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Jovens

2018.1
SUMÁRIO
Lição 01: Servir com integridade – Mateus 6..................................................................................4
Lição 02: Iluminando o Olhar – Mateus 6.22-23 / Lucas 11. 34-36.........................................8
Lição 03: O fruto do Espírito em nós – Gálatas 5. 16-23............................................................. 12
Lição 04: Viver no Espírito – Gálatas 5. 22-24................................................................................16
Lição 05: Fé e determinação – 2Timóteo 2. 1-13.......................................................................... 20
Lição 06: “Lembrai-vos dos encarcerados” – Hebreus 13.3...................................................24
Lição 07: Princípios da Amizade – Rute 1.1-18.............................................................................. 28
Lição 08: As bem-aventuranças – Mateus 5.1-12.........................................................................32
Lição 09: Israel e os gibeonitas – Josué 9.........................................................................................36
Lição 10: Construir um lugar habitável – 2Reis 6.1-7................................................................40
Lição 11: Nossa relação com a natureza – Romanos 8.19-23.................................................. 44
Lição 12: Diálogo e tolerância – Gênesis 11 1-9 / Atos 2. 1-13.................................................. 48
Lição 13: Deficiência não é castigo – João 9.1-12...........................................................................52
Lição 14: Ananias e Safira – Atos 5.1-11............................................................................................. 56
Lição 15: O valor do Reino – Mateus 13.44-46................................................................................62
Lição 16: O amigo inoportuno – Lucas 11. 5-13.............................................................................. 66
Lição 17: O que fazer com os talentos – Lucas 19.12-27............................................................ 70
Lição 18: Quase Cristãos – Atos 26.28................................................................................................74
Lição 19: Cura da maledicência – Tiago 1.26 / Mateus 18. 15-17............................................78
Lição 20: A negação de si mesmo – Lucas 9.23-25..................................................................... 82
Lição 21: A imperfeição do conhecimento humano – 1Coríntios 13.9............................. 86
Lição 22: O Sepultamento de Jesus – João 19.38-42...................................................................90
Lição 23: O Caminho de Emaús – Lucas 24.13-35 ....................................................................... 93

EXPEDIENTE
Cruz de Malta Revisão
Revista para Escola Dominical – Jovens Mauren Julião
Aluno(a)
Projeto Gráfico e Editoração
Secretaria Executiva Editorial NLopez Comunicação
Joana D’Arc Meireles
Angular Editora
Colégio Episcopal Departamento Editorial - Associação
Hideide Brito Torres – bispa assessora da Igreja Metodista
Av. Piassanguaba, 3031 – Planalto Paulista
Coordenação editorial 04060-004 – São Paulo
Andreia Fernandes Oliveira Tel. (11) 2813-8643 / (11) 2813-8600
escoladominical@metodista.org.br
Equipe de Redação http: //angulareditora.com.br
Andreia Fernandes Oliveira http://www.metodista.org.br/
Mauren Julião escola-dominical

Colaboração
Edson Cortasio Sardinha Todos os direitos nacionais e
Enoque Rodrigo de Oliveira Leite internacionais reservados à
Eliana Estevam Emilio
Hebert Nogueira
Hideide Brito Torres
José Geraldo Magalhães
Kennie Ladeira Mendonça
Lucélia Fabrício Pinheiro 2018.1
Roseli de Oliveira
PALAVRA ~
DA REDACAO

~
Querido(a) aluno(a)

A
ndar com Deus e fazer o bem estão interligados. Um testemunho
cristão pleno se revela por meio de atitudes íntegras e bondosas. Se
a maldade e a falta de integridade estão presentes em uma socieda-
de corrupta, a integridade e a bondade são valores inestimáveis no Reino de
Deus e, portanto, marcas de uma vida de santidade.
Nesta revista, tratamos do tema da integridade e do caráter cristão, a par-
tir das orientações da Palavra e da vida e testemunho de pessoas que se re-
lacionaram com Deus e testemunharam seu agir. Dois blocos especiais se
relacionam também ao tema: Parábolas de Jesus e Sermões de John Wesley,
pastor anglicano do século XVIII que deu início ao movimento chama-
do metodista. Além disso, duas lições especiais sobre o período da Páscoa
encontram-se no final da revista, considerando-se sua importância como
evento fundamental da nossa fé.
Nosso intuito é que, a partir do estudo compartilhado da Palavra de Deus
através das lições, cresçamos como Igreja de Cristo no caminho da santida-
de expressa por amor ao Senhor e em amor pelo próximo.
Nossa oração é para que você aproveite bem este material, estudando
com atenção cada lição e dedicando-se ao entendimento dos textos bíblicos,
sob a direção do Espírito Santo ensinador.

Bons estudos!

Equipe de Redação
Lição 01

SERVIR COM
INTEGRIDADE*
Texto bíblico: Mateus 6

“Ninguém pode servir a dois senhores; porque, ou há de odiar um


e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro”. v.24

T
odo o capítulo 6 de Mateus é uma grande compila-
ção de ditos de Jesus acerca de “princípios e valores”.
Valores são as coisas que nos movem internamente,
que são de fato importantes para nós. Já os princípios são
verdades profundas. Possuem um caráter coletivo, e são a
causa primária de nossos valores, os rudimentos, as origens
que fundamentam nossas escolhas. Por exemplo, o arrepen-
dimento é um princípio bíblico pelo qual os valores de uma
comunidade de fé se desenvolvem. As práticas das igrejas po-
dem ser diferentes em alguns aspectos, mas sempre estarão
de algum modo conectadas pelos princípios cristãos e tende-
rão a aproximar-se em aspectos comuns. Se fugirem demais,
esses valores estarão em desconexão com o princípio.

4 CRUZ DE MALTA
O valor da Integridade No restante do capítulo, o tema
No capítulo 6 de Mateus, Jesus colo- da integridade se relaciona com a fé,
ca a integridade como valor frente outro princípio, pois, “sem fé é impos-
ao princípio da submissão a Deus e sível agradar a Deus”. Se cremos em
à sua vontade. Integridade, de acor- Deus, então a totalidade de nossa en-
do com o dicionário de significados, trega deve ser manifesta. Não pode-
“tem origem no latim integritate, mos ter dúvidas de que Deus suprirá
que significa a qualidade ou estado as necessidades físicas, emocionais e
do que é íntegro ou completo. É sinô- espirituais que temos. Devemos con-
nimo de honestidade, retidão, impar- solidar nossa fé, a fim de não ficarmos
cialidade.” (https://goo.gl/y4jx7j). em um estado de divisão entre con-
Na prática, então, a integridade fiar e tentar gerir nossa vida por nós
como valor aparece na pureza de in- mesmos(as).
tenção ao dar a esmola (2-4), ao orar (5- No verso 24, Jesus exemplifica o
8) e ao jejuar (16-18). O objetivo dessas problema da falta de integridade,
ações não é de apresentar-se aprová- que gera oscilação entre dois senho-
vel e louvável diante das pessoas, mas, res. Ele utiliza o exemplo do dinheiro,
fazer o bem e agradar a Deus. pois se trata de um valor consistente
A oração do Pai Nosso (9-13) para o ser humano. Almejamos uma
também aparece como modelo de boa vida, sonhamos com condições
oposição ao falatório dos gentios. O tranquilas ou de abundância. O pro-
objetivo da oração não é convencer blema é que este valor, desvirtuan-
Deus das carências humanas, como do-se, pode ser colocado no lugar de
os gentios estavam ensinados a fa- Deus, gerando corrupção.
zer. Ao contrário, é relacionamen-
to com Ele. Daí que a síntese dessa Onde está a Integridade
oração de Jesus ensina que, ao orar, da Igreja?
devemos realmente dizer a verdade Warren Wiersbe,no já clássico “A cri-
a Deus, em termos de necessidades, se de integridade” (1993), faz um duro
mas também receber dele as orien- diagnóstico sobre a perda de poder
tações necessárias, rendendo-lhe e de influência da Igreja no mundo.
autêntica glória e louvor. Além dis- Segundo ele, “A Igreja acostumou-se
so, a oração expressa relacionamen- a ouvir pessoas contestarem a mensa-
to com o próximo e para ter o valor gem do Evangelho, porque essa men-
da integridade é preciso orar para sagem é loucura para os perdidos.
estar em contato com Deus e sen- Mas hoje a situação está embaraço-
sível às necessidades das pessoas. samente invertida, pois o mensageiro
Caso contrário, a oração se torna hi- passou a ser suspeito. Tanto o minis-
pócrita: parece, mas não é. tério quanto a mensagem perderam

ANDAR COM DEUS E FAZER O BEM 5


a credibilidade perante um mundo O que realmente faz
atento, que parece estar a divertir-se diferença?
com o espetáculo. ‘Por que é que ha- A integridade como valor é algo
víamos de escutar a igreja?’, pergunta que precisa de perseverança e conti-
o mundo crítico. ‘Com que autoridade nuidade. Para obtê-la no caminho do
vocês, cristãos, nos pregam sobre pe- discipulado, precisamos ter cuidado
cado e salvação? Ponham ordem na com as influências em nossa vida.
própria casa; depois talvez queiramos É comum termos pessoas que nos
escutá-los’.” (WIERSBE, 1993, p. 11) inspiram e nos orientam em várias di-
A maior dificuldade que a Igreja reções de nossa vida. Influenciamos
enfrenta não é o pecado que existe no e recebemos influências o tempo
mundo ou o sistema pecaminoso no todo. Algumas dessas influências são
qual ela se insere, pois as Escrituras perceptíveis e nítidas. Aparecem no
mesmo afirmam que “o mundo jaz nosso comportamento, no modo de
no maligno” (1Jo 5.19). O maior pro- vestir, nos ambientes que frequenta-
blema da Igreja hoje é a falta de au- mos, livros que lemos, expressões de
toridade e de poder, características fala, etc. Outras são mais sutis e pro-
reconhecidas no ministério de Jesus fundas e podem emergir apenas em
e nos servos e servas que em todos os tempos de crises, de lutas profundas
tempos atuaram em nome do Senhor. ou de grandes mudanças.
Quando, no decorrer da história, a Porém, estar por perto das boas
Igreja se afastou dos padrões bíblicos influências pode não ser o bastan-
de santidade e pureza, sua autoridade te. Judas esteve por perto de Jesus.
se esvaziou e ela perdeu o poder de Muitos dos companheiros próximos
salgar e iluminar. Com isso, a propa- de Paulo o abandonaram quando ele
gação do Evangelho transformador estava em perigo. Da mesma forma,
deixou de alcançar sua inteireza. estar perto de más influências tam-
Mas como Cristo é o Senhor da bém não quer dizer a perdição total.
Igreja, também por meio de seu Que o digam os amigos de Daniel,
Espírito Santo Ele levanta pessoas cercados por toda a idolatria e a opu-
dispostas a trazê-la de volta ao cami- lência política perversa da Babilônia!
nho da santidade interior e prática. Então, o que pode, de fato, fazer a
Todo avivamento começa por uma diferença?
conversão, uma volta do povo de Davi diz a Salomão para ser forte
Deus aos princípios bíblicos e aos va- (1Crônicas 28). A palavra em hebrai-
lores da Igreja de Cristo. O reconhe- co para forte é transliterada como
cimento de que existe uma distância rhazac. No hebraico, o termo pode
entre Deus e seus servos e servas é ser entendido como “ser constante,
insuperável para que o derramar do obstinado”. Também pode ser tradu-
Espírito Santo venha, trazendo a in- zido como “fortalecer”. Davi abençoa
tegridade outra vez. a Salomão com esta palavra e, por ser

6 CRUZ DE MALTA
um mandado de Deus, isso significa “se” para termos o “sim”. Como dis-
que é uma bênção, uma ordem e uma se Stanley Jones, “Todas as vezes em
palavra profética ao mesmo tempo. que você se recusa a encarar a vida e
Porém, a perseverança ordenada os problemas, você enfraquece o seu
e a bênção predita possuem um con- caráter”. Um caráter fraco não gera
dicional muito claro. Várias vezes integridade e por isso o resultado do
neste texto temos uma pequena pa- seu serviço não permanece. Oremos
lavra que faz toda a diferença: “Se”. como João Wesley: “Oh, Senhor, não
“Se perseverar ele em cumprir os me deixe viver sem propósito”!
meus mandamentos e juízos”; “Se
o buscares, ele se deixará achar por Conclusão
ti; se o deixares, ele te rejeitará para A integridade é uma experiência que
sempre”. São os “ses” que nos expli- precisamos ter com o Espírito Santo,
cam a maneira de sermos fortes. A para não cairmos na tentação de fazer
força de que a Palavra fala é, portan- as coisas “como os fariseus hipócri-
to, a força de permanecer, persisten- tas”, com uma face pública e uma face
temente, nos propósitos divinos. privada. Nossa vida precisa ser impac-
Assim como no exercício físico, é a tante para as pessoas, a ponto de le-
força da perseverança que garantirá a vá-las a desejar uma experiência real
saúde e o vigor que impulsiona para com Cristo por meio daquilo que so-
obedecer ao serviço de Deus. E a pala- mos, fazemos e falamos. Isso só acon-
vra que Deus profere é, em si mesma, tece quando o Espírito Santo gera essa
a garantia do cumprimento. A nos- integridade em nós, por meio do arre-
sa parte é sustentar-nos firmes no pendimento e conversão genuínos.

BATE-PAPOtem LEIA DURANTE


rio
Nosso ministé
sido desenvol vi do com A SEMANA**
luz do que Domingo: Mateus 6
integridade, à
ue sinais Segunda-feira: 1Crônicas 28
vimos hoje? Q
isso? Há algo Terça-feira: Lucas 16.10-13
apontam para
r ajustado?
que precisa se Quarta-feira: Provérbios 28.5-7
Como fazer? Quinta-feira: 1Pedro 3.13-17
Sexta-feira: Miqueias 6.6-8
Sábado: Salmo 25

*Esta lição é uma síntese adaptada da carta pastoral “Discípulas e discípulos nos caminhos da missão
servem com integridade”, do Colégio Episcopal da Igreja Metodista. Para conhecê-la na íntegra, acesse:
https://goo.gl/tHFLK9.
**Leia os textos desta seção durante a semana para fixar a lição de hoje. Faça isto semanalmente para cada lição.

ANDAR COM DEUS E FAZER O BEM 7


Lição 02

ILUMINANDO
O OLHAR
Textos Bíblicos: Mateus 6.22-23 / Lucas 11. 34-36

“São os olhos a lâmpada do corpo...” Mateus 6.23

N
ossa maneira de ver o mundo, as pessoas e as circuns-
tâncias da vida podem determinar nossa qualidade de
vida e nossa relevância no mundo. Nossa visão – na-
tural e espiritual – precisa de cuidado. Aquilo que olhamos,
observamos, pode influenciar nosso interior, aproximando-
-nos ou afastando-nos da vontade de Deus. Olhar a vida sem a
graça e o amor de Deus pode nos levar por caminhos de dor e
morte. Por outro lado, quando esta graça nos ilumina o olhar
e o amor nos faz enxergar além das circunstâncias, caminha-
mos para a vida plena e abundante proposta pelo evangelho
de Cristo.

8 CRUZ DE MALTA
A lâmpada do corpo considerando o fato de que os olhos
No tempo de Jesus os olhos eram con- são o órgão que recebe a luz. Se ele
siderados como janelas pelas quais o está sadio, receberá completamente
corpo tinha acesso à luz, e se eles fos- a luz e os seus efeitos farão bem ao
sem saudáveis o corpo receberia os corpo, mas se não estiver, receberá
benefícios que a luz pode trazer. Jesus parcialmente a luz, o que pode preju-
usou esse saber popular para ilustrar dicar todas as funções do organismo.
um ensinamento sobre a vida espi- Assim, é preciso cuidar de receber
ritual: assim como os olhos naturais totalmente a luz de Cristo e a men-
dão acesso à luz para o corpo, os olhos sagem do Evangelho, para enxergar
espirituais o fazem para o espírito. É com clareza e viver bem nessa terra,
preciso, pois, cuidar do olhar e atentar cumprindo os propósitos de Deus.
para o modo de ver a vida. Nos dois textos o que fica claro é:
No texto de Mateus Jesus usa esta usar bem os olhos e absorver a luz
expressão quando trata da relação é uma escolha pessoal; a saúde dos
humana com os bens materiais. Ele olhos espirituais depende do posicio-
está alertando sobre o perigo de dei- namento em relação à luz de Cristo.
xar que o apego às coisas materiais
dirija nosso olhar, o que pode tornar O olho mau e o olho bom
nossos olhos turvos para os valores O olho bom, simples ou sadio, é aque-
do Reino e a pureza de vida. le que consegue enxergar com foco.
“No olho da pessoa revela-se É sabido que não conseguimos en-
como ela se relaciona com a sua ri- xergar com nitidez em duas direções
queza (...) O olho pode, portanto, re- diferentes ao mesmo tempo. Então, o
velar a benção ou a desgraça que a “olho bom” – que pode ser traduzido
generosidade ou, respectivamente, também por perfeito – é aquele que
a ganância, trazem ao ser humano” recebe a luz de Cristo e foca nos va-
(RIENECKER, 1993, p. 112). lores do Reino, olhando para o alto,
Este princípio pode ser expandido sabendo que “toda boa dádiva e todo
para outros valores relacionados à dom perfeito são lá do alto, descendo
vida terrena: nosso olhar pode estar do Pai das luzes, em quem não pode
“embaçado” por egoísmo, vaidade existir variação ou sombra de mu-
pessoal, rancor, desejo de sucesso ou dança” (Tiago 1.17)
até mesmo religiosidade e legalis- Já o “olho mau” é aquele que se
mo – valores contrários aos do Reino direciona ao mesmo tempo para
– que ofuscam a verdadeira luz que mais de um objeto, ou seja, disperso,
pode iluminar nossa vida. que por isso coloca em risco o cor-
Em Lucas a mesma ilustração po. Outra alusão dentro da cultura
se apresenta em outro contexto, judaica pode ter o significado de

ANDAR COM DEUS E FAZER O BEM 9


“um espírito rancoroso ou invejoso” rentes áreas da vida. Diante de tantas
(TASKER, 1961, p. 61). fontes que hoje querem ser referen-
A mesma expressão usada neste ciais de como agir, do que vestir, do
texto para olho mau está em Mateus que ouvir e sobre o que falar, refe-
20.15, na parábola dos trabalhadores renciais estes que, às vezes, chegam
na vinha. Ao final da parábola, diante a afirmar que a Bíblia já não respon-
da murmuração dos que se sentiam de todas as demandas da juventude,
injustiçados, o dono da vinha declara: nós reafirmamos a importância da
“são maus os teus olhos porque eu Palavra de Deus como nossa “regra
sou bom?”. O sentido da expressão de conduta e fé.”
nos faz entender que um olho mau é Seguir os passos de Jesus: Ele
também um olho sem generosidade, mesmo disse: “Eu sou a luz do mun-
que não se conduz pela graça, mas do; quem me segue não andará nas
pelo legalismo e por um senso de trevas; pelo contrário, terá a luz da
justiça egoísta, que não usa de miseri- vida”. (João 8.12). Isso vai bem além
córdia em direção às outras pessoas. de ir à Igreja, envolve uma decisão
Essas colocações nos fazem perce- diária de viver sob a direção Senhor,
ber que precisamos conduzir nosso e buscando orientação do Espírito
olhar pela luz de Cristo, por sua graça Santo para nossas escolhas quanto à
e misericórdia, para fazer nossas es- profissão, namoro e casamento, pro-
colhas e conduzir nossos passos por dutos que vamos adquirir, lugares
ela, considerando sempre o Reino de que frequentamos. Mas tem também
Deus que é “justiça, e paz, e alegria no a ver com seguir o exemplo de Jesus
Espírito Santo.” (Romanos 14.17), um no trato com as pessoas, olhando-as
Reino que leva em conta o próximo, com amor e compaixão, reconhecen-
que tem valores eternos e não se li- do que todas elas são alvo do amor de
mita à vida terrena. Deus e que podemos ser instrumen-
tos da Graça para ajudar em suas ne-
Como iluminar o olhar cessidades e anunciar o amor e poder
A Bíblia traz muitos textos a respeito de Deus. Como Jesus, devemos tam-
da luz e do olhar. Eles apontam pelo bém promover a paz e a justiça e de-
menos duas direções para manter nunciar a injustiça. Isso vai colaborar
um olhar sadio: para que outras pessoas tenham a sua
Buscar orientação na Palavra e vi- visão restabelecida.
ver pelos seus princípios: A Palavra é
“lâmpada para os pés” e “luz para os Luz que ilumina
caminhos”. (Salmo 119.105). Mais do Em Lucas Jesus conclui sua fala so-
que conhecê-la, é preciso orientar-se bre os olhos dizendo: “Se, portanto,
por ela nas ações e reações nas dife- todo o teu corpo for luminoso, sem

10 CRUZ DE MALTA
ter qualquer parte em trevas, será propósito da nossa existência: andar
todo resplandecente como a can- na luz, ter plena comunhão com o
deia quando te ilumina em plena corpo de Cristo, sendo “... irrepreen-
luz.” (v.36). Entendemos então que síveis e sinceros, filhos de Deus in-
é possível viver plenamente na luz culpáveis no meio de uma geração
do Senhor, a ponto de resplandecer pervertida e corrupta, na qual res-
e iluminar também ao nosso redor, plandeceis como luzeiros no mun-
como o próprio Jesus falou: “Assim do” (Filipenses 2.15).
brilhe também a vossa luz diante
dos homens, para que vejam as vos- Conclusão
sas boas obras e glorifiquem a vos- Diante de tantas luzes que atraem e
so Pai que está nos céus.” (Mateus até ofuscam nosso olhar, Deus nos
5.16). A luz de Cristo ilumina nos- chama para seguir na luz de Cristo e
sa vida para trazermos luz para o da Palavra, e ser luz nessa terra, parti-
mundo, através de ações que façam cipando da missão com caráter san-
diferença na construção de uma to, ética e integridade. Nas próximas
sociedade mais ética, solidária e lições veremos aspectos práticos
comprometida com a vida. Este é o dessa caminhada.

LEIA DURANTE
BATE-PAPOetos A SEMANA
ncr
Que passos co
para
podemos dar Domingo: Mateus 6.22-23 / Lucas 11.34-36
o olhar aos Segunda-feira: Salmo 123 1-2
alinhar noss
issionários
propósitos m Terça-feira: Provérbios 4.18-27
de Deus? Quarta-feira: Filipenses 2.12-16
Quinta-feira: Mateus 5.14-16
Sexta-feira: Salmo 19.7-11
Sábado: Provérbios 3

ANDAR COM DEUS E FAZER O BEM 11


Lição 03

O FRUTO DO ´
´
ESPIRITO

EM NOS
Texto bíblico: Gálatas 5.16-23

“Contra estas coisas não há lei...” v.23b

A
o convidar as pessoas para se tornarem seus discípu-
los e discípulas, Jesus sempre enfatizava: Segue-me.
Esse seguir a Cristo deveria ser muito mais do que ir
onde o nosso Senhor fosse, mas seguir seus ensinamentos
e vivê-los, a exemplo da própria vida do Mestre. Ainda hoje
este é o nosso desafio, e para que tenhamos êxito, o Senhor
nos deixou seu Espírito. Desta forma, ao nos deixarmos guiar
por Ele, nosso modo de agir e nosso caráter são gradualmen-
te transformados e o fruto de sua presença se torna visível
em nossa vida.

12 CRUZ DE MALTA
Andar no Espírito para então, andar no Espírito para não se
vencer a carne deixar dominar por elas.
Paulo mostra a necessidade de viver
no Espírito a partir da constatação O que é o fruto do Espírito
da influência dos desejos carnais. O fruto é o resultado da ação do
Nesta carta aos Gálatas, ele procura Espírito Santo de Deus em nós. O
trazer respostas e orientações a par- que essa presença ativa promove
tir de informações recebidas sobre em nós são virtudes pelas quais
seguidores da fé judaica que disse- conseguimos resistir às tentações
minavam dúvidas no meio da igreja, da carne.
“pervertendo o evangelho de Cristo” Estas virtudes se revelam em ati-
(1. 6-7), insistindo na continuação da tudes pelas quais manifestamos dian-
observância das leis de Moisés. te do mundo o caráter do Deus nos fez
Antes de tratar da vida no Espírito, seu povo exclusivo (1Pedro 2.9-10).
Paulo expressa sua preocupação com Paulo utiliza a palavra “fruto” e
o aparente retrocesso dos Gálatas não “obra”, o que indica que tais ati-
quanto aos princípios do Evangelho tudes são resultado da presença e
(v.7). Ele trabalha na carta o papel da ação do Espírito em nós, e não sim-
lei diante da Graça e da fé (3.11-22), ples atos da vontade humana. Não
e sua função nos conduzir a Cristo, é mera ação, é virtude! É resultado
através de quem somos feitos filhos de uma disposição transformada de
e filhas (4. 3-7). Trata também da li- agradar a Deus em tudo. O Espírito
berdade que Cristo conquistou para Santo nos capacita para viver den-
seu povo e alerta que esta liberdade tro dos propósitos e exigências do
não pode ser usada para dar ocasião Evangelho sem que isso se torne
aos desejos da carne, o que só é possí- um peso, pois gera uma mudança
vel andando no Espírito (5.16). no nosso caráter, de modo que con-
O apóstolo apresenta então uma seguimos vencer nossas inclinações
relação de quinze atitudes carnais naturais para o pecado.
(paixões humanas), que indicam Devemos notar que o fru-
nossa inclinação para a prática do to do Espírito é apresentado em
pecado: prostituição, impureza. las- contrapartida às obras da carne.
cívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, Anteriormente Paulo afirma: “andai
brigas, ciúmes, acesso de raiva, am- em Espírito e jamais satisfareis à con-
bição egoísta, desunião, inveja, divi- cupiscência da carne” (v. 16). Sendo
sões, bebedices e glutonarias. Para assim, prostituição, lascívia, inimiza-
todas estas obras, a afirmação: Não des, ciúmes, discórdias, bebedices, e
herdarão o Reino de Deus os que todas as demais obras da carne, que
tais coisas praticam (5.21). É preciso, no fundo são práticas que buscam

ANDAR COM DEUS E FAZER O BEM 13


satisfazer nossa natureza humana profetas (Isaías 61.10), e outros au-
(e por sinal não conseguem, geran- tores bíblicos (Romanos 5.1-5, 14,7;
do um descontentamento cada vez Tiago 1.2-3). Note-se que esta alegria
maior em nós e ferindo as pessoas não é proveniente de situações agra-
ao nosso redor), podem ser vencidas dáveis apenas, mas de uma convicção
por este fruto bendito, o resultado da da presença de Deus e do seu poder
presença do Espírito Santo em nós. de fazer todas as coisas cooperarem
para nosso bem. Essa alegria não se
Contentamento e realização explica bem. Ela é sentida por aque-
Dentre estas virtudes, destacamos les e aquelas que se rendem à ação do
nesta lição o amor, a alegria e a paz. Espírito Santo em suas vidas. Esta ale-
Estas três virtudes geradas em nós gria pode e deve ser compartilhada!
através do Espírito de Deus são ver- A paz é outra necessidade humana
dadeiras dádivas que nos trazem que é suprida pela presença do Espírito
realização e contentamento. Não é Santo. Nós precisamos de paz em três
esta afinal a busca e o anseio da hu- aspectos: a paz espiritual, que é a paz
manidade: receber amor, ter alegria e com Deus (Romanos 5.1); a paz emo-
paz? Não é esta a razão pela qual mui- cional, que é a paz de Deus, um senti-
tas pessoas se entregam aos desejos mento interno de bem-estar e ordem
carnais, ainda que os prazeres da car- (Colossenses 3.15), e a paz nos relacio-
ne sejam ilusórios e momentâneos? namentos, que é o que a Bíblia cha-
Pois Deus nos dá gratuitamente es- ma de paz com as pessoas (Romanos
tas dádivas pelo Espírito e espera que 12.18). A paz nos relacionamentos re-
compartilhemos também na convi- duz conflitos. Esta paz do Espírito que é
vência com as pessoas, dentro e fora completa nos dá tranquilidade diante
da comunidade de fé. dos problemas e a serenidade neces-
Através da ação do Espírito em sária para enfrentá-los.
nós somos capazes de amar e receber
amor. Não um amor qualquer, mas Desafio para a vida
aquele descrito em 1Coríntios 13: pa- Diante de tamanha bênção que nos
ciente, altruísta, honesto, bondoso, é concedida, somos desafiados e de-
que não é ciumento nem se porta in- safiadas a viver e andar no Espírito
convenientemente, um amor que ja- (v.25) e, ao invés de viver correndo
mais acaba. atrás de prazeres que não podem
Também é só através do Espírito satisfazer de fato, investir tempo na
que podemos nos alegrar mesmo comunhão com o Espírito Santo atra-
diante das dificuldades, como vi- vés da oração e estudo da Palavra, da
veu e expressou o salmista (Salmo convivência com pessoas de fé, no
16.8-9; 28.7; 30.5, entre outros), os caminho do discipulado.

14 CRUZ DE MALTA
Uma vez que o amor não é egoís- mos às paixões humanas, e vamos
ta, Deus nos chama a demonstrar agradar a Deus e honrar seu nome.
estas virtudes em atitudes concre-
tas diante das pessoas e na direção Conclusão
delas. Podemos agir com amor, mes- A humanidade está carente de amor,
mo diante de atitudes que nos desa- alegria e paz, porque não tem olhado
gradam. Se temos alegria, podemos para Deus. Como cristãos e cristãs,
consolar os que choram. Se temos a somos chamados e chamadas a vi-
paz, podemos ser pacificadores e pa- venciar essas virtudes no nosso dia a
cificadoras. Precisamos reconhecer, dia, junto a todas as pessoas, para que
porém, que isto só é possível se vi- elas vejam Cristo em nós e através de
vermos na dependência do Espírito e nós possam experimentar a Graça.
realmente nos deixarmos guiar por Esta vivência vai desde o ambiente
Ele. Este é o desafio do Evangelho, e familiar, passa pela comunidade de
buscando estas coisas, não cedere- fé e se estende para o mundo.

BATE-PAPOressar
Como podem
os exp LEIA DURANTE
gria e a paz A SEMANA
o amor, a ale
s círculos de
nos diferente Domingo: Gálatas 5.16-23
que temos?
convivência Segunda-feira: Efésios 5.1-11
ja, como
E como Igre Terça-feira: 1Coríntios 6.12-20
ifestar estas
podemos man ssa Quarta-feira: Gálatas 5.1-15; 25-26
a além da no
virtudes par Quinta-feira: Romanos 5.1-11
?
comunidade Sexta-feira: Gálatas 2.16-21
Sábado: 1Coríntios 13

ANDAR COM DEUS E FAZER O BEM 15