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Materiais Elétricos

Cledione Junqueira de Abreu


© 2016 by Universidade de Uberaba

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por escrito, da Universidade de Uberaba.

Universidade de Uberaba

Reitor
Marcelo Palmério

Pró-Reitor de Educação a Distância


Fernando César Marra e Silva

Editoração
Produção de Materiais Didáticos

Capa
Toninho Cartoon

Edição
Universidade de Uberaba
Av. Nenê Sabino, 1801 – Bairro Universitário

Catalogação elaborada pelo Setor de Referência da Biblioteca Central UNIUBE

Abreu, Cledione Junqueira de.


A86m Materiais elétricos / Cledione Junqueira de Abreu. –
Uberaba: Universidade de Uberaba, c2016.
220 p. : il.

[Produção e supervisão] Programa de Educação a


Distância – Universidade de Uberaba.
ISBN: 978-85-7777-538-5

1. Eletricidade. 2. Materiais. I. Universidade de


Uberaba. Programa de Educação a Distância. II. Título.

CDD 621.3
Sobre os autores
Cledione Junqueira de Abreu

Sou a professora Cledione Junqueira de Abreu, em 2004, concluí mi-


nha graduação em Engenharia Elétrica com ênfase em Eletrônica e
Telecomunicações pela Uniderp, sou pós-graduada em Psicopedago-
gia Clínica e Institucional pela Unaes, com formação em 2008, e pós-
graduanda em Engenharia de Segurança do Trabalho pela Unilins.
Sumário
Capítulo 1 Classificação de Materiais..............................................11
1.1 Classificação dos materiais elétricos................................................................ 12
1.1.1 Estudo de materiais................................................................................ 13
1.1.2 ampliando os conhecimentos................................................................ 14
1.1.3 Propriedades da matéria......................................................................... 14
1.1.4 Mudanças de fase da matéria................................................................. 18
1.1.5 Propriedades dos materiais.................................................................... 19

Capítulo 2 Materiais condutores e materiais isolantes.....................27


2.1 Materiais condutores........................................................................................ 28
2.1.1 Características de Materiais Condutores................................................ 29
2.1.2 Materiais de elevada condutividade....................................................... 30
2.1.3 Materiais supercondutores...................................................................... 46
2.1.4 Materiais Isolantes.................................................................................. 49

Capítulo 3 Materiais Magnéticos e Materiais Semicondutores........67


3.1 Materiais magnéticos........................................................................................ 68
3.1.1 Comportamento Magnético..................................................................... 68
3.1.2 Classificação dos Materiais Magnéticos................................................. 70
3.1.3 Materiais semicondutores....................................................................... 73

Capítulo 4 Normalização e Ensaios.................................................81


4.1 Normalização.................................................................................................... 82
4.1.1 Definição de Normalização..................................................................... 83
4.1.2 Normas.................................................................................................... 84
4.1.3 Associações internacionais..................................................................... 85
4.1.4 Associações nacionais............................................................................ 87
4.1.5 Normas Internas ou Normas de Empresa.............................................. 88
4.1.6 Normalização no Brasil........................................................................... 88
4.1.7 Objetivos da Normalização..................................................................... 92
4.1.8 Normas Técnicas dos Principais Componentes Elétricos...................... 98
4.1.9 Terminologia............................................................................................ 99
4.1.10 ENSAIOS.............................................................................................. 100
Capítulo 5 Critérios e Parâmetros de Especificação........................111
5.1 Geração, transmissão e distribuição de energia elétrica................................. 112

Capítulo 6 Equipamentos de Manobra


e Equipamentos de Proteção............................................................127
6.1 Equipamentos de manobra.............................................................................. 128
6.1.1 Disjuntores.............................................................................................. 128
6.1.2 Princípio da Extinção do Arco................................................................. 129
6.1.3 Tipos de Comandos ou Acionamentos................................................... 134
6.1.4 Tipos Principais de Disjuntores............................................................... 137
6.1.5 Equipamentos de proteção..................................................................... 146

Capítulo 7 Equipamentos de Controle e Medição


e Equipamentos de Transformação...................................................155
7.1 Equipamentos de controle e medição.............................................................. 156
7.1.1 Transformador de corrente (TC)............................................................. 156
7.1.2 Cargas Nominais..................................................................................... 165
7.1.3 Fator Térmico.......................................................................................... 165
7.1.4 Classe de Exatidão................................................................................. 166
7.1.5 ASA STANDARD..................................................................................... 166
7.1.6 ANSI STANDARDS................................................................................. 169
7.1.7 ABNT....................................................................................................... 172
7.1.8 Transformadores de Potencial (TP)........................................................ 173
7.1.9 Transformador de Potencial Indutivo (TPI)............................................. 176
7.1.10 Transformador de Potencial Capacitivo (TPC)..................................... 180
7.1.11 Equipamentos de Transformação......................................................... 184
7.1.12 Comutadores Sob Carga...................................................................... 193

Capítulo 8 Equipamentos de Sistemas de Potência


e Equipamentos Acessórios..............................................................197
8.1 Equipamentos de sistemas de potência........................................................... 199
8.1.1 Definição Básica de uma Subestação.................................................... 199
8.1.2 Classificação das SEs............................................................................. 199
8.1.3 Sistema de Suprimento........................................................................... 202
8.1.4 Esquemas de Subestações de Média Tensão....................................... 202
8.1.5 EQUIPAMENTOS ACESSÓRIOS.......................................................... 206

CONCLUSÃO......................................................................................................... 216
Apresentação
Prezado(a) Aluno(a), Estamos iniciando a disciplina de Materiais
Elétricos, cujo conteúdo foi dividido em oito capítulos.

O capítulo I aborda a Classificação dos Materiais, suas proprieda-


des e principais características. Iremos conhecer os tipos de ma-
teriais, quanto ao seu estado físico, e as classificações em que
eles se enquadram. Também conheceremos as propriedades da
matéria quanto à sua estrutura, às suas propriedades físicas e mor-
fológicas, à origem das propriedades e às mudanças de fase das
substâncias, afinal, cada matéria apresenta seu estado físico, que
pode ser sólido, líquido ou gasoso, nessa perspectiva, considerare-
mos ainda os intervalos das fases, como: solidificação, liquefação,
fusão, ebulição. Outro ponto importante, nesse contexto, são as
propriedades dos materiais existentes, sendo eles: metais, cerâmi-
cos e polímeros. Porém, a junção desses materiais forma os com-
pósitos, materiais que podem apresentar características bastante
específicas e muito importantes para o uso diário em eletricidade.

No capítulo II, falaremos sobre Materiais Elétricos Condutores


quanto às suas características, quanto à condutividade e resistivi-
dade de cada material condutor, bem como quanto às suas aplica-
ções. Os materiais supercondutores e os materiais elétricos isolan-
tes, assim como suas principais características e importância para
o uso em eletricidade, também serão temas de nossos estudos.
Na sequência, falaremos sobre os estados dos isolantes: líquidos
(askarel, óleos de silicone, isolantes pastosos e ceras, pasta de
silicone, resinas e vernizes) e sólidos (papel, fibras sintéticas, ma-
teriais cerâmicos, vidro, minerais e borracha).

No capítulo III, estudaremos os materiais magnéticos e o seu com-


portamento. Acerca desse assunto, veremos a classificação dos
materiais magnéticos e discutiremos sobre a sua permeabilidade.
Esse capítulo ainda irá tratar de materiais semicondutores e do
conceito desse tipo de material. Na sequência, abordaremos as
redes cristalinas, a dopagem, a formação dos semicondutores tipo
N e tipo P e a influência térmica na sua utilização.

No capítulo IV, estudaremos sobre normalização, que é o con-


ceito de normas, e responderemos a estas perguntas: quando,
onde e como podemos usar normas. Apresentaremos as normas
internacionais, nacionais, regionais e internas ou particulares
que atendem todas as áreas de atuação profissional. Contudo,
especificaremos as que são utilizadas na área de eletricidade.
Falaremos ainda sobre as principais terminologias e ensaios,
que é o termo utilizado para conhecer as ferramentas de uso
comum entre profissionais da área de eletricidade, por exem-
plo: alicates comuns e de pensa terminal, chaves soquete e de
parafuso de fenda, desencapador de fios, ferro de solda, dentre
outros que mencionaremos no decorrer do capítulo.

No capítulo V, conversaremos sobre critérios e parâmetros de


especificação, em que abordaremos os tipos mais comuns de
geração de energia no Brasil, sendo que as hidroelétricas vêm
em primeiro lugar, as termoelétricas, em segundo lugar e, em
terceiro lugar, as nucleares. Na sequência, falaremos sobre as
transmissões de energia elétrica, os conceitos e os dimensiona-
mentos, finalizando com a distribuição de energia elétrica em:
residências, comércio e indústria.
No capítulo VI, começaremos a falar sobre Equipamentos de Ma-
nobra, que são os disjuntores. Portanto, estaremos descrevendo
os tipos de disjuntores, seus princípios, características, formas de
usar, propriedades e equipamentos de proteção, que são os fusí-
veis encapsulados, os para-raios e os resistores de aterramentos,
que são equipamentos que podem ser utilizados de acordo com as
seguintes classificações: residencial, comercial e industrial, sendo
que cada classificação possui modelos especiais que melhor se
adéquam a cada realidade.

No capítulo VII, começaremos a falar sobre equipamentos de controle


e medição, que são os transformadores de corrente e de potencial,
sendo que estes podem atuar tanto como capacitivo quanto induti-
vo, a respeito dele ainda veremos seu conceito, suas características,
aplicações e terminologias. A respeito de equipamentos de transfor-
mação, abordaremos o assunto analisando os seguintes aspectos:
transformadores como equipamento de transformação, seu conceito
quanto à importância da relação tensão/corrente, sua importância a
partir da transmissão de energia e suas terminologias.

No capítulo VIII, falaremos sobre equipamentos de sistemas de


potência e equipamentos acessórios, em que abordaremos a ne-
cessidade de princípios fundamentais para a construção de uma
subestação, com base em conceitos básicos e técnicos de estudos
de eletricidade, entre outros conceitos. Na sequência, falaremos
sobre esquemas de subestações em média tensão, cujo valor a
definir depende da NBR, em que o valor pode chegar a 68kV. Fi-
nalizamos esse capítulo falando sobre baterias, que se enquadram
como equipamento de acessórios para materiais elétricos.
Classificação de Materiais
Capítulo
1

Cledione Junqueira de Abreu

Introdução
Prezado aluno,
Estamos começando o capítulo I referente à classificação dos
materiais, suas propriedades e principais características. Neste
capítulo, iremos conhecer os tipos de materiais quanto ao seu
estado físico e as classificações em que se enquadram.
Durante o capítulo, conheceremos as propriedades da
matéria quanto à sua estrutura, às propriedades físicas e
morfológicas, à origem das propriedades e às mudanças
de fase das substâncias, afinal, cada matéria apresenta
seu estado físico, que pode ser sólido, líquido ou gasoso,
havendo também os intervalos das fases, como: solidificação,
liquefação, fusão, ebulição.
Na sequência, estaremos conversando sobre as propriedades
dos materiais existentes, sendo eles: metais, cerâmicos e
polímeros. Nesse contexto, falaremos sobre a junção desses
materiais, que formam os compósitos, materiais que podem
apresentar características bastante específicas e muito
importantes para o uso diário em eletricidade.
Caro(a) aluno(a), preparado(a) para começar os estudos
sobre a classificação dos materiais e compreender o quanto
são importantes para o uso diário em eletricidade?
Bons estudos!!
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Objetivos
• Definir a importâncias dos materiais.
• Classificar e dividir os tipos de materiais.
• Aplicar as áreas beneficiadas pelos materiais.
• Identificar a importância dos materiais na eletricidade.

Esquema
• Estudos dos materiais.
• Propriedades da matéria: estrutura, propriedades,
origem das propriedades, mudanças de fase da
substância.
• Propriedades dos materiais.

1.1 Classificação dos materiais elétricos

A ciência e a tecnologia dos materiais estão intimamente ligadas às


áreas de engenharia e ciências, como a física, metalúrgica, quími-
ca, eletricidade e mecânica. A diferença da área de materiais das
demais áreas é o fato de que as propriedades de um dado material
tem uma vida útil, cujas fases são: extração, fabricação, utilização
e, em muitos casos, reciclagem.

Assim, é importante estudar as inter-relações que existem entre a


estrutura de um material e suas propriedades. Devemos considerar
como conceito básico para o estudo de materiais a sua microestru-
tura, que está relacionada ao arranjo básico dos núcleos e elétrons
do material e aos defeitos existentes em escala atômica.

Na composição química e da estrutura da matéria, os materiais


podem pertencer a uma das 3 categorias: metais, cerâmicos e
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polímeros. A relação entre metais, cerâmicos e polímeros formam


os materiais compósitos, esta categoria é uma mistura homogênea
representada na figura a seguir.

Figura 1 - Diagrama representando as 3 categorias de materiais e compósitos

Fonte: Righi (s./d.)


1.1.1 Estudo de materiais

O objeto do estudo de materiais consiste em adquirir uma com-


preensão dos fundamentos físico-químicos e da sua aplicação aos
problemas de engenharia.

VOCÊ SABIA

Nas áreas de elétrica e eletrônica, destacam-se as leis e proprieda-


des dos materiais elétricos. Dos conceitos, consideramos:

Ciência dos Materiais: investiga as relações entre as estruturas e


as propriedades dos materiais.

Engenharia dos Materiais: tem como objetivo o projeto de mate-


riais, em que se visa a um conjunto de propriedades. Os métodos
utilizados nessa disciplina incluem: características, simulações,
concepção e aperfeiçoamento de métodos de síntese de materiais,
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processamento (modificação de materiais naturais ou sintéticos),


estudo de aplicações etc. Para tanto, serão feitas duas aborda-
gens: abordagem informativa (conhecimentos gerais, curiosidades,
cultura e diversão) e abordagem formativa (competências profis-
sionais, atuação profissional, visão de especialista, diagnóstico e
solução de problemas e iniciação ao projeto de engenharia).

1.1.2 ampliando os conhecimentos

Desde os períodos “Idade da Pedra”, “Idade do Bronze”, “Idade do


Ferro”, os materiais são fundamentais para o desenvolvimento da
nossa civilização.

Idade da pedra: no período da Pré-História, os seres humanos cria-


ram ferramentas de pedra, sua tecnologia mais avançada para a
época. Materiais como a madeira, os ossos, a pele foram utilizados
para a fabricação de cestos, cordas e couro. A pedra, em especial,
o sílex, o quartzo, o quartzito, a obsidiana, foi utilizada para fabricar
ferramentas e armas de corte ou percussão.

O descobrimento do fogo: o descobrimento do fogo e sua utilização de


maneira produtiva foram fundamentais para o homem em sua evolu-
ção. No decorrer da história, o homem encontrou formas diferentes de
utilizar o fogo: luz e calor resultantes da rápida combinação de oxigê-
nio ou, em alguns casos, de cloro gasoso com outros materiais.

1.1.3 Propriedades da matéria

Estrutura: é a organização dos elementos que constituem um


material. A estrutura do material pode ser analisada conforme as
grandezas: no nível atômico (organização dos átomos no espaço:
ligações, posições, interações energéticas, estados); no nível mi-
croscópico (abrange o conjunto de características estruturais da
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ordem de micrômetros e/ou milímetros); no nível macroscópico


(elementos estruturais observáveis a olho nu).

Propriedades: é o comportamento do material em resposta ou reação


a algum tipo de estímulo externo (força mecânica, calor, incidência
de radiações, campo elétrico, campo magnético, presença de subs-
tâncias químicas, tempo). Podem ser agrupadas em seis categorias
principais: óticas, mecânicas, químicas, elétricas, térmicas e químicas.

SAIBA MAIS

Para entender melhor, assista ao vídeo: <https://www.youtube.


com/watch?v=k2xdRjmkwlc>. Acesso em: 28 fev. 2016

Origem das propriedades: as propriedades dos materiais são con-


sequência de sua estrutura e de sua composição (elementos pre-
sentes, como os átomos, interagem energeticamente) e disposição
no espaço). Podemos dividir as propriedades em 3 grupos: gerais,
funcionais e específicas.

a. Propriedades Gerais: são propriedades inerentes a toda es-


pécie de matéria.

Extensão: é o espaço que a matéria ocupa ou o seu volume.

Massa: é a medida da quantidade de matéria.

Peso: é a força de atração que o centro da terra (força gravitacio-


nal) exerce sobre a massa dos corpos.

Inércia: é a propriedade que os corpos têm de manter o seu estado


de repouso inalterado, a menos que alguma força interfira e modi-
fique esse estado.
16 UNIUBE

Impenetrabilidade: duas porções de matéria não podem ocupar, si-


multaneamente, o mesmo lugar no espaço.

Divisibilidade: toda matéria pode ser dividida sem perder as suas


propriedades, até certo limite, ao qual chamamos de átomo.

Compressibilidade: é o volume ocupado por uma porção de maté-


ria que pode diminuir, devido à ação de uma força externa.

Porosidade: a matéria é descontínua, ou seja, existem espaços


(poros) entre as partículas que formam qualquer tipo de matéria.

b. Propriedades funcionais: são propriedades em grupos de ma-


térias, identificados pela função que desempenham. Ex.: áci-
dos, bases, sais, óxidos, álcoois, aldeídos, cetonas.

c. Propriedades Específicas: são propriedades individuais de


cada matéria.

Podem ser:

1. Organolépticas: são propriedades capazes de impressionar os


nossos sentidos, como: a cor, que impressiona a visão; o sabor,
que impressiona o paladar; o odor, que impressiona o olfato.

2. Químicas: são responsáveis pelos tipos de transformação que


cada matéria sofre. É a maneira de reagir de cada substância.
3. Físicas: são valores encontrados experimentalmente para o com-
portamento de cada tipo de matéria quando submetidas a condi-
ções normais e/ou anormais. Essas condições não alteram a cons-
tituição da matéria, por mais diversas que possam parecer.
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4. Densidade: é a relação entre a massa e o volume ocupado


pela matéria. Ex.: água 1,00 g/cm3; ferro 7,87 g/cm3.

5. Coeficiente de solubilidade: é a quantidade máxima que uma


matéria se dissolve totalmente em uma porção padrão de ou-
tra matéria (100g, 1000g), na CNTP.

6. Brilho: é a capacidade que a matéria possui de refletir a luz


que incide sobre ela.

7. Matéria opaca: é aquela que não se deixa atravessar pela


luz. Por exemplo, uma barra de ouro é brilhante e opaca, pois
reflete a luz sem se deixar atravessar por ela.

RELEMBRANDO

As fases de agregação das substâncias:

• Fase sólida: sua principal característica é a rigidez. As subs-


tâncias sólidas apresentam maior organização de suas partí-
culas (estruturas geométricas chamadas retículos cristalinos)
constituintes por possuir energia menor. Apresenta forma in-
variável e volume constante.

• Fase líquida: sua característica é a fluidez. As partículas se


apresentam desordenadas e com liberdade de movimento.
Apresentam energia intermediária entre as fases sólida e ga-
sosa. Possuem forma variável e volume constante.

• Fase gasosa: sua característica é o caos. Devido ao grande


espaço entre as partículas, há grande liberdade de movimen-
to. Essa fase apresenta maior energia.
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1.1.4 Mudanças de fase da matéria

O estado físico da matéria pode ser alterado por variações de tempe-


ratura e de pressão, sem que haja alteração na composição da maté-
ria. Cada mudança de estado recebeu uma denominação particular:

• Fusão: é a passagem da fase sólida para a líquida.

• Vaporização ou Evaporação: é a passagem do estado líquido


para o estado gasoso.

• Ebulição ou Calefação: é a passagem do estado líquido para


o estado de vapor.

• Sublimação: é a passagem do estado sólido diretamente para


o estado gasoso e vice-versa.

• Liquefação ou condensação: é a passagem do estado gasoso


para o estado líquido.

• Solidificação: é a passagem do estado líquido para o estado sólido.

Figura 2 – Mudanças de fase da matéria

Fonte: a autora
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IMPORTANTE

A diferença entre gás e vapor:

Vapor: estado que ocorre quando uma matéria, em seu estado ga-
soso, é capaz de ficar em equilíbrio com o líquido ou com o sólido
correspondente, podendo sofrer liquefação quando a temperatura
abaixa ou a pressão aumenta.

Gás: composição fluida e elástica, impossível de haver mudança de


estado só por um aumento de pressão ou diminuição de temperatura.

1.1.5 Propriedades dos materiais

Vamos estudar na sequência as propriedades dos materiais e suas


principais características:

1.1.5.1 Metais

Os metais são os materiais mais utilizados na eletricidade devido à


sua força e resistência mecânica. Eles são a maioria na tabela perió-
dica, sendo a maior parte sólida na CNTP, com exceção do mercúrio.

As principais características dos metais são:

a. Elasticidade: capacidade de um material absorver a força e


retornar à sua posição original.

b. Maleabilidade: capacidade de um material ser moldado em


todas as direções, sem rachaduras ou fissuras.

c. Resistência mecânica: capacidade de um material esticar


sem quebrar ou estalar.
20 UNIUBE

d. Condutividade elétrica: capacidade de um material conduzir


eletricidade.

e. Condutividade de calor: capacidade de um material produzir calor.

f. Opacos: são materiais que não permitem que raios de luz


atravessem por ele.

Metais são materiais inorgânicos compostos por substâncias, ligas


e soluções compostas de elementos metálicos da tabela periódica
que são classificados em:

1. Metais Alcalinos: Lítio, Sódio, Potássio, Rubídio, Césio, Frâncio.

2. Metais Alcalinos-Terrosos: Berílio, Magnésio, Cálcio,


Estrôncio, Bário, Rádio.

3. Metais de Transição: Ferro, Cobre, Ouro, Platina, Mercúrio.

4. Metais Representativos: Alumínio, Estanho, Chumbo.

Devido às suas propriedades, os metais são extremamente impor-


tantes como materiais elétricos e magnéticos. Como exemplo, a
figura a seguir ilustra alguns metais que podem compor cabos e
fios elétricos, núcleos magnéticos dos transformadores, geradores
e motores elétricos, ímãs permanentes etc.
UNIUBE 21

Figura 3 – Exemplos de metais

Fonte: Righi (s./d.)

Metais podem ser classificados em:

a. Ferrosos: são todos os materiais metálicos que contribuem


com uma quantidade de ferro em sua composição.

b. Não ferrosos: são todos os materiais metálicos que não con-


têm ferro ou cuja parcela de ferro é “insignificante”, por exem-
plo, o Ferromagnetismo.

1.1.5.2 Cerâmicas

A cerâmica é material constituído pelo homem e foi desenvolvida


para aplicações domésticas, sendo usadas como potes e vasilhas.
O homem descobriu que misturas de barro e outras substâncias
podiam ser moldadas e depois endurecidas pela ação do calor.

Diferente dos metais, as cerâmicas não aparecem na tabela pe-


riódica, portanto não são elementos químicos; em compensação
são misturas ou soluções de materiais inorgânicos, na sua maioria,
22 UNIUBE

não metálicos, preparados com a ação do calor e resfriamento. As


principais características das Cerâmicas são:

1. Pouca elasticidade.

2. Pouca maleabilidade.

3. Fragilidade.

4. Isolantes elétricos

5. Isolantes térmicos

6. Algumas são transparentes.

As cerâmicas podem ser classificadas em:

1. Cristalinas: vidro e cimento, grafite.

2. Amorfas: materiais elétricos e magnéticos cerâmicos são al-


guns tipos de isoladores, semicondutores e ferrites.

Figura 4 – Exemplos de isolantes cerâmicos

Fonte: Righi (s./d.)


UNIUBE 23

1.1.5.3 Polímeros

São materiais orgânicos muito importantes na vida cotidiana. Alguns


encontrados na natureza, tais como: madeira, couro, seda, óleos,
papel, borracha. Outros não existem na natureza e foram criados
pelo homem, tais como: borracha sintética, adesivos e plásticos.

Polímeros são estruturas gigantes de macromoléculas, basicamen-


te hidrocarbonetos com átomos de elementos como: oxigênio, cloro,
flúor, nitrogênio, enxofre. Os polímeros podem ser classificados em:

1. Plásticos: são sólidos, mas, durante seu processo de fabrica-


ção, o calor e pressão os colocam no estado “plástico” para
que possam ser moldados. Por exemplo: PVC, polietileno,
náilon, teflon, baquelita e poliuretano.

2. Fibras: a borracha natural e sintética e a cola de silicone são


muito elásticas e, em função disso, são chamadas de elastô-
metros, bem como as moléculas muito longas, com mais de
100 vezes seu diâmetro, como o náilon, poliéster e a celulose.

3. Resinas líquidas: são polímeros utilizados na forma líquida


como adesivos, selantes ou isolantes.

Figura 5 – Polímeros sintéticos

Fonte: Righi (s./d.)


24 UNIUBE

PARADA OBRIGATÓRIA
Classificação dos Materiais Elétricos segundo as suas
aplicações

Figura 6 – Materiais Elétricos: condutores, isolantes e semicondutores

Fonte: Righi (s./d.)

Figura 7 – Materiais Magnéticos hard e soft

Fonte: Righi (s./d.)


UNIUBE 25

RELEMBRANDO

Materiais isotrópicos: se suas propriedades elétricas, mecânicas, térmi-


cas são as mesmas em todas as direções, esses materiais podem ter
estruturas microscópicas homogêneas ou não homogêneas. Exemplo: o
aço, que, apesar de sua estrutura, não pode ser homogêneo.

Materiais anisotrópicos: têm propriedades variáveis com a direção.


Os cristais, por exemplo, têm a estrutura ordenada dependendo
da direção, sendo considerados materiais anisotrópicos. Um outro
exemplo seriam certos minerais que possuem uma dureza distinta
consoante à direção em que é feito o ensaio de dureza. No estu-
do de resistência dos materiais, um material é dito anisotrópico se
suas propriedades mecânicas são dependentes das direções.

Materiais ortotrópicos: suas propriedades térmicas são únicas e in-


dependentes nas três direções mutuamente perpendiculares. Por
exemplo: a madeira (a madeira em um determinado ponto é descri-
ta nas direções longitudinal, radial e tangencial).

Figura 8 – Madeira: exemplo de material ortotrópico. O eixo longitudinal (1)

é paralelo à direção da fibra (grão); o eixo radial (2) é normal aos anéis de-

crescimento e o eixo tangencial (3) é tangente aos anéis de crescimento.

Fonte: Righi (s./d.)


26 UNIUBE

1.1.6 Considerações Finais

Caro(a) aluno(a),

Estamos encerrando o capítulo I, em que tratamos da classifica-


ção dos materiais e como estes são importantes no cotidiano dos
profissionais que atuam em todas as áreas, em especial, dos pro-
fissionais da área elétrica. Vimos que cada material tem suas es-
pecificações, qualidades e propriedades, as quais determinam sua
aplicabilidade, sendo, nesse sentido, importante diferenciar tais di-
ferenças para sempre fazer o melhor uso de cada material.

Outros pontos importantes abordados neste capítulo foram a im-


portância dos estados físicos e os tipos de materiais condutores e
isolantes em forma de fluxograma, o qual apresentou as proprieda-
des e nomenclaturas especiais dos materiais.

Assim, encerramos o capítulo I sobre a classificação dos materiais.


Materiais condutores e
Capítulo
2
materiais isolantes

Cledione Junqueira de Abreu

Introdução
Prezado(a) aluno(a),
Estamos começando o capítulo II, que foi dividido em
duas partes, assim estudaremos sobre materiais elétricos
condutores e materiais elétricos isolantes,
Na primeira parte, analisaremos os materiais condutores
quanto às suas características, condutividade e resistividade,
bem como quanto às suas aplicações, nesse contexto, ainda
estudaremos sobre aos materiais supercondutores.
A segunda parte abordará os materiais isolantes, sobre
os quais, de início, serão apresentadas as principais
características e a importância para a eletricidade. Na
sequência, falaremos sobre os estados dos isolantes: líquidos
(askarel, óleos de silicone, isolantes pastosos e ceras, pasta
de silicone, resinas e vernizes) e os sólidos (papel, fibras
sintéticas, materiais cerâmicos, vidro, minerais e borracha).
Caro(a) aluno(a), preparado(a) para iniciar os estudos sobre
materiais condutores e materiais isolantes?
Bons estudos!!
Objetivos
• Definir e caracterizar qualidades dos materiais condutores.
• Identificar e obter a composição dos materiais condutores.
• Classificar os tipos de materiais condutores.
• Definir e caracterizar qualidades dos materiais isolantes.
• Identificar e obter a composição dos materiais isolantes.
• Classificar os tipos de materiais isolantes.

Esquema
• Características dos materiais condutores
• Materiais de elevada condutividade
• Materiais de elevada resistividade
• Aplicações especiais
• Materiais supercondutores
• Classificação dos materiais isolantes
• Isolantes líquidos: o askarel, óleos de silicone,
isolantes pastosos e ceras, pasta de silicone, resinas,
vernizes
• Isolantes sólidos: o papel, fibras sintéticas, materiais
cerâmicos, vidro, minerais, borracha

2.1 Materiais condutores

Os materiais condutores são classificados pelas grandezas:


• condutividade ou resistividade elétrica;
• coeficiente de temperatura;
• condutividade térmica;
• potencial de contato;
• comportamento mecânico.
UNIUBE 29

A utilização dos materiais condutores depende dessas grandezas


para que esses desempenhem as funções que lhes competem. Os
metais nobres são os principais materiais de elevada condutividade
elétrica, pois se empregam como condutores para enrolamentos de
máquinas elétricas e transformadores. Por outro lado, também há
interesse em materiais como ligas de alta resistência, para fins de
fabricação de resistências elétricas, aparelhos de calefação, fila-
mentos para lâmpadas incandescentes.

2.1.1 Características de Materiais Condutores

a. Variação da resistividade com a temperatura e a frequência.

A resistência elétrica de uma determinada peça de um material cuja


unidade Ω é dada pela equação a seguir:

Onde:

ρ - resistividade elétrica do material (Ω.m);

A - área seção transversal (m2);

l - comprimento do condutor (m).

Quando aumenta a temperatura de um condutor, as partículas se


movimentam interferindo nos movimentos dos elétrons. Essa influ-
ência provoca perdas nos deslocamentos dos elétrons e, também,
aquecimento do corpo condutor.

b. Resistência de contato nos metais

Não é possível sobrepor uma peça metálica a outra com objetivo


de provocar contato elétrico, uma vez que essas ficam, na verdade,
30 UNIUBE

separadas, independentemente da pressão que se faça sobre elas.


Mesmo tendo pontos de contato perfeito, a distância do resto dos
pontos é da ordem de mm, por isso o termo: resistência de contato
(relação entre a tensão nos bornes de um contato e a intensidade
de corrente que o atravessa).

A troca de energia de uma peça para outra pode ocorrer de dois modos:

I. de uma zona de contato íntimo ou de condução;

II. de uma zona de rompimento, em que o gradiente de poten-


cial pode alcançar valores elevados, muito pouco inferiores à
rigidez dielétrica do ar.

Elementos como a prata, o cobre, o bronze, o latão e o tungstênio


fazem bons contatos, porém a resistência dos contatos de alumínio
é muito elevada.

2.1.2 Materiais de elevada condutividade

Classificação do cobre e suas ligas quanto à:

I. Pequena resistividade: o principal elemento é a prata, porém


devido ao seu valor alto de mercado não permite o uso em
grandes quantidades; suas características mecânicas são
favoráveis e há baixas oxidações para a maioria das aplica-
ções; já o cobre oxida mais lentamente do que outros metais,
perante elevada umidade, porém a oxidação é bastante rápi-
da quando o metal sofre aumento de temperatura.

II. Fácil deformação a frio e a quente: a redução da seção trans-


versal do cobre é considera fácil, mesmo para fios com fra-
ções de milímetros de diâmetro.
UNIUBE 31

PARADA PARA REFLEXÃO


A característica do cobre é a sua cor avermelhada, o que difere
de outros metais, como o ouro, que são geralmente cinzentos. A
condutividade é que define o grau de pureza do cobre. Sua má-
xima pureza encontrada é em ambiente sem oxigênio, quando se apro-
xima da condutividade do cobre eletrolítico. Portanto, podemos concluir
que a condutividade elétrica do cobre é muito influenciada pela presença
de impurezas, mesmo em pequenas quantidades.

A resistividade do cobre a 20oC é de: ρCu = 1,7241mWcm2/cm e


seu coeficiente de termorresistividade vale: α = 0.00393/ºC.

O cobre resiste à água, fumaças, sulfatos, carbonatos. Ele é obtido


em forma eletrolítica, fundido e transformado em lingotes. Quando ex-
posto a baixas temperaturas, o cobre se torna mais duro e elástico e
reduz sua condutividade, conhecido como estado de cobre encruado.

2.1.2.1 Aplicações do cobre

O cobre apresenta diversas formas devido às suas características e


propriedades puras. O cobre encruado ou duro é usado quando se
exigem elevada dureza, resistência à tração e desgaste, por exemplo:
no caso de redes aéreas de cabo nu em tração elétrica, em especial,
para fios telefônicos, para peças de contato e para anéis coletores.

Em outros casos, como em enrolamentos, barramentos e cabos


isolados, usa-se o cobre mole ou recozido. Porém, o cobre não
pode ser usado na forma pura, por isso a utilização das ligas de
cobre. Essas ligas são constituídas com metais escolhidos para
compensar ou melhorar as propriedades do cobre.
32 UNIUBE

2.1.2.2 Ligas de cobre

A liga para a sua utilização depende de aspectos econômicos, pois


a adição de determinados elementos como o níquel e o estanho
podem aumentar o preço da liga, consequentemente, aumentando
as propriedades. Em contrapartida, a presença de elementos como
o zinco e chumbo permitem abaixar o preço sem redução notável
de características técnicas.

Tabela 1 – Características das Ligas de Cobre

CONDUTIVIDADE, RESISTÊNCIA
ALONGAMENTOS
LIGA TRATAMENTOS EM RELAÇÃO À TRAÇÃO,
(%)
AO COBRE (%) EM kg/mm2
Cu + Cd Recozido 95 Até 31 50

Encruado 83-90 Até 73 4


(0,9 Cd)
Bronze Recozido 55-60 29 55

0,8 Cd + 0,6 Encruado 50-55 Até 73 4


SnCu > 60%
Bronze Recozido 15-18 37 45

Encruado 15-18 Até 97 4


2,5 al + 2 Sn
Bronze Recozido 10-15 40 60
fosforoso
Encruado 10-15 105 3

7 Sn + 1 P
Latão Recozido 25 32-35 60-70

Encruado 25 Até 88 5
30 Zn

Bronze BI
0,1% Mn, o - 82 50-52 -
resto Cu

BII 0,8 Mn ou
- 60 56-58 -
1% Sn + 1 Cd
UNIUBE 33

BIII 2,4% Sn
ou 1,2 Sn - 31 66-74 -
+ 1,2 Zn

Fonte: Materiais... (s./d., p. 3)

Exemplos de liga de cobre são os bronzes, que apresentam caracterís-


ticas de resistência ao desgaste por atrito, fácil usinagem e elasticidade.

As ligas de cobre e estanho podem suportar adições importantes


de chumbo, de zinco e até de níquel. Suas principais aplicações
são: em rolamentos, partes de máquinas, engrenagens, trilhos de
contato, molas condutoras, fios finos e peças fundidas.

Os latões tradicionais são ligas de cobre e zinco, em que se adi-


cionam chumbo ou alumínio. Seu uso é pouco comum, devido a
problemas de corrosão. Por isso, foram elaborados latões de alta
resistência, cuja constituição é: 55-70% Cu, 20-35% Zn + Al, Mn,
Fe, Ni, Sn, que possuem excelentes propriedades mecânicas e alta
resistência à corrosão em determinados ambientes.

Outras ligas de cobre seriam: cobre-alumínio (8 a 12% de alumínio)


com propriedades comparáveis a dos aços inoxidáveis, além da
possibilidade de obter com facilidade por fundição em areia ou em
moldes metálicos; ligas cobre-cromo etc.

2.1.2.3 Alumínio e suas ligas

O alumínio é considerado o segundo metal mais usado na ele-


tricidade, o que tem trazido bastante preocupação em substituir
as aplicações do cobre pelo alumínio, por motivos econômicos.
Mesmo sendo um material com propriedades de bom condutor e
sua produção ter aumentado muito, o problema é a sua fragilidade
mecânica e sua rápida oxidação.
34 UNIUBE

Alumínio Cobre Padrão


Característica física
(duro) (duro) IACS*
Densidade a 20ºC (g/cm3) 2,70 8,89 8,89
Condutividade mínima por-
61 97 100
centual a 20ºC
Resistividade máxi-
0,0282 0,0177 0,0172
ma a 20ºC (Ωmm2/m)
Relação entre os pesos de conduto-
res de igual resistência em corrente 0,48 1,03 1,00
contínua e igual comprimento
Coeficiente de variação da re-
0,0040 0,0038 0,0039
sistência por ºC a 20ºC
Calor específico (cal/gºC) 0,214 0,092 0,092
Condutividade térmica (cal/cm3.s.ºC) 0,48 0,93 0,93
Módulo de elasticidade do
7.000 12.000 -
fio sólido (kgf/mm2)

Coeficiente de dilatação linear/ºC 23.10-6 17.10-6 17.10-6

Padrão IACS: Padrão Internacional do


cobre recosido, tomado como refe-
rência de 100% de condutividade.

Dentre as principais vantagens do alumínio, podemos mencionar


que, para se fazer um fio de alumínio, por exemplo, é necessário
metade do peso desse material do que para se fazer a mesma
espessura de um fio de cobre, reduzindo o custo dos elementos
de sustentação envolvidos; como desvantagem, há necessidade
de condutores de alumínio com diâmetro maior, o que não seria
necessário se o material fosse cobre. O uso do alumínio é utilizado
nas instalações elétricas em aviões. Outra desvantagem do alumí-
nio é a sua rápida oxidação, que forma uma fina película de óxido
de alumínio cuja propriedade é evitar que a oxidação se amplie,
porém essa película apresenta uma resistência elétrica elevada e
uma tensão de ruptura de 100 a 300V, dificultando a soldagem do
UNIUBE 35

alumínio e havendo a necessidade de pastas especiais.

Tabela 2 – Características das ligas de alumínio


Resist. Dureza Condut. Coeficiente
Composição Tipo Tração Brinell Elétrica de tempera- Características
(kgmm2) (kgmm2) (Ωmm2/m) tura αT (1/ºC)
Ligas normais:
Mole < 25 < 60 28 3,5.10-3
Encruado 40 100 20 2,1.10-3
AlCuMg Para constru-
Ligas com elevadas resistências:
ção de peças;
Encruado 40 110 - -
Duralumínio Encruado sofrem corrosão

e laminado 30 ... 50 120 - -


a frio
Al Mg Si Mole 8 35 30 3,5.10-3 Resistência me-

Duro 16 55 26 3,5.10 -3 cânica média, boa


Laminado deformabilidade,
10 60 27 2,8.10-3
a frio boa estabilida-
Laminado a quente20 80 27 2,8.10-3 de química
Al Mg Si Mole 10 30 30 3,6.10-3
Uso em cabos
Encruado 30 80 33 3,6.10-3
(Aldrey)
Mole 22 55 20 2,4.10-3 Estável contra
Meio mole 28 70 17 2,1.10-3
água do mar; não
Al Mg
suporta soluções
alcalinas. Quanto
(valores Duro 30 90 15 1,8.10-3
maior % Mg
médios)
maior dificuldade
para soldagem
Mole 7 20 25 2,7.10-3 Melhor estabi-
Meio mole 12 30 24 2,7.10-3 lidade que Al,
Al Mn
Duro 15 40 23 2,7.10-3 boa capacidade
de soldagem
Mole 15 40 23 2,4.10-3 Estabilidade
média perante
Al Mg Mn Meio mole 20 50 22 2,4.10-3
sais e ácidos
Duro 25 60 21 2,4.10-3

Fonte: Materiais Condutores (s./d. , p. 5)

O peso específico das ligas de alumínio é muito pequeno o que


leva, na área eletrotécnica, às seguintes aplicações principais:
36 UNIUBE

1. redução do peso em equipamentos portáveis;

2. redução de massa e energia cinética em partes de equipa-


mento elétrico em movimento;

3. facilidade no transporte de equipamentos;

4. redução do peso (estrutura mais leve) em estruturas de su-


porte de materiais elétricos;

5. uso particular de ligas com manganês em locais de elevada


corrosão.

Chumbo (Pb)

Resistência à tração (kgf/mm2) 1,6


Alongamentos % 55
Peso específico a 20ºC (g/cm )
3
11,4
Temperatura de fusão (ºC) 327
Temperatura de evaporação (ºC) 1560
Coeficiente de temperatura da resistência αT a 20ºC 4,10
(1/ºC) .10-3
Resistividade a 20ºC (Ωmm2/m) 0,20 a
0,22

O chumbo tem coloração cinzenta, com brilho metálico intenso se


não oxidado. Sua resistência é elevada contra a ação da água po-
tável, por causa da presença de carbonato de chumbo, sal, ácido
sulfúrico. O chumbo é venenoso e permite sua soldagem.

Em aplicações elétricas, é encontrado, por exemplo, nas finas cha-


pas ou folhas, nas blindagens de cabos com isolamento de papel
nos elos fusíveis. Em suas ligas, o chumbo é encontrado junto com
UNIUBE 37

antimônio, cádmio, telúrio, estanho e cobre, em que sua constitui-


ção adquire elevada resistência mecânica e vibração, prejudicando
a resistência e formando a corrosão.

Estanho (Sn)

Resistência à tração (kgf/mm2) 1,5 – 4,0


Alongamentos % -
Peso específico a 20ºC (g/cm )
3
7,3 a 7,8
Temperatura de fusão (ºC) 232
Temperatura de evaporação (ºC) 2360
Coeficiente de temperatura da resistência αT a 20ºC 4,40
(1/ºC) .10-3
Resistividade a 20ºC (Ωmm2/m) 0,114

É um metal branco prateado e mole, porém mais duro que o chum-


bo. A sua resistividade é elevada, o que faz aumentar a tempe-
ratura com a passagem de corrente. Em temperaturas inferiores
a 18oC, o metal forma manchas cinzentas, que desaparecem se a
temperatura aumentar novamente. Porém, se aquecer acima de
160ºC, o material perde suas propriedades e se torna quebradiço e
decompõe na forma de pequenos cristais. À temperatura ambiente,
o estanho não se oxida mesmo com a presença de água. Este é um
dos motivos que o estanho é usado para revestimento.

Prata (Ag)

Resistência à tração (kgf/mm2) 16-30


Alongamentos % 50
Peso específico a 20ºC (g/cm3) 10,5
Temperatura de fusão (ºC) 960
Temperatura de evaporação (ºC) 1918
38 UNIUBE

Coeficiente de temperatura da resistência αT a 20ºC 3,60 a


(1/ºC) .10-3 4,00
Resistividade a 20ºC (Ωmm /m)
2
0,0162

Sua cor prateada é brilhante naturalmente, porém escurece devido


ao óxido de prata ou sulfito de prata quando em contato com o ar.
Dentre os metais nobres, a prata, em seu estado pur,o é a mais
utilizada comercialmente em peças de contato (são as placas em
que se dá o contato mecânico); é considerado um bom material
condutor. As ligas de prata a misturam com Ni, Co, Pd, Br e W.

Ouro (Au)

Resistência à tração (kgf/mm2) 27


Alongamentos % -
Peso específico a 20ºC (g/cm )
3
19,3
Temperatura de fusão (ºC) 1063
Temperatura de evaporação (ºC) 2700
Coeficiente de temperatura da resistência αT a 20ºC 3,70
(1/ºC) .10-3
Resistividade a 20ºC (Ωmm2/m) 0,021-
0,024

A condutividade elétrica do ouro é muito boa devido à sua estabili-


dade química e consequente resistência à oxidação e sulfatação.
Nas características mecânicas, é adequado para aplicações elétri-
cas, porém com respaldo, devido ao seu preço elevado. Na prática
é encontrado em peças de contato na área de correntes muito bai-
xas, pois evita a ruptura em casos de oxidação, e em eletrônica e
telecomunicações para peças de contato.

Platina (Pt)
UNIUBE 39

Resistência à tração (kgf/mm2) 20-40


Alongamentos % 3-45
Peso específico a 20ºC (g/cm )
3
21,4
Temperatura de fusão (ºC) 1773
Temperatura de evaporação (ºC) 4300
Coeficiente de temperatura da resistência αT a 20ºC 30,7
(1/ºC) .10-3
Resistividade a 20ºC (Ωmm2/m) 0,10

A platina faz parte da família dos metais nobres, sendo suas caracte-
rísticas: estável, relativamente mole, em espessuras até 0,0025mm,
fios finos (diâmetro de até 0,015mm). Dentre as suas propriedades,
é considerado antioxidante por seu uso elétrico e é encontrado em
peças de contato, anodos, fios de aquecimento. A desvantagem do
uso da platina é a sua dilatação, que dificulta a leitura de temperaturas
em determinado ponto. Entre – 200oC a + 500oC, a platina permite a
leitura mais exata da temperatura do que outros metais.

Mercúrio (Hg)

Resistência à tração (kgf/mm2) -


Alongamentos % -
Peso específico a 20ºC (g/cm3) 13,55
Temperatura de fusão (ºC) Solidif.
-39
Temperatura de evaporação (ºC) 357
Coeficiente de temperatura da resistência αT a 20ºC 0,9
(1/ºC) .10-3
Resistividade a 20ºC (Ωmm2/m) 0,95-0,96

Dentre os metais, o mercúrio é o único que se encontra em estado


líquido em temperatura ambiente. Quando aquecido, oxida-se em
contato com o ar. Na prática, é usado em termômetros resistivos
40 UNIUBE

para leituras entre 0oC e 100oC, como também para chaves bas-
culantes usadas em conjunto com sistemas mecânicos, como re-
lógios, retificadores, lâmpadas (vapor de mercúrio). A maioria dos
metais se dissolve no mercúrio, exceto Fe e W. Os vapores de
mercúrio são venenosos.

Zinco (Zn)

Resistência à tração (kgf/mm2) 3-36


Alongamentos % 0,5 a 50
Peso específico a 20ºC (g/cm )
3
7,14
Temperatura de fusão (ºC) 419
Temperatura de evaporação (ºC) 900
Coeficiente de temperatura da resistência αT a 20ºC 3,5 a 4,7
(1/ºC) .10-3
Resistividade a 20ºC (Ωmm2/m) 0,06

O zinco é um metal branco-azulado com o maior coeficiente de


dilatação entre os metais. Em temperatura ambiente e entre 200oC
- 250oC, é quebradiço, a 250° pode se tornar pó; entre 100oC -
150oC, se torna mole e maleável, quando permite a redução a finas
chapas e fios. Quando coberto com uma fina película de óxido ou
carbonato de zinco, o zinco é quimicamente estável no ar.

Ligas de zinco

Ligas cristalinas Zn-Al-Cu são cristais mistos, que se transformam e apre-


sentam o chamado envelhecimento. São notadas por uma elevação do
volume e redução das características mecânicas do alongamento.

As ligas de Al-Zn apresentam envelhecimento e se destacam por


ter uma dilatação mínima. Essas ligas são constituídas com 4% de
Al, 0,6% de Cu, 0,05% de Mg e o resto de Zn. Essa liga é de fácil
soldagem
UNIUBE 41

Cádmio (Cd)

Resistência à tração (kgf/mm2) 6


Alongamentos % -
Peso específico a 20ºC (g/cm )
3
8,6
Temperatura de fusão (ºC) 321
Temperatura de evaporação (ºC) 767
Coeficiente de temperatura da resistência αT a 20ºC -
(1/ºC) .10-3
Resistividade a 20ºC (Ωmm2/m) -

O seu brilho metálico permite que seja usado como metal de reco-
brimento e como proteção contra a oxidação. É um acompanhan-
te constante dos minérios de zinco, que constitui um subproduto.
Devido ao seu alto valor comercial, o cádmio é substituído pela
zincagem, assim ele é destinado, sobretudo, à fabricação das ba-
terias de Ni-Cd.

Níquel (Ni)

Resistência à tração (kgf/mm2) 40-45


Alongamentos % 25 a 30
Peso específico a 20ºC (g/cm )
3
8,9
Temperatura de fusão (ºC) 1450
Temperatura de evaporação (ºC) 3147
Coeficiente de temperatura da resistência αT a 20ºC 5 a 6
(1/ºC) .10-3
Resistividade a 20ºC (Ωmm2/m) 0,07-0,09

De cor cinza claro, apresenta propriedades ferromagnéticas. Em


seu estado puro, na forma gasosa, é usado em tubos e para reves-
timentos de metais de fácil oxidação. Resistente a sais, gases, ma-
teriais orgânicos, mas é sensível à ação do enxofre. Não reage a
altas temperaturas, nem mesmo até 500oC. A deformação a quente
42 UNIUBE

é processada a 1100oC, devido à sua elevada dureza, porém, essa


deformação é feita a frio, permitindo obter fios de até 0,03mm de
diâmetro. Usado para fios de eletrodos, anodos, grades, parafusos.
Em lâmpadas incandescentes, os fios de níquel são usados como
alimentadores do filamento de Tungstênio devido ao seu comporta-
mento térmico. Dentre as ligas, encontramos acumuladores de Ni-
Cd; as ligas de Ag-Ni para contatos elétricos; em ligas Ni-Cu, altera
a cor típica do cobre, tornando-se praticamente igual à prata com
40% de Ni; a liga Ni-Cr (ou nicrom), com pequenos acréscimos de
ferro manganês, suporta bem o calor, que reduz a possibilidade de
oxidação do níquel.

Cromo (Cr)

Resistência à tração (kgf/mm2) -


Alongamentos % 100-10-7
Peso específico a 20ºC (g/cm3) 7,2
Temperatura de fusão (ºC) 1920
Temperatura de evaporação (ºC) 2660
Coeficiente de temperatura da resistência αT a 20ºC -
(1/ºC) .10-3
Resistividade a 20ºC (Ωmm2/m) 0,7-0,8

O cromo é um material de brilho prateado-azulado e extremamente


duro, não modifica suas propriedades em contato com ar, tem ele-
vada estabilidade térmica, alta resistividade elétrica e permite bom
polimento. Sofre oxidação com temperaturas superiores a 500oC e
sob ação de enxofre e de sais.
UNIUBE 43

Tungstênio (W)

Resistência à tração (kgf/mm2) 180-200


Alongamentos % 2-5
Peso específico a 20ºC (g/cm )
3
10,2
Temperatura de fusão (ºC) 2630
Temperatura de evaporação (ºC) 3600
Coeficiente de temperatura da resistência αT a 20ºC 4,8
(1/ºC) .10-3
Resistividade a 20ºC (Ωmm2/m) 0,0477

O tungstênio é utilizado em eletricidade na forma de pó, que resulta


de pequenas aderências entre cristais, sendo comprimido em barras
a pressões de 2000 atm. Porém, devido ao alto custo para obtenção
desses produtos elétricos, sua utilização é limitada. Por causa da du-
reza e por já ser um material quebradiço, o tungstênio não permite usi-
nagens ou furação convencionais. Sua utilização é bastante comum
em filamentos de lâmpadas incandescentes que operam em tempera-
turas por volta de 2000oC e também na proteção contra radiações X,
em que usa-se uma liga de 93% de W, 5% de Ni e 2% de Cu. Também
é usado em ligas em que os materiais estão expostos a elevadas tem-
peraturas, por exemplo, intensos arcos voltaicos.

Ferro (Fe)

O ferro tem aplicação em materiais estruturais e magnéticos, de-


vido à sua condutividade bastante pertinente para a sua utilização
como condutor elétrico. Podem ser utilizados em:

a. circuitos de tração elétrica: utilizado nas estradas de ferro, em


que o retorno do circuito para a corrente elétrica é formado
nos próprios trilhos, soldados e ligados por cabos de cobre;
44 UNIUBE

b. ligas de ferro para resistências elétricas: as resistências elé-


tricas utilizadas para aquecimento são constituídas de ferro;

c. linhas aéreas: nestas, são utilizados frequentemente como


condutores (eletrificação rural ou aço galvanizado), para au-
mentar a resistência mecânica.

Materiais de Elevada Resistividade

As ligas metálicas resistivas são utilizadas com três finalidades básicas:

1. Ligas para fins térmicos ou de aquecimento: precisam de al-


tas temperaturas, estas precisam estar estabilizadas, sendo
cada liga um valor de temperatura máxima.

2. Ligas para fins de medição: devem ter resistores com coefi-


ciente de dilação máximo de 2,5.10-6oC-1 e um tensão bai-
xa e constante. Essas ligas sofrem deformação a frio, o que
acarreta o envelhecimento após o uso, sendo necessário um
tratamento térmico controlado, eliminando tensões internas e
estabilizando os cristais de forma homogênea.

3. Ligas para fins de regulação: o ferro, o níquel e o cromo são os


melhores metais que satisfazem essas ligas, devido à resisti-
vidade elevada, baixa variação da resistividade com a tempe-
ratura, alta resistência química aos agentes oxidantes (carbu-
rantes e sulfurantes) e propriedades mecânicas que permitem
o seu funcionamento por mais tempo em altas temperaturas.

Com as ligas de que é constituído o ferro, podem ser resolvidos


problemas na fabricação de reostatos, resistências de aquecimen-
to para fornos, aquecedores de aparelhos. Esses reostatos supor-
tam temperaturas por volta de 600oC e podem ser empregadas:
UNIUBE 45

• Liga A: 12Ni + 12Cr + 76Fe – aplicada em resistências de


aquecimento à temperatura moderada e em reostatos de ar-
ranque de motores.

• Liga B: 36Ni + 11Cr + 53Fe – aplicada em resistências de


aquecimento à temperatura moderada. Aquecimento domés-
tico. Reostatos de motores de tração.

• Liga C: 48Ni + 22Cr + 30Fe – aplicada na fabricação de ra-


diadores e fornos que trabalham a altas temperaturas e em
aparelhos de medida em temperaturas elevadas.

• Liga D: 60Ni + 15Cr + 25Fe – aplicada na fabricação de radia-


dores e em fornos que trabalham a altas temperaturas e em
aparelhos de medida em temperaturas elevadas.

• Liga E: 80Ni + 20Cr – aplicada em fabricação de radiadores


luminosos, em fornos que trabalham a altas temperaturas e
em aparelhos de laboratório.

2.1.2.4 Ligas Fusíveis

Para construir fusíveis, são necessários materiais que reagem en-


tre 60 a 200oC. Suas propriedades especiais devem ser consulta-
das com os fabricantes ou em manuais especializados. São utili-
zadas na proteção de circuitos elétricos constituídos de: bismuto,
cádmio, chumbo, estanho.

Tabela 3 – Ligas Fusíveis

COMPOSIÇÃO Ponto de Fusão


Bi Pb Sn Cd He o
C
20 20 60 20
50 27 13 10 72
46 UNIUBE

52 40 8 92
53 32 15 96
54 26 20 103
29 43 28 132
32 50 18 145
50 50 160
15 41 44 164
33 67 166
20 80 200
Fonte: Materiais Condutores (s./d., p. 18)

Se um condutor é aquecido na passagem de uma corrente elétrica


e mantém uma temperatura estável, a energia que foi transformada
em calor, conhecida como Efeito Joule, é igual ao calor que deixa a
superfície do condutor por convecção e radiação.

Tabela 4 – Coeficiente de Preece para alguns materiais

Diâmetro do Fio Diâmetro do Fio


Material
(polegadas) (milímetros)
Cobre 10244 80
Alumínio 7585 59,3
Liga Cobre-Níquel (60:40) 5680 44,4
Prata Alemã 5230 40,9
Platina 5172 40,4
Ferro 3148 24,6
Estanho 1642 12,83
Chumbo 1379 10,77
Liga Chumbo-Estanho 1318 10,30
(2:1)
Fonte: Materiais Condutores (s./d., p. 18)

2.1.3 Materiais supercondutores

O supercondutor é um fenômeno que tem sido estudado desde


1911, quando foi descoberto pelos holandeses. Ele pode conduzir
UNIUBE 47

eletricidade sem resistência elétrica e a temperaturas acima do


zero absoluto, como também conduzir eletricidade sem perdas,
transportando grande quantidade de corrente em condutores de
seção transversal pequena.

Figura 9 – Temperatura Crítica

Fonte: Materiais... (s./d, p. 19)

As bobinas dos supercondutores são geralmente resfriadas com


hélio líquido, uma substância cara e difícil de lidar. Eles são aplica-
dos em aparelhos médicos de ressonância magnética. Em 1986,
depois de estudos de materiais que apresentavam perdas signifi-
cativas de resistência devido a altas temperaturas, os supercondu-
tores, por não terem problemas e não influenciar na temperatura,
mantinham uma temperatura significativa. Criou-se, então, um novo
interesse na supercondutividade para aplicações em potência.

Tabela 5: Temperaturas Críticas de Alguns Supercondutores

Material Tc (kelvin)
Tipo 1 – Supercondutores Metálicos
W 0,015
Al 1,18
Sn 3,72
Tipo 2 – Supercondutores Metálicos/Intermetálicos
Nb 9,25
Nb3Sn 18,05
48 UNIUBE

GaV3 16,80
Tipo 3 – Supercondutores Cerâmicos
(La,Sr)2CuO4 40
Yba2Cu307-x 93
TlBa2Ca3Cu4011 122
Fonte: Materiais... (s./d.a, p. 20)

Em corrente alternada, os supercondutores dissipam potência por


meio de magnetização e desmagnetização do material. A vanta-
gem é que as perdas são muito menores do que em condutores de
cobre com a mesma capacidade; em contrapartida, sua desvanta-
gem é que as potências são dissipadas em um ambiente criogênico
e sua remoção tem alto custo. A necessidade da redução de per-
das em AC, devido às altas temperaturas, pode ser resolvida com
práticas de aplicações de potência:

a. Supercondutores de alta temperatura para cabos de trans-


missão: aumenta a capacidade de transmissão e substitui os
fluidos dielétricos utilizados atualmente nos cabos de cobre.

b. Supercondutores de alta temperatura para motores: aplicada


a máquinas rotativas que produzem aparelhos mais compac-
tos, poderosos e eficientes.

c. Supercondutores de alta temperatura para limitadores de cor-


rente de falta: operam por um curto período para limitar a cor-
rente de curto e proteger equipamentos valiosos.

d. Supercondutores de alta temperatura para transformadores de po-


tência: há um fluido dielétrico que serve para refrigerar transforma-
dores convencionais que pode ser substituído por nitrogênio líqui-
do, eliminando riscos de incêndio dentre outros problemas.
UNIUBE 49

2.1.4 Materiais Isolantes

Os materiais isolantes têm propriedades bastante particulares, o


que os diferenciam dos outros tipos de materiais. A porcelana é um
exemplo, pois é um material excelente para isolamento de linhas
aéreas, devido às suas propriedades dielétricas, químicas e mecâ-
nicas. A borracha, nesse contexto, também pode ser mencionada,
uma vez que apresenta ótimas qualidades químicas, mecânicas e
elétricas, podendo ser utilizada em fios e cabos.

2.1.4.1 Classificação dos materiais isolantes

I. Gases: ar, anidrido carbônico, azoto, hidrogênio, gases raros,


hexafluoreto de enxofre.

II. Líquidos:

a. Óleos minerais: óleos para transformadores, interruptores e cabos.

b. Dielétricos líquidos à prova de fogo: askarel.

c. Óleos vegetais: tung, linhaça.

d. Solventes: (vernizes e compostos isolantes), álcool, tolueno,


benzeno, benzina, terebentina, petróleo, nafta, acetatos amí-
licos e butílicos, tetracloreto de carbono, acetona.

III. Sólidos aplicados em estado líquido ou pastoso:

a. Resinas e plásticos naturais, resinas fósseis e vegetais, mate-


riais asfálticos, goma laca.

b. Ceras: cera de abelhas, de minerais, parafina.


50 UNIUBE

c. Vernizes e lacas: preparados de resinas e óleos naturais, pro-


dutos sintéticos, esmaltes para fios, vernizes solventes, lacas.

d. Resinas sintéticas: plásticos moldados e laminados, resinas


fenólicas, caseína, borracha sintética, silicones.

e. Compostos de celulose: termoplásticos, acetato de celulose,


nitrocelulose.

f. Plásticos moldados a frio: cimento portland empregado com


resinas ou asfaltos.

IV. Sólidos:

a. Minerais: quartzo, pedra sabão, mica, mármore, ardósia, asbesto.

b. Cerâmicos: porcelana, vidro, micalex.

c. Materiais da classe da borracha: borracha natural, guta-per-


cha, neoprene, buna.

d. Materiais fibrosos (tratados e não tratados): algodão,  seda,


linha, papel, vidro, asbesto, madeira, celofane, rayon, nylon.

Os materiais isolantes também podem ser classificados conforme


a sua aplicação, sendo muito usados na construção de máquinas
e aparelhos elétricos. Entretanto, a temperatura deve ser limitada,
uma vez que suas propriedades não permitem que suportem altas
temperaturas. A vida útil dos materiais utilizados como isolamento
de máquinas e equipamentos depende da vibração, exposição a
produtos químicos, umidade e poeira.
UNIUBE 51

Quadro 1 – Classificação dos materiais isolantes em relação


à sua estabilidade térmica em serviço (NBR 7034)

CLASSE TEMPERATURA MÁXIMA ADMISSÍVEL EM SERVIÇO


Y (O) 90ºC (algodão, seda, papel sem impregnação)
A 105ºC (idem impregnados)
E 120ºC (alguns vernizes, esmaltes, fibras)
B 130ºC (mica, asbesto com aglutinante, EPR)
F 155ºC (mica, fibra de vidro com aglutinante)
H 180ºC (elastômetros de silicato)
C > 180ºC (porcelana, vidro, quartzo, cerâmicas)

Fonte: Materiais... (s./d.b, p. 7)

Isolantes gasosos

O isolante gasoso mais usado, sem dúvida, é o ar, já que é usado


em redes elétricas de transmissão e distribuição sem isolamento
sólido ou líquido, porém há alguns gases especiais para tal função,
como o SF6 (hexafluoreto de enxofre). Entre esses condutores nus,
o isolamento ocorre usando somente o ar, sendo o afastamento en-
tre os fios ou cabos uma consequência da rigidez dielétrica do ar.
O afastamento entre condutores não depende apenas das caracte-
rísticas elétricas, mas também das mecânicas e de agentes como
o vento, por exemplo.

AMPLIAÇÃO DOS CONHECIMENTOS

Um gás bastante usado recente atualmente é o hexafluoreto de


enxofre (SF6), cujas propriedades são:

Peso molecular: 146,05

Condutividade térmica à pressão atmosférica: 1,4W/cmK a 40oC


52 UNIUBE

Viscosidade (em CP) à pressão atmosférica: 0,015 a 25oC

Capacidade de ruptura: 100A à 1 atm. de pressão

Fator de perdas: tg d < 10-3 a - 50oC

tg d < 2 x 10-7 a 25oC

Tensão de ruptura: 125kV a 2 atmosferas de pressão com afasta-


mento de 10mm.

Isolantes líquidos

Os isolantes líquidos podem ser utilizados em duas áreas: a refrigeração


(retira o calor gerado internamente ao elemento condutor e transfere aos
radiadores de calor mantendo a temperatura equilibrada para os equipa-
mentos) e a isolação (óleo mineral, askarel, óleos vegetais, solventes). Na
sequência, falaremos sobre cada um desses isolantes:

Óleo mineral

É obtido a partir do petróleo e também de outros produtos sedimen-


tares. É constituído de misturas de hidrocarbonatos, gorduras e ou-
tras deposições (metana, ou óleos parafinados do qual se extrai 3
a 8% de parafina sólida, nafta e misturas dos anteriores). Tem um
cheiro desagradável, de coloração preto-azulada ou marrom e uma
composição que dependente do local em que é encontrado.

Dentre suas características:

a. Ponto de chama: aumentando a temperatura, começam a


aparecer vapores até formarem chamas que se extinguem
com o afastamento da chama de ignição.
UNIUBE 53

b. Ponto de queima: procedimento após o ponto de chama,


quando a chama já não se extingue mais, mesmo depois de
afastada a chama de ignição.

c. Ponto de ignição: é o valor de temperatura, no qual os vapo-


res se incandescem por si mesmos.

d. Ponto de solidificação: é o valor de temperatura quando o


óleo deixa de escorrer sob a ação do seu peso próprio, tor-
nando-se denso.

e. Viscosidade: é a resistência existente entre duas camadas


adjacentes de um líquido, em que se considera o valor da
temperatura, sendo esta a máxima admissível.

f. Coeficiente de acidez e de neutralização: é a medida para


ácidos orgânicos livres.

g. Coeficiente de saponificação: é uma referência para deter-


minar o envelhecimento ocorrido no óleo (pode servir para
constatar a existência de óleos gordurosos no óleo mineral).

h. Coeficiente de oxidação: é outro valor indicativo do envelhe-


cimento. Seu valor não deve ultrapassar 0,1%. O coeficiente
de oxidação depende do regime térmico em que o óleo vai
trabalhar, da ação de metais sobre as características do óleo
e de outros agentes.

Tabela 6 – Características de óleo para papéis de cabos

CARACTERÍSTICAS ÓLEO FINO ÓLEO GROSSO


Peso específico a 20ºC 0,86 a 0,88 0,92 a 0,94
(g/cm3)
54 UNIUBE

Ponto de solidificação -30 -5


(ºC)
Ponto de inflamação 150 - 170 250 a 270
(ºC)
Resistividade (x cm)
Óleo novo a 100ºC > 25.1012 > 0,5.1012
Após 40h a 120ºC > 2,5.1012 > 1,7.1012
Fator de perdas
Óleo novo a 100ºC ≤ 5.10-3 ≤ 40.10-3
Após 40h a 120ºC ≤ 30.10-3 ≤ 70.10-3

Fonte: Materiais... (s./d.b, p. 10)

As perdas devem ser consideradas por meio dos fatores: rigidez


dielétrica (influência do campo elétrico entre os eletrodos de en-
saio, variação dos seus formatos) ou tensão de ruptura (a tensão
varia conforme o óleo usado e onde o equipamento está instalado).

Nos equipamentos que funcionam com óleo mineral, deve-se con-


siderar a rotina como uma sistemática verificação da tensão de rup-
tura ou da rigidez dielétrica, por desenvolver-se um envelhecimen-
to rápido nessas aplicações.

O askarel

Composto de um pentaclorodifenil (C6 H2 Cl3 C6 H2 Cl3), entre


suas vantagens, podemos elencar: não é inflamável, ausência de
envelhecimento e da formação de subprodutos durante o seu uso,
varia pouco o valor da rigidez dielétrica. Como desvantagem, po-
demos citar: é classificado como um material tóxico quando aque-
cido, sendo este um dos motivos para a sua substituição por outros
produtos, como óleo à base de silicone. O askarel pode ser apli-
cado em equipamentos que apresentam arcos voltaicos expostos,
UNIUBE 55

não sendo indicado o seu emprego em cabos e capacitores com


isolamento em papel. O preço do askarel é geralmente dez vezes
superior ao do óleo mineral, o que também limita seu uso.

Óleos de silicone

São líquidos incolores e transparentes, com nível de viscosidades


e pontos de ebulição considerados altos, as cadeias Si - O – Si
podem estar associadas a grupos metílicos e fenólicos. O ponto de
chama é bastante elevado e o seu ponto de solidificação é consi-
derado baixo. São recomendados como lubrificantes em máquinas
que trabalham a temperaturas muito altas ou baixas. Os silicones
permanecem neutros perante a grande maioria dos elementos, o
que lhes confere uma estabilidade química alta e, como consequ-
ência, ausência de envelhecimento. O preço do óleo de silicone é
muito alto se comparado ao óleo mineral.

Isolantes Pastosos e Ceras

São utilizados devido ao baixo ponto de fusão, têm estrutura crista-


lina, baixas resistência mecânica e higroscopia.

Parafina

É um material pastoso obtido de uma das fases de decompo-


sição do petróleo, sendo a maior parte constituída de metano
(derivado do petróleo), por destilação. Quando resfriada, a pasta
de parafina se separa do volume restante. A baixa estabilidade
térmica é uma vantagem, ela ainda pode mudar seu estado físi-
co durante o processo de impregnação ou recobrimento, facili-
tando o seu uso. A desvantagem é que essa alteração de estado
físico limita seu uso para casos em que o nível de aquecimento
do componente se mantém baixo.
56 UNIUBE

Pastas de silicone

Sua estrutura é semelhante à dos óleos de silicone, porém são


usadas mais com finalidades lubrificantes do que com elétricas.
Frequentemente recebem o acréscimo de pó de grafita para me-
lhorar suas características antifricção. Em eletricidade, são usadas
para proteção de partes que devem reduzir a oxidação, por exem-
plo: peças de contato e em articulações condutoras. São utilizadas
também como pastas de recobrimento de partes isolantes expos-
tas que devem manter elevada resistividade superficial.

Resinas

São misturas estruturalmente complexas, com elevados número


molecular e grau de polimerização, em baixas temperaturas, as re-
sinas são consideradas amorfas. A maioria das resinas se apresen-
ta quebradiça à temperatura ambiente, dependendo da espessura
da camada. Em camadas finas se tornam flexíveis. Com o aumento
da temperatura podem amolecer, obtendo aparência plástica, até
chegar ao estado líquido. Geralmente, as resinas não se caracte-
rizam pelo ponto de fusão. As resinas podem ser classificadas em
naturais (origem animal – goma-laca – ou vegetal – Kopal; são obti-
das na forma final, bastando-lhes aplicar um processo relativamen-
te simples de purificação) e sintéticas (são obtidas por complexos
processos químicos, reunindo diversas matérias-primas).

Vernizes

Os vernizes são produtos resultantes da composição de sinas com


um solvente (eliminado na fase final do processo). Eles são classi-
ficados em três grupos:

a. Vernizes de impregnação: encontrado associado a papéis,


tecidos, cerâmicas porosas; sua função é preencher os espa-
ços existentes entre o material e o isolante, com o objetivo de
UNIUBE 57

evitar a fixação de umidade. O processo de aplicação começa


com o material isolante fibroso ou poroso sendo colocado em
uma estufa (para eliminar a umidade existente), em seguida,
coloca-se o material direto com o verniz de impregnação para
fechar os poros, esse procedimento pode ser realizado por
imersão no recipiente com o verniz ou injeção do verniz sobre
o material sob pressão. Por último, coloca novamente o mate-
rial na estufa para secar e eliminar o solvente.

b. Vernizes de colagem: forma sobre o material uma base sólida,


uma camada significativa que forma uma resistência mecâni-
ca elevada à prova de umidade e com aparência brilhante.
Sua aplicação é importante para materiais isolantes porosos
e fibrosos com cobertura metálica (fios esmaltados), cujo ob-
jetivo é sentir a elevação da resistência superficial e tensão
externa de descarga.

c. Vernizes de recobrimento: é utilizado quando há necessidade


da colagem de materiais entre si em diversas partes do isola-
mento. A aplicação de isolantes sobre metais ocorre através
da purificação da mica que se desmancha em grande quan-
tidade, formando um sólido de dimensões definidas e fixas.

Isolantes Sólidos

I. Papel: sua matéria-prima é a celulose, a qual é obtida a partir


do algodão que não é usado para finalidades têxteis. A gran-
de desvantagem é sua elevada higroscopia (consequência
da disposição irregular e cruzada das fibras). O papel apre-
senta altas propriedades elétricas e resistência mecânica, o
que ajuda no seu uso como isolante de cabos. O papel per-
mite um dobramento acentuado sem “quebrar”. O comporta-
mento térmico do papel é um aspecto importante, pois tem a
58 UNIUBE

propriedade de suportar ou não certos níveis de temperatura


e depende da natureza da fibra.

II. Fibras sintéticas: originalmente produzidas para substituir


produtos fibrosos naturais, como o algodão e a seda natu-
ral, devido ao seu valor ser mais baixo. Esses materiais, em
geral, melhoram as características elétricas, mecânicas e
químicas (envelhecimento) dos produtos onde são usados.
Entre os tipos dessas fibras, podemos citar:

a. Fibras de poliamida: usadas como reforços mecânicos de ca-


bos e, em especial, sempre que as condições de uso exigirem
um material resistente a altas temperaturas, flexibilidade e ca-
paz de suportar esforços de tração.

b. Fibras de vidro: sua matéria-prima é de vidro livre de álcalis,


que evita o aparecimento de fissuras capilares que retêm a
umidade, deixando de prejudicar a propriedade de resistência
superficial.

III. Materiais cerâmicos: processo manufaturado a frio na forma


plástica em que tais materiais sofrem processos de queima a
temperaturas elevadas, o que os levam a adquirir alto ponto de
fusão. Sua matéria-prima geralmente é quartzo, feldspato, ca-
olim (microcristais folheados da composição de granito e felds-
pato) e argila. Suas principais vantagens são: preço baixo, pro-
cesso de fabricação simples e características elétricas, térmicas
e físicas vantajosas que podem apresentar, quando o processo
de fabricação é bem cuidado. A seguir, vamos fazer uma análise
das características dos materiais cerâmicos:

a. aspecto térmico: quanto maior sua porcentagem, maior é a


temperatura suportada;
UNIUBE 59

b. aspecto dielétrico: os valores de rigidez dielétrica e o fator de


perdas são baixos;

c. aspecto mecânico: suportam com mais facilidade a compres-


são e a tração.

Para o preparo da massa a ser trabalhada, deve-se estabelecer


primeiramente a aplicação que a porcelana (nome comercialmente
dado aos materiais cerâmicos utilizados como isoladores elétricos)
terá, para conhecer o quanto o material irá suportar em relação
às condições elétricas ou dielétricas, mecânicas e térmicas. Essa
composição está representada graficamente no triângulo de com-
posição, representada na figura a seguir:

Figura 10 – Triângulo de composição da porcelana

Fonte: Materiais... (s./d. b, p. 19)


60 UNIUBE

SINTETIZANDO

Caolim + argila: propriedades mecânicas.

Feldspato: propriedades elétricas.

Quartzo: propriedades térmicas.

Exemplo: ponto A: 20% caolim + argila.

40% feldspato

40% quartzo.

1. Porcelana de isoladores: específica para a fabricação de iso-


ladores de baixa, média e alta-tensão, para redes elétricas,
dispositivos de comando, transformadores. Deve apresentar
comportamentos: elétrico e mecânico adequado.

2. Cerâmica de capacitores: devido à sua elevada constante


dielétrica, é utilizada em capacitores de baixa e alta-tensão.

3. Cerâmica porosa: apropriado para receber fios resistivos des-


tinados à fabricação de resistores de fornos elétricos e de câ-
maras de extinção.
UNIUBE 61

Quadro 2 – Classificação de materiais isolantes


cerâmicos de acordo com suas fases cristalinas

COMPONENTES C O M P O S I Ç Ã O P R I N C I P A I S
NOMES
PRINCIPAIS QUÍMICA CARACTERÍSTICAS
Porcelana de Argila 3 Al2O3 Pequeno coeficiente linear
Caolim 2 SiO2
isoladores de dilatação.
Quartzo
Feldspato
Porcelana de alta Argila 3 Al2O3 Pequeno coeficiente de
Caolim 2 SiO2
frequência dilatação e baixas perdas
Bário BaO Al2O3
dielétricas.
2 SiO2
Ultraporcelana Argila 3 Al2O3 Elevada resistência me-
Caolim 2 SiO2
cânica; baixas perdas

dielétricas.
Esteatite Talco MgO.SiO2 Elevada resistência
Argila
mecânica.
Magnesita
e 2MgO.SiO2

Baixas perdas dielétricas.

Baixo coeficiente de

2MgO.2Al2O3.5SiO2 dilação.
62 UNIUBE

Titanatos Dióxido de Titânio TiO2 Elevada constante dielétri-

ca; coeficiente de tempe-

ratura negativo.
Dióxido de Titânio e CaTiO3 Elevada constante dielétri-

Calcita ca; coeficiente de tempe-

ratura negativo.
Titanato de zircônio TiO2.ZrO2 Coeficiente de temperatu-

ra praticamente igual a 0.
Titanato de bário BaO.4TiO2 Coeficiente de temperatu-

ra praticamente igual a 0.

BaO.5TiO2
Titanato de magnésio Mg TiO3 Coeficiente de temperatu-

ra positivo e próximo a 0.

Fonte: Materiais... (s./d. b, p. 20)

IV. Vidro: o vidro tem as mesmas funções da porcelana, porém apre-


senta mais vantagens. O vidro é encontrado em duas formas: a
normal e a temperada. O vidro é composto de óxido de silício e
de boro, nas formas SiO2 e B2O3, além de aditivos, como: os
óxidos alcalinos K2O e Na2O, que influenciam na temperatura
de fusão do material. Outros aditivos, na forma de óxidos, são:
o magnésio, o zinco, o antimônio, o chumbo e outros. Dessa
forma, os vidros podem ser classificados em 4 grupos:

1. Vidros sódio-cálcicos: possuem como fórmula básica


Na2O.CaO.6SiO2 e que ainda incluem Al2O3, BaO, MgO.
Apresentam baixo ponto de fusão.

2. Vidros cálcio-cálcicos: possuem como fórmula K2O.


CaO.6SiO2, apresentando alto ponto de fusão e boa
UNIUBE 63

resistência química.

3. Vidros de cálcio-chumbo: possuem como fórmula K2O-


PbO.6SiO2 e incluem CaO e BaO. Apresentam índice de re-
fração perante a luz alta e baixo ponto de fusão.

4. Vidro de silicato de boro e alumínio: com acréscimos de sódio


(Na2O), bário (BaO), cálcio (CaO) e outros. Apresentam bom
comportamento químico e térmico.

Vidros de quartzo deixam passar radiações ultravioletas e é insen-


sível a variações de temperatura. O vidro tem como características:

1. suportar temperaturas elevadas;

2. peso específico relativamente baixo;

3. permite um tratamento térmico que eleva em muito as suas


propriedades mecânicas;

4. possui elevada estabilidade térmica;

5. apresenta elevada estabilidade perante a umidade, depen-


dendo de sua composição.

Como desvantagens, consideramos elevadas perdas dielétricas,


que aumentam ainda mais a temperatura.

V. Minerais: esses podem ser a mica e o amianto.

Mica: a mica é um mineral cristalino, no formato de pequenas lâmi-


nas, devido à baixa força de coesão entre os diversos planos crista-
linos. Sua composição é o silicato de alumínio, para aplicações com
eletricidade utiliza a muscovita e a flogopita, que apresentam as
seguintes fórmulas químicas: muscovita K2O.3Al2O3.6SiO2.2H2O
64 UNIUBE

e a flogopita K2O.3Al2O3.12MgO.12 SiO2.2H2O. Suas vantagens:

1. É encontrada com facilidade. Na forma natural, se mantém


em camadas facilmente divisíveis, permitindo obter lâminas
de pequena espessura. É também encontrada associada a
óxidos metálicos, que são purificados para eliminar sujeiras
antes da utilização elétrica.

2. No processo de purificação, elimina-se também material de ligação


entre as lâminas de mica, ficando o material sem meio aderente.

3. A mica com verniz pode ser rígida ou flexível, dependendo


das características do verniz usado. Vernizes rígidos dão
como resultado produtos rígidos.

4. A mica é um dos produtos com altas temperaturas de serviço


estáveis, atingindo valores de até 1000oC.

5. Bom comportamento mecânico.

6. Ótimas características elétricas, variando esses valores com


a espessura e a temperatura.

Considerando a mica como matéria-prima, podemos formar:

1. Placas de mica: usadas em equipamentos e componentes


elétricos estáticos, por exemplo, em aparelhos térmicos, tais
como aquecedores e ferros elétricos, em que um fio de aque-
cimento é envolto por placas de mica.

2. Lamelas ou lâminas de mica: a mica não apresenta forma própria,


necessita de outros materiais. As lamelas de mica são coladas en-
tre si, formando fitas, chapas, tubos. Incluem-se canaletas de papel,
UNIUBE 65

mica e verniz de colagem usados para isolar ranhuras de máquinas


ou como isolador entre as lâminas de um coletor.

3. Pó de mica, obtido por moagem de lamelas: usado como adi-


tivo a outras massas e pós ou, ainda, na forma combinada
com verniz de colagem, pode ser prensado em moldes, dan-
do origem a peças de micanite.

Amianto: caracteriza-se por ser um material mineral fibroso, com


brilho de seda, flexível, produto da transformação de silicato de
magnésio (SiO4). O amianto é encontrado na natureza dentro de
pedras, em filetes, com espessura variável, desde fiação de milí-
metros até alguns centímetros. Dentre suas propriedades físicas,
podemos destacar: quanto maior o seu comprimento, maior é o
valor do produto. Sua estabilidade térmica e alta temperatura de
serviço mantêm sua resistência mecânica e flexibilidade pratica-
mente inalteradas, suporta elevados esforços mecânicos, apresen-
ta higroscopia elevada. O amianto costuma vir acompanhado de
impurezas, inclusive ferrosas, essas impurezas são eliminadas por
meio de ácidos. O amianto é usado nas seguintes formas:

I. Pó: é o resultado da decomposição de fios muito curtos, mas pode


ser usado de diversas maneiras: 1. recebendo como aditivo um
verniz e aplicando a massa sobre papel isolante; 2. preenchimento
de fusíveis do tipo encapsulado, atuando como elemento extintor,
em substituição à areia (que também é um silicato).

II. Fibras e respectivos tecidos: obtêm-se fitas, simples e combi-


nadas com papéis, devidamente aglutinadas por meio de um
verniz de colagem.
66 UNIUBE

2.1.5 Considerações Finais

Caro(a) aluno(a), Estamos finalizando o capítulo II, no qual abor-


damos assuntos relacionados a materiais condutores e mate-
riais isolantes.

Sobre materiais condutores, falamos sobre características físicas e


principais propriedades quanto à resistividade e condutividade de
cada material. Foram indicados momentos para reflexão a respeito
de conceitos de tipos de condutores, nesse contexto, também foi
feita a descrição dos metais que podem ser usados em eletricidade
como condutores e suas características fundamentais. Ainda sobre
os materiais condutores, mencionamos os materiais superconduto-
res e suas propriedades mais importantes.

Sobre materiais isolantes, estudamos sua classificação e tivemos


momentos de reflexão acerca dos conceitos desse tipo de mate-
rial. Ainda falamos sobre os estados físicos dos materiais isolantes
e sobre suas propriedades principais. Inicialmente, analisamos os
isolantes líquidos, vimos que, dentre eles, o mais conhecido é o
askarel, que foi bastante utilizado em transformadores e que é bas-
tante tóxico, principalmente quando aquecido. Tratamos também
sobre outros materiais como óleos de silicone, isolantes pastosos
e ceras, pasta de silicone, resinas e vernizes; já sobre os isolantes
sólidos, mencionamos o papel, fibras sintéticas, materiais cerâmi-
cos, vidro, minerais e borracha.

Assim encerramos o capítulo II, espero que estejam ansiosos para


partirmos para o capítulo III, no qual estudaremos sobre materiais
magnéticos e materiais semicondutores. Vamos lá?!
Materiais Magnéticos e
Capítulo
3
Materiais Semicondutores

Cledione Junqueira de Abreu

Introdução
Prezado aluno,
Estamos começando o capítulo III, em que estudaremos
sobre materiais magnéticos e materiais semicondutores, os
quais, mesmo que componham o mesmo capítulo, serão
abordados de forma separada.
Na primeira parte, conheceremos os conceitos de materiais
magnéticos quanto ao seu comportamento e, já mencionando
a classificação dos materiais magnéticos, discutiremos sobre
a sua permeabilidade.
Na segunda parte, que tratará dos materiais semicondutores,
iniciará com o conceito desse tipo de material, na sequência,
falaremos sobre redes cristalinas, dopagem, formação dos
semicondutores tipo N e tipo P e sobre a influência térmica
na sua utilização.
Caro(a) aluno(a), preparado(a) para iniciar os estudos sobre
materiais magnéticos e materiais semicondutores?
Bons estudos!!
Objetivos
• Definir e caracterizar qualidades dos materiais magnéticos.
• Identificar e obter a composição dos materiais magnéticos.
• Classificar os tipos de materiais magnéticos.
• Definir e caracterizar as qualidades dos materiais
semicondutores.
• Identificar e obter a composição dos materiais
semicondutores.
• Classificar os tipos de materiais semicondutores.

Esquema
• Comportamento magnético
• Classificação dos materiais magnéticos:
permeabilidade
• Conceito
• Rede cristalina
• Dopagem
• Semicondutor tipo N
• Semicondutor tipo P
• Influência térmica

3.1 Materiais magnéticos

3.1.1 Comportamento Magnético

Materiais que apresentam comportamento magnético como o ferro,


por exemplo, é pelo fato de ter facilidade na separação de materiais
ferrosos dos não ferrosos.
UNIUBE 69

AMPLINDO CONHECIMENTOS

O ferromagnetismo é resultado da estrutura eletrônica dos átomos.


Relembremos que no máximo dois elétrons podem ocupar cada
um dos níveis de energia de um átomo isolado e que isso também
é válido para os átomos de uma estrutura cristalina. Esses dois elé-
trons têm spins opostos e, como cada elétron, quando girando em
torno de si mesmo, é equivalente a uma carga se movendo, cada
elétron atua como um magneto extremamente pequeno, com os
correspondentes pólos norte e sul.

De uma maneira geral, em um elemento, o número de elétrons que


tem certo spin é igual ao número de elétrons que tem o spin opos-
to, e o efeito global é uma estrutura magneticamente insensível.
Entretanto, em um elemento com subníveis internos não totalmen-
te preenchidos, o número de elétrons com spin em um sentido é di-
ferente do número de elétrons com spin contrário. Dessa forma, es-
ses elementos têm um momento magnético global não nulo. Como
os átomos ferromagnéticos adjacentes se alinham mutuamente, de
forma a terem suas orientações em uma mesma direção, um cristal
ou grão contém domínios magnéticos.

Figura 11 – Magnetismo atômico

Fonte: Materiais... (s./d. c, p. 1)


70 UNIUBE

3.1.2 Classificação dos Materiais Magnéticos


3.1.2.1 Permeabilidade

É a forma de medir o campo magnético no interior de um material,


conforme campo magnetizante já existente onde o material é co-
locado. São os diferentes meios caracterizados, do ponto de vis-
ta magnético, pela sua permeabilidade magnética (m). De acordo
com sua permeabilidade, podemos distinguir três tipos de meios:
ferromagnéticos, paramagnéticos e diamagnéticos.

1. Meios ferromagnéticos: o valor da permeabilidade relativa


pode tomar valores muito diferentes da unidade e é variá-
vel com o valor do campo magnético a que o material está
sujeito. De modo geral, as ligas ferromagnéticas podem ser
classificadas em: a) ligas de ferro-silício (baixas perdas, alta
permeabilidade); b) ligas para ímãs permanentes (força coer-
citiva elevada); c) ligas para aplicações especiais. Podemos
classificar os meios não ferromagnéticos, cuja permeabilida-
de relativa é aproximadamente igual à unidade, podendo ser
superior ou inferior a esta; para cada caso, recebe as desig-
nações respectivas de paramagnético e diamagnético.

2. Meios paramagnéticos: os mais usados em eletrotecnia são


os seguintes: a) metais: platina, potássio, sódio, alumínio,
cromo, manganês; b) ligas: contendo cromo, manganês, va-
nádio ou cobre; c) gases: oxigênio, ozônio, óxido azótico etc.

3. Meios diamagnéticos: também são muito empregados, sendo


os mais usados os seguintes: a) metais: ouro, prata, mercúrio,
cobre, chumbo; b) todos os metalóides, com exceção do oxi-
gênio; c) quase todas as substâncias orgânicas.
UNIUBE 71

Ferro Puro

É um material ferromagnético de boa permeabilidade, sua principal


propriedade é que ele apresenta boas características para a cons-
tituição de circuitos magnéticos. Existem vários processos indus-
triais para a obtenção do ferro puro, como por processo eletrolítico,
por afinação em um forno Siemens-Martin ou por considerar mate-
rial de primeira fusão.

O ferro puro para aplicações industriais contém sempre pequenas


percentagens de outros elementos, como: carbono, manganês, silício,
cobre e alumínio, os quais afetam as suas propriedades magnéticas.

Apesar das boas características magnéticas, o ferro puro não tem


uma grande aplicação na eletrotécnica.

Ligas Ferro-Carbono

Seu principal produto é o aço e apresenta baixo teor de carbono.

Ligas de Ferro-Silício

Essas ligas contêm até 6,5% de silício e algumas impurezas (car-


bono, enxofre, fósforo, manganês) associadas ao ferro, que é o
principal constituinte. Suas propriedades magnéticas e sua resisti-
vidade dependem da constituição e dos tratamentos térmicos.

Ímãs Permanentes

Os ímãs permanentes devem apresentar um alto magnetismo re-


sidual, comum em materiais magnéticos conhecidos como duros.
Existem atualmente diversos materiais utilizados na fabricação
de ímãs permanentes.
72 UNIUBE

Ligas Ferromagnéticas Diversas

As ligas de Ferro-Níquel (Fe-Ni) apresentam diversas propriedades


magnéticas.

• Quando o teor de níquel é igual a zero, a permeabilidade au-


menta à medida que aumenta a porcentagem de níquel, para
depois cair a zero (material não magnético).

• Quando a liga contém 30% de níquel, a permeabilidade cres-


ce até cerca de 70%, para depois tornar a cair. Comum na
aplicação em telefonia e rádio.

PARADA PARA REFLEXÃO

Cerca de 25% da energia elétrica gasta no Brasil é despendida em


motores elétricos industriais. No fim da década de 1980, o PROCEL
(Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica) elaborou
um projeto de avaliação do desempenho dos motores elétricos trifásicos e
concluiu que os motores apresentam elevadas perdas em vazio. Essas per-
das correspondem, em média, a 35% em relação à perda total média no
motor. Nos EUA, esse percentual varia de 15 a 20%. Discute-se que as ele-
vadas perdas em vazio dos motores nacionais são provocadas pelo uso de
chapas sem qualidade, com processamento mecânico e térmico inadequa-
do na operação de montagem ou em decorrência do projeto elétrico do mo-
tor. Pesquisas demonstram que o tratamento térmico de descarbonetação
(redução do teor de carbono em toda a extensão ou parte do material) grão e
alívio de tensões em materiais ferromagnéticos reduzem de forma significa-
tiva as perdas em vazio dos motores elétricos. Os materiais ferromagnéticos
nacionais, após tratamento térmico, apresentam perdas eletromagnéticas e
características metalúrgicas compatíveis com os materiais utilizados nos mo-
tores elétricos importados. Fonte: Cap2... (s./d.)
UNIUBE 73

3.1.3 Materiais semicondutores

3.1.3.1 Conceito

Há materiais que apresentam propriedades de condução elétrica


intermediária, é o caso dos materiais semicondutores. Os materiais
semicondutores mais comuns são constituídos de átomos de um
único elétron, ou seja, átomos tetravalentes. Dois átomos tetrava-
lentes bastante utilizados em materiais semicondutores são o ger-
mânio (Ge) e silício (Si).

Figura 12 – Materiais semicondutores

Fonte: Wendling (2011, p. 2)

3.1.3.2 Rede Cristalina

Os átomos que têm quatro elétrons na última camada de valência


tendem a se organizar formando uma estrutura ou rede cristalina
com átomos vizinhos, compartilhando seus elétrons de valência.
74 UNIUBE

Figura 13 – Elementos tetravalentes

Fonte: Fonte: Wendling (2011, p. 2)

Figura 14 – Ligação covalente

Fonte: Wendling (2011, p. 3)

Figura 15 – Representação plana de uma rede cristalina de átomos tetravalentes

Fonte: Wendling (2011, p. 3)


UNIUBE 75

Figura 16 – Representação tridimensional de uma

rede cristalina de átomos tetravalentes

Fonte: Wendling (2011, p. 3)

3.1.3.3 Dopagem

Conforme Wendling (2011, p. 4),

dopagem é o processo químico em que átomos


estranhos são introduzidos na estrutura cristalina
de uma substância. Em um cristal semicondutor,
a dopagem é realizada para alterar suas proprie-
dades elétricas. Existem dois tipos de materiais
semicondutores, tipo N e tipo P, que dependem
do tipo de impureza introduzida na rede.

3.1.3.4 Semicondutor Tipo N

São átomos contendo excesso de elétrons de valência em relação


aos átomos da rede inseridos na estrutura cristalina.
76 UNIUBE

Figura 17 – Inserindo 1 átomo de impureza

Fonte: Wendling (2011, p. 4)

Figura 18 – Inserindo vários átomos de impureza

Fonte: Wendling (2011, p. 5)

Afirma Wendling (2001, p. 5) que “com a inserção de vários átomos


de impurezas, os elétrons livres transitam livremente pelo material,
tornando um material isolante (rede cristalina) em material com cer-
to nível de condutividade”.
UNIUBE 77

Figura 19 – Sentido da corrente elétrica

Fonte: Wendling (2011, p. 5)

3.1.3.5 Semicondutor Tipo P

São átomos com deficiência de elétrons de valência em relação


aos átomos da rede inseridos na estrutura cristalina.

Figura 20 – Representação de lacuna

Fonte: Wendling (2011, p. 6)


78 UNIUBE

Processo de Dopagem

1. Verifica a ausência do segundo elétron que pode-


ria compor o par necessário à formação de uma das
ligações com o átomo de índio. Essa ausência de
elétron de ligação é denominada de lacuna.

2. A existência de lacunas permite que haja um


mecanismo de condução distinto do tipo N.

3. Quando a dopagem produz lacunas no semi-


condutor, um elétron proveniente de uma ligação
covalente só poderá transitar para um ponto do
cristal onde haja uma lacuna disponível.

4. O movimento de elétrons de valência ocorre do


polo negativo para o polo positivo.

5. As lacunas em um semicondutor dopado se


comportam como cargas positivas que podem
transitar em um cristal submetido a uma tensão
externa aplicada (WENDLING, 2011, p. 6-7).

Figura 21 – Deslocamento de elétrons em lacunas

Fonte: Wendling (2011, p. 7)


UNIUBE 79

3.1.3.6 Influência Térmica

A relação da temperatura e condutividade com materiais semicon-


dutores é diretamente proporcional, portanto podemos dizer que: a)
quando a temperatura de um material semicondutor aumenta, sua
condutividade também aumenta devido à liberação de elétrons nas
camadas de valência, que formam um par elétron/lacuna.

Figura 22 – Influência térmica

Fonte: Wendling (2011, p. 7)

3.1.4 Considerações Finais


Caro(a) aluno(a), estamos encerrando o capítulo III, aqui abor-
damos os assuntos sobre materiais magnéticos e materiais
semicondutores.
Na primeira parte, quando começamos a falar sobre materiais
magnéticos, já nos deparamos com o comportamento desse tipo
de material, foi possível também perceber o quanto sua utilização
é importante. Na sequência, vimos a classificação dos materiais
magnéticos quanto à sua permeabilidade. Desse momento em
diante, falamos de forma específica das suas funções e do quanto
são importantes as suas propriedades.
Na segunda parte, quando falamos de materiais semiconduto-
res, conceituamos esses materiais e ainda representamos as re-
des cristalinas na forma plana, quando as visualizamos em duas
80 UNIUBE

dimensões e também suas formas tridimensionais. Na sequência,


falamos sobre dopagem e troca de cargas elétricas, nesse contex-
to, explicamos quando um semicondutor pode ser tipo N e quando
pode ser tipo P.

Assim encerramos o capítulo III sobre materiais magnéticos e ma-


teriais semicondutores.
Normalização e Ensaios
Capítulo
4

Cledione Junqueira de Abreu

Introdução
Prezado(a) aluno(a),
Estamos começando o capítulo IV, que irá abordar temas
relacionados à normalização e ensaios.
Na primeira parte deste capítulo, abordaremos um assunto
bastante importante, que é o conceito de normas. A respeito
desse conteúdo, responderemos as perguntas: quando, onde
e como podemos usar as normas. Apresentaremos as normas
internacionais, nacionais, regionais e internas ou particulares,
as quais atendem todas as áreas de atuação profissional, em
especial, as que são utilizadas na área de eletricidade. Serão
abordadas ainda as principais terminologias.
Na segunda parte, falaremos sobre ensaios, que é o termo
utilizado para conhecer as ferramentas de uso comum entre
profissionais da eletricidade, por exemplo, alicates comuns
e de pensa terminal; chaves soquete e parafuso de fenda;
desencapador de fios; ferro de solda, dentre outros que
mencionaremos no decorrer do capítulo.
Caro(a) aluno(a), preparado(a) para iniciar um capítulo
bastante teórico, porém com aplicações muito específicas?
Bons estudos!!
Objetivos
• Conhecer as normas vigentes: internacionais, nacionais,
regionais e particulares.
• Conceituar ensaios e aplicá-las em eletricidade.

Esquema
• O que é normalização?
• Normas
• Associações internacionais
• Associações nacionais
• Normas internas ou normas de empresa
• Normalização no Brasil
• Objetivos da normalização
• Normas técnicas dos principais componentes elétricos
• Terminologia
• Alicate
• Desencapador de fios
• Alicates prensa terminal
• Chave soquete
• Chave de parafuso de fenda
• Ferro de solda
• Fitas e fios para enfiação
• Ferramentas de curvar eletrodutos metálicos rígidos

4.1 Normalização

A normalização teve seu início no período da era industrial, quando


o homem passou a buscar novas oportunidades para a melhoria
da produção, mais especificamente da produção em massa (produ-
ção em grande quantidade de determinado produto). Por não haver
uma especificação técnica, havia alguns problemas:
UNIUBE 83

a. as ferramentas eram produzidas conforme se criava uma


nova porca, por exemplo. Isso gerava custo e ferramentas de
todos os modelos;

b. a necessidade de manter um maior número de itens em es-


toque, pois sempre se fabricava um maior número de peças
para reposição.

O uso de normas fez com que as indústrias padronizassem a va-


riedade dos tipos de rosca, por exemplo, e diminuíssem sua pro-
dução, o que reduziu os itens de estoque e os custos envolvidos.

PARADA PARA REFLEXÃO


Normalização sistemática

Em 1839, o inglês Joseph Whitworth realizou um estudo,


cujo objetivo foi padronizar os perfis das roscas de fixação.
Observe esta ilustração:

Figura 23 – Rosca padronizada de Whitworth

Fonte: A primeira... (s./d., p. 1)

4.1.1 Definição de Normalização

São critérios adotados entre um grupo de profissionais constituído de


técnicos, engenheiros, fabricantes, consumidores e instituições, com
o intuito de padronizar produtos, simplificar processos produtivos e
garantir um produto confiável e que atenda a suas necessidades.
84 UNIUBE

A seguir podemos comparar a forma, o material, o teste de controle


de qualidade e a manutenção de produtos normalizados e não nor-
malizados, no seu processo de fabricação.

Forma

Normalizado: a forma é única e otimizada.

Não normalizado: não há preocupação com a uniformidade. Na


mesma empresa, o produto pode ter tamanho e formas diferentes.

Material

Normalizado: selecionado de acordo com a especificação orienta-


da por normas.

Não normalizado: seleção feita a partir das propriedades neces-


sárias. Em muitos casos, acarreta excesso de materiais para se
fabricar determinado produto.

Teste de controle de qualidade

Normalizado: realizado segundo orientações e procedimentos es-


pecíficos de ensaios que tornam o produto mais confiável.

Não Normalizado: nem sempre é realizado e, em muitos casos,


quando o teste é feito, não há critérios corretivos.

Manutenção (reposição de peças variadas pelo uso)

Normalizado: mais fácil, não necessita retrabalhar as peças aco-


pladas no conjunto.

Não Normalizado: mais complexa, depende de ajuste caso a caso

4.1.2 Normas

Do processo de normalização surgem as normas que são documen-


tos cujo conteúdo são informações técnicas para uso de fabricantes e
UNIUBE 85

consumidores. Elas são elaboradas a partir de experiências acumula-


das no setor industrial desde o século XIX e devem ser utilizadas de
acordo com os conhecimentos tecnológicos alcançados.

4.1.3 Associações internacionais

As associações internacionais estão aptas à elaboração de normas


consideradas válidas em diversos países do mundo. A importância
dessas normas permite que se utilizem a mesma terminologia, sim-
bologia, padrões e procedimentos em países distintos, o que permite
produzir, avaliar e garantir a qualidade dos produtos. Assim, as nor-
mas podem padronizar a produção para qualificar melhor os produtos.

IEC - International Electrotechnical Comission (Comissão


Internacional de Eletrotécnica) fundada em 1906.

Figura 24 – Símbolo IEC

Fonte: A primeira... (s./d., p. 4)

A IEC elabora normas internacionais que permitem fabricantes de


componentes elétricos e eletrônicos utilizarem os mesmos parâme-
tros quanto: à terminologia, à simbologia, ao padrão de desempe-
nho e à segurança.

Veja um exemplo de produto com características construtivas nor-


malizadas pela IEC:
86 UNIUBE

Figura 25 – Disjuntores Termomagnéticos

Fonte: A primeira... (s./d., p. 4)


Os fabricantes de disjuntores termomagnéticos no Brasil seguem
as recomendações da IEC.

ISO - International Organization for Standardization (Organização


Internacional de Normalização). Fundada em 1946.

Figura 26 – Símbolo ISO

Fonte: A primeira... (s./d., p. 5)

A ISO reúne representantes de mais de cem países, inclusive o


Brasil. As normas da ISO atingem vários setores produtivos, por
exemplo:

a. mecânica;

b. agricultura;

c. transporte;

d. química;
UNIUBE 87

e. construção civil;

f. qualidade e meio ambiente.

4.1.4 Associações nacionais

A elaboração das normas das associações nacionais, assim como as as-


sociações internacionais, também conta com a colaboração de técnicos
e engenheiros que representam fabricantes, distribuidores, institutos de
pesquisa, além de entidades profissionais e órgãos do governo. Há asso-
ciações nacionais de normalização em todo o mundo:

1. Brasil: ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas.

2. Estados Unidos: ANSI - American National Standards Institute


(Instituto Nacional Americano de Normalização).

3. Alemanha: DIN - Deutsches Institut für Normung (Instituto


Alemão para Normalização).

4. Japão: JIS - Japan Industry Standards (Normas Industriais Japonesas).

5. Inglaterra: BSI - British Standards Institution (Instituto Britânico


de Normalização).

6. França: AFNOR - Association Française de Normalization


(Associação Francesa de Normalização).

7. Suíça: SNV - Schweizerische Normen Vereinigung (Associação


Suíça de Normalização).

Há também associações de normalização que elaboram normas


em áreas específicas do setor produtivo. Algumas das associações
mais importantes são:
88 UNIUBE

1. ASME - American Society of Mechanical Engineers (Sociedade


Americana dos Engenheiros Mecânicos).

2. ASM - American Society for Metals (Sociedade Americana


para Metais).

3. AISI - American Iron and Steel Institute (Instituto Americano


para Aço e Ferro).

4. ASTM - American Society for Testing Materials (Sociedade


Americana para Testes de Materiais).

5. SAE - Society of Automotive Engineers (Sociedade dos


Engenheiros de Automóveis).

6. VSM - Societé Suisse des Constructeurs des Machines


(Sociedade Suíça dos Construtores de Máquinas).

4.1.5 Normas Internas ou Normas de Empresa

São as normas elaboradas pelas próprias empresas. Os seus ob-


jetivos são orientar a elaboração de projetos e seus componentes
e realizar processos de fabricação, organização dos sistemas de
compra e venda dentre outras operações de interesse da empresa.
Essas normas são de uso interno, porém também são utilizadas
de por terceiros. Por exemplo, a Petrobrás tem as suas normas de
uso específico, mas também são seguidas por suas fornecedoras.

4.1.6 Normalização no Brasil

No Brasil, a normalização é aplicada pela ABNT – Associação


Brasileira de Normas Técnicas, que foi fundada em 1940, por ini-
ciativa de um grupo de técnicos e engenheiros, sendo a primeira
UNIUBE 89

entidade a tornar as normas técnicas conhecidas no Brasil. Na dé-


cada de 1960, a ABNT foi reconhecida como entidade de utilidade
pública, pela Lei Federal nº 4050.

Figura 27 – Símbolo da ABNT

Fonte: Normalização... (s./d.)

Em 1973, a Lei Federal nº 5966 sancionou a criação do Sistema


Nacional de Metrologia e Qualidade Industrial - SINMETRO. Dentre
os objetivos do SINMETRO temos:

I. a defesa do consumidor;

II. a conquista e a manutenção do mercado externo;

III. a racionalização da produção industrial, com a compatibilida-


de de todos os interesses.

O SINMETRO é constituído pelo CONMETRO – Conselho Nacional


de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial – e o INMETRO –
Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial.

Até pouco tempo atrás, as normas elaboradas, aprovadas e regis-


tradas na ABNT recebiam o seguinte registro:

CB - Normas de Classificação;
90 UNIUBE

EB - Normas de Especificação;

MB - Normas de Método de Ensaio;

NB - Normas de Procedimento;

PB - Normas de Padronização;

SB - Normas de Simbologia.

Porém, quando eram registradas no INMETRO, recebiam a sigla


NBR. Por exemplo: a norma registrada na ABNT CB-03, atual-
mente segue com o título “ABNT NBR 5060 Guia para instalação
e operação de capacitores de potência”, assim como a “ABNT
NBR 5090 Circuitos impressos - Sistema de grade” ou ainda
“ABNT NBR 5110 Máquinas elétricas girantes - Classificação
dos métodos de resfriamento”.

Em 1992, o atual modelo de normalização foi implantado com o ob-


jetivo de descentralizar e agilizar a elaboração de normas técnicas,
como também foram criados o Comitê Nacional de Normalização
– CNN e o Organismo de Normalização Setorial – ONS. O CNN
foi criado a partir de acordo entre a ABNT e o CONMETRO e teve
a colaboração de entidades voltadas para legalização de normas
técnicas. O ONS tem como intuito agilizar a produção de normas
específicas de seus setores. Baseadas em diretrizes e instruções
das associações internacionais de normalização (ISSO e IEC), as
normas brasileiras devem ser constituídas utilizando a forma e o
conteúdo das normas internacionais, acrescentando-lhes, quando
preciso, as particularidades do mercado nacional. Por esse motivo,
é necessário que as normas brasileiras sejam registradas como
NBR ISO, com numeração sequencial da ISO. Por exemplo, “NBR
ISO 8402 – Gestão da Qualidade e Garantia da Qualidade”.
UNIUBE 91

O modelo atual da ABNT manteve sua estrutura interna em rela-


ção aos Comitês Brasileiros - CB e aos tipos de normas elabo-
radas (classificação, especificação, método de ensaio, padroni-
zação, procedimento, simbologia e terminologia). Abaixo alguns
comitês da ABNT:

CB 01 - MINERAÇÃO E METALURGIA.

CB 02 - CONSTRUÇÃO CIVIL.

CB 03 – ELETRICIDADE.

CB 04 - MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS MECÂNICOS.

CB 05 - AUTOMÓVEIS, CAMINHÕES, TRATORES, VEÍCULOS


SIMILARES E AUTOPEÇAS.

CB 06 - EQUIPAMENTO E MATERIAL FERROVIÁRIO.

CB 07 - CONSTRUÇÃO NAVAL.

CB 08 - AERONÁUTICA E TRANSPORTE AÉREO.

CB 09 - COMBUSTÍVEIS (EXCETO NUCLEARES).

CB 10 - QUÍMICA, PETROQUÍMICA E FARMÁCIA.

CB 11 - MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS VEGETAIS E ANIMAIS.

CB 12 - AGRICULTURA, PECUÁRIA E IMPLEMENTOS.

CB 13 - ALIMENTOS E BEBIDAS.
92 UNIUBE

CB 14 - FINANÇAS, BANCOS, SEGUROS, COMÉRCIO,


ADMINISTRAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO.

CB 15 - HOTELARIA, MOBILIÁRIO, DECORAÇÕES E SIMILARES.

CB 16 - TRANSPORTE E TRÁFEGO.

CB 17 – TÊXTEIS.

CB 18 - CIMENTO, CONCRETO E AGREGADOS.

CB 19 – REFRATÁRIOS.

CB 20 - ENERGIA NUCLEAR.

CB 21 - COMPUTADORES E PROCESSAMENTO DE DADOS.

CB 22 - ISOLAÇÃO TÉRMICA.

CB 23 - EMBALAGEM E ACONDICIONAMENTO.

CB 24 - SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO.

CB 25 – QUALIDADE.

4.1.7 Objetivos da Normalização

A normalização tem como objetivo estabelecer soluções, em con-


senso, para as partes, tornando-se uma ferramenta na autodisci-
plina dos agentes ativos dos mercados, ao simplificar os assuntos,
evidenciando ao legislador se é necessária regulamentação espe-
cífica em matérias não cobertas por normas.
UNIUBE 93

A partir do momento em que uma norma é registrada, ela é con-


siderada uma referência idônea do mercado a que se destina, po-
dendo ser usada em processos de: regulamentação, acreditação,
certificação, metrologia, informação técnica e nas relações comer-
ciais Cliente - Fornecedor.

São objetivos, segundo o ABNT ISO/IEC Guia 2:2006:

Figura 28 – Objetivos da ABNT

Fonte: Objetivos (s./d.)

Na área industrial, com relação aos fabricantes e consumidores, a


normalização deve cumprir objetivos relacionados à:

a. Simplificação: limitação e redução da fabricação de variedades


desnecessárias de um produto; fabricantes e consumidores utili-
zam uma linguagem comum para uma série de termos técnicos. A
utilização de uma linguagem comum evita confusões nos pedidos,
nas especificações e nos estoques. Por exemplo: a fabricação de
parafusos e porcas constitui um exemplo clássico do emprego de
normas para simplificação dos processos de produção.
94 UNIUBE

b. Comunicação: facilitar o processo de comunicação entre fa-


bricantes, fornecedores e consumidores. Por exemplo: a apli-
cação da simbologia de letras e gráficos recomendados inter-
nacionalmente pela IEC, na área da eletricidade.

c. Economia global: a implantação de normas exige investimen-


tos por parte do fabricante, porém o retorno lhe será garan-
tido, racionalizando os procedimentos de produção e garan-
tindo produtos com melhor nível de qualidade. Um produto
com qualidade deixa o cliente satisfeito e proporciona maior
confiabilidade do produto.

d. Segurança, saúde e proteção da vida: há muitas normas


cujo objetivo é proteger a saúde e a vida das pessoas.
Por exemplo: cinto de segurança para usuários de ve-
ículos automotores; veículos automotores que não são
acionados se o usuário não estiver usando o cinto corre-
tamente; capacete de segurança; extintores de incêndio;
chuveiros elétricos com carcaça isolante; fios elétricos
envolvidos por camada isolante (antichama).

e. Proteção do consumidor e dos interesses da sociedade: no


relacionamento fabricante-consumidor, o consumidor é a par-
te que mais se beneficia dos produtos normalizados. Quanto
maior a quantidade de normas elaboradas para atender a de-
terminado produto, maiores as chances de qualidade.

A Norma NBR 7532, por exemplo, padroniza as dimensões e as


cores dos símbolos de identificação de extintores de incêndio. Veja
no quadro um trecho da Norma NBR 7532:
UNIUBE 95

Figura 29 – Formas e cores de identificadores: (a) COMBUSTÍVEIS SÓLIDOS

(letra de cor branca sobre fundo de cor verde); (b) LÍQUIDOS INFLAMÁVEIS

(letra de cor branca sobre fundo de cor vermelha); (c) EQUIPAMENTOS

ELÉTRICOS (letra de cor branca sobre fundo de cor azul); (d) COMBUSTÍVEIS

METÁLICOS (letra de cor preta sobre fundo de cor amarela)

Fonte: Atuais... (s./d.)

No Brasil, o INMETRO é conhecido por marca de certificação de


conformidade. Veja o exemplo a seguir.

Figura 30 – Simbologia do INMETRO

Fonte: Atuais... (s./d.)

A marca de conformidade é concedida ao produto desde que


ele atenda aos requisitos técnicos, exigidos pelas normas, e o
INMETRO é a marca de certificação de conformidade de produtos
relacionados à segurança e à prevenção de incêndios.
96 UNIUBE

IMPORTANTE

NÍVEIS NA ABNT

A ABNT abrange as áreas geográfica, política e econômica, e o seu


envolvimento na normalização tem como objetivo:

a. desenvolver um país específico (Normalização Nacional)

b. formar uma única região geográfica, econômica e política do


mundo (Normalização Regional);

c. interagir com vários países do mundo (Normalização


Internacional).

A normalização é administrada por órgãos que formam grupos cujo


interesse é discutir o assunto objeto da normalização e sua princi-
pal função é elaborar, aprovar e divulgar as normas.

Na figura a seguir, estão representados nos níveis na ABNT em


forma de pirâmide:

Figura 31 – Representação dos níveis da ABNT

Fonte: Níveis (s./d.)


UNIUBE 97

• Nível internacional: são normas técnicas, de abrangência mundial,


estabelecidas pelo OIN (Organismo Internacional de Normalização)
e reconhecidas pela OMC (Organização Mundial do Comércio).
Exemplo: International Organization for Standardization (ISO).

• Nível regional: são normas técnicas estabelecidas pelo ORN


(Organismo Regional de Normalização) para aplicação em um
grupo de países. Exemplo: Normas da Associação Mercosul de
Normalização (AMN) ou Comitê Europeu de Normalização (CEN).

• Nível nacional: são normas técnicas elaboradas pelas par-


tes interessadas e emitidas pela ONN (Organismo Nacional
de Normalização), com autorização para torná-las públicas.
Exemplo: Normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas
(ABNT) ou Associação Alemã de Normas Técnicas (DIN).

• Nível empresarial: são normas técnicas elaboradas por uma em-


presa ou por um grupo de empresas com o objetivo de orientar nas
compras, fabricação, vendas, dentre outras operações. Exemplo:
Normas Petrobras ou procedimentos de gestão da qualidade.

• Nível de associação: são normas técnicas desenvolvidas por


entidades associativas e técnicas para o uso de seus associa-
dos, chegam a ser utilizadas de forma ampla, podendo se tor-
nar referências importantes no comércio em geral. Exemplo:
American Society for Testing and Materials (ASTM)

Na pirâmide, ainda podemos incluir:

a. Normas setoriais ou de associações: constituídas por entida-


des de classe, representadas por setores produtivos, válidas
para o conjunto de empresas associadas. Por exemplo: as
normas do American Petroleum Institute (API).
98 UNIUBE

b. Grupos de empresas que formam consórcios: elaboram nor-


mas para empreendimentos específicos.

4.1.8 Normas Técnicas dos Principais Componentes Elétricos

As normas aplicáveis em componentes elétricos e eletrônicos têm


a referência IEC, sendo a ABNT a associação competente para
autorizar sua implantação no Brasil. Sendo algumas delas:

• IEC 60947-1 Equipamentos de manobra e de proteção em


baixa tensão – Especificações.

• IEC 60947-2 Disjuntores.

• IEC 60947-3 Seccionadores e seccionadores-fusível.

• IEC 60947-4 Contatores de potência, relés de sobrecarga e


conjuntos de partida.

• IEC 60947-5 Contatores auxiliares, botões de comando e au-


xiliares de comando.

• IEC 60947-7 Conectores e equipamentos auxiliares.

• IEC 60269-1 Fusíveis para baixa tensão.

• IEC 60439-1 Conjuntos de manobra e comando em baixa tensão.

• NBR 5410 Instalações Elétricas de Baixa Tensão.

• NBR 5280 Símbolos Literais de Eletricidade.

• Símbolos Gráficos (normas IEC / DIN / NBR ).


UNIUBE 99

4.1.9 Terminologia

Para todos entenderem o que é cada componente, equipamento e


ferramenta que está sendo descrito, são necessários termos técni-
cos, conforme alguns exemplos:

• Seccionadores: dispositivo de manobra (mecânico) que as-


segura, na posição aberta, uma distância de isolamento que
satisfaz requisitos de segurança especificados (NBR 5459).

• Interruptor: chave seca de baixa tensão, de construção e ca-


racterísticas elétricas adequadas à manobra de circuitos de
iluminação em instalações prediais, de aparelhos eletrodo-
mésticos e luminárias, e aplicações equivalentes (NBR 6527).

• Contator: dispositivo de manobra (mecânico) de operação


não manual, que tem uma única posição de repouso capaz
de estabelecer (ligar), conduzir e interromper correntes em
condições normais do circuito, inclusive sobrecargas de fun-
cionamento previstas (NBR IEC 60947).

• Disjuntor: dispositivo de manobra (mecânico) e de proteção,


capaz de estabelecer (ligar), conduzir e interromper correntes
em condições normais do circuito, assim como estabelecer,
conduzir por tempo especificado e interromper correntes em
condições anormais especificadas do circuito, tais como as
de curto-circuito (ABNT 5361).

• Fusível encapsulado: o elemento fusível é completamente encerra-


do em um invólucro fechado, o qual é capaz de impedir a formação
de arco externo e a emissão de gases, chama ou partículas metáli-
cas para o exterior quando da fusão do elemento fusível, dentro dos
limites de sua característica nominal (NBR 5459).
100 UNIUBE

• Relé (elétrico): dispositivo elétrico destinado a produzir modi-


ficações súbitas e predeterminadas em um ou mais circuitos
elétricos de saída, quando certas condições são satisfeitas no
circuito de entrada que controlam o dispositivo (NBR 7116).

4.1.10 ENSAIOS

Todas as atividades em instalações ou montagem, em específico


a realização de instalação elétrica, dependem do ferramental em-
pregado e da forma como este é utilizado. Podemos dizer, então,
que instrumentos e ferramentas adequadas ao serviço realizado
facilitam o trabalho e dão correção e segurança a quem os utiliza.

Utilizando ferramentas adequadas ao serviço, se ganha tempo, exe-


cuta-se a tarefa dentro do prazo e com qualidade, além de gastar me-
nos energia. A partir de agora, descreveremos as principais ferramen-
tas empregadas em trabalhos de eletricidade e suas especificações.

Alicates

a. Descrição: são ferramentas manuais, cujo material é consti-


tuído de aço carbono feito por fundição ou forjamento; fisica-
mente são formados por dois braços e um pino de articulação
em uma das extremidades e, na outra extremidade, as garras,
cortes e pontas, temperadas e revenidas.

b. Utilização: o alicate serve para segurar por apertos, cortar,


dobrar, colocar e retirar determinadas peças nas montagens.

c. Classificação: os principais tipos de alicate são:

I. Alicate universal: serve para efetuar operações como segu-


rar, cortar e dobrar.
UNIUBE 101

Figura 32 – Representação do alicate universal

Fonte: CPM - Programa de Certificação de Pessoal de Manutenção: Elétrica

II. Alicate de corte: serve para cortar chapas, arames e fios.

Figura 33 – Representação do alicate de corte

Fonte: CPM - Programa de Certificação de Pessoal de Manutenção: Elétrica

III. Alicate de bico: é utilizado em serviços de mecânica e eletricidade.

Figura 34 – Representação do alicate de bico

Fonte: CPM - Programa de Certificação de Pessoal de Manutenção: Elétrica


102 UNIUBE

IV. Alicate de compressão: trabalha por pressão e dá um aperto


firme às peças, sendo sua pressão regulada por intermédio
de um parafuso existente na extremidade.

Figura 35 – Representação do alicate de compressão

Fonte: CPM - Programa de Certificação de Pessoal de Manutenção: Elétrica

V. Alicate de eixo móvel: é utilizado para trabalhar com peças


cilíndricas, sendo sua articulação móvel para possibilitar
maior abertura.

Figura 36 – Representação do alicate de eixo móvel

Fonte: CPM - Programa de Certificação de Pessoal de Manutenção: Elétrica

Desencapador de Fios

Seu formato é semelhante a um alicate. Para utilizá-lo, regula-se a


abertura das lâminas de acordo com o diâmetro do condutor a ser
desencapado. Há outro tipo de desencapador, conhecido como de-
sarme automático, nele, há orifícios com diâmetros reguláveis que
correspondem aos condutores. Modo de usar: ao pressionar suas
hastes, tanto o corte como a remoção da isolação são executados.
UNIUBE 103

Figura 37 – Representação do desencapador de fios

Fonte: CPM - Programa de Certificação de Pessoal de Manutenção: Elétrica

Alicates Prensa Terminal

I. Alicate manual: alicate manual para instalar terminais e


emendas não isolados. Possui matriz fixa para compressão,
cortadora e desencapador de fios e cabos.

Figura 38 – Representação do alicate manual

Fonte: Produtos... (2013)

II. Alicate manual de pressão: o alicate manual de pressão é


usado para instalação de terminais e emendas pré-isoladas.
Constituição: possui três matrizes fixadas para a compressão
e cortadora de fios e cabos. Objetivo: permite fazer a com-
pressão de terminais e emendas em uma só operação.
104 UNIUBE

Figura 39 – Representação do alicate manual de pressão

Fonte: CPM - Programa de Certificação de Pessoal de Manutenção: Elétrica

Chave Soquete

Indicada para eletro-eletrônica e mecânica leve. Vantagem: capaci-


dade de uso em locais de difícil acesso.

Figura 40 – Representação chave soquete

Fonte: Loja do Mecânico (s./d.)

As chaves estrias podem ser incluídas no grupo de chaves soquetes ou


chaves de caixa, sendo também conhecidas como “chave cachimbo”.

SAIBA MAIS

Recomendações

A conservação das chaves é muito importante para a sua vida útil,


portanto seguem algumas recomendações:
UNIUBE 105

1. As chaves de aperto devem estar justas nos parafusos ou porcas.

2. Evitar dar golpes com as chaves.

3. Limpá-las após o uso.

4. Guardá-las em lugares apropriados.

Chave de Parafuso de Fenda

É uma ferramenta de aperto em que uma de suas extremidades é


uma haste cilíndrica de aço carbono, sendo a outra extremidade
forjada em forma de cunha ou em forma de espiga prismática ou
cilíndrica estriada, onde se acopla um cabo de madeira ou plásti-
co. Utilizada para apertar e desapertar parafusos cujas cabeças
tenham fendas ou ranhuras que permitam a entrada da cunha.

Figura 41 – Representação chave soquete

Fonte: CPM - Programa de Certificação de Pessoal de Manutenção: Elétrica

Características

A chave de fenda tem como características:

1. ter sua cunha temperada e revenida;

2. ter as faces de extremidade da cunha, em planos paralelos;

3. ter o cabo ranhurado longitudinalmente, que permite mais fir-


meza no aperto e bem engastado na haste da chave;
106 UNIUBE

4. ter a forma e dimensões das cunhas proporcionais ao diâme-


tro da haste da chave.

Para parafusos de fenda cruzada, usa-se uma chave com cunha


em forma de cruz, mais conhecida como chave phillips.

Figura 42 – Representação chave philips

Fonte: CPM - Programa de Certificação de Pessoal de Manutenção: Elétrica

Ferro de Solda

Bastante utilizado em instalações elétricas. É uma ferramenta que


gera calor por uma chama ou resistência elétrica (Efeito Joule) e
o transfere para a solda e para as peças a serem soldadas, é um
processo de fundição que adere a peça e, quando unir, basta es-
perar esfriar que a solda solidifica. Há três tipos de ferro de solda:
comuns, a gás e elétricos.

Ferros maiores são usados para a solda de peças grandes e que


exigem maior quantidade de calor. Comercialmente, os ferros de
solda elétricos são encontrados em diversas formas e potências,
desde 20W, 60W, 100W, 200W até 450W ou mais.
UNIUBE 107

Figura 43 – Representação de ferro de solda

Fonte: CPM - Programa de Certificação de Pessoal de Manutenção: Elétrica

Fitas e fios para enfiação

São fabricados e especificados para trabalhos de enfiação dos con-


dutores na rede de eletrodutos. Também servem de guia para pu-
xar os condutores, enfiando-os nos eletrodutos entre duas caixas.
108 UNIUBE

Conhecidos pelos termos “fish tapes” ou “fish wires”, são constituídos


de material em aço temperado por serem resistentes e flexíveis. As
fitas são conhecidas comercialmente nas espessuras de .03” e .06”
(0,76 e 0,52 mm) e largura de 1/8”, 3/16”, 1/4” (3,2, 4,76 e 6,35 mm).

A figura a seguir mostra uma caixa com fita de enfiação do tipo “fish
tape” de aço flexível e temperado.

Figura 44 – Representação de fitas e fios para enfiação

Fonte: CPM - Programa de Certificação de Pessoal de Manutenção: Elétrica

Ferramentas de curvar eletrodutos metálicos rígidos

Eletrodutos de diâmetros pequenos, como 1/2”, 3/4” até 1”, podem


ser curvados na obra sem muitas dificuldades. Para máquinas de
grande porte, existem máquinas especiais que executam o curva-
mento de eletrodutos. Para diâmetros maiores que 1”, é preciso
esforço produzido por prensa hidráulica, que pode aquecer o ele-
troduto para que a curva seja feita sem deformar a seção do tubo.
UNIUBE 109

Figura 45 – Representação de fitas e fios para enfiação

Fonte: CPM - Programa de Certificação de Pessoal de Manutenção: Elétrica

4.11 Considerações finais

Caro(a) aluno(a),

Estamos encerrando o capítulo IV, em que falamos sobre normali-


zação e ensaios.

Este capítulo teve como principal objetivo explicar o que são normas,
quando e como poderemos utilizá-las. Conceituamos as normas in-
ternacionais, nacionais, regionais e internas, também conversamos
sobre a utilização de cada uma delas na área de profissionais em
eletricidade, entendendo que esses padrões são necessários para
que todos atuem de forma concisa.

Na sequência, falamos sobre os ensaios, que são as formas de


explicarmos as ferramentas mais utilizadas por profissionais da
área de eletricidade. Nesse contexto, foram apresentados os ali-
cates comuns e os de prensa terminal, as chaves soquete e a de
110 UNIUBE

parafuso de fenda, o desencapador de fio, o ferro de solda, os fios


e fitas para enfiação e terminamos falando sobre as ferramentas de
curvar eletrodutos metálicos rígidos.

Assim encerramos o capítulo IV sobre normalização e ensaios.


Prontos para o próximo capítulo?
Critérios e Parâmetros de
Capítulo
5
Especificação

Cledione Junqueira de Abreu

Introdução
Prezado(a) aluno(a),
Estamos começando o capítulo V, que vai abordar o assunto
Critérios e Parâmetros de Especificação, dessa forma,
falaremos sobre os tipos mais comuns de geração de
energia no Brasil, estando, em termos de fonte de energia,
as hidroelétricas em primeiro lugar, as termoelétricas em
segundo lugar e, em terceiro lugar, as nucleares.
Na sequência, falaremos sobre as transmissões de energia
elétrica, conceitos e dimensionamentos. Vamos finalizar com
a distribuição de energia elétrica em residências, comércio,
indústria.
Caro(a) aluno(a), preparado(a) para conhecer o
funcionamento de uma usina e as etapas de geração,
transmissão e distribuição de energia elétrica?

Bons estudos!!
Objetivos
• Definir e conhecer os sistemas de potência.
• Definir e conhecer o sistema de distribuição.
• Definir e conhecer o sistema de consumo.

Esquema
• Geração, transmissão e distribuição de energia
elétrica
• Transmissão de energia elétrica
• Distribuição de energia elétrica

Geração, transmissão e distribuição


5.1
de energia elétrica

Existem diversas maneiras de se gerar energia elétrica, sendo as


mais comuns: por queda d’água (hidroelétrica), pela queima de car-
vão ou gás natural (termoelétrica) e por reação nuclear, porém há
também pelo movimento dos ventos (eólica), pela emissão de raios
solares em placas térmicas (solar) e pelas correntes marítimas que
batem nas encostas (marítima).

A seguir, podemos observar a representação do funcionamento de


uma usina hidroelétrica:
UNIUBE 113

Figura 46 – Esquema Usina Hidroelétrica

Fonte: Unip – Universidade Paulista (s./d.)


O processo para geração por hidroelétrica deve seguir as etapas:

1. a água vem de um reservatório (montante);

2. passa pelo duto e alcança a turbina fazendo com que ela gire
a uma velocidade constante simultaneamente com o gerador;

3. ao girar o gerador, obtém-se a diferença de potencial (DDP)


em seus terminais, gerando a energia elétrica.

A energia elétrica, antes de ser disponibilizada na rede (linhas de


energia), deve ser tratada, em outras palavras, colocada em condi-
ções adequadas para transmissão se considerarmos a tensão e a
corrente. Esse procedimento é feito pelo transformador.

Outra forma de gerar energia elétrica é a queima de combustível, que


pode ser: o carvão vegetal, o gás natural, a biomassa, sendo que esta
114 UNIUBE

última tem o processo conhecido como cogeração. Essas usinas são


chamadas termoelétricas, pois convertem a energia térmica proveniente
da queima do combustível em energia elétrica. A seguir, representamos o
princípio de funcionamento de uma usina termoelétrica:

Figura 47 – Esquema de uma usina termoelétrica

Fonte: Unip – Universidade Paulista (s./d.)

O processo é centralizado na fornalha para a conversão de energia


elétrica, pois é onde a energia térmica do combustível transforma
a energia em forma de vapor de água e este vapor, por sua vez,
aciona uma turbina ligada a um gerador. Esse processo é bastante
semelhante ao processo que ocorre em uma usina hidroelétrica. A
energia elétrica, depois de gerada, será transformada para atender
aos consumidores residenciais, comerciais e industriais.

A reação nuclear é uma outra forma de se gerar energia elétrica,


conforme representa a figura a seguir:
UNIUBE 115

Figura 48 – Geração de energia elétrica em 3 fases (trifásico)

Fonte: Unip – Universidade Paulista (s./d.).

O processo em si baseia-se na conversão de toda a energia obtida


por meio da reação nuclear em energia térmica, dessa forma, a água
é aquecida, o que gera o vapor que impulsiona uma turbina ligada um
gerador elétrico. O gerador de vapor fica no edifício do reator

Para elaborar um projeto de instalação elétrica, tanto residencial


como comercial e/ou industrial, é necessário: 1. avaliar a disponi-
bilidade de energia elétrica que abastece a região; 2. que tipo de
energia elétrica é oferecida; 3. onde será instalada a residência,
comércio ou empresa. Depois de considerar esses três fatores, é
necessário saber o tipo de tensão que será utilizada, em especial,
as indústrias, que precisam de tensão trifásica. Dessa forma, va-
mos conhecer a representação de um gerador que possui três en-
rolamentos ligados em forma de uma estrela.
116 UNIUBE

Figura 49 – Representação da forma de onda de um trifásico estrela

Fonte: Unip – Universidade Paulista (s./d.)

As três bobinas possuem um ponto comum que se interligam com


as demais fases. Assim, a soma das tensões, quando analisada, é
igual a zero. Na figura a seguir, apresenta-se um gerador com três
enrolamentos ligados em estrela.

Figura 50 – Representação de um trifásico estrela

Fonte: Unip – Universidade Paulista (s./d.)

Esse é um gerador a quatro fios, pois tem-se três fases e um neu-


tro, a distribuição das tensões se dá pelas três fases do sistema.
Se somarmos o valor algébrico da tensão, ele será igual a zero, e
a variação da tensão ocorre na forma de uma senoide, motivo pelo
qual é chamada de senoidal. A tensão entre os terminais de uma
única bobina é denominada tensão de fase (Ef), e a tensão entre
UNIUBE 117

os terminais de duas bobinas diferentes são denominadas tensão


de linha (EL).

O cálculo do valor das tensões de fase e de linha é feito utilizando


a fórmula abaixo:

Ou

Na figura a seguir, podemos observar o cálculo da tensão de linha


com base na tensão de fase. Isso justifica o valor mais comum das
tensões residenciais e comerciais (127 e 220V).

Figura 51 – Cálculo de tensão trifásica

Fonte: Unip – Universidade Paulista (s./d.)


118 UNIUBE

Já na figura seguinte, temos 3 tensões de fase e 3 tensões de linha:

Figura 52 – Representação das 3 fases

Fonte: Unip – Universidade Paulista (s./d.)

Outra forma de interligar as bobinas de um gerador é denominada triân-


gulo. Essa configuração possui algumas características importantes:

• Cada condutor externo é comum a duas bobinas.

• A cada instante, um dos condutores é o de entrada e os ou-


tros dois de retorno.

• Como as correntes estão defasadas 120°, a corrente de linha


é igual à corrente de fase multiplicada por 1,73 ().

Figura 53 – Representação triângulo trifásico

Fonte: Unip – Universidade Paulista (s./d.)


UNIUBE 119

Tal como ocorre na configuração estrela, nesse caso, teremos tam-


bém a presença de tensões de linha e de fase e os cálculos tam-
bém seguirão a mesma lógica anterior.

Figura 54 – Representação triângulo trifásico – sentido de correntes

Fonte: Unip – Universidade Paulista (s./d.)


120 UNIUBE

• A transmissão de energia elétrica é feita em etapas.

• Pode ser feita em alta tensão ou ultra-alta tensão (AT ou UAT)


e em Corrente Contínua ou Corrente Alternada (mais comum).

• A razão de se transmitir em AT ou UAT é permitir que o valor


da corrente seja baixo o suficiente para diminuir a dimensão
dos cabos, proporcionando economia e redução de peso.

SINTETIZANDO

A seguir, representamos o cálculo de corrente de transmissão em


função da tensão:

As linhas de transmissão conduzem a energia elétrica até os con-


sumidores de todos os tipos.
UNIUBE 121

Figura 55 – Representação das linhas de transmissão

Fonte: Unip – Universidade Paulista (s./d.)

Dentre os fatores que podemos considerar para determinar os va-


lores de tensão na transmissão, podem ser citados:

• A distância entre a usina e os consumidores.

• O trajeto.

• A segurança.

• A potência solicitada.
122 UNIUBE

Figura 56 – Representação das linhas de transmissão

Fonte: Unip – Universidade Paulista (s./d.)

PARADA OBRIGATÓRIA

Os sistemas de distribuição podem ser classificados em


função: I. da natureza dos consumidores; II. dos limites de
utilização da fonte disponível; III. da tensão do sistema. O cálculo
da potência disponível é feito com base nas seguintes fórmulas.

Lembrando sempre que o valor realmente disponível de potência é


a Potência Ativa (kW), em que se utiliza o cosseno do ângulo for-
mado pelo “triângulo das potências” que é simbolizado por . Pela
norma NBR 5473, as tensões até 1000 V são consideradas baixas.

A NRB 5410 considera três sistemas para distribuição de energia:

Monofásico:
UNIUBE 123

• Utiliza 2 ou 3 fios.

• Caso seja de 3 fios, possuirá duas fases e um neutro.

Bifásico

• Utiliza 3 condutores.

• É simétrico.

Trifásico

• Utiliza 3 ou 4 fios.

Podem ser fechados em estrela ou triângulo.


124 UNIUBE

Figura 57 – Representação dos equipamentos

Fonte: Unip – Universidade Paulista (s./d.)

A energia elétrica é entregue em pontos próximos aos consumi-


dores, esses são denominados subestações, local onde a tensão
elétrica será tratada por meio de transformadores e rebaixada a
valores que podem ser transmitidos até os consumidores finais.
Na figura a seguir, conheceremos o Sistema Edson de Distribuição
Final, que é o mais adotado no Brasil.

Figura 58 – Rede de distribuição

Fonte: Unip – Universidade Paulista (s./d.)


UNIUBE 125

As fases do sistema de distribuição são 3, sendo denominadas: R,


S e T. Nessas 3 linhas, está disponível a tensão elétrica necessária
para alimentar todos os equipamentos e utilidades do estabeleci-
mento industrial.

Figura 59 – Representação trifásica estrela

Fonte: Unip – Universidade Paulista (s./d.)

Figura 60 – Representação trifásica triângulo

Fonte: Unip – Universidade Paulista (s./d.)


126 UNIUBE

5.1.1 Considerações Finais

Caro(a) aluno(a),

Estamos encerrando o capítulo V, no qual abordamos os Critérios


e Parâmetros de Especificação. Pudemos conhecer o processo de
geração de energia elétrica nos três principais modelos conhecidos
no Brasil: hidroelétricas, termoelétricas e nucleares.

Na sequência, falamos sobre a transmissão de energia elétrica,


que é feita pelos “linhões”, que são redes de linhas interligadas em
uma massa elétrica presentes em quase todo o país, as quais são
fornecidas por uma operadora nacional de sistema elétrico.

Ainda sobre a distribuição de energia elétrica, falamos que ela en-


volve os transformadores abaixadores nos postes de iluminação
pública, que ligam a eletricidade até as residências ou, no caso de
comércio específico ou indústrias, há ligações direcionadas para
esses locais, conforme contrato com as concessionárias de distri-
buição de energia elétrica.
Equipamentos de
Capítulo
6
Manobra e Equipamentos
de Proteção

Cledione Junqueira de Abreu

Introdução
Prezado(a) aluno(a),
Estamos começando o capítulo VI, no qual estudaremos
sobre equipamentos de manobra e equipamentos de proteção.
Este capítulo foi dividido em duas partes, sendo que,
na primeira, falaremos sobre equipamento de manobra, nesse
contexto, podemos considerar que o mais utilizado na área de
eletricidade são os disjuntores. Portanto, descreveremos os
tipos de disjuntores, seus princípios, características, formas
de usar e propriedades.
Na segunda parte, falaremos sobre os equipamentos
de proteção, que são os fusíveis encapsulados, para-raios e
resistores de aterramentos, os quais podem ser classificados
em: residencial, comercial e industrial, sendo que, para cada
classificação, há modelos especiais que melhor se adéquam
a cada realidade.
Caro(a) aluno(a), preparado(a) para aprender a
proteger os sistemas e circuitos elétricos?
Bons estudos!!
Objetivos
• Definir disjuntor e apresentar seus principais conceitos,
funções, aplicações, terminologias.
• Definir fusível e apresentar seus principais conceitos,
funções, aplicações, terminologias.
• Definir para-raios e apresentar seus principais conceitos,
funções, aplicações, terminologias.
Esquema
• Disjuntores
• Tipos de comandos e acionamentos
• Tipos principais de disjuntores
• Fusíveis encapsulados
• Para-raios
• Resistores de aterramentos

6.1 Equipamentos de manobra

6.1.1 Disjuntores

É um dispositivo mecânico de manobra capaz de estabelecer, con-


duzir e interromper correntes nas condições nominais do circuito,
assim como estabelecer, conduzir durante um tempo especificado
e interromper correntes sob condições anormais especificadas do
circuito, tais como as de curto–circuito.

Dessa forma, devem satisfazer as seguintes condições:

• abrir e fechar um circuito no menor tempo possível;

• conduzir a corrente de carga das linhas;

• suportar termicamente a corrente nominal de carga do sistema;


UNIUBE 129

• suportar térmica e mecanicamente a corrente de curto–circui-


to do sistema por um segundo;

• isolar a tensão do sistema em relação à terra e entre seus


polos, sob quaisquer condições do meio ambiente (seco, sob
chuva, atmosfera poluída etc.);

• não produzir sobretensões elevadas durante o fechamento ou


abertura, de forma a não comprometer o seu isolamento e
dos outros equipamentos do sistema;

• ter adequada resistência mecânica, não ser afetado por vibrações,


ser compacto, requerer manutenção e ser de fácil montagem.

6.1.2 Princípio da Extinção do Arco

Ao se interromper uma corrente elétrica em um circuito, sabemos que


aparece um arco e a interrupção só será definitiva se ele for extinto. O
fenômeno da interrupção é bastante complexo, sendo objeto de vulto-
sas pesquisas, principalmente quanto à verificação do comportamen-
to do arco nas vizinhanças da passagem da corrente por zero.

Um disjuntor, ao desempenhar sua função de controlar uma cor-


rente qualquer em um circuito (do qual ele é parte integrante), sob
condições normais e anormais, possui duas condições operativas
estáveis: “fechada”, na qual ele tem teoricamente uma impedância
nula (na prática, muito pequena), e “aberta”, na qual ele tem teori-
camente uma impedância infinita (na prática, muito grande).

Assim, quando comandado, o disjuntor deve passar de uma condição


à outra. Nos circuitos de CA, a corrente passa pelo zero duas vezes
a cada ciclo e, desse modo, a impedância pode, teoricamente, variar
instantaneamente de zero a infinito, sem impor grandes sobretensões
ao sistema, desde que a mudança de estado do disjuntor se dê pre-
cisamente quando a corrente passar pelo zero. Contudo, na prática,
130 UNIUBE

isso é impossível, pois associado à mudança de estado, haverá sem-


pre a presença de um arco de potência no circuito. A mudança de es-
tado (passagem de “fechado” para “aberto”), ou seja, a interrupção da
corrente, só será possível se a variação da impedância do arco puder
ser controlada. Felizmente, isso é possível e existem duas técnicas
disponíveis, que geralmente são combinadas:

• aumento da resistência do arco imediatamente após a passa-


gem da corrente pelo zero. Isso é conseguido pela dissipação
da energia do arco com a consequente diminuição de sua
temperatura, que são funções de uma série de fatores, tais
como: tipos do meio de extinção, ou melhor dizendo, de re-
frigeração, geometria da câmara, material dos contatos etc.;

• reduzir a taxa de crescimento e amplitude da tensão de res-


tabelecimento no instante da interrupção de modo a reduzir a
solicitação dielétrica, ou seja, a sobretensão.

Vê-se, portanto, que o arco é um componente essencial no processo


de interrupção e é ele que funciona como a resistência variável na
transição da posição “fechado” para “aberto”. O problema do projetista
de um disjuntor é controlar o arco de modo que a dissipação de ener-
gia ocorra a uma taxa maior do que aquela fornecida pelo sistema (P
arco = I falta × V arco), tal que, na passagem da corrente pelo zero, a
resistência do arco seja aumentada de modo que o arco se comporte
como um isolante, interrompendo assim o circuito.

Após a separação dos contatos, a corrente é conduzida pelo arco


ou mais propriamente por um plasma gasoso ionizado, o qual é
mantido a uma temperatura elevada (104K a 2 × 104K) pela ener-
gia fornecida do sistema. No instante da passagem da corrente
pelo zero, existe ainda um filamento de plasma ionizado conduzin-
do corrente, o qual, pelo fato de estar à temperatura bem menor
UNIUBE 131

(da ordem de 1500K), possui uma alta resistência. Isso provoca


uma elevação transitória da tensão (TTR), havendo portanto, uma
certa energia sendo fornecida a esse arco. Se a dissipação dessa
energia for mais rápida que a fornecida pela corrente residual ou
de pós-arco, haverá uma diminuição da temperatura do filamento
e a interrupção será bem-sucedida. A figura a seguir mostra a con-
dutividade elétrica de vários gases em função da temperatura. O
resfriamento de um gás na faixa de 5000K a 1500K mostra que o
gás passa de bom condutor a um bom isolante.

Figura 61 – Relação condutividade elétrica x temperatura

Fonte: Leite (2000)

A próxima figura mostra a condutividade térmica do H2, N2, SF6


em função da temperatura e mostra que o H2 e o SF6 são melho-
res meios de extinção que o N2 na faixa de 5000 a 1500K.
132 UNIUBE

Figura 62 – Condutividade térmica do H2, N2, SF6 em fun-

ção da temperatura e mostra que o H2 e o SF6

Fonte: Leite (2000)

Isso explica por que os disjuntores a PVO (cujo meio de extinção


é o H2) são mais insensíveis a altas taxas de crescimento da TTR
que os disjuntores a ar comprimido (cujo meio de extinção é o N2).

Uma característica importante em qualquer disjuntor é a regene-


ração da rigidez dielétrica entre os contatos. Caso ela seja lenta,
haverá perigo de reacendimento do arco (restrike), o que poderá
danificar o disjuntor, devido a sobretensões elevadas que ocorrem
nessas circunstâncias. Nos disjuntores a PVO, essa regeneração
é elevada, conforme se vê na ilustração da figura a seguir. Para
que a interrupção seja definitiva, a taxa de crescimento da tensão
transitória de restabelecimento (TTR) deve ser menor que a taxa
UNIUBE 133

de crescimento da rigidez dielétrica entre os contatos do disjuntor,


como mostrado.

Figura 63 – Curvas típicas da rigidez dielétrica entre os contatos do disjuntor1

Fonte: Leite (2000)

Meios utilizados para extinguir um Arco

Os disjuntores a ar comprimido, apesar da sua forma complexa,


são a única escolha para interrupção de corrente de curto-circuito
elevadas (# 63 kA) e tempos de interrupção baixos (2 ciclos).

Os disjuntores a PVO e SF6 são a melhor escolha disponível no


mercado para corrente de interrupção 63 kA.

Os disjuntores a vácuo e a sopro magnético são uma boa opção

1
LEGENDA:

Er – Tensão transitória de restabelecimento

En – Tensão nominal do disjuntor

1,5 – Fator do primeiro pólo a abrir (Sistema com neutro isolado)

1,4 – Fator de amplitude


134 UNIUBE

para tensões até 34,5 kV e para algumas aplicações especiais, tais


como: fornos a arco, bancos de capacitores, reatores derivação
etc. Os disjuntores a grande volume de óleo são iguais aos de PVO.

A escolha do meio de extinção é importante, mas, para se conse-


guir altas capacidades de interrupção, é necessário soprar o gás
através ou ao longo do arco.

O sopro pode ser feito por uma fonte externa (como nos disjuntores
a ar comprimido e SF6) ou pelo próprio arco (como nos disjuntores
a óleo) através de um bocal apropriado. A próxima figura mostra
vários tipos de bocais. Em geral, os bocais duplos são usados nos
disjuntores de maior capacidade de interrupção.

Figura 64 – Tipos de bocais usados nas câmaras de interrupção

Fonte: Leite (2000)

6.1.3 Tipos de Comandos ou Acionamentos

Os mecanismos de acionamento dos contatos dos disjuntores va-


riam de fabricante para fabricante. Basicamente, temos quatro ti-
pos de comandos:

• mecânico;
• elétrico;
• pneumático;
• óleo-pneumático.
UNIUBE 135

A figura a seguir mostra um gráfico da energia por polo, necessá-


ria para uma operação CO, em função da corrente de interrupção.
Acima de 40 kA, a energia requerida é tão alta que se torna impos-
sível usar o acionamento mecânico, tornando-se obrigatório o uso
dos mecanismos pneumáticos.

Figura 65 – Gráfico da energia por polo

Fonte: Leite (2000)

• Acionamento mecânico: nesse tipo de comando, o movi-


mento dos contatos móveis é conseguido com o auxílio de
uma mola pré-carregada por um motor elétrico. O impulso de
fechamento solta uma trava que libera a mola e a energia
armazenada nela é utilizada para movimentar os contatos
móveis do disjuntor e, ao mesmo tempo, carregar a mola de
abertura. Quando o impulso de desligamento é recebido, uma
136 UNIUBE

trava libera a mola de abertura para movimentar os contatos


móveis. É um processo barato e simples. É relativamente len-
ta no fechamento, conseguindo-se tempos de fechamento à
ordem de oito ciclos (base 60 Hz). Na abertura, consegue-se
tempos de até 2 ciclos, sendo o normal 3 a 4 ciclos.

• Acionamento elétrico: nesse tipo de comando, a energia ne-


cessária para movimentar os contatos é fornecida durante o fe-
chamento por um solenoide e, durante a abertura, por molas que
são carregadas quando o disjuntor é fechado. O inconveniente
do solenoide é a alta solicitação de corrente de bateria da SE,
necessitando-se, geralmente neste caso, de uma bateria maior.
Tem a vantagem de requerer pouca manutenção.

• Acionamento pneumático: consiste de um compressor que


alimenta um cilindro de ar a certa pressão. Com o impulso de
fechamento, o ar do cilindro é liberado, comprimindo um êmbolo,
e a energia do sistema é utilizada para movimentar os contatos
móveis. A abertura é feita por molas carregadas durante o fe-
chamento. A grande vantagem desse tipo de acionamento é a
quantidade de energia. Esta, sendo obtida com alta pressão de
ar, é elevada, permitindo assim grande velocidade de abertura,
com tempos de abertura de 2 ciclos ou menos. Nos disjuntores
a ar comprimido, o mesmo jato a ser utilizado para a extinção
do arco é usado para movimentar o contato móvel. Em geral, a
câmara de extinção é cheia de ar sob pressão; quando o disjun-
tor recebe o impulso de abertura ou fechamento, respectivos,
um mecanismo comanda a abertura das válvulas de controle de
abertura ou fechamento, respectivamente, colocando a câmara
de extinção em contato com a atmosfera. Por diferença de pres-
são, o ar é movimentado dentro da câmara, obtendo-se a aber-
tura ou fechamento dos contatos móveis e a extinção do arco.
UNIUBE 137

• Acionamento hidro-pneumático: nesses comandos, a mola


é substituída pela energia armazenada em um reservatório
de nitrogênio sob alta pressão (300 Kg/cm2), que é liberada
sobre um circuito de óleo, o qual atuando em um sistema de
êmbolos transmite a energia necessária ao acionamento do
contato móvel do disjuntor. Conseguem-se tempos de abertu-
ra da ordem 2,5 ciclos, sendo a média 3 ciclos.

6.1.4 Tipos Principais de Disjuntores

a. Disjuntor a sopro magnético (Magnet blast ou air–break circuit


breakers)

Princípios de extinção

Os contatos se abrem no ar, impelindo o arco voltaico para dentro das


câmaras de extinção, onde ocorre a interrupção, devido a um aumen-
to na resistência do arco e, consequentemente, na sua tensão. Esse
aumento na resistência do arco é conseguido por meio de:

a. aumento do comprimento do arco;

b. fragmentação do arco em vários arcos menores, em sé-


rie, nas várias fendas da câmara de extinção;

c. resfriamento do arco em contato com as múltiplas pare-


des da câmara.

Detalhes construtivos

As placas que formam a câmara de extinção podem ser constituídas


de material isolante e refratário, como também de aço ou uma com-
binação dos dois. As especificações dependem de cada fabricante.
138 UNIUBE

Os circuitos magnéticos de sopro possuem como configurações: as


do tipo de núcleo externo (onde o campo magnético é produzido pela
corrente a ser interrompida circulando através de bobinas) ou interno
(onde o campo é produzido pelo próprio arco voltaico através de um
circuito magnético formado pela própria câmara).

b. Disjuntor a óleo

Antigamente, esse disjuntor consistia apenas de um recipiente metá-


lico com os contatos imersos no óleo sem nenhuma câmara de extin-
ção. (Atualmente, os disjuntores GVO possuem câmaras de extinção
onde se força o fluxo de óleo sobre o arco, nesses disjuntores, o tan-
que de óleo está aterrado e esses são frequentemente denominados
disjuntores “dead tank” ou “dead tank breakers”.) Nas potências mais
baixas, as três fases, normalmente, estão imersas em um único reci-
piente e, nas mais elevadas, o encapsulamento é monofásico.

c. Disjuntores a grande volume de óleo (GVO)

Esse é o tipo mais antigo de disjuntores a óleo. Os disjuntores GVO pos-


suem câmaras de extinção onde se força o fluxo de óleo sobre o arco.
Como nesses disjuntores o tanque de óleo está aterrado, são frequente-
mente denominados disjuntores “dead tank” ou “dead tank breakers”.

Nas potências mais baixas, as três fases, normalmente, estão imersas em


um único recipiente e, nas mais elevadas, o encapsulamento é monofásico.
UNIUBE 139

Figura 66 – Vista em corte de um disjuntor a grande vo-

lume de óleo do tipo TDO (Siemens–Allis)

Fonte: Leite (2000)

d. Disjuntores a pequeno volume de óleo (PVO)

Esses são considerados a evolução dos disjuntores GVO, em que


se procura projetar uma câmara de extinção com fluxo forçado de
óleo sobre o arco, aumentando a eficiência do processo de interrup-
ção da corrente e diminuindo o volume de óleo no disjuntor. A figura
a seguir mostra uma vista em corte de sua câmara interruptora.
140 UNIUBE

Figura 67 – Vista em corte de um polo do disjun-

tor PVO tipo 3AC para média tensão da Siemens

Fonte: Leite (2000)

e. Disjuntores a vácuo

Os disjuntores a vácuo têm as propriedades como meio isolante e


que são há muito tempo conhecidas, sendo as primeiras tentativas
de se obter a interrupção de uma corrente alternada em câmaras
de vácuo realizadas por volta de 1926, quando foi interrompida
com sucesso uma corrente de 900 A em 40 kV.
UNIUBE 141

AMPLIANDO OS CONHECIMENTOS

O arco voltaico a vácuo

A expressão “arco voltaico no vácuo” pode parecer contraditória, pois


a existência de um arco voltaico pressupõe a existência de íons posi-
tivos e elétrons que lhe sirvam de veículo; porém no vácuo não existe
a possibilidade de se encontrar essas partículas. No caso dos disjun-
tores a vácuo, os íons positivos e elétrons são fornecidos pela nuvem
de partículas metálicas provenientes da evaporação dos contatos for-
mando o substrato para o arco voltaico. Após a interrupção de cor-
rente, essas partículas se depositam rapidamente na superfície dos
contatos recuperando assim, a rigidez dielétrica entre eles. Essa recu-
peração da rigidez dielétrica é muito rápida nos disjuntores a vácuo, o
que permite altas capacidades de ruptura em câmaras relativamente
pequenas. Essas características podem ser compreendidas de me-
lhor forma, analisando-se o comportamento do arco voltaico no vácuo
que pode ser difuso ou contraído.

Fonte: Picolo (2013, p. 17)

Características do disjuntor a vácuo

O disjuntor a vácuo é a versão mais moderna na área de média ten-


são até 38 kV. Vários pontos concorrem para uma aceitação cada vez
maior desses disjuntores no mercado. Podemos citar alguns, como:

• grande segurança de operação, pois não necessitam de supri-


mento de gases ou líquidos e não emitem chamas ou gases;

• praticamente não requerem manutenção, possuindo uma vida


extremamente longa em termos de números de operações à
plena carga e em curto-circuito;
142 UNIUBE

• devido ao reduzido curso dos contatos, requerem pouca ener-


gia mecânica para operá-los tendo, consequentemente, acio-
namentos mais leves, duráveis e de operação mais silenciosa;

• a relação capacidade de ruptura/volume é bastante grande, tornan-


do esses disjuntores bem apropriados para o uso em cubículos;

• devido à ausência de meio extintor gasoso ou líqui-


do, podem fazer religamentos automáticos múltiplos
(0–0,3s–CO–15s–CO–15s–CO–15s–CO).

f. Disjuntores a ar comprimido

Princípios de extinção

Nesse tipo de disjuntor, o mecanismo pneumático preenche duas funções


simultaneamente: a de proporcionar a operação ao disjuntor, através da
abertura e fechamento dos contatos, e também a de efetuar a extinção
do arco, fornecendo ar na quantidade e pressão necessárias para tal. O
princípio de extinção é simples, consistindo em criar um fluxo de ar sobre
o arco, sendo esse provocado por um diferencial de pressão, quase sem-
pre descarregando o ar comprimido após a extinção para a atmosfera.
Por outro lado, os temas relativos à otimização da câmara de extinção
de um disjuntor a ar comprimido e à influência da geometria e forma de
contatos e bocais de passagem do ar são assuntos bastante complexos,
não cabendo a este trabalho abordá-los.

Características e aplicações a ar comprimido

Os disjuntores a ar comprimido encontram a sua faixa ideal de apli-


cação na alta e na extra-alta tensão, ou seja, acima de 245 kV. As
suas características de rapidez de operação (abertura e fechamento)
aliadas às boas propriedades extintoras e isolantes do ar comprimido,
UNIUBE 143

bem como à segurança de um meio extintor não inflamável, quando


comparado ao óleo, garantiram uma posição de destaque a esses
disjuntores nos níveis extremos de tensão, à medida que esses iam
crescendo nos novos desenvolvimentos de redes em sistemas de
potência. Essa situação perdurou até inícios da década de 70 com
o desenvolvimento de disjuntores a SF6 de pressão única. Esses
disjuntores, que eliminavam todas as desvantagens dos disjuntores a
SF6 de dupla pressão e que, além disso, encontraram uma aplicação
imediata e bastante modular (sem modificações de grande porte) nas
subestações blindadas, começaram assim a deslocar os disjuntores
a ar comprimido da sua posição de liderança na alta e na extra-alta
tensão, numa tendência firme e irreversível.

SINTETIZANDO

Observe uma sequência resumida das vantagens e desvantagens


dos disjuntores a ar comprimido:

Vantagens

a. disponibilidade total do meio extintor;

b. a mobilidade do meio extintor, com alta velocidade de pro-


pagação, em que permite que ele seja canalizado para acionar
contatos principais, resistores de abertura, de fechamento, com
mecanismos relativamente leves, o que torna esses disjuntores
bastante rápidos, ou seja, aptos a atuar em extra-alta tensão, em
que há exigência de abertura em 2 ciclos;

c. pode-se ajustar a capacidade de interrupção e proprie-


dades de isolação, variando-se a pressão de operação;

d. a compressibilidade do meio extintor que, ao contrário


do óleo, permite que as estruturas estejam isentas das on-
das de choque transitoriais, geradas pelo arco voltaico.
144 UNIUBE

Desvantagens

a. alto custo do sistema de geração de ar comprimido, prin-


cipalmente em pequenas instalações em que cada disjun-
tor precisa ter sua própria unidade geradora, bem como
reservatórios de alta pressão;

b. a distribuição do ar comprimido em alta pressão por


toda a subestação no caso de unidades centrais de ge-
ração, além de ter um alto custo, requer uma constante
manutenção;

c. no caso de operação junto a áreas residenciais, onde


existem limitações de níveis de ruídos, é obrigatório o uso
de silenciadores para esses disjuntores.

g. Disjuntores a SF6

Disjuntores a SF6 de dupla pressão

Esses disjuntores constituem a 1ª geração de disjuntores a SF6. Hoje, pra-


ticamente não são mais fabricados, cedendo seu lugar aos disjuntores de
pressão única (2ª geração) de construção extremamente mais simples.

O disjuntor de pressão dupla incorpora no seu interior um circuito


de alta pressão de SF6 (20 bar) e um de baixa pressão (2,5 bar).
Através de válvulas de descarga, o gás é injetado do reservatório
intermediário de pressão para os bocais dos contatos, extinguindo
assim o arco. A injeção de gás SF6 em alta pressão nos bocais é
feita em sincronismo com a abertura dos contatos através do pró-
prio mecanismo de transmissão. Após a abertura dos contatos, o
gás SF6 descarregado para o lado de baixa pressão é bombeado
automaticamente por um compressor para o lado de alta pressão.
UNIUBE 145

Disjuntores a SF6 de pressão única

Esses disjuntores foram desenvolvidos em fins da década de 60,


com o objetivo de simplificar o sistema de dupla pressão. Nesses
disjuntores, o gás está em um sistema fechado com pressão única
de 6 a 8 bar, conforme o tipo. O diferencial de pressão, sempre
necessário nos disjuntores de meio gasoso para criar um fluxo do
gás sobre o arco, é conseguido criando-se uma sobreposição tran-
sitória durante a manobra de abertura dos contatos.

SAIBA MAIS

Com sabemos, o disjuntor tem como principal função proteger a insta-


lação e seus equipamentos, sendo uma importante peça em qualquer
instalação elétrica, tanto residencial quanto comercial ou industrial.
Os modelos de disjuntores estão cada vez mais modernos, trazendo
segurança e conforto, uma vez que, ao contrário de seus antecesso-
res, os fusíveis, não precisam ser trocados, apenas rearmados. Inclui-
se ainda a versatilidade de ter finalidades diversas de aplicação, por
exemplo: disjuntores unipolares, disjuntores bipolares e disjuntores
tripolares protegem, respectivamente, circuitos com o mesmo número
de fases. Modelos de disjuntores como Din e Ul se diferem em formato
e têm maneiras diferentes de disparo. Hoje, é muito comum em todas
as instalações e substitui facilmente os fusíveis.
146 UNIUBE

Figura 68 – Disjuntor bipolar 3kA Disjuntor tri-


Disjuntor uni- polar 3kA
polar 3kA
Fonte: ABC... (s./d.)

6.1.5 Equipamentos de proteção


6.1.5.1 Fusíveis Encapsulados

São dispositivos de proteção que se destacam na proteção contra a


ação de correntes de curto-circuito, podendo atuar em circuitos sob
condições de sobrecarga. Sua atuação se baseia na fusão de um elo
fusível que aquece, devido às perdas de energia térmica que ocorrem
durante a circulação dessa corrente, onde se destacam a alta capaci-
dade de interrupção (superior a 100 kA). A seguir, temos as funções e
detalhes para a construção de um fusível encapsulado:

1. Base de montagem e encaixe nessa base do contato externo:


as superfícies de contato entre o encaixe e o contato exter-
no do fusível não podem oxidar, pois pode aumentar a tem-
peratura quando houver passagem de corrente. Tal oxidação
depende do tipo de metal ou liga metálica utilizada na cons-
trução dos contatos, sendo de fundamental importância o uso
de metais não oxidantes ou pouco oxidantes. Uma solução
encontrada é a prateação das peças de contato.

2. Elemento fusível: é necessário que seja inviolável (como é o


caso dos tipos Diazed e NH) através do envolvimento de todo
UNIUBE 147

o fusível por um corpo externo cerâmico, com fechamento


metálico nas suas duas extremidades para evitar a alteração
do seu valor nominal e, com isso, garantir a segurança de sua
atuação conforme previsto em projeto. Quanto à fabricação
do elemento fusível, podemos destacar: a) o elemento fusível,
para desempenhar sua ação de interrupção de acordo com
uma característica de fusão tempo x corrente, deve ser fa-
bricado por um metal que permita a sua calibragem com alta
precisão; b) tem que ser definido o ponto sobre o elemento
fusível, no qual o arco elétrico se estabelece, pois quando
aparece uma temperatura no arco da superior a 5000ºC, esse
arco não pode se formar nas extremidades do elemento fu-
sível; c) o elemento fusível precisa vir envolto por um meio
extintor (areia de quartzo com uma granulometria), que, se
for um isolante elétrico, rapidamente extingue o arco formado.

Figura 69 – Corte transversal do fusível NH

Fonte: Análise... (s./d., p. 26)


148 UNIUBE

Figura 70 – Vista interna do fusível NH

Fonte: Análise... (s./d., p. 26)

3. Corpo cerâmico: envolve todas as partes internas do fusível.


Por ficar sujeito a altas temperaturas é que ocorre o instante
da fusão. Um corpo envolvente com essa finalidade precisa
ter as seguintes características:

• O material usado deve ser isolante e permanecer isolante


após a fusão do elemento fusível.

• O material deve suportar altas temperaturas, sem se alterar.

• O material deve suportar bem as pressões de dentro para


fora, que aparecem no ato da fusão do elemento fusível. 

A solução para esse caso é o uso de cerâmicas isolantes do tipo


porcelana ou esteatita, estas últimas sendo porcelanas modifica-
das, com melhores características mecânicas.

4. Meio extintor: esse material também deve ser isolante, inter-


pondo-se automaticamente, por peso próprio, quando da fu-
são do metal do elemento fusível.

5. Indicador de estado: no fusível encapsulado, existe uma apa-


rente dificuldade em verificar se ele está perfeito ou “queima-
do”, devido ao invólucro ou encapsulamento.
UNIUBE 149

SAIBA MAIS

Os fusíveis são muito comuns em residências e indústrias leves,


devido ao seu uso ser simples. Os valores comerciais dos fusíveis
podem variar entre 0,5A a ate 630A. Dentre diversos modelos, te-
mos: Cilíndricos, Diazed, NH, Neozed, entre outros.

Figura 71 – Fusíveis F u s í v e i s Fusíveis NH


Cilíndricos Diezed
Fonte: ABC... (s./d.)

6.1.5.2 Para-Raios

Dispositivo protetor cuja finalidade é limitar os valores dos surtos


de tensão transitante que poderiam causar severos danos aos
equipamentos elétricos. Dado o valor de sobretensão, o para-raios
(que já teve a função de um isolador) passa a ser condutor e des-
carrega parte da corrente para a terra, reduzindo a crista da onda
a um valor que depende das características do referido para-raios.

Características construtivas dos para-raios

I. Para-raios com gap e resistor não linear: são constituídos de


um gap (elemento que separa eletricamente a rede dos re-
sistores não lineares) em série com um resistor não linear,
colocados no interior de um invólucro de porcelana. O con-
junto de “subgaps” tem a finalidade de fracionar o arco em
150 UNIUBE

um número de pedaços, a fim de exercer um melhor controle


sobre ele, no momento de sua formação, durante o processo
de descarga e na sua extinção.

II. Para-raios de óxido de zinco: constituem-se de elemento não


linear colocado no interior de um corpo de porcelana. Para
eles não são necessários os gaps em série, devido às exce-
lentes características não lineares do óxido de zinco. Seguem
as vantagens dos para-raios de óxido de zinco sobre os para
-raios convencionais:

1. inexistência de gaps;

2. inconvenientes pelas características não lineares do carbona-


to de silício;

3. para-raios convencionais absorvem mais quantidade de ener-


gia do que para-raios de óxido de zinco, o que permite a este
último absorção durante um maior número de ciclos.

Recomendações de distâncias de para-raios

As seguintes tabelas mostram a distância máxima entre o transfor-


mador e os para-raios.
UNIUBE 151

Tabela 7 – Distância entre transformador e para-raios


Distância (ft)
Classe de Tensão
NBI Neutro não aterrado
do Transformador Neutro efetivamente
(kV) ou resistência de
(kV) aterrado (PR 80%)
aterramento (PR 100%)
25 150 25 70
34,5 200 25 70
46 250 25 70
69 350 30 75
72 450 30 75
115 550 30 85
138 650 35 95
Fonte: Duialibe, (1999. p. 60)

Tabela 8 – Distância entre transformador e para-raios considerando tensão nominal


NBI – Trafo Para-raios
Tensão Nominal (kV) Distância (ft)
(kV) (kV)
34,5 200 37 60
34,5 200 30 90
69 350 60 135, 155
69 350 73 75, 95
138 550 121 90, 115
138 650 145 120, 155
Fonte: Duialibe, (1999. p. 61)

Tabela 9 – Sistema de Aterramento e Isolamento


Tensão Distância entre para-raios e Terra (m)
Nominal (kV) Sistema Efetivamente Aterrado Sistema Isolado
34,5 27,4 18,3
69 41,1 22,9
138 42,7 27,4
Fonte: Duialibe, (1999. p. 61)
152 UNIUBE

6.1.5.3 Resistores de Aterramento

Com o objetivo de limitar a corrente de curto-circuito em um circuito


convencional, é comum colocar um resistor ou um reator entre o neu-
tro e o terra. Em geradores, o neutro é aterrado através de resisto-
res ou bobinas de indutância. Nos transformadores, em sistemas de
transmissão acima de 70kV, a maioria dos neutros são solidamente
aterrados; abaixo da tensão de 70kV, os neutros dos transformado-
res podem ser ligados diretamente à terra ou através de resistências
ou de reatâncias indutivas. Em subestações industriais, o neutro do
transformador é aterrado quando seu secundário for BT. Mas, quando
o secundário for MT (2,4 a 15 kV), é comum aterrar o neutro do trans-
formador através de resistor de aterramento; neste caso, podemos
descrever algumas vantagens para o sistema:

1. a corrente de curto-circuito entre fase e terra é de valor mode-


rado, porém suficiente para sensibilizar os relés de terra;

2. segregação automática dos circuitos sujeitos a curtos-circui-


tos para terra (atuação mais rápida do relé de terra);

3. facilidade de localização dos curtos-circuitos fase-terra desde


que sejam usados relés de terra adequados;

4. o custo de manutenção é praticamente igual ao sistema so-


lidamente aterrado, porém os danos nos motores ligados ao
sistema são bastante reduzidos;

5. controlar valores moderados às sobretensões devido à resso-


nância LC e curtos-circuitos intermitentes.

Há um método de aterramento do neutro de transformadores co-


mumente encontrados nas plantas industriais.
UNIUBE 153

Sistemas até 600 V: solidamente aterrado.

Sistemas de 2,4 a 13,8 kV: resistor de aterramento na maioria dos


casos e solidamente aterrado em poucos casos.

Sistemas acima de 22 kV Inclusive: solidamente aterrado.

6.1.6 Considerações finais

Caro(a) aluno(a),

Estamos encerrando o capítulo VI, em que falamos sobre equipa-


mentos de manobras. Especificamos os disjuntores quanto ao seu
conceito, características, propriedades e aplicações.

Também conversamos sobre os equipamentos de proteção mais


comuns, que são os fusíveis encapsulados, utilizados para a prote-
ção de circuitos elétricos como ao para-raios, que são responsáveis
pela proteção de áreas de descargas atmosféricas. Encerramos
explicando a atuação dos resistores de aterramento.

Assim, encerramos o capítulo VI sobre equipamentos de manobras


e equipamentos de proteção.
Equipamentos de
Capítulo
7
Controle e Medição
e Equipamentos de
Transformação
Cledione Junqueira de Abreu

Introdução
Prezado(a) aluno(a),
Estamos começando o capítulo VII sobre Equipamentos de
Controle e Medição e Equipamentos de Transformação.

Inicialmente, falaremos sobre os transformadores de corrente


e transformadores de potencial, sendo que esses podem atuar
tanto como capacitivo quanto indutivo. Abordaremos ainda o
conceito, suas características, aplicações e terminologias.

Na sequência, estudaremos sobre os transformadores como


equipamento de transformação, conhecendo a importância
da relação tensão/corrente, bem como sua importância a
partir da transmissão de energia e suas terminologias.

Caro(a) aluno(a), preparado(a) para conhecer os


equipamentos de controle, medição e transformação?

Bons estudos!!
Objetivos
• Definir transformador de corrente e apresentar seus
principais conceitos, funções, aplicações, terminologias.
• Definir transformador de potencial e apresentar seus
principais conceitos, funções, aplicações, terminologias.
• Definir transformador de força e apresentar seus
principais conceitos, funções, aplicações, terminologias.

Esquema
• Transformador de Corrente (TC)
• ASA STANDARD
• ANSI STANDARD
• Transformador de potencial (TP): transformador de
potencial indutivo (tpi) e transformador de potencial
capacitivo (TPC)
• Transformadores
• Partes/Componentes de um transformador
• Comutadores de Carga

7.1 Equipamentos de controle e medição

7.1.1 TRANSFORMADOR DE CORRENTE (TC)

Conceito

Os medidores e relés de proteção do tipo de corrente alternada


são atuados por tensões e correntes supridas por transformadores
de potencial e de corrente. São chamados de transformadores de
instrumentos e completam os relés e medidores com quantidades
proporcionais nos circuitos de potência, mas reduzidas, de forma
que estes instrumentos possam ser fabricados em tamanhos pe-
quenos, proporcionalmente ao isolamento.
UNIUBE 157

As duas principais finalidades de um transformador de corrente são:

• Isolar os circuitos de medição e controle do sistema de alta


tensão, com o objetivo de proteger os instrumentos de con-
trole e de medição e os técnicos que lidam com os mesmos.

• Reduzir a corrente que passa pela linha de transmissão, nor-


malmente, a um valor nominal de 5A, permitindo normaliza-
ções de instrumentos de medição e de controle.

Um transformador de corrente, em linhas gerais, é constituído de:


enrolamento primário, enrolamento secundário e núcleo magnéti-
co, sendo os terminais do enrolamento primário ligados em série
com o circuito de uma fase do sistema elétrico.

Em virtude de a tensão do sistema elétrico ser elevada em relação


à queda de tensão provocada pelo transformador de corrente, a
corrente no enrolamento primário deste é constante e independe
da carga se que liga aos seus terminais secundários. O fenôme-
no físico que se processa no interior do transformador de corrente
pode ser analisado com o auxílio do esquema representativo e do
circuito equivalente mostrados nas figuras a seguir.

Figura 72 – Esquema representativo do TC

Fonte: Leite (2000)


158 UNIUBE

Figura 73 – Diagrama Equivalente

Fonte: Leite (2000)

A corrente, ao passar pelo enrolamento primário, produz um fluxo (φ),


que se dividirá em fluxo de dispersão, representado pela reatância
indutiva (Xp), e em fluxo primário, que induzirá, no enrolamento primá-
rio, uma f.c.e.m. (Ep) e, no enrolamento secundário, uma f.e.m. (Es).

Vamos supor duas hipóteses sobre o estado em que se encontra o


enrolamento secundário:

I. Aberto ou com Impedância Infinita Ligada aos seus


Terminais

Nessa hipótese, não há possibilidade de passar corrente pelo enro-


lamento secundário. A corrente de excitação é a própria corrente pri-
mária. Se entrarmos na curva de excitação, veremos que o núcleo
do transformador de corrente está na região de saturação, ou seja, a
tensão nos terminais do enrolamento secundário é muito elevada.

II. Fechado ou com Impedância de Valor Zero

Nessa hipótese, a f.e.m. (Es) produzirá uma corrente (Is) no se-


cundário. Essa corrente produzirá um fluxo (φ) que se dividirá em
fluxo de dispersão, representado pela reatância indutiva Xs, e em
UNIUBE 159

fluxo secundário (φs), de sentido contrário ao fluxo primário (φp).


A diferença entre φp e φs será o fluxo φ0, que é representado pela
reatância Xm. As perdas por histerese e de Foucault no núcleo são
representadas por Rf. As resistências dos enrolamentos primários
e secundários são representadas por Rp e Rs. As tensões e corren-
tes envolvidas estão representadas na próxima figura.

Figura 74 – Diagrama vetorial

Fonte: Leite (2000)

φ – Fluxo principal

δ – Ângulo de fase devido ao enrolamento secundário

γ – Ângulo de fase devido à carga

θ – Ângulo de fase secundário total (θ = δ + γ)

α – Ângulo de perda devido à excitação do núcleo

β – Ângulo de fase entre a corrente primária e secundária referida


ao primário
160 UNIUBE

Is – Corrente secundária

Es – f.e.m. secundária

Vs – Tensão secundária

E
– f.e.m. primária induzida

Ip – Corrente primária

KTIs – Corrente secundária referida ao primário

KT – Relação de espiras

I0 – Corrente de excitação

IM – Componente magnetizante de I0 requerida para produzir fluxo

IW – Componente em fase de I0, supre as perdas no núcleo (histe-


rese a correntes parasitivas)

Deve-se sempre levar em conta que existe uma diferença funda-


mental entre transformador de corrente para proteção e para me-
dição. Esse transformador deve-se reproduzir em seu secundário
correntes várias vezes superiores à corrente nominal primária (20X
Ip, norma ASA), com uma determinada precisão. Considera-se o
termo “dentro de sua classe de exatidão” quando um transformador
de corrente para serviço de proteção mostra seu erro de relação
percentual não superior ao valor especificado, desde a corrente
secundária nominal até uma corrente igual a 20 vezes a corrente
secundária nominal. O erro de relação percentual pode ser obtido
pela seguinte equação:
UNIUBE 161

Is = valor eficaz da corrente secundária considerada;

Ie = valor eficaz da corrente de excitação correspondente.

Para determinação do erro máximo admissível, o valor de Is a ser


considerado deve ser 20 vezes a corrente secundária nominal.

TC para medição

Esse TC recebe em seu circuito primário somente correntes com-


patíveis com as cargas e somente para estas correntes é que deve
funcionar com precisão.

Tipos Construtivos

Pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), os trans-


formadores de corrente são classificados de acordo com sua cons-
trução em um dos seguintes tipos:

a. Tipo barra: transformador de corrente cujo enrolamento pri-


mário é constituído por uma barra, montada permanentemen-
te através do núcleo da transformada.

b. Tipo enrolado: transformador de corrente cujo enrolamento


primário é constituído de uma ou mais espiras, que envol-
ve(m) o núcleo do transformador.
162 UNIUBE

Figura 75 – TC tipo enrolado

Fonte: Leite (2000)

São classificados como do tipo H. Isso porque tais TCs possuem


uma alta impedância secundária.

c. Tipo de janela: transformador de corrente sem primário pró-


prio, constituído com uma abertura através do núcleo por
onde passa um condutor, formando o circuito primário.

Figura 76 – TC tipo janela

Fonte: Leite (2000)


UNIUBE 163

São TCs do tipo L. Isso porque tais TCs possuem baixa (low) impe-
dância secundária.

Obs.: o transformador de corrente tipo janela, projetado para ser


instalado sobre uma bucha de um equipamento elétrico, tem o
nome especial de TC de bucha.

d. Tipo com núcleo dividido: transformador de corrente tipo jane-


la, em que uma parte do núcleo pode ser separada ou bascu-
lante, assim, facilita o enlaçamento do condutor primário.

e. Tipo com vários enrolamentos primários: transformador de


corrente com enrolamentos primários distintos e isolados de
forma separada.

f. Tipo com vários núcleos: transformador de corrente com enrola-


mentos secundários isolados de forma separada e montados em
seu próprio núcleo, formando um conjunto com um único enro-
lamento primário, cujas espiras enlaçam todos os secundários.

Partes/Componentes de um TC

Existem algumas construções típicas para TCs:

a. TC Selado: são TCs em que as partes ativas não ficam em


contato direto com a atmosfera. Em alguns casos, no espaço
superior do cabeçote do TC, destinado à dilatação do óleo
isolante, é colocado nitrogênio (N2) com uma pequena pres-
são (0,2 Kg/cm2 a 20oC, normalmente). Em outros casos,
nesse espaço, existe o próprio ar atmosférico.

b. TC com respiro: nesses TCs existe, normalmente, a aeração


normal com a atmosfera, podendo essa aeração ser direta ou
através de Sílica–Gel.
164 UNIUBE

c. TC Moldado com Resina: nesses TCs, o enrolamento primário é


moldado em resina Epox. São TCs que possuem o cabeçote com
dimensões elevadas. Podem ser também selados ou com respiro.

Características Físicas/Elétricas/Mecânicas

Segundo a ABNT, a especificação de um TC deve, no máximo, ter


as seguintes características:

• Tensão Máxima do equipamento

• Corrente Primária

• Relação de transformação

• Nível de isolamento

• Frequência Nominal

• Cargas Nominais

• Exatidão

• Número de núcleos para medição e proteção

• Fator Térmico Nominal

• Corrente Térmica Nominal

• Corrente Dinâmica Nominal

• Uso interno ou externo


UNIUBE 165

Vamos nos deter em algumas características:

7.1.2 Cargas Nominais

São as cargas que o TC irá alimentar. Essas cargas são tabeladas,


cujo símbolo é representado pela letra C, seguida do número de
Volt–Ampères correspondente à corrente secundária nominal.

Exemplo:

Tabela 10 – Cargas Nominais

Cargas Normais Características a 60Hz e 5A


Designação P o t ê n c i a Fator de Resistência Indutância Impedância

Aparente Potência Efetiva (Ω) (mH) (Ω)


C 100 100 0,50 2,0 9,6 4,6
C 200 200 0,50 4,0 18,4 8,0

Fonte: Leite (2000, p. 55)

7.1.3 Fator Térmico

É o fator pelo qual a corrente primária do transformador de corrente


deve ser multiplicada para se obter a máxima corrente primária que
pode circular continuamente, sem exercer limites de elevação de
temperatura. Na maioria dos casos, esse limite é de 55oC, consi-
derando a temperatura média do ambiente de 30oC. A norma ANSI
STANDARD normalizou os valores de fator térmico em 1,0 , 1,33 ,
1,5 e 2,0. A norma ABNT normalizou em 1,0 , 1,2 , 1,3 , 1,5 e 2,0.

• Corrente Térmica Nominal: é o valor eficaz da corrente primá-


ria simétrica que o transformador de corrente pode suportar
por um tempo determinado (normalmente 1s), sendo o enro-
lamento do secundário curto circuitado, controlando os limites
de temperatura especificados para sua classe de isolamento.
166 UNIUBE

• Corrente Dinâmica Nominal: é o valor de crista da corrente


primária que um transformador de corrente suporta durante o
primeiro meio-ciclo com o enrolamento secundário curto cir-
cuitado, sem se danificar fisicamente, devido às forças eletro-
magnéticas resultantes.

7.1.4 Classe de Exatidão

As classes de exatidão seguem de acordo com as normas ASA


STANDARD, ANSI STANDARD e ABNT:

7.1.5 ASA STANDARD

a. Transformadores de Corrente para Serviço de Proteção: esses


transformadores são divididos em duas classes: H e L. Os de
classe H são os que possuem alta impedância interna. O fluxo
de dispersão no núcleo influencia no erro de relação nominal. Os
de classe L são os que possuem baixa impedância interna, pois
o enrolamento secundário é distribuído uniformemente e o fluxo
de dispersão é desprezível no cálculo do erro de relação dentro
de certos limites de corrente e de Burden (carga secundária).
O primeiro número indica o erro percentual máximo admissível
da relação nominal. Pode ser 10% ou 2,5%. As letras H ou L
indicam se o transformador de corrente é de alta ou de baixa im-
pedância, conforme descrito anteriormente. O segundo número
é o valor da tensão máxima no secundário do transformador de
corrente. Essa tensão é normalizada em valores de 10, 20, 50,
100, 200, 400 e 800 V. A seguir, descreveremos a maneira de se
calcular as cargas máximas que poderão ser ligadas aos termi-
nais dos enrolamentos secundários.
UNIUBE 167

SINTETIZANDO

Classe H

Na grande maioria dos transformadores de corrente, a corrente se-


cundária nominal é 5A. Nessa classe, há dois tipos de cálculos para
determinar a máxima carga secundária que pode ligar ao transforma-
dor de corrente. O primeiro tipo de cálculo leva em consideração que
a corrente de curto na linha e, consequentemente, no enrolamento
secundário, pode atingir valores de até 5 vezes a corrente nominal.
Nesse caso, a máxima carga secundária é calculada dividindo-se a
tensão máxima pelo valor da corrente nominal multiplicada por 5.

Exemplo:

O segundo tipo de cálculo leva em consideração que a corrente na linha


e, consequentemente, no enrolamento secundário pode atingir valores
de 5 até 20 vezes a corrente nominal. Nesse caso, a máxima carga se-
cundária é calculada dividindo-se a tensão máxima pelo valor da corrente
nominal multiplicada por 20 ou por quantas vezes o valor da corrente de
curto for maior que a corrente nominal (sempre superior a 5 vezes).

Exemplo:

ou

Então, os transformadores de corrente com classe 10 H 200 e 2,5 H


200 não terão, nas condições de corrente de linha preestabelecidas,
168 UNIUBE

erros de relação nominal superiores a 10% e a 2,5%, respectiva-


mente, se nos seus terminais secundários for ligada uma carga de
valor, conforme o calculado (nos dois tipos de cálculo).

SINTETIZANDO

Classe L

Nessa classe, só há um tipo de cálculo para se determinar a má-


xima carga secundária, que pode ser ligada ao transformador de
corrente. Divide-se a tensão máxima pelo valor da corrente nominal
multiplicada por 20.

Exemplo:

Em condições de corrente de linha preestabelecidas, os transforma-


dores de corrente 10 L 200 e 2,5 L 200 não terão erros de relação
nominal superiores a 10% e a 2,5%, respectivamente, se nos seus
terminais secundários for ligada uma carga igual ou inferior a 2Ω.

b. Transformadores de Corrente para Serviço de Medição

Esses transformadores são representados por um número ao lado


de uma letra e por um segundo número.

O primeiro número indica o erro percentual máximo admissível da


relação nominal e do ângulo de fase quando a corrente no secun-
dário é de 100% da corrente nominal. Os erros normalizados são
de 0,3%, 0,6% e 1,2% e pode-se verificá-los por meio de paralelo-
gramos também normalizados em gráficos cuja abscissa é ângulo
de fase (θ) e a ordenada é o fator de correção de relação (FRC).
UNIUBE 169

A letra B e o segundo número correspondem à palavra Burden (car-


ga) e ao valor em ohms da máxima carga que poderá ser ligada
aos terminais do enrolamento secundário, sem que ultrapasse o
erro de relação normalizado. As cargas normalizadas são 0,1 , 0,2 ,
0,5 1,2 , 4 e 8 Ω e possuem determinados fatores de potência.

Exemplos:

1º. 0,3B–2: esse transformador de corrente poderá ter um erro de


relação nominal igual ou inferior a 0,3% se for ligado aos seus ter-
minais secundários uma carga igual ou inferior a 2 Ω e quando
circular a corrente nominal.

2º. 0,3 B–0,2 ; 0,6 B–0,5 ; 1,2 B–2: o transformador de corrente com
essas características terá um erro de relação nominal igual ou inferior:
a 0,3% se for ligado aos seus terminais uma carga igual ou inferior a
0,2 Ω ; a 0,6% se a carga for igual ou inferior a 0,5 Ω ; a 1,2% se a
carga for igual ou inferior a 2 Ω, quando circular a corrente nominal.

7.1.6 ANSI STANDARDS

a. Transformadores de Corrente para Serviço de Proteção

Esses transformadores são divididos em duas classes: T e C. Os


de classe T são os de tipo Wound (primário enrolado no núcleo) e
outros transformadores cujo fluxo de dispersão no núcleo tem um
efeito apreciável na relação nominal.

Os de classe C são os de tipo bucha que possuem enrolamentos distribu-


ídos de forma uniforme no núcleo e outros transformadores com fluxo de
dispersão no núcleo têm efeito desprezível na relação nominal.

Essa norma estabeleceu as classes de exatidão e as condições em


que estas se aplicariam. Esses valores estão baseados na tensão
170 UNIUBE

secundária normalizada a que um transformador ficará submeti-


do sem exceder o erro percentual nominal. São representados por
uma letra ao lado de um número.

As letras T ou C indicam se o transformador de corrente é de alta ou baixa


impedância, conforme mencionado anteriormente. O número indica o va-
lor de tensão máxima que deve aparecer no secundário do transformador
de corrente, quando ocorrer um curto-circuito no sistema. Essa tensão é
normalizada em valores de 10, 20, 50, 100, 200, 400 e 800 V.

O cálculo de máxima carga secundária que pode ser ligada aos termi-
nais do transformador de corrente, sem que o erro de relação nominal
não exceda a 10%, é o seguinte: divide-se o valor de tensão máxima
pelo produto da corrente secundária nominal com o valor 20.

Exemplo: C 100

Como dado no exemplo foi utilizado um transformador de corrente classe


C 100, sem considerar as condições de corrente de linha, que pode variar
de 1 até 20 vezes a corrente nominal, porém é possível o erro de relação
nominal superior a 10% se no circuito estiverem instaladas cargas me-
nores ou iguais a 1 Ω. As cargas normalizadas para transformadores de
corrente para serviços de medição e proteção são:

Tabela 11– Cargas Nominais para TC para serviços de medição e proteção

Cargas Normais Características a 60Hz e 5A

Potência Fator de Resistência Indutância Impedância


Designação
Aparente Potência Efetiva (Ω) (mH) (Ω)

B – 0,1 0,09 0,116 0,1 2,5 0,9


B – 0,2 0,18 0,232 0,2 5,0 0,9
UNIUBE 171

B – 0,5 0,45 0,580 0,5 12,5 0,9


B–1 0,5 2,3 1,0 25 0,5
B–2 1,0 4,6 2,0 50 0,5
B–4 2,0 9,2 4,0 100 0,5
B–8 4,0 18,4 8,0 200 0,5

Fonte: Leite (2000, p. 61)

Os transformadores de corrente para serviço de proteção e de medi-


ção que não tiverem corrente nominal de 5 A poderão ter suas cargas
calculadas a partir das cargas da tabela anterior em proporção ao qua-
drado da razão entre a corrente de 5 A e a corrente secundária.

SINTETIZANDO

Em um transformador de corrente que tem corrente secundária de


1 A, a carga será 25 vezes o valor tabelado da resistência em ohms
e a impedância em ohms.

Nos TC para serviço de proteção, a tensão correspondente ao valor


tabelado de impedância de 2 Ω será calculada da seguinte maneira:

As características de exatidão de transformadores de corrente com


várias derivações no secundário se aplicam somente à derivação
correspondente ao enrolamento secundário total.

b. Transformadores de Corrente para Serviço de Relés


(Proteção)

Esses transformadores são divididos em duas classes A e B. Os


de classe A são aqueles cujo enrolamento secundário apresenta
172 UNIUBE

reatância que não pode ser desprezada.

Os de classe B são aqueles que o enrolamento secundário apresenta


reatância desprezível. Nesta classe, se enquadram os transformadores
com núcleo toroidal, com o enrolamento secundário uniformemente distri-
buído sobre o mesmo. Essa norma estabelece duas classes de exatidão:
2,5% e 10%. Estabelece também fatores de sobrecorrente nominal que
são: F5, F10, F15 e F20. Sendo que o F15 não é normalizado para a clas-
se A. Esse fator é um número que, multiplicado pela corrente secundária
nominal, estabelece o máximo valor de corrente que deve passar pelos
enrolamentos secundários sem que o erro de relação nominal ultrapasse
a 2,5% ou 10%, conforme a classe de exatidão.

Existem tabelas indicando as cargas máximas que devem ser li-


gadas aos terminais dos enrolamentos secundários sem que seja
ultrapassado o erro de relação normalizado.

Exemplos de designação de transformador de corrente para servi-


ço de relés (proteção):

A10 F20 C50: isso que dizer que o transformador é da classe A,


classe de exatidão 10%, fator de sobrecorrente 20 e carga nominal
50 VA.

B2,5 F10 C100: o transformador é da classe B, classe de exatidão


2,5%, fator de sobrecorrente 10 e carga nominal 100 VA.

7.1.7 ABNT

a. Transformadores de Corrente para Serviço de Medição

Esses transformadores são representados por um número ao lado


de uma letra e por um segundo número. O primeiro número indica
UNIUBE 173

o erro percentual máximo admissível da relação e de ângulo de


fase quando a corrente no secundário é de 100% da corrente nomi-
nal. Os erros normalizados são de 0,3%, 0,6% e 1,2% e podemos
verificá-los por meio de paralelogramos também normalizados em
gráficos cuja abscissa é o ângulo de fase (&) e a ordenada é o fator
de correção da relação (FCR).

A letra C e o número seguinte indicam o valor da carga nominal em


VA. Os TC para serviço de medição com um único enrolamento
secundário e com classe de exatidão 0,3 ou 0,6 ou 1,2 devem estar
dentro de sua classe de exatidão para todos os valores de fator de
potência indutivo da carga medida no primário do transformador de
corrente, compreendidos entre 0,6 e 1,0, uma vez que esses limites
definem o traçado dos paralelogramos normalizados.

Exemplo da designação de transformador de corrente para serviço


de medição:

0,3 – C2,5 : 0,6 – C12,5: esse transformador terá um erro de relação no-
minal igual ou inferior a 0,3%, se for ligado aos seus terminais uma carga
igual ou inferior a C2,5; a 0,6% se a carga for igual ou inferior a C12,5.

7.1.8 Transformadores de Potencial (TP)

Conceito

Normalmente, em sistemas acima de 600 V, as medições de tensão


não são mais feitas diretamente à rede primária, mas, sim, atra-
vés de equipamentos denominados Transformadores de Potencial.
Esses equipamentos têm as seguintes finalidades:

• isolar o circuito de baixa tensão (secundário) do circuito de


alta-tensão (primário);

• reproduzir os efeitos transitórios e o regime permanente


174 UNIUBE

aplicado ao circuito de alta-tensão o mais fielmente possível


no circuito de baixa tensão.

Quanto ao tipo, os TP podem ser:

• transformadores indutivos (TPI);

• transformadores capacitivos (TPC);

• divisores capacitivos;

• divisores resistivos;

• divisores mistos (capacitivo/resistivo).

Os divisores capacitivos, resistivos e mistos, normalmente, não são


utilizados em sistemas de potência, sendo sua aplicação feita nos
circuitos de ensaio e pesquisa em laboratório.

Para tensões compreendidas entre 600 V e 69 kV, os transforma-


dores indutivos são dominantes.

Para tensões acima de 69 kV até 138 kV, não existe preferência na


utilização, sendo que, em sistemas em que se utiliza PLC (“power
line carrier”), a utilização do capacitivo torna-se necessária.

Para tensões superiores a 138 kV, os transformadores capacitivos


são dominantes. TPs capacitivos são usados em esquemas de pro-
teção somente quando são bem mais baratos do que TPs indutivos.
TPs capacitivos não são tão precisos como TPs indutivos, podendo
apresentar também transitórios indesejáveis. Quando é requerida
uma fonte de tensão para os relés de proteção de um único circuito,
e quando a tensão do circuito é aproximadamente 69 kV e acima,
UNIUBE 175

TPs capacitivos costumam ser mais baratos do que TPs indutivos.


Costumam ser mais econômicos também abaixo de 69 kV, quando
é usado equipamento de comunicação por Onda Portadora, pois
um TPs capacitivo do tipo capacitor de acoplamento também pode
ser usado, com pequeno custo adicional, para acoplar o equipa-
mento de Cn da Portadora ao circuito. TPs capacitivos tipo bucha
são ainda mais econômicos, desde que tenham capacidade sufi-
ciente. Não podem, entretanto, ser usados para acoplar o equipa-
mento de Onda Portadora ao sistema.

Quando comparados numa base de $/VA, TPs indutivos são mui-


to mais baratos do que TPs capacitivos. Os transformadores de
potencial não se distinguem, quanto ao funcionamento, dos trans-
formadores de potência. A respectiva potência, porém, é pequena,
sendo construídos, também, para darem um erro mínimo na rela-
ção de transformação e no ângulo de fase.

A queda de potencial, pela impedância, desde o regime em vazio


até o regime de plena carga, tem que ser muito pequena.

No dimensionamento do transformador de potencial, não há neces-


sidade de se considerar uma série de fatores como os analisados
no caso dos transformadores de corrente, pois sua ligação em pa-
ralelo com a rede faz com que não tenham a mesma influência as
correntes de curto-circuito. Além dos fatores resultantes da ligação
dos equipamentos à rede, devemos observar que, com variação de
carga, oscila conjuntamente a corrente, o mesmo não acontecendo
com a tensão, cuja gama de variação é bem menor.

Do exposto, resulta de um lado, a construção onde menores pre-


cauções são necessárias; do outro lado, como para fins de medi-
ção, a leitura deve ser mantida precisa, dentro de certos limites
(não interessa para proteção). Essa condição é bem mais fácil de
176 UNIUBE

ser satisfeita no caso de medição de tensão, pois a sua gama de


variação é bem menor do que no caso da medição de correntes.

Tal como no caso de outras medições, aparece também, no caso da


tensão, um erro de medição, tanto em grandezas quanto em ângulo
de fase, erro este de pouca importância para alimentação de relés,
porém, fundamental para a medição. O erro em grandeza que o trans-
formador apresenta é devido à queda de tensão nos enrolamentos
primários e secundários, podendo o mesmo ser acentuadamente re-
duzido pelo emprego de condutores de secção suficientemente gran-
de. Com essa providência, reduz-se paralelamente o erro de ângulo.

7.1.9 Transformador de Potencial Indutivo (TPI)

Circuito Equivalente

Como todo transformador, um TPI à frequência industrial fica bem


representado pelo modelo da figura a seguir. Deve-se ressaltar que
um TPI pode ser considerado como sendo “um transformador de
força conectado a uma pequena carga” (Zb).
UNIUBE 177

Figura 77 – Circuito equivalente de um TPI à frequência industrial

Fonte: Leite (2000)

Em que:

Rp , Xp = resistência, reatância de dispersão do enrolamento


primário;

Rs , Xs = resistência, reatância de dispersão do enrolamento


secundário;

Lm = indutância de magnetização do núcleo;

Rfe = resistência representativa das perdas no ferro;

Zb = carga secundária;

Es = gerador equivalente do sistema.

Em um TPI, os valores da impedância de dispersão são bem eleva-


dos em decorrência do elevado número de espiras do enrolamento
178 UNIUBE

primário. Desta feita, os erros de medição introduzidos pelo TPI


são produzidos pela dispersão primária e secundária, bem como
pela corrente responsável pela magnetização do núcleo.

Características Físicas/Elétricas/Mecânicas

A especificação do TP, para consulta ao fabricante, deve ser no


mínimo indicada:

• Tensão Primária

• Relação Nominal

• Frequência Nominal

• Carga Nominal

• Classe de exatidão

• Potência Térmica Nominal

• Grupo de Ligações

• Uso interno ou externo

Com relação à classe de exatidão, temos a considerar.

Pelas normas ASA, tanto para serviços de medição como para serviços
de relés, a exatidão dos TP é designada pela classe de precisão seguida
do símbolo da carga com a qual se verifica essa classe de precisão.

Por exemplo: 0,6 W


UNIUBE 179

As classes de precisão normalizadas para transformadores de po-


tencial são: 0,3 – 0,6 – 1,2

Sua seleção depende da aplicação a que se destina o transforma-


dor de potencial.

Independentemente disso, o transformador de potencial e os ins-


trumentos destinados a serem ligados ao mesmo devem apresen-
tar classes de precisão semelhantes.

O quadro seguinte apresenta as classes de precisão normalizadas


e suas aplicações usuais.

Quadro 3 – Classe de Precisão TP normalizada

CLASSE DE PRECISÃO APLICAÇÕES


Medidas em laboratórios.

0,3 a 0,6
Medidas de potência ou energia para
fins de cobrança ao consumidor.
Alimentação usual de: voltí-
metros, wattímetros, medido-
res de watt-hora, fasímetros.
1,2
Sincronoscópios: autotrans-
formadores de desafasamen-
to, frequêncímetros, relés.

Fonte: Leite (2000, p. 75)

Para seleção da carga nominal de um transformador de potencial, so-


mam-se, geralmente, as potências consumidas pelos instrumentos
180 UNIUBE

destinados a serem ligados ao seu secundário. Quando importante,


consideram-se também as potências consumidas pelas conexões
e pelos condutores de ligação. Seleciona-se a carga normalizada
imediatamente superior. A tabela a seguir apresenta as cargas nor-
malizadas para transformadores de potencial.
Tabela 12 – Cargas normalizadas para transformadores de potencial

CARACTERÍSTICAS DA CARGA
SÍMBOLO DA CARGA
VA FATOR DE POTÊNCIA
W 12,5 0,10
X 25 0,70
Y 75 0,85
Z 200 0,85
ZZ 400 0,85

Fonte: Leite (2000, p. 75)

As cargas normalizadas possuem valores de resistência (R) e in-


dutância (L) constantes.

Base 120 V, 60 Hz

7.1.10 Transformador de Potencial Capacitivo (TPC)

Conceito

Dois tipos de TPs capacitivos são usados na proteção por relés:

1. O TP capacitivo tipo capacitor de acoplamento.

2. O TP capacitivo tipo bucha.

Os dois dispositivos são basicamente idênticos, residindo a dife-


rença principal no tipo de divisor de tensão capacitivo usado, o que
afeta a capacidade nominal. O TP tipo capacitor de acoplamento
UNIUBE 181

usa como divisor de tensão um “capacitor de acoplamento”, con-


sistindo de uma série de capacitores ligados em série e de um “ca-
pacitor auxiliar”. O TP capacitivo tipo bucha utiliza o acoplamento
capacitivo de uma bucha especialmente construído de um disjuntor
ou de um transformador de força.

Aspectos Construtivos

A figura seguinte mostra os principais elementos que constituem os


transformadores de potencial capacitivo e indutivo.
182 UNIUBE

Figura 78 – Transformador de potencial capacitivo e indutivo

Fonte: Leite (2000)

1. Divisor Capacitivo de Tensão

2. Capacitor de Alta–Tensão

3. Capacitor Intermediário
UNIUBE 183

4. Transformador Intermediário

5. Reator de Compensação

6. Terminais Secundários

7. Transformador Indutivo

8. Filtro Supressor de Ferroressonância

9. Enrolamento de Ajuste

10. Terminais de Baixa Tensão

Características Físicas/Elétricas/Mecânicas

A carga nominal do enrolamento secundário de um TP capacitivo é es-


pecificada em watts com tensão secundária nominal, quando se impri-
me tensão fase-terra através do divisor capacitivo de tensão. A carga
nominal do dispositivo é a soma das cargas em watts que podem ser
impressas em ambos os enrolamentos secundários simultaneamen-
te. O dispositivo inclui capacitores de ajuste para ligação em paralelo
com a carga em um enrolamento secundário, para corrigir o fator de
potência da carga total para unidade. As cargas nominais padrão dos
TPs capacitivos tipo bucha são dadas na tabela a seguir:

Tabela 13 – Cargas Nominais dos TP capacitivos tipo bucha

Cargas Nominais dos TPs capacitivos tipo bucha


Tensão nominal do circuito, kV Carga Nominal
Fase-Fase Fase-Terra Watts
115 66,4 25
138 79,7 35
161 93,0 45
184 UNIUBE

230 133,0 80
287 166,0 100

Fonte: Leite (2000, p. 86)

A carga nominal do TP capacitivo tipo capacitor de acoplamento é


de 150 watts para qualquer uma das tensões nominais, inclusive as
da dessa tabela anterior.

7.1.11 Equipamentos de Transformação

7.1.11.1 Transformadores

Permeabilidade

A permeabilidade é uma medida de relutância da substância mag-


nética. Nesse aspecto, ela determina quanto fluxo será criado por
um número de ampères–voltas.

É possível classificar a permeabilidade de cada material atribuindo


valores práticos usuais, com a escala como referência o ar para
unidade, sendo desconsideradas substâncias especiais que va-
riam de centenas e 2500, já que a permeabilidade é desenvolvi-
da acima de 100.000 unidades. Considerada de outra maneira, a
permeabilidade pode ser vista como uma espécie de “índice de
quantidade”, já que indica como uma dada força magnetizante será
mais eficaz quando uma substância magnética substituir o ar (ou
seu equivalente). Além disso, duas ou mais substâncias magnéti-
cas podem ser comparadas com base em suas permeabilidades,
assim, por exemplo, se ferro fundido e aço fundido têm permeabili-
dades de 150 a 1.500, respectivamente, a uma densidade de fluxo
dada, dar-se-ia que o aço fundido é 10 vezes “melhor” do que o
ferro fundido. Ou, para ilustrar o exemplo, em termos mais práticos,
UNIUBE 185

um eletroímã construído com um núcleo de ferro fundido requererá


10 vezes mais ampères-voltas para produzir o mesmo fluxo do que
outro eletroímã semelhante com núcleo de aço fundido.

A frequente menção da permeabilidade e a uma dada densidade foi


intencional e pretendia deixar a impressão de que a permeabilida-
de depende não somente do material, mas também da densidade
do fluxo em que opera. A razão para isso é que a permeabilidade é
uma função de ambos – densidade de fluxo e força magnetizante e
Bpol não são diretamente proporcionais a NI/* in.

Circuitos Acoplados

Consideremos um transformador fornecendo potência a uma carga,


como indicado na figura a seguir. Os terminais, primário e secundário de
mesma polaridade, são mostrados ligados juntos. Se a corrente de mag-
netização é pequena, a corrente primária I1 é quase igual à corrente se-
cundária I2, opostamente dirigida. Se essas correntes fossem exatamen-
te iguais, as condições dos circuitos, primário e secundário, não seriam
alteradas se o circuito fosse religado, como mostra a figura.

Assim, um transformador de relação 1:1 é equivalente a uma simples


impedância série, se a corrente a vazio é desprezada. É evidente que
essa impedância série é a impedância de dispersão equivalente do
transformador. Como os fluxos de dispersão estão parcialmente no
ar, as indutâncias de dispersão são aproximadamente constantes, re-
sultando também constante a impedância de dispersão equivalente.
Portanto, se a corrente de magnetização é pequena, comparada com
a componente de carga da corrente primária, os efeitos da não linea-
ridade magnética são considerados sem importância e os transforma-
dores de núcleo de ferro, nestas condições, comportam-se como um
elemento de circuito essencialmente linear.
186 UNIUBE

Figura 79 – Demonstração de que a impedância equivalente de um trans-

formador de relação 1:1 é igual à sua impedância série como um rea-

tor com forças magnetomotrizes, primária e secundária em oposição

Fonte: Leite (2000)

Funcionamento a Vazio

Suponhamos um transformador construído como apresentado na pró-


xima figura, sendo o primário constituído por N1 espiras e o secundá-
rio por N2 espiras, ambos enrolados sobre um núcleo fechado.

Figura 80 – Transformador com secundário aberto

Fonte: Leite (2000)


UNIUBE 187

7.1.11.2 Partes/Componentes de um Transformador

a. Núcleo

O núcleo é constituído de chapas de aço-silício, laminadas a frio, co-


bertas por película isolante. A laminação seguida de tratamento tér-
mico orienta os domínios magnéticos no sentido da laminação, que
permite alcançar densidades de fluxo altas, com perdas reduzidas e
baixas correntes de magnetização. Essas chapas são sustentadas
por uma estrutura constituída de vigas metálicas, interligadas por ti-
rantes, e por faixas de fibra de vidro impregnadas com resina. Nos
transformadores trifásicos, o núcleo tem, em geral, três colunas.

b. Enrolamentos

É dado esse nome devido aos condutores estarem enrolados


em forma de bobinas cilíndricas, que são dispostas em formato
coaxial nas colunas do núcleo, em ordem crescente de tensão.
Basicamente, têm-se os seguintes tipos de enrolamentos:

• enrolamento em disco – altas-tensões e baixas correntes –


enrolamentos de alta-tensão

• enrolamento em disco entrelaçado – aumento da capacitância


série do enrolamento, melhorando a distribuição da tensão de
surtos de frente íngreme enrolamentos de alta tensão.

• enrolamento helicoidal – baixas tensões e altas correntes –


enrolamentos primários de transformadores elevadores de
usinas e enrolamentos de regulação.

• enrolamento em camadas – as camadas concêntricas são li-


gadas em série – baixas ou altas tensões – enrolamentos de
alta ou baixa tensão e enrolamentos terciários.
188 UNIUBE

c. Isolamento

O isolamento do transformador é constituído de óleo e celulose


(papel e prespam). O óleo tem, ainda, funções de refrigeração. Os
condutores (cobre e alumínio) são envolvidos em tiras de papel,
que formam o isolamento entre espiras. O papel isolante, tipo de
celulose, deve ter características elétricas, térmicas e mecânicas
de acordo com o limite de elevação de temperatura do transforma-
dor (55oC ou 65oC). Os condutores são enrolados em cilindros de
prespan, que proporcionam fixação mecânica e isolamento entre
enrolamentos de fase e entre estes e o núcleo. Tiras de prespan,
fixadas nesses cilindros, no sentido axial, formam canais de óleo
que, além de contribuírem para o isolamento, facilitam a refrigera-
ção. Barreiras isolantes adicionais (prespan) são, em geral, usadas
entre enrolamentos de fases diferentes e entre enrolamentos e o
núcleo e o tanque. Além de suas funções isolantes, essas barrei-
ras diminuem as espessuras dos canais de óleo, o que aumenta a
rigidez dielétrica nesses canais (kV/mm). Sempre que possível, as
barreiras de prespan devem coincidir com superfícies equipoten-
ciais, para evitar, assim, o risco de descargas superficiais.

SINTETIZANDO

Outras Características

Tipo núcleo

• envolvido

• envolvente
UNIUBE 189

Emprego
• Abaixador
• Elevador
• Transmissão
• Distribuição
• P/ interior
• P/ exterior
Construção
• Com respiro
• Selado
• Com Shield
Número de enrolamentos
• 3 enrolamentos
• 2 enrolamentos
• 1 enrolamento
Número de fases
• Monofásico
• Trifásico

• Polifásico

Enrolamento

• Primário

• Secundário

• Terciário
190 UNIUBE

Geralmente, o enrolamento terciário é ligado em delta, de 13,8 kV.


Esse enrolamento é usado, normalmente, para ligação de reativos
ou serviço auxiliar. É usado como estabilizador de tensão de fase
neutro, para reduzir amplitude de harmônicos e ajustar impedância
de sequência zero. Quanto ao sistema de resfriamento pode ser:

• Resfriamento natural (ONAN)

• Ventilação forçada (ONAF)

• Resfriamento natural e ventilação forçada (ON – AF)

• Resfriamento natural e ventilação forçada em 2 estágios


(ON–AF–AF)

• Circulação forçada (OF)

• Circulação forçada e ventilação forçada (OF/AF)

• Resfriamento à água (WF)

• Resfriamento natural à água (ONWF)

• Circulação forçada do óleo e água (OFWF)

Podemos destacar ainda outros:

• Comutador em carga

• Comutador sem carga

• Parte ativa

• Coluna

• Jugo superior e inferior

• Culatra

• Conservador/tanque compensação
UNIUBE 191

• Tubo explosão

• Terminais de linha e neutro

• Buchas de fase e neutro

• Indicador de nível de óleo

• Termômetro de óleo

• Imagem Térmica

• Diagrama de Alívio

• Válvula de alívio de pressão

• Relé térmico

• Relé de pressão

• Relé detector de gás

• Relé Bucholz

• Indicador de fluxo de óleo

• Radiador

• Deslocamento angular

• Polaridade

• TCs de Bucha

• Registros

• Secador de ar

• Tampa de inspeção

• Conexões Draw lead

• Conexões Draw Rod

• Óleo Isolante
192 UNIUBE

7.1.12 Comutadores Sob Carga

Os comutadores sob carga vêm sendo utilizados em transformado-


res desde o início do século. Os primeiros comutadores foram usa-
dos para atender ao ajuste de tensão em transformadores de for-
nos de fusão utilizados na produção de ferro. Hoje, os comutadores
são utilizados na maioria dos transformadores de alta tensão, para
aplicação tanto na indústria como nos sistemas de transmissão.

A regulação de tensão com comutadores em transformadores são


utilizados para compensar queda de tensão no sistema, que ocor-
re com as variações de carga, de modo a assegurar uma tensão
constante. Além disso, comutadores são utilizados para regular a
transferência de reativo em sistemas de potência.

Partes principais de um comutador

As figuras a seguir mostram os principais componentes:

a. Tanque do transformador

b. Chave comutadora (XY, UV)

c. Resistência de Pré-inserção (RY, RU)

d. Chave Reversora (R)

e. Chave Seletora (V H)

f. Cilindro isolante

g. Mecanismo de acionamento
UNIUBE 193

h. Sistema de transmissão

i. Reator série de comutação

Figura 81 – Vista de um comutador

Fonte: Leite (2000)


194 UNIUBE

Figura 82 – Vista de um comutador

Fonte: Leite (2000)

Normalmente, os americanos utilizam o reator série para os seus


comutadores, e os europeus e japoneses utilizam a resistência de
pré-inserção. Pode-se dizer que, para os sistemas de alta tensão,
são utilizados basicamente os resistores de pré-inserção.

7.1.13 Considerações Finais

Caro(a) aluno(a),

Estamos encerrando a unidade VII, que falou sobre equipamentos


de medição e controle e equipamentos de transformação.

Iniciamos o capítulo falando sobre o TC – transformador de cor-


rente, assim relacionamos as correntes, tensões e quantidade de
espiras da parte primária com a parte secundária do transformador,
ou seja, entrada e saída do transformador. Outro equipamento de
UNIUBE 195

medição e controle é o transformador de potencial, que pode ser


indutivo e capacitivo, dependendo da sua aplicação.

Na sequência, analisamos os transformadores como equipamen-


tos de transformação, a respeito deles conhecemos as partes e
componentes de um “Trafo” e encerramos falando sobre os comu-
tadores de carga e suas aplicações.

Assim, finalizamos a unidade VII sobre equipamentos de medição


e controle e equipamentos de transformação.
Equipamentos de
Capítulo
8
Sistemas de Potência e
Equipamentos Acessórios

Cledione Junqueira de Abreu

Introdução
Prezado(a) aluno(a),

Estamos começando o capítulo VIII, no qual estudaremos


sobre equipamentos de sistemas de potência e equipamentos
acessórios. A respeito desse tema, abordaremos a
necessidade de princípios fundamentais para a construção
de uma subestação, nos fundamentando em conceitos
básicos e técnicos de estudos de eletricidade, entre outros
conceitos.
Em seguida, falaremos sobre esquemas de subestações em
média tensão, cujo valor a definir depende da NBR, em que
o valor pode chegar a 68kV.
Finalizamos este capítulo falando sobre baterias, que
se enquadram como equipamentos acessórios dentro do
assunto Materiais Elétricos.
Caro(a) aluno(a), preparado(a) para conhecer o sistema de
equipamento de potência e encerrar o capítulo falando sobre baterias?

Bons estudos!!
Objetivos
• Identificar o conceito de usina e apresentar seus
principais conceitos de subestações, funções,
aplicações, terminologias e aplicações.
• Definir bateria e apresentar seus principais conceitos,
funções, aplicações, terminologias e aplicações.

Esquema
• Definição básica de subestação
• Classificação de subestação
• Principais equipamentos de uma subestação e suas funções
• Sistema de suprimento
• Principais esquemas de subestação de média tensão
• Baterias

8.1 Equipamentos de sistemas de potência

8.1.1 Definição Básica de uma Subestação

É um conjunto de equipamentos de manobra, transformação e


compensação de reativos com o objetivo de direcionar o fluxo de
energia em sistema de potência, possui também dispositivos de
proteção que detectam os diferentes tipos de falhas que ocorrem
no sistema, isolando os trechos onde essas falhas ocorrem.

8.1.2 Classificação das SEs

Podemos classificar as subestações quanto à sua:

a. Função no sistema elétrico: esta é subdividida em:

1. subestação transformadora: converte a tensão do primário para


a tensão do secundário, podendo ser uma SE Transformadora
UNIUBE 199

Elevadora (da tensão menor para a tensão maior) – geralmen-


te próxima aos centros de geração, ou SE Transformadora
Abaixadora (da tensão maior para a tensão menor) – geralmente
localizada no final de um sistema de transmissão;

2. subestação seccionadora de manobra ou de chaveamento:


interliga circuitos de suprimento sob o mesmo nível de ten-
são, o que possibilita a sua multiplicação; outra função é pos-
sibilitar o seccionamento de circuitos, para permitir sua ener-
gização em trechos sucessivos de menor comprimento.

b. Função de instalação dos equipamentos em relação ao


meio ambiente:

1. subestação externa ou ao tempo: os equipamentos são ins-


talados expostos ao tempo e sujeitos às condições climáticas
desfavoráveis de temperatura, chuva, poluição, vento, des-
gastando os materiais e componentes, exigindo manutenção
mais frequente e reduzindo a eficácia do isolamento.

2. subestação interna ou abrigada: os equipamentos são instala-


dos em áreas internas, podendo ser uma edificação de uma câ-
mara subterrânea, por exemplo. Subestações abrigadas podem
consistir de cubículos metálicos, como também de subestações
isoladas a gás, caso do hexafluoreto de enxofre (SF6).

Principais Equipamentos de uma Subestação e suas Funções

a. Equipamentos de Transformação: são os transformadores de


força e transformadores de instrumentos:

1. transformador de força: é utilizado em função do seu apro-


veitamento econômico de energia elétrica, pois transmite ten-
sões elétricas altas a grandes distâncias;
200 UNIUBE

2. transformadores de instrumentos (transformadores de corren-


te e transformadores de potencial: capacitivos ou indutivos):
reduzem a corrente ou a tensão a níveis compatíveis com os
valores de suprimentos de relés e medidores.

b. Equipamentos de Manobra: disjuntores e chaves


seccionadoras:

1. disjuntores: são aparelhos de manobra bastante complexos


em uso de redes elétricas, para fins de operação em carga,
em que sua operação pode ser manual ou automática;

2. chaves seccionadoras: são dispositivos com a função de iso-


lar equipamentos ou zonas de barramento e trechos de linhas
de transmissão. São operadas apenas sem carga, mas po-
dem ser operadas sob tensão.

c. Equipamentos para Compensação de Reativos:

1. reator derivação ou série;

2. capacitor derivação ou série;

3. compensador síncrono;

4. compensador estático.

DICAS

Dos equipamentos, o que é utilizado com mais frequência em SEs


receptoras de pequeno e médio porte é o capacitor derivação.

d. Equipamentos de Proteção: para-raios, fusíveis, relés:


UNIUBE 201

1. para-raios: dispositivo protetor cujo objetivo é limitar os valo-


res de surtos de tensão de fuga que poderiam causar severos
danos aos equipamentos elétricos. Eles protegem o sistema
contra descargas atmosféricas e contra surtos de manobra;

2. relés: seu objetivo é proteger o sistema contra falhas, o que


permite a atuação sobre disjuntores e o isolamento dos tre-
chos de localização das faltas;

3. fusíveis: protege o circuito contra curtos e funciona também


como limitador da corrente de curto. Utilizado na indústria
para a proteção de motores.

e. Equipamentos de Medição: são os instrumentos que têm a


função de medir grandezas como: corrente, tensão, frequên-
cia, potência ativa e reativa etc.

8.1.3 Sistema de Suprimento

A alimentação de residência, comércio e indústria é de responsa-


bilidade da concessionária de energia elétrica, dessa forma, o sis-
tema de alimentação vai depender da disponibilidade das linhas
de transmissão existentes na região do projeto. O sistema de su-
primento mais utilizado na indústria de pequeno e médio porte é o
radial simples mostrado figura a seguir:
202 UNIUBE

Figura 83 – Sistema radial simples

Fonte: Universidade Federal Fluminense (s./d.)

8.1.4 Esquemas de Subestações de Média Tensão

Há dois esquemas para subestações de média tensão, que são a


entrada direta e o barramento simples:

I. Entrada direta: nas SEs receptoras, há somente uma entrada


e um só transformador, para o qual não é necessário bar-
ramento, fazendo uma alimentação direta. A próxima figura
mostra esquemas de subestações com entrada direta.

Figura 84 – Entrada direta

Fonte: Universidade Federal Fluminense (s./d.)


UNIUBE 203

II. Barramento simples: em SE receptora, para o barramento


simples em que há mais de uma entrada e/ou mais de um
transformador, deve-se considerar o esquema de maior sim-
plicidade e menor custo, com confiabilidade compatível com
esse tipo de suprimento.

Figura 85 – Esquema

Fonte: Universidade Federal Fluminense (s./d.)

O esquema a seguir é utilizado em SEs de maior porte, pois limita


o desligamento ao transformador defeituoso, colocando disjuntor
individual para cada transformador. O acréscimo de chaves de iso-
lamento e de contorno (bypass) dá maior flexibilidade à operação à
custa de maior complexidade nos circuitos de controle (aumentan-
do os intertravamentos) e de proteção (adicionando transferência
de disparo no caso de contorno de um disjuntor).
204 UNIUBE

Figura 86 – Esquema

Fonte: Universidade Federal Fluminense (s./d.)

Esse esquema só permite a alimentação por uma entrada de cada vez


da SE, mediante intertravamento adequado, obrigando o desligamento
momentâneo da carga quando for necessária a transferência de fonte.

Figura 87 – Esquema

Fonte: Universidade Federal Fluminense (s./d.)

Se as entradas puderem ser ligadas em paralelo, obtém-se


maior confiabilidade com o esquema a seguir, em que cada
entrada, sendo dotada de disjuntor próprio, pode ser desli-
gada em caso de falha, independentemente de outra. Nesse
caso, os disjuntores não precisam de chave de contorno em
face da existência da segunda entrada.
UNIUBE 205

Figura 88 – Esquema

Fonte: Universidade Federal Fluminense (s./d.)

Havendo dois transformadores, pode ser seccionada a barra para


tornar a operação mais flexível (F). Se for necessário, evitar a in-
terrupção total do suprimento ao ser desligado um transformador,
instala-se um disjuntor para seccionar a barra (G).

Figura 89 – Esquema

Fonte: Universidade Federal Fluminense (s./d.)

As SEs receptoras destinadas às indústrias que aparecerem


com maior frequência possuem faixa de tensão de 13,8 a 69
206 UNIUBE

kV, prevalecendo, em sua grande maioria, as SEs de pequeno


porte (13,8 kV).

8.1.5 EQUIPAMENTOS ACESSÓRIOS


8.1.5.1 Baterias

As baterias são constituídas de placas positivas e negativas, mer-


gulhadas em uma solução aquosa chamada eletrólito (baterias
ventiladas) ou mergulhadas em um gel pastoso (baterias seladas).
São responsáveis pela garantia do fornecimento de energia ininter-
rupta para a carga. Um conjunto constituído de diversos elementos
de bateria ligados em série é chamado de banco de baterias. De
acordo com o número de elementos ligados em série, é determina-
da a tensão do banco: +24V, -48V.

Sendo +24V, tem o negativo aterrado.

Sendo -48V, tem o positivo aterrado.

Figura 90 – Vista interna da bateria

Fonte: Energia...(s./d. a)
UNIUBE 207

Capacidade em Ampére-Hora da bateria

Essa capacidade ou autonomia, no sistema, depende de alguns fa-


tores, tais como: corrente do consumidor (carga instalada: central te-
lefônica, rádio), número de bancos de baterias, capacidade do banco
(dado em Ampère hora/10 horas), condição da capacidade da bateria
(se a mesma está em condições de fornecer 100% de sua capacidade).

No cálculo para autonomia do sistema, devem ser consideradas


a corrente do consumidor e a autonomia da bateria, por exemplo:

Bateria de 300Ah/10hs - Corrente Consumidor 15A.

Previsão de autonomia de:

Capacidade da Bateria

Considera-se uma bateria ideal a que possui 100% de sua capa-


cidade nominal. Com o tempo, devido ao número de cargas, des-
cargas e cargas incompletas, ocorre à perda da capacidade total
do banco, considerando que quando a bateria chega a 80% da sua
capacidade, chega-se o fim da vida útil da bateria. Para se deter-
minar a capacidade da bateria, deve-se aplicar um teste, para se
analisar a curva característica de descarga.

CAPACIDADE EM Ah -
BATERIA

Descarga de 1,75V/elem.ref.25°C
QUALQUER
10h 8h 5h 3h 1h
150Ah/10h 150A 144A 129A 106A 72A
Interpretando a tabela:

I. Para uma descarga de 10h, necessitamos consumir 150A, ou 15Apor hora.


208 UNIUBE

II. Para uma descarga de 5h, necessitamos consumir 129A, ou


25,8A por hora.

III. Para uma descarga de 1h, necessitamos consumir 72A em


uma hora.

As medidas necessárias para calcular a capacidade da bateria são:


a tensão em um determinado período (por exemplo, no teste de
10h), ou medir a tensão em cada hora para depois comparar com
a curva característica do manual (valor de tensão para cada tipo de
descarga em cada hora). Dessa forma, pode-se calcular a capaci-
dade da bateria dividindo a tensão real pela tensão da curva.

Tipo de baterias segundo seu aspecto construtivo

As baterias utilizam placas de metais diferentes na sua fabricação,


sendo elas: alcalinas (níquel-cádmio) e ácidas (chumbo ácido).

Baterias ventiladas (FVLA - Free Vented Lead Acid): são utiliza-


das em salas exclusivas, com controle do ar ambiente, instalações
elétricas, inclusive iluminação. São à prova de explosão devido à
emissão de gases nocivos que libera quando em funcionamento.

Figura 91 – Bateria ventilada

Fonte: Energia...(s./d. b)
UNIUBE 209

Baterias seladas (VRLA - Valve Regulated Lead Acid): podem ser


instaladas próximas ao sistema de retificadores, por não ter libera-
ção de gases nocivos.

Figura 92 – Bateria selada

Fonte: Energia...(s./d. b)

Vida Útil Projetada ou Tempo Médio de Duração

A vida útil das baterias depende do tempo de uso e local exposto.


Se considerarmos as baterias ventiladas, por exemplo, sua vida
útil está entre 15 a 16 anos, se estiver a aproximadamente 25oC.
Porém, se aumentarmos a temperatura para acima de 30oC, sua
vida útil cai para 12 anos, aproximadamente. Se a capacidade no-
minal chegar a 80%, considera-se o fim da vida útil da bateria. Em
garantia, os fabricantes fornecem 10 anos, se o problema for defei-
to e a instalação estiver conforme recomendado.

Tensão de Flutuação

É a tensão dos retificadores sobre a bateria, que é o nível de ten-


são da qual os retificadores fornecem tensão aos consumidores
(cargas instaladas), em que a bateria é mantida carregada (pronta
para fornecer energia para a carga quando houver interrupção do
fornecimento dos retificadores, independente do motivo). Isso ocor-
re da seguinte maneira:
210 UNIUBE

a. a tensão nominal fornecida por um elemento de bateria estacio-


nária, em média 2,0V/elemento, tanto ventilada quanto selada;

b. para um banco a uma tensão maior, gerada por retificador


é necessário duas fontes de corrente contínua em paralelo,
sendo que a fonte de maior potencial fornece toda corrente
requisitada pela carga.

Por exemplo:

Sistema de 22 elementos de bateria ventilada = tensão de flutua-


ção de 48,4V.

Sistema de 12 elementos de bateria ventilada = tensão de flutua-


ção de 26,4V.

Sistema de 24 elementos de bateria selada = tensão de flutuação


de 53,52V.

Figura 93 – Exemplo de banco de bateria ventilada

Fonte: Energia...(s./d. b)
UNIUBE 211

Figura 94 – Exemplo de banco de bateria selada (ao lado do sistema de retificadores)

Fonte: Energia...(s./d. b)

Tensão de Carga ou Carga de Equalização

É um recurso oferecido pelo sistema de retificadores aplicado nas


baterias ventiladas, em que sua função é oferecer uma tensão
maior do que a tensão de flutuação, sendo seu valor determinado
pelo fabricante, em que seus valores podem variar de 2,35V/ele-
mento a 2,4 V/elemento. Seu objetivo é compensar as irregularida-
des que podem ocorrer ou regularizar as diferenças de tensões e
densidades entre os elementos individuais de um banco de tensão.

Seguem as justificativas pela opção de aplicação da tensão de carga:

I. Quando a densidade de eletrólito de um elemento cair abaixo


de 5 g/dm³ da média dos outros elementos do banco.

II. Quando a densidade média de todos os elementos caírem


mais de 5 g/dm³ da densidade à plena carga, corrigida a tem-
peratura referência (25°C) e ajustado o nível.

III. Quando a tensão de qualquer elemento apresentar uma


212 UNIUBE

diferença superior a 0,04V da tensão média dos elementos


da bateria.

4. Quando houver necessidade da correção do nível do eletrólito


com água destilada.

As aplicações da tensão de carga podem ser:

Manual: quando é acionada manualmente a tensão de carga, atra-


vés da USCC (Unidade de Supervisão de Corrente Contínua) ou
USD (Unidade de Supervisão de Distribuição).

Automática: quando a bateria assume a consumo após a interrup-


ção do fornecimento de tensão. Após a normalização do sistema,
as baterias que foram recarregadas passam a requerer uma cor-
rente de carga, sendo recarregada para uma próxima interrupção.

Carga Remota: através de um telecomando a carga é acionada ma-


nualmente; porém é pouco recomendado, por não haver supervisão.

Manutenção

Começa com a leitura da tensão, da corrente de flutuação, da den-


sidade e nível de eletrólito e, por fim, da temperatura, as quais infor-
mam os estados dos elementos da bateria. Na sequência, deve-se
preencher o relatório de manutenção com as informações obtidas,
classificando a situação e ponderando se está normal ou anormal.
Esses procedimentos são importantes para perceber se o sistema
funciona de forma adequada ao longo dos anos.

A periodicidade da manutenção deve ser realizada levantando al-


guns critérios como:
UNIUBE 213

• Importância da estação

• Demanda de energia

• Quantidade de baterias

• Índice de falhas do fornecimento de energia comercial

• Idade das baterias

• Existência de GMG (Grupo Motor Gerador)

• Consumo de água

Porém, o convencional adotado é a manutenção mensal.

PARADA OBRIGATÓRIA
Aplicando a Manutenção

- Realizar a leitura da densidade do eletrólito dos elemen-


tos com o auxílio do densímetro, já limpo, para evitar a contamina-
ção dos elementos. As baterias possuem um orifício com tampa
para introduzir o densímetro para a leitura, em sua grande maioria.
As baterias que não possuírem esse orifício devem ter removidas
as válvulas para a realização da leitura.

- Aplicar água destilada quando houver necessidade, pois, com


o processo de eletrólise (transformação da energia química em
energia elétrica), ocorre a diminuição da água das baterias por
evaporação.
214 UNIUBE

A formação de corrosão (“zinabre”) nas barras interligadoras preci-


sa sempre ser verificada, pois, caso não haja esse cuidado, pode
haver abertura do banco de tensão pela barra corroída. Quando
constatada a corrosão é necessária a limpeza das barras dos ban-
cos de tensão, seguindo os seguintes procedimentos:

a. um banco reserva, ou definitivo, instalado em paralelo;

b. abrir o fusível da bateria;

c. retirar todas as barras de interligação, com cuidado para evitar cur-


to-circuito, limpando-as com uma escova de aço e produtos quími-
cos (laurel, por exemplo), para retirada de graxa e impurezas.

d. esperar a secagem;

e. após a secagem, aplicar uma camada de graxa antioxidante


nova tratada (aquecer a graxa em “banho-maria” e, quando
estiver pastosa, deve-se mergulhar a peça rapidamente para
não ter excesso).

8.1.6 Considerações Finais

Caro(a) aluno(a),

Encerramos este capítulo VIII sobre equipamentos de sistemas de


potência e equipamentos acessórios.

Em um primeiro momento, falamos sobre a definição e classifica-


ção de subestações e suas propriedades. Na sequência, falamos
sobre sistemas de suprimentos e os principais esquemas de su-
bestações em média tensão.
UNIUBE 215

Falamos, ainda, sobre as baterias como equipamentos de acessórios,


sobre sua definição e principais aplicações em área de eletricidade.

Caro(a) aluno(a), assim encerramos o capítulo VIII sobre equipa-


mentos de sistemas de potência e equipamentos acessórios.
216 UNIUBE

CONCLUSÃO

Na unidade I, em que tratamos a classificação dos materiais, fala-


mos sobre as propriedades da matéria e dos materiais que são bas-
tante utilizados em eletricidade, os quais devem ser utilizados com
ressalvas, no intuito de evitar contatos e assim não correr o risco de
haver perdas de materiais e/ou choques elétricos. Mencionamos
ainda pontos importantes a respeito dos estados físicos.

No capítulo II, abordamos os materiais condutores, acerca deles, fa-


lamos sobre suas características físicas e sobre suas principais pro-
priedades, bem como sobre a resistividade e a condutividade de cada
material. Foram citados momentos para reflexão acerca dos tipos de
condutores, a descrição dos metais, que podem ser usados em eletri-
cidade como condutores, e suas características fundamentais. Ainda
sobre os materiais condutores, mencionamos os materiais supercon-
dutores e suas propriedades mais importantes. Já sobre os materiais
isolantes falamos de sua classificação e tivemos momentos de refle-
xão acerca dos conceitos desse tipo de material. Ainda falamos sobre
os estados físicos dos materiais isolantes e sobre suas propriedades
principais: iniciamos com os isolantes líquidos, vimos que o mais co-
nhecido é o askarel, que foi bastante utilizado em transformadores,
mas que é bastante tóxico, principalmente quando aquecido. Citamos
também outros materiais como óleos de silicone, isolantes pastosos
e ceras, pasta de silicone, resinas e vernizes. Sobre os isolantes sóli-
dos, mencionamos o papel, as fibras sintéticas, os materiais cerâmi-
cos, o vidro, os minerais e a borracha.

No capítulo III, abordamos os assuntos relacionados aos materiais


magnéticos. Deparamos-nos com o comportamento desse tipo de
material e vimos o quanto sua utilização é importante. Na sequên-
cia, mencionamos a classificação dos materiais magnéticos quanto
UNIUBE 217

à sua permeabilidade. Desse momento em diante, falamos de for-


ma específica sobre suas funções e o quanto são importantes as
suas propriedades. A respeito dos materiais semicondutores, apre-
sentamos seu conceito e ainda representamos as redes cristalinas
na forma plana, bem como em duas e em três dimensões. Falamos
também sobre dopagem e troca de cargas elétricas, nessa pers-
pectiva, explicamos quando um semicondutor pode ser tipo N e
quando pode ser tipo P. O capítulo foi finalizado analisando a im-
portância da influência térmica em materiais semicondutores.

Na unidade IV, na qual falamos sobre normalização, o principal obje-


tivo foi explicar o que são normas, quando e como poderemos utilizá
-las. Conceituamos as normas internacionais, as nacionais, as regio-
nais e as internas, conversamos também sobre a utilização de cada
uma delas na área de profissionais em eletricidade e vimos o quão
são necessários esses padrões para todos atuarem de forma concisa.
Estudamos ainda que ensaios são as formas de explicarmos as ferra-
mentas mais utilizadas por profissionais da área de eletricidade, como
é o caso dos alicates comuns e os de prensa terminal, das chaves
soquete e de parafuso de fenda, do desencapador de fio, do ferro de
solda, dos fios e fitas para enfiação. Terminamos o capítulo falando
sobre as ferramentas de curvar eletrodutos metálicos rígidos.

No capítulo V, abordamos os critérios e parâmetros de especifica-


ção, a respeito deles pudemos conhecer o processo de geração de
energia elétrica nos três principais modelos conhecidos no Brasil:
hidroelétricas, termoelétricas e nucleares. Na sequência, falamos
sobre a transmissão de energia elétrica, conhecido como “linhões”,
que são redes de linhas interligadas em uma massa elétrica pre-
sentes em quase todo o país por uma operadora nacional de sis-
tema elétrico. Encerramos o capítulo falando sobre a distribuição
de energia elétrica, que envolve os transformadores abaixadores
218 UNIUBE

nos postes de iluminação pública, os quais ligam a eletricidade até


as residências. Vimos que, nos casos de comércio específico e de
indústrias, há ligações direcionadas para esses locais, conforme
contrato com as concessionárias de distribuição de energia elétrica.

No capítulo VI, falamos sobre equipamentos de manobras, sobre


esse tema foram especificados os disjuntores, quanto ao seu con-
ceito, características, propriedades e aplicações. Na sequência, fa-
lamos sobre os equipamentos de proteção mais comuns que são
os fusíveis encapsulados utilizados para a proteção de circuitos
elétricos, como a para-raios responsáveis pela proteção de áreas
de descargas atmosféricas. O capítulo foi finalizado com uma expli-
cação sobre a atuação dos resistores de aterramento.

Na unidade VII, falamos sobre equipamentos de medição e con-


trole, conhecidos como TC – transformador de corrente, sobre ele
relacionamos as correntes, tensões e quantidade de espiras da
parte primária com a parte secundária do transformador, ou seja,
entrada e saída do transformador. Outro equipamento de medição
e controle é o transformador de potencial, que pode ser indutivo
e capacitivo, dependendo da sua aplicação. Falamos ainda sobre
equipamentos de transformação, sendo os transformadores tam-
bém conhecidos como “trafos”, o capítulo também contemplou os
comutadores de carga e suas aplicações.

No último capítulo, Equipamentos de Sistemas de Potência, fala-


mos sobre a definição e classificação de subestações e suas pro-
priedades. Na sequência, falamos sobre sistemas de suprimentos
e os principais esquemas de subestações em média tensão e equi-
pamentos acessórios, falamos também sobre as baterias como
equipamentos de acessórios, sobre sua definição e as principais
aplicações na área de eletricidade.
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