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Analises e reflexões sobre os índios e sua diversidade cultural: O

livro didático e o profissional docente no processo de ensino-


aprendizagem
Antonio Pereira de Queiroz (CESVASF)
apqueiroz1@gmail.com

Daniely dos Reis Cirqueira (CESVASF)


daniely.reis.144@gmail.com

Edileuza Souza (CESVASF)


___________________@hotmail.com

Emanuel Bruno Lima Sá (CESVASF)


___________________@hotmail.com

Elizângela Loriano de Lima


elizangela.historia17@gmail.com

Mirelli Maria dos Santos (CESVASF)


mirellisantos@gmail.com

Orientador: Marcos Tuxá (CESVASF)


marcostuxabanzae@hotmail.com

Resumo

O livro didático é ainda muito importante no processo de ensino aprendizagem no Brasil, porém, esse
ainda carrega muitos preconceitos e visões estereotipadas sobre os índios. É necessário refletir o
índio como um sujeito, no processo histórico social do país.

Palavras-chave:
Índios, diversidade cultural, livro didático,

1 Introdução

É sabido que o principal instrumento usado no processo de ensino


aprendizagem do Brasil é o livro didático, esse que ainda é dotado de conteúdos
cheios de preconceito, e com uma visão estereotipada. As imagens apresentadas
nos livros, sobre a temática indígena, "estão direcionada ao qual grupo?”. Na maioria
das vezes é a de um povo indígena não especificado, esse movimento é motivo de
questionamento, pois gera uma imagem de uma condição indígena genérica, fora do
tempo e do espaço.

Os índios brasileiros não podem mais ser enxergados como os que Cabral
encontrou em 1500, e nem possuidores de uma única cultura, ou identidade. O
objetivo desse trabalho é justamente discutir, essa visão que se tem do índio,
levando em conta as suas diversidades, e como o livro didático trabalha essas
questões em sala de aula. Qual seria a possibilidade de um educador criar espaços
de liberdade e de construção da identidade cultural, sabendo que se deve abranger
a pluralidade étnico-racial do Brasil? Como um índio e um não índio se comportam
no mesmo espaço educacional?

2 Metodologia

Com base no que nos foi apresentado pelo nosso orientador, intensificamos
pesquisas, nas leituras e páginas eletrônicas sugeridas pelo autor do livro (texto
sugerido), como também a leitura de outros artigos com temas assemelhados e
comentários voltados para o tema em debate e análise.

3 Os índios e o livro didático

Todavia os livros didáticos de História continuam sendo um dos instrumentos


mais importante no processo educativo das escolas, este que pode ser entendido
como um espaço político de disputas sociais. Tomando como exemplo os indígenas
alagoanos, o tratamento dado a esses povos pela sociedade é construído no
cotidiano em que a escola é parte integrante desse processo. Ao reconhecer os
indígenas como sujeitos na história implica em perceber suas permanências e
mudanças ao longo dos mais de 500 anos em contato com a sociedade europeia. É
pertinente pensar que as identidades estão em processo de constante reelaboração,
nenhuma identidade é fixa no tempo. Os livros analisados em Alagoas, onde os
autores não vão ser citados para não serem prejudicados, seguem uma tendência
gera, persistindo numa visão da História pelo ponto de vista do europeu. Ou seja,
todo aquele estereotipo, que índio só andava sem vestias, que praticavam o
canibalismo, que eram selvagens, inferiores, entre outros. Não levam em
consideração o avanço das pesquisas em relação aos índios, e mais precisamente
da população indígena alagoana, e, por exemplo, nega a prática do antropofagismo.
Logo o educador deve tomar muito cuidado com o livro didático de História. Não se
pretende um livro que complete toda a História, e experiências dos índios de
alagoas, ou demais regiões do Brasil, mas que esses povos sejam contemplados
com coerência a sua existência como sujeitos históricos e sua tensões com a
sociedade alagoana. Que sejam apresentados como efetivos construtores não como
vítimas na/da história, apresentados em alguns livros, pois, é o livro que

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aparentemente seria um dos suportes, na prática ocupando um lugar de destaque,
se fazendo presente em todas as etapas.

O aluno reconhece a existência e a presença da etnia Potiguara, cuja característica


se faz no uso de uma tecnologia restrita. Cria-se um hiato entre a condição de
(qualquer) povo indígena e a tecnologia advinda dos chamados homens brancos.

As redações estão ignorando que as culturas são bastante dinâmicas como


mostrou Lima 1995, quando apela ou reafirma a crença de uma maneira [natural
automática] de ser dos índios, dificultando a articulação entre a reação dos povos
indígenas e a generalização desses povos em materiais didáticos.

A não aceitação dos de fora é uma imposição que cobra de modo automático
os traços que não correspondem mais a situação de vida no interior das aldeias, não
levando em conta os traços de relações compartilhados em espaços geográficos
próximos, por esses grupos distintos. A temática indígena que vem sendo
apresentada e constituída na escola e as dificuldades encontradas nos materiais
didáticos, tem possibilitado uma construção que não corresponde á realidade,
inviabilizando a valorização das etnias dos povos.

Como destacou Grupioni 1995, “praticamente todos os livros afirmaram coisas


semelhantes e privilegiam os mesmos aspectos da sociedade tribal”. O aluno se
remeteu ao livro didático para explicar o índio idealizado. Então o aluno tenta ‘soldar’
elementos que são oriundos de universos distintos e até mesmo antagônicos, na
forma que os mesmos foram apresentados, pois os índios vivendo na natureza,
enquanto que os não-índios vivendo na história, nas cidades e são detentos dos
conhecimentos, das tecnologias e do direito a uma economia monetária.

A ideia de harmonia no contexto da vida social é associada aos “índios dos


livros”. Ou seja, o reforço da imagem constituída e perpetuada do “bom Nativo
selvagem”, que é ora exemplo de organização tribal , ora é confrontado com este
ideal e serve de perda desta condição que sustentaria a condição legitima dos
indígenas.

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4 Discutindo a temática Indígena a partir da experiência em uma escola não
indígena: Os desafios entre conviver e o reconhecer.

É importante ressaltar que a presente pesquisa relata sobre a problemática o


indivíduo indígena, adquirir conhecimentos em escolas não indígenas. É importante
que comecemos a discutir a história e cultura indígena no currículo escolar.
Tomando como base, uma escola situada numa aldeia indígena Potiguara (em
Camaratuba – Paraíba) houve certo desconforto quando se abordava assuntos de
temática indígena. Pois os livros estavam ultrapassados, antigos. Uma vez que viam
os índios não como figuras presentes de nossa cultura, mas como seres que
pertenciam unicamente ao passado e que já estavam fora do nosso contexto atual.
Apesar disso os alunos que não moravam em áreas indígenas procuravam boas
formas de convivência uns com os outros, dessa forma é importante relatar que a
escola e o livro didático geram conflitos e digamos também, contradições acerca da
pluralidade cultural.

Quais são as formas de discussão sobre “diversidade cultural étnica indígena”


Sabemos que conviver com essa diversidade não significa exatamente que a
entendemos. A cultura indígena no Brasil atual parece de certa forma está
desassociada das problemáticas históricas. Quando nos conteúdos estão totalmente
excluídos. São eles os que são taxados de “pessoas sem capacidade de
socialização moderna”. Ainda existe forte preconceito com os índios, no imaginário
popular o índio é aquele cujo ainda está descalço, subindo nas árvores, ou seja, com
aspectos animalescos. Sem ao menos existir um esforço da sociedade em entender
a diversificação e que cultura é um amplo conceito que se diz respeito às crenças,
costumes, cotidiano de certos grupos. Então se levando em consideração essa
problemática qual seria a possibilidade de um educador criar espaços de liberdade e
de construção da identidade cultural, sabendo que se deve abranger a pluralidade
étnico-racial do Brasil? Nessa escola, o livro didático era a principal metodologia
utilizada pelo professor. Existe na verdade alguma prática que diversifique o
conhecimento, utilizando apenas o livro didático? De que forma poderia funcionar o
ensino sobre multiplicidade de culturas existentes no país, quando os conteúdos
abordados nos livros didáticos não estão adaptados para isso? Essas questões
foram abordadas ao longo da pesquisa, foram necessárias uma vez que se tratava
de uma escola situada numa área indígena.
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É justamente no meio escolar que se devem iniciar as questões de
desenvolvimento da consciência enquanto cidadão. Formar alunos críticos e
pensantes é a função da escola, então deve ser nela inseridas as formas básicas de
respeito às diferenças étnicas e isso, portanto é um desafio diário. Pois se deve
levar em consideração qual tipo de base educacional primária que os educandos
recebem, quais suas crenças. Então os professores tinham a missão de desconstruir
os preconceitos, nos quais os índios eram representados como sujeitos à parte da
história. Já que são associados à natureza e não à cultura. Sabe-se que na
historiografia a política estatal tentou de certa forma alienar os índios com
intolerância de crença, cultural e religiosa. A partir da promulgação da Constituição
de 1988, a condição indígena passou a ser vista como válida, sem prazo para
desparecimento.

Nesse caso, não devemos dar continuidade à procura por um culpado e, o professor
não deve ser o alvo das críticas. É necessário que abordemos o ser enquanto
indivíduo cultural.

Foram feitas diversas análises acerca de como estavam sendo escolhidos os livros
para o PNLD. Então os pesquisadores analisaram 25 coleções de livros didáticos de
História e Geografia. De forma dinâmica promoveram entrevistas com os
professores a fim de acompanhar o planejamento pedagógico e atividades durante a
Semana do Índio. Então buscavam trechos de livros didáticos, redações construídas
por estudantes sobre visão que possuíam em relação ao que é ser índio. O objetivo
era compreender de que forma a temática indígena estava sendo discutida e
compreendida pelos alunos. E de qual forma os livros didáticos de História e
Geografia contribuem ou não para a construção de uma identidade positiva dos
índios.

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5 A idealização sobre os habitantes do outro lado do Rio Camaratuba de
acordo com as atividades escolares: Ocas, arcos e flechas.

A análise das narrativas imagéticas e orais que os alunos constroem sobre os


grupos indígenas chamou bastante atenção ao autor Gilberto Geraldo Ferreira, pois
do outro lado do rio é comum à idealização por parte das crianças não indígenas, de
que os índios são vistos como guardiões da Natureza. Através das imagens
proposta no livro didático, que o índio saía com seu arco e flecha para pescar, e
levando seus filhos para aprender, enquanto as mulheres se encarregavam de
cuidar da roça e da casa, idealmente pensada e projetada como "uma oca”, moradia,
transporte e vestimentas sempre são motivos de questionamentos, pois são
apresentados de modo genérico, sem que o aluno compreender os processos de
transformação, ate o estereotipo indígena e generalizada "com características pré-
definidas, ou seja, cabelos negros e olhos puxados". Os índios Potiguara apresenta
uma grande população indígena, viveu de uma forma negativa, onde se escondia a
sua própria identidade, de modo a se proteger contra estereotipia, que gera grandes
tensões emocionais. O professor tem o papel de ser mediador, entre as propostas
didáticas e a realidade vivida pelos alunos, e refletir de modo integrado. Ao longo da
história, ocorreu um processo de miscigenação envolvendo brancos e negros, de
modo que a aparência física não é um marcador legítimo da contribuição da
identidade indígena. Ao contrário, são as memorias e o sentimento de pertencimento
que os faz legitimamente índios Potiguara. Compreender o que é índio pelo
processo educativo formal é um desafio para o educado. Se de um lado tem as
dificuldades relacionadas aos subsídios pedagógicos utilizados no âmbito escolar,
por outro lado encontram-se as dificuldades vividas pelos professores decorrentes
do tipo de formação nos cursos de história, onde os temas identidade étnica,
processo coloniais, mudanças históricas, não são temas de cursos de formação de
professor.

6 Porque a escola precisa ensinar sobre as diversidades étnicas no Brasil

A principal necessidade de contemplar a diversidade no contexto escolar é abordar


que a maioria da sociedade estar vivendo um processo de transformação. Embora
algumas ainda vivam conectadas a um só habito didático não buscam informações
diferenciadas e amplas metodologia, Continua vivenciando a história da época que o
índio só vivia de pesca , morava em ocas e caça e o negro era escravo .
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A história já não é a mesma nos tempos contemporâneo, já se pode considerar a
diversidade como centro de informação e a escola enfatizadora de valores culturais
idealizado sem discriminação e preconceitos entre etnias sócio-culturais .

Para que esses novos métodos se estabeleça foi implementada a lei 11.645 /2008 ,
10.639/03 , onde obrigatoriamente exige a História e Culturas Afro - brasileiras e
Indígenas como disciplina com o propósito de relacionar o índio a um ponto de vista
mais moderno, Que dependendo do lugar que reside continua sendo índio e
contendo os mesmos direitos sociais .como : político e educacionais promovendo
uma nova formação continuada no parâmetros curriculares. Das pessoas ou seja
professores que já estabelece essa metodologia da diversidade cultural e faz
predominar uma política sem preconceito na sua prática de ensino elaborada nos
aspectos diferenciados, faz com que o corpo discente veja o índio com novo olhar
dos livros didáticos, e que o índio é brasileiro, e ele faz parte da sociedade.

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7 Considerações finais

Entendemos que a discussão sobre inclusão da diversidade cultural no


currículo escolar é antes de tudo um reconhecimento de tudo que se refere a
determinados grupos humanos. É um olhar direcionado e diferente do que
acontecia, anteriormente nos currículos, no que se relacionava as, crenças, etnias,
etc. Se faz então necessário entender, precisamos exercer “a tolerância” em sala de
aula, à cultura do outro, ou ainda identificarmos as minorias que estavam e que
estão excluídas e sem representações nos currículos atuais. Porém, a dificuldade
maior está em desenvolver a construção de um novo processo de conhecimento
dos/as docentes em relação à esta temática (indígena), pois a maioria das
instituições onde alguns profissionais, se formaram, não dispõe de pessoas
qualificadas para tratar do assunto em pauta e debate. Que nós continuemos,
ampliando a pesquisa, de todos os subsídios didáticos possíveis, sobre a inserção
da temática indígena no âmbito escolar.

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8 Referências

FERREIRA, Gilberto Geraldo. Doutorado em História no PPGH-UFPE, Mestre em


educação(UFAL) e Professor no Curso de História do CESMAC (Maceió-AL)

FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala. 1a edição 1933. São Pau-


lo/Rio de Janeiro, Record. 1999

SILVA, Edson; Silva, Maria da Penha da (Orgs.). A temática indígena em sala da


aula: reflexões para o ensino a partir da Lei 11.645/2008. Recife: Ed. Universitária da
UFPE, 2013.

SILVA, Edson. Os índios entre discursos e imagens: o lugar na história do Brasil. In:
A temática indígena em sala de aula: reflexões para o ensino a partir da lei
11.645/2008 / [organizadores] : Edson Silva, Maria da Penha Silva. 2.ed. Recife, p.
15-40, 2016.