maior sucesso e adaptação
escolar de acordo com os objetivos pedagógicos perseguidos.
Por fim, importa, ainda, referir que o presente trabalho encontra-se dividido em
cinco partes: (i) introdução; (ii) fundamentação da problemática; (iii) planificação de
atividades; (iv) o que preciso de aprofundar; (v) avaliação.

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2. FUNDAMENTAÇÃO DA
PROBLEMÁTICA

3
A existência de alunos que não possuem o Português como língua materna é uma
realidade, cada vez mais, presente nas escolas portuguesas. Este fenómeno, tal como
consta Gonçalves (2016), deve-se aos movimentos migratórios ocorridos no início do
século XXI que “fizeram com que Portugal passasse de um país de emigração para um
país de imigração” (p. 6). Fruto deste fenómeno, passamos a ter, atualmente, cidades onde
predomina a multiculturalidade.

Neste sentido, a coexistência em ambientes multiculturais, de acordo com Fonseca


& Malheiros (2005), remete-nos para a necessidade de interação, relação positiva entre
dois grupos, sendo estes o imigrante e, consequentemente, a sociedade de acolhimento.
É, também, em contexto de interação que se desenvolve o processo de integração: “um
processo complexo, interativo, que envolve diversas facetas e atores, os imigrantes e seus
descendentes mas também os indivíduos, grupos e instituições da sociedade de
acolhimento” (Fonseca & Malheiros, 2005, p. 4).

2.1. O papel da escola no processo de integração dos alunos de


PLNM
Falar de integração, é falar em oportunidades, neste sentido, as oportunidades
educativas assumem-se como elementos cruciais a este processo. Tal como refere Geibler
(2005), a educação constitui-se como um “recurso central que permite a participação na
vida económica, social, política e cultural do país” (p. 89). Hortas (2013), corrobora esta
afirmação, explicando que, as escolas assumem-se, atualmente, como “espaços de
significativos intercâmbios culturais e, como tal, diretamente envolvidas no acolhimento
e integração de indivíduos de origens socioculturais diversas.” (p. 11).
Neste sentido, destaca-se que, as escolas devem, portanto, proporcionar aos alunos
de PLNM, oportunidades promotoras de aquisição de competências, que numa primeira
fase, devem ser linguísticas.

4
2.2. A importância da aquisição de competências linguísticas pelos
alunos de LPNM
Considerando, então, que a aquisição da língua é o primeiro passo para a aquisição
de aprendizagens, a integração na escola de alunos de PLNM passa, assim, “pelo ensino
da língua em que as aprendizagens são oferecidas” (Leiria, 2008, p. 29), visto que o
domínio desta língua será fundamental, não só para acesso a todas as áreas do
conhecimento, como também para uma integração plena na escola e na comunidade.
Gonçalves (2012) também defende esta ideia, referindo que o conhecimento linguístico é
“basilar na aquisição de conhecimentos nas outras disciplinas”, pelo que “uma baixa
proficiência linguística tem impacto na construção do conhecimento em, praticamente,
todos os domínios do currículo” (p. 106).
Tendo isto em consideração, o domínio da língua de escolarização, neste caso a
língua portuguesa, é essencial para o sucesso escolar, pois, se este domínio não existir
plenamente, surgirão dificuldades de aprendizagem nas restantes disciplinas do currículo.
Contudo, importa referir que, de acordo com Leiria (2008), para aquisição das
competências linguísticas, é necessária, numa primeira fase, uma avaliação diagnóstica,
isto é, “um posicionamento do aluno em relação a um nível de competência geral,
definido em função do Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas (QECR)”
(p. 30). O QECR tem como objetivo “promover métodos de ensino das línguas vivas que
reforcem a independência de pensamento, de juízos críticos e de acção, associada a
capacidades sociais e a responsabilidade.” (CE, 2001, p. 22). NO QERC são definidos
três níveis de proficiência linguística: a) Iniciação (A1, A2); b) Intermédio (B1); c)
Avançado (B2, C1).
Deste modo, após uma avaliação será possível, não só a integração do aluno em
grupos com níveis de proficiência semelhantes, assim como, o desenvolvimento de um
plano de trabalho adequado ao seu desenvolvimento linguístico.

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2.3. A oralidade nos alunos de LPNM, uma abordagem
comunicativa

Tendo como objetivo principal o desenvolvimento do nível de proficiência da


língua portuguesa dos alunos, o ensino a alunos de PLNM requer “uma abordagem
diferenciada relativamente ao trabalho realizado com alunos que têm o Português como
Língua Materna” (Leiria, 2008, p. 6).
O mesmo autor, afirma que, os objetivos do ensino de Língua Não Materna devem
centrar-se, assim, na compreensão e produção de unidades comunicativas (Leiria, 2008).
Neste seguimento, reforça-se então que, o ensino desta área curricular deve ter em
consideração que esta é
língua de comunicação, para a recepção e produção de mensagens orais e escritas
de âmbito pessoal, escolar e social; língua de escolarização, veículo do
conhecimento disponibilizado pela escola; instrumento de integração no seio de
uma sociedade plurilingue e pluricultural. Por isso, as práticas pedagógicas da
disciplina de PLNM devem, assim, conduzir à aquisição das competências
comunicativa e cultural e, simultaneamente, à de uma competência específica em
português como língua de escolarização (Leiria, 2008, p. 6).

Tal como refere Madeira (2008), “esta abordagem torna-se ainda mais pertinente,
uma vez que estes alunos se encontram em contexto de imersão linguística” (p. 62). Neste
sentido, é fundamental fornecer-se aos alunos atividades e tarefas de compreensão e de
produção/interação oral. A mesma autora afirma que, numa abordagem comunicativa
deve
procurar-se abordar conteúdos lexicais e gramaticais relacionados com as
necessidades comunicativas dos alunos em determinado tema ou tarefa, trabalhá-
los a partir de um contexto em que sejam usados para expressar significado (e.g.
num vídeo, numa canção, num texto escrito) e integrar tarefas centradas na forma
e tarefas centradas nas competências de uso da língua (p. 63).

6
Neste sentido, refere-se que, ainda que se deva privilegiar o uso destas tarefas, no
ensino do PLNM, a gramática e o léxico não deverão ser descurados, pelo contrário, estes
conteúdos são essenciais para que o aluno seja capaz de estabelecer comunicação numa
determinada língua.

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3. PLANIFICAÇÃO DE
ATIVIDADES

8
As atividades apresentadas, abaixo, foram construídas para uma turma do 2º ano
de escolaridade, constituída por vinte alunos, sendo que, destes, quatro alunos são
estrangeiros (guineense, cabo-verdiano, francês, italiano). Importa, ainda, referir que, dos
quatro alunos de PLNM, dois apresentam o nível A2 e os dois nível B1. De modo a
proceder a uma avaliação adequada às necessidades de todos os alunos, a planificação
propõe não só atividades específicas para o grupo de alunos de PLNM, como também,
propostas em que é pertinente e necessário o envolvimento de todo o grupo, para a
promoção de competências de oralidade e, consequentemente, outras que estejam
inerentes às atividades delineadas(eg. escrita, leitura, o conhecimento explícito da língua).
No que diz respeito à ação do professor, é importante, reforçar a ideia de que este
deve estar atento às produções dos alunos e captar os erros destes. Isto porque, o erro seja
oral ou escrito, não deve ser assumido como um dado indicador de um fraco desempenho,
mas sim, como evidência reveladora de estratégias de aprendizagem. Neste sentido, é
então, essencial distinguir entre erros de competência e erros de desempenho. “Enquanto
os primeiros são erros que refletem o conhecimento linguístico dos falantes, os segundos
são erros ocasionais, que resultam, por exemplo, de distrações. É sobre o primeiro tipo de
erros, naturalmente, que a intervenção pedagógica deve incidir” (Madeira, 2008, p. 66).
Neste seguimento, e em conformidade com a Proposta de Orientações
Programáticas de Português Língua não Materna (PLNM) para os Ensinos Básico e
Secundário, as atividades propostas visam desenvolver conteúdos gramáticos como os
adjetivos, e, ainda, promover o conhecimento de palavras e conceitos relativos a
determinados tópicos. Ainda relativamente às atividades propostas na presente
planificação, idealmente, devem ser realizadas no início do ano letivo, de modo a
promover uma melhor integração dos alunos de PLNM e, ao mesmo tempo, expô-los à
língua portuguesa de um modo natural.
Importa, por fim, salientar que, relativamente à primeira atividade proposta
pressupõe-se que, anteriormente, foi entregue aos alunos uma ficha de identificação
consoante o nível de cada aluno (cf. Anexos A e B) e que esta foi, posteriormente,
corrigida pela professora e devolvida aos alunos com as devidas sugestões e alterações
que os mesmos deveriam realizar, antes de procederem à exposição. Ainda para esta
atividades foi fornecida uma lista de vocabulário para os alunos e PLNM (cf. Anexo C).

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2.º Ano de Escolaridade
Conteúdos/ Objetivos/ Descritores Avaliação
Estratégias/ Descrição de Atividades Tempo Recursos
Domínios de desempenho Indicadores Instrumentos
Produção/ 1. Fazer uma exposição 1ª atividade: Este sou eu e esta é a 20 Ficha de 1.1.Faz uma exposição Grelha de
Interação elementar, breve e minha cultura minutos Identificação elementar, breve e observação
oral: A2 previamente Nesta atividade, cada aluno de (cf. Anexo A) previamente preparada
preparada sobre PLNM deverá realizar uma breve sobre assuntos do Produtos dos
assuntos do exposição à turma, previamente Ficha de quotidiano que lhe alunos
quotidiano que lhe preparada, com base na ficha de Identificação interessam,
interessam, identificação (cf. Anexos A e B) (cf. Anexo B) justificando
justificando realizada e corrigida anteriormente, sucintamente,
sucintamente, pela professora. Ainda para esta Lista de respondendo a um
respondendo a um atividade, os alunos terão acesso a uma vocabulário número reduzido de
número reduzido de lista de vocabulário disponibilizada (cf. Anexo C) perguntas básicas no
perguntas básicas no pela docente (cf. Anexo C). seguimento da sua
seguimento da sua Para tal, à vez, dirigir-se-ão ao centro Imagens exposição;
exposição; da sala para apresentar o trabalho utilizadas na
realizado, este que diz respeito a si

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2. Descrever aspetos do mesmo, ao seu país e as caraterísticas realização 2.1.Descreve aspetos do
seu quotidiano da sua cultura. Para esta apresentação, das fichas seu quotidiano
acontecimentos os alunos deverão, ainda, ter presente a acontecimentos
passados, usando imagem descrita para a realização da passados, usando
expressões e frases ficha de identificação. Esta poderá ser expressões e frases
simples; uma fotografia ou uma imagem retirada simples;
da internet, que poderá ser impressa
3. Interagir em pela cooperante, a pedido dos mesmos. 3.1.Interage, com razoável
conversas curtas e Os restantes colegas, inclusive os facilidade, em
simples sobre que lhe PLNM que não estarão a apresentar, conversas curtas e
são familiares, deverão estar atentos às exposições dos simples sobre assuntos
fazendo e colegas, de modo a que, no fim de cada que lhe são familiares,
respondendo a exposição, possam esclarecer dúvidas fazendo e respondendo
perguntas simples, ou colocar questões, de maneira a perguntas simples,
desde que o discurso simples, se necessário. desde que o discurso
que lhe é dirigido seja que lhe é dirigido seja
claro e pausado e claro e pausado e possa
Produção/ possa solicitar solicitar pontuais
Interação pontuais repetições ou repetições ou
oral: B1 reformulações de reformulações de

11
alguma palavra ou alguma palavra ou
frase; frase;

4. Fazer uma exposição 4.1.Faz uma exposição


previamente ensaiada, previamente ensaiada,
simples e clara sobre simples e clara sobre
um assunto do seu um assunto do seu
conhecimento, sendo conhecimento, sendo
capaz de explicar os capaz de explicar os
pontos mais pontos mais
importantes com importantes com
razoável precisão e de razoável precisão e de
responder responder
satisfatoriamente a satisfatoriamente a
questões questões subsequentes;
subsequentes;

5. Exprimir-se com
relativa facilidade, 5.1.Exprime-se com

sendo capaz de relativa facilidade,

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prosseguir o seu sendo capaz de
discurso sem ajuda, prosseguir o seu
apesar de fazer discurso sem ajuda,
pontualmente pausas apesar de fazer
em resultado de pontualmente pausas
problemas de em resultado de
formulação. problemas de
formulação.
Leitura e 1. Desenvolver o 2ª atividade: Estes somos nós 25’ 1.1.Elabora e escreve uma Grelha de
escrita conhecimento da 1ª parte frase simples, observação
(LE2): ortografia; Nesta atividade, os alunos irão respeitando as regras de
Ortografia e realizar uma dinâmica de grupo, correspondência Produtos dos
pontuação proposta pela docente, com o objetivo fonema – grafema e alunos
de promover o conhecimento e a utilizando corretamente
coesão de grupo. as marcas do género e
Para tal, a professora pedirá a cada do número nos
aluno que escreva, anonimamente, adjetivos;
Produção/ duas frases com adjetivos que o
interação caraterize psicologicamente e duas
escrita: A2 frases com adjetivos que o caraterize

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2. Recorrer a frases fisicamente. Importa referir que, 2.1.Recorre a frases
Produção/ simples para durante esta tarefa, se necessário, a simples para descrever-
interação descrever-se; docente deverá fornecer uma instrução se;
escrita: B1 mais simples aos alunos de e, ainda,
3. Escrever descrições fornecer aos mesmos uma lista de
simples si mesmo; caraterísticas físicas e psicológicas 3.1.Escrever descrições
Gramática ilustradas com imagens (cf. Anexo D), Lista de simples si mesmo;
(G2): mas mostrando-se, sempre, prestável, caraterísticas
Classes de para esclarecer qualquer conceito. físicas e
palavras 4. Explicitar Além disto, a professora deverá ser psicológicas
regularidades no capaz de esclarecer dúvidas que a (cf. Anexo D) 4.1.Identifica adjetivos;
funcionamento da restante turma possa, eventualmente,
língua; apresentar.
Em seguida, a docente irá recolher
todas frases dos alunos, para,
posteriormente, numa folha A4, criar
uma lista, com conjuntos de frases que
correspondem às caraterísticas de cada
aluno (Cf. Anexo E). Assim, importa
salientar que, esta atividade deverá ser

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retomada num momento diferente que,
pode, ou não, ser no dia das produções.

2ª parte
Oralidade 5. Produz discursos com Na segunda parte desta atividade, os 40’ Lista de 5.1. Partilha a sua opinião; Grelha de
(O2): diferentes alunos deverão descobrir quem são os caraterísticas observação
Compreensã finalidades, tendo em produtores das frases descritas na lista dos alunos
o e conta a situação e o de caraterísticas (Cf. Anexo E). (Cf. Anexo Produtos dos
expressão interlocutor; Para tal, a cooperante, E) alunos
primeiramente deverá dar uma
instrução bastante clara e precisa,
explicando que os alunos, num
primeiro momento, terão de andar pela
sala, em silêncio, durante cinco
minutos, enquanto observam,
pormenorizadamente, as caraterísticas
físicas dos colegas e, só, depois, no
lugar, terão o dever de pensar nas
caraterísticas psicológicas dos

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mesmos e, no fim, atribuir um palpite
a cada conjunto de caraterísticas
descritas na folha.
Em seguida, a docente, deverá
distribuir a lista de caraterísticas por
todos os alunos e dar início à atividade.
Terminados os cinco minutos, a
professora deverá pedir aos alunos que
se dirijam para o seu lugar e, ainda
que, preencham a lista que a mesma
disponibilizou. Nesta fase de trabalho,
se necessário, a docente, uma vez
mais, deverá adotar medidas de apoio
específicas para os alunos de PLMN,
auxiliando-os na construção de alguns
significados ou conceitos mais
abstratos.
Numa fase seguinte, os alunos irão
expor as resoluções, justificando as
suas opções.

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Antes de iniciar, a professora, uma
vez mais, deverá instruir os alunos de
um modo claro, referindo que após
cada palpite, só o aluno cujo nome foi
dito pode afirmar ou negar. No
entanto, caso a resposta esteja errada,
os alunos poderão tentar, apenas uma
vez mais, se voltarem a errar, o autor
da frase deve assumir a palavra,
explicando o porquê dos objetivos
eleitos.
Para tal, numa ordem pré
estabelecida pela docente, cada aluno,
irá ler, um conjunto de caraterísticas e
dizer a que colega acreditam
corresponder e a respetiva justificação.
No fim da atividade, a cooperante
deverá realizar um levantamento das
reações dos alunos, relativamente ao
grau de dificuldade da atividade e,

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ainda, em relação às aprendizagens
proporcionadas.
Oralidade 1. Produzir discursos 3ª atividade: Pictionary 30’ 1.1.Formula Grelha de
(O2): com diferentes Nesta atividade, os alunos irão terão adequadamente observação
Interação finalidades, tendo em de adivinhar alguns conceitos através descrições;
discursiva conta a situação e o da sua caraterização. Respostas
dos alunos
interlocutor; Para tal, as crianças estarão
organizadas em quatro grupos de cinco
Produção/ 2. Descrever aspetos do elementos, para que cada aluno de 2.1. Descreve aspetos do
Interação seu quotidiano e PLNM integre um grupo diferente. Pictionary seu quotidiano e
oral: A2 conhecimentos do Cada grupo terá à sua disposição um (Cf. Anexo conhecimentos do
mundo, usando molho de cartas empilhadas com tema F) mundo, usando
expressões e frases relativos a: família, casa, vestuário, expressões e frases
simples; alimentação, profissões e meios de Ampulheta simples;
transporte (Cf. Anexo D). Importa
Produção/ 3. Construir uma referir que as cartas, estarão 3.1.Constrói uma
Interação sequência linear de identificadas com o tema, a ilustração sequência linear de
oral: B1 informações, e o nome do conceito/ objeto em informações,
estabelecendo questão. estabelecendo relações
relações de

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similitude, oposição, Antes de iniciar o jogo, a cooperante de similitude, oposição,
causa, consequência; explica aos alunos que, à vez, terão de causa, consequência;
retirar uma carta e dizer,
Leitura e 4. Apropriar‐se de primeiramente o tema, que estará no 4.1.Reconhece o
escrita novos vocábulos; topo da carta e, seguidamente, explicar significado de novas
(LE2): aos colegas o conceito/objeto, sem palavras, relativas a
Compreensã dizer o seu nome. A docente, temas do quotidiano,
o de Texto acrescenta, ainda que, os alunos terão áreas do interesse dos
uma ampulheta para contabilizar o alunos e conhecimento
tempo e, que sempre que erram um do mundo: família,
conceito, ele será revelado, mas casa, vestuário,
separado do baralho e posteriormente, alimentação, profissões
entregue à professora. e meios de transporte;
Durante a atividade, a docente deve
estar mais atenta às necessidades dos
alunos PLNM e, se necessário, ajudá-
los na desconstrução de alguns
conceitos.
No fim da atividade, a professora
deve recolher os conceitos mais

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difíceis para cada grupo e, numa
sessão posterior, abordá-los.

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4. O QUE PRECISO DE
APROFUNDAR

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Terminada e elaboração deste trabalho, iniciado na fundamentação e desenvolvido
na planificação das respetivas atividades, reitero a minha afirmação inicial de que é, cada
vez mais, necessário formar futuros docentes capazes de saber responder às necessidades
de uma comunidade escolar linguisticamente heterogénea, através da implementação de
diversas medidas relativas ao ensino do Português Língua Não Materna.
Contudo, importa destacar os aspetos que mais constrangimentos trouxeram à
realização deste trabalho. Primeiramente, destaco como maior dificuldade sentida, a
seleção de objetivos, para a consequente, avaliação dos alunos. Isto porque, após uma
pesquisa e leitura científica sobre os métodos de avaliação em PLNM foi possível
perceber que, uma avaliação inadequada pode colocar em causa o nível de progressão de
proficiência do alunos, o que consequentemente, terá consequências para os mesmos,
quer a nível da motivação, das atitudes e do comportamento, quer a nível do seu sucesso
na aprendizagem da língua portuguesa.
A par do que já foi referido, saliento, também, que o facto de ter elegido dois
níveis de proficiência distintos revelou-se um constrangimento, uma vez que, a cada
atividade realizada, houve a necessidade de torná-la acessível e, em simultâneo,
desafiadora ao dois níveis de LPNM e, ainda, à restante turma. Contudo, creio que, neste
caso, a ludicidade atribuída às tarefas, assim como o seu caráter enigmático conseguiu
colmatar esta dificuldade. Porém, é um aspeto a melhorar em futuras planificações.
Por fim, saliento, ainda, como constrangimento a compreensão dos níveis de
proficiência dos alunos de PLNM, isto porque, para conseguir estar em sintonia com o
Proposta de Orientações Programáticas de Português Língua não Materna (PLNM) para
os Ensinos Básico e Secundário (2008), e, para não desviar-me do que se espera nos níveis
de proficiência A2 e B1, tentei sempre que possível adaptá-los às especificidades da
minha planificação.
Tendo em consideração o trabalho realizado, importa referir, em tom de
conclusão, que os documentos orientadores foram essenciais, contudo, por ter sido o
primeiro contacto com os mesmos, o trabalho foi realizado com base numa leitura
bastante atenta e minuciosa.

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5. AVALIAÇÃO

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A escolha da temática Português Língua Não Materna para o trabalho individual,
como foi referido anteriormente, deveu-se ao facto de esta não ter sido abordada ao longo
da minha formação base, o que suscitou interesse e curiosidade. Além disto, esta temática
é uma realidade cada vez mais presente, nas escolas e turmas onde tenho realizado a
minha prática de ensino supervisionada, pelo que é fundamental e pertinente estar a par
não só das orientações programáticas da disciplina, como também do que se pretende de
um professor nesta área curricular,
A elaboração destas atividades permitiu-me também perceber que, no ensino de
PLNM, o trabalho vai muito mais além de ensinar uma língua. É um trabalho faseado e
planeado a longo prazo. Isto porque envolve, numa primeira fase, a avaliação e
categorização do nível de proficiência do aluno para uma, consequente, planificação de
atividades que estejam de acordo com conteúdos, objetivos e as temáticas propostas pelos
documentos orientadores. Além disto, é necessário garantir a progressão dos alunos, isto
é, não proporcionar apenas tarefas de resolução simples, mas sim de aprendizagens
significativas, que permitirão a evolução do aluno nos diferentes níveis de proficiência.
Para o sucesso do aluno, importa, ainda, ter em conta o seu passado cultural, pelo
que, tal como tentei fazer na primeira atividade, deve planificar-se atividades
significativas e próximas dos alunos para que a este estejam mais confortáveis e adquiram
conhecimentos de um modo mais fácil e claro.
Em suma, atribuo à pertinência do tema, assim como ao meu trabalho um nível
bom, uma vez que, além de me fazer sair da zona de conforto, permitiu-me desenvolver
competências nesta área e compreender a constante necessidade de formação que esta
profissão de docente requer.

1 2 3 4 5
X

24
27
REFERÊNCIAS

28
Condessa, I. C. (2009). (Re) aprender a brincar. Ponta delgada: Nova gráfica, Lda.

Conselho da Europa (2001). Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas –


Aprendizagem, ensino, avaliação. Ministério da Educação

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education, housing & health (pp.3-5). State of the Art Report. Estudos para o
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Universidade de Lisboa.

Geibler, R. (2005). Die Metamorphose der Arbeitertochter zum Migrantensohn. In P.A.


Berger, e H. Kahlert (eds). Institutionalisierte Ungleichheiten. Wie das
Bildugswesen Chancen blockiert. Juventa.

Gonçalves, C. (2012). Ensino e aprendizagem do Português Língua Não Materna:


necessidades e representações dos alunos. Revista Portuguesa de Educação, 25
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Hortas, M. (2013). Educação e imigração: a integração dos alunos imigrantes nas


escolas do ensino básico do centro histórico de Lisboa. Alto-comissariado para a
imigração e diálogo intercultural.

Leiria. I, (Coord.). (2008). Proposta de Orientações Programáticas de Português Língua


não Materna (PLNM) para os Ensinos Básico e Secundário. Ministério da
Educação.

Madeira, A. (Coord.). (2008). Avaliação de impacto e medidas prospetivas para a oferta


do Português Língua Não Materna (PLNM) no Sistema Educativo Português.
Ministério da Educação.

26
ANEXOS
ANEXO A
Ficha de Identificação
nível A2
ESTE SOU EU E ESTA É A MINHA CULTURA

O meu nome é:______________________________________________

O nome do meu país é:_________________________________________

A minha nacionalidade_________________________________________

A cidade onde eu vivia era:_____________________________________

A comida típica do meu país é:__________________________________

A festa tradicional do meu país é:_______________________________

Esta paisagem é da cidade de___________________________________

Nesta paisagem podemos ver___________________________________

_________________________________________________________

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ANEXO B
Ficha de Identificação
nível B1
ESTE SOU EU E ESTA É A MINHA CULTURA

Chamo-me:_________________________________________________

O nome do meu país é:_________________________________________

A minha nacionalidade é_______________________________________

Vivi em:___________________________________________________

A prato típico do meu país é:___________________________________

No meu país celebra-se:_______________________________________

Esta paisagem mostra a cidade de_______________________________

Nesta paisagem observamos ___________________________________

_________________________________________________________

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ANEXO C
Lista de vocabulário
LISTA DE VOCABULÁRIO

Países:

Guiné-Bissau França Cabo Verde Itália

Nacionalidades:

guineense francês cabo-verdiano italiano

guineense francesa cabo-verdiana italiana

Alimentos:

arroz batatas ovos massa carne peixe

legumes frutas bebida bolo pão

33
Estados de tempo:

sol nublado chuva trovoada neve arco-íris

quente vento frio nevoeiro luas estrelas

Espaços:

campo cidade jardim

casa

34
ANEXO D
Lista de caraterísticas
físicas e psicológicas
36

28
36
28
37
ANEXO E
Lista de caraterísticas
dos alunos

28
39
29
ANEXO F
Pictionary

30
41
34 38
42
43
34
3744
3845
46

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