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Jovens

2018.1
SUMÁRIO
Lição 01: Servir com integridade – Mateus 6...............................................................................6
Lição 02: Iluminando o Olhar – Mateus 6.22-23 / Lucas 11. 34-36..................................... 13
Lição 03: O fruto do Espírito em nós – Gálatas 5. 16-23..........................................................19
Lição 04: Viver no Espírito – Gálatas 5. 22-24..............................................................................26
Lição 05: Fé e determinação – 2Timóteo 2. 1-13.........................................................................32
Lição 06: “Lembrai-vos dos encarcerados” – Hebreus 13.3............................................... 38
Lição 07: Princípios da Amizade – Rute 1.1-18............................................................................ 44
Lição 08: As bem-aventuranças – Mateus 5.1-12....................................................................... 51
Lição 09: Israel e os gibeonitas – Josué 9......................................................................................57
Lição 10: Construir um lugar habitável – 2Reis 6.1-7............................................................. 64
Lição 11: Nossa relação com a natureza – Romanos 8.19-23............................................... 71
Lição 12: Diálogo e tolerância – Gênesis 11 1-9 / Atos 2. 1-13................................................78
Lição 13: Deficiência não é castigo – João 9.1-12....................................................................... 85
Lição 14: Ananias e Safira – Atos 5.1-11...........................................................................................92
Lição 15: O valor do Reino – Mateus 13.44-46.........................................................................100
Lição 16: O amigo inoportuno – Lucas 11. 5-13..........................................................................107
Lição 17: O que fazer com os talentos – Lucas 19.12-27.........................................................113
Lição 18: Quase cristão – Atos 26.28.............................................................................................. 119
Lição 19: A cura da maledicência – Tiago 1.26 / Mateus 18. 15-17...................................126
Lição 20: A negação de si mesmo – Lucas 9.23-25..................................................................132
Lição 21: A imperfeição do conhecimento humano – 1Coríntios 13.9.........................139
Lição 22: O sepultamento de Jesus – João 19.38-42............................................................... 146
Lição 23: O caminho de Emaús – Lucas 24.13-35 .................................................................... 151
Métodos de ensino na Escola Dominical.......................................................................................158

EXPEDIENTE
Cruz de Malta Revisão
Revista para Escola Dominical – Jovens Mauren Julião
Aluno(a)
Projeto Gráfico e Editoração
Secretaria Executiva Editorial NLopez Comunicação
Joana D’Arc Meireles
Angular Editora
Colégio Episcopal Departamento Editorial - Associação
Hideide Brito Torres – bispa assessora da Igreja Metodista
Av. Piassanguaba, 3031 – Planalto Paulista
Coordenação editorial 04060-004 – São Paulo
Andreia Fernandes Oliveira Tel. (11) 2813-8643 / (11) 2813-8600
escoladominical@metodista.org.br
Equipe de Redação http: //angulareditora.com.br
Andreia Fernandes Oliveira http://www.metodista.org.br/
Mauren Julião escola-dominical

Colaboração
Edson Cortasio Sardinha Todos os direitos nacionais e
Enoque Rodrigo de Oliveira Leite internacionais reservados à
Eliana Estevam Emilio
Hebert Nogueira
Hideide Brito Torres
José Geraldo Magalhães
Kennie Ladeira Mendonça
Lucélia Fabrício Pinheiro
Roseli de Oliveira 2018.1
PALAVRA ~
DA REDACAO

~
Querido(a) professor(a)

A
ndar com Deus e fazer o bem estão interligados. Um testemunho
cristão pleno se revela por meio de atitudes íntegras e bondosas. Se
a maldade e a falta de integridade estão presentes em uma socieda-
de corrupta, a integridade e a bondade são valores inestimáveis no Reino de
Deus e, portanto, marcas de uma vida de santidade.
Nesta revista, tratamos do tema da integridade e do caráter cristão, a par-
tir das orientações da Palavra e da vida e testemunho de pessoas que andaram
com Deus se relacionaram com Ele, testemunhando seu agir e refletindo em
ações o fruto deste relacionamento: fazendo o bem! Dois blocos especiais se
relacionam também ao tema: Parábolas de Jesus e Sermões de John Wesley,
pastor anglicano do século XVIII que deu início ao movimento chamado meto-
dista. Além disso,duas lições especiais sobre o período da Páscoa encontram-se
no final da revista para serem usadas de acordo com as programações locais.
Nosso intuito é que, a partir do estudo compartilhado da Palavra de Deus
através das lições aqui produzidas, cresçamos como Igreja de Cristo no ca-
minho da santidade expressa por amor ao Senhor e em amor pelo próximo.
Sua atuação como professor(a) é fundamental para alcançar esse objetivo.
Observe as orientações e dicas, leia com atenção cada lição, procure intei-
rar-se dos assuntos que não domina e tenha sempre a liberdade de adaptar
o material à realidade e necessidades de sua classe e igreja. Busque orienta-
ção pastoral nesse sentido.
Nossa oração é para o Espírito Santo lhe conduza usando sua vida como
instrumento de bênção na vida dos alunos e alunas, e que através dos estu-
dos sua vida seja edificada também.

Bom trabalho!

Equipe de Redação
~
ORIENTACOES PARA

~
O(A) PROFESSOR(A)
Estimado(a) Professor(a)

E
sta revista é uma ferramenta para sua prática de ensino e visa o cres-
cimento e formação cristã dos discípulos e discípulas que participam
da Escola Dominical. Neste processo de formação a sua atuação como
professor(a) é fundamental, pois você é um importante instrumento de
Deus para levar o conteúdo aqui apresentado para os alunos e alunas, aju-
dando-os e estimulando-os a aproveitar também o melhor deste material.
Sendo assim, seu preparo e capacitação contínua vão ajudar muito na efeti-
vidade de seu trabalho.
No intuito de colaborar com a sua prática, e visando o melhor aproveita-
mento do material, partilhamos algumas dicas:

ƒƒ Leia toda a revista para que você tenha uma visão total do material,
assim poderá adaptá-la à sua classe e igreja local, e planejar a ordem das
aulas. Caso perceba que é preciso inverter a ordem das lições, por exem-
plo, ministrar a terceira antes da segunda, faça sem hesitação. A visão
total do material lhe dará segurança para adaptá-lo à sua realidade. Não
caia na tentação de querer ensinar tudo de uma vez – você tem um curso
pela frente.
ƒƒ Procure iniciar o preparo da aula no início da semana que a antecede;
isto lhe dará mais tempo de estudo e possibilidades de encontrar ma-
teriais que sejam úteis. Preste atenção nas notícias, fatos do cotidiano,
situações da igreja, vídeos, músicas, imagens etc., que podem ser usadas
na aula.
ƒƒ Ao planejar a aula, se possível, tenha um dicionário de português, mais
de uma versão da Bíblia Sagrada para comparação dos textos e outros
materiais de apoio, como dicionários e comentários bíblicos. Alguma li-
teratura é citada na Bibliografia e pode ampliar seu conhecimento.

4 CRUZ DE MALTA | Professor(a)


ƒƒ Dialogue sobre as dúvidas com o ministério pastoral ou alguém da
equipe pedagógica. Aproveite também os recursos humanos da Igreja,
convide pessoas que possam colaborar com a exposição da lição.
ƒƒ Trabalhe com foco, objetividade e criatividade; aproveite as estraté-
gias sugeridas e conte com a ação e inspiração do Espírito Santo. Dedique
tempo em oração antes de fazer seu planejamento.
ƒƒ Evite ler integralmente a revista na aula! (Faça leitura apenas dos des-
taques). Use o texto para discussão em grupos, estimule a leitura prévia
das lições pelos alunos e alunas para melhor aproveitamento do tempo
de aula.
ƒƒ Relacione o tema com a realidade dos alunos e alunas, com a vida e
missão da Igreja, através de exemplos e dando oportunidade para a clas-
se se expressar.
ƒƒ Interceda por seus alunos e alunas: para que sejam frequentes, para
que o conhecimento transforme o caráter e a visão à luz da Palavra.
Incentive-os a fazer a releitura da lição e as leituras bíblicas durante a
semana.
ƒƒ Procure despertar entre os alunos e alunas o desejo de ensinar – des-
pertamento vocacional; uma estratégia pode ser desafiar alguém da
classe de tempos em tempos para dar a aula, com sua assessoria.
ƒƒ Incentive o relacionamento para além da classe e procure, através da
observação do controle de frequência, buscar as pessoas ausentes e afas-
tadas. Envolva as frequentes nesta tarefa.
ƒƒ Mantenha uma linguagem simples e objetiva, tenha paciência para
tirar as dúvidas, seja amável e busque viver de modo coerente com o
Evangelho. Sua vida ensina tanto quanto suas palavras.

Ao final da revista, trazemos algumas metodologias que podem enri-


quecer suas aulas. Leia com atenção e use conforme a necessidade, procu-
rando variar as estratégias para manter um ambiente interessante para a
aprendizagem.

ANDAR COM DEUS E FAZER O BEM 5


Lição 01

SERVIR COM
INTEGRIDADE*
Texto bíblico: Mateus 6

“Ninguém pode servir a dois senhores; porque, ou há de odiar um


e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro”. v.24

T
odo o capítulo 6 de Mateus é uma grande compila-
ção de ditos de Jesus acerca de “princípios e valores”.
Valores são as coisas que nos movem internamente,
que são de fato importantes para nós. Já os princípios são
verdades profundas. Possuem um caráter coletivo, e são a
causa primária de nossos valores, os rudimentos, as origens
que fundamentam nossas escolhas. Por exemplo, o arrepen-
dimento é um princípio bíblico pelo qual os valores de uma
comunidade de fé se desenvolvem. As práticas das igrejas po-
dem ser diferentes em alguns aspectos, mas sempre estarão
de algum modo conectadas pelos princípios cristãos e tende-
rão a aproximar-se em aspectos comuns. Se fugirem demais,
esses valores estarão em desconexão com o princípio.

6 CRUZ DE MALTA | Professor(a)


O valor da Integridade No restante do capítulo, o tema
No capítulo 6 de Mateus, Jesus colo- da integridade se relaciona com a fé,
ca a integridade como valor frente outro princípio, pois, “sem fé é impos-
ao princípio da submissão a Deus e sível agradar a Deus”. Se cremos em
à sua vontade. Integridade, de acor- Deus, então a totalidade de nossa en-
do com o dicionário de significados, trega deve ser manifesta. Não pode-
“tem origem no latim integritate, mos ter dúvidas de que Deus suprirá
que significa a qualidade ou estado as necessidades físicas, emocionais e
do que é íntegro ou completo. É sinô- espirituais que temos. Devemos con-
nimo de honestidade, retidão, impar- solidar nossa fé, a fim de não ficarmos
cialidade.” (https://goo.gl/y4jx7j). em um estado de divisão entre con-
Na prática, então, a integridade fiar e tentar gerir nossa vida por nós
como valor aparece na pureza de in- mesmos(as).
tenção ao dar a esmola (2-4), ao orar (5- No verso 24, Jesus exemplifica o
8) e ao jejuar (16-18). O objetivo dessas problema da falta de integridade,
ações não é de apresentar-se aprová- que gera oscilação entre dois senho-
vel e louvável diante das pessoas, mas, res. Ele utiliza o exemplo do dinheiro,
fazer o bem e agradar a Deus. pois se trata de um valor consistente
A oração do Pai Nosso (9-13) para o ser humano. Almejamos uma
também aparece como modelo de boa vida, sonhamos com condições
oposição ao falatório dos gentios. O tranquilas ou de abundância. O pro-
objetivo da oração não é convencer blema é que este valor, desvirtuan-
Deus das carências humanas, como do-se, pode ser colocado no lugar de
os gentios estavam ensinados a fa- Deus, gerando corrupção.
zer. Ao contrário, é relacionamen-
to com Ele. Daí que a síntese dessa Onde está a Integridade
oração de Jesus ensina que, ao orar, da Igreja?
devemos realmente dizer a verdade Warren Wiersbe,no já clássico “A cri-
a Deus, em termos de necessidades, se de integridade” (1993), faz um duro
mas também receber dele as orien- diagnóstico sobre a perda de poder
tações necessárias, rendendo-lhe e de influência da Igreja no mundo.
autêntica glória e louvor. Além dis- Segundo ele, “A Igreja acostumou-se
so, a oração expressa relacionamen- a ouvir pessoas contestarem a mensa-
to com o próximo e para ter o valor gem do Evangelho, porque essa men-
da integridade é preciso orar para sagem é loucura para os perdidos.
estar em contato com Deus e sen- Mas hoje a situação está embaraço-
sível às necessidades das pessoas. samente invertida, pois o mensageiro
Caso contrário, a oração se torna hi- passou a ser suspeito. Tanto o minis-
pócrita: parece, mas não é. tério quanto a mensagem perderam

ANDAR COM DEUS E FAZER O BEM 7


a credibilidade perante um mundo O que realmente faz
atento, que parece estar a divertir-se diferença?
com o espetáculo. ‘Por que é que ha- A integridade como valor é algo que
víamos de escutar a igreja?’, pergunta precisa de perseverança e continui-
o mundo crítico. ‘Com que autoridade dade. Para obtê-la no caminho do
vocês, cristãos, nos pregam sobre pe- discipulado, precisamos ter cuidado
cado e salvação? Ponham ordem na com as influências em nossa vida.
própria casa; depois talvez queiramos É comum termos pessoas que nos
escutá-los’.” (WIERSBE, 1993, p. 11) inspiram e nos orientam em várias di-
A maior dificuldade que a Igreja reções de nossa vida. Influenciamos
enfrenta não é o pecado que existe no e recebemos influências o tempo
mundo ou o sistema pecaminoso no todo. Algumas dessas influências são
qual ela se insere, pois as Escrituras perceptíveis e nítidas. Aparecem no
mesmo afirmam que “o mundo jaz nosso comportamento, no modo de
no maligno” (1Jo 5.19). O maior pro- vestir, nos ambientes que frequenta-
blema da Igreja hoje é a falta de au- mos, livros que lemos, expressões de
toridade e de poder, características fala, etc. Outras são mais sutis e pro-
reconhecidas no ministério de Jesus fundas e podem emergir apenas em
e nos servos e servas que em todos os tempos de crises, de lutas profundas
tempos atuaram em nome do Senhor. ou de grandes mudanças.
Quando, no decorrer da história, a Porém, estar por perto das boas
Igreja se afastou dos padrões bíblicos influências pode não ser o bastan-
de santidade e pureza, sua autoridade te. Judas esteve por perto de Jesus.
se esvaziou e ela perdeu o poder de Muitos dos companheiros próximos
salgar e iluminar. Com isso, a propa- de Paulo o abandonaram quando ele
gação do Evangelho transformador estava em perigo. Da mesma forma,
deixou de alcançar sua inteireza. estar perto de más influências tam-
Mas como Cristo é o Senhor da bém não quer dizer a perdição total.
Igreja, também por meio de seu Que o digam os amigos de Daniel,
Espírito Santo Ele levanta pessoas cercados por toda a idolatria e a opu-
dispostas a trazê-la de volta ao cami- lência política perversa da Babilônia!
nho da santidade interior e prática. Então, o que pode, de fato, fazer a
Todo avivamento começa por uma diferença?
conversão, uma volta do povo de Davi diz a Salomão para ser forte
Deus aos princípios bíblicos e aos va- (1Crônicas 28). A palavra em hebrai-
lores da Igreja de Cristo. O reconhe- co para forte é transliterada como
cimento de que existe uma distância rhazac. No hebraico, o termo pode
entre Deus e seus servos e servas é ser entendido como “ser constante,
insuperável para que o derramar do obstinado”. Também pode ser tradu-
Espírito Santo venha, trazendo a in- zido como “fortalecer”. Davi abençoa
tegridade outra vez. a Salomão com esta palavra e, por ser

8 CRUZ DE MALTA | Professor(a)


um mandado de Deus, isso significa “se” para termos o “sim”. Como dis-
que é uma bênção, uma ordem e uma se Stanley Jones, “Todas as vezes em
palavra profética ao mesmo tempo. que você se recusa a encarar a vida e
Porém, a perseverança ordenada os problemas, você enfraquece o seu
e a bênção predita possuem um con- caráter”. Um caráter fraco não gera
dicional muito claro. Várias vezes integridade e por isso o resultado do
neste texto temos uma pequena pa- seu serviço não permanece. Oremos
lavra que faz toda a diferença: “Se”. como João Wesley: “Oh, Senhor, não
“Se perseverar ele em cumprir os me deixe viver sem propósito”!
meus mandamentos e juízos”; “Se
o buscares, ele se deixará achar por Conclusão
ti; se o deixares, ele te rejeitará para A integridade é uma experiência que
sempre”. São os “ses” que nos expli- precisamos ter com o Espírito Santo,
cam a maneira de sermos fortes. A para não cairmos na tentação de fazer
força de que a Palavra fala é, portan- as coisas “como os fariseus hipócri-
to, a força de permanecer, persisten- tas”, com uma face pública e uma face
temente, nos propósitos divinos. privada. Nossa vida precisa ser impac-
Assim como no exercício físico, é a tante para as pessoas, a ponto de le-
força da perseverança que garantirá a vá-las a desejar uma experiência real
saúde e o vigor que impulsiona para com Cristo por meio daquilo que so-
obedecer ao serviço de Deus. E a pala- mos, fazemos e falamos. Isso só acon-
vra que Deus profere é, em si mesma, tece quando o Espírito Santo gera essa
a garantia do cumprimento. A nos- integridade em nós, por meio do arre-
sa parte é sustentar-nos firmes no pendimento e conversão genuínos.

LEIA DURANTE
BATE-PAPOtem A SEMANA**
rio
Nosso ministé Domingo: Mateus 6
vi do com
sido desenvol Segunda-feira: 1Crônicas 28
luz do que
integridade, à Terça-feira: Lucas 16.10-13
ue sinais
vimos hoje? Q Quarta-feira: Provérbios 28.5-7
isso? Há algo
apontam para Quinta-feira: 1Pedro 3.13-17
r ajustado?
que precisa se Sexta-feira: Miqueias 6.6-8
Como fazer?
Sábado: Salmo 25

*Esta lição é uma síntese adaptada da carta pastoral “Discípulas e discípulos nos caminhos da missão
servem com integridade”, do Colégio Episcopal da Igreja Metodista. Para conhecê-la na íntegra, acesse:
https://goo.gl/tHFLK9.
**Leia os textos desta seção durante a semana para fixar a lição de hoje. Faça isto semanalmente para cada lição.

ANDAR COM DEUS E FAZER O BEM 9


Objetivo
Refletir sobre o tema da Integridade, que permeia toda a revista, enfatizan-
do a importância de viver e servir a Deus com integridade, como fruto da
obra transformadora do Espírito Santo em nós.

Para início de conversa


Inicie a aula perguntando à classe: a) o que é integridade? b) Esse conceito
varia de tempos em tempos ou de lugar para lugar? c) Quais os “inimigos da
integridade hoje”? Procure anotar num quadro ou cartaz as respostas dadas
e introduza o tema da lição e da revista. Você pode ler com a classe a palavra
da redação para a revista do(a) aluno(a). Enfatize nesta introdução que em-
bora a integridade e os valores da Palavra de Deus sejam muito banalizados
hoje em dia, eles não são mutáveis e Deus espera que vivamos com integri-
dade a fé.

Por dentro do assunto


Esta lição é uma síntese adaptada da carta pastoral “Discípulas e discípulos
nos caminhos da missão servem com integridade”, do Colégio Episcopal da
Igreja Metodista. Procure lê-la na íntegra para facilitar sua compreensão
do assunto (disponível em: https://goo.gl/tHFLK9). Destacamos, da carta, al-
guns trechos:
“Os autores e autoras que abordam o tema da liderança nos advertem
de que todas as pessoas e instituições possuem valores. A questão é saber
se eles são bons ou não. O problema é que nem sempre os valores decla-
rados, aqueles que aparecem em nossas falas, cartazes e sermões, são os
valores reais. Dizemos que a oração é um valor, mas não oramos. Dizemos
que a evangelização é um valor, mas não evangelizamos. Portanto, desco-
brimos nossos valores olhando para aquilo que fazemos. Exemplificando
isso, alguém declarou: “As pessoas fazem o que elas valorizam e valorizam
o que fazem”. Um diagnóstico de nossas atitudes e práticas irá demons-
trar nossos valores atuais e um arrependimento profundo e verdadeiro
vai apontar as mudanças de valores a que o Espírito Santo nos quer con-

10 CRUZ DE MALTA | Professor(a)


duzir. Podemos definir nossos valores como nossas práticas e hábitos. Já
os princípios são verdades profundas, entendidas como autoevidentes.
Possuem um caráter coletivo, e são a causa primária de nossos valores, os
rudimentos, as origens que fundamentam nossas escolhas. Por exemplo, o
arrependimento é um princípio bíblico pelo qual os valores de uma comu-
nidade de fé se desenvolvem. As práticas de comunidade a comunidade
podem ser diferentes em alguns aspectos, mas sempre estarão de algum
modo conectadas pelo princípio e tenderão a aproximar-se em aspectos
comuns. Se fugirem demais, esses valores estarão em desconexão com o
princípio. Por este entendimento, podemos dizer que Jesus está colocando
nesse capítulo inteiro a integridade como valor frente ao princípio da sub-
missão a Deus e à sua vontade”.
“Temos o desafio de impactar, de fazer a diferença e levar a transfor-
mação do Evangelho aos confins da terra, por meio da salvação e da vida
abundante prometidas por Jesus. Porém, todos os dias, as igrejas ou seus
representantes são denunciados por envolvimentos em práticas frontal-
mente contrárias ao Evangelho que se propõem a pregar. O que está errado?
Wiersbe confronta:

Dizer as palavras certas, ter as credenciais certas, pregar sermões


de textos certos, ajudar pessoas com problemas, e até mesmo fazer
milagres jamais pode tomar o lugar de fazer a vontade de Deus. A tra-
gédia de hoje, porém, é que muitos não conhecem a diferença entre
realidade e fingimento; o que a maioria chama de bênção, pode ser, na
realidade, julgamento de Deus (WIERSBE, 1993, p. 17).

Construindo a nossa integridade: caráter como


inteireza de vida e testemunho vital
O famoso pregador Spurgeon escreveu: “Senhor, nos ajude não apenas a
sermos capazes de discernir a diferença entre o certo e o errado, mas, por
favor, nos ajude a discernir entre o certo e o quase certo”. Muitas vezes, a
sutileza das motivações interiores pode nos levar para longe do verdadeiro
serviço a Deus. Observe isso nos argumentos de Jesus: “Nem todo aquele
que diz a mim: ‘Senhor, Senhor!’ entrará no Reino dos céus, mas somente
o que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos dirão a mim na-
quele dia: ‘Senhor, Senhor! Não temos nós profetizado em teu nome? Em
teu nome não expulsamos demônios? E, em teu nome, não realizamos mui-
tos milagres?’ Então lhes declararei: Nunca os conheci. Afastai-vos da mi-
nha presença, vós que praticais o mal” (Mateus 7.21-23). Apesar de as obras

ANDAR COM DEUS E FAZER O BEM 11


exteriores apontarem uma fidelidade ao mandamento de Jesus, este, que
conhece as intenções, reprova as suas obras. É o mesmo ponto do texto de
Mateus 6, que podemos entender como: ‘Não basta fazer a vontade de Deus,
é preciso fazer do jeito de Deus’. Aquilo que move mais interiormente o ser
humano é a chave de relevância que faz toda a diferença, pois no Reino os
fins nunca justificam os meios. Em algum momento, as reais intenções de
cada atitude aparecem e a falta de integridade coloca tudo a perder: credibi-
lidade, resultados, expectativas, frutos... que não permanecem”.

Por fim
Trabalhe as questões do bate-papo e encerre a aula orando pela Igreja de
Cristo espalhada na Terra, para que o Espírito Santo capacite os filhos e filhas
de Deus a viver integramente como testemunhas verdadeiras do Senhor.

Bibliografia
IGREJA METODISTA. Colégio Episcopal. Discípulas e discípulos nos cami-
nhos da missão servem com integridade. São Paulo: 2017. Disponível em ht-
tps://goo.gl/NiNUxd. Acesso em 09/11/2017.
Dicionário de significados: https://goo.gl/fudE3h. Acesso em 09/11/2017.

ANOTAÇÕES

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Lição 02

ILUMINANDO
O OLHAR
Textos Bíblicos: Mateus 6.22-23 / Lucas 11. 34-36

“São os olhos a lâmpada do corpo...” Mateus 6.23

N
ossa maneira de ver o mundo, as pessoas e as circuns-
tâncias da vida podem determinar nossa qualidade de
vida e nossa relevância no mundo. Nossa visão – na-
tural e espiritual – precisa de cuidado. Aquilo que olhamos,
observamos, pode influenciar nosso interior, aproximando-
-nos ou afastando-nos da vontade de Deus. Olhar a vida sem a
graça e o amor de Deus pode nos levar por caminhos de dor e
morte. Por outro lado, quando esta graça nos ilumina o olhar
e o amor nos faz enxergar além das circunstâncias, caminha-
mos para a vida plena e abundante proposta pelo evangelho
de Cristo.

ANDAR COM DEUS E FAZER O BEM 13


A lâmpada do corpo considerando o fato de que os olhos
No tempo de Jesus os olhos eram con- são o órgão que recebe a luz. Se ele
siderados como janelas pelas quais o está sadio, receberá completamente
corpo tinha acesso à luz, e se eles fos- a luz e os seus efeitos farão bem ao
sem saudáveis o corpo receberia os corpo, mas se não estiver, receberá
benefícios que a luz pode trazer. Jesus parcialmente a luz, o que pode preju-
usou esse saber popular para ilustrar dicar todas as funções do organismo.
um ensinamento sobre a vida espi- Assim, é preciso cuidar de receber
ritual: assim como os olhos naturais totalmente a luz de Cristo e a men-
dão acesso à luz para o corpo, os olhos sagem do Evangelho, para enxergar
espirituais o fazem para o espírito. É com clareza e viver bem nessa terra,
preciso, pois, cuidar do olhar e atentar cumprindo os propósitos de Deus.
para o modo de ver a vida. Nos dois textos o que fica claro é:
No texto de Mateus Jesus usa esta usar bem os olhos e absorver a luz
expressão quando trata da relação é uma escolha pessoal; a saúde dos
humana com os bens materiais. Ele olhos espirituais depende do posicio-
está alertando sobre o perigo de dei- namento em relação à luz de Cristo.
xar que o apego às coisas materiais
dirija nosso olhar, o que pode tornar O olho mau e o olho bom
nossos olhos turvos para os valores O olho bom, simples ou sadio, é aque-
do Reino e a pureza de vida. le que consegue enxergar com foco.
“No olho da pessoa revela-se É sabido que não conseguimos en-
como ela se relaciona com a sua ri- xergar com nitidez em duas direções
queza (...) O olho pode, portanto, re- diferentes ao mesmo tempo. Então, o
velar a benção ou a desgraça que a “olho bom” – que pode ser traduzido
generosidade ou, respectivamente, também por perfeito – é aquele que
a ganância, trazem ao ser humano” recebe a luz de Cristo e foca nos va-
(RIENECKER, 1993, p. 112). lores do Reino, olhando para o alto,
Este princípio pode ser expandido sabendo que “toda boa dádiva e todo
para outros valores relacionados à dom perfeito são lá do alto, descendo
vida terrena: nosso olhar pode estar do Pai das luzes, em quem não pode
“embaçado” por egoísmo, vaidade existir variação ou sombra de mu-
pessoal, rancor, desejo de sucesso ou dança” (Tiago 1.17)
até mesmo religiosidade e legalis- Já o “olho mau” é aquele que se
mo – valores contrários aos do Reino direciona ao mesmo tempo para
– que ofuscam a verdadeira luz que mais de um objeto, ou seja, disperso,
pode iluminar nossa vida. que por isso coloca em risco o cor-
Em Lucas a mesma ilustração po. Outra alusão dentro da cultura
se apresenta em outro contexto, judaica pode ter o significado de

14 CRUZ DE MALTA | Professor(a)


“um espírito rancoroso ou invejoso” rentes áreas da vida. Diante de tantas
(TASKER, 1961, p. 61). fontes que hoje querem ser referen-
A mesma expressão usada neste ciais de como agir, do que vestir, do
texto para olho mau está em Mateus que ouvir e sobre o que falar, refe-
20.15, na parábola dos trabalhadores renciais estes que, às vezes, chegam
na vinha. Ao final da parábola, diante a afirmar que a Bíblia já não respon-
da murmuração dos que se sentiam de todas as demandas da juventude,
injustiçados, o dono da vinha declara: nós reafirmamos a importância da
“são maus os teus olhos porque eu Palavra de Deus como nossa “regra
sou bom?”. O sentido da expressão de conduta e fé.”
nos faz entender que um olho mau é Seguir os passos de Jesus: Ele
também um olho sem generosidade, mesmo disse: “Eu sou a luz do mun-
que não se conduz pela graça, mas do; quem me segue não andará nas
pelo legalismo e por um senso de trevas; pelo contrário, terá a luz da
justiça egoísta, que não usa de miseri- vida”. (João 8.12). Isso vai bem além
córdia em direção às outras pessoas. de ir à Igreja, envolve uma decisão
Essas colocações nos fazem perce- diária de viver sob a direção Senhor,
ber que precisamos conduzir nosso e buscando orientação do Espírito
olhar pela luz de Cristo, por sua graça Santo para nossas escolhas quanto à
e misericórdia, para fazer nossas es- profissão, namoro e casamento, pro-
colhas e conduzir nossos passos por dutos que vamos adquirir, lugares
ela, considerando sempre o Reino de que frequentamos. Mas tem também
Deus que é “justiça, e paz, e alegria no a ver com seguir o exemplo de Jesus
Espírito Santo.” (Romanos 14.17), um no trato com as pessoas, olhando-as
Reino que leva em conta o próximo, com amor e compaixão, reconhecen-
que tem valores eternos e não se li- do que todas elas são alvo do amor de
mita à vida terrena. Deus e que podemos ser instrumen-
tos da Graça para ajudar em suas ne-
Como iluminar o olhar cessidades e anunciar o amor e poder
A Bíblia traz muitos textos a respeito de Deus. Como Jesus, devemos tam-
da luz e do olhar. Eles apontam pelo bém promover a paz e a justiça e de-
menos duas direções para manter nunciar a injustiça. Isso vai colaborar
um olhar sadio: para que outras pessoas tenham a sua
Buscar orientação na Palavra e vi- visão restabelecida.
ver pelos seus princípios: A Palavra é
“lâmpada para os pés” e “luz para os Luz que ilumina
caminhos”. (Salmo 119.105). Mais do Em Lucas Jesus conclui sua fala so-
que conhecê-la, é preciso orientar-se bre os olhos dizendo: “Se, portanto,
por ela nas ações e reações nas dife- todo o teu corpo for luminoso, sem

ANDAR COM DEUS E FAZER O BEM 15


ter qualquer parte em trevas, será propósito da nossa existência: andar
todo resplandecente como a can- na luz, ter plena comunhão com o
deia quando te ilumina em plena corpo de Cristo, sendo “... irrepreen-
luz.” (v.36). Entendemos então que síveis e sinceros, filhos de Deus in-
é possível viver plenamente na luz culpáveis no meio de uma geração
do Senhor, a ponto de resplandecer pervertida e corrupta, na qual res-
e iluminar também ao nosso redor, plandeceis como luzeiros no mun-
como o próprio Jesus falou: “Assim do” (Filipenses 2.15).
brilhe também a vossa luz diante
dos homens, para que vejam as vos- Conclusão
sas boas obras e glorifiquem a vos- Diante de tantas luzes que atraem e
so Pai que está nos céus.” (Mateus até ofuscam nosso olhar, Deus nos
5.16). A luz de Cristo ilumina nos- chama para seguir na luz de Cristo e
sa vida para trazermos luz para o da Palavra, e ser luz nessa terra, parti-
mundo, através de ações que façam cipando da missão com caráter san-
diferença na construção de uma to, ética e integridade. Nas próximas
sociedade mais ética, solidária e lições veremos aspectos práticos
comprometida com a vida. Este é o dessa caminhada.

LEIA DURANTE
A SEMANA
BATE-PAPOetos
ncr Domingo: Mateus 6.22-23 / Lucas 11.34-36
Que passos co
para Segunda-feira: Salmo 123 1-2
podemos dar
o olhar aos Terça-feira: Provérbios 4.18-27
alinhar noss
issionários Quarta-feira: Filipenses 2.12-16
propósitos m
de Deus? Quinta-feira: Mateus 5.14-16
Sexta-feira: Salmo 19.7-11
Sábado: Provérbios 3

16 CRUZ DE MALTA | Professor(a)


Objetivos
Refletir sobre a forma de olhar a vida a partir da Palavra de Deus; mos-
trar a Palavra de Deus como determinante para a nossa forma de viver;
reafirmar a importância de crer na Graça de Deus e na transformação do
ser humano.

Para início de conversa


Faça com a classe o seguinte exercício: Todos e todas devem olhar para a
frente, fixando os olhos num ponto da sala (você pode colocar uma figura ou
cartaz afixado na parede como referência). Com os olhos fixos no ponto de
referência, peça que três ou quatro pessoas se voluntariem para descrever
com o maior detalhamento possível a roupa da pessoa que está à sua direita
ou esquerda. O olhar não pode se desviar da frente. Todos devem fazer esse
exercício, mesmo que não falem. Terminando a atividade, comente sobre as
dificuldades encontradas e introduza o tema da lição apontando para o fato
de que Deus nos chama para olhar firmemente para Ele e a partir de sua
orientação dirigirmos nosso olhar ao próximo.

Por dentro do assunto


No texto de Mateus sobre “o olho bom e o olho mau”, está num contexto de
ensino sobre a relação com o dinheiro. Antes dele Jesus alerta para não acu-
mular tesouros na terra (vv.19-21) e logo em seguida afirma que não se pode
servir a Deus e a Mamom (do aramaico Mamon = riqueza, bens terrenos,
dinheiro; do hebraico “o que se armazena”, a personificação da riqueza), tra-
zendo também a orientação de buscar em primeiro lugar o reino de Deus e
não andar ansiosos pela comida ou vestes, visto que o Pai celeste sustenta
seu povo (vv. 24-33). Assim, no olhar da pessoa revela-se como ela se relacio-
na com a sua riqueza, obtendo dela a bênção ou a maldição.
A ligação entre o olhar e o dinheiro se encontra no mesmo sentido em
Mateus 20.15: “são maus os teus olhos porque eu sou bom?” – expressão do
final da parábola dos trabalhadores na vinha, que retrata a posição do dono
da vinha que resolve pagar o mesmo valor para os que começaram a traba-
lhar no início do dia e os que começaram a jornada em diferentes períodos
do dia, trabalhando menos que os primeiros. Esta decisão gera, segundo a

ANDAR COM DEUS E FAZER O BEM 17


parábola, murmuração entre os que trabalharam o dia todo, que se senti-
ram injustiçados mesmo tendo recebido o que estava combinado. Aqueles
homens tinham o “olho mau”, isto é, viam com um senso de justiça egoísta,
sem misericórdia. Este é um olho que “não pode ver a beleza da graça. Ele
não pode ver o brilho de generosidade. Ele não pode ver bênção inesperada
para os outros como um tesouro precioso. É um olho que é cego para o que
é verdadeiramente belo e brilhante e precioso e divino. É um dos olhos do
mundo. Ele vê o dinheiro e recompensa material como mais desejável do
que uma bela exibição da livre, graciosa, generosidade Divina” (John Piper).
Já no evangelho de Lucas, o contexto é de como as pessoas recebem o
Evangelho. Sendo assim, a luz parece referir-se à manifestação do evange-
lho e Jesus é aquele que acende a lâmpada. “A palavra candeia (lâmpada) é
usada em dois sentidos nos versos 33 e seguintes. O discípulo deve deixar
que a sua lâmpada receba a luz daquela lâmpada; e assim, se o indivíduo não
é iluminado por aquela fonte, toda a sua vida é afetada. Os olhos sem dúvida
representam o valor principal no coração” (ASH, 1980, p. 202).
Esta luz recebida, por sua vez, precisa brilhar, ser colocada no alto para
iluminar os arredores. Ou seja, a luz que recebemos de Cristo deve não só
iluminar nossas escolhas e existência, mas também ser exposta para trazer
luz a quem ainda vive em trevas.
Para isso, os valores que nos dirigem não podem ser os materiais, pas-
sageiros, que se limitam a esta vida. Ao contrário, nossas ações e reações
devem ser pautadas na luz da Palavra e do Espírito, gerando ações de amor e
cuidado, como fruto de um coração iluminado pela Graça.

Por fim
Faça um quadro com as sugestões levantadas no Bate-papo e peça que cada
aluno e aluna escolha três passos dos levantados para começar a colocar em
prática. Eles devem ser anotados e colocados em um lugar onde sejam sem-
pre vistos para lembrar o desafio de caminhar na direção da luz de Cristo e
dos propósitos de Deus. Ore para que todos e todas alcancem seus objetivos
nesta direção.

Bibliografia
ASH, Anthony Lee. O Evangelho Segundo Lucas. São Paulo: Ed. Vida Cristã, 1980.
PFEIFFER, Charles F.; VOS, Howard F. &REA, John. Dicionário Bíblico
Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
RIENECKER, Fritz. Evangelho de Mateus. Comentário Esperança.Curitiba:
Ed. Evangélica Esperança, 1993.
PIPER, John. O que são os olhos maus em Mateus 6. 23? Disponível em: ht-
tps://goo.gl/MeX2r2. Acesso em 20/10/2017.

18 CRUZ DE MALTA | Professor(a)


Lição 03

O FRUTO DO ´
´
ESPIRITO

EM NOS
Texto bíblico: Gálatas 5.16-23

“Contra estas coisas não há lei...” v.23b

A
o convidar as pessoas para se tornarem seus discípu-
los e discípulas, Jesus sempre enfatizava: Segue-me.
Esse seguir a Cristo deveria ser muito mais do que ir
onde o nosso Senhor fosse, mas seguir seus ensinamentos
e vivê-los, a exemplo da própria vida do Mestre. Ainda hoje
este é o nosso desafio, e para que tenhamos êxito, o Senhor
nos deixou seu Espírito. Desta forma, ao nos deixarmos guiar
por Ele, nosso modo de agir e nosso caráter são gradualmen-
te transformados e o fruto de sua presença se torna visível
em nossa vida.

ANDAR COM DEUS E FAZER O BEM 19


Andar no Espírito para então, andar no Espírito para não se
vencer a carne deixar dominar por elas.
Paulo mostra a necessidade de viver
no Espírito a partir da constatação O que é o fruto do Espírito
da influência dos desejos carnais. O fruto é o resultado da ação do
Nesta carta aos Gálatas, ele procura Espírito Santo de Deus em nós. O
trazer respostas e orientações a par- que essa presença ativa promove
tir de informações recebidas sobre em nós são virtudes pelas quais
seguidores da fé judaica que disse- conseguimos resistir às tentações
minavam dúvidas no meio da igreja, da carne.
“pervertendo o evangelho de Cristo” Estas virtudes se revelam em ati-
(1. 6-7), insistindo na continuação da tudes pelas quais manifestamos dian-
observância das leis de Moisés. te do mundo o caráter do Deus nos fez
Antes de tratar da vida no Espírito, seu povo exclusivo (1Pedro 2.9-10).
Paulo expressa sua preocupação com Paulo utiliza a palavra “fruto” e
o aparente retrocesso dos Gálatas não “obra”, o que indica que tais ati-
quanto aos princípios do Evangelho tudes são resultado da presença e
(v.7). Ele trabalha na carta o papel da ação do Espírito em nós, e não sim-
lei diante da Graça e da fé (3.11-22), ples atos da vontade humana. Não
e sua função nos conduzir a Cristo, é mera ação, é virtude! É resultado
através de quem somos feitos filhos de uma disposição transformada de
e filhas (4. 3-7). Trata também da li- agradar a Deus em tudo. O Espírito
berdade que Cristo conquistou para Santo nos capacita para viver den-
seu povo e alerta que esta liberdade tro dos propósitos e exigências do
não pode ser usada para dar ocasião Evangelho sem que isso se torne
aos desejos da carne, o que só é possí- um peso, pois gera uma mudança
vel andando no Espírito (5.16). no nosso caráter, de modo que con-
O apóstolo apresenta então uma seguimos vencer nossas inclinações
relação de quinze atitudes carnais naturais para o pecado.
(paixões humanas), que indicam Devemos notar que o fru-
nossa inclinação para a prática do to do Espírito é apresentado em
pecado: prostituição, impureza. las- contrapartida às obras da carne.
cívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, Anteriormente Paulo afirma: “andai
brigas, ciúmes, acesso de raiva, am- em Espírito e jamais satisfareis à con-
bição egoísta, desunião, inveja, divi- cupiscência da carne” (v. 16). Sendo
sões, bebedices e glutonarias. Para assim, prostituição, lascívia, inimiza-
todas estas obras, a afirmação: Não des, ciúmes, discórdias, bebedices, e
herdarão o Reino de Deus os que todas as demais obras da carne, que
tais coisas praticam (5.21). É preciso, no fundo são práticas que buscam

20 CRUZ DE MALTA | Professor(a)


satisfazer nossa natureza humana profetas (Isaías 61.10), e outros au-
(e por sinal não conseguem, geran- tores bíblicos (Romanos 5.1-5, 14,7;
do um descontentamento cada vez Tiago 1.2-3). Note-se que esta alegria
maior em nós e ferindo as pessoas não é proveniente de situações agra-
ao nosso redor), podem ser vencidas dáveis apenas, mas de uma convicção
por este fruto bendito, o resultado da da presença de Deus e do seu poder
presença do Espírito Santo em nós. de fazer todas as coisas cooperarem
para nosso bem. Essa alegria não se
Contentamento e realização explica bem. Ela é sentida por aque-
Dentre estas virtudes, destacamos les e aquelas que se rendem à ação do
nesta lição o amor, a alegria e a paz. Espírito Santo em suas vidas. Esta ale-
Estas três virtudes geradas em nós gria pode e deve ser compartilhada!
através do Espírito de Deus são ver- A paz é outra necessidade humana
dadeiras dádivas que nos trazem que é suprida pela presença do Espírito
realização e contentamento. Não é Santo. Nós precisamos de paz em três
esta afinal a busca e o anseio da hu- aspectos: a paz espiritual, que é a paz
manidade: receber amor, ter alegria e com Deus (Romanos 5.1); a paz emo-
paz? Não é esta a razão pela qual mui- cional, que é a paz de Deus, um senti-
tas pessoas se entregam aos desejos mento interno de bem-estar e ordem
carnais, ainda que os prazeres da car- (Colossenses 3.15), e a paz nos relacio-
ne sejam ilusórios e momentâneos? namentos, que é o que a Bíblia cha-
Pois Deus nos dá gratuitamente es- ma de paz com as pessoas (Romanos
tas dádivas pelo Espírito e espera que 12.18). A paz nos relacionamentos re-
compartilhemos também na convi- duz conflitos. Esta paz do Espírito que é
vência com as pessoas, dentro e fora completa nos dá tranquilidade diante
da comunidade de fé. dos problemas e a serenidade neces-
Através da ação do Espírito em sária para enfrentá-los.
nós somos capazes de amar e receber
amor. Não um amor qualquer, mas Desafio para a vida
aquele descrito em 1Coríntios 13: pa- Diante de tamanha bênção que nos
ciente, altruísta, honesto, bondoso, é concedida, somos desafiados e de-
que não é ciumento nem se porta in- safiadas a viver e andar no Espírito
convenientemente, um amor que ja- (v.25) e, ao invés de viver correndo
mais acaba. atrás de prazeres que não podem
Também é só através do Espírito satisfazer de fato, investir tempo na
que podemos nos alegrar mesmo comunhão com o Espírito Santo atra-
diante das dificuldades, como vi- vés da oração e estudo da Palavra, da
veu e expressou o salmista (Salmo convivência com pessoas de fé, no
16.8-9; 28.7; 30.5, entre outros), os caminho do discipulado.

ANDAR COM DEUS E FAZER O BEM 21


Uma vez que o amor não é egoís- mos às paixões humanas, e vamos
ta, Deus nos chama a demonstrar agradar a Deus e honrar seu nome.
estas virtudes em atitudes concre-
tas diante das pessoas e na direção Conclusão
delas. Podemos agir com amor, mes- A humanidade está carente de amor,
mo diante de atitudes que nos desa- alegria e paz, porque não tem olhado
gradam. Se temos alegria, podemos para Deus. Como cristãos e cristãs,
consolar os que choram. Se temos a somos chamados e chamadas a vi-
paz, podemos ser pacificadores e pa- venciar essas virtudes no nosso dia a
cificadoras. Precisamos reconhecer, dia, junto a todas as pessoas, para que
porém, que isto só é possível se vi- elas vejam Cristo em nós e através de
vermos na dependência do Espírito e nós possam experimentar a Graça.
realmente nos deixarmos guiar por Esta vivência vai desde o ambiente
Ele. Este é o desafio do Evangelho, e familiar, passa pela comunidade de
buscando estas coisas, não cedere- fé e se estende para o mundo.

LEIA DURANTE
BATE-PAPOressar A SEMANA
os exp
Como podem
gria e a paz Domingo: Gálatas 5.16-23
o amor, a ale
s círculos de Segunda-feira: Efésios 5.1-11
nos diferente
que temos? Terça-feira: 1Coríntios 6.12-20
convivência
ja, como Quarta-feira: Gálatas 5.1-15; 25-26
E como Igre
ifestar estas Quinta-feira: Romanos 5.1-11
podemos man ssa
a além da no Sexta-feira: Gálatas 2.16-21
virtudes par
?
comunidade Sábado: 1Coríntios 13

22 CRUZ DE MALTA | Professor(a)


Objetivos
Refletir sobre a importância da vida de santidade e o valor do fruto do
Espírito na luta contra as obras da carne; abordar as características do amor,
paz e alegria como dádivas que nos trazem realização e contentamento pes-
soal, fortalecendo contra as obras da carne que propõem prazer temporário.

Para início de conversa


Use a técnica da Tempestade Cerebral descrita no final da revista para verifi-
car o conhecimento prévio da classe sobre o fruto do Espírito. Após anotar as
contribuições do grupo, introduza o tema, que será estudado em duas aulas.
Destaque que embora no senso comum a palavra fruto seja usada como pro-
duto da árvore, no texto aos Gálatas, ela é usada com o significado de conse-
quência (resultado) da presença do Espírito Santo em nós. Verifique que essa
é uma das definições da palavra nos dicionários da língua portuguesa.
O Dicionário Bíblico Wycliffe (p. 824) traz a seguinte definição: “O ‘fruto
do Espírito’ são os hábitos e princípios misericordiosos que o Espírito Santo
produz em cada cristão (Gl 5.22-23; Ef 5.9). Assim, neste sentido, pode-se di-
zer que o ‘fruto’ é o resultado total que procede de qualquer ação ou atitude
específica”.
Sugerimos que você leia as duas lições antes de ministrar a primeira
aula, para ter uma ideia do conteúdo geral do assunto.

Por dentro do assunto


Quando o apóstolo Paulo escreveu essa carta às igrejas da Galácia (v. 1.2),
tinha uma grande certeza em seu coração: a de que Cristo nos libertou
para sermos livres e não devemos mais voltar ao jugo da servidão (v. 5.1).
Essa certeza também refletia uma preocupação (vv. 4.19-20), pois o povo
cristão destas igrejas estava pensando em abandonar a fé e voltar às anti-
gas práticas (v. 5.7).
Paulo tinha sido informado de que algumas pessoas de origem judaica es-
tavam visitando as novas igrejas e disseminando dúvidas no meio do povo (vv.
1.6-7), apresentando, inclusive, questionamentos acerca do seu apostolado

ANDAR COM DEUS E FAZER O BEM 23


(vv. 1.10-12). Estes afirmavam que a fé verdadeira só era válida se mantivesse
o rigor da observância das leis de Moisés. Diante disto, o apóstolo exorta os
Gálatas que voltar a tais práticas era rejeitar a liberdade conquistada por
Cristo, por meio do sacrifício da Cruz (vv. 3.1-5).
Estes fatos levaram o apóstolo a falar-lhes acerca da natureza humana, da
luta que se dá no interior de toda pessoa cristã, quando a natureza terrena
(carne) e a natureza divina, gerada pelo Espírito, entram em conflito (v. 5.17).
Assim, Paulo apresenta uma relação de quinze atitudes carnais, ou atitudes
de natureza humana. Estas atitudes mostram a nossa inclinação para a prá-
tica do pecado, quando na verdade nossa inclinação deveria ser para uma
vida com Deus no Espírito.
As três primeiras obras da carne – prostituição, impureza e lascívia – di-
zem respeito às antigas práticas que os gálatas tinham antes de ser alcança-
dos pelo evangelho de Cristo, contrárias à proposta de santidade, voltadas
para o prazer do corpo. A lista aumenta: Idolatria, feitiçaria, inimizades, bri-
gas, ciúmes, acesso de raiva, ambição egoísta, desunião, inveja e divisões.
Estas, inimigas dos relacionamentos entre o povo de Deus. E por fim, bebe-
dices e glutonarias, que também eram práticas dos cultos pagãos e afetam o
corpo físico, na busca de satisfação. Para todas estas obras a afirmação: “Não
herdarão o Reino de Deus os que tais coisas praticam” (v. 5.21).
A expressão grega “obras da carne” que Paulo apresenta neste texto (vv.
5.19-21), não se refere ao corpo humano, que é bom e é transformado em
templo do Espírito Santo (1Co 6-19), mas diz respeito à inclinação humana
para a prática do pecado. A vida no Espírito é a única maneira de resistir às
tentações carnais (Gl 5.16).
Ao demonstrar que tais obras da carne não devem dominar nossa vida, o
apóstolo apresenta uma lista de virtudes, que são fruto do Espírito (resulta-
do da vida no Espírito), e encerra afirmando que não é pelo rigor da lei que
se pratica estas virtudes (vv. 5.23b), mas tudo é resultado da nova vida em
Cristo (v. 5.24) e do mover do seu Espírito em nós (v. 5.25).
Amor, alegria e paz são as primeiras virtudes descritas na lista de caracte-
rísticas que o Espírito produz. Elas são dádivas de Deus para nós, que nos tor-
nam realizados e realizadas nesta vida, mas ao mesmo tempo, são virtudes
que também se direcionam de nosso coração para Deus, “pois o primeiro
amor do cristão é o seu amor a Deus, sua principal alegria é a sua alegria em
Deus e a sua mais profunda paz é a sua paz em Deus” (STOTT, 2000, p.135).
“O amor faz a abertura, porque Deus é amor. No entanto, o amor perma-
nece presente até o fim da lista, de sorte que o resultado é um desdobramen-
to do amor em nove aspectos. P. Burckhardt tenta fazer justiça à unidade

24 CRUZ DE MALTA | Professor(a)


dessa multiformidade, da seguinte maneira (p. 86, citações com pequenas
alterações): alegria como amor que jubila, paz como amor que restaura...”,
(Pohl, 1999, pp. 127-128).
A pessoa que possui tais virtudes não precisa viver atrás de satisfazer as
paixões da carne, pois tem em si o amor do Pai, a alegria verdadeira e a paz
que excede o entendimento. Não se trata mais daquilo que não podemos
fazer, mas do que não precisamos fazer, pois temos a satisfação que vem de
viver com Cristo.

Por fim
Ao final da aula, desafie cada aluno e aluna a pensar em quais tem sido os
“ladrões” da paz, alegria e amor em suas vidas e convide-os para um mo-
mento de oração em que as dificuldades sejam apresentadas a Deus, pedin-
do que Ele manifeste essas virtudes do Espírito em cada vida.

Bibliografia
ALBRECHT, Astor. Gálatas 5.1,13-25: A dádiva de andar com Deus. Auxílio
Homilético. Proclamar Libertação: Editora Sinodal. 2015, Vol. 40. Disponível
em: https://goo.gl/F8wwjJ. Acesso em 11/10/2017.
BÍBLIA. Português. Bíblia de Estudo Almeida. (RA). Barueri: Sociedade
Bíblica do Brasil,1999.
GIESE, Nilton. A natureza humana e os frutos do Espírito de Deus. Disponível
em: https://goo.gl/ZxqozK. Acesso em 09/10/2017.
IGREJA METODISTA. Revista Cruz de Malta: Por uma Igreja fiel a Palavra.
Revista do/a aluno/a. São Paulo: 2012.
PFEIFFER, Charles F.; VOS, Howard F. &REA, John. Dicionário Bíblico
Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
POHL, Adolph. Carta aos Gálatas. Comentário Esperança. Curitiba: Ed.
Evangélica Esperança, 1999.
STOTT, John R. W. A mensagem de Gálatas. São Paulo: Abu Editora, 2000.

ANOTAÇÕES

ANDAR COM DEUS E FAZER O BEM 25

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