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UNIVERSIDADE CATOLICA DO TOCANTINS

CURSO DE MEDICINA VETERINÁRIA


DISCIPLINA DE TÉCNICA CIRÚRGICA

(PORTFÓLIO)
TÉCNICAS OPERATÓRIAS EM TECIDOS MOLES

Juliana Evangelista Candido


FC20162953

7Período

Professora Responsável pela Disciplina: Silmara Sanae Sakamoto de Lima

2019.2
Palmas-TO
SUMÁRIO

1 CIRURGIA DO BAÇO – ESPLENECTOMIA TOTAL.......................................4

2 CIRURGIAS DA BEXIGA - CISTOTOMIA........................................................5

3 CIRURGIAS DO APARELHO REPRODUTOR – OSH OU ORQUIECTOMIA. 8

4 CIRURGIAS DA TRAQUEIA – TRAQUEOTOMIA E TRAQUEOSTOMIA.....10


5. CIRURGIAS DO ESÔFAGO- ESÔFAGO FIXAÇÃO DE SONDA (MÉTODO
BORBOLETA)....................................................................................................12

6. CIRURGIAS DO GLOBO OCULAR – ENUCLEAÇÃO.................................14

7. CIRURGIAS NA 3A PÁLPEBRA – FLAP DE 3A PÁLPEBRA.........................15


8 CIRURGIA DE PREGUIMENTO PALPEBRAL
...............................................17

9. PREPARO DA EQUIPE CIRÚRGICA E DO PACIENTE..............................18

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................22
1. CIRURGIA DO BAÇO – ESPLENECTOMIA TOTAL
1.1 FUNÇÕES DO BAÇO
O baço está envolvido em funções linfáticas, imunes, circulatórias e
hematopoiéticas. O parênquima esplênico é dividido em polpa vermelha e
polpa branca. Na polpa vermelha o sistema monocitário-macrofágico é
responsável pela remoção do sangue de eritrócitos senescentes, bactérias,
complexos imunes. Na polpa branca, há focos distintos organizados de tecido
linfoide, cujas atividades primárias são captura e fagocitose de antígenos que
promovem a produção de linfócitos B e plasmócitos com vistas à produção de
anticorpos e linfócitos de memória.

1.2 DEFINIÇÃO DE ESPLENECTOMIA TOTAL


A esplenectomia é a cirurgia de retirada total do baço.

1.3 INDICAÇÕES CIRÚRGICAS DA TÉCNICA


As principais indicações de esplenectomia total em cães são: Neoplasias
esplênicas primárias, torções, traumatismos graves, distúrbios hematológicos e
lesões esplênicas benignas.

1.4 DESCRIÇÃO CIRÚRGICA COMPLETA (Nome das ligaduras, tipo de fio


que pode ser utilizado, nome dos instrumentos cirúrgicos)

O acesso ao órgão se faz por uma laparotomia pré-retroumbilical. Após a


delimitação da área a ser removida, todos os vasos hilares devem ser
duplamente ligados com fios de sutura absorvíveis e seccionados próximos ao
baço, devendo-se ter cuidado especial para não realizar dos ramos gástricos
próximos à grande curvatura do estômago.
Observa-se a região de isquemia formada e, com os dedos indicador e médio
posicionados transversalmente ao órgão, realiza-se uma compressão suave,
afastando a polpa esplênica. Posicionam-se duas pinças hemostáticas na
região, sendo em seguida realizada a incisão entre as pinças e a ressecção do
seguimento isquêmico.

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Figura 1: Ligação dos vasos hilares

.
Fonte: Acervo pessoal (2019)

1.5 POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES


As complicações mais comuns que ocorrem em cães que foram submetidos a
esplectomia são hemorragias e pancreatite isquêmica podendo ocorrer, mais
raramente, exacerbação dos sinais clínicos de babesiose e outros
hemocitozoários no pós-operatório, que antes se encontravam subclínicos. A
pancreatite isquêmica se deve se deve a ligadura do ramo originado da artéria
esplênica que vai irrigar a porção esquerda do pâncreas.

2. CIRURGIAS DA BEXIGA - CISTOTOMIA


2.1 FUNÇÕES DA BEXIGA
A função da bexiga urinária é armazenar urina. É um órgão oco, muscular
(musculatura lisa) com tamanho variado conforme a quantidade de urina
contida em um período. A musculatura lisa da bexiga é reconhecida como
músculo detrusor. O revestimento epitelial celular da bexiga urinária acomoda-
se para as alterações de tamanho e é conhecido como epitélio transicional.
Quando a bexiga urinária está vazia, as células parecem empilhadas,
conferindo-lhe aspecto estratificado (em camadas). Uma transição ocorre no
preenchimento, de forma que a aparência empilhada dá lugar a uma

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estratificação epitelial mais delgada. O colo da bexiga urinária é a continuação
caudal da bexiga para uretra. A musculatura lisa no colo está misturada com
uma considerável quantidade de tecido elástico e funciona como um esfíncter
interno.

2.2 DEFINIÇÃO DA CISTOTOMIA


A cistotomia é a remoção de cálculos vesicais ou cistólitos consiste na incisão
cirúrgica no interior da bexiga (vesícula urinária). É o procedimento mais
comum entre todas as cirurgias urológicas.

2.3 INDICAÇÕES CIRÚRGICAS DA TÉCNICA


É indicada em pacientes com urólitos (ex: oxalato de cálcio, fosfato de cálcio)
quando os cálculos não podem ser eliminados pelo tratamento conservador, ou
quando houver dúvidas a respeito da formação dos cálculos. Esta cirurgia
também é indicada nos pacientes com evidências radiográficas de alterações
na mucosa da vesícula urinária e pode ser utilizada para verificar a posição do
orifício uretral nos pacientes com incontinência urinária. É possível se fazer a
cateterização dos ureteres por meio desta técnica.

2.4 DESCRIÇÃO CIRÚRGICA COMPLETA (Nome das ligaduras, tipo de fio


que pode ser utilizado, nome dos instrumentos cirúrgicos)
Inicia-se com acesso através de laparotomia mediana ventral, localizar a
bexiga e colocar suturas de sustentação no ápice e tracionar a bexiga em
direção cranial, logo elevar e isolar a bexiga com compressas úmidas. Colocar
outro ponto de sustentação no aspecto caudal da bexiga, se a incisão for na
porção ventral da mesma. Cistotomia dorsal foi recomendada no passado por
diminuir o extravasamento de urina e por evitar aderências da vesícula urinária
com a parede do abdômen e reduzir a incidência da formação de cálculo por
acúmulo de sedimentos sobre a sutura exposta. Hoje se sabe que a cistotomia
ventral não resulta em aderência da parede abdominal, e que não há
diferenças quanto à morbidade, entre as duas localizações. A cistotomia ventral
também facilita a cateterização do ureter, se necessária uma incisão em

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estocada é realizada entre as duas suturas previamente colocadas a urina
residual é removida por sucção ou, antes de se realizar a incisão, a urina pode
ser aspirada com uma seringa e agulha. Estende-se a incisão cranial e
caudalmente com uma tesoura. A incisão deve ter tamanho suficiente para
retirar os cálculos com curetas ou outro material apropriado. Deve-se palpar a
bexiga e passar uma sonda uretral, assegurando-se de que não restaram
cálculos dentro da uretra. Repetidos procedimentos de flushing e aspiração
removem cálculos discretos e pequenas partículas. Cistorrafia: simples
contínua padrão Cushing ou Lembert ou a associação de ambas, com fio
absorvível sintético 3.0 ou 4.0.
Figura 2: Exposição da bexiga urinária para cistotomia.

Fonte: Acervo pessoal (2019)

2.5 POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES


Possíveis complicações cirúrgicas envolvem extravasamento de urina para a
cavidade abdominal, com formação de urperitônio, que pode ser conseqüência
de deiscência de pontos ou outras causas como friabilidade da parede da
vesícula urinária. Vale ressaltar que no primeiro dia após a cirurgia é normal
que haja pequena quantidade de sangue na urina em decorrência do
procedimento cirúrgico.

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3. CIRURGIAS DO APARELHO REPRODUTOR – OSH OU ORQUIECTOMIA
3.1 FUNÇÕES DO ÓRGÃOS REPRODUTORES
O sistema reprodutor feminino é composto pelos ovários, tubas uterinas
(trompas de falópio), útero e vagina. Nos ovários ocorre a produção de
hormônios, como, por exemplo, os hormônios sexuais femininos (estrógenos e
progesterona) e ovócitos secundários (células que se tornam óvulos, ou ovos,
caso haja fertilização)

3.2 DEFINIÇÃO DE OSH OU ORQUIECTOMIA


A ovariossalpingo-histerectomia (OSH) consiste na realização de laparotomia
com ablação dos ovários, trompas e útero.

3.3 INDICAÇÕES CIRÚRGICAS DA TÉCNICA


Controle populacional, piometria, hemometria, mucometria, hidrometria,
alterações comportamentais, distorcias com comprometimento uterino, tumores
mamários, hormônio dependentes, neoplasias ovarianas ou uterinas,
histeroceles, hiperplasia endometrial cística, cistos ovarianos, fetos
macerados/mumificados, torção uterina, ruptura uterina e intussuscepção
uterina.

3.4 DESCRIÇÃO CIRÚRGICA COMPLETA (Nome das ligaduras, tipo de fio


que pode ser utilizado, nome dos instrumentos cirúrgicos)
A OSH mais usada é pelo acesso da linha mediana ventral, todavia o acesso
lateral, também, está sendo bastante usado nas campanhas de esterilização
cirúrgica em massa. Na OSH tradicional é feita uma incisão mediana pré-
retroumbilical; em seguida faz-se a exposição dos órgãos, onde os pedículos
ovarianos são unidos, transfixados e seccionados. O corpo uterino é perfurado
em ambos os lados perto da cérvix para ligar as artérias e as veias uterinas. No
próximo passo, secciona-se o corpo uterino. A parede abdominal é laqueada
em três planos: peritônio, fáscia e músculos; subcutâneo com pontos tipo
cushing; enfim, a pele com pontos separados simples com fio não absorvível,

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deve-se cerrar a incisão em um padrão de sutura cortado com fio absorvível ou
um padrão de sutura ininterrupta com fio não absorvível. Depois de fechada a
cavidade, sutura-se ao subcutâneo da pele.
Em animais com menos de doze semanas de vida, por causa da espessura
dos órgãos e do menor tamanho do corpo uterino, existe dificuldade na
exposição da bifurcação do útero no emprego da técnica de laparotomia
mediana ventral. Por tanto, a incisão é feita levemente oblíqua, no sentido
dorso-mediano ventral, iniciando no ponto médio entre a última costela e a
crista ilíaca. A incisão varia em 3 cm para cadelas e 2 cm para gatas; essa
variação se dá de acordo com o tamanho do animal. Utiliza-se pontos
interrompidos simples ou duplo em “X”. Nestes dois planos o fio empregado é o
categute. Devido à diferença do comprimento dos pedículos ovarianos
confrontados com o corpo uterino, aconselha-se a incisão retroumbilical em
cadelas adultas. A OSH pela linha mediana ventral é aconselhada, além da
esterilização eletiva, para remoção do útero e dos ovários originados por
diversas patologias. Também é indicado o acesso mediano ventral em casos
de partos que precisem passar por cesariana.
Em cadelas a incisão cutânea inicia-se, normalmente, a um centímetro da parte
inferior da cicatriz umbilical. A dimensão da incisão deverá ser aceitável para
comportar a expor os ovários e da comunicação entre o corpo do útero e o
cérvix, para facilitar a colocação das ligaduras. Tendo localizado o trato
reprodutivo, o ligamento deve ser interrompido com cuidado por meio de
movimentos de trancionado caudo-lateral ou caudo-medial com o dedo
indicador da mão destra, sendo que a outra mão se sustente o ligamento. Muito
cuidado deve ser tomado ao palpar os ovários, pois eles se escondem numa
gordura da cavidade e, se houver rompimento do mesmo poderá provocar a
síndrome do ovário remanescente. As duplas ligaduras com transfixação são
aconselhadas para todos os pedículos em cadelas adultas. Ao se ligar o corpo
uterino, a ligadura caudal deverá ficar mais próxima possível do ligamento do
corno com o cérvix, evitando-se uma possível piometra. A ligadura posterior
deve estar posicionada cranialmente à primeira. Se o ligamento largo

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apresentar uma grande quantidade de gordura, poderá ser preciso a prática de
uma ligadura nos vasos correspondentes.

Figura 3: Remoção dos ovários.

Fonte: Acervo pessoal (2019)

3.5 POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES


Hemorragia primariamente, traumas na ligadura do útero, tratos fistulosos e
granulomas, liberação de exsudato sanguinolento ou mucopurulento,
incontinência urinária, autotrauma, edema da incisão seroma, infecção.

4. CIRURGIAS DA TRAQUEIA – TRAQUEOTOMIA E TRAQUEOSTOMIA


4.1 FUNÇÕES DA TRAQUEIA
Aquecer, umidificar e filtrar o ar que será conduzido aos pulmões.

4.2 DEFINIÇÃO DAS TÉCNICAS


Traqueotomia: Procedimento cirúrgico realizando a abertura da traqueia para
melhorar a insuficiência respiratória do paciente.

Traqueostomia: È um procedimento cirúrgico caracterizado pela abertura da


traqueia, com a inserção de uma cânula para possibilitar a entrada de ar nas
vias respiratórias.

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4.3 INDICAÇÕES CIRÚRGICAS DAS TÉCNICAS
É indicada em situações de obstrução das vias respiratórias, fornecer uma via
aérea estável em casos de pacientes com intubação traqueal prolongada,
debilidade da musculatura respiratória.

4.4 DESCRIÇÃO CIRÚRGICA COMPLETA (Nome das ligaduras, tipo de fio


que pode ser utilizado, nome dos instrumentos cirúrgicos)
O paciente deve ser anestesiado e posicionado em decúbito dorsal, logo após
é feita a assepsia do campo operatório desde a borda inferior da mandíbula até
o inicio da região torácica. A incisão é realizada com o bisturi tomando cuidado
para não perfurar outros tecidos, com o auxilio das pinças alis cada borda da
abertura cirúrgica é fixada de modo que a traqueia fique exposta para facilitar a
abertura. A incisão da traqueia deve ser feita de maneira horizontal entre o 4º e
o 5º anel traqueal, o orifício deve ser adequado para o tamanho da cânula
escolhida para não traumatizar a parede da traqueia (Figura 1). Para o
fechamento traqueal foi utilizado ponto simples isolado. O fechamento da
musculatura e pele foi utilizado o ponto simples continuo para cada tecido.

Figura 4: Utilização da cânula entre o quarto e quinto anel traqueal.

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Fonte: Acervo pessoal (2019)

4.5 POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES


Pode ocorrer parada respiratória, edema de pulmão, broncoaspiração de
sangue, pneumotórax, falso trajeto de mediastino, hemorragias ou formação de
hematomas, infecção.

5. CIRURGIAS DO ESÔFAGO- ESÔFAGO FIXAÇÃO DE SONDA (MÉTODO


BORBOLETA)
5.1 FUNÇÕES DO ESÔFAGO:
O esôfago é um órgão tubular que possui em toda sua extensão linhas linear,
tem função de transportar água e alimento da laringe para o estômago através
de contrações.

5.2 DEFINIÇÃO DA TÉCNICA:


É o oferecimento de alimentação por sonda esofágica, fazendo uso de tubos de
alimentação.

5.3 INDICAÇÕES CIRÚRGICAS DAS TÉCNICAS

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Em casos onde animal tenha alguma dificuldade em se alimentar ou
decorrente de algum procedimento cirúrgico, onde animal deve poupar
esforços tendo comprometimento na cavidade oral e faringe.

5.4 DESCRIÇÕES CIRÚRGICAS COMPLETAS (Nome das ligaduras, tipo de


fio que pode ser utilizado, nome dos instrumentos cirúrgicos)
Na realização da técnica o animal deve estar sedado e ser mantido em
decúbito lateral direito, os volantes devem fazer a tricotomia do local para em
seguida o cirurgião realizar a assepsia. A cavidade oral deve ser mantida
sempre aberta.
Deve ser realizado a medição da sonda , sendo feita desde o ponto de inserção
ate a o sétimo espaço intercostal , uso de uma piça Rochester curva ira
auxiliar na colocação da sonda , colocando a ponta oblíqua do instrumento na
boca do animal até a chegar na região cervical média. Palpe a ponta ate que
ela se torne saliente através da pele cervical. Faça uma pequena incisão
cutânea sobre a ponta da pinça, para o auxilio da incisão é indicado que o
volante fique fazendo movimentos de abrir e fechar, usando a ponta da lâmina
de bisturi, aumente cuidadosamente a incisão no tecido subcutâneo, na
musculatura cervical e parede esofágica, permitindo a penetração do corpo
instrumental.
Após a abertura retraia o instrumento e empurre a sonda alimentar para o
interior da cavidade oral até sua medição predeterminada. Após a retirada da
pinça faça é ideal a realização de ponto simples isolado para fchamento da
sonda a pele. Com a sonda posicionada faça uso de um esparadrapo pregando
ele na sonda, com efeito, borboleta onde ficara duas pontas, fixe no animal
usando ponto de sutura wolff com fios de sutura não absorvíveis.

5.5 POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES


As sondas esofágicas podem ser mantidas por semanas ou meses, pode
ocorrer ruptura gástrica, ruptura de sondas, deiscência, obstrução tardia.

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Imagem 5: Fixação de sonda com método borboleta, uso de ponto simples
isolado na junção de tecido em conjunto com ponto wolff na fixação da sonda a
pele do paciente.

Fonte: Acervo pessoal (2019)

6. CIRURGIAS DO GLOBO OCULAR – ENUCLEAÇÃO

6.1 FUNÇÕES DO GLOBO OCULAR

Permitir a projeção da luz sobre a parte fotossensível do olho.

6.2 DEFINIÇÕES DE ENUCLEAÇÃO

A enucleação é a cirurgia orbitária radical mais comum, que consiste na


remoção do globo ocular como um todo, incluindo o revestimento fibroso
interno.

6.3 INDICAÇÕES CIRÚRGICAS DA TÉCNICA

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Recomendada em casos de perfurações oculares, endoftalmite, panoftalmite,
ruptura do nervo óptico, neoplasias intraoculares, traumatismos severos e
glaucomas crônicos incontroláveis, em que o animal já perdeu a visão, porém
apresenta dor.

6.4 DESCRIÇÃO CIRÚRGICA COMPLETA

Na enucleação, com o uso de uma tesoura romba romba reta ou curva é


realizado a cantotomia lateral de 1 a 2 centímetros de extensão, para
exposição mais adequada do globo ocular. Em seguida é realizada incisão da
conjuntiva perilimbar e dissecção junto ao globo com o auxílio de um bisturi,
onde posteriormente ocorre a desinserção de todos os músculos extraoculares.
A rotação medial do globo ocular expõe o nervo óptico, o qual é pinçado com o
auxílio de duas hemostáticas como a rochester (curva ou não) e transfixado
para posterior secção. Possíveis hemorragias no local devem ser controladas
com ligaduras ou esponjas cirúrgicas. A terceira pálpebra e o tarso palpebral
também são removidos antes da sutura da pele. A glândula lacrimal geralmente
não é removida, e a fáscia bulbar e a conjuntiva são suturadas com fio
absorvível 4-0 em padrão contínuo. As pálpebras são fechadas com pontos
separados, como ponto simples isolado utilizando-se fio monofilamentar não
absorvível. Próteses de resina acrílica ou silicone podem ser colocadas na
cavidade anoftálmica antes da sutura, na tentativa de melhorar a estética de
cães e gatos, particularmente em crânios meso e dolicocefálicos que possuem
a órbita mais profunda.

Figura 6: Pinçamento do nervo óptico com duas pinças hemostáticas


Rochester.

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Fonte: Acervo pessoal (2019)

6.5 POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES

Hemorragias, ocasionando inflamação da região cirúrgica com secreção serosa


drenando da sutura, infecções, deiscência e fístula.

7. CIRURGIAS NA 3º PÁLPEBRA – FLAP DE 3º PÁLPEBRA

7.1 FUNÇÕES DA TERCEIRA PÁLPEBRA

A função da terceira pálpebra é a proteção do globo ocular, secretando e


distribuindo lágrimas. Quando os músculos bulbares retratores retraem o globo,
a terceira pálpebra cobre o olho e serve como barreira protetora. A sua
movimentação ajuda na excreção de impurezas do globo ocular.

7.2 DEFINIÇÃO DE FLAP DA TERCEIRA PÁLPEBRA

Técnica que permite barreira de proteção mecânica a córnea, e praticidade a


continuidade do tratamento tópico com colírios com a vantagem de promover
um maior tempo de contato do fármaco com a superfície ocular.

7.3 INDICAÇÕES CIRÚRGICAS DA TÉCNICA

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Ceratites ulcerativas (úlceras de córnea), principalmente superficiais,
ceratopatia bolhosa, trauma e durante a cicatrização de uma inflamação.

7.4 DESCRIÇÃO CIRÚRGICA COMPLETA

Na técnica, a pálpebra superior deve ser levantada da superfície ocular e


transfixada primeiramente pela parte externa para a interna, com fio de náilon
agulhado 5-0 ou mononaylon 4-0, a aproximadamente 5mm da borda, na parte
medial. Logo, a borda da terceira pálpebra deve ser pinçada e também
transfixada, sendo acomodada sob a pálpebra superior que deve ser
novamente transfixada, agora de dentro para fora, e o ponto deve ser fixado
pela parte externa da pálpebra, para que o nó não fique em contato com a
superfície ocular, finalizando o ponto cirúrgico do tipo “U vertical” ou “Wolf
horizontal” captonado. Deve ser efetuado três pontos equidistantes, para
correta fixação cranial da terceira pálpebra sob a pálpebra superior.

Figura 7: Finalização da técnica cirúrgica de flep de 3º pálpebra com ponto


Wolf horizontal captonado.

Fonte: Acervo pessoal (2019).

7.5 POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES

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Entrópio caso tenha falha no ancoramento, reprolapso se a sutura falhar ou for
ancorada inadequadamente e se ocorrer cegueira o animal pode apresentar
cegueira e estrabismo, lagoftalmo, hiperesia córnea e atrofia ocular.

8. CIRURGIA DE PREGUIMENTO PALPEBRAL

8.1 FUNÇÕES DA PALPEBRA

Evitar o ressecamento dos olhos, auxilio na produção de lagrima , proteção do


globo ocular.

8.2 DEFINIÇÕES DE PREGUIMENTO DA PALPEBRA

Técnica que vai evitar a inversão ou o enrolamento para dentro de toda a


pálpebra ou de parte dela, fazendo com que a pele com pelos atrite tanto a
superfície conjuntival quanto na córnea.

8.3 INDICAÇÕES CIRURGICA DA TÉCNICA

Obtenção de uma pálpebra funcional e de aspecto estético satisfatório,


principalmente em cães filhotes de ate seis meses.

8.4 DESCRIÇÃO CIRÚRGICA COMPLETA ( Nome das ligaduras, tipo de fio


que pode ser utilizado, nome dos instrumentos cirúrgicos).

A cirurgia se da com tricotomia ao redor dos olhos que deve ser realizada pelos
volantes. Em seguida é feito a escolha do material a ser utilizado no
procedimento que nesse caso foi feito uso pinça anatômica e porta agulha ,as
suturas realizadas foram invaginantes, que se usou três pontos Lembert
isolado na parte inferior do olho e em seguida a utilização do ponto lembert
captonado na parte superior do olho.

Os fios utilizados foram não absorvível 3-0 ou 4-0 ,por se tratar de uma cirurgia
temporária os ponto são removidas em 14 a 20 dias é essência que pontos
sejam realizados de uma forma que não aja tanto incomodo ao paciente.

Figura 2: Realização dos pontos Lembert isolado na parte inferior do olho e


ponto Lembert captonado na parte superior do olho.
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Fonte: Acervo pessoal (2019)

8.5 POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES:

Tensão na pele no caso onde se fizer uso de muitos pontos, no geral a cirurgia
tem resultados satisfatórios.

9. PREPARO DA EQUIPE CIRÚRGICA E DO PACIENTE


9.1 RECOMENDAÇÕES DO JEJUM ALIMENTAR E HÍDRICO (Importância e
duração)

Em animais adultos, a ingestão de alimentos geralmente é restrita de 6 a 12


horas antes da indução na anestesia para evitar vômitos e pneumonia por
aspiração, no período transoperatório e no pós-operatório. O acesso a agua
não é geralmente reduzido. As cirurgias de intestino grosso muitas vezes
rquerem preparações especializadas ou antibióticos entéricos. Os alimentos
não devem ser restritos aos animais jovens pelo tempo de mais de 4 a 6 horas,
pois pode ocorrer hipoglicemia.

9.2 FUNÇÕES DA EQUIPE CIRÚRGICA

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Cirurgião Chefe – Responsável pelo paciente, pelo ato operatório e por seu
resultado. Deve conduzir a intervenção desde a abertura até o fechamento do
ventre, deve respeitar as indicações do anestesista e é o último a se
paramentar. Comandar com ordens claras e precisas. Verificar a
disponibilidade, condições e evitar desperdício dos materiais e equipamentos.
Usar via de acesso suficiente, operar por etapas completas, obedecer aos
tempos operatórios, conhecimento pleno (anatomia e técnica), obedecer à
técnica preconizada, manter a limpeza, movimentos precisos, reconhecer e
corrigir deslizes, velocidade operatória normal

Cirurgião Auxiliar – Auxilia o cirurgião chefe com afastamento de órgãos,


promove a hemostasia e instrumental. Substitui o cirurgião chefe se
necessário, paramenta-se após o instrumentador. Faz o preparo pré-operatório
do paciente, preparo do campo operatório, confecção do curativo do paciente.
Auxilio nas manobras cirúrgicas, expor o campo operatório. Conhecimento da
técnica cirúrgica, evitar manobras de responsabilidade do cirurgião, enugar o
campo operatório, apresentação de pinças para sutura e ligadura, descrever o
ato operatório.

Instrumentador – É o primeiro a se paramentar, auxilia nos curativos do


paciente, passar instrumentos com firmeza e rapidez, atender o cirurgião em
primeiro lugar, preparar a caixa de material antes da esterilização, pedir
material necessário para a operação, montar a mesa de instrumentos, certifica-
se do bom funcionamento do material, evitar que peguem instrumentos
diretamente da mesa, controle de gazes e compressas, limpeza dos
instrumentos usados. Conhecer os tempos operatórios, conhecimento pleno da
técnica.

Anestesista – Responsável pela avaliação pré-operatória do paciente,


administra os fármacos, autoriza o início da cirurgia. Prescrição do pré-
anestésico, assistência continua, controle das funções vitais, manter o cirurgião
informado, informar prontamente sobre alteração imprevista, acesso a
medicamentos necessários. Escolher com o cirurgião o tipo de anestesia,
controlar perda de sangue e líquidos.

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Volantes – Preparam a sala e auxiliam em eventualidades, devem atender
prontamente as solicitações durante a intervenção cirúrgica, antecipar os
acontecimentos, ter sempre em mãos o material disponível para o uso, durante
a cirurgia não deve se afastar do centro cirúrgico, auxilia na remoção do
paciente e auxilia na limpeza da mesa e sala cirúrgica.

9.3 PARAMENTAÇÃO CIRÚRGICA (Como realizar e qual a sua importância e


quem realiza)

Os procedimentos cirúrgicos e anestésicos desde os mais simples até os mais


complexos, tornam-se necessários precauções para reduzir os riscos
biológicos na equipe multidisciplinar em centro cirúrgico (CC). As condições
que colocam pacientes e equipes operacionais em contato com sangue líquido
e tecidos orgânicos prioriza a observação rigorosa de normas e rotinas para
minimizar os riscos de infecção hospitalar, um desses procedimentos é o uso
da paramentação cirúrgica que varia de acordo com a área de acesso e
atividade do profissional.

O uso da paramentação cirúrgica surgiu para proteção dos pacientes no CC,


contra riscos biológicos provocados por microrganismos presentes e liberados
por eles mesmos, médicos veterinários, funcionários, materiais, equipamentos
e ar-ambiente. Como os ricos da equipe multiprofissional passou a ser a
realidade, tornou-se então proteção também para o profissional presente em
várias atividades do centro cirúrgico.

A paramentação cirúrgica se dá pela troca de vestimentas rotineiras por outras


adequadas nas dependências do CC hospitalar, criando barreiras contra a
invasão de microrganismos nos locais cirúrgicos dos pacientes e para a
proteção dos profissionais contra exposição a sangue, fluidos ou tecidos
orgânicos ali presente.

A composição da paramentação se dá por uniformes privativos ou vestes


cirúrgicas que são constituídas por: (jaleco e calça, geralmente confeccionados
com tecido de algodão, não esterilizados e reprocessáveis). Seu uso é restrito
ao interior do CC e devem ser trocadas pelos profissionais em operações com

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tempo prolongados, o jaleco deve cobrir a parte final do pescoço até o início da
pelve, com intuito de fornecer uma barreira de penetração ou saída de
microrganismos ao profissional.

Os propés: São colocados antes da área restrita do CC e tem como finalidade


a prevenção de contaminação do chão dessas áreas por microrganismos
localizados nas solas dos calçados dos profissionais.

O uso de Gorros e tocas: É essencial e tem o intuito de evitar a contaminação


do campo cirúrgico por cabelos ou de sua microbiota, há gorros e toucas de
vários tamanhos e tipos de tecidos.

Máscaras cirúrgicas ou protetores respiratórios: Tem eficácia na filtração de


partículas maiores de 5 micra, embora nem todas as partículas expelidas da
orofaringe dos profissionais, quando falam, tossem ou espirram, contenham
microrganismos. O paciente deve ser protegido contra elas assim como as
mucosas dos profissionais contra respingos infectantes oriundos dos pacientes,
isso justifica seu uso indispensável.

Aventais cirúrgicos: São colocados por cima do uniforme cirúrgico na área


restrita do CC, evitam a disseminação dos microrganismos do corpo do
profissional aos locais cirúrgicos, assim como protege o profissional da
exposição ao sangue, secreções e fluidos advindos dos pacientes e que
possam contaminá-lo.

Luvas: Os modelos não esterilizados ou de procedimentos, são nos tamanhos


pequeno, médio e grande, devem ser usados por quem fica em contato com o
material contaminado ou sangue, secreções e fluidos durante todo o tempo.

9.4 ANTISSEPSIA DO PACIENTE (Como realizar? O que usar de


antisséptico?)

A antissepsia rigorosa da pele é fundamental na apresentação do paciente, na


sala de operação, pois, do contrário todos os requisintes empregados na
assepsia cirurgica do ato operátorio deixam de ter valor diante de qualquer
ponto da pele que poderá iniciar a infecção pós-operatória.

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O instrumentador deve passar a pinça de antissepsia com a gaze para o
cirurgião e o volante derramar sobre ela os antissépticos escolhidos, é
importante ressaltar que o volante é contaminado, não podendo encostar na
mesa cirúrgica e nem a ponta do antisséptico na base da gaze, pois pode ser
veículo para contaminação. Um antisséptico adequado deve exercer a
atividade germicida sobre a flora cutâneo mucosa em presença de sangue,
soro, muco ou pus, sem irritar a pele ou as mucosas. Os agentes que melhor
satisfazem as exigências para aplicação em tecidos vivos são, iodo,
clorexidina, álcool e o hexaclorofeno.

9.5 PANOS DE CAMPO OPERATÓRIO (Função, quantidade)

Os panos de campo têm função de criar e manter um ambiente estéril em torno


do campo cirúrgico, podem ser de toalhas de tecidos grossos ou descartáveis
não absorventes. Antes do processo cirúrgico, são colocados quatro panos de
campo que são presos no canto com uma pinça allis ou backhaus junto a pele
do animal.

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