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FACULDADE UNINASSAU

CURSO DE BACHARELADO EM EDUCAÇÃO FÍSICA

GIOVANNA MAGALHÃES MONTEIRO (MAT: 17031768)


ISMAEL FERREIRA BRITO (MAT: 17028728)
JOELE SANTOS DE CARVALHO (MAT: 17026856)
LORENA SOUSA GOMES (MAT: 17028892)
LUCIA DE FÁTIMA NASCIMENTO MARTINS (MAT: 17031085)
NAYANE KATRE LIMA DE SOUSA (MAT: 17031579)
RONALD PAULO RIBEIRO DOS SANTOS (MAT: 17024566)

Alterações cardiológicas e respiratórias advindas do processo de envelhecimento

BELÉM - PA
2021
GIOVANNA MAGALHÃES MONTEIRO
ISMAEL FERREIRA BRITO
JOELE SANTOS DE CARVALHO
LORENA SOUSA GOMES
LUCIA DE FÁTIMA NASCIMENTO MARTINS
NAYANE KATRE LIMA DE SOUSA
RONALD PAULO RIBEIRO DOS SANTOS

Alterações cardiológicas e respiratórias advindas do processo de envelhecimento

Trabalho apresentado a Faculdade Mauricio de Nassau,


como requisito parcial de avaliação da disciplina Educação
Física na Terceira Idade, do Curso de Bacharelado em
Educação Física, da turma 5NNA, sob a orientação da
Professora Ma. Carmen Tereza da Silva Xavier

BELÉM - PA
2021
INTRODUÇÃO
O envelhecimento pode ser compreendido como um conjunto de alterações estruturais e
funcionais do organismo, que se acumulam de forma progressiva, especificamente em função
da idade (CAMPOS, 2019). O aumento na proporção de idosos na população ocorre em todo
o mundo, acarretando um aumento dos custos e gastos médico-sociais, criando problemas
sociais, políticos e econômicos (CAMPOS, 2019). Este envelhecimento da população do
mundo desenvolvido afeta o planejamento futuro em serviços de emergência e aumenta o
interesse em estudos de doenças crônicas. De acordo com o estudo das Nações Unidas,
atualmente, as pessoas com mais de 69 anos representam 22% da população total, e estima-se
um aumento de 35% até 2100 (CAMPOS, 2019).
Doenças respiratórias associadas ao avanço da idade são contribuintes significativos
para morbidade e mortalidade em adultos> 65 anos de idade. Por exemplo, comparado com
adultos mais jovens, há uma incidência três vezes maior de pneumonia em adultos saudáveis
> 65 anos de idade e uma incidência 10 vezes maior de pneumonia em pacientes > 65 anos de
idade em instituições de cuidados crônicos (CAMPOS, 2019). Este aumento da incidência de
doenças respiratórias relacionada ao envelhecimento pode ser atribuído em parte a um
processo progressivo enfraquecimento dos músculos respiratórios resultando em tosse menos
eficaz (CAMPOS, 2019). Com base na alta incidência de internações e mortes decorrentes de
patologias respiratórias, principalmente no inverno, observa-se grande interesse das entidades
governamentais mundiais, no controle e prevenção de doenças respiratórias na população
idosa. As doenças mais comuns nos idosos são de natureza cardíaca ou respiratória, embora
número extenso de comorbidades pode afetar o prognóstico e diagnóstico desta população
(CAMPOS, 2019).
O processo de envelhecimento desencadeia no indivíduo uma série de alterações
fisiológicas, sendo que as primeiras podem ser detectadas já ao fim da terceira década de vida.
Essas alterações são observadas em todos os sistemas do organismo, sendo que as principais
alterações funcionais que afetam o desempenho físico são a perda de força muscular geral e a
redução da amplitude de movimentos articulares. Associadas às alterações ósseas e articulares
e dos tecidos moles, estas alterações promovem modificações no posicionamento dos
segmentos corporais, durante a sustentação do corpo e na biomecânica respiratória (SILVA,
2018).
Com a idade ocorrem alterações na anatomia, fisiologia e nos conceitos de normalidade
cardiovascular atribuídos à população mais jovem mesmo na ausência de doenças, como: a
diminuição da elasticidade das artérias, comprometimento da condução do estimulo elétrico e
diminuição da distensibilidade do coração, que, em alguns casos, podem causar arritmias,
além de redução na função adaptativa da pressão, diminuindo a adaptação postural (SILVA,
2018).
Também com o envelhecimento, ocorre o aumento da incidência de doenças
cardiovasculares (DCV), tais como: doenças das artérias coronárias; doenças
cerebrovasculares; doenças vasculares periféricas e de doenças renais e doenças pulmonares,
que podem acelerar as alterações da função cardiovascular (SILVA, 2018). Segundo a
Organização da Saúde e a Sociedade Internacional de Hipertensão, as DCV são responsáveis
por um terço das mortes em todo o mundo e, aproximadamente, um quarto da população
acima dos 65 anos, nos países industrializados, sofre deste tipo de doenças (SILVA, 2018).
Tais fatos fortificam o argumento de que o determinante mais importante da saúde
cardiovascular é a idade de uma pessoa. Apesar da importância da doença cardiovascular nos
idosos, faltam grandes estudos direcionados a esta população. Os idosos representam uma
parcela expressiva dos pacientes que procuram atendimento cardiológico. Até 2030, cerca de
20% da população terá 65 anos ou mais. Nesta faixa etária, as DCV irão resultar em 40% de
todas as mortes e classificar-se como a principal causa. Além disso, o custo para tratar a
doença cardiovascular triplicará nesse tempo. Portanto, continua sendo vital que entendamos
por que a idade é um componente tão crítico da etiologia das DCV (SILVA, 2018).

ALTERAÇÕES CARDIOLÓGICAS (SILVA, 2018)


Cardíacas
Hipertrofia do Ventrículo esquerdo: Este espessamento da parede ventricular esquerda
aumenta progressivamente com a idade e em ambos os sexos, e reflete-se num aumento
moderado do peso do coração que predispõe doenças tais como, insuficiência cardíaca,
taquicardia ventricular e fibrilação ventricular.
Diminuição da contratilidade (contração) do miocárdio: A contração torna-se mais
longa, aumenta o período refratário e o miocárdio demora mais tempo para chegar à sua força
máxima. As alterações mecânicas resultantes da diminuição da contratilidade provocam um
atraso no relaxamento no miocárdio e uma relaxação incompleta do ventrículo esquerdo
durante o enchimento diastólico inicial. Observa-se, assim, uma redução do enchimento
diastólico inicial, que aos 80 anos está reduzido em cerca de 80%.
Diminuição da sensibilidade cardíaca ao estímulo β-adrenérgico do miocárdio:
primeiro, o que é esse estímulo? O sistema nervoso simpático desempenha um importante
papel no controle da pressão arterial, especialmente em situações patológicas como na
hipertensão arterial. O músculo liso vascular é inervado por fibras nervosas do sistema
autônomo simpático e os neurotransmissores liberados desses terminais nervosos podem
afetar as funções do músculo liso vascular. As catecolaminas são um grupo de hormônios
semelhantes, produzidos na medula adrenal, na porção interna das glândulas adrenais. Estas
são pequenos órgãos triangulares localizados acima de cada rim. As principais catecolaminas
são dopamina, epinefrina (adrenalina) e norepinefrina. As catecolaminas como a adrenalina e
a noradrenalina, regulam processos fisiológicos pela ativação de receptores adrenérgicos
específicos localizados na membrana celular. Quer o aumento da frequência cardíaca (FC)
induzida pelo exercício ou pelas catecolaminas, quer a contractilidade do miocárdio, estão
seriamente limitados nos sujeitos idosos. De uma forma geral, o débito cardíaco máximo está
limitado em 20-30% no idoso, em comparação com um sujeito jovem saudável.
Diminuição do consumo máximo de oxigênio (VO2 max): A capacidade aeróbia
máxima, por exemplo, é uma função fisiológica que é notadamente afetada com o
envelhecimento. O consumo máximo de oxigênio (VO2max) decresce a partir da segunda
década de vida, e chega a atingir a magnitude de 1% ao ano. Por outro lado, os níveis de
VO2max apresentam relação inversa e estreita com o risco cardiovascular, infarto agudo do
miocárdio, hipertensão arterial e morbi-mortalidade.

Vasculares
Enrijecimento arterial: Com o avanço da idade ocorre o enrijecimento arterial que é um
processo próprio do envelhecimento, decorrente do desgaste imposto ao longo dos anos
levando à ruptura das fibras de elastina na parede das artérias e sua substituição por colágeno
menos distensíveis, resultando na redução da complacência arterial e aumento da velocidade
de propagação das ondas de pressão que por sua vez resulta no retorno mais precoce das
ondas refletidas da periferia à raiz da aorta.
Dilatação das grandes artérias: As grandes artérias dilatam-se, e suas paredes
engrossam, particularmente devido a mudanças na matriz da parede, aumento na atividade
elastolítica e colagenolítica e no tônus muscular liso. Essas modificações levam a aumentar a
rigidez vascular com o avanço da idade.
Amplificação da PAS (pressão arterial sistólica): ainda durante a sístole leva à
amplificação da PAS (pressão arterial sistólica), responsável pelo aparecimento de HAS
(hipertensão arterial sistólica), hipertrofia ventricular (HVE) e aumento atrial.
Consequentemente, o coração do idoso tem comprometimento da adaptação às situações de
sobrecarga.
Lesão endotelial: As modificações que ocorrem no endotélio do idoso contribuem para
o surgimento de doença aterosclerótica. A vasodilatação dependente do endotélio diminui
progressivamente com a idade e tem influência para o desenvolvimento de DCV (doença
cardiovascular). O principal mecanismo parece ser a redução da disponibilidade do NO
coronários. A lesão endotelial é cumulativa e dá origem a maior número de placas
ateroscleróticas, caracterizando um comprometimento mais difuso. Essas placas têm um
menor conteúdo lipídico e capa fibrosa mais calcificada o que diminui o risco de ruptura,
porém o maior número de placas eleva a probabilidade de eventos coronários.
Aumento da Pressão de Pulso: Com o envelhecimento, observa-se um aumento da PAS.
Por outro lado, a PAD parece aumentar até aos 50 anos, manter-se durante cerca de 10 anos e
diminuir a partir daí. Como consequência do aumento da PAS e da diminuição da PAD, a
pressão de pulso (a diferença entre a pressão sistólica e a diastólica) aumenta no idoso. A
pressão de pulso traduz a componente pulsátil da PA e é considerada um indicador
hemodinâmico útil da rigidez vascular das artérias. O aumento da rigidez vascular da aorta e
dos seus principais ramos, e o aumento das resistências vasculares periféricas com a idade
precedem, assim, o desenvolvimento da hipertensão arterial.

Doenças Cardiológicas (PAEZ, 2018)


As chances de ter uma doença cardiovascular, como pressão alta ou insuficiência
cardíaca, são maiores com o envelhecimento, sendo mais comuns após os 60 anos. Isto
acontece não só devido ao envelhecimento natural do corpo, que leva à diminuição da força
do músculo cardíaco e aumento da resistência nos vasos sanguíneos, mas também devido à
presença de outros problemas como diabetes ou colesterol alto.
Assim, é aconselhado ir ao cardiologista anualmente, e se necessário, fazer exames do
coração, a partir dos 45 anos, a fim de detectar alterações precoces que podem ser tratadas
antes de se desenvolver um problema mais grave.
Pressão Alta (Hipertensão Arterial): A pressão alta é a doença cardiovascular mais
comum nos idosos, sendo diagnosticada quando a pressão arterial está acima de 140 x 90
mmHg em 3 avaliações seguidas. Este problema na maioria dos casos, é causado pela
ingestão exagerada de sal na alimentação associada ao sedentarismo e ao histórico familiar.
Além disso, pessoas com uma dieta bem equilibrada podem desenvolver a doença devido ao
envelhecimento dos vasos (aterosclerose), que aumentam a pressão sobre o coração e
dificultam a contratilidade cardíaca, causando AVC’s e Ataques cardíacos. Embora raramente
provoque sintomas, a pressão alta precisa ser controlada, pois pode causar o desenvolvimento
de outros problemas mais graves, como insuficiência cardíaca, aneurisma de aorta, dissecção
de aorta, derrames cerebrais, por exemplo.
Insuficiência cardíaca: O desenvolvimento de insuficiência cardíaca está muitas vezes
relacionado com a presença de pressão alta não controlada ou outras doenças cardíacas não
tratadas, que enfraquecem o músculo cardíaco e dificultam o trabalho do coração, provocando
uma dificuldade para bombear o sangue. Esta doença cardíaca normalmente provoca sintomas
como cansaço progressivo, inchaço das pernas e pés, sensação de falta de ar ao deitar e tosse
seca que muitas vezes, faz o indivíduo se acordar à noite. Embora não tenha cura, a
insuficiência cardíaca deve ser tratada para aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.
Cardiopatia Isquêmica: A cardiopatia isquêmica surge quando as artérias que levam o
sangue para o coração ficam entupidas e deixam de fornecer oxigênio suficiente ao músculo
cardíaco. Desta maneira, as paredes do coração podem ter sua contração reduzida total ou
parcialmente, o que leva a dificuldade de bombeamento cardíaco. Geralmente, a cardiopatia é
mais frequente quando se tem colesterol alto, mas idosos com diabetes ou hipotireoidismo
também apresentam mais chances de ter a doença que provoca sintomas como dor constante
no peito, palpitações e cansaço excessivo após caminhar ou subir escadas. Esta doença deve
sempre ser tratada primeiramente por um cardiologista, evitando o desenvolvimento de
complicações mais graves, como insuficiência cardíaca descompensada, arritmias ou até
mesmo, parada cardíaca.
Valvopatia: Com o avanço da idade, homens com mais de 65 anos e mulheres com mais
de 75 anos de idade apresentam maior facilidade em acumular cálcio nas válvulas do coração
(principalmente aórtica) que são responsáveis pelo controle da passagem do sangue dentro
dele e para os vasos do corpo. Quando isso acontece, as válvulas ficam mais grossas e
endurecem, abrindo com maior dificuldade e dificultando essa passagem do sangue. Nestes
casos, os sintomas podem demorar a aparecer. Com a dificuldade da passagem do sangue,
ocorre o acúmulo dele, levando a dilatação das paredes do coração, e consequente perda de
força do músculo cardíaco, o que acaba resultando numa insuficiência cardíaca. Assim,
pessoas com mais de 60 anos, mesmo que não possuam problemas cardíacos ou sintomas,
devem fazer consultas regulares no cardiologista para avaliar o funcionamento do coração, de
forma a detectar problemas silenciosos ou que ainda não estão muito avançados.
Arritmia: A arritmia pode surgir em qualquer idade, no entanto, é mais frequente nos
idosos devido à redução de células específicas e à degeneração das células que conduzem os
impulsos nervosos que fazem o coração contrair. Desta forma, o coração pode começar a
contrair de forma irregular ou a bater com menos frequência, por exemplo. O coração pode
bater demasiado lento (bradicardia), ou demasiado rápido (taquicardia). Normalmente, a
arritmia não provoca sintomas e só pode ser identificada após um exame de
eletrocardiograma, por exemplo. Porém, nos casos mais graves, podem surgir sintomas como
cansaço constante, sensação de nó na garganta ou dor no peito, por exemplo. Nestes casos, é
recomendado fazer o tratamento para aliviar os sintomas.

ALTERAÇÕES RESPIRATÓRIAS
Alterações Fisiológicas (CAMPOS, 2019)
Alterações na função pulmonar: As alterações fisiológicas na função pulmonar nos
idosos incluem alterações nos pulmões, caixa torácica, músculos respiratórios e impulsão
respiratória, caracterizada por diminuição do recolhimento elástico do pulmão, complacência
da parede torácica, força muscular respiratória e resposta à hipoxemia e hipercapnia. Em
indivíduos saudáveis, essas alterações são mais evidentes aos 80 anos de idade, apesar de
estarem presentes desde os 50 anos.
Alterações na mecânica respiratória: Os pulmões envelhecidos contêm menos, mas
maiores alvéolos, a força muscular é reduzida, e há um aumento da calcificação das
articulações intratorácicas; e a contribuição do diafragma para a ventilação é elevada,
particularmente durante o exercício e em momentos de estresse. Essas mudanças afetam toda
a mecânica do sistema respiratório e, por sua vez, modificam trabalho estático da respiração.
O envelhecimento humano experimenta uma redução no trabalho elástico do tecido pulmonar
e uma maior calcificação das articulações da caixa torácica que aumentam a rigidez da parede
torácica, uma parede torácica mais rígida aumenta o trabalho estático da respiração. O
principal fator no declínio da função pulmonar com a idade é, então, a perda de elasticidade
pulmonar, agravada pelo aumento da rigidez parede torácica e força muscular respiratória
reduzida.
Aumento da complacência do parênquima pulmonar: Nos pulmões senis, há
diminuições no número de fibras elásticas, no recuo elástico dos pulmões bem como um
aumento na resistência do fluxo de ar, que levam ao aprisionamento aéreo progressivo e causa
aumento da complacência do parênquima pulmonar. Este aumento da complacência,
entretanto, não consegue compensar a diminuição da complacência da caixa torácica. Os
bronquíolos tornam-se menos resistentes, facilitando o colapso expiratório. Resultando em
dilatação do espaço aéreo, maior colapso de pequenas vias aéreas e uma redução nos volumes
expirados.
Diminuição do número de alvéolos: A diminuição do número de alvéolos, devido à
ruptura dos septos interalveolares e consequente fusão alveolar, é também evidente,
condicionando uma diminuição da superfície total respiratória, aumento do volume residual e
da complacência pulmonar. As paredes das vias aéreas tornam-se menos resistentes,
predispondo ao colabamento expiratório. Consequentemente ocorre dilatação dos bronquíolos
respiratórios, ductos e sacos alveolares.
Diminuição na complacência dinâmica na caixa torácica: As alterações fisiológicas do
envelhecimento relacionadas à caixa torácica consistem em uma diminuição na complacência
dinâmica, que está relacionada calcificação das cartilagens, das articulações costovertebrais e
outras mudanças estruturais dentro da caixa torácica e suas articulações, e diminuição dos
espaços intervertebrais. Os condrócitos se degeneram e as fibras colágenas se espessam,
aumentando o depósito de cálcio e a cartilagem torna-se mais rígida. Desaparecem as
articulações sinoviais entre o esterno e cartilagens costais, elementos ósseos e cartilaginosos
se fundem, ocorre um aumento na cifose torácica, o que leva a um prejuízo biomecânico aos
músculos respiratórios.
Alterações estruturais na parede torácica: As alterações estruturais que ocorrem na
parede torácica promovem alterações na postura e nos esforços respiratórios de idosos,
acarretam redução na força muscular respiratória, ventilação voluntária máxima, volume de
reserva inspiratória e expiratória e trocas gasosas. As mudanças na forma do tórax também
ocorrem como resultado da osteoporose relacionada à idade, podendo resultar em fraturas
vertebrais em cunha ou completa (esmagamento), levando a um aumento da cifose dorsal e do
diâmetro anteroposterior (AP) (“peito barril”). Estas modificações da parede torácica não só
alteram sua conformidade, mas também modificam a curvatura do diafragma, com um efeito
negativo na geração de força muscular com consequente redução nas forças de tração da
parede torácica. Todos estes fatores contribuem para a redução nas pressões inspiratória e
expiratória máximas e redução da pressão transdiafragmática máxima (Pdi).
Alterações dos músculos respiratórios: Além das alterações no parênquima pulmonar e
caixa torácica, os músculos respiratórios também sofrem modificações com o
envelhecimento. O envelhecimento causa miopatia esquelética que afeta os músculos dos
membros e dos músculos inspiratórios. Essas modificações incluem diminuições no tamanho
e número de fibras musculares e na capacidade das junções neuromusculares de transmitir
impulsos nervosos, perda de neurônios motores periféricos e redução da capacidade de
trabalho muscular, que juntos podem reduzir a força muscular. Apesar dos músculos
inspiratórios serem também “músculos esqueléticos”, seus mecanismos estruturais, funcionais
e metabólicos, bem como suas propriedades, e resposta a estressores ou inatividade são
surpreendentemente diferentes dos músculos dos membros.
Diminuição da função do músculo diafragma: O processo de envelhecimento também é
caracterizado por mudanças no drive respiratório, há uma redução da atividade nervosa
central e dos impulsos neuronais para os músculos respiratórios o que diminuem a resposta à
hipoxemia e hipercapnia. O diafragma é o principal músculo inspiratório e as anormalidades
do diafragma ocorrem mais cedo ou em maior extensão do que nos músculos dos membros.
Diminuição da função do músculo diafragma, o principal músculo inspiratório, pode
contribuir significativamente para o aumento da suscetibilidade a complicações respiratórias
durante o envelhecimento. A sarcopenia, que é a perda específica da força muscular
relacionada à idade e da área transversal do músculo, é também observada no músculo
diafragma e pode estar na base da maior suscetibilidade a doenças respiratórias observadas
clinicamente em indivíduos idosos. Os mecanismos necessários para manter a permeabilidade
das vias aéreas podem ser prejudicados. Os músculos respiratórios, incluindo o diafragma, são
importantes para manter a ventilação e, portanto, são altamente ativos ao longo da vida. Além
disso, esses músculos são importantes durante comportamentos de força superior e expulsão
quase máxima, comportamentos necessários para a remoção das secreções de vias aéreas e
durante o comportamento não ventilatórios. A redução da produção de força do diafragma
pode também prejudicar esses outros comportamentos expulsivos não ventilatórios que
requerem ativação quase máxima deste músculo e que exigem a geração de pressões intra
abdominais grandes e positivas como a Manobra de Valsava, vômito e parturição.

Doenças Respiratórias (RESIDÊNCIA PRIMAVERAS, 2019)


Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC): trata-se da obstrução da passagem do ar
pelos pulmões, provocada por compostos tóxicos e pela fumaça do cigarro; Sintomas: chiado
ou aperto no peito, catarro, tosse crônica, falta de ar, cianose (lábios ou camas de unha
azulados) e falta de energia; Tratamentos: as DPOC’s são tratadas com bronco dilatadores,
corticoides, interrupção do tabagismo, realização de atividades físicas, reabilitação pulmonar
e em casos mais graves, o médico poderá recomendar cirurgia.
Enfisema Pulmonar: é uma doença crônica em que ocorre a degeneração contínua dos
tecidos pulmonares, deixando-os hiper insuflados. A doença pode ser causada pela má
nutrição, poluição ambiental, histórico familiar de DPOC e/ou baixa temperatura. Geralmente,
o enfisema está relacionado ao consumo excessivo de tabaco em 80% dos casos; Sintomas:
perda de peso inesperada, fadiga, hipertensão arterial, redução de apetite, dificuldade para
dormir e infecções pulmonares frequentes; Tratamentos: o enfisema pode ser tratado através
de gasometria arterial (estudo dos valores de oxigênio e dióxido de carbono presentes no
sangue), radiografia do tórax e espirometria (prova de função pulmonar).
Pneumonia: trata-se de uma infecção pulmonar causada por agentes infecciosos como
micro-organismos, bactérias e fungos presentes no ar; Sintomas: eliminação de secreções,
mal-estar, febre alta, tosse, falta de ar e alterações na pressão arterial; Tratamentos: a doença é
tratada com medicamentos e/ou hospitalização.
Bronquite Crônica: consiste na inflamação dos brônquios diante a exposição de
poluição de ar e o tabagismo; Sintomas: febre (associação à infecção), tosse, cansaço, falta de
ar, chiado no peito e pele azulada; Tratamentos: implica no uso de medicamentos como
antialérgicos, antitussígenos e antibióticos.
Asma: caracteriza-se pela inflamação das vias aéreas, que leva a diminuição ou até
mesmo o bloqueio do fluxo de ar no pulmão. A doença se manifesta através da obstrução de
ar, ligada à fatores genéticos e ambientais; Sintomas: chiado no peito ao respirar, tosse intensa
durante a noite e falta de ar; Tratamentos: evitar contato direto com elementos que
desencadeiam as crises asmáticas, como fumaça e poeira. Além disso, a asma pode ser tratada
com o uso de medicamentos como anti-histamínicos, corticoides e bronco dilatadores.
Ao reconhecer os sintomas, é necessário buscar ajuda de um médico especialista para
diagnosticar o tipo de doença respiratória e assim, encaminhar o tratamento mais adequado
para cada caso.
CONCLUSÃO
Não há dúvidas de que as mudanças na estrutura e função do sistema cardiovascular são
causadas pelo envelhecimento, e é propício ao surgimento de doenças cardiovasculares.
Precisamos lembrar que as CVD são classificadas em primeiro lugar entre as causas de morte
no mundo, e a população global está envelhecendo. O resultado das intervenções é
determinado pela doença, pelo doente e pelo tipo de tratamento. A idade por si não deve
determinar as condutas e as expectativas do paciente e de seus familiares devem ser
priorizadas. No idoso são frequentes condições crônicas que determinam o prognostico de um
paciente com uma doença aguda. Assim, muitas vezes deve-se optar pelo controle de sintomas
ou pelo conforto do paciente. Análise das condições socioeconômicas também ajuda a
determinar a melhor opção terapêutica, assim como a melhor aderência ao tratamento.
O sistema respiratório envelhece mais rapidamente devido à maior exposição a
poluentes ambientais ao longo dos anos. As mudanças que ocorrem são clinicamente
relevantes porque a deterioração da função pulmonar está associada ao aumento da taxa de
mortalidade e, além disso, o conhecimento das mesmas contribui para a detecção e prevenção
de disfunções respiratórias em idosos.
Atualmente, têm-se reconhecido a importância da Reabilitação Cardiorrespiratória na
produção de cuidados dos pacientes. Tendo o profissional de Educação Física com atuação
direta na redução da morbimortalidade destes indivíduos, sabendo-se que a execução dos
exercícios físicos é fundamental para uma melhor adaptação fisiológica deste organismo e, em
consequência disso, temos uma melhora na qualidade de vida deste paciente.
Portanto, está claro que mais pesquisas são necessárias para encontrar maneiras de
retardar o impacto das doenças cardiorrespiratórias. A era do sistema e mais pesquisas na área
destinadas ao tratamento de DCV e respiratórias com a intervenção do exercício físico são
atenuantes importantes.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SILVA, João Pedro Pereira Da. Efeitos do envelhecimento no sistema cardiovascular. Anais
III CONBRACIS... Campina Grande: Realize Editora, 2018. Disponível em:
<https://editorarealize.com.br/artigo/visualizar/41015>. Acesso em: 01/05/2021 13:39.

https://www.rodrigopaez.com.br/publicacoes/quais-sao-as-5-principais-doencas-cardiacas-na-
terceira-idade/

CAMPOS, Priscila Sales de. Alterações respiratórias avaliadas através de cinerradiografia em


modelos animais. 2019.

https://www.residenciaprimaveras.com.br/portal-do-idoso/doencas-respiratorias-na-terceira-
idade/#

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