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DESCRIÇÃO

Definições de métodos de mensuração e controle de estoques de ativos (biológicos ou não), bem como dos
custos de prestadores de serviços, associando-as aos princípios contábeis.

PROPÓSITO
Compreender os princípios contábeis norteadores das operações com mercadorias para o giro de estoque da
companhia e seu impacto tanto na receita quanto no lucro.

PREPARAÇÃO
Antes de iniciar a leitura deste tema, tenha à mão recursos computacionais com acesso a planilha eletrônica
e/ou calculadora a fim de efetuar os cálculos dos exemplos dos tópicos apresentados e de suas atividades.

OBJETIVOS
MÓDULO 1

Reconhecer os métodos de mensuração do estoque e o impacto do valor realizável líquido

MÓDULO 2

Descrever os métodos de controles de estoque

MÓDULO 3

Descrever os métodos de mensuração dos custos de estoque dos produtos agrícolas e dos prestadores de
serviço

INTRODUÇÃO
No decorrer do estudo da contabilidade, surgem diversos termos técnicos que precisam ser entendidos para
que a contabilização e/ou escrituração dos eventos seja efetuada de maneira correta. Sua contabilização
impacta o controle patrimonial, financeiro e econômico da entidade.

Tais informações financeiras são fundamentais para investidores e credores (por empréstimos, além de outros
tipos existentes e potenciais) na tomada de decisões referente à oferta de recursos à entidade. Esses
investidores tomam a decisão com base nos relatórios contábeis que são publicados pela empresa e
arquivados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Abordaremos, de maneira minuciosa, os termos técnicos ao longo dos módulos. Além disso, trabalharemos
com muitos exemplos para que sua assimilação do conteúdo ocorra da melhor maneira possível.

MÓDULO 1

 Reconhecer os métodos de mensuração do estoque e o impacto do valor realizável líquido


ESTOQUE
Neste módulo, entenderemos a composição do custo de aquisição do estoque, estabelecendo seus critérios
de valoração e o cálculo do valor realizável líquido. Em seguida, apontaremos as divergências entre os tipos
físico e contábil, analisando ainda as quebras ou perdas de estoque.

1. DEFINIÇÃO
Os estoques compreendem bens adquiridos e destinados à venda (bens não produzidos pela empresa), além
de matérias-primas, materiais aguardando utilização no processo de produção, produtos em processo de
produção e produtos acabados destinados à venda.

Abordando-os especificamente, o CPC (Comitê de Pronunciamento Contábil) 16 (2020) atesta que os


estoques podem constituir ativos:

01
Mantidos para venda no curso normal dos negócios;

02
Em processo de produção para venda;

03
Na forma de materiais ou suprimentos a serem consumidos ou transformados no processo de produção ou na
prestação de serviços.
A Lei das SA (Lei nº 6.404/76) estabelece os critérios de avaliação do ativo:

ART. 183. NO BALANÇO, OS ELEMENTOS DO


ATIVO SERÃO AVALIADOS SEGUNDO OS
SEGUINTES CRITÉRIOS:

[...] II - OS DIREITOS QUE TIVEREM POR OBJETO


MERCADORIAS E PRODUTOS DO COMÉRCIO DA COMPANHIA,
ASSIM COMO MATÉRIAS-PRIMAS, PRODUTOS EM
FABRICAÇÃO E BENS EM ALMOXARIFADO, PELO CUSTO DE
AQUISIÇÃO OU PRODUÇÃO, DEDUZIDO DE PROVISÃO PARA
AJUSTÁ-LO AO VALOR DE MERCADO, QUANDO ESTE FOR
INFERIOR.

(LEI 6.404, 1976)

2. CLASSIFICAÇÃO
Podemos segregar os estoques em dois grandes grupos classificados de acordo com sua finalidade.

a) Estoque na indústria

Os estoques são produzidos. Neste processo de produção, há três grandes etapas:


Krasula/shutterstock

Aquisição e consumo de matérias-primas destinadas à produção;

ungvar/shutterstock

Produtos em elaboração;
HAKINMHAN/shutterstock

Produtos acabados.

Os custos dos produtos fabricados que compõem o estoque de mercadorias incluem a alocação sistemática
de todos eles. Devem ser incluídos, portanto, tanto os custos diretos e indiretos quanto os fixos e variáveis
nos quais se incorreu para transformar materiais em produtos acabados.

Nesse processo de produção, perdas podem ocorrer. É fundamental entender a origem disso, pois o
tratamento contábil é distinto.

Caso tais perdas sejam normais a esse processo, elas serão apropriadas e/ou absorvidas aos custos de
produção. No entanto, se não forem normais, sendo consideradas, desse modo, excepcionais, haverá a
apropriação direta delas no resultado do período.

b) Estoques no comércio

Eles são comprados para serem revendidos (varejo).

MÃO NA MASSA

1. (AFRFB 2005/ESAF) NO PROCESSO PRODUTIVO DA EMPRESA DESPERDÍCIO


S.A., NO MÊS DE JULHO DE 2005, OCORRERAM PERDAS COM REBARBAS
DECORRENTES DO CORTE DE TECIDOS DA LINHA DE PRODUÇÃO. EM VIRTUDE DA
CONTRATAÇÃO DE FUNCIONÁRIO SEM EXPERIÊNCIA, HOUVE AINDA A PERDA DE
100 ITENS POR MAU USO DE EQUIPAMENTOS.
DE ACORDO COM OS CONCEITOS CONTÁBEIS, ESSAS PERDAS DEVEM SER
REGISTRADAS:

A) Ambas como custo dos produtos vendidos.

B) Respectivamente, como despesa operacional e custo.

C) Ambas como despesas não operacionais no resultado.

D) Ambas como despesas operacionais no resultado.

E) Respectivamente, como custo e despesa operacional.

GABARITO

1. (AFRFB 2005/ESAF) No processo produtivo da empresa Desperdício S.A., no mês de julho de 2005,
ocorreram perdas com rebarbas decorrentes do corte de tecidos da linha de produção. Em virtude da
contratação de funcionário sem experiência, houve ainda a perda de 100 itens por mau uso de
equipamentos.

De acordo com os conceitos contábeis, essas perdas devem ser registradas:

A alternativa "E " está correta.

GABARITO

3. CUSTO DE AQUISIÇÃO
Afinal, o que entra na composição do custo de estoque?

O registro do estoque de mercadorias sempre deve respeitar o princípio do custo histórico. Por conta disso,
ele precisa ser registrado pelo valor original: o custo de aquisição.

ESTÃO INCLUÍDOS NO CUSTO DO ESTOQUE

Preço de compra ou aquisição;

Impostos de importação;

Custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente relacionados com a aquisição dos
materiais.

NÃO ESTÃO INCLUÍDOS NELE

Descontos comerciais e abatimentos.

Segundo a NBC (Norma Brasileira de Contabilidade) 16 (R1), os seguintes itens devem ser reconhecidos
como despesa (e não como custo):

01
Valor anormal de desperdício de materiais, mão de obra ou outros insumos de produção;

02
Gastos com armazenamento, a menos que sejam necessários ao processo produtivo entre uma e outra fase
de produção;

03
Despesas administrativas que não contribuem para trazer o estoque ao seu local e condição atuais;

04
Despesas de comercialização, incluindo a venda e a entrega dos bens e serviços aos clientes.

Devemos analisar, no entanto, dois casos excepcionais. Por isso, observaremos agora duas possibilidades
para a aquisição de estoques de:
Soru Epotok/shutterstock

Matéria-prima: Se ela for realizada a prazo e tiver juros, tanto eles quanto as demais despesas financeiras
não integrarão o custo do estoque. Na verdade, todos devem ser apropriados como despesas financeiras
proporcionalmente ao prazo;

Travel mania/shutterstock

Estoques importados: A variação cambial incorrida até a data da entrada da matéria-prima no


estabelecimento do comprador fica integrada ao custo; no entanto, a partir daí, ela passa a ser apropriada
como despesa financeira.
MÃO NA MASSA

1. (ESAF/AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL/2012) NAS OPERAÇÕES DE


MERCADORIAS, O VALOR DOS GASTOS COM TRANSPORTES FEITOS SOB A
RESPONSABILIDADE DO COMPRADOR...

A) Aumenta o valor das mercadorias compradas.

B) É registrado a débito de uma conta de despesa.

C) Diminui o valor dos estoques de mercadorias.

D) Não gera efeitos no custo das mercadorias vendidas quando tais gastos são realizados.

E) Não afeta o valor dos estoques de mercadorias.

2. (FCC/ FISCAL DE RENDAS/ICMS/SP/2013) CONSIDERE...

I. O VALOR ANORMAL DE DESPERDÍCIO DE MATERIAIS, MÃO DE OBRA OU OUTROS


INSUMOS DE PRODUÇÃO.
II. GASTOS COM ARMAZENAMENTO DE PRODUTOS EM FASE DE PROCESSO
AGUARDANDO A PRÓXIMA ETAPA.
III. DESPESAS DE COMERCIALIZAÇÃO, INCLUINDO A VENDA E A ENTREGA DOS
BENS E SERVIÇOS AOS CLIENTES.

DEVE COMPOR OS ESTOQUES DAS EMPRESAS O QUE CONSTA EM:

A) I, II e III

B) II

C) III

D) I

E) II e III

GABARITO

1. (ESAF/auditor fiscal da Receita Federal/2012) Nas operações de mercadorias, o valor dos gastos
com transportes feitos sob a responsabilidade do comprador...

A alternativa "A " está correta.


2. (FCC/ Fiscal de rendas/ICMS/SP/2013) Considere...

I. O valor anormal de desperdício de materiais, mão de obra ou outros insumos de produção.


II. Gastos com armazenamento de produtos em fase de processo aguardando a próxima etapa.
III. Despesas de comercialização, incluindo a venda e a entrega dos bens e serviços aos clientes.

Deve compor os estoques das empresas o que consta em:

A alternativa "B " está correta.

GABARITO

4. CRITÉRIOS DE VALORAÇÃO DE ESTOQUES E


VALOR REALIZÁVEL LÍQUIDO
De acordo com o CPC 16 (2020), os critérios para a valorização do estoque são os seguintes:

rafastockbr/shutterstock

A) VALOR JUSTO

Corresponde ao preço recebido pela venda de um ativo ou pago pela transferência de um passivo em uma
transação não forçada entre participantes do mercado na data de mensuração.
rafastockbr/shutterstock

B) VALOR REALIZÁVEL LÍQUIDO

O CPC 16 o define da seguinte forma: “valor realizável líquido é o preço de venda estimado no curso normal
dos negócios deduzido dos custos estimados para sua conclusão e dos gastos estimados necessários para se
concretizar a venda”.

Fonte: (COMITÊ DE PRONUNCIAMENTO CONTÁBIL, 2020)

O valor do estoque evidenciado no balanço patrimonial precisa obedecer ao princípio da prudência ou do


conservadorismo. Segundo esse princípio, caso haja dois valores igualmente válidos para o registro do ativo,
a entidade deverá optar pelo menor deles.

Custo Valor
Custo Unitário abaixo de
Materiais Quantidade unitário em realizável
total mercado em R$
R$ líquido

1 2.000 3 6.000 2,50 0,50

2 3.000 4 12.000 4,20 -

 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal


Percebe-se na tabela acima que o material 1 possui valor realizável líquido abaixo do custo.
Consequentemente, deve-se reconhecer uma perda estimada para que o estoque seja ajustado ao valor
líquido de realização.

Diferença (valor da
Valor unitário Custo Valor
Materiais Quantidade perda estimada) em
que prevalece total contábil
R$

1 2.000 2,50 5.000 6.000 1.000

 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal

No primeiro momento, o valor a ser registrado (mensuração inicial) nos estoques deverá incluir o custo de
aquisição, o valor da compra e o custo histórico. No caso da tabela, R$3 para o material 1 e R$4 para o 2.

A mensuração posterior terá de comparar seu valor de custo com o que se espera que seja realizado após
sua venda ou uso. Caso esse valor seja superior, o de estoque será reduzido (write down) para o valor
realizável líquido.

Alguns fatores podem influenciar o cálculo do valor recuperável.

 EXEMPLO

Obsolescência e deterioração dos estoques, assim como a diminuição dos preços de venda ou o aumento dos
custos estimados incorridos para a realização dela.

Os estoques geralmente precisam ser reduzidos para seu valor realizável líquido – e isso é feito item a item.
Em algumas circunstâncias, porém, pode ser apropriado agrupar unidades semelhantes ou relacionadas.

 EXEMPLO

Se eu não conseguir mensurá-las ou o custo de oportunidade não puder ser incluído no cálculo do custo de
três modelos de canetas, poderei agrupá-las simplesmente como canetas em vez de buscar seu valor
individual.

O item 30 do CPC 16 (2020) indica que o cálculo das estimativas do valor realizável líquido deverá estar
baseado nas evidências mais confiáveis à disposição quando essas estimativas se referirem ao valor dos
estoques que se espera realizar. Esse cálculo terá de levar em consideração as variações nos preços e nos
custos diretamente relacionadas com os eventos ocorridos após o fim do período à medida que eles
confirmarem suas condições existentes.

Já o item 33 (2020 destaca que, em cada período subsequente, uma nova avaliação do valor realizável líquido
precisa ser realizada. A quantia da redução terá de ser revertida (a reversão é limitada à quantia da redução
original) para que o novo montante registrado do estoque constitua o menor valor entre o custo e o realizável
líquido revisto.

Isso será possível em duas situações:

As circunstâncias que anteriormente provocaram a redução dos estoques abaixo do custo deixam de existir;


Existe a clara evidência de um aumento no valor realizável líquido graças à alteração das circunstâncias
econômicas.

A Comercial XYZ possui em seu estoque uma mercadoria registrada no valor de R$100. Sabe-se que o valor
de mercado dela, contudo, é superior: R$150. Também é sabido que o custo para preparar o item para a
venda é de R$10.

O estoque está registrado em R$100 (correspondendo ao valor de aquisição); o valor de mercado, em R$150.
Desse modo, o valor realizável líquido é alcançado pelo desconto do custo de preparação para a venda: R$10.

Desse modo, o valor realizável é igual a R$140. Neste caso, deve-se escolher o menor valor, ou seja, a
mercadoria continua a ser registrada por R$100.

Admitamos agora que, no ano seguinte, o valor de mercado da mercadoria seja, por questões de mercado,
reduzido para R$105 – e não mais de R$150. O custo de preparação, contudo, continua o mesmo: R$10.

O valor realizável líquido passa a ser de R$105 – R$10 = R$95. Neste segundo momento, o custo está maior
(R$100) que o valor realizável líquido (R$95); logo, uma perda de R$5 precisa ser registrada.

MÃO NA MASSA

1. (FBC/EXAME CFC/2017.1 – ADAPTADA) UMA SOCIEDADE EMPRESÁRIA


COMERCIALIZA EQUIPAMENTOS DE INFORMÁTICA. EM 31.12.2016, ELA APUROU
UM SALDO EM SUA CONTA DE MERCADORIAS PARA REVENDA NO VALOR DE
R$100.000 (MONTANTE FORMADO GRAÇAS AO ACÚMULO DE 50 NOTEBOOKS). ATÉ
ENTÃO, O PREÇO DE VENDA PRATICADO POR ESSA SOCIEDADE ERA DE R$3.000
A UNIDADE.
DIANTE DO ENCALHE DO ESTOQUE DESSE MODELO DE NOTEBOOK, A
SOCIEDADE EMPRESÁRIA, APÓS TER REALIZADO UMA PESQUISA DE MERCADO,
IDENTIFICOU QUE SEUS CONCORRENTES ESTAVAM VENDENDO O MESMO ITEM
POR R$1.500 A UNIDADE. POR CONTA DISSO, ELA IMEDIATAMENTE REDUZIU SEU
PREÇO DE VENDA PARA ESSE VALOR.

SAIBA QUE OS VENDEDORES DESSA SOCIEDADE RECEBEM 10% DE COMISSÃO


SOBRE AS VENDAS. NA MESMA DATA, O FORNECEDOR DOS NOTEBOOKS PARA A
SOCIEDADE EMPRESÁRIA FOI CONSULTADO E INFORMOU QUE ESTAVA
COMERCIALIZANDO O MESMO MODELO NO ATACADO POR R$800.

CONSIDERANDO APENAS AS INFORMAÇÕES APRESENTADAS E DE ACORDO COM


A NBC TG 16 (R1) – ESTOQUES, A SOCIEDADE EMPRESÁRIA APRESENTA, EM
31.12.2016, UM VALOR CONTÁBIL DE ESTOQUE DE:

A) R$40.000, já que ela deve reconhecer uma perda de R$60.000 devido ao valor praticado atualmente pelo
fornecedor.

B) R$67.500, pois ela precisa reconhecer uma perda de R$32.500, tendo em vista o valor realizável líquido.

C) R$135.000, pois ela tem de levar em conta o preço de venda atualmente praticado: líquido das comissões
sobre vendas.

D) R$100.000, porque ela considera o custo de aquisição dos 50 notebooks praticado pelos fornecedores.

E) R$100.000, uma vez que nenhum ajuste deve ser realizado no estoque.

GABARITO

1. (FBC/Exame CFC/2017.1 – adaptada) Uma sociedade empresária comercializa equipamentos de


informática. Em 31.12.2016, ela apurou um saldo em sua conta de mercadorias para revenda no valor
de R$100.000 (montante formado graças ao acúmulo de 50 notebooks). Até então, o preço de venda
praticado por essa sociedade era de R$3.000 a unidade.

Diante do encalhe do estoque desse modelo de notebook, a sociedade empresária, após ter realizado
uma pesquisa de mercado, identificou que seus concorrentes estavam vendendo o mesmo item por
R$1.500 a unidade. Por conta disso, ela imediatamente reduziu seu preço de venda para esse valor.

Saiba que os vendedores dessa sociedade recebem 10% de comissão sobre as vendas. Na mesma
data, o fornecedor dos notebooks para a sociedade empresária foi consultado e informou que estava
comercializando o mesmo modelo no atacado por R$800.

Considerando apenas as informações apresentadas e de acordo com a NBC TG 16 (R1) – estoques, a


sociedade empresária apresenta, em 31.12.2016, um valor contábil de estoque de:
A alternativa "B " está correta.

Saldo da conta de R$100.000:

50 unidades;

Preço de venda praticado: R$3.000;

Valor de mercado até então: 50 x R$3.000 = R$150.000.

Situação 1:

Concorrentes vendendo por R$1.500 a unidade;

Comissão de 10% sobre as vendas;

Valor líquido: R$1.500 – 10% = R$1.350;

50 unidades x R$1.350 = R$67.500.

Situação 2:

Comercializando o mesmo modelo de notebook por R$800 cada um no atacado: 50 unidades x R$800 =
R$40.000.

Devemos levar em conta o valor realizável líquido (valor de venda – despesas necessárias para a concretizar)
praticado pelos concorrentes. Entre R$67.500 e R$40.000, precisamos considerar o maior valor e compará-lo
com o custo registrado no estoque, o qual, no caso, é maior – e, por isso, ele necessita de ajuste.

GABARITO

5. DIVERGÊNCIAS ENTRE O ESTOQUE FÍSICO E O


CONTÁBIL
Indica-se que os estoques devem ser inventariados pelo menos mensalmente por ocasião do levantamento
dos balancetes e dos balanços patrimoniais ou intermediários.

Mas o que significa inventariar um estoque?

Inventariar é efetuar a contagem de modo que se tenha a listagem completa e detalhada dos produtos. Nesse
processo, cada um é identificado e classificado, verificando-se ainda a existência e a condição de todos os
itens. Ele possibilita, portanto, um controle sobre os produtos da empresa.
Fonte: GaudiLab/Shutterstock

Seu controle ajuda a coibir perdas e roubos, assim como a eliminar produtos e mercadorias defeituosas,
obsoletas ou em número excessivo. Eventuais diferenças têm de ser regularizadas, no mínimo, por ocasião do
levantamento de balancetes e balanços, período em que deve ser feito o lançamento de acerto dos saldos.

Esse controle pode ser feito de duas maneiras:

Pressmaster/Shutterstock

Forma rotativa: Ele é feito com periodicidade predefinida (mensal, semanal, quinzenal, semestral etc.). Este
modelo rotativo é aconselhável para empresas que possuam um alto giro dos seus produtos justamente pela
precisão de seu controle;
TMLsPhotoG/Shutterstock

Forma periódica: O controle do estoque é realizado em um período determinado pela organização, embora
ele não seja feito com a mesma constância verificada no modelo rotativo.

 ATENÇÃO

É altamente recomendável que as empresas de comércio eletrônico possuam a classificação, a ordenação e o


controle rígido de seu estoque. Tais procedimentos facilitam uma localização célere do produto, possibilitando
seu envio rápido para o cliente e aumentando a satisfação dele.

Como um estoque é inventariado?

Tal processo precisa ser realizado por um profissional estranho àqueles que trabalham nos almoxarifados.
Essa segregação de função é essencial para garantir a confiabilidade dos dados. Afinal, os valores constantes
do termo de apuração devem ser confrontados com a escrituração contábil, ou seja, com o que a
contabilidade tem registrado.

Caso haja diferenças entre os valores inventariados e os contabilizados, deve-se, em primeiro lugar, entender
o motivo dessas diferenças para, em seguida, avaliar a necessidade de contabilização dos ajustes. As perdas
normais de produção são apropriadas aos custos; as excepcionais, por sua vez, têm de ser apropriadas
diretamente no resultado do período.

Segundo o CPC 16 (2020), as demonstrações contábeis precisam divulgar as seguintes informações nas
notas explicativas:

1
As políticas contábeis adotadas na mensuração dos estoques, incluindo formas e critérios de valoração
utilizados;

O valor total escriturado em estoques e aquele registrado em outras contas apropriadas para a entidade;

O valor de estoques escriturados pelo valor justo menos os custos de venda;

O valor de estoques reconhecido como despesa durante o período;

O valor de qualquer redução de estoques reconhecida no resultado do período;

O valor de toda reversão de qualquer redução do valor dos estoques reconhecida no resultado do período;

As circunstâncias ou os acontecimentos que conduziram à reversão de redução de estoques;

O montante escriturado dos estoques dados como penhor de garantia a passivos.


8

VALOR REALIZÁVEL LÍQUIDO DOS ESTOQUES


Verificaremos neste vídeo a mensuração do valor realizável e seu impacto para o acionista. Em seguida,
analisaremos a correlação entre os índices de análise econômico-financeira e os princípios contábeis.

VERIFICANDO O APRENDIZADO

1. (FBC/EXAME DE SUFICIÊNCIA/2017.1 – ADAPTADA) DE ACORDO COM A NBC TG


16 (R1) – ESTOQUES, APÓS O RECONHECIMENTO INICIAL, OS ESTOQUES DEVEM
SER MENSURADOS PELO:

A) Custo de reposição futura ou preço bruto de venda; dos dois, o maior.

B) Custo de reposição futura ou preço bruto de venda; dos dois, o menor.

C) Valor de custo ou pelo valor realizável líquido; dos dois, o maior.

D) Valor de custo ou pelo valor realizável líquido; dos dois, o menor.

E) Custo de aquisição menos despesas com venda.

2. (CESGRANRIO/BR DISTRIBUIDORA/TÉCNICO DE CONTABILIDADE/2013) NOS


TERMOS DA LEGISLAÇÃO SOCIETÁRIA EM VIGOR, ALGUNS ATIVOS SÃO
AVALIADOS PELO VALOR JUSTO. DETERMINADO PELO PREÇO POR MEIO DO
QUAL OS ATIVOS PODEM SER REPOSTOS MEDIANTE UMA COMPRA NO MERCADO,
O VALOR JUSTO SE APLICA A:

A) Investimentos

B) Bens em almoxarifado

C) Instrumentos financeiros

D) Bens destinados à venda

E) Direitos destinados à venda

GABARITO

1. (FBC/exame de suficiência/2017.1 – adaptada) De acordo com a NBC TG 16 (R1) – estoques, após o


reconhecimento inicial, os estoques devem ser mensurados pelo:

A alternativa "D " está correta.

De acordo com o CPC (2020), a mensuração considera o menor valor entre o custo de aquisição e o realizável
líquido a fim de atender ao princípio da prudência (dos dois valores igualmente válidos para o ativo, escolhe-
se o menor).

2. (Cesgranrio/BR Distribuidora/técnico de contabilidade/2013) Nos termos da legislação societária em


vigor, alguns ativos são avaliados pelo valor justo. Determinado pelo preço por meio do qual os ativos
podem ser repostos mediante uma compra no mercado, o valor justo se aplica a:

A alternativa "B " está correta.


Segundo a Lei das SA (Lei nº 6404/76), no “balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os
seguintes critérios: [...] b) das matérias-primas e dos bens em almoxarifado, o preço pelo qual possam ser
repostos, mediante compra no mercado”.

MÓDULO 2

 Descrever os métodos de controles de estoque

PRIMEIRAS PALAVRAS
A manutenção de um adequado controle da movimentação em quantidade e do valor dos estoques é
essencial. Afinal, ela auxilia na tomada de decisão, já que, dependendo da forma de mensuração do estoque,
o resultado da companhia pode ser alterado.

O inventário é o levantamento das mercadorias existentes em estoque no final do exercício social feito com a
finalidade de conhecer o estoque final.

Basicamente, são utilizadas duas formas para efetuar o controle de estoque:

a) Inventário periódico

Os estoques são avaliados na data do balanço por meio do inventário físico. Para o cálculo do valor do custo
das mercadorias vendidas (CMV), utiliza-se a seguinte equação:

Unexpected text node: 'CMV = Estoque inicial + Compras líquidas – Estoque final'

 Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal


b) Inventário permanente

O sistema de inventário permanente será discutido neste módulo.

SISTEMA DE INVENTÁRIO PERMANENTE


O controle das mercadorias realizado por meio do modo permanente permite que, ao final de cada operação
de compra ou venda, seja possível calcular o valor do estoque final e do custo das mercadorias vendidas.
Para a concretização desse inventário, são empregadas fichas de controle (apontando qual inventário será
utilizado) para cada espécie de estoque

A necessidade de escolha de um critério de avaliação de estoque decorre da instabilidade de preços. Se


tivermos uma economia com preços perfeitamente estáveis, o resultado, qualquer que seja o critério adotado,
será igual.

Fonte: 19Studio.co/Shutterstock

Descreveremos a seguir os critérios mais comuns para a avaliação dos estoques:

1. MÉTODO PEPS OU FIFO (PRIMEIRO QUE


ENTRA, PRIMEIRO QUE SAI)
Neste método, o estoque final é avaliado pelo custo de aquisição das mercadorias mais recentes (as últimas
adquiridas), enquanto o CMV o é pelo custo de aquisição daquelas mais antigas (as primeiras a serem
adquiridas).
À medida que as mercadorias são vendidas, a baixa dos estoques é realizada pelo valor dos itens das
primeiras compras.

MÃO NA MASSA

1. (FCC/ANALISTA JUDICIÁRIO/CONTABILIDADE/TJ-PI/2009) CONSIDERE A


SEGUINTE TABELA:

DIA TRANSAÇÃO

3 COMPRA DE 40 UNIDADES A R$200 CADA UMA

9 COMPRA DE 60 UNIDADES A R$220 CADA UMA

15 VENDA DE 90 UNIDADES A R$400 CADA UMA

25 COMPRA DE 50 UNIDADES A R$240 CADA UMA

 ATENÇÃO! PARA VISUALIZAÇÃOCOMPLETA DA TABELA UTILIZE A ROLAGEM


HORIZONTAL

SE A COMPANHIA AVALIAR SEUS ESTOQUES PELO CRITÉRIO PEPS (PRIMEIRO


QUE ENTRA, PRIMEIRO QUE SAI), O VALOR DO SEU ESTOQUE DE MERCADORIAS
NO FINAL DO MÊS CORRESPONDERÁ, EM REAIS, A:

A) 13.980

B) 14.000

C) 14.120

D) 14.240

E) 14.200
GABARITO

1. (FCC/analista judiciário/Contabilidade/TJ-PI/2009) Considere a seguinte tabela:

Dia Transação

3 Compra de 40 unidades a R$200 cada uma

9 Compra de 60 unidades a R$220 cada uma

15 Venda de 90 unidades a R$400 cada uma

25 Compra de 50 unidades a R$240 cada uma

 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal

Se a companhia avaliar seus estoques pelo critério PEPS (primeiro que entra, primeiro que sai), o valor
do seu estoque de mercadorias no final do mês corresponderá, em reais, a:

A alternativa "E " está correta.

Entradas Saídas Saldo

Dia Valores em R$ Valores em R$ Valores em R$

Qtde. Unit. Total Qtde. Unit. Total Qtde. Unit. Total

3 40 200 8.000 - - - 40 200 8.000

40 8.000
200
9 60 220 13.200 - - - 60 13.200
220
100 21.200

15 - - - 40 200 8.000
50 220 11.000 10 220 2.200
90 19.000
10 2.200
220
25 50 240 12.000 - - - 50 12.000
240
60 14.200

 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal

No dia 3, as 40 unidades foram as primeiras a entrar no estoque de mercadoria. Assim, no dia 15, na primeira
venda, são essas mercadorias que “sairão”.

O custo da mercadoria vendida correspondeu a R$19.000, valor que é oriundo da venda de 90 unidades
(R$8.000 + R$11.000). O estoque final, portanto, ficou em 60 unidades e com um valor de R$14.200.

GABARITO

2. MÉTODO UEPS OU LIFO (ÚLTIMO QUE ENTRA,


PRIMEIRO QUE SAI)
O estoque final é avaliado exatamente ao contrário do PEPS, ou seja, pelo custo de aquisição das
mercadorias mais antigas (as primeiras adquiridas), enquanto o CMV o é pelo de aquisição das mais recentes
(as últimas adquiridas).

 ATENÇÃO

Este método não pode mais ser utilizado contabilmente. O Fisco não aceita que as empresas o adotem pelo
fato de que o UEPS propicia um menor lucro bruto, diminuindo, por conseguinte, a base de cálculo de dois
tributos (IR e CSLL) e a própria arrecadação do Estado.

MÃO NA MASSA

1. (FCC/ANALISTA JUDICIÁRIO/CONTABILIDADE/TJ-PI/2009) OBSERVE ESTA


TABELA:
DIA TRANSAÇÃO

3 COMPRA DE 40 UNIDADES A R$200 CADA UMA

9 COMPRA DE 60 UNIDADES A R$220 CADA UMA

15 VENDA DE 90 UNIDADES A R$400 CADA UMA

25 COMPRA DE 50 UNIDADES A R$240 CADA UMA

 ATENÇÃO! PARA VISUALIZAÇÃOCOMPLETA DA TABELA UTILIZE A ROLAGEM


HORIZONTAL

SE UMA SOCIEDADE AVALIAR SEUS ESTOQUES PELO CRITÉRIO UEPS (ÚLTIMO


QUE ENTRA, PRIMEIRO QUE SAI), O CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS (CMV)
DELA NAS TRANSAÇÕES DO MÊS SERÁ, EM REAIS, DE:

A) 19.200

B) 19.120

C) 19.080

D) 19.000

E) 18.920

GABARITO

1. (FCC/analista judiciário/contabilidade/TJ-PI/2009) Observe esta tabela:

Dia Transação

3 Compra de 40 unidades a R$200 cada uma

9 Compra de 60 unidades a R$220 cada uma


15 Venda de 90 unidades a R$400 cada uma

25 Compra de 50 unidades a R$240 cada uma

 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal

Se uma sociedade avaliar seus estoques pelo critério UEPS (último que entra, primeiro que sai), o
custo das mercadorias vendidas (CMV) dela nas transações do mês será, em reais, de:

A alternativa "E " está correta.

Entradas Saídas Saldo

Dia Valores em R$ Valores em R$ Valores em R$

Qtde. Unit. Total Qtde. Unit. Total Qtde. Unit. Total

3 40 200 8.000 - - - 40 200 8.000

40 8.000
200
9 60 220 13.200 - - - 60 13.200
220
100 21.200

60 13.200
220
15 - - - 30 6.000
200 10 200 2.000
90 19.200

10 2.000
200
25 50 240 12.000 - - - 50 12.000
240
60 14.000

 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal

No dia 9, as 60 unidades foram as últimas que entraram no estoque de mercadoria. Já no dia 15, elas serão,
na venda, as utilizadas como preço para o cálculo do CMV, já que são as últimas a terem entrado nele.

O custo da mercadoria vendida corresponde a R$19.200, valor oriundo da venda de 90 unidades (R$13.200 +
R$6.000). Já o valor do CMV foi diferente do registrado pelo PEPS (R$19.000).
O estoque final permaneceu tendo 60 unidades e um valor de R$14.000. A quantidade foi a mesma em
unidades, embora, em valor, ela tenha sido menor que a apurada no PEPS. O valor do CMV, portanto, é de
18.920.

GABARITO

Faremos agora uma comparação entre os critérios PEPS e UEPS em dois momentos da economia:

Inflacionária

PEPS: O estoque e o lucro bruto são maiores (superavaliados) e o CMV, menor (subavaliado);

UEPS: O estoque e o lucro bruto são menores (subavaliados) e o CMV, maior (superavaliado).


Deflacionária

PEPS: O estoque e o lucro bruto são menores (subavaliados) e o CMV, maior (superavaliado);

UEPS: O estoque e o lucro bruto são maiores (superavaliados) e o CMV, menor (subavaliado).

MÃO NA MASSA

1. (CESGRANRIO/ADMINISTRADOR JÚNIOR/TRANSPETRO/2011) PARA UMA


EMPRESA INSERIDA EM UMA ECONOMIA INFLACIONÁRIA, O MÉTODO DE CUSTEIO,
OU FLUXO DE CUSTO, PODE TER GRANDE INFLUÊNCIA SOBRE AS MEDIDAS DE
DESEMPENHO DE LUCRO E ATIVOS, COMO, POR EXEMPLO, OS ESTOQUES.

SENDO ASSIM, ASSOCIE OS MÉTODOS ÀS CARACTERÍSTICAS APRESENTADAS A


SEGUIR:

I - PEPS (PRIMEIRO QUE ENTRA, PRIMEIRO QUE SAI);


II - UEPS (ÚLTIMO QUE ENTRA, PRIMEIRO QUE SAI);
III - CUSTO MÉDIO PONDERADO.

P - SUBAVALIA O RESULTADO DO PERÍODO;


Q - MANTÉM O ESTOQUE DE PRODUTOS A PREÇOS CORRENTES;
R - FACILITA O CÁLCULO DOS CUSTOS E DO ESTOQUE FINAL;
S - É O MAIS USADO PELAS EMPRESAS.

AS ASSOCIAÇÕES CORRETAS SÃO:

A) I - P, II - Q, III - S

B) I - Q, II - P, III - R

C) I - Q, II - P, III - S

D) I - R, II - S, III - P

E) I - S, II - R, III – Q

2. (FCC/ICMS-SP/2009) A EMPRESA GIROAUTO S. A. PRETENDE CONTROLAR SEUS


ESTOQUES DE MERCADORIAS PARA FINS DE GESTÃO DE FORMA QUE ELES
ESTEJAM O MAIS PRÓXIMO DO QUE ELA DESEMBOLSARIA PARA OS REPOR.
CONSIDERANDO QUE O MERCADO EM QUE ELA ATUA TEM UM COMPORTAMENTO
ESTÁVEL DE PREÇOS E QUE SEUS FORNECEDORES OS ADMINISTRAM SEMPRE,
REAJUSTANDO-OS PARA ÍNDICES MAIORES, O CRITÉRIO DE CUSTEIO QUE
MELHOR ATENDERIA À EMPRESA PARA ALCANÇAR ESSE OBJETIVO SERIA:

A) Qualquer um dos métodos por eles não apresentarem diferenças quanto ao preço de reposição.

B) O método do preço médio ponderado.

C) O método PEPS, pois ele apresenta o custo mais próximo do preço de mercado.

D) O método do preço médio comparado ao de venda.

E) O método UEPS, que contém o custo de reposição do produto.

GABARITO

1. (Cesgranrio/administrador júnior/Transpetro/2011) Para uma empresa inserida em uma economia


inflacionária, o método de custeio, ou fluxo de custo, pode ter grande influência sobre as medidas de
desempenho de lucro e ativos, como, por exemplo, os estoques.

Sendo assim, associe os métodos às características apresentadas a seguir:

I - PEPS (primeiro que entra, primeiro que sai);


II - UEPS (último que entra, primeiro que sai);
III - Custo médio ponderado.
P - Subavalia o resultado do período;
Q - Mantém o estoque de produtos a preços correntes;
R - Facilita o cálculo dos custos e do estoque final;
S - É o mais usado pelas empresas.

As associações corretas são:

A alternativa "C " está correta.

I – PEPS: Q - mantém o estoque de produtos a preços correntes;

II – UEPS: P - subavalia o resultado do período;

III – Custo médio ponderado S – trata-se do mais usado pelas empresas.

2. (FCC/ICMS-SP/2009) A empresa Giroauto S. A. pretende controlar seus estoques de mercadorias


para fins de gestão de forma que eles estejam o mais próximo do que ela desembolsaria para os repor.
Considerando que o mercado em que ela atua tem um comportamento estável de preços e que seus
fornecedores os administram sempre, reajustando-os para índices maiores, o critério de custeio que
melhor atenderia à empresa para alcançar esse objetivo seria:

A alternativa "C " está correta.

GABARITO

3. CUSTO MÉDIO MÓVEL E FIXO


O estoque final é avaliado pelo custo médio das mercadorias adquiridas. Por esse critério, o valor médio de
cada unidade em estoque é alterado pelas compras de outras unidades por um preço diferente. A cada nova
aquisição, o custo médio das mercadorias adquiridas se altera, influenciando diretamente o CMV.

Este método é o mais utilizado no Brasil.

Para facilitarmos seu entendimento, consideraremos os mesmos dados apresentados em PEPS e UEPS para
fins comparativos:

Dia Transação

3 Compra de 40 unidades a R$200 cada uma

9 Compra de 60 unidades a R$220 cada uma


15 Venda de 90 unidades a R$400 cada uma

25 Compra de 50 unidades a R$240 cada uma

 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal

Colocando-os na ficha de estoque, temos:

Entradas Saídas Saldo

Dia Valores em R$ Valores em R$ Valores em R$

Qtde. Unit. Total Qtde. Unit. Total Qtde. Unit. Total

3 40 200 8.000 - - - 40 200 8.000

9 60 220 13.200 - - - 100 212 21.200

15 - - - 90 212 19.080 10 212 2.120

25 50 240 12.000 - - - 60 235,33 14.120

 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal

Repare que, no dia 9, as 60 unidades tiveram como custo 212. Isso foi encontrado dividindo o valorem
estoque até o dia 9, que era de R$21.200, por 100 unidades.

O custo da mercadoria vendida corresponde a R$19.080, valor oriundo da venda de 90 unidades porR$212.
Com a nova aquisição do dia 25, o novo custo médio do estoque passa a ser de R$235,33. Ele foicalculado
mediante a divisão do valor em estoque (R$14.120) pelas 60 unidades.

Estabeleceremos a seguir uma comparação importante sobre dois tipos de custo médio ponderado:
AlenKadr/shutterstock

Móvel: Cada unidade é vendida ou consumida, sendo baixadado estoque pelo preço médio existente
momento;

Kwangmoozaa/shutterstock

Fixo: Todas as unidades vendidas ou consumidas no períodosão baixadas dele uma única vez pelo preço
médio fixado no período no últimodia do mês.

Dia Transação
3 Compra de 500 unidades a R$400 cada uma

5 Compra de 1.000 unidades a R$450 cada uma

15 Compra 2.000 unidades a R$500 cada uma

 Atenção! Paravisualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal

500 unidades x R$400 = R$200.000;

unidades x R$450 = R$450.000;

2.000 unidades x R$500 = R$1.000.000.

Somando as três compras, temos R$1.650.000 com 3.500 unidades. Dividindo o valor total pelasquantidades,
chegamos ao valor unitário de R$471. Qualquer consumo de estoque ao longo do mês deveráconsiderar esse
valor (R$471) como custo unitário. Admitamos ainda que o consumo no mês tenha sido de500 unidades. O
custo da mercadoria vendida seria, neste caso, de 500 x R$471 = R$235.500.

4. PREÇO OU CUSTO ESPECÍFICO


O estoque final é avaliado pelo preço efetivamente pago para cada item especificamente determinado. Tal
método somente será usado quando for possível determinar o preço específico de cada unidade em estoque
mediante identificação física.

 EXEMPLO

Em uma revenda de automóveis, pratica-se o preço específico.

De maneira geral, esse critério normalmente só é aplicável em alguns casos nos quais a quantidade, o valor
ou a própria característica da mercadoria ou material o permitam. Na maioria das vezes, ele é impossível ou
economicamente inconveniente.

5. MÉTODO DO PREÇO DE VENDA A VAREJO


Este método teve como origem as empresas comerciais com um elevado número de itens de estoques à
venda. Apesar de os controles serem a preços de venda, seu estoque final é avaliado a valores de entrada na
linha do custo pela média ponderada móvel.

Sua adoção é considerada extremamente difícil graças à:

Impossibilidade de manter um controle permanente dos estoques devido ao elevado número de diferentes
itens transacionados;


Existência de vários pontos de estoque com os mesmos produtos.

MÉTODOS DE CONTROLE DE ESTOQUE


Um especialista mostrará como é feita a utilização dos métodos de controle de estoque, comentando ainda
sobre seu impacto na gestão do estoque, nos lucros bruto e líquido e na tomada de decisão da administração
e dos investidores.
VERIFICANDO O APRENDIZADO

1. (CESPE/TÉCNICO ADMINISTRATIVO/ICMBIO 2014 – ADAPTADO) UMA DAS METAS


DA AVALIAÇÃO DE ESTOQUES É O CONTROLE FÍSICO E FINANCEIRO DOS
MATERIAIS. NESSE SENTIDO, SE UMA ORGANIZAÇÃO UTILIZA O MÉTODO FIFO (OU
PEPS) PARA AVALIAR SEUS ESTOQUES, É CORRETO AFIRMAR QUE:

A) Ela considera que uma unidade retirada do estoque corresponde à última que ingressou nele.

B) Ela considera que uma unidade retirada do estoque corresponde à primeira que ingressou nele.

C) Ela considera que o preço de uma unidade retirada do estoque corresponde ao preço médio das unidades
que ingressaram nele.

D) Ela considera que o preço de uma unidade retirada do estoque corresponde ao preço de mercado da
mercadoria.

E) Ela considera que o preço de uma unidade retirada do estoque corresponde ao preço de venda da
mercadoria que ingressou nele.

2. (FBC/EXAME DE SUFICIÊNCIA DO CFC/BACHAREL/2011.1 – ADAPTADA) UMA


SOCIEDADE EMPRESÁRIA REALIZOU AS SEGUINTES AQUISIÇÕES DE PRODUTOS
NO PRIMEIRO BIMESTRE DE 2011:

3.1.2011 40 UNIDADES A R$30


24.1.2011 50 UNIDADES A R$24
1.2.2011 50 UNIDADES A R$20
15.2.2011 60 UNIDADES A R$20

SABE-SE QUE:
A EMPRESA NÃO APRESENTAVA ESTOQUE INICIAL;

NO DIA 10.2.2011, FORAM VENDIDAS 120 UNIDADES DE PRODUTOS AO PREÇO


DE R$40 CADA UMA.

NÃO SERÁ CONSIDERADA A INCIDÊNCIA DE ICMS NAS OPERAÇÕES DE COMPRA E


VENDA. O CRITÉRIO DE AVALIAÇÃO ADOTADO PARA AS MERCADORIAS VENDIDAS
É O PEPS. TENDO ISSO EM VISTA, O LUCRO BRUTO COM MERCADORIAS, A
QUANTIDADE FINAL DE UNIDADES EM ESTOQUE E O VALOR UNITÁRIO DE CUSTO
EM ESTOQUES DE PRODUTOS, NO DIA 28.2.2011, SÃO DE:

A) R$1.800 e 80 unidades a R$20 cada.

B) R$1.885,71 e 80 unidades a R$24,29 cada.

C) R$1.980 e 80 unidades a R$23,50 cada.

D) R$2.040 e 80 unidades a R$23 cada.

E) R$1.800 e 80 unidades a R$23 cada.

GABARITO

1. (CESPE/técnico administrativo/ICMBio 2014 – adaptado) Uma das metas da avaliação de estoques é


o controle físico e financeiro dos materiais. Nesse sentido, se uma organização utiliza o método FIFO
(ou PEPS) para avaliar seus estoques, é correto afirmar que:

A alternativa "B " está correta.

No critério PEPS (FIFO), à medida que as mercadorias são vendidas, a baixa dos estoques é realizada pelo
valor dos itens das primeiras compras. Dessa forma, em uma economia inflacionária (realidade que
normalmente se confirma), o estoque e o lucro bruto, pelo critério PEPS, são maiores (superavaliados),
enquanto o CMV é menor (subavaliado).

2. (FBC/exame de suficiência do CFC/bacharel/2011.1 – adaptada) Uma sociedade empresária realizou


as seguintes aquisições de produtos no primeiro bimestre de 2011:

3.1.2011 40 unidades a R$30


24.1.2011 50 unidades a R$24
1.2.2011 50 unidades a R$20
15.2.2011 60 unidades a R$20
Sabe-se que:

A empresa não apresentava estoque inicial;

No dia 10.2.2011, foram vendidas 120 unidades de produtos ao preço de R$40 cada uma.

Não será considerada a incidência de ICMS nas operações de compra e venda. O critério de avaliação
adotado para as mercadorias vendidas é o PEPS. Tendo isso em vista, o lucro bruto com mercadorias,
a quantidade final de unidades em estoque e o valor unitário de custo em estoques de produtos, no dia
28.2.2011, são de:

A alternativa "A " está correta.

PEPS:

Entradas Saídas Saldo

Dia Valores em R$ Valores em R$ Valores em R$

Qtde. Unit. Total Qtde. Unit. Total Qtde. Unit. Total

3.1 40 30 1.200 - - - 40 30 1.200

40 1.200
30
24.1 50 24 1.200 - - - 50 1.200
24
90 2.400

40 1.200
30
50 1.200
1.2 50 20 1.000 - - - 24
50 1.000
20
140 3.400

40 1.200
30
50 1.200
10.2 - - - 40 20 20 400
30 600
20
120 3.000
15.2 60 20 1.200 - - - 20 20 400
60 20 1.200
80 1.600

 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal

Lucro bruto corresponde a: Venda – CMV

Lucro bruto = 4.800 – 3.000 = 1.800

MÓDULO 3

 Descrever os métodos de mensuração dos custos de estoque dos produtos agrícolas e dos
prestadores de serviço

PRIMEIRAS PALAVRAS
Estudaremos neste módulo os custos do produto agrícola e do estoque de prestador de serviço.

CUSTO DO PRODUTO AGRÍCOLA


O pronunciamento técnico CPC 29 – ativo biológico e produto agrícola (2020) estabelece o tratamento contábil
e as respectivas divulgações relacionados aos ativos biológicos (Um ativo biológico é um animal e/ou uma
planta que esteja vivo.) e aos produtos agrícolas.
1. DEFINIÇÕES
O CPC 29 (2020) estabelece definições relacionadas à área agrícola que são consideradas necessárias para
o entendimento deste tipo de custo:

a) Atividade agrícola x produção agrícola

Devemos estabelecer a diferença entre ambas.

Andrii Yalanskyi/shutterstock

ATIVIDADE AGRÍCOLA
Corresponde ao gerenciamento da transformação biológica e da colheita de ativos biológicos feita pela
entidade para venda ou conversão em produtos agrícolas ou em ativos biológicos adicionais;


Andrii Yalanskyi/shutterstock

PRODUÇÃO AGRÍCOLA
Está relacionada ao produto colhido de ativo biológico da entidade.

ATIVO BIOLÓGICO

Um mesmo ativo biológico pode gerar mais de um tipo de produto agrícola, como, por exemplo, o gado,
do qual se pode extrair leite ou carne – ou ambos.

b) Planta portadora

Ela é uma planta viva que:

Utiliza-se na produção ou no fornecimento de produtos agrícolas;

É cultivada para produzir frutos por mais de um período;


Tem uma probabilidade remota de ser vendida como produto agrícola (exceto nos casos eventuais em que a
venda seja como sucata).

c) Ativos biológicos

Podem ser classificados em dois grupos:

Fonte: Andrii Yalanskyi/Shutterstock

ATIVOS BIOLÓGICOS CONSUMÍVEIS

São os ativos passíveis de serem colhidos como produto agrícola ou vendidos como ativos biológicos.

EXEMPLO:

Rebanhos mantidos para a venda e plantações de milho e soja.


Fonte: Andrii Yalanskyi/Shutterstock

ATIVOS BIOLÓGICOS DE PRODUÇÃO

Estes ativos são “autorrenováveis”, estando aptos para sustentar a produção e as colheitas regulares.

EXEMPLO:

Rebanhos de animais para a produção de leite e árvores frutíferas.

Essa classificação mostra-se relevante à medida que, para os ativos biológicos de produção, o CPC 29 não se
aplica. Para esses ativos, o CPC 27 – ativo imobilizado (2020) deve ser o escolhido.

2. RECONHECIMENTO E MENSURAÇÃO DO
PRODUTO AGRÍCOLA
As exigências para o reconhecimento de um ativo biológico estão descritas no item 10 do CPC 29 (2020). Ele
destaca que a entidade deverá reconhecer um ativo biológico ou um produto agrícola somente quando:

a) Controlar o ativo como resultado de eventos passados

Esse controle pode ser evidenciado, por exemplo, pela propriedade legal do gado e sua marcação no
momento da aquisição ou de seu nascimento.
ETAPA 01
ETAPA 02
ETAPA 03

A) CONTROLAR O ATIVO COMO RESULTADO DE EVENTOS


PASSADOS

Esse controle pode ser evidenciado, por exemplo, pela propriedade legal do gado e sua marcação no
momento da aquisição ou de seu nascimento.

B) FOR PROVÁVEL QUE BENEFÍCIOS ECONÔMICOS FUTUROS


ASSOCIADOS COM O ATIVO FLUIRÃO PARA A ENTIDADE

Tais benefícios normalmente são determinados pela mensuração dos atributos físicos significativos.

C) O VALOR JUSTO OU O CUSTO DO ATIVO PUDER SER


MENSURADO DE MANEIRA CONFIÁVEL

O ativo biológico deve ser mensurado a valor justo menos a despesa de venda no momento do
reconhecimento inicial e no final de cada período de competência.

Há, contudo, duas exceções para essa mensuração. Ela não vai ocorrer quando:

Não houver uma condição de mensuração a valor justo;


As despesas de vendas não forem confiáveis.

O item 5 do CPC 29 (2020) define essas despesas como “despesas incrementais diretamente atribuíveis à
venda de ativo, exceto despesas financeiras e tributos sobre o lucro”. Nota-se, portanto, que elas são
necessárias para que uma venda ocorra e que, de outro modo, sequer surgiriam.

 EXEMPLO
Comissões a corretores e negociantes e taxas de agência reguladora e de bolsas de mercadorias.

 DICA

A mensuração pelo custo do ativo biológico deverá ser utilizada como exceção e em último caso, ou seja,
somente quando não houver preços ou valores de mercado disponíveis nem alternativas confiáveis para a
mensuração do valor justo.

Não é facultado à empresa escolher a abordagem de mensuração. Nesses casos excepcionais, os ativos
biológicos são mensurados pelo custo menos depreciação (quando cabível) e as eventuais perdas, por
desvalorização (impairment).

A partir do momento em que o valor justo se tornar mensurável de forma confiável, a entidade deverá passar a
utilizá-lo. É extremamente relevante que você entenda o significado desse valor.

O item 8 do CPC 29 (2020) define valor justo como “o preço que seria recebido pela venda de um ativo ou que
seria pago pela transferência de um passivo em uma transação não forçada entre participantes do mercado na
data de mensuração”.

Dessa definição, podemos inferir que uma transação “a valor justo” não advém da venda forçada decorrente
de uma empresa em liquidação nem de uma transação com favorecimentos. As partes que a realizam, afinal,
conhecem o negócio, tendo disponibilidade e interesse em realizá-lo.

A melhor (e mais fácil) forma de estimar o valor justo sempre ocorrerá quando houver a existência de um
preço cotado em um mercado ativo. Esse mercado engloba um número razoável de compradores e
vendedores voluntariamente dispostos à negociação e com preços disponibilizados para o público.

O processo de mensuração é mais complexo quando não há o mercado ativo. Neste caso, ela tem de ser
realizada mediante desconto com base em uma taxa de mercado dos fluxos de caixa líquidos futuros
esperados.
Fonte: SFIO CRACHO/Shutterstock

TENDO ISSO EM VISTA, CONHECEREMOS A


SEGUIR O CURIOSO CASO DE UMA EMPRESA DE
CELULOSE:

SE UMA EMPRESA PRODUTORA DE CELULOSE COMPRA A


MADEIRA DE EUCALIPTO, TRATA-A COMO MATÉRIA-PRIMA
COMUM, AVALIADA AO CUSTO, ESSE CUSTO ENTRA NOS
CUSTOS TOTAIS DE PRODUÇÃO ATÉ CHEGAR AO CUSTO DO
PRODUTO ACABADO COMO QUALQUER OUTRA INDÚSTRIA. A
AVALIAÇÃO A “MERCADO” (VALOR JUSTO MENOS DESPESAS
DE VENDA) SÓ TERÁ OCORRIDO NO PRODUTOR QUE
PLANTOU O EUCALIPTO E COLHEU A MADEIRA. [...] SE FOI A
MESMA EMPRESA QUE PLANTOU, CUIDOU NA FASE DE
CRESCIMENTO, COLHEU A MADEIRA E A UTILIZOU NA
FABRICAÇÃO DA CELULOSE, TERÁ DE TER FEITO A
AVALIAÇÃO A VALOR JUSTO MENOS DESPESAS DE VENDA
DO EUCALIPTO DESDE O PLANTIO ATÉ A COLHEITA (CORTE)
DA MADEIRA, E, DAÍ PARA A FRENTE, ESSA MADEIRA SERÁ
TRATADA COMO MATÉRIA-PRIMA, E O VALOR JUSTO LÍQUIDO
NO MOMENTO DA COLHEITA SE TRANSFORMA EM VALOR DE
CUSTO PARA AVALIAR ESSE ESTOQUE DE MADEIRA A SER
UTILIZADO NO PROCESSO DE PRODUÇÃO DA CELULOSE.

(GELBCKE; SANTOS; IUDÍCIBUS; MARTINS, 2018)

Esse procedimento faz com que o “custo” da matéria-prima (madeira) seja praticamente o mesmo
independentemente de a empresa tê-la comprado ou produzido.

O CPC 29 (2020) ainda fornece exemplos tanto de ativos biológicos quanto de produtos agrícolas e outros
resultantes do processamento feito depois da colheita:

Produtos Produtos resultantes do processamento após a


Ativos biológicos
agrícolas colheita

Carneiros Lã Fio, tapete

Plantação de árvores
para Árvore cortada Madeira serrada, celulose
Madeira

Gado de leite Leite Queijo

Porcos Carcaça Salsicha, presunto

Plantações de algodão Algodão colhido Fio de algodão, roupa

Cana-de-açúcar Cana colhida Açúcar, álcool

 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal

Mercadorias fungíveis são commodities, ou seja, soja, suco de laranja e café. Como possuem cotação na
bolsa de mercadorias, as commodities normalmente ficam registradas na contabilidade pela cotação dessa
bolsa.

MERCADORIAS FUNGÍVEIS

São aquelas que podem ser substituídas por outras de mesmo gênero (ou espécie), quantidade e
qualidade.

3. DIVULGAÇÃO DOS ATIVOS BIOLÓGICOS


O CPC 29 (2020) exige que a entidade:

Divulgue o ganho ou a perda do período corrente em relação ao valor inicial do ativo biológico e do produto
agrícola, assim como os decorrentes da mudança no valor justo (menos a despesa de venda desses ativos);

Descreva cada grupo de ativos biológicos de forma dissertativa ou quantitativa;

Seja encorajada a fornecer uma descrição da quantidade de cada grupo de ativos biológicos, distinguindo-os,
conforme apropriado, entre consumíveis e de produção ou entre maduros e imaturos.

Caso isso ainda não tenha sido feito de outra forma, as demonstrações contábeis também precisam
divulgar:

ETAPA 01
Natureza das atividades envolvendo cada grupo de ativos biológicos.

ETAPA 02
Mensurações ou estimativas não financeiras de quantidade físicas (cujas divulgações se referem às
quantidades de cada grupo de ativos biológicos no final do período e de produção agrícola durante o período).

A entidade ainda deve divulgar:

A existência e o total de ativos biológicos cuja titularidade legal seja restrita, além do montante deles dado
como garantia de exigibilidades;

O montante de compromissos relacionados com o desenvolvimento ou a aquisição de ativos biológicos;

As estratégias de administração de riscos financeiros relacionadas com a atividade agrícola.

A entidade tem de apresentar a conciliação das mudanças no valor contábil de ativos biológicos entre o
início e o fim do período corrente. Essa conciliação inclui:

Ganho ou perda decorrente da mudança no valor justo menos a despesa de venda;

Aumentos devido às compras;


Reduções atribuíveis às vendas e aos ativos biológicos classificados como mantidos para venda ou incluídos
em grupo de ativos mantidos para essa finalidade (segundo o CPC 31 – ativo não circulante mantido para a
venda e operação descontinuada);

Reduções devidas às colheitas;

Aumento resultante de combinação de negócios;

Diferenças cambiais líquidas decorrentes de conversão das demonstrações contábeis para outra moeda de
apresentação, assim como de conversão de operações em moeda estrangeira para a de apresentação das
demonstrações da entidade;

Outras mudanças.
CUSTO DE ESTOQUE DE PRESTADOR DE
SERVIÇO
A mensuração do custo de estoque de prestador de serviço consiste em apropriar os custos pela sua
produção.

Mas o que isso significa?

Primeiramente, devemos segregar os custos de despesa. Qualquer gasto relacionado à venda e ao


administrativo deve ser reconhecido como despesa do período incorrido.

De maneira geral, o custo do estoque nas atividades de serviços é bastante semelhante à contabilidade de
custos industriais. A diferença está na terminologia das contas contábeis; portanto, as definições a seguir são
necessárias:

Serviços de terceiros (ST): Abrangem os custos relativos à subcontratação dos serviços;

Materiais diretos (MD): Trata-se de materiais aplicados na produção que fazem parte necessária da
execução dos serviços;

Mão de obra direta (MOD): Engloba salários dos empregados alocados nos centros produtivos
acrescidos dos respectivos encargos sociais (INSS e FGTS) e trabalhistas (férias, 13º salário, vale
transporte e programa de alimentação);

Custos gerais dos serviços (CGS) ou indiretos de serviços: Compreendem aqueles incorridos no
processo de prestação dos serviços, ainda que não sejam identificados diretamente a cada execução.
 Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal

 ATENÇÃO

Uma especificidade relacionada ao estoque do prestador de serviço deve-se à contabilização das peças de
reposição para utilização nos serviços a serem prestados. Essa contabilização precisa levar em consideração
o prazo de utilização, que pode ser classificado no ativo circulante (até um ano) ou no não circulante (exercício
social subsequente) do subgrupo Ativo Realizável a Longo Prazo.

Uma empresa de serviços subcontratou parte da execução com terceiros, pagando R$300 por tarefa
concluída. Verificou-se, no final do período, que os serviços estavam em andamento e que as seguintes
tarefas contratadas com terceiros ocorreram:

Serviço 1: Incorreu em 50 tarefas com terceiros;


Serviço 2: 80 tarefas com terceiros.

Com base nessas informações e no contrato de subempreitada com terceiros, a empresa deve contabilizar no
seu estoque:

1. Pela aplicação de subempreitadas para o serviço 1:

Valor calculado: R$500 x 50 tarefas = R$25.000;

D. Serviços em andamento (estoques);

C. Fornecedores – Subempreiteiros (passivo circulante): R$25.000.

2. Pela aplicação de subempreitadas para o serviço 2:

Valor calculado R$500 x 80 tarefas = R$40.000.

D. Serviços em andamento (estoques);

C. Fornecedores – Subempreiteiros (passivo circulante): R$40.000.


ATIVOS BIOLÓGICOS
Analisaremos a evidenciação, o controle e a mensuração dos ativos biológicos nas demonstrações financeiras
das empresas de capital aberto.

VERIFICANDO O APRENDIZADO

1. (CONSULPLAN/EXAME CFC/2019.1) NO QUE SE REFERE AO ITEM 43 DA NBC TG


29 (R2) - ATIVO BIOLÓGICO E PRODUTO AGRÍCOLA, “A ENTIDADE É ENCORAJADA
A FORNECER UMA DESCRIÇÃO DA QUANTIDADE DE CADA GRUPO DE ATIVOS
BIOLÓGICOS, DISTINGUINDO ENTRE CONSUMÍVEIS E DE PRODUÇÃO OU ENTRE
MADUROS E IMATUROS, CONFORME APROPRIADO”.
COM BASE NESSA INFORMAÇÃO E CONSIDERANDO A NBC TG 29 (R2) – ATIVO
BIOLÓGICO E PRODUTO AGRÍCOLA, SÃO EXEMPLOS DE ATIVOS BIOLÓGICOS
CONSUMÍVEIS, EXCETO:

A) Plantações de milho e trigo.

B) Árvores para a produção de madeira.

C) Rebanhos de animais mantidos para a produção de carne.

D) Plantas portadoras mantidas para produção de frutos por mais de um período.

E) Plantações de soja.

2. (CONSULPLAN/EXAME CFC/2018.1 – ADAPTADA) UMA COMPANHIA TEM COMO


OBJETO SOCIAL A PRODUÇÃO E A COMERCIALIZAÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR.
PARA TANTO, CONSTA EM SEU BALANÇO PATRIMONIAL ALGUMAS LAVOURAS
DELA REGISTRADAS NO GRUPO DENOMINADO ATIVOS BIOLÓGICOS. EM SEU
ÚLTIMO EXERCÍCIO SOCIAL, A COMPANHIA DIZ QUE APLICOU, DE MANEIRA
CONSISTENTE, AS SEGUINTES POLÍTICAS CONTÁBEIS:

I. A CANA COLHIDA FOI MENSURADA AO VALOR JUSTO MENOS AS DESPESAS DE


VENDA NO PONTO DA COLHEITA E RECONHECIDA NOS ESTOQUES DE PRODUTOS
AGRÍCOLAS (ATIVO CIRCULANTE).
II. OS ESTOQUES DE ADUBOS, FERTILIZANTES E DEFENSIVOS AGRÍCOLAS FORAM
AVALIADOS PELO CUSTO DE AQUISIÇÃO, HAJA VISTA QUE O VALOR DE CUSTO É
MENOR QUE O REALIZÁVEL LÍQUIDO.
III. AS LAVOURAS DE CANA-DE-AÇÚCAR FORAM MENSURADAS PELO VALOR
JUSTO, UTILIZANDO A ABORDAGEM DE PREÇOS DE MERCADO DESSA
COMMODITY DEDUZIDOS DAS DESPESAS COM VENDAS E CUSTOS A INCORRER A
PARTIR DA PRÉ-COLHEITA.

TENDO EM VISTA APENAS AS INFORMAÇÕES APRESENTADAS, É CORRETO


AFIRMAR QUE ESSA COMPANHIA ATENDEU AO QUE DISPÕEM AS NORMAS NBC
TG 29 (R2) – ATIVO BIOLÓGICO E PRODUTO AGRÍCOLA E NBC TG 16 (R1) –
ESTOQUES NO QUE CONSTA EM:

A) I, II e III

B) I

C) II

D) I e III

E) I e II
GABARITO

1. (Consulplan/Exame CFC/2019.1) No que se refere ao item 43 da NBC TG 29 (R2) - ativo biológico e


produto agrícola, “a entidade é encorajada a fornecer uma descrição da quantidade de cada grupo de
ativos biológicos, distinguindo entre consumíveis e de produção ou entre maduros e imaturos,
conforme apropriado”.

Com base nessa informação e considerando a NBC TG 29 (R2) – ativo biológico e produto agrícola,
são exemplos de ativos biológicos consumíveis, exceto:

A alternativa "D " está correta.

Como a intenção é manter as plantas para uma produção futura, elas não podem ser consumíveis. Trata-se de
um ativo biológico de produção.

2. (Consulplan/Exame CFC/2018.1 – adaptada) Uma companhia tem como objeto social a produção e a
comercialização de cana-de-açúcar. Para tanto, consta em seu balanço patrimonial algumas lavouras
dela registradas no grupo denominado Ativos biológicos. Em seu último exercício social, a companhia
diz que aplicou, de maneira consistente, as seguintes políticas contábeis:

I. A cana colhida foi mensurada ao valor justo menos as despesas de venda no ponto da colheita e
reconhecida nos estoques de produtos agrícolas (ativo circulante).
II. Os estoques de adubos, fertilizantes e defensivos agrícolas foram avaliados pelo custo de
aquisição, haja vista que o valor de custo é menor que o realizável líquido.
III. As lavouras de cana-de-açúcar foram mensuradas pelo valor justo, utilizando a abordagem de
preços de mercado dessa commodity deduzidos das despesas com vendas e custos a incorrer a partir
da pré-colheita.

Tendo em vista apenas as informações apresentadas, é correto afirmar que essa companhia atendeu
ao que dispõem as normas NBC TG 29 (R2) – ativo biológico e produto agrícola e NBC TG 16 (R1) –
estoques no que consta em:

A alternativa "A " está correta.

A companhia utilizou todas as políticas contábeis corretamente, agindo exatamente como preconiza o CPC
29. A cana colhida foi mensurada pelo valor correto e reconhecida na conta certa do ativo circulante. Os
estoques de adubos, fertilizantes e defensivos agrícolas, por sua vez, foram avaliados pelo menor valor entre
o custo e o valor realizável líquido, enquanto as lavouras de cana-de-açúcar também o foram pelo valor
correto (preços de mercado menos despesas com vendas e custos a incorrer a partir da pré colheita).
CONCLUSÃO

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Estabelecemos neste tema o entendimento dos diversos aspectos relacionados ao estoque. Para isso,
abordamos diferentes fases dele: aquisição, mensuração inicial e subsequente, assim como a evidenciação.

Empregando exemplos, também demonstramos como tais informações auxiliam no cálculo dos indicares
econômicos e financeiros da empresa, constituindo ainda um fator de influência no processo de tomada de
decisão do usuário externo.

Por fim, destacamos como os controles dos estoques também figuram como um importante sistema de
controle interno, sendo altamente impactantes no custo da mercadoria vendida e, consequentemente, no lucro
operacional bruto de uma empresa.

REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as sociedades por ações.

BRASIL. Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei nº 6.404, de 15 de
dezembro de 1976, e da Lei nº 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e estende às sociedades de grande porte
disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras.

COMITÊ DE PRONUNCIAMENTO CONTÁBIL. Pronunciamentos. Consultado em meio eletrônico em: 29


out. 2020.

GELBCKE, E. R.; SANTOS, A. do; IUDÍCIBUS, S. de; MARTINS, E. Manual de contabilidade societária:
aplicável a todas as sociedades de acordo com as normas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2018.
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Pronunciamentos técnicos emitidos pelo CPC (cada um versa sobre um aspecto da contabilidade. Seu
entendimento é essencial para que qualquer profissional da área se destaque no mercado de trabalho);

CPC 16 – estoque;

CPC 29 – ativos biológicos;

Lei nº 6.404/76 (atualizada pela Lei nº 11.638/08).

Pesquise na internet as divulgações das demonstrações contábeis das organizações de capital aberto
(empresas com ações negociadas na Bolsa de Valores). Essas companhias divulgam trimestralmente as
informações para qualquer usuário externo.

CONTEUDISTA
Sidmar Roberto Vieira Almeida

 CURRÍCULO LATTES

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