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CIÊNCIA DO INÍCIO DA VIDA


Eleanor Madruga Luzes. M.D. ph.D.

Tese defendida em 2007 no Instituto de Psicologia da


UFRJ:
“A Necessidade do Ensino da Ciência do Início da Vida”

1 – CONCEPÇÃO
Os dados da literatura internacional que registraram as
memórias deste acontecimento, com universo de milhões de pessoas
estudadas, mostram que a concepção influencia notavelmente a
saúde física e mental do ser humano para o resto da vida. Hoje, por
exemplo, sabemos que o padrão de alimentação dos pais neste
período pode determinar anomalias congênitas, seja por álcool
relacionado ao aparecimento de lábio leporino, com Shakespeare, já
havia notado, outras drogas levando a danos cerebrais.
Já foi estabelecida a relação entre o consumo excessivo de
agrotóxico e o nascimento de crianças com perímetro craniano
menor. Estudos apontam para uma correlação entre uma concepção
desarmoniosa e a tendência à depressão na idade adulta, assim como
dificuldade em controlar o impulso agressivo.
O que Jung chamava a atenção que a psicologia evoluiria no
momento que seus olhos se voltassem para o período que precede a
concepção, o tempo ao redor deste momenento. Surgiram
recentemente livros que levantam experiências de contato com uma
criança que será concebida, seja sob a forma de sonhos, visões e
outros modos, um livro levanta 1000 sonhos, outros autores
exploraram 200 relatos pelos 5 continentes, agora surge mais e mais
livros com levantamentos em países e etnias diferentes, e isto nos
faz ter uma ponte com o que está nos livros sagrados, onde a Cristo,
e outras figuras que dentro da tradição judaico-cristã tiveram peso, a
marca da anunciação é um elemento constante, o mesmo ocorre com
a tradição budista e a Védica.
Os relatos que a literatura de renascimento nos informa é que
momentos antes da concepção, as pessoas descrevem que viram
seus pais juntos e que muito rapidamente se sentiram tragados para
dentro do corpo do seu pai, e ali sentiram suas impressões, impulsos,
emoções, e depois quando entraram nos corpos de suas mães,
relatam se foram bem ou mal acolhidos, dependendo do estado de
humor que nelas perceberam. Ora, o Livro Tibetano dos Mortos já
descrevia ao orientar a alma para entrar na vida, que deveria evitar
os casais pelos quais ela, a alma, sentisse atração o repulsão, mas
que entrassem se percebessem haver harmonia.
A Nova Biologia nos informa que o código genético, tem na
verdade em sua estrutura 25.000 genes, ao invés do 120.000 que se
pensava, e que este código faz um arranjo de proteínas segundo as
condições emocionais do meio ambiente. Como diz o prof. Bruce
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Lipton, caiu o dogma do DNA, tal como visto por Darwin, e até bem
pouco tempo imperava na idéia do projeto Genoma. Hoje o que
sabemos é que o DNA é uma molécula gigante que funciona de
maneira diferente da que se pensava. Compreendeu-se que existe o
fenômeno da “Mutação adaptativa” que foi apresentado ao mundo
científico em 1988 por J.Cairns, J. Overbaugh e S. Miller, a célula
durante estresse como a fome, acelera a mutabilidade. Entendemos
agora porque tanto o estresse durante a gestação como a fome
alteram o código genético do feto. O Dr. Pjotr Garjajev descobriu que
a molécula do ADN tem uma potencialidade de armazenamento de 3
gigabits, ele recolhe informação eletromagnética do meio ambiente,
armazena-a e, é também capaz de emitir. O ADN é um
supercondutor orgânico ele tem uma freqüência natural de 150
megahertz, exatamente a mesma freqüência do radar feito pelo
homem e a freqüência das telecomunicações. O ADN é um órgão de
comunicação do corpo e interage com o meio ambiente, portanto, o
que se passa geneticamente na concepção não é definitivo até o
nascimento, pode haver mudanças para melhor ou pior no tempo que
se segue.
Trabalho publicado em 2002 realizado por G. S. Kelkar na Índia
mostra que em 35 anos, 6000 pessoas nasceram com cuidados em
que os casais foram preparados antes da concepção, antes mesmo do
casamento e durante a gravidez, eles mostraram de forma inconteste
como a preparação fez diferença positiva na saúde física mental,
espiritual das crianças. Lidar com a Concepção será lidar com o maior
tabu que possuímos, poucos questionam se foram desejados ou não,
e isto que parece tão pouco importante que quase não há literatura
sobre, é o ponto zero da história de todos nós.

2 - GESTAÇÃO
Uma boa saúde depende essencialmente da imaginação da
mãe, sua vida interior, seu olhar sobre a vida e sua alimentação. O
que uma vasta literatura demonstra é que estes fatores, se bem
atendidos, podem fazer com que mais tarde não haja ocorrências de
doenças como, por exemplo: hipertensão arterial, acidente vascular
cerebral, infarto coronariano, hipercolesterolemia, obesidade,
osteoporose, doença obstrutiva pulmonar, diabetes Mellitus, doença
de coagulação, doença do aparelho reprodutor, esquizofrenia,
autismo, asma, anomalias congênitas, epilepsia, transtorno
depressivo e déficit de inteligência, comportamento criminoso e
suicídio.
Atualmente sabemos o preço que a fome imposta à mulheres
grávidas determina para a geração futura, vide a Segunda Guerra
Mundial, quando se pode acompanhar o que aconteceu com 300 mil
homens que estavam no ventre materno durante o cerco que obrigou
à fome uma população na Holanda, foi estuda por Anita Ravelli em
1976. O que se viu foi que estas pessoas eram propensas a doenças
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mentais, não se socializavam devidamente e apresentavam mais


tendência à obesidade, distúrbio cardiovascular, e diabetes do que a
população do mesmo país, na mesma faixa etária e que não passou
pela fome no ventre. Notou-se como a privação em cada trimestre
“programa” doenças diferentes para a vida adulta. Quanto mais cedo
os indivíduos forem submetidos à dieta, mais graves os danos. Hoje o
que se tem como fundamental é o desenvolvimento do cérebro, e ele
pode ficar em estado de privação se a comunicação mãe-feto e a
qualidade dos nutrientes que ela ingere forem pobres.
Por outro lado, mesmo em estudo com animais, e também com
humanos se houver um “enriquecimento do meio” para o cérebro
durante a gestação a criança nascera com mais circuitos cerebrais,
anatomicamente com um cérebro maior, o mesmo ocorre com
animais, e isto é passado à próxima geração. Em guetos de Caracas
684 famílias foram orientadas a estimular seus fetos, e as crianças
foram observadas por 6 anos, houve melhora do desenvolvimento
neuro-psiquico, e tinham muito mais solidariedade, este resultado
exposto em 1998 por Manrique e sua equipe, fez o governo
Venezuelano estudar a adoção de tal programa em todas as
comunidades carentes. No mesmo ano foi apresentado a comunidade
científica um trabalho realizado por Panthuraamphorn em Bangkok
onde 150 mulheres grávidas participaram de um programa de
enriquecimento durante a gestação, seus filhos também
demonstraram submetidos a exames com escalas de
desenvolvimento psíco-motor, ter um desenvolvimento não só
superior ao grupo controle, como ao da população geral da mesma
cidade, e além, um desenvolvimento de linguagem e social também
superior.
A comunicação materno-fetal se dá em nível molecular (pelos
hormônios), sensorial (devido aos sentidos do feto) e intuitiva ou
telepática. O substrato físico para a comunicação sensorial
desenvolve-se: movimentos fetais se iniciam entre 6 a 10 semanas, a
sensibilidade tátil entre 6 a 14 semanas. O senso vestibular
(equilíbrio) com 9,5 semanas, a sensibilidade olfativa entre 11 e 15
semanas, a gustativa entre 12 e 14 semanas, pois o feto deglute o
líquido amniótico. A sensibilidade visual aparece entre 16 e 18
semanas. Desde 16 semanas está presente a sensibilidade dolorosa,
após a vigésima semana a capacidade de ouvir vai se desenvolvendo
a tal ponto que a criança não só demonstra conhecer a voz da mãe,
mas também sabe escolher um conto que ela lhe contou, a outro que
ela não contou, isto foi descoberto por DeCasper em 1980, e a partir
de então sofisticados estudos foram feitos, até se perceber que o feto
imita a articulação da fala da língua da mãe, na 24° semana de vida e
demonstra tão logo nasça familiaridade com seu idioma, e
infamiliaridade com outro nunca ouvido. Por esta mesma época ela
apresenta atividade onírica. Até 26 semanas já há percepção visual
bem complexa. Entre 28 a 37 semanas é possível avaliar padrões de
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comportamento devido a forma de movimentação fetal, o feto ri,


chora, deglute, luta contra uma agulha de exame, brinca ou luta com
um irmão gêmeo, já tem definidos padrões de comportamento, que
continua a executar por anos de observação depois de nascidos.
O estresse gravídico determina um cérebro menor, é o que
aponta um estudo de acompanhamento de 8719 mulheres sob
estresse na Dinamarca (1993) onde apareciam mais crianças
prematuras e com cérebro menor, outro estudo no mesmo país
(1994), 3021 grávidas, cujos filhos foram testados, mostraram baixos
escores de avaliação neurológica, nos Estados Unidos, em um
seguimento de 2593 grávidas reproduziu-se os resultados já
conhecidos também em animais.
Na Inglaterra em 1993, estudo envolvendo 3240 homens e
mulheres mapeou que a hipertensão arterial estava relacionada com
nascimento de baixo peso. Em 1992, no País de Gales uma corte de
9921 crianças e 3259 adultos verificou-se a mesma relação. Em 1996
revisão de literatura feita por Law e Shiell levantou que os estudos
publicados envolvendo mais de 66.000 pessoas apontavam a mesma
relação. O mesmo se observou na Finlândia entre os nascidos entre
1924 e 1933, que eram 7086 pessoas na capital, o trabalho de
Eiksson e sua equipe em 2000 mostrou o mesmo que os anteriores.
Outro estudo em 2004, no mesmo país, realizado por Järvelin e
equipe, analisou que baixo peso é mais critico para homens para
desenvolverem hipertensão e a idade gestacional é o fator mais forte
para mulheres. Na Austrália 1417 crianças foram observadas, e
novamente a questão sobre o baixo peso indica tendência à alteração
da pressão arterial.
Quanto às doenças cardiovasculares, segue a mesma norma,
pelo que levantou estudo na Inglaterra entre os nascidos entre 1911
e 1930, em Hertfordshire, eram 5654, a relação baixo peso e risco de
acidente cardiovascular foi observada por David Barker em 1989.
Doenças vasculares foram responsáveis por 10,56% das internações
no Brasil em 2003, e tinha sido responsável por mortes em 46,21 por
100.000 habitantes em 2002.
O achado de circunferência abdominal fetal pequena ao nascer
e hipercolesterolemia na vida adulta é outra observação no universo
pesquisado por Barker, e depois confirmado por sua equipe também
entre os nascidos entre 1939 a 1940 em Sheffield.
A Diabetes do Tipo 2, a que atinge o adulto, foi observada na
Inglaterra em 1991 por Hales e equipe em relação a 468 homens
nascidos com baixo peso, ainda na Inglaterra, em Southampton 538
notou-se que crianças que tiveram grande aporte de glicose mas
pouca proteína no primeiro trimestre da gravidez nasciam de baixo
peso com placenta grande e eram as que desenvolveriam diabetes na
vida adulta, constatação feita por Godfrey e equipe em 1996. Em
Seul, Coréia, estudou-se 660 jovens e os nascidos de baixo peso
mostravam déficit da função insulínica. Novamente na Inglaterra
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Barker em 2002, observou que entre os 13 517 homens nascidos


entre 1924 e 1944 os de baixo peso desenvolveram diabetes, na
Suécia entre 11.162 gêmeos do mesmo sexo, nascidos entre 1906 a
1958, os nascidos de baixo peso é que tendiam a desenvolver
diabetes do tipo 2 foi o que observou Iliadou em 2004. Diabetes, no
Brasil, pelos dados do DATASUS atinge  7,60 da população entre 30 a
69 anos, em 2005, e era causa de morte na proporção de 20,77 por
100.000 habitantes em 2002.
Quanto a Acidente Vascular Cerebral em Helsinki na Finlândia;
dos nascidos entre 1924 a 1933, dados de 7086 nascimentos foram
cruzados com os de hospital da região, e o que se descobriu é que os
que haviam sofrido AVC eram os que nasceram de baixo peso e com
circunferência cerebral pequena, foi o que observou Eriksson e equipe
em 2000, enquanto no País de Gales foi feito um estudo que
relacionava o que havia de comum entre a incidência alta deste
problema lá, com a região do sudeste americano cuja proporção para
esta doença é 10 vezes maior que no resto do país. Os achados em
ambos os países eram os mesmos.
Na Holanda dos 300.000 vítimas da fome intra-uterina, uma
das coisas que chamou a atenção foi a obesidade, mas que apontava
para falta de alimento no primeiro e segundo trimestre é que se
relacionava com maior deposição para a obesidade, o mesmo foi
encontrado nas cortes enormes dos outros países. Quando o baixo
peso aparecia, outra cadeia de problemas estavam programados: a
hipertensão a doença coronariana, o AVC a diabetes. Quanto ao
déficit intelectivo, em Israel, Paz e colaboradores em 1995
observando 1758 adolescentes notou que nos exames de inteligência
os que tinham nascido com 1/3 do peso esperado tinham rendimento
pior. Na Holanda 813 crianças nascidas de baixo peso foram
acompanhadas até 9 anos, as de baixo peso ou prematuras, tinham
rendimento escolar inferior, em sua maioria, foi o que registrou Hille
e sua equipe em 1997. Na Suécia em 1998, Robson e Cline tiveram
os mesmos resultados em crianças seguidas até os 11 anos, e
revisaram a literatura que desde 1986, trabalhos em cidades
americanas, e no Canadá, já chamavam a atenção para isto, um
realizado em Cleveland acompanhou os nascidos entre 1977 a 1979,
dos nascidos de baixo peso 10% tinham anomalias neurológicas, e a
maioria tinha desenvolvimento cognitivo inferior. Dos acompanhados
até 3 anos por Hack e equipe em 1986, o mesmo resultado. No
Reino Unido, Strauss em 2000, dos que nasceram em 1970, 1064
tiveram suas medidas tomadas, logo após o nascimento, foram
acompanhados até 26 anos, os que tiveram suas medidas 1/5 menor
para sua idade gestacional mostraram um desenvolvimento
intelectivo bem menor do que para seus contemporâneos na mesma
classe social. Em Lahore no Paquistão, Cheung em 2001 notou que
dos nascidos entre 1984 e 1987, os prematuros e os nascidos de
baixo peso tinham dificuldades de coordenação fina e até os 3 anos
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de idade. Barker em 2005 notou que entre 4630 meninos, aqueles


que haviam nascido de baixo peso ou prematuros tinham o
desenvolvimento escolar mais baixo também.
Quanto a Esquizofrenia, em Estocolmo dos pacientes de um
hospital psiquiátrico foram checados seus históricos obstétricos, e o
baixo peso era fator de risco, pelo que notou McNeil e equipe em
1993. Já em Dublin um novo dado surgiu: a anomalia facial ao
nascer era encontrada em 95% dos 187 pacientes diagnosticados
com esquizofrenia, notação de Lane e equipe em 1997. Dos nascidos
entre 1924 e 1933 em Helsinki e seus dados foram cruzados com os
do Hospital Psiquiátrico a relação baixo peso, mais baixa
circunferência cerebral estava comumente no histórico dos que
desenvolveram a doença como demonstrou Wahlbec e colaboradores
em 2001. Num estudo Nacional Americano de nascidos entre 1959 e
1967, numa amostra de 12.000 crianças o que se verificou foi que
baixo peso, e mãe obesa durante a gravidez eram os fatores de risco
para esquizofrenia, foi o que concluiu Bresnahan em 2005. Mesmos
achados foram encontrados no Japão também através de cruzamento
de dados de 312 pacientes diagnosticados internados e históricos
obstétricos, comparados a grupo controle, por Ichiki e equipe em
2000. Então a “Hipótese de Barker da Origem das Doenças”, a
do “fenótipo frugal”, foi comprovada em múltiplos estudos em países
diferentes ao longo de anos.
Surgiram estudos com ratos, porcos, macacos, e os resultados
puderam ser replicados. A grande descoberta é que a privação e o
estresse no animal pode determinar menor cérebro para sua cria e
isto por mudança genética. O útero é o lugar em que se dá a
mudança epigenética. É grave quando olhamos os dados do
DATASUS, onde é informado que 8,27 dos nascidos em 2003 no
Brasil tinham peso abaixo de 2.500.
É importante saber como pode ser bem diferente se os cuidados
de alimentação forem seguidos, como um aumento de ômega 3, que
é encontrado em vários alimentos, especialmente no peixe, o não
deixar o estomago vazio, que produz náuseas, ingerir frutas, e
praticar exercícios, indicados ajuda a melhorar as condições físicas
para o parto. Quanto a como exercitar, o melhor é que seja algo mais
integrado, que permita a grávida meditar, além de melhorar suas
condições de articulação, tendões e vascularização, que ela consiga
ficar mais tempo em atividade cerebral em alpha, pois se sabe hoje
que se ela está em estado de relaxamento seu feto está mais
aceleradamente em estado de multiplicação celular, que tende a
diminuir se há estresse. Então práticas antigas como a Yoga, uma
prática de 6.000 anos que oferece esta possibilidade de melhorar a
flexibilidade a respiração, fundamental no crescimento fetal, e na
diminuição e facilitação do tempo de trabalho de parto, cada vez mais
vem sendo reconhecida nas últimas décadas no Ocidente. Existem
aplicações específicas desta prática para gestantes, com resultado no
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mundo todo. Lian Gong Harmonização da circulação do Qi e das


funções fisiológicas, melhoria do tônus e flexibilidade dos músculos,
tendões e ossos.
Qi Gong é parte do vasto sistema de Yoga Chinês. Sua prática
apresenta um aspecto chamado de "cultivo da vitalidade", onde se
enfatiza o preparo de um corpo saudável. Com o aprofundamento da
prática é possível direcionar o trabalho para o desenvolvimento da
vitalidade dos órgãos sexuais e reprodutores, que irão beneficiar o
casal, a gestante, e o bebê. Ainda mais, O Qi Gong pode proporcionar
uma abertura para estados meditativos onde seria possível
harmonizar os arquétipos do feminino no nível psíquico, contribuindo
para os processos de cura necessários à gestação e parto
conscientes. Além disto a grávida deve viver experiência com arte,
seja pintura, música, literatura, artesanato, que é tendência e desejo
naturais em muitas grávidas que jamais praticaram artes manuais. É
que este fazer combina com o que está acontecendo no corpo do
bebê, é como uma necessidade de sintonia que a mulher tem, além
do fato de permitir a ela o estado de relaxamento, tão precioso ao
crescimento do bebê. A comunicação mãe-feto, hoje tão estudada
prepara a mulher para uma harmônica comunicação entre mãe e
filho, o que é vital para a saúde de ambos nos primeiros meses.
Durante a gestação a sociedade deve proteger o casal o mais
possível, pois o que mais desestabiliza a mulher é sua eventual
desarmonia marital, e por seu turno o que mais desarmoniza o
homem são suas desestabilizadas relações de trabalho, é importante
que as leis sobre isto sejam revistas. Em geral nas pesquisas sobre
estresse gravídico a questão de vida do homem afeta em muito a
mulher.
Quanto ao comportamento criminoso: Adriane Raine em 1994
em Copenhagen dos nascidos entre 1959 a 1961, dos 4.200 meninos,
o índice de criminalidade era de 16%, se considerasse não terem sido
desejados por suas mães, mas se a isto se somasse um histórico
obstétrico violento ia para 18%, a população que tinha tido registro
criminal. Em Praga, em sujeitos nascidos entre 1961 a 1963,
avaliados quatro vezes, sendo que a última avaliação se deu ao cabo
de 30 anos, mostravam que eles eram ainda portadores de sérios
problemas com o meio. Foi o que revelou o estudo de Kubicka e
colaboradores em 1995. Na Inglaterra os mesmo números se
repetem, nos Estados Unidos indivíduos que haviam sido indesejados
foram acompanhados até 31 anos, e a questão de adaptação social
era dramática, e eles tendiam a espancar seus filhos, foi o que
observou Barber em 1999. No mesmo ano na Finlândia Räsänen e
equipe, observaram uma população de 11.017 sujeitos nascidos em
1966, que foram acompanhados até 28 anos, os de gravidez
indesejada eram os que custavam a andar e o nível de agressividade
era 9 vezes maior que na população geral. Entre os nascidos em
Estocolmo, numa amostra nacional dos nascidos em 1953, dos
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15.117, acompanhados até 30 anos, onde a combinação de pais


inadequados e complicações obstétricas predispunham a aumento de
atos violentos cometidos pelos sujeitos, como notou Hodgins e
colaboradores em 2001. Na Nova Zelândia Wakschlag e equipe em
2002, observa o mesmo numa população de 1265 homens e
mulheres. Brennan em 2002 estudou 8.112 homens e mulheres
nascidos entre 1959 a 1961 em Copenhagen, a rejeição materna,
abuso de drogas durante a gravidez, cigarro na gravidez,
complicações obstétricas, tendiam a gerar mais homens com histórico
criminal e mais mulheres internadas por excesso de droga. No
mesmo ano que saiu na Finlândia um trabalho feito por Koskinen
onde aparecia o resultado do cruzamento do registro nacional de
crimes, uma amostra de 5.589 homens observou-se que mulheres
que tiveram sua gravidez e vida solitárias, tinham mais chances de
filhos envolvidos em criminalidade.
Além da privação, o estresse, o consumo de álcool ou a
Síndrome do Alcoolismo Fetal descrita por Jones em 1973 quando
crianças de mães que abusavam de álcool tiveram seus filhos com
retardo de crescimento, anomalias craniofaciais, e disfunções do
sistema nervoso central. Quanto ao tabaco na gestação a correlação
que a literatura estabelece é com prematuridade e baixo peso entre
os nascidos de mães fumantes num estudo que avaliou 1428
crianças. Crianças entre 3 e 5 anos, e tanto meninos quanto meninas
tinham comportamento mais auto-destrutivo, e problemas com
agressividade em geral foi o que notou Hook e colaboradores em
2006. Numa corte de estudo em Pittsburgh de 448 jovens também
foi evidenciado comportamento agressivo relacionado ao tabaco na
gravidez, por Wakschlag e colaboradores em 2006. A literatura
também aponta para o risco de aborto e prematuridade, devido a
condição da nicotina afetar a angiogênese alterar a placenta, vários
autores já descreveram isto entre eles: Ejaz e col.em 2005,
Kurklund-Blomberg e col. 2005. Num estudo de acompanhamento de
22 anos notou-se o aumento de incidência de hospitalizações até
esta idade por várias razões: neuroses, doenças do sistema nervoso,
infecções respiratórias, infecções, acidentes. E as mulheres expostas
ao fumo em seu período pré-natal são mais sujeitas as complicações
obstétricas, como observou Dombroeski em 2005. Numa coorte de
4089 crianças acompanhadas por dois anos, nascidas de mãe que
fumaram durante a gestação, o que se observou foi a alta incidência
entre problemas respiratórios, e em especial asma, até dois anos
segundo Lannero e equipe em 2006. Isto é muito importante no
momento que estudo colhido pelo DATASUS em 2003 indicava que
esta era a segunda razão de causa morte no Brasil. Num
levantamento de nascimentos entre 2001 e 2002, onde a questão do
uso de tabaco durante a gravidez foi pesquisada, numa corte de
6.839.854 nascidos vivos, formam identificados 5171 recém-natos
com polidactilia, sindactilia e adactilia, e 10.342 controles, sem
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anomalias congênitas. O fator fumo estava associado ao aumento do


risco de anomalias congênitas nos dedos, foi o que descreveu Man e
Chang em 2006. Também na Dinamarca, numa corte nacional de
nascimentos de 19.972.003, o cigarro determinou um maior risco de
anomalia congênita notaram Morales-Suarez-Varela em 2006. Num
estudo dinamarquês longitudinal, de uma população de 170 crianças
e uma população controle de 3765 sujeitos. As chances de uma
criança ser hipercinética eram três vezes maiores se sua mãe
houvesse fumado durante a gestação foi o dado percebido por
Linnnet e colaboradores em 2005. Estudo na Finlândia de 12068
mulheres grávidas, dos que haviam cometido crimes um fator
constante em suas histórias obstétricas era o cigarro durante a
gestação da mãe.
Estudos de Salk em 1985 descobriram que estresse pré-natal e
perinatal estavam relacionados a 80% dos suicídios em adolescentes
Na Suécia Bertil Jacobson e colaboradores em 1987, 1988,
1990,1998/2000, descobriram o aumento do risco de homicídio,
suicídio e droga adição na vida adulta como conseqüência de
complicações obstétricas, e traumas perinatais, que eram da ordem
de 500% comparados ao grupo controle, sem intervenções
obstétricas. Isto ilustra as conseqüências no cérebro ainda em
formação de traumas ou respostas a drogas. Hoje esta relação foi
bastante estudada há uma literatura que vem seguindo estas pistas
sobre droga na vida adulta e uso de anestésico durante o trabalho de
parto.
Segundo o DATASUS os gastos com saúde eram 1,75 do PIB
em 2003. - o PIB per capta no país era  de 7.630,92  reais. Se
investimentos forem feitos para educação sobre o nascimento, numa
proporção pequena, as relações de custo mudariam drasticamente
em saúde, e por tempo indefinido. A situação fica mais grave ainda
se considerarmos que a receita do pagamento de aposentadorias e
pensões no caso do INSS é muito inferior à receita. No INSS a
despesa é da ordem de 7,0 % a 7,5 % do PIB e a receita de 5,0 % a
5,5 % do PIB, no caso dos servidores da União a despesa com
inativos é de 2,0 % a 2,5 % do PIB e a receita de 0,0 % a 0,5 % do
PIB. Em outras palavras, em ambos casos tem-se déficit entre gasto
com benefícios e recolhimento de contribuições da ordem de 2 % do
PIB, com a diferença crucial de que, enquanto que o INSS paga
benefícios a aproximadamente 20 milhões de pessoas, o déficit dos
servidores está associado aos pagamentos feitos a apenas 1 milhão
de aposentados e pensionistas. Nos últimos 10 anos o gasto com o
INSS aumentou em 2,5% do PIB, passando para 7,5% do PIB, sendo
que a tendência se acentuou nos últimos dois anos. Quanto aos
benefícios: do INSS em 2004 são 7,3% do PIB, representando 33,2
%, as despesas com inativos é de 2,4%, representando 10,9 % dos
gastos do Governo Central, segundo STN para 2004, do Ministério do
Planejamento. (base de dados do Orçamento da União de 2005). O
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número total de benefícios do INSS em dezembro de 2003 é de


21.533.817. Do total de aposentadorias 12.009.365, 6.156.779 são
por idade, portanto, a invalidez (2.381.922), e outras mais sem
especificação. Uma outra categoria separada da aposentadoria são
os acidentários (715.922), (segundo o Anuário estatístico da
Previdência Social (1994 e 2003) (GIAMBIAGI e colaboradores em
2004). Durante o ano de 2004 ocorreram cerca de 459 mil acidentes
do trabalho foram registrados. Comparado com o ano anterior, o
número de acidentes de trabalho registrados em 2004 aumentou
15,0%. (Anuário estatístico da Previdência Social de 2004). A
tendência a atos auto-destrutivos, como acidentes, está vinculada na
literatura à gravidez sob estresse e a fumo. O investimento em
educação nesta área seria vital para a saúde financeira do sistema
previdenciário.
Falar de gestação é tratar de um assunto tabu, a tal ponto que
foi demonstrado que na arte estes assuntos não são de “bom tom”,
para serem tratados. O escritor argentino Carlos Semorile, em seu
livro “Palavras Grávidas”, percorre a literatura internacional e se dá
conta que o assunto gravidez foi quase nada centro de tramas na
literatura internacional. Norman Gardner um prestigiado escultor
americano, ficou impressionado com as imagens do ultra-som de sua
neta, e fez esculturas com mulheres grávidas e bebês, foi impedido
de expor em galerias onde sempre havia exposto, demorou um pouco
a entender que havia tocado num assunto tabu, mas depois que
compreendeu resolveu pesquisar e encontrou uma escultura no
Metropolitan Museum of Art, de 1310 feita por um monge dominicano
sobre o encontro de Maria e Isabel, e ambas grávidas, e depois
percorrendo os acervos de vários museus do mundo, e livros de arte,
deu-se conta que tirante os desenhos de Leonardo da Vinci de um
feto no útero, uma pintura do século XIV encontrada na
Genakdegalerie, em Berlim atribuída a um mestre em Gefurt, e as
raras imagens médicas do mundo ocidental, e uma maior quantidade
delas no mundo oriental, até 1881, o mundo silenciou-se em
retratar estas imagens até Gaugin, e depois Picasso, em escultura e
Marc Chagal. Isto nos dá uma idéia do Ser Humano escondido e
esquecido, da falta de noção de comunicação da mãe com seu filho
no ventre, pois onde a arte de debruça, há sempre uma comunicação
sendo retratada.

3 – PARTO
O parto constitui um verdadeiro ritual de passagem. Neste
processo são “plasmadas” certas qualidades no âmago de uma
pessoa; novos atributos ficam como que impressos no seu
inconsciente. O nascimento é a primeira grande transição, imprime
profundamente no inconsciente do recém nascido noções que ficam
arraigadas para o resto da vida. Sabemos hoje, por exemplo, que
uma grande conseqüência do advento do parto hospitalar com
11

anestesia foi o surgimento de uma população de drogados. Drogas


existem desde a mais remota antiguidade, e as sintetizadas existem
desde o século XIX, mas a partir da década de sessenta houve um
considerável aumento de viciados em drogas, justamente na primeira
geração da História da humanidade a nascer sob sedação. Informes
de diversos países mapeiam correlações entre o surgimento do parto
hospitalar altamente tecnológico e suas sérias conseqüências como o
aparecimento de autismo, bulemia, anorexia, tendência a cometer
delitos, e dificuldade de socialização, tendência ao suicídio.
Pagamos um preço alto quando esquecemos que é necessário
honrar a natureza mamífera das parturientes. Para a Organização
Mundial de Saúde - OMS a cesariana não deveria exceder o total de
15% dos partos. A privação da experiência emocional significativa
que é o parto arranca do corpo mãe-filho uma qualidade de afinação
da sintonia relacional.
O que se chama hoje de medicina baseada em evidências,
coloca de maneira significativa em questão muitos dos procedimentos
utilizados pela medicina tradicional. No Brasil a atuação da Rehuna
(Rede pela Humanização do Parto e Nascimento) ajudou e muito a
que acontecesse a lei do acompanhante, colocando o pai neste
momento, ou se for o caso outro acompanhante, a Lei n° 11.108.
Portaria GM/MS n° 2.418, de 2005, hoje uma campanha nacional do
Ministério da Saúde, um direito garantido a todas as mulheres, nesta
campanha o Ministério da Saúde através de folders recomenda que a
presença do pai e a mãe em contato pele a pele na primeira hora de
nascido trás uma base melhor para a família, reconhece também que
o acompanhante tem papel significativo na redução do tempo do
trabalho de parto, assim como a redução do número de cesáreas,
outra campanha também do Ministério da Saúde, o que também
ajuda a redução da depressão pós-parto. Folder do Ministério
esclarece algo que a OMS também enfatiza, que as mulheres que tem
seu parto respeitado têm uma experiência especial e marcante para
suas vidas e dos seus filhos. Quando ocorre menos intervenções
desnecessárias o estresse no parto é menor, e consequentemente o
medo, o que aumenta a capacidade de lidar com a dor. Entre estes
procedimentos desnecessários estão o enema, que não traz nada de
bom, para mãe ou filho, e no entanto pode trazer necrose do reto,
mas mesmo a literatura de evidências sendo extensa os
procedimentos de “rotina” não se modificam, o mesmo vai para a
prática da manutenção da mulher em posição supina, ainda que se
saiba que isto aumenta a intensidade da dor,e também o esforço
cardíaco, diminui o retorno venoso, por compressão da veia cava, e
por isto diminuiu a oxigenação do feto, levando a sofrimento fetal.
Além disto esta postura desacelera o parto. O jejum, cuja justificativa
é que a mulher pode “aspirar o vômito”, mesmo que tal ocorra, o que
é raríssimo, se for ácido clorídrico puro, sem alimentos o risco de
lesão pulmonar é maior, mas esta é outra tradição nascida em 1946,
12

seguida fielmente até hoje. A aspiração está mais relacionada ao uso


de equipamentos inadequados ou falta de treino de quem os utiliza,
quando ocorre anestesia.
A fome durante o trabalho de parto resultar em cetose
(condição de fadiga da célula muscular), que altera a condição da
bioquímica do sangue e como conseqüência uma rápida diminuição
do glicogênio, que é a reserva energética do organismo, e a mulher
passa a usar a própria gordura como reserva de energia, e isto
também leva a diminuir a contratilidade uterina, e quando isto ocorre
o hospital administra ocitocina venosa. Tal como um maratonista a
mulher em trabalho de parto necessita de mais aporte de alimento,
ambos demoram mais a digerir alimentos sólidos, mas podem usar
alimentos líquidos que mantenham a glicose e eletrólitos no sangue
circulante.
Outro elemento da rotina hospitalar, é que alguém num
hospital deve ter sempre uma veia de acesso pinçada através de um
equipo de soro, que no caso estará gotejando glicose, o que estará
aumentando a dor da mulher, pois a glicose na circulação provoca
queda do limiar doloroso, e de permeio estará fazendo o bebê nascer
com hipoglicemia, pois ele, assim como sua mãe, jogará mais insulina
na sua circulação para se proteger desta glicose excedente vinda do
sangue da mãe, pois a quantidade de glicose que entra em seu corpo
pelo equipo de soro, é maior do que ela tomaria, se pudesse escolher
bebidas como sucos de fruta. Afora o fato de a quantidade de líquido
que entra no corpo da mulher que recebe alimentação parenteral é
muito maior do que a que uma parturiente tomaria como alimentação
oral. E esta situação pode levar a desequilíbrio eletrolítico, arritmia
cardíaca e edema de pulmão. A falta de proteína na alimentação
parenteral, que é consumida durante o trabalho de parto leva a que
no sangue da mulher ela fique com um balanço nitrogenado negativo,
que é a condição de fome extrema. Além ainda, o equipo de soro na
pele da paciente aumenta o risco de infecção hospitalar. Se
permanecer muito tempo o equipo, as chances de flebite são
grandes. Como a esta altura com tantas intervenções no processo
mamífero de nascer, que implica pouco ruído, intimidade, escuro e
nenhuma intervenção, as contrações vão escasseando, aí entra a
idéia de usar ocitocina sintética.
O que segue é a ruptura de bolsa amniótica, um procedimento
feito para acelerar o trabalho de parto, porém pode trazer
complicações como a infecção através de instrumento e mesmo
prolapso de cordão. Sem o líquido amniótico, a pressão que a
contração uterina faz sob o cordão umbilical leva a um menor aporte
de oxigênio para o bebê. Esta técnica foi trazida em 1700 com a
entrada do homem como parteiro, junto com a idéia de que
apressando a natureza tudo fica mais correto.
O trabalho de parto tem um complexo envolvimento hormonal
de 12 hormônios: β-endorfina, estrogênio, progesterona, hormônio
13

de liberação de corticotrofina (CRH), hormônio corticotrófico-


hipofisário (ACTH), adrenalina, cortisol, noradrenalina, prolactina,
prostaglandina, relaxina. Sendo a ocitocina muito importante,
conhecida como o hormônio do amor como lhe denominou o obstetra
Michel Odent, é talvez o hormônio humano mais estudado no mundo,
está relacionado ao altruísmo (fundamental para superar a dor neste
momento), é o hormônio que permite ao mamífero esquecer de si
próprio em nome de outro. Ele pode determinar num primeiro
momento a contratilidade uterina, e inclusive a qualidade de prazer e
analgesia da contração. Sabe-se hoje que o feto também produz
próximo ao nascimento ocitocina o que ajuda a mãe no processo do
parto, e este hormônio ainda é encontrado no sangue do bebê por
dias depois do nascimento. Isto porque a natureza prepara os dois
para o grande viver biologicamente e psicologicamente para o grande
apaixonamento. Procedimentos de intervenção nos 12 hormônios que
trabalham integrados afetam os níveis de ocitocina e interferem com
a vivência deste êxtase. Num segundo momento o vínculo mãe-
filho, estimula o sistema olfativo do bebê para que a amamentação se
dê de modo prazeroso, e o sinal para outros hormônios aparecerem e
fazerem o leite ir para os canais de saída, outro hormônio a
adrenalina vir a fazer o reflexo de expulsão da criança, e também
outros hormônios que farão o útero se contrair e parar de sangrar. É
também um hormônio que tem ação no sistema cardiovascular
reduzindo a pressão sanguínea. Num certo sentido a ocitocina seria o
hormônio regente, de uma orquestra hormonal em que abaixo se sua
batuta os outros emitem seus sons. Ela relaxa a mãe durante a
gestação repondo-lhe as forças, e volta a fazer isto de modo mais
intenso no pós-parto o que permite o aconchego entre mãe e filho, e
é um natural antidepressivo. As alterações de níveis de ocitocina no
parto estão ligadas a aparecimento de autismo, esquizofrenia, doença
cardiovascular, dependência de drogas e comportamento criminoso.
Outro hormônio da dança é a beta-endorfina, produzida pela hipófise
da mãe e do filho durante o trabalho de parto, tem a função de
diminuir a dor, ela está numa relação de dualidade com a ocitocina.
Faz inibição desta quando quer evitar trabalho de parto prematuro, e
também intervêm em fomentar a prolactina para que durante o
trabalho de parto seja preparado os seios para a amamentação, e
ainda ajuda o pulmão dos bebês a se tornarem aptos. As
catecolaminas aparecem no final, com força, quase fúria para o
reflexo ejetor do bebê, mas logo depois caem pois sua presença
aumentaria a hemorragia na mulher. O bebê também tem um
aumento deste hormônio ao nascer o que lhe permite uma adaptação
ao meio extra-uterino, que protege o cérebro do bebê de baixa de
oxigênio, ajuda na respiração, e também o tônus muscular. O bebê
fica alerta, ao primeiro contato olho no olho, a adrenalina nele ainda
é alta, cai, e vem ocitocina no contato mais prolongado. A prolactina
sobe logo depois do parto, e aumenta com a lactação a sucção e a
14

freqüência da sucção, quando ocitocina e prolactina estão juntas em


pico o estresse da mãe cai, e ela fica amorosa e entregue ao seu
bebê. Este hormônio também está ligado ao comportamento
materno, a supressão da fertilidade, e a estimulação da ocitocina,
alteração do sono, aumentando a fase REM, o que permite que a
mulher que amamente reduza sua necessidade de sono, reduz
também a temperatura corporal e cria natural analgesia e é
importante em estimular o sistema imune e diminui a libido. Ela tem
importante papel na maturação do cérebro do bebê, e está
relacionada ao porque a amamentação amplia a inteligência da
criança. Então quando entra o hospital com a ocitocina sintética as
contrações que ocorrem são insuficientes, não tem o ritmo natural,
não permitem o absoluto repouso uterino da ocitocina natural, e com
isto diminui o aporte de oxigênio ao bebê, aumenta de tal modo a
tensão no útero que pode rompê-lo, altera a função cardíaca do
bebê,diminui o escore de Apgar, aumenta as chances de ictérica
neonatal, hemorragia na retina do bebê, e lesão cerebral no recém-
nato de graus variados. O grave é que a ocitocina sintética é bem
menos eficiente do que a natural, e também não atravessa a barreira,
indo para o cérebro do bebê, não funcionando como hormônio do
amor para ele. Toda a atividade cerebral do bebê é melhor
estimulada pelo hormônio natural e não pelo sintético, como mostram
estudos de acompanhamento de desenvolvimento neuro-psiquico por
30 meses. Além disto a ocitocina sintética aumenta o risco de
hemorragia no pós-parto. E aí vem a questão que a indução acaba
por levar a dor insuportável, anti-natural, e segue-se a solução
analgésica, que irá atrapalhar todo o evento hormonal daquele
momento. Os opiáceos além de causar náusea, sedação, prurido,
hipotensão, depressão respiratória, afetam a função cerebral do
bebê, pois passam pela barreira placentária e hoje se sabe que
ativam áreas no cérebro mudando receptores que serão os mesmos
que respondem a canabis, o que explica a relação entre nascidos com
opiáceos e o tropismo por canabis. E este estado alterado ao nascer
afeta a formação de vínculo com a mãe, afeta a ambos. Se for feita
peridural, o que torna a movimentação da mulher impossível, e esta
movimentação é fundamental para o parto ser facilitado, a substância
que causa ao bloqueio inclui substâncias da família das
catecolaminas, e inibem as endorfinas naturais, que produziriam uma
certo nível de consciência alterado no parto, que passa a não ocorrer,
o pico de ocitocina natural também fica inibido, por isto facilmente
isto progride e dobram o uso de instrumentos como o uso de fórceps,
aumentam a duração do período expulsivo, o que aumenta o risco de
laceração de trajeto, assim como aumentam as chances de cesárea.
Um procedimento ainda mantido, não obstante toda a
condenação sofrida por Congressos e Organizações internacionais, a
episiotomia, que consiste num corte feito com tesoura de cerca de 3
a 4 centímetros, a maioria dos médicos sinceramente acredita que
15

este procedimento encurta a fase expulsiva, e com isto reduz as


chances do bebê ter privação de oxigênio, e que deste modo o crânio
do bebê fica protegido quando é empurrado contra o assoalho
pélvico, segundo eles a episiotomia previne a laceração de trajeto e o
permanente relaxamento do assoalho pélvico, que trás como
seqüelas a cistocele (queda da bexiga), a retocele e o prolapso
uterino. Outra razão é que a episiotomia mantém a tensão vaginal,
que interfere com a vida sexual, muitos médicos e estudantes de
medicina estão convictos disto. Que a episiotomia proteja o feto é
algo que não se provou ainda, que um nascimento sem episiotomia
resulta em prolapso uterino ou em fraqueza da musculatura uterina,
tampouco foi provado. Porém que o parto hospitalar com uso de
episiotomia leva a laceração de trajeto de grau 3 e 4, coisa que nunca
ocorre em parto domiciliar, foi provado, assim como graves lesões de
vida sexual depois de episiotomia, e inclusive lesão da criança, por
imperícia no uso da tesoura. Hoje há consenso internacional, e
orientação da OMS desde 1985, para que não se pratique mais, o que
não faz os seguidores da tradição abandonarem a prática. Também
inibe as catecolaminas da mãe, da fase final do parto, e da criança,
privando-a de tudo que este hormônio lhe traria, para respiração e
estado de alerta, e até queda da glicose no sangue.
Enquanto a bivocaína (anestésico utilizado na peridural,
derivado de cocaína), permanece cerca de 2,7 horas na mãe, fica 8
horas no sangue da criança. Também a produção de prostaglandina
fica alterada na peridural. Em animais como a ovelha, o uso desta
droga, faz as mães não reconhecerem seus filhotes. Nos humanos
não facilita muito o contato mãe-filho, pois vários hormônios que dão
intensidade a este processo foram desativados, retardando o
aleitamento.
A cesárea envolve um risco materno 4 vezes maior que o parto
natural, que é mais seguro, como diz o folder do Ministério da Saúde,
segundo este informe, também compromete o futuro reprodutivo da
mulher, pois em outra gestação podem ter má formação de placenta,
mais abortos, mais ruptura de útero, traz maior risco de
prematuridade, e de alterações respiratórias, a recuperação é mais
lenta, e mais sujeita a hemorragias, infecções e dor no pós-parto,
retarda o aleitamento materno. Aqui toda a harmonia dos hormônios
fica abafada. Em conseqüência há menor oxigenação cerebral no neo-
nato, estudos recentes listam pelo menos 11 hormônios cujos níveis
estão alterados nos bebês nascidos de cesárea, assim como
deficitários o sistema imune, além da flora intestinal, e têm mais
risco de asma e de alergias, os níveis de hormônios de estresse em
seus organismos custa a baixar. Afora a separação comum que ocorre
entre mãe e filho depois da cirurgia. O que faz a primeira mamada
ocorrer em média em 240 minutos, o risco de depressão de pós-parto
é bem maior.
16

Um estudo foi realizado por Lewis Mehl e col. em 1977 e


revisado em 1980, comparou 1046 partos domiciliares planejados,
com o mesmo número de partos planejados em hospitais, sendo que
as idades das pacientes assim como e status sócio-econômico e grau
de fatores de risco similares, Os partos em hospital tinham 5 vezes
mais incidência de aumento de pressão arterial materna, o que per si
indica um maior estresse materno, foi encontrado 3 e meia vezes
mais mecônio, 8 vezes mais distócia do ombro (que ocorre devido a
posição litotômica), 3 vezes mais hemorragia no pós parto devido a
pressa de extração da placenta. De 3 a 7 vezes mais foram feitas
ressuscitações nos nascidos em hospital, e 4 vezes mais crianças
tiveram infecção, 30 vezes mais sofreram lesões, 22 devido a
ferimentos causados pelo uso de fórceps: cefalohematoma (coleção
de sangue abaixo do escalpo, que é suficiente para causar anemia, e
que requer fototerapia e transfusão de sangue), fratura do crânio,
fratura da clavícula, paralisia do nervo facial, lesão do plexo braquial,
lesão nos olhos. Enquanto 5% dos partos domiciliares receberam
analgesia, a taxa nos partos hospitalares foi de 75%, embora
praticamente todas as mulheres dos dois grupos houvessem tido
aulas de preparação para o parto. Cesariana foi 3 vezes mais
freqüente nos partos hospitalares (8,2%) do que nos partos
domiciliares (2,7%). Foram feitas 9 vezes mais episiotomias nos
grupo do hospital e 9 vezes mais severa laceração de trajeto de
terceiro e quarto grau. O índice de mortes de criança era igual.
Depois do nascimento os procedimentos de banho, escovação
da criança, para retirada do vernix caseoso, que protege a pele do
bebê e deveria ser massageada, e depois o uso de vitamina K
injetável, quando o colostro (o primeiro leite) é rico em vitamina K,
mas a criança no hospital esta fazendo as rotinas, e elas não incluem
o aleitamento imediato, e depois pingar ou nitrato de prata ou colírio
antibiótico que dificulta seriamente a visão da criança, para
prevenção de cegueira por gonorréia, uma tradição dos anos 20.
Tudo isto da tradição carece de fundamentação científica. Hoje fala-
se em medicina baseada em evidência, na verdade isto é o que
deveria sempre a ciência ser, falamos de humanização do parto,
poderíamos também dizer trazer amor no ato máximo de amor da
vida que é o nascimento.

4 – AMAMENTAÇÃO
No Brasil, depois de eficazes campanhas de orientação
empreendidas pelo governo, foi possível reverter parcialmente um
quadro de supressão deste direito humano. De 1950 a 1980, o Brasil,
como muitos outros países, trocou o leite materno pelo leite artificial.
O resultado foi um aumento exponencial de alergias, problemas
emocionais e intelectuais. Ser amamentado, além de aumentar a
imunidade e a inteligência, fortalece o sentido de fraternidade. A
noção vigente de que competir é melhor que cooperar é uma
17

distorção da fisiologia. Talvez esta seja a mais grave seqüela da falta


de amamentação. Se o organismo de um ser humano funciona
normalmente é porque em suas entranhas as células sabem trabalhar
em estreita colaboração. Vida é colaboração. A competição gera falta
de ética, falta de boas condições ecológicas, predatorismo
desenfreado e seres que não sabem amar a si mesmo, ao próximo,
nem muito menos ao meio ambiente. O Brasil hoje é referência
mundial no resgate da amamentação, acabamos de atingir a licença-
amamentação por seis meses, prazo que pesquisas importantes
acreditam ser o mínimo necessário. A recomendação da OMS para
aleitamento exclusivo materno entre 4 a 6 meses existem desde
1979, mas este órgão em reunião em maio de 2001, dispôs a
resolução depois da avaliação de 3000 referências científicas.
Ficou claro que a amamentação exclusiva protege de infecções
gastrintestinais. Na Bielorrusia, Kramer e colaboradores em 2003
verificaram que em 2862 bebês foram comparadas crianças que
tiveram aleitamento materno exclusivo por 3 e 6 meses, e o que se
percebeu foi que, os de 6 meses eram mais protegidos contra
infecção gastrintestinal, infecção respiratória, tinham melhor
crescimento e menos eczema atópico. Os bebês que não têm
aleitamento materno tem 3 vezes mais chances de morrer de morte
súbita do neonato, foi o que constatou Mitchel e colaboradores na
Nova Zelândia em 1991. 80% das crianças amamentadas apresentam
estado nutricional normal, ao passo que só 43% das aleitadas
artificialmente tem este estado de nutrição, como aponta de Freita,
no Brasil em 1986. Em estudo no Brasil de Romieu e colaboradores
em 2000, onde 5182 bebês, entre 7 e 11 anos, a incidência de asma
e bronquite era muito rara nas crianças amamentadas, 90% das
mães tinham amamentado seus filhos, a incidência de asma era de
4%, e bronquite 11%. Na Austrália, Oddy e equipe em 1999, numa
corte de 2187 crianças, a amamentação por no mínimo 4 meses, era
um protetor para o risco de asma em crianças até 6 anos. O mesmo
resultado em relação à capacidade de prevenção que o aleitamento
materno confere para a asma, foi observado no Canadá, por Sharon e
To, em 2001, numa corte de 331.100 examinadas entre 12 e 24
meses. Em Estocolmo Kull e colaboradores em 2002, perceberam que
os sintomas de alergia, asma, rinite alérgica, dermatite atópica em
4089 crianças até 2 anos que haviam sido aleitada no peito
exclusivamente reduziu-se significativamente. O mesmo foi
constatado na Itália por Astarita e colaboradores em 1988, num
universo de 930 crianças. Na República da Bielorussia 31
maternidades receberam uma intervenção no sentido de incentivar a
amamentação, o que se viu foi uma diminuição de infecção
gastrintestinal e eczema atópico no primeiro ano de vida. A questão
da prevenção contra doença gastrintestinal também foi verificada por
Quigley e colaboradores na Inglaterra em 2006, numa amostra de
304 crianças, sendo que 137 grupo controle. Em Cingapura, pesquisa
18

com 797 crianças com idades de 10 a 12 anos verificou que a


amamentação protege as crianças de miopia, dificuldade visual que
atinge entre 70 a 90% da população deste país, assim como do Japão
e Hong Kong. Num estudo com 10.000 crianças, mais de 40% delas
não precisaram de tratamento ortodôntico. Também tendem a ter
menos problemas de fala, respiração pela boca e morder os lábios.
Quanto mais longo o tempo de amamentação. Crianças
amamentadas desenvolvem menos cáries dentárias, foi o que Buhl e
sua equipe na Alemanha verificaram em 1986. A otite média é 3 a 4
vezes mais comum nas crianças com aleitamento artificial.
Num estudo de Beber e equipe em 2001 verificou-se que a
amamentação por 6 meses protege contra linfomas de Hodgkin e
não-Hodgkin. Também para outros tipos de câncer, as crianças
amamentadas por até 6 meses tem metade de chance de
desenvolver qualquer tipo de câncer, foi o que percebeu Davis e
colaboradores em 1988. Um estudo na Tansmânia de 330 crianças,
percebeu que o aleitamento até 6 meses, estava relacionada ao
aumento de massa óssea, o que seria a melhor prevenção de
osteoporose na vida adulta, foi observou Riley em 2000. Um trabalho
na Nova Zelândia de Horwood e Fergusson em 1998, onde as
crianças foram acompanhadas até 8 anos, em um total de 1000
crianças, notou-se que o universo delas que recebiam amamentação
nesta amostra era composto de mães com mais idade, melhor
educação, as famílias tinham um estado socioeconômicas superior;
composta por pai e mãe a mãe não havia fumado na gravidez. As
crianças que foram amamentadas tinham maior aumento de peso
durante o aleitamento, em geral eram primogênitos. Os resultados
cognitivos ou educacionais eram superiores. Com vários ajustes na
amostra ficou claro que a amamentação era fator específico que se
relacionava com aumento do desenvolvimento cognitivo. O mesmo
resultado da melhora cognitiva foi demonstrado em outro estudo de
413 bebês, também no mesmo pais. Sobre nível de inteligência que
o aleitamento materno estimula foi constatado também na Hungria
em 1998. Em estudo em Copenhagen, Mortensen e equipe em 2002
notou que dos nascidos entre 1959 e 1961, 2280 foi dividida a
amostra em 5 categorias pela duração de aleitamento, o que se
observou é que maior tempo de aleitamento estava ligado a maior
desenvolvimento de inteligência. O mesmo foi notado em estudo na
Escandinávia envolvendo uma amostra de 345 crianças, estudadas
por Angelsen e sua equipe em 2001.
Estudo de Anita Ravelli em 2006 chama a atenção sobre os
300.000 indivíduos gestados sobre a fome na Holanda, uma coisa se
verificou: a amamentação materna, protege contra diabetes do tipo
2, hipercolesterolemia, pressão alta e obesidade. Na Universidade de
Glasgow na Escócia 32.000 crianças foram estudadas, e nesta corte a
obesidade era reduzida em 30% nos que tiveram aleitamento
materno. Outro estudo que fez relação de obesidade e aleitamento,
19

foi feito na Alemanha, com 9.357 crianças que foram acompanhadas


até 6 anos, um outro estudo no mesmo pais com uma corte de 2624
mostrou que o aleitamento exclusivo até 6 meses, protege da
obesidade. A mesma observação foi feita em estudo similar na
República da Tchecoslováquia.
Sobre obesidade vários estudos foram feitos, mas há um que
avaliou nos EUA num estudo sobre obesidade em mulheres na
Califórnia entre 1991 a 2002 e levantou as doenças que nesta
população incidiam: AVC, alguns cânceres, diabetes, doenças
hepáticas, síndrome do túnel do carpo, atrites, problemas de função
respiratória, apneia noturna, incontinência urinária, complicações
obstétricas, que em 2000, levaram a um custo de 21,678 milhões de
dólares por ano, incluindo custos hospitalares, perda de
produtividade, e compensações de trabalho, segundo o CDHS.
Numa pesquisa Nacional de Saúde na Austrália ficou claro que
mulheres obesas e fumantes tendiam a não amamentar. Quanto a
diabetes, estudo entre 10 a 39 anos entre índios nos Estados Unidos,
demonstrou que só dois meses de aleitamento, estariam na base da
alta incidência desta doença naquela população. Na Finlândia foi
notado que a introdução de leite de vaca cedo, estava associada ao
aparecimento de diabetes do tipo I. Num estudo na Inglaterra em
Hertfordshire, uma área rural dos nascidos entre 1920 a 1930,
também se verificou que a hipercolesterolemia era mais encontrada
naqueles que não haviam recebido aleitamento materno pelo prazo
mínimo de 6 meses. A hipertensão arterial, foi estudada no Reino
Unido, por Singhal e colaboradores em 2001, em 926 crianças entre
13-16 anos, e o aleitamento protegia do aumento de pressão. A
doença coronariana e relação com aleitamento foi estudada na
Inglaterra, por Martin e colaboradores em 2005 em indivíduos de 65
anos, nascidos entre 1937 e 1939, num total de 732, e o aleitamento
materno estava relacionado a um menor risco de doença coronariana.
Na Rússia, onde a taxa de crianças abandonadas entre 1987 e
1998, caiu de 66,1 por 10.000 habitantes, para 36,5 por 10.000 nos
seis primeiros meses de vida, pois houve incentivo das mães ao
aleitamento precoce, foi o que verificou Lvoff e equipe em 2000. O
afago é fundamental, e o contato olho a olho na amamentação e todo
o envolvimento proporciona um nível de relacionamento emocional
mais estreito com a mãe.O olho no olho permite que o hemisfério
direito da mãe programe o bom funcionamento do hemisfério direito
do filho, assim como o esquerdo da mãe, programa o hemisfério
esquerdo do filho, conferindo-lhe inteligência cognitiva e emocional.
Sabe-se que os pais que dão mamadeiras a seus filhos, tendem a
fazer com que as crianças logo as apóiem e muitas vezes, permitem
ao adulto uma outra atividade, e o contato fica bastante afetado. O
leite materno contém endorfinas, que aliviam a dor, de qualquer
evento que possa vir a produzir dor na criança. Em estudo em Boston
Gray em e equipe 2002 verificaram que crianças amamentadas no
20

peito tinham menor reação à dor de coleta de sangue para exame. As


sociedades primitivas menos beligerantes como exemplo os pigmeus,
são sociedades onde não há tabu ao aleitamento do colostro (o
primeiro leite, e o leite que aparece nos 7 primeiros dias), no parto
hospitalar no Ocidente ele tem sido evitado, e substituído pela
dolorosíssima injeção de vitamina K, o colostro é rico em vitamina K,
duas impressões ficam: não só a negação do momento primeiro de
contato olho a olho e o alimento, para quem acabou de vir de um
grande esforço físico, e está, se a mãe tomou no hospital glicose, a
criança costuma nascer com hipoglicemia e hiponatremia, então não
só o contato normal do mamífero, lhe é privado como o alimento de
que tanto ela precisa naquele exato momento. E mais, a criança no
hospital, passa por rotinas dolorosas, lhe ajudaria o leite materno
como analgésico. Mas nossa sociedade ainda tem um tabu disfarçado
do colostro, e isto só pode ser modificado, se informarmos os jovens
da importância disto, para a vida de seus filhos, e para a civilização.

5 – OS TRÊS PRIMEIROS ANOS DE VIDA


Este é o período que corresponde às fundações da saúde
mental e à estruturação do ego (centro da vontade, da determinação
e da auto-disciplina). Se um leão, fadado a liderar, precisa da mãe
por dois anos, o ser humana, sendo o mais complexo dos mamíferos
precisa de três anos de cuidados maternos e familiares para se
constituir de maneira íntegra. Países como Alemanha e Suécia estão
começando a rever suas políticas de licença-maternidade,
aumentando-a para mais de dois anos, isto porque já estiveram
contabilizando os prejuízos para a nação de uma geração de jovens
que não sabem o que querem, que não conseguem se estruturar para
deixar o lar paterno e começar a fazer seu próprio ninho, que se
colocam na vida como filhotes eternos e assumem um fraco
compromisso com o trabalho, preferindo utilizar suas energias em
diversões supérfluas e muitas vezes daninhas. Hoje, a geração que se
comporta assim é a geração da “creche cedo demais”. Ela tem sido
objeto de estudos por sociólogos no mundo inteiro. Muitos destes
estudos vêm dos países europeus, particularmente da Inglaterra,
demonstrando como se comporta uma geração inteira que não tem o
ego bem estruturado. Tais constatações têm forçado os países
europeus a rever suas políticas de nascimento devido ao triste preço
que estão pagando.
A teoria do vínculo desenvolvida pelo psiquiatra John Bowlby
desde 1950, Diretor do Departamento de Clinica da Tavistock na
Inglaterra, desde 1950, e Consultor de Saúde Mental da Organização
Mundial de Saúde, em 1951 ele descobriu que crianças privadas de
contato mesmo que em suas próprias casas, eram fonte de infecção e
muitas podiam correr risco de ter difteria. Na verdade foram feitos
filmes, um foi um documentário de 1952 A Two-Year Old Goes to the
Hospital, onde ele observa o que ocorre na separação de curta
21

duração de uma criança nesta idade. Outro filme da Tavistock estuda


crianças que ficam em sua casa sendo filmadas enquanto suas mães
estavam em hospitais às vezes para o nascimento de um filho. A
criança se mostrava agitada por um tempo, em protesto, depois
desesperada, inquieta, e depois começava a se desinteressar pelo
ambiente com um comportamento de negação da dor. Na
continuidade da privação finalmente adoecia de infecção do trato
respiratório. O que os filmes da Tavistock, uma das mais prestigiosas
clinicas de estudo sobre psiquismo infantil, descobriu nos anos 50,
não tem sido de conhecimento público até hoje, pois este percurso de
eventos ocorre na criança que é privada do convívio com a mãe,
antes dos 3 anos, sendo posta numa creche, ela em poucas semanas
adoece, os pediatras tranqüilizam as mães dizendo que isto é normal,
se falarmos da normalidade estatística sim, mas da fisiologia humana
é claro que não.
Há necessidade universal de vínculo, nossos parentes próximos,
os macacos, de quem nos distanciamos por 1% do código genético,
também tem necessidade de vínculo para manter sua saúde mental e
emocional. Os estudos de Harlow na década de 50 foram muito
ilustrativos na questão do vínculo. Ao nutrir macacos resus com
mamadeira em gaiolas metálicas a mortalidade entre eles só
aumentou. Ele introduziu na pesquisa a mãe substitua também
diferente com acolchoamento e não. A não acolchoada portava a
mamadeira, o macaco bebê ia até ela para o tempo de mamar, e
ficava com a acolchoada o maior tempo possível. Acompanhados até
a vida adulta verficou-se alteração no domínio da sociabilidade . E
que as fêmeas privadas de contato com suas mães desde o
nascimento não se ocupavam com suas crias.
Por 35 milhões de anos os primatas sobreviveram estando
próximos as suas mães na primeiras horas depois de nascidos. O que
as pesquisas sobre vínculo, com medições de onda cerebrais com
estudo de mímica e hormonal do bebê mostram; é que nenhuma
criança está pronta física e emocionalmente para suportar a
separação com a mãe logo após de nascido. O que ocorre é que se
sucedem o pânico, o desespero a depressão e a perda de imunidade.
E isto gera uma diminuição da imunidade.
John Bowlby fala da necessidade universal de consolidar
vínculos afetivos íntimos de ligação, buscando reciprocidade, o
vínculo humano na criança se dá quando ela está procurando
proximidade, rindo, e acontece se o adulto corresponde, e toca-a,
segura-a e tranqüiliza-a, estas respostas fazem a criança dirigir-se ao
adulto em natural resposta afetiva. Hoffer em 1995 já havia
percebido que a reciprocidade no relacionamento inicial é o coração,
o centro da pré-condição de desenvolvimento normal para os
mamíferos e humanos. Também pioneira nos estudos sobre vinculo
são Mary Ainsworth com trabalhos também iniciados em 1969 e
levados até 1985, primeiramente em Uganda depois nos Estados
22

Unidos estudou de modo sistemático as diferentes fases dos efeitos


da separação mãe-filho, e a seqüência dos efeitos do reencontro.
Também Blehar, Walters e Wall escreveram sobre o assunto em
1978. Estudaram em laboratório padrões de resposta em bebês e
seus pais. O que Bowlby demonstrou é como estes primeiros padrões
de relação se estruturam como protótipos de ralação para o resto de
nossas vidas. Isto foi muito estudado por muitos autores sendo que
muitos estudos surgiram nos anos 90, quando foram criadas, escalas,
medidas, conseqüências em padrões de comportamento
transgeracional, social, estrutura de temperamento, e muitas outros
elementos, que vão sendo percebidos a partir da expansão destas
pesquisas.
Pesquisas recentes realizadas no Hospital McLean identificaram
4 tipos de anormalidades no cérebro causadas por descaso com
relação ao vínculo ou abusos. Estes estudos confirmam os achados de
James W. Prescott e sua equipe nos anos 60 e 70, que percebeu que
a falta do afeto e da intimidade, no estágio bem precoce da vida se
associa a anormalidades de desenvolvimento cerebral. A lacuna de
afeto neste período se relaciona com violência e depressão na vida
adulta, segundo pesquisas reunidas por James W. Prescott, já havia
descoberto que a falha na relação de intimidade mãe-filho pode
determinar problemas nesta relação por muito tempo, e também na
capacidade desta crianças na pós-puberdade se relacionar criando
vínculos afetivos com seus parceiros sexuais.
James W. Prescott, foi um dos fundadores do Instituto Nacional
da Saúde da Infância e do desenvolvimento Humano, esta instituição
realizou vários estudos inter-culturais. Um dado importante foi que
80% das 49 tribos estudadas tinham perturbados os níveis de
vínculo mãe - filho no primeiro de vida, e eram as que cometiam
homicídio ou suicídio. Estudos publicados sobre estas pesquisas
foram publicados em: 1975, 1979, 1996.
Em 1956 Marcele Geber subvencionada pelas Nações Unidas
(UNICEF) viajou para a África, no Quênia e em Uganda. Descobriu
naquela região os bebês e crianças mais precoces que já vira.
Observou 300 bebês. Eles sorriam contínua e intensamente, até o
quarto dia de nascidos. As análises sanguíneas mostravam que o
hormônio do estresse, ligados ao parto, estava ausente na corrente
sanguínea deles no mesmo período, em verdade um fato relaciona-se
com o outro. Suas mães haviam dado à luz sozinhas, e os seguravam
e os massageavam constantemente, e cantavam e os carregavam
nus dentro de uma tipóia, próximo ao peito. Elas dormiam com eles e
os alimentavam no ritmo deles. Os bebês ficavam acordados por um
longo período, quase nunca choravam, sentiam suas necessidades
antes pela sensibilidade tátil, a mãe reagia a qualquer vontade do
bebê, que logo alcançava sua intenção. Entre seis e sete semanas,
todas as 300 crianças engatinham, podiam sentar-se sozinhas e
olhar-se por horas no espelho, o que nas crianças no Ocidente tal
23

capacidade espera-se com seis meses.Testes sensório-motores com


resultado pleno eram alcançados pelos ugandenses entre seis a sete
meses, que nos Ocidentais são atingidos no 15° e 18° meses. Com
dois dias sentavam-se retos, com equilíbrio da cabeça e olhando para
as mães, sorridentes. Quando na região apareceram hospitais, e
partos hospitalares, as crianças demonstraram o mesmo modo de
desenvolvimento infantil conhecido no Ocidente. Mas há um tabu na
tribo de Uganda, a mãe abandona o filho sem aviso de acordo com
um tabu, quando ele tem cerca de 4 anos, enviada para outra aldeia,
e criada por parentes, o choque é tal, e a depressão algumas não
sobrevivem. Aqui a criança é preparada para ter vinculação só com a
cultura, e o desenvolvimento de inteligência estaciona.
Outros estudos perceberam a relação entre violência (suicídio e
homicídios) e pouco contato mãe-filho nos cuidados até 2 anos e
meio, 77% das 26 tribos estudadas. (Prescott, 1996, 1997, 2001)
Os estudos foram ficando tão chocantes em seus resultados que
justificaram um ato nacional, então em 5 de dezembro de 1970, foi
realizada a Conferência na Casa Branca sobre a Criança. No sumário
das conclusões era entendido que era preciso haver 4 mudanças
primarias na vida para que culturas totalitárias transformassem-se
em mais igualitárias e pacíficas: A primeira era que a sociedade
deveria apoiar a mulher e seu filho para aleitamento ou permanência
juntos até que seu filho tivesse 2 anos e meio. Que a sociedade
deveria apoiar mães e pais, para que a criança pudesse ter todo afeto
destes no primeiro ano de vida. O terceiro tópico era que todas as
formas de imputar dor a uma criança seja física ou emocional como
forma de punição deviam ser eliminadas da sociedade, que começa
em muitas crianças pela circuncisão. A quarta a sociedade deveria
apoiar a emergência da sexualidade do jovem sem que isto fosse
motivo de punições.
Nos últimos 10 anos o conhecimento sobre o desenvolvimento
cerebral se expandiu vastamente e isto pode dar maior sustentação
de compreensão do desenvolvimento infantil. Hoje os estudos sobre
vínculos, se imbricam com neurociência, as questões sobre o
desenvolvimento do cérebro direto, as descobertas da psicopatologia
do estresse, os mecanismos pscioneurobiológicos e o
desenvolvimento da saúde mental da criança. Um dos expoentes
deste conhecimento é Allan N. Schore. Ele mostrou como a
maturação da área orbitofrontal do córtex, que é a executora do
hemisfério direito, é influenciada pela relação de vínculo mãe filho.
Ele tem demonstrado que nos dois primeiros anos de vida a
maturação do cérebro é controlada através da interação com o
cuidador. O cérebro do bebê se sintoniza literalmente com seu
cuidador para produzir neurotransmissores adequados na seqüência
correta de modo permanente e potente. A região do cérebro que se
mostra mais receptiva, a tal sintonia, ou modelo, determina a
arquitetura cerebral de modo definitivo e eficaz. A região do cérebro
24

que se mostra mais receptiva à sintonização é o hemisfério direito do


córtex cerebral; especialmente a região orbitofrontal. O
processamento do hemisfério direito é não linear, holístico, visual-
espacial, especializado em informação autobiográfica, envia sinais
não verbais, é intenso em emoções, tem conhecimento e regulação
do corpo, assim como o mapa do corpo, e entendimento social. O
desenvolvimento posterior é do hemisfério esquerdo, que amadurece
até o final do segundo ano de vida cujo processamento é linear,
lógico, lingüístico, especializado em causa e efeito, análise lingüística
e definições, certo versus errado. Uma ligação de vínculo mãe-filho
desenvolve e ajuda a organizar as funções cerebrais, segundo Daniel
J. Siegel e Mary Hartzell, eles perceberam que um vínculo seguro
gera uma reação interativa parental emocionalmente perceptiva e
responsiva, enquanto a que o inseguro-evitador, gera reação não
responsiva e rejeitadora, assim como o vínculo inseguro-ansioso tem
uma resposta no bebê inconstante, e o vínculo inseguro-
desorganizado, a resposta de luta e desorganização, desorientação.
Portanto, a maneira de relação da mãe-bebê vai fazer moldar um
padrão de resposta que pode seguir mais adiante na vida. Para este
cientista a forma mais importante de estimulação sensorial nos
primeiros anos de vida, moldam padrões de interação entre a criança
e a pessoa que a cuida.
Ocitocina e vasopressina são hormônios importantes no vínculo,
e são hoje considerados chaves para a base neurobioquiímica da
relação social, a literatura hoje mostra que complicações obstétricas
intensas e privação de contato com a mãe, ao afetar o cérebro do
recém-nato podem expô-lo ao autismo, como já observado por
pesquisador no Japão, Niko Tinbergen em 1983 e também Thomas R.
Insel em 1997. Prange e Pedersen demonstraram pela primeira vez
os efeitos sobre a conduta amorosa que a ocitocina provocava
injetando-a no ventrículo de ratas virgens em 1979 e observando-
lhes comportamento materno com filhotes. De lá para cá, mais de
centenas de artigos surgiram estudando este hormônio presente em
grande escala no parto no sangue da mãe e do bebê. Estudo suecos
demonstraram que depois do nascimento, antes da saída da placenta
no sangue da mulher a oxitocina chega ao seu pico máximo, que
corresponde ao intenso estado de êxtase amoroso, caso medicações
durante o parto não interfiram nisto.
Desde o desenvolvimento fetal, que o cérebro se utiliza para se
organizar de 50% do genoma, e depois do nascimento o cérebro não
para de fabricar sinapses até os três anos. Até os três anos o cérebro
do bebê terá formado bilhões de sinapses duas vezes mais que um
adulto, no mesmo período. Uma única célula pode conectar-se a
15.000 outras. Quanto mais sinapses possuir uma pessoa, mas
complexas e variadas serão suas redes neuronais e, deste modo,
mais brilhante e criativa será.
25

Uma grande energia é consumida na primeira infância para o


crescimento do cérebro, tal tarefa usa 70% da energia do
metabolismo basal no primeiro ano de vida, quando o cérebro atinge
70% da sua massa final, ganhando 600 gramas, sendo que ao nascer
em média o peso cerebral é de 400 gramas. No segundo ano o
crescimento continua, só que mais lento, e no terceiro ano o
crescimento segue ocorrendo dando ao cérebro 90% do peso que
terá na vida adulta. O que faz o cérebro crescer é objeto de estudo
na neurociência, e concluiu-se que é a relação amorosa com a mãe.
Estudos em animais e humanos apontam para o balanço de
hormônios como noradrenalina, serotonina e cortisol como
desempenhando papel importante no desenvolvimento cerebral e
influenciados de maneira significativa pelo olhar e pelo toque. Áreas
como o hipocampo, responsável pela empatia e a área do córtex na
região orbito-frontal, ligada à capacidade de adequação emocional,
são áreas que muito expressivamente têm seu desenvolvimento
influenciado pela relação mãe-filho nos 3 primeiros anos de vida.
Sabe-se que o sentimento de vergonha experimentado com
freqüência por criança por volta de 18 meses, faz alterar o curso de
desenvolvimento cerebral.
Andrew N. Meltzoff, estudou detalhadamente a relação de
imitação do recém-nato ao rosto adulto a sua frente, na verdade hoje
com tecnologia de ultra-som já se sabe que ensaios disto começam
dentro do útero. O que este pesquisador percebeu é que o
desenvolvimento do cérebro humano depende desta imitação, o ato
de imitar é dentre outras coisas um importante exercício de memória.
A criança percebe o rosto do adulto como um espelho que comunica
para ela sobre ela, portanto é fundamental como aprendizado de
auto-estima. Meltzoff e Moore em 1992 estudaram a imitação facial
em bebês de 6 semanas até 3 meses. As crianças tendem a imitar
suas mães mais que a estranhos, os bebês imitam expressões
estáticas e dinâmicas, e a imitação não desaparece entre 2 a 3
meses, como se supunha.
Na verdade só na década de 60 é que médicos e psicólogos
começaram a acreditar que o cérebro dos bebês eram desenvolvidos
além do primitivo. Até que Robert Fantz em 1960 confirmou a
capacidade do recém-nato de ver, com uma engenhosa câmara. Os
bebês são capazes de reconhecer e selecionar formas. Estudando
centenas de bebês, eles olham mais demoradamente para figuras do
tipo círculo e faixa, sobre superfícies lisas. Eles preferem padrões
complexos à padrões simples, e preferem curvos à retos, preferem
faces regulares, preferem movimento, e têm memória visual,
inicialmente a atração é intensa, mas em minutos perdem o
interesse, outros mantém a atenção por até 10 minutos. A visão do
recém-nascido é melhor à distância de 20 a 25 centímetros. Se uma
mãe de um bebê de 8 dias colocar uma máscara no rosto, o bebê
perceberá a mudança e olhará para ela frequentemente durante a
26

amamentação, o mesmo bebê tomará menos leite, e quando


colocado para dormir terá um sono inquieto, e dormirá por menos
tempo.
Antes de nascer a capacidade do recém-nato de ouvir é grande,
ele distingue entre sons, a intensidade das vozes, sons familiares e
não, e localizam a direção do som. Preferem vozes agudas,
instintivamente o lingüista Charles A. Ferguson percebeu que
universalmente os pais falam de modo mais agudo com seu recém-
nascido, e produzem sons que são sílabas, independente da língua
que falam, e a isto repete o bebê. Como foi pesquisado por deCasper
em 1980 escolhem o que querem ouvir, com instrumento de
laboratório. Crianças se angustiam se a voz da mãe estiver vindo
aparentemente do rosto de outra mulher. Recém-nascidos têm visão
tridimensional e uma coordenação rudimentar entre mãos e olhos.
A especialista em tratamentos de bebês de alto risco, como
analista, Myriam Szejer, confirma os achados de deCasper em sua
vasta experiência em centros de neonatologia afirma que: em
primeiro lugar o bebê reconhece a voz da mãe preferencialmente ele
manifesta que a entende melhor que a outras vozes, em segundo
lugar o bebê reage mais quando a mãe lhe fala do que quando se
dirige a outras pessoas, em terceiro lugar, assim como o feto o
recém-nato reage aos pensamentos da mãe, quarto, o bebê reage a
uma estória ou música conhecida, do que o que ouve pela primeira
vez especialmente se provocou na mãe um sentimento de bem estar.
Os bebês têm receptores de tato, temperatura, textura,
umidade, pressão e dor, desenvolvidos, os lábios e as mãos têm o
maior número de receptores do tato. Quanto ao paladar não gostam
de salgado, ácidos e amargos, e prazer com algo levemente
adocicado. São capazes de reconhecer odores, o pesquisador Adrian
Macfarlane na Inglaterra pesquisou isto, reconhecem o leite da mãe
numa gaze, aparentemente respondem ao cheiro da mãe e não
necessariamente do leite. São capazes de combinar informações
vindas de dois sentidos. Dois pesquisadores franceses Amiel-Tison e
A. Grenier, perceberam que no estado de inatividade alerta, tendo
seus pescoços relaxados, um em cada dois são capazes de alcançar
objetos com poucos dias de nascidos. São capazes de imitar caretas
as mais diversas, se num grupo, imitam de volta especificamente
quem fez a dita careta, como demonstrou Marshall Klaus numa aula
na China. Imitam expressões de tristeza, felicidade e surpresa. Este
autor cita um ditado maia: “No bebê está o futuro do mundo. A mãe
deve segura-lo apertado; assim ele saberá que o mundo é seu. O pai
deve leva-lo à montanha mais alta; assim ele poderá ver com o que
o seu mundo se parece”
Embora os primeiros experimentos sobre dor no recém-nato
tenham ocorrido em 1920 e 1930 na Universidade Columbia, e em
1940 voltaram a fazer no Hospital de Nova York, e depois em 1970
na Escola de Medicina da Universidade de Washington, e muitas
27

outras por outros países, e Anand em 1987 demosntrou de modo


inconsteste a presença da sensibilidade dolorosa na criança. Mas
ainda há médicos que não usam anestesia em recém-nascidos.
Peter Wolff psiquiatra infantil em Boston fazia anotações de
longos períodos das ações dos bebês, acordados ou dormindo. Pela
mesma época, sem saber destas observações Heinz Prechtl fez
estudos semelhantes na Holanda, acrescentou estudos sobre
freqüência cardío-respiratória e ondas cerebrais. Estes autores com
suas detalhadas descrições levaram à descobertas importantes. Eles
classificaram os padrões de estado de vigília ou sono do bebê. Dois
estados de sono: tranqüilo e ativo, e três estados de alerta:
inatividade alerta, alerta ativo, choro. O estado de torpor é uma
transição entre o sono e a vigília. Cada um dos estados é
acompanhado por padrões de comportamentos específicos e
individuais. No estado de inatividade alerta os recém-natos nos
escutam sem se mover, os olhos estão totalmente abertos e
luminosos, neste estado brincam, eles podem seguir uma bola
vermelha, selecionar figuras e até imitar a face da mãe. Logo após o
nascimento não traumático os bebês têm um período de inatividade
alerta de 40 minutos, em média. durante este período olham
profundamente para os olhos da mãe e pai e podem responder à
vozes. Durante a primeira semana de vida o bebê normal passa
aproximadamente dez por cento das 24 horas no estado de alerta
ativo, onde sua curiosidade fica evidente, aparecem movimentos
freqüentes, os olhos olham em torno e o bebê emite sons, este
estado aparece antes de se alimentar, e quando ele está inquieto, os
movimentos ocorrem num ritmo em geral de a cada 2 minutos. O
estado de choro comunica em geral desconforto, os olhos podem
estar abertos ou fechados, o rosto se contorce e pernas e braços
movem-se vigorosamente. Quando a mãe segura o bebê em pé, esta
posição dá novo enquadramento para ele, e parece ser o colo e o
movimento para a nova posição que propiciam a calma. O estado de
torpor ocorre quando o bebê está acordando ou adormecendo,
geralmente não focalizam nada, ficam com olhar apático,
ocasionalmente franzem as sobrancelhas, mexem os lábios, as
pálpebras pendem e podem antes de fechar os olhos eles girarem
para cima. Eles dormem 90% do tempo, inclusive durante a
amamentação. Metade é passado em sono tranqüilo, metade em
sono ativo, que são estados que se alternam a cada 30 minutos. No
sono tranqüilo a face do bebê está relaxada e as pálpebras fechadas
e imóveis, não há movimentos corporais, excetos alguns sobressaltos
e movimentos da boca, a respiração é muito regular. No sono ativo,
os olhos fechados flutuam entre aberto e fechados, nota-se o
movimento dos olhos sobre a pálpebra (fase REM).
Marshall Klaus e Phyllis Klaus estudaram muito os recém-
nascidos. E descobriram que se uma criança nasce em condições de
luminosidade, silêncio, e manuseio diminuído, rapidamente começam
28

a se adaptar e em 6 minutos de nascidos estão com os olhos bem


abertos. Em seus livros com inúmeras fotos demonstram estes
estados descritos.
Num estudo de Dale F. Hay e colaboradores em 2003, na
Inglaterra, 122 famílias foram acompanhadas, crianças foram
acompanhadas até 11 anos, as mães que tiveram depressão no pós-
parto seus filhos tendiam a ter comportamento mais violento, mais
hiperativo e com tendência a raiva.
Lee Salk em 1985 comparou os registros de 52 suicidas
nascidos entre 1957 e 1967, com outros 104 de um grupo controle,
constatou que os primeiros não haviam contado com atenção pós-
natal, eram filhos de mães que haviam tido problemas respiratórios
durante a hora seguinte do parto.
Nos Estados Unidos num programa de Desenvolvimento de
Saúde foram acompanhadas 985 crianças por 36 meses, observou-se
que as crianças nascidas de baixo peso tinham problemas no
desenvolvimento intelectivo e emocional, eles foram auxiliados pelo
programa e foram auxiliados no vínculo mãe-filho, e acompanhados
até 8 anos, aqueles que durante o primeiro ano tiveram uma melhora
da relação mãe-filho tiveram melhores escores.
A percepção das necessidades das crianças é matéria de
estudos recentes, que justificou até mesmo o aparecimento de
legislação sobre o assunto. Como demonstram as leis: só em 1908 na
Inglaterra, é que o incesto passou a ser considerado delito criminal.
Mesmo que as taxas de abuso sexual ainda permaneçam altas no
mundo Ocidental, cerca de 60% para meninas e 40% para meninos,
estes números são decrescentes em relação aos séculos passados; a
criança então não era vista nem como humana, mas como um ser
para ser usado e abusado. Na Europa, os adultos acreditavam que as
crianças de até 5 anos eram incapazes de lembrar dos eventos antes
ocorridos; isto significava que podiam ser molestadas sem que isto
lhes causasse dano. A prostituição de crianças até o século XIX era
comum nos prostíbulos de Londres, Viena, Paris, e nas Américas.
A Sociedade Protetora das Crianças foi fundada entre 1865 e
1870 na França, e nesta mesma época a Sociedade Protetora dos
Animais possuía mais membros. Na Inglaterra uma Sociedade para
Prevenção da Crueldade contra Crianças só apareceu em 1885.
Em 1866 na França, foi publicado o primeiro livro que
encorajava os pais a cuidarem de seus bebês. Na mesma época
surgiram leis na França proibindo o abuso a crianças. Nos E.U.A. as
primeiras legislações sugiram em 1912. Mas só em 1957 as Nações
Unidas criam a Declaração Universal dos Direitos Humanos das
Crianças. Somente em 1969 a Suprema Corte dos E.U.A. passou a
dar à criança o status de pessoa, dentro da Constituição Americana;
até então elas eram vistas como propriedade legal dos pais. Em 1989
a Convenção dos Direitos Humanos da Criança foi aprovada em
Assembléia Geral das Nações Unidas, porém não foi ratificada pelos
29

E.U.A. e a Somália. Os signatários reconhecem os direitos da criança


como seres independentes e livres de pensamento, que devem ser
protegidos legalmente de exploração econômica e sexual, e de
práticas tradicionais de mutilações genitais. Também determina que
uma criança não pode ser executada, esta é uma das maiores razões
para os E.U.A. não terem assinado o tratado, visto que lá menores
são condenados à pena capital.
Dados de psico-história demonstram que: até o século XIV na
Europa a criança era vista como um ser diabólico que precisava ser
adestrado para adquirir a forma humana. Nesta época surgiram os
manuais de punições para conseguir efeito “humanizador” sobre as
crianças. Os pequenos com freqüência eram imobilizados. O primeiro
pediatra que se demonstrou contrário a tal prática foi William
Cadogan, na Inglaterra no século XVIII. Ele percebeu que as crianças
até 3 anos necessitavam de cuidados, mas ainda entendia que era
preciso mais que tudo controlar as crianças; o mundo emocional das
necessidades infantis ainda não era conhecido. A prática de atar
bebês, comum na Europa até tempos recentes, início do século XX,
resultava em retardo social, e motor, e profundos déficits do
desenvolvimento emocional, podendo gerar comportamento anti-
social grave na vida adulta.
A idéia de amor de família e de amor materno, só surgiu na
literatura na França no século XVIII.
Dados de psico-história relacionam de forma inconteste maus
tratos à criança e sociedades violentas, em estudos que remontam à
Idade da Pedra, e que passam pelas antigas civilizações do Egito,
Grécia Antiga, Roma Antiga, e chegam a nosso passado recente, à
maneira como foi educada a geração que ergueu o nazismo na
Alemanha. “Peritos Pediatras” amplamente lidos pela população
aconselhavam medidas como: as crianças devem ficar separadas da
mãe nas primeiras 24 horas de vida, precisam ser tratadas com rigor
tão logo nasçam, e muitas outras idéias, as mesmas vigentes na
população da Iugoslávia adulta nos anos 90... Hoje a documentação
significativa que a psicohistória nos traz não deixa dúvida que para
cada evento bárbaro cometido por uma geração de indivíduos,
encontramos nessa mesma geração histórias de negligência, ausência
de afeto e abuso na infância como práticas comuns. No plano
individual os achados das pesquisas se repetem revelando que
indivíduos que se tornam violentos na vida adulta, trazem a marca de
abuso e negligência na infância.
Segundo a UNICEF: O Brasil está em primeiro lugar no mundo
em exploração sexual e comercialização infantil - 600 mil crianças no
Brasil, em 2000 foram vítimas. Na época a população era de
169.590.693 habitantes. Em segundo lugar a Índia com 450 mil
crianças, país que, em 2000, tinha 1,013 bilhões de habitantes,
terceiro os Estados Unidos, que possuíam, naquele ano, 300 mil
crianças entre 281.421.906 habitantes, e em seguida a Tailândia que,
30

na mesma época, tinha 61,4 milhões de habitantes e 200 mil crianças


e, nas Filipinas são 100 mil e 82.841.518 de habitantes. Os demais
países de uma longa lista estão abaixo de 100 mil crianças.
Programas de prevenção como no Michigan gerariam uma
economia para os estados na proporção de 19 vezes em relação a
continuar a não cuidar das mulheres desde a gravidez e das famílias
onde existe violência.
O trabalho infantil só foi legalmente abolido nos E.U.A. em
1938, e a Organização Internacional do Trabalho indicou que em
2002, 110 milhões de crianças com menos de 15 anos trabalhavam
em péssimas condições de trabalho, e cerca de 250 milhões de
crianças estavam submetidas a trabalho escravo.
A Suécia foi o primeiro país do mundo a olhar para criança e a
adotar medidas de proteção, a mulher e a criança, este país está
longe de guerras há 200 anos. Lá é crime desde 1979 espancamento
de crianças por seus pais, e esta lei já foi adotada por mais 13
países., e tem a fama errônea de ser o país com a maior incidência
de suicídio, o que não é verdade. É que eles têm o mais rigoroso
controle deste assunto, o que os suecos consideram tentativa de
suicídio, na maioria dos países é visto como acidente, e em muitos
países cristãos acontece como no Brasil, falseamento real do dado em
função das práticas religiosas que são negadas aos falecidos deste
modo.
Outros países onde é crime a punição corporal à crianças até
2004 são: Finlândia, Noruega, Áustria, Chipre, Dinamarca, Latvia,
Croácia, Alemanha, Israel, Islândia, România, Ucrânia, por ordem
cronológica. Legislação similar está prestes a ser promulgada em 12
países, e está sendo elaborada legislação sobre o mesmo assunto em
80 países.
Na Suécia, desde 1998 as mães têm direito a 450 dias de
auxílio maternidade. A Alemanha aumentou sua licença-maternidade
para próximo a dois anos.
As cada vez mais numerosas pesquisas realizadas sobre vinculo
afetivo e apego indicam que as boas mães têm que ficar em casa se
não quiserem prejuízos permanentes em seus filhos. No Brasil em 29
de março de 2005, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil
teve uma proposta encaminhada por Roberto Busato da Sociedade
Brasileira de Pediatria, a minuta de projeto de lei propondo a
ampliação da licença maternidade para seis meses, como se mostra
necessário para amamentação segundo a OMS, ocorreu uma parceria
entre a OAB e a SBP, cuja proposta esta sendo analisada em quatro
comissões: Comissão Nacional dos Direitos Humanos, Comissão
Nacional dos Direitos Sociais, Comissão Nacional da Mulher
Advogada, Comissão da Criança e do Adolescente, e foi aprovada.
O Brasil viu nos últimos três anos seu número de aposentados
por invalidez aumentar três vezes, principalmente entre homens
jovens, e seis vezes se considera somente os servidores civis
31

federais. O importante deste dado, mesmo que envolva elementos


escusos, é que ele aponta para um padrão de comportamento
geracional também observado na Europa, nos Estados Unidos e
Japão, onde jovens que conseguem burlar o sistema recebem uma
aposentadoria e desfrutam de uma vida isenta de “preocupações”,
dispensados de assumir maiores responsabilidades.
O escritor Jean Paul dizia que nos três primeiros anos de vida
um homem aprende mais sobre a vida do que nos três anos
acadêmicos, Carl Gustav Jung também entendeu que a importância
dos primeiros anos de vida, e hoje mais e mais educadores e
pesquisadores concordam com isto. Aqui estão os alicerces. Na
verdade este é o tempo de filhote do ser humano. Todas as espécies
que habitam este planeta tem suas vidas calculadas por fatores
aplicáveis seja pelo tempo de desenvolvimento do seu esqueleto, ou
da menarca da fêmea, multiplicada por uma variável diferente para
cada cálculo. Pode haver alguma diferença entre um cálculo ou outro,
mas no menor deles o ser humano deveria viver 120 anos, e porque
ele é a única espécie que não cumpre seu natural ciclo biológico?
Bem provavelmente, porque é o único que tem tal descuido para as
necessidades de seus filhotes, além de atrapalhar bastante seu modo
de nascer. O tempo de filhote de uma espécie é percebido pelo tempo
que um ser é capaz de sobreviver sem ajuda dos pais. Já foram
encontrados na natureza crianças sobreviventes de catástrofes
sozinhas por um tempo com 4 anos, mas com três para menos não
quase nunca. Então o filhote humano é o único dos filhotes
mamíferos que é deixado com razões de lógica exótica, pois é
entendido que o tempo dele de “independência” é mais cedo, e isto é
resolvido segundo os interesses envolvidos, e nada tem a ver com a
biologia.
Para ensinar ao filhote humano, que é mais sofisticado, precisa
de mãe e pai, na verdade estas díade corresponde na mente da
criança a deus, ambos tem papel importante. A quebra desta díade
antes dos 3 anos é bem catastrófica, lesa a própria fé na vida, toda
separação é vista pela criança como abandono, devido ao fato dela
ser errada, pois não tem nem como dizer eu, fala de si mesma na
terceira pessoa, e entende que os pais são deuses, e deuses não
erram, portanto, ela é quem foi a razão do abandono, e mesmo se há
morte, ela também vê como abandono, e algo em sua alma se
quebra, às vezes para sempre. As coisas para ela se dão com dois
sentidos bem e mal, nesta idade não há pensamento abstrato nem
relativismo, mas há animismo, e deste modo pode-se ensinar o que
deve e o que não deve ser feito, através do animismo, a capacidade
da criança de emprestar para as coisas sentimentos. A saúde da
criança tem suas origens nas angustias dos pais. É importante
lembrar que tudo o que um pai e mãe viveram com a mesma idade
pode voltar sob a forma de sintoma. Hoje com as modernas
descobertas sobre memória celular, corporal, por Candice Pert, em
32

1999, que descobriu que as moléculas de memória se encontram por


todo o corpo, faz a compreensão porque um dado traumático ocorrido
em algo que um pai escutou aos 2 anos, pode na mesma época de
dois anos no filho homem causar uma otite. É importante lembrar
que a energia da criança é cinética, ela expressa no corpo o que não
pode elaborar de outro modo, seja adoecendo seja se tornado
agitada. Agitação de uma criança desta idade é igual a angustia, e o
motivo de angustia de criança é sempre o mesmo: abandono da mãe,
ou do pai ou a quebra desta dupla que deveria ser um só bloco.
Nossa sociedade nunca viveu o tempo que deveria como
espécie, nunca também cuidamos de nossos filhotes como
deveríamos, estamos agora alertados pela ciência de como
precisamos estar atentos para podermos ter saúde, o que precisa ser
feito pelas crianças até no mínimo os três primeiros anos de vida.
Agora urge informar, e escolher um melhor destino para a
humanidade.

A Tese estará na íntegra nos sites:


www.cienciadoiniciodavida.org (em breve)
www.science-beginningoflife.org (em breve)

MAIS INFORMAÇÕES E BIBLIOGRAFIA:


Na tese: “A Necessidade do Ensino da Ciência do Início da Vida”

www.pensamentoecologico.org
www.casadodespertar.org
www.wombecology.com
www.birthpsychology.com
www.freebirth.com.