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Eletrônica Embarcada
Automotiva

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Editora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1 ª Edição


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Editora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


Alexandre de A. Guimarães, MSc

Eletrônica Embarcada
Automotiva

1ª Edição

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• er1ca Saraiva
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Editora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Guimarães, Alexandre
Eletrônica Embarcada Automotiva / Alexandre de A. Guimarães. -- 1. ed. -- São Paulo:
Érica, 2007.

Bibliografia.
ISBN 978-85-365-1850-3

1. Eletrônica 2. Instrumentos eletrônicos - Automóveis 1. Título.

07-2194 Editado também como livro impresso CDD-621-381

Índices para catálogo sistemático


1. Eletrônica embarcada automotiva : Tecnologia 621.381

Copyright© 2007 da Editora Érica Ltda.


Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou
forma sem prévia autorização da Editora Érica. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na Lei
nº 9.610/98 e punido pelo Artigo 184 do Código Penal.

Coordenação e Editoração: Rosana Arruda da Silva


Capa: Maurício S. de França
Editoração e Finalização: Rosana Ap. Alves Santos
Marlene Teresa S. Alves
Carla de Oliveira Morais

O Autor e a Editora acreditam que todas as informações aqui apresentadas estão corretas e podem ser utilizadas para
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sempre ao resultado desejado. Os nomes de sites e empresas, porventura mencionados, foram utilizados apenas para ilustrar
os exemplos, não tendo vínculo nenhum com o livro, não garantindo a sua existência nem divulgação. Eventuais erratas
estarão disponíveis para download no site da Editora Érica.
Conteúdo adaptado ao Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, em execução desde 1º de janeiro de 2009.
A Ilustração de capa e algumas imagens de miolo foram retiradas de <www.shutterstock.com>, empresa com a qual se
mantém contrato ativo na data de publicação do livro. Outras foram obtidas da Coleção MasterClips/MasterPhotos® da IMSI,
100 Rowland Way, 3rd floor Novato, CA 94945,USA, e do CorelDRAW X5 e X6, Corei Gallery e Corei Corporation Samples.
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1ª Edição

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Rua Henrique Schaumann, 270
Pinheiros - São Paulo - SP - CEP: 05413-010
Fone: (11) 3613-3000
www.editoraerica.com.br

4 Eletrônica Embarcada Automotiva


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Editora Érica - E letrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


Dedicatória

Dedico este livro às pessoas que, verdadeiramente,


trabalham por um mundo melhor.
Tenho certeza de que um dia conseguiremos.

Aos meus pais Nivaldir e Anamaria,


à Tetê e à Preta.

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Editora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


Agradecimentos

Um projeto como este, apesar de levar na capa o nome de apenas uma


pessoa, jamais poderia ser final izado sem a co laboração direta e indireta de
muitas outras pessoas.
Inicialmente gostaria de agradecer ao professor Rômu lo Oliveira
A lbuquerque e à Rosana Arruda por terem colaborado decisivamente com a
f ina Iização deste projeto.
Aos colegas da General Motors que, durante os ú ltimos 14 anos, me
ensinaram a arte de desenvolver, com excelência, um automóvel. As perguntas
que fiz e também as que respond i durante estes anos foram fundamentais na
concepção deste material. Entre as várias pessoas com quem convivi e foram
determinantes na construção do profissional que sou hoje, gostaria de citar
algumas: senhor Abrahão Araújo, Fernando Bartuccio, Plín io Cabral, Plínio
Cabral Júnior, Luiz Corato, Juarez Borges, Manoel Rego, Araripe Faria, Alberto
Rejman, William Bertagni, senhor Pedro Manuchakian e Rogério Vol let e muitos
outros.
Outra contribuição decisiva ao conhecimento acumu lado sobre este tema
foi a proporcionada pelos comitês técnicos da SAE Brasil e AEA. Os nomes que
fortemente representam esses dois fabu losos ti mes são: professor Ronaldo
Salvagni, senhor Helcio Onusic e Silvio Palácios.
Outro grupo que foi determinante na criação da paixão que tenho por
protoco los de comunicação é o time do LAA (Laboratório de Automação
Agrícola da USP). Os nomes que representam esse time singular são: professor
Antônio Mauro Saraiva (meu caro orientador do mestrado), professor Carlos
Cugnasca (grande colaborador) e Cesar Strauss (exemplo de que alta tecnologia
e serenidade podem caminhar juntas).
Finalmente aos meus am igos Fabrizio, M ilton e M ichael e à minha família.
A lém de eternos companheiros, são pessoas extremamente entusiasmadas com
os meus passos e va lorizam as m inhas conquistas mais do que eu mesmo
poderia. M i nha esposa Ana Pau la, meus pais N ivaldir e Anamaria, os irmãos
Marcelo e Fábio, as cunhadas Amanda e Danie la, os avós verdadeiros e
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adotados 11 , a cachorri nha Preta e todos os demais.

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Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


Sobre oautor

Alexandre de Almeida Guimarães graduou-se em Engenharia Elétrica pela


Pontifícia Universidade Católica de São Paulo em 1998, obteve seu Mestrado
em Engenharia pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo em 2003 e
o título de MBA em Gestão do Conhecimento, Tecnologia e Inovação pela FIA
(Fundação Instituto de Administração) em 2007.
Trabalhando na General Motors do Brasi I há cerca de 1 7 anos, atuou em
diversas áreas e com diferentes responsabilidades. Dentre as principais
destacam-se:
• Engenheiro de Produtos no projeto do Novo Corsa, responsável pelo
desenvolvimento de Módulos Eletrônicos, Interruptores e Sistema de
Entretenimento
• Engenheiro de Produtos no projeto do Novo Vectra, responsável pelo
Sistema de Entretenimento
• Líder de Projeto do Time de Desenvolvimento Eletroeletrônico do
Novo Vectra
• Representante da GMLAAM ( General Motors Latin America, Africa and
Middle East) no Conselho Global de Arquitetura Elétrica da General
Motors Corporation
• Engenheiro de Arquitetura Elétrica, responsável pela definição da
Arquitetura Elétrica e Protocolos de Comunicação do Agile
• Assessor Técnico do Diretor da Engenharia de Produtos, Sr. Alberto
Rejman
• Representante da GM do Brasi I na Opel e GM Europa (ficando resi-
dente 1 7 meses na Alemanha)
• Gerente de Engenharia responsável por Módulos Eletrônicos na GM do
Brasil
No momento atua como Gerente - Assessor Técnico do Vice-Presidente
de Engenharia da América do Sul, Sr. Pedro Manuchakian.
Já atuou em vários grupos de pesquisa e associações de engenharia.
Dentre eles destacam-se:
• Membro do Comitê Técnico da SAE Brasil (Society of Automotive
Engineers)

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• Membro do Comitê Técnico da AEA Brasil (Associação Brasileira de
Engenharia Automotiva)
• Membro da Força-Tarefa ISOBUS, responsável pela disseminação do
padrão 1S011783 no Brasil
• Pesquisador Associado do Laboratório de Automação Agrícola da USP
(LAA)
• Iniciador e Membro da Força-Tarefa RDS (Radio Data System), respon-
sável pela normalização deste sistema no Brasi 1
Em seu currículo, A lexandre tem vários artigos publicados em Congressos
e Revistas e dois prêmios técnicos recebidos:
• 45 artigos técnicos publi cados até o momento
11 11
• Prêmio de Melhor Artigo da categoria Veículos no Congresso SAE
Brasil 2001 - 11 The CAN Bus Protocol in Off-Road Applications: A
Comparative Analyses between the Existing Standards"
11 11
• Prêm io de Melhor Artigo da categoria Eletroe letrônica no Congresso
SAE Brasil 2002 - The CAN Bus Protocol: Understanding and
11

lmplementing a CAN Bus based Serial Data Communication Networl<'


Atuou também como Professor de Informática Ap licada e Arqu itetura de
Computadores na Universidade do Grande ABC, entre os anos de 2001 e 2003.

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Sumário

Capítulo 1 - Eletricidade Básica ...................................................................... 25


1 .1 Introdução •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 25
1.2 Tensão, corrente e resistência ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 26
1.3 Potência elétrica ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 28
; .
1.4 Circu ito com resistências em serie ••••••••••• ••••••••••••••••••••• •••••••••••••••••••••• 29
1.5 Circu ito com resistências em paralelo • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 30
1.6 Capacitares e indutores ....................................................................... 31
1.7 Corrente alternada • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 31
1.8 Comentários finais • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 32
1.9 Exercícios propostos •••••• ••••••• •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• •••••••••••• 32

Capítulo 2 - Eletrônica Básica ......................................................................... 35


2.1 Introdução •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 35
2.2 Semicondutores • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 35
2 .2.1 Tipos de componentes sem icondutores ••••••••••••••••••••••• ••••••• •••••• 36
2.3 Circu itos integrados (Cls) •••••••••••••••••••••••••••••• •••••••••••••• •••••••••••••••••••••••• 37
2.4 Memórias semicondutoras • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 38
2.5 Microprocessadores e microcontroladores •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 39
2.6 Comentários finais •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 39
2.7 Exercícios propostos ••••••••••••••••••••••••••••••••• ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• • 39

Capítulo 3 - Componentes Automotivos Elementares ..................................... 41


3.1 Introdução •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 41
; .
3.2 Fus1ve1s............................................................................................... 41
3.3 Rei és ................................................................................................... 44
3.4 Chicotes • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 46
3.5 Diagramas elétricos •••••••••••• •••••• ••••••• ••••••• ••••••• •••••••••••••• ••••••• •••••• ••••••• ••• 49
3.6 Comentários finais •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 51
3.7 Exercícios propostos ••••••••••••••••••••••••••••••••• ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• • 51

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Capítulo 4 - Sistema de Carga .........................................................................5 3
4.1 1ntrod ução ...........................................................................................5 3
4.2 Sistema de partida ...............................................................................54
4.3 Motor de partida ..................................................................................55
4.4 Bateria .................................................................................................56
4.5 A lternador ...........................................................................................58
4.6 A lternadores e motores de partida integrados ...................................... 62
4.7 Terminais importantes .........................................................................62
4.8 Comentários finais ...............................................................................63
4.9 Exercícios propostos ............................................................................63

Capítulo 5 - 1nterruptores, Sensores e Atuadores ............................................ 65


5.1 1ntrod ução ...........................................................................................6 5
5.2 1nterru ptores ........................................................................................65

5.3 Sensores ..............................................................................................69


5.4 Atuadores ............................................................................................71
5.5 Comentários fina is ............................................................................... 72
5.6 Exercícios propostos ............................................................................ 72

Capítulo 6 - Sistemas de Iluminação ............................................................... 75


6.1 1ntrod ução ...........................................................................................7 5
6.2 Iluminação externa .............................................................................. 76
6.3 Iluminação i nterna ..............................................................................8 2
6.4 Comentários finais ...............................................................................83
6.5 Exercícios propostos ............................................................................83

Capítulo 7 - Sistemas de Limpeza dos Vidros .................................................. 85


7.1 1ntrod ução ...........................................................................................8 5
7.2 Limpador dos vidros ............................................................................85
7.3 Lavador dos vidros .............................................................................. 88
7.4 Sensor de chuva ..................................................................................90
7.5 Comentários fina is ...............................................................................91
7.6 Exercícios propostos ............................................................................91

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Capítulo 8 - Módulos Eletrônicos •••••• ••••••••••••••••••••••••••••••••• ••••••• ••••••••••••• •••••••• 93
8.1 Introdução • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 93
8.2 Conceituação técnica ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 93
8.2 .1 Entradas ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 95
8.2 .2 Saídas •••••••••••••••••••••••••••••••• ••••••••••••••••••••••••••• •••••••••••••• ••••••••••••• 96
8.2 .3 Software ................................................................................. 100
8.2 .4 Aplicações • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 101
8.3 O módulo de controle da carroçaria ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 102
8.4 Implementação de uma ECU ••••••• ••••••• •••••••••••••• ••••••••••••••• ••••••••••••••••• 103
8.5 Comentários finais •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 105
8.6 Exercícios propostos •••••• ••••••••••••••••••••• •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 105

Capítulo 9 - Sistema Trio Elétrico ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 107


9.1 Introdução • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 107
9.2 Sistema de alarme • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 108
9.3 Sistema de travas elétricas • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 112
9.3.1 Relação entre os sistemas de alarme e travas elétricas ••••••••••• 116
9.4 Sistema levantador elétrico dos vidros ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 117
9.5 Comentários finais • •••••••••••••• •••••••••••••••••••• ••••••• •••••••••••••• •••••••••••••••••••• 120
9.6 Exercícios propostos •••••••••••• ••••••••••••••••••••••••••••••••••• •••••• •••••••••••••••••••• 121

Capítulo 10 - lmobilizador de Motor. ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 125


10.1 Introdução •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 125
10.2 Funcionamento ............................................................................... 125
10.3 Comentários finais ••••••••••••••••••• •••••••••••••• ••••••••••••••••••••••••••• •••••••••••••• 127
10.4 Exercícios propostos •••••••••• ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• •••••••••••••• •••••• 128

Capítulo 11 - Painel de Instrumentos • • • • • • • • ••••• ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• ••••• 129


11 .1 Introdução • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 129
11.2 Detalhes técnicos ........................................................................... . 129
11.3 Painel de instrumentos completo ••• ••••••• ••••••• •••••• ••••••• ••••••• ••••••• ••••••• • 133
11.4 Normas e regulamentações relevantes •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 134

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,. .0s fº1na1
11.5 Comentar1 .s ........................................................................... 1 35
11.6 Exercícios propostos ........................................................................ 135

Capítulo 12 - Displays ................................................................................... 137


12.1 1ntrodução ....................................................................................... 13 7
12.2 Especificações ................................................................................. 139
12.3 Tipos de displays ............................................................................. 140
12.3.1 Alguns exemp los de aplicação ............................................. 141
12.4 Comentários finais ........................................................................... 142
12.5 Exercícios propostos ........................................................................142

Capítulo 13 - Ai rbag ...................................................................................... 1 4 3


13.1 1ntrodução .......................................................................................143

13.2 Detalhes do sistema ......................................................................... 143


13.3 A i rbag frontal .................................................................................. 14 5
13.4 A i rbag lateral ................................................................................... 146
13.5 Testes de impacto (crash tests) ......................................................... 1 4 7
13.6 Comentários finais ........................................................................... 149
13.7 Exercícios propostos ........................................................................ 150

Capítulo 14 - Freios ABS, Controle de Tração e Sistema ESP......... ................ 151


14.1 1ntrodução ....................................................................................... 1 51

14.2 Componentes do sistema ................................................................. 152


14.3 Funcionamento do sistema .............................................................. 152
14.4 Contra le de tração ........................................................................... 15 3
14.5 ESP ..................................................................................................154
,. . fº . 1
14.6 Comentar10s 1na1s ........................................................................... 55
14.7 Exercícios propostos ........................................................................ 155

Capítulo 15 - Sistemas de Entretenimento ..................................................... 157


15.1 1ntrodução ....................................................................................... 15 7

15.2 Teoria sobre o som ..........................................................................157

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Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexand re de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


15 .2.1 Rádios .................................................................................. 158
15.2.2 Especificação de um rádio original de fábrica ...................... 159
15.2.3 Validação de um rádio automotivo ...................................... 161
15.3 Alto-falantes .................................................................................... 163
15.3.1 Tipos de alto-falantes ........................................................... 163
15.3.2 Características construtivas de um alto-falante ..................... 165
15.3.3 Especificação de um alto-falante original de fábrica ............ 166
15 .4 Antenas ........................................................................................... 169
15 .4.1 Aplicações e tipos de antenas .............................................. 1 69
15.4.2 Especificação de uma antena original de fábrica .................. 170
15.5 Complementos aos sistemas de som automotivo ............................. 171
15. 6 Comentários finais ...... ....... ....... ....... ....... ....... ....... ....... ........ ....... .... 1 72
15.7 Exercícios propostos ....................................................................... 172

Capítulo 16 - Sistemas X-BY-WIRE ............................................................... 1 75


16.1 Introdução ...................................................................................... 175
16.2 Sistemas by-wire automotivos ......................................................... 1 77
16.2 .1 Requisitos dos sistemas by-wire ........................................... 1 78
16.2.2 Detalhes técnicos ................................................................ 180
16.3 Sistemas by-wire e a alimentação 42V ............................................ 182
16.4 Protocolos de comunicação nas aplicações by-wire........................ 184
16.5 O veículo conceito hy-wire ............................................................ 186
16.6 Exercícios propostos ....................................................................... 188

Capítulo 17 - Outros Sistemas Automotivos ................................................. 189


1 7.1 Introdução ...................................................................................... 189
1 7.2 Rear Seat Audio (RSA): sistema de áudio para o banco traseiro ....... 189
1 7.3 Radio Data System (RDS): sistema de dados para rádio .................. 190
17.4 Tracking System (TRACK): sistema de rastreamento ......................... 191
17.5 Navigation System (NAV): sistema de navegação ............................ 191
17.6 Parking Assistant System (PAS): assistente de estacionamento ......... 192

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17.7 Passive Entry Passive Start (PEPS): entrada passiva e ignição
por interruptor ................................................................................ 193
17.8 Automatic Headlamp Leveling (AHL): regulagem automática de
altura dos faróis ..............................................................................193
17.9 Adaptive Forward Lighting (AFL): iluminação dianteira adaptativa .. 194
1 7 .1 O Adaptive Cruise Contrai (ACC): controle de cruzeiro
adaptativo ....................................................................................... 195
17.11 Tire Pressure Monitoring System (TPMS): sistema de
monitoramento da pressão dos pneus ............................................. 196
17.12 Comentários finais .......................................................................... 196
1 7 .1 3 Exercícios propostos ....................................................................... 196

Capítulo 18 - Arquiteturas Elétricas .............................................................. 199


18.1 1ntrodução ....................................................................................... 199
18.2 Arquiteturas elétricas .......................................................................200
18.2.1 Arqu itetura centralizada .......................................................200
18.2.2 Arqu itetura d istribuída ..........................................................201
18.3 Exemplos de sistemas existentes ...................................................... 205
18.4 Comentários finais ...........................................................................207
18.5 Exercícios propostos ........................................................................207

Capítulo 19 - Protocolos de Comunicação Automotivos ............................... 209


19.1 lntrodução ....................................................................................... 209
19.2 Padrão 0S1 de sete camadas ............................................................21 O
19.3 Protoco los automotivos ...................................................................211
19. 4 CA N Bus ......................................................................................... 2 16
19.4.1 Conceituação básica ............................................................216
19.4.2 Formato das mensagens ....................................................... 218
19.4.3 Padrões existentes ................................................................219
19.4.4 Detecção de fa lhas ...............................................................220
19.4.5 Aspectos de implementação - d icionário de dados ............... 222
19.4.6 Aspectos de implementação - exemplo de rede .................... 223
19.4.7 Aspectos de implementação - montagem da rede ................. 224

14 Eletrônica Embarcada Automotiva


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19.5 Comentários finais .......................................................................... 225
19.6 Exercícios propostos ....................................................................... 225

Capítulo 20 - Diagnóstico Veicular .............................................................. 227


20.1 1ntrodução ...................................................................................... 22 7
20.2 Ferramentas de diagnóstico - Testers ............................................... 227
20.3 Diagnóstico no final da linha de montagem .................................... 229
20.4 Funcionamento da programação no final da linha .......................... 229
20.5 Funcionamento da verificação das falhas pelos DTCs .................... 231
20.5.1 Diagnóstico embarcado (on-board diagnosis ou diagnose
on-boa rd) ........................................................................................ 2 3 2
20.6 O painel de instrumentos e a diagnose on-board ............................ 233
20.6.1 Diagnóstico em campo (concessionárias e oficinas
mecânicas) ...................................................................................... 234
20.6.2 Funcionamento da diagnose em campo ............................... 235
20.6.3 Protocolos de comunicação em diagnóstico - arquiteturas
de veículos ..................................................................................... 23 7
20.7 Padrões e normas dos protocolos de diagnóstico ............................ 239
20.8 Diagnóstico via CAN Bus ................................................................ 244
2 O. 8. 1 O que é O BD 11 ?..... ....... ....... ....... ....... ....... ....... ....... ....... ..... 2 44
20.8.2 Conector padrão do OBD 11 ................................................. 245
20.9 Comentários finais .......................................................................... 245
20.1 O Exercícios propostos ...................................................................... 246

Capítulo 21 - Sistema de Alimentação 42 Volts ............................................ 247


21.1 Introdução ...................................................................................... 247
21.2 A relação potência x corrente elétrica ............................................. 248
21.3 Diferenças entre os sistemas atual e 42 volts ................................... 249
21.4 Funcionamento do sistema atual - 12V/ 14V .................................... 251
21.5 Funcionamento dos sistemas híbridos - 12V/ 14V - 36V/42V .......... 251
21 .6 Composição de um conversor de tensão 42V - 14V ........................ 254
21.7 Características dos fusíveis .............................................................. 254
21 .8 Razões para uti Iizarmos o sistema 36V /42V .................................... 25 5

15
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21 .8.1 Por que 42V e não 50V ou 1OOV? ........................................ 256
21.9 Comentáriosfinais ...........................................................................256
21 .1 O Exercícios propostos .......................................................................2 58

Capítulo 22 - EMC - Compatibilidade Eletromagnética ................................. 259


22.1 lntrodução .......................................................................................259
22 .2 1nterações eletromagnéticas .............................................................2 60
22.3 Evolução do conceito de CEM no setor automotivo ......................... 263
22.4 CEM nos sistemas automotivos ........................................................ 265
22.5 M inimização da IEM ....................................................................... 266
22.6 Normas de CEM em automóveis ...................................................... 267
22.7 Métodos de testes ............................................................................ 268
22.8 Comentários finais ...........................................................................269
22. 9 Exercícios propostos ........................................................................2 70

Apêndice A - Implementação de uma Rede de Comunicação CAN Bus .... .... 271

Apêndice B - Protocolos de Comunicação na Agricultura ............................. 285

Apêndice C - Protocolos de Comunicação na Aviação ..................................297

Bibliografia ....................................................................................................315

,
lndice Remissivo ...........................................................................................3 21

16 Eletrônica Embarcada Automotiva


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Editora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


Prefácio
~

" E de suma importância que se dê ao públ ico em geral a oportunidade de con hecer,
consciente e inteligentemente, as tentativas e os resultados da pesqu isa científica. Não basta que
cada resultado seja conhecido, elaborado e aplicado por poucos especialistas, em cada ramo.
Quando a ciência se restringe a um pequeno grupo, o espírito fi losófico de um povo decai, e ele
caminha para a indigência espiritual."

A lbert Einstein
ln: Barnett, Lincoln. Dr. Einstein e o Un iverso, Prefácio,
Princeton, New Jersey, 1O set 1948

O tema eletrônica embarcada tem sido amp lamente pesquisado em todo o


mundo e os diversos grupos de pesquisa existentes, geralmente, empenham seus
esforços em uma ap licação específica. Entre as mais importantes destacamos a
aeroespacia l, agrícola, naval e automotiva. O foco principal deste livro é
exatamente a última mencionada - automotiva.
O leitor há de concordar que são muitas as referênc ias bi bliográficas
existentes sobre o tema, e também já deve ter notado que quase a total idade das
referências encontra-se em inglês que, apesar de ser o "idioma universa l", ainda
não é dominado por todos os profissionais que atuam nesta área ou estudam-na.
Ter um livro sobre este tema, em português, foi o pri meiro ponto que me levou a
iniciar este projeto.
A segunda razão para ter escrito este livro foi tentar agregar, na mesma
pub licação, informações dos principais componentes e sistemas encontrados em
um automóve l. A maioria das referências disponíveis atualmente não trata o
tema desta forma. Gera lmente são focadas em um sistema ou componente
específico. Apesar disso, não há a pretensão de transformar este livro em uma
espécie de Bíblia da Eletrônica Embarcada Automotiva. O objetivo principa l é
dar uma visão geral do tema, possib ilitando ao leitor contato com informações
básicas de cada sistema e capacitá-lo à realização de pesquisas mais apro-
fundadas.
Um contraponto ao colocado no parágrafo anterior é o fato de alguns
capítu los trazerem vários detalhes sobre os componentes e sistemas abordados.
Este é o caso dos que tratam de Arquiteturas Elétricas, Protocolos de Comun i-
cação, Diagnóstico Veicular e Compatibil idade Eletromagnética. A razão para
esses capítu los terem sido mais detalhados é que os subtemas influenciam
fortemente os demais. No dia a dia dos profissionais que lidam com a discipli na

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Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexand re de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


Eletrônica Embarcada, frequentemente surgem questões relacionadas à compa-
tibilidade eletromagnética, por exemplo. Neste sentido, alguns detalhes adi cio-
. . ;
na1s se mostraram necessar1os.
Por fim, gostaria de escrever um livro com uma linguagem que motivasse
os profissionais de formação não eletroeletrôn ica a estudarem os principais
conceitos de eletrônica embarcada que, inúmeras vezes, se relacionam com os
componentes de carroçaria e chassi. Todos os profissionais ligados ao projeto e
desenvolvimento de um automóvel precisam conhecer um pouco este tema.
Afinal, os veículos estão cada vez mais povoados de elétrons.

O Autor

18 Eletrônica Embarcada Automotiva


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Editora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


Apresentação do livro
Objetivos do livro
Expor os principais sistemas e componentes eletroeletrônicos existentes
em um veículo automotivo. Apesar de alguns capítulos mencionarem várias
minúcias e detalhes de alguns sistemas, na média, o livro apresenta uma visão
geral dos componentes, possibilitando ao leitor a assimilação imediata dos
conceitos básicos e preparando-o tecnicamente para eventuais pesquisas
futuras, mais específicas e aprofundadas. Ele procura atuar como um roteiro de
estudos nesta área.
Os exercícios e atividades propostos também seguem esta linha de
raciocínio. Destacamos algumas atividades que foram adicionadas ao livro com
o intuito de estimular a pesquisa de novas informações, análise de soluções
técnicas atualmente utilizadas, comparação de produtos em comercialização e
discussão em grupo dos conceitos apresentados no livro.

Público-alvo
Este livro se destina a vários públicos diferentes. Dos estudantes de cursos
técnicos, cursos de tecnologia e cursos de engenharia, que desejam atuar neste
segmento, aos profissionais que já trabalham na área de desenvolvimento de
veículos ou sistemas automotivos. O conteúdo apresenta atrativos aos dois
públicos, estudantes e profissionais já em atuação.
Vale mencionar que tanto os profissionais com formação eletroeletrôn ica
como essencialmente mecânica podem absorver do livro interessantes conheci-
mentos sobre o tema eletrônica embarcada. A linguagem simples utilizada e a
forma como foi estruturado facilitam o entendimento. Mesmo para as pessoas
que não conhecem o tema, a leitura tende a ser interessante e elucidativa.

Histórico do livro
Sempre gostei muito do tema eletrônica embarcada. Mesmo antes de
entrar para a Engenharia Elétrica & Eletrônica da General Motors do Brasil e
iniciar minha vida profissional como engenheiro de produtos, em 1999, eu já
realizava pesquisas nesta área. Mas foi assim que assumi a responsabilidade
pelo Módulo de Controle de Carroçaria, Interruptores e Sistema de Entreteni-
mento do Novo Corsa, que o gosto pelo tema aumentou exponencialmente. A
partir desse momento passei a escrever artigos técnicos, a participar de
congressos de engenharia automotiva e a integrar comitês técnicos de
associações de engenharia.

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Não demorou muito até que o primeiro e-mail, vindo de um profissional
que procurava referências bibliográficas sobre protocolos de comunicação,
chegasse. Este foi o primeiro de muitos que recebi. Em comum, as mesmas
questões que pediam informações e referências sobre protocolos e sistemas
embarcados.
Como o volume de perguntas aumentava a cada mês (especialmente após
inaugurar um website com informações sobre eletrônica embarcada), percebi
que seria interessante ter disponível um livro sobre o tema. Nesse momento
iniciei o trabalho de agregação dos conhecimentos que absorvi nos últimos
anos. Projeto que culmina com esta publicação.

Estrutura do livro
O I ivro está estruturado em 22 capítulos e três apêndices. Os capítulos
procuram seguir uma ordem crescente de importância, do sistema em discussão,
no contexto de um veículo completo. Por exemplo, tratamos antes do sistema de
partida e depois dos interruptores; painel de instrumentos e depois do sistema de
entretenimento. Algumas informações sobre cada capítulo destacam-se em
seguida:
• Capítulos 1 e 2: apresentam os conceitos elementares de eletricidade e
eletrônica, que precisam ser entendidos antes de qualquer excursão
pelos demais capítulos.
• Capítulo 3: trata dos componentes básicos sempre presentes em
qualquer veículo automotivo, independentemente do seu modelo ou
mercado consumidor. São explorados neste capítulo chicotes, relés e
fusíveis.
• Capítulo 4: trata de outros sistemas básicos, presentes em todos os
veículos automotivos. A bateria, o alternador e o motor de partida são
alguns sistemas descritos.
• Capítulos 5, 6 e 7: descrevem de forma resumida alguns dos sistemas
mais importantes em um veículo, mas raramente notados pelos
motoristas. Abordam interruptores, sensores e atuadores, sistemas de
iluminação e sistemas de limpeza dos vidros.
• Capítulo 8: os módulos eletrônicos de controle são cada vez mais
utilizados nos veículos projetados atualmente, assunto deste capítulo.
• Capítulos 9 e 1O: apresentam sistemas que envolvem a participação de
inúmeros componentes. Destacam-se sistemas de travas elétricas,
vidros elétricos, alarme antifurto e o sistema de imobilização do motor.

20 Eletrônica Embarcada Automotiva


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• Capítulos 11 e 12: dois sistemas cada vez mais relacionados,
especialmente na conceituação técnica envolvida, são tratados nestes
capítulos. São os painéis de instrumentos e displays automotivos.
• Capítulos 13 e 14: os sistemas de segurança ativa e passiva também são
mencionados neste livro. Tratam dos airbags, freios ABS, controle de
tração e sistema ESP.
• Capítulo 15: algo que encanta muitas pessoas no Brasil e no mundo
são os sistemas de entretenimento. Este capítulo traz um excelente
resumo dos conceitos encontrados nos componentes desses sistemas.
• Capítulo 16: apesar de ainda serem raros, os sistemas by-wire tendem a
ser cada vez mais utilizados nos projetos de novos veículos. Veja neste
capítulo as razões.
• Capítulo 17: um livro apenas não é capaz de reunir informações,
mesmo que básicas, de todos os sistemas automotivos existentes. Este
capítulo reúne uma seleção de outros sistemas importantes e
menciona, brevemente, uma descrição de cada um. Bom ponto de
partida para novas pesquisas.
• Capítulos 18 e 19: como o leitor terá a oportunidade de conferir, todos
os componentes e sistemas eletroeletrônicos de um automóvel, quando
interligados, formam a chamada arquitetura elétrica. Estes capítulos
tratam deste assunto e também dos "famosos" (e realmente importantes)
protocolos de comunicação.
• Capítulo 20: todo sistema precisa ser desenvolvido de forma a
minimizar as chances de ocorrência de problemas. Entretanto, caso
defeitos apareçam, sistemas de diagnóstico devem ser utilizados. Este
capítulo trata do tema diagnóstico veicular.
• Capítulo 21: muito se fala sobre a alteração do sistema de alimentação
dos veículos para o chamado sistema 42 volts. Este capítulo traz
informações sobre este assunto.
• Capítulo 22: como último capítulo aborda um assunto temido por
muitas pessoas. Talvez por não ser visível, talvez por ser de fato com-
plexo. Destaca importantes conceitos relacionados à Compatibilidade
Eletromagnética (EMC).
• Apêndice A: apresenta algumas informações úteis relacionadas à
implementação de uma rede de comunicação de dados CAN Bus. Esse
material será muito útil caso o leitor precise implementar um
barramento de dados completo.

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• Apêndice B: protocolos de comunicação na agricultura fazem parte de
um tema muito interessante, que vai surpreender o leitor. Não se
imaginava, há alguns anos, que esse tipo de tecnologia pudesse ser
utilizado em um trator. Isto já é realidade.
• Apêndice C: tema fascinante. Os protocolos de comunicação utilizados
na aviação são muitos e suas características técnicas pouco diferem dos
protocolos utilizados nos automóveis. O leitor terá neste apêndice um
excelente resumo do que é utilizado atualmente nas aeronaves civis e
mi Iitares.

Como ler e empregar este livro


De forma geral recomendamos a leitura integral do livro, na sequência
dos capítulos e apêndices, entretanto, dependendo do interesse e do
conhecimento prévio de cada leitor, algumas estratégias de leitura diferenciadas
podem ser empregadas. Vamos a alguns exemplos:
• Leigos em eletricidade ou eletrônica devem iniciar pelo capítulo 1 ou
2, seguir pelos capítulos 3 e 4 e ler os capítulos que tratam dos sistemas
que mais interessarem.
• Leitores que atuam na área automotiva e conheçam eletricidade e
eletrônica podem iniciar pelos capítulos 3 e 4 (normalmente domi-
nados apenas pelos engenheiros que trabalham diretamente com esses
componentes) e ler os capítulos dos sistemas que mais interessarem.
• Os que queiram estudar redes embarcadas automotivas podem
consultar os capítulos 18 e 19 e os apêndices A, B e C (especialmente o
apêndice A).
No decorrer da leitura percebe-se que vários termos e comentários são
destacados em negrito ou subi inhados. São palavras-chave no sistema em
questão e que podem ser utilizadas como ponto de partida em pesquisas mais
profundas.
Recomenda-se também a resolução dos exercícios. Os mais simples para
fixar as informações apresentadas, enquanto os mais complexos, que sugerem
atividades em grupo e/ou pesquisas direcionadas, para ampliar os conhecimen-
tos do leitor com análises mais abertas e potencialmente enriquecedoras.

22 Eletrônica Embarcada Automotiva


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O que você deve saber para entrar nesta área
O leitor que queira trabalhar com eletrônica embarcada automotiva deve
procurar as atividades relacionadas ao desenvolvimento e validação de veículos
e sistemas ou às áreas de suporte ao produto final, como oficinas técnicas e
. . ;
concess1onar1as.
Do ponto de vista da formação acadêmica, é necessário ter curso técnico,
de tecnologia ou engenharia. A modalidade mais adequada de estudo, sem
dúvida nenhuma, é a eletrônica. Nada impede que formados em cursos com
ênfase em elétrica ou eletricidade desempenhem excelentes papéis em suas
empresas. Tudo depende dos conhecimentos adquiridos sobre o tema.
O importante a ser mencionado é que este livro, por si só, pode ser
utilizado como um roteiro de estudos. Este é um de seus objetivos principais:
servir de ponto de partida para novas pesquisas e contribuir para a ampliação do
conhecimento dos interessados em eletrônica embarcada.

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Sobre omaterial disponível no Internet
,
O material disponível no site da Editora Erica contém a resolução dos
exercícios propostos do livro e a figura 3.5 colorida em formato PDF. Para
utilizar os arquivos é necessário ter o Acrobat Reader 5.0 ou superior.
eletron ica.exe 474 KB

Procedimento para Download


,
Acesse o site da Editora Erica Ltda.: www.editoraerica.com.br. A
transferência do arquivo disponível pode ser feita de duas formas:

• Por meio do módulo pesquisa. Localize o livro desejado, digitando


palavras-chave (nome do livro ou do autor). Aparecem os dados do
livro e o arquivo para download. Com um clique o arquivo executável
é transferido.

• Por meio do botão ,11 Download 11 • Na página principal do site, clique no


11 11
item Download • E exibido um campo no qual devem ser digitadas
palavras-chave (nome do livro ou do autor). Aparecem o nome do livro
e o arquivo para download. Com um clique o arquivo executável é
transferido.

Procedimento para Descompactação


Primeiro passo: após ter transferido o arquivo, verifique o diretório em
que se encontra e dê um duplo clique nele. Aparece uma tela do programa
WINZIP SELF-EXTRACTOR que conduz ao processo de descompactação.
Abaixo do Unzip To Folder há um campo que indica o destino do arquivo que
será copiado para o disco rígido do seu computador.
C: \eletrônica embarcada automotiva
Segundo passo: prossiga a instalação, clicando no botão Unzip, o qual se
encarrega de descompactar o arquivo. Logo abaixo dessa tela, aparece a barra
de status a que monitora o processo para que você acompanhe. Após o término,
outra tela de informação surge, indicando que o arquivo foi descompactado
com sucesso e está no diretório criado. Para sair dessa tela, clique no botão OK.
Para finalizar o programa WINZIP SELF-EXTRACTOR, clique no botão Close.

24 Eletrônica Embarcada Automotiva


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, .
OSICO

1.1 Introdução
Antes de abordar alguns conceitos de e letricidade básica, apresentamos as
principais un idades de medida utilizadas ao longo deste livro. O sistema a ser
uti Iizado é o Sistema Internacional de un idades (SI).
O SI foi estabelecido pelas normas ISO 31 , ISO 1000 e DIN 1301 e é
baseado em sete un idades primárias. As unidades secundárias são extraídas de
cálcu los realizados com as unidades primárias.

Nome O que mede Símbolo Unidade

Metro Comprimento 1 m

Quilograma Massa m kg

Segundo Tempo t s
Ampere Corrente elétrica 1 A

Kelvin Temperatura T K

Mal Quantidade de substância n mal

Candeia Intensidade luminosa 1 cd

Tabela 1.1 - Unidades primárias do SI.

Os múltiplos e submú ltiplos decimais das unidades do SI também são


uti Iizados ao longo do Iivro.

Eletricidade Básica 25
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Potência Símbolo Prefixo Descrição

10+15 p peta quatrilhão


10+12 T tera trilhão

10+9 G giga bilhão

10+6 M mega milhão

10+3 k kilo milhar

10+2 h hecto centena

10+1 da deca dezena

10-1 d deci décimo

10-2 c centi centésimo

10-3 m mili milésimo



10-6 µ micro milionésimo

10-9 n nano milésimo milionésimo

10-12 p PICO

bilionésimo
10-15 f femto milésimo bilionésimo

Tabela 1.2 - Múltiplos e submúltiplos decimais das unidades do SI.

1.2 Tensão, corrente e resistência


As três grandezas e létricas fundamentais são tensão, corrente e resistência
ôhmica. A relação entre essas grandezas é descrita pela lei de Ohm.

Grandeza elétrica Símbolo Unidade de medida


Tensão U ou V v (volt)
Corrente 1 A (ampere)
Resistência ôhmica R n (ohm)
Tabela 1.3 - Principais grandezas elétricas.

26 Eletrônica Embarcada Automotiva


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Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexand re de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


U = R.I ou 1= U ou
R
Equação 1.1 - Lei de Ohm.

Na Figura 1.1 encontramos um circuito elétrico elementar, formado por


uma fonte de energia, nesse caso uma bateria de 1 2V, uma chave comutadora,
uma lâmpada e alguns condutores elétricos, utilizados para conectar os
componentes do circuito. Enquanto a chave estiver aberta, o circuito também
estará, não haverá corrente circulando pelos condutores e, consequentemente, a
lâmpada ficará apagada. Quando fechamos a chave, como apresenta a Figura
1.2, permitimos a passagem da corrente elétrica e o acendimento da lâmpada.

,c have
aberta Lâmpada
apagada

Bateria
12V

Figura 1.1 - Circuito elétrico elementar - chave aberta.

Chave
fechada Lâmpada
acesa

Bateria
12V

Figura 1.2 - Circuito elétrico elementar - chave fechada.

Ao instalarmos nesse circuito dois instrumentos de medição, um


11 11 11 11
voltímetro V e um amperímetro A , conforme indicado na Figura 1 .3, somos
capazes de obter os valores de tensão e corrente e também podemos, em
seguida, calcular a resistência ôhmica da lâmpada.

Eletricidade Básica 27
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,----------1 _ A
Chave
fec,hada Lâmpada
V acesa

Bateria
12V

Figura 1.3 - Medição de tensão e corrente.

Considere as seguintes medições realizadas com os instrumentos insta-


lados no circuito em questão:

• Amperímetro= 1,2 A

• Voltímetro= 12 V

O cálculo da resistência ôhmica da lâmpada pode ser realizado por


intermédio da lei de Ohm, conforme indicado a seguir:

12
U = R.I • 1 2v = R.1,2A • R=- • R=10rl
1,2
Vale reforçar que, para medirmos a corrente elétrica que passa por um
componente, temos de instalar o amperímetro em série com esse componente.
No caso da medição da diferença de potencial, ou tensão elétrica, desse compo-
nente, devemos instalar o voltímetro paralelo a ele.

1.3 Potência elétrico


Outra grandeza elétrica muito importante, derivada da tensão e da
corrente, é a potência. Inúmeras vezes essa grandeza é mencionada nos
documentos e especificações que tratam dos sistemas de eletrônica embarcada.
A potência elétrica é diretamente proporcional à tensão elétrica e à corrente
elétrica. Essa relação é mostrada pela equação 1.2.

u2 2
P = U.I ou P=- ou P = R.1
R
Equação 1.2 - Potência elétrica.

28 Eletrônica Embarcada Automotiva


• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • a • • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • & • • • • • • • •

Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


1.4 Circuito com resistências em série
Para uma mesma tensão, se desejamos reduzir a corrente elétrica que
passa por um circuito, devemos aumentar a resistência ôhmica ligada a ele. As
Figuras 1 .4 e 1.5 exibem dois circuitos com resistências ôhmicas diferentes e,
consequentemente, correntes elétricas diferentes.

'ª .
+••-----~,
I
1~-----•• -
--- - - - ' - 1
18 = 12V = 0,12A
: R1 = 1oon :
1 1 100n
1
1 ______________ , 1
1
1

U= 12V

Figura 1.4 - Corrente la(função de R1 ).

lb
1___.-1-~1____.-- -
+•~--•--4_ 4~ -

lb;;; 12V ;; 0 ,06A


: R1 =100Q R2 =1000 1

:
1
1
1
1
10 00 + 100n
1

1 1
•+-- - - - - - - - - - - - - -•
1 1
U = 12V

Figura 1.5 - Corrente lb (função de R1 +R2) .

Uma outra leitura que é possível fazer do circuito da Figura 1 .5 é que a


tensão sobre cada resistência de mesmo valor (100 ohms) é igual a 6V, ou seja,
metade do valor total colocado sobre o conjunto R1 +R2.

Outro ponto importante a ser mencionado é que, quando conectamos


resistências ôhmicas em série, aumentamos o valor total da resistência no
circuito. Assim, o valor total da resistência é o somatório de todas as resistências
ligadas em série, como mostra a equação 1.3.

Rtotal = R1+ R2 + R3 + ... + Rn


Equação 1.3 - Resistência total em série.

Eletricidade Básica 29
• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


1.5 Circuito com resistências em paralelo
Novamente, a uma mesma tensão, para obtermos dois circuitos com
correntes elétricas independentes, basta adicionarmos uma resistência em
paralelo à existente. Se o circuito final for formado por duas resistências iguais,
temos correntes iguais ci rcu lando por elas. Por outro lado, se forem resistências
diferentes, há correntes diferentes circu lando pelas resistências. Essas correntes
são facilmente calcu ladas pela lei de Ohm.

la

+ ....------41 t •-
! R-,-=-1-00-
n i la= 12V = O,12A
: : 1oon (valor de IR1 )
1 1
i
1
+-- - - - - - - - - - - - · 1
U = 12V

Figura 1.6 - Corrente la(função apenas de R1 ).

+ - lb= 12V = 0,12A


R 1 = 1000 1000 (valor de R 1)
lc

1 = 12V == O 12A
e -- '
1000 (valor de R2)
U = 12V

Figura 1.7 - Corrente lbe lc (função de R1 e R2).

Quando adicionamos resistências em paralelo, reduzimos o valor total da


resistência ôhmica no circuito. O valor total segue as equações 1.4 e 1 .5.

1 1 1 1 1
-- - + + - + ... + -
Rtotal R1 R2 R3 Rn

Equação 1.4 - Resistência total em paralelo (para "n" resistências).

R _ R1*R2
total - R1 + R 2

Equação 1.5 - Resistência total em paralelo (para "n" = 2 resistências).

30 Eletrônica Embarcada Automotiva


• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • a • • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • & • • • • • • • •

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1.6 Copocitores e indutores
Além dos resistores, que são componentes que carregam a propriedade da
resistência elétrica, os capacitores e os indutores também são tidos como
elementares em um sistema elétrico e em um circuito eletrônico.

Um capacitor nada mais é que um conjunto formado por dois eletrodos


separados por um material dielétrico. Ao receber entre os seus terminais uma
diferença de potencial chamada tensão elétrica, o capacitor se carrega com
energia. Esse processo de carregamento demora um certo tempo, proporcional
ao tipo e à capacidade do capacitor. Vale mencionar que esse comportamento
faz com que os capacitores sejam amplamente utilizados nos módulos
eletrônicos, com o intuito de armazenar a energia proveniente de picos de
tensão indesejados, gerados por interferências eletromagnéticas.

Enquanto para um resistor a unidade que o identifica é o ohm, para um


capacitor a unidade é a capacitância, medida em faraday, representada pela
letra 11 F11 •

Um indutor, cuja unidade de medida é o henry, representado pela letra


11 11
H , nada mais é que um conjunto de espiras enroladas e compactadas,
formando um elemento cilíndrico. O valor da indutância de um indutor
depende diretamente do material utilizado na criação do seu núcleo.

1.7 Corrente alternado


Diferentemente da corrente contínua, nos circuitos de corrente alternada o
valor da corrente e a sua direção variam periodicamente. As Figuras 1.8 e 1.9
apresentam as diferenças de comportamento em ambos os casos.

Tensão

Tempo

Figura 1.8 - Corrente contínua.

Eletricidade Básica 31
• • ~ • • • • • • • • • 1111 • • • • • • • • • 1111 • • • • • a • • • ,• • • • • • •- • • • ,• • • • • • • • • • • • • • • • • .• • • • • • • • • • • • • ,

Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


Tensão

Tempo
1
1

'!•
1
T; Período
•' 1
1

F = Frequência
F = 1/T

Figura 1.9 - Corrente alternada.

Nos sistemas de eletrônica embarcada automotivos, a corrente alternada


não é encontrada. Toda a alimentação dos módu los, sensores e atuadores é feita
~

com corrente continua.

1.8 Comentários finais


Ap resentamos neste capítu lo introdutório os pri ncipais conceitos de
eletricidade, aplicáveis aos sistemas embarcados automotivos. Esses conceitos
são frequentemente utilizados na análi se de um sistema eletroeletrônico e/ou da
sua especificação técnica.

1.9 Exercícios propostos


1) Considerando as unidades pri márias do Sistema Internacional (SI), complete
as lacunas da tabela seguinte:

Nome O que mede Símbolo Unidade

Metro Comprimento 1 M

Quilograma Massa m
Tempo s
Ampere 1

Temperatura T
Mal Quantidade de Substância
Candeia Cd

32 Eletrônica Embarcada Automotiva


• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • a • • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • & • • • • • • • •

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2) Considerando os principais mú ltiplos e submú ltiplos decimais das unidades
do Sistema Internacional (SI), complete as lacunas da tabe la seguinte:

Potência Símbolo Prefixo Descrição


1Q+9 bilhão
1Q+6 M milhão
1Q+3 kilo milhar
1 Q-3 m milésimo

1 Q-6 micro milionésimo
1 Q-9 n milésimo milionésimo

1 Q-12 pico bilionésimo

3) Utilizando a lei de Ohm, considerando os dados informados, calcu le a


variável indicada:

a) R = 1 on, 1 = 2A, u = ? b) R = 1040, 1= 3 ,2A, U = ?


c) R = 1,3n, 1 = 1 ,2A, u= ? d) R = 28Q, U = 1 2V, 1= ?
e) R = 1.200, U = 12V, 1= ? f) R = 1.2000, U = 42V, 1= ?
g) U = 12V, 1 = 1 OA, R = ? h) U = 12V, 1 = 2,SA, R = ?

4) Utilizando as equações de cálculo de potência, considerando os dados


informados, calcu le:

a) R = 1 on, 1 = 2A, P = ? b) R = 1040, 1= 3 ,2A, P = ?


c) R = 1,3n, 1 = 1 ,2A, P = ? d) R = 28Q, U = 1 2V, P = ?

e) R = 1.200, U = 12V, P = ? f) R = 1.2000, U = 42V, P = ?

g) U = 12V, 1 = 1 OA, P = ? h) U = 12v, 1 = 2,SA, P = ?

5) Considerando que é preciso med ir a corrente e a tensão sobre a lâmpada do


diagrama a seguir, entre que pontos (A-B ou C-D) você conectaria o
amperímetro e o voltímetro?

Eletricidade Básica 33
• • ~ • • • • • • • • • 1111 • • • • • • • • • 1111 • • • • • a • • • ,• • • • • • •- • • • ,• • • • • • • • • • • • • • • • • .• • • • • • • • • • • • • ,

Editora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


A B e
Chave
fechada Lâmpada
acesa

+ D

Bateria
12V

6) Calcu le a resistência equivalente entre os pontos A e B nos seguintes


circu itos:
100{2 100{2 1OOíl B 123{2 34!.l 52!2 8
A.:.._____r--,_____r--,___/"--,_____: A..:______r--,__,---,_--I"--,_____:

(a) (b)

123{2 34!.l 52!2 B 123{2 34!.l 52!2 B


A.:...._.....r- -,...........r- -,_----l"- --,_____: A.:._.....r- -,......_,--- -,_--l"- --,_~
...,_____., ·----· ' .
123!1 230{2 52{}
"' '
'
'
' 1-

(c) (d)

123~2 340f2
A ' • ' '
B
' • ' '

230{2 60!"1 40{2


,-....j ' • •

510{2
- 120{2
-
(e)

34 Eletrônica Embarcada Automotiva


A • • i9 • • • • • • • _. • ll • • a • • • • • • • • • • • • • _. • • • • • • Ili • • • • • • • • • •
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, .
etrônico OSICO

2.1 Introdução
A maioria dos sistemas de eletrônica embarcada possui ao menos um
componente eletrônico em seu circuito interno. Desta forma, é muito importante
que o leitor, antes de iniciar seus estudos sobre os sistemas embarcados
específicos, tenha alguns conhecimentos básicos de microeletrôn ica, proces-
sadores e memórias.

2.2 Semicondutores
Os materiais existentes no planeta, quando analisados do ponto de vista
da condutividade elétrica, podem ser classificados em três grupos:

Isolantes
Semicondutores Condutores
(Não condutores)
Cobre
Silício
Polímeros em geral Prata
Germânio
Ouro

Tabela 2.1 - Tipos de materiais em função da condutividade elétrica.

O que determina se um material é condutor, semicondutor ou isolante é a


quantidade de portadores de cargas livres existentes nesse material e a mo-
bilidade desses portadores. Nos condutores, o número de portadores de cargas
livres é extremamente elevado. Nos isolantes, o número desses portadores é
praticamente zero. Nos semicondutores, naturalmente, essa quantidade flutua
entre os dois extremos (quantidade nos condutores e nos isolantes).

Eletrônica Básica 35
• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


Um material semicondutor não pode simplesmente ser extraído da
natureza, cortado e utilizado na construção de componentes eletrônicos. Ele
precisa ser tratado e a chamada dopagem é esse tratamento.

Dopar um semicondutor significa adicionar materiais estranhos a ele com


o intuito de alterar, de forma controlada e localizada, as suas propriedades de
condutividade elétrica. Utilizando os diversos tipos de dopagem existentes, a
indústria de semicondutores consegue produzir diodos, transistores, microcon-
troladores e memórias, entre outros.

2.2.1 Tipos de componentes semicondutores


São vários os componentes semicondutores encontrados atualmente em
um sistema de eletrônica embarcada. A Tabela 2.2 define os três grandes grupos
e, a seguir, abordamos alguns exemplos de diodos e transistores efetivamente
utilizados em automóveis.

Componente semicondutor Material


Silício ou
Diodos
Germânio
Silício ou
Transistores
Germânio
Silício ou
Circuitos Integrados
Germânio

Tabela 2.2 - Tipos de componentes semicondutores.

• Diodo comutador: utilizado na realização de rápidas comutações entre


altas e baixas impedâncias.

• Diodo zener: mantém um determinado nível de tensão entre os seus


terminais.

• Diodo de capacitância variável: com a variação da tensão entre os seus


terminais, a capacitância é automaticamente alterada, de forma
inversamente proporcional.

• LED: o diodo emissor de luz, como o próprio nome já diz, quando


submetido a uma diferença de potencial, emite luz.

• Transistor bipolar: pode ser NPN ou PNP e trabalha como uma espécie
de válvula de controle do fluxo da corrente elétrica.

36 Eletrônica Embarcada Automotiva


A • • i9 • • • • • • • _. • ll • • a • • • • • • • • • • • • • _. • • • • • • Ili • • • • • • • • • •
L ll • - • • Ili • • • • a • • • • IA • • a • • • • _.

Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


• Transistor de efeito de campo (FET): o controle do f luxo da corrente
elétrica em um determinado sentido é função di reta do campo elétrico.

• Transistores CMOS: são transistores semicondutores de óxido metáli co


complementares. O que caracteriza um transistor CMOS é o fato de ter
sido dopado tanto com impurezas doadoras (parce la PMOS) como com
impurezas aceitadoras (parcela NMOS).

• Tiristores: agregam três junções PN consecutivas. São componentes


que podem alterar a comutação de c ircuitos de um estado direto
(condutor) para um estado reverso (bloqueador), ou vice-versa. São
utilizados em circuitos de controle de frequênc ia e de veloc idade de
rotação, por exemplo.

• Triac: é um tiristor totalmente controlável, com três term inais. Mantém


as mesmas propriedades operando em ambos os sentidos de chavea-
mento.

2.3 Circuitos integrados (Cls)


Os c ircuitos integrados podem ser classificados de acordo com os
. . . ;

segu I ntes cr1ter1os:

Quantidade de componentes funcionais que foram montados dentro da


pastilha
• Tipo SSI: integração em baixa esca la (até 100 componentes);
• Tipo MSI: integração em média esca la (algo entre 100 e 1.000 compo-
nentes);

• Tipo LSI: integração em larga escala (até 100.000 componentes);


• Tipo VLSI: integração em escala muito alta (até 1 mi lhão de compo-
nentes);
• Tipo ULSI: integração em escala ultra-a lta (mais de 1 mi lhão de com-
ponentes).

Tipo de transistores utilizados


• Bipolares;
• MOS;
• M istos.

Eletrônica Básica 37
• • ~ • • • • • • • • • 1111 • • • • • • • • • 1111 • • • • • a • • • ,• • • • • • •- • • • ,• • • • • • • • • • • • • • • • • .• • • • • • • • • • • • • ,

Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexand re de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


Tipo de circuito

• Ana lógico;
• Digital;
• Misto.

Família de componentes utilizados

• Ana lógicos;
• Microcomponentes;
• Memórias;
• Circuitos lógicos.

2.4 Memórias semicondutoras


As memórias são responsáveis pelo armazenamento dos dados. A lém da
gravação, elas são projetadas para receber e enviar os dados e também para
buscá-los em seu interior, quando so licitado. De forma simp les seria: recebe -
armazena - busca - transmite.

Existem diversos ti pos de memórias semicondutoras. Os dois grandes


~
grupos sao:

• Voláteis: perdem o conteúdo quando a alimentação é desligada.

• Não voláteis: mantêm o conteúdo mesmo sem a ali mentação.

Distribuídos nesses grupos, temos os seguintes tipos:

Voláteis

• SRAM: memória de acesso aleatório estática.


• FRAM: memória de acesso aleatório ferromagnética.
• DRAM: memória de acesso aleatório dinâmica.
• DDR-RAM: memória de acesso aleatório digita l dupla.
Não voláteis

• ROM: memória de apenas leitura.


• PROM: memória de apenas leitura programável.

38 Eletrônica Embarcada Automotiva


A • • i9 • • • • • • • _. • ll • • a • • • • • • • • • • • • • _. • • • • • • Ili • • • • • • • • • •
L ll • - • • Ili • • • • a • • • • IA • • a • • • • _.

Editora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


• EPROM: memória de apenas leitura programável e apagável (por luz
ultravioleta).

• EEPROM: memória de apenas leitura programável e apagável ele-


tricamente.

• Flash: similar à EEPROM.

2.5 Microprocessadores e microcontroladores


Basicamente, os microprocessadores possuem internamente uma unidade
de processamento. Já os microcontroladores possuem, além da unidade de
processamento, uma memória de armazenamento e algumas portas de entrada e
saída, fundamentais em um módulo de controle eletrônico.

Normalmente, nos projetos de sistemas de eletrônica embarcada, os


microcontroladores são utilizados, pois facilitam o desenvolvimento das placas
de circuito impresso, reduzem as possibilidades de falhas por componentes nos
módulos, pela maior integração de funções, e garantem um custo menor no
sistema como um todo.

2.6 Comentórios finais


Este capítulo procurou situar o leitor em relação aos componentes
utilizados nos módulos eletrônicos de controle atualmente em produção.

Informações como os tipos de memórias existentes e as diferenças entre


um microprocessador e um microcontrolador são fundamentais no dia a dia de
um profissional que trabalha com a criação de especificações técnicas e que
desenvolve sistemas de eletrônica embarcada.

2.7 Exercícios propostos


1) Classifique os materiais de acordo com a tabela seguinte. Caso você não
conheça o material mencionado, faça uma pesquisa rápida na Internet,
utilizando o nome do material não conhecido como palavra-chave
(consulte o site www.google.com.br, por exemplo):

Eletrônica Básica 39
• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


PP EPDM Silício Germânio Alumínio
Ouro PVC Polímeros Cobre Prata

Isolantes
Semicondutores Condutores
(Não condutores)

2) Complete o texto: ''O que determina se um material é condutor,


semicondutor ou isolante é a
existente nesse material e a _______ desses portadores. Nos
condutores, o número de portadores de cargas livres é extremamente
_________. Nos isolantes, o número desses portadores é
praticamente _______. Nos semicondutores, naturalmente, essa
quantidade é (quantidade nos
condutores e nos isolantes)''.

3) Como se chama o tratamento pelo qual passam os materiais sem,con-
dutores para que possam ser uti Iizados na construção de circuitos
integrados? Descreva brevemente esse tratamento.

4) Dos nove tipos de componentes semicondutores apresentados neste


capítulo, escolha três e descreva-os. Como sugestão, pesquise na Internet
alguns exemplos de componentes fabricados e comercializados (use cada
componente escolhido como palavra-chave). Procure identificar as aplica-
ções de cada um deles.

5) Quais são os critérios utilizados para classificar um CI (circuito integrado)?

6) Considerando a quantidade de componentes funcionais que foram


montados dentro de um CI, como ele pode ser classificado?

7) Mencione alguns exemplos de memórias voláteis e não voláteis.

8) Quais as principais diferenças entre um microprocessador e um microcon-


trolador?

40 Eletrônica Embarcada Automotiva


• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • a • • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • & • • • • • • • •

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omponentes utomotivos ementares

3.1 Introdução
Todo sistema de e letrônica embarcada precisa ser conectado ao menos à
bateria do veículo. A grande maioria, além de receber a a li mentação, precisa
também ter conectadas suas entradas e saídas, e a lgumas dessas saídas precisam
ser conectadas aos re lés. Da mesma forma, alguns dos circuitos uti lizados nesses
sistemas necessitam ser protegidos de sobrecargas e curtos-circuitos.
Este capítulo trata dos componentes que cuidam dessas tarefas. Aborda os
chicotes elétricos, os fusíveis e os relés. Apesar de parecerem elementares e
serem esquecidos por grande parte das pessoas, são eles que garantem a
conectividade e proteção dos sistemas embarcados.

3.2 Fusíveis
Ao contrário do que pensa a maioria das pessoas, os fusíveis são
instalados para proteger os ch icotes e létricos, e não os componentes elétricos e
eletrônicos ligados a ele. A Tabela 3.1 exibe alguns exemplos de corre lação
entre va lores de corrente e létrica que circu la pelos condutores e os respectivos
valores especificados para os fusíveis.

Componentes Automotivos Elementares 41


• • ~ • • • • • • • • • 1111 • • • • • • • • • 1111 • • • • • a • • • ,• • • • • • •- • • • ,• • • • • • • • • • • • • • • • • .• • • • • • • • • • • • • ,

Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexand re de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


Corrente máxima no circuito Valor do fusível
(valores em amperes) (valores em amperes)
4 5
8 10
12 15
16 20
32 40
40 50
80 100
160 200

Tabela 3.1 - Correlação entre corrente em condutores e capacidade de fusíveis.

Perceba que especificamos cada fusível considerando capacidade 20°/o


acima da corrente máxima no circuito protegido. Se o fusível fosse utilizado
para proteger os módulos conectados aos circuitos, atrelaríamos seus valores às
especificações técnicas de cada módulo.
11 11
No geral, os fusíveis utilizados nos veículos são do tipo blade • Entre eles,
podemos destacar os minifusíveis e os maxifusíveis. As Figuras 3.1 e 3.2
mostram, respectivamente, alguns minifusíveis e as dimensões normalmente
utilizadas em projeto, enquanto as Figuras 3.3 e 3.4 apresentam as mesmas
informações, porém dos maxifusíveis.

Figura 3.1 - Imagens de minifusíveis. (Fonte: Wikipedia.org)

42 Eletrônica Embarcada Automotiva


• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • a • • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • & • • • • • • • •

Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


- 4 -
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~ ~

2
'

1
1
'
1
1

•1
6 1
1
'--+-1 '
1 1 1 ..............,
', ,
r-' .
' -
- - 1

..,!
8 1

Figura 3.2 - Exemplo de dimensões (em mm).

29

21

\ I
" J

12
• • 1
* 8

29
Figura 3.3 - Imagens de maxifusíveis.
(Fonte: Wikipedia.org) Figura 3.4 - Exemplo de dimensões (em mm) .


Min iifusiveis

Na Figura 3.5 é possível


ver alguns min i e maxifusíveis
instalados em um veícu lo. A
imagem mostra uma caixa de
rei és e fusíveis localizada no
compartimento do motor de
um veículo de passeio.
MaxifusJveis

Figura 3.5 - Mini e maxifusíveis instalados em um veículo.


(*) imagem colorida na Internet.

Componentes Automotivos Elementares 43


• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexand re de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


Na Figura 3.5, o leitor deve ter percebido que os fusíveis instalados no
veículo em questão são de cores d iferentes. As cores representam valores de
corrente. As Tabelas 3.2 e 3.3 descrevem a cod ificação de cores normalmente
uti I izada pelas montadoras de veícu los.

Corrente elétrica Corrente elétrica


Código de cor Código de cor
(em amperes) (em amperes)
2 Cinza
20 Amarelo
3 Roxo
25 Cinza
4 Rosa
30 Verde
5 Marrom-claro
35 Marrom-escuro
7,5 Marrom-escuro
40 Laranja
10 Vermelho
50 Vermelho
15 Azul
60 Azul
20 Amarelo
70 Marrom-claro
25 Branco
80 Branco
30 Verde

Tabela 3.2 - Minifusíveis. Tabela 3.3 - Maxifusíveis.

3.3 Relés
Um dos principais atuadores elétricos em um automóvel é o re lé. Esse
componente é util izado para comandar os mais variados tipos de sistemas; de
lâmpadas a motores elétricos.

Quando um módulo eletrônico precisar, por uma de suas saídas,


comandar algum sistema de potência, e essa saída não for eletricamente capaz
de fazê- lo, um relé deve ser util izado.

As Figuras 3.6, 3.7, 3.8 e 3.9 mostram, respectivamente, a imagem de um


re lé automotivo, suas dimensões externas, a numeração de seus term inais e seu
circuito interno. Pode-se dizer que o tipo de simbologia a ser apresentado é
padrão entre os fabricantes de relés automotivos, o que faci lita bastante a
análise de catálogos e esquemas elétricos dos automóveis em geral. Da mesma
forma é a numeração dos termi nais.

44 Eletrônica Embarcada Automotiva


• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • a • • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • & • • • • • • • •

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, (25.9 ± 0.3) --

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(24.9 + 0.3)

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(11 ± 0.5) ~

'
-
••

. ,

-
-
(0.8 ± 0.05) -
- ,

(9.5 + 0.1)
Figura 3.6 - Relé
automotivo. Figura 3.7 - Dimensões externas.

...
1
...... 1
J
...
85 86
~

30 -
~ ~ 1 ---
.. ~ - - t -

j 11 11187
- - - -
30 85 86 87
Figura 3.8 - Numeração
dos terminais. Figura 3.9 - Circuito interno.

O exemplo em questão é de um relé simp les, com contato norma lmente


aberto, utilizado no comando de lâmpadas, buzinas e do sistema desembaçador
do vidro traseiro, entre outros.

Como mencionado, a numeração dos terminais é padrão, adotada pela


maioria das montadoras de veícu los. A Tabela 3.4 relac iona os números
possíveis de term inais e as suas respectivas funções em um re lé automotivo. A
numeração em um relé automotivo pode ser encontrada na base do relé, ao
lado de cada termina l.

Componentes Automotivos Elementares 45


• • ~ • • • • • • • • • 1111 • • • • • • • • • 1111 • • • • • a • • • ,• • • • • • •- • • • ,• • • • • • • • • • • • • • • • • .• • • • • • • • • • • • • ,

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Numeração Função
84 Entrada - acionamento e contato do relé
84a Saída - acionamento
84b Saída - contato do relé
85 Saída - acionamento (final da bobina)
86 Entrada - acionamento (início da bobina)
86a Início da bobina (ou 1ª bobina)
86b Derivação na bobina (ou 2ª bobina)
87 Entrada (relé normal fechado "NF")
87a 1ª saída (lado NF) (relé normal fechado "NF")
87b 2ª saída (relé normal fechado "NF")
87c 3ª saída (relé normal fechado "NF")
87z 1ª entrada (relé normal fechado "NF")
87y 2ª entrada (relé normal fechado "NF")
87x 3ª entrada (relé normal fechado "NF")
88 Entrada (contato de relé normal aberto "NA")
88a 1ª saída (contato de relé normal aberto "NA")
88b 2ª saída (contato de relé normal aberto "NA")
88c 3ª saída (contato de relé normal aberto "NA")
882 1ª entrada (contato de relé normal aberto "NA")
88y 2ª entrada (contato de relé normal aberto "NA")
88x 3ª entrada (contato de relé normal aberto "NA")

Tabela 3.4 - Padrão de numeração dos terminais em relés.

3.4 Chicotes
Os ch icotes são os fios elétricos que interligam os componentes eletro-
eletrônicos em um automóvel. Um veícu lo de passeio chega a ter centenas de
metros de cabos espalhados por sua carroçaria.

A Figura 3.1 O exibe os principais ch icotes ex istentes em um veículo de


passeio convencional, enquanto as Figuras 3.11 e 3.12 mostram algumas
imagens de chicotes automotivos. Repare que, no geral, os ch icotes automotivos
possuem um tronco principal e desse tronco partem alguns ramos secundários e
terciários. Essa forma de criar um chicote não é regra. Depende apenas de
critérios de engenharia que, normalmente, buscam faci litar a montagem do

46 Eletrônica Embarcada Automotiva


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veícu lo, garantir a qua lidade do produto fina l e, certamente, otimizar os custos
da peça.

Portas

Painel de Traseiro Tampa


instrumentos traseira
Frontal
Motor

Portas

Figura 3.1 O- Algumas famílias de chicotes.

Figura 3.11 - Exemplo de chicote elétrico dianteiro.

Componentes Auto motivos Elementares 47


• • ~ • • • • • • • • • 1111 • • • • • • • • • 1111 • • • • • a • • • ,• • • • • • •- • • • ,• • • • • • • • • • • • • • • • • .• • • • • • • • • • • • • ,

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Figura 3.12 - Exemplo de chicote elétrico no painel de instrumentos.

Como mencionado anteriormente, a quantidade de chicotes elétricos em


um automóvel é imensa. Pela Figura 3.13 é possível observar a distribuição dos
chicotes pela carroçaria de um típico veículo de passeio. Quase todas as regiões
da carroçaria têm contato com, ao menos, um ramo do chicote.

I
/

Figura 3.13 - Distribuição de chicotes pela carroçaria de um veículo.

48 Eletrônica Embarcada Automotiva


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3.5 Diogromos elétricos
Os sistemas de eletrônica embarcada, para operarem de forma correta,
devem seguir um esquema de ligações, o chamado diagrama elétrico do
veícu lo. Existem várias formas de criar um diagrama elétrico. As variações são
basicamente relac ionadas aos softwares utilizados para desenhar os diagramas e
à simbologia adotada para representar os componentes e sistemas do veícu lo. As
Figuras 3.14, 3.15 e 3.16 apresentam alguns exemplos de d iagramas elétricos
automotivos.

,
'

X1 1 X1 4 X1 2 X1 1 X1 1
HIGH LOW .X Motor nterruptor
1
Supply Esg uicho 1 Supply Esguicho 2
'-
- ~ tlJ lavador [y}- . •
a.
~ I\J )

GND
-
Case GND '
GND
X1 2
' GND
X1 2
'
X1 4
,
'

'

.,- -,

f
- -
'

Figura 3.14 - Exemplo de diagrama elétrico - sistema lavador dos vidros.

Componentes Automotivos Elementares 49


• • ~ • • • • • • • • • 1111 • • • • • • • • • 1111 • • • • • a • • • ,• • • • • • •- • • • ,• • • • • • • • • • • • • • • • • .• • • • • • • • • • • • • ,

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- ~
- - - ~

X1 74

"'
'
x, 2 X2 2 X1 2 Xl 2
SPLY_15 SPLY 15 58D Acendedor
Tomada --- - ---- - ~
-
~----- de cigarros (9 llu n1inaçãc
de força
GND J
X1 1 _,(' '),. Xl 1
1
1 \: '.Y
1

--
... ~
1
1
1

-...
~

a,.._ - - - - - - - .. ~-----

GND
X2 1

V
"" r. 7

Figura 3.1 5 - Exemplo de diagrama elétrico - acendedor de cigarros e tomada de força.

Módulo
eletrônicc

+SV +5V +5V

PULL UP PULL UP PULL UP

'1 ~ 3 /. :- 4 ~ :3 ~ 1 ,;:,. 2 /. ~ 4 ~

- -

.. -- -- ·- - -------- - - - - -,
1
,-. - - ---• •-----
1
1 1 1
1 Rie R1 R4
1 1 1
1 '
1 1 1
1 '
R5 R2 1 1 R5 1
1 1'
1 1 '
1
1
1 .... 1 ....
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1 ...
....
. 1
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1
... ... -r
,. ,OFF SET,
R O 'l' ..
.. 1
1
1 ~Q 1 Resum e
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1 1 1 ~1 o -
7
Resuma
,1
J.. r
. 1
1
1 ..... 1
1
.....
1 1 ......
1
.....
1
1 1 1
1 R4 4" .L
R7 1 1 R7 1
1
1 1 1
1 1 1 1
1
1 1 1 1
1
L-------------------
lnCerruptor 1
------------
1
Interruptor 2
1

Figura 3.16 - Exemplo de diagrama elétrico - ligação entre módulo e interruptores.

50 Eletrônica Embarcada Automotiva


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3.6 Comentários finais
Os chicotes, fusíveis e relés são componentes fundamentais em um
veícu lo. Sem eles, os atuais sistemas de eletrônica embarcada não existiriam. O
entendimento desses componentes, mesmo que superficial, é fundamental para
os profissionais que desejam atuar na área de sistemas embarcados.

3.7 Exercícios propostos


1) Qual a função de um fusíve l no sistema elétrico de um automóvel?

2) Considerando os va lores mencionados na Tabe la 3.1 , preencha os va lores


fa ltantes na tabela seguinte:

Corrente máxima no circuito Valor do fusível


(valores em amperes) (valores em amperes)
4
10
12
20
32
50
80
200

3) Preencha as lacunas na segu inte frase: "No geral, os fusíveis utilizados nos
veículos são do tipo _____ . Dentre eles podemos destacar os
- - - - - - e os - - - - - -.

4) Cite cinco cores padrão uti lizadas para representar a capacidade de


condução de corrente de um fusíve l automotivo. Mencione também o valor
de corrente relativo a cada cor. Cite cores e va lores para ambos os fusíveis
mencionados (mini e maxi).

5) Em que condições um relé pode/ deve ser util izado em um automóvel?

6) Considerando as 21 denominações de term inações padrão mencionadas


neste capítu lo, cite dez exemplos.

Componentes Automotivos Elementares 51


• • ~ • • • • • • • • • 1111 • • • • • • • • • 1111 • • • • • a • • • ,• • • • • • •- • • • ,• • • • • • • • • • • • • • • • • .• • • • • • • • • • • • • ,

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7) Marque na figura seguinte os principais chicotes existentes em um veículo:

------·

__________ ,.
--------
------·
------ ------

8) Pesquise na Internet alguns exemplos de softwares utilizados na criação de


diagramas elétricos automotivos. Algumas expressões que você pode
utilizar, disponíveis no site www.google.com.br, por exemplo, são:
11 11
• automotive electrical diagram ANO software
11 11
• automotive electrical diagram ANO too Is ANO software
11 11
• electrical diagram ANO vehicle ANO software

52 Eletrônica Embarcada Automotiva


• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • a • • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • & • • • • • • • •

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istemo

4.1 Introdução
O sistema de carga é um dos mais elementares em um automóvel. Os
princípios físicos, químicos e eletroeletrôn icos envolvidos são diversos e toda a
atenção durante o desenvolvimento das peças desse sistema é importante.

Estamos fa lando, basicamente, de três peças: bateria, alternador e motor


de partida. Os cabos que interconectam essas peças também são importantes,
assim como os relés e interruptores utilizados. Vamos destacar os três elementos
principais e as relações existentes entre eles.

Va le mencionar que ainda se utiliza o sistema 12V/ 14V de alimentação


elétrica na maioria dos veículos produzidos. No capítulo 21, destaca-se uma
alternativa que, em poucos anos, deve ser utilizada no projeto de novos
veícu los. Trata-se do sistema 36V/42V.

SW - Chave d•e ignição


Mp

Motor de partida

- Bateria
Alternador 12V

Figura 4.1 - Diagrama elétrico do sistema 12V/14V.

Sistema de Carga 53
• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

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4.2 Sistema de partido
Os componentes mais importantes que participam da partida de um motor
~
sao:

• Interruptor de ignição;

• Bateria;

• Cabos da bateria;

• Relé de partida;

• Solenoide de partida montada sobre o motor de partida;

• Motor de partida.

Quando damos a partida no motor de um veículo, alimentamos o


chamado motor de partida e, até esse momento, a bateria é que fornece corrente
elétrica aos sistemas eletroeletrônicos do veículo. Com o movimento do motor,
o alternador passa a ser operado e a gerar energia, que é então utilizada para
alimentar os sistemas eletroeletrônicos e carregar a bateria.

Alternador
PoHas
.,.
"', '1
,, ", 1
.,. I

-
1
, " ,/ 1
,, , 1

,. .," , ;

., ,.
,. ,,
.,

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,I' "

,, ,. .,. JI.
Correia ~ ;

Motor de partida

Figura 4.2 - Motor de partida, alternador, polias e correia.

Sobre o momento de partida do motor, o pior caso em que esse evento


pode ocorrer é em baixas temperaturas (-25ºC, por exemplo). Pensando em
situações como esta, os sistemas de carga devem ser muito bem balanceados.
No caso das baterias a capacidade, a corrente de teste a frio, o estado de carga e
a resistência interna, entre outros fatores, são fundamentais. Em relação aos
motores de partida o tipo, o tamanho e a potência são preponderantes.

54 Eletrônica Embarcada Automotiva


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4.3 Motor de partido
Trata-se de um motor elétrico que, como mencionado anteriormente, é
utilizado para iniciar o ciclo de trabalho de um motor à combustão. Em veículos
de passeio, os motores de partida geralmente são de excitação permanente, com
transmissão intermediária e potência de partida de aproximadamente 2.500
watts.

Os motores de partida atuais possuem uma boa relação "potência X peso


X volume" o que é fundamental à estratégia de redução de massa de um veículo
para a proporcional redução do consumo de combustível. Vale mencionar que
as peças do sistema de carga estão entre as mais pesadas no grupo de
componentes eletroeletrônicos de um automóvel. Existem vários tipos de
motores de partida. Os principais são:

• Motor de partida com fuso de avanço;

• Motor de partida com fuso de avanço e alavanca de comando;

• Motor de partida com avanço de pinhão por haste deslizante.

O primeiro, motor de partida com fuso de avanço, exibido na Figura 4.2,


é o mais simples. Ao ligar o motor de partida, o induzido (7) gira primeiramente
sem carga. Nesse momento, a roda livre com pinhão (5) ainda não está girando
em função da inércia da massa, mas já inicia uma movimentação para frente,
sobre o fuso (6). Após o engrenamento do pinhão (5) com a cremalheira (4), a
roda livre (5) transmite o torque do induzido (7) para a cremalheira (4). Nesse
momento, o motor de partida coloca o motor à combustão em funcionamento .

_ ., _, -·- , _ ., ·-· - .- ·- ·-·_ , - ·-·-··. •1


1
- 1 1. Chave de ignição e partida
•'
1
2. Relé de partida
3 • 2
., , ·-·-· -
--· •
3. Bobina de campo
.,.
,,
ullI 1111 lI IUI li 4. Cremalheira
,---
--l
i---- - ---1
1
1
1
5. Roda livre com pinhão
6. Fuso
ª~·-·-.. -
1

' 7. Induzido
' 8. Bateria
' • - .. - ' ' - ' - .. • - • - • - • - • - 1 - ' - ' - .. - • - ·

4 5 6 7

Figura 4.3 - Esquema de um motor de partida com fuso de avanço. (Fonte: Manual Bosch)

Sistema de Carga 55
• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

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4.4 Bateria
Os veícu los atuais têm exigido cada vez mais das baterias. São muitos os
sistemas eletroe letrônicos utilizados nos automóveis, condição que não deve ser
alterada daqui para frente. Nesse sentido, as baterias auto motivas devem estar
preparadas para rea lizar três tarefas fundamentais e, no geral, serem func ionais
por, pelo menos, dois anos ou 30.000 Km (o que não é fácil). As três tarefas são:

• Capacidade de dar a partida em grandes motores à combustão sob


condições extremas de baixa temperatura.

• Capacidade de ali mentar os inúmeros sistemas de eletrônica em-


barcada existentes atualmente.

• Suportar por, no mínimo, 40 dias (que é o período de referênc ia


uti lizado pelas principais montadoras de veícu los), as funções básicas
de um automóvel parado, garantindo o funcionamento contínuo do
sistema de alarme e sendo capaz de dar a partida no motor ao final
desse período, durante o qua l o consumo de corrente, apesar de baixo,
na ordem de mA, fo i constante.
,
E em função da dificu ldade em garanti r o cumprimento das tarefas
mencionadas que alguns veículos já estão sendo projetados considerando duas
baterias. Apesar
,
de ser uma solução técn ica, certamente não é uma solução
definitiva. E nesse sentido que o sistema 42V pode revolucionar a forma como
os sistemas de alimentação automotivos trabalharão em um futuro próximo (ver
capítulo 21 ).

Vale acrescentar que, apesar de muito já ter sido feito do ponto de vista
técnico, com melhora das baterias e aumento do seu tempo de vida útil, ainda é
de responsabilidade do motorista a manutenção desse componente.
Mencionamos manutenção não no sentido antigo da ação, quando as baterias
precisavam ser carregadas com soluções especiais. A manutenção, neste caso, é
garantir que a carga mínima, equ ivalente à utilizada durante o evento de
partida, seja recuperada. Para tanto, uma qui lometragem mínima deve ser
percorrida, permitindo tempo suficiente para a bateria ser recarregada. O tempo
de veícu lo ligado e a rotação mínima necessária variam conforme o veícu lo.
Isso é parte de um conce ito chamado balanço de carga.

A bateria automotiva mais comum encontrada atualmente é a bateria de


chumbo. Os elementos (ou materiais ativos) desse tipo de bateria são:

56 Eletrônica Embarcada Automotiva


• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • a • • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • & • • • • • • • •

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• Na placa positiva: peróxido de chumbo (Pb0 2 );

• Na placa negativa: chumbo (Pb);

• Líquido eletrólito: ácido sulfúrico diluído (H 2 S04 ).

1. Tampa da caixa
1 2 3 .,.,-.. ~.1 ------
~-----.
. ... .... -
4 5 6
• - -- . 1 .. 1
·- -.,_
--~ 2. Cobertura de proteção dos polos
3. Conector direto das células
4. Polos terminais
• 5. Massa fundida
. ..
.
'! J

L.
.. 1 - .,' 6. Conector das placas
• _J \ ,. ~
. r' " · ,
·, _ 1 7. Caixa da bateria
1
., 'r' 8. Barra de fixação
1

.. ..

·- . :-../-,
·-..
9. Placas positivas

8 9 10
1O. Placas negativas
7

Figura 4.4 - Esquema de uma bateria livre de manutenção. (Fonte: Manual Bosch)

Na descarga da bateria, o peróxido de chumbo da placa positiva e o


chumbo da placa negativa são transformados em sulfato de chumbo (PbS04 ) por
ação do ácido sulfúrico. Nesse processo, o eletrólito perde íons de sulfato (S04 )
e a densidade do eletrólito abaixa.

Na carga da bateria, o peróxido de chumbo da placa positiva e o chumbo


da placa negativa são reconstituídos a partir do eletrólito, que recupera seus íons
e tem sua densidade restabelecida.

Em baixas temperaturas ambientes, as reações químicas são mais lentas,


reduzindo a capacidade de fornecimento de uma bateria e aumentando o tempo
necessário para que a bateria se recarregue. Com o passar do tempo e a
ocorrência do processo de descarga, mais o eletrólito se dilui, o que aumenta as
chances de ocorrer o seu congelamento e a inutilização da bateria.

As especificações de uma bateria podem ser feitas considerando diversos


fatores. Os principais são:

• Dimensões físicas (empacotamento);

• Características da fixação;

• Tipos de polos terminais;

Sistema de Carga 57
• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

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• Capacidade (medida em A.h);

• Corrente de teste a frio (1cc).

Sobre a estrutura interna de uma bateria, vale mencionar:

• Contém seis células conectadas em série e separadas por divisórias.

• Cada célula é formada por um par de placas (positiva e negativa).

• O espaço livre é preenchido com eletrólito (ácido sulfúrico diluído).

Existem, atualmente, alguns tipos especiais de baterias:

• Resistentes às descargas cíclicas: separadores com mantas de fibra de


vidro apoiam a massa positiva contida em placas relativamente espes-
sas e evitam, com isso, a degradação prematura da massa.

• Resistentes às vibrações: os blocos de placas são fixados com resina ou


plástico para evitar o movimento relativo à caixa da bateria. Esse tipo
de bateria é utilizado em veículos utilitários.

• Tipo HD: são as baterias que apresentam uma combinação de resistên-


cia às descargas cíclicas e às vibrações. Também utilizadas em veículos
uti Iitários.

4.5 Alternador
Um alternador automotivo nada mais é que um gerador de corrente
elétrica acoplado ao motor do veículo através de uma correia. A corrente por
ele gerada é utilizada para alimentar as cargas elétricas e para recarregar a
bateria, que é utilizada durante a partida do veículo e na alimentação dos
sistemas elétricos enquanto o veículo estava desligado.

A corrente inicialmente gerada por um alternador é alternada. A


retificação é feita por meio de um retificador em ponte integrado ao alternador.
O resultado final é uma corrente contínua, pronta para ser utilizada pelos
sistemas de eletrônica embarcada.

As principais características do alternador automotivo são as seguintes:

• Ser capaz de carregar minimamente a bateria, mesmo tendo que


fornecer corrente a todas as cargas elétricas do veículo, ao mesmo
tempo.

58 Eletrônica Embarcada Automotiva


A • • i9 • • • • • • • _. • ll • • a • • • • • • • • • • • • • _. • • • • • • Ili • • • • • • • • • •
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• Manter a mesma tensão em toda e qualquer rotação do motor e sob
toda e qualquer condição da carga elétrica acoplada.

• Ser robusto para suportar todas as condições de vibração, sujeira, altas


e baixas temperaturas e as suas alterações bruscas, umidade e jato de
;
agua, entre outros.

• Ter peso reduzido e dimensões compactas.

• Emitir baixo ruído e ter alto grau de eficiência.

Os principais fatores de influência no funcionamento de um alternador


são os seguintes:

• Faixa de rotação do motor: da marcha lenta às altas velocidades do


motor.

• Faixa de temperatura de trabalho: diretamente relacionada ao


ambiente, principalmente em virtude da distância em relação ao motor
do veículo.

• Perdas mecânicas por acoplamento ao motor: relacionadas ao


conceito de acoplamento ao motor do veículo.

• Precipitadores de corrosão: causados por sujeira e respingos de água,


óleo e combustíveis, entre outros.

Os principais tipos de alternadores são:

• Alternador de polos de garra: esse modelo é o mais conhecido e foi


referência técnica para o desenvolvimento de outras alternativas. Um
ponto a destacar é que no alternador de polos de garra a ventilação é
axial, de fluxo único, através de uma ventoinha externa.

• Alternador de polos individuais: são alternadores uti Iizados em


aplicações especiais, nas quais a alta potência é necessária. Nesse tipo
de alternador, os polos magnéticos são individuais e cada um tem seu
próprio enrolamento de campo. Essa estratégia aumenta o compri-
mento do estator, permitindo a geração de potências maiores. Nesse
modelo, o regulador é montado fora do alternador, em função da
dissipação térmica.

• Alternador com rotor guia: esse modelo é uma variante do alternador


de polos de garra. Nele os polos giram, enquanto o enrolamento de
excitação permanece estático. Nesse modelo, o retificador alimenta
diretamente o enrolamento de excitação através do regulador, elimi-

Sistema de Carga 59
• • ~ • • • • • • • • • 1111 • • • • • • • • • 1111 • • • • • a • • • ,• • • • • • •- • • • ,• • • • • • • • • • • • • • • • • .• • • • • • • • • • • • • ,

Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexand re de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


nando a necessidade de uti Iizar contatos deslizantes. A maior van-
tagem desse tipo de alternador é a vida útil prolongada, exatamente por
ter desgaste reduz ido.

• Alternador compacto: variante do alternador de polo de garra, esse


modelo é baseado na ventilação de du pio fluxo, através de duas
ventoinhas internas menores. Suas principais vantagens são maior
eficiência por ser capaz de trabalhar em rotações mais elevadas, ruído
aerodinâmico reduzido por ter ventoinhas menores, ruído magnético
menor em função de sua construção interna e maior durabilidade das
escovas de carvão por ter um anel coletor de menor diâmetro. A Figura
4.5 apresenta um corte e detalhes desse tipo de alternador.

1 ,,
-- . . -
l
·.

..
..

1. Carcaça
4
2. Estator
2 5
3 3. Rotor
..
.,-
4. Regulador de tensão com
.-· porta-escovas
, . ..
-·· .,.
--- 6
~\
'!J . ". ., u~--
.

"!"
..,
7 5. Anéis coletores
~
-: ... . .. _.--
6. Retificador

7----....,, 7. Ventoinha

Figura 4.5 - Esquema de um alternador compacto. (Fonte: Manual Bosch)

Os alternadores são equipados com os chamados reguladores de tensão


(ou voltagem). Existem, basicamente, dois tipos de reguladores:

• Reguladores padrão (ou standard): têm a função de manter a tensão


constante, mesmo com grandes variações de rotação e cargas elétricas,
Figura 4.6.

60 Eletrônica Embarcada Automotiva


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1, 1 :,
~-c::r----~>0----------::-...---; zs li

1 15
1
1
L-- -- ·- ·- ·- -- -- - D+ B+
1
_ . _ , J..._ __ __ , 1. Diodos de excitação
IC 1
'
.- i
iD+
1
1 1 1 1
1
2. Diodos de potência
1 1 I
1 1 ,

l 1
T
1
1
1 1
1
3. Eletroeletrônica do
...1, 1 1 1 I
1
11
1
1
1
1 1 1 1 veículo
'- 1 1 1 1 '
1 1 1
r 1 .
.1
1
- - 1
'
1
' 4. Regulador
!DF1 1
1 1

1 1 1
'D- L 1 1 D- 1

'- •-·---4·-·- ·-·-- ·- ·-·-· --·-·-·-·-----·-·-·-·---·-·-·-·---·-·-·-·---·-·-·


1 2 3
1

Figura 4.6 - Diagrama elétrico de um regulador padrão. (Fonte: Manual Bosch)

• Reguladores multifunção: além da função realizada por um regulador


padrão, um regulador multifunção pode: 1) ajustar o funcionamento do
alternador, otimizando seu torque, visando a redução do consumo de
combustível, e 2) adaptar a tensão de carga do sistema, visando
melhorar o estado de carga da bateria, Figura 4.7.

DFM ' 1. Circuito integrado


,-------~o-----•5
+
1
1 regulador
1
1 15
-----. 1
1
;-----------i ---:
1
2. Carcaça
•1 3. Alternador
• B+ 1
1
4. Eletroeletrônica
•1 B+ , G do veículo
•1
1
1
1 3~ _l
DF ,
5. Circuito de
monitoramento
• Vi
_____________ _,.. ________ l ___________ _ 1 1

1

2 3 B- ~
---~ 4

Figura 4.7 - Diagrama elétrico de um regulador multifunção. (Fonte: Manual Bosch)

Sistema de Carga 61
• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

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4.6 Alternadores e motores de partido integrados
Existem, atua lmente, fabricantes que comercializam peças que já agregam
as funções alternador e motor de partida.

Os principais ganhos desse arranjo são:

• Empacotamento reduzido, ocupando menor espaço no comparti mento


do motor;

• Menor esforço exigido do motor, colaborando com a estratégia de


redução de consumo de combustível;

• Menor custo por veícu lo.

4.7 Terminais importantes


Aproveitamos este capítu lo para mencionar alguns term inais derivados
diretamente do sistema de carga, muito importantes e encontrados em todos os
veículos automotivos. Trata-se de um sistema de nomenclatura formado por
números que representam a origem de um sinal de alimentação. A designação
util izada a seguir é padrão internacional, seguida pela maioria dos fabricantes
de automóveis:

• Terminal 30 - T30: positivo da bateria.

• Term inal 31 - T31: negativo da bateria.

• Terminal 15 - T15: positivo da bateria após chaveamento.

• Terminal 15A - T15A: ali mentação de acessórios.

• Terminal 50 - T50: controle do motor de partida.

• Terminal 61 - T61: controle do alternador.

62 Eletrônica Embarcada Automotiva


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4.8 Comentários finais
• A •

Este é mais um tema que, apesar de aparentar pouca 1mportanc1a ou


relativa simplicidade, tem as suas peculiaridades.

O leitor deve ter percebido que os conceitos de física, química e ele-


trônica estão muito presentes nesses componentes e que o bom funcionamento
dos sistemas de eletrônica embarcada depende do correto dimensionamento dos
componentes do sistema de carga.

4.9 Exercícios propostos


1) Quais são os componentes principais de um sistema de partida?

2) O que ocorre, do ponto de vista do sistema de partida, no momento em que


damos a partida no motor de um veículo?

3) Quais os principais tipos de motores de partida existentes?

4) Explique sucintamente o funcionamento do motor de partida com fuso de


avanço.

5) Quais são as tarefas fundamentais de uma bateria automotiva?

6) O que você entendeu de carga mínima e balanço de carga?

7) O que ocorre nos períodos de carga e descarga de uma bateria automotiva?

8) O que deve ser especificado, no mínimo, em uma bateria automotiva?

9) Defina alternador automotivo e mencione as suas principais características.

1 O) Quais os principais fatores que influenciam o funcionamento de um


alternador automotivo?

11) Descreva brevemente os principais tipos de alternadores existentes.


12) Quais os principais tipos de regu !adores de tensão existentes e quais as suas
funções em relação aos alternadores?

13) Quais os principais ganhos da integração alternador X motor de partida?

Sistema de Carga 63
• • ~ • • • • • • • • • 1111 • • • • • • • • • 1111 • • • • • a • • • ,• • • • • • •- • • • ,• • • • • • • • • • • • • • • • • .• • • • • • • • • • • • • ,

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14) Cite os principais term inais automotivos re lacionados ao sistema de carga.

15) Identifique os componentes apresentados em seguida:

64 Eletrônica Embarcada Automotiva


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5.1 Introdução
Além dos inúmeros módulos eletrônicos utilizados no controle dos
diversos sistemas automotivos, alguns dispositivos adicionais são necessários
para que o motorista se comunique com o veículo e vice-versa.

Neste capítulo, abordamos alguns componentes muito interessantes, que


nem sempre são percebidos pelos motoristas ou são pouco relacionados aos
sistemas eletrônicos dos veículos. Em linhas gerais, apresenta os interruptores,
sensores e atuadores encontrados na maioria dos automóveis atualmente
manufaturados.

5.2 Interruptores
Os interruptores são chamados de switches pelos engenheiros de produto
das montadoras. Existem duas classes de switches: os touch switches e os
hidden switches.

Touch switches
São os interruptores que, além de visualmente encontrados no interior do
veículo, sua operação depende do contato direto do motorista ou dos
ocupantes. Os principais touch switches em um veículo são:

Nas portas:

• Regulador dos espelhos externos (externai mirrar adjustment switch);

Interruptores, Sensores e Atuadores 65


• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

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• Levantadores dos vidros (power window lifter switches).

Figura 5.1 - Interruptor levantador dos vidros (Audi A8).

No painel de instrumentos (IP switches ou instrument panei switches):

• Interruptor de luzes (light center switch);

Figura 5.2 - Interruptor de luzes (Audi A8). Figura 5.3 - Interruptor de luzes (BMW X3).

• Interruptor liga/desliga airbag passageiro (airbag switch);

Figura 5.4 - Interruptor do airbag (Audi A8).

• Destranca porta-malas (lid trunk release switch);

• Controle de tração (traction contron;

• Aviso de velocidade (over speed warning);

• Aquecimento dos bancos (heating seat);

• Trava-destrava das portas (doar lock-unlock);

• Pisca-alerta (hazard switch).

66 Eletrônica Embarcada Automotiva


• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • a • • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • & • • • • • • • •

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Figura 5.5 - Interruptores pisca-alerta e trava-destrava das portas (BMW X3).

Na coluna de direção:

• Chave de seta (turn signal switch);

• Alavanca do limpador e lavador (wiper and washer switch).

Figura 5.6 - Chaves de seta (BMW X3). Figura 5.7 - Chaves do limpador dos vidros (BMW X3).

Figura 5.8 - Chaves integradas - seta e limpador dos vidros (Mercedes-Benz S350).

Hidden switches
São os interruptores que não ficam aparentes aos ocupantes do veículo e
que são acionados indiretamente pelo motorista ou por outros sistemas
mecânicos. Seguem alguns exemplos:

Interruptores, Sensores e Atuadores 67


• • ~ • • • • • • • • • 1111 • • • • • • • • • 1111 • • • • • a • • • ,• • • • • • •- • • • ,• • • • • • • • • • • • • • • • • .• • • • • • • • • • • • • ,

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• Nas portas temos os interruptores de coluna (jamb switch), utilizados
para acionar a lâmpada que i lumi na o compartimento dos passageiros
e o sistema de alarme, quando disponível.

Figura 5.9 - Interruptor de coluna (Meriva).

• No porta-malas encontramos o interruptor de abertura do porta-ma las


(trunk switch), uti Iizado para ac ionar a lâmpada e o sistema de alarme,
quando disponível.

• No compartimento do motor temos o interruptor de pressão do óleo,


montado no motor e que acompanha as oscil ações da pressão do óleo
dentro dele.

Figura 5.1 O- Interruptor de pressão do óleo (BMW X3).

• Na pedaleira temos o interruptor de freio (stop lamp switch) e o de


embreagem (clutch switch). São interruptores montados em cada um
dos pedais e que avisam ao sistema de controle do motor e da
carroçaria a situação de atuação de cada pedal.

Figura 5.1 1 - Interruptor de freio (Audi A8).

68 Eletrônica Embarcada Automotiva


• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • a • • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • & • • • • • • • •

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• No console central ficam os interruptores de freio de mão (hand brake
switch) e de marcha à ré (reverse gear switch), responsáveis por indicar
o status desses sistemas.

• Na coluna de direção encontra-se o interruptor de ignição (ignition


switch) , responsável por comandar a alimentação de todo o veículo; da
energização dos acessórios à partida do motor.

),

Figura 5.12 - Interruptor de ignição (Audi A8).

5.3 Sensores
Os sensores, conhecidos em inglês como sensors, são dispositivos que
monitoram as várias grandezas físicas e químicas no veículo, fornecendo dados
aos módulos eletrônicos responsáveis pelo controle de cada sistema embarcado.
Vejamos os principais sensores de um veículo:

Nos sistemas de motor e transmissão:

• Sensor de nível do óleo (oi/ levei sensor);

• Sensor de rotação do motor (Revolutions per Minute - RPM);

• Sensor de pressão do ar do coletor (Manifold Air Pressure - MAP);

• Sensor de temperatura do ar do coletor (Manifold Air Temperature -


MAT);
• Sensor de velocidade do veículo (Vehicle Speed Sensor - VSS);

Figura 5.13 - Sensor de velocidade - VSS (Audi A8).

Interruptores, Sensores e Atuadores 69


• • ~ • • • • • • • • • 1111 • • • • • • • • • 1111 • • • • • a • • • ,• • • • • • •- • • • ,• • • • • • • • • • • • • • • • • .• • • • • • • • • • • • • ,

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• Sensor de temperatura do líquido de arrefecimento (Coolant Temperature
- CL T);

Figura 5.14 - Sensor de temperatura - CLT (Meriva) .

• Sensor de posição da alavanca de mudanças (gear stick lever);

• Sensor de oxigênio ou sonda lambda (02 Sensor).

Figura 5.15 - Sensor de oxigênio (Meriva).

No para-choque dianteiro:

• Sensor de temperatura externa (Outside Air Temperature - OAT);

• Sensores do airbag (airbag sensors).

No compartimento dos passageiros:

• Sensor de quali dade do ar (air quality sensor);

Figura 5.16 - Sensor de qualidade do ar (Audi A8).

70 Eletrônica Embarcada Automotiva


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• Sensor de posição do pedal do acelerador (Throttle Position Sensor -
TPS);
• Sensor de posição do vo lante de direção (steering wheel sensor).

5.4 Atuadores
Os atuadores, conhecidos em inglês como actuators, são dispositivos que
respondem mecanicamente aos estímulos elétricos gerados pelos módu los
eletrôn icos. Vejamos os pri ncipais atuadores de um veículo:

• Espelhos elétricos externos ou externai rear view mirrors: são os


espelhos externos cujo ajuste de posição é realizado eletricamente
através de i nterruptores localizados, geralmente, na porta do motorista.

• Espelhos externos escamoteáveis ou foldable mirrors: são os espelhos


que podem ser articu lados, dobrados ou virados para uma posição
paralela ao veículo. Essa movimentação é feita por um pequeno motor
elétrico, existente em cada um dos espelhos.

• Portinhola de combustível ou fue/ filler actuator. responsáve l pelo


travamento da tampa de acesso ao bocal de abastec imento.

• Travas das portas ou latches: responsáveis pelo travamento das portas


do motorista e dos passageiros.

Figura 5.17 - Atuador de trava da tampa traseira (Ford-Galaxy).

• Destranca porta-malas ou lid trunk release actuator. responsável pela


abertura remota do porta-malas. Ao comando do interruptor, destranca o
porta-malas; é controlado pelo módu lo de controle das travas elétricas.

Interruptores, Sensores e Atuadores 71


• • ~ • • • • • • • • • 1111 • • • • • • • • • 1111 • • • • • a • • • ,• • • • • • •- • • • ,• • • • • • • • • • • • • • • • • .• • • • • • • • • • • • • ,

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Figura 5.18 - Atuador destranca porta-malas (OPEL-Vectra).

5.5 Comentários finais


Este capítulo mostrou os principais interruptores, sensores e atuadores
presentes na maioria dos veículos manufaturados atualmente. Vale mencionar
que existe uma grande e interessante teoria por trás de cada componente
mencionado e que a compilação dessas informações seria suficiente para gerar
um outro livro, específico sobre esses sistemas. Entretanto, dentro da abordagem
a que se destina esta obra, a apresentação dos componentes mais importantes já
se faz suficiente.

5.6 Exercícios propostos


1) Mencione as duas classes existentes de interruptores e comente suas
,,,, . . . .
caracter1st1cas pr1nc1pa1s.

2) Em que regiões do veículo os interruptores visíveis (ou aparentes) são


normalmente encontrados? E os interruptores invisíveis (ou escondidos)?

3) Cite alguns exemplos de interruptores visíveis e de interruptores escon-


didos.

4) Faça um levantamento, utilizando a Internet, dos interruptores aparentes


utilizados atualmente. Escolha dois ou três veículos dos vários segmentos
existentes, encontre nesses veículos as peças de mesma aplicação e
compare-as. A tabela a seguir pode ser utilizada como ponto de partida.

72 Eletrônica Embarcada Automotiva


A • • i9 • • • • • • • _. • ll • • a • • • • • • • • • • • • • _. • • • • • • Ili • • • • • • • • • •
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Comentários
Local de
Segmento Veículo Interruptor
instalação Quantidade Outros
Aparência
de funções detalhes
Celta Chave de seta
Econômico
Uno Chave de seta
Levantador dos
Corsa
vidros
Pequeno
Levantador dos
Gol
vidros
Trava/destrava
Astra
das portas
Compacto
Trava/destrava
Stilo
das portas
Vectra Chave de luzes
Médio
Corolla Chave de luzes
Limpador dos
Omega
vidros
Grande
Limpador dos
Camry
vidros

5) Qual a função de um sensor em um automóvel?

6) Cite algumas regiões de um veículo monitoradas por sensores.

7) Dê alguns exemplos de sensores automotivos.

8) Qual a função de um atuador em um automóvel?

9) Cite alguns exemp los de atuadores automotivos.

1 O) Em grupo, discuta o que deve conter na especificação técnica de um


interruptor v isível. Como ponto de partida, considere um interruptor
levantador de vidro. Pense nas variáveis elétricas, eletrôn icas e mecânicas
envolvidas. Por se tratar de um item de aparência, considere também todos
os aspectos relac ionados à "beleza" da peça (formato, cor, textura e
i luminação, entre outros). O resu ltado da discussão deve ser uma lista com
as variáveis identificadas pelo grupo, uma breve descrição de cada variável
e a razão pela qual o grupo considerou importante cada variável mencio-
nada.

Interruptores, Sensores e Atuadores 73


• • ~ • • • • • • • • • 1111 • • • • • • • • • 1111 • • • • • a • • • ,• • • • • • •- • • • ,• • • • • • • • • • • • • • • • • .• • • • • • • • • • • • • ,

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11) Considerando o resultado da questão anterior, discuta como monitorar
tecnicamente as variáveis listadas em uma peça recém-produzida.
Ferramentas como paquímetro, micrômetro, microscópio, voltímetro e
amperímetro, entre outras, podem ser consideradas. Bancadas de teste
eletronicamente controladas também. Nesta atividade o grupo deve ser bem
criativo e encontrar formas de monitorar as variáveis, mesmo sem ter
experiência em desenvolvimento e validação de um interruptor.

74 Eletrônica Embarcada Automotiva


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6.1 Introdução
Apesar de serem sistemas fortemente baseados em conceitos mecânicos e
ópticos, decidimos adicioná-los ao livro, pois estão inseridos no contexto da
arquitetura elétrica do veículo. Existem componentes elétricos e/ ou eletrônicos
de controle que são utilizados para o gerenciamento dos sistemas de ilumi-
~
naçao.

Quando pensamos na iluminação externa, especificamente na parte


dianteira, devemos considerar:

• Luz de posicionamento;

• Farol de luz baixa;

• Farol de luz alta;


• Iluminação indicadora de direção;

• Farol de neblina.

Já na parte traseira, devemos considerar:

• Luz de posicionamento;
• Lanterna de freio;

• Lanterna de marcha à ré;

• Iluminação indicadora de direção;


• Lanterna de neblina;

• Iluminação da placa de licença.

Sistemas de Iluminação 75
• • ~ • • • • • • • • • 1111 • • • • • • • • • 1111 • • • • • a • • • ,• • • • • • •- • • • ,• • • • • • • • • • • • • • • • • .• • • • • • • • • • • • • ,

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Em relação à iluminação interna, destacamos:

• Luzes de cortesia dianteiras e trasei ras;

• Luzes de le itura dianteiras e trasei ras;

• Luz de ilum inação do porta-luvas;

• Luz de ilum inação do porta-malas.

6.2 Iluminação externo


O sistema responsáve l pela iluminação externa é um dos mais complexos
do veícu lo, especialmente dos pontos de vista mecânico e óptico. A lém de
afetar a segurança dos ocupantes, particu larmente à noite, ele afeta diretamente
a aparência do produto fina l.

Vários são os componentes de um sistema de i luminação externa. Vamos


tratá-los de forma simplificada, destacando suas principais características:

Faróis ou headlamps

Apesar de parecer simples, um farol possu i d iversas variáveis que devem


ser cont ro ladas no momento da sua concepção e desenvo lv imento. Um faro l
possui três funções princi pais: ind icar a posição do veículo por uma pequena
lâmpada, conhecida como luz de posição ou lanterna, operar o faro l baixo e
operar o faro l alto. Vamos aos detalhes:

Existem diversos tipos de conjuntos lâmpada X refletor que podem ser


utilizados, tornando o farol mais ou menos eficiente, atraente e custoso. Os
. . . -
pr1nc1pa1s sao:

• Baseado em refletor simples: é o mais barato e normalmente utilizado


pe las montadoras. Exemplos: Celta, Gol e EcoSport.

• Baseado em bloco elíptico: tem design extremamente atraente.


Exemplo: Astras fabricados a partir de 2003.

• Baseado em lâmpada xênon: a peça f inal fica muito parecida com a


baseada em bloco elíptico, porém sua fonte de luz é mais potente,
controlada por uma central eletrôn ica exclusiva. Exemplo: a maioria
dos veículos das marcas Mercedes-Benze Audi.

76 Eletrônica Embarcada Automotiva


A • • i9 • • • • • • • _. • ll • • a • • • • • • • • • • • • • _. • • • • • • Ili • • • • • • • • • •
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Observação: Alguns faróis já são desenvolvidos com LEDs em vez de lâmpadas. Esses sistemas, apesar de
extremamente robustos, ainda são muito caros e devem demorar alguns anos até serem
utilizados em larga escala.

. -.
... . ,. • • •

...
• --t


Figura 6.1 - Farol do Alfa Romeo 159. Figura 6.2 - Farol do Audi A6.

-
-

••••
& . - - - - - - - - - - - - - ' •••

Figura 6.3 - Farol do BMW X3. Figura 6.4 - Farol do Land Rover Discovery.

Figura 6.5 - Farol do Mercedes S 350. Figura 6.6 - Farol do Opel Zafira.

Os faróis podem ter ou não regulagem elétrica de altura dos feixes de luz.
Essa regulagem é feita por um pequeno motor elétrico, instalado na parte
traseira do farol, e comandado pelo motorista de dentro do compartimento dos

passage1 ros.

Por ser instalado no compartimento do motor e ter componentes internos


que naturalmente são vistos por quem está do lado de fora, a preocupação com
a penetração de água e poeira é grande. O sistema deve ser vedado à entrada
desses materiais e deve possuir respiras que permitam a saída de vapores,
evitando a condensação interna e o embaçamento das lentes.

Sistemas de Iluminação 77
• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

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Os faróis devem ser projetados considerando a fácil montagem e
substituição de suas lâmpadas. Estes são conceitos fundamentais para o
desenvolvimento de um farol, afetando diretamente a linha de montagem e as
. . ;
concess1onar1as.

Os faróis interferem na aparência do veículo. Desta forma, a sua interação


com os demais componentes (para-choque e para-lama, entre outros) deve ser
minuciosamente controlada. Este é um grande desafio que depende de uma
forte interação entre os engenheiros elétricos e mecânicos. Neste item, os
principais conceitos mencionados são gaps, paralelismo e flushness.

• Gaps: são os espaços ou aberturas que ficam entre as peças.


• Paralelismo: é a uniformidade do gap ao longo do conjunto montado.
• Flushness: é a relação de nivelamento entre as superfícies das peças.
O atendimento à legislação é outro ponto fundamental no desenvol-
vimento de um farol. A chamada linha de corte dos faróis é a principal variável
controlada pelos engenheiros. Os leitores já devem ter percebido que os faróis
não iluminam de forma simétrica a frente de um veículo. No lado direito, o feixe
de luz se estende por alguns metros a mais se comparado ao lado esquerdo. Isso
é proposital, controlado por rígidos critérios legais.

Lanternas ou tailamps
Também possuem diversas variáveis que devem ser controladas desde a
sua concepção e desenvolvimento. Basicamente, uma lanterna possui quatro
funções:

• Indicar a posição do veículo por uma pequena lâmpada, conhecida


como luz de posição ou lanterna;

• Operar a luz de freio;

• Operar a luz de ré;

• Operar a Iuz de neb Ii na traseira.

As lanternas também podem trabalhar com lâmpadas ou LEDs e devem


atender diversos requisitos legais, que regulamentam a intensidade das lâm-
padas e o posicionamento delas no veículo. Detalhes como manufaturabilidade,
montagem e serviços também precisam ser observados no desenvolvimento de
uma lanterna.

78 Eletrônica Embarcada Automotiva


A • • i9 • • • • • • • _. • ll • • a • • • • • • • • • • • • • _. • • • • • • Ili • • • • • • • • • •
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Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


.....
e

Figura 6.7 - Lanterna do BMW 730i. Figura 6.8 - Lanterna do Mercedes S 350.

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Figura 6.9 - Lanterna do Porsche Cayenne. Figura 6.1 O- Lanterna do Saab 9-3.

e

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..

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• •

Figura 6.11 - Lanterna do Suzuki lgnis. Figura 6.12 - Lanterna do Volvo S40.

Luz de neblina dianteira ou front fog lamp

Localizado no para-choque dianteiro, o faro l de neblina precisa considerar


os critérios de desenvolvimento uti Iizados pelos faróis.

Sistemas de Iluminação 79
• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

Editora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


Figura 6.13 - Faróis de neblina dianteiros - exemplo 1.
(Fonte: http://www.daimlerchrysler.com.br/imprensa.htm)

..

Figura 6.14 - Faróis de neblina dianteiros - exemplo 2.


(Fonte: http://www.daimlerchrysler.com.br/imprensa.htm)

Luz de neblina traseira ou rear fog lamp

Localizada na lanterna traseira ou no para-choque traseiro, a luz de


neblina traseira deve considerar os critérios de desenvolvimento uti lizados nas
lanternas.

Brake light ou Center High Mounted Stop Lamp (CHMSL)

Trata-se da luz de fre io auxiliar, cujo objetivo é destacar aos demais


veículos o momento de uma frenagem, reduzi ndo as chances de uma colisão.
Pode ser instalada na tampa traseira ou no vidro vigia traseiro, dependendo

80 Eletrônica Embarcada Automotiva


• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • a • • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • & • • • • • • • •

Editora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


basicamente do design do veículo. Pode ser de lâmpada ou LED, escolha
relacionada ao design do veículo e também ao custo esperado pelo sistema.

Figura 6.15 - Brake light - exemplo 1. (Fonte: http://www.daimlerchrysler.eom.br/imprensa.htm)

-
.,

Figura 6.16 - Brake light - exemplo 2. (Fonte: http://www.daimlerchrysler.eom.br/imprensa.htm)

Pisca lateral ou side blinker

São luzes auxiliares que indicam para onde o veículo é direcionado


(direita ou esquerda). Podem ser instaladas nas portas dianteiras, nos para-
-lamas dianteiros ou nos espelhos retrovisores. A decisão é basicamente tomada
considerando-se o design do veículo e o custo esperado pelo sistema.

Sistemas de Iluminação 81
• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexand re de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


6.3 Iluminação interno
O si stema responsáve l pela iluminação interna de um veículo possui uma
série de componentes. São basicamente lâmpadas instaladas dentro de peças
aparentes e, eventual mente, com alguns comandos incorporados. Quanto mais
luxuoso for um veículo, maior é a quantidade de dispositivos de i lumi nação
interna disponíveis. Vamos a alguns exemplos:

Luz de cortesia ou courtesy lamp


,
E o componente de il uminação mais simp les do veículo. Trata-se de uma
lâmpada instalada na parte dianteira do forro do teto, entre o motorista e o
passageiro dianteiro. Sua função é i luminar o comparti mento dos passageiros.

Luz de leitura dianteira ou front reading lamps

Em adição à luz de cortesia, alguns veícu los possuem duas lâmpadas


adicionais na região diantei ra do forro do teto. São lâmpadas que podem ser
ligadas independentemente e facilitam a leitura e o manuseio de objetos dent ro
do veícu lo.

Luz de leitura na região das portas


~
Possuem a mesma função das luzes de leit ura d iantei ras, porém sao
instaladas na reg ião das alças de apoio loca lizadas em cada uma das portas.

Luz de leitura traseira ou rear reading lamps

Possuem a mesma função das luzes de leitura dianteiras, mas são


instaladas na parte trasei ra do forro do teto.

Luz do porta-luvas ou glove box lamp


,
E uma pequena lâmpada que facilita a procura de objetos dentro do porta-
-luvas.

Luz do porta-malas ou lid trunk lamp


,
E uma pequena lâmpada que facilita a procura de objetos dentro do porta-
-malas.

82 Eletrônica Embarcada Automotiva


• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • a • • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • & • • • • • • • •

Editora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


Conceito de fibra óptica

Alguns veículos têm utilizado fibras ópticas para a ilum inação de


componentes e partes do ambiente interno. Conectadas a uma única fonte de
luz, elas são capazes de conduzir luz a toda e qualquer parte do veículo, sendo
faci lmente manuseadas e instaladas. Com a redução dos custos de matéria-
-prima e manufatura, cada vez mais os veícu los vão utilizar essa tecnologia.

6.4 Comentários finois


Este capítu lo apresentou algumas informações básicas sobre dois sistemas
importantes nos veícu los. Sistemas que, gera lmente, não são notados pela
grande maioria das pessoas pela simp les razão de rea lizarem normalmente suas
funções e serem parte do design exterior e interior dos veícu los.

6.5 Exercícios propostos


1) Considerando o sistema de i luminação externa, quais funções podem ser
c itadas como importantes nas partes dianteira e traseira de um veícu lo?

2) Considerando o sistema de il uminação interna, quais funções podem ser


citadas como i mportantes?

3) Descreva um faro l automotivo e as variáveis de seu desenvolvi menta.


Lembre-se de citar cada uma delas (regulagem elétrica, penetração de
substâncias, processo de montagem e substitu ição de lâmpadas e aparência
final, dentre outras).

4) Defina gaps, paralelismo e flushness em relação a um faro l automotivo.

5) Pesquise na Internet detalhes sobre as legislações relac ionadas aos faróis


automotivos no Brasil, Europa e Estados Unidos. Dentre os vários itens que
encontrar, escolha três ou quatro e compare-os.

6) Pesquise na Internet detalhes sobre as legislações re lacionadas às lanternas


automotivas no Brasi 1, Europa e Estados Unidos. Dentre os vários itens que
encontrar, escolha três ou quatro e compare-os.

7) Descreva os componentes do sistema de il uminação interna mais uti lizados


atualmente.

Sistemas de Iluminação 83
• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexand re de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


8) Faça um levantamento, utilizando a Internet, de alguns faróis utilizados
atualmente. Escolha do is ou três veículos dos vários segmentos existentes e
compare-os. A tabela a seguir pode ser util izada como ponto de partida.

Mercados Comentários
Segmento Veículo onde é Quantidade Outros
vendido Tipo de refletor Aparência
de funções detalhes

9) Traba lhando em grupo, pesquise alguns veícu los e os seus respectivos


sistemas de luz de freio CHMSL (brake light). Identifique quais utilizam
lâmpadas e quais utilizam LEDs como fonte lumi nosa. Aproveite a oportu-
nidade e liste, do ponto de vista do grupo, as vantagens e desvantagens de
cada sistema.

84 Eletrônica Embarcada Automotiva


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istemos e 1mpezo

7.1 Introdução
Apesar de se tratar de sistemas baseados em conceitos mecânicos,
decidimos adicioná-los ao livro, pois também estão inseridos no contexto da
arquitetura e létrica dos veícu los. Existem diversos componentes elétricos e/ou
elet rôn icos de controle que são utilizados para o gerenciamento dos sistemas de
limpeza dos vidros dianteiro e traseiro.

7.2 Limpador dos vidros


O limpador dos vidros é um dos sistemas eletromecânicos mais
complexos do veículo. A sua concepção e desenvolvimento devem garantir,
além da correta funciona lidade e durabil idade, o atendimento à leg islação.
Vamos então a algumas informações sobre esse sistema:

• Funcionalidade: o sistema li mpador do vidro é um dos itens de


segurança de um veículo. A lém disso, o resu ltado fi nal do seu t rabalho
não deve chamar a atenção do motorista. Caso isso ocorra, certamente
será em razão da operação incorreta, apresentando problemas de
trepidação, ruído ou até mesmo i neficiência na limpeza. Em geral,
quando se utiliza um automóvel sob fo rtes chuvas e não há percepção
de que ele possu i um li mpador de para-brisa, significa que ele está
funcionando de forma apropriada.

• Durabilidade: o sistema deve ser capaz de res istir às constantes


variações de temperatura, pressão e umidade a que está sujeito. Nada
deve interferir em seu desempenho e aparência. Um sistema limpador
dos vidros possui diversas peças plásticas, metáli cas e de borracha.

Sistemas de Limpeza dos Vidros 85


• • ~ • • • • • • • • • 1111 • • • • • • • • • 1111 • • • • • a • • • ,• • • • • • •- • • • ,• • • • • • • • • • • • • • • • • .• • • • • • • • • • • • • ,

Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


Esses componentes devem resistir ao trabalho pesado e às condições
climáticas, inclusive aos efeitos dos raios solares, fortemente
carregados com fótons de ultravioleta (UV) e que são extremamente
nocivos aos materiais plásticos e às borrachas.

• Legislação: o sistema deve atender alguns requisitos legais, não só no


Brasi 1, mas em todos os mercados do mundo. Basicamente, são
requisitos relacionados à área de varredura ou limpeza e ao
funcionamento do veículo em altas velocidades, pelo menos até 120
Km/h. A necessidade de atender os requisitos legais é que leva os
engenheiros a escolherem:

- O sistema limpador: pai heta única, convenciona l ou butterfly;

- Os materiais plásticos, metálicos e borrachas a serem utilizados;

- A relação mecânica entre os braços e as palhetas e o mecanismo e


o motor do sistema.

-- - .,
,
]

Figura 7.1 - Braços e palhetas.

Figura 7.2 - Mecanismo (linkage) e motor.

86 Eletrônica Embarcada Automotiva


• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • a • • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • & • • • • • • • •

Editora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


• Limpador de para-brisa (em inglês é chamado de front wiper ou
windshield wiper): os três tipos principais de limpadores de para-brisa
~
sao:

- Palheta única: como o próprio nome diz, uma única palheta é


utilizada para a limpeza, sendo normalmente instalada no eixo
central do vidro dianteiro. O veículo Fiat Uno utiliza esse conceito
de limpador dianteiro.
I

J
,..,, J

\ , ✓
J
I
I
l
'
Figura 7.3 - Limpador de palheta única.

- Duas palhetas com movimento convencional: é o sistema mais


comum entre os diversos veículos existentes. Dois braços, com
uma palheta cada, realizam o trabalho de limpeza girando ambas
no mesmo sentido, horário ou anti-horário. Como exemplo de
veículos que utilizam esse conceito temos o Chevrolet Corsa, Fiat
Palio e Ford Fiesta.

I
,, ,,, I
, ,,,
I I
I I
I J

Figura 7.4 - Limpador convencional (duas palhetas).

- Duas palhetas com movimento butterfly. esse sistema trabalha com


duas
,
palhetas, girando em sentidos contrários, para fora do vidro.
E o sistema mais complexo e mais caro, utilizado somente quando
os dois sistemas anteriores não são capazes de atender aos
requisitos legais. Como exemplos de veículos que uti Iizam esse
sistema destacamos o Chevrolet Zafira e o Mercedes Classe A.

.... . ' ,,
,,,,,
... .t
\ I
\ I

Figura 7.5 - Limpador butterfly (movimentos opostos).

Sistemas de Limpeza dos Vidros 87


• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

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• Limpador do vidro vigia traseiro (em inglês é chamado de rear wiper):
esse sistema é utilizado em veículos hatch-back, pois o ângulo do vidro
traseiro não facilita a sua autolimpeza durante a movimentação do
veículo. Em alguns mercados, como, por exemplo, no Japão, é
obrigatória a utilização do limpador traseiro mesmo em veículos sedan
(ou notch-back). Apesar de não ser obrigatório no Brasi 1, quando esse
sistema é instalado no veículo, o seu funcionamento, especificamente a
área de varredura, deve atender alguns critérios descritos na legislação.
O sistema consiste basicamente em um motor elétrico, com um braço e
uma palheta.

7.3 Lavador dos vidros


O sistema lavador dos vidros é um dos mais simples do veículo. Consiste
em um reservatório de água, com capacidade variável de um veículo para o
outro (geral mente comporta de 1,51 a 3 ,51 de água), alguns metros de man-
gueira, os esguichos e a bomba elétrica.

Alguns sistemas trabalham com um, dois ou três esguichos, quantidade


diretamente relacionada à funcionalidade do sistema e ao design do veículo.
Existem também dois tipos de esguichos, os simples e os do tipo spray.

Alguns sistemas lavadores carregam ainda algumas válvulas de retenção


de água, para que sempre exista líquido no circuito das mangueiras. Sistemas de
veículos de luxo contam ainda com um sensor do nível de água, que indica ao
computador de bordo o momento de reabastecer o reservatório.

O formato do reservatório varia conforme o veículo. As Figuras 7.6 a 7.11


apresentam alguns exemplos de formatos possíveis de reservatórios e seus
respectivos volumes. A Figura 7.12 exibe os componentes montados sobre um
reservatório hipotético.

88 Eletrônica Embarcada Automotiva


• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • a • • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • & • • • • • • • •

Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


Figura 7.6 - Reservatório de 2,31. Figura 7. 7 - Reservatório de 3,31.

Figura 7.8 - Reservatório de 3,31. Figura 7.9 - Reservatório de 2,21.

Figura 7.1O- Reservatório de 2,21. Figura 7.11 - Reservatório de 2,61.

Sistemas de Limpeza dos Vidros 89


• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

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Tampa
~

Sensor ,de nível

Bombael~

Figura 7.12 - Componentes de um reservatório.

7.4 Sensor de chuva


Também conhecido como rain sensor, é instalado no próprio para-brisa e
equipa a grande maioria dos veículos de luxo, aumentando a sensação de
conforto do motorista.

Trabalhando em conjunto com a alavanca do limpador, ele aciona


automaticamente as palhetas dianteiras quando uma certa quantidade de água
sobre o para-brisa é detectada por ele.

Seu funcionamento é simples, baseado em princípios de concentração e


dispersão de luz sobre uma fotocélula, conectada a uma pequena central
eletrônica de controle. A Figura 7.13 mostra o local onde, geralmente, um
sensor de chuva é instalado; na região do espelho retrovisor.
-•

Figura 7.13 - Instalação de um sensor de chuva.

90 Eletrônica Embarcada Automotiva


• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • a • • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • & • • • • • • • •

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7.5 Comentários finais
Apesar de aparentemente simples, o sistema de limpeza dos vidros
emprega diversos conceitos mecânicos, elétricos e de aparência. Como mencio-
nado no início do capítulo, o ideal é que esse sistema não seja permanen-
temente percebido pelo motorista. Se isso acontecer, significa, certamente, que
o sistema não opera como deveria.

7.6 Exercícios propostos


1) Como mencionado neste capítulo, a concepção e o desenvolvimento de um
sistema limpador e lavador de vidros devem garantir, além da correta fun-
cionalidade e durabilidade, o atendimento à legislação. Comente de forma
resumida esses três itens.

2) Quais são os tipos mais encontrados de sistemas limpadores de vidro


dianteiro? Explique cada um deles.

3) Faça um levantamento, utilizando a Internet, dos sistemas limpadores do


vidro dianteiro utilizados atualmente. Escolha dois ou três veículos dos
vários existentes e compare-os. A tabela a seguir pode ser utilizada como
ponto de partida.

Segmento Veículo Tipo de sistema Comentários adicionais

4) Descreva, sucintamente, os elementos de um sistema lavador de vidros.

5) Faça um levantamento, utilizando a Internet, de alguns veículos que


utilizam atualmente sensores de chuva. Escolha dois ou três veículos dos
vários segmentos existentes. A tabela a seguir pode ser utilizada como
ponto de partida.

Segmento Veículo Local de instalação do sensor Comentários adicionais

Sistemas de Limpeza dos Vidros 91


• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

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6) Em grupo, discuta o que deve constar na especificação técnica de um
sensor de chuva. Pense nas variáveis elétricas, eletrônicas e mecânicas
envolvidas. A aparência dessa peça também deve ser considerada. O
resultado da discussão deve ser uma lista com as variáveis identificadas
pelo grupo, uma breve descrição de cada variável e a razão pela qual o
grupo entendeu como importante cada variável.

92 Eletrônica Embarcada Automotiva


• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • a • • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • & • • • • • • • •

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etrônicos

8.1 Introdução
Os módu los eletrônicos são os dispositivos responsáveis pela leitura das
entradas, acionamento das saídas e pelo gerenciamento do funcionamento dos
protocolos de comunicação utilizados nos veícu los.

Um módu lo eletrônico automotivo é como um computador. Possui


internamente uma placa de circuito impresso com um m icroprocessador ou
microcontrolador e um programa gravado em uma memória. Em função do
estado das entradas conectadas ao módu lo, o software decide o que rea lizar
com as saídas.

Existem vários tipos de módulos de contro le, basicamente diferenciados


pelas funções realizadas e pe las suas características técnicas, especialmente em
relação ao hardware.

8.2 Conceituação técnico


A Figura 8.1 mostra o diagrama de b locos de um módu lo eletrônico
genérico. Vamos entender cada uma de suas partes:

• uP / uC = microprocessador ou microcontrolador: é o cérebro do


módulo eletrônico, responsáve l pela execução dos programas e pelo
processamento e controle das atividades do módu lo.

• Mem = memória: armazena o programa do módu lo eletrônico. No


geral, é do tipo PROM ou Flash. O primei ro caso é caracterizado por
programa já gravado do fornecedor e não pode mais ser alterado
(processo conhecido como mascaramento). O segundo caso é carac-

Módulos Eletrônicos 93
• • ~ • • • • • • • • • 1111 • • • • • • • • • 1111 • • • • • a • • • ,• • • • • • •- • • • ,• • • • • • • • • • • • • • • • • .• • • • • • • • • • • • • ,

Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexand re de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


terizado por permitir a troca do programa do módu lo a qualquer
momento, procedimento comumente util izado em algumas aplicações
ou em situações especiais, que necessitam da atualização da versão do
programa.

• Controller Area Network (CAN) 1: porta #1 de comun icação de dados


via protocolo CAN Bus.

• Controller Area Network (CAN 2): porta #2 de comun icação de dados


via protocolo CAN Bus.

• Local lnterconnect Network (LIN): porta de comun icação de dados via


protocolo LIN Bus.

• Serial Data Interface (SDI): porta de comun icação de dados v ia


protocolo proprietário.

• Entradas: porta de entrada dos sinais digitais e/ou analógicos medidos


pe los transdutores (sensores).

• Saídas: porta de saída dos sinais digitais e/ou analógicos controlados


pe lo módulo eletrônico.

CAN
1
. •
• .. Mem
CAN
2 • ..
uP/uC

ILIN •------•

SDI • •------•
t !
1 Entradas 1 1 Saídas 1

Figura 8.1 - Diagrama de blocos de um módulo eletrônico.

No capítulo 19 estudaremos com detalhes os protocolos de comun icação.


Por enquanto, passemos di retamente aos detalhes relativos às entradas e saídas
de um módulo e letrônico.

94 Eletrônica Embarcada Automotiva


• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • a • • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • & • • • • • • • •

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8.2.1 Entrados
As entradas podem ser digitais ou analógicas.

• As entradas digitais são capazes de capturar informações em dois


11 11 11 11
estados: 0 e 1 • Estes são valores lógicos que podem ser traduzidos
em O volt e 5 volts ou O volt e 12 volts (caso mais comum nos
automóveis).

• As entradas analógicas são capazes de capturar informações que


variam infinitamente entre dois valores, O vo lt e 5 vo lts ou O volt e 12
volts (situação mais comum nos automóveis).

Além disso, no caso das entradas digitais, temos ainda a possibilidade de


serem ou não supervisionadas. Nesse caso, a entrada deve ser conectada a uma
porta analógica do microcontro lador e ter um resistor (rsw) conectado em
paralelo.

Vejamos cada um dos casos, observando alguns exemplos de sistemas de


entrada. Em cada figura, o quadrado tracejado à esquerda representa o
transdutor de entrada, enquanto o quadrado à d ireita representa o circu ito
interno de tratamento no módu lo eletrônico.

----------------------~~

1-- - -- - - - - - - --
1 '
uC ,-..__1.JC
1

1
'
'
1
: 1nterruptor
'
: ·-
l1________________________ _
1 1 1
1
1
1
1
._ ------ -- -- --· '
' 1
L _____________________ _ ..._

Figura 8.2 - Acionamento por terra. Figura 8.3 - Acionamento por sinal positivo.

--- -- -- __ ______ -- -- ----


1
....,

1
Vcc
No caso das entradas analó- 1
1
1

gicas, como as variações de tensão é 1

que são medidas, temos norma lmente ,,_


1
1
-- -- - - - -- --. 1
1
1
1
1
R1 D1 analógica
uc

a conexão de sistemas cuja res istência 1


1
1
1
1
1 R:2
elétrica é variáve l. Nos exemplos se- : 1nterr. Rsw : 1
R3
1
1
1
1
1
D2
1 1
guintes mostramos duas possibilidades 1
1
~------------
1
1
1
L ______________________ _

de conexão de uma entrada analógica.


Figura 8.4 - Entrada supervisionada.

Módulos Eletrônicos 95
• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

Editora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


,------------- ----- ----------1
V cc
----------- ---- -- , 1
1 1 R1 R,
R,1 R,2 R,3 Ri4
1 1
, 1
D1 1- .......... - - ............. - ............. ,
1 1
o, 1
1 1 1 1
1
1 1
1 1 R2 uC 1
1 uC 1
1

1 1 1
S3 S2 S1 1 1
R3 D2 ana lógica Potenciómetro : o2 -+-- analógica :
1
1
1
1 e 1
1 1
1 1
Sensor GND, :---------------J
Sensor GND 1 1L _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ J1
~------------------------------------------ 1

Figura 8.5 - Rede ou escada de resistores. Figura 8.6 - Potenciômetro.

8.2.2 Saídos
As saídas também podem ser digitais ou analógicas.
As saídas digitais são capazes de ligar ou desligar um dispositivo, que
pode ser uma lâmpada, uma sirene, um relé, uma válvula ou até mesmo um
motor elétrico. As saídas digitais podem ainda ser divididas em dois grupos: Low
Side Driver (LSD) e High Side Driver (HSD). Vejamos um exemplo de cada uma
dei as:

••

Driver Interno

LSD
~

1)1100
~

uC .• Relé

--

Figura 8.7 - Exemplo de saída LSD.

HSD

Vcc
'

uC •' )•---®,___--,11 1

Lâmpada
o,iver lrilerno
e

- -
Figura 8.8 - Exemplo de saída HSD.

96 Eletrônica Embarcada Automotiva


A • • i9 • • • • • • • _. • A • • a • • • • • • • • • • • • • _. • • • • • • Ili • • • • • • • • • •
L A • - • • •l I • • • • a • • • • LA a • a • • • A _.

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As saídas analógicas são capazes de variar a forma de atuação sobre os
dispositivos a elas ligados. Enquanto uma lâmpada conectada a uma saída
digital só pode ser totalmente desligada ou totalmente ligada, se conectada a
uma saída analógica ela pode acender em infinitas condições intermediárias.
Vejamos um exemplo de saída analógica:
r---- - --------------------------------~ ~- - - - -------------- ,
: V cc
: Vcc
1
1
1
R
Lâmpada

------ - -- ------ -- --
1

uC
analóg ico

1
1

L-------------------------------------
Figura 8.9 - Exemplo de saída analógica.

Outro ponto importante a ser destacado é que as saídas, tanto digitais


quanto analógicas, podem ser protegidas ou não protegidas.
As protegidas são supervisionadas ou monitoradas pelo microcontrolador
e, caso algo errado ocorra, como um curto-circuito ou sobrecarga, elas são
desligadas, evitando a queima do módulo.
Já as não protegidas não são supervisionadas ou monitoradas e, em
condições extremas, podem levar à queima do módulo.
Então, por que não proteger todas as saídas? A resposta é: em razão do
alto custo. Uma saída protegida pode custar até três vezes mais que uma não
protegida. Vejamos os diagramas que exemplificam cada um dos casos:
r--------- - --------

Carga

Diag nóstico
da sa ída Circu ito de
...__r---- proteção
~------------------

-------------------------------------

Figura 8.1O- Exemplo de saída protegida.

Módulos Eletrônicos 97
• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexand re de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


------------------------------------- ------------------- 1
: Carga
l
1
1
l
l
1
1
l
l
1
1

1 -------------------
•1
1
1
-- 1
1
1
1
1
1

Figura 8.11 - Exemplo de saída não protegida.

Para saber como ficaria um módulo eletrônico completo, com entradas,


saídas e portas de comunicação, observe o exemplo da Figura 8.12.

e
CA N
Tranceive r

DIG lN

d Este módulo possui:


• Seis entradas digitais (a)

AN IN LSO
• Uma entrada analógica (b)
b • Sete saídas HSD (e)
• Cinco saídas LSD (d)
• Uma porta CAN Bus (e)
• Uma porta SDI proprietária (D

HSD

$ D1

Figura 8.12 - Exemplo de módulo eletrônico.

98 Eletrônica Embarcada Automotiva


• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • a • • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • & • • • • • • • •

Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexand re de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


Mu itas vezes, buscando fac ilitar o projeto ou mesmo por falta de espaço
para a instalação de alguns relés, uti liza-se parte do espaço dos módu los
eletrônicos para a acomodação de alguns deles, como mostra a Figura 8.13.

1 1

- g

e
CAN
Tranceiver ,,f'
1

-
g
a

....
Este módulo possui:
-- g
DIG IN • Seis entradas digitais (a)
d • Uma entrada analógica (b)
• Sete saídas HSD (c)
• Cinco saídas LSD (d)
AN IN LSD
~lC • Uma porta CAN Bus (e)
b
• Uma porta SDI proprietária (f)
• Três relés incorporados (g)

HSD
-(

SOi

Figura 8.13 - Módulo com relés incorporados.

A Figura 8.14 exibe a il ustração do que seria a placa de circu ito impresso
(PCI) e seus componentes em um módu lo eletrôn ico automotivo.

Módulos Eletrônicos 99
• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

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•·····~ Relés
Conector ••···

Drivers
····• HSD

Memória
••
T ..,
.....•.
-.... : ~

Microcontrolador
• ••
••
,

(uC) t Tranceiver
CAN Bus

Figura 8.14 - Exemplo de PCI e seus componentes.

8.2.3 Software
O software também é muito importante; fundamental no func ionamento
de um módu lo eletrônico. Em uma aplicação automotiva ele é dividido em até
" partes:
tres

• Firmware: parce la do software que contém as rotinas fundamentais a


serem executadas (o algoritmo de funcionamento). Gravado pe lo
fornecedor do módu lo.

• Calibração básica: parcela que contém valores específicos a cada


ap licação daquele módulo. Por exemplo, um módu lo de controle do
motor (ECM - Engine Contrai Module) pode ter o mesmo firmware para
as aplicações 1.8L e 2.0L, entretanto com valores de cali bração
diferentes. Gravado pela montadora de veícu los no fina l da li nha de
montagem.

• Parâmetros programáveis: compreendem alguns bits que podem ser


setados (acionados) ou resetados (desligados) por dispositivos próprios
para programação e possibilitam, por exemplo, a alteração do funcio-
namento das travas elétricas. Gravados pela montadora de veículos no
fina l da linha de montagem ou, eventualmente, nas concessionárias.

100 Eletrônica Embarcada Automotiva


A • • i9 • • • • • • • _. • ll • • a • • • • • • • • • • • • • _. • • • • • • Ili • • • • • • • • • L • ll • - • • Ili • • • • a • • • • IA • • a • • • • _.

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8.2.4 Aplicações
Agora que já sabemos o que pode existir dentro dos módulos eletrônicos,
falemos um pouco sobre as suas possíveis aplicações. No setor automotivo, é
muito comum a utilização de siglas como forma de identificação dos diversos
sistemas e tipos de módulos de controle existentes. Seguem alguns exemplos:

• Electronic Contrai Unit (ECU): Unidade Eletrônica de Controle,


representa qualquer tipo de módulo eletrônico.

• Vehicle Contrai Unit (VCU): Unidade de Controle do Veículo, similar


à ECU.
• Multitimer (MT): é o módulo de controle mais simples que existe,
geralmente responsável pelas temporizações em um veículo (setas,
pisca-alerta e limpador intermitente do para-brisa, entre outras).

• Body Contrai Module (BCM): Módulo de Controle da Carroçaria.


Quando esta denominação é utilizada, significa que todas as funções
básicas e até mesmo algumas funções opcionais são realizadas por essa
ECU. Falaremos um pouco mais sobre as possibilidades de uma BCM a

segu ,r.

• Body Electronic Controller (BEC): Controlador Eletrônico da


Carroçaria, similar ao BCM.
,,
• Front Zone Module (FZM): Módulo da Area Frontal, geralmente
utilizado quando se decide separar as funções do BCM em vários
módulos.
,,
• Rear Zone Module (RZM): Módulo da Area Traseira, similar ao FZM.
• Door Zone Module (DZM): Módulo de Porta, similar ao FZM.
• Column lntegration Module (CIM): Módulo de Integração da Coluna,
similar ao FZM.

• Engine Contrai Module (ECM): Módulo de Controle do Motor, como o


próprio nome diz, controla todas as funções do motor do veículo.

• Transmission Contrai Module (TCM): Módulo de Controle da


Transmissão, controla as funções da transmissão.

• Powertrain Contrai Module (PCM): Módulo de Controle do Motor e


Transmissão, módulo que controla o conjunto motor+ transmissão.

Módulos Eletrônicos 101


• • ~ • • • • • • • • • 1111 • • • • • • • • • 1111 • • • • • a • • • ,• • • • • • •- • • • ,• • • • • • • • • • • • • • • • • .• • • • • • • • • • • • • ,

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• Telematics Contrai Unit (TCU): Unidade de Controle de Telemática,
responsável pelas funções de navegação do veículo (recepção GPS,
entre outras).

Cada uma dessas ECUs, especial mente em função das operações


realizadas, costuma ser instalada em locais específicos nos automóveis. Os
locais de instalação praticamente não variam de uma montadora de veículos
para outra.

Local de instalação no veículo Módulos eletrônicos


Compartimento do motor ECM, TCM, PCM, FZM
Compartimento dos passageiros BEC, BCM, CIM, TCU
Portas DZM
Compartimento das malas RZM

Outro ponto muito importante nas ECUs automotivas é o fato de todas


serem diagnosticáveis. Por meio de computadores pessoais e softwares próprios
ou por ferramentas de engenharia, os chamados códigos de falha podem ser
lidos e utilizados na identificação de problemas, não só das próprias ECUs,
como também de outras partes do veículo.

Como curiosidade, gostaríamos de comentar que a comunicação entre o


dispositivo que realiza o diagnóstico e o módulo eletrônico a ser diagnosticado
é realizada por um protocolo de comunicação, desenvolvido para essa
finalidade. Trataremos com detalhes o tema diagnóstico no capítulo 20.

8.3 Omódulo de controle do corroçorio


,
E o módulo que agrega a maior quantidade de funções em um veículo.
Pode tratar das responsabilidades mais básicas, como controlar os faróis e as
setas, às responsabilidades mais elaboradas, como controlar as travas elétricas e
o sistema de alarme.

Ao pensar nos protocolos de comunicação, percebemos que, geralmente,


as BECs ou BCMs têm a função de compatibilizar os níveis dos sinais de duas ou
mais redes de comunicação de dados, função denominada gateway.

Podemos ter, por exemplo, duas redes CAN Bus, cada uma trabalhando
com velocidades de transmissão diferentes, uma rede LIN Bus além de outra
rede proprietária qualquer, conectadas à mesma ECU. Além dessas redes, temos

102
A • • i9 • •
Eletrônica Embarcada Automotiva
• • • • • _. • ll • • a • • • • • • • • • • • • • _. • • • • • • Ili • • • • • • • • • •
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ainda as entradas e as saídas, digitais e analógicas, protegidas e não protegidas,
11 11
sendo gerenciadas por essa super ECU •

A Figura 8.15 apresenta uma ap licação desse tipo. A ECU 1 faz o pape l de
uma BEC ou BCM, lendo entradas, comandando saídas e interligando, como um
gateway, as duas redes de comunicação de dados (redes 1 e 2).

1
Rede 1 J
-------,--------
1

Entradas Saídas
r
1
1
1 '- - - - - -• o·1a,gnósuco
·
Rede2
--- - - - -•- - - - - - - r - - - -
1 1

ECU2 ECU3

Figura 8.15 - Exemplo de BCM e suas principais conexões.

8.4 Implementação de uma ECU


Para exempl ificar o conteúdo do c ircu ito elétrico de uma ECU real,
apresentamos o diagrama da Figura 8.16. Esse diagrama elétrico representa bem
o que mostramos neste capítu lo, especia lmente em relação à capacidade
funcional: contém uma rede CAN Bus, uma rede SDI (RS232) e dez pinos
programáveis de entradas e saídas.

Módulos Eletrônicos 103


• • ~ • • • • • • • • • 1111 • • • • • • • • • 1111 • • • • • a • • • ,• • • • • • •- • • • ,• • • • • • • • • • • • • • • • • .• • • • • • • • • • • • • ,

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- •-

Lv.w.J
Figura 8.16 - Circuito elétrico de uma ECU real.

Com esse hardware montado e algumas rotinas de software escritas em C,



gravadas na memória da placa, obtemos uma verdadeira ECU. A imagem
seguinte descreve o resultado fina 1.

Microcontrolador

8-arra de EIS --1t•;


~ - RAM

Transoeiver
CAN

Transceiver ta:·-i-- EPROM


RS232

Conector Terminador
CAN 1

Conector
RS232

Figura 8.17 - ECU real após sua montagem.

104 Eletrônica Embarcada Automotiva


• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • a • • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • & • • • • • • • •

Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


8.5 Comentários finais
Este capítulo permitiu a comprovação da complexidade de um módulo
eletrônico. São diversos componentes eletrônicos envolvidos e muitos conceitos
de elétrica e eletrônica aplicados ao seu desenvolvimento.

Após ler tantas informações sobre as ECUs automotivas, suas caracte-


rísticas técnicas e aplicações, você deve estar questionando: será que só um
veículo de luxo utiliza tal tecnologia? A resposta é não. Dos veículos mais
simples aos mais complexos e caros, os módulos eletrônicos são utilizados, com
maior ou menor intensidade, mas sempre estão presentes. Como curiosidade,
vale mencionar que, além dos automóveis, as motos, os tratores, os aviões e até
mesmo os navios utilizam sistemas como estes apresentados.

8.6 Exercícios propostos


1) Desenhe o diagrama de blocos básico de um módulo eletrônico e explique
sucintamente cada uma de suas partes.

2) Comente um pouco as entradas de um módulo eletrônico. Cite três


exemplos e mencione, do seu ponto de vista, duas possíveis aplicações para
cada exemplo citado. Para a sua referência, uma "entrada digital com
acionamento por terra" pode ser utilizada na leitura do interruptor
localizado na tampa traseira (sinal empregado no acendimento da lâmpada
do porta-malas).

3) Faça um comentário sobre as saídas de um módulo eletrônico. Cite três


exemplos e mencione, do seu ponto de vista, duas possíveis aplicações para
cada exemplo.

4) Como é dividido o software de um componente automotivo? Comente cada


uma das partes.

5) Cite cinco módulos eletrônicos existentes e os seus respectivos locais de


instalação em um veículo.

6) Cite as principais características de um módulo de controle de carroçaria.

7) Qual a função de um gateway no sistema eletrônico de um veículo?

Módulos Eletrônicos 105


• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

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8) Pesquise a descrição técnica de cada componente utilizado no diagrama
elétrico apresentado na Figura 8.16. Se você for utilizar a Internet,
considere como possíveis expressões os seguintes textos (substitua o termo
nome do componente pelo código do componente pesquisado):
11 11
• data sheet AN D nome do componente
11 11
• data book AN D nome do componente

9) Identifique através de pesquisa um veículo que utilize um dos módulos


. ;
eletrônicos apresentados neste capítulo. Procure obter dados tecn1cos
como:

• Funções realizadas

• Local de instalação

• Quantidade de entradas e saídas

• Protocolos de comunicação disponíveis

• Código do microcontrolador utilizado

• Tamanho da memória utilizada

106 Eletrônica Embarcada Automotiva


A • • i9 • • • • • • • _. • ll • • a • • • • • • • • • • • • • _. • • • • • • Ili • • • • • • • • • •
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istemo rio étrico

9.1 Introdução
O sistema trio elétrico é um conjunto formado pelos opcionais alarme,
travas elétricas e levantador elétrico dos vidros, e tem como objetivo principal
aumentar o conforto do motorista e dos passageiros.

A procura por esse opcional é intensa. Em geral, deseja-se o alarme por


uma questão de segurança do veículo e dos objetos deixados dentro dele, as
travas elétricas são procuradas para facilitar a abertura e o fechamento das
portas e os levantadores elétricos dos vidros por questão de conforto e
comodidade.

A Figura 9.1 mostra como tem se comportado a maioria dos segmentos de


automóveis no Brasil. Percebemos uma grande procura por modelos equipados
com o trio elétrico.

Se analisarmos outros países, como, por exemplo, os europeus, percebe-


mos um comportamento diferente dos consumidores. O alarme praticamente
não é solicitado na compra de um veículo, isso em razão dos baixos índices de
furto na região. Apesar de sempre solicitarem as travas elétricas, pela questão do
conforto, os europeus costumam comprar seus veículos com vidros elétricos
somente nas portas dianteiras. Nas portas traseiras, normalmente, o sistema
mecânico/manual é o mais utilizado.

Sistema Trio Elétrico 107


• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


Veiculo básico Ve ículo equipado Veículo completo
~ 15% - 35º/o ~ ,60%- 80% ~5%

.
1 . . .

• 1mobilizador de motor • Alarme • Airbag


• Travas e1étricas 1
•ABS
• Vidros elétricos • Sistema de som
• Direção hidráulica
• Ar-condicionado

Figura 9.1 - Comportamento médio do mercado.

No setor automotivo, especificamente na engenharia de produtos das


montadoras de veícu los, cada sistema integrante do conjunto trio elétrico tem
uma sig la que o identifica:

• ATWS = anti theft warning system - sistema de alarme antifurto


• CDL = central doar locking- central de travas
• PWL = power window lifter- levantador elétrico dos vidros

9.2 Sistema de olorme


A função desse sistema é proteger o veícu lo e seu interior contra furtos.
Nesse sentido, vários sensores são utilizados para monitorar as regiões por onde
uma pessoa pode acessar o veículo. As partes monitoradas, os sensores
normalmente utilizados e os locais onde costumam ser instalados nos veículos
são mencionados a segu ir:

• Porta do motorista: uti liza-se norma lmente um interruptor, instalado na


reg ião da dobradiça da porta, conhecida como co luna A - lado
esquerdo.

• Porta do passageiro dianteiro: um interruptor, instalado na região da


dobradiça da porta, coluna A - lado direito.

• Portas dos passageiros traseiros: interruptores instalados na região


das dobradiças das portas, coluna B - lado direito e coluna B - lado
esquerdo.

108 Eletrônica Embarcada Automotiva


• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • a • • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • & • • • • • • • •

Editora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


• Tampa do porta-malas: interruptor instalado na própria tampa do
porta-malas.

• Capô (compartimento do motor): possui um interruptor colocado


geralmente sobre a torre do amortecedor ou próximo ao painel que
separa o compartimento do motor do compartimento dos passageiros.

• Vidro traseiro ou vigia: utiliza-se o sistema desembaçador do vidro


como um sensor de quebra de v idro.

• Vidros laterais e dianteiro (para-brisa): usa-se um sensor u ltrassôn ico


instalado no teto do veícu lo, na região da luz de leitura dianteira. Esse
sensor monitora se algo ou alguém invadiu o veículo, após uma
eventual quebra dos vidros laterais ou do diante iro, por exemplo.

Os sinais dos interruptores e dos sensores são lidos por um módu lo


eletrônico que processa tais informações e determina se o alarme sonoro do
veícu lo deve ou não ser disparado.

Vejamos na Figura 9.2 um exemplo de sistema de alarme com todos os


seus componentes. Perceba que todos estão conectados à peça 1O. Essa peça é
o módulo e letrônico de controle, cérebro do sistema. A Tabela 9.1 relaciona
cada um dos componentes apresentados na Figura 9.2.

2 3

11 --_____;~-----t ~ •
Farol 7 Lanterna
10

9 8
5
6
l~ ---------4•
Farol Lanterna
- t-----'----~ - - . - - - - - - - . - - - - - . . . . . . . _ ----=~- ~[- •J

1 4

11

Figura 9.2 - Sistema de alarme.

Sistema Trio Elétrico 109


• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexand re de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


As Figuras 9.3 e 9.4 mostram dois exemplos de módulos de alarme
automotivos. Um deles está equipado com alguns fusíveis de proteção sobre a
sua própria estrutura. O outro, em contrapartida, deve ser protegido por fusíveis
localizados na caixa de fusíveis do veículo.

Número Componente
1 Interruptor da coluna A - Porta do motorista
2 Interruptor da coluna A - Porta do passageiro dianteiro
3 Interruptor da coluna B - Porta do passageiro traseiro do lado direito
4 Interruptor da coluna B - Porta do passageiro traseiro do lado esquerdo
5 Interruptor do capô - Compartimento do motor
6 Interruptor do porta-malas - Tampa traseira
7 Buzina ou sirene de aviso sonoro
8 Sensor de quebra do vidro traseiro
9 Sensor ultrassônico (USM - ultra sound module)
10 Módulo eletrônico de controle do alarme (ou módulo do alarme)
11 Controle remoto da chave (RF-sender ou RF-transmitter)

Tabela 9.1 - Componentes do sistema de alarme.

Figura 9.3 - Módulo com fusíveis integrados. Figura 9.4 - Módulo sem fusíveis integrados.
(Fonte: www.hella-press.com) (Fonte: www.hella-press.com)

Relembrando, um módulo eletrônico funciona como um computador, que


lê e processa entradas e comanda saídas em função de um programa interna-
mente gravado. O programa que controla um sistema de alarme está preparado

11 O Eletrônica Embarcada Automotiva


• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • a • • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • & • • • • • • • •

Editora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


,
para lidar com todas as possibilidades desse sistema. E um programa dedicado a
essa aplicação.

A Figura 9.5 mostra um kit básico de alarme contendo um módulo


eletrônico, uma sirene, dois controles remotos e uma certa quantidade de
chicote elétrico para viabilizar a instalação do kit no veículo.

-
Figura 9.5 - Exemplo de kit de alarme. (Fonte: www.a1electric.com)

A Figura 9.6 mostra um exemplo de sensor ultrassônico. Nesse caso, as


luzes de leitura foram incorporadas ao sensor, formando um conjunto que pode
ser montado na parte frontal do teto. As duas regiões em preto são as cápsulas
de transmissão e recepção de ondas ultrassônicas.

Figura 9.6 - Sensor ultrassônico.

Sistema Trio Elétrico 111


• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

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9.3 Sistema de trovas elétricos
Módulos eletromecânicos formados por pequenos motores elétricos e
algumas engrenagens são instalados nas portas do veículo, e são responsáveis
pelo destravamento, travamento e, eventualmente, pelo travamento mecânico
(deadlock) das portas. Vejamos os termos utilizados para descrever esse sistema:
• Destravar - unlock: significa liberar mecanicamente as portas para que
elas possam ser efetivamente abertas com uso das maçanetas internas
ou externas.

• Travar - lock: significa travar as portas, impedindo a abertura pelas


maçanetas externas. As maçanetas internas podem ser utilizadas em
condições específicas, variáveis conforme o veículo.

• Travamento mecânico - deadlock ou deadbolt: representa uma prote-


ção adicional ao veículo e ao seu interior. Com o deadlock acionado,
as portas não podem ser abertas pelas maçanetas externas nem
internas. Esse sistema está relacionado à segurança do veículo e não ao
conforto propriamente dito. Além disso, não é encontrado em todos os
sistemas de travas elétricas disponíveis no mercado.

Vejamos na Figura 9.7 um exemplo de fechadura, com seu pequeno


motor elétrico e algumas engrenagens.

Motor elétri,co

En1grenagens

Figura 9.7 - Exemplo de fechadura elétrica.

Nas Figuras 9.8 e 9.9 encontramos os diagramas eletromecânicos de


alguns tipos de fechaduras. A diferença entre os dois diagramas é que a peça

112 Eletrônica Embarcada Automotiva


• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • a • • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • & • • • • • • • •

Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


utilizada na porta do motorista tem um microswitch adicional, relacionado ao
cilindro de chave existente nessa porta. Ambos os exemplos consideram dois
motores elétricos, um para travar e destravar as fechaduras e outro para realizar
a função deadlock. Vale reforçar que os microswitches mostrados nestas figuras
estão mecanicamente conectados aos motores elétricos L/ U e DL (Lock/Unlock
e DeadIock).

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Lock Deadlock Key
Cylinder

Figura 9.8 - Exemplo de diagrama elétrico - porta do motorista.

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SW ,
Lock Dead lock

Figura 9.9 - Exemplo de diagrama elétrico - portas dos passageiros.

O responsável pelo controle das fechaduras elétricas é o módulo de


travas, representado pelo componente 14 na Figura 9.1 O, que apresenta os
principais componentes e ligações do sistema de travas elétricas. A Tabela 9.2
relaciona cada um dos componentes apresentados nesse sistema.

Sistema Trio Elétrico 113


• • ~ • • • • • • • • • 1111 • • • • • • • • • 1111 • • • • • a • • • ,• • • • • • •- • • • ,• • • • • • • • • • • • • • • • • .• • • • • • • • • • • • • ,

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6 7

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4
5 8

15

Figura 9.1 O- Sistema de travas elétricas.

Número Componente
1 Interruptor de coluna - Porta do motorista
2 Interruptor de coluna - Porta do passageiro dianteiro
3 Interruptor de coluna - Porta do passageiro traseiro do lado direito
4 Interruptor de coluna - Porta do passageiro traseiro do lado esquerdo
5 Fechadura da porta do motorista (latch)
6 Fechadura da porta do passageiro dianteiro (/atch)
7 Fechadura da porta do passageiro traseiro do lado direito (latch)
8 Fechadura da porta do passageiro traseiro do lado esquerdo (/atch)
9 Atuador da portinhola de combustível
10 Atuador da tampa traseira
11 Atuador de destranca do porta-malas
12 Interruptor trava/destrava portas (comfort switch)
13 Interruptor de destranca do porta-malas (lid / trunk release switch)
14 Módulo eletrônico de controle das travas (ou módulo de travas)
15 Controle remoto da chave (RF-senderou RF-transmitter)

Tabela 9.2 - Componentes do sistema de travas elétricas.

114 Eletrônica Embarcada Automotiva


• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • a • • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • & • • • • • • • •

Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


Perceba que, além das fechaduras das portas, há outros três atuadores no
sistema:

• Atuador da portinhola de combustível: controla o acesso ao bocal de


abastecimento de combustível.

• Atuador da tampa traseira: controla o acesso ao porta-malas.

• Atuador de destranca do porta-malas: efetua o destrancamento da


tampa traseira mediante um comando interno do motorista pelo
interruptor de destranca do porta-malas ou por um comando via
controle remoto da chave.

A Figura 9.11 mostra os componentes de um sistema de destranca do


porta-malas. A Figura 9.12 mostra um kit básico de travas elétricas contendo um
módulo eletrônico, quatro atuadores, dois controles remotos, alguns liames,
placas metálicas e uma certa quantidade de chicote elétrico. A Figura 9.13
apresenta alguns exemplos de controles remotos (ou RF-sender), destacando as
pequenas placas de circuito impresso (PCB).

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Figura 9.11 - Peças de um sistema de destranca do Figura 9.12 - Sistema de travas elétricas - kit básico.
porta-malas. (Fonte: www.a1electric.com) (Fonte: www.a1electric.com)

Figura 9.13 - Exemplos de controles remotos. (Fonte:www.a1electric.com)

Sistema Trio Elétrico 115


• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

Editora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


A funcionalidade descrita pode ser facilmente encontrada em boa parte
dos sistemas de travas elétricas comercializados atualmente, entretanto alguns
,
sistemas procuram ir um pouco adiante no quesito segurança do ocupante. E o
caso dos sistemas que contam com um sensor de co lisão (crash sensor), que
detecta o momento de uma co lisão e o informa ao módulo eletrônico de
controle que, imediatamente, comanda o destravamento das portas, facilitando
a saída ou a remoção de eventuais vítimas.

Em outros casos, alguns sistemas procuram aumentar ainda mais a como-


didade ao dirigir. Como exemplo destacamos os sistemas que travam as portas
automaticamente, por tempo ou em função de uma determinada velocidade do
veículo.

9.3.1 Relação entre os sistemas de alarme e travas elétricas


Dificilmente vamos encontrar essas funções separadas, controladas por
módulos independentes. Normalmente, um único módulo de controle recebe
todos os sinais necessários e aciona as saídas relativas a cada sistema. A Figura
9.14 mostra a relação de entradas e saídas dos sistemas de alarme e travas e os
componentes utilizados em cada ligação.

Entradas Saídas

Interruptor porta motorista -ô""'Õ- ~ e:{>. 0 Buzina do alarme


Interruptor porta traseira lado direito .o,/Õ. e:;> ~ % Lâmpadas de seta
Interruptor porta traseira lado esquerdo o/Ó. c::t> e:{>, -@- Atuadores das portas (fechaduras elétrtcas)
Interruptor porta traseira lado direito -ô""'Ó- ~ c:::t:> -@- Atuador trava da tampa traseira (porta-malas)
Interruptor do capô -0-'Ó- c::t> c::t> -@- Atuador destranca porta-malas
Interruptor do porta-malas .o,/Ó. e:;> e:;> @- Atuador trava da portinhola de combustível
Sensor de quebra de vidro traseiro -o-"é> c::t>
Interruptor destranca porta-malas -o--1>-c:p.
Interruptor trava/destrava portas -0..-'Ó-~ Legenda:

.,o-/4. Interruptor
Sensor ultrassônico -@- Lâmpada
(por LIN bus, CAN bus, por exemplo)
-0- Bob·ina etétrica
Controle Remoto da Chave - RF Sender .nn. c::t> -@- Motor elétrico
(Radiofrequência - Wireless) ·
JUl. LIN bus ou CAN bus
.Jl.íl. RF (wireless)
Módulo de· controle
trava e alarme

Figura 9.14 - Entradas e saídas dos sistemas de alarme e travas elétricas.

116
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Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


9.4 Sistema levantador elétrico dos vidros
Sistemas eletromecânicos formados por motores elétricos e algumas
alavancas e/ou cabos de aço são instalados nas portas do veículo, ficando
responsáveis pela abertura ou pelo fechamento dos vidros. São as chamadas
máquinas de vidro elétrico. Vejamos as funções desempenhadas por alguns
sistemas atualmente comercializados e os termos utilizados para descrevê-las.

• Fechamento automático - comfort closing: função que fecha todas as


janelas no momento em que o veículo é travado. Ele requer as travas
elétricas para operar.

• Subida e descida expressas - express up and express down: possibilitam


a subida e a descida das janelas com apenas um toque no interruptor
de comando.

• Proteção antiesmagamento - pitch protection: reverte o sentido do


deslocamento das janelas quando elas forem fechadas e algo obstruir
seu caminho, como uma mão, por exemplo. Evita acidentes que
poderiam ser fatais em alguns casos.

• Alívio interno de pressão - internai pressure relief. toda vez que uma
das portas é aberta, uma das janelas também é aberta automatica-
mente, em alguns centímetros, voltando a se fechar imediatamente
após o fechamento da porta. O intuito dessa função é eliminar a
sensação de pressão nos ouvidos ao fechar as portas com todas as
janelas fechadas.

O sistema levantador dos vidros funciona basicamente com as máquinas


de vidro elétrico, os interruptores de comando do sistema e um módulo
eletrônico de controle. A Figura 9.15 ilustra um exemplo de sistema levantador
elétrico dos vidros com todos os seus componentes. Perceba que todos são
conectados à peça 13 - módulo eletrônico de controle. A Tabela 9.3 lista os
componentes principais do sistema.

Sistema Trio Elétrico 117


• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

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2 3

10 11

13

9 12

1 4

Figura 9.15 - Sistema levantador dos vidros.

Número Componente
1 Interruptor de coluna - Porta do motorista
2 Interruptor de coluna - Porta do passageiro dianteiro
3 Interruptor de coluna - Porta do passageiro traseiro do lado direito
4 Interruptor de coluna - Porta do passageiro traseiro do lado esquerdo
5 Máquina levantadora do vidro - Porta do motorista
6 Máquina levantadora do vidro - Passageiro dianteiro
7 Máquina levantadora do vidro - Passageiro traseiro do lado direito
8 Máquina levantadora do vidro - Passageiro traseiro do lado esquerdo
9 Interruptores levantadores dos vidros - Porta do motorista
10 Interruptor levantador do vidro - Passageiro dianteiro
11 Interruptor levantador do vidro - Passageiro traseiro do lado direito
12 Interruptor levantador do vidro - Passageiro traseiro do lado esquerdo
13 Módulo eletrônico de controle dos vidros (ou módulo dos vidros)

Tabela 9.3. Componentes do sistema levantador elétrico dos vidros.

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Existem dois tipos de máquinas levantadoras de vidros, sendo as baseadas
11
no "conceito tesoura" e no "conceito cabo de aço • As Figuras 9.16, 9.17 e 9.18
apresentam cada um desses conceitos, enquanto as Figuras 9.19, 9.20 e 9.21
mostram algumas imagens de peças físicas desenvolvidas, considerando cada
um dos conceitos mecânicos .

••

Figura 9.16 - Conceito Figura 9.17 - Conceito cabo Figura 9.18 - Conceito cabo
tesoura (scissors). de aço (bowden cable). de aço (goldie cable).
(Fonte: www.a1electric.com) (Fonte: www.a1electric.com) (Fonte: www.a1electric.com)

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Figura 9.19 - Conceito Figura 9.20 - Conceito cabo Figura 9.21 - Conceito cabo
tesoura (scissors) . de aço (bowden cable). de aço (goldie cable).
(Fonte: www.a1electric.com) (Fonte: www.a1electric.com) (Fonte: www.a1electric.com)

Sobre os interruptores levantadores dos vidros, também se pode separá-los


em dois grupos com conceitos mecânicos diferentes: os push-push e os push-pu/1.

• Empurra-empurra - Push-push: para subir ou descer os vidros, o


motorista ou passageiro precisa apertar os interruptores. Esse tipo de
interruptor deve ser montado em superfícies bem inclinadas. Se mon-
tado em superfícies pouco inclinadas ou paralelas ao solo, ele pode
causar acidentes, especialmente em crianças e animais, pois ambos
costumam se apoiar no interruptor de subida da janela e podem
prender parte do corpo entre a janela e o quadro da porta. Em super-
fícies bem inclinadas, essa possibilidade é extremamente minimizada.
A Figura 9.22 mostra algumas peças nesse conceito.

Sistema Trio Elétrico 119


• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

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• Empurra-puxa - Push-pu/1: para subir a j anela, o interruptor deve ser
puxado. Para descer a janela, o interruptor precisa ser pressionado.
Além de mais seguro, esse sistema é mais
,
intuitivo à operação e mais
atraente do ponto de vista do design. E, atualmente, uma tendência
mundial. A Figura 9.23 mostra algumas peças nesse conceito.

Figura 9.22 - Conceito push-push. Figura 9.23 - Conceito push-pull.


(Fonte: www.a1electric.com) (Fonte:www.a1electric.com)

9.5 Comentários finais


Apesar de explorar cada um dos sistemas de forma independente,
verificamos na prática que, geralmente, em especial no Brasi 1, eles são
montados em conjunto, no mesmo veículo. A Figura 9.24 ilustra um exemplo de
como os componentes principais desses três sistemas ficariam distribuídos pelo
veículo, cada qual ligado ao seu módulo eletrônico de controle.

0 0
• o• o
E) [::u
1 1 1 1
• 1- •1
Farol [2J D Lanterna
e )
o
o o o
• Lanterna •
Farol
B ID 1 1 1- •I

• o
0 0

Figura 9.24 - Sistema trio elétrico completo.

120 Eletrônica Embarcada Automotiva


• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • a • • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • & • • • • • • • •

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São necessários cerca de 11 30 11 componentes, considerando apenas os
principais, à operação dos três opcionais. Agora pense nos demais sistemas do
seu automóvel. Consegue imaginar quantas peças eletrônicas, elétricas e
eletromecânicas são necessárias para fazê-lo funcionar?

9.6 Exercícios propostos


1) Quais são as três funções que formam o sistema trio elétrico?

2) Descreva o sistema de alarme, considerando as partes do veículo por ele


monitoradas.

3) Considerando um sistema de alarme, relacione o número de cada com-


ponente destacado na figura e a respectiva descrição encontrada na tabela
seguinte.

2 3

~--
Farol 7
1 - -~ ,,-----ti,., • 1
Lanterna
10

9 8
5
6

Farol Lanterna
~ t---___.__----=-:-----,-------r--------L--------='::;..__-----il ~ •I

1 4

Número Componente
Interruptor da coluna A - Porta do motorista
Interruptor do porta-malas - Tampa traseira
Interruptor da coluna A - Porta do passageiro dianteiro
Interruptor do capô - Compartimento do motor
Interruptor da coluna B - Porta do passageiro traseiro do lado esquerdo

Sistema Trio Elétrico 121


• • ~ • • • • • • • • • 1111 • • • • • • • • • 1111 • • • • • a • • • ,• • • • • • •- • • • ,• • • • • • • • • • • • • • • • • .• • • • • • • • • • • • • ,

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Número Componente
Buzina ou sirene de aviso sonoro
Sensor de quebra do vidro traseiro
Interruptor da coluna B - Porta do passageiro traseiro do lado direito
Sensor ultrassônico (USM - ultra sound module)
Controle remoto da chave (RF-sender ou RF-transmitter)
Módulo eletrônico de controle do alarme (ou módulo do alarme)

4) Descreva o sistema de travas elétricas.

5) Considerando um sistema de travas elétricas, relac ione o número de cada


componente destacado na figura com a respectiva descrição encontrada na
tabe la seguinte.

6 7
2 3

9
~--
Farol 14
-----~• Lanterna
11

13

..,__o 12 10

Farol
- t--------L---____::,,..._.___---,_ _ _ _ _----r-_ _ _ _ __.___~,__----t, ~ • Lanterna
1
I
1 4
5 8

15

Número Componente
Interruptor de coluna - Porta do passageiro traseiro do lado direito
Fechadura da porta do passageiro dianteiro (latch)
Interruptor de coluna - Porta do passageiro dianteiro
Interruptor de coluna - Porta do passageiro traseiro do lado esquerdo
Interruptor de coluna - Porta do motorista

122
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Número Componente
Fechadura da porta do motorista (latch)
Fechadura da porta do passageiro traseiro do lado esquerdo (latch)
Interruptor trava/destrava portas (comfort switch)
Atuador da tampa traseira
Fechadura da porta do passageiro traseiro do lado direito (latch)
Atuador da portinhola de combustível
Controle remoto da chave (RF-sender ou RF-transmitter)
Interruptor de destranca do porta-malas (lid / trunk release switch)
Atuador de destranca do porta-malas
Módulo eletrônico de controle das travas (ou módulo de travas)

6) Qual o objetivo de um sensor de co lisão?

7) Quais as principais funções dos sistemas levantadores de v idros atua lmente


comercializados?

8) Considerando um sistema levantador de vidros, relac ione o número de cada


componente destacado na figura com a respectiva descrição encontrada na
tabela seguinte.

2 3

10 11

13

9 12

1 4

Sistema Trio Elétrico 123


• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

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Número Componente
Máquina levantadora do vidro - Passageiro dianteiro
Interruptor de coluna - Porta do passageiro traseiro do lado esquerdo
Interruptor de coluna - Porta do passageiro dianteiro
Interruptor de coluna - Porta do motorista
Interruptor de coluna - Porta do passageiro traseiro do lado direito
Máquina levantadora do vidro - Passageiro traseiro do lado direito
Módulo eletrônico de controle dos vidros (ou módulo dos vidros)
Interruptores levantadores dos vidros - Porta do motorista
Máquina levantadora do vidro - Porta do motorista
Interruptor levantador do vidro - Passageiro traseiro do lado direito
Máquina levantadora do vidro - Passageiro traseiro do lado esquerdo
Interruptor levantador do vidro - Passageiro dianteiro
Interruptor levantador do vidro - Passageiro traseiro do lado esquerdo

9) Quais são os tipos de máquinas levantadoras de vidros existentes?

1 O) Comente os dois tipos de interruptores levantadores de vidros utilizados


atua lmente.

124
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otor

10.1 Introdução
Outro sistema que dificu lta o furto de veículos é o chamado imobil izador
de motor. São vários os nomes dados a esse sistema, além do já mencionado.
Os principais são:

• Bloqueador de motor;

• Bloqueador de partida;

• lmmobilizer;

• IMMO.

Esse sistema está presente na maioria dos veícu los produzidos, indepen-
dentemente de serem ou não equipados com um sistema de alarme.

10.2 Funcionamento
Há inúmeras diferenças no funcionamento dos diversos tipos de
imobilizador de motor existentes. Entre as montadoras de veícu los, e mesmo
dentro de uma mesma montadora, diferentes tipos de imobilizadores são
uti Iizados.

Algumas das pri ncipais variantes em um sistema IMMO são:

• Código de segurança: pode ser fixo ou variável.

!mobilizador de Motor 125


• • ~ • • • • • • • • • 1111 • • • • • • • • • 1111 • • • • • a • • • ,• • • • • • •- • • • ,• • • • • • • • • • • • • • • • • .• • • • • • • • • • • • • ,

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• Confirmação de módulos: pode ocorrer apenas entre o módulo de
IMMO e o módulo de controle do motor (ECM) ou considerando
também outros módulos.

• Troca de informações: é realizada via protocolo de comunicação


proprietário ou por meio do barramento de alta velocidade do veículo.
Geralmente, o CAN Bus é o protocolo utilizado.

De qualquer forma, considerando um sistema imobilizador básico,


podemos brevemente descrever seu funcionamento:

1. Toda vez que uma partida é solicitada, uma antena conectada a um


módulo eletrônico e instalada na região do cilindro de ignição lê
informações existentes em um pequeno eh ip (chamado de transponder),
localizado dentro da chave do veículo.

2. Essas informações são transmitidas ao ECM que as analisa e determina se a


partida deve ou não ser liberada. Em alguns sistemas IMMO, essa análise é
realizada por mais de um módulo eletrônico.

3. Caso a chave utilizada na tentativa da partida, mesmo que seja uma cópia
mecânica fiel da original, não for eletronicamente compatível com o
veículo em questão, a partida é bloqueada e o veículo imobilizado.

Como curiosidade, a comunicação entre a antena e o transponder é feita


por um link indutivo de, geralmente, 125Khz. Também podem ser utilizadas
outras frequências.

As Figuras 10.1 e 10.2 mostram algumas imagens dos componentes do


sistema immobilizer, assim como os locais de instalação mais utilizados pelas
montadoras.

Volante de d íreção

i Coluna de direção

Antena Chicote de ligação


de IMMO Antena-Módulo

Figura 10.1 - Antena do imobilizador.

126
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• • • • • _. • ll • • a • • • • • • • • • • • • • _. • • • • • • Ili • • • • • • • • • •
L ll • - • • Ili • • • • a • • • • IA • • a • • • • _.

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Votante de direção
i Coluna de direção
Módulo
de IIMMO

Chave de Chicote de ligação


ignição An,tena-Módulo

Figura 10.2 - Chicote e módulo do imobilizador.

A Figura 10.3 mostra os componentes de um sistema de imobilização do


motor.

Figura 10.3 - Componentes de um sistema imobilizador de motor. (Fonte:www.a1electric.com)

10.3 Comentários finais


Como mencionado anteriormente, a operação do sistema de imobili-
zação de motor não depende da disponibilidade de um sistema de alarme no
veículo, mas nada impede, caso o veículo tenha os dois sistemas, de estarem
conectados. Caso uma chave diferente da correta seja utilizada, o módulo do

!mobilizador de Motor 127


• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

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imobilizador solicita ao módulo de alarme que a buzina seja acionada,
indicando tentativa de furto do veículo.

Um ponto importante a ser mencionado é que as empresas seguradoras


têm exigido a presença do imobi lizador de motor para que um seguro seja
aprovado. Quando o veículo em questão não está equipado com esse sistema, o
valor da apólice é aumentado. A razão para esse procedimento é que, de fato,
os immobilizers reduzem, em muito, as chances de um veículo ser furtado.

10.4 Exercícios propostos


1) Cite as principais variantes em um sistema imobilizador de motor.

2) Explique brevemente o funcionamento de um sistema imobilizador de


motor.

3) Faça um levantamento, utilizando a Internet, de alguns veículos que utili-


zam atualmente imobilizadores de motor.

4) Pesquise nas empresas que comercializam componentes eletrônicos, quais


possuem transponders em seu portfólio. Colete o máximo de informações
técnicas que encontrar e compare as características das peças pesquisadas.

5) Como curiosidade, pesquise em algumas seguradoras a variação no custo


do seguro de um veículo com e sem imobilizador de motor.

128
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Eletrônica Embarcada Automotiva
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Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição



01ne e nstrumentos

11.1 Introdução
O painel de instrumentos fornece ao motorista as pri ncipais informações
relacionadas aos sistemas eletroeletrôn icos e mecânicos de um automóvel,
processa algumas informações de sensores e interruptores e, em alguns casos, é
responsável pelo contro le de algumas funções no veículo. Destaque para:

• Indicação da ve locidade do veícu lo e rotação do motor;

• Indicação da temperatura do líquido refrigerante no motor e do nível


de combustível;

• Indicação de marchas nos veículos com transm issão automática;

• Contro le das luzes de aviso e alerta (telltales);

• Contro le das setas, pisca-alerta, limpadores e lavadores dos vidros.

O pai nel de instrumentos também é conhecido pelos engenheiros de


produto das montadoras como "c/uster". A lguns utilizam ainda "IP cluster", que
sign ifica instrument panei ou painel de instrumentos. Neste capítulo utilizamos
"c/uster".

11.2 Detalhes técnicos


Os ponteiros em um cluster são tecnicamente chamados de agu lhas (em
ing lês, needles). Eles mudam de angu lação, pois estão mecanicamente ligados a
motores de passos, controlados pelo microcontro lador do cluster.

Painel de Instrumentos 129


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A iluminação dos detal hes do cluster, dos avisos luminosos e dos
ponteiros pode ser feita pela aplicação de LEDs e/ou lâmpadas. Na verdade,
atualmente, a grande maioria dos novos projetos j á considera a aplicação de
LEDs em todo o cluster. As lâmpadas estão sendo e li m inadas, pois a sua
du rabil idade é lim itada e a aparência do produto final pouco comparável à
aparência quando se utilizam LEDs.

O display é um dos componentes mais importantes em um cluster. O seu


dimensionamento depende d iretamente da área disponível no painel de
instrumentos e do tipo de informação que deve ser apresentado ao motori sta. As
Figu ras 11.1 e 11.2 mostram dois exemplos de d isplays utilizados em aplicações
automotivas. O primeiro é um display duplo utilizado no cluster do veícu lo
Mercedes SLK, o segundo é utilizado no veícu lo Mercedes CL.

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Figura 11.1 - Detalhes do display Figura 11.2 - Detalhes do c/uster do
do Mercedes SLK. (Fonte: Mercedes CL. (Fonte:
http://www.daimlerchrysler.com.br/imprensa.htm) http://www.daimlerchrysler.com.br/imprensa.htm)

As luzes de aviso e alarmes geralmente são LEDs. Cada símbolo tem um


significado próprio, muitas vezes determinado por uma regulamentação federa l.
No caso do Brasi 1, temos as regulamentações CONTRAN. A Tabela 11.1
apresenta alguns desses símbolos.

Pressão do óleo Farol de neblina

Cinto de segurança Farol alto

Sistema de freios Regulador de altura dos faróis

Portas abertas Trailer engatado

130 Eletrônica Embarcada Automotiva


• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • a • • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • & • • • • • • • •

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Falha no airbag Falha no ABS

Sensor de estacionamento Controle de cruzeiro

Manutenção requerida Bateria (tensão e alternador)

Nível do óleo Temperatura do radiador

Lanterna de neblina Luz de falha da ECM

Tabela 11.1 - Alguns símbolos utilizados em clusters.

Do ponto de vista construtivo, um cluster é formado pela lente, pela


carcaça, pela placa de circuito impresso (PCB) e pela tampa traseira. Todos
esses componentes devem ser precisamente montados para que a aparência
fina l seja excelente e o conjunto esteja totalmente livre de ruídos. A Figura 11.3
reve la os pri ncipais componentes de um cluster, enquanto a Figura 11.4 exibe
os detalhes de uma PCB.

Tampa traseira

PCB

-Carcaça
lente

Figura 11.3 - Principais componentes de um cluster.

Painel de Instrumentos 131


• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

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Figura 11 .4 - Detalhes de uma PCB.

Outro importante elemento em um cluster é a máscara. Trata-se de , um


filme de polímero que contém todos os detalhes de aparência do cluster. E na
máscara que estão estampados os símbolos de alerta e alarme, as escalas dos
ponteiros e as unidades de medida de cada instrumento. A Figura 11.5 mostra
um exemplo de máscara. Perceba que o formato de sua borda é feito no sentido
de garantir uma perfeita montagem na carcaça.

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100
20

10
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Figura 11 .5 - Exemplo de máscara.

O conector utilizado para conectar o cluster ao resto do veículo está


localizado na tampa traseira. A quantidade de conectores e de pinos por
conector é determinada pelas funções realizadas pelo cluster. Outro ponto
importante é o tipo de travamento utilizado entre o conector do cluster e a
contrapeça no eh icote do veículo. Atual mente, procura-se uti Iizar conectores
sem mecanismos sofisticados de travamento. Eles são mais caros que os conven-

132 Eletrônica Embarcada Automotiva


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cionais e oferecem a mesma qualidade no travamento. A Figura 11 .6 apresenta
um exemplo de conector.

- ..•---··~--
• ••• • • • • •• •• •• • ••••

. ...... . . -
-------·.
.,,,.

Figura 11 .6 - Exemplo de conector - Mercedes Classe S.

A visibilidade do cluster através do volante de direção também deve ser


perfeita. A lém de ter relação direta com a aparência do conjunto fina l, existem
regu lamentações que fisca lizam os projetos para garantir que todos os
instrumentos sejam facil mente visualizados pelo motorista. As Figuras 11.7 e
11.8 descrevem dois exemp los de relação entre um cluster e um volante de
direção.

Figura 11. 7 - Visibilidade do cluster Figura 11.8 - Visibilidade do cluster


do Mercedes Classe A. (Fonte: do Mercedes Classe G. (Fonte:
http://www.daimlerchrysler.com.br/imprensa.htm) http://www.daimlerchrysler.com.br/imprensa.htm)

11.3 Painel de instrumentos completo


O conjunto final, formado por cluster, almofada e center stack deve ser
perfeito. Costuma-se dizer que esta é a segunda parte do veícu lo observada pelo
consumidor em uma concessionária, sendo a primeira parte a aparência
exterior. As Figuras 11 .9 e 11.1 O mostram dois excelentes exemplos.

Painel de Instrumentos 133


• • ~ • • • • • • • • • 1111 • • • • • • • • • 1111 • • • • • a • • • ,• • • • • • •- • • • ,• • • • • • • • • • • • • • • • • .• • • • • • • • • • • • • ,

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Figura 11 .9 - Painel de instrumentos completo de um Mercedes CL.
(Fonte: http://www.daimlerchrysler.com.br/imprensa.htm)

Figura 11.1 O- Painel de instrumentos completo de um Mercedes SL.


(Fonte: http://www.daimlerchrysler.com.br/imprensa.htm)

11.4 Normas e regulamentações relevantes


Durante o desenvolvimento de um cluster, o engenheiro de produto deve
garantir que o componente atenda uma série de normas e regulamentações
legais. Listamos a seguir alguns exemplos.

Algumas regulamentações no Brasil

• CONTRAN 461 /72 - controles e displays.

• CONTRAN 463/73 - controles e ilum inação.

134 Eletrônica Embarcada Automotiva


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• CONTRAN 486/74 - ilum inação, posicionamento e identificação dos
contro les.

• CONTRAN 636/84 - símbolos e cores.

• CONTRAN 680/87 - ilum inação e cores.

Algumas regulamentações na Europa

• EEC 75/443*97/39 - ve locímetro.

• EEC 76/756*97/28 - instalação de il uminação.

• EEC 77/649*90/630 - campo de visão.

• EEC 78/316*94/53 - identificação de controles.

Algumas normas ISO

• ISO 2575 - símbolos para controles, indicadores e telltales.

• ISO 3461 - princípios gerais para a criação de símbo los gráficos.

11.5 Comentários finais


O cluster em um veícu lo cumpre vários papéis re levantes. Além de ser um
importante item de aparência, ele é o principal meio de comunicação do
veícu lo com o motorista.

Devemos adicionar que, atualmente, um cluster é considerado mais que


um conjunto de instrumentos. Podemos afirmar com tranqu ili dade que um
cluster é um componente que deve ser desenvo lvido considerando a
complexidade de um módulo eletrônico de controle e os deta lhes de uma peça
de aparência.

11.6 Exercícios propostos


1) Quais são as funções principais de um painel de instrumentos?

2) Comente alguns dos mais importantes detalhes técnicos de um cluster.

3) Como mencionado neste capítu lo, em um cluster as agulhas são movimen-


tadas por motores de passo. Utilizando qualquer forma de pesquisa,
encontre três tipos diferentes de motores de passo e liste as suas principais

Painel de Instrumentos 135


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características. Caso utilize a Internet em sua pesquisa, em sites de busca
como o www.google.com.br, procure utilizar as seguintes palavras-chave:
11 11 11
stepper motors", stepper motors" AN D basics, stepper motors" AN D
11 11 11
cluster, stepper motors" ANO automotive application , "miniature
stepper motor".

4) Quais são as principais regulamentações no Brasi I e na Europa relacionadas


a um painel de instrumentos?

5) Quais as funções, avisos ou alertas indicados pelos seguintes símbolos?

6) Faça um levantamento, utilizando a Internet, dos clusters uti Iizados


atualmente. Escolha dois ou três veículos dos vários segmentos existentes e
compare-os. A tabela seguinte pode ser utilizada como ponto de partida.

Quantidade de Possui Display


Segmento Veículo Comentários adicionais
ponteiros display? colorido?

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• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • a • • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • & • • • • • • • •

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1sp oys

12.1 Introdução
Existem diversos tipos de displays automotivos. Eles podem ser incor-
porados ao cluster, Figura 12.1, ou montados diretamente sobre o painel de
instrumentos, no center stack, por exemplo, conforme a Figura 12.2.

Outro ponto relevante sobre os displays é que eles são classificados em


função da quantidade de informações que podem oferecer ao motorista e
também da forma como essas informações são apresentadas. Os modelos mais
~
comuns sao:

• Single lnformation Display (SID): display de informação única.


Exemplo: relógio.

• Dual lnformation Display (DID): display com duas informações. Exem-


plo: relógio e temperatura externa.

• Tripie lnformation Display (TID): display de três informações.


Exemplo: relógio, temperatura externa e estação do rádio.

• Multiple lnformation Display (MID): display com múltiplas informa-


ções. Exemplo: relógio, temperatura externa, temperatura interna,
estação do rádio e consumo instantâneo de combustível, entre outras.

• Body lnformation Display ou Body lnformation Center (BID ou BIC):


display ou centro de informações da carroçaria. Exemplo: computa-
dores de bordo.

• Color lnformation Display ou Color lnformation Center (CID ou CIC):


display ou centro colorido de informações. Exemplo: computadores de
bordo com displays coloridos.

Displays 137
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• Graphic lnformation Display ou Graphic lnformation Center (GID ou
GIC): display ou centro gráfico de informações. Exemplo: sistemas de
navegação que apresentam mapas ao motorista.

• Multimedia Display (MMD): display multimídia. Exemp lo: sistemas


capazes de se conectar à Internet.

Figura 12.1 - Display incorporado ao cluster - Mercedes Classe R.


(Fonte: http://www.daimlerchrysler.com.br/imprensa.htm)

Cluster Almofa,da

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- 1 .. -
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••

••

• ,

Volante de
direção

Figura 12.2 - Display montado sobre o painel de instrumentos - Mercedes Classe A.


(Fonte: http://www.daimlerchrysler.com.br/imprensa.htm)

138 Eletrônica Embarcada Automotiva


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12.2 Especificações
O desenvolvimento de um display deve considerar uma série de variáveis,
além de suas dimensões externas e informações a serem apresentadas. As
. . . -
pr1nc1pa1s sao:

• Polarização: os displays podem ser positivos ou negativos. Os


negativos têm a il uminação concentrada nas informações, enquanto os
positivos têm o fundo do display com uma il uminação mais forte.
A

• Angulos de visualização: as informações devem ser visíveis dentro de


uma fa ixa específica em relação a um eixo imaginário central. Isso
serve para garantir que tanto o motorista quanto o passageiro dianteiro
leiam as informações do d isplay.

• Visibilidade: as informações devem ser visíveis em toda e qualquer


situação de luminosidade, mesmo sob forte incidência de luz solar, por
exemp lo.

• Quantidade de dígitos e segmentos: indica a quantidade de caracte-


res no disp lay e a quantidade de segmentos em cada caractere.

• Tipos de segmentos: determina se o display é de pontos (quadrados ou


circulares, por exemplo) ou de barras retangu lares (com as
extremidades arredondadas ou angu ladas, por exemplo).

• Símbolos específicos: devem ser especificados se forem necessários no


display. Como exemplos podemos c itar o "floco de neve" ( ), que
representa baixa temperatura externa, as letras RDS, uti lizadas quando
o rádio do veículo trabalha com o sistema Radio Data System, e a
unidade de med ida ºC, usada no display que indica temperatura.

• Interruptores de seleção: alguns d isplays podem ter seus modos de


operação alterados por interruptores instalados nos próprios displays.
Esses interruptores devem ser especificados, incluindo tipo de contatos
elétricos, formato do botão e símbolo da tecla, entre outros detalhes.

• Barramentos de dados: caso seja necessário, o disp lay precisa interagir


com o resto do veículo por meio de um protocolo de comunicação.
Esse protocolo pode ser o CAN Bus, o LIN Bus ou o antigo 12 C, entre
outros. Essa característica precisa ser especificada.

• Diagnóstico: a maioria dos d isplays atualmente utilizados são diagnos-


ticáveis por ferramentas eletrôn icas especiais, encontradas nas conces-

Displays 139
• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

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sionárias autorizadas. Esse diagnóstico é fe ito por meio da comun i-
cação do display com essas ferramentas utilizando um protocolo de
comunicação, que pode ser CAN Bus, LIN Bus, KW 82 ou KW 2000,
entre outros. Essa característica precisa ser especificada.

• Microcontrolador e tamanho da memória: o tipo de microcontrolador


a ser especificado depende di retamente das funções a serem realizadas
pe lo d isplay e do tipo de interação que ele tem com o resto do veículo
(com ou sem protocolos de comunicação, por exemplo). O tipo e o
tamanho de memórias a serem util izadas também dependem das
funções rea lizadas pelo display.

12.3 Tipos de disploys


Os displays atualmente utilizam mostradores de cristal líquido - Liquid
Cristal Display (LCD). Esses mostradores são passivos e a lum inosidade
requerida para a visua lização das informações depende de uma fonte luminosa
externa.

O cristal líquido é acondicionado entre duas camadas de vidro, e na


reg ião do mostrador, onde se encontram os segmentos que apresentam as
informações, uma camada de material transparente e condutor de eletricidade é
adicionada. Essa camada cria, de forma contro lada, campos elétricos que
orientam os bastonetes do cristal líquido, permiti ndo ou não a passagem de luz ;

em itida pela fonte luminosa externa já mencionada. E dessa forma que os


caracteres e símbo los são apresentados no d isplay.

• A tecnologia Twisted Nematic - Liquid Crystal Display (TN-LCD) é a


mais util izada atualmente. Uma disposição retorcida de moléculas
longas do cristal líquido sobre as placas de vidro traba lha como uma
vá lvu la de luz, bloqueando ou permitindo a passagem de luz.

• A tecnologia Super Twisted Nematic - Liquid Crystal Display


(STN- LCD) tem estrutura molecu lar mais retorcida, se comparada ao
TN-LCD, permitindo melhoria na definição dos caracteres. Assim como
na TN-LCD, essa tecno logia só permite a apresentação de gráficos
" .
monocrom 1cos.

• A tecno logia STN de Dupla Camada (DSTN-LCD) melhora ainda mais


a definição dos caracteres e permite, dependendo do arranjo de LEDs
uti lizado para a il uminação externa e dos filtros considerados, a
apresentação de gráficos coloridos.

140 Eletrônica Embarcada Automotiva


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• O Thin Film Transistor LCD (TFT-LCD) é um dos mais utilizados
displays de crista l líquido de matriz ativa (AMLCD). Empregado na
apresentação de informações complexas e coloridas, o TFT-LCD é
formado por um substrato de vidro ativo, em que são encontrados os
eletrodos de pixel feitos de óxido de estanho-índio, os condutores
metálicos das linhas e colunas e as estruturas dos semicondutores. Em
cada ponto de intersecção dos condutores de linhas e co lunas
encontra-se um transistor de efeito de campo (FET), responsável pela
comutação do pixel.

12.3.1 Alguns exemplos de oplicoçõo


As Figuras 12.3, 12.4, 12.5 e 12.6 apresentam algumas aplicações de
displays TN e TFT.

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Figura 12.3 - Displays do Cluster do Figura 12.4 - Display do Sistema de Entretenimento


Mercedes Classe G (tipo TN). (Fonte: do Mercedes Classe G (tipo TFT). (Fonte:
http://www.daimlerchrysler.com.br/imprensa.htm) http://www.daimlerchrysler.com.br/imprensa.htm)

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Figura 12.5 - Display do Sistema de Entretenimento Figura 12.6 - Display do Cluster do Mercedes
do Mercedes SL (tipo TFT). (Fonte: Classe C (tipo TN). (Fonte:
http://www.daimlerchrysler.com. br/imprensa. htm) http://www.daimlerchrysler.com.br/imprensa.htm)

Displays 141
• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

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12.4 Comentários finais
O tema displays automotivos é bem interessante. Além dos princípios
físicos, químicos e eletrônicos envolvidos, a interação com o motorista e os
passageiros deve ser m inuciosamente considerada. Poucas informações não
ajudam, enquanto, por outro lado, muitas informações podem at rapa lhar o
entendimento das telas e d istrair o motorista.

12.5 Exercícios propostos


1) Quais são os modelos mais comuns de disp lays automotivos, considerando
a quantidade de informações que podem oferecer ao motorista e também o
modo como essas informações são apresentadas?

2) Quais são as principais variáveis que devem ser consideradas durante o


desenvolvimento de um display automotivo?

3) Explique em poucas pa lavras o que é e como funciona um LCD.

4) Expl ique cada uma das quatro tecnologias de LCD existentes.

5) Faça um levantamento, utilizando a Internet, dos displays util izados


atualmente. Escolha dois ou t rês veículos ent re os vários existentes
e compare-os. A tabela segui nte pode ser utilizada como ponto de partida.

Possui Display Local de


Segmento Veículo Comentários adicionais
display? colorido? instalação

142
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13.1 Introdução
As bolsas de ar infláveis, utilizadas para a proteção
,
dos passageiros no
momento de uma colisão, são chamadas de airbags. E um sistema de proteção
passiva, pois atua imediatamente após um acidente, procurando reduzir os
danos causados aos ocupantes.
A primeira patente relacionada ao sistema de airbag foi registrada durante
a Segunda Guerra Mundial e trata de um dispositivo inflável de proteção contra
danos causados por colisões durante a aterrissagem de aviões, entretanto a
primeira aplicação comercial foi no setor automotivo.

Vários países no mundo possuem legislações que obrigam a utilização de


airbags em 100°/o dos veículos comercializados. Nesses países, estatísticas
mostram que esse sistema de proteção reduz em cerca de 30°/o o risco de morte
no momento de uma colisão frontal.

13.2 Detalhes do sistema


Baseando-se nesses dados as engenharias de produtos das montadoras de
veículos têm aplicado recursos no desenvolvimento de novas tecnologias e
aplicações do airbag. Basicamente, esse sistema é formado por quatro compo-
nentes:

• Bolsa inflável: feita de náilon, é instalada dentro do volante e no painel


de instrumentos para os airbags frontais e nas portas ou laterais dos
bancos, ou mesmo nas colunas ou no forro do teto, para os airbags
laterais.

Airbag 143
• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

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• Sistema de insuflação: é baseado na reação de azida sódica (NaN 3 ) e
nitrato de potássio (KN0 3) , cujo resultado é a liberação intensa de gás
nitrogênio, que infla quase que instantaneamente a bolsa. A veloci-
dade de propagação do gás dentro da bolsa é de aproximadamente
320km/ h.

• Sensores: são acelerômetros, que medem a desaceleração do veículo,


ou seja, o decrescimento na velocidade dentro de um intervalo
determinado de tempo.

• Unidade de controle do airbag: é o módulo eletrônico que processa


os sinais dos acelerômetros e comanda o acionamento das bolsas
infláveis. Essa unidade de controle denomina-se Sensing and
Diagnostic Module (SOM). Na Figura 13.1 é possível ver o diagrama de
conexões elétricas de uma SOM.

Comunicação
discreta
SOM 1

---------------------T-----------1 1

1 1


1
1
Airbag lateral - Bolsa esquelída
+• • .. • •
1

.. ~
• • ·-....
o
o
1
1
Airbag lateral - BoJsa direita
· Airbag Dianteiro ; Bolsa esquerda
-8m • • -oe
U) 1

.. -
1
.,._-;--,.. Airbag Dianteiro, - 8 ,olsa direita
:• • i8 • • C)
ro
·-
1
.,.__..........,.. Airbag lateral - Sensor e.s querdo
·~ o 1
1
+ Airbag lateral - Sensor direito
eu .. ....G) 1

i-- • .. :-e ·-.>...


.,.__.__,.. Lâmpada indicadora de funcionamento
'
.. .. o
1

'
1
Saída indicadora de colisão

41. • , -+ Linha de comunicação de diagnóstico


.....
. . __ _. 1 . . __ __, 1
: : 1
-----r---------------,-----------J
1 1

Acelerõmetros Comunicação
de dados

Figura 13.1 - Diagrama de conexões de uma SDM.

O sistema de airbag não atua isoladamente no momento de uma colisão.


O cinto de segurança é fundamental para que o sistema como um todo funcione
de maneira eficiente. Para se ter uma ideia da força de atuação exigida dos
cintos de segurança, no impacto contra uma barreira rígida, a SOKm/ h, os cintos
devem absorver uma energia comparável à energia cinética de uma pessoa em
queda Iivre do quarto andar de um edifício.

Para reduzir o movimento do passageiro durante a desaceleração causada


por uma colisão, os cintos de segurança trabalham com os chamados sistemas
pré-tensionadores, que são instalados no sistema de retração dos cintos,
puxando-os no momento de uma colisão. Dessa maneira, os ocupantes ficam

144
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Eletrônica Embarcada Automotiva
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praticamente imobilizados enquanto as bolsas são infladas, reduz indo ainda
mais a possibili dade de danos. Os pré-tensionadores são disparados por cargas
pirotécnicas, comandadas pela SOM. Para esclarecer a capacidade de resposta
de um pré-tensionador, atualmente existem sistemas que retraem 18cm de cinto
em apenas cinco milissegundos.

13.3 Airbog frontal


A função dos airbags frontais (ou dianteiros) é proteger o motorista e o
passageiro dianteiro de danos na cabeça e no peito, na ocorrência de uma
col isão contra uma barreira rígida na velocidade de até 1OOKm/h (aproxi ma-
damente), ou em uma col isão fronta l entre dois veículos na velocidade de até
60Km/h (também aproximados).

Os airbags dianteiros são acionados nas colisões ocorridas em velocidade


acima da faixa de 20 a 25Km/h (considerando a força equivalente a uma colisão
contra uma barreira rígida). A Figura 13.2 exi be os dois airbags diantei ros
inflados.

Figura 13.2 - Airbags dianteiros inflados. (Fonte: www.nhtsa.dot.gov)

Considerando um impacto a SOKm/h, o tempo que as bolsas demoram


para encher completamente é 40ms. A Figura 13.3 revela o conteúdo de um
volante equ ipado com ai rbag.

Airbag 145
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Figura 13.3 - Interior de um volante equipado com airbag. (Fonte: www.autoliv.inc)

Em alguns veículos, o sistema de airbag fron tal atua em conjunto com o


chamado airbag de joe lho (knee airbag), que protege os joelhos e as pernas,
reduzindo a inda mais os danos causados aos ocupantes. A Figura 13.4 mostra o
conceito de insta lação do airbag de joelho, no paine l de instrumentos.

Painel de instrumentos
Airbag \
_.:...---•

Figura 13.4 - Airbag de joelhos. (Fonte: Baseada em imagem do www.autoliv.inc)

13.4 Airbag lateral


Os impactos late ra is correspondem a 20°/o dos acidentes ocorridos.
Portanto, proteger os ocupantes contra essas ocorrências é a segunda prioridade
dos engenhei ros de produtos responsáveis po r airbags.

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Existem alguns tipos de airbag lateral (side airbag), fundamentalmente
responsáveis pela proteção da cabeça e da lateral do corpo dos ocupantes. Os
tipos de side airbag normalmente encontrados são tubulares, de janela, de
cortina, montados nas portas e nas laterais dos bancos.
Em virtude do pequeno espaço existente entre os ocupantes e as laterais
do veículo, os airbags laterais devem ser acionados mais rapidamente, se
comparados aos airbags frontais, sendo Sms (em vez dos 40ms indicados
anteriormente para os frontais). A Figura 13.5 mostra um tipo de side airbag já
inflado, antes mesmo de o objeto que está colidindo lateralmente com o veículo
afetar o compartimento dos passageiros.

Figura 13.5 - Airbag lateral em operação. (Fonte: www.nhtsa.dot.gov)

13.5 Testes de impacto (crosh tests)


O funcionamento dos sistemas de airbag é regulamentado por legislações
nacionais e internacionais. Para o desenvolvimento, validação e certificação dos
componentes do sistema, as montadoras de veículos realizam os chamados
testes de impacto ou colisão (crash tests). Esses testes identificam o
comportamento da carroçaria durante uma colisão, o desempenho das bolsas
infláveis e os danos causados aos ocupantes.
Durante os testes, são utilizados bonecos, equivalentes em tamanho e
peso aos ocupantes reais do veículo e equipados com dezenas de sensores para
que os impactos da colisão sejam medidos e posteriormente processados. Esses
bonecos são chamados de dummies. A Figura 13.6 mostra um dummy utilizado
em testes de impacto automotivos.

Airbag 147
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Figura 13.6 - Exemplo de dummy. (Fonte: www.nhtsa.dot.gov)

As Figuras 13.7 e 13.8 exibem um veículo antes e depois de um teste de


impacto frontal. Perceba na Figura 13.8 o airbag do motorista, já desinflado,
após a colisão.

Figura 13. 7 - Veículo a alguns milímetros de um impacto frontal. (Fonte: www.nhtsa.dot.gov)

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Figura 13.8 - Veículo após impacto frontal. (Fonte: www.nhtsa.dot.gov)

13.6 Comentários finais


Como percebemos, os sistemas de airbag e pré-tensionadores dos cintos
de segurança operam de forma dinâmica, utilizando reações químicas como
fonte de energia: azida sódica, nitrato de potássio e elementos pirotécnicos.
Vale a pena lembrar que, se os ocupantes do veículo não utilizarem cintos
de segurança, de nada adianta possuir airbags.
A utilização do sistema de airbag já é lei na Europa, por exemplo. No
Brasil, essa condição está sendo avaliada pelos órgãos governamentais e pelas
montadoras de veículos. Possivelmente em dez ou 15 anos todos os veículos
vão sair de fábrica já equipados com, pelo menos, airbags frontais. Este seria um
grande passo na tentativa de redução do número de fatalidades nos acidentes de
trânsito no País.

Airbag 149
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13.7 Exercícios propostos
1) Descreva os quatro componentes principais do sistema de airbag.

2) Qual a função dos pré-tensionadores durante uma colisão? Descreva breve-


mente o seu funcionamento.

3) Complete as frases:

a) Os ai rbags dianteiros são acionados nas colisões ocorridas nas


velocidades _ _ _ da faixa de _ _ _ _ _ _ Km/h (considerando a
força equivalente a uma colisão contra uma barreira rígida).

b) Considerando um impacto a SOKm/h, o tempo que as bolsas demoram


para se encher completamente é de aproximadamente _ _ _ _ _ _ .

c) Em virtude do pequeno espaço existente entre os ocupantes e as


laterais do veículo, os airbags laterais devem ser acionados mais
rapidamente, se comparados aos airbags frontais: _ _ _ (em vez dos
_ _ _ _ indicados anteriormente para os frontais).

4) O que é dummy?

5) Em grupo, pesquise, descreva e discuta o significado das seguintes expres-


~
soes:

• Euro NCAP

• Five Star

• NHTSA

• NASVA

150 Eletrônica Embarcada Automotiva


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reios ontro e e ro õo
e istemo

14.1 Introdução
O freio Antilock Braking System (ABS) é um dos sistemas de segurança
ativa existentes em um veículo. O significado da sigla ABS expressa o seu
objetivo: sistema de freio antitravamento.

A Figura 14.1 mostra o sistema ABS instalado em um veículo. Perceba na


figura a unidade de controle eletro-hidráulica, elemento marcado com o número
1; os sensores de velocidade e os atuadores instalados nas quatro rodas,
elementos indicados com o número 2; e o pedal do freio e booster, elementos
marcados com o número 3.

Figura 14.1 - Sistema ABS e seus componentes. (Fonte: Baseado em www.bosch.com)

Freios ABS, Controle de Tração e Sistema ESP 151


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14.2 Componentes do sistema
• Sensores de velocidade: estão localizados nas rodas dianteiras e
traseiras e informam ao sistema se as rodas estão girando e qual a
velocidade de cada uma, ou se estão travadas.

• Unidade hidráulica: a função dessa unidade é controlar a atuação dos


freios, em função de sinais enviados pelo módulo de controle
eletrônico.

• Módulo de controle eletrônico: além dos sinais dos sensores de


velocidade, esse módulo recebe sinais do sistema de ignição e do
pedal de freio, processa esses dados considerando um software próprio
e comanda a unidade hidráulica. Geralmente, o módulo de controle
eletrônico é incorporado à unidade h idráu Iica, formando assim a
chamada unidade eletro-hidráulica. A Figura 14.2 mostra uma dessas
unidades.

Figura 14.2 - Unidade eletro-hidráulica. (Fonte: www.howstuffworks.com)

14.3 Funcionamento do sistema


O funcionamento do sistema é simples, pois a Unidade Eletrônica de
Controle (ECU) monitora os sensores de velocidade das rodas. No momento da
frenagem, caso um deles indique o travamento de uma das rodas, a ECU
comanda a unidade hidráulica liberando aquela determinada roda. Quando ela

152 Eletrônica Embarcada Automotiva


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volta a girar, a ECU comanda a unidade hidráu lica novamente, só que agora
frenando-a. Esse processo pode ocorrer mais de 15 vezes por segundo, em cada
uma das rodas, até que o veícu lo seja totalmente frenado.

O sistema ABS pode ser classificado em diferentes tipos, dependendo da


quantidade de canais, vá lvu las individualmente contro ladas e sensores de
velocidade utilizados:

• Quatro canais e quatro sensores: este é o melhor sistema, no qual cada


roda possui o seu sensor de velocidade específico e a sua válvu la de
contro le de frenagem independente. Com esse esquema de contro le, a
eficiência do sistema é maximizada.

• Três canais e três sensores: esse sistema é norma lmente encontrado em


pick-ups com freio ABS nas quatro rodas. As rodas dianteiras possuem
sensores e válvu las independentes, enquanto as rodas traseiras
possuem um único sensor de ve locidade e uma única válvula de
contro le de frenagem, localizados no eixo traseiro.

• Um canal e um sensor: normal mente encontrado em pick-ups com


freio ABS nas duas rodas traseiras. Essas rodas possuem um único
sensor de velocidade e uma única válvula de controle de frenagem,
localizados no eixo traseiro.

Algo que precisa ser mencionado sobre o sistema ABS é que pisar e soltar
o peda l do freio repetidamente reduz a eficiência do sistema, uma vez que o
módu lo de controle só atua enquanto o pedal estiver pressionado.

14.4 Controle de tração


O controle de tração é uma das funções existentes em alguns sistemas de
freios ABS. Conhecido em ing lês como traction contrai system (TC ou TCS), esse
sistema func iona de maneira oposta ao sistema ABS e tem como objetivo evitar
que o veícu lo perca a tração durante a sua movimentação.

Uti lizando os sensores de ve locidade do sistema ABS, o veículo equ ipado


com TC identifica o momento em que uma das rodas está patinando. Nesse
momento, o sistema freia essa roda e atua sobre o motor, reduzindo sua
potência. O resu ltado final é a manutenção da tração do veícu lo sobre o solo.

O sistema TC que geralmente trabalha em conjunto com o sistema de


gerenciamento do motor, atua em velocidades inferiores a 40Km/ h. Em alguns

Freios ABS, Controle de Tração e Sistema ESP 153


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veículos, essa função pode ser desligada por meio de um interruptor, localizado
no painel de instrumentos.

14.5 ESP
O sistema Electronic Stability Program (ESP) também trabalha em conjunto
com o sistema ABS, elementos 1, 2 e 3 da Figura 14.3.

Um sensor instalado no volante de direção, steering angle sensor, indica


para onde o veículo deve ser direcionado, conforme mostra o elemento 4 da
Figura 14.3.

Outro sensor, localizado no chassi do veículo, yaw rate sensor, indica as


forças de movimentação que atuam sobre o veículo: forças de giro e de
aceleração lateral e longitudinal, elemento 5 da Figura 14.3.

Com esses dados o sistema identifica as diferenças entre a direção


solicitada pelo motorista e a direção real do veículo, e através da atuação no
sistema de freio, freando mais ou menos uma ou mais rodas, o veículo é
reposicionado ou mantido na direção correta .

Figura 14.3 - Sistemas ABS e ESP. (Fonte: Baseado em www.bosch.com)

154 Eletrônica Embarcada Automotiva


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14.6 Comentários finais
Existem veícu los com as segu intes configurações:

• Somente com sistema ABS;

• Com sistema ABS e contro le de tração;

• Com sistema ABS, contro le de tração e ESP.

Veícu los equipados somente com contro le de tração e ESP não são
encontrados, pois esses sistemas dependem diretamente dos componentes dos
freios ABS.

Os sistemas citados são amplamente utilizados na Europa, nos Estados


Unidos e no Japão e têm sido requisitados por vários consumidores nos
mercados emergentes, como é o caso do Brasi 1. Provavelmente, em alguns anos,
a maioria dos veícu los produzidos no Brasil estará equipada com, ao menos,
freios ABS.

14.7 Exercícios propostos


1) Qual a função de um sistema de freios ABS e quais os seus componentes
principais?

2) Em grupo, pesqui se, liste e discuta as diferenças nas características técn icas
de sensores de velocidade ativos e sensores de velocidade passivos. Se
utilizar a Internet para a busca de informações, considere as seguintes
palavras-chave como referência:

• "passive speed sensor"


11
• active speed sensor"

• "passive speed sensor" and ABS


11
• active speed sensor" and ABS

3) Descreva o funcionamento de um sistema de frei os ABS.

4) Quais são os tipos de freios ABS existentes?

5) O que representa a função controle de tração?

6) O que representa a função ESP?

Freios ABS, Controle de Tração e Sistema ESP 155


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7) Em grupo, pesquise, liste e discuta as características técni cas de alguns
sensores de movimentação do volante de direção (steering angle sensor).

8) Em grupo, pesquise, liste e discuta as características técnicas de alguns


sensores de movimentação da carroçaria do veículo (yaw rate sensor).

9) Como resultado da pesquisa realizada na atividade 8, o grupo deve ter


encontrado uma associação direta entre um yaw rate sensor e um
giroscópio. Agora, pesquise e explique o funcionamento de um giroscópio e
cite algumas potenciais aplicações desse componente.

156 Eletrônica Embarcada Automotiva


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15.1 Introdução
No departamento de engenharia de produtos das montadoras de veículos,
os sistemas que integram as funções de informação e entretenimento denomi-
nam-se, em inglês, infotainment. Esta palavra deriva de outras duas palavras
inglesas: information e entertainment. Em português seria informação e entrete-
nimento.

A maioria das pessoas, quando pensa nesse tipo de sistema, lembra-se


somente dos rádios, dos alto-falantes e das antenas. Mas não é somente isso.
Sistemas de navegação, displays de informações, unidades de entretenimento
traseiras, entre outros, são componentes de um ramo tecnológico que vem se
desenvolvendo fortemente nas empresas automotivas em geral, inclusive no
Brasil.

Colocamos neste capítulo, de forma resumida, os principais componentes


desse universo. Trata-se de uma leve introdução a este fascinante mundo tecno-
lógico.

15.2 Teoria sobre osom


Variáveis elétricas, eletrônicas, mecânicas, físicas, de aparência e de
ergonomia são trabalhadas no desenvolvimento dos sistemas de entretenimento.
Entre todas, iniciamos pela principal, o som.

Em vez de criar outra definição para explicar o significado da palavra


som, usemos a criada pelo profissional Rogério Vol let, engenheiro com muitos
anos de experiência na área de desenvolvimento de sistemas de entretenimento:

Sistemas de Entretenimento 157


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11
0 som é produzido pela variação da pressão do ar. Quanto maior a
pressão, maior o volume ou amplitude do som. A ve locidade com que a pressão
varia entre o seu valor máximo e o mínimo determ ina a frequência do som
emitido. Nossos ouvidos possuem membranas e ossículos que, ao serem
atingidos pela pressão do ar, movimentam-se. Após percorrer toda a cavidade
do ouvido e atingir o último ossícu lo ligado aos nervos do sistema auditivo,
esses nervos convertem a variação de movimento em impulsos elétricos para o
cérebro. Esse processo gera o som que escutamos."

Em teoria, o ouvido humano é capaz de escutar frequências entre 20Hz e


20KHz. Na prática, 95°/o da população não é capaz de captar frequências acima
de 15 KHz. Além disso, não ouvimos todas com a mesma intensidade. Pe las
características construtivas do ouvido humano, as frequências de 2KHz a 4KHz
são as mais favorecidas.

Qualquer que seja o sistema de som em um automóvel, convenciona l,


premium ou de competi ção, alguns componentes são básicos, como rádio,
alto-falantes e antena. Em segu ida, há alguns comentários sobre as caracterís-
ticas fundamentais de cada um deles.

15.2.1 Rádios
Existem diversos tipos de rád ios automotivos disponíveis no mercado. O
que podemos destacar como característica principal desse componente é o tipo
de mídia que ele é capaz de reproduzir. Os ti pos comumente encontrados são
toca-fitas, CD player e CD changer (ou disqueteira integrada). As Figuras 15.1,
15.2 e 15.3 exibem esses modelos de rádio.

Figura 15.1 - Toca-fitas. Figura 15.2 - CD player. Figura 15.3 - CD changer.

Existem ainda os formatos de música que os sistemas reprodutores de CD


são capazes de tocar. Destacamos o sistema de reprodução dos CDs
convencionais e dos de música MP3. O que diferencia um sistema do out ro é o
formato da informação gravada no CD. O sistema MP3 considera um conceito
de compactação de informação que possibilita a gravação de mais de 200
músicas em um único disco. Já o sistema convenciona l perm ite, em média, a
gravação de 1 5 músicas.

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No lado interno do rádio, existe um sistema de leitura óptica que coleta as
informações gravadas no CD através de um feixe de laser. Essas informações são
transmitidas a um microcontrolador que as processa e transfere às etapas de
amplificação e reprodução do sistema de som.

Por suas características tecnológicas, especialmente pela capacidade de


leitura óptica e pelo software interno, um rádio leitor de MP3 pode reproduzir
CDs convencionais. Já os CD players comuns não são capazes de ler um CD
gravado no formato MP3.

15.2.2 Especificoçõo de um rádio original de fóbrico


Uma das primeiras características notadas na especificação de um rádio
automotivo é o formato do seu painel frontal. Existem dois tipos básicos de pai-
néis frontais, sendo o single DIN ou 1-DIN e o double DIN ou 2-DIN. As Figuras
15.4 e 15.5 apresentam esses frontais, cuja diferença fundamental pode ser
facilmente identificada. O frontal 2-DIN tem o dobro da altura do frontal 1-DIN.
Existe ainda um terceiro tipo de frontal, o 1,5-DIN, que não é facilmente
encontrado.

Figura 15.4 - Rádio single DIN (1-DIN). Figura 15.5 - Rádio double DIN (2-DIN).

Outro ponto importante da especificação é o relacionado ao tipo de mídia


reproduzido pelo equipamento. Como mencionado anteriormente, entre os
comumente encontrados destacamos toca-fitas, CD player e CD changer. O
formato da gravação também é importante. Destaque para o sistema conven-
cional de áudio e MP3.

A Tabela 15.1 indica os dados mínimos que devem ser mencionados nas
especificações de um rádio automotivo.

Sistemas de Entretenimento 159


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Especificação Comentários e possibilidades mais comuns
Formato do frontal - 1-DIN 2-DIN ou 1 5-DIN
' '
Características do - Especifica o material, cor e textura do frontal.
acabamento do frontal - Especifica a cor do texto escrito sobre o frontal.
Sistema de montagem no - Especifica se o rádio é montado no painel com a utilização de uma
painel gaveta ou de uma luva metálica, por exemplo.
- Mostra o padrão e a quantidade de pinos que o conector traseiro deve
Sistema de conexão
ter e a especificação do conector da antena.
Tipo de mídia - Toca-fitas, CD player ou CD changer.
reproduzível - CDs de 8mm e/ou 12mm.
Formato da gravação da ,
- CD de Audio, MP3 e/ou Cartão SD, por exemplo.
mídia
- Geralmente, os rádios possuem quatro canais de áudio e a
representação na especificação é "4 x potência de cada canal". O que
você deve observar é a unidade utilizada para expressar a potência:
- Valores em RMS devem ser priorizados por colocarem o valor médio
Potência dos canais de quadrado do áudio reproduzido.
áudio - Valores em PMPO não dizem quase nada sobre o sistema, uma vez
que expressam a potência mais alta encontrada dentro da faixa de
reprodução do aparelho (essa potência pode ser específica de uma
frequência e muito diferente das demais, mascarando as deficiências
do sistema de som).
- Especifica o valor da corrente máxima a ser consumida pelo rádio,
Corrente máxima
importante para o dimensionamento do chicote e do fusível de
consumida
proteção do sistema.
- Especifica o valor da corrente consumida quando o rádio estiver
desligado. Como os sistemas atuais são microcontrolados, sempre há
Corrente quiescente alguma corrente sendo consumida. Esse valor deve ser o menor
possível. Costumamos trabalhar com algo entre 1mA e 3mA,
dependendo das funções existentes no rádio.
- Display incorporado é quando no frontal do próprio rádio existe um
Compatibilidade com display.
display incorporado ou
remoto - Display remoto é quando um outro display, localizado no painel de
instrumentos, é utilizado.
- Pode ser portátil, como o de uma TV, montado sobre a coluna de
Controle remoto
direção (satélite) ou sobre o volante.
- Especifica quantas páginas de memória FM e AM devem existir.
Quantidade de memórias
Costumamos encontrar três páginas de FM (FM1, FM2 e FM3) e duas
de FM e AM
páginas de AM (AM1 e AM2).

160 Eletrônica Embarcada Automotiva


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Especificação Comentários e possibilidades mais comuns
- Os mais encontrados são:
- Fader: controla o balanço do som entre os falantes dianteiros e
traseiros.
- Balance: controla o balanço do som entre os falantes direitos e
esquerdos.
Controles de áudio
- Bass: controla a intensidade da reprodução das frequências mais
baixas.
- Mid: controla a intensidade da reprodução das frequências médias.
- Treble: controla a intensidade da reprodução das frequências mais
altas.
Funções do CD player ou - Especifica o funcionamento do sistema de reprodução em função da
CD changer atuação do usuário.
Funções do frontal - Indica quantos botões estão disponíveis no frontal e suas funções.
Funções do controle - Indica quantos botões estão disponíveis no controle remoto e suas
remoto funções.
- Indica quantos segundos de buffer o sistema
,
de leitura óptica e o
Memória à prova de processamento de áudio devem ter. E comum encontrarmos rádios
choque com cinco ou dez segundos de shock proof memory (memória à prova
de choque).
Compatibilidade com - Indica se o rádio deve ou não ter capacidade para ser conectado a
protocolos de uma rede de comunicação de dados (CAN Bus, Bluetooth, 12C, entre

comun1caçao- outras) .
Compatibilidade com o - Indica se o rádio deve ou não receber sinais de RDS (radio data
sistema RDS system).
Existência de sistema de - Especifica a existência ou não de um sistema de navegação e o seu
-
navegaçao funcionamento.
- Indica se o sistema é ou não diagnosticável por uma ferramenta de
Existência de sistema de
manutenção, permitindo a sua fácil reprogramação e a rápida
diagnóstico
detecção de defeitos.
Compatibilidade com o - DAB significa digital audio broadcast. Especifica a possibilidade de
sistema de transmissão recepção de sinais digitais de áudio, função atualmente não
digital de áudio (DAB) disponível no Brasil.

Tabela 15.1 - Lista de itens especificados para um rádio.

15.2.3 Validação de um rádio automotivo


Diversos testes são rea lizados em um rád io antes que ele seja liberado
para a produção e venda em concessionárias. Muitos dos pontos ava liados estão

Sistemas de Entretenimento 161


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relacionados à aparência e à funcionalidade básica do sistema. Entretanto,
alguns testes, a princípio com resultados invisíveis aos compradores, são
realizados para garantir a satisfação dos ocupantes em todas as situações do
dia a dia. São estes:

• Teste de recepção AM e FM: o sistema é avaliado, de forma subjetiva,


em diversas regiões do País. No centro das grandes cidades, no interior
e também no litoral, equipes especializadas analisam o nível de
recepção das estações de rádio disponíveis em cada região (FM e AM).
O resultado final dessa avaliação é a indicação ou não da necessidade
de ajustes na calibração do sistema de sintonia do rádio.

• Testes de jump out: avaliam a capacidade de o mecanismo de leitura e


o software de captura das informações manterem em atividade normal
o reprodutor de CD, mesmo sob as mais severas condições de
dirigibilidade e de piso irregular. Após esses testes são indicadas, ou
não, correções no mecanismo de leitura óptica, no software de
controle de leitura, no sistema de amortecimento mecânico de impacto
ou na alteração ou inclusão de um sistema de amortecimento digital de
impacto, o chamado buffer ou memória à prova de choque.

• Testes funcionais: são avaliadas basicamente as informações contidas


no manual de operação do rádio, ou no chamado manual do usuário.
Esses testes identificam o comportamento do rádio mediante a
operação normal ou abusiva dos clientes finais e indicam as eventuais
oportunidades de melhoria nos manuais de utilização do produto.

• Testes elétricos: são avaliadas as condições de trabalho do rádio, como


consumo de tensão e corrente em várias situações e sistemas de
proteção contra curto-circuito e sobrecarga, entre outras.

• Teste de compatibilidade eletromagnética: também conhecido como


teste de EMC, identifica se o rádio pode ter seu funcionamento
prejudicado pela emissão de sinais de radiofrequência dos demais
módulos eletrônicos instalados no veículo ou se os demais módulos
podem ser prejudicados pelo rádio. Algo que preocupa é o fato de
alguns módulos eletrônicos serem responsáveis por funções de
segurança nos veículos, como é o caso do sistema de airbag, ABS e
controle eletrônico do motor. Como recomendação, esse teste pode
indicar a necessidade de alteração do roteamento do eh icote que
alimenta o rádio ou até mesmo a adição de componentes indutivos ou
capacitivos ao rádio, suficientes à supressão dos chamados ruídos
elétricos.

162 Eletrônica Embarcada Automotiva


• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • a • • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • & • • • • • • • •

Ed itora Érica - Eletrônica Embarcada Automotiva - Alexandre de A. Guimarães, MSc - 1ª Edição


• Teste de ruídos e vibrações: é um teste bastante interessante, cujo
objetivo é identificar fontes de ruído mecânico. Ele avalia se as partes
internas do rádio e do seu sistema de montagem estão robustamente
presas, livres de ruídos e de vibrações indesejadas.

• Teste de colisão: os chamados crash tests também são realizados nos


rádios automotivos. Procura-se avaliar se o rádio ou alguma de suas
partes se solta do painel de instrumentos durante o evento de uma
colisão. Avalia-se também se o CD não é arremessado para fora da
unidade de leitura, o que poderia causar graves lesões aos ocupantes.

15.3 Alto-folantes
Existem dois tipos fundamentais de alto-falantes (ou simplesmente
"falantes"), sendo o woofer e o tweeter. Um woofer reproduz as frequências de
20Hz a 1 KHz, enquanto um tweeter reproduz as frequências de 1 KHz a 1 6KHz
(estes valores são os convencionais, podendo variar para mais ou para menos).
Por conta de diversos fatores, muitas vezes não técnicos, vários tipos adicionais
de falantes estão disponíveis. A Figura 15.6 mostra quatro falantes diferentes e as
suas respectivas faixas de frequência:

15Hz 150Hz 1KHz 20KHz


1 1

• Subwoofer • I
• Woofer • ~

Tweeter
~

-
~
-
r

Full-range

Figura 15.6 - Quatro tipos de falantes e suas frequências.

15.3.1 Tipos de oito-folantes


• Full-range: por ser capaz de reproduzir toda a faixa de frequência, é o
tipo de falante normalmente utilizado nos sistemas automotivos
convencionais. Apesar de não apresentar um som de alta qualidade,
um sistema montado com esse tipo de falante apresenta custos
reduzidos, especialmente pelo fato de não utilizar os tweeters.

• Woofer: é o falante responsável pela reprodução dos sons graves (em


inglês, esse tipo de som é conhecido como bass).

Sistemas de Entretenimento 163


• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

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• Subwoofer: é um derivado do woofer. Sua característica construtiva
reforça a reprodução das baixas frequências. Costuma-se dizer que essa
faixa de frequência é muito mais sentida do que ouvida pelos
ocupantes.

• Tweeter: esse tipo de falante é o menor em termos de tamanho,


especialmente por ser responsável pela reprodução das ondas de som
de menor quantidade de energia mecânica. Existem vários tipos de
tweeters trabalhando dentro dessa faixa de frequência. A principal
diferença entre eles é em relação à fidelidade com que reproduzem os
sons.

Os quatro tipos de falantes apresentados podem ser considerados os


principais disponíveis, não só nas aplicações automotivas, mas em todo sistema
de som (inclusive residencial). Sistemas de som automotivos projetados com
esses falantes, se bem calibrados, soam com qualidade e fidelidade.

Um sistema convencional de som automotivo (em veículos de quatro


portas) geralmente utiliza dois falantes por porta, sendo um woofer e um tweeter.
Este é o chamado sistema two way, exatamente por ter dois falantes comple-
mentares montados lado a lado, formando um sistema que preenche o ambiente.

Um sistema mais apurado, normalmente chamado de premium, além dos


oito falantes (um woofer e um tweeter por porta), costuma utilizar um ou dois
subwoofers, para que as baixas frequências sejam enfatizadas, preenchendo
mais o ambiente e envolvendo completamente os ocupantes.

Por uma questão de falta de espaço interno para a instalação do sistema


two way, algumas montadoras adotam os chamados alto-falantes axiais. São
falantes do tipo woofer ou fu/1-range com tweeters e/ou mid-ranges (classe não
muito utilizada de falantes, capazes de reproduzir as frequências entre 3KHz e
9KHz) montados sobre seus cones. O ponto principal que deve ser observado
sobre esse tipo de falante é que, quanto mais elementos posicionarmos sobre o
alto-falante principal do conjunto, nesse caso um woofer ou um fu/1-range,
menor será a quantidade de ar que sairá desse falante. Consequentemente,
menor será a reprodução das frequências até 2KHz ou 3 KHz. Entre os falantes
axiais, comentamos:

• Coaxial: composição de um, woofer ou fu/1-range com um tweeter


montado sobre seu eixo. E o alto-falante mais comum entre as
montadoras, garantindo uma instalação enxuta (sem a necessidade de
reservar um espaço adicional ao tweeter), com custo um pouco abaixo
do sistema two way e com pouco prejuízo à reprodução dos graves
(perda aproximada de 25°/o dos graves reproduzidos).

164 Eletrônica Embarcada Automotiva


• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • a • • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • & • • • • • • • •

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• Triaxial: composição de um woofer ou fu 11-range com um tweeter e um
mid-range montados sobre seu eixo. Esse falante é largamente
comercializado, especialmente por ter como apelo de venda o fato de
o cliente estar, supostamente, levando três falantes em um e, muitas
vezes, pagando só um pouco mais caro. O aparente bom negócio não
se materializa em termos de qualidade de som. O falante triaxial
costuma anular cerca de 50°/o das frequências graves produzidas.

• Quadriaxial: é muito similar, em todos os aspectos, ao triaxial. Tem um


woofer ou fu/1-range com um ou dois mid-ranges e um tweeter
montados em seu eixo principal. Sobre a performance, uma grande
surpresa: somente 10°/o do som grave reproduzido chega aos ouvidos
dos ocupantes. O restante, 90°/o, é bloqueado pelos três falantes
colocados sobre o cone principal, que mais serve de suporte aos
demais do que de alto-falante propriamente dito.

A Figura 15.7 apresenta os quatro tipos de sistemas descritos anterior-


mente, sendo two way, coaxial, triaxial e quadriaxial, além dos respectivos
percentuais de grave que são efetivamente sentidos pelos ocupantes.

_.-___.Woofer Mid

Tweeter

Twoway Coaxial Triaxial Quadlriaxial

100% 75o/o 50°/o 10%

Figura 15. 7 - Tipos de alto-falantes e porcentagem de som aproveitado.

15.3.2 Corocterísticos construtivos de um oito-folante


O alto-falante é um dispositivo eletromecânico que transforma a corrente
aplicada em sua bobina em movimentos de seu cone, causando a compressão e
a expansão do ar, resultando na geração de pressão sonora ou, simplesmente,
no som. Um alto-falante é composto por três sistemas fundamentais:

Sistemas de Entretenimento 165


• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

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• Sistema motor: formado por magneto, placa de polarização, placa
dianteira, placa traseira e bobina.
• Sistema diafragma: formado por cone, capa de poeira (dust cap) e,
quando utilizado, o cone whizzer.
• Sistema de suspensão: formado por aranha (spider) e borda (surround).
• • •
A Figura 15.8 exibe o corte de um alto-falante com seus pr1 nc1pa1s
componentes, enquanto a Figura 15.9 mostra uma vista explodida.

Borda ou
Cone
Cone whizzer t surround
+ Dust cap

i
• Magneto ou ímã

...,_ Placa traseira


Placa de polarização

Figura 15.8 - Vista do corte de um alto-falante.

Conjunto
Mid + Tweeter ~ ,

C·one+
Borda, (Surroun.d) ~
~ Aranha (Spid,er)

Placa traseira +
..._..., )...
,.- - - polarizadora

Figura 15.9 - Vista explodida de um alto-falante.

15.3.3 Especificoçõo de um oito-folante original de fábrica


Vários são os parâmetros utilizados para especificar um alto-falante. A
Tabela 15.2 relac iona os principais:

166 Eletrônica Embarcada Automotiva


A • • i9 • • • • • • • _. • ll • • a • • • • • • • • • • • • • _. • • • • • • Ili • • • • • • • • • •
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Especificação Comentários e possibilidades mais comuns
Tipo de - Existem vários tipos de falantes, como mencionado anteriormente, sendo
alto-falante subwoofer, woofer, fu/1-range, tweeter, coaxial, triaxial ou quadriaxial.
Diâmetro do
- Especifica a dimensão máxima do cone em sua parte superior.
alto-falante
- Especifica o tamanho do ímã a ser utilizado. Essa informação afeta
Dimensão do ímã
diretamente o desempenho do falante.
- Existem vários tipos de materiais ferromagnéticos. Os mais utilizados
Material de ímã atualmente são o ferrite e o neodímio, sendo o segundo o de maior
desempenho magnético.
- Esse item trata especificamente do formato da borda. Ela pode ser positiva
(up-rol~ ou negativa (down-rol~. A positiva localiza-se acima da linha
Tipo de suspensão superior do cone, enquanto a negativa fica dentro do falante. A positiva
permite maior excursão do diafragma, já a negativa reduz as possibilidades
de distorção por colisões do conjunto à placa traseira.
- Expressa o valor ôhmico da bobina utilizada no sistema motor. A
impedância dos falantes deve ter o mesmo valor da impedância do canal de
Impedância nominal
áudio do rádio a ser utilizado. Isso garante a máxima transferência de
potência do sistema.
- Assim como nos rádios, o que se deve observar é a unidade utilizada para
expressar a potência:
- Valores em RMS devem ser priorizados por colocarem o valor médio
quadrado do áudio reproduzido.
Potência nominal
- Valores em PMPO não dizem quase nada sobre o sistema, uma vez que
expressam a potência mais alta encontrada dentro da faixa de reprodução
do aparelho (essa potência pode ser específica para uma frequência e
muito diferente das demais).
Frequência de - Expressa um valor que ajuda a definir e a aumentar a resposta do sistema
ressonância em baixas frequências.
- Apresenta o intervalo de frequências em que o alto-falante deve trabalhar.
Faixa de frequência
Essa informação está diretamente ligada ao tipo de alto-falante.
- Esse valor expressa a pressão sonora e, consequentemente, o volume do
Sensi bi Iidade som será reproduzido dentro do automóvel. Costuma-se considerar valores
superiores a 91dB/Watt/metro.
- Expressa o valor máximo de distorção permitido para o alto-falante.
Distorção Distorções harmônicas pares são relativas a problemas mecânicos (cone,
harmônica total por exemplo), enquanto as distorções harmônicas ímpares são decorrentes
de problemas elétricos (conjunto magnético, por exemplo).
Material da carcaça - Expressa qual deve ser a composição da carcaça do alto-falante.

Sistemas de Entretenimento 167


• • ~ • • • • • • • • • 1111 • • • • • • • • • 1111 • • • • • a • • • ,• • • • • • •- • • • ,• • • • • • • • • • • • • • • • • .• • • • • • • • • • • • • ,

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Especificação Comentários e possibilidades mais comuns
- Expressa qual deve ser a composição do cone do alto-falante. Atualmente,
são encontrados cones rígidos e cones maleáveis, feitos de material
Material do cone
plástico (polímeros) ou de papelão banhado com resina. O destino do
falante é que define o melhor material a ser utilizado.
- O surround pode ser parte integrante do cone ou uma faixa de material
Material da borda diferenciado, colada ao cone. Papelão e borracha são os mais comumente
utilizados.

Tabela 15.2 - Lista de itens especificados para um alto-falante.

A Figura 15.1 O mostra um exemplo de curva de resposta em frequênc ia.


Esse perfil é próprio de um alto-falante fu/1-range ou coaxial, capazes de
reproduzir frequências de 20Hz a 20KHz. A Figura 15.11 traz a imagem de um
alto-falante coaxial que apresenta a curva de resposta em questão.

100
1 ,,. ' •-
90
80
, V J . " . r'I .., - 'I..

70 -- f

60 rv/
dB 50
40
30
20
10
o
10 100 1000 10000 100000

Figura 15.1 O- Curva de resposta em frequência.

Suporte para
montagem
Woofer

Tweeter =

Figura 15.11 - Exemplo de alto-falante coaxial.

A Figura 15.12 apresenta um exemplo de curva de impedância de um


alto-falante. O pico ind ica a frequência de ressonânc ia enquanto o valor mais
baixo após o pico representa a impedância nominal do alto-fa lante.

168 Eletrônica Embarcada Automotiva


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Impedância (Ohm}
20.0
19.0 Ap
18.0 •
I
17,0 ,
16.0 J
'
15,0 I
14.0 •
13.0 ~
12,0 IA
11 ,0 .,,.
1 o.o , J

9,0 ,,
8.0 /
7,0 _/
6.0 / ,,
5,0 ,/ ,,r
4,0 .....
3,0
2,0
1, O
o.o
20 100 1k 1Ok 20k
Frequência (Hz)

Figura 15.1 2 - Curva de impedância.

15.4 Antenas
Existem vários tipos de antenas automotivas. A definição do tipo, acaba-
mento e local de instalação depende diretamente de do is fatores, sendo a
aparência externa do veículo e o desempenho de recepção esperado.

15.4.1 Aplicações e tipos de ontenos


As ap licações são d iversas, variando da simples recepção de rád io AM e
FM até a recepção de sinais do sistema GPS e de aparelhos celulares. Destaque
para rádio AM e FM, sinais de TV UHF e VHF, sistema Digital Audio Broadcast
(DAB) e sistema Global Positioning System (GPS), entre outros. Sobre os tipos de
antenas, salientamos os seguintes:
• Mastro: é o modelo de antena ma is elementar que já existiu e, acredite
se qu iser, dos mais eficientes, em vi rtude do plano terra existente sob a
antena. Pode ser de levantamento manual ou e létrico, e fica loca lizada
na frente ou na traseira do veículo, do lado esquerdo ou dire ito.
• Teto: é o mode lo mais encontrado atua lmente. Pode ser instalada na
pa rte frontal ou traseira do teto do veículo e sua angulação depende,
geralmente, do ângulo do para-brisa, por questões de design. Pode ser
passiva ou ativa, dependendo do desempenho esperado para o sistema
de som. As antenas ativas possuem um pré-amplificador interno, que
e leva o nível dos sinais que são passados ao rádio.

Sistemas de Entretenimento 169


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• Para-brisa: pode ser representada por um filete ou dispositivo colado
ao para-brisa, atrás do espelho retrovisor interno, por exemplo. Seu
desempenho é dos mais baixos existentes, mas a sua forma de
instalação deixa a aparência externa do veículo "limpa".

• Coluna A: caracterizada por uma pequena haste metálica que corre por
dentro da coluna A do veículo. Geralmente não apresenta bom desem-
penho e é muito frágil ao manuseio.

• Vidro vigia: esse tipo de antena utiliza os próprios filetes do desemba-


çador traseiro. Nesse caso, também observamos baixa performance,
mas a sua forma de instalação deixa a aparência externa do veículo
organizada.

• Para-choque: trata-se de um filete montado dentro do para-choque do


veículo. Nesse caso, também observamos baixo desempenho, mas a
sua forma de instalação também torna a aparência externa do veículo
"limpa".

15.4.2 Especificação de uma antena original de fábrica


Além de boa aparência e qualidade, uma antena deve ser capaz de
receber os sinais a que se destina o sistema de entretenimento conectado a ela.
A Tabela 15.3 lista os principais itens especificados pela engenharia de produtos
das montadoras de veículos às antenas de recepção AM e FM.

Especificação Comentários e possibilidades mais comuns


Tipo de antena - Pode ser do tipo mastro, teto e para-brisa, entre outros.
- Pode ser na parte dianteira ou traseira do veículo, no teto, no para-brisa
Local de instalação
ou no vidro vigia, entre outros.
A

Angulo da haste - Varia em função do design esperado para o exterior do veículo.


- Varia em função do design esperado para o exterior do veículo,
Acabamento da haste
definindo cor e textura.
- Varia em função do design esperado para o exterior do veículo,
Acabamento da base
definindo cor e textura.
Sistema de elevação da
- Pode ser de haste fixa ou com levantamento manual ou elétrico.
haste
- Determina se a antena deve ser totalmente passiva ou ativa em cada
Características de
tipo de recepção (AM e FM, por exemplo) e define ainda o nível de
amplificação
amplificação, caso a antena seja ativa.

170 Eletrônica Embarcada Automotiva


A • • i9 • • • • • • • _. • ll • • a • • • • • • • • • • • • • _. • • • • • • Ili • • • • • • • • • •
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Especificação Comentários e possibilidades mais comuns
- No Brasil, as antenas devem trabalhar com as seguintes faixas de
frequência:
Faixa de frequência
- AM: 530 kHz - 1710 kHz
- FM: 87.5 MHz -107.9 MHz
- Varia em função do rádio a ser utilizado. Costuma-se utilizar impedância
Impedância da antena
de 125 ohms nos sistemas de som automotivo.

Tabela 15.3 - Lista de itens especificados para uma antena.

Outras características também são especificadas na projeção de uma


antena. Entre elas, destacam-se ruído de modu lação e distorção, sensibil idade,
reje ição à interferência de frequências espúrias, rejeição à intermodu lação,
emissão de frequências espúrias, estabi lidade de modu lação e estabil idade da
frequência em variações de temperatura e pressão.

15.5 Complementos aos sistemas de som automotivo


Além dos três componentes bás icos de um sistema de som (rád io, alto-
-falantes e antenas), outros elementos podem ser incorporados para tornar o
sistema mais potente, versátil ou confortável de operar.

• Amplificador ou módulo de potência: normalmente utilizado em


sistemas considerados premium e/ou de competição, trata-se de um
módulo eletrônico que recebe os sinais do pré-amp lificador de áudio
do rád io, amplifica-os e os transmite aos alto-falantes.

• Disqueteira externa: serve para aumentar a capacidade de reprodução


de CDs do sistema. Pode ser instalada em diversos locais nos veícu los,
mas normalmente está localizada no porta-luvas, no porta-ma las ou
sob o banco do passageiro dianteiro. Uma disqueteira aumenta o
conforto ao uti Iizar o sistema, elim inando a necessidade de troca do
CD a todo o momento.

• Controle remoto: é outro item de conforto em um sistema de som.


Existem três tipos principais de controle remoto:
- Convenciona l sem fio: simil ar ao controle de uma TV;
- Satélite: possui vários botões, localizado na parte traseira do
volante;
- Loca lizado sobre o volante: no centro ou em seus raios internos.

Sistemas de Entretenimento 171


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15.6 Comentários finais
Muito há para ser dito sobre os sistemas de entretenimento atuais. Além
do apresentado neste capítulo, temos os sistemas de entretenimento traseiro, os
sistemas de som de competição, os sistemas de som disponibilizados na
pós-venda e os sistemas de navegação, entre outros.
,
E possível perceber como é complexo o processo de especificação e
validação de um sistema de entretenimento automotivo. Para muitas pessoas,
esse processo pode parecer extenso e desnecessário. Extenso sim, mas
desnecessário não. A mensagem que permanece é que os engenheiros devem
sempre trabalhar em busca da alta qualidade em seus produtos e garantir, acima
de tudo, a segurança do motorista e dos passageiros.

15.7 Exercícios propostos


1) O que significa a expressão infotainment?
11
2) Complete a frase: 0 som é produzido pela variação da
____________ . Quanto maior a pressão maior o
______ ou _ _ _ _ _ _do som. A velocidade com que a pressão
varia entre o seu valor máximo e mínimo é a _______. Os ouvidos
possuem membranas e ossículos que, ao serem atingidos pela
_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _, se movimentam. Após percorrer toda a
cavidade do ouvido e atingir o último ossículo ligado a nervos do sistema
auditivo, esses nervos convertem essa variação de movimento em
_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ para o cérebro. Este é o som que escutamos".

3) Complete a frase: Em teoria, o ouvido humano é capaz de escutar as


frequências entre ____ e ____. Na prática, 95°/o da população não
é capaz de captar as frequências acima de _ _ _ _. Além disso, não
ouvi mos todas as frequências com a mesma intensidade. Pelas
características construtivas do ouvido humano, as frequências de _ _ __
a _ _ _ _ são as mais favorecidas.

4) O que significa afirmar que um rádio automotivo é 1-DIN ou 2-DIN?

5) Cite alguns tipos de mídia atualmente utilizados em rádios automotivos.

6) Qual a melhor unidade de potência a ser utilizada na especificação de um


rádio automotivo: RMS ou PMPO. Por quê?

172 Eletrônica Embarcada Automotiva


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7) Quais as funções dos seguintes cont ro les de áudio:

a) Bass

b) Treble

c) Mid

d) Balance

e) Fader

8) O que significa a expressão "memória à prova de choque"?

9) Em grupo, pesquise, descreva e discuta o sistema RDS (Radio Data System).

1 O) Em grupo, pesqu ise, descreva e discuta o sistema DAB (Digital Audio


Broadcast).

11) Comente os segu intes itens encontrados na especificação de um rádio


auto motivo:

a) Características do acabamento do frontal

b) Sistema de montagem no painel

c) Sistema de conexão

d) Corrente máxima consumida

e) Corrente quiescente

f) Funções do fronta l

g) Existência de sistema de navegação

h) Existência de sistema de diagnóstico

12) Descreva de forma sucinta os principais testes de validação realizados em


um rádio automotivo.

13) Quais as faixas de trabalho (em frequência) dos seguintes alto-falantes:

a) Tweeter c) Subwoofer

b) Woofer d) Full-range

14) Descreva suci ntamente os alto-falantes mencionados na atividade anterior.

15) O que é sistema two way de alto-falantes?

Sistemas de Entretenimento 173


• • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • a • • • ~ • • • • • • • • • • • • • • • • ~ • • • • • • • • • • • • ,

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16) Descreva os alto-falantes coaxial, triaxial e quadriaxial. Qual deles é o pior
e por qual razão?

17) Quais são os componentes internos de um alto-falante?

18) Comente os seguintes itens encontrados na especificação de um alto-falante


automotivo:

a) Diâmetro do alto-falante

b) Tipo de suspensão

c) Impedância nominal

d) Potência nominal

e) Frequência de ressonância

f) Faixa de frequência

g) Sensibilidade

h) Distorção harmônica total

i) Material da carcaça

j) Material do cone
k) Material da borda

19) Quais as principais aplicações de uma antena em um veículo?

20) Descreva os principais tipos de antenas automotivas.

21) Comente os seguintes itens encontrados na especificação de uma antena


auto motiva:
"'
a) Angulo da haste

b) Sistema de elevação da haste

c) Características de amplificação

d) Faixa de frequência

e) Impedância da antena

174 Eletrônica Embarcada Auto motiva


A • • i9 • • • • • • • _. • ll • • a • • • • • • • • • • • • • _. • • • • • • Ili • • • • • • • • • •
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istemos

16.1 Introdução
O termo X-by-wire é utilizado quando um sistema eletromecânico,
formado por um módulo de controle, sensores e atuadores, substitui um sistema
puramente mecânico. A parcela X deste termo dá lugar a qualquer sistema de
segurança existente em um veículo, como, por exemplo, brake (freio), steering
(direção), powertrain (motor e transmissão) e suspension (suspensão), entre
outros.

Os sistemas by-wire devem ser capazes de sentir e tratar apropriadamente


uma solicitação do motorista e realizar as ações necessárias, considerando as
circunstâncias presentes, de dirigibilidade e de ambiente.
,
Na aviação, os sistemas by-wire já são amplamente empregados. E o
chamado fly-by-wire. Dentre os ganhos principais, destacam-se a redução de
peso das aeronaves (com a consequente redução do consumo de combustível) e
a redução do tempo de resposta dos sistemas ao comando do pi loto
(aumentando o desempenho e a capacidade de resposta da aeronave). O caça
F-22 Raptor, mostrado na Figura 16.2, foi projetado com sistemas by-wire.

Sistemas X-BY-WIRE 175


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'

Figura 16.1 - Caças F-22 Raptor. (Fonte: www.wikipedia.org)

Algumas empresas automotivas ainda demonstram hesitação na imple-


mentação dos sistemas X-by-wire, especial mente quando ponderam sobre a sua
segurança e confiabilidade. Além disso, os sistemas mecânicos têm provado, ao
longo do tempo, serem extremamente confiáveis.

Por outro lado, ano após ano, temos notado o aumento do número de
sistemas de segurança utilizados nos veículos de passageiros. Essa evolução, por
si só, demanda o aprimoramento das tecnologias utilizadas, buscando facilitar a
montagem e a manutenção dos sistemas e a otimização do desempenho espe-
rado pelos clientes. A Figura 16.2 mostra a evolução dos sistemas de segurança
ativa e passiva nos veículos.
Alto -
t Airbags de cabeça e joelhos,,,,--

Airbags laterais /
/Rodovia ''Copiloto"
Elementos de deformação/
/ Freio de emergência
Vidros compostos/
-·-m /Re conhecimento de ambiente
Cintos de segu ran / /Recon hecimento de f aixas
º
e:
-o. Q)
o
,r-----~;:::;;:cScontrole de estabi lidade
(;ru;se contrai adaptativo

+ -
Ba ixo ~ - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - ~
FreiosABS
63seado err1: Aulo Ze,tu ng . Nr. 4 Jari 97

1960 1970 1980 1990 2000 .·--· - Segurança passiva


- Segurança ativa

Figura 16.2 - Evolução dos sistemas de segurança.

• Segurança ativa: procura evitar a ocorrência de acidentes (por exem-


plo, freios ABS e sistema de controle de estabilidade).

• Segurança passiva: procura minimizar os impactos sobre os ocupantes


no caso de um acidente (por exemplo, cintos de segurança e airbags).

176 Eletrônica Embarcada Automotiva


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16.2 Sistemas by-wire outomotivos
Vamos analisar com mais detalhes os impactos dos sistemas by-wire no
setor automotivo. Considerando o mercado europeu como referência, facilmen-
te percebemos que a competitividade em sua indústria automotiva é fortemente
dependente da tecnologia disponível, do custo dos sistemas empregados e do
atendimento aos padrões de segurança, impostos pelo próprio mercado. Diante
desses três pilares faremos algumas considerações:

• Tecnologia: sistemas que aumentem o conforto e o prazer ao dirigir são


muito apreciados pelos consumidores europeus. Como mencionado no
caso do caça F-22, que teve sua capacidade de manobra aumentada,
também nos automóveis equipados com sistemas by-wire a capacidade
de resposta dos sistemas passa a ser extremamente eficiente e fiel aos
comandos do motorista.

• Custo: como temos acompanhado nos últimos anos, o aumento da


demanda por componentes eletrônicos, especial mente microcon-
troladores e microprocessadores, tem reduzido drasticamente os custos
desses componentes, o que influencia diretamente o custo dos sistemas
by-wire para baixo.
• Segurança: apesar de os componentes eletrônicos atuais já serem
altamente confiáveis, a utilização de circuitos redundantes eleva ainda
mais o nível de confiança dos sistemas de controle. Rotinas de
autodiagnóstico auxiliam na detecção automática de modos de falha e
permitem, sem transparecer ao motorista, alterações em procedimentos
para que o sistema continue operando sem prejuízos à segurança.

Percebemos então, com esta breve análise, que os sistemas by-wire


caminham na direção desejada pelos clientes e pelos fabricantes de veículos na
Europa. O mesmo ocorre nos Estados Unidos e no Japão e, em alguns anos,
ocorrerá nos mercados emergentes, em que se encontra atualmente o Brasil.

A Figura 16.3 apresenta o diagrama de um sistema de freios by-wire


(brake-by-wire) que mostra vários sensores e atuadores eletromecânicos, além
de módulos eletrônicos de controle (ECUs) e dois barramentos de dados, sendo
um deles redundante por razões de segurança.

Sistemas X-BY-WIRE 177


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Sensores Atuadores
- -
l , (.,..1 C)
~

J
• J

,
' r 'r r

Interação com Feedback Unidade


o motorista do sistema assistente

ECU 1 ECU 1 ECU 1


ECU O ECU O ECU O

Barramento de dados

Barramento de dados
redundante

ECU : Electroníc Controi Unit - ECU 1 ECU 1


(Unidade eletrôn ica de controle) ECU O ECU O
Controle do Controle do
eixo dianteiro eixo traseiro
' • J
• ' • '•
, 'r ,.. .., ' • r
-l 1
- '
l1 ,
'

- - - -
Sensores Atuadores Sensores Atuadores

Figura 16.3 - Diagrama de um sistema de freios.

16.2.1 Requisitos dos sistemas by-wire


Apesar de muitas vezes óbvios, va le mencionar alguns requ isitos mínimos,
que precisam ser atendidos pelos sistemas by-wire automotivos a serem
util izados em escala industrial, ou seja, com razoáve l vo lume de produção:

• Segurança: mesmo sob cond ições de falha o sistema deve operar sem
oferecer riscos aos passageiros.

• Confiabilidade: o nível de confiança comprovada (potencial de falhas)


em sistemas desse tipo deve ser, no mínimo, igua l ao dos sistemas
• • A •
convenc1ona1s mecan ,cos.

• Disponibilidade: a disponibilidade de peças e componentes de sistemas


desse tipo deve ser, no mínimo, igual à dos sistemas convenciona is
A •
mecan,cos.

• Manutenção: as solicitações de manutenção, por exemp lo, interva los


entre rev isões, desses sistemas devem ser, no máximo, iguais às dos
• • • A •
sistemas convenc1ona1s mecan ,cos.

178 Eletrônica Embarcada Automotiva


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• Tempo de vida: no mínimo igual ao dos sistemas atualmente utilizados.

• Custo: no máximo igual ao dos sistemas atualmente util izados.

• Empacotamento: o volume ocupado pelo sistema dentro do veículo


deve ser o menor possíve l, perm itindo a flexib ilização da instalação e a
facilitação da remontagem e eventual reparação posterior.

• Legislação: deve atender a todos os requisitos legais. No Brasil cobertos


pelas regu lamentações descritas pelo CONTRAN.

Em adição, quando anal isamos os requ isitos específicos de cada sistema


ou apli cação, deparamo-nos com uma série de condições que devem ser
atendidas pelo sistema em questão. Tomemos como exemplo o sistema de freios
by-wire (brake-by-wire). A Figura 16.4 il ustra os quatro elementos técn icos
fundamentais em um sistema by-wire.

Protocolo ide
. -
comun,caçao
Sensores

X-by-wire

3
Sistema de
alimentação
Atuadores
- -

Figura 16.4 - Elementos técnicos fundamentais.

• Sensores: exige-se redundância tripla no pedal do freio.

• Atuadores: os atuadores do freio devem ser livres de torque ou pressão


em eventos de perda de energização do sistema, por exemplo, quando
há rompimento do cabo da bateria.

• Sistema de alimentação: dois circuitos distintos de alimentação são


exigidos (aplicação de linhas redundantes de alimentação).

• Protocolo de comunicação: deve ser um protocolo classe C, de alta


velocidade, conforme norma SAE, com rotinas de detecção e proteção
contra fa lhas.

Sistemas X-BY-WIRE 179


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16.2.2 Detalhes técnicos
• Sensores: componentes com funcionamento similar ao dos poten-
ciômetros convencionais não podem ser utilizados em sistemas
by-wire. Potenciômetros trabalham com superfícies atritantes entre si,
que sob condições adversas de funcionamento ou em ambientes
nocivos, acabam se degradando prematuramente.

O ideal é utilizar sistemas indutivos, cuja medição ocorre através da


captação de diferentes campos magnéticos, em direção e intensidade, sem a
necessidade de contato físico entre as partes. A Figura 16.5 mostra o esquema
de funcionamento de um sensor indutivo.

Rotor

Eletrônica
. •

Bobina de excitação Bobina de recepção

Figura 16.5 - Esquema de funcionamento de um sensor indutivo. (Fonte: www.hella.com)

As Figuras 16.6, 16.7 e 16.8 mostram componentes físicos, fabricados


pela empresa Hei la, que trabalham com sensor indutivo. Destaque para a forma
circular do circuito impresso sobre as placas, característico dos sensores
acoplados a eixos, utilizados para a medição de rotação ou posição .

Figura 16.6 - Sensor Figura 16. 7 - Sensor Figura 16.8 - Sensor


indutivo 1. indutivo 2. indutivo 3.
(Fonte: www.hella.com) (Fonte: www.hella.com) (Fonte: www.hella.com)

180 Eletrônica Embarcada Automotiva


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Outra questão importante sobre os sensores é que eles devem ser sensíveis
às falhas. Existem duas formas para garantirmos essa "sensibilidade":

1) O sensor pode interpretar seu próprio sinal e detectar eventuais falhas de


leitura.

2) O sinal pode ser enviado a uma Unidade Eletrônica de Controle, que


identifica eventuais falhas no sinal lido pelo sensor.

Com a finalidade de aumentar a confiabilidade da leitura dos sinais,


sensores redundantes, ou até mesmo três sensores, são considerados. Desta
forma, os sinais podem ser comparados e as decisões corretamente tomadas
pelos sistemas.

• Atuadores: são utilizados na "ponta do sistema", na atuação sobre a


direção ou frenagem das rodas, por exemplo, e eventualmente nas
peças de contato direto com o motorista, como o volante de direção,
aumentando o seu esforço para transmitir ao motorista a sensação de
acionamento efetivo. Veja a seguir a especificação de um atuador
utilizado em sistemas by-wire. A Figura 16.9 apresenta o atuador de
controle de um turbocompressor.

Algumas características do atuador:


• Design tolerante a falhas

• Dois motores DC sem escovas (brushless)

• Tensão de operação - 42V

• Velocidade máxima de deslocamento - 150 mm/s

• Força máxima de atuação - 1OKN

Figura 16.9 - Atuador de controle de turbocompressor. (Fonte: www.hella.com)

• Fonte de alimentação: atualmente, em veículos não equipados com


11 11
sistemas by-wire, o fato de perder a bateria, o que coloquial mente
chamamos de acabar a bateria, o rompimento de uma correia dentada
ou a quebra do alternador não causam grandes impactos na segurança
dos ocupantes. No caso dos veículos equipados com sistemas by-wire,
a perda da alimentação causaria a interrupção do funcionamento
desses sistemas. Há diversos requisitos à arquitetura de alimentação
elétrica dos sistemas by-wire:

Sistemas X-BY-WIRE 181


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- Confiabilidade é fundamental, com pelo menos dois circuitos de
alimentação distintos (redundantes);

- Alta capacidade de fornecimento elétrico, em virtude da demanda


proveniente dos sistemas by-wire;

- Capacidade de gerenciamento de potência e de seus consumido-


res, dando prioridade de fornecimento aos sistemas de segurança;

- Valores de tensão superiores aos atualmente utilizados, pos-


sibilitando a redução da corrente elétrica consumida (o conceito
42V pode ser a solução para o atendimento a este requisito).

• Componentes eletrônicos dos módulos de controle: microcontrolado-


res e memórias também devem estar equipados com dispositivos de
detecção e tratamento de falhas. Os principais são temporizadores
Watchdog, lógicas EDC (Errar Detection Coding) e BIST (Built-in Self
Test), além de monitoramento do fluxo de execução utilizando assina-
turas dos blocos de instruções.

16.3 Sistemas by-wiree a alimentação 42V


Como citado anteriormente, os sistemas by-wire tendem a demandar a
aplicação do sistema de alimentação 42V. Independentemente disso, é sabido
que o conteúdo eletroeletrônico dos veículos atualmente comercializados tem
crescido rapidamente. Com a mesma intensidade, vemos crescer a demanda por
corrente elétrica e, consequentemente, a necessidade de aprimoramento dos
componentes ligados ao sistema de carga, basicamente bateria, alternador e
chicotes elétricos. A Figura 16.1 O mostra uma curva que descreve a evolução,
do ano de 1920 ao ano de 2020, da potência consumida por um veículo médio.

182 Eletrônica Embarcada Automotiva


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Potência
(Watts)
12:000
10000 -

8000 /
6000
4000
.
-
2000
. -
. -
o . 1
' • • " ' ' 1
' 1

1920 1
1930 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000 201 O 2020
Ano

Figura 16.1O- Curva de evolução histórica da potência consumida.

Potência= TensãoxCorrente ou P[W] = U[v]xl[A]

em que: W = watts
V= volts
A= ampere

Figura 16.11 - Equação elementar da potência elétrica.

Considerando a relação entre três das principais grandezas elétricas


(potência, tensão e corrente), apresentada na Figura 16.11, se mantivermos a
tensão em 12V, consequentemente a corrente tem de aumentar para que a
potência necessária seja atingida. Se aumentarmos a tensão para, por exemplo,
42V, podemos ter a mesma potência elétrica consumindo cerca de um terço da
corrente consumida em 12V. A Figura 16.12 mostra graficamente as curvas que
representam as duas condições.

Corrente elétrica (A)


900
800 Corrente em 121 /
700
600 /
500
400
300 ~ orrente em 42V
200 .

100
o •
• • • • • • • • • •
1920 1930 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000 201 O 2020
Ano

Figura 16.12 - Curvas de potência em 12V e 42V.

Sistemas X-BY-WIRE 183


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As pessoas que decidirem se aprofundar no tema X-by-wire podem
encontrar diversos artigos e trabalhos que associam os sistemas by-wire ao
conceito 42V de ai i mentação.

16.4 Protocolos de comunicação nos aplicações by-wire


Como ilustrado na Figura 16.3, as funções de um sistema by-wire são
distribuídas entre dois ou mais módulos eletrônicos de controle. Assim, um
protocolo de comunicação deve ser utilizado. Conforme a SAE (Society of
Automotive Engineers), existem três classes de protocolos de comunicação,
Figura 16.13:

• Classe A - até 1OKbps (em que Kbps = 1.000 bits por segundo)
• Classe B - até 125Kbps

• Classe C - acima de 125Kbps

Maior velocidade
Maior segurança
i 1 ,,'ff
1 1 ,, ,,
---------------~---------------~-----------------------------~---
____,,,, ,1
1
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1 l
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1 1