Você está na página 1de 20

IEZZI, Gelson e outros.

Números Complexos.
Polinômios. Equações. 1. NÚMEROS COMPLEXOS
São Paulo: Atual. Definição: Chama-se Conjunto dos Operações:
Números Complexos C, o conjunto
Coleção Fundamentos de dos pares ordenados de números reais
- Adição: Dados dois números com-
plexos: z1 = a + bi e z2 =c+di.
Matemática Elementar, v. 6. para os quais estão definidas: Temos:
1) A igualdade:
Síntese elaborada por
Maria José Ferreira da Silva
Propriedades:
A1- Associativa:
2) A adição:

3) A multiplicação: A2 - Comutativa:

A3 - Existência do Elemento Neutro:


Notação:

A4 - Existência do Elemento Oposto:


Unidade imaginária: Chamamos
de unidade imaginária, e indicamos
por i, o número complexo (0,1). A
propriedade básica da unidade ima- - Subtração:
ginária é i2= -1.
Temos também que:
-Multiplicação:

De forma geral:

Então, para determinarmos uma (aplicando a propriedade distributiva).


potência de i superior a 4, basta divi-
dirmos o expoente de i por 4 e consi- Propriedades:
derarmos apenas i elevado ao resto M1 - Associativa:
dessa divisão.
Forma algébrica: Dado um nú-
mero complexo z = (x,y). Podemos M2 - Comutativa:
escrevê-lo também sob a forma al-
gébrica z = x + yi , em que o número
real x é chamado parte real de z e o M3 - Existência do Elemento Neutro:
número real y é chamado parte ima-
ginária de z: x= Re(z) e y = lm(z).
M4 - Existência do Elemento Inverso:
Chama-se real todo número com-
plexo cuja parte imaginária é nula.
z = x + 0i = x
Chama-se imaginário puro todo Se
número complexo cuja parte real é
nula. z = 0 + yi = yi (y ≠ 0)
Igualdade: Dois números com-
- Propriedade Distributiva:
plexos são iguais se e somente se ti-
verem a mesma parte real e a mes-
ma parte imaginária.
64 Nº 26 • MAIO/2006
Conjugado de z: Chama-se con- Chama-se módulo ou valor absoluto chamado argu-
jugado do complexo o de um número complexo mento principal de z, é tal que
complexo . o número real e positivo:
Propriedades do conjugado: Para
todo temos:
1) é sempre real, pois Propriedades do módulo: Para Normalmente, trabalhamos com
temos: , chamando-o simplesmente de
argumento de z.
2) é sempre imaginário, pois
Plano de Argand-Gauss:

3) é sempre real não negati-


vo, pois:

:a
su
4)
Módulo do produto, do quocien-
te e da soma: Se z1 e z2 são dois
5) complexos quaisquer, então temos:
Representamos os números com-
Conjugado da soma e do produ- plexos z = x + yi = (x, y) pêlos pontos
to: Se z1 e z2 são números comple- do plano cartesiano, convencionando
xos quaisquer, temos: que sobre o eixo Ox marcamos a par-
1 ) O conjugado da soma é a soma te real e sobre o eixo Oy marcamos a
dos conjugados: (desigualdade parte imaginária de z.
triangular) A cada número complexo z cor-
Argumento: Chama-se argumento responde um único ponto P do pla-
2) O conjugado do produto é o no de Argand-Gauss, xOy, chamado
de um número complexo
produto dos conjugados: de afixo de z.
(não nulo) o ângulo tal que:
Note que:
1 ) A distância entre P e O é o módulo
-Divisão: de z.
Note que:
Sendo z1 = a+bi e z2
= c + di ≠ 0, e sabendo que 1) Como z ≠ 0, então. p ≠ 0.
z.z = (a + bi)(a-bi) 2) Fixado o complexo z ≠ 0, estão 2) O ângulo formado por com o
= a2 -b 2i2 = a2 +b2 , conclui-se que, fixados sen e cos , mas o ângulo eixo real é , o argumento princi-
para dividir dois números comple-xos, pode assumir infinitos valores: pal de z.
basta multiplicar o numerador e o de-
nominador pelo conjugado do deno-
minador:

Esse procedimento não altera o


valor do quociente e permite elimi-
nar a parte imaginária do denomina-
dor, pois é real.
Chama-se norma de um número
complexo o número real
positivo:

Nº 26 • MAIO/2006 65
2. FUNÇÃO POLINOMIAL 2) Comutativa: +g = g + , ,g ∈ P.

OU POLINÔMIO 3) Existência do elemento neutro:


ea = , ∈ P ea ∈ P.
+

Dada a seqüência de números


4) Existência do oposto: ∈ P, ’
complexos (a0, a1, a2,..., an), conside-
∈ P/ + ’ =ea.
remos a função dada por
A - Subtração: Diferença de Polinômios:
função é denominada função poli- chama-se soma de com g o polinômio f – g = f + (-g), f,g ∈ P.
nomial ou polinômio associado à
- Multiplicação:
sequência dada.
Produto de Polinômios.
Os números a0, a1, a2,..., an são
os coeficientes e a0, a0, a1, x,a2X2,..., Se f(x) = a0 + a1x + a2x2 +...+
a nx n são chamados de termos do Verificam-se as seguintes propri- amxm e g(x) = b0 + b1x + b2x2 + bnxn,
polinômio . edades para a soma no conjunto dos chama-se f .g o polinômio:
Valor numérico: Dados os núme- polinômios de coeficientes comple- (f.g)(x) = (a 0 b 0)+ (a 0 b 1+a 1b 0)x
ros complexos a e o polinômio (x) xos: P. +(a2b0+a1b1 + a0b2)x2 +...+(ambn)xm+n
= a0 + a1x + a2x2 +••• + anxn , cha-ma-
1) Associativa: + (g + h) = ( + g)
se valor numérico de em a a ima-
+ h, ,g,h ∈ P. - Dispositivo Prático (1):
gem de a pela função , isto é: (a)
= a0 + a1a + a2a2 +...+ anan .
Raiz: Em particular, se a é um
número complexo e um polinômio
tal que (a)=0, dizemos que a é uma
raiz ou um zero de .
Polinômio nulo: Dizemos que um
polinômio é nulo quando assu-
me o valor numérico zero para todo x
complexo:
Coeficientes do Polinômio Nulo: Um
polinômio é nulo se e somente se to-
dos os coeficientes de forem nulos.
Sendo (x) = a0+ a1x + a2x2 +... + anxn, - Dispositivo Prático (2):
temos:
Polinômios idênticos: Dizemos - Grau da soma: Se f , g e f + g
que dois polinômios, e g, são iguais forem polinômios não nulos, então o
(ou idênticos) quando assumem va- grau de f + g é menor ou igual ao
lores numéricos iguais para todo x maior dos números ∂ f e ∂ g.
complexo. ∂ ( f+g ) ≤ max {∂ f, ∂ g}
- Grau do produto: Se f e g forem
Coeficientes de Polinômios Idên- dois polinômios não nulos, então o
ticos: Dois polinômios, e g, são grau de f . g é igual à soma dos graus
iguais se e somente se seus coefici- h(x) = (fg)(x) de f e g: ∂ (f.g) = ∂ f + ∂ g.
entes forem ordenadamente iguais. = 4x + 13x2+28x 3+27x 4+18x5 - Divisão: Dados dois polinômios
Se f (dividendo) e g ≠ 0 (divisor). Dividir
Propriedades:
f por g é determinar dois outros
1)Associativa: f . (g.h)=(f.g).h, polinômios, q (quociente) e r (resto),
f,g,h ∈ P . de modo que se tenha:
e
2)Comutativa: f.g = g. f, f,g ∈ P. 3) f = q.g + r
3)Existência do elemento neutro: b) ∂ r < ∂ g (ou r = 0, quando a
divisão é exata).
∃ em ∈ P/ f.em = f, f ∈ P.
temos Divisões Imediatas:
4) Distributiva: f.(g+h) = f.g + f.h,
f é o polinômio nulo:
f, g,h ∈ P.
f = 0 ⇒ q = 0 e r = 0.
Grau: O grau de um polinômio
f é dividendo diferente do polinômio
f é o índice do “último” termo não
Operações: nulo e ∂ f < ∂ g .
nulo de f, representa-se por ∂ f ou
- Adição: Soma de Polinômios. gr (f). ∂ f < ∂ g ⇒ q = 0 e r = f.
66 Nº 26 • MAIO/2006
Método da chave: Teorema do resto: O resto da divi-
são de um polinômio f por x - a é
igual ao valor numérico de f em a.

Teorema de D’Alembert: Um
polinômio f é divisível por x - a se e
somente se a for raiz de f.
Dispositivo de Briot-Ruffini:
Exemplo: f =2x 4 - 7x2 + 3x-1 e g = x3

sendo Conjunto solução: Chama-se


g = 2x3 + 6x2 + 11x + 36 e r = 107. conjunto-solução ou conjunto verda-
de da equação f(x) = g(x), em C, o
Teorema: Se um polinômio f for conjunto S, cujos elementos são as
divisível, separadamente, por x-a e raízes complexas da equação. O con-
x-b, com a ≠ b, então f é divisível junto-solução da equação anterior é
pelo produto (x-a) (x-b). S = {1,2, -1}.
Resolução de uma equação: Re-
solver uma equa-ção polinomial é
Divisão por binômios do 1° grau
obter o seu conjunto-solução.
qualquer: Para obtermos o quocien-
te q e o resto r da divisão de um Equações equivalentes: Duas
polinômio f, com ∂ f ≥ 1, por g = bx- equações polinomiais são equivalen-
a, onde b ≠ 0, notemos que: tes quando apresentam o mesmo con-
junto-solucão, isto é, toda raiz de uma
equação é também raiz da outra.
1 ) x3 + x2 - x-1 = 3x2 – 3,
S1 = {1,2, -1}.
1) Divide-se f por e
2 ) x3 - 2x2 - x+2 = 0,
S = {1,2, -1}.
2) Divide-se o quociente encontrado
q’ pelo número b, obtendo q. Logo, as equações 1 e 2 são equi-
valentes. Somar aos dois membros
a mesma função polinomial não al-
3.EQUAÇÕES POLINOMIAIS: tera o conjunto-solução de uma equa-
ção polinomial.
Definições
f (x) = g(x) ⇔ f(x) + h(x)
Equação polinomial: = g(x) + h(x)
Dadas duas funções polinomiais, Também é possível multiplicar os
f(x) e g(x), chama-se equação dois membros pelo mesmo número
polinomial ou equação algébrica a complexo
sentença aberta f (x) = g(x). k(k≠ 0) . f(x) = g(x) ⇔ kf (x) = Kg(x)
Se f(x) = x3 + x2 -x -1 e g(x) = 3x2
É possível transformar qualquer
-3, a sentença aberta x3 + x2 -x -1 =
equação f(x) = g(x) numa equivalen-
3x2 -3 é uma equação polinomial.
te p(x) = f(x) = g(x) = 0 .
Raiz de equação polinomial: Da- Quando transformamos uma equa-
da uma equação polinomial f(x) = ção polinomial para a forma p(x) = 0,
g(x), chama-se raiz da equação todo podem ocorrer dois casos notáveis:
número que, substituído em lugar de
a) p(x) é identicamente nula:
x, torna a sentença verdadeira. As-
0xn + 0xn-1 + 0xn-2 + ... + 0x + 0 = 0.
sim, o número r é raiz de f(x) = g(x)
se e somente se f(r) = g(r) for uma b) p(x)) é constante e não nula:
sentença verdadeira. 0xn+ 0xn-1 +0x n-2 +...+ 0x + k = 0
Nº 26 • MAIO/2006 67
Teorema Fundamental da Álge- de relações de Girard) para uma equa- polinomial com coeficientes reais
bra: Todo polinômio P de grau n ≥ 1 ção polinomial de grau n (n ≥ 1). No ]a,b[ e um intervalo aberto. Quando
admite, ao menos, uma raiz com- entanto, as n relações de Girard para p(a) e p(b) têm mesmo sinal, isto é,
plexa. uma equação polinomial de grau n p(a) . p(b) >0, existe um número par
não são suficientes para obter as n de raízes reais da equação p (x) = 0,
Teorema da Decomposição: To- raízes. que são internas ao intervalo ]a,b[.
do polinômio P de grau n ≥ 1 pode ser Ou ainda: p(a) e p(b) quando têm
decomposto em n fatores do primeiro Raízes conjugadas: Se uma equa- sinais contrários, isto é, p(a). p(b) <
grau, isto é: P = an(x-r1) (x-r2)(x-r3).... ção polinomial de coeficientes reais 0, existe um número ímpar de raízes
(x-rn), onde r1,r2,r3, ...,rn são as raízes admite, como raiz, o número com- reais da equação p (x) = O, que são
de P. Tal decomposição é única, com plexo z = α + β i, β≠
β≠0 . então também internas ao intervalo ]a,b[.
exceção da ordem dos fatores. admite o número z = α - β i, conjuga-
do de z.
Raízes racionais: Seja uma equa-
Conseqüência: Toda equação
Multiplicidade da raiz complexa: ção polinomial P(x) = anxn + an-1xn-1
polinomial de grau n ≥ 1 admite n e
Se uma equação polinomial de coe- +an-2 xn-2 +...+a1x+a0 = 0, (an ≠ 0), de
somente n raízes complexas.
ficientes reais admite a raiz z = α + coeficientes inteiros, admite uma raiz
Multiplicidade de uma raiz: Dize- β i, β≠
β≠0 com multiplicidade p, então
racional (onde p ∈ Z, q ∈ Z+ e p e
mos que r é raiz de multiplicidade (m também admite a raiz z = α - β i com
e m ≥ 1) da equação P(x) = 0 se e multiplicidade p. q são primos entre si). Então p é
somente se P= (x-r)m . Q e Q(r) ≠ 0. divisor de a0 e q é divisor de an.
Observações:
Isto é, r é raiz de multiplicidade m de Observações:
1) Os dois teoremas só se aplicam a
P(x) = 0 quando a decomposição de 1) O teorema só se aplica a equações
equações polinomiais de coefici-
P apresenta exatamente m fatores polinomiais com todos os coefi-
entes reais.
iguais a x-r. cientes inteiros.
2) Como a toda raiz z corresponde
Equação do 2° grau: Considere- uma outra raiz z, com igual 2) Se a equação p (x) = 0, com coe-
mos a equação (1) ax2 + bx + c = 0 multiplicidade, o número de raízes ficientes inteiros e a0 ≠ 0 admite
(a ≠ 0), cujas raízes são r1 e r2 . complexas não reais de p (x) = 0 uma raiz interna r, então r é divisor
Vimos que essa equação pode ser é, necessariamente, par. do termo independente a0.
escrita sob a forma (2) a(x-r1) (x-r2) = 3) Se uma equação polinomial de 3) Se a equação p (x) = 0, com coe-
0. De (1) e (2), obtemos a identidade coeficientes reais tem grau ímpar, ficientes inteiros e coeficiente do-
ax2 + bx + c = a(X – r1 )(X - r2 ), x . então ela admite um número ím- minante unitário (an = 1), admite
Dividindo os dois membros por a, vem: par de raízes reais.
uma raiz racional , então essa
Raízes reais - Teorema de Bol-
zano: Sejam p (x) = 0 uma equação raiz é necessariamente inteira.

Portanto,
são as relações entre as raízes e os
coeficientes da equação do 2° grau.

Equação do 3° grau: Para uma


equação do 3° grau, temos:

são as relações entre as raízes e os


coeficientes da equação do 3° grau.

Equação de grau n qualquer:


Podemos deduzir relações (chamadas
68 Nº 26 • MAIO/2006
IEZZI, Gelson e outros.
Geometria Analítica.
1. Noções básicas: Consideremos
São Paulo: Atual. Coleção dois eixos, x e y, perpendiculares em
Fundamentos de O, os quais determinam um plano a.
Matemática Elementar, v. 7. Dado um ponto P qualquer desse 5. Condição de alinhamento de
plano, passamos por ele duas retas: três pontos: Três pontos, A(x1, y1),
x’ // x e y’ // y. Denominamos P1 a B(x2, y2,)e C(x3, y3), são colineares
Síntese elaborada por intersecção de x com y’e P 2 a
Maria José Ferreira da Silva intersecção de u com x’.
Nestas condições, definimos: se e somente se
- A abscissa de P é o número real xp
= OP1.
6. Equação geral da reta: Para
- A ordenada de P é o número real obter a equação geral da reta r que
yp=OP2. passa pelos pontos A(x1, y 1) e B(x2,
- As coordenadas de P são os nú- y 2 ,), basta considerar um ponto
meros reais xp e yp (indicados na genérico , C(x, y), da reta r e apli-
forma de um par ordenado, onde car a condição de alinhamento de
xp é o primeiro termo). três pontos:
- O eixo das abscissas é o eixo x.
- O eixo das ordenadas é o eixo y. = x (y1 - y2) + y(x2 - x1)
- O sistema de eixos cartesiano + (x1y2) - x2y1) = 0
ortogonal é o sistema xOy.
- A origem do sistema é o ponto O. Fazendo y1 – y2 = a, x2 – x1 = b e
x1y2 – x2y1 = c, obtemos a equação
- O plano cartesiano é o plano a. geral da reta r: ax = by + c = 0.
Chamaremos de 1° quadrante o
conjunto de pontos tais que xp ≥ 0 e 7. Forma reduzida:
yp ≥ 0. Chamaremos de 2° quadrante Dada a equação geral da reta r.
o conjunto de pontos em que xp ≤ 0 Se b ≠ 0, teremos by = -ax - x ou
e yp ≥ 0. 0 3° quadrante é o conjunto
de pontos em que xp ≤ o e yp ≤ 0. E que pode ser escrita
o 4° quadrante é o conjunto de pon-
na forma y = mx + q chamada de
tos em que xp ≥ 0 e yp ≤ 0.
equação reduzida da reta. O coefici-
ente m chama-se coeficiente angu-
2. Distância entre dois pontos:
lar da reta r e q é a medida do seg-
Dados dois pontos, A(x1, y1) e B(x2,
mento que r define no eixo O. O co-
y2), a distância d entre eles é dada
eficiente angular (ou declive) de uma
por: reta r, não perpendicular ao eixo das
abscissas, é o número real m, tal que

3. Razão de secção: Dados três sendo ∝ o ângulo


pontos colineares, A(x1, x2,), B(x2,
y2,)e C(x3, y3) (com A ≠ B ≠ C), cha- que a reta r forma com o eixo x.
ma-se de secção do segmento AB Se 0 < ∝ < o ângulo é agudo e
pelo ponto C o número real r, tal que:
o coeficiente angular é positivo. Se
< α < π, o ângulo é obtuso e o
coeficiente angular é negativo. Se
α = m = 0, a reta r é paralela ao eixo x.
4. Coordenadas do ponto divi-
Se ∝ = não se define o coefici-
sor: Dados A(x1, y1), B(x2, y2) e r ( r ≠
- 1 ). As coordenadas (x3, y3) do pon- ente angular. Se a reta é dada na for-
to C, que divide na razão r, são: ma geral, m é obtido por m = .
Nº 26 • MAIO/2006 69
8. Equação de uma reta passando cidentes, teremos infinitos pontos
for real e posi-
por um ponto: comuns e o sistema terá infinitas
Seja P(x0, y0) um ponto conheci- tivo. Além disso, o centro será dado
do. Se a reta r não for perpendicular soluções, ou .
ao eixo x, teremos o coeficiente an- por e o raio será igual a
Teorema: Duas retas, r e s, não
gular de r, que é . Neste verticais, são paralelas entre si se e
caso, a equação da reta é: y – yo = somente se seus coeficientes angu- .
m(x-x0) . Se a reta for perpendicular lares forem iguais.
ao eixo x, sua equação é: x = x0.
Teorema: Duas retas, r e s, não 15. Ponto e circunferência: Se
verticais, são perpendiculares entre si P(x0, y0) é exterior à circunferência
9. Forma segmentária: Conside- de equação (x – a)2 + (y – b)2 = r2,
se e somente se o produto de seus
remos uma reta r que intercepta os PC > r, isto é, (x0 – a)2 + (y0 – b)2 – r2
coeficientes angulares for -1.
eixos cartesianos nos pontos A (0, a) > 0. Se P pertence à circunferência,
e B(b, 0). Desenvolvendo o deter- PC = r e (x0 – a)2 + (y0 – b)2 – r2 = 0.
12. Distância de ponto à reta: A
minante, temos: Se P é interior à circunferência,
distância de um ponto P(x0, y0) à reta
r ax + by + c = 0 é dada por: PC < r e (x0 – a)2 + (y0 – b)2 – r2 < 0.
= ax + by - ab = 0, que
16. Reta e circunferência: Dada
uma reta (s) Ax + By + C = 0 e uma
circunferência (x – a)2 + (y – b)2 = r2.
pode ser representada de forma equi-
13. Bissetrizes dos ângulos de Encontrar a intersecção da reta com
valente por , que é a equa- duas retas: Sejam as retas (r) a1x + a circunferência é determinar os pon-
b1y + c1 = 0 e (s) a2x + b2y + c2 = 0; tos, P(x, y), que pertencem às duas
ção segmentária da reta r. e as bissetrizes t1 e t2 dos ângulos por curvas.
elas formados. Considerando um Resolvendo o sistema
10. Forma paramétrica: As equa- ponto P pertencente à bissetriz t2 en-
ções paramétricas dão as coordena- tão teremos dPr = dPs. Considerando por substitui-
das de um ponto P(x, y) qualquer da um ponto Q pertencente à bissetriz
reta em função de uma terceira va- t1, então teremos dQr = dQs. Podemos ção, a equação da circunferência se
riável, t (parâmetro): x = f1(t) e y = mostrar que as equações das bis- reduz a uma equação do 2° grau e
f2(t). Essas são as chamadas equa- setrizes são: uma incógnita. Se o discriminante da
ções paramétricas da reta. A partir das equação for positivo, as curvas são
equações paramétricas, obtemos a secantes (dois pontos em comum);
equação geral da reta, eliminado o se o discriminante for igual a zero, as
parâmetro t. curvas são tangentes (um único ponto
em comum); e se o discriminante for
negativo, a reta é exterior à circunfe-
11. Intersecção de duas retas: rência.
Todo ponto de intersecção de duas
14. Equações da circunferência:
retas deve satisfazer as equações de Consideremos uma circunferência de 17. Duas circunferências: Dadas
ambas. Obtemos o ponto comum duas circunferências de centro C1 e
centro C(a, b) e raio r. Um ponto P(x,
P(x0, y0) e as equações das duas re- raio r1 e de centro C2 e raio r2, consi-
tas concorrentes: y) pertencerá à circunferência se e derando d = C1C2. As circunferências
somente se serão exteriores se d > r1 + r2; serão
(r) a1x + b1y + c1 =0 e (s) a2x + b2y +
. tangentes exteriormente se d = r1 +
c2 =0. E então se resolve o sistema
r2; serão tangentes interiormente se
formado pelas suas equações. Se r e Daí vem a equação reduzida da cir-
d = | r1 – r2 |; serão secantes se | r1 –
s forem concorrentes, teremos um cunferência: (x – a)2 + (y – b)2 = r2.
r2 | < d < r 1 + r2. A circunferência de
único ponto comum e o sistema terá Desenvolvendo a equação reduzida,
menor raio é interior à outra se 0 ≤ d
obtemos x1 + y2 – 2ax – 2by + (a2 +
uma única solução, ou . Se < r1 – r2 | e as circunferências serão
b2 - r2) =0 que é chamada de equa-
concêntricas se d = 0. Para obtermos
ção normal da circunferência. Uma
r e s forem paralelas e distintas, não as intersecções, basta resolvermos o
equação do tipo Ax2 + By2 + Cxy +
teremos nenhum ponto comum e o sistema formado pelas equações das
Dx + Ey +F = 0 só representa uma
sistema não terá solução, ou duas circunferências.
circunferência se x 2 e y 2 tive-
. Se r e s forem coin- rem coeficientes iguais, se não 18. Elipse: Dados dois pontos, F1
existir um termo misto xy e se e F2, pertencentes a um plano, sen-
70 Nº 26 • MAIO/2006
do 2c a distância entre eles, cha- dos pontos do plano cuja diferença - F é o foco.
mamos de elipse o conjunto de pon- (em valor absoluto) das distâncias a - d é a diretriz.
tos do plano cuja soma das distân- F1 e F2 é a constante 2a, com 0 < 2a - p é o parâmetro,
cias a F1 e F2 é a constante: 2a com < 2c, isto é, | PF1 – PF2 | = 2a. - V é o vértice.
2a > 2c, isto é, PF1 + PF2 = 2a. - A reta VF é o eixo de simetria e vale
Elementos principais:
Elementos principais: - F1 e F2 são os focos. a relação .
- F1 e F2 são os focos. - 0 é o centro. Se tomarmos o vértice da pará-
- 0 é o centro. - 2c é a distância focal. bola na origem do sistema cartesiano
- 2c é a distância focal. - 2a é a medida do eixo real. e o foco no eixo das abscissas pode-
- 2a é a medida do eixo maior. - 2b é a medida do eixo imaginário. remos mostrar que a equação redu-
- 2b é a medida do eixo menor. - c/a é a excentricidade e vale a relação zida da parábola é y 2 = 2 px.
- c/a é a excentricidade e vale a rela- c2 = a2 + c2. Se o centro estiver na Analogamente, se a parábola apre-
ção a2 = b2 + c2. origem do sistema cartesiano a equa- sentar vértice na origem e foco no eixo
A equação reduzida será dada por das ordenadas, teremos x2 = 2 py.
ção reduzida será . Se a parábola tiver vértice no ponto
, se o centro estiver na V(x0, y0) e o eixo de simetria for pa-
20. Parábola: Dado um ponto F e ralelo ao eixo das abscissas, teremos
origem do sistema cartesiano. uma reta d, pertencentes a um plano, a equação (y – y0)2 = 2p (x – x0).
com F ∉ d e sendo p a distância en- Analogamente se uma parábola tiver
19. Hipérbole: Dados dois pon- tre F e d. Chamamos de parábola o vértice no ponto V(x0 – y0) e o eixo
tos, F1 e F2, pertencentes a um pla- conjunto dos pontos do plano que de simetria for paralelo ao eixo das
no, sendo 2c a distância entre eles, estão à mesma distância de F e de d, ordenadas, a equação será (x – x0)2
chamamos de hipérbole o conjunto isto é, PF = Pd. Elementos principais: = 2p (y – y0).

Nº 26 • MAIO/2006 71
IEZZI, Gelson e outros.
Limites. Derivadas.
1. Noção de limite de uma fun-
Noções de integrais. ção: Considerando a função
São Paulo: Atual. Coleção
Fundamentos de
Matemática Elementar, v. 8. definida para todo x real e x ≠ 1, sa-
bemos que se x ≠ 1, podemos dividir
o numerador e o denominador por x
– 1, obtendo f(x) = 2x + 1. Atribuindo
valores a x próximos de 1, mas me-
nores que 1, e depois valores próxi-
mos de 1 mas maiores que 1, pode-
mos observar que, na medida em que
x se aproxima de 1, a função se apro-
xima cada vez mais de 3. Isto é, quan-
to mais próximo de 1 estiver x, tanto 4. Limite de uma função polino-
mais próximo de 3 estará f(x). Assim, mial: O limite de uma função
podemos tornar f(x) tão próximo de polinomial f(x) = a0 + a1x + … + anxn,
3 quanto desejarmos, bastando, para com ai ∈ ℜ. para x tendendo a a, é
isto, tomarmos um x suficientemente igual ao valor numérico de f(x) para
próximo de 1. De outra maneira: po- x = a.
demos tornar o módulo da diferença
entre f(x) e 3 tão pequeno quanto 5. Limites laterais: Seja f uma
desejarmos, desde que tomemos o função definida em um intervalo aber-
módulo da diferença entre x e 1 sufi- to: ] a, b [. O limite de f(x), x se apro-
cientemente pequeno. xima de a pela direita, será L. Escre-
A matemática usa, normalmente, vemos:
os símbolos ε (epsilon) e δ (delta) para
indicar essas diferenças pequenas. se para todo ε > 0 exis-
Assim, dado um número positivo ε tir δ > 0, tal que, se 0 < | x – a | < δ ,
e, se desejamos |f(x) – 3 | menor que então | f(x) – L | < ε .
ε e, devemos tornar | x – 1 | suficien- Seja f uma função definida em um
temente pequeno, isto é, devemos intervalo aberto: ] b, a [. O limite de
encontrar um número positivo δ su- f(x), quando x se aproxima de a
ficientemente pequeno, de tal modo pela esquerda, será L. Escrevemos
que 0 < | x – 1 | < δ ⇒ | f(x) – 3 | < ε .
se para todo ε > 0 exis-
2. Definição de limite: Seja I um tir δ > 0, tal que, se –δδ < x – a < 0,
intervalo aberto ao qual pertence o então | f(x) – L | < ε .
número real a. Seja f uma função de-
finida para x ∈ I – {a}. Dizemos que o Teorema: Seja I um intervalo aber-
limite de f(x), quando x tende a a, é L to contendo a e seja f uma função
definida para x ∈ I – {a}.
e escrevemos , se para
todo ε > 0 existir δ > 0, tal que 0 < | x Temos se e somente
– a | < δ. Então: | f(x) – L | < ε .
se existirem e e
Teorema: Unicidade do limite: Se forem ambos iguais a L.
e então
6. Limites infinitos: Seja I um in-
L1 = L2 . tervalo aberto que contém o real a.
3. Propriedades do limite de uma Seja f uma função definida em I – {a}.
função: Se f for a função definida por Dizemos que, quando x se apro-
f(x) = c, com c ∈ ℜ para todo x real, xima de a, f(x) cresce ilimitadamen-
então . te. Escrevemos =+∞ se

72 Nº 26 • MAIO/2006
para qualquer número M > 0 existir δ Se f(x) = +∞, xn= +∞ e xn= +∞ se n
> 0, tal que, se 0 < | x – a | < δ , então
for par ou xn= –∞ se n for ím-
f(x) < M. então par.
Seja l um intervalo aberto que con-
tém a. Seja f uma função definida em
Se f(x) = –∞, Se n for um número inteiro positivo,
f – {a}. Dizemos que, quando x se
aproxima de a, f(x) decresce ilimita-
então e
então
damente. Escrevemos = –∞
se para qualquer M > 0 existir δ > 0, Se f(x) = a0 + a1x + … + anxn, an
Se f(x) = 0,
tal que se 0 < | x – a | < δ , então ≠ 0, isto é uma função polino-
f(x) < M. mial, então f(x) = a nx n e
então
7. Propriedades dos limites in- f(x) = a n xn .
finitos: 8. Limites no infinito
Se f(x) = +∞ e g(x) = +∞, Seja f uma função definida em um Se f(x) = a0 + a1x + … + anxn, an ≠ 0 e
intervalo aberto  a, + ∞  . Dizemos g(x) = b0 + b1x + … + bmxm, bm ≠ 0
então (f+g)(x) = +∞.
que, quando x cresce ilimitadamen- estas são funções polinomiais, então
Se f(x) = –∞ e g(x) = –∞, te, f(x) se aproxima de L. Escreve-
mos . E se para qual-
então (f+g)(x)= –∞.
quer número ε > 0 existir N > 0, tal e
Temos f(x) = +∞ e g(x) = que, se x > N, então | f(x) – L | < ε .

b ≠ 0. Se b > 0, então (f.g)(x) = Seja f uma função definida em um


intervalo aberto  −∞ + a  . Dizemos Se , onde L ≥ 0 e n ∈ N*
+∞; e se b < 0, então (f.g)(x) =
que, quando x decresce ilimitada- ou L < 0 e n é natural ímpar, então
–∞. mente, f(x) se aproxima de L. Escre-
Temos f(x) = –∞ e g(x) = vemos . E se para qual-
b ≠ 0.e . Se b > 0, então (f.g)(x) quer número ε > 0 existir N > 0, tal
que, se x > N, então | f(x) – L | < ε . 10. Limites trigonométricos:
= –∞; e se b < 0, então (f.g)(x) Seja f uma função definida em sen x = sen a e cos x =
= +∞. um intervalo aberto  a1 + ∞  . Dize-
mos que, quando x cresce ilimitada- cos a, a ∈ ℜ ; tgx = tga , a ≠
Mas, se f(x) = +∞ (ou - ∞) e mente, f(x) também cresce ilimitada-
g(x) = 0, onde g não é a função mente. Escrevemos = +∞. + kπ, k ∈ Z.

nula, não podemos formular uma lei E se para qualquer número M > 0 exis-
tir N > 0, tal que, se x > N, então Fundamental:
geral para (f.g)(x).
f(x) > M.
11. Limites da função expo-
Analogamente: nencial: Se a ∈ ℜ e 0 < a ≠ 1, então
Se f(x) = +∞ e g(x) = +∞,
= –∞. se e somente se ax = 1.
então (f.g)(x) = +∞.
M < 0, ∃ N > 0, tal que x > N ⇒ f(x) Se a ∈ ℜ e 0 < a ≠ 1,
< M.
Se f(x) = +∞ e g(x) = –∞, então
= +∞ se e somente se
então (f.g)(x) = –∞. M > 0, ∃ N < 0, tal que x < N ⇒ f(x) Se a ∈ ℜ a > 1, então
< M. ax= +∞ e ax= 0.

Se f(x) = –∞ e g(x) = –∞, = –∞ se e somente se Se a ∈ ℜ e 0 < a < 1, então

então (f.g)(x) = +∞. Mas, se M < 0, ∃ N < 0, tal que x < N ⇒ f(x) a x= 0 e ax = +∞.
< M.
f(x) = +∞ (ou - ∞) e g(x) = 12. Limites da função logarít-
–∞, então não podemos formular 9. Teoremas: Se c ∈ ℜ , então mica

c= c = c. Se n for um Se a ∈ ℜ e a ≠ 1, então
uma lei geral para .
número inteiro e positivo, então
Nº 26 • MAIO/2006 73
Se a ∈ ℜ e 0 < a ≠ 1, então tas: existe f(a) e não existe f(x) → ℜ e x0 ∈ A. Se f for derivável em
ou f(x) ≠ f(a). x0, então f é contínua em x0.
loga x = loga b com b > 0.
18. Regras de derivação: Sejam
Dizemos que uma função f é con-
Se a ∈ ℜ e a > 1, u = u(x) e v = v(x) duas funções
tínua em um intervalo aberto se f
deriváveis em um intervalo aberto I:
então loga x = +∞ e for contínua em todos os pontos des-
f(x) = u(x) + v(x)
se intervalo.
⇒ f’(x) = u’(x) + v’(x)
loga x = –∞. Dizemos que uma função f é con-
tínua em um intervalo fechado [a, f(x) = u(x) . v(x) ⇒
b] se f for contínua no intervalo aberto f’(x) = u’ (x) . v(x) + u(x) . v’(x)
Se a ∈ ℜ e 0 < a < 1, então
]a, b[ e se também for contínua à f(x) = c . v(x) ⇒ f’(x) = c . v’(x)
loga x = –∞ . esquerda de a e à direita de b. f(x) = [u(x)]n
⇒ f’(x) = n.[u(x)]n-1. u’(x)
15. Propriedades das funções
Se a ∈ ℜ, 0 < a ≠ 1
contínuas: A soma, a diferença, o
produto e o quociente de duas fun- f(x) = ⇒
e f(x) = 1, então
ções contínuas também são contínu-
logaf(x) = 0. os. Se a função g é contínua em a e f’(x) =
a função f é contínua em g(a), então
a função composta fog é contínua f(x) = g(f(x)) ⇒
13. O número e: Chamamos de em a. f’(x) = g’ (f(x)). f’(x)

e o limite da função f(n) = , 16. Derivadas: Seja f uma fun- 19. Derivadas sucessivas: Pode-
ção definida em um intervalo aberto mos definir a função derivada de f’,
definida em N*, quando n tende I; e x0 um elemento de I. Chama-se que chamaremos de derivada segun-
a +∞. O número e é um número irra- derivada de f no ponto x0 o limite da de f e indicaremos por f n. Repe-
cional, com valor aproximado de tindo o processo, podemos definir as
2,7182818284. , se este existir e for derivadas terceira, quarta, etc. de f.
Representaremos por f(n) a derivada
finito. Podemos indicar de outras
Teorema: Seja a função f(x) = de ordem n de f.
formas: f`(x0) =
, definida em {x ∈ ℜ | x < -1 20. Estudo da variação das fun-
ções:
ou x > 0}, então = e. ou f`(x0) = Teorema: Se f : D → ℜ for uma
função derivável no ponto xo ∈ D e
xo, é o ponto mínimo ou máximo lo-
Analogamente, = e. cal de f. Então f’ (xo) = 0. Isto signifi-
ou f`(x0) =
ca que num extremo local interior de
uma função derivável f, a reta tangen-
Teorema: Seja a função f(x) = (1 Quando existe f`(x0), dizemos que te ao gráfico é paralela ao eixo x.
f é derivável no ponto x0. Dizemos Teorema: Se f for uma função
+ x) , definida em {x ∈ ℜ | -1 < x
também que f é derivável no interva- contínua em [a, b] e derivável em ]a,
≠ 0} então (1 + x) = e. lo aberto I, quando existe f`(x0) para b[ e f(a) = f(b), então existe, ao me-
todo x0 ∈ I. nos, um ponto x0 ∈ ]a, b[, tal que f’
Teorema: Se a > 0, então (xo) = 0.
A função que associa a cada à de-
Teorema: Seja f uma função con-
= In a. rivada de f no ponto é chamada fun-
tínua em [a, b] e derivável em ]a, b[.
ção derivada de f.
Então f’ (x0) ≥ 0 em ]a, b[ nos se-
14. Continuidade: Seja f uma fun- guintes casos: Se e somente se f for
17. Derivadas das funções
ção definida em um intervalo aberto crescente em [a, b] e f’(x0) ≤ 0 em
elementares:
I; e a um elemento de I. Dizemos que ]a, b[. Se e somente se f for decres-
f(x) = c ⇒ f’ (x) = 0 cente em [a, b].
f é contínua em a, se f(x) = f(a). f(x) = xn ⇒ f’ (x) = n. xn-1
Teorema: Seja f uma função con-
Devemos verificar três condições: f(x) = sen x ⇒ f’ (x) = cos x
tínua e derivável até segunda ordem
existe f(a), existe f(x) e f(x) f(x) = cos x ⇒ f’ (x) = - sen x
no intervalo ]a, b[, com derivadas f’
≠ f(a). f(x) = ax ⇒ f’ (x) = ax. In a
e f’’ também contínuas em I. Seja x0
f(x) = ex ⇒ f’ (x) = ex
Se f é descontínua em a, então ∈ I, tal que f (xo) = 0.
duas condições deverão ser satisfei- Teorema: Sejam as funções f : A Nestas condições temos: se f”(x0)
74 Nº 26 • MAIO/2006
< 0, então X0 é ponto de máximo lo- consideramos em cada subintervalo subintervalo, mas essa escolha pode
cal de f e se f”(x0) > 0, então x0 é um de xi modo que f(xi), seja o valor ser qualquer, pois o cálculo conduz
ponto de mínimo local de f. mínimo de f no subintervalo. Teremos, naturalmente ao mesmo resultado.
Teorema: Se f for uma função então, retângulos de largura ∆ x e
comprimento f(x1). 22. Integral definida: Seja f defi-
derivável até segunda ordem no in-
Logo, a área de cada retângulo nida e contínua em um intervalo fe-
tervalo l = [a, b], x0 é interno a l e
será f(xi). ∆ x e a soma das áreas dos chado a, b. A integral definida de f,
f”(x0) ≠ 0, então, quando f”(x0) > 0,
o gráfico de f tem concavidade posi- n retângulos será :
tiva em x0; e quando f”(x0) < 0, o grá- f(x1) . ∆x + f(x2) . ∆ x + … + f(xn) de a até b, denotada por f(x)dx é
fico de f tem concavidade negativa
em x0. . ∆ x ou f(xi). ∆x, em que f(x) é o
dada por f(x)dx = f(xi). ∆ x,
21. Noções de cálculo integral: valor mínimo de f em  xi-1, xi .
Historicamente, foi da necessidade de Essa soma é chamada de Soma desde que o limite exista. Se o limite
calcular áreas de figuras planas (cujos de Riemann de f e pode ser consi- acima existir, dizemos que f é
contornos não são segmentos de derada como uma aproximação da integrável em a, b e que a integral
reta) que brotou a noção de integral. área A que estamos procurando:
definida f(x)dx.
A≅ f(xi).∆ x
23. A integral e a derivada: Seja
Mas, se a largura dos retângulos
f uma função contínua num interva-
for bem pequena, teremos uma me-
lo l. F é uma primitiva (ou anti-deri-
lhor aproximação da área procurada.
vada) de f em I se F’(x) = f(x), x ∈
Fazendo a largura dos retângulos ten-
I. Se F for primitiva de f em I, então
der a zero, os valores das somas das
F(x) + c (c sendo um número real
áreas crescem e se aproximam de um
qualquer) também é uma primitiva de
valor limite, que é a área da região
f pois: (F(x) + c)’ = F’(x) = f(x).
Devemos considerar o problema procurada. Poderemos, então, escre-
de calcular a área A da região sob o Proposição: Seja F uma primiti-
gráfico da função f :[a , b ] → ℜ ℜ, va de f em I. Se G for uma outra pri-
ver A = f(xi).∆x, desde que mitiva de f em I, então G é da forma:
onde f(x) ≥ 0.
Se dividirmos o intervalo [a, b] em F(x) + k, k ∈ R.
esse limite exista para ∆ x ≠ 0.
n partes iguais teremos ∆ x = No lugar dos retângulos inscritos, 24. Propriedades Fundamentais:
poderíamos tomar retângulos cir- Sejam f e g funções integráveis em
como a largura de cada retângulo. cunscritos. Neste caso, tomamos a, b.
A altura será a distância mínima como as medidas das alturas dos re-
f(x) do eixo x ao gráfico de f, ou seja, tângulos o valor máximo de f em cada
f(x)+g(x))dx = f(x)dx + g(x)dx

k.f(x)dx = k. f(x)dx

– f(x)dx = – f(x)dx

Se a < c < b, então:

– f(x)dx = f(x)dx + f(x)dx.

Se b < a, então

f(x)dx = – f(x)dx

Se f(a) existe, então

f(x)dx = 0

Nº 26 • MAIO/2006 75
IEZZI, Gelson e outros.
Geometria plana.
1. As noções (conceitos, termos, somente uma extremidade (não tem
São Paulo: Atual. Coleção
entes) geométricas são estabelecidas pontos internos comuns).
Fundamentos de através de definição. As noções pri- 7. Congruência de segmentos:
Matemática Elementar, v. 9. mitivas são adotadas sem definição, a congruência (≡) de segmentos é
portan-to será sem definição que se- uma noção primitiva que satisfaz aos
rão abordadas as noções de ponto, seguintes postulados: reflexiva (todo
Síntese elaborada por
reta e plano. segmento é congruente a si mesmo),
Maria José Ferreira da Silva
2. Notação de ponto, reta e pla- simétrica (se , então
no: podemos representar além das transitiva (se e
notações gráficas. Usaremos letras
, então ).
maiúsculas latinas para o ponto, letras
minúsculas latinas para a reta e letras 8. Distância entre dois pontos:
gregas minúsculas para o plano.
a) Distância geométrica: dados dois
3. As proposições (propriedades, pontos distintos, A e B, a distân-
afirmações) geométricas são aceitas cia entre A e B (indicada dA.B é o
mediante demonstrações, embora as segmento ou qualquer seg-
proposições primitivas, os postulados mento congruente a .
e axiomas sejam aceitos sem de-
b) Distância métrica: dados dois pon-
monstração.
tos distintos, A e B, a distância
4. Postulados: P1 – Numa reta e entre A e B é a medida (número,
fora dela existem infinitos pontos. P2 comprimento) do segmento .
– Num plano há infinitos pontos. P3 –
9. Chamamos de ângulo a reu-
Dois pontos distintos determinam uma
nião de duas semi-retas de mesma
única reta que passa por eles. P4 – Três
origem, não contidas numa mesma
pontos não colineares determinam um
reta (não colineares). Dois ângulos
único plano que passa por eles. P5 –
são consecutivos se o lado de um
Se uma reta tem dois pontos distin-
deles é também o lado do outro. Dois
tos num plano, então a reta está con-
ângulos consecutivos são adjacentes
tida nesse mesmo plano.
se não têm pontos internos comuns.
5. Pontos coplanares são pon- Dois ângulos são opostos pelo vér-
tos que pertencem a um mesmo pla- tice se os lados de um são as res-
no. Figura é qualquer conjunto de pectivas semi-retas opostas aos lados
pontos. Figura plana é uma figura que do outro. A congruência entre ângu-
tem todos seus pontos num mesmo los é uma noção primitiva que satis-
plano. A Geometria Plana estuda as faz aos seguintes postulados: reflexi-
figuras planas. va, simétrica e transitiva.
6. Segmento de reta - definição: 10. Ângulo suplementar adja-
dados dois pontos distintos, a reu- cente: dado o ângulo AÔB, a semi-
nião do conjunto desses dois pontos reta , oposta à semi-reta ,e a
com o conjunto dos pontos que es- semi-reta determinam um ângu-
tão entre eles é um segmento de reta. lo BÔC, que se chama ângulo suple-
Semi-reta - definição: dados dois mentar adjacente ou suplemento ad-
pontos distintos, A e B, a reunião do jacente de AÔB.
segmento de reta com o conjunto
dos pontos X (sendo que B está en-
tre A e X) é a semi-reta AB, indicada
por .
Segmentos colineares: dois seg-
mentos de reta são colineares se es-
tão numa mesma reta.
Segmentos adjacentes: dois seg-
mentos consecutivos e colineares são Ângulo reto é todo ângulo con-
adjacentes se possuem em comum gruente a seu suplementar adjacen-
76 Nº 26 • MAIO/2006
te. Ângulo agudo é um ângulo Conseqüências: em todo triângu- No retângulo: as diagonais têm
me-nor que um ângulo reto. Ângulo lo, qualquer ângulo externo é igual à medidas iguais.
obtuso é um ângulo maior que um soma dos dois ângulos internos não No losango: as diagonais são per-
ângulo reto. adjacentes a ele. A soma dos ângu- pendiculares entre si. As diagonais
11. Teorema do triângulo los de qualquer triângulo é igual a dois são bissetrizes dos ângulos opostos.
isósceles: se um triângulo for isós- ângulos retos. No quadrado: as diagonais são
celes, os ângulos da base serão 17. Perpendicularismo: duas re- perpendiculares entre si. As diagonais
congruentes. tas são perpendiculares se e somen- são bissetrizes dos ângulos opostos.
12. Teorema do ângulo externo: te se forem concorrentes e formarem No trapézio isósceles: os ângulos
um ângulo externo de um triângulo é ângulos adjacentes, suplementares e com vértice situado na base maior
maior que qualquer um dos ângulos congruentes. Por um ponto dado fora têm medidas iguais. Os ângulos com
internos não adjacentes. de uma reta existe uma, e somente vértice situado na base menor têm
13. Congruência de triângulos: uma, reta perpendicular à reta dada. medidas iguais. Se M e N forem pon-
dois triângulos são congruentes se e A mediatriz de um segmento é a reta tos médios dos lados não paralelos,
somente se for possível estabelecer perpendicular ao segmento pelo seu
uma correspondência entre seus vér- ponto médio. Chamamos de proje- então MN = e
tices, de modo que seus lados sejam ção ortogonal a distância que vai de
No quadrilátero: se um quadrilá-
ordenadamente congruentes aos la- um determinado ponto ao ponto de
tero tiver dois lados opostos, parale-
dos do outro e seus ângulos sejam intersecção desta mesma reta com a
los e congruentes, então o quadrilá-
ordenadamente congruentes aos ân- perpendicular a ela conduzida por
tero será um paralelogramo.
gulos do outro. aquele ponto.
21. Nos triângulos: se M e N fo-
14. Casos de congruência: LAL 18. Polígonos convexos: um
rem pontos médios dos lados AB e
– Se dois triângulos têm, ordenada- polígono simples é um polígono con-
mente congruentes, dois lados e o vexo se e somente se a reta, deter-
AC, então MN = e .
ângulo compreendido entre eles, en- minada por dois vértices consecuti-
tão eles são congruentes. LLL – Se vos quaisquer, deixar todos os demais Se M for ponto médio do lado
dois triângulos têm, ordenadamente (n - 2) vértices num mesmo semi- e , com N ∈ , então N é
congruentes, os três lados, então eles plano, dos dois que ela determina. O ponto médio de .
são congruentes. ALA – Se dois tri- número de diagonais d de um polígo- Mediana de um triângulo é um
ângulos têm, ordenadamente con- segmento que tem uma extremidade
gruentes, um lado e os ângulos no convexo de n lados é d = . no vértice e a outra no ponto médio
construídos sobre este lado, então do lado oposto. Bissetriz Interna de
A soma S das medidas dos ângulos
eles são congruentes. LAA - Se dois um triângulo é o segmento que tem
internos de um polígono convexo de n
triângulos têm, ordenadamente con- uma extremidade em um vértice e
lados é s = 180° . (n – 2). A soma das
gruentes, um lado, um ângulo cons- outra no lado oposto, que divide o
medidas dos ângulos externos de um
truído sobre este lado e um ângulo ângulo desse vértice em dois ângu-
polígono convexo de n lados é 360°.
oposto a esse lado, então eles são los congruentes. Altura de um triân-
Em todo quadrilátero inscritível, a
congruentes. gulo é o segmento de reta perpendi-
soma das medidas dos ângulos opos-
Caso especial: se dois triângulos cular à reta suporte de um lado do
tos é igual a 180°.
têm, ordenadamente congruentes, triângulo, com extremidade nesta reta
um cateto e a hipotenusa, então es- 19. Quadriláteros notáveis: tra- e no vértice oposto ao lado conside-
tes triângulos são congruentes. pézio é o quadrilátero que possui dois rado. Baricentro é o ponto de encon-
15. Desigualdades: em qualquer lados paralelos. Paralelogramo é o tro das medianas de um triângulo; e
triângulo, a medida de um lado é quadrilátero que possui dois pares de divide cada mediana na razão de 2
menor que a soma das medidas dos lados paralelos. Retângulo é o qua- para 1, a partir do vértice. Incentro é
outros dois lados: a < b + c, b < a + drilátero que possui quatro ângulos o ponto de encontro das bissetrizes
c, c < a + b. congruentes entre si. Losango é o internas de um triângulo; e é o cen-
16. Paralelismo: duas retas serão paralelogramo que possui quatro la- tro da circunferência inscrita no tri-
paralelas se e somente se forem co- dos congruentes entre si. Quadrado ângulo. Circuncentro é o ponto de
incidentes ou coplanares e não tive- é o quadrilátero que possui quatro encontro das mediatrizes dos lados
rem nenhum ponto em comum. Se ângulos congruentes entre si e qua- de um triângulo; e é o centro da cir-
duas retas distintas de um plano for- tro lados congruentes entre si. cunferência circunscrita ao triângu-
marem, com uma transversal, ângu- 20. Propriedades dos quadrilá- lo. Ortocentro é o ponto de encon-
los alternos internos congruentes, teros: tro das alturas de um triângulo. Num
então essas retas serão paralelas. Se No paralelogramo: os ângulos triângulo retângulo, a mediana rela-
duas retas distintas paralelas forem opostos têm medidas iguais. Os la- tiva à hipotenusa mede a metade da
cortadas por uma transversal, então dos opostos têm medidas iguais, as medida da hipotenusa.
os ângulos alternos internos forma- diagonais se interceptam nos respec- 22. Teorema de Tales: se um con-
dos serão congruentes. tivos pontos médios. junto de retas, duas a duas paralelas,
Nº 26 • MAIO/2006 77
for interceptado por duas retas (r e s), um triângulo interceptar a reta que triângulos semelhantes: se os triân-
então a razão entre as medidas de dois contém o lado oposto, então ela di- gulos ABC e DEF forem semelhan-
segmentos quaisquer de r será igual vidirá este lado oposto externamente tes, então as medidas dos lados cor-
à razão entre as medidas dos segmen- em segmentos proporcionais aos la- respondentes serão proporcionais. Se
tos correspondentes de s. dos adjacentes. os triângulos ABC e DEF forem se-
23. Semelhança de triângulos: melhantes, então as medidas de dois
Conseqüência:
dois triângulos que possuem os três segmentos correspondentes serão
Teorema da bissetriz interna: uma ângulos respectivamente congruentes proporcionais.
bissetriz interna de um triângulo divi- são chamados de triângulos seme- 24. Posições relativas entre cir-
de o lado oposto em segmentos pro- lhantes. Os lados opostos aos ângu- cunferência e reta: uma secante a
porcionais aos lados adjacentes. los congruentes são chamados de uma circunferência é a reta que in-
Teorema da bissetriz externa: se correspondentes (ou homólogos). tercepta a circunferência em dois
a bissetriz de um ângulo externo de Propriedade Fundamental dos pontos distintos. Uma tangente a uma

78 Nº 26 • MAIO/2006
circunferência é a reta que intercep- tro lado tangente à circunferência. Retângulos com lados medindo a
ta a circunferência num único pon- 27. Relações métricas em um e b: A = a.b.
to. Uma reta é externa à circunferên- triângulo retângulo: Paralelogramo de base b e altura h:
cia se não intercepta a circunferên- A = b . h.
cia em ponto algum. b2 = am, c2 = an, h2 = n Losango com diagonais medindo
Propriedades: Se uma reta s for bc = ah, bh = cn, ch = bn
secante a uma circunferência, de cen- d e D: A = .
tro em O, nos pontos A e B; e se M for
o ponto médio da corda , então o Trapézio de bases medindo b e B
segmento OM será perpendicular à
e altura h: A =
secante s. Toda reta perpendicular à
extremidade de um raio da circunfe- Círculo de raio r: A = π r2.
rência é tangente à circunferência.
25. Relações métricas em um 32. Expressões da área de um
círculo: Se AB e CD forem cordas triângulo: em função da medida de
de uma circunferência e se intercep- Teorema de Pitágoras: a soma um lado (a) e sua respectiva altura
tarem no ponto P, então PA.PB = dos quadrados dos catetos é igual ao
PC.PD. Se PB e PD forem secantes quadrado da hipotenusa: (h): A = ;
a uma circunferência, então PA.PB a =b +c.
2 2 2
em função das medidas dos lados (a,
= PC.PD. Se PT for tangente e PB 28. Relações métricas num tri-
for secante a uma circunferência, ângulo qualquer: b e c): A = ,
então (PT) = PA. PB. Se
2 Teorema dos senos: os lados de
um triângulo são proporcionais aos
e forem tangentes, então PT = PQ. em que p = ; em função
senos dos ângulos opostos; e a cons-
Se por um ponto P traçarmos uma
tante de proporcionalidade é o diâ- das medidas dos lados e do raio (r)
reta que intercepte uma circunferên-
metro da circunferência circunscrita da circunferência inscrita: A = pr, com
cia nos pontos A e B, ela se chama-
ao triângulo: p acima; em função das medidas dos
rá Potência do ponto P em relação
à circunferência do produto de PA . lados e do raio (R) da circunferência
PB cos α, sendo α o ângulo entre
circunscrita: A = ; em função
os vetores e e Teorema dos cossenos: em qual-
26. Ângulos na circunferência: de dois lados e do seno do ângulo
quer triângulo, o quadrado de um lado
o ângulo central em uma circunfe- formado por esses lados:
é igual à soma dos quadrados dos
rência é o ângulo que tem o vértice outros dois lados, menos duas vezes
no centro da circunferência. Ângulo o produto desses dois lados pelo A=
inscrito em uma circunferência é um cosseno do ângulo por eles formado:
ângulo que tem o vértice na circun- a2 = b2 + c2 – 2bc. cos A, b2 = 33. Lugares geométricos: Cha-
ferência e os lados secantes a ela. A a2 + c2 – 2ac. cos B e c2 = ma-se lugar geométrico o conjunto
medida de um ângulo inscrito numa a2 + b2 – 2ab. cos C. de todos os pontos que satisfazem
circunferência é igual à metade da determinada condição. Se os pontos
medida do arco interceptado pelos 29. Polígonos regulares: um de um lugar geométrico pertencerem
polígono convexo é regular se e so- a um plano, o lugar geométrico será
seus lados: a = . mente se tiver todos os seus lados plano. Na geometria plana, tratare-
congruentes e todos os ângulos inter- mos apenas de lugares geométricos
nos congruentes. Todo polígono re- planos.
gular é inscritível numa circunferên- A mediatriz de um segmento é o
cia ou ainda: dado um polígono regu- lugar geométrico dos pontos eqüidis-
lar, existe uma única circunferência que tantes das extremidades desse seg-
passa pelos seus vértices. Todo mento. A circunferência é o lugar
Conseqüências: Todo ângulo reto polígono regular é circunscritível a geométrico dos pontos de um plano
é inscritível numa semicircunferência uma circunferência ou ainda: dado um que têm distância r de um ponto O.
e, reciprocamente, todo ângulo inscri- poligono regular, existe uma única cir- O lugar geométrico dos pontos
to numa circunferência é ângulo reto. cunferência inscrita no polígono. eqüidistantes de duas retas concor-
Um quadrilátero que tem os vértices 30. Comprimento de uma cir- rentes é a reunião das bissetrizes dos
numa circunferência é um quadriláte- cunferência: o comprimento de uma ângulos formados pelas retas. O lu-
ro inscrito na circunferência. Ângulo circunferência de raio r é dado pela gar geométrico dos pontos eqüidis-
de segmento em uma circunferência fórmula C = 2π r. tantes de duas retas paraleIas dis-
é um ângulo que tem o vértice na cir- 31. Áreas de superfícies planas: tintas é uma reta paralela às retas
cunferência, um lado secante e o ou- quadrado de lado de medida a: A = a2. dadas e de igual distância entre elas.
Nº 26 • MAIO/2006 79
IEZZI, Gelson e outros.
Geometria Espacial. 1. Alguns postulados: numa reta, o plano são paralelos; a reta e o plano
São Paulo: Atual. Coleção bem como fora dela, existem infini- são secantes ou concorrentes.
Fundamentos de tos pontos. Qualquer que seja a reta 6. Paralelismo de reta e plano:
r, existe um ponto P tal que P ∉ r.
Matemática Elementar, Num plano, bem como fora dele,
duas retas, r e s, são paralelas se e
somente se r e s forem coplanares e
v. 10. existem infinitos pontos. Qualquer r∩x=∅ ∅. Por um ponto P, situado
que seja o plano, existe um ponto P fora de uma reta r, existe uma única
fora desse plano.
Síntese elaborada por reta paralela à reta dada (este é o Pos-
Dois pontos distintos determinam tulado de Euclides ou Postulado das
Maria José Ferreira da Silva uma única reta. Três pontos não ali- Paralelas). Uma reta e um plano são
nhados determinam um único plano. paralelos se e somente se não tive-
Se dois pontos distintos de uma reta rem pontos em comum.
pertencerem a um plano, então a reta Teorema 5: se uma reta não esti-
está contida no plano. Se dois pla- ver contida num plano; e for paralela
nos distintos tiverem um ponto em a uma reta do plano, então ela será
comum, então a intersecção desses paralela ao plano.
planos é uma única reta que passa Teorema 6: se uma reta for para-
por aquele ponto. lela a um plano, então ela será para-
2. Determinação de planos: um lela a uma reta do plano.
plano pode ser determinado de qua- 7. Posições relativas de dois pla-
tro modos: por três pontos não nos distintos: ocorre quando dois
ali-nhados (é o postulado P4). Por uma planos distintos podem ser paralelos
reta e um ponto fora dela (Teorema ou secantes.
1). Por duas retas concorrentes
(Teorema 2). Por duas retas parale- 8. Intersecção de planos: ocor-
las (Teorema 3). re quando dois planos, distintos ou
Teorema 1: se uma reta e um não, se interceptam ou têm uma úni-
ponto forem tais que o ponto não ca reta em comum. Dois planos dis-
pertença à reta, então eles determi- tintos que têm uma única reta em
nam um único plano que os contém. comum são chamados secantes ou
Teorema 2: se duas retas forem concorrentes.
concorrentes, então elas determinam 9. Paralelismo entre planos: dois
um único plano que as contém. planos são paralelos se e somente se
Teorema 3: se duas retas forem não tiverem pontos em comum.
paralelas entre si e distintas, então Teorema 7: se um plano contiver
elas determinam um único plano que duas retas concorrentes, ambas pa-
as contém. ralelas a um outro plano, então es-
3. Retas reversas: duas retas são ses planos serão paralelos.
reversas se e somente se não existir Teorema 8: se dois planos forem
um plano contendo as duas. paralelos, então um deles conterá
Teorema 4: existem retas reversas. duas retas concorrentes, ambas pa-
Um quadrilátero é reverso se e so- ralelas ao outro. Por um ponto P, fora
mente se não existir um plano con- de um plano, passa um único plano
tendo seus quatro vértices. paralelo ao plano dado.

4. Posições relativas de duas 10. Retas formando ângulo reto:


retas: duas retas distintas, a e b, po- o ângulo entre duas retas reversas é
dem ser coplanares ou reversas. Sen- o ângulo formado pelas paralelas às
do coplanares, podem ser concorren- retas dadas, conduzidas por um ponto
tes ou paralelas. qualquer do espaço. Duas retas são
perpendiculares se e somente se
5. Posições relativas de retas e forem coplanares e formarem um
planos: dados uma reta e um plano: ângulo reto. Duas retas são ortogo-
podem ocorrer três posições relativas: nais se e somente se forem reversas
a reta está contida no plano; a reta e e formarem um ângulo reto.
80 Nº 26 • MAIO/2006
11. Perpendicularismo de reta e lelas. Chamamos de distância entre polígonos e o plano de cada polígono
plano: uma reta perpendicular a um um ponto e um plano a distância entre deve deixar os demais polígonos num
plano se e somente se for concorrente este ponto e o pé da perpendicular mesmo semi-espaço.
com o plano e perpendicular a todas ao plano conduzido pelo ponto. Cha- Um poliedro convexo possui: fa-
as retas do plano que passam pelo mamos de distância entre uma reta ces, que são os polígonos convexos.
ponto de intersecção. e um plano paralelos a distância en- Arestas, que são os lados dos
Teorema Fundamental: se uma tre um ponto qualquer da reta e o polígonos. E vértices, que são os
reta for perpendicular a duas retas plano. Chamamos de distância entre vértices dos polígonos. A reunião das
concorrentes de um plano, então ela dois planos paralelos a distância en- faces é a superfície do poliedro.
será perpendicular a esse plano. tre um ponto qualquer de um deles e Propriedade: a soma dos ângu-
o outro plano. Chamamos de distân- los de todas as faces de um poliedro
Teorema das três perpendicula-
cia entre duas retas reversas a dis- convexo é s = (v – 2)4r , em que V é
res: são dados um plano (α), uma reta
tância entre um ponto qualquer de o número de vértices e r é um ân-
(s) contida em α e um ponto (P) fora
uma delas e o plano que passa pela gulo reto.
de α. Por P traçamos a reta r per-
outra (e que é paralelo à primeira).
pendicular a α; e que o intercepta no 18. Relação de Euler para todo
ponto A. Se por A traçamos a reta t poliedro convexo (ou para sua su-
15. Ângulo de uma reta com um
perpendicular à reta s, e se s inter- perfície), vale a relação V - A + F = 2,
plano: chamamos de ângulo de uma
ceptar t em B, então a reta PB será em que V é o número de vértices, A
reta e um plano (oblíquos) o ângulo
perpendicular à reta s. é o número de arestas e F é o núme-
agudo que a reta forma com a sua
Teorema: por um ponto P pode- projeção ortogonal sobre o plano. ro de faces do poliedro.
se conduzir um único plano perpen- Chamamos de reta de maior declive Poliedros Eulerianos são aque-
dicular a uma reta dada. do plano α em relação ao plano β toda les que satisfazem a relação de Euler.
reta α de perpendicular à intersecção
12. Perpendicularismo de pla- 19. Poliedros de Platão: um po-
dos planos α e β.
nos: um plano é perpendicular a ou- liedro é chamado de Platão se e so-
tro se e somente se um deles conti- mente se todas as faces tiverem a
16. Ângulos poliédrícos conve-
ver uma reta perpendicular ao outro. mesma quantidade de arestas. E se
xos: considerando um polígono
em cada vértice ocorrer a mesma
Teorema: Se dois planos forem ABC(...) contido num plano e um
quantidade de arestas, vale a Rela-
perpendiculares entre si, e uma reta ponto V (não pertencente a esse pla-
ção de Euler.
de um deles for perpendicular à no), chamamos de ângulo poliédri-
intersecção dos planos, então essa co de vértice V o conjunto de todas Propriedade: existem cinco (so-
reta será perpendicular ao outro as semi-retas de origem V que pas- mente cinco) classes de poliedros de
plano. sam por um ponto qualquer da re- Platão (tetraedro, hexaedro, octaedro,
gião poligonal ABC. dodecaedro e icosaedro).
Teorema: por um ponto P pode-
se conduzir um único plano perpen-
20. Poliedros Regulares: um
dicular a um plano dado.
poliedro convexo é regular se suas fa-
ces forem regiões poligonais con-
13. Projeção ortogonal sobre um
gruentes entre si e se seus ângulos
plano: um pé da perpendicular ao
poliédricos forem congruentes entre si.
plano conduzida pelo ponto chama-
Propriedade: existem cinco (so-
se de projeção ortogonal de um ponto
mente cinco) tipos de poliedros re-
sobre um plano. O conjunto das pro-
gulares. Todo poliedro regular é o
jeções ortogonais dos pontos dessa
poliedro de Platão, mas nem todo
figura sobre o plano chama-se pro-
poliedro de Platão é um poliedro re-
jeção ortogonal de uma figura sobre O ângulo poliédrico se diz conve-
gular.
um plano. xo quando qualquer plano que o inter-
secciona (que não contenha o vérti- 21. Prisma
14. Distâncias geométricas: o ce) o faz segundo um polígono con-
segmento de reta (ou qualquer vexo. Sejam α e β dois planos distintos
segmento congruente a ) chama- paralelos entre si; R, um polígono
se distância entre dois pontos distin- 17. Poliedro convexo: ocorre contido em α; e s, uma reta concor-
tos (A e B). Chamamos de distância quando há a intersecção dos semi- rente com α. A reunião de todos os
entre um ponto e uma reta a distân- espaços determinados por um núme- segmentos de reta, com uma extre-
cia entre este ponto e o pé da per- ro finito n (n ≥ 4) de polígonos pla- midade em R e a outra em β, parale-
pendicular à reta conduzida pelo pon- nos convexos, de forma que dois los a s, é chamada de prisma.
to. A distância entre um ponto qual- polígonos não estejam num mesmo O prisma possui: duas bases
quer de uma delas à outra reta cha- plano. Cada lado de polígono deve congruentes; n faces laterais (parale-
ma distância entre duas retas para- ser comum a dois e somente dois logramos); n arestas laterais; 3n ares-
Nº 26 • MAIO/2006 81
tas; 3n diedros; 2n vértices e 2x Superfície lateral é a reunião das Cilindro eqüilátero é um cilindro
triedros. faces laterais. cuja secção meridiana é um quadra-
Superfície total é a reunião da su- do, isto é, h = 2r.
perfície lateral com a superfície da A área lateral de um cilindro reto
base. é dada por Al = 2πrh, onde h é a
Pirâmide regular é uma pirâmi- altura do cilindro.
de cuja base é um polígono regular e A área total de um cilindro é a
cuja projeção ortogonal do vértice soma da área lateral com as áreas
sobre o plano da base é o centro da das duas bases.
base (as arestas laterais são con- O volume de um cilindro é o pro-
Prisma reto é aquele cujas ares-
gruentes). duto da área da base pela medida da
tas laterais são perpendiculares aos
planos das bases (as faces late-rais Chamamos de apótema de uma altura: V = r2h.
formam retângulos). pirâmide regular a altura (relativa ao
lado da base) de uma face lateral. O 24. Cone: consideremos um cír-
Prisma regular é um prisma reto culo (centro O) e o raio r situados num
tetraedro é uma pirâmide regular.
cujas bases são polígonos regulares. plano; e um ponto V fora desse pla-
Tetraedro regular é um tetraedro que
Prisma oblíquo é aquele cujas possui as seis arestas congruentes no. Chamamos de cone a reunião dos
arestas são oblíquas aos planos das entre si. segmentos de reta que têm uma ex-
bases. tremidade em V e outra nos pontos
O volume de uma pirâmide qual-
Paralelepípedo é um prisma cujas do círculo.
bases são paralelogramos. quer é dada por V = , em que B O cone possui uma base e as
Paralelepípedo reto é um prisma geratrizes, que são os segmentos que
é a área da base e h, a medida da têm uma extremidade em V e outra
cujas faces laterais são retângulos.
altura da pirâmide nos pontos da circunferência; e es-
Paralelepípedo retângulo é um
prisma reto cujas bases são retân- tes contornam a base e o vértice (V).
23. Cilindro: consideremos um A altura de um cone é a distância
gulos.
círculo situado num plano (de centro entre o vértice e o plano da base.
Cubo é um paralelepípedo retân- O e raio r) e um segmento de reta
gulo cujas arestas são congruentes. Superfície lateral é a reunião das
PQ não paralelo (nem contido) ao pla-
geratrizes.
A área lateral de um prisma é a no. Chamamos de cilindro a reunião
Superfície total é a reunião da
soma das áreas das faces laterais. dos segmentos congruentes e para-
superfície lateral com o círculo da
A área total de um prisma é a lelos a , sendo que uma das ex-
base.
soma das áreas das faces laterais com tremidades destes segmentos deve
estar ligada aos pontos do círculo, que Um cone é oblíquo se a reta que
as áreas das bases.
estão situados no semi-espaço deter- passa por V e pelo centro da base
O volume de um prisma é o pro- for oblíqua ao plano da base. Um cone
minado pelo plano.
duto da área da secção reta (secção é reto se a reta que passa por V e
cujo plano é perpendicular à aresta) A altura de um cilindro é a distân- pelo centro da base for perpendicu-
pela medida da aresta lateral. cia h entre os planos das bases. Um lar ao plano da base.
cilindro possui duas bases (círculos),
Secção meridiana de um cone
22. Pirâmide: Sejam um polígono situadas em planos paralelos, e as
circular reto é a intersecção do cone
convexo (R) contido num plano α e geratrizes, que são os segmentos pa-
com um plano que contém a reta que
um ponto (V) fora de α. A reunião de ralelos a que têm as extremida-
passa por V e pelo centro da base. A
todos os segmentos de reta, tendo des nos pontos da circunferência; e
secção meridiana de um cone circu-
uma extremidade em V e a outra em esta contorna uma das bases.
lar reto é um triângulo isósceles.
R, é denominada pirâmide. Uma pi- Superfície lateral é a reunião das O cone eqüilátero é um cone cuja
râmide possui uma base; n faces la- geratrizes. secção meridiana é um triângulo
terais (triângulos); n arestas laterais;
Superfície total é a reunião da equilátero.
2n arestas; 2n diedros; n+1 vértices;
n+1 ângulos poliédricos e n triedros. superfície lateral com os círculos das A área lateral de um cone reto
A altura de uma pirâmide é a dis- bases. Se as geratrizes forem oblíquas pode ser calculada pela fórmula
tância entre o vértice e o plano da aos planos das bases, teremos um Al = π r g, em que r é o raio da base
base. cilindro oblíquo. Se as geratrizes fo- e g, a geratriz. At = π r (g+r).
rem perpendiculares aos planos das A área total de um cone reto é
bases, teremos um cilindro reto. dada por Al = π r (g+r).
Secção meridiana é a intersecção O volume de um cone é um ter-
do cilindro com um plano que con- ço do produto da área da base pela
tém a reta determinada pelos centros medida da altura: V =
das bases.
82 Nº 26 • MAIO/2006
25. Esfera: consideremos um Considerando a superfície de A área da superfície de uma esfe-
ponto O e um segmento de medida uma esfera de eixo e (diâmetro do ra de raio r é igual a 4π r2 . O volume
r. Chamamos de esfera de centro O círculo máximo), temos os pólos,
e raio r o conjunto dos pontos P do que são as intersecções da superfí- da esfera de raio r é
espaço, de forma que a distância OP cie com o eixo; o equador, que é a
seja menor ou igual a r. secção (circunferência) perpendicu-
Chamamos de superfície da es- lar ao eixo pelo centro da superfí- 26. Superfícies de revolução:
fera de centro O e raio r o conjunto cie; o paralelo, que é uma secção consideremos semiplano de origem
dos pontos P do espaço, de forma (circunferência) perpendicular ao e (eixo); e nele uma linha g (geratriz).
que a distância OP seja igual a r. eixo e paralela ao equador; o Girando este semiplano em torno de
Toda secção plana de uma esfe- meridiano, que é uma secção (cir- e, a linha g gera uma superfície que
ra é um círculo. Se o plano secante cunferência) cujo plano passa pelo é chamada de superfície de revolu-
passar pelo centro da esfera, teremos eixo. Distância polar é a distância ção. Exceto se houver um aviso con-
como secção um círculo máximo da de um ponto qualquer de um para- trário, consideramos a revolução
esfera. lelo ao pólo. completa como sendo de 360°.
Nº 26 • MAIO/2006 83