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MANUAL DO PROFESSOR

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Física Aula por Aula
Ti r gia •Óptica• Ondulatória
ENSINO MÉDIO
COMPONENTE CURR ICULAR
FÍSICA

Benigno Barreto filho


Mestre em Educação na área de Ensino, Avaliação e Formação de professores pela Universidade Estadual de Campinas.
Especialização na área de Educação em Física pela Universidade Estadual de Campinas.
Licenciado na área de Ciências e Física pelo Instituto Superior de Educação Santa Cecília.
Assessor de Física e Matemática em escolas públicas e particulares.
Professor de Física e Matemática das redes estadual e particular de São Paulo.

Claudio Xavier da Silva


Especialização em Educação Matemática pela Universidade Estadual de Montes Claros.
Licenciado na área de Ciências e Matemática pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras das Faculdades Associadas do lpiranga.
Assessor de Física e Matemática em escolas públicas e particulares.
Atuou como professor e coordenador pedagógico na rede particular de ensino em São Paulo.
Professor universitário na rede particular de Minas Gerais.

3ª edição
São Paulo- 2016
MANUALDO
fT(j PROFESSOR

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fT(j
Copyright© Benigno Barreto Filho, Claudio Xavier da Silva, 2016

Diretor editorial Lauri Cericato


Gerente editorial Flávia Renata P. A. Fugita
Editora Cibeli de O liveira Chibante Bueno
Editores assistentes VaJéria Rosa Martins, Sandra Dei Cario,
Eduardo O liveira Guaitoli, Yara Valeri Navas
Assessoria Davi José dos Santos Guimarães, João de Paiva,
Paula Feijó de Medeiros
Gerente de produção editorial Mariana Milani
Coordenadora de arte Daniela Maximo
Projeto gráfico Casa Paulistana
Projeto de capa Bruno Attili
Foto de capa Thais Falcão/Olho do Falcão
Modelos da capa: Andrei Lopes. Angélica Souza,
Beatriz Raielle. Bruna Soares, Bruno Guedes, Caio
Freitas, Denis Wiltemburg, Eloá Souza, Jarda Gomes,
Karina Farias, Karoline Vicente, Letícia Silva, Lilith
Moreira, Maria Eduarda Ferreira, Rafael Souza, Tarik
Abdo, Thaís Souza
Editora de arte Isabel Cristina Corandi n Marques
Diagramação Adriana M . Nery de Souza, Eduardo Benetorio,
Gabriel Basaglia, José Aparecido A . da Silva,
Laura Alexandra Pereira, Sara Slovac Savero
Tratamento de imagens Eziq uiel Racheti
li ustrações e cartografia Ilustradores: Alberto de Stefano. Alex Argozino,
Antonio Robson, Eunice Toyota, Grace Arruda,
Luis Moura, Mariana Coan. Marcos Aurelio.
Maria Pita, Paulo César Pereira, Paulo Nilson,
Rafael Herrera, Rigo Rosario Jr.• Studio Caparroz,
Tarumã, Walter Caldeira
Cartografia: AHmaps
Coordenadora de preparação e revisão Lilian Semenichin
Supervisora de preparação e revisão lzabel Cristina Rodrigues
Revisores: Carolina Manley, Célia Regina Camargo,
Cristíane Casseb, Desirée Araújo, Dilma Dias Ratto,
Iara R. S. M letchol. Juliana Rochetto. Jussara Gomes,
Lilian Vísmari. Pedro Fandi, Renato Colombo Jr. ,
Regina Barrozo, Solange Guerra
Coordenador de Iconografia e Autorizações Expedito Arantes
Iconografia Mareia Trindade
Diretor de operações e produção gráfica Reginaldo Soares Damasceno

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Barreto Filho, Benigno
Física aula por aula : termologia, óptica. ondulatória.
2 2 ano / Benigno Barreto Filho, Claudio Xavier da Silva.
- 3. ed. - São Paulo : FTD, 2016. - (Coleção física aula
por aula)

Componente curricular: Física.


ISBN 978-85-96-00316-2 (aluno)
ISBN 978-85-96-00317-9 (professor)

1. Física (Ensino médio) 1. Silva, Claudio Xavier da.


l i. Título. Ili. Série.

16-02666 CDD-530.07
Índices para catálogo sistemático:
1. Física : Ensino médio 530.07

Em respeito ao meio ambiente, as folhas


Reprodução proil,;da: Art 184 do Código Penal e lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. desle livro loram produzidas com fibras
Todos os direitos reservados â obtidas de arvores de floreslas plantadas.
com origem certificada.
EDITORA FTD S.A.

Rua Rui BaJbosa, 156 - Bela Vrsta - São Paulo-SP Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD S.A.
CEP 01326-010 - Tel. (O-XX-11) 3598-6000 CNPJ 61.186.490/0016-33
Caixa Postal 65149 - CEP da Caixa Postal 01390-970 Avenida Antonio Bardella, 300
www.ftd.com.br Guarulhos-SP - CEP 07220-020
E-mail: central.ate ndimento@ftd.com.br Tel. (11) 3545-8600 e Fax (1 1) 2412-5375

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Apresentação

Caro aluno,

Este é o início do estudo de uma parte do conhecimento


construído pelos seres humanos: a Física. Existem evidências de que,
desde os primeiros momentos da história da humanidade, o ser
humano observava o céu à procura de ordem e repetições e, por
meio delas, elaborava compreensões dos diversos fenômenos da
natureza. Na época, prever os ciclos do céu, como as fases da Lua ou
o ocaso das constelações, era vital para a sobrevivência, pois eram
relacionados com os ciclos terrestres, como as chuvas, as cheias dos
rios e as épocas de plantação e de floração.
Desde esse tempo, o conhecimento sempre foi muito importante
para a sobrevivência dos seres humanos. Sempre existiram seres
curiosos, posteriormente chamados de cientistas, que se dedicaram
a descobrir o funcionamento do universo a sua volta. O estereótipo
do cientista de jaleco branco trancado em um laboratório e meio
excêntrico não pode mais ser considerado verdadeiro. Como carreira
profissional, os cientistas trabalham em colaboração com outros
para elaborar interpretações sobre a natureza . Se em a lgumas
investigações, os cientistas lançam mão de novos conceitos e podem
obter elegantes explicações, em outras, e na grande maioria,
percebem que a explicação não está adequada e acabam por buscar
outras mais satisfatórias.
Assim é a viagem pela Ciência, a cada nova etapa há formas
diferentes de recortar o mundo, que são capazes de levar nossa
mente para perguntas que nem percebíamos que existiam. Isso
faz da Ciência uma construção de conhecimento vivo, dinâmico e
cheio de novos enigmas.
Esta obra conta com a mediação do seu professor, para que, juntos,
possamos participar desse admirável exercício do raciocín io: do fazer
e refazer, do perguntar e responder, de momentos de infelicidade e
de grandes alegrias, do errar e do acertar na busca de soluções ou
simplesmente na busca de novas perguntas capazes de satisfazer a
nossa humanidade. Esperamos, com isso, contribuir para q ue você
desenvolva seus estudos de forma criativa, agradável e estimu lante.
Os autores

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As Unidades
são apresentadas
com uma ou
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Você deverá ,-,.--~
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refletir e anotar
sua resposta no
caderno.
os Exercícios resolvidos
ilustram a aplicação dos
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físico na tecnologia e na
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algumas questões diversas e de
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dos conhecimentos Pense além abordam o
que você já possui. conceito físico de maneira lúdica,
descontraída e bem-humorada,
ou promovem reflexões sobre a
sua realidade local.

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Após o
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resposta e conferir
A seção Física no cinema
a resolução na
promove uma d iscussão de conteúdos
seção De volta
de Física presentes em filmes. Nela os
ao começo.
conhecimentos podem ser testados e
aplicados em outros contextos .

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A seção Exercícios
complementares
é um momento de
avaliação. Presente em

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A seção Lendo a Física consta de atividades que partem A seção Pare e pense
da leitura de textos sobre a história da Física, muitas vezes de apresenta questões e situações-
textos de cientist as. Nela é possível ver a origem de conceitos -problema que ajudam na
ou pri ncípios. ref lexão inicial de cada conceito.

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UNIDADE 1 - Os caminhos da Física ........... ...9 • Capítulo 5: Mudança de estado físico ............... 59
~ Capitulo 1: A Termologia e a Óptica na 1. Estados físicos da matéria ................... ·····-········.59
sociedade ·····················-·- ···· .10
2. Curva de aquecimento e resfriamento........ ..60
1. Termologia: uma breve história das Calor latente .61
máquinas térmicas. ................................·- ········ .1O
Você sabia'? - Como a transpiraç.ã o ajuda na regulação
2. Óptica: o registro e a representação na História ........... 14 da temperatura do corpo huma no? ............................ ....63
3. Alguns dos métodos da Fisica: falseamento . 18 3. Representação de mudanças de estado.. 64
Você sabia? - Conhecendo um t isico brasileiro - Curva de fusão ................................................................ . 64
Mário Schenberg ..........................................·-···························· 19 Curva de ebulição ............................................... ....65
Lendo a Física - Uma breve história da luz ...... ............. 20 Pressão máxima de vapor... .............................. ........ 66
Curva de sublimação ··················-······ ....66
De volta ao começo ....... . .... 22
4. Diagrama de estados físicos ...... .. .......67
Ponto crítico..................................... ..6 7
UNIDADE 2 - Termologia ·-·- ·· ·· ······ · ······-·· 23
~ Capitulo 2: Temperatura e suas medidas . ........ 24
Pense além - Gelos mágicos................................................... ..........70

1. Calor e temperatura ... ....... 24 • Capítulo 6: Processos de troca de calor............ 7 1


Calor .......................... ................ 24
1. Formas de transmitir calor ....................................... ............. 7 1
Equilíbrio térmico .................................. .................... 25
2. Transmissão de calor por condução ..................... .71
Temperatura ............ ....... 25
Lei de Fourier·-·· ········· ···················· ·······--· ···-··· ············-·-······ .72
2. Termômetro e medida de temperatura ....... 27
Você sabia'? - Por que uma pessoa se encolhe
3. Escalas termométricas ............. 28 ao sentir frio?. ......................... .74
Escala Celsius..........·-······ ............. 28
3. Transmissão de calor por convecção ....75
Escala Fahrenheit . 28
Escala absoluta ou escala Kelvin ...... ........ 28 Você sabia'? - Por que, ao ferver, o leite
Comparação entre a s escalas .................... ...29 sobe, e a água não? .... 78

Você sabia? - Qual é a cidade mais f ria do mundo? 4. Transmissão de calor por radiação............ .78
E a mais quente?................. ......... 32 Pense além - Animais homeotérmicos ...82
Você sabia'? - Como os polos ajudam
~ Capitulo 3: Dilatação térmica ........... ····················-·······. 33
a manter o equilíbrio térmico da Terra? .......82
1. Dilatação dos sólidos .... ...................... 33
Dilatação linear......_ ...........-34 Exercícios complementares .. ........................... 83
Dilatação superficial............... ....................... 36 De volta ao começo..................... .................................. .... 86

Você sabia? - Como os termostatos


economizam energia? ...................................................................................... 38 UNIDADE 4 - Estudo dos gases
e Termodinâmica .................................................................... ..............87
Experimente a Física no dia a dia - Dilatação e
os fios elét ricos.............. ................................. .. .......... 39 • Capítulo 7: Comportamento térmico
Dilatação volumétrica ..... ..................... 40 dos gases.................................................................................................... 88
Pense além - Inversão na escala de temperatura ...... 40 1. Estado termodinâmico de um gás ................. ... 88
Dilatação de sólido oco ........... ·-·-··· ..... ...... 41 2. Transformações gasosas 1.............................................. 88
Pense além - A história da técnica .........................
Transformação isotérmica (lei de Boyle-Mariotte)._...... .89
....... 42
Transformação isobárica (1• lei de Charles/Gay-Lussac) ...89
Você sabia? - O zero absoluto, o acelerador
Tra nsformação isovolumétrica (2• lei de
de partículas e a Física Moderna......... .......43 Charles/Gay-Lussac)_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _90
2. Dilatação dos líquidos.................... ·························· ...... 44 3. Lei geral dos gases ................ .............................................. ..91
3. Dilatação anômala da água...... .......45
Você sabia'? - Como alguns fenômenos naturais
Exercícios complementares .................... 47 estão associados à variação térmica? ....93
De volta ao começo .. ·-··················· 48 Experimente a Física no dia a dia - Transformações
termodinâmicas com o ar. .. 94
UNIDADE 3 - Calor: energia em 4. Equação de Clapeyron ............................................... .............95
movimento..................... ........................................ ...............49 Pense além - Quando calibrar os pneus? ........... . 96
~ Capitulo 4: Quantidade e trocas de calor ...... 50
5. Teoria cinética dos gases................... .97
1. Calor e variação de temperatura........... ....... 50 Relação da pressão e da temperatura
Calor sensível e calor latente...... ....... 50 com a energia cinética média de um gás .... ....97
Capacidade térmica e calor especifico ....... _____ 51
Você sabia'? - O gás natural veicular e o ambiente ···-·-····- 10 1
2. Equação fundamental da Calorimetria .......... ... 52
• Capítulo B: As leis da Termodinâmica
Você sabia'? - Por q ue as t e mperaturas
são tão extremas no deserto?................................ 54 e as máquinas térmicas................................................ ····-·- 102
1. Trabalho em uma transforma~ão gasosa ........... 102
3. Trocas de calor e calorímetro. ................... 55
2. Energia interna de um gás perfeito_.......... .... 105
Experimente a Física no dia a dia - Modelando
as trocas de calor................... ..................................................... ......... 58 3. Primeira lei da Termodinâmica ............................................ 107

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4. Transformações gasosas 11________..... ....... 108 2. Espelhos planos ········-······- .. ·· ··- .. ............. ·······-······ 152
Transformação isotérmica (temperatura constante) .... 108 Ponto objeto e ponto imagem.......... ........................ .... 152
Transformação isovolumétrica (volume constante) ...... 108 3. Construção de imagens no espelho plano.... .... 153
Transformação isobárica (pressão constante) ................. 109
Imagem de um objeto pontual ....... . 153
Transformação adiabática (sistema i.s olado
termicamente) ........................... .. ................... ···-· ...... 109 Imagem de um objeto extenso ..........·--·········· ....... 153
Campo visual de um espelho plano... 154
Você sabia? - Qual a relação entre as capacidades
calorificas c. e c) ...... ························-·-················ .......... 110 Pense além - Como vou explicar isso
Transformação cíclica...... ....... 11 1 para a minha irmã? ·········-·······-···········-- ········-···· 155

5. Máquinas térmicas... ..... 113 4. Deslocamento de um espelho plano · ·-·· 156


Rendimento de uma máquina térmica .... 114 Translação de espelho plano ..... 156
Rotação de um espelho plano em torno de um eixo____ 157
Pense além - Termodinâmica e o ambiente .. ...... 115
5. Associação de espelhos planos........·-········ --·-----·-···· 160
6. Segunda lei da Termodinâmíca..... ... 116
Você sabia? - Como funciona o periscópio? .. .............. 161
Máquinas frigoríficas ... .......... 116
Ciclo de Carnot .... 117 Física no cinema - A origem ········-······· .... 162
Noções de entropia ... 118 Experimente a Física no dia a dia -
Pense além - Na nat ureza, é possível ocorrer qualquer Frente a frente com o espelho ..... ················-··· ··164
tipo de transformação espontaneamente? ............. .... 121
Física no cinema - 500 anos: O Brasil Império na TV ...... 122 ~ Capítulo 11: Reflexão da luz nos
Você sabia? -As leis da Termodinâmica e a espelhos esféricos.-·-·---·-·----·-·--·- ··-·- 165
Física Moderna ........... ...... 124 1. O espelho esférico ... ········-·········- ·· ············-······ 165
Exercícios complementares .... 125 Principais e lement os de um espelho esférico.. ....... 166
De volta ao começo....... ..1 28 Espelho côncavo .... 167
Espelho convexo ............ ............ 167
Distância focal .......... .1 67
UNIDADE 5- Óptica ..... ···-·-······················ .... 129
2. Propriedades dos raios incidentes nos
~ Cap_ítu~o 9: Introdução ao estudo espelhos esféricos........................... ·····-······168
da Optlca.....-·-·-···-···· ...... ··-·-····· .. -·-·-····-··· ..... 13 o Pense além - Espelho estranho............................. .............. 170
1. Um pouco sobre a luz..............................................·-·················-······· 130
Você sabia? -A Óptica proporciona iluminação e
2. Fontes de luz..... ··· ····················- .... 130
aquecimento com o uso de lanternas e
Fontes primárias e secundárias ............................................... 130 coletores solares...... .............................. .. 171
Fontes pontuais e extensas ......·-·························· 131
3. Construção de imagens nos espelhos
3. A velocidade da luz e sua propagação .... ·-·-·-·········-·-······ 131 esféricos... .......... 172
Raio de luz ............... .. --········· ···-······· .... 131 Espelho côncavo ........................................ ......................... ....... 172
Feixe ou pincel de luz ....................................... 131 Espelho convexo...................................... ····--·-·····-1 73
Velocidade da luz.·-············ .... 132
4 . Referencial e equação de Gauss para
Meios físicos... ...................... 133 os espelhos esféricos.......................................... .174
4. Princípios da Óptica geométrica ...................... .... 136 Equação de Gauss e equação do aumento linear .......... 174
Propagação retilínea dos raios de luz ................................ 136
Você sabia? -Qual a dife rença entre
Independência dos raios de luz ................ .... 137
o espelho esférico e o parabólico?....·-······· .178
Reversibilidade dos raios de luz.................. 138
Experimente a Física no dia a dia - Formando
Você sabia? - Como ocorrem os eclipses? .. ...... 140
imagens 1 .......................... ....... 179
5. Fenômenos ópticos ................. 142
Reflexão da luz ........ .... 142 • Capítulo 12: Refração da luz ····-·- 180
Absorção da luz .... .... 143 1. O fenômeno da refração..................... ....... 180
Refração da luz.......... .......... 143 Índice de refração... . 181
Dispersão da luz..... --··-··--········--···········--··········· .... 143
2. Leis da refração _ .1 82
Espalhamento da luz.................·-·-···--···· ..................................... 144
O índice de refraçâo e o desvio da luz ....... .......................... 183
Você sabia7 - O que a refletância tem
3. Refração em situações particulares__ ········-····· 185
a ver com a segurança no trânsito? ..... ...................................... 145
Dioptro plano . ... _ ... 185
6. A natureza da luz ... ............ 146 Lâminas de faces paralelas ..................... ····-··· 185
Modelo corpuscular da luz. ................... 146
Você sabia? - Por que podemos ter ilusão de
Modelo ondulatório da luz .... 147
movimento quando olhamos para uma
O comportamento dual da luz . .......................... .... 147 queda-d "água? ....................................................... ........... 187
Lendo a Física - Sobre a propagação retilínea
4. Ângulo limite e reflexão total........ ........... 188
dos raios de luz. ..·-··············· ·····················-·-········ .... 148
Pense além - A observação de uma estrela
Pense além - A Física encontra a Arte .... 150
e a interferência da refração atmosf érica ................ . ···-···-19 1
~ Capítulo 10: Reflexão da luz Você sabia? -Porque vemos miragens no deserto?............ 191
nos espelhos planos . .. 151 5. Prismas ópticos .......................................... ··-···· 192
1. Reflexão da luz .... 151 Desvio mínimo ·······················-················ ·····-···· 193
Leis da reflexão ..._ ...... 151 Prismas de reflexão total.................... .... · ···-····· 193

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Experimente a Fisica no dia a dia -
• Capítulo 16: Ondas e fenômenos
A mágica da refração .......... ............................. ...... 195
ondulatórios ··················-·-·-···- ......... 232
Você sabia7 - Como funcionam as fi bras ópticas?................ 195
1. Movimento ondulatório... .... 232
~ Capítulo 13: Lentes esféricas ..... . .......... 196 Mas, afi nal, o que é uma onda?..... .... 232
1. A lente esférica ...... 196 2. Classificação das ondas ...................... ..........233
Lente delgada convergente e divergent e ......... .... 197 Ondas mecânicas e eletromagnéticas........... ....... 233
Principais elementos de uma lente esférica..... ...... 198 Ondas transversais e longitudinais ......................................... 233
Focos de uma lente . ..... 198 Pense além - Ondas de caixas de fósforo .............. 234
Propriedades dos raios incidentes nas le nte~ .199
3. Propagação de um pulso em
2. Construção geométrica de imagens .......... 199 um meio unidimensional. ................... 235
Lent e convergente ......................................... ........ 200
4. Elementos de uma onda .... .... 235
Lent e divergente_ ..... 200
Frente de onda .237
Você sabia7 - Como a água pode fazer
o papel de uma lente esférica? ............................ ................. 202 5. Princípio de Huygens ............ 238
3. Referencial de Gauss para as lentes...... . ..... 203 6. Fenômenos ondulatórios ............................... .................... 239
Considerações para o foco (F)................... .... 203 Reflexão e refração de ondas ......... 239
Equação de Gauss e equação do aumento linear Difração de ondas.................. .................................. 242
tra nsversa1.......... ... ..... ................... ·-·-........................... .. 204 Pola rização de ondas ............... 243
4. Convergência ou vergência de uma lente .... ... 206 Int erfe rência de ondas........ ............... 245
Lentes justapo'itas ······················-·-······ ..... 206 Ressonância ..... 252
5. Equação de Halley ou dos fabricantes Você sabia? - Por que as ondas do
de lentes............................................................................. ... 207 mar incidem quase parale las à costa?...... .253
Experimente a Física no dia a dia -
Física no cinema - Viagem ao centro da Terra 254
Fo rmando imagens 11....... .................................... ..... 209
Experimente a Física no dia a dia -
~ Capítulo 14: Instrumentos ópticos.... ......2 11 •a ndando" corda ..... .256
1. Alguns instrumentos ópticos..... .. ··-···-······ ...... 211
Lupa ..... ...... 211 • Capítulo 17: Acústica ... . . -·-·-·- .. ····- . . . -·- 2 57
Máquina fotográfica.. .................................... 211 1. Ondas sonoras ........................................................ 257
Projetor de slides e projet or cinematográfico ................. 21 2 Você sabia? - Como nasceu a expressão
Microscópio compost o........................................ ...... 212 "barreira do som"? .... 259
Lunet a ast ronômica ou t elescópio refrator........................ 213
2 . Características do som .... 260
Luneta t errestre ...... .......... 213
Telescópio........ . ····-···-······ ...... 214 Altura .... ...................... 260
Intensidade.. ...... .260
2. O olho humano. ····-·······-·········· .... 216
Timbre ............ ·························· ............. 260
3. Problemas de visão .... 21 7
Experimente a Física no dia a dia -
Miopia . ............................ 21 7
Propagação do som......................................... ......................... ........... 261
Hipermet ropia .................................... ......... 21 7
Presbiopia......... .... 218 3. Fenômenos das ondas sonoras.... ..................262
Ast igmat ismo .......... 218 Reflexão......... ............... 262
Daltonismo ....... ...... 218 Refração ........................... ............... 263
Est rabismo........ .......................................... .......... 219 Difração . . -·-··· 264
Catarata............ ...... 219 Interfe rência ............. 264
Você sabia? - Por que, nas p rimeiras 4. Cordas vibrantes................. ...................................266
semanas de vida, os o lhos das crianças
mudam de cor?........... .............................. 221 5. Tubos sonoros .... 270
Tubo sonoro aberto .......... 270
Pense além - Os o lhos e a saúde .... .......... 221
Tubo sonoro fechado ............... 271
Exercícios complementares ············-·· ... ...... 222
6. Efeito Doppler ...... 273
De volta ao começo ..... ...... 224
Você sabia? - As aplicações do som
na tecnologia e no mundo animal .... 276
UNIDADE 6 - Ondulatória.................... ..... 225
Exercícios complementares ..............277
~ capítulo 15: Movimento Harmônico
Simples............................ .............................. ···-·-·-····- ..... 226 De volta ao começo .............. 279

1. Introdução ao estudo do Movimento Referências ... ········-·-·-··-·········- ·····-·-·-·-············- ........ 280


Harmônico Simples (MHS). ......... 226 Lista de siglas ............. ·-··-·- .... ·- ..... -·-·-·- ················ .......... 280
Si'itema massa-mola ...... 227
Características do MHS ..................... .................................. 228 Sugestões para pesquisa e leitura ........ ...... 281
2. Dinâmica do MHS................................................................. .... 230 Respostas.......... ·····················-·-·-···-······ ······-·-·-·-··········- ............. 282

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Poluição na cidade chinesa de Beijing
(201 5).

Nos últimos anos, questões como


aquecimento global, esgotamento das
fontes de energia não renováveis e au-
mento da população do planeta apa-
recem com frequência nos meios de
comunicação. Embora não pareça, tais
assuntos estão intimamente relaciona-
dos com a Física, pois as causas e as pos-
síveis soluções também são pensadas no
universo científico.
> • De que forma você acha que a Ciência
pode contribuir para o equilíbrio do
ambiente e, consequentemente, para
a preservação da vida no planeta?

Um dos riachos despoluídos de Seul.


Coreia do Sul (imagem de 2012).

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Com bastante frequência, ouvimos falar sobre a necessidade de economizar
Pare e pense energia porque ela pode fa ltar no futuro . Quem faz esse tipo de alerta con hece
muito bem a importância do consumo consciente. Desde a Antiguidade até os
nossos tempos, a humanidade aumentou milhares de vezes o gasto de energia
para suas atividades diárias. Um habitante da Grécia antiga, por exemplo, t inha
um consumo energético muitas vezes menor do que um sul-americano de hoje.
As diferenças ocorrem também entre as diversas regiões de um mesmo país e
ainda entre as classes sociais em cada região. Um indígena do Alto Xin gu con-
some bem menos energia que os habitantes dos centros urbanos brasileiros,
que dela dependem para se locomover, aquecer e iluminar suas casas e utilizar
Locomotiva a vapor na ferrovia
eletrodomésticos, por exem plo.
Transiberiana, Rússia (imagem Tratar da distribuição da energia levando em conta as características e as ne-
de 1890). cessidades das diversas regiões é um assunto da Geopolítica, área da Geografia.
Com o advento das Em jornais e revistas, notícias sobre o uso de fontes energéticas costumam apa-
locomotivas a vapor, quais recer mais nos cadernos econômicos que nos de Ciência. Contudo, as questões
os aspectos sociais que políticas e econômicas que envolvem a tomada de decisão da produção e
passaram por grandes do uso de energia dependem de pareceres de engenheiros, físicos, geógra-
alterações? Pesquise o fos, entre outros profissiona is. São os conhecimentos desses profissionais que
assunto se achar necessário.
orientam políticos sobre os recursos energéticos disponíveis e a melhor forma
Professor, os comentários dessa seção encon-
de distribuí- los, a fim de suprir a necessidade da nação de modo sustentável.
tram-se no Caderno de orientações no final Vamos retroceder ao fim do século XVII, na Inglaterra. Até essa época, boa
deste volume.
parte da energia consumida provinha da tração animal, usada tanto para o trans-
porte de pessoas como para o funcionamento de máquinas. Havia também ener-
gia hídrica, originada da água de rios ou pequenos córregos para movimentar
moinhos, e eólica, ou seja, do vento, para mover embarcações e moinhos de
vento. O calor, outra forma de energia, era obtido da queima de madeira e carvão
para aquecer o ambiente e os alimentos, por exemplo.
A escassez de madeira fez com que a procura
por outros recursos aumentasse. Assim, o carvão se
tornou a principal fonte de energia, pois as minas
desse mineral se encontravam próximas da superfí-
cie. Na extração de materiais do subsolo, o minério
de ferro, matéria-prima da metalurgia, ganhou im-
portância. Com o tempo, porém, esses recursos se
tornaram raros, obrigando os mineradores a procu-
rá-los em profundidades cada vez maiores. Isso le-
vou ao surgimento de um novo problema : a água.
As escavações mais profundas podiam atingir os
lençóis freáticos, que alagavam as minas.

Mineiro trabalhando em mina de ouro em Zhaoyuan,


China (2012).

1O Unidade 1 • Os caminhos da Física

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Para eliminar a água parada nas minas, os m ineradores resolveram utilizar
mecanismos como o parafuso de Arquimedes. Esse dispositivo , criado pelo
matemático grego Arquimedes (287 a.C.-212 a.C.), consistia em bombear
água do fundo da mina para a superfície por meio de um parafuso que girava
no interior de um ci lindro oco. Esse mecanismo foi usado com muita frequência,
mas, como a rotação do parafuso era obtida por tração humana ou animal,
buscou-se obter um processo automático e mais eficiente.
Na época, já se conheciam as bombas de sucção, que, no entanto, apresen-
tavam uma limitação: não podiam bombear água de profundidades superiores a
10,33 m. A explicação sobre essa limitação foi dada por um discípulo de Galileu
Galilei (1564-1642), o ital iano Evangelista Torricell i (1608- 1647), que relacionou
a elevação de um líquido em um tubo com a pressão exterior (atmosférica). Foi
somente com o desenvolvimento dos estudos sobre as transformações nos gases
e das máquinas térmicas que se tornou possível construi r bombas capazes de
retirar a água de profundidades maiores.
Em 1680, o cientista e astrônomo holandês Christiaan Huygens (1 629-1695)
construiu uma bomba de vácuo movida à explosão de pólvora. Mas foi seu
assistente, o f ísico francês Den is Papin (1647-c.1712), quem primeiro montou
um eficiente sistema que transformava o vapor em movimento. Bem antes dele,
na Grécia antiga, Heron (65-12 5) construiu um aparelho capaz de girar pela
ação do vapor, mas que não passou de mera curiosidade. Papin desenvolveu
também um digestor, um t ipo de panela dotado de uma válvula na tampa que Representação do digestor de Papin,
permit ia controlar a pressão interna no recipiente. precursor da panela de pressão.
Essa válvula consistia em uma haste com um peso na extremidade, que
funcionava como uma alavanca interpotente sobre a tampa da panela. Quando
a pressão no interior da panela atingia determinado valor, a válvu la se abria,
perm itindo o escape parcia l do vapor. O desenvolvimento desse dispositivo
tornou as máquinas térmicas bem mais seguras para os operadores.
As figuras abaixo apresentam os principais elementos do digestor de Papin
em duas situações. Na primeira, à esquerda, o peso consegue suportar a pressão
produzida pelo vapor no interior do digestor. A direita, a haste e o peso foram
empurrados pelo vapor, liberando pela válvula o excesso acumulado no interior.
Variando a massa do peso, pode-se controlar a pressão interna.

parafuso infinito regulador da parafuso infinito regulador da


intensidade da pressão intensidade da pressão

peso

peso

Funcionamento da
válvula do digestor
de Papin, que
permitia o controle
- - - - - - - - - - - - - - - - - da pressão do vapor.

Capítulo 1 • A Termologia e a Óptica na sociedade 11

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A primeira máquina a vapor de grande porte que
·"' teve sucesso comercial foi inventada pelo engenheiro
.::l
militar inglês Thomas Savery (1650-1715). O princípio
de funcionamento dessa máquina é, de maneira
parte da água remanescente simples, análogo ao que aplicamos quando tomamos
na tubulação era utilizada
para resfriar o cilindro um suco com o auxílio de um canudinho. Quando su-
gamos o ar para dentro da cavidade bucal, reduzi mos
válvula D a pressão no interior do canudo. Como o líquido está
sob pressão atmosférica, que é maior que a pressão
válvula de no interior do canudo, ele sobe até a boca.
A figura mostra a máquina criada por Savery e
como ela funcionava. Ela era constituída de uma ca l-
deira interligada a um cilindro e a uma série de tubos
e válvulas. A ideia era simples: deixando somente as
válvulas A e C abertas, o vapor produzido pela caldei-
ra começava a empurrar o ar e a água do cilindro para
o meio externo.
Quando o sistema estava bem quente fechava-se
a válvula C e abria-se a válvula B. Resfriando-se o cil in-
dro, a pressão diminuía e a água da mina era empur-
rada para esse recipiente pela pressão atmosférica . A
abertura da válvula D permitia que parte da água do
tubo fosse desviada para resfriar o cilindro. Mesmo
possuindo uma válvula de segurança, a utilização de
água de dentro
da mina vapor a alta pressão acabou provocando muitos aci-
dentes.
Esquema da máquina térmica de Savery, que tinha como objetivo
Ao mesmo tempo que se desenvolviam essas má-
retirar a água do interior das minas de carvão.
quinas, novos experimentos utilizando vapor foram
realizados, resultando em outras invenções importan-
tes. O ferreiro inglês Thomas Newcomen (1664-1729)
aperfeiçoou a máquina de Savery, adaptando-a para
trabalhar com pressão menor, o que diminuía o ris-
co de acidentes. Os avanços na confecção de peças
suporte da balança
metálicas permitiram que algumas importantes ino-
~ I vações fossem introduzidas nesse sistema. A base
dessa máquina era a mesma da máquina de Savery,
ou seja, havia uma caldeira que ao ser aquecida
produzia vapor, mas acrescentou-se um sistema de
cilindro e pistão.
Na montagem anterior, ao empurrar o pistão para
cima, o vapor provoca a elevação de um dos braços da
balança e a consequente descida do outro. O resfria-
mento do cilindro causa a descida do pistão devido à
diferença de pressão gerada. Nas minas, o vaivém re-
petido dos braços levava a água para a superfície. Esse
método mostrou-se muito útil também no levanta-
caldeira mento de cargas. Um jovem aprendiz que trabalhava
em uma dessas máquinas, Humphrey Potter, criou um
dispositivo capaz de realizar automaticamente a tarefa
de elevar cargas, aproveitando o próprio movimento
do sistema. As principais desvantagens da máquina de
Newcomen eram o longo tempo necessário para o
Esquema da máquina de Newcomen. A adaptação do cilindro e do
pistão permit ia, além da retirada contínua de água do f undo da mina, resfriamento do cil indro e o grande consumo de ca r-
a elevação de cargas. vão para o seu funcionamento.

12 Unidad e 1 • Os caminhos da Física

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Muitas transformações continuaram
acontecendo ao longo do século XVIII, mas
uma das mais importantes passou pelas mãos
do cientista escocês James Watt ( 1736-1819).
Ao tentar consertar uma das máquinas, Watt
se deu conta da grande quantidade de ener-
gia que era desperdiçada com o aquecimento
e o resfria mento do pistão na máquina de
êmbolo
Newcomen. Para um melhor aproveitamento móvel
da energia, Watt desenvolveu uma máquina
dotada de um sistema duplo de ci lindro e
pistão. Assim, quando um dos cilindros fosse
aquecido, o pistão correspondente seria em-
purrado para cima e um sistema de engrena-
gens se encarregaria de abaixar o outro braço e válvula de
segurança
o pistão que movimentaria uma roda acoplada
condensador
a eles. Em vez de resfriar o cilindro, o vapor
quente seria conduzido ao outro cilindro, onde
ocorreria a sua condensação.
Essa modificação possibilitou uma série de inovações nas máquinas que re- Esquema da máquina de Watt:
t ransformação do calor em
sultaram em um ganho de rendimento de pratica mente 50% sobre a máquina movimento de maneira cont rolada e
de Newcomen e uma economia de carvão de quase 70%. Além da separação razoavelmente eficiente.

entre fonte quente e fonte fria, o engenheiro escocês desenvolveu também


uma válvula constituída de duas esferas que ao girarem provocavam a abertura
da válvula de escape final da máquina, o que permitia controlar a velocidade
do sistema. Esse invento teve a sua patente registrada em 1769, transformando
Watt em um homem rico.
Nesse contexto da Revolução Industrial, é fácil notar o impacto da Ciência do
calor e da Tecnologia na sociedade. O desenvolvimento das máquinas térmicas
provocou uma redução do número de trabalhadores necessário para a realiza-
ção de tarefas, gerando um aumento gradativo de desemprego, principalmen-
te a partir do século XVII I. Apesar da massa de desempregados, o crescimento
da produção teve como efeito o barateamento dos preços dos produtos e um
consequent e aumento do consumo. A aplicação dessas máquinas para
moviment ar trens, navios e mesmo
automóveis foi responsável por
uma transformação crucial nos
transportes, oferecendo maior
mobilidade às pessoas.
A transformação industrial
iniciada com as máquinas
impulsionou uma total
transformação econômica e
social na civilização do Ocidente,
com aumento no padrão de vida
de parte da população.

Máquina a vapor portátil


para geração de energia
elét rica (gravura de 1899).

Capítulo 1 • A Termologia e a Óptica na sociedade 13

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Neste volume também estudaremos a luz e seus f enômenos, na parte da Física
conhecida como Óptica. Para começar, apresentaremos, de maneira análoga à
introdução das relações da Física do calor, um relato sobre a Óptica e a socie-
dade por meio da Arte.
Podemos dizer que Ciência e Arte
caminham juntas desde o início da
história da humanidade e, como ve-
remos, em determinadas sociedades,
ambas chega ram a compor uma única
entidade. Das pinturas rupestres, pas-
sando pela iconografia dos egípcios,
gregos, maias e astecas, à civilização
oriental e ocidental, a maneira de re-
presentar a natureza sempre teve in-
fluência da Ciência e da Arte.
Uma forma de verificarmos a sim-
biose entre ambas é examinar os f enô-
menos da luz e da v isão na História
da Arte e observar como a Ciência foi
mudando a nossa forma de ver e re-
presentar o mundo. Vamos começar
pela caverna de Chauvet, no sul da
França, que possui algumas das mais
antigas e conservadas imagens rupes-
t res conhecidas.
Essa pintura rupestre de mais de 30 mil anos retrata, possivelmente, um bisão em
movimento (Caverna de Chauvet, França). Nosso antigo ancestral teve o cuidado de Por muito tempo desenhos eram
representar o número de patas do animal d uplicado.
feitos em paredes ou papiros, com t in-
turas de origem animal ou vegetal, e
IO
~ representavam desde o cotidiano na-
.5
Ô)
tural, com animais, plantas e ativida-
~ des, até lendas e mitos com entidades
Q
~
oV
• sobrenaturais .
Ô)
~ Provavelmente, o primeiro instru-
I!!
"'., mento de projeção utilizado pa ra re-
t
.,,I!!
gistro de imagens foi a câmara escura,
"'I!' que consiste em uma caixa com um
~ pequeno furo de um lado e um ma-
~ terial translúcido do lado oposto, no
v qual uma imagem pode ser formada.
4.
:;;
O dispositivo assim constituído foi res-
~
"'Ei ponsável por uma revolução na forma
i de representar as imagens. A história
do surgiment o dessa câmara começa
no século V a.e., na China, com o es-
tudo da projeção dos raios de luz so-
bre certas superfícies . Há referências
históricas de que um sécu lo mais tarde,
Nut era a deusa egípcia que representava o céu (figura em amarelo) e era sustentada na Grécia, Aristóteles teria observado
por Shu (ao centro). o deus do ar e do vento que a separou da terra, representada
pelo deus Geb, deitado (reconstrução do papiro de 950 a.C.-930 a.C.). uma projeção do Sol .

14 Unidade 1 • Os caminhos da Física

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Como podemos ver, os estudos sobre luz e visáo náo se res-
tringiram a um período ou a um local . Uma importante contri-
buição veio dos árabes. Foi somente por volta do ano 1000 que
Abu Ali al-Hasan lbn al-Haitham, conhecido como Alhazen (965-
1040), nascido em Bassa (atual Iraque), realizou uma série de
estudos sobre o comportamento e a natureza da luz. Tentando
reproduzir a trajetória dos raios luminosos ao passar por ori-
fícios e projetar imagens sobre superfícies, Alhazen percebeu
as semelhanças entre esse dispositivo e o olho humano.
Entre os séculos XIV e XY, vários pintores passaram a usar a câmara escura para Observe na gravura a projeção de
parte da paisagem. A imagem est á
projetar imagens que depois reproduziam com suas t intas na tela. Esse método re- em tamanho menor e invertida,
volucionou a arte renascentista ao permitir a representaçáo da tridimensionalidade. evidenciando uma aplicação da
câmara escura (imagem do século
Antes da representação da profundidade. o tamanho dos objetos desenha- XVII; autoria desconhecida).
dos ou pintados não obedecia ao critério da proximidade, mas sim ao da im-
portância - um rei sempre seria maior que um nobre, não importando
qual fosse sua distância do observador. As cenas eram retratadas sem a
ilusão da terceira dimensão, pois a representação em perspectiva ainda
era desconhecida.
Além disso, ao retratar figuras, os artistas não t inham os recursos
necessários para reproduzir imagens com riqueza de detalhes. Nesse
aspecto a câmara escura também trouxe contribu ições, sendo seu mar-
co a pintura O casal Arnolfini , de 1434, do artista flamengo Jan van
Eyck (1390- 1441 ). A obra apresenta características quase fotográficas,
com uma excelente ilusão de tridimensionalidade e riqueza de deta-
lhes.
Mas, afinal, como e por que uma simples câmara pode produzir
toda essa mudança na forma de ver e representar o mundo? A resposta
está no fato de que a luz projetada sobre a tela permite a visualização
da imagem. A técnica de pintura com o auxílio da câmara, usada por
vários pintores renascentistas, náo lhes conferia o dom de pintar, mas O casal Arnolfini, de Jan van Eyd:
os ajudava a desenhar em perspectiva. Foi baseado nisso que Leonardo (quadro de 1434)_

da Vinci (1452-1519), depois de dissecar e estudar o olho humano,


corretamente comparou o órgão da visão a uma câmara escura,
pois as imagens são apenas projetadas no olho, e o cérebro é o
responsável pela interpretação que fazemos dos objetos.
A Física também se beneficiou das câmaras escuras. Durante
os sécu los XY e XVI, elas foram muito utilizadas para a observação
de eclipses. O matemático e astrônomo alemão Johannes Kepler
(1571-1630), que enunciou as três leis do movimento planetário,
chegou a escrever um livro que tratava de problemas na utilização
da câmara escura e suas possíveis soluções.
Outros instrumentos de observação também foram importantes
na interpretação da natureza. Ainda no sécu lo Desenho de Da Vinci sobre a formação da imagem
no olho humano (e 1500). Assim como uma câmara
XVII, Galileu Galilei (1564-1642) apontou escura de orifício, ele representou os raios de luz
uma pequena luneta para a Lua e, pela passando pela pupila e atingindo o fundo do o lho.
primeira vez na história da humanida-
de, foi observada e reproduzida, em
desenhos, a superfície irregular de _g
nosso satélite. Acredita-se que Galileu !
º·
só conseguiu notar as crateras e a
Em 1610, Galileu publica o livro
superfície irregular da Lua porque tra- Mensageiro das estrelas,
balhava com artistas, ministrando aulas com seus primeiros desenhos da
observação da Lua.
e desenvolvendo técnicas de perspectiva.

Capítulo 1 • A Termologia e a Óptica na sociedade 15

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~ -~ Vimos até agora breves pontos de uma longa história de
'ii~ relações entre a Ciência e a Arte. Podemos pensar ainda em
li
-~
-,::.,
~-8 como foi o desenvolvimento da fotografia com base nas câma-
~~ ras escuras, ou na técn ica de obter um reg istro estável e inter-
v.,
!-
~ mitente de uma imagem. Como sempre ocorre na Ciência, esse
~~ desenvolvimento não foi imediato ou oriundo do trabal ho de
4ó.!
~-~ apenas um cientista.
:;-i :!
- • .fj
Por exemplo, decorreram 222 anos entre a descoberta do
it
zu escurecimento de um sal de prata quando exposto à luz, feita em
5~
~~ 1604 pelo médico e químico italiano Angelo Sala (1576-1637), e
n
~ ili o registro e a fixação da primeira imagem positiva pelo inventor
.P francês Joseph Nicéphore Niépce (1765-1833). Niépce conseguiu
Primeira fotografia, registro
permanente de imagem, feita por fixar uma imagem em uma placa de estanho exposta ao sol, coberta com betume
Niépce em 1826. A imagem obtida (um derivado do petróleo). Ê por isso que esse processo de registro de imagem foi
de uma janela no segundo andar
mostra um telhado e a paisagem ao batizado como heliografia (gravura feita com a luz do sol).
redor de sua casa. Nas décadas de 1830 e 1840, dois processos de f ixação da luz transformaram
o mundo das artes. O primeiro processo, criado pelo físico e inventor francês
Louis Daguerre (1787-1851 ), produzia uma imagem positiva em baixo-relevo
com muitos detalhes e enorme quantidade de tons de cinza sobre uma placa de
metal. O outro processo, criado pelo escritor e cientista inglês W illiam Henry Fox
Talbot (1800-1877), produzia uma imagem negativa, duplicável e sobre papel.
Esse processo, chamado de "revelação", acabou se popularizando e permane-
ceu em uso até a impressão digital.
Em pouco tempo, a fidelidade fotográfica se tornou ainda
maior com a possibilidade de reprodução de cores. E, mais
uma vez demonstrando seu caráter de construção histórica
e coletiva, a tecnologia que tornou possíveis o registro e a
impressão das cores demorou mais 20 anos aproximadamente
para ser descoberta.
Isso ocorreu em 1861 graças a um experimento de James
Clerk Maxwell ( 1831-1879), um dos mais conceituados físicos
do século XIX. A fotog rafia obtida por Maxwell retratava uma
fita de tartan (comum em trajes escoceses), cujas cores foram
reproduzidas graças à utilização de filtros nas cores vermelha,
A primeira fotografia colorida, de um t ipo de tecido
xadrez, foi obtida 35 anos depois da primeira fotografia
verde e azul.
em preto e branco. O impacto desses processos foi tal que o pintor Paul Delaroche
(1797-1859) exclamou alarmado na Academia Francesa : " De
hoje em diante, a pintura está morta". Como sabemos, a pintura
não morreu; ao contrá rio, nessa efervescência cu ltural, foi gerado
o embrião de um novo movimento artístico.
Em abril de 1874, em uma exposição no ateliê do fotógrafo
Félix Nadar (1820-1910), em Paris, um grupo de novos pintores
-entre eles, Claude Monet (1840-1926), Êdouard Manet (1832-
1883), Auguste Renoir (1841 -1919) e Edgar Degas (1 834-1917)
- lançou o movimento denominado Impressionismo. Em vez de
apenas retratar fielmente a realidade nas pinturas, esses pinto-
res buscavam revelar como interpretavam a rea lidade segundo
sua sensibilidade. Entre as obras impressionistas, são notáveis
Os quadros de Degas são muito semelhantes os quadros de Degas, um dos fundadores do movimento, pelo
a fotografias, principalmente em relação aos
enquadramentos e à retratação de personagens em ação.
enquadramento e pela representação de personagens em plena
(quadro de 1878, da série Bailarinas). ação, que lembram instantâneos fotográficos.

16 Unidade 1 • Os caminhos da Física

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Por falar em cores, é importante notar o estudo feito por Isaac Newton
( 1642-1727), que observou experimentalmente a decomposição da luz branca
solar ao atravessar um prisma. Apesar de subjetivo, é muito comum quantificar
as cores em sete, as cores da luz branca e do arco-íris, e admite-se que esse
número, antigamente, fazia referência às sete notas musicais.
Tempos depois, o físico inglês Thomas Young (1773-1829), com impor-
tantes trabalhos na área da Óptica, descobriu que todas as cores poderiam ser
obtidas pela combinação de três delas, as chamadas cores primárias. Com a
sua teoria tricromática da luz, esse cientista inglês explicou a visão das cores ao
descobrir os grupos de células sensíveis a três diferentes frequências de luz que
são convertidas em estímulos elétricos enviados ao cérebro.
As cores que observamos são basicamente de dois t i- VERMELHO
(primário)
pos: a cor luz, que é a dos raios luminosos que compõem a
luz branca - para a qual as cores primárias são o vermelho,
VIOLETA LARANJA
o verde e o azul -, e a cor pigmento, que é a refletida (secundário} (secundário)
pelos pigmentos dos objetos que nos cercam . As cores pri-
AZUL-VIOLETA AMARELO-LARANJA
márias dos pigmentos são o ciano, o magenta e o amarelo (terciário) (terciário)
cádmio, que vemos nas impressões ou nos cartuchos de
tinta. Se olharmos uma foto com uma lupa, veremos que AMARELO
(primário)
ela é formada por muitos pontos com essas três cores. Se
misturarmos as três cores primárias das cores luz, teremos AMARELO-VERDE
VERDE (terciário)
o branco; se misturarmos os três pigment os, teremos o (secundário)
preto. Teoria das cores.

A composição de feixes de
luz - o vermelho, o azul e o
verde - resulta no branco; e a
sobreposição de pigmentos - o
ciano, o amarelo e o magenta -
resulta no preto.

O químico francês Michel Chevreul (1786-1889), por sua vez, separou ~


as cores em dois grandes grupos: cores quentes e cores frias. Ele percebeu i
que poderia produzir uma terceira cor formada pela justaposição de uma ~
cor quente com uma fria. Esse trabalho, com outros subsequentes, foi -~~
a base da psicologia da cor, teoria que explica as sensações que temos .3
ao visualizar as cores. Por exemplo, a cor vermelha estimula o nosso 1
apetite e, por isso, pode ser associada à fome e ao desejo; o branco está
relacionado com a paz, e assim por diante. Atualmente sabemos que a
informação das cores chega às células fotorreceptoras e é enviada pelo
nervo óptico ao nosso cérebro, que é o responsável final pela decodificação
dessa informação e pelas sensações de cor e imagem.
Uma das aplicações mais conhecidas que envolvem conceitos de Óp-
tica é o Cinema. Com a invenção do cinematógrafo, aparelho que pro-
jeta imagens, pôde ser realizada a primeira exibição pública de cinema
pelos irmãos Lumiere, em 1895. Eles manipularam imagens estáticas,
umas sobrepostas às outras, com frequência superior a 24 imagens por
segundo, fazendo com que o olho e o cérebro não conseguissem distin- Louis Lumiére, em 1935, com uma versão mais
guir umas das outras e produzissem a sensação do movimento. moderna do cinematógrafo.

Capítulo 1 • A Termologia e a Óptica na sociedade 17

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•iu·,111ms•---------
Nas seções anteríores, elaboramos uma argumentação sobre a evolução da
Ciêncía e da Tecnologia, especificamente da Termolog ía e da Óptica, e suas
influências na sociedade.
Mas, quando falamos em desenvolvimento da Ciên-
cia, precisamos ter em mente uma construção cultural,
histórica e coletiva, em dado momento e lugar, ou seja,
contextual. Portanto, como a Ciência "funcíona" é algo
que jamais será "comprovado ". Podemos elaborar
um modelo científico ou a proposição de uma lei geral,
assim como imaginamos um carro do qual temos apenas
os sinais deixados pela sua passagem, tais como a marca
dos pneus, o ba rulho do motor e o odor dos gases pro-
venientes do escapamento. Esses vestígios, somados
com aquilo que acreditamos e conhecemos, nos leva-
rão a elaborar uma ideia desse carro. Jamais podere-
mos estabelecer uma verdade final de como ele é ou
qual é a sua cor.
Assim, para alguns filósofos da Ciência, as afirma-
ções científicas não podem ser comprovadas como
verdade, o que deixaria o conhecimento cíentífico no
mesmo patamar que dogmas relig iosos. Em uma carta
para Albert Einstein (1879-1955), em 1932, Sigmund
Freud (1 856-1939) questiona: "Não será verdade que
cada ciência, no fim, se reduz a certo tipo de míto-
logia ?".
Essa forma de entender a investigação cíentífica ge-
rou dilemas, mas também favoreceu a produção de novas ideias e de outras po-
sições filosóficas, como o falseamento, falsificacionismo ou falseacionismo. Entre
esses críticos, um dos mais brilhantes foi o filósofo Karl Popper (1 902-1994).
Segundo o falsifícacionismo, uma pessoa pode formular hipóteses, mas
não terá condições de saber se são verdadeiras. É possível tentar falsear uma
teoria ou confirmá-la várias vezes, mas isso não assegura que a teoria seja
verdadeira. Em síntese, enquanto uns repetem a observação e os experimen-
tos para verificar a validade de uma afirmação, out ros fazem uso deles para
avaliar se uma afirmação é falsa . Segundo Popper, em Ciência, não é a bus-
ca pela verificação de sentenças básicas que deve prevalecer, e sim a tentativa
de falseá-las.
Outro ponto interessante sobre a f ilosofia dos métodos de conhecer a natu-
reza é que o simples ato de observar os fenômenos não é puro ou neutro, pois
já existe um conteúdo preestabelecído sobre o que pretendemos estudar. Por
exemplo, ao apontar um telescópio para uma estrela a fim de captar e analisar
a luz emitida por ela, já estamos pressupondo diversos conceitos da estrutura
estelar, que são justamente os conceitos que queremos estudar.
Quando refletimos sobre a epistemologia da Ciêncía, isto é, sobre os métodos
que empregamos para conhecer e investigar, vemos que a Ciência pode ser
entendida como uma produção da mente humana, contrariamente à ideía de
que seria construída diretamente na natureza.

18 Unidade 1 • Os caminhos da Física

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Você sabia?

Conhecendo um físico brasileiro - Mário Schenberg


O talento de Mário Schenberg (1914-1990) não se limita à Física, ape-
sar de ele ter sido considerado por Einstein um dos dez mais importantes
físicos do mundo. Ele também deixou evidente seu conhecimento e sua
sensibilidade a respeito da pintura e das artes plásticas. Manteve um olhar
crítico sobre os movimentos sociais, foi militante do Partido Comunista
Brasileiro e deputado estadual em São Paulo. Físico e matemático de for-
mação, Schenberg, como ele gostava de assinar seus artigos, era reconhe-
cido por seus alunos como exímio professor. Pernambucano nascido no
Recife, chegou ao curso de Engenharia levado pelo ta lento em lidar com a
Matemática. Migrou para São Paulo em 1933 e, em 1935, formou-se en-
genheiro eletrônico pela Escola Politécnica . No ano seguinte, convivendo
com o físico naturalizado italiano Gleb Wataghin (1899- 1986) na recém-
-fundada Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São
Paulo, concluiu o bacharelado em Matemática.
Mário Schenberg (imagem de 1978).
Atendendo à orientação de Wataghin, Schenberg não demorou a pro-
curar em outros países novas possibilidades de pesquisa. No exterior, teve
a oportunidade de trabalhar ao lado de físicos reconhecidos, como Enrico Fermi (1901-1954), Wolfgang Pauli
(1900- 1958) e Georg Gamow (1904- 1968). Com este último propôs um processo no interior das estrelas que
levaria à compreensão da ocorrência de colapsos e explosões nucleares dentro das supernovas. Seu processo foi
batizado de processo Urca, em homenagem a um famoso cassino do Rio de Janeiro.
Mário Schenberg faleceu em novembro de 1990, por causa de uma doença degenerativa, mas sua obra
permanece como uma produção exemplar, que conta com uma linguagem clara e precisa.

Escreva
Atividade no caderno

1. Ao longo desta coleção, você estudará d iversas teorias elaboradas por cientistas de diferentes nacionalidades
e formações. Atualmente, a pesquisa em Física ou em ensino de Física é feita de diversas formas e juntamente
com outras áreas.
Pesquise, em grupo, as possibilidades de carreira profissional para os estudantes do bacharelado e da licencia-
tura em Física. Investigue as possíveis áreas de atuação na pesquisa em Física, na Educação e em outras áreas.
Faça um seminário para expor ao restante da turma os resultados encontrados. Resposta pes;oal.

• • propost os
Exerc1c1os Escreva
no caderno

1. Os hemisférios ficaram unidos por causa da pressão atmosférica. Ao trabalhar com o vácuo e a pressão atmosférica, o experimento possibilitou conhecimento para a construção
das válvulas das máquinas térmicas.
1. Entre os vários estudos que contribuíram para que as 2. Auguste Comte, filósofo francês (1798-1857), enten-
máquinas térmicas pudessem ser desenvolvidas, es- dia que era possível o planejamento e o desenvol-
tão os trabalhos de Otto voo Guericke (1602-1686). vimento da sociedade e do indivíduo, seguindo os
No experimento Magdeburgo, Guericke uniu dois critérios das ciências exatas e biológicas. Amplie sua
hemisférios de cobre ocos e, do interior do conjunto
pesquisa e escreva um texto descrevendo a influência
esférico formado, retirou o ar. De maneira impres-
da Ciência no Positivismo (sistema de pensamento
sionante, os dois hemisférios ficaram de tal forma
criado por Com te). Resposta pessoal.
unidos que não puderam ser separados nem por 12
cavalos de cada lado.
Por que os hemisférios ficaram tão fortemente uni- 3. Como foi a utilização da câmara escura no desenvol-
dos? Qual é a relação desse experimento com o de- vimento da pintura? Em sua opinião foi um avanço
senvolvimento das máquinas térmicas? determinado pela Ciência?
3. A cámara esCtJra possibilitou uma pintura com mais riqueza de detalhes e au~iliou no desenvotvimento da petspectiva. Não é adequado atribuir um valor a esse fato, a perspectiva
foi desenvolvida por uma construção coletiva e não dependeu somente de um recurso.
Capítulo 1 • A Termologia e a Óptica na sociedade 19

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Uma breve história da luz
Do que ela é feita e de seus mistérios
[ ... )
A luz representa sabedoria, conhecimento, o lado bom do divino. As trevas são a ignorância, a violência,
o mundo do mal. Nossos corpos evoluíram para detectar padrões na natureza, algo de fundamental para
nossa sobrevivência num mundo cheio de predadores e inimigos. É útil saber diferenciar entre um arbusto
e um tigre, ou entre sombras e um guerreiro da outra tribo.
[ ...)
Não é uma coincidência que tantas culturas idolatrassem a luz através de seu provedor-mor, o Sol. Os
egipcios, os incas, os celtas sabiam que o Sol é a essência da vida. Sem ele, sem o influxo de luz e energia
vindo dele, não estariamos aqui. O que vemos da realidade, fração pequena de t odas as "luzes " que nos
cercam - o espectro luminoso das ondas de rádio aos raios gama - , coincide com o pico de emissão luminosa
do Sol. O processo de seleção natural privilegiou animais capazes de utilizar ao máximo a luz da estrela que
os ilumina. Claro, alguns animais percebem as franjas além do visível, como as abelhas, que veem no ultra-
violeta, ou certas cobras, que veem no infravermelho. Mas a maioria vê o que vemos, a luz que se espalha
pela atmosfera.
[... ) É portanto paradoxal que a luz, que nos é tão íntima, seja também um dos grandes mistérios da
natureza. O que é, afinal, a luz? Não é palpável como o ar ou a água, e nem sabemos exatamente do que é
"feita" . Se voltássemos ao século 17, assistiríamos aos debates entre Isaac Newton e Christiaan Huygens,
Newton afirmando que a luz é feita de partículas indivisíveis - de átomos - e Huygens, que a luz é uma onda
que se propaga num meio que preenche todo o cosmo, o éter.
[ ... )
Newton herdou conceitos atomistas antigos, da época da filosofia pré-socrática de Leucipo e Demócrito,
que, em torno de 450 a.C., sugeriram ser tudo feito de corpúsculos minúsculos que se propagam no "vazio".
Para ele, a noção de que um tipo de matéria preenche o espaço como o ar preenche nossa atmosfera era
absurda. [...)
[... ) Por trás do debate sobre a natureza da luz esconde-se a questão da natureza da realidade: como
sabemos se algo existe?
A ciência, em particular a física, cria descrições da realidade baseadas no que podemos observar. Como
disse Werner Heisenberg, um dos arquitetos da física quântica, "o que vemos não é a natureza, mas a na-
tureza exposta ao nosso método de questionamento". Em outras palavras, nosso conhecimento do mundo
depende de quem somos e como pensamos. Uma outra inteligência, com métodos e percepções diferentes,
criaria uma outra descrição da realidade.
Esse fato é mais do que claro quando lidamos com a natureza da luz. No final do século 19, a física estava
em crise: na época, a descrição da luz como onda era universalment e aceita. Com isso, era também aceito
o éter como meio por onde as ondas luminosas se propagavam. Afinal, qualquer onda precisa de um meio
material que a suporte: ondas de água na água, ondas de som no ar... O problema surgiu em 1887, quando o
experimento dos americanos Albert Michelson e Edward Morley - desenhado para detectar o éter - falhou.
Se não existia o éter, o que sustentava a propagação da luz?
[ ...)
Entra Einstein. Em 1905, com apenas 26 anos, publica dois artigos que irão revolucionar nossa visão de
mundo. Ambos relacionados à natureza da luz, e ambos profundamente contraintuitivos. As propostas do
jovem cientista eram tão chocantes que só seriam aceitas aos poucos, sob o peso da evidência experimental.
No primeiro artigo, Einstein sugere que a luz tem um comportamento dual, podendo não só ser interpre-
tada como uma onda mas também como feita de partículas. Fachos de luz podem ser descritos como sendo
compostos por corpúsculos - ou "quanta" - mais tarde chamados de fótons.
Com isso, Einstein reconcilia as visões antagônicas de Newton (luz é partícula) e Huygens (luz é onda),
criando algo surpreendente: uma entidade que se manifesta de forma diversa no mundo natural de acordo
com a situação. A luz não tem uma identidade fixa; sua realização - o modo como se manifesta no mundo -
depende de como ela interage com objetos.

20 Unidade 1 • Os caminhos da Física

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No segundo artigo de 1905, Einstein propõe sua famosa teoria da relatividade especial. A essência da teoria
é o postulado: "A luz se propaga sempre com a mesma velocidade independente do movimento da fonte ou do
observador".
Para entender como isso é estranho, imagine que você esteja num carro viajando a 60 km/h e que, do carro, jo-
gue uma bola para a frente com velocidade de 20 km/h. Você verá a bola viajar com 20 km/h, enquanto uma pessoa
na calçada verá a bola viajar a 80 km/h (60 + 20 = 80). Se, em vez da bola, você ligasse uma lanterna, tanto você
quanto a pessoa na calçada veriam a luz com a mesma velocidade, 300 000 quilômetros por segundo. A velocidade
da luz é sempre a mesma.
[... ] Ninguém sabe por que a velocidade da luz não muda, ou por que seu valor no espaço vazio é de
300000 km/s. Mas esse comportamento esdrúxulo explica um número enorme de observações, sendo portanto
aceito como uma descrição válida do que ocorre na natureza.
Como se não bastasse ter captado a natureza dual onda-partícula e sua velocidade constante, Einstein notou
também que a luz, ao contrário de tudo o que conhecemos no universo, não tem massa. A luz é urna forma de
energia pura que se propaga pelo espaço, interagindo aqui e ali com a matéria, ou seja, com coisas que têm massa.
Completando o ciclo de artigos sobre a luz, ainda em 1905 Einstein escreve outro, mostrando como energia e
matéria estão relacionadas; em particular, como energia pode gerar matéria e vice-versa.
Essa é a famosa fórmula E = mc2, que tem aplicação direta na luz: se fótons de luz têm energia suficiente (no
caso, o extremo mais energético do espectro luminoso, os raios gama), podem se transformar em partículas de maté-
ria como, por exemplo, elétrons. Luz e matéria são, de certa forma, dois lados da mesma moeda.
A física de Einstein mostra que somos criaturas da luz não apenas de modo figurativo. Não só porque precisa-
mos dela para viver, mas porque podemos - ao menos em princípio - nos transformar nela.
Antes, porém, que os leitores se imaginem como fótons de luz viajando pelo cosmo a 300000 km/s, devo deixar
claro que essa conversão só ocorreria se houvesse uma colisão entre você e sua cópia feita de antimatéria.
A antimatéria não é tão exótica quanto parece, mas feita de cópias das partículas que existem com cargas elé-
tricas opostas. Por exemplo, a antipartícula do elétron é o pósitron, que tem carga positiva. Essas partículas são
rotineiramente geradas em laboratório.
O produto dessa colisão seria uma explosão de fótons de raios gama com energia para destruir boa parte do
Brasil. Felizmente, estamos longe de criar cópias de antipessoas no laboratório. No momento, criamos apenas
átomos de anti-hidrogênio.
[... ] Apesar de suas estranhezas, ou por causa delas, a luz é hoje integrante essencial de nossas tecnologias,
dos lasers no caixa de supermercado a DVDs ; de tecnologias usando micro-ondas e ondas de rádio a aplicações in-
dustriais de fontes de luz ultraintensas; dos raios X e outras máquinas de visualização em medicina a observações
astronômicas de estrelas e galáxias longínquas.
[... ]
GLEISER, Marcelo. Uma breve história da luz. Folha de S.Paulo, São Paulo, 24 maio 2015. llustrlssima.
Dispon/vel em:<http;J/wwwl .fol ha.uol.com.br/fspTilustrissima/22025 7-uma-breve-historia-da-luz.shtml>. Acesso em: 6 jan. 2016.

Escreva
Atividades no caderno
Professor, os comentários dessa seção encontram-se no Caderno de orientações no final deste volume.

1. Em torno do ano 450 a.C., os atomistas Leucipo e Demócrito elaboraram algumas teorias para a natureza da luz.
Quais são elas?
2. No século XVII, Newton e Huygens tinham as próprias concepções sobre a natureza da luz. Qual era a opinião de
cada um deles?
3. Cite as ideias desenvolvidas por Einstein, no início do século XX, sobre a natureza da luz. Em que elas diferem da
ideia aceita anteriormente?
4. Em que consiste a equação E = mc2 ?

5. Em grupo, pesquise outras aplicações tecnológicas da luz. Estruture um trabalho escrito com as aplicações e in-
formações gerais de como elas funcionam. Se julgar necessário, converse com seu professor ou com profissionais
que trabalhem com esses equipamentos.

Capítulo 1 • A Termologia e a Óptica na sociedade 21

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Aspectos sociais, políticos, econômicos, entre outros, interferem nas direções que a Ciên-
cia segue. Dessa forma, para que a Ciência contribua para o equilíbrio do ambiente, é preciso
que haja o desenvolvimento de sociedades
que valorizem o ambiente e a vida. Essas
sociedades mais conscientes adotam políti-
cas que garantem a criação e a utilização
sustentáveis de conhecimentos científicos
e tecnológicos. No contexto da sustentabi-
lidade, o ser humano e os outros seres vivos
são vistos como parte do ambiente, e toda
forma de vida é importante. Por extensão,
as tradições e a cu ltura das diferentes so-
ciedades são vistas como únicas e especiais.
Esse enfoque sustentável permite que a
sociedade se desenvolva em harmonia com
o ambiente, fazendo uso consciente
dos conhecimentos de vários ramos
da Ciência, inclusive da Física.
Entre os últimos avanços do co-
nhecimento científico aplicado a
novas tecnologias em diversos se-
tores da sociedade, podemos citar:
tratamentos médicos com radiação,
construção de equipamentos como A lama do desastre
microscópios, engenharia ambiental, ambiental de Mariana,
MG (201 5), atingiu
pesquisas aplicadas à meteorologia, várias cidades, como
a novos materiais, entre outros. Resplendor, MG (cidade
da fotografia, 2015).

Produção hidropônica de manjericão em São José do Rio Preto, SP (2013).

22 Unidade 1 • Os caminhos da Física

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mum no nosso cotidiano, sejam os
clínicos, usados para um rápido diag-
nóstico de febre, sejam os culinários,
utilizados nos preparas de receitas.
Na imagem, é possível observar um
termômetro de rua, que registra a
sensação térmica. Observe que ele está
graduado em duas escalas distintas.
• Você conhece as unidades ºC (Celsius)
e ºF (Fahrenheit)? Elas possuem algu-
ma relação entre si? Qual?
• De acordo com essas unidades, é pos-
sível que as duas sejam iguais em valor
e tenham a mesma sensação térmica?

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Professor, os comentários das questõe5 de aber-
tura da Unidade encontiam-se no Caderno de
orientações no final deste volume. ,,,,.,aJ{§hi·fAZU!IZa___________
~ Calor
Vamos iniciar o estudo dos conceitos de calor com um pequeno experimento.
Se você estiver na sala de aula, toque na sua carteira ou cadeira de plástico e
em algum armário ou outro objeto de ferro. Você percebeu algo de diferente na
sensação de quente e frio ao tocar esses objetos?
Provavelmente você deve ter respond ido que o armário ou o objeto de ferro
está a uma temperatura inferior à da sua carteira. Entretanto, a sensação térmica
que temos ao tocar os objetos é subjetiva, pois, pela experiência realizada, nossos
sentidos indicam que os objetos estão mais quentes ou mais frios, quando, na
verdade, os objetos que estão em um mesmo ambiente (nesse caso a sa la de
Fornalha de usina metalúrgica. aula) encontram-se à mesma temperatura.
Como podemos avaliar a O conceito de calor compreendido hoje é diferente do que os cientistas
temperatura dos corpos e acreditavam há alguns séculos. Até o fim do século XVIII, os cientistas convive-
das substâncias? ram com a ideia de calor como uma substância flu ida, com peso desprezível
e invisível, que estava presente no interior dos corpos, denominada calórico.
Professor. os comentários dessa seção encoo-
tram-se no Caderno de orientações no final Assim, quanto maior a quantidade de calórico contida no corpo, mais quente ele
deste ~oiume.
estaria, ao passo que, quanto menor a quantidade de calórico, mais frio ele estaria.
Hoje sabemos que os corpos são formados por átomos (e partículas ainda
Em um mesmo ambiente, objetos
feitos de materiais distintos podem
menores) que estão em constante movimento. A ideia de calor aceita atualmente
parecer que têm temperaturas está relacionada com a agitação das partículas que compõem os corpos.
diferentes ao serem tOCddo .

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Para entender o que é calor, vamos inicialmente considerar a situação a seguir,
que ilustra o preparo de gelatina.

1. Geralmente. para preparar gelatina,


precisamos de água quente e fria nas
mesmas quantidades.

Atenção: tenha 2. A gelatina é di.ssolvida


cujdado ao manusear inicialmente na água
a água quente. quente.
3. Na sequência, adicionamos a água
fria. A gelatina estará pronta para ir
A água dissolve o pó da gelatina mais facilmente quando está quente. ao refrigerador.
Ao adicionarmos a água fria, aos poucos e mexendo constantemente,
parte do calor da água quente com a gelatina dissolvida é cedida à água fria;
esse processo ajuda a dissolver a mistura em um período de tempo menor. Ob-
serve que, nesse processo, o calor é sempre transferido do material que está mais
quente para o que está mais frio.
Podemos definir assim:

~ Calor é a energia térmica em trânsito.

~ Equilíbrio térmico
Vamos retomar o exemplo dado no começo deste capítulo, que trata da sen-
Energia cinética média:
sação térmica de objetos feitos de materiais diferentes, em um mesmo ambiente.
Valor relat ivo à média dos
Embora nossos sentidos indiquem que os diferentes objetos dão a sensação movim entos realizados pelas
de mais quentes ou mais frios, a temperatura deles é a mesma. Definimos calor particulas que compõem um
corpo, ou seja, é como se
como energia térmica em trânsito. A transferência de calor de um corpo para
calculássemos a média de
outro acontece sempre da mesma forma : os corpos que possuem mais calor movim entação de todas as
cedem uma parte àqueles que possuem menos calor (como vimos no preparo da particulas desse corpo.
gelatina, a água mais quente cede calor para a que estava mais fria). Isso acon-
tece até que todos os corpos fiquem com a mesma quantidade de calor, ou seja,
a mesma temperatura. Professor, nesta coleção adotaremos como referência para temperatura a letra T. Acredi-
Portanto· tamos que, p.;,a essa fase de conhecimento, diferenciar as temperaturas termodinâmica e
· de escala usual (Celsius ou Fahrenheit) pode dificultar o aprendizado.

li,.. Ao fenômeno em que dois corpos, com diferentes temperaturas, trocam calor
r até uma temperatura comum damos o nome de equilíbrio térmico.

~ Temperatura
O conceito de temperatura está muito próximo do conceito de calor, visto
que a temperatura é uma medição do movimento das partículas de um corpo.
Veja ao lado a representação das partículas que compõem um corpo sólido.
Assim, podemos dizer que:

1i11r. A temperatura de um corpo é a medida do grau de agitação de seus átomos


r ou moléculas. No esquema, um material metá lico
é aquecido. Observe que a parte
em contato com a chama possui
Em termos mais precisos, a temperatura é uma grandeza física que mede, cor amarelada, característica de alta
temperatura, e a parte final da barra
de maneira indireta, a energia cinética média (energia do tipo térmica) das possui um tom avermelhado, o que
partículas de um corpo ou de um sistema. indica que ali a temperatura é menor.

Capítulo 2 • Temperatura e suas medidas 25

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,,.Exercícios resolvidos
1 Se a temperatura está associada ao movimento das Em uma praia, um banhista fez o seguinte comentário:
partículas, o que acontece com ela em uma situa- "Estou com muito calor, vou tomar um banho de mar".
ção em que todas as partículas estão paradas?
Você acha que, do ponto de vista da Física, ele cometeu
Resolução um equívoco? Justifique sua resposta.

Como veremos a seguir, existe uma escala termomé- Resolução


trica, denominada escala absoluta de temperatura,
que adota o zero como a menor temperatura concebi- Calor é uma modalidade de energia em trânsito, isto
da na natureza, isto é, aquela em que não ocorre mais é, energia que está passando de um corpo para outro,
a agitação das partículas de um corpo. Essa situa- quando eles apresentam temperaturas diferentes.
ção tem se mostrado impossível na prática, mas seu Sendo assim, o correto é dizer que um corpo possui
valor teórico é calculado em cerca de -273,15 ºC. energia térmica.

• .
Exerctctos Escreva
propostos no caderno

1. Alguns alunos de um curso de Física, questionados 3. Considere urna situação na qual um corpo M, à tempe-
sobre os conceitos de calor e temperatura, fizeram as ratura de 80 ºC, é colocado em contato com outro cor-
seguintes afirmações. Verifique qual delas está correta: po N, à temperatura de 10 ºC, em um local isolado ter-
a) Calor é uma forma de medir a temperatura dos micamente do exterior. Nessas condições, responda:
corpos. Temperatura é a quantidade de calor armaze- A temperatura do corpo M diminui e~ do corpo N ijUmenta.
a) O que ocorre com a temperatura desses dms cor-
nada por um corpo.
pos, depois de determinado tempo?
b) Calor é a energia que os corpos liberam quando
b) Depois de algum tempo, os corpos atingirão um
atritados. Já a temperatura de um corpo aumenta
quando ele cede calor para o meio externo. estado térmico comum? Em caso positivo, como é de-
xc) Calor é a energia transferida entre corpos quando nominado esse estado? Sim. Estado de equilíbrio termico.
eles apresentam temperaturas diferentes. Quando 4. Ao medir a temperatura de um doente, o médico
um corpo cede calor para o meio externo, sua tempe- mantém o termômetro em contato com o corpo da
ratura diminui. pessoa doente durante alguns minutos. Há motivo
d) Calor é a temperatura transferida entre dois cor- para essa atitude? Sim.Aguardarq~_ocorpododoenteeote1mânetro
enttem em equliblio térmico.
pos. Ao perder o calor armazenado em seu interior, a
temperatura do corpo diminui. 5. É importante rever os conceitos de calor e de tempe-
2. (Enem/MEC) Ainda hoje, é muito comum as pessoas ratura, pois são grandezas físicas diferentes. Por isso,
utilizarem vasilhames de barro (moringas ou potes analise as afirmações seguintes e identifique as alter-
de cerâmica não esmaltada) para conservar água a nativas corretas.
uma temperatura menor do que a do ambiente. Isso I. Temperatura é a medida do nível de energia inter-
ocorre porque: na de um corpo.
a) o barro isola a água do ambiente, mantendo-a
ll. Calor é a energia térmica em trânsito, entre dois
sempre a urna temperatura menor que a dele, como
corpos ou sistemas, por causa da diferença de tempe-
se fosse isopor.
ratura entre eles.
b) o barro tem poder de "gelar" a água pela sua com-
posição química. Na reação, a água perde calor. Ill. Após certo tempo, as temperaturas dos dois
Xc) o barro é poroso, permitindo que a água passe através corpos igualam-se e o fluxo de calor é interrompido.
dele. Parte dessa água evapora, tomando calor da mo- Nesse inst ante, diz-se que eles estão em equilíbrio
ringa e do restante da água, que são assim resfriadas. térmico.
d) o barro é poroso, permitindo que a água se deposi- a) Somente I está correta.
te na parte de fora da moringa. A água de fora sempre b) Somente I e II estão corretas.
está a uma temperatura maior que a de dentro.
c) Somente 11 e li estão corretas.
e) a moringa é uma espécie de geladeira natural, Libe-
rando substâncias hlgroscópicas que diminuem natu- xd) I, ll e [ll estão corretas.
ralmente a temperatura da água. e) Nenhuma está correta.

26 Unidad e 2 • Termologia

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Como já vimos, comparar a temperatura dos corpos usando apenas o tato
pode levar a imprecisões. Para obter com maior exatidão a temperatura de um
corpo, usamos o termômetro.

·e

- - - - Termômetro
digital.

Diferentes termômetros medem a mesma grandeza.


Nas imagens, o termômetro de álcool funciona por
causa da dilatação do líquido; o termômetro de cristal
Termômetro - - líquido usado na criança muda de cor conforme a
de álcool. temperatura; no termômet ro digital, a medida é obtida
a partir de variações de grandezas elétricas.

A medida da temperatura de um corpo é sempre indireta. De fato, mede-se


outra grandeza (propriedade) que está relacionada com a temperatura. As gran-
dezas que variam em função da temperatura recebem o nome de grandezas
termométricas . Como exemplo de grandezas termométricas, podemos citar
o volume de um corpo, sua densidade, solubilidade, resistência elétrica, entre
outras.
Para a construção do termômetro, é importante fazer a relação entre a gran-
deza termométrica e a temperatura por meio de uma equação termométrica .
Para a utilização de um termômetro, é necessário primeiramente graduá-lo
e cal ibrá-lo. Fazer a graduação significa dividir em graus, atribuindo valores
numéricos à respectiva unidade de medida, e fazer a ca libração significa es-
colher dois va lores, algumas vezes arbitrários, e subdividir esse intervalo em
graus. Esses pontos recebem, na Termometria, o nome de pontos fixos . Os
termômetros que adquirimos em farmácias ou que são usados em hospitais já
se encontram calibrados. Como podemos medir a
Nos termômetros são utilizados diferentes pontos fixos para calibrá-los. Os temperatura de um corpo
pontos fixos mais usados são a temperatura de fusão e a de ebulição da água com precisão e segurança?
sob pressão atmosférica normal. Esses pontos fixos aproveit am o fato de a Professor, os comentârios dessa seção encon-
temperatura de uma substância se manter constante durante uma mudança tram-se no Caderno de orientações no final
deste volume
de estado físico. Eles são chamados de ponto de gelo e ponto de vapor.
Os valores numéricos adotados para cada um desses pontos são novamente
arbitrá rios e dependem da escala utilizada.
Com base na ideia de equilíbrio térmico, pode-se aferir a temperatura de
uma pessoa por meio de um t ermômetro, colocado sob uma das axilas (nesse
caso, ele fica em contato com a pele) ou na boca (nesse caso, ele fica em contato
com uma das mucosas existentes no corpo humano). Assim, dois ou mais corpos
em contato, ou suficientemente próximos, com temperaturas diferentes, trocam
energia térmica e, após certo tempo, atingirão a mesma temperatura, isto é,
est arão em equilíbrio t érmico.

Capítulo 2 • Temperatura e suas medidas 27

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No estudo sobre os pontos fixos mais adequados para a calibração dos
termômetros, várias escalas termométricas surgiram ao longo do tempo . Essas
escalas se diferenciavam pela escolha dos pontos fixos e pela graduação entre
elas. Para facil itar os estudos científicos, convencionou-se padronizar e adotar
escalas que fossem aceitas pela comunidade científica internacional.

~ Escala Celsius
A escala Celsius foi criada pelo astrônomo e físico sueco Anders
!!!
I t---..;....1,...... Celsius, e atualmente é adotada na maioria dos países. A unidade de
m medida é o grau Celsius (ºC).
u
o Nessa escala, o ponto do gelo corresponde a zero grau (O ºC) e o
~
ponto do vapor de água corresponde a 100 graus (100 ºC), à pressão

l ~~~~
de 1 atm. Naturalmente, o intervalo entre esses pontos f ixos foi divi-
dido em 100 partes.
Toda escala que divide em 100 partes iguais o intervalo entre os
pontos fixos é denominada escala centesimal ou centígrada.
Divisões da escala Celsius.

~ Escala Fahrenheit
A escala Fahrenheit, criada pelo físico alemão Daniel Gabriel
Fahrenheit, tem como unidade de medida o grau Fahrenheit (ºF). Nela
foram obtidos os valores de 32 ºF para o ponto de gelo e 212 ºF para
o ponto de vapor. Assim, o intervalo de temperatura entre os pontos
fixos é dividido em 180 partes iguais. Essa escala é mais utilizada nos
países anglo-saxões.
Os va lores 32 ºF e 212 ºF, que não são múltiplos de 1O, podem
ser explicados pelas diversas modificações que o f ísico implementou
na escala durante suas pesquisas. Ele utilizou uma mistura de gelo,
água e sa l marinho para atribu ir o va lor de O ºF. O segundo ponto
da escala foi obtido a partir da mistura de água e gelo. O terceiro
ponto foi obtido quando o termômetro mediu a temperatura de uma
Divisões da escala Fahrenheit. pessoa saudável.

~ Escala absoluta ou escala Kelvin


O físico inglês Lord Kelvin ( 1824-1907) foi um dos primeiros a afirmar a exis-
tência teórica de uma temperatura mínima em que todas as partículas de matéria
cessariam a agitação e não teriam energia cinética. A escala Kelvin é chamada de
absoluta por atribuir a esse estado de mínima energia o va lor O K, também cha-
mado de zero absoluto. Por convenção não se usa a palavra " grau " nessa escala.
Assim , a escala termométrica Kelvin não possui valores negativos, inicia-se
no zero e possui como unidade de medida o Kelvin (K). Nela, atribui-se o valor
aproximado de 273 K para o ponto de fusão do gelo, à pressão normal, e 373 K
para o ponto de ebulição da água.
A escala Kelvin, assim como a escala Celsius, é uma escala centesimal. Por-
tanto, para obtermos um valor na escala Celsius de uma temperatura dada em
Kelvin, basta subtrairmos 273. Assim, podemos concluir que o zero absoluto na
escala Kelvin equivale a 273 ºC na escala Celsius.

28 Unidade 2 • Termologia

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~ Comparação entre as escalas
Para obt er uma relação matemática entre as escalas termométricas que es-
tudamos, podemos compará-las e relacioná-las com base nos respectivos pon-
tos físicos. Pa ra isso, utilizaremos a ideia do teorema de Ta les.
Considere as seguintes informações das escalas Celsius e Fahrenheit.
• A temperatura de fusão do gelo corresponde, na escala Celsius, a O ºC e, na
Fahrenheit, a 32 ºF.
• A temperatura da água em ebulição corresponde, na escala Celsius, a 100 ºC
e, na Fahrenheit, a 212 ºF.
• A escala Fahrenheit apresenta 180 divisões (212 - 32), correspondentes a 100
divisões (1 00 - O) na escala Celsius.

Relacionando as duas escalas, temos:

ºC ºF Termômetro na cidade do
Rio de Janeiro, RJ, marcando 44 ºC.
,100 -
1
1
'11
''
1
1

100: Te - ... -- - - --- ,,.- : 180


''
1
'
1 / '
1
1 1
'
' '
1
1 1
'
I

' O- ---------------
I \
32 '

Tf - 32 Te - O
---=
180 100

100- (TF -32)= 180·Tc

180
TF - 32 = 100 · Te

Para converter grau Celsius (ºC) em kelvin (K) basta adicionar 273, pois ambas
as escalas são subdivididas em 100 unidades entre os mesmos pontos f ixos.

ºC K
" 100 - ---------------- 373
',i
i
·-~"
~
O- - - --- - - - - - - - - -- - 273
Termômet ro na cidade de Baker,
Califôrnia (EUA). marcando 111 º F.

- 273 - - - ----- - - - - - - -- - O

Capítulo 2 • Temperatura e suas medidas 29

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Exercícios resolvidos
3 O cientista francês René Réaumur (1683-1757) criou uma escala muito usada no passado, que adotava os seguintes
valores: OºR para o ponto de gelo e 80 ºR para o ponto de vapor, ambos sob pressão normal. Calcule a temperatura
nessa escala correspondente a 35 ºC.

Resolução
Réaumur Celsius
80º 100º

2&_-1_
4 5
Para Te = 35 ºC
TR 35
- = - ~ T =28ºR
Oº Oº 4 5 R

Em uma das regiões mais frias do mundo, um termômetro registra - 58 ºF. Qual é o valor dessa temperatura nas
escalas Celsius e Kelvin?

Resolução

Usando a equação que relaciona as escalas Celsius e Fahrenheit, temos:


T T - 32 T - 58 - 32
_f_= F ;;;;;> _f_ = ----,,--- ;;;;;> T = - 50 ºC
5 9 5 9 e

Usando a equação que relaciona as escalas Celsius e Kelvin, temos:


TK=Te+ 273 = -50 + 273 => TK= 223 K

Colocamos em um mesmo recipiente três termômetros: um graduado na escala Celsius, um graduado na escala
Fahrenheit e outro graduado na escala Kelvin. Aquecemos o sistema formado pelos termômetros mais o recipiente
até que a diferença de leituras fornecidas pelo termômetro da escala Celsius seja de 45 ºC. Quais são as diferenças
de temperatura fornecidas pelos outros termômetros?

Resolução

Usando a relação da variação de temperatura das escalas Celsius e Fahrenheit, temos:


1 ºC - - - - 1,8 ºF
45 ºC - - - '1TF
Usando a equação que relaciona as escalas Celsius e Kelvin, temos:
l ºC---lK
45 ºC - - - - õTK

Duas escalas, A e B, são relacionadas, como indica o gráfico ao lado. A


a) Elabore uma equação para a conversão entre as escalas A e B.
b) Calcule o valor da temperatura na escala B correspondente a 40 ºA.

B
Resolução

a) A B TA- (- 8) =
TB _
_
- _
0 b) TA= 40 ºA
O ---------- 20 O - ( - 8) 20 - O
40 + 8 TB
- 2- = s
TA --------- Te
TB = 120 "B
-8 ---------- O

30 Unidad e 2 • Termologia

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• ·
Exerc1c1os propost os Escreva
no caderno

6. A temperatura interna d e uma caverna varia de 17 ºC 11 . (Fatec-SP) Construiu-se um alarme de temperatura


a 21 ºC. Em determinado dia, a caverna de Santana, baseado em uma coluna de mercúrio e em um sensor
localizad a na cidade de Apiaí (SP), apresentou de passagem, como sugere a figura.
temperatura de 20 ºC. Que valores assinalariam
A altura do sensor óptico (por
dois termômetros, um graduado na escala Fahrenheit laser-detetor), em relação ao
e outro na escala Kelvin, situados no interior dessa nível H, pode ser regulada de
caverna? T, = 68 ºF e T, = 293 K. modo que, à temperatura de- Hg
H
sejada, o mercúrio impeça a
7. Identifique a(s) alternativa(s) incorreta(s).
chegada de luz no detetor, dis-
nível
l. Temperatura é o grau de agitação térmica das parando o alarme. Calibrou-se
moléculas de um corpo. o termômetro usando os pontos principais da água de
um termômetro auxiliar, graduado na escala Celsius,
II. Dois sistemas estão em equilfürio térmico com
de modo que a O ºC a altura da coluna de mercúrio é
um terceiro; logo, eles estão em equilíbrio térmico
igual a 8 cm, enquanto a 100 ºC a altura é de 28 cm.
entre si.
A temperatura do ambiente monitorado não deve
x Ill. Um dos pontos fixos da escala termométrica é exceder 60 ºC. O sensor óptico (par laser-detetor)
o ponto de gelo, que deve ser obtido sob pressão deve, portanto, estar a uma altura de:
de 2 atm: na escala Celsius corresponde a O ºC; na
x a)H = 20 cm d)H = 6cm
Fahrenheit, a 32 ºF; e na escala Kelvin, a 273 K.
b)H=lOcm e)H = 4cm
Quanto maior a massa de um corpo, maior é sua
X IV.
c) H = 12cm
temperatura.
12. (Cesgranrio-RJ) Uma caixa de filme fotográfico traz a
8. Durante uma gincana escolar, o apresentador pro-
tabela apresentada a seguir, para o tempo de revelação
pôs aos alunos que completassem a seguinte frase:
do filme, em função da temperatura dessa revelação.
"Quando três corpos estão encostados entre si e em
equilíbrio térmico, é possível afirmar que... ". Qual Tempo
Temperatura
destes alunos completou a frase corretamente? (em minutos)
10,S (1 8 ºC) 65 ºF
Carol: O corpo que tem maior massa tem mais calor.
9 (20 º() 68 ºF
Karina: Todos os corpos contêm o mesmo calor.
8 (21 ºC) 70 ºF
Bianca: Todos os corpos estão no mesmo estado físico.
7 (22 º() 72 ºF
Beatriz: Os três corpos apresentam a mesma tem-
6 (24 º() 75 ºF
peratura. Bealriz.

A temperatura em °F corresponde exatamente ao seu


9. Um viajante, ao desembarcar no aeroporto de Lon-
valor na escala Celsius, apenas para o tempo de reve-
dres, observou que o valor da temperatura do am-
lação, em min, de:
biente na escala Fahrenheit era o quíntuplo do valor
da temperatura na escala Celsius. A temperanira em a) 10,5 d)7
graus Celsius era: x b)9 e)6
a) 5 d)20 c) 8

X b) 10 e)25 13. Dos planetas que orbitam próximo ao Sol, Mercúrio


c)l5 apresenta as menores dimensões. Com diâmetro de
4800 km (quase três vezes menor que a Terra), esse
10. Um laboratório cometeu um erro na fabricação de um planeta apresenta contrastes impressionantes de tem-
termômetro que indica os valores: 2 ºC para o ponto peratura na superfície, atingindo, durante o dia, valo-
de gelo e 98 ºC para o ponto de vapor da água Elabore res que se aproximam de 350 ºC e, à noite, -170 ºC.
uma equação para corrigir esse termômetro. T, - 2 = }. Expresse essa variação de temperatura, em kelvin. 520 K
24 25

Capítulo 2 • Temperatura e suas medidas 31

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Você sabia?

Qual é a cidade mais fria do mundo? E a mais quente?


Como sabemos, nosso planeta não é estático e a temperatura varia drasticamente dependendo do local,
graças a fatores como latitude e altitude, entre vários outros.
Vamos citar aqui alguns deles para ilustrar essa realidade.
Em algumas cidades do sul e sudeste do Brasil, as temperaturas durante o inverno podem chegar a alguns
graus negativos, e às vezes sofremos com isso. Imagine então acordarmos de manhã com uma temperatura de
- 71 ,2 ºC... Essa foi a menor temperatura já registrada numa localidade habitada, Oymyakon, na Sibéria, Rússia
em 1926 (a menor em toda a história do planeta foi -89,2 ºC, na estação Vostok, na Antártida em 1983).
Oymyakon tem cerca de 1.500 habitantes e se encontra a 750 metros de altitude. Yakultski, também na Rus-
sia, é a cidade mais ma do mundo na atualidade. Sua média anual é de -21 ºC, podendo chegar tranquilamente
a -40 º C no inverno, porém, também tem seus verões agradáveis com 25 ºC. Yakultski tem cerca de 235.000
habitantes.
Ulaanbaatar, na Mongólia, é conhecida como a capital mais fria do mundo e sua média chega a - 16 ºC. Ou-
tras que merecem destaque são Verkhoyansk (Rússia) e Astana (Cazaquistão).
O Brasil é um país quente, suas praias são alguns dos destinos favoritos pelos turistas do mundo todo du-
rante o verão. Mas a temperatura média do país é cerca de 26 ºC, fria em comparação com algumas localidades
por aí.
A temperatura mais quente já registrada no planeta foi em El Azizia, na Líbia: 58 ºC, em 1922.
Em seguida, vem o Death Valle (Vale da Morte), nos EUA, sendo a mais quente da história do pais. A tem-
peratura chegou a 56,6 ºC em 1913.
Ghadames, no meio do deserto do Saara, também na Líbia, é outra cidade que sofre com o calor. A popula-
ção que gira em tomo de 7.000 habitantes, vive em casas feitas de lama, cal e troncos de árvores, que ajudam
a aliviar a temperatura que já chegou a 55 ºC. Kebili (Tunísia) e Timbuktu (Mali) também fazem parte desse
grupo, com 55 ºC e 54,5 ºC, respectivamente.
Muitos são os locais de extremas temperaturas na Terra, essas foram apenas algumas informações das mais
expressivas.
JACOB, fi!lipe. Geodima Unesp, Rio Claro, 15 out. 2013. Disponível em: <http://geod imaunesp.b1ogspolcom.br/201 311 O/
qual-e-cidade-mais-fria-do-mundo-e-mais.html>. Acesso em: 15 fev. 2016.

Escreva
Responda no caderno

1. Qual é o valor da menor temperatura do planeta, em um lugar habitado, nas escalas Kelvin e Fahrenheit? .~~"
Amenor temperatura já registrada foi 201,8 K ou - 96, 15 •f. -
2. Do que são feitas as casas na cidade de Ghadames, no deserto do Saara? Por que essas casas usam esses j
materiais? Troncos de áJVOre. lama e caf são materiais que a1·udam a amenizar as altas temperaturas medidas na cidade de Ghadames. 8
}
..,
0

Vista aérea da pequena


cidade de Oymyakon, na
Sibéria, com temperatura
de cerca de - 45 ºC
(imagem de 1966).

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. - ..
, 1 •11 msu1u·1 i f·tz-v, m,·t•------------
você já observou que as estradas ou pontes possuem uma folga entre os
blocos de concreto? Que os trilhos de trem não são contínuos? Ou, ainda, que
os fios da rede elétrica nunca são colocados de forma esticada?

Pessoa tentando abrir pote


de mel.
Junta de dilatação em uma estrada. Junta de dilatação em trilhos. Uma prática comum para
abrir tampas de potes
em perradas é aquecer todo
Nas situações retratadas nas imagens acima, os objetos envolvidos podem
o conj unto colocando-o em
sofrer variações de temperatura.
água quente. Por que esse
De modo geral, os corpos, ao serem aquecidos, têm suas dimensões au- método funciona?
mentadas. A esse fenômeno damos o nome de dilatação térmica. Em um dia
quente, por exemplo, algumas portas podem oferecer mais dificuldade para ser Prof~sor, os comentários d~s.i seção encon-
tram-se no Cademo de orientações no final des-
abertas, pois a madeira se expande. te volume. Comente com os alunos que ê preciso
ter cuidado ao realizar ~te procedimento.
Na prática, há muitas situações nas quais os efeitos da dilatação térmica
precisam ser compensados. Por exemplo, um pedreiro, ao assentar uma cerâmica
no piso, deixa sempre um espaço entre as peças que é chamado juntas de
dilatação térmica .
Novamente, para compreendermos o aumento nas dimensões de um corpo
quando aquecido, precisamos analisá-lo microscopicamente. Já sabemos que
o aumento da temperatura é associado a um aumento da
agitação das partículas que formam o corpo. Esse aumento
da velocidade das partículas faz com que elas se desloquem
ainda mais em torno de suas posições médias, levando-as a
se afastarem mais umas das outras e aumentando o espaço
entre elas. Se o espaço entre as partículas do corpo aumenta,
o volume final também aumenta.
O caso inverso, chamado de contração térmica, acontece
quando se diminui a temperatu ra de um corpo. Analogamente,
Representação da dilatação
isso causa a diminuição da agitação das partículas e a conse- sofrida por um material ao ser
quente diminuição do volume do corpo. aquecido. No exemplo. em
virtude do aquecimento, as
No estado sólido, os átomos ou as moléculas de um corpo estão dispostos re- partículas passam a vibrar m ais.
gularmente e apresentam intensas forças de coesão entre eles. O movimento entre
eles é pequeno, ocorrendo apenas vibração em torno das respectivas posições
de equilíbrio. Assim, um corpo sólido, ao ser aquecido, aumenta a ampl itude de
vibrações das suas partículas e, consequentemente, a distância média entre elas.

Capítulo 3 • Dilatação té.rmica 33

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T1 (temperatura Inicial)
~
0

Dilatação linear
i
!5
Observe a barra metálica representada com temperatura inicial Ti.
~:
' Ao ser aquecida, essa barra sofre alteração em todas as suas dimen-
t, (comprimento Inicial) sões. Inicialmente, vamos analisar apenas uma de suas dimensões: seu
comprimento.
Se considerarmos que um corpo sólido à temperatura inicial de Ti
t.T
tem comprimento inicial L,, então, após um aquecimento t.T, ele apre-
sentará um comprimento final L (barra com temperatura final T).
Dessa forma, houve uma variação de temperatura t.T = T - T;, e o
comprimento da barra sofreu uma dilatação térmica t.L = L - L;.

...'
T (temperatura tlnal) ' Podemos observar, de modo empírico, que a variação do comprimen-
(
to t.L é diretamente proporcional ao comprimento inicial ~ e à variação
. de temperatura t.T, de tal forma que podemos traduzi-la na equação:
---
.
' '
'
: t.L :
' ' .ô.L = cxl.ô.T
L(comprlmento final) '

O coeficiente de proporcionalidade a é característico de cada material e é


Valores de coeficiente de
chamado de coeficiente de dilatação térmica linear.
dilatação linear de alguns
materiais Fazendo uma análise dimensional da equação, isolando a, temos:
Material (l c10-s cc-l) t.L . t.L 1
aço 1,5
a= Lt.T ou sei a: a = T. · t.T =>
1 1

alumínio 2,3
[t.L] 1 1
cobre 1,7 => [a)= [LJ . t.T => [a]= [t.T] = [t.TJ- 1
1
ferro 1,2
níquel 1,3 Notamos que a unidade do coeficiente de dilatação linear é o inverso da
ouro 1,4 1
c-
unidade de variação de temperatura, oe" = 0 1 , chamada grau recíproco .
prata 1,9
vidro comum 0,9 Outra maneira de escrever a equação da dilatação é substituir o termo t.L por
vidro pirex 0,3 (L - Li):
Fontes: Web Elements. Disponível em:
L - L1 = alt.T
1

<www.webelements.com/periodicity/coeff_ L =Li + al;t.T


thermal_expansionl>. Acesso em:
7 jan. 2016; GREF (Grupo de Reelaboração L = ½(1 + nt.n
do Ensino de Física). Ffsica 2: física térmica,
óptica. São Paulo: Edusp, 1990, p. 45. Esta equação dá o comprimento f inal Lda barra em função de L;, a e t.T.

Exercícios resolvidos
1 Uma régua metálica teve uma variação de compri- Calcule a variação do comprimento dessa ponte para
mento de 1,16 mm ao passar de 20 ºC para 98 °C. esses limites de temperatura e a razão entre a variação
Calcule o comprimento inicial dessa régua. de comprimento e o comprimento inicial ( ~).
Dado: umcrai = 24 · 10-6 c- 1 • 0

Dado: u aço = 11 · 10- 6 °C- 1• '

Resolução
Resolução
Dados: Ti = 20 ºC; T = 98 ºC;
Dados: L1 = 800 m
t.L = 1,16 mm = 0,116 cm; (lmctal = 24. 10-6 c- 1 0

T1 = 24 ºC
Vamos aplicar a fórmula para dilatação linear:
T = 40ºC
t.L = uLL'.T ex = 11 · 10- 6 ºC- 1
'
0,116 = 24 · 10- 6 • L; · (98 - 20) ~ Li = 62 cm & = uL.t.T 1

Uma ponte composta de aço, de 800 m de compri- & = 11 · 10-6 • 800 · (40 - 24) ~ & = 0,14m
mento, está sobre uma avenida, cuja temperatura
passa de 24 ºC, no inverno, para 40 ºC, no verão.
t.L
L. 1
= º·80014 = O' 00017 = O' 017%
34 Unidade 2 • Termologia

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Exerc1c1os propost os Escreva
no caderno

1. Calcule o coeficiente de dilatação linear de um cabo 6. Embora seja comum as pessoas fazerem referência ao
de cobre que, ao ser aquecido de O ºC até 80 ºC, sofre ferro e ao aço como se fossem o mesmo produto, isso
uma variação de comprimento de 0,1632 m, sendo não é verdade. O aço é uma liga metálica, composta
seu comprimento inicial de 120 m. 1.7 - 10- • c- 1 0 essencialmente de ferro e carbono, e, nessa compo-
sição, a quantidade de carbono varia de 0,008% a
2. Uma chapa de zinco (a. = 25 · 10-6 ºC- 1 ) apresenta
2,11 %. Na fabricação do aço, podemos destacar dois
comprimento de 240 cm à temperatura de 15 ºC. Ele-
processos. O primeiro consiste na produção de ferro
vando-se a temperatura para 80 ºC, calcule o compri-
fundido, no alto-forno. Depois do refinamento, o fer-
mento final da chapa. 240,39 an
ro fundido é transformado em aço. O outro processo
3. Um prédio de 100 m de comprimento tem um coefi- consiste em fundir sucata de ferro utilizando forno
ciente de dilatação linear do material que o constitui elétrico, que atinge altas temperaturas, e em seguida
igual a 2 · 10-s ºC-1 • Sabendo que o prédio expandiu realizar a transformação em aço.
em 3 cm, de quanto foi o aumento de temperatura?
15 º(
4. Uma barra de cobre de 2 cm de comprimento à tem- Forno de uma
usina siderúrgica.
peratura de 24 ºC tem coeficiente de dilatação linear O trabalho
1, 7 · 10-s c- 1 • Em que temperatura a barra apresen-
0 em indústria
siderúrgica possui
tará 1 mm a menos de comprimento? - 5,4 ºC diversas normas
de segurança,
5. O chumbo, um dos metais mais antigos usados pelo entre elas o uso
ser humano, era utilizado pelos egípcios há mais de de vest imentas
adequadas.
8 mil anos. É um elemento químico do grupo dos me-
tais, seu número atômico é 82 e o símbolo químico é Para montar um objeto quadrado, um metalúrgi-
Pb. Com consistência maleável pode ser rrabalhado a co uniu quatro barras de metal retas e de mesmo
frio, sendo um condutor razoável de calor e eletricida- comprimento e manteve em ângulo reto os quatro
de. Como o perfil geológico brasileiro não apresenta ângulos internos formados entre elas. Uma das bar-
a ocorrência significativa de jazidas de chumbo pri- ras é de aço, cujo coeficiente de dilatação linear é
mário, é necessário importar chumbo. Esse fato con- a.a,;n = 15 · 10-6 c-1, e as outras três barras são de alu-
0

tribuiu para que a partir da década de 1990 a oferta de mínio, sendo a.Ai= 23 · 10-6 c- 1 . Se esse sistema for
0

chumbo ''velho", proveniente da reciclagem de sucata aquecido, de forma que as quatro barras sejam sub-
de chumbo, superasse a produção de metal obtida de metidas à mesma variação de temperatura, depois do
operações mineiras. aquecimento o objeto deverá ter a forma de:

-.' , ,·
. H,J'i ,•
·). ,,.r. ~- . / .
a) trapézio retângulo. X d) trapézio isósceles.
- - ,·.,·'-• •.,. . '
.• . º·i. aJ , . ... , ~
:::<-fl' , '
, b) retângulo. e) losango.
..,· . ~~ ,,•·d,1,1. •./-.-. Íi
.•'
c) quadrado.
\' 11J,'-J • •J _j -.,: .1. ... /
" Lº t ~ •, ' '

6t••' ...t,,,;
' . .i:i·, ·,· '1. ·1 ....:. _-
iJ,'i:. . . ., ' 1 • -
7. Uma barra de metal, ao ser submetida à variação de
' . . ........
~ ~
. j '. ·.~·,_.
,
t ,•
; ... ~\·
.
\
••
=
=.-
temperatura de 100 ºC, apresenta um aumento linear
1 de 0,3%. Identifique o valor do coeficiente de dilata-
. . ·''
.. . .\ : / '.'I::==:::-
·'=== Sucata
~ -·
\ ·-...........
.
e letrônica. ção linear do metal que constitui a barra. 3,0 - 10-• c- 1 0

8. Um sistema é formado por três barras metálicas A , B


Um funileiro utiliza três barras de chumbo "velho", com
e C. Sabe-se que a barra A possui o comprimento de
o objetivo de interligá-las formando um objeto com o
1000 mm e a B, o comprimento de 1001 mm à tem-
formato de um triângulo isósceles, de base 10 cm e
peratura de 42 ºC. Encontre a temperatura em que a
altura 12 cm. Sabendo que essas barras são retas,
barra C estará na posição horizontal. 92 ºC
avalie o que ocorrerá com o triângulo, caso seja sub-
metido a aumento de temperatura. Dados: a.A= 3 . 10-s 0 c- 1 e a.e= 1 . 10-s 0 c-1
a) Os ângulos da base sofrem menor variação que o ..
E
ângulo do outro vértice. !
b) Os lados e a base têm a mesma dilatação.
B
c) A área do triângulo se mantém constante. A
xd) Os ângulos mantêm suas medidas.

Capítulo 3 • Dilatação té.rmica 35

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~ Dilatação superficial
Quando consideramos que somente uma dimensão do corpo altera o com-
primento com a variação da temperatura, estamos simplificando a situação rea l.
De fato, as três dimensões de um corpo são alteradas (comprimento, largura e
altura), mas consideramos somente uma.
Ao falar em dilatação superficial, supomos que a dilatação ocorre em duas
dimensões do corpo e, nesse caso, se a temperatura de um sólido varia, conse-
quentemente a área de sua superfície também varia .
Considere uma chapa metálica retangular de dimensões a; e b;, cuja área inicial
é S;, à temperatu ra Tr Variando a temperatura para T, a área aumenta para S.
Assim, com a variação de temperatu ra t.T = T - Ti, os valores das dimensões
mudam para a e b, ocorrendo uma variação da área t.S = S - Si.
Por meio da equação da dilatação linear,
para cada uma das dimensões lineares temos:
a=a 1(1 +MT)

b b = bi(1 + MT)
'
.
~----------..,,.
'---...variação Multiplicando-se membro a membro as
a da área ti.S equações, vem:

a· b = a;b;( 1 + o.tiT)2
Lembrando que o produto ai · b; é a área inicial da superfície e que a · b é a
área final da superfície, temos:

S = S;(1 + o.t.T)2
S = S;[1 + 2o.t.T + o.2 (t.WJ
n
Como o.2(t. 1 é desprezível por ser um número muito pequeno em relação
aos outros (principalmente pelo quadrado do coeficiente de dilatação linear), ele
é desprezado ficando S = S;(1 + 2o.t.n.
Podemos dizer que o termo 2o. constitui um coeficiente de dilatação superfi-
cial do material, e indicaremos esse coeficiente pela letra J3 ([3 = 2a).

S = S;(1 + [3t.T)

E AS= ~S,'T

.. Exercícios resolvidos
3 Considere uma chapa plana extremamente fina, formada por uma liga metálica, cujo coeficiente de dilatação linear
é igual a 5 · 10-s c- 1 . Se a temperatura inicial da chapa é de 25 ºC, para qual temperatura devemos elevar essa
0

placa para que sua área sofra um aumento de 5%?

Resolução
O aumento de 5% na área da placa corresponde à relação: t,S.
S.
Já 13 = 2a = 2. 5. 10-s ==> 13 = 10 . 10-s 0 c-1 • 1

t,S
S.
t,S = S;f3t.T ==> = l3t.T ==> 0,05 = 10 · 10-s · t.T ==>

==> t,T = 500 ºC 1


A temperatura a que a chapa deve ser submetida é:
t.T = T - T; ==> 500 = T - 25 ==> T = 525 ºC

36 Unidade 2 • Termologia

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' Uma chapa de aço de forma retangular tem dimensões de 30 cm e 40 cm, à temperatura de 20ºC. Sabendo que sua
temperatura atingiu 80 ºC, determine:
Dado: a = 15 · 10-60c- 1 •
ª'i"
a) a variação na sua área;
b)sua área a 80 ºC.

Resolução
a) Dados: Si = 30 · 40 = 1200 cm2 e j3 = 2a = 2 · 15 · 10-6 = 30 · 10-6 0
c-1.
AS = j3S;ÓT ~ AS = 30 · 10-6 • 1200 · 60 ~AS= 2,16 cm2
b)t.S = S - Si=} 2,16 = S - 1200 =} S = 1197,84 cm2
Em um laboratório, um cientista realiza testes com diversos materiais para estudar o fenômeno da dilatação. Em
um dos experimentos, ele deseja encaixar perfeitamente um anel de cobre em um cilindro. O anel possui raio inter-
no de 2 cm a 20 ºC e coeficiente de dilatação linear igual a ª cu = 1, 7 · 10-s ºC- 1 . Determine a que temperatura o
anel deve ser aquecido para que ele seja introduzido em um cilindro cuja área da base é igual a 15 cm2 .
(Para os cálculos considere 1t = 3,14).

Resolução
Para que ocorra o encaixe perfeito do anel no cilindro é necessário que a área interna do anel seja igual à área in-
terna da base do cilindro.
A área interna do anel a 20 ºC é igual a:
Si = 1tR2 =} Si = 3,14 · 22 =} Si = 12,56 cm2
O máximo que o anel poderá se dilatar é dado por:
AS = S - Si = 15 - 12,56 =} AS = 2,44 crn2
A variação de temperatura que o anel poderá sofrer é:
AS= S,13t.Ti =} t.S = Si2at.T =} 2,44 = 12,56 · 2 · 17 · 10-s · t.T =} t.T = 571,4 ºC
A temperatura máxima que o anel poderá ser aquecido é igual a:
t.S = T - Ti ~ 485,6 = T - 20 =} T = 591,4 ºC

· · propost os
Exerc1c1os Escreva
no caderno

9. Um disco de aço homogêneo (forma circular) de raio 13. Uma laje de concreto que possui uma face retangular
20 mm foi aquecido, tendo sua temperatura variado de medidas 20 m e 25 m a 18 ºC é aquecida a 118 ºC.
de 8 ºC para 108 ºC. Determine a dilatação superficial Considerando ª concrc:to = 12 · 10- 6 c-1, determine:
0

do disco. a) a variação de sua área; 1,2 m'


Dados: ª •,;n = 1,5 · 10-s c-1 e 1t = 3,14. 3,768 mm'
0

b) o acréscimo percentual na área dessa face. 0,24%


10. Uma chapa de zinco, cujo coeficiente de dilatação
linear é 25 · 10-6 c-1, sofre elevação de 10 ºC na
0 14. Uma placa metálica de forma quadrada de lado 1 m
sua temperatura. Verifica-se que a área da chapa possui um furo central circular de 10 cm de raio. En-
aumenta 2,0 cm2 . Nessas condições, a área inicial contre a variação da área do furo quando a tempera-
da chapa mede, em cm 2 : tura passar de 28 ºC para 280 ºC.
a) 2,0 · 102 x c) 4,0 · 103 e) 8,0 · 104 Dado: coeficiente de dilatação linear do metal é
b) 8,0 . 102 d)2,0 . 104 1,0 · 10-s ºC- 1 • AS <= 1.6 · 10- • m2
11 . Um material hipotético tem coeficiente de dilatação 15. Uma placa metálica, após ser aquecida, teve sua tem-
superficial igual a 0,02 °c-1 . Determine a variação peratura alterada de O ºC para 50 ºC , e área alterada
percentual t.S da área de uma chapa desse material, de 1000,0 cm 2 para 1000,8 crn2 • Calcule o coeficiente
si linear do material que constitui a placa. 8 · 10- • 0 c- 1
quando a temperatura aumenta 15 ºC. 30%
12. Uma chapa quadrada de ferro tem 3 m de lado a 20 ºC. 16. Um disco metálico de raio 20 cm é aquecido da rempe-
Sabendo que o coeficiente de dilatação linear do fer- rarura de 20 ºC para a de 120 ºC. Sendo o coeficiente
ro é 12 · 10-6 c-1 , calcule a área dessa chapa num
0 de dilatação linear do metal ex= 1,5 · 10-s c-1, calcu-
0

local cuja temperatura é de 95 ºF. 9,00324 m' le a dilatação que a área do disco sofre. 3.8 an'

Capítulo 3 • Dilatação térmica 37

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Você sabia?

Como os termostatos economizam energia?


Sabemos que a energia elétrica não é um recurso inesgotável. Com pequenos cu idados e a mudança de
alguns hábitos, podemos economizá-la, especialmente em nossas casas, por meio do uso adequado de apare-
lhos elétricos e de iluminação.
Um dos recursos na redução do consumo de energia é um componente chamado termostato. Ele é co-
locado no circu ito elétrico para ligar ou desli gar um aparelho a partir de determinada temperatura. Entre
os d iferentes tipos de termostato, um deles é composto de duas lâminas de materiais diferentes, finas e
grudadas uma à outra. Essas lâminas, em condições ambientes, têm in icialmente as mesmas dimensões,
mas, por serem de materiais diferentes, possuem coeficientes de dilatação diferentes. Isso faz que, ao serem
submetidas a uma variação de temperatura, apresentem uma curvatura conforme mostra a figura a seguir,
pois uma lâmina sofre variação de comprimento diferente da variação da outra .
O termostato que utiliza lâminas bimetálicas é encontrado, por exemplo, no ferro elétrico de passar roupa,
e possibilita o controle da temperatura.
Outro exemplo são alguns medidores de temperatura colocados em carros. Nesse caso, a lâmina bimetálica
é enrolada em forma de espiral de maneira que uma de suas extremidades permanece fixa, enquanto a outra é
presa a um ponteiro. De acordo com a variação da temperatura, a lâmina se altera e provoca o deslocamento
do ponteiro sobre uma escala, indicando a variação da temperatura.
(a) Lâmina bimetálica ao sofrer
uma variação de temperatura.
J~T Em (a), ambas possuem o
mesmo comprimento; em (b),
(b) a lâmina com maior coeficiente
1 de dilatação aumenta mais de
: ~E :
1 1
comprimento em comparação
à outra; e em (c), o fato de elas
estarem firmemente grudadas
22':!, (c) faz com que a lâmina se curve.
Termômetro de lâmina bimetálica.

No caso de temperaturas muito baixas, como 1 - tubo capilar


2 - bulbo termostático
nas geladeiras, é mais eficiente medir a tempe- 2 3 - mola
ratura com um termostato que utiliza a dilatação 4 - botão
5 - fole
de um gás. 6 - contato elétrico
O aumento da temperatura no interior da ge- Ilustração produzida
ladeira provoca a expansão do gás dentro do capi- com base em:WRIGHT,
M.; PATEL, M. Como
lar do termostato, causando o contato elétrico do .___ ___._....___. funciona - 5âentific
circuito interruptor que aciona o motor. Quando Termostato com o contato elétrico aberto American. São Paulo:
a temperatura volta ao valor inicial (indicado pelo significa que a geladeira está desligada. Visor, 2000. p. 36.

botão de controle interno pré-regulado), o gás se contrai e o circuito é interrompido, desligando o motor.
Várias áreas da Física experimental dependem das condições de controle e medição de temperatura. Por
isso, é muito importante o desenvolvimento da tecnologia para melhorar o controle e a precisão dessas me-
didas, sejam elas em temperaturas muito baixas, como ocorre na criogen ia, ou em temperaturas muito altas,
como no estudo do plasma.

Escreva 1. Chuveiro, ferro de passar roupas, secador de cabelos e aquecimento central. Esses aparelhos,
Atividades nocademo geralmente. estão associados à transformação de energia elétrica em energia térmica.

1. Relacione os aparelhos domésticos que mais consomem energia com algumas sugestões de economia de ener-
gia elétrica. O que esses aparelhos, geralmente, têm em comum?
2. Além de identificar os aparelhos elétricos que mais consomem energia elétrica, é importante observar as con-
dições de uso desses aparelhos. Obtenha informações sobre as condições ideais de instalação e uso nos ma-
nuais dos aparelhos e verifique se essas condições são atendidas em sua casa. Em um relatório, relacione as
modificações que deveriam ser feitas para economizar energia elétrica e convença os seus familiares a colocar
, . - O aluno deverá entender que, além de identificar os aparelhos que mais coílsornem energia (maior potên-
em pranca algumas das suas sugestoes. eia), é necessáno instalar e usar esses aparelhos de forma correia.

38 Unidade 2 • Termologia

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Atenção
Experimente a Física no dia a di Faça o experimento
somente na presença
do professor.
Dilatação e os f ios elétricos

A transmissão da energia elétrica que chega a


Passo a passo
nossas casas é feita por longas linhas de alta-tensão.
Quando vemos longos trechos dessas linhas de trans- • Faça o arranjo experimental apresentado na ilus-
missão, com cabos elétricos presos aos postes, pode- tração. Estenda um fio de cobre, de 30 cm aproxi-
mos pensar em sua forma "curva". Qualquer fio, cabo madamente, entre as duas cadeiras e prenda-o com
ou barbante, presos pelas pontas e sob ação de um a fita adesiva.
campo gravitacional, apresentam sempre o mesmo • Pendure no fio a massa e meça a distância da massa
formato, cuja curva matemática que o descreve recebe ao apoio.
o nome de catenária. • Com cuidado, aqueça o fio de cobre com uma vela
Alterando a força de tração nos fios - aperto ou em todo o seu comprimento.
frouxidão -, podemos mudar a forma como o fio se • Meça a distância da massa ao chão.
apresenta. Se aumentarmos o aperto, o fio tende a • Passe agora um pedaço de gelo por todo o compri-
ficar mais plano; e, se afrouxarmos os cabos, eles se mento do fio.
tornam mais curvos. Assim, qual seria a melhor con- • Meça novamente a distância da massa ao chão.
figuração do fio?
fio de cobre
Para pensarmos nessa questão, principalmente \
com relação ao custo e à segurança, faça com seus co-
massa
legas a atividade a seguir em que sugerimos a monta-
gem de um modelo das linhas de transmissão.

Materiais

Arranjo exper imental.


• 1 pedaço de fio de cobre (30 cm)
• vela Escreva
Responda no caderno
• duas cadeiras (apoio)
1. Anote os valores e descreva o que aconteceu.
• régua
2. Tente explicar a diferença obtida nas medidas
• massa (objeto) que pode ser facilmente pendura-
realizadas.
da ao fio
3. Comparando esse experimento com os fios elétricos
• fita para aderir o fio às cadeiras
de alta-tensão, que recomendação você daria aos
• pedra de gelo engenheiros que irão construir a instalação?
Professor. os comentários dessa seção encontram-se
Fios ent re redes de no Caderno de orienrações no final deste volume.
transmissão de energia elétrica.

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~ Dilatação volumétrica
A dilatação térmica volumétrica de um corpo maciço é analisada a partir da
dilatação de cada uma das dimensões desse corpo.
Considere um bloco metálico maciço em forma de cubo cujo volume inicial
é V; à temperatura Tr Variando a temperatura para T, o volume varia para V.
Assim, na variação de temperatura LiT = T - T;, ocorre uma variação de volume
LiV =V - V;-
AT Os lados do paralelepípedo variam para a, b e e.
Por meio da equação da dilatação linear, para cada uma das dimensões
variação lineares, temos:

,,, __
,,r----~
_____, ,
T de volume AV a = a;(1 + a.l'in
b = bi( 1 + a.l'in
.:::. J____
1
:e
1 C = ci(l + a.l'in
; : Multiplicando-se membro a membro as equações, temos:
: J--- 1 --)

:1,G..,.._ _... _ _ _ _ _:... ,.."'"b V= abc = a;b;c;(1 + o.LiT)3 e V;= a;b;c;


a
Usando o cubo da soma (x + y)3 = x3 + 3x1y + 3xy1 + y3 aplicado à parte
da equação anterior, temos: (1 + a.tin3 = 1 + 3a 1LiT1 + 3a.tiT + a 3LiT3.
Como 3a1LiT1 e o.3.l'iT3 são muito pequenos, podemos desprezá-los e escrever
a equação na seguinte forma:
V= V;(1 + 3a.tiT)
Chamando 'Y o coeficiente de dilatação volumétrica do material que constitui
o corpo (-y = 3a), temos finalmente que:

v=v,(1 +,,,n,,.[ ,,v.-,v, r J


Pense além

Inversão na escala de temperatura


Ao fazer uma pesquisa sobre a vida do astrônomo e físico
sueco Anders Celsius, um estudante descobriu vários fatos
da vida e da obra desse cientista.
Celsius foi professor de astronomia na Universidade de
Uppsala, na Suécia, a mais antiga universidade escandinava,
fundada em 1477. Sua escala se tornou a mais difundida,
talvez, por considerar dois "pontos fixos", o ponto de con-
gelamento e o de ebulição da água, e dividir esse intervalo Anders Celsius (1701 _1744). Representação de
em 100 unidades. De acordo com Celsius, o ponto fixo re- QuadrodoséculoXVIII. umtermoscópio.
ferente à ebulição era o ponto zero e o ponto referente ao Ele é o precursor do
congelamento era o ponto 100. termômetro.
Ao descobrir isso, o estudante percebeu que a escala Celsius atual considera inversamente os valores desses
dois pontos, ou seja, zero para o ponto de fusão do gelo e 100 para o ponto de ebulição da água. Estudando a
história da Termometria, ele encontrou parte da explicação dessa escala invertida nos termoscópios, primeiros
instrumentos para avaliar a variação de temperatu ra.
~ - - -~ Noi termOlCôpos. adilatação da suilstlncia renoométrica do ar no rulbo superior Qlll' éca!!Sada pela a91ração das molkulas em seu Ílllerior. Assim,
Escreva quando aproximado de um corpo com lerTl)E!raIUra elevada, o v~ de ar 1e dilara, pois aagitaçao das moklculas 1e rorna maior, aumentando
Atividade no caderno de volume epressão. eemputrarn:lo o Uquido para baixo. Caso aescala '/eltical seja crescente. oyajor da oova temperatura, maior (fie aanterior,
~á um valor menor na escala.
1. Pesquise sobre o funcionamento desse aparelho e explique por que os valores da temperatura obtidos pela lei-
tura desse aparato são invertidos, isto é, os valores de temperaturas mais elevadas são indicados com números
menores.

40 Unidade 2 • Termologia

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~ Dilatação de sólido oco
Um fato curioso sobre a dilatação acontece quando
consideramos um corpo sólido oco (não maciço). Um cor-
po sólido oco sofre dilatação térmica da mesma forma
que um sólido maciço de um mesmo material.
Por exemplo, o volume interno (e vazio) de uma pa-
nela aumenta com a elevação da temperatura, como
se a panela fosse maciça. O mesmo efeito ocorre com
um anel de ouro, que se dilata como se o orifício fosse
preenchido de ouro.

Uma chapa com orifício se


dilata da mesma forma que
uma chapa sem orifício, ou
seja, o orifício não influencia
na dilatação do material.
Professor alerte sobre os cuidados ao utilizar um bko de Bunsen como o da fotografia.
Exercícios resolvidos

• Uma esfera de aço que possui volume de 50 cm3 Resolução


está em equilíbrio térmico com uma mistura de
gelo fundente (O ºC). Calcule seu volume quando Para T. = 20 ºC: d. = ..!!!.. => V. = m
J I V. 1 d.
1 1
sua temperatura se estabiliza com uma mistura de
água fervente (100 ºC). Para T = 400 ºC: d = ~ => V = :
Dado: a a~o = 15 · 10- 60c-1 . A dilatação volumétrica da esfera é dada por:
!N = Vi -yAT =} V - v i = Vi-yAT =} V = v i+ Vi-yAT =}
Resolução
=> V= V;(l + -yAT)
Dados: Vi = 50 cm3 ; Ti = O ºC; Tf = 100 ºC e Usando a relação dada pela densidade inicial e final:
a = 15 . 10- 6 c-1 •
0

~
aço
V= V;(l + -yAT) => - ; = ~( 1 + -yAT)=> = ~i ( 1 + -yAT)
=> V = 50[1 + 3 · 15 · 10-6 • (100- O)] => Lembrando que:
=> V = 50[1 + 3 · 15 · I0-6 • 100] => )' = 3a = 3 · 1,8 · 10-s ºC- 1 = 5,4 · 10-s ºC-1
=> V= 50,225 cm3
.6.T = T - T.1 = 400 - 20 => .6.T = 380 ºC
Uma esfera metálica é feita de um material cujo coe- d;= 2 g/cm3
ficiente de dilatação linear vale 1,8 · 10-s c-1 e sua
1+ -y.6.T) => ! = ~ [1+ (5,4 . 10-s . 380)] =>
0

densidade, à temperatura de 20 ºC, corresponde a ¼= ~. (


1
2 g/cm3 • Caso a esfera seja aquecida à temperatura
d e 400 ºC, qual será a sua nova densidade? => .!. = 0,51026 => d = 1,96 g/cm3
d

• •
Exerc1c1os t
propos os
Escreva
no caderno

17. Uma chapa de metal, produzida com um orifício cir- 18. Analise as afirmações a seguir. Para cada uma, classifi-
cular de raio r, permanece num ambiente cuja tempe- que-as em verdadeira ou falsa e justifique a sua resposta.
ratura é 8 ºC. Ao aquecer a chapa, à temperatura de F 1. O orifício feito em uma barra metálica diminui com o
60 ºC, o que ocorreu com o diâmetro do orifício? aumento da temperatura, pois o orifício é oco, ou seja,
a) Permaneceu inalterado. não é feito do mesmo material que o restante da barra.
x b) Aumentou, com o aumento da temperatura. v II. Aumentando-se a temperatura de uma jarra de
c) Diminuiu, com o aumento da temperatura. vidro, o seu volume aumenta como se o seu espaço
d ) O orifício não contém metal, logo o diâmetro não interno fosse constituído também pelo vidro, ou seja,
aumenta. pelo mesmo material das paredes.

Capítulo 3 • Dilatação ténnica 41

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19. Em relação à dilatação volumétrica dos corpos, po- 22. Um bloco cúbico de ferro possui um furo circular con-
demos considerar incorretas quais das afirmações a cêntrico, cujo diâmetro vale 2,0 cm, na temperatura
seguir? de 20 ºC. O bloco sofre um aquecimento chegando a
I. A tendência de todo corpo, ao ser aquecido, é dila- 250 ºC. Nessa situação, determine a variação do diâ-
tar-se para fora. Isso significa que todo vazio interno metro do furo. 5,5 . 10-' cm
do corpo aumenta com o acréscimo da temperatura. Dados: coeficiente de dilatação linear do ferro igual a
Correta. ex = 1,2 . 10-s c-1. 0

II. Na dilatação volumétrica de um corpo, ocorre alte-


ração em apenas duas de suas dimensões. Incorreta. 23. Uma chapa de alumínio tem um furo central de 100 cm
de raio. Ela está a uma temperatura de 12 ºC. Deter-
20. Um recipiente de cobre tem capacidade de 2 000 cm3 a
mine a área do furo quando a chapa for aquecida até
OºC. Calcule sua capacidade a 100 ºC. Dado: coeficien-
uma temperatura de 122 ºC . 31 552 cm'
te de dilatação linear do cobre igual a 17 · 10- 6 c-1 •
0

2010.2 cm'
Dado: ª•1umínio = 23 . 10-6 ºc-1.
21 . Determine o coeficiente de dilatação linear de um 24. Uma esfera de aço possui 10 m3 quando está à tempe-
corpo sólido homogêneo cuja temperatura varia de ratura de 20ºC. Se a esfera for aquecida até a tempera-
20 ºC para 1 020 ºC. Não ocorrem mudanças de fase e tura de 1 000 ºC, qual será a variação de seu volume?
o seu volume sofre um aumento de 3%. 1.0. 10-• c- 1 0 Dado: ª •ço = 1,5 - 10-s 0 c-1 • 0.441 m'

Pense além
A história da técnica
Durante uma exposição de automóveis, em Londres, um dos expositores chamou a atenção dos visitantes
ao colocar rodas de carroça num carro moderno. Atraídas pela ideia, as pessoas que se aproximavam recebiam
um informativo, contendo um texto cujo conteúdo era um resgate histórico a respeito da fabricação da roda .
Em síntese, informava que a roda foi uma invenção importantíssima, porque possibilitou uma revolução nos
transportes e passou a fazer
parte de outros dispositivos.
Para se torna r mais leve, a
roda, que inicialmente era
de madeira maciça, passou
a ser construída com raios,
e a "coroa", parte externa
da roda, que fica em con-
tato com o chão, era pro-
tegida por vários pregos de
cobre muito próximos uns
dos outros. Essa proteção ti-
nha como objetivo diminuir
o desgaste. Posteriormente,
os pregos de cobre foram
substituídos por um anel de
metal perfeitamente ajus-
tado à coroa de madeira,
permanecendo preso sem a Carro moderno com roda de carroça em feira de automóveis em Londres. Inglaterra (2008).
utilização dos pregos.

Ao ser aquecido, o anel metfüo tem o seu diâmetro interno al.fTlentado, tomando-,e lge,iramll'lle maior do que o dn tro da roda.
Escreva Assim ele pode ser ada;ltado à roda e, ao retomar à temperatura ambiente, teiã oseu diâmetro drninuído,Consequentement~ ao contrair,
Atividade nocademo pressiooarã a roda e permanecera fixo aela.

1. Com os conhecimentos sobre a dilatação dos sólidos, explique como foi possível aos ferreiros, daquela época,
ajustar esses anéis de metal às rodas.

42 Unidade 2 • Termologia

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Você sabia?

O zero absoluto, o acelerador de partículas e a Física Moderna


Teoricamente, estudamos que o zero absoluto corresponde a - 273, 15 ºC. Em condições naturais, é possí-
vel vivenciarmos valores de temperatura que se aproximam dessa ordem de grandeza?
A resposta dessa pergunta nos leva a pensar em duas possibilidades. A primeira seria encontrarmos situa-
ções registradas em algum local da Terra, que tenha registrado valores de temperatura tão baixos. Nesse sen-
t ido, a Nasa (agência espacial norte-americana) analisou dados, de meados de 201 O, obtidos via satélite, que
revelam registro de temperatura, na Antártida Oriental, de -93,2 ºC. Esse va lor é considerado o mais baixo
obtido na Terra.
A segunda possibil idade seria criar situações art ificiais que produzissem valores de temperatura próximos
do zero absoluto. As mais recentes tentativas feitas pelos cientistas, com esse objet ivo, estão relacionadas aos
aceleradores de partículas que, durante o funcionamento, atin gem valores de temperatu ra extremamente bai-
xos. Dentro desses aceleradores, partículas atômicas são aceleradas a velocidades próximas à da luz e durante
o t rajeto, se chocam umas contra as outras ou contra obstáculos, possibil itando a quebra de partículas milhões
de vezes menores que o átomo. Esses estudos avançam na busca de informações mais detalhadas sobre essas
partículas infinitamente pequenas e como teria se estruturado a composição do Universo. A lém disso, com
base na Teoria da Relatividade, procura-se con hecer melhor o que ocorre com a massa quando as velocidades
se aproximam da velocidade da luz. Para realizar essas experiências, um complexo projeto criogênico mantém
os 27 km de túnel, que abriga o Grande Colisor de Hádrons, LHC, à temperatura de -271 ºC ou 1,9 K. Essas
condições de temperatu ra possibilitam o funcio namento dos imãs supercondutores que produzem os campos
magnét icos. Esse valor de temperatura está muito próximo do zero absoluto, - 273, 15 ºC, ou de regiões remo-
tas do espaço, onde as temperaturas se aproximam de - 270 ºC. Esses valores de temperatura, tão baixos, são
fundamentais para o funcionamento desses imãs porque alguns metais apresentam uma propriedade denomi-
nada supercondutividade, ou seja, praticamente não apresentam resistência à passagem de corrente elétrica e,
com isso, criam-se campos magnéticos intensos que dão direção aos deslocamentos dos feixes de partículas,
para que possam ocorrer as col isões dessas partículas.

Professor, comente brevemente o conceito de


corrente elét rica. Enfatize que ele será estudado
no Volume 3 desta coleção.
Exemplo de supercondutor,
um tipo de material que
praticamente não possui
resistência à passagem de
corrente elétrica.
Alguns matetiais quando são submetidosa tempt!raturas que se aproximam do zero absoluto, praticamente, não apre-
Escreva sentam resistência à passagem da emente elétrica. Essa propriedade é denominada supercondutividade e possibilita
Responda no caderno a criação de campos magnéticos intensos que direconam os feixes de partlculas que se deslocam para colidir com o
aceleradCJf. Essa é a razão para que os imãs supercondutores do LHC sejam submetidos a temperaturas tão baixas.

1. QuaJ a importância da temperatura de -271 ºC para o funcionamento dos imãs supercondutores?

Capítulo 3 • Dilatação térmica 43

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Imagine um recipiente com volume V; cheio até a borda com um líquido, à
temperatura inicial Ti. Ao aquecermos o conjunto, parte do líquido escoa para
um reservatório externo.
T Isso acontece porque os líquidos em geral se dila-
tam mais que os sólidos quando ambos sáo subme-
tidos a uma mesma variação de temperatura. Como
o aumento do volume do líquido é maior que o au-
mento do volume interno do recipiente, o "excesso"
de líquido acaba transbordando ou extravasando para
outro reservatório.
Como o líquido está sempre contido dentro de
algum recipiente, quando os aquecemos, ambos - lí-
quido e recipiente - dilatam . Por isso, ao equacionarmos as variações de volume
por causa da variação de temperatura, haverá um termo para o líquido e outro
para o recipiente.
Considerando um recipiente totalmente cheio que sofre um aumento de tem-
peratura, o volume de líquido derramado corresponde ao que chamamos de di-
latação aparente. Esse volume extravasado não corresponde à dilatação real do
líquido, porque parte do volume do líquido que teve seu volume alterado ficou
armazenada no recipiente que também se dilatou. Para a dilatação aparente do
líquido D..V.P podemos dizer que:
t:,. v.P: dilatação aparente do líquido
_ { 'Yap: coefic.iente de dilatação aparente do líquido
tNap - "''ªPV~T,
I
em que Vi VO IUme .. . I d O I'1qu1.dO
lnlCla
t:,.T: variação de temperatu ra

Por outro lado, o recipiente também sofreu variação de volume t:,.V,.,:


t:,.V : dilatação interna do recipiente
-y 7coeficiente de dilatação volumétrica do recipiente
/J.V = 'Y,ecVt:,.T em que { rec . . ..
ll!C 1 ' Vi: volume interno 1rnc1a l
t:,.T: variação de temperatu ra

A dilatação real do líquido D..VR é ig ual a soma entre a dilatação aparente


do líquido âVªP e a dilatação interna do recipiente ll.V.,.c.

E , v,= v,,rn_ 1

Naturalmente, essa discussão é para o caso de desconhecermos o líquido e ter-


mos somente informação sobre o recipiente e o volume de líquido extravasado. Se
conhecermos o líquido previamente, poderemos calcular a variação de volume
utilizando a mesma equação da dilatação e o respectivo coeficiente de dilatação
volumétrica do líquido.

E =
Substituindo as expressões de dilatação volumétrica no resultado acima,
obtemos a seguinte relação para os coeficientes de dilatação volumétrica:
'YRVi!!T = 'YapVit:,.T + 'YrecVi!!T

J
44 Unidade 2 • Termologia

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Em geral, as substâncias aumentam de volume quando aquecidas, mas a água v
é uma das exceções, país, ao ser aquecida de O ºC até 4 ºC, sofre uma dímínuíção
de volume.
A molécula de água é formada por dois átomos de hidrogênío e um de oxigênio,
organizados de tal forma que adquirem uma nova confíguração ao serem resfriados
ou aquecidos, no intervalo de O ºC a 4 ºC. De O ºC a 4 ºC há uma aproxímação
das moléculas, ou seja, uma contração. Acima de 4 ºC há o afastamento natural das
o 4 T (ºC)
moléculas pelo ganho de energia, o que provoca a dílatação.

molécula de água

água
çp pequenos
·"'.:3

o espaços entre as
moléculas

Figura 1: No estado sólido, a água apresenta ligações de Figura 2: Quando ocorre a fusão da água por aquecimento, uma parte das
hidrogênio (ou pontes de hidrogênio} que criam estruturas ligações de hidrogênio se desfaz, causando a ruptura dessa estrutura cristalina
cristalinas bem definidas, aumentando o espaço entre as e deixando as moléculas desorganizadas. Dessa forma, os espaços vazios que
moléculas e, consequentemente, o volume do sólido. existiam no cristal de gelo são ocupados por moléculas. Observe que isso
diminui o volume em relação à primeira situação.

No caso da água (e de outros compostos), o gráfico que representa a variação


do volume em função da temperatura não é reti líneo.
Observando o gráfico, concluímos que a água atinge sua densídade máxíma e
o menor volume a 4 ºC.

Exercícios resolvidos

8 Uma garrafa de vidro está completamente cheia com Totalmente cheio de mercúrio, ele é aquecido a 160 ºC.
certo líquido e possui volume de 200 cm3 a 10 ºC. Dados: aAt= 23. 10- 6 0 c-1, 'YHg = 1,8. 10- 4 0 c-1•
O conjunto garrafa + líquido é aquecido a 210 ºC e Determine:
verifica-se que 1 cm3 transborda. Considere o coe- a) a variação real do volume do líquido;
ficiente de dilatação volumétrica da garrafa igual a b) o volume do mercúrio que transborda.
1, 7 · 10- s c- 1 e determine o coeficiente de dilatação
0

volumétrica do líquido: Resolução


a) aparente; a)t1VR = -yRVitiT
b)real.
t1VR = 1,8 · 10-4 ·soo · 140
Resolução t1VR = 12,6 cm 3

a) O volume de líquido que transbordou corresponde b) Como 'Yap = 'YR - 'Yrcc


à dilatação aparente: 'Yrec = 3a = 3 · 23 · 10- 6

t1VªP = -Y.., Vit1T~ l = 'Yap · 200 · 200 ~ -yap = 2,5 · 10-s 0


c- 1 )'= = 69 . 10-6 0 c- 1

b)Para determinar o coeficiente de dilatação real 'Y= = 1,8 . 10- 4 - 69 . 10- 5


basta usar a equação que relaciona os coeficientes de "V
'ªP
= 1 8 . 10- 4
'
-
'
o 69 . 10- 4
dilatação do líquido e do recipiente: '"Yap = 1,11 . 10-4 oc-1
'Y = -v + v =25·10- 5 + 1 7·10- 5 ~ "V =4,2-10-soe- 1
R l ap lm:::: ' ' IR tiV.P = 'Y.pVitiT
• Em um laboratório faz-se uma experiência com um 11v.p = 1,11 · 10- soo · 1404 •

vaso de alumínio a 20 ºC que possui volume de 500 cm3 • /1v.P= 7, 77 cm3(volume que transborda)

Capítulo 3 • Dilatação térmica 45

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· ·
ExerctCIOS propost OS Escreva
no caderno .

25. Em um copo de vidro com capacidade de 200 mL co- I. O tanque de gasolina sofreu dilatação.
locam-se 190 mL de água à temperatura de 20 ºC. O II. O coeficiente de dilatação volumétrica do mate-
conjunto é aquecido até a temperatura de 100 ºC e rial utilizado para fabricar o tanque é menor do que o
observa-se um aumento de 10 mL, fazendo com que coeficiente de dilatação da gasolina.
a água chegue até a borda do copo. O que representa
lll. A dilatação real sofrida pela gasolina equivale ao
essa diferença de 10 mL obtida após o aquecimento
volume de gasolina derramado.
do conjunto? Trata-5e da dilatação aparente do líquido.
IV. A dilatação do tanque foi menor do que a dilata-
26. Em uma panela há uma quantidade de água na tem- ção real da gasolina. As afirmações 1, li e IV são corretas.
peratura inicial de 1 ºC e na pressão normal. Ao ser
30. Um recipiente de zinco tem coeficiente de dilatação
aquecida, a água sofre uma variação de temperatura
linear igual a 1, 7 - 10-6 c- 1. Ele está a O ºC e total-
0

chegando a 3,5 ºC. Sobre o volume de água contido


mente cheio de um líquido cujo volume é de 120 cm3 •
na panela, o que podemos dizer?
Com o aquecimento, o volume de água diminuirá. Ao aquecer o conjunto a 200 ºC, extravasam 12 cm3
27. Uma cozinheira encheu com água um vasilhame de vi- do liquido. Qual é o coeficiente de dilatação real do
dro e logo após o levou ao congelador. Depois de algum líquido? 'Y, = 5,051 · 10-• c-1
0

tempo o vasilhame estourou. Por que isso ocorreu? 31 . (UFG-GO) Num dia quente em Goiânia, 32 ºC, uma dona
Isso ocorre porque a água, ao ser resfriada abaixo de 4 ºC, aumenta de volume.
de casa coloca álcool em um recipiente de vidro graduado
28. A cidade de Annecy, situada na margem norte do lago
e lacra-o bem para evitar evaporação. De madrugada,
que recebe o mesmo nome nos Alpes franceses, foi es-
com o termômetro acusando 12 ºC, ela nota surpresa
colhida pela França para concorrer a sede dos Jogos
que, apesar de o vidro estar bem fechado, o volume
Olímpicos de Inverno de 2018.
de álcool reduziu. Sabe-se que o seu espanto não se
justifica, pois se trata do fenômeno da dilatação tér-
mica. A diminuição do volume foi de:
(Considere o coeficiente de dilatação térmica volumé-
trica do álcool: "Y.;10001 = 1,1 · 10-3 0c- 1 > > -yvidnJ
a) l ,l o/o d)4,4%
X b) 2,2% e) 6,6%
c) 3,3%
32. (Enern/MEC) Durante uma ação de fiscalização em
postos de combustíveis, foi encontrado um mecanismo
inusitado para enganar o consumidor. Durante o inver-
no, o responsável por um posto de combustível compra
álcool por R$ 0,50/litro, a uma temperatura de 5 ºC.
Lago de Annecy, França (2015)
Para revender o líquido aos motoristas, instalou um me-
O local tem uma belíssima paisagem, e no inverno a canismo na bomba de combustível para aquecê-lo, para
temperatura do lago fica próxima de O ºC. Suponha que atinja a temperatura de 35 ºC, sendo o litro de ál-
que num desses dias a temperatura da água, inicial- cool revendido a R$ l ,60. Diariamente o posto compra
mente a 2 ºC, sofra uma variação chegando a 4 ºC. 20 mil litros de álcool a 5 ºC e os revende.
Nessa situação, responda: Com relação à situação hipotética escrita no texto e dado
a) O que ocorre com o volume do lago? Diminui. que o coeficiente de dilatação volumétrica do álcool é
b) O que ocorre com a densidade da água? Aumenta. de 1 · 10- 3 c-1, desprezando-se o custo da energia gasta
0

no aquecimento do combustível, o ganho financeiro que


29. Após encher totalmente o tanque de gasolina do
o dono do posto teria obtido devido ao aquecimento do
seu carro, um viajante cansado resolveu almoçar e álcool após uma semana de vendas estaria entre
dormir por algumas horas, deixando o carro esta-
a) R$ 500,00 e R$ 1.000,00
cionado ao Sol. Quando retornou, no fim da tarde,
percebeu que uma pequena quantidade de gasolina b) R$ 1.050,00 e R$ 1.250,00
havia transbordado do tanque, por causa do aumen- c) R$ 4.000,00 e R$ 5.000,00
to da temperatura. Diante dessa informação, o que é X d) R$ 6.000,00 e R$ 6.900,00
correto afirmar? e) R$ 7.000,00 e R$ 7.950,00

46 Unidade 2 • Termologia

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1. Podemos explicar esse fenómeno da seguinte maneira; o corpo quente lornece calor ao corpo frio e este absoive calor do corpo quente. O fenômeno continua até que as temperaturas se
igualem, interrompendo a transferência de calor e permitindo aos dois corpos entrar em equilibrio térmico.


'
· • comp 1ement ares
Exerc1c1os Escreva
no caderno
'
,

1. Um aluno verificou em um experimento de Termolo- I. A situação 1 pode ocorrer para dois sólidos de
gia que, quando se coloca um corpo quente perto de mesmo material.
um corpo frio, este se aquece à proporção que o corpo li.A situação 2 somente pode ocorrer se o coeficiente
quente se resfria_ Justifique essa conclusão.
de dilatação de D for maior que o dobro do coeficien-
2. Verifique se as seguintes afirmações estão corretas e te de dilatação de C.
justifique sua resposta. III. A situação 3 somente ocorre se o coeficiente de
a) É por meio da sensação térmica que chegamos ao dilatação de E for maior que o de F.
conceito de temperatura. Portanto, podemos usá-la Pode-se afirmar que SOMENTE:
como um critério seguro para medir o estado térmico
a) I é correta.
de um sistema. Parcialmente correta, porque esse não é um critério seguro.
X b)Il é correta.
b) O volume e a pressão de uma substância indepen-
dem da variação do seu estado térmico. c) III é correta.
Incorreta. k. propriedades termométrkas de uma substância dependem
da variaçãQ do estado térmico. d) I e II são corretas.
3. (Faap-SP) O gráfico a seguir representa a correspon-
dência entre uma escala X e a escala Celsius. Os inter- e) II e III são corretas.
valos de um grau X e de um grau Celsius são represen-
tados, nos respectivos eixos, por segmentos de mesmo 6. Um pequeno cubo de alumínio possui 2 cm de ares-
comprimento. A expressão que relaciona essas escalas é: ta quando está à temperatura de 30 ºC. Esse cubo
passa por um processo de aquecimento e sua tempe-
X a) t, = te + 80 t, (ºX)
ratura se eleva até 150 ºC. Para essa nova tempera-
t t
b) 8~ = l;O tura, qual será, em m3, a variação de volume sofrida
80 pelo cubo? 6,6 · 10-• m'
t
e
t•
)
c 100 = 80 Dado: cxa1umínio = 2,3 . 10-s ºc-1.
d)r. = te - 80 o t, (ºC)
7. Um posto de gasolina da cidade de Porto Alegre re-
e) r. = te
cebeu 5 000 L de gasolina em um dia de muito calor,
4. (Unifor-CE) Um estudante construiu uma escala de com temperatura de 35 ºC. Ao final da tarde ocorreu
temperatura E atribuindo o valor O ºE à temperatura uma queda brusca de temperatura, fazendo com que
equivalente a 20 ºC e o valor 100 ºE à temperatura os termômetros registrassem 16 ºC. Nesse momento,
equivalente a 104 "F. Quando um termômetro gra- o dono do posto percebeu que toda gasolina recebi-
duado na escala E indicar 25 ºE, outro termômetro da naquele dia havia sido vendida. Sendo o coefi-
graduado na escala Fahrenheit indicará: ciente de dilatação volumétrica da gasolina igual a
a) 85 c) 70 e) 60 11 . 10- 40c- 1 ' determine:
X b)77 d)64 a) a contração volumétrica do combustível devido à
5. (PUCCamp-SP) As figuras mostram as variações do variação de temperatura. 104,5 l
volume V dos corpos A e B, C e D e E e F em função da b)o prejuízo do posto, sabendo que, naquele dia, a
temperatura T. gasolina havia sido vendida por R$ 2, 79 o litro e o
Nessas situações, analise as afirmativas a seguir. preço de venda foi de R$ 1,99 por litro. RS 291,55
.,
..
"., 8. Um recipiente de vidro (cxvidro = 9 · 10- 6 ºC- 1), de
"'
·"'.9 capacidade igual a 1 000 cm3, está completamen-
2~ ~
te cheio de um líquido a O ºC. O conjunto é aqueci-
G) T do a 100 ºC e nota-se, então, um extravasamento de
20 cm3 do líquido. Determine:
a) o coeficiente da dilatação aparente do liquido;
2 . 10-' 0 c-1
b) o coeficiente de dilatação real do líquido;
2,27 . 10-' 0c-1
c) a dilatação real do líquido. 22, 7 cm'

Capítulo 3 • Dilatação térmica 47

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Ao estudar as escalas termométricas foi possível perceber que há uma relação entre elas.
Quando analisamos a temperatura in dicada no termômetro de Gramado, RS, foi possível per-
ceber que a coluna de líquido correspondia a valores das escalas Celsius e Fahrenheit. A escala
Fahrenheit ainda é adotada em países como os Estados Unidos da América, M ianmar e Libéria.
Ao compararmos a sensação térmica devemos fazer as conversões na mesma escala para
aferir o resultado com segurança. Por exemplo, vamos determinar se a temperatura de 61 ºFé
elevada se comparada com a temperatura de um dia quente na cidade do Rio de Janeiro (40 ºC):

~ = _T~F_-_ 3_2_º ==} _T_c = 61 º - 32º


5 9 5 9

T 29º 145º
ºC ºF
_e = - - ==} T = - - ==} T = 16 1 ºC
50 - 120
5 9 e 9 e '

Comparando com a temperatura no Rio de Janei-


ro de 40 ºC, podemos certamente dizer que 61 ºF 4cf: ~ºº
(16, 1 ºC) é muito mais frio que 40 ºC. Também po-
demos fazer as conversões para a escala Fahrenheit.
E assim obter:
-30- ª § 80
20 =
_ ª 60
40º
5
ª 20

360º o
-5- = TF - 32º

TF = 72º + 32º ==} TF = 104 ºF


E, assim, também verificamos que 40 ºC (104 ºF) 40
é muito mais quente que 61 ºF.
Podemos descobrir também qual valor de tempe-
ratura equivale nas duas escalas à mesma sensação
térmica. Para isso é só igualar suas escalas.

E obter:
T T - 32º
_e
5
= e
9
==} 9T
e
= S(Te - 32º) ==}
Termômetro nas escalas Celsius
e Fahrenheit.
160º
==} 9T - ST
e e
= - 160º ==} Te = -4- ==}

==} Te =- 40 ºC =- 40 º F

Pelos cálculos temos que a temperatura com valor numérico equivalente nas duas escalas é de
-40, ou seja, tem a mesma sensação térmica para o mesmo valor de temperatura.

48 Unidade 2 • Termologia

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Os iglus são construções usadas como
residência em ambientes muito frios. Os
esquimós os constroem cavando ou em-
pilhando camadas de neve.
Sabemos que a neve apresenta uma
temperatura relativamente baixa para as
condições de vida do ser humano.
> • Como podemos, então, justificar sua
utilização nessas construções?

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Professor, os comentários das questões de
abertura da Unidade encontram-se no Cader-
no de orientações no final deste volume. 'li,.,li'hi;6iif·l·ti{§,,l·t§ 2ii 12•----- 1
No capítulo 2, abordamos os conceitos de calor e temperatura . Agora vamos
estudar as consequências das trocas de calor e das variações de temperatura.
Inicialmente analisaremos uma situação que ocorre corriqueiramente durante
a preparação dos alimentos. Em uma panela de alumínio com água à temperatura
de 20 ºC, despeja-se mais água a 50 ºC. Decorrido certo intervalo de tempo, a
temperatura da água que j á estava na panela e a própria panela
de alumínio aumenta e a da água a 50 ºC diminui até que se
atinja o equilíbrio térmico. Nesse caso, os corpos ficam com a
mesma temperatura.
Situações como essa ocorrem quando colocamos dois corpos
com diferentes temperaturas em contato ou próximos entre si. A
diferença de temperatura motiva um fluxo de energia térmica,
panela com água equilíbrio térmico do corpo mais quente para o mais frio, que denominamos calor.
Assim, podemos dizer que um corpo perde ou recebe calor, mas
Misturando água a 50 ºC em uma panela com água a
20 ºC. após um interva lo de tempo, teremos uma mistura nunca que um corpo tem calor. O que podemos dizer é que um
de água em equilíbrio térmico. corpo possui energia térmica.

~ Calor sensível e calor latente


Na Física, costu ma-se tratar o calor trocado entre os corpos de duas formas
diferentes.
O ca lor que produz a variação de temperatura em um corpo chama-se calo r
sensível. Por exemplo, ao colocarmos água para ferver em um recipiente, sua
temperatura aumentará continuadamente até atingir 100 ºC, ou valores próximos
Nesse recipiente, parte da água está a esse. A variação de temperatura na mudança de estado pode ocorrer por causa
mudando de estado físico. dos diferentes
valores que a pressão pode assumir no ambiente. Você verá mais
Professor, os comentários dessa seção encontram-se . _ . , . ,
no Caderno de orientações no final deste volume. 1nformaçoes aesse respeito no prox1mo cap1tu lo.
Entretanto, sabemos que, ao fornecer calor à matéria, esta pode mudar de
estado físico. Ou seja, se continuarmos a fornecer calor para a água, esta mudará
de estado físico, passando do líquido para o gasoso. Verifica-se que, durante esse
processo, a temperatura da água não varia, mantendo-se constante no valor em
que foi iniciada a mudança de estado. O calor que modifica o estado físico de um
corpo, e não varia a sua temperatura, é chamado de calor latente.
A energia é medida em joules (J) no SI. Por motivos históricos e práticos,
também usamos outra unidade, a ca loria (cal), assim definida:

llli,. Uma caloria é a quantidade de calor necessária para elevar de 14,5 ºC a 15,5 ºC
11"" a temperatura de um grama de água pura, à pressão normal.
Copos com gelo e suco.

Qual é a melhor temperatura O múltiplo usual da caloria é a quilocaloria (kcal):


do gelo em um suco para 1 kcal = 1 000 cal ou l cal = 10- 3 kcal
que ele fique do jeit o que
A relação entre a caloria e o j oule é, aproximadamente:
você gosta?
1 cal = 4, 1868 J ou 1J = 0,2388 cal
50 Unidade 3 • Calor: energia em movimento

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~ Capacidade térmica e calor específico
A troca de calor entre corpos ou sistemas depende de suas características
intrínsecas, em particular da massa e da composição química . Por causa disso, é
necessário definir duas grandezas: a capacidade térmica e o calor específico.
Como propriedades de um corpo e de um composto químico, respectivamente,
essas grandezas indicam como eles recebem ou perdem calor.
Assim, define-se que:

~ Capacidade térmica e de um corpo é a quantidade de calor necessária para


elevar em 1 ºC a sua temperatura. Equ ivale ao quociente entre a quantidade
de calor Q recebido ou cedido pelo corpo e a correspondente variação de
temperatura .6.T.

Algebricamente temos: ~ e = áTQ 1

A unidade de medida usual da capacidade térmica é a ca loria por grau


ce lsius (cal/ºC).
Para compreendermos melhor esse conceito, considere o seguinte exemplo:
um corpo que, ao receber 80 calorias na forma de calor, tem sua temperatura
aumentada em 16 ºC. Podemos obter a capacidade térmica desse corpo pela
divisão do calor recebido (80 cal) pela variação de temperatura (16 ºC). Fazendo
isso, obtemos o valor de 5 cal/"C para a capacidade térmica.
Entretanto, há outra propriedade térmica que está associada à composição
química de cada corpo. Por exemplo, dois corpos de mesma massa, constituídos
por diferentes materiais, ao receberem a mesma quantidade de calor, geralmente
não sofrem a mesma variação de temperatura.
Por isso, define-se que:

Ili.. Calor específico e de um material é a quantidade de calor necessária para ele-


~ varem 1 ºC a temperatura de uma unidade de massa desse material.

Algebricamente temos: ~
Q Praia na Ilha de Boipeba, Bahia
C= - - (2010).
miH
Nas praias, é possível notar
A un idade de medida usual do calor específico é a caloria por grama que pela manhã a água
por grau celsius (ca l/g ºC). do mar é mais fria que a
Se manipularmos as duas equações anteriores, podemos deduzir uma ter- areia . No início da noite, a
ceira expressão que fornece a capacidade térmica de um corpo como sendo percepção é cont rária, e
diretamente proporcional a sua massa e ao calor específ ico do material. a água do mar se apresenta
e mais quente que a areia .
e=- ~ e = me Qual o motivo dessa
m
diferença?
Por exemplo, se considerarmos um material com calor específico de
0,25 ca l/g ºC, a capacidade térm ica de um corpo composto desse material irá Professor, os comentários dessa seção encon-
tJam-se no Caderno de orientações no final
depender de sua massa, como podemos observa r no quadro abaixo. deste volume.
Observe como a capacidade térmica varia de acordo com a
Massa(m) Capacidade térmica
massa do corpo, pois quanto maior a massa, maior a quantidade
de calor necessária para variar a sua temperatura. 20 g 5 cal/ºC
Por outro lado, verifique que a razão entre capacidade térmica 40g 10 cal/ºC
e massa sempre se mantém constante. Essa razão é o calor especí- 80g 20 cal/ºC
fico do material que forma o corpo; e, portanto, uma característi-
160 g 40 cal/ºC
ca dele. Para qualquer coluna do quadro, sempre obtemos o valor
240 g 60 cal/°C
0,25 para essa razão.

Capítulo 4 • Quantidade e trocas de calor 51

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Reunindo as equações que definem a capacidade térmica e, principalmente,
o calor específico, obt emos a equação fundamental da Calorimetria:

Essa equação nos permite conhecer a quantidade de calor Q trocada por um


corpo de massa m, cujo calor específico é e (constante ca racterística do material),
ao sofrer uma variação de temperatura â T.

Exercícios resolvidos

1 Uma placa metálica de massa 0,300 kg sofre um Resolução


acréscimo de 30 ºC em sua temperatura quando ab-
sorve 9 000 J de calor. Calcule o calor específico des- a) Dados: m = 200 g e e = 0,094 cal/g ºC, a capacida-
se materiaL de térmica será dada por:
C = me = 200 · 0,094 =} e = 18,8 caVºC
Resolução
b) A temperatura final, a partir da perda de 800 cal
será:
Q
Como, e= môT, temos que:
Q = Có.T = C (T- T) =}
=> -800 = 18,8 · (T - 20) =>
c= 9 ooo =}e= lOOOJ/k ºC
0,300 · 30 g ::::> T = -22,6ºC

Observe que a unidade de calor é dada em função


, Um corpo de massa 70 g, ao sofrer aquecimento, apre-
das demais unidades utilizadas.
senta a variação da temperatura conforme o gráfico.
Aquecem-se 20 g de água a uma temperatura inicial Determine o calor específico da substância.
de 12 ºC até atingirem 60 ºC. Determine a quanti-
T(ºC)
dade de calor recebida pela água.
72 • - - - - - - - - - - - -
Dado: cá,;ua = 1 cal/g ºC.

Resolução

Dados: 6.T = T - T; = 60 - 12 = 48 ºC; m = 20 g e 10

e = 1 cal/gºC. o 2000 Q (cal)

Substituindo na equação Q = m~T, temos:


Q = 20 · 1 · 48 =} Q = 960 cal Resolução
Q = 2000 cal
Uma panela de cobre possui massa de 200 g à tempe- A partir do gráfico, temos: { T = 72 ºC
ratura de 20 ºC. Tendo perdido 800 cal, calcule: T; = lO ºC
a) o valor de sua capacidade térmica; Como Q = mc6.T, temos:
b) a temperatura final. 2000 = 70 ·e· (72 - 10) =}
Dado: cro1,,.. = 0,094 cal/g ºC. =>e= 0,46 cal/g ºC

52 Unidade 3 • Calor: energia em movimento

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• .
Exerc1c1os Escreva
propostos no caderno
Ea mao que transmite energia para a superftcie fria, porque o calor se movimenta
naturalmente do corpo mais quente para o mais !rio.
1. Ao tocarmos com as mãos urna superfície fria, é o frio que 5. Em um hospital um paciente em tratamento recebeu
se desloca da superfície para a mão ou é a mão que trans- uma camada de álcool na pele e sentiu esfriar o local.
mite energia para a superfície? Explique sua resposta. Isso se deve ao fato de o álcool:
2. Nas últimas décadas, algumas pesquisas sobre tu- a) ser muito frio.
bérculos têm revelado que os valores nutricionais b) absorver calor da pele para evaporar-se.
da batata não ficam devendo nada aos de alguns xc) ter baixo calor especifico.
vegetais. A batata é rica em fibras, vitaminas C e d)ser muito denso.
do complexo 8, especialmente a 816, que agem na e) transferir calor para a pele.
formação das células do nosso organismo. Embora
a casca possa estar contaminada por agrotóxicos, o 6. O motor de um carro, durante o tempo de funciona-
ideal é que a batata seja bem lavada e escovada para mento, teve uma das suas peças aquecidas, passando
ser cozida com casca, pois ela impede a perda dos de 15 ºC para 115 ºC. Sabendo que essa peça tem mas-
nutrientes durante a fervura. sa de 2 000 g e recebeu 4 000 cal, determine a capaci-
dade térmica da peça e o calor específico da substân-
cia que a constitui. 40 cal/"C; 0,02 caVg ºC

7. Durante um estudo sobre o comportamento térmico


de determinado corpo, cuja massa é 0,2 kg, foi forne-
cido a ele a quantidade de calor de 0,2 kcal, provocan-
do uma variação de temperatura de 5 ºC para 15 ºC.
Diante desses dados, determine o calor específico da
substância que constitui esse corpo. 0,1 cal/g ºC

8. Um bloco de cobre (c = 0,094 cal/g ºC) de 1,20 kg é


A batata é rica em carboidratos e uma fonte de f ibras. Para
preservar seus nutrientes, é recomendado que ela seja colocado em um forno até atingir o equilibrio térmico.
preparada com a casca . Nessa situação, o bloco recebe 12 972 cal. Qual a varia-
Um estudante de Física chegou à sua casa com fome ção de temperatura sofrida pelo bloco de cobre? 115 ºC
e, após ter cozinhado algumas batatas, retirou-as da 9. O calor específico de uma substância é 0,5 caVg ºC.
panela. Depois de alguns minutos reparou que elas Se a temperatura de 4 g dessa substância se eleva de
demoravam a esfriar. Diante do fato, recordou as 10 ºC, qual a quantidade de calor absorvida pela subs-
aulas de Calorimetria e justificou que as batatas tância? 20 cal
demoravam a esfriar por causa:
a) da baixa capacidade térmica. 1O. Calcule a quantidade de energia necessária para ele-
b) da alta condutividade térmica. var a temperatura de um material cujo calor específico
c) do isolamento térmico realizado pela casca. é 0,412 caVg ºC de 40 ºC para 100 ºC, sabendo que sua
x d) do alto calor específico. massa é de 5 kg. 123,6cal

3. Classifique em verdadeira (V) ou falsa (F) as afirma- 11 . O calor específico do ferro é igual a 0,llO cal/ g ºC.
ções citadas abaixo: Determine a temperatura final de uma massa de 400 g
V l. Calor específico de urna substância (c) é a quanti- de ferro, após receber aproximadamente 600 cal.
dade de calor necessária para variar em 1 grau a tem- Considere que sua temperatura inicial era de 20 ºC.
33,63 º(
peratura de uma unidade de massa.
12. Um corpo de 250 g de massa e temperatura inicial
F 11. Quando um corpo está quente, podemos afirmar
de 10 ºC é aquecido durante 5 min por uma fonte de
que ele possui calor.
potência constante que lhe fornece 700 cal/ min.
V lll. A água, pelo seu elevado calor específico, é utili-
Ao final desse tempo, a temperatura do corpo vale
zada para apagar incêndios, pois retira calor e esfria
80 ºC. Qual o valor do calor específico da substância
os corpos que queimam.
que constitui o corpo? 0,2 cal/g ºC
4. Sabe-se que a areia da praia, em um dia de verão, fica
mais quente que a água do mar. Supondo que a quan- 13. Uma barra metálica de 0,400 kg sofre um acréscimo
tidade de energia recebida do Sol seja a mesma para as de temperatura de 49 ºC, quando absorve 9 800 J de
duas substâncias, qual delas tem calor específico maior? calor. Determine o calor específico desse metal.
A água do mar. 500 J/kg °C

Capítulo 4 • Quantidade e trocas de calor 53

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14. (Enem/MEC) Numa área de praia, a brisa marítima é uma consequência da diferença no tempo de aquecimento
do solo e da água, apesar de ambos estarem submetidos às mesmas condições de irradiação solar. No local (solo)
que se aquece mais rapidamente, o ar fica mais quente e sobe, deixando uma área de baixa pressão, provocando o
deslocamento do ar da superfície que está mais fria (mar).

"
..

~
<

t CC -!
-_$"
;l:;
~
Menor pressão '!'
lo
~

À noite, ocorre um processo inverso ao que se verifica durante o dia.


Como a água leva mais tempo para esquentar (de dia), mas também leva mais tempo para esfriar (à noite), o fenô-
meno noturno (brisa terrestre) pode ser explicado da seguinte maneira:
X a) O ar que está sobre
a água se aquece mais; ao subir, deixa uma área de baixa pressão, causando um deslocamento
de ar do continente para o mar.
b) O ar mais quente desce e se desloca do continente para a água, a qual não conseguiu reter calor durante o dia.
c) O ar que está sobre o mar se esfria e dissolve-se na água; forma-se, assim, um centro de baixa pressão, que atrai
o ar quente do continente.
d) O ar que está sobre a água se esfria, criando um centro de alta pressão que atrai massas de ar continental.
e) O ar sobre o solo, mais quente, é deslocado para o mar, equilibrando a baixa temperatura do ar que está sobre o mar.

Você sabia?

Por que as temperaturas são tão extremas no deserto?


No deserto, durante o dia, a temperatura atinge valores muito elevados, situação que se inverte à noite,
com temperaturas bem baixas.
A explicação dessa variação se baseia no conceito de calor específico, que é a maior ou menor "capaci-
dade" de uma substância se aquecer quando recebe ou perde determinada quantidade de calor. A areia do
deserto possui calor específico relativamente pequeno, o que a faz se aquecer com muita facilidade durante o
dia e se resfriar facilmente durante a noite. Por isso, as temperaturas variam muito.

l
Escreva

Res:.o::ando· estamos
al
e: : :e; :ia, durante um dia de Sol, verificamos que a temperatura da areia aumenta
· d , p · e ? O calor específico da água maior que o da areia. Assim, a agua precisa de
proporcrnn mente mais que a a agua. or que isso ocorre· uma quantidade de calor maior para alcançar a mesma temperatura da areia.
2. Nessa mesma praia, após o pôr do Sol, podemos verificar que a água esfria mais devagar que a areia. Qual é a
explicação para esse fato? Pela m~ raião aa questão anterior; re~rando-se a mesma quantidade de calor ct. areia e da água,
,eriflCalJlos uma variação de temperatura maiCN' 11a areia_

Deserto do Rub al-Khali, Abu Dhabi, Emirados Árabes (2015)_

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fl,i·ifti•tifit•1iifit•1;i,.f4ii·•-------
Chamamos de calorímetro um tipo de recípiente que evita
as trocas de calor entre o seu conteúdo e o meio externo, pois termômetro agitador
trata-se de um sistema termicamente isolado.
,.,.....,.....,,----,--,-1,.-,,..,..,...,.....,.,,,...,.=-=x
tampa do
calorímetro i~
Em geral ele é utilizado para acondicionar corpos que pre- .,.
cisam ser mantidos em temperaturas preestabelecidas ou para 9
~
estudar trocas de calor entre dois ou mais corpos em laboratório. recipiente
de metal
Em princípio, um ca lorímetro ideal não deveria trocar calor
com os corpos de seu interior, mas na prática isso não ocorre.
Portanto, em alguns casos vamos considerar a capacidade tér- água
mica do calorímetro no equacionamento das trocas de calor; isolante
em outros, quando avisado, iremos supor um calorímetro ideal térmico
com capacídade térmica nula ou desprezível.
A garrafa térmica é um tipo de calorímetro. Possui duas pare-
des de vidro espelhado entre as quais é criado vácuo.
corpo
Essas medidas minimizam o f luxo de calor através das paredes
da garrafa, tornando-a ideal para guardar líquidos que desejamos Um corpo troca calor com certa massa de água no interior
manter à temperatura constante. de um calorímetro. A função do agitador é homogeneizar a
temperatura da água.
No interior de um ca lorímetro são colocados dois ou mais
corpos de temperaturas diferentes, que trocam calor entre si
até atingirem o equilíbrio térmico. A partir da conservação da
energia, podemos enunciar o princípio das trocas de calor.
tampa isolante

vácuo entre
~ Em um sistema de vários corpos, termicamente isolados do as paredes
meio externo, a soma das quantidades de calor trocadas por
eles é igual a zero.

paredes
e5pelhadas
Como a energia se conserva, nesse caso na forma de ca lor,
a quantidade de ca lor cedida pelos corpos com maior tempe-
invólucro
ratura deve ser recebida integralmente pelos corpos de tem- externo
peratura mais baixa . Como as quantidades de ca lor cedido e
recebido possuem sinais contrários, a soma desses termos é
nula. Algebricamente, temos:

~ Q cedido + Q ,ecebido = Q suporte


isolante

Para um sistema de n corpos que podem perder ou receber Representação da estrutura de uma
calor nas trocas entre si, escrevemos: garrafa térmica.

~ Q, + Q, + Q, + ... + Q 0 = o

No caso de o sistema não estar termicamente isolado ou de o


calorímetro não ser ideal, devemos levar em conta a troca de
ca lor dos corpos com o ambiente.

Capítulo 4 • Quantidade e trocas de calor 55

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Exercícios resolvidos

5 Em um recipiente adiabático (que não troca calor com o meio exterior), juntamos 2 000 g de água a 22 ºC, 400 g
de mercúrio a 60 ºC e uma massa m de certa substância x a 42 ºC. Determine o valor da massa m, sabendo que a
temperatura final de equilíbrio térmico é 24 ºC.
Dados: cHg = 0,033 cal/g ºC; c, = 0,113 cal/g ºC e cH20 = 1,0 cal/g ºC.

Resolução

Observando as temperaturas iniciais e a temperatura final de equilíbrio, percebemos que a água recebeu calor, e o
mercúrio e a substânciax cederam calor.
Q H20 + Q Hg + Q , = O
2000 · 1 · (24 - 22) + 400 · 0,033 · (24 - 60) + m · 0,133 · (24 - 42) =O=>
=> 4000 - 475,2 - 2,394m = O=>
=>m = 1472 g

, Em um calorímetro de capacidade térmica igual a 20 cal/ºC há 200 g de água a 90 ºC. Obtenha a massa necessária
de alumínio que está a 20 ºC, capaz de fazer a água esfriar até 70 ºC.
Dados: cH20 = 1,0 cal/g ºC; cA<= 0,2 cal/ g ºC.

Resolução

Do enunciado, temos as informações:


cH20 = 1,0 caVg ºC cAl_= 0,2 cal/g ºC
C = 20 cal/ºC , .
Calorímetro: { Ti = 90 ºC
, { m= 200 g AI { m-m
Agua: T. = 90 ºC UJ111IllO: T. = 20 ºC
T = 70ºC
T = 70ºC
1
T1 = 70 ºC

Q calorimctro + Q á;iua + Q alunúnio = O =>


=> [C · (T - Ti) t .ionm,uu + [e· m · (T - T)]águ•+ [c · m · (T - T)J.,umín,a = O=>
=>20 · (70 - 90) + 200 · 1,0 · (70 - 90) + m · 0,2 · (70 - 20) =O=> -400 - 4000 + 10m =O=>
=>m = 440 g

Determine a temperatura de equilíbrio térmico do seguinte sistema : em um calorímetro de capacidade térmica


igual a 30 cal/ºC , há 100 g de água a 10 ºC e depois são adicionados mais 100 g de água a 60 ºC.

Resolução
cH2O = 1,0 cal/g ºC CH O = 1,0 cal/g ªC
c = 30 cal/ºC
Calorímetro: { Ti = 10 ºC Água fria: { m = lOO g Água quente: { m ~ lOO g
T. = lOºC T1 = 60 ºC
T =? TI =? T = ?

+ Q águafria + Q águaqu.cnrc = Q ==)


Q calorim~ao

=> [C. (T - T;)lca1onmetro + [c. m. (T-T)]água rna + [c. m. (T- T;)l águaqucnte =O=>
=> 30 · (T - 10) + 100 · 1,0 · (T - 10) + 100 · 1,0 · (T - 60) = O =>
=> 30T - 300 + lOOT - 1000 + lOOT - 6000 = O=>

=>T = 7300 =>


230
=>T = 31,7 ºC

56 Unidade 3 • Calor: energia em movim ento

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• ·
Exerc1c1os propost os Escreva
no caderno

15. Quatro participantes de uma gincana cultural foram co- 20. (Mack-SP) Numa manhã fria do inverno paulistano,
locados diante da seguinte situação: três corpos (A, B e registrou-se num ambiente a temperatura de 10 ºC.
C) fabricados com materiais metálicos diferentes foram Uma garrafa térmica, inicialmente a esta tempera-
colocados em um recipiente termicamente isolado. De- tura, foi utilizada para acondicionar 180 g de café a
pois de algum tempo foram informados de que a tem- 60 ºC. Porém, após um certo tempo (até o equihbrio
peratura do corpo A e a do corpo B haviam aumentado. térmico), verificou-se que o café, na garrafa, havia es-
Com base nessa informação, cada participante emitiu friado um pouco e estava a 55 ºC. Essa mesma garra-
uma afirmação. Avalie qual das afirmações está correta. fa foi utilizada para acondicionar suco de frutas num
dia de verão, em que a temperatura ambiente era
X a) A temperatura do corpo C diminuiu.
30 ºC. Colocou-se então a massa de 180 g deste suco,
b) O corpo C cedeu calor para o corpo A, porém rece- inicialmente a 2 ºC, na garrafa que estava à tempera-
beu calor do corpo B. tura ambiente. Considerou-se que as trocas de calor
c) A temperatura do corpo C permaneceu constante. se davam apenas entre os líquidos e a garrafa e que o
d) O corpo C cedeu calor para o corpo B, porém rece- calor específico do suco era igual ao do café. Depois
beu calor do corpo A. de atingido o equilíbrio térmico, a temperatura do
suco passou a ser, em graus Celsius:
16. Em um vaso cuja capacidade térmica é 2,0 cal/°C, fo-
ram colocados 120 g de um líquido. O conjunto estava a)O
a uma temperatura de 13 ºC. Em seguida, adicionou-se b) 1,2
300 g de água a 100 ºC, resultando numa temperatura c) 3,0
final de equilibrio de 27,5 ºC. Calcule o calor específico X d)4,8
desse líquido. =- 12,5 caVg ºC
e)6,0
17. Calcule a temperatura de um pedaço de ferro de 500 g
que, colocado em 2 000 g de água a 15 ºC, eleva a tem- 21 . (Enem/MEC) Em nosso cotidiano, utilizamos aspa-
peratura desta para 28,4 ºC, quando se estabelece o lavras "calor" e "temperatura" de forma diferente de
equilibrio térmico. A água está contida em um recipiente como elas são usadas no meio científico. Na lingua-
cujas paredes não absorvem nem transmitem calor. gem corrente, calor é identificado como "algo quen-
T = 498 6 ºC
Dado: calor específico do ferro= 0,114 cal/g ºC. · te" e temperatura mede a "quantidade de calor de
um corpo". Esses significados, no entanto, não con-
18. Estudos mostram que para dar banho em um bebê é
importante usar água com a temperatura morna, não seguem explicar diversas situações que podem ser
muito quente. O ideal é que o valor da temperatura verificadas na prática.
esteja próximo de 38 ºC, facilitando assim a manu- Do ponto de vista científico, que situação prática
tenção da temperatura do corpo da criança. Sabendo mostra a limitação dos conceitos corriqueiros de ca-
disso, a atendente da maternidade percebeu que a lor e temperatura?
temperatura (ambiente) da água era de 30 ºC e resol- x a) A temperatura da água pode ficar constante duran-
veu misturar água fervente a essa água, de forma que te o tempo em que estiver fervendo.
obtivesse água a 38 ºC. b) Uma mãe coloca a mão na água da banheira do
Calcule aproximadamente o volume de água fervente bebê para verificar a temperatura da água.
que ela deverá adicionar aos 10 L de água que já estão
c) A chama de um fogão pode ser usada para aumen-
na banheira, a 30 ºC. =- 1290 mL
tar a temperatura da água em uma panela.
19. Sabe-se que um corpo tem massa igual a 1 g e está à d) A água quente que está em uma caneca é passada
temperatura de O ºC . Esse corpo recebe uma quanti- para ourra caneca a fim de diminuir sua temperatura.
dade de calor Q e isso faz variar sua temperatura T de
e) Um forno pode fornecer calor para uma vasilha de
acordo com o gráfico abaixo. Considerando o gráfico,
água que está em seu interior com menor temperatura
quais são os valores de calor específico do corpo nas
do que a dele.
regiões AB e BC? e,. = 0,50 caVg "C; e.e= 0,25 cal/g "C.
l Q (cal) 22. A temperatura do corpo de uma atleta é 37,5 ºC. To-
,!§
dos os dias, ela bebe 2,5 litros de água a 8,5 ºC. Sa-
bendo que 1 litro de água corresponde a 1000 g de
água e que seu calor específico é 1 cal/g ºC, calcule a
quantidade de calor que ela perde por dia pela inges-
10 20 30 T (°C) tão de água. 72500cal

Capítulo 4 • Quantidade e trocas de calor 57

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Experimente a Física no dia a dia Atenção
Faça o experimento
somente na presença
cio professor.
Modelando as trocas de calor
Equacionando as trocas de calor
Já vimos um esquema
básico do calorúnetro e Com os valores obtidos anteriormente e consi-
como é a sua utilização. derando o calor específico da água c = 1 cal/g ºC,
Para ampliar esse conhe- determine:
cimento, vamos desen- a) O módulo da quantidade de calor recebida pela
volver uma atividade em água "fria", Qma:
que será possível anali- IQm. 1=m1 c(T, - T1)
sar a troca de calor en- b) O módulo da quantidade de calor fornecida pela
tre duas massas de água água "quente" Qquente :
fazendo uso de um calo- J

rímetro. Nesse caso será Calorímetro "caseiro" aberto. 1Q qu,n« 1 = m 2c (T2 - T.)
preciso determinar sua capacidade térmica. Você sabe c) A quantidade de calor absorvida pelo calorímetro,
como fazer isso? ..:1Q:
,1Q = 1Q quente 1 - 1Q fria 1
Materiais
• recipiente térmico • agitador
d) A capacidade térmica do calorímetro, C = !i,
considerando a variação de temperatura do calo-
• termômetro • água
rímetro .1T = (T. -T1):
• medidor de volume • papel alumínio
.1Q
C= - - ~ -
Construa o calorímetro (T, - T 1 )
As paredes do calorímetro devem ser de um mate- Para diminuir a possibilidade de falhas na coleta
rial que não absorva muito calor, como o isopor, por de dados, repita três vezes todas as etapas do proce-
exemplo. Pode ser um pequeno recipiente de isopor, dimento e determine a média aritmética dos valores
usado em geral para manter a temperatura de latas de obtidos para a capacidade térmica do calorímetro. Re-
alumínio ou garrafas, ou mesmo uma pequena garrafa gistre os dados obtidos e calcule a média.
térmica que não está sendo utilizada. Escreva
Faça um furo na tampa de isopor e fixe um termôme- Atividades no caderno
tro nesse orifício de forma que ele entre em contato com 1. O que ocorre quando dois corpos com temperaturas
o liquido que será colocado no copo. Seu calorímetro diferentes interagem sem a interferência do meio
deve ficar semelhante ao da fotografia. Se preferir, aco- ambiente e de outros corpos?
ple um agitador, para que seja possível homogeneizar a
Z. A quantidade de calor cedida pela água "quente" é
temperatura da mistura no interior do calorímetro.
totalmente absorvida pela água "fria"? Justifique
sua resposta.
Passo a passo
3. O que você entende por ''capacidade térmica doca-
• Coloque 100 mL (ou 100 g) de água, à temperatura lorímetro"?
ambiente, no interior do calorímetro. Pode-se colocar um envoltório de alumínio forran-
• Coloque a tampa e verifique a temperatura inicial do as paredes internas do calorúnetro. Nesse caso, o
da água (T1) registrada pelo termômetro. valor da capacidade térmica desse calorímetro será
• Aqueça, em outro recipiente, 200 mL (ou 200 g) maior ou menor do que a capacidade térmica doca-
de água até atingir uma temperatura (Tz) entre lorímetro que não utiliza essa forração?
40 ºC e 50 ºC. Cuidado ao aquecer e manusear a água quente;
oriente os alunos. Para fundamentar a sua resposta, desenvolva todas
• Retire a tampa do calorímetro e, rapidamente, der- as etapas do experimento anterior utilizando o calo-
rame a água aquecida no seu interior, tampando-o
rímetro envolto com papel alumínio em seu interior
novamente. Agite lentamente o calorímetro para
e faça a comparação entre os dados obtidos com os
que a troca de calor entre as massas de água possa
dois calorímetros.
ser uniforme.
4. Qual dos dois calorímetros tem maior capacidade
Espere algum tempo (cerca de 5 min) até que a
temperatura de equilíbrio seja atingida e anote térmica?
esse valor (T). 5. Qual dos dois absorve mais calor? Por quê?

Professor, os comentários dessa seção encontram-se no Caderno de orientações


no final deste volume.
58 Unidade 3 • Calor: energia em movimento

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Professor, não vamos apresentar o estado de plasma neste momento por ele uatar das alterações sofridas pelos átomos para partlculas menores (elétrons e lons).
Nos esquemas abaixo, as esferas
vermelhas representam o átomo de
oxigênio e as brancas, os átomos
de hidrogênio. (Representação sem
Já estudamos que toda matéria é composta de partes menores (átomos ou proporção e em cores-fantasia.}
moléculas) e que o grau de agregação entre elas pode variar. Na natureza, pode-
mos encontrar, basicamente, três estados da matéria: sólido, líquido ou gasoso
(gás ou va por). Cada um dos três estados físicos da matéria apresenta caracterís-
ticas próprias, que podem ser alteradas quando cedem ou recebem calor.
O estado sólido apresenta os átomos ou moléculas regularmente dispos-
tos e com baixa mobilidade, pois as forças de coesão (atração) entre eles são Figura 1: Nesse esquema está
de grande intensidade. Os corpos sólidos têm forma e volume bem definidos. representado o estado sólido da água
(com ampliação de 1 bilhão de vezes).
(Figura 1).
No estado líquido, as forças de coesão têm menor intensidade e os átomos
apresentam maior mobilidade. Apesar disso, os líquidos apresentam volume de-
finido pelo recipiente que os contém. (Figura 2).
No estado gasoso, as forças de coesão entre as moléculas são de pouca
intensidade, o que causa um elevado grau de mobilidade. A forma e o volume
no estado gasoso não ficam definidos: o gás ocupa todo o volume do ambiente Figura 2: Nesse esquema está
no qual está encerrado. (Figura 3). representado o estado liquido da água
(com ampliação de 1 bilhão de vezes).
Quando uma substância muda de estado físico, ocorrem alterações em suas
características macroscópicas e microscópicas (arranjo das partículas), mas não
se modifica a sua composição. Por exemplo, a água, tanto sólida quanto líquida
ou gasosa, apresenta em sua constituição moléculas formadas de dois átomos
de hidrogênio e um de oxigênio.
Verifica-se experimentalmente que a mudança de estado de uma substância
pura sempre ocorre à temperatura constante, que depende da pressão a que Figura 3: Nesse esquema está
está submetida e de sua natureza. representado o estado gasoso da água
(com ampliação de 1 bilhão de vezes}.
Resumidamente, a fusão é a passagem do estado sólido pa ra o líquido, a
vaporização é a passagem do estado líquido para o gasoso, e a sublimação,
a passagem do estado sólido para o gasoso. Submetidas à pressão constante,
todas essas transformações ocorrem com a absorção de calor pela substância e,
por isso, são chamadas transformações endotérmicas.
Os fenômenos inversos, que à pressão constante ocorrem com a perda de
calor, são chamados transformações exotérmicas. São eles: a condensação, pas-
Blocos de gelo da Antárt ida
sagem do estado gasoso para o líquido, a solidificação, passagem do estado (2012).
líquido para o sólido, e a sublimação (ou ressublimação) passagem do estado
A lguns cientistas afirmam
gasoso para o sólido. que o aquecimento
A vaporização pode ocorrer de três maneiras: global tem provocado o
derretimento das calotas
• Evaporação: é a passagem lenta do estado líquido para o estado gasoso, polares. Podemos afirmar
na qual somente as moléculas mais energéticas do líquido adquirem que basta o aquecimento
para que o gelo mude seu
energia suficiente para mudar de estado (exemp lo: roupas secando
estado físico?
estendidas no vara l).
Professor, os comentários dessa seção encontram-se
no Caderno de orientações no final deste volume.
Capítulo 5 • Mudança de estado físico 59

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• Ebulição: o líquido se transforma em gás em sua temperatura de ebulição.
Nesse caso, a maioria das moléculas do líquido está com energia suficiente para
a mudança de estado (exemplo: água na chaleira).

• Calefação: é a vaporização que ocorre quando o líquido passa rapidamente


para o estado gasoso, ou seja, quando este recebe grande quantidade de
calor rapidamente (exemplo: líquido em contato com uma superfície com
temperatura maior que sua temperatura de ebulição).
Quando nos referirm os à vaporização de uma substância, caso não esteja
indicado explicitamente o processo pelo qual ela evaporou, estaremos nos refe-
rindo ao processo de ebulição.
Como as mudanças de estado ocorrem em temperaturas específ icas, esses
valores recebem o nome de pontos. Por exemplo, para a água temos o ponto de
fusão (temperatura de O ºC, em que a água funde) e o ponto de ebulição (100 ºC,
em que a água vaporiza), ao nível do mar.

Considere um recipiente à pressão normal que contém certa massa de gelo


inicialmente a - 30 ºC.
1 atm 1 atm 1 atm
1 atm
gelo e água OºC <T < 100ºC T = 100ºC

- 30 ºC
O bloco de gelo inicialmente
a - 30 ºC começa a receber
calor_ Ao atingir O ºC. parte
do gelo começa a derreter. O
aquecimento continua e, ao
ultrapassar O ºC. a água já está no
estado liquido. Ao atingir 100 ºC,
parte da água passa para o estado
gasoso. Durante o processo, a
pressão é mantida constante
em 1 atm.

Temperatura gasoso O sistema recebe calor de forma gradual e o


líquido+ gasoso gelo começa a derreter. No gráfico ao lado está
Temperatura de
ebulição descrita a variação do estado físico do gelo ao lon-
liquido go do tempo. Ele relaciona a variação da tempera-
> - - - - - - - ~,,.r-- - - - - - - - - - - -
Quantidade de tura em função da quantidade de calor absorvido.
Temperatura de sólido + líquido
calor absorvido Chamamos esse gráfico de curva de aqueci-
fusão
mento (caso tivéssemos partido da água no esta-
sólido
Ti do gasoso e fôssemos retirando calor até obtermos
Curva de aquecimento da água.
gelo, seria uma curva de resfriamento).
Observe que durante as mudanças de estado
físico (sólido + líquido e líquido + gasoso), a massa de gelo continua rece-
bendo calor, porém não ocorre mudança de temperatura .
Como estudamos no capítulo anterior, ao fornecermos calor a uma substân-
cia em que ocorre aumento de temperatura, estamos fornecendo o calor sensí-
vel. Observamos isso nas etapas do gráfico dadas pelas linhas vermelha, amarela
e azul-escura, nas quais o gelo se encontra, respectivamente, nos estados sólido,
líquido e gasoso.
Já nas etapas azul-clara e verde, a massa também recebeu ca lor, porém sem
variar a temperatura. Chamamos esse calor de ca lor latente, que será discutido
a seguir.

60 Unidade 3 • Calor: energia em movimento

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~ Calor latente
O calor trocado por uma substância, por unidade de massa, durante a mudança
de estado físico é denominado calor latente. Esse calor é característico para cada
substância e para a correspondente mudança de estado físico.
Conceitualmente podemos dizer que:

~ Calor latente L é a quantidade de calor que uma unidade de massa de de-


terminada substância deve receber {ou perder) para sofrer uma mudança
de estado físico.

Algebricamente, temos: t ~~ L ,

Para um corpo de massa m na temperatura de mudança de estado, o calor Q


necessárío para que essa transformação ocorra é dado por:

Professor, comente sobre os cuidados necessários


De modo geral, uma substância cristalina, ao se fundir, aumenta de ao manusear uma panela de pressão.

volume. Para uma maíor pressão exercida sobre o sólido, aumenta a díficu l-
dade de esse sólido se expandir (aumentar de volume) e será necessáría uma
maior temperatura para que a fusão ocorra. Assim, a temperatu ra de fusão
de uma substância depende da pressão externa à qual ela está submetida, de
forma que, quanto maior a pressão, maior a temperatura de fusão. Para as
poucas substâncias que diminuem de volume ao se fund ír, um aumento de
pressão diminuirá a temperatura de fusão. A vaporização e as outras mudan-
ças de estado também dependem da pressão exercida.
O funcionamento da panela de pressão é embasado por esse princípio. Sabe-
mos que a temperatura de ebulição da água, à pressão de 1 atm, é 100 ºC. Por
ser bem vedada, a pressão interna na panela de pressão fica maior que a pressão
normal. Sendo maior a pressão, maior será a temperatura em que ocorrerá a
ebulição. Consequentemente, com a mudança de estado da água (ebulição),
que ocorre a uma temperatura maior, o tempo de cozimento será reduzido, pois
o alímento ficará em contato com água em temperatura acima dos 100 ºC. A panela de pressão possui pressão
interna maior que a externa, o que
Na tabela abaixo, relacionamos o calor latente e a temperatura de fusão e reduz o tempo de cozimento dos
vaporização de algumas substâncias à pressão normal (1 atm). alimentos.

Temperaturas e calores de fusão e vaporização de algumas substâncias

Temperatura de Calor latente de Temperatura de Calor latente de


Substância
fusão (ºC) fusão (caVg) ebulição (º C) vaporização (cal/ g)
Agua o 79,71 100 539,6
Alcool etílico - 114,4 24,9 78,3 204
Chumbo 327 5,5 1750 208
Cobre 1 038 51 2582 1290
Hélio - - -269 6
Hidrogênio -259 13,8 -252,8 108
Ferro 1 535 64,4 2800 1 515
Mercúrio - 39 2,82 356,5 68
Ouro 1063 15,8 2660 377
Zinco 419 28,13 906 -
Fonte: GREF {Grupo de Reelaboração do Ensino de Física). Fisica 2: física ténnica, óptica. São Paulo: Edusp, 1990, p. 47.

Capítulo 5 • Mudança de estado físico 61

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Exercícios resolvidos
1 Calcule a quantidade de calor necessária para con- Uma peça de 40 g de massa, inicialmente no estado
verter 40 g de álcool etílico, que está a uma tem- sólido, absorve uma quantidade de calor Q e sofre a
peratura de 79 ºC, do estado líquido para o estado transformação representada pelo gráfico abaixo.
gasoso.
T (ºC)

Resolução
40 -------------------------'
Consultando a tabela da página 61, temos que o ál- 20
cool etílico vaporiza a 78,3 ºC e seu calor latente de
vaporização é L. = 204 cal/g. Assim:
Q = mL. ~ Q = 40 · 204~ Q = 8172 cal o 200 400 600 Q (caJ)

Calcule a quantidade de calor necessária para conver- Determine:


ter totalmente 80 g de água a 18 ºC em vapor de água
a) a capacidade térmica do corpo na fase sólida;
a 120ºC.
Dados: calor específico da água líquida= 1 cal/g ºC e b) a temperatura de fusão;
calor específico do vapor de água = 0,5 caVg ºC. c) a quantidade de calor consumida pelo corpo du-
rante a fusão;
Resolução d) o calor latente de fusão do material que constitui o
corpo;
Para levar a água à temperatura de vaporização, e) a capacidade térmica do corpo na fase líquida.
ela deve receber certa quantidade de calor sensível,
dada por: Resolução
Q = mct.T~
~ Ql = 80 · 1 · (100 - 18) ~ a) Pelo gráfico, no intervalo de O ºC a 20 ºC, a quanti-
dade de calor absorvida Q é 200 cal. Assim, a capa-
~ Q1 = 6560 cal
cidade térmica será dada por:
Para transformar a água a 100 ºC em vapor à mesma Q 200 º
temperatura, temos:
C= - - ~ Cso"Udº = -20- ~ CSO"l"dI O = 10 Cal/ C
t.T

Q = mLV ~ b) De acordo com o gráfico, a temperatura em que


~ Q2 = 80. 539,6~ ocorre a fusão é de 20 ºC.
~ Q 2 = 43 168 cal c) Pelo gráfico, vemos que o corpo absorve 200 calo-
rias ( 400 - 200) para fundir-se totalmente.
Para levar o vapor de água de 100 ºC a 120 ºC, nova-
mente a quantidade de calor é dada por: d) Pela definição de calor latente, L = _2_, temos:
m
Q = mct.T~
Q = mLfwão ~
~ Q3 = 80 · 0,5 · (120 - 100) ~
~ 200 = 40 Lfusâ 0 ~
~Q3 = 800cal
~ L fusão = 5 caVg
A quantidade de calor final é:
e) Pelo gráfico, no intervalo de 20 ºC a 40 ºC, a quan-
Q = Ql + Q2 + QJ ~ tidade de calor Q recebida pelo corpo é 300 cal e a
capacidade térmica:
~Q = 6560 + 43168 + soo~
Q 300
~ Q = 50 528 cal
e= -t.T ~e= -20- ~ebqu,do
. . = 15 cal/°C

62 Unidade 3 • Calor: energia em movimento

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· • propost os
Exerc1c1os Escreva
no cadern

1. Uma pessoa deixa d uas esferas de mesma massa e d)induzirão o aumento dos mananciais, o que solu-
com mesma temperatura (maior que O ºC), feitas de cionará os problemas de falta de água no planeta.
cobre e alumínio, sobre um grande bloco de gelo. Sa- e) causarão o aumento do volume de todos os cursos de
bendo que o calor específico do cobre é menor que água, o que minimizará os efeitos da poluição aquática.
o do alumínio (cco1,,,, < c.1umíni), qual será a posição 3. Calcule a quantidade de calor necessária para trans-
de cada esfera no interior do bloco de gelo depois de formar, sob pressão normal, 200 g de água, a 80 ºC,
. . . • A esfera de alumínio perderá mais calôr
aang1do o equilibno? (Q., >º'"~ e., > c,J. derreterá maior em vapor de água, a 100 ºC.
quantidade de gelo e fica,á em uma cavidade mais profunda no gelo que a esfera de colxe.
. _ = 539,6cal/g. 11 1920cal
Dado: Lvaponzaçao
2. (Enem/MEC) Com base em projeções realizadas
por especialistas, prevê-se, para o fim do século XXI, 4. Uma massa de gelo encontra-se a uma temperatura
aumento de temperatura média, no planeta, entre de -10 ºC e é transformada em água e aquecida a
1,4 ºC e 5,8 ºC. Como consequência desse aqueci- 50 ºC. Sabendo que a quantidade de calor gasta nessa
mento, possivelmente o clima será mais quente e transformação foi de 27 000 cal, determine a massa
mais úmido, bem como ocorrerão mais enchentes em de gelo transformada em água.
Dados: c.agua = 0,5 cal/g °C; LV = 80 cal/g. 200g
algumas áreas e secas crônicas em outras. O aqueci-
mento também provocará o desaparecimento de al- 5. No gráfico abaixo, temos a variação de temperatura
gumas geleiras, o que acarretará o aumento do nível sofrida por 100 g de uma substância, inicialmente lí-
dos oceanos e a inundação de certas áreas litorâneas. quida, em função do calor retirado dela.
T (ºC)
As mudanças climáticas previstas para o fim do século
XXI 140

a) provocarão a redução das taxas de evaporação e de


60
condensação do ciclo da água.
X b) poderão interferir nos processos do ciclo da água o 2000 5200 6400 Q (cal)
que envolvem mudanças de estado físico. a) Qual o seu calor específico no estado líquido?
º~2S' cal/g º(
c) promoverão o aumento da disponibilidade de ali- b) Qual o seu calor latente de solidificaçao? - 32 cal/g
mento das espécies marinhas. c) Calcule o seu calor específico no estado sólido. 0,20 cal/g 'C

Você sabia?

Como a transpiração ajuda na regulação da temperatura


do corpo humano?
Em dias quentes, uma das maneiras de o corpo humano manter sua temperatura constante é por meio do
suor. A sensação de calor que nos afeta não depende apenas da temperat ura ambiente, mas da quantidade de
vapor de água existente no ar. Se o ar estiver úmido (alta concentração de vapor), a velocidade de evaporação
do suor será pequena; se a evaporação for pequena, a perda de calor também será menor e nós teremos a
sensação de calor. Com o ar seco (baixa concentração de vapor) ocorre o contrário. A velocidade de evaporação
do suor é maior e nós perdemos mais calor pa ra o ambiente, tendo assim um maior conforto.
Por isso, podemos "sentir" mais calor em um ambiente úmido à temperatura de 28 º C do que em um am-
biente seco à temperatu ra de 38 ºC. O ar-condicionado funciona baixando, além da temperatura, a umidade,
para promover uma maior sensação de conforto.

Escreva
Responda no caderno

1. O conforto térmico também pode ser obtido utilizando-se um ventilador. De que maneira ele atua para proporcio-
nar esse conforto? Ovento prodU2ido pelo ventilador atua diretamente na pele, acelerando a evaporação do suor e provocando uma perda de calor mais rápida.
2. Quando passamos álcool em nossa pele, também sentimos um esfriamento local. Como podemos explicar esse fato?
Oálcool, por ser bastante volátil, evapora rapidamente. tirando calor da região da pele com a qual està em contato.

Capítulo 5 • Mudança de estado físico 63

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A mudança de estado físico das substâncias está relacionada à mudança
da disposição dos átomos ou moléculas que as constituem. Assim, quando
aquecemos uma substância, estamos proporcionando o aumento da energia
cinética dessas partículas e, com isso, elas passam a oscilar mais em torno da
posição de equilíbrio, afastando-se umas das outras. Caso seja possível con-
t inuar o aquecimento, a substância ating irá a temperatura de mudança de
estado, na qual as partículas terão energia suficiente para romper as ligações
intermoleculares.
Podemos fazer a representação gráfica dos estados e das transformações
físicas de um material em um gráfico da pressão p em f unção da tempera-
tura T, chamado de diagrama de estados ou fases . Esse gráfico é dividido
em regiões nas quais um par (pressão-temperatura) indica o estado f ísico da
substância.

~ Curva de fusão
A maior parte das substâncias aumenta de volume durante a fusão, e, duran-
te a solidificação, diminui de volume. Porém, há subst âncias que diminuem de
volume durante a f usão e aumentam de volume durante a solidificação, como
a água, o antimônio e o bismuto. Isso ocorre porque as redes cristalinas são for-
madas por moléculas que, ao se agrupar, deixam espaços internos muito maiores
nessas substâncias. Dessa forma, durante a fusão, as estruturas cristalinas se
desfazem, e as moléculas tendem a ocupar os espaços vazios, provocando uma
diminuição de volume.
No diagrama de estado (p X T) podemos representar uma curva que indica
a variação da temperatura de fusão de uma substância em função da pressão a
que ela está submetida. Essa curva recebe o nome de curva de fusão e, como
vemos nos gráficos a seguir, separa duas regiões que indicam os estados físicos
sólido e líquido de uma substância .
Note que, no caso da água, quanto maior a pressão exercida sobre o gelo,
menor será a t emperatura de f usão, ou seja, a água poderá estar líquida em
temperaturas inferiores a O ºC, se estiver submetida a uma pressão superior a
uma atmosfera (1 atm).

p p

estado sólido estado liquido

estado liquido estado sólido

T T

o T ("C) o T (ºC)

Curva de fusão de substâncias que se dilatam durante a Curva de fusão de substâncias que se contraem dura nte a
fusão, como o ferro. fusão, como a água.

64 Unidad e 3 • Calor: energia em movimento

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[> Experimento de Tyndall
O físico irlandês John Tynda ll (1820-1893) descreveu e documen tou pela primeira vez o experimento do
regelo. Conhecido como experimento de Tyndall, ele consiste em pendurar um fio de metal fino, com pesos
adequados nas pontas, sobre um bloco de gelo a uma temperatura inferior a O ºC.
O bloco derrete no local em que há aumento da pressão sobre o gelo (gerado pelo sistema f io-pesos), perm iti n-
do que o fio penetre no gelo. Após a passagem do fio, a água formada volta a estar submetida à pressão anterior e
retorna ao estado sólido (regelo). Dessa forma, o fio atravessa totalmente o bloco de gelo sem que este se rompa.
Esse fato também pode ser observado nas competições ou brincadeiras em ringues de patinação no gelo. Ao
desliza r, as lâminas dos patins exercem uma pressão que provoca a fusão do gelo, faci litando o deslizamento.
Assim que o patin ador passa, a pressão assume seu valor anterior e a água se solidif ica.

Quando um fio é
apoiado sobre uma
grande barra de gelo,
esta é pressionada Após a passagem
e se funde a uma do fio, a pressão
temperatura menor diminui e a água
que O ºC se solidifica.

~ Curva de ebulição
Aprofundando a compreensão microscópica das t ransformações de estado, podemos explicá-las segundo
o balanço entre as energias cinética e potencial das moléculas que constituem uma substância. Já vimos que a
energia cinética é associada ao movimento das partículas e podemos pensar na energia potencial associada à
força intermolecular que mantém as partículas unidas. Quando a energia cinética das moléculas é maior, elas se
afastam umas das outras, e, quando prevalece a energia poten cial, as molécu las tendem a se aproximar, com a
distância entre elas bem defi nida.
No processo de ebulição, há um aumento da energia cinética das mol éculas à medida que mais energia é
transferida para a substância líquida, o que possibi lita que elas se livrem da atração que as aproxima. Dessa
forma, o líquido vai se transformando em vapor (gás).
A pressão exercida sobre a substância tam-
bém inf luencia o processo de ebulição. Isso Variação da temperatura de ebulição da água
em função da altitude
porque as molécu las do líquido têm maior di-
ficuldade para " deixar" a superfície do líqu ido Pressão atmosférica Ponto de ebulição
Altitude (m)
se a pressão sobre ele for maior. A água pode (mmHg) (ºC)

ser citada novamente como exemplo, pois sa- Nível do mar 760 100
bemos que à pressão de 1 atm (nível do mar) 1000 670 97
sua temperatura de ebulição é 100 ºC. Porém, 2000 600 93
quanto maior a altitude (em relação ao nível 9000 240 70
do mar) do lugar onde ocorre a ebulição da Fonte: KELLER, F. J.; GETTYS, W. E.; SKOVE, M. J. Física. 2. ed. São Paulo: Makron Books,
água, menor a pressão atmosférica e, conse- 1999. V. 2.
quentemente, menor será a temperatura em
que ocorrerá a mudança de estado f ísico . Veja p

ao lado a temperatu ra de ebulição da água em


diferentes altitudes.
A rep resentação gráfica no diag rama Representação da
p x T dessa mudança de estado recebe o curva de ebulição
para uma substância
nome de curva de ebulição. Vale lembrar P1 pura. Repare que.
T
que no eixo das ordenadas desse diag rama com o aumento da
pressão, a temperatura
est á a pressão, e no eixo das abscissas, a de ebulição também
tem perat ura. o T (º()
aumenta.

Capítulo 5 • Mudança de estado físico 65

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~ Pressão máxima de vapor
Vamos imaginar um recipiente fechado com água inicial mente à temperatura
ambiente. Se aquecermos esse recipiente, aos poucos a água va i vaporizando,
ou seja, parte de suas moléculas deixa a superfície do líquido na forma de vapor.
Nesse processo, a pressão interna é aumentada gradativamente. Entretanto, o
processo inverso também acontece: parte das moléculas do vapor de água se
condensa e volta a compor o líquido. Se esses dois processos ocorrem na mesma
taxa, dizemos que o sistema está em equilíbrio, e a quantidade de líquido no
interior do recipiente não varia. A essa pressão no interior do recipiente damos
o nome de pressão máxima de vapor da substância. Esse valor é importante,
pois um líquido entra em ebu lição à temperatura na qual sua pressão máxima de
vapor se iguala à pressão externa.
Para a água em um recipiente aberto entrar em ebulição, a temperatu-
ra deve ser tal que sua pressão de vapor seja igual à pressão atmosférica
local. Se considerarmos a pressão atmosférica ao nível do mar, 1 atm ou
760 mmHg, a água entrará em ebulição quando a pressão do vapor atingir
esse valor, que acontece, como sabemos, a 100 ºC.

aumento da pressão

F~;~~~~~;~~~~~~S~~~~~ g
.,,
-~
o
'.B
l~~Y..,";4~<,.~~ ~~"" i
!!!
j

liquido liquido liquido

Figura 1; T = 20 ºC Figura 2; T = 50 ºC Figura 3; T = 100 ºC

molécula de água

Ebulição da água ao nível do mar. Nesse esboço, indicamos o equilíbrio líquido-vapor enquanto a água é aquecida
(dados pelas setas vermelhas nas Figuras 1 e 2). O aumento da temperatura eleva a t axa de vaporização, mas,
enquanto a pressão de vapor não atinge a pressão externa, a taxa de condensação compensa a vaporização (observe
que nas Figuras 1 e 2 as setas vermelhas possuem tamanhos iguais, respectivamente). Quando a temperatura atinge
100 ºC. a taxa de vaporização vence a taxa de condensação e ocorre, assim, a mudança de estado da água. (Veja na
Figura 3 que a seta indicando a taxa de vaporização é maior que a que indica condensação.)

Em locais com maior alt itude, onde a pressão atmosférica é menor, a


t emperatura de ebulição das substâncias líquidas é mais baixa, j á que sua
pressão de vapor precisa se igualar a um va lor menor (considerando que o
sistema é aberto).

p
~ Curva de sublimação
T
O processo de sublimação ocorre quando a estrutura cristalina das substân-
cias, submetidas à pressão constante, se altera ao receber energia (passando de
sólido pa ra vapor) ou ao cedê-la (passando de vapor para sólido). O gelo-seco
((0 2 sól ido) é uma das poucas substâncias que sofrem o processo de sublimação
em condições ambientes.
Podemos representar a variação da temperatura de sublimação em f unção da
- 273,1 5 O T (ºC)
pressão no diagrama p x T. Essa curva recebe o nome de curva de sublimação.
A representação da curva de
sublimaçao é feit a até o zero
absoluto (- 273,15 ºC). temperatura
na qual a pressão máxima do sólido
é considerada nula.

66 Unidade 3 • Calor: energia em movimento

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Estudamos que tanto o estado em que uma substância p
se encontra quanto as mudanças de estado sofridas por e
ela dependem das condições de pressão e temperatura.
Portanto, toda substância possui certos valores de tempe-
ratura e pressão que lhe são ca racterísticos para os estados
líquido, sólido e gasoso.
Se em um mesmo diagrama p x T reunirmos as curvas
de fusão, ebulição e sublimação, construiremos um diagra-
ma que recebe o nome de diagrama de estados ou dia- T
grama de fases .
As curvas 1, 2 e 3 definem regiões em que um par pres-
Diagrama de estados f ísicos.
são-temperatura indica o estado físico em que a substância
se encontra. A intersecção dessas regiões (curvas) equivale às condições em que
ocorrem as mudanças de estado.

Curva (D - limite entre as regiões dos estados sólido e líquido, e seus pontos
representam a coexistência desses estados: (S + L).
Curva (l) - limite entre as regiões dos estados líquido e de vapor, e seus pontos
representam a coexistência desses estados: (L + V).

Curva®- limite entre as regiões dos estados sólido e de vapor, e seus pontos
representam a coexistência desses estados: (S + V).

Note que o ponto T, onde há a intersecção das curvas - chamado de ponto


triplo ou tríplice - , representa uma situação de equilíbrio em que a substância
existe nos três estados: sólido, líquido e gasoso.
Para a água, o ponto t riplo corresponde à pressão de 4,58 mmHg e à
temperatura de 0,01 ºC. Para o dióxido de carbono (CO), corresponde à pressão
de 3 880 mmHg e à temperatura de -56,6 ºC. O ponto C é chamado de ponto
crítico. Acima da temperatura Tci a substância se encontra no estado gasoso,
recebendo a denominação de gás.

~ Ponto crítico
Na Termologia, chamamos de ponto crítico os valores P
de um par de pressão-temperatura em especial. Esse ponto
tem valores particulares que são limites entre os estados Pc
!!
líquido e gasoso de uma substância. Para temperaturas e ponto
critico
..,
...~
..
;,

pressões acima do ponto crítico, a substância passa para


~
o estado de gás e não pode mais ser levada para o esta-
do líquido, sem diminuição da temperatura. Dessa forma,
s
~

acima do ponto crítico, a substância possui características gás 'ª"


ambíguas dos dois estados, líquido e gasoso.
Para a água, o ponto crítico é dado pela temperatu- T
\
ra de 374 ºC e pressão 2 18 atm, ou seja, acima desses
Representação do diagrama de est ados físicos da água.
valores a água se converte em gás e não pode se lique-
fazer por meio do aumento de pressão sem diminuição
da temperatura .

Capítulo 5 • Mudança de estado físico 67

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Exercícios resolvidos

4 Tem-se 1 g de água na fase líquida a 100 ºC e sob , A figura representa o diagrama de fases de uma subs-
pressão normal. Forneceu-se à substância uma tância pura.
quantidade de calor igual a 1 caloria. O que deve
ocorrer com a temperatura? p ponto crítico

Resolução

A temperatura deve permanecer constante em 100 ºC .


Como o calor latente de vaporização é Lv = 540 cal/ g, • e
para vaporizar 1 g de água seria necessário forne- D•
cer 540 calorias. Como a água recebe somente T
1 caloria de calor, apenas uma pequena parte vai
vaporizar.
Na fase B, a substância se mostra como:
a) vapor. c) líquido.
Uma substância tem seu diagrama de estados repre-
b) gás. d) sólido.
sentado no gráfico abaixo.

p Resolução
e
Alternativa correta: e.
Em B, a substância encontra-se no estado líquido; em
A ou D, no estado sólido; e, em C, no estado gasoso.

Considere o diagrama de fases de uma substância re-


presentado na figura.
• 3

pressão

T (°C) ' .
ponto críaco ..
E
2
~

a)A passagem por quais pontos representa a vapori- 1


zação?
Temperatura
ª
b) Qual mudança de fase acontece quando a substân-
cia passa do estado 1 para o estado 2? a) Qual é a mudança de fase de uma substância sim-
c) Indique o ponto que representa a substância nos ples que está em transição do estado A para o estado
estados sólido e de vapor. B?
d)Defina ponto triplo e indique o ponto que o repre- b) Sabendo-se que com a substância simples está
senta. ocorrendo uma expansão exotérmica a partir do es-
tado B, o que ocorrerá com ela na sequência?
Resolução
Resolução
a) Do estado 2 para o estado 3.
b)Fusão. a) Uma substância na passagem do estado A para o
c)Ponto4. estado B está na fase de fusão.
d) Ponto triplo é o ponto onde a substância existe nos b)A partir do ponto B uma substância simples em ex-
três estados. o gráfico, é representado pelo ponto 5. pansão exotérmica poderá sofrer vaporização.

68 Unidade 3 • Calor: energia em movimento

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· • propost os
Exerc1c1os Escreva
no cadern

6. As afirmações a seguir fazem referência ao processo a) Na representação, temos a reunião dos gráficos de
de fusão. Avalie quais estão corretas. fusão e liquefaç.ã o e o ponto tríplice P.
I. Ao se fundir, a maioria das substâncias aumenta de X b)Na representação temos a reunião dos gráficos de
volume. fusão, ebulição e sublimação, destacado o ponto trí-
II. Ao se fundir, algumas substâncias, como a água, plice P, e a região G, que corresponde ao estado gaso-
se contraem, e o aumento de pressão faz diminuir a so.
temperatura de fusão, contribuindo para a passagem c) Na representação temos a reunião dos gráficos de
do sólido para o líquido. fusão e liquefaç.ã o e a região G, que corresponde ao
IIl. Ao se fundir, algumas substâncias, como a prata, estado gasoso.
aumentam de volume. Nesses casos, o aumento de
d) O ponto P, comum às três curvas, é chamado de
pressão faz aumentar a temperatura de fusão. Assim,
ponto crítico.
é necessário maior fornecimento de calor para a fu-
são em relação à situação sem aumento da pressão. 9. No diagrama de fases abaixo, associe para os pontos
N . A água, ao se fundir, sofre contração de volume. A, B, K, D e E as denominações sólido, líquido, vapor
Nesse caso, o aumento de pressão faz aumentar a e gás Classifique os pontos Te C Ae IIvapor; K:gás; O._liquido;
· · · f. sólido; T. ponto tnplo; e
temperatura de fusão, dificultando a passagem do só- ponto critico.
lido para o líquido. As afinnações 1, li e Ili estão correras. p

7. O gráfico a seguir representa o diagrama de fases do e


dióxido de carbono (C02).
p (a tm)
. K

A•
s T

1O. O gráfico representa o diagrama de fases do gelo-


-seco e pTe Pc representam ponto triplo e ponto críti-
-56, 6 T (°C) co da substância respectivamente. Observe o gráfico
(1) curva de fusão; (2)
a) Qual é o nome das curvas 1 2 e 3? ouva de ,;apori.zação_; e e identifique a alternativa correta.
' (3) curva de sublunaçao.
b)Qual o estado do C02 nos pontos ,11 B e C? p (atm)
A: sólmo; 8: líquido; e e gasoso.
c) Em que estado está o C0 2 sob a pressão cte 8 atm e
- 79 ºC ? Sólido.
d) Qual é o valor da temperatura e da pressão no pon- ..
2
E
to triplo? T = - 56,6 º C e p = 5 atm. ~

e)O que acontece se o C02 for aquecido sob pressão


acima de 5 atm? E se ele for aquecido a uma pressão
cuJ·o valor seia inferior a 5 atm? Acima _de 5 atm ocorrerá fusão
~ · e abaixo de 5 atm ocorrerá
sublimacão. - 78,S - 56,6 o 31 T (°C)
8. Considere o gráfico que apresenta o diagrama de fa-
ses de uma substância qualquer. Analise as afirma- a) A temperatura de -80 ºC, a substância apresenta o
ções a seguir e identifique a correta. seu ponto triplo.
p b)À pressão de 73 atm, a substância pode estar no
seu ponto triplo.
c) Para temperaturas maiores que 31 ºC, a substância
não pode ter valores de pressão abaixo de 73 atm.
x d)Para valores de pressão acima de 1 atm, a substân-
cia pode estar no estado sólido.
@)
e) Para valores de pressão abaixo de 1 atm, a substân-
cia pode apresentar-se no estado sólido.

Capítulo 5 • Mudança de estado físico 69

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11. (PUC-MG) A água entra em ebulição à temperatura de O gráfico mostra como o volume específico (inverso
100 ºC, quando submetida a uma pressão de 1 atm. Um da densidade) da água varia em função da tempera-
antigo livro de Física diz que: "é possível que a água en- tura, com uma aproximação na região entre O ºC e
tre em ebulição à temperatura ambiente". Sobre esse 10 ºC, ou seja, nas proximidades do ponto de conge-
enunciado, podemos seguramente afirmar que: lamento da água.
x a) é verdadeiro somente se a pressão sobre a água for
muito menor que 1 ann.
~--------------------~~
1,05 ..
o
b) é falso, não havendo possibilidade de a água entrar .::! ..
""'
em ebulição à temperatura ambiente.
:a 'bÕ
aJ
1,04 :g
la
o. , 1,03
(a) ~ "
c) é verdadeiro somente se a pressão sobre a água for Cll E 1,02
E~
muito maior que 1 atm. = 1,01
d) é verdadeiro somente se a temperatura ambiente ~
for muito elevada, como ocorre em clima de deserto.
e) é verdadeiro somente para a "água pesada", tipo
de água em que cada átomo de hidrogênio é substitu-
ído pelo seu isótopo, conhecido como deutério.
1,0 0 0 2 0 [ 2 ]
1,00010
12. (Fuvest-SP) Nos dias frios, quando uma pessoa ex-
pele ar pela boca, forma-se uma espécie de fumaça 1 00000
' O 2 4 6 8 10
junto ao rosto. Isso ocorre porque a pessoa:
Temperatura (ºC)
a) expele o ar quente que condensa o vapor-d'água
existente na atmosfera. Halliday & Resnick. Fundamentos de Física: gravitação, ondas e
termodinâmica, v. 2. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Cientfficos, 1991 .
X b) expele o ar quente e úmido que se esfria, ocorren-
do a condensação dos vapores expelidos. A partir do gráfico, é correto concluir que o volume
c) expele o ar frio que provoca a condensação do va- ocupado por certa massa de água
por-d'água na atmosfera.
a) diminui em menos de 3% ao se resfriar de 100 ºC
d) provoca a liquefação do ar com seu calor. aOºC.
e) provoca a evaporação da água existente na at- b)aumenta em mais de 0,4% ao se resfriar de 4 ºC
mosfera.
a OºC.

13. (Enem/MEC) De maneira geral, se a temperatura de x c) diminui em menos de 0,04% ao se aquecer de O°C a 4 ºC.
um líquido comum aumenta, ele sofre dilatação. O d) aumenta em mais de 4% ao se aquecer de 4 ºC a 9 ºC.
mesmo não ocorre com a água, se ela estiver a uma e) aumenta em menos de 3% ao se aquecer de O ºC
temperatura próxima a de seu ponto de congelamento. a lOO ºC.

Pense além

Gelos mágicos
Enquanto preparava uma límonada, a mãe de Pedro pedíu
a ele que abrísse a geladeira e pegasse, no congelador, uma
forma plástíca contendo várias pedrínhas de gelo. Ao retírar as
pedrinhas da forma, ele resolveu bríncar com elas e percebeu
que se apertasse uma pedrinha contra a outra, por determina-
do tempo, conseguiria mantê-las unídas, mesmo após tê-las
abandonado Resposta esperada:
· Apertando duas pedras, uma contra a outra, o aumento de pressão diminui
a temperatura de fusão das superfkies de contato entre as pedras de gelo.
Assim que as condições de pressão voltam ao normal, ocorre a solidificação.

Escreva
Responda no caderno

1. Como você explicaria esse fenômeno?


Pedras de gelo unidas.

70 Unidade 3 • Calor: energia em movimento

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, ,,.,o,st1.a;2umn,u11+1t·, •--------
Pela observação das situações a seguir, você consegue imaginar quais são as
formas de transferir calor?
~ E ~
i' 8 i'
É
>- ~ É
:,
~
~
.. "~ ~
~ ~
"'
~ 5!' ;
~
E
~ ';
.,i
.!! ~
3. 1li
~
i
i
.,,li ..
;.;
<( E
~

Se deixarmos uma panela no fogo Em locais de temperaturas baixas, flores,


com uma colher de metal dentro dela. verduras e legumes são cultivados em
perceberemos que após um tempo a e,tufas.
colher também estará quente.

O calor é uma forma de energia transferida de um corpo para outro por causa
da diferença de temperatura existent e entre eles. Essa transferência de energia Em ambientes climatizados, o
ar-condicionado é posicionado
pode ocorrer de três formas distintas: condução, convecção e radiação. na parte superior. Já o aquecedor
sempre fica na parte inferior.

f1,ti ,M, ,i ti½f·1· ti&i t·ll ·f·11+1,i· t· tf t·•----


Quando aquecemos uma barra metálica, como na figura abaixo, os átomos
que constituem a extremidade mais próxima do fogo passam a vibrar com maior
intensidade, graças ao aumento da temperatura. Essa agitação mais intensa é
transmitida para os átomos mais próximos, e as regiões vizinhas também se
aquecem. Dessa forma, a pessoa que segura a barra met álica na outra extremi-
dade terá a sensação de elevação de temperatura após um intervalo de tempo.
Temos, nesse caso, um exemplo de transmissão de ca lor por condução, ou
seja, o calor se propaga graças à agitação dos átomos que constituem o material,
mas sem que haja transporte da matéria durante o processo.

O aquecimento da barra
ocorre primeiro na parte
iiiill;::::--.......,_ .J mais próxima da fonte
de calor e se estende
_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _...., para o restante da barra.

Capítulo 6 , Processos de troca de calor 71

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~ Lei de Fourier
O físico e matemático francês Jean-Baptiste Joseph Fourier (1768-1830) foi o
primeiro a desenvolver estudos detalhados sobre transmissão de calor por con-
dução. Utilizando séries matemáticas (séries de Fourier) em seus experimentos,
elaborou uma fórmula que nos permite conhecer a rapidez (taxa de transmissão)
com que o calor é transmitido por condução.
Para o cálculo da velocidade da transmissão de ca-
lor, considere uma barra de ferro de comprimento L, de
seção transversal de área A, tendo suas extremidades
sido submetidas a temperaturas diferentes.
1
r- -------- -- O fluxo de calor <I> é a quantidade de calor ~ Q trans-
temperatura ferida por unidade de tempo ~ t e expressa pela relação:
temperatura
T2
T1

T, e T2 são as temperaturas das


extremidades da barra (T2 > T,).

Nesse processo de condução térmica, o meio material é de fundamental im-


portância. Cada material possui coeficiente de condut ividade K característico,
que representa a quantidade de calor conduzida por segundo, através de uma
camada de 1 m de espessura por 1 m1 de área, para uma diferença de tempe-
ratura de 1 ºC entre as extremidades da camada. No SI, o coeficiente de condu-
t .1v1'd ade term1ca
' · possui· como urn'dade de med I'd a o d joule k .
segun o · metro · e1v1n

Outra uni.d ad e ut1.11za


. d f • . , caloria
a com requenc1a e a d ºC
segun o · metro ·

Observe a tabela de materiais ao lado com os respectivos valores médios de


K, visto que possuem alguma variação de acordo com a faixa de temperatura .
A tabela mostra que a condutividade dos metais é bem supe-
Condutividade térmica de algumas rior à de outros materiais e que, por isso, eles são considerados
substâncias bons condut ores (alumínio, prata, cobre); os materiais de baixa
condutividade são isolantes t érmicos (vidro, madeira, lã).
Condutividade térmica
Substância A aplicaçâo dos materiais vai depender da situação: uma pa-
(kcal/s · m · ºC)
nela de alumínio permite a passagem com facilidade do calor da
Metais
chama para o alimento, mas o cabo para segurarmos a leiteira,
Alumínio 4,9 . 10-2
Latão 2,6 . 10- 2 bem como a colher que utilizamos no preparo, necessita de mate-
Cobre 9,2 . 10-2 rial isolante para evitar que se aqueça.
Chumbo 8,3 . 10-3
Prata 9,9 . 10-2
Aço 1,1 . 10-2
Zinco 2,6 . 10-2
Gases
Ar 5,7 . 10-G
Hidrogênio 3,3. 10-5
Oxigênio 5,6 · 10-•
Outros materiais
Concreto 2,0 · 10-•
Cortiça 1,0 . 10- 5
Vidro 2,0 · 10-•
Gelo 4,0 · 10-•
Madeira 2,0 · ,o-s
Lã pura 1,0 · ,o-s
No preparo de um alimento é melhor ut ilizar uma colher que seja feita
Fonte:TIPLER, P. A.; MOSCA, G. Física. 5. ed. Rio de Janeiro: LTC, de um material mau condutor de calor, como por exemplo, uma colher
2006. V. 1 e 2. de fibra de bambu, um material que impede o acúmulo de resíduos,
evitando contaminação.
72 Unidade 3 • Calor: energia em movimento

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Exercícios resolvidos
1 Uma pessoa coberta com acolchoado de lã, de espessura 4,0 mm e área 4,0 m2, está em um ambiente com tempe-
ratura -6,0 ºC. Sabe-se que o coeficiente de condutividade térmica da lã é 10-s kcal/s · m · ºC e que a temperatura
do corpo humano é aproximadamente 36 ºC.
a) Calcule o fluxo de calor através do acolchoado de lã.
b) Calcule a quantidade de calor que a pessoa perde em 45 min.
c) Considerando que as temperaturas dos dois lados do acolchoado não variam com o passar do tempo, construa
um gráfico cartesiano da temperatura em função da extensão atravessada pelo calor.

Resolução
a) Dados: T2 - T 1 = 36 ºC - (-6 ºC) = 42 ºC; A= 4,0 m 2 ;
L = 4,0 mm = 4,0 · 10-3 m e K = 1,0 · 10-s kcal/s · m · ºC = 1,0 · 10-2 cal/s · m · ºC
<l>=K A(T2 -T1) =><1>=10·10-2, 4,0· 4 2 =><1>=420cal/s
L ' 4,0 · 10-3
b)M = 45min = 2700s
<1> = .6Q => 420 = ~
.6t 2700
.6Q = 1,13 · 106 cal
c) Como as temperaturas dos dois lados do acolchoado não variam com o tempo, a temperatura vai variar na extensão da
camada de lã, como mostra o gráfico, visto que a variação da temperatura e a extensão do acolchoado são proporcionais.
T (ºC)

36

-6 L (mm)

Uma barra de cobre com 2,3 m de comprimento está envolta em um material isolante. A barra possui área de secção
transversal igual a 10 cm2 e tem uma de suas extremidades em contato com um dispositivo cuja temperatura é a de
fusão do gelo e a outra extremidade em contato com um dispositivo cuja temperatura é a de ebulição da água.
Calcule:
a) o fluxo de calor ao longo da barra;
vapor de água
b) a quantidade de calor que a barra ganha após 2 min. gelo em fusão barra de cobre em ebulição
-
Dado: Kc., = 9,2 · 10-2 kcal/ s · m · ºC.

T = OºC T= lOO ºC
Resolução
a) Pelos dados:
L = 2,3m
i
isolante
Montagem de barra de cobre envolt a por
A = 10 cm2 = 10 · 10- 4 m 2 material isolante em seu comprimento e, em
Kc = 9 2 . 10-2 kcal/s · m . ºC = 92 kcal/s . m. ºC cada uma de suas extremidades, um recipiente
" ' com água em ebulição e gelo em f usão .
<1> = K· A. (T2 -T,) => <1> = 92. 10. 10-4 (100 - O) => <1> = 4cal/s
2,3 2,3
b) Dado que o fluxo de calor é igual a 4 cal/ s, após 2 min, o calor transmitido será:
2min = 120s

<1> = .6Q => áQ = <1> · .6t = 4 · 120 => áQ = 480 cal


.6t

Capítulo 6 , Processos de troca de calor 73

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· · propost os
Exerc1c1os Escreva
no cadern

1. A respeito do fluxo de calor através de uma parede, é 4. Uma barra de alumínio de comprimento igual a 60 cm
correto afirmar que: e área de secção transversal igual a 12 cm2 está isolada
a) não depende do material que constitui a parede. com cortiça. Nas extremidades da barra temos duas
fontes de calor A e B que estabelecem, respectivamen-
b)é inversamente proporcional à área da parede.
te, as temperaturas correspondentes ao ponto de ebu-
c) é diretamente proporcional à espessura da parede.
lição da água e ao ponto de fusão do gelo, sob pressão
xd) é diretamente proporcional à temperatura entre as
normal. Considerando que o fluxo de calor ao longo da
duas faces. barra é constante, determine a temperatura registrada
2. A função das roupas de lã usadas no inverno é: por um termômetro graduado na escala Fahrenheit e
a) transferir calor do ambiente para o corpo. colocado a 45 cm da fonte A. 77 'f
b) impedir a entrada do frio do ambiente para o corpo. T

I
xc) reduzir o calor transferido do corpo para o ambiente.
d) ativar a circulação do sangue no organismo.
e) reduzir a transpiração, evitando com isso as
212 ºF 32 °F
..
§
quantidades de calor necessárias para a evaporação ,,§

do suor.
~ 45cm
;,
3. Indispensável em qualquer cozinha, a escolha da pa-
nela adequada depende do material usado para sua 5. Quando retiramos da geladeira um recipiente de me-
fabricação, entre eles o titânio e o aço ferromagné- tal e um recipiente plástico, temos a sensação de, pelas
tico, que não eliminam metais nos alimentos. Além nossas mãos, que o recipiente de metal está mais frio
desses materiais, outros mais comuns são utilizados, que o de plástico. Eles estão de fato a temperaturas di-
como alumínio, aço inoxidável, ferro, cobre, cerâmi- ferentes? Qual o motivo dessa sensação?
Não, se eles estiverem em equiHbrio ténnico no intl'fior dâ geladeira. Essa sensação
ca, barro, vidro. se deve à d~er~ de conootillidade térmica.
6. Calcule a iliferença de temperatura entre as faces
Analise o caso de uma fábrica que precisa produzir de um vidro plano cujo coeficiente de condutibili-
um tipo de panela que esquente rápido e de forma dade térmica é 2 · 10-4 kcal/ s · m · ºC, área igual a
uniforme. Para atingir esse objetivo, ela deverá ser 2000 cm2 e espessura de 4 mm. 1so·c
feita de um material que tenha as características es- Dado: <t> = 1500 cal/s.
pecíficas apresentadas nos itens a seguir. Qual deles
está expresso corretamente? 7. Determine a quantidade de calorias (em kcal) que são
transmitidas durante meia hora de um cobertor de
xa) Condutividade térmica alta e calor específico baixo.
área 2 m2 e espessura 2,5 cm. Considere que a tempe-
b) Condutividade térmica baixa e calor específico baixo. ratura da pele é de 37 ºC e o ambiente está a 12 ºC.
c) Condutividade térmica alta e calor específico alto. Dado: constante de condutibilidade térmica do co-
d) Condutividade térmica baixa e calor específico alto. bertor: 1,0 · 10-s kcal/s · m · ºC. 36 kcal

Você sabia?

Por que uma pessoa se encolhe ao sentir frio?


Pela lei de Fourier, estudamos que a quantidade de calor transferida por unidade de tempo é diretamente
proporcional à área da superfície exposta.
A geometria métrica nos mostra que, para sólidos de mesmo volume, a esfera é a que apresenta a menor área
externa. Por isso, ao sentirmos frio, instintivamente nos encolhemos, para uma aproximaçáo com a forma esférica.
Diminuindo a área de contato com o meio exterior, diminuímos a perda de calor para este.
Escreva
Responda no caderno

1. Por que os esquimós não constroem iglus com formato de paralelepípedo, como é comum nas casas em geral?
Oformato convexo dos iglus 1ambém contribui para diminuir a perda de calor para o ambiente.

74 Unidade 3 • Calor: energia em movimento

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fi,Ei,M,,\tt!t·l·tJfif·1•·f·11!·1;(#4%fi·~
Ao utilizarmos a chama do fogão para aquecer uma panela representação
contendo água, podemos observar um movimento de sobe e des- das correntes
de convecção
ce da massa líquida dentro da panela. Isso ocorre porque a porção
do líquido mais próxima da chama é aquecida, dilata-se e, conse-
quentemente, tem a sua densidade diminuída. Assim, as camadas
do líquido mais aquecidas (menos densas) se movem para a parte
superior da panela, enquanto as camadas mais frias (mais densas)
se deslocam para a região inferior da panela. Se mantivermos a
chama acesa, o processo de circulação das correntes de líquido
mais quentes, que sobem, e das mais frias, que descem, continua-
rá. Tais correntes são denominadas correntes de convecção.
Agua em ebulição.
Nos líquidos, a transmissão de calor é feita principalmente por meio das cor- As setas verdes representam as
rentes de convecção. Nos gases, embora considerados maus condutores térmi- correntes de convecção.
cos, as correntes de convecção também representam o principal meio de trans-
missão de calor.
A propagação do calor por convecção se dá pelo movimento de matéria de uma
região para outra. Portanto, ela só ocorre nos fluidos, ou seja, nos líquidos e nos gases.
Por exempo, um avião planador não possuí motor para levantar voo por con-
ta própria. A forma mais comum de colocá-lo no ar é por reboque. Assim, o
planador é puxado por um avião pequeno até alcançar a altura desejada, onde se
mantém com o auxíl io das correntes de ar. Depois que o planador ganha altitu-
de, voa empurrado pelas correntes de convecção ascendentes (ar quente). Com Na imagem, um avião planador
a passagem dessas correntes, ele perde altitude e plana, até encontrar outras rebocado por um pequeno avião
motorizado.
correntes ascendentes.

Representação do movimento realizado por um planador.

Nos refrigeradores de uma porta, o congelador (parte mais fria) se loca-


liza na parte superior, facilitando a formação de correntes de ar no sentido
descendente. Essas correntes se formam quando o ar se contrai (esfria), fi-
cando mais denso e ocasiona ndo a desci-
da da corrente de ar para a parte ba ixa da
geladeira. O compartimento de carnes f ica
na parte superior, pois a carne ent ra em de-
composição mais facilmente, e os vegetais
ocupam a parte de baixo por se rem mais
resistentes. Geladeira horizontal de
.,, supermercado utilizada para
Os aparelhos de aquecimento de residên-
l cias são instalados na parte inferior do am-
expor alimento refrigerado ou
congelado.
biente. Isso porque o ar quente sobe e es-
Por que as geladeiras
fria, torna a descer e é aquecido, formando
expositoras de
as correntes de convecção. Para aparelhos de
supermercado podem
ar-condicionado, a posição ideal é a parte su-
Os refrigeradores também funcionam permanecer abertas?
com correntes de convecção. perior dos ambientes.
Professor, os comentários dessa seção encontram-se no Caderno de orienta-
ções no final deste 110lume.
Capítulo 6 , Processos de troca de calor 75

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Nos grandes centros urbanos, em dias quentes, o ar poluído próximo do solo sobe, cedendo lugar para o ar mais frio
e mais limpo que migra das camadas mais altas da atmosfera, o que provoca a dispersão dos poluentes. Nos dias frios, o
ar próximo ao solo mantém-se na parte baixa, pois é mais denso que o ar menos frio das camadas mais altas, impedindo
a formação das correntes de convecção. Esse fenômeno de concentração de poluentes é denominado inversão ténnica.

Ar quente
subindo

Ar frio se
mantém
próximo à
superfície

Esquema da formação da
inversão térmica.

Na natureza, as correntes de convecção exercem um importante papel, como podemos observar no esquema a seguir.
Esquema de formação das brisas marítimas e terrestres

No litoral, as brisas marítimas ocorrem em consequência Durante a noite ocorre o inverso: a terra se esfria
da diferença entre o calor específico da água e o da mais rápido que a água do mar, e o ar quente que
terra. Ao longo de um dia quente, a terra fica aquecida cobre a água sobe, cedendo lugar para o ar mais
mais rapidamente, e o ar em contato com ela se aquece frio que vem da terra, formando as correntes de
e sobe, formando uma região com pressão mais baixa e convecção denominadas brisas terrestres.
favorecendo a entrada do ar mais frio que está sobre o mar.

Exercícios resolvidos
3 Diante de uma vela acesa, uma pessoa posiciona a mão direita 30 cm ao lado da chama,
sem perceber o aquecimento. A mão esquerda é posicionada 30 cm acima da chama e,
nesse caso, ela tem a sensação de aquecimento. Se as duas mãos estão a uma mesma
distância da chama, por que as sensações são diferentes?
Atenção, não tente realizar esse experimento sem a supervisão de um adulto.

Resolução
Nas duas posições a mão recebe calor por irradiação pouco intensa por causa da distância.
O ar próximo da chama é aquecido, torna-se menos denso e tende a subir, aquecendo a mão esquerda que está
acima da chama. Esse deslocamento de ar forma uma corrente de convecção ascendente e, portanto, a mão direita
ao lado da chama não tem a mesma sensação.

76 Unidade 3 • Calor: energia em movimento

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A fotografia mostra exaustores eó-
licos acionados pela força natural
dos ventos. Sua principal função é
proporcionar a renovação constan-
te do ar no interior de determina-
dos ambientes e, com isso, manter
a temperatura adequada para gerar
mais conforto e bem-estar aos fre-
quentadores do local. A principal
vantagem desse aparelho está rela-
cionada à preservação ambiental,
considerando que eles não depen-
dem da energia elétrica para fun-
cionar.
Pense em uma situação em que o
exaustor permanece funcionando, Exaustor eólico.
mesmo na ausência de vento ou
brisa. Qual das alternativas seguintes explica corretamente esse funcionamento?
a) Em decorrência da irradiação o calor se propaga do meio interno para o meio externo.
b) Em decorrência da condução o calor se propaga do meio interno para o meio externo.
c) Através do exaustor ocorre a passagem do ar quente do meio interno para o externo.
d) Através do exaustor ocorre a passagem do ar frio do meio externo para o interno.

Resolução

Na ausência de vento ou brisa, a massa interna de ar quente ascende e, ao passar pelas aletas do exaustor, provoca
o seu movimento. Portanto, a alternativa correta é a e.

12. As correntes de convecção são geradas nos fluidos Oiquidos e gases) a partir de uma diferença de temperatura. A porção do fluido mais próxima da fonte de calor ~ aquecida, dilata-se
e, consequentemente, tem sua densidade diminulda movendo-se para partes superiores, enquanto a mais densa desloca-se para as partes infeliores.

· ·
Exerc1c1os propost os Escreva
no caderno

8. A respeito dos fornos utilizados nas cozinhas, explique: nadas correntes de convecção. Explique como elas
a) por que as prateleiras são feitas na forma de gra- se formam.
des e com materiais considerados bons condutores 13. Alguns refrigeradores possuem apenas uma porta e,
d al Porque isso favorece a convecção do ar quente e o aqueámento do no lugar do freezer, o congelador fica posicionado na
e c or. alimento dentro do reàpiente.
b) por que se utiliza lã de vidro nas paredes dos fomos. parte superior. Sobre esse aspecto, responda:
Para impedir ou minimizar a troca de calor com o meio externo. a) Por que o congelador fica na parte de cima dos re-
• Com o ~cionamento do congelador na parte superior, ocorre a
9. Por que o ar parado é frequentemente utilizado corno frígeradores? formaçao de correntes de ar mais quentes no sentido ascendente
e do ar mais frio no s.eyitido desçellde!11e.
isolante térmico? Resposta no final do livro. b)Qual o critério para escolher o loca de armazena-
10. Em um planeta onde não existem fluidos não é possí- mento dos alimentos dentro do refrigerador?
vel a propagação do calor por: 14. Em certos dias, verifica-se o fenômeno da inversão
a) condução. térmica, que causa aumento de poluição, pelo fato
de a atmosfera apresentar maior estabilidade. Essa
Xb)convecção.
ocorrência é devida ao seguinte fato:
c) irradiação.
a) a temperatura das camadas inferiores do ar atmos-
d) condução e convecção.
férico permanece superior à das camadas superiores.
e) convecção e irradiação.
b) a convecção força as camadas poluídas a circular.
11 . A convecção é um processo de transmissão de calor c) a condutibilidade do ar diminui.
que ocorre principalmente em que meios? d) a temperatura do ar toma-se homogênea.
Aconvecção tanto OCOffe no meio liquido quanto no meio gasoso.
12. No processo de transmissão de calor por convecç.ã o xe) as camadas superiores do ar atmosférico têm tem-
existe urna circulação de correntes que são denomi- peratura superior à das camadas inferiores.
13. b) Alimentos(Om maior prnbabilidade de estragar rapidamente devem ficar nas partes
mais altas da geladeira por serem ~s mais frias.
Capitulo b ~
d d al
Proce ssos e troca e e or
77

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Você sabia7

Por que, ao ferver, o leite sobe, e a água não7


O leite é composto de vários ele-
• Composição do leite
mentos, e a água é o que aparece
em maior porcentagem. Componentes
água gordura proteínas lactose minerais
A temperatura de ebulição da principais
água é inferior à temperatura dos
Composição
outros componentes do leite, como 87,0% 3,9% 3,4% 4,8% 0,8%
média
a lactose e a gordura. A medida que
a temperatura do leite se aproxima Fonte:ABLV. Disponlvel em: <www.ablv.org.br>.Acesso em: 11 jan. 2016.

de 100 ºC, inicia-se o processo de vaporização da água, formando bolhas que migram do fundo da leiteira para
a superfície, em razão da diferença de densidade entre vapor e líquido.
Na superfície do leite forma-se uma camada de gordura e proteínas muito resistente. Assim, as bolhas de
vapor não conseguem furar essa película e, na busca de uma saída, forçam para cima toda a camada superficial
do líquido, dando origem à espuma que se derrama. Com a água esse processo não ocorre, pois as bolhas de
vapor atravessam com facilidade a superfície do líquido, migrando para o ar.

Esaeva
Responda nocadem o

1. Quando cozinhamos macarrão, algumas vezes a água também sobe. Em que siruações isso ocorre?
Quando colocamos um pouco de óleo na água.
2. Por que o leite fervente para de subir quando desligamos o fogo?
Sem o fornecimento de ca!Of, a á ua ra de ebulir, rmanecendo no estadoll, uido, não havendo mais bolhas ara em urrar a camada de ordura e roteínas.

,,,a,,ma1tt+f.1.,,,,,.,,.t.,1at·l&t+t·•----
~ Estudamos que na condução e na convecção tér-
~ micas há a necessidade de um meio material para que
lo
~ o calor se transfira de um lugar (ou corpo) para outro.
~
j -·,u.~-
b ...
.,_~,...,,,......, Pense agora no calor que o Sol continuamente transfe-
<)
re para a Terra, esquematizado na figura ao lado.
t
Como não há um meio material entre eles, esse
calor se propaga através de ondas eletromagnéti-
cas, em um terceiro processo chamado rad iação
ou irrad iação.
De forma mais abrangente, os corpos emitem rad ia-
ções térmicas a qualquer temperatu ra, e, quanto maior
ela for, maior será a intensidade da radiação emitida.
O calor do Sol se propaga até a Terra
por causa do fenômeno da radiação. O nosso corpo, por exemplo, emite radiações, assim como uma lâmpada acesa
(imagem está sem escala, sem e um ferro elétrico. Essas radiações são ondas eletromagnéticas (principalmente
proporção e em cores-fantasia).
radiações infravermelhas) capazes de se propagar em qualquer meio, inclusive
no vácuo.
No momento em que a energia rad iante incide em um corpo, uma parte é
absorvida por ele, outra parte pode ser transmitida através desse corpo e uma
terceira parte é refletida.
Quando um corpo recebe radiação, ele se aquece proporciona lmente à sua
capacidade de absorver energia, de modo que um corpo com boa capacidade de
absorção é também um bom emissor de radiação.
De maneira geral, corpos escuros possuem alta absorvidade e baixa refletivi-
dade (bons absorvedores e emissores), e corpos claros e polidos possuem baixa
absorvidade e alta refletividade (maus absorvedores e emissores).

78 Unidade 3 • Calor: energia em movimento

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Todos os corpos podem emitir energia por rad iação, e a quantidade de ener-
gia emitida depende da temperatura, da natureza e da forma da superfície do
corpo.
Muitas são as aplicações da radiação térmica, como as estufas e os coletores
de energia solar.
As estufas são utilizadas geralmente para o cultivo de flores, verduras e legu-
mes em locais de baixas temperaturas. O recinto é fechado, suas paredes são de
vidro e o piso é pintado de cor escura. A radiação solar atravessa o vidro, sendo
absorvida pelo piso e pelas plantas, que se aquecem.
Com o aumento da temperatura, eles emitem parte da
energia radiante sob a forma de raios infravermelhos,
que ficam retidos no interior da estufa porque não pas-
sam pelo vidro. Dessa forma, o interior da estufa fica
sempre mais quente que o ambiente externo.
Os coletores de energia solar f uncionam de modo se-
melhante, com paredes de vidro e fundo escuro, e são
muito utilizados no aquecimento de água em residências.
A Terra sofre um processo parecido com o da estu-
fa. Determinados gases na atmosfera terrestre, como
o dióxido de carbono (CO), o óxido nitroso (Np), o
metano (CH4 ) e os hidrofluorcarbonos (HFCs), entre
Coletor solar usado no aquecimento
outros, absorvem parte da radiação infravermelha emitida pela superfície ter- de água.
restre por meio da reflexão dos ra ios solares. Como consequência, o planeta
perde pouco calor para o espaço por irradiação e fica mais aquecido, fenômeno
denominado efeito estufa.
O efeito estufa é um fenômeno natural que mantém a temperatura da Terra
estável e em valores que possibilitam a vida no planeta.

I> Potência irradiada


Vamos considerar novamente o exemplo da estufa. A energia proveniente do
Sol, que chega até as plantas, é parcialmente absorvida pelas plantas, parcial-
mente refletida e parcialmente transmitida por elas.
O calor absorvido pela planta corresponderá à diferença ent re a quantidade
total de calor incidente e a quantidade do calor perdido (que pode ser por refle-
xão, refração e difusão).
Sendo Q. a quantidade de energia absorvida, Q, a quantidade de energia
refletida e Qt a quant idade de energia transmitida, o total de energia incidente
Q; nas plantas será dado pela soma dessas três parcelas:
O; = o. + O, + O,
Os valores de energia absorvida, refletida e t ransmitida podem ser obtidos
por meio das seguintes relações:
• A capacidade absorvente ou absorvidade de um corpo é dada pela razão
existente entre a quantidade de calor absorvido e a quantidade de calor inci-
dente: a = ~.
O;
• A capacidade de reflet ir parte da energia incidente é a refletividade de um
corpo, dada pela razão entre a quantidade de calor refletido e a quantidade de
calor incidente: r = -9r..
O;
• A capacidade de t ransmitir parte da energia que a planta recebe é a transmis-
sividade de um corpo, dada pela razão existente entre a quantidade de calor

transmitido e a quantidade de calor incidente: t = 6;.


Capítulo 6 , Processos de troca de calor 79

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Observe que as t rês grandezas são adimensionais. Ao somá-las, obteremos a relação: a + r + t = 1. Essas gran-
dezas variam de acordo com as características de cada corpo, de tal forma que, não havendo transmissividade, por
exemplo, a relação permanece: a + r = 1.
Há também casos considerados ideais que merecem destaque. Um desses casos é o espelho ideal, que reflete
toda a quantidade de calor incidente (r = 1) e tem absorvidade nula (a= O).
Outro caso é o corpo negro ou superfície negra ideal, em que a quantidade de calor incidente é totalmente
absorvida (a= 1) e tem refletividade nula (r = O).
Segundo a Lei de Kirchhof, o poder emissivo E (ou a capacidade de emitir energia) de um corpo qualquer é
dado pela razão entre a potência irradiada P por esse corpo por unidade de área A considerada, ou seja:
p
E = A (no SI em W/m 2 ou cal/s . cm2)

No caso da emissão puramente térmica, a absorvidade e emissividade de um corpo são iguais para os mesmos
valores de comprimento de onda e temperatura. Portanto, a capacidade do poder emissivo é obtida pela Lei de
Stefan-Boltzmann, que define para um corpo negro :
E = cr · T4
Dados: temperatura em kelvin e cr a constante de Boltzmann, cujo valor no SI é 5,67 · 1 o-s
W/m2 • K4
Podemos comparar o poder emissivo de um corpo qualquer e um corpo negro, por meio de outra grandeza, a
emissividade e, expressa por:
E=e·cr·T4
Para um corpo negro teremos sempre e = 1 e para um corpo qualquer, o poder emissivo é dado pela expressão anterior.
Est ando em equilíbrio térmico com o meio a uma dada temperatura T, um corpo de área A e emissividade e
apresenta potência irradiada P, q ue é determinada pela expressão:

~ P = e o · T'· A

Caso a temperatura do corpo e do ambiente sejam diferentes, a relação da potência irradiada fica:

F P = e · o· A · ff! - T') 1· em que T, é a temperatura do ambiente e Ta temperatura do corpo considerado.

Exercícios resolvidos
5 Dois blocos de pedra exatamente iguais foram pintados: um de branco e outro de preto.
a) Expostos ao Sol, qual se aquecerá mais? Justifique.
b)Após exposição a uma temperatura de 90 ºC, qual esfriará mais rápido? Justifique.

Resolução

a) Os corpos mais escuros são melhores absorvedores de radiações incidentes do que os claros. Portanto, o bloco
preto, para uma mesma temperatura e um mesmo tempo, aquece mais que o branco.
b) Como os corpos escuros são melhores emissores de radiação, o bloco preto esfriará mais rápido.

• Considere que a pele humana tem emissividade de O, 70 e área aproximada de 2 m 2 • Suponha que uma pessoa, com
temperatura média de 36 ºC, toma Sol na praia com 70% do corpo exposto a uma temperatura ambiente de 40 ºC.
Determine:
a) o poder emissivo da pele.
b) a potência que a pele irradia para o ambiente.
e) a energia irradiada pela pele durante o intervalo de 1 h, considerando que a energia emitida por uma fonte é dada pelo
produto da potência irradiada pelo tempo.
Dado: constante de Boltzmann 5,67 · 10-s W/ m2 • K4 •

80 Unidade 3 • Calor: energia em movimento

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Resolução

a) O poder emissivo da pele é dado por:


E=e·CT·T4
Sendo e= 0,70
Convertendo a temperatura do corpo humano de T = 36 ºC para kelvin:
TK = 36 + 273 = 309 K
Portanto:
E= e· o· T4 = 0,70 · (5,67 · 10-8) • (3094) ~E= 361,8 W/m2
b)A potência irradiada pelo corpo é dada por:
P = e · o · A · CT; - T4)
Convertendo a temperatura do ambiente de T = 40 ºC para kelvin:
TK = 40 + 273 = 313 K
Portanto:
P =e· o· A· (T;- T4) = 0,70 · (5,67 · 10-8 ) · [(3134) - (30~)] ~P = 19,1 W
O sinal positivo para a potência irradiada significa que a pele (e a pessoa) está ganhando calor do ambiente por
causa da temperatura maior.
c) A energia irradiada pela pele é dada por:
E= P · t.T
Como 1 hora tem 3 600 segundos, temos:
E= P · L'.t = 19,1 · 3600 = 68770,6J

· · propost os
Exerc1c1os Escreva
no caderno

15. Considere uma pele com emissividade de 0,90 e área b) aumente devido ao bloqueio da luz do Sol pelos ga-
aproximada de 1,2 m2 à temperatura de 60 ºC em um ses do efeito estufa.
ambiente com temperatura média de 37 ºC. Determine: c) diminua devido à não necessidade de aquecer a
a) o poder emissivo da pele; 627,SW/m' água utilizada em indústrias.
b) a potência que a pele irradia para o ambiente. x d) aumente devido à necessidade de maior refrigera-
187,45W
16. A superfície do Sol apresenta uma temperatura de apro- ção de indústrias e residências.
ximadamente 5 700 K. Determine a potência total irra- e) diminua devido à grande quantidade de radiação
diada pelo Sol, sabendo que seu raio é de 7 · 108 m, e térmica reutilizada.
considere e= 0,97, 1t = 3 e o Sol uma esfera. = 3,4 · lO'"W
18. (Enem,IMEC) Com o objetivo de se testar a eficiência de
17. (Enem/MEC) As cidades industrializadas produzem fomos de micro-ondas, planejou-se o aquecimento em
grandes proporções de gases como o C02, o principal 10 ºC de amostras de diferentes substâncias, cada uma
gás causador do efeito estufa. lsso ocorre por causa da
com determinada massa, em cinco fomos de marcas dis-
quantidade de combustíveis fósseis queimados, prin-
tintas. Nesse teste, cada forno operou à potência máxima.
cipalmente no transporte, mas também em caldeiras
industriais. Além disso, nessas cidades concentram-se O forno mais eficiente foi aquele que
as maiores áreas com solos asfaltados e concretados, a) forneceu a maior quantidade de energia às amostras.
o que aumenta a retenção de calor, formando o que b)cedeu energia à amostra de maior massa em mais
se conhece por "ilhas de calor". Tal fenômeno ocorre
tempo.
porque esses materiais absorvem o calor e o devolvem
para o ar sob a forma de radiação térmica. x c) forneceu a maior quantidade de energia em menos
Em áreas urbanas, devido à atuação conjunta do efei- tempo.
to estufa e das "ilhas de calor", espera-se que o consu- d) cedeu energia à amostra de menor calor específico
mo de energia elétrica mais lentamente.
a) diminua devido à utilização de caldeiras por indús- e) forneceu a menor quantidade de energia às amos-
trias metalúrgicas. tras em menos tempo.

Capítulo 6 , Processos de troca de calor 81

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Pense além
Animais homeotérmicos
Nas regiões polares, os animais homeotérmicos, isto
é, animais que mantêm a temperatura corporal constan-
te, independentemente das condições externas, tendem
a apresentar superfícies arredondadas. Alguns deles tam-
, tA
bem 1 1 Conforme \/imos na seção Você sabia? da página 74,
em pe agem Cara. o formato esférico garante menor área para a super·
- - - - - fkie externa. contribuindo para a re·
Responda Esa;va dução da perda de calor para o ambiente. Exemplos de animais homeotérmicos: raposa do
A coloração clara pennite aos animais ca- ártico (aproximadamente 70 cm de comprimento) e
no ca erno
1. Justifique essas duas características desses animais. ~:~-:ev~ urso polar (aproximadamente 2,5 m de comprimento).

Você sabia'?
Como os polos ajudam a manter o equilíbrio térmico da Terra?
A Terra vem sofrendo sérias mudanças cl imáticas que, segundo os cientistas, são apenas sintomas de um
mal maior. Eles estão alarmados com os dados obtidos: a elevação do nível do mar, de 2 mm/ano, subiu cerca
de 3 mm/ano na última década, com previsão de que esse número dobre nos próximos 100 anos. Esse fenô-
meno é justificado pelo acentuado degelo nos polos, causado pelo aumento da temperatura média do planeta.
Os polos são os sinalizadores das transformações climáticas, pois revelam como se comportou a atmosfera
do planeta no passado, permitindo uma estimativa de como ela será no futuro.
Mas como são obtidas essas informações? Em quais arquivos os cientistas vão buscar os dados?
O gelo nos polos fo i se acumulando ao
longo dos milênios em camadas de 5 cm
por ano, aproximadamente, com bolhas
de ar entre elas que ficaram encapsuladas,
representando fragmentos de ar da Terra
terra mar gelo de mais de 700 mil anos. Para obter amos-
A Terra reflete cerca de 20% da radiação solar incidente; as águas do mar, tras para análise, os especialistas começa-
cerca de 10%; e O gelo, cerca de 9 ü %. ram a extrair cilindros de gelo com prof un-
didades próximas de 3 km. O exame desse material mostrou que a natureza produz altas concentrações
at mosféricas de gases relacionados com o efeito estufa, como a erupção dos vulcões. Mas atualmente,
somando os gases produzidos pela natureza com os produzidos em decorrência das atividades humanas,
chegamos a índices nunca alcançados.
Vale lembrar que o efeito estufa assegura o equilíbrio do clima para as condições de vida no planeta, porém,
quando em excesso, torna-se altamente destrutivo.
As áreas gélidas dos polos exercem um papel de equilíbrio na temperatura global, principalmente por causa
de sua influência na circulação das correntes marítimas e no efeito albedo.
As correntes marítimas ocorrem por causa da diferença de temperatura entre as várias partes do planeta.
Nos trópicos, as águas quentes dos oceanos correm superficialmente e vão em direção aos polos, onde se res-
friam e ficam mais densas. Descem, então, para o fundo dos oceanos e retornam aos trópicos, onde se aque-
cem novamente. Com o derretimento das geleiras, que são de água doce, a salinidade do mar está diminuindo,
o que modifica sua densidade. Isso pode influenciar o fluxo das correntes marítimas e, dessa forma, contribuir
para o desequilíbrio da temperatura global.
O efeito albedo refere-se à porcentagem de luz refletida em relação à luz incidente. Nos polos, a reflexão
do gelo e da neve, que são brancos, representa 90% da radiação solar recebida. Se houver diminuição da área
coberta pelo gelo, menos reflexão ocorrerá e, consequentemente, mais energia ficará retida, aumentando o
aquecimento nos polos, de maneira mais direta, e em outras partes do planeta, de maneira mais in direta.
Existem diversas ações que por.em ser exploradas, a começar pela economia de água e de energia em nossas residências,
Escreva
Responda no caderno
Onente os alunos a fazer uma pesquisa acerca das ações governamentais já tomadas. Questões como o desenvolvimento
sustentável e as ações locais de cada bairro ou município também podem ser exploradas.
1. Sabemos que o derretimento das geleiras tem aumentado nos últimos anos em função do aquecimento do plane-
ta. Que medidas a sociedade deve adotar para evitar essa situação?

82 Unidade 3 • Calor: energia em movimento

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• ·
Exerc1c1os comp 1ement ares Escreva
no cadern

1. O gráfico da temperatura em função do tempo para A curva de aquecimento representada é a:


um corpo que absorve calor à razão de 1 000 cal/min a) da água. d) da acetona.
está representado abaixo. b)do álcool etílico. X e) do benzeno.
Temperatura (ºC) c) do ácido acético.
4. Para desenvolver um teste, foram confeccionadas
45 duas peças A e B, de mesma quantidade de massa
(mA = m 8), mas com materiais diferentes. Depois de
20 receberem a mesma quantidade de calor, as duas pe-
ças foram colocadas juntas em um ambiente isolado,
o 10 Tempo(min) até que atingissem o equilíbrio térmico. Pelos dados
obtidos, a peça A apresentou variação de temperatura
Determine: equivalente ao dobro da apresentada pela peçaB. Com-
a) a capacidade térmica do corpo; 400cal/"C pare nesse caso os valores do calor específico das peças
A e B O valor do calor especifico da peça A é a melade do valor do calor
b) o calor específico da substância que constitui o corpo, • específico da peça B.
sabendo que sua massa é m = 1 000 g. 0.4 calig ºC 5. Uma jarra de ferro vazia possui massa m = 1 500 g.
2. Em um teste de laboratório, determinou-se o calor Ao ser levada ao fogão, sua temperatura eleva-se du-
específico de uma substância, obtendo-se o valor rante determinado tempo em 40 ºC.
de 0,35 cal/g ºC. Posteriormente verificou-se que a) Calcule a quantidade de calor absorvida pela jarra
o termômetro utilizado estava graduado na escala em joule e calorias. 6 600 cal ou = 26 400 J
Fahrenheit e não na escala Celsius. Sabendo-se que b) Qual seria a variação de temperatura caso a quan-
os pontos fixos na escala Fahrenheit são 32 ºF e tidade de calor absorvida fosse de 28 980 J? 43,9 ºC
212 ºF, que correspondem aos pontos do gelo e do Dado: CFc = 0,11 cal/g ºC.
vapor, respectivamente, encontre o valor correto do
6. Para preparar uma bebida de café com leite, uma pes-
calor específico, em cal/g ºC. 0,63 cal/g ºC
soa misturou em uma xícara, que estava inicialmen-
3. A seguir, apresentamos os valores do calor especí- te a 20 ºC, 20 mL de café a 70 ºC e 80 mL de leite a
fico de cinco substâncias no estado líquido, e, no 40 ºC. Para completar, acrescentou 1 rnL de adoçante
gráfico, é representada a curva de aquecimento também à temperatura de 20 ºC. Sabendo que o calor
de 100 g de uma dessas substâncias. específico do café é 1 cal/g ºC, do leite 0,8 cal/ g ºC e
do adoçante 0,3 cal/g ºC, determine a temperatura
Calor específico de equilfürio térmico desse sistema, desprezando a
Substância
(cal/gºC) capacidade térmica da xícara. "" 52,6 •e
Agua 1,00 7. Em um experimento de laboratório, faz-se colidir um
Á lcool etílico 0,58 objeto de 5 g com velocidade de 200 m/s em um cubo
que contém 1 L de água. Nessa colisão considere que
Acido acético 0.49 toda a energia cinética do objeto foi convertida em
calor, fazendo com que a massa de água se aqueça
Acetona 0,52
(ou seja, despreze as perdas de energia). Aproximan-
Benzeno 0.43 do 1 J = 0,25 cal, determine o aumento de tempera-
tura da água. 0,025 º C

:y - -
Temperatura (ºC)
8. (UFPA) Apesar da vida ribeirinha, João não ficou
alheio aos avanços tecnológicos, nem às informações
atualizadas que hoje chegam a qualquer lugar, via
80 satélite, por meio de parabólicas. A questão a seguir
refere-se a esse contexto.
5,S , Em um forno de micro-ondas, João colocou um va-
1

o silhame com 1,5 kg de água a 20 ºC. Mantendo o


Calorias
3203,S forno ligado por 10 minutos, a temperatura da água

Capítulo 6 • Processos de troca de calor 83

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• ·
Exerc1c1os comp 1ement ares Escreva
no cadern

aumentou para 80 ºC. A representação gráfica do 12. Considere uma substância hipotética de 50 g que se en-
desempenho do forno indicada pelo calor fornecido contra inicialmente na fase sólida. Essa substância recebe
(calorias) em função do tempo (segundos) é mais calor e sua transformação está representada no gráfico:
bem representada pela linha: T (ºC)

Q (cal)
A
4800

2500
B
e
lo
1
1
1

1
.
20 ----,- - -,-- - -,---,--- - - - - -~
1

1
2000 D
t
----r---~----r---i- .. -
1 o
1 - - - -.- - - -
1
'
1500 1 1 1
.'!!

o l QO
''
2ÓO 500 600 700 Q (cal) ;
..
li

o 10 t (seg) -~
~
-10
(Considere que toda a energia produzida pelo forno
foi absorvida pela água na forma de calor e que o - 20

calor específico da água = 1 cal/g · ºC.)


Determine:
a)A c) c e) E a) a capacidade térmica da substância na fase sólida;
10 calfe
b)B Xd) D b)a temperatura de fusão; - 10°c
9. (ITA-SP) Um calorímetro de alumínio de 200 g con- c) a quantidade de calor consumida pela substância
tém 120 g de água a 96 ºC. Quantos gramas de alu- durante a fusão; 200 cal
mínio a 10 ºC devem ser introduzidos no calorímetro d) o calor latente de fusão; 4 cal/g
para resfriar a água a 90 ºC? e) a temperatura de ebulição; 20°c
(Calor específico do alumínio: 0,22 cal/g ºC.) f) a capacidade térmica da substância na fase liquida.
x a) 56 g c) 5,6 g e) 41 g 6,7 catre
13. O diagrama de fases apresentado abaixo corresponde
b)28g d)112g a uma substância hipotética.
10. (Fuvest-SP) Dois recipientes iguais A e B, contendo p {atm)
e) Oponto triplo (T) do b) Mantendo a tem·
dois líquidos diferentes, inicialmente a 20 ºC, são co- diagrama dado ocor· peratura constante e
locados sobre uma placa térmica, da qual recebem rera com;,= 2 atm e aumentando a pres-
T = 70 e, ponto em são sobre a substân-
aproximadamente a mesma quantidade de calor. cia, esta passará do
~:u~â~~~ Jli~~~\~ estado gasoso para
Com isso, o líquido em A atinge 40 ºC, enquanto o li- tados físicos da maté· o estado liquido [con-
ria. O ponto critico (C)
quido em B, 80 ºC. Se os recipientes forem retirados ocorre com p = 4 atm densação). porque o
e T = 340 ºC, ponto aumento de pressão
da placa e seus líquidos misturados, a temperatura em que a substãocia é ajuda a agregação
um gás que não wlta à molecular.
final da mistura ficará em torno de: fase líquiqa por simples
compressao 1S.Otenn1ca. ---+-~..-------.---
o 70 340 T (ºC)

a) Qual é o estado apresentado por essa substância a


1 atm e O ºC? Estado gasoso (vapo<).
b) Se a substância estiver submetida a uma pressão de
2,5 atm e 330 ºC, que mudança de estado ocorrerá se
a)45 ºC c) 55 ºC e) 65 ºC ela for comprimida à temperatura constante?
Xb)50ºC d) 60 ºC c) Identifique o ponto triplo e o ponto crítico dessa
substância. Explique as principais características des-
11. Em um recipiente há uma massa de gelo com tempe-
ses dois estados.
ratura de - 20 ºC que recebe calor e é transformada
em água e aquecida a 30 ºC. Sabendo que a quantida- 14. (UFF-RJ) Marque a opção que apresenta a afirmativa
de de calor gasta nessa transformação foi de 7 750 cal, falsa.
determine a massa de gelo transformada em água. a) Urna substância não existe na fase liquida quando sub-
Dados: c 1 = 0,5 cal/g °C; L = 80 cal/g. SOg
~O V
metida a pressões abaixo daquela de seu ponto triplo.

84 Unidad e 3 • Calor: energia em movimento

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b)A sublimação de uma substância é possível se esta 17. Sobre um corpo incide 40 kcal de energia durante
estiver submetida a pressões mais baixas que a do seu certo tempo. Pode-se verificar que durante esse tem-
ponto triplo. po são absorvidas 8 kcal. Sendo assim, determine:
X c)Uma substância só pode existir na fase líquida se a a) a absorvidade do corpo; 20%
temperatura a que estiver submetida for mais elevada b) a refletividade desse corpo. 80%
que sua temperatura crítica.
d) Uma substância não sofre condensação a tempera- 18. O fato de usarmos roupas claras no verão é explicado
turas mais elevadas que sua temperatura crítica. porque elas:
e) Na Lua, um bloco de gelo pode passar diretamente a) propagam menos calor por condução.
para a fase gasosa. b) propagam menos calor por convecção.
c) propagam menos calor por irradiação.
15. Uma barra de chumbo tem suas extremidades conec-
d) absorvem mais calor.
tadas a dois dispositivos que estabelecem diferentes
temperaturas, indicadas na figura a seguir. X e) absorvem menos calor.

barra de chumbo 19. (Mack-SP) No interior de um recipiente adiabático

J
!!!
1 de capacidade térmica desprezível, colocamos 500 g
"..
'iii
A
V
i
OºC 1 lO~"C de gelo (calor latente de fusão = 80 cal/g) a O ºC
1 t
isolante
e um corpo de ferro a 50 ºC, como mostra a figura
abaixo. Após 10 minutos, o sistema atinge o equi-
A barra está sob pressão normal, tem comprimento de lfürio térmico e observa-se que 15 g de gelo foram
45 cm e área de secção transversal igual a 18 cm2 • fundidos. O fluxo de calor que passou nesse tempo
Pede-se: pela seção S foi de:
a) a massa de vapor que se condensa em 40 minutos;
, =14,8 g
b) a massa de gelo que se fun de tambem em 40 mmu-
tos.
Dados: 99.6g

L. = 540 cal/g ferro gelo

~ão= 80 cal/g x a) 2 cal/s c) 5 ca]/s e) 7 ca]/s


~ b = 8,3 = 10-3 kcal/s · m · ºC b) 4 cal/ s d) 6 ca]/s

16. A convecção é uma forma muito eficiente de transfe- 20. (UFMG) Uma garrafa térmica do tipo das usadas para
rência de calor e está presente na natureza. Alguns manter o café quente consiste em um recipiente de
exemplos disso são encontrados no revestimento do vidro de parede dupla com vácuo entre as paredes.
corpo de determinadas espécies de animais que pro- Essas paredes são espelhadas.
curam manter o equilfürio térmico corporal, inde- O vácuo e as paredes espelhadas são usados para
pendentemente da temperatura ambiente, por meio
dificultar a transmissão de calor, estando relacio-
do isolamento térmico. Sobre a convecção, é correto
nados com uma ou mais formas de transmissão.
afirmar:
Assinale a alternativa que relaciona corretamente
I. A gordura é um mau condutor de calor e, no caso
as características da garrafa térmica com as formas
das focas e das baleias, que têm espessas camadas de
de transmissão de calor que essas características
gordura, desempenha o papel de isolar o corpo das
tentam impedir.
águas geladas.
a) parede espelhada H condução, vácuo H radiação
II. Os pelos que cobrem os corpos dos animais são for-
mados por células mortas e são bons isolantes térmi- b) parede espelhada H condução, vácuo H radiação
cos. Eles mantêm o ar retido junto à pele. e convecção
III. As penas, embora funcionem como isolantes tér- x c) parede espelhada H radiação, vácuo H condução
micos, quando eriçadas aumentam a camada de ar e convecção
que fica retida próximo à pele e com isso aumenta a d) parede espelhada H radiação, vácuo H radiação,
capacidade de isolar, termicamente, o corpo do meio. condução e conveção
Todas as afirmações estão co11etas.
Capítulo 6 , Processos de troca de calor 85

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Os iglus são associados aos esquimós, povos que habitam as regiões
em torno do Círculo Polar Ártico, principalmente os inuits, provenien-
tes do Canadá e da Groelândia.
A neve é um bom isolante térmico, por isso propicia uma tem-
peratura agradável no interior do iglu, motivando o seu uso pe-
los esquimós como material de construção de suas casas. Nessas
construções, as paredes são feitas de blocos de gelo e forradas
com pele de foca. Assim, o iglu torna-se bastante confortável.
Esse t ipo de forramento protege e isola o interior, aquecido pelo
calor do corpo dos habitantes ou por fontes de calor, como uma
fogueira, contra as temperaturas extremas ao ar livre.
Se nas regiões polares a temperat ura pode at ingir valores inferio-
res a - 46 ºC, no interior do iglu ela se mantém entre - 7 ºC e 16 ºC.
Em geral, os iglus podem ser construídos de duas maneiras: cavados no
Criança dentro de um iglu.
chão ou com blocos de neve endurecidos empilhados uns sobre os outros.

Para a construção de
um iglu os esquimós
cortam blocos de
neve (1924).

Esquimós constroem
um iglu cavando-o
no chão (1900-1930).

86 Unidade 3 • Calor: energia em movimento

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Na Unidade anterior estudamos os
conceitos de calor e temperatura. Defi-
nimos calor como uma forma de energia
que é transferida de um corpo para ou-
tro quando há diferença de temperatura
entre eles.
As formas de transmitir calor são
a condução, a convecção e a radiação.
Estudamos que a transferência de calor
ocorre de um corpo quente para um cor-
po frio, como observamos em muitas si-
tuações cotidianas.
Nos refrigeradores e nas geladeiras, o
calor é transmitido por correntes de con-
vecção. No entanto, nesses equipamen-
tos acontece um fato interessante, que
parece contrariar esse senso comum: a
transferênda de calor se faz de uma re-
gião fria (congelador) para uma região
quente (ambiente).
como isso

Disposição de alimentos em uma geladeira. Para a manutenção da saúde, é importante ter


hábitos alimentares saudáveis e consumir diariamente e de forma equilibrada frutas, verduras,
legumes, proteínas, grãos integrais, leite e derivados, óleos saudáveis e água. Além disso,
a prática de atividade física acompanhada de profissional adequado é fu ndamental.
87

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Professor, os comentários da questão de abertura da Unidade encontram-se no Caderno de orientações no final deste volume.

'
. - . ..
, , fiSãJiE·IS:U IfF•1ilITT 1111 ç:;•Ji E51: l11l~ut"•----
Nes1a Unidade, iniciaremos o estudo de uma área da Física denominada Ter-
modinâmica, cujas leis relacionam fenômenos como calor, trabalho e energia. A
Termodinâmica também traz uma interpretação microscópica desses fenômenos,
Professor. comente que a prática de balonis-
mo de'Vl! ser feita em locais adequados e que a sendo o estado gasoso das substâncias o mais indicado pa ra seu estudo, pela sua
atividade de soltar balões é ilegal e é um crime
ambiental. descrição mais simplificada.
Por razões didáticas, a Física define um modelo em que é possível uma des-
crição mais simples dos gases: gases perfeitos ou ideais.
Esse modelo pressupõe as seguintes características:
• suas partículas (átomos ou moléculas) movem-se caoticamente, obedecendo às
leis da Mecânica clássica;
• suas partícu las não interagem entre si, exceto durante as colisões;
• os choques entre as partículas e entre elas e as paredes do recipiente são per-
feitamente elásticos e têm duração desprezível;
• suas moléculas têm dimensões próprias desprezíveis.
Na verdade, nenhum gás é perfeito. Essas condições são postas apenas para
Prática de balonismo. simplificar a descrição física do sisiema. No entanto, um gás preso em um re-
cipiente a baixas pressão e temperatura pode ser considerado um gás ideal ou
Os gases têm diversas perfeito.
aplicações no nosso cotidiano,
O estado termodinâmico de um gás (não confundir com o estado físico da
desde o funcionamento de
motores de carros até a prática matéria) é definido por três grandezas f ísicas: o volume V, a pressão p e a tem-
de esportes como o balonismo peratura T, que são denominadas variáveis de estado de um gás.
que observamos na imagem. Quando ocorre a alteração de uma dessas variáveis de estado, dizemos que o gás
Qual a importância de (também chamado de sistema) sofreu uma transformação de estado e se encontra
estudarmos o comportamento em estado diferente do inicial.
dos gases? Compreender como são relacionadas as variáveis de estado e como cada
uma delas se altera durante uma transformação foi um processo empírico, isto
Professor, os comentários dessa seção encon-
uam-se no Caderno de orientações no final deste é, baseado fortemente em experimentos práticos, independentemente do de-
volume. senvolvimento teórico. Entre os inúmeros trabalhos realizados, destacam-se o do
físico anglo-irlandês Robert Boyle (1627-1691) e os dos franceses Edme Mariotte
(1620-1684), Louis Joseph Gay-Lussac (1778-1850) e Jacques Alexandre César
Charles (1746-1823).

,1,21,t1:.,;,,st+t11~st1-tit1a_________
A estratégia empírica utilizada por esses cientistas para o estudo das trans-
formações gasosas foi manter uma das variáveis de estado constante e verificar
como ocorria a alteração das outras duas (uma em função da outra). Nos arran-
jos a segu ir, considere que uma massa de gás está contida dentro de um recipien-
te com êmbolo móvel, de modo que este possa se ajustar a qualquer variação
das condições de tem peratura, pressão e volume que o gás sofra.

88 Unidade 4 • Estudo dos gases e Termodinâmica

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~ Transformação isotérmica
(lei de Boyle-Mariotte}
Uma transformação é chamada
isotérmica quando a temperatura
permanece constante e variam so- ----,
mente a pressão e o volume do gás. T. = T
1

Por meio de experimentos, Boyle


e Mariotte concluíram que o volume transformação
de um gás, quando a temperatura é isotérmica
constante, varia inversamente com a
pressão. Isso significa que, em um re-
cipiente contendo um gás, se o volu-
me aumentar, as moléculas ou átomos
terão mais espaço livre para percorrer
e, portanto, a frequência dos choques
com as paredes do recipiente diminui-
rá, causando uma pressão menor.
Algebricamente, expressamos esse fato por: p

~ '

: ::~ '.
constante '
P = V ou ~) P;V; = pV = constante T; = T

O fato de a pressão e o volume serem inversamente proporcionais :; isoterma


para uma transformação isotérmica pode ser observado no gráfico
ao lado, em que representamos os estados do gás em um diagrama V; V V
p X V.

~ Transformação isobárica
(1~ lei de Charles/Gay-Lussac}
Uma transformação é chamada de isobárica quando a pressão permane-
ce constante e há variação da temperatura e do volume do gás.
Também empiricamente, os físi-
cos franceses Charles e Gay-Lussac, .------------
de maneira independente, concluí-
ram que, à pressão constante, o
volume de um gás é diretamente
proporcional à temperatura abso- transformação
isobárica
l
luta. Isso significa que, se aumen-
tarmos a temperatura de um gás
dentro de um recipiente, a energia
cinética das moléculas ou dos áto-
mos também aumentará, fazendo
que as colisões entre as partículas
e as paredes do recipiente sejam
mais violentas. Se a pressão for
constante, por definição, as colisões das partículas com o recipiente o levarão a
expandir, aumentando o volume ocupado pelo gás.
Algebricamente, expressamos esse fato por:

~
V= constante . T ou ,,.> -V.
'
T;
= -V = constante
T

Capítulo 7 • Componamento térmico dos gases 89

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O fato de o volume e a temperatura absoluta do gás serem diretamente pro-
porcionais para uma transformação isobárica pode ser observado nos gráficos a
seguir, em que representamos os estados do gás em dois diagramas, um p x V
e outro V x T.
p V

r
V
T >T;

T; T
Pconstante ·-------
V; - - - 1

,, ' '
,, ' 1 '
V; V V o T; T T

~ Transformação isovolumétrica
(2ª lei de Charles/Gay-Lussac)
Uma transformação é chamada de isovolumétrica (ou isocórica) quando o volu-
me permanece constante e há variação da pressão e da temperatura do gás.
De maneira análoga ao experimento anterior, Charles e Gay-Lussac concluíram
que, a volume constante, a pressão de um gás é diretamente proporcional à tempe-
ratura absoluta. Isso significa que, se aumentarmos a temperatura de um gás dentro
do recipiente, a energia cinética das moléculas ou dos átomos também aumentará,
fazendo que as colisões entre as partículas e as paredes do recipiente sejam mais vio-
lentas. Nesse caso, para manter o volume constante é necessária uma pressão cada
vez maior sobre o êmbolo móvel para que este não seja empurrado pelo gás.

V.1 = V

transformação
isovolumétrica

Algebricamente, expressamos esse fato por:

p =constante· T ou ~ EL = _E._ = constante


T; T

O fato de a pressão e a temperatura absoluta do gás serem diretamente pro-


porcionais para uma transformação isovolumétrica pode ser observado nos gráfi-
cos a seguir, em que representamos os estados do gás em dois diagramas, um
p x V e outro p x T.
p T >T;
p
P ________________ lT p -------------

~ --------------- ~ P;
, , 1'
,,
1
1 1

'
Vconstante V o T; T T

90 Unidade 4 • Estudo dos gases e Termodinâmica

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Com as três leis apresentadas, podemos obter uma equação de estado que
relaciona as variáveis p, V e T e que é válida para qualquer transformação so-
frida pelo gás.
Considere que uma massa de gás confinada em um recipiente, em um estado
inicial caracterizado pela pressão P;, volume Vi e temperatura Ti, passa para um
estado final, com pressão p, volume V e temperatura T.
Vamos relacionar os diferentes estados de um gás por meio de uma única
lei, que recebe o nome de lei geral ou equação geral dos gases, obtida pela
associação das leis de Boyle-Mariotte e Charles/Gay-Lussac:

~ p-V. pV
~ -1 1- = - - = constante
Ti T

Vale lembrar que as equações das três leis foram determinadas pa ra a tem-
peratura absoluta e, por isso, é obrigatória a utilização da escala Kelvin para
a equação geral dos gases. Além disso, são consideradas condições normais
de temperatura e pressão (CNTP) os valores de p = 1 atm = 760 mmHg e
T=273KouOºC.

Exercícios resolvidos

1 Um gás, mantido a volume constante, tem pressão p·V =p1 ·V1


inicial p e temperatura inicial T = 27 ºC = 300 K .
p' ·0,80 · V= p · V
Determine, na escala Celsius, a temperatura em
p'=l,25· p
que esse gás exercerá o dobro da pressão inicial. Logo, a pressão aumenta 25%.

Resolução Uma massa de hidrogênio, sob pressão de 2,5 atm e


O gás evolui do estado (p, V, 300) para o estado temperatura de 77 ºC, ocupa um volume de 500 cm3 •
(2p, V, T'). Como a transformação é isovolumétri- Calcule seu volume nas condições normais de tempe-
ca, temos:
ratura e pressão.

_E_= _EJ_ Resolução


T T;
Inicialmente, determinamos a temperatura absoluta
_ P_ = 2 P =} T' = 600 correspondente a 77 ºC.
300 T'
TI = 77 ºC =} TI = 350 K
A temperatura na escala Celsius (TJ é dada por:
Te= T - 273 = 600 - 273 =} Te = 327 ºC Para as condições normais de temperatura e pressão,
temos:
Um gás, mantido à temperatura constante, tem T = 273 K e p = 1 atm
pressão inicial p e volume inicial V . Determine o
P1·V; = p·V
acréscimo percentual da pressão quando o volume
T1 T
é reduzido de 20%.
2,5·500 l·V
Resolução 350 273
O gás evolui do estado (p, V, D para o estado (p', Obtemos:
0,80V, D. Como a transformação é isotérmica, temos: V= 975 cm3

Capítulo 7 • Componamento térmico dos gases 91

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· · propost os
Exerc1c1os Escreva
no caderno

1. Durante o século XVlll, as investigações experimen- êmbolo de peso P, que pode se mover livremente.
tais realizadas por alguns pesquisadores a respeito do Colocam-se gradativamente grãos de areia sobre o
comportamento dos gases levaram à elaboração da êmbolo, que desce até o gás ocupar o volume 3
vi ,
lei dos gases ideais. A respeito dessas investigações como mostra a Figura II.
experimentais, é incorreto afirmar que:
a) de acordo com a lei de Boyle-Mariotte, se a tempera-
tura de um gás é mantida constante, o volume da massa
de um gás é inversamente proporcional à pressão.
b) de acordo com a 1ª- lei de Charles/Gay-Lussac, se a
pressão de um gás é mantida constante, o volume da Figural Figura li
massa de um gás é diretamente proporcional à tem-
peratura absoluta. Admite-se que o processo é quase estático, ou seja,
xc) de acordo com a 2! lei de Charles/Gay-Lussac, se suficientemente lento para que o sistema se mante-
a pressão de um gás é mantida constante, o volume nha em equilíbrio térmico com o ambiente, que por
da massa de um gás é inversamente proporcional à sua vez se mantém à temperatura constante. Pode-
temperatura absoluta. -se afumar que o peso total dos grãos de areia colo-
d) a expressão denominada lei dos gases ideais reúne o cados sobre o êmbolo é igual a:
p
conhecimento das leis de Boyle-Mariotte e de Charles/ xa) 3P c) P e) 3
Gay-Lussac, que permite relacionar as variáveis pres- b) 2P d) R.
2
são, volume e temperatura.
6. A transformação ABC de um gás ideal é representada
e) de acordo com o próprio nome, a lei dos gases ide- no diagrama a seguir.
ais não se aplica, precisamente, aos gases reais, mas p (atm)
permite avaliar aproximadamente o comportamento
de todos os gases.
e
8 ---------.
2. Considere que a massa de um gás ideal, quando à '
pressão p e à temperatura T, ocupa um volume V .
Caso o seu volume seja reduzido à metade e a pressão
triplicada, qual será a nova temperatura? r" 1,s T 2 -----•'' A
B
3. A seguir, no diagrama (p X V), estão representadas três
2 5 V (m')
transformações O, II e III) de um gás, considerado ideal.
Relacione as transformações (1, II e ill) às denominações Considerando que a temperatura no estado A é de
(isobárica, isotérmica e isovolumétrica), justificando-as. 127 ºC, calcule a temperatura em ºC nos estados B e C.
Na transfonnação 1,não há alteração devolume. logo T = - 113ºC- T = 367º(
p
é uma transfonnação is0110lumétrica. Na transforma- 7. A tabela a seguir mostra o volume ocupado 'por certa
ção li, não há alteração de temperatura, logo é uma
T transformação isotérmica. massa de gás ideal que varia de volume em função da
~ Pi - - - - - ~1 Na transformação Ili, não há temperatura. 7. b) Como a relação
~ alteração de pressão, logo é a mesma para
.·~ 1 II é uma transfonnação todos os valo-
- isobárica T(K) V (m 3) res da tabela, a
;í:
pressão se man-
P2 ----- T2 tém constante;
m 80 4 sendo assim, a
transformação é
isobárica.
100 5
V

4. Os pneus de um automóvel foram igualmente calibra- 160 8


dos a uma temperatura de 17 ºC. Após uma viagem,
200 10
ao medir novamente a pressão dos pneus, o motorista
notou que ela havia aumentado 20% em relação à ini-
a) Qual a relação entre o volume e a temperatura?
cial. Admitindo que não houve variação de volume, 0,05 m'IK
calcule a nova temperatura dos pneus. 75°C b) Qual é a transformação que o gás está sofrendo?

5. (Vunesp-SP) A Figura I representa um gás perfeito c) Com os dados da tabela esboce o gráfico que rela-
de volume VI' contido num cilindro fechado por um ciona temperatura e volume. Resposta no final do livro.

92 Unidade 4 • Estudo dos gases e Termodinâmica

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Você sabia?

Como alguns fenômenos naturais estão


associados à variação térmica?
A ocorrência de alguns fenômenos naturais como gêiseres, ter-
remotos e vulcões está associada às variações térmicas ocorridas
no subsolo.
Os gêiseres são fontes que liberam água quente em forma de
jatos, por períodos que podem variar de segundos a alguns dias.
A água liberada pode atingir 300 m de altura e, nos casos em que
a temperatura da água é maior que 100 ºC, ocorre a formação de
vapor de água.
O processo de formação de um gêiser depende fundamental-
mente da temperatura do material rochoso e da quantidade de
água. O aquecimento dessa água, em contato com rochas ou lava
vulcânica a elevadas temperaturas, é gradual e ocorre até que ela
atinja um ponto no qual se verifica ebulição muito rápida. Como
a água no interior da Terra se encontra submetida a alta pressão,
a ebulição da água ocorre a valores superiores a 100 ºC. A rápida
ebulição causa uma expansão com aspectos explosivos, ocorrendo
o lançamento da água em jatos para a atmosfera . A repetição desse
processo gera um fenômeno cíclico, que só acontece porque os
espaços deixados pela água, que foi lançada para a superfície, serão Os gêiseres (fontes que liberam água quente na
forma de jatos) são fenômenos razoavelmente
ocupados por outra quant idade de água que se infiltra pelas fendas raros, que se manifestam em poucos locais na
do solo e novamente será aquecida. Terra (Strokkur, Islândia, 2006).

--------------~~------ .. ~
fonte tennal 3
ii!!
]

Esquema geral de um gêiser. Esquema simplificado para formação de um gêiser.


Ilustrações produzidas com base em: Enciclopêdia do Estudante, Ciências da terra e do universo. São Paulo: Moderna, 2008. p. 163.

O fato de esse fenômeno se repetir favoreceu, em alguns locais, como Nova Zelândia e Japão, o aproveita-
mento da energia geotérmica (energia obt ida a partir do calor proven iente do interior da Terra). Algumas usinas
desses países produzem energia à taxa aproxi mada de 20000 kW.

Escreva
Responda no caderno

1. Conforme os dados fornecidos pelo texto, podemos considerar a energia geotérmica uma fonte renovável de
energia? Aenergia geotérmica é proveniente do aquecimento das camadas internas do planeta, podendo ser considerada uma fonte renovável.

2. Q ua1 fienomeno c1'cl'1co menc10na
· d o no texto poss1'bili' ta a u tili'zaçao
- d a energia
. geoterm1ca.
, . ? jatos
O lançamento da água em
com alta pressão possi·
bilita uansformannos essa energia em energiaelétrica, por meio da movimentação de turbinas. OcalOI produzido poderia ser utilizado também para o aquecimento de água.

Capítulo 7 • Componamento térmico dos gases 93

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Experimente a Física no dia a dia Atenção
Faça o experimento
ente na presença
Transformações termodinâmicas com o ar do professor.
Professor, os comEntârios
dessa seção encontram-se
Muitas crianças são fascinadas com os balões de Escreva no Caderno de orientações
no caderno no final deste volume.
gás hélio, que são menos densos que a massa de ar
que deslocam e ficam suspensos por barbantes amar- 1. O que você acha que vai acontecer quando soltar os
rados nas mãos. Esses balões, se soltos ao ar livre, dedos?
sobem pela atmosfera e o gás em seu interior sofre • Solte as aberturas simultaneamente e observe o
transformações de estado. Você sabe dizer o que que acontece.
acontece com a massa de gás no interior do balão • Repita o experimento e observe o que ocorre com
enquanto sobe pela atmosfera? Quais grandezas de as bexigas.
estado variam no trajeto? 2. O que você verificou?
Para ajudar a pensar nas transformações que ovo- 3. Tente explicar o motivo para o que aconteceu no ex-
lume de um gás pode sofrer, sugerimos a realização perimento.
das atividades a seguir.

Passo a passo 2
Materiais
Etapa 2
• 2 bexigas Utilizando as mesmas bexigas, vamos agora
• vela verificar se elas são resistentes ao fogo.
• água • Encha urna bexiga com ar, dê um nó na sua
• fósforos abertura e prenda-a à mangueira.
• copo • Aproxime-a da chama de uma vela. Cuidado,
• 1 pedaço de mangueira (10 cm) faça o experimento somente sob a supervisão
de seu professor.

Passo a passo 1 Escreva


Responda no caderno
Etapa 1
• Encha bastante a primeira bexiga e introduza uma 4. O que você observa?
das extremidades do pedaço de mangueira na aber- • Coloque água no interior da outra bexiga (aproxi-
tura da bexiga, mantendo a abertura fechada com os madamente meio copo), complete com ar e dê um
dedos, para que o ar não escape. nó na sua abertura, prendendo-a à outra extremi-
• Encha a segunda bexiga com pouco ar (o volume dade da mangueira.
deve ser a metade do volume da primeira bexiga) e • Aproxime-a da chama da vela.
introduza a outra ponta do pedaço de mangueira na 5. O que você observa?
abertura da bexiga, mantendo a abertura também
presa com os dedos, para que o ar não escape. O apa- 6. Tente explicar o que aconteceu.
rato deve ficar como mostrado na ilustração abaixo.
i!

1
..,,~ -§
..
V

- -.--~ ~

i
i!
j

Aparato do esquema inicial.


Procedimento experimental da Etapa 2.

94 Unidade 4 • Estudo dos gases e Termodinâmica

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Vimos que a lei geral dos gases determina a relação entre pressão, volume e temperatura de um gás, confo rme
equação na página 91.
Nessa relação não há nenhuma indicação sobre a quantidade de gás presente no sistema. Assim, só podemos
utilizá-la se a quantidade de gás se mantiver constante. Entretanto, podemos ampliar a utilização da equação da
lei geral para que ela se aplique a qualquer massa de gás. Para tanto, vamos analisar a equação de Clapeyron e
recordar alguns conceitos de Química.

• Um mol de uma substância é a quantidade equivalente a 6,023 · 1023 partículas elementares que formam essa
substância. Esse número é uma constante, denominada número de Avogadro.
• A massa molar M de uma substância é a massa de 1 mal das partículas que formam essa substância
expressa em gramas por mal. Por exemplo, a massa molar do gás carbônico, C0 2 , é M = 44 g/mol. Isso
porque C = 12u e O = 16u (u = unidade de massa atômica); logo 12 + 16 · 2 = 44u.
• A quantidade de matéria em mols n de uma massa m de uma substância é expressa pelo quociente: n = ~

Por exemplo, para uma massa de 880 g de gás carbônico (C0 2). podemos determinar a quantidade em mais
presente na amostra pela expressão:
m 880
n =- =- - = 20 mal
M 44
Vimos que tanto nas leis que regem as transformações gasosas, leis de Boyle-Mariotte e Charles/Gay-Lussac,
quanto na lei geral dos gases, os estados pelos quais passa uma quantidade de gás podem ser relacionados entre
si. Para um estado específico, a relação entre as variáveis p, V e T pode ser igualada a uma constante. Essa cons-
tante depende apenas da quantidade do gás, sendo diretamente proporcional ao número de mais. Chamando a
constante de R, podemos reescrever a equação geral dos gases:

p; = constante = nR a; ~ pV = nRT

A consta nte R é denominada constante universal dos gases ideais, e seu valor depende das unidades usadas:
atm · L J
R = 0,082 - - -, ou R = 8,31 - - - (SI).
mal· K mal · K

Exercício resolvido
4, Em um laboratório, há uma quantidade de 20 mols de um gás perfeito que sofre expansão isotérmica. A pressão inicial
dessa massa de gás é de 10 ann e o volume, 8 L. Ao fim da expansão, o volume é de 40 L. Sendo assim, determine:
a) a pressão final da massa de gás;
b) a temperatura em que ocorre a transformação.
Dado: constante universal dos gases:
atm · L
R=0,082 - - -
mol · K

Resolução
a) Pela transformação isotérmica, usando a lei geral b) Para determinar a temperatura em que ocorre a ex-
dos gases: pansão usamos a equação de Clapeyron e os dados do
piV; =pV estado final da transformação:
10·8=40·p pV =nRT

p= 2 atm 2 · 40 = 20 · 0,082 · T
T =48,8K

Capítulo 7 • Componamento térmico dos gases 95

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· · propost os
Exerc1c1os Escreva
no caderno

8. (Enem/MEC) Nos últimos anos, o gás nanual (GNV: 10. Determine a pressão no interior de um recipiente cujo
gás natural veicular) vem sendo utilizado pela frota volume é 16,4 Leque contém 128 g de oxigênio à tem-
de veículos nacional, por ser viável economicamente e perarnra de 27 ºC. Considere a massa molecular do
menos agressivo do ponto de vista ambiental. oxigênio M = 32 g/mol. 6 atm
O quadro compara algumas características do gás na- 11 . Calcule o volume que devem ocupar 10 mols de
um gás perfeito a 127 ºC, para exercer nas paredes de um
tural e da gasolina em condições ambiente.
recipiente uma pressão de 8 atm. 41 L
Densidade Poder calorífico 12. Um gás perfeito com massa molar igual a 20 g/mol
(kg/m3) (kJ/kg) ocupa o volume de 98,4 L sob pressão de 5 atm e tem-
GNV 0,8 50200 peratura de 27 ºC. Calcule:
Gasolina 738 46900 a) o número de mols do gás. 20mols b) a massa do gás.
13. 50 gramas de gás hidrogênio a -13 ºC são coloca~~i
Apesar das vantagens no uso de GNV, sua utilização num recipiente de paredes rígidas cujo volume é de
implica algumas adaptações técnicas, pois, em condi- 20 L. Supondo que o hidrogênio se comporta como
ções ambiente, o volume de combustível necessário, um gás perfeito, calcule a pressão exercida por ele.
em relação ao de gasolina, para produzir a mesma Considere: a massa molar do hidrogênio igual a 2 !!.
energia, seria 26,65 alín

a) muito maior, o que requer um motor muito mais Para os exercícios a seguir, considere R = 8,31 J
mol · K
potente.
14. Define-se molde uma substância como a quantida-
x b) muito maior, o que requer que ele seja armazenado de equivalente a 6,023 · 1023 moléculas que formam
a alta pressão. uma substância. Calcule o número de moléculas de
c) igual, mas sua potência será muito menor. um gás perfeito a 227 ºC contido num recipiente de
d) muito menor, o que torna o veículo menos eficiente. 4,0 L e pressão de 1,0 · 105 Pa. == 5,8 · 1(Jll moléculas.
e) muito menor, o que facilita sua dispersão para a
atmosfera. 15. Para não correr riscos no setor de produção, uma in-
dústria de refrigeração mantém reservas de oxigênio
9. Um recipiente com dilatação desprezível possui capa- gasoso. Um dos reservatórios, cujo volume é 0,16 m3,
cidade de 40 L e contém uma massa de gás oxigênio contém 512 g de 0 2 à pressão de 2 · 105 N/ m2 . Nessas
a 127 ºC e 8,2 atm de pressão. Calcule a massa de gás condições, determine:
contida no recipiente.
a) a quantidade de matéria, em mols de 0 2' contida
Dado: M0 = 32 g/mol. 320 g no reservatório; 16 mols
2

atm · L b) a temperatura absoluta do oxigênio no interior do


Para os exercícios a seguir, considere R = 0,082 - - -
mol · K reservatório. 240 K

Quando calibrar os pneus?


Manter a pressão recomendada pelo fabricante dos pneus é garantia do
melhor desempenho e da durabilidade deles, além de ser essencial para a se-
gurança do veículo e das pessoas que estão em seu interior. No caso de a pres-
são estar abaixo da recomendada, ocorre redução da durabilidade do pneu e
aumento do consumo de combustível e do risco de acidentes. No caso de alta
Calibragem de pneu.
pressão, a área de contato do pneu com o solo d iminui, reduzindo a aderência
do pneu e a estabilidade, especialmente nas curvas. Nessa condição, em casos de frenagem de emergência, o
risco de acidentes é maior.

Escreva O atrito entre as su~rfícies do pneu e do piso causa o aqueámenlo do pneu e o aumento de sua pressão intema.
Responda no caderno Se a calibração for feita nessa condição, ao esfriar, o pneu terá a pressão abaixo da calibrada inicialmente.

1. Os manuais de orientação para a calibragem dos pneus recomendam que o usuário não calibre os pneus após o
veículo ter percorrido um longo percurso. Explique o motivo para que essa orientação seja dada.

96 Unidade 4 • Estudo dos gases e Termodinâmica

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Como vimos, as leis apresentadas que caracterizam o estado de um gás
foram obtidas de forma empírica, ou seja, baseadas fortemente na real ização
de experimentos. É interessante observar também que essas leis relacionam
variáveis macroscópicas, isto é, é possível determinar o comportamento do gás
sem saber de fato o comportamento das partículas que o compõem.
Foi com base na teoria cinética dos gases, elaborada posteriormente, que
houve uma descrição do comportament o microscópico do gás relacionada com
as grandezas macroscópicas. Pode-se dizer que foi o início da teoria atômica da
matéria e da Mecânica Estatística.
A teoria cinética dos gases estuda o comportamento das partículas do gás
aplicando as leis da Mecânica ao seu movimento e justifi cando a p ressão, a
temperatura e o volume do gás. Por ter um caráter estatístico, é necessário
que o sistema considerado seja constituído de um número suficientemente
grande de partículas. Assim, em vez de tentar determina r o valor da velocidade
de cada partícula, lembrando que as partículas podem apresentar diferentes
velocidades, def inem-se os valores médios dessa grandeza.

~ Relação da pressão e da temperatura com


a energia cinética média de um gás
Para chegar a uma expressão que represente a relação entre a pressão e a
energia cinética média das partículas, vamos considerar o modelo teórico de gás
ideal composto de moléculas. Considerando um recipiente sob volume fixo, a
pressão de uma massa de gás depende somente da temperatura, ou seja, da
energia cinética média das moléculas.
Sabemos que a pressão pode ser determinada pela razão entre a força F
exercida pelo conjunto das moléculas que colidem com as paredes do
recipiente e a área A de uma dessas paredes.
Considere um recipiente cúbico em que temos a representação do
choque elástico de uma molécula do gás com uma das paredes do reci-
piente cúbico de aresta a e volume V.
Considerando que o deslocamento da molécula ocorre na direção x,
ou seja, perpendicular à parede com a qual se choca, a variação da quan- o X

tidade de movimento será: tij_ = ti5_ - ti5_


X X final X inicial y
O módulo da variação da quantidade de movimento dessa partícu la
de massa m e a velocidade vx (ou -v) na direção x, para a colisão elás-
tica, é:
.1.Q
X
= m(-v ) -
X
(mv)
X
=- mv - mv =>~Q
X X Xpanfcula
= -2mv
X

Nessa colisão, se a molécula variou sua quantidade de movimento de ~ --- - -i" ~ '/
- 2mvx, a quantidade de movimento transferida para a parede do reci- -- -:,. ,,-
piente pela col isão é 2mv,, ou seja:
~o "Parede
= 2mvx n

A força que a molécula aplica sobre a parede pode ser obtida pelo
teorema do impulso, que a relaciona com a variação da quantidade de
movimento e o intervalo de tempo durante a col isão, em módulo:

= ~Q·, F~t = .1.Q => F = ~Q Representação de particula movendo-se na direção x e


.1.t colidindo com uma das faces do rec.ipiente.

Capítulo 7 • Componamento térmico dos gases 97

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Entretanto, esse intervalo de tempo é extremamente pequeno e desprezí-
vel. Para contornar esse problema, em vez de usar a força de interação entre
a molécu la e a parede do recipiente, vamos utilizar uma força média (F), de
intensidade menor, que atua em um intervalo de tempo .ó.t' maior, produzindo
a mesma variação da quantidade de movimento.

F = t,,.Q G)
At'
Vamos supor que esse novo intervalo de tempo para determinada força mé-
dia é tal que equivale ao intervalo de tempo gasto durante o percurso contrá rio,
da parede direita para a parede esquerda:
t,,.s a
V= - - => t,,.t = - -
M vx
Após bater na parede esquerda, a velocidade da molécu la terá sentido opos-
to, voltando novamente para a parede direita. Dessa forma, o tempo de ida e
volta será:

.M ' = _Q_ (V
Vx

Com isso, podemos escrever a força média que atua sobre a parede do re-
cipiente com as equações G) e (V:

F_ t,,.Q _ 2m Vx _ mv~
- M' - ~ - - a-
vx
A força média resultante FR, apli cada à parede, pelas N moléculas que
constituem o gás é dada por:

- -_ -m ( Vx2+
FR Vx
2+ .. . + Vx 2) => -FR -_ N · -m · 2Vx
a 1 2 N a
Então, a pressão sobre as paredes do recipiente devido à colisão das molécu-
las pode ser obtida da seguinte maneira:
N_.!!!._v 2
F a X
= Nm ~X
p=-R =
A ª2 ª3
Considerando que a2 é a área da parede e a3 o volume do recipiente, temos:

Nmv2
p= - --
x
V
Como as moléculas se deslocam desordenadamente em todas as direções,
temos:

Admit indo as igualdades dos valores médios das velocidades nas três direções:

- - 1v2 -
v2 = 3v 2X => -3- = v2X

Portant o, temos a pressã o:

p = _!_ Nmv2
3 V
®

em que o produto N · m é a massa total do gás.

98 Unidade 4 • Estudo dos gases e Termodinâmica

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Para obter a energia cinética média de um gás E,, vamos relacionar duas
equações: a que descreve a pressão relacionada ao volume e às grandezas mi-
croscópicas ® e a equação de Clapeyron.
Multiplicando os termos da equação® pelo volume V, podemos escrever que:

pV = J_Nmv 2
3
E, pela equação de Clapeyron, sabemos que: pV = nRT
Igualando-se as duas equações e dividindo-se ambos os membros por 2, obtemos:

1 Nm v 2 = nRT
3 2 2
M as o termo d a esquerd a, -Nmv 2 · ' f 1ca me' d.1a d o gas.
'
- -, e• a energia
2
· cme

Assim, a expressão acima pode ser reescrita da segu inte maneira:

~ E,= ; nRT ]@
Como 1 mal de gás corresponde ao número de Avogadro, A = 6,023 · 1023,
para n mais temos N moléculas, dadas pelo produto: N = nA

Portanto, para obter a energia cinét ica média por molécula e,, temos de divi-
dir ambos os lados da equação@) por N:

3
E - nRT
ec = --ff- = ~\-A
~- = ; -1-T
A fração constante 1 é denominada constante de Boltzmann (k).

Logo, podemos escrever para a energia cinética média por molécula:

Esse resultado mostra que, para qualquer gás perfeito, a energia cinética das
moléculas depende apenas da temperatu ra.
Segundo as unidades de medida do SI, a constante de Boltzmann vale apro-
ximadamente k = 1,38 · 10- 23 J/K.
Para saber a velocidade média das moléculas, podemos substituir a expressão
v
da energia cinética da equação~ e isolar o termo 2 . Assim, temos:

e m~
=- - = -32 kT ~
-2
v = 3-kT- ~ v_ =~
3-T
-
e 2 m m

Substituindo a constante de Boltzmann pela razão 1 e a massa da molécula

pela razão ~ , em que M é a massa molar do gás, escrevemos essa última ex-
pressão como:

V=J3 ~ l
Dessa última expressão conseguimos obter a velocidade média das moléculas
que compõem o gás somente em função da temperatura . Note que é a relação de
uma grandeza macroscópica com outra microscópica.

Capítulo 7 • Componamento térmico dos gases 99

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Exercícios resolvidos

5 Um recipiente contém 100 g de H2, à temperatura c) o número de moléculas no tanque;


de 27 ºC. Calcule: d) a energia cinética do gás.
a) a energia cinética média das moléculas do gás; Dados: massa molar do C02 = 12 + 2 · 16 =
b) a velocidade média das moléculas. = 44 g/mol; R = 8,31 J/K · mol.
Dados·. k = 1 ' 38 · 10-2:i J/K·' MH2 = 2 g/mol·.,
N A = 6,02. 1023 •
Resolução

Resolução _ [RT
a) Como v = ~3 M, temos:
a) A energia cinética média é dada por:
3
e= - kT
e 2
- 3 · 8,31 · 300 = ~1,7. 105 =
3
e = - · 1 38 · 10- 23 • 300
v=
e 2 ' 0,044

ee = 6, 21 · 10- 21 J = 4,1 · 102 m/s

b) A massa m de uma molécula de H2 é: b) A pressão é dada por:

MH 2 1 Nmv 2
m= - -2- =--- -- = 3,3 · 10-24 g P=3--V-
NA 6,023 · 10 23
m = 3,3 · 10- kg 27 p = -3l · -
0,176 ·l,7 · 105
----- ~p = 2,5 · 105 N/ m2
0,040

v=Pf! c) A quantidade de matéria é dada por:

3 · 1,38 · 10-23 • 300 n = ~ = 176 = 4 m ols


v= M 44
3,3 · 10-21
Número de partículas:
v = 1,9 · 10 3 rn/s
N = nA = 4 · 6,02 · 1023 = 2,4 · 1024 moléculas
• Um tanque contém uma massa de 176 g de C02 a uma
temperatura de 27 ºC. Sendo o volume do tanque d)A energia cinética é dada por:
igual a 0,040 m3, calcule: 3
E= -nRT
e 2
a) a velocidade média de suas moléculas; 3
b) a pressão sobre as paredes do tanque; Ee = -2 · 4 · 8 ' 31 · 300 ~ Ee= 1, 4 · 104 J

• ·
Exerc1c1os propost os Esueva
no caderno

16. As moléculas de um gás se apresentam em agitação b) Numa amostra gasosa, quanto maior for a tempera-
constante. Contudo, a velocidade das moléculas é di- tura, maior será a energia cinética média das molécu-
ferente, ou seja, elas sofrem variações ao colidir umas las que a constituem.
com as outras ou com o recipiente. Assim, embora to- c) Numa amostra gasosa, quanto maior for a tempera-
das as moléculas de um gás tenham a mesma massa, tura, maior será a agitação das moléculas que a cons-
sua energia cinética é diferente. Esse raciocínio nos tituem.
leva à ideia de energia cinética média das moléculas
d) A energia cinética média das moléculas que consti-
que constituem a amostra gasosa. A respeito desse tuem um gás é diretamente proporcional à temperatu-
conceito, julgue as afirmações a seguir e verifique se ra absoluta desse gás.
elas estão corretas: Todas as alternativas estão corretas.
e) Considerando que o valor da constante de Boltz-
a) Numa amostra gasosa, a energia cinética média é mann (k) independe do gás em estudo, o valor da
a média aritmética das energias cinéticas de todas as energia cinética média das moléculas que constituem
moléculas que constituem a amostra. um gás depende apenas da temperatura desse gás.

100 Unidad e 4 • Estudo dos gases e Termodinâmica

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17. (Unama-PA) A respeito da energia cinética média por constante universal dos gases perfeitos:
molécula de um gás perfeito, podemos afirmar que: J
R= 8 •3 K·mol
a) depende exclusivamente da temperatura e da na-
19. Um gás ideal tem sua massa aquecida de 127 ºC para
tureza do gás.
427 ºC. Determine a razão entre as energias cinéticas
b) depende exclusivamente da temperatura e da pres-
médias por molécula nas temperaturas final e irúcial. 1. 75
são do gás.
c) não depende da natureza do gás, mas exclusiva- 20. A velocidade média das moléculas de um gás ideal
mente da pressão. contido num recipiente é 8,5 · 102 m/s. Calcule a que
xd)depende exclusivamente da temperatura, não de- temperatura esse gás está. ==231,BK
pendendo da natureza do gás. Dados: k = 1,38 · 10- 23 J/K; M = 8 g/mol;
e) depende exclusivamente do volume do gás, qual- NA= 6,023.1023
quer que seja sua natureza. 21 . Um recipiente contém 352 g de C02, a uma tempera-
18. Um mo! de hidrogênio está sob temperatura de 127ºC. tura de 127 ºC. Determine:
Calcular: a) a massa molecular do C02 ; 44glmol
a) a velocidade média das moléculas; == 2.2 · 10' m/s b) a quantidade de matéria; 8 mols
b) a energia cinética do gás. .. s · 10' J c) a velocidade média de suas moléculas; = 476 m/s
Dados: d)a energia cinética do gás; 39 840J
Massa da molécula de hidrogênio: e) a energia cinética média por molécula; 8,28 · 10- " J
m = 3,32 · 10-27 kg; k = 1,38 · 10- 23 J/K; f) o número de moléculas. 4,82 · lO'' moléculas

Você sabia?

O gás natural veicular e o ambiente


Nos últimos anos, a frota brasileira de automóveis aumentou con-
sideravelmente. Esse fato provocou maior utilização do gás natural
veicular (GNV) como combustível. O GNV é uma alternativa econo-
micamente viável, e sua utilização, em relação a outros combustíveis,
causa menos danos ambientais, pois emite menos gases poluentes
como óxidos nitrosos, dióxido de carbono e, principalmente, monó- Automóvel equipado para o uso do GNV.
xido de carbono. Consequentemente, o GNV aj uda a baixar os níveis
de poluição e, portanto, colabora para que a qual idade de vida, principalmente das grandes cidades, seja
melhor. O governo brasileiro tem incentivado o uso do GNV como combustível, mas o custo de adaptação dos
veículos ainda é considerado relativamente caro, entre R$ 2 000,00 e R$ 3 500,00.
O gás natural é usado para abastecer residências, estabelecimentos comerciais, postos de combustíveis,
indústrias e usinas de geração de energia elétrica, as termelétricas . O GNV é um tipo de gás natural acumu-
lado em rochas no subsolo associadas à existência de petróleo. Por ser mais leve que o ar (cerca de metade
do seu peso), em caso de vazamento o gás natural se dissipa rapidamente.
O GNV não deve ser confundido com o GLP, gás liquefeito do petróleo utilizado nos botijões de cozinha,
que é uma mistura de hidrocarbonetos a partir de processos de refi nação do petróleo. No caso do GLP, o gás
é mais pesado do que o ar e, se houver vazamento, ele tende a se acumular próximo do chão.

Escreva Os entrevistados podem dizer que o GNV não deve~ adulterado, é menos poluente, redui o custo de manutenção e
Atividades no caderno apresenta menor consumo. pois com um metro cubioo de gás é possível rodar mais quilômetros do que com um litJo de
gasolina ou álcool.
1. Com seus colegas, entreviste proprietários de veículos para levantar dados sobre o conhecimento deles a respeito
do GNV. Procure descobrir, por exemplo, quantos possuem carros adaptados a esse combustível e se eles têm
conhecimentos da economia financeira e do impacto ambiental do uso desse combustível.
2. Especialistas afirmam que o uso do GNV é particularmente econômico para proprietários de veículos que tra-
fegam mais de 1000 km por mês. Por essa razão, o uso desse combustível é bem disseminado entre taxistas.
Procure um taxista que atenda o seu bairro e faça uma entrevista com ele para averiguar as vantagens e as des-
vantagens do uso desse gás.

Capítulo 7 • Componamento térmico dos gases 101

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O advento dos motores de combustão e outras máquinas térmicas somente
foi possível com o aprofundamento dos estudos na área da Termodinâm ica. As
máquinas térmicas têm seu funcionamento explicado com base no princípio de
que o calor é energ ia e, assim, pode ser convertido em trabalho.
A Termodinâmica trata das relações entre calor e traba lho produzidos em
processos físicos nos quais um sistema não isolado interage com o meio exter-
no. Dessa forma, o calor pode ser convertido em trabalho e o trabalho pode se
t ransformar em calor.
Nas primeiras máquinas a vapor, a queima de um combustível (carvão,
usualmente) gerava calor que aquecia e vaporizava determinada massa de
água. O vapor acionava uma turbina que poderia produzir movimento ou ener-
gia elétrica. Atualmente, nos automóveis, o motor de combustão é um exem-
plo de máquina térm ica, na qual a rápida expansão dos gases, após a explosão,
movimenta pistões que transm item movimento para o carro.
Para analisar o trabalho numa transformação gasosa, vamos estudar a se-
guinte situação. Suponha um cilindro contendo uma quantidade de gás que
possui um êmbolo com movimento livre e sobre o qual há um corpo de massa m.
A pressão sobre o gás, que é a pressão atmosférica mais a pressão por causa do
Carro.
peso do corpo, é sempre constante, visto que nenhuma delas se altera.

Podemos dizer que tanto m


as locomotivas como os
automóveis utilizam a m
m d
energia térmica para obter
energia cinética? Como é Q
feita essa transformação
de energia?
Estado 1. Aquecimento. Estado 2.
Professor, os comentários dessa seção encon-
tram-se no Caderno de orientações no final
deste volume.
Nessas condições, vamos considerar uma transformação sofrida pelo gás,
que inicialmente se encontra com uma pressão p, um volume V, e uma tem-
peratura T,.
O processo se inicia com uma fonte térm ica fornecendo calor ao cilind ro e
provocando a expansão do gás e o deslocamento d do êmbolo. Portanto, te-
mos variação de t emperatura e de volume para os valores T 2 e V 2 , com pressão
constante p.
Lembrando que o traba lho e a pressão se relacionam com a força pelas
seguintes equações:
F
õ = Fd e p= -
A

102 Unidad e 4 • Estudo dos gases e Termodinâmica

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Podemos determinar o trabalho 0 realizado para levar o sistema do estado
1 (p, V 1, T) para o estado 2 (p, T2 , V2), sob pressão constante:

~ = Fd = pAd => E 15 = pOV = p{V, - V,) J


em que o volume V é dado pelo produto A· d.
Analisando a expressão acima, podemos obter conclusões a respeito do sinal
do traba lho.
Quando um gás sofre expansão, o volume final V2 será sempre maior que o
volume inicial V,. Nesse caso, tanto a diferença tN =V 2 - V, como o trabalho 0
serão grandezas positivas.
v2 > v 1 ~ /j,v > o~ e;> o

Se o gás sofre compressão, o volume f inal V2 será menor que o volume inicial V,.
p
Nessa situação, a diferença tN = V2 - V 1 e o trabalho 0 serão grandezas negativas.
p
V2 < V, ~ /j,V < O~ e',< O
1
1
Quando ocorre expansão (aumento de volume do gás), consideramos que o gás
1 1e; 1
realizou trabalho (positivo). Quando há compressão (diminuição do volume), consi- 1
1
deramos que um trabalho (negativo) foi realizado sobre o volume de gás. Se não há 1

alteração no volume (sem deslocamento do pistão), não haverá trabalho realizado. o v, V2


Outra forma de obter o valor do trabalho realizado pelo ou sobre o gás é com âV
o auxílio do gráfico da pressão em função do volume de um gás, conhecido tam- Gráfico 1.
bém como diagrama de trabalho. A área sob a curva (p x V) é numericamente
igual ao trabalho realizado. p

~1
J 1
1
1
1
1

No Gráfico 1, a área do retângulo, colorida de azul, nos fornece o módulo


: 1i 1 1
1
1
do trabalho, considerando a pressã o sempre constante. Em caso de variação de 1

pressão, Gráfico 2, o trabalho realizado corresponderá à área colorida de laranj a, o V


cujo valor numérico pode ser obtido por meio do cálculo integral, que é estudado
somente no Ensino Superior. Gráfico 2.

O sinal do trabalho pode ser determinado pela compressão ou expansão do gás.

Exercícios resolvidos

1 Um gás, sob pressão de 1 atm, ocupa um volume de p = 1 atm


600 cm3 a 27 ºC. Ele sofre uma transformação a pres-
são constante e sua temperatura alcança 127 ºC. Cal- p = 1 atm
! 127ºC
cule o trabalho realizado pelo gás.
27 ºC -
! 2

Resolução

Pelos dados, temos que:


p = 1 atm = 1,013 · 105 N/ m 2
V1 = 600 cm3 = 6,0 · 10-4 m3
VT 6,0 -10- 4 • 400
V = - 1 2
- - = ~ - - - - - => V2 = 8,0 · 10-4 m 3
T1 = 27 + 273 = 300 K 2 T1 300
T2 = 127 + 273 = 400 K
Portanto,
V1 V2
Como T :aa: T , temos: 0 = p 0/2 - V1) :aa: 1,013 · 105 · (8,0 · 10-4 - 6,0 · 10-4 )
1 2
0= 20J

Capítulo 8 • As leis da Termodinâmica e as máquinas térmicas 103

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Um recipiente é preenchido por 0,5 molde um gás considerado ideal. Enquanto a temperanira
está a 300 K, o sistema permanece em equilibrio. O êmbolo que está acima do recipiente possui
massa me pode deslizar livre do atrito. A base do cilindro é circular e sua área mede 400 cm2 •
Quando o recipiente está preenchido pelo gás, a altura da base ao êmbolo vale h = 15 cm.

Considerando R = 8 3 J g = 10 rn/s 2 e p = 1 O· 10s li.2 determine:


' mol · K' atm ' m '
a) em quilogramas, o valor de m;
b)o trabalho realizado pelo gás (considerando que a transformação é isobárica), caso sua
temperatura seja elevada lentamente até 480 K.

Resolução

a) Vamos inicialmente determinar o volume ocupado pelo gás dentro do recipiente:


V= ""'º · h::::} V = 4 · 10- 2 • 0,15::::} V= 6,0 · 10-3 m 3
A pressão exercida na massa m é a pressão atmosférica mais a pressão exercida pela massa no êmbolo:

F IO · m
Pêmbolo = A = 4 . 10-2
Usando a equação de Clapeyron:

PV = nRT::::} (patm + p.em001o) • V = nRT::::} [(1' O· 105 ) + ( 410· 10-2


· m )] · 6 O· 10-3 = O 5 · 8 3 · 300 ::::} m = 4,3 · 102 kg
, ' '

b) Como a transformação é isobárica, vamos usar a lei geral dos gases para determinar o trabalho realizado:

Õ = P ' t,.V::::} Õ = (patm + Pêmbo1) · A · (hfinal - h)::::} Õ = (2,1 · 105) • (4,0 · I0-2) · (0,24 - 0,15)::::} Õ = 756 J

• ·
Exerc1c1os propost 05 Escreva
no cadern

1. Um gás sofre uma transformação isovolumétrica ao são constante e se considerarmos a constante uni-
receber calor do meio externo. Qual foi o trabalho
, ? O trabalho é nulo, pois não ocorreu variação em versal dos gases R = 8,3 ~ , qual será o traba-
realiza do pe1o gas . seu volume. mo ·K
lho realizado pelo gás? 2,49 · 10' J
2. Um gás está confinado em um recipiente cuja tampa
5. O gráfico a seguir representa a compressão isobárica
consiste de um êmbolo móvel em equilibrio. Sobre o
exercida por um pistão sobre determinada quantidade
êmbolo é colocado um bloco que o força para baixo,
de um gás ideal, contido no interior de um recipien-
comprimindo o gás. Em seguida, o gás é aquecido de
maneira que o êmbolo volta a subir até a altura ini- te cilíndrico de paredes rígidas, mas com pistão
cial. Determine o sinal do trabalho realizado nos dois móvel.
. Quando o gás é complimido, seu volume diminui, Sabendo que o pistão se desloca 0,15 m na vertical,
processos descritos. caracteiizando um trabalho realizado sobre o aás·
portanto, de sinal negativo.Ao ser aquecido, o gás se expande, realizando trabalho posjtívo'. determine:
3. Em um recipiente de formato cilíndrico e fechado por
um êmbolo móvel, está contido um gás ideal que é p (105 N/m')
mantido sob pressão de 2,5 N/m2 • Durante um pro-
cesso isobárico, esse gás tem sua temperatura dimi-
N M
nuída de 323 ºC para 25 ºC. Determine o trabalho 3
realizado sobre o gás sabendo que o seu volume final
é 0,25 m 3 • - 0,625 J
1 4 V (l(rl m')
4. Durante uma experiência, 3 mols de moléculas 90J
de um gás ideal têm sua temperatura alterada de a) O módulo do trabalho realizado no trecho MN.
50 K para 150 K. Se o sistema for mantido sob pres- b) A intensidade da força que o gás exerce no pistão.
600 N

104 Unidade 4 • Estudo dos gases e Termodinâmica

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6. (Udesc-SC) O gráfico abaixo (p X V) representa as d) No trecho BC o ambiente realiza trabalho
transformações de um sistema termodinâmico. Con- sobre o sistema i:\c = 2,0 · 106 J.
sidere o trabaJho realizado nos trechosAB, BC e CD e x e) No trecho AB o sistema realiza trabalho sobre o
assinale a alternativa CORRETA. ambiente 0AB = 8,0 · 106J.

p (106 Pa)
7. As transformações ocorridas em um sistema termodi-
nâmico estão representadas no gráfico a seguir. Con-
8,0
sidere as informações contidas no diagrama e deter-
6,0 mine o trabalho realizado:
4,0 P c10• PaJ
2,0

o 1,0 2,0 3,0


8,0
------- ·----
L M

4,0 ------- --------:------- N


a) No trecho CD o sistema realiza trabaJho sobre o 1

ambiente <\ 0 = 2,0 · 106 J. '

b)No trecho AB o ambiente realiza trabaJho


sobre o sistema 1\8 = 8,0 · 106 J. 2,0 3,0 4,0 V (m 3)

c) No trecho AB o sistema realiza trabaJho sobre o a) No trecho LM. 0"' = s.o - 10' J
ambiente 0AB = 6,0 · 106 J. b)No trechoMN. u... = 6,0 · 10' J

,1., ua,~,n rnsaor•i Vi1:,,,,~nt1 ·12, rns·a____


Simplificadamente, podemos pensar que, para um gás composto de moléculas v
com um único átomo, a variação de temperatura do gás acarreta na variação da ve- Representação de uma molécula
locidade e da energia cinética das partículas constituintes do gás, chamada energia de gás monoatômico. A ilustração
indica a energia cinética de
cinética de translação. Nesse caso, não há energia cinética de rotação e vibração translação da molécula.
nem energia de interação ent re os átomos, pois as partículas são formadas por um
átomo apenas. Para os gases formados com moléculas de mais de um átomo, a
variação da temperatura provoca, além da variação da energia cinética (nesse caso
de translação, rotação e vibração), a variação da energia de interação dos átomos.
Para conseguirmos quantificar como ocorrem essas t ransformações, defini-
mos a grandeza energia interna de um sistema ou gás como a soma das ener-
gias cinéticas (translação, rotação e vibração) e da energ ia de interação entre
Figura 1.
os átomos. Essa energia de interação se origina das energias potenciais elétricas v
que ligam os átomos entre si.
Vamos considerar apenas o caso mais simples, que é o gás perfeito monoatô-
mico, em que a energia interna é diretamente proporcional à temperatu ra do gás
e dada por:

Figura 2.

Para os gases reais, embora a expressão da energia interna seja muito com-
plicada, ela mantém uma relação direta com a temperatura. Isso quer dizer que,
se a temperatura de um gás aumenta, a energia interna também aumenta. De
maneira contrária, se a temperatura diminui, a energia interna também diminui e,
por fim, se não houver variação de temperatura, a energia interna do gás também
se mantém constante. Figura 3.

Para sistemas não gasosos, há situações em que a energia interna de um siste- Representação de uma molécula de
ma varia, mas a temperatura permanece constante durante o processo, como nas gás diatômico. Em (1) está indicada
a energia cinética de translação, em
mudanças de estado físico. Vale lembrar que nesses processos uma substância, (2) a energia de rotação e em (3), a
sob pressão constante, recebe ou perde calor sem que sua temperatura varie. de vibração.

Capítulo 8 • As leis da Termodinâmica e as máquinas térmicas 105

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Exercício resolvido
"'
3 Considere a constante universal dos gases ideais 3
"' J . u = 2 4 . 8,3 . (273 + 60)
R = 8,3 - -1- e avalie o comportamento de 4 mols
mo ·K u = 1,66 . 10 J 4

de um gás ideal para os seguintes casos:


a) Qual a energia interna dessa quantidade de gás b)Neste caso o gás é submetido a uma variação de
caso seja mantido a 60 ºC? temperatura t.T. Nessa situação a variação da energia
b) Qual a variação da energia interna dessa quantidade interna t.U é obtida por:
de gás, caso a temperatura aumente até 120 ºC? 3
c) O que ocorre com a energia interna dessa quanti- t.U = - nMT
2
dade de gás, caso a temperatura diminua? 3
t.U = 2 4 · 8,3 · (393 - 333)

Resolução t.U = 3 · 102 1


a) Como a temperatura se mantém constante:
c) Caso o gás seja submetido à diminuição de tempe-
3
U= 2 nRT ratura, a energia interna também diminuirá.

· ·
Exerc1c1os propost os Escreva
no cadern

8. Avalie o comportamento de 2 mols de um gás ideal, 10. Seis mols de um gás ideal e monoatômico, quando
nos itens descritos a seguir. Considere a constante submetido a determinada variação de temperatura
.
umversa 1dos gases 1"deais
. R = 8,3 - -
J -. t.T, passa do estado M para o estado N , conforme o
mol·K gráfico. Use as informações do gráfico, considere a
a) Qual a variação da energia interna dessa quanti-
constante universal dos gases ideais R = 8,3 _ _J_
dade de gás, caso a temperatura varie de 55 ºC até mol·K
110 ºC ? = 1,37 · 10' J e determine:

b) Qual a energia interna dessa quantidade de gás


p (104 N/ m')
caso ele seja mantido a 55 ºC? =s.17 · 10' J
M
c) Qual a energia interna dessa quantidade de gás 5 -------
caso seja mantido a 110 ºC? = 9,54 · 101 J
4

9. No gráfico a seguir está representada a variação do vo-


3 -------~------- N
lume de 1 molde um gás ideal, quando submetido a um
aquecimento numa transformação isobárica. Considere
2
1-
a constante universal dos gases ideais R = 8,3 - -
mol · K 1
e determine:

p (106 N/ m2)
4 ,0 -------- - - - 0, 1 0,2 0,3 0,4 V (m')

a) a variação de temperatura durante essa transfor-


mação; =40K
6 12 V (10"" m')
b)a variação da energia interna do gás durante a
transformação; 3,0 · 10' J
a) O trabalho mecânico realizado pelo gás. 2.4 . 10' J
b) Durante esse processo, a variação da energia inter- c) o trabalho realizado pelo gás ao passar do estado
na do gás. "' 3,6 · Hl' J M para o estado N. 8,0 · 101 J

106 Unidad e 4 • Estudo dos gases e Termodinâmica

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fi:h1,,t41Eiffi:di4i,,t·i·l@i,,itf a ______
A primeira lei da Termodinâmica constitui-se no princípio da conservação de
energia. Isso significa que o valor da energia de um sistema é constante, não
podendo ser criada ou destruída, apenas transformada. Assim, se uma máqui-
na térmica receber, por exemplo, 20 J de energia elétrica, parte será transfor-
mada em calor e parte em energia mecânica. A soma das energias térmica e
mecânica será 20 J.
Apesar de vál ida para qualquer
sistema, vamos aplicá-la ao estudo do
comportamento dos gases ideais.
Para tentar expressar como se dá
essa relação entre as grandezas ci-
tadas, podemos pensar em como é
possível aumentar a energia interna
de um sistema .
Existem maneiras de aumentar a
temperatura e a energia interna do
gás contido no recipiente. Natura l-
mente, a pri meira ideia é aquecer o
gás, ou seja, fazer que ele receba ca-
Na compressão de um gás, em geral,
lor do ambiente. A segunda, e menos há o aumento da t emperatura e da
óbvia, é realizar trabalho sobre o gás, por exemplo, em uma compressão. Esses energia int erna do gás.
exemplos náo sáo absolutos, isto é, pode haver casos em que a compressáo
náo leva a um aumento da temperatura, mas eles nos ajudam a notar que exis-
te uma relação entre as grandezas.
Da mesma forma, podemos pensar sobre o que ocorre quando fornecemos
uma quantidade de energia em forma de calor a um sistema. Temos que parte
dessa energia pode ser t ransformada em trabalho, fazendo o gás expandir, e
parte é absorvida e convertida em energia interna.
Dos exemplos anteriores, obtidos de forma experimental, verificou-se que
a energia interna de um gás, o trabalho realizado ou sofrido por ele e o calor
trocado com o ambiente estáa interconectados e que a expressão que os rela-
ciona é a seguinte:

ou f Qa,1u+~ J
Essa é a primeira lei da Termodinâmica e nela está implícita a seguinte
convençáo de sinais:

~ AU > O : a energia interna do sistema aumenta.


AU = O : a energia interna do sistema não varia, mantém-se constante (isotérmica).
AU < O: a energia interna do sistema diminui.
Q > O : o sistema recebe calor do ambiente.
Q = O : o sistema não troca calor com o ambiente (chamado de adiabático).
Q < O : o sistema cede calor para o ambiente.
é, > O : trabalho realizado pelo sistema (expansão do gás).
e; = O : não há trabalho realizado nem pelo sistema nem pelo ambiente (isovolumétrico).
é, < O: trabalho realizado pelo ambiente sobre o sistema (compressão do gás).

Capítulo 8 • As leis da Termodinâmica e as máquinas térmicas 107

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No capítulo anterior, vimos três transformações gasosas nas quais pelo menos
uma das três variáveis de estado (pressão, volume ou temperatura) se mantinha
constante durante o processo. Na ocasião, analisamos somente o comporta-
mento dessas variáveis. Agora, além de retomar as mesmas transformações
do ponto de vista da energia, vamos estudar uma quarta transformação, que
recebe o nome de adiabática.

~ Transformação isotérmica
(temperatura constante)
Nesse tipo de transformação, por definição, a temperatura não varia; logo,
ôT =O.Como a energia interna depende da temperatura, podemos afirmar que
nesse tipo de transformação a energia interna do sistema também se mantém
constante.
Assim, de acordo com a expressão da primeira lei da Termodinâmica, po-
demos concluir que, para as transformações isotérmicas, todo o calor trocado
p ''
entre o sistema e o ambiente é convertido em trabalho.
P, _\i \ T, > T,
ôU =Q - 0

P, - - - -
: ~ ~T,
l--------- ~
1
'
T ' , - .} isot ermas
1
:
- --
EQ~ ~ 1

o v, v, V
A curva no diagrama p x V, na qual a temperatura se mantém constante, é
denominada isoterma.

~ Transformação isovolumétrica
(volume constante)
Na transformação isovolumétrica, o volume permanece constante, ôV = O.
Portanto, o trabalho realizado (tanto pelo sistema como pelo ambiente) tam-
bém será nulo, e:; = O. Se aplicarmos a primeira lei da Termodinâmica para essa
transformação, verificaremos que a energia interna do sistema é igual ao ca lor
p trocado com o ambiente durante a transformação.
' \, T2> T1
ôU =Q - 0
---------~}' -' -----!'
'' ôU =Q - O

E
''
'
---------- ' ',._ T
1 - - __ _1 .iU=Q '
''
o v, V
Na curva do diagrama p x V, podemos observar que o gás mantém o mesmo
volume quando passa a uma pressão e temperatura maiores.
Nesse caso, a volume constante, a quantidade de calor, Q = Ov, trocada pelo
gás, pode ser calculada por:

em que m é a massa de gás, Cy, o calor específico do gás a volume constante, e


8 T , a variação de temperatura.

108 Unidade 4 • Estudo dos gases e Termodinâmica

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~ Transformação isobárica
(pressão constante)
Na transformação isobárica para um gás ideal, a pressão permanece p
constante durante a passagem de um est ado para outro, e tanto o volume T2 > T1 l!!
\
' :.
quanto a temperatura variam. \
..,"'
Nesse caso, não há nenhuma simpl ificação que possa ser f eita na ex- P1 - - - ,,
'\
., .. '•' ', -l'!
.~

pressão da primeira lei, que cont inua estabelecendo a relação entre as t rês
'' ' ' ' ' ' ---- --~2 ;ij

grandezas:
' ' '
' -- T1 '' le
'
' '"

'
o V1 V2 V

Na curva do diagrama p x V, podem os verifica r que, ao mesmo tempo que


o gás recebe calor e aumenta de t em peratura, expande-se e executa trabalho.
Na t ransformação isobárica, continua valendo a expressão para o cálculo do
trabalho :
0 =p,:W
A expressão para o cálculo da quantidade de calor, Q = QP, t rocada entre
o gás e o ambient e, pode ser expressa em fu nção do calor específico à p ressão
constante cP da seguinte manei ra:
QP = mc/ iT

~ Transformação adiabática
(sistema isolado termicamente)
Um a t ransformação é chamada adiabática quando o sistema não t roca calor
com o ambiente, ou seja, quando a quantidade de calor é nula (Q = O). Essa
transformação só é possível quando o sistema estiver isolado t erm ica mente ou,
de forma aproximada, quando a t ransformação for realizada rapidamente.
Assim, a primeira lei da Termodinâmica pode ser escrita como :
t.U =Q- ü
t.U = O - e;
~ LlU=-c, j
Na curva do diagrama p x V, a cu rva de uma transfo rmação adiabát ica en-
contra-se entre duas curvas isot érm icas. Nesse d iagrama represent amos u ma
com pressão gasosa com aumento de temperat ura, ou seja, se o am biente reali-
zar t rabalho sobre o gás (0 < O), sendo o gás com pri mido, a sua energia interna
e a sua t em peratura aument arão, visto que:
o < O => -0 > O=> t.U >O
Na t ransformação adiabática, o sistema tem sua energia int erna alterada por
meio do t rabalho realizado por ele ou pelo ambiente .
Para as t ransform ações adiabáticas, vale a lei de Poisson, segu ndo a
qual: P

pV.,,
1 1
= pV.,, = const ante \
'
\
1
T2 > T1
P2 ---- \ - -'
\ '
em que o coeficient e 'Y é chamado de expoente de Poisson e dado pela 1 ' '
' ... ~ "' .....
razão entre o calor específico, à pressão constante cP, e o calor específ ico !',,,,_,____,:_2_} .
do gás, a volume constante e.;:
p1 - - - - - - - }- - - - - - , _ !! 1sotermas
: '
"'( = _eP_ o v, V
Cv

Capítulo 8 • As leis da Te rmodinâmica e as máquinas térmicas 109

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Você sabia?
Qual a relação entre as capacidades caloríficas cP e ~?
Quando um gás sofre aquecímento e seu volume se mantém constante, todo o calor recebido é utilizado
para aumentar sua energia interna, elevando assim sua temperatura .
Quando ele sofre aquecimento e sua pressão se mantém constante, uma parte da energia térmica recebida
é utilizada para o aumento de sua energia interna e outra parte é devolvida ao meio externo em forma de tra-
balho. Os gráficos abaixo representam o aquecimento de um gás ideal, com variação de temperatura; as curvas
coloridas representam isotermas.
p p p

V V V
Transformação a volume constante Transformação a pressão constante As t ransformações A -+ B (volume constante)
durante o aquecimento. durante o aquecimento. e A -+ C (pressão constante} sofrem a mesma
variação de temperatura 6.T.

Como nas transformações A ~ B e A ~ C a variação da temperatura é igual, a variação de energia (âU)


também é a mesma, mas em A ~ C (pressão constante) o calor fornecido ao gás é maior.
Nas transformações isobárica (pressão constante) e isométrica (volume constante), as quantidades de calor
recebidas pelo gás são QP e Qv e, de acordo com a primeira lei da Termodinâmica, temos:
âU =Q- õ
transformação transformação
isobárica isovolumétrica

âU = Qp - õ
QP = é.U + e:;

As quantidades de ca lor podem ser escritas da maneira a seguir, em que substituímos a massa do gás pelo
produto do número de mols e a massa molar (m = nM), e definimos CP e Cv como a capacidade calorífica (ou
capacidade térmica) molar a pressão e volume constantes, respectivamente.
QP = mcPÂT = ÂU + õ Qv = mcvÂT = ÃU
nMcPÃT = ÃU + õ nMcvÃT = ÃU
nCPâT = ÃU + e; nC~T = ÃU

Subtraindo as equações membro a membro, te- Sabemos que a transformação é isobárica,


mos: assim: õ = pÃV
Então:
nCPâT = âU + õ
nCi ~T - nCvÂT = pâV
nCvÂT = âU
E pela equação de Clapeyron:
fcp~:r - /c~f = /R~t
ou

Essa relação entre as capacidades caloríficas molares é conhecida como relação de Mayer, em homena-
gem ao médico e físico alemão Julius Robert von Mayer (1814-1878).

Escreva
Responda no caderno

1. Em um processo isométrico, 6 mols de gás ideal sofrem a variação de temperatura de - 15 ºC para 65 ºC. Conside-
rando a constante universal dos gases perfeitos, R = 8,31 J/(mol · K), e que o calor molar à pressão constante do
gás é 20,75 J/(mol · K), determine:
a) a quantidade de calor recebida pelo gás; o= 5,976 J b) o trabalho realizado. ('.'; = o

11 O Unidade 4 • Estudo dos gases e Termodinâmica

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~ Transformação cíclica
Uma transformação cíclica ocorre quando uma massa gasosa, p
partindo de um estado inicial, sofre uma série de transformações e A B
PA = Pe ------- . - - - - - - ,
retorna ao seu estado inicial.
Consideremos um exemplo de ciclo no diagrama ao lado. Te-
mos representada uma amostra de gás perfeito que realiza uma
transformação cícl ica partindo de um estado A , passando pelos
estados intermediários B, C e D e finalmente retornando ao estado Pc = Pv - - - - - - 0,
:c
A. Do estado A para o estado B, ocorreu uma expansão isobárica :
1
(pressão constante); na passagem de B para C ocorreu uma trans-
o V
formação isovolumétrica (volume constante); e de C para D ocor-
reu uma compressão isobárica. No final do ciclo, o gás retorna ao estado inicial A, por meio de uma transformação
isovolumétrica.
Como o estado final do gás coincide com o inicial, a variação de energia interna sofrida pelo gás é nula:

~ AU = O :

Pela primeira lei da Termodinâmica, temos: LlU = O - 6 =} O = O - 6 =} 6 = Q.


Esse resultado é particularmente importante, pois mostra que em um ciclo completo o trabalho é totalmente
convertido em calor ou vice-versa. De fato, o sentido dessa conversão é dado pelo sentido do ciclo executado no
diagrama p x V.
Se o ciclo é executado no sentido horário, o trabalho é posit ivo, e o calor fornecido ao gás é convertido em trabalho
(realizado pelo gás).
Se o ciclo é percorrido no sentido anti-horário, o trabalho é negativo, o que significa que o ambiente exerce um
trabalho sobre o gás, que perde calor e aquece o ambiente.

Exercícios resolvidos
4 Em um processo adiabático, não existem rrocas de p (105 / m' )
calor enrre o sistema termodinâmico e sua vizinhan-
ça, ou seja: Q = O. Considerando como sistema ter-
modinâmico um gás ideal, contido num recipiente de
::::t sJ
paredes termicamente isoladas, perguntamos o que
1,0 7,0 V (10-' m' )
acontece com a temperatura do gás ideal, quando ele
Calcule:
sofre uma compressão adiabática.
a) a variação da energia interna na transformação;
b) o trabalho realizado durante o processo;
Resolução c) a quantidade de calor trocado com o ambiente.
Em uma transformação adiabática temos o trabalho
Resolução
convertido em energia e vice-versa. Pela primeira lei
da Termodinâmica: a) Como a transformação é ciclica, a variação da
i'1U = - D energia interna é nula, ou seja, LlU = O.
b)Numericamente, o trabalho realizado corr es-
Quando há uma compressão V < V,, e ô < O. ponde à área do gráfico equivalente à transforma-
Logo, pela expressão anterior, concluímos que i'1U > O ção termodinâmica. Como a transformação ocorre
e, consequentemente, i'1T > O. no sentido anti-horário, o trabalho será negativo:
Ou seja, nesse processo, a temperatura aumenta. é":i = - 600J.
c) Como a rransformação é cíclica, temos que
A representação gráfica seguinte refere-se à trans- i'1U = O, portanto:
formação cíclica ABCA, realizada por determinada Q = 6 =} Q = -600 J
quantidade de um gás ideal. O sinal é negativo porque o gás perdeu calor.

Capítulo 8 • As leis da Termodinâmica e as máquinas térmicas 111

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Uma porção de gás ideal é submetida a um ciclo de transformações, representado no gráfico.
Determine: p (10• N/ m')
a) o trabalho do gás em cada trecho do ciclo; e
3,0
b) o trabalho do gás ao completar o ciclo; --------- ~~
c) a quantidade de calor trocada pelo gás no ciclo.
2,0
------------L___._J
Resolução
1,0 ' 1
A 1 1D
a) Vamos determinar o trabalho para cada um dos ciclos: ''
• CJAB = O, pois /lVAB = O
o 2,0 40 V Cm')
CJ 8c = área
(2,0 . 104 + 3 . 104 )
ÜBC= 2 ~ ÜBC=S,O ·I04J

• CJco = O, pois /lVco = O

• ÜDA = p/lV ~ ÜDA = 1,0 · 104 · (2,0 - 4,0) ~ ÜDA = 2,0 · 104 J

b) O trabalho completo do ciclo é igual à soma dos trabalhos de cada um dos trechos:

Ücido = ÜAB + ÜBC + ÜCD + ÜDA ~ Üddo = 0 + (5,0. 104 ) + 0 + (-2,0. 104) ~ Üdclo = 3,0 · 104 J

c) Como a transformação é cíclica, temos que /lU = O, portanto:

· · propost os
Exerc1c1os Escreva
no cadern

11. Um gás ideal é submetido a uma compressão extre- II. A temperatura na transformação C ~ D é menor do
mamente rápida, de tal forma que a troca de calor que a temperatura na transformação A ~ B.
com o meio externo é insignificante e pode ser des- III. Na transformação D ~ A, a variação de energia
considerada. As afirmações seguintes se referem à interna é igual ao calor absorvido pelo gás.
situação relatada. Verifique se elas estão corretas. Dessas três afirmações, estão corretas:
a) O volume do gás aumenta e a pressão diminui. a) 1 e Il, apenas. d) 11 e III, apenas.
b) O volume e a pressão do gás diminuem. b) III, apenas. X e) l, II e Ill.
c) A temperatura do gás diminui. c) 1 e m, apenas.
xd)Aenergia interna do gás aumenta. 13. Um gás ideal monoatômico é comprimido adia-
e) Há trabalho realizado pelo gás para o meio externo. baticamente, sofrendo uma variação de temperatura
1Z. (Vunesp-SP) Um gás é submetido às transformações de 600 K. Sabendo que n = 3 mols, c. = 3 cal/mol · K,
A~ B, B ~ C, C ~De D~ A, indicadas no diagrama
R = 2 cal/mol · K e 1 cal= 4,2 J, determine:
OJ
p X V apresentado na figura. a) a quantidade de calor trocada nessa transformação;
p
b) a variação de energia interna do gás, emjoules;
, 22680]
A
c) otrabalhorealiza d osob reogas. -22680J

14. No gráfico a seguir está representada a transforma-


ção cíclica de um gás, considerado ideal. Determine,
em joules, o trabalho realizado em um ciclo. 2,5 · 106 J

D
p (105 N/ m2) ..
....
li
5,0 ~ "
t
i
V
3,0 -- - - -
/ j •
i

..i"
1
Com base nesse gráfico, analise as afirmações. '
'
I. Durante a transformação A~ B, a energia interna
se mantém inalterada. 5,0 10,0 15,0 20,0 V(m')

112 Unidade 4 • Estudo dos gases e Termodinâmica

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fj\~R1• :11•rt"IK11•• 11:rt•-------------
1
Máquinas térmicas são aquelas que real izam trabalho ao receberem calor,
como as turbinas a vapor ou a gás e também os motores de veículos. Os
motores de explosão dos automóveis são os mais conhecidos e são for-
mados por um corpo de metal com uma câmara de combustão. Essa
câmara é composta de um cilindro, uma vá lvula de admissão, uma
válvula de escape e uma vela de ignição.
O sistema do motor de explosão funciona em um ci-
clo de quatro tempos. Inicialmente o sistema de injeção
eletrônica manda uma mistura de ar e vapor de com-
bustível para a câmara de combustão através da válvula
de admissão (l 0 tempo). A mistura é então comprimida
pelo pistão, ocorrendo diminuição de volume e aumento
da pressão (211 tempo). Uma fa ísca é disparada pela vela
e inflama a mistura, e os gases quentes da combustão ex-
pandem-se rapidamente, fazendo o pistão descer (311. tem-
po). Essa fase de explosão e expansão é a única fase em que
Motor de automóvel.
efetivamente há um trabalho motor. No último tempo, a válvula
de escape se abre e os gases queimados são expulsos, enquanto o
pistão sobe no cilindro (4ª tempo).

V V V
V

1• tempo 2• tempo 3• tempo 4º tempo


Sequência de um ciclo completo de um motor de combustão, em que A é a válvula de admissão, E, a válvula de escape, e V, a vela.

O motor de um automóvel pode apresent ar


4, 6, 8 ou mais ci lindros defasados, sendo que
um deles sempre deve estar no seu tempo mot or
(311. tempo), possibilit ando uma permanente rea-
lização de traba lho útil.
Note que esse motor de explosão, como qual-
quer máquina térm ica , é um disposit ivo que ope-
ra em ciclos, ou seja, executa inúmeras transfor-
mações fechadas, voltando a seu estado inicia l
antes de iniciar outro ciclo. Utilizando ainda esse
exemplo, que pode ser generalizado para qual-
quer máquina térmica, é importante observar que
a energia química do combustível é transformada
em trabalho (rápida expansão após a combust ão)
e em energia int erna do gás (aquecimento e libe-
ração para o ambient e). Cilindros alinhados de um motor de automóvel.

Capítulo 8 • As leis da Termodinâmica e as máquinas térmicas 113

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~ Rendimento de uma máquina térmica
Na linguagem da Física, dizemos que as máquinas térmicas funcionam rece-
fonte que rite
bendo calor, proveniente de uma fonte quente, e transformando-o em trabalho.
O rendimento 11 de uma máquina térmica é obtido pelo quociente entre o
trabalho realizado 0 e a quantidade de calor recebido Q1:

~
~
Em máquinas reais, a conversão de calor em trabalho não é integral, e parte
fonte fria
do calor recebido acaba sendo devolvido para uma fonte fria (Q2), em geral o
Esquema do fluxo de calor de um ambiente. Portanto, infalivelmente, ocorrem perdas de energia, que geralmente
motor térmico. ultrapassam os 50%.
Considerando-se que existem duas fontes térmicas, a fonte quente, que for-
nece o ca lor (Q 1), e a fonte fria, que recebe o ca lor perdido (0 2), temos que:
O,= 0 + 02
0 = O, - 02
Portanto,
0
TI= - =
o,

Quanto maior o trabalho realizado com determinada quantidade de calor,


maior será o rendimento de uma máquina térmica. Para um rendimento TJ = 0,30,
temos que 30% do calor fornecido será transformado em trabalho. Se uma má-
quina transformasse toda a energia recebida em trabalho, teríamos um rendimen-
to de 100% (11 = 1), o que na prática não é possível.

2 · 10 5 · 3 8
p (N/m2) e;ABC = 2
'
lado represen-
ta a operação
4.105 ------~r-7]c
em ciclos de
um motor tér-
2-10· -------v :
A•
'
' Calor recebido em joules:
'' Q 1 = 8,0 · 105 cal
mico. A quan- '
3,8 7,6 V (m') Q1= 8,0 · 105 • 4,2 (pois 1 cal = 4,2 J)
tidade de ca-
Q1 = 33,6 · 105 J
lor fornecida ao gás ideal em um ciclo é 8,0 · 105 cal.
O rendimento será:
Calcule: e;
= -3,8
-·-10 5
11 = ~ - = 0,11
a) o rendimento do motor térmico; QJ 33,6. 105

b) a quantidade de calor rejeitada a cada ciclo. TJ = 0,11 ou 11%

Resolução b)O calor rejeitado é dado pela diferença entre oca-


lor de entrada e o trabalho realizado:
a) Para obter o rendimento, precisamos calcular o
Ql = () + Q2
trabalho em um ciclo:
33,6 · 10 5 = 3,8 · 105 + Q2
õABc(área do triângulo) Q2 = 29,8 · 105 J

114 Unidade 4 • Estudo dos gases e Termodinâmica

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• · os propost os
Exerc1c1 Escreva
no caderno

15. Um motor térmico recebe em cada ciclo 240 cal de quente é Q = 18 · nRT. este caso, considere o valor
uma fonte quente e rejeita 180 cal para a fonte fria. da temperatura em A. 22%

0
Calcule o rendimento desse motor. 25%
___B_ c Ê
2
{!!
16. Uma máquina térmica funciona realizando o ciclo
de Carnot entre as temperaturas 600 K e 200 K. Em
cada ciclo a máquina recebe 900 J de calor da fonte
---
quente. A, tD
1 '
a) Qual o calor rejeitado em cada ciclo? 300 J
V
b) Qual o trabalho realizado pela máquina em cada
ciclo? 600 J
19. (UFAL) Uma dada massa de gás perfeito sofre uma
17. Para completar um ciclo, determinada máquina transformação termodinâmica passando do estado
térmica necessita receber 600 J da fonte quente. A para outro B, como representa o diagrama p X V
abaixo.
Sabendo que o rendimento da referida máquina é
40%, calcule: p (104 N/m2)
a) a quantidade de trabalho obtida em cada ciclo; 240J
b)a quantidade de calor que é rejeitada para a fonte
80
' ---7------ 'A
'
'
B '
fria . 360 J 4,0 -- '

18. O funcionamento de uma máquina térmica é feito


O 0,10 0,30
de tal forma que o ciclo ABCDA desenhado na figura
representa a evolução do gás ideal utilizado pela má- O trabalho realizado pelo gás nessa transformação,
quina. Use as informações dadas pela figura e deter- emjoules, foi de
mine o rendimento dessa máquina, sabendo que, em a) 24 c) zero e) - 24
cada ciclo, a quantidade de calor absorvida da fonte b) 12 X d) - 12

Pense além

Termodinâmica e o ambiente
Um grupo de alunos, em seu projeto de conclusão de curso, resolveu escolher o tema : Consumo de energia
no ambiente.
O resumo da parte teórica do trabalho foi o segu inte:
"Uma boa parte da energia que utilizamos origina-se da combustão dos fósseis. Combustíveis como car-
vão mineral e derivados do petróleo, quando queimam, produzem dióxido de enxofre, monóxido e dióxido
de azoto, monóxido e dióxido de carbono, cinzas e resíduos em suspensão no ar. Ao respirarmos monóxido
de carbono, reduzimos a capacidade de absorção do oxigênio pelo sangue. Os óxidos de azoto e o dióxido de
enxofre em contato com a umidade do ar convertem-se respectivamente em ácido nítrico e ácido su lfúrico,
provocando as chuvas ácidas. O dióxido de enxofre também é responsável por problemas respi ratórios. De
todos os combustíveis fósseis, o carvão é o mais poluente e o gás natural, o menos poluente."

Esaeva Pelos dados do texto, a utilização do gás natural sena um procedimento menos píejudicial para a obtenção de energia
Responda nocademo em relação ao carvão e outros combustlveis fósseis. Entretanto, existem outras possibilidades, como o uso de células de
hidrogênio, biocombustíveis e aproveitamento da energia solar, que seriam ainda medidas mais interessantes.

1. Na conclusão do trabalho foram apresentadas medidas urgentes para proteger o meio ambiente, reduzindo a polui-
ção. Se você fosse integrante desse grupo e responsável por elaborar e apresentar as medidas, quais você apresenta-
ria na conclusão?

Capítulo 8 • As leis da Termodinâmica e as máquinas térmicas 115

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tS14·t 11,f·ttiMtdMl;,t.j.j@\,,itfa _______________
Ao analísarmos o movimento de um pêndulo simples, observamos que ele cessa seu
movimento depois de algum tempo, em função, pri ncípalmente, da resistência do ar, pois
sua energia mecânica diminui até que ele chegue ao repouso. No decorrer do movimen-
to, a energía mecânica do pêndulo se co nverte em energia térmica.
No entanto, não se observa a transformação contrária: de forma espontânea não
ocorre a conversão da energía térm ica em energia mecânica para o movimento osci lat ó-
rio do pêndulo. Isso quer dizer que, se aquecermos o ambiente, o pêndulo não começará
a oscilar.
Apesar de a primeira lei da Termodinâmica não impedir, por definição, que a energia
inicial seja recuperada, a probabilidade de isso acontecer é ínfinitamente pequena. Se o
calor pudesse ser recuperado integralmente, o pêndulo poderia voltar a oscilar. O que se
O ambiente cede calor para
a pedra de gelo_ observa na prática é que o pêndulo não volta a oscilar, pois o calor somente migra espon-
taneamente de um corpo de temperatura mais alta para outro de temperatura mais baixa.
A segunda lei da Termodinâmica enuncia exatamente esse fato:

., O calor não migra espontaneamente de um corpo de temperatura mais ba ixa


para outro de temperatura mais alta.

Assim, a segunda lei da Termodinâmica afirma a impossibilidade de se converter integralmente calor em outra
modalidade de energia. Por isso, dizemos que o calor se constitui em uma forma degradada (perdida) de energia.

~ Máquinas frigoríficas
Apesar de aparentemente violar a segunda lei da Termodinâmica, as geladeiras retiram calor da fonte fria
(congelador) e devolvem ca lor para a fonte quente (ambiente), ou seja, podemos dizer que o calor está mi-
grando da temperatura mais baixa para o corpo de temperatura mais alta. De fato, é isso o que ocorre, mas
note que não de forma espontânea, e sim à custa de trabalho de um compressor. Chamamos de máquina
frigorífica o dispositivo que funciona convertendo trabalho em calor. A geladeira é, portanto, um exemplo de
máquina frigorífica.
Observe nas f iguras a diferença entre uma máquina de aquecimento e uma máquina de resfriamento.
J!I
fonte quente fonte quente .,~
o, ".:,,
t .2
~
!

Representação do fluxo de calor de uma Representação do fluxo de calor de uma


máquina térmica de aquecimento_ máquina térmica de resfriamento_

A eficiência de uma máquina frigorífica e é dada pelo quociente entre a quantidade de calor retirada da fonte fria
Q2 e o trabalho envolvido nessa transferência <'.;:

e= --9z_
e:;

Ao contrário do rendimento de uma máquina t érmica, a eficiência pode ser maior que 1, não sendo expressa
em porcentagem.

116 Unidade 4 • Estudo dos gases e Termodinâmica

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~ Ciclo de Carnot
A máquina térmica ideal, com rendimento de 100%, era um objetivo perse-
guido pelos cient istas até o início do século XIX.
O engenheiro francês Nicolas Sadi Carnot (1796-1832) estudou minuciosa-
mente o processo de transformações de calor em trabalho, procurando maior
eficiência nas máquinas térmicas. Ele então propôs uma má-
quina teórica que, trabalhando entre duas temperaturas fixas,
p
uma quente e outra fria, executava uma transformação cíclica
composta de duas transformações isotérmicas e duas adiabáti- 1 \

cas, intercaladas e reversíveis. 1


1 \A
1
O trabalho e; realizado é positivo e numericamente igual à \
\
1
área do ciclo ABCDA, que será percorrido no sentido horário. O
\ O= O
ganho e a perda de calor pelo gás dependerão da diferença de
temperatura entre as fontes. __ ~soterma T1
... __ ..., ___
Considere uma máquina térmica, com um volume de gás
sendo submetido a expansões e compressões por meio do ciclo
de Carnot, em que a fonte quente apresenta uma temperatura isoterma T2
T, e a fonte fria, uma temperatura Tr e··--------
Para completar o ciclo, o gás passa pelas quatro transfor- o V

mações:

G) Expansão isotérmica AB: ® Compressão isotérmica CD:


o gás retira ca lor da fonte quente (QJ há perda de calor para a fonte fria (Q/

p p
1 1
1 1 1
' A 1
1
1
1
1
1
1
1
1

- - - - T, - - -- T
Q, c- - - T,'
- - · T,
o V o V

Diagrama do ciclo de Carnot Diagrama do ciclo de Carnot


com destaque para expansão com destaque para compressão
isotérmica AB. isotérmica CD.

(2) Expansão adiabática BC: não há troca de @ Compressão adiabática DA: não há troca
calor. de calor.
p
\
1 p
' A
1
1
1
1
\

o V
o V
Diagrama do ciclo de Carnot Diagrama do ciclo de Carnot
com destaque para expansão com destaque para compressão
adiabática BC. adiabática DA.

Capítulo 8 • As leis da Termodinâmica e as máquinas térmicas 117

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Carnot demonstrou teoricamente que nesse ciclo as quantidades de calor tro-
cadas com as fontes quente e fria são diretamente proporcionais às respectivas
temperaturas absolutas das fontes.

Como o rendimento de uma máquina térmica é expresso pela razão entre os


calores trocados, temos que o rendimento de uma máquina térmica que rea liza
o ciclo de Carnot é:

No ciclo de Carnot, o rendimento é função exclusiva das temperaturas abso-


lutas das fontes quente e fria, independentemente do fluido operante.
Se estipularmos para a fonte fria a temperatura de zero kelvin (zero absoluto),
teremos rendimento de 100% (11 = 1), o que não é possível na prática.

~ Noções de entropia
Se analisarmos os processos naturais, veremos que eles ocorrem no sentido
de haver a passagem espontânea de um estado ordenado para um estado mais
desordenado das moléculas. Esse conceit o pode ser entendido como parte inte-
grante da segunda lei, e um dos mais importantes da Termodinâmica.
No século XIX, o f ísico alemão Rudolf C lausius ( 1822-1888) definiu a gran-
deza denominada entropia para a melhor compreensão da ocorrência dos
fenômenos naturais. O conceito de entropia em geral é associado ao grau
de desordem de um sistema, que pode ser relacionado com a organização
espacial e energética das partículas que o compõem. Assim, quanto ma ior a
entropia, maior tende a ser a "desordem" do sistema e menor a " ordem "
(organização) dele.
Uma das implicações da segunda lei da Termodinâmica é que, para um sis-
tema termodinâmico isolado que evolui espontaneamente, a entropia total se
mantém constante ou aumenta com o tempo, nunca diminui. Uma consequên-
cia disso é que o calor não pode passar naturalmente de um corpo frio a um
corpo quente, como enunciado antes. Outra interpretação da segunda lei, com
base na entropia, é que esta mede a energia "degradada " ou "perdida " em
uma transformação, isto é, a parte da energia que não pode ser transformada
em trabalho.
Podemos dizer que a evolução de um sistema está diretamente relacionada
com o aumento de sua desordem e, consequentemente, com a diminuição de
sua energia utilizável. Observe estes eventos:

• Se um copo de vidro se quebra ao cair no chão, os cacos de vidro não tornarão


a compor um copo espontaneamente.
• Se deixarmos rolar uma esfera de um ponto mais alto para um ponto mais
baixo, ela não voltará ao ponto mais alto naturalmente.
• Se em um recipiente houver uma porção de bolas brancas na parte de baixo e
vermelhas na parte de cima, ao agitarmos o recipiente a ponto de mist urá-las,
dificilmente conseguiremos ter de volta as duas cores separadas naturalmente.

118 Unidade 4 • Estudo dos gases e Termodinâmica

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No Universo, há uma tendência natural de transformação de todas as formas
de energia (mecânica, química, elétrica etc.) consideradas "formas organizadas"
em forma de agitação das partículas (calor), ou "forma desorganizada". Essa
transformação acontece integralmente, e a probabilidade de o processo inverso
ocorrer é quase nula, pois a transformação de calor em outra forma de energia
é sempre incompleta.
Portanto, a segunda lei da Termodinâmica se caracteriza pelo princípio da
degradação da energia.

Uma máquina térmica trabalha entre duas fontes com temperaturas de 27 ºC e 127 ºC, segundo o ciclo de Carnot,
retirando, em cada ciclo, 800 J da fonte quente. Calcule:
a) o rendimento da máquina térmica;
b) o trabalho realizado;
c) o calor rejeitado para a fonte fria.

Resolução

T1 = 127ºC = 400 K
T2 = 27ºC = 300K
300
TJ = 1 - 400 ::::} TJ = 0,25 ou TJ = 25%

b) TJ = __§_ ::::} 0,25 = 8~0 ::::} c'.í = 200 J


QI
C) Q1 = Ü + Q2 ::::} 800 = 200 + Q2 ::::} Q2 = 600 J
Um inventor deseja construir uma máquina térmica com rendimento igual a 80% do rendimento da máquina de
Carnot. Para isso ele constrói uma máquina que trabalha com as temperaturas de 10 ºC e 400 ºC para as fontes
fria e quente, respectivamente. Sabendo que o calor recebido pela máquina é de 5 · 105 J e que o trabalho útil é de
2,5 · 105 J (durante um período), determine se o inventor conseguirá construir urna máquina que opera nas fontes
de calor citadas e que possua 80% de rendimento. Justifique sua resposta.

Resolução

O rendimento da máquina do inventor é dado por:


5 25·105
11,, al = -Q =H],.,.1 = 5'0. lQS = 0,5 ::::}11,..,.i = 500/o
l '

Como o inventor deseja construir uma máquina com rendimento igual a 80% do rendimento da máquina de
Carnot, temos como condição necessária:
TJ,,a1 = 80% de TJrn.á,' em que 11m,.. é dado pelas fontes quente e fria:
T (273 + 10) _ 283 _ _
Tjmáx =1- r;- : : } TJmáx -
2 _ 0
1 - (273 + 400) - 1 - 673 ::::} Tjrn.áx - 0,42::::} 11máx - 42 Yo

Portanto:

Tjreal = 800/o ::::} 1ln,a1 = 0,8 · 11máx ::::}Tj n,a] = 0,8 · 0,42::::} 11,eal = 0,33
Não é possível que o inventor construa essa máquina com as fontes fria e quente citadas, pois o valor obtido para
rendimento da máquina é diferente do real.

Capítulo 8 • As leis da Termodinâmica e as máquinas térmicas 119

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· · propost os
Exerc1c1os Escreva
no cadern

20. Para completar um ciclo, determinada máquina tér- 26. Considere que o ciclo de Carnot opera entre as tem-
mica necessita receber 800 J da fonte quente. O ren- peraturas 500 K e 300 K, referentes às fontes quente
dimento da máquina é 35%, determine: e fria, respectivamente. Determine a quantidade de
a) a quantidade de trabalho obtida em cada ciclo; energia que a máquina devolve à fonte fria, por ciclo,
280]
sabendo que a máquina recebe da fonte 1,4 · 103 J,
b) a quantidade de calor que é rejeitada para a fonte
por ciclo. 8,4 · 10' J
fria. 5201

21 . Uma determinada máquina térmica funciona re- 27. Um refrigerador funciona realizando ciclos entre as
alizando o ciclo de Carnot. As temperaturas das temperaturas de - 24 ºC e 27 ºC (segundo o ciclo de
fontes quente e fria são, respectivamente, 700 K Carnot). Em cada ciclo, 500 J de calor são rejeitados
e 300 K. Em cada ciclo a máquina recebe 1 000 J de para a fonte quente. Calcule:
calor da fonte quente. a) o trabalho do compressor em cada ciclo; 85 J
a) Qual o calor rejeitado em cada ciclo? = 428,61 b) a eficiência desse refrigerador. 4,9%
b) Qual o trabalho realizado pela máquina em cada
28. (UFMA) Uma máquina térmica funciona realizando
ciclo? = 571.4 J
o ciclo de Carnot. Em cada ciclo o trabalho útil forne-
22. Durante um ciclo de funcionamento, uma máquina cido pela máquina é de 2 000 J. As temperaturas das
térmica consome de uma fonte quente 200 cal e libe- fontes térmicas são 227 ºC e 27 ºC, respectivamente.
ra para a fonte fria 140 cal. Calcule considerando um O rendimento da máquina, a quantidade de calor re-
ciclo realizado: tirada da fonte quente e a quantidade de calor rejeita-
a) o trabalho realizado pela máquina; 60 cal da para a fonte fria são, respectivamente:
a) 60%, 4 000 J e 6 000 J
b) o rendimento da máquina. 30%
b) 40%, 3 000 J e 5 000 J
23. Uma máquina térmica reversível, operando segundo x c) 40%, 5 000 J e 3 000 J
o ciclo de Carnot, recebe 4,5 · 104 cal de uma fonte
d) 40%, 4 000 J e 1000 J
quente e cede 2,9 · 104 cal à fonte fria. Determine a
temperatura da fonte quente, sabendo que a fonte e) 30%, 6000 J e 4000 J
fria está a 8 ºC. 436,03 K 29. (Enem/MEC) Um motor só poderá realizar trabalho
se receber uma quantidade de energia de outro siste-
24. O motor a combustão, instalado num avião, ao com-
ma. No caso, a energia armazenada no combustível
pletar um ciclo, consome 9 000 J de calor, para rea-
é, em parte, liberada durante a combustão para que
lizar um trabalho mecânico de 2 520 J. Utilize estes
o aparelho possa funcionar. Quando o motor funcio-
dados e responda aos itens seguintes:
na, parte da energia convertida ou transformada na
a) qual o rendimento do motor? 28%
6480 1 combustão não pode ser utilizada para a realização
b) qual a quantidade de calor rejeitada em cada ciclo? de trabalho. Isso significa dizer que há vazamento da
c) qual a quantidade de combustível consumida, em energia em outra forma.
cada ciclo, sabendo que o calor fornecido ao motor é CARVALHO, A X. Z. Física Térmica. Belo Horizonte:
Pax, 2009 (adaptado).
proveniente da queima do combustível, cujo calor de
De acordo com o texto, as transformações de energia
combustão é dado por 6,0 · 104 J/g. 0.1s g
que ocorrem durante o funcionamento do motor são
25. Um refrigerador, operando segundo um ciclo de Car- decorrentes de a:
not, transfere calor de certa massa de água a O ºC a) liberação de calor dentro do motor ser impossível.
para o ambiente de temperatura igual a 30 ºC. Após b) realização de trabalho pelo motor ser incontrolável.
algum tempo verifica-se que se formaram 91 kg de x c) conversão integral de calor em trabalho ser impos-
gelo a O ºC. Considere 1 cal = 4,2 J, L = 80 cal/ g e sível.
1 kWh = 3,6 · 106 J e determine:
d) transformação de energia térmica e cinética ser
a) a quantidade de calor retirada da água; 7,28 · 106cal impossível.
b) a quantl"da de de e alor 1ornea
e "da ao extenor;
. 8,08 · 10'cal
e) utilização de energia potencial do combustível ser
c) o trabalho fornecido ao sistema, em kWh. 0,93 kWh incontrolável.

120 Unidad e 4 • Estudo dos gases e Termodinâmica

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Pense além

Na natureza, é possível ocorrer qualquer


tipo de transformação
espontaneamente?
Vamos considerar um ambiente com vácuo e um pêndulo osci-
lando de uma posição 1 até uma posição 2 no mesmo nível. Nesse
posição 1
exemplo, suponha que inexiste o atrito do pêndulo com o seu su- posição 2
porte. Abandonado na posição 1, se não considerarmos o atrito,
ele irá até a posição 2 e voltará, continuando a osci lar eternamente.
\ /
Filmando essa situação e mostrando-a de trás para a frente,
não veremos diferença, pois o corpo retorna à posição inicial, ocu-
pando as mesmas posições intermediárias, mas em sentido contrá-
rio . Ao final, tanto o corpo como o ambiente retorna m às mesmas
condições do início, caracterizando, dessa forma, o que chama-
Ao assistirmos ao filme da situação acima nos
mos de um processo reversível. dois sentidos, não é possível afirmar qual o
Agora vamos imaginar o filme de uma pessoa que joga uma pe- estado inicial e qual o estado fi nal do pêndulo.

dra numa piscina. Ao passarmos o filme ao contrário, veremos que


a pedra volta para a mão da pessoa, como se as moléculas de água
cedessem espontaneamente energia à pedra para que ela saísse do
fundo da piscina e voltasse para a mão da pessoa. Dado que esse
processo não acontece, nós o chamamos de processo irreversível.
De fato, a reversibilidade ou não dos processos naturais diz
respeito à segunda lei da Termodinâmica. Ainda que a quantidade
de energia do Universo não se altere, para um processo natural
ser reversível deve existir a possibilidade de se obter energia do
ambiente. A segunda lei da Termodinâmica afirma que há uma
tendência de essa energia disponível para execução de um tra-
balho sempre diminuir com a evolução de um sistema fechado.
Essa diminuição seria em decorrência da transformação da energia
"útil" em uma forma de energia "não útil", como a energia térmi-
ca (na verdade de baixíssimo rendimento). Visto que essa energia
Pedra atirada em uma piscina.
diz respeito à agitação das partículas que compõem o sistema,
seria altamente improvável que todas elas, espontaneamente, de-
volvessem sua energia para o sistema . Assim, podemos considera r
a energia térmica (oriunda do atrito nas situações ao lado) como
uma forma de energia difícil de ser recuperada, que denominamos
energia degradada.

Escreva
Responda no caderno

1. É possível uma máquina térmica operando em ciclos retirar ca- Assistindo o filme ao contrário: pedra saindo da
piscina.
lor de uma fonte e transformá-lo integralmente em trabalho?
Justifique. Conforme a essência da segunda lei da Termodinâmica, isso é impossível.

2. Em um processo natural espontâneo, o que ocorre com a entropia do Universo? Nos processos naturais espontâneos ocorre um
aumento na medida quantitativa da desordem, da entropia do Universo.

Capítulo 8 • As leis da Termodinâmica e as máquinas térmicas 121

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Física no cinema 500 anos: O Brasil Império na TV

Professor, sugerimos trabalhar esse filme com o professor de História para aprofundar a discussão
sobre o tema da Revolução Industrial, principalmente no Brasil.

A modernidade chega a vapor (episódio 7)


Titulo: 500 anos: O Brasil Império
Realizado pela companh ia Mão Molenga, esse documentário em na TV
formato de animação retrata a chegada dos efeitos da Revol ução ln- A modernidade chegaª vapor
(episódio 7)
dustrial ao Brasil, mostrando como se dá a t ransformação do Brasil Gênero: Documentário/animação
rural com a chegada da luz elétrica, da fot og raf ia, do telégrafo, do Tempo de duração: 15 min
telefone, dos trens e navios a vapor, das fábricas e do saneamento básico, em meados do século XIX. Esse
Brasil ti nha em sua capita l, o Rio de Janeiro, muitas mudanças, enquanto o restante do país continuava
esquecido. Trata também da ascensão e da queda do Barão de Mauá e a sua importância dentro de todo
esse processo.
Utilizando os seus conhecimentos sobre máquinas térmicas e Revolução Industrial, acompanhe algumas
cenas do filme, lembrando sempre de anotar tudo aquilo que possa ser interessante. Assista ao filme com
seus colegas e resolva as questões que se seguem.

Unidad e 4 • Estudo dos gases e Termodinâmica

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Professor, os comentários dessa seção encontram-se no Caderno de
Atividades orientações no final deste volume.

1. Logo no começo do filme se estabelece uma data


para o inicio da modernização no Rio de Janeiro.
Qual é a data, qual a modernização apresentada e
quem foi o responsável por ela?

2. No filme, a época em questão é descrita como o "sécu-


lo da velocidade". Que tipo de transformações ocor-
reram para que essa classificação fosse utilizada?

3. Descreva as imagens do Rio de Janeiro que você ob- ._


servou no filme, fale sobre as modernizações que Iluminação pública na Avenida Rio Branco, Rio de Janeiro,
transformaram a cidade e sobre as diferenças so- 1915.
ciais que foram se formando.

4. Qual a relação entre a construção das estradas de


ferro no Brasil e a economia cafeeira?

5. Qual a relação entre a modernização do Brasil e a


distribuição de recursos?

6. Junte seu grupo e construa uma linha do tempo em


que seja possível ver a data de criação de máquinas
a vapor, locomotivas, carros a explosão, luz elétri-
ca, telégrafo e telefone e a chegada desses inventos
A primeira locomot iva brasileira, batizada de
ao Brasil. " Baronesa", 1852.

Capítulo 8 • As leis d a Termodinâmica e as máquinas térmicas 123

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Você sabia?

As leis da Termodinâmica e a Física Moderna


As leis que descrevem o comportamento térmico dos gases, elaboradas inicialmente de forma empírica,
não levam em consideração as partículas que compõem o gás, ou seja, foram estrutu radas relacionando o
comportamento das variáveis macroscópicas. Posteriormente, com base na teoria cinética dos gases, tivemos
a descrição do comportamento microscópico do gás relacionada às grandezas macroscópicas. Diante disso,
novas possibilidades de estudo se abriram, inclusive para o desenvolvimento da teoria atômica da matéria e
da Mecânica Estatística .
Para formarmos uma ideia inicial sobre a importância da Mecânica Estatística, vamos sugerir, de forma lúdi-
ca, a análise de uma situação imaginária, na qual o físico austríaco Boltzmann, sentado à beira do rio Danúbio
em um final de tarde, tenta amenizar a sensação de frio, tomando um chá bem quente. Enquanto observava a
bela paisagem, começou a imaginar uma situação aparentemente absurda: - segundo os seus conhecimentos,
a troca de calor entre o chá e o ar eram j ustificáveis. Nessa situação, o chá, por estar mais aquecido, tem sua
temperatura diminuída e o ar próximo à xícara, por
estar menos aquecido, tem sua temperatura aumen-
tada. Contudo, ele deu asas à imaginação e come-
çou a pensar na possibilidade de ocorrer o inverso,
ou seja, o ar esquentar o chá, espontaneamente.
Se nós formos convidados para analisar a mes-
ma cena e nos basearmos nos conhecimentos que
já temos sobre termodinâmica, concluiremos que é
uma situação irreversível. Esta conclusão é justificá-
vel pois, de acordo com a segunda lei da termodinâ-
mica: "o calor não migra
espontaneamente de um
Áustria, cortada pelo Rio Danúbio, que inspirou as famosas valsas corpo de temperatura
de Strauss e onde nasceu Ludwig Boltzmann (imagem de 2015). mais baixa para outro de
temperatura mais alta" . A respeito da primeira lei da termod inâmica, embora, por
definição, ela não impeça que a energia inicial seja recuperada, a probabilidade de
isso acontecer é infinitamente pequena.
No entanto, para Boltzmann, o que nos parece impossível é, na realidade, ape-
nas improvável. Se ret omarmos a situação vivida à beira do rio e dissermos que
existe a probabilidade da situação ser reversível, ou seja, do ar esquentar esponta-
neamente o chá, não estaremos violando nenhuma lei física. Temos dificu ldade de Importante f ísico do século
XIX, o austriaco Ludwig
aceitar essa ideia pelo fato dessa probabilidade ser infinitamente pequena. Boltzmann (1844-1906)
Boltzmann, de forma inquestionável, demonstrou como o conceito de pro- nasceu em Viena. Além dos
trabalhos experimentais
babilidade é fundamental para descrever a natureza. Parte dos estudos desen- em Eletromagnetismo,
volvidos por ele está relacionada à utilização de conceitos mecânicos no estudo é considerado o maior
responsável pelo
do movimento de partículas microscópicas como uma forma de compreender as desenvolvimento da
propriedades macroscópicas da matéria. Mecânica Estatística.

Fonte de pesquisa: MILLAR, D. et. ai. The Cambridge Dictionary of Scientists. Cambridge University Press, 1996. Disponível em: <.http://www.fem.unicamp.
br/-em313/paginas/person/boltz.htm>. Acesso em: 15 dez. 2015; VOLCHAN, Sérgio B. A probabilidade na mecânica estatística clássica. Revista Brasileira de
Ensino de Física, v. 28, n. 3, p. 313-318, 2006. Disponlvel em: <http://www.sbfisica.org.br/rbef/pdf/volchan.pdf>. Acesso em: 15 dez. 2015.
Escreva Resposta pessoal. Este pode ser um bom exemplo para discutir aspectos da segunda lei da Termodinâmica, segun-
Atividades no caderno do a qual na natureza, os fenômenos só ocorrem num sentido.

1. Sabemos que não é complicado fazer o milho se transformar em pipoca, mas já pensou no processo inverso? Já se
perguntou se é possível fazer a pipoca voltar a ser milho? Elabore uma argumentação para essa questão fundamen-
tando sua resposta nas leis da Termodinâmica.
Z. Como a Mecânica Estatística vê a possibilidade do chá ser aquecido pelo ar, espontaneamente?
Res?osta pessoal. A análise desta situação põde aprofundar a discussão sobre a probabilidade cfo processo ser reversível.

124 Unidade 4 • Estudo dos gases e Termodinâmica

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· • comp 1ement ares
Exerc1c1os Escreva
no cadern

1. Certa massa de gás ideal está aprisionada num cilin- c) a temperatura desse gás, para um volume de 60 L e
dro com um êmbolo móvel, como mostra a figura. que possui a terça parte da pressão inicial. 300 K
4. Indique o volume ocupado por determinada massa
de gás, em condições normais de temperatura e pres-
são, sabendo que 600 cm3 desse gás à temperatura de
67 ºC exerce pressão de 1,8 atm . 867 an'

5. (Fuvest-SP) Os pontos A , B e C do gráfico (p x V) da


figura representam três estados de determinada massa
de um gás perfeito. Sendo TA, T8 e Te as temperaturas
~ absolutas correspondentes, podemos afirmar:
~
~
------------- ~ p
O volume ocupado por esse gás no cilindro é de 5
250 cm3 e a pressão que ele exerce nas paredes des- A B
4
se cilindro é de 4,0 · 105 Pa. Considere que o êmbolo 3
pode ser acionado externamente sem alterar a tempe- e
2
ratura do gás. 1
a) Qual a pressão do gás se o volume for reduzido a
o 1 2 3 4 5 6 7 8 V
100 cm3 ? 1.0 · 10" Pa
b) Qual o volume do gás para uma pressão de a)Tc >T8 >TA
5,0 · 106 Pa? V= 20 cm' xb)Tc = T 8 > T,._
2. Em uma fábrica de eletrodomésticos, na fase de teste, c)Tc = T 8 =T.. _
um congelador está vazio e aberto com o ar em seu d)Tc <T8 =T.. _
interior à temperatura ambiente de 25 ºC. Depois de e)Tc >T8 = T.. _
a sua porta ser fechada, com vedação perfeita, ele é 6. (Fuvest-SP) Um cilindro metálico, fechado com tampa,
ligado e, passado algum tempo, chega à temperatura contém 6,0 mols de ar à pressão de 4,0 atm e na tempe-
interna de 15 ºC. Se considerarmos o ar interno um ratura ambiente. Abre-se a tampa do cilindro. Depois de
gás ideal, é incorreto afirmar que: seu conteúdo ter entrado em equilibrio termodinâmico
com o ambiente, qual o número de mols que permane-
a) com a temperatura sendo reduzida, a pressão do ar
cerão no cilindro? (A pressão atmosférica é 1,0 atm e o
no interior do congelador também diminui.
ar admitido como sendo gás ideal.) 1.5 mol
b) a pressão do ar no interior do congelador é igual à 7. (UFMG) Afigura mostra dois botijões,A eB, de volumes
pressão atmosférica, no instante imediato ao do seu V8 = 2VA, isolados termicamente. Os dois recipientes
fechamento. contêm um mesmo gás ideal e estão em comunicação
X c) à medida que a temperatura baixa, a pressão do ar em através de um tubo onde existe uma válvula.
seu interior aumenta, após o fechamento do congelador.
válvula
d) a temperatura e a pressão da massa de ar contida .
"
«:
no congelador permaneceram com valores direta- i
·l!
mente proporcionais enquanto permaneceu o isola- -~
lil
mento térmico feito pela porta. A B
t
l!?

3. Determinada massa de gás ocupa um volume de 20 L, à 1


temperatura de 300 K e sob pressão de 3 atm. Calcule:
Na situação inicial, a válvula está fechada e as tempe-
a) a pressão exercida pelo gás a 300 K, quando o volu- raturas, as pressões e os números de moléculas, nos
me é duplicado. 1,5 atm dois recipientes, estão assim relacionados:
17,5 L
b) o volume ocupado pelo gás a 77 ºC e pressão 4 atm. TA= Te; pA= 2 ps; nA= ne

Capítulo 8 • As leis da Te rmodinâmica e as máquinas térmicas 125

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• •
Exerc1c1os comp 1ement ares Escreva
no cadern

Num certo momento, a válvula é aberta. Depois de atin- 11 . O gás carbônico (C02) tem massa molar igual a
gida a nova situação de equilibrio, tem-se: 44 g/mol e o hidrogênio 2 g/mol. Considerando que v1
e v2 são as velocidades médias por moléculas do C02 e
a)T: = T~; p: = p~; n: = n ~
do 8:z, respectivamente, e que esses dois gases se com-
(n' )
xb)T'A =T'B'· p A' =p'B'· n'A = --
B-
2 portam como gases ideais, calcule a razão v/ v2 quan-
do os gases estão a uma temperatura de 127 ºC. Jfi.
c) T: = T~; p:= 2p~; n: = n ~
12. São armazenados 8,0 mols de gás hidrogênio e
(T')
d)T'A = - 2-8 - ·' p'A = p B'
' · n'A = n 'B 4 ,0 mols de gás oxigênio em dois recipientes à mes-
ma temperatura. (Dados: massa molar do h idro-
8. O extintor de incêndio no carro, embora não obriga-
gênio = 2 g; massa molar do oxigênio = 32 g.) Esta-
tório, é um item de segurança recomendado. Já em
beleça uma relação entre as:
prédios residenciais e comerciais, sua disponibilida-
a) energias cinéticas dos gases. Ec(H) = 2E,(O)
de é obrigatória e, em alguns caos, é exigido mais de
b) energias médias por molécula. ec(H) = e,(o,)
um extintor que sejam capazes de apagar todos os
tipos de incêndios: aqueles que envolvem materiais c) velocidades médias das moléculas dos gasi::_s. _
V• = 4 V0
sólidos (tipo A), aqueles que envolvem líquidos infla- 13. (FMTM-MG) No interior de um recipiente' cilírl.-
máveis (tipo B) e aqueles que ocorrem com equipa- drico rígido, certa quantidade de um gás ideal
mentos elétricos energizados (tipo C). Contudo, não sofre, pormeio de um pistão, uma compressão isobá-
basta ter equipamentos de prevenção, é necessário rica, representada no diagrama. Sabendo-se que o
fazer a manutenção deles conforme a orientação dos êmbolo se desloca 20 cm, o módulo do trabalho rea-
fabricantes e dos agentes de segurança. lizado no processo e a intensidade da força F que o
Analise o caso de um extintor de incêndio que inicial- gás exerce sobre o pistão valem, respectivamente,
mente contém C02 , com pressão interna de 200 atm. p (10 5 N/m 2)
Após algum tempo, sem ter sido utilizado, ocorre a perda 4
de gás para o meio ambiente (o gás escapa) e a pressão
interna diminui. Para recarregá-lo, é necessário utilizar
a mesma quantidade de massa de C02 que escapou. De- o 2 5
termine, em porcentagem, a massa de gás que perma- a)30Je 600 N d) 60 J e 120 N
neceu no extintor comparada com a massa inicial. Para b)40Je 120N xe) 120 J e600N
isso, considere que o C02 tem comportamento de um c) 60Je 600N
gás ideal, que a temperatura dentro do extintor perma-
nece constante e que a pressão diminui até 140 atrn. 70% 14. Avalie quais das afirmações seguintes estão corretas.

9. O Determine a massa de oxigênio (02) que deve con- I. O funcionamento das máquinas térmicas tem ex-
ter um recipiente de volume igual a 20 L, sob pressão plicação no princípio de que o calor é uma forma de
de 4,0 atm e temperatura 27 ºC. = 104 g energia e, portanto, pode ser convertido em trabalho.
II. Na compressão de um gás, o trabalho realizado é ne-
Dado: M0 = 32 g/mol e R = 0,082 atrn · L .
2
gativo, ou seja, o gás recebe trabalho do meio exterior.
mol · K
m. Na expansão de um gás, o trabalho realizado é po-
10. Na figura a seguir temos um recipiente dividido em
sitivo, ou seja, o gás está realizando trabalho sobre o
duas partes por uma parede fixa. Na parte 1 são colo-
meio exterior.Todas as afirmações estão co11etas.
cados 5 mols de um gás perfeito a 127 ºC. Na parte 2
são colocados 12 mols de outro gás perfeito a 27 ºC. 15. Três mols de um gás idea l e monoatômico são sub-
metidos a uma transformação termodinâmica que o
G)
.... faz passar do estado A para o estado B com variação
"..
.,,..., de energia interna de UA = 2 200 J para U8 = 400 J .
.9 Considere a constante universal dos gases ideais
~ J
R = 8,3 - -1- e determine a variação de tempera-
mo ·K
tura entre os estados A e B. ""'48,2 K
16. Um mo! de um gás monoatômico realiza uma trans-
Se o volume na parte 1 é igual a 2,5 litros, determi- formação a volume constante, enquanto sua tempe-
ne o volume da parte 2 sabendo que a razão entre as ratura se eleva de 27 ºC para 50 ºC. Qual a variaç.ão
pressões 1 e 2 é igual a 5. 22,5 L de energia interna do gás em calorias? = 68.2 cal

126 Unidad e 4 • Estudo dos gases e Termodinâmica

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17. O gráfico representa a transformação de 4 mols de um gás 20. (UEL-PR) A figura abaixo representa urna transfor-
ideal e monoatômico, ao passar do estado M para o estado mação cíclica de um gás ideal.
N. Use as irúormações do gráfico, considere a constante p (N/m 2)
1 - e determine:
universal dos gases ideais R = 8, 3 - -
mol·K A

~~ Gc
p (10' N/m2 )

2 · 105
B, ,
1 1
1

o 1 · 10- 3 2 · 10- 3 V (m 3 )

1,0 O módulo do trabalho realizado nos trechos AB, BC e


CA emjoules é, respectivamente, de:
a) 200, 100 e O X d) 0,
200 e 300
0,1 0,.2 0,3 V (m")
b) 100, 100 e 100 e) 100, 200 e 300
a) a variação de temperatura durante essa transfor-
c) O, 300 e 100
mação; .. 301 K
21 . (UFPA) Em seus liv ros de Física, João descobriu que
b) a variação da energia interna do gás na transfor-
o trabalho realizado por uma máquina térmica indus-
mação; 1,5 · 10' J
c) o trabalho realizado pelo gás ao passar do estado trial está relacionado com a pressão, volume e tempe-
M para o estado N. 6,0 · TO' J ratura do gás utilizado pela máquina. A figura abaixo
representa um ciclo de trabalho de um gás ideal.
18. A transformação termodinâmica ocorrida em determi-
pressão ( / m2)
nada quantidade de um gás ideal para sair do estado Me
chegar ao estado N, está representada no gráfico a seguir. 3 . 105

2 · 105
-------~CJC
--------,
p (10'N/m 2 )
A, •D
' 1
M ' 1
6,0 ' 1
--~-----~ ' 1
1
1

3,0 ---- ~ : O 1 2 Volume (m 3 )


A partir da análise do gráfico, julgue as seguintes afir-
mações:
O 15 0,45 V (10·' m') I. A temperatura do gás no ponto C é 3 vezes a sua
Com as informações presentes no gráfico, determine, em temperatura no ponto A.
joules, o trabalho realizado durante a transformação. II. O trabalho realizado pelo gás ao longo de um ciclo
- 13.SJ foi de 105 joules.
19. (Fuvest-SP) O gráfico da figura representa uma trans-
Ili. Ao longo do ciclo ABCDA, a variação da energia
formação reversível sofrida por uma determinada
interna do gás foi positiva.
massa de gás perfeito.
IV. A temperatura do gás permaneceu constante du-
rante todo o ciclo ABCDA.
V. O ciclo ABCDA é constiruído por duas transforma-
ções isobáricas e duas adiabáticas.
Assinale a alternativa que contém apenas afirmações
corretas.
a) I e III xc) I e II e) me IV
b)IIeIV d)II e V
o 1 4
22. Numa transformação isobárica, o volume de um
a) Qual é a variação de temperatura do gás entre o gás aumentou de 2 cm3 para 7,5 cm3, sob pressão de
estado inicial A e o estado final C? o 46 · 105 N/ m 2 . Durante esse processo, o gás recebeu 15 J
b) Qual a quantidade de calor, em joules, recebida de calor do ambiente. Determine a variação de energia
pelo gás na transformação ABC? 12 J interna do gás. - 10,3 J

Capítulo 8 • As leis da Termodinâmica e as máquinas térmicas 127

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De volta ao começo

O refrigerador não viola nenhum princípio da Termodinâmica. Nele, a transferência de ca lor de


uma região fria (interior) para uma região quente (exterior) não acontece espontaneamente, mas
por meio do trabal ho externo, feito por um motor elétrico.
Vimos que, quando forçamos a expansão de um gás, tanto sua pressão quanto sua t empe-
ratura diminuem. São as transformações gasosas, que ocorrem em dois dispositivos específicos
na geladeira, as responsáveis pela manutenção da troca de ca lor entre esta e o ambiente. Esses
dispositivos são a válvula de expansão e o compressor. O gás (ou líquido) utilizado possui como
uma das principais características a evaporação a baixas temperaturas.
Na transformação em que ocorre a evaporação (do estado líquido para o gasoso), o gás pre-
cisa receber calor e o obtém no interior da geladeira. Ao condensar (do est ado gasoso para o
líquido), o gás precisa perder calor e o rejeita para o ambiente (calor este retirado do interior da
geladeira). Para a construção da geladeira, é preciso fazer com que essas transformações ocorram
de forma adequada dentro do aparelho. Por isso, a geladeira é composta das seguintes partes
com as respectivas funções :
• Compressor: como o nome diz, comprime o gás, aumentando a pressão e a temperatu ra.
O gás fica com a temperatura bem acima da ambiente.
• Condensador (serpentina externa): o gás (a alta t emperatura) rejeita o ca lor para o am-
biente. Com a perda de calor, o gás esfria e transforma-se em líquido.
• Tubo capilar: ao passar pela válvula, o líquido expande rapidamente (região de baixa pressão
gerada pelo compressor), volta ao estado gasoso e se resfria.
Evaporador: no estado líquido, o gás passa pelo conduto, aquecendo-se (recebe calor do
interior da geladeira).

evaporador

tubo capilar

compressor

Esquema simplificado do funcionamento de uma geladeira.

128 Unidade 4 • Estudo dos gases e Termodinâmica

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O ser humano sempre se sentiu de-
safiado pelos fenômenos que ocorrem
na natureza, como o arco-íris.
> • Por que ele é colorido?
• O arco-íris é um arco? É possível vê- lo
na forma de um círculo completo?

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,,,;;,;a.uu.1J.,H:11, a ___________
Professor, os comentários das questões de abertura da Unidade encontram-se no Caderno de orientações no final deste volume.

Muito se especulou, através dos tempos, sobre o que é a luz.


Na Antiguidade, por exemplo, acreditou-se que tanto os olhos emitiam luz,
para ver as imagens, como a recebiam.
As várias explicações propostas e a evolução do conhecimento sobre os fe-
nômenos ópticos f izeram que alguns cientistas, como o italiano Galileu Galilei
(1564-1642), o francês René Descartes (1596-1650) e o inglês Isaac Newton
(1642-1727), defendessem a ideia de que a luz era constituída por partículas.
Outros, como o holandês Christian Huygens (1629-1695), o suíço Leonhard
Euler (1707-1783) e o inglês Thomas Young (1773-1829), acreditavam que a luz
era um fenômeno ondulatório.
Gato.
Essas discordâncias sobre a explicação da natureza da luz, ora com um mo-
Os olhos de um gato
delo corpuscular, ora com um modelo ondulatório, duraram muitos anos,
emitem luz própria?
especialmente entre os séculos XVII e XVIII, e geraram grandes debates entre os
ProfelSOr, os comentários dessa seção encon- cientistas da época.
tram-se no Caderno de orientações no final deste
volume. Por motivos didáticos, o estudo da Óptica é dividido em duas frentes, as cha-
madas Óptica física e Óptica geométrica.
Na Óptica f ísica, estudam-se os fenômenos luminosos, cuja descrição depende
da natureza ondulatória da luz.
Na Óptica geométrica, estudam-se principalmente os fenômenos ligados à
propagação da luz com base em alguns princípios simples que consideram o raio
luminoso como um elemento definido geometricamente.

fl #·11Bii·fli'fa_______________
Denominamos fontes de luz os corpos que emitem luz. As fontes podem ser
classificadas em primárias e secundárias.

~ Fontes primárias e secundárias


As fontes primárias são representadas pelos corpos que emitem luz pró-
pria, como o Sol, o fi lamento de uma lâmpada acesa, a chama de uma vela
ou uma barra de ferro incandescente, por exemplo. Em geral, ocorrem rea-
ções em cada um desses elementos que transformam um tipo de energia em
energia luminosa.
Já as fontes secundárias são dos corpos que recebem luz de outras fontes
e enviam de volta uma fração dessa luz, ou seja, são corpos iluminados. Pode-
mos citar como exemplo de fontes secundárias os planetas, os satélites naturais
e artificiais e a maioria dos corpos que nos cercam, como carros, casas, mesas,
lápis etc.

130 Unidad e 5 • Ópóca

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~ Fontes pontuais e extensas
?>
Quanto ao tamanho das fontes de luz, podemos separá-las em dois tipos: ~
~
fontes pontuais (ou puntiformes) e extensas. ~
As fontes pontuais recebem essa denominação quando apresentam di- ~
mensões desprezíveis em relação às distâncias que as sepa ram dos outros cor-
pos. Nesse caso, consideramos que todos os raios de luz são emitidos de um
único ponto. Como exemplo, podemos citar a chama de uma vela ou de uma
lâmpada pequena quando iluminam um ambiente.
Quando as dimensões da fonte de luz são relevantes em comparação com
as distâncias entre os corpos, dizemos que se trata de uma fonte extensa de
A luz em itida por uma vela pode ser
luz. Nesse caso, consideramos que os ra ios luminosos são provenientes de toda considerada uma fonte pontual.
a extensão do corpo. Podemos considerar o Sol iluminando a Terra ou uma
E
lâmpada iluminando uma sala como exemplos de font es de luz extensas. ~
.!ã
j

Como d issemos anteriormente, a Óptica geométrica considera o raio


luminoso como um elemento geométrico na propagação da luz. Nesse
sentido, vamos estabelecer algumas definições quanto aos raios lum inosos,
sua propagação e sua velocidade.
Uma luminária, quando está acesa,
pode ser considerada uma fonte de
~ Raio de luz luz extensa.

Denominamos raio de luz a linha reta orientada que representa, geometrica- i


mente, a propagação da luz. Por vezes, observando a luz que atravessa a fresta ~
~
de uma porta num quarto escuro ou os raios solares penetrando em uma viela ~
ou floresta, podemos "visualizar" os raios de luz. De fato, não os vemos, mas, ~
nos casos acima, enxergamos a luz que é espalhada pelas pequenas partículas i
suspensas no ambiente, ist o é, a luz que é refletida em todas as direções por
essas partículas, como na fotografia ao lado. Vemos, então, esses raios refletidos
que atingem nossos olhos.
A representação do caminho ret il íneo percorrido pela luz é feita com um seg-
mento de reta orientado para indicar a direção e o sentido de propagação da luz:

Nessa imagem é possível observar os


Nessa representação não levamos em conta a largura ou a espessura do raio, raios de luz refletidos nas partículas
suspensas no ar.
considerado sem dimensão.

~ Feixe ou pincel de luz


Um conjunto de ra ios de luz que se propaga pelo espaço constitu i um
feixe ou um pincel de lu z. De acordo com sua forma geométrica , ele pode ser
cilíndrico ou cônico .
O feixe cilínd rico é representado por raios de luz paralelos. Os raios solares, ao
atingirem a superfície terrestre, podem ser considerados como um feixe paralelo.

1 '

'
\
\

'
Capítulo 9 • Introdução ao estudo da Óptica 131

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O feixe cônico pode ser divergente ou convergente.
No caso do feixe divergente, os raios de luz que o compõem partem, ou pa-
recem partir, de um ponto A (ver Figura 1).
No caso do feixe convergente, todos os raios de luz do feixe se propagam em
direção a um ponto 8 (ver Figura 2).

Figura 1: Feixe divergente.

Figura 2: Feixe convergente.

O feixe de luz mostrado na fotografia


pode ser considerado parcialmente
cilíndrico, pois os raios de luz são
praticamente paralelos.

A iluminação feita por uma lanterna é um exemplo de feixe divergente, mas,


ao atravessar uma lupa, o feixe torna-se convergente.

Feixe de luz divergente


e convergente.

~ Velocidade da luz
Apesar de ser extremamente rápida, a luz tem uma velocidade finita. Essa
velocidade de propagação no vácuo é de cerca de 300 000 km/s. Para se ter
uma ideia desse valor, basta fazermos a relação de que em apenas 1 s a luz
percorre a distâncía de 300 000 km . Na literatura física, a velocídade da luz é
simbolizada pela letra e e vale:

~ e= 299792.458 km/s = 300000 km/s

Em um meio material transparente, como o vidro, a água ou o ar, por


exemplo, a velocidade de propagação da luz é menor, sendo sempre uma
fração de e dada por uma propriedade do meio, chamada índice de refração.
O índice de refração pode depender de d iferentes variáveis, quando conside-
ramos diferentes materiais, mas de maneira geral existe uma relação inversa
com a sua densidade.

132 Unidade 5 • Ópóca

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Pelo fato de ser muito rápida, a luz é utilizada para medir grandes distâncias
determinando-se o espaço percorrido por ela em certo tempo. Define-se ano-
-l uz como uma unidade de medida de comprimento, usada principa lmente na
medição de distâncias astronômicas, que corresponde à distância percorrida pela
luz no vácuo, em um ano.

~ 1 ano-luz= 9,5 · 1012 km

~ Meios físicos
Ao atravessar os corpos, a luz se comporta de diferentes maneiras. De acordo
com esse comportamento, podemos classificar os meios físicos como transparen-
te, translúcido e opaco.
Um meio é considerado transparente quando a propagação da luz é regu-
lar e atravessa distâncias consideráveis em trajetórias bem def inidas. O vácuo é
um meio transparente, embora outros meios, como a água, o ar e o vidro po-
lido, por exemplo, possam ser considerados meios transparentes, quando em
espessuras relativamente pequenas. Em geral, objetos colocados atrás desses
meios podem ser vistos com nitidez.

j
.... ~
..
"' 1
"
·g"
.2
2'
;:li
~

1
1

Representação de um feixe de raios de luz atravessando


um corpo transparente. Na fotografia ao lado, é possível
observar com nitidez a imagem da boneca que está atrás
do vidro.

No caso de um meio denominado t ranslúcido, a propagação da luz acon-


tece de modo desordenado e irregular. Assim, fontes de luz que se encontram
após esse meio não podem ser vistas com nit idez. Podemos citar as nuvens, o
papel vegetal, o vidro fosco e alguns plásticos como exemplos.

Representação de um feixe de raios de luz


atravessando um corpo translúcido. Na fotografia
ao lado. é possível observar com menos nit idez a
imagem da boneca que está at rás do vidro fosco.

Capítulo 9 • Introdução ao estudo da Óptica 133

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Quando um meio, de modo geral, não permite que a luz se propague em seu
interior, dizemos que ele é opaco. Nesse caso, a luz é absorvida pelo meio e a
energia dissipada nele. São exemplos a madeira, as superfícies metálicas, a terra, o
petróleo e a maior parte das rochas.

:;;"
_,..
-;!!
~ j
..
~..
o
i 8
,Q

Representação de um feixe de raios de luz incidindo e


sendo absorvido por um meio opaco. Na fotografia ao
lado, é possível observar apenas a imagem da boneca
que não está oculta pela placa amarela.

É importante ressa ltar que essa classif icação dos meios em transparente,
translúcido e opaco é um modelo e é feita por razões didáticas, visto que a opa-
cidade de um meio depende de vários fatores, inclusive do t ipo de radiação (luz)
que incide sobre ele.
Também dizemos que um meio é homogêneo quando este apresenta as mes-
mas propriedades físicas e químicas em todos os pontos de seu volume.

Exercícios resolvidos
1 Sabemos que a velocidade da luz no vácuo é 300 000 km/s. Quanto tempo é necessário para que a luz chegue à
Terra, se ela partir:
a) da Lua? b) do Sol?
Dados: distância Terra-Lua = 3,84 · 105 km; d istância Terra-Sol = 1,5 · 108 km.

Resolução

Considerando a velocidade da luz, v = c = 3,0 · 105 km/s, temos:


t.s 3,84 · 105
a) àt = - ~ M = 3 0 . 10s = 1,28 ~ 6.t = 1,3 s
V '
t.s 1 5 · 108
b) M = v ~ M = 3:0 . 105 = 500 ~ M = 500 sou M = 8min20s

Sabendo que a velocidade da luz no vácuo é 3 · 105 km/s, calcule o valor de 1 ano-luz em quilômetros.

Resolução

Para esse cálculo, precisamos escrever o intervalo de tempo de 1 ano em segundos.


1 ano = 365 dias = 365 · 24 horas = 365 · 24 · 60 min = 365 · 24 · 60 · 60 segundos
1 ano = 3,16 · 107 s
A partir da velocidade, supostamente constante, podemos calcular a distância percorrida:
à.s
v= - ~ t.s = và.t
à.t
J1s = vi1t = 3 · 105 · 3,16 · 107 ~ t.s = 9,46 · 1012 km
1 ano-luz= 9,5 · 10u km

134 Unidade 5 • Ópóca

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• ·
Exerc1c1os propost os Escreva
no cadern

1. O que você entende por fontes de luz? Como elas são 1O. O sistema estelar conhecido como Alfa centauri é um
classificadas? Resposta pessoal. conjunto de três estrelas que orbitam o mesmo cen-
2. Uma fonte dita puntiforme precisa possuir dimensões tro de gravidade. Nele, encontra-se a estrela mais
pequenas? Não. Caracterizar uma fonte como puntiforme ou extensa é uma próxima da Terra depois do Sol, a aproximadamente
questão de referencial. 4,3 anos-luz de distância.
3. Uma lâmpada, no momento em que está acessa, pode
ser considerada uma fonte primária ou secundária de
luz? Quando a lâmpada está acesa, ela é uma fonte de luz J)!imária.
4. Uma estrela emite luz que só é detectada na Terra
após 10 anos. Determine a distância dessa estrela à
Terra nas seguintes unidades:
a) ano-luz; 10 anos-luz
b) km; 9,5 · 10" km
Dado: velocidade da luz no vácuo: v = 3 · 108 m/s.
5. Dos corpos citados a seguir, quais representam uma
fonte de luz primária: a, e, f
a) lâmpada acesa
b)lâmpada apagada
c) Sol
d)Terra 7. É uma forma de evidenciar a presença de vidro no
e)Lua local. pois. como ele é transparente, pode não ser visto
e provocar acidentes.
f) estrelas
6. (Fuvest-SP) Admita que o Sol subitamente "morres-
se", ou seja, sua luz deixasse de ser emitida. Vinte e
quatro horas após este evento, um eventual sobrevi-
vente, olhando para o céu sem nuvens, veria:
a) a Lua e estrelas.
b) somente a Lua.
x c) somente estrelas.
d)uma completa escuridão.
e) somente os planetas do Sistema Solar. A estrela Alfa centauri (indicada pela seta) pode ser vista
perto da constelação do Cruzeiro do Sul.
7. Nas edificações em fase de acabamento, geralmente
os vidros transparentes são instalados e marcados a) Quanto tempo demora o trajeto da luz desde o sis-
com pinceladas de tinta branca. Por que os constru- tema de Alfa centauri até atingir a Terra? 4,3 anos
tores adotam essa medida? b)Qual a ordem de grandeza, em metros, da distân-
8. Diferencie meios transparentes de translúcidos e cia desse sistema estelar à Terra? 101•m
exemplifique. Resposta pessoal.
11 . Em setembro de 2006, foi descoberta a explosão su-
9. Os meios físicos são classificados conforme o compor-
pernova de uma estrela localizada a 240 milhões de
tamento da luz ao atravessá-los. Avalie se as afirma-
anos-luz da Terra. Qual a ordem de grandeza de tal
ções seguintes são corretas. distância em quilômetros, sabendo que a velocidade
I. A água é um meio transparente quando em espes- da luz no vácuo é de 3,0 · 10 5 km.Is e que um ano tem
sura relativamente pequena. cerca de 3,0 · 107 segundos?
II. O vidro polido é um meio transparente quando em X a) 1021
espessura relativamente pequena.
b) 1023
III. O vidro fosco é um meio transparente quando em
c) 1025
espessura relativamente pequena.
d) 102 7
IV. O vidro fosco e o petróleo são considerados meios
opacos quando em espessura relativamente pequena. e) 1029
Somente as afirmações I e li estão co11e1as.

Capítulo 9 • Introdução ao estudo da Óptica 135

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,10,eJ,mc·t-.·s1•uuF:r1·rn,·1,n:1íl,:rai_______
A Óptica geométrica se baseia em t rês princípios: a propagação reti línea da luz,
a independência dos raios de luz e a reversibilidade dos raios de luz.

~ Propagação retilínea dos raios de luz


Esse princípio admite que, num meio homogêneo, a luz se propaga em linha
reta. A formação da sombra e da penumbra decorrem desse fato. Para entender
esses fenômenos, vamos analisar as duas situações a seguir.
Uma fonte luminosa pontual produz sombra sobre um antepa ro sempre que
houver um corpo opaco entre eles. Considerando que a luz percorre uma trajetória
em linha reta, no anteparo irá se formar uma região sem iluminação, em virtude da
obstrução do corpo opaco, que chamamos de sombra.
Se a fonte luminosa for extensa, teremos, além da sombra, uma outra região
com menor iluminação, que recebe o nome de penumbra. Nessa região, chega
somente parte dos raios de luz emitidos pelo corpo extenso.

penumbra projetada

1
sombra projetada
Fonte de luz puntiforme iluminando um Fonte de luz extensa iluminando um corpo opaco:
corpo opaco: formação da sombra. formação da sombra e da penumbra.

f> Câmara escura


O princípio da formação de imagem pela câmara escura já havia sido observado
por Aristóteles (e. 384-322 a.C), há mais de 300 anos antes de Cristo, que descreveu
a sua utilização ao observar a imagem do Sol produzida pela passagem da luz por
um pequeno orifício em uma folha de um arbusto. Ao longo de todos esses anos,
as técnicas de produção e reprodução de imagens foram sendo aperfeiçoadas, e
aquilo que começou com uma simples caixinha escura foi precursor das modernas
câmeras fotográficas.
A câmara escura de orifício também funciona em decorrência da propagação
ret ilínea da luz. A câmara tem paredes opacas, com um pequeno orifício em uma
delas. A luz proveniente de um objeto no exterior dela passa pelo orifício O e
forma na parede oposta uma imagem invertida.
Observe a figura abaixo e considere p a distância do objeto ao orifício da câ-
mara, d a distância da imagem ao orifício, o o tamanho do objeto e i o tamanho
Representação da formação da
imagem em uma câmara escura. da imagem.
A A relação entre a altura da vela, sua imagem
e as distâ ncias p e d é dada pela semelhança
entre os triângulos AOB e A ' OB'.
o

A imagem observada será tanto maior quanto


ª! p d
---- - - - - - - - - - - - - 1- t - -------<~
mais próximo estiver o objeto e será tanto mais
nítida quanto menor for o orifício.

136 Unidade 5 • Ópóca

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l> Ãngulo visual
A formação da imagem no olho hu-
mano segue, grosso modo, o mesmo
princípio da câmara escura de orifício,
porém utiliza lentes para projetar a ima-
gem sobre o nervo óptico. Para que a
imagem de um objeto seja vista com ni-
tidez, supondo um observador com visão
O observador vê o objeto segundo o ângulo visual 13.
normal, é preciso que este esteja a uma
distância mínima de 25 cm do olho.
Assim. considerando dois pontos que
representam as extremidades do objeto,
teremos os raios de luz que partem des-
ses pontos, incidem no olho e formam
necessariamente um ângulo, que é de-
nominado ângulo visual~.
A medida que o objeto se afasta do
olho do observador ou o observador se
afasta do objeto, o ângulo visual se re-
duz, e o objeto parece diminuir. O limite -----------d,------
,__________________ d3--------
de abertura do ângu lo, denominado li-
mite de acuidade visual para que a ima-
gem não perca a nitidez, é aproximada- Nessa representação, é possível o bservar que q uanto maior a distância entre o
objeto e o olho do observador, menor será o ângulo visual.
mente um minuto de arco (~mtn = 1').

~ Independência dos raios de luz


Esse princípio diz que raios de luz que se interceptam não sofrem mudança
de direção, ou seja, cada um conserva a sua trajetória, independent emente da
presença do outro .
Na região onde os feixes se interceptam, ocorre o que chamamos de inter-
ferência, podendo, por exemplo, acontecer o aumento da intensidade luminosa
em relação à iluminação gerada por somente um feixe. Mas, mesmo assim, cada
feixe continua com suas características constant es.

F,

Representação do aumento da intensidade


luminosa devido à interf erência (ou sobreposição)
dos feixes de luz.

A luz dos holofotes produz fetxes luminosos


mais intensos na região onde se interceptam.

Capítulo 9 • Introdução ao estudo da Óptica 137

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~ Reversibilidade dos
representação de espelho plano

raios de luz
Segundo esse princípio, a trajetória
percorrida pelos raios de luz é indepen-
dente do sentido de propagação desses
raios. Um raio de luz proveniente de um
ponto A, que, após sucessivas reflexões,
atinge o ponto B por determinada trajetó-
ria, pode descrever a mesma trajetória se
for invertido o sentido de propagação e o
A trajetória da luz é a mesma, seja pelo caminho AB, seja pelo caminho BA. raio seguir de B para A.

Exercícios resolvidos
3 Em determinado momento, um edifício projeta uma sombra de M
"' 30 m. No mesmo instante, uma régua de 50 cm projeta uma
sombra de 20 cm. Calcule a altura do edifício, considerando a
00 0 0
representação ao lado, que está fora de escala. DD DD
Resolução
DD DD X E

DD DD
Na representação ao lado, os triângulos EFG e MNP são seme-
lhantes; logo, podemos relacionar os dados por meio da pro- _.__,....__.__+-'-_ _ _ __,,__ _ __._-"'-'-_ __._
N: P F'
:o,2om: G
1
porção: 30m '
FG EF ~
Representação do edifício e da régua (sem escala).
NP MN
0,20 0,5
- - = - => X= 75 m
30 X

Durante uma apresentação, os cantores de uma dupla são iluminados por holofotes diferentes. Os holofotes emi-
tem feixes de luz que se cruzam, como mostra o esquema abaixo. O princípio que explica o cruzamento dos raios
luminosos é a:
a) reversibilidade dos raios de luz.
b) propagação retilínea da luz.
c) independência dos raios de luz.

Resolução

Os raios de luz, ao se interceptarem, não sofrem mudanças na sua direção e mantêm sua trajetória. Portanto, a
alternativa correta é a e.

Uma câmara escura tem profundidade de 40 cm. A que distância (p) da câmara está uma árvore de 3,5 m de altura,
se sua imagem tem altura de 3,5 cm?

Resolução
a
Dados: d = 40 cm = 0,4 m; o .,"a.
i = 3,5 cm = 0,035 m; o= 3,5 m.
1i V
.2

~
Pela semelhança de triângulos, temos:
p d
d
o p Representação (sem escala ou proporção) da formação da
0,035 = 0,4 => p = 40 m imagem em uma câmara escura.
3,5 p

138 Unidade 5 • Ópóca

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• ·
Exerc1c1os propost os Escreva
no cadern

12. Um poste de 4 m de altura é iluminado pelo Sol, pro- 17. (Enem/MEC) A sombra de uma pessoa de 1,80 m de
jetando uma sombra de 2,5 m. Qual a altura de um altura mede 60 cm. No mesmo momento, a seu lado,
homem que, no mesmo instante e em posição verti- a sombra projetada de um poste mede 2,00 m. Se
cal, projeta uma sombra de 1 m? 1,6 m mais tarde a sombra do poste diminui 50 cm, a som-
13. (ESPM-SP) Uma pessoa de 1,60 m de altura está em bra da pessoa passou a medir:
pé em frente do orifício de uma câmara escura, à dis- a)30cm.
tância de 2 m. Calcule a altura da sua imagem pro- Xb)45 cm.
jetada no anteparo, sabendo que esta tem 40 cm de c) 50 cm.
comprimento. 32 cm d) 80cm.
14. Durante um experimento, Pedro fez um feixe de luz e) 90cm.
se propagar num meio transparente e homogêneo. 18. O Sequoia acional Park, situado no centro da Cali-
Em seguida, Luana fez outro feixe de luz se propa- fórnia (EUA), preserva provavelmente os maiores e
gar no mesmo meio, de tal forma que os dois feixes se mais antigos seres vivos da Terra, as monumentais se-
cruzaram. Diante dessa situação, o que Pedro e Lua- quoias. Atualmente, essas árvores podem ser encon-
na puderam constatar? tradas em três locais da Califórnia, os parques Kings
a) Há propagação desses raios em trajetórias curvas. Canyon, o Sequoia Park e o Yosemite Park. A árvore
b) Há mudança de direção na propagação dos raios. conhecida como General Sherman, embora não seja a
mais alta, é a mais antiga entre todas as sequoias; ao
xc) Não há mudança na direção e no sentido de propa-
lado dela há uma placa com algumas informações.
gação dos raios.
(Idade estimada: 2 300 a 2 700 anos. Altura: 83,8 m).
d) Há mudança de sentido na propagação dos raios.
e) Eles se anulam.
15. A função do retrovisor é aumentar a visibilidade dos
motoristas quando estão dirigindo. Os espelhos late-
rais, tanto nas motos
quanto nos carros,
servem para auxiliar
o motorista a visua-
lizar áreas fora de sua
visão periférica, como
ocorre com a parte de
trás do veículo. Espe-
cialistas em trânsito Retrovisor de automóvel.
alegam que muitos
acidentes poderiam ser evitados se os espelhos retrovi-
sores externos estivessem posicionados corretamente.
Agora, atente para esta situação:
Parado num congestionamento, um rapaz numa
moto olha no retrovisor e percebe que atrás dele, a
alguns metros de distância, está parada uma motoci-
Arvore sequoia, no Parque Nacional Sequoia,
clista. Responda às perguntas seguintes: Califórnia, Estados Unidos (2014).
a) Caso eles não mudem de posição, é possível que
a motociclista perceba que está sendo observada? Num dia ensolarado, ao percorrer o Yosemite Park, um
Como? Sim. Caso a motocidísta olhe no espelho retrovisor visitante ficou admirado com a altura de urna jovem
· do rapaz, perceberá que está sendo obseivada. sequoia e resolveu medir uma das menores árvores
b) Qual princípio da Óptica geométrica justifica a sua
que encontrou. Usou como artificio a sombra da árvore
resposta ao item a? A melhor ,e_xplicação p_ara esse fenômeno é dada
pelo pnnc1p10 da revers,ibíl1dade dos raios de luz. (6,0 rn), a sua própria altura (1,5 rn) e sua sombra
16. Explique o significado do ângulo visual e do limite de (1,8 m). Com essas medidas, ele conseguiu determinar
acuidade visual para o olho humano. Resposta pessoal. a altura da árvore. Que altura é essa? 5 m

Capítulo 9 • Introdução ao estudo da Óptica 139

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Você sabia7

Como ocorrem os eclipses7



Os eclipses lunares e solares são fenômenos que nos atraem, tanto pela beleza quanto pelo desafio para
entendê-los. Neste momento, vamos analisar como ocorre o eclipse solar.
• Eclipse solar
Quando a Lua - na fase nova - se posiciona entre o Sol e a Terra, projetando sua sombra e/ou penumbra
sobre a superf ície terrestre, ocorrem o que denominamos ecli pses solares. Tais eclipses podem ser totais ou
parciais. Em outras palavras, os eclipses solares ocorrem, sob o olhar de um observador situado em determina-
da região da superfície da Terra, quando a Lua se posiciona entre a Terra e o Sol. Este fenômeno é extremamen-
te raro, pois Terra, Sol e Lua não estão no mesmo plano. O plano que contém a Lua está inclinado em 5,2º em
relação ao plano que contém a Terra e o Sol.
No esquema seguinte, temos a representação dos corpos durant e o fenômeno.

,,
,,
,

Terra

Representação da formação de um eclipse solar


'
(a imagem está fora de escala, sem proporção e '
em cores-fantasia}.

Considerando que a Lua projeta sobre a superfície terrestre


tanto seu cone de sombra (umbra) como sua zona de penumbra,
é possível ver o eclipse solar de duas maneiras. Chamamos de
eclipse solar t otal quando o observador está numa região da
superfície da Terra onde a umbra se projeta.

Nesta foto, a posição ocupada pela Lua


impede que o observador na Terra
veja o disco solar. Imagem obtida pela
Nasa de um eclipse solar de 2012.

Quando o Sol é visto de tal forma que fica parcia lmen-


te "encoberto" pelo disco lunar, temos a ocorrência do
eclipse solar parcial. Nesse caso, o eclipse será visto na
região da superfície terrestre onde a penumbra se projeta.

Eclipse parcial do Sol


(observado na Islândia, 2015).

140 Unidade 5 • Óptica

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Um fenômeno interessante - relativo ao eclipse
parcial do Sol - ocorre quando a Lua está próxima
do seu apogeu (posição em que ela está mais afas-
tada da Terra). Nesse caso, o observador vê o disco
lunar com um diâmetro pouco menor do que o so-
lar, o que possibilita a visão de um anel luminoso ao
redor da Lua, formando o que denominamos eclip-
se anelar ou anular. Eclipse anular do Sol (observação realizada em Tóquio, 2012).

Duração do eclipse solar


Durante um eclipse solar, a umbra que se projeta na superfície terrestre tem aproximadamente 200 km de
extensão. Devido ao movimento de rotação da Terra e ao movimento de translação da Lua, a sombra se desloca
pela superfície terrestre, para leste, com velocidade aproximada de 34 km/min . Assim, a duração máxima da
totalidade de um eclipse do Sol é cerca de sete a oito minutos. Se considerarmos o evento completo com as
fases de parcialidade, a duração do fenômeno se aproxima de 4 horas.

raios de sol

Representação do 'caminho" de um eclipse solar (imagem fora de


escala. sem proporção e em cores-fantasia).

Em condições favoráveis do clima, um eclipse solar total é visível numa estreita faixa sobre a superfície
terrestre, denominada caminho do eclipse. Em cada lado do cam inho do eclipse, a penumbra projeta sobre a
superfície da Terra uma região - de aproximadamente 3 000 km - onde é visível o eclipse parcial do Sol.

• Eclipse lunar
Quando a Terra está entre o Sol e a Lua, e a Lua penetra na umbra ou na penumbra da Terra, podemos
presenciar o eclipse da Lua. Vemos aparecer uma sombra sobre a lua cheia, que pode chegar a cobri-la to-
tal mente, no caso de um eclipse lunar total, ou parcial, quando apenas parte da Lua fica escurecida durante
algum tempo. A duração máxima de um eclipse lunar não ultrapassa 4 horas.

Representação da formação do eclipse lunar (a


imagem está sem escala. sem proporção e em
cores-fantasia). Eclipse lunar (observado
no Arizona. 2015).
Escreva
Atividades no caderno

1. Comparando-se o eclipse solar com o eclipse lunar, qual deles pode ser presenciado por um número maior de pes-
? J tifi Oeclipse lunar pode ser visto por qualquer habitante que estiver olhando para a Lua no momento em que ele estiver ocorrendo. Já o eclipse solar
soas· us que. pode ser presenciado apenas pela parcela da populaç.io que se encontra sob a sombra ou sob a penumbra da Lua, região que não chega a cobrir
toda a parte da Terra iluminada pelo Sol um pouco antes de o eclipse ocorrer.
2. Aprimore seu conhecimento sobre os eclipses fazendo uma pesquisa e organizando uma coletânea de focos que
possibilitem a realização de uma exposição, investigando a ocorrência ao longo dos anos (selecione um período) e
determinando quando e onde ocorrerá o próximo eclipse solar ou lunar.
Resposta pessoal. O ideal é que a atividade seja desenvolvida em grupo. O endereço eleuõnico da Nasa <edipse.gsfc.nasa.gOV>, pode ser um bom local de consulta.

Capítulo 9 • Introdução ao estudo da Óptica 141

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f1 #4,i.,,,f4, i41·,.oti-ta____________
Quando um feixe de luz se propaga em determinado meio e atinge uma su-
perfície de separação com outro meio, podem ocorrer os seguintes fenômenos
ópticos: reflexão, absorção, refração, dispersão e espalhamento da luz. No nosso
estudo trabalhamos cada um dos fenômenos isoladamente, entretanto na natu-
reza eles podem ocorrer simultaneamente.

~ Reflexão da luz
A reflexão ocorre quando um feixe de luz incide sobre uma superfície (dita
refletora) e retorna ao meio de origem, onde se propagava anteriormente. No
caso da reflexão da luz, vamos destacar duas situações: a reflexão regular e a
Pôr do sol.
difusão da luz (ou reflexão difusa).
Física e poeticamente
dizemos que o céu é azul.
Entretanto, há momentos
em que se torna bem
avermelhado. Quando e por
que isso ocorre?

Profe;so, os comentários dessa seção encon-


tram-se no Caderno de orientações no final deste
volume.
Representação da ref lexão
regular da luz.

Nessa imagem é possível observar a paisagem do pantanal


mato-grossense refletida no rio Paraguai (Paconé, MT, 2014).

A reflexão regular acontece quando um feixe de luz atinge uma superfície


polida e é refletido de forma regular, isto é, caso a incidência seja de um feixe
com raios paralelos, o feixe refletido também será paralelo.
A expressão superfície polida se refere a uma superfície cujas irregularidades
são desprezíveis, pois na rea lidade não há uma superfície plenamente polida. Os
espelhos planos são exemplos de superfícies polidas.
A reflexão difusa ou difusão da luz ocorre quando um feixe de luz incide numa
superfície e volta de forma irregular, ou seja, propaga-se em todas as direções.
Numa superfície rugosa, com imperfeições microscópicas, o feixe é refletido
de forma irregular. Como ele é refletido em diversas direções, pode ser visto por
observadores localizados nos mais diferentes lugares. Podemos dizer que é gra-
ças a esse fenômeno que enxergamos a forma dos objetos.
A reflexão difusa da luz permite entender por que, aos nossos olhos, os
corpos apresentam cores d iferentes. Podemos dizer que a cor de um corpo,
vista pelo olho humano, é determinada pela luz difundida por ele quando
iluminado pela luz solar.

Em vários locais, faixas coloridas são


colocadas em vidros t ransparentes. A
Representação da ref lexão
luz sofre difusão na superf ície colorida
difusa da luz.
da faixa e isso evita que as pessoas se
choquem com o vidro.

142 Unidade 5 • Ópóca

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~ Absorção da luz
O fenômeno da absorção consiste na transformação da
energia luminosa em energia térmica, principalmente. Nesse
caso, consideramos que a maior parte da radiação incidente é
retida no corpo. Nas pavimentações de ruas e estradas, é habi-
tual sinalizar o asfalto com faixas e letras brancas ou amarelas.
Assim, a camada negra do asfalto absorve a luz, que, por sua
vez, é difundida pelas faixas e letras brancas ou amarelas, auxi-
liando a visão do motorista.

Faixas de sinalização de
~ Refração da luz trânsito pintadas nas cores
branca ou amarela favorecem
a visualização dos motoristas
A refração da luz ocorre quando a luz incide numa superfície que separa dois
(Avenida Paulista, SP, 2014).
meios transparentes e, atravessando-a, propaga-se no outro meio. Quando isso
acontece, a luz pode sofrer mudança na direção de sua trajetória.
Quando um raio de luz que, ao se propagar no ar, chega à superfície de vidro
transparente, atravessa-a e retorna ao meio de origem (ar). Nesse caso, dizemos
que ocorrem duas refrações: na primeira, o raio de luz incide no vidro, atraves-
sando-o, e, na segunda, ele retorna ao ar, emergindo da placa de vidro.

ar

1
vidro

ar
Representação do fenômeno da refração em uma lâmina
de vidro.

~ Dispersão da luz Feixe de laser propagando-se do


ar para a água. Observe que uma
parcela do feixe de luz
Observe, na imagem abaixo, um feixe de luz branca, emitida pelo Sol, por sofre reflexão.
exemplo, atravessando um prisma de vidro.
Nossa visão não permite perceber que a luz branca é formada por várias co-
res, mas quando fazemos uso de um instrumento óptico, como o prisma, esse
fato fica evidente. Por ser formada por várias cores, a luz branca é denominada
policromática (poli: muitas; cromática : cores).
O espectro de cores formado ocorre por causa da dispersão luminosa. e cada
" luz" que o compõe, luz monocromática, possui determinada característ ica física,
a frequência. O fenômeno da dispersão é um desdobramento da refração, quando
a radiação interage com o novo meio de propagação.

Dispersão da luz branca em


um pri.sma.

Capítulo 9 • Introdução ao estudo da Óptica 143

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~ Espalhamento da luz
O espalhamento da luz é um processo que ocorre muito rapidamente, no qual as partículas da atmosfera
absorvem a radiação luminosa, emitindo-a para outra direção. Pode ser considerado um t ipo de refração, no caso
de a partícula ser transparente ou translúcida, como as moléculas dos gases e gotículas de água presentes no ar.
Mas a luz também pode ser espalhada por partículas opacas como a poeira e outros poluentes.
A luz branca é composta de várias cores. Cada uma delas possui um comprimento de onda (tema que você es-
tudará na próxima Unidade). As moléculas do ar, como o oxigênio e o nitrogênio, são mais eficientes em espalhar
comprimentos de onda curtos (azu l e violeta). Esse espalhamento seletivo das moléculas do ar é responsável pela
cor azul do céu.

t> A cor de um corpo


A luz branca do Sol apresenta um espectro de cores determinadas por uma frequência da luz bem definida . Um
objeto branco, ao ser iluminado pela luz branca, reflete (difunde) todas as cores, causando a impressão de um cor-
po branco. Um objeto preto, ao ser iluminado, absorve todas as cores, causando a impressão de um corpo preto.
luz branca luz branca luz branca

luz branca luz vermelha ausência de luz

O objeto branco reflete O objeto vermelho reflete a O objeto preto absorve


todas as cores. luz vermelha. todas as cores.

A rigor, ao identificarmos um corpo verde, por exemplo, e aí cabe dizer que os pigmentos não possuem cores
precisas, é possível que ele reflita outras cores em pequenas quantidades, porém a cor predominante será sempre
o verde.

Exercícios resolvidos

6 Escolha a(s) alternativa(s) correta(s).


a) O olho humano vê um corpo amarelo quando este, ao ser iluminado pela luz branca, reflete difusamente apenas
a luz amarela.
b) O olho humano vê um corpo amarelo quando este é iluminado apenas pela luz amarela.

Resolução

A alternativa a está correta, pois, ao ser iluminado pela luz branca, o corpo terá a cor determinada pela luz difun-
dida por ele. Portanto, se ele difunde a luz amarela, a sua cor será amarela.
A alternativa b está incorreta, pois, para o corpo difundir a luz amarela, ele pode ser iluminado pela luz branca ou
pela amarela.

Um corpo apresenta-se azul aos nossos olhos quando iluminado por luz branca. Se esse corpo for iluminado por
uma luz de outra cor que não seja a azul nem a branca, que cor apresentará?

Resolução

Se um corpo iluminado por luz branca apresenta-se azul, ele é constituído de um material que absorve todas as
cores, com exceção da azul, que é difundida. Portanto, qualquer outra cor que o ilumine, exceto a branca e a azul,
não será difundida e o corpo parecerá preto.

144 Unidade 5 • Ópóca

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• ·
Exerc1c1os propost os Escreva
no cadern

19. (Faap-SP) Um quadro, coberto com uma placa de vi-


dro plano, não pode ser visto tão nitidamente quanto
outro não coberto, porque o vidro:
a)éopaco.
b) é transparente.
02 de outubro
o 17 de setembro

c) não reflete a luz.


X d) reflete parte da luz.
e) é uma fonte luminosa. Considerando-se as características de cada uma das
fases da Lua e o comportamento desta no período
20. Uma bandeira possui listras coloridas nas cores ver- delimitado, pode-se afirmar que, dentre os fins de se-
de e branca quando recebe a luz branca. Conside- mana, o que melhor atenderia às exigências dos pes-
re que essa bandeira é utilizada por um torcedor cadores corresponde aos dias
que está em uma festa cujo ambiente é iluminado a) 08 e 09 de setembro. x d) 29 e 30 de setembro.
apenas por cor vermelha. Nessa situação, quais as
b) 15 e 16 de setembro. e) 06 e 07 de outubro.
cores observadas nas listras da bandeira? .
As listras observadas serão nas cores preta e vermelha c) 22 e 23 de setembro.
21 . Um jovem se veste para uma festa com camisa 23. Numa tarde ensolarada, um torcedor usa o uniforme
vermelha, calça azul e jaqueta verde, vistas sob luz verde do seu clube, com uma frase (escrita em azul) ho-
solar. Ao entrar no salão da festa, iluminado apenas menageando o seu principal ídolo. Depois do jogo, feliz
pela luz monocromática vermelha, enxerga sua com a vitória, o torcedor, sem trocar o uniforme, resolve
roupa de outra cor. Que cores o jovem nota em sua comemorar num restaurante, em cujo interior a ilumi-
roupa dentro do salão? Camisa vermelha, calça preta e jaqueta
nação é feita com luz monocromática azul. O garçom
preta.
22. (Enem/MEC) Um grupo de pescadores pretende pas- que o serve, ao olhar para o torcedor, vê:
sar um final de semana do mês de setembro, embarca- a) O uniforme na cor preta, mas a frase não é vista.
do, pescando em um rio. Uma das exigências do grupo b) O uniforme e a frase na cor preta.
é que, no final de semana a ser escolhido, as noites es- c) O uniforme e a frase com as mesmas cores apresen-
tejam iluminadas pela Lua o maior tempo possível. tadas ao Sol.
A figura representa as fases da Lua no período d) O uniforme e a frase na cor azul.
proposto. x e) O uniforme na cor preta e a frase na cor azul.

Você sabia?

O que a refletância tem a ver com a segurança


no trânsito?
Refletância é a relação entre a luminosidade refletida por uma superf ície e a
luminosidade incidente sobre ela. E segurança no trânsito tem tudo a ver com
sinalização e visibilidade.
As faixas pint adas nas ruas e nas estradas sobre o revestimento de asfalto,
por exemplo, perdem a f unção se não forem bem visíveis aos motoristas durante
o dia e também durante a noite. Para isso, há um índice de ref letância que deve
ser observado, o qual é det erminado matematicamente pelo quociente entre o
fluxo luminoso que chega ao observador após ser refletido pelo objeto, e o fluxo
total que atingiu o obj eto.
Para conseguir uma boa refletância das faixas sobre o asfalto, adicionam-se mi-
croesf eras de vidro à t inta utilizada. Out ro artifício é a colocação dos o lhos de gat o
As faixas de sinalização que são
pelas vias públicas, pois estes enviam de volta os raios de luz que neles incidirem. pintadas no asfalto possuem em
- - - - - . . . Ambos precisam receber a luz de outra fonte para que possam refleti-la sua composição materiais que
Responda Esc.i;va difusamente, dando a sensação de serem mais brilh,mtes que as outras refletem a luz de forma adequada
no ca erno fontes ao seu redor. No caso dos olhos de gato das estradas, ocorre para que elas sejam 11isíveis
reflexão total em um prisma de acrllico. durante o dia e à noite.
1. A Física explica tanto o brilho mais intenso dos olhos de um gato como o dos olhos
de gato colocados nas estradas. Por que eles brilham?

Capítulo 9 • Introdução ao estudo da Óptica 145

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Embora neste curso o estudo da Óptica geométrica seja prioritário, faremos
uma breve introdução à Óptica física (que será mais bem desenvolvida no próxi-
mo volume), cujo objetivo é apresentar alguns fenômenos com base na análise
da natureza da luz. Assim, vamos resgatar os estudos feitos por alguns cientistas
que se propuseram a esclarecer esse assunto.
Provavelmente, foram os atomistas da antiga Grécia os primeiros a buscar
explicações para a natureza da luz. Segundo eles, assim como a matéria, a luz
também seria formada por pequenas partículas indivisíveis. Essas partículas ex-
tremamente pequenas teriam a capacidade de se desprender da superfície dos
corpos e chegariam até os nossos olhos, permitindo a visão.
Outros filósofos gregos, os pitagóri cos, propunham uma explicação dife-
rente para a natureza da luz, baseada em investigações matemáticas. Para
eles, nós emitiríamos, por meio dos olhos, raios luminosos que seguiriam
em linha reta até o objeto e, após atingi-lo, voltariam aos olhos, causando o
fenômeno da visão .
Os filósofos árabes, entre eles Alhazen
(965-1040), propuseram que os nossos olh os
teriam a capacidade de enxergar os corpos de
maneira diferente, de acordo com a luz que os
iluminasse. Segundo eles, a luz não se originava
nem no objeto nem no olho que o observava;
portanto, tinha uma existência própria. Assim,
a luz seria formada por raios que, emitidos pela
fonte luminosa (Sol, fogueira ...), chegariam ao
objeto e daí partiriam em todas as direções,
inclusive sendo captados pelos olhos. Outra
possibilidade seria a de esses raios atingirem os
olhos vindos diretamente da fonte luminosa.
Mas, afinal, quem estaria certo? Qual a na-
tureza da luz?
Diferentes interpretações foram
sugeridas para a natureza da luz.
Na imagem, é possível observar
diversas estrelas no céu dos Lençóis
~ Modelo corpuscular da luz
Maranhenses. MA (2013).
Isaac Newton (1642-1727), ao estudar fenômenos luminosos, particularmen-
te aqueles ligados às cores, elaborou uma teoria sobre a natureza da luz, conhe-
cida como modelo corpuscular da luz. Nela, ele afirmava ser a luz constituída
por partículas que, ao serem emitidas por uma fonte luminosa, se propagam
no espaço com grande velocidade e em linha reta . O estímulo provocado por
essas partículas no nosso sistema óptico seria o responsável pela sensação de
visão. Com base nesse modelo, Newton conseguiu explicar, naquela época, fe-
nômenos ópticos, como a reflexão da luz, sua refração e a cor dos corpos. Mais
tarde foi verificado que esse modelo não era consistente no que se referia à
refração, pois a velocidade da luz num meio como a água é menor que no ar, e,
segundo o modelo de Newton, essa velocidade deveria ser maior. Mas na épo-
ca não havia condições para medir experimentalmente a velocidade da luz nos
meios materiais. Somente em meados do século XIX, Leon Foucault (1819-1868)
consegu iu fazer essa medição e constatou que a velocidade da luz na água é
menor que no ar. Criou, com isso, condições favoráveis para que os defensores
do modelo ondulatório da luz rejeitassem o modelo corpuscular.

146 Unidade 5 • Ópóca

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~ Modelo ondulatório da luz
Entre as explicações dadas sobre a natureza da luz, vamos
nos referir agora àquelas que não a tratam como partícula ma-
terial, mas como uma onda.
No século XVII, o cientista Christian Huygens ( 1629-1695)
observou que feixes de luz, ao se cruzarem, não se desviavam.
Se a luz fosse constituída de partículas, seria natural esperar que
elas colidissem e causassem o desvio dos feixes de luz.
Assim, Huygens propôs a hipótese de que a natureza da luz
não seria material, mas estaria relacionada às perturbações do
meio entre a fonte de luz e o observador.
O comportamento semelhante entre os fenômenos lumi-
nosos e ondulatórios fez alguns cientistas proporem um mo-
delo no qual a luz seria um t ipo de onda, que recebeu o nome
de modelo ondulatório da luz. Embora nesse modelo não hou-
vesse especificação sobre o meio de propagação da onda lumi-
nosa, o argumento usado foi suficiente para estabelecer uma
divisão entre as opiniões dos cientistas.
Um experimento decisivo que favoreceu os defensores do Cientista holandês
modelo ondulatório ocorreu há aproximadament e 200 anos e foi realizado por Christian Huygens
(quadro de 1671).
Thomas Young (1773- 1829). Nele, Young estudou a ocorrência da difração de
uma onda luminosa através de um orifício. Você estudará esses conceitos com
mais detalhes na próxima Unidade.

~ O comportamento dual da luz


No início do século XX, entretanto, existiam alguns fenômenos fís icos
que não podiam ser explicados nem com o modelo corpuscula r nem com o
modelo ondulatório . Entre esses fenômenos estão o efeito fotoelétrico e os
espectros atômicos.
O fenômeno que se conhece hoje por efeito fotoelétrico corresponde à
emissão de elétrons pela superfície de um met al quando este é ating ido pela
luz. O físico alemão Albert Einstein (1879-1955) desenvolveu estudos sobre o
efeito fotoelétrico e formu lou uma hipótese segundo a qual a luz seria consti-
tuída por partículas sem massa, atualmente denominadas fótons. Essa hipóte-
se, que propunha um caráter corpuscu lar para a natureza da luz, foi verificada
experimentalmente pelo físico americano Robert Millikan (1868-1953).
Assim, levantou-se novamente a questão: Afinal, qual a natureza da luz?
Atualmente, a Física Quântica aceita os dois comportamentos para a luz,
a dualidade onda-partícula, que você estudará no próximo Volu me desta
coleção.

~ -
Representação da luz como onda eletromagnética. Representação da luz como partículas.

Capítulo 9 • Introdução ao estudo da Óptica 147

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Sobre a propagação retilínea dos raios de luz
Nesta atividade, vamos trabalhar com a discussão
sobre a natureza da luz sugerida pelo holandês Chris-
Título: Biografia da Física
tian Huygens por meio de uma passagem do seu livro Autor: George Gamow
Traité de la lumiere [Tratado da luz], publicado em Editora: Zahar
1690. Ele considerava a luz uma onda que se propaga
no espaço e não um raio composto de partículas, como era sugerido por Newton. O texto
de Huygens aparece em Biografia da Física. Esse livro foi escrito por um importante f ísico
e divu lgador científico, George Gamow (1 904-1968), que nasceu na Ucrânia e se natura-
lizou estadunidense. Gamow ganhou o prêmio Kalinga de divulgação científíca em 1956.

[... ]
Os procedimentos da prova em óptica, como em todas as demais ciências nas quais a
Geometria é aplicada à matéria, baseiam-se em verdades deduzidas da experiência, isto
é, o fato de os raios de luz serem propagados em linhas retas, de o ângulo de reflexão ser
igual ao ângulo de incidência e de a refração obedecer à regra do seno, tão bem conheci-
da hoJe e não menos certa do que as outras.
A maioria dos que escreveram sobre as diversas partes da óptica contentou-se em
tomar essas verdades por fatos consumados. Alguns dos mais perscrut adores esforça-
ram-se por descobrir suas origens e causas, vendo que as consideravam efeitos ineren-
temente maravilhosos da natureza. Como, contudo, as opiniões apresentadas não são,
embora engenhosas, tais como as criaturas mais inteligentes não necessitariam de mais
explicações da natureza mais satisfatória, desejo apresentar aqui os meus pensamentos
sobre o assunto, de modo que eu possa, com o máximo de minha capacidade, contribuir
para uma solução daquela parte da ciência que é com razão considerada por muitos uma
das mais difíceis. Reconheço meu grande débito para com aqueles que foram os primei-
ros a começar a dissipar a estranha obscuridade que envolvia essas coisas e que me :fize-
ram aumentar a esperança de que ainda pudessem ser racionalmente explicadas. Mas,
por outro lado, não fico nem um pouco surpreso ao constatar que com muita frequência
consideram certíssimas e provadas conclusões que eram apenas muito inconsistentes ;
pois, ao que eu saiba com certeza, ninguém apresentou até agora uma explicação satisfa-
tória nem mesmo do primeiro e mais importante fenõmeno da luz, por que ela se propaga
precisamente em linhas retas e como os raios de luz, vindos de direções infinitamente
diversas, se cruzam sem se impedirem mutuamente.
Tentarei, portanto, neste livro, de acordo com os princípios aceitos pela filosofia con-
temporânea, apresentar razões claras e mais prováveis para as propriedades, primeiro para
a propagação retilínea da luz e segundo da reflexão da luz quando ela encontra outros
corpos. Depois, explicarei os fenômenos dos raios que, ao atravessar diferentes tipos de
corpos transparentes, sofrem a chamada refração; e com isso tratarei também dos efeitos
da refração no ar, resultantes de diferenças de densidades atmosféricas.
Prosseguirei com a investigação da estranha refração da luz de um det erminado cris-
tal trazido da Islândia. Finalmente, tratarei das diferentes formas de corpos transparen-
tes e refletores, por meio dos quais os raios são levados a convergir para um ponto ou,
então, desviados das mais diferentes maneiras. Nisso se verá com que facilidade a nossa
nova teoria levará à descoberta não apenas das elipses, hipérboles e outras curvas que
Descartes sugeriu engenhosamente para esses efeitos, mas também das figuras que for-
mam uma superfície de um vidro quando se sabe ser a outra superfície esférica, plana ou
de qualquer outra forma ...

148 Unidad e 5 • Ópóca

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Como agora, de acordo com essa filosofia, se tem por certo que o sentido da visão é apenas
estimulado pela impressão de um certo movimento de um material agindo sobre os nervos
por trás dos nossos olhos, essa é mais uma razão para se acreditar que a luz consista em um
movimento da matéria entre nós e o corpo luminoso. Se, mais ainda, damos atenção e pesamos
a significação da extraordinária velocidade com que a luz se espalha em todas as direções, e
também ao fato de, vindo ela, como vem, de direções diferentes e até opostas, os raios se inter-
penetrarem sem impedirem uns aos outros, poderemos então bem compreender que, sempre
que vemos um objeto luminoso, isso não pode ser resultado da transmissão da matéria que nos
atinge vindo do objeto, como, por exemplo, um projétil ou uma flecha voa através do ar, pois isso
é uma contradição por demais grande das duas propriedades da luz, da segunda em particular.
Assim, ela se deverá espalhar de modo diferente e precisamente os nossos conhecimentos so-
bre a propagação do som no ar podem levar-nos a uma compreensão desse modo.
Sabemos que, por meio do ar, que é um corpo invisível e impalpável, o som se espalha por
todo o espaço que envolve a sua fonte por um movimento que avança gradativamente de uma
partícula de ar para a partícula de ar seguinte, e , como a propagação desse movimento se dá
com igual velocidade em todas as direções, devem ser formadas superfícies esféricas que se
expandem cada vez mais até finalmente atingirem os nossos ouvidos. Ora, está fora de dúvida
que a luz nos atinja vinda dos corpos luminosos por meio de algum movimento que é trans-
mitido à matéria intermediária, pois já vimos que isso não poderia ter ocorrido por meio da
translação de um corpo que nos possa ter atingido de lá. Mas se, como cedo investigaremos,
a luz necessita de um tempo para a sua trajetória, segue-se que esse movimento transmitido
à matéria deve ser gradativo e que, como o som, deve expandir-se em superfícies esféricas ou
ondas; eu as chamo de ondas por causa de sua semelhança com as que vemos formadas na
água quando nela é jogada uma pedra e porque nos permitem observar uma expansão grada-
tiva igual em círculos, embora sejam resultantes de uma causa diferente e só se formem em
uma superfície plana ...
[ ... ]
GAMOW, G. Biografia da física. São Paulo: Zahar, 1968. p. 90-92.

Escreva Professor, os comentários dessa seção enconuam-se no Caderno de orientações no final deste
Atividades no caderno volume.

1. Logo no primeiro parágrafo do texto, Huygens trata de um dos princípios da luz e de duas leis.
Escreva no caderno quais são as leis e qual é o princípio a que ele se refere.

2. No final do segundo parágrafo, Huygens se refere a outro princípio dos raios de luz. Reescreva
esse trecho no caderno e diga a que princípio ele está se referindo.

3. Com relação às diferentes densidades que a atmosfera pode apresentar (terceiro parágrafo), cite
um fenômeno que pode estar associado a essa variação.

4. Quando Huygens menciona o nervo que existe atrás dos nossos olhos, ele está se referindo a que
nervo (se achar necessário faça uma pesquisa para responder a essa questão)? E qual movimento
entre o nosso corpo e a fonte luminosa deve existir segundo o autor?

5. Quando Huygens compara a luz ao som, que natureza ele deseja evidenciar?

6. Em grupo, faça uma pesquisa sobre a natureza da luz nos dias de hoje. Qual o modelo mais acei-
to? O que foi feito dos modelos antigos? Procure novos exemplos para as explicações da natureza
ondulatória e de partículas. Apresente a sua pesquisa em forma de painel.

Capítulo 9 • Introdução ao estudo da Óptica 149

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· · propost os
Exerc1c1os Escreva
no cadern

24. Descreva como os atomistas explicavam a natureza 27. Faça uma pesquisa sobre o experimento de Thomas
da luz. Resposta pessoal. Young, analisando a difração de uma onda luminosa
por um orifício. Com base nos dados obtidos, redija
25. Qual o seu entendimento sobre o modelo corpuscular um texto descrevendo esse experimento e relate a sua
O modelo defendida por Newton
da luz proposto por Newton? afirmava qoe a luz era composta de importância. Resposta pessoal.
partículas e conseguia explicar os fenômenos da reflexão e da refração e as cores
dos corpos. 28. Evidencie e explique a diferença entre as hipóteses
26. O que levou Huygens a rejeitar o modelo corpuscular sobre a natureza da luz segundo os atomistas da Gré-
da luz? cia antiga e Albert Einstein. Ambas as hipóteses discorriam sol>re
o comportamento corpuscular da luz. Entretanto, os atomistas da Grécia evidenciavam
Huygens ol>servou que feixes de luz que se cruzavam não se desviavam. Se a luz que a luz seria formada por pequenas partículas emitidas por nós. All>ert Einstein formulou
fosse constituída de partículas. seus feixes deveriam colidir e mudar de trajetória. a hipótese de gue a luz seria constitulda por "pacotinhos de energia " sem massa,
denominados filtons.

~
"o
A Física encontra a Arte i<(

O edifício conhecido como Palácio Gustavo Capanema,


no Rio de Janeiro, onde atualmente funcionam os escritórios da
Fundação Nacional das Artes (Funarte) e o Instituto do Patrimô-
nio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), é um dos símbolos do
movimento modernista brasileiro, com obras de Cândido Porti-
nari (1903- 1962) em seu interior.
O projeto arquitetônico foi desenvolvido por uma equipe
formada por profissionais mundialmente conhecidos, como Lú-
cio Costa, Oscar Niemeyer, Burle Marx e Le Corbusier.
Um dos nomes mais importantes da poesia modernista,
especificamente do segundo período do Modernismo, Carlos
Drummond de Andrade (1902-1987), que nasceu em ltabira,
Minas Gerais, teve, em 1935, a oportunidade de presenciar a
construção desse edifício que inicialmente foi ocupado pelo an-
t igo Ministério da Educação e Saúde (MES).
No período de 1930 a 1945, o quadro econômico, político
e social no Brasil e no mundo era conturbado e havia efeitos da
crise da Bolsa de Nova York, a ascensão do nazifascismo e, em Fachada do Palácio Gustavo Capanema, RJ (2014).
nosso país, a crise cafeeira e da República Velha, a ascensão de
Getúlio Vargas e a implantação do Estado Novo.
Começo a ver no escuro
Esse contexto exigiu dos artistas do período, de diferentes formas
um novo tom de escuro.
de expressões, uma nova postura diante da realidade. Por exemplo,
[ ... J
a poesia passou a questionar a existência humana, abrangendo as-
ANDRADE, Carlos Drummond de. José & outros.
pectos da inquietação social, filosófica, religiosa, ideológica e dos Rio de Janeiro: José Olympio, 1967. p. 73.
sentimentos. Entre os muitos poetas e escritores do Modernismo,
um dos mais representativos é Drummond, que além de poeta foi contista e cronista. Da sua vasta obra literá-
ria, destacamos a estrofe inicial do poema Ciência, em que se observa no escuro um tom de escuro.

Escreva
Responda no caderno

1. Nesse poema, Drummond faz uso de apenas um recurso poético ou existe a possibilidade de enxergar no escuro?
Como no escuro não há fontes de luz primárias, não há emrssão ou reflexão de raios luminosos que sensibilt2em a retina.
2. Qual a relação entre o contexto político, econômico e sodal de uma época com a produção cultural, seja artística
ou científica? Nenhuma piodução rultural, seja artlstica ou científica, é independente das condições e da ideologia de seu contexto.

150 Unidade 5 • Óptica

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~ Leis da reflexão
Vímos que reflexão é o fenômeno em que um raio ou feixe de luz retorna ao
mesmo meio em que se propagava após incidir em uma superfície. A descrição
geométrica da reflexão da luz está fundamentada no que denominamos leis de
reflexão. Para enunciar essas leis, vamos representar apenas um raio de luz e
analisar a sua trajetória .
Nas fi guras a seg uir, 5 é a superfície refletora e N é a reta normal à superfície
no ponto de incidência P. Chamamos de reta normal uma reta suporte perpendi-
cular à superfície no ponto onde o raio de luz incide, em relação à qual se medem
alguns ângulos. Por convenção, desenhamos essa reta pontilhada.

N N
Caminhão sendo observado por
um espelho retrovisor.

Durante uma
ultrapassagem, o que
ocorre com a imagem do
carro mais lento quando
o observamos pelo
espelho retrovisor?

Professor, os comentários dessa seção encon-


uam-se no Caderno de orientações no final
deste volume.

Reflexão em superf ície plana. Reflexão em superfície esférica.

O raio de luz RI representa o raio incidente em P; ele forma o ângulo de


incidência i com a reta normal. O raio de luz RR representa o raio refletido, que
forma o ângulo de reflexão r com a reta normal.
Existem duas leis que descrevem como ocorre a reflexão da luz:

~ 1ª lei - O raio incidente, a reta normal e o raio refletido estão contidos no


mesmo plano.

~ 2ª lei - O ângulo de incidência tem a mesma medida do ângulo de


reflexão.

Capítulo 10 • Reflexão da luz nos espelhos planos 151

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f1 #! ·f41 G·ti ·l fii h·tA_______________________
Os espelhos são classificados segundo a forma geométrica de sua superfície.
Denomina-se espelho plano toda superfície perfeitamente lisa e plana onde a reflexão da luz acontece de forma
regular.

espelho

lanterna

superfície
refletora

Esquema da reflexão de um raio de luz em um espelho plano, fotografia do fenômeno e o respectivo esquema simplificado. Em geral, a
superfície não refletora (parte de trás do espelho) é indicada com pequenos t raços inclinados.

Os espelhos podem ser confeccionados com diversas técnicas e materiais, dependendo de sua qualidade ou
função. Podem ser feitos com crômío, prata ou níquel, que são metais prateados. Em geral, o vapor do metal é
apl icado sobre uma placa de vidro ou cristal. Os espelhos planos são muito utilizados em decoração de interiores,
país dão a impressão de maior prof undidade.

~ Ponto objeto e ponto imagem


Definimos ponto objeto como o vértice do feixe de luz incidente num sistema óptico (por exemplo, um espel ho
plano), ou seja, a intersecção dos raios de luz que incidem nesse sistema. Considerando o t ipo de feixe incidente,
o ponto objeto classifica-se em real, virtual ou impróprio.

Ponto objeto real Ponto objeto virtual Ponto objeto impróprio


....
"'
(POR)
espelho
(POV}
espelho
(POoo)
espelho
i
·~ ~
- ----..1 ---------:-:~
;2

!
=- POR
- ---~-___-___
...
POV POoo
----------
Vértice do feixe incidente cônico Vértice do feixe incidente cônico Vértice do feixe incidente cilíndrico
divergente. convergente. representado por um ponto no infinito.

Definimos ponto imagem como o ponto de intersecção dos raios de luz emergentes do sistema óptico. Consi-
derando o tipo de feixe emergente, segue a mesma classificação citada no item anterior para o ponto imagem: real,
virtual ou impróprio.
Ponto imagem virtual Ponto imagem impróprio
Ponto imagem real (PIV) (Ploo)
(PIR)
espelno espelho espelho
~
~

--
e,;,[-:.:_----_-- -
PIR PIV --
Plcc

Vértice do feixe emergente cônico Vértice do feixe emergente cônico Vértice do feixe emergente cilíndrico,
convergente. divergente. representado por um ponto no infinito.

152 Unidade 5 • Ópóca

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Gladstoo• Campos

Quando olhamos na direção de um espelho, podemos ver as imagens dos


objetos ao nosso redor reflet idas nele. A observação das imagens depende das
posições relativas entre observador, objeto e espelho. Em Física, utilizamos o verbo
conjugar para dizer que o espelho forma determinada imagem a partir do objeto.
Dizemos também que o objeto e sua imagem conjugada pelo espelho plano
são simétricos em relação a este; isso significa que a imagem t erá as mesmas
dimensões que o objeto e se encontrará a uma mesma dist ância "atrás" ou
" dent ro " do espelho em relação ao objeto.
Por convenção, cost umam-se desenhar os raios auxiliares " atrás " do espelho
sempre t racejados para não serem conf undidos com os raios de luz efet ivos. Em
construções simples com o espelho plano, na maioria dos casos, o objeto é real e
sua imagem é virtual e formada sempre pelos raios tracejados " atrás " do espelho
(ponto imagem virtual). Quando "meia" gravura é colocada
Na Ópt ica geométrica, costumamos caracterizar a imagem segundo sua na- em frente a um espelho, a figura se
completa com a imagem conjugada,
tureza (real ou virtual), sua orientação (direita ou invertida) e seu t amanho em o que mostra sua simetria com o
relação ao objeto (maior, menor ou igual). objeto.

~ Imagem de um objeto espelho plano