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Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

1-INTRODUÇÃO:

Historicamente, a ligação a terra (ATERRAMENTO) surgiu da necessidade de se efetuar a proteção


contra os danos causados pelas elevadas correntes associadas às descargas atmosféricas (raios) e
também do ponto de vista de proteção quanto à dissipar a eletricidade estática acumulada.

Todas as partes metálicas pertencentes aos equipamentos, não submetidas normalmente às


correntes devido a carga dos circuitos, devem ser conectados através dos chamados condutores de
aterramento aos eletrodos de aterramento os quais por sua vez estão imersos no solo, criando o que
normalmente chamamos de aterramento de segurança ou de proteção.

Com o desenvolvimento dos sistemas de geração, transmissão e distribuição a ligação à terra passou
a ser ainda mais necessária com finalidade de proteger as pessoas e os equipamentos, nascendo dai
à necessidade do chamado aterramento do sistema, que nada mais é do que a ligação à terra de um
condutor "vivo", normalmente o ponto neutro do sistema de geração ou transformação, deste modo
garante-se um retorno das correntes de defeito (de seqüência zero) pela terra (caso por exemplo de
um condutor tocando o solo) para a origem das mesmas (gerador e/ou transformador) possibilitando
deste modo à operação rápida das proteções (fusíveis, disjuntores). A terra portanto pode ser
considerada como denominador comum para todos os equipamentos elétricos.

É Importante observar que nos sistemas de distribuição de baixa tensão, principalmente na


alimentação de equipamentos eletro-eletrônicos sensíveis (ETI) deve-se fazer com que este retorno à
fonte das correntes de defeito sejam através de um ―caminho metálico‖ e não pela terra,
normalmente no caso do sistema trifásico, por um terceiro condutor chamado de condutor de proteção
(PE), o qual deverá ter sua isolação com a cor verde ou verde e amarelo.

O aterramento de segurança ou de proteção atuando em conjunto com os dispositivos de proteção


tais como fusíveis, relês e disjuntores, tem os seguintes objetivos: proteger as pessoas, animais e os
equipamentos contra as tensões e correntes de valores não suportáveis pelo corpo humano e pelos
próprios equipamentos.

Conceitualmente é muito importante termos bem claro que o sistema de aterramento, é um item
muito importante, mas não e o único que teremos que dedicar muita atenção. Atualmente é cada vez
mais importante atuarmos sobre todos os seguimentos que compõem uma instalação elétrica,
principalmente naquelas onde equipamentos eletro-eletrônicos sensíveis (ETI) estão presentes.

2-DEFINIÇÕES BÁSICA [Ref.ABNT NBR 15749:2009]:

2.1- ATERRAMENTO:

Ligação intencional de parte eletricamente condutiva à terra, através de um condutor elétrico

2.2-CONDUTOR DE ATERRAMENTO:

Condutor ou elemento metálico que, não estando em contato com o solo, faz a ligação
elétrica entre uma parte de uma instalação que deve ser aterrada e o eletrodo de
aterramento

2.3-CORRENTE DE INTERFERÊNCIA:

No processo de medição resistividade do solo e da resistência de aterramento, qualquer corrente


estranha ao processo de medição, capaz de influenciar seus resultados.

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2.4- ELETRODO DE ATERRAMENTO:

Elemento ou conjunto de elementos do sistema de aterramento que assegura o contato


elétrico com o solo e dispersa a corrente de defeito, de retorno ou de descarga atmosférica
na terra.

2.5-ELETRODO NATURAL DE ATERRAMENTO:

Elemento condutor ligado diretamente a terra cuja finalidade original não é de aterramento,
mas que se comporta naturalmente como eletrodo de aterramento

2.6-MALHA DE ATERRAMENTO:

Conjunto de condutores nus, interligados e enterrados no solo

2.7-POTENCIAIS PERIGOSOS:

Potenciais que podem provocar danos quando aplicados ao elemento tomado como
referência

2.8- POTENCIAL TRANSFERIDO:

Valor do potencial transferido para um ponto remoto de um dado sistema de aterramento

2.9-RESISTÊNCIA DE ATERRAMENTO DE UM ELETRODO:

Relação da tensão medida entre o eletrodo e o terra remoto e a corrente injetada no eletrodo

2.10-RESISTIVIDADE APARENTE DO SOLO:

Resistividade vista por um sistema de aterramento qualquer, em um solo com característica


de resistividade homogênea ou estratificado em camada, cujo valor é utilizado para o cálculo
da resistência de aterramento desse sistema.

2.11-RESISTIVIDADE ELÉTRICA DO SOLO, RESISTÊNCIA ESPECÍFICA OU


SIMPLESMENTE, RESISTIVIDADE DO SOLO:

Resistência entre faces opostas do volume do solo, consistindo em um cubo homogêneo e


isótropo cuja aresta mede uma unidade de comprimento.

2.12-RESISTIVIDADE MÉDIA DO SOLO A UMA DADA PROFUNDIDADE:

Valor de resistividade resultante da avaliação das condições locais e do tratamento estatístico dos
resultados de diversas medições de resistividade do solo para aquela profundidade, efetuadas numa
determinada área ou local, e que possa ser considerada como representativo das características
elétricas do solo. [Fonte: ABNT NBR 7117/12].

2.13-SISTEMA DE ATERRAMENTO:

Conjunto de todos os eletrodos e condutores de aterramento, interligados ou não entre si, assim como
partes metálicas que atuam direta ou indiretamente com a função de aterramento, tais como: torres e
pórticos, armaduras de edificações, capas metálicas de cabos, tubulações e similares.

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2.14-TENSÃO DE PASSO:

Diferença de potencial entre dois pontos da superfície do solo separados pela distância de um passo
de uma pessoa considerada igual a 1,0 metro.

2.15-TENSÃO DE TOQUE:

Diferença de potencial entre uma estrutura metálica aterrada e um ponto da superfície do solo
separado por uma distância horizontal equivalente ao alcance normal do braço de uma pessoa. Por
definição considera-se esta distância igual a 1,0 metro.

2.16-TENSÃO MÁXIMA DO SISTEMA DE ATERRAMENTO:


Tensão máxima que um sistema de aterramento pode atingir relativamente ao terra de
referência, quando houver ocorrência de injeção de corrente de defeito, de retorno ou de
descarga atmosférica para o solo

2.17-TERRA DE REFERÊNCIA PARA UM ELETRODO OU SISTEMA DE ATERRAMENTO


(OU PONTO REMOTO):
Região do solo suficientemente afastada da zona de influência de um eletrodo ou sistema de
aterramento, tal que a diferença de potencial entre dois quaisquer de seus pontos, devido à
corrente que circula pelo eletrodo para a terra, seja desprezível. É uma superfície
praticamente eqüipotencial que se considera como zero para referência de tensões elétricas.

Figura1- Tensões em uma instalação- [Ref.IEEE 80-2000]

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3-PRINCIPAIS FINALIDADES E REQUISITOS DOS SISTEMAS DE ATERRAMENTO:

3.1-PRINCIPAIS FINALIDADES:

3.1.1-Possibilitar o adequado funcinamento dos sistemas de proteção, sendo importante que


nesta fase seja determinado o valor em ohms da resistência de aterramento operativa
levando-se em consideração não só as características próprias de cada sistema de
proteção,como também o esquema de aterramento utilizado na instalação;

3.1.2-Proporcionar o escoamento para à terra das correntes associadas à eletricidade


estática, evitando-se deste modo faiscamentos perigosos que possam gerar explosões;

3.1.3-Manter os potenciais que surgem nas partes metálicas das carcaças e estruturas
metálicas dos equipamentos, acidentalmente energizadas, dentro dos limites considerados
seguros, para os operadores e para os próprios equipamentos;

3.1.4-Possibilitar o controle dos potenciais desenvolvidos no solo (tensão de passo, toque e


transferência), dentro dos valores admissíveis, quando do retomo da corrente de falha à sua
origem, fonte de alimentação, tais como transformador ou gerador;

3.1.5-Possibilitar a diminuição dos valores das tensões fase-terra durante transitórios no


sistema elétrico, tais como durante os curto-circutos fase-terra, chaveamentos e similares
de tal forma que o nível básico de isolação dos equipamentos (NBI) não sejam
ultrapassados;

3.1.6-Possibilitar um caminho de escoamento de baixa impedância, para à terra das


correntes associadas às descargas atmosféricas (raios);

3.1.7-Especificamente no caso dos sistemas eletrônicos, fornecer um plano de referência


sem perturbações, fundamental para o bom funcionamento dos mesmos, esta última função
tomou-se fundamental com o surgimento dos equipamentos eletrônicos sensíveis (ETI);

3.1.8-Proporcionar baixo valor da impedância de aterramento quando na dissipação estão


envolvidas altas frequências .

3.2-PRINCIPAIS REQUISITOS:

3.2.1-Possuir adequada capacidade (ampacidade adequada) para conduzir, sem sofrer


alterações de suas características elétricas e mecânicas, as correntes de falha durante o
tempo necessário para atuação das proteções, o mesmo acontecendo no caso das
descargas atmosféricas (raios), quando da dispersão para à terra das geralmente elevadas
correntes associadas as mesmas;

3.2.2- Ter rigidez mecânica suficiente, especialmente em locais onde houver possibilidade
de danos físicos;

3.2.3- Os materiais utilizados nos sistemas de aterramento devem ser especificados de tal
maneira a suportar os efeitos da corrosão, característico dos locais onde forem instalados;

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3.2.4- As conexões não devem sofrer nem corrosão nem afrouxamento;

3.2.5. O dimensionamento dos sistemas de aterramento devem ser executados, de tal


maneira que não sejam permitidos "ELOS" fracos, conforme esquematizado na figura 2

CONDUTOR- Resistência a fusão durante a dissipação de corrente.

Ser mecanicamente resistente para evitar danos físicos.

Apresentar baixa resistência elétrica para evitar aquecimento quando da passagem de


corrente.

CONETOR- Não deve apresenta menor condutividade do que o condutor

Não deve sofrer corrosão nem afrouxar (ideal uso de solda exotérmica)

Deve ter capacidade para suportar corrente devido a falhas sucessivas

HASTE DE ATERRAMENTO- Deve ter rigidez mecânica para possibilitar cravamento

Deve estar de acordo com a NBR 13571, processo de fabricação eletrolítico com
camada de cobre mínima de 0,254mm. As hastes deverão ter gravadas em baixo
relevo as inscrições: espessura de cobre 254µ (mícrons) e a norma NBR 13571.

Quantidade e dimensões adequadas para dispersar as correntes envolvidas

HASTE-SOLO - O solo junto as hastes deve estar tanto quanto possível compactado,
pois é justamente na camada de transição haste-solo onde se concentram os valores
mais elevados das componentes da resistência de aterramento.

As hastes devem ser em quantidade suficiente, ter afastamento e profundidade


adequados.

SOLO- A resistividade do meio onde será implantado o sistema de aterramento


precisa ser conhecida na maior parte dos casos através de medições NBR 7117/12.

A resistividade varia basicamente com a temperatura, umidade, composição


geológica, compactação, quantidade de sais.

Normalmente os solos possuem valores de resistividade que variam com a


profundidade.

Figura 2- Os sistemas de aterramento não podem ter ―ELOS‖ fracos

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4-RESISTÊNCIA DE ATERRAMENTO, CONCEITO FÍSICO:

O conceito físico da resistência de aterramento, pode ser facilmente entendido através do sistema típico
de aterramento/protecão representado pela Figura 3, composto da carcaça metálica aterrada de um motor
e o conjunto de dispositivos de proteção (fusíveis e/ou disjuntores) instalados nas fases, os quais deverão
interromper a corrente de falha, no caso de um curto-circuito, em um determinado intervalo de tempo, isto
quando a mesma circular através do sistema de aterramento para o neutro da fonte, transformador ou
gerador, através da terra, quando na ausência do condutor de proteção (PE), como é o caso do esquema
de aterramento do tipo TT. O mais seguro é termos a presença do condutor de proteção (PE) como no
caso do esquema de aterramento TN-S. A análise será feita primeiramente considerando-se um
Esquema de aterramento do tipo TT, com o objetivo de explicar o conceito físico da resistência de
aterramento.

Cabe observar que a interligação da carcaça metálica do motor à terra é feita através do chamado
condutor de aterramento (2), que por sua vez é conectado ao eletrodo de aterramento (4).

A oposição a corrente de falha que neste caso específico do esquema de aterramento TT tende circular
do ponto de defeito para a fonte, esta oposição à circulação da corrente é caracterizada como sendo a
chamada de resistência de aterramento.

A resistência de aterramento (Rat) é composta da soma das seguintes resistências parciais;

R1= Resistência da conexão do condutor de aterramento ao motor;

R2= Resistência do próprio condutor de aterramento;

R3= Resistência da conexão condutor de aterramento a haste de aterramento;

R4= Resistência da haste de aterramento em si;

R5= Resistência de contato haste de aterramento-solo;

R6 = Resistência do solo que envolve o eletrodo de aterramento (soma das diversas calotas semiesféricas
infinitesimais até o terra remoto).

220V-Trifásico SEÇÃO DOS SEÇÃO DOS


CONDUTORES CONDUTORES
Conductor de Proteção FASE EM ( mm²) DE PROTEÇÃO
(PE) deve ser (PE) EM (mm²)
instalado sempre junto S ≤ 16 S(PE) = S
com as fases.
16 ≤ S ≤ 35 S(PE) = 16

S > 35 S(PE) = S/2

Fonte: ABNT NBR 5410

Se o dimesionamento dos condutores e as conexões forem adequadamente feitas, podemos escrever:


logo a resistência de aterramento pode ser considerada igual a

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Figura 3 – Componentes da resistência de aterramento – Esquema de aterramento TN-S
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OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: Deve ficar claro que o circuito da figura 3 apresentada sem o (PE)
durante a aula, foi desta maneira com o objetivo de apresentar o conceito físico da resistência de
aterramento, porém na prática é muito importante do ponto de vista de segurança que a instalação do
motor ou outro equipamento elétrico seja executada com o condutor de proteção (PE) indicado na figura
3 anterior, deste modo a maior parte da corrente de defeito (curto-circuito fase-terra) irá circular pelo (PE)
e não totalmente pela terra, com a consequente redução dos potenciais de passo. Cabe observar que o
condutor de proteção (PE) deve ser instalado o mais próximo possível dos condutores das fases que
alimentam o motor, ou outro equipamento elétrico, para que desta maneira a impedância de retôrno
(sequência zero) do mesmo, no caso de um curto-circuito fase-terra tenha um valor o menor possível.

Dos vários componentes que compõem o valor total da resistência de aterramento, a resistência própria
dos condutores, das conexões e dos próprios eletrodos de aterramento, quando convenientemente
dimensionados/especificados e instalados podem ser considerados como tendo um valor de resistência
desprezível (valor de resistência aproximadamente igual a zero) em comparação com a resistência
característica do próprio meio onde foi implantado o sistema de aterramento, no presente caso o solo:

A componente de resistência representada pela resistência de contacto eletrodo de aterramento-solo,


quando estiver livre de camadas de tinta e/ou graxa e com o solo bem compactado, também pode ser
considerada como aproximadamente igual a zero, ou seja também desprezível.

4.1-SOLUÇÃO RECOMENDADA PARA A ALIMENTAÇÃO DE EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS:

Em alguns casos visando economia, as partes metálicas dos equipamentos são ligados diretamente no
sistema de aterramento da indústria, e o (PE) não é instalado, pensando-se que a corrente de curto-
circuito fase terra irá circular igualmente pelo sistema de aterramento, geralmente constituido de uma
malha de aterramento, o que não é verdadeiro, pois a impedância de sequencia zero da mesma é muito
maior do que a que irá circular pelo condutor de proteção (PE) quando este for instalado próximo dos
condutores fase que limentam o respectivo equipamento elétrico, podendo por este motivo não
possibiitar a atuação da proteção. Conclusão: O condutor de proteção (PE) deve ser sempre
instalado, e deverá estar posicionado o mais próximo possível dos condutores das respectivas fases,
conorme pode ser visto na figura 4.

Figura 4 - Solução recomendada para a instalação de equipamentos elétricos

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4.2- ELETRODO IDEAL DE ATERRAMENTO:

Apesar de na prática não encontrarmos eletrodos de aterramento com este formato, o estudo teórico
para a caracterização da resistência de aterramento através do mesmo é de grande ajuda visando a
compreensão de aspectos práticos relativos não só aos eletrodos como também dos sistemas de
aterramento reais.

Para caracterizar a resistência de aterramento de um eletrodo, considera-se o mesmo com o formato de


uma semi-esfera condutora maciça, enterrada em um solo homogêneo, com sua superfície plana
nivelada com a superfície do solo, conforme representado na figura 5. Sendo que resistência de
aterramento deste eletrodo semi-esférico é composto pela soma das resistências de um número infinito
de ―finas‖ calotas semi-esféricas concêntricas ao eletrodo em questão, tendo as mesmas uma espessura
(dx). Cabe observar que quando circular uma corrente ( I ) do eletrodo semi-esférico para a terra, iremos
ter diversas superfícies semi-esféricas com o mesmo potencial ou seja diversas superfícies equipotenciais.
Estas ―finas‖ calotas semi-esféricas irão se estender desde a superfície externa do eletrodo até o infinito, o
qual esta localizado normalmente a uma distância de aproximadamente cinco vezes o raio do eletrodo.

Figura 5 - Eletrodo ideal constituído por uma semi-esfera de raio ( r ) e diversas calotas semi-esféricas de espessura (dx)

A corrente ( l ), neste caso ideal, quando se dissipa para a terra o fará radialmente em relação a semi-
esfera. As linhas pontilhadas representam as diversas calotas semi-esféricas de espessura infinitesimal
(dx). Considerando-se o solo como um condutor pelo qual irá circular a corrente de defeito ( l ), fica
claro que quanto mais afastado do centro (O) da semi-esfera maciça estivermos, maior será a seção
transversal representada pelas diversas calotas semi-esféricas de espessura infinitesimal (dx).

Considerando-se qualquer uma destas calotas semi-esféricas de espessura ( dx ) a resistência da


mesma é dada pela fórmula

  dx
dR  Equação. (1)
S

Sendo que o valor da área superficial das calotas semi-esféricas variáveis pode ser calculada pela
expressão:

S  2  X 2 Equação (2)

dR= Resistência em ohm de uma calota semi-esférica

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ρ=resistividade em Ω.m

(dx) = espessura da calota semi-esférica

S= área superficial da calota semi-esférica

Substituindo-se (2) em (1) tem-se:

  dx   dx
dR  = Equação (3)
S 2  X 2

O valor da resistência de aterramento verdadeira (R∞) do eletrodo semi-esférico da figura 5 será


portanto igual ao somatório das resistências infinitesimais de todas as calotas semi-esféricas de
espessura (dx) concêntricas até uma distância (X) tal do centro do eletrodo semi-esférico que não
se verifiquem diferenças de potencial entre dois pontos distintos na superfície do solo, ou seja até o
chamado de terra remoto ou terra de referência. O que pode ser feito integrando-se de (r) até (r1),
sendo (X) = (r1) = ∞

4.3-CÁLCULO DA RESISTÊNCIA DE ATERRAMENTO VERDADEIRA (R∞) DO ELETRODO SEMI-


ESFÉRICO, DO PONTO DE VISTA OPERATIVO:

r1
  dx  1 1 
R       Equação (4)
r 2  X 2 2  r r1 

Considerando-se r 1 = ∞ isto é distância (X) da figura 5 até o terra remoto, teremos:

 1 1  
R    
2  r   2  r


R  Equação (5)
2   r

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Equação (5) utilizada para o cálculo da resistência de aterramento de um eletrodo semi-esférico ideal em um
solo homogêneo.

Sendo:

R = Resistência de aterramento verdadeira do eletrodo semi-esférico em Ω.m

r = raio do eletrodo semi-esférico em metros

X= r 1 = ∞ = terra remoto ou de terra de referência

Ρ= resistividade do solo em Ω.m, em solo homogêneo

4.4-CÁLCULO DO POTENCIAL EM UM PONTO QUALQUER DISTANCIADO DE ( X ) DO CENTRO


DO ELETRODO SEMI-ESFÉRICO:

O cálculo do potencial em um ponto qualquer da superfície do solo distanciado de (X) metros do centro
do eletrodo semi - esférico pode ser calculado pela equação (6):

I
VX    Equação (6)
2  X

A figura 6 representa a curva dos potenciais em vários pontos do solo nas proximidades do eletrodo
semi-esférico ideal em um solo homogêneo.

Figura 6- Distribuição dos potenciais no solo próximo ao eletrodo semi-esférico quando percorrido por
uma determinada corrente de curto-circuito fase-terra.

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A resistência que a corrente (I) encontra quando circula através do sistema de aterramento (hastes
e/ou condutores) e pelo solo até a fonte da mesma é a resistência de aterramento verdadeira (R∞)
a qual é calculada pela equação (5). E é denominada de resistência de aterramento (verdadeira)
do ponto de vista operativo, ou seja a qual cujo valor deve garantir a operação num determinado
tempo bem definido, dos dispositivos de proteção tais como fusíveis e/ou disjuntores.

4.5- SISTEMA DE ATERRAMENTO DO PONTO DE VISTA DE SEGURANÇA:

Os sistemas de aterramento se destinam além de possibilitar o retorno das correntes de curto-circuito


para a fonte, os mesmos devem garantir a segurança de animais e pessoas contra choques elétricos,
para que isto seja cumprido devemos verificar através de cálculos na fase de projeto e após a
implantação dos sistemas de aterramento, verificar através de medições em campo, os valores
das tensões de passo e de toque, os quais deverão ser no máximo iguais aos valores máximos
admissíveis pelo corpo humano.

4.5.1-CÁLCULO DAS TENSÕES DE TOQUE E DE PASSO MÁXIMAS ADMISSÍVEIS PELO CORPO


HUMANO:

Os valores das tensões de toque e passo máximas admissíveis pelo corpo humano são
estabelecidas de função do tempo de eliminação do defeito ( t ) e da resistividade superficial do solo
( ρs ) e das resistências envolvidas no circuito.

4.5.1.1- CÁLCULO DA CORRENTE MÁXIMA ADMISSÍVEL PELO CORPO HUMANO:

Com base em experiências práticas feitas pelo Engº Charles Francis Dalziel na Universidade de
Berkeley na Califórnia, foi determinado praticamente o limite do valor da corrente a qual não
produzia fibrilação ventricular em 99,5% das pessoas de 50 kg e 70kg respectivamente num intervalo
de tempo de 0,03 ≤ t ≤3 segundos. Os valores são:

Para pessoas de 50 kg: A Equação ( 7 ) –



Valor adotado na ABNT NBR 15751:13

Para pessoas de 70kg A Equação ( 8 )


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Que é a PRIMEIRA CONDIÇÃO DE SEGURANÇA

4.5.1.2- VALORES DAS RESISTÊNCIAS EM SÉRIE COM O CORPO HUMANO:

a) Resistência de contato das mãos e pés são considerados iguais a ZERO;

b) Luvas e resistência das botas e meias são consideradas também iguais a ZERO;

c) A resistência que representa o corpo humano, entre mãos e entre os dois pés deverá ser igual à
Rch=1.000Ω

A resistência própria do pé humano para se fazer o cálculo das tensões de passo e de toque são
representados por um disco metálico de raio igual a (b), sendo este raio igual a (b=0,083) ou seja:

Equação ( 9 )

Sendo:

C= É um fator de correção para que seja computada a resistência efetiva dos pés na presença de
um material na superfície de espessura finita, que no caso de subestações é utilizado normalmente
a brita, sendo a espessura recomendada igual a 15 centímetros. A equação empírica (10)
possibilita o cálculo de ( C ) com um erro permissível de aproximadamente 5% em comparação com o
cálculo deste parâmetro pelo método analítico.

[ ] Equação (10)

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Sendo:

ρ1= Resistividade da primeira camada do solo em Ω.m (ohm.metro);

ρs = Resistividade superficial em Ω.m ( em subestações normalmente é a brita)

a= 0,106 pela Ref. [3]

hs = Espessura da brita

Figura 7

4.5.1.3 - CÁLCULO DA MÁXIMA TENSÃO DE PASSO PERMISSÍVEL PELO CORPO HUMANO


(CURTA DURAÇÃO - Epcd):

Rch=1.000Ω
Rp 𝜌𝑠

Figura 8 - Tensão de passo [ 3 ]

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Sendo:

Ep = Tensão de passo em volts

Rp = Resistência própria de cada pé em ohms, Rp ;

Rmp= Resistência mútua entre os dois pés em ohms;

Rch = Resistência do corpo humano, adotada como sendo igual a Rch = 1.000 Ω;

Ichcd = Máxima corrente de curta duração admissível pelo corpo humano em ampéres (A);

Ichld= Máxima corrente de longa duração admissível pelo corpo humano em ampéres (A);

No cálculo da tensão de passo máxima admissível dois casos devem ser considerados:

a) Os defeitos de curta duração (Ichcd), determinados pelo sistema de proteção e a corrente calculada pela
equação ( 7 ) já vista:

b) Defeitos de longa duração, são aqueles que não sensibilizam os dispositivos de proteção. A corrente
permissível pelo corpo humano (Ichld) conforme TABELA 4 da ABNT NBR 15751:13 seguinte:

CORRENTE LIMITE DE LARGAR DE LONGA DURAÇÃO (Ichld)

PERCENTAGEM DA HOMENS MULHERES


POPULAÇÃO QUE SUPORTA

99,5% 9mA 6mA

50% 16mA 10,6mA

Nota: Normalmente os valores mais críticos são quando da ocorrência dos defeitos de curta duração,

EQUAÇÃO PARA O CÁLCULO DA MÁXIMA TENSÃO DE PASSO PERMISSÍVEL (CURTA


DURAÇÃO - Epcd ):

[ ] Equação (11)

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( Rmp ) resistência mútua entre os dois pés quando comparada com ( Rp ) pode ser considerada
desprezível (Rmp Zero ). Fazendo as substituições na equação (11) teremos a equação (12) para o
cálculo da máxima tensão permissível pelo corpo humano:

[ ] Equação (12)

4.5.1.4 - CÁLCULO DA MÁXIMA TENSÃO DE TOQUE PERMISSÍVEL PELO CORPO HUMANO-


(CURTA DURAÇÃO Epcd):

Figura 8 - Tensão de toque [ 3 ]

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Et = Tensão de toque em volts

Rp = Resistência própria de cada pé em ohms, Rp ;

Rmp= Resistência mútua entre os dois pés em ohms;

Rch = Resistência do corpo humano, adotada como sendo igual a Rch = 1.000 Ω;

Ichcd = Máxima corrente de curta duração admissível pelo corpo humano em ampéres (A);

Ichld= Máxima corrente de longa duração admissível pelo corpo humano em ampéres (A);

( ) Equação (12)

Equação (13)

Equação (14)

EXEMPLO 1: Calcular para o eletrodo semi-esférico ( maciço ) de cobre os seguintes valores:

1-Valor da resistência de aterramento do ponto de vista operativo;

2-Valor de resistência de aterramento até uma distância igual a duas vezes o raio do eletrodo semi-
esférico, ou seja a uma distância de (2 x r);

3-Resistência de aterramento até uma distância igual a cinco vezes o raio do eletrodo semi-esférico,
ou (5 x r);

4-Qual a máxima elevação de potencial do sistema de aterramento composto pelo eletrodo semi-
esférico (GPR- Ground Potential Rise);

5-Qual a tensão de toque em uma estrutura situada à 4 metros do centro do eletrodo semi-esférico, e
interligada ao mesmo ?

5a- Qual o valor da corrente que irá circular pelo corpo do operador que tocar a citada estrutura ?
5b- O valor de corrente que irá circular pelo corpo do operado, poderá gerar fibrilação ventricular?

6.1- Qual a tensão de passo na periferia, isto é o operador posicionado com um pé sobre o eletrodo e
o outro distanciado de um metro para fora do eletrodo semiesférico;

6.2- Qual a tensão de passo entre os pés do operador situados a 4m e 5m do centro do eletrodo
de aterramento, conforme figura 10

6a- Qual o valor da corrente que irá circular pelo operador nos dois casos 6.1 e 6.2 ?
6b- A corrente que irá circular pelo operador nos dois casos poderá causar fibrilação ou não ?

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Dados: Solo homogêneo,com resistividade= ( ρ) = 100 Ω.m


Raio do eletrodo semi-esférico = r = 1 metros
Corrente do eletrodo para o solo = I = 100 A
Tempo de eliminação da falta = (t) = 0,5 segundos
Resistividade superficial = s  3.000 Ω.m (brita)
Resistividade da prieira camada ρ1 = 400 Ω.m
Resistividade da segunda camada ρ2 = 150 Ω.m
Espessura da camada de brita hs = 0,102m

1-Cálculo da resistência de aterramento do ponto de vista operativo.

r1
  dx  1 1 
R   2  X
r
2
 
2    r r1
sendo r 1 = ∞ = terra remoto ou de referência

 1 1  100
R      15,92
2    r r1 2  3,14  1

2- Cálculo da resistência de aterramento até uma distância de duas vezes o raio do eletrodo semi-
esférico, ou seja (2 x r); logo (r1) = 2x1= 2m

  1 1  100 1 1 
R      7,96
2    r r1 2   1 2 

3-Cálculo da resistência de aterramento até uma distância de cinco vezes o raio do eletrodo semi-
esférico, ou seja (5 x r); logo (r1) = 5x1= 5m

  1 1  100 1 1 
R      12,73
2    r r1 2   1 5 

17
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15,92
12,73

7,96

Figura 7- Eletrodo semi-esférico com raio r =1metro em solo homogêneo com resistividade de 100Ω.m

4- Cálculo da elevação máxima de potencial do sistema de aterramento. Cuidados especiais


devem ser tomados com relação a interligação dos aterramentos de equipamentos que estejam fora do
sistema de aterramento de proteção, como por exemplo fora da malha, relativamente ao potencial
que possa ser transferido a um ponto remoto, o mesmo e denominado de potencial (ou tensão) de
transferência, normalmente tem um valor muito elevado, podendo causar graves acidentes.

No IEEE 80 – 2000 esta elevação de potencial é denominada de GPR ( Ground Potencial Rise).

I 100
GPR  Vmáximo  V X     100   1592V
2  X 2  3,14 1

 100
Ou pode ser calculado por R  I  I  100  1592V
2  r 2   1

(I)
Vmáx.=1.592V

eletrodo semi-esférico de raio r = 1 metro

Figura 8 - Operador fora da área do sistema de aterramento, tocando um condutor metálico aterrado no
mesmo, ficará sujeito à Vmáx. = tensão de transferência. Esta elevada diferença de potencial aparecerá em
18
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todo elemento condutor que esteja interligado ao sitema de aterramento e saia para fora do sistema de
aterramento de proteção.

5- Qual a Tensão de toque na estrutura da figura 9:

É o valor da tensão que aparece entre a estrutura metálica aterrada à 4 metros do centro do eletrodo
e um ponto situado no solo a um metro da mesma, isto é a 5 metros do centro do eletrodo, conforme
figura 9.

Calcula-se o potencial em um ponto distanciado de (X) metros do eletrodo semi-esférico pela equação
geral (6), neste caso (X) = 5 metros.

I
VX    fazendo-se ( X) = 5 metros, pois o operador está a cinco metros de distância do
2  X

centro do eletrodo de aterramento, teremos:

I 100
V5m     100   318V
2  5 2  3,14  5

1metro

Figura 9 – Tensão de toque

Logo a tensão de toque (Vt) será igual a: Vt = Vmáx – V5m = 1.592 - 318 = 1.274 V
19
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Dados:

Valor máximo de corrente de choque que em 99,5% das pessoas não gera fibrilação ventricular pode

ser calculada para pessoas de 50 kg, pela fórmula:

0,116 Equação (7) Sendo (t) o tempo de eliminação da falta em segundos


Ich  A
t

Resistência do corpo humano ≈ 1.000Ω, Resistividade da camada superficial

Resistência da mão ≈ zero Resistência de contato de um pé com o solo Rp ≈ 3  s  C

[ ] [ ]

Tensão de toque máxima permissível = (Etcd)=631,4V

Cálculo da corrente que circulará pelo corpo do operador na situação do item 5 figura 9:

1274V  Ich1000  1,5  3000  0,7   Ich  3850


1274
 Ich  0,330 A
3850

Valor este de corrente que irá causar fibrilação ventricular ventricular

Pois o valor máximo de corrente admissível pelo corpo humano é de 0,164A

Respostas: Item 5a) O valor de corrente que irá circular pelo operador é de 0,330 A (330mA)
Item 5b) O valor de corrente de 0,330 A (330mA) irá causar fibrilação ventricular.

6- Qual a tensão de passo (Epcd).

6.1- Tensão de passo na periferia;

6.2- Tensão de passo em um ponto genérico, com os pés do operador distanciados de 4 e 5 metros do
centro do eletrodo de aterramento.

20
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Vpe 6.1 Vpg 6.2

Figura 10- Tensão de passo na periferia e em um ponto genérico do solo

CÁLCULO DA TENSÃO DE PASSO MÁXIMAPERMISSÍVEL PELO CORPO HUMANO (Epcd):

Epcd  Ichcd Rch  3  s  C  3  s  C Volts  Ichcd Rch  6  s  C Volts Equação 12

Epcd 
0,116
1000  6  3000  C   0,164  19000  0,70  2181,2V
0,5

6a- Qual o valor da corrente que irá circular pelo operador nos dois casos 6.1 e 6.2 ?

6b- A corrente que irá circular pelo operador nos dois casos poderá causar fibrilação ou não ?

6.1- Tensão de passo na periferia:

Vpe= Vp (r = 1m) – Vp (r=2m) = 1.592 – V2

I 100
V2     100   795V
2  2 2  3,14  2

Vp = 1.592−795 = 797 V

797V < 2.181,2V Logo não produzirá fibrilação

21
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6.1.1-Corrente que irá circular pelo operador no caso 6.1

Ecdperiferia  Ichcd  Rch  6  s  C Volts 


797  Ichcd 1000  6  3000  0,7   Ichcd  13600
797
Ich   0,0586 A  58,6mA
13600
Ichcd  Ichcdpermissivel

Logo não irá cusar fibrilação

6.2- Tensão de passo em um ponto genérico, conforme figura 10.

Vpg= Vp (r=4m) – Vp (r=5m) =

I 100
V4     100   398V
2  4 2  3,14  4

I 100
V5     100   318V
2  5 2  3,14  5

Vpg= 398 – 318 = 80V

80V <<< 2.181,2V Não irá causar fibrilação pois a corrente terá um valor de 0,00588A<<< 0,164A que é valor
máximo permissível

5- A ANÁLISE DOS VALORES CALCULADOS ANTERIORMENTE TEM OS SEGUINTES SIGNIFICADOS NA


PRÁTICA:

5.1- 0 valor da resistência de aterramento deste eletrodo ideal semi-esférico é diretamente proporcional a
resistividade do meio, no caso o solo em que o mesmo será implantado, esta constatação é valida para todos os outros
tipos de sistemas de aterramento, o que nos leva a concluir que é fundamental o conhecimento das características
elétricas do meio através do conhecimento dos valores da resistividade do mesmo, os quais deverão ser obtidos por
medições executadas no local onde será implantado este sistema de aterramento. Os valores medidos, após tratamento
matemático adequado serão utilizados para a execução dos projetos dos sistemas de aterramento em geral;

5.2- Dentre as diversas parcelas que somadas entram na composição do valor final da resistência de aterramento de um
determinado eletrodo, as que tem os maiores valores concentram-se na proximidade do eletrodo;

22
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5.3- Devido a conclusão do item anterior, quando for necessário se fazer o tratamento do solo para a redução do valor da
resistência de aterramento de um determinado eletrodo, este tratamento deverá ser executado o mais próximo possível do
mesmo, procurando-se atuar principalmente na região limite de transição entre o eletrodo e o solo, deve-se atuar
preferencialmente no volume de influência e o mais próximo do mesmo.

5.4- Aproximadamente 80% do valor da resistência de aterramento (Rat) está compreendida dentro de um volume entre as
calotas semi-esféricas até uma distância aproximada igual a cinco vezes o raio do eletrodo semi – esférico, em um solo
homogêneo. De uma maneira aproximada esta conclusão pode ser extrapolada para os casos de sistemas de aterramento
reais implantados em solos heterogêneos, considerando-se nestes casos a maior dimensão do sistema de aterramento como
sendo o raio do eletrodo semi-esférico, como exemplo: se tivermos uma malha com largura e comprimento de 50m x 50m a
sua maior dimensão será a sua diagonal, no caso aproximadamente igual a 70,71m, logo o seu volume de influência iria

aproximadamente até 70,71 x 5 , esta distância poderá variar conforme a composição do solo em questão.

5.5- O valor da resistividade do meio onde será implantado o sistema de aterramento deverá ser obtido através de
medições, com a aplicação da norma brasileira ABNT NBR 7117:12.

Observações: a) Os solos na prática não podem ser considerados homogêneos, isto é com o mesmo valor de
resistividade em todas as direções e profundidades. Devido a este fato veremos posteriormente que teremos que modelar
o solo (fazer a estratificação) para posteriormente executarmos os cálculos considerando a variação dos valores de
resistividade relativas as suas diversas camadas.

b) Os solos de um maneira genérica podem ser considerados como uma matriz porosa preenchida por água de
impregnação cuja a resistividade da mesma varia de 0,03 a 10 Ω.m.

c) O valor da resistividade (ρ) depende fundamentalmente da água de impregnação e da quantidade de sais (presença de
íons) sendo que a variação do valor da resistividade depende principalmente do grau de saturação, que nada mais é do
que a fração ocupada pela água em relação ao volume total de poros.

6- O MEIO ONDE SERÁ IMPLANTADO O SISTEMA DE ATERRAMENTO:

Para se projetar adequadamente um sistema de aterramento as características elétricas do meio onde


o mesmo será implantado deve ser conhecida, como geralmente esta implantação é feita no solo, que
é um meio heterogêneo com valores de resistividade variáveis de local para local em função do tipo,
nível de umidade, profundidade das camadas, idade de formação geológica, temperatura, salinidade e
outros fatores naturais, sendo também afetado por fatores externos como contaminação e
compactação, deveremos em consequência obter os valores das resistividades características através

23
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de medições e estratificação. A Tabela I da figura 11 indica a ampla variação dos valores de


resistividade em função do tipo de solo, sendo que também na figura 11 são indicadas as variações
típicas da resistividade em função da umidade, salinidade e temperatura.

TABELA I – Valores típicos de resistividade de alguns tipos de solo [Ref.ABNT NBR 7117:12]

TIPOS DE SOLO FAIXA DE RESISTIVIDADES (Ω.m)

ÄGUA DO MAR MENOR DO QUE 10

ALAGADIÇO, LIMO, HUMUS, LAMA 5-150

ÄGUA DESTILADA 300

ARGILA 300 - 5.000

CALCÁRIO 500 – 5.000

AREIA 1.000- 8.000

GRANITO 1.500- 10.000

BASALTO 10.000 – 20.000


6 6
ASFALTO SECO 2X10 a 30x10
MOLHADO 3 6
10X10 a 6 x10

MOLHADO: 20 - 100
ÚMIDO: 300 -1.000
CONCRETO SECO; 1.200 – 280.000

ρ (Ω.m)
Figura 11a ρ (Ω.m) Figura 11b
(m) (m)

5000 5000

1000 1000

500 500

100 100

50 50
Umidade % Salinidade %
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 Umidade (%) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Salinidade (%)

ρ (Ω.m)
Umidade %

(m)
ρ (Ω.m)
5000
Figura 11c

1000
500
o
C
100

50

+. –25 –20 –15 –10 –5 0 5 10 15 20 25 temperatura (°C)


Temperatura %

24

Figura 11 - Variações típicas de resistividade (ρ) do solo


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Podemos por simplicidade agrupar os solos em três tipos básicos:

Primeiro tipo: Solo orgânico – com resistividade de 5 a 500 Ω.m

Segundo tipo: Solo arenoso ou argiloso – com resistividade de 500 a 5.000 Ω.m

Terceiro tipo: Solo rochoso – com resistividade de 5.000 a 50.000 Ω.m

6.1- OBSERVAÇÕES IMPORTANTES COM RELAÇÃO AS VARIAÇÕES DA RESISTIVIDADE DO


SOLO COM A QUANTIDADE DE ÁGUA, SAIS E TEMPERATURA:

6.1.1- A resistividade do solo depende fundamentalmente da água de impregnação, cuja resistividade


varia de 0,3 a 10 Ω.m, e do grau de saturação (que é a fração ocupada pela água, com relação ao
volume total de poros) e principalmente da concentração de sais nesta água de impregnação;

6.1.2- As variações de temperatura influenciam nos valores de resistividade, do solo cabendo observar
que a presença de sais abaixam o ponto de congelamento da água, sendo que o ponto de transição
fica em torno de 0 a 5 graus Celsius;

6.1.3- Nas temperaturas abaixo de zero, no ponto de congelamento da água, há um rápido aumento
do valor da resistividade, pois além do gelo ser isolante, a dilatação faz com que a área de contato
entre os grânulos componentes do solo diminua, com o conseqüente aumento da resistência de
contato.

6.1.4- Logo quando do dimensionamento das bitolas dos condutores de um sistema de aterramento,
devem ser levados em consideração não só, em paises frios, o aumento da resistividade com o
congelamento das camadas do solo, como também não deve ser permitido que os condutores se
aqueçam ao ponto de vaporizar a água contida no solo.

6.2-COMPACTAÇÃO:

A compactação tem grande influência no valor da resistividade do solo pois dela depende a maior ou menor
área de contacto entre os grãos que o compõem, conforme esquematizado na figura 12, devido a este fato
sempre quando da execução dos sistemas de aterramento, o solo deve ser compactado, durante o
preenchimento das valetas e buracos feitos para implantação dos eletrodos de aterramento. Deve ser
tomado cuidado para que durante esta operação de re-aterro das valetas a terra original não seja
misturada com entulho, brita ou outros detritos sempre presentes no canteiro de obras. A compactação
deve ser feita após a colocação de cada camada de terra de quinze centimetros de espessutra até
chegar na superfície do solo original. Importante colocar somente a terra original retirada, de volta na
valeta.

25
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(1) - Quanto maior a superfície de contacto menor o valor da resistividade para um determinado tipo de solo.

(2)- Interstícios, entre os grãos do solo, que quando cheios de água aumentam a citada superfície diminuindo em
conseqüência o valor da resistividade, esta melhora se intensifica quando sais estão presentes, pois estaremos
então em presença de uma solução eletrolítica ( água sem a presença de sais conduz muito pouco)

Figura 12 - Representação esquemática macroscópica simplificada de uma porção de solo

6.3-OBSERVAÇÕES E RECOMENDAÇÕES:

6.3.1- Isto não quer dizer que a colocação de sal para diminuir a resistividade do solo seja aconselhável,
muito pelo contrário, pois o sal além de ser lixiviável facilita a corrosão dos componentes do sistema de
aterrament;

6.3.2- Nas especificações para execução de sistemas de aterramento deve ser previsto à compactação do
solo por camadas de reposição da terra, de 15 em 15 centimetros, após à implantação do respectivo
sistema;

6.3.3- A figura 12 também auxilia o entendimento da influência da temperatura no aumento da


resistividade do solo, pois além do gelo ser isolante, quando o mesmo se forma, haverá uma pequena
dilatação que por sua vez afasta os grãos componentes do solo, diminuindo conseqüentemente à
superfície de contacto, aumentando em consequência o valor da resistividade do mesmo.

6.3.4- A prática nos indica que normalmente após um grande período de seca o solo ainda mantém cerca de 5%
de umidade por peso e 15 % após um período chuvoso. O ideal do ponto de vista da execução de um projeto de
aterramento é o de se ter o conhecimento desta variação, e conseqüentemente da resistividade durante o
período de vários anos, onde naturalmente serão executadas medições durante o período de secas e o de
chuvas. Isto nem sempre é possível, porém este conhecimento nos leva a executar as medições após pelo
menos de um período grande de seca. O dimensionamento deverá ser executado preferencialmente com base
nos resultados das medições executadas durante a pior situação, isto é com 5 % de umidade.

A influência das chuvas irá ser sentida normalmente nos valores de resistividade das camadas mais superficiais
do solo, sendo que esta influencia maior ou menor irá depender das características específicas de cada um dos
mesmos, características tais como entre outras do maior ou menor grau de capilaridade.

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7- MEDIÇÃO DA RESISTIVIDADE DO SOLO: [Fonte: ABNT NBR 7117:12]

A determinação dos valores das resistividades do solo e sua estratificação é de importância


fundamental para o cálculo de um sistema de aterramento, subsidiando o desenvolvimento dos
projetos, bem como a determinação das tensões de passo e toque.

Em geral os solos na prática não são homogêneos e sim constituídos de diversas camadas com
espessuras e valores de resistividade distintas, isto é são heterogênios. Os valores de resistividade do
solo são determinadas através de medições. Os diversos valores obtidos nas medições, após sofrerem
um determinado tratamento matemático nos leva a um conjunto de valores de resistividade que irão
representar o solo medido. Com base nestes valores representativos, é executado a estratificação do
solo ou determinação do seu modelo matemático. Este modelo matemático irá possibilitar a
determinação das diversas camadas, suas profundidades (d), e os diversos valores de resistividades
() em ohms.metro das respectivas camadas, conforme pode ser visto na figura 13, constante da
ABNT NBR 7117:12.

d1

d2

d3

d4

4

13 a) 13 b)

1 = resistividade da primeira camada d1= espessura da primeira camada


2=resistividade da segunda camada d2= espessura da segunda camada
3= resistividade da terceira camada d3= espessura da terceira camada
4 =resistividade da quarta camada d4= espessura da quarta camada

Figura 13 – 13 a) Solo real e 13 b) solo estratificado - [Fonte: ABNT NBR 7117:12]

Foram desenvolvidos métodos de prospecção geoelétricos que se caracterizam pela facilidade


operacional e precisão fornecidas. Basicamente, os métodos que utilizam sondagem elétrica procuram
determinar a distribuição vertical de resistividade, abaixo do ponto em estudo, resultando então em
camadas horizontais, geralmente causadas por processos sedimentares.

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Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

Em função de pesquisas já realizadas pode-se dizer que metade da corrente injetada no solo, circula
acima de uma profundidade igual à metade da distância entre eletrodos, e que grande parte da
corrente flui acima da profundidade igual à separação entre eles. Para estas conclusões pressupõe-se
a condição de solos homogêneos, não sendo as mesmas válidas para solos estratificados, nos quais a
densidade de corrente varia de acordo com a distribuição de resistividades.

Os gradientes de potencial da superfície do solo, dentro ou adjacentes a um eletrodo, são


principalmente uma função da resistividade da camada superficial do solo. Em contraste, a
resistência de aterramento de um eletrodo é função de suas dimensões, geometria e dos valores
das resistividades das diversas camadas componentes do solo, se o eletrodo for de grandes
dimensões as camadas mais profundas também irão ter influência no valor final da resistência de
aterramento deste eletrodo.

Dispondo-se de dois eletrodos de corrente pelos quais se faz circular uma corrente (I), e de dois
eletrodos de potencial que detectarão uma diferença de potencial (∆V), pode-se mostrar que a
resistividade do solo é proporcional a (∆V/I), sendo o fator de proporcionalidade uma função do método
empregado. [Fonte: ABNT NBR 7117:12]. O método de Wenner é um dos métodos de prospecção
Geofísica utilizando a eletricidade, é portanto um método de prospecção elétrica, sendo que com base
nos valores medidos as condições do solo podem ser interpretadas e julgadas.

7.1- MÉTODO DE MEDIÇÃO:

A ABNT NBR 7117:12, apresenta o método dos quatro eletrodos igualmente espaçados ou arranjo de
Wenner como um dos métodos que podem ser utilizados para a obtenção do valor da resistividade do
solo.

7.1.1- DESCRIÇÃO DO MÉTODO DE WENNER:

7.1.1.1- Quatro eletrodos auxiliares, dois de corrente e dois de potencial são utilizados (basicamente os mesmos são
hastes de 3/4" de diâmetro com 60 centímetros de comprimento) as mesmas são cravadas no solo em linha reta e
espaçadas igualmente entre si por uma distância de (a) metros.

7.1.1.2- Os dois eletrodos externos são os eletrodos auxiliares de corrente (C1 ) e ( C2 ) e os dois internos são os
eletrodos auxiliares de potencial ( P1 ) e ( P2 ). O cravamento dos eletrodos no solo é feito a uma profundidade tal
que se possa verificar um contacto elétrico adequado dos mesmos com o solo (o que normalmente acontece à 15 ou
20 cm de profundidade).

7.1.1.3- Injeta-se uma corrente ( l ) entre os eletrodos auxiliares de corrente ( C1 ) e ( C2 ), medindo-se a queda de
potencial ( Δ v ) entre os eletrodos auxiliares de potencial (P1) e (P2), conforme indicado na figura 14.

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(H) (S) (ES) (E) [BORNES DO MTD 20kwe]


P1 P2
I I
C1 a a a C2

Ponto
Ponto sob b
centra
medição

l
( ΔV )

Figura 14 – Configuração do método de Wenner

7.1.1.4- A ABNT NBR 7117:12 sugere que as medições nos diversos pontos de interesse sejam executadas com um
espaçamento (a) entre os eletrodos auxiliares de corrente e potencial variando em conformidade com a equação:

a  2n Equação. (15) para ( n ) = 1, 2, 3, 4, ... etc

7.1.1.5- Fórmula para a determinação da resistividade média do solo sob medição:

V
4   a  ( )
 I
Equação (16) equação completa
2a a
1 
a 2  4b 2 a 2  b2

Na prática os eletrodos auxiliares de corrente e potencial são enterrados a uma profundidade não
superior a (0,1 x a). Na prática o que importa é que estes eletrodos auxiliares façam um contato
elétrico o melhor possível com o solo. É também importante observar que cada instrumento de
medição possue um valor máximo limite de resistência de aterramento própria dos eletrodos auxiliares,
e que se este valor limite for ultrapassado, os valores medidos incluirão erros.

E quando b ≤ a/10, a equação (16) torna-se igual a equação simplificada de Wenner:

29
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 V 
  2  a    Equação (17)
 i 
Que é de uma maneira muito aproximada a resistividade média do solo na profundidade igual ao
espaçamento entre os eletrodos auxiliares (a).

Um conjunto de medições com vários espaçamentos (a) entre eletrodos (equação 10), resulta em um
conjunto de valores de resistividade que quando plotadas em função dos espaçamentos, irão indicar a
variação dos valores de resistividade com a profundidade.

As leituras dos diversos valores de (R) obtidas após conectarmos o terrômetro nos eletrodos
auxiliares, de corrente e de potencial, nada mais são do que a relação entre queda de potencial (ΔV)
entre os eletrodos auxiliares de potencial (P1) e (P2) devido a corrente (i) do instrumento, a qual
circula pelo solo entre os eletrodos auxiliares de corrente (C1) e (C2), logo o que estaremos lendo no
terrômetro poderá ser representado por: R = (ΔV/i), Figura 15.

Nota: Este valor ( Δv/I ) indicado pelo terrômetro é um valor de resistência que é proporcional à resistividade
específica do solo sob medição a uma dada profundidade, a unidade é o ohm. E são estes valores que deverão ser
utilizados nas equações de Wenner para o cálculo da resistividade elétrica característica em função das diversas
profundidades, nos diversos pontos de interesse

7.1.1.6- Esquema elétrico de um Terrômetro e do circuito oferecido pelo solo [Fonte: ABNT NBR 7117:12]

i
i
Δv

Figura 15- Esquema elétrico básico de um Terrômetro com o circuito oferecido pelo solo

30
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

R1, R2, R3 e R4 - Representam as resistências de aterramento dos eletrodos auxiliares de corrente e de potenical,
notar que cada fabricante tem um valor máximo de resistência de aterramento de cada eletrodo auxiliar, para que
erros não sejam adicionados nas medições, os executantes portanto devem verificar antes das medições, qual é
este valor em função do fabricante do instrumento, para que deste modo o valor limite não seja ultrapassado em
nenhuma das medições. Caso o valor seja ultrapassado deverá se fazer um tratamento do solo para que o v alor
máximo definido pelo fabricante do terrômetro seja respeitado.

(R) = Resistência indicada pelo instrumento de medição, que é proporcional a resistividade do solo a uma dada
profundidade. Esta profundidade é considerada de maneira aproximada igual à distância de espaçameno (a) entre
os eletrodos auxiliares.

Os bornes externos (E) e (H), são os bornes de corrente (C1) e (C2) da Figura 14 que geram uma corrente, que é
medida pelo circuito de corrente do Terrômetro.

Os bornes internos (S) e (ES), são os bornes de potencial (P1) e (P2) da Figura 14, e medem a tensão produzida
no solo pela corrente citada anteriormente.

Com o valor da tensão medida entre (S) e (ES) dividida pela corrente gerada entre (E) e (H) obtem-se a
resistência indicada pelo instrumento (R) ou seja: R = ΔV / i ohms.

Cabe observar que o intrumento para medir a resistividade do solo pelo método de quatro eletrodos deve
naturalmente ter quatro bornes, os quais são internacionalmente designados pelas letras (E), (ES), (S) e (H).

Figura 16 – Terrômetro MTD 20kWe utilizado na aula prática nas medições para a determinação da resistividade
elétrica do solo sob análise.

31
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

No caso da Figura 17, sendo (a) igual a quatro metros (4m), e ΔV/i = R =120W

Pela fórmula simplificada de Wenner teriamos uma resistividade de:

 V 
  2  a     2  3,1416  4  120  3.015,93.m
 i 
Cabe observar que existem equipamentos de medição, tais como o terrômetro modelo EN 4055 da Megabrás que
admitem a introdução do valor do espaçamento entre os eletrodos, sendo o valor da resistividade ( r) mostrado
diretamente em W.m.

ES
S
S

Figura 17 – Posicionamento dos eletrodos auxiliares em medições reais para a determinação da resistividade
elétrica do solo, espaçamento entre os eletrodos (H), (S), (ES) e (E) de (a) = 2 metros.

7.1.1.7 - INFLUÊNCIA DAS RESISTÊNCIAS DAS HASTES AUXILIARES DE MEDIÇÃO:

Das hastes auxiliares de corrente (H) e (E): O aumento das resistências próprias das hastesauxiliares de
corrente gera dois problemas:

a) Diminuição da corrente que circula para a execução da medição;


b) Aumento da tensão de modo comum no voltímetro. Im= Vg / R4+Rj+R1

Se (R1+R4) aumenta a corrente (Im)


Irá diminuir;

Se a corrente de medição diminue


ImIm a relação (sinal/ruído) diminue, o que
Im irá gerar erros e incertezas

NO CASO DO TERRÔMETRO
DIGITAL MTD 20KWe A SER
UTILIZADO NA AULA PRÁTICA
CADA UMA DAS RESISTÊNCIAS
(R1) e (R4) DEVEM TER UMA
RESISTÊNCIA DE ATERRAMENTO
PRÓPRIA MENOR DO QUE
5.000Ω. E as (R2) e (R3) < 1.000Ω
32
im
Figura 17- Influência das hastes auxiliares de corrente
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

Das hastes auxiliares de potencial (S) e (ES): O aumento das resistências próprias das hastes auxiliares de
potencial gera dois problemas:

a) Se (R2) + (R3) aumentam irá diminuir a queda de potencial ( ΔV) no voltímetro;


b) Se (ΔV) diminuir o erro na medição irá aumentar.

A resistência de entrada do circuito voltimétrico ( do medidor de resistência ) do MTD 20KWe é de 20kΩ. E a


resistência de aterramento própria de cada eletrodo auxiliar de potencial deve ser menor ou no máximo igual à
1.000Ω para que o erro seja desprezível ( menos que 5%).

Cada fabricante especifica os valores máximos das resistências de aterramento que as hastes auxiliares de corrente
e potencial que determinado instrumento (terrômetro) poderá ter sem incluir erro nas medições, isto é garantir a sua
precisão, conforme foi no caso dos terrômetros da Megabrás.

7.1.1.8- ALARME ACÚSTICO [ Ref.32]:

O terrômetro que será utilizado na aula prática, o MTD 20 KWe da Megabrás, possui um alarme acústico, visando
evitar a realização de medições com erro. Se a corrente para a realização das medições for inferior ao valor
requerido para realizar as mesmas, ou se não circular corrente entre os bornes H (Ec) e E (Exc) o circuito de alarme
será ativado gerando um sinal audível (um bip) intermitente. Neste caso o operador deverá verificar as conexões,
bem como o estado de carga da bateria e os valores das resistências de aterramento próprias dos eletrodos
auxiliares de corrente e de potencial. Caso este último caso seja conprovado, quando por exemplo estão sendo
executadas medições em um solo com valores elevado de resistividade, deve-se molhar abundantemente as hastes
auxiliares com sal e água ou instalar diversas hastes em paralelo. Teste do circuito de alarme: Basta conectar o
equipamento com o circuito de corrente aberto, ou seja os bornes H (Ec) e E (Exc) desconectados.

7.1.1.9- VERIFICAÇÃO DO ESTADO DA BATERIA DO TERRÔMETRO MTD 20KWe A SER UTILIZADO NA AULA
PRÁTICA DE CAMPO:

Antes de iniciar as medições, é necessário verificar se a bateria interna ( recarregável) possui carga suficiente, para
tanto deve-se pressionar o botão ― Battery‖ (11), se o valor exibido no display for inferior a 1.000, a bateria necessita
ser recarregada. Esta checagem pode ser feita em qualquer instante, principalmente antes e durante as medições. A
fonte de alimentação é universal, por este motivo pode ser conectada a redes de corrente alternada com tensões
entre 90 à 240 volts. È utilizada tanto para recarregar a bateria interna como para a operação do equipamento com
alimentação direta da rede de energia. Quando ligado à rede para recarga da bateria, irá se acender uma luz
vermelha. Carga completa acende luz verde permanente.. Luz vermelha intermitente indica problema na carga da
bateria. O equipamento deve ser sempre recarregado antes da realização de medições. Cabe ob servar que o
instrumento pode também medir as tensões espúrias que eventualmente possam existir no solo. Selecione a
posição (V) na chave de Função (08) e pressione a tecla START (07) o disply indicará a tensão C.A. existiente entre o
sistema de aterramento sob medição e a haste auxiliar (E2) até 200 volts.

7.1.1.10- ESCALAS DE MEDIÇÃO:

O Terrômetro MTD20KWe tem quatro escalas de medição:

Figura 18- Escalas de medição do terrômetro MTD 20KWe

33
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

7.1.1.11- FUNÇÕES DE CONTROLE DO PAINEL DO TERRÔMETRO MTD 20KWe:

Figura 19- Funções de controle do painel do Terrômetro MTD 20KWe a ser utilizado na aula prática

A nomeclatura (E) – (ES) – (S)- (H) é a indicada pela IEC. E a (Exc) – (ExT) – (ET) – (Ec) é a utilizada normalmente
pelos Terrômetros da Megabrás, a qual i mantida para facilitar a transição.

34
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

7.1.1.12- MÁXIMO ESPAÇAMENTO (a) ENTRE OS ELETRODOS AUXILIARES DE MEDIÇÃO:

Nas medições pelo método de Wenner, objetivando a obtenção do valor aproximado da resistividade média
do solo para diversas profundidades a equação (17) anterior é utilizada, para diversos valores de (a) = 1, 2,
3, 4.... O que normalmente se faz na pratica é o preenchimento da Tabela II da figura 20.

Tabela II

Figura 20 - Tabela II - Para o registro das medições de resistividade média do solo em um determinado
ponto (P) sendo (R=ΔV / i) a leitura do terrômetro, e (r) será o valor calculado da resistividade média do
solo a uma profundidade aproximada igual ( a ) calculada com as equações de Wenner, normalmente a
equação simplificada de Wenner, a equação (17).

Uma dúvida poderá surgir: até que distância (a) entre os eletrodos auxiliares de corrente e potencial,
deveremos efetuar as medições, quando não existirem limitações físicas para a realização destas medições
pelo método de Wenner ?

Como os valores medidos irão representar aproximadamente a resistividade média a uma profundidade (a)
metros (aproximadamente) e como estas profundidades de interesse estão relacionadas com as dimensões
do sistema de aterramento que se pretende projetar e instalar no solo sob análise através das medições de
resistividade. Sendo que quanto maior for as dimensões do sistema de aterramento, maior será o volume do
solo que será solicitado quando da dissipação de uma corrente de curto-circuito para a terra, que irá circular
para a fonte do mesmo. Portanto para que estas medições representem da melhor forma possível este solo
onde será implantado este futuro sistema de aterramento, deveremos medir também até maiores
profundidades.. Uma malha de aterramento com dimensões de 50 x 50 metros por exemplo, instalada a uma
profundidade de 0,80 m da superfície do solo, ao dissipar correntes de defeito fase-terra no sentido da fonte,
irá utilizar camadas do solo chamado de volume de influência que terá uma profundidade muito maior do que
os 0,80 m.

Agora, qual deverá ser aproximadamente a profundidade mínima que deveremos obter informações através
das medições pelo método de Wenner para servir de dado de entrada para este futuro projeto ?

Como um dos objetivos fundamentais das medições de resistividade do solo é o de se obter os dados de entrada
para se projetar o sistema de aterramento o mais adequadamente possível do ponto de vista do escoamento das
correntes de defeito para o solo até a fonte, é importante estimarmos até que profundidade este solo irá influenciar
nesta dissipação, ou em outras palavras, até que profundidade este solo será utilizado durante esta dissipação.

35
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

Em termos práticos, podemos dizer que para que a estratificação seja executada com o maior número de
informações possíveis dos valores da resistividade do solo onde o sistema de aterramento será implantado,
deveremos executar medições aproximadamente até no mínimo uma profundidade igual à metade da maior
dimensão do citado sistema de aterramento que se pretende projetar e construir (este valor varia conforme a
composição do solo).

Exemplo 2: No caso de um sistema de aterramento ser composto por uma malha de aterramento, prevista para ser
implantada sob o solo de uma subestação, tendo as dimensões de 50m de largura por 50m, de comprimento, até
profundidade teriamos que fazer as medições até que distanciamento (a) entre os eletrodos auxiliares ?

maior dim ensão Equação (18)


(a) 
2

d  50 2  50 2  5000  70,71m d = a diagonal , é a maior dimensão deste sistema de aterramento =


70,71 metros.

70,71
Logo a metade da maior dimensão (diagonal) é igual a:  35,36m
d 2

a  35,36m ( a = espaçamento entre os eletrodos auxiliares)

Figura 21

Deveremos então executar medições pelo método de Wenner, até no mínimo com (a) = 36 m, é um valor
bastante aproximado, porém nos permite ter uma diretriz mesmo que muito aproximada de até qual
profundidade deveremos pesquisar através das medições os valores de resistividade do solo onde será
implantado o sistema de aterramento. Neste caso não precisariamos medir até uma distância de 64 metros entre
os eletrodos auxiliares.

8- INTERFERÊNCIAS ELÉTRICAS DE MECÂNICAS QUANDO DAS MEDIÇÕES PELO MÉTODO DE


WENNER:

Devem ser tomados certos cuidados para que interferências elétricas e mecânicas não alterem os resultados das
medições.

8.1- INTERFERÊNCIAS ELÉTRICAS POR CORRENTE ALTERNADA:

8.1.1- São causadas basicamente por corrente alternada de 60 Hz ou freqüências múltiplas ou sub-múltiplas da mesma;

8.1.2- Poderemos também ter interferências radiadas devido a campos elétricos e/ou magnéticos ou eletromagnéticos;

8.1.3- Interferências devido a correntes que circulam para a terra no sentido da fonte, devido ao desequilíbrio das cargas
pertencentes aos circuitos de distribuição, a freqüência das mesmas são geralmente de 60 Hz e em certos casos múltiplas
e sub-múltiplas das mesmas;

36
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

8.1.4- Correntes de fuga que circulam para terra no sentido da fonte, devido a falhas indevidas na isolação de
equipamentos elétricos;

8.1.5- Correntes de frequências diversas próximo à antenas de telecomunicações;

8.1.6- Correntes de 400 Hz de fuga dos circuitos auxiliares de partida de aeronaves, e similares.

Observação: Nos terrômetros analógicos a interferência pode ser notada devido o ponteiro do galvanômetro do
instrumento de medição não se estabilizar (fica oscilando de um lado para o outro), o caso mais grave é aquele
em que esta oscilação não é percebida, pelo fato da freqüência da corrente interferente ser maior do que a
própria inércia do ponteiro do galvanômetro, neste caso o ponteiro não se move. Nos instrumentos digitais (mais
utilizados atualmente) as interferências em certos casos podem ser notadas pela oscilação dos valores durante as
medições, certos terrômetros tais como o terrômetro MTD 20Kwe da megabrás, Figura 19, nos permite efetuar a
medição do valor da tensão interferente, quando selecionamos a função (V) através do seletor de funções (8)
da figura 19.

8.2- INTERFERÊNCIAS ELÉTRICAS POR CORRENTE CONTINUA:

8.2.1- A heterogeneidade na composição dos solos cria macropilhas naturais, que por sua vez geram as
chamadas correntes telúricas, que circulam no solo devido a esta heterogeneidade. Possuindo inclusive
potenciais próprios, que podem variar em média de aproximadamente 0.8 à 1,5 volts conforme a composição
geológica.

8.2.2 - Correntes de fuga provenientes de circuitos de tração elétrica como do metrô e trens;

Para que estas interferências não produzam erros nas medições os terrômetros devem ser fabricados com filtros
internos, logo ao se adquirir instrumentos deste tipo deve-se verificar qual a freqüência de operação do mesmo
visando evitar as interferências em 60 Hz bem como de suas hamônicas e sub-harmônicas, e se possuem
dispositivos (filtros) ou outro mecanismo para também bloquear interferências devido a corrente contínua..

8.3-INTERFERÊNCIAS MECÂNICAS:

Sempre que estivermos efetuando medições de resistividade do solo, devemos observar se objetos metálicos
enterrados não estão ocasionando interferência (erros) nos resultados. A figura 22 sugere as distâncias mínimas
a serem obedecidas, com o objetivo de minimizar essas interferências.

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ELEMENTO CONDUTOR
ENTERRADO
Z

MEDIÇÕES PROXIMAS A ELEMENTOS


CONDUTORES ENTERRADOS
MEDIÇÕES PRÓXIMAS A UMA MALHA DE
ATERRAMENTO EXISTENTE

Y > 1,5 . dmáx. Sendo dmáx. o espaçamento entre os eletrodos auxiliares (a)

X > dmáx.

Z = qualquer

Figura 22 - Distâncias mínimas de objetos condutores enterrados

Quando não tivermos pleno conhecimento se no local das medições existem ou não elementos metálicos
enterrados, uma indica,cão da existência dos mesmos é a não variação significativa das leituras do terrômetro
(ΔV / I = R ) mesmo quando aumentarmos os espaçamentos (a) entre os eletrodos auxiliares de corrente ( C1 )
(C2 ) e os de potencial (P1 ) ( P2 ).

Quando for realmente necessário se saber o valor da resistividade do solo em locais onde existam sistemas de
aterramento com fundações metálicas ou de concreto armado, e sendo inviável a execução das medições de
resistividade do meio sem a influência deste elementos condutores, algumas alternativas apesar de nos levarem a
valores aproximados e não condizentes com as do local sob influência podem ser as seguintes:

Execução de medições em terrenos vizinhos: e que não possuam elementos metálicos enterrados.
Aconselha-se sempre que possível comparar estes resultados com os das sondagens geológicas feitas antes da
execução das fundações no terreno em que foi inviável a execução das medições. Para que se possa deste modo
deduzir, após a comparação e análise, qual o valor de resistividade mais adequada para representar o solo em
questão. Cabe observar que se medirmos no prórpio local onde existem objetos metálicos enterrados, o que nos
leverá a achar valores diferentes do da resistividade deste solo, sem estes elementos metálicos enterrados, porém
este é o valor real da resistiviade daquele local e qualquer sistema de aterramento que seja instalado irá interagir
também com estes elementos condutores enterrados, resumindo será o valor real da resistividade do sistema (solo +
elementos metálicos enterrados) .

38
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Retirada de amostra do solo, figura 23, neste caso a amostra é retirada por intermédio de um trado, até a
profundidade que se deseja conhecer o valor da resistividade, a compactação e a umidade deve ser tanto quanto
possível mantida como no solo original. Como se conhece o comprimento e a seção transversal, calcula-se a
resistividade após a medição da resistividade da amostra pelas fórmulas:

L RS
R logo   S
S L
Equação (18) L Figura 23

Caso a medição (R) da resistência da amostra não possa ser efetuada no campo, deve-se colocar o material da
amostra em um tubo não condutor (PVC ou fibra de vidro) com as mesmas dimensões do trado, efetuando-se a
medição em laboratório. Este processo é de elevado custo e de difícil execução, principalmente quando se deseja
verificar o valor da resistividade a grandes profundidades, este processo não é muito utilizado.

9- CRITÉRIOS PARA A DETERMINAÇÃO DO NÚMERO MÍNIMO DE PONTOS A SEREM MEDIDOS, PARA A


DETERMINAÇÃO DO VALOR DA RESISTIVIDADE CARACTERÍSTICA DO MEIO (SOLO):

As medições de resistividade devem ser executadas em toda a área onde será implantado o novo sistema de
aterramento, sendo que o número mínimo de pontos é basicamente definido levando-se em consideração os
seguintes fatores:

Dimensões do local;
Discrepância entre os valores encontrados durante as medições;
Maior ou menor importância do projeto que será executado.

Sendo que o número mínimo de pontos é estabelecido em função das dimensões do terreno conforme indicado nas
figuras 24 e 25 conforme a TABELA III da ABNT NBR 7117:12

TABELA III – ÁREA DO TERRENO E NÚMERO DE LINHAS DE MEDIÇÃO

Área do terreno Número mínimo de linhas de Croquis para as linhas de


(m²) medição medição

S≤1.000 2 Figura 25(a)


1.000 < S ≤ 2.000 3 Figura 25(b)
2.000 < S ≤ 5.000 4 Figura 25(c)
5.000 < S ≤ 10.000 5 Figura 25(d)
10.000 < S ≤ 20.000 6 Figura 25(e)
39
Figura 24- TABELA III – ABNT NBR 7117:12
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NÚMERO DE PONTOS e DIREÇÃO DAS LINHAS DE MEDIÇÃO:

25(a) 25(b)

25(d)
25(c)
y

x
25(e)
[ Fonte. ABNT NBR 7117:12 ]

Figura 25- Número mínimo de medições em função da área do terreno.

10 - ANÁLISE DOS VALORES MEDIDOS:

Normalmente para executarmos o projeto, cálculo da resistência operativa de um sistema de aterramento, o primeiro
passo refere-se a caracterização do meio (local/solo ) onde o mesmo será implantado, o que normalmente é feito
através de medições para determinar o valor da resistividade que o caracterize. Normalmente são executadas
diversas medições, obtendo-se para cada ponto medido e para cada espaçamento escolhido, uma série de valores, os
quais podem ser vistos na Tabela IV seguinte. Criteriosa análise desses valores encontrados deve ser feita, com o
objetivo de que se chegue a conclusão de quais dos valores medidos podem ou não ser considerados como realmente

40
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

representativos do meio onde será implantado o novo sistema de aterramento. Esta análise é conhecida como análise
de aceitação dos valores, a qual é normalmente executada utilizando-se um dos seguintes critérios:

10.1- CRITÉRIO DA MÉDIA ARITMÉTICA COM EXCLUSÃO DE VALORES (o mais utilizado na prática).

10.2- CRITÉRIO DA MÉDIA GEOMÉTRICA ( mais preciso que o anterior:).

10.1- CRITÉRIO DA MÉDIA ARITMÉTICA COM EXCLUSÃO DE VALORES:

10.1.1-Calcula-se a média aritmética dos valores medidos. R médio ou ( ρ ) médio;

10.1.2- Calcula-se os desvios dos vários valores medidos com relação à média;

10.1.3- Calcula-se os desvios médios percentuais com relação a média dos vários valores medidos;

10.1.4- Se todos os desvios médios porcentuais com relação a média forem menores ou iguais à 50% ,
podemos dizer que todos os valores obtidos através das medições de resistividade nos respecivos pontos e
espaçamentos são representativos do solo em questão, sendo que a média aritmética dos mesmos poderá ser
considerada como a representativa das resistividades do solo sob análise. E serão estes os valores a serem
utilizados para a determinação do modelo matemático do solo ou estratificação e consequentemente utilizados
para a execução do projeto do sistema de aterramento a ser implantado neste solo.

10.1.5 - Quando os desvios percentuais com relação à média forem maiores do que 50%, os seguintes
procedimentos devem ser seguidos:

10.1.5.1-Verificar se o valor da resistividade no ponto e profundidade onde o desvio foi maior que a média, se o
mesmo é muito menor com relação ao valor médio das resistividades medidas naquele ponto e profundidade, se
isto ocorrer, simplesmente se abandona o valor medido neste ponto, calculando-se uma nova média aritmética
com os valores medidos nos pontos restantes no mesmo ponto e na mesma profundidade sob análise;

10.1.5.1 - Verificar se o valor da resistividade no ponto onde o desvio foi maior que a média se o valor da
resistividade neste ponto é muito maior do que o valor médio no respectivo ponto e profundidade, se isto se verificar,
dois procedimentos poderão ser seguidos;

a) Dimensionar o sistema de aterramento considerando-se este ponto com valor mais elevado de
resistividade, sendo que neste caso estaríamos superdimensionando o sistema de aterramento;

b) Excluir este valor e calcular a média com os valores dos pontos restantes na mesma profundidade,
tratando este ponto, com alto valor de resistividade, de maneira especial, como por exemplo executando no
local uma malha com um quadriculado com menor espaçamento. Inclusive pode-se considerar este ponto a
parte efetuando uma estratificação específica para o mesmo, afim de que possamos tomar os devidos
cuidados.

Exemplo 3: Projetar um sistema de aterramento, configuração em malha a ser implantada em uma subestação
cujo terreno tem as dimensões representadas na figura 26 .

Para que possamos executar os cálculos do projeto deveremos inicialmente efetuar as medições da resistividade,
escolher os valores de resistividade representativos do local (solo) onde será implantada a malha, traçar a curva de
resistividade característica do mesmo, representando-o em seguida pelo modêlo matemático representativo deste
solo ou estratificação.
41
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

a=120m

b=100m

Figura 26- Terreno com 12.000m2 onde deverá ser implantado um sistema de aterramento

A Tabela IV indica os valores medidos de ( R = ΔV / I ) pelo método de Wenner :

Tabela IV – Valores ( R = ΔV / i) medidos com o terrômetro

(a)m Ponto A( x-x ) Ponto B ( y-y ) Ponto C (x-x ) Ponto D ( y-y ) Ponto E ( x-x) Ponto E(y-y )

R(ohm) R (ohm) R(ohm) R(ohm) R(ohm) R(ohm)

2 132,0 123,0 60,0 105,0 75,0 44,0

4 37,5 38,2 25,6 37,0 37,8 20,6

8 8,8 5,2 5,0 7,5 9,0 3,0

16 0,8 0,5 0,36 1,2 2,4 0,4

32 0,01 0,02 0,014 0,01 0,012 0,01

A Tabela V nos indica os valores da resistividade, calculados com a aplicação da equação (12)
simplificada de Wenner:

  2  a  R Ω.m

Para o Ponto A (x-x) com (a) = 2 metros poderemos então escrever:

médio  2    a  Rmédio  2  3,14  2  132,0  1658,76.m

42
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

Tabela V – Valores de resistividade calculados pela fórmula simplificada de Wenner

(a)m Ponto A (x-x ) Ponto B ( y-y ) Ponto C ( x-x ) Ponto D ( y-y ) Ponto E ( x-x) Ponto E(y-y )

(.m)  (.m) (.m) (.m) (.m) (.m)

2 1658,76 1545,66 753,98 1319,47 942,48 552,92

4 942,48 960,07 643,4 929,91 950,00 517,73

8 442,34 261,38 251,33 376,99 452,39 150,80

16 80,42 50,27 36,19 120,64 241,27 40,21

32 2,01 4,02 2,81 2,01 2,41 2,01

A Tabela VI é obtida calculando-se a média aritmética dos valores medidos de (R = V / I), ou seja para
a = 2 metros:

132  123  60  105  75  44


 89,83
6

O valor da resistividade média é calculado utilizando-se a fórmula  = 2·a (ΔV/I) =  = 2·a (R) ou
seja:

médio  2    a  Rmédio  2  3,14  2  89,83  1128,8.m podendo ser calculado também da


seguinte maneira:

1658,76  1545,66  753,98  1319,47  942,48  552,92


 1128,8.m
6

Repete-se este procedimento anterior para os diversos espaçamentos ( a ) = 4, 8, 16, 32 obtendo-se a Tabela V

Tabela VI- Valores de Rmédio e resistividade média

(a)m R médio Resistividade média

2 89,83 1128,8

4 32,78 823,93

8 6,42 322,54

16 0,94 94,83

32 0,013 2,55

No presente exemplo, teremos:


Deverão ser agora calculados os desvios com relação à média pela equação :
No presente exemplo, teremos:
Dm= resistividade média - resistividade no ponto considerado = Equação (19)

43
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

Para o Ponto A(x-x), a = 2m: Dm = 1658,76 - 1128,8 = 529,96 fazendo-se o

mesmo para todos os demais pontos, a = 4, 8, 16, 32 iremos gerar a Tabela VII

Tabela VII- Desvios calculados com relação a média (Dm)

( a ) metros Ponto A Ponto B Ponto C Ponto D Ponto E Ponto E

(x-x) (y-y)

2 529,96 417,61 375,07 190,42 186,57 576,13

4 118,55 136,14 180,53 105,98 126,07 306,2

8 119,8 61,16 71,21 54,45 129,85 171,74

16 14,41 44,56 58,64 25,81 146,44 54,62

32 0,54 1,47 0,26 0,54 0,14 0,54

Na seqüência deveremos calcular o desvio médio porcentual com relação à média (Dm%), para cada
ponto medido, para deste modo podermos executar as verificações de quais os desvios irão
ultrapassar 50%, com relação a média:

Dm (%) = resistividade média - resistividade no ponto considerado  100


= Equação (20)
( resistividade média )

Para o exemplo, para (a) = 2m : 1658,76  1128,8 x 100 = 46,94


1128,8

Fazendo o mesmo para todos os pontos teremos a Tabela VIII dos desvios médios porcentuais em
relação a média. Tabela esta que deve ser analisada segundo o Critério da média aritmética com
exclusão de valores

44
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

Tabela VIII - Desvios médios porcentuais ( % ) com relação à média (Dm%)

(a ) metros Ponto A(x-x) Ponto B(y-y) Ponto C(x-x) Ponto D(y-y) Ponto E(x-x) Ponto E(y-y)

2 46,94 36,99 33,22 16,87 16,52 51,03

4 14,39 16,52 21,91 12,86 15,3 37,16

8 37,14 18,96 22,08 16,88 40,26 53,25

16 15,2 46,96 61,84 27,22 154,42 57,25

32 21,18 57,65 10,2 21,18 5,49 21,18

Cabe observar que para camadas superficiais (a as quais podem ser bastante influenciadas pelas
condições climáticas ( chuva, seca ) e para as camadas mais profundas, na região do lençol freático poderão ser
encontrados valores dos desvios médios porcentuais maiores que 50%. Nestes casos pode-se aceitar valores
maiores dos desvios, a critério do projetista. Os erros que poderão ser cometidos no início e no final da curva
podem ser considerados pequenos quando fom aplicadas as curvas padrão e auxiliar .

Tabela IX – Resistividade média calculada com a aplicação do critério da média aritmética com exclusão de valores.

(a) metros ρmédio (Ω.m)

2 1244,07

4 823,93

8 358,08

16 123,15

32 2,55

ANÁLISE PARA (a) = 2 METROS

c) Ponto E(y-y) a =2m D% = 51,03 temos que no Ponto E(y-y) a =2m o valor medido foi de ρ2m = 552,92 Ω.m
(Tabela V), portanto ρm >>> ρ2m pois ρm = 1128,8 Ω.m, LOGO este valor pode ser abandonado.

d) Cálculo da média com os valores restantes, para (a) = 2 metros:

1658,76  1545,66  753,98  1319,47  942,48


 1244,07 (vide Tabela IX)
5

ANÁLISE PARA (a) = 8 METROS

c) Ponto E(y-y) a =8m D% = 53,25 temos que no Ponto E(y-y) a =8m o valor medido foi de ρ8m = 150,80 Ω.m
(Tabela V), portanto ρm >>> ρ8m pois ρm = 322,54 Ω.m, LOGO este valor pode ser abandonado.

d) Cálculo da média com os valores restantes, para (a) = 8 metros:

45
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442,34  261,38  257,33  376,99  452,39


 358,08 (vide Tabela IX)
5

ANÁLISE PARA (a) = 16 METROS

a) Ponto C(x-x) a = 16 m, Dm% = 61,8 % temos que no Ponto C (x-x) , a = 16m temos ρ16m = 36,19 Ω.m
AGORA o valor da resistividade média é igual a ρm = 94,83 Ω.m – LOGO ρm >>> ρ 16m podemos
abandonar o valor de ρ16m = 36,19 Ω.m (Tabela V) e calcular nova média com o restante dos valores.

b) Ponto E(x-x) a =16m D% = 154,42 temos que no Ponto E(x-x) a =16m o valor medido foi de ρ16m = 241,27
Ω.m (Tabela V), portanto ρm <<< ρ 16m pois ρm = 94,83 Ω.m, LOGO, adotando-se a primeira opção
citada este valor não é abandonado, calcula-se então a média considerando-se este valor.

c) Ponto E(y-y) a =16m D% = 57,25 temos que no Ponto E(y-y) a =16m o valor medido foi de ρ16m = 40,21
Ω.m (Tabela V), portanto ρm >>> ρ 16m pois ρm = 94,83 Ω.m, LOGO este valor pode ser também
abandonado.

d) Ponto (B(y-y) a=32 m D%=57,65 temos que no Ponto B( y-y) a=32 m o valor medido com (a) =32 m foi
ρ32m = 4,02 Ω.m (Tabela V), ρm << ρ 32m pois ρm = 2,50 Ω.m (Tabela VI), LOGO este valor não é
abandonado

Cálculo da média com os valores restantes, para (a) = 16 metros:


80,42  50,27  120,64  241,27
 123,15 (vide Tabela IX)
4

10.2- CRITÉRIO DA MÉDIA GEOMÉTRICA ( mais preciso que o anterior:).

Pelo critério da média geométrica deveramos extrair a raiz (n) dos (n) valores medidos, ou seja:

√ Equação (21)

√ 1048,57Ω.m

Repetindo o cálculo anterior para (a) = 2, 4, 8, 16, 32 iriamos gerar a Tabela X seguinte:

TABELA X- Resistividade Média pelo método


da média geométrica

(a)metros ρ médio (Ω.m)


2 1048,57

4 802,08

8 301,24

16 74,51

32 2,45

46
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11-ESTRATIFICAÇÃO DO SOLO:

Com base nas medições executadas no local onde será implantado o sistema de aterramento, após o
tratamento matemático utilizando-se o critério da média aritmética com exclusão de valores, traça-
se a curva de resistividade característica representativa do solo em questão, e na seqüência efetua-se
a estratificação do solo, o que é mesmo que representa-lo através de um modêlo matemático
aproximado do solo onde será implantado o sistema de aterramento e cuja configuração básica é o
da figura 27:

d1=......m  1 = ............ .m

d2 =......m  2 = ............. .m

d3=∞  3 = .............m

Figura 27- Modelo matemático aproximado do solo – estratificação

11.1- ESTRATIFICAÇÃO OU MODELAGEM MATEMÁTICA DO SOLO:

Na prática, não existe solo homogêneo, como foi considerado quando da análise do método de
Wenner, ao contrário os solos são normalmente formados de diversas camadas, aproximadamente
paralelas a superfície do mesmo, em virtude da própria formação geológica natural ao lon go dos
diversos anos. Em casos raros de falhas geológicas, as diversas camadas apresentam-se inclinadas ou
até verticais. O método de modelagem que será analisado considera as camadas aproximadamente
horizontais, uma vez que os de falhas geológicas são muito raras.

11.2- MODELAGEM DO SOLO EM DUAS CAMADAS:

A mais simples estrutura de solo, além do solo homogêneo, é o solo com duas camadas, o mesmo é utilizado
como ponto de partida para a execução de modelagens matemáticas mais complexas. Esta modelagem é
executada de tal maneira que o solo no qual foram executadas as medições pelo método de Wenner seja
representado não pela curva representativa de resistividade, a qual é normalmente uma curva variável, e sim por
um modelo matemático ou estratificação, com valores de resistividade ( ρ 1 ) bem definidos até uma determinada

47
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profundidade (d1) também definida, uma segunda camada com resistividade ( ρ 2 ) que se estende, no caso dos
solos de suas camadas até o infinito, conforme representado na figura 28.

d1 ρ1=600Ω.m

∞ ρ2=150Ω.m

Figura 28- Solo estratificado em duas camadas

11.3 - TEORIA BÁSICA e PROCEDIMENTO ANALÍTICO PARA A DETERMINAÇÃO DO MODÊLO


MATEMÁTICO OU ESTRATIFICAÇÃO DO SOLO:

Estrutura de duas camadas e as curvas padrão:

A figura 29 representa uma estrutura de duas camadas, possuindo uma camada superior com resistivi dade
(ρ1) até uma profundidade ( d1 ), e uma camada inferior, considerada como estendendo-se até o infinito, com
uma resistividade correspondente (ρ2 ).

Enquanto a distância (a) entre (C1) e (C2) for pequena em comparação com (d1) a diferença de potencial
(Δ v) entre (P1) e (P2), durante a medição pelo método de Wenner, quase não é afetada pela camada mais
profunda, pois a corrente injetada circulará preferencialmente pela primeira camada (camada mais
superficial).

Porém
Porémquando
quandoa separação
a separação( a ) entre os eletrodos
(a) entre auxiliares
os eletrodos de medição
auxiliares de for aumentada,
medição maior será a influência
for aumentada, maior será a
da camada inferior,
influência da camadana diferença
inferior,dena
potencial ( Δv de
diferença ) como mostra (∆v)
potencial figuracomo
19.| Se a estrutura
mostra for 30.
figura homogênea ( solo for
Se a estrutura
teórico, não existente
homogênea na prática teórico,
(solo homogênio, ) este valor (Δ v) não na
não existente será lterado,
prática) isto éde
o valor o valor da resistividade
(∆v) não não irácom o
sofrerá alteração
mudar comda
aumento o aumento
distânciadoentre
espaçamento entreauxiliares,
os eletrodos os eletrodos (a).é o valor da resistividade não sofrerá alteração no
isto
seu valor com o aumento do espaçamento entre os eletrodos (a).

48
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Figura 29 Figura 30

Quando a resistividade  2  1 a resistividade aumenta com com o aumento da distância (a) entre
os eletrodos auxiliares e vice – versa conforme as figuras 31 e 32.

Figura 31 Figura 32

Consequentemente pela análise da correlação entre a distância (a) de separação entre os eletrodos
auxiliares e a variação dos valores de resistividade (  ) pode-se concluir como a resistividade varia
com a profundidade. As curvas das figuras 31 e 32 anteriores são traçadas com base nos valores
obtidos através de medições pelo método de Wenner em um determinado solo real com estrutra de
duas camadas.

A estratificação do solo pode ser determinada através de métodos gráficos, podendo o método
simplificado ser utilizado para um solo de duas camadas com curvas características de resistividade
com formatos típicos, como veremos na sequência, e o método gráfico com a utilização das curvas
de Hummel, ―curvas padrão‖ e as ―curvas auxiliares‖.

Sendo portanto nosso objetivo apresentar não só a teoria básica que nos possibilita após diversos
cálculos determinar as respectivas curvas, mas também como as diversas etapas seguintes devem
ser gerenciadas para que com base nos valores medidos, depois de matematicamente tratados,

49
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sejam utilizados para se executar a estratificação ou determinação do modelo matemático do solo sob
análise.

11.3.1- DEDUÇÃO DA FÓRMULA UNIVERSAL DE ESTRATIFICAÇÃO:

O solo teórico mais simples é o solo homogêneo, e o solo encontrado na prática cuja estrutura
pode ser considerada como a mais simples é o solo composto por duas camadas, conforme
esquematizado na figura 33, é de dificil obtenção na realidade mas é o modelo que servirá como base
para a dedução da fórmula universal de estratificação, a qual irá ser utilizada para solos de duas e
mais camadas em conformidade com o tratamento matemático que será analisado a seguir.

Assumindo-se que a estrutura do solo é o da figura 33, ou seja um solo de duas camadas, e
supondo-se que uma corrente de ( i ) amperes seja injetada no ponto (C) fluindo para determinado
ponto remoto, o potencial ( Vp) que irá aparecer em um ponto ( P) afastado do ponto (C) de uma
distância de (a) metros pode ser expresso pela equação (21)

(i)A

d1 (C) a (P) 1

∞ 2

Figura 33- solo com duas camadas

1  I 1 Kn
  2  n 1

Vp  (volt )
2 a a 2  2nd1 
2 Equação (21)

 2  1
K Equação (22)
 2  1

50
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Pelo mesmo procedimento descrito anteriormente no método de wenner, a diferença de potencial


(∆v) entre os eletrodos auxiliares (P1) e (P2) da figura 34 que representa o citado método aplicado a
um solo de duas camadas, pode ser calculado pela equação (23):

(C1) (P1) (P2) (C2)

d1
(a) (a) (a) 1

2

Figura 34 – Método de Wenner em solo de duas camadas

 
 
1  I  Kn Kn 
 1  4  n 1  2  n 1
 
V 
2    a  2 2  (volt )
2  d1  2  d1   Equação (23)
 1  4n   1 n   
  a  a 

A fórmula para o cálculo da resistência específica ou resistividade para uma estrutura de solo de

duas camadas pode ser obtida pela substituição da Equação ( 23) na Equação simplificada de

Wenner (24).

V
  2  a  .m Equação (24)
I
51
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Obtendo-se a equação universal de estratificação para duas camadas

 Kn Kn
 1  4  n 1  2  n 1
 

1 d 
2
d 
2 Equação (25)
1  4n  1 
2
1 n  1 
2

a a

2
1
 2  1 1 Equação (26)
K 
 2  1  2  1
1


Em outras palavras, curvas mostrando a relação entre (d1/a) e ( ) são obtidas para diversos valores de (K)
1
2
ou ( ) . Por conveniência de aplicação na prática, curvas de relação entre (a/d1) o inverso de (d1/a)
1

e de ( ) são apresentadas na figura 35. Estas curvas são as chamadas de curvas padrão aplicáveis
1
em solos com estrutura de duas camadas. Estas curvas padrão também serão utilizadas para executar
a estratificação no caso de solos com três ou mais camadas.

Logaritmizando a equação universal de estratificação para duas camadas, anterior pode-se construir uma
família de curvas teóricas em papel bi-logaritmo ( ρ / ρ 1 ) em função de ( d1 / a ) para uma série de valores de ( K )
ou (ρ2/ρ1) para toda a faixa de variação destes valores, como pode ser visto na figura 35.

Por conveniência em aplicações práticas, esta família de as curvas são representadas, em função de ( a / d1 ) nas
abscissas e (ρ 2/ ρ1 ) nas ordenadas. Estas são as chamadas de curvas padrão, aplicáveis nos solos com
estrutura de duas camadas.

Os valores de ( ρ1) , ( ρ2) e ( d 1 ) de determinado solo, cuja curva característica de resistividade tenha sido
obtida através de medições pelo método de Wenner, podem ser obtidos pela comparação dessas curvas traçadas
em função de ( a ) e ( ρ ) do solo sob estudo, com as curvas padrão.

52
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𝝆𝟐 𝝆𝟏

𝝆𝟐
𝝆𝟏

Figura 35 - Curvas padrão

11.4-MÉTODOS DE MODELAGEM DO SOLO:

11.4.1-Método gráfico por comparação de curvas;

11.4.2-Método analítico (via software);

11.4.1- MÉTODO GRÁFICO POR COMPARAÇÃO DE CURVAS PARA UM SOLO DE DUAS CAMADAS:

Basicamente este método compreende as seguintes etapas;


53
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1-Traça-se a curva característica representativa da resistividade do solo sob análise em papel bi-logaritmo transparnte com escala
identica às das curvas padrão;

2- Reforça-se a lápis a origem das curvas padrão (ponto de encontro entre os eixos da ordenada ( ρ 2 / ρ 1 ) e abscissa ( a / d1 ).

3- Colocar a curva característica representativa da resistividade (ρ x a) traçada, sobre as curvas padrão pesquisando qual a curva
padrão que mais se identifica com o primeiro trecho da mesma, seguindo-se as seguintes condições de coincidência:

3a- Deve-se obter o maior trecho possível de coincidência da curva característica representativa da resistividade (ρ x a), com
uma das curvas padrão; \

3b- Atendida a condição anterior por duas curvas padrão , optar pela coincidência com aquela curva padrão mais próxima do eixo
horizontal;

3c- Atendidas as condições 3a e 3b anteriores optar quando houver dúvida pelo trecho de coincidência da curva padrão mais próxima
a origem das curvas padrão, ponto de encontro entre os eixos (ρ2 / ρ1) e (a /d1);

Importante: Quando se estiver procurando esta coincidência os eixos verticais e horizontais da curva do solo sob estudo não devem se
inclinar em relação aos eixos das curvas padrão, resumindo os eixos verticais e horizontais das duas curvas devem ser deslocados
sempre paralelamente um em relação ao outro.

4- encontrado o maior trecho de coincidência com uma das curvas padrão, identificado pelo valor (ρ2/ρ1). transcreve-se a origem das
curvas padrão, (anteriormente reforçada a lápis) para o papel (gráfico) bi-logarítmico, onde foi traçada a curva de resistividade
característica do solo sob estudo, transcrevendo no lado deste ponto o número da curva padrão coincidente. Este ponto é chamado de
POLO.

5- Na ordenada e abcissa da curva de resistividade característica, são lidos os


valores correspondentes ao ponto origem das curvas padrão transcrito, (chamado polo), o que
nos possibilita achar diretamente o valor da resistividade da primeira camada (ρ 1 ) e a
profundidade da mesma (d 1 ).

6- A resistividade da segunda camada ( ρ2 ) é obtido através da seguinte relação:

2
 Número da curva padrão coincidente Equação (27)
1

54
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11.4.1.2-ESTRATIFICAÇÃO DO SOLO EM VÁRIAS CAMADAS:


.
A curva característica representativa da resistividade de um solo com várias camadas tem
normalmente a configuração da Figura 36.

ρ(Ω.m)

Figura 36- Curva característica de resistividade de um solo de quatro camadas

Para se determinar o número mínimo de camadas, que poderemos estratificar um solo cuja
curva característica da resistividade foi traçada com base em medições executadas pelo
método de Wenner, podemos utilizar a seguinte regra prática:

1-Conta-se o número de trechos crescentes da respectiva curva, soma-se este valor ao número
de trechos decrescentes da mesma + 1

Exemplificando: no caso da Figura 36 d1 ρ1

Número de trechos crescentes = 2 d2 ρ2


Número de trechos decrescentes = 1 d3 ρ3
Mais 1 teremos então: 2 + 1 + 1 = 4 (Quatro) camadas
∞ ρ4

Figura 37

55
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

O artifício usado para estratificar um solo de várias camadas é basicamente o de se dividir


a curva característica de resistividade em trechos típicos, como se fosse um solo de duas camadas,
tornando possível deste modo se estender o método de estratificação já estudado (estratificação para solos de
duas camadas) para a modelagem de solos com diversas camadas.

CRITÉRIO BÁSICO PARA A ESTRATIFICAÇÃO DE SOLOS COM VÁRIAS CAMADAS:

Admite-se que o solo representado pela Figura 38 (solo que poderá ser estratificado em pelo menos três camadas),
possui somente duas camadas, ignora-se portanto o trecho assinalado com linha pontilhada na Figura 39
devido a este procedimento, o solo poderia ser caracterizado como tendo somente duas camadas, o que nos
possibilitaria portanto a utilização das curvas padrão, que normalmente são utilizadas para solos com duas
camadas para a determinação das resistividades da primeira e da segunda camadas bem como da espessura da
primeira camada.

Agora se na seqüência tivéssemos uma equação que nos permitisse transformar estas duas camadas de solo
resultantes em uma só equivalente, isto é transformar por paralelismo as duas camadas produzidas pelo processo
anterior em uma só, poderíamos voltando a curva da Figura 38, novamente estar em presença de um solo com
somente duas camadas, o que nos permitiria novamente a aplicação das curvas padrão.

ρΩ.m

d1 ρ1

d2 ρ2

∞ ρ3

(a) m

Figura 38 – Curva característica de resistividade solo de três camadas Figura 39- Estratificação

56
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

d1 ρ1 deqn ρeqn

d2 ρ2 ≈

∞ ρ3 ∞ ρn+1

(ρeqn) é a resistividade equivalente (paralelismo) das duas camadas de resistividade (ρ1) e (ρ2) de espessuras
(d1) e (d2− d1) respectivamente.

Figura 40- Resistividade equivalente, paralelismo de camadas

Fórmula geral de paralelismo para um solo com ( n ) camadas:


n
di deqn
eqn  i 1

di d1 (d 2  d1) [dn  (dn  1)] Equação (28)
   ........... 
n
i 1
i 1 2 n

Sendo:

deqn  d1  (d 2  d1)  .........  [dn  (dn  1)] Equação (29)

Que é a chamada Equação de Hummel, que nos possibilita calcular a média ponderada das (n) camadas
em paralelo.

Notas: 1) eqn = resistividade equivalente das (n) camadas em paralelo


2) n +1= é sempre a resistividade da última camada
3) ( di ) é a espessura da camada de resistividade (

A equação anterior para duas camadas pode ser escrita da seguinte forma:

1  2  d 2
eqn 
1d 2  d1   2  d1
Equação (30)

ou

57
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

2 d2

eqn 1 d1

1 2 d2 Equação (31)
 1
1 d1

Por estarmos trabalhando com um processo gráfico, se utilizarmos a fórmula anterior estaríamos
misturando um processo analítico com um gráfico, o que não é recomendável, além deste fato, ao
substituirmos o valor de (d2) estaríamos em presença de uma indeterminação, como pode ser visto a seguir:

2 

eqn 1 d1

  Equação (32)
1 2 
 1 
1 d1
A representação gráfica da fórmula de paralelismo de camadas, pode ser conseguido por meio do traçado das
chamadas curvas auxiliares. As curvas auxiliares portanto são na realidade a representação gráfica da fórmula de
redução de camadas, ela nos possibilitam efetuar o paralelismo graficamente das camadas de determinado solo. As
curvas auxiliares estão representadas na figura 41.

58

Figura 41 – Curvas auxiliares


Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

MÉTODO DE ESTRATIFICAÇÃO GRÁFICA POR COMPARAÇÃO DE CURVAS PARA SOLOS DE MAIS DE DUAS
CAMADAS:

1-Traça-se a curva característica representativa da resistividade do solo no qual foram executadas as medições
pelo método de Wenner em papel bi-logarítmico transparente com escala idêntica ao das curvas padrão e auxiliares;

2- Reforça-se a lápis a origem das curvas padrão ( ponto de encontro entre os eixos das ordenadas ( ρ2 / ρ1 ) e a
abcissa ( a/d1 );

3-Divide-se a curva característica representativa da resistividade do solo em trechos;

4- Coloca-se a curva de característica da resistividade traçada, do solo sob estudo, sobre as curvas padrão e
procura-se a coincidência do primeiro trecho da primeira, com uma das curvas padrão, seguindo-se as seguintes
condições de coincidência;

4a-Deve-se obter o maior trecho possível de coincidência da curva característica de resistividade do solo sob
estudo, com uma das curvas padrão;

4b- Atendida a condição anterior por duas curvas padrão , optar pela coincidência com aquela curva padrão
mais próximo do eixo horizontal;

4c- Atendidas as condições 3a e 3b. anteriores optar quando houver dúvida pelo trecho de coincidência da
curva padrão mais próxima à origem das curvas padrão ( ponto de encontro entre os e i x o s ( ρ 2 / ρ 1 ) e
(a/d1);

Importante: Quando se estiver procurando esta coincidência os eixos verticais e horizontais da curva do solo sob
estudo não devem se inclinar em relação aos eixos das curvas padrão, resumindo os eixos verticais e horizontais
das duas curvas devem ser deslocados sempre paralelamente um em relação ao outro;

5- encontrado o maior trecho de coincidência com uma das curvas padrão, identificado pelo valor ( ρ 2/ρ 1 ) .
transcreve-se a origem das curvas padrão, (anteriormente reforçada a lápis) para o papel ( gráfico ) bi -logarítmico,
onde foi traçada a curva de resistividade característica do solo sob estudo, transcrevendo no lado deste ponto o
número da curva padrão coincidente. Este ponto transcrito é chamado de POLO;

6-Na ordenada e abscissa da curva de resistividade característica, são lidos os valores


correspondentes ao ponto origem das curvas padrão transcrito, (que é chamado POLO) nos possibilitando achar
diretamente o valor da resistividade da primeira camada (ρ 1) e a profundidade da mesma (d 1);

7- A resistividade da segunda camada é obtida pela seguinte relação:

( ρ 2/ρ 1 ) = Número da curva padrão coincidente

8- A seguir coloca-se a curva representativa do solo em estudo, sobre as curvas auxiliares, de tal maneira que a O
POLO ( anteriormente transcrito para o papel bi-logaritmico) coincida com a origem das curvas auxiliares;

9- Com uma linha tracejada a lápis copia-se a curva auxiliar de mesmo número da padrão a qual foi anteriormente
obtida coincidência;

59
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

10- Volta-se novamente agora para as curvas padrão, procurando-se novamente o maior trecho de coincidência do
segundo trecho da curva sob estudo com uma das padrões, sendo que agora mais uma premissa deve ser
observada;

10.1- A origem das curvas padrão deve permanecer sobre a curva auxiliar tracejada que foi transferida
para o papel transparente bi-logarítmico, onde foi traçada a curva representativa da resistividade do solo
sob ensaio. Os eixos das curvas padrão e sob estudo devem permanecer paralelos, como observado
anteriormente;

11. Encontrado o novo maior trecho de coincidência, deve-se repetir os procedimentosdescritos nos itens de 1 ao 7.

Exemplo 4: Os valores de resistividade representivos do solo de um determinado local onde deverá ser projetado e
implantado um sistema de aterramento, foi obtido através do método de Wenner cujos valores constam da Tabela XI,
determinar o modelo matemático representivo do mesmo (estratificação) pelo método de comparação de curvas
constante na ABNT NBR 7117:12.

Tabela XI

a (m) ∆V/i =R (Ω)

2 39,868 12,56 500

4 24,084 25,12 605

8 14,129 50,25 710

16 5,970 100,50 600

32 1,467 201,00 295

64 0,348 401,92 140

12- ESTRATIFICAÇÃO DO SOLO PELO MÉTODO SIMPLIFICADO - [Ref. ABNT NBR 7117:12]:

Se ao traçarmos a curva representativa da resistividade em função da profundidade de determinado solo, valores que
foram obtidos após as medições pelo método de Wenner e também após o tratamento matemático dos diversos valores
encontrados pelo método da média geométrica ou aritmética com exclusão de valores e se a mesma apresentar os
formatos característicos das figuras 42 ou 43, poderemos estratificar u tilizando o método simplificado para solos
de duas camadas, descrito a seguir.

60
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

Figura 42 Figura 43

12.1-SEQUÊNCIA PARA A DETERMINAÇÃO PELO MÉTODO SIMPLIFICADO DOS PARÂMETROS


CARACTERÍSTICOS DO SOLO ( 1), (  2)e(d )

1- Prolonga-se a curva característica do solo sob análise (   a) até interceptar o eixo das ordenadas,
neste ponto de intercessão estará indicado o valor da resistividade da primeira camada ( 1) ;

2- Traça-se a assíntota à curva (   a ) característica da resistividade do solo sob estudo, até que a mesma
intercepte o eixo das ordenadas esta intercessão irá definir o valor da resistividade da segunda camada
(  2) ;

 2 
  Equação (28)
3- Calcula-se:
 1 

4- Com o resultado do item 3 anterior determina-se o valor de (Mo) com auxilio da Tabela XII – (Mo)
 2 
  ;
em função de
 1 

5- Calcula-se em seguida ( m)  Mo  ( 1) Equação (33)

6- Na curva (   a) localiza-se( m) para se obter o valor da profundidade (d 1) da camada superior


do solo na curva seguinte, figura (44), ( a1)  ( d1) .

Observação: A determinação da resistividade aparente ( a) será feita com os seguintes valores:

( 1)  eqn (  2)  n  1 (d1)  deqn

61
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𝜌𝑚

𝑑
Figura 44 - curva ρ xa

Tabela XII

Ref.ABNT NBR 7117:12 62


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Exemplo 5 - Estratificar o solo cujos valores representativos do mesmo, são os da tabela abaixo, cabe
observar que estes valores foram obtidos pela aplicação do método da média geométrica de uma série de
medições executadas em um solo, em diversos pontos, através do método de Wenner:

a (metros) (  ).m
1 1500
2 1500
4 1400
8 1020
16 600
32 450
64 420

13- RESISTIVIDADE APARENTE:

Um solo não homogêneo apresenta um valor de resistividade para cada tipo de sistema de aterramento implantado
no mesmo, pois dependendo das dimensões e da geometria deste sistema as correntes irão se dissipar de maneira
diferente. Podemos dizer que a dissipação das correntes para o solo irá depender basicamente dos seguintes
fatores:

a- Diferentes valores de resistividade do solo das diversas camadas componentes do mesmo;


b- Geometria (configuração) do sistema de aterramento;
c- Dimensões do sistema de aterramento.

A resistividade aparente, é portanto um valor que deve ser calculado e que procura levar em consideração
todas influências supra citadas, sob o ponto de vista da dissipação decorrente para o solo.

O conceito de resistividade aparente, também pode ser apresentado sob a seguinte forma:

A resistência de um sistema de aterramento implantado em um solo homogêneo pode ser escrita da seguinte forma:

R    F (g ) Sendo:   – a resistividade do solo homogêneo e


F(g  - Representando todos os fatores dependentes da
geometria e dimensões do sistema de aterramento

Se o mesmo sistema de aterramento for agora implantado em um solo real não homogêneo, a equação que o
mesmo irá obedecer será a seguinte:

63
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R´ a F ( g ) Sendo: a – a resistividade aparente, será função não só de todos os
parâmetros de não uniformidade do solo, como também das dimensões e da
geometria do sistema de aterramento;

F g  - Representa todos os fatores dependentes da geometria e


das dimensões do sistema de aterramento.

Solo homogêneo equivalente - é aquele solo no qual determinado sistema de aterramento nele implantado, terá o
mesmo desempenho do ponto de vista de dissipação de corrente como se fosse implantado em um solo
homogêneo. A resistividade deste solo homogêneo equivalente seria a chamada resistividade aparente.

Ao definirmos e calcularmos a resistividade aparente, tornamos possível a utilização para os cálculos de sistemas
de aterramento implantados em solos não homogêneos de todas as fórmulas que foram desenvolvidas para o
cálculo de sistemas de aterramento com base em solos homogêneos.

13.1- METODOLOGIA DE CÁLCULO DA RESISTIVIDADE APARENTE:

1- Estratifica-se o solo;

2- Reduz-se o solo de " n " camadas em um solo equivalente de duas camadas;

3- Calcula-se o coeficiente de penetração ( θ ) o qual nos indica qual o grau de penetração da corrente, que deverá
ser dissipada no solo, através de determinado sistema de aterramento, pela equação seguinte;

r
 Equação (34)
d eqn

Sendo ( r ) = raio do anel equivalente ao sistema de aterramento considerado. Segundo Endrenyi [Refs. 2 e 24 ] cada sistema
de aterramento é transformado em um anel equivalente de Endrenyi , cujo raio ( r ) é a metade da maior dimensão do sistema
de aterramento.

( d eqn
) = espessura equivalente a ―n‖ camadas

13.1.1- CÁLCULO DE (r) PARA DIVERSOS SISTEMAS DE ATERRAMENTO:

13.1.1.1- Sistema de aterramento composto por hastes verticais em linha, igualmente espaçadas de um
distância (e):

64
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en  1
r Sendo: (e)= espaçamento entre hastes em metros Equação (35)
2
(n)= número de hastes em paralelo

13.1.1.2- Sistema de aterramento composto por eletrodo horizontal com comprimento igual a (L):

L
r Sendo: (L) = comprimento do eletrodo em metros Equação (36)
2

13.1.1.3- Sistema de aterramento em malha

A
r Sendo: (A) = área da malha em metros quadrados Equação (37)

13.1.1.4- Sistema de aterramento em quadrado vazio

l 2
r Sendo: (l ) = lado do quadrado vazio Equação (38)
2
13.1.1.5- Sistema de aterramento com configuração qualquer outra distinta das anteriores:

A
r Sendo: (A) = área abrangida pelo sistema de aterramento
D Equação (39)
(D) = Maior dimensão do sistema de aterramento

13.1.1.6- Determinação do coeficiente de divergência (similar ao de reflexão):

n  1
 Equação (40)
eqn

n  1  sempre igual a resistividade da última camada;

eqn  resistividade equivalente a (n) camadas em paralelo

13.1.1.7- Determinação da resistividade aparente é feita com auxilio da curva de J. Endrenyi [Ref.28],
representada na Figura 45, entrando com os valores calculados no item 3 (θ) e no item 5 (  ), obtendo-
se o valor de (N) pela curva de J. Endrenyi.

a  N  eqn Equação( 41)

65
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Figura 45 – Curva de J. Endrenyi, para determinação da resistividade aparente.

Exemplo 6 - Calcular o valor da resistência de aterramento operativo de uma malha implantada no solo cujo
modêlo matemático é o da figura 46-a, com as dimensões indicadas na figura 46-b.

d1=3m 50m

1  350.m
40m
d2=10m  2  700
Equação (42)
 3  100.m

Figura 46-a figura 46-b A= àrea da malha em m

66
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14- DIMENSIONAMENTO DE SISTEMAS DE ATERRAMENTO - METODOLOGIA

Figura 47

67
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14.1- DIMENSIONAMENTO DE SISTEMAS DE ATERRAMENTO (Com uma haste):

O sistema de aterramento mais simples de ser dimensionado é aquele composto por um eletrodo vertical,
uma haste de aterramento, de comprimento (L) e diâmetro (d), o qual é muitas vezes menor do que o
respectivo comprimento.

Além do aspecto da resistência de aterramento, as hastes devem ser especificadas para resistir os efeitos
da corrosão causada pelo meio onde as mesmas forem implantadas.

A especificação das hastes devem obedecer as seguintes premissas básicas:

1- Possuir uma camada mínima de 0,254mm (254 mícrons) de espessura de cobre, sendo que o cobre
deverá revestir um núcleo de aço carbono pelo processo de eletrodeposição, a mesma deve obedecer a
norma ABNT NBR 13571:96 ―Haste de aterramento aço-cobreada e acessórios‖. E devem possuir
gravadas em baixo relevo 254 µ, e a norma que a fabricação deve obedecer que é a NBR 13571
especifica.

2- Devem possuir um núcleo de aço carbono SAE 1010/1020 conforme ABNT NBR 6006.

De uma maneira geral os sistemas de aterramento devem ser dimensionados para durar no mínimo 50
anos. As conexões dos condutores de aterramento as hastes devem ser executados com solda
exotérmica.

Nota: Uma análise do tipo de solo através da determinação do (PH) pode ser útil, pois o cobre comporta-se
muito bem do ponto de vista de corrosão, em solos alcalinos, isto é PH = 7 ou maior que 7, e o aço
galvanizado é mais resistente em solo ácidos, isto é com PH menor que 7.

A Figura 49 nos fornece as característica básicas dos diversos tipos de hastes fabricadas.

Tabela XIII

Figura 48 - Hastes normalmente fabricadas, comprimentos mais utilizados, 2400 e 3000mm


68
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Como acessórios, podemos citar as luvas de acoplamento, e os parafusos de cravamento, Figura 50. Os
parafusos de cravamento deverão ser aparafusados nas luvas de acoplamento antes de se executar o
cravamento das hastes, durante a execução de um sistema de aterramento composto por hastes
conectadas em série, para deste modo evitar que a luva de acoplamento sofra amassamento durante a
operação de cravamento. As hastes podem ser conectadas entre si em série, através das luvas de
acoplamento ou através de solda exotérmica, recomenda-se que estas interligações entre hastes sejam
executadas por solda exotérmica.

HASTE DE ATERRAMENTO PROLONGÁVEL ATRAVÉS DE SOLDA EXOTÉRMICA

254µ NBR 13571

Figura 49 - Haste de aterramento, em conformidade com a ABNT NBR 13571 - Deve possuir gravado em baixo
relevo a espessura da camada de cobre ( 254µ) e a norma de fabricação ABNT NBR 13571

HASTE DE ATERRAMENTO PROLONGÁVEL ATRAVÉS DE LUVA DE ACOPLAMENTO

254 µ NBR 13571

POSSUEM GRAVADO EM BAIXO


(1) (2) RELEVO A ESPESSURA E A
NORMA ABNT NBR 13571

(1) PARAFUSO DE CRAVAMENTO

(2) LUVA DE ACOPLAMENTO

Figura 50 - Haste de aterramento prolongável através de luva de acoplamento

69
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14.2- EQUAÇÕES PARA O CÁLCULO DA RESISTÊNCIA DE ATERRAMENTO DE UMA HASTE:

1-Devido a Rudemberg:

a 4 L
Rat  Ln  Ω Sendo: L = comprimento da haste em metros
2  L  d  Equação (43)
d = diâmetro da haste em metros
ρa= resistividade aparente do solo em Ω.m

Rat= Resistência de aterramento da haste em Ω


Ln = Logaritmo natural

2-Devido a Dwight:

a  8  L 
Rat   Ln  1 Ω Equação (44)
2  L  d 

3- Devido a Liew-Darveniza

a  1  2L  Equação (45)
Rat  Ln  Ω
2  L  d 

Ao aplicarmos as fórmulas acima, os valores da resistência de aterramento calculadas irão seguir a seguinte tendência:

Rat (Rudemberg) > Rat (Dwight) > Rat (Liew-Darveniza)

4-Simplificação: Pode-se chegar no valor da resistência de aterramento de uma haste com boa aproximação,
através da divisão da resistividade do solo pelo comprimento da haste:

a
Rt  Ω Equação (46)
L

5- O eletrodo semi-esférico equivalente a uma haste, de comprimento (L) e diâmetro (d) tem um raio igual (R) igual a

L Equação (47)
R (Ω)
 8 L 
Ln  1
 d 
(R) (L)

eletrodo semi-esférico (d) haste

70
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Os eletrodos verticais (hastes) com seção circular, isto é tendo um número infinito de arestas, dissipam melhor as
correntes do que outros eletrodos verticais de outros formatos, tais como os em forma de cantoneira, logo devem ser
sempre que possivel utilizados eletrodos verticais com este tipo de seção (circular). L1

e2

d L2

e1

Figura 52 Haste com seção circular Figura 53- haste com formato de cantoneira

Eletrodos verticais com formato de cantoneira:

4 S
Seção transversal da cantoneira = seção do circulo equivalente: d Equação (48)

Sendo S  L1 e1  L2  e2  e1 e2 Equação (49)

14.2- UMA HASTE EM UM SOLO DE DUAS CAMADAS

Geralmente os solos não são homogêneos, e para se calcular a resistência de aterramento de uma haste cravada em um
deste tipo de solo, como a haste poderá penetrar em várias camadas do mesmo com valores de resistividade diferentes,
considera-se do ponto de vista de dispersão de corrente que a resistiviadade aparente de um sistema de aterramento
pontual, isto é composto de uma só haste, pode ser considerada como sendo aproximadamente igual à resistividade
equivalente ( das ( n ) camadas que compõem o respectivo solo.

Ou seja, resistividade aparente ( sendo a resistividade equivalente as ( n ) camadas ( calculada


pela Fórmula de Hummel, equação 50 {Ref. 29].

d1 d ρ1

L ρ2

haste

Figura 54 - Haste de aterramento em solo de duas camadas

71
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n
di
eqn  i 1 Equação (50)
di

n
i 1
i

Exemplo 7 - Calcular o valor da resistência de aterramento de um sistema composto por uma haste com três metros de
comprimento e ¾‖ de diâmetro, cravada 0,5 m da superfície de um solo cujo modelo matemático é o da figura 55.

0,5m

d1=1m

d2=6m

Figura 55

15- ALTERNATIVAS PARA A REDUÇÃO DO VALOR DA RESISTÊNCIA DE ATERRAMENTO:

Normalmente nos projetos de sistemas de aterramento, duas premissas básicas devem ser obedecidas, conforme o caso, a
primeira diz respeito ao de se obter um determinado valor de resistência de aterramento do ponto de vista operativo das
proteções do sistema elétrico em questão, o outro diz respeito à segurança dos operadores no que diz respeito as
tensões de passo e de toque. Quanto a primeira premissa, para calcularmos o valor da resistência de aterramento do
ponto de vista operativo, deveremos após executarmos as medições de resistividade no local previsto para a implantação
do sistema de aterramento, e esfetuar o tratamento matemático e a estratificação, a determinação da resistividade
aparente deverá ser calculada de maneira aproximada no caso de uma haste, considerando-se de uma maneira
aproximada a mesma igual a resistividade equivalente às (n) camadas), pela aplicação da equação (50). Utilizando-se
na sequencia uma das equações anteriormente fornecidas, geralmente a mais conservativa, equação (43) para a
determinação da resistência de aterramento do ponto de vista operativo.

Agora se após os cálculos e implantação do sistema de aterramento o valor obtido através de medição não atender ao
valor projetado, mesmo que através dos cálculos tenha sido obtido um valor menor ou igual, poderemos procurar diminuir
este valor, para obter um valor menor ou no máximo igual ao necessário para que se tenha a adequada operação dos
dispositivos de proteção, deve-se utilizar um dos seguintes critérios, ou mais de um deles em conjunto:

72
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

a-lnterligar várias hastes em paralelo;

b-Tratar o solo, atuando no valor da resistividade do mesmo, o tratamento é tão mais eficiente quanto maior for o valor da
resistividade do solo no local onde será implantado o sistema de aterramento;

c-Aumentar o comprimento da haste, dependendo das características do solo as quais devem ser definidas através de
medições e traçado da curva característica de resistividade e da estratificação;

d-Aumentar o diâmetro da haste, NÃO É EFICIENTE, para se ter uma idéia, o aumento de 2 vezes o diâmetro normalmente
só reduz a resistência de aterramento de 11%, e o aumento de custo é muito maior pois o volume aumenta quatro vezes. Não
se aconselha, portanto esta alternativa.

Ao serem interligados hastes em paralelo, o distanciamento entre as mesmas é de normalmente 3 metros, que é o chamado
distanciamento econômico. Deve-se ter em mente que este distanciamento é um distanciamento onde os volumes de
influência normalmente se sobrepõem, diminuindo a eficiência do sistema de aterramento como um todo. Em solos
homogêneos (teóricos) o distanciamento ideal entre os eletrodos é de 4 vezes (L), sendo (L) o comprimento da haste, em
solos reais com diversas camadas de resistividade que varia com a profundidade, sugere-se quando for o caso, determinar a
área do volume de influência através de medições.

15.1-DIMENSIONAMENTO DE SISTEMAS DE ATERRAMENTO COMPOSTOS POR HASTES


(ELETRODOS VERTICAIS ) INTERLIGADAS EM PARALELO [Ref.9 + Ref.17]:

A interligação de hastes em paralelo tem como conseqüência uma superposição das áreas de influência
das hastes consideradas de maneira individual, o que irá alterar a resistência de cada uma delas. A
redução prejudicial causada por esta influência fica atenuada quando se afastam as hastes entre si.
Porém o que acontece normalmente na prática é a utilização do chamado distanciamento econômico que
é aquele igual ao comprimento das respectivas hastes, naturalmente vai existir a superposição das áreas
ou volumes de influência, com a consequente diminuição da efetividade do valor da resistência de
aterramento do conjunto. Esta influência deve-se a chamada resistência mútua.

O cálculo da resistência de aterramento de (n) hastes em paralelo Rp(n) é executado pela equação (51):

1 1 1 1 1
    ....  Equação (51)
Rp (n) R1 R 2 R3 Rn

73
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1
Rp ( n)  n Rp (n)  Resistência de aterramento de ( n) hastes em paralelo
1

h 1 Rh Equação (52)

Rh  Resistência de cada haste do conjunto levando-se em consideração a presença das demais, através da
influência devido a superposição das áreas de influência das demais hastes em paralelo com a mesm

Cálculo de Rh:

n
Rh  Rhh   Rhm Ω Rhm definido para h≠m
Equação(53)

m 1

Sendo:

Rh= Resistência de cada haste do conjunto levando-se me consideração a presença das demais, devido a área
de influência.
Rhh=Resistência individual de cada haste de aterramento sem a interferência das demais;
Rhm= Acréscimo da resistência da haste (h) por influência da haste (m)
Rhm só é definido para h≠m para h=1 , m=2 e assim por diante
L= Comprimento da cada haste de aterramento em metros

ehm= distância horizontal entre a haste (h) e a haste (m)


a  Resistividade aparente correspondente ao número de hastes utilizadas.

Rhh= RESISTÊNCIA INDIVIDUAL DE CADA HASTE DE ATERRAMENTO SEM A INTERFERÊNCIA DAS DEMAIS:

a 4 L Equação (54)
Rhh  Ln
2  L d

Rhm= ACRÉSCIMO DA RESISTÊNCIA DA HASTE (h) POR INFLUÊNCIA DA HASTE (m). Rhm SÓ É
DEFINIDO PARA h≠m PARA h=1 , m = 2 E ASSIM POR DIANTE

74
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Cálculo de Rhm
ehm

a  b  L 2  ehm 2 
Rhm  Ln  
4    L  ehm 2  b  L 2  Ω superfície solo

Equação (55) b
L

Equação (56)
haste (h) haste (m)

Figura 56

CÁLCULO DO ÍNDICE DE EFICIÊNCIA DO PARALELISMO, DADO PELO FATO (K).

Equação (57)

Cabe observar que para o cálculo da resistência de aterramento de (n) hastes em paralelo Rp(n) não foi
considerado o efeito dos cabos de interligação entre as mesmas, uma vez que em termos de segurança,
a eliminação deste efeito conduz a valores mais conservativos. Para facilitar os cálculos nos quais seriam
aplicadas as fórmulas apresentadas anteriormente, são apresentadas as TABELAS seguintes para hastes
com comprimentos, diâmetros e espaçamentos comumente utilizados:

75
TABELAS XIII até XXIV da Resistência de
aterramento R(Ω) e Coeficiente de redução (k) para
hastes interligadas em linha reta.
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TABELA XIII

TABELA XIV

TABELAS: [Ref.9] = Volume 7 Eletrobrás- ―Aterramento e proteção contra sobretensões em sistema aéreos de
distribuição‖ Daisy S.F.G./Fernando F.M./Sônia de M.G. e [Ref.29] = ABNT NBR 16527:16 Aterramento para Sistemas de
Distribuição
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TABELA XV

TABELA XVI

77
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TABELA XVII

TABELA XVIII

78
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TABELA XIX

TABELA XX

79
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TABELA XXI

TABELA XXII

80
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TABELA XXIII

TABELA XXIV

81
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Exemplo 8- Calcular o valor da resistência de aterramento do sistema composto por três hastes, configuração em
linha, interligadas em paralelo, instaladas em um solo cuja estratificação é o da figura 57. Dados o comprimento (L)
das hastes igual a 3 metros, diâmetro Ө=3/4”, espaçamento (e) = 3 metros entre as mesmas.

d1=5m

1  400.m

d2=12m  2  300

 3  100.m

Figura 57

Exemplo 9 - Calcular o valor da resistência de aterramento de sete hastes cravadas numa configuração em linha
reta, espaçadas entre si de 3 metros, as mesmas tem diâmetro de ½‖ e um comprimento igual a 3 metros. O solo
após medições, tratamento matemático e estratificação pode ser representado pela figura 58.

d1=5m

1  400.m

d2=12m  2  300

 3  100.m

Figura 58

Exemplo 10- A resistência de aterramento do ponto de vista operativo deve ser igual a 58,4Ω . Calcular o
número de hastes em paralelo, configuração em linha para obter o valor desejado, num solo cujo modêlo matemático
é o da figura 59 abaixo, as hastes tem um diâmetro de 3/4‖ com comprimento de 3 metros.

d1=1m 1  350.m

d2=6m  2  470m

 3  130.m

Figura 59

82
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16-DIMENSIONAMENTO DE SISTEMAS DE ATERRAMENTO UTILIZANDO-SE O TRATAMENTO DO SOLO:

Em certos casos, principalmente em locais onde o valor da resistividade do solo é muito alta (acima de 5.000Ω.m) e
quando não se consegue alcançar o valor da resistência de aterramento necessária do ponto de vista operativo,
mesmo com a colocação de hastes em paralelo, uma outra alternativa é a de se fazer o tratamento do solo com um
produto que atenda as exigências que serão analisadas a seguir no item ― 16.2 - APLICAÇÃO PRÁTICA DE PRODUTOS
PARA O TRATAMENTO DO SOLO‖.

O dimensionamento é executado com base na equação:

Rnht  Kt  Rnh equação (58)

Rnht  ―n‖ hastes em linha tratadas Rnh  ―n‖ hastes em linha não tratadas

Os fabricantes de uma maneira geral não fornecem o valor de Kt  motivo pelo qual um dos métodos práticos
aproximados de obte-lo é por intermédio de medições a serem executadas no local onde se pretende executar o sistema
de aterramento com tratamento do solo. As medições são feitas pelo método da queda de potencial, conforme ABNT

NBR 15749:09. Mede-se primeiramente a resistência de aterramento de uma haste sem tratamento do solo Rh 
executa-se em seguida o tratamento do solo, fazendo-se em seguida uma nova a medição, obtendo-se o valor de

Rht 
O valor de Kt  aproximado é obtido pela seguinte equação:
Rht
Kt  equação (59)
Rh
Sendo: Kt - Coeficiente de redução do valor da resistência devido ao tratamento do solo;

Rh  Resistência de aterramento de uma haste sem tratamento do solo;

Rht  Resistência de aterramento de uma haste com tratamento do solo

RENDIMENTO DO TRATAMENTO DO SOLO (nt%) PODE SER CALCULADO PELA FÓRMULA:

nt %  1  Kt 100 Equação ( 60)

83
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Kt = 1 (um) significa que o tratamento do solo não adiantou nada pois o rendimento calculado será igual a zero;

Kt = ZERO significa que temos um rendimento de 100%, isto é tratamento do solo foi extremamente eficiente, pois a
resistência da haste após o tratamento apresentou um valor igual a zero ( exemplo extremo e teórico );

Quanto menor for o valor de (Kt) mais eficiente será o tratamento do solo. O (Kt) normalmente na prática varia de 0,05
a 0,5.

Cabe observar que quanto maior for o valor da resistividade do solo, maior será a eficiência do tratamento e
consequentemente o seu rendimento.

16.1- CRITÉRIO PARA A DETERMINAÇÃO DO (Kt) EM UMA DETERMINADA REGIÃO:

Para uma determinada região pode-se determinar o valor do coeficiente de redução do valor da resistência de aterramento
(Kt) registrando-se em um gráfico os seus diversos valores em função da resistividade do solo. Após um determinado
periodo destas determinações obteremos uma série de pontos conforme a Figura 61. A evolvente dos mesmos irá
gerar uma curva larga e alta para pequenos valores de resistividade e baixa e estreita para valores altos de resistividade.
A curva assim determinada nos fornecerá não só os valores limites de (Kt), como também o provável valor do mesmo
para um determinado valor de resistividade do solo da região sob estudo.

1.500Ω.m 3.500Ω.m


Figura 61-(Kt) em função da resistividade do solo ( ) da região sobre estudo

Para a mesma região deverá ser traçado um gráfico com o número de eventos (medições) e os valores de resistividade
medidos (normalmente com a utilização do método de Wenner), Figura 62. No caso específico exemplificado, 10% dos
valores medidos são menores do que 1.500Ω.m e 5% maiores do que 3.500Ω.m, os valores de resistividade que mais

84
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

ocorrem para esta região em específico, ocorrem na faixa dos 1.500Ω.m até 3.500Ω.m. Para a esta região específica
poderemos com a utilização da curva da Figura 61 determinar o valor de (Kt).

Com base nas curvas das Figuras 61 e 62 traçadas para uma determinada região, se estivermos planejando a
implantação de um sistema de aterramento com tratamento do solo com o mesmo produto e em um determinado local
desta mesma região, e se o valor da resistividade do solo medido for igual a 2.000Ω.m, poderemos dizer que o valor de
(Kt) , com base na curva da Figura 61 deverá estar entre os valores 0,4 e 0,2, a favor da segurança poderiamos adotar
um valor de (Kt) = 0,4 , na realidade, o valor, no presente caso deverá ser aproximadamente igual a (Kt) ≈ 0,32.

Exemplo 11- Dimensionar o sistema de aterramento composto por hastes em linha interligadas em paralelo,
tratadas com um produto específico para tratamento do solo, cujo ( Kt )=0,38, dados: espaçamento entre
as hastes de 3 metros, diâmetro das mesmas de ½‖ e comprimento de 3 metros. O solo após
medições pelo método de Wenner, tratamento matemático e estratificação esta representado na figura
63 . Valor da resistência de aterramento desejado do ponto de vista operativo deve ser de 25 Ω.

85
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d1=5m 1  400.m

d2=12m  2  300.m

 3  100.m
Figura 63

16.2- APLICAÇÃO PRÁTICA DE PRODUTOS PARA O TRATAMENTO DO SOLO:

O tratamento do solo deve ser executado pela aplicação de produto especifico escolhido com base no
atendimento de exigências a seguir descritas. Após escolhido qual o produto a ser utilizado, a aplicação
deverá ser no volume de influência mais próximo do eletrodo de aterramento a ser tratado, após a
aplicação do produto o solo deve ser sempre compactado. Deve ser evitado o tratamento do solo através
de produtos químicos, pois os mesmos normalmente necessitam de manutenção, por serem os produtos
químicos normalmente lixiviaveis.

Para a escolha adequada do produto específico a ser utilizado no tratamento do solo as seguintes exigências
devem ser atendidas:

1-DEVE ABAIXAR A RESISTIVIDADE DO SOLO;

2-DEVE SER NEUTRO (Ph) COM RELAÇÃO AOS MATERIAIS DO SISTEMA DE ATERRAMENTO;

3-DEVE MANTER ESTABILIDADE COM RELAÇÃO E NA PRESENÇA DO SEGUINTES FATORES:

3.1-VIDA ÚTIL
3.2-ALTAS CORRENTES ( ALTAS TEMPERATURAS)
3.3-ALTOS POTENCIAIS ( COLAPSO DE CRISTAIS)
3.4-ALTAS FREQUÊNCIAS ( NÃO INDUTIVO E NÃO CONTER COMPONENTES FERROMAGNÉTICOS)
4-SER DE BAIXO CUSTO;
5-SER DE FÁCIL APLICAÇÃO;
6- NÃO SER LIXIVIÁVEL;
7- NÃO SER POLUENTE;
8-SER HIGROSCÓPICO;

86
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16.3-ALGUNS PRODUTOS E A ANÁLISE QUE DEVE SER EXECUTADA PARA ESCOLHA FINAL:

TABELA XXIV ESTABILIDADE

caracteristica abaixa neutro vida altos altos altos baixo fácil lixiviável poluente higroscópico
ᵨ materiais
de
útil ( i)
temp.
( v) ( f) custo aplicação

aterramento
Produto
SAL Sim Não Não Sim Sim Sim sim Sim Sim Não Não

CARVÃO só Sim Sim Sim Sim Sim Não Não Não Não Não
quando
muito
alto
SAL + CARVÃO Sim Não Não Sim Sim Sim Não Não Sim Não Não

BENTONITA- Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Não Não Não Sim
(SILICATO HIDRATADO
DE ALUMINIO)
SULFATO DE Sim Não Sim Sim Sim Sim Não Não Não Não Sim
COBRE+SODA
CAÚSTICA+BENTONITA
(LABORGEL)
SULFATO DE COBRE + Sim Não Sim Sim Sim Sim Não Não Não Sim Sim
FERRO CIANETO muito
FÉRRICO

SULFATO DE COBRE Sim Não Sim Sim Sim Sim Não Não Não Sim Sim
+PRUSSIATO DE
POTÁCIO

GEM Sim Sim sim Sim Sim Sim Não Sim Não Não Sim

FASTSIS/FASTGEL Sim Sim Sim Sim Sim Sim Não Sim Não Não Sim

16.3.1- CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DE ALGUNS DOS PRODUTOS UTILIZADOS NO TRATAMENTO DO


SOLO:

16.3.1.1- BENTONITA ( SILICATO HIDRATADO DE ALUMINIO )

 Resistividade quando seca, aproximadamente 200 Ω.m


 Resistividade com 300% de umidade= 2 à 3 Ω.m [(peso de água/pêso bentonita).100]
Ph de 8 à 10 ( básico). 30/40 litros de água para 5/6kg de bentonita. Não é poluente
 A bentonita absorve até cinco vezes seu pêso em água, e aumenta o seu volume até treze
vezes seu volume a seco, quando úmida torna-se uma pasta (geléia) com grande aderência. A
bentonita pura quando a água por algum motivo é eliminada da mesma, ou evapora, poderá se
desprender do eletrodo que está sendo tratado, o que irá causar uma prejudicial elevação da

87
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resistência de aterramento, além da elevação da resistividade da mesma, com consequentes


eventuais problemas, por este motivo a mesma não deve ser utilizada pura no tratamento do solo.

16.3.1.2- GEM 25A ( Ground Enhancement Material)

 Resistividade 0,02 Ω.m ( resistividade menor do que 1% da resistividade da bentonita);


 È um composto condutor não corrosivo, baseado em compostos de carbono que melhora a
eficácia do sistema de aterramento principalmente em locais de alta resistividade;
 Contém cimento Portland na sua composição após sua aplicação se solidifica, tornando-se uma
espécie de concreto condutivo permanente, não sofrendo lixiviação. Não necessita manutenção
periódica;
 Não contamina o solo nem os lençóis freáticos;

 Vem em sacos de 25lb (11,36kg), tem uma densidade de 63,5lb/ft³ ou ( 0,001017172g/mm³);

 A quantidade de água que se mistura com o GEM é na base de 5,7 a 7,6 litros de agua pot´vel por
saco de GEM.

 A camada de GEM normalmente utilizada na parte de baixo e de cima das fitas ou dos
condutores de aterramento (eletrodos horizontais) que se deseja fazer o tratamento do solo é de
aproximadamentex 25mm, podendo esta espessura ser aumentada caso o projetista julgue
necessário, podendo chegar até 100mm de cada lado do eletrodo. Aplica-se a camada sob a fita
de aterramento, espera-se de 15 a 20 minutos para colocar a fita ou condutor sobre o GEM e
aplica-se a outra camada de 25 mm sobre o eletrodo horizontal que está sofrendo o tratamento.

16.3.1.3- FASTGEL:

 Resistividade 2 Ω.m
 È um produto não tóxico que não agride o meio ambiente. Possui PH neutro o que não facilita a
corrosão;
 È fornecido em embalagens de 12 kg ( 1 dose), tem uma densidade quando seco de
0,000925g/mm³;

 Possue o poder de aumentar o volume quando for colocado agua, o que irá proporcionar um
melhor contato entre haste ou condutor de aterramento com o solo;
 Possue alta condutividade, e quanto maior for o valor da resistividade do local, maior será a
eficiência de sua aplicação;

88
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

16.3.1.3- FASTSIS:

 Resistividade 2 Ω.m
 È um produto não tóxico que não agride o meio ambiente, produzido a partir de mistura
balanceada de carbono, é higroscópico.
 Possui 11,53, PH neutro o que não favorece a corrosão;
 È fornecido em embalagens de 12 kg ( 1 dose), tem uma densidade quando seco de
0,0001118g/mm³;

 Possue o poder de aumentar o volume quando for colocado agua, o que proporcionará um maior
contato entre haste ou condutor de aterramento e o solo;
 Quanto maior for o valor da resistividade do local, maior será a sua eficiência em diminuir o valor
da resistência de aterramento;

16.3.2- APLICAÇÃO DOS PRODUTOS DE TRATAMENTO DO SOLO:

As seguintes considerações estão referenciadas nas instruções de aplicação dos produtos para
tratamento do solo fabricados atualmente:

No caso de eletrodos de aterramento horizontais ( condutores) e verticais ( hastes de aterramento) sãó


executadas valetas ou um poço de aterramento conforme esquematizado nas figura 64

Figura 64 B
Figura 64 A Figura 64 B
89

Figura 64 – Aplicação dos produtos de tratamento do solo


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16.3.2. CÁLCULO DA QUANTIDADE DE PRODUTO A SER UTILIZADO:

16.3.2.1- Eletrodo horizontal - Figura 64 A:

Equação (61)

Sendo:

L= Largura da valeta em milímetros (mm);

h= Profundidade da valeta em (mm)

C= Comprimento da valeta em (mm)

Pe= Peso especifico em (g/mm ³)

16.3.2.2- Eletrodo vertical ( haste de aterramento) - Figura 64 B:

Equação (62)

Sendo:

S= área da superfície superior do poço em milímetros (mm²)

Equação (63)

Equação (64)

Sendo:

H = Profundidade do poço em (mm)

L útil = Comprimento da haste com tratamento do solo em (mm)

Pe = Peso especifico em (g/mm³)

D = Largura do poço em (mm)

90
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17- DIMENSIONAMENTO DE SISTEMAS DE ATERRAMENTO COMPOSTOS POR CONDUTORES (ELETRODOS)


HORIZONTAIS.

17..1- CONDUTOR DE ATERRAMENTO ÚNICO ENTERRADO NO SOLO, ELETRODO HORIZONTAL:

Ar

Solo d h

d=diâmetro do eletrodo em metros Figura 66 - Eletrodo horizontal


L= comprimento do eletrodo horizontal (condutor) em metros
h= profundidade em que foi instalado o eletrodo em metros

Fórmula devido a Rudemberg:

a  4  L 2 L 2  h h2 
Rc   Ln  Ln  2   2 ........ equação (65)
2L  d h L L 

Quando (L) , for MUITO MAIOR DO QUE (h) o que geralmente acontece, pode-se usar a
equação seguinte:

a  4  L 2 L 
Rc   Ln  Ln  2 equação (66)
2L  d h 

Fórmula devido a G. Tagg

a   4  L  L 2  h   L2  2 h (2  h) 2  L2 
Rc   Ln   1  Ln    equação (67)
2L   d   2 h  L L 
   

91
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Fórmula devido a E.D.Sunde

a   2  L  
Rc  Ln  1
L   h  d  
equação (68)

Ao aplicarmos as fórmulas acima, os valores da resistência de aterramento calculadas irão seguir a seguinte tendência:

Rat (Rudemberg) > Rat (Tagg) > Rat (Sunde)

Exemplo 12: Calcular o valor da resistência de aterramento operativa de um sistema composto por um
eletrodo horizontal constituído por um condutor de cobre eletrolítico nu tempera meio duro classe 3A (19
fios) com bitola de 70mm² a ser instalado à 0,80m de profundidade, dados a estratificação da figura 67 o
diâmetro do condutor de 10,6 mm. Dados: L= 60 m, h= profundidade da instalação= 0,5m, bitola do
condutor = 70mm² , diâmetro = d= 10,50mm = 0,01050m

d1=2m 1  180.m

 2  700
d2=8m

 3  200.m

Figura 67

92
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18 - DIMENSIONAMENTO DE SISTEMAS DE ATERRAMENTO COMPOSTOS POR HASTES EM LINHA


INTERLIGADAS POR UM CONDUTOR HORIZONTAL.

Ar

Solo dc h

dh

Lh

Lc
dc=diâmetro do eletrodo horizontal (cabo) em metros
Lc= comprimento do eletrodo horizontal (condutor) em metros
Lh= comprimento das hastes em metros
dh=diâmetro das hastes em metros
S=espaçamento entre as hastes em metros
Rc=resistência de aterramento do cabo em Ω
Rh= resitência de aterramento das hastes em Ω
Rm= resistência mútua em Ω
Rt= resistência total do sistema hastes + cabos em Ω
h= profundidade em que foi instalado o eletrodo em metros
n=número de hastes em paralelo
Resistividade aparente =

Fórmula devidoFigura
a E.D.Sunde: Rc=Resistência
68 - Hastes de aterramento
em linha interligadas comdocondutor
cabo de cobre nu

a   2  Lc  
Rc   Ln   1 Equação (68)
Lc   h  dc  

93
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Fórmula devido a Rudemberg: Rh= Resistência de aterramento das hastes

a   4  Lh  2  Lh j n  1 
Rh   Ln
2    n  Lh   dh 
  j 2  j  equação (69)
S  
Resistência mútua: Rm= Resistência de aterramento mútua entre cabo e hastes

a  2  Lc  equação (70)
Rm  Ln 
  Lc  Lh 

R1 R2  Rm 2 Rc  Rh  Rm ²
Rt    Equação (71) [Ref. 18]
R1  R2  2  Rm Rc  Rh  2  Rm

94
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Exemplo 13: Calcular o valor da resistência de aterramento operativa de um sistema composto por
cinco hastes em linha reta interligadas por um cabo de cobre eletrolítico nu, tempera meio duro , classe
3A, 19 fios, com seção nominal de 95mm² dados:

Espaçamento entre as hastes =S= 3 metros, diâmetro das hastes= dh= ¾”,
comprimento das hastes=Lh= 3 metros
Comprimento do cabo Lc= 12 metros, diâmetro do cabo = dc= 12,5mm , profundidade do
cabo=h=0,5metros
Resistividade aparente = = 100Ω

19- ELETRODOS HORIZONTAIS EM MALHA DE ATERRAMENTO


ea

Lado (b)

ea

eb eb

solda exotérmica Lado (a)

em todos os cruzamentos dos cabos

ar

solo h

Malha d

Figura 69 – Malha sem hastes

a   2  Lt   Lt  
Rat   Ln   K1   K 2 Equação (72)
2  Lt   h  d   A 
95
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Rat : Resistência de aterramento da malha em Ω


Lt : Comprimento total dos condutores em metros (m)
h: Profundidade dos condutores da malha em metros (m)
d: Diâmetro dos condutores em metros (m)---------------------- d
A: (a x b): área da malha em m²
a: Comprimento lado maior da malha em metros (m)
b: Comprimento lado menor da malha em metros (m)
a : Resistividade aparente em (Ω.m)
K1= Constante dependente da geometria da malha calculado pela fórmula seguinte
K2= Constante dependente da geometria da malha calculado pela fórmula seguinte

K1  1,4125  0,0425 y Equação ( 73) ea =espaçamento perpendicular


ao lado (b)
Equação (74)
K 2  5,49  0,1443 y eb =espaçamento perpendicular
ao lado (a)

na =número de condutores
Lc  b  na  a  nb Equação (75) perpendiculares ao lado (a)

nb=número de condutores
b
na  1 perpendiculares ao lado (b)
eb Equação (76)

a
nb  1 Equação (77)
ea

Comprimento da malha
y
Largura da malha Equação (78)

96
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20- ELETRODOS HORIZONTAIS EM MALHA COM HASTES EM PARALELO NA


PERIFERIA

dc
b

solda exotérmica hastes A=axb


em todos os cruzamento
are na cabeça das hastes ar

solo h
dc

Figura 70 – Eletrodos horizontais em malha com hastes na periferia

Para h <<<< A

a   2  Lc   Lc  
Rc   Ln   K1
 
  K 2 
  Lc   h  dc 
Equação (79)
 A  

Rc: Resistência de aterramento dos cabos da malha em Ω


Lc: Comprimento total dos condutores (cabos) em metros (m)
h: Profundidade dos condutores da malha em metros (m)
dc: Diâmetro dos condutores (cabos) em metros (m)
A: (a x b): área da malha em m²
a: Comprimento lado menor da malha em metros (m) - largura
b: Comprimento lado maior da malha em metros (m) - comprimento
a : Resistividade aparente em (Ω.m)
K1= Constante dependente da geometria da malha, calculado pela fórmula seguinte

97
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

K2= Constante dependente da geometria da malha, calculado pela fórmula seguinte

K1  1,4125  0,0425 y Equação(80) K 2  5,49  0,1443 y Equação(81)

Comprimento da malha (b) Equação (82)


y =
Largura da malha (a)

RESISTÊNCIA MÚTUA ENTRE CABOS E HASTES:

a   2  Lc  Lc 
Rm   Ln   K1  K 2  1 Equação (83)
  Lc   Lh  A 
Sendo;

Rm= resistência mútua da malha e hastes em Ω


Lh= comprimento das hastes em metros

RESISTÊNCIA DE ATERRAMENTO EQUIVALENTE DAS HASTES EM PARALELO:

Rh  R1h  Kn Equação (84)

Rc  Rh  Rm 2
  4  Lh  Rt  
R1h  Ln  Rc  Rh  2  Rm
2    Lh  dh  Equação(85)
Equação (86)

Sendo:

R1h=resistência de aterramento de uma haste


Kn=coeficiente de redução dado pelo número de hastes, dimensões das mesmas, espaçamento entre elas, e
configuração adotada.

98
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

dh=diâmetro da haste em metros


Lh=comprimento da haste em metros

Exemplo 14: Calcular a resistência de aterramento da malha da figura 71a instalada em um solo cuja estratificação é o da
figura figura 71b, Dados: Condutor bitola 70 mm² (dc= 0,0106m = 70mm²) h = 0,5m

4m

4m deqn=10m eqn  322,4.m

20m ∞ n  1  130.m

20m Figura 71 a Figura 71 b

ESPECIFICAR TODOS OS MATERIAIS PARA A EXECUÇÃO DA MALHA CALCULADA NO EXEMPLO 14

Exemplo 15: Calcular a resistência de aterramento da malha da Figura 72a instalada em um solo cuja
estratificação é o da Figura 72b, colocando-se hastes na periferia, espaçadas de 4 em 4 metros, hastes com
diâmetro de ½‖ e 3 metros de comprimento: Dados: Condutor bitola 70mm² (dc= 0,0106m) h = 0,5m

4m

4m eqn=10m eqn  322,4.m

20m ∞ n  1  130.m

20m

Figura 72a Figura 72b

99
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21- ELETRODOS VERTICAIS EM QUADRADO VAZIO


Sistema de aterramento onde as hastes são implantadas na periferia do quadrado, uniformemente espaçadas entre
si de uma distância de ( e ), formando um quadrado vazio, não são instaladas nem hastes nem cabos no centro do
quadrado.

d = diâmetro da haste em mm; nth  número total de hastes no quadrado vazio

L = comprimento da haste em metros;


e = espaçamento uniforme entre as hastes do quadrado vazio em metros;
n = número de hastes em um só lado do quadrado vazio;

 = Coeficiente Tabelado ( TABELA XXV)

R  raio do eletrodo semi-esférico equivalente a haste

R L
 = Sendo R nth  4n  4 Equação (89)
e  8L 
Ln   1
 d 
Equação(87) Equação (88)

Quadrado vazio

Simbologia
Hastes
( e ) metros Cabos

l  metros

Figura 72 – Quadrado vazio

Cálculo da resistência de aterramento de um sistema de aterramento em quadrado vazio:

TABELA XXV

1    nth ᵦ
Rnhqvazio  R1h  Kqvazio sendo Kqvazio 
nth
4 2,7071
Equação (90) Equação (91) 8 4,2583
12 5,3939
a 4 L 16 6,0072
R1h  Ln 20 6,4633
2L d 24 6,8363
28 7,1479
32 7,4195 100
36 7,6551
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a  Resistividade aparente em Ω.m


R
TABELA XXVI- com os valores de [   ]
e

Hastes com comprimento Tabela XXVI - VALORES DE

(e)metros
2 3 4 5 9

(d ) pol.

1/2 0,1898 0,1266 0,0949 0,0422 0,0316

¾ 0,2028 0,1352 0,1014 0,04508 0,03381

1 0,2132 0,1421 0,1066 0,0474 0,0355

1½ 0,2298 0,1532 1,1149 0,0511 0,0383

2 0,2432 0,1621 0,1212 0,0540 0,0405

Hastes com comprimento L  3,0m Tabela XXVII - VALORES DE 


(e)metros
2 3 4 5 9

(d ) pol.

1/2 0,2292 0,1528 0,1149 0,0917 0,0509

¾ 0,2443 0,1629 0,1221 0,0977 0,0543

1 0,2563 0,1709 0,1282 0,1025 0,0570

1½ 0,2754 0,1836 0,1377 0,1102 0,0612

2 0,2908 0,1938 0,1454 0,1163 0,0646

101
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

Exemplo 16- Dimensionar o sistema de aterramento, na configuração quadrado vazio com hastes com as seguintes
características: hastes fabricadas pelo processo de eletrodeposição com camada de cobre mínima = 0,254mm de
espessura ( hastes de alta camada), diâmetro = ½‖ comprimento = 3 metros, para se obter uma resistência de
aterramento de 25Ω. O modêlo matemático representativo do solo ou estratificação é o da figura 73.

d1=5m
Espaçamento entre as hastes (e) = 3 metros
1  400.m

d2=12m  2  300

 3  100.m

Figura 73

22-ELETRODOS VERTICAIS EM QUADRADO CHEIO

Sistema de aterramento onde as hastes são implantadas uniformemente distanciadas de uma distância de (e)
metros, na periferia e no centro, todas as hastes são interligadas por cabos de cobre nu, formando um quadrado
cheio conforme a figura abaixo.

d = diâmetro da haste em mm;


L = comprimento da haste em metros;
e = espaçamento uniforme entre as hastes em metros;
n = número de hastes em um só lado do quadrado cheio;
( ) = Coeficiente Tabelado ( Tabela XXIII );

R
 = Sendo R
L
Equação (92)
a  8L 
Ln   1
 d 
Quadrado cheio Simbologia

Hastes

(e ) metros (l)metros Cabos

Figura 74- Quadrado Cheio

102
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

Cálculo da resistência de aterramento de um sistema de aterramento em quadrado vazio:

1  
Rnhqcheio  R1h  Kqcheio sendo Kqcheio 
nth

Equação (93) Equação (94) Tabela XXVIII

a 4 L
R1h  Ln nth 
2L d

a  Resistividade aparente em Ω.m

nthqcheio = Número total de hastes do quadrado cheio = n 2

n  número total de hastes em cada lado do quadrado cheio


Exemplo 17 - Dimensionar o sistema de aterramento, na configuração quadrado cheio com hastes com as
seguintes características: hastes fabricadas pelo processo de eletrodeposição com camada de cobre mínima =
0,254mm de espessura ( hastes de alta camada), diâmetro (d) = ½‖ comprimento (L)= 3 metros, (e) = 3metros
para se obter uma resistência de aterramento de 25Ω. O modêlo matemático representativo do solo ou estratificação
é o da Figura 75.

d1=5m

1  400.m

d2=12m  2  300

 3  100.m

Figura 75

103
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

23 - ATERRAMENTO PROFUNDO
O sistema de aterramento só pode ser considerado um ATERRAMENTO PROFUNDO se as desigualdades
seguintes forem cumpridas:

1
x  eqn Eq.(95) Lx  0,2 Lm Eq.(96)
2

Isto é 20% do comprimento da haste deverá penetrar na


deqn
eqn camada do solo de baixíssima resistividade ( )

Lm
CÁLCULO DE Lmínimo = (Lm):

Lm=deqn + Lx
Lx x Sendo: Lx = 0,2Lm

Lm = deqn + 0,2Lm

∞ Lm − 0,2 Lm = deqn

Lm = 1,25 deq

Ratp ≈
Equação (97)

Figura 76 - Aterramento profundo

No caso de aterramento profundo

23.1- VANTAGENS E DESVANTAGENS DOS SISTEMAS DE ATERRAMENTO COM HASTES


PROFUNDAS:

23.1.1-VANTAGENS:

1-Estabilidade no valor da resistência de aterramento, e normalmente baixo valor de (Rat);

2-Pouca quebra de infraestrutura;

3-Sistema econômico para mesmo valor de ( Rat ) desejado, comparado com outros sistemas de
aterramento;

4-área ocupada menor;

5-Potenciais de passo menores, e normalmente potenciais de toque também menores.


104
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

23.1.2- DESVANTAGENS:

1- Dificuldade na cravação, devido aos equipamentos especiais utilizados na cravação, a Figura 77


exemplifica um dos tipos de cravador de hastes profundas;

CRAVADOR DE HASTES – PARA EXECUÇÃO DE ATERRAMENTO PROFUNDO

Figura 77- Cravador de hastes para execução de aterramento profundo, com martelete elétrico

105
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

2-Aplicável em solos cuja curva de resistividade característica indica diminuição do valor da


resistividade com o aumento da profundidade, como no exemplo real, seguinte:

Figura 78 - Curva de resistividade característica, indicando a diminuição do valor da resistividade com a


profundidade

Exemplo 18. A resistência de aterramento do ponto de vista operativo deve ser menor ou no máximo
igual a Rdej.= 25Ω projetar um sistema de aterramento profundo para atender as condições solicitadas,
dados: deqn =12m, Rdej.= 25Ω , resitividade equivalente a (n) camadas eqn = 335Ω, resistividade

da última camada x  100.m , diâmetro das hastes d = ½‖

24-DIMENSIONAMENTO DA SEÇÃO DOS CONDUTORES DOS SISTEMAS DE ATERRAMENTO


[REF.ABNT NBR15751:2013]

Os condutores de um sistema de aterramento são dimensionados considerando-se basicamente dois critérios, o


mecânico e o térmico, isto é os condutores devem suportar os esforços mecânicos devido aos efeitos
eletromagnéticos, ação dos ventos, próprio peso, tração devido a passagem de veículos sobre o solo onde os
mesmos serão instalados, corrosão e similares. Quanto as solicitações térmicas, os condutores devem suportar o
aquecimento que resulta da circulação das correntes elétricas nominal e de defeito (corrente máxima de falta,
fase-terra) continuamente no caso da corrente nominal e durante determinado tempo (t) no caso da corrente de
falta, sem alterar as suas características elétricas e mecânicas.

106
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24.1-DIMENSIONAMENTO PELO CRITÉRIO MECÂNICO:

As bitolas mínimas necessárias considerando a necessidade dos condutores suportarem os esfôrços mecânicos
são:

Para condutores de cobre – 50 mm2

Para o aço (protegido contra corrosão de acordo com normas aplicáveis) – 38 mm2 (5/16‖).

24.2-DIMENSIONAMENTO PELO CRITÉRIO TÉRMICO:

O condutor deve ter uma seção (S) capaz de suportar a circulação de uma corrente máxima (If) durante um tempo
(t) em que a temperatura se eleve acima de um valor limite suportável (Tm), considerando uma temperatura
ambiente (Ta) e que toda energia térmica fica retida no condutor devido a pequena duração da corrente de curto.
Quando houver possibilidade de religamento do sistema mesmo após o curto-circuito, o tempo total em que o
sistema fica energizado é o que deve ser considerado no cálculo, desprezando-se o tempo que o mesmo ficou
desligado.

A equação de Onderdonk, que permite o cálculo da seção:

t   r  r  10 4
S  If
k  Tm  Equação (98)
TCAP  Ln 0
k 0  Ta 
S é a seção, expressa em milímetros quadrados (mm2);

I f é a corrente de falta fase-terra, expressa em quiloampéres (kA);

t é o tempo, expresso em segundos (s), normalmente igual ao tempo da interrupção da corrente de defeito
obtida pela atuação do dispositivo de proteção;

r é o coeficiente térmico de resistividade do condutor a t C (C-1);

r é a resistividade do condutor de aterramento a t C, expressa em ohm x centímetro


(  cm);

TCAP é o fator de capacidade térmica, em joule por centímetro cúbico vezes graus Celsius [J/(cm3C)];

Tm é a temperatura máxima suportável, expressa em graus Celsius (C), conforme


Tabela 2;

Ta é a temperatura ambiente, expressa em graus Celsius (C);

107
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k0  1/ 0 ou 1/r   Tr Equação(99) k 0  234 COBRE MACIO k 0  242 COBRE DURO

k0 é o coeficiente térmico de resistividade do condutor a 0 C;

Tr é a temperatura de referência das constantes do material, em graus Celsius (C).

24.3- CONDUTORES:

A equação de ONDERDONK para o dimensionamento da bitola dos condutores leva em consideração a corrente
de curto-circuito plena (If). Esta corrente irá circular pelo condutor de aterramento no ponto onde ocorreu o
curto-circuito, normalmente subdividindo-se quando encontra os eletrodos de aterramento. Esta subdivisão é
aproximadamente proporcional as resistências equivalentes no ponto onde esta corrente de defeito é injetada, este
fato nos leva a possibilidade de que os condutores componentes dos eletrodos de aterramento (malha, cabos
horizontais, hastes em linha com cabos de interligação) sejam dimensionados levando em consideração valores de
corrente inferiores a corrente de curto-circuito plena.

Caso a seção do condutor calculada pela equação de ONDERDONK resulte em um valor inferior ao estabelecido
pelo CRITÉRIO MECÂNICO deve ser utilizada a seção mínima estabelecida por este último critério.

TABELA XXIX — VALORES DOS PARÂMETROS PARA OS TIPOS DE CONDUTORES MAIS


UTILIZADOS EM SISTEMAS DE ATERRAMENTOS [REF.ABNT NBR15751:13]

Coeficiente térmico de Temperatura


Condutância Resistividade TCAP
resistividade de fusãoa
Tipo do condutor
%  0 (0 C) r (20 C) (C) r (20 C) [J/(cm C)]
3

Cobre (macio) 100,0 0,004 27 0,003 93 1 083 1,724 3,422


Cobre (duro) 97,0 0,004 13 0,003 81 1 084 1,777 3,422
Aço cobreado 40% 40,0 0,004 08 0,003 78 1 084 4,397 3,846
Aço cobreado 30% 30,0 0,004 08 0,003 78 1 084 5,862 3,846

Haste de aço cobreadoa 20,0 0,004 08 0,003 78 1 084 8,62 3,846


Fio de alumínio 61,0 0,004 39 0,004 03 657 2,862 2,556
Liga de alumínio 5005 53,5 0,003 80 0,003 53 660 3,222 2,598
Liga de alumínio 6201 52,5 0,003 73 0,003 47 660 3,284 2,598
Aço-alumínio 20,3 0,003 88 0,003 60 660 8,480 2,670
Aço 1020 10,8 0,001 65 0,001 60 1 510 15,90 3,28

Haste de açob 9,8 0,001 65 0,001 60 1 400 17,50 4,44


Aço zincado 8,5 0,003 41 0,003 20 419 20,1 3,931
Aço inoxidável 304 2,4 0,001 34 0,001 30 1 400 72,0 4,032
a Aço cobreado baseado em uma espessura de 254 µm de cobre.
b Aço inoxidável baseado em 508 µm no 304 de espessura sobre o aço 1020.

108
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24.4-CONEXÕES:

As conexões nos sistemas de aterramento, entre cabos e hastes e/ou entre cabos e cabos são de extrema
importância, e tem influência direta no dimensionamento das bitolas dos condutores, como por exemplo, o fato da
utilização de conexões do tipo solda oxiacetilênica, a qual pode aparentemente levar a uma economia, porém como
teremos que aumentar a bitola, a mesma poderá não resultar vantajosa. O valor de ( Tm ) é função do tipo de

conexão a ser utilizada conforme pode ser visto na Tabela XXX. Os valores de ( K f ) para as conexões de
aterramento mais utilizadas estão listados na Tabela XXXI. Assim, a equação para o cálculo da bitola dos
condutores de aterramento pode ser simplificada para:

S  ( I f K f  t ) mm² Equação ( 100 )


( Kf ) da Tabela 3

(S) em mm²

(If ) em kA ( quilo ampere)

(t) em segundos

( K f ) Constante calculada levando-se em consideração a temperatura de fusão da conexão com temperatura


ambiente ( Ta ) de 40 °C. As constantes da Tabela XXX são para o COBRE.

TABELA XXX -TIPOS DE CONEXÕES E SEUS LIMITES MÁXIMOS DE TEMPERATURA

Tm
Conexão o
( C)
Mecânica (aparafusada ou por pressão) 250
Emenda tipo solda oxiacetilênica 450

Emenda com solda exotérmica 850a

Emenda à compressão 850b


a Solda exotérmica, conhecida como aluminotermia, cuja conexão é
feita através da fusão obtida pela ignição e combustão de uma
formulação em um molde de grafite.
b Obtida por meio de conectores com compressão por ferramenta
hidráulica.

109
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24.5- CONSTANTES DO MATERIAL: [Ref. ABNT NBR 15751:13]

Onde a temperatura de fusão da conexão for inferior à temperatura de fusão do condutor, deve-se
utilizar a temperatura da conexão no cálculo da constante ( Kf ). A Tabela XXXI exemplifica o ( Kf ) para o cobre,
considerando o limite de fusão da conexão.

TABELA XXXI — CONSTANTES ( Kf ) PARA O COBRE

Conexão Kf
Mecânica (aparafusada ou por pressão) 5,8
Emenda tipo solda oxiacetilênica 4,7
Emenda com solda exotérmica 3,8

Emenda à compressãoa 3,8

a Obtida por meio de conectores com compressão por


ferramenta hidráulica.

Exemplo 19- Calcular a bitola de um condutor de cobre macio, de uma malha de aterramento, cujas
conexões são executadas por solda exotérmica, dados:

t1=0,1s t2=0,3s t4=0,5s

If  18kA
If=18.000A
t  0,9s

inominal
tr1 tr2 tempo (s)

tr1 = tr2 ≤ 0,5s ( tr = tempo de religamento)

Figura - 79 – Diagrama da proteção

Exemplo 20 - Calcular a bitola do exemplo anterior utilizando a fórmula de ONDERDONK simplificada,


equação (100).

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25- ATERRAMENTO DO SISTEMA (ESQUEMAS DE ATERRAMENTO) - [ABNT NBR 5410:04]:

ATERRAMENTO DO SISTEMA nada mais é do que uma ligação intencional do ponto neutro do sistema de alimentação à
―TERRA‖ (solo) no caso de instalações ―ON SHORE‖, ou no caso de instalações ―OFF SHORE‖ como no caso de NAVIOS e
PLATAFORMAS MARITMAS, a ligação é feita ao CASCO metálico do navio e nas PLATAFORMAS MARITMAS (no anel de
aterramento) ou na própria ESTRUTURA METÁLICA das mesmas. O ATERRAMENTO DO SISTEMA deve ser considerado
para todos os sistemas de alimentação elétrica, visando controlar e manter dentro de limites previssíveis a tensão do sistema em
relação à ―TERRA‖. Também deve ser previsto um fluxo de corrente que permita a detecção de um contato indesejável entre
os condutores vivos do sistema e a ―TERRA‖ (curto-circuito de uma fase para terra) promovendo em consequencia o
desligamento automático do sistema de alimentação. Cabe observar que no esquema (IT) a resistência de isolação deve ser
continuamente monitorada e um alarme deve ser acionado em um centro de controle com operador, quando houver uma ligação
indesejável de uma das fases à ―TERRA‖, pois para este tipo de esquema de aterramento, não é necessário que haja o
desligamento da alimentação no primeiro curto-circuito fase-terra.

Os SISTEMAS DE ATERRAMENTO principalmente nas instalações que possuem equipamentos eletro-eletrônicos sensíveis
(ETI) (atualmente a maioria) devem ser especificados/dimensionados levando-se em consideração dois aspectos básicos:

a) O primeiro, relativo a segurança de pessoas animais e equipamentos, são especificados e dimensionados os SISTEMAS DE
ATERRAMENTO com configurações e dimensões adequadas, sendo os mesmos normalmente enterrados a uma profundidade
de 60 à 80 centimetros;

b) O segundo, considerando aspectos especiais relativos à instalação dos EQUIPAMENTOS DE TECNOLOGIA DA


INFORMAÇÃO – (ETI), aspectos tais como a necessidade de se ter um SISTEMA DE ATERRAMENTO DE REFERÊNCIA DE
SINAL, livre de interferências (perturbações) e que atue de maneira efetiva para baixas e altas freqüências, objetivando se obter
potenciais o mais uniformes possíveis em toda a sua extensão, é uma necessidade, este fato torna-se indispensável principalmente
no caso em que os diversos (ETI) mantenham comunicação entre si.

É importante observar que os principais riscos em instalações elétricas e imediações são causados pela circulação de correntes
perigosas e/ou elevações de potencial indesejados causados por correntes de defeito, como no caso de um curto-circuito para
terra. A DIFERENÇA DE POTENCIAL entre equipamentos e/ou equipametos e partes metálicas aterradas é uma das
principais causas dos acidentes por choque elétrico, motivo pelo qual é extremamente importante o estudo e a correta
implantação de um SISTEMA DE EQUALIZAÇÃO ENTRE OS POTENCIAIS dos diversos elementos metálicos (aterrados)
que possam ser ao mesmo tempo acessados pelos usuários.

111
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25.1- ESQUEMAS DE ATERRAMENTO DE ALIMENTAÇÃO DE ENERGIA E SUA IMPORTÂNCIA NA PROTEÇÃO


CONTRA OS CHOQUES ELÉTRICOS:

As instalações elétricas de uma maneira geral, se não forem submetidas a uma série de medidas de segurança e proteção, os
riscos de ferimentos e até morte por eletrocussão, serão altos.

O perigo para os operadores e demais pessoas não está somente em tocar um elemento energizado, seja uma PARTE VIVA*,
um BARRAMENTO ENERGIZADO por exemplo (neste caso entendido como sendo um CONTATO DIRETO ou uma massa sob
tensão, como por exemplo a carcaça metálica de um motor em curto-circuito, de uma fase para a carcaça CONTATO
INDIRETO, mas também em tocar de maneira simultânea um outro elemento que esteja com um potencial diferente do
primeiro.

Como regra geral podemos considerar os operadores e as demais pessoas como estando sempre em contato com o solo, a
―TERRA‖ no caso de instalações terrestres (ON SHORE), e com o convés metálico ou o piso metálico no caso de instalações
(OFF SHORE) como em NAVIOS e PLATAFORMAS MARITMAS respectivamente, sendo então considerados o convés e o
piso metálico como sendo o ―TERRA‖ NATURAL destas unidades maritimas, consequentemente o contato simultâneo com
outro elemento condutor qualquer que esteja em um potencial diferente pode ser perigoso ou até causar um acidente fatal, e
portanto não deve ser permitido, o que nos leva a implantação de um rígido SISTEMA DE EQUALIZAÇÃO DOS POTENCIAIS.

Os CONTATOS DIRETOS, aqueles ocasionados pelo contato de pessoas com as PARTES VIVAS, tais com barramentos
energizados, condutores sem isolação e similares, são mais raros, pois normalmente são devido a imprudência, negligência
e/ou desconhecimento dos envolvidos. Os CONTATOS INDIRETOS são mais frequentes e imprevisíveis, representando maior
perigo devido a este fato, a norma brasileira ABNT NBR 5410 dá mais enfase à proteção contra os choques elétricos que
podem ser causados devido aos CONTATOS INDIRETOS, não desprezando naturalmente os CONTATOS DIRETOS..

CONCEITOS:

*PARTE VIVA‖: Parte condutora que em condições normais, apresenta ou pode apresentar diferença de potencial em relação à
―TERRA‖ . São PARTES VIVAS, os condutores ativos e as partes condutorasde componentese equipamentoselétricos

*PROTEÇÃO PASSIVA‖: Consiste na limitação da corrente elétrica que pode atravessar o corpo humano ou em impedir o
acesso de pessoas às partes vivas . São medidas que não levam em conta a interrupção de circuitos quando ocorre alguma
falta.

*PROTEÇÃO ATIVA‖: Consiste na utilização de métodos e dispositivos que proporcionam o secionamento (abertura)
automática do circuito, quando houver uma falta que possa trazer perigo para os operadores e demais usuários.

112
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As medidas de proteção por seccionamento automático da alimentação não dependem da qualidade da instalação. De acordo
com estas medidas, um determinado dispositivo de proteção deve ocasionar a abertura (seccionamento) da alimentação do
circuito quando ocorrer um defeito, falta para a ―TERRA‖ impedindo que esta situação possa ocasionar perigo para os
operadores e usuários em geral. A efetividade destas medidas de proteção exigem uma coordenação entre o ESQUEMA DE
ATERRAMENTO utilizado e as CARACTERÍSTICAS DOS DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO.

TABELA XXXII - CLASSIFICAÇÃO DOS MÉTODOS DE PROTEÇÃO CONTRA CHOQUES ELÉTRICOS- [Ref.5]

PROTEÇÃO TIPO
CONTRA DE PROTEÇÃO *PROTEÇÃO PASSIVA *PROTEÇÃO ATIVA

CONTATOS EXTRABAIXA TENSÃO DE SEGURANÇA


DIRETOS E EXTRABAIXA TENSÃO FUNCIONAL
INDIRETOS

TOTAL OU ISOLAÇÃO DAS PARTES VIVAS


COMPLETA BARREIRAS OU INVÓLUCROS
COTATOS
DIRETOS PARCIAL OBSTÁCULOS
(PESSOAS ADVERTIDAS COLOCAÇÃO FORA DE ALCANCE
OU QUALIFICADAS)
USO DE DISPOSITIVO
COMPLEMENTAR (DR) DE ALTA
SENSIBILIDADE

SEM CONDUTOR DE EQUIPAMENTOS CLASSE II


CONTATOS PROTEÇÃO ISOLAÇÃO EQUIVALENTE
INDIRETOS LOCAIS NÃO CONDU TORES
LIGAÇÕES EQUIPOTENCIAIS LOCAIS
NÃO ATERRADAS
SEPARAÇÃO ELÉTRICA
SECCIONAMENTO
COM CONDUTOR DE AUTOMÁTICO EM:
PROTEÇÃO ESQUEMA TN
ESQUEMA TT
ESQUEMA IT

25.2 - CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DOS ESQUEMAS DE ATERRAMENTO: OS ESQUEMAS DE ATERRAMENTO


DE SEGURANÇA DE BAIXA TENSÃO (BT) DEVEM ASSEGURAR:

a) Um retomo de baixa impedância à fonte, das correntes de defeito devido à falhas de isolação dos equipamentos em geral,
possibilitando que os dispositivos de seccionamento da alimentação atuem em um tempo que não comprometa a segurança,
mantendo portanto dentro dos limites às tensões de toque e passo abaixo dos tempos máximos admitidos.

113
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b) A limitação das sobretensões transitórias dentro de limites pré-estabelecidos, tais como as causadas peio chaveamentos de
cargas indutivas/capacitivas, faltas para terra, induções causadas por descargas atmosféricas. Sendo que essas limitações de
sobretensões evitam as sobresolicitações elétricas resultantes que podem por em risco as pessoas e/ou equipamentos/componentes.

Essas limitações podem ser obtidas de diversas maneiras dentre as quais pela atuação conjunta de dispositivos de proteção de surtos
(sobretensões transitórias) – (DPS) devidamente aterrados.

25.3 - DIVERSAS CONFIGURAÇÕES DOS ESQUEMAS DE ATERRAMENTO DE SEGURANÇA EM BAIXA


TENSÃO:

São três os modos de ligação dos Esquemas de aterramento de segurança em baixa tensão segundo as normas ABNT NBR
5410 + IEC 60364 + NFC 15-100):

Conforme a configuração das ligações e tipo de aterramento da alimentação ( fonte) e das respectivas cargas, podemos ter
os seguintes tipos de esquemas de aterramento: (TN ) + ( TT ) + ( IT ).

SIGNIFICADO DAS LETRAS:

PRIMEIRA LETRA — situação da alimentação com relação a ―TERRA‖

T = um ponto diretamente aterrado

l = isolação de todas as partes vivas em relação á ―TERRA‖ ou aterramento de um ponto através de


impedância.

SEGUNDA LETRA - situação das massas da instalação elétrica em relação a ―TERRA‖.

T = massas diretamente aterradas, independentemente do aterramento eventual de um ponto da alimentação,

N = massas ligadas ao ponto da alimentação aterrado (em corrente alternada, o ponto aterrado normalmente é o ponto neutro do
transformador ou gerador que irá alimentar as cargas).

OUTRAS LETRAS EVENTUAIS- Disposição do condutor neutro ( N ) e do condutor de proteção ( PE ).

S = funções de neutro e de proteção asseguradas por condutores distintos.

C = funções de neutro e de proteção combinadas em um único condutor (condutor PEN)

Sendo que o esquema ( TN ) permite três possibilidades, esquemas (TN – C) + (TN-S) + ( TN-C-S) conforme

Figura 80. Esquema ( T-T ) , Figura 81, e o esquema ( I -T ) de acordo com a Figura 82

114
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Figura 80- Esquemas de aterramento: TN-C, TN-S e TN-C-S

FIGURA 81- Esquema de aterramento T-T

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If

Figura 82- Esquema de aterramento IT

O ESQUEMA DE ATERRAMENTO DE BAIXA TENSÃO (BT) a ser utilizado para fazer a alimentação de
EQUIPAMENTOS ELETRO-ELETRÔNICOS SENSÍVEIS – ETI deve ser exclusivamente do tipo (TN-S),
conforme item 6.4.8.3.1 da ABNT NBR 5410:04 e NOTA 1 dos item 5.4.3.5 e 5.4.3.6 da mesma.

PORQUE DESTA EXIGÊNCIA ?

de corrente
Figura 83- pelas carcaças (TN-C)
a) ESQUEMA metálicas
e dosb)equipamentos, o que não
ESQUEMA (TN-S) é admissível,
- Pode-se o que
notar no demonstra
ESQUEMA a) a
circulação de corrente pelas carcaças metálicas dos equipamentos, o que não é admissível, o que 116
demonstra a inconveniência da utilização do ESQUEMA ( TN-C)
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Figura 84 - Esquema de aterramento (TN-S) - sem circulação de corrente indevida pelas carcaças
Figura 6- ESQUEMA TN-S – Sem circulação de corrente indevida pelas carcaças
2.2
25.4 - CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DOS ESQUEMAS DE ATERRAMENTO (TN-S):

OS ESQUEMAS DE ATERRAMENTO DE SEGURANÇA DE BAIXA TENSÃO (BT) DEVEM ASSEGURAR:

a) Um retomo de baixa impedância à fonte, das correntes de defeito devido à falhas de isolação dos equipamentos em geral,
possibilitando que os dispositivos de seccionamento da alimentação atuem em um tempo que não comprometa a segurança,
mantendo portanto dentro dos limites às tensões de toque e passo abaixo dos tempos máximos admitidos.

b) A limitação das sobretensões transitórias dentro de limites pré-estabelecidos, tais como as causadas peio chaveamentos de
cargas indutivas/capacitivas, faltas para terra, induções causadas por descargas atmosféricas. Sendo que essas limitações de
sobretensões evitam as sobresolicitações elétricas resultantes que podem por em risco as pessoas e/ou equipamentos/componentes.

Essas limitações das sobretensões transitórias devem ser complementadas com a aplicação da s diversas medidas para minimiza-
las/elimina-las, dentre essas diversas medidas, podemos citar a aplicação adequada de dispositivos de proteção de surtos
(sobretensões transitórias) – (DPS) devidamente aterrados.

25.5 - CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DOS ESQUEMAS DE ATERRAMENTO ( IT ):

a) O ESQUEMA DE ATERRAMENTO (IT) é utilizado em todos os circuitos de geração e distribuição de fôrça e


de iluminação em navios de transporte de inflamáveis, pois não é permitida a circulação das altas corrente de
defeito pelo casco da unidade, que circularia se o ESQUEMA DE ATERRAMENTO fosse (TN-S).

117
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O ESQUEMA DE ATERRAMENTO (IT) com o neutro aterrado através de alta resistência vem sendo
adotado mais recentemente, com correntes de defeito à ―TERRA‖ normalmente limitada em 5 amperes em
baixa tensão e de 10 à 20 A, em média tensão.

Os ESQUEMAS DE ATERRAMENTO (IT) precisam ter dispositivos de supervisão de isolamento e detecção


imediata da primeira falta, curto-circuito fase-terra. Normalmente estes detectores devem ser instalados em
todos os quadros de distribuição ( 600/480/220/110 V, corrente alternada).

O detector mais simples e comum é o que tem três lampadas com o mesmo brilho, se houver um
defeito, a lâmpada da fase que apresentou defeito irá apagar. Existe outro tipo de detector, relé detector de
terra que monitora a tensão no resistor de aterramento, cuja tensão será elevada quando houver um
defeito fase – terra, pois irá circular por ele a corrente de curto-circuito.

25.5.1- VANTAGENS DOS ESQUEMA DE ATERRAMENTO ( IT ):

25.5.1.- SEGURANÇA PESSOAL: Pois não irão ocorrer arcos elétricos e explosões no caso de um curto
circuito fase-terra, pois as correntes que irão circular estão sendo controladas, e com valores como já vimos
bem baixos. Atenção deve ser prestada para o fato da existências das capacitâncias distribuidas pelos
componentes do sistema, as quais podem acidentalmente fazer circular correntes pelos operadores até o
―terra‖ ( casco ou piso metálico da plataforma marítma ) podendo causar choque elétrico grave.

25.5.2- CONTINUIDADE NA OPERAÇÃO: Pois na primeira falta não haverá desligamento, é importante
observar que quando da primeira falta fase-terra, as outras duas fases sãs ficarão sujeitas à uma sobretensão
de (1,73) vezes a tensão nominal fase-terra, o que irá facilitar a ocorrência de um outro defeito nas mesmas,
logo o primeiro defeito deve ser detectado e eliminado o mais rapidamente possível.

ATENÇÃO: Estas correntes apezar de terem um valor baixo, ainda assim podem provocar centelhamento
indesejado com potencial para promover a ignição em locais com atmosféra explosiva, principalmente
quando houver curto-circuito para a terra intermitente.

Exemplo 21: Caracterizar o tipo de cada um dos seguintes esquemas de aterramento, das figuras 87 até
figura 91 e qual ou quais deles é ou são o(s) ideal ou ideais para alimentar um Data Center justifique a
resposta.

118
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26- ATERRAMENTO DE REFERÊNCIA DE SINAL:

O objetivo dos mesmos portanto é o da criação de um plano de referência (potencial de referência) o


mais estável possível para certos equipamentos eletro-eletrônicos sensíveis-(ETI), pois existem
componentes eletrônicos que compõem os mesmos, tais como, entre outros os amplificadores operacionais
que comparam o sinal de entrada com o potencial do ―terra‖ e se houver variação deste potencial do terra
de referência do sinal , o amplificador poderá entrar em funcionamento errático, ou até queimar, ainda
mais se as diferenças entre os potenciais desses terras de referência forem de equipamentos interligados, e
os valores das tensões interferentes, por exemplo as de modo comum, possam ultrapassar os valores
máximos admissíveis (suportabilidade) de determinados componentes dos (ETI). Os sistemas de corrente
contínua presentes nos (ETI) e cuja referência é a barra de terra de referência de sinal, operam
normalmente com tensões da ordem de +5/0/-5V , +12/0/-12V, ou ainda +24/0/-24V, Se houverem
alterações nestes potenciais de referência, o (ETI) poderá executar operações erradas. Diferenças de
potencial consideradas aceitáveis do ponto de vista de segurança, por exemplo 50 V (situação 1) podem
gerar operações erráticas e/ou queimas de (ETI).

Outro aspecto IMPORTANTE a ser considerado é o de que normalmente para certos equipamentos
sensíveis, como por exemplo em CENTROS DE PROCESSAMENTO DE DADOS a atuação do sistema de
aterramento deve ser eficiente tanto para as baixas freqüências como para as altas (como já foi dito
anteriormente), o que não pode ser obtido pelos sistemas de aterramentos de proteção em 60 Hz (sub-
sistemas de aterramento de energia), os quais são projetados para atuar adequadamente em baixas
freqüências (60Hz).

Os aterramentos de referência de sinal não são projetados para serem submetidos às correntes de curto-
circuito as mesmas devem retomar pelo chamado condutor de proteção (PE). O qual deve estar sempre
no mesmo eletroduto dos condutores fase, de preferência também no mesmo cabo, afim de que a
impedância de retorno (seqüência zero) seja reduzida.

Os aterramentos de (ETI) em geral, tais como os utilizados em CENTROS DE PROCESSAMENTO DE


DADOS devem então atender às seguintes exigências básicas:

1- Garantir a segurança dos operadores e dos equipamentos através do sistema de aterramento de


protecão (na instalação de (ETI) normalmente chamado de "terra do equipamento" (Equipament Ground
Bus);

120
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2- Garantir um "plano de referência de sinal" estável para todas as freqüências de operação, através da
utilização do aterramento de referência de sinal, normalmente chamado na instalação de ( ETI ) de "terra
de referência de sinal";

3 - Baixa impedância para todas as freqüências de operação (60Hz a 30MHz), e não ressonância para as
mesmas.

26.1--TIPOS DE SISTEMAS DE ATERRAMENTO DE SINAL:

26.1.1 - ATERRAMENTO DE REFERÊNCIA DE SINAL EM PONTO ÚNICO

Figura 92- Aterramento de referência de sinal em ponto único

O sistema de aterramento de referência de sinal em ponto único, tem sua aplicação


predominantemente

121
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em sistemas de aterramento de equipamentos cujas frequências estejam situadas abaixo de 10 MHz. Este
tipo

de aterramento é também conhecido como sistema de aterramento radial em ponto único.

26.1.2 - ATERRAMENTO DE REFERÊNCIA DE SINAL MULTI-ATERRADO:

Figura 93- Sistema de aterramento de referência de sinal multi-aterrado

26.1.3 - ATERRAMENTO DE REFERÊNCIA DE SINAL MULTI-ATERRADO, QUADRICULADO


DA MALHA:

O quadriculado da malha de referência de sinal deverá ter dimensões tais que equalizem os potenciais
numa faixa de frequência desde corrente contínua até 30 MHz. Com base na teoria de comunicação de
ondas conduzidas, sabe-se que se o comprimento físico do condutor for da ordem de 10 à 20 vezes menor
que o comprimento de onda da maior frequência interferente, as diferenças de potencial ao longo deste
condutor serão mínimas. Logo as dimensões do quadriculado da malha de referência de sinal devem ser
calculadas pelas seguintes equações:

C 
( )  Equação (101)
( L)  Equação 102
f 20

122
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Sendo:
(L) = Largura da malha em metro
( ) = Comprimento de onda em metros por ciclo
(f) = A mais alta frequência interferente em ciclos por segundo (Hz)

(C) = Constante igual a velocidade aproximada de uma onda eletromagnética no vácuo


300  106 m / s

Exemplo 23 : Especificar as dimensões do quadriculado da malha para equalizar os potenciais na faixa de


Frequência de 60 Hz até 30 MHz.

300  106 m / s
( )   10
30  106 Hz (ciclos / s)

 10
( L)    0,5m Quadriculado da malha de referência de sinal = 0,5 x 0,5 metro
20 20

Figura 94 - Exemplo de uma malha de referência de sinal - MRS


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Figura 95- Exemplo de uma instalação de (ETI) com MRS

27- CONCEITO DE EQUALIZAÇÃO DOS POTENCIAIS:

Quando as normas fazem referência a equalização dos potenciais, querem dizer que deverão ser
convenientemente executadas interligações elétricas objetivando a redução da diferença de potencial
entre dois pontos de uma instalação, referências de potencial ou entre duas edificações. Na prática esta
diferença não pode ser reduzida a zero, e sim reduzida a valores desprezíveis do ponto de vista da
segurança pessoal e das exigências relativas aos próprios equipamentos. Quanto a segurança pessoal, as
diferenças de potencial na frequência industrial (60hz), deverão estar abaixo dos valores limites de
tensão de toque, 50 V em locais secos, 25V em locais úmidos e 12V locais onde houver possibilidade de
imersão. Quanto as exigências relativas aos equipamentos, ela irá variar para cada caso, dependendo do
tipo dos mesmos, podendo variar para os ( ETI ) de alguns volts a menos de 1V.

Fica claro que ao circular uma corrente por um condutor haverá uma queda de potencial, que será maior
ou menor dependendo do valor da corrente e da impedância do mesmo.

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Cabendo observar que na maioria das instalações, executadas em conformidade com a ABNT NBR
5410:04 a maior parcela de corrente irá circular pelo condutor de proteção (PE) e não pelos condutores
de equalização, logo a queda de potencial neste últimos tende a ser de pequeno valor. Quando a corrente
for de alta frequência, como é o caso das correntes associadas aos raios, a queda de potencial (e) é de
maneira aproximada, obtida pelo produto da indutância do condutor (L) pela taxa de variação da
corrente com o tempo (di/dt). Neste caso onde altas frequências estão envolvidas deveremos fazer as
interligações com condutores que possuam uma impedância a menor possível, o que é conseguido com a
utilização de fitas de cobre, cabendo observar que quanto maior for a relação entre a largura e a
espessura dessas fitas, menor será a indutância própria das mesmas.

Exemplificando:

Condutor redondo de Indutância em ( µH/m )


cobre-bitola em mm²

16 1,21

25 1,16

35 1,13

50 1,09

FITA de cobre Indutância em ( µH/m)

50x1mm 0,84

70x1mm 0,77

300x1mm 0,49

500x1mm 0,40

Podemos concluir pelo acima exposto, que nas altas frequências as interligações através de FITAS
preferencialmente de cobre irão resultar em uma diminuição considerável na indutância (L) destas
interligações.

125
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COMO EQUALIZAR OS POTENCIAIS :

Cria-se um barramento de equipotencialização principal – BEP (item 6.4.2.1.1 da ABNT NBR 5410:04 )
onde todos os equipamentos irão ser conectados, caso o potencial se elevar no sistema de aterramento da
edificação A, o potencial do BEP irá igualmente se elevar e com a mesma o potencial de todos os
equipamentos interligados nela, consequentemente podemos facilamente concluir que a diferença de
potencial entre todos esses equipamentos será aproximadamente zero, não devendo haver portanto
ruptura da rigidez dielétrica interna dos mesmos, a Figura 96 exemplifica uma edificação não equalizada
e as figuras 96 e 97 uma que está equalizada.

Cabe observar que com descargas atmosféricas não há possibilidade de uma equalização igual ao que se
consegue em 60 Hz, porém desde que bem estudada poderá minimizar as diferenças de potencial e os
possíveis danos consequentes destas diferença

Figura 96

Δv1 e Δv2 representam a diferença de potencial entre os sistemas de aterramento na entrada de energia
(Z1) e da centreltelefônica (Z3) com relação ao sistema de aterramento do sistema de proteção contra
descargas atmosféricas (Z2) , este sistema não está equalizado, confome as normas ABNT NBR
5419:2015 e ABNT NBR 5410. A diferença de potencial entre os aterramento deverá causar queimas.

126
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Figura 97
97

Figura 98- Instalação equalizada

(cálculo aproximado) Equação 103

O potencial se eleva, porém a diferença de potencial entre os vários componentes da instalação será
aproximadamente igual a zero.

127
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O equivalente físico de uma barra de equalização de potenciais pode ser representada por um barco, o
qual mesmo que sofra ―balanço‖ devido as ondas, internamente ao mesmo as pessoas e equipamentos
manterão entre si uma mesma posição relativa, Figura 99

Figura 99 – Equivalente físico de uma barra de equalização de potenciais - BEP

A equalização dos potenciais deve ser executada preferencialmente abaixo da superfície do solo, o mais
perto possível do ponto por onde entram os condutores e outros elementos metálicos.

Sempre que possível deveremos fazer com que todos os elementos metálicos que entram em uma
instalação, o façam por um único ponto, a figura 100 exemplifica uma instalação inapropriada, pois
poderão existir diferenças de potencial ( Δv ) entre estes elementos metálicos. Na figura 101 vemos uma
instalação apropriada, pois na mesma não existirão diferenças de potencial entre os elementos
condutores que entram na edificação, bem como o aterramento destes elementos está sendo executado
logo na entrada e em um único ponto.

Figura 100- Figura 101


-

128
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No caso de edificações com diversos andares, sempre que possível deve-se executar a equalização de
potenciais no nível do andar, conforme esquematizado na Figura 102

Figura 102

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Figura 103 - Equalização de potenciais em um sistema de distribuição TN com aplicação de dispositivos de


proteção de surtos (DPS) no andar térreo da edificação.

Cabe observar que para descargas atmosféricas a equalização dos potenciais é praticamente impossível, o que
geralmente se faz é uma interligação critérios, depois de estudar cada caso em particular, É importante citar que
dependendo de como esta interligação é executada as condições de segurança podem piorar.

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28 -MEDIÇÕES DA RESISTÊNCIA DE ATERRAMENTO E DOS POTENCIAIS NA SUPERFÍCIE


DO SOLO- [Ref. ABNT NBR 15749:09]

Quando da ocorrência de uma falta para terra em uma instalação, as correntes dissipadas para o solo
através do sistema de aterramento provocam diferenças de potencial entre:

a) pontos da superfície do solo (tensão de passo);

b) partes metálicas aterradas e o solo (tensão de toque) - caso de estruturas-suporte, carcaças metálicas
de equipamentos e similares;

c) circuitos que de alguma forma estejam conectados ao sistema de aterramento e a pontos distantes da
superfície do solo ou a outros sistemas de aterramento afastados (potencial de transferência). É o
caso dos circuitos de controle e comunicação, cabos pára-raios, blindagem de cabos de potência e
similares, é uma das formas mais perigosas devido aos elevados valores, dos potenciais de
transferência conforme Figura 104 [Ref.ABNT NBR 15749:09].

Legenda
Ie Corrente de ensaio (A)
Ve Elevação de potencial da malha de aterramento (V)
ET Tensão de toque (V)
EP Tensões de passo (V)
h Profundidade da malha de aterramento (m)

Figura 104 — Tensões que aparecem em uma instalação quando a corrente de defeito 131
para terra, circula através do sistema de aterramento para o solo até a fonte do mesmo .
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28.1 -VERIFICAÇÕES DOS VALORES DA RESISTÊNCIA DE ATERRRAMENTO E DOS POTENCIAIS


DE PASSO E TOQUE: [Ref. ABNT NBR 15749:09]

A maneira mais eficiente de se verificar os valores da resistência ôhmica do eletrodo de aterramento bem
como dos potenciais de passo e toque calculados em projeto, são através de medições executadas após a
implanatação do sistema de aterramento em questão. O resultado destas medições tem diversas
finalidades, entre elas podemos citar: o de verificação dos níveis de segurança em instalações antigas, o
de comissionamento de instalações novas. As medições de campo tem basicamente os objetivos de:

a) verificar a eficácia do eletrodo ou do sistema de aterramento;

b) definir alterações para um sistema de aterramento existente;

c) detectar possíveis tensões de toque, passo perigosos;

d) determinar a elevação de potencial do sistema de aterramento em relação ao terra de referência


(tensão de transferência), e se estes valores estão dentro dos limites toleráveis, para garantir a
segurança de pessoas e animais.

28.2 -MEDIDAS DE SEGURANÇA DURANTE AS MEDIÇÕES:

Durante as medições visando diminuir o risco de acidentes devido aos potenciais perigosos que possam
surgir nas proximidades do eletrodo, sistema de aterramento ou estruturas condutoras aterradas, deve
se tomar os seguintes cuidados:

a) utilizar calçados e luvas com nível de isolamento compatível com os valores máximos de tensão que
possam ocorrer no sistema sob medição;

b) evitar a realização de medições sob condições atmosféricas adversas, visando evitar acidentes por
possíveis descargas atmosféricas;

c) evitar que pessoas estranhas ao serviço e animais se aproximem dos eletrodos auxiliares utilizados
durante a medição.

28.3-MEDIÇÃO DE RESISTÊNCIA DE ATERRAMENTO [REF.NBR 15749:09]

28.3.1 -MÉTODO DA QUEDA DE POTENCIAL

O método da queda de potencial é o mais utilizado e confiável para medição de resistência de


aterramento através de equipamento específico, o terrômetro. Este método consiste basicamente em se
fazer circular uma corrente através do sistema de aterramento sob ensaio por intermédio de um eletrodo
auxiliar de corrente (H) e medir a tensão entre o sistema de aterramento e o terra de referência (terra

132
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remoto) por meio de um eletrodo auxiliar de potencial (S), conforme indicado na Figura 105 [Ref.ABNT
NBR 15749:09]

Legenda
I Corrente de ensaio
S Borne para o eletrodo auxiliar de potencial
H Borne para o eletrodo auxiliar de corrente
E Borne para o sistema de aterramento sob medição, no caso
uma malha de aterramento

Figura 105 — Método da queda de potencial

28.3.2 -CIRCUITO DE CORRENTE E DE POTENCIAL - [Ref. ABNT NBR 15749:09]:

Os eletrodos auxiliares de corrente e de potencial são constituídos de uma ou mais hastes metálicas
interligadas, cravadas no solo de tal forma que garantam a menor resistência de aterramento próprio
possível do conjunto. È importante observar que em solos de alta resistividade a resistência de
aterramento própria dos eletrodos auxiliares, principalmente o de corrente podem introduzir erros no
resultado das medições. Sugere-se portanto verificar os valores máximos admitidos pelo fabricante do
terrômetro que está sendo utilizado. No caso do terrômetro da Megabrás utilizado na aula prática o valor
máximo da resistência própria do eletrodo de corrente deve ser ≤ 4.5kΩ.

Durante a medição, o eletrodo auxiliar de potencial deve ser deslocado ao longo de uma direção
predefinida, a partir da periferia do sistema de aterramento sob medição, em intervalos regulares,

Figuras 105 e 106.

133
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

Fazendo-se a leitura do valor da resistência em cada uma das posições ocupadas pelo eletrodo auxiliar de
potencial, obtém-se a chamada curva característica da resistência de aterramento em função da distância
conforme indicado na Figura 106.

( d=0,618 x D)

PATAMAR

HASTE SOB MEDIÇÃO


(E)

R: Resistência obtida variando a distância do


eletrodo de potencial, desde a distância d = D até
d = 0 (sistema de aterramento sob medição)
RV: Valor verdadeiro da resistência de aterramento
do sistema sob medição.

Figura 106 — Curva característica teórica da resistência de aterramento de um eletrodo pontual

28.3.3 - LEVANTAMENTO DE CURVAS TÍPICAS DE RESISTÊNCIA DE ATERRAMENTO:

Fazendo-se um gráfico da resistência medida em função da distância do eletrodo de potencial S em


relação ao sistema de aterramento sob ensaio ( E ) obtém-se, conforme o caso, uma das curvas indicadas
na Figura 107.

Da análise da Figura 107 pode-se concluir que:

a) se o deslocamento do eletrodo auxiliar de potencial ( S ) for coincidente com a direção e o sentido do


eletrodo auxiliar de corrente ( H ), e este último estiver a uma distância tal que esteja fora da área de

134
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

influência do sistema de aterramento sob ensaio ( E ), a curva irá se assemelhar à "a", com um
―patamar‖ bem definido;

b) se o deslocamento do eletrodo auxiliar de potencial ( S ) for coincidente com a direção e sentido do


eletrodo auxiliar de corrente ( H ) e este último estiver dentro da área de influência do sistema de
aterramento sob ensaio ( E ), será obtida uma curva igual à "b";

c) se o eletrodo auxiliar de potencial ( S ) se deslocar na mesma direção e em sentido contrário ao


eletrodo auxiliar de corrente ( H ), para o outro lado do sistema sob ensaio ( E ), se ( H ) estiver fora da
área de influência do sistema ( E ) sob ensaio, será obtida uma curva semelhante à "c".

O trecho horizontal ―patamar‖ das curvas "a" e "c" da Figura 107 representam o valor da resistência de
aterramento do sistema sob ensaio. Do ponto de vista prático, pode-se dizer que o trecho horizontal
―patamar‖ é atingido quando obedecido o disposto no item 1.1.3. Para um solo homogêneo (teórico) o
―patamar‖ encontra-se a uma distância de 61,8% x (d) sendo (d) a distância entre sistema de aterramento
sob medição (E) e eletrodo auxiliar de corrente (H) conclusão que pode ser extendida para solos reais,
desde que se verifique se o ―patamar‖ foi realmente encontrado, mediante o sugerido no item 28.3.2
anterior.

a) nas medições reais, de modo geral, a curva resistência de aterramento em função da distância é
levantada até que se obtenha o trecho horizontal ou ―patamar‖;

b) teoricamente o valor da resistência de aterramento obtido com o eletrodo de potencial ( S ) se


deslocando em sentido contrário ao eletrodo ( H ) é ligeiramente menor que o real, conforme indica a
Figura 107.

135
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

Rv

Legenda
X Área de influência do sistema de aterramento sob medição E

Y Zona de patamar de potencial

Z Área de influência do eletrodo auxiliar de corrente H

Rv Resistência de aterramento do sistema sob medição (valor verdadeiro da resistência de


aterramento do sistema E )

a, b, c Curvas de resistência de aterramento em função do espaçamento e posição relativa dos


eletrodos auxiliares de potencial e de corrente

Figura 107 — Curvas típicas de resistência de aterramento em função das posições relativas dos
eletrodos auxiliares de potencial e de corrente[ Ref. NBR 15749:09].

28.3.4 -VERIFICAÇÃO DO TRECHO HORIZONTAL ―PATAMAR‖:

Para a verificação do trecho horizontal ―patamar‖ da curva característica da resistência de aterramento,


quando da aplicação do método da queda de potencial, o eletrodo de corrente ( H ) (Figura 105) deve
estar a uma distância ( d ) da periferia do sistema de aterramento sob ensaio ( E ) de pelo menos três
vezes a maior dimensão deste sistema. No entanto, devem ser feitas verificações, mudando a posição do
eletrodo de potencial ( S ) em 5 % de ( d ) para a direita ( S1 ) e para esquerda ( S 2 ) da posição inicial ( S ),
para garantir que as medições estão sendo executadas sem sobreposição das áreas de influência do
sistema de aterramento sob ensaio e o eletrodo de corrente. Não há sobreposição entre as áreas de
136
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

influência se a porcentagem entre a diferença dos valores medidos com o eletrodo de potencial em ( S1 ) e
( S 2 ) e o valor medido em ( S ) não ultrapassar 10 %.

28.3.5-INTERFERÊNCIAS DE ELEMENTOS METÁLICOS ENTERRADOS [ Ref. ABNT NBR


15749:09 ]:

A fim de evitar erros nos valores medidos, o eletrodo de corrente ( H ) deve ser posicionado de forma que,
entre esse eletrodo e o sistema de aterramento a ser ensaiado, não existam condutores de eletricidade
enterrados, tubulações metálicas, contrapesos contínuos de linhas de transmissão bem como elementos
metálicos similares enterrados.

28.3.6- SENTIDO DE MOVIMENTAÇÃO DO ELETRODO DE POTENCIAL (S):

Teoricamente, o deslocamento do eletrodo potencial ( S ) no mesmo sentido do eletrodo de corrente ( H )


apresenta, para um determinado ponto ( Sn ), o valor verdadeiro da resistência do sistema de aterramento
sob ensaio. Para um solo homogêneo, sistemas de aterramento cuja maior dimensão seja inferior a 10m e
afastamento ( d ) adequado entre ( H ) e ( E ) este ponto dista de ( E ) 62 % da distância ( d ).

Para solos não homogêneos e/ou sistemas de aterramento complexos, torna-se difícil determinar a
localização adequada de ( Sn ).

Outra vantagem do deslocamento supracitado é que, caso o eletrodo de corrente ( H ) não esteja
suficientemente afastado de ( E ) tal fato pode ser constatado durante as medições, uma vez que,
conforme já comentado, a curva resistência em função da distância não apresentará o patamar típico.

Para minimizar erros no resultado do ensaio, as medições devem ser executadas com os eletrodos de
corrente e potencial alinhados e na mesma direção e sentido.

28.3.7 -ACOPLAMENTO ENTRE OS CABOS DOS CIRCUITOS DE CORRENTE E POTENCIAL:

O efeito do acoplamento entre os cabos de interligação dos circuitos de corrente e potencial torna-se um
fator importante nas medições de resistência de aterramento com valores muito baixos, particularmente
envolvendo sistemas de aterramento de grande porte, os quais exigem grandes comprimentos de cabos
para a realização das medições.

Considerando-se que, na faixa de 60 Hz, o acoplamento indutivo entre dois cabos lançados paralelamente
pode ser tão alto quanto 0,1 /100 m, os erros cometidos nas medições podem ser consideráveis.

137
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

Outro aspecto é que o acoplamento pode provocar um crescimento na curva de resistência de


aterramento em função da distância, na região onde ela deveria ter uma inclinação zero, dificultando a
interpretação dos resultados.

Como regra prática, os problemas de acoplamento usualmente são:

a) desprezíveis nas medições de resistências de aterramento acima de 10 ;

b) importante nas medições de resistências de aterramento abaixo de 1,0 ;

c) passíveis de análise, em cada caso, nas medições envolvendo resistências entre 1,0  e 10 .

NOTA: O procedimento usual para evitar (ou minimizar) os efeitos do acoplamento entre os condutores de
interligação é afastar fisicamente os dois circuitos.

28.3.8 -AUMENTO DA CORRENTE DE ENSAIO:

A maneira mais simples de aumentar as correntes de ensaio é reduzir a resistência de aterramento dos
eletrodos de corrente (uma vez que a tensão já está determinada pelas características do instrumento de
medição). Isto pode ser feito aumentando-se o número de hastes em paralelo, ou utilizando-se hastes de
maior comprimento e/ou diminuindo-se a resistividade do ponto de instalação do eletrodo auxiliar de
corrente através de um tratamento do solo provisório no local do mesmo.

Para garantia da exatidão das leituras, o valor máximo admissível da resistência de aterramento de cada
eletrodo auxiliar é usualmente especificado pelos fabricantes dos instrumentos de medição.

A resistência de aterramento do eletrodo de corrente usualmente deve ser inferior a 500 . Como regra
prática, a relação entre a resistência de aterramento do eletrodo de corrente e a resistência do sistema de
aterramento sob ensaio não deve exceder 1 000:1, sendo preferíveis relações abaixo de 100:1.
Recomenda-se verificar com o fabricante do instrumento que está sendo utilizado, qual o valor máximo
permitido da resistência de aterramento dos eletrodos auxiliares de corrente e de potencial.

28.3.9 - CORRENTES PARASITAS:

Potenciais galvânicos, polarização e correntes contínuas parasitas podem interferir seriamente nas
medições feitas com instrumentos de corrente contínua. De modo geral, os instrumentos usados operam
em corrente alternada (não necessariamente senoidal).

Correntes alternadas parasitas, circulando no solo, no sistema de aterramento sob ensaio ou nos circuitos
de ensaio, também podem interferir. O procedimento mais comum para minimizar o problema é realizar os
ensaios com uma freqüência diferente das correntes parasitas presentes. Instrumentos que permitem

138
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

variar a freqüência da tensão aplicada são particularmente adequados para o caso. A utilização de filtros
e/ou instrumentos de banda estreita são também alternativas viáveis. Para os instrumentos que utilizam
uma corrente de freqüência superior à industrial, recomenda-se, além de utilizar filtro de banda e do
sistema de retificação sincrônica, que cumpram com a equação abaixo:

F
2n  1  f Equação 104
2

onde

F é a freqüência do instrumento, expressa em hertz (Hz);

f é a freqüência industrial, expressa em hertz (Hz);

n é número inteiro.

Em C.3.3 é determinado o valor máximo de tensão espúria, provocada por corrente parasita, mínimo
admissível para um medidor de resistência de aterramento sem provocar erro.

28.3.10 -LIMITAÇÕES NA APLICAÇÃO DO MÉTODO DA QUEDA DE POTENCIAL

Em determinadas situações torna-se muito difícil ou mesmo impossível a aplicação do método da queda
de potencial conforme descrito anteriormente. Entre estas situações, destacam-se as seguintes:

a) instalações urbanas em regiões densamente povoadas:

em regiões densamente povoadas, freqüentemente é impossível lançar os circuitos de corrente e


potencial nas distâncias necessárias para se fazer uma medição confiável;

b) sistemas de aterramento de grandes dimensões:

a medição da resistência de aterramento de sistemas de grande porte apresenta várias dificuldades. A


mais evidente é a necessidade de se estender os circuitos de corrente e potencial a distâncias muito
grandes, as vezes de vários quilômetros, o que dificulta a medição. Outro aspecto importante é que
estes sistemas apresentam, usualmente, resistências de aterramento muito baixas (inferiores a 1,0 ).
Nestes casos, a incerteza quanto aos resultados obtidos em decorrência de vários fatores
(acoplamento, impedâncias de circuito de ensaio, sensibilidade do instrumento e outros) pode ser
apreciável.

Além disso, em sistemas de aterramento de grandes dimensões, a reatância pode ser significativa quando
comparada com a resistência e, neste caso, é mais adequado analisar a impedância (que é função da
freqüência) cuja medição deveria ser feita injetando-se correntes com freqüências próximas de 60 Hz.

139
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

Nos casos de subestações onde são evidentes as limitações apresentadas, existe a alternativa de se
utilizar como circuito de corrente uma linha de transmissão desenergizada que chegue à instalação e,
como circuito de potencial, um circuito de comunicação (por exemplo: telefônico), ou mesmo uma linha de
transmissão cuja rota seja afastada do circuito de corrente.

A utilização de instrumento em alta freqüência entre 20 kHz e 30 kHz permite a obtenção de patamares
em menores distâncias em comparação com as distâncias obtidas com freqüências próximas à ind

29 - MEDIÇÃO DE POTENCIAIS NA SUPERFÍCIE DO SOLO [Ref.ABNT NBR 15749:09]:

29.1 -PRINCÍPIO:

O levantamento dos perfis de potenciais na superfície do solo e das tensões de toque e passo devem ser
realizados com injeção de alta corrente.

Nas medições de potenciais na superfície do solo devem ser utilizados voltímetro e amperímetro ou instrumento
dedicado que cumpra com as condições descritas nos parágrafos 7.2 e 7.3 da ABNT NBR 15749:09, conforme
indicado na Figura 73. O circuito elétrico é formado além do voltímetro e amperímetro, tambem de um gerador.

Para medição de tensões de passo e de toque em determinados locais, como casas, edificações simples e locais
onde não há suspeita de fortes correntes parasitasém , também se pode introduzir a medição com terrômetro.

Figura 108 - Circuito elétrico para a medição das tensões de passo e toque e resistência de aterramento

29..2- CIRCUITO DE CORRENTE:

O circuito de injeção de corrente deve ser estabelecido de uma forma análoga à da medição da resistência de
aterramento, sendo que normalmente o eletrodo auxiliar de corrente deve receber um tratamento do solo
adequado, afim de que a resistência de aterramento específica dos mesmos seja minimizada, para que deste
140
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

modo haja uma circulação de corrente com valor adequado possibilitando que sejam feitas as medições dos
valores de tensão de passo e toque.

29.3-CIRCUITO DE POTENCIAL:

As medições de potenciais devem ser efetuadas nos pontos assinalados em projeto ou em regiões estratégicas dos
sistemas de aterramento. Deve ser usado um voltímetro de alta impedância de entrada, não inferior a 1 MΩ/V.
Os voltometros eletrônicos por terem alta impedância de entrada devem ser os utilizados.

29.4 -MEDIÇÃO DA TENSÃO DE TOQUE [Ref. ABNT NBR 15749:09]:

Esta medição deve ser feita entre as partes metálicas, estruturas metálicas, carcaças de equipamentos ligadas ao
sistema de aterramento sob ensaio e o eletrodo auxiliar de potencial o qual deve ser cravado no solo com um
afastamento de um metro da estrutura na qual se deseja medir a tensão de toque, conforme indica a Figuras 108
e 109.

Figura 67 — Medição de potencial de toque

Figura 108 – Medição da tensão de toque [Ref. ABNT.NBR 15749:09]

141
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

Figura 109- Circuito elétrico para a medição da tensão de toque

28.5- MEDIÇÃO DA TENSÃO DE PASSO:

No caso da medição das tensões de passo, a tensão deve ser medida entre dois eletrodos auxiliares, cravados no
solo, afastados de um metro entre sí, conforme indica a Figuras 110 e 111.

Figura 110-Medição dos potenciais de passo [Ref. ABNT.NBR 15749:09]


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Figura 70- Circuito elétrico para a medição da tensão de toque

Figura 111 - Circuito elétrico para a medição da tensão de passo

28.6- FONTE DE INJEÇÃO DE CORRENTE:


A fonte de injeção de corrente deve ter potência e tensão adequadas para fornecer corrente
suficientemente elevada, de modo a reduzir os erros nas medições, devido às correntes de interferência
que normalmente circulam no solo.

A fonte pode ser um grupo motor-gerador ou um transformador isolador (abaixador ou não) ligado a uma
rede primária ou secundária de distribuição que passe nas proximidades do sistema de aterramento sob
ensaio.

Por motivo de segurança, sugere-se preferencialmente a utilização de um motor-gerador:

É recomendável que se utilize uma fonte de alimentação com tensão de saída ajustável.

Comentários e observações adicionais para a execução das medições em subestações:

Os cabos pára-raios e contrapesos de linhas de transmissão, neutros dos alimentadores, blindagem e


capas metálicas de cabos isolados que chegam à instalação devem ser desconectados do sistema de
aterramento sob ensaio.

Para efeito de medição dos potenciais na superfície do solo, quanto maior for a corrente injetada maiores
serão as tensões medidas e, portanto, maior a confiabilidade dos valores obtidos devido à menor

143
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

influência relativa das correntes de interferência. Entretanto, além das possíveis limitações da fonte de
injeção de corrente, existem os problemas relativos à segurança do pessoal envolvido nas medições.

Para produzir tensões na superfície do solo desde frações até dezenas de volts, pode-se estabelecer
como regra prática, uma tensão de ensaio do gerador/fonte de alimentação da ordem de 100 V.

Os locais preferenciais para medição dos potenciais na superfície do solo são os descritos a seguir:

a) é fato bem conhecido (e comprovado não só por simulações teóricas, mas também por ensaios de
campo) que as maiores tensões na superfície do solo (tensões de toque, passo e outros) surgem nas
regiões periféricas dos sistemas de aterramento. Assim, desde que, por limitações de tempo, nem
sempre é possível se fazer um mapeamento completo da instalação, tal fato deve ser levado em conta
na seleção das regiões a serem investigadas. Naturalmente, o fato de selecionarem-se as regiões
periféricas como preferenciais não significa que a região central deva ser ignorada, mas sim que pode
ser pesquisada com menor detalhe;

Nota: No caso de sistemas de aterramento projetados com técnicas de espaçamento não uniforme,
onde a densidade de condutores é muito maior na periferia do que no centro, a região central deve
também ser investigada com rigor, tendo em vista a possibilidade de se encontrar tensões
significativas nesta região.

b) outro aspecto importante diz respeito à medição das tensões de toque nas partes metálicas aterradas
conforme indicado anteriormente. Desde que, de antemão, não se saiba em qual ponto, em torno da
parte metálica investigada, é obtida a maior tensão, recomenda-se realizar várias medições (no
mínimo três) em direções diferentes (particularmente as direções que se afastem dos condutores
enterrados do sistema de aterramento e/ou as que se aproximem da periferia);

c) cabe lembrar que para os ensaios com todo o sistema de aterramento interligado, correntes acima de
100 A são, de modo geral, necessárias para que as tensões medidas na superfície do solo sejam
desde frações até dezenas de volts.

28.7 -CORREÇÃO DOS VALORES DE TENSÃO MEDIDOS NO SOLO:

As medidas devem ser referidas ao valor real de corrente de malha ( I M ), determinada para a pior
condição de defeito para a terra. Desta forma obtém-se a equação abaixo:

Ve  I M
VR  Equação 105
Ie
144
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Sendo:

VR é a tensão real durante uma falha para a terra, expressa em volts (V);

Ve é a tensão medida durante o ensaio, expressa em volts (V);

I M é a corrente de malha, expressa em ampères (A);

I e é a corrente de ensaio, expressa em ampères (A).

DETERMINAÇÃO DAS RESISTÊNCIAS DE CONTATO PÉ-BRITA (OU SOLO) [Conforme Ref.1]:

Uma das investigações que podem ser realizadas no ensaio de injeção de corrente é a determinação da
resistência de contato pé-brita (ou solo), bem como a tensão aplicada diretamente sobre a pessoa.

Neste caso, utilizam-se dois pesos de 25 kg, barra de contato da base de 200 cm² cada e duas
resistências, uma de 1 000  (simulando a resistência do corpo humano) e outra de 3 000 , conforme
montagem indicada na Figura 112. Para melhorar a resistência de contato peso-brita, é comum utilizar-se
um feltro umedecido solução salina saturada. Além disso, é interessante fazer a investigação com a brita
primeiramente seca e depois molhada no ponto de medição.

A tensão que surge sobre a "pessoa" é a tensão medida nos terminais da resistência de 1 000 . Para a
determinação da resistência de contato peso-brita, são necessárias duas medições: com a resistência de
1 000  e com a resistência de 3 000 . Reportando-se aos circuitos equivalentes representados na
Figura 112, as seguintes relações podem ser obtidas:

d) no circuito para a tensão de toque, obtêm-se as equações 106 e 107:

V1K R
Vf  V1K   CT Equação (106)
1 000 2

V3K R
Vf  V3K   CT Equação (107)
3 000 2

e) resolvendo-se o sistema, obtém-se a equação (108):

2V3K  V1K 
RCT  Equação (108)
 V1K V 
  3K 
 1 000 3 000 

f) no circuito para a tensão de passo, obtêm-se as equações (109) e (110):

V1K
Vf  V1K   2 RCP Equação (109)
1 000

V3K
Vf  V3K   2RCP Equação (110)
3 000

145
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Resolvendo-se o sistema, obtém-se a equação (111):

V3K  V1K
RCP  Equação (111)
 V V 
2   1K  3K 
 1 000 3 000 

onde

V1K é a tensão medida nos terminais do resistor de 1.000 , expressa em volts (V);

V3K é a tensão medida nos terminais do resistor de 3.000 , expressa em volts (V);

RCT é a resistência de contato pé-brita, simulando a tensão de toque, expressa em ohms ();

RCP é a resistência de contato pé-brita, simulando a tensão de passo, em ohms (

Nota: Na realidade, a tensão ( V1K ) aplicada com uma resistência de 1.000  não é exatamente a
mesma que a existente no caso de 3.000 , tendo em vista não se tratar de fonte de tensão constante e
sim resultado de queda de tensão provocada pela dispersão da corrente pelo solo. Contudo, a
aproximação considerada é, para fins práticos, admissível.

146
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Legenda:
S solo B pedra britada (brita)
F feltro embebido em água e sal P peso de 25 kg
L 1,0 metro para tensão de passo V voltímetro eletrônico

Figura 112 - Medição das tensões de toque e passo

147
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ANEXO I

1- ESTRATIFICAÇÃO EXEMPLOS

2- EXEMPLOS DE CÁLCULO DOS VALORES DA RESISTÊNCIA DE ATERRAMENTO


OPERATIVO ,

148
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149
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150
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151
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152
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Exemplo 6 - Calcular o valor da resistência de aterramento de uma malha de aterramento implantada em um


solo cujo modêlo matemático é o da figura , a mesma tem as dimensões indicadas na figura .

d1=3m 50m

40m
d2=10m

Figura figura -a A= á rea em m²

1-Determinação da resistividade aparente

1.1-Redução do solo em à duas camadas: 1.2-Determinação do coeficiente de penetração

A 40  50
eqn 
10
 538,5 
r

    2,52
3 7 deqn 10 10

350 700

1.3-Determinação do coeficiente de divergência: 1.4- Pela curva J.Endreny ( fig.30) em função de  eӨ

n  1 100
   0,19 N  0,73
eqn 538,5

1.5- Cálculo da resistividade aparente 1.6-Cálculo do valor da resistência de aterramento da malha

1,1  a 1,1  393


a  N  eqn  0,73  538,5  393.m Rat    4,28
16  A 16  40  50
 

153
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Exemplo 7- Calcular o valor da resistência de aterramento de uma haste cravada em um solo cujo modêlo
matemático é o da figura 55, a mesma tem um diâmetro de 3/4‖ e um comprimento igual a 3 metros.

0,5m

d1=1m 1  350.m

d2=6m  2  470

 3  130.m

figura 55

Equação (50)

Exemplo 8- Calcular o valor da resistência de aterramento do sistema composto por 3 hastes, configuração em linha
interligadas em paralelo, instaladas em um solo cuja estratificação é o da figura 57. Dados comprimento das hastes
tres metros, diâmetro 3/4‖ e espaçamento (e) igual entre as mesmas de 3 metros.

e12

d1=5m L b12

1  400.m
1 2 3 Figura 57- a
d2=12m  2  300

 3  100.m

Figura 57

A resistência da haste (h) em paralelo com as outras hastes é igual a resistência da haste (h) mais os acréscimos
das resistências devido a superposição das áreas de influência das outras hastes que estão em paralelo, a equação
que representa este fato é a seguinte:

n
Rh  Rhh   Rhm Sendo o acréscimo da resistência da haste (h) devido a influência da haste (m)
m 1
Só é definido para h≠m, para h=1, m≠h logo m=2 e m=3 teremos então:

primeira expressão para o cálculo do conjunto.


R1  R11  R12  R13
R2  R22  R21  R23
R3  R33  R31  R32

154
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Rhh=Resistência individual de cada haste sem a interferência das demais

a 4 L a 43
R11  Ln  Ln  0,342 a
2  L d 2  3,14  3 3
0,0254 
4

R11  R22  R33  0,342a

b  L   e12 
2
a
2 Vide figura 57- a
R12  Ln 12 2
4  L e12   b12  L 2

(b12 )  e12 2  ( L) 2  32  32  4,24

4,24  32  3


2
a a (52,42  9) a 43,42
R12  Ln 2  Ln  Ln  0,047 a 
4  3,14  3 3  4,24  32 37,68 (9  1,54) 37,68 7,46

R12  0,047 a  R21  R32  R23

Com base na figura 57-b e13

b13 b31

1 2 3

Figura 57-b

R13 
a 6,70  3  6
Ln 2
2 2
 0,0253a  R31  R13
4  3,14  3 6  6,70  32
R1  R11  R12  R13  0,342 a  0,047 a  0,0253a  0,4143a
Logo poderemos escrever: R2  R22  R21  R23  0,047 a  0,342 a  0,047 a  0,4360 a
R3  R33  R31  R32  0,0253a  0,047 a  0,342 a  0,4143a

155
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Rp (n)  K (n)  Rhh


1 1 1 1 1 1 1 1,2863
      
Rp (n) R1 R 2 R3 0,4143a 0,436 a 0,4143a 0,180634 a

1 1,2863

Rp (n) 0,180634 a

Rp (n)  K (n)  Rhh


0,140 a  K (n)  0,342 a
0,140 a
K ( n)   0,410  K (3)
0,342 a
Rp (n)  K ( n)  Rhh
0,140 a  K (n)  0,342 a

0,140 a
K ( n)   0,410  K (3)
0,342 a Vide tabela apostila coeficiente (k) para três hastes

Cálculo da resistividade aparente ( a )

a  N  eqn
Coeficiente de penetração=

n  1
Coeficiente de divergência 
eqn

n  1 100
   0,29
eqn 335

Pela curva J.Endreny ( Figura 39 ) em função de R1  R1  R12  R13 e Ө


N= 0,96 logo a  N  eqn  0,96  335  321,6.m
R(n)  K (n)  a  0,140  321,6  45,0

156
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Exemplo 9 - Calcular o valor da resistência de aterramento de sete hastes cravadas numa configuração em linha
reta, espaçadas entre si de 3 metros, as mesmas tem diâmetro de ½‖ e um comprimento igual a 3 metros. O solo
após medições, tratamento matemático e estratificação pode ser representado pela figura 58.

d1=5m

1  400.m

d2=12m  2  300

 3  100.m

Figura 58
Através da curva

a  335  0,88  295.m logo a resistência de sete hastes em configuração em linha reta é igual a
R7h  0,074  295  21,83

Exemplo 10- A resistência de aterramento do ponto de vista operativo deve ser igual a 58,4Ω . Calcular o número
de hastes em paralelo, configuração em linha para obter o valor desejado, num solo cujo modêlo matemático é o da
figura 59, as hastes tem um diâmetro de 3/4‖ com comprimento de 3 metros.

PRIMEIRO ETAPA: Assume-se como sendo a resistividade aparente


igual a resistividade equivalente às ―n‖ camadas em paralelo.
d1=1m 1  350.m

d2=6m  2  470m

 3  130.m

figura 59

SEGUNDO ETAPA:

Rat 58,4
Rat  a  F (g ) F (g)  F (g)   0,13138
Logo a 444,5

TERCEIRO ETAPA:

157
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

Entrar na TABELA correspondente com base no diâmetro, no comprimento e espaçamento, achando -se o coeficiente
menor ou igual ao encontado no cálculo de F (g ) executado na SEGUNDA ETAPA.

No caso o coeficiente 0,111 < 0,131 o citado coeficiente corresponde à quatro hastes em paralelo configuração em
linha espaçadas de 3 metros entre si.

e(n  1) 3(4  1)
deqn 2
QUARTA ETAPA: Calcula-se a resistividade aparente para quatro hastes:     0,75
deqn 6

n  1 130
   0,29 Pela curva J.Endreny ( fig.30) em função de R1  R1  R12  R13 e Ө
eqn 444,5

N  0,9 a  0,9  444,5  400.m LOGO Rat  400.m  0,111  44,4

Valor este menor do que o valor da resistência desejada, podemos então diminuir mais o número de hastes em paralelo.

Rat 58,4
QUINTA ETAPA: F (g)    0,146
a 400 procurar na TABELA novamente com base no diâmetro,
comprimento e espeçamento, qual o coeficiente menor ou igual a 0,146, no caso é o 0,140, coeficiente este para
tres hastes em paralelo configuração em linha.

e(n  1) 3(3  1)
deqn 2 n  1 130
SEXTA ETAPA: Cálculo ( a ) para 3 hastes:    0,5    0,29
deqn 6 eqn 444,5

N  0,94 a  0,94  444,5  417,8.m

LOGO
Rat 3h //  0,140  417,8  58,4

158
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

Exemplo 11- Dimensionar o sistema de aterramento composto por hastes alinhadas, tratadas com GEM, dados,
espaçamento entre si igual a 3 metros, diâmetro de ½‖ , comprimento = 3 metros. O solo após
medições, tratamento matemático e estratificação esta representado na figura 63. (Kt)=0,38

Valor da resistência desejado do ponto de vista operativo é de 25 Ω

d1=5m 1  400.m

d2=12m  2  300
1° TENTATIVA: COM 4 HASTES EM PARALELO
 3  100.m
Figura 63

Pela curva N ≈ 0,93

a 4 L 309 43
Rnt  Kt  Kn  Ln  R4t  0,38  0,321   Ln  13,39
2  L d 2 3 1
0,0254 
2
13,39Ω <<< 25Ω deveremos portanto otimizar o sistema, diminuindo o número de haste em paralelo, poderemos admitir
como sendo constante o valor da resistividade aparente, fazemos as considerações que serão vista a seguir, e quando
encontrarmos valores de resistência próximos do desejado, ai sim faremos os cálculos para determinar a resistividade
aparente para aquele número de hastes mais adequadas para resolver o problema.

2°TENTATIVA: COM TRES HASTES ( n=3)

Kt x K (4) ----------------- 13,39Ω

Kt  K 3 0,406
Kt x K (3)------------------ X X   13,39   13,39  1,26  13,39  16,87
Kt  K 4 0,321

Ainda um valor bem menor do que 25Ω

3°TENTATIVA: COM DUAS HASTES ( n=2)

Kt x K (3) ----------------- 13,39Ω

159
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

Kt  K 2 0,564
Kt x K (2)------------------ X X   13,39   13,39  1,39  13,39  18,61
Kt  K 3 0,406

3(2  1)
 2  0,125
12

N ≈ 0,99 a  335  0,99  332.m

a 4 L 332 43
Rnt  Kt  Kn  Ln  R2t  0,38  0,564   Ln  25,86
2  L d 2 3 1
0,0254 
2
Logo maior do que o desejado,

4°TENTATIVA COM TRES HASTES

3(3  1)
  2  0,25 N ≈ 0,69 a  335  0,96  322.m
12

a 4 L 322 43
Rnt  Kt  Kn  Ln  R3t  0,38  0,406   Ln  18,05
2  L d 2  3 1
0,0254 
2

Logo a solução é a utilização de três hastes tratadas

RENDIMENTO DO TRATAMENTO DO SOLO:

 %  1  Kt 100  1  0,38  62%

Exemplo 12: Determinar o valor da resistência de aterramento de um sistema composto por um eletrodo
horizontal constituido por um cabo de cobre nú, bitola 70mm², com 60 metros de comprimento, instalado a uma
profundidade (h) de 0,50m, num solo cuja estratificação é dada pela figura 67

d1=2m 1  180.m

 2  700
d2=8m

 3  200.m L= 60m (h)= profundidade = 0,5m, bitola 70 mm² diâmetro= d= 10,50mm



Figura 67 d=10,50mm = 0,01050metros

160
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

( L) (60)
26 200
qn   406,5.m   2  2  3,75    0,5
2 6 deqn 8 406,5

180 700

N  0,82 a  406,5  0,82  333.m

Quando (L) , for muito maior do que (h) podemos escrever:

a  4  L 2 L 
Rc   Ln  Ln  2
2L  d h 

333  4  60 2  60 
Rc   Ln  Ln  2  11,93
2  3,14  60  0,01050 0,50 

Pela fórmula de E.D Sunde:

a   2  L   333   2  60  
Rc          1  11,32
L   h  d   3,14  60   0,5  0,01058  
Ln 1 Ln

Exemplo 13: Calcular o valor da resistência de aterramento de um sistema composto por cinco (5)
hastes em linha reta interligadas por um cabo (eletrodo horizontal) dados:

Espaçamento entre as hastes =S= 3 metros, diâmetro das hastes=dh= ½”,


comprimento das hastes=Lh= 3 metros número de hastes em paralelo=n=5
Comprimento do cabo Lc= 12 metros, diâmetro do cabo = dc= 12,7mm profundidade do
cabo=h=0,5metros
Resistividade aparente = = 100Ω.m

Fórmula devido a E.D.Sunde

a   2  Lc  
Rc   Ln   1
Lc   h  dc  

161
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

100   2  12  
  1  12,49
Rc   Ln
3,14  12   0,5  0,0127  

Fórmula devido a Rudemberg:

a   4  Lh  2  Lh j n  1 
Rh   Ln
2    n  Lh   dh 
  j 2  j 
S  

100   43  2  3  1 1 1 1 
Rh   Ln        10,0
2  3,14  5  3   1 / 2  0,0254  3  2 3 4 5 

Resistência mútua:

a  2  Lc 
Rm  Ln 
  Lc  Lh 

100  2  12 
Rm  Ln   5,52
3,14  12  3 

Resistência total :

Rc  Rh  Rm 2
Rt  
Rc  Rh  2  Rm

10,0 12,49  5,52 2


Rt   8,24
10  12,49  2  5,42

162
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

Exemplo 14: Calcular a resistência de aterramento da malha da figura 71a instalada em um solo cuja
estratificação é o da figura 71b: Dados: dc= 0,0106m h = 0,5m

deqn =10m eqn  322,4.m


Lado a

20m ∞ n  1  130.m

20m Figura 71b

4m

Lado b Figura 71a

Quadriculado de 4x4m

A 20  20
LISTA DE MATERIAIS PARA A EXECUÇÃO
   3,14
 1,13  
130
 0,4 DA MALHA
deqn 10 322,4
1 ESCOVA CHATA- T 313
1 ESCOVA EM VÊ- T 314
1-LIMPEZA MOLDE- B 136 A
1 MOLDE TAC Y4Y4
N  0,88 a  322,4  0,88  283,7.m 25 METAL DE SOLDA 90 PLUS F 20
1 MOLDE XBC Y4Y4
comprimento 20 20 METAL DE SOLDA 200 PLUS F20
y  1 2 ALICATES L 160
l arg ura 20

K1  1,4125  0,0425 y  1,4125  0,0425  1  1,37

K 2  5,49  0,1443 y  5,49  0,1443  1  5,3457

a   2  Lc  Lc 
Rc   Ln   K1  K 2 
  Lc   dc  h  A 

283,7   2  240 
 240 
Rc   Ln  1,37  5,3457   7,48
  240   0,0106  0,5  20 x 20 

163
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

Cálculo do comprimento total dos condutores:

Lc  b  na  a  nb
Sendo: na= número de condutores perpendiculares ao lado (a)
nb= número de condutores perpendiculares ao lado (b)

na = comprimento lado b/espaçamento lado b + 1 = 20/4+1=6

nb = comprimento lado a/espaçamento lado a + 1 =20/4+1= 6

Lt= 20x6+ 20x6= 240 ( comprimento total de condutor enterrado)

Exemplo 15- Calcular a resistência de aterramento da malha de exemplo 14 anterior, instalando-se hastes de 3
metros de comprimento e ½‖ de diâmetro na periferia da mesma, as mesmas deverão estar espaçadas de 4 em 4
metros uma da outra.

Cálculo da resistência dos cabos que compõem a malha:

a   2  Lc  Lc 
Rc   Ln   K1  K 2 
  Lc   dc  h  A 

283,7   2  240  
  1,37 240  5,3457  7,48
Rc   Ln
  240   0,0106  0,5  20 x 20 

Cálculo da resistência mútua:

a   2  Lc  Lc 
Rm       
  Lc   Lh 
Ln K 1 K 2 1
A 

238,7   2  240  240 


Rm         5,33
3,14  240   60 
Ln 1,37 5,347 1
20  20 

Cálculo da resistência das vinte hastes em configuração quadrado vazio:

1  
R20 hastes  R1h  Kqvazio Kqvazio 
nth

Número total de hastes no quadrado vazio


164
Numero de hastes em um dos lados = n
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

a 4 L 283,7 43
R1h  Ln  Ln  103,11
2  L d 2  3,14  3 1
0,0254 
2
1     1  0,1149  6,4633
Kqvazio    0,087713
nth 20

R20 hastes  R1h  Kqvazio  103,11 0,08713  8,98

Cálculo da resistência total;

Rc  Rh  Rm 2 7,48  8,98  5,33 2


Rt    6,68
Rc  Rh  2  Rm 7,48  8,98  2  5,33

Exemplo 16- Dimensionar o sistema de aterramento, na configuração QUADRADO VAZIO com hastes com as
seguintes características: hastes fabricadas pelo processo de eletrodeposição com camada de cobre mínima =
0,254mm de espessura (hastes de alta camada), diâmetro = ½‖ comprimento = 3 metros, para se obter uma
resistência de aterramento de 25Ω. O modêlo matemático representativo do solo ou estratificação é o da figura 73.
PRIMEIRA TENTATIVA COM 3 HASTES EM UM LADO espaçamento (e) =3 metros

d1=5m

1  400.m

d2=12m  2  300

 3  100.m
Figura- 73

l 2 6 2
84 r
nth  4n  4 logo: 8  4n  4   n  3 (hastes em um lado)   2  2  0,354
4 deqn 12 12

n  1 100
   0,3 da curva de J. Endreny ( figura 30) obtemos N  0,95
eqn 335

a 4 L 318 43
a  N  eqn  0,95  335  318 R1h  Ln  Ln  115,6
2  L d 2  3 1
0,0254 
2
165
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

1     1  4,2583  0,1528
R8 = K8 X R1h K8 =   0,206
nth 8
Coeficiente 0,1528 – da TABELA III ou cálculo, coeficiente 4,2583 da Tabela I

R8 = 0,206 X 115,6 = 23,82 Ω ≤ 25Ω LOGO ATENDE O SOLICITADO

Exemplo 17 - Dimensionar o sistema de aterramento, na configuração QUADRADO CHEIO com hastes com as
seguintes características: hastes fabricadas pelo processo de eletrodeposição com camada de cobre mínima =
0,254mm de espessura ( hastes de alta camada), diâmetro (d) = ½‖ comprimento (L)= 3 metros, para se obter uma
resistência de aterramento de 25Ω. O modêlo matemático representativo do solo ou estratificação é o da figura 75.
Espaçamento entre as hastes (e) = 3 metros
Primeira tentativa com 9 hastes no quadrado cheio
d1=5m

número de hastes de um
1  400.m lado

d2=12m  2  300

 3  100.m

n  1 100
Figura-75    0,3
eqn 335

da curva de J. Endreny ( figura 30) obtemos N  0,97 a  N  eqn  0,97  335  325

1     1  0,1528  5,8971
R9 = K9 X R1h K9 =   0,2112
nth 9
Coeficiente 0,1528 – da Tabela III ou cálculo, coeficiente 5,8971 da Tabela III quadrado cheio

R9 = 0,2112 X R1h =

a 4 L 325 43
R1h  Ln  Ln  118,17
2  L d 2  3 1
0,0254 
2

R9 = 0,2112 X R1h = 0,2112 X118,17 = 24,94Ω ≤ 25Ω LOGO ATENDE O SOLICITADO

Com o aumento do número de hastes no quadrado cheio o valor da resistência de aterramento aumentou devido ao
fato de um maior número de áreas de influência estarem se sobrepondo.

Cabe observar que se aumentarmos uma haste em um dos lados teriamos um aumento no número total de hastes
dado pela equação:

nth  (n  1) 2  n 2  2  n  1  32  2  3  1  16hastes

166
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

Exemplo 18 A resistência de aterramento do ponto de vista operativo deve ser menor ou no máximo igual
a Rdej.= 25Ω projetar um sistema de aterramento profundo para atender as condições solicitadas,
dados:

deqn =12m, Rdej.= 25Ω , resitividade equivalente a (n) camadas ᵨeqn=335Ω, diâmetro das hastes d= ½‖

Cálculo Lmin: Lm = deqn + Lx sendo Lx=0,2L teremos Lm=deqn + 0,2L

Poderemos escrever então:

Lm-0,2xLm = deqn onde teremos:

Lm= 1,25xdeqn Lm  1,25  deqn  1,25  12  15m

x 4 L 100 4  15
Ratp  Ln  Ln  9
2  L d 2  3,14  15 0,0254 
1
2
Exemplo 19- Calcular a bitola de um condutor de cobre macio, de uma malha de aterramento, cujas
conexões são executadas solda exotérmica, dados:

If  18kA
t  0,9s
Cobre macio, conexões com solda exotérmica:

t  r  r  10 4
S  If  mm2
k  Tm
TCAP  ln 0
k 0  Ta

If  18kA
t  0,9 s
r  0,00393
 r  1,724
k 0  234
TCAP  3,422

0,9  0,00393  1,724  10 4


S  18  mm2  64,79mm2
234  850
3,422  ln
234  40

Adotar bitola 70mm², cobre macio, classe 3, 19 fios ( cobre nu)

167
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

OPINIÃO DO AUTOR :

TEMPERATURAS MÁXIMAS PERMITIDAS PELOS CONDUTORES EM FUNÇÃO DO MATERIAL:

Testes feitos em laboratório, demonstraram que os fios e cabos bimetálicos (aço – cobre) recozidos
podem ser aquecidos por correntes de curto-circuito, sem maiores problemas até 800º C, perdendo a
rigidez mecânica com 850º C, enquanto que os condutores de cobre tornam-se moles ( perdem a rigidez
mecânica ) a partir de 450ºC. Na TABELA seguinte estão representados os valores mais usualmente
adotados para a temperatura máxima dos condutores. Cabe observar que os valores da TABELA foram
obtidos através de ensaios laboratoriais na década de 80-90. Estamos sugerindo e esperando que estes
ensaios sejam repetidos brevemente, com condutores fabricados atualmente, com a utilização de técnicas
e materiais mais atualizados.

TABELA

MATERIAL TEMPERATURA MÁXIMA FATOR LIMITANTE

COBRE 450ºC PERDA DA RIGIDEZ MECÂNICA

BIMETÁLICO (AÇO-COBRE) 850ºC PERDA DA RIGIDEZ MECÂNICA

AÇO GALVANIZADO 419ºC TEMPERATURA DE FUSÃO DO


ZINCO

168
Engº GALENO LEMOS GOMES PROIBIDA A REPRODUÇÃO

Cálculo da bitola dos condutores utilizando cobre macio

If  18kA  18.000 A
t  0,9 s
r  0,00393
r  1,724
k 0  234
TCAP  3,422

O que nos leva à seguinte seção do condutor, com (Tm) = 400ºC devido ao anteriormente exposto:

0,9  0,00393  1,724  10 4


S  18  mm 2  82,95mm 2
234  400
3,422  ln
234  40

Adotar bitola 95mm², cobre macio, classe 3, 19 fios ( cobre nu) para que o cobre não perc a rigidez
mecânica.

Exemplo 20 - Calcular a bitola do exemplo anterior com a fórmula de Onderdonk simplificada.

Cobre macio, conexões com solda exotérmica:

S  If  Kf  t mm 2

If  18kA
t  0,9 s
Kf  3,8 Kf da tabela 3 pág. 88
S  18  3,8  0,9  64,88mm2

70mm², cobre macio, classe 3, 19 fios ( cobre nu)

Exemplo 21 – Respostas do exercício:

figura 87 – Resposta = Esquema TT


figura 88 – Resposta = Esquema IT
figura 89 – Resposta = Esquema TN-S
figura 90 – Resposta = Esquema TN-C-S
figura 91-- Resposta = Esquema TN-C
169

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