Você está na página 1de 16

Curso de Licenciatura em Música A forma de estrutura tonal utilizada na música árabe é definida pelo

Professora: Mônica Zewe Uriarte maqamat, quanto ao ritmo da música árabe é regido pelo canto (wazn),
dando a combinações de batidas acentuadas e não-acentuadas e descansos
Disciplina: Fundamentos da Educação Musical
intercalados. A música egípcia é composta a partir da escala frígia
Data: abril de 2018.
dominante, a escala frígia, escala harmônica lídia. A escala frígia dominante
pode, muitas vezes, apresentar uma nota alterada para criar tensão. Por
exemplo, a música poderia ser na chave de E frígio dominante usando as
notas E, F, G afiada, A, B, C, D e depois ter uma afiada A, B, A afiada, G e
Cronologia da Educação Musical: Educação Musical no Brasil. E naturais para criarassim a tensão
PRIMEIROS REGISTROS (aprox. 60000 a. C. à 500 d. C.) IMPORTANCIA DA MÚSICA NO ANTIGO EGITO

A MÚSICA NO EGITO A música era muito importante em rituais e celebrações para com os
sacerdotes, era muito manifestado em oferenda para deuses junto da dança
Acredita-se que a música nasceu no Antigo Egito tendo origens muito em templos celebrações ou antes de batalhas.
remotas, através de alguns afrescos em templos e túmulos, podemos ver
como os instrumentos musicais tiveram sua evolução e desenvolvimento e Abaixo podemos ver a pintura de um conjunto musical da época
o uso da música pela civilização egípcia. Existem representações em
pinturas de alguns grupos musicais (com cantores arpas e flautas) , porem
não existem registros de teoria musical ou formas precisas de escalas da
época pois os instrumentos encontrados não possuem afinações precisa.
Afrescos indicam que os músicos da época não eram valorizados, sendo
sempre representados nas pinturas ajoelhados, em uma posição subalterna
dando a ideia de submissão.

PROFESSORES NO EGITO

A música no Antigo Egito não era grafada como conhecemos hoje por
tanto, não se tem muitos registros de como era ensinada, acredita-se que
por ser muito utilizada em cultos aos deuses como a deusa Isis, a música era
oralmente ensinada, com muito improviso solos e canto entre outros.

FORMA DE COMPOSIÇÃO EGIPCIA ALGUNS INTRUMENTOS DA EPOCA DO ANTIGO EGITO


Antigo Egito teve sua decadência junto com o império, sofrendo influência
dos gregos e romanos.

Fonte:
http://f1colombohistoriando.blogspot.com.br/2012/04/musica-no-egito-
antigo.html
https://www.youtube.com/watch?v=G5C6L2IjvLo

Música na CHINA (aprox. 6000 a. C.)

A China sempre foi uma civilização muito rica em uma tradição culinária,
conhecimento, poder de guerra (como a muralha da China e as artes
marciais), conhecimento filosófico como os ensinamentos de Confúcio, e
principalmente a rica tradição e herança deixada para nós que é a música.
fontes https://construindohistoriahoje.blogspot.com.br

https://pt.wikipedia.org Confúcio

http://f1colombohistoriando.blogspot.com.br/ Confúcio foi um grande ensinador e influênciador dentro da cultura


chinesa, para ele a música não era apenas para entretenimento, mas também
um ideal maior da sociedade. Confúcio afirmava que " um educado
Pesquisa de Luis Eduardo sobre música no Egito começa nos ritos, se aprimora na poesia e se completa na música".
Tornando assim a música como um conhecimento elevado como um
conceito de seus ensinamentos.
Através de afrescos em museus por todo o mundo é facilmente comprovada Assim a música estava presente nos ritos, cerimônias, festas e eventos
a importância da música no Antigo Egito, devido a quantidade de de guerra.
instrumentos musicais pintados como por exemplo harpas e flautas,
acreditasse que estes instrumentos tem origem da suméria, e até existe uma Óperas Chinesas
história de que um de seus deuses “Osíris” desejava civilizar o povo através
da música, embora nenhum registro escrito sobre a forma de manuseio Com o conceito de que a música tinha a função de purificar os
destes instrumentos tenha sido encontrado a cultura da música é presente pensamentos, e não simplesmente para entretenimento existiu também as
desde celebrações com dança até em templos e tumbas, inclusive muitos óperas que eram puramente para entretenimento destacando-se a ópera de
destes artefatos foram encontrados em tumbas do vale dos reis em Pequim e de Sichuan.
escavações, devido estes não terem afinação fixa não podemos ter ideia de
escala musical do antigo povo.
A origem da música no Antigo Egito pode ser tão remota como a da Instrumentos
Mesopotâmia. Logo depois com invasões frequentes a cultura da música no
Foi na Grécia Antiga que se deu o início do processo da educação
Seus principais instrumentos era o King (de percussão) e o Kin (de musical. Lá surgiu Pitágoras que era um matemático e um importante
cordas). Porém foram encontrados no ano de 1996 em um túmulo na filósofo, ele também foi um gênio da música, ele descobriu notas e
Província de Henan (ou Ho-nan) da República Popular da China, os mais intervalos músicas. Ele também criou o monocórdio (que fundiu na época a
antigos instrumentos da civilização chinesa, que são 16 flautas de ossos. matemática e a música).
Estimada em 8 e 9 mil anos de idade e a maioria com 7 furos. O monocórdio, como diz o nome, é um instrumento musical de uma
corda só, era basicamente uma corda esticada em um pedaço de madeira. A
partir desse instrumento que foi criada as primeiras escalas músicas.
Escala Pentatônica Platão também surgiu na Grécia Antiga, ele foi um filósofo grego que
falou sobre a estética e a ética a respeito da música em muitos de seus
A escala pentatônica foi a maior herança musical que a china deixou ao textos. Na verdade a sua preocupação central era a formar o homem para
mundo, por ela foram criadas diversas canções como por exemplo Isn´t uma sociedade ideal: “para ele o ideal da educação não era formar o cidadão
Lovely de Steve Wonder, dentre outros grandes títulos. Influênciou no para si mesmo, mas formar o cidadão para a polis”.
ocidente o Blues, Rock, Pop, Jazz e a música brasileira num todo. Existindo Para Platão a arte tinha potencial para tornar o homem divino, mas não
2 variações entre Pentatônica maior ( C D E G A) e pentatônica menor (A C qualquer arte, e sim uma arte que deveria submeter-se a filosofia, que era a
D E G). aplicadas nos acordes de diversas variações. única capaz de alcançar a verdade. Para ele a música dava seu praticante
noções de ritmo e harmonia, afetando-o com o mais profundo ideal de
Fontes: beleza e perfeição. A educação musical, portanto, contribuiria para a
- Música tradicional Chinesa. Texto de Christine Marote. formação do caráter dos cidadãos. E para a vida humana ser plena, precisa
(chinaminhavida.com/2016/10/05/musica-tradicional-chinesa/) de ritmo e harmonia por isso a música ocupava uma posição diferenciada
- A música Chinesa na história. Texto de Ana Luiza Garcia Lachner. com relação as outras Artes.
(www.chinalinktrading.com/blog/musica-chinesa/) Quanto a educação musical Platão define dois aspectos: um intelectual e
outro emocional. A finalidade da educação musical seria “ infundir na
educação um espírito de ordem e desenvolver o verdadeiro amor a beleza”.
Platão também procurava determinar quais eram as harmonias mais
Música na GRÉCIA (aprox. 2700 a.C.) adequadas para a educação, ele também acreditava que a uma sociedade em
declínio é uma sociedade onde se abandonou a educação musical.
Ensino Musical na Grécia Antiga Também tinha Aristóteles onde a música também foi alvo de suas
A Grécia foi praticamente o berço da música a própria palavra música reflexões, assimilando-a a formação do ser e a disciplina, como proposta
nasceu na Grécia onde “Mousikê” significava a “arte das musas” ( As por Platão. Contudo na sua concepção ele também valorizava a música
musas eram filhas de Zeus, que segundo a lenda protegiam as Artes, as como parte do entretenimento e do lazer.
Ciências e as Letras). Sendo assim, nas escolas a educação musical era dada pelo mestre de
Para os gregos que viviam na época de 1200 á 800 a.C., a música foi cítara, que além de ensinar a prática instrumental, cuidava para que as
criada pelos Deuses e detinham poderes mágicos, devendo estar presente crianças não precisassem de nada de mal, e ensinava também os versos de
sempre nas cerimônias religiosas, nos jogos olímpicos, nas festas cívicas, poetas melódicos para que com a ajuda do ritmo e harmonia, tornar as
em ocasiões de entretenimento e até em outras representações artísticas. crianças mais mansas e harmoniosas.
Os instrumentos principais da época eram as cítaras, as listas, e os aulos, rico para estudos e que podem ser aplicados em vários instrumentos e
e como eles ligavam a música aos Deuses, a cítara era ligada a Apolo, e o estilos musicais
aulo a Dionísio. Havia também uma lenda em que Hermes teria construído a
lira para dar Apolo em troca gado que ele havia roubado. GUIDO D’AREZZO (aprox. 992 – 1050)

Outra pesquisa sobre a Música na Grécia: Guido D’Arezzo foi um monge beneditino italiano que nasceu no ano de
992 d.C. Era regente do coral da cidade de Arezzo (Toscana). Este homem
A palavra música foi criada na Grécia, onde música traduzido para o grego foi importante na história da música mundial pois ele formou a notação
era “Mousikê”, que significava “A arte das musas”, musas eram entidades moderna com a criação do tetragrama, que é o sistema de notação musical
que tinham a capacidade de inspirar a capacitação artística e científica. Essa com quatro linhas e três espaços (ainda hoje usado em corais de canto
arte não só abrangia música mas também a poesia e a dança, tudo era gregoriano). Guido D’Arezzo também batizou as notas musicais com os
praticado de modo integrado onde todos atuavam juntos. A música na nomes que as conhecemos hoje (dó, ré, mi, fá, sol, lá, si) de acordo com o
Grécia antiga era um fenômeno de origem divina, eles acreditavam que a hino de São João Batista.
música estava ligada a mitologia e à magia, alguns instrumentos e modos
eram associados especificamente a algumas divindades, cada instrumentos
para um deus, e assim também com os modos.

O sistema educacional da Grécia é conhecido através da palavra Paideia,


que significa “criação de meninos”, esse termo apresenta a idealização da
época que tinha como objetivo e foco central o cuidado com o corpo e com
o espírito. Como uma das maneiras e formas de trabalhar o espírito a música
foi inserida nesse meio e ocupou um lugar de destaque no ensino grego.

Desde a infância as crianças aprendiam a tocar instrumentos que tinha como


objetivo formar uma mente consistente, para entender a necessidade da
música estar presente no meio social. Essa necessidade de ensinar música
para as crianças era porque a música fazia parte da rotina do povo grego, ela
estava presente em tudo, festividades, competição musical, cultos religiosos, https://www.youtube.com/watch?v=jo6trJ-sQ0k
acompanhamento nas atividades esportivas como forma de sincronizar os
movimentos. A música da Grécia antiga não conseguiu manter uma A “mão guidoniana” foi uma outra invenção do monge. Foi um método
continuidade até os dias de hoje, mas não deixou de exercer influência na utilizado para indicar a altura das notas a serem entoadas a partir de gestos
cultura romana, passando para a idade média através da teoria, com suas com a mão, com o intuito de levar memorização das alturas e facilitar o
escalas, modos e noções de harmonia. canto.
Nos tempos atuais a teoria musical grega, ainda sim é muito utilizada em
escolas de músicas, faculdades e cursos online, pois tem um material muito
HUMANISMO (aprox. 1434-1527)

O humanismo teve início na antiguidade, na Grécia e Roma


principalmente, que foi o momento onde se desenvolvia uma racionalidade
muito grande dentro das artes, e depois veio o humanismo da renascença,
que trouxe também o antropocentrismo.

É uma corrente bem valorativa, afetando essencialmente a música


gospel, onde trocavam a valorização de Deus, pelo enaltecimento do
homem.

Valoriza-se mais a composição com fim artístico. Na formação dos


alunos a conseqüência é que os mesmos passam a estudar numa espécie de
internato de professores, o que permite o fortalecimento da relação
mestre/aluno. Nesta época as áreas da aprendizagem foram ampliadas
incluindo estudos seculares que foram negligenciados nos séculos Cristãos
anteriores, e houve uma tendência para usar esses estudos em benefício do
Homem no seu mundo assim como na sua salvação no outro mundo.

No final da Idade Média e início da Idade Moderna, foi o período


compreendido entre os Séc. XV e XVI, onde estudiosos da cultura clássica,
de vários setores da sociedade, alguns ligados a Igreja e outros a Ciência,
iniciaram um processo de mudança dos valores do humano, ou melhor, do
próprio Ser Humano, do cidadão senhor do seu próprio destino, e que
aliados ao fortalecimento da burguesia através do comércio, impulsionaram
de uma forma lenta e gradativa, a mudança dos costumes medievais.

Em meio a estas mudanças, a música deixou de ser um atributo


https://www.youtube.com/watch?v=eBq-S_QdU2U somente religioso e vocal “a capella”. Iniciou-se a utilização de
https://www.youtube.com/watch?v=RlleweQuq14 instrumentos para sua execução o que foi chamado de música profana. Mas
https://www.youtube.com/watch?v=MmR716ZTqL8 ainda assim, as grandes obras foram escritas para a Igreja Católica
Romana, com algumas mudanças: o uso da polifonia vocal, melódica e
contínua, o uso da imitação, onde determinado trecho era repetido por
vozes de timbres diferentes e mais a frente também o início da
harmonização.
Outra pesquisa sobre Humanismo do período, executados à capela, permitiram que se explorasse a
multiplicação de vozes independentes e, com ela, um maior domínio sobre o
O Humanismo foi uma corrente de pensamento que tinha como chamado "estilo imitativo" (contraponto). Ao domínio do estilo imitativo
características o antropocentrismo, a racionalidade e o cientificismo. Este esteve ligada a contínua melhoria do sistema de notação musical.
movimento cultural e filosófico firmou a base do Renascimento e marcou a Paralelamente ao já citado experimentalismo e busca de inovação, a música
transição entre a Idade Média e a Moderna. já não era mais expressão de sentimentalismo (o júbilo, por exemplo), e sim
do racionalismo.
Uma das principais caraterísticas do humanismo é Antropocentrismo,
onde o homem torna-se o centro do mundo. Desta forma, tem-se a Fontes:
valorização do ser humano, bem como de suas emoções e pensamentos. http://reflexaoemmusica.blogspot.com.br/2009/06/musica-
Humanismo é o nome que se dá à produção escrita histórica literária do renascentista.html
final da Idade Média e início da Moderna, ou seja, parte do século XV e http://brasilescola.uol.com.br/historia/o-humanismo.htm>.
início do XVI, mais precisamente, de 1434 a 1527. https://www.todamateria.com.br/caracteristicas-do-humanismo/
http://www.portalsaofrancisco.com.br/periodos-literarios/humanismo
Avançando pelo tempo, tal forma de compreender o mundo se
transformaria com o desenvolvimento do Renascimento. Datado entre os GUTENBERG (aprox. 1398- 1468)
séculos XIV e XVI, esse movimento é amplamente reconhecido pelo
oferecimento de novas formas de se pensar as expressões artísticas, as Gutemberg nasceu por volta do ano 1400 na Alemanha, provavelmente
ciências e a política. Entre tantas características, o movimento renascentista em Mainz, e tornou-se famoso por sua contribuição no desenvolvimento da
foi conhecido pela disseminação do humanismo. De forma geral, o impressão e da tipografia. Em 1450 inventou a imprensa para livros e em
humanismo manifesta o interesse que os intelectuais e artistas dessa época 1473 foi transferida para a área de música em livros litúrgicos com notação
tiveram em tratar e explorar os assuntos que estivessem intimamente ligados de canto gregoriano.
à figura do homem. Com isso, seria firmado um contraponto em que
poderíamos sugerir que os renascentistas firmavam uma clara ruptura para Ele é considerado o inventor dos tipos móveis de chumbo (blocos
com os valores do pensamento medieval. entalhados com as formas das letras e símbolos e organizados em fôrmas),
mais resistentes do que os de madeira utilizados até então. Esses tipos
De fato, a Renascença musical constituiu-se em uma arte que os móveis de chumbo eram reutilizáveis, proporcionando maior versatilidade
próprios compositores, cantores e instrumentistas sabiam estar aberta a ao processo de impressão de livros e permitindo sua massificação.
experimentações e inovações. A possibilidade de aventuras sonoras teve sua
correspondência mais próxima com as descobertas do Novo Mundo e a O primeiro livro impresso por Gutemberg foi a Bíblia. Anteriormente,
física de Galileu e Newton. Por outro lado, o que teve em comum com seu livros e partituras eram manuscritos, constituindo-se num trabalho
tempo foi justamente o refinamento da sensibilidade, o ideal de perfeição e demorado realizado pelos monges enclausurados em mosteiros. A partir da
grandeza, a ampliação de públicos educados e a incorporação de um espírito invenção de Gutemberg, as partituras podiam ser distribuídas em grande
humanista e cosmopolita. A música polifônica, que já evoluíra com os quantidade facilitando o registro e o acesso às composições musicais e
mestres de Flandres, ganhou suas mais requintadas e complexas estruturas conseqüentemente o ensino da música.
na Renascença do século XV. A missa e o moteto, gêneros predominantes
Este fenômeno foi de extrema importância para a música na época e
até hoje. Naquele mesmo século, estava em franco desenvolvimento a
música e a cultura renascentista, e a invenção de Gutenberg possibilitou a
ampla difusão desta cultura em toda a Europa. A escrita musical também
deve muito a Johannes Gutenberg, pelo fato de que a partir de sua invenção
as partituras começaram a se espalhar pela Europa. Muito da fama de
compositores como Antônio Vivaldi, Bach, Beethoven e Mozart se deve a
invenção da imprensa. Um exemplo famoso que temos disso é o fato de
Johann Sebastian Bach, grande compositor alemão, admirar o trabalho de
Antônio Vivaldi, inclusive fazendo versões de algumas de suas peças, sem
nunca o ter conhecido pessoalmente.
Enfim, se hoje podemos ir a algum lugar tirar cópias de partituras e
de exercícios que nossos professores recomendam que façamos, devemos
Gutenberg e a popularização das partituras. muita gratidão a este grande inventor que foi Johannes Gutenberg.

Johannes Gutenberg foi um inventor nascido na cidade de Mainz Links e referências usados nesta pesquisa:
(atual Alemanha). É conhecido como o pai da imprensa. Em sua criação Bucher, 2003, p.10 (Apostila de teoria musical do Professor Eusébio
Gutenberg, através de seu pai, que era comerciante, sempre esteve em Kohler)
contato com a profissão dos ourives, pessoas que mexiam com metal e https://www.youtube.com/watch?v=JPC4xFE3A1U
pedras preciosas. Através deste contato ele pôde aprender a manipulação do https://www.youtube.com/watch?v=qz_pQpG056I
metal, conhecimento que seria fundamental para o nascimento de sua https://www.youtube.com/watch?v=2xSRTAxcYTY
principal, e mais revolucionária invenção: a prensa móvel. https://educacao.uol.com.br/biografias/johannes-gutenberg.htm
https://www.youtube.com/watch?v=pNZq8BCS-Bc
Em meados do século XV Gutenberg, em parceria com Johann Fust https://www.youtube.com/watch?v=mxBXAsbKdWY
e Peter Schoefer desenvolveu uma tecnologia a partir da fusão do Ferro, que http://www.josemarbessa.com/2009/07/1456-gutemberg-e-1-biblia-
permitia que livros e demais documentos, que anteriormente só podiam ser impressa.html
copiados a mão, pudessem ser reproduzidos em larga escala. Esta foi uma http://reflexaoemmusica.blogspot.com.br/2009/06/musica-
revolução na produção de saber, conhecimento e cultura comparável, dizem renascentista.html
os estudiosos, à que a internet causou no final dos anos 90 e ao longo dos https://www.youtube.com/watch?v=AzCvnVzXP8I
anos 2000. Com o surgimento da prensa móvel, e consequentemente da https://www.suapesquisa.com/quemfoi/gutenberg.htm
imprensa, a língua escrita ganhou uma importância inestimável nos meios https://www.youtube.com/watch?v=mxBXAsbKdWY&t=133s
de comunicação. Além disso, foi só a partir de Gutenberg, que a escrita
passou a ser padronizada, com as palavras sendo escritas da mesma forma
em lugares totalmente diferentes. O mesmo ocorreu com as partituras. A Música e a REFORMA RELIGIOSA (aprox. 1517)
existência de muitos dos padrões de escrita musical, popularizados no
século XVII e usados até hoje se devem ao surgimento da prensa móvel.
Com objetivo de que seus seguidores participassem e Os jesuítas, que desembarcaram no Novo Mundo junto com os
compreendessem a liturgia, Lutero sustentou o seu trabalho em três pilares: colonizadores, aproveitaram o interesse dos povos nativos pela música e
uso da linguagem comum, uma melodia simples e o texto das escrituras. pela dança (que já era, inclusive, praticada por eles) para difundir sua
religião (Catolicismo).
No início, Lutero contou com a ajuda de poetas e músicos que
compartilhavam de sua ideologia e princípios, opostos a igreja católica onde A música, portanto, foi um instrumento de conversação, convencimento
se ouviam textos interpretados em latim. Nesse primeiro passo a e difusão da religião, sendo o idioma o latim. Este modelo de catequização
importância era dada à palavra e não à música, mas paralelamente, com a foi empregado tanto na América Espanhola quanto Portuguesa, porém
avanço da classe burguesa, a música culta começou a sair da igrejas e salões aquela é a que apresenta maior quantidade de registros.
dos nobres para lugares mais acessíveis ao povo.
O padre José de Anchieta, que chegou ao Brasil por volta de 1553, foi o
Pouco a pouco, o Coral Luterano vai escrevendo melodias em que a religioso que mais utilizou da música para catequização. Com tempo,
música se torna mais elaboradas com a participação e solistas e coros. Na indígenas e escravos tornaram-se exímios músicos, atuando como mestres
igreja católica, a Reforma modificou tanto a concepção religiosa como na de capela ou charameleiros.
realização dos cultos, onde a palavra e a música passaram a ter uma
importância primordial. Rapidamente o canto coral se disseminou não Os jesuítas foram os primeiros fundadores de escolas de música
somente nas igrejas protestantes, mas também nas católicas, o surgimento instrumental no Brasil, lecionando flauta, violino, órgão e cravo, uma vez
da imprensa colaborou muito para que isso ocorresse. que estes eram os instrumentos mais adequados para acompanhamentos nas
celebrações religiosas.
Contudo, a música coral ultrapassou todos os limites e floresceu nos
lugares mais distantes. Cuidadosamente produzida por Lutero e seus amigos
poetas, para que o povo entendesse a palavra de Deus, essa música estava o Fontes:
conforto para o coração humano.
MORAES, José G. Vinci de; SALIBA, Elias T. História e Música no
Referências bibliográficas : Brasil. São Paulo: Alameda, 2010.
http://historiadamusica2011.blogspot.com.br/2011/07/musica-na-reforma-e-
contra-reforma.html CASTAGNA, Paulo. A música como instrumentos de catequese no
Brasil dos séculos XVI e XVII. São Paulo: 1994.
A música e os JESUÍTAS no Brasil (aprox. 1549)

A música no Brasil Colonial pode ser dividida em duas vertentes: Música e FAMÍLIA REAL PORTUGUESA no Brasil (aprox. 1808)
TRADICIONAL: de origem indígena, africana e europeia (considerada
D. João VI sempre foi um amante da música, antes de migrar para o
música pagã), foram miscigenadas e influenciaram na formação da música
Brasil frequentava concertos musicais e óperas em Portugal, na Capela Real
popular e folclórica brasileira;
e em Mafra. Quando ele chegou no Brasil, o país sofreu mudanças culturais,
PROFISSIONAL: praticada nas cortes, teatros e instituições religiosas.
referente a música, a introdução da música erudita num país acostumados compôs diversas óperas, e o estilo de música dele era admirado por D. João
com a sonoridade da música popular. VI, quando se refere em música erudita no período Joanino destacasse
também Segismund von Neukomm, ele era um pianista austríaco.
Também vieram muitos músicos que residiam em Lisboa, porém Essas três figuras tiveram uma importância muito grande pois eles
quem ocupou o cargo de organista da Capela Real foi um brasileiro, o padre operaram uma mescla de influências musicais no período, entre a música
José Maurício. Outro músico erudito que teve destaque no período joanino colonial, o operismo italiano e o classicismo vienense.
foi Marcos Antônio Fonseca Portugal, músico mais importante do período
joanino. Além disso, D. João VI ordenou a construção do Teatro Real de
São João, inaugurado em 1813.

Mas não era somente a música erudita que se ouvia pelos cantos do
Rio de Janeiro joanino, a música popular do Brasil foi desenvolvida desde
os primeiros anos da colonização, principalmente com os batuques dos
africanos e a música religiosa. A música era tida como atividade subalterna,
não sendo praticada pela elite, com o tempo D. João mudou isso, mas a
música produzida pela classe subalterna era tocada nas casas da elite.

Músicos europeus tiveram uma grande influência da música brasileira


nas suas composições.

Com a vinda de D. João VI, a música recebeu especial tratamento,


principalmente quando da reorganização da Capela Real pelo padre
José Maurício Nunes Garcia, que lhe deu grande fulgor, mandando vir
de Lisboa o organista José do Rosário.

CONSERVATÓRIO DE MÚSICA DO RIO DE JANEIRO (fundado


TEATRO SÃO JOÃO (aprox. 1813) em 1841)

Em 1813 D. João VI ordenou que construíssem o teatro real de são Francisco Manoel da Silva fundou em 1833, a Sociedade Benéfica
João, antes disso teve a chegada da corte portuguesa ao Brasil, e com a de Música, tendo como um dos projetos, a criação de um conservatório de
chegada de D. João VI no Brasil provocou uma mudança cultural na música para formar novo artistas para orquestras e coros do Rio de Janeiro.
sociedade do rio de janeiro que chamamos de música no período joanino e Para isso, foi solicitado ao governo, a retirada de duas loterias anuais
como D. João VI era um amante da música, ao transferir a corte para o destinadas a criação do conservatório. Mas foi apenas em 1847, após um
brasil ele trouce também uma serie de músicos que residiam em Lisboa, protesto em um folhetim, que o governo liberou a primeira loteria.
uma das pessoas que também se destacou na cena musical no período Finalmente, em 1948, o Conservatório foi inaugurado com sede em uma
joanino foi Marcos Antônio Fonseca Portugal ele se formou na Itália, sala do Museu Nacional. No discurso de inauguração, Francisco Manuel da
Silva, deu ênfase na contribuição que aquele acontecimento daria a http://livros01.livrosgratis.com.br/cp056863.pdf
sociedade no processo de civilização.

O governo imperial queria colocar a população brasileira no fluxo DECRETO Nº 1.331 de 17 de fevereiro de 1854
civilizatório Europeu, com isso foram abertas várias instituições durante o
reinado. Dali então se iniciaram as aulas de música. Quatro anos depois, É aprovado o “Regulamento para reforma do ensino primário e
Francisco Manoel protestava em um folhetim sobre o descaso do governo secundário do Município da Corte”, conhecida como Reforma Couto
em relação ao conservatório, já que apenas uma loteria havia sido tirada em Ferraz. Analisando o decreto, o artigo 47 diz que o ensino primário nas
um espaço de 5 anos, e o correto seriam dez. Esse protesto resultou na escolas públicas compreende, dentre outros elementos, noções de música e
incorporação do Conservatório a Academia de Belas Artes. Com essa exercícios de canto. É a primeira vez que se fala em música como ensino
mudança de sede e de administração, o Conservatório ganhou mais alunos obrigatório nas escolas públicas.
e, consequentemente, mais professores. Um dos benefícios desta
incorporação, foi poder mandar os melhores alunos para estudos Refere-se a um período de decisão no qual a música faria parte sim
aprofundados na Europa. da grade curricular das escolas brasileiras, os negros escravos acabavam
sempre demonstrando seus talentos, suas habilidades musicais e com a
Com a morte de Francisco Manoel da Silva, Thomas Gomes dos beleza deste movimento provavelmente o desperta e o desejo e visão de
Santos foi quem assumiu a direção do conservatório, durante esta nossa alguns professores e principalmente de um padre que citado chamado José
gestão, foi eliminada essa pretensão de formar artistas para orquestras e Maurício mestre e professor de música na escola. Porém se estabelece
coros. Recebiam qualquer pessoa que quisesse se dedicar ao estudo da apenas dois níveis “noções de música” e “exercícios de canto”.
música. Durante esse período, o governo começou a atuar fortemente nas
instituições, mudanças deveriam passar nas mãos deles, em forma de
decretos, para aí sim serem aprovadas ou não. NACIONALISMO NO BRASIL (Aprox. 1820)

1872: Princesa Isabel inaugura uma nova sede e a primeira própria do Uma música se diz “nacionalista” quando esta contém elementos
conservatório. musicais característicos de um determinado povo, país ou região geográfica.
Entre estes elementos podem se destacar: o ritmo, uma melodia
1923: A primeira orquestra fixa do instituto é formada. característica, a harmonia sendo ela mais complexa ou mais simples, o
idioma, gírias e até mesmo um sotaque característico. Ademais, uma música
1934: Foi incorporada à Universidade Nacional nacionalista pode ser aquela que em sua letra enaltece um determinado país,
uma região ou até mesmo uma cultura.
1965: A Universidade Nacional passou a se chamar Universidade Federal Temos como exemplo de músicas que enaltecem uma região, que
do Rio de Janeiro, é o Conservatório como Escola de Música da possuem instrumentos característicos dessa região e que também possuem
Universidade Federal do Rio de Janeiro. sotaque característico, as músicas ditas “gaúchas”. Este tipo de música
geralmente vem carregado de elogios para com o Rio Grande do Sul, os
http://rbm.musica.ufrj.br/edicoes/rbm23-1/rbm23-1-04.pdf pampas etc.
As primeiras manifestações nacionalistas começaram na época do Toda a escrita e discussão é direcionada de uma mesma maneira:
romantismo mais especificamente na primeira fase, a chamada nacionalista Interncionada. Mesmo que esse processo não seja de alguma forma
ou indianista, onde a temática era dar valor as coisas brasileiras e botar o consciente. A ideia difundida na Europa de que a Harmonia era mais
índio em um lugar de “herói nacional”. Uma das principais obras desta importante que a Melodia em nada agradava o filósofo político (e por que
primeira fase foi o poema “canção do exílio” de Gonçalves Dias. (anexo). não músico?) em questão. O contraponto fora presente nas obras barrocas
pré romancistas. Consistindo em duas linhas de vozes, o contra ponto vem
O nacionalismo foi mais uma vez presente no modernismo do latim, “punctus contra punctus”, que nos remete a tradução, “nota contra
brasileiro, onde os autores tinham por vontade romper com o passado e com nota”. Sabendo o pouco que já fora exposto sobre o filósofo em questão, é
as “mentiras” ou exageros que eram ditos sobre o Brasil no tempo do fácil afirmar que a ideia de contra ponto muito se associa a ideia do
romantismo. A vontade dos autores nessa época era a de representar a homems ser o lobo do homem. Em que sentido?: Como já mencionado no
verdade sobre a pátria e mesmo assim enaltece-la. parágrafo anterior, a segregação social não era difícil de se notar, e a
discordância entre as notas – contra ponto – enxertava nessa “melodia
manca” uma pretensa essência de apreciável. Aqui vemos a conexão que se
ROUSSEAU (1712 – 1788) estabelece de forma ríja entre a música e a política. Quem sabe a música
não tem essa característica intrínseca polissêmica, mas como considerar a
Jean-]acques Rousseau viveu físicamente entre 1712 e 1778, música sem a matemática após Tales de Mileto, ou então, a música sem a
contudo, seu legado ainda permanece fazendo sua existência extra-física política após a atitude rebelde reformista de Jean Jacques Rousseau?
duradoura e por hora relevante para os estudos de ciência política, dentre
outras colaborações. Qual visão de mundo foi confrontada com as
afirmativas, perguntas e reflexões de Rousseau?
SEMA (Superintendência Educacional e Artística) (fundada em 1932)
Tendo trabalhado durante toda a sua vida com a concepção de que a
Natureza humana é algo bom e tudo aquilo contrário à natureza humana, ou O presente artigo tem como objetivo analisar a atuação de Villa-lobos como
seja, tudo aquilo é artificial ou criado, é algo a ser considerado ruim, seus gestor do Canto Orfeônico na educação brasileira, as intenções pedagógicas
vislumbre de mundo desafiou a percepção que tirada do pensador Thomas do educador musical e suas relações política. a música na grade curricular
Hobbeies, entregava a natureza humana uma característica intrínseca de
das escolas regulares , conforme a Lei nº 11.769, sancionada em 18 de
ruindade. O que, de forma social, tornava “justificável” a indiferença
existente entre a discrepância do conforto social que a Europa, defrontada agosto de 2008, gera uma grande expectativa ,convivemos no entanto, com
pelas escritas transportadas da américa, estagnou-se. dois sentimentos antagônicos por um lado a felicidade de retomarmos o
grandioso projeto de Villa-Lobos, que oportunizou a educação musical para
O que tem a ver a política e a música? crianças com a criação da Superintendência de Educação Musical e
Artística (SEMA) – a partir do Decreto-Lei nº 18.890, datado de 18 de abril
Como afinal, poderíamos pensar uma única e singela nota que não de 1931, vigorando por, aproximadamente, quatro décadas; por outro lado, a
tenha qualquer intenção?
ansiedade de recomeçar, banindo os equívocos já cometidos na vigência da
lei anterior, quando constatamos alguns desvios da prática musical realizada
nas escolas, como o fato de se obter resultados indesejados e uma visão da
música destorcida, ou alunos improdutivos. ensino a todos os estabelecimentos primário e secundário do país,
permanecendo assim até a promulgação da lei nº 5692, de 1971.
O professor fazedor de festas também é outro grande equívoco na
interpretação do papel do profissional nas escolas de educação básica. Os Pode-se dizer que dois foram os motivos levaram Villa-Lobos a
objetivos musicais são confundidos pelo cumprimento festivo do assumir este cargo. Primeiro, pela questão financeira, pois mesmo já sendo
calendário, pontuando as datas significativas no programa escolar sobretudo um compositor com reconhecimento internacional ele ainda não dispunha
de uma fonte de sustento, portanto, um cargo público era uma boa
as atividades dadas ao desenvolvimento musical dos alunos são
oportunidade para que pudesse melhorar financeiramente. Segundo, pelo
negligenciadas. poder que lhe garantiria esta função, tendo a seu dispor o apoio do governo
para a implementação de projetos culturais.
A volta da música às escolas abre um leque de oportunidade singular
de investir no desenvolvimento do ser humano, abraçando todas as áreas Dois fatos foram fundamentais para que Heitor Villa-Lobos
vitais, desde a cognitiva, passando pela social, emociona e estético. conseguisse implantar seu projeto de Educação Musical, primeiro, o fato de
ter influência junto ao Interventor paulista, João Alberto, homem que
apoiou e patrocinou Villa-Lobos para que este pudesse realizar concertos
populares promovendo música nacionalista em 54 cidades do interior do
Estado de São Paulo no período entre janeiro e abril de 1931. Além do
apoio e patrocínio para a realização de uma concentração cívico-artístico dia
3 de maio do ano de 1931 no parque Antártica em São Paulo onde, Villa-
Lobos percebeu as possibilidades que estavam se abrindo com o regime.
Acredita-se que este evento cívico-artístico tenha marcado um desvio na
trajetória do compositor.

Segundo fato foi ter escrito a Getúlio Vargas uma carta intitulada
“Apelo ao Chefe Provisório da República Brasileira”. Esta carta foi enviada
a Getúlio Vargas e chegou a ser reproduzida no Jornal do Brasil do dia 12
de fevereiro de 1932. Villa-Lobos revela nesta carta que o estado em que se
encontra o cenário artístico Brasileiro é horrível, porém, afirma ter
encontrado a solução para o problema e aproveitou a oportunidade para
deixar claro que estava a disposição do governo. A impressão que se tem é
Heitor Villa-Lobos, foi convidado a assumir um cargo público que o que como resposta é criada, no mês seguinte, a SEMA.
permitiu, através desse órgão, implantar seu projeto de Educação Musical,
baseado na prática de canto orfeônico, de modo a torná-la disciplina MOVIMENTO ORFEÔNICO (aprox. 1925)
obrigatória no currículo das escolas de ensino regular, de acordo com o
decreto de nº 19890 de 18 de abril de 1931, que contemplava as escolas do
Rio de Janeiro, e o decreto nº 24794 de 14 de julho de 1934, que estendia o
O nome “Orfeônico” foi dado em homenagem a um Deus da mitologia
grega, chamado Orfeu, pois segundo as lendas ele a partir de sua música Em geral, o canto orfeônico foi muito parado na relação entre o
encantava e amansava as feras. folclore e as músicas nacionais, e adquiriu grande repercussão e inúmeras
pessoas que apoiavam, uma delas foi o compositor Heitor Villa-Lobos.
O movimento orfeônico se deu pelo Canto Orfeônico. O Canto
Orfeônico surgiu na França em meados do século XIX, com uma nova Na verdade, as primeiras experiências de ensino do canto orfeônico
forma de canto coletivo que se diferenciava do canto coral tradicional da foram na década de 1910 por Fábio Lozano, no modelo europeu do século
época. O que diferenciava o canto orfeônico do canto coral, era que o canto XIX, que tinha como finalidade estimular a educação musical e a cívica,
coral privilegiava um repertório que exigia cantores de um alto nível técnico com base em marchas e hinos patrióticos nas escolas de nível básico.
e com isso estaria direcionada a formação de músicos profissionais , já o
canto orfeônico surge com o objetivo de reunir pessoas com pouca ou Quando finalmente assumido por Villa-Lobos em 1930, o ensino de
nenhuma formação musical em grupos de um número variável em sem canto orfeônico também encaminhou nesse mesmo sentido e se fortaleceu
classificação de vozes. durante o governo varguista.

A principal característica do Movimento Orfeônico era: “a Em 1931 Anísio Teixeira (superintendente do ensino Público do
alfabetização musical, tarefa que iria ser realizada nas escolas regulares, ao Distrito Federal) convidou Villa-Lobos a ocupar o cargo de diretor artístico
contrário do ensino musical profissional que era realizado em da prefeitura do Distrito Federal, dessa forma o ensino da disciplina canto
conservatórios, e uma vez implantado na escolas regulares seria a orfeônico foi instituído como obrigatório no Rio de Janeiro, medida que
possibilitar a prática e o conhecimento musical que passariam a atingir mais tarde foi ampliada para todo o território nacional com a reforma
diversos setores sociais. Capanema que instituiu o canto orfeônico como parte do currículo escolar.

O Movimento Orfeônico surgiu cercado por um universo mítico e o Todas as iniciativas de Villa-Lobos foram responsáveis pelos
simbólico, inserido em um novo modelo de educação, e repleto de ideais primeiros passos para a criação em 1942 do primeiro Conservatório
nacionalistas originados pela Revolução Francesa, caracterizando-se pelos Nacional de Canto Orfeônico (CNCO).
aspectos cívicos e patriótico que adquiriu.

Com essas diretrizes, o movimento tomou grandes dimensões e ESCOLA NOVA (aprox. 1927)
estabeleceu até uma imprensa orfeônica especializada na França, além de
difundir-se para outros países tais como a Alemanha, a Espanha, a  Surge a partir de 1927, com os princípios básicos de Liberdade, atividade
Inglaterra, os Estados Unidos e o Brasil. e criatividade, que constituíram o corolário da Educação Musical
Moderna, considerada um desprendimento do movimento pedagógico da
O Movimento no Brasil Educação Nova.
 A introdução sistemática das idéias da Escola Nova, trouxeram um
No Brasil um dos principais representantes foi Heitor Villa-Lobos pensamento educacional completo, na medida em que compreendia uma
graças a seu projeto em que deveria ser inclusa a educação musical nas política educacional, uma teoria de educação e de organização escolar e
escolas. uma metodologia própria.
 Esse ideal de defesa da música nova, só podia ser percebido pelos
A ESCOLINHA DE ARTE DO BRASIL (fundada em 1948) nacionalista, como uma soma na sua luta contra o predomínio da música
romântica europeia. Nesse momento a tal “jovem música brasileira” que
 É criada em 1948, no Rio de Janeiro, por iniciativa do artista plástico ele pretendia divulgar era somente associada a obras de compositores
pernambucano Augusto Rodrigues. Conhecida como escola de não só de como Villa Lobos, Camargo Guarnieri, Franscisco Mignone e Lorenzo
música mas sim, de outras artes, como plástica, teatro, o folclore etc... Fernandez. A música de então era justamente a nacionalista.
 A Escolinha recebe forte apoio de educadores atuantes, como Anísio
Teixeira (1900 - 1971) e Helena Antipoff (1892 - 1974). Esta é A LEI N. 5.692/71
especialmente ligada a Augusto Rodrigues, em função do trabalho
conjunto na Sociedade Pestalozzi, por ela criada em 1948, e na qual  A lei 5692 de 11 de agosto de 1971 mais conhecida como lei do
Augusto é professor. Vale lembrar que as relações entre arte e educação segundo grau foi sancionada pelo então presidente Emilio Garrastazu
especial mobilizam a Escolinha de Arte do Brasil desde o início, Médici que tinha como objetivo eliminar as diferenças entre os ramos
favorecidas por convênios com a Pestalozzi e com a Apae, por secundários (agrícola, industrial e comercial).
intermédio de Antipoff e de Nise da Silveira (1905 - 1999).  A lei prevê como matérias obrigatórias no currículo escolar a educação
 Podemos dizer hoje que a Escolinha de Arte do Brasil, é vista como moral, cívica, educação física, educação artística e programas de
referência de escolas de arte para crianças, mas hoje tem alunos de várias saúde, também o ensino religioso facultativo.
idades, nunca é tarde para aprender.  Os professores do segundo grau deviam ser graduados e pós-
graduados, também prevê a obrigatoriedade do ensino dos 7 aos 14
MÚSICA VIVA (aprox. de 1938 a 1952) anos e disponibiliza o segundo grau gratuitamente para todos.

 Fundado no Rio de Janeiro em meados de 1939.  De 11 de agosto de 1971, que fixou as diretrizes e bases para o ensino de
 De primeiro momento o grupo reuniu diversas personalidades do meio 1º e 2º graus, foi promulgada pelo Presidente militar EMÍLIO G.
musical brasileiro com a intenção de incrementar a atividade musical do MÉDICI.
país. Uma das iniciativas foi a criação de um boletim, cujo o primeiro  Esta Lei instituiu a Educação Artística como atividade obrigatória nos
número saiu em 1940. O boletim manteve-se até maio de 1941, com uma currículos de 1º e 2º graus, como se encontrava previsto em seu artigo 7º.
periodicidade quase regular, em quase todos aparecem algum artigo Assim, o espaço que vinha sendo dedicado a música nas escolas, como
sobre música moderna ou dodecafônica. Canto Orfeönico a partir da década de 30, e depois de 61, como
 O texto considera “ a obra musical como a mais elevada organização do Educação Musical, seria a partir do dispositivo legal de 71, dividido
pensamento e sentimento humano” ( Koellreutter) entre as artes plásticas, cênicas, desenho e a música, na disciplina de
 Por sair de um regime de extremo nacionalismo, insistia no valor Educação Artística.
universal e humanístico da música. Enquanto os nacionalistas brasileiros
que também integravam o grupo estavam engajados num movimento de ABEM - Associação Brasileira de Educação Musical (criada em 1991)
criação e valorização de uma música pautada pela identidade nacional,  Criada em 1991 a entidade nacional sem fins lucrativos promove
exceto Koellreutter. encontros anuais, debates, palestras e conta com publicações de uma
 Grupo utiliza o dodecafonismo (nova forma de compor). revista própria. Esta revista compõe-se da série "Fundamentos da
Educação Musical" com quatro volumes, da série "Teses", com dois
volumes e também a publicação dos anais dos encontros que promove estudantes da educação musical dos diversos níveis e contextos de
anualmente. ensino. A ABEM está vinculada à Associação Nacional de Pesquisa e Pós-
 "A Abem tem como objetivo promover a educação musical no Brasil, Graduação em Música (ANPPOM) e é membro da ISME (International
contribuindo para que o ensino da música esteja presente de forma Society for Music Education).
sistemática e com qualidade nos diversos sistemas educacionais  A Associação realiza Encontros Nacionais Anuais, desde a sua criação, e
brasileiros, contemplando, de maneira especial, a educação básica; por Encontros Regionais para a divulgação de conhecimentos e troca de
essa razão tem estado atenta às múltiplas formas de desenvolvimento experiências na área da educação musical. Além disso, a ABEM vem
do ensino e aprendizagem da música no país, que inclui a formação do contribuindo para a consolidação de uma literatura nacional na área,
educador musical e a observação dos processos de concurso público e com a publicação regular da “Revista da ABEM”, da série “Fundamentos
de contratação de profissionais para o exercício da docência em música, da Educação Musical” (quatro volumes), da “Série Teses” (dois volumes)
nos diferenciados níveis escolares". e dos anais de cada Encontro Anual.
 Atualmente presidida pelo Prof. Dr. Luis Ricardo Silva Queiroz - UFPB e  Ainda com o objetivo de promover a divulgação de informações, a
pela vice-presidente Profa. Dra. Cristiane Almeida - UFPE. A associação Associação veicula Informativos Eletrônicos mensais com o intuito de
congrega em torno de si profissionais, organiza, sistematiza e segmenta manter os associados, profissionais e estudantes em geral da área de
o pensamento Crítico, a pesquisa e a atuação na área da educação educação musical, constantemente atualizados, possibilitando,
musical. também, a circulação das produções e a troca de experiências entre as
 O seu XXIII congresso nacional, acontecerá em Manaus/AM e tem como diversas instituições de ensino do país.
tema a "Diversidade humana, responsabilidade social e currículos:
interações na educação musical". Acontecerá de 16 a 20 de outubro de LEI nº 9.394/96
2017. Os congressos também se organizam de forma regional, no sul o
XVII congresso ocorreu em Curitiba/PR em outubro de 2016 e teve o  A lei 9394/96 (ou Lei de Diretrizes Bases), sancionada pelo então
mesmo tema que será abordado no congresso nacional. presidente Fernando Henrique Cardoso, trouxe um norte inclusivo às
instituições de ensino, respeitando a diversidade. Seu artigo 26 diz
 Criada em 1991, com o intuito de discutir o tema: Música e Consciência, que o ensino da arte passa a ser obrigatório nas instituições de
hoje discute temáticas que levam a uma melhor compreensão da ensino.
Educação Musical no Brasil, assim como a participação do educador
musical no cenário político educacional brasileiro. Estabeleceu o ensino da disciplina arte na educação básica: “o ensino
 A ABEM (Associação Brasileira de Educação Musical) é uma entidade da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos
nacional, sem fins lucrativos, fundada em 1991, com o intuito de níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento
congregar profissionais e de organizar, sistematizar e sedimentar o cultural dos alunos” (Lei 9.394/96 – art. 26, parágrafo 2º), garante um
pensamento crítico, a pesquisa e a atuação na área da educação espaço para a(s) arte(s) na escola, como já estabelecido em 1971,
musical. com a inclusão da Educação Artística no currículo pleno. E continuam
 Ao longo dessa trajetória, a Associação vem promovendo encontros, a persistir a indefinição e ambigüidade que permitem a
debates e a troca de experiências entre pesquisadores, professores e multiplicidade, uma vez que a expressão “ensino de arte” pode ter
diferentes interpretações, sendo necessário defini-la com maior
precisão. *
PCNs - Parâmetros Curriculares Nacionais (primeira versão aprovada em
1997

 Elaborados pelo Ministério da Educação como propostas


pedagógicas, também não contribuem para uma definição concreta
sobre como a música deve ser trabalhada em sala de aula e não
definem se o professor de arte deve ter uma formação geral, com o
conhecimento das várias linguagens artísticas, ou se deve ser
especializado em uma só modalidade (teatro, dança, música ou artes
visuais).
 Há um volume especial dos PCNs para as artes.

LEI Nº 13.278/16.

 A LEI Nº 13.278, de 2 de maio de 2016, altera o § 6º do art. 26 da


Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que fixa as diretrizes e
bases da educação nacional,referente ao ensino da arte.

§ 6º As artes visuais, a dança, a música e o teatro são as linguagens que


constituirão o componente curricular de que trata o § 2º deste artigo.
..............................................................................................."(NR)

Art. 2º O prazo para que os sistemas de ensino implantem as mudanças


decorrentes desta Lei, incluída a necessária e adequada formação dos
respectivos professores em número suficiente para atuar na educação básica, é
de cinco anos.

Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 2 de maio de 2016; 195º da Independência e 128º da República.


DILMA ROUSSEFF
Aloizio Mercadante