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DIREITO TRIBUTÁRIO II

Peças/Medidas Judiciais

# Práticas #
Prof. Ana Maria Souza. MSc
Direito Tributário
MEDIDAS JUDICIAIS DO SUJEITO PASSIVO

1. Ação Declaratória de (In)Existência de Relação Jurídico-Tributário com pedido de tutela


antecipada.

2. Ação Anulatória de Débito Fiscal com pedido de tutela antecipada.

3. Ação de Repetição de Indébito Fiscal.

4. Ação de Consignação em Pagamento.

5. Mandado de Segurança.

FASE DE EXECUÇÃO FISCAL


1. Embargos a Execução Fiscal.

2. Exceção de Pré-Executividade.
AÇÃO DECLARATÓRIA (futuro) AÇÃO ANULATÓRIA (anular) ...............................................................

O.T C.T D.A C.D.A


AÇÃO DE EXECUÇÃO FISCAL
F.G
H.I Lançamento
142 CTN

PAGAR O TRIBUTO

SUSPENSÃO
DE OFÍCIO OU DIRETO RECORRER JUDIC. 151 a 155 - CTN
149 - CTN EXTINÇÃO
156 a 174 - CTN EMBARGOS A EXECUÇÃO FISCAL
EXCLUSÃO
(garantir o juízo)
MISTO OU POR DECLARAÇÃO RECORRER ADM.
147 - CTN 175 a 182 - CTN

 EXCEÇÃO DE PRÉ EXECUTIVIDADE


POR HOMOLOGAÇÃO OU NADA (ordem pública)
AUTOLANÇAMENTO
150 - CTN

AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO (devolver).....


AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO (dúvida )......................

....................................MANDADO DE SEGURANÇA (iminência) .........................................


Prof. Ana Maria Souza. MSc
Direito Tributário
Prática 01
O partido político XYZ, cuja sede está no Município Alfa (capital do Estado “X”), tem quatro imóveis localizados
no mesmo município, dos quais um é utilizado para sua sede, um é utilizado para abrigar uma de suas
fundações e os outros dois são alugados a particulares, sendo certo que o valor obtido com os aluguéis é
revertido para as atividades do próprio partido político XYZ.
O administrador de XYZ, por precaução e temendo incorrer em uma infração fiscal, pagou o Imposto sobre a
Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) atinente aos quatro imóveis. Poucos dias depois, descobriu que
havia cometido um grande equívoco e procurou um escritório de advocacia.
Nesse contexto, considerando que o administrador contratou você, como advogado(a), para patrocinar a causa
do partido político XYZ, redija a medida judicial adequada para reaver em pecúnia (e não por meio de
compensação) os pagamentos efetuados indevidamente.

Peça: AÇÃO DE REPETIÇÃO DO INDÉBITO


Tese: Deverá mencionar que a imunidade abarca todos os imóveis pertencentes ao partido XYZ. Como fundamentos, deve indicar que, de
acordo com o Art. 150, inciso VI, alínea c e § 4º, da CRFB/88, o partido XYZ é instituição imune, tendo pago indevidamente o IPTU referente à
sua sede, à sua fundação e também aos dois imóveis cuja receita do aluguel é revertida para as atividades do partido, fazendo jus à
restituição dos valores pagos indevidamente (Art. 165 do CTN).
Deve apontar que se trata de entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal na Súmula 724, que passou a ter efeito vinculante
aos órgãos do judiciário e da Administração Pública direta e indireta nas esferas federal, estadual e municipal por meio da publicação da
Súmula Vinculante 52 (“Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades
referidas pelo Art. 150, inciso VI, alínea c, da CRFB/88, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades para as quais tais
entidades foram constituídas”).
Prática 02
A empresa Frutos do Rio-Mar Ltda, atua no setor agropecuário, realizou no ano de 2019
exportações de castanha in natura, doce de castanha e creme dermatológico a base de cacau. As
exportações foram feitas para a Colômbia e EUA. Em março de 2020, a Receita Federal – SRF, fez
o auto de infração e imposição de multa (AIIM) pelo não pagamento do IPI sobre as exportações.
Estando na iminência da inscrição em dívida ativa, os sócios procuram você como advogado para
evitar a inscrição em dívida ativa pelo não pagamento do referido imposto.

Peça: AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL COM PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA

Tese: IMUNIDADE
A imunidade é uma vedação constitucional da incidência tributária, podendo ser condicional ou não. No artigo
em comento, a Constituição Federal determina que não incide IPI sobre produtos industrializados destinados
ao exterior, sendo uma forma de incentivar a exportação para o desenvolvimento econômico do país, sem que
exigido daquele que promove a exportação qualquer espécie de condição, bastando que promova a saída do
produto do país para os fins de ser internalizados em outro
Prática 03
A União, por não ter recursos suficientes para cobrir despesas referentes a investimento público urgente e de
relevante interesse nacional, instituiu, por meio da Lei Ordinária nº 1.234, publicada em 01 de janeiro de
2014, empréstimo compulsório. O fato gerador do citado empréstimo compulsório é a propriedade de imóveis
rurais e o tributo somente será devido de maio a dezembro de 2014.
Caio, proprietário de imóvel rural situado no Estado X, após receber a notificação do lançamento do crédito
tributário referente ao empréstimo compulsório dos meses de maio a dezembro de 2014, realiza o
pagamento do tributo cobrado.
Posteriormente, tendo em vista notícias veiculadas a respeito da possibilidade desse pagamento ter sido
indevido, Caio decide procurá-lo(a) com o objetivo de obter a restituição dos valores pagos indevidamente.

Peça: AÇÃO DE REPETIÇÃO DO INDÉBITO

Tese: No mérito, o examinando deverá demonstrar que o empréstimo compulsório é inconstitucional, uma vez que este
tributo deve ser instituído por lei complementar, conforme o Art. 148, caput, da CRFB/88, e não por lei ordinária como na
hipótese do enunciado.
Ademais, o examinando deverá indicar a violação ao princípio da anterioridade, uma vez que o empréstimo compulsório
referente a investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional somente pode
ser cobrado no exercício financeiro seguinte ao da publicação da lei, no caso somente em 2015, conforme o Art.
148, inciso II c/c o Art. 150, inciso III, alínea b, ambos da CRFB/88.
Prática 04

A sociedade empresária Beta S/A, sediada no Município Y do Estado Z, foi autuada por ter deixado de recolher o Imposto
Sobre Serviços (ISS) sobre as receitas oriundas de sua atividade principal, qual seja, a de locação de veículos automotores.
Cumpre esclarecer que sua atividade é exercida exclusivamente no território do Município Y e não compreende qualquer
serviço acessório à locação dos veículos.
Quando da lavratura do Auto de Infração, além do montante principal exigido, também foi lançada multa punitiva
correspondente a 200% do valor do imposto, além dos respectivos encargos relativos à mora.
Mesmo após o oferecimento de impugnação e recursos administrativos, o lançamento foi mantido e o débito foi inscrito em
dívida ativa. Contudo, ao analisar o Auto de Infração, verificou-se que a autoridade fiscal deixou de inserir em seu bojo os
fundamentos legais indicativos da origem e natureza do crédito. A execução fiscal não foi ajuizada até o momento, e a
sociedade empresária pretende a ela se antecipar. Neste contexto, a sociedade empresária Beta S/A, considerando que
pretende obter certidão de regularidade fiscal, sem prévio depósito, e, ainda, considerando que já se passaram seis meses da
decisão do recurso administrativo, procura seu escritório, solicitando a você que sejam adotadas as medidas judiciais cabíveis
para afastar a exigência fiscal.

Gabarito
O examinando deverá elaborar a petição inicial de uma ação anulatória de débito fiscal, uma vez que se pretende a anulação dos créditos
tributários lançados. O Mandado de Segurança é descabido, tendo em vista o decurso do prazo de 6 (seis) meses. A ação anulatória deverá
ser endereçada à Vara de Fazenda Pública, ou à Vara Cível do Município Y ou da Comarca ... do Estado Z. O autor da ação é a sociedade
empresária Beta S/A e o Réu é o Município Y. O examinando deverá indicar a necessidade de tutela de evidência (Art. 311, CPC), ou tutela de
urgência (Art. 300, CPC), ou tutela antecipada (Art. 151, V, CTN) ou tutela provisória para suspensão da exigibilidade do crédito,
especialmente considerando a necessidade de obtenção de certidão de regularidade fiscal.
Prática 05
Em março de 2014, o Estado A instituiu, por meio de decreto, taxa de serviço de segurança devida pelas pessoas jurídicas
com sede naquele Estado, com base de cálculo correspondente a 3% (três por cento) do seu faturamento líquido mensal.
A taxa, devida trimestralmente por seus sujeitos passivos, foi criada com o objetivo de remunerar o serviço de segurança
pública prestado na região. A taxa passou a ser exigível a partir da data da publicação do decreto que a instituiu. Dez dias
após a publicação do decreto (antes, portanto, da data de recolhimento da taxa), a pessoa jurídica PJ Ltda. decide
impugnar o novo tributo, desde que sem o risco de suportar os custos de honorários advocatícios na eventualidade de
insucesso na demanda, tendo em vista que pretende participar de processo licitatório em data próxima, para o qual é
indispensável a apresentação de certidão de regularidade fiscal, a qual será obstada caso a pessoa jurídica deixe de pagar
o tributo sem o amparo de uma medida judicial.

Gabarito
A peça apropriada é o Mandado de Segurança, uma vez que se trata de direito líquido e certo e a medida não comporta condenação em
honorários advocatícios (Súmula 512 do STF, Súmula 105, do STJ, e Art. 25, de Lei nº 12.016/2009). Deve ser apresentado pedido de liminar
para assegurar que o novo tributo não poderá impedir o impetrante de obter a certidão de regularidade fiscal da pessoa jurídica. Para tanto
devem ser demonstradas a presença dos requisitos essenciais à liminar, quais sejam o fumus boni iuris (plausibilidade do direito alegado) e
o periculum in mora (risco na demora da prestação jurisdicional, em decorrência da proximidade da licitação). Quanto ao mérito, deve ser
alegada a inconstitucionalidade da taxa em razão da violação do princípio da legalidade (Art. 150, I, da Constituição) e ao princípio da
anterioridade (tanto a anterioridade do exercício financeiro quanto a anterioridade nonagesimal – Art. 150, III, b e c, da CF). Também deve
ser apontada a inconstitucionalidade do fato gerador da taxa não corresponder a serviço público específico e divisível, uma vez que o
serviço de segurança pública possui caráter geral e indivisível (Art. 145, II, da Constituição). Vale destacar, ainda, que a taxa é um tributo
contraprestacional/vinculado e a base de cálculo instituída pelo decreto não reflete o custo despendido pelo Estado para a prestação da
atividade.
REVEJA CADA ATIVIDADE PRÁTICA!

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