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Proteção ao Meio Ambiente

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Proteção ao Meio Ambiente

1 - O Início

Quando pensamos na Terra, imaginamos um planeta predominantemente azul sobre


um fundo negro, o que normalmente nos remete, em um conhecimento básico de
ciências e em observações rotineiras, para um corpo imutável aos olhos humanos. No
entanto, o nosso planeta vai muito além das limitadas observações humanas e muitas
vezes, mesmo para além das interpretações instrumentais que simulam os ambientes
planetários (Garcia et al., 2015).

A Terra é, ao contrário do sugerido anteriormente, um planeta dinâmico, que


evoluiu/evolui a escalas (temporais e espaciais) bem mais amplas do que as humanas,
principalmente quando se pensa em tempo, sua análise é feita pelo tempo geológico
(em que os milhões de anos aparecem como a unidade de trabalho). O conhecimento
desse passado geológico longínquo pode ser acedido pelo estudo das rochas e dos
fósseis; torna-se então possível conhecer algumas das transformações da Terra e de
seus ambientes, bem como a forma como a vida evoluiu no nosso planeta, ainda
segundo a mesma autora.

Segundo Press et al. (2006), o nosso planeta funciona como um sistema de dinâmico
entre a geosfera, a hidrosfera e a atmosfera, que são, por sua vez, subsistemas
complexos. Embora por vezes para entender o funcionamento da Terra se estudem
seus subsistemas separadamente, como se cada um deles existisse sozinho, para obter
uma perspectiva completa do seu funcionamento, torna-se necessário entender os
modos como seus subsistemas interagem entre si (p. ex., como os gases de um vulcão
podem induzir mudanças climáticas).

Atualmente, neste mundo em que a fasquia dos mais de 7 bilhões de seres humanos
já foi ultrapassada, as questões de conservação da Natureza são vitais e inadiáveis.
Não apenas do ponto de vista do seu valor intrínseco, mas, também, pelos valores
cultural, estético, educativo, científico, econômico, utilitário etc.
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Um aspecto de base bem presente é que a natureza abiótica, a par da natureza biótica,
é parte integrante e fundamental da Natureza (GRAY, 2004; LARWOOD & DURHAM,
2005), e que as transformações constantes da Terra (graduais ou não graduais) são
um elemento crucial dessa dinâmica natural, constituindo um elo entre o passado, o
presente e o futuro e mantendo um delicado equilíbrio de condições no qual a vida vai
evoluindo.

Desta forma, convidamos a todos para participarem de uma reflexão sobre o nosso
ambiente, sobre a importância de sua preservação e também em como podemos
interligar e praticar nossa profissão da segurança da vida, para todas as formas de
vida. Que tal começarmos pelo entendimento do que é, efetivamente, meio ambiente?

2 - Meio Ambiente

Uma discussão recorrente a respeito do termo meio ambiente é a suposta redundância


que existe entre ambos os termos: a palavra meio significa o mesmo que ambiente.

O motivo dessa reiteração obedece a razões históricas, já que, durante a Conferência


das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano (Estocolmo, 1972), a impressão
semântica das traduções do inglês, acabou por gerar o termo meio ambiente como e
uso comum, em vez de se usar somente um deles (ou meio ou ambiente).

Será que existe um conceito certo ou errado de ambiente? Com essa questão
iniciaremos nosso processo de reflexão conjunta nesta disciplina.

Ambiente:

O conceito de ambiente ou meio ambiente está em constante processo de construção


e é possível encontrarmos diferentes definições para esse termo, segundo a Feema
(1990) e o Ibama (1994).
Tabela 1: Definições de meio ambiente

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Ano Meio Ambiente – Definições
1976 As condições, influência ou forças que envolvem ou influem ou modificam: o
complexo de fatores climáticos, edáficos e bióticos que atuam sobre um
organismo vivo, ou uma comunidade ecológica, e acaba por determinar sua
forma e sua sobrevivência, a agregação das condições sociais e culturais que
influenciam a vida de um indivíduo ou uma comunidade. (WEBSTER’S, 1976)
1977 O conjunto, em um dado momento, dos agentes físicos, químicos e biológicos
e dos fatores sociais suscetíveis de terem um efeito direto ou indireto,
imediato ou a termo, sobre os seres vivos e as atividades humanas.
(POUTREL & WASSERMAN, 1977)
1977 A soma das condições externas e das influências que afetam a vida, o
desenvolvimento e, em última análise, a sobrevivência de um organismo.
(BANCO MUNDIAL, 1977).
1978 O conjunto do sistema externo físico e biológico, no qual vivem o homem e
os outros organismos. (PNUMA, 1978)
1978 O conjunto de sistemas naturais e sociais em que vivem o homem e os
demais organismos e de onde obtêm sua subsistência. (CONFERÊNCIA DE
TIBILLISI, 1978)
1988 Conjunto de componentes naturais e sociais, e suas interações em um
determinado espaço de tempo, no qual se dá a dinâmica das interações
sociedade-natureza, e suas consequências, no espaço que habita o ser
humano, o qual é parte integrante deste todo. Desta forma, o ambiente é
gerado e construído ao longo do processo histórico de ocupação e
transformação do espaço da sociedade. (GUTMAN, 1988)
1992 Qualquer espaço de interação e suas consequências entre a sociedade
(elementos sociais, recursos humanos) e a natureza (elementos ou recursos
naturais). (QUEIROZ E TRÉLLEZ, 1992)
Adaptada de: Feema (1990) e Ibama (1994 apud FUNIBER, 2009).

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Já, segundo o site
http://www.achetudoeregiao.com.br/animais/o_que_e_meio_ambiente.htm (acesso
em: 02/04/2011), é o conjunto de condições, leis, influências e infraestrutura de
ordens física, química e biológica que permite, abriga e rege a vida em todas as suas
formas.

Vamos observar: a questão ambiental, a qual vemos que é complexa, devido aos
sistemas ambientais serem evolutivos, ou seja, não deterministas, não lineares,
irreversíveis e com estados de desequilíbrio constante. Esse processo evolutivo e suas
modificações constantes inserem acontecimentos irreversíveis, aumentando a
complexidade do sistema. (PHILIPPI JR. & SILVEIRA, 2009)

Aqui chegamos à conclusão de que há muitas maneiras de abordar conceitualmente o


meio ambiente e uma única área do conhecimento humano não pode abranger e
explicar a gama de fenômenos naturais e culturais que ocorrem em escalas espaciais
e temporais diversas.

Vemos assim, que a questão da definição do ambiente é complexa, pois está


relacionada aos aspectos evolutivos da própria sociedade.

Apenas para ampliarmos essa discussão, em uma segunda abordagem conceitual da


própria questão ambiental, percebemos que há o envolvimento da visão econômica.
Os economistas clássicos, com algumas exceções, sempre teorizaram sobre os
sistemas econômicos sem considerar o meio natural como fornecedor de materiais
energia para a sociedade humana, e como receptor dos resíduos resultantes e da
energia dissipada pelas atividades antrópicas. (PHILIPPI JR. & SILVEIRA, 2009)

Agora, vamos refletir um pouco sobre como o homem vê o meio ambiente perante a
constituição:

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“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum
do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à
coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”
(art. 225 da Constituição Federal).

Percebemos aqui a abertura de interpretações que a lei nos fornece: o que é ambiente
ecologicamente equilibrado? Será que isso tem o mesmo parâmetro para mim e para
você? Mais uma coisa: Essencial à sadia qualidade de vida – será que há igualdade na
qualidade de vida da sociedade? Todos tem o mesmo padrão de vida social (pobres,
classe média e classe alta)?

Vemos com isso que meio ambiente está muito mais relacionado com a questão social
e cultural, do que somente definições biológicas. Esse é um dos desafios primordiais
do século XXI para a preservação do meio ambiente: a questão da reforma de valores
culturais e sociais, começando pela reforma das próprias políticas públicas.

3 - Educação Ambiental

Educação, do vocábulo latino educere, significa conduzir, liderar, puxar para fora.
Baseia-se na ideia de que todos os seres humanos nascem com o mesmo potencial,
que deve ser desenvolvido no decorrer da vida. O papel do educador é, portanto, criar
condições para que isso ocorra, criar condições para que levem o desenvolvimento
desse potencial, que estimulem as pessoas a crescerem cada vez mais. (PELICIONI,
2009)

Segundo Paulo Freire, famoso educador brasileiro, hoje reconhecido


internacionalmente, ninguém educa ninguém, ninguém conscientiza ninguém,
ninguém se educa sozinho. Isso significa que a educação depende de adesão
voluntária, depende de quem a incorpora e não de quem a propõe.

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No Relatório para a UNESCO de 1996, da Comissão Internacional sobre Educação para
o século XXI, a educação aparece como indispensável à humanidade na construção
dos ideais de paz, da liberdade e da justiça social como também para o
desenvolvimento contínuo, tanto das pessoas como das sociedades, do século XXI em
diante. (PELICIONI, 2009)

Aqui vemos que para falar de educação ambiental, temos que admiti-la como processo
de educação política que busca formar para que a cidadania seja exercida e para uma
ação transformadora, a fim de melhorar a qualidade de vida da coletividade. A
abordagem sociocultural permite a ação proativa e transformadora, proposta pela
educação ambiental, se efetive, já que implica formação para uma reflexão crítica.
(PELICIONI, 2009)

A educação ambiental se coloca em uma posição contrária ao modelo de


desenvolvimento econômico vigente no sistema capitalista selvagem, em que os
valores éticos, de justiça social e solidariedade não são considerados nem a
cooperação é estimulada, mas prevalecem o lucro a qualquer preço, a competição, o
egoísmo e os privilégios de poucos em detrimento da maioria da população.
(PELICIONI e PHILIPPI JUNIOR, 2005)

Veja: mais um desafio para o século XXI!

Mas, enfim, qual é a definição de educação ambiental?


Educação ambiental é um instrumento que pode proporcionar mudanças na relação
do homem com o ambiente e surge como resposta à preocupação da sociedade com
o futuro da vida (alterado de: http://pga.pgr.mpf.gov.br/pga/educacao/que-e-ea/o-
que-e-educacao-ambiental, acesso em: 20 abr. 2011).

A educação ambiental também pode ser chamada de EA, sua abreviação, e tem como
proposta principal a superação da dicotomia entre natureza e sociedade, através da
formação de uma atitude ecológica nas pessoas. Um dos seus fundamentos é a visão

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socioambiental, que afirma que o meio ambiente é um espaço de relações, é um
campo de interações culturais, sociais e naturais (a dimensão física e biológica dos
processos vitais). Ressalte-se que, de acordo com essa visão, nem sempre as
interações humanas com a natureza são daninhas, porque existe um copertencimento,
uma coevolução entre o homem e seu meio. Coevolução é a ideia de que a evolução
é fruto das interações entre a natureza e as diferentes espécies, e a humanidade
também faz parte desse processo, segundo o mesmo site.

Para fecharmos essa primeira discussão, definimos a educação ambiental como um


processo que busca:

“(...) desenvolver uma população que seja consciente e preocupada com o meio
ambiente e com os problemas que lhes são associados. Uma população que tenha
conhecimentos, habilidades, atitudes, motivações e compromissos para trabalhar,
individual e coletivamente, na busca de soluções para os problemas existentes e para
a prevenção dos novos (...)” (capítulo 36 da agenda 21).

4 - Consumir Para Quê?

Desde os tempos dos caçadores e coletores, três grandes mudanças culturais


aumentaram o impacto sobre o meio ambiente. Para que possamos entendê-las e
assim discutir o desenvolvimento sustentável na dimensão humana, vamos ler o texto
de Miller Junior (2007):

Evidências fósseis e estudos de culturas antigas sugerem que a atual forma de nossa
espécie, Homo sapiens, tem povoado a Terra há apenas 60 mil anos (algumas
evidências recentes afirmam 90 mil a 195 mil) – menos que um piscar de olhos nesse
maravilhoso planeta com 3,7 bilhões de anos de vida.

Até aproximadamente 12 mil anos atrás, éramos na maioria caçadores e coletores que
se moviam conforme a necessidade de encontrar alimento suficiente para a

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sobrevivência. A partir daí, três grandes mudanças culturais ocorreram: a revolução
agrícola (que começou há 10-12 mil anos); a revolução industrial-médica (iniciada por
volta de 275 anos atrás) e a revolução da informação-globalização (iniciada há cerca
de 50 anos).

Essas mudanças culturais aumentaram de forma considerável nosso impacto no meio


ambiente. Por meio dessas mudanças, passamos a dispor de muito mais energia e
novas tecnologias para alterar e controlar o planeta, visando atender a nossas
necessidades básicas e crescentes desejos. Elas também permitiram a expansão da
população humana, em especial graças à farta disponibilidade de suprimentos
alimentares e maior expectativa de vida. Além disso, elevaram consideravelmente o
uso de recursos, poluição e degradação ambiental, que ameaçam a sustentabilidade
das culturas humanas a longo prazo.

Interessante este histórico exposto pelo autor não? Mas o que é desenvolvimento
sustentável então?

Antes de respondermos essa questão, vamos observar, como o fez Gonçalves (1990
apud PELICIONI, 2005), que o modo de ser, de produzir e de viver dessa sociedade é
fruto de um modo de pensar e agir em relação à natureza e aos outros seres humanos
que remonta a muitos séculos. Restringindo-se ao pensamento ocidental, percebem-
se nas obras de alguns filósofos da Grécia e Roma clássicas, bem como na tradição
judaico-cristã, espinha dorsal da cultura ocidental, indícios de certos valores bastante
presentes nas sociedades atuais, como o antropocentrismo e a visão dicotomizada
entre o ser humano e a natureza.

Platão, por exemplo, no ano de 111 a.C., já denunciava a ocorrência de desmatamento


e erosão de solo nas colinas de Átila, na Grécia, ocasionados pelo excesso de pastoreio
de ovelhas e pelo corte de madeira. (DARBY, 1956)

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Observação importante: Através do exposto, percebemos que medidas precisariam ter
sido tomadas desde então, mas que infelizmente não o foram.

A concepção de desenvolvimento sustentável tem suas raízes fixadas na Conferência


das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo, capital da
Suécia, em julho de 1972, segundo Brunacci e Philippi Junior (2009).

Segundo Funiber (2009), o termo desenvolvimento sustentável, como é, foi


estabelecido pela International Union for The Conservation of Nature (IUCN), embora
sua popularidade tenha origem no relatório “Nosso futuro comum” ou relatório
Bruntland (WCED, 1987), preparado pela Comissão Bruntland das Nações Unidas, no
qual se lê: “O desenvolvimento sustentável satisfaz as necessidades atuais sem
comprometer a capacidade de futuras gerações de satisfazer suas próprias
necessidades”.

Analisemos que os componentes substantivos nessa definição são as questões de


equidade, tanto entre uma mesma geração como entre diferentes gerações, a fim de
que todas as gerações, presentes e futuras, aproveitem o máximo sua capacidade
potencial. Entretanto, a maneira como as atuais oportunidades estão distribuídas não
é, na realidade, indiferente. Seria estranho que estivéssemos preocupados
profundamente com o bem-estar das futuras gerações e deixássemos de lado a triste
sorte dos pobres de hoje. No entanto, atualmente, nenhum desses dois objetivos tem
assegurada a prioridade que merece. Consequentemente, talvez uma reestruturação,
das pautas concernentes à distribuição de renda, à produção e ao consumo em escala
mundial seria uma condição prévia necessária a toda estratégia viável de
desenvolvimento sustentável.

Vemos que o conceito de desenvolvimento sustentável surgiu em um contexto de crise


econômica e da revisão de paradigmas de desenvolvimento. A crise econômica na
maior parte do mundo, a instabilidade, o aumento da pobreza etc., colocavam em
dúvida a viabilidade dos modelos convencionais, inclusive, a própria ideia de

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“desenvolvimento” havia sido sustada das políticas ante a urgente necessidade de
estabilizar as economias e recuperar o crescimento econômico. (FUNIBER, 2009)

O surgimento da ideia do desenvolvimento sustentável teve repercussões importantes


em todos os meios – graças aos esforços da Comissão das Nações Unidas sobre o Meio
Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD) – por causa da necessidade de renovar
concepções e estratégias, buscando o desenvolvimento das nações pobres e
reorientando o processo de industrialização dos países mais avançados. O conceito
convencional de desenvolvimento se referia ao processo de melhoria das condições
econômicas e sociais de uma nação. O enfoque da Comissão buscou ir além da
dimensão econômica e social, tratando de incluir a questão ambiental como um dos
elementos centrais da concepção e das estratégias de desenvolvimento, ainda
segundo Funiber (2009).

Ainda segundo esse mesmo autor, ao qualificar o desenvolvimento como o adjetivo


“sustentável”, incorpora-se um conceito de capacidade de subsistir ou continuar. A
sustentabilidade expressa uma preocupação com o meio ambiente para que as
gerações futuras o utilizem e o desfrutem da mesma forma que a presente. Nesse
caso, “desenvolvimento” não é sinônimo de “crescimento”. Crescimento econômico é
entendido como aumentos na renda nacional. Em contrapartida, o desenvolvimento
implica algo mais amplo, uma noção de bem-estar econômico que reconhece
componentes não monetários. Estes podem incluir a qualidade do meio ambiente.

É importante ressaltar que o desenvolvimento sustentável exige que se definam


prazos, com qual ordem de prioridades, a que níveis e escalas e quais recursos
econômicos utilizar para obter a sustentabilidade. Essa tarefa é muito complexa, dados
os aspectos sociais, políticos e elementos técnicos implicados, por exemplo, na
superação da pobreza, em que a sustentabilidade pode ser inalcançável, mesmo em
prazos relativamente longos. (FUNIBER, 2009)

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Vemos em diversos estudos, que as modificações ambientais provocadas pela ação
antrópica, alterando significativamente os ambientes naturais, poluindo o meio
ambiente físico, consumindo recursos naturais sem critérios adequados, aumentam o
risco de exposição a doenças e atuam negativamente na qualidade de vida da
população. (MIRANDA et al., 1994; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1995; BANCO MUNDIAL,
1998; WHO, 1999)

As modificações ambientais decorrentes do processo antrópico de ocupação dos


espaços e de urbanização, que ocorrem em escala global, especialmente as que vêm
acontecendo desde os séculos XIX e XX, impõem taxas incompatíveis com a
capacidade de suporte dos ecossistemas naturais. (PHILIPPI JR. & MALHEIROS, 2008)

Ainda segundo os mesmos autores, a análise dos impactos potenciais dessas


modificações pode ser feita sob o enfoque da mudança nos padrões de consumo e de
produção, facilitando assim a compreensão dessa questão e das medidas necessárias
para a reversão dos problemas instaurados.

Mas, afinal, o que podemos fazer em relação ao consumo, se o mesmo é necessário


para a sobrevivência das espécies?

Para responder isso, surgem as questões de consumo consciente e consumo


sustentável.

5 - Consumo Consciente e Sustentável

Para começarmos a falar de consumo consciente e consumo sustentável, vamos


assistir ao vídeo: I Seminário Consumo Consciente FASB - Teixeira de Freitas V1,
disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=HNHfguQb14I>, acessado em 22
maio 2017.

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Consumir é necessário para a sobrevivência dos seres vivos. Todos os organismos
consomem: água, nutrientes, energia. Entretanto, há uma diferença significativa entre
outras espécies de organismos vivos e o homem: o consumismo desenfreado e
exagerado que não é somente para sobreviver no meio em que vive.

Segundo o site http://www.ressoar.org.br/conceito_consumo_consciente.asp, quando


se fala em consumo, a primeira coisa que vem à mente é o simples ato de comprar,
seja de maneira programada, por necessidade ou por impulso. A compra é apenas um
dos sentidos deste conceito. Antes dela, temos que decidir o que consumir, por que
consumir, como consumir e de quem consumir. Depois de refletir a respeito desses
pontos é que partimos para a compra. E após a compra, existe o uso e o descarte do
que foi adquirido, que também geram impactos e degradação ambiental.

O consumo consciente é uma maneira de consumir levando em consideração os


impactos provocados pelo consumo. Com isso, o consumidor pode, por meio de suas
escolhas, buscar maximizar os impactos positivos e minimizar os negativos dos seus
atos de consumo, e, assim, contribuir com seu poder de consumo para construir um
mundo melhor.

Ainda conforme cita o mesmo site, o consumidor consciente busca o equilíbrio entre a
sua satisfação pessoal e a sustentabilidade do planeta, lembrando que a
sustentabilidade implica um modelo ambientalmente correto, socialmente justo e
economicamente viável. Ele também reflete a respeito de seus atos de consumo e
como eles irão repercutir sobre si mesmo, nas relações sociais, na economia e na
natureza. Além disso, busca disseminar o conceito e a prática do consumo consciente,
fazendo com que pequenos gestos de consumo realizados por um número muito
grande de pessoas promovam grandes transformações.

Vários são os exemplos que podem ser citados quanto ao uso não consciente dos
recursos naturais esgotáveis que já estão gerando sérios problemas no mundo: água
potável, combustíveis fósseis, energia elétrica, minerais como ouro e o mercúrio.

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Já, quando falamos em consumo sustentável, precisamos saber que este conceito
passou a ser construído a partir do termo desenvolvimento sustentável, divulgado
com a Agenda 21, documento produzido durante a Conferência das Nações Unidas
sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, em 1992. A Agenda
21 relata quais as principais ações que devem ser tomadas pelos governos para aliar
a necessidade de crescimento dos países com a manutenção do equilíbrio do meio
ambiente. Os temas principais desse documento falam justamente sobre mudanças
de padrões de consumo, manejo ambiental dos resíduos sólidos e saneamento e
abordam ainda o fortalecimento do papel do comércio e da indústria (Fonte:
<http://www.terrazul.m2014.net/spip.php?article151>).

Assim, podemos definir o consumo sustentável como o uso dos recursos naturais
para satisfazer as necessidades pessoais sem o comprometimento das necessidades
das gerações futuras. Isso é o saber usar para nunca faltar.

Sabendo que o consumo é um ato essencial e inevitável da vida humana e apresenta


características particulares que ultrapassam as necessidades da vida biológica ou
material, precisamos raciocinar que a satisfação das necessidades humanas têm três
componentes: o utilitário, o de comunicação e o psicológico. Segundo a Funiber
(2009), eles podem ser discutidos:

O componente utilitário nem sempre determina a escolha; às vezes o ato do


consumo está motivado pelo propósito de se comunicar com os outros, de
demonstrar que se respeitam as convenções sociais, que se está na moda ou que se
é completamente diferente. O componente psicológico impulsiona a consumir para
se provar algo a si mesmo, para se assemelhar à imagem que tem de si e se sentir
bem consigo mesmo.

O consumo desmedido das sociedades modernas implica o uso de elevadas


quantidades de recursos naturais. Ao mesmo tempo, os atos de consumo
comprometem todas as esferas da vida humana: a material, a social e a psicológica.
Modificar os hábitos de compra da população é um objetivo indispensável para
coadjuvar a proteção do meio ambiente, diminuir a contaminação e a geração de
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resíduos e promover um eficiente controle de energia, entre outras coisas. A
aquisição de novos hábitos implica a modificação da cultura que faz consumir bens e
serviços supérfluos, limitando-se apenas a satisfação das necessidades básicas e
gerando novas formas de relação entre a população e o meio natural. Torna-se
evidente que a educação é um instrumento catalisador através do qual se pode
impulsionar e fomentar uma cultura da responsabilidade ambiental.

Para concluirmos essa parte do assunto, percebemos ao longo da discussão desse


tema, que temos a possibilidade de ainda deixarmos para as futuras gerações um
pouco do nosso patrimônio natural, nos dado pelo planeta Terra, de modo que todos
tenham a possibilidade de usofruto consciente do mesmo. No entanto, medidas
políticas, sociais e culturais precisam ser tomadas e praticadas continuamente.

Que tal fazermos a nossa parte?

6 - Sustentabilidade

Antes de entrarmos nos conceitos e objetivos da sustentabilidade, tal qual ela o é,


vamos continuar lendo o texto de Miller Junior (2007) para podermos entender melhor
as explicações da aula:

Alguns críticos acreditam que as visões de mundo ambientais centradas no ser humano
deveriam ser expandidas para reconhecer o valor intrínseco ou inerente de todas as
formas de vida, independentemente de seu uso potencial ou real para os seres
humanos. A maioria das pessoas que têm essa visão de mundo acredita que temos
responsabilidade ética de evitar a extinção prematura de espécies por meio de nossas
atividades por três razões. Primeira, cada espécie é depósito único de informações
genéticas e deveria ser respeitada e protegida simplesmente porque existe (valor
intrínseco). Segunda, cada espécie é um bem econômico potencial para uso humano
(valor instrumental). Terceira, populações de espécies são capazes, por meio da
evolução e da especiação, de se adaptar às mudanças das condições ambientais.

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Alguns acreditam que devemos ir além de focar nas espécies. De acordo com essas
pessoas, temos responsabilidade ética de não degradar os ecossistemas, a
biodiversidade e a biosfera para esta e para as futuras gerações de seres humanos e
de outras espécies. Essa visão de mundo ecocêntrica é dedicada à preservação da
biodiversidade e do funcionamento de sistemas de suporte à vida para todas as vidas.

Uma das visões de mundo centradas na Terra é chamada visão de mundo de


sabedoria ambiental. Em muitos aspectos, ela é o oposto da visão de mundo de
gestão planetária. De acordo com essa visão de mundo, somos parte – não estamos
isolados – da comunidade de vida e dos processos ecológicos que sustentam todas as
formas vivas.

Para compreendermos essas visões comentadas, vamos analisar a Tabela 2.

Tabela 2: Visões de mundo ambientais

Manejo Planetário Gerenciamento Sabedoria Ambiental


- Nós estamos afastados - Temos responsabilidade - Nós somos uma parte da
do restante da natureza e ética de sermos os natureza e dependemos
podemos utilizá-la para gerentes ou dela; a natureza existe
satisfazer nossas administradores para todas as espécies.
necessidades e desejos cuidadosos da Terra.
crescentes.
- Por causa de nossa - Provavelmente não - Os recursos são
inventividade e tecnologia ficaremos sem recursos, limitados, não deveriam
não haverá falta de mas eles não devem ser ser desperdiçados e não
recursos. desperdiçados. são exclusividades nossas.
- O potencial para o - Deveríamos encorajar - Deveríamos encorajar
crescimento econômico é formas benéficas de formas sustentáveis de
ilimitado. crescimento econômico e crescimento econômico e
desencorajar as formas

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prejudiciais ao meio desencorajar as formas
ambiente. degradantes.
- Nosso sucesso depende - Nosso sucesso depende - Nosso sucesso depende
de quão bem utilizaremos de quão bem utilizaremos de aprender como a
os sistemas de suporte à os sistemas de natureza se sustenta e
vida principalmente em manutenção da vida em integrar essas lições ao
nosso benefício. nosso benefício e do nosso modo de pensar.
restante da natureza.
Fonte: (MILLER JUNIOR, 2007)

Agora ficou mais claro como podemos ter visões de mundo diferentes. Nosso desafio
é tentarmos focar naquela que se reverta em benefício conjunto: Terra, homem e
outras formas de vida.

Mas, e as definições de sustentabilidade, o que é afinal sustentabilidade?

Vamos ler esse texto de Raquel Nunes, da revista ecologia urbana de 21 de outubro
de 2008 (Fonte: http://www.ecologiaurbana.com.br/sustentabilidade/o-que-e-
sustentabilidade/):

Acrescentando ao que disse Raquel Nunes, Miller Junior (2007), coloca que
sustentabilidade é a capacidade dos diversos sistemas da Terra, incluindo as
economias e sistemas culturais humanos, de sobreviverem e se adaptarem às
condições ambientais em mudança.

Segundo o mesmo autor, a primeira etapa é conservar o capital natural da Terra – os


recursos e serviços naturais que mantêm a nossa e outras espécies vivas e que dão
suporte às nossas economias.

O primeiro passo em direção á sustentabilidade é entender os componentes e a


importância do capital natural e da renda natural ou biológica que ele fornece. Para os
economistas, capital é a riqueza para sustentar uma empresa e gerar mais riqueza. O
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capital financeiro pode gerar renda financeira. Por exemplo, suponha que você invista
R$ 10.000,00 e obtenha 10% de retorno sobre o valor aplicado ao ano. Em um ano
você terá R$ 1.000,00 de rendimento e aumentará seu capital para R$ 11.000,00.

Por analogia, os recursos renováveis que compõem parte do capital natural da Terra,
podem nos fornecer uma renda biológica indefinidamente renovável, desde que não
usemos esses recursos mais rápido do que a natureza o renova. Por exemplo, os
serviços naturais, Omo a reciclagem de nutrientes e o controle do clima (incluindo a
precipitação), renovam os recursos naturais, como a superfície do solo e os depósitos
de água subterrâneos (aquíferos). A sustentabilidade significa sobreviver com essa
renda biológica sem exaurir ou degradar o capital natural que a fornece. (MILLER
JUNIOR, 2007)

Vamos ler agora, o texto modificado de Reis, Fadigas e Carvalho (2009) para
entendermos os objetivos da sustentabilidade na sociedade atual:

Desde as primeiras discussões relacionadas ao meio ambiente, nas quais é possível


ressaltar o papel coordenador da Organização das Nações Unidas (ONU), vários
acordos ambientais têm sido negociados e inúmeros fóruns de discussão criados com
o objetivo de repensar o modelo economicista adotado para o desenvolvimento e de
conter o encaminhamento para a exaustão dos recursos naturais. Embora ocorram
grandes discussões, a implementação de ações objetivas tem sido muito lenta, em
grande parte pela complexidade do cenário multifacetado das nações, pelo
desequilíbrio da organização institucional do mundo e pelos interesses políticos e
econômicos específicos.

É percebido que nos últimos 20 anos a agenda ambiental internacional e a busca pela
sustentabilidade têm evoluído tanto no sentido de implementar os acordos já
assinados, como no sentido de encontrar formas de proteger outros recursos naturais
essenciais como, por exemplo, mananciais de água. Muito trabalho tem sido feito
principalmente no nível político e científico. No setor econômico nota-se ainda cautela

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no sentido de adotar formas de produção sustentáveis, mas muitas empresas e setores
já se posicionaram progressivamente nesse sentido. Muitas companhias internacionais
não mais ignoram o fato de que padrões de sustentabilidade irão afetar mais e mais
os padrões de consumo da sociedade e as formas de produção e de relação com os
consumidores que dominarão o século XXI, sendo, portanto, condicionantes
significativos de competitividade.

Para que se alcancem os objetivos de sustentabilidade é importante que o trabalho


iniciado prossiga em diversas frentes, em âmbito global e local, com a modificação dos
sistemas produtivos e das práticas de uso dos recursos naturais.

Para a pesquisadora Elisete Batista da Silva Medeiros, da Revista Virtual Partes (Fonte:
<http://www.partes.com.br/socioambiental/sustentabilidadecaminho.asp>, acesso
em: 21 jul. 2011), o objetivo da sustentabilidade é colocado sob forma de três
restrições que vem enquadrar a função utilidade intertemporal: os recursos naturais
devem ser extraídos procurando fazer a substituição por recursos equivalentes; a
exploração dos recursos renováveis deve ser feita respeitando a sua renovação; e a
emissão de rejeitos deve ser compatível com a capacidade de assimilação do ambiente.

Segundo a mesma autora, o fator determinante da sustentabilidade é a rede de


relações entre cinco componentes que configuram um determinado modelo de
ocupação territorial, a partir de então pode-se propor que a sustentabilidade depende
das inter-relações entre seu/sua: população, referente a seu tamanho, sua composição
e dinâmica demográfica; organização social, referente aos padrões de produção e de
resolução de conflitos, e estratificação social; entorno, refere-se ao ambiente físico e
construído, processos ambientais, recursos naturais; tecnologia, no que tange a
inovação, ao progresso técnico, ao uso de energia; aspirações sociais, quanto aos
padrões de consumo, os valores e a cultura.

Quando o ser humano constitui a razão de ser do processo de desenvolvimento


significa defender com razões e argumentos um novo estilo de desenvolvimento que

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 19


seja: ambientalmente sustentável no acesso e no uso de recursos naturais
conjuntamente com a preservação da biodiversidade; socialmente sustentável na
redução da pobreza e das desigualdades sociais e promovendo a justiça e a equidade;
culturalmente sustentável na conservação de valores, práticas e símbolos de
identidade; politicamente sustentável ao aprofundar a democracia e garantir o acesso
e a participação efetiva da população no processo de decisão de ordem pública, ainda
segundo Medeiros.

Esse estilo é guiado por uma nova ética de desenvolvimento, ética essa na qual os
objetivos econômicos do progresso estão subordinados as leis de funcionamento dos
sistemas naturais e aos critérios de respeito e dignidade humana e de melhoria da
qualidade de vida das pessoas. Essa interpretação reflete um paradigma de
desenvolvimento. Além disso, a sustentabilidade do desenvolvimento é resultado da
preservação da integridade dos processos naturais que garantem os fluxos de energia
e de materiais na biosfera, e que se consiga preservar a biodiversidade do planeta.
(MEDEIROS, 2007)

7 - Legislação Ambiental

O poder público no Brasil começa a se preocupar com o meio ambiente na década de


1930. Não que antes não houvesse nada a respeito, mas as poucas iniciativas que
existiam até então, além de pouco significativas em termos práticos, se alcançavam
algum efeito sobre o meio ambiente era pela via indireta, quase sempre subalterna a
outros interesses. Por exemplo, as ordenações portuguesas que proibiam o corte do
pau-brasil não podem ser vistas como leis ambientais, pois seu objetivo era assegurar
o monopólio das madeiras de tinturaria estabelecido pela Coroa Portuguesa em 1502,
propósito que perdurou até depois da Independência do Brasil, como mostra Simonsen
(1969). Essas ordenações diferiram muito das medidas criadas na Europa nos séculos
XVII para proteger os remanescentes de florestas nativas e promover o plantio, e que
Castro (1998) considera o início dos processos de gestão ambiental.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 20


Ainda conforme Castro (1998), a criação dos jardins botânicos a partir do século XVI
decorre de uma preocupação dos biólogos viajantes com a pura proteção das espécies
aclimatadas. O que ocorreu por aqui, não foi muito diferente; o objetivo inicial de D.
João VI foi utilizar o Jardim Botânico para o cultivo de especiarias das Índias Orientais
e da Ásia, para suprir o mercado Português, segundo Acot. (1990 apud BARBIERI,
2010)

Até o início do século XX, o campo político e institucional brasileiro não se sensibilizava
com os problemas ambientais, embora não faltassem problemas e nem vozes que os
apontassem. A abundância de terras férteis e de outros recursos naturais, enaltecida
desde a Carta de Caminha ao rei de Portugal, tornou-se uma espécie de dogma que
impedia enxergar a destruição que vinha ocorrendo desde os primeiros anos da
colonização. A degradação de uma área não era considerada um problema ambiental
pela classe política, pois sempre havia outras a ocupar com o trabalho escravo.

As denúncias sobre o mau uso dos recursos naturais não encontravam ecos na esfera
política dessa época, embora muitos denunciantes fossem políticos ilustres, como José
Bonifácio, Joaquim Nabuco e André Rebouças. Nenhuma legislação explicitamente
ambiental teve origem nas muitas denúncias desses políticos, que podem ser
considerados os precursores dos movimentos ambientalistas nacionais e que, já nas
suas origens, apresentavam uma tônica socioambiental dada pela luta contra a
escravatura, a monocultura e o latifúndio.

Somente quando o Brasil começa a dar passos firmes em direção á industrialização,


inicia-se o esboço de uma política ambiental. A adesão do Brasil aos acordos
ambientais multilaterais das primeiras décadas do século XX, praticamente não gerou
nenhuma repercussão digna de nota na ordem interna do país. Tomando como critério
a eficácia da ação pública e não apenas a geração de leis, pode-se apontar a década
de 1930 como início de uma política ambiental efetiva. (BARBIERI, 2010)

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 21


Conforme Barbieri (2010), uma data de referência é o ano de 1934, quando foram
promulgados os seguintes documentos relativos à gestão de recursos naturais: Código
de Caça, Código Florestal, Código de Minas e Código de Águas. Outras iniciativas
governamentais importantes desse período foram: criação do Parque Nacional de
Itatiaia, o primeiro do Brasil e a organização do patrimônio histórico e artístico
nacional. As políticas públicas dessa fase procuram alcançar efeitos obre os recursos
naturais por meio de gestões setoriais (água, florestas, mineração etc.), para as quais
foram sendo criados órgãos específicos, como o Departamento Nacional de Recursos
Minerais, Departamento Nacional de Água e Energia Elétrica e outros.

Os problemas relativos à poluição seriam sentidos apenas em meados da década de


1960, quando o processo de industrialização já havia se consolidado. No início dessa
fase, na década de 1930, o rio Tietê, por exemplo, era usado para lazer de muitos
paulistanos, que se tornaria inviável algumas décadas depois. Até meados da década
de 1970, a poluição industrial ainda era vista como sinal de progresso e, por isso,
muito bem vinda para muitos políticos e cidadãos.

Figura 1: Parque nacional do Itatiaia

(Fonte: <http://i.olhares.com/data/big/183/1833205.jpg>, acesso em: 18 maio


2011).

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 22


Enquanto isso ocorria no Brasil, no mundo iniciava-se uma política de comando e
controle (Command and Control Policy), que assumiu duas características muito
definidas, segundo Lustosa, Cánepa e Young (2003):

- A imposição pela autoridade ambiental, de padrões de emissão incidentes sobre a


produção final (ou sobre o nível de utilização de um insumo básico) do agente poluidor;

- A determinação da melhor tecnologia disponível para abatimento da poluição e


cumprimento do padrão de emissão.

A razão de ser dessa política é perfeitamente compreensível. Dado o elevado


crescimento das economias ocidentais no pós-guerra, com a sua também crescente
poluição associada, é necessária uma intervenção maciça por parte do Estado. Este
não pode mais se apoiar simplesmente na disputa em tribunais, caso a caso (esfera
do Direito Civil), sendo necessário dispor de instrumentos vinculados ao Direito
Administrativo, mais adequados a essa atuação maciça. Entretanto, essa política
“pura” de comando e controle apresenta uma série de deficiências, como a morosidade
de sua implementação, segundo os mesmos autores.

Tentando solucionar os problemas, de certo modo acumulados e agravados ao longo


do tempo, os países desenvolvidos encontram-se hoje em uma terceira etapa da
política ambiental e que, à falta de melhor nome, poderíamos chamar de política
“mista” de comando e controle. Nessa modalidade de política ambiental, os padrões
de emissão deixam de ser meio e fim da intervenção estatal e passam a ser
instrumentos, dentre outros, de uma política que usa diversas alternativas e
possibilidades para a consecução de metas acordadas socialmente.

Temos assim, a adoção progressiva dos padrões de qualidade dos corpos receptores
como metas de política e a adoção de instrumentos econômicos – em complementação
aos padrões de emissão – no sentido de induzir os agentes a combaterem a poluição

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 23


e a moderarem a utilização dos recursos naturais, ainda conforme Lustosa, Cánepa e
Young (2003).

Após a Conferência de Estocolmo de 1972, as preocupações ambientais se tornam


mais intensas. No Brasil, o governo militar não reconheceu a gravidade dos problemas
ambientais e nem defendeu sua ideia de desenvolvimento econômico (na verdade, um
mau desenvolvimento), em razão da ausência de preocupações com o meio ambiente
e a distribuição de renda. Contudo, os estragos ambientais mais do que evidentes e a
colocação dos problemas ambientais em dimensões planetárias exigiram do poder
público uma nova postura. Em 1973, o Executivo Federal cria a Secretaria Especial do
Meio Ambiente e diversos estados criaram sua agências ambientais especializadas,
como a Cetesb no Estado de São Paulo e a Feema no Estado do Rio de Janeiro.
(BARBIERI, 2010)

O mesmo autor também mostra que, em matéria ambiental, o Brasil também seguiu
uma tendência observada em outros países. Onde os problemas ambientais são
percebidos e tratados de modo isolado e localizado, repartindo o meio ambiente em
solo, ar e água, e mantendo a divisão dos recursos naturais: água, florestas, recursos
minerais e outros. Somente no início da década de 1980 é que passariam a ser
considerados problemas generalizados e interdependentes, que deveriam ser tratados
mediante políticas integradas. A legislação federal sobre matéria ambiental nessa fase
procurava atender problemas específicos, dentro de uma abordagem segmentada do
meio ambiente e percebe-se isso através dos textos legais abaixo:

- Decreto-Lei 1.413, de 14/08/1975, sobre medidas de prevenção da poluição


industrial;

- Lei 6.453, de 17/10/1977, sobre responsabilidade civil e criminal relacionada com


atividades nucleares;

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 24


- Lei 6.567, de 24/09/1978, sobre regime especial para exploração e aproveitamento
das substâncias minerais;

- Lei 6.766, de 19/12/1981, sobre o parcelamento do solo urbano;

- Lei 6.902, de 27/04/1981, sobre a criação de estações ecológicas e áreas de proteção


ambiental.

Foi com o advento da Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a Política
Nacional do Meio Ambiente, que conhecemos uma definição legal e passamos a ter
uma visão global de proteção ao meio ambiente.

Ela foi editada com o fito de estabelecer a política nacional do meio ambiente, seus
fins, mecanismos de formulação, aplicação, conceitos, princípios, objetivos e
penalidades devendo ser entendida como um conjunto de instrumentos legais,
técnicos, científicos, políticos e econômicos destinados à promoção do
desenvolvimento sustentado da sociedade e da economia brasileira. Embora tenha
sido editada no início da década de 1980, continua sendo de fundamental importância
para o meio ambiente. (FUNIBER, 2009)

Figura 2: Slogan da campanha sobre a Política Nacional de Meio Ambiente na Rio + 10

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 25


(Fonte: <http://www.mundodastribos.com/wp-content/uploads/2011/01/Curso-de-
Engenharia-Ambiental-Faculdades-Pre%C3%A7os-Sal%C3%A1rio-300x200.jpg>,
acesso em: 18 maio 2011).

8 - Princípios da Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA)

O art. 2º da referida lei estabeleceu que a preservação, a melhoria e a recuperação


da qualidade ambiental propiciem à vida, visando assegurar no país condições ao
desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção
da dignidade da vida humana, atendidos os seguintes princípios, segundo Funiber
(2009):

- I. Equilíbrio ecológico, considerando o meio ambiente como patrimônio público;

- II. Racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar;

- III. Planejamento e fiscalização do uso dos recursos naturais;

- IV. Proteção dos ecossistemas;

- V. Controle e zoneamento das atividades potencialmente ou efetivamente poluidoras;

- VI. Incentivo ao estudo e à pesquisa de tecnologias voltadas para o uso racional e a


proteção dos recursos ambientais;

- VII. Acompanhamento do estado da qualidade ambiental;

- VIII. Recuperação de áreas degradadas;

- IX. Proteção de áreas ameaçadas de degradação;

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 26


- X. Educação ambiental em todos os níveis de ensino.

A Lei da PNMA foi, em quase todos os seus aspectos, recepcionada pela Constituição
Federal de 1988, pois, valoriza a dignidade humana, a qualidade ambiental propícia à
vida e ao desenvolvimento socioeconômico e tem uma abrangência grandiosa. A
preservação referida na lei tem sentido de perenizar, de perpetuar, de salvaguardar,
os recursos naturais. Já a melhoria do meio ambiente significa dar-lhe condições mais
adequadas do que aquelas que se apresentam. O art. 3º da lei em comento considerou
o meio ambiente como o conjunto de condições, leis influências e interações de ordem
física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas.
(FUNIBER, 2009)

“Meio Ambiente” é a expressão incorporada à língua portuguesa para indicar, segundo


o Aurélio, o conjunto de condições naturais e de influências que atuam sobre os
organismos vivos e os seres humanos.

José Afonso da Silva (segundo FUNIBER, 2009), observou que a apalavra “ambiente”
indicando a esfera, o círculo, o âmbito que nos cerca, em que vivemos, em certo
aspecto, já contém o sentido da palavra “meio”. Justifica o uso, na língua portuguesa,
pela necessidade de reforçar o sentido significante de determinados termos diante do
enfraquecimento no sentido a destacar ou, porque sua expressividade é mais ampla e
mais difusa. E afirmou, o meio constitui uma unidade que abrange bens naturais, e
culturais e que compreende a interação do conjunto de elementos naturais, artificiais
e culturais que propiciam o desenvolvimento equilibrado da vida humana.

8.1 - Objetivos da Política Nacional de Meio Ambiente

Os objetivos da Política Nacional de Meio Ambiente estão dispostos no art. 4º (Lei


6.938/81) e visará:

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 27


- I. A compatibilização do desenvolvimento econômico-social coma preservação da
qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico;

- II. À definição de áreas prioritárias de ação governamental relativa à qualidade e ao


equilíbrio ecológico, atendendo aos interesses da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios;

- III. Ao estabelecimento de critérios e padrões da qualidade ambiental e de normas


relativas ao uso e manejo de recursos ambientais;

- IV. Ao desenvolvimento de pesquisa e de tecnologias nacionais orientadas para o


uso racional de recursos ambientais;

- V. À difusão de tecnologias de manejo do meio ambiente, à divulgação de dados e


informações ambientais e à formação de uma consciência pública sobre a necessidade
de preservação da qualidade ambiental e do equilíbrio ecológico;

- VI. À preservação e restauração dos recursos ambientais, com vistas à sua utilização
racional e disponibilidade permanente, concorrendo para a manutenção do equilíbrio
ecológico propício à vida;

- VII. Á imposição, ao poluidor e ao predador da obrigação de recuperar e/ou indenizar


os danos causados, e ao usuário, da contribuição pela utilização de recursos
ambientais com fins econômicos.

Quanto ao art. 5º, este faz referência às diretrizes da PNMA, que deverão orientar a
ação dos governos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
determinando que esta ação seja reformulada em normas e planos, buscando a
preservação da qualidade ambiental e manutenção do equilíbrio ecológico. (FUNIBER,
2009)

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 28


Importante também saber que, a Lei 6.938/81 instituiu o Sistema Nacional do meio
Ambiente (Sisnama), responsável pela proteção e melhoria do ambiente e constituído
por órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

Espelhando-se no Sisnama, os estados criaram os seus Sistemas Estaduais do Meio


Ambiente para integrar as ações ambientais de diferentes entidades públicas nesse
âmbito. Outra inovação foi o conceito de responsabilidade objetiva do poluidor. O
poluidor fica obrigado, independente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os
danos causados ao meio ambiente e a terceiros afetados por suas atividades.
(BARBIERI, 2010)

Observação: Embora aprovada em 1981, a implementação da Lei 6.938/81 deslanchou


efetivamente apenas ao final da década de 1980, principalmente a partir da
promulgação da Constituição Federal de 1988.

Para fecharmos a discussão deste assunto, vamos analisar que a política ambiental é
necessária para induzir ou forçar os agentes econômicos a adotarem posturas e
procedimentos menos agressivos ao meio ambiente, ou seja, reduzi a quantidade de
poluentes lançados no ambiente e minimizar a depleção dos recursos naturais.
(LUSTOSA, CÁNEPA e YOUNG, 2003)

Segundo os mesmos autores, no caso das indústrias, os recursos naturais são


transformados em matérias-primas e energia, gerando impactos ambientais iniciais
(desmatamento, emissões de gases poluentes, erosão de solos, entre outros). As
matérias-primas e energia são insumos da produção, tendo como resultado o produto
final e os rejeitos industriais- fumaça, resíduos sólidos e efluentes líquidos. Como os
recursos naturais usados nos processos industriais são finitos e muitas vezes não
renováveis, a utilização deve ser racional a fim de que o mesmo recurso possa servir
para a produção atual e também para as gerações futuras – esse é o princípio do
desenvolvimento sustentável.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 29


Com isso vemos a necessidade urgente do cumprimento da Lei 6.938/81 e de sua
fiscalização para que possamos ter esperança na sobrevivência humana e das espécies
no meio ambiente de forma harmônica e sustentável.

9 - Responsabilidade Ambiental

Dentre os países que consagram o direito ao meio ambiente ecologicamente


equilibrado em suas legislações – tenha sido por previsão, em seus sistemas jurídicos
de direito interno, consequente da internalização de tratado internacional, ou como
consequência de evolução autônoma de seu direito interno –, uma coisa é certa: o
simples fato de o terem feito traz em si latente o reconhecimento da importância em
tratar a questão ambiental admitindo-se sua especificidade a partir do
acompanhamento dos princípios gerais do Direito Ambiental. (PEDRO e FRANGETTO,
2009)

Tanto isso é verdade que países que incluíram esse direito em suas Constituições
(diga-se de passagem, entre eles o Brasil; ao lado da Holanda, Grécia, Peru e Portugal)
vêm estabelecendo, de forma explícita, inúmeras determinações que contêm em si
orientações dos citados princípios dentre as obrigações que impõem.

Uma constituição analítica, como é a Constituição da República Federativa do Brasil de


1998, claramente absorve a orientação dos princípios gerais do Direito Ambiental ao,
por exemplo, prever o Estudo de Impacto Ambiental – um dos instrumentos de
implementação do Princípio da Prevenção – para toda atividade potencialmente
degradadora do meio ambiente. (PEDRO e FRANGETTO, 2009)

Na realidade o próprio caput do artigo reservado ao meio ambiente, na Constituição


Federal de 1988, é uma releitura do princípio 1 da Declaração de Estocolmo. A redação
de ambos os dispositivos apresenta semelhanças, o que não é mera coincidência.
Enquanto a Declaração de Estocolmo afirma que o homem tem um direito fundamental
à liberdade, à igualdade e a condições de vida satisfatórias, em um ambiente cuja

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 30


qualidade lhe permita viver com dignidade e bem-estar; que ele tem o dever solene
de proteger e melhorar o ambiente para a presente e as futuras gerações; e que; sob
esse ponto de vista, as políticas que encorajam ou permitem que perpetuem o
apartheid, a segregação racial, a discriminação, as formas, coloniais ou outras, de
opressão ou de dominação estrangeiras são condenadas e devem ser eliminadas.
(Princípio 1, DECLARAÇÃO DE ESTOCOLMO, 1972)

Com isso, percebemos que não há o que não esteja relacionado ao meio ambiente e,
logo, precise, sob ao menos um aspecto, sofrer influência das leis e princípios que
regulam o uso dos recursos naturais. Por esse motivo, ressalta-se ser o Direito
Ambiental dotada da transdisciplinaridade. O meio ambiente, como tema transversal,
implica atrelar, principalmente nas avaliações ambientais, opiniões de toda ordem,
vindas dos entendimentos das mais diversas disciplinas. A composição mista das
comissões e conselhos ambientais é a exata demonstração disso. (PEDRO e
FRANGETTO, 2009)

Ainda segundo os mesmos autores, cada um tem seu papel a exercer no processo de
desenvolvimento sustentável. As pessoas (naturais ou jurídicas; públicas ou privadas)
têm uma função a cumprir na gestão do meio ambiente. Isoladamente, mantendo ao
menos uma conduta ambiental não destrutiva; e, em conjunto, sendo proativos na
administração e recuperação dos bens ambientais. A essa forma conjunta de
participação dos atores ambientais costuma-se dar o nome de função jurídica
ambiental; ressalva-se que são titulares dessa função, nos termos do art. 225, caput
da Lei Maior, o Poder Público e a coletividade.

Na função jurídica ambiental, os titulares ao direito ecologicamente equilibrado estão


na posição de sujeitos ativos deste direito (eles são a primeira parte da relação jurídica
ambiental) e, por isso mesmo, podem exigir dos sujeitos passivos (outra parte) as
prestações objeto da relação jurídica em questão. (PEDRO e FRANGETTO, 2009)

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 31


Para podermos falar sobre responsabilidade civil, administrativa e criminal perante
danos ao meio ambiente, temos que primeiro entender o que é o dano ambiental.

A obrigatoriedade da reparação do dano ambiental está inserida na Lei 6.938/81 em


seu primeiro artigo, que estabelece: “Sem obstar a aplicação das penalidades deste
artigo, é o poluidor obrigado, independentemente da existência da culpa, a indenizar
ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua
atividade. (...)”. Sendo essa norma uma ferramenta de fundamental importância para
a garantia de um meio ambiente ecologicamente equilibrado.

“Dano ambiental é a lesão aos recursos ambientais, com consequente degradação


– alteração adversa ou in pejus – equilíbrio ecológico”. Por recursos ambientais,
entende-se como sendo a “atmosfera, as águas interiores, superficiais e subterrâneas,
os estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo, os elementos da biosfera, a fauna e
a flora” (Lei 6.938/81, art. 3º, V). Podemos então concluir, que dano ambiental é toda
e qualquer degradação que afete o equilíbrio ecológico do meio ambiente, tanto físico
quanto estético. Denota-se, pelo próprio conceito mencionado, que é muito difícil a
reparação do dano ambiental. (FUNIBER, 2009)

Figura 3: Dano ambiental causado por plataforma de petróleo

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 32


(Fonte: <http://segurancaemrisco.files.wordpress.com/2009/11/visao-do-dano-
ambiental.jpg>, acesso em: 13 jun. 2011).

Para o Prof. Paulo de Bessa Antunes (apud FUNIBER, 2009), a reparação dos danos
ambientais é, provavelmente, o momento mais crítico da delicada relação entre o meio
ambiente natural, desenvolvimento socioeconômico e a aplicação das normas do
Direito Ambiental. Tal fato é indiscutível, pois a dedicação ao cuidado com o meio
ambiente é diretamente proporcional ao maior ou menor rigor com a qual é encarada
a responsabilização dos causadores de danos ao meio ambiente.

Por muito que se tenha falado sobre o assunto, a realidade é que até hoje, não existe
um critério para fixação do que, efetivamente, constitui-se no dano ambiental e como
este deve ser reparado. A primeira hipótese a ser considerada é a repristinação do
ambiente agredido ao seu status quo ante. Todos sabemos que não é simples a
reconstrução de um local degradado. Muitas vezes a degradação de um determinado
local implicou a extinção de uma espécie vegetal ou animal, por exemplo. E em muitas
situações não será possível colocar na natureza a espécie destruída.

Segundo a Revista de Direito Ambiental (REVISTA DOS TRIBUNAIS, 1997), no nosso


ordenamento jurídico há duas formas de reparação do dano ambiental: a primeira pela
reconstituição do bem lesado e a segunda pela indenização em dinheiro.

Ainda segundo a mesma revista, a reconstituição do bem lesado seria a forma mais
adequada ao ressarcimento do evento prejudicial ao meio ambiente, pois o objetivo
primordial em sede de direito ambiental é preservar o meio ambiente ecologicamente
equilibrado para as gerações presente e futuras.

Contudo, na prática, isso muitas vezes torna-se impossível e em alguns casos, embora
na composição do dano, o responsável, replante a mesma espécie florestal que
desmatou, o ambiente agredido não retorna ao seu status quo ante, é somente
verificarmos os casos de exploração florestal nas reservas indígenas, onde foi retirada

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 33


vegetação, que a natureza levou 50 anos para formar. Por outro lado, não há no nosso
ordenamento jurídico, normas legais que versem sobre critérios de reparação de danos
ambientais. Ficando muitas vezes difícil apurar o valor do dano ambiental, posto que
os elementos que o compõem são insuscetíveis de fixação valorativa.

Poderão responder pelo dano ambiental os autores diretos ou indiretos da lesão


ambiental, a administração pública e os entes público, bastando que exista a atividade
danosa ao meio ambiente, somada à existência do nexo causal entre estes e a
atividade danosa. Nos termos da lei, o responsável principal é o “poluidor”. De acordo
com dispositivo legal, poluidor é “a pessoa física ou jurídica, de direito público ou
privado, responsável direta ou indiretamente por atividade causadora de degradação
ambiental” (Lei 6.938/81, art. 14, 1º e art. 3º, IV).

“Embora quem quer que contribua para a degradação do meio ambiente é civilmente
responsável pelos danos daí decorrentes, não há dúvida que a responsabilidade
primeira – mas não exclusiva – reside com o empreendedor. É ele o titular do dever
principal de zelar pelo meio ambiente e é ele que aproveita, direta e economicamente,
a atividade lesiva”.

Havendo mais de um empreendedor, pode a reparação ser exigida de todos e de


qualquer um dos responsáveis, segundo as regras da solidariedade. É que, como
sustenta Jorge Alex Nunes Athias (apud FUNIBER, 2009), “uma das maiores
dificuldades que se pode ter em ações relativas ao meio ambiente é exatamente
determinar de quem partiu efetivamente a emissão que provocou o dano ambiental,
máxima quando isso ocorre em grandes complexos industriais onde o número de
empresas em atividade é elevado. Não seria razoável que, por não se poder
estabelecer com precisão a qual deles cabe a responsabilização isolada, se permitisse
que o meio ambiente restasse indene”. Ao que pagar pela integridade do dano caberá
ação de regresso contra os outros corresponsáveis, pela via da responsabilização
subjetiva, e onde se poderá discutir a parcela de responsabilidade de cada um.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 34


Tratando-se de conduta comissiva, a administração pública e o ente público
respondem objetivamente pelas lesões que causarem ao meio ambiente, ressalvado o
direito de regresso contra o servidor que agiu com dolo ou culpa.

A simples autorização do órgão ambiental para funcionar uma atividade não gera por
si a responsabilidade da Administração Pública. É preciso que haja nexo causal entre
a autorização emitida e o dano efetivamente causado ao meio ambiente. Se o Ibama
expede as licenças ambientais para a instalação de uma grande hidrelétrica sem exigir
o EIA/RIMA, pode ser responsabilizado, pois o EIA/RIMA é uma exigência legal, o qual
não fica a critério do poder discricionário do administrador público. Portanto, não é
apenas como agente poluidor que o Poder Público pode ser controlado pelo Poder
Judiciário, mas também quando se omite do dever constitucional de proteger o meio
ambiente. (FUNIBER, 2009)

10 - Da Responsabilidade Penal, Civil e Administrativa (Texto de Funiber,


2009)

O desenvolvimento econômico e social indispensável à civilização dos tempos


modernos tem sido a justificativa para a acelerada e muitas vezes irreversível
devastação do nosso patrimônio natural. Nas últimas décadas, a poluição, o
desmatamento, a caça e a pesca predatória não são mais praticadas em pequena
escala. A degradação ambiental tem alcançado níveis tão assustadores, que levou a
sociedade a repensar esse modelo de desenvolvimento, e ao mesmo tempo, buscar a
tutela jurídica penal dos bens ambientais, por entender, serem os mesmos, necessários
à vida.

Com efeito, o controle a ser exercido sobre o homem predador, dar-se-á pela aplicação
de normas penais ambientais, rígidas, onde se objetiva, efetivamente, combater a
degradação ambiental, utilizando-se estes instrumentos normativos para proteção do
meio ambiente.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 35


A responsabilidade civil por danos ao meio ambiente, de acordo com os preceitos do
art. primeiro, da Lei 6.938/81, é uma responsabilidade objetiva e se fixa
independentemente de culpa. O que significa que quem danificar o ambiente tem o
dever legal de repará-lo. Não se perguntando a razão da degradação para que haja o
dever de reparar. Caberá ao acusado provar que a degradação era necessária, natural
ou impossível de ser evitada.

As pessoas que vivem em sociedade são obrigadas a abstenções (deixar de fazer algo),
a ações (fazer algo) ou prestações (pagar algo). Nasce assim, para cada um, certo
dever de comportamento, uma obrigação de suportar essa imposição. Esse
comportamento passivo, juridicamente é denominado de dever jurídico.

O dever de conhecer essa delimitação, é de suma importância para todos, sob pena
de sujeitarmo-nos à punição. A noção de dever jurídico é fundamental para o
entendimento do que seja um ilícito.

Os atos ilícitos civil, administrativo ou penal, encontram-se absortos no mesmo


conceito, ou seja, a antijuricidade, a qual é entendida não apenas como uma
transgressão de um preceito jurídico, mas também como agressão aos valores
guardados e protegidos na norma legal ou regulamentar.

Os atos ilícitos constituem-se nos atos praticados em desacordo com as normas legais.
São assim considerados, por serem contrários ao direito por serem irregulares e
proibidos. Podemos considerar ato ilícito, como sendo a violação do direito ou dano
causado a outrem, por dolo ou culpa, podendo ser decorrente de uma ação ou omissão
do sujeito.

1 – Infração Administrativa: é o cometido de uma transgressão contra a


administração pública, cuja sanção pode ser aplicada isolada ou cumulativamente. Na
verdade, é a transgressão cometida em desacordo com as normas legais ou
regulamentos da administração pública, a qual se impõe a penalidade administrativa.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 36


A Lei 9.605/98 preencheu uma importante lacuna no que se refere aos ilícitos
administrativos ambientais e quanto à previsão de sanções a serem impostas pela
Administração Pública.

2 – Infração Civil: é a infração cometida em desacordo com as leis, normas, ou


regras jurídicas, ou contra o interesse privado de outrem, onde se impõe,
obrigatoriamente, a responsabilidade civil de reparação ao dano.

3 – Infração Penal: a Lei 9.605/98 sistematizou os tipos penais antes de dispersos


em vários diplomas legais e deu um tratamento mais rigoroso aos responsáveis pelas
condutas criminosas que agridem o meio ambiente.

A infração penal é a violação da lei penal, que resulta no crime ou na contravenção e


dá margem à aplicação da pena restritiva de liberdade.

É ressaltado que é imposta aos infratores de forma repressiva e abarcam uma


graduação que vai desde a pena de advertência, até a reparação dos danos causados.

Pense: Diante do exposto, espera-se que, em conjunto, os instrumentos de


implementação dos princípios ambientais continuem sendo reforçados, organizados e
efetivamente utilizados, para que todos, exercendo os respectivos papéis de atores
ambientais, viabilizem a vida saudável almejada no processo de desenvolvimento
sustentável por meio de mecanismos de harmonização entre as chamadas dimensões
humana e natural do meio ambiente. (PEDRO e FRANGETTO, 2009)

É importante sabermos que quando estamos estudando as responsabilidades e suas


sanções, há uma infinidade de coisas a serem observadas e estudadas. O aqui exposto
foi apenas um pequeno resumo do que consideramos necessário para que você possa
começar a procurar o que mais considere necessário para seu próprio conhecimento.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 37


11 - Crimes Ambientais

Antes mesmo de começarmos a abordar a Lei de Crimes Ambientais, vamos tentar


entender um pouco sobre política, para podermos compreender melhor os fatores que
impedem as democracias de lidar com problemas ambientais.

Sabe-se que as democracias foram designadas para lidar principalmente com


problemas isolados de curto prazo. Mas o que é democracia e política afinal? Segundo
Miller Junior (2007):

Política: é o processo pelo qual indivíduos e grupos influenciam ou controlam as


políticas e ações dos governos nos níveis local, estadual, nacional e internacional. A
política está preocupada com quem tem poder sobre a distribuição de recursos e quem
recebe o quê, quando e como. Muitas pessoas pensam em política no âmbito nacional,
mas o que afeta diretamente a maioria das pessoas é o que acontece nas comunidades
locais.

Democracia: é o governo das pessoas por meio de delegados ou políticos e


representantes eleitos. Em uma democracia constitucional, a constituição fornece a
base de autoridade governamental, limita o poder do governo ordenando eleições
livres e garantias de liberdade de expressão.

Segundo o mesmo autor, as instituições políticas nas democracias constitucionais são


designadas para permitir mudança gradual a fim de assegurar a estabilidade
econômica e política. Nos Estados Unidos, por exemplo, mudanças rápidas e
desestabilizantes são controladas por um sistema de verificações e equilíbrio que
distribui o poder entre os três poderes do governo – legislativo, executivo e judiciário
– e entre os governos – federal, estadual e municipal.

Aprovando leis, desenvolvendo orçamentos e formulando regulamentações, os


representantes eleitos e nomeados pelo governo devem lidar com a pressão de muitos

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 38


grupos competitivos de interesse especial. Cada grupo defende a aprovação de leis, a
concessão de subsídios ou a redução de impostos, ou o estabelecimento de
regulamentações favoráveis à sua causa e enfraquecem ou repelem leis e
regulamentações desfavoráveis à sua posição. (MILLER, JUNIOR, 2007)

Hoje, por estarmos em uma democracia, sabemos que existem fatores que podem
influenciar as decisões e regulamentações, principalmente na política ambiental, pois
a cada conhecimento adquirido sobre o meio ambiente, mais a necessidade de
mudança de leis para sua preservação e proteção. Vamos com isso a liderança
ambiental.

De forma individual, podemos exercer a liderança ambiental de quatro maneiras,


segundo Miller Junior (2007):

1) Podemos liderar, por exemplo, usando nosso estilo de vida para mostrar aos
outros que a mudança é possível e benéfica.

2) Podemos trabalhar dentro dos sistemas econômicos e políticos existentes para


conseguir a melhora ambiental. Nós podemos influenciar as decisões políticas
fazendo campanhas, votando e nos comunicando com os representantes
eleitos. Podemos também enviar mensagens para empresas que fabricam
produtos ou que tenham políticas prejudiciais ao meio ambiente,
pressionando-as com nosso poder de consumo e mostrando-lhes as escolhas
que fizemos. Além disso, podemos fazer parte do sistema ao escolher
carreiras na área ambiental.

3) Podemos nos candidatar a cargos públicos em instituições locais. Olhe-se no


espelho. Talvez você seja a pessoa que pode fazer a diferença em um cargo
público.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 39


4) Podemos propor e trabalhar por melhores soluções para os problemas
ambientais. Liderança é mais do que ser contra algo. Ela também envolve
buscar melhores maneiras de atingir os objetivos e persuadir as pessoas a
trabalhar juntas para atingi-los. Se nos preocuparmos o suficiente, cada um
de nós pode fazer a diferença.

Agora que já conhecemos os fatores de política e democracia, além de termos a


consciência que podemos sim fazer a diferença através da liderança ambiental, vamos
aos crimes ambientais.

Segundo o site http://www.infoescola.com/ecologia/crime-ambiental/ (acesso em: 18


jun. 2011), são considerados crimes ambientais as agressões ao meio ambiente
e seus componentes (flora, fauna, recursos naturais, patrimônio cultural) que
ultrapassam os limites estabelecidos por lei. Ou ainda, a conduta que ignora normas
ambientais legalmente estabelecidas mesmo que não sejam causados danos ao meio
ambiente.

Por exemplo, no primeiro caso, podemos citar uma empresa que gera emissões
atmosféricas. De acordo com a legislação federal e estadual específica há certa
quantidade de material particulado e outros componentes que podem ser emitidos
para a atmosfera. Assim, se estas emissões (poluição) estiverem dentro do limite
estabelecido então não é considerado crime ambiental.

No segundo caso, podemos considerar uma empresa ou atividade que não gera
poluição, ou ainda, que gera poluição, porém, dentro dos limites estabelecidos por lei,
mas que não possui licença ambiental. Neste caso, embora ela não cause danos ao
meio ambiente, ela está desobedecendo uma exigência da legislação ambiental e, por
isso, está cometendo um crime ambiental passível de punição por multa e/ou detenção
de um a seis meses.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 40


Da mesma forma, pode ser considerado crime ambiental a omissão ou sonegação de
dados técnico-científicos durante um processo de licenciamento ou autorização
ambiental. Ou ainda, a concessão por funcionário público de autorização, permissão
ou licença em desacordo com as leis ambientais.

Segundo Faria (2011 – Infoescola: <http://www.infoescola.com/ecologia/crime-


ambiental/>), de acordo com a Lei de Crimes Ambientais, ou Lei da Natureza
(Lei 9.605, de 13 de fevereiro de 1998), os crimes ambientais são classificados em seis
tipos diferentes:

a) Crimes contra a fauna:

Agressões cometidas contra animais silvestres, nativos ou em rota migratória, como


caçar, pescar, matar, perseguir, apanhar, utilizar, vender, expor, exportar, adquirir,
impedir a procriação, maltratar, realizar experiências dolorosas ou cruéis com animais
quando existe outro meio, mesmo que para fins didáticos ou científicos, transportar,
manter em cativeiro ou depósito, espécimes, ovos ou larvas sem autorização ambiental
ou em desacordo com esta. Ou ainda a modificação, danificação ou destruição de seu
ninho, abrigo ou criadouro natural. Da mesma forma, a introdução de espécime animal
estrangeira no Brasil sem a devida autorização também é considerado crime ambiental,
assim como o perecimento de espécimes por causa da poluição.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 41


Figura 4: Crimes contra a fauna

(FONTE:http://2.bp.blogspot.com/_e0Jds1_NVi8/SMwi0dj-
2LI/AAAAAAAAAN0/WyBnJNOsst8/s400/Crimes.bmp, acesso em: 18 jun. 2011).

b) Crimes contra a flora:

Destruir ou danificar floresta de preservação permanente mesmo que em formação,


ou utilizá-la em desacordo com as normas de proteção assim como as vegetações
fixadoras de dunas ou protetoras de mangues; causar danos diretos ou indiretos às
unidades de conservação; provocar incêndio em mata ou floresta ou fabricar, vender,
transportar ou soltar balões que possam provocá-lo em qualquer área; extração, corte,
aquisição, venda, exposição para fins comerciais de madeira, lenha, carvão e outros
produtos de origem vegetal sem a devida autorização ou em desacordo com esta;
extrair de florestas de domínio público ou de preservação permanente pedra, areia,
cal ou qualquer espécie de mineral; impedir ou dificultar a regeneração natural de
qualquer forma de vegetação; destruir, danificar, lesar ou maltratar plantas de
ornamentação de logradouros públicos ou em propriedade privada alheia;
comercializar ou utilizar motosserras sem a devida autorização. Neste caso, se a

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 42


degradação da flora provocar mudanças climáticas ou alteração de corpos hídricos e
erosão a pena é aumentada de um sexto a um terço.

Figura 5: Crimes contra a flora

(Fonte: http://static.infoescola.com/wp-content/uploads/2009/10/desmatamento-
amazonia.jpg, acesso em: 18 jun. 2011).

c) Poluição e outros crimes ambientais:

A poluição acima dos limites estabelecidos por lei é considerada crime ambiental. No
entanto, também o é a poluição que provoque ou possa provocar danos à saúde
humana, mortandade de animais e destruição significativa da flora. Também é crime
a poluição que torne locais impróprios para uso ou ocupação humana, a poluição
hídrica que torne necessária a interrupção do abastecimento público e a não adoção
de medidas preventivas em caso de risco de dano ambiental grave ou irreversível.

São considerados outros crimes ambientais a pesquisa, lavra ou extração de recursos


minerais sem autorização ou em desacordo com a obtida e a não recuperação da área
explorada; a produção, processamento, embalagem, importação, exportação,
comercialização, fornecimento, transporte, armazenamento, guarda, abandono ou uso

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 43


de substâncias tóxicas, perigosas ou nocivas a saúde humana ou em desacordo com
as leis; construir, reformar, ampliar, instalar ou fazer funcionar empreendimentos de
potencial poluidor sem licença ambiental ou em desacordo com esta; também se
encaixa nesta categoria de crime ambiental a disseminação de doenças, pragas ou
espécies que posam causar dano à agricultura, à pecuária, à fauna, à flora e aos
ecossistemas.

Figura 6: Acidente da British Petroleum

(Fonte: <http://3.bp.blogspot.com/_RXvCDmvWiMU/TEW-
I77UxnI/AAAAAAAABoQ/bjMewQPwi24/s1600/BP+desastre+ambiental.jpg>, acesso
em: 18 jun. 2011).

d) Crimes contra o ordenamento urbano e o patrimônio cultural:

Destruir, inutilizar, deteriorar, alterar o aspecto ou estrutura (sem autorização), pichar


ou grafitar bem, edificação ou local especialmente protegido por lei, ou ainda,
danificar, registros, documentos, museus, bibliotecas e qualquer outra estrutura,
edificação ou local protegidos quer por seu valor paisagístico, histórico, cultural,
religioso, arqueológico e etc. Também é considerado crime a construção em solo não
edificável (p. ex., áreas de preservação), ou no seu entorno, sem autorização ou em
desacordo com a autorização concedida.
PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 44
Figura 7: Crime contra o patrimônio cultural

(Fonte:
<http://blig.ig.com.br/palavrasdopapa/files/2010/04/BXK1467_cristoredentor019800.
jpg>, acesso em: 18 jun. 2011).

e) Crimes contra a administração ambiental:

Os crimes contra a administração incluem afirmação falsa ou enganosa, sonegação ou


omissão de informações e dados técnico-científicos em processos de licenciamento ou
autorização ambiental; a concessão de licenças ou autorizações em desacordo com as
normas ambientais; deixar, aquele que tiver o dever legal ou contratual de fazê-lo, de
cumprir obrigação de relevante interesse ambiental; dificultar ou obstar a ação
fiscalizadora do Poder Público.

A Lei de Crimes Ambientais

Em 12 de fevereiro de 1998 foi a aprovada a Lei de Crimes Ambientais (9.605/98).


Essa lei disciplinou o capítulo de Meio Ambiente da Constituição Federal quanto ao
estabelecimento de punições civis, administrativas e criminais para as condutas lesivas
ao meio ambiente. Por meio dela, são uniformizadas as penalidades antes dispersas
em várias leis e as infrações são claramente definidas. Como destaque dessa nova

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 45


legislação estão a possibilidade de responsabilização penal da pessoa jurídica, e
também da pessoa física autora e coautora da infração, e as medidas de controle da
atuação de funcionários de órgãos de controle ambiental. (BRASIL, 1998 apud
PHILIPPI JR. & MAGLIO, 2009)

Para fecharmos este assunto, percebemos que atualmente a questão ambiental é tão
urgente, que não somente o meio ambiente precisa de ajuda, mas as políticas públicas
que o preservam e que regulam as atividades que o degrada. Temos nosso papel nisso
e cabe a nós mostrarmos nossa responsabilidade perante o planeta que vivemos. O
surgimento de uma lei que nos ajude a preservar o que temos de patrimônio natural
foi o primeiro passo para continuarmos a ter esperança na continuidade da vida do
homem na Terra.

12 - Poluição Atmosférica

Segundo Assunção (2009), qualquer processo, equipamento, sistema, máquina,


empreendimento etc., que possa liberar ou emitir matéria ou energia para a atmosfera,
de forma a torná-la poluída, pode ser considerado fonte de poluição do ar. Essas fontes
podem ser divididas em fixas e móveis. As emissões para a atmosfera podem vir de
ações naturais e de ações antrópicas, ou seja, pela ação do homem.

As emissões naturais provêm de: erupções vulcânicas que lançam partículas e gases
para a atmosfera, como os compostos de enxofre (gás sulfídrico e dióxido de enxofre);
decomposição de vegetais e animais; ação do vento, causando ressuspensão de poeira
de solo e de areia; ação biológica de microrganismos no solo; formação de metano,
principalmente nos pântanos (gás grisu); aerossóis marinhos; descargas elétricas na
atmosfera, formando ozônio; incêndios florestais naturais, que lançam grande
quantidade de material particulado, gás carbônico, monóxido de carbono,
hidrocarbonetos e outros gases orgânicos, e óxidos de nitrogênio (NOx); outros
processos naturais, como as reações na atmosfera entre substâncias de origem
natural. As emissões naturais são muito significativas quando comparadas com as

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 46


antropogênicas e, em muitos casos, são bem maiores que as últimas. (ASSUNÇÃO,
2009)

Entre as fontes antropogênicas, destacam-se diversos processos e operações


industriais; a queima de combustível na indústria, para fins de transporte nos veículos
a gasolina, álcool, diesel ou movidos por qualquer outro tipo de combustível e para
aquecimento em geral e cozimento de alimentos; queimadas, queima de lixo ao ar
livre; incineração de lixo; limpeza de roupas a seco; poeira fugitiva, em geral
provocada pela movimentação de veículos, principalmente em vias sem pavimentação;
poeiras provenientes de demolição na construção civil e movimentações de terra em
geral; comercialização e armazenamento de produtos voláteis como gasolina e
solventes; equipamentos de refrigeração e ar-condicionado e embalagens tipo
aerossol; pinturas em geral; estações de tratamento de esgotos domésticos e
industriais e aterros de resíduos sólidos. (ASSUNÇÃO, 2009)

Ainda conforme o mesmo autor, os veículos são, atualmente, a principal fonte de


emissão de poluentes para a atmosfera, em especial nos grandes centros urbanos. Na
América Latina, merecem destaque a poluição do ar na Cidade do México, em São
Paulo, no Rio de Janeiro e em Santiago. Na região metropolitana de São Paulo, os
veículos contribuem com cerca de 98% da emissão de monóxido de carbono, 97% dos
hidrocarbonetos e 96% dos óxidos de nitrogênio, além de serem importantes
contribuintes na emissão de dióxido de enxofre e material particulado inalável. A
poluição causada por veículos é tão significativa que seu uso foi restringido na cidade
de São Paulo e em alguns outros municípios limítrofes, por meio da operação
denominada rodízio de veículos. Isso também tem ocorrido em outras grandes cidades,
como Cidade do México, Santiago, Roma e Paris e em Londres foi adotado em 2003,
o sistema de pedágio para circulação de carros no centro da cidade.

Com base em experiências e estudos em âmbito nacional e internacional sobre a


questão da poluição atmosférica, deu-se origem à Resolução 18/86, do Conama,
estabelecendo o Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 47


(Proncove) em nível nacional. O efeito do Proconve na redução das emissões médias
de poluentes dos veículos é um fator importante no controle da qualidade do ar,
conforme mostram os dados da Tabela 3, os diversos estágios de desenvolvimento
tecnológico, exigidos pelo Proconve, com relação à emissão de poluentes dos veículos
leves. (PHILIPPI JR. & MALHEIROS, 2009)

Tabela 3: Limites de emissão para automóveis novos, a gasolina e a álcool

Fonte Vigência CO HC NOx CHO CO em


(ano- (aldeídos) marcha
modelo lenta
do (%)
veículo)
Evaporação 1989 - 6,0 - - -
(vapores
orgânicos) –
g/teste
Cárter 1989 - Zero - - -
(hidrocarbonetos)
Escapamento 1989- 24 2,1 2,0 - 3,0
(g/km) 1991 12 1,2 1,4 0,15 2,5
1992- 2,0 0,3 0,6 0,03 0,5
1996
1997 em
diante
Fonte: Resoluções Conama 18, de 06/05/1986, e 3, de 15/06/1989.

De acordo com Malheiros (2000 apud PHILIPPI JR. & MALHEIROS, 2009), a
classificação das fontes de poluição do ar pode ser feita quanto à sua forma:

- Fontes pontuais: quando pode ser considerada como um ponto em determinada


área, por exemplo, chaminés industriais em geral, incineradores etc.

- Fontes tipo área: utilizada para englobar um conjunto de pequenas fontes


individuais não significativas (no contexto individual) quando caracterizadas como
fonte pontual, mas a emissão do conjunto todo é importante, como exemplo,
lavanderias por processo a seco, uso de solventes em pequenas funilarias, emissões

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 48


de fontes móveis que não circulam nas ruas e estradas, como equipamentos e
máquinas utilizadas em indústria, construção civil, entre outros.

- Fontes veiculares: tendo em vista a importância da contribuição das emissões


veiculares nos estudos para controle da poluição atmosférica, diversos autores
sugerem que essas fontes sejam tratadas em separado.

Segundo Vesilind e Morgan (2011), quatro dos problemas mais complicados com
relação à poluição do ar para a saúde ainda são questões sem respostas, relacionadas
a:

- Limiares: a existência de um limiar nos efeitos dos poluentes sobre a saúde foi
assunto debatido durante muitos anos. É possível traçar diversas curvas de reações
em funções de doses para o caso de uma dose de um poluente específico (exemplo,
monóxido de carbono) e a reação a ele (exemplo, redução da capacidade do sangue
de transportar oxigênio).

É possível que não haja efeito algum para o metabolismo humano até que atinja uma
concentração crítica (o limite). Em contrapartida, alguns poluentes podem produzir
uma reação detectável para qualquer concentração finita. Nenhuma das curvas precisa
ser linear. Para a poluição do ar, a relação dose-reação mais provável para muitos
poluentes é não linear sem limiares identificáveis, mas com uma reação mínima até
uma alta concentração, no ponto em que a reação torna-se grave.

O problema é que se desconhece a forma dessas curvas para a maioria dos poluentes.

- Carga total: Nem todas as doenças de poluentes provêm do ar. Por exemplo, apesar
de uma pessoa inspirar cerca de 50 µg/dia de chumbo, ela ingere cerca de 300µg/dia
de chumbo com água e alimentos. No que diz respeito aos padrões de qualidade do
ar para o chumbo, deve-se reconhecer que a ingestão de chumbo acontece, em maior
quantidade, através de alimentos e água.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 49


- Tempo versus dosagem: A maioria dos poluentes leva certo tempo para reagir, e
o tempo de contato é tão importante quanto o nível. O melhor exemplo disso é o efeito
do monóxido de carbono. A afinidade que a hemoglobina humana (Hb) tem como o
monóxido de carbono é 210 vezes maior que a afinidade com o oxigênio,
consequentemente, o CO se combina imediatamente com a hemoglobina para formar
a carboxihemoglobina (COHb).

A formação desse composto reduz a quantidade de hemoglobina disponível para


transportar oxigênio. Uma concentração de aproximadamente 60% de COHb pode
levar a morte por falta de oxigênio.

No entanto, os efeitos de CO a concentrações subletais são, geralmente, reversíveis.


Em função de problemas desse tipo ao tempo e a reação aos poluentes, os padrões
de qualidade do ar ambiente são estabelecidos a concentrações máximas permitidas
para um determinado tempo de contato.

- Sinergismo: Esse termo é definido como um efeito maior que a soma das partes.
Por exemplo, a doença do pulmão negro em trabalhadores de minas de carvão ocorre
apenas quando o minerador é fumante. A mineração de carvão por si e o hábito de
fumar isoladamente não causarão a doença, mas a ação sinérgica das duas ações
coloca os mineradores que fumam em uma condição de alto risco. Portanto, é errado
afirmar que a poluição do ar, não importa a gravidade (ou cigarros para tal problema),
causa câncer de pulmão ou outras doenças respiratórias.

A dispersão de poluentes na atmosfera, ou seja, o movimento de poluentes na


atmosfera é determinado, principalmente, pelas condições meteorológicas, como a
turbulência mecânica provocada pelo vento e a turbulência térmica resultante de
parcelas de ar aquecido (que ascendem da superfície terrestre, sendo substituídas pelo
ar mais frio em sentido descendente, no perfil vertical de temperatura da atmosfera)
e também pela topografia e rugosidade do terreno na região. (ASSUNÇÃO, 2009)

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 50


Segundo o mesmo autor, os poluentes lançados na atmosfera sofrem o efeito de
processos complexos, sujeitos a vários fatores, que determinam a concentração do
poluente no tempo e no espaço. Assim, emissões com conteúdos idênticos, sob as
mesmas condições de lançamento no ar, podem produzir concentrações diferentes em
um mesmo local, dependendo das condições meteorológicas presentes, como chuva,
condições de inversão térmica, rugosidade e características do terreno e de outras
condições locais.

Uma das principais condições meteorológicas para a dispersão dos poluentes é a


turbulência da atmosfera. Segundo Assunção (2009), ela exerce um papel importante
no transporte, na difusão e na consequente diluição da poluição do ar. Essa turbulência
é determinada pela velocidade do vento e pelo gradiente térmico na vertical. Pasquill
(1961) dividiu as condições de estabilidade em seis classes:

- Classe A: extremamente instável


- Classe B: instável
- Classe C: ligeiramente instável
- Classe D: neutra
- Classe E: ligeiramente estável
- Classe F: estável

Alguns autores acrescentam uma sétima condição de estabilidade, denominada


extremamente estável. As condições para a ocorrência de instabilidade são a alta
radiação solar e ventos de baixa velocidade. A condição instável é boa para a dispersão
de poluentes. A condição de estabilidade ocorre na ausência de radiação solar,
ausência de nuvens e de ventos leves e representa condição desfavorável à boa
dispersão de poluentes. Céu nublado ou ventos fortes caracterizam a condição neutra
da atmosfera. (ASSUNÇÃO, 2009)

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 51


Para completar nossa aula, vamos ler três textos que referem-se aos principais
problemas gerados pela poluição do ar: aquecimento global, chuva ácida e efeito
smog.

Efeito Estufa (texto alterado de TORRES e MACHADO, 2011)

Como didaticamente explicado por Branco (1988), um tipo de impacto ambiental de


longo alcance é o efeito estufa. Essa denominação não se refere, como se poderia
pensar, às estufas elétricas usadas em laboratórios ou em outros estabelecimentos,
mas, sim, às estufas de jardins, pouco utilizadas no Brasil, mas largamente
empregadas nos países de clima frio para proteger as plantas do rigor do inverno.

Tais estufas possuem paredes e teto de vidro. Seu aquecimento se dá em virtude de


uma propriedade interessante ao próprio vidro que, embora seja transparente, é um
isolante térmico: ele deixa que as radiações do sol passem para o interior da estufa,
mas não permite que o calor saia. Dessa forma, o calor acumula-se, mantendo o
interior da estufa cada vez mais quente. Essa propriedade é conhecida dos jardineiros
desde o século XV e permite que se cultivem plantas tropicais em climas frios como os
da Europa.

De acordo com Salgado-Labouriau (1994), as nuvens do céu agem como o vidro da


estufa e fazem a temperatura na parte baixa da atmosfera aumentar. Sem as nuvens
o calor escapa, diminuindo a temperatura. Durante o inverno, as noites estreladas são
mais frias, pois a superfície perde calor pela falta de nuvens.

A atmosfera é praticamente transparente às radiações solares de ondas curtas, mas


absorve as radiações infravermelhas emitidas pela superfície terrestre. Os principais
absorventes dessa energia na atmosfera são o vapor d´água, o ozônio troposférico, o
dióxido de carbono e as nuvens. Somente cerca de 6% do infravermelho irradiado pela
superfície escapa para o espaço. O restante é absorvido pela atmosfera e irradiado
novamente por ela.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 52


Ainda de acordo com a autora, o efeito estufa é fundamental para a manutenção da
vida na Terra. Mede-se esse efeito por meio da comparação entre a temperatura na
superfície e a temperatura irradiada. “A temperatura média global da Terra é hoje de
+15ºC, mas a temperatura efetiva de radiação é hoje de +18ºC. Portanto o efeito
estufa da atmosfera causa um aquecimento de aproximadamente 33ºC”.

O ozônio troposférico, o vapor de água e o CO2, são os constituintes mais importantes


na absorção da radiação solar. Entretanto, o metano e as partículas em suspensão
como a poeira, pólen e rejeitos industriais interagem também na absorção de radiação
e os seus efeitos estão sendo muito estudados atualmente. Os óxidos de nitrogênio
estão aumentando a concentração como resultado do processo industrial e pela
passagem de aeronaves voando na estratosfera. (SALGADO-LABOURIAU, 1994)

O CO2 é encontrado naturalmente no ar. Ele entra na atmosfera pela respiração dos
seres vivos e pelas emanações de vulcões, gêiseres etc. Quando o CO2 aumenta
elevando a temperatura, esta, por sua vez, aumenta a evaporação da água, elevando
a quantidade de vapor d´água. Com isso, tem-se um aumento da nebulosidade, que
favorece ainda mais o efeito estufa resultando em uma “bola de neve”, a qual
incrementará mais a temperatura média global. Os resultados poderão ser observados
principalmente na temperatura do verão e no equilíbrio entre água líquida e água em
forma de gelo. (SALGADO-LABOURIAU, 1994)

É importante ressaltar que, apesar do alarde atual, a quantidade de carbono no


sistema Terra é praticamente a mesma, não há acréscimo com o passar do tempo, o
que existe é uma mudança de local onde esse elemento é encontrado. Quando se
extraem os hidrocarbonetos do solo e os utilizamos em processos de combustão, por
exemplo, modificamos sua localização: o que estava retido abaixo da superfície é
transferido para a atmosfera.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 53


Esse processo vem ocorrendo desde a formação do planeta, quando causas naturais
elevam a concentração de CO2 e esta, por sua vez, elevava a temperatura. Contudo,
hoje, com a evolução dos objetos de técnica, utilizados pela sociedade para a
transformação do espaço, há uma mudança mais rápida do local de concentração de
certos elementos, acelerando e/ou retardando alguns processos naturais.

Não se discute aqui a notória elevação da temperatura global, o que se preocupa é


como as informações são passadas e como são utilizadas. A Terra, já passou de forma
natural, por períodos muito mais frios e muito mais quentes. A própria evolução do
Homo sapiens é fruto dessas variações: com o resfriamento do final do Mesozoico, que
apresentava temperaturas bem superiores às atuais, a sobrevivência de grandes
animais, como os dinossauros, tornou-se inviável. Com a extinção desses animais,
houve uma grande evolução dos mamíferos.

Outro gás natural que produz o efeito estufa é o metano. Uma molécula de metano
(CH4) é 25 vezes mais eficiente que uma molécula de CO2 na retenção do calor. O
metano chega à atmosfera de diferentes maneiras, por exemplo, erupções vulcânicas,
bactérias decompositoras, ruminantes, insetos como térmitas, e atividades antrópicas.

Os óxidos de nitrogênio ou NOx (NO2, NO3, N2O) são produzidos pela ação microbiana
no solo. Sua capacidade de retenção do calor é 250 vezes mais eficiente que o CO2. A
queima de vegetação, decomposição de fertilizantes e de resíduos da agricultura e
outras atividades podem aumentar significativamente sua concentração.

Chuva Ácida

Antes de começarmos a discutir a chuva ácida, vamos a dois conceitos importantes


sobre o assunto:

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 54


- Precipitação: é o processo pelo qual a água condensada na atmosfera atinge a
superfície terrestre na forma líquida (chuva ou chuvisco) ou sólida (granizo, saraiva ou
neve), segundo Tubelis e Nascimento (1984).

- Chuva: é a precipitação de partículas de água líquida na forma de gotas com


diâmetro mínimo de 0,5 mm e velocidade de queda de 3m/s. (SOARES e BATISTA,
2004)

Agora, vamos ao texto de Vesilind e Morgan (2011) sobre a chuva ácida, para
entendermos seu processo:

Um modo segundo o qual o SO2 é removido da atmosfera é em forma de chuva ácida.


A chuva normal e não contaminada possui um pH de cerca de 5,6 (em função do CO2),
mas a chuva ácida pode apresentar um pH de 2 ou até mais baixo. A formação da
chuva ácida é um processo complexo, e sua dinâmica ainda não é totalmente
compreendida. Em outras palavras, o SO2 é emitido pela queima de combustíveis
contendo enxofre e reage com os componentes da atmosfera, produzindo o que
chamamos de ácido sulfúrico (H2SO4).

Os óxidos de enxofre não produzem exatamente o ácido sulfúrico nas nuvens, mas a
ideia é exatamente a mesma. A precipitação do ar contendo altas concentrações de
óxido de enxofre é pouco diluída, e seu pH cai imediatamente.

Os óxidos de nitrogênio, emitidos em sua maior parte pelos automóveis, mas também
por qualquer combustão de alta temperatura, contribuem para a formação da mistura
ácida na atmosfera. As reações químicas que aparentemente ocorrem como o
nitrogênio formam o ácido nítrico (HNO3).

O efeito da chuva ácida tem sido devastador. Centenas de lagos na América do Norte
e Escandinávia tornaram-se tão ácidos que não existe mais vida aquática neles. Em
um estudo recente em lagos noruegueses, mais de 70% deles apresentando um pH

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 55


menor que 4,5 não continham peixes, e quase todos os lagos com pH a partir de 5,5
continham. O pH baixo, não apenas afeta os peixes diretamente, mas também
contribui para a liberação de metais potencialmente tóxicos, como o alumínio,
ampliando a magnitude do problema.

A chuva ácida da América do Norte já acabou com todos os peixes e muitas plantas
em 50% dos lagos e montanhas de Adirondacks. O pH em muitos desses lagos atingiu
níveis tão altos de acidez a ponto de ser necessário substituir as trutas e as plantas
nativas por mantas de algas tolerantes à acidez.

A sedimentação de ácido atmosférico nos sistemas de água doce fez que a EPA
sugerisse um limite de 10 a 20 kg de SO4 por hectare ao ano. Se a “lei de poluição do
ar de Newton” for utilizada (tudo o que sobre tem que descer), é fácil notar que a
quantidade de óxidos nítricos e sulfúricos emitidos é bem maior que esse limite. Por
exemplo, somente para o estado de Ohio, nos Estados Unidos, o total anual de
emissões é de 2,4 x 106 toneladas métricas de SO2 por ano. Se isso tudo for convertido
para SO4 e depositado no estado, totalizaria 360 kg por hectare ao ano.

No entanto, nem toda essa quantidade de enxofre cai sobre a população de Ohio. Na
verdade, a maior parte dela é exportada através da atmosfera para locais bem
distantes. Cálculos semelhantes para as emissões de enxofre no noroeste dos EUA
indicam que a taxa de emissão de enxofre é de quatro a cinco vezes maior que q taxa
de sedimentação. Para onde vai tudo isso?

A população canadense tem uma resposta direta e convincente. Durante muitos anos
eles culpavam os EUA pela formação da maior parte da chuva ácida que caía dentro
de seu território. Da mesma forma, muitos dos problemas da Escandinávia pode ser
em função do uso de grandes chaminés na Grã-Bretanha e nos países mais ao sul da
Europa continental. Por anos, a indústria britânica construiu chaminés cada vez mais
altas como um meio de controlar a poluição do ar, reduzindo a concentração direta no
nível do solo, porém emitindo os mesmos poluentes na atmosfera superior. A

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 56


qualidade do ar no Reino Unido melhorou, mas ao custo de causar chuva ácida em
outras partes da Europa.

A poluição, além das fronteiras políticas é um problema regulamentar particularmente


complexo. A grande ajuda da força policial não está mais disponível. Por que o Reino
Unido deveria se preocupar com a chuva ácida na Escandinávia? Porque os alemães
deveriam limpar o rio Reno antes que suas águas cheguem na Holanda? Porque Israel
deveria parar de tirar água do Mar Morto compartilhado com a Jordânia? As leis já não
são mais úteis, e é improvável que haja ameaça de retaliação. O que pode ser feito
para encorajar esses países a fazer a coisa certa? Existe mesmo o que chamamos de
“ética internacional”?

Efeito Smog (texto retirado de MILLER JUNIOR, 2007)

O Smog Fotoquímico

Uma reação fotoquímica é qualquer reação química ativada pela luz. A poluição do ar
conhecida como smog fotoquímico forma-se quando uma mistura de óxidos de
nitrogênio (NO e NO2, coletivamente chamada NOx) e compostos de hidrocarbonetos
orgânicos voláteis de origens natural e humana reagem sob a influência da radiação
UV para produzir uma mistura de mais de cem poluentes primários e secundários.

A formação do smog fotoquímico envolve uma complexa série de reações químicas.


Começa nos motores de automóveis e nas caldeiras de usinas elétricas e de indústrias
que queimam carvão. Nas altas temperaturas encontradas, o nitrogênio e o oxigênio
no ar reagem para produzir óxido nítrico incolor. Na atmosfera, alguma quantidade do
NO é convertida em dióxido de nitrogênio (NO2), uma gás amarelo-amarronzado cujo
odor é sufocante. O NO2 é a causa da neblina marrom que paira sobre as cidades
durante as tardes de dias ensolarados; isso explica porque o smog fotoquímico é
algumas vezes chamado de smog de ar marrom.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 57


Quando exposta à radiação UV, alguma quantidade de NO2 prende-se em uma
complexa série de reações com hidrocarbonetos (liberados principalmente pela
vegetação, por veículos motorizados e por outras atividades humanas) que produzem
o smog fotoquímico – uma mistura de ozônio, ácido nítrico, aldeídos, nitratos de
peroxiacetil (NPAs) e outros poluentes secundários.

Dias quentes elevam o nível do ozônio e de outros componentes do smog. Conforme


o tráfego aumenta em um dia ensolarado, o smog fotoquímico (dominado por O3)
acumula-se e atinge o nível máximo no início da tarde, irritando os olhos e as vias
respiratórias das pessoas.

Todas as cidades modernas sofrem de smog fotoquímico, mas é muito mais comum
em cidades com climas ensolarados, quentes e secos e com muitos veículos
motorizados – por exemplo Los Angeles, Denver e Salt Lake City, nos Estados Unidos;
Sidney, na Austrália; São Paulo no Brasil; Buenos Aires na Argentina; Cidade do
México, no México. De acordo com um estudo feito em 1999, se 400 milhões de
pessoas na China dirigirem carros movidos a gasolina até 2050, conforme previsto, o
smog fotoquímico resultante poderá cobrir com ozônio todo o leste do Pacífico indo
até os Estados Unidos.

O Smog Industrial

Há 50 anos, cidades como Londres (na Inglaterra) e Chicago e Pittsburgh (nos Estados
Unidos) queimavam grandes quantidades de petróleo pesado (que contém impurezas
de enxofre) em usinas elétricas e fábricas e para aquecer residências e cozinhar
alimentos.

Durante o inverno, pessoas dessas cidades foram expostas ao smog industrial que
consiste principalmente de dióxido de enxofre, aerossóis contendo gotas suspensas de
ácido sulfúrico formado do dióxido de enxofre e uma variedade de partículas sólidas

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 58


suspensas que deram ao smog resultante uma cor acinzentada (por isso o nome
alternativo é smog de ar cinza).

Hoje, é raro o smog industrial urbano representar um problema na maioria dos países
desenvolvidos. Nessas nações, o carvão e o petróleo pesado são queimados somente
em caldeiras grandes cujos controles de poluição são razoavelmente bons ou com
chaminés altas que levam os poluentes para áreas rurais a favor do vento.

No entanto, o smog industrial continua sendo um problema nas áreas urbanas


industrializadas da China, da Índia, da Ucrânia e de alguns países do leste europeu
(principalmente a região do “triângulo negro”, composta por Eslováquia, Polônia,
Hungria e República Tcheca), onde grandes quantidades de carvão são queimadas em
fábricas e em residências cujos controles de poluição são inadequados.

Um estudo de 2002 feito pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente
constatou que uma imensa cobertura, sobretudo de smog industrial – chamada nuvem
marrom asiática –, estende-se quase que continuamente por grande parte da Índia,
de Bangladesh, do coração industrial da China e por áreas do mar aberto nessa região.
Essa nuvem – com a espessura imensa de três quilômetros – resulta de enormes
emissões de cinzas, fumaça, pó e compostos ácidos produzidos por pessoas que
queimam carvão em indústrias ou residências e limpam e queimam florestas para
plantações, juntamente com a poeira que é soprada dos desertos do leste asiático.
Conforme a nuvem viaja, recolhe diversos poluentes tóxicos.

A rápida industrialização de partes do sudeste asiático, principalmente na China e na


Índia, está repetindo em uma escala muito maior o passado nocivo e cheio de fumaça
da queima de carvão durante a Revolução Industrial da Europa e dos Estados Unidos
durante o século XIX e início do século XX.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 59


13 - Poluição dos Solos

Na definição geológica, uma camada de regolito – um termo coletivo para sedimento,


independentemente de como ele foi depositado, assim como para camadas de
materiais formados in situ pelo intemperismo – cobre a maior parte da superfície da
crosta terrestre do planeta Terra.

Algum regolito, constituído de material desagregado, ar, água e matéria orgânica


sustenta a vegetação e é chamado de solo. Quase todos os organismos que vivem na
terra dependem direta ou indiretamente do solo para a sua existência. As plantas
crescem no solo do qual obtêm nutrientes e a maior parte de água, enquanto muitos
animais que vivem na terra dependem das plantas como nutrientes. (WICANDER e
MONROE, 2011)

No dicionário Aurélio Buarque de Holanda, solo aparece como “porção da superfície


da Terra, chão, parte inconsolidada do manto de intemperismo e que contém matéria
orgânica e vida bacteriana que possibilitam o desenvolvimento das plantas”.

A palavra solo originária do latim solum, literalmente, quer dizer parte plana e inferior
de um todo ou onde se pisa com os pés; seu significado original, ou seja, o que é mais
usado, é chão ou solo em que se pisa, segundo o pesquisador Jean Boyer. (ROCHA,
2008)

Aproximadamente 45% de um bom solo para agricultura e jardinagem consiste em


material decomposto, principalmente areia, aluvião e argila, com muito do volume
restante sendo simplesmente espaços vazios ou poros preenchidos com ar e/ou água.
Além disso, uma quantidade pequena, mas importante, de húmus está geralmente
presente. O húmus é carbono derivado da desintegração bacteriana da matéria
orgânica e é altamente resistente a uma desintegração posterior. Mesmo um solo fértil
pode ter tão pouco húmus, como 5%, e, no entanto, ser importante como fonte de

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 60


nutrientes de plantas e no aumento da capacidade do solo para retenção da umidade.
(WICANDER e MONROE, 2011)

Segundo os mesmos autores, alguns minerais desintegrados nos solos são


simplesmente grãos de silte de minerais de aluvião, especialmente quartzo, mas outros
minerais podem também estar presentes. Essas partículas sólidas separam as
partículas do solo, permitindo que o oxigênio e a água circulem mais livremente.
Minerais argilosos são também importantes constituintes de solos e ajudam na
retenção da água, assim como no suprimento de nutrientes para as plantas. Os solos
com excesso de minerais argilosos, no entanto, drenam mal e são viscosos quando
molhados e duros quando secos.

Dependendo de sua formação, os solos podem ser classificados em quatro grupos


principais:

Se um corpo de rocha se desgasta e o resíduo do intemperismo acumula-se sobre ele,


o solo assim formado é residual, significando que ele foi formado in situ. Em
contraste, solo transportado é aquele que se desenvolve sobre material decomposto,
que foi erodido e transportado de um sítio de intemperismo e depositado em outro
lugar, como uma planície aluvial, por exemplo. (WICANDER e MONROE, 2011)

Os solos coluvionais formam-se pelo lento movimento da porção mais superficial do


manto de intemperismo por influência de diversos fatores com ênfase para a ação da
gravidade; e os solos orgânicos são formados pela adição de certa quantidade de
matéria orgânica animal e, principalmente, vegetal e de parcela de argila mineral.
(ROCHA, 2008)

É importante reforçar que a natureza e as propriedades de um solo são dependentes


de características físicas, químicas e biológicas. Essas sucintamente podem ser assim
descritas (ROCHA, 2008):

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 61


a) Físicas: que são dependentes fundamentalmente da dimensão relativa dos
elementos (textura) e do arranjo dos mesmos (estrutura). A textura diz
respeito ao tamanho, isto é, à granulometria das partículas minerais (classes
texturais do solo) e à porcentagem de ocorrência das mesmas. Em geral, na
análise granulométrica do solo são reconhecidas:

Tabela 4: Granulometria do solo

Fração Física Diâmetro das partículas (mm)


Argila <0,002
Limo 0,002 a 0,02
Silte 0,02 a 0,05
Areia fina 0,05 a 0,2
Areia grossa 0,2 a 2
Cascalho e seixos 2 a 20
Pedregulho > 20
Fonte: (POPP, 2009).

Por meio da determinação das frações (argila, silte e areia) é possível determinar se
um solo é argiloso, siltoso ou arenoso; tarefa importante para avaliar
quantitativamente s capacidade de percolação da água nos solos (caminho do fluído
entre os interstícios de grãos do solo).

A estrutura refere-se à disposição, ao arranjo e à organização natural das partículas


agregadas, influindo nesse processo substâncias que promovem a formação de
agregados (matéria orgânica húmica, elementos e compostos minerais, como os
óxidos de ferro e argila).

Na estrutura laminar, as partículas do solo estão arranjadas em torno de um plano


horizontal, e as unidades estruturais têm aspecto de lâminas de espessura variável,
porém, a linha horizontal é sempre maior.

Na estrutura prismática, obviamente em forma de prisma, predomina a linha vertical,


podendo haver dois subtipos; prismática e colunar. Nesse contexto a porosidade
dependente do diâmetro dos poros (espaços intersticiais entre as partículas)
PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 62
caracteriza os macroporos e microporos, tendo importância na penetração, na difusão
e no armazenamento dos fluídos água e ar. Essas são características relacionadas
também à permeabilidade, tendo estreita relação com os fenômenos de lixiviação
(arraste de partículas) e filtração.

As características físicas do solo, ditadas pela textura e estrutura, são condicionantes


dos processos de atenuação química e biológica e, portanto, fatores primordiais nos
aspectos relacionados à poluição e contaminação por resíduos de qualquer natureza.

b) Químicas: que se relacionam ao poder de absorção, à acidez e basicidade e


à presença de matéria orgânica. Os solos podem reter partículas eletricamente
carregadas (iônicas), realizando trocas catiônicas, provocando adsorção
específica, formando complexos orgânicos e possibilitando a precipitação.

O poder de absorção de íons no solo “está associado ao fato de a maior parte dos
coloides minerais e orgânicos possuidores de carga elétrica negativa apresentarem a
capacidade de fixar de modo reversível os cátions dissolvidos na água”. (DERISIO,
1992 apud ROCHA, 2008)

Assim, as argilas negativamente carregadas podem adsorver cátions (H+, NA+, CA2+,
Mg2+ etc.). A capacidade de troca catiônica é uma medida indicadora de fixação, sendo
maior nos solos argilosos e húmicos. Os valores do potencial de hidrogênio iônico (pH)
permitem caracterizar o solo quanto à acidez, neutralidade e basicidade. O pH em
torno de 7 (neutro) favorece a atividade microbiana e a capacidade de troca iônica.

A matéria orgânica presente no solo constitui não apenas fonte carbonácea, reserva e
produção de nutrientes minerais e energéticos, como também promove a agregação
de partículas e favorece a permeabilidade, elevando a capacidade de retenção da água
e troca iônica.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 63


c) Biológicas: São características fundamentalmente relacionadas à presença
de microrganismos autóctones e alóctones. Dentro outros podem ser citadas
populações formando comunidades que têm extrema importância no manto
fértil do solo, tais como: bactérias de variados gêneros e espécies
(Arthrobacter sp., Bacillus sp., Pseudomonas sp., Agrobacterium sp.,
Alcaligenes sp., Flavobacterium sp., entre outros) que compõem importantes
elos na cadeia alimentar e participam de fases dos cilcos biogeoquímicos,
fundamentais à ciclagem dos elementos nutrientes minerais.

14 - Poluição Sonora

O som pode nos oferecer agradáveis sensações, como a recordação de situações


anteriormente vividas, promover o relaxamento total e nos proporcionar verdadeiras
pérolas através das harmonias e ritmos das músicas e das canções. Todavia, pode nos
provocar sensações incômodas e até mesmo dolorosas. Quando o som assume este
caráter indesejável, geralmente o chamamos de ruído. (BARBOSA FILHO, 2010)
A percepção do som é importante para o ser humano. Com ela podemos ter noção da
posição e da distância de objetos, do meio e de outras pessoas. Contudo, o ruído afeta
o homem simultaneamente nos planos físico, psicológico e social.

Diversos estudos estão sendo conduzidos para determinar adequadamente a ação dos
ruídos sobre outros sistemas além do auditivo. A literatura especializada registra
alterações gastrointestinais (hipermotilidade e hipersecreção gastroduodenal), na
visão (dilatação da pupila), cardiocirculatórias (vasoconstrição e hipertensão arterial),
neuropsíquicas (ansiedade, irritação, alteração do ritmo sono-vigília) e alterações na
habilidade (redução do rendimento, aumento do número de erros e da possibilidade
de acidentes).

A isso tudo, acrescentam-se as constantes dificuldades introduzidas na comunicação


entre pessoas provocadas por ruídos oriundos das mais diversas fontes. (BARBOSA
FILHO, 2010)

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 64


Pelo exposto e por aquilo que vivemos em nosso cotidiano, podemos considerar a
poluição sonora uma das formas de maior potencial danoso à saúde. Não é incomum
a queixa de pessoas com redução na capacidade auditiva (hipoacusia), observando-se
que os jovens formam a maior parcela de afetados por estarem continuamente
expostos a ambientes ruidosos em excesso.

As medidas de controle de ruído são basicamente de três ordens: na fonte, no meio e


no homem. Prioritariamente, quando tecnicamente viável, a intervenção deve se dar
na fonte, em seguida no meio e, em última instância, no homem. (BARBOSA FILHO,
2010)

Segundo o mesmo autor, o controle na fonte pode ser buscado com a execução de
medidas técnicas na maquinaria e de medidas administrativas na produção. A redução
da concentração de máquinas, a instalação de sistemas amortecedores, a
reprogramação e redistribuição das operações, a substituição de peças de materiais
rígidos por absorventes e a manutenção adequada estão entre as providências que
podem ser tomadas no sentido de minimizar a emissão de ruídos na fonte. Para o
controle do meio, o administrador deve evitar a propagação por meio do isolamento –
da fonte e do receptor – e maximizar as perdas energéticas por absorção.

O enclausuramento da fonte, o uso de barreiras, a adequação das características do


ambiente – piso, paredes e teto – e dos materiais utilizados na construção, permitindo
o tratamento acústico deste, e o posicionamento dos painéis de controle fora da
superfície das máquinas e, portanto, das áreas de incidências de maior ruído, estão
entre as medidas que podem ser tomadas com relação à intervenção no meio. Em
último lugar, entre as prioridades de controle, está o controle no homem ou no seu
receptor. As medidas resumem-se à redução do tempo de exposição e à proteção
sobre o indivíduo.

Tabela 5: Limites de tolerância para ruídos contínuos ou intermitentes segundo a NR-


15

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 65


Nível de ruído (dB) Máxima exposição diária permissível
85 8 horas
90 4 horas
95 2 horas
100 1 hora
105 30 minutos
112 10 minutos
115 7 minutos
Fonte: alterado de BARBOSA FILHO, 2010.

Para Rosane Jane Magrini (1995), a poluição sonora passou a ser considerada pela
Organização Mundial da Saúde (OMS), uma das três prioridades ecológicas para a
próxima década e diz, após aprofundado estudo, que acima de 70 decibéis o ruído
pode causar dano à saúde. De modo que, para o ouvido humano funcionar
perfeitamente até o fim da vida, a intensidade de som a que estão expostos os
habitantes das metrópoles não poderia ultrapassar os 70 decibéis estabelecidos pela
OMS.

Para termos uma ideia, um exemplo de ruído cotidiano, é o nível de ruído entre duas
pessoas conversando normalmente se situa entre 30 (trinta) e 35 (trinta e cinco)
decibéis.

A OMS, segundo Rosane Jane Magrini (1995), relata que ao ouvido humano não
chega a ser agradável um barulho de 70 decibéis e, acima de 85 decibéis ele começa
a danificar o mecanismo que permite a audição. Na natureza, com exceção das
trovoadas, das grandes cachoeiras e das explosões vulcânicas, poucos ruídos
atingem 85 decibéis.

O ouvido é o único sentido que jamais descansa, sequer durante o sono. Com isso, os
ruídos urbanos são motivos a que, durante o sono, o cérebro não descanse como as
leis da natureza exigem. Desta forma, o problema dos ruídos excessivos não é apenas
de gostar ou não, é, nos dias que correm, uma questão de saúde, a que o Direito não
pode ficar indiferente. Há de lembrar-se que o mundo do direito não está alheio aos
atos lesivos provocados pelo ruído, na medida em que ele atinge a saúde do homem.
(MACHADO, 2012)
PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 66
Segundo o mesmo autor, apesar de todos saberem os efeitos da poluição sonora e,
inobstante haver Leis Municipais, legislação específica e até outros projetos isolados,
de nada adiantam, se a fiscalização dos órgãos competentes, notadamente das
Prefeituras, continuarem praticamente inoperantes.

Para reconhecermos os limites legais da poluição sonora, vamos ao texto de Navigandi


(apud MACHADO 2012):

Os problemas relativos aos níveis excessivos de ruídos estão incluídos entre os


sujeitos ao controle da poluição ambiental, cuja normatização e estabelecimento de
padrões compatíveis com o meio ambiente equilibrado e necessário à sadia
qualidade de vida, é atribuída ao Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), de
acordo com que dispõe o inciso II do art. 6º da Lei 6.938/81.

A identificação entre som e ruído é feita através da utilização de unidades de


medição do nível de ruído. Com isso, definem-se, também, os padrões de emissão
aceitáveis e inaceitáveis, criando-se e permitindo-se a verificação do ponto limítrofe
com o ruído. O nível de intensidade sonora (ou pressão sonora) expressa-se
habitualmente em decibéis (db) e é apurada com a utilização de um aparelho
chamado decibelímetro.

No que diz respeito à ruído, a tutela jurídica do meio ambiente e da saúde humana é
regulada pela Resolução do Conama 001, de 08 de março de 1990, que considera
um problema os níveis excessivos de ruídos bem como a deterioração da qualidade
de vida causada pela poluição. Essa Resolução adota os padrões estabelecidos pela
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e pela Norma Brasileira
Regulamentar (NBR) 10.151, de junho de 2000, reedição.

A Resolução 001/90 do Conama, nos seus itens I e II, dispõe:

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 67


I – A emissão de ruídos, em decorrência de qualquer atividades industriais,
comerciais, sociais ou recreativas, inclusive as de propaganda política. Obedecerá, no
interesse da saúde, do sossego público, aos padrões, critérios e diretrizes
estabelecidos nesta Resolução.

II – São prejudiciais à saúde e ao sossego público, para os fins do item anterior, os


ruídos com níveis superiores aos considerados aceitáveis pela norma NBR 10.151 –
Avaliação do Ruído em Áreas Habitadas visando ao conforto da comunidade, da
ABNT.

A NBR 10.151 dispõe sobre à avaliação do ruído em áreas habitadas, visando o


conforto da comunidade. Essa Norma fixa as condições exigíveis para a avaliação da
aceitabilidade do ruído em comunidades, independentemente da existência de
reclamações.

Além da NBR 10.151, tem-se a NBR 10.152, que trata dos níveis de ruídos para
conforto acústico, estabelecendo os limites máximos em decibéis a serem adotados
em determinados locais. Exemplificando, em restaurante o nível de ruído não deve
ultrapassar os 50 decibéis estabelecidos pela NBR 10.152.

O Conama considerando que o crescimento demográfico descontrolado ocorrido nos


centros urbanos acarretam uma concentração de diversos tipos de fontes de poluição
sonora, sendo fundamental o estabelecimento de normas, métodos e ações para
controlar o ruído excessivo que possa interferir na saúde e bem-estar da população,
estabeleceu a Resolução 002, de 08 de março de 1990, que veio a instituir o
Programa Nacional de Educação e Controle da Poluição Sonora – Silêncio, com o
seguinte objetivo:

a) Promover cursos técnicos para capacitar pessoal e controlar os problemas de


poluição sonora nos órgãos de meio ambiente estaduais e municipais em todo o
país;
PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 68
b) Divulgar junto à população, através dos meios de comunicação disponíveis,
matéria educativa e conscientizadora dos efeitos prejudiciais causados pelo excesso
de ruído;

c) Introduzir o tema “poluição sonora” nos cursos secundários da rede oficial e


privada de ensino, através de um Programa de Educação Nacional;

d) Incentivar a fabricação e uso de máquinas, motores, equipamentos e dispositivos


com menor intensidade de ruído quando de sua utilização na indústria, veículos em
geral, construção civil, utilidades domésticas etc;

e) Incentivar a capacitação de recursos humanos e apoio técnico e logístico dentro


da política civil e militar para receber denúncias e tomar providências de combate
para receber denúncias e tomar providências de combate à poluição sonora urbana
em todo o Território Nacional;

f) Estabelecer convênios, contratos e atividades afins com órgãos e entidades que,


direta ou indiretamente, possa contribuir para o desenvolvimento do Programa
SILÊNCIO.

A coordenação do Programa Silêncio é de responsabilidade do Ibama – Instituto


Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis que deverá contar com a
participação de Ministérios do Poder Executivo, órgãos estaduais e municipais do
Meio Ambiente.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 69


15 - Indicadores de Gestão Ambiental

Quando falamos em responsabilidade socioambiental das empresas e sustentabilidade,


estamos falando de indicadores que apontam necessidade de mudanças, onde
programas tanto empresariais, como públicos e da própria sociedade civil em
separado, podem contribuir para a melhoria do quadro de devastação que se instaurou
nos dias atuais.

Conforme Funiber (2009), a Agenda XXI reconheceu a oportunidade para a


preservação do meio ambiente na ação dos empresários responsáveis, e na utilização
que eles façam dos recursos e para a redução de riscos, perigos e resíduos. Considera-
se o espírito empresarial como uma das forças mais importantes para alcançar
inovações e aumentar a eficiência do mercado, o que pode contribuir positivamente
para a qualidade ambiental. Dessa constatação, o Programa 21 apresentou uma série
de objetivos, entre eles propondo:

- Fomentar o conceito de gerência responsável na gestão e utilização dos recursos


naturais por parte dos empresários;

- Aumentar o número de empresários que tornem suas as políticas do desenvolvimento


sustentável, aplicando-as.

Mas, antes mesmo de começarmos a falar em sistema de gestão ambiental, é


imprescindível que saibamos que a mesma precisa ser monitorada e como o será, pois
disso também dependerá sua aprovação e seu sucesso.

O monitoramento ambiental é um instrumento muito valioso na implementação de


todo o processo de gestão ambiental e do meio natural. Ele permite o
acompanhamento do plano de gestão e a avaliação de seus objetivos, se estão sendo
cumpridos ou não e em que grau. Uma vez aplicados, são fundamentais para a
modificação daquelas ações que não estão dando resultado, para incentivar aquelas

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 70


que funcionam corretamente e, sobretudo, para identificar novos problemas ou
situações na área sob gestão. (FUNIBER, 2009)

O monitoramento de um processo de gestão é entendido como o acompanhamento


temporário de um processo, permitindo a obtenção de informação sobre a gestão
realizada até o momento, mediante a medição e a quantificação de certos parâmetros,
definidos com antecedência, e mediante a aplicação de uma metodologia padronizada,
ainda segundo o mesmo autor que também fala que a avaliação de um plano é
efetuada sobre:

a) As atividades: quantidade, qualidade e orientação das ações e das tarefas


específicas, desenvolvidas para a obtenção dos objetivos programados;

b) Os produtos: os resultados concretos da execução das políticas, dos


programas ou dos projetos avaliados. Podem corresponder aos objetivos
específicos na programação da gestão;

c) Os efeitos: os resultados obtidos ao se utilizar os produtos;

d) O impacto: os resultados obtidos ao utilizar os efeitos, os quais asseguram a


permanência e a continuidade dos lucros alcançados, além da vida útil das
políticas, dos programas ou dos projetos avaliados.

A seguir, são mencionados os programas de monitoramento dos planos de ação, os


programas de acompanhamento biológico e socioeconômico, e os programas de
controle de impacto. Todos exemplos são úteis como ação de monitoramento no
âmbito da gestão de meio ambiente (FUNIBER, 2010):

1 – Programa de monitoramento de planos de ação: Quando específicos, permitem o


acompanhamento de um plano de proteção, de recuperação e de introdução de
espécies de flora e fauna, de um plano de restauração de uma área natural degradada,

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 71


de um plano de educação e de sensibilização ambiental e de outros planos de ação
que façam parte dos planos de gestão. Estes programas são elaborados com base na
escolha de uma desejada situação, definida a partir do planejamento de objetivos da
gestão, razão que motiva a realização dos planos de ação.

2 - Programa de acompanhamento biológico: Tem como principal objetivo o


monitoramento do estado em que se encontram as populações da fauna e da flora de
uma determinada área natural, em um período de tempo o mais dilatado possível, e
sob uma metodologia padronizada. Mediante sua implementação pode-se manter
atualizada uma base de dados, identificar alterações nos parâmetros estudados, e
determinar em que fase do ciclo vital das espécies de organismos vivos estudados
ocorrem as mudanças, que são influenciadas por dados hidrológicos, meteorológicos,
sismológicos, de qualidade do ar, de qualidade da água etc.

3 - Programa de acompanhamento socioeconômico: Que possui como principal


objetivo o monitoramento das características apresentadas pela população humana na
área natural, ou em suas proximidades, em um dilatado período de tempo e sob uma
metodologia padronizada. Acompanha as mudanças apresentadas pela população
humana e por suas atividades relacionadas em maior ou menor medida com o meio
natural, assim contemplam mudanças de usos do solo e de aproveitamento de
recursos naturais (atividades cinegéticas, piscícolas, de coleta, de lazer e de visita,
entre tantas outras).

4 - Programa de controle de impacto: Buscam como objetivo detectar mudanças nos


parâmetros biológicos e ambientais, produzidos geralmente por problemas de origem
ou indução humana em escala global (diminuição do ozônio na estratosfera, aumento
de concentração de CO2, poluição atmosférica, chuva ácida) e em âmbito local e
regional (contaminação de um rio, erosão de uma bacia hidrográfica). São importantes
em nível suprarregional, ajudando na coordenação de políticas e de planos de gestão
em âmbito nacional e internacional.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 72


Quando começamos a refletir sobre o que está sendo feito a respeito da
responsabilidade socioambiental, temos em um histórico até bem recente três grandes
eventos: O Pacto Mundial das Nações Unidas, a Carta da Terra e as Metas do Milênio.

I – Pacto Mundial das Nações Unidas

Surgiu por instâncias de uma convocação formulada a diversas entidades, entre elas
empresas, pelo Secretário das Nações Unidas em 1999, Kofi Anman, no Fórum
Econômico Mundial.

Esse pacto é um acordo internacional de caráter ético sobre responsabilidade social


das empresas que persegue uma linha de conduta por parte delas em determinadas
matérias: direitos humanos, trabalho, meio ambiente e luta contra a corrupção.
(FUNIBER, 2010) É constituído por 10 princípios e três deles tratam sobre aspectos e
temáticas de especial incidência na proteção do meio ambiente:

- O princípio 7: que diz respeito à necessidade, por parte das empresas, de adotarem
um enfoque preventivo com relação ao meio ambiente;

- O princípio 8: reflete o compromisso de adoção de iniciativas sobre a promoção da


responsabilidade socioambiental;

- O princípio 9: que busca propender, incentivando, ao desenvolvimento e à difusão


de tecnologias que se mostrem compatíveis com o respeito ao meio ambiente.

II – Carta da Terra (assista ao vídeo: Carta da terra Brasil, disponível em


<http://www.youtube.com/watch?v=89oZsc4oMlE>, acesso em: 26 jun. 2016).

Segundo o site brasileiro relacionado a este documento


<http://www.cartadaterrabrasil.org/prt/what_is.html> (acesso em: 23 jan. 2011), a
Carta da Terra é uma declaração de princípios éticos fundamentais para a construção,

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 73


no século 21, de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica. Busca inspirar
todos os povos a um novo sentido de interdependência global e responsabilidade
compartilhada voltado para o bem-estar de toda a família humana, da grande
comunidade da vida e das futuras gerações. É uma visão de esperança e um chamado
à ação.

Ainda segundo o mesmo site, a Carta da Terra se preocupa com a transição para
maneiras sustentáveis de vida e desenvolvimento humano sustentável. Integridade
ecológica é um tema maior. Entretanto, a Carta da Terra reconhece que os objetivos
de proteção ecológica, erradicação da pobreza, desenvolvimento econômico
equitativo, respeito aos direitos humanos, democracia e paz são interdependentes e
indivisíveis. Consequentemente oferece um novo marco, inclusivo e integralmente
ético para guiar a transição para um futuro sustentável.

III – Metas do Milênio

Em setembro de 2000, houve uma reunião chamada Cúpula do Milênio, que reuniu
quase duas centenas de líderes de países membros (191), para aprovar uma série de
oito compromissos relacionados ao desenvolvimento do milênio (ODM).

Conforme o site http://www.consciencia.net/brasil/metasdomilenio.html (acesso em:


23/01/2011), para alcançar os ODM, foram definidas as Metas do Milênio, que
estabelecem números para dar significado aos objetivos de erradicar a fome ou
diminuir a mortalidade infantil, por exemplo. O esforço coletivo deve garantir, até
2015, a redução pela metade da porcentagem de pessoas que vivem na extrema
pobreza, fornecer água potável e educação a todos e combater a propagação da AIDS,
malária e outras doenças.

Também ficou determinado o reforço às operações de paz das Nações Unidas para
que as comunidades vulneráveis possam se proteger em tempos de conflito.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 74


Abaixo, segue a explicação dos oito objetivos do desenvolvimento do milênio,
conforme o mesmo site:

1 - Erradicar a extrema pobreza e a fome

Um bilhão e duzentos milhões de pessoas sobrevivem com menos do que


o equivalente a $ 1 PPC ao dia. Esse quadro já começou a mudar em 43
países, cujos povos somam 60% da população mundial. O Banco Mundial
calcula anualmente um índice de preços, entre países, baseado nos custos de uma
ampla cesta de bens e serviços. A partir desse valor, são divulgadas as rendas
nacionais expressas em dólares com paridade de poder de compra (PPC), que
determina a quantidade de bens e serviços que $ 1 PPC compra em qualquer lugar do
mundo.

2 - Atingir o ensino básico universal

Há 113 milhões de crianças fora da escola em todo o mundo. A Índia é


um exemplo de que é possível diminuir o problema: o país se
comprometeu a ter 95% das crianças frequentando a escola já em 2005.

3 - Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres

Dois terços dos analfabetos do mundo são do sexo feminino e 80% dos
refugiados são mulheres e crianças. Superar as disparidades entre
meninos e meninas no acesso à escolarização formal é a base para
capacitá-las a ocuparem papéis cada vez mais ativos na economia e política de seus
países.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 75


4 - Reduzir a mortalidade infantil

Todos os anos, 11 milhões de bebês morrem de causas diversas. No


entanto, o número vem caindo desde 1980, quando as mortes somavam
15 milhões.

5 - Melhorar a saúde materna

Nos países em desenvolvimento, as carências em saúde reprodutiva fazem


que a cada 48 partos uma mãe morra. A presença de pessoal qualificado
na hora do parto será o reflexo do desenvolvimento de sistemas
integrados de saúde pública.

6 - Combater o HIV/AIDS, a malária e outras doenças

Em grandes regiões do mundo, epidemias vêm destruindo gerações e


cerceando possibilidades de desenvolvimento. Ao mesmo tempo, a
experiência de países como o Brasil, Senegal, Tailândia e Uganda mostram
que é possível deter a expansão do HIV. A redução da incidência dependerá
fundamentalmente do acesso da população à informação, aos meios de prevenção e
aos meios de tratamento, sem descuidar da criação de condições ambientais e
nutritivas que estanquem os ciclos de reprodução das doenças.

7 - Garantir a sustentabilidade ambiental

Um bilhão de pessoas ainda não têm acesso a água potável. Durante os


anos 1990, quase o mesmo número de pessoas ganharam acesso à água
e ao saneamento básico. Os indicadores identificados para essa meta
demonstram a adoção de atitudes sérias na esfera pública. Sem a adoção de políticas
e programas ambientais, nada se conserva em grande escala, assim como, sem a

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 76


posse segura de suas terras e habitações, poucos se dedicarão à conquista de
condições mais limpas e sadias para seu próprio entorno.

8 - Estabelecer uma Parceria Mundial para o Desenvolvimento

Muitos países pobres gastam mais com os juros de suas dívidas do que
para superar seus problemas sociais. Já se abrem perspectivas, no
entanto, para a redução da dívida externa de muitos Países Pobres Muito
Endividados (PPME). Os objetivos levantados para atingir essa meta levam em conta
uma série de fatores estruturais que limitam o potencial para o desenvolvimento – em
qualquer sentido que seja – da maioria dos países do sul do planeta. Entre os
indicadores escolhidos, está a ajuda oficial para a capacitação de profissionais. Eles
negociarão novas formas de acesso a mercados e a tecnologias, abrindo o sistema
comercial e financeiro não apenas para grandes países e empresas, mas para a livre
concorrência.

16 - Gestão Ambiental como Instrumento de Reflexão Social

Na visão ecologista, a questão econômica estava agredindo o meio ambiente brasileiro.


Na visão econômica, a questão ecológica estava dificultando o desenvolvimento do
país. Ambas as visões se julgando corretas nos seus direitos. Ora, é sabido que, cada
vez que o direito de um se contrapõe ao do outro, a pendência se decide pela força
ou por algum tipo de compromisso recíproco. (PHILIPPI JR. & BRUNA, 2009)

Segundo os mesmos autores, não se pode esquecer, entretanto, que ambas as


questões – retrato de uma causa econômica e de uma causa ecológica – têm sua
importância na base do significado desses dois vocábulos: Eco é igual a oikos, que
quer dizer casa em grego. Trata-se, pois, de proteger em última instância essa casa,
o planeta Terra. Indistintamente.
Conforme o texto de Braga et al. (2005), no Brasil e em muitos outros países, durante
um longo período de tempo, a poluição era vista como um indicativo de progresso.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 77


Essa percepção foi mantida até que os problemas relacionados à degradação do meio
ambiente, contaminação do ar, da água e do solo – com efeitos diretos sobre os seres
humanos – se intensificaram. Essa degradação ambiental tornou-se evidente a partir
do ano de 1960, conduzindo à realização, em Estocolmo, da 1ª Conferência das Nações
Unidas sobre o Ambiente Humano no ano de 1972. (HARRINGTON & KNIGHT, 2001)

Nessa época, em países da Europa e da América do Norte, muitas empresas se viram


obrigadas a desembolsar recursos financeiros significativos por causa dos problemas
resultantes de uma atuação desvinculada do meio ambiente, além de terem a sua
imagem, perante o mercado, seriamente comprometida.

Isso também acabava dificultando o relacionamento com fornecedores, consumidores


e órgãos de controle ambiental, exigindo o desenvolvimento de um novo modelo de
atuação.

A partir dessa percepção, conceitos como gestão ambiental, prevenção da poluição e


o já consagrado desenvolvimento sustentável começaram a ser amplamente
difundidos e incorporados nas estratégias de planejamento de inúmeras indústrias ao
redor do planeta, ainda conforme Braga et al. (2005).

Com isso, as atividades industriais desenvolvidas e os impactos resultantes sobre o


meio ambiente, proporcionaram uma reflexão para a elaboração de procedimentos
para o gerenciamento eficaz das relações entre desenvolvimento econômico e meio
ambiente.

Com essa visão, a Inglaterra, berço dos Sistemas de Qualidade, foi a precursora dos
Sistemas de Gestão Ambiental normalizados, dando assim origem aos nossos Sistemas
de Gestão Ambiental brasileiros, finaliza o autor.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 78


Figura 8: Imagem representativa da gestão ambiental como fator essencial de preservação do meio ambiente

(Fonte: <http://files.ambientsconsult.webnode.com.br/200000013-
5f827607cb/Gestao_Ambiental.jpg>, acesso em: 31 jul. 2011).

Conceitos de Sistemas de Gestão Ambiental – SGA (segundo Fogliatti et al.,


2008)

A nova postura originada na última década do século XX em relação ao Meio Ambiente,


ficou conhecida como Gestão Ambiental, entendida como “parte do sistema de gestão
global da organização que inclui a estrutura organizacional, atividades de
planejamento, responsabilidades, práticas, procedimentos, processos e recursos para
desenvolver, implementar, atingir, analisar criticamente e manter a política ambiental,
consistindo, em última análise, na forma pela qual a organização gerencia suas
atividades, revisando a otimização do desempenho ambiental (NBR 14001)”.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 79


Figura 9: Sistema de Gestão Ambiental Empresarial

(Fonte: <http://www.qualitasconsultoria.com.br/servicosdes2.jpg>, acesso em: 31


jul. 2011).

Autores como Viterbo Junior (1998) e Valle (2002) definiram a gestão ambiental como
a “forma como uma organização administra as relações entre suas atividades e o meio
ambiente que as abriga, observadas as expectativas das partes interessadas” e como
o “conjunto de medidas e procedimentos bem definidos que, se adequadamente
aplicados, permitem reduzir e controlar os impactos introduzidos por um
empreendimento sobre o meio ambiente”.

Qualquer que seja a empresa, indústria ou prestadora de serviços, no instante em que


inicia sua instalação e/ou sua operação, inicia também sua própria deterioração e, em
consequência, a do seu entorno. Essa degradação é conhecida como passivo ambiental
associado e representa tudo aquilo que deve ser contabilizado como débito ou negativo
do empreendimento, ou seja, conjunto de obrigações ambientais não satisfeitas pela
empresa e que deve ser subtraído do seu patrimônio positivo ou ativo.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 80


Esse passivo ambiental criado pelas atividades inerentes à empresa ou por terceiros,
de forma voluntária ou involuntária, em tempos passados ou no presente, e que afeta
negativamente os meios físicos (solo, água e ar), bióticos (flora e fauna) ou antrópico
(saúde, segurança e bem-estar), deve ser recuperado pela empresa, sob pena de lei
como a de Crimes Ambientais (Lei 9605/98).

Os passivos de origem interna são aqueles gerados pelos processos de implementação


e/ou operação do empreendimento e, portanto, de responsabilidade direta do
empreendedor, já os de origem externa, podem ser imputados a terceiros quando
comprovado o meio causal. Quando isso não for possível, a responsabilidade recai
sobre o empreendedor, pois entende-se que este deve zelar pelo seu patrimônio e
pelo patrimônio público para que seja evitada a degradação do meio.

Para reduzir as consequências dessa degradação, em consequência, para implantar


um Sistema de Gestão Ambiental, as características da organização em termos de
atividades e procedimentos desenvolvidos, a estruturação interna e as relações
externas, os recursos disponíveis e necessários e suas relações com o meio ambiente
devem ser cuidadosamente estudados.

Procedimentos de diagnóstico e prognóstico e planos de ações e de controle de


atividades desenvolvidas devem ser definidos e implantados com a finalidade de
reduzir os impactos negativos sobre o meio ambiente.

O texto de Fogliatti et al. (2008) nos mostrou inclusive a evolução do SGa, mas
precisamos também conhecer suas dimensões:

A expressão gestão ambiental aplica-se a uma grande variedade de iniciativas relativas


a qualquer tipo de problema ambiental. Na sua origem estão as ações governamentais
para enfrentar a escassez de recursos. Com o tempo, outras questões ambientais
foram sendo consideradas por outros agentes e com alcances diferentes, sendo que
atualmente não há área que não seja contemplada. Qualquer proposta de gestão

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 81


ambiental inclui no mínimo três dimensões, a saber: (1) a dimensão espacial que
concerne a área na qual espera-se que as ações de gestão tenham eficácia; (2) a
dimensão temática que delimita as questões ambientais às quais as ações se destinam;
e (3) a dimensão institucional relativa aos agentes que tomaram as iniciativas de
gestão. (BARBIERI, 2010)

A essas dimensões pode-se acrescentar a filosófica que trata da visão de mundo e da


relação entre o ser humano e a natureza, questões que sempre estiveram entre as
principais preocupações humanas como mostram as incontáveis obras artísticas,
filosóficas, científicas de todos os tempos. E as respostas às indagações sobre essas
questões foram e continuam sendo as mais variadas, gerando diferentes
posicionamentos e propostas que refletem a diversidade de entendimentos sobre o
Universo, o ser humano, os demais seres vivos e os elementos não vivos da natureza,
segundo o mesmo autor.

Temos que refletir que na verdade, pelo que se depreende do conceito de gestão
ambiental (envolvendo aqui os sistemas), sua finalidade é a busca da harmonia entre
o homem – aquele ser social e trabalhador – e seu meio ambiente natural ou
construído. Como qualidade de vida é um dos direitos fundamentais do homem, por
conseguinte, é dever do Estado promovê-la, por meio de ações políticas de fiscalização
séria, tendo como contrapartida seu cumprimento por parte de todos aqueles que
formam o Estado: órgãos governamentais e não governamentais, empresas e pessoas.
(alterado de PHILIPPI JR. & BRUNA, 2009)

Figura 10: Harmonia homem x natureza


PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 82
(Fonte: <http://www.ielgo.com.br/img-ieleventos/curso_id_53.jpeg>, acesso
em: 31 jul. 2011).

17 - Gestão Ambiental como Política Empresarial: Sistema de Gestão


Ambiental

Vamos analisar algumas explicações de Fogliatti et al. (2008):

Com o advento do desenvolvimento tecnológico/industrial experimentado no pós-


guerra mostrou que a produtividade poderia ser melhorada não apenas pela utilização
de equipamentos modernos, mas também pelo desenvolvimento e uso de modernas
técnicas de gestão, ressaltando-se a importância das relações de trabalho.

Atualmente, as empresas vêm observando as vantagens conseguidas quando suas


atividades são planejadas visando a não degradação ambiental. Entre estas vantagens
destaca-se a melhoria da imagem da empresa junto a seus clientes e a seus operários,
já que promove a qualidade de vida e de trabalho. O cumprimento de requisitos legais
a faz menos propensa a provocar danos ambientais, diminuindo assim, as
possibilidades de ser autuada e de ter que pagar somas de vulto para recuperar os
danos provocados.

O desenvolvimento e aplicação de um Sistema de Gestão Ambiental permite também


a redução de custos diários, com a instalação de práticas de reciclagem, de
reaproveitamento de resíduos, uso de combustíveis menos poluentes (gás natural,
biomassa, energia solar e eólica). Possibilita chances de competitividade ao
demonstrar-se consciente ambientalmente ao mercado nacional e internacional e a
boa reputação da empresa junto aos órgãos ambientais, à comunidade e às
organizações não governamentais, gera maiores possibilidades de obtenção de
financiamentos a taxas reduzidas e de redução de custos de seguro. Benefícios esses
intangíveis em função da padronização dos processos, do treinamento e capacitação

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 83


de pessoal e rastreabilidade de informações técnicas e maiores possibilidades de ganho
de novos mercados.

Resumindo, analisemos o esquema da ilustração a seguir:

Figura 11: Sistema de Gestão Ambiental

(Fonte: <http://www.ambientebrasil.com.br/images/gestao/sistema.gif>,
acesso em: 05 mar. 2011).

Continuando as explicações de Fogliatti et al. (2008), Tachizawa (2009) comenta:

A gestão das empresas na era da economia digital e da gestão ambiental e


responsabilidade social deve encarar como absolutamente normal uma organização
com suas fronteiras ampliadas. De fato, um novo tipo de relacionamento está surgindo
entre a organização e seus fornecedores, clientes demais instituições em seu ambiente

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 84


de atuação. Esses relacionamentos deverão capacitar as organizações a desenvolver
enfoques abrangentes para seus mercados, responder rapidamente às novas
oportunidades, ter acesso interorganizacionalmente a clientes comuns, criar novos
mercados, compartilhar informações, atuar de forma conjunta expandir
geograficamente em empreendimentos comuns, entre outras possibilidades. A
ampliação das fronteiras da organização passa a ocorrer em função das: (a) questões
ambientais e sociais. (b) parcerias e alianças estratégicas entre organizações; e (c)
tecnologias da informação.

A preocupação com as questões ambientais e de responsabilidade social faz com que


a organização dos novos tempos escolha fornecedores que atendam a seus requisitos
éticos e que atestem que os insumos produtivos contratados atendam a seus requisitos
ambientais, predefinidos em sua política corporativa. Ou seja, a gestão de uma
organização avança para o âmbito interno das empresas que contrata como
fornecedores, ultrapassando assim, as fronteiras organizacionais tradicionais.

Galbraith (1995) salienta que um dos efeitos da competição global foi o


redirecionamento do poder para as mãos do comprador. Em muitos setores
econômicos, o mercado comprador existe simplesmente por que há mais concorrentes
e um excesso de oferta. O comprador está aprendendo a usar esse novo poder.

Como resultado dessa tendência, o modelo de gestão que privilegie a configuração


organizacional por segmento de clientes é uma perspectiva muito forte e assim deverá
continuar.

O cliente continuará a penetrar cada vez mais na organização, em uma escalada


progressiva, na qual a solicitação do cliente sinalizará as decisões do gestor no
contexto da organização dos novos tempos.

Para entendermos a implementação do SGA e suas etapas, vejamos o texto de


Nicolella, Marques e Skorupa (2004). Fonte:

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 85


<http://www.cnpma.embrapa.br/download/documentos_39.pdf>, acesso em: 31 jul.
2011):

As empresas têm se defrontado com um processo crescente de cobrança por uma


postura responsável e de comprometimento com o meio ambiente. Essa cobrança tem
influenciado a ciência, a política, a legislação, e as formas de gestão e planejamento,
sob pressão crescente dos órgãos reguladores e fiscalizadores, das organizações não
governamentais e, principalmente, do próprio mercado, incluindo as entidades
financiadoras, como bancos, seguradoras e os próprios consumidores.

Sob tais condições, as empresas têm procurado estabelecer formas de gestão com
objetivos explícitos de controle da poluição e de redução das taxas de efluentes,
controlando e/ou minimizando os impactos ambientais, como também otimizando o
uso de recursos naturais – controle de uso da água, energia, outros insumos etc. Uma
das formas de gerenciamento ambiental de maior adoção pelas empresas tem sido a
implementação de um sistema de gestão ambiental, segundo as normas internacionais
Série ISO 14000, visando a obtenção de uma certificação.

São dois os sistemas de gestão ambiental utilizados pelas empresas no Brasil: a NBR
Série ISO 14001, foco desse trabalho, e o Programa de Ação Responsável. O mais
difundido é o baseado na norma NBR Série ISO 14001; o segundo é o Programa de
Atuação Responsável, patrocinado pela Associação Brasileira de Indústrias Químicas.
(SILVA et al., 2003)

Segundo a NBR Série ISO 14001 (1996), “as normas de gestão ambiental têm por
objetivo prover às organizações os elementos de um sistema ambiental eficaz, passível
de integração com outros elementos de gestão, de forma a auxiliá-las a alcançar os
seus objetivos ambientais e econômicos”. Essas normas enfatizam os seguintes
aspectos da gestão ambiental: sistemas de gerenciamento ambiental, auditoria
ambiental e investigações relacionadas, rotulagem e declarações ambientais; avaliação
de desempenho ambiental e termos e definições. Este conjunto reflete e atende as

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 86


necessidades das empresas, criando-lhes uma base comum para o gerenciamento
empresarial das questões relativas ao meio ambiente.

Os elementos-chave, ou os princípios definidores de um Sistema de Gestão Ambiental


baseados na NBR Série ISO 14001, através dos quais podem ser verificados os avanços
de uma empresa em termos de sua relação com o meio ambiente, são: (1) Política
ambiental; (2) Planejamento; (3) Implementação e operação; (4) Verificação e ação
corretiva; (5) Análise crítica.

Na implementação de um Sistema de Gestão Ambiental, contudo, o primeiro passo


deve ser a formalização por parte da direção da empresa, perante a sua corporação,
do desejo da instituição em adotar um SGA, deixando claro suas intenções, e
enfatizando os benefícios a serem obtidos com a sua adoção. Isso se traduz em
comprometimento de sua alta administração, ou, em alguns casos, dos gerentes e
chefias de suas unidades, com a realização de palestras de conscientização e de
esclarecimentos da abrangência pretendida, realização de diagnósticos ambientais,
definição formal do grupo coordenador, definição de um cronograma de implantação,
e, finalmente, no lançamento oficial do programa de implantação do SGA. As etapas
de implantação do SGA são resumidamente descritas:

Princípio 1. Política Ambiental

A norma NBR Série IS0 14001 define Política Ambiental como “a declaração da
organização, expondo suas intenções e princípios em relação ao seu desempenho
ambiental global, que provê uma estrutura para a ação e definição de seus objetivos
e metas ambientais”. A política ambiental estabelece, dessa forma, um senso geral de
orientação e fixa os princípios de ação para a organização.

A Política Ambiental da empresa deve ser consubstanciada por meio de um documento


escrito – carta de compromisso da empresa – que aborde todos os valores e a filosofia
da empresa relativos ao meio ambiente, bem como aponte os requisitos necessários

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 87


ao atendimento de sua política ambiental, por meio dos objetivos, metas e programas
ambientais. Reis & Queiroz (2002) consideram a política ambiental como a grande
declaração de comprometimento empresarial, relativo ao meio ambiente, constituindo
a fundação ou base do sistema de gestão. A política ambiental contém as diretrizes
básicas para a definição e revisão dos objetivos e metas ambientais da empresa. A
Série ISO 14001, no seu requisito relativo à política ambiental, afirma que: “a alta
administração deve estabelecer a política ambiental da empresa e assegurar que ela:

 Seja apropriada à natureza, escala e impactos ambientais de suas atividades,


produtos ou serviços;
 Inclua o compromisso com a melhoria contínua e a prevenção da poluição;
 Inclua comprometimento com a legislação e normas ambientais aplicáveis e
demais requisitos subscritos pela organização;
 Forneça a estrutura para o estabelecimento e revisão dos objetivos e metas
ambientais;
 Esteja disponível para o público”.

Princípio 2. Planejamento

A Série ISO 14001 recomenda que a organização formule um plano para cumprir sua
Política Ambiental. Esse plano deve incluir os seguintes tópicos: aspectos ambientais;
requisitos legais e outros requisitos; objetivos e metas; e programas de gestão
ambiental.

1. Aspectos ambientais

O objetivo desse item da norma é fazer com que a empresa identifique todos os
impactos ambientais significativos, reais e potenciais, relacionados com suas
atividades, produtos e serviços, para que possa controlar os aspectos sob sua
responsabilidade. (MEYSTRE, 2003) Reis & Queiroz (2002) esclarecem que segundo

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 88


essa norma, aspecto ambiental significa a causa de danos ambientais e impacto
ambiental significa os seus efeitos ambientais, adversos ou benéficos.

2. Requisitos legais e outros requisitos

Os requisitos definidos pela política ambiental da empresa coloca com clareza os


comprometimentos, destacando-se o atendimento à legislação, normas ambientais
aplicáveis e outros requisitos ambientais. Nessa etapa, são definidos critérios para o
cadastramento e a divulgação da legislação ambiental, dos códigos de conduta
aplicáveis a situações específicas da empresa, e dos compromissos ambientais
assumidos pela corporação.

3. Objetivos e metas

À semelhança das demais políticas empresariais, a política ambiental também tem o


seu desdobramento em objetivos e metas a serem alcançados em um determinado
período de tempo, além de seguir uma lógica coerente com as fases de planejamento.
Desta forma, os objetivos e metas devem refletir os aspectos e impactos ambientais
significativos e relevantes visando o desdobramento em metas e objetivos ambientais
a serem alcançados operacionalmente por setores específicos da empresa, com
responsabilização definida.

4. Programas de Gestão Ambiental

Na forma como concebido pela Série ISO 14000, o Programa de Gestão Ambiental
deve ser entendido pela empresa como sendo um roteiro para implantar e manter um
sistema de gestão ambiental que permita alcançar os objetivos e metas, previamente
definidos. O programa de gestão ambiental deve conter um cronograma de execução,
que permita comparação entre o realizado e o previsto, recursos financeiros alocados

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 89


às atividades e definição de responsabilidades e prazos de cumprimento dos objetivos
e metas.

Princípio 3. Implementação e Operação

Esse princípio recomenda que para que haja uma efetiva implantação da Série ISO
14001, a empresa deve desenvolver os mecanismos de apoio necessários para atender
o que está previsto em sua política, e nos seus objetivos e metas ambientais.

1. Estrutura organizacional e Responsabilidade

Este item é definido com suficiente clareza pela Série ISO 14001, pois afirma que “as
funções, responsabilidades e autoridades devem ser definidas, documentadas e
comunicadas, a fim de facilitar uma gestão ambiental eficaz”. Afirma ainda que a
administração deve fornecer os recursos – humanos, financeiros, tecnológicos e
logísticos – essenciais à implantação e controle do sistema de gestão ambiental.

2. Treinamento, Conscientização e Competência

A empresa deve estabelecer procedimentos que propiciem aos seus empregados a


conscientização da importância e responsabilidade em atingir a conformidade com a
política ambiental; em avaliar os impactos ambientais significativos, reais ou potenciais
de suas atividades, os benefícios ao meio ambiente que possam resultar da melhoria
no seu desempenho pessoal, bem como as consequências potenciais da inobservância
dos procedimentos operacionais recomendados. Ainda, identificar as necessidades de
treinamento, particularmente aos empregados cujas atividades possam provocar
impactos ambientais significativos sobre o meio ambiente.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 90


3. Comunicação

A empresa deve criar e manter procedimentos para a comunicação interna e externa.


Desta forma, devem ser criados canais de comunicação organizacional e técnica entre
os vários níveis e funções dentro da organização; a empresa deve receber, documentar
e responder a comunicação relevante recebida das partes externas interessadas nos
aspectos ambientais e no sistema de gestão ambiental; manter registros das decisões
relativas aos aspectos ambientais importantes e sua comunicação às partes externas
envolvidas.

A identificação do tipo de divulgação pode ter impacto positivo sobre a imagem da


instituição, definindo um público de maior interesse e desenvolvendo estratégias de
comunicação externa. Selecionar canais favoráveis, veículos e forma de comunicação
deixando clara a intenção de periodicidade da comunicação. (MOREIRA, 2001)

4. Documentação do Sistema de Gestão Ambiental

A documentação pode ser compreendida como um meio de assegurar que o sistema


de gestão ambiental seja compreendido não apenas pelo público interno, mas também
pelo ambiente externo com o qual a empresa mantém relações, tais como clientes,
fornecedores, governo, sociedade civil em geral etc.

Recomenda-se também que a empresa defina os vários tipos de documentos,


estabeleça e especifique os procedimentos e controle a eles associados. A natureza da
documentação pode variar em função do porte e complexidade da empresa. A
documentação pode estar sob a forma física ou eletrônica. No entanto, a adoção pela
empresa de uma ou outra forma, não deve prescindir-se de um processo de
atualização e disponibilização aos interessados.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 91


5. Controle de documentos

Os documentos exigidos pela Série ISO 14001 devem obedecer a procedimentos para
o seu controle, de maneira que toda a documentação possa ser localizada, analisada
e periodicamente atualizada quanto à conformidade com os regulamentos, leis e
outros critérios ambientais assumidos pela empresa. Da mesma forma, exige que a
empresa possua um controle dos documentos do sistema de gestão ambiental
requerendo para isso, controle da distribuição da versão atualizada e a eliminação das
versões desatualizadas.

6. Controle operacional

O controle operacional pressupõe a identificação por parte da empresa das operações


e atividades potencialmente poluidoras. Este controle visa garantir o desempenho
ambiental da empresa, no que diz respeito ao compromisso obrigatório expresso na
Política Ambiental, no que se refere à “prevenção da poluição”. O controle operacional
deve consistir de atividades relacionadas à prevenção da poluição e conservação de
recursos em novos projetos, em modificações de processos e nos lançamentos de
novos produtos e embalagens.

Em termos práticos, o controle operacional na empresa deve ser realizado abordando


noções sobre as principais atividades que impliquem em controle ambiental: resíduos,
efluentes líquidos, emissões atmosféricas, consumo de energia e água.

7. Preparação e atendimento a emergências

A organização deve estabelecer e manter mecanismos que possam ser acionados a


qualquer momento para atender a situações de emergência e eventos não controlados.
Isso implica identificar as possíveis situações emergenciais, definir formas de mitigar
os impactos associados, prover os recursos necessários e treinar periodicamente uma
brigada de emergência.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 92


Princípio 4. Verificação e Ação Corretiva

Este item da norma cria condições de se averiguar se a empresa está operando de


acordo com o programa de gestão ambiental previamente definido, identificando
aspectos não desejáveis e mitigando quaisquer impactos negativos, além de tratar das
medidas preventivas.

A Verificação e Ação Corretiva são etapas orientadas por quatro características básicas
do processo de gestão ambiental: Monitoramento e Medição, Não conformidades e
Ações Corretivas e Preventivas, Registros, e Auditoria do SGA:

1. Monitoramento e Medição

Todo e qualquer sistema de gestão empresarial envolve as fases de planejamento,


implementação, execução, operação e avaliação dos resultados alcançados. Essa
sequência de etapas interdependentes também se verifica com o sistema de gestão
ambiental. Desta forma, o sistema deve prever as ações de monitoramento e controle
para verificar a existência de problemas e formas de corrigi-los. Segundo Moreira
(2001), monitorar um processo significa acompanhar evolução dos dados, ao passo
que controlar um processo significa manter o processo dentro dos limites
preestabelecidos.

Consiste em estabelecer medidas-padrão para a verificação do desempenho


ambiental6 das empresas. Os aspectos ambientais significativos – emissões
atmosféricas, efluentes líquidos, ruídos etc. – devem ter suas características medidas
periodicamente e seus resultados comparados com os padrões legais aplicáveis.
(MOREIRA, 2001) Geralmente, os órgãos de controle da qualidade ambiental
estabelecem em documentos apropriados as características a serem medidas e a
periodicidade das medições. O estabelecimento de medidas e o acompanhamento do
desempenho ambiental das empresas são ferramentas úteis no sentido de gerenciar
as atividades ambientais, principalmente aquelas consideradas estratégicas.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 93


2. Não conformidades e Ações Corretivas e Preventivas

Neste quesito é fundamental o entendimento do conceito de não conformidade e a


responsabilidade pela observação, documentação, comunicação e correção das não
conformidades. Não conformidade significa qualquer evidência de desvio dos padrões
estabelecidos com base nos aspectos legais ou de comprometimento da empresa. As
ações corretivas devem ser pautadas em procedimentos que possibilitem a eliminação
da não conformidade e sua não reincidência. As ações preventivas devem apoiar-se
na possibilidade de ocorrência de não conformidades, estabelecendo-se
procedimentos para a verificação de suas causas potenciais. Geralmente a análise de
risco efetuada quando da elaboração dos estudos de avaliação dos impactos
ambientais é uma fonte de informação na identificação da necessidade de adoção de
medidas preventivas.

3. Registros

A empresa deve estabelecer procedimentos para o registro das atividades do SGA,


incluindo informações sobre os treinamentos realizados. Esses registros devem ser
mantidos em ambiente seguro, serem claros quanto ao seu conteúdo, e estarem
prontamente disponíveis para consulta. O tempo de retenção da documentação deve
ser estabelecido e registrado.

4. Auditoria do Sistema de Gestão Ambiental

Por auditoria, entende-se o procedimento de verificação dos cumprimentos de todas


as etapas de implementação e manutenção do sistema de gestão ambiental. As audito
rias do sistema de gestão ambiental devem ser periódicas, sendo recomendadas duas
auditorias internas por ano.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 94


Princípio 5. Análise Crítica

Após a etapa da auditoria, e considerando-se possíveis mudanças nos cenários


internos e externos, como novas pressões de mercado e as recentes tendências do
ambiente externo da empresa – além do compromisso de melhoria contínua requerido
pela SGA –, é o momento da administração identificar a necessidade de possíveis
alterações em sua Política Ambiental, nos seus objetivos e metas, ou em outros
elementos do sistema. Em resumo, aqui o processo de gestão pode ser revisado, bem
como o processo de melhoria contínua exercitado.

Concluindo o assunto, os sistemas de gestão têm se mostrado formas eficientes de


se implementar ideias, ou melhor dizendo, novos valores culturais às administrações
empresariais. Assim fazendo, permite-se que ações efetivas venham a ocorrer,
mudanças se operem e o projeto corporativo anunciado se realize. (LOPES, 2004.
Disponível em <http://www.bdtd.ndc.uff.br/tde_arquivos/14/TDE-2007-05-
31T145639Z-810/Publico/Dissertacao%20Jose%20Lopes.pdf>, acesso em: 31 jul.
2011)

Cuidado com meio ambiente não é apenas sinônimo de despesa, pois o


gerenciamento ambiental também pode significar economia de insumos, maior
valor agregado ao produto, novas oportunidades de negócios e boa
reputação para as empresas identificadas como ecologicamente corretas
(<http://www.licenciamentoambiental.eng.br/beneficios-da-implementacao-de-
sistemas-de-gestao-ambiental/>, acesso em: 31 jul. 2011).
18 - ISO 14.000

Para iniciar nosso assunto, vamos assistir ao vídeo Certificação ISO 14001 disponível
no link: <http://www.youtube.com/watch?v=-0yHES9cr90&feature=related>, acesso
em 22 maio 2017.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 95


Conforme Carvalho (2005), a ISO é uma organização mundial, não governamental,
que congrega organismos nacionais de normalização de mais de cem países. Ela foi
fundada em 1947, com o objetivo de conciliar interesses na elaboração e difusão de
normas internacionais em todos os domínios de atividades, exceto no campo
eletroeletrônico, o qual é da responsabilidade da International Eletrotechnical
Comission (IEC). Cada país tem uma única entidade representativa junto a ISO.

A missão da ISO é alcançada mediante elaboração e publicação de normas de


aplicação voluntária, cuja formulação resulta de contribuições de caráter técnico-
científicas e empíricas de membros do governo, dos setores produtivos e de quaisquer
outros segmentos que estejam nesta interessados. Observa-se que o caráter
voluntário das normas é relativo, pois sua aplicação não é exigida legalmente, mas por
forças de mercado*. (CARVALHO, 2005)

Figura 12: Aspecto geral da ISO 14000

(Fonte: <ambientebrasil.com.br>, acesso em: 19 mar. 2011).

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 96


Para se entender os benefícios da certificação ambiental para as empresas, é sugerida
a leitura completa do artigo, que em parte é apresentado a seguir:

GRUMMT FILHO, A; WATZLAWICK, L. F. Importância da certificação de um SGA-


ISO 14001 para empresas. 6. ed. Revista Eletrônica Lato Sensu – UNICENTRO,
2008.

Benefícios da ISO 14001 para as empresas (GRUMMT FILHO, 2008)

Fazer negócios, atualmente, não é apenas vender um produto ou serviço para clientes
próximos. Nesta rápida evolução em direção a um mercado global, ter um conjunto
de regras comuns é fundamental para facilitar o comércio. Ao mesmo tempo, essas
regras devem ser suficientemente flexíveis para se aplicar tanto a uma empresa do
Japão ou do Brasil, como a uma empresa dos Estados Unidos ou da Inglaterra.

Em tal mercado singular, as organizações devem ser capazes de demonstrar, cada vez
mais, uma sólida gestão empresarial que inclua a preocupação com o meio ambiente.
A cada dia, temos mais evidências de que essa preocupação resulta em vantagens
para as áreas de finanças, seguros, marketing, regulamentos e outras áreas
operacionais. Um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) oferece uma sólida estrutura
para alcançar desafios ambientais e concretizar os benefícios citados acima.

Há muitas razões para se implementar um SGA. As empresas reconhecem que apenas


o foco no “comando e controle” não proporciona os resultados financeiros desejados.
A ISO 14001 tem se mostrado uma ótima ferramenta para ajudar a empresa a evoluir
da simples conformidade com regulamentos para uma posição de melhor
produtividade e maior vantagem competitiva.

Cada vez mais, aumentam as evidências de que empresas que gerenciam não apenas
os fatores econômicos comuns, mas também os fatores ambientais e sociais que

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 97


afetam seus negócios, demonstram um desempenho financeiro superior ao de
empresas que deixam de gerenciar os três tipos de fatores. Além disso, a experiência
tem mostrado que a ISO 14001 é uma estrutura que inspira e canaliza a criatividade
de todos os membros da organização, tornando-os agentes ativos da proteção
ambiental, da conservação de recursos e da melhoria da eficiência. Quando todos os
membros de uma organização são desafiados a pensar de forma diferente, promove-
se a criação de produtos e serviços inovadores. A inovação constitui um propulsor
fundamental para o crescimento econômico, o que faz da ISO 14001 uma formidável
ferramenta que certamente trará ótimos resultados ao investir.

A rapidez e a eficácia com que ocorre o retorno de um investimento feito na ISO 14001
constituem uma função de várias condições, incluindo: a) Situação e nível de
sofisticação do sistema de gestão existente. b) grau do desafio ambiental enfrentado,
incluindo situações passadas, presentes e futuras. c) Quantidade e qualidade dos
recursos aos quais se tem acesso, tanto internos como externos. d) Estado de
preparação, como, por exemplo, a existência de práticas de gestão ambiental. e)
Responsabilidades relacionadas com a gestão ambiental e sua relação com pessoas.
f) Expectativas das partes interessadas com relação ao SGA. g) Situação atual de
conformidade com requisitos legais. h) Outros requisitos com os quais se possa ter um
comprometimento. i) Nível de verificação necessário para atender aos requisitos do
mercado ou às expectativas das partes interessadas.

A ISO 14001 é uma norma intencionalmente flexível, que pode ser aplicada em
pequenas empresas como em organizações multinacionais, possibilitando o acesso a
um mercado global onde o desempenho empresarial e o desempenho ambiental
andam de mãos dadas.

Agora que já lemos o artigo e entendemos o que é a ISO e suas funções na empresa,
podemos falar que aquelas relacionadas aos sistemas de gestão ambiental são: ISO
14001, ISO 14004, ISO 14061. As duas primeiras são de uso geral, foram publicadas
em 1996 e passaram por um processo de revisão iniciado em 1999 e concluído em

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 98


2004. A última é específica para organizações florestais. Elas foram traduzidas pela
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e integram o conjunto de normas
dessa instituição (Barbieri, 2010).

Segundo a ABNT NBR ISO 14001:2004, “esta norma especifica os requisitos para que
um sistema de gestão ambiental capacite uma organização a desenvolver e
implementar política e objetivos que levam em consideração requisitos legais e
informações sobre aspectos ambientais significativos. Pretende-se que se aplique a
todos os tipos e portes de organizações e para adequar-se a diferentes condições
geográficas, culturais e sociais. O sucesso do sistema depende do comprometimento
de todos os níveis e funções e especialmente alta administração. Um sistema deste
tipo permite a uma organização, desenvolver uma política ambiental.

A finalidade geral desta norma é equilibrar proteção ambiental e a prevenção da


poluição, com as necessidades socioeconômicas. Deve-se notar que muitos desses
requisitos podem ser abordados simultaneamente ou reapreciados a qualquer
momento”.

A seguir são detalhados novamente (etapas de implementação do SGA vista na aula


anterior) os elementos de um Sistema de Gestão Ambiental com base na Norma ISO
14001, ABNT. (1996 apud BRAGA et al., 2005)

- Política Ambiental: Fornece um senso global de direção e apresenta princípios de


ação para uma organização, sendo estabelecidas metas relativas ao desempenho e
responsabilidade ambiental, contra as quais todas as ações subsequentes serão
julgadas. Essa política deve ser definida pela alta administração da empresa, devendo
assegurar que ela: seja apropriada à natureza, à escala e aos impactos ambientais de
suas atividades, produtos e serviços; inclua um comprometimento com a melhoria
contínua e com a preservação da poluição; seja documentada, implantada, mantida e
comunicada para todos empregados; e esteja disponível para o público.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 99


- Planejamento: Com base na política ambiental, a organização deve fazer um
planejamento com o objetivo de atender aos requisitos estabelecidos.

- Implementação e Operação: O processo de implementação e operação do SGA


deve ser conduzido de forma a serem atingidos os objetivos e metas estabelecidas.

- Verificação e ações corretivas: Para que a política ambiental possa ser avaliada,
é necessário que sejam desenvolvidos procedimentos para monitorar e medir as
principais características das operações e atividades que podem causar um impacto
significativo no meio ambiente, ao mesmo tempo que devem ser estabelecidos os
procedimentos referentes às ações corretivas que devem ser tomadas para eliminar
as causas reais ou potenciais, que poderiam resultar em um impacto no meio
ambiente.

- Revisão do Gerenciamento: Para que o comprometimento com a melhoria


continua possa ser efetivo, a alta administração da organização deve, em intervalos
predefinidos, revisar o Sistema de Gestão Ambiental, de forma a assegurar que este
continue adequado e efetivo. Nessa revisão, devem ser verificados as necessidades de
mudanças na política, os objetivos e outros elementos do SGA, tomando-se como base
os resultados obtidos nas auditorias do sistema.

A implantação de um sistema de gestão ambiental é baseada no Ciclo PDCA (Plan, Do,


Check e Act), que nada mais é do que um procedimento sistematizado e estruturado
para o planejamento, implantação, verificação e revisão das estratégias para a
obtenção de uma melhoria do desempenho ambiental da organização.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 100


Figura 13: Sistema de Gestão Ambiental segundo ISO 14001

(Fonte: <ambientebrasil.com.br>, acesso em: 19/03/2011).


Um fato a se destacar é que as Normas ISO 14000 vão além do sistema de gestão,
abordando muitos aspectos relevantes à proteção do meio ambiente.

Leia também informações deste endereço da web para complementar suas ideias
sobre ISO 14000 nas empresas:
<http://www.totalqualidade.com.br/2012/11/vantagens-e-importancia-da-iso-
14001.html>, acesso em: 26 jun. 2016).

Um outro ponto importante de ser lido e tido como referência para a segurança do
trabalho que atua no QSMS e que complementa inclusive a ISO 14000 como fator
importante para um SGA, é a NR-25, que consta na íntegra no seguinte link:
<http://acesso.mte.gov.br/data/files/8A7C816A31B027B80131B4F9B2F25242/nr25.p
df>, acesso em 26 jun. 2016.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 101


Para refletir sobre o assunto: Ao estudar a história da indústria do século XX, é
possível perceber uma evolução no trato da questão ambiental nas empresas. Até o
fim da primeira metade desse século, as questões ambientais e a poluição causada
pelas empresas e por suas atividades econômicas tinham pouco impacto nas decisões
empresariais. Já existiam leis a respeito do assunto em diversos países, mas em geral
eram pontuais e não havia uma fiscalização eficiente.

As ações preventivas, corretivas e repressivas não se integravam e a postura das


organizações era basicamente reativa, ou seja, a solução dos problemas ambientais
era encaminhada depois que os problemas aconteciam. (PHILIPPI JR. & AGUIAR,
2009)

Atualmente, através da existência do sistema de gestão ambiental regulado pelas ISO,


principalmente aquelas relacionadas ao meio ambiente, já começamos a notar
algumas pequenas diferenças. Vamos torcer para que elas continuem a ser usadas
como fator, antes de mais nada, de sobrevivência do homem na Terra.

19 - Auditorias Ambientais

Recentemente as auditorias ambientais passaram a ter papel de destaque entre os


instrumentos de gestão ambiental. Desde o momento em que os gestores ambientais
perceberam que a disponibilidade de tecnologias e o monitoramento dos resultados
não bastavam para alcançar resultados nessa área, as auditorias passaram a ser cada
vez mais utilizadas. A competição internacional conduziu as exigências ambientais ao
status de barreiras não tarifárias, levando à elaboração e implementação das normas
ISO 14001 e do correspondente sistema de auditoria e certificação ao redor do mundo.
O processo acelerado de aquisições e fusões de empresas passou a requerer
verificações rigorosas, para que eventuais passivos pudessem ser avaliados e seu valor
levado em conta nos negócios, levando à necessidade de auditorias de passivo
ambiental. A migração de indústrias internacionais para países em desenvolvimento
obrigou as matrizes das empresas a estabelecer processos sistemáticos de verificação

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 102


dos cuidados com o meio ambiente em suas filiais, a fim de evitar problemas graves
que possam ferir sua imagem. (PHILIPPI JR. & AGUIAR, 2009)

Para compreendermos melhor o surgimento das auditorias ambientais, vamos ler um


pouco da história da relação da questão ambiental com as auditorias, contada por
Philippi Jr. & Aguiar (2009):

Ao estudar a história da indústria no século XX, é possível perceber uma evolução no


trato da questão ambiental nas empresas. Até o fim da primeira metade desse século,
as questões ambientais a poluição causada pelas empresas e por suas atividades
econômicas tinham pouco impacto nas decisões empresariais. Já existiam leis a
respeito do assunto em diversos países, mas em geral eram pontuais e não havia uma
fiscalização eficiente. As ações preventivas, corretivas e repressivas não se integravam
e a postura das organizações era basicamente reativa, ou seja, a solução dos
problemas ambientais era encaminhada depois que os problemas aconteciam.

Acompanhando os movimentos internacionais e a evolução das legislações de controle


ambiental, durante as décadas de 1960 e 1970 as indústrias passaram a ampliar a
aplicação de tecnologias de tratamento para as emissões de poluentes. Essas
tecnologias se consolidaram naquela época, e hoje são conhecidas como tecnologia
de fim de tubo, porque se preocupam em eliminar os poluentes depois que esses
foram gerados pelo processo. Tais equipamentos, acrescentados às instalações
industriais, já eram capazes, naquela época, de proporcionar o cumprimento da
maioria dos padrões de emissão estabelecidos nas legislações.

Por outro lado, certos processos, em especial na indústria química, petroquímica e de


energia, estavam sujeitos a acidentes graves, como vazamentos tóxicos, explosões e
incêndios. Para evitá-los e minimizar suas consequências, inúmeros dispositivos de
segurança foram desenvolvidos e implantados, incluindo sistemas de detecção,
válvulas de segurança e outros.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 103


No entanto, no fim da década de 1970 e ao longo de 1980, diversos acidentes
industriais mostraram que os problemas ainda não estavam resolvidos. Ocorrências
como o vazamento de isocianato de metila na fábrica da Union Carbide, Bophal, em
1984, na Índia, o vazamento radiativo na usina de Three Mile Island, em 1979, nos
EUA e até mesmo o acidente com a cápsula de césio 137 em Goiânia, no Brasil,
mostraram que por trás das questões técnicas existiam causas gerenciais. Entre elas,
podem se citar a falta de comprometimento de chefias, supervisores e gerentes, falhas
no treinamento e na capacitação de pessoal e a falta de regularidade no fornecimento
de recursos para a solução de problemas ambientais.

Como consequência de um acidente em uma empresa embaladora terceirizada nos


Estados Unidos, em 1977, a Arthur D. Little executou para a Allied Signal – na época
Allied Chemical – o que talvez tenha sido a primeira auditoria abrangente nas áreas
ambiental, de saúde e segurança ocupacional. O objetivo era verificar se os requisitos
legais e os padrões exigidos pela corporação estavam sendo cumpridos. Em 1978, a
Allied estabeleceu um programa corporativo de auditorias de meio ambiente, saúde e
segurança ocupacional, um dos primeiros desse tipo (KENNEDY, 1994). Outras fontes
apontam origens ligeiramente diferentes para a auditoria ambiental, incluindo a
motivação para a execução e o fato de as auditorias terem surgido simultaneamente
nos Estados Unidos, na Grã-Bretanha e na Alemanha (Sales, 2001).

No fim da década de 1980, impulsionadas pelos problemas causados pelos acidentes,


pelos crescentes custos do controle da poluição e pelo aumento das pressões sociais
com os movimentos ambientalistas, muitas empresas internacionais iniciaram
programas de prevenção. Começaram a ser difundidos conceitos como tecnologias
limpas e segurança inerente, que denotam preocupação com as características
ambientais e de segurança dos processos. O Programa de Atuação Responsável das
indústrias químicas foi um dos produtos dessa evolução do pensamento industrial
sobre o meio ambiente.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 104


Nessa época intensificou-se o interesse pelas auditorias ambientais, muitas normas de
gestão ambiental e códigos de conduta passaram a incluir as auditorias ambientais em
sua estrutura, como os princípios da Carta Empresarial para o Desenvolvimento
Sustentável da Câmara Internacional do Comércio. Em 1986, a Environmental
Protection Agency (EPA), Agência Ambiental Americana lançou uma declaração de
princípios de auditoria ambiental, condicionando pedidos de licenças ambientais à
realização de auditorias. (SECRETARIA DE ESTADO DO MEIO AMBIENTE ISO 14001,
SÃO PAULO, 1997).

Por causa de pressões sociais, comerciais e das lições aprendidas na década de 1980,
a International Organization for Standartization (ISO) anunciou no Rio de Janeiro em
1982, a decisão de desenvolver uma série de normas sobre gestão ambiental. Essa
série viria a ser a ISO 14000, que inclui normas com diretrizes para sistemas de gestão
ambiental e auditorias. Foi uma evolução importante, porque as normas não se
concentravam em padrões técnicos específicos e características desejáveis de
produtos, mas sim em como a empresa se organiza para trará de gestão ambiental de
suas atividades, produtos e serviços. Também foi desenvolvida uma estrutura para
certificação dos sistemas de gestão ambiental por meio de auditorias.

No Brasil, vários estados criaram leis exigindo auditoriais ambientais, tais como Rio de
Janeiro, o Espírito Santo, o Paraná e Minas Gerais, no entanto, em alguns casos as leis
não estão regulamentadas o que dificulta sua aplicação. (LA ROVERE, 2000)

A partir desse histórico, podemos nos aprofundar nas definições sobre auditoria
ambiental. Vamos lá?

As auditorias ambientais são instrumentos de múltiplos propósitos e um dos mais


antigos que se conhece. A auditoria entendida como exame, conferência ou apuração
de fatos já era empregada há muito tempo e existem relatos de seu uso na
Antiguidade, como atestam diversos textos de auditoria contábil. No início, as
auditorias ambientais buscavam basicamente assegurar a adequação das empresas às

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 105


leis ambientais dentro de uma postura defensiva, ou seja, procuravam identificar os
possíveis problemas relacionados com multas, indenizações e outras penalidades ou
restrições contidas nas diversas leis federais, estaduais e locais. Muitas organizações
começaram a realizar auditorias voluntárias e os órgãos governamentais passaram a
estimular tal prática.

Ao final da década de 1980, já existia uma razoável experiência internacional sobre


esse instrumento, que em grande parte de beneficiou dos avanços em outros tipos de
auditoria, como a contábil e a de qualidade. A preocupação legalista predominava
nessas auditorias, denominadas auditorias de conformidade ou de cumprimento. Com
o tempo, outras considerações foram sendo acrescentadas e, com isso, a expressão
auditoria ambiental tornou-se bastante elástica, podendo significar uma diversidade
de atividades de caráter analítico voltadas para identificar, averiguar e apurar fatos e
problemas ambientais de qualquer magnitude e com diferentes objetivos. (BARBIERI,
2007)

Figura 14: Figura de representação de auditoria ambiental

(Fonte: <http://www.jornallivre.com.br/images_enviadas/auditoria-ambiental-saude-
segu.jpg>, acesso em 04 jul. 2011).

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 106


Praticamente todas as iniciativas voluntárias, recomendam a realização de auditorias
ambientais de modo regular e sistemático. A Carta Empresarial para o
Desenvolvimento Sustentável da ICC estabelece no seu 16º princípio que a empresa
deve medir o desempenho ambiental, realizar auditorias ambientais regularmente,
obedecer às normas legais e divulgar informações apropriadas ao conselho de
diretores, aos empregados, aos acionistas, às autoridades e ao público em geral. As
auditorias anuais e a divulgação de seus resultados constam do 10º princípio Ceres. A
realização de auditorias de modo regular faz parte dos estágios mais avançados de
preocupação ambiental, como são as abordagens de prevenção da poluição e
estratégica, conforme o mesmo autor.

As auditorias ambientais podem ser aplicadas em organizações, locais, produtos,


processos e sistemas de gestão. Os principais tipos de auditoria ambiental quanto a
seus objetivos, indicando para cada um os seus principais instrumentos de referências
para efeito de averiguação e análise, estão expostos por Barbieri na Tabela 6.

Tabela 6: Alguns tipos de auditorias ambientais

Tipo Objetivos Principais instrumentos de


referência (como é feita a
auditoria)
Auditoria de Verificar o grau de -Legislação ambiental
conformidade conformidade com a - Licenças e processos de
legislação ambiental licenciamentos
-Termos de ajustamento
Auditoria de desempenho Avaliar o desempenho de - Legislação ambiental
ambiental unidades produtivas em - Acordos voluntários
relação à geração de subscritos
poluentes e ao consumo de - Normas técnicas
energia e materiais, bem - Normas da própria
como aos objetivos organização
definidos pela organização
Due diligence Verificação das - Legislação ambiental,
responsabilidades de uma trabalhista, societária,
empresa perante tributária, civil, comercial
acionistas, credores, etc.
fornecedores, clientes,

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 107


governos e outras partes - Contrato social, acordos
interessadas. com acionistas e
empréstimos
- Títulos de propriedade e
certidões negativas

Auditoria de desperdícios Avaliar os desperdícios e - Legislação ambiental


e de emissões seus impactos ambientais e - Normas técnicas
econômicos com vistas às - Fluxograma e rotinas
melhorias em processos ou operacionais
equipamentos específicos. - Códigos e práticas do
setor
Auditoria pós-acidente Verificar as causas do - Legislação ambiental e
acidente, identificar as trabalhista
responsabilidades e avaliar - Acordos voluntários
os danos. subscritos
- Normas técnicas
- Planos de emergência
- Normas da organização e
programas de treinamento
Auditoria de fornecedor Avaliar o desempenho de - Legislação ambiental
fornecedores e selecionar - Acordos voluntários
novos. Selecionar subscritos
fornecedores para projetos - Normas técnicas
conjuntos. - Normas da própria
empresa
- Demonstrativos
contábeis dos
fornecedores
- Licenças, certificações e
premiações
Auditoria de sistema de Avaliar o desempenho do - Normas que especificam
gestão ambiental sistema de gestão os requisitos do SGA (ISO
ambiental, seu grau de 14001, Emas – Eco
conformidade com os Management and Audit
requisitos da norma Scheme – etc.).
utilizada e se está de
acordo com a política da
empresa.
Fonte: (BARBIERI, 2007).

Para concluir esse assunto, as auditorias ambientais tendem a ser cada vez mais
compreendidas e aplicadas. Em um ambiente econômico extremamente competitivo
internacionalmente, no qual as sociedades de mostram cada vez mais conscientes e
exigentes quanto à preocupação com o meio ambiente nas atividades econômicas, as
PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 108
auditorias são um instrumento adequado para gerar informações relativas à gestão e
à comunicação ambiental. Sua eficácia depende da adequada capacitação dos
auditores, e nesse sentido as próprias organizações deveriam se esforçar para se
fortalecer no atendimento da necessidade de auditorias internas e para realizar
exigências quanto a seus parceiros econômicos. (PHILIPPI JR. & AGUIAR, 2009)

20 - Princípio do Poluidor-Pagador

A cobrança de tributos ambientais objetiva internalizar os custos ambientais


produzidos pelos particulares. Nas economias de mercado, as decisões sobre o que,
como, quanto e onde produzir são feitas considerando os preços dos bens que serão
produzidos e seus custos internos de produção e distribuição, tais como força de
trabalho, matérias-primas, energia e depreciação dos equipamentos. Para o
empresário, os custos incorridos pela empresa devem ser os mínimos possíveis para
que ele possa maximizar os lucros. Além desses custos de produção e distribuição, as
atividades produtivas também geram outros custos, que se não forem pagos pela
empresa, recaem sobre a sociedade, daí porque são denominados custos externos ou
sociais. (BARBIERI, 2010)

Um desses custos refere-se à perda da qualidade do meio ambiente, seja decorrente


do uso de recursos naturais, seja da poluição resultante de processos da produção,
distribuição e utilização dos bens produzidos pela empresa. A poluição de um rio
causada por um processo produtivo representa custos reais desse processo, porém, é
a sociedade que paga por eles, constituindo-se dessa forma, em custos externos à
empresa poluidora. Os custos totais da produção dos bens e serviços são, portanto,
constituídos pelos custos internos e externos: os primeiros são aqueles que a empresa
paga para poder produzir e comercializar, o segundo são pagos por todas as pessoas
desta e das futuras gerações. (BARBIERI, 2010)

O princípio do poluidor-pagador (PPP) é o conceito mais utilizado na formulação de


instrumentos econômicos de políticas ambientais. É estabelecido como instrumento de

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 109


política ambiental aplicado como diretriz pelos países-membros da OECD1, é entendido
com a seguinte definição: princípio a ser aplicado para a imputação de custos das
medidas de prevenção e de controle da poluição, que favorecem o emprego racional
de recursos limitados do meio ambiente, evitando-se as distorções do comércio
internacional. (BARBE, 1991; BERNSTEIN, 1993)

Observação: A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)


é uma organização internacional e intergovernamental que agrupa os países mais
industrializados da economia do mercado. Tem sua sede em Paris, França. Na OCDE,
os representantes dos países membros se reúnem para trocar informações e definir
políticas com o objetivo de maximizar o crescimento econômico e o desenvolvimento
dos países membros.

(Fonte: <http://www.cgu.gov.br/ocde/sobre/informacoes/index.asp>, acesso em: 18


jun. 2011).

Nesse caso, a aplicação do princípio atribui ao poluidor a responsabilidade pelas


despesas relativas aos serviços públicos executados pelo Estado para que as condições
do meio ambiente permaneçam aceitáveis. Assim, o custo das medidas deverá
repercutir sobre os custos dos bens e serviços que estão na origem da poluição,
gerados na produção ou no consumo. (PHILIPPI JR. & MAGLIO, 2009)

Figura 15: Vazamento de petróleo da British Petroleum no Golfo do México em 2010 enquadrada no PPP
PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 110
(Fonte:
<http://1.bp.blogspot.com/_4iYIC5y1pl4/TALeEo_ieeI/AAAAAAAAADE/s_1JF4XLDj4/s
1600/get.jpg>, acesso em: 18 jun. 2011).

Segundo os mesmos autores, no PPP, o poluidor deve arcar com o ônus financeiro
proporcional às alterações que provoca no ambiente. No Princípio Usuário-Pagador, o
usuário deve pagar o custo social total decorrente de seu consumo, incluindo a
diminuição da oferta e os custos de tratamentos eventualmente necessários (p. ex.,
cobranças por volume e toxicidade de resíduos gerados, compra de certificados de
permissão de poluição do ar, sistema de pagamento pela quantidade de lixo
produzido), ou mesmo incluindo os custos indiretos como as taxas que recaem sobre
o uso de produtos (combustíveis fósseis).

As modalidades de instrumentos econômicos adotadas nos países desenvolvidos são:


cobranças variáveis, mercados de licenças negociáveis, subsídios, sistemas de
depósito-restituição (caução) e incentivos de enforcement (sanção).

21 - O Licenciamento Ambiental no Controle das Atividades Poluidoras

O licenciamento de atividades poluidoras é constituído de um conjunto de leis e


decretos, normas técnicas e administrativas que consubstanciam as obrigações e
responsabilidades dos empresários, de Poder Público ou de outros agentes promotores
de projetos, com vistas à autorização para implantação de qualquer empreendimento,
seja potencial, seja efetivamente capaz de alterar as condições do meio ambiente.
(PHILIPPI JR. & MAGLIO, 2009)

Licenciamento ambiental é o procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental


competente licencia a localização, instalação, ampliação e operação de
empreendimentos e atividades que utilizam os recursos ambientais, consideradas
efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 111


causar degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares e
as normas técnicas aplicáveis ao caso. (FUNIBER, 2009)

Segundo no mesmo autor, a licença ambiental é ato administrativo pelo qual o órgão
ambiental competente, estabelece as condições, restrições e medidas de controle
ambiental que deverão ser obedecidas pelo empreendedor pessoa física ou jurídica,
para localizar, instalar, ampliar e operar empreendimentos ou atividades que utilizam
os recursos ambientais, consideradas efetivas ou potencialmente poluidoras ou
aquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental.

Figura 16: Exemplo de documento de Licença Ambiental

(Fonte: <http://www.vigacaldeiraria.com.br/images/cert_iso_ambiental.jpg>, acesso


em: 19 jun. 2011).

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 112


A Constituição Federal de 1988 determinou que para a instalação de obra ou atividade
potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente deverá ser
exigido, na forma da lei, estudo prévio de impacto ambiental a que se dará publicidade
(art. 225, 1º, II), recepcionando, assim: inciso 3º, do art. 10, da Lei 6.803/80, que
dispõe sobre as diretrizes básicas para o zoneamento industrial nas áreas críticas de
poluição, in verbis, “Além de estudos normalmente exigíveis para o estabelecimento
de zoneamento urbano, a aprovação das zonas a que se refere o parágrafo, será
precedida de estudos especiais de alternativas e de avaliações de impacto, que
permitam estabelecer a confiabilidade da solução a ser adotada”.

O licenciamento é uma exigência contida no art. 10 da Lei 6.938, de 31 de agosto de


1981, regulamentada pelo Decreto 99.274/90, que dispõe: “A construção, instalação,
ampliação e funcionamento de estabelecimentos e atividades que utilizam os recursos
naturais, considerados efetiva e potencialmente poluidores, bem como capazes, sob
qualquer forma de causar degradação ambiental, dependerão de prévio licenciamento
de órgão estadual competente, integrante do Sisnama, e do Ibama, em caráter
supletivo, sem prejuízo de outras licenças exigíveis”.

Nos termos do caput do art. 10 da Lei 6.938/81 e do art. 17 do Decreto 99.274/90, a


competência para o licenciamento ambiental é dos Órgãos Estaduais de Meio
Ambiente, integrante do Sisnama (órgãos e entidades da União, Estados, Distrito
Federal, Territórios, Municípios e as Fundações instituídas pelo Poder Público para a
proteção e melhoria da qualidade ambiental) e do Ibama em caráter supletivo. O art.
4º comanda que é de competência privativa do Ibama, o licenciamento ambiental de
empreendimentos, no caso de atividades e obras com significativo impacto ambiental,
de âmbito nacional e regional. Exemplo dessas atividades de competência do Ibama
são as relacionadas a atividades nucleares e radiativas. (FUNIBER, 2009)

As licenças previstas, estabelecidas pela Lei 6.938/81, conforme Philippi Jr. & Maglio
(2009) são:

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 113


- Licença Prévia (LP), a ser expedida na fase de planejamento e concepção de um
novo empreendimento; deve conter os requisitos básicos a serem atendidos nas fases
de localização, instalação e operação da atividade. Sua concessão depende das
informações sobre o estágio de concepção do projeto, sua caracterização e
justificativa, a análise dos possíveis impactos sobre o ambiente, e as medidas que
serão adotadas para o controle e mitigação desses impactos ou dos riscos ambientais.

Dessa forma, estabelece as condições para a viabilidade do empreendimento do ponto


de vista da proteção ambiental. Em projetos de maior complexidade e com possíveis
impactos ambientais relevantes, os órgãos de controle poderão exigir a realização de
Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (EIA/RIMA),
como condição para obter a licença prévia. Esse instrumento foi normatizado pela
Resolução 001/86 do Conama.

- Licença de Instalação (LI), a ser emitida de acordo com as especificações do projeto


executivo; deve conter o plano de controle ambiental do empreendimento. Requer
também a apresentação de informações detalhadas do projeto por meio de plantas,
layouts, unidades que o compõem, métodos construtivos, processos e tecnologias,
sistemas de tratamento e disposição de efluentes, corpos receptores etc. A concessão
da licença de instalação autoriza o início da implantação do empreendimento.

- Licença de Operação (LO), a ser expedida em fase anterior à operação; após o


atendimento dos requisitos necessários, autoriza o início da atividade licenciada e o
funcionamento de seus equipamentos de controle ambiental, de acordo com o previsto
na Licença Prévia e na Licença de Instalação. Autoriza a operação do empreendimento.

Todas as licenças ambientais são válidas por tempo determinado. A Resolução Conama
237/1997 estabelece para cada tipo de licença um prazo de validade mínimo e um
máximo, como mostra a Tabela 7. O prazo de prorrogação não pode ultrapassar o
prazo máximo estabelecido para a modalidade de licença. No caso da licença de
operação, o órgão ambiental, após avaliação do desempenho ambiental da atividade

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 114


ou do empreendimento, poderá aumentar ou diminuir o prazo de validade da licença,
respeitando os prazos mínimos e máximos dessa modalidade. A prorrogação da licença
de operação deve ser requerida com antecedência mínima de 120 dias do término do
seu prazo de validade, ficando esta automaticamente prorrogada até manifestação
definitiva do órgão ambiental.

Tabela 7: Resolução Conama 237/1997, art. 18

Tipos de Licença Prazos


Máximo Mínimo
Licença Prévia 5 anos Prazo estabelecido pelo
cronograma dos planos,
programas e projetos
relativos à atividade ou ao
empreendimento. Esse
prazo poderá ser
prorrogado, desde que não
ultrapasse o prazo máximo
da respectiva licença.
Licença de Instalação 6 anos
Licença de Operação 10 anos Mínimo de quatro anos ou
o prazo considerado nos
planos de controle
ambiental. Prazos
específicos para
empreendimentos ou
atividades sujeitos a
encerramentos ou
modificações em prazos
inferiores.
Fonte: (BARBIERI, 2010)

22 - Movimentos Ambientais/Grupos

Não poderíamos deixar de fechar esta disciplina, sem entender qual foi a principal
motivação da discussão que estamos tendo atualmente sobre a importância das
questões ambientais, tanto para as atividades empresariais como para nossa própria
sobrevivência como espécie. Desta forma, resgatar o contexto histórico que a
exaltação do meio ambiente como fator fundamental produtivo e de qualidade de vida
PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 115
é essencial. Vamos mergulhar nesta história para fechar nossos assuntos de proteção
ambiental? Afinal é somente por causa destes movimentos que estamos aqui hoje.

Observação: Não se pretende aqui fazer um resgate histórico total dos grupos e
eventos ocorridos na área ambiental internacionalmente até hoje, mas sim se pontuar
os principais movimentos.

A insatisfação gerada por uma série de situações, como o crescimento desordenado


das cidades, a exclusão social, o autoritarismo, a ameaça nuclear, os desastres
ambientais resultantes da ação humana, entre outros problemas, foi reunindo cada
vez mais pessoas em torno de questões relativas ao meio ambiente, à qualidade de
vida e à cidadania. (PELICIONI, 2009)

Ao longo da década de 1960, ocorreram manifestações populares em diversos países,


por exemplo, Brasil, Japão, antiga Tchecoslováquia, EUA, em razão de problemas
como a ditadura, a ocupação soviética, a Guerra do Vietnã, entre outros. Na França,
essa movimentação atingiu seu apogeu ao longo de 1968, quando vários grupos –
estudantes, artistas, intelectuais e operários – articularam uma grande greve nacional
contra o status quo *. (SIMONNET, 1981)

*Status quo: estado atual das coisas na época em questão.

Figura 17: Greve de 1968: estudantes da Universidade Sorbonne protestam nas ruas de Paris.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 116


Já nessa época, vemos que o movimento ecológico colocou em xeque a estrutura de
necessidades, o modo de vida das pessoas e as relações entre a humanidade e o
mundo, segundo Castoriadis e Cohn-Bendit (1981).

Mas por onde andava a questão de educação ambiental?

A educação ambiental (EA) na década de 1960, ainda não estava bem delineada e,
por vezes, era confundida com educação conservacionista, aulas de ecologia ou
atividades propostas por professores de determinadas disciplinas, que ora
privilegiavam o estudo compartimentalizado dos recursos naturais e as soluções
técnicas para os problemas ambientais locais, ora visavam despertar nos jovens um
senso de maravilhamento em relação à natureza. (PELICIONI, 2002 apud PELICIONI,
2009)

Vários autores apontam a Keele Conference on Education and Countryside, realizada


em 1965, na Universidade de Keele (Inglaterra), como um marco a partir do qual o
termo Environmental Education (educação ambiental), que circulava em meios
específicos, alcançou ampla divulgação. (MARTIN e WHEELER, 1975 apud PELICIONI,
2009)

Pouco tempo depois, na Grã-Bretanha, implantou-se o Conselho para Educação


Ambiental, voltado para a coordenação de organizações envolvidas com os temas
educação e meio ambiente. Já em 1970, segundo Pelicioni (2009), o Conselho para EA
fazia o seguinte alerta por meio de um relatório:

(...) pessoas diferentes atribuem diversos significados {à


EA}, e também muitos dos que usam o termo não têm
certeza do que querem dizer. Parte da confusão emerge da
tendência de ministrantes de diversas disciplinas em se
apropriar do termo “ambiental” para sua área, qual seja
ecologia, geografia, história, arqueologia, arquitetura,

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 117


planejamento, sociologia ou estudos rurais. Alguns pensam
exclusivamente em termos de ambientes naturais, outros
em ambiente urbano ou em qualquer estágio do ambiente
construído.

No Brasil, durante a década de 1960, ocorreu uma nova onda de produção legislativa
– o novo Código Florestal, a nova Lei de Proteção aos Animais e a criação de vários
parques nacionais e estaduais. Entretanto, continuavam não sendo discutidos
problemas fundamentais como o estilo de desenvolvimento que o país deveria adotar,
a poluição, o zoneamento das atividades urbano-industriais, entre outros. Como
observa Drummond (1997):

... a disseminação da consciência ambientalista no Brasil foi muito prejudicada pelos


altos e baixos da democratização do país. A ditadura de 1964 desmobilizou a cidadania,
resultando em uma atuação estatal tímida e particularmente voltada para a
preservação do chamado ambientalismo geográfico, naturalista, ou seja, ainda voltado
para a criação de áreas naturais protegidas.

No final da década de 1960, percebemos que a problemática ambiental suscita debates


no mundo: A UNESCO (em colaboração com outras entidades) organiza a Conferência
Intergovernamental de Especialistas sobre as Bases Científicas para Uso e
Conservação Racionais dos Recursos da Biosfera, ou simplesmente, a Conferência da
Biosfera. Esse evento, em Paris, deu continuidade ao tema da cooperação
internacional em pesquisas científicas, que havia sido inicialmente abordado, em 1949,
na Conferência Científica das Nações Unidas sobre a Conservação e Utilização de
Recursos. (PELICIONI, 2009)

Em decorrência de uma das recomendações oriundas da Conferência da Biosfera e


atendendo à solicitação dos representantes suecos presentes na XXIII Assembleia
Geral da ONU (1969), no sentido da realização de uma conferência específica para que
fossem discutidas questões de meio ambiente, uma vez que a Suécia estava sofrendo

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 118


os efeitos da poluição gerada em outros países, a cidade de Estocolmo (Suécia) sediou
a Primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em 1972.
Essa foi a primeira conferência temática da ONU e reuniu representantes de 113
países. (PELICIONI, 2009)

Segundo McCormick (1992), em Estocolmo foi a “primeira vez que as questões


políticas, sociais e econômicas do meio ambiente global foram discutidas em um fórum
intergovernamental, com a perspectiva de realmente empreender ações corretivas”, o
que produziu maior envolvimento tanto por parte dos governantes e das instituições
supranacionais quanto das Organizações Não Governamentais (ONGs), mesmo tendo
participado de fóruns distintos. Nessa fase, portanto, a visão conservacionista estava
dando lugar a um movimento mais amplo.

O mesmo autor afirma que foi:

“o acontecimento isolado que mais influiu na evolução do


movimento ambientalista internacional, pois confirmou a
tendência em direção a uma nova ênfase sobre o meio
ambiente humano. O pensamento progrediu das metas
limitadas de proteção da natureza e conservação dos
recursos naturais para a visão mais abrangente da má
utilização da biosfera por parte dos humanos. A própria
natureza do ambientalismo mudou: da forma popular,
intuitiva e provinciana com a qual emergiu nos países mais
desenvolvidos no final dos anos 1960, para uma forma de
perspectivas mais racionais e globais, a qual enfatizava o
esforço no sentido de uma compreensão plena dos
problemas e do acordo sobre uma ação legislativa efetiva.
Forçou um compromisso entre as diferentes as diferentes
percepções sobre o meio ambiente defendidas pelos países
mais e menos desenvolvidos”.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 119


Importantes desdobramentos de Estocolmo foram as iniciativas voltadas para a
recuperação da saúde ambiental do planeta, por meio do incentivo a implantação de
políticas públicas, órgãos ambientais estatais, cooperação e acordos internacionais,
além da ênfase na necessidade da generalização de esforços para a educação
ambiental. A própria Declaração sobre o Ambiente Humano, gerada no evento,
enfatizou a necessidade de mais trabalhos em educação voltados para as questões
ambientais. (PELICIONI, 2009)

Figura 18: Acordo entre países em Estocolmo, 1972

(Fonte:
http://www.vendamuitomais.com.br/site/img/Upload/image/conferencia_estocolmo.j
pg, acesso em: 11 maio 2011).

Após Estocolmo e seguindo sua recomendação de número 96, que atribuiu grande
importância estratégica à EA, dentro dos esforços de busca da melhoria de qualidade
ambiental, foram realizados diversos encontros nacionais, regionais e internacionais,
dentro os quais, destacaremos o de Tbilisi, o de Moscou e o do Rio de Janeiro (Brasil).

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 120


Para conhecermos estes encontros, vamos ler as informações de Genebaldo Freire
Dias (2004):

1 - TBILISI, 1977:

A primeira Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental (Conferência


de Tbilisi) foi realizada em Tbilisi na capital da Geórgia, CEI (ex-URSS), de 14 a 26 de
outubro de 1977, organizada pela UNESCOA, em cooperação com o PNUMA, e
constituiu-se em um marco histórico para a evolução da EA.

Até o presente, a Conferência de Tbilisi é a referência internacional para o


desenvolvimento de atividades de educação ambiental.

Esta Conferência produziu um documento, publicado em 1980, chamado “Livro Azul”,


que até hoje é uma importante fonte de consulta para ações em EA.

De uma forma sintética, o documento explica que:

- Mediante a utilização dos avanços da ciência e da tecnologia, a educação deve


desempenhar uma função capital com vistas a criar a consciência e a melhor
compreensão dos problemas que afetam o meio ambiente. Essa educação há de
fomentar a elaboração de comportamentos positivos de conduta com respeito ao meio
ambiente e à utilização de seus recursos pelas nações.

- O EA deve dirigir-se a pessoas de todas as idades, a todos os níveis, na educação


formal e não formal. Os meios de comunicação social têm a grande responsabilidade
de pôr seus enormes recursos a serviço dessa missão educativa.

- A EA, devidamente entendida, deveria constituir uma educação permanente, geral,


que reaja as mudanças que se produzem em um mundo em rápida evolução. Essa
educação deveria preparar o indivíduo, mediante a compreensão dos principais

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 121


problemas do mundo contemporâneo, proporcionando-lhe conhecimentos técnicos e
qualidades necessárias para desempenhar uma função produtiva, com vistas a
melhoras a vida e proteger o meio ambiente, prestando a devida atenção aos valores
éticos.

- Ao adotar um enfoque global, sustentado em uma ampla base interdisciplinar, a EA


cria uma perspectiva dentro da qual se reconhece a existência de uma profunda
interdependência entre o meio natural e o meio artificial, demonstrando a continuidade
dos vínculos dos atos do presente com as consequências do futuro, bem como a
interdependência entre as comunidades nacionais e a solidariedade necessária entre
os povos.

2 - MOSCOU, 1987:

Dez anos depois da Conferência de Tbilisi, trezentos especialistas de cem países e


observadores da IUCN, reuniram-se em Moscou, CEI (17 a 21 de agosto de 1987) para
o Congresso Internacional em Educação e Formação Ambientais, promovido pela
Unesco/ Unep/IEEP, conhecido como o Congresso de Moscou.

O Congresso objetivou a discussão das dificuldades encontradas e dos progressos


alcançados pelas nações, no campo da EA, e a determinação de necessidades e
prioridades em relação ao seu desenvolvimento, desde Tbilisi. Fez uma análise da
situação ambiental global e não encontrou sinais de que a crise ambiental houvesse
diminuído. Ao contrário, o abismo entre as nações aumentou e as mazelas dos modelos
de desenvolvimento econômico adotados se espalharam pelo mundo, piorando as
perspectivas para o futuro.

Concordou-se que a EA deveria, simultaneamente, preocupar-se com a promoção da


conscientização, transmissão de informações, desenvolvimento de hábitos e
habilidades, promoção de valores, estabelecimento de critérios e padrões, e

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 122


orientações para resolução de problemas e tomada de decisões. Portanto, deveria
objetivar modificações comportamentais nos campos cognitivos e afetivos.

3 - RIO-92:

A Conferência do Rio, ou Rio-92, como ficou conhecida a Conferência das Nações


Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Unced ou Earth Summit), veio
contrariar os que gostam de tornar as coisas mais complicadas. Através do capítulo 4,
Seção IV da Agenda 21, a Rio-92 corroborou as recomendações de Tbilisi para a EA.
Ficou patente a necessidade do enfoque interdisciplinar e da prioridade das seguintes
áreas de programas:

- Reorientar a educação para o desenvolvimento sustentável;

- Aumentar os esforços para proporcionar informações sobre o meio ambiente, que


possam promover a conscientização popular;

- Promover o treinamento.

No entanto, a Agenda 21, um programa de ação de 800 páginas, não restringe a EA à


Seção IV. A EA está presente em quase todos os 39 capítulos do documento, prevendo
ações até o século XXI.

A Rio-92 também endossou as recomendações da Conferência sobre Educação para


Todos, realizada na Tailândia (1990), que incluiu o tratamento da questão do
analfabetismo ambiental. Esse tipo de analfabetismo foi classificado como o mais cruel,
pernicioso e letal para a perda contínua e progressiva da qualidade de vida no planeta.

No capítulo 36 da Agenda 21 sugere-se a implantação de Centros Nacionais ou


Regionais de Excelência especializados em Meio Ambiente.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 123


Figura 19: Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento

(Fonte: <http://1.bp.blogspot.com/-HbYCtHbLyFg/TW-S6pWNgNI/AAAAAAAAB-
4/seNUvxt48hw/s1600/ES-Rio.jpg>, acesso em: 11 maio 2011).

23 - Para Concluir a Disciplina

Percebemos que a relação da sociedade com o meio, na questão da degradação


ambiental e não disponibilidade de recursos é efetiva, uma vez que temos os recursos
como utilitários exclusivos humanos. Um exemplo claro desta situação fica no critério
de poluição, pois nem todos os organismos possuem os mesmos índices de
potabilidade de água, de qualidade de ar que os nossos e muitos animais sobrevivem
da interação com o nosso lixo e esgoto (exemplo disso são muitos dos insetos e alguns
mamíferos, como os ratos).

Basta notarmos a harmonia entre os processos da natureza e tentar não rompê-los ou


alterá-los com nosso consumismo, superpovoamento e ganância em explorar os
recursos naturais que já teremos esperanças para um futuro melhor para todos.

Como última reflexão, a partir dos conteúdos e conhecimentos adquiridos em nossa


disciplina, sobre o nosso papel perante o meio ambiente e a sociedade, sugerimos o
vídeo: Uma análise socioambiental.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 124


Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=jnc0Kl9mp78>. Acessado em 22
maio 2017.

PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE 125


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