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CENTRO UNIVERSITÁRIO ADVENTISTA DE SÃO PAULO

ENGENHEIRO COELHO
CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL COM HABILITAÇÃO EM RÁDIO E TV

FERNANDO GOMES DE OLIVEIRA


JOSUE ALVES DE MENEZES
LENO ADRIAN OLIVEIRA DINIZ
MAURÍCIO DA SILVA DE OLIVEIRA

"Você me vê?"
PROJETO EXPERIMENTAL - CURTA-METRAGEM

ENGENHEIRO COELHO
2020
2

FERNANDO GOMES DE OLIVEIRA


JOSUE ALVES DE MENEZES
LENO ADRIAN OLIVEIRA DINIZ
MAURÍCIO DA SILVA DE OLIVEIRA

"Você me vê?"
PROJETO EXPERIMENTAL - CURTA-METRAGEM

Trabalho de Conclusão de Curso do Centro


Universitário Adventista de São Paulo do
Curso de Comunicação Social com
Habilitação em Rádio e TV, sob orientação
do Prof. Dr. Matheus Araújo de Siqueira.

ENGENHEIRO COELHO
2020
3

Trabalho de Conclusão de Curso do Centro Universitário Adventista de São Paulo,


do curso de Comunicação Social com Habilitação em Rádio e TV apresentado e
aprovado em 26 de novembro de 2020.

____________________________________________________
Prof. Dr. Matheus Araújo de Siqueira

____________________________________________________
Prof. Esp. Gabriel Martins Ferreira

____________________________________________________
Profa. Msc. Sâmela de Carvalho Lima
4

Agradecemos a nossa família, também a


todas as pessoas que compartilharam
suas histórias de vida conosco, aos
atores que incorporaram o drama de
modo tão vívido e ao nosso orientador
5

por todo o apoio e suporte às nossas


ideias.
RESUMO

O Projeto Experimental "Você me Vê?" se constitui de um curta-metragem interativo,


que expressa através da sua narrativa sensações e elementos que contribuem para
o debate das temáticas de conflito de gerações e homofobia. Pretendeu-se assim,
através da vivência das personagens elaboradas, aproximar realidades opostas
entregando ao espectador o elemento decisor através da escolha de cenas e rumos
do curta metragem.

Palavras-chave: Curta-metragem; Interativo; Homofobia, Conflito de Gerações.


6

ABSTRACT

The Experimental Project "See me?" consists of an interactive short film, which
expresses through its narrative, sensations and elements that contribute to the
debate on the themes of generation conflict and homophobia. Thus, it was intended,
through the experience of the elaborated characters, to bring together opposite
realities, giving the spectator the decision-making element through the choice of
scenes and denouement of the short film.

Keywords: Short film; Interactive; Homophobia; Generational Conflict.


7

SUMÁRIO

1 Introdução……....…………………………………………………………………………8
2 Objetivo Geral...……...….………………………………………………………………11
2.1 Objetivos Específicos….……….……………………………………………………11
3 Justificativa….………....….……….……………………………………………………12
4 Proposta de Trabalho.…………..….……...…………………….……….……………16
4.1 Categoria, Gênero, Formato………....………………………………..……………16
4.2 Público alvo.………………….…………………………………………..……………16
4.3 Veiculação...………………….…………………………………………..……………17
4.4 Classificação Indicativa...….…………………………………………..……………17
5 Referencial Teórico e Contextualização Histórica……....…………..……………
19
6 Análise de trabalhos similares existentes.……..……………………………….…28
7 Roteiro……………………………………….....……..……………………………….…31
7.1 Fluxograma do Roteiro…...…………….....……..……………………………….…58
8 Direção de Fotografia……………….…….....……..……………………………….…58
8.1 Defesa da construção técnica e estética………..…………………....……….…58
8.2 Mapa de Iluminação………………………………………....…………………….…61
8.3 Storyboard…………….……………………...........……………………………….…67
8.4 Referências Audiovisuais…….……………........……………………………….…71
9 Perfil dos Personagens….…………………...........……………………………….…73
10 Mapa de Figurino………..………………………....……………………………….…82
11 Produção Executiva.....……………………...........……………………………….…84
11.1 Previsão Orçamentária........……………...........……………………………….…84
12 Cronograma geral……..…….………………………………………………………...85
13 Referências………….....…….………………………………………………………...87
14 Anexos…….………….....……………………………………………………………...95
14.1 Pesquisa de campo………….……………………………………………………...95
14.2 Ordens do dia………..……….……………………………………………………...96
8

14.3 Autorizações de Som e Imagem…..


…………………………………………….111
14.4 Decupagem de Vídeo.......................…………………………………………….124

1 Introdução

O que vem a sua mente quando pensa em adolescentes? Se você pensou em


jovens com espinhas, cheios de hormônios e problemas existenciais fúteis, pensou
igualmente à maioria da sociedade que atualmente não se inclui mais nessa fase da
vida. Mas tome cuidado, se você ainda não passou dos 24 anos pode estar sujeito a
esta fase "assombrosa" da existência, pois, segundo o artigo publicado por Sawyer;
Azzopardi; Wickremarathne e Patton (2018) na revista científica The Lancet, esta é a
nova idade limite da adolescência. Tente se lembrar de como era sua vida na
adolescência. Você tinha coisas importantes a fazer que hoje em dia não são mais
tão importantes assim, problemas que pareciam montanhas enormes, mas que hoje
não passam de "frescura" para você. E que atire a primeira pedra quem nunca
pensou ou disse o velho mantra "na minha época". O conflito geracional é um tema
em constante debate desde as remotas épocas de Platão que falava das diferenças
entre os jovens e os não jovens, sendo ampliado a cada novo fato histórico ou
cotidiano, pois é assim que as pessoas são moldadas.
Resultado desse conflito de gerações e da necessidade de um entendimento
a partir de um ponto de vista sociocognitivo-cultural, conforme afirmam Chiuzi,
Peixoto e Fusari (2011), o produto audiovisual cumpre um papel de grande
relevância. Pois durante este processo de conscientização e de descoberta do
diferente, o audiovisual é capaz de aproximar uma realidade pouco conhecida. A
apresentação dessa realidade ocorre de forma quase sorrateira e imperceptível,
através da mensagem que procura passar com seus personagens, arcos, dramas,
histórias e conflitos. A efetividade de transmissão de entendimentos pelo audiovisual
é exemplificada por Moran (1995) ao constatar que

o vídeo é sensorial, visual, linguagem falada, linguagem musical e escrita.


Linguagens que interagem superpostas, interligadas, somadas, não
separadas. Daí a sua força. Nos atingem por todos os sentidos e de todas
9

as maneiras. O vídeo nos seduz, informa, entretém, projeta em outras


realidades (no imaginário) em outros tempos e espaços. O vídeo combina a
comunicação sensorial-cinestésica, com a audiovisual, a intuição com a
lógica, a emoção com a razão. Combina, mas começa pelo sensorial, pelo
emocional e pelo intuitivo, para atingir posteriormente o racional. (MORAN,
1995)

O projeto experimental busca, portanto, abordar como temática central o


conflito geracional entre quem possui de 10 a 25 anos, mais conhecidos como
geração Z e as gerações Y e X, estas compostas por pessoas entre 25 e 60 anos.
No que se refere a parte teórica, foi feita uma pesquisa bibliográfica de
autores que contextualizam a história da modalidade de curta-metragem,
conduzindo desde os folhetins antigos de história até a modalidade que se conhece
hoje. A pesquisa bibliográfica foi utilizada também para introduzir as temáticas que
devem ser usadas, sendo que os temas abordados possuem vasta pesquisa
acadêmica produzida, seja no ramo de comunicação ou de áreas correlatas que
circundam a temática de conflito geracional e identidade.
Como recorte mais específico, o projeto abrange a formação pessoal do eu,
pois, como resultante do conflito geracional, existe a construção de uma identidade,
que não é exatamente igual a personalidade dos transmissores da tradição oral
imposta. Daniele-Hervieu-Léger argumenta que nunca houve uma sociedade que
tenha conseguido passar a mesma construção identitária de uma geração para outra
pois, segundo ela, "(...) a mudança cultural não cessa de agir, inclusive nas
sociedades regidas pela tradição" (HERVIEU-LÉGER, 2008).
Porém, como há diversas variáveis de cunho interno, é preciso considerar que
os fatores externos não possuem o monopólio sobre o modo que o indivíduo constrói
a sua identidade. A influência do meio em que se vive como determinante da
identidade pessoal se torna somente uma parte do todo. Assim, é possível observar
uma combinação entre os dois fatores, tanto externo quanto interno, pois, como
afirma Santos (2017), é importante “não cair nos extremos, seja na supremacia do
grupo ou na totalidade do indivíduo” (p. 33).
Em intersecção a estes dois temas, é abordado o problema sociocultural que
envolve o pré-conceito contra a homossexualidade em uma época de plena
transição dos modelos estruturais de gênero e orientação sexual. A inclusão deste
tema visa discutir, através do produto audiovisual, a importância da conscientização
10

familiar sobre o processo de homofobia na sociedade, conforme defendido por


Santos, Brochado Júnior e Moscheta (2007)

a homofobia familiar potencializa os danos causados pela discriminação


social sofrida nos espaços macrossociais; afinal, sabemos que a violência
doméstica é fator preponderante na violência social. Apontamos então a
família como um importante alvo de ação de políticas públicas que visem à
defesa dos direitos civis de pessoas dissidentes da heteronormatividade,
bem como a minimização das vulnerabilidades dessa população a todo tipo
de vio- lência e discriminação. (SANTOS, BROCHADO JÚNIOR E
MOSCHETA, 2007 apud TOLEDO E FILHO 2013, p. 388)

Embora a revisão bibliográfica tenha se demonstrado benéfica para uma


melhor compreensão do assunto, foram conduzidas simultaneamente entrevistas
com indivíduos que já vivenciaram ou ainda vivenciam este tipo de situação, visando
assim, alcançar o máximo de representatividade através dos relatos colhidos e
objetivando adquirir a compreensão necessária para o entendimento dos dramas
experienciados.
Como produto de tal pesquisa, foi desenvolvido um roteiro ficcional que foi
produzido em formato de curta-metragem interativo direcionado para o público da
geração Z, visando assim causar uma aproximação com o diferente e uma
identificação com o que se conhece, como indica Casarotto (2019). Essa interação,
como ideal, é precisamente o diálogo direto entre o conteúdo e o espectador,
permitindo que a audiência, a partir das suas ações e decisões, faça parte do
desenrolar imediato da trajetória da narrativa.
Enquanto isso, os recursos de interatividade foram desenvolvidos para
entregar múltiplas possibilidades narrativas, de modo que o espectador-usuário tome
decisões que, ao longo do consumo, se reflita em desdobramentos alternativos de
estória. Tais recursos foram implementados em um servidor de streaming próprio,
que se utiliza de um software open source chamado H5P. O H5P, baseado em
código HTML5, sobrepõe ao filme uma camada de interatividade, permitindo a
inclusão de botões e links de navegação que dão suporte e riqueza à experiência do
espectador-usuário.
Assim, devido a esta proposta de interação, o roteiro foi desenvolvido na
plataforma Twine, pois ela contribui com a possibilidade de montar todo o roteiro da
11

maneira como será executada e com os caminhos alternativos para a linha base
principal do curta-metragem.
12

2 Objetivo Geral

● Produzir um roteiro abordando as problemáticas pertinentes à vida da


geração Z, roteiro este produzido como um curta-metragem interativo, onde
esta história será contada através de vídeo e imagens com participação ativa
dos espectadores durante o filme.

2.1 Objetivos Específicos

● Estudar mais a fundo como se constrói a interatividade narrativa em produtos


audiovisuais.
● Desenvolver personagens, arcos, linhas históricas dentro dos padrões de
roteiro defendidos pelos autores Doc Comparato, Syd Field e pelo roteirista
Craig Mazin.
● Produzir o curta-metragem para a plataforma audiovisual com suas diferentes
vertentes interativas, utilizando a estrutura de colaboração gratuita H5P.
● Estruturar um site com conteúdo audiovisual de modo que este seja de fácil
acesso, possuindo navegabilidade e fluidez na interação para o público alvo.
13

3 Justificativa

De acordo com o que afirma Martino (2010, p.18), a construção da identidade


do "eu" sempre foi obra presente em cada indivíduo, embora não tenhamos
percebido ou tomado consciência deste fato desde o começo da existência ou ainda
não percebamos de vez em quando. Chiuzi, Peixoto e Fusari (2011) partem do
pressuposto inicial de que as novas gerações são formadas a partir do ponto de
vista histórico individual de cada pessoa, pontos de vistas esses que se agrupam
compondo um conjunto de valores e visões de mundo específico em cada geração
(Silva & Pinto, 2001 apud Chiuzi, Peixoto e Fusari, 2011). Logo, afirmam, é natural
esperarmos que diferentes indivíduos, de gerações distintas e com vivências e
pontos de vistas históricos variados passem por algum tipo de conflito
intergeracional, seja ele de ordem relacional ou então referente às cosmovisões
diversas que entram em choque em algum momento de contato, eles dizem que
Há diferenças e paridades entre tais gerações como: visão de mundo, de
autoridade, limites de comportamentos e valores entre outros que afetam os
indivíduos diretamente e indiretamente. Assim, para compreender como
uma geração difere da outra, é preciso que se perceba como cada uma
delas forma um conjunto de crenças, valores e prioridades, ou seja,
paradigmas, consequências diretas da época em que cresceram e se
desenvolveram e entendê-las de um ponto de vista sociocognitivo-cultural
(CHIUZI, PEIXOTO E FUSARI, 2011).

Na mesma linha de pensamento Ferrigno (2009, p. 138) faz, dentre as fontes


consultadas, a melhor definição de conflito geracional ao afirmar que "No
relacionamento com as novas gerações, forças opostas estão permanentemente em
jogo". Completando com a observação de que se por um lado existe a busca por
manter as tradições, de outro é imperativa a busca por inovação resultante das
mudanças ocorridas com o tempo, mudanças estas que trazem consigo novos
desafios e causas sociais que precisam ser enfrentados pela sociedade como um
todo.
Dentre os vários desafios trazidos pelo conflito geracional, estão as causas
sociais, característica marcante da geração Z que é naturalmente mais engajada na
sociedade (CASAROTTO, 2019). Tais causas devem ser enfrentadas nos mais
diversos sistemas da sociedade tal como, grupo familiar, amigos, informações
14

midiáticas, entre outros. Pois conforme afirma Schulman (2010), em conceito que se
abarca a diversas dinâmicas de opressor X oprimido, tais práticas podem ser
inibidas

quando o agressor percebe que a vítima detém algum capital social ou


poder, ou que alguém se importa com a forma como ela é tratada, devido ao
receio das consequências da agressão, uma vez que “uma intervenção
mostra aos perpetradores que alguém de preocupa com a vítima, o modo
como ela é tratada e o que será dela (SCHULMAN, 2010, p. 75 apud
TOLEDO E FILHO 2013, p.388).

Zygmunt Bauman afirmou em 1998 1 que "No jogo da vida dos homens e
mulheres pós-modernos, as regras do jogo não param de mudar no curso da
disputa" Para os nascidos entre 1995-2010, a chamada geração Z, estas regras
mudam com maior frequência e num espaço de tempo cada vez mais curto. Regras
estas que dizem respeito a todos os aspectos da vida, inclusive aos problemas e
conflitos internos, ambos classificados no linguajar popular como "imaturidade", e
comumente associada a pouca experiência de vida, já que esta geração é composta
por indivíduos entre os 10 e 25 anos (CASAROTTO, 2019).
Ao ignorar esta geração e suas necessidades é possível perder de vista um
grande público em potencial pois, segundo o site Fast Company (2015) até o fim do
ano de 2020 a geração Z irá representar 40% de todos os consumidores. Estes
dados apontam para a necessidade da criação de conteúdo para este nicho de
pessoas e também para a busca de uma identificação maior, através dos produtos
criados, com os problemas pessoais enfrentados por eles.
Foi considerado ainda que 96% das pessoas da geração Z possuem um
smartphone segundo a Eco Consultancy (2016), tornou-se portanto essencial criar
estratégias que gerem engajamento por meio do recurso de vídeo para esta
plataforma, pois este público-alvo possui um hábito de consumo muito consistente
com o empenho do tempo assistindo vídeos online. O relatório do Think With Google
(2019) demonstrou também que os adolescentes passam em média 71% do tempo
assistindo vídeos na internet, meio pelo qual pretendemos alcançar e chegar a eles.

1 BAUMAN, Zygmunt. O mal-estar da pós-modernidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998.Inquietações da vida contemporânea e
suas formas atuais de organização: uma relação de imanência. p.113.
15

A pesquisa do Kantar Ibope Media (2019) aponta ainda que o mundo passou
por uma grande transformação nos últimos 18 anos. A média de pessoas
conectadas por meio de um dispositivo móvel que em 2013 representava 13%, em
2019 subiu para 85%, tornando assim, ser possível construir uma ponte direta com
este a geração Z. O ritmo acelerado de transformação sugere que as pessoas estão
mais dispostas a serem protagonistas na criação e distribuição dos seus produtos e
conteúdos, pois nos últimos 8 anos houve um aumento de 35% no que é postado
em redes sociais.
O relatório Dimension 2019, direcionado a colher dados de público-alvo e
assinantes de plataformas audiovisuais que ouviu 5.000 consumidores dos maiores
cinco mercados de comunicação do mundo (Brasil, China, França, Reino Unido e
EUA), apresentou um argumento muito relevante ao sugerir que os produtores de
mídia devem “(...) oferecer um serviço que seja (ou pareça ser) realmente adaptado
ao consumidor ( ...)" (KANTAR IBOPE MEDIA, 2019).
O consumo dos produtos audiovisuais ainda segue um padrão muito
marcante, uma mesma lógica sequencial que não permite interatividade com o
conteúdo assistido, uma herança da TV tradicional, apesar dos grandes avanços
tecnológicos sugerirem um crescimento constante e cada vez mais presente da
influência, interesses e gostos da Geração Z no processo audiovisual.
Em paralelo às novas tecnologias, o espectador, seus hábitos e perfil de
consumo, também sofrem mudanças, pois esta é a geração que nasceu, cresceu e
atualmente está em pleno descobrimento das suas capacidades de impacto no
mundo, assim como no universo do consumo e produção audiovisual. Como diz
Denis Renó (2007), agora ele pode ser chamado de espectador-usuário pois está
sempre disposto a “navegar” pelas tecnologias oferecidas. Levando esta nova
necessidade de o espectador estar no controle, o projeto experimental "Você me vê"
buscou incorporar a interatividade dentro de todo seu processo criativo, como
também de sua narrativa escrita e no produto final.
Para tanto, foi escolhida a modalidade de curta-metragem, pelo fato de
proporcionar estrategicamente, uma divisão entre tempo de produção e tempo de
implementação do conteúdo de forma interativa na plataforma. Quanto a
interatividade, foram cogitadas algumas opções para a implementação sendo elas o
SCORM (Sharable Content Object Reference Model) que é uma coleção de padrões
16

e especificações para e-learning baseado na web; o H5P (HTML5 Package) que é


uma estrutura de colaboração de conteúdo gratuita e de código aberto baseada em
Java Script e a programação nativa diretamente em HTML5 que é uma linguagem de
marcação para a forma como o conteúdo é exibido online.
Em relação a todas as opções escolhemos utilizar o H5P pois foi a melhor
solução entre as outras duas possibilidades pois oferece a maior facilidade de
programação e um leque amplo de recursos. A título de comparação, quando
considerarmos o SCORM, ele apresenta muitas limitações em relação ao que o
desenvolvedor pode realizar, exigindo muito custo extra com códigos adicionais para
desenvolver um sistema que gerencie de forma satisfatória o conteúdo. Já a
programação direta em HTML5 acaba trazendo uma grande demanda de
programação a partir do nada, o que seria um grande empreendimento de tempo e
acabaria empregando esforço de trabalho excessivo.
17

4 Proposta de Trabalho
4.1 Categoria, Gênero, Formato

Dentro da categoria Entretenimento, o formato mais adequado para este


projeto é o de filme curta-metragem com a inovação da interatividade. Embora a
duração média de até 40 minutos seja internacionalmente consensual, no Brasil,
segundo a Medida Provisória nº 2.228-1, que estabelece princípios gerais da Política
Nacional do Cinema e regimenta a ANCINE, um curta-metragem é a obra
cinematográfica cuja duração é igual ou inferior a 15 minutos. Apesar dessa
divergência, buscamos como alvo estar entre estes dois padrões de duração, sendo
assim razoável caracterizar este projeto como curta-metragem satisfazendo a
duração prevista para a maioria dos festivais e premiações internacionais.
Quanto ao gênero cinematográfico, para satisfazer a narrativa e melhor
representar o conflito vivido pelo personagem principal, o Drama é o mais
admissível, perfazendo os subgêneros Drama Social, onde o personagem não
encontra seu lugar no mundo e sofre para encaixar-se, ser aceito ou percebido, e
Drama Psicológico, onde o personagem vive seu confronto existencial, suas
incertezas e medos (TURNER, 1997).

4.2 Público alvo

A temática principal deste projeto abarca as questões relacionadas aos


conflitos geracionais e, através do produto audiovisual, propõe um ambiente de
diálogo intergeracional. Para atender essa necessidade, foi estabelecido como
público-alvo um grupo miscigenado compreendido por uma faixa de idade ampla o
suficiente para criar pontos de conexão entre as gerações Y e Z. Além de ser
imprescindível que jovens da geração Z se vejam representados na obra, é atribuído
ao filme valor instrutivo comunicando às pessoas da geração Y e X (esse último
grupo de forma secundária) os conflitos existenciais da geração Z.
A definição do público alvo deve corresponder de forma mais imediata ao
seguinte quadro:
18

4.3 Veiculação

Aproveitando o crescimento do mercado de streaming no país 2, propõe-se


disseminar a obra cinematográfica, produto deste projeto, em um site próprio,
exclusivo e adaptado tecnologicamente para embarcar os recursos de interatividade.

4.4 Classificação Indicativa

A trama de "Você me vê?" é uma tentativa de expor a realidade dos dilemas


sociais, bem como os conflitos existenciais e, para esse fim, o eufemismo pode
prejudicar o sentido imediato das cenas.
O filme exibe contextos que representam agressões físicas motivadas por
ódio discriminatório, preconceito de identidade de gênero ou orientação sexual, além
de retratar comportamentos ou situações que estigmatizam uma minoria. A obra
contém ainda passagens que exibem tentativa de suicídio, linguagem de conteúdo
sexual e cena não explícita de ato libidinoso.
Atendendo aos Critérios de Classificação Indicativa, segundo o Classind -
Guia Prático de Audiovisual 3, normativa do Ministério da Justiça do Brasil, a fim de
satisfazer as possibilidades narrativas, este filme é não recomendado para menores
de 16 anos.

2 Pesquisa Global de Entretenimento e Mídia 2018-2022. Disponível em https://www.pwc.com.br/pt/outlook-18.html. Acesso em 18 de maio de 2020.
3 Disponível em: https://www.justica.gov.br/seus-direitos/classificacao/guia-pratico. Acesso em 19 de maio de 2020.
19

5 Referencial Teórico e Contextualização Histórica

O ano de 1895 é uma data de referência quando se fala na história do


cinema. Isto porque foi neste ano em que os irmãos Louis e Auguste Lumière
fizeram a sua primeira projeção pública em La Ciotat e posteriormente no Grand
Café em Paris. Com base no Cinetoscópio, invenção de Thomas Edison, eles
haviam criado o Cinematógrafo, equipamento que permitia a projeção de fotografias
em determinada sequência e velocidade constante dando a impressão de cenas em
movimento.

“Uma sequência de fotogramas dispostas em sequência, com velocidade


suficiente para enganar os olhos e gerar movimento. É com essa técnica
que os irmãos Lumière, na primeira projeção em Paris no ano de 1895,
aterrorizam o público com imagens da chegada de um trem à estação e da
saída dos operários da fábrica Lumière. A audiência não entende ainda a
possibilidade de se captar movimento, mas já naquele momento, o cinema
mostra o seu poder ilusionista e hipnótico.” (NASR, 2004. p.3)

Mesmo naquela época o que se viam eram filmes de curta duração, ou seja,
a história do cinema já começa como curta-metragem. Vale ressaltar o que Batata
(2009) discute, que as produções a partir daí foram surgindo como filmes curtos não
por uma questão de escolha dos produtores, mas pelas limitações técnicas pois era
a única forma possível de cinema naquele momento da história.
Pereira e Sarmento (2014) acrescentam que os filmes de curta duração são
de extrema importância para a história do cinema, pois foi como tudo começou. Os
curta-metragens se mantiveram presente durante toda a expansão cinematográfica
internacional e, principalmente, nacional, embora não possuíssem essa
nomenclatura desde o início. Mas os autores destacam que esta herança vai muito
além do termo “curta-metragem”, pois este só foi surgir posteriormente no ano de
1920 nos Estados Unidos, época em que quando grande parte das produções já
ultrapassava os padronizados 15 minutos.
A influência dos Estados Unidos no Brasil sempre foi muito forte e
transpassa a história, a cultura e muito outros aspectos da sociedade brasileira. Na
história do curta-metragem não poderia ser diferente. A influência hollywoodiana no
cinema brasileiro é abordada por Batata (2009) e ele destaca que
20

A influência norte-americana nos filmes brasileiros esteve sempre presente,


principalmente nas ocasiões em que se tentou, por iniciativa privada, o
desenvolvimento de uma indústria cinematográfica brasileira. As razões
para o seu fracasso estão diretamente ligadas à dominação do filme norte-
americano no mercado exibidor brasileiro. (BATATA, 2009. p.14)

Os filmes de curta-metragem foram dando espaço para os de longa-


metragem nos Estados Unidos, pois estes não se adequavam mais às exigências do
mercado norte-americano (apesar de serem produções de baixo custo, os curta-
metragem não estavam mais sendo a opção mais lucrativa financeiramente para
eles). Consequentemente, no Brasil as exibições dos filmes de longa-metragem
foram se propagando e ganhando cada vez mais audiência com a plateia brasileira.
No Brasil a princípio não existiam salas de exibição de filmes no final do
século XIX devido a falta de energia elétrica no país. Segundo Batata (2009) isto só
ocorreu em 1907 a partir de quando se iniciou a “idade do ouro do cinema
brasileiro”. (GOMES, 1986 citado por BATATA, 2009, p.36). Entre os anos de 1907 e
1911
Os empresários donos das salas de cinema eram também produtores e
importadores de filmes, o que garantia uma relação harmoniosa e frutífera
entre produção e cadeia de exibição. [...], Mas não tardou muito para que o
cinema estrangeiro (que começava a se consolidar como indústria)
ocupasse as salas de exibição em lugar dos filmes brasileiros. [...] A
produção estrangeira ocupou as salas de exibição e aqueles que se
dedicavam a fazer cinema no Brasil tiveram que procurar outra ocupação ou
se dedicar aos filmes de atualidade ou “naturais”. (BATATA, 2009. p .36)

Esses filmes naturais, conhecidos também como cinejornais, mencionados


eram produções de curta duração que retratavam assuntos do cotidiano da
comunidade, tais como, as festividades locais, as inaugurações de rodovias, as
melhorias, entre outras coisas.
Para Neto (2012) é com a ascensão de Getúlio Vargas ao governo que a
história do curta-metragem brasileiro começa a ser delineada. Para ele, esta é uma
história que se mescla com a própria história do país em alguns pontos e seu
pontapé inicial data a partir de 1930. Neto (2012) ainda considera que antes desta
data é difícil definir alguma produção como curta-metragem e precisar as suas
características como produção brasileira. Ramos e Miranda (2004, p.164 citado por
21

Neto, 2012, p. 33) chamam o período antes de 1930 como “período silencioso”, pois
não existia nenhum tipo de definição de curta, média ou longa duração.
Com a chegada de Getúlio Vargas ao poder e a implantação do Estado
Novo no final da década de 1930, o curta-metragem adquire novos e
imprescindíveis papéis, agora, com proteção oficial. Não deixou de ser um
complemento, mas desta feita com status de oficialidade, novos tempos
para o curta-metragem. O gênero deixa de assumir uma posição de
coadjuvante e passa a protagonizar um papel fulcral, não nas salas de
cinema, mas na educação. (ALCÂNTARA, 2014)

Casagrande e Simis (2008) ainda acrescentam que o Governo de Getúlio


Vargas e o surgimento do Estado Novo permitiram que o curta-metragem brasileiro
adquirisse um caráter de propaganda oficial, sendo também utilizado para espalhar
as ideologias nacionalistas de universalização do ensino em um Brasil ainda muito
analfabeto. Neto (2012) destaca esse uso político ao afirmar que
O entusiasmo com o cinema como ferramenta auxiliar nesse processo
aparece nos discursos de Vargas, que se rodeia de intelectuais orientados
pelo programa modernista-nacionalista, como o etnólogo entusiasta dos
novos meios de comunicação de massa Roquette Pinto, pioneiro do nosso
rádio, e membro da comissão encarregada de inaugurar nossa legislação
cinematográfica. (NETO, 2012)

Em 1932 o Governo interferiu novamente na exibição de filmes de longa-


metragem estrangeiros e criou um decreto que tirava os recursos dos produtores
estrangeiros, fomentando a produção de filmes de curta-metragem nacionais
voltados para a educação. Neto (2012) acrescenta que este decreto também tornou
obrigatória a exibição de filmes nacionais de curta duração nas salas de cinema e na
rede de ensino pública da época.
Alguns anos depois, em 1936, ainda no governo de Getúlio Vargas é criada
o INCE – Instituto Nacional de Cinema Educativo com o objetivo de produzir curtas-
metragens educacionais. Neto (2012) diz que seis anos depois, em 1942, no
relatório feito por Roquette Pinto, quem comandava o INCE, já constavam a
produção nacional de mais de duzentos filmes de curta-metragem direcionados para
escolas e centros culturais.
Até os anos 50, o curta-metragem brasileiro, embora importante – cinejornal,
filmes turísticos ou oficiais, números musicais, etc. – e revelador de diversos
22

aspectos da sociedade e da produção cinematográfica, não é um cinema


crítico. É no decorrer da década de 50 e com os primeiros filmes de curta-
metragem do Cinema Novo que essa forma de cinema deixa de ser a sala
de espera do longa-metragem ou a compensação de quem não consegue
produções mais importantes. (BERNARDET, 1985, p.11 citado por NETO,
2012)

Alcântara (2014) destaca que a partir de 1950 o cinema passou a ser visto
apenas como diversão e que isto influenciou negativamente a expansão do curta-
metragem, sendo este tipo de produção logo substituído pelos filmes de longa
duração. O autor acrescenta que neste período o curta-metragem passou a ser
utilizado principalmente como “laboratório experimental e de inovação
cinematográfica” (ALCÂNTARA, 2014, p. 18)
É no início de 1960 que ressurge uma nova oportunidade de expansão do
curta-metragem com o surgimento de cursos de cinema pelo país, tais como o da
UNB (Universidade Federal de Brasília), o da UFF (Universidade Federal
Fluminense) e o da USP (Universidade de São Paulo). Neto (2012) destaca alguns
motivos que fizeram com que essa expansão ocorresse na época, e afirma que o
filme curto
(...) por motivos financeiros e pedagógicos, o formato de escolha das
produções escolares. Uma nova geração influenciada pelo Cinema Novo
quer filmar e mostrar seu trabalho, e encontra espaço nos festivais
dedicados ao chamado então Cinema Amador, específico para curtas.
Numa época de crescente endurecimento político, servirão de abrigo para a
militância estética e política. (NETO, 2012).

Assim os jovens cineastas em formação e até mesmo os já formados


passam a ver na produção de curta-metragem uma oportunidade de expor suas
habilidades e de inserção no mercado cinematográfico. Isto foi possível devido as
principais características do curta-metragem citadas por Pereira e Sarmento (2014):
baixo custo e menor tempo de produção, em comparação com os de longa-
metragem.
Nesta época o Jornal do Brasil cria o Festival Brasileiro de Cinema Amador
com o objetivo de apresentar estas produções de curta-metragem produzidas pelos
jovens e entusiasmados cineastas. Alcântara (2014) destaca que este festival se
tornou tão famoso e tão almejado que muitos “tiveram suas carreiras de cineasta
23

alavancadas com o sucesso obtido pelo festival” e que em 1971 recebeu um novo
nome: Festival Nacional de Curta-Metragem. A importância desta época para os
curtas-metragens é destacada por Pereira e Sarmento (2014) quando dizem que
É desse período a Lei do Curta, de 1975, que possibilitou uma produção
ainda mais expressiva de curtas-metragens, já que essa lei estabelecia a
exibição de curtas-metragens brasileiros antes de todas as exibições de
filmes estrangeiros nos cinemas. (PEREIRA; SARMENTO, 2014, p.18)

Desde aquela época a história do curta-metragem no Brasil passou por


muitos altos e baixos, tais como: a criação do COCINE, da ABD, do INCE, ou
mesmo alguns momentos da história do governo como o impeachment do
Presidente Collor e a ascensão dos tucanos ao poder (ALCÂNTARA, 2014, p.25). A
boa notícia é que muitas ações, leis e mesmo outros festivais surgiram com o
objetivo de difundir cada vez mais a produção de filmes de curta-metragem e não o
deixar morrer.
O desenvolvimento dos diversos aspectos da sociedade a partir do século
XX e o aceleramento da globalização criaram o ambiente perfeito para o surgimento
da internet, que transformou ainda mais a sociedade melhorando a comunicação e
criando novos hábitos.

Dessa forma, os meios de comunicação tiveram que entender essas


transformações e procurar agradar um público que passou a ser mais
exigente. Nesse contexto de mudanças, consideramos que a influência
midiática aumentou. O surgimento da internet, relacionado ao processo de
globalização, fez emergir uma sociedade cada vez mais consumista, não
apenas de produtos, mas também de conteúdo. (SOUSA et al, 2017, p.2)

A internet possibilitou ao público um acesso à informação onde e quando


quiserem. As mídias de massa encontraram um novo espaço de divulgação de
conteúdo e interação com este público mais exigente.
A web, abreviação de world wide web, significa literalmente teia de alcance
mundial e trata-se na verdade de um sistema dentro da própria internet criado no
ano de 1991 pelo engenheiro inglês Tim Berners-Lee. Desde a sua criação até os
dias atuais a internet vem crescendo e se tornando fundamental no cotidiano das
pessoas.
24

Silva e Zanneti (2013) afirmam que com o avanço das tecnologias digitais,
outros campos da telecomunicação também avançaram, como o notável
protagonismo da web que começou a princípio sem nenhuma pretensão social, mas
que hoje realiza um papel importante para todos os meios de comunicação, pois
programas de rádio, por exemplo, agora são transmitidos via streaming pela web
assim como vários canais de TV.
Segundo Wodevotzky (2015) a expansão e consolidação da internet deu-se
no início do século XXI e a tornou o mais novo espaço de consumo de conteúdo
audiovisual. Até mesmo a televisão e o cinema passaram a reproduzir as suas obras
neste novo meio, e a crescente produção de vídeos amadores nas plataformas
digitais também fortaleceu a web tornando-a um espaço inovador no mercado de
produção e consumo audiovisual.
No mundo midiatizado, em que o espaço virtual se tornou um novo locus de
interação entre indivíduos, a ampliação da produção das narrativas
audiovisuais ultrapassou os limites colocados pela transmissão
broadcasting das grandes corporações de mídia, proporcionando que,
teoricamente, todos possam produzir seus próprios conteúdos audiovisuais
e disponibilizá-los a um grande contingente de espectadores na rede de
computadores. (FREIRE, 2015, p.13)

Freire ainda destaca que o desenvolvimento das tecnologias digitais nos


serviços de comunicação e telefonia celular, a maior facilidade de acesso pela
população de classe pobre e média à internet e aos equipamentos de captação de
imagens, tais como câmeras digitais, laptops, tablets e smartphones, aliado ao
surgimento de diversos aplicativos e redes sociais, tornou possível que os indivíduos
pudessem utilizar tais mídias como ferramentas para demonstrar sua cultura, seu
cotidiano e sua cosmovisão. (FREIRE, 2015, p.13)
Parafraseando Batata (2009) com o advento da internet, atualmente as
possibilidades para o cinema são incontáveis e, diferente de quando se originou, o
curta-metragem pode ser usufruída sem dificuldades técnicas em qualquer lugar do
mundo, sendo a sua única “limitação” a sua principal característica: filme de curta
duração. Alcântara (2014) concordando ainda acrescenta que com a viralização da
internet, “espaço de exibição de filmes curtos mais eficaz e democrático que um
produtor independente poderia desejar”, o curta-metragem alcançou a sua
independência e maturidade no cenário brasileiro.
25

No cenário atual, o curta-metragem se insere como um nicho do audiovisual


que tem um grande potencial de expansão. Existem canais de exibição de
curtas-metragens através da internet e, há um esforço, cada vez maior, para
que o curta-metragem ocupe parte da programação da televisão aberta. A
TV Brasil e a TV Cultura destinam programas específicos para difusão do
curta. Já os festivais de cinema são a grande vitrine do curta-metragem.
(BATATA, 2009, p.7)

Atualmente é possível encontrar na internet várias plataformas que reúnem milhares


de curta-metragem nacionais online para assistir quando, como e onde quiser.
Freire (2015) destaca que, o desenvolvimento das tecnologias digitais nos
serviços de comunicação e telefonia celular, a maior facilidade de acesso pela
população de classe pobre e média à internet e aos equipamentos de captação de
imagens, como câmeras digitais, laptops, tablets e smartphones aliado ao
surgimento de diversos aplicativos e redes sociais, tornou possível que os indivíduos
pudessem utilizar tais mídias como ferramentas para demonstrar sua cultura, seu
cotidiano e sua cosmovisão (p.13).
Manovich (2001 apud por MENDES, 2014) ainda acrescenta que estes
novos equipamentos modificaram o cenário de uma maneira tão intensa que afetou
não somente as técnicas de produção cinematográfica, mas também permitiu o
surgimento de novas formas de conteúdo, tais como filmes para web e filmes
interativos, ele constata que
O cinema sofreu uma migração para estes meios, apesar de nunca ter
abandonando a sala de cinema convencional. Devido às capacidades
interativas que o computador oferece e às capacidades de partilha que a
Internet proporciona, surgiram filmes com interatividade na Internet.
(MENDES, 2014. p. 46)

Cirino (2012) se refere a este novo formato como cinema interativo ou


iCinema e acrescenta que esta mistura de interatividade ocorre desde a década de
1990, quando houve vários experimentos com poltronas que possuíam botões para
momentos de múltipla escolha pelo telespectador. Cirino destaca que muitos destes
grandes momentos para a história do cinema mal chegaram a ser conhecidos pelo
público (Cirino, 2012).
Mendes (2014) traz como exemplo o lançamento do filme Kinoautomat em
1967, que para muitos protagonizou a experiência do que hoje é conhecido como
26

cinema interativo, descrevendo o modo como era abordada a interatividade, mesmo


de modo ainda incipiente onde o
(...) público, através de botões de um controlo remoto colocado no braço da
sua cadeira, podia escolher, em alguns momentos chave da narrativa, a
opção que o personagem tomaria na ação. Os filmes com esta estrutura
foram os primeiros a abordar a interatividade na narrativa. (MENDES, 2014.
p. 29)

Alcântara e Brunet (2013) contudo, destacam que desde a origem do cinema


interativo tem sido muito difícil defini-lo. Isto porque, dentre vários fatores, ele
envolve em sua essência o abrangente conceito de interatividade que até hoje é
discutido de forma contraditória.
Apesar de não ser um conceito novo, a definição de interatividade segundo
Fragoso (2001) é apresentada por autores sem um consenso em suas discussões,
onde são apresentados pontos positivos e negativos do conceito. Mendes (2014)
concorda com esta contradição, ao dizer que
O cinema interativo, devido ao conceito de interatividade inerente, torna-se
muito amplo e pode abranger desde um filme interativo, exibido numa sala
de cinema, até uma telenovela com votação por telefone. [...] Isto deveu-se
a diversos fatores, entre eles a envolvência de conceitos muito amplos como
o de interatividade. O conceito cinema interativo nunca foi muito bem
definido, possuindo algumas variáveis dentro de um espectro que pode ser
muito abrangente ou não, dependendo da perspectiva de interatividade
adotada. (MENDES, 2014. p. 22 e 30)

Considerando os objetivos propostos aqui neste trabalho, que estão longe


de apresentar mais uma discussão teórica sobre as divergentes definições de
cinema interativo e de interatividade, a abordagem utilizada em todo o trabalho será
a apresentada por Cirino (2012) que afirma que
Para pensar o iCinema, consideramos, então, a interatividade como
resultado da “equação” [comunicação + escolha]. Compreendemos, no
entanto, que essa equação comporta tanto escolhas reativas quanto
responsivas, dotadas de historicidade e capazes de ensejar o
desenvolvimento de narrativas interativas mais complexas e abertas.
(CIRINO, 2012. p. 26 e 27)
27

Além deste, um outro conceito que norteará todo o trabalho, no que se


refere a interatividade, é o apresentado por Marques e Cardoso (2011) ao afirmarem
que a interatividade
Permite ao usuário acreditar que este escolhe qual caminho seguir e qual
será o “fim”, o espectador tem a ideia da liberdade de escolha, entretanto,
todas as possibilidades já estão pré-estabelecidas. (MARQUES;
CARDOSO, 2011. p. 6)

Bieging (2016) ainda acrescenta que esta narrativa interativa torna o espectador um
codiretor na produção da história, uma vez que a cada escolha que ele faz a
totalidade da trama é ressignificada, claro que tudo dentro de uma liberdade pré-
configurada.
28

6 Análise de trabalhos similares existentes

Para a construção deste trabalho buscaram-se referências em três principais


aspectos que podem ser considerados como os principais pontos descritivos do
projeto, a saber: interatividade em obras audiovisuais, transtornos psicológicos e
conflitos existenciais adolescentes. Para tanto foram pesquisadas e analisadas
obras das mais diversas, incluindo filmes e séries, visando construir um projeto rico e
coerente.
As narrativas seriadas que abarcam possibilidades de interação já não são
mais algo que traga grande nível de inovação para o entretenimento. Já são vários
os títulos disponíveis em catálogos comuns em que é possível usufruir de tal
experiência. Dentro da Netflix, uma das plataformas de conteúdo on demand mais
atuantes do mercado, há alguns exemplos que podem servir como referência e
inspiração para o desenvolvimento deste trabalho.
Desde 2017 a empresa já tem se destacado por oferecer essa vanguarda na
forma de consumo de produtos fílmicos, com produções inclusive para o público
infantil, adaptando narrativas já consagradas, como O Gato de Botas, além de trazer
também as narrativas dos Games, a exemplo de Minecraft.
O grande despertar do público para essa modalidade fílmica, no entanto,
ocorreu com Bandersnatch. O filme interativo para adultos faz parte da grande nave
transmidiática de Black Mirror e nele é possível decidir as ações a serem tomadas
pelo jovem Stefan Butler. Ambientado na Inglaterra de 1984, o filme conta a história -
ou as histórias, se forem observadas as possibilidades apresentadas - da tentativa
de Butler adaptar uma obra de ficção também interativa para uma plataforma de
videogame; durante o decorrer das escolhas e o desenrolar da história o cotidiano
de Butler se mistura com a narrativa do jogo, acentuando os problemas psicológicos
do rapaz.
Outras duas obras destacam-se ainda como referências para este trabalho,
ambas focando em transtornos de personalidade. A primeira é o filme Fragmentado
que conta a história de Kevin, o qual possui dentro de si 23 personalidades distintas
e que o transformam completamente. Na história ele sequestra três adolescentes
dominado por Dennis, uma de suas personalidades. No cativeiro as três jovens
tentam lidar com as mudanças e oscilações das personalidades do sequestrador
29

para que possam ter uma chance de escaparem. A trama se equilibra com as
atuações intensas das variadas personas dentro de Kevin e a passividade constante
da principal sequestrada, Casey; sendo que o que conecta os personagens é o
histórico de abuso sofrido por ambos e que acaba por salvar a vida dela.
Já a segunda é a série televisiva Mr. Robot, na qual explora-se a vida de Elliot
Alderson e seus conflitos como engenheiro de segurança em seu emprego formal
versus a sua vida secreta de hacker. Além da sua dupla jornada de papéis, ele sofre
de severa ansiedade social - muito bem retratada na série pelo papel de amigo
imaginário que o público tem nas conversas dentro da mente do personagem
principal - causada pelos seus traumas de infância relacionados à morte de seu pai,
a qual foi causada pela mesma empresa para a qual Elliot trabalha atualmente.
Conforme a narrativa avança e o ápice da primeira temporada se aproxima revela-se
também o transtorno dissociativo de Elliot e pode-se começar a perceber que ele
está vivendo paralelamente a vida de seu pai, na qual ele chefia uma organização
clandestina de hackers.
Já buscando semelhanças para os conflitos existenciais de jovens
adolescentes pode-se citar a web série norueguesa SKAM, título que significa
'vergonha'. A cada temporada a série foca na vida de um dos personagens principais
para abordar temas como sexualidade, drogas, religião, feminismo, doenças
mentais, entre outros. Produzida pela NRK, a radio difusora pública do governo
norueguês, começou a ser exibida em 2015 e teve sua quarta e última temporada
veiculada em 2017.
A produção tem vários diferenciais que podem ser usados como referência
para este trabalho, entre eles a verossimilhança dos personagens criados, fazendo
com que a história não seja desconexa da realidade e sim um retrato fiel daquela
parcela da sociedade norueguesa. Vários fatores contribuíram para essa construção:
os atores escalados têm a mesma idade que os personagens propostos, a escola
em que se passa a trama é uma escola real de Oslo, alguns dos atores estudam
nessa escola, a maquiagem por vezes era feita pelos próprios atores, etc., tudo
contribuindo para deixar o resultado final mais realístico.
Outro ponto fundamental da estrutura de SKAM e digno de embasamento é a
forma de divulgação da obra. Diariamente durante a semana eram liberados
pedaços da história referentes àquele dia e horário específico e ao final da semana,
30

juntando todos os pedaços, compunha-se o episódio completo. Os pequenos


releases diários não seguiam padrão de horário ou de tempo de excerto, mas eram
feitos conforme a necessidade da narrativa. Além disso eram divulgados
printscreens das conversas entre os personagens através das redes sociais e cada
personagem possuía suas próprias contas nas principais redes sociais que eram
também utilizadas rotineiramente, contribuindo muito fortemente para o engajamento
do público e para a própria narrativa que se desenvolvia diariamente.
Essas características fizeram com que, apesar de ser uma produção diferente
dos padrões das grandes plataformas on demand, SKAM se tornasse mundialmente
conhecida e recriada por outros países como EUA, Itália, Espanha e França, nos
quais foram feitas as adaptações necessárias para os aspectos culturais daquela
região, todavia nenhuma dessas versões alcançou o sucesso da série original.
O conjunto de temas abordados, estilos narrativos, construção e
desenvolvimento de personagens, interatividade e veiculação apresentadas por
essas obras embasam o projeto e a ideia defendida para a realização deste
trabalho.
31

7 Roteiro
32
33
34
35
36
37
38
39
40
41
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51
52
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54
55
56
57

7.1 Fluxograma de roteiro

4
Link de acesso ao roteiro no Twine: https://drive.google.com/file/d/1Cw50NQAeN_ORApMwJzj8iXgF-4NH6RAn/view?usp=sharing

8 Direção de Fotografia
8.1 Defesa da construção técnica e estética

Na prática de captação de imagens, foram utilizados dois conceitos, um em


grande parte do curta-metragem e outro em menor escala. Para o personagem João
o conceito do ponto de vista, técnica conhecida pela sigla em inglês POV (Point of
View) comumente utilizada em filmes de horror, foi o mais enfatizado durante toda a
captação. A intenção com a utilização desta técnica é que a interatividade seja vivida
ao extremo, com o espectador agindo de forma imersiva e presencial durante o
curta.
A quebra deste momento, acontece justamente no ponto de alta tensão da
narrativa, o suicídio, pois o personagem consegue se enxergar ao olhar no espelho
e consecutivamente o espectador também.
Para que este primeiro conceito pudesse ser trazido à realidade, surgiram
algumas limitações técnicas, entre as principais se concentrava o baixo orçamento
de produção e consecutivamente baixa verba para equipamentos que pudessem
facilitar a operacionalização do conceito. Porém, alguns ajustes técnicos foram
elaborados e objetos de engenharia desenvolvidos a partir de equipamentos já
existentes no mercado, mas com ligeiras adaptações a realidade da produção.

4 Abrir no site https://twinery.org/2/#!/stories ou então fazer download e abrir com o navegador


Google Chrome.
58

Como referência, utilizamos o seguinte equipamento ilustrado na foto acima


chamado Glide Gear POV e orçado em suas versões mais acessíveis por volta de
U$ 249,00. Porém, em nossa versão adaptada, ilustrada na imagem abaixo, o custo
de orçamento foi nulo, trazendo assim uma solução viável para vários dos momentos
do curta-metragem.
Foi utilizado um Small Rig para Sony A6500 juntamente com um suporte
biarticulado que foi fixado em um capacete, utilizamos ainda um peso de 2kg como
contra-peso para equilibrar a câmera no ângulo de visão do operador.

Porém, esta solução não foi definitiva para todos os momentos. Pois em
cenas específicas, foi preciso que ocorresse um POV híbrido onde um operador de
câmera alternava a cena juntamente com o ator para facilitar e beneficiar tanto o
desempenho da cena quanto para garantir questões técnicas como foco, como é
possível observar pelas imagens de making off abaixo.
59

Para o POV do personagem João, optamos por utilizar uma câmera Sony
A6500 com uma lente de 24mm com o recurso de autofoco, que pudesse captar as
sensações e momentos em ângulo mais aberto possível como se fosse realmente o
amplo campo de visão humano, trazendo assim o máximo de realidade ao olhar do
personagem.
O segundo conceito empregado durante a captação são os que se referem
aos poucos takes solos da personagem Ana, mãe de João. Optamos por trazer um
ponto subjetivo em segunda pessoa que se alterna em alguns momentos com takes
detalhados das ações. Partindo do pressuposto que a personagem é o outro grande
lado da narrativa, acreditamos que este tipo de uso e abordagem faz com que o
espectador tenha a chance de observar a mãe e pensar junto com ela. Porém
raciocinando de maneira diferente como que faz com João. Pensando a partir da
moldura em que encaixamos a personagem, que é a moldura da religião e do
conservadorismo.
Assim sendo, para os takes da personagem Ana optamos por utilizar uma
câmera Sony A6500 alternando entre a lente 24mm para o ponto subjetivo em
segunda pessoa e outra lente 35mm para os planos fechados e de detalhe.

8.2 Mapa de Iluminação


60
61
62
63
64
65
66

8.3 Storyboard
67
68
69
70
71
72
73
74
75

8.4 Referências Audiovisuais

Boy Erased: Uma Verdade Anulada - Joel Edgerton


76

Enter The Void (Viagem Alucinante) - Gaspar Noé

Hardcore: Missão Extrema - Ilya Naishuller

9 Perfil dos Personagens


77

Personagem 1:
NOME: João Lucas Alves

NECESSIDADE DRAMÁTICA (O que ele quer?):

Seu maior desejo é ser entendido, ele precisa de compreensão.

DESCRIÇÃO RESUMIDA DO PERSONAGEM:

João é um rapaz que mora com sua família na sua cidade natal, os Alves têm um
sobrenome de peso na cidade, devido ao trabalho do seu pai. Foi justamente no
ensino médio que ele começou a perceber algumas coisas diferentes, a maioria dos
amigos dele se sentia atraído por mulher, mas mesmo que ele tentasse não
conseguia entender, já que do ponto de vista dele os homens eram muito mais
atraentes e interessantes. Até então ele não havia ligado muito para falar sobre isso,
até porque ele sabia do grande preconceito que existia na sua família e entre seus
amigos, ele tinha medo que todos se afastassem dele depois que ele se revelasse.
Naquele ano, seu primo havia se assumido homossexual. A reação dos seus tios
não foi nada boa, expulsaram ele de casa no mesmo dia. E pelos comentários que
sua mãe fazia, ela teria feito a mesma coisa. Ela falava frases do tipo “graças a
Deus que não temos um filho assim”; “só pode ser falta de surra”; “ele sempre foi
meio viadinho”; “vamos orar pra Deus fazer ele virar homem de novo”. No fim do
ano, quase perto da formatura no ensino médio, ele acabou deixando um dos seus
melhores amigos Vitor, descobrir que ele era Gay, mas a reação de Vitor não foi
nada boa. Com Vitor, ele se sentia autêntico e tão cheio de sentimentos verdadeiros,
como nunca antes. Ele se apaixonou como um adolescente pela primeira vez. Até
que um dia Vitor mandou mensagem dizendo que eles não deveriam se falar mais.
Pensamentos suicidas começaram a tomar conta da sua mente. Em seu computador
tem várias pesquisas na internet “Como ser menos gay”, “Existe cura gay?”. Já leu
vários posts falando que o caminho é a auto aceitação, mas ele sabia que o
problema não era a aceitação própria, mas sim, a de seus pais. Que ele sabe que
naquele momento, não existia. Agora tudo o que ele fazia e o modo como ele se
comportava, parecia mera atuação de um personagem, um personagem tentando
convencer que é hétero, por que ele havia começado a tentar se assumir
publicamente, mas não conseguia continuar por que as outras pessoas não
deixavam, ou as consequências sempre eram ruins, como com Vitor. Ele é
78

assombrado pela possibilidade de as pessoas descobrirem e não aceitarem como


ele é, mas a principal razão disso é a sua mãe de quem ele tem a maior expectativa
de como será o momento em que ela descobrir.

Idade 17 anos

Tipo Corporal: Mesomorfo

Altura/Peso: 1,67 e 69 Kg

Face: Hexagonal

Pele: Branco

Cabelo: Castanho

Olhos: Claros

Características Básicas: Vive triste.

Filmes preferidos: Paraíso perdido e Alex Strangent

Séries preferidas: Sex education, the boys e millennials

Nível Intelectual: Ensino Médio Completo

Cursando direito no primeiro Ano.

DESCREVA SUA FAMÍLIA E A RELAÇÃO DO PERSONAGEM COM ELA:

Até hoje, sempre que eles conversam, seus pais escutam e escutam, mas nunca
entendem onde João quer chegar. No final João sempre desiste e acaba
concordando ou cedendo ao que os pais falam. Afinal o que a família quer e precisa,
sempre é mais importante e fala mais claramente que ele mesmo.

DESCREVA SUA PROFISSÃO, LOCAL DE TRABALHO E SUA RELAÇÃO COM


AS PESSOAS NESTE AMBIENTE:

João é um jovem comum, nem aquele popular, mas também não é aquele que se
destaca por ser ninguém. É perfeitamente o tipo de pessoa que passa despercebido
na multidão, ele tem potencial para se destacar, mas ele não faz questão.

MELHORES AMIGOS:
79

Patrícia/Patrick

Personagem 2:

NOME: Ana Carla Almeida Alves

NECESSIDADE DRAMÁTICA (O que ele quer?):

Entender o porquê coisas ruins acontecem com pessoas boas e que são fiéis a
Deus.

Descrição resumida do personagem:

Ana Carla é uma mulher que passou por muita coisa na vida. Se casou muito cedo e
no começo não por vontade própria, mas como ela engravidou de João, seu único
filho, aos 20 anos se sentiu pressionada a casar pois a comunidade religiosa a qual
pertencia a família de ambos, não via com bons olhos o sexo antes do casamento.
No começo foi difícil para ela ter de abrir mão de algumas coisas que queria muito,
como terminar a faculdade, mas com o passar do tempo ela se acostumou e se
adaptou a nova vida de esposa e mãe. Ela sempre diz que a Igreja teve um papel
muito importante na sua vida, porque é quem guiou ela até onde está hoje. Assim,
ela é uma mulher muito engajada na igreja, participa de todas as programações e
sempre está disponível quando precisam.
Embora tivesse uma boa vida e estável, ela percebia que seu marido não havia
ficado totalmente satisfeito com o fato de ter que perder algumas oportunidades na
vida por conta do casamento repentino e pressionado pela igreja. E isso a
incomodava. Mas esse foi um assunto enterrado com o nascimento de Lucas e o
passar dos anos, mas ocasionalmente lhe vinha à mente a preocupação de que um
dia quando o filho estivesse grande e independente, o marido pudesse resolver
mudar de vida, porém, ela esperava que fosse com ela.
Um dia seu marido desabafou sobre como se sentia. Ele disse que estava triste já a
algum tempo, e que não conseguia mais fingir que esta era a vida que queria. Ele
havia aguentado todo este tempo por causa de João, mas agora precisava mudar e
escolher o próprio futuro e destino, pois, por mais que ele tivesse uma família
maravilhosa, ele não teve o direito de escolher nada, porque seus pais haviam
80

escolhido tudo para ele. Assim, ele escolheu pedir o divórcio o que abalou
totalmente Ana.
Ana é a mais conservadora entre ela e Carlos. Se algum dia João se assumisse
Gay, ela tentaria fazer de tudo pra "Curar" o filho, porque pra ela isso é errado. Ela
levaria o filho na igreja, pediria ao psicólogo pra curar o filho e teria uma postura não
muito amorosa com o filho.

Como ele será modificado ao longo da história? (Arco do Personagem)

● Ana inicia como uma mãe dedicada, religiosa e preocupada com o filho.
● Passa por uma desilusão com a religião e o pastor que representa a igreja
que ela frequenta.
● Confronta o filho sobre todas as suspeitas que tinha sobre sua opção sexual.
● Fica em choque ao encontrar o filho desmaiado no chão do banheiro e uma
carta de suicídio ao lado.
● Termina no corredor do hospital como uma mãe dedicada, desiludida com a
religião e com dor pela morte do filho.

Idade 39 anos

Tipo Corporal: Mesomorfo

Altura/Peso: +- 1,65

Face: Redondo

Pele: Branco

Cabelo: Preto

Olhos: Castanho escuro

Características Básicas: Espirituosa, fala sempre e não tem


papas na língua na hora de falar.

Filmes preferidos: Miss Simpatia


A Beautiful Mind

Nível Intelectual: Ensino Médio Completo

Descreva sua família e a relação do personagem com ela:


81

Ana tem uma relação agradável com o Filho João, mas nos últimos anos eles têm se
afastado. Ela acredita que seja por conta da adolescência, mesmo embora tenha
algumas suspeitas do filho. Por isso seus gostos foram se desalinhando, mas antes
disso eram ótimos amigos e companheiros, sempre juntos.
Com seu marido, apesar de incerta por conta das dúvidas sobre o quão feliz ele
estava, mantiveram durante a infância de João um bom relacionamento, brigas
comuns como de casais normais, mas sem um grande conflito. Somente a incerteza
que ocasionalmente, voltava a mente dela.

Descreva sua profissão, local de trabalho, e sua relação com as pessoas neste
ambiente:

Ana resolveu não trabalhar para se dedicar 100% para a família. Depois que
engravidou, ela teve de parar a faculdade, e nunca mais conseguiu voltar, o que é
um desejo secreto dela. Mas ela é uma pessoa extremamente relacionável e que
consegue se portar bem em qualquer tipo de ambiente.

Melhores amigos:

● João

● Ex-Marido

● Meninas da Igreja

Personagem 3:

NOME: Patrick Costa de Melo (Patrícia)

NECESSIDADE DRAMÁTICA (O que ele quer?):

Viver seus romances sem preconceitos.

DESCRIÇÃO RESUMIDA DO PERSONAGEM:

Patrick é um rapaz que tem uma grande amizade com João desde a época de escola e o
ajuda com seus momentos de tristeza. Desde cedo sonha em ser publicitário(a), por isso
logo após terminar o ensino médio procurou emprego, para não depender somente dos
82

pais, e decidiu morar longe deles. No primeiro ano do ensino médio se declarou
bissexual, o que para seus pais não teve problemas, pois o aceitaram de forma tranquila.

Idade 20 anos

Tipo Corporal: Mesomorfo

Altura/Peso: 1,70 e 69 Kg

Face: Hexagonal

Pele: Moreno

Cabelo: Preto

Olhos: Preto

Características Básicas: Alegre e vive a vida de maneira intensa.

Filmes preferidos: King: Uma história de vingança

O guardião invisível

Séries preferidas: Sex education, Friends e Desejo


sombrio.

Nível Intelectual: Ensino Médio Completo - Cursando


Publicidade e Propaganda.

DESCREVA SUA FAMÍLIA E A RELAÇÃO DO PERSONAGEM COM ELA(E):

Os pais de Patrícia/Patrick têm uma boa relação com ela(e) e a(o) aceitam como
bissexual. O problema é que brigam muito entre si, e Patrícia/Patrick não gosta de vê-los
brigarem, por isso decidiu morar só.

DESCREVA SUA PROFISSÃO, LOCAL DE TRABALHO E SUA RELAÇÃO COM AS


PESSOAS NESTE AMBIENTE:

Patrícia/Patrick trabalha em uma loja de games e tem boa relação com seus colegas de
trabalho, mas não suporta quando alguém é desrespeitado.

MELHORES AMIGOS:
83

● João

Personagem 4:

NOME: Vitor Santos de Lima

NECESSIDADE DRAMÁTICA (O que ele quer?):

Se descobrir como pessoa.

DESCRIÇÃO RESUMIDA DO PERSONAGEM:

Vitor é um jovem de 17 anos que ainda não sabe o que quer da vida. Com relação a vida
sexual tem muitas dúvidas do que gosta, e sempre fica pensando no que as pessoas vão
falar. Ainda quando estudava na mesma sala que João, descobriu que ele era gay e
acabaram ficando, logo depois começou agir estranho com João e o bloqueou nas redes
sociais.

Idade 17 anos

Tipo Corporal: Mesomorfo

Altura/Peso: 1,62 e 69 Kg

Face: Hexagonal

Pele: Morena

Cabelo: Castanho escuro

Olhos: Castanhos

Características Básicas: Muito indeciso.

Filmes preferidos: King: Uma história de vingança

O guardião invisível

Nível Intelectual: Ensino Médio Completo

Personagem 05:
84

NOME: Pr. Walter Borges

DESCRIÇÃO RESUMIDA DO PERSONAGEM:

Walter é pastor de uma igreja com 200 membros, casado a 12 anos com Flávia e tem um
filho. Para os membros de igreja demonstra ser uma pessoa fiel e amigável, mas dentro
de casa é um marido arrogante. Já há uns 3 anos vive traindo a esposa com uma de suas
ovelhas.

Idade 40 anos

Tipo Corporal: Mesomorfo

Altura/Peso: 1,75 e 80 Kg

Face: Hexagonal

Pele: Moreno

Cabelo: Preto

Olhos: Castanhos

Características Básicas: Vida dupla, Persuasivo.

Nível Intelectual: Teólogo.

DESCREVA SUA PROFISSÃO, LOCAL DE TRABALHO E SUA RELAÇÃO COM AS


PESSOAS NESTE AMBIENTE:

Vive a maioria do seu tempo na pastoral da igreja atendo os fiéis e se exaltando,


principalmente para as mulheres.

Personagem 06:
NOME: Dr. André Santiago Walsk

DESCRIÇÃO RESUMIDA DO PERSONAGEM:

O médico André Walsk é um homem que ama sua família e sua profissão. Tenta ser o
mais atencioso possível com seus pacientes.
85

Idade 48 anos

Tipo Corporal: Mesomorfo

Altura/Peso: 1,80 e 80 Kg

Face: Hexagonal

Pele: Branco

Cabelo: Preto

Olhos: Pretos

Características Básicas: Comprometido com o trabalho e cristão.

Nível Intelectual: Formado em Medicina, Especialista em


Cirurgia Intestinal e infectologia.

DESCREVA SUA PROFISSÃO, LOCAL DE TRABALHO E SUA RELAÇÃO COM AS


PESSOAS NESTE AMBIENTE:

Desempenha muito bem seu trabalho como médico no hospital onde João foi
internado, mantém uma boa relação com seus colegas e transmite o cristianismo.

10 Mapa de Figurino

Dia a Dia Igreja


Ana
86

Dia a Dia Igreja Pijama Casa


João
87

11 Produção Executiva
88

11.1 Previsão Orçamentária


89

12 Cronograma Geral
90
91
92

13 Referências

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PROPICIADOR DE PRÁTICAS MULTILETRADAS. 2014. Dissertação (Mestrado em
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formal.pdf. Acesso em: 10 maio 2020

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Comunicação na Região Nordeste. Fortaleza - Ceará, jun/ jul 2017. Disponível em:
<http://www.portalintercom.org.br/anais/nordeste2017/resumos/R57-0867-1.pdf>.
Acesso em 27 abr. 2020.
100

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abrindo o armário ‘entre quatro paredes. Arquivos Brasileiros de Psicologia, Rio de
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https://www.redalyc.org/pdf/2290/229029496005.pdf. Acesso em: 2 nov. 2020.

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São Paulo, São Paulo, 2015. Disponível em:
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14 Anexos
14.1 Pesquisa de Campo

Entrevistas TCC
101

14.2 Ordens do Dia

ORDEM DO DIA - quarta-feira, 23 de setembro, 2020


Curta Metragem – Você me Vê?
Direção: Fernando Gomes
Roteiro e pesquisa: Josué Alves, Fernando Gomes, Mauricio de Oliveira e Leno Adrian
Produção: Josué Alves, Fernando Gomes e Maurício de Oliveira
Direção de Fotografia: Josué Alves
Direção de Arte:
Técnica e finalização:
Linguagem web: Fernando Gomes

LOCAÇÃO 1 ENDEREÇO / TELEFONE INÍCIO TÉRMINO


CIDADE

Casa do Josué Chácara Primavera (19) 3113- 18:00 23:00


0170

EQUIPE

NOME FUNÇÃO TELEFONE RA


102

Josué Alves Produtor e Diretor de


Fotografia

Fernando Gomes Diretor Geral e de Arte

Maurício de Oliveira Preparador de atores,


Técnico e fotógrafo de
making of

CRONOGRAMA

AÇÃO LOCAL INÍCIO TÉRMINO OBSERVAÇÕES

Trajeto para a - 17:30 18:00


casa do Josué

Check e Casa do Josué 18:00 18:30


montagem dos
equipamentos

Montagem do Casa do Josué 18:00 19:00


cenário

Check geral Casa do Josué 19:00 19:30

Maquiagem Casa do Josué 19:30 20:00


Atores

REC Cena 02 Casa do Josué 20:00 20:30

REC Cena 03 Casa do Josué 20:30 21:00

REC Cena 04 e Casa do Josué 21:00 21:15


05

REC Cena 06 Casa do Josué 21:15 22:30

Desmontagem Casa do Josué 22:30 23:00

LISTA DE EQUIPAMENTOS

QUANT. ITEM DETALHE FORNECEDO


R

1 Kit Câmera SONY A6500 015234 / 015235 / 015238 Gabriel


Ferreira

1 Capacete Fernando
103

1 Kit Boom AICOM

2 Tripés E-Image AICOM

1 Kit luz AICOM

1 Monopé hubX

1 Gravador H4 AICOM

1 Extensão com régua hubX

1 Extensão sem régua Maurício

1 Fone de ouvido Maurício

1 Microfone Lapela P2 hubX

1 Claquete Josué Alves

1 Cartão SD AICOM

2 Pacote de pilha Josué Alves

ORDEM DO DIA - quarta-feira, 24 de setembro, 2020


Curta Metragem – Você me Vê?
Direção: Fernando Gomes
Roteiro e pesquisa: Josué Alves, Fernando Gomes, Mauricio de
Oliveira e Leno Adrian
Produção: Josué Alves, Fernando Gomes, Maurício de Oliveira
e Leno Adrian
Direção de Fotografia: Josué Alves
Direção de Arte:
Técnica e finalização:
Linguagem web: Fernando Gomes

LOCAÇÃO 1 ENDEREÇO / TELEFONE INÍCIO TÉRMINO


CIDADE

Casa do Chácara (19) 3113-0170 18:00 22:00


Josué Primavera
104

EQUIPE

NOME FUNÇÃO TELEFONE RA

Josué Alves Produtor e Diretor de 19 99830-2197


Fotografia

Fernando Gomes Diretor Geral e de Arte 11 99909-9201

Leno Diniz Tecnico 19 99683-1918

Maurício de Oliveira Preparador de atores e 19 97118-8917


fotógrafo de making of

CRONOGRAMA

AÇÃO LOCAL INÍCIO TÉRMINO OBSERVAÇÕES

Trajeto para a - 17:30 18:00


casa do
Josué

Check e Casa do 18:00 18:30


montagem Josué
dos
equipamento
s

Montagem do Casa do 18:30 19:30


cenário e check Josué
geral

Maquiagem Casa do 19:30 19:45


Atores Josué

REC Cena 06 Casa do 19:45 21:30


Josué

Desmontagem Casa do 21:30 22:00


Josué
105

LISTA DE EQUIPAMENTOS

QNT. ITEM DETALHE FORNECEDOR

1 Kit Câmera SONY A6500 015234 / 015235 / 015238 Gabriel


Ferreira

1 Capacete Fernando

1 Kit Boom AICOM

2 Tripés E-Image AICOM

1 Kit luz AICOM

1 Monopé hubX

1 Gravador H4 AICOM

1 Extensão com régua hubX

1 Extensão sem régua Maurício

1 Fone de ouvido Maurício

1 Microfone Lapela P2 hubX

1 Claquete Josué
Alves

1 Cartão SD AICOM

2 Pacote de pilha Josué


Alves
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ORDEM DO DIA - quarta-feira, 27 de setembro, 2020


Curta Metragem – Você me Vê?
Direção: Fernando Gomes
Roteiro e pesquisa: Josué Alves, Fernando Gomes, Mauricio de
Oliveira e Leno Adrian
Produção: Josué Alves, Fernando Gomes, Maurício de Oliveira
e Leno Adrian
Direção de Fotografia: Josué Alves
Direção de Arte:
Técnica e finalização:
Linguagem web: Fernando Gomes

LOCAÇÃO 1 ENDEREÇO / TELEFONE INÍCIO TÉRMINO


CIDADE

Casa do Chácara (19) 3113-0170 08:00 22:00


Josué Primavera

EQUIPE

NOME FUNÇÃO TELEFONE RA

Josué Alves Produtor e Diretor de 19 99830-2197


Fotografia

Fernando Gomes Diretor Geral e de Arte 11 99909-9201

Leno Diniz Tecnico 19 99683-1918

Maurício de Oliveira Preparador de atores e 19 97118-8917


fotógrafo de making of

CRONOGRAMA
107

AÇÃO LOCAL INÍCIO TÉRMINO OBSERVAÇÕES

Trajeto para a - 07:30 08:00


casa do Josué

Check e Casa do Josué 08:00 08:30


montagem dos
equipamentos

Montagem do Casa do Josué 08:30 09:00


cenário e check
geral

Maquiagem Casa do Josué 09:00 09:15


Atores

REC Cena 07 Casa do Josué 09:15 10:00

REC Cena 08 Casa do Josué 10:00 12:00

LISTA DE EQUIPAMENTOS

QNT. ITEM DETALHE FORNECEDOR

1 Kit Câmera SONY A6500 015234 / 015235 / 015238 Gabriel


Ferreira

1 Capacete Fernando

1 Kit Boom AICOM

2 Tripés E-Image AICOM

1 Kit luz AICOM

1 Monopé hubX

1 Gravador H4 AICOM
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1 Extensão com régua hubX

1 Extensão sem régua Maurício

1 Fone de ouvido Maurício

1 Microfone Lapela P2 hubX

1 Claquete Josué
Alves

1 Cartão SD AICOM

2 Pacote de pilha Josué


Alves
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14.3 Autorizações de Som e Imagem


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14.4 Decupagem de Vídeo


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