Você está na página 1de 3

Morte humana

O triunfo da morte, de Pieter Brueghel o Velho, (1562).


Historicamente, tentativas de definir o momento exato da morte foram
problemáticas. A identificação do momento exato da morte é importante,
entre outros casos, no transplante de órgãos, porque tais órgãos precisam de
ser transplantados, cirurgicamente, o mais rápido possível.
Em 1846, a Academia de Ciências de Paris aceitou que a morte significa
a ausência de respiração, de circulação e de batimentos cardíacos.[11] Porém,
mais de um século depois, o francês Paul Brouardel concluiu que esta
definição estava errada, já que o coração não sustenta a vida sozinho: uma
pessoa decapitada pode ter batimentos cardíacos por uma hora, o que não
quer dizer que ela esteja viva.[11] Além disso com o desenvolvimento
da ressuscitação cardiopulmonar e da desfibrilação, surgiu um dilema: ou a
definição de morte estava errada, ou técnicas que realmente ressuscitavam
uma pessoa foram descobertas: em vários e vários casos, respiração e pulso
cardíaco são realmente restabelecidos após cessarem. Em vista da nova
tecnologia, atualmente a definição médica de morte é conhecida como morte
clínica, morte cerebral ou parada cardíaca irreversível.
A morte cerebral é definida pela cessão de atividade eléctrica no cérebro,
mas mesmo aqui há correntes divergentes. Há aqueles que mantêm que
apenas a atividade eléctrica do neocórtex deve ser considerada a fim de se
definir a morte. Por padrão, é usada contudo uma definição mais
conservadora de morte: a interrupção da atividade elétrica no cérebro como
um todo, incluso e sobretudo no tronco encefálico - responsável entre outros
pelo controle de atividades vitais essenciais como batimentos
cardíacos e respiração - e não apenas no neocórtex, diretamente associado
à consciência.[12] Essa definição - a de morte cerebral - é a adotada, por
exemplo, na "Definição Uniforme de Morte" nos Estados Unidos.

Lápides em um cemitério
Mesmo frente a uma definição precisa de morte, a determinação da mesma
ainda traz suas peculiaridades, e pode ser difícil. A
exemplo, eletroencefalografias podem detectar pequenos impulsos
elétricos onde nenhum existe, enquanto houve casos onde atividade cerebral
em um dado cérebro mostrou-se baixa demais para que eletroencefalografias
os detectassem. Por causa disso, vários hospitais possuem elaborados
protocolos determinando morte envolvendo eletroencefalografias em
intervalos separados, e não raro mediante os pareceres autônomos de no
mínimo dois médicos.
A história médica contém muitas referências a pessoas que foram declaradas
mortas por médicos, e durante os procedimentos
para embalsamamento eram encontradas vivas. Histórias de pessoas
enterradas vivas levaram um inventor no começo do século XX a desenhar
um sistema de alarme que poderia ser ativado dentro do caixão.
Por causa das dificuldades na definição de morte, na maioria dos protocolos
de emergência, mais de uma confirmação de morte, tipicamente fornecidas
por médicos diferentes, é necessária. Alguns protocolos de treinamento, por
exemplo, afirmam que uma pessoa não deve ser considerada morta a não
ser que indicações óbvias de que a morte ocorreu existam,
como decapitação ou dano extremo ao corpo. Face a qualquer possibilidade
de vida, e na ausência de uma ordem de não ressuscitação, equipes de
emergência devem proceder ao transporte o mais imediato possível até
ao hospital, para que o paciente possa ser examinado por um médico. Isso
leva à situação comum de um paciente ser dado como morto à chegada do
hospital.
Pós-morte

"Tudo é vaidade". Uma ilusão de óptica criada por Charles Allan Gilbert, criticando o apego material
à vida mundana.
A questão de o que acontece, especialmente com os humanos, durante e
após a morte, ou o que acontece "uma vez morto", se pensarmos na morte
como um estado permanente, é uma interrogação frequente, literalmente
uma questão latente na psique humana. Tais questões vêm de longa data, e
a crença numa vida após a morte com uma posterior reencarnação ou
mesmo a passagem para outros mundos, embora muito antigas, são ainda
muito difundidas socialmente (veja submundo).
Para muitos, a crença e informações sobre a vida após a morte resultam de
uma mera busca por consolação ou mesmo de uma covardia em relação à
morte de um ser amado ou à prospecção da inevitabilidade de sua própria
morte. A crença em vida após a morte pode, para esses, trazer algum
consolo, contudo crenças como o medo do Inferno ou de outras
consequências negativas podem tornar a morte algo muito mais temido.
A contemplação humana da morte é uma motivação importante para o
desenvolvimento de sistemas de crenças e religiões organizadas. Por essa
razão, palavra passamento, quando dita por um espírita, significa a morte do
corpo. A passagem da vida corpórea para a vida espiritual.
Apesar de ser conceito comum a muitas crenças, ela normalmente segue
padrões diferentes de definição de acordo com cada filosofia. Várias religiões
creem que, após a morte, o ser vivo fica junto do seu criador (para
os cristãos, Deus).
Muitos antropólogos sentem que os enterros fúnebres atribuídos ao Homem
de Neanderthal/Homo neanderthalensis, onde corpos ornamentados estão
em covas cuidadosamente escavadas, decoradas com flores e outros
motivos simbólicos, são evidência de antiga crença na vida após a morte.
Do ponto de vista científico, não se confirma a ideia de uma vida após a
morte. Embora grande parte da comunidade científica sustente que isso não
é um assunto que caiba à ciência resolver, e que cientificamente não há
evidências que corroborem a existência de espíritos ou algo com função
similar que sobreviva após a morte,[12][13] muitos pesquisadores tentaram e
ainda tentam entrar nesse campo estudando, por exemplo, as chamadas
"experiências de quase-morte". Para eles, o conceito de "vida" se associa ao
de "consciência", contudo a consciência não atrela-se à matéria conhecida.[12]
[13]
Ao fim, consideram-se, em essência, três hipóteses:

 A consciência existe unicamente como resultado de correlações


materiais.[13] Essa hipótese é a que encontra corroboração
científica atualmente, e se for verdadeira, a vida cessa de existir
no momento da morte.
 A consciência não tem origem física e
sim transcendente à matéria,[13] usando o corpo físico apenas
como instrumento para se expressar. Se esta hipótese for
verdadeira, certamente há uma existência de consciência após a
morte e não obstante também antes da vida física, o que leva
diretamente às tentativas de validação da reencarnação. É a adotada
na Doutrina Espírita; sendo igualmente utilizada por várias outras
doutrinas espiritualistas para validar os acontecimentos por eles
presenciados e assumidos como transcendentais; bem como para
explicarem-se os êxtases em cultos de neopaganismo.
 A consciência tem uma origem física e encontra-se atrelada ao
cérebro, mas há uma distinção entre os estados físicos da matéria
(da massa encefálica) e os pensamentos que deles derivam.
[13] Nessa linha de pensamento, há alguns que vão adiante e alegam
que a consciência atrela-se a algum tipo de
matéria imponderável que, embora relacionada à matéria
ordinária, não se decompõe como a primeira quando da morte. A
hipótese também é, neste caso, compatível com a reencarnação e com
a filosofia das doutrinas espiritualistas (ver perispírito).

Você também pode gostar