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EXTENSIVO 2022

Introdução às Ciências Sociais


CPF 03392197181

Profe Ale Lopes

AULA 00

1
AULA 00: ANTIGUIDADE
154

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Profe Alê Lopes
Estratégia Vestibulares – Aula 00

Sumário

Apresentação da Professora ............................................................................................................. 3


Ciências Sociais ou Sociologia na prova?.......................................................................................... 4
Cronograma...................................................................................................................................... 4
Metodologia do Curso ..................................................................................................................... 5
1. Introdução............................................................................................................................... 6
2. A Sociologia como Ciência Social ........................................................................................... 8
2.1 O contexto intelectual: O iluminismo e o Positivismo na formação da Ciência Social .............. 10
2.2 O positivismo ............................................................................................................................ 12
2.2.1 - As ideias centrais do positivismo ......................................................................................... 15
2.3 Evolucionismo e Darwinismo Social .......................................................................................... 16
2.4 Contexto Histórico: O avanço do capitalismo europeu e outras ideias ................................... 18
3. A Sociologia de Émile Durkheim ................................................................................................ 22
3.1- Os conceitos ............................................................................................................................ 25
4. Como pensar diversamente diferentes realidades ...................................................................... 30
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4.1 Olhar e imaginação sociológicos ............................................................................................. 31


4.2 Materialismo Histórico Dialético ............................................................................................... 37
4.3 Método compreensivo .............................................................................................................. 38
5. O Homem com ser social ............................................................................................................ 43
6. O que permite ao homem viver em sociedade ........................................................................... 45
6.1 Socialização e grupos de interação social ................................................................................. 46
6.2 As diferenças no processo de socialização ............................................................................... 47
6.3 Configuração e habitus ............................................................................................................ 48
7. Lista de Questões ....................................................................................................................... 51
7.1 Gabarito.................................................................................................................................... 85
8. Questões comentadas ................................................................................................................ 86
Considerações Finais das Aula...................................................................................................... 153

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APRESENTAÇÃO DA PROFESSORA
Olá aluno/aluna do Estratégia Vestibulares!
É com grande alegria que apresentamos a você o Curso de
Sociologia para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) .
Meu nome é Alessandra Lopes e pode me chamar de Alê.
Permita-me uma breve apresentação da minha trajetória. Sou
formada pela UNICAMP e Mestra em Ciência Política pela mesma
Universidade. Desde 2004, dou aulas de História, Sociologia e
Humanidades em cursos preparatórios para vestibulares, para o
ENEM e até para concursos públicos.
Conheço praticamente todos os sistemas de ensino,
materiais e abordagens que existem nesse “mundo dos vestibulares”. Já escrevi muitos materiais
preparatórios. Posso afirmar, com segurança, que já contribui para a aprovação de muitos alunos
nas mais variadas e concorridas universidades Brasil afora: USP; UNICAMP; UNIFESP; UNESP;
UFRJ; UFSC; UEA; UEL; UFBA; FGV; PUC-SP; UnB; UERJ; UFGRS; UFPR; PUC; FGV; EsPCEx; entre
outras.
Nesse tempo todo, tenho acompanhado muitas provas, quais são seus padrões e surpresas,
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bem como as mudanças feitas ao longo dos anos.


Essa experiência toda me permitiu criar um método de ensino capaz de fazer você
APRENDER Sociologia e gabaritar as questões dessa matéria.
Assim, é com grande alegria que faço um convite para você conhecer a primeira aula do
Livro Digital e se somar ao time de alunos do Estratégia Vestibulares.
Vem comigo: com foco, força, fé e café você chega lá!!!!
Já aproveita para me seguir nas redes sociais. Com as dicas de lá, você complementa seus
estudos!

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CIÊNCIAS SOCIAIS OU SOCIOLOGIA NA PROVA?


A primeira coisa que quero que
você saiba é que as questões de prova
cobram Ciências Sociais e não apenas
Sociologia, ou seja, os assuntos destas três
subáreas: sociologia, antropologia e
ciência política.
Para todas essas subáreas há
teorias determinadas, temáticas
privilegiadas e um ponto de vista
específico. É verdade que,
cronologicamente, a Sociologia surge
como ciência autônoma primeiro. Ao
longo da segunda metade do século XIX e durante o século XX, a Antropologia e a Ciência Política
vão ganhando sua própria abordagem epistemológica e metodológica.
Portanto, mesmo as questões que requerem maior interpretação são perguntas que você
precisa mobilizar conhecimentos teóricos das Ciências Sociais para chegar às respostas corretas.
Dessa forma, o curso que preparei, com o objetivo de trazer um diferencial para sua
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preparação, contempla o suporte teórico, conceitual e temático FOCADO no que irá te ajudar a
resolver as questões especificamente da sua prova de vestibular.
Não esquece: “o segrego do sucesso é a constância no objetivo”.
Vamos seguir juntos!

CRONOGRAMA
Veja o Cronograma. Conforme você for estudando faça as marcações para controlar o que você já
avançou!
AULA CONTEÚDO ABORDADO ESTUDADO REVISADO

Introdução às Ciências Sociais


Aula 00 Surgimento da sociologia; positivismo; August Comte;
Émile Durkheim

Aula 01 Karl Marx e Max Weber

Sociedade e Trabalho
Aula 02
O trabalho ao longo da história; a organização do
trabalho na sociedade capitalista (taylorismo; fordismo;

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toyotismo; novas modalidades de trabalho sob o


neoliberalismo); o trabalho na sociedade brasileira atual

Desigualdades e vida social

Aula 03 classes, castas e estamentos; cenários das


desigualdades no Brasil; interpretações sobre a sociedade
brasileira; demografia

Estado e Poder
Aula 04 Estado Moderno; poder e dominação; política;
autoritarismo e democracia; sistema político brasileiro.

Cidadania e Direitos Humanos


Aula 05 conceito de cidadania; formação dos direitos
humanos; movimentos sociais; políticas públicas

Aula 06 Cultura e Diversidade

Aula 07 Industria Cultural e Consumo


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Sociedade Global
Aula 08
Temas Contemporâneos

METODOLOGIA DO CURSO
Vamos conhecer a proposta do curso?
Nossa metodologia parte da análise estatística da incidência dos conteúdos para
desenvolver a teoria com foco nos assuntos mais cobrados. As aulas dos Livros Digitais estão
baseadas nos trabalhos dos principais pesquisadores de cada área.

Esse curso intensivo vai no alvo e prioriza o que realmente cai. Foi pensado para você estudar
até o dia do Vestibular e ser uma ponte entre a 1ª e a 2ª fase. Além disso, apresenta alguns
desafios que você enfrentará nas questões dissertativas na 2ªfase.

Quero enfatizar que todas as questões da lista são comentadas. No comentário, eu explico o
conteúdo, mas também mostro os macetes e os caminhos que você precisa fazer para chegar na
resposta certa. Ou seja, eu faço uma análise comentada e com estratégias de respostas para cada
questão.
Na composição do nosso curso, também temos as videoaulas. Dinâmicas e interativas, elas têm
o conteúdo completo que também consta nos Livros Digitais, especialmente, naqueles assuntos

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mais espinhosos que quase todo mundo esquece na hora H. Nas videoaulas dou dicas e macetes
preciosos para você resolver as provas.
Há também o Fórum de Dúvidas, que será nosso mecanismo de contato permanente.
Estaremos sempre perto! Além de o Fórum permitir que você tire dúvidas rapidamente, o curso
EAD permite que você estude conforme suas necessidades e potencialidades. Aliás, essa é uma
das principais vantagens do ensino EAD, pois quem monta o horário de estudos é você. Tem
quem mande bem pela manhã, outros à tarde, e tem o estudante “super noturno”.

Esse é o diferencial da nossa proposta: fazer do seu jeito, conforme as suas necessidades e com
nossa orientação por meio dos nossos materiais e videoaulas! O que importa é sua
APROVAÇÃO!

Então, assim que você terminar de estudar uma aula do Livro Digital e, eventualmente,
apareçam dúvidas, você poderá mandá-las lá no Fórum. Nós responderemos brevemente para
acelerar seu desenvolvimento na disciplina.
Abaixo segue o cronograma do nosso curso. Aproveite e experimente essa aula demonstrativa. Depois
dela, espero que você fique mais motivado ainda para estudar História e para se preparar conosco nesta
caminhada. Dedique-se durante alguns meses para ser aprovado em uma das melhores universidades do
país. Vale à pena!!!
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1. INTRODUÇÃO
Consideradas no passado, as ciências libertam o espírito humano da tutela
exercida sobre ele pela teologia e pela metafísica1, e que, indispensável à sua
infância, tendia a prolongá-la indefinidamente. Consideradas no presente, elas
devem servir, seja pelos seus métodos, seja por seus resultados gerais, para
determinar a reorganização das teorias sociais. Consideradas no futuro, serão, uma
vez sistematizadas, a base espiritual permanente da ordem social, enquanto dure
a atividade da nossa espécie no planeta.
(Auguste Comte, “Considerátions Philosophiques sur les Sciences et les Savants”,
1825)

Começamos aqui nosso curso de Sociologia, e a primeira pergunta que faço a você é:

Você sabe o que é Sociologia?

Veja essa definição do que é Sociologia, fornecida pelo pesquisador, professor e sociólogo francês Raymond
Aron. Conforme este autor,

1
É a procura de uma interpretação para o mundo a partir da reflexão sobre a constituição e as estruturas
básicas da realidade. A palavra metafísica vem do grego e o prefixo “meta” significa “além de”.

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A sociologia é o estudo, que pretende ser científico, do social enquanto social, seja no nível elementar das
relações interpessoais, seja no nível macroscópico de vastos conjuntos, como as classes, as nações, as
civilizações ou, para empregar a expressão corrente, as sociedades globais 2. (grifos nossos)

Assim, podemos dizer que a Sociologia, assim como outras Ciências Humanas (História, Geografia, Economia,
Antropologia, Ciência Política, entre outras) busca compreender e explicar os fatos sociais, as ações e
relações sociais que caracterizam a sociedade e, de certa maneira, influenciam a vida em sociedade. Para
tanto, esse campo do conhecimento científico busca entender os elementos essenciais do funcionamento
da sociedade, como:

 por que existem formas de trabalho diferentes, ontem e hoje?


 por que a cultura e o comportamento que parecem padronizados?
 por que existem diferentes formas de poder na sociedade?
 por que existe política e diferentes formas de governar em diferentes tempos?
 por que existem direitos, privilégios e exclusão?
 por que existem desigualdades entre as sociedades humanas, como elas surgiram?
 por que existem tantas religiões?
 por que a mídia influencia as pessoas?
 por que existe violência e criminalidade?
.... essa lista é longa e você poderia acrescentar uma série de outras perguntas aqui.
O fato é que a sociologia serve para explicar melhor os fatos do cotidiano que se formam socialmente e, por
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vezes, impactam a vida de cada indivíduo. Assim, já anote: para a sociologia, o homem é um ser social, cuja
formação é resultado desse cotidiano social.

Assim, ao falar em sociologia estamos tratando da relação entre o indivíduo e a sociedade. Por isso que uma
das perguntas mais comuns é: o que surgiu antes, os indivíduos ou a sociedade? E para essa resposta, em
sociologia a resposta é clara: os dois surgem juntos. Os indivíduos só passam existir como ser humano
quando passa a viver em sociedade, ou seja, no interior de uma comunidade.

Nesse sentido, os sociólogos são cientistas que desenvolvem conceitos e ferramentas para descrever,
analisar, explicar, de maneira sistemática, as questões sociais do seu próprio tempo histórico que, em geral,
nos permitem compreender os comportamentos dos indivíduos para além do senso-comum.

Assim, para dar conta dessa tarefa, a Sociologia se conecta com os conhecimentos de outras áreas para
atingir seus objetivos. Isso porque as realidades são complexas. Muitas vezes não se explicam por um único
elemento. Por isso, a sociologia pensa de diversas maneiras, diferentes realidades.

Portanto, queridos, nos estudos de sociologia podemos estudar os temas sociológicos clássicos que são mais
permanentes na sociedade, como o mundo do trabalho, afinal, o homem sempre trabalhou ainda que não
o tenha feito da mesma forma. Ou, ainda, podemos estudar questões sociais mais contemporâneas, como o
impacto das mídias cada vez mais individuais nas relações sociais entre os indivíduos.

Outra maneira de estudar sociologia, é entender o pensamento dos pensadores. Confesso que essa é a parte
mais difícil porque você tem que entender o tempo histórico no qual o autor viveu e, ainda, entender o

2
ARON, Raymond. As etapas do Pensamento Sociológico. São Paulo: Martins Fontes/Ed. UnB. 1982, p.
9.

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"rolê" que se passava na cabeça dele, para assim, compreender o conceito sociológico que ele desenvolveu
para explicar determinadas realidades sociais.

E sim, antes que você me pergunte, as provas de Sociologia abordam essas duas perspectivas... sempre!

Nesse sentido, para começarmos a entender bem a Sociologia, vamos fazer uma trajetória do
desenvolvimento científico da sociologia, ver como e porque ela se constituiu como ciência, o contexto
histórico e seus principais fundadores e, ainda, alguns conceitos iniciais.

Ainda nessa aula, estudaremos o método sociológico, ou seja, a forma como se desenvolve a prática
sociológica. Isso é muitoooooo importante porque vai nos ajudar a percorrer todas as outras aulas. Afinal,
cada ciência tem um jeito de desenvolver seus conhecimentos, não é mesmo? Veja, quando você estuda
Biologia ou Matemática, sabe que tem que ter uma postura diferente. Na Biologia você tem que decorar
nomes, caracterizar e classificar bichos, plantas, seres vivos.... na matemática você sabe que tem que
calcular, representar numericamente uma situação. E na sociologia, o que você tem que fazer? É isso que
veremos também.

Por fim, tomaremos contato com uma questão central para a Sociologia: o homem e a vida como um
constructo sociais.

Bons estudos, aproveitem bastante! Pegue seu café e vamos começar!


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2. A SOCIOLOGIA COMO CIÊNCIA SOCIAL


Como nasce uma Ciência? Para iniciarmos os estudos das Ciências Sociais, essa é uma
pergunta importante para nosso Curso. Nesse sentido, nesta aula veremos o processo de
surgimento dessa ciência.
Quando estudamos, na disciplina de História, o período da formação, da
consolidação e da propagação das ideias renascentistas e Iluministas
(séculos XVII e XVIII), por exemplo, vemos que as Ciências ligadas ao
conhecimento da natureza - como Matemática, Química, Física e Biologia-
são resultado de experimentos e de observações que passaram a
questionar explicações religiosas para o mundo, entre outras visões
consideradas dogmáticas.
Nessa linha, podemos dizer que a crítica científica nasce a partir de um questionamento a
uma realidade dada e, muitas vezes, estabelecida como senso comum. Em muitos sentidos, essas
Ciências da Natureza nasceram da tensão, na vida social, entre conservar o mundo tal como ele
era ou revolucioná-lo. Por isso que:

O emprego sistemático da razão, do livre exame da realidade – traço que caracteriza


os pensadores do século XVII, os chamados racionalistas -, representou um grande
avanço para libertar o conhecimento do controle teológico, da tradição, da “revelação”

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e, consequentemente, para a formulação de uma nova atitude intelectual diante dos


fenômenos da natureza e da cultura.3

Pense, por exemplo, no debate resgatado por Copérnico (1473-1543) e Galileu (1564-1642)
sobre a teoria da Terra esférica, durante a Renascença. Digo resgatado porque a filosofia da
antiguidade grega, ou seja, em um tempo antes de Cristo, já levantava a hipótese de que a Terra
seria redonda e não plana.
O questionamento provocado tanto pelo conhecimento da teoria da esfericidade da terra,
quanto pela teoria heliocêntrica4, além de questionar dogmas, passou das ideias à prática quando
as grandes navegações marítimas (séculos XV e XVI) começaram a conquistar o mundo e
confirmaram que, de fato, a terra é redonda. Sim, a terra é redonda, Bixo!
Assim, juntamente com as discussões no campo do pensamento (questionamento de
dogmas e do senso comum), podemos afirmar que elementos contextuais (contexto histórico),
próprios de uma época histórica – no caso de Copérnico e Galileu a época da Renascença e da
expansão marítimo comercial –, também contribuem para o surgimento das Ciências.

Na verdade, há uma relação entre as ideias em


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seu tempo histórico e os acontecimentos históricos que


ajudam a formar e a reformular as próprias ideias. É
como um movimento que se retroalimenta POR MEIO
DE NOVAS IDEIAS E NOVOS CONTEXTOS.
Mas profe, qual foi o contexto histórico que contribuiu
para o surgimento da sociologia?
Queridos e queridas, a Sociologia surgiu no
contexto das transformações ocorridas na sociedade
europeia do século XVIII e, especialmente, do século
XIX. Isso porque foi nesse momento que ideias e
contextos começaram a alterar a forma de perceber e
analisar a realidade.
Nesse sentido, podemos pontuar 2 fatores que contribuíram para o nascimento dessa
Ciência Social, os quais, em muitos sentidos, se complementam e se reforçam. Pega o bizu:

3
MARTINS, Carlos Benedito. O que é Sociologia? São Paulo: Editora Brasiliense. u, p. 18.
4
Durante muito tempo, entre a Idade Média e o Renascimento, questionou-se: é o Sol que gira ao redor da Terra ou
é a Terra que gira ao redor do Sol? Essa pergunta já foi motivo de grandes disputas, condenações e mortes na
fogueira. O heliocentrismo afirma que é a Terra que gira ao redor do Sol. Nesse sentido, uma visão que confrontou
dogmas religiosos que alegavam o contrário.

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2.1 O CONTEXTO INTELECTUAL: O ILUMINISMO E O POSITIVISMO NA FORMAÇÃO DA CIÊNCIA


SOCIAL
O iluminismo, no século XVIII, foi responsável por uma revolução no pensamento europeu ao
valorizar a razão como fonte do conhecimento humano e, sobretudo, como fundamento da ação
do ser humano.
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Nesse sentido, teve impacto profundo na forma de propor a organização política, social,
cultural e econômica do mundo. Pretendia-se construir uma sociedade laica e racional livre dos
dogmas e obscurantismo religioso que legitimava o poder despótico dos reis absolutistas. Por
isso, tratava-se de criar procedimentos de reflexão e experiência.
Nesse cenário intelectual, a ascensão da sociedade urbano-industrial capitalista gerava
consequências que desafiavam as explicações mais tradicionais sobre a sociedade. Na verdade,
esse modelo social surgido com a Revolução Industrial gerou problemas até então desconhecidos.

Por exemplo, o fenômeno da fome até então tinha causas geradas por obstáculos
ambientais ou técnicos. Uma grande geada, uma grande peste ou o desgaste
excessivo da terra cultivada geravam ondas de fome que poderiam assolar toda uma
região. A fome urbana é diferente. Ela é ligada à ausência de trabalho, de moradia,
de excesso de pessoas no centro urbano, fruto de êxodo rural ou ondas de
movimentos migratórios. A fome pode ser individual ou familiar, sem atingir uma
região. Na verdade, ela se associa à questão da classe social e da riqueza. Esse fenômeno não
existia na sociedade rural, por isso, é uma novidade produzida pelo novo contexto e que exigiu
inovações nas formas de olhar para novos problemas. Surgiram, então, os problemas urbano-
industriais.

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Assim, filosofias sociais foram aparecendo para dar conta de entender e de intervir na
sociedade. Muitas delas estavam vinculadas ao pensamento cientificistas surgido nesse contexto.
As mais importantes vertentes foram o evolucionismo, o positivismo e o determinismo.
Lembre-se de que o Iluminismo, no século XVIII, foi um movimento intelectual importante
que propagou muitas ideias. Apenas para refrescar sua memória, vamos a Emmanuel Kant conferir
o que ele nos diz:

O Iluminismo é a saída do homem do estado de tutela, pelo qual ele


próprio é responsável. O estado de tutela é a incapacidade de utilizar o
próprio entendimento sem a condução de outrem. Cada um é
responsável por esse estado de tutela quando a causa se refere não a
uma insuficiência do entendimento, mas à insuficiência da resolução e da
coragem para usá-lo sem ser conduzido por outrem. Separe aude
[coragem para aprender]! Tenha coragem de usar seu próprio
entendimento. Essa é a divisa do Iluminismo.5

O principal fator científico, ou do campo do pensamento, que contribuiu para o surgimento


da Sociologia, como ciência fundamental das Ciências Sociais, foi a aproximação da filosofia social
com os princípios reguladores do mundo físico-natural (a Biologia, a Química e a Física).
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Por que isso profe? Por que as Ciências Humanas quereriam se aproximar das ciências da
natureza?

Porque, meus queridos alunos, até então, as Ciências Naturais eram as que mais
apresentavam inovações em seus experimentos sobre os problemas observáveis da vida humana.
Essas Ciências já haviam obtido êxitos no questionamento das explicações “sobrenaturais” ou
metafísicas para fenômenos da vida e, assim, trazido a RAZÃO para o centro das reflexões.
Uma das principais ciências a lograr esses êxitos foi a Biologia, sobretudo, com a obra de
Darwin (1809-1882). Naturalista inglês, ele desenvolveu a teoria da evolução das espécies por
meio da seleção natural.
Um grupo de pesquisadores, depois chamados de positivistas, buscou métodos de outras
Ciências, e passou a fazer analogias da vida em sociedade com os organismos humanos e naturais
em geral.
Dessa maneira, passaram a conceber a sociedade como um corpo humano, uma espécie
de órgão: ora funcionaria harmonicamente e coeso, ora manifestaria doenças que precisariam ser
curadas. Portanto, tanto as “coisas” físicas quanto as “coisas” humanas seriam naturais.

5
KANT, Emmanuel. Qu’est-ce que les Lumières? (1784). Paris: Flammarion. 1991, pp.43-45.

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Isso gerou uma perspectiva determinista, ou seja, as características da sociedade seriam


determinadas pela natureza. Também gerou uma perspectiva funcionalista, isto é, tudo na
sociedade possui uma função, o que não possui seria uma anomalia social.

Por exemplo, são naturais e, portanto, naturalizadas, as seguintes expressões: “ah, é


natural que chova!” “Ah, é natural que haja desigualdade social na sociedade”. Uma
maneira de verificar muito bem essa analogia entre a natureza e a sociedade é por meio
da literatura naturalista, como o livro O Cortiço, de Aluízio de Azevedo (1857-1913),
livro que, por sinal, costuma ser cobrado nos Vestibulares.

Só para você ter uma ideia do que significava a tentativa de explicar a sociedade por
métodos das ciências da natureza, o pensador Condorcet (1742-1794) aplicou métodos
matemáticos para estudar fenômenos sociais. Daí surgiu o que ele denominou de “matemática
social”. Não que as Ciências Humanas deixem de utilizar as ferramentas da matemática em seus
estudos; pelo contrário, é comum e deve-se buscar esse uso, principalmente para a sistematização
de dados estatísticos. Apenas quero ressaltar e chamar sua atenção para os esforços já realizados
na aproximação dos campos do conhecimento.
Essa proximidade também ficou evidente quando o fundador do termo Sociologia, Auguste
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Comte (1798-1857), antes de pensar na palavra Sociologia, chegou a usar a expressão “física
social”.

2.2 O POSITIVISMO
No campo das Ciências Humanas, foi Auguste Comte quem
impulsionou a formação das ciências sociais como uma ciência propriamente
dita. Havia uma preocupação de estabelecer concretamente uma Ciência
Social, algo que se diferenciasse da ação meramente especulativa da
filosofia.
Comte imaginava que se encontrassem leis para explicar os fenômenos
sociais então, ele poderia desenvolver uma “ciência social”. E é bom lembrar
Auguste Comte
que, no século XIX, os cientistas, buscavam “leis” para quase tudo na vida.

Leis profe, como assim?

Sim, leis capazes de reger os meios naturais e sociais.

E o que são “leis”?

Calma, não tem nada a ver com leis jurídicas escritas. As leis sociais são como a lei da
gravidade: está ali, dá para sentir que existe, mas você não as vê. Sacou? Se você quiser uma
explicação mais rebuscada, deixo a seguinte:

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As leis são afirmações acerca de relações uniformes. A relação pode ser a de sequência entre eventos
contíguos, onde um dos eventos é a condição necessária e suficiente para a presença de outro. Uma
afirmação sobre tal relação é denominada de “lei causal”. A relação pode ser de coexistência, ou seja, a
concomitância de propriedades de uma classe de objetos ou de partes de uma classe de objetos ou
sistemas. Uma afirmação sobre tal relação é chamada de “lei sistêmica”.6

A crença de Newton (1643-1727) de que


a natureza oculta uma ordem
inerentemente racional sob a infinita
variedade de seus fenômenos era
considerada igualmente aplicável à
sociedade (ABEL, 1972, p. 12).

Se para o “mundo natural” existiam leis, como a da gravidade, o “mundo social” também
deveria ter suas leis. Restava descobri-las e estudá-las.
Porém, para o pensamento positivista, havia diferenças essenciais entre:
o mundo físico – estudado pela Biologia, pela Química e pela Física, relacionado a
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questões exteriores aos homens e ao meio.


o mundo social: seria próprio/intrínseco aos homens, embora mediado pelo meio.
Parece óbvio, mas para tais elaborações muitos estudos e polêmicas foram desenvolvidas
entre os pensadores!
Veja o nome de alguns pensadores importantes que contribuíram para influenciar na
formação da Sociologia:

Robert Owen William Thompson Jeremy Bentham David Hume


(1771-1858) (1775-1833) (1748-1832) (1711-1776)

Como tudo ainda estava em elaboração, os trabalhos pioneiros desses autores se referiam
à situação social dos países como “crise”, “desordem”, “baderna”, “anarquia”, “perturbação”.
Esses pensadores propuseram, então, racionalizar a nova ordem social para encontrar soluções
diante do que eles consideravam como desorganização social.
Esses primeiros representantes do pensamento social revalorizaram determinadas
instituições da época, responsáveis por manter a integridade e a coesão da sociedade pós
processos revolucionários. As instituições que foram alvo das apreensões desses pensadores

6
ABEL, Theodore. Os Fundamentos da Teoria Sociológica. Rio de Janeiro: Ed. Zahar. 1972, p. 14.

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foram: a autoridade governamental, a família, a hierarquia social, a escola. Temas muito parecidos
com os já abordados pelos Iluministas.
Na perspectiva dos primeiros pensadores sociais, todas essas instituições poderiam ajudar
a equilibrar interesses na sociedade e, com isso, diminuir a “desordem” e a fragmentação social
que caracterizavam aquele contexto histórico.

Não por menos, uma das definições de Auguste Comte para a Sociologia é o “estudo da ordem
e do progresso social”7. Por sinal, Ordem e Progresso é um lema positivista. Viu, guarda isso!!

Além disso, a ideia de equilíbrio era uma forma de Comte se diferenciar tanto dos
conservadores quanto dos revolucionários. Aos conservadores, Comte dizia que seria impossível
a ordem do antigo regime ser restaurada; aos revolucionários, Comte dizia que eram
irresponsáveis, pois menosprezavam a organização da sociedade.
De acordo com Auguste Comte, os objetivos da nova Ciência, a Sociologia, assim poderiam
ser definidos:
Entendo por física social [a sociologia] a ciência que tem por objeto próprio o estudo dos fenômenos
sociais, segundo o mesmo espírito com que são considerados os fenômenos astronômicos, físicos, químicos
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e fisiológicos, isto é, submetidos a leis invariáveis, cuja descoberta é o objetivo de suas pesquisas. Os
resultados de suas pesquisas tornam-se o ponto de partida positivo dos trabalhos do homem de Estado,
que só tem, por assim dizer, como objetivo real descobrir e instituir as formas práticas correspondentes a
esses dados fundamentais, a fim de evitar ou pelo menos mitigar, quanto possível, as crises mais ou menos
graves que um movimento espontâneo determina, quando não foi previsto. Numa palavra, a ciência conduz
a previdência, e a previdência permite regular a ação.

A expressão positivismo é originada do adjetivo positivo o qual remete ao algo


certo, correto, verdadeiro. O espírito positivo foi um rechaço às filosofias
anteriores, principalmente às ideias Iluministas, que estavam carregadas de
“negações”: negação à autoridade; negação à religião; negação à ordem; etc.
De toda forma, um dos pontos em comum entre Iluminismo e positivismo é que
ambos estão baseados na razão.

A escola positivista segue a linha científica baseada na crença absoluta na razão humana.
Em linhas gerais, o objetivo dos positivistas é conhecer o meio social e sintetizá-lo em leis que
expliquem a regulação da vida social dos homens. Para tanto, o positivismo faz uso de métodos
chamados de empíricos (experiências). Sustenta, ainda, que o conhecimento científico do mundo
social é limitado ao que pode ser observado.

7
ABEL, Theodore. Os Fundamentos da Teoria Sociológica. Rio de Janeiro: Ed. Zahar. 1972, p. 12.

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Em síntese, para essa corrente de pensamento os fenômenos sociais podem ser


explicados e previstos por meio de descobertas de regularidades empíricas,
formulando generalizações semelhantes a leis e estabelecendo relações causais.
HALPERIN, Sandra. HEATH, Oliver.Political Research: methods and practical skills.
England: Oxford-University Press. 2012, p.6.

É comum o positivismo ser associado ao surgimento da Sociologia, embora,


rigorosamente, o surgimento da Sociologia seja algo mais complexo do que ligado a
uma única vertente de pensamento. Nós veremos isso ao longo dessa aula.

2.2.1 - As ideias centrais do positivismo


Comte também concebia que as diversidades das instituições humanas e as pluralidades do
meio social não seriam parte necessária da ordem social. A lógica do pensamento positivista era
a seguinte:
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1- o homem possui uma única natureza.


2- aquilo que contrasta com a natureza humana seria uma espécie de patologia social
(doença).
3- Portanto, deveria haver curas, ou soluções, para tais doenças.

E, sobre isso, queridos e queridas, já quero que vocês ARTICULEM COMIGO o


seguinte: por trás da negação da diversidade social havia um pensamento
discriminatório potencial que foi estimulado amplamente no contexto do século XIX
quando os Europeus conquistaram povos dos continentes da África e da Ásia.
Cientificamente, essa teoria ficou conhecia como Darwinismo Social

A partir das ideias positivistas de Auguste Comte, podemos sistematizar três grandes temas
de seu pensamento:
1- A sociedade industrial europeia como exemplo da sociedade de todos os homens, de
modo que a organização cientifica do trabalho é mais eficaz e produtiva para controlar
racionalmente os recursos naturais do que qualquer outra organização social. Por isso,
Comte defendia a sociedade industrial como forma universal de organização social.
2- O pensamento científico universal seria o caminho para o progresso da humanidade.
Por isso, o positivismo deveria ser estendido a todos os aspectos do pensamento;
3- O modelo do sistema político positivo da sociedade europeia deveria ser o modelo para
a humanidade. Segundo Raymond Aron, a pergunta de pesquisa que levou Comte a esse

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tema foi: “Como é possível, em última análise, explicar a diversidade, se a natureza humana
é basicamente a mesma?”8.
Como o mundo estava tomado pela supremacia europeia, havia uma crença de que os
europeus formavam a civilização mais avançada, a civilização da “Ordem e do Progresso”. Dessa
forma, o “corpo” social que manifestasse “disfuncionalidades” em descompasso com o modelo
de sociedade europeia precisaria ser corrigido. Por isso, costuma-se afirmar que as Ciências
surgidas neste período estavam influenciadas pelo pensamento eurocêntrico.

Portanto, as realidades distintas eram vistas como graus diferentes em uma


escala evolutiva. A isso damos o nome de evolucionismo.

2.3 EVOLUCIONISMO E DARWINISMO SOCIAL


Dentro do que estou apresentando a você sobre a
origem da Sociologia a partir do contato com outros
campos da Ciência, é importante saber que, também no
início (século XIX), o evolucionismo biológico de Charles
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Darwin (1809-1882) foi parâmetro para elaborações


sociológicas. Dessa proximidade surgiu o pensamento
evolucionista social, com destaque para o inglês Hebert
Spencer (1820-1903).
Para os evolucionistas, as sociedades se desenvolvem em escalas previsíveis, do estágio
mais “primitivo ao mais “sofisticado”. O evolucionismo social, ou darwinismo social, defende que
as diferenças fundamentais entre as pessoas ou grupos humanos estão baseada em raças distintas.
No século XIX, os estudos científicos (naturais e sociais) dividiam a humanidade em raça caucasiana
(branca), raça etíope (negra) e raça mongólica (amarela). Para Spencer, por exemplo, a raça branca
era o topo da evolução humana. Isso porque, em meio à competição pela vida, a história
selecionou, naturalmente, os brancos enquanto seres mais fortes.

8
Idem, p. 78.

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Atualmente, é sabido que essa vertente de pensamento social inspirada nas ideias de
Darwin, devido ao seu conteúdo racial, foi utilizada para sustentar a dominação neocolonial
na África. Por isso, depois da 2ª. Guerra Mundial, o evolucionismo foi rechaçado como
paradigma teórico para as Ciências Humanas. No lugar da ideia de superioridade racial e
seleção natural dos mais fortes, chegou-se à conclusão de que, na verdade, há uma
pluralidade cultural em que não existe uma única linhagem evolutiva. Ou seja, percebeu-se
que a teoria darwinista fazia sentido para a Biologia e não para as Ciências Sociais. Apesar
disso, as ideias racistas derivadas da abordagem evolucionista estiveram na raiz de inúmeros
conflitos.
No século XX, o desdobramento dessa teoria levou ao surgimento das ideias
eugênicas, ou seja, a seleção de grupos humanos a partir da genética. Dois grandes
exemplos históricos podem ser lembrados como aplicação prática da eugenia e do
darwinismo social: a ascensão do nazismo e o holocausto judeu; o apartheid na África do Sul.
Guardem isso e lembrem-se quando estiverem na aula de História sobre esse período!

Na figura do francês Auguste Comte (1798 – 1857), o positivismo foi a primeira linha de
pensamento que definiu a sociedade como um objeto de estudos. Também foi o positivismo que
lançou os primeiros métodos de estudos científicos da sociedade. Um dos parâmetros de análise
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do positivismo, por exemplo, era verificar se a sociedades estavam coesas e harmoniosas.

Mas foi somente no final do século XIX que a Sociologia, enquanto uma Ciência Social, começou
a ser sistematizada de forma mais rigorosa com um seguidor de Comte, Émile Durkheim. Ainda
nesta aula veremos Durkheim!!

Para Comte, as ideias religiosas haviam perdido a força de organizar a conduta dos homens
a ponto de a sociedade se encontrar em uma espécie de “caos”. Ele argumentava que tanto a
religião quanto a força militar foram forças de organização da sociedade próprias do período
medieval. Eram elas que permitiam uma ligação e coesão entre as pessoas.
Com a modernidade e a sociedade industrial, a ciência positivista deveria cumprir o papel
de reformular a organização social. Isso porque, explica Comte, foi a Ciência (a Razão) que
conduziu à Revolução Industrial. Assim, para haver coesão e equilíbrio social, seria preciso utilizar
o conhecimento social científico, independentemente da fé individual.

Preste atenção: Comte já atribuía à Ciência Social o papel de intervir na realidade social.

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Essa busca seria a forma para adequar a vida social às novas exigências da sociedade
industrial. Só que, para chegar nesse objetivo, a condição elementar seria o profundo
conhecimento dessa realidade. Assim, os estudos e os conhecimentos desenvolvidos seriam
capazes de fornecer a base intelectual e moral para os homens. Esse papel deveria ser cumprido
pelos cientistas. Com isso, a Ciência se elevaria a uma espécie de poder espiritual dos homens.
Diante desses pressupostos, chegamos à síntese da proposta do
positivismo, muito além do lema “ordem e progresso”, qual seja:

A partir do momento em que os homens pensam cientificamente, a


atividade principal das coletividades deixa de ser a guerra de homens
contra homens, para se transformar na luta dos homens contra a natureza
ou na exploração racional dos recursos naturais9.

2.4 CONTEXTO HISTÓRICO: O AVANÇO DO CAPITALISMO EUROPEU E OUTRAS IDEIAS


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O pensamento positivista foi reforçado pelos processos históricos


daquele período, em particular, os avanços tecnológicos e as
transformações sociais e culturais proporcionadas pelo que ficou
conhecido com a “dupla revolução”, nos dizeres do historiador Eric
Hobsbawn.

Quais revoluções profe?

A Revolução Francesa e a Revolução Industrial. Dessa forma, chegamos aos fatores


históricos10.
Dentre os fatores históricos que levaram ao estudo da sociedade enquanto Ciência, a partir
do século XIX, destaco:
a crescente complexidade das relações sociais após a Revolução Industrial;
novas relações econômicas estabelecidas entre diferentes civilizações.

9
ARON, Raymond. As etapas do Pensamento Sociológico. São Paulo: Martins Fontes/Ed. UnB. 1982, p. 72.
10
Além dessa expressão “dupla revolução”, algumas bancas também fazem referência a “tempos
modernos” para se referir ao período de ascensão do capitalismo e das revoluções burguesas (séculos
XVI a XIX). Além disso, lembro que a Revolução Americana (independência dos EUA) ocorreu antes da
Revolução Francesa (iniciada em 1789) e, por isso, também é fonte de inspiração para as ideias
científicas inovadoras.

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Os homens e as mulheres desse período se


Bairro Inglês, no início da Revolução Industrial/ Shutterstock

depararam com novas formas de organização da vida


em sociedade.
Repare, caro e cara aluna, que surgiram grandes
cidades industriais e centros urbanos. A Europa passou
por um rápido crescimento demográfico. Nessas
aglomerações humanas não havia estrutura habitacional
suficiente, não havia saneamento básico que
comportasse tantas pessoas, não havia sistema de saúde
que atendesse os doentes, em suma, as condições de
vida eram precárias e caóticas.
Com isso, diversos problemas sociais apareceram: suicídios; vícios, como alcoolismo;
aumento da criminalidade; violência contra crianças e mulheres; doenças, como a cólera; etc. É
claro que a miséria não foi uma produção do capitalismo, a vida dos camponeses já era péssima.
Mas o surto, ou melhor, a Progressão Geométrica desses problemas, saltava aos olhos do mais
distraído observador social. Não dava para esconder tudo para de baixo do tapete, entende?

Guarde, também, os principais traços da sociedade industrial observados pelos homens no


começo do século XIX:
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A indústria se baseia na organização cientifica do trabalho. Em vez de organizar segundo o


costume, a produção passou a ser ordenada baseada no rendimento máximo;
A indústria e a organização racional do trabalho favoreceram o desenvolvimento
prodigiosamente dos recursos;
A produção industrial levou à concentração dos trabalhadores nas cidades, fábricas e nas
periferias das cidades. Ou seja, o surgimento de um novo fenômeno social: as massas operárias;
Novos conflitos sociais aparecem, com destaque para a oposição latente entre empregados e
empregadores, ou entre proletários e capitalistas;
Contraste entre ampla riqueza criada pela industrialização e a pobreza em abundância, ou seja,
desigualdades sociais;
O sistema econômico passou a ser caracterizado pela liberdade nas trocas de mercadoria pela
busca de melhores lucros por parte dos empresários e comerciantes. Juntamente, o Estado
redefiniu seu papel, pois o grau de intervenção estatal nos negócios econômicos – como no
Antigo Regime – diminui.

Além disso, o contraste entre o avanço tecnológico, de um lado, e miséria, do outro,


produzia intensos debates no meio acadêmico e intelectual. Algumas perguntas investigativas
passaram, então, a serem feitas por pensadores:
➢ quais seriam as possíveis explicações racionais para fenômenos como o grande
deslocamento de massas do campo para as cidades?

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➢ como entender os processos de mobilidade social?


➢ Como resolver todas as mazelas do povo?
Os pensadores Iluministas Jean-Jacques Rousseau
(1712-1778) e Montesquieu (1689-1755), antes mesmo do
pico das transformações da Revolução Industrial e do
surgimento da Sociologia, dedicaram-se ao entendimento
de mudanças culturais e políticas. Ambos estudaram a
Jean Jacques Rousseau educação, a família, a política, a população, o comércio, a Montesquieu

religião, entre outros.

Não por menos, Raymond Aron (1905-1983), sociólogo francês, ao estudar as origens da
Sociologia, afirma que Montesquieu também pode ser considerado um dos fundadores dessa
Ciência Social . Com efeito, no livro O Espírito das Leis, Montesquieu estuda como a influência
do clima, da natureza do solo, da quantidade de pessoas e da religião afetam diferentes
aspectos da vida coletiva. Vida coletiva que, diante da diversidade humana e social, precisaria
ser organizada a partir de determinados tipos de governo.

Em linhas gerais, o importante desse processo de grandes transformações no pensamento


e na vida material das sociedades é você “sacar” que as primeiras elaborações consideradas
sociológicas expressavam uma preocupação sobre os efeitos do capitalismo na ordem social. Isso
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porque, “o fato novo que chama a atenção de todos os observadores da sociedade, no princípio
do século XIX, é a indústria”11.
Assim, diversos pensadores, cada qual com sua perspectiva e elaboração, discordavam em
muitos aspectos, mas concordavam que as novas condições de vida após aos processos da “dupla
revolução” passaram a produzir fenômenos sociais inteiramente novos. Por isso, é possível
considerar os estudos da sociedade entre os séculos XVIII e XIX como uma resposta intelectual às
novas situações colocadas pós-Revoluções12.
O pesquisador e sociólogo Carlos Benedito Martins, assim resume o momento histórico
mais “macro” do aparecimento da Sociologia:

O seu surgimento ocorre num contexto histórico específico, que coincide com os derradeiros momentos
da desagregação da sociedade feudal e da consolidação da civilização capitalista. A sua criação não é obra
de um único filósofo ou cientista, mas representa o resultado da elaboração de um conjunto de pensadores
que se empenharam em compreender as novas situações de existência que estavam em curso.13 (grifos
nossos)

Diante do debate apresentado, podemos concluir que, no contexto da


“dupla revolução”, a ordem social, ou a sociedade, ou as relações sociais,

11
Idem, p. 79.
12
MARTINS, Carlos Benedito. O que é Sociologia? São Paulo: Editora Brasiliense. 2010, p. 16.
13
MARTINS, Carlos Benedito. O que é Sociologia? São Paulo: Editora Brasiliense. 2010, pp. 10-11.

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enfim, a vida em coletividade, passou a ser o OBJETO DE ESTUDO das Ciências


Humanas.

Diante do debate apresentado, podemos concluir que, no contexto da “dupla revolução”,


a ordem social, ou a sociedade, ou as relações sociais, enfim, a vida em coletividade, passou a ser
o OBJETO DE ESTUDO das Ciências Humanas.
Diversos pensadores, cada qual com sua perspectiva e elaboração, discordavam em muitos
aspectos, mas concordavam que as novas condições de vida após aos processos da “dupla
revolução” passaram a produzir fenômenos sociais inteiramente novos. Por isso, é possível
considerar os estudos da sociedade entre os séculos XVIII e XIX como uma resposta intelectual às
novas situações colocadas pós-Revoluções14.
O pesquisador e sociólogo Carlos Benedito Martins, assim resume o momento histórico
mais “macro” do aparecimento da Sociologia:
O seu surgimento ocorre num contexto histórico específico, que coincide com os derradeiros momentos
da desagregação da sociedade feudal e da consolidação da civilização capitalista. A sua criação não é obra
de um único filósofo ou cientista, mas representa o resultado da elaboração de um conjunto de pensadores
que se empenharam em compreender as novas situações de existência que estavam em curso.15 (grifos
nossos)
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Guarde, também, os principais traços da sociedade industrial observados pelos homens no começo do século XIX:

A indústria se baseia na organização cientifica do trabalho. Em vez de organizar segundo o costume,


a produção passou a ser ordenada baseada no rendimento máximo;
A indústria e a organização racional do trabalho favoreceram o desenvolvimento prodigiosamente
dos recursos;
A produção industrial levou à concentração dos trabalhadores nas cidades, fábricas e nas periferias
das cidades. Ou seja, o surgimento de um novo fenômeno social: as massas operárias;
Novos conflitos sociais aparecem, com destaque para a oposição latente entre empregados e
empregadores, ou entre proletários e capitalistas;
Contraste entre ampla riqueza criada pela industrialização e a pobreza em abundância, ou seja,
desigualdades sociais;
O sistema econômico passou a ser caracterizado pela liberdade nas trocas de mercadoria pela
busca de melhores lucros por parte dos empresários e comerciantes. Juntamente, o Estado redefiniu seu
papel, pois o grau de intervenção estatal nos negócios econômicos – como no Antigo Regime – diminui.

14
MARTINS, Carlos Benedito. O que é Sociologia? São Paulo: Editora Brasiliense. 2010, p. 16.
15
MARTINS, Carlos Benedito. O que é Sociologia?. São Paulo: Editora Brasiliense. 2010, pp. 10-11.

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3. A SOCIOLOGIA DE ÉMILE DURKHEIM

Como já dissemos nessa aula, um


dos responsáveis por impulsionar a
Sociologia foi o francês Émile Durkheim
(1858-1917). Este autor, sobre o impacto
da Revolução Francesa para as Ciências,
teria dito que a partir do momento em que
“a tempestade da revolucionária passou,
constituiu-se como que por encanto a
noção de ciência social”16.
Ou seja, durante a Era das
Revoluções, era praticamente inevitável o
aparecimento de um tipo de pensamento
científico preocupado com as questões
sociais. Disse “nosso” ´primeiro sociólogo:

“a principal tarefa do sociólogo é descobrir os diferentes aspectos do meio social que podem
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exercer alguma influência sobre o desenvolvimento dos fenômenos sociais”.17

Seguindo os passos do positivismo, o pensador francês Émile Durkheim foi quem mais
desenvolveu a sistematização teórica e metodológica de pesquisa da sociedade a partir de fatos
observáveis.
Assim como Comte, Durkheim buscou princípios universais do comportamento e das
relações sociais. Para tanto, ele adotou uma postura científica de distanciamento dos objetos e
fatos a serem estudos. Em todo processo de pesquisa – observação, coleta de dados, mensuração
e interpretação -, o método durkheimiano afirma que o cientista social deve manter uma relação
de imparcialidade e distanciamento daquilo que ele analisa.

Olha a “mini bio” do Durkheim! Ele iniciou seus estudos na Escola Normal Superior de Paris.
Lecionou sociologia de forma pioneira em Bordéus, na França. Em 1902, deu aulas na
Universidade de Sorbonne, em Paris. A partir de então, reuniu um grupo de intelectuais que
ficou conhecido como a escola francesa de sociologia. Dentre suas obras mais importantes,
destacam-se:
Da divisão do trabalho social;

16
Apud MARTINS, op. Cit. 2010, p. 26.
17
DURKHEIM, Emile. The Rules of Sociologial Method. Chicago: Chicago University Press. 1938, p. 113.

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As regras do método sociológico;


O suicídio;
Formas elementares da vida religiosa;
Educação e sociologia.

Só pelos títulos dá para notar que esses livros foram motivados pelos conflitos e problemas
sociais do século XIX e início do século XX. Neles constam estudos que abarcam:
✓ da emergência do indivíduo à origem da ordem social;
✓ da moral ao estudo da religião;
✓ da economia à divisão social do trabalho.
Pode-se dizer que, dentre essas obras, a de maior impacto para a construção da Sociologia
como campo do conhecimento foi As regras do método sociológico. É nesse livro que Durkheim
expõe boa parte dos conceitos que utiliza para construir suas análises.

Procedimentos iniciais da Sociologia


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Observação Experimentação Comparação

Em As regras do método sociológico, ao considerar que é social todo evento que é geral,
isto é, aquela situação que se repete para a maioria dos indivíduos (genérica), Durkheim define o
que é um fato social.

Fato social é a situação ou fenômeno social formado:

→ pela coerção social, porque é imposto aos indivíduos independentemente de sua vontade
→ por ser exterior ao indivíduo, ou seja, por existir independentemente da existência do
indivíduo
→ por ser geral, ou seja, não ser um fato isolado e sim genérico a ponto de ocorrer com
regularidade na sociedade.

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Características do fato social

1- Generalidade 2- Coercitividade 3- Exterioridade

Definição de fato social


[Os fatos sociais] consistem em maneiras de agir, de pensar e de sentir
exteriores ao indivíduo, dotadas de um poder de coerção em virtude do qual
se lhe impõe. Por conseguinte, não se poderiam confundir com os
fenômenos orgânicos, pois consistem em representações e em ações; nem
com os fenômenos psíquicos, que não existem senão na consciência
individual e por meio dela. Constituem, pois, uma espécie nova e é a eles
que deve ser dada e reservada a qualificação de sociais. Esta é a qualificação
que lhes convém, pois é claro que , não tendo por substrato o indivíduo,
não podem possuir outro que não seja a sociedade: ou a sociedade política
em sua integridade, ou qualquer um dos grupos parciais que ela encerra,
tais como confissões religiosas, escolas políticas e literárias, corporações
profissionais etc. Por outro lado, é apenas a eles que a apelação convém;
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pois a palavra social não tem sentido definido senão sob a condição de
designar unicamente fenômenos que não se englobam em nenhuma das
categorias de fatos já existentes, constituídas e nomeadas. Estes fatos são,
pois, o domínio da sociologia18.

De acordo com Ramon Aron, a concepção da Sociologia de Durkheim se baseia em uma teoria
do fato social, pois seu objetivo é demonstrar que pode e deve existir uma Sociologia objetiva e
científica, conforme o modelo das outras ciências, tendo por objeto o fato social19.
(UFU 2010)
Tivemos muitas vezes ocasião de afirmar que as regras da moral são normas elaboradas pela
sociedade; o caráter obrigatório que as caracteriza não é mais do que a própria autoridade
da sociedade comunicando-se a tudo que dela sai.
DURKHEIM, E. O Dualismo da Natureza Humana e as Suas Condições Sociais, p. 289.
A respeito das noções de sociedade e moralidade tais como concebidas por Émile Durkheim,
assinale a alternativa correta.

18
DURKHEIM, Émile. O que é fato social. In: RODRIGUES, José Albertino (Org.). Durkheim. São Paulo:
Ática, 2000. p. 53-54.
19
ARON, R. As etapas do pensamento sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 1995. p. 336.

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a) Assim como os instintos e sensações humanas, a atividade moral resulta dos significados
subjetivos que os indivíduos atribuem às relações sociais.
b) As regras morais não proporcionam coesão social nas sociedades complexas.
c) A sociedade consiste na soma das ações dos indivíduos tomadas coletivamente.
d) O caráter externo e coercitivo da moralidade decorre precisamente do fato de que ela é
essencialmente coletiva e impessoal.
Comentários
Repare que as “regras da moral” são observadas como fato social, pois Durkheim reforça
que elas são coercitivas (“o caráter obrigatório”) e exteriores (“a própria autoridade da
sociedade comunicando-se”). Com essa noção, passemos às alternativas:
a) errado, pois as regras morais se fundam da sociedade, sendo impostas aos indivíduos.
b) falso, pois não é essa a compreensão de Durkheim. O autor afirma que, em sociedade
complexas, a divisão social do trabalho cumpre papel preponderante para a coesão social.
Agora, isso não significa desconsiderar a força da moral enquanto coesão social. Pelo
contrário, em grupos e comunidades religiosas, por exemplo, as regras morais são
fundamentais para a coesão do grupo.
c) errado, não há espaço para a força dos indivíduos na percepção durkheimiana. A
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coletividade é superior e qualitativamente diferente do que a reunião de todos os indivíduos.


Se fosse considerada a possibilidade dessa “somatória”, aí Durkheim cairia em contradição
com o argumento de que a subjetividade de cada seria mais importante. Na verdade, ele
sugere que essa subjetividade é exteriormente formada.
d) feito, é o gabarito. Veja que temos uma definição prática de fato social.
Gabarito: D

3.1- OS CONCEITOS
A coerção social pode ser notada, por exemplo, na relação do indivíduo com a linguagem.
Nós nascemos e já existe uma língua que nos é “imposta” socialmente, via hábitos culturais. Ou,
ao indivíduo também lhe é imposto a condição de cidadão de determinada nacionalidade
(membro de um país) e, portanto, a naturalidade dele já é previamente definida seja por força do
local em que nasce, das relações sanguíneas, seja pelas normas jurídicas que definem a
naturalidade dos nascimentos em cada país.
Assim, ou há “sanções” espontâneas aos indivíduos, aquelas que fazem parte da cultura e
dos costumes, ou há “sanções” legais, penais, impostas por normas jurídicas que exercem coerção
regular sobre as pessoas.

Uma multa de trânsito, por exemplo, é uma sanção legal; já uma repressão coletiva a
um cidadão que se masturba dentro de vagões de trem é uma sanção espontânea,

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direta da sociedade, pois a conduta do tarado é vista como inadequada, além de ser
crime.

Certamente, você mesmo já passou por algum tipo de constrangimento coletivo. Se isso
ocorreu, provavelmente você estava diante de um dos aspectos do fato social. Sabe um momento
que percebemos isso? Com nossas vestimentas. A moda é um bom exemplo de fato social. Você
se sentiu deslocado por não estar com a vestimenta certa para tal ou qual ocasião? Ou, você já
fez compra de roupa sem considerar o que os outros vestem ou as tendências do momento? Pois
é, isso aí é tipo de coerção social. Os mais radicais dizem “a ditadura da moda”.
Veja o que o próprio Durkheim diz sobre o aspecto da coerção dos fatos sociais:
(...) a coerção é menos violenta; mas não deixa de existir. Se não me submeto às convenções mundanas;
se, ao me vestir, não levo em consideração os usos seguidos em meu país e na minha classe, o riso que
provoco, o afastamento em que os outros me conservam, produzem, embora de maneira mais atenuada,
os mesmos efeitos que uma pena propriamente dita.”20

Para Durkheim, a educação cumpre um importante papel na adequação dos indivíduos às


regras e costumes sociais. A preocupação de Durkheim é com a coesão social, isto é, evitar que a
sociedade se torne desorganizada.
No que diz respeito à exterioridade dos fatos sociais, trata-se dos elementos na sociedade
que existem independentemente da vontade dos indivíduos. Quando você nasce, você vem ao
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mundo é já há inúmeras regras sociais em pleno vigor.


Por isso, essa característica dos fatos sociais é entendida como exterior ao indivíduo. Essa
elaboração deriva da compreensão de Durkheim de que a consciência coletiva se sobrepõe à
individual. Para ele, embora os indivíduos tenham suas próprias consciências, modos particulares
de olharem e interpretarem o mundo, dentro de cada grupo ou sociedade há formas padronizadas
de conduta e de pensamento.
Já a terceira característica, a generalidade dos fatos sociais, refere-se à regularidade
com que determinados fenômenos e situações sociais existem. Um fato social não é algo isolado,
único, uma exceção. Um dos principais casos estudados por Durkheim é o suicídio. O francês se
pergunta: como o suicídio existe em diversas sociedades e em diversos países?

20
DURKHEIM, Émile Apud RODRIGUES, José Albertino (Org). Durkheim. São Paulo: Ed. Ática. 1981, p. 47.

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Interessante que o
sociólogo francês foi o primeiro a
pensar na regularidade e
generalidade do suicídio como um
fenômeno social.
Independentemente do que leva ao suicídio, este ato ocorre com muitas
pessoas, em muitas partes do mundo e, muitas vezes,
independentemente de sua própria vontade. Por isso mesmo, surgiu a
Campanha Setembro Amarelo, uma campanha mundial de prevenção ao
suicídio. Se não fosse um fato social, se fosse algo isolado e único, não
precisaríamos de uma Campanha MUNDIAL que mobiliza tantas pessoas,
empresas e governos. Sacaram o que é um fato social?

Nesse sentido, o suicídio não seria algo próprio da vontade do sujeito, mas próprio de leis
sociais, já que a taxa de suicídio é frequente, embora varie de acordo com a condição histórica.
Segundo Durkheim, o “suicídio varia inversamente com o grau de integração dos grupos sociais
dos quais o indivíduo faz parte”21.
Por ser uma lei, ela é válida somente em condições específicas e determinada pelo grau de
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coesão social. Por exemplo, Durkheim concluiu que os índices de suicídio – em seu tempo – eram
maiores em sociedades em que a fé religiosa prometia uma vida mais feliz após a morte.

O filme Paradise Now (2005) conta a história de


dois amigos de infância recrutados como
homens-bomba em meio ao conflito Israel x
Palestina. A obra foi indicada ao Oscar de
melhor longa-metragem estrangeiro, sendo o
primeiro filme palestino a concorrer na
premiação. Neste filme, além de ser possível
perceber todo esse debate de Durkheim sobre o
suicídio, o estereótipo da figura dos homens-
bomba é descontruído.

21
Apud ABEL, Theodore. Os Fundamentos da Teoria Sociológica. Rio de Janeiro: Ed. Zahar. 1972, p. 22.

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Para verificar essa característica da generalidade, a principal ferramenta da sociologia


durkheiminiana é a estatística. Nesse sentido, ao constatar que há frequência regular de
determinado fato social, Durkheim conclui que há uma natureza coletiva dos fatos sociais.
Por isso, em razão da frequência de determinadas situações, é possível afirmar que há um
consenso social e uma “vontade” coletiva para que os fatos sociais existam tal como eles se
manifestam.

O homem que não saudou o nazismo


A foto, famosa
mundialmente, registra o
alemão August Landmesser.
Ela foi feita no porto de
Hamburgo, em 1936, em
plena era nazista.
Dezenas de pessoas
estavam reunidas para assistir
ao lançamento de um navio
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militar. Landmesser ingressou


no Partido Nazista em 1931,
ele foi expulso em 1935, por
se casar com uma judia chamada Irma Eckler. Com ela, teve duas filhas e por isso foi
preso, acusado de “desonrar a raça” ariana. Aos olhares nazistas esse tipo de atitude
era uma anomalia.

Além disso, na imagem acima podemos notar as três características do fato social:
 coerção, ou seja, todos tinham que fazer a saudação;
 exterioridade, ou seja, o nazismo foi um fenômeno que foi apresentado às pessoas,
ele não nasceu com as pessoas (pense em crianças de 0 a 5 anos nesse período),
passou a determinar comportamentos;
 generalidade, isto é, para os alemães havia regularidade em ser nazista. “Todo
mundo era nazista”.

Agora profe. você pode perguntar: e o rapaz que não levantou o braço?

Bem, ele seria a anomalia ali no meio!


Ainda em As regras do método sociológico, Durkheim, inspirado nas Ciências Naturais,
compreende que as sociedades evoluíram da forma mais simples a forma mais complexa
(sociedade industrial), tal como os organismos evoluem. Veja o que ele sintetiza sobre a França:

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Desde suas origens, passou a França por formas de civilização muito diferentes: começou por ser agrícola,
passou em seguida pelo artesanato e pelo pequeno comércio, depois pela manufatura e, finalmente,
chegou à grande indústria.22

Com efeito, ao analisar empiricamente a evolução das sociedades, o pensador francês


elabora uma morfologia social23. Estabelece, então, a existência de dois tipos de sociedade:

1-) em um tipo, há uma solidariedade mecânica entre os homens, fruto da divisão social do
trabalho contida na sociedade pré-capitalista. Nela os indivíduos se identificam e se relacionam
por meio da família, da tradição, da religião. A coletividade exerce uma forte coerção social para
manter a sociedade harmônica e em funcionamento. É tudo muito mecânico, automático,
independentemente da forma de organização do trabalho.

2-) já na sociedade em que prevalece a solidariedade orgânica, própria das sociedades


capitalistas, os indivíduos são interdependentes em razão da divisão social e industrial do
trabalho. Aqui a coesão social é muito mais em razão das relações do trabalho na indústria e no
comércio do que por conta dos costumes, por exemplo. Então as instituições como a família e a
religião já não exerceriam a mesma função.
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A especialização dos indivíduos em determinadas funções sociais dá a ideia de


organicidade, tal como a interdependência entre os órgãos do corpo humano: um não funciona
sem o outro. Vamos ler uma análise do sociólogo francês,
Ao separar completamente o patrão e o empregado, a grande indústria modificou as relações de trabalho
e apartou os membros das famílias, antes que os interesses em conflito conseguissem estabelecer um novo
equilíbrio. Se a função da divisão do trabalho falha, a anomia e o perigo da desintegração ameaça todo o
corpo social e quando o indivíduo, absorvido por sua tarefa se isola em sua atividade especial, já não
percebe os colaboradores que trabalham ao seu lado e na mesma obra, nem sequer tem ideia dessa obra
comum24.

Agora, dois “esqueminhas” que vão te ajudar a resolver muitas questões de prova. É só os
tomar como ferramenta de análise em questões, ok?
Conforme Durkheim, consciência coletiva é um conjunto de...

22
DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico. São Paulo: Ed. Nacional. 1963, p. 82.
23
Morfologia é o estudo da forma.
24
DURKHEIM, E. A Divisão Social do Trabalho. Apud QUINTEIRO, T.; BARBOSA, M. L. O.; OLIVEIRA, M.
G. M. Toque de Clássicos. vol 1. Durkheim, Marx e Weber. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2007. p. 91.

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4. COMO PENSAR DIVERSAMENTE DIFERENTES REALIDADES


Queridos e queridas, chegamos a uma parte essencial da nossa aula.
Bem, toda essa contextualização e conceitualização sobre o desenvolvimento da Ciências
Sociais permite inferir que :

Objeto de estudos das


Ciências Sociais: a sociedade,
suas leis e suas estruturas
sociais. Por isso, elas
pretendem explicar
fenômenos da vida em
sociedade.

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Nas seções anteriores mostrei a você o desenvolvimento histórico das Ciências Sociais. Vimos que, com o
positivismo, a sociedade entrou para o rol dos objetos passíveis de serem analisados cientificamente. No
entanto, existiam vários limites nesse pensamento, um deles de que as diferenças entre as sociedades, e
mesmo entre os grupos sociais, representava desarranjo social.

Contudo, o pensamento social não ficou restrito ao positivismo. Outras perspectivas intelectuais surgiram
na segunda metade do século XIX e no começo do século XX que permitiram o desenvolvimento mais
complexo da observação social. Com isso, foi perceber que a sociedade não é harmônica e homogênea, bem
como desenvolver formas distintas de pensar diferentes realidades.

4.1 OLHAR E IMAGINAÇÃO SOCIOLÓGICOS


Nas seções anteriores mostrei a você o desenvolvimento histórico das Ciências Sociais com
destaque para Comte e Durkheim. Aqui quero mostrar
um pouco a perspectiva consolidada da “arte do fazer
ciências sociais” que se consolidou ao longo desse
tempo de desenvolvimento.
Para começar, gostaria de propor a leitura
compenetrada de alguns trechos do livro Imaginação
Sociológica de um importante cientista social chamado
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Charles Wright Mills. Ele foi mestre em arte, sociologia


e filosofia, além de doutor em antropologia. Como
atuante pensador pós II Guerra Mundial, nos Estados
Unidos da América, foi professor de sociologia na
Universidade de Columbia entre 1946 até sua morte, em
1962.
É dele o termo “imaginação sociológica”. Por meio desse conceito, ele propunha que as
ciências sociais têm um papel relevante de gerar reflexão na sociedade a fim de compreender
racionalmente como as coisas são, como elas acontecem, em quais condições e por quê. Ou seja,
imaginação sociológica nos remete à análise sociológica.

Nesse sentido, nas provas de vestibular, as questões, muitas vezes, comportam-se como um
mini-universo ao apresentar problemas sociais – ou interpretações sobre esses problemas – no
qual o aluno precisa de uma “imaginação sociológica” que seja capaz de compreendê-los e
explicá-los por meio do estranhamento e desnaturalização da realidade.

Estranhar a realidade significa se colocar diante dela com uma postura crítica
não tomando-a como um elemento normal ou natural.
Desnaturalizar significa buscar responder como as coisas se tornaram o que são.

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Para ESTRANHAR é preciso ter um olhar sociológico, ou seja, olhar para uma realidade de
maneira desconfiada, curiosa, investigativa. O PASSO Zero é NUNCA tomar nenhuma realidade
como elemento natural.

O que isso quer dizer profe?

Isso quer dizer que, para a Sociologia, a realidade social é uma construção humana
e histórica, como ensinou Max Weber. Natural é o Sol, a lua, a natureza, ou seja,
elementos que independem da razão humana.
A sociedade, os fenômenos sociais, os modos de vida, as ações humanas coletivas e
individuais, a estrutura social, a política, a estrutura econômica são resultado de
ações e decisões humanas que se desenvolvem ao longo da história que definem o
presente e, ao mesmo tempo, deixam legados para o futuro.
Vejam, queridos, há uma tendência de explicar questões sociais com argumentos
naturalizadores, ou seja, que não levam em conta a historicidade e que, de certa maneira fazem
parecer que "as coisas sempre foram assim", ou seja, fazer parecer natural aquilo que, na verdade,
tem uma explicação histórica e social. Por exemplo: a ideia de uma certa inferioridade e fragilidade
feminina que, por muito tempo, justificou a não participação das mulheres nas forças de segurança
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de diversos países.
Esse tipo de argumentação demonstra, na realidade, que muitas vezes os fenômenos
sociais que nos rodeiam e do qual participamos não são, de imediato, conhecidos profundamente.
A violência e a criminalidade, por exemplo, são tão triviais e corriqueiros que parecem ser naturais,
mas na verdade esse comportamento individual e coletivo pode ser explicado por meio de
elementos sociais, históricos, culturais, econômicos e até psicológicos. Por isso, a violência que
ocorre na sociedade não é um elemento natural.
Ao naturalizar um fenômeno, perde-se a capacidade de compreendê-lo e, na prática, não
é possível dar uma resposta racional à essas questões de ordem social.
Nesse sentido, a arte de fazer sociologia, lembrando sempre que o objetivo dessa é
observar os fenômenos e tentar explicá-los, desenvolve uma forma de pensar as diferentes
realidades por meio da superação das pré-noções, dos preconceitos e do senso-comum. Trata-se,
portanto, desenvolver uma capacidade de análise crítica que desvenda a historicidade e a
causalidade das questões sociais.

Contemple a poesia do dramaturgo alemão Bertold Brecht e perceba que ele usa uma
perspectiva sociológica no sentido de entender a realidade social como uma construção humana
e histórica. Em tempo, se a realidade é uma construção é possível intervir sobre ela.

Nada é impossível de mudar

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Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.

E examinai, sobretudo, o que parece habitual.

Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em
tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de
humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de
mudar.

Assim, Mills, ensina-nos que para DESNATURALIZAR uma forma de perceber e explicar a
realidade social é preciso imaginação sociológica OU uma análise sociológica que passa pelos
seguintes PASSOS (metodologia):
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Neste material, você está sendo preparado para responder às questões de vestibular,
sendo assim, tome essa reflexão em mãos, leia os trechos de Mills que separei para você. Veja
como isso pode lhe ajudar a responder a prova, sobretudo, nas questões do tipo definição de
pontos de vista divergentes e definição da natureza do argumento.

Imaginação sociológica: Wright Mills25


“Três ideias políticas predominantes parecem-me inerentes às
tradições da ciência social, e certamente fazem parte de sua promessa
intelectual. A primeira é, simplesmente, o valor da verdade, da
realidade. A própria ciência social, ao determinar os fatos, adquire um sentido político. Num
mundo de absurdos amplamente transmitidos, qualquer afirmação de fato é de significação
política e moral: Todos os cientistas sociais, pelo fato de existirem, estão envolvidos na luta entre
o esclarecimento e o obscurantismo. Num mundo como o nosso, praticar a ciência social é, em
primeiro lugar, praticar a política da verdade.

25
MILLS, C. Wright. A imaginação sociológica. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1969

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[...]
A verdade de nossas descobertas, a exatidão de nossas investigações _ quando vistas em
seu cenário social -podem ser ou não relevantes para as questões humanas. Se o são, e como o
são, é em si um segundo valor, que em suma é o valor do papel da razão nas questões humanas.
Juntamente com isso temos um terceiro valor - a liberdade humana, com toda a ambiguidade de
seu sentido. Tanto liberdade como razão, já declarei, são centrais para a civilização do mundo
ocidental; ambas são prontamente proclamadas como ideais. Mas em qualquer aplicação, como
critérios e objetivos, levam a muito desacordo
[...]
Para que a razão humana desempenhe um papel maior e mais explícito no processo de
criação da história, os cientistas sociais devem, sem dúvida, estar entre seus principais agentes.
Pois em seu trabalho, eles representam o uso da razão na compreensão das questões humanas; é
disso que se ocupam.
[...]
Essa concepção nos leva a imaginar a Ciência social como uma espécie de aparelho de
informação pública preocupado com as questões públicas e as inquietações privadas, e com as
tendências estruturais de nosso tempo que as sublinham ambas - e imaginar os cientistas sociais
individuais como membros racionais de uma associação autocontrolada, a que damos o nome de
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Ciências Sociais.
[...]
A tarefa política do cientista social - como a de qualquer educador liberal - é traduzir
continuamente as preocupações pessoais em questões públicas, e estas em termos de seu sentido
humano para uma variedade de pessoas. [...] evidenciar em seu trabalho - e, como educador,
também em sua vida - esse tipo de imaginação sociológica. E é seu objetivo cultivar tais hábitos
intelectuais entre os homens publicamente expostos a ele.
[...]
O cientista social procura compreender a variedade humana de forma ordenada
[...]
A ordem, bem como a desordem, está relacionada com o ponto de vista: para chegar a um
entendimento ordenado dos homens e sociedades, é necessária uma série de pontos de vista
bastante simples para tomar possível o entendimento, e não obstante bastante geral para nos
permitir incluir em nossas opiniões e alcance a profundidade da variedade humana.
[...]
Qualquer ponto de vista, naturalmente, baseia-se numa série de questões, e as questões
gerais das Ciências Sociais ocorrem facilmente à mente que tenha conhecimento firme da
concepção orientadora da ciência social como estudo da biografia, da história e dos problemas
de seus cruzamentos dentro da estrutura social.”

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Quando Mills fala em questões públicas, pode-se pensar em questões sociais, ou seja, aquelas
situações que não dizem respeito apenas à vida individual ou pessoal, mas estão ligadas às
estruturas da vida coletiva, ou seja, atingem a vida social. Dois exemplos:
1-Desemprego: afeta muitas pessoas de diferentes níveis sociais e pode prejudicar a economia e
criar problemas como violência, doenças, entre outras.
2-Violência doméstica: afeta muitas famílias e pode, inclusive, impactar a produtividade do
trabalho e o sistema de segurança e de saúde.

Ideias
inerentes à
Ciência Social

Valor da razão Valor da


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Valor da
nas questões liberdade
verdade
humanas humana

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PRÁTICAS DAS CIÊNCIAS SOCIAIS

Está envolvida nos embates entre o esclarecimento e o obscurantismo

Por isso, usam a razão no esclarecimento das questões humanas

Preocupa-se com:
1- questões públicas e as inquietações privadas
2- tendências estruturais de um tempo histórico
3- compreender a variedade humana de forma ordenada
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Ajudar o
META
indivíduo a
EDUCATIVA
tomar-se um
das ciências
homem auto-
sociais
educado

(VUNESP/2014)

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O que significa olhar o mundo sob a perspectiva sociológica?


a) Considerar as nossas pré-noções sobre o social como expressão da verdade.
b) Desenvolver um olhar de estranhamento para a realidade a fim de percebê-la como
construção social.
c) Reconhecer a ausência de nexo explicativo entre as vidas individuais e a realidade social.
d) Desenvolver um olhar de naturalização da sociedade, pois o mundo e as coisas que nos
cercam sempre foi assim.
e) Desenvolver um olhar de neutralidade para realidade, para a formação de pré-noções
sobre o social.
Comentários
O olhar sociológico está relacionado à forma de observar a realidade ao nosso redor e aquele
em que estamos inseridos. Mas não um olhar passivo, e sim crítico com objetivo desenvolver
as relações causais entre os fenômenos sociais. Nesse sentido o gabarito é a alternativa B.
Gabarito: B

Agora, veremos um pouco de outros pensadores que foram importantes para pensarmos
as realidades sociais de diferentes maneiras.
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4.2 MATERIALISMO HISTÓRICO DIALÉTICO

Karl Marx é um autor do contexto de meados do século XIX, momento em que a Europa
vivia uma efervescência revolucionária precedida pela instabilidade gerada pela Revolução
Francesa (1789-1799), pela Era Napoleônica, as tentativas de restauração do Antigo Regime, as
revoluções nacionalistas, liberais e operárias nos anos de 1830 e 1848.
Além desses movimentos de natureza política, os países europeus ainda estavam se
adaptando às mudanças provocadas pela industrialização. Nesse momento, os problemas do
mundo moderno industrial passaram a ser alvo dos pensadores. Aliás, vimos isso na aula passada
com o positivismo e com Durkheim.
Porém, diferentemente dos positivistas, Marx não se propôs a fazer um estudo estritamente
sociológico da sociedade capitalista. Ele quis ir além: explicar a sociedade moderna em termos

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históricos e econômicos, a partir das evidentes desigualdades sociais para, depois, transformá-la.
Por isso, dizemos que o autor se distancia do idealismo e torna-se materialista, ou seja, parte da
realidade para pensá-la e, depois transformá-la. Dessa forma, “onde Comte [um positivista] via a
ciência como o meio para atingir a mudança social, Marx apontava para a inevitabilidade da ação
política”.
Nas palavras de Marx: Tese 11: “Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de
maneiras diferentes; a questão, porém, é transformá-lo.”
No mesmo sentido, se para Durkheim a indústria moldou a sociedade moderna a ponto de
ser ela a raiz dos problemas sociais, para Marx o sistema social como um todo, o capitalismo, seria
o grande problema. Isso porque as relações de produção se ampliam, influenciam e se
reproduzem nas demais relações sociais. Nos dizeres de pensadores mais atuais, trata-se da
tendência da mercantilização de todas as esferas da vida.
Para chegar a sua crítica ao capitalismo, Marx percorreu um caminho de estudos e de
análises multidisciplinar: economia, filosofia, história, direito, etc.
Outra marca que diferencia o autor alemão dos pensadores positivistas, é a ideia de
progresso histórico. Até então, a explicação convencional era de que o desenvolvimento da
sociedade seria uma constante evolução, das comunidades nômades até a modernidade. Em
oposição a essa forma de interpretação da realidade, Marx, a partir da filosofia de Georg Hegel26,
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passa a entender a história como fruto de contradições e choques entre circunstâncias materiais,
forças, ideias, grupos, interesses, em oposição. Em suma, Marx empregou o método do
materialismo histórico dialético.

Dialética pressupõe movimento, o mundo não é imutável ele está em constante transformação,
porém, não necessariamente de forma evolutiva. Se para os positivistas podemos imaginar
mentalmente alguma mais evolutivo, em forma de um gráfico progressivo, para os dialéticos
predomina uma imagem gráfica em “espiral”.

4.3 MÉTODO COMPREENSIVO

26
Para entender mais sobre Hegel, estudem a aula 2

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O destino de nosso tempo é caracterizado... acima de tudo... pelo desencanto


do mundo (Max Weber)
No mesmo sentido dos autores que temos estudado até aqui, Max Weber percebeu, sentiu
e analisou os impactos da industrialização em seu tempo. É da análise que ele desenvolve sobre
o que levou a moderna civilização ocidental a ser diferente das demais civilizações que
entenderemos o sentido de “desencanto do mundo” expresso na frase acima. Acompanha
comigo!
De origem alemã, Weber nasceu em um mundo que acabara de dar uma guinada em
direção a um processo produtivo industrial semelhante ao da Inglaterra (meados do século XIX).
Assim, a vida cotidiana se tornou diferente das sociedades anteriores, pré-industriais, pois,
praticamente, todas as relações entre as pessoas passaram a ser pautadas pela ação racional.
Dessa forma, Weber irá identificar na esfera econômica (expansão econômica, formas de
organização das economias, etc.) a exigência para a racionalização da sociedade. Isso porque, é
próprio da atividade econômica a racionalidade dos processos. Do contrário, em meio à
competição, perde-se eficiência e a economia entra em colapso ou se torna ineficiente. Em A ética
protestante e o “espírito” do capitalismo, Weber argumenta que o empresário não é obrigado a
levar as novidades para seu negócio, porém, se não o faz, tenderá à falência.
Porém, o modelo de desenvolvimento industrial alemão contou com a particularidade da
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tradição militar, fato que contribuiu para estabelecer modelos de organização de indústria
hierarquizados, disciplinados e eficientes. Assim, em um primeiro momento, Weber irá se
familiarizar com os efeitos da modernidade na própria Alemanha: uma indústria eficiente e
racionalizada.
O sociólogo alemão identifica que o comportamento racional está presente, além da
economia, na Ciência e Tecnologia. As descobertas cientificas foram possíveis fruto do estímulo
que as sociedades ocidentais modernas deram à criação racional. Isso se tornou perceptível
porque a explicação religiosa para os fenômenos da vida deu lugar para as explicações científicas.
Em particular, afirma Weber, esse processo de conhecimento ocorreu no Ocidente porque foi
aqui que o pensamento científico se desvinculou do pensamento religioso.
Nesse contexto, podemos dizer que o objeto de estudos de Weber partiu da moderna
sociedade alemã. Desse ponto, ele avança para questões teórico-metodológicas acerca da origem
da civilização ocidental, do lugar das civilizações na história universal e das formas de
relacionamento entre os sujeitos constituintes da sociedade.

O mais importante de Weber, no que se refere a sua contribuição para o pensamento


sociológico foi desenvolver o método da compreensivo. Ele se baseou em alguns pensadores
alemães que trabalharam para estabelecer a separação entre as ciências da natureza e as ciências
da humanidade.

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A compreensão seria o modo típico das ciências humanas, que não deveria explicar o fato em si,
apenas determinando as suas causas imediatas, mas sim compreender os processos da ação
humana e dela extrair sentidos.

Para tanto, Max Weber usou a análise histórica e a compreensão qualitativa dos processos
históricos sociais para chegar a conclusão de que cada sociedade tem suas particularidades.

(UNESP 2019)
O zoólogo Richard Dawkins e o paleontólogo Simon Conway Morris têm muito em comum:
lecionam nas mais prestigiadas universidades da Grã-Bretanha […] e compartilham opiniões
e crenças científicas quando o tema é a origem da vida. Para ambos, a riqueza da biosfera na
Terra é explicada mais do que satisfatoriamente pela teoria da seleção natural, de Charles
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Darwin. […] Num encontro realizado na Universidade de Cambridge, porém, eles


protagonizaram um novo round de um debate que divide a humanidade desde que o mundo
é mundo: Deus existe? Morris, cristão convicto, afirmou [em sua palestra] que a “misteriosa
habilidade” da natureza para convergir em criaturas morais e adoráveis como os seres
humanos é uma prova de que o processo evolutivo é obra de Deus. Já o agnóstico Dawkins
disse que o poder criativo da evolução reforçou sua convicção de que vivemos num mundo
puramente material. (Rodrigo Cavalcante. “Procura-se Deus”. https://super.abril.com.br,
31.10.2016.)
O conflito de opiniões entre os dois cientistas ilustra a oposição entre
a) duas visões filosoficamente baseadas na metafísica.
b) duas visões anticientíficas sobre a origem do Universo.
c) um ponto de vista ateu e um enfoque materialista.
d) duas interpretações diferentes sobre o evolucionismo.
e) dois pontos de vista teológicos acerca da origem do Universo.
Comentários
Queridos alunos, essa é uma questão que pode ser incorporada no tema que chamamos de
“definição de pontos de vista divergentes”. Todos os anos a UNESP coloca esse tipo de
questão para que os alunos identifiquem e definam a natureza dos acordos e desacordos das
ideias apresentadas.

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No caso dessa questão, bastava localizar bem que os dois cientistas têm interpretações
distintas sobre a evolução das espécies, apesar de concordarem com a teoria darwiniana da
seleção natural. Para o professor Moris a evolução é obra misteriosa de Deus, já para o
professor Dawkins o mundo é puramente natural. Passemos à análise das alternativas:
As duas visões não são baseadas na metafísica, uma vez que isto se refere aos estudos de
algo que está para além do ser material Lembra: Meta: para além, portanto metafísica, para
além do físico, do material. O professor Dawkins acredita que o mundo é puramente material,
ou seja, tudo pode ser empiricamente observado.
As duas visões não são anticientíficas, sobretudo, no que se refere à seleção natural das
espécies. Além disso, o texto não trata sobre a interpretação dos professores a respeito da
origem do Universo, mas sim da vida.
Aqui o erro está em dizer que um ponto de vista é ateu e o outro é materialista. O certo seria
dizer que um tem ponto de vista religioso e outro materialista.
Bingo. As duas interpretações sobre o evolucionismo são distintas, uma é religiosa e a outra
é materialista.
Errado porque o professor Dawkins tem um ponto de vista materialista, ou seja, parte do
pressuposto de que tudo pode ser observador, descrito, comparado, combinado e, assim,
analisado.
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Gabarito: D
(UNESP 2017)
Texto 1
O professor não se aproveitará da audiência cativa dos estudantes para promover os seus
próprios interesses, opiniões ou preferências ideológicas, religiosas, morais, políticas e
partidárias. Ao tratar de questões políticas, socioculturais e econômicas, o professor
apresentará aos alunos, de forma justa – isto é com a mesma profundidade e seriedade –, as
principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito. O professor
respeitará o direito dos pais a que seus filhos recebam a educação moral que esteja de
acordo com suas próprias convicções. www.programaescolasempartido.org. Adaptado.
Texto 2
Ciências sempre incluem controvérsias, mesmo física e química. Se não ensinamos isso
também, ensinamos errado. E o mesmo vale para história e sociologia – o professor precisa
ensinar Karl Marx, mas também Adam Smith e Émile Durkheim. Mas o conhecimento que
precisa ser passado é essencialmente científico – o que não inclui o criacionismo, que é uma
teoria religiosa. Com todo respeito, mas família é família, e sociedade é sociedade: a família
pode ter crenças de preconceito homofóbico ou contra a mulher, por exemplo, e não se
pode deixar que um jovem nunca seja exposto a um ponto de vista diferente desses. Ele tem
que ser exposto a outros valores. Renato Janine Ribeiro. https://educacao.uol.com.br,
21.07.2016. Adaptado.

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O confronto entre os dois textos permite concluir corretamente que


a) ambos atribuem a mesma importância à fé religiosa e à ciência como fundamentos
educativos.
b) ambos defendem o relativismo no campo dos valores morais, valorizando a aceitação das
diferenças.
c) as duas abordagens valorizam a doutrinação ideológica do professor sobre o aluno no
campo educativo.
d) o texto 1 assume uma posição moralmente conservadora, enquanto o texto 2 defende
uma educação pluralista.
e) o texto 1 é contrário a preconceitos morais, enquanto o texto 2 denuncia o cientificismo
na educação.
Comentários
Esse é o tipo de questão que chamei de “definição de pontos de vista divergentes”. Todo
santo ano cai esse modelo de questão. Evidentemente, ele precisa de interpretação e mais
uma vez digo: as lentes interpretativas devem ser teóricas. Ou seja, o aluno deve realizar uma
análise sociológica.
Para Emile Durkheim, as instituições sociais, como a família, a igreja, a escola são
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responsáveis pela socialização dos indivíduos e, assim, garantir algum tipo de coesão social.
Dessa forma podemos inferir que o conteúdo veiculado por essas instituições podem
constituir uma cultura geral. Justamente por isso constituem objeto de disputas entre grupos
de interesses distintos.
Tendo essas elaborações teóricas como base, podemos passar a interpretação do texto:
Pode-se perceber, no texto 1, uma preocupação com uma posição moral que conserve as
crenças e valores familiares em detrimento ao que pode vir a ser apresentado pela escola:
“O professor respeitará o direito dos pais a que seus filhos recebam a educação moral que
esteja de acordo com suas próprias convicções.” Ou seja, o texto 1 é exemplo de uma visão
da escola como reprodutora de valores familiares, que pretendem conservar a sociedade de
acordo com os próprios padrões.
O texto 2 apresenta uma visão de que as duas instituições, família e escola, sociais tem função
distintas. A base do argumento do texto é durkheinmiano uma vez que o sociólogo francês
afirma que a família tem o papel da socialização primária, já a escola tem a função da
socialização secundária na qual o indivíduo contrapõe a sua educação primária e a amplia
para o universo social e coletivo.
Assim, no texto 2, o autor defende a pluralidade no processo de socialização ao contrapor
valores que podem se desenvolver em ambientes sociais distintos: “Com todo respeito, mas
família é família, e sociedade é sociedade: a família pode ter crenças de preconceito
homofóbico ou contra a mulher, por exemplo, e não se pode deixar que um jovem nunca

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seja exposto a um ponto de vista diferente desses. Ele tem que ser exposto a outros valores.”
Ou seja, estabelece a escola como um espaço de visões de mundo diferentes.
Portanto, a alternativa D é a única correta. Vejamos os erros nas demais alternativas:
a- Os textos não convergem para falar de fé religiosa.
b- O 1º. Texto não defende o relativismo cultural no campo dos valores morais.
c- Nenhum dos dois textos defende a doutrinação do professor sobre o aluno em qualquer
área.
d- Está corretíssima, por tudo o que já tratamos.
e- Há uma inversão de inferência em relação à tese de cada texto.
Gabarito: D

5. O HOMEM COM SER SOCIAL


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Vejam, queridos, essa exposição teórica traz uma conclusão sobre a sociedade:
Sociedade, para a sociologia, é, basicamente, um conjunto de seres humanos que dividem
determinado território que compartilham e, também, disputam regras, ideologias e tradições,
valores, interesses que, de um modo geral, os fazem conviver de forma organizada.
Assim, a Sociedade é múltipla, diversa, formada por grupos sociais distintos. Não há uma
sociedade igual a outra, portanto, toda realidade social é diferente uma da outra.
Nesse sentido, podemos retomar a questão clássica da sociologia: a relação entre
indivíduos e sociedade.
Apesar das características biológicas que constituem o comportamento dos seres humanos
(comer, dormir, andar, etc.), os estudos científicos das Ciências Humanas indicam que o homem é
um ser social. Isso significa que as pessoas cooperam em vida coletiva.

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Essa cooperação pode ser fruto de relacionamentos mais ou menos conflitivos, ou de


relacionamentos de maior ou menor solidariedade. Sozinho, isolados, os indivíduos não reúnem
todas as condições para suprimir as necessidades para viver. Assim, diz-se que o comportamento
dos homens é socialmente influenciado. Vimos, por meio de Marx, Weber e Durkheim, que os
homens são influenciados pela sociedade, bem como ações também importam para os rumos da
vida coletiva.
É claro que variáveis biológicas também determinam comportamentos humanos, por
exemplo, o ato de procurar comida ao sentir fome. Agora, da forma como essa busca será feita,
das tecnológicas a serem empregadas em contato com outros semelhantes, até a satisfação da
fome, há inúmeras relações sociais que sugerem a construção teórica do homem como um ser
essencialmente social. Essa compreensão é importante por dois motivos:
1 – separar o que objeto de estudos das Ciências Sociais (aqui também podemos incluir a
psicologia) e o que é próprio das Ciências Biológicas e Exatas.
2 – fornecer uma compreensão histórica da vida social em coletividade.
Sobre esse segundo aspecto, embora o filósofo grego Aristóteles já tenha definido o
homem como um ser social no século III a.C, os estudos sociológicos (do homem em sociedade)
só iniciaram por volta do século XVIII com Augusto Comte, após os adventos do Iluminismo,
Revolução Industrial e Francesa, conforme vimos acima.
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De toda forma, é possível perceber essa diferença entre homem biológico e homem social,
na medida em que nós não vivemos sem transformar a natureza. Por um lado, a própria natureza
exige que os homens se agrupem, por outro, se não a transformamos, não sobrevivemos. Com
efeito, todas as modificações ocorridas na natureza são realizadas a partir do trabalho humano,
criando assim relações de interdependência social: homem X homem e homem X natureza. É
desse processo, considerado historicamente, que chegamos à conclusão de que o homem
necessita do outro.

Em tempo de pandemia (Covid-19) e isolamento social, essa constatação fica


bem evidente, pois muitos tem questionando a falta de serviços, de
relacionamentos e interações das mais variadas formas (econômica, políticas,
de lazer, educacional) que a crise de saúde pública provoca. Ou seja, a
interdependência ficou saliente. Fala-se, inclusive que o isolamento social pode
afetar a saúde mental das pessoas.
O interessante desse processo, do ponto de vista sociológico, é essa compreensão sociológica
está sendo confirmada pelas pessoas comuns. Uma ampla camada de pessoas, analistas, meios
de comunicação colocam em evidência essa dependência que um indivíduo tem do outro para
conseguir realizar suas necessidades materiais e, ate mesmo, subjetivas e sentimentais.
As relações sociais, de um modo geral, buscam novas formas de se arranjar, como é o caso das
pessoas que vão às janelas e sacadas para cantar, protestar, agradecer, homenagear ou,
simplesmente, conversar.

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O fundamental é entender que o individual – o que é de cada um – e o comum – o


que é compartilhado por todos – não estão separados:

Como os primeiros seres humanos conseguiram sobreviver nas difíceis condições do mundo?
a)Os seres humanos conseguiram sobreviver vivendo isoladamente um dos outros.
b)Os seres humanos conseguiram sobreviver devido à formação de grupos e a solidariedade.
c)Os seres humanos isoladamente sobreviveram em abrigos.
d)O convívio social não foi um fator que facilitou a sobrevivência humana.
e) Os seres humanos superaram as dificuldades, mas sem viver em comunidades
Comentários
Questão só para memorizar aquilo que foi visto acima: o homem como ser social. Porém, pode aparecer
também uma elaboração que diga o home é o ser biológico e social, caso em que a afirmação considera a
abordagem de todas as Ciências.
Gabarito: B

6. O QUE PERMITE AO HOMEM VIVER EM SOCIEDADE


Para entender o que permite ao homem viver em sociedade, devemos retomar a ideia do
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homem como um ser social. Pensemos, em toda a sociedade, os indivíduos se relacionam levando
em conta determinadas regras, normas e, também, valores, interesses, afinidades. É dessa maneira
que os grupos se formam.
Veja, a formulação aristotélica, de que o “homem é um ser social”, confirma que os seres
humanos se organizam em grupos, o que pressupõe a celebração de valores comuns e a
necessidade de conviver com diferenças. Portanto, é a partir dessa natureza essencialmente
humana e social que as pessoas passam a ser organizar em grupo.
Se voltarmos, novamente, a Aristóteles, percebemos que ele constata que, primeiro, vem
o núcleo central da família, depois das relações mais exteriores à casa, passando pelo local de
aprendizado, até chegar ao espaço político, a pólis. De uma forma mais sistematizada, pode-se
apresentar os grupos humanos em: Primário; Secundário e Intermediários. Olha só:

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Portanto,
podemos afirmar que os

Grupos socias
indivíduos, ao fazerem
Primários: contatos diretos - parte de uma sociedade,
família, vizinhos, grupos de lazer.
acabam por se inserir
em diversos grupos e
Secundário: contatos pessoais mais instituições que se
sem grandes intimidades, como
partidos políticos e igrejas. cruzam. Essa
multiplicidade e
Grupos intermediários: mistura heterogeneidade de
entre os dois outros grupo. Isso
tem a ver com a intensidade da grupos sociais
aproximação entre os indivíduos.
promovem uma
complexa rede de
interações. Pensa em
uma colcha de retalhos,
no qual cada pedacinho é um grupo, mas que acaba por ficar conectada por meio das relações,
estruturas e indivíduos. Isso é a nossa sociedade humana. Preste atenção, cada pedacinho da
colcha é um grupo e não um indivíduo, até mesmo porque cada indivíduo pode participar
simultaneamente de mais de um grupo, não é verdade
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6.1 SOCIALIZAÇÃO E GRUPOS DE INTERAÇÃO SOCIAL


Agora, veja, meus caros alunos, como é que os indivíduos começam a fazer parte desses
grupos... e para quê?
Para responder a essas perguntas, a sociologia desenvolveu um conceito fundamental para
explicar o processo de formação das sociedades, ou melhor o processo no qual os indivíduos se
inserem na sociedade, são influenciados por ela e, ao mesmo tempo a influenciam e, inclusive
podem modificá-la. Chamamos isso de socialização.
Toda sociedade humana necessita estabelecer normas e regras para garantir a convivência,
a unidade, a diversidade e o sentido de sua existência. Isso ocorre ao longo da história humana.
Portanto, quando as pessoas nascem, uma série de normas e valores já estão prontos. Contudo,
todas essa "coisas" são estranhas ao novo ser. Dessa forma, à medida que cresce, aquele ser
humano vai aprendendo o que pode ou não fazer.
É a esse processo de interiorização de normas, valores, costumes, tradições, perspectivas
que chamamos de socialização. De um modo geral é isso que nos torna humanos e nos diferencia
de qualquer outro animal.
Esse processo se dá em dois espaços: o privado e o público:

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Processo
•Família, vizinhos, amigos
•São promovidos em espaços mais privados que envolvem
maior intimidade, afetividade

Informal •Permitem mais negociação com as diferenças

Processo
•Escola, Igreja, Local de Trabalho
•São promovidos em espaços mais provados.
•As relações são mais definidas por regras e, por isso, há

formal menos negociação. É preciso aprender a conviver mais,


obedecer, seguir regras já prontas.

Agora há uma "instituição" que permeia tanto os espaços privados como os públicos e
participa do processo de socialização das mais diversas maneiras: são os meios de comunicação.
O avanço tecnológico nessa área foi diluindo cada vez mais as esferas do público e privado, como
vemos hoje em dia. Em geral, as pessoas estão, voluntariamente, submetidas a todo tipo de
informação por meio da internet e das redes sociais. Essas novas formas de se comunicar e
interagir pode gerar novas formas de socialização.
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Debateremos mais especificamente sobre o papel dessas novas tecnologias, por hora,
quero que vocês guardem o fato de que elas também contribuem para o processo de
socialização e constituem uma forma singular, já que estão simultaneamente entre os
espaço público e privado e se combinam em processos formais e informais. Não
esqueçam!

6.2 AS DIFERENÇAS NO PROCESSO DE SOCIALIZAÇÃO


A essa altura da nossa aula você já deve ter em mente que as sociedades são muito distintas
entre si. Está bem, eu sei que ainda temos muito o que explicar sobre essas diferenças. A cultura,
por exemplo. Mas, de todo modo, já está claro para você que não há homogeneidade e que é a
diversidade e principal marca das sociedades.
Ressaltar isso é super importante quando estamos refletindo sobre o processo de
socialização porque a depender do local onde se nasce, a qual classe se pertence, em que
momento da história esse processo de socialização do indivíduo será completamente diferente.

O que você quer dizer com isso, Profe?

Eu quero dizer que é preciso fazer SEMPRE uma contextualização histórica. Por exemplo,
um criança que nasceu na Europa do Século XIV tem uma socialização diferente da que nasceu no

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século XIX. Mas uma pessoas que nasceu no Brasil tem um uma classe social muito carente e mora
nos bairros mais periféricos das grandes cidades, como Rio de Janeiro ou São Paulo, pode ter
uma socialização semelhante a uma criança que nasceu na Síria durante a ocupação do grupo
terrorista Estado Islâmico, percebem?
Portanto, socialização é um conceito que nos ajuda a entender a relação do indivíduo com
a sociedade, mas, nesse caso, precisamos antes saber de qual sociedade se está tratando.
Outra noção importante que precisamos aprender sobre o processo de socialização é que
ele é sempre novo, sobretudo, nas sociedades abertas e no contexto da globalização. Vejamos:

Não estamos falando que o processo de socialização é o de internalização das normas,


regras, valores que conduzem a atuação individual? Pois bem, agora imagine uma pessoa
chegando a um novo país com um conjunto de instituições completamente diferentes
daquela sua origem? É como se o indivíduo virasse um bebezinho de novo e tivesse que
aprender tudo de novo. É evidente que nesse caso, o processo é distinto porque esse
adulto já tem muitos valores "universais" internalizados, mesmo assim, é um novo processo
de socialização.
Disso podemos inferir que o processo de socialização ele é sempre um processo aberto,
inacabável já que o indivíduo está permanentemente em constante formação e interação.
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6.3 CONFIGURAÇÃO E HABITUS


Ainda para pensarmos relações entre indivíduos e sociedade e os processos de interação
social, podemos lembrar de dois conceitos importantes, o de configuração de Norbert Elias e o
de habitus de Pierre Bourdieu
O sociólogo alemão Norbert Elias (1897-1990) que
viveu praticamente todo o século XX, debruçou-se sobre
alguns aspectos perifericamente tratados pelos sociólogos
que vimos até aqui, quais sejam: as emoções dos indivíduos.
Medos, amor, tristeza, solidão, agressividade, entre outros,
seriam moldados pela cultura e não pelos aspectos
biológicos. Assim, ele vai explorar o campo da cultura que
envolve os indivíduos e, portanto, existiriam padrões
culturais para as emoções. Gostaria de ressaltar um
sentimento: a empatia, aquele sentimento que faz um
indivíduo entender o outro como um igual, sentir sua dor ou alegria.
Além disso, no livro A sociedade de indivíduos, o autor alemão cria o conceito de
“configuração”, segundo o qual não há uma dicotomia entre indivíduo e sociedade. Há, na
verdade, uma teia de relações interdependentes, sendo que só faz sentido em falar nas
características dos indivíduos se forem consideradas as formas interdependentes de relações, e
não cada qual isoladamente.

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Assim, Elias tenta chegar o mais próximo da realidade por entender as relações como
formas dinâmicas. Por exemplo, só faz sentido falar de futebol, se levarmos em consideração a
“configuração” do jogo todo (11 jogadores de cada lado, árbitro, as regras, etc), e não só falar de
um jogador. Então, o conceito chave desse autor é a noção de “configuração” em que o indivíduo
está inserido em um todo complexo, cujas partes são interdependentes.
Tomando esse sentido da interpretação, podemos avançar
para outro sociólogo. Na medida em que o indivíduo inserido na
sociedade adquire certos conhecimentos sociais, ele cria um
“habitus”, o qual reflete o sentido geral de outros membros da
mesma sociedade. Esse conceito, desenvolvido pelo sociólogo
francês Pierre Bourdieu, é interessante pois permite conectar o
indivíduo às práticas sociais.
Para Bourdieu, o “habitus” é estruturado por meio das instituições de socialização. Vamos
conferir o que o autor nos diz:
Os habitus são princípios geradores de práticas distintas e distintivas – o que o operário
come e, sobretudo, sua maneira de comer, o esporte que pratica e sua maneira de praticá-lo,
suas opiniões política e sua maneira de expressá-las diferem sistematicamente do consumo ou
das atividades correspondentes do empresário industrial; mas são também esquemas
classificatórios, princípios de classificação, princípios de visão e de divisão e gostos diferentes.
Eles estabelecem as diferenças entre o que é bom e mau, entre o bem e o mal, entre o que é
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distinto e o que é vulgar etc., mas elas não são as mesmas. Assim, por exemplo, o mesmo
comportamento ou o mesmo bem pode parecer distinto para um, pretensioso ou ostentatório
para outro e vulgar para um terceiro27.

Veja, que o habitus é definido socialmente por meio das classes sociais às quais o indivíduo
pertence. Esse conceito é muito utilizado para discutir, por exemplo, os gostos de classe. Pessoas
ricas são educadas para frequentar uma ópera, entendem dela e gostam. Pessoas de classes
menos abastadas que nunca escutaram, não conhecem, não podem expressar um gosto. É como
se Bourdieu dissesse que gostamos daquilo que conhecemos e podemos consumir.
O fato é que as condições de classe dão oportunidades distintas às pessoas. Isso gera a
distinção social pelo consumo de bens culturais. Esses bens culturais acumulados ao longo da vida
são chamados por Bourdieu de capital cultural, ou seja, um conjunto de recursos materiais e
simbólicos que se acumulam como verdadeiros elementos de distinção social.
Ainda segundo o autor, o capital cultural é mais tipicamente encontrado no universo
cultural das camadas médias e abastadas da sociedade porque estariam disponíveis na chamada
cultura letrada ou cultura erudita. Então, por exemplo, elas teriam mais facilidade na escola, na
universidade e nas instituições educacionais e culturais.
Mas, cuidado, como capital cultural é uma construção social, então, pode extrapolar as
classes sociais.

27
BOURDIEU, Pierre. Razões práticas. Campinas: Papirus. 1996, p. 22.

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Para encerrarmos a parte teórica da aula, vou deixar como dica para você relaxar e, ao mesmo
tempo, estudar, duas sugestões:
Minidocumentário: a Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp), em parceria com a
UNESP fez um bom vídeo sobre Émile Durkheim, confira em
https://www.youtube.com/watch?v=SMaxxNEqk7U.

O filme conta a história do 'Julgamento do Macaco',


como ficou conhecido o caso do professor Scopes,
processado criminalmente por ensinar a Teoria da
Evolução de Darwin em uma escola pública do Tennessee,
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em 1925. Durante o julgamento, que durou onze dias e


foi o primeiro a ser transmitido por rádio, a defesa
foi impedida pelo juiz de apresentar cientistas como
testemunhas. No filme você terá contato com um caso
real que envolve ciência, religião e teses eugênicas.
Alguns temas da nossa aula de hoje! Assista, pense e
articule ideias!
Esses filmes são ótimos para treinar o que eu costumo
chamar de “OLHAR SOCIOLÓGICO” – próxima aula eu
explico melhor esse tal olhar

Bem, querida e querido alunos, encerramos por aqui nossa aula demonstrativa que tratou
sobre o desenvolvimento das Ciências Sociais, sobretudo, a Sociologia.
Aguardo você na próxima aula. Não desista, bora lá construir esse conhecimento!
Um abraço apertado e um suspiro dobrado de amor sem fim,
Alê

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7. LISTA DE QUESTÕES
(ENEM 2016)
A sociologia ainda não ultrapassou a era das construções e das sínteses filosóficas. Em vez
de assumir a tarefa de lançar luz sobre uma parcela restrita do campo social, ela prefere
buscar as brilhantes generalidades em que todas as questões são levantadas sem que
nenhuma seja expressamente tratada. Não é com exames sumários e por meio de intuições
rápidas que se pode chegar a descobrir as leis de uma realidade tão complexa. Sobretudo,
generalizações às vezes tão amplas e tão apressadas não são suscetíveis de nenhum tipo de
prova.
DURKHEIM, E. O suicídio: estudo de sociologia. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
O texto expressa o esforço de Émile Durkheim em construir uma sociologia com base na
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a) vinculação com a filosofia como saber unificado.


b) reunião de percepções intuitivas para demonstração.
c) formulação de hipóteses subjetivas sobre a vida social.
d) adesão aos padrões de investigação típicos das ciências naturais.
e) incorporação de um conhecimento alimentado pelo engajamento político.
(ENEM 2013)

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O cartum faz uma crítica social.


A figura destacada está em oposição às outras e representa
a) a opressão das minorias sociais.
b) a carência de recursos tecnológicos.
c) a falta de liberdade de expressão.
d) a defesa da qualificação profissional.
e) a reação ao controle do pensamento coletivo.
(ENEM 2017)
O rapaz que pretende se casar não nasceu com esse imperativo. Ele foi insuflado pela
sociedade, reforçado pelas incontáveis pressões de histórias de família, educação, moral,
religião, dos meios de comunicação e da publicidade. Em outras palavras, o casamento não
é um instinto, e sim uma instituição.
BERGER, P. Perspectivas sociológicas: uma visão humanística. Petrópolis: Vozes, 1986
(adaptado).
O casamento, conforme é tratado no texto, possui como característica o(a)
a) consolidação da igualdade sexual.
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b) ordenamento das relações sociais.


c) conservação dos direitos naturais.
d) superação das tradições culturais.
e) questionamento dos valores cristãos.
(ENEM 2016)
Nossas vidas são dominadas não só pelas inutilidades de nossos contemporâneos, como
também pelas de homens que já morreram há várias gerações. Além disso, cada inutilidade
ganha credibilidade e reverência com cada década passada desde sua promulgação. Isso
significa que cada situação social em que nos encontramos não só é definida por nossos
contemporâneos, como ainda predefinida por nossos predecessores. Esse fato é expresso
no aforismo segundo o qual os mortos são mais poderosos que os vivos.
BERGER, P. Perspectivas sociológicas: uma visão humanística. Petrópolis: Vozes, 1986
(adaptado).
Segundo a perspectiva apresentada no texto, os indivíduos de diferentes gerações
convivem, numa mesma sociedade, com tradições que
a) permanecem como determinações da organização social.
b) promovem o esquecimento dos costumes.
c) configuram a superação de valores.

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d) sobrevivem como heranças sociais.


e) atuam como aptidões instintivas.
(ENEM 2015)
Só num sentido muito restrito, o indivíduo cria com seus próprios recursos o modo de falar
e de pensar que lhe são atribuídos. Fala o idioma de seu grupo; pensa à maneira de seu
grupo. Encontra a sua disposição apenas determinadas palavras e significados. Estas não só
determinam, em grau considerável, as vias de acesso mental ao mundo circundante, mas
também mostram, ao mesmo tempo, sob que ângulo e em que contexto de atividade os
objetos foram até agora perceptíveis ao grupo ou ao indivíduo.
MANNHEIM, K. Ideologia e utopia. Porto Alegre: Globo 1950 (adaptado)
Ilustrando uma proposição básica da sociologia do conhecimento, o argumento de Karl
Mannheim defende que o(a)
a) conhecimento sobre a realidade é condicionado socialmente.
b) submissão ao grupo manipula o conhecimento do mundo.
c) divergência é um privilégio de indivíduos excepcionais.
d) educação formal determina o conhecimento do idioma.
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e) domínio das línguas universaliza o conhecimento.


(UEG 2016)
O objeto de estudo da sociologia, para Durkheim, é o fato social, que deve ser tratado como
“coisa” e o sociólogo deve afastar suas prenoções e preconceitos. A construção
durkheimiana do objeto de estudo da sociologia pode ser considerada
a) positivista, pois se fundamenta na busca de objetividade e neutralidade.
b) dialética, pois reconhece a existência de uma realidade exterior ao pesquisador.
c) kantiana, pois trata da “coisa em si” e realiza a coisificação da realidade.
d) nietzschiana, pois coloca a “vontade de poder” como fundamento para a pesquisa.
e) weberiana, pois aborda a ação social racional atribuída por um sujeito.
(UEG 2013)
A sociologia nasce no séc. XIX após as revoluções burguesas do Séc. XVIII (Francesa e
Industrial) sob o signo do positivismo elaborado por Augusto Comte. As características do
pensamento comtiano são:
a) a sociedade é regida por leis sociais tal como a natureza é regida por leis naturais; as
ciências humanas devem utilizar os mesmos métodos das ciências naturais e a ciência deve
ser neutra.
b) a sociedade humana atravessa três estágios sucessivos de evolução: o metafísico, o
empírico e o teológico, no qual predomina a religião positivista.

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c) a sociologia como ciência da sociedade, ao contrário das ciências naturais, não pode ser
neutra porque tanto o sujeito quanto o objeto são sociais e estão envolvidos reciprocamente.
d) o processo de evolução social ocorre por meio da unidade entre ordem e progresso, o
que necessariamente levaria a uma sociedade comunista.
e) n.d.a
(UEG 2008)
A afirmação “os fatos sociais são coisas” pertence a qual pensador clássico da sociologia?
a) Weber
b) Marx
c) Durkheim
d) Mannheim
(UNCISAL 2012)
O modo de vestir determina a identidade de grupos sociais, simboliza o poder e comunica
o status dos indivíduos. Seu caráter institucional assume grande importância à medida que
inclui ou exclui indivíduos de categorias ou estratos sociais. Ele exemplifica bem aquilo que
Durkheim afirmava ser o objeto de estudo dos sociólogos: uma representação coletiva que
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além de ser válida para todos os indivíduos que fazem parte de um determinado grupo,
expressa a exterioridade e a coercitividade.
Assinale nas opções a seguir aquela que apresenta o objeto de estudo da Sociologia
segundo Durkheim.
a) Ações sociais.
b) Estruturas políticas.
c) Relações sociais.
d) Fatos sociais.
e) Expressões culturais.
(UNCISAL 2012)
O modo de vestir determina a identidade de grupos sociais, simboliza o poder e comunica
o status dos indivíduos. Seu caráter institucional assume grande importância à medida que
inclui ou exclui indivíduos de categorias ou estratos sociais. Ele exemplifica bem aquilo que
Durkheim afirmava ser o objeto de estudo dos sociólogos: uma representação coletiva que
além de ser válida para todos os indivíduos que fazem parte de um determinado grupo,
expressa a exterioridade e a coercitividade.
Assinale nas opções a seguir aquela que apresenta o objeto de estudo da Sociologia
segundo Durkheim.
a) Ações sociais.

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b) Estruturas políticas.
c) Relações sociais.
d) Fatos sociais.
e) Expressões culturais.
(Unioeste 2015)
“Solidariedade orgânica” e “solidariedade mecânica” são conceitos propostos pelo
sociólogo francês Émile Durkheim (1858-1917) para explicar a 'coesão social' em diferentes
tipos de sociedade. De acordo com as teses desse estudioso, nas sociedades ocidentais
modernas, prevalece a 'solidariedade orgânica', onde os indivíduos se percebem diferentes
embora dependentes uns dos outros. A lógica do mercado capitalista, entretanto, baseada
na competição individualista em busca do lucro, pode corromper os vínculos de
solidariedade que asseguram a coesão social e conduzir a uma situação de 'anomia'.
De acordo com os postulados de Durkheim, é CORRETO dizer que o conceito de “anomia”
indica
a) a necessidade de todos demonstrarem solidariedade com os mais necessitados.
b) uma situação na qual aqueles indivíduos portadores de um senso moral superior devem
se colocar como líderes dos grupos dos quais fazem parte.
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c) a condição na qual os indivíduos não se identificam como membros de um grupo que


compartilha as mesmas regras e normas e têm dificuldades para distinguir, por exemplo, o
certo do errado e o justo do injusto.
d) o consumismo exacerbado das novas gerações, representado pelo aumento do número
de shopping centers nas cidades.
e) a solidariedade que as pessoas demonstram quando entoam cantos nacionalistas e
patrióticos em manifestações públicas como os jogos das seleções nacionais de futebol.
(Unioeste 2014)
Os fenômenos sociais são objeto de investigação desde o surgimento da filosofia, na Grécia
Antiga, por volta dos séculos VII e VI a.C.; mas a constituição de uma ciência específica da
sociedade remonta apenas ao século XIX. Considerando-se o enunciado acima, assinale a
alternativa que apresenta as principais causas que contribuíram para o nascimento da
Sociologia na Europa do século XIX.
a) As modificações no modo vigente de compreender os povos tribais na Europa do século
XIX possibilitaram a constituição da Sociologia.
b) As alterações na mentalidade religiosa na Europa do século XIX condicionaram o
surgimento da Sociologia.
c) As mudanças econômicas, políticas e sociais que moldaram as sociedades europeias do
século XIX geraram perguntas ('questão social') que demandaram a constituição da
Sociologia.

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d) As mutações ocorridas na filosofia e na moral das sociedades europeias do século XVI


contribuíram para o surgimento da Sociologia.
e) As transformações na sensibilidade estética das sociedades europeias do século XIX
favoreceram o processo de formação da Sociologia.
(Unioeste 2013)
Segundo Émile Durkheim, em sua obra As formas elementares da vida religiosa (1996, p.
19), “os fenômenos religiosos classificam-se naturalmente em duas categorias fundamentais:
as crenças e os ritos. As primeiras são estados da opinião, consistem em representações; os
segundos são modos de ação determinados. Entre esses dois tipos de fatos, há exatamente
a diferença que separa o pensamento do movimento. Os ritos só podem ser definidos e
distinguidos das outras práticas humanas, notadamente das práticas morais, apenas pela
natureza especial do seu objeto. Com efeito, uma regra moral, assim como um rito, nos
prescreve maneiras de agir, mas que se dirigem a objetos de um gênero diferente. Portanto,
é o objeto do rito que precisaríamos caracterizar para podermos caracterizar o próprio rito.
Ora, é na crença que a natureza especial desse objeto se exprime. Assim, só se pode definir
o rito após se ter definido a crença. Todas as crenças religiosas conhecidas, sejam elas
simples ou complexas, apresentam um mesmo caráter comum: pressupõem uma
classificação das coisas, reais ou ideais, que os homens concebem, em duas classes, em dois
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gêneros opostos, designados geralmente por dois termos distintos que as palavras
“profano” e “sagrado” traduzem bastante bem. A divisão do mundo em dois domínios que
compreendem, um, tudo o que é sagrado, outro, tudo o que é profano, tal é o traço distintivo
do pensamento religioso: as crenças, os ritos, os gnomos, as lendas, são representações ou
sistemas de representações que exprimem a natureza das coisas sagradas, as virtudes e os
poderes que lhes são atribuídos, sua história, suas relações mútuas e com as coisas profanas.
Mas por coisas sagradas, convém não entender simplesmente esses seres pessoais que
chamamos deuses ou espíritos: um rochedo, uma árvore, uma fonte, um seixo, um pedaço
de madeira, uma casa, em uma palavra, uma coisa qualquer pode ser sagrada”.
Partindo da análise do texto transcrito acima, assinale a alternativa correta.
a) Os ritos são estados da opinião e consistem em representações.
b) Para Durkheim, a religião é definida pela crença em divindades ou seres sobrenaturais.
c) As coisas sagradas são, por exemplo, os objetos do culto, as pessoas do culto e os próprios
seres cultuados.
d) A classificação das coisas em sagradas e profanas no fenômeno religioso é uma
característica das religiões tidas como primitivas.
e) A divisão do mundo em dois domínios que compreendem, um, tudo o que é sagrado,
outro, tudo o que é profano, não é o traço distintivo do pensamento religioso.
(Unioeste 2013)

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O sociólogo francês Émile Durkheim (1858-1917), em sua obra As Regras do Método


Sociológico, ocupou-se em estabelecer o objeto de estudo da sociologia. Entre as
constatações de Durkheim, está a de que o fato social não pode ser definido pela sua
generalidade no interior de uma sociedade. Nessa obra, Durkheim elabora um tratamento
científico dos fatos sociais e cria uma base para a sociologia no interior de um conjunto coeso
de disciplinas sociais, visando fornecer uma base racional e sistemática da sociedade civil.
Sobre o significado do fato social para Durkheim, é correto afirmar que
a) os fenômenos sociais, embora obviamente inexistentes sem os seres humanos, residem
nos seres humanos como indivíduos, ou seja, os fatos sociais são os estados mentais ou
emoções dos indivíduos.
b) os fatos sociais, parecem, aos indivíduos, uma realidade que pode ser evitada, de maneira
que se apresenta dependente de sua vontade. Nesse sentido, desobedecer a uma norma
social não conduz o indivíduo a sanções punitivas.
c) a proposição fundamental do método de Durkheim é a de que os fatos sociais devem ser
tratados como coisas, ou seja, como objeto do conhecimento que a inteligência não penetra
de forma natural, mas através da observação e da experimentação.
d) Durkheim considera os fatos sociais como coisas materiais. Pode-se afirmar, portanto, que
todo objeto de ciência é uma coisa material e deve ser abordado a partir do princípio de que
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o seu estudo deve ser abordado sem ignorar completamente o que são.
e) os fatos sociais são semelhantes aos fatos psíquicos, pois apresentam um substrato
semelhante e evoluem no mesmo meio, de maneira que dependem das mesmas condições
(Unioeste 2012)
Émile Durkheim é considerado um dos fundadores das Ciências Sociais e entre as suas
diversas obras se destacam “As Regras do Método Sociológico”, “O Suicídio” e “Da Divisão
do Trabalho Social”. Sobre este último estudo, é correto afirmar que
a) a divisão do trabalho possui um importante papel social. Muito além do aumento da
produtividade econômica, a divisão garante a coesão social ao possibilitar o surgimento de
um tipo específico de solidariedade.
b) a solidariedade mecânica é o resultado do desenvolvimento da industrialização, que
garantiu uma robotização dos comportamentos humanos.
c) a solidariedade orgânica refere-se às relações sociais estabelecidas nas sociedades mais
tradicionais. O nome remete ao entendimento da harmonia existentes nas comunidades de
menor taxa demográfica.
d) indiferente dos tipos de solidariedade predominantes, o crime necessita ser punido por
representar uma ofensa às liberdades e à consciência individual existente em cada ser
humano.

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e) a consciência coletiva está vinculada exclusivamente às ações sociais filantrópicas


estabelecidas pelos indivíduos na contemporaneidade, não tendo nenhuma relação com
tradições e valores morais comuns.
(Unioeste 2010)
Quanto ao contexto de surgimento da sociologia é correto afirmar que
a) ela surge logo após o fim da 2ª Grande Guerra como empreendimento científico que
buscava compreender aquele fenômeno e encontrar soluções para os resultados de tal
flagelo.
b) ela é resultado dos estudos de investigadores norte-americanos empenhados em
compreender os processos de industrialização e urbanização iniciado na década de 1930.
c) ela surge concomitantemente à filosofia na Antiguidade que teve como pensadores
paradigmáticos Platão e Aristóteles.
d) emerge na modernidade, na virada do século XIX para o XX, buscando produzir
explicações e compreender o conjunto de transformações sociais ocorridas no ocidente
naquele momento.
e) é simultânea ao período da Reforma Protestante sendo fruto das reflexões de Lutero e
Calvino podendo ser considerada a ciência fundada por eles para criticar o catolicismo.
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(UFMS 2018)
Leia a letra da canção “Autonomia”, da banda de rock brasileira Titãs.
“O que eu queria, o que eu sempre queria
Era conquistar a minha autonomia
O que eu queria, o que eu sempre quis
Era ser dono do meu nariz ...
Os pais são todos iguais
Prendem seus filhos na jaula
Os professores com seus lápis de cores
Te prendem na sala de aula ...
Ia pra rua, mamãe vinha atrás
Ela não me deixava em paz
Não aguentava o grupo escolar
Nem a prisão domiciliar ...
Mas o tempo foi passando
Então eu caí numa outra armadilha
Me tornei prisioneiro da minha própria família

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Arranjei um emprego de professor.”


A canção aborda temas muito debatidos na sociologia e que são fundamentais para
compreender a dinâmica dos papéis sociais na sociedade do presente. Assinale a alternativa
correta sobre esses papéis e as instituições ilustradas nessa canção.
a) A letra da canção é a experiência de vida de um adulto que apresenta sua visão, ao longo
do tempo, sobre duas instituições (a família e a escola). Ele percebe que os papéis sociais de
pais e educadores são similares, visto que ambos têm a função de orientar os jovens.
b) A letra da canção é um depoimento sobre a ditadura militar brasileira e uma crítica ao
Estado brasileiro, que deve ser a instituição responsável pela organização política e
econômica do país.
c) Por se tratar de um grupo de rock, a letra dessa canção apresenta um parecer rebelde e
negativo da sociedade, imprimindo uma visão deturpada dos papéis sociais, das instituições
da família e do estado.
d) O tema central da canção é a opressão sofrida pelo narrador, que durante a fase inicial de
sua vida tem suas vontades cerceadas pelas instituições que o cercam (escola e família). Ele
é induzido a se tornar um reprodutor do sistema opressor na fase adulta de sua vida.
e) A letra da canção aborda duas importantes instituições (a escola e o Estado), e a narrativa
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é fundamentada no papel secundário que tanto pais quanto educadores exercem nesses
pilares da sociedade ocidental contemporânea.
(UFMS 2017)
Leia a letra da canção Pais e Filhos do grupo de rock brasileiro Legião Urbana.
Estátuas e cofres e paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender
Dorme agora
É só o vento lá fora
Quero colo!
Vou fugir de casa
Posso dormir aqui com vocês?
Estou com medo, tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três
Meu filho vai ter nome de santo
Quero o nome mais bonito

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É preciso amar as pessoas


Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há
Me diz, por que que o céu é azul?
Explica a grande fúria do mundo
São meus filhos
Que tomam conta de mim
Eu moro com a minha mãe
Mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua, não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar
Já morei em tanta casa
Que nem me lembro mais
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Eu moro com os meus pais


Sou uma gota d'água
Sou um grão de areia
Você me diz que seus pais não te entendem
Mas você não entende seus pais
Você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser
Quando você crescer
A canção transcrita neste enunciado remete a uma crítica tecida a uma importante instituição
social. Assinale a alternativa correta que apresenta essa instituição.
a) A escola.
b) A igreja.
c) A família.
d) O estado.
e) O exército.
(UFMS 2017)
Sobre os ideais de Auguste Comte, é correto afirmar que:

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a) O pensamento formalista de Comte é fundamentado na concepção de que o mundo deve


estar sempre organizado e formalizado para atender às necessidades do Estado.
b) O Positivismo de Comte é baseado nas ciências naturais e através da experimentação e
dos resultados científicos busca-se o conhecimento do mundo.
c) A causa e efeito norteiam o pensamento desse pensador francês que, a partir de
interpretações do mundo, buscou na filosofia e na psicologia desenvolver o método
comtiano racionalista e causualístico.
d) De acordo com Comte, o positivismo é a busca pela organização do mundo social na
racionalidade, não admitindo explicações sobrenaturais; tem como lema “ordem e
progresso”.
e) O pensamento positivista é derivado de reflexões teológicas e constituído a partir da
racionalidade agostiniana em um momento em que a Europa buscava uma antítese para as
explicações capitalistas de exploração das colônias africanas e asiáticas.
(UEMA 2016)
A Sociologia como ciência foi criada no século XIX em um contexto marcado por “mudanças
sociais” que demandavam explicações para a intervenção nos problemas detectados. O tipo
de sociedade que propiciou o surgimento da sociologia e a indicação de suas características
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são, respectivamente,

(UEMA 2016)
A Sociologia, tradicionalmente, é a ciência que estuda a sociedade. Expressão abstrata, visto
que não há uma definição precisa. Mas, a literatura indica que toda sociedade deriva de
grupos sociais, compreendidos como “um agregado de seres humanos no qual (1) existem
relações específicas entre indivíduos que o compreendem e (2) cada indivíduo tem
consciência do próprio grupo e de seus símbolos”. É necessário, portanto, que haja interação
e identidade entre os membros do grupo. OUTHWAITE, William; BOTTOMORE, Tom
(editores). Dicionário do pensamento social do século XX. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996.

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GIDDENS, Anthony. Sociologia. Porto Alegre: Artmed, 2005. OLIVEIRA, Pérsio Santos de.
Introdução à Sociologia. São Paulo: Ática, 2008.
Um exemplo de grupo social é (são)
a) multidão em um domingo na praia.
b) pessoas em uma fila de cinema.
c) alunos em uma sala de aula.
d) jovens em festival de música.
e) indivíduos lendo jornal.
(UEMA 2014)
A Sociologia como ciência da modernidade foi influenciada por várias mudanças decorrentes
das revoluções burguesas, especialmente na Europa nos séculos XVIII e XIX. Para Bourdieu,
a singularidade dos estudos sociológicos ocorre porque
A sociologia descobre o arbitrário, a contingência, ali onde as pessoas gostam de ver a
necessidade ou natureza. Descobre a necessidade, a coação social, ali onde se gostaria de
ver a escolha, o livre arbítrio. Uma das características das realidades históricas é que sempre
é possível estabelecer que as coisas poderiam ser diferentes, que são diferentes em outros
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lugares, em outras condições. O que se quer dizer é que, ao historicizar, a Sociologia


desnaturaliza, desfataliza.
BOURDIEU, Pierre. A distinção: crítica ao julgamento social. São Paulo: Edusp, 2007.
A partir das singularidades dos estudos sociológicos expressos na assertiva de Bourdieu, as
correntes de pensamento que determinaram o aparecimento da Sociologia como ciência da
modernidade são conhecidas como
a) Nazismo, Criticismo, Anarquismo e Marxismo
b) Socialismo, Idealismo, Comunismo e Empirismo.
c) Cristianismo, Naturalismo, Capitalismo e Fascismo.
d) Iluminismo, Liberalismo, Racionalismo e Positivismo.
e) Materialismo Histórico, Democracia, Feudalismo e Utilitarismo.
(UEL 2016)
A ordem e o progresso constituem partes fundamentais da Sociologia de Auguste Comte.
Com base nas ideias comteanas, assinale a alternativa correta.
a) A ordem social total se estabelece de acordo com as leis da natureza, e as possíveis
deficiências existentes podem ser retificadas mediante a intervenção racional dos seres
humanos.
b) A liberdade de opinião e a diferença entre os indivíduos são fundamentos da solidariedade
na formação da estática social; essa diversidade produz vantagens para a evolução, em
comparação com a homogeneidade.

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c) O desenvolvimento das forças produtivas é a base para o progresso e segue uma linha
reta, sem oscilações e, portanto, a interferência humana é incapaz de alterar sua direção ou
velocidade.
d) O progresso da sociedade, em conformidade com as leis naturais, é resultado da
competição entre os indivíduos, com base no princípio de justiça de que os mais aptos
recebem as maiores recompensas.
e) O progresso da sociedade é a lei natural da dinâmica social e, considerado em sua fase
intelectual, é expresso pela evolução de três estados básicos e sucessivos: o doméstico, o
coletivo e o universal
(UEL 2015)
Até o século XVIII, a maioria dos campos de conhecimento, hoje enquadrados sob o rótulo
de ciências, era ainda, como na Antiguidade Clássica, parte integral dos grandes sistemas
filosóficos. A constituição de saberes autônomos, organizados em disciplinas específicas,
como a Biologia ou a própria Sociologia, envolverá, de uma forma ou de outra, a progressiva
reflexão filosófica, como a liberdade e a razão. (Adaptado de: QUINTANEIRO, T.; BARBOSA,
M. L. O.; OLIVEIRA, M. G. M. Um Toque de Clássicos: Marx, Durkheim e Weber. Belo
Horizonte: UFMG, 2002. p.12.)
Com base nos conhecimentos sobre o surgimento da Sociologia, assinale a alternativa que
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apresenta, corretamente, a relação entre conhecimento sociológico de Auguste Comte e as


ideias iluministas.
a) A ideia de desenvolvimento pela revolução social foi defendida pelo Iluminismo, que
influenciou o Positivismo.
b) A crença na razão como promotora do progresso da sociedade foi compartilhada pelo
Iluminismo e pelo Positivismo.
c) O Iluminismo forneceu os princípios e as bases teóricas da luta de classes para a formulação
do Positivismo.
d) O reconhecimento da validade do conhecimento teológico para explicar a realidade social
é um ponto comum entre o Iluminismo e o Positivismo.
e) Os limites e as contradições do progresso para a liberdade humana foram apontados pelo
Iluminismo e aceitos pelo Positivismo.
(UEL 2014)
A cidade desempenha papel fundamental no pensamento de Émile Durkheim, tanto por
exprimir o desenvolvimento das formas de integração quanto por intensificar a divisão do
trabalho social a ela ligada. Com base nos conhecimentos acerca da divisão de trabalho social
nesse autor, assinale a alternativa correta.
a) A crescente divisão do trabalho com o intercâmbio livre de funções no espaço urbano
torna obsoleta a presença de instituições.

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b) A solidariedade orgânica é compatível com a sociedade de classes, pois a vida social


necessita de trabalhos diferenciados.
c) Ao criar seres indiferenciados socialmente, o “homem massa”, as cidades recriam a
solidariedade mecânica em detrimento da solidariedade orgânica.
d) O efeito principal da divisão do trabalho é o aumento da desintegração social em razão
de trabalhos parcelares e independentes.
e) O equilíbrio e a coesão social produzidos pela crescente divisão do trabalho decorrem das
vontades e das consciências individuais
(UEL 2013)
Leia o texto a seguir. Sentir-se muito angustiado com a ideia de perder seu celular ou de ser
incapaz de ficar sem ele por mais de um dia é a origem da chamada “nomofobia”, contração
de no mobile phobia, doença que afeta principalmente os viciados em redes sociais que não
suportam ficar desconectados. Uma parte da população acha que, se não estiver conectada,
perde alguma coisa. E se perdemos alguma coisa, ou se não podemos responder
imediatamente, desenvolvemos formas de ansiedade ou nervosismo.
(Adaptado de: O medo de não ter o celular à disposição cria nova fobia. Disponível em: .
Acesso em: 9 abr. 2012.)
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Com base no texto e nos conhecimentos sobre socialização e instituições sociais, na


perspectiva funcionalista de Durkheim, assinale a alternativa correta.
a) A nomofobia reduz a possibilidade de anomia social na medida em que aproxima o contato
em tempo real dos indivíduos, fortalecendo a integração com a vida social.
b) As interações sociais via tecnologias digitais são uma forma de solidariedade mecânica,
pois os indivíduos uniformizam seus comportamentos.
c) O que faz de uma rede social virtual uma instituição é o fato de exercer um poder coercitivo
e ao mesmo tempo desejável sobre os indivíduos.
d) O uso de interações sociais por recursos tecnológicos constitui um elemento moral a ser
compreendido como fato social.
e) Para a nomofobia ser considerada um fato social, faz-se necessário que esteja presente
em uma diversidade de grupos sociais.
(UFSC 2018)
Quanto à questão que originou esse trabalho (Da divisão do trabalho social), é a das relações
entre a personalidade individual e a solidariedade social. Como é que, ao mesmo passo que
se torna mais autônomo, o indivíduo depende mais intimamente da sociedade? Como pode
ser, ao mesmo tempo, mais pessoal e mais solidário? [...] esses dois movimentos, por mais
contraditórios que pareçam, seguem-se paralelamente [...] Pareceu-nos que o que resolvia
essa aparente antinomia é uma transformação da solidariedade social, devida ao
desenvolvimento cada vez mais considerável da divisão do trabalho. Eis como fomos levados

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a fazer desta última o objeto de nosso estudo. DURKHEIM, Émile. Da divisão do trabalho
social, 1999 [1893], p. XLVI.
Antes de tudo, o trabalho é um processo de que participa o homem e a natureza, processo
em que o ser humano, com sua própria ação, impulsiona, regula e controla seu intercâmbio
material com a natureza [...] põe em movimento as forças naturais de seu corpo – braços e
pernas, cabeça e mãos –, a fim de apropriar-se dos recursos da natureza, imprimindo-lhes
forma útil à vida humana. Atuando assim sobre a natureza externa e modificando-a, ao
mesmo tempo modifica sua própria natureza. MARX, Karl. O capital, livro I, 2001 [1867], p.
211.
Considerando a questão do trabalho de acordo com os autores clássicos da sociologia acima
referidos, é correto afirmar que:
01. para Marx, o trabalho e a divisão do trabalho estão presentes em todas as sociedades.
02. segundo o pensamento de Durkheim, haveria uma crescente divisão do trabalho,
tornando a sociedade cada vez mais diferenciada a partir das funções e especializações dos
indivíduos.
04. na solidariedade orgânica as pessoas seriam cada vez mais semelhantes, ao passo que
na solidariedade mecânica elas seriam cada vez mais diferentes, segundo Durkheim.
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08. na concepção de Marx, o lucro obtido pela burguesia no capitalismo seria oriundo da
mais-valia.
16. tanto Durkheim quanto Marx, por serem ambos sociólogos do século XIX, analisavam a
questão das relações de trabalho exatamente da mesma forma.
(UEM 2018)
Auguste Comte (1798-1857), a quem se atribui a formulação do termo Sociologia, foi o
principal representante e sistematizador do Positivismo. Acerca do pensamento comteano,
é correto afirmar que
01) considerava os problemas sociais malefícios do desenvolvimento econômico das
sociedades industriais.
02) teve grande influência sobre o pensamento social brasileiro do século XIX e início do XX.
04) a inspiração para o método de investigação dos fenômenos sociais de Comte veio das
ciências da natureza.
08) era uma tentativa de constituição de um método objetivo para a observação dos
fenômenos sociais.
16) considerava o progresso e a evolução social um princípio da história humana.
(UEM 2018)
Os conceitos de consciência coletiva e de consciência individual são importantes à sociologia
durkheimiana. Acerca desses conceitos, assinale o que for correto.

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01) No pensamento de Émile Durkheim, a consciência coletiva pode ser entendida como a
moral vigente em uma determinada sociedade.
02) Para Émile Durkheim, a consciência coletiva é algo diferente da soma das consciências
individuais.
04) Segundo a sociologia durkheimiana, a religião é uma manifestação da consciência
individual.
08) A consciência coletiva seria, para Émile Durkheim, algo que se impõe aos indivíduos.
16) Para Émile Durkheim, os homens elaboram sua consciência individual como resultado de
ideias falsas que eles têm a respeito de si mesmos.
(UECE 2019)
Considerando o contexto histórico do surgimento da Sociologia, assinale a afirmação
verdadeira.
a) A Sociologia surge no século XVI em decorrência direta das mudanças trazidas pelo
desenvolvimento das grandes navegações.
b) É no século XIX, já com a consolidação do sistema capitalista na Europa, que se encontra
a herança intelectual mais próxima da Sociologia como ciência particular.
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c) A Sociologia surge a partir da Revolução Russa, no ano de 1917.


d) A Sociologia resulta dos estudos sobre o modo de produção desenvolvido na Ásia.
(UECE 2019)
Durkheim afirmou que os acontecimentos sociais – como os crimes, os suicídios, a família, a
escola, as leis – poderiam ser observados como coisas, pois assim seria mais fácil de estudá-
los pela Sociologia. Esses fenômenos são por ele denominados de fatos sociais. Assinale a
opção que apresenta corretamente características do fato social.
a) É exterior ao indivíduo, tem poder de generalização e exerce coerção social.
b) É subjetivo, aleatório e coercitivo.
c) É individual, exterior e representa homogeneização social.
d) É coletivo, coercitivo e pessoal
(UECE 2019)
Relacione corretamente os pensadores apresentados a seguir com seus respectivos
pensamentos ou atributos, numerando a Coluna II de acordo com a Coluna I.
Coluna I
1. Max Weber
2. Karl Max
3. Emile Durkheim

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4. Augusto Comte
Coluna II
( ) Considera fatos sociais como coisas.
( ) São conceitos-chave de sua teoria: ação social; tipo ideal; burocracia.
( ) Considerado o pai da Sociologia moderna, criou a disciplina acadêmica da Sociologia.
( ) Defende a ideia de que interesses entre o capital e o trabalho são irreconciliáveis.
A sequência correta, de cima para baixo, é:
a) 1, 3, 2, 4.
b) 2, 4, 1, 3.
c) 3, 1, 4, 2.
d) 4, 2, 3, 1.
(UFU 2019)
Elias (1994, p. 132-135), ao analisar o processo civilizador, questiona: “Por que é mais
civilizado comer com garfo?”. Ele discute, por meio de vários argumentos e de relações
históricas, o estabelecimento desse padrão social. Ainda, segundo ele, “o padrão social a
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que o indivíduo fora inicialmente obrigado a se conformar por restrição externa é finalmente
reproduzido, mais suavemente ou menos, no seu íntimo através de um autocontrole que
opera mesmo contra seus desejos conscientes”.
Considerando-se a posição de Elias, é correto afirmar que
A) as ações individuais são formas fixas de representação da realidade frente à cultura de
uma sociedade.
B) os padrões sociais podem não coincidir com os padrões individuais, e o indivíduo muda
seu comportamento por meio da cultura estabelecida, a também dita “civilizada”.
C) como os padrões sociais operam externamente aos indivíduos, a relação entre cultura e
civilização são opostas e separam o comportamento dos indivíduos.
D) a partir do momento em que o indivíduo passou a comer com o garfo, a cultura civilizada
foi estabelecida dentro da Idade Média e se manteve inalterada.
(UFU 2019)

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O processo por meio do qual o indivíduo aprende a ser um membro da sociedade é


designado pelo nome de socialização, segundo Peter Berger e Brigitte Berger. Padrões de
conduta são impostos aos indivíduos, e cada sociedade engendra seus próprios padrões,
como pode ser observado na tirinha do Laerte, reproduzida acima.
BERGER, Peter L. e BERGER, Brigitte. Socialização: como ser um membro da sociedade. In:
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FORACCHI, Marialice Mencarini e MARTINS, José de Souza (Org.). Sociologia e sociedade:


leituras de introdução à Sociologia. São Paulo: LTC, 1994. p. 204.
Considerando-se os posicionamentos apresentados, assinale a alternativa que apresenta a
interpretação sociológica da tirinha.
A) A tirinha satiriza os padrões culturais e apresenta uma possibilidade de desnaturalização.
B) A tirinha apresenta uma versão humorística da socialização primária e um processo de
padronização cultural.
C) A tirinha retrata padrões sociais pré-estabelecidos com enfoque no processo de
fetichismo da mercadoria.
D) A tirinha ironiza o consumo dentro da sociedade e o processo da contracultura da
socialização primária.
(UFU 2018)
Leia o excerto abaixo.
“[...] O centro dos primeiros sistemas da natureza não é o indivíduo, é a sociedade. É ela que
se objetiva e não mais o homem.”
RODRIGUES, J. A. (Org.) Durkheim. São Paulo: Ática, 1978. p.201-202.
Nesse trecho, Durkheim propõe romper com o humanismo antropocêntrico dos modernos
em favor de um novo modelo de conhecimento baseado no sociocentrismo. Não mais o
homem, mas a sociedade aparece como centro do conhecimento porque, para Durkheim,

AULA 00: INTRODUÇÃO ÀS CIÊNCIAS SOCIAIS 68

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a) a sociedade é o modelo dos primeiros sistemas lógicos.


b) os primeiros sistemas lógicos se fundem com a natureza.
c) a consciência coletiva corresponde à totalidade dos conhecimentos individuais.
d) a proeminência da estrutura social se realiza em detrimento do acontecimento.
(UFU 2017)
A Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba alerta pais e responsáveis por crianças e
adolescentes e os profissionais da educação e saúde em relação ao ‘jogo’ Baleia Azul, que
propõe 50 desafios aos participantes e sugere o suicídio como última etapa.
Disponível em: < http://www. tribunapr. com. br/noticias/cu ritiba-reg ia o/jogo-baleia-azul-
deixa-curitiba-em-alertaoito- ja-bri ncaram-com-morte/> Acesso em: 22 abr. 2017.
Esse foi um dos alertas, nos últimos meses, relacionados ao “jogo Baleia Azul” e à
possibilidade de suicídios de adolescentes (13 a 17 anos) ligadas a ele. Pode-se realizar uma
relação desses possíveis suicídios com os tipos de suicídios de Durkheim, pois, para esse
pensador, os indivíduos são determinados pela realidade coletiva. Assim, os suicídios
gerados pelo “jogo” seriam classificados como:
a) Suicídio egoísta.
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b) Suicídio anômico.
c) Suicídio etnocêntrico.
d) Suicídio cultural.
(UFU 2016)
A Sociologia surge no século XIX, momento marcado por uma intensa crise social na Europa.
Émile Durkheim não deixou de ser influenciado por esse contexto. Nesse sentido, um dos
seus objetivos era fazer da Sociologia uma disciplina científica capaz de criar repostas aos
desafios enfrentados pela sociedade moderna. Entre os desafios, colocava-se a crescente
contradição entre capital e trabalho, entendida pelo autor como um exemplo dos efeitos de
um estado de anomia, caracterizado
a) pela excessiva regulamentação estatal sobre as atividades econômicas.
b) pela intensificação dos laços de solidariedade mecânica no interior das corporações.
c) pela ausência de instituições capazes de exercerem um poder moral sobre os indivíduos.
d) pelo aprofundamento da desigualdade econômica.
(UFU 2016)
Em 1987, a então Primeira-Ministra da Grã-Bretanha, Margaret Thatcher, deu uma
declaração durante uma entrevista que resumia, em parte, o seu ideário político liberal: “A
sociedade não existe. Existem homens, existem mulheres e existem famílias”. O governo de
Thatcher ficaria conhecido como um dos precursores do chamado Estado neoliberal, que
enfatizava, entre outros ideais, o individualismo. Assim, esta concepção de governo contradiz

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os fundamentos da Sociologia de Durkheim, segundo o qual a sociedade poderia ser


identificada
a) como a soma de indivíduos que definem seus valores em comum, unindo-se por laços de
solidariedade voluntária.
b) a partir da existência de um contrato social que dá origem ao Estado e à sociedade civil.
c) como o resultado da ação da classe dominante, capaz de reunir e controlar as massas.
d) pela síntese de ações e sentimentos individuais que originam uma vida psíquica sui
generis.
(UFU 2015)
A concepção da Sociologia de Durkheim se baseia em uma teoria do fato social. Seu objetivo
é demonstrar que pode e deve existir uma Sociologia objetiva e científica, conforme o
modelo das outras ciências, tendo por objeto o fato social. (ARON, R. As etapas do
pensamento sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 1995. p. 336.)
Em vista do exposto, assinale a alternativa correta.
a) Durkheim demonstrou que o fato social está desconectado dos padrões de
comportamento culturais do indivíduo em sociedade e, portanto, deve ser usado para
explicar apenas alguns tipos de sociedade.
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b) Segundo Durkheim, a primeira regra, e a mais fundamental, é considerar os fatos sociais


como coisas para serem analisadas.
c) O estado normal da sociedade para Durkheim é o estado de anomia, quando todos os
indivíduos exercem bem os fatos sociais.
d) A solidariedade orgânica, para Durkheim, possui pequena divisão do trabalho social, como
pode ser demonstrada pela análise dos fatos sociais da sociedade.
(UFU 2015)
Observe o seguinte trecho da música “Sem Saúde” composta por Gabriel, O
Pensador; Memê e Fábio Fonseca:
“Pelo amor de Deus alguém me ajude!
Eu já paguei o meu plano de saúde mas agora ninguém quer me aceitar
E eu tô com dô, dotô, num sei no que vai dá!
Emergência! Eu tô passando mal
Vô morrer aqui na porta do hospital
Era mais fácil eu ter ido direto pro Instituto Médico Legal
Porque isso aqui tá deprimente, doutor”

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Considerando a relação entre problema social, problema sociológico e a denúncia


apresentada na letra da música, relacionada à área da saúde, a denúncia apresentada pela
música
A) tornou-se um problema social a partir da implantação dos primeiros convênios médico
hospitalares no Brasil.
B) poderá ser um problema sociológico tendo em vista a sua divulgação pela música de
Gabriel, O Pensador.
C) tornou-se um problema social a partir da implantação do Sistema Único de Saúde (SUS).
D) poderá ser um problema sociológico a partir da análise científica das condições de
atendimento dos hospitais brasileiros.
(UFU 2014)
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A charge da esquerda remete ao tema do “laissez- faire” e à visão da sociedade como


conjunto de ações individuais; a imagem da direita pode ser associada a uma frase usada por
Leo Huberman no livro A história da riqueza do homem: “Precisa-se de trabalhadores,
crianças de dois anos podem se candidatar”.
Contra essas duas situações, uma de ordem teórica e outra de ordem prática, a Sociologia
levanta-se.
É correto afirmar que a Sociologia critica
A) os ideais da Renascimento e a situação social e política da burguesia que levaram à
Revolução Francesa.
B) os discursos dos governos absolutistas e a situação do trabalho depois da Revolução
Industrial.
C) os postulados do Liberalismo econômico e a situação da classe trabalhadora.
D) os alicerces da Revolução Comercial e a situação do trabalho nas fábricas nascentes.
(UFU 2014)

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Durkheim parte da proposição: ‘cada sociedade tem sua moral’; o que todo mundo pode
admitir. De fato, a moral da sociedade romana difere concretamente da moral do Estado
soviético ou do Estado liberal norteamericano. É verdade que cada sociedade tem
instituições, crenças ou práticas morais que lhe são próprias, e que caracterizam o tipo a que
essas sociedades pertencem.
ARON, R. As etapas do pensamento sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 1993, p. 360-
361.
São exemplos de instituições essenciais para a sociedade na concepção de Durkheim:
A) Família, escola e Estado.
B) Casamento, escola e classes sociais.
C) Família, solidariedade mecânica e justiça.
D) Política, solidariedade orgânica e classes sociais.
(UFU 2010)
Tivemos muitas vezes ocasião de afirmar que as regras da moral são normas elaboradas pela
sociedade; o caráter obrigatório que as caracteriza não é mais do que a própria autoridade
da sociedade comunicando-se a tudo que dela sai.
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DURKHEIM, E. O Dualismo da Natureza Humana e as Suas Condições Sociais, p. 289.


A respeito das noções de sociedade e moralidade tais como concebidas por Émile Durkheim,
assinale a alternativa correta.
a) Assim como os instintos e sensações humanas, a atividade moral resulta dos significados
subjetivos que os indivíduos atribuem às relações sociais.
b) As regras morais não proporcionam coesão social nas sociedades complexas.
c) A sociedade consiste na soma das ações dos indivíduos tomadas coletivamente.
d) O caráter externo e coercitivo da moralidade decorre precisamente do fato de que ela é
essencialmente coletiva e impessoal.
(UERJ 2019)

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Para boa parte do mundo, a cidade nigeriana de Maiduguri é conhecida apenas como o local
de origem do Boko Haram, o grupo extremista que mata desenfreadamente e trata mulheres
e meninas como propriedades, obrigando-as a cozinhar, limpar, parir filhos e morrer, se
necessário. Mas existe outra Maiduguri totalmente diferente, que ajuda a entender a batalha
ideológica que está ocorrendo no norte da Nigéria: trata-se de uma capital regional,
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reconhecida por acolher pessoas de todas as crenças e etnias, uma cidade universitária há
muito conhecida por sua vida noturna e por sua energia, com uma juventude ousada e muitas
vezes liberal que oito anos de guerra parecem não conseguir extinguir.
Adaptado de noticias.uol.com.br, 27/12/2017
Grupos extremistas instauram guerras civis em diversas sociedades contemporâneas,
inclusive com ações terroristas como as realizadas pelo Boko Haram. Com base na
reportagem, a batalha ideológica na cidade de Maiduguri está associada ao confronto entre
as seguintes ideias:
a) identidade de raça – pluralismo político
b) liberdade de expressão – nacionalismo africano
c) superioridade de classe – culturalismo ocidental
d) igualdade de gênero – fundamentalismo religioso
(UNESP 2018)
A obsessão do Estado por controlar todos os comportamentos dos cidadãos tem como
resultado um enfraquecimento da responsabilidade moral e cívica dos mesmos. A lei deveria
ser o último recurso, depois da educação, da ética, da negociação e do compromisso entre
os indivíduos. É agora o primeiro recurso. Imagino potenciais crimes que os filhos dos nossos
filhos terão receio de cometer:
• Crime de imposição de gênero: os pais deverão abster-se de identificar o gênero dos filhos
tomando como referência o sexo biológico dos mesmos.

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• Crime de apropriação cultural: serão severamente punidos os cidadãos que, alegando


interesse cultural ou razões artísticas, se apropriem de práticas e temáticas de um grupo
étnico a que não pertencem.
• Crime de envelhecimento público: com os avanços da medicina, será intolerável que um
cidadão recuse tratamentos/cirurgias para ocultar/reverter o seu processo de
envelhecimento, exibindo em público as marcas da decadência física ou neurológica.
• Crime de interesse sentimental não solicitado: será punido qualquer adulto que manifeste
interesse sentimental não solicitado por outro adulto — através de sorriso, elogio, convite
para jantar etc. O interesse sentimental de um adulto por outro será mediado por um
advogado que apresentará ao advogado da parte desejada as intenções do seu cliente. (João
Pereira Coutinho. “Cinco potenciais crimes que gerações futuras terão receio de cometer”.
www1.folha.com.br, 21.11.2017. Adaptado.)
O perfil antiutópico sugerido pelo autor para o mundo futuro reúne tendências de
a) depreciação da autonomia individual em favor do fortalecimento de diversas formas
totalitárias de controle.
b) favorecimento da espontaneidade pessoal em diversos campos do pensamento e do
comportamento.
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c) desvalorização do pensamento politicamente correto na esfera da cultura e do


comportamento.
d) desvalorização da esfera jurídica para a definição de critérios de normalidade
comportamental.
e) disseminação de tendências de comportamento fortemente baseadas na autonomia
individual.
(UNESP 2019)
O zoólogo Richard Dawkins e o paleontólogo Simon Conway Morris têm muito em comum:
lecionam nas mais prestigiadas universidades da Grã-Bretanha […] e compartilham opiniões
e crenças científicas quando o tema é a origem da vida. Para ambos, a riqueza da biosfera
na Terra é explicada mais do que satisfatoriamente pela teoria da seleção natural, de Charles
Darwin. […] Num encontro realizado na Universidade de Cambridge, porém, eles
protagonizaram um novo round de um debate que divide a humanidade desde que o mundo
é mundo: Deus existe? Morris, cristão convicto, afirmou [em sua palestra] que a “misteriosa
habilidade” da natureza para convergir em criaturas morais e adoráveis como os seres
humanos é uma prova de que o processo evolutivo é obra de Deus. Já o agnóstico Dawkins
disse que o poder criativo da evolução reforçou sua convicção de que vivemos num mundo
puramente material.
(Rodrigo Cavalcante. “Procura-se Deus”. https://super.abril.com.br, 31.10.2016.)
O conflito de opiniões entre os dois cientistas ilustra a oposição entre
a) duas visões filosoficamente baseadas na metafísica.

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b) duas visões anticientíficas sobre a origem do Universo.


c) um ponto de vista ateu e um enfoque materialista.
d) duas interpretações diferentes sobre o evolucionismo.
e) dois pontos de vista teológicos acerca da origem do Universo.
(UNESP 2017)
Texto 1
O professor não se aproveitará da audiência cativa dos estudantes para promover os seus
próprios interesses, opiniões ou preferências ideológicas, religiosas, morais, políticas e
partidárias. Ao tratar de questões políticas, socioculturais e econômicas, o professor
apresentará aos alunos, de forma justa – isto é com a mesma profundidade e seriedade –, as
principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito. O professor
respeitará o direito dos pais a que seus filhos recebam a educação moral que esteja de
acordo com suas próprias convicções. (www.programaescolasempartido.org. Adaptado.)
Texto 2
Ciências sempre incluem controvérsias, mesmo física e química. Se não ensinamos isso
também, ensinamos errado. E o mesmo vale para história e sociologia – o professor precisa
ensinar Karl Marx, mas também Adam Smith e Émile Durkheim. Mas o conhecimento que
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precisa ser passado é essencialmente científico – o que não inclui o criacionismo, que é uma
teoria religiosa. Com todo respeito, mas família é família, e sociedade é sociedade: a família
pode ter crenças de preconceito homofóbico ou contra a mulher, por exemplo, e não se
pode deixar que um jovem nunca seja exposto a um ponto de vista diferente desses. Ele tem
que ser exposto a outros valores. (Renato Janine Ribeiro. https://educacao.uol.com.br,
21.07.2016. Adaptado.)
O confronto entre os dois textos permite concluir corretamente que
a) ambos atribuem a mesma importância à fé religiosa e à ciência como fundamentos
educativos.
b) ambos defendem o relativismo no campo dos valores morais, valorizando a aceitação das
diferenças.
c) as duas abordagens valorizam a doutrinação ideológica do professor sobre o aluno no
campo educativo.
d) o texto 1 assume uma posição moralmente conservadora, enquanto o texto 2 defende
uma educação pluralista.
e) o texto 1 é contrário a preconceitos morais, enquanto o texto 2 denuncia o cientificismo
na educação.
(UNESP 2013)
Hoje, a melhor ciência informa que as etnias são variações cosméticas do núcleo genético
humano, incapazes sozinhas de determinar a superioridade de um indivíduo ou grupo sobre

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outros. Segundo o médico Sérgio Pena, não somos todos iguais, somos igualmente
diferentes. É uma beleza, do ponto de vista da antropologia genética, esperar que, um dia,
ela ajude a desvendar o enigma clássico da condição humana que é a eterna desconfiança
do outro, do diferente, do estrangeiro. O DNA nada sabe desse sentimento. No seu coração
genético, a espécie humana é tão mais forte e sadia quanto mais variações apresenta.
(Fábio Altman. Unidos pelo futebol … e pelo DNA. Veja, 09.06.2010. Adaptado.)
Esta reportagem aborda o tema das diferenças entre as etnias humanas sob um ponto de
vista contrastante em relação a outras abordagens vigentes ao longo da história. Em termos
éticos, trata-se de uma abordagem promissora, pois
a) opõe-se às teorias antropológicas que criticaram o etnocentrismo ocidental em seu papel
de justificação ideológica do colonialismo.
b) apresenta argumentos científicos que provam o caráter prejudicial da miscigenação para
o progresso da humanidade.
c) fornece uma fundamentação científica para justificar estereótipos racistas presentes no
pensamento cotidiano e no senso comum.
d) permite um questionamento radical dos ideais universalistas inspiradores de políticas de
preservação dos direitos humanos.
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e) estabelece uma ruptura com teorias eugenistas que defenderam a purificação racial como
meio de aperfeiçoamento da humanidade.
(UNESP 2016)
Nenhum dos filmes que vi, e me divertiram tanto, me ajudou a compreender o labirinto da
psicologia humana como os romances de Dostoievski – ou os mecanismos da vida social
como os livros de Tolstói e de Balzac, ou os abismos e os pontos altos que podem coexistir
no ser humano, como me ensinaram as sagas literárias de um Thomas Mann, um Faulkner,
um Kafka, um Joyce ou um Proust. As ficções apresentadas nas telas são intensas por seu
imediatismo e efêmeras por seus resultados. Prendem-nos e nos desencarceram quase de
imediato, mas das ficções literárias nos tornamos prisioneiros pela vida toda. Ao menos é o
que acontece comigo, porque, sem elas, para o bem ou para o mal, eu não seria como sou,
não acreditaria no que acredito nem teria as dúvidas e as certezas que me fazem viver.
Mario Vargas Llosa. “Dinossauros em tempos difíceis”. www.valinor.com.br. O Estado de S.
Paulo, 1996. Adaptado.
Segundo o autor, sobre cinema e literatura é correto afirmar que
a) a ficção literária é considerada qualitativamente superior devido a seu maior elitismo
intelectual.
b) suas diferenças estão relacionadas, sobretudo, às modalidades de público que visam
atingir.
c) as obras literárias desencadeiam processos intelectualmente e esteticamente formativos.

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d) a escrita literária apresenta maior afinidade com os padrões da sociedade do espetáculo.


e) as duas formas de arte mobilizam processos mentais imediatos e limitados ao
entretenimento.
(UNESP 2016)
Texto 1
Cientistas americanos observaram, em um estudo recente, o motivo que pode tornar
adolescentes impulsivos e infratores. Exames de neuroimagem em jovens mostraram que o
córtex pré-frontal, região do cérebro ligada à tomada de decisão, ou seja, que nos faz pensar
antes de agir, ainda está em formação nos adolescentes. Essa área do cérebro tende a ficar
“madura” somente aos 20 anos. Por outro lado, a região cerebral associada às emoções e à
impulsividade, conhecida como sistema límbico, tem um pico de desenvolvimento durante
essa fase da vida, o que aumenta a propensão dos jovens a agirem mais com a emoção do
que com a razão. O aumento da emotividade e da impulsividade seriam gatilhos naturais
para atitudes extremadas, inclusive para cometer crimes.
(Camila Neumam. “Estudo explica por que adolescentes são impulsivos e podem cometer
crimes”. www.uol.com.br, 26.05.2015. Adaptado.)
Texto 2
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A situação de vulnerabilidade aliada às turbulentas condições socioeconômicas de muitos


países latino-americanos ocasiona uma grande tensão entre os jovens, o que agrava
diretamente os processos de integração social e, em algumas situações, fomenta o aumento
da violência e da criminalidade.
(Miriam Abramovay. Juventude, violência e vulnerabilidade social na América Latina, 2002.
Adaptado.)
Os textos expõem abordagens sobre o comportamento agressivo na adolescência referidos,
respectivamente, a
a) psicanálise e psicologia comportamental.
b) aspectos religiosos e aspectos materiais.
c) fatores emocionais e fatores morais.
d) ciência política e sociologia.
e) condicionamento biológico e condicionamento social.
(UNESP 2015)
A decisão de uma prefeitura nos arredores de Paris de distribuir mochilas escolares azuis
para os meninos e rosa para meninas provocou polêmica na França. Nas bolsas distribuídas
pela prefeitura de Puteaux, há também um kit para construir robôs, para os meninos, e
miçangas para fazer bijuterias, para as meninas. A distinção causou polêmica no momento
em que o governo implementa na rede educacional um programa para promover a igualdade

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entre homens e mulheres e lutar contra os estereótipos. (“Distribuição de mochilas escolares


azuis e rosas causa polêmica na França”. www.bbc.co.uk. Adaptado.)
A polêmica citada pela reportagem envolve pressupostos sobre a sexualidade que podem
ser definidos pela oposição entre fatores
a) comunitários e individuais.
b) metafísicos e empiristas.
c) teológicos e materiais.
d) antropocêntricos e teocêntricos.
e) biológicos e sociais.
(UNESP 2014)
O psicólogo Antoni Bolinches afirma que nas depressões leves ou moderadas os
medicamentos tratam os sintomas, mas não a causa. Por isso, às vezes, quando o tratamento
acaba, o problema continua existindo. “As depressões exógenas ou reativas, isto é, aquelas
que vêm de fora, de algo que o está afetando ou que lhe aconteceu, deveriam ser tratadas
principalmente, ou também, psicologicamente. Porque se o paciente aprende a lidar com o
problema obtém o dobro de benefícios: o supera, mas também aprende”, diz. Entretanto,
reconhece que há pessoas que preferem tomar medicação. “Criamos um modelo social em
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que não estamos acostumados com o esforço e as dificuldades, por isso recorremos à
farmacologia”, diz. (Comprimidos para as dores da vida: cresce o consumo de
antidepressivos na Europa. El País, 26.12.2013. Adaptado.)
Para o psicólogo, a diferença entre estados de normalidade e de patologia mental
a) envolve questões de natureza psiquiátrica e espiritualista.
b) é determinada pela herança genética de cada indivíduo.
c) depende sobretudo de condicionamentos econômicos.
d) depende do cruzamento de fatores neurológicos e sociais.
e) envolve fatores primordialmente químicos e biológicos
(UNESP 2014)
A poderosa American Psychiatric Association (Associação Americana de Psiquiatria – APA)
lançou neste final de semana a nova edição do que é conhecido como a “Bíblia da
Psiquiatria”: o DSM-5. E, de imediato, virei doente mental. Não estou sozinha. Está cada vez
mais difícil não se encaixar em uma ou várias doenças do manual. Se uma pesquisa já mostrou
que quase metade dos adultos americanos teve pelo menos um transtorno psiquiátrico
durante a vida, alguns críticos renomados desta quinta edição do manual têm afirmado que
agora o número de pessoas com doenças mentais vai se multiplicar. E assim poderemos
chegar a um impasse muito, mas muito fascinante, mas também muito perigoso: a psiquiatria
conseguiria a façanha de transformar a “normalidade” em “anormalidade”. O “normal” seria
ser “anormal”. Dá-se assim a um grupo de psiquiatras o poder – incomensurável – de definir

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o que é ser “normal”. E assim interferir direta e indiretamente na vida de todos, assim como
nas políticas governamentais de saúde pública, com consequências e implicações que ainda
precisam ser muito melhor analisadas e compreendidas. Sem esquecer, em nenhum
momento sequer, que a definição das doenças mentais está intrinsecamente ligada a uma
das indústrias mais lucrativas do mundo atual. (Eliane Brum. Acordei doente mental. Época,
20.05.2013. Adaptado.)
No entender da autora do artigo, no âmbito psiquiátrico, a distinção entre comportamentos
normais e anormais
a) apresenta independência frente a condicionamentos de natureza material, histórica ou
social.
b) pressupõe o poder absoluto da ciência, em detrimento da relativização dos critérios de
normalidade.
c) deriva sua autoridade e legitimidade científica de critérios empíricos e universais.
d) busca valorizar a necessidade de autonomia individual no que se refere à saúde mental.
e) estabelece normas essenciais para o progresso e aperfeiçoamento da espécie humana
(UNESP 2013)
Encontrar explicações convincentes para a origem e a evolução da vida sempre foi uma
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obsessão para os cientistas. A competição constante, embora muitas vezes silenciosa, entre
os indivíduos, teria preservado as melhores linhagens, afirmava Charles Darwin. Assim, um
ser vivo com uma mutação favorável para a sobrevivência da espécie teria mais chances de
sobreviver e espalhar essa característica para as futuras gerações. Ao fim, sobreviveriam os
mais fortes, como interpretou o filósofo Herbert Spencer. Um século e meio depois, um
biólogo americano agita a comunidade científica internacional ao ousar complementar a
teoria da seleção darwinista. Segundo Edward Wilson, da Universidade de Harvard, o
processo evolutivo é mais bem-sucedido em sociedades nas quais os indivíduos colaboram
uns com os outros para um objetivo comum. Assim, grupos de pessoas, empresas e até
países que agem pensando em benefício dos outros e de forma coletiva alcançam mais
sucesso, segundo o americano.
(Rachel Costa. O poder da generosidade. IstoÉ, 11.05.2012. Adaptado.)
Embora divergentes no que se refere aos fatores que explicam a evolução da espécie
humana, ambas as teorias, de Darwin e de Wilson, apresentam como ponto comum a
concepção de que
a) influências religiosas e metafísicas são o principal veículo no processo evolutivo humano
ao longo do tempo.
b) são os condicionamentos psicológicos que influenciam de maneira decisiva o progresso
na história.
c) a sobrevivência da espécie humana ao longo da história é explicada pela primazia de
fatores de natureza evolutiva.

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d) os fatores econômicos e materiais são os principais responsáveis pelas transformações


históricas.
e) os fatores intelectuais são os principais responsáveis pelo sucesso dos homens em dominar
a natureza.
(UNESP 2012)
Leia o texto sobre a tragédia de Realengo. É possível que a vida escolar de Wellington, o
assassino de Realengo, tenha sido um suplício. Mas a simples vingança pelo bullying sofrido
não basta para explicar seu ato. Eis um modelo um pouco mais plausível. A matança, neste
caso, é uma maneira de suprimir os objetos de desejo, cuja existência ameaça o ideal de
pureza do jovem. Para transformar os fracassos amorosos em glória, o fanatismo religioso é
o cúmplice perfeito. Você acha que seu desejo volta e insiste? Nada disso, é o demônio que
continua trabalhando para sujar sua pureza. Graças ao fanatismo, em vez de sofrer com a
frustração de meus desejos, oponho-me a eles como se fossem tentações externas. As
meninas me dão um certo frio na barriga? Nenhum problema, preciso apenas evitar sua
sedução — quem sabe, silenciá-las. Fanático (e sempre perigoso) é aquele que, para reprimir
suas dúvidas e seus próprios desejos impuros, sai caçando os impuros e os infiéis mundo
afora. Há uma lição na história de Realengo — e não é sobre prevenção psiquiátrica nem
sobre segurança nas escolas. É uma lição sobre os riscos do aparente consolo que é oferecido
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pelo fanatismo moral ou religioso. Dito brutalmente, na carta sinistra de Wellington, eu leio
isto: minha fé me autorizou a matar meninas (e a me matar) para evitar a frustrante infâmia
de pensamentos e atos impuros. (Contardo Calligaris. Folha de S.Paulo, 14.04.2011.
Adaptado.)
De acordo com o autor,
a) para se evitar tragédias como a ocorrida em Realengo, é necessário investir em prevenção
psiquiátrica e segurança pública.
b) o fato ocorrido em Realengo pode ser explicado pela desorientação espiritual de uma
pessoa afastada da religião.
c) a ação praticada pelo atirador pode ser adequadamente explicada como possessão
demoníaca.
d) o caso de Realengo ilustra o papel do fanatismo religioso no mascaramento de desejos
reprimidos.
e) ideais de pureza moral são altamente positivos no processo educativo
(Estratégia Vestibulares/profe Ale Lopes/2020)
Em As regras do método sociológico, ao considerar que é social todo evento que é geral,
isto é, aquela situação que se repete para a maioria dos indivíduos (genérica), Durkheim
define o que é um fato social.
São elementos que definem o conceito de fato social:
I. Generalidade

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II. Coercitividade
III. Passividade
IV. Racionalidade
V. Exterioridade
Estão corretos apenas os itens:
a) Todas estão corretas
b) I, II
c) I, II, V
d) I, II, IV, V
e) I, II, IV
(Estratégia Vestibulares/Profe. Alê Lopes/2020)
Nenhum trovão? Nenhum relâmpago? Nem mesmo um ventinho a balançar as persianas do
laboratório? Só uma goteira através do vidro embaçado? Como podiam chamar aquilo de
chuva? O pior é que eu entendi perfeitamente como: o mundo era um béquer, o sol era o
bico de Bunsen, os rios, lagos e oceanos eram aqueles dois dedos de água. Eu havia mordido
o fruto da árvore da Ciência do Bem e do Mal e tinha sido expulso do Éden, não existiam
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mais bruxas nem dragões, poções mágicas ou varas de condão, e a natureza cabia num pote
de maionese..
Trecho de “Senhor da Chuva”. Prata, Antonio. Nu, de Botas (Locais do Kindle 1311-1348).
Edição do Kindle.
O trecho destacado opõe dois tipos de pensamento
a) religioso e racionalista.
b) econômico político.
d) racionalista e empirista
d) mitológico e científico.
(Estratégia Vestibulares/profe. Alê Lopes/2020)
Émile Durkheim diferenciou sociedades por meio da divisão social do trabalho, sendo que,
a partir do funcionamento e relação entre as partes que compõem a sociedade o francês
estabeleceu dois tipos de solidariedade para entender o elemento da coesão social. Nesse
sentido, está correto o que se afirma em
a) a solidariedade mecânica é encontrada em sociedades industriais, já que reflete os
processos tecnológicos.
b) a solidariedade orgânica é encontrada em sociedades menos avançadas, pois expressão
foi pensada para aproximar homem e natureza.

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c) a solidariedade mecânica faz com que os indivíduos se distanciem da consciência social


coletiva.
d) a solidariedade orgânica é encontrada em sociedades mais complexas e requer diferentes
formas de integração social.
(Estratégia Vestibulares/profe. Alê Lopes/2020)
Entendo por física social [a sociologia] a ciência que tem por objeto próprio o estudo dos
fenômenos sociais, segundo o mesmo espírito com que são considerados os fenômenos
astronômicos, físicos, químicos e fisiológicos, isto é, submetidos a leis invariáveis, cuja
descoberta é o objetivo de suas pesquisas. Os resultados de suas pesquisas tornam-se o
ponto de partida positivo dos trabalhos do homem de Estado, que só tem, por assim dizer,
como objetivo real descobrir e instituir as formas práticas correspondentes a esses dados
fundamentais, a fim de evitar ou pelo menos mitigar, quanto possível, as crises mais ou
menos graves que um movimento espontâneo determina, quando não foi previsto. Numa
palavra, a ciência conduz a previdência, e a previdência permite regular a ação.
(Auguste Comte)
Nesta passagem de um dos fundadores da sociologia, fica evidente a origem do método
que passou a ser empregado. Nesse sentido, pode-se afirmar, corretamente, que o método
nas Ciências Sociais do século XIX,
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a) surgiu autonomamente aos demais campos do saber.


b) teve como referência os as ciências naturais, mas não a utilizou como parâmetro.
c) é marcado pelo materialismo histórico dialético.
d) tem origem nos procedimentos e esquemas utilizados pelas ciências naturais e
transportados para os estudos da sociedade.
e) é metafísico e descarta as possibilidades experimentais.
(Estratégia Vestibulares 2020/inédita/profe. Alê Lopes)
Ao separar completamente o patrão e o empregado, a grande indústria modificou as
relações de trabalho e apartou os membros das famílias, antes que os interesses em conflito
conseguissem estabelecer um novo equilíbrio. Se a função da divisão do trabalho falha, a
anomia e o perigo da desintegração ameaça todo o corpo social e quando o indivíduo,
absorvido por sua tarefa se isola em sua atividade especial, já não percebe os colaboradores
que trabalham ao seu lado e na mesma obra, nem sequer tem ideia dessa obra comum .
DURKHEIM, E. A Divisão Social do Trabalho. Apud QUINTEIRO, T.; BARBOSA, M. L. O.;
OLIVEIRA, M. G. M. Toque de Clássicos. vol 1. Durkheim, Marx e Weber. Belo Horizonte:
Editora UFMG, 2007. p. 91.
A partir do trecho acima, qual é a principal função da divisão social do trabalho para Émile
Durkheim?
a) revolucionar a sociedade.

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b) viabilizar a solidariedade mecânica.


c) desenvolver a economia.
d) manter a coesão social.
e) exercer coerção física e dominação sobre os indivíduos.
(Estratégia Vestibulares/profe. Alê Lopes/2020)
Para a análise sociológica, é considerado um elemento de harmonização da vida em
sociedade com tendências à estabilidade:
a) a política conhecida como “lei e ordem”, responsável por proporcionar a paz social.
b) a participação dos sindicatos em processos litigiosos na justiça do trabalho.
c) a divisão social do trabalho, fator de solidariedade social na medida em que cada indivíduo
possui uma função e um depende da realização da tarefa do outro.
d) a luta de classes.
e) a dominação carismática, uma vez que nesta seara não há atritos capazes de colocar em
xeque o próprio sistema de relações sociais.
(Estratégia Vestibulares/Profe. Alê Lopes/2020)
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Se não me submeto às convenções mundanas; se, ao me vestir, não levo em consideração


os usos seguidos em meu país e na minha classe, o riso que provoco, o afastamento em que
os outros me conservam, produzem, embora de maneira mais atenuada, os mesmos efeitos
que uma pena propriamente dita.”
(DURKHEIM, Émile Apud RODRIGUES, José Albertino (Org). Durkheim. São Paulo: Ed.
Ática. 1981, p. 47)
A qual das características do conceito de “fato social” a frase acima se refere:
a) coerção.
b) consenso.
c) exterioridade.
d) generalidade.
e) solidariedade.
(Estratégia Vestibulares/profe. Alê Lopes/2020)
Sobre o surgimento da Sociologia, assinale a alternativa correta:
a) A Sociologia é resultado dos estudos sobre o modo de produção desenvolvido na Ásia, a
partir de uma perspectiva revolucionária do positivismo.
b) A ideia de desenvolvimento pela revolução social foi defendida pelo Iluminismo, que
influenciou o Positivismo.

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c) Os limites e as contradições do progresso para a liberdade humana foram apontados pelo


Iluminismo e aceitos pelo Positivismo.
d) Somente em meados do século XX é que podemos falar em surgimento, de fato, da
Sociologia.
(Estratégia Vestibulares/Profe. Alê Lopes/2020)
No que diz respeito à ordem e ao progresso na sociologia de Auguste Comte, esses
elementos se constituem como fundamentos. Com base nas ideias desse pensador, assinale
a alternativa correta.
a) Comte argumentou que os acontecimentos sociais – como os crimes, os suicídios, a família,
a escola, as leis – poderiam ser observados como coisas, pois assim seria mais fácil de estudá-
los pela Sociologia.
b) Conforme o pensamento comteano, a liberdade de opinião e a diferença entre os
indivíduos são fundamentos da solidariedade na formação da estática social, produzindo
vantagens para a evolução, em comparação com a homogeneidade.
c) Na perspectiva do francês, o desenvolvimento das forças produtivas é a base para o
progresso e segue uma linha reta, sem oscilações e, portanto, a interferência humana é
incapaz de alterar sua direção ou velocidade.
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d) Para o autor, a ordem social total se estabelece de acordo com as leis da natureza, e as
possíveis deficiências existentes podem ser retificadas mediante a intervenção racional dos
seres humanos.
(Estratégia Vestibulares/profe. Alê Lopes/2020)
A concepção da Sociologia de Durkheim se baseia em uma teoria do fato social. Seu objetivo
é demonstrar que pode e deve existir uma Sociologia objetiva e científica, conforme o
modelo das outras ciências, tendo por objeto o fato social.
(ARON, R. As etapas do pensamento sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 1995. p. 336.)
De acordo com Durkheim, essa percepção em torno dos fatos sociais se justifica porque seu
objeto de estudo:
a) são as ações dos indivíduos.
b) é a história das coisas.
c) é a sociedade.
d) são as relações sociais de produção.
(Estratégia Vestibulares/profe. Alê Lopes/2020)
Enquanto a precedente [a solidariedade mecânica] implica que os indivíduos se assemelham,
esta [ a solidariedade orgânica] supõe que eles diferem uns dos outros. A primeira só é
possível na medida em que a personalidade individual é absorvida na personalidade coletiva;
a segunda só é possível se cada um tiver uma esfera de ação própria, por conseguinte, uma

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personalidade. É necessário, pois, que a consciência coletiva deixe descoberta uma parte da
consciência individual, para que nela se estabeleçam essas funções especiais que ela não
pode regulamentar; e quanto mais essa região é extensa, mais forte é a coesão que resulta
dessa solidariedade. De fato, de um lado, cada um depende tanto mais estreitamente da
sociedade quanto mais dividido for o trabalho nela e, de outro, a atividade de cada um é
tanto mais pessoal quanto mais for especializada. Sem dúvida, por mais circunscrita que seja,
ela nunca é completamente original; mesmo no exercício de nossa profissão, conformamo-
nos a usos, a práticas que são comuns a nós e a toda a nossa corporação. Mas, mesmo nesse
caso, o jugo que sofremos é muito menos pesado do que quando a sociedade inteira pesa
sobre nós, e ele proporciona muito mais espaço para o livre jogo de nossa iniciativa. Aqui,
pois, a individualidade do todo aumenta ao mesmo tempo que a das partes; a sociedade
torna-se mais capaz de se mover em conjunto, ao mesmo tempo em que cada um de seus
elementos tem mais movimento próprios. Essa solidariedade se assemelha à que observamos
entre os animais superiores. De fato, cada órgão aí tem sua fisionomia especial, sua
autonomia, e, contudo, a unidade do organismo é tanto maior quanto mais acentuada essa
individuação das partes. Devido a essa analogia, propomos chamar de orgânica a
solidariedade devida à divisão do trabalho. (DURKHEIM, Émile. Da divisão do trabalho social.
2ª ed. São Paulo: Martins Fontes. 1999. P 108-109)
O texto expressa o esforço do sociólogo francês Émile Durkheim em diferenciar dois tipos
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de coesão social. Isso porque,


a) a coesão social nas sociedades industriais ocorre de forma mecânica, pois as relações de
trabalho são de baixa complexidade.
b) a solidariedade mecânica, enquanto aspecto da coesão social, é comum em sociedades
mais complexas, nas quais a divisão social do trabalho é baseada no gênero.
c) tanto na solidariedade orgânica quanto na mecânica a divisão social do trabalho cumpre
o mesmo papel, o de atuar coercitivamente sobre as pessoas e sobre os fatos sociais.
d) na solidariedade orgânica a coesão social é estabelecida por crenças e religiões, tal como
no estudo A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo.
e) nota-se que na solidariedade orgânica a divisão social do trabalho é mais diversificada, de
modo a atuar como elemento de coesão social.

7.1 GABARITO
1. D 9. D
2. E 10. D
3. B 11. C
4. D 12. C
5. A 13. C
6. A 14. C
7. A 15. A
8. C 16. D

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17. D 42. A
18. C 43. D
19. D 44. D
20. A 45. A
21. C 46. D
22. D 47. D
23. A 48. E
24. B 49. C
25. B 50. E
26. D 51. E
27. 11 52. D
28. 30 53. B
29. 11 54. C
30. B 55. D
31. A 56. C
32. C 57. D
33. B 58. C
34. A 59. D
35. A 60. D
36. A 61. C
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37. C 62. A
38. D 63. B
39. B 64. D
40. D 65. C
41. C 66. E

8. QUESTÕES COMENTADAS
(ENEM 2016)
A sociologia ainda não ultrapassou a era das construções e das sínteses filosóficas. Em vez
de assumir a tarefa de lançar luz sobre uma parcela restrita do campo social, ela prefere
buscar as brilhantes generalidades em que todas as questões são levantadas sem que
nenhuma seja expressamente tratada. Não é com exames sumários e por meio de intuições
rápidas que se pode chegar a descobrir as leis de uma realidade tão complexa. Sobretudo,
generalizações às vezes tão amplas e tão apressadas não são suscetíveis de nenhum tipo de
prova.
DURKHEIM, E. O suicídio: estudo de sociologia. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
O texto expressa o esforço de Émile Durkheim em construir uma sociologia com base na
a) vinculação com a filosofia como saber unificado.

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b) reunião de percepções intuitivas para demonstração.


c) formulação de hipóteses subjetivas sobre a vida social.
d) adesão aos padrões de investigação típicos das ciências naturais.
e) incorporação de um conhecimento alimentado pelo engajamento político.
Comentários
a) Errado. Veja que o texto apresenta uma crítica que Durkheim faz ao se tentar construir um
pensamento sociológico aos moldes das reflexões filosóficas. Isso porque, Durkheim estava
desenvolvendo um método o mais objetivo possível.
b) Falso, pois esse procedimento reforça análises mais subjetivas e menos objetivas.
c) Errado também. Aqui vale os dois comentários anteriores.
d) É o gabarito. Lembre-se de que o pensamento positivista, fonte de inspiração para E.
Durkheim, partiu dos procedimentos adotados nas ciências naturais para chegar a
conclusões teóricas e práticas. Dessa forma, a sociologia durkheimiana pega emprestado
das ciências naturais seu modelo de análise científica. Assim é que Durkheim procura tornar
a sociologia uma ciência objetiva, com um objeto de análise (fato social) e um método
(método sociológico).
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e) Falso. O método durkheimiano não tem compromisso com engajamento político. No fundo,
ao defender o racionalismo científico, o sociólogo francês fortalece a tese de que no campo
da ciência não “há lados”.
Gabarito: D

(ENEM 2013)

O cartum faz uma crítica social.

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A figura destacada está em oposição às outras e representa


a) a opressão das minorias sociais.
b) a carência de recursos tecnológicos.
c) a falta de liberdade de expressão.
d) a defesa da qualificação profissional.
e) a reação ao controle do pensamento coletivo.
Comentários
Esta questão é interessante porque ela dialoga com o conceito de anomia social de Durkheim.
Isso porque, há um personagem que está diferente dos demais, ou, do grupo coletivo. Dessa
forma, podemos pensar ser induzidos a pensar que se trata de alguém excluído do grupo, que
não se encontrou, etc. Para a sociologia de Durkheim esse ser seria um “ponto fora da curva” e
perturbaria a ordem social. Ocorre que, o cartum acaba fazendo uma crítica à dominação e ao
controle que a sociedade impõe aos indivíduos. Assim, há uma crítica ao pensamento sociológico
de Durkheim, o qual prioriza a ordem social, em detrimento dos “diferentes”. Sacou o diálogo?
Repare, o ser de cor preta está sem a chave de dar corda, portanto, representa um personagem
mais livre e está indo no caminho contrário. Logo, trata-se de uma pessoa que está em processo
de libertação. Nosso gabarito só pode ser a alternativa E.
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Gabarito: E

(ENEM 2017)
O rapaz que pretende se casar não nasceu com esse imperativo. Ele foi insuflado pela
sociedade, reforçado pelas incontáveis pressões de histórias de família, educação, moral,
religião, dos meios de comunicação e da publicidade. Em outras palavras, o casamento não
é um instinto, e sim uma instituição.
BERGER, P. Perspectivas sociológicas: uma visão humanística. Petrópolis: Vozes, 1986
(adaptado).
O casamento, conforme é tratado no texto, possui como característica o(a)
a) consolidação da igualdade sexual.
b) ordenamento das relações sociais.
c) conservação dos direitos naturais.
d) superação das tradições culturais.
e) questionamento dos valores cristãos.
Comentários
Podemos perceber o casamento com um “fato social” no sentido proposto por Émile Durkheim,
pois ele organiza a sociedade e existe anteriormente ao indivíduo e independentemente dele,
embora, sem as pessoas, não exista casamento. De toda forma, enquanto uma instituição, o

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casamento atua para gerar coesão social. Veja que a característica do “fato social” pode ser
percebida em “não nasceu com esse imperativo”. Gabarito, letra B.
a) falso, pois o casamento reafirma desigualdades sexuais, em particular, por tratar a mulher de
forma inferiorizada, submissa ao homem em uma relação a dois. Assim, a desigualdade machista,
em geral, está presente no casamento e é reproduzida por ele. Claro, há exceções, mas o padrão
social é de desigualdade sexual.
c) falso. Se os direitos naturais fossem preservados, não haveria imposição.
d) errado, pois o casamento é a expressão de uma tradição.
e) falso, pois o cristianismo conta com suas cerimônias de casamento.
Gabarito: B

(ENEM 2016)
Nossas vidas são dominadas não só pelas inutilidades de nossos contemporâneos, como
também pelas de homens que já morreram há várias gerações. Além disso, cada inutilidade
ganha credibilidade e reverência com cada década passada desde sua promulgação. Isso
significa que cada situação social em que nos encontramos não só é definida por nossos
contemporâneos, como ainda predefinida por nossos predecessores. Esse fato é expresso
no aforismo segundo o qual os mortos são mais poderosos que os vivos.
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BERGER, P. Perspectivas sociológicas: uma visão humanística. Petrópolis: Vozes, 1986


(adaptado).
Segundo a perspectiva apresentada no texto, os indivíduos de diferentes gerações
convivem, numa mesma sociedade, com tradições que
a) permanecem como determinações da organização social.
b) promovem o esquecimento dos costumes.
c) configuram a superação de valores.
d) sobrevivem como heranças sociais.
e) atuam como aptidões instintivas.
Comentários
Veja que esta é uma questão que pode ser respondida lembrando de Émile Durkheim, para
o qual o “fato social” é anterior e exterior ao indivíduo, agindo coercitivamente sobre sua
subjetividade.
a) parcialmente correta, pois não só tradições produzem determinações, como a própria
contemporaneidade.
b) errado, pois o texto afirmar o contrário, os costumes permanecem.
c) não, pois os valores permanecem. Claro, podem ser ressignificados, fruto da combinação
entre gerações passadas e contemporaneidade.

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d) correto, pois, de fato, as tradições sobrevivem, tal como o texto aborda. No caso do
pensamento durkheimiano a consciência coletiva herdaria múltiplas determinações capazes de
influenciarem o indivíduo. Pense, por exemplo, na língua: nascemos e a linguagem já existe há
muito tempo.
e) falso, pois a afirmação de “aptidões instintivas” contraria qualquer possibilidade de
comunicação racional, processo próprio de sociedades contemporâneas.
Gabarito: D

(ENEM 2015)
Só num sentido muito restrito, o indivíduo cria com seus próprios recursos o modo de falar
e de pensar que lhe são atribuídos. Fala o idioma de seu grupo; pensa à maneira de seu
grupo. Encontra a sua disposição apenas determinadas palavras e significados. Estas não só
determinam, em grau considerável, as vias de acesso mental ao mundo circundante, mas
também mostram, ao mesmo tempo, sob que ângulo e em que contexto de atividade os
objetos foram até agora perceptíveis ao grupo ou ao indivíduo.
MANNHEIM, K. Ideologia e utopia. Porto Alegre: Globo 1950 (adaptado)
Ilustrando uma proposição básica da sociologia do conhecimento, o argumento de Karl
Mannheim defende que o(a)
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a) conhecimento sobre a realidade é condicionado socialmente.


b) submissão ao grupo manipula o conhecimento do mundo.
c) divergência é um privilégio de indivíduos excepcionais.
d) educação formal determina o conhecimento do idioma.
e) domínio das línguas universaliza o conhecimento.
Comentários
A sociologia do conhecimento de Mannheim se distancia das explicações proposta pela
perspectiva positivista na medida em que, para este pensador, estudo histórico da dependência
situacional do conhecimento deve ser aplicado somente às ciências da cultura, visto que as
ciências naturais são fundadas sobre o paradigma matemático. O objetivo de Mannheim na
elaboração teórica da sociologia do conhecimento é investigar as formas pelas quais o
pensamento emerge a partir do movimento histórico e social, dentro da perspectiva da dinâmica
histórica que não considera como ponto de partida uma ordem social estática para a investigação
social do conhecimento28. Com efeito, a tese do autor é que são as bases sociais concretas que
“determinam” o pensamento. Repare que, em outras palavras, encontramos essa formulação na
alternativa a), nosso gabarito.

28
COSTA, D. L. S. . A sociologia do conhecimento de Karl Mannheim: entre ideologia e Ciência. CADERNOS DE PESQUISA EM
CIÊNCIA POLÍTICA , v. 5, p. 1-45, 2016.

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b) o texto não fala em “submissão”, mas em processos de interação/relação.


c) errado, não há essa sugestão no texto do enunciado.
d) não, a carga cultural, portanto, informal, se mostra mais importante para esse
aprendizado social.
e) podemos até considerar que dominar línguas ajuda a aprimorar o conhecimento, mas
Mannheim não está chamando a atenção para esse domínio múltiplo, mas da potencialidade que
a linguagem tem para o processo de conhecimento do indivíduo.
Gabarito: A

(UEG 2016)
O objeto de estudo da sociologia, para Durkheim, é o fato social, que deve ser tratado como
“coisa” e o sociólogo deve afastar suas prenoções e preconceitos. A construção
durkheimiana do objeto de estudo da sociologia pode ser considerada
a) positivista, pois se fundamenta na busca de objetividade e neutralidade.
b) dialética, pois reconhece a existência de uma realidade exterior ao pesquisador.
c) kantiana, pois trata da “coisa em si” e realiza a coisificação da realidade.
d) nietzschiana, pois coloca a “vontade de poder” como fundamento para a pesquisa.
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e) weberiana, pois aborda a ação social racional atribuída por um sujeito.


Comentários
A fonte teórica e metodológica de E. Durkheim são as ideias positivistas de Augute Comte.
Entre essas ideias estão a noção de objetividade e a de neutralidade. Ambas as noções são
percebidas aos se tratar os “fatos sociais” como coisas.
a) É o nosso gabarito.
b) Dialética está relacionada ao pensamento construído a partir das contradições existentes
na sociedade, por exemplo, a riqueza e a pobreza. A sociologia de Durkheim, seguindo
a linha positivista, preocupava-se com a “ordem” e não com as contradições, as quais,
por sinal, eram consideradas como anomalias (problemas) do sistema.
c) Kant foi um filósofo, já podemos desconsiderar a afirmação.
d) Nietsche também foi um filósofo, já podemos desconsiderar a afirmação.
e) Weber, Max Weber, foi um sociólogo alemão cuja influência nas Ciências Humanas marca
um período posterior a Durkheim. Veremos esse autor na próxima aula.
Gabarito: A

(UEG 2013)

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A sociologia nasce no séc. XIX após as revoluções burguesas do Séc. XVIII (Francesa e
Industrial) sob o signo do positivismo elaborado por Augusto Comte. As características do
pensamento comtiano são:
a) a sociedade é regida por leis sociais tal como a natureza é regida por leis naturais; as
ciências humanas devem utilizar os mesmos métodos das ciências naturais e a ciência deve
ser neutra.
b) a sociedade humana atravessa três estágios sucessivos de evolução: o metafísico, o
empírico e o teológico, no qual predomina a religião positivista.
c) a sociologia como ciência da sociedade, ao contrário das ciências naturais, não pode ser
neutra porque tanto o sujeito quanto o objeto são sociais e estão envolvidos reciprocamente.
d) o processo de evolução social ocorre por meio da unidade entre ordem e progresso, o
que necessariamente levaria a uma sociedade comunista.
e) n.d.a
Comentários
a) É o Gabarito. Lembre-se de que os positivistas utilizaram como parâmetro para
desenvolver seus procedimentos de pesquisa os métodos das Ciências Naturais.
b) Falso, pois segundo o positivismo os estágios são: teológico; metafísico; e o positivo.
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c) Errado. Os positivistas buscam a objetividade de modo a tentarem estabelecer uma


abordagem “neutra” em suas investigações, ou seja, sem tomar “lados”.
d) A primeira parte, até a vírgula, está correto. Mas o segundo período da frase invalida a
alternativa. O comunismo não aparece nas elaborações positivistas.
Gabarito: A

(UEG 2008)
A afirmação “os fatos sociais são coisas” pertence a qual pensador clássico da sociologia?
a) Weber
b) Marx
c) Durkheim
d) Mannheim
Comentários
Durkheim, no livro As Regras do Método Sociológico, estabeleceu que os fatos sociais são
coisas. Essa opção metodológica carrega a herança do positivismo de A. Comte e expressa
uma concepção objetiva, própria das Ciências Naturais.
Gabarito: C

(UNCISAL 2012)
O modo de vestir determina a identidade de grupos sociais, simboliza o poder e comunica
o status dos indivíduos. Seu caráter institucional assume grande importância à medida que

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inclui ou exclui indivíduos de categorias ou estratos sociais. Ele exemplifica bem aquilo que
Durkheim afirmava ser o objeto de estudo dos sociólogos: uma representação coletiva que
além de ser válida para todos os indivíduos que fazem parte de um determinado grupo,
expressa a exterioridade e a coercitividade.
Assinale nas opções a seguir aquela que apresenta o objeto de estudo da Sociologia
segundo Durkheim.
a) Ações sociais.
b) Estruturas políticas.
c) Relações sociais.
d) Fatos sociais.
e) Expressões culturais.
Comentários
De uma maneira geral, os sociólogos estudam a sociedade. Dependendo do autor/pensador é
preciso verificar o quê, exatamente, é focalizado. Assim, para Durkheim seu objeto de estudos
são os fatos sociais: o fato social é caracterizado por sua coercitividade, exterioridade em
relação ao indivíduo e por sua generalidade.
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a) As ações sociais são importantes para Max Weber (próxima aula).


b) Estruturas políticas são importantes para os autores denominados estruturalistas, os
quais despontam em meados do século XX.
c) As relações sociais é apreensão típica de autores marxistas que não se prendem ao
determinismo econômico.
e) as expressões culturais são, em boa medida, preocupações dos antropólogos.
Gabarito: D

(UNCISAL 2012)
O modo de vestir determina a identidade de grupos sociais, simboliza o poder e comunica
o status dos indivíduos. Seu caráter institucional assume grande importância à medida que
inclui ou exclui indivíduos de categorias ou estratos sociais. Ele exemplifica bem aquilo que
Durkheim afirmava ser o objeto de estudo dos sociólogos: uma representação coletiva que
além de ser válida para todos os indivíduos que fazem parte de um determinado grupo,
expressa a exterioridade e a coercitividade.
Assinale nas opções a seguir aquela que apresenta o objeto de estudo da Sociologia
segundo Durkheim.
a) Ações sociais.
b) Estruturas políticas.
c) Relações sociais.

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d) Fatos sociais.
e) Expressões culturais.
Comentários
De uma maneira geral, os sociólogos estudam a sociedade. Dependendo do autor/pensador é
preciso verificar o quê, exatamente, é focalizado. Assim, para Durkheim seu objeto de estudos
são os fatos sociais: o fato social é caracterizado por sua coercitividade, exterioridade em
relação ao indivíduo e por sua generalidade.
a) As ações sociais são importantes para Max Weber (próxima aula).
b) Estruturas políticas são importantes para os autores denominados estruturalistas, os
quais despontam em meados do século XX.
c) As relações sociais é apreensão típica de autores marxistas que não se prendem ao
determinismo econômico.
e) as expressões culturais são, em boa medida, preocupações dos antropólogos.
Gabarito: D
(Unioeste 2015)
“Solidariedade orgânica” e “solidariedade mecânica” são conceitos propostos pelo
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sociólogo francês Émile Durkheim (1858-1917) para explicar a 'coesão social' em diferentes
tipos de sociedade. De acordo com as teses desse estudioso, nas sociedades ocidentais
modernas, prevalece a 'solidariedade orgânica', onde os indivíduos se percebem diferentes
embora dependentes uns dos outros. A lógica do mercado capitalista, entretanto, baseada
na competição individualista em busca do lucro, pode corromper os vínculos de
solidariedade que asseguram a coesão social e conduzir a uma situação de 'anomia'.
De acordo com os postulados de Durkheim, é CORRETO dizer que o conceito de “anomia”
indica
a) a necessidade de todos demonstrarem solidariedade com os mais necessitados.
b) uma situação na qual aqueles indivíduos portadores de um senso moral superior devem
se colocar como líderes dos grupos dos quais fazem parte.
c) a condição na qual os indivíduos não se identificam como membros de um grupo que
compartilha as mesmas regras e normas e têm dificuldades para distinguir, por exemplo, o
certo do errado e o justo do injusto.
d) o consumismo exacerbado das novas gerações, representado pelo aumento do número
de shopping centers nas cidades.
e) a solidariedade que as pessoas demonstram quando entoam cantos nacionalistas e
patrióticos em manifestações públicas como os jogos das seleções nacionais de futebol.
Comentários

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a) Errado, pois anomia está relacionado ao mau funcionamento da dinâmica social, algo que
está saindo pela tangente no funcionamento das relações sociais. Assim, não está presente,
neste conceito, a “solidariedade com os mais necessitados”;
b) Falso, esse é o conceito de personalidades notáveis.
c) Certa resposta.
d) O consumismo pode ser considerado um fato social e não uma anomia (estranho) da
sociedade capitalista.
e) O aspecto da solidariedade não está presente no conceito de anomia.
Em suma, a anomia corresponde a um desajuste dos indivíduos em relação à sociedade, não
mais compartilhando formas de pensar, agir e sentir que lhe seriam próprias.
Gabarito: C

(Unioeste 2014)
Os fenômenos sociais são objeto de investigação desde o surgimento da filosofia, na Grécia
Antiga, por volta dos séculos VII e VI a.C.; mas a constituição de uma ciência específica da
sociedade remonta apenas ao século XIX. Considerando-se o enunciado acima, assinale a
alternativa que apresenta as principais causas que contribuíram para o nascimento da
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Sociologia na Europa do século XIX.


a) As modificações no modo vigente de compreender os povos tribais na Europa do século
XIX possibilitaram a constituição da Sociologia.
b) As alterações na mentalidade religiosa na Europa do século XIX condicionaram o
surgimento da Sociologia.
c) As mudanças econômicas, políticas e sociais que moldaram as sociedades europeias do
século XIX geraram perguntas ('questão social') que demandaram a constituição da
Sociologia.
d) As mutações ocorridas na filosofia e na moral das sociedades europeias do século XVI
contribuíram para o surgimento da Sociologia.
e) As transformações na sensibilidade estética das sociedades europeias do século XIX
favoreceram o processo de formação da Sociologia.
Comentários
a) Ao contrário do que é afirmado, na Europa do século XIX não havia sociedade tribais,
mas um processo de industrialização e de urbanização.
b) Não foram as mentalidades religiosas, mas aqueles que questionavam as explicações a
partir das religiões. O racionalismo baseado na centralidade do homem é que influenciou
o surgimento do positivismo e, nesse sentido, da sociologia.
c) Correto. A Sociologia surgiu durante o século XIX em um processo diretamente
relacionado à necessidade de se criar uma nova ciência que pudesse compreender as

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transformações econômicas, políticas e sociais advinda da Revolução Industrial e da


Revolução Francesa.
d) O século XVI está associado ao renascentismo. A rigor, até podemos relacionar o
renascentismo como um acontecimento determinante para recolocar o racionalismo no
modo de pensar das sociedades europeias. Porém, a alternativa C nos apresenta os
elementos que influenciaram diretamente no surgimento da Sociologia.
e) Não, conforme comentários da C, o impacto social das mudanças econômicas, do
processo de urbanização, etc., é que influenciaram. Além disso, o racionalismo
positivista, por exemplo, passa longe de uma arte sensível
Gabarito: C

(Unioeste 2013)
Segundo Émile Durkheim, em sua obra As formas elementares da vida religiosa (1996, p.
19), “os fenômenos religiosos classificam-se naturalmente em duas categorias fundamentais:
as crenças e os ritos. As primeiras são estados da opinião, consistem em representações; os
segundos são modos de ação determinados. Entre esses dois tipos de fatos, há exatamente
a diferença que separa o pensamento do movimento. Os ritos só podem ser definidos e
distinguidos das outras práticas humanas, notadamente das práticas morais, apenas pela
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natureza especial do seu objeto. Com efeito, uma regra moral, assim como um rito, nos
prescreve maneiras de agir, mas que se dirigem a objetos de um gênero diferente. Portanto,
é o objeto do rito que precisaríamos caracterizar para podermos caracterizar o próprio rito.
Ora, é na crença que a natureza especial desse objeto se exprime. Assim, só se pode definir
o rito após se ter definido a crença. Todas as crenças religiosas conhecidas, sejam elas
simples ou complexas, apresentam um mesmo caráter comum: pressupõem uma
classificação das coisas, reais ou ideais, que os homens concebem, em duas classes, em dois
gêneros opostos, designados geralmente por dois termos distintos que as palavras
“profano” e “sagrado” traduzem bastante bem. A divisão do mundo em dois domínios que
compreendem, um, tudo o que é sagrado, outro, tudo o que é profano, tal é o traço distintivo
do pensamento religioso: as crenças, os ritos, os gnomos, as lendas, são representações ou
sistemas de representações que exprimem a natureza das coisas sagradas, as virtudes e os
poderes que lhes são atribuídos, sua história, suas relações mútuas e com as coisas profanas.
Mas por coisas sagradas, convém não entender simplesmente esses seres pessoais que
chamamos deuses ou espíritos: um rochedo, uma árvore, uma fonte, um seixo, um pedaço
de madeira, uma casa, em uma palavra, uma coisa qualquer pode ser sagrada”.
Partindo da análise do texto transcrito acima, assinale a alternativa correta.
a) Os ritos são estados da opinião e consistem em representações.
b) Para Durkheim, a religião é definida pela crença em divindades ou seres sobrenaturais.
c) As coisas sagradas são, por exemplo, os objetos do culto, as pessoas do culto e os próprios
seres cultuados.

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d) A classificação das coisas em sagradas e profanas no fenômeno religioso é uma


característica das religiões tidas como primitivas.
e) A divisão do mundo em dois domínios que compreendem, um, tudo o que é sagrado,
outro, tudo o que é profano, não é o traço distintivo do pensamento religioso.
Comentários
Esta é uma questão que nos apresenta o pensamento de Durkheim e que pode ser resolvida
pela interpretação do texto. Repare: segundo aquilo que afirma o texto, qualquer coisa
cultuada pode ser considerada sagrada, assim, a alternativa C apresenta uma informação
correta. Vale ressaltar que a alternativa D está incorreta porque, segundo Durkheim, não são
somente as religiões primitivas que fazem a distinção entre sagrado e profano, mas todas as
religiões.
Gabarito: C

(Unioeste 2013)
O sociólogo francês Émile Durkheim (1858-1917), em sua obra As Regras do Método
Sociológico, ocupou-se em estabelecer o objeto de estudo da sociologia. Entre as
constatações de Durkheim, está a de que o fato social não pode ser definido pela sua
generalidade no interior de uma sociedade. Nessa obra, Durkheim elabora um tratamento
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científico dos fatos sociais e cria uma base para a sociologia no interior de um conjunto coeso
de disciplinas sociais, visando fornecer uma base racional e sistemática da sociedade civil.
Sobre o significado do fato social para Durkheim, é correto afirmar que
a) os fenômenos sociais, embora obviamente inexistentes sem os seres humanos, residem
nos seres humanos como indivíduos, ou seja, os fatos sociais são os estados mentais ou
emoções dos indivíduos.
b) os fatos sociais, parecem, aos indivíduos, uma realidade que pode ser evitada, de maneira
que se apresenta dependente de sua vontade. Nesse sentido, desobedecer a uma norma
social não conduz o indivíduo a sanções punitivas.
c) a proposição fundamental do método de Durkheim é a de que os fatos sociais devem ser
tratados como coisas, ou seja, como objeto do conhecimento que a inteligência não penetra
de forma natural, mas através da observação e da experimentação.
d) Durkheim considera os fatos sociais como coisas materiais. Pode-se afirmar, portanto, que
todo objeto de ciência é uma coisa material e deve ser abordado a partir do princípio de que
o seu estudo deve ser abordado sem ignorar completamente o que são.
e) os fatos sociais são semelhantes aos fatos psíquicos, pois apresentam um substrato
semelhante e evoluem no mesmo meio, de maneira que dependem das mesmas condições
Comentários

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É famosa a frase de Durkheim de que “os fatos sociais devem ser tratados como coisas”. Nessa
perspectiva, Durkheim pretende garantir a objetividade da análise sociológica, considerando os
fenômenos sociais como exteriores aos indivíduos e exercendo coerção sobre eles.
Gabarito: C

(Unioeste 2012)
Émile Durkheim é considerado um dos fundadores das Ciências Sociais e entre as suas
diversas obras se destacam “As Regras do Método Sociológico”, “O Suicídio” e “Da Divisão
do Trabalho Social”. Sobre este último estudo, é correto afirmar que
a) a divisão do trabalho possui um importante papel social. Muito além do aumento da
produtividade econômica, a divisão garante a coesão social ao possibilitar o surgimento de
um tipo específico de solidariedade.
b) a solidariedade mecânica é o resultado do desenvolvimento da industrialização, que
garantiu uma robotização dos comportamentos humanos.
c) a solidariedade orgânica refere-se às relações sociais estabelecidas nas sociedades mais
tradicionais. O nome remete ao entendimento da harmonia existentes nas comunidades de
menor taxa demográfica.
d) indiferente dos tipos de solidariedade predominantes, o crime necessita ser punido por
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representar uma ofensa às liberdades e à consciência individual existente em cada ser


humano.
e) a consciência coletiva está vinculada exclusivamente às ações sociais filantrópicas
estabelecidas pelos indivíduos na contemporaneidade, não tendo nenhuma relação com
tradições e valores morais comuns.
Comentários
A divisão do trabalho é importante por favorecer a coesão social e a solidariedade. Em sociedades
tradicionais, a solidariedade é do tipo mecânico, enquanto que em sociedades modernas o que
existe é a solidariedade de tipo orgânico. Vale ressaltar que as alternativas [D] e [E] explicam, de
forma incorreta, a função do crime e o conceito de consciência coletiva.
Gabarito: A

(Unioeste 2010)
Quanto ao contexto de surgimento da sociologia é correto afirmar que
a) ela surge logo após o fim da 2ª Grande Guerra como empreendimento científico que
buscava compreender aquele fenômeno e encontrar soluções para os resultados de tal
flagelo.
b) ela é resultado dos estudos de investigadores norte-americanos empenhados em
compreender os processos de industrialização e urbanização iniciado na década de 1930.
c) ela surge concomitantemente à filosofia na Antiguidade que teve como pensadores
paradigmáticos Platão e Aristóteles.

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d) emerge na modernidade, na virada do século XIX para o XX, buscando produzir


explicações e compreender o conjunto de transformações sociais ocorridas no ocidente
naquele momento.
e) é simultânea ao período da Reforma Protestante sendo fruto das reflexões de Lutero e
Calvino podendo ser considerada a ciência fundada por eles para criticar o catolicismo.
Comentários
A sociologia surge propriamente no fim do século XIX e começo do XX, a partir das
transformações econômicas e sociais da sociedade europeia e das novas possibilidades e
necessidades científicas surgidas nesse mesmo contexto. Sendo assim, somente a alternativa [D]
está correta.
Gabarito: D

(UFMS 2018)
Leia a letra da canção “Autonomia”, da banda de rock brasileira Titãs.
“O que eu queria, o que eu sempre queria
Era conquistar a minha autonomia
O que eu queria, o que eu sempre quis
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Era ser dono do meu nariz ...


Os pais são todos iguais
Prendem seus filhos na jaula
Os professores com seus lápis de cores
Te prendem na sala de aula ...
Ia pra rua, mamãe vinha atrás
Ela não me deixava em paz
Não aguentava o grupo escolar
Nem a prisão domiciliar ...
Mas o tempo foi passando
Então eu caí numa outra armadilha
Me tornei prisioneiro da minha própria família
Arranjei um emprego de professor.”
A canção aborda temas muito debatidos na sociologia e que são fundamentais para
compreender a dinâmica dos papéis sociais na sociedade do presente. Assinale a alternativa
correta sobre esses papéis e as instituições ilustradas nessa canção.

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a) A letra da canção é a experiência de vida de um adulto que apresenta sua visão, ao longo
do tempo, sobre duas instituições (a família e a escola). Ele percebe que os papéis sociais de
pais e educadores são similares, visto que ambos têm a função de orientar os jovens.
b) A letra da canção é um depoimento sobre a ditadura militar brasileira e uma crítica ao
Estado brasileiro, que deve ser a instituição responsável pela organização política e
econômica do país.
c) Por se tratar de um grupo de rock, a letra dessa canção apresenta um parecer rebelde e
negativo da sociedade, imprimindo uma visão deturpada dos papéis sociais, das instituições
da família e do estado.
d) O tema central da canção é a opressão sofrida pelo narrador, que durante a fase inicial de
sua vida tem suas vontades cerceadas pelas instituições que o cercam (escola e família). Ele
é induzido a se tornar um reprodutor do sistema opressor na fase adulta de sua vida.
e) A letra da canção aborda duas importantes instituições (a escola e o Estado), e a narrativa
é fundamentada no papel secundário que tanto pais quanto educadores exercem nesses
pilares da sociedade ocidental contemporânea.
Comentários
De uma forma geral, repare que há uma tensão entre o indivíduo querendo mais liberdade e
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as imposições sociais. Podemos entender esse fenômeno como o aspecto coercitivo dos
fatos sociais que Durkheim aborda. A letra da música faz uma crítica à instituição família e à
escola como formas de supressão da liberdade que o indivíduo da letra busca.
a) o erro da alternativa é dizer que o indivíduo rebelde da canção compreende que escola e
pais têm o papel de orientar. Na verdade, não seria de orientar, o mais correto é
compreender a crítica como uma coerção, pois, segundo a letra ambas as instituições o
aprisionaram em jaulas (sentido metafórico). O gabarito da prova deu esta como correta, mas
a profe discorda, apresentaria recurso na época, pois o final da alternativa a torna incorreta.
b) errado, apesar de a letrar exaltar a busca por uma liberdade, não é sobre o regime militar
que ela trata.
c) errado, pois não há uma visão deturpada. Afirmar isso seria assumir um ponto de vista
conservador. Há uma crítica coerente com a perspectiva liberal que os autores adotaram.
d) a primeira frase está correta e a segunda também, já que ele diz que acabou caindo na
armadilha dos mesmos problemas que ele critica. Alternativa correta.
e) errado, pois pais e educadores possuem papel central na reprodução e manutenção da
ordem social.
Gabarito: D

(UFMS 2017)
Leia a letra da canção Pais e Filhos do grupo de rock brasileiro Legião Urbana.
Estátuas e cofres e paredes pintadas

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Ninguém sabe o que aconteceu


Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender
Dorme agora
É só o vento lá fora
Quero colo!
Vou fugir de casa
Posso dormir aqui com vocês?
Estou com medo, tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três
Meu filho vai ter nome de santo
Quero o nome mais bonito
É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
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Porque se você parar pra pensar


Na verdade não há
Me diz, por que que o céu é azul?
Explica a grande fúria do mundo
São meus filhos
Que tomam conta de mim
Eu moro com a minha mãe
Mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua, não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar
Já morei em tanta casa
Que nem me lembro mais
Eu moro com os meus pais
Sou uma gota d'água
Sou um grão de areia
Você me diz que seus pais não te entendem
Mas você não entende seus pais

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Você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo


São crianças como você
O que você vai ser
Quando você crescer
A canção transcrita neste enunciado remete a uma crítica tecida a uma importante instituição
social. Assinale a alternativa correta que apresenta essa instituição.
a) A escola.
b) A igreja.
c) A família.
d) O estado.
e) O exército.
Comentários
Repare como a prova para do vestibular da UFMS gosta de cobrar letra de música combinado
com alguma instituição social (escola, família, igreja, dentre outros).
A todo tempo, a canção remete à família (“Eu moro com a minha mãe”; “Você culpa seus
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pais por tudo, isso é absurdo”). Assim, a o gabarito é a alternativa C. Quanto às demais
alternativas, não há relação direta.
Gabarito: C

(UFMS 2017)
Sobre os ideais de Auguste Comte, é correto afirmar que:
a) O pensamento formalista de Comte é fundamentado na concepção de que o mundo deve
estar sempre organizado e formalizado para atender às necessidades do Estado.
b) O Positivismo de Comte é baseado nas ciências naturais e através da experimentação e
dos resultados científicos busca-se o conhecimento do mundo.
c) A causa e efeito norteiam o pensamento desse pensador francês que, a partir de
interpretações do mundo, buscou na filosofia e na psicologia desenvolver o método
comtiano racionalista e causualístico.
d) De acordo com Comte, o positivismo é a busca pela organização do mundo social na
racionalidade, não admitindo explicações sobrenaturais; tem como lema “ordem e
progresso”.
e) O pensamento positivista é derivado de reflexões teológicas e constituído a partir da
racionalidade agostiniana em um momento em que a Europa buscava uma antítese para as
explicações capitalistas de exploração das colônias africanas e asiáticas.
Comentários

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a) errado, pois para o positivismo de Comte o mundo deve estar organizado para a harmonia
social, de modo que o Estado é parte da engrenagem maior que é o corpo social.
b) a alternativa se torna errada porque, a rigor, o objetivo não é o conhecimento do mundo,
mas dos fenômenos possíveis de compreensão racional com vistas ao atingimento da
verdade.
c) o erro da alternativa está em afirmar que seu método seria causal, baseado em relações
de causa e consequência. O método empírico do positivismo não busca relações causais a
partir de visões de mundo. Estas são desconsideras, pois a prioridade é a “neutralidade”
diante da observação.
d) é o nosso gabarito.
e) falso, pois o pensamento agostiniano é metafísico e, para o positivismo, deve-se primar
pela razão e rechaçar a metafísica.
Gabarito: D

(UEMA 2016)
A Sociologia como ciência foi criada no século XIX em um contexto marcado por “mudanças
sociais” que demandavam explicações para a intervenção nos problemas detectados. O tipo
de sociedade que propiciou o surgimento da sociologia e a indicação de suas características
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são, respectivamente,

Comentários
A sociologia, enquanto ciência organizada e com método estabelecido, tem origem no
século XIX. Nesse sentido, o impulso do desenvolvimento do capitalismo levava ao
crescimento urbano e ao desenvolvimento de relações sociais cada vez mais complexas.
Juntamente a isso, novos problemas sociais apareceram: violência urbana; desigualdade
social fruto da exploração do trabalho do proletariado (reflexo da divisão social do trabalho);
etc.

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a) É o nosso gabarito.
b) O surgimento da sociologia, por estar em um contexto do capitalismo industrial, está
relacionado a sociedades de mão de obra livre, sem trabalho escravo. O trecho das
características também está errado, pois a sociologia se desenvolveu em meio a um
processo de industrialização e não de desindustrialização.
c) A rigor, uma sociedade socialista só aparecerá após a Revolução de 1917 na Rússia e
mesmo assim com controvérsias. Isso porque, as medidas econômicas iniciais do Governo
Bolchevique mesclavam práticas capitalistas. De toda forma, enquanto modelo de
sociedade, o socialismo só aparece como uma possibilidade real no século XX. Além disso,
o fenômeno de deslocamento populacional na Europa no século XIX está ligado a fluxo
campo-ciadade. Errada a afirmação.
d) Da mesma forma que o tipo de sociedade socialista a sociedade comunista é algo do século
XX. Porém, alerto que, a rigor, essa sociedade nunca existiu, pois o conceito de comunismo
significa uma sociedade sem Estado na medida em que as classes sociais, ou melhor, a
relação de exploração entre as classes, desaparece. No século XX, por mais que houvesse
a URSS, a China, Cuba, nenhum dessas sociedades podem ser consideradas comunistas.
Errada a afirmação.
e) Essa é bem errada também, pois o feudalismo durou do século V ao XI. OK?
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Gabarito: A

(UEMA 2016)
A Sociologia, tradicionalmente, é a ciência que estuda a sociedade. Expressão abstrata, visto
que não há uma definição precisa. Mas, a literatura indica que toda sociedade deriva de
grupos sociais, compreendidos como “um agregado de seres humanos no qual (1) existem
relações específicas entre indivíduos que o compreendem e (2) cada indivíduo tem
consciência do próprio grupo e de seus símbolos”. É necessário, portanto, que haja interação
e identidade entre os membros do grupo. OUTHWAITE, William; BOTTOMORE, Tom
(editores). Dicionário do pensamento social do século XX. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996.
GIDDENS, Anthony. Sociologia. Porto Alegre: Artmed, 2005. OLIVEIRA, Pérsio Santos de.
Introdução à Sociologia. São Paulo: Ática, 2008.
Um exemplo de grupo social é (são)
a) multidão em um domingo na praia.
b) pessoas em uma fila de cinema.
c) alunos em uma sala de aula.
d) jovens em festival de música.
e) indivíduos lendo jornal.
Comentários

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A chave para matar essa questão é identificar, dentre as alternativas, aquela que se enquadra
na seguinte passagem do texto a respeito do grupo social: “agregado de seres humanos no
qual (1) existem relações específicas entre indivíduos que o compreendem e (2) cada indivíduo
tem consciência do próprio grupo e de seus símbolos”. Nesse sentido, o grupo que melhor se
insere enquanto um grupo social são os alunos em sala de aula, pois possuem: identidade (2º
B, do grupo X); símbolos (aprendizado, relações cotidianas). Nos demais exemplos não há a
presença dos dois elementos juntos.
Gabarito: C

(UEMA 2014)
A Sociologia como ciência da modernidade foi influenciada por várias mudanças decorrentes
das revoluções burguesas, especialmente na Europa nos séculos XVIII e XIX. Para Bourdieu,
a singularidade dos estudos sociológicos ocorre porque
A sociologia descobre o arbitrário, a contingência, ali onde as pessoas gostam de ver a
necessidade ou natureza. Descobre a necessidade, a coação social, ali onde se gostaria de
ver a escolha, o livre arbítrio. Uma das características das realidades históricas é que sempre
é possível estabelecer que as coisas poderiam ser diferentes, que são diferentes em outros
lugares, em outras condições. O que se quer dizer é que, ao historicizar, a Sociologia
desnaturaliza, desfataliza.
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BOURDIEU, Pierre. A distinção: crítica ao julgamento social. São Paulo: Edusp, 2007.
A partir das singularidades dos estudos sociológicos expressos na assertiva de Bourdieu, as
correntes de pensamento que determinaram o aparecimento da Sociologia como ciência da
modernidade são conhecidas como
a) Nazismo, Criticismo, Anarquismo e Marxismo
b) Socialismo, Idealismo, Comunismo e Empirismo.
c) Cristianismo, Naturalismo, Capitalismo e Fascismo.
d) Iluminismo, Liberalismo, Racionalismo e Positivismo.
e) Materialismo Histórico, Democracia, Feudalismo e Utilitarismo.
Comentários
Lembrando do contexto do século XIX, a sociologia se constituiu como ciência a partir de
corrente de pensamento que pensaram em racionalizar a vida em sociedade. Nesse sentido,
a alternativa D é a que melhor representa as correntes.
Gabarito: D

(UEL 2016)
A ordem e o progresso constituem partes fundamentais da Sociologia de Auguste Comte.
Com base nas ideias comteanas, assinale a alternativa correta.

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a) A ordem social total se estabelece de acordo com as leis da natureza, e as possíveis


deficiências existentes podem ser retificadas mediante a intervenção racional dos seres
humanos.
b) A liberdade de opinião e a diferença entre os indivíduos são fundamentos da solidariedade
na formação da estática social; essa diversidade produz vantagens para a evolução, em
comparação com a homogeneidade.
c) O desenvolvimento das forças produtivas é a base para o progresso e segue uma linha
reta, sem oscilações e, portanto, a interferência humana é incapaz de alterar sua direção ou
velocidade.
d) O progresso da sociedade, em conformidade com as leis naturais, é resultado da
competição entre os indivíduos, com base no princípio de justiça de que os mais aptos
recebem as maiores recompensas.
e) O progresso da sociedade é a lei natural da dinâmica social e, considerado em sua fase
intelectual, é expresso pela evolução de três estados básicos e sucessivos: o doméstico, o
coletivo e o universal
Comentários
a) É o gabarito. Auguste Comte, ao tentar a síntese geral dos conhecimentos de seu tempo
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marcado pelo florescimento das ciências experimentais, defendia que a ciência deveria ser
colocada a serviço da regeneração social e, assim, eliminar a anarquia moral. O
conhecimento humano deveria ser usado para criar uma nova ordem social. Seu positivismo
científico ou filosofia positivista considerava que a ordem social e todos os fenômenos sociais
estavam sujeitos às invariáveis leis da natureza, cuja descoberta é o objetivo de toda ciência.
Nesse sentido, se existem leis invariáveis que governam as relações humanas, conhecimento,
previsão e ação é uma regra a ser seguida pela Ciência Social, Física Social ou Sociologia.
Ou seja, saber para prever, conhecer para intervir racionalmente, compreender para
reorganizar (RAISON, T. Os Precursores das Ciências Sociais. Rio de Janeiro: Zahar Editores,
1971. p.38-46; MORAES FILHO, E. (org.). Sociologia. Auguste Comte. São Paulo: Ática, 1978.
p.16-24).
b) Incorreta. Auguste Comte preocupou-se com a “dinâmica social”, ou seja, com o
progresso social ou processos de mudança dentro da ordem, de acordo com leis gerais,
invariáveis e naturais. Leis essas que eram as do desenvolvimento do espírito humano e de
sua crescente racionalidade. Portanto, a Estática Social representaria a ordem, formada por
uma tessitura contínua, comparada à Anatomia, a sociedade em repouso, as condições de
existência da sociedade. O indivíduo só pode ser explicado e compreendido pela sociedade,
sendo em si mesmo uma abstração. A verdadeira célula social é a família, que reproduz os
fatores da sociedade global e recebe o novo ser (o indivíduo) e o encaminha para a
sociedade. A noção central e fundamental da Estática Social é a do consenso entre todos os
fenômenos sociais e não a liberdade de opinião e a diferença entre os indivíduos. O método
de Comte parte do todo para as partes, do sistema para seus elementos, do geral para o
particular (RAISON, T. Os Precursores das Ciências Sociais. Rio de Janeiro: Zahar Editores,

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1971. p.38-46; MORAES FILHO, E. (org.). Sociologia. Auguste Comte. São Paulo: Ática, 1978.
p.16-26).
c) Incorreta. Segundo Auguste Comte, a diferenciação social se torna mais complexa à
medida que a sociedade se desenvolve e se estabelece a hierarquia social. Nesse sentido, a
divisão do trabalho exerce papel preponderante na solidariedade social e consequente
progresso, e não o desenvolvimento das forças produtivas. Podendo igualmente, pelos
excessos da especialização, conduzir à desintegração social, às oscilações, pela quebra do
consenso, da ordem e da harmonia. Dependendo da intervenção humana, com mais avanços
do que recuo, a humanidade caminha em direção ao progresso (MORAES FILHO, E. (org.).
Sociologia. Auguste Comte. São Paulo: Ática, 1978. p.25-27). Como veremos na próxima
aula, as elaborações em torno do desenvolvimento das forças produtivas são de Karl Marx.
d) Incorreta. Para Comte, é a crescente divisão do trabalho que exerce papel preponderante
na solidariedade social e consequente progresso, que se manifesta na livre cooperação, na
livre produção, na paz, na sanção moral, pela aceitação racional e não pela competição entre
os indivíduos. Assim, não são os mais aptos que recebem as maiores recompensas, conforme
as teses de Spencer. A humanidade se encontra em permanente desenvolvimento ou
evolução, assim como os homens, aprendendo sempre, progredindo sempre. Liberdade com
responsabilidade era uma das diretivas de Comte. A educação deve ser universal e abranger
todos os membros da sociedade e todos os ramos do conhecimento humano. O homem só
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é livre na medida em que compreende e consegue colocar as leis naturais a seu serviço, o
que ocorre no estado positivo ou industrial (MORAES FILHO, E. (org.). Sociologia. Auguste
Comte. São Paulo: Ática, 1978. p.26-28
e) Incorreta. De acordo com Auguste Comte, o futuro pode ser mais previsível do que o
próprio presente e considerava como sua primeira grande descoberta uma lei sociológica, a
lei dos três estados (teológico, metafísico e positivo). Herdeiro direto do pensamento do
século XVIII, Comte admitia que a humanidade encontrava-se em permanente
desenvolvimento ou evolução, aprendendo e progredindo sempre. Passa, sucessivamente,
por três estágios em sua evolução intelectual, de concepção de mundo e da vida: teológico,
metafísico e positivo, sendo este último o definitivo (Lei dos Três Estados). Este é o sentido
evolutivo e inalterável da sociedade (MORAES FILHO, E. (org.). Sociologia. Auguste Comte.
São Paulo: Ática, 1978. p.26-28).
Gabarito: A

(UEL 2015)
Até o século XVIII, a maioria dos campos de conhecimento, hoje enquadrados sob o rótulo
de ciências, era ainda, como na Antiguidade Clássica, parte integral dos grandes sistemas
filosóficos. A constituição de saberes autônomos, organizados em disciplinas específicas,
como a Biologia ou a própria Sociologia, envolverá, de uma forma ou de outra, a progressiva
reflexão filosófica, como a liberdade e a razão. (Adaptado de: QUINTANEIRO, T.; BARBOSA,
M. L. O.; OLIVEIRA, M. G. M. Um Toque de Clássicos: Marx, Durkheim e Weber. Belo
Horizonte: UFMG, 2002. p.12.)

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Com base nos conhecimentos sobre o surgimento da Sociologia, assinale a alternativa que
apresenta, corretamente, a relação entre conhecimento sociológico de Auguste Comte e as
ideias iluministas.
a) A ideia de desenvolvimento pela revolução social foi defendida pelo Iluminismo, que
influenciou o Positivismo.
b) A crença na razão como promotora do progresso da sociedade foi compartilhada pelo
Iluminismo e pelo Positivismo.
c) O Iluminismo forneceu os princípios e as bases teóricas da luta de classes para a formulação
do Positivismo.
d) O reconhecimento da validade do conhecimento teológico para explicar a realidade social
é um ponto comum entre o Iluminismo e o Positivismo.
e) Os limites e as contradições do progresso para a liberdade humana foram apontados pelo
Iluminismo e aceitos pelo Positivismo.
Comentários
a) Falso, pois a ideia geral do Positivismo é a afirmação e o aperfeiçoamento da ordem social
vigente, considerada ainda em fase de transição no século XIX. Consequentemente, o
Positivismo rejeita a proposição de que uma revolução social promoveria o desenvolvimento.
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A posição do Positivismo sobre esse tema é ilustrada pela defesa dos ideais de ordem e
progresso.
b) Correta, é o Gabarito. O pensamento Iluminista caracterizou-se, entre outros aspectos,
pela defesa da razão como “meio”, sendo que a partir da racionalidade seria possível explicar
os diferentes fenômenos da realidade, com vistas ao progresso da sociedade. Essas ideias
foram compartilhadas pelo Positivismo, corrente formadora da Sociologia. Com efeito,
ressalta-se que a ideia de Revolução aqui pode ter dois sentidos: um, direcionado a
mudanças sociais mais profundas, no sentido da Revolução Francesa; outro, a partir da
concepção filosófico-positivista, isto é, como revolução de pensamento e de mudanças
gradualmente evolutivas na sociedade.
c) Incorreta, pois a luta de classes não constitui um referencial político, teórico ou filosófico
tanto do Iluminismo quanto do Positivismo. A luta de classes compõe o referencial teórico
do pensamento socialista e marxista.
d) Errado, pois o Iluminismo desenvolveu-se com a defesa da validade do conhecimento
científico para a explicação dos fenômenos da realidade. O Positivismo, por sua vez, ao
propor a formação do conhecimento sociológico, também rejeitou o conhecimento
teológico como forma válida para explicar a realidade social.
e) Incorreta, pois o Positivismo surgiu no contexto do século XIX, período durante o qual a
crença no progresso era hegemônica no pensamento social. Desse modo, o Positivismo
adotou a noção positiva de progresso como um dos centros normativos de seu pensamento
Gabarito: B

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(UEL 2014)
A cidade desempenha papel fundamental no pensamento de Émile Durkheim, tanto por
exprimir o desenvolvimento das formas de integração quanto por intensificar a divisão do
trabalho social a ela ligada. Com base nos conhecimentos acerca da divisão de trabalho social
nesse autor, assinale a alternativa correta.
a) A crescente divisão do trabalho com o intercâmbio livre de funções no espaço urbano
torna obsoleta a presença de instituições.
b) A solidariedade orgânica é compatível com a sociedade de classes, pois a vida social
necessita de trabalhos diferenciados.
c) Ao criar seres indiferenciados socialmente, o “homem massa”, as cidades recriam a
solidariedade mecânica em detrimento da solidariedade orgânica.
d) O efeito principal da divisão do trabalho é o aumento da desintegração social em razão
de trabalhos parcelares e independentes.
e) O equilíbrio e a coesão social produzidos pela crescente divisão do trabalho decorrem das
vontades e das consciências individuais
Comentários
a) Incorreta. Embora a crescente divisão do trabalho social busque ampliar a liberdade, isto
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não significa que cada um escolhe livremente o que vai ou não fazer no interior da sociedade
para atender a suas necessidades funcionais, uma vez que a existência social pressupõe,
invariavelmente, a existência de normas e de regras a serem seguidas e que atendam aos
imperativos da vida coletiva. Soma-se a isto que a vida social, mesmo em sua forma mais
elementar, pressupõe a existência das instituições, sem as quais o homem se tornaria uma
vítima de si mesmo. Sem as instituições, as possibilidades de vida coletiva retornariam à
condição de barbárie.
b) Correta. Durkheim não visualiza a possibilidade da existência de uma sociedade sem
classes, o que, no entanto, reconhece, pode ter existido nos primórdios da vida social. Para
ele, as classes não decorrem de mecanismos necessários de exploração e sim das exigências
que são instituídas para o bom funcionamento das sociedades, atendendo às necessidades
crescentes dos indivíduos e da vida coletiva. Com o avanço da divisão do trabalho social, a
vida coletiva necessariamente precisa da execução de uma multiplicidade de tarefas, o que
significa a impossibilidade de todos ocuparem o mesmo espaço social ou as mesmas funções.
c) Incorreta. Nas condições de solidariedade orgânica, ampliam-se as diferenças, a
heterogeneidade de funções e, portanto, uma nova forma de organização social, pela
interdependência das partes. Para Durkheim, a solidariedade mecânica pertence a um
estágio primário e superado do desenvolvimento das sociedades, na medida em que elas se
tornam complexas pela divisão do trabalho social e, também, pela diversificação das
instituições necessárias para regrarem a vida coletiva. As cidades podem ser consideradas
um exemplo dos espaços nos quais se impõe a solidariedade orgânica como forma de vida
coletiva, com suas instituições desenvolvidas e com multiplicidades de funções profissionais.

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d) Incorreta. Uma das características da solidariedade orgânica é exatamente o crescimento


e o progresso contínuo da sociedade, resultante da complexidade cada vez maior da divisão
do trabalho social, o que implica, ao mesmo tempo, o estreitamento dos laços entre os
indivíduos e entre as diferentes partes, reforçando a cooperação e a solidariedade. Durkheim
reconhece que nem todos podem executar, nas organizações complexas, as mesmas
atividades e funções, mas a sociedade é justa no sentido de não confinar um indivíduo a uma
atividade que seja impossível de ser realizada por ele.
e) Incorreta. Embora reconheça a necessidade das sociedades se desenvolverem de modo
equilibrado e harmônico, esta condição não decorre, para Durkheim, das vontades
individuais e sim de um efeito moral produzido pela divisão do trabalho social, que se traduz
nele pela existência da consciência coletiva. O indivíduo continua existindo como base do
fato moral, mas não é ele que funda as instituições. Elas decorrem do intercâmbio das
múltiplas consciências individuais produzindo um substrato comum (a consciência coletiva)
que, mesmo contando com a contribuição de cada consciência individual, é superior a cada
uma delas.
Gabarito: B

(UEL 2013)
Leia o texto a seguir. Sentir-se muito angustiado com a ideia de perder seu celular ou de ser
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incapaz de ficar sem ele por mais de um dia é a origem da chamada “nomofobia”, contração
de no mobile phobia, doença que afeta principalmente os viciados em redes sociais que não
suportam ficar desconectados. Uma parte da população acha que, se não estiver conectada,
perde alguma coisa. E se perdemos alguma coisa, ou se não podemos responder
imediatamente, desenvolvemos formas de ansiedade ou nervosismo.
(Adaptado de: O medo de não ter o celular à disposição cria nova fobia. Disponível em: .
Acesso em: 9 abr. 2012.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre socialização e instituições sociais, na
perspectiva funcionalista de Durkheim, assinale a alternativa correta.
a) A nomofobia reduz a possibilidade de anomia social na medida em que aproxima o contato
em tempo real dos indivíduos, fortalecendo a integração com a vida social.
b) As interações sociais via tecnologias digitais são uma forma de solidariedade mecânica,
pois os indivíduos uniformizam seus comportamentos.
c) O que faz de uma rede social virtual uma instituição é o fato de exercer um poder coercitivo
e ao mesmo tempo desejável sobre os indivíduos.
d) O uso de interações sociais por recursos tecnológicos constitui um elemento moral a ser
compreendido como fato social.
e) Para a nomofobia ser considerada um fato social, faz-se necessário que esteja presente
em uma diversidade de grupos sociais.
Comentários

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a) Incorreta. De acordo com Durkheim, situações de doenças produzidas socialmente (nesse


caso, pode-se usar a nomofobia como exemplo) não reduzem, exemplificam a ocorrência de
anomia social. Considere-se ainda que, conforme o mesmo autor, as mudanças associadas à
modernidade reduzem o grau de integração da vida social. Nesse sentido, ocorre um
enfraquecimento do vínculo entre o indivíduo e a sociedade, o que corresponde também ao
enfraquecimento da consciência coletiva.
b) Incorreta. De acordo com Durkheim, a solidariedade mecânica está presente nas
sociedades ditas tradicionais. Nas sociedades modernas, o tipo característico de
solidariedade é o orgânico. É incorreta também a afirmação de que os indivíduos
uniformizam seus comportamentos nas sociedades modernas. O que ocorre é o processo
inverso, com maior diferenciação entre eles, fato este explicado pelo conceito de
solidariedade orgânica.
c) Incorreta. As instituições sociais se definem pela função social desempenhada (constituída
por longo processo histórico), o que envolve a atribuição e a distribuição de papéis sociais
aos indivíduos, assim como a socialização dos mesmos. Nas condições atuais, uma rede social
virtual não cumpre essa função e se caracteriza, antes de tudo, pela sociabilidade e não pela
socialização. O conceito de coerção em Durkheim está diretamente vinculado às funções de
socialização e, assim sendo, é impreciso aplicá-lo para explicar ou descrever uma rede social
virtual.
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d) Correta. Fato social é a categoria analítica fundante da perspectiva funcionalista. De


acordo com Durkheim, o fato social se distingue dos demais tipos de fatos por seu conteúdo
moral. As interações sociais, na medida em que são um exemplo de fato social, contêm,
necessariamente, elementos morais. As interações sociais por intermédio de recursos
tecnológicos apenas são possíveis quando a moral social a possibilita.
e) Incorreta. O critério da generalidade para definir um fato social não se confunde com
universalidade. Assim, é possível que determinado fenômeno se apresente no interior de um
dado grupo, enquanto fato sui generis, sem que necessariamente se repita em uma
diversidade de grupos sociais. Por outro lado, um fato pode ser geral, sem ser um fato social.
Conforme Durkheim, “o fato social não pode definir-se pela sua generalidade.
Gabarito: D

(UFSC 2018)
Quanto à questão que originou esse trabalho (Da divisão do trabalho social), é a das relações
entre a personalidade individual e a solidariedade social. Como é que, ao mesmo passo que
se torna mais autônomo, o indivíduo depende mais intimamente da sociedade? Como pode
ser, ao mesmo tempo, mais pessoal e mais solidário? [...] esses dois movimentos, por mais
contraditórios que pareçam, seguem-se paralelamente [...] Pareceu-nos que o que resolvia
essa aparente antinomia é uma transformação da solidariedade social, devida ao
desenvolvimento cada vez mais considerável da divisão do trabalho. Eis como fomos levados
a fazer desta última o objeto de nosso estudo. DURKHEIM, Émile. Da divisão do trabalho
social, 1999 [1893], p. XLVI.

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Antes de tudo, o trabalho é um processo de que participa o homem e a natureza, processo


em que o ser humano, com sua própria ação, impulsiona, regula e controla seu intercâmbio
material com a natureza [...] põe em movimento as forças naturais de seu corpo – braços e
pernas, cabeça e mãos –, a fim de apropriar-se dos recursos da natureza, imprimindo-lhes
forma útil à vida humana. Atuando assim sobre a natureza externa e modificando-a, ao
mesmo tempo modifica sua própria natureza. MARX, Karl. O capital, livro I, 2001 [1867], p.
211.
Considerando a questão do trabalho de acordo com os autores clássicos da sociologia acima
referidos, é correto afirmar que:
01. para Marx, o trabalho e a divisão do trabalho estão presentes em todas as sociedades.
02. segundo o pensamento de Durkheim, haveria uma crescente divisão do trabalho,
tornando a sociedade cada vez mais diferenciada a partir das funções e especializações dos
indivíduos.
04. na solidariedade orgânica as pessoas seriam cada vez mais semelhantes, ao passo que
na solidariedade mecânica elas seriam cada vez mais diferentes, segundo Durkheim.
08. na concepção de Marx, o lucro obtido pela burguesia no capitalismo seria oriundo da
mais-valia.
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16. tanto Durkheim quanto Marx, por serem ambos sociólogos do século XIX, analisavam a
questão das relações de trabalho exatamente da mesma forma.
Comentários
Veremos Marx na próxima aula, mas esta questão é boa para você se acostumar com o estilo
da UFSC.
Para Durkheim, a divisão social do trabalho passa a fazer parte e, ao mesmo tempo,
engendrar as sociedades humanas, de modo que a função do indivíduo no sistema de
produção acaba diferenciando os indivíduos (especializações). Ou seja, 02 está correto. Já o
que está em 08 está invertido.
Em Marx, o conceito de “mais-valia” é fundamental para se compreender a estrutura de
exploração nas relações entre a classe trabalhadora e a burguesia. Por meio da extração da
“mais-valia” assegura-se o processo de acumulação capitalista. Além disso, conforme o
apresentado no texto do enunciado, nota-se que a categoria trabalho abrange a interação
homem-natureza na construção das condições materiais da existência humana, algo comum
a todas as sociedades. 08 está correto.
16 está errado porque Durkheim segue uma compreensão de trabalho sem considerar o
elemento da exploração nas relações sociais, algo que, para Marx, é fundamental em função
de esta exploração determinar a foram de acumulação de riqueza.
Gabarito: 01 + 02 + 08 = 11

(UEM 2018)

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Auguste Comte (1798-1857), a quem se atribui a formulação do termo Sociologia, foi o


principal representante e sistematizador do Positivismo. Acerca do pensamento comteano,
é correto afirmar que
01) considerava os problemas sociais malefícios do desenvolvimento econômico das
sociedades industriais.
02) teve grande influência sobre o pensamento social brasileiro do século XIX e início do XX.
04) a inspiração para o método de investigação dos fenômenos sociais de Comte veio das
ciências da natureza.
08) era uma tentativa de constituição de um método objetivo para a observação dos
fenômenos sociais.
16) considerava o progresso e a evolução social um princípio da história humana.
Comentários
Apenas a 01 está errada, pois os problemas sociais não eram considerados “malefícios do
desenvolvimento econômico”, mas a característica que expressava a necessidade de o
estado positivo ser atingido pelo próprio desenvolvimento econômico. Ou seja, se há
problemas sociais é porque o desenvolvimento não atingiu a sua racionalização plena,
positiva. A sociologia seria responsável por ajudar a conduzir a sociedade no caminho do
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progresso.
Sobre a 02, basta lembrarmos que os escritos da bandeira do Brasil são Ordem e Progresso.
O pensamento republicano brasileiro do século XIX foi influenciado pela escola positivista.
Gabarito: 02+04+08+16= 30

(UEM 2018)
Os conceitos de consciência coletiva e de consciência individual são importantes à sociologia
durkheimiana. Acerca desses conceitos, assinale o que for correto.
01) No pensamento de Émile Durkheim, a consciência coletiva pode ser entendida como a
moral vigente em uma determinada sociedade.
02) Para Émile Durkheim, a consciência coletiva é algo diferente da soma das consciências
individuais.
04) Segundo a sociologia durkheimiana, a religião é uma manifestação da consciência
individual.
08) A consciência coletiva seria, para Émile Durkheim, algo que se impõe aos indivíduos.
16) Para Émile Durkheim, os homens elaboram sua consciência individual como resultado de
ideias falsas que eles têm a respeito de si mesmos.
Comentários

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01 – sim, pois há uma natureza coletiva da moral, sendo que, na medida em que a moral é
exterior aos indivíduos e a eles é imposta ela reflete uma consciência coletiva.
02 - Para Durkheim, a consciência coletiva tem uma qualidade própria, não sendo a soma das
consciências individuais. Em As formas elementares da vida religiosa, o autor analisa a religião
como expressão da consciência coletiva da sociedade e demonstra como a consciência
individual é impactada pela coletiva. Correta a afirmação.
04 – a religião é uma manifestação da consciência coletiva.
08- correto.
16 – falso, pois essa afirmação induz à consciência individual, sem considerar a determinação
da consciência coletiva. Sem contar que essa afirmação é mais de caráter subjetiva e menos
objetiva. Vimos que Durkheim, e os positivistas em geral, tentam tornar o problema social o
mais objetivo possível.
Gabarito: 01 + 02 + 08 = 11

(UECE 2019)
Considerando o contexto histórico do surgimento da Sociologia, assinale a afirmação
verdadeira.
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a) A Sociologia surge no século XVI em decorrência direta das mudanças trazidas pelo
desenvolvimento das grandes navegações.
b) É no século XIX, já com a consolidação do sistema capitalista na Europa, que se encontra
a herança intelectual mais próxima da Sociologia como ciência particular.
c) A Sociologia surge a partir da Revolução Russa, no ano de 1917.
d) A Sociologia resulta dos estudos sobre o modo de produção desenvolvido na Ásia.
Comentários
Vimos que o contexto histórico do surgimento da sociologia é o século XIX a partir do
processo de industrialização capitalista. Com efeito, a única alternativa que expressa esse
contexto é a B. As demais possuem erros históricas e exageram nas conexões, com a
alternativa A.
c) neste momento, a Sociologia já havia se desenvolvido na França, Alemanha e Inglaterra.
Em 1917 na Rússia ocorreu a Revolução comunista liderada pelos bolcheviques, fato que
reforçou o pensamento marxista.
d) falso, o pensador sociológico que estuda o modo de produção asiático é Karl Marx.
Sabemos que o marxismo, embora remonte ao surgimento da sociologia a relação é
inversa: os estudos sobre o modo de produção asiático é que é resultado do
aprimoramento da sociologia.
Gabarito: B

(UECE 2019)

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Durkheim afirmou que os acontecimentos sociais – como os crimes, os suicídios, a família, a


escola, as leis – poderiam ser observados como coisas, pois assim seria mais fácil de estudá-
los pela Sociologia. Esses fenômenos são por ele denominados de fatos sociais. Assinale a
opção que apresenta corretamente características do fato social.
a) É exterior ao indivíduo, tem poder de generalização e exerce coerção social.
b) É subjetivo, aleatório e coercitivo.
c) É individual, exterior e representa homogeneização social.
d) É coletivo, coercitivo e pessoal
Comentários
a) Correta a afirmação, pois esses são as três características do “fato social”: ele independe
de fatores subjetivos aos indivíduos, por estar exterior (fora); o fato social é generalizante,
isto é, estão na sociedade e afetam a todos; ele exerce coerção sobre os indivíduos.
b) É errado dizer que o fato social é subjetivo, pois ele é exterior aos seres, de modo que não
dependem da subjetividade.
c) Não, ele não é individual, mas coletivo.
d) Também não é pessoal.
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Repare que só nesta questão de tentar afirmar que o “fato social” é algo individual/do
indivíduo já dá para nos localizarmos e eliminar alternativas erradas.
Gabarito: A

(UECE 2019)
Relacione corretamente os pensadores apresentados a seguir com seus respectivos
pensamentos ou atributos, numerando a Coluna II de acordo com a Coluna I.
Coluna I
1. Max Weber
2. Karl Max
3. Emile Durkheim
4. Augusto Comte
Coluna II
( ) Considera fatos sociais como coisas.
( ) São conceitos-chave de sua teoria: ação social; tipo ideal; burocracia.
( ) Considerado o pai da Sociologia moderna, criou a disciplina acadêmica da Sociologia.
( ) Defende a ideia de que interesses entre o capital e o trabalho são irreconciliáveis.
A sequência correta, de cima para baixo, é:

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a) 1, 3, 2, 4.
b) 2, 4, 1, 3.
c) 3, 1, 4, 2.
d) 4, 2, 3, 1.
Comentários
Trouxe esta questão na Aula 00 para mostrar que é possível questões comparativas entre
os autores. Por mais que você ainda não tenha estudado todos eles, já é possível
resolvermos.
Vamos começar com Comte, pois vimos esse conteúdo nesta aula. A característica desse
pensador é: “pai da Sociologia moderna, criou a disciplina acadêmica da Sociologia”.
Depois, Durkheim: “considera fatos sociais como coisas” . Pronto, já dá para matar a
questão.
A sequência correta é 3, 1, 4 e 2.
Gabarito: C
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(UFU 2019)
Elias (1994, p. 132-135), ao analisar o processo civilizador, questiona: “Por que é mais
civilizado comer com garfo?”. Ele discute, por meio de vários argumentos e de relações
históricas, o estabelecimento desse padrão social. Ainda, segundo ele, “o padrão social a
que o indivíduo fora inicialmente obrigado a se conformar por restrição externa é finalmente
reproduzido, mais suavemente ou menos, no seu íntimo através de um autocontrole que
opera mesmo contra seus desejos conscientes”.
Considerando-se a posição de Elias, é correto afirmar que
A) as ações individuais são formas fixas de representação da realidade frente à cultura de
uma sociedade.
B) os padrões sociais podem não coincidir com os padrões individuais, e o indivíduo muda
seu comportamento por meio da cultura estabelecida, a também dita “civilizada”.
C) como os padrões sociais operam externamente aos indivíduos, a relação entre cultura e
civilização são opostas e separam o comportamento dos indivíduos.
D) a partir do momento em que o indivíduo passou a comer com o garfo, a cultura civilizada
foi estabelecida dentro da Idade Média e se manteve inalterada.
Comentários
a) falso, porque as individualidades não estão imunes às coerções externas aos indivíduos. Já
nos diria Durkheim, né? Nesse sentido, não dá para afirmar que as “ações individuais” são
fixas, há mudanças, como sugere a próxima alternativa.

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b) boa, é o gabarito. Repare que aqui também é possível lembrarmos de Durkheim, pois,
para o francês há uma força externa ao indivíduo que atua sobre ele, no caso a cultura ou o
hábito de comer com garfos.
c) falso, porque é justamente o contrário, há uma interrelação entre cultura e civilização,
elemento que influencia as ações dos indivíduos.
d) falso, porque houve alterações, a realidade não é algo fixo e imutável. Aliás, essa
percepção sempre é lembrada em provas, na tentativa de colocar uma casca de banana e
pegar vestibulandos despercebidos. Veja, o olhar sociológico desenvolvido pelo início da
formação das Ciências Humanas, meados do século XIX, buscou justamente entender as
transformações provocadas pelo processo de industrialização e de expansão do capitalismo.
Ou seja, o mundo em mudanças.
Gabarito: B

(UFU 2019)
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O processo por meio do qual o indivíduo aprende a ser um membro da sociedade é


designado pelo nome de socialização, segundo Peter Berger e Brigitte Berger. Padrões de
conduta são impostos aos indivíduos, e cada sociedade engendra seus próprios padrões,
como pode ser observado na tirinha do Laerte, reproduzida acima.
BERGER, Peter L. e BERGER, Brigitte. Socialização: como ser um membro da sociedade. In:
FORACCHI, Marialice Mencarini e MARTINS, José de Souza (Org.). Sociologia e sociedade:
leituras de introdução à Sociologia. São Paulo: LTC, 1994. p. 204.
Considerando-se os posicionamentos apresentados, assinale a alternativa que apresenta a
interpretação sociológica da tirinha.
A) A tirinha satiriza os padrões culturais e apresenta uma possibilidade de desnaturalização.

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B) A tirinha apresenta uma versão humorística da socialização primária e um processo de


padronização cultural.
C) A tirinha retrata padrões sociais pré-estabelecidos com enfoque no processo de
fetichismo da mercadoria.
D) A tirinha ironiza o consumo dentro da sociedade e o processo da contracultura da
socialização primária.
Comentários
a) correto, porque cada quadrante da tirinha expressa uma interpretação das opiniões sociais
em torno de determinado padrão de beleza. Podemos entender que a preocupação da
personagem está relacionada a sua inserção em meio à “socialização”.
b) A base do argumento do texto do enunciado é durkheimiano uma vez que o sociólogo
francês afirma que a família tem o papel da socialização primária, já a escola tem a função da
socialização secundária na qual o indivíduo contrapõe a sua educação primária e a amplia
para o universo social e coletivo. Dessa forma, e errado dizer que a tirinha expressa a
socialização primária, a qual ocorre no âmbito da família. Já a secundaria seria mais adequada
à crítica provocada pela tirinha, pois o tipo de opinião e julgamento social que motiva a
preocupação da personagem ocorre na esfera da coletividade, junto a amigos, ao espaço
público da escola, do clube, do barzinho, etc. Sobre essa questão, veja o esqueminha:
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c) falso, pois não há o enfoque no fetichismo da mercadoria.


d) nem é uma crítica ao consumo, nem uma abordagem em torno da socialização primária,
mas sim da socialização secundária.
Gabarito: A

(UFU 2018)
Leia o excerto abaixo.
“[...] O centro dos primeiros sistemas da natureza não é o indivíduo, é a sociedade. É ela que
se objetiva e não mais o homem.”

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RODRIGUES, J. A. (Org.) Durkheim. São Paulo: Ática, 1978. p.201-202.


Nesse trecho, Durkheim propõe romper com o humanismo antropocêntrico dos modernos
em favor de um novo modelo de conhecimento baseado no sociocentrismo. Não mais o
homem, mas a sociedade aparece como centro do conhecimento porque, para Durkheim,
a) a sociedade é o modelo dos primeiros sistemas lógicos.
b) os primeiros sistemas lógicos se fundem com a natureza.
c) a consciência coletiva corresponde à totalidade dos conhecimentos individuais.
d) a proeminência da estrutura social se realiza em detrimento do acontecimento.
Comentários
Esta questão nos remete ao OBJETO de estudos da Sociologia, qual seja, a sociedade. Essa
percepção é própria do positivismo, porém foi Durkheim quem lapidou metodologicamente
de forma pioneira a apreensão do sociólogo sobre a sociedade.
a) É o nosso gabarito. O próprio texto do enunciado já nos fornece dica a contento.
b) Não, a metodologia sociológica, apesar de aproximar – em termos comparativos – o
funcionamento da sociedade com o funcionamento da natureza, não afirmar que os sistemas
lógicos se fundam na natureza.
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c) Falso, pois a consciência coletiva se expressa na sociedade em si. Isso pode ser notado,
por exemplo, nas normas e costumes. Além disso, Durkheim, ao definir que os indivíduos
constituem laços de solidariedade a partir da consciência coletiva, há uma síntese das ações
e dos sentimentos individuais, fato que forma – socialmente – uma mentalidade coletiva
particular, diferente das individuais (sozinhas, ou “somadas).
d) Não, para Durkheim o fato social é um acontecimento de grande importância para o
entendimento da dinâmica coletiva.
Gabarito: A

(UFU 2017)
A Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba alerta pais e responsáveis por crianças e
adolescentes e os profissionais da educação e saúde em relação ao ‘jogo’ Baleia Azul, que
propõe 50 desafios aos participantes e sugere o suicídio como última etapa.
Disponível em: < http://www. tribunapr. com. br/noticias/cu ritiba-reg ia o/jogo-baleia-azul-
deixa-curitiba-em-alertaoito- ja-bri ncaram-com-morte/> Acesso em: 22 abr. 2017.
Esse foi um dos alertas, nos últimos meses, relacionados ao “jogo Baleia Azul” e à
possibilidade de suicídios de adolescentes (13 a 17 anos) ligadas a ele. Pode-se realizar uma
relação desses possíveis suicídios com os tipos de suicídios de Durkheim, pois, para esse
pensador, os indivíduos são determinados pela realidade coletiva. Assim, os suicídios
gerados pelo “jogo” seriam classificados como:
a) Suicídio egoísta.

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b) Suicídio anômico.
c) Suicídio etnocêntrico.
d) Suicídio cultural.
Comentários
E. Durkheim elabora três tipos de suicídio para entender esse fenômeno na sociedade: o anômico,
o altruísta e o egoísta. O anômico diz respeito à ausência de regras capazes de assegurar a coesão
social, o altruísta está relacionado ao excesso de laços que ligam a sociedade, e, em oposição ao
altruísta, estão suicídio egoísta. Este se caracteriza por expressar a falta de laços e de integração
dos indivíduos na sociedade. Nesse sentido, os suicídios relacionados ao jogo “baleia azul”,
podem ser explicados pelo rompimento dos laços que os jovens possuíam junto a grupos sociais:
família, grupos escolares. Dessa forma, o isolamento social desses jovens – fato agravado pelas
tais “tarefas” do “jogo” – acabava por promover o desligamento dos mesmos em relação à
sociedade.
Gabarito: A

(UFU 2016)
A Sociologia surge no século XIX, momento marcado por uma intensa crise social na Europa.
Émile Durkheim não deixou de ser influenciado por esse contexto. Nesse sentido, um dos
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seus objetivos era fazer da Sociologia uma disciplina científica capaz de criar repostas aos
desafios enfrentados pela sociedade moderna. Entre os desafios, colocava-se a crescente
contradição entre capital e trabalho, entendida pelo autor como um exemplo dos efeitos de
um estado de anomia, caracterizado
a) pela excessiva regulamentação estatal sobre as atividades econômicas.
b) pela intensificação dos laços de solidariedade mecânica no interior das corporações.
c) pela ausência de instituições capazes de exercerem um poder moral sobre os indivíduos.
d) pelo aprofundamento da desigualdade econômica.
Comentários
a) No contexto em que Durkheim elabora – século XIX - não havia a excessiva regulamentação
estatal sobre as atividades econômicas, havia o predomínio do livre mercado. Falsa a
alternativa.
b) Não, pois a solidariedade mecânica é característica de sociedades menos complexas. Na
sociedade industrial há o predomínio da solidariedade orgânica.
c) É o nosso gabarito, pois a anomia em questão é a falta de coesão social. Esta seria
aperfeiçoada pela presença de normas e instituições acima dos indivíduos e que atuam
sobre eles.

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d) Falso, pois a preocupação com as raízes e efeitos da desigualdade econômica, um


problema estrutural, não é parte central do pensamento positivista e de Durkheim. Essa
preocupação adquire centralidade com o pensamento marxista.
Gabarito: C

(UFU 2016)
Em 1987, a então Primeira-Ministra da Grã-Bretanha, Margaret Thatcher, deu uma
declaração durante uma entrevista que resumia, em parte, o seu ideário político liberal: “A
sociedade não existe. Existem homens, existem mulheres e existem famílias”. O governo de
Thatcher ficaria conhecido como um dos precursores do chamado Estado neoliberal, que
enfatizava, entre outros ideais, o individualismo. Assim, esta concepção de governo contradiz
os fundamentos da Sociologia de Durkheim, segundo o qual a sociedade poderia ser
identificada
a) como a soma de indivíduos que definem seus valores em comum, unindo-se por laços de
solidariedade voluntária.
b) a partir da existência de um contrato social que dá origem ao Estado e à sociedade civil.
c) como o resultado da ação da classe dominante, capaz de reunir e controlar as massas.
d) pela síntese de ações e sentimentos individuais que originam uma vida psíquica sui
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generis.
Comentários
a) Falso, pois Durkheim, ao definir que os indivíduos constituem laços de solidariedade a partir
da consciência coletiva, há uma síntese das ações e dos sentimentos individuais, fato que
forma – socialmente – uma mentalidade coletiva particular, diferente das individuais
(sozinhas, ou “somadas). Além disso, não seria um vínculo voluntário, pois há o aspecto da
coerção externa aos indivíduos, que já nascem com normas sociais pré-definidas. Por essas
razões, a alternativa D é correta.
b) Errado, aqui são elaborações dos pensadores contratualistas, como Rousseau.
c) Falso, pois a afirmação reflete um dos aspectos do pensamento marxista.
d) Gabarito.
Gabarito: D

(UFU 2015)
A concepção da Sociologia de Durkheim se baseia em uma teoria do fato social. Seu objetivo
é demonstrar que pode e deve existir uma Sociologia objetiva e científica, conforme o
modelo das outras ciências, tendo por objeto o fato social. (ARON, R. As etapas do
pensamento sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 1995. p. 336.)
Em vista do exposto, assinale a alternativa correta.

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a) Durkheim demonstrou que o fato social está desconectado dos padrões de


comportamento culturais do indivíduo em sociedade e, portanto, deve ser usado para
explicar apenas alguns tipos de sociedade.
b) Segundo Durkheim, a primeira regra, e a mais fundamental, é considerar os fatos sociais
como coisas para serem analisadas.
c) O estado normal da sociedade para Durkheim é o estado de anomia, quando todos os
indivíduos exercem bem os fatos sociais.
d) A solidariedade orgânica, para Durkheim, possui pequena divisão do trabalho social, como
pode ser demonstrada pela análise dos fatos sociais da sociedade.
Comentários
a) Errado, o fato social está relacionado com os padrões da vida em coletividade, sendo que
o fato social também corresponde a formas de pensar, agir e sentir, pois ele atua sobre o
indivíduo. Ou seja, não dá para afirmar que há desconexões como a alternativa sugere.
b) Perfeito, é o Gabarito.
c) Errado, o estado de anomia é o estado anormal da sociedade, patológico.
d) Não, pois a solidariedade orgânica é aquela típica de sociedades mais complexas em que
a divisão social do trabalho é mais avançada.
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e) Errado, o fato social está relacionado com os padrões da vida em coletividade, sendo que
o fato social também corresponde a formas de pensar, agir e sentir, pois ele atua sobre o
indivíduo. Ou seja, não dá para afirmar que há desconexões como a alternativa sugere.
Fato social é a situação ou fenômeno social formado:
➢ pela coerção social, porque é imposto aos indivíduos independentemente de sua
vontade
➢ por ser exterior ao indivíduo, ou seja, por existir independentemente da existência
do indivíduo
➢ por ser geral, ou seja, não ser um fato isolado e sim genérico a ponto de ocorrer com
regularidade na sociedade.

Características do fato social

1- Generalidade 2- Coercitividade 3- Exterioridade

f) Perfeito, é o Gabarito.

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g) Errado, o estado de anomia é o estado anormal da sociedade, patológico.


h) Não, pois a solidariedade orgânica é aquela típica de sociedades mais complexas em que
a divisão social do trabalho é mais avançada.
Gabarito: B

(UFU 2015)
Observe o seguinte trecho da música “Sem Saúde” composta por Gabriel, O
Pensador; Memê e Fábio Fonseca:
“Pelo amor de Deus alguém me ajude!
Eu já paguei o meu plano de saúde mas agora ninguém quer me aceitar
E eu tô com dô, dotô, num sei no que vai dá!
Emergência! Eu tô passando mal
Vô morrer aqui na porta do hospital
Era mais fácil eu ter ido direto pro Instituto Médico Legal
Porque isso aqui tá deprimente, doutor”
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Considerando a relação entre problema social, problema sociológico e a denúncia


apresentada na letra da música, relacionada à área da saúde, a denúncia apresentada pela
música
A) tornou-se um problema social a partir da implantação dos primeiros convênios médico
hospitalares no Brasil.
B) poderá ser um problema sociológico tendo em vista a sua divulgação pela música de
Gabriel, O Pensador.
C) tornou-se um problema social a partir da implantação do Sistema Único de Saúde (SUS).
D) poderá ser um problema sociológico a partir da análise científica das condições de
atendimento dos hospitais brasileiros.
Comentários
a) falso, pois há uma crítica mais global ao sistema de saúde, seja ele público, privado ou
aquele coberto por convénios.
b) errado, porque já é um problema social, a música faz a denúncia, na medida que expressa
um percepção crítico-social (quase sociológica, se outras variáveis entrarem na análise) de
um problema social.
c) falso, pois a situação dos serviços de saúde precário no Brasil vem de longa data, antes
mesmo da criação do SUS, o qual surgiu com a Constituição de 1988.
d) correto, pois o que a letra da música expressa é uma fotografia, uma caracterização de
um problema social. O olhar sociológico, para ser estabelecido depende do rigor

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metodológico (com dados, com nexos causais, etc). Por isso, essa resposta está certa ao
afirmar que poderá adquirir contornos sociológicos.
Gabarito: D

(UFU 2014)

A charge da esquerda remete ao tema do “laissez- faire” e à visão da sociedade como


conjunto de ações individuais; a imagem da direita pode ser associada a uma frase usada por
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Leo Huberman no livro A história da riqueza do homem: “Precisa-se de trabalhadores,


crianças de dois anos podem se candidatar”.
Contra essas duas situações, uma de ordem teórica e outra de ordem prática, a Sociologia
levanta-se.
É correto afirmar que a Sociologia critica
A) os ideais da Renascimento e a situação social e política da burguesia que levaram à
Revolução Francesa.
B) os discursos dos governos absolutistas e a situação do trabalho depois da Revolução
Industrial.
C) os postulados do Liberalismo econômico e a situação da classe trabalhadora.
D) os alicerces da Revolução Comercial e a situação do trabalho nas fábricas nascentes.
Comentários
a) incorreto, pois o momento histórico referido pelas charges não é o do renascimento
(século XV), tampouco há uma sugestão do processo da Revolução Francesa.
b) a primeira parte é falsa, ou seja, não há uma crítica em torno dos discursos dos governos
absolutistas, até porque, no momento do surgimento da sociologia (meados do século XIX)
o Antigo Regime já não era o principal problema, o contexto era o da formação das
repúblicas. A segunda parte da afirmação está correta.

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c) correto, pois o século XIX, do ponto de vista econômico, é o do liberalismo. E esse tema
fez parte das preocupações do marxismo. Da mesma forma, a situação da classe trabalhadora
também foi uma preocupação, com maior destaque, para os pensadores marxistas.
d) falso, pois, a rigor, não houve uma Revolução Comercial.
Gabarito: C

(UFU 2014)
Durkheim parte da proposição: ‘cada sociedade tem sua moral’; o que todo mundo pode
admitir. De fato, a moral da sociedade romana difere concretamente da moral do Estado
soviético ou do Estado liberal norteamericano. É verdade que cada sociedade tem
instituições, crenças ou práticas morais que lhe são próprias, e que caracterizam o tipo a que
essas sociedades pertencem.
ARON, R. As etapas do pensamento sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 1993, p. 360-
361.
São exemplos de instituições essenciais para a sociedade na concepção de Durkheim:
A) Família, escola e Estado.
B) Casamento, escola e classes sociais.
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C) Família, solidariedade mecânica e justiça.


D) Política, solidariedade orgânica e classes sociais.
Comentários
Para responder a esta questão, temos que lembrar da “coesão social”, isto é, Durkheim
ressalta os elementos que contribuem para a coesão social.
a) correto, são instituições que, do ponto de vista da sociologia durkheimiana, contribuem
para a coesão social.
b) falso, pois classes sociais não fazem parte da analise deste pensador francês.
c) falso, pois solidariedade mecânica não é uma instituição e sim uma das formas de
manifestação da coesão em sociedades menos complexas.
d) falso, porque, assim como na alternativa anterior, solidariedade orgânica é uma forma
de como a coesão e o funcionamento da sociedade se desenvolvem, no caso, em
sociedades mais complexas.
Gabarito: A

(UFU 2010)
Tivemos muitas vezes ocasião de afirmar que as regras da moral são normas elaboradas pela
sociedade; o caráter obrigatório que as caracteriza não é mais do que a própria autoridade
da sociedade comunicando-se a tudo que dela sai.

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DURKHEIM, E. O Dualismo da Natureza Humana e as Suas Condições Sociais, p. 289.


A respeito das noções de sociedade e moralidade tais como concebidas por Émile Durkheim,
assinale a alternativa correta.
a) Assim como os instintos e sensações humanas, a atividade moral resulta dos significados
subjetivos que os indivíduos atribuem às relações sociais.
b) As regras morais não proporcionam coesão social nas sociedades complexas.
c) A sociedade consiste na soma das ações dos indivíduos tomadas coletivamente.
d) O caráter externo e coercitivo da moralidade decorre precisamente do fato de que ela é
essencialmente coletiva e impessoal.
Comentários
Repare que as “regras da moral” são observadas como fato social, pois Durkheim reforça
que elas são coercitivas (“o caráter obrigatório”) e exteriores (“a própria autoridade da sociedade
comunicando-se”). Com essa noção, passemos às alternativas:
a) errado, pois as regras morais se fundam da sociedade, sendo impostas aos indivíduos.
b) falso, pois não é essa a compreensão de Durkheim. O autor afirma que, em sociedade
complexas, a divisão social do trabalho cumpre papel preponderante para a coesão social. Agora,
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isso não significa desconsiderar a força da moral enquanto coesão social. Pelo contrário, em
grupos e comunidades religiosas, por exemplo, as regras morais são fundamentais para a coesão
do grupo.
c) errado, não há espaço para a força dos indivíduos na percepção durkheimiana. A
coletividade é superior e qualitativamente diferente do que a reunião de todos os indivíduos. Se
fosse considerada a possibilidade dessa “somatória”, aí Durkheim cairia em contradição com o
argumento de que a subjetividade de cada ser é menor importante. Na verdade, ele sugere que
essa subjetividade é exteriormente formada.
d) feito, é o gabarito. Veja que temos uma definição prática de fato social.
Gabarito: D

(UERJ 2019)

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Para boa parte do mundo, a cidade nigeriana de Maiduguri é conhecida apenas como o local
de origem do Boko Haram, o grupo extremista que mata desenfreadamente e trata mulheres
e meninas como propriedades, obrigando-as a cozinhar, limpar, parir filhos e morrer, se
necessário. Mas existe outra Maiduguri totalmente diferente, que ajuda a entender a batalha
ideológica que está ocorrendo no norte da Nigéria: trata-se de uma capital regional,
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reconhecida por acolher pessoas de todas as crenças e etnias, uma cidade universitária há
muito conhecida por sua vida noturna e por sua energia, com uma juventude ousada e muitas
vezes liberal que oito anos de guerra parecem não conseguir extinguir.
Adaptado de noticias.uol.com.br, 27/12/2017
Grupos extremistas instauram guerras civis em diversas sociedades contemporâneas,
inclusive com ações terroristas como as realizadas pelo Boko Haram. Com base na
reportagem, a batalha ideológica na cidade de Maiduguri está associada ao confronto entre
as seguintes ideias:
a) identidade de raça – pluralismo político
b) liberdade de expressão – nacionalismo africano
c) superioridade de classe – culturalismo ocidental
d) igualdade de gênero – fundamentalismo religioso
Comentários
Para além de resolver por interpretação, precisamos mobilizar nossos conhecimentos
sociológicos. Repare que o texto faz uma descrição de um tipo de sociedade baseada na
solidariedade mecânica, tal como a elaboração de Émile Durkheim. Nesse tipo de sociedade,
segundo o sociólogo francês, predomina uma divisão social do trabalho contida na sociedade pré-
capitalista. Nela os indivíduos se identificam e se relacionam por meio da família, da tradição, da
religião. A coletividade exerce uma forte coerção social para manter a sociedade harmônica e em
funcionamento. É tudo muito mecânico, automático, independentemente da forma de

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organização do trabalho. Dessa forma, podemos cravar, tranquilamente e sem dúvidas, que se
trata de uma sociedade pautada por relacionamentos religiosas. Adicionando os conhecimentos
do texto do enunciado e de temas contemporâneos (atualidades), percebemos que o Boko Haram
é um grupo fundamentalista islâmico que tenta impor sua visão de mundo, em particular, a de que
não existe igualdade de gênero. Aqui, uma observação: veja que a ideia de coerção físcia/militar
do Boko Haram não é a mesma de coerção social. O ponto comum com uma sociedade mecânica
é o funcionamento a partir da religião.
Além disso, a reportagem reproduzida no enunciado evidencia que a temática do gênero
está no centro da questão social, pois a imagem registra uma mulher discursando na Universidade
de Maiduguri. Logo, nosso gabarito é a alternativa D.
a-) não pode ser essa alternativa porque não há elementos que indiquem a problemática
religiosa. Até é possível inferir que as ações do grupo Boko Haram ferem o pluralismo político,
porém, da forma como a questão está organizada a segunda parte de cada a alternativa indica
uma característica do grupo terrorista. Nesse sentido, não é possível afirmar que o Boko Haram
são favoráveis ao pluralismo.
b) é verdade que a fala da mulher e a repressão sobre os diferentes à linha de pensamento
do Boko Haram evidenciam a liberdade de expressão. Porém, não há elementos que trazem a
problemática do nacionalismo africano. É até o contrário, pois a linha religiosa se sobrepõe à
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identidade territorial, ou mesmo tribal.


c) falsa, pois o debate de “classes sociais” não está posto no contexto da questão e não há
evidências de proximidade com a cultura ocidental. Como é sabido o Islã está associado ao mundo
oriental.
Gabarito: D

(UNESP 2018)
A obsessão do Estado por controlar todos os comportamentos dos cidadãos tem como
resultado um enfraquecimento da responsabilidade moral e cívica dos mesmos. A lei deveria
ser o último recurso, depois da educação, da ética, da negociação e do compromisso entre
os indivíduos. É agora o primeiro recurso. Imagino potenciais crimes que os filhos dos nossos
filhos terão receio de cometer:
• Crime de imposição de gênero: os pais deverão abster-se de identificar o gênero dos filhos
tomando como referência o sexo biológico dos mesmos.
• Crime de apropriação cultural: serão severamente punidos os cidadãos que, alegando
interesse cultural ou razões artísticas, se apropriem de práticas e temáticas de um grupo
étnico a que não pertencem.
• Crime de envelhecimento público: com os avanços da medicina, será intolerável que um
cidadão recuse tratamentos/cirurgias para ocultar/reverter o seu processo de
envelhecimento, exibindo em público as marcas da decadência física ou neurológica.

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• Crime de interesse sentimental não solicitado: será punido qualquer adulto que manifeste
interesse sentimental não solicitado por outro adulto — através de sorriso, elogio, convite
para jantar etc. O interesse sentimental de um adulto por outro será mediado por um
advogado que apresentará ao advogado da parte desejada as intenções do seu cliente. (João
Pereira Coutinho. “Cinco potenciais crimes que gerações futuras terão receio de cometer”.
www1.folha.com.br, 21.11.2017. Adaptado.)
O perfil antiutópico sugerido pelo autor para o mundo futuro reúne tendências de
a) depreciação da autonomia individual em favor do fortalecimento de diversas formas
totalitárias de controle.
b) favorecimento da espontaneidade pessoal em diversos campos do pensamento e do
comportamento.
c) desvalorização do pensamento politicamente correto na esfera da cultura e do
comportamento.
d) desvalorização da esfera jurídica para a definição de critérios de normalidade
comportamental.
e) disseminação de tendências de comportamento fortemente baseadas na autonomia
individual.
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Comentário
A questão apresenta o paradoxo da responsabilidade individual em detrimento de uma
ordem jurídica imposta aos indivíduos. Isso porque, até mesmo escolha individuais não são
tomadas sem algum tipo de controle social. A partir de Durkheim, como vimos na aula, é possível
responder a questão por meio do conceito de coerção social e consciência coletiva.
No caso do texto apresentado na questão, o agente coercitivo é o Estado e o instrumento
de coerção é a lei. Contudo vai além e opõe o controle do estado sobre os indivíduos em
detrimento da sua autonomia. Nesse sentido, o gabarito é letra A.
Vejamos os erros das demais alternativas:
1. Correta.
2. A alternativa expressa sentido oposto ao defendido pelo texto que
é a perda da espontaneidade humana devido a transformação de
algumas atitudes em crime.
3. Não se trata de valorização ou desvalorização do chamado
politicamente correto. Cuidado este é um termo de senso-comum
que não é mencionado no texto. Cuidado com interpretação
comuns e pejorativas.
4. Ao contrário do que propõe essa alternativa, o texto diz que a lei
vem em primeiro lugar, antes da ética, educação, negociação e
compromisso.

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5. Novamente, a alternativa apresenta característica oposta à trazida


pelo texto, pois não fala em autonomia individual, mas na perda
dela.
Gabarito: A

(UNESP 2019)
O zoólogo Richard Dawkins e o paleontólogo Simon Conway Morris têm muito em comum:
lecionam nas mais prestigiadas universidades da Grã-Bretanha […] e compartilham opiniões
e crenças científicas quando o tema é a origem da vida. Para ambos, a riqueza da biosfera
na Terra é explicada mais do que satisfatoriamente pela teoria da seleção natural, de Charles
Darwin. […] Num encontro realizado na Universidade de Cambridge, porém, eles
protagonizaram um novo round de um debate que divide a humanidade desde que o mundo
é mundo: Deus existe? Morris, cristão convicto, afirmou [em sua palestra] que a “misteriosa
habilidade” da natureza para convergir em criaturas morais e adoráveis como os seres
humanos é uma prova de que o processo evolutivo é obra de Deus. Já o agnóstico Dawkins
disse que o poder criativo da evolução reforçou sua convicção de que vivemos num mundo
puramente material.
(Rodrigo Cavalcante. “Procura-se Deus”. https://super.abril.com.br, 31.10.2016.)
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O conflito de opiniões entre os dois cientistas ilustra a oposição entre


a) duas visões filosoficamente baseadas na metafísica.
b) duas visões anticientíficas sobre a origem do Universo.
c) um ponto de vista ateu e um enfoque materialista.
d) duas interpretações diferentes sobre o evolucionismo.
e) dois pontos de vista teológicos acerca da origem do Universo.
Comentários
Queridos alunos, essa é uma questão bem fácil que pode ser incorporada no tema que
chamamos “definição de pontos de vista divergentes”. Todos os anos a UNESP coloca esse tipo
de questão para que os alunos identifiquem e definam a natureza dos acordos e desacordos de
ideias.
No caso dessa questão, batava localizar bem que os dois cientistas têm interpretação
distinta sobre a evolução das espécies, apesar de concordarem com a teoria darwiniana da seleção
natural. Para professor Moris a evolução é obra misteriosa de Deus, já para o professor Dawkins
o mundo é puramente natural. Passemos à análise das alternativas:
a- As duas visões não são baseadas na metafísica. O professor Dawkins acredita que o
mundo é puramente material, ou seja, tudo pode ser empiricamente observado.
b- As duas visões não são anticientíficas, sobretudo, no que se refere à seleção natural das
espécies. Além disso, o texto não trata sobre a interpretação dos professores sobre a
origem do Universo, mas sim da vida.

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c- Aqui o erro está em dizer que um ponto de vista é ateu e o outro materialista. O certo
seria dizer que um tem um ponto de vista religiosos e o outro materialista
d- Bingo. As duas interpretações sobre o evolucionismo são distintas, uma é religiosa e a
outra é materialista.
e- Errado porque o professor Dawkins tem um ponto de vista materialista.
Gabarito: D

(UNESP 2017)
Texto 1
O professor não se aproveitará da audiência cativa dos estudantes para promover os seus
próprios interesses, opiniões ou preferências ideológicas, religiosas, morais, políticas e
partidárias. Ao tratar de questões políticas, socioculturais e econômicas, o professor
apresentará aos alunos, de forma justa – isto é com a mesma profundidade e seriedade –, as
principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito. O professor
respeitará o direito dos pais a que seus filhos recebam a educação moral que esteja de
acordo com suas próprias convicções. (www.programaescolasempartido.org. Adaptado.)
Texto 2
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Ciências sempre incluem controvérsias, mesmo física e química. Se não ensinamos isso
também, ensinamos errado. E o mesmo vale para história e sociologia – o professor precisa
ensinar Karl Marx, mas também Adam Smith e Émile Durkheim. Mas o conhecimento que
precisa ser passado é essencialmente científico – o que não inclui o criacionismo, que é uma
teoria religiosa. Com todo respeito, mas família é família, e sociedade é sociedade: a família
pode ter crenças de preconceito homofóbico ou contra a mulher, por exemplo, e não se
pode deixar que um jovem nunca seja exposto a um ponto de vista diferente desses. Ele tem
que ser exposto a outros valores. (Renato Janine Ribeiro. https://educacao.uol.com.br,
21.07.2016. Adaptado.)
O confronto entre os dois textos permite concluir corretamente que
a) ambos atribuem a mesma importância à fé religiosa e à ciência como fundamentos
educativos.
b) ambos defendem o relativismo no campo dos valores morais, valorizando a aceitação das
diferenças.
c) as duas abordagens valorizam a doutrinação ideológica do professor sobre o aluno no
campo educativo.
d) o texto 1 assume uma posição moralmente conservadora, enquanto o texto 2 defende
uma educação pluralista.
e) o texto 1 é contrário a preconceitos morais, enquanto o texto 2 denuncia o cientificismo
na educação.
Comentários

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Perceba que esta questão se insere no bloco de questões “Definição de pontos de vista
divergentes e Definição da natureza do argumento”. Demandam uma boa interpretação teórica
usando olhar sociológico, com objetivo de identificar as diferenças entre os argumentos bem
como a natureza de cada um deles.
No texto 1, identificamos uma preocupação com uma posição moral que conserve as
crenças e valores familiares em detrimento ao que pode vir a ser apresentado pela escola: “O
professor respeitará o direito dos pais a que seus filhos recebam a educação moral que esteja de
acordo com suas próprias convicções.”
Já no texto 2, o autor defende a pluralidade no processo de socialização ao contrapor
valores que podem se desenvolver em ambientes sociais distintos: “Com todo respeito, mas
família é família, e sociedade é sociedade: a família pode ter crenças de preconceito homofóbico
ou contra a mulher, por exemplo, e não se pode deixar que um jovem nunca seja exposto a um
ponto de vista diferente desses. Ele tem que ser exposto a outros valores.” Ou seja, estabelece a
escola como um espaço de visões de mundo diferentes.
Sendo assim, o gabarito da questão é alternativa D. Vamos encontrar os erros das demais
alternativas:
a- Incorreto ao afirmar que os dois textos dão a mesma importância à ciência. No primeiro
texto, percebemos a defesa da ideia de que o conhecimento deve se submeter à moral e
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convicção da família.
b- Ambos não defendem o relativismo. Ao contrário, o primeiro não defende a aceitação da
diferença. Na verdade, ele propõe que o professor e o conhecimento por ele transmitido deva
estar enquadrado nas convicções de cada uma das famílias.
c- Nenhum dos dois textos defendem doutrinação de professor sobre os alunos.
d- Correto, segundo o que interpretamos acima.
e- Essa alternativa apresenta sentido oposto ao que ocorre nos textos. No primeiro há uma
defesa da moralidade, correndo o risco de geração de preconceitos no universo da escola. O
segundo defende a pluralidade baseada na ciência, em tese, neutra.
Gabarito: D

(UNESP 2013)
Hoje, a melhor ciência informa que as etnias são variações cosméticas do núcleo genético
humano, incapazes sozinhas de determinar a superioridade de um indivíduo ou grupo sobre
outros. Segundo o médico Sérgio Pena, não somos todos iguais, somos igualmente
diferentes. É uma beleza, do ponto de vista da antropologia genética, esperar que, um dia,
ela ajude a desvendar o enigma clássico da condição humana que é a eterna desconfiança
do outro, do diferente, do estrangeiro. O DNA nada sabe desse sentimento. No seu coração
genético, a espécie humana é tão mais forte e sadia quanto mais variações apresenta.
(Fábio Altman. Unidos pelo futebol … e pelo DNA. Veja, 09.06.2010. Adaptado.)

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Esta reportagem aborda o tema das diferenças entre as etnias humanas sob um ponto de
vista contrastante em relação a outras abordagens vigentes ao longo da história. Em termos
éticos, trata-se de uma abordagem promissora, pois
a) opõe-se às teorias antropológicas que criticaram o etnocentrismo ocidental em seu papel
de justificação ideológica do colonialismo.
b) apresenta argumentos científicos que provam o caráter prejudicial da miscigenação para
o progresso da humanidade.
c) fornece uma fundamentação científica para justificar estereótipos racistas presentes no
pensamento cotidiano e no senso comum.
d) permite um questionamento radical dos ideais universalistas inspiradores de políticas de
preservação dos direitos humanos.
e) estabelece uma ruptura com teorias eugenistas que defenderam a purificação racial como
meio de aperfeiçoamento da humanidade.
Comentários
Queridos alunos, essa é uma questão interdisciplinar que
mobiliza saberes das áreas de história, de sociologia, filosofia e até
mesmo biologia. Questões interdisciplinares desse tipo
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despencam na prova!
Por isso, o uso da imaginação sociológica ajuda você a
chegar melhor ao ponto da questão: por que é uma visão
promissora do PONTO DE VISTA DA ÉTICA?
Você veja que a própria questão localizou o tema (diferenças entre etnias) e AFIRMOU que
ela contrasta com outras existentes ao longo do tempo. Bem, se ela é promissora e contrasta com
outras, significa que ela contrasta com aquelas que, ao longo do tempo, promoveram ideias raciais
de diferença e hierarquia de importância e inteligência, por exemplo.
Tendo essas informações em mente, a estratégia é buscar encontrar o motivo pelo qual a
abordagem é promissora. Vejamos:
a- Como você eliminaria essa? O argumento é o seguinte: se a abordagem é promissora para
promover a compreensão de que somos igualmente diferentes, então ela é parte de outras
abordagens que já criticaram as teorias raciais de justificação de dominação. Portanto, essa
alternativa deve ser eliminada porque ela não se opões a essas teorias críticas.
b- Aqui dá para responder por interpretação, uma vez que o texto afirma expressamente que
a variabilidade genética é positiva para o ser humano. Mas, podemos desenvolver a
argumentação usando a biologia e a sociologia. Os estudos de genética confirmam que a
variabilidade genética é positiva para a humanidade, pois permite a evolução da espécie.
Na biologia sequer se usa o termo miscigenação, já que a espécie humana é única. Do
ponto de vista da sociologia, as teorias raciais, sobretudo, as que incorporam a ideia de

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miscigenação, não podem ser consideradas ciências, embora seja verdade que alguns
teóricos atribuíam a suposta miscigenação um caráter negativo para a humanidade.
c- Não fornece nenhum dado que justifique o racismo.
d- Essa alternativa faz uma interpretação oposta ao sentido político a que se poderia chegar,
afinal, o fato de os seres humanos serem iguais geneticamente justifica a implementação
de um direito que seja consequentemente universal.
e- Bingo. Essa alternativa define corretamente o objetivo das teorias eugenistas: purificar a
raça para fazer evoluir a humanidade. O argumento desenvolvido na reportagem rompe
com essa visão, na medida em que afirma que as etnias praticamente não se diferenciam
ou que suas variações são cosméticas. Essa argumentação a torna eticamente promissora
porque permite afirmar que os seres humanos não se diferenciam em seres superiores,
inferiores, mais inteligentes ou não, entre outros argumentos de classificação.
Gabarito: E

(UNESP 2016)
Nenhum dos filmes que vi, e me divertiram tanto, me ajudou a compreender o labirinto da
psicologia humana como os romances de Dostoievski – ou os mecanismos da vida social
como os livros de Tolstói e de Balzac, ou os abismos e os pontos altos que podem coexistir
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no ser humano, como me ensinaram as sagas literárias de um Thomas Mann, um Faulkner,


um Kafka, um Joyce ou um Proust. As ficções apresentadas nas telas são intensas por seu
imediatismo e efêmeras por seus resultados. Prendem-nos e nos desencarceram quase de
imediato, mas das ficções literárias nos tornamos prisioneiros pela vida toda. Ao menos é o
que acontece comigo, porque, sem elas, para o bem ou para o mal, eu não seria como sou,
não acreditaria no que acredito nem teria as dúvidas e as certezas que me fazem viver.
Mario Vargas Llosa. “Dinossauros em tempos difíceis”. www.valinor.com.br. O Estado de S.
Paulo, 1996. Adaptado.
Segundo o autor, sobre cinema e literatura é correto afirmar que
a) a ficção literária é considerada qualitativamente superior devido a seu maior elitismo
intelectual.
b) suas diferenças estão relacionadas, sobretudo, às modalidades de público que visam
atingir.
c) as obras literárias desencadeiam processos intelectualmente e esteticamente formativos.
d) a escrita literária apresenta maior afinidade com os padrões da sociedade do espetáculo.
e) as duas formas de arte mobilizam processos mentais imediatos e limitados ao
entretenimento.
Comentários
Além de você poder responder por meio da interpretação de texto, essa questão pode ser
respondida por elementos da aula de hoje. Nesse sentido, a análise sociológica possível de ser

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feita em consonância com o argumento do texto é considerar a leitura das obras literárias com
como um elemento de socialização – aquele que nos torna o que somos, o pensamos e no que
cremos.
Olha esse trecho o texto: “Ao menos é o que acontece comigo, porque, sem elas, para o
bem ou para o mal, eu não seria como sou, não acreditaria no que acredito nem teria as dúvidas
e as certezas que me fazem viver.”
Veja, no início da aula, fizemos uma relação entre o fortalecimento das áreas das Ciências
e as revelações sobre o mundo que o conhecimento pode trazer. Assim, a única alternativa que
está de acordo com essa linha argumentativa é a C, pois todo processo de
formação/conhecimento, também é um processo de socialização.
Gabarito: C

(UNESP 2016)
Texto 1
Cientistas americanos observaram, em um estudo recente, o motivo que pode tornar
adolescentes impulsivos e infratores. Exames de neuroimagem em jovens mostraram que o
córtex pré-frontal, região do cérebro ligada à tomada de decisão, ou seja, que nos faz pensar
antes de agir, ainda está em formação nos adolescentes. Essa área do cérebro tende a ficar
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“madura” somente aos 20 anos. Por outro lado, a região cerebral associada às emoções e à
impulsividade, conhecida como sistema límbico, tem um pico de desenvolvimento durante
essa fase da vida, o que aumenta a propensão dos jovens a agirem mais com a emoção do
que com a razão. O aumento da emotividade e da impulsividade seriam gatilhos naturais
para atitudes extremadas, inclusive para cometer crimes.
(Camila Neumam. “Estudo explica por que adolescentes são impulsivos e podem cometer
crimes”. www.uol.com.br, 26.05.2015. Adaptado.)
Texto 2
A situação de vulnerabilidade aliada às turbulentas condições socioeconômicas de muitos
países latino-americanos ocasiona uma grande tensão entre os jovens, o que agrava
diretamente os processos de integração social e, em algumas situações, fomenta o aumento
da violência e da criminalidade.
(Miriam Abramovay. Juventude, violência e vulnerabilidade social na América Latina, 2002.
Adaptado.)
Os textos expõem abordagens sobre o comportamento agressivo na adolescência referidos,
respectivamente, a
a) psicanálise e psicologia comportamental.
b) aspectos religiosos e aspectos materiais.
c) fatores emocionais e fatores morais.
d) ciência política e sociologia.

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e) condicionamento biológico e condicionamento social.


Comentários
Essa é mais uma questão do bloco “Definição de pontos de vista divergentes e Definição
da natureza do argumento”. Veja que uma interpretação atenta do texto ajudaria a resolver a
questão. No entanto, quero lembrar você desse debate que procura as causas de qualquer
comportamento humano ora na biologia ora às condições sociais as quais as pessoas estão
submetidas.
Nesse caso, o primeiro texto trata de argumentos de condicionamento biológico ligados
ao desenvolvimento cerebral, enquanto o segundo relaciona vulnerabilidade social ao crime e
violência.
Gabarito: E

(UNESP 2015)
A decisão de uma prefeitura nos arredores de Paris de distribuir mochilas escolares azuis
para os meninos e rosa para meninas provocou polêmica na França. Nas bolsas distribuídas
pela prefeitura de Puteaux, há também um kit para construir robôs, para os meninos, e
miçangas para fazer bijuterias, para as meninas. A distinção causou polêmica no momento
em que o governo implementa na rede educacional um programa para promover a igualdade
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entre homens e mulheres e lutar contra os estereótipos. (“Distribuição de mochilas escolares


azuis e rosas causa polêmica na França”. www.bbc.co.uk. Adaptado.)
A polêmica citada pela reportagem envolve pressupostos sobre a sexualidade que podem
ser definidos pela oposição entre fatores
a) comunitários e individuais.
b) metafísicos e empiristas.
c) teológicos e materiais.
d) antropocêntricos e teocêntricos.
e) biológicos e sociais.
Comentários
Novamente uma questão sobre o bloco “Definição de pontos de vista divergentes e
Definição da natureza do argumento”. Pensemos no seguinte: o debate a respeito da sexualidade
é central, pois dependendo da visão política e ideológica, fatores como a inserção social do sujeito
ou a constituição anatômica do indivíduo podem ser mais ou menos valorizados. É uma situação
que envolve concepções de gênero e sexualidade baseadas em fatores biológicos (o sexo) e social
(gênero).
No caso da notícia, a decisão da prefeitura em questão tende a reforçar estereótipos
tradicionalmente constituídos a respeito das identidades de gênero (social) ao mesmo tempo que
atende à concepção das diferenças baseadas no sexo biológico.

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Assim, há oposição entre fatores biológicos e sociais.


Gabarito: E

(UNESP 2014)
O psicólogo Antoni Bolinches afirma que nas depressões leves ou moderadas os
medicamentos tratam os sintomas, mas não a causa. Por isso, às vezes, quando o tratamento
acaba, o problema continua existindo. “As depressões exógenas ou reativas, isto é, aquelas
que vêm de fora, de algo que o está afetando ou que lhe aconteceu, deveriam ser tratadas
principalmente, ou também, psicologicamente. Porque se o paciente aprende a lidar com o
problema obtém o dobro de benefícios: o supera, mas também aprende”, diz. Entretanto,
reconhece que há pessoas que preferem tomar medicação. “Criamos um modelo social em
que não estamos acostumados com o esforço e as dificuldades, por isso recorremos à
farmacologia”, diz. (Comprimidos para as dores da vida: cresce o consumo de
antidepressivos na Europa. El País, 26.12.2013. Adaptado.)
Para o psicólogo, a diferença entre estados de normalidade e de patologia mental
a) envolve questões de natureza psiquiátrica e espiritualista.
b) é determinada pela herança genética de cada indivíduo.
c) depende sobretudo de condicionamentos econômicos.
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d) depende do cruzamento de fatores neurológicos e sociais.


e) envolve fatores primordialmente químicos e biológicos
Comentários
Segundo o raciocínio de Bolinches, a depressão tem efeitos neurológicos, mas causas
sociais e psicológicas, e a compreensão deste fato viabiliza melhor a possibilidade de cura.
As ideias de normalidade, anormalidade e doença são construídas socialmente. Em nossa
sociedade contemporânea, tende-se a considerar que, em casos de anormalidade ou doença, o
correto a se fazer é tomar determinados medicamentos. É o que tem sido chamado de
medicalização da vida social que, na verdade, vem do processo de patologizar (transformar em
doença) os comportamentos e os sentimentos humanos. Ou seja, os modos de ser, sentir e viver
podem ser classificados como doenças que podem ser “curados”. Quem nunca ouviu falar da
“cura gay”
No caso do texto dessa questão, para o autor, as doenças possuem não somente fatores
biológicos, mas também sociais para existirem. Portanto, há uma interligação entre fatores
neurológicos e sociais.
Gabarito: D

(UNESP 2014)
A poderosa American Psychiatric Association (Associação Americana de Psiquiatria – APA)
lançou neste final de semana a nova edição do que é conhecido como a “Bíblia da

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Psiquiatria”: o DSM-5. E, de imediato, virei doente mental. Não estou sozinha. Está cada vez
mais difícil não se encaixar em uma ou várias doenças do manual. Se uma pesquisa já mostrou
que quase metade dos adultos americanos teve pelo menos um transtorno psiquiátrico
durante a vida, alguns críticos renomados desta quinta edição do manual têm afirmado que
agora o número de pessoas com doenças mentais vai se multiplicar. E assim poderemos
chegar a um impasse muito, mas muito fascinante, mas também muito perigoso: a psiquiatria
conseguiria a façanha de transformar a “normalidade” em “anormalidade”. O “normal” seria
ser “anormal”. Dá-se assim a um grupo de psiquiatras o poder – incomensurável – de definir
o que é ser “normal”. E assim interferir direta e indiretamente na vida de todos, assim como
nas políticas governamentais de saúde pública, com consequências e implicações que ainda
precisam ser muito melhor analisadas e compreendidas. Sem esquecer, em nenhum
momento sequer, que a definição das doenças mentais está intrinsecamente ligada a uma
das indústrias mais lucrativas do mundo atual. (Eliane Brum. Acordei doente mental. Época,
20.05.2013. Adaptado.)
No entender da autora do artigo, no âmbito psiquiátrico, a distinção entre comportamentos
normais e anormais
a) apresenta independência frente a condicionamentos de natureza material, histórica ou
social.
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b) pressupõe o poder absoluto da ciência, em detrimento da relativização dos critérios de


normalidade.
c) deriva sua autoridade e legitimidade científica de critérios empíricos e universais.
d) busca valorizar a necessidade de autonomia individual no que se refere à saúde mental.
e) estabelece normas essenciais para o progresso e aperfeiçoamento da espécie humana
Comentários
A ciência se torna o critério a partir do qual se define a normalidade das condutas humanas.
Longe de ser um avanço, tal poder da ciência acaba por criar um ideal inatingível de normalidade,
muitas vezes incompatível com a diversidade cultural que existe no mundo. Vejamos cada uma
das alternativas:
a) Incorreta. A definição do que é ou não normal está ligada ao lobby de certos setores
industriais.
Correta. A autora do texto relativiza os critérios de normalidade e anormalidade, deixando
claro que tal definição passa pelo “poder incomensurável” de psiquiatras de definir o que é
normal. A autora ainda afirma que a definição das doenças mentais está ligada a setores industriais
bastante lucrativos do mundo atual.
c) Incorreta. O lobby de indústrias e o poder concedido aos psiquiatras é que determinam
o que seria normalidade e anormalidade.
d) Incorreta. Para a autora, a criação da distinção entre “normal’ e “anormal’ pela
psiquiatria, a partir de métodos e motivações que considera questionáveis, é nociva justamente

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porque acaba por determinar políticas públicas de saúde que muitas vezes interferem ou
impedem a autonomia individual, ao contrário do que diz a alternativa.
e) Incorreta. O texto critica o estabelecimento de parâmetros de normalidade e
anormalidade pela psiquiatria e questiona seus pressupostos e métodos, ao contrário do que
consta na alternativa, que afirma que esses parâmetros seriam compreendidos pela autora como
essenciais para o aperfeiçoamento da espécie humana.
Gabarito: B

(UNESP 2013)
Encontrar explicações convincentes para a origem e a evolução da vida sempre foi uma
obsessão para os cientistas. A competição constante, embora muitas vezes silenciosa, entre
os indivíduos, teria preservado as melhores linhagens, afirmava Charles Darwin. Assim, um
ser vivo com uma mutação favorável para a sobrevivência da espécie teria mais chances de
sobreviver e espalhar essa característica para as futuras gerações. Ao fim, sobreviveriam os
mais fortes, como interpretou o filósofo Herbert Spencer. Um século e meio depois, um
biólogo americano agita a comunidade científica internacional ao ousar complementar a
teoria da seleção darwinista. Segundo Edward Wilson, da Universidade de Harvard, o
processo evolutivo é mais bem-sucedido em sociedades nas quais os indivíduos colaboram
uns com os outros para um objetivo comum. Assim, grupos de pessoas, empresas e até
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países que agem pensando em benefício dos outros e de forma coletiva alcançam mais
sucesso, segundo o americano.
(Rachel Costa. O poder da generosidade. IstoÉ, 11.05.2012. Adaptado.)
Embora divergentes no que se refere aos fatores que explicam a evolução da espécie
humana, ambas as teorias, de Darwin e de Wilson, apresentam como ponto comum a
concepção de que
a) influências religiosas e metafísicas são o principal veículo no processo evolutivo humano
ao longo do tempo.
b) são os condicionamentos psicológicos que influenciam de maneira decisiva o progresso
na história.
c) a sobrevivência da espécie humana ao longo da história é explicada pela primazia de
fatores de natureza evolutiva.
d) os fatores econômicos e materiais são os principais responsáveis pelas transformações
históricas.
e) os fatores intelectuais são os principais responsáveis pelo sucesso dos homens em dominar
a natureza.
Comentários

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Essa questão se encontra no bloco temático “Definição de pontos de vista divergentes e


Definição da natureza do argumento”. Veja, que, nesse caso, o comando da questão pede o
núcleo comum dos argumentos dos cientistas.
Como diz o texto, a diferença entre a teoria evolutiva de Darwin e de Wilson está no caráter
competitivo ou cooperativo dos indivíduos da espécie. Para um, em um ambiente de competição
silenciosa, para assegurar a manutenção das suas características em detrimento das outras de
outros indivíduos, evoluirá mais rapidamente aquele individualmente melhor adaptado às regras
do jogo. Para outro, em um ambiente de cooperação, para garantir que todos os indivíduos
atinjam um objetivo que lhes é comum, evoluirá mais rapidamente aquele que colabore para
favorecer o coletivo, isto é, o alcance da meta que é comum.
De qualquer forma, o comum entre eles é atribuir à evolução a possibilidade de
sobrevivência da espécie humana. Nesse sentido o gabarito é a alternativa C.
Vejamos os erros das demais:
a- Não se fala em religião no texto.
b- Também não se trata de aspectos psicológicos no texto.
c- É a alternativa correta, uma vez que afirma que ambos os cientistas – apesar das
divergências em torno da competição ou colaboração – partem da ideia da evolução como
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garantia da sobrevivência da espécie.


d- Quanto aos aspectos econômicos, apenas o Edward Wilson, da Universidade de Harvard,
menciona que sociedades, empresas e grupos tem uma evolução mais bem-sucedida
quando colabora. Darwin não discutiu sua teoria nesses termos econômicos.
e- O argumento foi a interação entre os indivíduos: se competição ou colaboração. A questão
da inteligência propriamente dita não foi debatida no texto.
Gabarito: C

(UNESP 2012)
Leia o texto sobre a tragédia de Realengo. É possível que a vida escolar de Wellington, o
assassino de Realengo, tenha sido um suplício. Mas a simples vingança pelo bullying sofrido
não basta para explicar seu ato. Eis um modelo um pouco mais plausível. A matança, neste
caso, é uma maneira de suprimir os objetos de desejo, cuja existência ameaça o ideal de
pureza do jovem. Para transformar os fracassos amorosos em glória, o fanatismo religioso é
o cúmplice perfeito. Você acha que seu desejo volta e insiste? Nada disso, é o demônio que
continua trabalhando para sujar sua pureza. Graças ao fanatismo, em vez de sofrer com a
frustração de meus desejos, oponho-me a eles como se fossem tentações externas. As
meninas me dão um certo frio na barriga? Nenhum problema, preciso apenas evitar sua
sedução — quem sabe, silenciá-las. Fanático (e sempre perigoso) é aquele que, para reprimir
suas dúvidas e seus próprios desejos impuros, sai caçando os impuros e os infiéis mundo
afora. Há uma lição na história de Realengo — e não é sobre prevenção psiquiátrica nem
sobre segurança nas escolas. É uma lição sobre os riscos do aparente consolo que é oferecido

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pelo fanatismo moral ou religioso. Dito brutalmente, na carta sinistra de Wellington, eu leio
isto: minha fé me autorizou a matar meninas (e a me matar) para evitar a frustrante infâmia
de pensamentos e atos impuros. (Contardo Calligaris. Folha de S.Paulo, 14.04.2011.
Adaptado.)
De acordo com o autor,
a) para se evitar tragédias como a ocorrida em Realengo, é necessário investir em prevenção
psiquiátrica e segurança pública.
b) o fato ocorrido em Realengo pode ser explicado pela desorientação espiritual de uma
pessoa afastada da religião.
c) a ação praticada pelo atirador pode ser adequadamente explicada como possessão
demoníaca.
d) o caso de Realengo ilustra o papel do fanatismo religioso no mascaramento de desejos
reprimidos.
e) ideais de pureza moral são altamente positivos no processo educativo
Comentários
A questão exige do candidato uma boa interpretação do texto que, a partir de um fato
específico — a tragédia de Realengo — discute as relações entre comportamento social, coerção
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e fanatismo religioso, mais precisamente como o fanatismo religioso esconde os desejos


reprimidos do homem. Tendo isso em mente, vamos à análise das alternativas:
a- O autor fala que o problema está para além das questões de segurança pública e prevenção
psiquiátrica.
b- Não se trata de desorientação, para o autor trata-se de fanatismo.
c- Possessão demoníaca é argumento do fanatismo religioso, segundo o autor que o critica.
d- É esta a alternativa correta. O autor fala que o fanatismo mascara desejos reprimidos.
e- A alternativa inverte o argumento do autor, pois ele afirma que essa ideia de pureza moral
combinada com fanatismo religioso é negativa para a sociedade.
Gabarito: D

(Estratégia Vestibulares/profe Ale Lopes/2020)


Em As regras do método sociológico, ao considerar que é social todo evento que é geral,
isto é, aquela situação que se repete para a maioria dos indivíduos (genérica), Durkheim
define o que é um fato social.
São elementos que definem o conceito de fato social:
VI. Generalidade
VII. Coercitividade
VIII. Passividade

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IX. Racionalidade
X. Exterioridade
Estão corretos apenas os itens:
f) Todas estão corretas
g) I, II
h) I, II, V
i) I, II, IV, V
j) I, II, IV
Comentários
Essa questão aborda o conceito clássico de Émile Durkheim: fato social.
Observe e guarde o esqueminhas abaixo:

Fato social é a situação ou fenômeno social formado:

➢ pela coerção social, porque é imposto aos indivíduos independentemente de


sua vontade
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➢ por ser exterior ao indivíduo, ou seja, por existir independentemente da


existência do indivíduo
➢ por ser geral, ou seja, não ser um fato isolado e sim genérico a ponto de ocorrer
com regularidade na sociedade.

Características do fato social

1- Generalidade 2- Coercitividade 3- Exterioridade

Diante disso, podemos analisar cada item:


I. correto
II. correto
III. incorreto. O autor nada fala em relação ao comportamento do indivíduo – se passivo ou
ativo.
IV. Incorreto. Apesar de que a racionalidade é um pressuposto do pensamento científico,
isso não caracteriza o que é fato social.
V. Correto.

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Diante disso, estão corretos os itens, I, II e V. Gabarito letra C


Gabarito: C

(Estratégia Vestibulares/Profe. Alê Lopes/2020)


Nenhum trovão? Nenhum relâmpago? Nem mesmo um ventinho a balançar as persianas do
laboratório? Só uma goteira através do vidro embaçado? Como podiam chamar aquilo de
chuva? O pior é que eu entendi perfeitamente como: o mundo era um béquer, o sol era o
bico de Bunsen, os rios, lagos e oceanos eram aqueles dois dedos de água. Eu havia mordido
o fruto da árvore da Ciência do Bem e do Mal e tinha sido expulso do Éden, não existiam
mais bruxas nem dragões, poções mágicas ou varas de condão, e a natureza cabia num pote
de maionese..
Trecho de “Senhor da Chuva”. Prata, Antonio. Nu, de Botas (Locais do Kindle 1311-1348).
Edição do Kindle.
O trecho destacado opõe dois tipos de pensamento
a) religioso e racionalista.
b) econômico político.
c) racionalista e empirista
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d) mitológico e científico.
Comentários:
Questão simples que exigia uma interpretação do texto. A temática é teoria do
conhecimento – fundamental para o desenvolvimento do pensamento científico sociológico.
O texto traz um trecho no qual uma experiência científica, mesmo não dando muito certo do
ponto de vista dos resultados, ajuda o narrador (aquele que está realizando o experimento)
a descobrir o processo científico. Claramente quando ele se dá conta disso, a narrativa
científica ocupa o espaço explicativo antes povoado por mitos e mitologias (dragões, poções
mágicas e dragões).
Tendo isso em mente, vamos à análise das alternativas:
a) Errado. Um dos pensamentos não é religioso exatamente, mas místico ou mitológico.
b) Errado. Nada tem a ver com economia e política o texto.
c) Errado. Racionalista empirista são de mesma natureza que compõe o campo da ciência.
d) Gabarito, conforme nosso comentário inicial.
Gabarito: D

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Émile Durkheim diferenciou sociedades por meio da divisão social do trabalho, sendo que,
a partir do funcionamento e relação entre as partes que compõem a sociedade o francês

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estabeleceu dois tipos de solidariedade para entender o elemento da coesão social. Nesse
sentido, está correto o que se afirma em
a) a solidariedade mecânica é encontrada em sociedades industriais, já que reflete os
processos tecnológicos.
b) a solidariedade orgânica é encontrada em sociedades menos avançadas, pois expressão
foi pensada para aproximar homem e natureza.
c) a solidariedade mecânica faz com que os indivíduos se distanciem da consciência social
coletiva.
d) a solidariedade orgânica é encontrada em sociedades mais complexas e requer diferentes
formas de integração social.
Comentários
Durkheim utiliza o conceito de “solidariedade” para entender a maior ou menor coesão social
conforme o tipo de sociedade, com destaque para as industrializadas. Isso porque, a vida social
depende da solidariedade – grau e forma de relação entre os homens – em uma sociedade.
Esta solidariedade é diferente em sociedades mais simples e nas mais complexas
(industrializadas). Além de notar, então, diferenças na consciência coletiva de cada uma dessas
sociedades, Durkheim procura entender com elas estão organizadas.
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a) errado, porque é a solidariedade orgânica que é encontrada em sociedades industrializadas.


b) errado, porque é a solidariedade mecânica que é encontrada em sociedades menos
avançadas.
c) falso, pois em sociedades com predomínio da solidariedade mecânica – uma sociedade
religiosa, por exemplo – o indivíduo está integrado ao pensamento coletivo, sendo parte e ao
mesmo tempo reprodutor. Como as relações sociais se dão em função dessa consciência
coletiva, já que não há processos mais complexos de integração social, a proximidade entre o
que os indivíduos pensam e aquilo que é expresso coletivamente geral uma identidade maior,
levando à coesão social. Aqui, os desejos do indivíduo são os desejos da coletividade e vice e
versa.
d) é o nosso gabarito. Conforme o capitalismo avançou o sistema social passou a exigir maior
especialização nas relações de trabalho. Com isso, a interação e coesão entre as pessoas passou
a depender das funções desempenhadas por cada um. De acordo com Raymond Aron, esse
processo leva à individualização dos membros dessa sociedade, os quais assumem funções
específicas dentro dessa divisão do trabalho social. Cada pessoa é uma peça de uma grande
engrenagem. Comparando com a consciência nas sociedades de solidariedade mecânica, aqui
a consciência coletiva tem seu poder de influência reduzido.
Gabarito: C

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Entendo por física social [a sociologia] a ciência que tem por objeto próprio o estudo dos
fenômenos sociais, segundo o mesmo espírito com que são considerados os fenômenos
astronômicos, físicos, químicos e fisiológicos, isto é, submetidos a leis invariáveis, cuja
descoberta é o objetivo de suas pesquisas. Os resultados de suas pesquisas tornam-se o
ponto de partida positivo dos trabalhos do homem de Estado, que só tem, por assim dizer,
como objetivo real descobrir e instituir as formas práticas correspondentes a esses dados
fundamentais, a fim de evitar ou pelo menos mitigar, quanto possível, as crises mais ou
menos graves que um movimento espontâneo determina, quando não foi previsto. Numa
palavra, a ciência conduz a previdência, e a previdência permite regular a ação.
(Auguste Comte)
Nesta passagem de um dos fundadores da sociologia, fica evidente a origem do método
que passou a ser empregado. Nesse sentido, pode-se afirmar, corretamente, que o método
nas Ciências Sociais do século XIX,
a) surgiu autonomamente aos demais campos do saber.
b) teve como referência os as ciências naturais, mas não a utilizou como parâmetro.
c) é marcado pelo materialismo histórico dialético.
d) tem origem nos procedimentos e esquemas utilizados pelas ciências naturais e
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transportados para os estudos da sociedade.


e) é metafísico e descarta as possibilidades experimentais.
Comentários
a) falso, pois, no surgimento da sociologia, como Comte nos lembra no texto do enunciado,
a física, a química foram referências para o método experimental (empírico) utilizado pela
corrente positivista.
b) falso, pois os pensadores sociais do século XIX com destaque para Comte e Émile
Durkheim utilizaram formas de sistematizar as investigações tal como nas ciências naturais.
c) errado, pois esta é a característica do pensamento marxista. Já os primeiros pensadores
considerados fundadores da sociologia, os positivistas, possuem uma compreensão da
história como um processo evolutivo.
d) correto, é o gabarito.
e) falso, pois para os positivistas a experiência é importante, de modo que, sem ela não é
possível compreender os fenômenos sociais. Durkheim, por exemplo, precisou estudar as
estatísticas do suicídio para chegar a conclusões e estabelecer nexos causais.

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Gabarito: D

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Ao separar completamente o patrão e o empregado, a grande indústria modificou as
relações de trabalho e apartou os membros das famílias, antes que os interesses em conflito
conseguissem estabelecer um novo equilíbrio. Se a função da divisão do trabalho falha, a
anomia e o perigo da desintegração ameaça todo o corpo social e quando o indivíduo,
absorvido por sua tarefa se isola em sua atividade especial, já não percebe os colaboradores
que trabalham ao seu lado e na mesma obra, nem sequer tem ideia dessa obra comum .
DURKHEIM, E. A Divisão Social do Trabalho. Apud QUINTEIRO, T.; BARBOSA, M. L. O.;
OLIVEIRA, M. G. M. Toque de Clássicos. vol 1. Durkheim, Marx e Weber. Belo Horizonte:
Editora UFMG, 2007. p. 91.
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A partir do trecho acima, qual é a principal função da divisão social do trabalho para Émile
Durkheim?
a) revolucionar a sociedade.
b) viabilizar a solidariedade mecânica.
c) desenvolver a economia.
d) manter a coesão social.
e) exercer coerção física e dominação sobre os indivíduos.
Comentários
Em As regras do método sociológico, Durkheim, inspirado nas Ciências Naturais,
compreende que as sociedades evoluíram da forma mais simples a forma mais complexa
(sociedade industrial), tal como os organismos evoluem. Veja o que ele sintetiza sobre a França:
Desde suas origens, passou a França por formas de civilização muito diferentes: começou por ser agrícola,
passou em seguida pelo artesanato e pelo pequeno comércio, depois pela manufatura e, finalmente,
chegou à grande indústria.29
Com efeito, ao analisar empiricamente a evolução das sociedades, o pensador francês
elabora uma morfologia social30. Estabelece, então, a existência de dois tipos de sociedade:

29
DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico. São Paulo: Ed. Nacional. 1963, p. 82.
30
Morfologia é o estudo da forma.

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1-) em um tipo, há uma solidariedade mecânica entre os homens, fruto da divisão social do
trabalho contida na sociedade pré-capitalista. Nela os indivíduos se identificam e se relacionam por
meio da família, da tradição, da religião. A coletividade exerce uma forte coerção social para manter
a sociedade harmônica e em funcionamento. É tudo muito mecânico, automático,
independentemente da forma de organização do trabalho.

2-) já na sociedade em que prevalece a solidariedade orgânica, própria das sociedades capitalistas,
os indivíduos são interdependentes em razão da divisão social e industrial do trabalho. Aqui a
coesão social é muito mais em razão das relações do trabalho na indústria e no comércio do que por
conta dos costumes, por exemplo. Então as instituições como a família e a religião já não exerceriam
a mesma função.
A especialização dos indivíduos em determinadas funções sociais dá a ideia de
organicidade, tal como a interdependência entre os órgãos do corpo humano: um não
funciona sem o outro. Assim, a divisão social permite a coesão. Não por menos, no trecho
do enunciado, Durkheim argumenta que se a divisão social do trabalho falha, há uma
tendência à desintegração.
a) errado, pois a visão revolucionária não condiz com o pensamento durkheimiano e com o
pensamento mais geral do positivismo. Os positivistas entendem as revoluções como quebra
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da ordem e harmonia social. Para Durkheim, uma revolução poderia ser considerada como
uma patologia social, um problema de funcionamento.
b) errado, pois nas sociedades em que predomina a solidariedade mecânica a forma de
coesão é feita por meio das crenças, costumes e religião.
c) errado, não há essa relação.
e) errado, pois o fato social e não a divisão social do trabalho é que, de forma coercitiva,
atual sobre os indivíduos. A divisão social do trabalho não é um fato social.
Gabarito: D

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Para a análise sociológica, é considerado um elemento de harmonização da vida em
sociedade com tendências à estabilidade:
a) a política conhecida como “lei e ordem”, responsável por proporcionar a paz social.
b) a participação dos sindicatos em processos litigiosos na justiça do trabalho.
c) a divisão social do trabalho, fator de solidariedade social na medida em que cada indivíduo
possui uma função e um depende da realização da tarefa do outro.
d) a luta de classes.
e) a dominação carismática, uma vez que nesta seara não há atritos capazes de colocar em
xeque o próprio sistema de relações sociais.

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Comentários
a) errado, pois “lei e ordem” é uma política criminal, também vista como um movimento,
destinada a criar leis mais severas para combater o crime e aplicar com efetividade as leis
que já existem. É um movimento no mesmo sentido de “tolerância zero”. Por conta do
caráter repressivo, não é possível afirmar que ele resulta em harmonia social, pode até levar
à ordem, mas à harmonia é bem mais difícil. Para que haja harmonia é preciso verificar os
aspectos de consentimento, e não somente o de coerção.
b) falso, porque a ação sindical, seja nos protestos e cobranças no local de trabalho, seja via
justiça, indicam a existência de um conflito (o litígio) a ser solucionado e, como tal, não há
harmonia, principalmente porque, com a sentença do juiz, uma das partes ganha e a outra
perde. Claro, o sistema judiciário também viabiliza as chamadas mediações de conflito e
arbitragem, por meio das quais é buscada uma composição em que o objetivo é a satisfação
de ambas as partes. Contudo, a alternativa fala de situações litigiosas, em que há conflito.
c) Para Durkheim, quanto mais laços sociais de dependência e especializações são formados
em uma sociedade a partir das relações de trabalho, maior é a capacidade de coesão da
divisão social do trabalho. Vale reforçar que, nestes termos, o trabalho é um fato social, pois
existe independentemente dos indivíduos, já existia previamente a ele, é coercitivo – pois,
ou você trabalha ou você fica fora da harmonia social, um elemento estranho.
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d) errado, pois a luta de classes representa as contradições sociais e históricas da vida em


sociedade. Segundo a visão marxista, é justamente pela divisão em classes sociais que não
se chega à pacificação e harmonia.
e) errado. Aqui temos um conceito de Max Weber. A dominação carismática pode até
“amarrar” as pessoas em um determinado momento, enquanto a liderança carismática
persiste. Agora, existe uma tendência à crise de coesão assim que a dominação carismática
termina.
Gabarito: C

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Se não me submeto às convenções mundanas; se, ao me vestir, não levo em consideração
os usos seguidos em meu país e na minha classe, o riso que provoco, o afastamento em que
os outros me conservam, produzem, embora de maneira mais atenuada, os mesmos efeitos
que uma pena propriamente dita.”
(DURKHEIM, Émile Apud RODRIGUES, José Albertino (Org). Durkheim. São Paulo: Ed.
Ática. 1981, p. 47)
A qual das características do conceito de “fato social” a frase acima se refere:
a) coerção.
b) consenso.
c) exterioridade.

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d) generalidade.
e) solidariedade.
Comentários
Repare que no início da frase, há a ideia de “submissão” às convenções mundanas, ou seja,
uma expressão que remete à uma imposição de fora para dentro. Em seguida, Durkheim diz
que não levar em consideração o que ocorre de forma mais geral na sociedade prova efeitos
próximo a uma pena, isto é, uma imposição de fora para dentro. Trata-se do poder que os
padrões culturais de uma sociedade são impostos aos integrantes dela. Assim, estamos
diante do aspecto da coercibilidade do fato social. Alternativa a).
b) consenso não faz parte das características dos fatos sociais.
c) esta característica se refere à existência dos fatos sociais antes mesmo de os indivíduos
nascerem.
d) generalidade indica que os fatos sociais atingem a todos e não aos indivíduos
especificamente.
e) falso, pois “solidariedade” está dentro da abordagem de Durkheim para analisar a coesão
social, sendo ela de dois tipos: solidariedade mecânica e solidariedade orgânica.
Gabarito: A
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Sobre o surgimento da Sociologia, assinale a alternativa correta:
a) A Sociologia é resultado dos estudos sobre o modo de produção desenvolvido na Ásia, a
partir de uma perspectiva revolucionária do positivismo.
b) A ideia de desenvolvimento pela revolução social foi defendida pelo Iluminismo, que
influenciou o Positivismo.
c) Os limites e as contradições do progresso para a liberdade humana foram apontados pelo
Iluminismo e aceitos pelo Positivismo.
d) Somente em meados do século XX é que podemos falar em surgimento, de fato, da
Sociologia.
Comentários
a) falso, o pensador sociológico que estuda o modo de produção asiático é Karl Marx.
Sabemos que o marxismo, embora remonte temporalmente ao surgimento da sociologia,
não é a vertente que fundou a sociologia enquanto Ciência, mas sim o positivismo. Além
disso, a relação é inversa: foram os estudos sobre o modo de produção asiático que
contribuíram para o aprimoramento da sociologia, na medida em que Marx é anterior à
consolidação da sociologia.
b) Correta, é o Gabarito. O pensamento Iluminista caracterizou-se, entre outros aspectos,
pela defesa da razão como “meio”, sendo que a partir da racionalidade seria possível explicar

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os diferentes fenômenos da realidade, com vistas ao progresso da sociedade. Essas ideias


foram compartilhadas pelo Positivismo, corrente formadora da Sociologia. Com efeito,
ressalta-se que a ideia de Revolução aqui pode ter dois sentidos: um, direcionado a
mudanças sociais mais profundas, no sentido da Revolução Francesa; outro, a partir da
concepção filosófico-positivista, isto é, como revolução de pensamento e de mudanças
gradualmente evolutivas na sociedade, ou seja, revolução no sentido de evolução.
c) falso. Incorreta, pois o Positivismo surgiu no contexto do século XIX, período durante o
qual a crença no progresso era hegemônica no pensamento social. Desse modo, o
Positivismo adotou a noção positiva de progresso como um dos centros normativos de seu
pensamento. Nesse sentido, o progresso seria elemento de harmonização da ordem social.
d) falso, pois é no século XIX, já com a consolidação do sistema capitalista na Europa, que se
encontra a herança intelectual mais próxima da Sociologia como ciência específica.
Gabarito: B

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No que diz respeito à ordem e ao progresso na sociologia de Auguste Comte, esses
elementos se constituem como fundamentos. Com base nas ideias desse pensador, assinale
a alternativa correta.
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a) Comte argumentou que os acontecimentos sociais – como os crimes, os suicídios, a família,


a escola, as leis – poderiam ser observados como coisas, pois assim seria mais fácil de estudá-
los pela Sociologia.
b) Conforme o pensamento comteano, a liberdade de opinião e a diferença entre os
indivíduos são fundamentos da solidariedade na formação da estática social, produzindo
vantagens para a evolução, em comparação com a homogeneidade.
c) Na perspectiva do francês, o desenvolvimento das forças produtivas é a base para o
progresso e segue uma linha reta, sem oscilações e, portanto, a interferência humana é
incapaz de alterar sua direção ou velocidade.
d) Para o autor, a ordem social total se estabelece de acordo com as leis da natureza, e as
possíveis deficiências existentes podem ser retificadas mediante a intervenção racional dos
seres humanos.
Comentários
a) falso, pois essa elaboração é de Émile Durkheim, para o qual esses fenômenos são
considerados “fatos sociais”.
b) Incorreta. Auguste Comte preocupou-se com a “dinâmica social”, ou seja, com o
progresso social ou processos de mudança dentro da ordem, de acordo com leis gerais,
invariáveis e naturais. Leis essas que eram as do desenvolvimento do espírito humano e de
sua crescente racionalidade. Portanto, a Estática Social representaria a ordem, formada por
uma tessitura contínua, comparada à Anatomia, a sociedade em repouso, as condições de
existência da sociedade. O indivíduo só pode ser explicado e compreendido pela sociedade,

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sendo em si mesmo uma abstração. A verdadeira célula social é a família, que reproduz os
fatores da sociedade global e recebe o novo ser (o indivíduo) e o encaminha para a
sociedade. A noção central e fundamental da Estática Social é a do consenso entre todos os
fenômenos sociais e não a liberdade de opinião e a diferença entre os indivíduos. O método
de Comte parte do todo para as partes, do sistema para seus elementos, do geral para o
particular.
c) Falso, primeiro porque a elaboração a partir do desenvolvimento das “forças produtivas”
não é de Comte, mas de Karl Marx. Segundo porque, de acordo com Auguste Comte, a
diferenciação social se torna mais complexa à medida que a sociedade se desenvolve e se
estabelece a hierarquia social. Nesse sentido, a divisão do trabalho exerce papel
preponderante na solidariedade social e, consequente, progresso; e não o desenvolvimento
das forças produtivas. Dessa forma, pelos excessos da especialização, seria possível conduzir
à desintegração social, às oscilações, pela quebra do consenso, da ordem e da harmonia.
Dependendo da intervenção humana, com mais avanços do que recuo, a humanidade
caminha em direção ao progresso. Veja então, comparando com comentários da questão
anterior, que a ideia de revolução aqui é muito mais no plano do pensamento do que prática,
ou seja, na realidade social mesmo. Lembre-se de que a perspectiva revolucionária,
socialmente falando, é da vertente marxista.
d) Auguste Comte, ao tentar a síntese geral dos conhecimentos de seu tempo marcado pelo
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florescimento das ciências experimentais, defendia que a ciência deveria ser colocada a
serviço da regeneração social e, assim, eliminar a anarquia moral. O conhecimento humano
deveria ser usado para criar uma ordem social nova. Seu positivismo científico ou filosofia
positivista considerava que a ordem social e todos os fenômenos sociais estavam sujeitos às
invariáveis leis da natureza, cuja descoberta é o objetivo de toda ciência. Nesse sentido, se
existem leis invariáveis que governam as relações humanas, conhecimento, previsão e ação
é uma regra a ser seguida pela Ciência Social, Física Social ou Sociologia. Ou seja, saber para
prever, conhecer para intervir racionalmente, compreender para reorganizar.
Gabarito: D

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A concepção da Sociologia de Durkheim se baseia em uma teoria do fato social. Seu objetivo
é demonstrar que pode e deve existir uma Sociologia objetiva e científica, conforme o
modelo das outras ciências, tendo por objeto o fato social.
(ARON, R. As etapas do pensamento sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 1995. p. 336.)
De acordo com Durkheim, essa percepção em torno dos fatos sociais se justifica porque seu
objeto de estudo:
a) são as ações dos indivíduos.
b) é a história das coisas.
c) é a sociedade.

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d) são as relações sociais de produção.


Comentários
a) errado, pois a análise sociológica a partir das ações dos indivíduos é de Max Weber. Para
Durkheim, o fato social está relacionado com os padrões da vida em coletividade, sendo que o
fato social também corresponde a formas de pensar, agir e sentir, pois ele atua sobre o
indivíduo, ou seja, a sociedade se sobrepõe aos indivíduos. Assim, para o sociólogo francês a
sociedade é mais importante.
b) falso, dentre os principais autores da sociologia – Durkheim, Weber e Marx – as “coisas”
não são, em si, objeto de estudos. Para as Ciências Humanas, o importante são as relações
sociais, de forma que as “coisas”, por exemplo, as mercadorias, são parte ou expressão das
relações humanas, como nos indica a abordagem marxista.
c) correto, é o nosso gabarito, pois, para Durkheim, a ação da sociedade sobre os indivíduos é
mais importante para explicar os fenômenos.
d) falso, pois essa abordagem é própria do marxismo.
Gabarito: C

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Enquanto a precedente [a solidariedade mecânica] implica que os indivíduos se assemelham,


esta [a solidariedade orgânica] supõe que eles diferem uns dos outros. A primeira só é
possível na medida em que a personalidade individual é absorvida na personalidade coletiva;
a segunda só é possível se cada um tiver uma esfera de ação própria, por conseguinte, uma
personalidade. É necessário, pois, que a consciência coletiva deixe descoberta uma parte da
consciência individual, para que nela se estabeleçam essas funções especiais que ela não
pode regulamentar; e quanto mais essa região é extensa, mais forte é a coesão que resulta
dessa solidariedade. De fato, de um lado, cada um depende tanto mais estreitamente da
sociedade quanto mais dividido for o trabalho nela e, de outro, a atividade de cada um é
tanto mais pessoal quanto mais for especializada. Sem dúvida, por mais circunscrita que seja,
ela nunca é completamente original; mesmo no exercício de nossa profissão, conformamo-
nos a usos, a práticas que são comuns a nós e a toda a nossa corporação. Mas, mesmo nesse
caso, o jugo que sofremos é muito menos pesado do que quando a sociedade inteira pesa
sobre nós, e ele proporciona muito mais espaço para o livre jogo de nossa iniciativa. Aqui,
pois, a individualidade do todo aumenta ao mesmo tempo que a das partes; a sociedade
torna-se mais capaz de se mover em conjunto, ao mesmo tempo em que cada um de seus
elementos tem mais movimento próprios. Essa solidariedade se assemelha à que observamos
entre os animais superiores. De fato, cada órgão aí tem sua fisionomia especial, sua
autonomia, e, contudo, a unidade do organismo é tanto maior quanto mais acentuada essa
individuação das partes. Devido a essa analogia, propomos chamar de orgânica a
solidariedade devida à divisão do trabalho. (DURKHEIM, Émile. Da divisão do trabalho social.
2ª ed. São Paulo: Martins Fontes. 1999. P 108-109)

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O texto expressa o esforço do sociólogo francês Émile Durkheim em diferenciar dois tipos
de coesão social. Isso porque,
a) a coesão social nas sociedades industriais ocorre de forma mecânica, pois as relações de
trabalho são de baixa complexidade.
b) a solidariedade mecânica, enquanto aspecto da coesão social, é comum em sociedades
mais complexas, nas quais a divisão social do trabalho é baseada no gênero.
c) tanto na solidariedade orgânica quanto na mecânica a divisão social do trabalho cumpre
o mesmo papel, o de atuar coercitivamente sobre as pessoas e sobre os fatos sociais.
d) na solidariedade orgânica a coesão social é estabelecida por crenças e religiões, tal como
no estudo A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo.
e) nota-se que na solidariedade orgânica a divisão social do trabalho é mais diversificada, de
modo a atuar como elemento de coesão social.
Comentários
Essa questão aborda o pensamento de um dos pioneiros da Sociologia, o francês Émile
Durkheim (Aula 00 do curso). Contudo, esse os conceitos de solidariedade mecânica e
orgânica estão mais bem desenvolvidos na aula sobre Sociologia do Trabalho. Isso porque,
conforme o autor, o tipo e a forma de divisão social do trabalho impactam no tipo de
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solidariedade. Esta é a forma de vínculo entre as pessoas em uma sociedade. No caso da


solidariedade mecânica, ela ocorre em sociedades com baixa complexidade de relações de
trabalho. Aqui, predominam formas de coesão social baseadas nos costumes, na tradição. Já
a solidariedade orgânica diz respeito a sociedades com alta complexidade na divisão social
do trabalho, pois o vínculo entre as pessoas se dá muito mais em função das relações de
trabalho. Dessa forma, a coesão social é em função das diferentes funções/especializações
na sociedade. Por exemplo, uma relação entre as famílias e profissionais da saúde, educação,
serviços em geral.
Gabarito: E

CONSIDERAÇÕES FINAIS DAS AULA


Bem, querido e querida vestibulando, chegamos ao final da nossa aula demonstrativa.
Espero que vocês tenham gostado dessa forma de estudar sociologia. A intenção foi mostrar a
vocês que é possível – e necessário – gabaritar.

Viu, deixa eu falar uma última coisa: Não existe solução mágica para mandar bem na prova.
Apesar disso, existem estratégias que, se utilizadas com afinco e dedicação, podem realizar
sonhos!! Uma ótima professora, um excelente material e um acertado planejamento
individualizado, conforme sua necessidade e suas potencialidades, podem ser o diferencial.

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Lembre-se de que cada questão acertada é como um degrau até a sua sonhada aprovação.
E nessa jornada eu orientarei você, sempre!
Utilize o Fórum de Dúvidas. Eu responderei rapidinho! E não se esqueça
de que não existe dúvida boba. Quanto mais você pergunta, mais
conversamos e mais você sintetiza o conteúdo, certo!
Também me procure nas redes sociais. Lá tem dicas preciosas para ajudar
na sua preparação!
Um grande abraço estratégico, Alê
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