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1- Existe a inconstitucionalidade formal quando há vício do processo legislativo, ou seja, quando a

forma prevista na Constituição para se apresentar e aprovar uma lei é desrespeitada. Um exemplo
disso é a usurpação de competência exclusiva do Presidente da República para apresentar projeto de
lei. Já na inconstitucionalidade material, há uma divergência ideológica ou quanto ao conteúdo da
lei em relação as normas constitucionais. Um exemplo disso seria um projeto de lei que visa abolir
o voto secreto no Brasil, uma vez que isso contraria materialmente uma norma constitucional.
Também existe a inconstitucionalidade total, que ocorre quando todo o ato normativo é
inconstitucional e a inconstitucionalidade parcial, que abrange somente parcelas da norma jurídica.
Além disso, é relevante expor a inconstitucionalidade por ação, quando o objeto da
inconstitucionalidade é um ato do poder público e a inconstitucionalidade por omissão, quando o
objeto da inconstitucionalidade é uma omissão do poder público. Na inconstitucionalidade direta, há
uma contradição imediata entre o ato normativo e a norma constitucional, enquanto na indireta, o
ato normativo, antes de violar a constituição, viola uma norma infraconstitucional a qual está
subordinada, ou seja, o ato, antes de negar a constituição, desrespeita a lei. Sobre a
inconstitucionalidade originária, a norma nasce inconstitucional segundo o parâmetro vigente. É o
caso de uma lei ordinária editada em 2021 que viole a constituição de 1988. Já na
inconstitucionalidade superveniente surge quando uma nova ordem constitucional é declarada,
tornando uma norma infraconstitucional antiga inconstitucional. No entendimento do STF, não
existe inconstitucionalidade superveniente, já que a inconstitucionalidade, segundo o tribunal, é
sempre declarada em relação ao parâmetro vigente na época da norma. Desse modo, o que ocorre
quando uma norma infraconstitucional antiga se choca com a Constituição nova é a revogação ou
não-recepção da norma.

2- São a teoria da nulidade e a teoria da anulabilidade. A primeira surge nos Estados Unidos com o
caso Marbury vs Madison, caso em que o juiz Marshall concluiu que quando uma lei estadual ou
ato governamental entra em conflito com a Constituição Federal, o ato em questão é inválido, por
ser inconstitucional. Esse entendimento serviu de base para o judicial review nos EUA e para o
controle difuso de constitucionalidade. Nessa teoria, a lei inconstitucional é nula e vazia, não
podendo produzir efeitos válidos e sendo um ato viciado desde o início. Sendo assim, a declaração
de inconstitucionalidade é um ato meramente declaratório, gerando efeitos retroativos (ex tunc). A
segunda teoria surge na Áustria com o jurista Hans Kelsen, sendo aplicada pelo Supremo Tribunal
Constitucional Austríaco, que visa anular as normas incompatíveis com a Constituição. A teoria da
anulabilidade afirma que ato inconstitucional é anulável, produzindo efeitos até a declaração de
inconstitucionalidade, cujos efeitos não retroagem (ex nunc). Assim, a decisão tem caráter
desconstitutivo, ou constitutivo-negativo e não declaratório como na teoria da nulidade.

3- Na constituição imperial de 1824, outorgada por D. Pedro I, não havia controle de


constitucionalidade exercido pelo poder judiciário, uma vez que era atribuído ao poder legislativo o
poder de zelar pela guarda da Constituição. Na Constituição Republicana de 1891, sob a influência
do constitucionalismo americano, foi introduzido no Brasil o controle difuso de constitucionalidade,
dando competência ao Supremo Tribunal Federal para rever as sentenças das justiças estaduais,
quando se questionasse tratados ou leis federais ou quando se contestasse a validade de leis ou de
atos dos governos locais em face da Constituição ou de leis federais. Na Constituição de 1934, o
constituinte determinou que a regra de declaração de inconstitucionalidade somente seria realizada
pela maioria da totalidade de membros dos tribunais, evitando a insegurança jurídica advinda da
constante mudança no entendimento dos tribunais. Essa constituição também inovou dando
competência ao Senado Federal para interromper ato normativo que o judiciário tenha declarado
inconstitucional, dando eficácia erga omnes as decisões do Supremo Tribunal Federal. A
Constituição de 1937, por ter sido criada durante a ditadura de Getúlio Vargas, não trouxe grandes
inovações nesse sentido. A Constituição de 1946 manteve o controle difuso de constitucionalidade e
inovou ao determinar que o Supremo Tribunal poderia julgar representação contra
inconstitucionalidade de lei ou ato de natureza normativa federal ou estadual quando encaminhada
pelo Procurador Geral da República.