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PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E DIREITOS FUNDAMENTAIS DO CONTRIBUINTE

QUESTÃO. TÚLIO ZICO ROMÁRIO, BRASILEIRO, CASADO, RESIDENTE NA RUA DO OURO Nº 200, ENGENHO, ARACAJU/SE, É
SURPREENDIDO POR AGENTES FISCAIS DO MUNICÍPIO QUE EXIGEM A APRESENTAÇÃO DOS LIVROS COMERCIAIS
OBRIGATÓRIOS E DEMAIS REGISTROS LEGAIS, DANDO INÍCIO A REGULAR PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL.
INSATISFEITOS COM OS RESULTADOS APRESENTADOS NOTIFICAM TÚLIO PARA QUE O MESMO APRESENTE OS EXTRATOS
BANCÁRIOS DE SUA EMPRESA, BEM COMO OS PESSOAIS PARA EXAME DA LOCALIZAÇÃO.

1. A autoridade fiscal estaria cometendo algum ilícito?


2. Seria cabível algum remédio processual?

ROTEIRO PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO – AÇÕES TRIBUTÁRIAS

BLOCO QUESTÕES 1.
1. O que é consignação em pagamento?
2. Quais os fundamentos legais?
3. Qual a sua aplicabilidade no Direito Tributário?
4. Quais as hipóteses de cabimento no Direito Tributário?
5. A discussão judicial do débito torna ilíquida a dívida?
6. O depósito em consignação é obrigatório?
7. Quais os efeitos do depósito em consignação?
8. Qual o juízo competente para a Consignação?
9. Julgado procedente o pedido, qual o destino do depósito?
10. Julgado improcedente o pedido qual é o destino do depósito?
11. É possível compelir a Fazenda a aceitar a consignação em parcelas?
12. Proposta a ação indicando como sujeitos passivos Estado e Município ou Municípios vinculados a Estados diversos. Qual
o Juízo competente?

BLOCO QUESTÕES 2.
1. Havendo autuação do contribuinte será cabível: a) ação declaratória; b) ação anulatória; c) mandado de segurança?
2. O depósito prévio é requisito de admissibilidade da ação anulatória?
3. Quais os efeitos do depósito realizado em ação anulatória?
4. Tendo ocorrido embargos à execução fiscal a ação anulatória resta inviabilizada?

BLOCO QUESTÕES 3.
1. Qual a natureza processual da ação de repetição de indébito?
2. Quais as hipóteses de cabimento?
3. Tendo sido declarado o direito à compensação de créditos pode ocorrer convolação em repetição?

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E DIREITOS FUNDAMENTAIS – DIREITOS DO CONTRIBUINTE

CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE E DIREITO TRIBUTÁRIO

QUESTÃO. Caio, brasileiro, casado, residente na rua da Matriz, nº05, Centro, Aracajú/SE, efetuou o pagamento de ISS
correspondente aos exercícios de 1991, 92, 93, 94, 95, 96, 97, 99, 2000 e 2001/17, sendo surpreendido pela notícia de que
o STF havia declarado a inconstitucionalidade da lei que determinou a referida imposição tributária, em via incidental,
tendo a Resolução do Senado, sido datada de 26.11.12. Pergunta-se:

a) Seria possível a repetição do indébito?

Sim, é possível a interposição da Ação de Repetição de Indébito, com base no art. 165, I, CTN.
Uma vez que a Ação de Repetição de Indébito possui como finalidade a restituição do valor pago indevidamente, será
possível utilizar-se de tal instrumento tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade da Lei em que se pautava a
cobrança do tributo.

b) Caso positiva a resposta, qual seria a via adequada? A judicial ou a administrativa?

O contribuinte poderá fazer uso tanto da via judicial como da via administrativa para obter seu direito de ter restituídos os
valores pagos de forma indevida.

Apesar da controvérsia existente, o Plenário do STF entendeu pela constitucionalidade do artigo 38, parágrafo único, da Lei
6830/80, que trata da renúncia automática do contribuinte do direito de recorrer na esfera administrativa, e desistência
do recurso interposto, no caso de ajuizamento de ação na esfera judicial. Os ministros Sepúlveda Pertença e Cezar Peluso
entenderam não haver inconstitucionalidade e que se o contribuinte não vislumbra qualquer resultado prático na esfera
administrativa, poderá fazer uso da via judicial, não indo, assim, contra o preceito constitucional do acesso ao judiciário.

c) Haveria algum período abrangido pela decadência ou prescrição?

O prazo prescricional para a interposição da Ação de Repetição de Indébito é de 5 anos contatos da extinção do crédito
tributário, no caso, o pagamento, conforme art. 168, I, CTN. Sendo assim, estão abrangidas as ações desde o ano de 2013
em diante.

Importante destacar que o entendimento do STJ de que os tributos sujeitos a lançamento por homologação estariam
sujeitos a um prazo decadencial de 5 anos, para que ocorresse a extinção do crédito tributário, e, posteriormente, um prazo
prescricional de 5 anos, para a interposição da Ação de Repetição de Indébito. Contudo, tal jurisprudência foi superada
com a entrada em vigor da Lei Complementar 118/05, que consolidou apenas o prazo prescricional da ação de repetição
de indébito em 5 anos, contados da extinção do crédito tributário.

QUESTÃO. CAIO TÚLIO ALKABES, BRASILEIRO, CASADO, ADVOGADO, RESIDENTE NA RUA BISPO Nº 100, ARACAJÚ/SE,
ESTABELECEU CONTRATO DE LOCAÇÃO COM MARCO AURÉLIO CÔMODO, BRASILEIRO, CASADO, COMERCIANTE,
RESIDENTE NA RUA DA MATRUZ, Nº 200, ARACAJU/SE. FOI CLAUSULADO, EXPRESSAMENTE, O REPASSE DO PAGAMENTO
CORRESPONDENTE AO IPTU AO LOCATÁRIO, COMO PERMITIDO EM LEI ESPECIAL, TENDO O INQUILINO EFETUADO O
PAGAMENTO DOS EXERCÍCIOS CORRESPONDENTES AOS ANOS DE 96, 97, 98, 99, 00 E 01/17. EM OUTUBRO DO CORRENTE
ANO DE 2017, O LOCATÁRIO TEVE CIÊNCIA DE QUE O STF JULGOU INCONSTITUCIONAL O IPTU DO MUNICÍPIO DE ARACAJU,
JUNTAMENTE COM A TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA, PAGA CONCOMITANTEMENTE COM O IPTU. PROCURADO O
LOCADOR, ESTE NÃO MANIFESTA QUALQUER DESEJO DE POSTULAR O RESSARCIMENTO DOS VALORES PAGOS, AO
ARGUMENTO DE QUE NENHUM PREJUÍZO LHE ADVIRIA, VEZ QUE O ÔNUS FOI SUPORTADO, INTEGRALMENTE, PELO
LOCATÁRIO.

a) Pode o locatário se insurgir contra a atitude do locador?

Não. Locatário não é parte legítima. Contribuinte de fato só é aplicável a tributos indiretos. IPTU é tributo direto. Só o
sujeito passivo da relação tributária pode impugnar o tributo. Lei de Locação autoriza que o locatário pague, mas ele paga
ao locador, que, por sua vez, paga ao Fisco. Ele, locatário, não paga diretamente ao Fisco, mas ao locador.

b) Caso possível, quais medidas deveriam ser tomadas para realizar a pretensão do locatário?

Solução possível: procuração para o locatário, que entrará em juízo representando o locador. Só existe uma solução técnica
parcial: Lei do Mandado de Segurança, art. 3o. - legitimação extraordinária da pessoa q notificou. O MS, não é ação de
cobrança e só resolve parcela da questão, pois só vai suspender o que não foi pago. Não existe mecanismo no sistema para
obrigar o locador a ajuizar ação. Na questão, pode-se argumentar que o locador, embora esteja no exercício regular do seu
direito, está abusando de seu direito. Assim, há responsabilidade civil do locador em razão do abuso de direito (isso é uma
tese, apenas. Não é uma resposta técnica). Brito Machado tem um artigo que defende a legitimidade do locatário. Ao ver
do prof., porém, não existe lei para gerar essa legitimidade extraordinária.
Corrente predominante do STJ: rejeição.
EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA

QUESTÃO. SONIA MARIA OLIVENÇA, BRASILEIRA, SOLTEIRA, DO LAR, RESIDENTE NA RUA MADRE DE DEUS, N.º 100,
ARACAJU/SE, PROPÔS AÇÃO INDENIZATÓRIA, POR DANOS MATERIAIS E MORAIS, ATRAVÉS DO PROCEDIMENTO
ORDINÁRIO, POSTULANDO A CONDENAÇÃO DA UNIÃO FEDERAL TENDO EM VISTA A PRÁTICA DE ATO ILÍCITO PRATICADO
POR SEU PREPOSTO, AGENTE FAZENDÁRIO, POR COBRAR INDEVIDAMENTE IMPOSTO FEDERAL PLENAMENTE QUITADO.
POSTULOU A RÉ INTEGRAÇÃÇÃO DO AGENTE FISCAL NO PROCESSO, COMO LITISCONSORTE OU, AO MENOS, ADMITIR A
SUA DENUNCIAÇÃO À LIDE. AMBOS OS PEDIDOS FORAM INDEFERIDOS, HAVENDO AGRAVO RETIDO NOS AUTOS. EFETUADA
A INSTRUÇÃO, RESTOU COMPROVADO O NEXO CAUSAL, ESTABELECIDA A RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A SENTENÇA
CONDENOU A UNIÃO FEDERAL NO PAGAMENTO DE R$100.000,00 (CEM MIL REAIS), A TÍTULO DE DANOS MATERIAIS,
DEVIDAMENTE COMPROVADOS, E R$ 30.000,00 (TRINTA MIL REAIS), A TÍTULO DE DAMOS MORAIS. A CONDENAÇÃO
OCORREU EM 2016, EM VALORES CERTOS, NÃO MENCIONANDO CRITÉRIOS DE CORREÇÃO MONETÁRIA E NEM
CONDENAÇÃO EM HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. INICIADA A EXECUÇÃO FOI APRESENTADA DEFESA REJEITADA.
PERGUNTA-SE:

1. Como proceder a execução?

Com efeito, a sentença que condenar a Fazenda Pública ao pagamento de quantia certa será cumprida na forma do artigo
534 e seguintes do Código de Processo Civil, que cuida da obrigação de pagar quantia certa pela Fazenda Pública.

Vale lembrar que esse cumprimento será requerido pelo Exequente, a quem caberá apresentar memória de cálculo
contendo os elementos do artigo 534 da sobredita legislação.

2. É possível incluir nos valores devidos percentuais de correção monetária, tendo em vista a omissão da sentença?

De acordo com a jurisprudência do Colendo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, como se extrai do julgamento
do Agravo de Instrumento n.º 0047659-10.2017.8.19.0000, lavrado pela Terceira Câmara Cível, a questão relativa a índice
de correção monetária aplicável as condenação impostas a Fazenda Pública é matéria de ordem pública, não se sujeitando,
portanto, a preclusão, motivo pelo qual podem ser arguidas a qualquer tempo, independentemente de impugnação. Nesse
sentido há, inclusive, o verbete da Sumula nº 161 do referido Tribunal, segundo o qual, “QUESTÕES ATINENTES A JUROS
LEGAIS, CORREÇÃO MONETÁRIA, PRESTAÇÕES VINCENDAS E CONDENAÇÃO NAS DESPESAS PROCESSUAIS CONSTITUEM
MATÉRIAS APRECIÁVEIS DE OFÍCIO PELO TRIBUNAL, OUVIDAS AS PARTES, NA FORMA DO ART. 10, DO CPC/2015.”

Aliás, outro não é o entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, consoante se infere da decisão proferida nos
autos do AgInt no RECURSO ESPECIAL Nº 1.353.317 - RS (2012/0238659-0), que, para ilustrar, transcreve-se:

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO


CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. EMBARGOS À EXECUÇÃO. VIOLAÇÃO DO ART.
535 DO CPC/1973. INEXISTÊNCIA DE JUROS DE MORA.
PRECLUSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Não se verifica omissão no julgado apta a
revelar a infringência ao art. 535 do CPC/1973, uma vez que a Corte de origem
tenha se manifestado de forma fundamentada sobre todas as questões
relevantes para a solução da controvérsia. 2. Este Superior Tribunal firmou
entendimento segundo o qual a aplicação de juros e correção monetária pode
ser alegada na instância ordinária a qualquer tempo, podendo, inclusive, ser
conhecida de ofício. A decisão nesse sentido não caracteriza julgamento extra
petita, tampouco conduz à interpretação de ocorrência de preclusão
consumativa, porquanto tais institutos são meros consectários legais da
condenação. 3. O STJ pacificou a orientação de que a regra de imputação de
pagamentos estabelecida no art. 354 do Código Civil é inaplicável às dívidas
da Fazenda Pública. 4. Ainda que fosse outro o entendimento, decidir de 2
forma contrária à Corte a quo no tocante à propalada preclusão da
compensação dos valores exequendos com os valores pagos na esfera
administrativa, bem como aferir se o pagamento se deu em desacordo com o
disposto no art. 354 do Código Civil, e, por fim, apurar a impossibilidade de
incidência de juros negativos nos pagamentos administrativos realizados
demandam a incursão na seara fática da causa, medida vedada em recurso
especial ante o óbice da Súmula 7/STJ. 5. Agravo interno a que se nega
provimento.

A vista disso é de se concluir que não há qualquer empecilho a inclusão dos valores atinentes ao percentual de correção
monetária, mesmo diante da omissão da sentença, lembrando, por fim, que em recente manifestação do Colendo Supremo
Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário 870.947/Sergipe, julgado em 20/09/2017, a Corte Suprema assentou
o entendimento no sentido de que:

“O art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação da dapela Lei nº 11.960/09, na


parte em que disciplina os juros moratórios aplicáveis a condenações da
Fazenda Pública, é inconstitucional ao incidir sobre débitos oriundos de
relação jurídico-tributária, aos quais devem ser aplicados os mesmos juros de
mora pelos quais a Fazenda Pública remunera seu crédito tributário, em
respeito ao princípio constitucional da isonomia (CRFB, art. 5º, caput); quanto
às condenações oriundas de
relação jurídica não tributária, a fixação dos juros moratórios segundo o índice
de remuneração da caderneta de poupança é constitucional, permanecendo
hígido nesta extensão, o disposto no art. 1º-F da Lei nº 9.494/97 com a
redação dada pela Lei nº 11.960/09.”

3. E quanto aos honorários advocatícios?

Decerto, na hipótese de existência de condenação contra a Fazenda Pública, se o benefício econômico obtido pelo vencedor
ou o valor da causa for superior ao valor previsto no artigo 85, §3º, I, do Código de Processo Civil1, a fixação do percentual
de honorários deve observar a faixa inicial, e, naquilo que a exceder, a faixa subsequente, e assim sucessivamente.

Art. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do


vencedor. (...) § 3 o Nas causas em que a Fazenda Pública for parte, a fixação
dos honorários observará os critérios estabelecidos nos incisos I a IV do § 2º
e os seguintes percentuais: I - mínimo de dez e máximo de vinte por cento
sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido até 200
(duzentos) salários-mínimos;

No caso objeto de questionamento percebe-se que a sentença foi prolatada no ano de 2016, razão pela qual o valor do
salário mínimo a ser utilizado para fins de cálculo do limite de fixação dos honorários será, também, o de 2016, na medida
em que o valor do salário mínimo deve ser aquele em vigor no momento da prolação da sentença liquida ou da decisão de
liquidação.

Assim é que num primeiro momento, sem a utilização de instrumentos hábeis a realização do cálculo a identificar, com
precisão, o quantum efetivamente devido pela Fazenda Pública para fins de execução, acredita-se que a condenação não
ultrapasse o percentual máximo discriminado pelo artigo 85, §3º, I, do Código de Processo Civil, tendo como base o salário
mínimo de 2016, época da prolação da sentença, que perfazia a monta de R$880,00 (oitocentos e oitenta reais).
Por conseguinte, verifica-se que a sentença deveria fixar os honorários advocatícios utilizando o parâmetro do artigo 85,
§3º, I, do Código de Processo Civil, e, ao não fazê-lo, trouxe ao patrono da causa o ônus de ingressar com ação autônoma
para sua definição e cobrança, nos exatos termos do §18, do artigo 85, do Código de Processo Civil, que expressamente
autoriza a propositura dessa ação nos casos em que a decisão transitada em julgado seja omissa quanto ao direito dos
honorários ou ao seu valor.

4. Cabível o duplo grau necessário quando rejeitada a impugnação?

A remessa necessária encontra previsão nos artigos 496 e seguintes do Código de Processo Civil.

Em cotejo ao teor dos incisos I e II, do artigo 496 da mencionada legislação, percebe-se que está sujeito ao duplo grau de
jurisdição obrigatório: (i) sentença prolatada contra entes federativos e administração indireta com personalidade jurídica
de direito público; (ii) sentença de procedência, no todo ou em parte, em embargos à execução fiscal.

Quanto à segunda hipótese, impende ressaltar que o Colendo Superior Tribunal de Justiça possui entendimento no sentido
de que se deve realizar uma interpretação restritiva do instituto. Por conta disto, não será cabível na hipótese de embargos
opostos pela Fazenda Pública julgados improcedentes, pois não há previsão legislativa para essa hipótese.

Para ilustrar, segue julgado proferido nos autos do AgRg no Ag 808057/DF, de relatoria do Exmº Sr. Ministro FELIX FISCHER,
da QUINTA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 02/04/2007, aplicável por analogia a hipótese versada:

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO CONVERTIDO EM RECURSO


ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. REEXAME NECESSÁRIO. ART. 475, II, CPC.
DESCABIMENTO.
A sentença que julga os embargos à execução de título judicial opostos pela
Fazenda Pública não está sujeita ao reexame necessário (art. 475, II, do CPC),
tendo em vista que a remessa ex officio, in casu, é devida apenas em processo
cognitivo, não sendo aplicável em sede de execução de sentença, por
prevalecer a disposição contida no art. 520, V, do CPC.
Precedentes da Corte Especial.

Porquanto, conclui-se que não estão sujeitas à remessa necessária as sentenças que julguem improcedentes embargos à
execução propostos pela Fazenda Pública.

EXECUÇÃO EM FAVOR DO CONTRIBUINTE – CONTRA A FAZENDA PÚBLICA

QUESTÃO. O que é Fazenda Pública?

O conceito de Fazenda Pública abrange a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias
e fundações públicas, sendo certo que as agências executivas ou reguladoras, sobre ostentarem o matiz de autarquias
especiais, integram igualmente o conceito de Fazenda Pública.

Além dessas pessoas jurídicas de direito público, de acordo com o entendimento firmado pelo STF, a Empresa Brasileira de
Correios e Telégrafo (ECT) ostenta natureza de empresa pública e por isso submete-se ao regime dos precatórios.

QUESTÃO. Existem exceções?

As sociedades de economia mista (PBR e BB) e as empresas públicas (CEF e BNDES), por não ostentarem natureza de direito
público, revestindo-se da condição de pessoa jurídica de direito privado, não integram o conceito de Fazenda Pública,
apesar de integrarem a Administração Pública indireta.
No slide da aula o professor chama atenção para o fato de que a natureza de empresa pública da ECT também reflete no
âmbito do direito tributário, trazendo o julgado da Ação Civil Originária 959/RN ajuizada pela ECT contra o Estado do Rio
Grande do Norte visando a declaração de inexistência do dever de recolher IPVA sobre os veículos de sua propriedade, sob
o fundamento de violação do artigo 150, VI, ‘a’ da CF e da inconstitucionalidade da Lei Estadual 6.967/96. Por maioria, em
sessão plenária, foi julgada procedente a ação, nos termos do voto do Relator que ressaltou que a distinção (já realizada
em diversos jugados do STF), para fins e tratamento normativo, de empresas públicas prestadoras de serviço público e
empresas públicas exploradoras de atividade econômica em sentido estrito, não se limita ao artigo 173 da CF, mas alcança
também o artigo 150 da CF, de modo que a excludente de seu parágrafo terceiro não pode abarcar as empresas públicas
de natureza autárquica.

Também foi exposto no slide o entendimento do Superior Tribunal Federal de que de que tem aplicação o regime
constitucional dos precatórios às pessoas jurídicas prestadoras de serviço público próprio do Estado de natureza não
concorrencial, independentemente da forma jurídica de que se revistam, equiparadas para tal efeito as sociedades de
economia mista e as empresas públicas à Fazenda Pública. (ADPF 387/PI, rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em
23.3.2017; ACO 2149 AgR / DF Rel. Min. Luiz Fux, julgamento: 29/09/2017.

No entanto, no tocante aos Conselhos Profissionais, entendeu o STF, apreciando o tema 877 da repercussão geral, que "Os
pagamentos devidos, em razão de pronunciamento judicial, pelos Conselhos de Fiscalização não se submetem ao regime de
precatórios".

QUESTÃO. Qual é o rito da Execução Especial contra a Fazenda Pública?

O rito que deverá reger a execução variará conforme se trate de título executivo judicial ou extrajudicial.

Na vigência do CPC/73, a execução contra a Fazenda Pública era regulada pelos artigos 730 e 731, dispositivo imune à
mudança implementada pela lei 11.232/2005, que introduziu o rito do cumprimento de sentença. Ou seja, a execução de
obrigação de pagar quantia certa contra a Fazenda Pública seguia, sempre, o rito da execução fundada em título
extrajudicial, a exigir aviamento de petição inicial e nova citação.

O CPC/15 manteve a execução contra a Fazenda Pública com formato diferenciado, adaptando o modelo ao sincretismo
processual, ou seja, a execução contra a Fazenda Pública se desenvolverá sob o rito do cumprimento de sentença, nos
moldes do artigo 534 e 535, quando oriunda de título executivo judicial. E quando oriunda de título executivo extrajudicial,
a execução é realizada nos moldes do artigo 910 do CPC, que por força do §3º, § 3º é regulada, em grande parte pelos
dispositivos regentes do cumprimento de sentença contra a Fazenda Pública, artigos 534 e 535.

Em que pese a adaptação formal do rito, a Fazenda Pública goza de sistema próprio de execução, quando se trata de
obrigação de pagar quantia certa, que decorre do regime constitucional de precatórios (artigo 100 da Constituição), que
impõe à Fazenda Pública forma diferenciada de pagamento judicial em razão (i) da indisponibilidade e da
impenhorabilidade dos bens públicos; (ii) da isonomia e (iii) do necessário planejamento orçamentário.

Em razão disso, na execução contra a Fazenda Pública, esta não é intimada à pagar, mas sim à apresentar impugnação ou
embargos à execução (razão pela qual não incide a multa prevista no art. 523, §1º do CPC), também não há penhora,
apropriação ou expropriação de bens para alienação judicial, a fim de satisfazer o crédito executado. Não apresentada
impugnação ou embargos à execução, ou transitada em julgado a decisão que inadmitiu ou rejeitou a
impugnação/embargos de execução, deverá ser expedido precatório, nos termos do artigo 100 da CF.

Já a execução de obrigações de fazer, não fazer e de dar, contra a Fazenda Pública, deve observar o rito comum, previsto
nos artigos 806 a 823 do CPC.

QUESTÃO. A execução de uma fazenda versus outra constitui conflito federativo?


Não. De acordo com a Jurisprudência do STF, é necessário distinguir o conflito entre entes federados do conflito federativo.
O primeiro consiste em mera litigância judicial promovida pelos membros da Federação, enquanto no segundo além da
litigância judicial deve estar caracterizada a potencial desestabilização do próprio pacto federativo. Logo, a mera execução
de uma fazenda contra outra não constitui conflito federativo, por si só, não é suficiente para por si só, configurar conflito
federativo e caracterizar a competência estabelecida no art. 102, I, f, da Constituição. A aplicabilidade da norma inscrita no
art. 102, I, "f", da Constituição estende-se aos litígios cuja potencialidade ofensiva revela-se apta a vulnerar os valores que
informam o princípio fundamental que rege, em nosso ordenamento jurídico, o pacto da Federação. (AÇÃO CÍVEL
ORIGINÁRIA 1.525 SÃO PAULO)

QUESTÃO. O que é precatório?

Precatórios são requisições de pagamento expedidas pelo Judiciário para cobrar o pagamento de valores, superiores a 60
salários mínimos, devidos pela Fazenda Pública após condenação judicial definitiva.

QUESTÃO. O que é RPV?

Requisição de Pequeno Valor (RPV), também é requisição de pagamento expedida pelo Poder Judiciário, criada pela
Emenda Constitucional 37 do ano de 2002, tendo como finalidade facilitar o pagamento de condenações de pequenos
valores, a fim de trazer maior celeridade e eficácia às decisões judiciais definitivas.

As condenações referentes a obrigação de pagar contra a União de até 60 salários mínimos, devem ser cumpridas sem a
necessidade de expedição de precatório, através de RPV. Aos Estados, Municípios e Distrito Federal cabe fixar o limite
considerado de pequeno valor para que seja dispensada a expedição do precatório. No entanto, enquanto não editado o
diploma legal, devem ser observados os limites previstos no artigo 87 do ADCT: de até 40 salários mínimos para condenação
de Estados e Distrito Federal e até 30 salários mínimos para condenação dos Municípios. Há, porém, um limite mínimo a
ser observados, não sendo possível estabelecer um montante inferior ao maior benefício do regime geral de previdência
social, conforme artigo 100, §4º da CF.

QUESTÃO. Os créditos alimentares independem de precatório?

Não. O artigo 100, §4º da CF determina que os créditos alimentares serão pagos com preferência sobre todos os demais
débitos. Também neste sentido a súmula 144 do STJ dispõe que “os créditos de natureza alimentícia gozam de preferência,
desvinculados os precatórios da ordem cronológica dos créditos de natureza diversa. No entanto, isso não significa que o
pagamento de créditos alimentares dispensa a expedição de precatório, nesse sentido a súmula 655 do STF: “a exceção
prevista no art. 100, caput, da Constituição, em favor dos créditos de natureza alimentícia, não dispensa a expedição de
precatório, limitando-se a isentá-los da observância da ordem cronológica dos precatórios decorrentes de condenação de
outra natureza”.

Com a CF88 passou a haver duas ordens cronológicas: uma para os créditos de natureza alimentícia e outra para os de
natureza não alimentar. Com as emendas constitucionais 62/2009 e 94/2016, passaram a existir três ordens cronológicas.
Os créditos alimentares deverão ser pagos antes dos demais créditos não alimentares. Antes, porém, dos créditos
alimentares, devem ser pagos os créditos alimentares de que sejam titulares idosos, portadores de doenças graves (EC
62/2009) e pessoas com deficiência (EC 94/2016). Ressalta-se que a prioridade do crédito alimentar de idoso, portadores
de doenças graves e pessoas com deficiência, limita-se ao valor equivalente ao triplo do limite fixado em lei para a dispensa
do precatório e o montante que ultrapassar será pago na ordem cronológica de apresentação dos precatórios alimentares,
conforme artigo 100, §2º da CF.

QUESTÃO. É permitida a compensação de créditos do contribuinte com débitos da Fazenda?

Os §§ 9º e 10º do art. 100 da CF estabelecem que antes de expedir o precatório, o juiz da execução deve solicitar à Fazenda
Pública devedora informações sobre os débitos líquidos e certos inscritos ou não em dívida ativa e constituídos contra o
exequente para abatimento, a título de compensação, do montante do precatório. Todavia, os dispositivos foram
proclamados inconstitucionais pelo STF no julgamento das Ações Diretas de Constitucionalidade 4.357 e 4,425, tornando,
portanto, inconstitucional a esta compensação.

QUESTÃO. É permitido o parcelamento de precatórios?

O artigo 33 do ADCT prevê o parcelamento dos precatórios, ressalvados aqueles de natureza alimentar, pendentes de
pagamento até 05/10/1988, bem como seus juros e correção monetária, em 8 prestações anuais a partir de 01/07/1989.
Para tanto, o ente federativo deveria editar medida provisória neste sentido, no prazo e 180 fias após a promulgação da
CF.

Além desta hipótese, a EC 30/00 acrescentou mais uma hipótese de parcelamento de precatório, através do artigo 78 do
ADCT, que tem vigência suspensa em razão de medida cautelar concedida nas Ações diretas de Constitucionalidade 2.356
e 2.362. O artigo 78 do ADCT possibilitou que os precatórios pendentes na data da promulgação da EC 30/00 (13/09/2000)
e os que decorram de ações iniciais ajuizadas até 31 de dezembro de 1999, fossem liquidados pelo seu valor real, em moeda
corrente, acrescido de juros e correção monetária e parcelados em até 10 anos.

A EC 94/2016 inseriu o § 19 ao artigo 100 da CF, que prevê uma nova hipótese de parcelamento. Somados todos os valores
dos créditos inscritos em precatórios e obrigações de pequeno valor no período de 12 meses, o valor excedente à média
do comprometimento percentual da receita liquida dos 5 anos imediatamente anteriores, poderá ser parcelada, mediante
vinculação de receita e sem restrição de limites de endividamento.

QUESTÃO. Quais os fundamentos para Embargos à Execução? Há modificação no CPC de 2015, inclusive quanto a forma
defensiva?

Não há limitação cognitiva nos embargos à execução, de acordo com o § 2º do artigo 90 do CPC a Fazenda Pública poderá
alegar qualquer matéria que lhe seria lícita deduzir como defesa em processo de conhecimento.

Na vigência do CPC/73, entendia o STJ que era dispensável à Fazenda Pública apontar o valor que entendia devido, quando
alegado o excesso de execução. Tal entendimento não pode prevalecer na vigência do CPC/15, pois o artigo 910, §3º
determina a aplicação dos artigos 534 e 535 na execução de título extrajudicial contra a Fazenda Pública.

No CPC/73 a defesa da Fazenda Pública era realizada por meio de embargos no prazo de 10 dias e não havia diferença entre
a execução de título judicial ou extrajudicial.

QUESTÃO. Permitida a Exceção de Pré-Executividade ou Objeto de não-Executividade?

Sob a égide do CPC/73, quando a matéria de defesa dos embargos à execução limitava-se às hipóteses previstas no artigo
730, a doutrina defendia cabível a oposição de exceção de Pré- Executividade pela Fazenda Pública:

“Há, no entanto, uma possibilidade de a Fazenda Pública apresentar a exceção de préexecutividade: quando perdido o
prazo para embargos, houver uma questão de ordem pública que cause a nulidade da execução ou que enseje sua extinção.
Nessa hipótese, poderá a Fazenda Pública ajuizar a exceção de pré-executividade, defendendo-se por meio de uma mera
petição.” (CUNHA, 2012, p. 381-382).

Além disso, o fato de a execução contra a Fazenda Pública configura risco de afetação de recursos financeiros do Poder
Público, contribuía como argumento para a aceitação da apresentação de exceção de Pré-Executividade pela Fazenda
Pública.

QUESTÃO. Quais os fundamentos para Embargos à Execução? Há modificação no CPC de 2015, inclusive quanto a forma
defensiva?
De acordo como o CPC/15, ao apresentar embargos à execução a Fazenda Pública é livre para apresentar quaisquer
matérias de defesa, inclusive questões que possam ser conhecidas ex officio pelo órgão jurisdicional, relacionadas à
admissibilidade do procedimento executivo (objetivo originário da exceção de pré-executividade). Além disso, de acordo
com o entendimento de Fredie Diddier Jr. E Leonardo Carneiro da Cunha, diversas mudanças no CPC/15 tornaram as
discussões a respeito do cabimento da Exceção de Pré-Executividade inócuas, pois: a) não se exige prévia garantia do Juízo
para apresentação de defesa do executado; b) é possível alegar por simples petição todas as questões relativas à validade
do procedimento de cumprimento da sentença relativas à validade do procedimento do cumprimento de
sentença/execução do título extrajudicial e dos atos subsequentes (art. 518 c/c 771 do CPC); c) é possível aditar a
impugnação/embargos à execução com acréscimo de defesas fundadas em fatos supervenientes (art. 525§11 c/c 771 do
CPC).

Ao que parece, em virtude do CPC/15 possibilitar que as matérias objeto de exceção de pré-executividade sejam alegadas
nos embargos à execução ou até mesmo por simples petição, tornou-se inócua a exceção de pré-executividade. No entanto,
não há qualquer óbice à sua apresentação. André Vasconcelos Roque diz expressamente que a exceção de pré-
executividade foi disciplinada pelo CPC/15 no artigo 518, aplicável à execução por força do artigo 771.

MANDADO DE SEGURANÇA

QUESTÃO. MWW S/A, pessoa jurídica domiciliada no Estado de São Paulo, impetrou Mandado de Segurança contra ato
praticado pelo Delegado da Receita Federal do Brasil aduzindo que houve exigência de pagamento de acessórios enquanto
pendente julgamento de recurso administrativo. A autoridade coatora prestou as devidas informações aduzindo que o
recurso administrativo interposto fora considerado intempestivo e, por força dessa circunstância, houve a emissão de guia
de pagamento, inexistindo qualquer ato abusivo de autoridade. Apesar do teor das informações, o Juiz competente deferiu
medida liminar para suspender a exigibilidade do crédito em discussão, apresentando precedentes que consideram ilíquida
a dívida quando a mesma está sob debate judicial. Nos termos da nova Lei do MS, pergunta-se:

a) A autoridade pode apresentar algum recurso?

Conforme disposto no art. 7º, § 1º, da Lei 12.016/09 (Nova Lei do Mandado de Segurança), caberá a interposição do Agravo
de Instrumento contra a decisão que conceder ou denegar medida liminar.

Uma vez que a lei é omissa no que tange à hipótese de a autoridade interpor o referido recurso, é necessário fazer uso de
uma interpretação extensiva do art. 14, § 2º, da Lei 12.016/09, o qual concede à autoridade o direito de recorrer, por meio
de apelação, das sentenças que deneguem ou concedam o Mandado de Segurança. Por tal via, é possível vislumbrar a
possibilidade de que a parte também possa fazer uso do Agravo de Instrumento para recorrer das decisões interlocutórias.

Importante salientar que, conforme jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal
Federal, a autoridade coatora, neste caso o Delegado da Receita Federal, não possui legitimidade para recorrer da decisão,
sendo tal direito da própria Receita Federal (Ministério da Fazenda). Tal entendimento pode ser retirado da seguinte
afirmação: "não obstante ser a autoridade coatora parte no processo, o interesse para recorrer é da pessoa jurídica de
direito público interessada, que suportará o ônus da sentença". (AgRg no AgRg no AREsp 105.969/BA, Rel. Ministro
HERMAN BENJAMIN, 2ª TURMA, 21/08/2012).

b) Caso positiva a resposta, a lei conferiu jus postulandi à mesma ou haverá necessidade de contratar advogado particular
ou a defesa ficará a cargo de advogado público?

O artigo 7, § 1º, bem como o art. 14, § 2º, da Lei 12.016/09 não isenta a autoridade coatora da necessidade de constituir
advogado para representá-la, mas, tão somente, concede-lhe a possibilidade de recorrer.

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil ajuizou Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4403) em face do
art. 14, § 2º, da Lei 12.016/09 sob a alegação de que o referido dispositivo viabilizava a possibilidade de a autoridade
coatora interpor recursos desprovida de representante inscrito na OAB. Contudo, para a Procuradoria Geral da República,
o referido dispositivo não traz a referida possibilidade, nem poderia ser extraído este entendimento ainda que por
interpretação extensiva, formulando, inclusive, parecer para que a referida ação seja julgada improcedente.
Sendo assim, há a necessidade de a autoridade fazer uso de um representante legal devidamente constituído na Ordem
dos Advogados do Brasil, seja ele público ou privado.

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