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Síntese

O retomo à liturgia:

➢ Início remoto com D. Próspero Guéranger (1805-1897): Solesmes.


Restauracionista que revalorizou a liturgia romana. Baseado em princípios que
giram em torno de: Liturgia, Igreja e Leitura da Bíblia (valorização do AT).
Criticado por esteticismo.

A Pastoral Litúrgica:

➢ o marco inicial do movimento litúrgico foi o Congresso de Obras Católicas


(Malines - 1909). D. Lamberto Beauduin. Preocupado com a participação dos fiéis.
Traduções dos ritos. Começam os cursos de liturgia.
➢ Mov. Litúrgico ficou paralisado entre as duas guerras mundiais. Crises:
1) Liturgia e espiritualidade;
2) Liturgia e compromisso.

A ciência litúrgica:

➢ Destaque para França e Alemanha;

O Magistério da Igreja sobre a Liturgia:

➢ Pio X: comunhão de crianças, cantar a missa, aproximou o povo da eucaristia,


reforma do ano litúrgico e do breviário.
➢ Pio XII: Mediator Dei, considerada a carta magna do Movimento. Litúrgico.,
formação e valorização do clero, ritos bilingues, missas vespertinas,
✓ Mediator Dei: liturgia do corpo místico de Cristo.
✓ Espiritualidade litúrgica
✓ Equilíbrio teológico.
A restauração no século XIX

Em reação a uma religião confinada aos limites da pura razão, o século XIX reafirma
o princípio da revelação, do dogma e da tradição, assim como o respeito devido à
hierarquia. Esta valorização da Tradição tem o seu reflexo na liturgia: o gosto pelas orações
latinas, pelas cerimônias e rubricas, bem como o entusiasmo pela música gregoriana
caracterizam essa época da Restauração.

Esse movimento ainda não patrocina a participação do povo na ação litúrgica; o


culto cristão chega a ser considerado como realidade intangível e misteriosa, obra
perfeitíssima do Espírito, ao abrigo da toda evolução histórica, envolto pelo halo protetor
da língua sagrada: a língua latina. Neste contexto, surge a figura, sob tantos aspectos
meritória, do abade Próspero Guéranger (1805-1875). Adversário acérrimo das “liturgias
neogalicanas” surgidas no século anterior, Guéranger exige um retorno incondicional aos
livros autênticos da liturgia romana pura. Autor de grandes obras como Institutions
liturgiques e L’année liturgique, D. Guéranger, no entanto, é partidário de uma explicação
completa dos textos e cerimônias do culto diante do povo; segundo ele, o culto deve
manter-se sempre encoberto para o povo cristão pelo véu de mistério.

A mentalidade de Guéranger pode ser condensada nas seguintes teses: a liturgia


é por excelência a oração do Espírito na Igreja, é a voz do corpo de Cristo, da esposa
orante do Espírito; há na liturgia uma presença privilegiada da graça; nela se encontra a
mais genuína expressão da igreja e de sua tradição; a chave de inteligência da liturgia é a
leitura cristã do Antigo Testamento, bem como a do Novo apoiada no Antigo. A Igreja como
corpo e esposa de Cristo contrasta com a piedade individualista pós-tridentina que
Guéranger critica.

Movimento Litúrgico – início de uma Pastoral Litúrgica.

No Congresso de Obras Católicas (Malines – Bélgica, 23/09/1909), foi lançado


propriamente o movimento litúrgico. Seu promotor foi D. Lamberto de Beaudoin (1873-
1960), que de sacerdote dedicado ao mundo operário passara a monge beneditino de
Monte César, defende a renovação da vida litúrgica da Igreja. A partir de então, este monge
beneditino lança uma verdadeira cruzada em favor da participação dos cristãos nas
celebrações. É famosa a frase dele: “É necessário democratizar a liturgia”.

Beaudoin deu continuidade, desenvolveu e deu novo direcionamento a obra iniciada


por D. Guéranger: 1) a pastoral litúrgica nas paróquias, que impunha um raio e um ritmo
de ação novos. Era necessário inspirar a piedade e a vida cristã no culto da Igreja; para
isso, cumpria promover a participação dos batizados na liturgia; 2) a difusão do Missal
Popular traduzido como a livro do cristão; 3) o aumento do caráter litúrgico da piedade por
meio da participação na missa paroquial; 4) a promoção do canto gregoriano segundo as
orientações de Pio X; 5) a organização de retiros anuais para os responsáveis pela pastoral
litúrgica

Em 1920, J. Seitz, reeditando o Manual de Teologia Pastoral de J. E. Von Pruner,


usa pela primeira vez o termo “Pastoral Litúrgica”. Depois dele, em 1924, o monge
Athanasius Wintersig retoma esta expressão e diz que uma disciplina com o referido nome
é necessária ao lado da história da liturgia e da ciência litúrgica sistemática. Trata-se de
um estudo científico pastoral da liturgia. Seu objetivo é descobrir o significado da liturgia
para o conjunto da pastoral e como se pode alimentar a vida das comunidades através
dela. Em 1956, J. Jungmann, colocou a pastoral como chave de interpretação da história
da liturgia.

Para Beaudoin, os grandes meios de ação foram: a revista Questions Liturgiques


paroissiales (Questões litúrgicas paroquiais), as semanas de liturgia destinadas à
mentalização do clero, publicadas em Cursos e conferências. Ambicionava-se interromper
a descristianização e renovar a Igreja.

A expansão do movimento litúrgico ficou um tanto paralisada no decorrer das duas


guerras mundiais, voltando a propagar-se com mais vigor nos respectivos períodos pós-
guerra. Contribuíram para essa difusão pastoral, na Bélgica, além da abadia de Monte
César, a de Santo André: na França, o Centro Nacional de Pastoral Litúrgica de Paris
(1943), ao qual estiveram vinculados além de Dom Lamberto Beaudoin, Dom Bernard
Botte, Roguet, Martimort, Pierre Gy, Jounel, etc. O centro fundou a revista La Maison-Dieu,
dele nasceu a coleção Lex Orandi e, junto com a Abadia de Monte César, o Instituto
Superior de Liturgia de Paris. Na área germânica, a abadia de Maria Laach destacam-se
Mardini, Odo Casel, Doelger, Baumstark, Mayer, etc., o Instituto de Liturgia de Trier
(Wagner e Fischer), Pio Parsch e os cônegos regulares de Klosterneuburg (Áustria); e, em
toda a Igreja, os Congressos Internacionais de Liturgia, organizados pelo Centro de
Pastoral Litúrgico de Paris e pelo Instituto de Liturgia de Trier: 1) Abadia de Maria Laach
(1951); 2) Lugano – Suíça (1953); 3) Assis – Itália (1956), que se destaca graças à
assistência dos hierarcas e pastores de todo o mundo, à sua difusão e ao clima criado em
torno da expectativa de uma reforma litúrgica. Estes congressos foram preparando as
bases da futura constituição de liturgia do Vaticano II.
O magistério da Igreja sobre a liturgia

Pio X se distinguiu pelo seu interesse litúrgico já antes de chegar ao supremo


pontificado. Três meses depois da eleição como Papa, tornou público o motu próprio Tra
le sollecitudini (1903), destinado a renovar a música religiosa e restaurar o gregoriano. Dois
anos depois, promulgou o decreto Sacra tridentina synodus (1905), para fomentar a
comunhão frequente, e cinco anos mais tarde, o decreto Quam singulari (1910), para
promover a admissão das crianças à comunhão em tenra idade. Em 1911, publicava a
constituição apostólica Divino aflanti, sobre a reforma do breviário e a revalorização da
liturgia dominical. E, em 1913, Abhinc duos annos, que inspirava um novo plano de reforma
profunda do ano litúrgico do breviário.

Três linhas claras aparecem no magistério litúrgico de Pio X; a renovação da música


sagrada, porque “não devemos cantar e orar na missa, mas cantar e orar a missa”; a
aproximação entre batizados e a comunhão eucarística, aplainando o caminho para a
participação sacramental da eucaristia, mesmo que a catequese oferecida acerca dessa
comunhão devesse ser aperfeiçoada; a reforma do ano litúrgico e do breviário.

No amplo magistério de Pio XII, se destacaram: a encíclica Mediator Dei (1947),


considerada “a carta magna” do movimento litúrgico, na qual pela primeira vez o Magistério
apresenta uma doutrina litúrgica completa e estruturada. Conteúdos fundamentais do
documento papal:

a) A teologia da liturgia como culto público integral do corpo místico de Cristo, da


cabeça e dos membros, e como presença privilegiada da mediação sacerdotal de
Cristo-cabeça;
b) A espiritualidade da liturgia, a dimensão interior e profunda do culto da Igreja: “Estão
inteiramente equivocados aqueles que consideram a liturgia como o mero lado
exterior e sensível do culto divino ou como cerimonial decorativo; e não estão
menos aqueles que pensam ser a liturgia o conjunto de leis e preceitos com que a
hierarquia eclesiástica configura e ordena os ritos”.
c) O equilíbrio teológico, não oportunista, entre: panliturgismo e subestimação do
culto; piedade objetiva e subjetiva; comunitarismo e individualismo; celebração e
culto da eucaristia; progressismo e conservadorismo.

Foi marcante o discurso aos participantes do Congresso Internacional de Pastoral


Litúrgica celebrado em Assis (1956). Ele declara: “O movimento litúrgico surge como um
sinal das disposições providenciais de Deus para o tempo presente, como uma passagem
do Espírito Santo em sua Igreja, para aproximar os homens dos mistérios da fé e das
riquezas da graça, que decorrer da participação ativa dos fiéis na vida litúrgica.

Podemos citar outros dados da renovação litúrgica efetuada por Pio XII, como: a
Instrução sobre a formação do clero no ofício divino (1945); a extensão ao sacerdote, em
alguns casos, da faculdade de confirmar (1946); a multiplicação dos rituais bilíngues
(1947); a reforma da vigília pascal (1951) e do jejum eucarístico (1953 e 1957); a reforma
da Semana Santa (1955); lecionários bilíngues (1958). A obra litúrgica do Papa Pacelli é
coroada, em 1958, com a Instrução sobre a música sagrada e a liturgia, nos termos da
encíclica Misicae sacrae disciplinae.

- Síntese elaborada a partir da referência bibliográfica: - BOROBIO, Dionísio (Org.). A


celebração na igreja - I: liturgia e sacramentologia fundamental. São Paulo: Loyola, 1990.