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DELEGADO ALISON ROCHA

QUESTÕES DE
INFORMATIVOS
Direito Penal

ABRANGE
- Mais de 70 questões inéditas e autorais
comentadas por assunto
- Atualizado com informativos até final de
junho/2020
- Com Bizus e Quadros Esquemáticos
- Palavras-chave marcadas para facilitar
a memorização
- Atualizado conforme Lei Anticrime

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DELEGADO ALISON ROCHA

QUEM SOU EU?

Sou Alison Rocha, professor e delegado, já fui aprovado para 10 concursos. Sou criador do Método
Aprovação em Concursos e da editora Beabá do Concurso, assim como a mentoria, Personal do Concurso,
com acúmulo de 20 anos de experiência em concursos.
Entenda como nasceu o “Método aprovação em concursos” e todas as minhas técnicas.
Muitas pessoas não conhecem a minha história de vida, minha trajetória de concurseiro.
Você passará a entender por que sou apaixonado pelo que faço e o motivo de ter tanto carinho e respeito
por todos em busca da realização do sonho de ser aprovado.
Pois bem, antes de iniciar gostaria de enfatizar que decide escrever esse página da minha trajetória para
que você entenda que algumas pessoas precisam passar por processos na vida para amadurecer e
poder depois ajudar, auxiliar outras pessoas, para que não errem como errei, para não sofrerem, não
perderem tempo, pois a vida passa rápido demais e o tempo não vai parar para esperar você.
Começarei perguntando: Quantos anos você tinha no ano de 2000?
Fez os cálculos rs. Então, eu já estava estudando em quanto muitos ainda usavam fraudas.
Bom, agora vamos aos fatos reais vividos na época.
No meu caso, antes de obter 10 aprovações, colecionei 10 reprovações em um período de quase 10
anos.Hoje, após 20 anos de acúmulo de experiência em concursos posso dizer que caí várias vezes,
chorei, pensei em desistir, mas valeu muito a pena continuar e lutar até o fim.
Neste contexto, primeiro concurso que prestei em setembro de 2001 fiquei reprovado para o cargo de
Técnico judiciário do TJ RJ, acreditava que seria aprovado com todas as forças.
Imagine a cena! Era muito inexperiente, na época não havia internet como hoje, era complicado, não havia
essa iteração.Fiquei quase dez dias sem comer e dormir direito, foi “osso”.
Dá para piorar? Pior que dá. Logo depois, final de outubro de 2001 minha amada mãe faleceu, a situação
piorou (lembrei aqui agora digitando esse texto até me emocionei).
Não tinha dinheiro para nada, crédito também não (nome no SPC e SERASA), faculdade sem pagar
(detalhe, levei quase 9 anos para me formar por não ter dinheiro).
Trabalhei com desinsetização, lembro quando fui fazer um serviço no cemitério, tive que entrar em um
túmulo e as baratas subindo por dentro do macacão kkkk, sinto cócegas até hoje.
Também vendi cerveja na praia, fui cobrador de telemensagem, dirigi Van (transporte alternativo) etc.
Como disse, a vida não para, tinha que estudar e me virar trabalhando.
Lembrando que minha primeira aprovação em 2009 com a tão sonhada nomeação, posse e exercício,
já estava com 29 anos de idade, para Agente Federal de Excecução Penal.
Mas antes fui aprovado para Investigador da PC RJ, em 2008, infelizmente reprovei no Teste Físco, não
deu tempo de comemorar não.
Fiquei arrasado, chorei muito nesse dia, achei que nunca conseguiria vencer, lembro como se fosse hoje,
passou um filme na minha cabeça, não conseguia entender o motivo de tanta desgraça. O pior disso é
você sair contando que foi aprovado e as pessoas perguntrando quando começará a trabalhar.
Engraçado que estava em uma das fases do concurso e já pensava no salário para pagar as contas
atrasadas e “limpar meu nome” que estava no SPC e SERASA, tenso hein.
As coisas só passaram a dar certo quando comecei a perceber que a vida é um processo constante de
aprendizagem, que se eu esperasse o momento certo, a situação ideal, nunca iria passar em
concurso, também percebi que só conteúdo (material ou videoaulas) não seria suficiente, não
conseguia vencê-lo, sentia-me obrigado a exaurir o conteúdo, acabava me estressando, ficando cansado
e me sentindo inseguro, a sensação que o tempo nunca era suficiente aumentava e o desânimo junto.
Por volta de 2007, decidi a não deixar os problemas da vida ficarem me tirando do jogo, comecei a focar
e criar meu próprio método (técnicas e estratégias), percebi que precisava organizar meus estudos
dentro da minha realidade e limites, bem como revisar na hora certa, resumir na medida certa,
controlar minha meta de estudo, manter harmonia entre passar no concurso e meu cotidiano.
Em 2012, com 34 anos, tomei posse como Delegado do ES. Em 2016, com 39 anos, tomei posse como
Delegado de SC. Em 2018, com 40 anos, fui aprovado em toda a primeira fase no concurso de Delegado
da PF.Essas são algumas das aprovações, fora outras que não dei continuidade no processo seletivo.

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APRESENTAÇÃO

Estudando para concurso público, sempre tive dificuldade de organizar e memorizar os informativos,
súmulas e julgados do STF e STJ por dois motivos: primeiro que não sabia como podia ser cobrado
na prova, ficava inseguro; segundo que acabava me perdendo na organização do tempo, lia tudo corrido,
depois relia novamente, ficava cansado e não sabia meu rendimento.
Neste contexto, criei a Técnica da Antecipação para que pudesse estudar com organização, bem como
mapear meu rendimento e poder revisar com segurança.
Professor, como funciona essa Técnica?
Simples, por existir um grande fluxo de publicações informativos, muitos ainda não foram cobrados
nas provas, com o intuito de não ser pego de surpresa passei a antecipar criando questões inéditas.
Como funciona na prática?
Passei a desenvolver questões no modelo americano C ou E utilizado pela banca CEBRASPE para
facilitar o estudo, com uma leitura objetiva do tema, facilitando também as revisões.

Essa Técnica de estudos foi providencial para conseguisse estudar com qualidade e memorizar o
conteúdo das Súmulas e Informativos por assuntos separados estatisticamente, dando prioridade
aos mais potenciais.
A estratégia principal em trazer informativos e recentes alterações legislativas em questões simuladas
é antecipar os temas por meio dos estudos devido às futuras cobranças nas provas de concursos,
aumentando significativamente chances de acertos.
ATENÇÃO!
Consoante pesquisas e análise de provas de diversas carreiras, as questões envolvendo informativos
do STF e STJ aumentaram em 85% de incidência nos últimos três anos. Acreditamos que seja um
artifício das bancas examinadoras para buscar os candidatos mais preparados, atualizados e elevar o
nível do certame.

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NOTA DO AUTOR

Essa obra não tem a finalidade de exaurir os conteúdos dos informativos e súmulas do STF e/ou STJ, mas
sim de abordar de forma didática e objetiva os assuntos potenciais para os futuros concursos em geral.
Este “caderno de informativos” ajudará o concursando a organizar seus estudos, fazendo com que consiga
revisar e memorizar com qualidade, progredindo nos pontos relevantes.
Acredito que já no primeiro contato dê para perceber a diferença de se estudar com a técnica da
antecipação, tendo uma melhora acentuada do rendimento e consistência na leitura.
Aproveite da melhor forma esse conteúdo que elevará seus estudos a um nível absurdo de
desempenho, assim como seu aproveitamento e tempo.
Lembre-se de que “estudar com método” faz o concursando amadurecer mais rápido, bem como seu
estudo passa a ter eficiência e qualidade.
Siga-me: @deltaalisonrocha

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DIREITO PENAL E LEIS PENAIS ESPECIAIS

SUMÁRIO

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA ............................................................................................................... 6


ARREPENDIMENTO POSTERIOR ........................................................................................................ 15
REGIME PRISIONAL ............................................................................................................................. 16
DOSIMETRIA DA PENA ........................................................................................................................ 17
CONFISSÃO .......................................................................................................................................... 19
PERDA DO CARGO ....................................................................................................................................19
INDULTO ............................................................................................................................................... 20
MEDIDA DE SEGURANÇA .........................................................................................................................21
CONCURSO DE CRIMES ............................................................................................................................... 23
PRESCRIÇÃO ....................................................................................................................................... 24
HOMICÍDIO ............................................................................................................................................ 25
CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO....................................................................................................... 26
CONTINUIDADE DELITIVA ........................................................................................................................29
ESTELIONATO ...................................................................................................................................... 30
CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA .............................................................................................................32
CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ....................................................................................32
PECULATO DESVIO ............................................................................................................................. 33
CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA ..............................................................................................35
CRIME DE TRÂNSITO ................................................................................................................................35
CRIME CONTRA A HUMANIDADE.............................................................................................................37
LEI DE MIGRAÇÃO .....................................................................................................................................38
TERRORISMO ....................................................................................................................................... 38
RACISMO .............................................................................................................................................. 39
CRIME ORGANIZADO ................................................................................................................................40
LEI ANTICRIME (Lei nº 13.964/19) - CRIME ORGANIZADO................................................................. 40
LAVAGEM DE DINHEIRO ...........................................................................................................................48
LEI DE DROGAS .........................................................................................................................................49
LEI MARIA DA PENHA ........................................................................................................................... 57
ESTATUTO DO DESARMAMENTO ...........................................................................................................58
CONTRAVENÇÃO PENAL ................................................................................................................... 60
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................................................ 62

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PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA

(SIMUALADO/2020) O STF tem entendido que o princípio da insignificância não se aplica ao delito de
tráfico, ainda que a quantidade de droga apreendida seja ínfima. Porém, considerou que a jurisprudência
deve avançar na criação de critérios objetivos para separar o traficante de grande porte do traficante de
pequenas quantidades, que vende drogas apenas em razão de seu próprio vício.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Atente-se às explicações subsecutivas:


TEMA POLÊMICO!
Na soma dos precedentes do STF e STJ, vem prevalecendo que não se afasta a tipicidade material
nas condutas de portar droga ilícita para consumo pessoal ou realiza o tráfico de drogas, seja de grande
quantidade ou não, ou seja, não se aplica a bagatela própria (princípio da insignificância). O item está
certo.
No entanto, recentemente, a Excelsa Corte exarou o seguinte entendimento:
Em sessão virtual, a 2ª turma do STF anulou a condenação por tráfico de drogas imposta a uma
mulher que foi flagrada com 1 grama de maconha. Por maioria, o colegiado concedeu o HC 127.573,
seguindo o voto do relator, ministro Gilmar Mendes.
O relator entendeu ser aplicável ao caso o princípio da insignificância, pois, para ele, a conduta
descrita nos autos não é capaz de lesionar ou colocar em perigo a paz social, a segurança ou a
saúde pública.
O juízo da 1º vara de Bariri/SP condenou a mulher à pena de seis anos e nove meses de reclusão, em
regime inicial fechado, pelo crime de tráfico, previsto no artigo 33 da lei de drogas – 11.343/06. A
sentença foi mantida pelo TJ/SP.
A Defensoria Pública de SP impetrou HC no STJ, alegando a desproporção da pena aplicada e
buscando a incidência do princípio da insignificância. O pedido acabou negado por decisão
monocrática, então a defensoria impetrou o HC no Supremo.
Vejamos o teor do julgamento:
Em seu voto, o relator destacou que a resposta do Estado não foi adequada nem necessária para
repelir o tráfico de 1 grama de maconha. Segundo Gilmar Mendes, esse é um exemplo emblemático
de flagrante desproporcionalidade na aplicação da pena em hipóteses de quantidade irrisória de
entorpecentes, e não houve indícios de que a mulher teria anteriormente comercializado
quantidade maior de droga.
Conforme o ministro, no âmbito dos crimes de tráfico de drogas, a solução para a desproporcionalidade
entre a lesividade da conduta e a reprimenda estatal é a adoção do princípio da insignificância.
O relator observou que o STF tem entendido que o princípio da insignificância não se aplica ao
delito de tráfico, ainda que a quantidade de droga apreendida seja ínfima. Porém, considerou que
a jurisprudência deve avançar na criação de critérios objetivos para separar o traficante de
grande porte do traficante de pequenas quantidades, que vende drogas apenas em razão de seu
próprio vício.
Para ele, se não houver uma clara comprovação da possibilidade de risco de dano da conduta, o
comportamento deverá constituir crime, ainda que o ato praticado se adeque à definição legal.
"Em verdade, não haverá crime quando o comportamento não for suficiente para causar um dano ou
um perigo efetivo de dano ao bem jurídico, diante da mínima ofensividade da conduta", explicou.
O voto do relator foi seguido pelos ministros Celso de Mello e Ricardo Lewandowski. Ficaram vencidos
os ministros Edson Fachin e Cármen Lúcia. Processo: HC 127.573

ATENÇÃO!
Essa decisão não repesenta, por si só, mudança de entendimento na jurisprudência dos tribunais
supeiores, até porque não houve “repercussão geral” ou algo do tipo.

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(SIMULADO/2020) Não é possível a aplicação do princípio da insignificância nas hipóteses de dano


qualificado, quando o prejuízo ao patrimônio público atingir outros bens de relevância social e tornar
evidente o elevado grau de periculosidade social da ação e de reprovabilidade da conduta do agente.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: O STJ entendeu que: O bem jurídico protegido relativamente ao crime de dano
qualificado previsto no art. 163, III, do Código Penal consiste na proteção do patrimônio de seus titulares
– União, Estados, Municípios, empresa concessionária de serviço ou sociedade de economia mista –,
afeto ao interesse público. 3. Na espécie, a lesão produzida atinge direta e concretamente a população,
notadamente a mais carente, que se vê impossibilitada de utilizar os serviços de atendimento da farmácia
básica do município – assistência pública de saúde. Ademais, pela certidão de antecedentes, o recorrente
responde a outros oito processos envolvendo o mesmo tipo penal, circunstâncias que afastam a
aplicação do princípio da insignificância” 1. O item está certo.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Em determinadas situações, o referido tribunal reconheceu a atipicidade:
“2. Confessado pelo paciente que rasgou o lençol em tiras para improvisar um varal com o fim de secar
suas roupas, não se deve valorar o ato ilícito por meras ilações de que o condenado iria utilizar as tiras
do tecido para outro fim, como, por exemplo, para propiciar sua fuga, ainda mais quando tal fato sequer
foi abordado na denúncia. 3. É de ser considerada insignificante a conduta do paciente em rasgar o
lençol que lhe foi oferecido no presídio pela Secretaria de Segurança Pública local, porquanto a lesão
ao patrimônio público foi mínima em todos os vetores” (HC 245.457/MG, DJe 10/03/2016).
BIZU!
Qual posicionamento devo adotar?
Em provas objetivas, as bancas tendem a cobrar o fragmento do julgado, fique atento para não confundir
os entendimentos.
Nas provas discursivas ou oral, o candidato deve expor os posicionamentos em epígrafe.

Qual o posicionamento do STF?


Nesse sentido, prevalece no Supremo Tribunal Federal que a prática de crime contra a Administração
Pública, por si só, não inviabiliza a aplicação do princípio da insignificância, devendo haver uma análise
do caso concreto para se examinar se incide ou não o referido postulado. Veja-se o seguinte julgado:
HABEAS CORPUS. PENAL. CRIME DE DANO. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. INCIDÊNCIA.
PREJUÍZO ÍNFIMO. CIRCUNSTÂNCIAS DA CONDUTA. ORDEM CONCEDIDA. 1. Segundo a
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, para se caracterizar hipótese de aplicação do denominado
“princípio da insignificância” e, assim, afastar a recriminação penal, é indispensável que a conduta do
agente seja marcada por ofensividade mínima ao bem jurídico tutelado, reduzido grau de reprovabilidade,
inexpressividade da lesão e nenhuma periculosidade social. 2. O que se imputa ao paciente, no caso,
é a prática do crime de dano, descrito no art. 163, III, do Código Penal, por ter quebrado o vidro da
porta do Centro de Saúde localizado em Belo Horizonte em decorrência de chute desferido como
expressão da sua insatisfação com o atendimento prestado por aquela unidade de atendimento público.
3. Extrai-se da sentença absolutória que o laudo pericial sequer estimou o valor do dano, havendo
certificado, outrossim, o péssimo estado de conservação da porta, cujas pequenas lâminas vítreas foram
fragmentadas pelo paciente. Evidencia-se, sob a perspectiva das peculiaridades do caso, que a ação e o
resultado da conduta praticada pelo paciente não assumem, em tese, nível suficiente de lesividade ao
bem jurídico tutelado a justificar a interferência do direito penal. Irrelevância penal da conduta. 4. Ordem
concedida para restabelecer a sentença absolutória do juízo de primeiro grau, por aplicação do princípio
da insignificância. (HC 120580, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, Segunda Turma, julgado em
30/6/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-157 DIVULG 10-8-2015 PUBLIC 12-8-2015.)

1
REsp 1.416.273/MG, DJe 24/08/2017

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(SIMULADO/2020) É possível aplicar o princípio da insignificância aos casos de transmissão clandestina


de sinal de internet via radiofrequência quando for de baixa potência.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: De acordo com a Súmula 606 do STJ: “Não se aplica o princípio da insignificância
a casos de transmissão clandestina de sinal de internet via radiofrequência, que caracteriza o fato
típico previsto no art. 183 da Lei n. 9.472/1997”. Isso porque a instalação de estação clandestina de
radiofrequência, sem autorização, já é, por si, suficiente para comprometer a segurança, a
regularidade e a operabilidade do sistema de telecomunicações do país, não podendo, portanto, ser
vista como uma lesão inexpressiva. O item está errado.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Não é possível a aplicação do princípio da insignificância no crime do art. 183 da Lei nº 9.472/97.
Este é também o entendimento presente no informativo 842 do STF: “O réu que disponibiliza provedor
de internet sem fio pratica atividade clandestina de telecomunicação (art. 183 da Lei nº 9.472/97), de
modo que a tipicidade da conduta está presente, devendo SER AFASTADA a aplicação do princípio
da insignificância mesmo que, no caso concreto, a potência fosse inferior a 25 watts, o que é
considerado baixa potência, nos termos do art. 1º, § 1º, da Lei nº 9.612/98”2.

(DELEGADO DE POLÍCIA – PC/GO – UEG/2018 - Adaptada) Preenchidos os requisitos legais, é


possível aplicar ao crime anão ou liliputiano (contravenção penal) praticado em situação de violência
doméstica e familiar contra a mulher a absolvição, o princípio da insignificância ou bagatela própria.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Consoante Súmula 589 do STJ: “É inaplicável o princípio da insignificância nos


crimes ou contravenções penais praticados contra a mulher no âmbito das relações domésticas”. O item
está errado.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Os delitos praticados com violência contra a mulher, devido à expressiva ofensividade, periculosidade
social, reprovabilidade do comportamento e lesão jurídica causada, perdem a característica da
bagatela e devem submeter-se ao direito penal.
Assim, o STJ e o STF não admitem a aplicação dos princípios da insignificância aos crimes e
contravenções praticados com violência ou grave ameaça contra a mulher, no âmbito das relações
domésticas, dada a relevância penal da conduta.
Assim como ocorre com o princípio da insignificância, também não se admite a aplicação do princípio
da bagatela imprópria para os crimes ou contravenções penais praticados contra mulher no âmbito
das relações domésticas, tendo em vista a relevância do bem jurídico tutelado3.

(SIMULADO/2020) O STF entendeu que o princípio da insignificância nos crimes tributários não deve ter
nenhuma relação com a quantia que a Administração Pública considera como sendo de pequeno valor
para ajuizar a execução fiscal. Por este motivo, o referido princípio deve ser afastado nas condutas de
“mulas no crime de descaminho”.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: À luz do Informativo 897 julgado da 1ª Turma do STF, afirmou-se que não se deve
aplicar o limite de 20 mil reais (valor fixado na Portaria 75/2012).O item está certo.
2
STF. 1ª Turma. HC 118400/RO, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 04/10/2016
3
STJ. 6ªTurma. AgInt no HC 369.673/MS, Rel. Min.Rogerio Schietti Cruz, julgado em 14/02/2017

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COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Perfilhando na mesma linha o julgamento do HC 149.114/PR em j. 16/10/2018, também da relatoria do
ministro Marco Aurélio, que já havia negado medida liminar lançando mão dos mesmos argumentos
utilizados na apreciação do habeas corpus anterior. Também neste julgamento, o ministro Alexandre de
Moraes se referiu à necessidade de coibição de práticas semelhantes, nas quais são utilizadas “mulas
do descaminho”, que, já contando que não serão responsabilizadas, tomam o cuidado de sempre
importar mercadorias cujo tributo não ultrapasse o limite estabelecido.
À luz do Informativo 897 julgado da 1ª Turma do STF, afirmou-se que não se deve aplicar o limite de
20 mil reais (valor fixado na Portaria 75/2012) 4.
Neste contexto, o Min. Marco Aurélio, relator deste julgado, destacou que o princípio da insignificância
nos crimes tributários não deve ter nenhuma relação com a quantia que a Administração Pública
considera como sendo de pequeno valor para ajuizar a execução fiscal.
Para o Ministro “a lei que disciplina o executivo fiscal não repercute no campo penal. Tal entendimento,
com maior razão, deve ser adotado em relação à portaria do Ministério da Fazenda.” O art. 935 do Código
Civil estabelece o princípio da independência das esferas civil, penal e administrativa, de forma que a
repercussão no âmbito penal se dá apenas quando decisão proferida em processo-crime declarar a
inexistência do fato ou da autoria.
Segue fragmentos do voto do ministro Marco Aurélio:
“Há de observar-se o princípio da legalidade estrita. Lei versando executivo fiscal não repercute no
campo penal, devendo-se adotar o mesmo entendimento, com maior razão, relativamente a portaria do
Ministério da Fazenda. Consoante disposto no artigo 935 do Código Civil, as responsabilidades civil e
penal são independentes. Somente ocorre repercussão considerada decisão em processo-crime
em que declarada a inexistência do fato ou da autoria.
Afasto a possibilidade de cogitar de atipicidade da conduta ante a insignificância do valor devido.
Tenha-se presente que envolveu tributo não recolhido no importe de R$ 14.364,51. Mais do que isso,
está-se diante da proteção do erário público, não se podendo adotar postura conducente a levar à
sonegação fiscal. A tanto equivale dizer-se que é atípico o ato quando a sonegação, decorrente do
descaminho, atinge substancial valor.”

Podemos dizer que houve mudança de entendimento?


Por enquanto não, há uma nova perspectiva quanto ao assunto. Mas, a título de provas de concurso,
cuidado com os enunciados que tragam expressões como: “O STF firmou entendimento” etc., posto que
há essa fissura atualmente na 1ª Turma do STF.
Outra forma da banca cobrar o tema é expondo fragmentos do julgado. Por isso, é importante se
familiarizar com os principais trechos.

Vejamos o entendimento que tem prevalecido:


O STJ firmou entendimento: “Incide o princípio da insignificância aos crimes tributários federais e
de descaminho quando o débito tributário verificado não ultrapassar o limite de R$ 20.000,00 (vinte
mil reais), a teor do disposto no art. 20 da Lei n. 10.522/2002, com as atualizações efetivadas pelas
Portarias n. 75 e 130, ambas do Ministério da Fazenda” 5.
O STF perfilha do mesmo entendimento: “O princípio da insignificância deve ser aplicado ao delito de
descaminho quando o valor sonegado for inferior ao estabelecido no art. 20 da Lei 10.522/2002, com as
atualizações feitas pelas Portarias 75 e 130, ambas do Ministério da Fazenda” 6.

TEMAS POTENCIAIS!
Pode ser aplicado para fins de incidência do princípio da insignificância nos crimes tributários
estaduais o parâmetro de R$ 20.000,00?
Não. Deve ser observada a lei estadual vigente em razão da autonomia do ente federativo. STJ. 5ª
Turma. AgRg-HC 549.428-PA. Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 19/05/2020

4
STF. 1ª Turma. HC 128063, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 10/4/2018 (Info 897)
5
STJ. 3ª Seção. REsp 1.709.029/MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 28/02/2018 (recurso repetitivo)
6
STF. 1ª Turma. HC 127173, Relator p/ Acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 21/03/2017

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(SIMULADO/2020) Não é possível a aplicação do princípio da insignificância aos crimes de apropriação


indébita previdenciária e de sonegação de contribuição previdenciária, independentemente do valor do
ilícito, pois esses tipos penais protegem a própria subsistência da Previdência Social, de modo que
é elevado o grau de reprovabilidade da conduta do agente que atenta contra este bem jurídico
supraindividual.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Pode ser aplicado o princípio da insignificância no “crime de apropriação indébita


previdenciária”?
Não. O STJ decidiu que não se aplica o princípio da insignificância para o crime de apropriação indébita
previdenciária. O item está certo.
Não é possível a aplicação do princípio da insignificância aos crimes de apropriação indébita
previdenciária e de sonegação de contribuição previdenciária, independentemente do valor do ilícito,
pois esses tipos penais protegem a própria subsistência da Previdência Social, de modo que
é elevado o grau de reprovabilidade da conduta do agente que atenta contra este bem jurídico
supraindividual.
O bem jurídico tutelado pelo delito de apropriação indébita previdenciária é a subsistência financeira da
Previdência Social. Logo, não há como afirmar-se que a reprovabilidade da conduta atribuída ao
paciente é de grau reduzido, considerando que esta conduta causa prejuízo à arrecadação já deficitária
da Previdência Social, configurando nítida lesão a bem jurídico supraindividual.
O reconhecimento da atipicidade material nesses casos implicaria ignorar esse preocupante quadro. STF.
1ª Turma. HC 102550, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 20/09/2011. STF. 2ª Turma. RHC 132706 AgR, Rel.
Min. Gilmar Mendes, julgado em 21/06/2016. STJ. 3ª Seção. AgRg na RvCr 4.881/RJ, Rel. Min. Felix
Fischer, julgado em 22/05/2019.

(SIMULADO/2020) Situação hipotética: Bernardo foi flagrado realizando pesca com rede de espera de
800 metros em local proibido e com ele foi apreendido aproximadamente 8 kg de pescado. Assertiva:
Entende o STF que não poderá ser aplicado o princípio da insignificância ao caso em tela.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: “Quanto ao princípio da insignificância, a relatora avaliou que o fato de o acusado ter
sido flagrado realizando pesca com rede de espera de 800 metros em local proibido evidencia
“acentuado grau de reprovabilidade da conduta”. Também afastou o argumento da inexpressividade
da lesão jurídica decorrente da apreensão de aproximadamente 8 kg de pescado. “A não aplicação do
princípio da insignificância à espécie harmoniza-se com a jurisprudência do Supremo”, concluiu” (HC
163907). O item está certo.

TEMA POLÊMICO!
No entanto, há entendimento contrário no julgado da Sexta Turma do STJ:
“(…) Esta Corte tem reconhecido a insignificância de condutas que se amoldariam ao tipo penal
descrito como crime contra a fauna aquática, quando a pesca é de pequena quantidade de peixe
e, ainda, que com a utilização de petrechos vedados, em razão da falta de ofensividade ao bem jurídico
tutelado. Precedentes.” AgRg no HC 313815/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe
02/10/2017.

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Mas também há precedentes do STJ em que não se reconhece a aplicação do princípio da


insignificância no caso de pesca em período de defeso (de vedação da atividade), por exemplo:
PROCESSO PENAL E PENAL. RECURSO ESPECIAL. PESCA EM ÉPOCA PROIBIDA. APREENSÃO
DE 250g DE ROBALO E DE PETRECHOS PROIBIDOS NA ATIVIDADE DE PESCA. APLICAÇÃO DO
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. A atipicidade
material, no plano da insignificância, pressupõe a concomitância de mínima ofensividade da conduta, o
reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e inexpressividade da lesão jurídica
provocada. 2. É entendimento desta Corte que somente haverá lesão ambiental irrelevante no sentido
penal quando a avaliação dos índices de desvalor da ação e de desvalor do resultado indicar que é
ínfimo o grau da lesividade, sem efetivo dano ambiental, não se devendo enforcar exclusivamente
questões jurídicas ou a dimensão econômica da conduta, mas também o equilíbrio ecológico que faz
possíveis as condições de vida no planeta. Precedente. 3. Não é insignificante a conduta de pescar
em época proibida, e com petrechos proibidos para pesca (tarrafa, além de varas de pescar), ainda
que pequena a quantidade de peixes apreendidos. 4. Recurso especial provido para afastar a
absolvição sumária do recorrido, determinando-se o prosseguimento da ação penal. REsp 1685927/RJ,
Rel. Min. Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe 27/10/2017.

Professor, essas questões polêmicas podem ser cobradas em prova objetiva?


Pelo incrível que parece é o que acontece. Mas temos duas características quando as bancas cobram
temas polêmicos:
1ª Normalmente, a banca da prioridade aos posicionamentos mais recentes dos tribunais superiores.
2ª As bancas destacam o fragmento do julgado de interesse.

Vale a pena conferir:


http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=404613
http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=347409
http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=335447

(SIMULADO/2020) Na bagatela própria, a conduta nasce relevante ao direito penal, mas depois, verifica-
se que a aplicação de uma sanção seria desnecessária.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: A conduta nasce relevante ao direito penal, mas depois, verifica-se que a aplicação de
uma sanção seria desnecessária.O item está certo.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Vejamos o quadro esquemático:
BAGATELAS
PRÓPRIA IMPRÓPRIA
(irrelevância penal do fato)
É aquela efetivamente admitida na Também chamada de imperfeita ou
doutrina e na jurisprudência, onde incompleta é aquela em que a conduta
presentes os requisitos elencados pelo é típica, antijurídica, mas entende-se
Supremo Tribunal Federal, ocorre a que não há necessidade da aplicação da
exclusão do crime pela atipicidade sanção penal ao caso concreto.
material da conduta.
É o princípio da insignificância na sua A conduta nasce relevante ao direito
situação em análise, sendo caracterizado penal, mas depois, verifica-se que a
quando há os quatro vetores previstos aplicação de uma sanção seria
nos nossos Tribunais (MARI): desnecessária.
1. Mínima ofensividade da conduta do
agente
2. Ausência (Nenhuma) periculosidade
social da ação

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3. Reduzidíssimo grau de reprovabilidade


do comportamento
4. Inexpressividade da lesão jurídica
provocada.
Quanto à exclusão da Quanto à exclusão da
responsabilidade penal: Presentes responsabilidade penal:
todos os elementos há caracterização da 1ª Corrente: O princípio bagatelar
insignificância, acarretará causa impróprio pode ser localizado no estudo
supralegal de exclusão da tipicidade. da culpabilidade (dentro da teoria
analítica do crime), especialmente dentro
da inexigibilidade de conduta diversa.
Quanto à exclusão da
responsabilidade penal:
2ª Corrente: Implica a dispensa da pena
apesar dos três substratos do crime terem
sido observados, ou seja, tratar-se de
ação típica, ilícita e culpável que terá sua
punibilidade excluída.

ATENÇÃO!
O julgador ao fazer a análise das circunstâncias judiciais, previstas no caput do artigo 59 do Código
Penal, deixará de aplicar a pena por ser desnecessária ao caso concreto, como esclarece a parte final
do citado artigo que abaixo reproduzimos.
Art. 59 – O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do
agente, aos motivos, às circunstâncias e consequências do crime, bem como ao comportamento da
vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime:
(...).

(SIMULADO/2020) Nos crimes contra a Administração Pública é admissível a aplicação do princípio da


insignificância.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Crimes contra a Administração Pública (Súmula 599-STJ: O princípio da insignificância


é inaplicável aos crimes contra a Administração Pública). Salvo o crime de descaminho quando o valor
não ultrapasse R$20.000,00. O item está errado.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
As bancas têm cobrado o entendimento da súmula 599 do STJ na íntegra.
Mas fique atento que o crime de descaminho, atualmente, é a única exceção de acordo com
ENTENDIMENTO MAJORITÁRIO dos Tribunais Superiores na aplicação do referido verbete. Temos
outros, como o do STJ em relação ao contrabando de pequena quantidade de medicamento para
uso próprio.
Na prova objetiva, se o examinador quiser cobrar a exceção terá que deixar “uma pista”, como
exemplo: Em nenhuma hipótese, nos crimes contra a Administração Pública, será admissível a aplicação
do princípio da insignificância.
Errado né, haja vista que há exceção.
TEMA POLÊMICO!
Destaco julgado interessante do STF quanto à interpretação da à súmula 599 do STJ no que se refere ao
alcance do termo “crime contra a Administração Pública”.
Vejamos: PENAL. PROCESSUAL PENAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. DANO
QUALIFICADO. INUTILIZAÇÃO DE UM CONE. IDOSO COM 83 ANOS NA ÉPOCA DOS FATOS.
PRIMÁRIO. PECULIARIDADES DO CASO CONCRETO. MITIGAÇÃO EXCEPCIONAL DA SÚMULA N.
599/STJ. JUSTIFICADA. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. INCIDÊNCIA. RECURSO PROVIDO.

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1. A subsidiariedade do direito penal não permite tornar o processo criminal instrumento de repressão
moral, de condutas típicas que não produzam efetivo dano. A falta de interesse estatal pelo reflexo social
da conduta, por irrelevante dado à esfera de direitos da vítima, torna inaceitável a intervenção estatal-
criminal.
2. Sedimentou-se a orientação jurisprudencial no sentido de que a incidência do princípio da
insignificância pressupõe a concomitância de quatro vetores: a) a mínima ofensividade da conduta do
agente; b) nenhuma periculosidade social da ação; c) o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do
comportamento e d) a inexpressividade da lesão jurídica provocada.
3. A despeito do teor do enunciado sumular n. 599, no sentido de que O princípio da insignificância é
inaplicável aos crimes contra a administração pública, as peculiaridades do caso concreto – réu
primário, com 83 anos na época dos fatos e avaria de um cone avaliado em menos de R$ 20,00, ou
seja, menos de 3% do salário mínimo vigente à época dos fatos – justificam a mitigação da referida
súmula, haja vista que nenhum interesse social existe na onerosa intervenção estatal diante da
inexpressiva lesão jurídica provocada.

IMPORTANTE!
Lembrando que o crime de dano qualificado zela pelo patrimônio e está tipificado no art.163,
parágrafo único e incisos I, II, III, IV do CP.

TOME NOTA!
CP, art. 163 – (...)
Dano qualificado
Parágrafo único - Se o crime é cometido:
I - com violência à pessoa ou grave ameaça;
II - com emprego de substância inflamável ou explosiva, se o fato não constitui crime mais grave
III - contra o patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de Município ou de autarquia,
fundação pública, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviços
públicos; (Redação dada pela Lei nº 13.531, de 2017
IV - por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima:
Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa, além da pena correspondente à violência.

(CEBRASPE – TJ/CE – JUIZ – Adaptada) Para o Supremo Tribubal Federal, a reincidência do acusado
é motivo suficiente para afastar a aplicação do princípio da insignificância.
Certo ou Errado.

COMENTÁRIO: Cuidado, para o STF, a presença de antecedentes criminais não afasta, por si só, a
aplicação do princípio da insignificância. Excepcionalmente, as peculiaridades do caso concreto
podem justificar a aplicação do princípio, com base na ideia da proporcionalidade7.
O item está errado.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Perfilhando na mesma linha, imagine um caso, por exemplo, do furto de um galo, quatro galinhas caipiras,
uma galinha garnizé e três quilos de feijão, bens avaliados em pouco mais de cem reais. O valor dos bens
é inexpressivo e não houve emprego de violência. Enfim, é caso de mínima ofensividade, ausência de
periculosidade social, reduzido grau de reprovabilidade e inexpressividade da lesão jurídica. Nesse caso,
mesmo que conste em desfavor do réu outra ação penal instaurada por igual conduta, ainda em
trâmite, a hipótese é de típico crime famélico. A excepcionalidade também se justifica por se tratar de
hipossuficiente. Desse modo, entendeu o STF que não é razoável que o Direito Penal e todo o aparelho
do Estado-polícia e do Estado-juiz movimente-se no sentido de atribuir relevância a estas situações.8
É possível aplicar o princípio da insignificância em favor de um réu reincidente?
A luz do informativo 793 do STF, a reincidência não impede, por si só, que o juiz da causa reconheça a
insignificância penal da conduta, à luz dos elementos do caso concreto.

7
STF. Plenário. HC 123108/MG, HC 123533/SP e HC 123734/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgados em 3/8/2015 (Info 793).
8
STF. 2ª Turma. HC 141440 AgR/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 14/8/2018 (Info 911).

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Apesar disso, na prática, observa-se que, na maioria dos casos, o STF e o STJ negam a aplicação do
princípio da insignificância caso o réu seja reincidente ou já responda a outros inquéritos ou ações
penais. De igual modo, nega o benefício em situações de furto qualificado.
ATENÇÃO!
Conforme o STF, quatro são os requisitos objetivos para aferição da relevância material da tipicidade
penal:
1. Mínima ofensividade da conduta do agente
2. Nenhuma periculosidade social da ação
3. Reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento
4. Inexpressividade da lesão jurídica provocada.
Esses requisitos, conjuntamente com os requisitos subjetivos (reincidência, habitualidade delitiva), devem
ser analisados no caso concreto, de acordo com as suas especificidades, e não no plano abstrato.

(SIMULADO/2020) Com base em entendimento recente do STF, é possível aplicar o princípio da


insignificância para o furto de mercadorias avaliadas em R$ 29,15, mesmo que o a subtração tenha
ocorrido durante o período de repouso noturno e mesmo que o agenteseja reincidente.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Nos termos do informativo 973 do STF é possível aplicar o princípio da


insignificância para o furto de mercadorias avaliadas em R$ 29,15, mesmo que o a subtração tenha
ocorrido durante o período de repouso noturno e mesmo que o agente seja reincidente9.O item está
certo.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Quanto ao princípio da insignificância e tipicidade material, se o fato for penalmente insignificante,
significa que não lesou nem causou perigo de lesão ao bem jurídico. Logo, aplica-se o princípio da
insignificância e o réu é absolvido por atipicidade material, com fundamento no art. 386, III do CPP.
Como o princípio da insignificância atua como verdadeira causa de exclusão da própria tipicidade
(material) é um equívoco negar a suaincidência tão somente pelo fato de o réupossuir antecedentes
criminais.
Para a aplicação do princípio da bagatela, devem ser analisadas as circunstâncias objetivas em que
se deu a prática delituosa e não os atributos inerentes ao agente.
CAIU NA PROVA!
(FCC- 2020-TJ-MS- Juiz de Direito) Em relação à tipicidade penal, é excluída pelos chamados princípios
da insignificância e adequação social, ausentes tipicidade formal e material, respectivamente.
O item foi considerado errado. Observe que houve a inversão das tipicidades ligadas ao respectivo
princípio.

(SIMULADO/2020) Em regra, não se aplica o princípio da insignificância ao furto qualificado, salvo


quando presentes circunstâncias excepcionais que recomendem a medida.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Consoante informativo 665 do STJ, a despeito da presença de qualificadora no crime


de furto possa, à primeira vista, impedir o reconhecimento da atipicidade material da conduta, a
análise conjunta das circunstâncias pode demonstrar a ausência de lesividade do fato imputado,
recomendando a aplicação do princípio da insignificância10.O item está certo.

9
STF. 2ª Turma. HC 181389 AgR/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 14/4/2020 (Info 973).
10
STJ. 5ª Turma.HC 553.872-SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 11/02/2020 (Info 665).

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COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
É possível aplicar o princípio da insignificância em caso de furto qualificado?
Em regra, não. A aplicação do princípio da insignificância tem sido rechaçada nas hipóteses de furto
qualificado, tendo em vista que tal circunstância denota, em tese, maior ofensividade e reprovabilidade
da conduta.
Deve-se, todavia, considerar as circunstâncias peculiares de cada caso concreto, de maneira a
verificar se, diante do quadro completo do delito, a conduta do agente representa maior reprovabilidade
a desautorizar a aplicação do princípio da insignificância.

ARREPENDIMENTO POSTERIOR

(SIMULADO/2020) À luz do STF, aplica-se o arrependimento posterior para o agente que fez o
ressarcimento da dívida principal antes do recebimento da denúncia, mas somente pagou depois os juros
e a correção monetária.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Atenção, conforme com o informativo 973 do STF é possível o reconhecimento da


causa de diminuição de pena prevista no art. 16 do Código Penal (arrependimento posterior) para o
caso em que o agente fez o ressarcimento da dívida principal (efetuou a reparação da parte principal do
dano) antes do recebimento da denúncia, mas somente pagou os valores referentes aos juros e
correção monetária durante a tramitação da ação penal. Nas exatas palavras do STF: “É suficiente
que ocorra arrependimento, uma vez reparada parte principal do dano, até o recebimento da inicial
acusatória, sendo inviável potencializar a amplitude da restituição.11”. O item está certo.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
O arrependimento posterior é previsto no art. 16 do Código Penal, nos seguintes termos:
Art. 16. Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída
a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida
de 1/3 a 2/3.
Trata-se de um benefício ou prêmio para estimular o agente a restituir a coisa ou reparar os danos
causados com sua conduta.

Requisitos:
1. O crime deve ter sido praticado sem violência ou grave ameaça à pessoas
E o agente praticou violência contra a coisa: pode receber o benefício. Ex: crime de dano(art. 163 do CP).
Se o agente praticou, culposamente, violência contra a pessoa: pode receber o benefício. Ex: lesão
corporal culposa no trânsito (art. 303 do CTB).
2. O agente, voluntariamente, deve ter reparado o dano ou restituído a coisa
A reparação do dano ou restituição deve ser total ou pode ser parcial?
Posição da doutrina e do STJ: a reparação precisa ser integral (total). O benefício do arrependimento
posterior exige a reparação integral do dano, por ato voluntário, até o recebimento da denúncia. 12
3. Essa reparação ou restituição deve ter acontecido antes do recebimento da denúncia ou queixa
Se for feita após o recebimento, o agente terá direito apenas à atenuante genérica prevista no art. 65, III,
“b” do CP:
Art. 65. São circunstâncias que sempre atenuam a pena:III -ter o agente: b) procurado, por sua
espontânea vontade e com eficiência, logo após o crime, evitar-lhe ou minorar-lhe as consequências, ou
ter, antes do julgamento, reparado o dano.

11
STF. 1ª Turma.HC 165312/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgadoem 14/4/2020(Info 973).
12
STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp1399240/MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 05/02/2019.

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CAIU NA PROVA!
(CESPE- 2018- PF-Delegado de Polícia) Cristiano, maior e capaz, roubou, mediante emprego de arma
de fogo, a bicicleta de um adolescente, tendo-o ameaçado gravemente. Perseguido, Cristiano foi preso,
confessou o crime e voluntariamente restituiu a coisa roubada. Nessa situação, a restituição do bem não
assegura a Cristiano a redução de um a dois terços da pena, pois o crime foi cometido com grave ameaça
à pessoa. O item foi considerado certo.

Você lembra a diferença entre Ponte de prata, ouro e diamante?


Vejamos o quadro esquemático:
PONTES

OURO PRATA DIAMANTE

Arrependimento eficaz e Arrependimento Trata-se de nova nomenclatura, a


Desistência voluntária, no artigo posterior, no artigo 16, do exemplo do professor Luiz Flávio
15 do CP. CP. Gomes, que diz é a mesma coisa
que Colaboração Premiada.
Exemplo: Excludente de Exemplo: Causa de Exemplo: Perdão judicial.
Tipicidade diminuição de pena.

O artigo em estudo trata de uma tentativa qualificada ou abandonada, que são divididas em duas
espécies, quais sejam: Desistência Voluntária e Arrependimento Eficaz (resipiscência).
Instituto da Desistência Voluntária: O agente inicia a execução de um crime e por sua própria vontade,
ou seja, voluntariamente ele não realiza todos os atos executórios.
Exemplo: o agente entra em uma residência com o intuito de furtar uma televisão, mas acaba
abandonando a ideia de subtrair o bem.
Importante lembrar que na desistência voluntária exige-se a voluntariedade, diferente da espontaneidade.
Instituto do Arrependimento Eficaz: Aqui, o agente esgota todos os atos de execução do crime, e
depois acaba se arrependendo. Nesse caso, busca-se impedir o resultado.
Exemplo: o agente pratica uma ação para matar seu desafeto e após efetuar todos os atos executórios,
ele socorre a vítima que é salva no hospital.
Vale lembrar que o exemplo acima, a vítima tem que sobreviver. O arrependimento tem que ser eficaz.
Também há a ponte de Diamante que pode se dizer que é uma novidade doutrinária.
A ponte de diamante de colaboração premiada, que dá direito até para o Perdão Judicial na lei
12.850/2013, lei das Organizações Criminosas. (lembre-se que a Delação Premiada é uma espécie de
Colaboração Premiada).

O artigo 4°, § 2º da Lei nº 12.850/2013 diz: "Considerando a relevância da colaboração prestada, o


Ministério Público, a qualquer tempo, e o delegado de polícia, nos autos do inquérito policial, com a
manifestação do Ministério Público, poderão requerer ou representar ao juiz pela concessão de perdão
judicial ao colaborador, ainda que esse benefício não tenha sido previsto na proposta inicial, aplicando-
se, no que couber, o art. 28 do Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo
Penal)."

REGIME PRISIONAL
(SIMULADO/2020) Se a pena privativa de liberdade foi fixada no mínimo legal, não é possível a fixação
de regime inicial mais severo do que o previsto pela quantidade de pena.

Certo ou Errado

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COMENTÁRIO: Da leitura do informativo 562 do STJ, percebe-se que a posição que prevalece no STJ é
a de que, fixada a pena-base no mínimo legal e sendo o acusado primário e sem antecedentes
criminais não se justifica a fixação do regime prisional mais gravoso13. Assim, por exemplo, no
crime de roubo, o emprego de arma de fogo não autoriza, por si só, a imposição do regime inicial fechado
se, primário o réu, a pena-base foi fixada no mínimo legal14. O item está certo.

COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
O juiz, ao prolatar a sentença condenatória, deverá fixar o regime no qual o condenado iniciará o
cumprimento da pena privativa de liberdade. A isso se dá o nome de fixação do regime inicial. O juiz,
quando vai fixar o regime inicial do cumprimento da pena privativa de liberdade, deve observar quatro
fatores:
1. O tipo de pena aplicada: se reclusão ou detenção.
2. O quantum da pena definitiva.
3. Se o condenado é reincidente ou não.
4. As circunstâncias judiciais (art. 59 do CP).
Importante ressaltar, ainda, o posicionamento do STF neste assunto: “A Corte tem entendido que a
fixação de regime mais severo do que aquele abstratamente imposto pelo art. 33, § 2º, do CP não se
admite senão em virtude de razões concretamente demonstradas nos autos”15.

DOSIMETRIA DA PENA

(SIMULADO/2020) De acordo com a jurisprudência do STJ, condenações anteriores transitadas em


julgado podem ser utilizadas para desvalorar a personalidade ou a conduta social do agente.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Consoante informativo 647 do STJ, eventuais condenações criminais do réu


transitadas em julgado e não utilizadas para caracterizar a reincidência somente podem ser
valoradas, na primeira fase da dosimetria, a título de antecedentes criminais, não se admitindo
sua utilização também para desvalorar a personalidade ou a conduta social do agente. A
conduta social e a personalidade do agente não se confundem com os antecedentes criminais,
porquanto gozam de contornos próprios - referem-se ao modo de ser e agir do autor do delito -, os
quais não podem ser deduzidos, de forma automática, da folha de antecedentes criminais do réu16.O item
está errado.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
A individualização da pena segue o sistema da relativa indeterminação, segundo o qual a
individualização legislativa é suplementada pela judicial. No sistema da relativa indeterminação
existem três etapas diferentes de individualização da pena:
1. A legislativa, na qual o Poder Legislativo estabelece o preceito secundário do tipo, com o máximo e
o mínimo legal da sanção.
2. A judicial, na qual o Poder Judiciário fixa, dentro dos limites legais, a modalidade e a quantidade da
reprimenda e o regime inicial de cumprimento.
3. A fase executória, na qual o Poder Executivo, respeitando os direitos fundamentais, implementa as
medidas de ressocialização do sentenciado.

13
STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 303.275/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 03/02/2015
14
STJ. 5ª Turma. HC 309.939-SP, Rel. Min. Newton Trisotto (Desembargador convocado do TJ-SC), julgado em
28/4/2015
15
STF. 1ª Turma. HC 118.230, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 08/10/2013
16
STJ. 3ª Seção. EAREsp 1.311.636-MS, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 10/04/2019

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A etapa judicial adotou o sistema trifásico da dosimetria: primeiro o juiz calcula a pena-base de acordo
com as circunstâncias judiciais do art. 59, CP; depois o juiz aplica as agravantes e atenuantes. Por
fim, o juiz aplica as causas de aumento e de diminuição. Na primeira fase, as chamadas
circunstâncias judiciais analisadas pelo juiz são as seguintes: a) culpabilidade, b) antecedentes, c)
conduta social, d) personalidade do agente, e) motivos do crime, f) circunstâncias do crime, g)
consequências do crime, h) comportamento da vítima.
Assim, as condenações criminais anteriores transitadas em julgado são valoradas como “maus
antecedentes”.
TOME NOTA!
Art. 59, CP - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade
do agente, aos motivos, às circunstâncias e consequências do crime, bem como ao comportamento
da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime:
(grifo nosso)
I - as penas aplicáveis dentre as cominadas;
II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos;
III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade;
IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de pena, se cabível.

(SIMULADO/2020) As condenações por fatos posteriores ao crime em julgamento não podem ser
utilizadas como fundamento para valorar negativamente a culpabilidade, a personalidade e a conduta
social do réu.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Consoante informativo 535 do STJ, na dosimetria da pena, as condenações por fatos
posteriores ao crime em julgamento não podem ser utilizadas como fundamento para valorar
negativamente a culpabilidade, a personalidade e a conduta social do réu17. O item está certo.

Fique atento que na parte da Lei de Drogas trarei esse tema novamente.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
O réu, na sua sentença, é julgado pelos fatos e circunstâncias que ocorreram até a data do crime. Assim,
para o STJ, na dosimetria da pena, os fatos posteriores ao crime em julgamento não podem ser
utilizados como fundamento para valorar negativamente a pena-base. Vale ressaltar que a condenação
por fato anterior ao delito que se julga, mas com trânsito em julgado posterior, pode ser utilizada
como circunstância judicial negativa, a título de antecedente criminal18.
ATENÇÃO!
Súmula 444-STJ: É vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso para agravar
a pena-base.

(SIMULADO/2020) Não é legítima a utilização da condição pessoal de policial civil como circunstância
judicial desfavorável para fins de exasperação da pena-base aplicada a acusado pela prática do crime de
concussão.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Consoante informativo 835 do STF, é legítima a utilização da condição pessoal de


policial civil como circunstância judicial desfavorável para fins de exasperação da pena-base
aplicada a acusado pela prática do crime de concussão. Aquele que está investido de parcela de
autoridade pública — como é o caso de um juiz, um membro do Ministério Público ou uma autoridade

17
STJ. 6a Turma. HC 189.385-RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 20/2/2014.
18
STJ. 5a Turma. HC n. 210.787/RJ, Min. Marco Aurélio Bellizze, DJe 16/9/2013

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policial — deve ser avaliado, no desempenho da sua função, com maior rigor do que as demais
pessoas não ocupantes de tais cargos19. O item está errado.

COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
O delito previsto no art. 316 do CP realmente só pode ser praticado por funcionário público. No
entanto, é possível que o magistrado, ao fazer a dosimetria da pena, analisando as circunstâncias do
art. 59 do CP, aumente a pena invocando a qualidade específica ou a qualificação do funcionário
público. Dentro do Estado Democrático de Direito e do país que se almeja construir, o fato de uma
autoridade pública — no caso, uma autoridade policial — obter vantagem indevida de alguém que esteja
praticando um delito compromete de maneira grave o fundamento de legitimidade da autoridade, que é o
de atuar pelo bem comum e pelo bem público. (grifo nosso)
TOME NOTA!
CP, art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função, ou antes,
de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida: Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.

CONFISSÃO

(SIMULADO/2020) Para ter direito à atenuante da confissão no caso do crime de tráfico de drogas, é
necessário que o réu admita que traficava, não podendo dizer que era mero usuário.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: De acordo com a Súmula 630 do STJ, “A incidência da atenuante da confissão


espontânea no crime de tráfico ilícito de entorpecentes exige o reconhecimento da traficância pelo
acusado, não bastando a mera admissão da posse ou propriedade para uso próprio”. Nesse sentido
também é o entendimento do STF: “Não é de se aplicar a atenuante da confissão espontânea para efeito
de redução da pena se o réu, denunciado por tráfico de droga, confessa que a portava para uso próprio”20.
O item está certo.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
É importante ressaltar que o entendimento da súmula 630 do STJ não é aplicável para situações
envolvendo roubo e furto
Exemplo: O Ministério Público oferece denúncia contra o acusado imputando-lhe a prática de roubo. O
réu se defende admitindo a subtração, mas negando o emprego de violência ou grave ameaça. Em outras
palavras, o acusado admitiu a prática de um furto (e não de roubo).
Nesses casos, o STJ tem admitido a incidência da atenuante afirmando que se está diante de
confissão parcial: “Embora a simples subtração configure crime diverso - furto -, também constitui
uma das elementares do delito de roubo - crime complexo, consubstanciado na prática de furto,
associado à prática de constrangimento, ameaça ou violência, daí a configuração de hipótese de
confissão parcial”21.

PERDA DO CARGO
(SIMULADO/2020) A pena de perdimento deve sempre ser restrita ao cargo ocupado ou função pública
exercida no momento do delito.

Certo ou Errado

19
STF. 1ª Turma. HC 132990/PE, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 16/8/2016
20
STF. 1ª Turma. HC 141487, Rel. Min. Marco Aurélio, Relator p/ Acórdão Min. Rosa Weber, julgado em 04/12/2018.
21
STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 452.897/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 07/08/2018

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DELEGADO ALISON ROCHA

COMENTÁRIO: Consoante informativo 599 do STJ, em regra, a pena de perdimento deve ser
restrita ao cargo público ocupado ou função pública exercida no momento da prática do delito.
A exceção é se o juiz, motivadamente, considerar que o novo cargo guarda correlação com as
atribuições do anterior, ou seja, daquele que o réu ocupava no momento do crime, neste caso mostra-
se devida a perda da nova função como uma forma de anular (evitar) a possibilidade de que o
agente pratique novamente delitos da mesma natureza22. O item está errado.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
O art. 92, I, do CP prevê, como efeito extrapenal específico da condenação, a perda de cargo, função
pública ou mandato eletivo. Para que esse efeito da condenação seja aplicado, é indispensável que a
decisão condenatória motive concretamente a necessidade da perda do cargo, emprego, função ou
mandato eletivo, ou seja, não é automático. Diante disso, entende o STJ que a pena de perdimento
deve ser restrita ao cargo ocupado ou função pública exercida no momento do delito, à exceção da
hipótese em que o magistrado, motivadamente, entender que o novo cargo ou função guarda
correlação com as atribuições anteriores.
TOME NOTA!
Art. 92, CP - São também efeitos da condenação:
I - a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo:
a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, nos crimes
praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a Administração Pública
b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo superior a 4 (quatro) anos nos demais
casos
Parágrafo único - Os efeitos de que trata este artigo não são automáticos, devendo ser motivadamente
declarados na sentença. (grifo nosso)

INDULTO

(OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR – TJ/AL – FGV/2018 – ADAPTADA) O indulto gera a extinção dos
efeitos penais primários, mas não os secundários, permanecendo íntegros, também, os efeitos civis da
condenação.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: De acordo com a Súmula 631 do STJ, “O indulto extingue os efeitos primários da
condenação (pretensão executória), mas não atinge os efeitos secundários, penais ou
extrapenais”. O item está certo.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
O efeito primário da condenação é a sanção penal (pena ou medida de segurança). Os efeitos
secundários podem ser penais (reincidência, causa de revogação do sursis, causa de revogação do
livramento condicional, causa de conversão da pena restritiva de direitos em privativa de liberdade,
impossibilita a transação penal e concessão de suspensão condicional do processo etc.) ou extrapenais
(arts. 91 e 92 do CP e outros previstos em leis especiais). O indulto é uma forma de renúncia do Estado
ao seu direito de punir, que atinge apenas os efeitos primários da condenação. Vale ressaltar que a
concessão do indulto está inserida no exercício do poder discricionário do Presidente da
República23. (grifo nosso)
TOME NOTA!
Art. 107, CP - Extingue-se a punibilidade:
II - pela anistia, graça ou indulto; (grifo nosso).

22
STJ. 5ª Turma. REsp 1452935/PE, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 14/03/2017
23
STF. ADI 2.795-MC, Rel. Min. Maurício Corrêa

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DELEGADO ALISON ROCHA

Vejamos o quadro esquemático:


EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE
ANISTIA GRAÇA INDULTO
Exclui o crime Refere-se a pessoas Refere-se a pessoas
Concedida por lei Concedida por meio de decreto Concedido por meio de
firmado pelo Presidente da decreto firmado pelo
República Individual Presidente da República
Coletivo
Refere-se a fatos e não a Depende de requerimento da Não é necessário
pessoas (atinge todos que parte interessada; requerimento, é concedido
tenham praticado a infração de forma espontânea pelo
em certa data ou período;
Presidente da República
Por ser total ou parcial;
Aplicável a fatos pretéritos; Pode ser total ou parcial; Atinge somente a pena,
Deve ser aprovada em lei subsistem os efeitos penais
ordinária votada pelo Atinge somente a pena, secundários e extrapenais.
Congresso Nacional e subsistem os efeitos penais
sancionada pelo Presidente secundários e extrapenais.
da República;
Pode ser concedida antes ou
depois da sentença;
Não afasta os efeitos
extrapenais se o acusado já
havia sido condenado em
definitivo.

MEDIDA DE SEGURANÇA

(SIMULADO/2020) Segundo entendimento jurisprudencial, a medida de segurança consistente em


tratamento ambulatorial pode ser aplicada, se favorável o parecer médico, ao autor de fato típico punido
com reclusão.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Atenção, à luz dos princípios da adequação, da razoabilidade e da proporcionalidade,


na fixação da espécie de medida de segurança a ser aplicada não deve ser considerada a natureza da
pena privativa de liberdade aplicável, mas sim a periculosidade do agente, cabendo ao julgador a
faculdade de optar pelo tratamento que melhor se adapte ao inimputável. Desse modo, mesmo em se
tratando de delito punível com reclusão, é facultado ao magistrado a escolha do tratamento mais
adequado ao inimputável.24 O item está certo.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Atenção, o STJ abrandou a regra legal e construiu a tese de que o art.97 do CP não deve ser aplicado
de forma isolada, devendo analisar também qual é a medida de segurança que melhor se ajusta à
natureza do tratamento de que necessita o inimputável.
Em suma: mesmo que o inimputável tenha praticado um fato previsto como crime punível com reclusão,
ainda assim será possível submetê-lo a tratamento ambulatorial (não precisando ser internação), desde
que fique demonstrado que essa é a medida de segurança que melhor se ajusta ao caso concreto.

24
STJ. 3ª Seção. EREsp 998.128-MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 27/11/2019 (Info 662).

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ATENÇÃO!
Existem duas espécies de medida de segurança (art. 96 do CP). Vejamos o quadro esquemático a
seguir.
MEDIDA DE SEGURANÇA
DETENTIVA (INTERNAÇÃO) RESTRITIVA (TRATAMENTO AMBULATORIAL)
Consiste na internação do agente em um Consiste na determinação de que o agente se
hospital de custódia e tratamento psiquiátrico. sujeite a tratamento ambulatorial.

É chamada de detentiva porque representa O agente permanece livre, mas tem uma restrição
uma forma de privação da liberdade do agente. em seu direito, qual seja a obrigação de se
submeter a tratamento ambulatorial.

IMPORTANTE!
A Súmula 527/STJ dispõe que a duração da medida de segurança não pode ultrapassar o limite
máximo da pena abstratamente cominada ao delito praticado.
Já para o STF a medida de segurança fica limitada ao período máximo de 30 anos, vez que o
ordenamento jurídico veda as penas de caráter perpétuo.
Mas atenção, a Lei nº 13.964/2019 (Pacote Anticrime) alterou o limite do tempo de cumprimento da
pena privativa de liberdade para 40 anos. Com isso, pelas razões apresentadas, é provável que o
entendimento do STF acompanhe a alteração legislativa, visto que se tratou apenas de modificação do
prazo máximo de cumprimento da pena.

(ESCRIVÃO – PC/ES / INSTITUTO AOCP/2019 – ADAPTADA) Tendo em vista as suas especificidades,


a medida de segurança poderá durar perpetuamente.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Nos termos da Súmula 527 do STJ “O tempo de duração da medida de segurança
não deve ultrapassar o limite máximo da pena abstratamente cominada ao delito praticado”. A
conclusão do STJ é baseada nos princípios da isonomia e proporcionalidade. Não se pode tratar de
forma mais gravosa o infrator inimputável quando comparado ao imputável. Se o imputável somente
poderia ficar cumprindo a pena até o máximo previsto na lei para aquele tipo penal, é justo que essa
mesma regra seja aplicada àquele que recebeu medida de segurança.O item está errado.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Vale ressaltar que o STF possui julgados afirmando que a medida de segurança deverá obedecer a um
prazo máximo de 30 anos, fazendo uma analogia ao art. 75 do CP, e considerando que a CF/88 veda
as penas de caráter perpétuo. Neste sentido: “Esta Corte já firmou entendimento no sentido de que o
prazo máximo de duração da medida de segurança é o previsto no art. 75 do CP, ou seja, trinta anos” 25.
(grifo nosso)
A Lei nº 13.964/2019 (Lei Anticrime) alterou o limite do tempo de cumprimento da pena privativa de
liberdade para 40 anos. Com isso, pelas razões apresentadas, é provável que o entendimento do STF
acompanhe a alteração legislativa, visto que se tratou apenas de modificação do prazo máximo de
cumprimento da pena.

25
STF. 1ª Turma. HC 107432, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 24/05/2011

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CONCURSO DE CRIMES
(SIMULADO/2020) Em caso de concurso formal de crimes, o perdão judicial concedido para um dos
coautores necessariamente deverá abranger o outro.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: De acordo com o informativo 606 do STJ, o fato de os delitos terem sido cometidos em
concurso formal não autoriza a extensão dos efeitos do perdão judicial concedido para um dos
crimes, se não restou comprovada, quanto ao outro, a existência do liame subjetivo entre o infrator
e a outra vítima fatal. Imagina que um agente, dirigindo seu veículo imprudentemente, causa a morte de
sua noiva e de um amigo; o fato de ter sido concedido perdão judicial para a morte da noiva não
significará a extinção da punibilidade no que tange ao homicídio culposo do amigo26.O item está
errado.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
O Código Penal prevê que o homicídio culposo pode trazer consequências tão negativas para o agente
que não é justo que a ele seja aplicada a pena por esse crime. Desse modo, o juiz, mesmo
reconhecendo que existem provas suficientes para condenar o réu, não aplica a ele nenhuma
pena, declarando extinta a sua punibilidade. A isso se chama perdão judicial.
Para a aplicação do perdão judicial, o agente responsável pelo crime deve ter sofrido, em razão do fato,
graves consequências físicas (ex.: tetraplegia) ou morais/psicológicas (ex.: perda de um ente querido).
Para aplicação do perdão judicial baseado no sofrimento psicológico do agente, o STJ tem exigido a
existência de um vínculo, de um laço prévio de conhecimento entre os envolvidos, para que seja "tão
grave" a consequência do crime ao agente. Assim, a interpretação dada, na maior parte das vezes, é no
sentido de que só sofre intensamente o réu que, de forma culposa, matou alguém conhecido e com
quem mantinha laços afetivos. Entender pela desnecessidade do vínculo seria abrir uma fenda na lei,
pois serviria como argumento de defesa para todo e qualquer caso de delito com vítima fatal27.

TEMA POTENCIAL!
Você lembra a diferença do Concurso Formal prórpio e imprópria?
Vejamos o quadro esquemático:
CONCURSOS DE CRIMES
PERFEITO IMPERFEITO
(normal, próprio) (anormal, impróprio)
Quando o agente, com uma única conduta Quando o agente, com uma única conduta
(ação ou omissão), pratica dois ou mais (ação ou omissão), pratica dois ou mais
crimes culposos ou entre crime doloso e crimes dolosos, COM desígnio (vontade,
outro culposo, SEM desígnio (vontade, teve dolo em todos) autônomo de praticar
NÃO teve dolo em todos) autônomo de cada um deles.
praticar cada um deles.
Pode ocorrer: Pode ocorrer:
DOLO + CULPA: Quando o agente tinha dolo DOLO + DOLO.
de praticar um crime e os demais delitos Que poder ser:
foram praticados por culpa. Dolo direto + dolo direto
CULPA + CULPA: Quando o agente não tinha Dolo direto + dolo eventual (STJ, HC 191490, inf.
a intenção de praticar nenhum dos delitos, 505)
tendo todos eles ocorrido por culpa.

26
STJ. 6ª Turma. REsp 1.444.699-RS, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 1/6/2017
27
STJ. 6ª Turma. REsp 1455178/DF, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, DJe 06/06/2014.

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SISTEMA DA EXASPERAÇÃO SITEMA DO CÚMULO MATERIAL


Fixação da pena: Quanto à exasperação, Fixação da pena: Nesse sistema, a aplicação
temos que será praticado dois ou mais da pena leva em conta o valor arbitrado de
crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a condenação em cada infração penal, sendo
mais grave das penas cabíveis ou, se que a penas são somadas.
iguais, somente uma delas, mas Esse é o sistema utilizado pelo concurso
aumentada, em qualquer caso, de um material ou real de crimes (art. 69, CP),
sexto até metade. concurso formal imperfeito ou impróprio
Esse sistema é utilizado em relação ao (art. 70, caput, 2ª parte) e, considerando o texto
concurso formal próprio ou perfeito legal, ao concurso de pena de multa (art. 72,
(art. 70, caput, 1ª parte) e ao crime CP)
continuado.
O que é concurso “material benéfico”?
É a aplicação da regra do concurso material (soma das penas) à situação fática equivalente
ao concurso formal próprio, quando este se torna mais severo que o primeiro (art. 70,
parágrafo único, CP).
Exemplo: O agente quer matar A, mas, em Exemplo de concurso formal anormal: Há
sua ação, por erro na execução, também uma cena, no premiado filme “A Lista de
atinge B, e ambos são mortos. Perceba que Schindler”, em que algumas pessoas são
um dos homicídios, o de A, se deu por dolo, enfileiradas, e o atirador, dolosamente, com
enquanto o outro, de B, se deu por culpa. um único disparo, consegue matá-las.

PRESCRIÇÃO

(SIMULADO/2020) A prescrição da pretensão executória não corre mesmo se a segunda condenação


estiver sendo cumprida no regime aberto.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Consoante informativo 670 do STJ, de acordo com o parágrafo único, do artigo 116,
do Código Penal, “depois de passada em julgado a sentença condenatória, a prescrição não corre
durante o tempo em que o condenado está preso por outro motivo”. Ao interpretar o referido dispositivo
legal, esta Corte Superior de Justiça pacificou o entendimento de que o cumprimento de pena
imposta em outro processo, ainda que em regime aberto ou em prisão domiciliar, impede o curso
da prescrição executória.
Assim, não há que se falar em fluência do prazo prescricional, o que impede o reconhecimento da
extinção de sua punibilidade.
Quanto ao ponto, é imperioso destacar que o fato de o prazo prescricional não correr durante o tempo
em que o condenado está preso por outro motivo não depende da unificação das penas. O item está
certo.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
A prescrição da pretensão executória é a espécie de prescrição que incide na pena in concreto (pena
efetivamente imposta). Tem como pressuposto a sentença condenatória com trânsito em julgado para
ambas as partes (decisão definitiva, irrecorrível) e se verifica dentro dos prazos estabelecidos pelo artigo
109 do Código Penal, os quais são aumentados de 1/3 se o condenado é reincidente.
Esta espécie de prescrição se inicia:
1. No dia em que transita em julgado a sentença condenatória para a acusação.
2. No dia em que foi revogado o sursis ou o livramento condicional.
3. No dia em que o preso evadiu-se do cárcere.
A prescrição da pretensão executória será regulada com base no quantum restante da pena nos casos
de revogação do livramento condicional ou evasão do condenado.

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REINCIDÊNCIA

(SIMULADO/2020) A folha de antecedentes criminais não é documento suficiente a comprovar os maus


antecedentes e a reincidência.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Consoante Súmula 636 do STJ, “A folha de antecedentes criminais é documento


suficiente a comprovar os maus antecedentes e a reincidência”. Isso porque a folha de antecedentes
criminais já possui fé pública e valor probante para o reconhecimento das informações nela certificadas28.
O item está errado.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Vale ressaltar que a Súmula 636 do STJ versa unicamente sobre a forma de comprovação dos
registros criminais que existem contra o réu, ou seja, ele trata apenas de aspectos formais.
ATENÇÃO!
Este enunciado não dispõe sobre os registros que se enquadram ou não juridicamente como “maus
antecedentes” ou como “reincidência”. Em outras palavras, ela não discute o conteúdo do conceito
desses institutos. Logo, a Súmula 444 do STJ não foi afetada e continua sendo plenamente aplicável:
“É vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso para agravar a pena-base”.
BIZU!
A definição de reincidência é encontrada a partir da conjugação do art. 63 do CP com o art. 7º da Lei
de Contravenções Penais.
Vejamos o quadro esquemático a seguir.
REINCIDÊNCIA
Se a pessoa é condenada E depois da condenação Qual será a consequência?
definitivamente por definitiva pratica novo (a)
Crime: no Brasil ou exterior Crime Reincidência
Crime: no Brasil ou exterior Contravenção: no Brasil Reincidência
Contravenção: no Brasil Contravenção: no Brasil Reincidência
Contravenção: no Brasil Crime Não há reincidência.
(Foi uma falha da Lei. Mas gera
maus antecedentes.)
Contravenção: no estrangeiro Crime ou contravenção Não há reincidência.
Contravenção no estrangeiro não
influi aqui.

HOMICÍDIO

(DELEGADO DE POLÍCIA – PC/SE – CESPE/2018) Em um clube social, Paula, maior e capaz, provocou
e humilhou injustamente Carlos, também maior e capaz, na frente de amigos. Envergonhado e com muita
raiva, Carlos foi à sua residência e, sem o consentimento de seu pai, pegou um revólver pertencente à
corporação policial de que seu pai faz parte. Voltando ao clube depois de quarenta minutos, armado com
o revólver, sob a influência de emoção extrema e na frente dos amigos, Carlos fez disparos da arma
contra a cabeça de Paula, que faleceu no local antes mesmo de ser socorrida. Acerca dessa situação
hipotética, julgue o próximo item. Na situação considerada, em que Paula foi vitimada por Carlos por
motivação torpe, caso haja vínculo familiar entre eles, o reconhecimento das qualificadoras da motivação
torpe e de feminicídio não caracterizará bis in idem.

Certo ou Errado

28
STJ. 6ª Turma. HC 272899 SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 18/09/2014

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COMENTÁRIO: De acordo com o informativo 625 do STJ, não caracteriza bis in idem o
reconhecimento das qualificadoras de motivo torpe e de feminicídio no crime de homicídio
praticado contra mulher em situação de violência doméstica e familiar. Isso se dá porque o
feminicídio é uma qualificadora de ordem OBJETIVA - vai incidir sempre que o crime estiver atrelado
à violência doméstica e familiar propriamente dita, enquanto a torpeza é de cunho subjetivo, ou seja,
continuará adstrita aos motivos (razões) que levaram um indivíduo a praticar o delito29. O item está certo.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Feminicídio é o homicídio doloso praticado contra a mulher por “razões da condição de sexo
feminino”, ou seja, desprezando, menosprezando, desconsiderando a dignidade da vítima enquanto
mulher, como se as pessoas do sexo feminino tivessem menos direitos do que as do sexo masculino. O
Código Penal prevê o feminicídio como uma qualificadora do crime de homicídio. O feminicídio pode
ser praticado por qualquer pessoa (trata-se de crime comum). O sujeito ativo do feminicídio
normalmente é um homem, mas também pode ser mulher. Já o sujeito passivo obrigatoriamente
deve ser uma pessoa do sexo feminino (criança, adulta, idosa, desde que do sexo feminino). O
feminicídio pode ser tentado ou consumado. O feminicídio pode ser praticado com dolo direto ou
eventual. (grifo nosso)
TOME NOTA!
Art. 121. Matar alguém:
§ 2º Se o homicídio é cometido:
VI - contra a mulher por razões da condição de sexo feminino.
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
§ 2º-A Considera-se que há “razões de condição de sexo feminino” quando o crime envolve: I -
violência doméstica e familiar; II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher. (grifo
nosso).

(SIMULADO/2020) No crime de homicídio a qualificadora do meio cruel é compatível com o dolo eventual.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Consoante informativo 665 do STJ, não há incompatibilidade entre o dolo eventual
e o reconhecimento do meio cruel, na medida em que o dolo do agente, direto ou indireto, não exclui
a possibilidade de a prática delitiva envolver o emprego de meio mais reprovável, como veneno, fogo,
explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel30. O item está certo.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Cuidado para não confundir:
Dolo eventual não é compatível com qualificadora de traição, emboscada, dissimulação. O dolo
eventual não se compatibiliza com a qualificadora do art. 121, § 2º, IV (traição, emboscada,
dissimulação)31.

CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO

(SIMULADO/2020) À luz do STJ, os roubos cometidos com emprego de arma branca antes da Lei
13.964/19 podem sofrer aumento da pena-base.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Consoante informativo 668 do STJ, não obstante seja impossível majorar a pena de
roubos cometidos com o emprego de arma branca ANTES da vigência da Lei 13.964/19, o STJ tem
decidido que esta circunstância, porque torna o crime mais grave, pode influenciar a pena-base quando
são analisadas as circunstâncias da conduta delituosa.

29
STJ. 6ª Turma. HC 433.898-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 24/04/2018
30
STJ. 6ª Turma. REsp 1.829.601-PR, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 04/02/2020 (Info 665)
31
STF. 2ª Turma. HC 111.442/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 28/8/2012 (Info 677)

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Após a revogação do inciso I do artigo 157 do CP pela Lei n. 13.654, de 23 de abril de 2018, o emprego
de arma branca no crime de roubo deixou de ser considerado como majorante, a justificar o incremento
da reprimenda na terceira fase do cálculo dosimétrico, sendo, porém, plenamente possível a sua
valoração como circunstância judicial desabonadora. Nesse sentido, embora o emprego de arma
branca não se subsuma mais a qualquer uma das majorantes do crime de roubo, pode eventualmente
ser valorado como circunstância judicial desabonadora pelas instâncias ordinárias32. O item está
certo.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Atenção, em 2018, a majorante pelo emprego de arma no roubo passou por algumas mudanças que
geraram críticas. A Lei 13.654/18 revogou o inciso que dispunha sobre o emprego de arma e inseriu no
art. 157 o § 2º-A, que, no inciso I, majora a pena se a violência ou a ameaça é exercida com emprego de
arma de fogo. O legislador optou por excluir da abrangência da majorante os objetos que, embora
pudessem ser utilizados para intimidar, não foram concebidos com esta finalidade. Logo, não majora
mais a pena do roubo o emprego das denominadas “armas brancas”.

(PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE/SC/2019) Conforme jurisprudência dominante no STJ, nos crimes de


furto e roubo (arts. 155 e 157 do CP) a consumação do fato típico somente ocorre com a posse mansa e
pacífica, o que não se verifica no caso de perseguição imediata do agente e recuperação da coisa
subtraída.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: De acordo com a Súmula 582 do STJ “Consuma-se o crime de roubo com a inversão
da posse do bem mediante emprego de violência ou grave ameaça, ainda que por breve tempo e
em seguida à perseguição imediata ao agente e recuperação da coisa roubada, sendo prescindível a
posse mansa e pacífica ou desvigiada”. Neste sentido também é o informativo 572 do STJ: “Consuma-se
o crime de furto com a posse de fato da res furtiva, ainda que por breve espaço de tempo e seguida
de perseguição ao agente, sendo prescindível a posse mansa e pacífica ou desvigiada”33. (grifo
nosso) O item está errado.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Existem quatro teorias sobre este tema:
1. Contrectacio: segundo esta teoria, a consumação se dá pelo simples contato entre o agente e a
coisa alheia. Se tocou, já consumou.
2. Apprehensio (amotio): a consumação ocorre no momento em que a coisa subtraída passa para o
poder do agente, ainda que por breve espaço de tempo, mesmo que o sujeito seja logo perseguido pela
polícia ou pela vítima. Quando se diz que a coisa passou para o poder do agente, isso significa que houve
a inversão da posse. Por isso, ela é também conhecida como teoria da inversão da posse. Vale ressaltar
que, para esta corrente, o furto se consuma mesmo que o agente não fique com a posse mansa e
pacífica. A coisa é retirada da esfera de disponibilidade da vítima (inversão da posse), mas não é
necessário que saia da esfera de vigilância da vítima (não se exige que o agente tenha posse
desvigiada do bem).
3. Ablatio: a consumação ocorre quando a coisa, além de apreendida, é transportada de um lugar
para outro.
4. Ilatio: a consumação só ocorre quando a coisa é levada ao local desejado pelo ladrão para tê-la a
salvo. (grifo nosso)

32
AgRg no AREsp n. 1.351.373/MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 12.2.2019, DJe 19.2.2019)’
(HC 556.629/RJ, j. 03/03/2020) (Info 668).
33
STJ. 3ª Seção. REsp 1.524.450-RJ, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 14/10/2015

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(SIMULADO/2020) A alteração do sistema de medição, mediante fraude, para que aponte resultado
menor do que o real consumo de energia elétrica configura furto qualificado pela fraude.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Consoante informativo 648 do STJ, a alteração do sistema de medição, mediante


fraude, para que aponte resultado menor do que o real consumo de energia elétrica configura
estelionato34. O item está errado.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
É preciso estar atento para não confundir.
Vejamos o quadro esquemático:
CRIME CONTRA O PATRIMÔNIO
FURTO ESTELIONATO
(gato) (alteração do sistema de medição)
O agente desvia a energia elétrica de sua fonte O agente altera o sistema de medição,
natural por meio de ligação clandestina, sem mediante fraude, para que aponte resultado
passar pelo medidor. menor do que o real consumo.
Adequa-se à figura descrita no tipo de furto Adequa-se à figura descrita no tipo elencado
qualificado pela fraude (art. 155, § 4º, II, do no art. 171 do Código Penal
Código Penal)
No furto, a fraude tem por objetivo diminuir a No estelionato, a fraude tem por finalidade
vigilância da vítima e possibilitar a subtração fazer com que a vítima incida em erro e
da coisa (inversão da posse). voluntariamente entregue o objeto ao agente
O bem é retirado sem que a vítima perceba que criminoso, baseada em uma falsa percepção
está sendo despojada de sua posse. da realidade.
A concessionária não sabe que está fornecendo A concessionária sabe que está fornecendo
energia elétrica para aquele indivíduo. Ele está energia elétrica para aquele consumidor, mas
desviando (subtraindo) a energia da rede. a fraude faz com que ela não perceba que
ele está pagando menos do que deveria.

TOME NOTA!
Furto
Art. 155, CP - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel.
Estelionato
Art. 171, CP - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo
alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento.

(SIMULADO/2020) No caso de furto de energia elétrica mediante fraude, o adimplemento do débito antes
do recebimento da denúncia não extingue a punibilidade.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: No caso de furto de energia elétrica mediante fraude, o adimplemento do débito


ANTES do recebimento da denúncia não extingue a punibilidade. O furto de energia elétrica não
pode receber o mesmo tratamento dado ao inadimplemento tributário, de modo que o pagamento do
débito antes do recebimento da denúncia não configura causa extintiva de punibilidade, mas causa
de redução de pena relativa ao arrependimento posterior (art. 16 do CP)35. O item está certo.

34
STJ. 5ª Turma. AREsp 1.418.119-DF, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 07/05/2019
35
STJ. 3ª Seção. RHC 101.299-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Rel. Acd. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 13/03/2019

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COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
A jurisprudência se consolidou no sentido de que a natureza jurídica da remuneração pela prestação de
serviço público, no caso de fornecimento de energia elétrica, prestado por concessionária, é de tarifa ou
preço público, não possuindo caráter tributário. Não há como se atribuir o efeito pretendido aos
diversos institutos legais, considerando que o disposto no art. 34 da Lei nº 9.249/1995 e no art. 9º da Lei
nº 10.684/2003 fazem referência expressa e, por isso, taxativa, aos tributos e contribuições sociais, não
dizendo respeito às tarifas ou preços públicos36. (grifo nosso)

(SIMULADO/2020) A extorsão pode ser praticada mediante a ameaça feita pelo agente de causar um
mal espiritual na vítima.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: De acordo com o informativo 598 do STJ, configura o delito de extorsão (art. 158 do CP)
a conduta do agente que submete vítima à grave ameaça espiritual que se revelou idônea a atemorizá-
la e compeli-la a realizar o pagamento de vantagem econômica indevida37. O item está certo.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
A ameaça de mal espiritual, em razão da garantia de liberdade religiosa, não pode ser considerada
inidônea ou inacreditável. Para boa parte do povo brasileiro, existe a crença na existência de força ou
forças sobrenaturais, manifestada em doutrinas e rituais próprios, não se podendo falar que tais ameaças
não possuem força para constranger o homem médio. Dessa forma, considerou o STJ que o meio
empregado foi idôneo.
TOME NOTA!
Extorsão
CP, art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para
si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma
coisa.

CONTINUIDADE DELITIVA

(SIMULADO/2020) De acordo com a jurisprudência do STF, não há continuidade delitiva entre os crimes
de roubo e extorsão, ainda que praticados em conjunto.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: De acordo com o informativo 899 do STF, não há continuidade delitiva entre os
crimes de roubo e extorsão, ainda que praticados em conjunto. Isso porque, os referidos crimes,
apesar de serem da mesma natureza, são de espécies diversas38. O item está certo.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
A teoria da ficção jurídica, adotada pelo ordenamento jurídico brasileiro, sustenta que cada uma das
condutas praticadas constitui em uma infração penal diferente. No entanto, por ficção jurídica,
esses diversos crimes são considerados, pela lei, como crime único.
Para o reconhecimento do crime continuado, são necessários quatro requisitos:
1. Pluralidade de condutas (prática de duas ou mais condutas subsequentes e autônomas).
2. Pluralidade de crimes da mesma espécie (prática de dois ou mais crimes iguais).
3. Condições semelhantes de tempo, lugar, maneira de execução, entre outras.

36
STJ. 5ª Turma. HC 412.208-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 20/03/2018
37
STJ. 6ª Turma. REsp 1.299.021-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 14/2/2017
38
STF. 1ª Turma. HC 114667/SP, rel. org. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em
24/4/2018

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4. Unidade de desígnio (requisito subjetivo).


Ressalte-se que este último requisito não está previsto no CP, mas foi acolhido pela jurisprudência. Por
fim, é importante saber que para o STJ não há como reconhecer a continuidade delitiva entre os
crimes de roubo e o de latrocínio porquanto são delitos de espécies diversas, já que tutelam bens
jurídicos diferentes39.
TOME NOTA!
Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes da
mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes,
devem os subsequentes ser havidos como continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só
dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um sexto
a dois terços. (grifo nosso)

ESTELIONATO
(SIMULADO/2020) Na hipótese em que o estelionato se dá mediante vantagem indevida, auferida
mediante o depósito em favor de conta bancária de terceiro, a competência deverá ser declarada em
favor do juízo no qual se situa a conta favorecida.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: O STJ entendeu que quando o estelionato se dá mediante vantagem indevida,


auferida mediante o depósito em favor de conta bancária de terceiro, a competência deverá ser
declarada em favor do juízo no qual se situa a conta favorecida. No caso em que a vítima, induzida
em erro, efetuou depósito em dinheiro e/ou transferência bancária para a conta de terceiro (estelionatário),
a obtenção da vantagem ilícita ocorreu quando o estelionatário se apossou do dinheiro, ou seja, no
momento em que a quantia foi depositada em sua conta. 40 O item está certo.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Cuidado, é importante não confundir: há o estelionato que ocorre por meio do saque (ou compensação)
de cheque clonado, adulterado ou falsificado e o estelionato que ocorre quando a vítima, induzida em
erro, se dispõe a fazer depósitos ou transferências bancárias para a conta de terceiro (estelionatário).
Vamos explicar, vejamos:
1. Estelionato que ocorre por meio do saque (ou compensação) de cheque clonado, adulterado ou
falsificado: a competência é do local onde a vítima possui a conta bancária. Isso porque, nesta
hipótese, o local da obtenção da vantagem ilícita é aquele em que se situa a agência bancária onde foi
sacado o cheque adulterado, ou seja, onde a vítima possui conta bancária.
Aplica-se o raciocínio da súmula 48 do STJ: Compete ao juízo do local da obtenção da vantagem
ilícita processar e julgar crime de estelionato cometido mediante falsificação de cheque.
2. Estelionato que ocorre quando a vítima, induzida em erro, se dispõe a fazer depósitos ou transferências
bancárias para a conta de terceiro (estelionatário): a competência é do local onde o estelionatário
possui a conta bancária. Isso porque, neste caso, a obtenção da vantagem ilícita ocorre quando o
estelionatário efetivamente se apossa do dinheiro, ou seja, no momento em que ele é depositado em sua
conta.
BIZU!
Estelionato que ocorre por meio do saque (ou compensação) de cheque clonado, adulterado ou
falsificado = Competência é do local onde a vítima possui a conta bancária
Estelionato que ocorre quando a vítima, induzida em erro, se dispõe a fazer depósitos ou
transferências bancárias para a conta de terceiro (estelionatário) = Competência é do local onde o
estelionatário possui a conta bancária.

39
STJ. 5ª Turma. AgInt no AREsp 908.786/PB, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 06/12/2016.
40
STJ. 3ª Seção.CC 169.053-DF, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 11/12/2019(Info 663).

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(SIMULADO/2020) O estelionato previdenciário é crime instantâneo de efeitos permanentes quando


cometido por servidor do INSS ou por terceiro não beneficiário que pratica a fraude, sendo consumado
no momento do pagamento da primeira prestação do benefício indevido.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: O estelionato previdenciário é crime instantâneo de efeitos permanentes quando


cometido por servidor do INSS ou por terceiro não beneficiário que pratica a fraude, sendo consumado
no momento do pagamento da primeira prestação do benefício indevido. O item certo.
Vejamos o quadro esquemático:
ESTELIONATO PREVIDENCIÀRIO
Crime permanente: Quando o Crime instantâneo de efeitos Crime continuado: Quando
fraudador for o próprio permanente: Quando a conduta alguém permaneça recebendo o
beneficiário, haja vista fraudulenta seja praticada em benefício que, devido na origem,
compreender a obtenção da favor de terceiro que receberá o deveria ter cessado em virtude
vantagem como produto de benefício indevido. Neste caso, o da morte do beneficiário. Em
reiteração de condutas baseada agente comete apenas uma virtude das mesmas
no ato fraudulento cometido pelo conduta, da qual outra pessoa se circunstâncias de tempo, local e
próprio agente. beneficia reiteradamente. modo de execução, considera-se
como se uma obtenção de
vantagem fosse continuação de
outra
Exemplo: O crime de estelionato Exemplo: O estelionato Exemplo: O delito de
previdenciário, quando previdenciário é crime estelionato, praticado contra a
praticado pelo próprio instantâneo de efeitos Previdência Social, mediante a
favorecido pelas prestações, permanentes quando cometido realização de saques
tem caráter permanente, por servidor do INSS ou por depositados em favor de
cessando a atividade delitiva terceiro não beneficiário que beneficiário já falecido,
apenas com o fim de sua pratica a fraude, sendo consuma-se a cada
percepção, termo a quo do consumado no momento do levantamento do benefício,
prazo prescricional. pagamento da primeira caracterizando-se, assim,
prestação do benefício indevido. continuidade delitiva, nos termos
do art. 71 do Código Penal,
devendo, portanto, o prazo
prescricional iniciar-se com a
cessação do recebimento do
benefício previdenciário.
A devolução dos valores indevidamente recebidos por meio do estelionato – em qualquer das formas
acima – não acarreta a extinção da punibilidade diante da inaplicabilidade das disposições relativas
ao pagamento do tributo nos delitos contra a ordem tributária. É possível apenas a incidência da causa
de diminuição de pena relativa ao arrependimento posterior (art.16 do CP) (REsp 1380672⁄SC, Rel.
Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 24/03/2015, DJe 06/04/2015)” (RHC
63.027/SP, 5ª Turma, j. 18/10/2016).
Não se aplica o princípio da insignificância ao referido crime. STF. 1ª Turma. HC 111918, Rel. Min.
Dias Toffoli, julgado em 29/05/2012. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 627891/RN, Rel. Min. Jorge Mussi,
julgado em 17/11/2015.

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CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA

(SIMULADO/2020) De acordo com jurisprudência do STJ, inserir informação falsa em currículo Lattes
configura crime de falsidade ideológica.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Consoante informativo 610 do STJ, não é típica a conduta de inserir, em currículo
Lattes, dado que não condiz com a realidade. Isso não configura falsidade ideológica (art. 299 do
CP) porque:
1. Currículo Lattes não é considerado documento por ser eletrônico e não ter assinatura digital;

2. Currículo Lattes é passível de averiguação e, portanto, não é objeto material de falsidade ideológica.
Quando o documento é passível de averiguação, o STJ entende que não há crime de falsidade ideológica
mesmo que o agente tenha nele inserido informações falsas41. O item está errado.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Para que pudesse ser considerada um documento eletrônico, a plataforma Lattes teria que ter a sua
validade jurídica atestada por meio da assinatura digital. Logo, não se pode ter como documento o
currículo inserido na plataforma virtual do Lattes do CNPq, porque desprovido de assinatura digital e,
portanto, sem validade jurídica. O STJ foi além e disse o seguinte: ainda que o currículo Lattes pudesse
ser considerado um documento digital válido para fins penais, mesmo assim não teria havido
crime. Isso porque, como qualquer currículo, seja clássico (papel escrito) ou digital, o currículo Lattes é
passível de averiguação, ou seja, as informações nele contidas deverão ser objeto de aferição por quem
nelas tenha interesse. E para o STJ “(...) somente se configura o crime de falsidade ideológica se a
declaração prestada não estiver sujeita a confirmação pela parte interessada, gozando, portanto,
de presunção absoluta de veracidade (...)42” (grifo nosso)
TOME NOTA!
Falsidade ideológica
CP, art. 299 - Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele
inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito,
criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante

CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

(SIMULADO/2020) Para o STJ, o lucro fácil e a cobiça podem ser usados como argumentos para
aumentar a pena da concussão e da corrupção passiva.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: De acordo com o informativo 608 do STJ, a obtenção de lucro fácil e a cobiça
constituem elementares dos tipos de concussão e corrupção passiva (arts. 316 e 317 do CP), sendo
indevido utilizá-las para aumentar a pena-base alegando que os “motivos do crime”
(circunstância judicial do art. 59 do CP) seriam desfavoráveis. O item está errado.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
A dosimetria da pena na sentença obedece a um critério trifásico: primeiro o juiz calcula a pena-base
de acordo com as circunstâncias judiciais do art. 59, CP. Depois o juiz aplica as agravantes e
atenuantes. Por fim o juiz aplica as causas de aumento e de diminuição. Na primeira fase, as
chamadas circunstâncias judiciais analisadas pelo juiz são as seguintes: a) culpabilidade, b)
antecedentes, c) conduta social, d) personalidade do agente, e) motivos do crime, f) circunstâncias do
crime, g) consequências do crime, h) comportamento da vítima. Embora inseridos no Código Penal no
Título dos crimes contra a administração pública, tanto a concussão (art. 316, CP) quanto a
41
STJ. 6ª Turma. RHC 81.451-RJ, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 22/8/2017
42
STJ. 6ª Turma. RHC 46.569/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 28/04/2015.

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corrupção passiva (art. 317, CP) possuem várias das características dos crimes contra o
patrimônio, com a peculiaridade da qualificação do agente como servidor público.
Assim sendo, no exame das circunstâncias judiciais envolvendo a prática desses dois delitos, a
jurisprudência do STJ vem entendendo que a cobiça, a ganância e a intenção de obter lucro fácil
constituem elementares dos delitos, não podendo, assim, serem utilizadas novamente na apreciação
das circunstâncias judiciais para justificar a elevação da pena-base. (grifo nosso)

(AUDITOR – TCE/PA – CESPE/2016) João, policial civil, exigiu vantagem indevida de particular para não
prendê-lo em flagrante. A vítima não realizou o pagamento e prontamente comunicou o fato a policiais
civis. Nessa situação, como o delito de concussão é formal, o crime consumou-se com a exigência da
vantagem indevida, devendo João por ele responder.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: De acordo com o informativo 564 do STJ, no crime de concussão, a situação de


flagrante delito configura-se no momento da exigência da vantagem indevida (e não no instante
da entrega). Isso porque a concussão é crime formal, que se consuma com a exigência da vantagem
indevida. Assim, a entrega da vantagem indevida representa mero exaurimento do crime que já se
consumou anteriormente43. O item está certo.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
É importante saber que se o crime é formal, a prisão em flagrante deve ocorrer no momento da
exigência, e não por ocasião do recebimento da vantagem, instante em que há somente o
exaurimento do delito. Assim, se o funcionário exige uma vantagem, prometido o pagamento para o dia
seguinte, não há possibilidade de se lavrar prisão em flagrante por ocasião do recebimento. (grifo nosso).
TOME NOTA!
Art. 316. Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função, ou antes, de
assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida: Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa. (grifo
nosso)

PECULATO DESVIO

(SIMULADO/2020) De acordo com jurisprudência do STJ, configura o crime de peculato-desvio o fomento


econômico de candidatura à reeleição por Governador de Estado com o patrimônio de empresas estatais.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: O STJ entendeu que o Governador do Estado que desvia grande soma de recursos
públicos de empresas estatais, utilizando esse dinheiro para custear sua campanha de reeleição,
pratica o crime de peculato-desvio.44 O item está certo.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Importante destacar que a posse, para fins de peculato, pode abranger a mera disponibilidade jurídica.
Nesse sentido, para Nelson Hungria, a posse necessária para configuração do crime de peculato deve
ser compreendida não só como a disponibilidade direta, mas também como disponibilidade jurídica,
exercida por meio de ordens. Essa conclusão está amparada na lição da doutrina, segundo a qual a
“posse, a que se refere o texto legal, deve ser entendida em sentido amplo, compreendendo a simples
detenção, bem como a posse indireta (disponibilidade jurídica sem detenção material, ou poder de
disposição exercível mediante ordens, requisições ou mandados”).

43
STJ. 5ª Turma. HC 266.460-ES, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 11/6/2015
44
STJ. 5ª Turma.REsp 1.776.680-MG, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 11/02/2020(Info 666).

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ATENÇÃO!
Existem outros julgados do STJ no mesmo sentido. Vejamos.
O conceito de ‘posse’ de que cuida o artigo 312 do Código Penal tem sentido amplo e abrange a
disponibilidade jurídica do bem, de modo que resta configurado o delito de peculato na hipótese em
que o funcionário público apropria-se de bem ou valor, mesmo que não detenha a sua posse direta.
Pratica o delito de peculato o Delegado da Polícia Federal que obtém em, proveito próprio, quantia em
espécie em posto de combustível com o qual a Superintendência Regional havia celebrado convênio para
abastecimento de viaturas, sendo irrelevante que o réu não detivesse a posse direta do valor apropriado
se possuía a disponibilidade jurídica do valor, dado que era ele quem emitia as requisições de
abastecimento. 45
IMPORTANTE!
Importante ressaltar que esse também é o entendimento do STF. Vejamos:
No peculato-desvio, exige-se que o servidor público se aproprie de dinheiro do qual tenha posse direta
ou indireta, ainda que mediante mera disponibilidade jurídica.46.
BIZU!
Vamos relembrar os tipos de peculato no quadro esquemático a seguir.
PECULATOS
Artigo 312 do CP - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro,
APROPRIAÇÃO valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem
a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou
alheio.
O peculato-desvio é crime formal que se consuma no instante em
DESVIO que o funcionário público dá ao dinheiro ou valor destino diverso do
previsto.
O peculato furto, por sua vez, encontra-se na disposição do § 1º
do Artigo 312 do CP: § 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário
público, embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem, o
FURTO (IMPRÓPRIO) subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou
alheio, valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade
de funcionário.
O Peculato culposo encontra-se nos §§ 2º e 3º do Artigo 312 do
CP: § 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o crime de
outrem:Pena - detenção, de três meses a um ano.
§ 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano, se
CULPOSO precede à sentença irrecorrível, extingue a punibilidade; se lhe
é posterior, reduz de metade a pena imposta.
ESTELIONATO OU MEDIANTE O peculato estelionato ou mediante erro de outrem tem previsão
ERRO DE OUTREM no artigo 313 do CP: Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade
que, no exercício do cargo, recebeu por erro de outrem.
O peculato eletrônico pode ser de inserção ou de
ELETRÔNICO modificação/alteração de dados falsos em sistema de
informação, nas disposições dos artigos 313-A e 313-B do CP.

Ocorre quando o peculato recair sobre bem particular, ou seja,


MALVERSAÇÃO quando o bem particular esteja sobre custódia da Administração
Pública.

45
STJ. 6ª Turma. REsp 1695736/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 08/05/2018.
46
STF. Plenário. Inq 2966, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 15/05/2014.

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Entendeu o que é Peculato malversação?


Ainda não, tudo bem vamos lá:
Para começar, imperioso se faz definir o que vem a ser o crime de peculato. Trata-se de uma espécie de
gênero Crimes Contra a Administração Pública, prevista no art. 312 do Código Penal, do qual se extrai:
"Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem MÓVEL, público
ou PARTICULAR, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo em proveito próprio ou alheio".
Observe que destacamos as palavras MÓVEL e PARTICULAR. No presente caso (Peculato Malversação)
o que nos importa de fato é a palavra PARTICULAR.
Mas por quê?
Como um agente público pode se apropriar de um bem móvel PARTICULAR?
RESPOSTA: Quando tal bem esteja sob guarda, vigilância ou custódia da Administração Pública. Nesse
caso, ao apropriar-se do bem o funcionário público, estaremos diante de um caso típico de PECULATO-
MALVERSAÇÃO.

CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA

(SIMULADO/2020) O contribuinte que, de forma contumaz e com dolo de apropriação, deixa de recolher
o ICMS cobrado do adquirente da mercadoria ou serviço, incide em crime de apropriação indebita
tributária.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: De acordo com entedimento do STJ, o não repasse do ICMS recolhido pelo sujeito
passivo da obrigação tributária, em qualquer hipótese, enquadra-se (formalmente) no tipo previsto art. 2º,
II, da Lei nº 8.137/90, desde que comprovado o dolo. Em outras palavras, o tipo do art. 2º, II, da Lei nº
8.137/90 não fica restrito apenas às hipóteses em que há substituição tributária. O que se criminaliza é o
fato de o sujeito passivo se apropriar do dinheiro relativo ao imposto, devidamente recebido de terceiro,
quer porque descontou do substituído tributário, quer porque cobrou do consumidor, não repassando aos
cofres públicos47. O item está certo.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
O tipo penal criminaliza a mera conduta de dever o imposto? Trata-se de criminalização do mero
inadimplemento?
NÃO. A conduta reprovável criminalizada por este tipo penal não é “dever imposto”, e sim cobrá-lo de
terceiro sem repassá-lo ao Fisco, apropriando-se do valor. Por essa razão, o STF entende que os crimes
contra a ordem tributária são compatíveis com a Constituição Federal e não representam prisão por dívida
(art. 5º, LXVII, da CF/88).

CRIME DE TRÂNSITO

(SIMULADO/2020) É constitucional a imposição da pena de suspensão de habilitação para dirigir veículo


automotor ao motorista profissional condenado por homicídio culposo no trânsito.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Consoante informativo 966 do STF, é constitucional a imposição da pena de


suspensão de habilitação para dirigir veículo automotor ao motorista profissional condenado por
homicídio culposo no trânsito. O direito ao exercício de atividades profissionais (art. 5º, XIII) não é
absolutoe a restrição imposta pelo legislador se mostra razoável48. O item está certo.

47
STJ. 3ª Seção. HC 399.109-SC, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 22/08/2018 (Info 633)
48
STF. Plenário.RE 607107/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgadoem 12/2/2020(repercussão geral –Tema 486) (Info 966)

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COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Esse é também o entendimento pacífico do STJ. Jurisprudência em Teses do STJ (ed. 114). Tese 2:
O fato de a infração ao art. 302 do Código de Trânsito Brasileiro -CTB ter sido praticada por motorista
profissional não conduz à substituição da pena acessória de suspensão do direito de dirigir por
outra reprimenda, pois é justamente de tal categoria que se espera maior cuidado e responsabilidade
no trânsito.
ATENÇÃO!
Qual é o prazo de duração desta pena?
O prazo de duração da pena de suspensão da habilitação para dirigir veículo automotor deve ser
fixado consoante as peculiaridades do caso concreto, tais como a gravidadedo delito e o grau de
censura do agente, não ficando o magistrado adstrito à análise das circunstâncias judiciais do art. 59 do
Código Penal.49

(SIMULADO/2020) O crime do art. 307 do CTB somente se verifica em caso de violação de suspensão
ou proibição de dirigir imposta por decisão judicial.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: É atípica a conduta contida no art. 307 do CTB quando a suspensão ou a proibição de
se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor advém de restrição administrativa.
A conduta de violar decisão administrativa que suspendeu a habilitação para dirigir veículo automotor não
configura o crime do art. 307, caput, do CTB, embora possa constituir outra espécie de infração
administrativa, a depender do caso concreto. STJ. 6ª Turma. HC 427.472-SP, Rel. Min. Maria Thereza
de Assis Moura, julgado em 23/08/2018 (Info 641). O item está certo.

(SIMULADO/2020) O STF conslidou que

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: A regra que prevê o crime do art. 305 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é
constitucional, posto não infirmar o princípio da não incriminação, garantido o direito ao silêncio e
ressalvadas as hipóteses de exclusão da tipicidade e da antijuridicidade. STF. Plenário. RE 971.959/RS,
Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 14/11/2018 (repercussão geral) (Info 923).

COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê o seguinte delito em seu art. 305: Afastar-se o condutor do
veículo do local do acidente, para fugir à responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída:
Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa.
Se o agente fugiu com medo de eventuais agressões ou para cuidar de um ferimento sofrido?
Não haverá crime (“hipóteses de exclusão da tipicidade e da antijuridicidade”).
Vale ressaltar, por fim, que o abandono do local do acidente pode ser legitimado em caso de eventual
risco de agressões que o condutor possa vir a sofrer por parte dos populares presentes ou ainda caso
ele esteja ferido e precise se deslocar imediatamente em busca de atendimento médico. Para o Min.
Lewandowski, nos casos concretos em que houver perigo de vida do causador do evento caso
permaneça no local do acidente, o juiz poderá aferir a exclusão da antijuridicidade da conduta, tal como
a legítima defesa ou o estado de necessidade. Já para o Min. Alexandre de Moraes, essas situações
realmente não configuram crime, mas por outra razão: atipicidade. Segundo o Ministro, esses casos
representam condutas atípicas, uma etapa anterior à excludente de ilicitude, porque o tipo penal exige

49
STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1771437/CE, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 11/06/2019

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que o condutor do veículo se afaste do local do crime “para fugir à responsabilidade penal ou civil”.
Havendo necessidade de o agente evadir-se pelas circunstâncias apresentadas, não ocorre dolo
específico do tipo.

Vale ressaltar que o STF já tem um precedente análogo. Isso porque o STF reconheceu que o art. 307 do
CP é constitucional e não viola o princípio que veda a autoincriminação.
Súmula 522-STJ: A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é típica, ainda que
em situação de alegada autodefesa.

CRIME CONTRA A HUMANIDADE

(SIMULADO/2020) É necessária a edição de lei em sentido formal para a tipificação do crime contra a
humanidade trazida pelo Estatuto de Roma, mesmo se cuidando de Tratado internalizado.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Consoante informativo 659 do STJ, no Brasil, ainda não há lei que tipifique os crimes
contra a humanidade. Diante da ausência de lei interna tipificando os crimes contra a humanidade, não
é possível utilizar tipo penal descrito em tratado internacional para tipificar condutas
internamente, sob pena de se violar o princípio da legalidade. Dessa maneira, não se mostra possível
internalizar a tipificação do crime contra a humanidade trazida pelo Estatuto de Roma, mesmo se
cuidando de Tratado internalizado por meio do Decreto n. 4.388, porquanto não há lei em sentido formal
tipificando referida conduta.50 O item está certo.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Em que consistem os chamados crimes contra a humanidade ou “crimes de lesa-humanidade”?
A definição dos crimes de lesa-humanidade, tambémchamados de crimes contra a humanidade, pode
ser encontrada no Estatuto de Roma, promulgado no Brasil por força do Decreto nº 4.388/2002.
Artigo 7º Crimes contra a Humanidade:
1. Para os efeitos do presente Estatuto, entende-se por "crime contra a humanidade", qualquer um dos
atos seguintes, quando cometido no quadro de um ataque, generalizado ou sistemático, contra qualquer
população civil, havendo conhecimento desse ataque:
a) Homicídio;
b) Extermínio;
c) Escravidão;
d) Deportação ou transferência forçada de uma população;
e) Prisão ou outra forma de privação da liberdade física grave, em violação das normas fundamentais de
direito internacional;
f) Tortura;
g) Agressão sexual, escravatura sexual, prostituição forçada, gravidez forçada, esterilização forçada ou
qualquer outra forma de violência no campo sexual de gravidade comparável;
h) Perseguição de um grupo ou coletividade que possa ser identificado, por motivos políticos, raciais,
nacionais, étnicos, culturais, religiosos ou de gênero, tal como definido no parágrafo 3º, ou em função de
outros critérios universalmente reconhecidos como inaceitáveis no direito internacional, relacionados com
qualquer ato referido neste parágrafo ou com qualquer crime da competência do Tribunal;i)
Desaparecimento forçado de pessoas;
j) Crime de apartheid;
k) Outros atos desumanos de caráter semelhante, que causem intencionalmente grande sofrimento, ou
afetem gravemente a integridade física ou a saúde física ou mental.

50
STJ. 3ª Seção.REsp 1.798.903-RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 25/09/2019 (Info 659).

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Vale ressaltar que o Estatuto de Roma foi adotado em 17/7/1998, porém, apenas passou a vigorar em
1º/7/2002, quando conseguiu o quórum de 60 países ratificando a convenção, sendo internalizado no
Brasil por meio do Decreto nº 4.388, de 25/9/2002.

LEI DE MIGRAÇÃO

(SIMULADO/2020) A conduta de fazer declaração falsa em processo de transformação de visto, de


registro, de alteração de assentamentos, de naturalização, ou para a obtenção de passaporte para
estrangeiro, laissez-passer ou, quando exigido, visto de saída, configura agora o crime de falsidade
ideológica.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Atenção, consoante o informativo 660 do STJ a Lei nº 13.445/2017 (Lei de Migração),
revogou integralmente o Estatuto do Estrangeiro (Lei nº 6.815/80), inclusive o art. 125, XIII. E a Lei
nº 13.445/2017 não repetiu, em seu texto, um crime semelhante ao que era previsto no art. 125, XIII,
do Estatuto do Estrangeiro. Apesar disso, não houve abolitio criminis neste caso, considerando que
esta conduta continua sendo crime. A conduta de fazer declaração falsa em processo de transformação
de visto, de registro, de alteração de assentamentos, de naturalização, ou para a obtenção de passaporte
para estrangeiro, laissez-passer ou, quando exigido, visto de saída, configura agora o crime do art. 299
do Código Penal (falsidade ideológica).51 Desse modo, não houve abolitio criminis, mas sim
continuidade normativo-típica. O item está certo.

COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
O princípio da continuidade normativa ocorre quando uma norma penal é revogada, mas a mesma
conduta continua sendo crime no tipo penal revogador, ou seja, a infração penal continua tipificada em
outro dispositivo, ainda que topologicamente ou normativamente diverso do originário.

TERRORISMO

(SIMULADO/2020) A tipificação da conduta descrita de atos preparatórios de terrorismo não exige a


motivação por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Cuidado, para o STJ a tipificação da conduta descrita no art. 5º da Lei Antiterrorismo
(atos preparatórios de terrorismo) exige a motivação por razões de xenofobia, discriminação ou
preconceito de raça, cor, etnia e religião, expostas no art. 2º do mesmo diploma legal52. O item está
errado.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Atenção, em regra, os atos preparatórios de um delito não são punidos. A punição, normalmente, só pode
existir se o agente iniciou a prática de atos executórios (art. 14, II, do Código Penal).
O legislador, no entanto, decidiu punir os atos preparatórios do delito de terrorismo. Para isso, ele
criou um tipo específico: o presente art. 5º da Lei nº 13.260/2016. Desse modo, o que o art. 5º pune são
os atos preparatórios do crime de terrorismo. Assim, antes que o sujeito inicie a execução do terrorismo,
ele jápode ser punido pelo art. 5º.
TOME NOTA!
Art. 5º Realizar atos preparatórios de terrorismo com o propósito inequívoco de consumar tal delito:
Pena - a correspondente ao delito consumado, diminuída de um quarto até a metade.
§ 1º Incorre nas mesmas penas o agente que, com o propósito de praticar atos de terrorismo:
I -recrutar, organizar, transportar ou municiar indivíduos que viajem para país distinto daquele de
sua residência ou nacionalidade; ou
51
STJ. 5ª Turma.AgRg no AREsp 1.422.129-SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 05/11/2019(Info 660)
52
STJ. 6ª Turma.HC 537.118-RJ, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 05/12/2019(Info 663)

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II -fornecer ou receber treinamento em país distinto daquele de sua residência ou nacionalidade.


§ 2º Nas hipóteses do § 1º, quando a conduta não envolver treinamento ou viagem para país distinto
daquele de sua residência ou nacionalidade, a pena será a correspondente ao delito consumado,
diminuída de metade a dois terços.

RACISMO

(SIMULADO/2020) De acordo com a jurisprudência do STF atos homofóbicos e transfóbicos são formas
contemporâneas de racismo social.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Consoante informativo 944 do STF, até que sobrevenha lei emanada do Congresso
Nacional destinada a implementar os mandados de criminalização definidos nos incisos XLI e XLII do
art. 5º da Constituição da República, as condutas homofóbicas e transfóbicas, reais ou supostas, que
envolvem aversão odiosa à orientação sexual ou à identidade de gênero de alguém, por traduzirem
expressões de racismo, compreendido este em sua dimensão social, ajustam-se, por identidade de
razão e mediante adequação típica, aos preceitos primários de incriminação definidos na Lei nº 7.716,
de 08.01.1989, constituindo, também, na hipótese de homicídio doloso, circunstância que o qualifica, por
configurar motivo torpe (Código Penal, art. 121, § 2º, I, “in fine”).53 O item está certo.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Racismo é um conceito aberto que abrange preconceitos contra pessoas em razão de sua
orientação sexual ou identidade de gênero?
Para o STF, a noção de racismo – para efeito de configuração típica dos delitos previstos na Lei nº
7.716/89 – não se resume a um conceito de ordem estritamente antropológica ou biológica. Projeta-
se, ao contrário, numa dimensão abertamente cultural e sociológica, a abranger até mesmo situações
de agressão injusta resultantes de discriminação ou de preconceito contra pessoas por sua orientação
sexual ou sua identidade de gênero.
Atos homofóbicos e transfóbicos são formas contemporâneas de racismo?
Sim A configuração de atos homofóbicos e transfóbicos como formas contemporâneas do racismo
objetiva preservar a incolumidade dos direitos da personalidade, como a essencial dignidade da
pessoa humana. Busca inibir, desse modo, comportamentos abusivos que possam, impulsionados por
motivações subalternas, disseminar criminosamente o ódio público contra outras pessoas em razão de
sua orientação sexual ou de sua identidade de gênero.
IMPORTANTE!
Teses fixadas pelo STF:
1. Até que sobrevenha lei emanada do Congresso Nacional destinada a implementar os mandados de
criminalização definidos nos incisos XLI e XLII do art. 5º da Constituição da República, as condutas
homofóbicas e transfóbicas, reais ou supostas, que envolvem aversão odiosa à orientação sexual ou
à identidade de gênero de alguém, por traduzirem expressões de racismo, compreendido este em sua
dimensão social, ajustam-se, por identidade de razão e mediante adequação típica, aos preceitos
primários de incriminação definidos na Lei nº 7.716, de 08.01.1989, constituindo, também, na hipótese de
homicídio doloso, circunstância que o qualifica, por configurar motivo torpe (Código Penal, art. 121, § 2º,
I, “in fine”).
2. A repressão penal à prática da homotransfobia não alcança nem restringe ou limita o exercício da
liberdade religiosa, qualquer que seja a denominação confessional professada, a cujos fiéis e ministros
(sacerdotes, pastores, rabinos, mulás ou clérigos muçulmanos e líderes ou celebrantes das religiões afro-
brasileiras, entre outros) é assegurado o direito de pregar e de divulgar, livremente, pela palavra, pela
imagem ou por qualquer outro meio, o seu pensamento e de externar suas convicções de acordo com o
que se contiver em seus livros e códigos sagrados, bem assim o de ensinar segundo sua orientação
doutrinária e/ou teológica, podendo buscar e conquistar prosélitos e praticar os atos de culto e respectiva
liturgia, independentemente do espaço, público ou privado, de sua atuação individual ou coletiva, desde

53
STF. Plenário. ADO 26/DF, Rel. Min. Celso de Mello; MI 4733/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgados em em 13/6/2019 (Info
944).

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que tais manifestações não configurem discurso de ódio, assim entendidas aquelas exteriorizações que
incitem a discriminação, a hostilidade ou a violência contra pessoas em razão de sua orientação sexual
ou de sua identidade de gênero.
3. O conceito de racismo, compreendido em sua dimensão social, projeta-se para além de aspectos
estritamente biológicos ou fenotípicos, pois resulta, enquanto manifestação de poder, de uma
construção de índole histórico-cultural motivada pelo objetivo de justificar a desigualdade e destinada ao
controle ideológico, à dominação política, à subjugação social e à negação da alteridade, da dignidade e
da humanidade daqueles que, por integrarem grupo vulnerável (LGBTI+) e por não pertencerem ao
estamento que detém posição de hegemonia em uma dada estrutura social, são considerados estranhos
e diferentes, degradados à condição de marginais do ordenamento jurídico, expostos, em consequência
de odiosa inferiorização e de perversa estigmatização, a uma injusta e lesiva situação de exclusão do
sistema geral de proteção do direito.

CRIME ORGANIZADO
(SIMULADO/2020) O crime de embaraçar investigação previsto na Lei do Crime Organizado é restrito à
fase do inquérito.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Consoante informativo 650 do STJ, a tese de que a investigação criminal descrita no
art. 2º, § 1º, da Lei nº 12.850/2013 (crime de embaraçar investigação criminal) limita-se à fase do
inquérito não foi aceita pelo STJ. Isso porque as investigações se prolongam durante toda a persecução
criminal, que abarca tanto o inquérito policial quanto a ação penal deflagrada pelo recebimento da
denúncia54. O item está errado.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Investigação não se limita à fase pré-processual. A palavra “investigação” mencionada no art. 2º, § 1º,
da Lei nº 12.850/2013 não se limita à fase do inquérito policial. Isso porque a“investigação” da infração
penal se prolonga durante toda a persecução criminal, que abarca tanto o inquérito policial quanto a
ação penal iniciada com o recebimento da denúncia. Assim, como o legislador não inseriu uma
expressão restritivacomo “inquérito policial”, deve-se entender que a expressão “investigação de infração
penal” foi utilizada no sentido de “persecução penal”.
BIZU!
Investigação = persecução penal
TOME NOTA!
Art. 2º Promover, constituir, financiar ou integrar, pessoalmente ou por interposta pessoa,
organização criminosa:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa, sem prejuízo das penas correspondentes às demais
infrações penais praticadas.
§ 1º Nas mesmas penas incorre quem impede ou, de qualquer forma, embaraça a investigação de
infração penal que envolva organização criminosa.

LEI ANTICRIME (Lei nº 13.964/19) - CRIME ORGANIZADO

(SIMULADO/2020) Os líderes das organizações criminosas armadas devem cumprir inicialmente a pena
privativa de liberdade em estabelecimentos penais de segurança máxima.

Certo ou Errado

54
STJ. 5ª Turma. HC 487.962-SC, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 28/05/2019 (Info 650).

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COMENTÁRIO: Atenção, de acordo com a inovação legislativa introduzida pela Lei 13.964/19, Lei
anticrime, as lideranças de organizações criminosas armadas ou que tenham armas à disposição
deverão iniciar o cumprimento da pena em estabelecimentos penais de segurança máxima. O item
está certo.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
A também chamada Lei de Crime Organizado sofreu incontáveis alterações com a introdução da Lei
anticrime no mundo jurídico.
Visando inviabilizar a atuação de chefes do crime organizado e desestimular a atividade dos demais
membros, algumas medidas foram tomadas:
1. Determinação de que os líderes das organizações criminosas armadas cumpram inicialmente a pena
privativa de liberdade em estabelecimentos penais de segurança máxima.
2. Restrição à progressão de regime, ao livramento condicional e a outros benefícios ao apenado que
continua mantendo vínculos com a organização criminosa.
3. Para não dar margem à anulação de condenações pelo Poder Judiciário, o instituto da delação (ou
colaboração) premiada foi agraciado com farta regulamentação.
4. Disposições sobre a confidencialidade dos termos do acordo.
5. Estabelecimento de regras para a realização do acordo de não-denunciar, celebrado com o Ministério
Público.
TOME NOTA!
Art. 2º Promover, constituir, financiar ou integrar, pessoalmente ou por interposta pessoa,
organização criminosa:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa, sem prejuízo das penas correspondentes às
demais infrações penais praticadas.
§ 1º Nas mesmas penas incorre quem impede ou, de qualquer forma, embaraça a investigação de
infração penal que envolva organização criminosa.
§ 2º As penas aumentam-se até a metade se na atuação da organização criminosa houver emprego de
arma de fogo.
§ 3º A pena é agravada para quem exerce o comando, individual ou coletivo, da organização criminosa,
ainda que não pratique pessoalmente atos de execução.
§ 4º A pena é aumentada de 1/6 (um sexto) a 2/3 (dois terços):
I - se há participação de criança ou adolescente;
II - se há concurso de funcionário público, valendo-se a organização criminosa dessa condição para a
prática de infração penal;
III - se o produto ou proveito da infração penal destinar-se, no todo ou em parte, ao exterior;
IV - se a organização criminosa mantém conexão com outras organizações criminosas independentes;
V - se as circunstâncias do fato evidenciarem a transnacionalidade da organização.
§ 5º Se houver indícios suficientes de que o funcionário público integra organização criminosa, poderá o
juiz determinar seu afastamento cautelar do cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração,
quando a medida se fizer necessária à investigação ou instrução processual.
§ 6º A condenação com trânsito em julgado acarretará ao funcionário público a perda do cargo, função,
emprego ou mandato eletivo e a interdição para o exercício de função ou cargo público pelo prazo de 8
(oito) anos subsequentes ao cumprimento da pena.
§ 7º Se houver indícios de participação de policial nos crimes de que trata esta Lei, a Corregedoria de
Polícia instaurará inquérito policial e comunicará ao Ministério Público, que designará membro para
acompanhar o feito até a sua conclusão.
§ 8º As lideranças de organizações criminosas armadas ou que tenham armas à disposição
deverão iniciar o cumprimento da pena em estabelecimentos penais de segurança
máxima. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019).
§ 9º O condenado expressamente em sentença por integrar organização criminosa ou por crime praticado
por meio de organização criminosa não poderá progredir de regime de cumprimento de pena ou obter
livramento condicional ou outros benefícios prisionais se houver elementos probatórios que indiquem a
manutenção do vínculo associativo. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019).

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(SIMULADO/2020) Será admitida a ação de agentes de polícia infiltrados virtuais na internet, com o fim
de investigar os crimes previstos na Lei de crime organizado e a eles conexos, praticados por
organizações criminosas, desde que demonstrada sua necessidade e indicados o alcance das tarefas
dos policiais, os nomes ou apelidos das pessoas investigadas e, quando possível, os dados de conexão
ou cadastrais que permitam a identificação dessas pessoas.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Atenção Guerreios, importante inovação legislativa, introduzida pela Lei Anticrime, a
infiltração polical por meio virtual através da internet.
Conforme o Art. 10-A. “Será admitida a ação de agentes de polícia infiltrados virtuais, obedecidos
aos requisitos do caput do art. 10, na internet, com o fim de investigar os crimes previstos nesta Lei e a
eles conexos, praticados por organizações criminosas, desde que demonstrada sua necessidade e
indicados o alcance das tarefas dos policiais, os nomes ou apelidos das pessoas investigadas e, quando
possível, os dados de conexão ou cadastrais que permitam a identificação dessas pessoas.” O item está
certo.

(SIMULADO/2020) Comete crime o policial que oculta a sua identidade para, por meio da internet, colher
indícios de autoria e materialidade dos crimes.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Cuidado, conforme o art. 10-C, introduzido pela Lei Anticrime na Lei de Crimes
Organizados, não comete crime o policial que oculta a sua identidade para, por meio da internet,
colher indícios de autoria e materialidade dos crimes. O item está errado.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Por ser uma inovação legislativa é de fundamental importância a leitura e compreensão da redação legal.
TOME NOTA!
Art. 10-A. Será admitida a ação de agentes de polícia infiltrados virtuais, obedecidos os requisitos do
caput do art. 10, na internet, com o fim de investigar os crimes previstos nesta Lei e a eles conexos,
praticados por organizações criminosas, desde que demonstrada sua necessidade e indicados o
alcance das tarefas dos policiais, os nomes ou apelidos das pessoas investigadas e, quando possível,
os dados de conexão ou cadastrais que permitam a identificação dessas pessoas. (Incluído pela Lei
nº 13.964, de 2019)
§ 1º Para efeitos do disposto nesta Lei, consideram-se: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
I - dados de conexão: informações referentes a hora, data, início, término, duração, endereço de Protocolo
de Internet (IP) utilizado e terminal de origem da conexão; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
II - dados cadastrais: informações referentes a nome e endereço de assinante ou de usuário registrado
ou autenticado para a conexão a quem endereço de IP, identificação de usuário ou código de acesso
tenha sido atribuído no momento da conexão. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 2º Na hipótese de representação do delegado de polícia, o juiz competente, antes de decidir, ouvirá o
Ministério Público. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 3º Será admitida a infiltração se houver indícios de infração penal de que trata o art. 1º desta Lei e se
as provas não puderem ser produzidas por outros meios disponíveis. (Incluído pela Lei nº 13.964, de
2019)
§ 4º A infiltração será autorizada pelo prazo de até 6 (seis) meses, sem prejuízo de eventuais
renovações, mediante ordem judicial fundamentada e desde que o total não exceda a 720
(setecentos e vinte) dias e seja comprovada sua necessidade. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 5º Findo o prazo previsto no § 4º deste artigo, o relatório circunstanciado, juntamente com todos os atos
eletrônicos praticados durante a operação, deverão ser registrados, gravados, armazenados e
apresentados ao juiz competente, que imediatamente cientificará o Ministério Público. (Incluído pela
Lei nº 13.964, de 2019)

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DELEGADO ALISON ROCHA

§ 6º No curso do inquérito policial, o delegado de polícia poderá determinar aos seus agentes, e o
Ministério Público e o juiz competente poderão requisitar, a qualquer tempo, relatório da atividade de
infiltração. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 7º É nula a prova obtida sem a observância do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 13.964, de
2019)
Art. 10-B. As informações da operação de infiltração serão encaminhadas diretamente ao juiz
responsável pela autorização da medida, que zelará por seu sigilo. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
Parágrafo único. Antes da conclusão da operação, o acesso aos autos será reservado ao juiz, ao
Ministério Público e ao delegado de polícia responsável pela operação, com o objetivo de garantir o sigilo
das investigações. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
Art. 10-C. Não comete crime o policial que oculta a sua identidade para, por meio da internet, colher
indícios de autoria e materialidade dos crimes previstos no art. 1º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 13.964,
de 2019)
Parágrafo único. O agente policial infiltrado que deixar de observar a estrita finalidade da investigação
responderá pelos excessos praticados. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
Art. 10-D. Concluída a investigação, todos os atos eletrônicos praticados durante a operação deverão
ser registrados, gravados, armazenados e encaminhados ao juiz e ao Ministério Público, juntamente com
relatório circunstanciado. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
Parágrafo único. Os atos eletrônicos registrados citados no caput deste artigo serão reunidos em autos
apartados e apensados ao processo criminal juntamente com o inquérito policial, assegurando-se a
preservação da identidade do agente policial infiltrado e a intimidade dos envolvidos. (Incluído pela Lei nº
13.964, de 2019)
Art. 11. O requerimento do Ministério Público ou a representação do delegado de polícia para a
infiltração de agentes conterão a demonstração da necessidade da medida, o alcance das tarefas dos
agentes e, quando possível, os nomes ou apelidos das pessoas investigadas e o local da infiltração.
Parágrafo único. Os órgãos de registro e cadastro público poderão incluir nos bancos de dados próprios,
mediante procedimento sigiloso e requisição da autoridade judicial, as informações necessárias à
efetividade da identidade fictícia criada, nos casos de infiltração de agentes na internet. (Incluído pela Lei
nº 13.964, de 2019)
Art. 12. O pedido de infiltração será sigilosamente distribuído, de forma a não conter informações que
possam indicar a operação a ser efetivada ou identificar o agente que será infiltrado.
§ 1º As informações quanto à necessidade da operação de infiltração serão dirigidas diretamente ao juiz
competente, que decidirá no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, após manifestação do Ministério Público
na hipótese de representação do delegado de polícia, devendo-se adotar as medidas necessárias para o
êxito das investigações e a segurança do agente infiltrado.
§ 2º Os autos contendo as informações da operação de infiltração acompanharão a denúncia do Ministério
Público, quando serão disponibilizados à defesa, assegurando-se a preservação da identidade do agente.
§ 3º Havendo indícios seguros de que o agente infiltrado sofre risco iminente, a operação será sustada
mediante requisição do Ministério Público ou pelo delegado de polícia, dando-se imediata ciência ao
Ministério Público e à autoridade judicial.
Art. 13. O agente que não guardar, em sua atuação, a devida proporcionalidade com a finalidade da
investigação, responderá pelos excessos praticados.
Parágrafo único. Não é punível, no âmbito da infiltração, a prática de crime pelo agente infiltrado no curso
da investigação, quando inexigível conduta diversa.
Art. 14. São direitos do agente:
I - recusar ou fazer cessar a atuação infiltrada;
II - ter sua identidade alterada, aplicando-se, no que couber, o disposto no art. 9º da Lei nº 9.807, de 13
de julho de 1999, bem como usufruir das medidas de proteção a testemunhas;
III - ter seu nome, sua qualificação, sua imagem, sua voz e demais informações pessoais preservadas
durante a investigação e o processo criminal, salvo se houver decisão judicial em contrário;
IV - não ter sua identidade revelada, nem ser fotografado ou filmado pelos meios de comunicação, sem
sua prévia autorização por escrito.

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DELEGADO ALISON ROCHA

(SIMULADO/2020) O condenado por integrar organização criminosa ou por crime praticado por meio de
organização criminosa poderá progredir de regime de cumprimento de pena ou obter livramento
condicional ou outros benefícios prisionais mesmo que haja elementos probatórios que indiquem a
manutenção do vínculo associativo.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Cuidado, acordo com a inovação legislativa introduzida pela Lei 13.964/19, o condenado
expressamente em sentença por integrar organização criminosa ou por crime praticado por meio de
organização criminosa não poderá progredir de regime de cumprimento de pena ou obter livramento
condicional ou outros benefícios prisionais se houver elementos probatórios que indiquem a
manutenção do vínculo associativo.
O item está errado.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Fiquem atentos, as inovações legislativas introduzidas por meio da Lei Anticrime (Lei 13.964/19) deverão
ser cobradas com bastante frequência nas provas de concursos que se avizinham.
TOME NOTA!
Art. 2º Promover, constituir, financiar ou integrar, pessoalmente ou por interposta pessoa,
organização criminosa:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa, sem prejuízo das penas correspondentes às
demais infrações penais praticadas.
§ 1º Nas mesmas penas incorre quem impede ou, de qualquer forma, embaraça a investigação de
infração penal que envolva organização criminosa.
§ 2º As penas aumentam-se até a metade se na atuação da organização criminosa houver emprego de
arma de fogo.
§ 3º A pena é agravada para quem exerce o comando, individual ou coletivo, da organização criminosa,
ainda que não pratique pessoalmente atos de execução.
§ 4º A pena é aumentada de 1/6 (um sexto) a 2/3 (dois terços):
I - se há participação de criança ou adolescente;
II - se há concurso de funcionário público, valendo-se a organização criminosa dessa condição para a
prática de infração penal;
III - se o produto ou proveito da infração penal destinar-se, no todo ou em parte, ao exterior;
IV - se a organização criminosa mantém conexão com outras organizações criminosas independentes;
V - se as circunstâncias do fato evidenciarem a transnacionalidade da organização.
§ 5º Se houver indícios suficientes de que o funcionário público integra organização criminosa, poderá o
juiz determinar seu afastamento cautelar do cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração,
quando a medida se fizer necessária à investigação ou instrução processual.
§ 6º A condenação com trânsito em julgado acarretará ao funcionário público a perda do cargo, função,
emprego ou mandato eletivo e a interdição para o exercício de função ou cargo público pelo prazo de 8
(oito) anos subsequentes ao cumprimento da pena.
§ 7º Se houver indícios de participação de policial nos crimes de que trata esta Lei, a Corregedoria de
Polícia instaurará inquérito policial e comunicará ao Ministério Público, que designará membro para
acompanhar o feito até a sua conclusão.
§ 8º As lideranças de organizações criminosas armadas ou que tenham armas à disposição deverão
iniciar o cumprimento da pena em estabelecimentos penais de segurança máxima. (Incluído pela Lei
nº 13.964, de 2019).
§ 9º O condenado expressamente em sentença por integrar organização criminosa ou por crime
praticado por meio de organização criminosa não poderá progredir de regime de cumprimento de pena
ou obter livramento condicional ou outros benefícios prisionais se houver elementos probatórios que
indiquem a manutenção do vínculo associativo. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019).

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DELEGADO ALISON ROCHA

COLABORAÇÃO PREMIADA

(SIMULADO/2020) No acordo de colaboração premiada a conveniência e oportunidade do acordo não


são passíveis de apreciação judicial. Desse modo, o Poder Judiciário não pode obrigar o Ministério
Público a celebrar o acordo de colaboração premiada.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Consoante informativo 942 do STF, o acordo de colaboração premiada, além de


meio de obtenção de prova, constitui-se em um negócio jurídico processual personalíssimo, cuja
conveniência e oportunidade estão submetidos à discricionariedade regrada do Ministério Público e não
se submetem ao escrutínio do Estado-juiz. Em outras palavras, trata-se de ato voluntário, insuscetível
de imposição judicial55. O item está certo.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Cuidado, colaboração premiada é diferente de acordo de colaboração premiada.
A colaboração premiada é uma realidade jurídica mais ampla que o acordo de colaboração premiada.
Colaboração premiada consiste em adotar um comportamento processual que contribua para se
conseguir alcançar algum dos resultados previstos no art. 4º da Lei nº 12.850/2013.
O acusado possui direito subjetivo à colaboração e, em contrapartida, terá direito de receber uma sanção
premial a ser concedida pelo Poder Judiciário no momento da prolação da sentença que o julgar, caso o
magistrado entenda que sua colaboração foi eficaz. Isso não significa, contudo, que, na fase negocial, o
Poder Judiciário possa obrigar o MP a celebrar um acordo de colaboração estando ausente a
voluntariedade ministerial, ou seja, mesmo contra a vontade do membro do Parquet.
ATENÇÃO!
O réu pode colaborar e essa sua colaboração será analisada na sentença. O que não se pode é
obrigar o MP a fazer o acordo.
O Min. Edson Fachin afirmou que o acusado pode colaborar mesmo sem o acordo com o MP e, ao final,
na sentença, o juiz irá analisar esse comportamento processual, podendo reconhecer que ele tem direito
subjetivo a algum benefício que possa ser concedido mesmo sem a celebração formal do acordo.
Em outras palavras, o acusado tem direito subjetivo à colaboração (atividade de colaborar). O que ele
não tem é um direito subjetivo ao acordo de colaboração premiada (negócio jurídico – âmbito
negocial).
Em suma, não existe direito líquido e certo a compelir o Ministério Público à celebração do acordo
de delação premiada, diante das características desse tipo de acordo e considerando a necessidade de
distanciamento que o Estado-juiz deve manter durante o cenário investigado e a fase de negociação entre
as partes do cenário investigativo.

(SIMULADO/2020) O Delegado de Polícia não pode formalizar acordos de colaboração premiada, na


fase de inquérito policial, por tal medida desrrepeitar as prerrogativas do Ministério Público.

Certo ou Errado.

COMENTÁRIO: Cuidado, com base no informativo 907 do STF o Delegado de Polícia PODE formalizar
acordos de colaboração premiada, na fase de inquérito policial, respeitadas as prerrogativas do
Ministério Público, o qual deverá se manifestar, sem caráter vinculante, previamente à decisão judicial56.
O item está errado.

55
STF. 2ª Turma. MS 35693 AgR/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 28/5/2019 (Info 942).
56
STF. Plenário. ADI 5508/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 20/6/2018 (Info 907).

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COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
A colaboração premiada é um instituto previsto na legislação por meio do qual um investigado ou
acusado da prática de infração penal decide confessar a prática do delito e, além disso, aceita
colaborar com a investigação ou com o processo fornecendo informações que irão ajudar, de forma
efetiva, na obtenção de provas contra os demais autores dos delitos e contra a organização criminosa,
na prevenção de novos crimes, na recuperação do produto ou proveito dos crimes ou na localização da
vítima com integridade física preservada recebendo o colaborador, em contrapartida, determinados
benefícios penais (ex: redução de sua pena).
TEMA POTENCIAL!
Denúncia pode ser fundamentada exclusivamente em colaboração premiada?
NÃO. O STJ deu provimento a recurso em habeas corpus (RHC 98.062/PR, j. 15/04/2019) para trancar
ação penal ajuizada com lastro exclusivo em colaboração premiada promovida por um dos agentes.
No caso julgado, o colaborador relatou ter tomado conhecimento de que o recorrente, que exercia a
profissão de contador em uma empresa cujos representantes legais estavam sendo processados, havia
participado de acordo que envolvia o pagamento de vantagens indevidas a um grupo de fiscais tributários.
Em acórdão relativo a habeas corpus que havia sido impetrado em segunda instância – mas cuja ordem
foi denegada – destacou-se que a denúncia se lastreava “em indícios de autoria e materialidade colhidas
em sede de investigação preliminar”, especialmente nas declarações do colaborador.
Mas o STJ considerou tais elementos insuficientes para dar suporte à ação penal. Segundo o
ministro Rogério Schietti Cruz, “sendo a colaboração mero meio de obtenção de prova, forçoso
constatar que o termo do acordo de colaboração premiada – ao consignar que ‘o declarante [colaborador]
soube desse acordo [pagamento de vantagem indevida pelo peticionante ao fiscal Divaldo de Andrade]
porque à época o empresário ficou muito descontente e chegou a comentar para algumas pessoas na
Receita que tinha feito esse acordo’ – não tem como atribuir ao peticionário, pessoa física que atua como
contador da empresa, responsabilidade penal decorrente, exclusivamente, de testemunho indireto (por
ouvir dizer) como prova idônea, de per si, para imputar ao peticionário a prática de corrupção ativa”.
IMPORTANTE!
Existe alguma diferença entre colaboração premiada e delação premiada? Sim, vejamos o quadro
esquemático a seguir.
COLABORAÇÃO PREMIADA DELAÇÃO PREMIADA
É um mecanismo previsto na legislação por É uma espécie do gênero "colaboração premiada".
meio do qual o investigado ou acusado de
uma infração penal colabora, efetiva e Ocorre quando o investigado ou acusado decide
voluntariamente, com a investigação e com colaborar com as autoridades delatando os
o processo, recebendo, em contrapartida, comparsas, ou seja, apontando as outras pessoas que
benefícios penais. também praticaram as infrações penais.

Uma das formas de colaboração premiada é


a delação dos coautores ou partícipes.

Exemplo de colaboração premiada que não é delação premiada: o autor confessa a prática do crime
e não delata nenhum comparsa. No entanto, ele fornece todas as informações necessárias para que
as autoridades recuperem o dinheiro desviado com o esquema criminoso e que se encontrava em contas
bancárias no exterior. Assim, toda delação premiada é uma forma de colaboração premiada, mas
nem sempre a colaboração premiada será feita por meio de uma delação premiada.
ATENÇÃO!
O instituto da colaboração premiada está disciplinado na Lei de Organizações Criminosas (Lei nº
12.850/13).
A também chamada Lei do Crime Organizado sofreu incontáveis alterações com a introdução da Lei
anticrime no mundo jurídico.
Visando inviabilizar a atuação de chefes do crime organizado e desestimular a atividade dos demais
membros, algumas medidas foram tomadas:
1. Determinação de que os líderes das organizações criminosas armadas cumpram inicialmente a pena
privativa de liberdade em estabelecimentos penais de segurança máxima.
2. Restrição à progressão de regime, ao livramento condicional e a outros benefícios ao apenado que
continua mantendo vínculos com a organização criminosa.

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3. Para não dar margem à anulação de condenações pelo Poder Judiciário, o instituto da delação (ou
colaboração) premiada foi agraciado com farta regulamentação.
4. Disposições sobre a confidencialidade dos termos do acordo.
5. Estabelecimento de regras para a realização do acordo de não-denunciar, celebrado com o Ministério
Público.
6. Garantia de que o réu delatado tenha a oportunidade de se manifestar após o decurso do prazo
concedido ao réu que o delatou (no recentíssimo julgamento do HC 166.373/PR, o STF fixou tese
semelhante).
7. Regulamentação da cyber-infiltração do agente policial.

(SIMULADO/2020) O acordo de colaboração premiada e os depoimentos do colaborador serão mantidos


em sigilo até o recebimento da denúncia ou da queixa-crime, sendo permitido ao magistrado decidir por
sua publicidade em qualquer hipótese.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Consoante a inovação legislativa, introduzida pela Lei anticrime, o acordo de


colaboração premiada e os depoimentos do colaborador serão mantidos em sigilo até o recebimento
da denúncia ou da queixa-crime, sendo vedado ao magistrado decidir por sua publicidade em
qualquer hipótese. O item está errado.

(SIMULADO/2020) O recebimento da proposta para formalização de acordo de colaboração demarca o


início das negociações e constitui também marco de confidencialidade, configurando violação de sigilo e
quebra da confiança e da boa-fé a divulgação de tais tratativas iniciais ou de documento que as formalize,
até o levantamento de sigilo por decisão judicial.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Consoante a inovação legislativa, introduzida pela Lei anticrime,o recebimento da


proposta para formalização de acordo de colaboração demarca o início das negociações e
constitui também marco de confidencialidade, configurando violação de sigilo e quebra da confiança
e da boa-fé a divulgação de tais tratativas iniciais ou de documento que as formalize, até o levantamento
de sigilo por decisão judicial. O item está certo.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Vejamos a seguir o quadro esquemático abordando a redação anterior e a inovação legislativa introduzida
pela Lei anticrime.
LEI DE ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS (Lei 12.850/13)
REDAÇÃO ANTERIOR REDAÇÃO DADA PELA LEI ANTICRIME
Art. 7º O pedido de homologação do acordo Art. 7º O pedido de homologação do acordo será
será sigilosamente distribuído, contendo sigilosamente distribuído, contendo apenas informações
apenas informações que não possam que não possam identificar o colaborador e o seu objeto.
identificar o colaborador e o seu objeto. (...)
(...) § 3º O acordo de colaboração premiada e os
§ 3º O acordo de colaboração premiada depoimentos do colaborador serão mantidos em sigilo
deixa de ser sigiloso assim que recebida a até o recebimento da denúncia ou da queixa-crime,
denúncia, observado o disposto no art. 5º. sendo vedado ao magistrado decidir por sua
publicidade em qualquer hipótese.

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LAVAGEM DE DINHEIRO

(SIMULADO/2020) Configura o crime de lavagem a conduta do agente que esconde as notas de dinheiro
recebido como propina nos bolsos do paletó, na cintura e dentro das meias.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Consoante informativo 955 do STF, NÃO configura o crime de lavagem de dinheiro
(art. 1º da Lei nº 9.613/98) a conduta do agente que recebe propina decorrente de corrupção passiva
e tenta viajar com ele, em voo doméstico, escondendo as notas de dinheiro nos bolsos do paletó,
na cintura e dentro das meias. Também não configura o crime de lavagem de dinheiro o fato de, após
ter sido descoberto, dissimular (“mentir”) a natureza, a origem e a propriedade dos valores. 57 O item está
errado.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
O crime de lavagem de dinheiro é classificado como crime acessório ou parasitário, pois pressupõe
a existência de infração penal antecedente. Em sua redação original, o art. 1º da Lei 9.613/98 elencava
em rol taxativo os crimes que poderiam ser considerados antecedentes à lavagem. Com a entrada em
vigor da Lei 12.683/12, o dispositivo não mais se resume a punir a lavagem de bens ou valores
provenientes de alguns crimes previamente elencados, referindo-se simplesmente a infração penal,
termo que abarca as contravenções, como aquela relativa à exploração de jogos de azar, comum no
âmbito da lavagem.
Vejamos o quadro esquemático a seguir.
ART. 1º DA LEI 9.613/98
ANTES DA LEI 12.683/2012 DEPOIS DA LEI 12.683/2012
Art. 1º Ocultar ou dissimular a natureza, origem, Art. 1º Ocultar ou dissimular a natureza, origem,
localização, disposição, movimentação ou localização, disposição, movimentação ou
propriedade de bens, direitos ou valores propriedade de bens, direitos ou valores
provenientes, direta ou indiretamente, de crime: provenientes, direta ou indiretamente, de infração
I - de tráfico ilícito de substâncias entorpecentes penal.
ou drogas afins; O rol de incisos foi revogado
II-de terrorismo;
II – de terrorismo e seu financiamento;
III - de contrabando ou tráfico de armas,
munições ou material destinado à sua produção;
IV - de extorsão mediante sequestro;
V - contra a Administração Pública, inclusive a
exigência, para si ou para outrem, direta ou
indiretamente, de qualquer vantagem, como
condição ou preço para a prática ou omissão de
atos administrativos;
VI - contra o sistema financeiro nacional;
VII -praticado por organização criminosa.
VIII– praticado por particular contraa
administração pública estrangeira.
Pena: reclusão de três a dez anos e multa.

57
STF. 1ª Turma.Inq 3515/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgadoem 8/10/2019(Info 955)

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Desse modo, no informativo 657 o STJ entedeu que a aptidão da denúncia relativa ao crime de
lavagem de dinheiro não exige uma descrição exaustiva e pormenorizada do suposto crime
prévio, bastando, com relação às condutas praticadas antes da Lei n. 12.683/2012, a presença de
indícios suficientes de que o objeto material da lavagem seja proveniente, direta ou indiretamente, de
uma daquelas infrações penais mencionadas nos incisos do art. 1º da Lei n. 9.613/199858.
TEMA POTENCIAL!
A doutrina majoritária identifica como bens jurídicos do delito de lavagem de dinheiro a
administração da justiça e a ordem socioeconômica?
Embora haja certa divergência doutrinária a respeito do bem jurídico tutelado, não é irrazoável afirmar
que a objetividade jurídica no crime de lavagem de dinheiro pode ser identificada na tutela da
administração da justiça e da ordem socioeconômica, além do sistema financeiro, da ordem tributária e,
por que não, da paz pública, pois é possível (e comum) que a lavagem ocorra sobre o produto de crimes
violentos (extorsão, extorsão mediante sequestro) ou que sejam causa de violência (tráfico de drogas
e de armas).
IMPORTANTE!
O crime de lavagem de dinheiro pressupõe uma nova conduta destinada a dar aparência de
legalidade ao produto do crime antecedente (daí a denominação “lavagem”). Este foi o posicionamento
do STF durante o julgamento da ação penal 470. Portanto, não dá-se a lavagem de dinheiro pelo
simples ato de ocultação.59
PODE CAIR NA PROVA!
A autolavagem consiste na prática de atos de lavagem de dinheiro cometidos pelo próprio autor da
infração penal antecedente. Segundo a orientação majoritária sobre os crimes de lavagem de dinheiro,
não é punível a autolavagem no Brasil, em razão do princípio “ne bis in idem”60

LEI DE DROGAS

(SIMULADO/2020) Com base na jurisprudência do STF e do STJ é possível negar a aplicação da causa
de diminuição pelo tráfico privilegiado, prevista no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006, com fundamento
no fato de o réu responder a inquéritos policiais ou processos criminais em andamento, mesmo que
estejam em fase recursal.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Esse tema irá despencar nas provas, cuidado para não confundir os entendimentos.
TEMA POLÊMICO!
Consoante o informativo 973 do STF, há divergência entre os entendimentos do STJ e do STF no
que tange ao tema.
Vejamos:
É possível que o juiz negue o benefício do § 4º do art. 33 da Lei de Drogas (Tráfico privilegiado) pelo
simples fato de o acusado ser investigado em inquérito policial ou réu em outra ação penal que ainda não
transitou em julgado?
Para o STJ:
SIM! É possível a utilização de inquéritos policiais e/ou ações penais em curso para formação da
convicção de que o réu se dedica a atividades criminosas, de modo a afastar o benefício legal previsto
no art. 33, § 4º, da Lei n.º 11.343/2006.
Para o STF:
NÃO! Não se pode negar a aplicação da causa de diminuição pelo tráfico privilegiado, prevista no
art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006, com fundamento no fato de o réu responder a inquéritos policiais
ou processos criminais em andamento, mesmo que estejam em fase recursal, sob pena de violação

58
STJ. Corte Especial. APn923-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 23/09/2019 (Info 657).
59
P 470 EI-Sextos/MG, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, DJe 21/08/2014).
60
AP 694/MT, j. 02/05/2017.

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DELEGADO ALISON ROCHA

ao art.5º, LIV (princípio da presunção de não culpabilidade).


Desse modo, como o item deve ser respondido com base na jurisprudência tanto do STF quanto a do
STJ e há entedimentos divergentes entre os tribunais, o item deve ser considerado incorreto. 61 O item
está errado.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Atenção, para ter direito à minorante prevista no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006, é necessário o
preenchimento de quatro requisitos autônomos:
1. Primariedade
2. Bons antecedentes
3. Não dedicação a atividades criminosas
4. Não integração à organização criminosa
Mas cuidado, esse requisitos são cumulativos, ou seja, é necessário que haja o preenchimento de todos
os quatro. Portanto, se o réu não preencher algum desses requisitos, não terá direito à minorante.
CAIU NA PROVA!
(FCC-2020 - TJ-MS- Juiz de Direito) No que concerne à lei de drogas, é cabível a redução da pena de
um sexto a dois terços para o agente que tem em depósito, sem autorização ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar, matéria-prima, insumo ou produto químico destinado à preparação
de drogas, desde que primário, de bons antecedentes e não se dedique às atividades criminosas nem
integre organização criminosa.
O item foi considerado certo. Veja, o agente preencheu todos os quatro requisitos autônomos,
portanto, nesse caso, poderá ser concedida a minorante prevista § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006.
ATENÇÃO!
É importante lembrar que o tráfico privilegiado NÃO é equiparado a crime hediondo.62 No mesmo
sentido, ratificando o entendimento do STF e do STJ, a Lei nº 13.964/2019 acrescentou o § 5º ao art.
112 da LEP, o qual dispõe: “§ 5º Não se considera hediondo ou equiparado, para os fins deste artigo, o
crime de tráfico de drogas previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006”.
Vejamos o quadro esquemático:
É possível que o juiz negue o benefício do § 4º do art. 33 da Lei de Drogas com base no fato de
o acusado ser investigado em inquérito policial ou ser réu em outra ação penal que ainda não
transitou em julgado?
STJ STF
SIM NÃO
É possível a utilização de inquéritos Não se pode negar a aplicação da causa de
policiais e/ou ações penais em curso para diminuição pelo tráfico privilegiado, prevista no
formação da convicção de que o réu se dedica art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006, com fundamento no
a atividades criminosas, de modo a afastar o fato de o réu responder a inquéritos policiais ou
benefício legal previsto no art. 33, § 4º, da Lei processos criminais em andamento, mesmo que
n.º 11.343/2006. estejam em fase recursal, sob pena de violação ao art.
5º, LIV (princípio da presunção de não culpabilidade).
Aplica-se o mesmo raciocínio firmado no RE
591054/SC: a existência de inquéritos policiais ou de
ações penais sem trânsito em julgado não podem ser
considerados como maus antecedentes para fins de
dosimetria da pena.

61
STF. 1ª Turma. HC 166.385/MG, rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/04/2020 (INFO/STF 973).
62
(STJ. 3ª Seção. Pet 11.796-DF - INFO/STJ 595 e STF. Plenário. HC 118533/MS - INFO/STF 831).

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(SIMULADO/2020) Imagine que Ticio já foi condenado com sentença transitada em julgado pelo crime
de estelionato. Determinado dia, ele foi encontrado com uma pequena quantidade de crack, que é a
cocaína solidificada em forma de cristais. Tício foi condenado por porte de droga para consumo pessoal.
Nesse caso, de acordo com a jurisprudência do STJ, a condenação anterior pelo crime de estelionato
não é capaz de gerar a reincidência de que trata o § 4º do art. 28 da Lei nº 11.343/06, pois a reincidência
deste dispositivo legal é a específica.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: O STJ entendeu que a REINCIDÊNCIA de que trata o § 4º do art. 28 da Lei


nº 11.343/2006 É A ESPECÍFICA. Segundo a interpretação topográfica (que leva em consideração à
posição dos artigos, parágrafos, incisos), os parágrafos não são unidades autônomas, estando
vinculadas ao caput do artigo a que se referem. Logo, quando o § 4º fala em reincidência, quer se referir
à nova prática do mesmo crime previsto no caput do art. 28.63.
Desse modo, a condenação anterior, por crime que não seja o de posse de drogas para consumo
pessoal, NÃO impede a aplicação das penas do art. 28, caput, incisos II e III, da Lei nº 11.343/06 com
a limitação de 5 (cinco) meses de que dispõe o § 3º do referido dispositivo legal.
Isso porque o § 4º incidirá apenas em caso de reincidência específica, ocasião em que as penas
previstas nos incisos II e III do caput do art. 28 da Lei de Drogas serão aplicadas pelo prazo máximo
de 10 (dez) meses. O item está certo.

COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Vamos analisar a diferenciação entre reincidência genérica e específica no quadro esquemático a
seguir.
REINCIDÊNCIA
GENÉRICA ESPECÍFICA
Ocorre quando o crime anterior e o novo Ocorre quando o crime anterior e o novo
delito são de espécies diferentes. delito praticado são da mesma espécie.

Exemplo: Cometeu um roubo e, depois, Exemplo: Praticou um roubo e, depois, um


praticou o delito do art. 28 da Lei de novo roubo.
Drogas.

No que tange a Lei 11.343/06 (Lei de Drogas), o § 4º do art. 28 dispõe que em caso de reincidência, as
penas previstas nos incisos II e III do caput deste artigo serão aplicadas pelo prazo máximo de 10 (dez)
meses. Desse modo, o STJ entendeu que a reincidência de que trata esse paragráfo é a reincidência
específica, ou seja, só ocorrerá quando o agente for reincidente pelo crime de porte de droga para
consumo pessoal.
Nesse sentido, segundo a interpretação topográfica (que leva em consideração à posição dos artigos,
parágrafos, incisos), os parágrafos não são unidades autônomas, estando vinculadas aocaputdo artigo a
que se referem. Logo, quando o § 4º fala em reincidência, quer se referir à nova prática do mesmo crime
previsto no caput do art. 28.
E caso o agente tenha sido condenado por crimes de espécie diferente que não seja o porte de droga
para consumo pessoal (reincidência genérica), a pena máxima cominada será de 5 (cinco) meses.

63
STJ. 6ª Turma. REsp 1.771.304-ES, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 10/12/2019 (Info 662).

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(SIMULADO/2020) A simples presunção de habitualidade e o pertencimento a organizações criminosas


impede a configuração do tráfico privilegiado.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Cuidado! Para o STF a habitualidade e o pertencimento a organizações criminosas


deverão ser comprovados, NÃO valendo a simples presunção. Não havendo prova nesse sentido, o
condenado fará jus à redução de pena. Em outras palavras, militará em favor do réu a presunção de que
é primário e de bons antecedentes e de que não se dedica a atividades criminosas nem integra
organização criminosa. O ônus de provar o contrário é do Ministério Público64. O item está errado.

COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
A previsão da redução de pena contida no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 tem como fundamento
distinguir o traficante contumaz e profissional daquele iniciante na vida criminosa, bem como do que se
aventura na vida da traficância por motivos que, por vezes, confundem-se com a sua própria
sobrevivência e/ou de sua família.
TEMA POLÊMICO!
O caso concreto que levou a esse entendimento do STF por meio da 2ª Turma considerou algumas
peculiaridades da situação concreta. No sentido de que o Tribunal concedeu o redutor do § 4º do art. 33
da Lei de Drogas (tráfico privilegiado) mesmo a parte ré tendo sido condenada simultaneamente por
tráfico e por associação.
Mas cuidado, o tema é polêmico, visto que a jurisprudência de teses do STJ contraria o julgado
acima.
Vejamos: Tese 23: É inviável a aplicação da causa especial de diminuição de pena prevista no § 4º do
art. 33 da Lei n. 11.343/2006 quando há condenação simultânea do agente nos crimes de tráfico de
drogas e de associação para o tráfico, por evidenciar a sua dedicação a atividades criminosas ou a
sua participação em organização criminosa.

Relembre: conforme a jurisprudência do STF e STJ, para se reconhecer o tráfico privilegiado é


preciso que o réu preencha aos seguintes requisitos:
1. Agente primário
2. Bons antecedentes
3. Não se dedique às atividades criminosas e
4. Não integre organização criminosa.
Esses requisitos são cumulativos e não alternativos, de forma que, se não houver o preenchimento de
todos, não haverá a incidência do § 4º do art. 33 da Lei de Drogas.
ATENÇÃO!
A Lei nº 13.964/2019 (Pacote Anticrime) acrescentou o § 5º ao art. 112 da LEP, o qual dispõe: “§ 5º
Não se considera hediondo ou equiparado, para os fins deste artigo, o crime de tráfico de drogas previsto
no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006”.

(PERITO CRIMINAL FEDERAL - CESPE/2018) Em um aeroporto no Rio de Janeiro, enquanto estava na


fila para check-in de um voo com destino a um país sul-americano, Fábio, maior e capaz, foi preso em
flagrante delito por estar levando consigo três quilos de crack. Nessa situação, ainda que não esteja
consumada a transposição de fronteiras, Fábio responderá por tráfico transnacional de drogas e a
comprovação da destinação internacional da droga levará a um aumento da pena de um sexto a dois
terços.

Certo ou Errado

64
STF. 2ª Turma. HC 154694 AgR/SP, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em 4/2/2020 (Info
965).

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DELEGADO ALISON ROCHA

COMENTÁRIO: Nos termos da Súmula 607 do STJ: “A majorante do tráfico transnacional de drogas
(art. 40, I, da Lei nº 11.343/2006) configura-se com a prova da destinação internacional das drogas,
ainda que não consumada a transposição de fronteiras”.
Neste sentido também se posiciona o STF: A incidência da majorante, que tem como objetivo apenar com
maior severidade a atuação do traficante direcionada para além das fronteiras do País, não exige o
transporte efetivo para o exterior, basta que se identifique a intenção65.O item está certo.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Vale mencionar uma súmula relacionada que adota o mesmo raciocínio. Súmula 587 do STJ: Para a
incidência da majorante prevista no artigo 40, V, da Lei 11.343/06, é desnecessária a efetiva
transposição de fronteiras entre estados da federação, sendo suficiente a demonstração inequívoca
da intenção de realizar o tráfico interestadual. (grifo nosso)
TOME NOTA!
Art. 40, Lei 11.343/2006. As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas de um sexto a
dois terços, se: I - a natureza, a procedência da substância ou do produto apreendido e as circunstâncias
do fato evidenciarem a transnacionalidade do delito; (grifo nosso)

(SIMULADO/2020) O STF entende que não configura crime a importação de pequena quantidade de
sementes de maconha.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: De acordo com o informativo 915 do STF, não configura crime a importação de
pequena quantidade de sementes de maconha66. A semente de maconha não pode ser considerada
matéria-prima ou insumo destinado à preparação de drogas. Isso porque ela não é um “ingrediente” para
a confecção de drogas. O item está certo.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
TEMA POLÊMICO!
A 2ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal possui o entendimento de que a
importação de pequena quantidade de sementes de maconha não configura o crime do art. 33, §
1º nem o delito do art. 28, § 1º, ambos da Lei nº 11.343/2006. Esta conduta, em tese, amolda-se ao
crime de contrabando (art. 334-A do CP). A importação de pequena quantidade de sementes de
maconha para o plantio destinado ao consumo próprio induz à mínima ofensividade da conduta, à
ausência de periculosidade da ação e o ínfimo grau de reprovabilidade do comportamento, razões
que comportam a aplicação do princípio da insignificância à hipótese. Assim, a conduta é tipificada
como descaminho, mas deve-se aplicar o princípio da insignificância, razão pela qual é correta a
decisão do Procurador da República que não denuncia o indiciado nestes casos. (grifo nosso)
Vejamos o quadro esquemático:
A importação de pequenas quantidades de sementes de maconha configura
tráfico de drogas?
5ª Turma do STJ: SIM 6ª Turma do STJ: NÃO
A importação clandestina de sementes Tratando-se de pequena quantidade de
de cannabis sativa linneu (maconha) sementes e inexistindo expressa
configura o tipo penal descrito no art. 33, previsão normativa que criminaliza,
§ 1º, I, da Lei nº 11.343/2006. Não é entre as condutas do art. 28 da Lei de
possível aplicar o princípio da Drogas, a importação de pequena
insignificância67. quantidade de matéria prima ou insumo
destinado à preparação de droga para
consumo pessoal, forçoso reconhecer a
atipicidade do fato68.

65
STF. 2ª Turma. HC 127221, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 25/08/2015.
66
STF. 2ª Turma. HC 144161/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/9/2018
67
STJ. 5ª Turma. REsp 1723739/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 23/10/2018.
68
STJ. 6ª Turma. AgRg no AgInt no REsp 1616707/CE, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 26/06/2018.

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(DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL- PC/AC – IBADE/2017 - ADAPTADA) Faz-se necessária a aferição do


grau de pureza da droga para realização da dosimetria da pena.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: De acordo com o informativo 818 do STF, o grau de pureza da droga é irrelevante
para fins de dosimetria da pena. De acordo com a Lei nº 11.343/2006, preponderam apenas a natureza
e a quantidade da droga apreendida para o cálculo da dosimetria da pena69. O item está errado.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
A natureza e quantidade da droga são fatores preponderantes no momento da dosimetria da pena,
conforme previsto expressamente no art. 42 da Lei n. 11.343/2006. Algumas drogas são mais nocivas e
têm maior potencial viciante do que outras. Ex: a maconha é considerada uma substância entorpecente
mais "leve"; por outro lado, a heroína é altamente viciante. Assim, o juiz pode aumentar a pena-base
sob o argumento de que a heroína possui alto potencial destrutivo. De igual forma, se a quantidade
da droga for muito grande, isso também poderá ser utilizado como fundamento para se aumentar
a pena-base. No caso concreto julgado, a defesa pediu ao juiz que realizasse exame pericial para aferir
o grau de pureza da droga, tendo sido indeferido pelo magistrado. Diante da negativa, a defesa alegou
que houve nulidade, pedido que foi rejeitado pelo STF, que entendeu ser desnecessário determinar a
pureza do entorpecente.
TOME NOTA!
Art. 42, Lei 11.343/2006. O juiz, na fixação das penas, considerará, com preponderância sobre o previsto
no art. 59 do Código Penal, a natureza e a quantidade da substância ou do produto, a personalidade e a
conduta social do agente.

(SIMULADO/2020) A participação do menor pode ser considerada para configurar o crime de associação
para o tráfico e, ao mesmo tempo, para agravar a pena como causa de aumento.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Consoante informativo 576 do STJ, a participação do menor pode ser considerada
para configurar o crime de associação para o tráfico (art. 35) e, ao mesmo tempo, para agravar a
pena como causa de aumento do art. 40, VI, da Lei nº 11.343/200670. O item está certo.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
É importante ressaltar que associação significa uma reunião estável e permanente de pessoas. Se
essa associação for eventual ou acidental, não haverá o crime do art. 35, sendo apenas caso de concurso
de pessoas. Para caracterizar esse delito, não importa que uma das pessoas seja inimputável. De
igual forma, haverá o crime mesmo que o outro associado não seja identificado pela polícia, desde
que se tenha certeza que havia, no mínimo, duas pessoas associadas. No caso, o agente poderia ter
praticado o crime de associação para fins de tráfico valendo-se de outra pessoa, maior de idade. No
entanto, escolheu associar-se com um adolescente para o cometimento do delito. Desse modo, deverá
responder de forma mais gravosa por esta conduta, que foi considerada mais reprovável pelo legislador,
nos termos do art. 40, VI, da LD. (grifo nosso)
TOME NOTA!
Art. 35, Lei 11.343/2006. Associarem-se duas ou mais pessoas para o fim de praticar, reiteradamente ou
não, qualquer dos crimes previstos nos arts. 33 caput e § 1º, e 34 desta Lei.
Art. 40, Lei 11.343/2006. As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas de um sexto a
dois terços, se: VI - sua prática envolver ou visar a atingir criança ou adolescente ou a quem tenha, por
qualquer motivo, diminuída ou suprimida a capacidade de entendimento e determinação. (grifo nosso)

69
STF. 2ª Turma. HC 132909/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 15/3/2016
70
STJ. 6ª Turma. HC 250.455-RJ, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 17/12/2015

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(SIMULADO/2020) A aplicação da causa de aumento prevista no art. 40, III, da Lei nº 11.343/2006 se
justifica quando constatada a comercialização de drogas nas dependências ou imediações de
estabelecimentos prisionais, sendo irrelevante se o agente infrator visa ou não aos frequentadores
daquele local.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Consoante informativo 858 do STF, a aplicação da causa de aumento prevista no art.
40, III, da Lei nº 11.343/2006 se justifica quando constatada a comercialização de drogas nas
dependências ou imediações de estabelecimentos prisionais, sendo irrelevante se o agente
infrator visa ou não aos frequentadores daquele local71. O item está certo.

COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Assim, se o tráfico de drogas ocorrer nas imediações de um estabelecimento prisional, incidirá a causa
de aumento, não importando quem seja o comprador do entorpecente. Exemplo: João, viciado em
droga, mora bem ao lado de um presídio. Ele liga para Pedro, traficante, pedindo que leve cocaína até
a sua casa. O traficante chega na residência de João e, no momento em que está entregando o
entorpecente, aparece a viatura da polícia e efetua a prisão em flagrante do agente. Neste caso, o
traficante responderá pela causa de aumento do art. 40, III da Lei de Drogas. (grifo nosso)
TOME NOTA!
Art. 40, Lei 11.343/2006.
As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas de um sexto a dois terços, se: (...) III - a
infração tiver sido cometida nas dependências ou imediações de estabelecimentos prisionais, de
ensino ou hospitalares, de sedes de entidades estudantis, sociais, culturais, recreativas, esportivas, ou
beneficentes, de locais de trabalho coletivo, de recintos onde se realizem espetáculos ou diversões de
qualquer natureza, de serviços de tratamento de dependentes de drogas ou de reinserção social, de
unidades militares ou policiais ou em transportes públicos; (grifo nosso)

(AGENTE DE POLÍCIA FEDERAL – CESPE/2018) Durante uma vistoria, no estado do Paraná, em


passageiros que viajavam de ônibus de Foz do Iguaçu – PR para Florianópolis – SC, policiais rodoviários
federais encontraram seis quilos de maconha na mochila de Lucas, que foi preso em flagrante delito.
Nessa situação, no cálculo da pena de Lucas, não se considerará a majorante do tráfico interestadual de
drogas, pois a transposição da fronteira entre os estados ainda não tinha ocorrido.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: De acordo com a Súmula 587 do STJ: “Para a incidência da majorante prevista no artigo
40, V, da Lei 11.343/06, é desnecessária a efetiva transposição de fronteiras entre estados da
federação, sendo suficiente a demonstração inequívoca da intenção de realizar o tráfico
interestadual. O item está errado.

COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Quando caracterizado o tráfico entre estados da Federação ou entre estes e o Distrito Federal, o réu
deverá sofrer uma sanção maior do que aquele que, por exemplo, vende entorpecente a um usuário
local. Isso está de acordo como princípio da individualização da pena (art. 5º, XLVI, da CF/88). (grifo
nosso)
TOME NOTA!
Art. 40. As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas de um sexto a dois terços, se: V
- caracterizado o tráfico entre Estados da Federação ou entre estes e o Distrito Federal;

71
STF. 2ª Turma. HC 138944/SC, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 21/3/2017

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(SIMULADO/2020) De acordo com o entendimento do STF, o crime de tráfico privilegiado de drogas tem
natureza hedionda.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: De acordo com o informativo 831 do STF, o chamado "tráfico privilegiado", previsto
no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas), não deve ser considerado crime equiparado
a hediondo72. O item está errado.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Houve um overruling, ou seja, a superação de um entendimento jurisprudencial anterior da Corte.
Antes deste julgamento, o STF decidia que o § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 era também
equiparado a hediondo73. Após essa mudança no entendimento do STF, o STJ cancelou a Súmula
512.
TOME NOTA!
Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer,
ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou
fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou
regulamentar: § 4º Nos delitos definidos no caput e no § 1º deste artigo, as penas poderão ser reduzidas
de um sexto a dois terços, vedada a conversão em penas restritivas de direitos , desde que o agente seja
primário, de bons antecedentes, não se dedique às atividades criminosas nem integre organização
criminosa.

(SIMULADO/2020) É legítima a fixação de regime inicial semiaberto, tendo em conta a quantidade e a


natureza do entorpecente, na hipótese em que ao condenado por tráfico de entorpecentes tenha sido
aplicada pena inferior a 4 anos de reclusão.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Consoante informativo 819 do STF, é legítima a fixação de regime inicial semiaberto,
tendo em conta a quantidade e a natureza do entorpecente, na hipótese em que ao condenado por tráfico
de entorpecentes tenha sido aplicada pena inferior a 4 anos de reclusão. A valoração negativa da
quantidade e da natureza da droga representa fator suficiente para a fixação de regime inicial mais
gravoso74.O item está certo.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
O juiz, quando vai fixar o regime inicial do cumprimento da pena privativa de liberdade, deve observar
quatro fatores: 1) o tipo de pena aplicada: se reclusão ou detenção; 2) o quantum da pena definitiva; 3)
se o condenado é reincidente ou não; 4) as circunstâncias judiciais (art. 59 do CP). Conjugando o § 3º do
art. 33 do CP com o art. 42 da Lei de Drogas, É POSSÍVEL fixar o regime inicial mais gravoso, no
caso de tráfico, com base na natureza e quantidade da droga. (grifo nosso)
TOME NOTA!
Art. 33, § 2º, CP. As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma progressiva,
segundo o mérito do condenado, observados os seguintes critérios e ressalvadas as hipóteses de
transferência a regime mais rigoroso: b) o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 (quatro)
anos e não exceda a 8 (oito), poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime semi-aberto; (...) § 3º A
determinação do regime inicial de cumprimento da pena far-se-á com observância dos critérios previstos
no art. 59 deste Código.

72
STF. Plenário. HC 118533/MS, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 23/6/2016
73
STF. 1ª Turma. RHC 114842, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 18/02/2014.
74
STF. 2ª Turma. HC 133308/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 29/3/2016

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Art. 42, Lei 11.343/2006. O juiz, na fixação das penas, considerará, com preponderância sobre o
previsto no art. 59 do Código Penal, a natureza e a quantidade da substância ou do produto, a
personalidade e a conduta social do agente.

LEI MARIA DA PENHA

(SIMULADO/2020) Cabe pena restritiva de direitos nos crimes ou contravenções penais cometidos contra
a mulher com violência ou grave ameaça no ambiente doméstico.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: De acordo com a Súmula 588 do STJ: A prática de crime ou contravenção penal
contra a mulher com violência ou grave ameaça no ambiente doméstico impossibilita a substituição
da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. O item está errado.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Vale ressaltar que, em caso de CRIMES praticados contra a mulher com violência ou grave ameaça no
ambiente doméstico o STF possui o mesmo entendimento do STJ e afirma que não cabe a substituição
por penas restritivas de direitos.
Em caso de CONTRAVENÇÕES PENAIS praticadas contra a mulher com violência ou grave ameaça
no ambiente doméstico há uma discordância:
STJ e 1ª Turma do STF: NÃO. Não é possível a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva
de direitos tanto no caso de crime como contravenção penal praticados contra a mulher com violência ou
grave ameaça no ambiente doméstico. É o teor da Súmula 588-STJ.
2ª Turma STF: SIM. Afirma que é possível a conversão da pena privativa de liberdade por restritiva de
direito, nos moldes previstos no art. 17 da Lei Maria da Penha, aos condenados pela prática da
contravenção penal. Isso porque a contravenção penal não está na proibição contida no inciso I do art.
44 do CP, que fala apenas em crime. Logo, não existe proibição no ordenamento jurídico para a aplicação
de pena restritiva de direitos em caso de contravenções.

(DEFENSOR PÚBLICO - DPE/MA – FCC/2018 - ADAPTADA) Segundo reiteradas decisões do Superior


Tribunal de Justiça, a suspensão condicional do processo e a transação penal se aplicam às
contravenções penais praticadas no âmbito da Lei Maria da Penha.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Consoante Súmula 536 do STJ: “A suspensão condicional do processo e a transação


penal não se aplicam na hipótese de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha”.O item está
errado.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Suspensão condicional do processo é um instituto despenalizador, oferecido pelo MP ou querelante,
ao acusado que tenha sido denunciado por crime cuja pena mínima seja igual ou inferior a 1 ano, e que
não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime, desde que presentes os
demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena (art. 77 do Código Penal). Já a
transação penal é um acordo celebrado entre o MP (se a ação penal for pública) ou o querelante (se
for privada) e o indivíduo apontado como autor do crime, por meio do qual a acusação, antes de
oferecer a denúncia (ou queixa-crime), propõe ao suspeito que ele, mesmo sem ter sido ainda condenado,
aceite cumprir uma pena restritiva de direitos ou pagar uma multa, e em troca disso a ação penal não é
proposta e o processo criminal nem se inicia. A suspensão condicional do processo e a transação penal
estão previstas na Lei n. 9.099/95. Ocorre que a Lei Maria da Penha expressamente proíbe que se
aplique a Lei n. 9.099/95 para os crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a
mulher. (grifo nosso)

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TOME NOTA!
Lei 11.340/06, art. 41. Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher,
independentemente da pena prevista, não se aplica a Lei 9.099, de 26 de setembro de 1995. (grifo
nosso)

ESTATUTO DO DESARMAMENTO

(SIMULADO/2020) De acordo com a jurisprudência do STF, a posse ou porte apenas da munição,


desacompanhada da arma, não configura crime.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Consoante informativo 844 do STF, a posse ou o porte apenas da munição (ou seja,
desacompanhada da arma) configura crime. Isso porque tal conduta consiste em crime de perigo
abstrato, para cuja caracterização não importa o resultado concreto da ação75. O item está errado.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Para a jurisprudência, a simples posse ou porte de arma, munição ou acessório de uso permitido —
sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar — configura os crimes
previstos nos arts. 12 ou 14 da Lei nº 10.826/2003. Este entendimento configura a regra geral e deve ser
adotada nos concursos caso não seja feito nenhum esclarecimento adicional.
No entanto, o STF e o STJ, em alguns casos concretos, têm reconhecido, excepcionalmente, o
princípio da insignificância para o crime de porte ilegal de pouca quantidade de munição
desacompanhada da arma.
TOME NOTA!
Art. 12, Lei 10.826/2003.Possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acessório ou munição, de
uso permitido, em desacordo com determinação legal ou regulamentar, no interior de sua residência ou
dependência desta, ou, ainda no seu local de trabalho, desde que seja o titular ou o responsável legal do
estabelecimento ou empresa.
Art. 14, Lei 10.826/2003. Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder,
ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda ou ocultar arma de fogo,
acessório ou munição, de uso permitido, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou
regulamentar. (grifo nosso)

(SIMULADO/2020) É atípica a conduta daquele que porta, na forma de pingente, munição


desacompanhada de arma.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Inicialmente, vale ressaltar que, em regra, a jurisprudência não aplica o princípio da
insignificância aos crimes de posse ou porte de arma ou munição. Contudo, entendeu o STF no
informativo 826 que é atípica a conduta daquele que porta, na forma de pingente, munição
desacompanhada de arma76. O item está certo.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
No caso concreto, determinado indivíduo foi parado em uma blitz e os policiais encontraram em seu poder
um cartucho de munição calibre 0.40, que é de uso restrito. Não foi encontrada nenhuma arma ou outras
munições com o homem, que afirmou que usaria o cartucho para fazer um pingente que utilizaria como
colar. O indivíduo foi denunciado pela prática do crime previsto no art. 16 da Lei nº 10.826/2003 (Estatuto
do Desarmamento). O STF aplicou o princípio da insignificância afirmando que as peculiaridades do caso
concreto justificavam a flexibilização do entendimento tradicional da jurisprudência.

75
STF. 1ª Turma. HC 131771/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 18/10/2016
76
STF. 2ª Turma. HC 133984/MG, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 17/5/2016

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(SIMULADO/2020) A conduta de portar arma de fogo de uso proibido terá mesma pena daquele que
portar arma de uso restrito.

COMENTÁRIO: Perceba que a pegadinha está na afirmaçao da pena ser a mesma para quem portar
arma de fogo de uso restrito ou proibido.
Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que
gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório
ou munição de uso restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar:
(Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.

§ 2º Se as condutas descritas no caput e no § 1º deste artigo envolverem arma de fogo de uso proibido,
a pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 12 (doze) anos. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
O item está errado.

(SIMULADO/2020) Por serem artefatos explosivos, o porte de gás lacrimogêneo ou de pimenta configura
crime do Estatuto do Desarmamento.

Certo ou Errado

COMENTÁRIO: Consoante informativo 599 do STJ, a conduta de portar granada de gás


lacrimogêneo ou granada de gás de pimenta não se subsome (amolda) ao delito previsto no
art. 16, parágrafo único, III, da Lei nº 10.826/2003. Isso porque elas não se enquadram no conceito
de artefatos explosivos77. O item está errado.
COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
Explosivo é, em sentido amplo, um material extremamente instável, que pode se decompor
rapidamente, formando produtos estáveis. Esse processo é denominado de explosão e é acompanhado
por uma intensa liberação de energia, que pode ser feita sob diversas formas e gera uma considerável
destruição decorrente da liberação dessa energia. Não será considerado explosivo o artefato que, embora
ativado por explosivo, não projete nem disperse fragmentos perigosos, como metal, vidro ou plástico
quebradiço, não possuindo, portanto, considerável potencial de destruição. (grifo nosso)
TOME NOTA!
Art. 16, parágrafo único, Lei 10.826/2003.
Nas mesmas penas incorre quem:
(...)
III – possuir detiver fabricar ou empregar artefato explosivo ou incendiário, sem autorização ou em
desacordo com determinação legal ou regulamentar.

(SIMULADO/2020) O STJ cristalizou entedimento que a abolitio criminis temporária prevista na


Lei n. 10.826/2003 aplica-se ao crime de posse de arma de fogo de uso permitido com numeração, marca
ou qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido ou adulterado, praticado somente até
23/06/2005.

Certo ou Errado

77
STJ. 6ª Turma. REsp 1627028/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 21/02/2017

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COMENTÁRIO: Para fecharmos com “chave de ouro”, vejamos o conteúdo abaixo.


Vejamos o quadro esquemático:
ABOLITIO CRIMINIS TEMPORÁRIA
Para o STF, a abolitio criminis temporária Súmula 513-STJ: A abolitio criminis temporária
prevista na Lei n. 10.826/2003 aplica-se ao crime prevista na Lei n. 10.826/2003 aplica-se ao crime
de posse de arma de fogo de uso permitido com de posse de arma de fogo de uso permitido com
numeração, marca ou qualquer outro sinal de numeração, marca ou qualquer outro sinal de
identificação raspado, suprimido ou adulterado, identificação raspado, suprimido ou adulterado,
praticado somente até 23/06/2005. praticado somente até 23/10/2005.

Percebeu que a pegadinha é bem sútil né, está ligado à data, haja vista esse ser o entendimento do
STF. O item está errado.

CONTRAVENÇÃO PENAL

(SIMULADO/2020) O porte de arma branca e de fogo é conduta que permanece típica na Lei das
Contravenções Penais.

COMENTÁRIO: No informativo 668 do STJ foi veículado que o porte de arma branca é conduta que
permanece típica na Lei das Contravenções Penais. STJ. 5ª Turma. RHC 56.128-MG, Rel. Min. Ribeiro
Dantas, julgado em 10/03/2020 (Info 668). O item está errado.
Observe que pelo princípio da especialidade, a arma de fogo é tratada na Lei 10.826/03.

COMPLEMENTAÇÃO DA RESPOSTA
No que tange às armas de fogo, o art. 19 da Lei de Contravenção Penal foi tacitamente revogado pelo
art. 10 da Lei nº 9.437/97, que por sua vez também foi revogado pela Lei nº 10.826/2003 (Estatuto do
Desarmamento).
O porte ilegal de arma de fogo caracteriza, atualmente, o crime previsto nos arts. 14 ou 16 do Estatuto do
Desarmamento, conforme seja a arma permitida ou proibida.
Em relação à branca: SIM
O art. 19 do Decreto-lei nº 3.688/41 permanece vigente quanto ao porte de outros artefatos letais, como
as armas brancas. Exemplos de arma branca (considerada arma imprópria): faca, facão, canivete etc.
A jurisprudência do STJ é firme no sentido da possibilidade de tipificação da conduta de porte de arma
branca como contravenção prevista no art. 19 do DL 3.688/41, não havendo que se falar em violação ao
princípio da intervenção mínima ou da legalidade.
Leis das Contravenções Penais (Decreto-Lei nº 3.688/41):
Art. 19. Trazer consigo arma fora de casa ou de dependência desta, sem licença da autoridade:
Pena – prisão simples, de quinze dias a seis meses, ou multa, de duzentos mil réis a três contos de réis,
ou ambas cumulativamente.
§ 1º A pena é aumentada de um terço até metade, se o agente já foi condenado, em sentença irrecorrível,
por violência contra pessoa.
§ 2º Incorre na pena de prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de duzentos mil réis a um
conto de réis, quem, possuindo arma ou munição:
a) deixa de fazer comunicação ou entrega à autoridade, quando a lei o determina;
b) permite que alienado menor de 18 anos ou pessoa inexperiente no manejo de arma a tenha consigo;
c) omite as cautelas necessárias para impedir que dela se apodere facilmente alienado, menor de 18
anos ou pessoa inexperiente em manejá-la.

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ATENÇÃO!
Se a pessoa portar arma branca no interior do estádio, em suas imediações ou no seu trajeto, em dia de
realização de evento esportivo, a conduta será punida como crime, na forma do art. 41-B do Estatuto do
Torcedor (Lei nº 10.671/2003). Nesse caso, não se aplica o art. 19 do DL 3.688/41 porque o art. 41-B do
Estatuto do Torcedor é especial e posterior em relação à previsão da lei das contravenções penais.

TOME NOTA!
Art. 41-B. Promover tumulto, praticar ou incitar a violência, ou invadir local restrito aos competidores em
eventos esportivos:
Pena - reclusão de 1 (um) a 2 (dois) anos e multa.
§ 1º Incorrerá nas mesmas penas o torcedor que:
(...)
II – portar, deter ou transportar, no interior do estádio, em suas imediações ou no seu trajeto, em dia de
realização de evento esportivo, quaisquer instrumentos que possam servir para a prática de violência.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

STF. Plenário. HC 123108/MG, HC 123533/SP e HC 123734/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgados
em 3/8/2015 (Info 793).
STF. 2ª Turma. HC 141440 AgR/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 14/8/2018 (Info 911).
STF. 2ª Turma. HC 181389 AgR/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 14/4/2020 (Info 973).
STJ. 5ª Turma.HC 553.872-SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 11/02/2020 (Info 665).
STF. 1ª Turma.HC 165312/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgadoem 14/4/2020(Info 973).
STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp1399240/MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em
05/02/2019.
STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 303.275/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 03/02/2015.
STJ. 5ª Turma. HC 309.939-SP, Rel. Min. Newton Trisotto (Desembargador convocado do TJ-SC),
julgado em 28/4/2015.
STF. 1ª Turma. HC 118.230, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 08/10/2013.
STJ. 3ª Seção. EAREsp 1.311.636-MS, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 10/04/2019
STJ. 6a Turma. HC 189.385-RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 20/2/2014.
STJ. 5a Turma. HC n. 210.787/RJ, Min. Marco Aurélio Bellizze, DJe 16/9/2013.
STF. 1ª Turma. HC 132990/PE, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em
16/8/2016.
STF. 1ª Turma. HC 141487, Rel. Min. Marco Aurélio, Relator p/ Acórdão Min. Rosa Weber, julgado em
04/12/2018.
STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 452.897/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em
07/08/2018.
STJ. 5ª Turma. REsp 1452935/PE, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 14/03/2017
STF. ADI 2.795-MC, Rel. Min. Maurício Corrêa.
STJ. 3ª Seção. EREsp 998.128-MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 27/11/2019 (Info 662).
STF. 1ª Turma. HC 107432, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 24/05/2011.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.444.699-RS, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 1/6/2017.
STJ. 6ª Turma. REsp 1455178/DF, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, DJe 06/06/2014.
STJ. 6ª Turma. HC 433.898-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 24/04/2018.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.829.601-PR, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 04/02/2020 (Info 665).
STF. 2ª Turma. HC 111.442/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 28/8/2012 (Info 677).
AgRg no AREsp n. 1.351.373/MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em
12.2.2019, DJe 19.2.2019)’ (HC 556.629/RJ, j. 03/03/2020) (Info 668).
STJ. 3ª Seção. REsp 1.524.450-RJ, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 14/10/2015.
STJ. 5ª Turma. AREsp 1.418.119-DF, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 07/05/2019.
STJ. 3ª Seção. RHC 101.299-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Rel. Acd. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em
13/03/2019.
STJ. 5ª Turma. HC 412.208-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 20/03/2018.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.299.021-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 14/2/2017.
STF. 1ª Turma. HC 114667/SP, rel. org. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado
em 24/4/2018.
STJ. 5ª Turma. AgInt no AREsp 908.786/PB, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 06/12/2016.
STJ. 3ª Seção.CC 169.053-DF, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 11/12/2019(Info 663).
STJ. 6ª Turma. RHC 81.451-RJ, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 22/8/2017.
STJ. 6ª Turma. RHC 46.569/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 28/04/2015.
STF. 1ª Turma. Pet 7417 AgR/DF, Rel. Min. Luiz Fux, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgado em
9/10/2018.
STJ. 6ª Turma. HC 272899 SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 18/09/2014.
STJ. 5ª Turma. HC 266.460-ES, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 11/6/2015.

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STJ. 5ª Turma.REsp 1.776.680-MG, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 11/02/2020(Info 666).
STJ. 6ª Turma. REsp 1695736/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 08/05/2018.
STF. Plenário. Inq 2966, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 15/05/2014.
STJ. 3ª Seção. HC 399.109-SC, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 22/08/2018 (Info 633).
STF. Plenário.RE 607107/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgadoem 12/2/2020(repercussão geral –Tema
486) (Info 966).
STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1771437/CE, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 11/06/2019
STJ. 3ª Seção.REsp 1.798.903-RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 25/09/2019 (Info
659).
STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1.422.129-SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em
05/11/2019(Info 660).
STJ. 6ª Turma.HC 537.118-RJ, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 05/12/2019(Info 663).
STF. Plenário. ADO 26/DF, Rel. Min. Celso de Mello; MI 4733/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgados em
em 13/6/2019 (Info 944).
STJ. 5ª Turma. HC 487.962-SC, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 28/05/2019 (Info 650).
STF. 2ª Turma. MS 35693 AgR/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 28/5/2019 (Info 942).
STF. Plenário. ADI 5508/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 20/6/2018 (Info 907).
STF. 1ª Turma.Inq 3515/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgadoem 8/10/2019(Info 955).
STJ. Corte Especial. APn923-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 23/09/2019 (Info 657).
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AP 694/MT, j. 02/05/2017.
STF. 1ª Turma. HC 166.385/MG, rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/04/2020 (INFO/STF 973).
STJ. 3ª Seção. Pet 11.796-DF - INFO/STJ 595 e STF. Plenário. HC 118533/MS - INFO/STF 831).
STJ. 6ª Turma. REsp 1.771.304-ES, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 10/12/2019 (Info 662).
STF. 2ª Turma. HC 154694 AgR/SP, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 4/2/2020 (Info 965).
STF. 2ª Turma. HC 127221, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 25/08/2015.
STF. 2ª Turma. HC 144161/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/9/2018.
STJ. 5ª Turma. REsp 1723739/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 23/10/2018.
STJ. 6ª Turma. AgRg no AgInt no REsp 1616707/CE, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em
26/06/2018.
STF. 2ª Turma. HC 132909/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 15/3/2016.
STJ. 6ª Turma. HC 250.455-RJ, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 17/12/2015.
STF. 2ª Turma. HC 138944/SC, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 21/3/2017.
STF. Plenário. HC 118533/MS, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 23/6/2016.
STF. 1ª Turma. RHC 114842, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 18/02/2014.
STF. 2ª Turma. HC 133308/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 29/3/2016.
STF. 1ª Turma. HC 131771/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 18/10/2016.
STF. 2ª Turma. HC 133984/MG, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 17/5/2016.
STJ. 6ª Turma. REsp 1627028/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 21/02/2017.

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