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A Teoria Cognitiva Comportamental assim como a psicologia vem

evoluindo ao longo do tempo e trazendo consigo propostas psicoterapêuticas


mais refinadas dentro do cognitivismo e comportamentalismo, assim podemos
abordar as três gerações da TCC. A primeira geração sendo puramente
comportamentalista se deu através de estudos de Pavlov sobre a utilização de
condicionamentos clássicos e condicionamentos operantes de Skinner,
realizando aplicações comportamentais no tratamento de transtornos e desvios
de comportamentos, negligenciando outros aspectos do ser humano. Com a
dificuldade em lhe dar com aspectos além do comportamento, houve a
necessidade em ser criada a segunda geração, chamada de Terapia Cognitiva.
A terapia cognitiva foi uma ponte entre o comportamento e a cognição, essa
segunda geração desenvolvida por Aaron Back e Albert Ellis tinha o enfoque
num modelo de psicoterapia que enfatizava nas percepções e crenças do ser
humano com o mundo. Diferente da terapia comportamental que destacava a
terapia comportamentalista, a terapia cognitiva focalizava na compreensão de
conteúdos internos do individuo (sentimentos, pensamentos, sensações físicas
sobre si e sobre o mundo). Como nenhuma psicoterapia tem eficácia universal,
já que sempre haverá alguém que não se adapte as formas de trabalho, a TCC
trás alternativas, e a terceira dela criada nos anos 2000 conhecida como a
terceira geração acaba trazendo novas propostas de psicoterapias, dentre elas
a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), Terapia Analítica Funcional
(TAP), Terapia Comportamental Dialética (DBT) e a Terapia Cognitiva
Comportamental baseada em Mindfulness. Sobre a terceira geração da TCC,
Hayes (2004) descreve:

Baseada numa abordagem empírica e em princípios, a


terceira onda da terapia comportamental e cognitiva é particularmente
sensível ao contexto e às funções dos fenômenos psicológicos, não
apenas à sua forma, e por isso tende a enfatizar estratégicas de
mudanças contextuais e experimentais em acréscimo às mais diretas
e didáticas. Esses tratamentos procuram buscar a construção de um
repertório [de comportamentos] amplo, flexível e efetivo em vez de
uma abordagem muito específica para problemas definidos de
maneira muito estreita. (…) A terceira onda reformula e sintetiza
gerações anteriores de terapias cognitivas e comportamentais e as
levam adiante para questões e domínios previamente trabalhados por
outras tradições, na esperança de melhorar tanto a compreensão do
ser humano como a dos resultados dos tratamentos. (HAYES, S.
2004).
Neste estudo de caso iremos destacar a Terapia Comportamental
Dialética (DBT), criada pela psicóloga americana Marsha Linehan no início da
década de 80 que inicialmente trouxe estratégias para modificar
comportamentos suicidas e parassuícidas, e que após estudos sistemáticos
apresentou um protocolo de psicoterapia aplicada e direcionada a indivíduos
diagnosticados com Transtorno de Personalidade de Borderline (TPB). O termo
dialética está correlacionado à forma de condução do tratamento. O raciocínio
dialético se fundamenta na necessidade do terapeuta em aceitar as clientes
como são, mas em um contexto de ensiná-las a mudar. Uma tecnologia de
aceitação é tão importante quanto à de mudança. Nesse sentido, para além da
mudança, a aceitação de sentimentos, comportamentos e pensamentos,
tornou-se técnica fundamental no tratamento do TPB (LINEHAN, 2010).

REFERÊNCIAS:

LUCENA-SANTOS, Paola; PINTO-GOUVEIA, José; OLIVEIRA, Margareth.


Terapias comportamentais da terceira geração: guia para profissionais. Novo
Hamburgo: Sinopsys, 2015.

WRIGHT, Jesse; BASCO, Mônica; THASE, Michael. Aprendendo a terapia


cognitivo-comportamental. Porto Alegre: Artmed, 2008.

Linehan, Marsha. Terapia cognitivo-comportamental para transtorno de


personalidade borderline. Porto Alegre : Artmed, 2010.

ABREU, Paulo; ABREU, Juliana. Terapia comportamental dialética: um


protocolo comportamental ou cognitivo?. Revista brasileira de terapia
comportamental e cognitiva. 2015. Disponível em: <
http://usp.br/rbtcc/index.php/RBTCC/article/view/831> Acesso em: 02 de DEZ
de 2020.

Hayes, S. (2004). Acceptance and Commitment Therapy, Relational


FrameTheory, and the Third Wave of Behavioral and CognitiveTherapies.
Behavior Therapy, 35, 639-665.