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Anatomia:

A fáscia plantar é como uma camada fibrosa densa que reveste a superfície plantar
do pé. De acordo com Hoppenfeld (2008) essa aponeurose plantar que também é
chamada de fáscia plantar se origina na tuberosidade medial do calcâneo e se
estende ao longo da sola do pé, inserindo-se nas estruturas ligamentares próximas
às cabeças do metatarso, na porção anterior do pé, atuando como uma viga de
sustentação para o arco longitudinal medial, conforme ilustra a Figura 1. Para
Castro (2010) as fáscias plantares são aponeuroses fibrosas que proporcionam
apoio importante às arcadas longitudinais do pé, elas servem de envelopes para
todas as estruturas de nosso organismo desde os ossos, vasos e nervos, passando
pelos órgãos internos até os músculos e a pele. São comparadas a envelopes, pois
recobrem toda a superfície de uma estrutura dando-lhe forma, sustentação e
assegurando sua função. Outra atribuição fundamental de algumas fáscias é a
defesa imunológica, visto que por elas circula a linfa que é o fluido responsável
pela eliminação de impurezas e toxinas do organismo (ANDRÉ, 2013). Para Myers
(2010) as fáscias se interrelacionam com a funcionalidade do sistema
musculoequelético como se o esqueleto fibroso fosse uma rede única com um
papel fundamental no processo de transmissão de forças. Segundo Hoppenfeld
(2008) o tornozelo é a articulação terminal de apoio onde apresenta movimentos
em um só plano de flexão e extensão com função 3 bastante complexa, pois estão
ligadas aos movimentos das articulações subtalar e mediotársica. Essa unidade
músculo fáscia é formada por tecido conjuntivo extracelular chamadas miofáscias
que transmitem forças de tração e estão dispostas com o mesmo sentido das fibras
musculares. Assim, os "trilhos" fasciais projetam-se além das origens e inserções
músculo-tendinosas conectando-se a outros grupos musculares em cadeia.

Fonte: Wearing et al (2006) apud Ribeiro (2010) fonte: Schepis et al (1991) apud Ribeiro (2010)

Figura 1: componentes da fáscia plantar anatomia da fascia plantar

Etiologia:
A fascite plantar é provocada pela tração repetida da fáscia plantar na inserção no
calcâneo, o que leva a microrroturas da aponeurose. A peculiar anatomia da fáscia
plantar faz com que ocorra pouca elasticidade.
Durante a faz de apoio da marcha ocorre compressão na planta do pé e uma força
de tração é gerada ao longo da fáscia.
A fascite plantar ou síndrome da dor do calcanhar é uma causa frequente de dor no
calcanhar e no pé em adultos que acomete cerca de 2 milhões de americanos por
ano. Estima-se que cerca de 10% da população mundial já apresentou ou irá
apresentar queixa de dor no pé em algum momento da vida e que 7% das pessoas
com mais de 65 anos reportem hipersensibilidade na região do calcanhar.
Os sinais clínicos decorrentes desta doença são:
 dor localizada na região do calcâneo ou ao longo de toda a fáscia plantar até
sua inserção, principalmente aos primeiros passos do dia e após longos
períodos sem apoiar os pés no chão.
 Caminhadas prolongadas e longos períodos em pé também podem ser
desconfortáveis para estes pacientes.

A etiologia da FP é multifatorial, e pode ser desenvolvida por fatores inflamatórios e


degenerativos que acometem a fáscia plantar. Os fatores de risco mais citados na
literatura são a diminuição da amplitude de movimento de dorsiflexão do tornozelo
e alto índice de massa corpórea. A FP também pode ser desencadeada por outros
fatores como sobrecarga na fáscia plantar associada à fraqueza muscular
intrínseca do pé, alterações anatômicas e biomecânicas do arco plantar,
discrepância de membros, uso de calçados inadequados e alterações do
posicionamento estático e dinâmico do pé.

Tratamento:
1 - Alongamento de Tríceps sural: Um estudo conduzido por Kibler et al.
comparou a amplitude de movimento de dorsiflexão em pés com e sem fascite
plantar e encontrou uma diferença estatisticamente significativa entre os lados
sadio e acometido, sendo que o lado acometido apresenta maior limitação de
movimento, sugerindo que uma amplitude limitada de dorsiflexão é um dos fatores
de risco para o desenvolvimento de FP. Snow et al. verificou, em cadáveres, que a
presença de tecido conectivo das fibras do tendão do calcâneo estão presentes
também na fáscia plantar. Porter et al. verificaram, através de um ensaio clínico
randomizado, que a dor dos pacientes com FP diminuiu à medida que a amplitude
de movimento (ADM) de dorsiflexão foi recuperada.
2 - Terapia Manual
Artigos demonstram que o alongamento específico para a fáscia proporciona
melhores mais significativas de resultados em comparação a alongamento global
para musculatura do tornozelo, porém ambas as técnicas trazem benefícios para
tal tratamento. Terapia manual composta por exercícios de mobilização no nervo
tibial, alongamento passivo do músculo tibial posterior, fortalecimento e o uso de
bandagens e a liberação manual de pontos gatilho combinada ao alongamento
ativo proporciona melhora da dor e função a curto prazo, em comparação a
realização isolada de alongamento.
4 - Órteses para pés/Palmilhas
As órteses para pés são frequentemente utilizadas como componente do
tratamento conservador da FP, com objetivos de corrigir alterações biomecânicas
do pé que causam estresse excessivo à fáscia.
5 - Eletroterapia
Terapia por ondas de choque extra corpóreo (TOCEC) O uso da TOCEC vem
aumentando nos últimos anos, e têm sido opção de tratamento de diversas
afecções musculoesqueléticas, entre elas a FP.
Em dois ensaios clínicos, o laser e ultrassom não obtiveram diferenças entre
pacientes placebo que receberam a técnica com o aparelho desligado e pacientes
que que receberam a técnica com aparelhos ligados, ou seja, ambos tiveram o
mesmo resultado.

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