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AO DOUTO JUÍZO DE DIREITO DA VARA DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA

DE ..........................

......................., vem respeitosamente perante Vossa Excelência, por meio de seus advogados
que esta subscrevem, com endereço impresso no rodapé, ajuizar
AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS FUNDADA EM VÍCIO DO PRODUTO COM TUTELA DE
URGÊNCIA

em face de SAMSUNG ELETRÔNICA DA AMAZÔNIA LTDA., pessoa jurídica de direito


privado, inscrita no CNPJ n. 00.280.273/0001-37, com sede em Avenida dos Oitis, n. 1.460,
Distrito Industrial, Manaus/AM, CEP 69.007-002 e GAZIN INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE
MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS LTDA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no
CNPJ nº 77.941.490/0025-22, com endereço na Rua Amaro Leite, nº 742, Centro, Barra do
Garças/MT, CEP 78600-000, com base nos artigos 5º, incisos V e X, da Constituiçã o Federal,
186 e 927, do Có digo Civil, e 6º, inciso I, do Có digo de Defesa do Consumidor, pelos motivos
de fato e de direito que a seguir serã o expostos:
1. PRELIMINARMENTE
1.1. DO COMPROVANTE DE ENDEREÇO

O Requerente reside na residência de sua sogra e nã o possui comprovante de endereço em


seu nome, razã o pela qual, junta o comprovante de endereço em nome dela e a nota fiscal
do aparelho em seu nome com o endereço declarado. Assim, requer a consideraçã o do
comprovante de endereço anexo aos autos.
1.2 DA GRATUIDADE DA JUSTIÇA

O Requerente pleiteia os benefícios da JUSTIÇA GRATUITA, para todos os fins de direito e


sob as penas da lei, por nã o ter condiçõ es de arcar com as despesas inerentes ao presente
processo, sem prejuízo de seu sustento e de sua família, nos termos do art. 98 e seguintes
da Lei 13.105/2015 (Có digo de Processo Civil), conforme holerite anexo.
1.3 DA SOLIDARIEDADE DAS REQUERIDAS
Tendo em vista a relaçã o de consumo, a responsabilidade pelos vícios de qualidade
apresentados no produto, conforme o art. 18, da Lei 8.078/90 deverá ser suportada de
forma solidá ria pelos fornecedores. Isto posto, dú vidas nã o restam da legitimidade das
requeridas para composiçã o do polo passivo desta lide.
Corroborando com o comando normativo supracitado a jurisprudência é uníssona a este
entendimento, veja-se
“APELAÇÃO CÍVEL – AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL – VÍCIO EM PRODUTO
ALIMENTÍCIO – FABRICANTE E COMERCIANTE – RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA –
BISCOITO QUEIMADO – DANO MORAL NÃO COMPROVADO – A legislação consumerista
reconhece a solidariedade entre o fabricante e o comerciante, como forma de melhor garantir
os direitos do consumidor adquirente. (TJ-MG – AC: 10702140025207001 MG, Relator: Valdez
Leite Machado, Data de Julgamento: 16/04/2018, Data de Publicação: 20/04/2018). (Grifos
nossos).
Assim, resta configurada a solidariedade passiva das Requeridas.
2. DOS FATOS
O Requerente adquiriu um aparelho celular, modelo Samsung Galaxy A-01, 32 G, Dual SM-
A 015 MZBSZTO, azul Quadriband, pelo valor de R$ 899,00 (oitocentos e noventa e nove
reais), no dia 04 de julho de 2020, na loja Gazin, conforme nota fiscal anexa.
No dia 17 de agosto de 2020, o celular que estava na tomada sendo recarregado, em cima
de uma cadeira pró ximo a uma cama, pegou fogo. O Requerente ao tentar desconectá -lo da
tomada para que uma tragédia maior nã o ocorresse, como estava muito quente, o aparelho
acabou caindo de sua mã o em cima da cama, queimando o colchã o.
Excelência, o Requerente é casado e possui dois filhos pequenos (certidõ es anexas), o susto
foi enorme e a sensaçã o de que algo pior poderia ter acontecido é angustiante e inaceitá vel,
pois um aparelho de celular nã o pode superaquecer e pegar fogo dessa forma.
O Requerente entrou em contato com a loja Requerida para efetuar troca do aparelho, dada
a essencialidade do produto e por estar na garantia, contudo, o aparelho nã o foi trocado e
solicitaram que fosse enviado para a garantia.
O aparelho foi enviado para a assistência técnica Center Cell Comer e Serviço Soroc,
autorizada da Samsung Eletrô nica da Amazô nia Ltda, no dia 21/08/2020, conforme
comprovante correios anexo e protocolos 1172648117 e 1172650352.
O Requerente recebeu dois relatórios técnicos diferentes
Ocorre que, a Requerida se negou a efetuar o reparo do aparelho alegando que nã o está
coberto pela garantia e que o conserto somente será realizado mediante o pagamento do
valor de R$ 1.201, 73 (mil e duzentos e um reais e setenta e três centavos), conforme
diagnó stico técnico abaixo apontado, ordem de serviço nº. 470304 (relató rio anexo):
O laudo emitido pela Center Cell, em 15/09/2020, aponta que:
Outro emitido pela Samsung Eletrô nica da Amazô nia, diz que:
Nota-se que o primeiro relató rio técnico aponta marcas de impacto no aparelho e diz que
as “possíveis” causas sã o: queda, torção, impactos ou choque físico, que exclui a cobertura da
garantia. Ou seja, um laudo superficial que nã o apresenta objetivamente o motivo dos
supostos defeitos apresentados.
O segundo afirma que o dano foi gerado por uso de ferramenta inadequada para abertura
do aparelho, que na aná lise da bateria foi possível notar que a mesma foi perfurada e por
isso entrou em igniçã o.
As Requeridas tentam de toda forma imputar o problema ao Requerente que,
simplesmente colocou o celular para carregar e o mesmo explodiu, causando todos os
danos demonstrados nas fotografias. Em momento algum o Requerente tentou abrir o
aparelho com qualquer tipo de ferramenta, acusaçã o que sequer faz sentido ante a
facilidade de abrir a capa de proteçã o da bateria.
Os laudos elaborados pelas assistências técnicas indicadas pelas Requeridas são
controversos e ignoram totalmente o fato de que o aparelho foi queimado,
apresentando, inclusive, partes derretidas, claramente demonstrado pelas
fotografias anexas e, tentam de qualquer forma imputar ao Requerente os danos no
aparelho, o que é inadmissível.
Além disso, o Requerente foi surpreendido com orçamento para reparo que supera o valor
pago pelo produto. Excelência, diante de um cená rio no qual o reparo é mais caro que o
produto, ao Requerente/consumidor em plena saú de mental só vislumbraria a aquisiçã o de
um produto novo, situaçã o, ó bvio, desejada pelas Requeridas.
Essa cobrança pelo reparo em valor superior ao valor do produto consubstancia prá tica
abusiva e configura violaçã o aos direitos do consumidor. Isto em razã o da violaçã o do
dever de informaçã o, da violaçã o à boa-fé, da existência de vício oculto e da equiparaçã o da
cobrança de absurdo valor ao nã o fornecimento de peças de reposiçã o.
Importante destacar, ainda, que o aparelho foi adquirido especialmente para que seus
filhos pudessem assistir as aulas online, conforme prints anexos. No momento, estã o
utilizando o celular de sua sogra, pois o Requerente e sua esposa trabalham fora e
necessitam sair com seu aparelho, contudo, a situaçã o acarreta tumulto no diaadia da avó
que também necessita de seu aparelho para uso pessoal e tem que ficar recebendo as
mensagens escolares e disponibilizando o aparelho para assistirem as aulas online,
ocasionando um transtorno imenso em sua vida e de sua família.
Assim, por tudo o que a Requerente passou, transtornos psíquicos, prejuízos materiais e
pelo sentimento de humilhaçã o acarretado pelo descaso da Requerida, é que se ajuíza a
presente açã o.
3. DO DIREITO
3.1 DA APLICAÇÃO DO ART. 18 DA LEI 8.078/90 E DA ESSENCIALIDADE DO PRODUTO
Inegavelmente a relaçã o havida entre os litigantes é de consumo, ensejando, portanto, a
aplicaçã o das normas consumeristas ao caso em tela.
A responsabilidade por vício do produto (e do serviço) está regulada nos arts. 18 a 25 do
Có digo de Defesa do Consumidor, e refere-se, por exemplo, a defeitos de qualidade ou
quantidade que o tornem impró prio para consumo a que se destina ou lhe diminuam o
valor.
Por sua vez, a responsabilidade pelo fato do produto e do serviço está disciplinada nos arts.
12 a 17 do CDC, e diz respeito a “defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção,
montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus
produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua
utilização e risco” (art. 12, CDC).
O caso diz respeito à responsabilidade por vício do produto (vício oculto), uma vez que o
aparelho celular adquirido apresentou defeito (superaquecimento e pegou fogo).
Nos termos do art. 18, § 1º, da Lei Consumerista,
"Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem
solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou
inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por
aqueles decorrentes da disparidade, com a indicações constantes do recipiente, da
embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as variações decorrentes de
sua natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas.
§ 1º Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor
exigir, alternativamente e à sua escolha:
I - a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de
uso;
II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo
de eventuais perdas e danos;
III - o abatimento proporcional do preço".
Por sua vez, nos termos do art. 18, § 3º, do mesmo Có dex: "O consumidor poderá fazer
uso imediato das alternativas do § 1º deste artigo sempre que, em razão da extensão
do vício, a substituição das partes viciadas puder comprometer a qualidade ou
características do produto, diminuir-lhe o valor ou se tratar de produto essencial"
(grifo meu).
In casu, resta incontroverso que o Requerente adquiriu um aparelho de telefone celular da
Requerida e, posteriormente, retornou com o produto à presença desta para pedir-lhe a
troca do bem, valendo-se do argumento de que se trata de produto essencial que pegou
fogo enquanto recarregava comprometendo totalmente a qualidade e as características
do produto, ocasiã o em que as Requeridas recusaram-se a proceder à troca da mercadoria.
Excelência, existe discussã o doutriná ria e jurisprudencial a respeito da essencialidade do
produto em espeque. Vejamos:
O Departamento de Proteçã o e Defesa do Consumidor (DPDC), ó rgã o vinculado ao
Ministério da Justiça, emitiu em 15 de junho de 2010 a nota técnica orientativa n. 62, por
meio da qual expõ e o seguinte entendimento:
"a) à luz do Código de Defesa do Consumidor, o serviço de telefonia móvel é considerado
essencial, por ser imprescindível ao atendimento das necessidades dos consumidores e
indispensável para a proteção de sua dignidade, saúde e segurança;
b) aparelhos celulares são produtos essenciais, pois constituem o único meio de
prestação dos serviços essenciais de telefonia móvel;
c) é direito do consumidor, em caso de vício em aparelho celular, exigir de imediato as
alternativas previstas no art. 18,
§ 1º, referente à essencialidade dos aparelhos celulares, tornando público o
entendimento acerca da aplicação do Artigo 18, parágrafo 3º do CDC - Código de
Defesa do Consumidor".
No mesmo sentido, o Enunciado n. 8 exarado, na 5ª Sessã o Ordiná ria de 29 de junho de
2011, pela 3ª Câ mara de Coordenaçã o e Revisã o – Consumidor e Ordem Econô mica da
Procuradoria Geral da Repú blica: "O aparelho de telefone celular é produto essencial,
para os fins previstos no art. 18, § 3º, da Lei nº 8.078/90 (CDC)".
E esse entendimento já foi inclusive adotado por alguns Tribunais do País, segundo colhe-
se das seguintes ementas:
"EMENTA: APELAÇÃO - PROCESSUAL CIVIL - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO - DANOS MATERIAIS E
MORAIS - PRODUTO COM DEFEITO - APARELHO CELULAR -RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
- COMERCIANTE E FABRICANTE - RECURSO IMPROVIDO. I- De acordo com o art. 7º, PU, do
CDC, tendo mais de um autor a ofensa todos responderão solidariamente pela reparação dos
danos previstos nas normas de consumo. De outro modo, o art. 18, do CDC, também estabelece
a responsabilidade solidária pelos vícios do produto entre comerciante e fabricante. Por fim, a
responsabilidade do comerciante é inequívoca pela dicção do art. 931, do CCB, também
aplicável às relações de consumo, por ser norma mais favorável ao consumidor. II - Na
responsabilidade por vício de qualidade do produto o consumidor tem dois passos a tomar: O
primeiro é reclamar a substituição das partes viciadas, ou seja, procurar o fornecedor e pedir
o conserto do vício, que deverá ser feito em até 30 dias. Caso não surta efeito o passo 1,
resta ao consumidor o segundo passo, que consiste em, alternativamente, e à sua
escolha, ingressar em juízo para pleitear a substituição do produto por outro da
mesma espécie, em perfeitas condições; requerer a imediata restituição da quantia
paga, sem prejuízo das perdas e danos ou pedir o abatimento proporcional do preço
(art. 18, § 1º, do CDC). III - A 3ª. Câmara de Coordenação e revisão da PGR
(Procuradoria Geral da República), aprovou enunciado (Enunciado n. 08 de
29/06/2011), no sentido de que o aparelho de telefone celular é produto essencial, o
que foi seguido pelo DPDC (Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor) do MJ
(Ministério da Justiça). Assim, sequer é necessário ao consumidor requerer o conserto
de tal bem podendo se valer diretamente das alternativas constantes do § 1º do art.
18, do CDC, por se tratar de produto essencial. IV -A indenização por dano moral surge
sempre que for atingido o ofendido como pessoa, não se cogitando de lesão ao seu patrimônio.
V - A fixação da indenização por danos morais pauta-se pela aplicação dos princípios da
razoabilidade e da proporcionalidade, cuja finalidade é compensar o ofendido pelo
constrangimento indevido que lhe foi imposto (caráter compensatório da indenização) e, por
outro lado, desestimular o ofensor a, no futuro, praticar atos semelhantes (caráter punitivo
da indenização - punitive damage)"(TJMG, apelação cível 1.0433.09.271747-2/001, Décima
Quinta Câmara Cível, Rel. Des. Antônio Bispo, julgamento em 9.2.2012, publicação da sumula
em 16.2.2012).
"DIREITO DO CONSUMIDOR. NEGATIVA DE SUBSTITUIÇÃO DE APARELHO CELULAR
DEFEITUOSO VENDIDO A CONSUMIDOR. PRODUTO ESSENCIAL. PROCON. MULTA. 1. Os
consumidores têm direito à reparação integral ou à substituição de produtos de consumo
duráveis ou não duráveis que apresentem vícios de qualidade ou quantidade que os tornem
impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim
como por aqueles decorrentes da disparidade, com as indicações constantes do recipiente, da
embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as variações decorrentes de
sua natureza, podendo exigir a substituição das partes viciadas (art. 18, §§ 1º e 3º do Código
de Defesa do Consumidor). É dizer, a lei possibilitou a substituição imediata a duas
categorias de produtos: a) aqueles cuja reposição de partes possa provocar perda de
qualidade ou diminuição do valor; b) os essenciais. 2. O DPDC -Departamento de
Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), órgão vinculado à Secretaria de Direito
Econômico do Ministério da Justiça, considera que os aparelhos celulares são produtos
essenciais, na medida em que se prestam a viabilizar o acesso ao serviço de
telecomunicações SMP (Serviço Móvel Pessoal), também essencial, nos termos da Lei n.
7.783/89, que qualifica expressamente os serviços de telecomunicações como serviço
essencial. 3. Independentemente da suspensão dos efeitos da nota técnica do DPDC, por
decisão proferida em agravo de instrumento interposto no TRF da 1ª Região, mostra-
se certo o DPDC em considerar o aparelho celular como bem essencial. 4. A telefonia
móvel, nos dias atuais, tornou-se tão essencial quanto à telefonia fixa, de modo a evidenciar o
seu papel social na comunicação da população. Nessa perspectiva, como assentado pelo
DPDC, não se pode admitir que o consumidor seja privado do acesso à telefonia móvel
em razão de vício de qualidade, seja na prestação do serviço em si, seja no produto que
viabiliza sua fruição, ou seja, o aparelho celular. Ademais, malgrado as trocas dos
aparelhos implicarem perdas financeiras para os fabricantes e fornecedores, a
aplicação da norma consumerista que admite a imediata substituição do produto
serve como incentivo às empresas para melhorarem a fabricação de seus produtos e,
consequentemente, para reduzirem o número de reclamações aos órgãos de proteção
ao consumidor. 5. Recurso conhecido e provido. Unânime" (TJDFT, acórdão 612415,
20080111373637APC, Segunda Turma Cível, Rel. Des. Waldir Leôncio Lopes Júnior, Rev. Des.
J.J. COSTA CARVALHO, data de julgamento: 15.8.2012, publicado no DJE: 23.8.2012. Pág.: 86).
Assim, dada a essencialidade do aparelho de telefone celular, torna-se possível falar em
aplicaçã o imediata do art. 18, § 3º, do CDC, dispensando a concessã o de prazo para o
comerciante sanar o vício.
Apesar disso, o aparelho foi encaminhado para a assistência técnica, contudo, retornou
após os trinta dias sem ser consertado porque, de acordo com a Requerida, foi constatado
dano físico no aparelho tela, touch, que depende da troca da tela/display, placa sub e placa
principal o que ocasiona a perda da garantia, cobrando o valor de R$ 1.201,73 para o
reparo do celular.
De acordo o laudo da assistência técnica, pelo que restou comprovada a existência do vício
do produto, todavia, estã o imputando ao Requerente os referidos danos.
As Requeridas, no intuito de ilidir a sua responsabilidade, alega que o aparelho nã o se
encontra coberto pela garantia porque os defeitos foram causados pelo Requerente, razã o
pela qual nã o subsiste o dever de reparo dos alegados vícios.
Registre-se que os prazos de garantia, sejam eles legais ou contratuais, visam a proteger o
consumidor contra defeitos relacionados ao desgaste natural da coisa. Uma vez esgotados
tais prazos, tolera-se que, em virtude do uso ordiná rio do produto, algum desgaste possa
surgir.
Ressalte-se que a doutrina consumerista, tem entendido que o CDC, no § 3º do art. 26, no
que concerne à disciplina do vício oculto, adotou o critério da vida ú til do bem, e nã o o
critério da garantia, podendo haver responsabilidade pelo vício em um espaço largo de
tempo, mesmo depois de expirada a garantia contratual.
Assim sendo, independentemente do prazo contratual de garantia, a venda de um
bem tido por durável com vida útil inferior àquela que legitimamente se espera,
além de configurar um defeito de adequação, evidencia uma quebra da boa-fé
objetiva.
Na hipó tese dos autos, a vida ú til do produto foi extremamente curta, uma vez que com
apenas um mês de uso o celular apresentou defeito (superaqueceu e pegou fogo
carregando) e a assistência técnica solicitou o valor de R$ 1.201,73 para efetuar o
conserto, valor este superior ao que o Requerente despendeu na aquisiçã o do produto (R$
899,00).
Com efeito, a Requerida exigir um valor exorbitante para efetuar o seu reparo por danos
causados por defeito de fabricaçã o nã o pode ser aceitá vel.
Conforme exaustivamente demonstrado e comprovado pelas fotografias anexas o
aparelho pegou fogo carregando e, em decorrência disso, ocasionou os danos
relacionados pela Requerida, ou seja, não foram causados pelo Requerente.
4. DA TUTELA DE URGÊNCIA
No tocante ao pedido de tutela antecipada, o art. 300 do CPC estabelece esta possibilidade,
desde que sejam demonstrados o fumus boni iuris e o periculum in mora.
Ante toda argumentaçã o e provas juntadas a esta exordial, percebe-se a probabilidade do
direito do Requerente, pois adquiriu um celular novo que pegou fogo recarregando com
trinta dias de uso, tendo, desta forma, direito à garantia, o que nã o lhe foi concedido.
Quanto ao risco ao resultado ú til do processo, sabe-se que o aparelho celular hoje tornou-
se, de certa forma, essencial a vida, pois este possui inú meras funçõ es que facilitam a vida
pessoal e estudantil, como é o caso do Requerente, pois seus filhos necessitam do mesmo
para assistirem as aulas online e receberem as tarefas diárias, já que o aparelho foi
adquirido com o fim específico para isso, pois ele e sua esposa trabalham fora e
necessitam sair com seus aparelhos.
Assim, nã o cabe a esta arcar com o ô nus da demora da lide. Sobre esta possibilidade a
jurisprudência já é pacífica, veja-se:
“EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO – PRELIMINAR – ILEGITIMIDADE ATIVA – REJEIÇÃO
– AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E PEDIDO
LIMINAR – DEFEITO DE APARELHO CELULAR DENTRO DO PRAZO DE GARANTIA –
SUBSTITUIÇÃO – NECESSIDADE – RECURSO PROVIDO. Não tendo a decisão agrava
apreciado a preliminar de ilegitimidade ativa suscitada em contraminuta, deve esta ser
afastada, sob pena de se incorrer em supressão de instância e ofensa ao duplo grau de
jurisdição. Para antecipação de tutela devem estar presentes os requisitos do art. 300
do CPC, quais sejam, a probabilidade do direito e o perigo de dano ou resultado útil do
processo. Consubstanciando-se a probabilidade do direito na incontroversa
necessidade de substituição do aparelho, não descaracterizada pela ocorrência de
dano posterior, nos termos do art. 18 do CDC, e o risco de lesão grave ou de difícil
reparação, no impedimento de dele se usufruir, deve ser deferida a medida
antecipatória. Recurso provido”. (TJ-MG – AI: 10000181016783001 MG, Relator: Amorim
Siqueira, Data de Julgamento: 04/06/2019, Data de Publicação: 18/06/2019). (Grifo nossos).
“EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO – AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER – TUTELA
ANTECIPADA – SUBSTITUIÇÃO DO PRODUTO – RELAÇÃO CONSUMERISTA – RECURSO
PROVIDO. Da leitura do art. 303 do CPC/15, conjuntamente com o art. 300 do mesmo
diploma legal, constata-se que para a concessão da tutela pretendida se faz necessária
à demonstração da probabilidade do direito do autor, cumulada com o perigo de dano
ou risco ao resultado útil do processo. Diante da constatação de vícios que tornaram a
máquina de salgado adquirida imprópria para a sua finalidade, deve ser determinada a
substituição do produto por outro de características semelhantes, em perfeitas condições de
uso (art. 18, § 1º, inc, I do CDC)”. (TJ-MG – AI: 1000018141827001 MG, Relator: Pedro
Bernardes, Data de Julgamento: 04/06/2019, Data de Publicação: 18/06/2019). (Grifo
nossos).
Destarte, estando provada a presença dos requisitos para concessão da tutela
antecipada e, diante da frustração com a fabricante Requerida, requer a concessão da
antecipação dos efeitos da presente demanda para condenar as Requeridas a
restituição imediata do valor pago pelo celular de R$ 899,00 (oitocentos e noventa e
nove reais), para que o Requerente possa adquirir outro celular de outra marca, a ser
depositado em conta judicial, nos termos do art. 18, § 1º, II, da Lei 8.078/90.
5. DO DANO MORAL
Primeiramente, conforme matérias anexas, nã o é incomum celulares da marca Samsung
pegarem fogo carregando. Diante das vá rias situaçõ es já ocorridas a empresa deveria
aprimorar na fabricaçã o de seus aparelhos para que situaçã o como essa nã o venha a
acontecer.
Na presente situaçã o, percebe-se total negligência das requeridas para com o Requerente.
Inicia-se o ato ilícito quando a primeira Requerida se nega a efetuar a troca do aparelho
depois de ele ter pegado fogo recarregando. Segundo, quando se negam a efetuar o reparo
do aparelho imputando ao Requerente a culpa pelos danos ocasionados.
Imputar a culpa ao Requerente demonstrada total falta de respeito com o consumidor, pois
buscou comprar um aparelho da marca Samsung, devido esta ser uma gigante nacional,
confiando na procedência dos seus produtos.
É notó rio que o aparelho celular faz parte do cotidiano de milhõ es de pessoas no Brasil,
razã o pela qual foi declarado como produto essencial e, nã o obstante, o Reclamante se viu
privado de sua utilizaçã o nã o somente como celular, mas como agenda de compromissos,
agenda telefô nica, câ mera fotográ fica e reprodutor de mú sica e em especial para seus
filhos que estão sem ter como fazer suas tarefas escolares e aulas online de forma
tranquila.
Resta incontroverso que o aparelho celular pegou fogo e é indubitá vel que este fato causou
desgaste patrimonial e emocional ao Requerente e sua família ao serem surpreendidos com
incêndio em sua residência, cuja causa foi o equipamento fabricado pela empresa
Requerida, causando impacto a sua vida íntima, pois, restou quebrada sua paz.
O aparelho celular apresentou comportamento incompatível com sua natureza e com a
segurança que é exigido e esperado de um produto que deve ser conectado na energia
elétrica frequentemente.
Os danos morais restaram sobejamente demonstrados, sendo incontroversos os dissabores
experimentados pelo Requerente, inclusive na sua frustraçã o de adquirir um aparelho novo
com defeitos e de encaminhar para a assistência técnica, mas mesmo assim, nã o receber o
aparelho consertado.
Nã o há dú vida que a compra de um bem que serviria para proporcionar conforto e
comodidade ao Requerente e sua família, ao contrá rio ter causado tamanho transtorno,
frustraçã o e chateaçã o, resulta em dano moral.
Ora, as Requeridas, conhecedoras que sã o das tecnologias e das leis de consumo, colocaram
à venda produto defeituoso. E mais, a fabricante e revendedora estã o no mercado com o
dever de oferecer produtos que funcionem, tal como se anuncia, com qualidade e
durabilidade, sendo que no presente caso frustrara a boa-fé objetiva do Requerente, nã o
poderia ter sido colocado no mercado de consumo um aparelho defeituoso, e o pior, na
tentativa de se sanar o problema, o qual já privava o uso do bem, as Requeridas trataram o
consumidor com pouco caso trazendo para estes toda a sorte de dissabores e infortú nios.
Registra-se que qualquer consumidor tem o direito de questionar defeitos de produtos
adquiridos. Assim, competia as empresas demandadas testar seus produtos antes de
colocá -los à venda e ainda, conferir e testar os conhecimentos técnicos de suas assistências
espalhadas pelo País.
Sabe-se que para a caracterizaçã o do dano moral basta que sejam atingidas, através do ato
ilícito, a tranquilidade, os sentimentos e as boas relaçõ es psíquicas e sociais.
Cabe trazer à baila o comando normativo exarado pelo art. 5º, X da Constituiçã o Federal:
“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas,
assegurado o direito a indenização por dano material ou moral decorrente da
violação”;
Ademais, evidenciado o ato ilícito praticado pelas Requeridas, estabelece o Có digo Civil, em
seu art. 927 que, “ Aquele que por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem,
fica obrigado a repará-lo”. Imperioso mencionar ainda, o entendimento contido no art. 6º,
VI, da Lei 8.078/90, que garante dentre os direitos bá sicos do consumidor a efetiva
reparaçã o por danos patrimoniais e morais sofridos.
Ensina AGUIAR DIAS:
"o dano moral é consequência irrecusável do fato danoso. Este o prova 'per se'" ( "in"
"Responsabilidade Civil", Ed. Forense, 10ª ed., 1995).
"não é dinheiro, nem coisa comercialmente reduzida a dinheiro, mas a dor, o espanto, a
emoção, a vergonha, a injúria física ou moral, em geral, uma dolorosa sensação
experimentada pela pessoa, atribuído à palavra dor o mais largo significado" ("in" "Da
Responsabilidade Civil", 2º/721).
O Professor CAIO MÁ RIO, por sua vez, também tratando da lesã o moral, destaca que:
"a par do patrimônio em sentido técnico, o indivíduo é titular de direitos integrantes
de sua personalidade, como o que atine com a sua integridade física, sua liberdade,
sua honorabilidade, os quais não podem ser impunemente atingidos" ("in"
"Instituições", 2º/285).
Isto é, há muito já nã o mais se exige a comprovaçã o da repercussã o patrimonial dos danos
morais, bastando que se demonstre a sua ocorrência. Verificado o ato danoso surge a
necessidade de reparaçã o, nã o havendo que se cogitar prova do prejuízo, quando presentes
os pressupostos legais para a responsabilizaçã o civil.
Nestes casos, a doutrina e jurisprudência é pacífica quanto a responsabilizaçã o do agente
causador do dano moral, operando-se o dano por força do simples fato da violaçã o, ou seja,
dano in re ipsa.
Em casos semelhantes a jurisprudência do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso
é clara quanto ao dever de indenizar, veja-se:
“RECURSO INOMINADO. COMÉRCIO. AQUISIÇÃO DE APARELHO CELULAR QUE APRESENTA
DEFEITO. ENVIO PARA CONSERTO EM DOIS MOMENTOS DISTINTOS. REPARO
INEFICIENTE. AUSÊNCIA DE DEVOLUÇÃO DO PRODUTO OU O RESSARCIMENTO DO
VALOR PAGO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. DANO MATERIAL E DANO MORAL
CONFIGURADOS. PEDIDO DE MINORAÇÃO DO QUANTUM INDENIZATÓRIO. RECURSO
IMPROVIDO. O artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor atribui ao fornecedor de
serviços a responsabilidade objetiva quanto aos danos causados ao consumidor, decorrentes
de falha na prestação do serviço, baseada na teoria do risco do negócio. No que se refere ao
dano moral tem-se que o valor fixado deve atender as peculiaridades do caso em comento, de
modo que a quantia fixada na sentença se encontra dentro dos parâmetros da razoabilidade
e proporcionalidade, ante a demora excessiva para os reparos. (N.U 1000171-
59.2018.8.11.0055, TURMA RECURSAL, VALMIR ALAERCIO DOS SANTOS, Turma Recursal
Única, Julgado em 05/06/2020, Publicado no DJE 09/06/2020).
INDENIZAÇÃO POR DANO MATERIAL E MORAL – COMPRA DE APARELHO CELULAR –
APLICAÇÃO DO CDC – VÍCIO NO PRODUTO – REPARO NÃO EFETUADO –
RESPONSABILIDADE OBJETIVA – ATO ILÍCITO CONFIGURADO – DEVER DE INDENIZAR –
DANO MORAL – VALOR JUSTO E ADEQUADO – SENTENÇA MANTIDA – RECURSO
DESPROVIDO. A responsabilidade por vicio do produto é objetiva, não se indagando sobre a
existência da sua culpa no evento, bastando a ocorrência de falha na prestação de serviços, de
prejuízo ao consumidor e do nexo causal para a condenação. O arbitramento do valor da
indenização decorrente de dano moral deve ser feito de acordo com os aspectos do caso,
sempre com bom senso, moderação e razoabilidade, atentando-se à proporcionalidade com
relação ao grau de culpa, extensão e repercussão dos danos e à capacidade econômica das
partes, devendo ser mantido o valor arbitrado na sentença, quando se apresenta consentâneo
com a realidade do caso concreto. (N.U 0053122-31.2014.8.11.0041, CÂMARAS ISOLADAS
CÍVEIS DE DIREITO PRIVADO, CARLOS ALBERTO ALVES DA ROCHA, Terceira Câmara de
Direito Privado, Julgado em 25/07/2018, Publicado no DJE 30/07/2018).
“RECURSO INOMINADO - AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS
MORAIS - PRODUTO COM DEFEITO - RESPONSABILIDADE OBJETIVA - RESISTÊNCIA DA
PARTE RECLAMADA NA SOLUÇÃO DO PROBLEMA - AUSÊNCIA DE CONSERTO OU
RESTITUIÇÃO DO VALOR PAGO - RESPONSABILIDADE OBJETIVA - DANO MORAL
CONFIGURADO - DEVER DE INDENIZAR - RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE
PROVIDO. 1- Na hipótese dos autos, a parte recorrente comprou um aparelho de celular, cujo
produto apresentou defeito, causando transtornos que ultrapassam os meros aborrecimentos.
2- O vício de produto não sanado é suficiente para gerar dano moral in re ipsa. 3- Com
relação ao dano moral, resta configurado, tendo em vista o descaso com a
consumidora que não conseguiu revolver a questão extrajudicialmente, apesar de
várias tentativas nesse sentido. 4- Recurso conhecido e parcialmente provido”. (N.U
1000103-67.2017.8.11.0048, TURMA RECURSAL, VALDECI MORAES SIQUEIRA, Turma
Recursal Única, Julgado em 17/11/2017, Publicado no DJE 24/11/2017).
Corroborando, o entendimento dos Tribunais pá trios é uníssono:
“INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS – AUSÊNCIA DE SOLUÇÃO DE DEFEITO
NO APARELHO CELULAR – DANO MORAL CARACTERIZADO - Dano moral caracterizado
pelo transtorno suportado pela apelante, que viu frustrada a possibilidade de utilizar o
aparelho celular recém adquirido, em face do defeito apresentado após aproximadamente
dois meses de sua aquisição, o qual não foi solucionado pela assistência técnica no prazo de
30 dias, tampouco providenciada a devolução do bem à consumidora. - Tendo em vista que
nos dias atuais o aparelho celular é um bem indispensável para comunicação não só
telefônica e eletrônica, mas também, utilizado como forma de entretenimento e, diante
da desídia na solução do problema, fixo a indenização pelos danos morais sofridos em
quantia equivalente a R$ 10.000,00 (dez mil reais). TJ-SP - Apelação APL
00051962920138260637 SP 0005196-29.2013.8.26.0637 (TJSP) Jurisprudência • Data de
publicação: 21/05/2015 - RECURSO PROVIDO. (Grifo e negrito nosso).
“AQUISIÇÃO DE APARELHO CELULAR COM DEFEITO. DESÍDIA DOS FORNECEDORES EM
EFETUAR O CONSERTO OU TROCA. DANO MORAL CONFIGURADO. QUANTUM. CRITÉRIOS
DE FIXAÇÃO. RECURSO PROVIDO. 1. O fornecedor e o prestador de serviço são
responsáveis pelos danos morais causados ao consumidor pela demora excessiva e
injustificada em efetuar o conserto ou a troca do produto adquirido com defeito. 2. De
acordo com a corrente majoritária contemporânea, a quanticação do dano moral se submete
à equidade do magistrado, o qual arbitrará o valor da indenização com base em critérios
razoavelmente objetivos, analisados caso a caso, tais como a gravidade do fato em si e suas
consequências para a vítima, a culpabilidade do agente, a possível culpa concorrente do
ofendido, a condição econômica do ofensor, as condições pessoais da vítima etc., devendo
observar também os patamares adotados pelo Tribunal e pelo Superior Tribunal de Justiça. 3.
Recurso provido”. TJ-MG - Apelação Cível AC 10000170624381001 MG (TJ-MG) Jurisprudência
• Data de publicação: 28/09/2017. (Grifo e negrito nosso).
O que se vem tentando demonstrar é que ao adquirir um produto novo, em uma empresa
de renome nacional, espera-se que seja assegurada todas as condiçõ es e garantias referente
à compra, no entanto nã o foi desta maneira que ocorreu com o Requerente.
Assim, sendo evidente a presença dos requisitos ensejadores do dano moral, considerando
os princípios que norteiam o arbitramento da indenizaçã o por danos morais; considerando
a situaçã o financeira/econô mica das partes; considerando a violaçã o do princípio da
informaçã o, contido no art. 6º, III, da Lei 8.078/90; considerando a venda de produto
defeituoso, ferindo a boa-fé do requerente; considerando que esta situaçã o causou
considerá vel abalo psicoló gico, transtornos, aborrecimentos e constrangimentos ao
requerente; considerando o risco em que o Requerente e sua família foram expostos,
considerando a essencialidade do produto, considerando o descaso das Requeridas para
soluçã o do problema e, além disso, considerando todo o amparo legal e jurisprudencial
apresentado, requer sejam condenadas as requeridas no montante de R$ 20.000,00 (vinte
mil reais) a título de danos morais.
6. DOS DANOS MATERIAIS
Agora, em relaçã o aos danos materiais, conforme exposto acima, o aparelho pegou fogo
recarregando e na tentativa de salvar sua família de uma tragédia maior o Requerente
pegou o celular para desconectá -lo da tomada e, em decorrência da alta temperatura o
mesmo caiu em cima do colchã o e pegou fogo.
Foi realizado orçamento através da internet e o menor valor do colchã o com as mesmas
características é de R$ 599,00 (quinhentos e noventa e nove reais), conforme
documento anexo.
Assim, as Requeridas deverã o ressarcir o Requerente no valor correspondente ao colchã o
de R$ 599,00 (quinhentos e noventa e nove reais).
7. DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA
O Có digo de Defesa do Consumidor consagra a presunçã o de boa-fé do consumidor e o
dever de informar por parte do fornecedor de serviços, devendo desde já ser invertido o
ô nus da prova conforme autoriza o art. 6º do CDC.
“Art. 6º São direitos básicos do consumidor:
VIII – a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a
seu favor, no processo civil, quando a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for
ele hipossuficiente, seguindo as regras ordinárias de expectativas”.
Desse modo, cabe as requeridas demonstrarem provas em contrá rio ao que foi exposto
pelo Requerente. Resta informar, ainda, que algumas provas seguem anexas. Assim, as
demais provas que se acharem necessá rias para resoluçã o da lide, deverã o ser observadas
o exposto na citaçã o acima, pois se trata de princípios bá sicos do consumidor.
8. DOS PEDIDOS:
Ante ao exposto, requer a Vossa Excelência:
1. Seja deferido ao Requerente os benefícios da justiça gratuita, nos termos dos artigos 98 e
ss do Có digo de Processo Civil;
2. A citaçã o das Requeridas nos endereços supracitados, para, querendo, comparecerem a
audiência de conciliaçã o designada e responderem no prazo legal, sob pena de revelia e
confissã o;
3. Seja concedida a tutela antecipada à requerente, impondo as Requeridas, diante da
frustração com a fabricante Samsung, a restituição imediata do valor pago pelo
celular de R$ 899,00 (oitocentos e noventa e nove reais), para que o Requerente possa
adquirir novo aparelho de outra marca, a ser depositado em conta judicial, nos termos
do art. 18, § 1º, II, da Lei 8.078/90;
4. Por fim, requer seja a demanda julgada TOTALMENTE PROCEDENTE, com o fito de
confirmar a decisão liminar e condenar as requeridas a restituição imediata do valor
pago pelo celular de R$ 899,00 (oitocentos e noventa e nove reais);
5.1 A condenação das Requeridas ao pagamento do montante de R$ 20.000,00 (vinte
mil reais) a título de danos morais, devidamente corrigido e atualizado desde o
evento danoso.
5.2 A condenação das Requeridas ao pagamento de R$ 599,00 (quinhentos e noventa
e nove reais), devidamente corrigido e atualizado desde o evento danoso, a título de
danos materiais, decorridos do colchão queimado, resultado dos danos causados
pelo incêndio causado pelo celular;
7. A facilitaçã o de defesa em favor do Consumidor seja aplicada no caso, conforme dita o
Có digo de Defesa do Consumidor, a inversã o do ô nus probató rio;
8. Sejam as requeridas condenadas à s custas e despesas processuais;
9. Protesta provar o alegado por todos os meios de provas admitidas em direito.
Dá -se a causa o valor de R$ 20.599,00 (vinte mil quinhentos e noventa e nove reais).
Nestes termos,
Pede deferimento.
Barra do Garças/MT, 20 de outubro de 2018.