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2.

As Reais Causas Do Ganho De Peso


Olá, bem vindo a mais uma aula especial que explora as bases científicas
do Código Emagrecer De Vez.

Esta é uma das aulas-base de todo o processo, portanto, leia com uma
atenção especial.

A Situação Atual

Para começar, vejamos:

Quando você se deparar com qualquer problema, seja no emagrecimento,


no seu carro, na sua casa, etc, qual é a primeira coisa que você pensa?

“Tenho que solucionar isso!”, certo?

Agora, uma vez que você quer achar a solução para qualquer problema,
qual é a primeira coisa a ser feita? Sim, identificar a CAUSA.

Afinal, tipicamente o que vemos logo de cara são os sintomas do problema


e não a causa do mesmo, por exemplo: seu carro não liga, sua pia está indo
por cima, você está acima do peso, etc, todos estes são sintomas!

Todos nós sabemos que ao se tratar os sintomas nós nunca iremos nos
livrar do problema em si, afinal, algo está CAUSANDO o problema.

Se a sua pia está indo por cima (sintoma), não adianta de nada você
começar a tirar água de dentro com um balde, afinal, a pia vai continuar
indo por cima com o tempo. Você precisa encontrar a causa, a qual, pode
ser que o cano esteja entupido.

Desentupindo o cano, a pia volta a dar vazão normal e todos sintomas são
solucionados.

Se isso é tão óbvio, por que será que no emagrecimento o que mais se faz é
se tratar os sintomas ao invés de achar a CAUSA deles?

Simplesmente porque a maioria dos “experts” já acham que sabem qual a


causa do ganho de peso. É simples, é uma mera questão de se comer mais
do que gasta…
Agora, nós já provamos cientificamente na aula “Todas Dietas Falham” que
esta não é a CAUSA do ganho de peso.

Porém, mais óbvio do que tudo, a maior prova existente de que não
estamos tratando a causa do ganho de peso é o simples fato de as pessoas
estarem ficando mais gordas e doentes diariamente e nunca na história da
humanidade tudo isso esteve em um patamar tão alto.

Parece óbvio que algo está errado e que nós simplesmente não estamos
acertando na solução.

Aliás, diz-se que esta geração atual será a primeira da história a viver
menos que a anterior. Isso é assustador!

No gráfico abaixo [1] que mostra o crescimento da obesidade nos EUA entre
adultos evidencia claramente que os números vêm subindo ano a ano sem
exceção e as projeções são de que em 2030, nada menos do que 50% dos
americanos sejam obesos.

A tendência não é muito diferente no caso do Brasil, alias, esta parece meio
ser a norma na grande maioria dos países do mundo, uma tendência
crescente do número de obesos e problemas relacionados.

Agora, enquanto a obesidade já vinha subindo em ritmo constante até


algumas décadas atrás, algo fez com que o ritmo de crescimento fosse
acelerado em muito.

A partir do momento histórico quando os EUA pela primeira vez lançaram


um conjunto de diretrizes alimentares para a população (em 1977), estes
números explodiram, conforme evidencia o gráfico abaixo divulgado pelo
próprio Centro De Controle De Doenças e Prevenção americano [2]:

Foi nesta data que se começou a promover publicamente hábitos


“saudáveis” pelo governo. Como você sabe, muitos países são
influenciados pelo que os EUA faz e o Brasil não é exceção.

Aliás, como diz o cardiologista britânico Dr. Aseem Malhotra: “Nenhum país
conseguiu reduzir a obesidade desde 1980”.

O Brasil também se encarregou com o tempo de lançar suas próprias


diretrizes (bastante semelhantes) e daí surgiram aberrações como a
Pirâmide Alimentar e outras coisas do gênero.

Será que os números de obesidade explodirem depois do exato momento


da divulgação destas diretrizes é somente uma mera coinscidência?

Ou será que estamos PIORANDO as causas da obesidade “sem saber”?

A verdade é que o mundo desesperadamente precisa atacar e corrigir a


verdadeira causa do ganho de peso e obesidade para começar a usufruir de
uma vida saudável e plena.
Agora, enquanto a maioria da população, especialistas, mídias e governos
ainda não têm a menor idéia de qual é a causa e continuam ainda
divulgando as mesmas diretrizes erradas de sempre, a boa notícia é que o
meio científico já tem uma boa idéia do caminho a se seguir e é isso que
iremos ver a partir de agora.

As Reais Causas Do Ganho De Peso: Insulina

Na aula “Todas Dietas Falham” mostramos que o paradigma mais


divulgado por aí sobre ganho de peso está errado e é infundado.

As pessoas não são gordas porque ingerem mais calorias do que gastam e o
problema não é que ninguém tem força de vontade para comer menos e se
exercitar mais.

Este paradigma simplista e de caráter matemático já foi testado


incansavelmente nas últimas década e tem um histórico de 100% fracasso,
sem nenhum caso de sucesso mostrando cientificamente sua eficácia.

Agora, botemos uma pedra em cima disso. Esta não é a causa e muito
menos dá pistas da solução.

O caminho da solução começa quando entendemos que o ganho de peso é


resultado de um desbalanço hormonal (não matemático) no corpo.

Afinal, repito, o corpo é um sistema biológico e não matemático, gerido


por hormônios e não números.

Com isso em mente, coloquemos o foco no hormônio mais debatido neste


ramo do emagrecimento: a Insulina.

A definição atual da Insulina é:

“Insulina é um hormônio que regula o metabolismo de carboidratos e


gorduras promovendo a absorção da glicose do sangue pelos músculos e
pelo tecido adiposo e fazendo com que gordura seja estocada ao invés de
usada como energia.” [3]

Em outras palavras: Insulina armazena gordura!

Até onde a ciência sabe hoje, insulina é o principal hormônio envolvido no


ganho de peso. Logo, isso nos dá uma boa pista da causa da obesidade.
Primeiro, vamos navegar por algumas evidências científicas que apontam
nesta direção e que podem provar esta nossa hipótese de que a insulina é o
principal contribuinte para o ganho de peso.

Uma vez que provarmos isso, a solução começa a ficar mais clara. Se a
insulina é o “problema”, ela também pode ser a solução.

Bom, a insulina foi descoberta em 1921 na Universidade de Toronto, no


Canadá.

O primeiro uso dela foi na cura da diabetes tipo 1 que é uma doença
autoimune, na qual, o corpo ataca as células produtoras de insulina no
pâncreas, resultando em baixíssimos níveis de insulina no corpo ou
ausência deles. Logo, injeções contínuas de insulina vieram como uma
“cura” para essa doença grave.

Logo depois, em 1923, insulina já era usada em crianças cronicamente


abaixo do peso para fazê-las ganhar peso [4]

Diabéticos tipo 2 também sabem que injeções de insulina colaboram com


ganho de peso. Baseando-se nestas duas observações somente, parece
realmente que insulina causa ganho de peso. Porém, vamos investigar
mais a fundo:

Considere este estudo interessante feito na década de 80 que acompanhou


pessoas com diabetes do tipo 1 por 9 meses. [5]

Estas pessoas foram divididas em 2 grupos, um deles recebendo doses


mínimas de insulina e o segundo grupo recebendo doses maiores de
insulina para manter os níveis de açúcar do sangue sob um controle mais
rígido.

Lembrando que pessoas com diabetes 1 não produzem insulina na corpo,


logo, dependem de injeções deste hormônio para continuarem vivas.

Ao longo de 9 anos se acompanhou os 2 grupos e se mediu o ganho de peso


de cada um. Veja o gráfico abaixo:
As barras brancas mostram que ao longo dos anos, quase 30% das pessoas
do grupo que recebeu maiores doses de insulina teve um grande ganho de
peso, enquanto, menos de 5% das pessoas do grupo com menos insulina
apresentou grande ganho de peso ao longo do período. A diferença no
ganho de peso entre os 2 grupos é incrivelmente grande. Mais insulina,
mais ganho de peso! Interessante…

Ainda no mesmo estudo, o gráfico abaixo mostra uma relação direta entre
o tamanho da dose de insulina recebida e a quantidade de peso ganho, ou
seja, quanto mais insulina injetada, mais peso:
Outro estudo, este publicado no prestigioso jornal britânico The Lancet,
tratou e acompanhou pessoas com diabetes do tipo 2. [6]

As pessoas foram randomizadas e distribuídas em 2 grupos. Um dos grupos


recebeu doses convencionais de insulina e o outro grupo recebeu doses
maiores de insulina, para um tratamento mais intensivo.

O peso destas pessoas foi acompanhado ao longo do tempo e o gráfico


abaixo mostra o resultado:
A linha de cima mostra que o grupo que recebeu o tratamento com mais
insulina ganhou significativamente mais peso (mais do que o dobro) que o
grupo que recebeu doses convencionais de insulina.

Perceba que a diferença no ganho de peso surge praticamente a partir do


momento em que o estudo começa.

Realmente parece claro que insulina causa ganho de peso.

Agora, considere este experimento um tanto chocante a seguir feito em


1992 com paciêntes de diabetes tipo 2.

Os médicos acompanharam 14 diabéticos ao longo de 6 meses. No começo


estas pessoas estavam recebendo comprimidos apenas para controle do
diabetes, porém, com o passar dos meses eles começaram a receber doses
crescentes de insulina no sangue.

Vejamos o que aconteceu:


A primeira linha de círculos vermelhos, da esquerda pra direita, mostra que
as doses de insulina foram aumentando ao longo dos meses.

A segunda linha de círculos vermelhos mostra que o peso foi gradualmente


aumentando ao longo dos 6 meses a medida que as doses de insulina
foram aumentando.

Agora, chocante é que a terceira linha de círculos vermelhos mostra que os


pacientes foram comendo cada vez menos ao longo dos 6 meses e mesmo
assim ganharam peso neste período!

Mesmo comendo no final dos 6 meses uma média de 300kcal/dia a MENOS,


eles engordaram quase 10kg no período!

Mais um prego no caixão do paradigma calórico. Ganho de peso é um


desbalanço hormonal e não calórico.

A insulina promoveu ganho de peso independente de quantas calorias


foram ingeridas pelos pacientes.

Para complementar, mais uma vez se comprova com o gráfico abaixo que
também neste estudo quanto maior foi a dose de insulina recebida, maior
foi o ganho de peso apresentado:
Agora, um outro estudo mais recente de 2007 publicado no New England
Journal of Medicine também vem pra confirmar pela terceira vez que
quanto maior a dose de insulina recebida, maior o ganho de peso. Insulina
causa ganho de peso! [8]

O estudo acompanhou 708 diabéticos ao longo de 12 meses. Até o início do


estudo estes pacientes todos estavam somente tratando a doença com
comprimidos.

A partir do início do estudo os pacientes foram suplementados com


diferentes doses de insulina. Os médicos mediram o peso das pessoas ao
longo do tempo e os resultados estão abaixo:
As 3 linhas mostram 3 tipos de insulina que foram suplementadas (Biphasic
insulin, Prandial insulin, Basal insulin). Agora, perceba o seguinte:

Em todos os casos o peso das pessoas foi aumentando continuamente em


direta proporção ao aumento da dose de insulina recebida.

As pessoas que receberam mais insulina, engordaram mais e as pessoas


que receberam menos, engordaram menos. Insulina realmente parece
causar ganho de peso.

Agora, pra concluirmos as provas da nossa hipótese, consideremos mais


este estudo publicado no jornal britânico The Lancet [9].

Nele, os cientistas queriam comparar os impactos de ganho de peso


dependendo do tipo de tratamento recebido pelos diabéticos.

Veja o gráfico a seguir e siga comigo aqui para analisarmos os incríveis


resultados que ele mostra.
As diversas linhas basicamente mostram grupos diferentes de pessoas: um
grupo de pessoas que não recebeu medicação, somente fez dieta para
abaixar os açúcares do sangue, um grupo de pessoas que recebeu insulina
como tratamento, um outro grupo que recebeu dois tipos de remédios que
geram aumento de insulina no sangue (Gliburide e Chlorpropamide) e um
último grupo que tratado com uma outra droga que não gera aumento de
insulina no sangue (Metformin)

Veja que, de longe, o grupo que foi tratado com insulina ganhou a maior
quantidade de peso (linha azul no topo).

Os outros 2 grupos que mais ganharam peso foram justamente aqueles


tratados com as 2 drogas que geram aumento de insulina no sangue
(pontilhado amarelo e roxo).

A seguir, o grupo que foi tratado com a droga que não gera aumento de
insulina no sangue manteve o peso neutro, ou seja, praticamente o mesmo
do grupo que somente fez dietas.

Acho que com esta última martelada podemos declarar que nossa hipótese
está provada pela ciência: Insulina CAUSA ganho de peso!
Agora, será que o oposto também é verdadeiro? Se excesso de insulina
causa ganho de peso, será que a falta de insulina promove a PERDA de
peso?

Bom, para observarmos isso, nada mais fácil do que virarmos nossos olhos
para pessoas que possuem diabetes do tipo 1, ou seja, são incapazes de
produzir insulina.

Considere a foto abaixo:

Esta foto mostra uma menina que possui diabetes tipo I. Na esquerda você
vê a menina antes de iniciar o tratamento (injeções de insulina) e na direita,
a mesma menina depois de iniciar o tratamento contra diabetes tipo I, ou
seja, injeções de insulina. [10]
Fica evidente que a falta de insulina promove perda de peso e a presença
de insulina promove ganho de peso, independente de quanto você come
ou quanto se exercita.

As Reais Causas Do Ganho De Peso: Resistência a Insulina

Agora, o fato de vermos claramente que insulina causa ganho de peso não
significa que esta seja a única causa.

E é justamente aqui que até mesmo os melhores e mais embasados


métodos de emagrecimento começam a pecar e este é também um dos
pontos cruciais que diferencia o Código Emagrecer De Vez do resto.

Se a ciência já sabe mais sobre obesidade e ganho de peso, por que ignorar
essas coisas em nome de uma falsa simplicidade?

Concordo que seria muito mais fácil e simples de se explicar o ganho de


peso se pudessemos reunir tudo em um modelo simples, com uma causa e
uma solução para todos, porém, apesar de a maioria dos métodos e
profissionais da saúde fazerem isso, na minha opinião, esta prática
simplista é uma irresponsabilidade de consequências sérias.

Por isso quero ir adiante aqui com nossa investigação para termos a mente
tranquila de que estamos fazendo nosso melhor possível para encontrar as
causas e pôr em prática uma solução que seja a mais eficaz e eficiente
possível.

Logo, depois de acabar a leitura que segue adiante, você vai perceber o
quanto estaríamos perdendo caso tivéssemos parado aqui.

Agora, vamos lá!

Você já percebeu como as pessoas que ganharam peso rápido parecem


conseguir também perder esse peso rapidamente?

Por outro lado, já percebeu que as pessoas que “sempre foram gordas”
parecem ter uma dificuldade enorme para perder peso permanentemente?

Ainda, já percebeu que a maioria das pessoas vai ganhando peso ao longo
dos anos meio constantemente depois de uma certa idade? Será que elas
sempre comem X calorias a mais por ano consistentemente e se exercitam
exatamente igual ano a ano?
Outra, já notou que algumas pessoas ganham peso somente depois de uma
certa idade (ex: depois dos 20) e outras pessoas ganham peso ainda na
infância?

Pior ainda, já notou que cada vez mais estamos vendo bebês de colo que
são obesos? Algo que seria impensável ha não muitos anos atrás.

Se formos tentar justificar tudo isso utilizando da teoria simplista de que


ganhamos peso simplesmente por que comemos mais do que gastamos,
iremos logo atingir obstáculos nos nossos argumentos.

Ou ainda, se acharmos que a única causa do ganho de peso é o que


comemos, também não conseguiremos justificar essas coisas.

Aliás, sabia que um estudo conduzido na Suécia concluiu que 70% da


tendência de se ganhar peso é puramente genética? [11]

Isso só vem para provar o que já observamos empiricamente no mundo ao


nosso redor, não é mesmo?

Algumas pessoas ganham peso muito facilmente, enquanto outras


demoram mais para ganhar peso.

Essa tendência genética parece ser principalmente vinculada a quão


sensível uma pessoa é aos efeitos da insulina.

Filhos de pais obesos tendem a ter 5 vezes mais chances de também se


tornarem obesos. [12]

Agora, com isso tudo em mente, acho que concordamos que a simples
sugestão de comer menos ou cortar carboidratos ou o que é que seja e
pronto, você deve perder peso, simplesmente não se aplica a todos os
casos.

Muitas pessoas já tentaram absolutamente de tudo para emagrecer,


porém, parece que pra eles, nada funciona, não importa o tipo de mudança
de alimentação ou exercícios eles fazem.

Como a teoria de causa única da obesidade justificaria estes casos?


Impossível!
Como se explica o fato de que algumas pessoas perdem peso rapidamente
e outras tem uma dificuldade extrema, mesmo fazendo exatamente as
mesmas coisas?

Tem uma peça faltando aqui nessa quebra cabeça e ela é a “resistência a
insulina”.

Agora, o que é resistência a insulina?

“Resistência a insulina é uma condição fisiológica na qual as células


começam a não responder as ações normais do hormônio insulina. O corpo
produz insulina mas as células do corpo se tornam resistentes e não
conseguem usá-la com a mesma eficácia, levando a elevados níveis de
açúcar no sangue. As células beta no pâncreas, consequentemente,
aumentam a produção da insulina, contribuindo ainda mais para altos níveis
de insulina no sangue.” [13]

Em outras palavras, o corpo começa a não responder corretamente a


insulina, logo, o pâncreas precisa fabricar ainda mais insulina para tentar
fazer com que o corpo responda. O problema é que mais insulina só piora a
resistência do corpo que tende a responder ainda menos. Isso forma um
ciclo vicioso.

Nós já vimos que insulina em si causa ganho de peso, não há duvidas a


respeito disso, agora, o que não investigamos ainda é o fato de que muitas
pessoas terem cronicamente níveis altos de insulina no sangue.

Se você é resistênte a insulina, você tem rotineiramente níveis mais altos e


constantes de insulina no sangue.

Resistência a insulina crônica é basicamente o que define se uma pessoa é


diabética (tipo II) ou não.

Agora, você não precisa ser diabético para ter algum nível de resistência a
insulina no sangue.

Veja, sabemos que quando temos insulina atuando no sangue estamos em


estado de armazenamento de gordura. Logo, quanto mais frequentemente
tivermos insulina atuando no sangue, por mais tempo estaremos neste
estado de armazenamento e não de queima de gordura.

Isso tudo independente do que comemos.


Ok, então seria a resistência a insulina em si uma outra causa do ganho de
peso? É isso que iremos ver.

Primeiro, o que faz com que desenvolvamos resistência a insulina no nosso


corpo?

Aparentemente é a mesma coisa que causa outras resistências, como por


exemplo: resistência a antibióticos, resistência a nicotina, resistência ao
álcool, resistência a drogas, etc.

Isso é: Constante estímulo.

Exemplo: Se você nunca bebe álcool e decide beber, uma pequena dose
pode deixar você tonto. Se você continuar tomando seguido, a mesma
dose já não deixará você tonto da mesma forma, ou seja, você precisará
aumentar a dose para obter os mesmos efeitos e assim vai. Cada vez você
vai ficando mais resistênte ao estímulo.

O mesmo acontece com outras drógas, no começo uma pequena dose trás
um grande efeito, porém, ao se continuar, as doses precisam ser
aumentadas progressivamente para que você sinta algum efeito.
No final, os malefícios das altas doses frequentes começam a serem mais
comuns do que os benefícios.

Então, é o constante consumo da própria droga que causa a resistência.

• O que causa resistência a antibióticos? Os próprios antibióticos.


• O que causa resistência ao álcool? O próprio álcool.
• O que causa resistência a insulina? A própria insulina!

Porém, vamos investigar o que a ciência mostra sobre isso para provarmos
que isso é verdade, certo?

Um dos melhores estudos que prova isso diretamente foi publicado em


1992. [14]

Existe um tipo raro de tumor chamado Insulinoma que secreta níveis bem
altos de insulina no sangue.

Os paciêntes que possuem esse tumor não tem nada de errado com eles a
não ser altos níveis de insulina sendo bombardeados na corrente
sanguínea.

O estudo mostra claramente que este constante estímulo insulínico causa


níveis crescentes de resistência a insulina também, conforme gráfico
abaixo:
E se pensarmos, isso faz todo sentido. Se o corpo não desenvolvesse
resistência a este constante estímulo alto de insulina, os açúcares no
sangue iriam cair a níveis baixíssimos e a pessoa poderia entrar em choque
e morrer. A resistência é um mecanismo de defesa do corpo!

O tratamento este tipo de tumor é a sua remoção cirúrgica. Quando o


tumor é removido, os estimulos anormais de insulina param e o corpo volta
a ser sensível a insulina.

Com base nisso sabemos agora que insulina alta no sangue causa
resitência a insulina, como tinhamos previsto.

Consideremos este outro estudo que procurou saber se é possível se


desenvolver resistência a insulina em pessoas normais através de injeções
frequêntes de insulina ao longo de 40 horas apenas. [15]

No final do estudo, as pessoas injetadas com insulina desenvolveram 15%


mais de resistência a insulina nas 40h do estudo do que o grupo controle
(que não foi alterado).

Com isso, percebemos que rapidamente é possível de se desenvolver


resistência a insulina em pessoas perfeitamente normais através de
frequentes estímulos de insulina.
Agora, para botar uma pedra em cima desse assunto, consideremos este
último estudo semelhante publicado no jornal Diabetologia que pegou 15
jovens saudáveis e ao longo de 96 horas deu a eles doses constantes de
insulina para ver o que acontecia. [16]

No final das 96h eles observaram que os jovens tiveram uma redução de
20-40% na sensibilidade a insulina no sangue, ou seja, eles desenvolveram
uma consideravel resistência a insulina sendo administrados doses
normais fisiológicas de insulina ao longo de apenas 96h.

Estes jovens eram saudáveis, não-obesos e não pré-diabéticos.

O ponto agora é: qualquer pessoa consegue desenvolver resistência a


insulina sendo exposta a constantes estímulos deste hormônio, ainda que
algumas pessoas desenvolvam a resistência mais rapidamente e outras
mais lentamente.

A coisa fica séria ao lembrarmos que insulina causa ganho de peso e que
resistência a insulina é uma condição de excesso de insulina navegando
pelo sangue, logo, por consequência óbvia sabemos que resistência a
insulina também causa ganho de peso.

Isso torna muito fácil o ganho de peso e incrivelmente difícil o


emagrecimento e também explica por que pessoas que estão (ou sempre
foram) acima do peso ha muito tempo tem uma dificuldade inacreditável
para emagrecer.

Aliás, este estudo abaixo mostra como a resistência a insulina tende a


aumentar ao longo do tempo em pessoas que a tem. Quanto mais
resistência, mais difícil será perder peso e mais fácil será ganhar. [23]

O gráfico da esquerda mostra como os níveis de insulina no sangue tendem


a aumentar ao longo dos anos de obesidade e o gráfico da direta mostra
como a resistência a insulina (ineficiência no uso da glicose) aumenta
também junto ao longo destes anos.

Isso basicamente responde também aquela questão que fizemos no


começo a respeito da maior dificuldade para emagrecer encontrada por
pessoas que estão acima do peso ha mais tempo ou sempre foram gordas
(resistentes a insulina).
Vimos então que o que causa resistência a insulina é a própria insulina
sendo estimulada frequentemente. (assim como se fumar cigarros
frequentemente, beber frequentemente, etc acaba desenvolvendo
resistência).

• Agora, a pergunta de ouro é: O que causa estímulo insulínicos no


sangue?

A resposta é: o que comemos!

• E o que gera constantes estímulos?

A resposta é: a frequência que comemos.

Resumindo, o que comemos e quando comemos são os 2 fatores que


causam a resistência a insulina e aqui pode também estar a chave para a
solução mais efetiva para o emagrecimento.

Fique tranquilo que trataremos disso em mais detalhes na aula


de “Alimentação Forte”.

Neste ponto sabemos de 2 coisas importantes:

• Insulina causa ganho de peso.


• Resistência a insulina causa ganho de peso.

Aqui vale um adendo para falar de outro hormônio bastante importante: a


Leptina.

A leptina é um hormônio fabricado pelas células adiposas que visa ajudar


no balanço energético do corpo suprimindo a sensação de fome. [24]

Quando seus níveis de gordura corporal estão altos, bastante leptina é


secretada sinalizando para seu cérebro que é hora de parar de comer.

O problema aqui é que geralmente as pessoas obesas ou acima do peso


estão em um estado de resistência a leptina e estes sinais de supressão de
fome não funcionam mais como deveriam.
Assim como no caso da insulina, o constante estímulo de leptina no sangue
acaba por desenvolver a resistência. [25]

É interessante perceber que a insulina causa a obesidade que por sua vez
faz com que os níveis de leptina fiquem cronicamente altos no sangue, o
que leva à resistência a leptina.

Em outras palavras poderiamos dizer que a insulina causa, ainda que


indiretamente, a resistência a leptina também. [25]

Agora, a pergunta ainda precisa ficar no ar: Além do que já vimos, será que
existem outras causas para o ganho de peso?

A resposta é: sim.

Ainda que a insulina e a resistência da insulina parecem ser as 2


principais causas do ganho de peso, outras causas secundárias podem
existir e aqui vale analisarmos ao menos uma delas que sabemos que
existe e ela é: o hormônio Cortisol.

As Reais Causas Do Ganho De Peso: Cortisol

Cortisol é conhecido como o hormônio do estresse e a nossa hipótese aqui


é que ele causa o ganho de peso também.

O Cortisol é um hormônio que é liberado na corrente sanguínea em


momentos de estresse e que prepara o corpo para reagir de alguma forma
a isso.

Sabemos hoje que o cortisol desperta a ação da insulina no sangue, afinal,


para preparar o corpo para reagir à uma ameaça externa (fator
estressante), ele faz com que glicose seja liberada no sangue para que
tenhamos energia rápida disponível.

Glicose no sangue provoca a ação da insulina, logo, níveis altos crônicos de


cortisol no sangue provocam aumento da insulina no sangue, o que
também colabora para desenvolvimento da resistência a insulina. [17]

O problema é que hoje em dia grande parte da população vive estressada


em tempo integral e isso acaba gerando estes níveis cronicamente altos de
cortisol no sangue, o que acaba dificultando o emagrecimento.
Agora, achar uma coisa ou outra não significa nada, afinal, precisamos
provar cientificamente que a nossa hipótese é verdadeira.

Veja, um estudo mostra que injetando-se 50mg de cortisol sintético em


pessoas normais e saudáveis 4 vezes por dia por 5 dias faz com que os
níveis de insulina no sangue subam em 36%. [18]

Uma revisão publicada mostra que o uso contínuo de prednisone (cortisol


sintético) pode levar ao desenvolvimento de resistência a insulina ou
diabetes do tipo II. [19]

Com isso, temos evidências científicas de que níveis altos e constantes de


cortisol geram tanto aumento de insulina no sangue como colaboram para
o desenvolvimento de resistência a insulina, duas coisas que
comprovadamente causam o ganho de peso.

Agora, se o aumento de cortisol aumenta insulina, a dimuição do mesmo


deveria causar uma queda na insulina, certo?

Um estudo publicado que examinou pacientes que vêm a um longo tempo


sendo suplementados com prednisone (cortisol), observou que a redução
desta medicação gerou uma diminuição de 25% nos níveis de insulina no
sangue, sem contar uma perda de peso de 6% e diminuição de 7.7% na
circunferência do abdômen. [20]

Ok, agora temos uma visão clara de que o cortisol tem uma boa influência
na questão da insulina, seja pra mais ou pra menos.

Agora, vamos nos perguntar algo mais direto: O excesso de cortisol causa
ganho de peso?

Vejamos, existe uma doença chamada de Cushing’s onde existe uma super-
produção de cortisol no corpo.

Agora, interessante o suficiente, uma das principais características desta


doença é o ganho de peso. [21]

Outra prova é que ao se administrar prednisone a pacientes, a qual como


vimos é uma forma sintética de cortisol, observa-se o desenvolvimento do
que é conhecido como síndrome Cushinoide que basicamente é
caracterizada pelo ganho de peso (similar ao doença de Cushing’s). [17]
Então parece estar claro que altas doses de cortisol causam o ganho de
peso.

Agora, o que será que acontece, por exemplo, se os níveis de cortisol


caírem a níveis extremamente baixos, ao invés?

É isso que acontece com pessoas que têm a doença de Addisons e uma das
principais características desta condição é a perda de peso. [22]

Analisando estas evidências podemos com confiança dizer que o cortisol


também é de fato algo que causa o ganho de peso, ainda que seja de
forma secundária e aparentemente não tão forte como a própria insulina e
a resistência a insulina.

Trataremos desta assunto em mais detalhes em uma aula diferente.

Com isso em mente, fique tranquilo pois o Código Emagrecer De Vez


também leva isso em consideração.

Resumindo: As Causas Do Ganho De Peso

Com tudo visto até agora podemos identificar claramente 3 grandes


causas para o ganho de peso, todas provadas cientificamente. São elas:

1. Insulina
2. Resistência a insulina
3. Cortisol

Agora, uma vez que sabemos as verdadeiras causas, é possível investigar as


soluções que realmente fazem sentido e funcionam.

Agora é possível, de fato, se atacar a raíz do problema do ganho de peso e


consequentemente achar a chave para o emagrecimento saudável e
permanente.

O Caminho Para a Solução Do Ganho De Peso: O Emagrecimento

Como dito antes, se quisermos emagrecer de forma natural, verdadeira e


permanente precisamos regularizar o que está causando o ganho de peso,
isso é, as 3 causas.

Como faremos isso?


No caso da insulina:

Através de adequações na alimentação em si, iremos buscar regularizar os


estímulos insulínicos no sangue que acontecem a cada refeição.

Com um estímulo natural e normal da insulina no sangue (e não picos altos


e anormais), iremos colaborar positivamente para o emagrecimento.

É justamente focada nesta parte que entra a “Alimentação Forte” e


a “Densidade Nutricional” que são dois dos pilares centrais do Código
Emagrecer De Vez.

No caso da resistência a insulina:

Iremos endereçar estrategicamente a frequência das refeições através da


técnica do jejum intermitente de várias formas.

O jejum intermitente também é um dos pilares centrais do Código


Emagrecer De Vez. Esta é uma das armas mais poderosas (se não A mais
poderosa) para o emagrecimento.

Para saber as bases científicas disso, favor ler a aula referente: “Jejum
Intermitente”.

No caso do cortisol:

Iremos tentar reduzir os níveis de cortisol através de algumas técnicas


comprovadas para redução de estresse no dia-a-dia.

Com estas 3 estratégias sendo aplicadas ao mesmo tempo, conseguiremos


os maiores efeitos possíveis para um emagrecimento natural e
permanente, sem contar no aumento significativo do bem-estar e saúde
geral.

REFERÊNCIAS

[1] Gráfico derivado do dados do NHANES – Center for Disease Control and
Prevention (www.cdc.gov)

[2] Centers for Disease Control and Prevention (CDC). National Center for
Health Statistics, Division of National Health and Nutrition Examination
Surveys. Prevalence of Overweight, Obesity, and Extreme Obesity Among
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[4] “I can make you fat… Insulin – Hormonal Obesity III” – Dr. Jason Fung –
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[6] “Intensive blood-glucose control with sulphonylureas or insulin compared


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[9] “Intensive blood-glucose control with sulphonylureas or insulin compared


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[10] “The Past 200 Years in Diabetes” –


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[11] “The Body-Mass Index of Twins Who Have Been Reared Apart“ –
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[12] “Predicting Obesity in Young Adulthood from Childhood and Parental


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[13] Insulin Resistence, Wikipedia (english) –


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[14] “Patients with insulinoma show insulin resistance in the absence of
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[15] “Production of insulin resistance by hyperinsulinemia in man”


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[16] “Effect of sustained physiologic hyperinsulinemia and hyperglycemia on


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[17] “A Closer look at Cortisol – Hormonal Obesity XXXX” – Dr. Jason Fung –
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[18] “Hyperinsulinemia is not a cause of cortisol-induced hypertension” –


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[19] “Posttransplant diabetes mellitus–a review” –


http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/7809919 (acesso 26/08/2015)

[20] “Effects of prednisone withdrawal on the new metabolic triad in


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[21] Cushing Disease –


https://www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/article/000348.htm (acesso
26/05/2015)

[22] “Addisons disease” –


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26/05/2015)

[23] “High insulin secretion is primary insult” – Diabetes 43:696-702; 1994 Le


Stunff C

[24] Leptin – Wikipedia – https://en.wikipedia.org/wiki/Leptin (acesso


27/05/2015)

[25] “The Aetiology of Obesity Part 3 of 6: Trial by Diet” – Dr. Jason Fung –
https://www.youtube.com/watch?v=ZbnshVO4PRM (acesso 27/05/2015)

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