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Filosofia

Professor Cristian Rodrigues

O Contrato Social – Rousseau e a ética da compaixão

EJA 3º Termo – Ensino Médio

Como vimos na atividade anterior, para Thomas Hobbes, o homem é naturalmente


mal e a sociedade é formada com o objetivo de tentar diminuir a tendência humana para
o conflito. Contudo, para Jean Jacques Rousseau, filósofo francês do século XVII, a o
contrato social instaura exatamente o contrário: em estado de natureza, o ser humana é
bom e piedoso. É a vida em sociedade, depois de organizado o pacto social, que nos torna
maus e egoístas. Segundo Rousseau, antes do homem iniciar o processo de socialização,
ele vivia só e satisfazia plenamente suas vontades, apenas ligadas às necessidades do
corpo e à autopreservação. Sem estabelecer laços familiares ou vínculos sociais maiores,
o homem vivia em paz e em tranquilidade, sem necessidade de leis e normas, pois a
piedade, para o filósofo uma virtude natural, faria com que os homens evitassem causar
mal e sofrimento para o outro. “Esse estado de felicidade original, no qual os humanos
existiam na condição de bom selvagem inocente, teria terminado quando alguém cercou
um terreno e disse: “É meu”. A divisão entre o meu e o teu, isto é, o surgimento da
propriedade privada, deu origem ao estado de sociedade, no qual prevalece a guerra de
todos contra todos.” (CHAUÍ, 2013, p. 269).

Texto I – Discurso Sobre a Origem da Desigualdade Entre os Homens

Unamo-nos para defender os fracos da opressão, conter os ambiciosos e assegurar a cada um a posse
daquilo que lhe pertence, instituamos regulamentos de justiça e de paz, aos quais todos sejam
obrigados a conformar-se, que não abram exceção para ninguém e que, submetendo igualmente a
deveres mútuos o poderoso e o fraco, reparem de certo modo os caprichos da fortuna. Numa palavra,
em lugar de voltar nossas forças contra nós mesmos, reunamo-nos num poder supremo que nos
governe segundo sábias leis, que protejam e defendam todos os membros da associação, expulsem os
inimigos comuns e nos mantenham em concórdia eterna. [...]

Fora preciso muito menos do que o equivalente desse discurso para arrastar homens grosseiros, fáceis
de seduzir, [...] todos correram ao encontro de seus grilhões, crendo assegurar sua liberdade [...] Tal
foi ou deveu ser a origem da sociedade e das leis, que deram novos entraves ao fraco e novas forças
ao rico, destruíram irremediavelmente a liberdade natural, fixaram para sempre a lei da propriedade e
da desigualdade, fizeram de uma usurpação sagaz um direito irrevogável e, para proveito de alguns
ambiciosos, sujeitaram doravante todo o gênero humano ao trabalho, à servidão e à miséria.
ROUSSEAU, Jean-Jacques. A origem da desigualdade entre os homens. Companhia das Letras,
2017.
É importante ressaltar que, para Rousseau, não deveríamos tentar simular um estado de
natureza ou voltar para esse momento. Isso não seria sequer possível. Segundo o filósofo,
seria preciso minimizar as desigualdades que são geradas pelo convívio humano e pela
existência da propriedade privada. Os ricos e os poderosos, de acordo com ele, usariam o
contrato social para justificar sua riqueza e defender a segurança do seu status.

Questão I – Retomando a atividade anterior, em que discutimos a filosofia política de


Thomas Hobbes, responda: como Hobbes e Rousseau definiram os conceitos de estado
de natureza e contrato social?

Questão II – De acordo com texto de Rousseau, quais seriam as consequências do


estabelecimento da propriedade privada?