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Notas de Aula: Primeira Lei de Newton

Inércia, Força Resultante e Critério de Equilíbrio.

Direto ao Ponto...
• Um objeto em repouso ou em movimento retilíneo uniforme tende a permanecer como
está até que uma força resultante atue sobre ele.
• Um objeto em repouso está parado, ou seja, tem velocidade zero.
• Um objeto em movimento retilíneo uniforme se desloca em linha reta com velocidade
constante
• Uma força acelera uma massa, fazendo com que ela ganhe velocidade.
• Força é uma grandeza vetorial
• As forças podem ser decompostas em eixos na conveniência do problema.
• O equilíbrio mecânico é atingido quando a soma das forças sobre uma massa qualquer
é igual a zero.

Primeira Lei de Newton


A primeira lei de Newton decorre diretamente da inércia proposta por galileu, alguns muitos
anos antes. Ela é a propriedade dos objetos de se manterem com a velocidade que estão. As
forças que atuam sobre as massas alteram suas acelerações, que são, por sua vez, alterações da
velocidade.

Se um objeto está parado (Velocidade zero) e recebe um impulso (força num determinado
intervalo de tempo) como uma bola sendo chutada, ela altera sua velocidade para um valor
maior do que zero e voa até que as resistências de ar e terra desacelerem o objeto e ele pare no
chão.

Figura 1 - Bola sendo chutada. a) momento antes do contato, com bola em repouso. b) Momento de contato e
impulso, bola ganha velocidade. c) momento em que o pé e a bola se desconectam e a bola viaja sozinha, com
velocidade imposta pelo impulso.

Nesse caso da figura 1, em a) a bola está em repouso (v=0) e o pé, fonte do “impulso” tem
velocidade diferente de zero (𝑉𝑝 ≠ 0). Em b) o pé impulsiona a bola fazendo as duas velocidades
se igualarem (𝑉𝑝 = 𝑉𝑏 ). Por fim, em C), o pé perde toda velocidade e para. Já a bola é lançada
para frente com velocidade 𝑉𝑏 = 𝑉𝑝 . A partir desse momento, a bola, salvo por uma força
atuando sobre ela, se manteria em movimento retilíneo, ou seja, em linha reta, na direção e
sentido do vetor velocidade.

Os quadros a) e c) da figura 1 ilustram os dois casos de inércia propostos por newton. No caso
inicial, a bola está em repouso e, portanto, permanecerá em repouso até que o pé lhe acerte e
altere sua velocidade. No final, a bola adquire uma velocidade (igual a velocidade do pé que a
impulsionou) e seguirá nessa velocidade em movimento retilíneo uniforme até que uma força
atue sobre ela. No caso real, sabemos que há resistência do ar e gravidade atuando sobre a bola,
de forma que ela irá certamente em direção ao chão eventualmente. Vamos olhar isso um pouco
mais de perto.

Decomposição de Vetores
A bola voa com velocidade 𝑉𝑏 . Sobre ela atuam resistência do ar e gravidade. Vamos ignorar a
resistência do ar por enquanto. Pensando apenas na gravidade, sabemos que ela é uma força
que puxa os objetos “para baixo”, em direção ao centro da terra. Mas como é que vamos saber
como a gravidade altera a velocidade de vôo da bola? Para isso, precisamos decompor os
vetores.

Figura 2 - Decomposição do vetor velocidade. a regra do paralelogramo permite decompor o vetor verde em dois
vetores, azul e vermelho, de acordo com o eixo coordenado de referência.

A figura 2 mostra a decomposição do vetor velocidade, supondo 𝑉𝑏 = 5 𝑚⁄𝑠. Em qualquer caso,


𝑉𝑏 se torna a hipotenusa de um triângulo retângulo, que pode ser obtida pelo teorema de
Pitágoras (𝐻 2 = 𝑎2 + 𝑏 2 ) ou pelas relações trigonométricas seno e cosseno. Seja qual for o
método, é necessário saber ao menos mais uma informação. Ou um dos catetos, ou o ângulo
entre hipotenusa e um dos catetos. As figuras 3 e 4 mostram as expressões para se obter todos
os catetos e hipotenusa através dos métodos citados. Pitágoras (3) e Senos e cossenos (4)

Figura 3 - Relações entre catetos e hipotenusas de um


triângulo retângulo de acordo com o teorema de pitágoras. Figura 4 - Relações trigonométricas de Senos e Cossenso
de um Triângulo retângulo.
Uma vez decomposto o vetor velocidade, vemos que há uma velocidade y, direcionada pra cima
que faz com que a bola suba e a velocidade horizontal 𝑉𝑥 faz a bola deslocar-se para “frente”.

Como a gravidade, que gera a força peso, atua vertical para baixo, ela reduz a velocidade em y.
o que significa que ela gera uma desaceleração na bola no sentido y. tornando 𝑉𝑦 cada vez menor
até que a bola pare de subir, pare e comece a descer, dessa vez acelerada, até que atinja o chão.

A física do que efetivamente acontece com essa bola a partir desse tipo de lançamento, vamos
estudar a diante e chama-se lançamento oblíquo. A trajetória da bola descreve uma parábola,
que é descrita matematicamente com uma equação de segundo grau.

Por enquanto, vamos nos concentrar no que podemos observar. A bola sobe até uma altura
máxima e depois desce, acelerada pela gravidade e toca o chão. Pela propriedade elástica da
bola (o couro ou borracha, o ar comprimido no seu interior, etc), ela se deforma ao tocar o chão
e “quica”, subindo novamente até uma altura menor que a máxima anterior e segue novamente
para o chão, “quicando” novamente, subindo a alturas cada vez menores, até que não lhe sobre
energia para deslocar-se verticalmente e ela para (ou continua rolando rente ao chão até parar).

Figura 5 - Bola lançada de uma altura de 5 metros caindo ao chão e quicando. a linha tracejada mostra a trajetória
da bola e as alturas máximas decrescentes a cada contato com o chão.

A figura 5 mostra um exemplo de trajetória da bola chutada. Ela poderia alcançar a altura de 5
metros num primeiro momento, mas jamais retornaria a tal ponto, devido a perdas no caminho,
seja resistência do ar ou atrito com o chão (evidenciadas pelo barulho da bola quando bate
contra o solo).

O que precisamos compreender aqui é que a força peso, resultado da gravidade, atua
exclusivamente no sentido vertical e altera a velocidade de subida da bola, desacelerando-a até
que pare. Depois, acelera a bola até que atinja o chão novamente.

A velocidade horizontal, 𝑉𝑥 não se altera por conta da gravidade, impelindo a bola a diante em
movimento uniforme (velocidade constante) até que alguma força externa altere sua
velocidade.

Força Resultante
Força resultante foi o termo empregado por newton para descrever o resultado da influência de
diversas forças sobre um objeto. Objetivamente, a força resultante é o resultado de um processo
de simplificação, por assim dizer, das forças.

Vamos tomar o exemplo anterior, do jogador chutando a bola. No quadro inicial (Figura 1, a), a
bola está com velocidade zero, em repouso. As forças que atuam sobre ele são Peso e Normal
(ou força de apoio, que discutiremos mais tarde). O somatório das forças que atuam sobre ela é
igual a zero já que peso e normal apontam para sentidos diferentes na mesma direção y. A figura
6 mostra as forças que atuam sobre a bola antes do chute. Os vetores são do mesmo tamanho,
indicando equilíbrio entre as forças. Nesse caso a
Força Resultante é nula. Esse é o caso 1
estabelecido pela lei da inércia, em que um corpo
que está em repouso permanecerá assim até que
uma Força Resultante não nula atue sobre ele.

O segundo caso, (Figura 1, b) mostra a bola em


contato com um pé que a impulsiona. Os detalhes
do que acontece aqui ficarão mais para frente. Por
enquanto, basta saber que uma força é aplicada
pelo pé na bola, acelerando-a até uma determinada
velocidade final. Nesse caso, o diagrama de forças
Figura
Figura 68 -- Diagrama
Diagrama de
de Forças
Forças de
de uma
uma bola em inclui uma Força Resultante não nula, justamente
bola em
repouso.
repouso. a força que impulsiona a bola.

Na figura 7 pode-se ver o diagrama de forças


completo. O peso continua a atuar por conta da
gravidade e a Força de Apoio não mais aparece, já
que a bola não mais tem contato com o solo. Ao
invés disso, temos a Força do Chute impulsionando
a bola. Esta força, para nossa conveniência, pode
ser decomposta como na sessão anterior. Uma
componente na direção vertical (𝐹⃗𝑦 ) e outra no

Figura 7 - Diagrama de forças quando há o contato sentido horizontal (𝐹⃗𝑥 ). Vê-se que a força peso é
do pé com a bola. menos intensa do que a componente Y da Força do
Chute e não há (já que ainda estamos desprezando
a resistência do ar) força que contraponha a do
Chute no eixo horizontal.

A figura 8 mostra a Força Resultante (também


decomposta nas direções horizontal e vertical). A
decomposição da Força Resultante mostra o
“quanto” da força está sendo usada para tirar a bola
do chão e o quanto está sendo usado para lança-la
Figura 8 - Força resultante no momento do contato
a frente. A combinação final das Forças vai gerar a
aceleração e consequentemente a velocidade
inicial do voo da bola.

Por fim, vamos ao terceiro quadro (Figura 1, c) em


que a bola voa livremente, após perder o contato
com o a força de impulso. A figura 9 mostra o
diagrama de forças para esse momento.
Naturalmente, ainda desprezando a resistência do
ar, temos uma Força Resultante não nula que
coincide com a Força Peso. Diz-se então que a Força
Peso é a Força Resultante.
Figura 9 - Diagrama de forças da bola em voo livre
Entretanto, não é possível para esse caso,
entender o movimento apenas com o diagrama de
Forças. Precisaremos também do Diagrama de
Velocidades. A figura 10 exibe o diagrama de
velocidades, que coincide aproximadamente com
o diagrama de força resultante (figura 8), mas eles
não devem ser confundidos! O Diagrama de
velocidades nos mostra como o objeto se desloca
no tempo. vemos que a bola tem velocidade
Figura 10 - Diagrama de Velocidades em Voo Livre vertical para cima e velocidade horizontal para a
direita, isso significa que a bola se deslocará
nessas direções nos próximos segundos. O diagrama de forças da figura 7 mostra como a bola
está sendo acelerada! Nesse momento (Figura 7), a bola está ganhando velocidade até atingir
𝑉𝐵 .

No caso do diagrama de forças da figura 9, observamos que a força peso aponta na direção
oposta da Velocidade ⃗⃗⃗⃗
𝑉𝑦 , incicando que a bola está sendo desacelerada. Isso significa que a
velocidade vertical para cima ⃗⃗⃗⃗
𝑉𝑦 deve reduzir até zero e depois crescer no outro sentido, para
baixo, como a experiência prova! A bola deve, então, subir, atingir uma altura máxima, descer
acelerada até se chocar com o chão e ser impulsionada novamente por ele atingindo outro
máximo (mais baixo que o primeiro) e siga caindo e quicando até que sua energia cesse (Figura
5). Como não há resistência do ar, a expectativa é que a bola pare com o atrito com o chão que
reduzirá aos poucos sua velocidade horizontal até o momento da parada.

Apesar da análise completa do movimento da bola e do chute (salvo resistência do ar, que
complica bastante as coisas) o nosso interesse aqui é, na verdade, entender o papel da Força
Resultante. Então, em resumo, a Força Resultante pode ser entendida como o resultado final do
somatório das forças que atuam sobre um corpo. Esse resultado pode ser nulo (como no caso
da figura 8), pode ser não nulo como uma combinação de forças (como no caso da figura 8) e
pode ser o resultado de uma única força atuando no sistema (como no caso da figura 9). Em
todos esses casos a Força Resultante é o elemento físico que devemos estar atentos, porque ele
altera a dinâmica do movimento, determinando se o movimento é acelerado, retardado ou
uniforma. Vamos continuar analisando a força resultante sob um prisma diferente agora, mas
ainda com a cabeça na primeira lei de Newton.

Critério de Equilíbrio
Equilíbrio é um termo que se utiliza em muitas áreas da física e outras ciências. Equilíbrio
Químico, Equilíbrio Eletrostático, térmico, termodinâmico, Equilíbrio de Cinestésico,
Cinemático, Mental, Hormonal, Dinâmico, Estático, a lista é longa. Vamos tratar aqui, portanto,
de uma espécie bem específica de equilíbrio, o Equilíbrio Mecânico, ou Equilíbrio de Forças. Esse
equilíbrio é particularmente importante para nós porque ele está no coração da primeira lei de
newton. A primeira lei de Newton não só revela a inércia como fenômeno da Natureza, mas
fornece o primeiro recorte de fenômenos que podemos tratar. De alguma forma, a primeira lei
divide o movimento em dois tipos:

1. Movimentos de objetos em que a força resultante sobre eles é nula.


2. Movimentos de corpos que estão sob ação de uma força resultante.
A distinção específica de Força Resultante é importante, porque um objeto pode estar sob ação
de forças e se encaixar no primeiro grupo. Basta que as forças sobre ele se anulem. Portanto,
não é a ausência de forças que faz com que o movimento se enquadre no caso 1, é a ausência
de uma Resultante.

Dito isso, o primeiro grupo, por assim dizer, pode ser dividido também em dois.

A. Objetos em Repouso (velocidade zero)


B. Objetos em Movimento Retilíneo Uniforme (velocidade diferente de zero)

Já o segundo grupo, muito mais complexo e interessante, é tópico da Segunda Lei de Newton e
serão estudados extensivamente mais a diante. É interessante saber que precisaremos, para
esses problemas do futuro compreender e modelar alguns tipos de força, umas conhecidas,
como Peso e Atrito e outro menos famosos como elástica, elétrico, arrasto e afins. E depois a
Segunda lei nos diz como os corpos são acelerados. Vai ser divertido.

Voltando ao nosso critério de Equilíbrio, ele é, portanto, uma consequência da análise de força
resultante. De forma simples, toda vez que a Força Resultante for nula, o objeto entra no grupo
1, Objeto em repouso ou em Movimento retilíneo Uniforme., caso contrário, é um movimento
Sob ação de uma Força Resultante, estará, então, acelerado ou retardado.