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FACULDADES ITECNE DE CASCAVEL

GRADUAÇÃO EM SERVIÇO SOCIAL

EMANOELLE CARVAT NENEVÊ

A GESTÃO SOCIAL E O PLANEJAMENTO COMO FERRAMENTAS


FUNDAMENTAIS DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL
JUNTO A SECRETARIA DE PLANEJAMENTO DO MUNICÍPIO DE CASCAVEL –
PR

CASCAVEL
2013
EMANOELLE CARVAT NENEVÊ

A GESTÃO SOCIAL E O PLANEJAMENTO COMO FERRAMENTAS


FUNDAMENTAIS DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL
JUNTO A SECRETARIA DE PLANEJAMENTO DO MUNICÍPIO DE CASCAVEL –
PR

CASCAVEL - PARANÁ
2013
EMANOELLE CARVAT NENEVÊ

A GESTÃO SOCIAL E O PLANEJAMENTO COMO FERRAMENTAS


FUNDAMENTAIS DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL
JUNTO A SECRETARIA DE PLANEJAMENTO DO MUNICÍPIO DE CASCAVEL –
PR

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


ao Curso de Serviço Social, da Faculdade
ITECNE de Cascavel/PR, como requisito
parcial à obtenção do Título de Bacharel em
Serviço Social.

Professora Orientadora: Profa. Esp. Simone


Beatriz Ferrari

CASCAVEL - PARANÁ
2013
EMANOELLE CARVAT NENEVÊ

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


ao Curso de Serviço Social, da Faculdade
ITECNE de Cascavel/PR, como requisito
parcial à obtenção do Título de Bacharel em
Serviço Social.

Professora Orientadora: Profa. Esp. Simone


Beatriz Ferrari

BANCA EXAMINADORA

_____________________________________
Prof. Esp. Simone Beatriz Ferrari (Orientador)
Faculdades Itecne de Cascavel

____________________________

_____________________________

Cascavel, .......... de ............................... de .......


Dedico este trabalho a todos que me ajudaram
e me apoiaram na construção do mesmo, e aos
que fizeram parte dessa construção.
AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus pelas oportunidades e por trilhar os meus caminhos. Agradeço a


minha família por todo amor,carinho e dedicação em especial a minha mãe que me apoiou
durante esses quatro anos bem como meus avôs em particular ao meu avô Adão que nesses
quatro anos permaneceu todos os dias aguardando a minha chegada e zelando por mim e
também ao meu pai e meu irmão. Agradeço ainda aos demais familiares que também me
ajudaram de alguma forma, pois sem o apoio esse caminho teria sido trilhado com muito mais
dificuldade.
Agradeço também a todos os professores que fizeram parte desse percurso de quatro
anos e nos guiaram com inteligência e com experiência na construção de um saber
profissional, dedicando-se integralmente a formar profissionais capazes e com qualidade.
Com um carinho especial a minha orientadora que fez parte dessa caminhada nos
quatro anos e ainda me ajudou na construção deste trabalho, dedicando seu tempo,
experiência e paciência.
Igualmente agradeço aos meus companheiros de caminhada pelas experiências e
momentos passados juntos, com grande consideração as minhas amigas Antonia e Jônia pela
amizade e companheirismo durante esses anos, que esta perdure pelo futuro.
Agradeço aos campos de estagio em que passei e nos quais tive oportunidade de
conhecer de forma ampla a dinâmica profissional o que contribuiu e muito durante o processo
de formação acadêmica, bem como aproximou da realidade o conhecimento obtido em sala de
aula que se perfez em uma experiência enriquecedora durante o processo de formação
acadêmica. Em especial a minha supervisora de estágio Marilda que me apoiou nessa
caminhada.
Em suma agradeço a todos com estima certa de que nessa nova caminhada levarei
todos os aspectos importantes e relevantes desses quatro anos.
NENEVÊ, EMANOELLE CARVAT. A GESTÃO SOCIAL E O PLANEJAMENTO
COMO FERRAMENTAS FUNDAMENTAIS DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO
SERVIÇO SOCIAL JUNTO A SECRETARIA DE PLANEJAMENTO DO
MUNICÍPIO DE CASCAVEL – PR. TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
(BACHARELADO EM SERVIÇO SOCIAL) - FACULDADES ITECNE, GRUPO
EDUCACIONAL ITECNE, CASCAVEL. 2013

RESUMO

Este trabalho de conclusão de curso tem por tema a gestão social e o planejamento como
ferramentas fundamentais do exercício profissional do Serviço Social junto a Secretaria de
Planejamento e Urbanismo do município de Cascavel – PR busca-se identificar o processo de
gestão das políticas que permeiam a secretaria bem como o processo de planejamento junto ao
serviço social. Para tanto a forma de pesquisa utilizada foi a exploratória, com base em uma
pesquisa bibliográfica inicialmente foi apresentado de forma breve as mudanças pós-
constituição de 1988 bem como a estruturação do Estado até o planejamento e o serviço
social. No segundo capitulo apresenta-se a atual estrutura da política de planejamento urbano
e de habitação em âmbito nacional e municipal. Neste mesmo capítulo está a apresentação da
pesquisa que se deu por meio da entrevista semi estruturada com o universo de sete
entrevistados que se consubstanciam em profissionais assistente sociais, de outras áreas e
estagiários de serviço social da Secretária Municipal de Planejamento e Urbanismo de
Cascavel. Dentre os resultados observados destaca-se a compreensão da importância do
assistente social na área de planejamento e gestão bem como se dá esse processo no campo
em que a pesquisa foi realizada.

Palavras Chaves: Planejamento, gestão, políticas públicas.


SUMÁRIO

INTRODUÇÃO 20
1 O MARCO DA IMPLEMENTAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO DE 1988:
SIGNIFICADOS PARA A FORMULAÇÃO DAS POLÍTICAS SOCIAIS
BRASILEIRAS. 22
1.2 IMPLEMENTAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO DE 1988, BREVE
CONTEXTUALIZAÇÃO.....................................................................................................25

1.3 ESTRUTURAÇÃO DO ESTADO E DE GOVERNO BRASILEIRO..........................29

1.4 A REFORMA DO ESTADO A BUSCA DO PLANEJAMENTO E A


ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA...........................................................................................35

1.4 POLÍTICAS PÚBLICAS................................................................................................43

1.5 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E O PROCESSO DE PLANEJAMENTO DAS


POLÍTICAS..........................................................................................................................48

1.6 O PLANEJAMENTO NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E O SERVIÇO SOCIAL. 52

2 O PLANEJAMENTO NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E O SERVIÇO SOCIAL


NO MUNICIPIO DE CASCAVEL. 61
2.1 O ESTATUTO DAS CIDADES E AS POLÌTICAS URBANA E DE HABITAÇÂO.61

2.2 A ADMINISTRAÇÃO PUBLICA, A PRATICA DO PLANEJAMENTO E GESTÃO


DOS SERVIÇOS E POLÍTICAS NO MUNICÍPIO DE CASCAVEL...............................68

2.3 METODOLOGIA DA PESQUISA...............................................................................79

2.4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS DA PESQUISA DE CAMPO..........82

CONSIDERAÇÕES FINAIS 101


REFERÊNCIAS 104
APÊNDICES 112
19

ABNT Associação Brasileira de Normas e Técnicas


CCSA Centro de Ciências Sociais Aplicadas
CRESS Conselho Regional de Serviço Social
ITECNE Instituto Tecnológico e Educacional
SUAS Sistema Único de Assistência Social
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS

INTRODUÇÃO
20

Este trabalho tem por tema central a gestão social e o planejamento como ferramentas
fundamentais do exercício profissional do serviço social junto a secretaria de planejamento do
município de cascavel – PR.
O problema está em torno da importância do trabalho do Serviço Social na Secretaria
de Planejamento e Urbanismo da cidade de Cascavel e quais são os instrumentais e a prática
profissional do serviço social, na administração pública em especifico, no setor de
planejamento urbano buscando-se verificar:
a) Qual de fato a contribuição do profissional de Serviço Social no setor de
Planejamento urbano?
b) O profissional atualmente formado possui o perfil de gestor de políticas, conforme
preconiza e determina dentro das atribuições do exercício profissional? Esse profissional
possui o perfil necessário para esta área?
O objetivo primordial é identificar o processo de gestão de políticas sociais, tais como
habitação, planejamento urbano e a interface do profissional de serviço social neste contexto
da nova administração pública. Diante da abrangência do tema, e seus objetivos, buscaremos
trabalhar pontualmente alguns objetivos. São eles:
a) Promover pesquisa sobre o processo de atuação do profissional em campo de
planejamento urbano;
b) identificar a importância do exercício profissional e a necessidade de abrangência e
intensificação da profissão em áreas de planejamento, gestão de políticas publicas;
Dessa forma a pesquisa se justifica como uma forma de conhecimento da intervenção
profissional em diferentes campos de trabalho, bem como proporciona um conhecimento
acerca do processo de trabalho na área especifica da pesquisa.
Dentro desta perspectiva, busca-se pesquisar e analisar a atuação profissional, em setor
distinto, de prática e campo novo de atuação do profissional. Da qual a principal ferramenta é
o planejamento e seus instrumentais e estratégias. Assim, diante do desafio do planejamento
urbano, e consequentemente o planejamento para o desenvolvimento social e econômico da
cidade, como o profissional se aloja neste setor, e qual é a dinâmica de atuação diante das
políticas públicas e práticas administrativas ao qual é inserido.
Com vistas a obter as informações necessárias foram realizados estudos, leituras de
bibliografias, legislações e a utilização da entrevista como instrumental para coleta de dados.
Compreende-se que este instrumento é o mais adequado a responder as indagações
levantadas. Portanto a metodologia empregada na construção do trabalho se deu com base na
pesquisa bibliográfica e pela entrevista.
21

As entrevistas foram realizadas com profissionais assistentes sociais, engenheiro,


arquiteto estagiários da Secretaria Municipal de Planejamento e Urbanismo de Cascavel,
perfazendo o total de 07 pessoas entrevistas. Para compreender a dinâmica do planejamento e
da gestão como ferramenta do exercício profissional as entrevistas foram divididas em blocos
de gestor, profissionais e profissionais de outras áreas e estagiários.
Dessa forma foi possível verificar como se dá o processo de trabalho dos assistentes
sociais na SEPLAN bem como auxilia em uma compreensão mais efetiva das informações
obtidas de acordo com as pesquisa bibliográfica.
A estrutura do trabalho se dá em dois capítulos o primeiro tem por foco uma breve
contextualização histórica para entendermos como está a dinâmica da administração publica
atualmente bem como a relação com o serviço social. Neste capitulo são trabalhados ponto
como a constituição Federal de 1988, a estruturação do Estado e do Governo brasileiro, a
administração pública englobando as políticas a gestão e o planejamento correlacionando com
o serviço social.
O segundo capitulo já tem um caráter mais especifico de abordagem com relação ao
tema e trata das políticas urbanas e de habitação juntamente com sua ligação no planejamento
abordando de forma breve como esta a estruturação destas atualmente em abrangência
nacional bem como em território municipal. Neste capitulo também consta a metodologia do
trabalho e finaliza-se com a análise dos dados coletados por meio da entrevista.

1 O MARCO DA IMPLEMENTAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO DE 1988:


SIGNIFICADOS PARA A FORMULAÇÃO DAS POLÍTICAS SOCIAIS
BRASILEIRAS.
22

Neste primeiro capitulo será abordado de forma breve à construção dos direitos e a
relação com a Constituição Federal de 1988. Também serão apresentadas as mudanças no
Estado e as políticas públicas, bem como se dá a estruturação e organização deste.
A história apresenta características importantes em relação aos direitos e garantia
destes, com a transformação da organização da sociedade, a busca por direitos também se
alterou. Essa busca se dá em momentos e estágios diferentes. O direito é um tema amplo e
divergente, e começou a ter destaque a partir do século XVIII.

É certo que, principalmente a partir do século XVIII, os homens têm travado uma
batalha sobre em que consistem os direitos, como identificá-los, como protegê-los e
como cobrá-los. E sua assunção tem sido demarcada por movimentos contraditórios,
heterogêneos e apontando estágios diferentes, conforme a realidade, os sistemas
político, econômico, social e cultural [...] (COUTO, 2006, p.38).

A luta por direitos como a liberdade, justiça, vida, igualdade, as relações de trabalho, a
saúde, a habitação, educação entre outros, foram se efetivando e se agregando em diferentes
momentos e situações, garantidos com base em características próprias em todo o mundo. No
Brasil, essa construção não se deu de forma diferente como explica Couto:

[...] com características peculiares e permeadas de fatores que conformaram a


sociedade brasileira, os direitos civis, políticos e sociais foram se constituindo a
partir de uma realidade histórica particular, na qual transcorreram os períodos
colonial, imperial, chegando ao republicano. (COUTO, 2006, p.76)

Os direitos hoje considerados fundamentais aos cidadãos, e entendidos como


condição inerente ao ser humano decorrem de um processo histórico, que perpassa por
mudanças nas relações sociais, nos modos de poder e governo, na cultura, economia e outros
aspectos que influenciaram na busca dos direitos.
O processo de construção dos direitos e a acumulação destes ao longo da história se
deram por etapas. Os que ganham destaque como os primeiros são definidos como os direitos
civis e se referem aos direitos individuais, a liberdade e autonomia. Conforme Couto os
direitos são divididos por geração:

[...] são considerados de primeira geração os direitos civis e políticos, que são
conquistas ocorridas nos séculos XVIII e XIX. Esses direitos são exercidos pelos
homens, individualmente, e tem como principio opor-se a presença da
intermediação do Estado para seu exercício, pois é o homem, fundado na ideia da
liberdade, que deve ser o titular dos direitos civis, exercendo-os contra o poder do
Estado, ou, no caso dos direitos políticos, exercê-los na esfera de intervenção do
Estado (COUTO, 2006, p.34).
23

Seguindo a ordem da divisão cronológica dos direitos, os que se referem à segunda


geração são denominados de direitos sociais 1 e dizem respeito às necessidades básicas dos
indivíduos, como saúde, habitação, alimentação, educação entre outros.

[...] são exercidos pelos homens por meio da intervenção do Estado, que é quem
deve prove-los. É no âmbito do Estado que os homens buscam o cumprimento dos
direitos sociais, embora ainda o façam de forma individual. Esses direitos vêm se
constituindo desde o século XIX, mas ganham evidencia no século XX. Ancoram-
se na ideia de igualdade, que se constitui numa meta a ser alcançada, buscando
enfrentar as desigualdades sociais. (COUTO, 2006, p.35)

Em relação ao processo de conquista e evolução dos direitos Kauchakje também


apresenta uma divisão cronológica dos direitos, mesmos que estes não tenham sido
conquistados em uma cronologia linear. Sendo assim para a autora:

[...] Uma divisão e uma cronologia bastante utilizadas consideram que os direitos
civis, cujo marco é o século XVIII, são os direitos individuais e dizem respeito à
liberdade pessoal, de pensamento, de religião e economia; os direitos políticos,
consagrados no século XIX, referem-se à liberdade de associação a partidos e aos
direitos eleitorais; os direitos sociais, em grande parte um legado da primeira metade
do século XX, estão voltados á coletividade e são basicamente os direitos a
educação, a saúde a habitação, ao trabalho e a alimentação; os direitos
contemporâneos, ou de terceira e quarta geração, a partir de meados do século XX,
são parte das demandas dos denominados NOVOS MOVIMENTOS SOCIAIS com
referência ao gênero, á faixa etária, as etnias, ao meio ambiente, á diversidade e as
diferenças culturais e identitárias entre outros [...]. (KAUCHAKJE, 2008, p.24, grifo
do autor).

Ainda dentro da perspectiva da divisão cronológica dos direitos conforme a autora os


novos movimentos sociais2 a partir do século XX, trazem uma nova demanda de direitos que
se referem às questões de gênero, meio ambiente, etnias dentre outros, o que Couto apresenta
como sendo os de terceira geração.

[...] desde o século XX evidenciam-se os movimentos para se reconhecer os direitos


de terceira geração. Esses direitos, que são enunciados como direito ao
desenvolvimento, a paz, ao meio ambiente e a autodeterminação dos povos, são
fundados na ideia de solidariedade. São de natureza coletiva e também difusa, pois
não é apenas o individuo que assume a titularidade, mas famílias, povos e nações
que o requerem. E isso é feito por meio de pactos entre povos e por organismos

1
Em relação aos direitos sociais estes “Constituem-se em direitos de prestação de serviços ou créditos, pois
geram obrigações positivas por parte do Estado, que detém a responsabilidade de, por meio do planejamento e da
consecução de políticas para o bem-estar do cidadão, atender as demandas por educação, trabalho, salário
suficiente, acesso a cultura, moradia, seguridade social, proteção do meio ambiente, da infância e da
adolescência, da família, da velhice, dentre outros”. (COUTO, 2006, p.48).
2
“[...] os chamados novos movimentos sociais surgem ora como complemento, ora como alternativa, aos
movimentos de classe tradicionais e aos partidos políticos de esquerda, inspirados em diversos processos
revolucionários e em variadas revoltas (MONTAÑO; DURIGUETTO, 2011, p. 264)”.
24

internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU). (COUTO, 2006,


p.35)

De acordo com o que Kauchakje apresentou, os direitos foram divididos por gerações
e conquistados em diferentes momentos. A cada tempo novas necessidades surgiram, portanto
novas configurações foram postas para atender ao sujeito que adquiriu denominação de
cidadão, quando passou a ter direitos e por consequência a ser usuário destes.

Outra questão importante no campo dos direitos e que tem sido campo de luta nas
sociedades modernas refere-se a quem é portador dos mesmos, a quem eles se
referem. As mulheres, os índios, as crianças e as minorias étnicas e religiosas foram
incorporadas como portadores de direitos somente a partir de grandes discussões, e
suas inclusões deram-se em momentos diferentes, em sociedades distintas, e não de
maneira homogênea e linear. (COUTO, 2006, p.37)

Nesse sentido o direito só passou a ser de todos e abranger todas as camadas por meio
de lutas e discussões, pois por muito tempo existiu uma racionalidade no acesso, dividindo a
sociedade em grupos que eram possuidores ou não dos direitos.
Essa busca pelos direitos e a garantia destes teve diversas formas de reivindicações,
expressões e organizações passando de passeatas, greves, lutas, revoluções, movimentos
sociais e outros, e sempre esteve presente no palco da sociedade.

Os direitos sociais, bem como os civis e políticos, tem sido objeto de disputa na
sociedade, para que sua garantia possa ser efetivada. Nesse sentido, a luta pela
universalização dos direitos civis e políticos e a busca da igualdade como meta dos
direitos sociais são características de vários movimentos e declarações construídas
pelos homens, principalmente a partir dos séculos XVIII, XIX e XX. [...] (COUTO,
2006, p.49)

Mas também nessa disputa de direitos civis, políticos e sociais temos que considerar os
direitos humanos. Esses direitos são a junção de todos os direitos apresentados, corresponde
ao direito a vida, a liberdade, a justiça, a igualdade, a democracia, a família, a segurança, a
justiça, a alimentação, em suma os direitos humanos é a conjunto dos direitos civis, políticos e
sociais.
São representados pela da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Um
documento que formaliza e expressa em seus trinta artigos todos esses direitos que possuem
caráter universal. Estes direitos, referidos na citação de Couto, também fazem parte do
conjunto efetivado por meio de documentos.
25

A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi uma conquista importante,


resultado de um pós-guerra cruel, com o objetivo de unir as nações em prol da defesa dos
direitos.

Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) é um documento marco na


história dos direitos humanos. Elaborada por representantes de diferentes origens
jurídicas e culturais de todas as regiões do mundo, a Declaração foi proclamada pela
Assembleia Geral das Nações Unidas em Paris, em 10 de Dezembro de 1948,
através da Resolução 217 A (III) da Assembleia Geral como uma norma comum a
ser alcançada por todos os povos e nações. Ela estabelece, pela primeira vez, a
proteção universal dos direitos humanos. (ONU - Organização das Nações Unidas,
2013).

3
A declaração foi proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) no
ano de 1948 com a participação de diversos países. Estabelece os direitos fundamentais do ser
humano e a igualdade, dentre outras ações.
No Brasil um documento que formaliza a instituição dos direitos e que resultou de um
movimento importante em nossa sociedade é a Constituição de 1988. Sua elaboração é
decorrência do fim da ditadura militar e da mobilização no país, na luta e na busca pela
garantia dos direitos.

1.2 IMPLEMENTAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO DE 1988, BREVE


CONTEXTUALIZAÇÃO.

Para a garantia dos direitos é necessário a elaboração de documentos e legislações que


dão o caráter formal a eles, e um exemplo disso são os códigos, as leis, as declarações 4·, a
constituição de um país, etc.

A enunciação desses direitos é feita por meio de pactos na sociedade, que podem ser
traduzidos em cartas de intenção, acordos políticos ou leis, e a sua forma e
efetividade são resultados de embates, onde a pressão dos grupos na sociedade e o
ideário prevalente nessa sociedade têm papel preponderante. (COUTO, 2006, p.36)
Um importante documento com função regulamentadora de direito é a Constituição
Federal, pois é a junção de todos os itens que normatizam e norteia o País na economia, na
organização social e política, administração pública, no planejamento, nos direitos sociais,
3
“A Organização das Nações Unidas, também conhecida pela sigla ONU, é uma organização internacional
formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.”
(ONU, 2013).
4
“Dois documentos são centrais no processo de elaboração e de garantia legal no campo dos direitos. São eles a
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão pela Assembleia Nacional Constituinte Francesa em 1789 e a
Declaração Universal dos Direitos Humanos pela ONU em 1948. O século e meio que separa a divulgação
dessas declarações foi permeado por movimentos sociais, elaborações de constituições e de cartas de princípios
que deram dinamicidade ao campo dos direitos” (COUTO, 2006, p.36).
26

civis, políticos enfim orienta em todos os aspectos referentes à formação, composição e


coordenação da nação.

A constituição de um país, por exemplo, fixa as bases da organização social e, ao


mesmo tempo, indica os princípios para aplicação do direito. Quando legitima, a
Constituição representa um imperativo contra a arbitrariedade, a tirania e o opróbrio,
além de orientar a interpretação das leis. Na verdade, as liberdades públicas dão
existência a Constituição: elas a mantêm e fortalecem-na. (VIEIRA, 2007, p.30)

Sendo um documento de extrema relevância em diversos aspectos conforme


enfatizado por Vieira, este também atravessa por mudanças em sua construção. Em relação ao
histórico das constituições brasileiras, a primeira foi promulgada no país no ano de 1824,
seguida pela segunda no ano de 1891, a terceira em 1934, em sequência a quarta no ano de
1937, a quinta constituição no ano de 1946 e a sexta no ano de 1967, sendo a última no ano de
1988, vigente até então. (BRASIL, 2013, s/p)
A constituição federal de 1988 foi um marco importante na história brasileira, pois sua
elaboração veio após muitas lutas e opressões vivenciada no país e desencadeada após o
término do regime militar que durou 21 anos, com início em março de 1964 até o ano 19855.
Este período da história brasileira foi marcado por mudanças radicais e se definiu com
a tomada do poder pelos militares, com a saída do então presidente 6 João Goulart em meio a
uma crise política e econômica, assumindo a cadeira da presidência Castelo Branco. O País
durante o regime militar foi regido pela constituição de 1967.

Essa Constituição recolocou, de certa maneira, os direitos já garantidos na


constituição de 1946 e,[...] inaugurou uma peculiar forma de concepção e gestão dos
mesmos, cuja enunciação dos direitos tem como fundamento a ótica de que os
direitos só seriam exercidos por aqueles que se submetessem as regras instituídas
pelo governo militar [...] (COUTO, 2006,p.123)

Portanto os direitos durante este período eram condicionados as normativas e


requisitos instituídos pelo poder militar. Dentre as características do governo militar, este se

5
“Em abril de 1964, instalou-se no Brasil uma ditadura militar que controlou o poder por 21 anos. Os militares
intervieram diretamente em todos os setores da sociedade brasileira, rompendo a normalidade instituída,
eliminando o Estado de direito.” (PETTA; OJEDA, 1999, p.266)
6
“Durante o regime militar o Brasil teve seis presidências, iniciando pelo general Castelo Branco de 1964 a
1967, passando a Arthur da Costa e Silva de 1967 a 1969, assumindo então de agosto a outubro de 1969 uma
junta militar formada pelos ministros Aurélio de Lira Tavares, Augusto Rademaker e Márcio de Sousa e Melo
seguidos pelo general Emilio Garrastazu Medici (1969 a 1974), Ernesto Geisel(1974 a 1979) e João Baptista
Figueiredo de 1979 a 1985. (SUA PESQUISA, 2013).
27

apresenta por um modelo repressor, autoritário, com influencia no acesso aos direitos 7 que
foram cerceados e oprimidos principalmente no que tange a democracia e direitos políticos.

Nos governos militares, a utilização da força e da repressão foram as estratégias


mais utilizadas como forma de garantir o projeto que pretendia transformar o Brasil
em grande potencia econômica e realocar as condições necessárias a manutenção de
sua relação com o capitalismo internacional. (COUTO, 2006, p.120)

Usando essas estratégias como forma de manter a ordem, durante esse governo as
alterações também foram em outros campos como na economia por períodos de
8
desenvolvimento pelo chamado “milagre econômico” e períodos de crise pela inflação e a
dívida externa.
A democracia foi reduzida a imposição rígida do governo que era caracterizado por
repressões, violência, censura perseguição militar a partidos políticos e a todos que eram
contra o regime instaurado.
Contra esse governo no país, aconteceram diversas formas de luta e enfrentamento ao
que estava posto, muitos movimentos se organizaram e tomaram frente contra a ditadura
militar, os movimentos estudantis9 se destacaram, do mesmo modo houve outras
mobilizações, a classe trabalhadora também protestou por meio de greves, ocorreram ainda
muitas passeatas, protestos contra o regime ditatorial.

7
O golpe militar e a forma de governo estabelecida a partir dele tiveram uma incidência importante no campo
dos direitos, uma vez que, embora nos discursos oficiais ainda se colocasse a democracia e a garantia dos
direitos como razoes para a existência da revolução, os instrumentos legais editados nesse período demonstram
muitas razoes para que se comprove ao contrario. (COUTO, 2008, p.120)
8
“No plano econômico, os governos militares optaram pela via desenvolvimentista apoiada no capital
internacional. O combate à inflação e o aumento do numero de empregos resultante dos investimentos
estrangeiros produziram um crescimento da riqueza nacional acima do normal. Esse aparente enriquecimento do
Brasil, ocorrido entre 1968 e 1973, foi denominado Milagre Econômico. Apontamos esse crescimento como
aparente por dois motivos: primeiro, ele não se estendeu a toda população, somente beneficiando as classes alta e
média; segundo, o crescimento se deu a custa do excessivo endividamento do país e, por isso, teve vida curta;
passados alguns anos, quando a crise econômica motivada pelo aumento do preço do petróleo se abateu sobre o
mundo, os credores passaram a cobrar a divida, levando para fora do país as divisas obtidas pela expansão
industrial. (PETTA; OJEDA, 1999, p.267, grifo do autor).
9
“Durante os anos da ditadura militar os movimentos populares no Brasil sofreram intensa repressão. Dentre
estes movimentos se destacou o Movimento Estudantil (ME) que liderou diversas manifestações e protestos. O
ME foi alvo de disputas entre alguns partidos e organizações políticas nestes anos e suas ações refletiam a
influência destes grupos.” (SANTOS, 2009, p. 101)
28

Estes protestos e os movimentos sociais10 constituíram uma frente importante para o


término da ditadura em 198511, aliados a uma conjuntura política que foi se alterando como
resultado dessas lutas que também foram importantes para a elaboração da constituição de
1988. Com o fim da ditadura se iniciou a elaboração de um novo documento para se
formalizar as conquistas e colocar o ponto final no período vivenciado até então.
Denominada de Constituição da Republica Federativa do Brasil, o sétimo texto
constitucional elaborado no país teve sua promulgação no ano de 1988, produzida com base
no novo momento em que a sociedade vivenciava pelo principio da democracia, da liberdade,
da justiça e igualdade.
Com ênfase a promulgação do texto em 1988 foi um marco importante, não somente
visto pelo ângulo da democracia12, mas também com vistas na garantia dos direitos de uma
forma ampla.

Na ditadura militar pós-64 o pais viveu mais um processo de modernização


conservadora, talvez o último suspiro nessa modalidade marcante do
desenvolvimento nacional: industrialização e urbanização aceleradas, e
modernização do Estado brasileiro, inclusive com expansão de políticas sociais
centralizadas nacionalmente. [...] o que se assistiu na verdade, foi ao acirramento das
contradições sociais no país, com a radicalização das expressões da questão social.
[...] (BEHRING; BOSCHETTI, 2009, p.15, grifo do autor).

De acordo com as autoras o Brasil pós 64 perpassou por um processo de


transformação. As mudanças ocorridas após o término do regime militar se expressaram em
diversos campos, como na economia, no desenvolvimento do país e em ações relacionadas à

10
Para Maria da Gloria Ghon, “Movimentos sociais são ações sócio políticas construídas por atores sociais
coletivos pertencentes a diferentes classes e camadas sociais, articuladas em certos cenários da conjuntura
socioeconômica e política de um país, criando um campo político de força social na sociedade civil. As ações se
estruturam a partir de repertórios criados sobre temas e problemas em conflitos, litígios e disputas vivenciados
pelo grupo na sociedade. As ações desenvolvem um processo social e político cultural que cria uma identidade
coletiva para o movimento, a partir dos interesses em comum. Esta identidade é amalgamada pela força do
principio da solidariedade e construída a partir da base referencial de valores culturais e políticos compartilhados
pelo grupo, em coletivos não institucionalizados. Os movimentos geram uma série de inovações nas esferas
públicas (estatal e não estatal) e privada; participam direta ou indiretamente da luta política de um país, e
contribuem para o desenvolvimento e a transformação da sociedade civil e política [...] (GOHN, 2008, p.251-
252).
11
“A década de 1980 inaugurou um novo patamar na relação Estado e sociedade. Foi marcada pela transição dos
governos militares à constituição da democracia. Emanada dos princípios de democracia, ocorreu a primeira
eleição, em 1985, para presidente da República pós governos militares”. (COUTO, 2006, p.141).
12
O dicionário Aurélio traz a seguinte definição para o termo “Governo do povo. / Regime político que se funda
na soberania popular, na liberdade eleitoral, na divisão de poderes e no controle da autoridade.” (DICIONÁRIO
AURÉLIO, 2013).
29

cidadania13 e direitos do cidadão. A constituição em seu artigo 3º apresenta os princípios que


aludem a essas mudanças

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:


I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II - garantir o desenvolvimento nacional;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e
regionais;
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e
quaisquer outras formas de discriminação. (BRASIL, 2008, p.8.)

Baseado nessas mudanças destaca Simões (2011, p.64) que a elaboração da


“constituição de 1988 elegeu um conjunto de valores éticos considerados fundamentais para a
vida nacional, a maior parte dos quais se expressa no reconhecimento dos direitos humanos”.
Sendo assim, entende-se que a constituição cidadã valorizou os direitos fundamentais
em sua elaboração, proporcionando ao cidadão brasileiro a garantia de alguns dos direitos
básicos já previstos na Declaração Universal dos Direitos Humanos e construídos ao longo da
história. Com destaque os direitos sociais, incluídos no texto, se expressa em seu artigo sexto
da seguinte forma.

Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a


moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à
infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. (BRASIL,
2008, p.10, grifo nosso.).

A elaboração dessa constituição propicia um novo rumo para a realidade brasileira e


finda um processo de estagnação dos direitos, ocasionado durante o período da ditadura
militar. Busca-se projetar uma nova visão com ênfase no cidadão ao valorizar os direitos
sociais, e baseados em um novo projeto de gestão, com a redefinição da organização da
administração pública relacionada às funções do Estado, do governo bem como a estruturação
deste.

1.3 ESTRUTURAÇÃO DO ESTADO E DE GOVERNO BRASILEIRO

Pode-se compreender por Estado a organização frente ao país responsável pelo


gerenciamento do território nacional em toda sua abrangência e mecanismo de organização
detentor de poder responsável por atender os interesses de todos os que estão sob sua ordem.
13
Cidadania significa o conjunto de direitos e deveres pelo qual o cidadão, o indivíduo está sujeito no seu
relacionamento com a sociedade em que vive. O termo cidadania vem do latim, civitas que quer dizer “cidade”.
(SIGNIFICADOS, 2013)
30

Simões (2011, p.47) apresenta que “o Estado constitui, portanto, a unidade da sociedade civil,
política e juridicamente organizada, dotada de soberania e, internamente de autonomia”.
Conforme a perspectiva adota por Simões, o Estado é a soma da união da sociedade
civil representado de forma jurídica e um modelo de organização societária que detém
funções e deveres, para Pereira:

[...] Politicamente, o Estado é a organização burocrática que detém o ‘poder


extroverso’ sobre a sociedade civil, existente em um território. As organizações
privadas e as públicas não estatais têm poder apenas sobre os funcionários, enquanto
o Estado tem poder para fora dele, detém o ‘poder de Estado’: o poder de legislar e
punir, de tributar e realizar transferências de recursos a fundo perdido. O Estado
detém esse poder para assegurar a ordem interna – ou seja, garantir a propriedade e
os contratos -, defender o país contra o inimigo externo, e promover o
desenvolvimento econômico e social. Neste último papel, podemos pensar o Estado
em termos econômicos: é a organização burocrática que: por meio de
transferências, complementa o mercado na coordenação da economia: enquanto
mercado opera por meio de força de equivalentes, o Estado o faz por meio de
transferências financiadas pelos impostos. (PEREIRA, 1998, p.95)

Então conforme Pereira ao Estado é atribuído o poder de legislar sobre tudo, este
poder está intrínseco na constituição. Ainda de acordo com o autor, o Estado pode ser
pensado, por diferentes facetas, como detentor de poder, mecanismo burocrático14, como
responsável pela defesa do país e de seus membros e também participante do mercado.
Mas o Estado é também uma estrutura responsável por proporcionar a viabilização das
disposições da Constituição Federal e atua assim por meio do governo, que podemos
configurar conforme Simões:

O governo é a soma organizada dos representantes do Estado, executando funções


especificas que este se propõe a realizar para cumprir expressa e refletidamente os
fins estatais que a Constituição Federal, estadual ou lei orgânica instituem.
(SIMÕES, 2011, p.47)

Portanto o governo é o gestor das ações e funções do Estado, e responsável pela


administração pública seja ela no âmbito federal, estadual ou municipal. De acordo com
Potyara Pereira é necessário fazer uma distinção entre governo e Estado.

Na linguagem política corrente, a noção de governo difere da noção de Estado, pois,


enquanto este é uma relação de dominação, aquele constitui um conjunto de pessoas
jurídicas e órgãos que exerce, institucionalmente, o poder político, ou a dominação,
numa determinada sociedade. São governantes, portanto, o conjunto de pessoas

14
“ A burocracia é uma forma de organização humana que se baseia na racionalidade, isto é, na adequação dos
meios aos objetivos (fins) pretendidos, a fim de garantir a máxima eficiência possível no alcance desse objetivos.
As origens da burocracia – como forma de organização humana - remontam a época da
antiguidade.”(CHIAVENATO, 2002, p.6).
31

jurídicas que governa o Estado e, governados, aqueles que estão sujeitos ao poder de
governo na esfera estatal. Por esta perspectiva, o governo constitui um aspecto do
Estado. (PEREIRA, 2009, p.294, grifo do autor).

Assim sendo com base no que a autora expôs podemos entender que a diferença
conceitual entre Estado e governo está entre o detentor de poder e o responsável por esse
poder. Na sequencia o Estado é quem possui o domínio e o governo é o meio por qual este
domínio se operacionaliza, pois governo faz parte da estrutura do Estado.
No que cabe a estruturação do estado e do governo, este processo ocorreu de diversas
formas durante o desenvolvimento do país, é interessante salientar que os modelos perpassam
de Monarquia até o modelo vigente, que se constitui em República Federativa 15,
fundamentada da seguinte forma:

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos


Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado democrático de
direito e tem como fundamentos:
I - a soberania;
II - a cidadania;
III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V - o pluralismo político.
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de
representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. (BRASIL,
2008, p.8.)

A constituição neste artigo estabelece as normas e diretrizes para a organização do


país desde a defesa do cidadão em seus direitos mínimos até a forma e função do Estado.
Caracteriza o país como Estado democrático de direito baseado na valorização da cidadania e
os demais fundamentos citados.
O disposto acima também determina a divisão do país em três esferas que se
constituem em Distrito Federal, os estados e os municípios. Todas dotadas juridicamente
pelas disposições da constituição e demais documentos legais referentes a cada uma, o que é
validado da seguinte forma:

Art. 18 A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil


compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos
autônomos, nos termos desta constituição. [...] (BRASIL, 2008, p.13)

15
“A instituição do regime federativo direciona e formaliza, nas mesmas bases, a organicidade das instituições
constitucionais da saúde, da previdência e da assistência social. As respectivas leis orgânicas evidenciam,
sempre, a repartição de competências, atribuições e encargos administrativos nos níveis federal, estadual e
municipal, segundo o principio da descentralização dos poderes e da autonomia administrativa.” (SIMÕES,
2011, p.35).
32

A organização política e representação legislativa de cada divisão estão orientadas pela


Constituição Federal de 1988, Constituição Estadual16 e lei orgânica municipal17. As demais
legislações, os códigos civil, penal, do consumidor e outros também norteiam a conduta e
explicitam os direitos dos brasileiros em seus respectivos temas.
As esferas assim apresentam características de autonomia visto que podendo legislar
compreendem atribuições, que também devem estar ordenadas com a legislação superior
dentro dos respectivos limites estabelecidos. De acordo com Simões

O regime federativo organiza-se, assim, em uma pirâmide de repartição hierárquica


dos poderes, cujo vértice é a União Federal, o corpo são os Estados e a base, os
municípios. Essa hierarquia institui os limites de poderes e competências por meio
dos quais a Republica, segundo os princípios da Carta Magna, decide acerca das
questões de interesse nacional, estadual e municipal. (SIMÕES, 2011, p.44)

Em relação ao que compete a cada esfera em termos de direitos, atribuições e deveres


bem como a organização política, a Constituição estabelece as orientações que são
apresentadas do artigo 18 ao 32 nos capítulos que dispõe sobre a organização do Estado, da
União, dos Municípios, dos Estados Federados e Distrito Federal.
Com referencia as atribuições de cada esfera, bem como seus direitos e deveres
observa-se que os municípios18 devem respeitar no que lhe cabe as diretivas constitucionais e
estaduais, os estados legislam concernente ao limite federal e dentro da hierarquia apresentada
por Simões a União se sobrepõe aos demais poderes. A representação política e legislativa
também obedece aos princípios dispostos na constituição federal e demais legislações
pertinentes.
No que tange as atividades desenvolvidas pelo Estado, o autor Bresser Pereira entende que:

Para delimitarmos a área de atuação do Estado, podemos encontrar nele três tipos de
atividades: as atividades exclusivas, os serviços sociais e científicos não exclusivos
ou competitivos e a produção de bens e serviços para o mercado. Por outro lado, é
conveniente distinguir, em cada uma dessa áreas, quais são as atividades principais
(core activities) e quais são as atividades auxiliares ou de apoio [...] (PEREIRA,
1998, p.95, grifo do autor).

16
“Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que adotarem, observados os princípios desta
Constituição. [...]” (BRASIL, 2008, p.15).
17
“O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos, com o interstício mínimo de dez dias, e
aprovada por dois terços dos membros da Câmara Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios
estabelecidos nesta Constituição, na Constituição do respectivo Estado e os seguintes preceitos. [...]” (BRASIL,
2008, p.16).
18
“Os serviços de competência municipal são todos aqueles que se enquadram na atividade social reconhecida
ao município, dependendo da maior ou menor capacidade de prestar aos munícipes os serviços de seu interesse,
traduzidos em obras e atividades públicas locais”. (JOVCHELOVITCH, 2002, p.46)
33

O Estado então possui três níveis de atuação que se referem às atividades exclusivas,
os serviços e a produção. Em meio a essas atividades as de exclusividade ganham destaque e
de acordo com o que Bresser Pereira apresenta a partir da reforma gerencial da administração
pública existe um divisão por núcleo onde essas atividades são desenvolvidas, e explica da
seguinte forma:

Dentre as atividades exclusivas de Estado podemos distinguir: o núcleo estratégico,


no qual as políticas públicas são definidas; e as agencias descentralizadas que
executam políticas públicas que pressupõe o uso do poder de Estado. (PEREIRA,
1998, p.102)

Dentro desta conceituação, a responsabilidade de formular políticas está atrelada ao


nível federal como o autor explica abaixo, e a execução dessas políticas é por meio de
agencias descentralizadas que se configuram para Estados e Municípios.

No núcleo estratégico, são definidas as leis e políticas públicas. É um setor


relativamente pequeno, formado no Brasil, no nível federal, pelo Presidente da
República, pelos ministros de Estado, pelos parlamentares, pelos magistrados (pelos
tribunais federais encabeçados pelo Supremo Tribunal Federal) e pelos procuradores
do Ministério Público. Fazem parte do núcleo estratégico os altos administradores
públicos que, nos três poderes, são responsáveis pela administração do Estado. Nos
níveis estadual e municipal, existem os correspondentes núcleos estratégicos. O
setor das agencias descentralizadas, que executam política públicas com poder de
Estado, é formado por aquelas atividades ou funções por meio das quais o Estado
exerce seu poder de policiar, de defender o país, de representá-lo
internacionalmente, de regulamentar, de julgar, de fiscalizar, de tributar, de realizar
transferências. Este setor inclui a policia, as forças armadas, os órgãos de
fiscalização e de regulamentação e os órgãos responsáveis pelas transferências de
recursos, como Sistema Único de Saúde (SUS), o sistema de auxilio desemprego
etc. (PEREIRA, 1998, p.102).

Conforme explanado por Pereira, dentro desse núcleo é feita a divisão do cabe a cada
poder e cada administrador. Dentre as atividades do Estado está o poder de governar, legislar,
administrar e planejar a elaboração de políticas, planos, programas e projetos, está sob a
responsabilidade deste a ordem do país seja ela econômica ou social, a administração pública
e outras atividades.
E é na administração pública que essas funções e deveres são estabelecidos e
executados. Porém antes de definir a administração pública é necessária a compreensão do
que é administração19, segundo Chiavenato:
19
A Teoria Geral da Administração começou com a ênfase nas tarefas (atividades executadas pelos operários em
uma fábrica), por meio da Administração Científica de Taylor. A seguir, a preocupação básica passou para a
ênfase na estrutura com a Teoria Clássica de Fayol e com a Teoria da Burocracia de Weber, seguindo-se mais
tarde a Teoria Estruturalista. A reação humanística surgiu com a ênfase nas pessoas, por meio da Teoria das
Relações Humanas, mais tarde desenvolvida pela Teoria Comportamental e pela Teoria do Desenvolvimento
Organizacional. A ênfase no ambiente surgiu com a Teoria dos Sistemas, sendo completada pela Teoria da
34

A palavra administração vem do latim ad (direção, tendência para) e minister


(subordinação ou obediência) e significa aquele que realiza uma função sob o
comando de outrem, isto é, aquele que presta um serviço a outro. No entanto, a
palavra administração sofreu uma radical transformação em seu significado
original. A tarefa da Administração passou a ser a de interpretar os objetivos
propostos pela organização e transformá-los em ação organizacional por meio de
planejamento, organização, direção e controle de todos os esforços realizados em
todas as áreas e em todos os níveis da organização, a fim de alcançar tais objetivos
da maneira mais adequada à situação e garantir a competitividade em um mundo de
negócios altamente concorrencial e complexo. A Administração é o processo de
planejar, organizar, dirigir e controlar o uso de recursos a fim de alcançar objetivos
organizacionais. (CHIAVENATO, 2003, p.11, grifo do autor).

Da mesma forma que a administração faz uso de seus recursos para atingir fins
específicos uma das formas de gerenciamento do Estado é por meio da administração pública.
Trata-se da atuação, condução, organização e como o termo diz administração da
coisa publica e isso se refere às pessoas, aos órgãos, as políticas, aos direitos, os deveres
enfim a tudo que se refere ao Estado, o conceito de administração pública, é assim expressado
por Simões:
A administração pública é o conjunto das atividades dos órgãos federais, estaduais e
municipais que desempenham serviços públicos, organizados por leis, decretos e
normas regulamentares, para cumprimentos das respectivas atividades fins [...].
(SIMÕES, 2011, p. 49)

A partir desta definição pode-se compreender que a administração pública é as


atividades desenvolvidas pelo Estado nos órgãos públicos na organização, planejamento e
gestão de todos os aspectos que envolvem o país, e se dá por meio de atividades com fins
específicos, é uma forma de se organizar e manter uma gestão equiparada aos alinhamentos
legais. Ainda nas palavras do autor,

Objetivamente, a administração pública é a atividade concreta e imediata que o


Estado desenvolve para a consecução dos interesses coletivos, abrangendo as
funções exercidas pelas pessoas jurídicas, órgãos e agentes incumbidos de atender,
concretamente, as necessidades coletivas. (SIMÕES, 2011, p. 49)

De forma objetiva nas palavras do autor a administração é a atividade que o Estado


exerce para atender os interesses coletivos. As disposições referentes à administração pública
que pode ser de forma direta20 ou indireta21 estão previstas no artigo 37 do texto constitucional

Contingência. Essa, posteriormente, desenvolveu a ênfase na tecnologia. Mais recentemente, as novas


abordagens trouxeram à tona a emergente necessidade de competitividade das organizações em um mundo
globalizado e carregado de mudanças e transformações. Assim, cada uma dessas seis variáveis tarefas, estrutura,
pessoas, ambiente, tecnologia e competitividade - provocou a seu tempo uma diferente teoria administrativa,
marcando um gradativo passo no desenvolvimento da TGA. Cada teoria administrativa privilegia ou enfatiza
uma ou mais dessas seis variáveis. (CHIAVENATO, 2003, p.11)
35

A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos


Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência [...] (BRASIL,
2008, p.18).

A administração pública ocorre nas três esferas de governo. As ações são regidas de
acordo com as normas primando por uma administração transparente e eficaz, que deve
apresentar as características dispostas na constituição e nas demais legislações pertinentes.
Essas características fazem parte de um novo modelo que passou a fazer parte do contexto
brasileiro por meio das reformas que aconteceram a partir da década de 1980.

1.4 A REFORMA DO ESTADO A BUSCA DO PLANEJAMENTO E A


ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Nos anos subsequentes a década de 1980, inicia-se um processo de mudanças e


reformas no Estado, na administração pública, e alterações em diversos campos, aliados a
realidade que apresentava uma perspectiva de mudança.

[...] décadas de 1980 e 1990 foram paradigmáticas e paradoxais no encaminhamento


de uma nova configuração para o cenário político, econômico e social brasileiro. De
um lado, desenvolveu-se um processo singular de reformas, no que se refere a
ampliação do processo de democracia - evidenciada pela transição dos governos
militares para os governos civis – e a organização política e jurídica- especialmente
demonstrada no desenho da Constituição promulgada em 1988, considerada, pela
maioria dos teóricos que a analisaram, como balizadora da tentativa do
estabelecimento de novas relações sociais no país. Por outro lado, efetivou-se um
processo de grande recessão e contradições no campo econômico, onde ocorreram
varias tentativas de minimizar os processos inflacionários e buscar a retomada do
crescimento, tendo como eixo os princípios da macroeconomia expressa na
centralidade da matriz econômica em detrimento da social. (COUTO, 2006, p.139)

20
“Os órgãos e entidades da administração direta configuram-se como centros de competência, instituídos por
lei, para o desempenho das funções estatais por meio de seus agentes públicos. Esses órgãos (ministérios,
secretarias, departamentos, comissões e outros) integram os aparelhos do Estado.” [...] (SIMÕES, 2011, p.50,
grifo do autor)
21
Já a “administração indireta é constituída de órgãos e serviços descentralizados, atribuídos a pessoas jurídicas
públicas (autarquias) ou constituídas pelo Estado, como as pessoas jurídicas privadas (empresas públicas e
sociedades de economia mista), vinculadas a determinado órgão da administração direta federal, estadual ou
municipal, mas administrativa e financeiramente autônomas, gozando de personalidade jurídica própria. [...]”
(SIMÕES, 2011, p.52, grifo do autor).
36

O país nesse período se encontrava, perpassando por uma crise econômica 22 e


transformações no quadro político23 se adequando ao novo governo recém-eleito em uma base
democrática e ainda a adaptação da nova lei máxima, o que resultou na necessidade de
reformas e mudanças na sociedade brasileira. Cabe salientar que

[...] O texto constitucional de 1988 trouxe, dentre outras mudanças, as seguintes


inovações para o setor publico brasileiro, que vieram consagrar o conjunto de
reformas desencadeadas a partir de 1985.
• Perda de autonomia de Poder Executivo para atuar na organização da
administração pública por força do que dispôs o art. 48, inciso IX, que delegou ao
Congresso Nacional, com a sanção do Presidente, poder para dispor, dentre outras
matérias da organização administrativa e da criação, transformação e extinção de
cargos, empregos e funções públicos;
• Descentralização de recursos orçamentários e da execução de serviços públicos
para estados e municípios;
• Isonomia salarial entre os poderes;
• Direito de livre associação sindical para servidores públicos civis;
• Regime jurídico único para todas as esferas de governo;
• Plano de carreira para servidores da administração direta, autárquica e fundacional;
• Estabilidade após dois anos de efetivo exercício para servidores nomeados em
virtude de concurso público. (GRANJEIRO; CASTRO, 1997, p.21)

Essas mudanças demonstradas pelo autor dentre outras que surgiram na sociedade
brasileira desencadearam a necessidade de alterações no Estado, pois entraram em choque
com o modelo vigente até então, caracterizado pela centralidade do poder. Em relação às
dificuldades que surgiram juntamente com a mudança de regime e o contexto que o país
vivenciava, os autores explicam que:

A retomada da democratização do país na segunda metade da década de 80,


alimentada pelas demandas de participação política dos diversos segmentos sociais,

22
“A crise brasileira foi um caso paradigmático da grande crise dos anos 80 que ocorreu em quase todo o
mundo. Entre 1979 e 1994, o Brasil viveu um período de estagnação da renda per capita e de alta inflação sem
precedentes em sua história. Só a partir de 1994, com o Plano Real, estabilizaram-se os preços, criando-se as
condições para a retomada do crescimento. A causa fundamental dessa grande crise econômica foi à crise do
Estado, que vinha ocorrendo mundialmente, mas que no Brasil foi particularmente acentuada. Esta crise, que
ainda não está plenamente superada, apesar de todas as reformas já realizadas, desencadeou em 1979, com o
segundo choque do petróleo, e caracterizou-se pela perda de capacidade do Estado de coordenar o sistema
econômico de forma complementar ao mercado. Conforme ocorreram nos demais países, principalmente nos
países latino-americanos e do Leste europeu, a crise definiu-se como uma crise fiscal, como uma crise do modo
de intervenção do Estado, como uma crise da forma burocrática pela qual o Estado é administrado (PEREIRA ,
1998, p.40, grifo do autor)”.
23
“[...] A crise política teve três momentos no Brasil: primeiro, a crise do regime militar: uma crise de
legitimidade; segundo, a tentativa populista de voltar aos anos 50: uma crise de adaptação a regime democrático;
e, finalmente, a crise que levou ao impeachment de Fernando Collor de Mello: uma crise moral. A crise do
regime autoritário, instalado no país em 1964, teve inicio na segunda metade dos anos 70, quando o pacto
burocrático-capitalista começou a entrar em colapso, a partir do rompimento da aliança da burguesia com os
militares. Da ruptura dessa coalizão política a campanha das “Diretas Já” foi um passo, que se completou com a
restauração da democracia em 1985, e a sua consolidação na Constituição de 1988. Em um segundo momento, a
crise política foi a crise do populismo nacional-desenvolvimentista que se instaura no país a partir da restauração
democrática. (PEREIRA, p.41, 1998, grifo do autor)”.
37

e que culminou o estabelecimento de um novo texto constitucional em 1988, mostra-


se incompatível com o modelo centralizador, nos planos político-institucional e
econômico, vigente nas décadas anteriores. A democratização opõe-se a
centralização do período autoritário e impõe a transformação do aparelho
administrativo em um ente reduzido, orgânico, eficiente e ágil para atender as
demandas da sociedade. (GRANJEIRO; CASTRO, 1997, p.21)

Esses choques entre o modelo centralizador e as novas diretivas estabelecidas pelo


modelo democrático exigiram modificações no quadro estatal brasileiro, que se deu pela
reforma do Estado. Para Leonardo Bento, a reforma do Estado:

[...] refere-se à redefinição das funções do Estado, seu padrão de intervenção


econômica e social, suas relações com o mercado e com a sociedade civil e mesmo
entre seus próprios poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Por sua vez, reforma
do aparelho do Estado diz respeito a reformulação da forma burocrática de
administração e de prestação de serviços públicos, mediante a elaboração de novas
ferramentas gerenciais, jurídicas, financeiras e técnicas, cujo objetivos consiste em
aprimorar a capacidade de implementação de políticas públicas que produzam
resultados, noutros termos, a eficiência do agir estatal. (BENTO, 2003, p.85)

O autor alude que existe diferença entre reforma do Estado que é a mudança no seu
modo de intervenção que envolve os seus vários aspectos, e a reforma do aparelho do Estado
que se dá pela reformulação da forma de gerenciar ou do modelo de administração. Em
relação às formas de administração Bresser Pereira (1998, p.20) entende que existem “ três
formas de administrar o Estado: ‘a administração patrimonialista’, a ‘administração pública
burocrática’ e a ‘administração pública gerencial’ [...]”.
Essa distinção apresentada por Leonardo Bento bem como a de Bresser Pereira nos
ajudam a entender o processo que ocorreu no Brasil. A reforma do Estado tem inicio na
década de 80, na transição de governo e das influencias políticas e econômicas. Porém em
1995 se inicia a reforma na administração pública, com a necessidade do surgimento de um
novo serviço público, essa reforma se deu pela reforma gerencial da administração pública,
como explica Bresser Pereira:

A reforma do Estado começou timidamente nos anos 80, em meio a uma grande
crise econômica, que chega ao auge no inicio de 1990, quando o país passa por um
episodio hiperinflacionário. A partir de então, a reforma tornou-se imperiosa. O
ajuste fiscal, a privatização e a abertura comercial, que vinham sendo ensaiados nos
anos anteriores, são então atacados de frente. A reforma administrativa, entretanto,
só se tornou um tema central no Brasil em 1995, após a eleição e a posse de
Fernando Henrique Cardoso. Nesse ano, ficou claro para a sociedade brasileira que
essa reforma se tornara condição, de um lado, da consolidação do ajuste fiscal do
Estado Brasileiro, e, de outro, da existência no país de um serviço público moderno,
profissional e eficiente, voltado para o atendimento das necessidades dos cidadãos.
(PEREIRA, 1998, p.43)
38

A reforma do Estado passou a ser visualizada como uma condição para mudar a
realidade que se deparava com necessidades de ajustes econômicos e também políticos. O que
se apresentou como justificativa para a necessidade da reforma da administração pública foi
da existência de até então de um sistema público ineficaz nos campos de administração,
políticas públicas, problemas econômicos entre outros, como citado por Bresser Pereira.
Busca-se a partir daí alterações no sistema público brasileiro que atendam de forma
satisfatória ao cidadão e também aos interesses do Estado, e essas mudanças se expressam por
meio da reforma gerencial.

A reforma ou a reconstrução do Estado, particularmente pela via da Reforma


Gerencial da administração pública, é uma resposta ao processo de globalização em
curso, que ameaça reduzir a autonomia dos Estados na formulação e implementação
de políticas, e, principalmente, a crise do Estado, que começou a se delinear em
quase todo o mundo nos anos 70, mas que só assumiu plena definição nos anos 80.
Uma primeira geração de reformas nos anos 80 promoveu o ajuste estrutural
macroeconômico, por meio de medidas do ajuste fiscal; de liberalização comercial e
liberalização dos preços – e já iniciou a reforma do Estado, estrito senso, por meio
dos programas de privatização. A causa fundamental por trás dessa primeira onda de
reformas era a crise fiscal do Estado; o objetivo ilusório, caminhar em direção ao
Estado mínimo desejado pelos ideólogos neoliberais. Já nos anos 90, quando essa
proposta se demonstrou ser irrealista do ponto de vista econômico (não produzia
desenvolvimento) e político (não tinha apoio dos eleitores), surge uma segunda
geração de reformas, encabeçadas pela reforma da administração pública, que tem
como objetivo principal reconstruir o Estado. Na primeira geração de reformas, já se
falava em reforma administrativa, mas esta era confundida com mero downsizing.
Na segunda geração, a reforma administrativa implica aplicar os princípios e
práticas da nova gestão pública, implantar a Reforma Gerencial (PEREIRA, 1998,
p.31, grifo do autor)

Conforme explica o autor, as primeiras ações da reforma do Estado se desenharam


para o enfrentamento da crise que perpassava o país. Dentre as ações de resposta e
enfrentamento desta crise está a ideia de economia e menor participação do Estado no
enfrentamento dos problemas sociais, baseado em características do neoliberalismo, que é
qualificado pela mínima intervenção do Estado. Porém essa dinâmica não perdurou, pois não
obteve apoio da sociedade, proporcionando então nos dizeres de Bresser Pereira (1998) uma
segunda onda de reformas.

A Reforma Gerencial da administração pública, que tem início em 1995, está


voltada para a afirmação da cidadania no Brasil, por meio da adoção de formas
modernas de gestão no Estado brasileiro, que possibilitem atender de forma
democrática e eficiente as demandas da sociedade. É uma reforma que, ao fazer uso
melhor e mais eficiente dos recursos limitados disponíveis, contribuirá para o
desenvolvimento do país e tornará viável uma garantia mais efetiva dos direitos
sociais por parte do Estado. A expectativa é que venha a ser a segunda grande
reforma administrativa no país. A primeira, nos anos 30, criou a burocracia
profissional no país: foi a Reforma Burocrática, que ocorreu nos quadros de um
39

regime autoritário, como alias, aconteceu com as reformas que implantaram o


serviço público profissional nos países europeus, no século passado. A segunda, nos
anos 90, muda as instituições para permitir que os administradores públicos possam
gerenciar com eficiência as agencias do Estado e colocá-las a serviço da cidadania.
Eficiência administrativa e democracia são dois objetivos políticos maiores da
sociedades contemporâneas, que o saber convencional coloca como contraditórios
[...] (PEREIRA, 1998, p.17).
O intuito de realizar uma reforma do Estado por meio da administração pública é
tornar mais eficiente e mais eficaz o Estado e de viabilizar mecanismos que ajustem as
peculiaridades as demandas e necessidades da sociedade, dentro desta ideia podemos situar a
necessidade da desburocratização, da competência e da transparência que são novos perfis do
serviço público que surgem com as mudanças societárias e globais.
Bresser Pereira (1998) relata que existem dois documentos que norteiam a reforma
gerencial, o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado 24 e a proposta de emenda
constitucional25 para o capitulo que trata da administração pública.
Esses foram os instrumentais que fundamentaram a reforma, mas além destes a
reforma também se deu por outros projetos. Em suma a principal intenção dessas reformas é
tornar um Estado com mais eficiência em sua base organizacional e no atendimento de todas
as necessidades da sociedade brasileira, seja na viabilização de direitos ou na administração
pública pela qual o Estado gestiona todo seu aparato. De acordo com Leonardo Bento:

Surgem então novos modelos de administração pública que pretendem superar a


forma tradicional de estruturar programas sociais, substituindo a centralização,
hierarquização e universalidades típicas do serviço público burocrático, pela
descentralização, focalização e participação popular [...] (BENTO, 2003, p.50).

Dentro desta perspectiva de reforma do Estado pela administração pública destaca-se a


descentralização, que passou a ocorrer, e atuou como substituta do modelo centralizador 26
vigente até então, onde as ações eram centralizadas, tornando-se assim por vezes mais
burocrático os processos na administração pública. No que se refere a
descentralização27Jovchelovitch explica que:

24
“ A Reforma Gerencial tem como documento básico no Brasil o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do
Estado, de setembro de 1995. Por meio desse documento o governo procurou definir as instituições e estabelecer
as diretrizes para a implantação de uma administração pública gerencial [...](PEREIRA, 1998, p.17, grifo do
autor)”.
25
“[...] Esta emenda promulgada em maio de 1988, foi objeto de debate nacional durante três anos. Sua
importância deriva da profundidade da mudança institucional envolvida, viabilizando a implantação da Reforma
Gerencial. Deriva também de seu caráter emblemático [...] (PEREIRA, 1998, p.206)”.
26
Simões apresenta que “o serviço é centralizado quando prestado diretamente por um órgão do Estado, em seu
nome e sua responsabilidade exclusiva [.”...] (SIMÕES, 2011, p.59, grifo do autor)
27
“Os princípios fundamentais do processo de descentralização são: mais flexibilidade; mais gradualismo; mais
progressividade; mais transparência; mais existência de mecanismo de controle social”. (JOVCHELOVITCH,
2002, p.38)
40

A descentralização consiste em uma efetiva partilha de poder entre o Estado e as


coletividades locais e implica autogestão local. Envolve uma redefinição da
estrutura de poder no sistema governamental, que se realiza por meio do
remanejamento de competências decisórias e executivas, assim como recursos
necessários para financiá-las. Portanto, está, hoje, intimamente conectada
com a reforma do Estado, ou seja, novas formas de relação entre o Estado e a
sociedade civil. Isto é, no redimensionamento da relação povo-governo, dentro da
qual a autonomia das organizações locais proporciona o exercício do controle social
e a possibilidade de influir nas decisões de varias instâncias do poder.
(JOVCHELOVITCH, 2002, p.37)

A gestão descentralizada implementada pós-constituição de 198828 passou a


redistribuir as funções do Estado, englobando os recursos, as organizações e distribuições de
poder, mudando de um modelo centralizador para uma separação de acordo com as
possibilidades e demandas.

A descentralização obedece ao principio da subsidiariedade: o que pode ser feito


pela cidade, não deve ser feito pela região; o que pode ser feito pela região não deve
ser feito pelo poder central. A lógica por detrás dela é simples: as atividades sociais,
como educação básica e saúde, e as atividades de segurança local podem ser feitas
com um controle muito maior da população se forem realizadas
descentralizadamente, no nível local, ou, no Maximo, no nível regional ou estadual
(PEREIRA, 1998, p.105).

A descentralização atuou como uma nova forma de planejamento da administração


pública, transferindo para o poder Estadual e Municipal mais autonomia. Conforme Simões o
serviço é descentralizado quando:

[...] órgão transfere sua titularidade e execução (ou apenas esta) para outras pessoas
jurídicas, especializadas na atividade, sejam elas do próprio Estado (entidades
paraestatais) ou particulares (empresas privadas, entidades, órgãos civis e outros).
Essa transferência é feita por meio de outorga ou delegação. Nos termos do art. 10
do Decreto-lei n.200/1996 (reforma administrativa), a descentralização consiste na
delegação de poderes da Administração federal para os Estados e municípios ou para
o setor privado, por meio de contrato e concessões [...] (SIMÕES, 2011, p.59, grifo
do autor).

Como resultado da descentralização, e um mecanismo desta entra em campo também a


municipalização, por meio da qual os municípios passaram a assumir a parte operacional da
administração pública com respaldo das esferas federal e também estadual.

28
“A nova constituição, além de consagrar amplos direitos sociais, define dispositivos que apontam para a
descentralização do poder, conferindo plena autonomia político-administrativa ao município considerado como
esfera autônoma entre as que compõem a Federação. A extensão dos direitos sociais se expressa diante a
ampliação dos deveres do Estado e a descentralização dos recursos para estados e municípios em decorrência da
reforma tributária. [...] (JACOBI, 2000, p. 42).
41

Municipalizar significa uma articulação das forças do município, como um todo para
a prestação de serviços, cujos corresponsáveis seriam a prefeitura e as organizações
da sociedade civil. A municipalização deve ser entendida como o processo de levar
os serviços mais próximos a população, e não apenas repassar encargos para as
prefeituras (JOVCHELOVITCH, 2002, p.40).

A descentralização29 e a municipalização passaram a ser mecanismos que visam


facilitar o acesso da população aos bens e serviços públicos com um olhar voltado ao cidadão
como parte integrante de um todo, principalmente como ser dotado de direitos e deveres.
Jovchelovitch ressalta que:

Descentralizar e municipalizar significa partilhar o poder do governo com a


sociedade. É a socialização da gestão, com a participação da coletividade local. É a
flexibilização da gestão pública e a redefinição da relação entre povo e governo [...]
(JOVCHELOVITCH, 2002, p.40).

As mudanças da função do estado e o acréscimo dos deveres desse se devem a


construção histórica dos direitos e as transformações da sociedade, o Estado 30 é o responsável
pela manutenção do país em todos os seus aspectos seja na ordem econômica, social,
ambiental etc..
Ainda sob esta ótica da administração pública, as ações desenvolvidas devem ser
apresentadas ao cidadão31, que passou a ser participante32 e fiscalizador.
Dentro deste prisma de participação e fiscalização, os conselhos constituem-se
exemplo dessa nova maneira de administrar. Sendo assim ao participar o cidadão passa a
conhecer a realidade da política e fazer parte do controle exercido corroborando para que as
29
“[...] A descentralização é defendida como requisito de eficiência na prestação de direitos sociais, eis que
aproxima a administração pública do problema, ou mais precisamente dos usuários do serviço, os clientes ou
consumidores do sistema, assim considerados [...]” (BENTO, 2003, p.50).
30
O projeto de Estado, conformado pelo ideário que lhe dá sustentação, configura como a conquista dos direitos
foi ganhando visibilidade na sociedade. Assim, o Estado liberal foi campo dos direitos civis e políticos; o Estado
social, dos direitos sociais; e o conformado pelo ideário neoliberal, ao retomar os direitos individuais, pauta-se
na lógica da desregulamentação dos direitos sociais. Na base dessas propostas, está um vasto campo de lutas da
sociedade e dos homens para verem atendidas suas demandas de liberdade, autonomia e igualdade. (COUTO,
2006, p.61)
31
A abordagem do foco no usuário-cidadão foi adotada em iniciativas tanto no âmbito central, como orientação
geral de algumas ações, quanto no âmbito descentralizado, envolvendo diversas instituições. O controle social
foi implementado com a participação de entidades representativas da sociedade civil como membros do conselho
de administração das Organizações Sociais. (Nassuno, p.62)
32
“Nos anos 80 a temática da participação social era um ponto de pauta na agenda política das elites políticas,
denotando dois fenômenos: de um lado a crise de governabilidade das estruturas de poder do Estado, desgastadas
e deslegitimadas pelo autoritarismo; de outro, a legitimidade das demandas expressas pelos movimentos sociais
– novos ou velhos – e a conquista de espaços institucionais como interlocutores validos. Nos anos 90 a agenda
política das elites dirigentes se modifica em função de problemas internos e das alterações que a globalização e
as novas políticas sociais internacionais passam a impor ao mundo capitalista. Nesta nova agenda só a lugar para
a participação e para os processos de descentralização construídos no interior da sociedade política, pois as
formas de participação direta foram se institucionalizando. ”[...] (GOHN, 2008, p.310)
42

ações estejam enquadradas no principio da transparência 33 e também exercendo seu direito


como participante da democracia. Uma definição de participação é apresentada por
Kauchakje:
[...] participação social significa “fazer parte de uma sociedade”, Isto é, usufruir
dos bens e dos recursos sociais e direcionar os rumos dessa sociedade, ou participar
da riqueza social e cultural e do acesso aos recursos, além de participar da gestão
pública e da política. (KAUCHAKJE, 2008, p.73, grifo do autor).

Participar não é somente usufruir dos bens e serviços, mas também cooperar na
elaboração dos bens e serviços, como participante, colaborador e fiscalizador inclusive na
esfera pública. Essa participação se caracteriza especialmente nos conselhos e também nas
conferencias.

Os conselhos estão inscritos na Constituição Federal de 1988 na qualidade de


instrumentos de expressão, representação e participação da população. Essas
estruturas inserem-se, portanto, na esfera pública e, por força de lei, integram-se a
órgãos públicos vinculados ao Poder Executivo, voltados para políticas públicas
específicas, responsáveis pela assessoria e suporte ao funcionamento das áreas em
que atuam. (GOHN, 2011, p. 354)

Essas características de transparência, fiscalização e participação se referem ao modelo


de “gestão democrático-participativa” apresentada por Kauchakje desta forma:

Reivindicada por movimentos sociais dos anos de 1970 e 1980, a gestão


democrático-participativa tem suas bases assentadas na constituição de 1988. Essa
modalidade prioriza as demandas das classes populares quanto aos serviços a serem
desenvolvidos, aos recursos disponibilizados, aos locais privilegiados e a população
destinatária, realizando, assim, uma inversão de prioridades da gestão de políticas
publicas no Brasil. A ênfase na participação social não tem o sentido de
questionamento da capacidade e da responsabilidade social do Estado, mas visa
fortalecer os processos decisórios e fiscais destes que levem a democratização da
política e do acesso da população aos serviços e aos recursos socioeconômicos e
culturais. (KAUCHAKJE, 2008, p.90)

É a gestão do público com participação do cidadão, com vistas a fortalecer o processo


de participação e democracia. A participação popular passou a ser um eixo da gestão a partir

33
“A transparência nas decisões, na ação pública, na negociação, na participação – e, também o maior
profissionalismo – se apresenta como bases de uma nova ética na prestação de serviços públicos.”
(CARVALHO, 1999, p. 28).
43

da constituição de 198834, fazendo com que o cidadão35 tenha mais acesso e informação a
administração pública bem como seja participante efetivo dessa realidade.
Essa modalidade de gestão faz parte da gestão social, nos dizeres de Kauchakje é:

A gestão de ações sociais públicas para o atendimento de necessidades e demandas


dos cidadãos, no sentido de garantir os seus direitos por meio de políticas,
programas, projetos e serviços sociais. (KAUCHAKJE, 2008, p.22)

Portanto a gestão social é a gestão de tudo que é público e envolve os direitos dos
cidadãos. Nas palavras de Kauchakje (2008, p.24) “a gestão de ações sociais públicas tem o
sentido de contribuir para consolidar direitos”. Configurada essa nova forma de gestão é
importante lembrar que anterior a esse novo modelo que passou a ser visualizado existiu
outras formas de gestão quer perpassaram pela sociedade brasileira em diferentes momentos
históricos (Kauchakje, 2008). Basicamente:

A gestão social no Brasil gira, basicamente, em torno de cinco modalidades: sendo


eles: gestão patrimonial36, gestão tecno-burocrática,37 gestão gerencial38, gestão
democrático-participativa e gestão em rede39. (KAUCHAKJE, 2008, p.87)

34
“A Constituição Federal de 1988 estabeleceu um principio de descentralização e participação da comunidade
na definição de políticas públicas nas áreas de planejamento urbano, previdência, saúde, assistência social e
proteção aos direitos da criança e do adolescente. Trata-se dos conselhos gestores de políticas públicas que,
segundo a definição de Luciana Tatagiba, são ‘espaços públicos de composição plural e paritária entre Estado e
sociedade civil, de natureza deliberativa, cuja função e formular e controlar a execução de políticas públicas e
setoriais. (TATAGIBA, 2002 apud BENTO, 2003, p.231)”.
35
“A administração orientada para o cidadão incorpora a preocupação com a qualidade do serviço, [...],
acrescentando, porém, a dimensão ativa da cidadania. Isso significa, em primeiro lugar, que os interesses levados
em conta pela administração pública não se restringem aos dos usuários de um serviço público especifico, mas
compreendem os de toda a comunidade. Em segundo lugar, a cidadania considerada nessa perspectiva
transcende a dimensão passiva da titularidade de direitos, abrindo-se para participação e a partilha de poder e de
responsabilidade entre a administração pública e o público. Portanto, ao contrario da concepção gerencial com
foco no cliente, a gerencia orientada ao cidadão reconhece as especificidades da administração pública
relativamente à administração privada, entre elas a primazia dos valores democráticos, a participação, a
transparecia e o engajamento sobre eficiência. (BENTO, 2003, p.94)”.
36
“[...] é caracterizada pela privatização do Estado, o que significa o privilegiamento de alguns grupos na
direção da política a na alocação de recursos (financeiros, humanos, materiais e de informação) de acordo com
interesses particulares (KAUCHAKJE, 2008, p.88)”.
37
“Essa modalidade imprime critérios técnicos na gestão, o que sob uma nova perspectiva, afasta das decisões
os interesses pessoais e a atribuição arbitrária de mérito para a distribuição de recursos e de projetos entre
pessoas, grupos sociais, municípios e estados [...](KAUCHAKJE, 2008, p.88)”.
38
“A partir dos anos de 1980, é difundida a gestão gerencial no bojo da hegemonia das práticas e da ideologia
neoliberais, que questionam a eficiência, a capacidade e a responsabilidade do Estado perante questão social.
Trata-se da modalidade que introduz na gestão publica os princípios da gestão empresarial, que transfiguram
cidadãos em clientes e incentivam a concorrência entre os entes federados (estados e municípios)...]
(KAUCHAKJE, 2008, p.89)”.
39
“[...] a gestão em rede é inovadora, pois permite ultrapassar o traço histórico brasileiro de ações sociais
fragmentadas e sobrepostas, que não articulam os recursos e os sujeitos locais, regionais e globais [...]
(KAUCHAKJE, 2008, p.91)”.
44

A gestão social é o gerenciamento da coisa pública, ou seja, do público que é de todos.


O Estado apresenta resposta as questões latentes na sociedade, que visam atender ao cidadão
em suas necessidades, um desses mecanismos é as políticas públicas que também são objetos
da gestão.

1.4 POLÍTICAS PÚBLICAS

O Brasil é um país que perpassa por diversas formas de governabilidade 40 desde a


monarquia até o regime federativo representado, com diferentes contextos históricos atrelados
a cada momento e que influenciaram nas políticas brasileiras.
Não é inquestionável que por ser um país colonizado os traços tradicionalistas
marcaram por muito tempo a construção da sociedade brasileira na formulação e execução de
políticas. As características dos governos em muitos aspectos tiveram fortes influencias e
domínio da burguesia. Por muito tempo a exploração da classe trabalhadora, as desigualdades
de gênero, a inexistência de políticas para crianças e outros segmentos da sociedade e as
outras formas de desigualdade social tinham como formas de tratamento ações vinculadas a
caridade e filantropia, pois o cidadão brasileiro não era visto como possuidor de direitos e
deveres.

Desde os primórdios da colonização até os tempos de hoje, o Brasil foi dirigido –


direção política, direção social e direção intelectual e moral – por setores
minoritários, nacionais e estrangeiros (quase sempre associados), formados, num
certo modelo teórico, pelas elites econômicas, políticas, culturais e religiosas ( os
chamados “donos do poder”), formando os pactos de elites “pelo alto”, ou, em outro
modelo teórico, pelas classes dominantes como as oligarquias rurais e coronéis e
posteriormente a burguesia nacional em suas diversas frações de classe (do mesmo
modo, quase sempre associada a burguesia internacional e aos proprietários rurais)
( WANDERLEY, 1999, p.109).

As mudanças ocorridas na realidade brasileira no que se refere as políticas públicas


são resultado de alterações políticas, culturais e econômicas. Estão atreladas também as
reivindicações da população conforme as necessidades conjunturais apresentadas, e a
desvinculação do Estado da filantropia e caridade, dando caráter as políticas de mecanismos

40
[...] a governabilidade encontra-se referida às condições materiais do exercício do poder, a legitimidade e a
sustentação política dos governos para levar a cabo seu programa, ou para formular estratégias de
desenvolvimento de longo prazo, ou ainda a capacidade dos poderes públicos de intermediar os grupos sociais
que apoiem o plano de governo [...]. (BENTO, 2003, p.86)
45

que possibilitam o acesso aos direitos, bem como uma prestação de serviços públicos aos seus
sujeitos de ação, ou seja, aos possuidores de direitos.

As prioridades contempladas pela políticas publicas são decididas pelo Estado, mas
nascem na sociedade civil. Por isso mesmo estão em permanente disputa. Elas
adentram a agenda do Estado, quando se constituem em demanda fortemente
vocalizada por grupos e movimentos da sociedade, que adensam forças e pressões
introduzindo-as na arena política. (CARVALHO, 1999, p. 19)

Portanto as políticas surgem para atender a demanda41 levantada junto com o


desenvolvimento da sociedade, é uma forma do governo atender a função legal do Estado e
responder a população de forma a proporcionar o atendimento aos interesses diversos.

[...] políticas públicas implicam atividade de organização do poder e são


instrumentos de ação do governo com as seguintes características: supõe a fixação
de metas, diretrizes ou planos governamentais; distribuem bens públicos; transferem
bens desmercadorizados; estão voltados para o interesse público, pautado nos
embates entre interesses sociais contraditórios; são base de legitimação do Estado.
(KAUCHAKJE, 2008, p.62)

As políticas42 públicas43são um importante instrumento da gestão governamental para


efetivar respostas as necessidades, demandas e a garantia dos direitos previstos em leis, um
meio de viabilizar e proporcionar o acesso a todos.

Políticas públicas são instrumentos de ação do governo a serem desenvolvidas em


programas, projetos e serviços de interesse da sociedade. As políticas podem ser
consideradas como um desenho, uma arquitetura planificada dos direitos garantidos
em lei. (KAUCHAKJE, 2008, p.26)

Formulam-se em diversas áreas, de caráter geral e se desdobram em áreas afins com


vistas a atender as particularidades existentes em cada área, sendo assim, existem políticas
para a economia, meio ambiente, educação, saúde, habitação e outras. Estas últimas se
referem ao campo social e são consideradas políticas sociais.

41
“é neste século propriamente que as necessidades e demandas dos cidadãos são reconhecidas como legitimas,
constituindo-se em direitos. É, também, neste século que os direitos cidadãos se apresentam como fundamento
da política pública.” (CARVALHO, 1999, p.19).
42
“Em relação ao termo política, o dicionário Aurélio apresenta a seguinte definição:” Ciência do governo dos
povos. / Direção de um Estado e determinação das formas de sua organização. / Conjunto dos negócios de
Estado, maneira de os conduzir. / Fig. Maneira hábil de agir; astúcia; civilidade. // Ciência política, ramo das
ciências sociais que trata do governo e da organização dos Estados.” (FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda.
Dicionário Aurélio Básico da Língua Portuguesa 2013, p. 205).
43
“Que se refere ao povo em geral: interesse público. / Relativo ao governo de um país: negócios públicos. /
Manifesto conhecido por todos: rumor público. / A que todas as pessoas podem comparecer: reunião pública.”(
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Aurélio Básico da Língua Portuguesa 2013, p. 214).
46

As políticas sociais e de uma forma geral são resultantes da contradição entre capital 44
e trabalho e derivadas de processos de lutas sociais proporcionados por movimentos sociais e
outras frentes de lutas da sociedade civil. No que se refere ao seu surgimento

O surgimento das políticas sociais foi gradual e diferenciado entre os países,


dependendo dos movimentos de organização e pressão da classe trabalhadora , do
grau de desenvolvimento das forças produtivas, e das correlações e composições de
força no âmbito do Estado. Os autores são unânimes em situar o final dos século
XIX como período em que o Estado capitalista passa a assumir e a realizar ações
sociais de forma mais ampla, planejada, sistematizada e com caráter de
obrigatoriedade. (BEHRING; BOSCHETTI, 2009, p.64)

Concernente as datas:

Não se pode indicar com precisão um período especifico de surgimento das


primeiras iniciativas reconhecíveis de políticas sociais, pois, como processo social,
elas se gestaram na confluência dos movimentos sociais de ascensão do capitalismo
com a Revolução Industrial, das lutas de classe e do desenvolvimento da intervenção
estatal. [...] (BEHRING; BOSCHETTI, 2009, p.47)

O surgimento das políticas sociais está atrelado a dinâmica das mudanças societárias,
desenvolve-se nas questões latentes das desigualdades sociais e resíduos do sistema capitalista
de produção, construída nas bases das reivindicações da população que é a camada atingida
pelos resquícios capitalistas.
Em relação ao Brasil as políticas sociais também se desenvolveram pelos movimentos
de reivindicação popular, construídos com base nas necessidades que a sociedade brasileira
reivindica. A assistência social tem sua legitimidade como política social a partir da
Constituição Federal de 1988, que conforme Couto traz:

[...] um redimensionamento no campo da assistência social, que ganha, a partir do


texto constitucional, o passaporte para se transformar em lei ordinária que
regulamente a relação entre Estado e sociedade na ótica do atendimento das
necessidades sociais da população. E isso só foi feito cinco anos após a Constituição
de 1988, quando o presidente Itamar Franco encaminhou ao Congresso a Lei nº.
8.742/93 finalmente regulamentando a assistência social como política social de
cunho púbico e não contributiva, credenciando-a, portanto, no campo dos direitos
sociais. (COUTO, 2008, p.171)

44
Neste sentido, “as políticas sociais e a formatação de padrões de proteção social são desdobramentos e ate
mesmo respostas e formas de enfrentamento - em geral setorializadas e fragmentadas- as expressões
multifacetadas da questão social no capitalismo, cujo fundamento se encontra nas relações de exploração do
capital sobre o trabalho. [...]” (BEHRING; BOSCHETTI, 2009, p.51).
47

A assistência social passou a ter cunho de política social, faz parte do tripé da
seguridade social45, será prestada a quem dela necessitar, de forma não contributiva e com
abrangência de proteção a infância a adolescência, a família e a velhice, entre outros
conforme apresenta o texto constitucional:

Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar,


independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos:
I - a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice;
II - o amparo às crianças e adolescentes carentes;
III - a promoção da integração ao mercado de trabalho;
IV - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção
de sua integração à vida comunitária;
V - a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de
deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria
manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei. (BRASIL,
2008, p.54)

As políticas foram desenvolvidas de maneira mais abrangente de acordo com o nível


de desenvolvimento dos países e com a efetiva participação da população geralmente
relacionadas ao âmbito produtivo, Kauchakje salienta que:

Toda política pública é uma forma de intervenção na vida social, estruturada a partir
de processos de articulação de consenso e de embate entre atores sociais com
interesses diversos, decorrentes de suas posições diferenciadas nas relações
econômicas, políticas, culturais e sociais. (KAUCHAKJE, 2008, p.68)

O desenvolvimento das políticas, programas e projetos é atrelado as necessidades e


demandas da população e uma resposta do Estado as expressões da Questão Social
apresentadas frente a realidade de uma sociedade capitalista neoliberal.
Referente a reforma do Estado, também englobou o direcionamento das políticas em
detrimento da descentralização, Jacobi pontua que:

Do ponto de vista das políticas públicas amplia-se a competência legislativa do


município atribuindo-se-lhe novas responsabilidades. Dotam-se os municípios de
recursos tributários, transformando- os em esfera autônoma de governo com a
obrigação constitucional especifica de fazer política social. [...] (JACOBI, 2000, p.
42)

Dessa forma os municípios passaram a ter uma participação mais ativa na execução
das políticas e também uma responsabilidade mais efetiva em sua implementação visto que
com a descentralização as atribuições repassaram em sua maior parte aos municípios para
facilitar o acesso as políticas, programas e projetos.
45
“A constituição de 1988, no titulo sobre a Ordem Social, institui o conceito de seguridade social, por meio de
ações de saúde, previdência e assistência social [...]” (SIMÕES, 2011, p.104, grifo do autor).
48

Os programas e projetos “são planos constituídos por um conjunto de projetos e


iniciativas que se articulam e se complementam com vistas a obtenção de resultados num
tempo definido” (KAUCHAKJE, 2008, p.26).
São desenvolvidos para atender uma necessidade de dada realidade, construídos com
base nas questões existentes e ancorados pelas orientações legais, também podem ser
segmentos das políticas públicas de cada área visto que os pormenores são apresentados de
diferentes formas. Os projetos sociais de acordo com Kauchakje:

É uma tecnologia social e um processo de ação coletiva de iniciativa estatal ou da


sociedade civil que tem como objetivo intervir para a mudança de uma realidade,
por meio de provimento de serviços sociais tendo em vista o desenvolvimento
social. (KAUCHAKJE, 2008, p.99)

Ainda de acordo com a mesma autora os projetos sociais surgem para atender as
necessidades dentro de três perspectivas:

Projetos sociais, isto é, projetos que preveem o provimento de serviços sociais


podem ser agrupados sob a perspectiva da PREVENÇÂO, da PROTEÇÂO ou da
PROMOÇÂO SOCIAL ou ainda ser classificados de acordo com os objetivos que
perseguem. (KAUCHAKJE, 2008, p.107)

Os projetos podem ser elaborados com o intuito de prevenir a continuação do


problema social visualizado, igualmente como status de proteção como no caso de alguns
programas e projetos e também na questão da promoção, porém sua forma será classificada de
acordo com a finalidade de tal ação. As políticas públicas, os programas e os projetos são
mecanismos operacionais da administração pública e da gestão e se desenvolvem com base no
planejamento de tais ações.

1.5 A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E O PROCESSO DE PLANEJAMENTO DAS


POLÍTICAS

Para a elaboração dessas políticas, programas e projetos é necessário o planejamento 46


que se constitui como parte integrante do processo de administração, e instrumento base que
orientará e subsidiará na construção do objeto de intervenção na realidade.

46
“O planejamento é então uma atividade que mesmo diante de situações especificas guarda sua visão genérica,
sistematizando e realimentando a própria atividade, imprimindo-lhe assim uma dinâmica processual”.
(BARBOSA, 1980, p.30)
49

O termo “planejamento”, na perspectiva lógico-racional, refere-se ao processo


permanente e metódico da abordagem racional e científica de questões que se
colocam no mundo social. Enquanto processo permanente supõe ação continua
sobre um conjunto dinâmico de situações em um determinado momento histórico.
Como processo metódico de abordagem racional e científica, supõe uma sequencia
de atos decisórios, ordenados em momentos definidos e baseados em conhecimentos
teóricos, científicos e técnicos (BAPTISTA, 2010, p.13).

Conforme apresentado podemos perceber que o planejamento se constitui uma


atividade normal e rotineira47 de nosso dia a dia, pois, a maior parte de nossas ações perpassa
pelo caminho da análise, conhecimento e reflexão antes da formulação e execução de
determinada ação com fins específicos.
Esses passos condizem com o processo de planejamento que para Barbosa (1980) “[...]
pressupõe sequencia no tempo, não se manifestando num dado momento, mas se realizando
continuamente ao longo da historia, atravessando estágios diversos.” Mas também é utilizado
como instrumento de trabalho, porém esta prática começou a ser empregada em dado
momento da história desta forma, conforme explica o autor:

O planejamento que “começou com o primeiro ser humano e, desde então,


permaneceu simples prática natural de todos os indivíduos e grupos”, somente no
século XIX começa a ser objeto de preocupação, quando usado para atender aos
interesses das empresas e organizações. (PERSON apud BARBOSA, 1980, p.22).

É a partir do século XIX como expôs Barbosa, que o planejamento começa a ser
utilizado para atender interesses e não como simples prática natural, nas palavras do autor.
Para então assumir a característica de um processo técnico ou sua utilização como tal, pois
passou a ser mecanismo de trabalho.
Planejar então se refere a um procedimento de ordenamento e execução de
determinada atividade na condução desta. Enquanto método de trabalho orienta de forma
racional o processo em questão, sob a ordem de uma sequencia de etapas. Baseado em
conhecimentos, que darão suporte no desenvolvimento da ação. Em suma:

[...] o planejamento refere-se, ao mesmo tempo, a seleção das atividades necessárias


para atender questões determinadas e a otimização de seu inter- relacionamento,
levando em conta os condicionantes impostos a cada caso (recursos, prazos e
outros); diz respeito, também, a decisão sobre os caminhos a serem percorridos pela

47
“Já no inicio dos tempos, o homem refletia sobre as questões que o desafiavam, estudava as diferentes
alternativas para solucioná-las e organizava sua ação de maneira lógica. Enquanto assim fazia, estava efetivando
uma prática de planejamento. Da observação dessa prática, de sua análise e sistematização racional, do domínio
de alguns princípios que regem os processos naturais, e da incorporação dos conhecimentos desenvolvidos em
áreas do pensamento, resultou o acervo de conhecimentos e de práticas de planejamento, tal como encontramos
hoje” (BAPTISTA, 2010, p.14).
50

ação e as providências necessárias a sua adoção, ao acompanhamento da execução,


ao controle, a avaliação e a redefinição da ação (BAPTISTA, 2010, p.13).

Planejar é decidir, pensar, orientar e preparar um caminho a ser seguido. É também


analisar todas as possibilidades para se chegar a esse caminho e objetivo final, considerando
todo o contexto que envolve a execução da ação. É também acompanhar, avaliar e reconstruir
conforme as necessidades de mudanças.
Para Kauchakje o planejamento:

Caracteriza-se como um processo permanente e metódico de uma abordagem “de


questões que se colocam no mundo social”, o que supõe uma sequencia de atos
decisórios, ordenados e baseados em conhecimentos teóricos, científicos e técnicos.
O planejamento tem uma dimensão política por ser um processo continuo de
tomadas de decisões, inscritas nas relações de poder. (KAUCHAKJE, 2008, p.97)

Com o apresentado pela autora o planejamento é então construído com base na


realidade e deve ser considerado como um processo, o qual deve abordar técnicas com base
em conhecimentos para que uma efetiva ação possa ser realizada e demandar a resposta a
questão ou problema visualizado. Desse modo as políticas são elaboradas com base no
planejamento, conhecimento da realidade e demanda, para posteriormente a formulação e
implementação desta, como também os planos, programas e projetos, etc. seguem a mesma
lógica.
Baptista (2010) explica que existe no processo de planejamento o aspecto político,
característica que se dá pela dimensão de poder entre estruturas a qual o processo de planejar
perpassa. E expõe que:

[...] tradicionalmente, ao se tratar de planejamento, a ênfase era dada aos seus


aspectos técnico-operativos, desconhecendo, no seu processamento, as tensões e
pressões embutidas nas relações do diferentes sujeitos políticos em presença. Hoje,
têm se a clareza de que, para que o planejado se efetive na direção desejada, é
fundamental que, além do conteúdo tradicional de leitura da realidade para o
planejamento da ação, sejam aliados a apreensão das condições subjetivas do
ambiente em que ela ocorre: o jogo de vontades políticas dos diferentes grupos
envolvidos, a correlação de forças, a articulação desses grupos, as alianças ou as
incompatibilidades existentes entre os diversos segmentos. Esse conhecimento irá
possibilitar, além da visualização de propostas com índices mais altos de
viabilidade, a percepção e o manejo das dificuldades e das potencialidades para
estabelecimentos de parcerias, de acordos, de compromissos, de responsabilidades
compartilhadas (BAPTISTA, 2010, p.17).

Dessa forma, além da dimensão técnico operativa do ato de planejar é necessário


avaliar e compreender as questões subjetivas que envolvem a ação com vistas a um melhor
resultado.
51

É necessária uma análise de toda a estrutura que envolve o objeto de planejamento em


questão, para que uma ação efetiva possa ser realizada por meio da mediação entre as
diferenças e da busca da cooperação e participação dos diferentes contextos. Essas
características do ato de planejar conferem ao profissional gestor uma base para conhecimento
de sua realidade de atuação, que geralmente é permeada de fatores alimentados por diferenças
entre estruturas de poderes.
Porém esta análise de todas as subjetividades só é possível, com base no processo de
planejar, e na ação ou atividade a ser realizada. No que cabe a definição do objeto, este
geralmente é posto com base na realidade, fundamentado nas demandas consideradas e
concebidas, pois surge a necessidade de uma intervenção, mas também pode ser obtido junto
ao processo de planejamento, e este pode ser usado como ferramenta para tal. Assim para
Baptista:

O objeto de planejamento da intervenção profissional é o segmento da realidade que


lhe é posto como desafio, é o aspecto determinado de uma realidade total sobre a
qual irá formular um conjunto de reflexões e de proposições para a intervenção. Sua
construção e reconstrução permanente ocorrem a partir da localização da questão
central a ser trabalhada e das ideias básicas que nortearão o processo. (BAPTISTA,
2010, p.31)

O conhecimento da realidade proporciona a compreensão das ações e intervenções que


poderão ser realizadas. Dentro desta perspectiva o planejamento se expressa como uma
resposta as realidades apresentadas no cotidiano que se alteram com a evolução da sociedade
por vezes até mudam, mas a característica mais expressa é adição de mais conjunturas,
portanto:

O planejamento se realiza a partir de um processo de aproximações, que tem como


centro de interesse a situação delimitada como objeto de intervenção. Essas
aproximações consubstanciam o método e ocorrem em todos os tipos e níveis de
planejamento. Ainda que submetidas ao movimento mais amplo da sociedade, o seu
conteúdo específico irá depender da estrutura e das circunstancias particulares de
cada situação. (BAPTISTA, 2010, p.27)

A partir da situação delimitada é possível a elaboração do método com o intuito de


chegar ao objetivo proposto, baseado no interesse levantado por meio da aproximação com a
realidade.
Para planejar é necessário um processo de construção com vistas a atender os
objetivos desejados, conforme Ferreira (1965) apud Baptista (2010) o processo de
planejamento se dá por fases que se constituem em:
52

a) De reflexão - que diz respeito ao conhecimento de dados, a análise e estudo


de alternativas, a superação e reconstrução de conceitos e técnicas de diversas
disciplinas relacionadas com a explicação e quantificação dos fatos sociais, e outros;
b) De decisão - que se refere a escolha de alternativas, a determinação de meios,
a definição de prazos, etc.;
c) De ação - relacionada a execução das decisões. É o foco central do
planejamento. Orienta-se por momentos que antecedem e é subsidiada pelas
escolhas efetivadas na operação anterior, quanto aos necessários processos de
organização;
d) De retomada de reflexão - operação critica dos processos e dos efeitos da
ação planejada, com vistas ao embasamento do planejamento e de ações posteriores.
(BAPTISTA, 2010, p.15)
Então, segundo o autor o processo de planejar se inicia pela reflexão que se traduz no
conhecimento e na busca de informações necessárias. Após a reflexão é a tomada de decisões
referente ao que será feito e de que forma, partindo daí para a ação efetivamente, o objetivo
do processo de planejamento. Posteriormente, será a retomada de reflexão para fazer uma
análise de todo o procedimento com vistas a buscar melhorias para as próximas ações em sua
continuidade, pois:

Assumida a decisão de planejar, o movimento de reflexão-decisão-ação-reflexão que


o caracteriza vai realizando concomitantemente as seguintes aproximações:
● Construção/reconstrução do objeto;
● Estudo da situação;
● Definição de objetivos para a ação;
● Formulação e escolhas de alternativas;
● Montagem de planos, programas e/ou projetos;
● Implementação;
● Implantação;
● Controle da execução;
● Avaliação do processo e da ação executada;
● Retomada do processo em um novo patamar (BAPTISTA, 2010, p.28).

Dessa maneira o processo de planejamento perpassa pelas etapas apresentadas pela


autora de forma natural, onde o planejador operacionaliza as diferentes fazes. Baptista (2010)
aponta que nem sempre essas operações irão ocorrer de forma linear e que por vezes
acontecerão simultaneamente.
O planejamento se faz necessário visto que é o mecanismo que propiciara
metodologicamente a organização e previsão do que será elaborado, realizado objetivando o
melhor resultado possível. Também como processo operativo da atividade profissional, que
contribuirá para o fazer profissional em diversas áreas como administração, contabilidade,
serviço social entre outras. Este último com enfoque no planejamento social, mas também
outras esferas e dentre elas o planejamento urbano.
53

1.6 O PLANEJAMENTO NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E O SERVIÇO SOCIAL.

Em referência as primeiras experiências do planejamento como instrumento de


trabalho, Barbosa apresenta que é:

Na teoria da administração que surge o planejamento como uma função do


administrador, levado pela necessidade de dar maior atenção a empresa, quando a
mesma não poderia ficar dependente de um só homem. Era preciso o talento
especializado dos técnicos a fim de perquirir o futuro, de procurar antecipar-se ao
mercado como um todo, ou de influenciá-lo. (BARBOSA, 1980, p.22)
Desse modo, o planejamento passa a existir como função do administrador na teoria
da administração, pois surgiu a necessidade de uma técnica para orientar as ações. O
planejamento atualmente constitui-se um instrumental da administração e da gestão e
importante ferramenta para o bom desenvolvimento das diversas práticas profissionais48.

[...] a ideia de planejamento como previsão começa a desenvolver-se, de inicio


limitada a administração privada, ou seja, ao mundo das empresas industriais, isto é,
de uma nova estrutura industrial, para posteriormente passar a administração pública
(BARBOSA, 1980, p.22)

Inicialmente o planejamento foi mais usual na esfera privada onde começou a se


desenvolver como ferramenta do trabalho e posteriormente passou a fazer parte do
administração pública.
Consequentemente o planejamento pode ser usado em diversas esferas da
administração pública, como parte da gestão, na formulação de políticas públicas49,
programas, projetos e demais atividades, ou em práticas rotineiras dos profissionais de
qualquer área como também no dia a dia como principio básico de organização.

48
“A prática profissional do Assistente Social [...] se realiza em suas dimensões ético-política, teórico-
metodológica e técnico-instrumental, considerando a perspectiva imediata e mediata, o que promove a atuação
universalista, estruturada e estruturante: Imediata – como ação com respostas diretas, nas expressões singulares
do cotidiano, que dilapidam as condições de cidadania para as quais é necessário prover as seguranças de
sobrevivência, de geração de renda, de convívio, de restabelecimento de vínculos, proporcionando acessos a
direitos reclamáveis; Mediata – inscrita nas dimensões que constituem a sociabilidade humana (materiais,
espirituais, culturais, subjetivas, etc.), com repercussão no processo de reprodução social, com horizonte nas
determinações macrossociais, na esfera propositiva e de controle social; respostas sócio-políticas alavancando
condições de empoderamento da população, especialmente aquela distancia dos espaços de decisão política, e
construção de autonomia e protagonismo” (BATTINI, 2007, p.15).
49
“Temos hoje uma grande demanda municipal, estadual e federal em todo o país para o planejamento, a gestão
e formulação de políticas públicas nos marcos jurídico-políticos da Constituição de 1988, que avançou na
concepção de direitos sociais (no que toca à política de Seguridade Social com seu tripé: Saúde, Previdência e
Assistência Social) e no que diz respeito a direitos em outros campos, a exemplo dos conquistados pelas
diversificadas etnias e “minorias”, na medida em que essa mesma Constituição inovou e inaugurou um
pluralismo jurídico para a atuação com diferentes formações sociais”(TEIXEIRA, 2009, p.554).
54

A Constituição Federal do Brasil apresenta como dever do Estado o planejamento, e


expõe dessa forma:

Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado


exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento,
sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado.
§ 1º A lei estabelecerá as diretrizes e bases do planejamento do desenvolvimento
nacional equilibrado, o qual incorporará e compatibilizará os planos nacionais e
regionais de desenvolvimento [...] (BRASIL, 2008, p.52, grifo nosso)

A administração pública depende de planejamento para que as ações possam ser


viabilizadas, e um exemplo disso é o PPA, LOA e LDO 50, instrumentos que fazem parte do
planejamento do orçamento público. E nas palavras de (TEIXEIRA, 2009, p.566) “o
orçamento, de modo geral, é um importante instrumento de planejamento em todas as áreas
[...]”. A autora ainda afirma que:

Há uma relação entre sistema de planejamento e orçamento público, na medida em


que o orçamento anual é o instrumento de operacionalização de curto prazo, da
programação constante dos planos e programas de médio prazo, os quais, por sua
vez, devem cumprir o marco fixado pelos planos de longo prazo, onde estão
definidos os grandes objetivos e metas, os projetos estratégicos e as políticas
básicas. (TEIXEIRA, 2009, p.567)

Teixeira, ao enfatizar que o orçamento anual51 é o instrumento de operacionalização


dos planos e programas, corrobora com o que cita o texto constitucional, o planejamento é
fator determinante para o setor público, o qual deverá ser desenvolvido por meio de planos
nacionais com intuito de subsidiar o desenvolvimento nacional.
Esse é um exemplo básico de onde o planejamento pode ser desenvolvido na esfera
pública, cabe ressaltar que não é somente no orçamento que o planejamento é utilizado.
Porém isso não é exclusividade do administrador ou do contador, pode e deve ser
desenvolvido por outras profissões dentre elas o serviço social.
A lei 8.662 de Sete de junho de 1993 que dispõe e regulamenta a profissão do
assistente social em seu artigo 4º apresenta as competências do assistente social e dentre elas
está o planejamento. Assim destaca:

50
Estes três instrumentos referem-se respectivamente a Plano Plurianual (PPA), Lei de Diretrizes
Orçamentárias (LDO) e o Orçamento Anual (LOA), e que estão previstos na Constituição Federal em seu artigo
165.
51
“Na prática, o orçamento público tem sido reflexo da forte relação entre a conjuntura política do país e as
ações de governo, que se consubstanciam por meio de planos, programas e projetos prioritários. Nele rebatem as
crises e os momentos de prosperidade, os contextos ditatoriais e democráticos, as pressões ou ausência de
pressões resultantes do jogo de forças sociais e políticas na sociedade” (TEIXEIRA, 2009, p.567).
55

Art. 4º Constituem competências do Assistente Social: I - elaborar, implementar,


executar e avaliar políticas sociais junto a órgãos da administração pública, direta ou
indireta, empresas, entidades e organizações populares; II - elaborar, coordenar,
executar e avaliar planos, programas e projetos que sejam do âmbito de atuação do
Serviço Social com participação da sociedade civil; III - encaminhar providências, e
prestar orientação social a indivíduos, grupos e à população; IV - (Vetado); V -
orientar indivíduos e grupos de diferentes segmentos sociais no sentido de
identificar recursos e de fazer uso dos mesmos no atendimento e na defesa de seus
direitos; VI - planejar, organizar e administrar benefícios e Serviços Sociais; VII -
planejar, executar e avaliar pesquisas que possam contribuir para a análise da
realidade social e para subsidiar ações profissionais; VIII - prestar
assessoria e consultoria a órgãos da administração pública direta e
indireta, empresas privadas e outras entidades, com relação às matérias relacionadas
no inciso II deste artigo; IX - prestar assessoria e apoio aos movimentos sociais em
matéria relacionada às políticas sociais, no exercício e na defesa dos direitos civis,
políticos e sociais da coletividade; X - planejamento, organização e administração de
Serviços Sociais e de Unidade de Serviço Social; (BRASIL, 1993, p.44, grifo
nosso).

Portanto é função do assistente social coordenar, planejar, executar e avaliar as


políticas, programas e projetos desenvolvidos e efetuados em seu âmbito de trabalho, que
pode ser em esfera pública, privada e terceiro setor. Em relação ao campo de trabalho dos
assistentes sociais, Iamamoto e Carvalho explicam que:

Dentre as organizações institucionais que mediatizam o exercício profissional, cabe


ao Estado uma posição de destaque, por ser tradicionalmente, um dos maiores
empregadores de Assistentes Sociais no Brasil. Ao considerar-se o Estado, é
necessário acentuar sua importância decisiva na reprodução das relações sociais, na
sua condição de legislador e de controlador das forças repressivas [...]
(IAMAMOTO; CARVALHO, 2013, p.87, grifo do autor).

O serviço social dessa forma possui um vasto campo de trabalho na esfera pública seja
ela estadual ou municipal, mas também não deixa de desenvolver suas atividades em outras
áreas, por ser uma profissão ampla que ganha destaque no desenvolvimento da sociedade.

O serviço social no Brasil afirma-se como profissão, estreitamente integrado ao setor


público em especial, diante da progressiva ampliação do controle e do âmbito da
ação do Estado junto à sociedade civil. Vincula-se, também, a organizações
patronais privadas, de caráter empresarial, dedicadas às atividades produtivas
propriamente ditas e à prestação de serviços sociais a população. A profissão se
consolida, então, como parte integrante do aparato estatal e de empresas privadas, e
o profissional, como um assalariado a serviço das mesmas. Dessa forma não se pode
pensar a profissão no processo de reprodução das relações sociais independente
das organizações institucionais a que se vincula, como se a atividade profissional se
encerasse em si mesma e seus efeitos sociais derivassem, exclusivamente, da
atuação do profissional. Ora, sendo integrante dos aparatos de poder, como uma das
categorias profissionais envolvidas na implementação de políticas sociais, seu
significado social só pode ser compreendido ao levar em consideração tal
característica. (IAMAMOTO; CARVALHO, 2013, p. 86, grifo do autor).
56

Destaque-se que esta profissão já perpassou por muitas mudanças dentre elas um
processo de reconceituação52 rompendo com o conservadorismo até a forma como se
apresenta hoje, regulamentada. Esse processo é resultado da necessidade que se visualizou de
uma transformação na base profissional. Isso é devido às características de caridade e
filantropia juntamente com a vinculação á igreja que por muitos anos permearam a trajetória
da profissão. É inegável que o surgimento desta está atrelado a esses fatores:

Em suas origens no Brasil, o Serviço Social está intimamente vinculado a iniciativas


da Igreja, como parte de sua estratégia de qualificação do laicato, especialmente de
sua parcela feminina, vinculada predominantemente aos setores abastados da
sociedade, para dinamizar sua missão política de apostolado social junto as classes
subalternas, particularmente junto à família operaria. Essa origem confessional,
articulada aos movimentos de Ação Social e Ação Católica, conforma um tipo de
legitimidade à profissão cujas fontes de justificação ideológica encontram-se na
doutrina social da Igreja. Configura-se, assim, um caráter missionário a atividade
profissional, como meio de fazer face aos imperativos da justiça e da caridade,
dentro da perspectiva de profissionalização do apostolado social segundo parâmetros
técnicos e modernizadores, numa sociedade secularizada, ameaçada pelo liberalismo
e pelo comunismo. Se esta é a fonte legitimadora da formação desse profissional nos
seus primórdios, ela não se choca com crescente aproveitamento e cooptação desse
agente pelo aparato de Estado e pelo empresariado, que progressivamente vão
atribuindo novas determinações à legitimação e institucionalização do Serviço
Social [...] (IAMAMOTO; CARVALHO, 2013, p. 89).

Essa base de filantropia e caridade53 permeou a profissão por muito tempo, mas como
citado pelos autores o Estado54 também passou a buscar esse profissional como forma de
mediador entre as demandas desenvolvidas pelo capital. Essa busca e as novas demandas
possibilitaram a profissão um crescimento, o que se justifica de acordo com Iamamoto e
Carvalho, pois o serviço social:
52
“Preliminarmente, deve ser salientado que o movimento de reconceituação do Serviço Social - emergindo na
metade dos anos 1960 e prolongando-se por uma década - foi, na sua especificidade, um fenômeno tipicamente
latino-americano. Dominado pela contestação ao tradicionalismo profissional, implicou um questionamento
global da profissão: de seus fundamento ideo-teoricos, de sua raízes sociopolíticas, da direção social da prática
profissional e de seu modus operandi (IAMAMOTO, 2012, p.205)”
53
“Historicamente, passa-se da caridade tradicional levada a efeito por tímidas e pulverizadas iniciativas das
classes dominantes, nas suas diversas manifestações filantrópicas, para a centralização e racionalização da
atividade assistencial e de prestação de serviços sociais pelo Estado, à medida que se amplia o contingente da
classe trabalhadora e sua presença política na sociedade. Passa o Estado a atuar sistematicamente sobre as
sequelas da exploração do trabalho expressas nas condições de vida do conjunto dos trabalhadores
(IAMAMOTO; CARVALHO, 2013, p. 85)”.
54
“[...] O Estado passa a intervir diretamente nas relações entre o empresariado e a classe trabalhadora,
estabelecendo não só uma relação jurídica do mercado de trabalho, através da legislação social e trabalhistas
especificas, mas gerindo a organização e prestação de serviços sociais, como um novo tipo de enfrentamento da
questão social. Assim, as condições de vida e trabalho dos trabalhadores já não podem ser desconsideradas
inteiramente na formulação de políticas sociais, como garantia de bases de sustentação do poder de classe sobre
o conjunto da sociedade. O Estado busca enfrentar, também, através de medidas previstas nessas políticas e
concretizadas na aplicação da legislação e na implementação dos serviços sociais, o processo de pauperização
absoluta ou relativa do crescente contingente da classe trabalhadora urbana, engrossando com a expansão
industrial, como elemento necessário à garantia dos níveis de produtividade do trabalho exigidos nesse estágio
de expansão do capital[...] (IAMAMOTO; CARVALHO, 2013, p. 84)”.
57

[...] se gesta e se desenvolve como profissão reconhecida na divisão social do


trabalho, tendo por pano de fundo o desenvolvimento capitalista industrial e a
expansão urbana, processos esses aqui apreendidos sob o ângulo das novas classes
sociais emergentes – a constituição e expansão do proletariado e da burguesia
industrial – e das modificações verificadas na composição dos grupos e frações de
classes que compartilham o poder de Estado em conjunturas históricas especificas. É
nesse contexto, em que se afirma a hegemonia do capital industrial e financeiro, que
emerge sob novas formas a chamada “questão social”, a qual se torna base de
justificação desse tipo de profissional especializado. (IAMAMOTO; CARVALHO,
2013, p. 83, grifo do autor).

É nesse entremeio que a profissão se desenvolve como tal e encontra seus objetos de
trabalho e potencializa o agir profissional assim justificado. Filantropia e caridade juntamente
com a benesse da Igreja não foram suficientes para atender aos problemas sociais enfrentados,
o que se visualizou junto com o desenvolvimento da sociedade foi o surgimento de novos
problemas que exigiram outras respostas juntamente com a intervenção do Estado.
As políticas, os programas e os projetos ou outras atividades desenvolvidas pelo
profissional são uma resposta as demandas levantadas pela questão social assim denominada e
objeto de trabalho do assistente social. Questão social segundo Iamamoto e Carvalho:

[...] não é senão as expressões do processo de formação e desenvolvimento da classe


operária e de seu ingresso no cenário político da sociedade, exigindo seu
reconhecimento como classe por parte do empresariado e do Estado. É a
manifestação, no cotidiano da vida social, da contradição entre o proletariado e a
burguesia, a qual passa a exigir outros tipos de intervenção, mais além da caridade e
repressão [...] (IAMAMOTO; CARVALHO, 2013, p.84).

A questão social é entendida dessa forma como a contradição entre capital e trabalho
ou nas palavras de Iamamoto e Carvalho entre o proletariado e a burguesia e que se gesta no
modelo econômico capitalista. Essas contradições geram as expressões da questão social que
se apresentam na falta de moradia, trabalho, desigualdade social, pobreza, violência, violação
de direitos e outras tantas que exigem dessa forma uma resposta do Estado na intervenção
dessa realidade.
O assistente social tem importante papel nessa intervenção junto as expressões da
questão social, por ser uma profissão que desenvolve uma atuação interventiva frente a essas
expressões. Trabalha como profissão legitimada, fundamentada por um código de ética
profissional, um conselho profissional denominado CFESS juntamente com a lei 8662 de
1993 que regulamenta a profissão, o que proporciona um aparato profissional importante para
atuar nessa realidade.
58

O fazer profissional também se inscreve em uma dinâmica bem ampla pois o campo
de trabalho é muito variado. A prática profissional pode ser desenvolvida de diversas formas
no planejamento, na formulação, na implantação e na execução de políticas, planos,
programas e projetos dentre outras atividades de cunho exclusivo do serviço social
relacionadas a este, que são apresentadas no código de ética e na lei que regulamenta a
profissão.
O assistente social faz uso de diversos instrumentais para seu fazer profissional dentre
eles destacam-se visitas (domiciliar, institucional) relatórios, pareceres, estudos sociais,
reuniões, trabalhos em grupos, atendimento individual observação, etc. todos esses
instrumentais compõe o agir profissional que também deve ser pautado no projeto da
profissão55 que no serviço social se legitima pelo projeto ético-politico56.
Dentre essa diversidade do fazer profissional podemos situar o serviço social na gestão
e planejamento principalmente das políticas, programas e projetos. Mioto e Lima (2009)
apresentam que na dimensão técnico-operativa do serviço social existem “três processos
interventivos” que se referem aos “processos político-organizativos 57, processos sócio
assistenciais58 e processos de planejamento e gestão”, este os autores apresentam que:
55
“Os projetos profissionais apresentam a autoimagem de uma profissão, elegem os valores que a legitimam
socialmente, delimitam e priorizam seus objetivos e funções, formulam os requisitos (teóricos, práticos e
institucionais) para o seu exercício, prescrevem normas para o comportamento dos profissionais e estabelecem
as bases das suas relações com os usuários de seus serviços, com as outras profissões e com as organizações e
instituições sociais privadas e públicas (inclusive o Estado, a que cabe o reconhecimento jurídico dos estatutos
profissionais)”. (NETTO, 2009, p.144, grifo do autor)
56
“Esquematicamente, este projeto tem em seu núcleo o reconhecimento da liberdade como valor central – a
liberdade concebida historicamente, como possibilidade de escolha entre alternativas concretas; daí um
compromisso com a autonomia, a emancipação e a plena expansão dos indivíduos sociais. Consequentemente,
este projeto profissional se vincula a um projeto societário que propõe a construção de uma nova ordem social,
sem exploração/dominação de classe, etnia e gênero. A partir destas opções que o fundamentam, tal projeto
afirma a defesa intransigente dos direitos humanos e o repúdio do arbítrio e dos preconceitos, contemplando
positivamente o pluralismo, tanto na sociedade como no exercício profissional”. (NETTO, 2009, p.155, grifo do
autor).
57
“As ações articuladas nesse eixo privilegiam e incrementam discussões e as encaminham para a esfera
pública. Seu foco principal consiste em dinamizar e instrumentalizar a participação dos sujeitos, sempre
respeitando o potencial político e o tempo dos envolvidos. As ações consideram sempre as necessidades
imediatas, mas prospectam, a médio e a longo prazos, a construção de novos padrões de sociabilidade entre os
sujeitos, porque estão guiadas pela premissa da democratização dos espaços coletivos e pela criação de
condições para a disputa com outros projetos societários. A universalização, a ampliação e a efetivação do
acesso aos Direitos são debatidas nos mais diferentes espaços, especialmente de Controle Social, nos quais são
questionadas as relações estabelecidas no espaço sócio-ocupacional, na comunidade e nas mais diferentes
instituições”. (MIOTO; NOGUEIRA, 2006, apud MIOTO; LIMA, 2009, p.40).
58
“Correspondem ao conjunto de ações profissionais desenvolvidas diretamente com usuários nos diferentes
campos de intervenção a partir de demandas singulares. Sua lógica reside em atender o usuário como sujeito,
visando responder a essas demandas/necessidades numa perspectiva de construção da autonomia do indivíduo
nas relações institucionais e sociais, remetendo-o à participação política em diferentes espaços, dentre os quais se
incluem: as próprias instituições, os programas, serviços, conselhos de direitos, movimentos de base
sociocomunitária e os movimentos sociais na sua diversidade. Esses espaços envolvem ações de diferentes
naturezas, difíceis de distingui-las entre si durante a execução, pois estão em constante interação. No entanto, a
partir dos objetivos primordiais das ações que compõem esse processo, torna-se possível sua caracterização, de
59

Correspondem ao conjunto de ações profissionais desenvolvidas com enfoque no


planejamento institucional como instrumento de gestão e gerência de políticas e
serviços. Essas ações são ligadas: (a) à gestão das diversas políticas sociais das
instituições e dos serviços congregadores de tais políticas, e (b) à gestão e ao
planejamento de serviços sociais em instituições, programas e empresas. Nesse
âmbito, os objetivos das ações intencionam construir práticas efetivas de
intersetorialidade, ou de gerir as relações interinstitucionais; e no planejamento
profissional estão as ações cujos objetivos buscam sistematizar e racionalizar as
ações profissionais. São ações que organizam a intervenção dita específica,
localizando-a no processo coletivo de trabalho em equipes multiprofissionais
(MIOTO; NOGUEIRA, 2006, apud MIOTO; LIMA, 2009, p.41).

No processo de planejamento e gestão a ação profissional se dará no planejamento das


políticas e serviços, bem como das instituições a que estão ligadas. Fazem parte das ações
desenvolvidas nesse âmbito:

[...] criar protocolos entre serviços, programas e instituições no conjunto das


políticas sociais que servem de base tanto para o trabalho do Assistente Social, como
para a equipe da qual é parte; e consolidar bases de dados e informações,
alimentadas pela documentação do processo interventivo do Assistente Social
(diário de campo, fichas, estudos, relatórios). Trata-se de ações que os Assistentes
Sociais desenvolvem em cargos gerenciais e administrativos, no âmbito das políticas
sociais de instituições públicas ou privadas, bem como na gestão e no planejamento
do setor de Serviço Social no âmbito das instituições e dos programas, envolvendo a
organização de seu “fazer profissional”. (MIOTO; NOGUEIRA, 2006, apud
MIOTO; LIMA, 2009, p.41).

É nesse espaço que a principal função do assistente social é elaborar mecanismos que
visem atender de forma plena as necessidades e demandas dos cidadãos e as demandas
institucionais, bem como melhorar os processos já existentes. Nesses campos o profissional
fará uso de seu aporte teórico, ético e político para promover sua intervenção profissional.
Para fazer isso o assistente social pode fazer uso do planejamento social.

O Planejamento Social pode ser entendido sob diferentes enfoques, a saber: a) como
ferramenta de trabalho que propicia uma prática metodologicamente conduzida e
eticamente comprometida com a cidadania; b) como processo lógico, político e
administrativo que, por meio de seu movimento, adensa formas de participação
popular nos níveis decisórios e operativos; c) como instrumento que busca
racionalizar e dar direção para redefinições futuras de organizações, políticas
sociais, setores ou atividades, Influenciando o nível técnico e político e d) como
mediação entre a burocracia e as condições objetivas para efetivação de direitos.
(BATTINI, 2007, p.07)

modo a aprofundar os marcos referenciais que ajudam na sua consecução e que facilitam a conexão dialética
entre elas. Essa caracterização possibilita aprofundar o conhecimento sobre as particularidades operacionais de
cada ação e melhor qualificá-las. Assim, considera-se que, nos processos socioassistenciais, estão presentes
ações de natureza socioterapêutica, socioeducativa, socioemergencial e pericial”. (MIOTO; NOGUEIRA, 2006,
apud MIOTO; LIMA, 2009, p.42).
60

O planejamento social é ferramenta de trabalho, processo, instrumento e mediador que


tem por finalidade racionalizar as ações com o intuito de atingir um fim especifico de forma
plena e satisfatória, assim como o processo de planejamento em si.

Considerando suas dimensões sócio-histórica, técnico-operativa e ético-política


asseguradoras de seu caráter transformador, o planejamento social tem como
finalidades: a) imprimir dinamicidade, organicidade e concretude à política, ao
funcionamento institucional e à intervenção profissional, promovendo controle
social; b) monitorar e avaliar sistematicamente a política e o exercício profissional
cotidiano, na perspectiva prático-crítica (BATTINI, 2007, p.07).

A finalidade do planejamento social se expressa na necessidade de facilitar o processo


de intervenção da realidade o qual deve aliar as características apresentadas entre o objeto e a
dinâmica institucional. A autora ainda entende que o planejamento deve ter um caráter de
transformação sendo um instrumento facilitador do processo em questão e não um meio mais
burocrático de gestão. (BATTINI, 2007). Ainda em referencia ao planejamento social, este
tem uma vinculação as políticas que condicionam seu objeto de intervenção, dessa forma:

O planejamento social é sempre vinculado a uma política que, por sua vez, é
constituída das tensões entre forças sociais presentes numa dada realidade concreta.
Nesse vínculo sustenta-se pelos eixos, prioridades, estratégias e é direcionado para
atenção/superação das demandas próprias à política, sem prescindir das suas
inelimináveis interfaces. Tem como matéria prima a questão social, em particular
aquelas expressões que manifestam uma necessidade coletiva não atendida
constituindo-se em objeto da política, a qual precisa ser reconhecida e incluída na
agenda pública transformando-se em programa, ação, benefício, ou seja, em uma
determinada resposta às demandas. Para essa transformação, o planejamento tem
papel fundamental, pautando-se como base de sustentação no espectro
legislativo/normativo, sócio-institucional e macro-social. [...] (BATTINI, 2007,
p.07)

As demandas das políticas, representadas pela questão social gestionada pelas


contradições da sociedade, são também objeto do planejamento social, a qual deverá
transformar em resposta a essa realidade, uma intervenção que se dará por meio das políticas
programas e projetos.
O processo de planejamento está condicionado à demanda que tem por objeto. No
entanto essa processualidade pode se desenhar em diferentes respostas, pois cada questão está
atrelada a determinada especificidade proporcionando a necessidade de diferentes
intervenções que podem se dar em diferentes esferas do planejamento, seja no planejamento
administrativo, no planejamento social, no planejamento urbano dentre outros.
No planejamento social a ação está vinculada a uma política, seja ela social ou de
outra esfera, no planejamento administrativo está correlacionado com a administração da
61

instituição ou de outra necessidade, já o planejamento urbano se expressa pela necessidade de


planejar a cidade em todo o seu contexto e abrangência.

O planejamento urbano, como qualquer tipo de planejamento, é uma atividade que


remete sempre para o futuro. É uma forma que os homens têm de tentar prever a
evolução de um fenômeno ou de um processo, e, a partir deste conhecimento,
procura-se precaver contra problemas e dificuldades, ou ainda aproveitar melhor
possíveis benefícios. (SOUZA; RODRIGUES, 2004, p.15)

No que tange ao planejamento urbano este se dá na busca do desenvolvimento da


cidade, de melhorias e de atender as necessidades expressas pela questão social e pela
urbanização. Compreende os aspectos gerais que envolvem o crescimento das cidades, e
como expuseram os autores o planejamento é uma previsão do futuro e por este deve ser
compreendido e pensado todos os aspectos que englobam a convivência urbana ou rural.
Indiferente da matéria de objeto ou da área em que o planejamento está sendo aplicado
o que importa é o uso desta ferramenta, e que a mesma proporcione um caminho de facilidade
para se chegar aos fins específicos. Não obstante, o processo de planejar exige
consubstancialmente dos profissionais uma prática comprometida, pois está ação não será
desenvolvida somente na gestão ou administração, mas também pelos profissionais de base
devido seu caráter de praticidade.

2 O PLANEJAMENTO NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E O SERVIÇO SOCIAL


NO MUNICIPIO DE CASCAVEL.

Neste segundo capítulo será abordado um breve histórico do planejamento no


município de Cascavel e a relação com o serviço social por meio da Secretaria Municipal de
Planejamento e Urbanismo (SEPLAN) que atua através da política urbana e demais políticas
inerentes ao campo da secretaria dentre elas a habitação.
Iniciaremos fazendo um breve relato da política de habitação e a política urbana na
atualidade. Busca-se demonstrar como ambas estão delineadas atualmente. Posteriormente
será abordado essas políticas no município de Cascavel e sua relação com o planejamento e o
serviço social. Em sequencia será delineado a pesquisa aplicada na Secretaria de
Planejamento e Urbanismo de Cascavel – SEPLAN objeto deste trabalho.
62

2.1 O ESTATUTO DAS CIDADES E AS POLÌTICAS URBANA E DE HABITAÇÂO

Conforme demonstramos anteriormente a Constituição Federal de 1988, foi um marco


importante na sociedade brasileira, pois consagrou os direitos e se consolidou como
constituição cidadã. Desta forma cabe expor de forma breve como se deu a abordagem e
delineamento de dois destes direitos em políticas, programas e projetos, os quais perpassam
também pelo campo do planejamento e da gestão e são campo de atuação dos assistentes
sociais.
Dentre as inovações trazidas pela Constituição Federal de 1988, destaca-se também a
abordagem da política urbana implementada pelo texto, conquistada com base em um amplo
movimento da sociedade em prol da política urbana e direito a cidade59. Assim no titulo VII
que trata da ordem econômica e financeira, no capitulo II do texto constitucional destaca-se

Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo poder público


municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o
pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus
habitantes. § 1º O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para
cidades com mais de vinte mil habitantes, é o instrumento básico da política de
desenvolvimento e de expansão urbana. § 2º A propriedade urbana cumpre sua
função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação da cidade
expressas no plano diretor. § 3º As desapropriações de imóveis urbanos serão feitas
com prévia e justa indenização em dinheiro. § 4º É facultado ao poder público
municipal, mediante lei específica para área incluída no plano diretor, exigir, nos
termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou
não utilizado que promova seu adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente,
de: I - parcelamento ou edificação compulsórios; II - imposto sobre a propriedade
predial e territorial urbana progressivo no tempo; III - desapropriação com
pagamento mediante títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo
Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e
sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais. Art. 183.
Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinquenta metros
quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua
moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário
de outro imóvel urbano ou rural. § 1º O título de domínio e a concessão de uso
serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado
civil. § 2º Esse direito não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez.
§ 3º Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião. (BRASIL, 2008,
p.53)

Nos artigos em referencia estão as disposições da política urbana e a posse e domínio


da propriedade. No que cabe a política urbana, esta deve ser executada pelo poder público

59
“A inclusão dos artigos 182 e 183, compondo o capítulo da Política Urbana foi uma vitória da ativa
participação de entidades civis e de movimentos sociais em defesa do direito à cidade, à habitação, ao acesso a
melhores serviços públicos e, por decorrência, a oportunidades de vida urbana digna para todos” (OLIVEIRA,
2001, p.3)
63

municipal, tem por objetivo o desenvolvimento da cidade. É desenvolvida por meio dos
aparatos legais que ordenam as áreas especificas que a política engloba.
O instrumental pelo qual se dá a implantação da política urbana é o plano diretor que
passou a ter caráter obrigatório para cidades com o número de habitantes superior a 20 mil.
Este artigo também compreende que a propriedade cumpre sua função social quando
atende as normativas da cidade. Em relação a propriedade o texto de 1988, também apresenta
este direito, fundamentado pelo artigo 5º. Este artigo traz em seus incisos XXII e XXIII o
direito a propriedade e sua função social. Desta forma o artigo diz que,

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade
do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos
seguintes [...] (BRASIL, 2008, p. 8, grifo nosso)

Com todos esses direitos viabilizados pela constituição e visando sua melhor
regulamentação e implementação além das leis, foi necessária a elaboração de um documento
especifico para tratar da política urbana.
Assim em 10 de julho de 2001 a lei de número 10.257 foi sancionada. Denominada de
Estatuto das Cidades, regulamenta os artigos 182 e 183 da Constituição Federal de 1988 que
dispõe sobre a política urbana e estabelece diretrizes gerais desta política e dá outras
providências. E propõe:

Art. 1º Na execução da política urbana, de que tratam os arts. 182 e 183 da


Constituição Federal, será aplicado o previsto nesta Lei. Parágrafo único. Para todos
os efeitos, esta Lei, denominada Estatuto da Cidade, estabelece normas de ordem
pública e interesse social que regulam o uso da propriedade urbana em prol do bem
coletivo, da segurança e do bem-estar dos cidadãos, bem como do equilíbrio
ambiental [...] (BRASIL, 2001, p.1)

Este documento, portanto formaliza as disposições do texto constitucional e estabelece


as normas que regulam o uso da propriedade, considerando o bem estar coletivo, a segurança
e a questão ambiental.
Conforme o “Art. 2º A política urbana tem por objetivo ordenar o pleno
desenvolvimento das funções sociais da cidade e da propriedade urbana” (BRASIL, 2001,
p.1). Aborda essas questões em seus dezesseis incisos que compõe as diretrizes, portanto

O Estatuto da Cidade reúne importantes instrumentos urbanísticos, tributários e


jurídicos que podem garantir efetividade ao Plano Diretor, responsável pelo
estabelecimento da política urbana na esfera municipal e pelo pleno
64

desenvolvimento das funções sociais da cidade e da propriedade urbana, como


preconiza o artigo 182. (OLIVEIRA, 2001, p.3)

Além das diretrizes gerais a lei também regulamenta demais questões já previstas no
texto constitucional e outras pertinentes a política. O estatuto também apresenta a gestão
democrática que também foi implantada pós-constituição de 1988, a gestão democrática é a
participação da população nas decisões relacionadas a política em questão, nesse sentido

O Estatuto da Cidade estabelece a gestão democrática, garantindo a participação da


população urbana em todas as decisões de interesse público. A participação popular
está prevista e, através dela, as associações representativas dos vários segmentos da
sociedade se envolvem em todas as etapas de construção do Plano Diretor –
elaboração, implementação e avaliação – e na formulação, execução e
acompanhamento dos demais planos, programas e projetos de desenvolvimento
urbano municipal. Está fixada, ainda, a promoção de audiências públicas. Nelas, o
governo local e a população interessada nos processos de implantação de
empreendimentos públicos ou privados, ou atividades com efeitos potencialmente
negativos sobre o meio ambiente natural ou construído, podem discutir e encontrar,
conjuntamente, a melhor solução para a questão em debate, tendo em vista o
conforto e a segurança de todos os cidadãos. (OLIVEIRA, 2001, p.3)

A participação popular passou a ser um eixo das políticas. E é por meio da


participação popular e das reivindicações da população que muitas conquistas foram
alcançadas, dentre estas podemos citar a política urbana na constituição federal, o Estatuto das
Cidades e a criação de um órgão governamental responsável pela gestão dessas políticas em
âmbito nacional. Para isso em 2003 o governo cria o Ministério das Cidades, este órgão:

[...] passa a ser o órgão responsável pela Política de Desenvolvimento Urbano e,


dentro dela, pela Política Setorial de Habitação. Integram o Ministério das Cidades:
a Secretaria Nacional de Habitação, a Secretaria Nacional de Programas Urbanos, a
Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental e a Secretaria Nacional de Transporte
e Mobilidade Urbana. (CADERNO MCIDADES HABITAÇÂO, 2004, p.12)

Com a criação do Ministério60, passou-se a buscar a melhoria das políticas que o


mesmo englobou e começou a gestionar. Iniciou-se um processo que contava com a
participação popular para serem debatidos os problemas e posteriormente a melhoria das
políticas, programas e projetos, assim

Dentro de um modelo participativo e democrático que reconhece a participação nas


políticas públicas como direito dos cidadãos, o Ministério, em 2003, articulou a

60
“O Ministério das Cidades foi instituído em 1º de janeiro de 2003, através da Medida Provisória nº 103, depois
convertida na Lei nº 10.683, de 28 de maio do mesmo ano. O Decreto nº 4665, de 3 de abril de 2003, aprova a
Estrutura Regimental e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão do Ministério das Cidades”
(MINISTÉRIO DAS CIDADES)
65

realização das Conferências municipais, regionais e estaduais das cidades, que


contou com a participação de amplos segmentos da população, em cerca de 3.400
municípios. Nessas Conferências foram debatidos os problemas das cidades e
apresentadas sugestões visando a elaboração das políticas a serem adotadas pelo
Ministério das Cidades. Em outubro de 2003 foi realizada a Conferência Nacional
das Cidades, da qual resultou a criação do Conselho das Cidades e a aprovação das
diretrizes para nova Política Nacional de Desenvolvimento Urbano. (CADERNO
MCIDADES HABITAÇÂO, 2004, p.12)

Por meio das conferencias realizadas em todo o Brasil o ministério buscou pela
participação popular discutir os problemas para que possíveis soluções possam ser
implementadas. Dessas discussões também resultaram ações como a nova política nacional
de desenvolvimento urbano.
Esta política tem por princípios o direito à cidade, a moradia digna, ao saneamento
ambiental público, transporte público, função social da cidade e da propriedade, gestão
democrática e controle social; inclusão social e redução das desigualdades; sustentabilidade
financeira e socioambiental da política urbana; combate à discriminação de grupos sociais e
étnico-raciais; combate à segregação urbana e diversidade sócio-espacial. (CADERNO
MCIDADES DESENVOLVIMENTO URBANO, 2004)
Diante destes princípios que retratam a carta magna, e ressaltam os direitos sociais e
básicos a qualquer pessoa, a necessidade da gestão, a administração e inserção destes direitos,
se faz necessária para a carta, não tornar-se como podemos dizer, letra morta.
Um dos princípios e direitos dentro de outros, encontramos um muito valioso, que diz
respeito a participação popular, o direito a informação pública, e o direito dos cidadãos
envolverem-se no processo administrativo de suas cidades. Neste contexto, o trabalho do
serviço social, quanto ao processo de elaboração de políticas, a gestão da informação e das
políticas demonstram com muita clareza a importância de um profissional, que possua tais
articulações e habilidades.
Além da política nacional de desenvolvimento urbano, dessa Conferencia Nacional
das Cidades em 2003 também foi criado o Conselho das Cidades 61. O conselho é
regulamentado pelo decreto Nº 5.790, de 25 de maio de 2006.

O Conselho das Cidades, com 71 membros titulares, representando os diversos


segmentos da sociedade e do poder público, tem como finalidade assessorar, estudar
e propor diretrizes para a execução da política urbana nacional. Todas as ações que

61
“A criação do Conselho das Cidades (ConCidades), no ano de 2004, representa a materialização de um
importante instrumento de gestão democrática da Política Nacional de Desenvolvimento Urbano - PNDU, em
processo de construção. Ele é um órgão colegiado de natureza deliberativa e consultiva, integrante da estrutura
do Ministério das Cidades e tem por finalidade estudar e propor diretrizes para a formulação e implementação da
PNDU, bem como acompanhar a sua execução” (MINISTÉRIO DAS CIDADES)
66

se pretende implementar no Ministério são apresentadas para discussão e


deliberação a quatro Comitês Técnicos que compõem o Conselho das Cidades:
Habitação, Planejamento Territorial Urbano, Saneamento Ambiental, e Transporte e
Mobilidade Urbana onde são apresentadas para discussão e deliberação ações que se
pretende implementar no Ministério (CADERNO MCIDADES HABITAÇÂO,
2004, p.12)

O Conselho das Cidades, então passou a ser responsável por todas as ações que
pretendem ser implementadas no Ministério das Cidades. É composto por quatro comitês que
tratam dos diversos assuntos que perpassam pelo Ministério sendo Habitação, Planejamento
Territorial Urbano, Saneamento Ambiental, e Transporte e Mobilidade Urbana nesses comitês
é apresentado e discutido todos os temas que envolvem o assunto em especifico.
Fruto dessas divisões técnicas, em 2004 também, foi elaborada a nova Política
Nacional de Habitação, com o objetivo de promover o acesso a habitação para a população
em geral.
No que cabe a habitação, como demonstramos no capitulo anterior com a implantação
da constituição federal de 1988, foram preconizados pela mesma os direitos sociais e dentre
eles a habitação, como expõe o texto em seu artigo sexto.
Sendo a habitação um direito, este será oportunizado por meio de políticas, programas
e projetos. A questão da política habitacional no Brasil perpassou por vários modelos de
gestão, implantação e execução, bem como vários programas e projetos fizeram parte da
agenda governamental em relação a esse direito. No governo de Luiz Inácio Lula da Silva
novamente a política passa por mudanças e surge uma nova configuração.

A nova Política Nacional de Habitação foi elaborada durante o ano de 2004 e contou
com a contribuição de diversos atores que participaram de vários seminários. O
principal objetivo da Política Nacional de Habitação é retomar o processo de
planejamento do setor habitacional e garantir novas condições institucionais para
promover o acesso à moradia digna a todos os segmentos da população. É necessário
destacar o protagonismo do Conselho das Cidades, em especial seu Comitê Técnico
de Habitação, que discutiu a proposta e a enviou para aprovação do Conselho em
2004. (MINISTÉRIO DAS CIDADES)

A nova política tem por objetivo promover o planejamento no setor habitacional e


proporcionar acesso a moradia digna a todos os cidadãos brasileiros que estão vivendo em
precárias condições de habitação, considerado o direito a habitação como principio para todas
as ações elaboradas juntamente com toda a infraestrutura necessária quando da efetivação
desse direito. Assim a
67

Política Nacional de Habitação será regida pelos seguintes princípios:direito à


moradia, enquanto um direito humano, individual e coletivo, previsto na Declaração
Universal dos Direitos Humanos e na Constituição Brasileira de 1988. O direito à
moradia deve ter destaque na elaboração dos planos, programas e ações, colocando
os direitos humanos mais próximos do centro das preocupações de nossas cidades;
moradia digna como direito e vetor de inclusão social garantindo padrão mínimo de
habitabilidade, infraestrutura, saneamento ambiental, mobilidade, transporte
coletivo, equipamentos, serviços urbanos e sociais; função social da propriedade
urbana buscando implementar instrumentos de reforma urbana a fim de possibilitar
melhor ordenamento e maior controle do uso do solo, de forma a combater a
retenção especulativa e garantir acesso à terra urbanizada; questão habitacional
como uma política de Estado uma vez que o poder público é agente indispensável na
regulação urbana e do mercado imobiliário, na provisão da moradia e na
regularização de assentamentos precários, devendo ser, ainda, uma política pactuada
com a sociedade e que extrapole um só governo; gestão democrática com
participação dos diferentes segmentos da sociedade, possibilitando controle social e
transparência nas decisões e procedimentos; e articulação das ações de habitação à
política urbana de modo integrado com as demais políticas sociais e ambientais.
(CADERNO MCIDADES HABITAÇÂO, 2004, p.30)

O direito a habitação é considerado como um direito iminente ao ser humano e já


consolidado em outros documentos formais. Conforme os princípios da política nacional de
habitação este direito deve ser garantido também dentro de um padrão mínimo, considerando
outros vetores como infraestrutura, saneamento e outras questões como expõe o texto.
Para sua efetividade a política previu a necessidade de

[...] instrumentos a serem criados, pelos quais se viabilizará a sua implementação.


São eles: o Sistema Nacional de Habitação (SNH), o Desenvolvimento Institucional,
o Sistema de Informação, Avaliação e Monitoramento da Habitação, e o Plano
Nacional de Habitação (CADERNO MCIDADES HABITAÇÂO, 2004, p.29)

Desses instrumentos já em 16 de junho 2005 foi sancionada a lei 11.124 que dispõe
sobre o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS) 62, cria o Fundo Nacional
de Habitação de Interesse Social (FNHIS)63 e institui o Conselho Gestor do FNHIS.

62
“O Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social - SNHIS foi instituído pela Lei Federal nº 11.124 de 16
de junho de 2005 e tem como objetivo principal implementar políticas e programas que promovam o acesso à
moradia digna para a população de baixa renda, que compõe a quase totalidade do déficit habitacional do País.
Além disso, esse Sistema centraliza todos os programas e projetos destinados à habitação de interesse social,
sendo integrado pelos seguintes órgãos e entidades: Ministério das Cidades, Conselho Gestor do Fundo Nacional
de Habitação de Interesse Social, Caixa Econômica Federal, Conselho das Cidades, Conselhos, Órgãos e
Instituições da Administração Pública direta e indireta dos Estados, Distrito Federal e Municípios, relacionados
às questões urbanas e habitacionais, entidades privadas que desempenham atividades na área habitacional e
agentes financeiros autorizados pelo Conselho Monetário Nacional.” (MINISTÉRIO DAS CIDADES)
63
“ A Lei nº 11.124 também instituiu o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social – FNHIS, que em 2006
centraliza os recursos orçamentários dos programas de Urbanização de Assentamentos Subnormais e de
Habitação de Interesse Social, inseridos no SNHIS. O Fundo é composto por recursos do Orçamento Geral da
União, do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Social – FAS, dotações, recursos de empréstimos externos e
internos, contribuições e doações de pessoas físicas ou jurídicas, entidades e organismos de cooperação
nacionais ou internacionais e receitas de operações realizadas com recursos do FNHIS. Esses recursos têm
aplicação definida pela Lei, como, por exemplo, a aquisição, construção, conclusão, melhoria, reforma, locação
social e arrendamento de unidades habitacionais, a produção de lotes urbanizados para fins habitacionais, a
68

Desta forma as políticas de habitação e de desenvolvimento urbano bem como suas


áreas afins estão sob a gestão do Ministério das Cidades e suas subsecretarias, sua
formulação, implementação e execução continua fazendo parte da dinâmica governamental.
O que foi apresentado até aqui demonstra como estão sendo planejadas essas políticas
em âmbito nacional. Porém com a descentralização as
políticas também passaram a fazer parte da agenda municipal 64, o que foi corroborado
pelo Estatuto das Cidades65.

2.2 A ADMINISTRAÇÃO PUBLICA, A PRATICA DO PLANEJAMENTO E GESTÃO


DOS SERVIÇOS E POLÍTICAS NO MUNICÍPIO DE CASCAVEL

A constituição federal de 1988 em seu artigo dezoito dispõe sobre a organização


política administrativa e reconhece os municípios como parte desta organização dotando os
mesmos de autonomia. Em seu artigo vinte e nove aponta as diretivas sobre os municípios
brasileiros que será regido por lei orgânica municipal 66, e no artigo trinta e sete apresenta
sobre a administração pública municipal.
Dessa forma os municípios passaram a ter maior participação na implementação e
execução de políticas públicas, programas e projetos. Desenvolve suas atividades pela
administração pública municipal, e esta estrutura é a responsável pelo planejamento,
desenvolvimento do município e enfrentamento de questões relacionadas a dinâmica social.
No que tange a administração direta do Município de Cascavel a mesma está disposta
na lei 5.307 de 14 de setembro de 2009. Esta lei trata da reestruturação organizacional do
município e dá outras providencias. O mesmo conta em sua composição com quinze
secretarias, cinco órgãos de administração indireta, e demais órgãos pertinentes a
administração.

regularização fundiária e urbanística de áreas de interesse social, ou a implantação de saneamento básico, infra-
estrutura e equipamentos urbanos, complementares aos programas de habitação de interesse social.”
(MINISTÉRIO DAS CIDADES)
64
“O poder público municipal, por ser a esfera de governo mais próxima do cidadão, e portanto, da vida de todos
– seja na cidade, seja na área rural – é o que tem melhor capacidade para constatar e solucionar os problemas do
dia-a-dia. Essa proximidade permite, ainda, maior articulação entre os vários segmentos que compõem a
sociedade local e, também, a participação e acompanhamento das associações de moradores, de organizações
não governamentais, de representantes dos interesses privados na elaboração, implementação e avaliação de
políticas públicas” (OLIVEIRA, 2001, p.11)
65
“As atribuições do poder público municipal foram expandidas após a promulgação da Constituição Federal.
Nela, o Município ganha destaque na organização político-administrativa do país, sendo dotado de autonomia,
política, administrativa, financeira e legislativa. As possibilidades de ação do
poder público municipal, com a vigência do Estatuto, se ampliam e se consolidam” (OLIVEIRA, 2001, p.10)
66
“A lei orgânica do município de Cascavel foi publicada em 08/04/1990.”
69

Dentre as secretarias que compõe a administração pública direta, na divisão dos órgãos
de natureza meio, está a Secretaria Municipal de Planejamento e Urbanismo - SEPLAN. Sua
criação foi após uma reforma administrativa que ocorreu no ano de 1995, é substituta da
Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano.

A atual SEPLAN, de acordo com a reforma administrativa ocorrida em dezembro de


1995, é a sucessora da S.P.D.U. – Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento
Urbano. Até 1992 a S.P.D.U. desempenha, além dos trabalhos de estudos, planos e
projetos municipais, as funções de aprovação de projetos, fiscalização de obras e
execução de sinalização viária (horizontal e vertical) No início de 1993, com a nova
gestão, a S.P.DU. absorveu o setor de praças, parques e jardins, sendo este o motivo
da elevação do número de funcionários. Durantes os anos de 94 e 95, o numero de
servidores permaneceu constante pois apesar da transferência de execução de
sinalização viária para a Secretaria de Obras, a S.P.D.U. criou o C.T.M. Cadastro
Técnico Municipal, anteriormente sob responsabilidade da Secretaria de Finanças.
Em 1996, com a criação da SEPLAN, e sendo esta uma secretaria meio e não fim
como era a S.P.D.U. foram transferidos para a Secretaria de Serviços Urbanos a
equipe de topografia e projetos arquitetônicos e para a Secretaria de Finanças a
Fiscalização de Obras. (CASCAVEL, SEPLAN)

Algumas questões de competências foram revistas na reforma que ocorreu em 1995,


assim em 1996 após a criação da SEPLAN, passou-se alguns serviços a outras secretarias. A
SEPLAN além de executar as atividades pertinentes a sua área passou a absorver mais
funções que envolvem o planejamento da cidade. A secretaria também desenvolve suas
atividades em parceria com os demais órgãos diretos e indiretos da administração municipal
dentre eles a COHAVEL67, principalmente no que se refere a administração e gestão da política de habitação.
A lei 5.307 de 2009, também apresenta a finalidade da SEPLAN em seu artigo
dezoito, assim a secretaria é responsável por:

I.Desenvolver o planejamento urbano e rural do Município, visando ao


desenvolvimento físico e social; II.Efetuar o planejamento global da infraestrutura
do Município;III.Implantar, coordenar, programar e executar a política
urbanística;IV.Implantar, fazer cumprir e manter atualizado o Plano Diretor, bem
como o desenvolvimento integrado e a obediência das leis
complementares;V.Elaborar projetos, compatibilizados, das ações em conjunto com
as demais secretarias;VI.Efetuar registros e informar sobre imóveis, cálculos de
tributos e dados dos cidadãos, subsidiando planos e projetos;VII.Elaborar e atualizar
a cartografia municipal;VIII.Autorizar usos, obras ou parcelamento do
solo;IX.Captar recursos, elaborar, desenvolver e acompanhar projetos, buscando
recursos junto a organismos federais, estaduais, não governamentais, internacionais
e entidades de classe;X.Elaborar projetos, programas, planos de trabalho e demais
documentos necessários à viabilização de recursos para o Município;XI.Revisar Leis
Complementares previstas no Plano Diretor;XII.Controlar os sistemas de numeração
predial, identificação dos logradouros públicos, execução de projetos para geração e

67
“O Estatuto - Lei nº 2.410/93, rege a Companhia Municipal de Habitação de Cascavel como uma empresa
pública municipal, sob forma de sociedade civil de fins econômicos, subordinada diretamente ao Prefeito
Municipal, dotada de personalidade jurídica de direito privado, com patrimônio próprio, capital exclusivo do
Município de Cascavel e autonomia administrativa[...] (CASCAVEL, 2013)
70

atualização de cadastros, bem como o levantamento e sistematização dos


dados;XIII.Analisar e aprovar projetos arquitetônicos, loteamentos, condomínios,
desmembramento/anexação de chácaras urbanas e subdivisões/unificações de lotes
urbanos, bem como emitir os respectivos documentos;XIV.Emitir: certificado de
conclusão de obra, certidões de anuência e demolição, certidão de aprovação de
projetos, segundas-vias de documentos, informações de edificações constantes nas
áreas subdivididas e autorizações de alvará de estabelecimento;XV.Auxiliar na
elaboração das Leis de: imposto predial e territorial urbano, taxa de lixo e
iluminação pública e incêndio, nos termos do Plano Diretor;XVI.Gerenciar o
Geoprocessamento;XVII.Manter, revisar e atualizar os valores da Planta de Valores
Genéricos;XVIII.Realizar pesquisas e levantamentos sobre o meio urbano e
rural;XIX.Realizar serviços de topografia para alinhamentos, elaboração de projetos
públicos e apoio à cartografia municipal;XX.Fiscalizar o cumprimento do Código de
Posturas do Município em conjunto com a Secretaria Municipal de Finanças e
Secretaria Municipal de Meio Ambiente;XXI.Planejar e implantar medidas para
reorientação de tráfego, sentido de vias, redução de circulação de veículos, em
conjunto com a Companhia de Engenharia de Transporte e Trânsito –
CETTRANS;XXII.Gerir o Fundo Municipal de Habitação;XXIII.Desenvolver ações
integradas com outras Secretarias Municipais;XXIV.Efetuar o planejamento das
atividades anuais e plurianuais no âmbito da secretaria;XXV.Exercer o controle
orçamentário no âmbito da secretaria; XXVI. Executar atividades
administrativas no âmbito da secretaria;XXVII. Zelar pelo patrimônio alocado na
unidade, comunicando o órgão responsável sobre eventuais alterações.
(CASCAVEL, Lei 5.307 de 14 de setembro de 2009)

A secretaria dentre outras atividades é responsável pelo planejamento urbano e rural


do município de Cascavel considerando todos os aspectos, pelo desenvolvimento da cidade,
elaboração de leis, planos, programas, projetos, revisão dos planos, e demais questões
inerentes a isso, também é responsável por questões tributárias e orçamentais.
Executa serviços como cartografia e topografia, autorização do uso, obras e
parcelamento do solo, alimentação de cadastros, fiscalização de obras, captação de recursos
dentre outras atividades e outras funções conforme especificado acima.
Nesta dinâmica da secretaria podemos citar o Programa Calçadas de Cascavel,
elaborado pela secretaria e criado pela lei nº 5.744 de 2011 que tem por objetivo tipificar
modelos padrão na construção de calçadas, e o mais recente é o Programa de
Desenvolvimento Integrado (PDI)68 que será financiado pelo Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID) e visa proporcionar melhorias no ambiente urbano.
Também está sob a gestão desta secretaria o Conselho Municipal da Cidade
(CONCIDADES CASCAVEL), criado em 2012 após a unificação do Conselho Municipal de

68
“ O PDI, que será financiado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), visa consolidar as
diretrizes do novo Plano Diretor, objetivando a caracterização de um centro tradicional, maior eficiência do
transporte público, aumento de áreas verdes com a criação de parques, junto a equipamentos de esporte, lazer,
assistência social e cultura nas regiões periféricas da cidade.Esse programa é formado por quatro componentes
com ações previstas para um período de cinco anos, envolvendo intervenções nas diversas pastas da
administração municipal.” (CASCAVEL ,SEPLAN, PDI)
71

Planejamento e do Conselho Municipal de Habitação, através da lei nº 6021 69 de 17 de abril


de 2012.
Da mesma forma que o conselho nacional, este também é composto de câmaras
técnicas que devem tratar dos assuntos específicos, conforme a lei que institui o conselho
estas câmaras se dividem em: Habitação; Saneamento Ambiental; Trânsito, Transporte e
Mobilidade; e Planejamento e Gestão do Solo. 
Desenvolve suas atividades em âmbito municipal por meio de seus setores que estão
estabelecidos na mesma lei 5.307 de 2009, no artigo dezenove. Desta forma a SEPLAN é
composta por três departamentos, sendo eles: Departamento de Controle e Ordenamento
Territorial (DPCOT), Departamento de Planejamento e Pesquisa (DPP) e Departamento de
Captação de Recursos (DPCR), bem como os setores que compõe cada um.
Dentro desses departamentos existem as divisões estabelecidas e distribuídas
respectivamente: no DPCOT estão às divisões de licenciamento, divisão de cadastro
multifinalitário e a divisão de planta genérica de valores; no DPP as divisões de planos,
programas e projetos e divisão do sistema único de informações e no DPCR a divisão de
captação de recursos, conforme detalha o organograma abaixo.

69
“ Art.3º Fica criado o CONCIDADE CASCAVEL – Conselho Municipal da Cidade, órgão colegiado,
deliberativo, fiscalizador, propositivo, orientador e consultivo, integrante da estrutura da Secretaria Municipal de
Planejamento e Urbanismo - SEPLAN, que tem por finalidade estudar e propor as diretrizes para a formulação e
implementação da Política de Desenvolvimento do Município, bem como acompanhar e avaliar a sua execução,
a partir da compreensão integradora dos fatores políticos, econômicos, financeiros, culturais, ambientais,
institucionais, sociais e territoriais, conforme diretrizes estabelecidas no Plano Diretor de Cascavel e Lei Federal
nº 10.257, de 10 de julho de 2001 – Estatuto da Cidade. (CASCAVEL, câmara de vereadores)
72

Fonte: Cascavel, 2013.

No que tange aos recursos humanos da Secretaria, fazem parte da equipe técnica
profissionais de diversas áreas do saber como arquitetos, engenheiros, advogado, topógrafos,
assistentes sociais, agente administrativos, contador, desenhista, motorista, técnicos,
estagiários entre outros. Em referencia a coordenação é composta por secretário,diretores e
coordenadores. (SEPLAN, 2013)
Esses profissionais desenvolvem suas funções orientados pelos aparatos legais que
também norteiam as atividades da secretaria, estes se delineiam pela Constituição Federal de
1988, Estatuto das Cidades e demais legislações especificas de cada área que permeia a
atuação da SEPLAN.
E um importante instrumento desenvolvido pela secretaria e preconizado nessas leis é
o Plano Diretor. O artigo 182 da constituição federal que trata da política urbana já prevê a
elaboração deste documento, já o Estatuto das Cidades de 2001 que regulamenta este artigo,
complementa que

Art. 40. O plano diretor, aprovado por lei municipal, é o instrumento básico da
política de desenvolvimento e expansão urbana. § 1º O plano diretor é parte
integrante do processo de planejamento municipal, devendo o plano plurianual, as
diretrizes orçamentárias e o orçamento anual incorporar as diretrizes e as prioridades
nele contidas.§ 2º O plano diretor deverá englobar o território do Município como
um todo.§ 3º A lei que instituir o plano diretor deverá ser revista, pelo menos, a cada
dez anos.§ 4º No processo de elaboração do plano diretor e na fiscalização de sua
implementação, os Poderes Legislativo e Executivo municipais garantirão:I – a
promoção de audiências públicas e debates com a participação da população e de
73

associações representativas dos vários segmentos da comunidade;II – a publicidade


quanto aos documentos e informações produzidos;III – o acesso de qualquer
interessado aos documentos e informações produzidos.§ 5º (VETADO) (BRASIL,
2001, s/p)

Sendo assim, com base nesses documentos e no cumprimento das normas por eles
preconizadas, a lei complementar n.º 28, de 02 de janeiro de 2006, altera o plano diretor de
Cascavel70 cumprindo a normativa de revisão a cada dez anos, visto que o mesmo foi
elaborado em 1996, e dá outras providencias. Apresenta a finalidade desse documento em seu
artigo quarto, assim disposto

Art. 4º Constituem objetivos gerais do Plano Diretor de Cascavel: Estabelecer


parâmetros para orientar o ajuste da legislação municipal às disposições do Estatuto
da Cidade; Fazer cumprir a função social da cidade e da propriedade; Promover o
desenvolvimento integrado do Município, através da implantação de um processo
permanente de planejamento municipal e do monitoramento da implementação do
Plano Diretor. Estabelecer diretrizes para a formulação e implementação de políticas
públicas nas áreas de competência da administração municipal; Estabelecer critérios
para aplicação dos instrumentos de planejamento e desenvolvimento urbano
previstos no Estatuto da Cidade. Atender as diretrizes gerais da política urbana,
dispostas no Estatuto da Cidade. (CASCAVEL, p.1)

Dentre os objetivos consta o planejamento, formulação e implementação de políticas


públicas, o cumprimento das diretivas já estabelecidas nos documentos legais, o
desenvolvimento do município e outros.
Portanto esse é o instrumento da política urbana que deve ser desenvolvido conforme
disposições da Constituição Federal no capitulo que trata desta, das orientações do Estatuto
das Cidades bem como as da Constituição Estadual e lei Orgânica Municipal, com o intuito de
regulamentar essas proposições (CASCAVEL, 2006).
Em consequência do Plano Diretor e para o bom desenvolvimento e aplicabilidade
deste, serão desenvolvidos outros planos que darão suporte sendo: Plano Municipal de
Saneamento Ambiental; Plano Municipal de Acessibilidade Universal; Plano Municipal
de Uso das Áreas Públicas; Plano Municipal de Habitação; Plano Municipal de
Desenvolvimento Rural; Plano Municipal de Estruturação e Conservação do Patrimônio
Ambiental-Histórico e Cultural; Plano Municipal de Desenvolvimento Econômico e
Integração Regional; Plano Municipal Viário e de Transportes, esses planos estão previstos
no artigo 215 da mesma lei.

70
“Com o intuito de prover o Desenvolvimento Ordenado e Sustentável, a Prefeitura Municipal de Cascavel, com
base no Estatuto da Cidade, promove a revisão do atual Plano Diretor (Lei Municipal nº 2.588/1996), que foi
aprovada até 2006 conforme estabelece a Lei Federal” (CASCAVEL, SEPLAN)
74

Da execução desses planos atualmente está sendo elaborado pela SEPLAN o plano
municipal de saneamento. Já a lei nº 6.062 de 2012, aprova o plano municipal viário e de
transportes de Cascavel. Em 2010 foi elaborado o Plano Municipal de Habitação, que resultou
no diagnostico habitacional do município de Cascavel. Este documento estabelece que

Sendo o objetivo maior promover acesso à moradia digna a todos os segmentos da


população, principalmente a população de baixa renda, traz como objetivos
específicos conhecer as necessidades habitacionais do município, priorizando as
famílias de baixa renda; oportunizar a participação dos diversos segmentos da
sociedade; estabelecer diretrizes, programas e metas que conciliem a dimensão
urbanística e ambiental com as políticas sociais. (CASCAVEL PMH, 2010, p. 13)

Desta forma o objetivo da elaboração do plano é promover o acesso a moradia


digna, proporcionado por meio de programas e projetos que se correlacionem com as políticas
sociais. A ação que esse plano poderá propiciar será com base no diagnóstico habitacional de
Cascavel, levantado por meio de sua execução.
A partir do plano municipal de Habitação, em 2012 foi sancionada a lei 6.063 que
estabelece a política habitacional de Cascavel. Esta lei em seu terceiro artigo estabelece os
princípios do Plano Municipal de Habitação, que se constituem em:

I. A garantia do desenvolvimento de programas de moradias voltados à área rural e


urbana, atendendo prioritariamente a faixa de 0 a 3 salários mínimos. II. A
priorização na elaboração e execução de planos, programas e projetos para grupos
de pessoas em situação de risco.III. O controle sobre o uso e a ocupação do espaço
urbano, atendidos os parâmetros estabelecidos na lei do Plano Diretor, considerando
casos de Regularização Fundiária onde cada área terá parâmetros próprios,
estabelecidos em lei específica a cada regularização. IV. A promoção da qualidade
de vida e proteção do meio ambiente.V. A previsão de execução de infraestrutura
necessária nas áreas adquiridas pelo Município, tanto na área urbana da cidade
quanto nas áreas urbanas das sedes dos distritos.VI. A busca da garantia de justa
distribuição dos benefícios e ônus decorrentes do processo de urbanização.VII. A
gestão democrática e participativa através do monitoramento da execução da política
habitacional pelo Conselho Municipal Habitação.VIII. Implementar e ampliar ações
integradas entre os diversos órgãos públicos e sociedade civil organizada para
execução das políticas sociais voltadas à habitação.IX. A promoção do
desenvolvimento científico e tecnológico, incentivando a aproximação entre as
empresas e organizações de ensino e pesquisa para o desenvolvimento e aplicação
de novas tecnologias para habitação de interesse social.X. O respeito às normas de
acessibilidade, na elaboração dos programas habitacionais (CASCAVEL, 2012, p.1)

É com base no plano municipal de habitação e por meio de políticas que serão
implementadas no município ações que visem atender a demanda de habitação seja na
diminuição do déficit habitacional pela criação de novas unidades, ou no enfrentamento de
problemas já existentes como moradias irregulares, precária condições de habitabilidade
dentre outras situações.
75

Para a construção desses planos é indispensável uma equipe multiprofissional e


interdisciplinar, visto que não tratam de uma política em especifico, mas englobam direitos
cerceados de contextos e de outros instrumentos que devem ser considerados e abordados.
Para a elaboração destes foi necessária a contribuição de profissionais de áreas como
arquitetura, engenharia, contabilidade, administração e serviço social, tanto no planejamento,
elaboração e execução dos mesmos.
O serviço social inicia sua participação nesta secretaria juntamente com a revisão do
plano diretor em 2003, a colaboração desse profissional se dá pela necessidade de contribuir
na participação popular imperativa para a elaboração do plano. Com relação ao histórico do
serviço social na SEPLAN:

Foi a partir de março de 2003 que o Serviço Social começou a atuar no setor de
Regularização Fundiária juntamente com uma equipe interdisciplinar constituída
pela SEPLAN. Segundo informações da primeira assistente social a atuar nesta
Secretaria, a contratação de um profissional de Serviço Social se deu a partir da
criação de uma equipe multiprofissional para a elaboração do Plano Diretor previsto
no Estatuto das Cidades. A função exercida pela profissional foi de contribuir para a
efetivação da participação popular através da mobilização de comunidade
juntamente com outros profissionais, visando a concretização do Plano Diretor para
o município de Cascavel [...] (FREITAS PEREIRA, 2010, p.54).

Sendo assim nesse período a atribuição do serviço social na SEPLAN era relacionado
a participação popular e mobilização de comunidade. A necessidade da participação popular
está prevista no artigo 43 do Estatuto das Cidades, é uma característica da gestão democrática
aplicada por este documento, consubstanciada pela necessidade de transparência 71 nas
atividades públicas, bem como o envolvimento da população no planejamento das políticas. O
Estatuto prevê que

Art. 43. Para garantir a gestão democrática da cidade, deverão ser utilizados, entre
outros, os seguintes instrumentos: I – órgãos colegiados de política urbana, nos
níveis nacional, estadual e municipal; II – debates, audiências e consultas públicas;
III – conferências sobre assuntos de interesse urbano, nos níveis nacional, estadual e
municipal; IV – iniciativa popular de projeto de lei e de planos, programas e projetos
de desenvolvimento urbano; V – (VETADO) (BRASIL, 2001, s/p)

71
“A lei complementar 101 de 4 de maio de 200 trata das normas das finanças públicas, e aborda a transparência
como característica da gestão, expressa dessa forma [...]§ 1º A responsabilidade na gestão fiscal pressupõe a
ação planejada e transparente, em que se previnem riscos e corrigem desvios capazes de afetar o equilíbrio das
contas públicas, mediante o cumprimento de metas de resultados entre receitas e despesas e a obediência a
limites e condições no que tange a renúncia de receita, geração de despesas com pessoal, da seguridade social e
outras, dívidas consolidada e mobiliária, operações de crédito, inclusive por antecipação de receita, concessão de
garantia e inscrição em Restos a Pagar ( lei 101,2000, p.1)”
76

A gestão democrática então é viabilizada por meio de instrumentos e dentre esses


estão os planos. Assim a contribuição do profissional de serviço social, primeiramente se dá
pelo Plano Diretor. Atualmente este campo se ampliou e além de outros técnicos a secretaria
conta com três assistentes sociais. O Serviço social faz parte do departamento de
Planejamento e Pesquisa (DPP) na divisão de planos, programas e projetos.
Desta ampliação e para enfrentamento das demandas levantadas pelos planos,
corroborada pela necessidade de acesso aos direitos, as principais intervenções dos assistentes
sociais são na viabilização do direito a moradia e propriedade conforme preconiza a
Constituição Federal e as demais legislações como Estatuto das Cidades, Plano diretor, Plano
Municipal de Habitação e outras pertinentes. Para Iamamoto efetivar direitos se apresenta na
atualidade como um dos desafios dos assistentes sociais, nesse sentido

Um dos maiores desafios que o Assistente Social vive no presente é desenvolver sua
capacidade de decifrar a realidade e construir propostas de trabalho criativas e
capazes de preservar e efetivar direitos, a partir de demandas emergentes no
cotidiano. Enfim ser um profissional propositivo e não só executivo. (IAMAMOTO,
2012, p.20, grifo do autor)

Nesse ínterim, de ser um profissional propositivo, entre as funções desenvolvidas


pelos assistentes sociais da SEPLAN está o planejamento e organização do setor e das
atividades .Participação no planejamento, elaboração e execução dos planos, programas,
projetos e políticas desenvolvidos pelo município de Cascavel e ou executadas por este, que
permeiam a secretaria nas áreas de habitação e da política urbana juntamente com as demais
políticas públicas.
As atribuições dos assistentes sociais em seus diversos campos de trabalho devem
estar de acordo com o que preconiza o código de ética 72 e a lei que regulamenta a profissão,
bem como o projeto ético político. A própria lei que regulamenta a profissão já apresenta as
atribuições e deveres dos profissionais. Visualiza-se um leque amplo de funções
desenvolvidas pelos assistentes sociais dentre elas a gestão e o planejamento.
Utilizando-se da gestão, na SEPLAN está sob a coordenação de um profissional de
Serviço Social o setor de Regularização Fundiária e o Programa Minha Casa Minha Vida
(PMCMV) , acarretando assim um campo vasto de atividades para os profissionais.

72
“O Código de Ética nos indica um rumo ético-politico, um horizonte para o exercício profissional. O desafio é
a materialização dos princípios éticos na cotidianidade do trabalho, evitando que se transformem em indicativos
abstratos, descolados do processo social. Afirma como valor ético central, o compromisso com a nossa parceira
inseparável, a liberdade. Implica a autonomia, emancipação e a plena expansão dos indivíduos sociais, o que tem
repercussões efetivas nas formas de realização do trabalho profissional e nos rumos a ele impressos”
(IAMAMOTO, 2012, p.77, grifo do autor).
77

É por meio desses programas e projetos que o serviço social busca mediar o acesso
dos usuários ao direito a habitação e a propriedade, bem como fazer uso das atribuições da
profissão em consonância com as necessidades e demandas do campo de trabalho. No que
tange aos programas a lei 11.977 que dispõe sobre o Programa Minha Casa, Minha Vida e
Regularização Fundiária, em seu capitulo terceiro considera que a

Art. 46. A regularização fundiária consiste no conjunto de medidas jurídicas,


urbanísticas, ambientais e sociais que visam à regularização de assentamentos
irregulares e à titulação de seus ocupantes, de modo a garantir o direito social à
moradia, o pleno desenvolvimento das funções sociais da propriedade urbana e o
direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.( BRASIL, lei 11977)

Assim a regularização fundiária é o instrumento pelo qual se busca garantir o direito a


propriedade preconizada no artigo quinto da constituição, a famílias residentes em áreas
irregulares contemplando também o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. A
regularização fundiária também é definida como

Transformação de moradias irregulares em moradias legalizadas, registradas no


cartório de registro de imóveis, e adequadas, com serviços de água, esgoto, ruas
pavimentadas, iluminação e limpeza pública, em locais com acesso a escolas,
hospitais, praças e outros equipamentos públicos que melhorem a vida das pessoas.
(Direito a Moradia: cidadania começa em casa. Brasília, 2010).

Ou seja, com a regularização fundiária também devem ser integrantes os aspectos de


infraestrutura necessária a condição de moradia digna. A mesma lei também contempla o
Programa Minha casa, Minha Vida que consiste em

Art. 1º O Programa Minha Casa, Minha Vida - PMCMV tem por finalidade criar
mecanismos de incentivo à produção e aquisição de novas unidades habitacionais ou
requalificação de imóveis urbanos e produção ou reforma de habitações rurais, para
famílias com renda mensal de até R$ 4.650,00 (quatro mil, seiscentos e cinquenta
reais) e compreende os seguintes subprogramas: I - o Programa Nacional de
Habitação Urbana - PNHU; e II - o Programa Nacional de Habitação Rural - PNHR.
(BRASIL, lei 11.977)

O Programa Minha Casa Minha Vida foi desenvolvido pelo governo federal em 2009,
tem por objetivo: “promover a produção ou aquisição de novas unidades habitacionais, ou a
requalificação de imóveis urbanos, para famílias com renda mensal de até R$ 5.000,00.”
(Ministério das cidades).
Os recursos para financiamento do programa são provenientes do Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço (FGTS) para famílias com renda até 5.000,00 mil reais, pelo Fundo de
Arrendamento Residencial - FAR e Fundo de Desenvolvimento Social - FDS para famílias
78

com renda até 1.600,00 reais e oferta pública de recursos para municípios com até cinquenta
mil habitantes (Ministério das cidades).
Estes programas são competências dos assistentes sociais na SEPLAN, mas também
faz parte das atribuições do serviço social: atendimento de famílias inscritas no Programa
Minha Casa, Minha Vida, bem como o processo de seleção das famílias para os
empreendimentos habitacionais; Projeto Técnico Social; oficinas socioeducativas dos
empreendimentos habitacionais e da regularização fundiária; levantamento de dados em
campo para dar subsídio aos processos de Regularização Fundiária; cadastramento das
famílias que estão em áreas irregulares; elaboração de relatórios, pareceres, projetos
diagnósticos; participação no planejamento das políticas, planos, projetos, mobilização e
participação popular, trabalho multidisciplinar e intersetorial por meio de atividades com
demais técnicos (engenheiros, arquitetos, advogados, topógrafos), também desenvolve ações
de intersetorialidade com demais secretarias dentre outras funções.
É necessário considerar que a gestão e o planejamento fazem parte do processo de
trabalho como um todo, visto que o mesmo se consubstancia nas mais diversas atividades
bem como é necessário em qualquer intervenção profissional. Também é importante
considerar que sendo este campo de trabalho em uma secretaria de Planejamento e Urbanismo
os profissionais farão uso da ferramenta planejamento, diagnóstico de forma rotineira e
fundamental para o processo da elaboração do planejamento urbano e no que cabe a nossa
profissão do planejamento social.
Para tanto é necessária a utilização de instrumentais. Esses instrumentais
proporcionam uma contribuição mais efetiva na mediação dos direitos ou nas palavras de
Toniolo (2008, p.123) “[...] no momento da execução da ação profissional, o Assistente Social
constrói suas metodologias de ação, utilizando-se de instrumentos e técnicas de intervenção
social”. Portanto ainda nas palavras do autor

[...] O instrumental é o resultado da capacidade criativa e da compreensão da


realidade social, para que alguma intervenção possa ser realizada com o mínimo de
eficácia, responsabilidade e competência profissional (TONIOLO, 2008, p.131).
79

Os instrumentais auxiliam nas atividades diárias do setor e da pratica profissional,


nesse sentido são utilizados: entrevista73, atendimento individual, visita domiciliar74,
observação, reunião comunitária, mobilização de comunidade75, relatórios, parecer social,
diagnóstico, elaboração de projetos entre outros, para todos esses instrumentais e o processo
de trabalho os assistentes sociais fazem uso do planejamento.
Esses instrumentais fazem parte da dinâmica de trabalho dos assistentes sociais, pois
potencializam a intervenção e o agir profissional. O planejamento faz parte desse conjunto,
bem como auxilia na elaboração ou aplicação dos demais, como por exemplo a visita
domiciliar, pois exige a necessidade de uma preparação antes de sua realização.
Através do elencado até aqui é possível compreender que a intervenção do assistente
social na SEPLAN está em conformidade com as atribuições previstas na lei que regulamenta
a profissão bem como visualiza-se a utilização do planejamento e da gestão no agir
profissional visto que o mesmo está inserido em campo de planejamento urbano e trabalha
junto a interface das expressões da questão social relacionada as políticas urbana e de
habitação considerando que as mesmas possuem traços de ligação entre si ao analisarmos que
juntamente com a habitação é necessário uma cidade bem estruturada ou seja para efetivar
ambos é necessário o planejamento e uma gestão eficaz e é nesse meio que o serviço social
utiliza-se de seus conhecimentos e de sua intervenção profissional para mediar o acesso aos
direitos.
A prática do planejamento, da sabedoria em trabalhar a articulação das políticas, da
capacidade em absorver um diagnóstico preciso e estabelecer as prioridades por meio dos
planos, evidenciam-se pela realidade vivenciada e com mais força ainda, sendo determinada
pela legislação, como forma de melhor promover e desenvolver a cidade.

2.3 METODOLOGIA DA PESQUISA

73
“A entrevista nada mais é do que um diálogo, um processo de comunicação direta entre o Assistente Social e
um usuário (entrevista individual), ou mais de um (entrevista grupal). Contudo, o que diferencia a entrevista de
um diálogo comum é o fato de existir um entrevistador e um entrevistado, isto é, o Assistente Social ocupa um
papel diferente – e, sob determinado ponto de vista, desigual – do papel do usuário. (TONIOLO, 2008, p.126)
74
“Trata-se de um instrumento que tem como principal objetivo conhecer as condições e modos de vida da
população usuária em sua realidade cotidiana, ou seja, no local onde ela estabelece suas relações do dia a dia: em
seu domicílio” (TONIOLO, 2008, p.128).
75
“ Trabalhar em projetos comunitários na perspectiva ético-política defendida pelo Serviço Social,hoje, significa
criar estratégias para mobilizar e envolver os membros de uma população situada historicamente no tempo e no
espaço nas decisões das ações que serão desenvolvidas, uma vez que são eles o público-alvo do trabalho do
Assistente Social. Assim, trata-se de um processo de mobilização comunitária” (TONIOLO, 2008, p.126).
80

O trabalho em questão, construiu-se por meio de uma metodologia 76, cabe salientar
que o objeto desta pesquisa está relacionada a gestão das políticas de habitação e urbanismo,
com foco na relevância da atuação do serviço social na Secretaria de Planejamento e
Urbanismo de Cascavel utilizando a gestão e o planejamento como ferramenta primordial do
exercício profissional.
Com relação a pesquisa Gil menciona que:

Pode-se definir pesquisa como o processo formal e sistemático de desenvolvimento


do método cientifico. O objetivo fundamental da pesquisa é descobrir respostas para
problemas mediante o emprego de procedimentos científicos (GIL, 2007, p.42)

Entendida a pesquisa como parte do processo da busca de respostas mediante uma


proposição, é necessário dar o delineamento e um caráter específico à pesquisa. Antes de
iniciarmos a busca dessas informações foi necessária a delimitação do tema, construção dos
objetivos, bem como a justificativa da necessidade de tal pesquisa, seguida pelo
desenvolvimento da mesma.
Compreende-se então que a pesquisa é fundamental para analisarmos a contribuição
do exercício profissional dos assistentes sociais na SEPLAN com foco na gestão,
planejamento das políticas públicas. O serviço social tem como seu objeto de trabalho as
expressões da questão social e o enfrentamento desta por meio de políticas públicas e demais
instrumentos que vão permitir a garantia do direito que está negligenciado. Portanto essas
expressões se dão nas mais diversas formas e assim o assistente social atua em diversos
campos de trabalho.
A inserção do profissional de serviço social em diferentes áreas de atuação é uma
realidade vivenciada pelos profissionais já há algum tempo. Mostrar o trabalho desenvolvido
pelo profissional em diferentes áreas de atuação demonstra o crescimento de espaços
ocupacionais para profissionais como também proporciona uma análise da atualidade com
vistas a contribuir para o conhecimento do papel do serviço social em áreas diversas, na
formulação, no planejamento das políticas que possam atender a população, e atender ao
direito de incluir cidadãos e absorver a diversidade cultural, étnica, religiosa, e acima de tudo,
expressar uma compreensão das diferenças econômicas e suas relações com o diagnóstico .

76
“Entendemos por metodologia o caminho do pensamento e a pratica exercida na abordagem da realidade. Ou
seja, a metodologia inclui simultaneamente a teoria da abordagem (o método), os instrumentos de
operacionalização do conhecimento (as técnicas) e a criatividade do pesquisador(sua experiência, sua capacidade
pessoal e sua sensibilidade)[...]” (MINAYO, 2010 p.14).
81

Apresentar a importância do trabalho do assistente social na Secretaria de


Planejamento e Urbanismo de Cascavel correlacionada com a gestão e o planejamento se faz
necessária para a compreensão do papel desse profissional no contexto de trabalho desse
campo.
Para contribuir com a pesquisa nesse contexto, trabalhamos com o método cientifico 77
com base no método materialismo histórico dialético este

[...] Enquanto método, propõe abordagem dialética que teoricamente faria um


desempate entre o positivismo e o compreensivismo, pois junta a proposta de
analisar os contextos históricos, as determinações socioeconômicas dos fenômenos,
as relações sociais de produção e de dominação com a compreensão das
representações sociais. (MINAYO, 2010 p.24).

Deste método é possível uma compreensão da totalidade, com base na analise das
relações sociais juntamente com outros determinantes. Este método fundamenta a direção da
construção do trabalho e norteia a pesquisa como um todo.
Gil (2007) apresenta que as pesquisas são subdividas em três grupos: pesquisas
exploratórias, descritivas e explicativas. Nos dizeres do autor as “pesquisas exploratórias são
desenvolvidas com o objetivo de proporcionar visão geral, do tipo aproximativo, acerca de
determinado fato [...]” (GIL, 2007, p.43)
Para essa compreensão, faz parte do trabalho a pesquisa bibliográfica e um
instrumental para coleta de dados que se desenha pela entrevista, a utilização de ambos juntos
é condizente com os aspectos da pesquisa exploratória pois “[...] habitualmente envolvem
levantamento bibliográfico e documental, entrevistas não padronizadas e estudos de casos
[...]”(GIL, 2007, p.43).
A primeira se deu com base na leitura de livros, artigos, sites, cadernos, legislações e
outros, o que proporcionou uma melhor abordagem do assunto juntamente com a
fundamentação necessária para compreender o contexto da pesquisa.
Nesse sentido entende-se que a pesquisa bibliográfica é parte fundamental da
elaboração da pesquisa, pois de acordo com Gil (2007, p.65) “[...] é desenvolvida a partir de
material já elaborado, construído principalmente de livros e artigos científicos [...]” .
Com vistas a responder às indagações levantadas a forma de entrevista utilizada foi a
semi-estruturada, assim classificada por Minayo, essa forma de entrevista “combina perguntas

77
“Pode-se definir método como caminho para se chegar a determinado fim. E método cientifico como o
conjunto de procedimentos intelectuais e técnicos adotados para se atingir o conhecimento(GIL, 2007, p.27)”
82

fechadas e abertas em que o entrevistado tem a possibilidade de discorrer sobre o tema em


questão sem se prender a indagação formulada.” (MINAYO,2010, p.64)
O universo da pesquisa, compreende a totalidade dos espaços ocupacionais junto a
SEPLAN, e bem como a totalidade dos profissionais e estagiários que se encontram na
secretaria. As entrevistas foram realizadas com profissionais da Secretaria de Planejamento e
Urbanismo de Cascavel durante o processo de construção do trabalho. Esses profissionais se
consubstanciam em assistente social, estagiários de Serviço Social , engenheiro civil e
arquiteto.
A pesquisa abordou blocos de profissionais técnicos e em diferentes funções. Foram
abordados o gestor do setor, na categoria de gestão administrativa. Aplicou-se a pesquisa para
os profissionais, envolvendo as diversas áreas com vistas a olhar a intersetorialidade,as
atribuições e relevância destes, e também o bloco de estagiários do curso de serviço social
com o propósito de conhecer as suas percepções nestes novos espaços e se estes sentem a
importância das ferramentas do planejamento, dos instrumentos, das legislações e sua
contribuição junto ao processo de intervenção profissional, para o trabalho na gestão de
políticas publicas.
Divididas em blocos, essas entrevistas buscaram compreender a dinâmica do processo
gestão publica e a participação do serviço social na SEPLAN juntamente com a importância
do serviço social neste campo de trabalho correlacionado com a pratica, exercício do
planejamento e a gestão das políticas urbana e habitação.
Definiu-se pelo uso deste instrumental, pois o mesmo permite maior flexibilidade na
busca por dados78 qualitativos, o que colabora para que as informações coletadas atendam de
forma abrangente o objetivo da mesma, pois permitem um contato próximo com o objeto de
investigação proporcionando maior facilidade de obter as informações desejadas que tem
como base a analise qualitativa

A pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares. Ela se ocupa, nas


Ciências Sociais, com um nível de realidade que não pode ou não deveria ser
quantificado. Ou seja, ela trabalha com o universo dos significados, dos motivos, das
aspirações, das crenças, dos valores e das atitudes. Esse conjunto de fenômenos
humanos é entendido aqui como parte da realidade social, pois o ser humano se
distingue não só por agir, mas por pensar sobre o que faz e por interpretar sua ações

78
“A entrevista como fonte de informação pode nos fornecer dados secundários e primários de duas naturezas:
(a) os primeiros dizem respeito a fatos que o pesquisador poderia conseguir por meio de outras fontes como
censos, estatísticas, registros civis, documentos, atestados de óbitos e outros; (b) os segundos – que são objetos
principais da investigação qualitativa - referem-se a informações diretamente construídas no dialogo com o
individuo entrevistado e tratam da reflexão do próprio sujeito sobre a realidade que vivencia”(MINAYO, 2010,
p.65, grifo do autor).
83

dentro e a partir da realidade vivida e partilhada com seus semelhantes


[...]”(MINAYO, 2010, p.21)

Ou seja, não pretende mensurar dados quantitativos, mas sim o processo de gestão das
políticas urbana e de habitação pelo serviço social no campo de trabalho da SEPLAN, com
base em uma análise qualitativa das entrevistas realizadas.
Contudo a construção do trabalho e desenvolvimento da pesquisa tem a pretensão de
nortear uma melhor compreensão acerca das indagações levantadas, pautado em uma conduta
ética no que se refere ao processo de desenvolvimento do trabalho bem como das pessoas que
fizeram parte do desenvolvimento deste, respeitando de forma integra as opiniões.

2.4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS DA PESQUISA DE CAMPO

Considerando o que foi exposto até aqui da pesquisa bibliográfica, iniciaremos a


apresentação da pesquisa realizada pelo instrumental de entrevista semi estruturada aplicada
na Secretaria de Planejamento e Urbanismo de Cascavel (SEPLAN) junto aos profissionais
de serviço social, gestores, profissionais de diversas áreas e estagiários de serviço social . Por
questões éticas os participantes das entrevistas foram referenciados como entrevistado 1,
entrevistado 2 seguindo-se essa sequencia conforme a exposição abaixo.

BLOCO A - Entrevista com os gestores da Política de Planejamento Urbano

Nesta entrevista buscou-se verificar junto ao profissional entrevistado que faz parte da
gestão, exercendo o cargo de diretor na divisão de planos, programas e projetos, a partir de
sua visão a importância da atuação do profissional de serviço social no processo de
planejamento da política urbana e de habitação, a participação e envolvimento deste
profissional, o perfil do gestor seja ele assistente social ou não e o assistente social como
gestor, conforme exposto abaixo.

1. Qual a importância da atuação do profissional de serviço social no processo de


planejamento da política Urbana?

Neste ponto verifica-se junto ao entrevistado qual a importância da atuação do


profissional de serviço social no processo de planejamento e gestão da política urbana. A
necessidade e importância do assistente social na política urbana se dá por uma exigência do
84

Estatuto das Cidades, para as cidades que tem a necessidade do Plano Diretor como explica o
entrevistado 1:

Desde que foi aprovado o Estatuto das Cidades, o Estatuto já prevê que toda a
formulação do Plano Diretor nas cidades de mais de 20 mil habitantes ou revisão do
Plano Diretor ele deve ser multidisciplinar, então deve ter participação de vários
profissionais, não só de engenharia e a arquitetura como se tinha antigamente, mas
deveria ter de direito, de pedagogia, de serviço social, administração, economista.
Então a partir desse momento os municípios começaram a se preocupar mais com
essa questão da participação do profissional do serviço social dentro do
planejamento urbano [...] (ENTREVISTADO 1, 2013).

Conforme enfatizado pelo entrevistado 1 com a necessidade do plano diretor,


seguindo as normativas do Estatuto das Cidades foi necessária a interação de outras profissões
alem da engenharia e da arquitetura na elaboração desses planos, ocasionando assim um
trabalho multiprofissional e interdisciplinar. Nesse sentido a inserção do assistente social na
SEPLAN se deu em 2003 com a revisão do Plano Diretor, o entrevistado 1 explana que

[...] Então nos começamos aqui em Cascavel primeiramente com o Plano Diretor
com a participação do profissional e depois nas outras políticas, então a partir do
Plano Diretor foi determinado que deveríamos ter plano saneamento ambiental, o
plano de acessibilidade, plano de habitação e todos esse planos e ou programas que
foram criados a partir Plano Diretor é importante ter a participação do
profissional do serviço social porque é, ele vai fazer todo aquele trabalho primeiro
de aproximação dos técnicos com a população, com os segmentos sociais, com as
ONGS, fazendo as reuniões, tem que fazer reuniões nos bairros né para
acompanhamento dessas leis, então todo esse trabalho de chegar ao bairro, de
conversar com o presidente do bairro, de reunir as pessoas, de fazer a reunião, de
conduzir a reunião, e nos orientam numa forma correta de um técnico de engenharia,
de arquitetura por exemplo falar pra população de uma linguagem que ela possa
entender aquilo que pra nós, pra profissional de engenharia seria uma linguagem
técnica que nós entendemos, mas o leigo lá fora ele não compreende essa
linguagem. Então ela faz é importante porque ele faz essa ligação [...]
(ENTREVISTADO 1, 2013).

Da necessidade do Plano Diretor como já salientamos antes surge a elaboração de


outros planos, o que colabora na efetividade da inserção do serviço social na secretaria. É
possível observar na fala do entrevistado que eles compreendem a importância da atuação do
assistente social na SEPLAN principalmente no que se refere a mobilização de comunidade e
participação social motivo pelo qual esse profissional foi inserido, pois como destaca o
entrevistado é esse profissional que vai fazer o trabalho de aproximação dos técnicos com a
comunidade.
É o assistente social que vai trazer a visão da população para a dinâmica da
administração. Para tanto como considerou o entrevistado 1 é o assistente social que ira fazer
85

o contato com os representantes locais, que irá participar das reuniões e das atividades de
acompanhamento dos planos e leis que a secretaria desenvolve. Outro quesito considerado
pelo entrevistado que permeia a participação social se refere a questão da linguagem 79 técnica
usual entre os profissionais ocasionando da necessidade de ser repassada de forma clara a
população, o que enseja na contribuição do assistente social.
Ainda com relação a participação Bravo expõe que

A concepção de participação, defendida nos anos 1980, é a gestão nas políticas


através do planejamento e fiscalização pela sociedade civil organizada. Ou seja, a
interferência política das entidades da sociedade civil em órgãos, agências ou
serviços do Estado responsáveis pela elaboração e gestão das políticas públicas na
área social. Está relacionada à ampliação dos sujeitos sociais na democratização do
Estado brasileiro, tendo no horizonte uma nova relação Estado-Sociedade com a
ampliação dos canais de participação direta (BRAVO, 2009,p.395)
 
A participação social começou a fazer parte das políticas a partir da década de 1980.
É uma forma de a população fazer parte da gestão e planejamento bem como fiscalização das
políticas, e o serviço social colabora nesse sentido, pois conforme expôs o entrevistado 1 é o
serviço social que faz esse primeiro contato, que pode promover essa mediação entre a
população usuária dos serviços e a administração publica, é uma forma de controle social80.
Essa questão da participação também é corroborada com os documentos legais que
norteiam as políticas pertinentes a secretaria como o Estatuto das Cidades e a Constituição
Federal é até mesmo o Plano Diretor, pois para a elaboração deste é necessário audiências
públicas e a participação popular.
Esses planos são um mecanismo para subsidiar o planejamento das políticas e com
essa aproximação da população é possível que as demandas e necessidades sejam mais
consideradas.
Em referencia ao planejamento o entrevistado explana que os assistentes sociais
também auxiliam na formulação de políticas

[...] o profissional do serviço social nos auxilia na confecção dessas políticas a


partir do momento em que nós precisamos ter uma visão do social como se faz

79
“Considera-se que a linguagem é o instrumento numero um de todos os profissionais que atuam nas áreas de
ciências humanas e sociais. Ela é, na verdade, o mais importante elo do processo comunicativo que se dá nas
interações socioprofissionais. Ressalte-se, ainda, o quanto a linguagem reflete as contradições inerentes as
relações da sociedade. Por meio dela, o profissional pode reforçar antagonismos ou possibilitar caminhos para a
liberdade e autonomia” (MAGALHÃES, 2011, p.30)
80
“O controle social enquanto direito conquistado pela Constituição Federal de 1988, mais precisamente do
princípio “participação popular”, pretende ampliar a democracia representativa para a democracia participativa,
de base. Estão previstas duas instâncias de participação nas políticas sociais: os conselhos e as conferências”
(BRAVO, 2009,p.395)
86

um planejamento urbano, então se nós vamos fazer, por exemplo, uma construção de
uma grande via, como nós estamos fazendo um projeto hoje do BID, do corredor e
ônibus na Avenida Brasil, Tancredo Neves e Barrão do Rio Branco é importante a
gente saber qual vai ser a recepção da população, qual vai ser o benefício da
população com esse empreendimento. Então nós vamos construir uma escola em um
determinado bairro e o Plano Diretor determina que tem que ser feito um estudo
multidisciplinar pra ver qual é a real necessidade da construção daquela escola, se
aquele bairro é realmente o que mais necessita e o profissional ele vai nos auxiliar
nisso, ele tem que saber da população qual é a necessidade [...](ENTREVISTADO
1, 2013).

Essa participação se dá com base na visão social como citou o entrevistado, nesse
sentido é a exposição da visão da totalidade com o intuito que os demais técnicos
compreendam a dinâmica social da população e busquem atender o que aquela localidade
realmente necessita. Essa compreensão faz parte da atuação do assistente social e pode ser
levantada com base em um diagnostico, observação e outros instrumentais utilizados pelos
assistentes sociais.
Com relação as demanda e necessidades o entrevistado 1 expõe que

[...] então o profissional do serviço social ele tem esse contato com a
comunidade que vai nos repassar quais são as necessidades, os anseios para que
nós possamos entender melhor também o que a população espera. Então
antigamente antes desse Estatuto das Cidades, nós aqui da engenharia e da
arquitetura faríamos um grande projeto urbanístico mostraríamos ao Prefeito, o
Prefeito iria gostar do projeto ou não e nos iríamos implantar, e nós não
consultamos, não consultávamos a população, então a partir do momento que nós
inserimos o profissional do serviço social ele começou a nos trazer aquilo da
visão dele, aquilo que a população necessita e não aquilo que nós imaginamos
que é o melhor. Então quando se faz um projeto de qualquer tipo de intervenção
urbana é sempre importante ouvir essa opinião do que a população espera se é
realmente aquilo que ela quer (ENTREVISTADO 1, 2013).

Portanto, a obrigatoriedade da participação popular, a participação cidadã de certa


forma, pelos meios do processo de publicização, tais como, audiência publica, reuniões
descentralizadas, foram necessários a inclusão de profissionais que pudessem dialogar com a
população, que fossem capaz também de articular e organizar esta população. Estes foram os
principais requisitos abordados pelo entrevistado. A inserção do profissional e com a
habilidade deste, em trazer as demandas e negociar a inclusão destas demandas no
planejamento, na concretização da política, e acima de tudo , no processo de diálogo com
outros profissionais, certamente é uma grande conquista e valorização.
Na questão abordada com o entrevistado com relação a importância do serviço social
ganha destaque a visão do mesmo com relação a intervenção profissional no sentido de
mobilização de comunidade e participação social, mediando o envolvimento da população nas
decisões visto que essa pratica não era muito usual. Outra questão abordada é que com isso a
87

população pode expressar sua opinião o que facilita no planejamento de políticas e projetos
pois passa-se a atender as verdadeiras necessidades. Com a possibilidade de apresentar as
demandas e necessidades o profissional é capaz de formular políticas.

2. O Profissional de Serviço Social participa do processo de planejamento, formulação de


políticas, temas que a Secretaria desenvolve?

Em relação a participação do profissional de serviço social no processo de


planejamento , formulação de políticas, o entrevistado compreende que os profissionais
participam do processo como já havia mencionado anteriormente e apresenta a seguinte fala “
Participa, então, é, todos os planos que nós desenvolvemos aqui ou programas na área de
planejamento, nós temos a participação do profissional do serviço social
[...]”(ENTREVISTADO 1, 2013).
Ao mesmo tempo o entrevistado 1 situa o trabalho dos profissionais assistentes sociais
na secretaria com objeto de trabalho a Regularização Fundiária e o Programa Minha Casa
Minha Vida e salienta que:

[...] eles estão mais concentrados nesses setores por que é um setor que tem uma
demanda grande desse trabalho deles, mas isso não impede de que eles sejam
chamados pra desenvolver os planos que a prefeitura ou a Secretaria de
Planejamento desenvolve na questão urbanística. (ENTREVISTADO 1, 2013).

Assim o profissional trabalha com os programas porém não deixa de fazer parte da
equipe que elabora, participa dos planos que permeiam a secretaria. Cabe lembrar que esses
programas fazem parte da intervenção profissional cotidiana e além desses os profissionais
também contribuem em outras demandas que se apresentam.

3. Qual é o perfil necessário para o exercício no papel de gestor de políticas?

Outro tópico em referencia na entrevista é com relação ao perfil de gestor das políticas
e se o serviço social está preparado para atuar junto a administração pública na gestão e
planejamento urbano, dessa forma o entrevistado 1 comenta que:

[...] eu diria assim, que um perfil do profissional que atua hoje na gestão é saber
ouvir, é saber da necessidade dos outros, é tentar da minha parte como engenheiro
tentar desenvolver um projeto ou um programa ou uma lei que beneficie a população
como um todo de uma forma geral, não só uma classe ou nós, ou só outra, mas que
venha a beneficiar a todos. Então por isso que quando a gente desenvolve qualquer
88

projeto aqui, a gente faz audiência publica, vai aos bairros e conversa, pergunta pra
população o que eles acham, eles dão ideias, nos trazemos as ideias pra cá, tentamos
colocar as ideias deles nesse programas, pra que saia um projeto que contemple a
necessidade de todos(ENTREVISTADO 1, 2013).

Podemos visualizar na fala mais uma vez a compreensão da participação popular como
um imperativo da gestão, considerando que a mesma possibilita a compreensão dos gestores
com relação a realidade social com vistas a atender a demanda de forma plena, bem como é
necessário a outra parte ou seja, os profissionais também devem estar capacitados para atuar
junto a essas expressões.
O entrevistado destaca a habilidade de comunicação e expressão como principal ora
vista a necessidade maior da interação do profissional com a comunidade, em seu local de
existência.

4. O profissional de Serviço Social está preparado para atuar junto à administração pública,
na gestão e planejamento urbano? Qual o perfil hoje para ser gestor?

Com relação ao perfil do assistente social, apresenta-se a seguinte compreensão

[...] da mesma forma que nós temos que saber ouvir a população pra poder fazer
uma política publica adequada eu acredito que um dos perfis do profissional de
serviço social seria é tentar entender a diversidade que tem de profissões, que dentro
de um plano diretor nos trabalhamos com a cidade como um todo, então ele não vai
trabalhar só com pessoa pobre, ou a necessitada, ou a de risco, ele vai trabalhar com
toda a população, tanto com pessoas de classe A,B,C todas as classes e integrado,
então acredito que um perfil adequado seria aquela pessoa que saiba trabalhar, ouvir
também, ouvir a opinião dos outros né, mesmo sendo assuntos técnicos que talvez
não tenha conhecimento, mas ouvi e trabalhar integrado, saber trabalha com
integração, integrando todas as profissões ou as opiniões e tentando trazer, fazer
com que os projetos desenvolvidos possam atender a necessidade do social, como
que é o trabalho desse profissional (ENTREVISTADO 1, 2013).

Nas duas falas consta em especifico a questão de saber ouvir, cabe salientar que a
escuta qualificada é uma das técnicas empregadas pelo serviço social em sua intervenção
profissional. O Entrevistado 1 destaca como importante pois é uma forma de conhecer as
necessidades e diferenças existentes na sociedade e nos espaços ocupacionais.
Nesse sentido em relação ao serviço social o mesmo aponta que com a diversidade de
público com o qual os profissionais irão atuar, parte-se do pressuposto de que ouvindo e
conhecendo as necessidades a atuação e intervenção seja ela do poder público ou do serviço
social será mais objetiva e eficaz.
89

BLOCO B - Entrevista com os profissionais assistente sociais da Secretaria de Planejamento


Urbanismo - SEPLAN.

No que tange as entrevistas dos profissionais assistentes sociais foi abordado o papel e
atribuição do serviço social na SEPLAN, a contribuição e participação no processo de gestão
e planejamento, como se dá o processo de planejamento em si e a pratica do planejamento. No
total foram três entrevistados sendo que um desses profissionais faz parte da gestão do setor
onde o serviço social está inserido.

1. Qual o papel, atribuições do profissional de serviço social na SEPLAN?

Um dos questionamentos realizado junto aos assistentes sociais é em relação as


atribuições desse na SEPLAN. Entre as respostas destaca-se a Regularização Fundiária e o
Programa Minha Casa, Minha Vida, os programas e projetos da secretaria, a mobilização de
comunidade e participação social bem como também observa-se a gestão, o planejamento e a
contribuição na formulação de políticas. Podemos ilustrar essas informações no gráfico
abaixo, juntamente com a colaboração dos outros entrevistados.
GRÁFICO 1 - PAPEL DO SERVIÇO SOCIAL NA SEPLAN
90

Mobilizaçãode
comunidade/Participação
Popular
Projetos/Programas

7%
22%
15% Planos

4%
Planejamento
11%
26%
15% Gestão

Formulação/execução de
politicas

Humanização

Fonte: NENEVÊ, Emanoelle Carvat, 2013.

Neste gráfico visualizam-se os objetos de trabalho do serviço social de acordo


com os dados contidos nas entrevistas com o universo da totalidade dos entrevistados, ou seja
um engenheiro, um arquiteto, os assistentes sociais e os estagiários.
Em destaque está a mobilização de comunidade e participação popular que foi citada
pelos cinco profissionais entrevistados totalizando 22%. Isso se dá pois a mobilização e
participação popular são o objeto de trabalho inicial do serviço social na SEPLAN em virtude
do Plano Diretor, elaborado no município pois é instrumento da política urbana, a participação
do serviço social na elaboração dos planos é de 15% segundo as informações coletadas por
meio das entrevistas.
Os projetos e programas aparecem com 26%. Atualmente se desenvolvem com a
coordenação e contribuição do serviço social o Programa Minha Casa, Minha Vida e a
Regularização Fundiária previstos na lei 11.977 de 2009. Outra questão citada foi a
humanização, no sentido de mediação entre os técnicos e a população como também na
relação entre o usuário e o direito perfazendo o total de 7%.
Ainda consta a gestão com 4%, visto que apenas um profissional considera este como
seu objeto de trabalho na SEPLAN em virtude do mesmo exercer cargo de coordenação e
91

desta forma participar mais efetivamente da gestão das políticas no que se refere a suas
competências.
O planejamento de acordo com os entrevistados perfaz um total de 15% da
intervenção profissional. Dentre as atribuições também consta a participação na formulação e
execução de políticas com 15%. Entretanto cabe lembrar que todos os objetos de trabalhos
citados fazem parte das atribuições e competências dos assistentes sociais e todos tem
interface entre si e se complementam na intervenção profissional, é certo que os profissionais
também desempenham outras atividades.
Com relação aos assistentes sociais é possível observar as seguintes falas

O serviço social na SEPLAN, ele tem varias atividades e vários papeis a


desempenhar. Ele faz parte hoje, o serviço social como sempre uma questão do
planejamento e participar das políticas de planejamento urbano, por que dentro
das políticas de planejamento urbano, nos também temos outros viés que tem que ser
tratado, por que hoje o que as políticas pedem, que tenha um trabalho de
mobilização, tenham audiências, tem as conferencias, então ele emite pareceres ,
então ele começa a planejar a cidade junto com o quadro de profissionais que
são os arquitetos e os engenheiros [...]então assim o papel do serviço social aqui
dentro eu acredito e vejo que é uma forma de mostrar para os gestores públicos que
as pessoas vão usar, então você tem que pensar planejamento envolve tudo, envolve
transporte, mobilidade, meio ambiente, então você tem que ta lembrando de sempre
que nos estamos trabalhando com as pessoas que vão fazer uso, então o papel do
serviço social é não só profissionalmente, mas a gente sempre diz assim até dentro
de uma secretaria de planejamento podemos dizer que é uma humanização, por que
pelo tempo que a gente ta aqui hoje a gente vê, é bom ouvir isso dos engenheiros e
dos arquitetos que começam a dizer assim que tem uma visão diferente, que tem um
olhar diferente pros projetos, que as vezes pequenas coisas que não são atentas e
que mudam significativamente na vida das pessoas então assim o serviço social é de
fundamental importância no planejamento justamente pra da essa sustentação pra
gestão e para os demais profissionais aqui envolvidos(ENTREVISTADO 2, 2013)
Bom hoje o papel do assistente social dentro da secretaria de planejamento e
urbanismo é o de é colabora na execução da política de desenvolvimento urbano
do município, dentre elas a questão dos planos municipais, plano municipal de
habitação, o né o plano agora recentemente o plano municipal de saneamento básico
é nos demais programas principalmente no que se refere a regularização fundiária
e Programa Minha Casa, Minha Vida que é de habitação de interesse social
(ENTREVISTADO 3, 2013)
Bom o serviço social foi introduzido na SEPLAN através do plano diretor né onde
houve a necessidade da contratação de profissional pra atender os critérios né
estabelecidos pelo Estatuto das Cidades né, questão da mobilização e participação
social, com isso foi criado então o setor de Regularização Fundiária e que absorveu
né vários profissionais e iniciou-se então a atender a demanda da habitação né.
Então o serviço social dentro da SEPLAN, tem esse foco principal né de atender a
política de habitação através da regularização dos terrenos né e a produção de novas
unidades habitacionais pra atender a demanda de habitação, de moradia com o
Programa Minha Casa, Minha Vida (ENTREVISTADO 4, 2013).

É claro nessas falas a presença dos planos, planejamento das políticas e os programas
bem como a participação e mobilização popular como atribuições dos assistentes sociais na
SEPLAN. O serviço social está inserido na secretaria dentro da divisão dos planos, programas
92

e projetos, o setor no qual esses profissionais fazem parte tem predominância na intervenção
do direito a propriedade e habitação, como salientaram os entrevistados.
Contudo observa-se na fala dos mesmos a abordagem quanto a questão do
planejamento da cidade pela política urbana lembrando que o objetivo da mesma é o pleno
desenvolvimento da cidade. Portanto os profissionais inseridos em campo de planejamento
urbano participam do processo de planejamento da cidade juntamente com os profissionais de
engenharia e arquitetura.
Apesar de ter iniciado com o plano diretor é perceptível o crescimento desta profissão
na secretaria, pois atualmente a SEPLAN conta em seu quadro com três assistentes sociais e
um setor para compor esses profissionais, conforme o gráfico abaixo

GRÁFICO 2 - PROFISSIONAIS DO SETOR DE REGULARIZAÇÂO FUNDIÀRIA

Fonte: NENEVÊ, Emanoelle Carvat, 2013.

Neste gráfico visualiza-se como está a composição do setor em que o serviço social
está inserido, demonstrando claramente a evolução e crescimento desta profissão na SEPLAN
que inicialmente contava com um profissional e atualmente além de três também faz parte do
quadro estagiários de serviço social.
Outra questão que também evoluiu foi do objeto de trabalho, pois além da mobilização
de comunidade e participação popular o profissional também passou a ser executor de
programas para viabilizar o direito a habitação e propriedade bem como continua a participar
dos planos que são elaborados pela secretaria. Conforme explanado pelo entrevisto 2 já se
93

visualiza pelos profissionais uma mudança com relação a visão dos engenheiros e arquitetos
em relação a alguns aspectos que devem ser considerados no planejamento dos projetos,
programas e que isso se dá em virtude da contribuição e participação do serviço social.

2. O Serviço Social, contribui, participa do processo de gestão, planejamento e formulação de


políticas urbanas?

Com relação ao planejamento e a gestão e formulação de políticas foi questionado


junto aos assistentes sociais se os mesmos contribuem nesses processos o que resultou nas
seguintes afirmações

Contribui, hoje o serviço social dentro da Secretaria de Planejamento, hoje ele


contribui, ate por que o setor de Regularização Fundiária e o Programa Minha Casa,
Minha Vida, a gestão é feita por um profissional de serviço social, então tem uma
equipe, tem toda uma equipe que integra esses setores e essa profissional de serviço
social que faz a gestão todinha do setor(ENTREVISTADO 2, 2013)
Participa, eu acho assim, isso é uma opinião pessoal, eu acho que ainda se participa
muito pouco, se inclui muito pouco o serviço social dentro das decisões da
elaborações dos programas, projetos, da política da habitação aqui no município,
mas considerando todo o histórico e o tempo que faz que o serviço social ta inserido
dentro dessa política no município da secretaria já é um avanço muito grande
(ENTREVISTADO 3, 2013)
Participa, é como já citei o próprio plano diretor, o plano municipal de habitação né
o serviço social que estava a frente ali junto com os técnicos também da própria
Secretaria de Planejamento né, então o serviço social está sempre participando no
que cabe área social na implementação das políticas (ENTREVISTADO 4, 2013).

A concepção dos profissionais é de que existe a participação na gestão visto que a


gestão do setor em que os mesmos estão inseridos é feita por um assistente social. Já na
formulação e planejamento das políticas participa principalmente quando se trata da
contribuição nos planos, mesmo que isso não se apresente como predominância da
intervenção profissional.
Esse entendimento é compreensível porque desses planos surgem as políticas, um
exemplo disso é a política habitacional de Cascavel com base no Plano Municipal de
Habitação que foi desenvolvido pelo município em 2010, a partir desse plano e dessa política
estão estabelecidos os princípios e objetivos com relação a habitação em consonância com as
legislações e o plano diretor do município bem como as demais políticas públicas que tem
interface junto a essa.
94

3. Como o profissional utiliza o processo de planejamento no exercício de suas atribuições


e/ou na SEPLAN?

O planejamento pode se dar de diversas formas, bem como possui um processo em sua
trajetória que perpassa pela fase da reflexão até a retomada da reflexão como expôs Batista
(2010).
O planejamento é uma das atribuições do serviço social e para tanto os profissionais
podem fazer uso de diversas formas e em variados momentos. Para entender melhor como se
dá esse processo na SEPLAN, foi abordado na entrevista, como os profissionais utilizam o
processo de planejamento, resultante nas subsequentes colocações

O serviço social ele veio pra secretaria pra contribuir no processo de planejamento,
então ele veio na época com o plano diretor, foi um exigência do Ministério das
Cidades, Estatuto das Cidades que deveria ter esse corpo técnico e evidente que o
trabalho foi sendo reconhecido e teve mais demanda, então hoje como que ele
participa, o serviço social quando ele foi à regularização fundiária, quando ele foi
convidado pra vir para esse setor pra faze a gestão ele teve que planeja, como
funcionar esse setor, o que precisaria, que equipe, como você levar esse
conhecimento, por que foi um desafio [...], então os primeiros procedimentos o
serviço social dependia assim, indicava um profissional de outro setor, outro de
outro então a coisa ficava meio que desfragmentada mas conseguia-se, então nos
pegamos o desafio de um empreendimento pra gente assim planejar, em cima desse
a gente criou toda uma metodologia, e essa metodologia tudo que foi acontecendo
nesse primeiro foi dando experiência com que a gente conseguisse ir tornando esse
trabalho mais efetivo de uma forma planejada e eles foram vendo a necessidade e a
gente foi ampliando a equipe, nos hoje temos um arquiteto dentro do setor exclusivo
e isso facilita o trabalho. Então daí assim, hoje não tem como, o arquiteto não
consegue fazer sem o serviço social e o serviço social não trabalha sem o arquiteto e
sem o jurídico, então é o serviço social ele contribui nessa forma por que é um
trabalho que um engenheiro, ou um arquiteto é diferenciado esse trabalho né, então
o serviço social ele contribui de forma significativa então ele tem que planejar,
quando veio o Programa Minha Casa Minha Vida, por que o serviço social hoje na
SEPLAN ele faz parte do setor de Planos Programas e Projetos então quando vem
um programa quem que vai tocar o programa, ainda mais se é de interesse social,
então é o serviço social[...] (ENTREVISTADO 2, 2013)
[...] toda ação que nos desenvolvemos aqui principalmente é, a de regularização
fundiária foi planejado né em alguma situação, como foi o plano de habitação, o
Plano Municipal de Habitação que dentro dele tem todas as metas a serem
alcançadas, o que deve ser feito no que se refere a regularização fundiária do
município, né as áreas a serem regularizadas, então o planejamento ele é feito dentro
da secretaria dessa maneira a gente segue os planos municipais né, elabora ou segue,
executa eles né [...](ENTREVISTADO 3, 2013)
Utiliza o processo de planejamento em todas as ações, então no cotidiano
profissional né são varias as situações que a gente se depara e que exige esse
planejamento, desde uma simples ligação, o planejamento de uma visita domiciliar
né, então o planejamento é utilizado em todas as ações, não tem como você intervir
sem primeiro realizar esse planejamento (ENTREVISTADO 4, 2013).
95

Visualiza-se nestas falas que os profissionais compreendem a importância do


planejamento seja na intervenção de uma visita domiciliar, em um atendimento ou cotidiano
do setor, bem como entendem que toda ação tem que ser planejada.
Podemos identificar as fases do planejamento conforme a autora Veras Baptista (2010)
traz, na fala do entrevistado 2, quando relata que primeiro foi necessária uma experiência para
que os próximos trabalhos fossem ficando mais efetivos, isso se refere a faze de reflexão, a
ação em si e posteriormente a avaliação condizente com as fazes do planejamento, para que as
mudanças necessárias possam ser executadas, e o aprimoramento atingido, nesse ponto a
autora ainda alude que:

Na medida em que a realidade social é dinâmica e, também, que o processo de


aprendê-la se faz por sucessivas aproximações, não existe um momento no qual se
possa dizer que se tenha perfeitamente delineado e delimitado o objeto de
intervenção: ele vai se construindo e reconstruindo permanentemente no decorrer de
toda a ação planejada, em função de suas relações com o contexto que o produziu,
sendo modificado e modificando-o permanentemente. (BAPTISTA, 2010,p.28)

Portanto o processo de planejamento perpassa pela situação que o entrevistado


descreve, ou seja as primeiras tentativas propiciam uma experiência para as posteriores
lembrando que o objeto de planejamento está sempre em modificação como colocou a autora.
Outra situação que o entrevistado 2 expõe é com relação ao trabalho em equipe
multiprofissional e interdisciplinar, considerando que na secretaria diversos profissionais
compõe o quadro, mas principalmente os de engenharia e arquitetura, a fala aborda a
importância de o trabalho ser desenvolvido em conjunto, pois a intervenção profissional de um
complementa a do outro inclusive no processo de planejamento.
Com relação ao processo de planejamento descrito pelos profissionais, compreende-se
que este se dá de acordo com a pratica profissional de cada um, considerando as
especificidades de cada ação bem como a intencionalidade. Outro dado com relação ao
processo de planejamento é que os assistentes sociais consideram este como fator importante
na atuação profissional.

4. Em que consiste a pratica do planejamento na visão do profissional de serviço social


Para finalizar este bloco foi questionado aos assistentes sociais em que consiste a
pratica de planejamento na visão destes como profissionais os quais desenvolveram as
seguintes opiniões
96

[...] a gente vê assim o planejamento ele vem soma com que a gente consiga fazer
uma ação organizada, que você consiga pegar uma teoria, você tem que trazer essa
teoria pro planejamento a nossa teoria de serviço social, do planejamento social mas
você tem que entrar no outro planejamento, então você tem que trazer, trazer ela pra
realidade local, você tem que fazer um planejamento dentro dos teus recursos, por
que a gente tem que lembrar também nos temos limitações de recursos [...]então
você tem que pensar em todas essas estratégias e você tem que otimizar as questões
também por que o serviço social ele tem que planejar e não pode ser moroso, então
você não pode ficar assim planejando uma ação seis meses por que as vezes você
tem uma ação que tem que acontecer em uma semana pois a demanda vem muito
rápido, então você tem que nesse prazo, você tem que fazer o planejamento, tem
que buscar as ferramentas pra com que, que essa ação aconteça dentro do prazo,
aconteça a contento e alcance seus objetivos (ENTREVISTADO 2, 2013)
Em que consiste a pratica de planejamento, planejar é você pensa as ações né, você
ter, consegui te uma visão do que você, a partir do que você precisa do seu objetivo,
traçar metas pra você alcançá-las depois você avaliar se elas foram alcançadas ou
não, então o planejamento consiste nisso, pra mim o nosso trabalho é praticamente
inviável sem o planejamento [...](ENTREVISTADO 3, 2013)
Bom, eu acho que o planejamento é essencial né, o planejamento ele é o principio de
qualquer intervenção profissional então cada ação, cada intervenção é necessário
primeiramente avaliar a realidade social né e através do planejamento atender a
demanda né, intervir na realidade. (ENTREVISTADO 4, 2013).

No que tange a pratica do planejamento pelos profissionais, está se apresenta


condizente com os processos apresentados até aqui. Considera os objetivos, as estratégias, o
contexto, as alternativas e prioridades bem como os recursos disponíveis, a ação e a avaliação.
Os mesmos também aludem que a pratica de planejamento se apresenta como
necessária em toda intervenção profissional, nos instrumentais utilizados, na pratica
profissional, em suma de acordo com as informações apresentadas pelos entrevistados é
perceptível que os mesmos compreendem a pratica do planejamento e utilizam no dia a dia
profissional.
Com base em todos os dados apresentados ate aqui com relação à gestão e o
planejamento como ferramentas do exercício profissional do serviço social entende-se que
estes são partes do processo de trabalho profissional e são de extrema importância nesse.
A gestão e o planejamento se inscrevem na atuação profissional de certa forma recente
conforme explica Iamamoto

[...] O processo de descentralização das políticas sociais públicas, com ênfase na sua
municipalização, requer dos assistentes sociais – como de outros profissionais –
novas funções e competências. Os assistentes sociais estão sendo chamados a atuar
na esfera da formulação e avaliação de políticas e do planejamento, gestão e
monitoramento, inscritos em equipes multiprofissionais. Ampliam seu espaço
ocupacional para atividades relacionadas ao controle social à implantação e
orientação de conselhos de políticas públicas, à capacitação de conselheiros, à
97

elaboração de planos e projetos sociais, ao acompanhamento e avaliação de


políticas, programas e projetos. (IAMAMOTO, 2009, p.31)

Essas novas competências necessárias aos profissionais possibilitam a intervenção e


inserção81 em outras áreas diferente das usuais juntamente com novas funções. Nesse
contexto podemos considerar que o processo de planejamento, gestão, monitoramento e
avaliação das políticas, programas e projetos apresentados pela autora como as novas
competências dos profissionais, já é realidade do serviço social na SEPLAN. Inclusive no
que remete aos conselhos, pois o Concidades Cascavel está sob a presidência e gestão de uma
assistente social.Portanto para desempenhar um trabalho nessas áreas é necessário um
profissional comprometido, eficaz e qualificado devido as exigências que esses campos de
trabalho necessitam.

BLOCO C - Entrevista com profissionais de outras áreas, a questão da interdisciplinaridade e


o Serviço social.

Ainda na categoria de profissionais, porém abordando um viés diferente outro


profissional entrevistado, diz respeito a área de arquitetura que faz parte do setor
Regularização Fundiária o qual é coordenado por um profissional de serviço social,
promovendo-se assim um trabalho multiprofissional e interdisciplinar.
Foi observado junto a esse profissional como se dá a relação de trabalho na
interdisciplinaridade juntamente ao planejamento urbano e importância do serviço social
nesse contexto.

1. Qual a importância do serviço social na SEPLAN?

Com relação a questão da importância do serviço social na visão desse profissional a


seguinte fala foi apresentada “Olha a importância do serviço social na SEPLAN, é de

81
“Tais inserções são acompanhadas de novas exigências de qualificação, tais como: o domínio de
conhecimentos para realizar diagnósticos socioeconômicos de municípios, para a leitura e análise dos
orçamentos públicos, identificando seus alvos e compromissos, assim como os recursos disponíveis para
projetar ações; o domínio do processo de planejamento; a competência no gerenciamento e avaliação de
programas e projetos sociais; a capacidade de negociação, o conhecimento e o know-how na área de recursos
humanos e relações no trabalho, entre outros. Somam-se possibilidades de trabalho nos níveis de assessoria e
consultoria para profissionais mais experientes e altamente qualificados em determinadas áreas de
especialização. Registram-se, ainda, requisições no campo da pesquisa, de estudos e planejamento, entre
inúmeras outras funções” (IAMAMOTO, 2009, p.31)
98

humanizar os projetos [...]”(ENTREVISTADO 5,2013), essa humanização é feita através da


mediação entre os usuários e o serviço desenvolvido, pois como destaca o entrevistado 5 esse
trabalho deles é muito técnico com relação a especificidade da profissão, não tem essa
interação com a população usuária do serviço o que as vezes é necessário por exemplo em um
processo de regularização fundiária.
É importante verificar que um profissional de área distinta compreende e valoriza a
intervenção do serviço social considerando que existe a predominância desta profissão no que
se refere a este campo de trabalho.

2. No trabalho interdisciplinar, qual a contribuição do Serviço social para o planejamento


urbano?

Com relação a visão deste no que tange a contribuição do serviço social para o
planejamento urbano o entrevistado 5 considerou que

[...] eu vejo assim dessa questão de planejamento urbano tem as duas vertentes no
caso especifico da Regularização Fundiária na qual eu trabalho ou no planejamento
geral né, no caso especifico da Regularização Fundiária é essa ponte de ligação entre
o desenvolvimento técnico do projeto e a necessidade real das pessoas [...] agora
quanto ao planejamento de modo geral dentro da SEPLAN e planejamento urbano
da cidade, de construção, então ajuda mais na mobilização popular dessas
reivindicações, de ações, como demanda mesmo pro planejamento e a efetivação
dos projetos nessas pós-ocupação, nesses dois sentidos (ENTREVISTADO 5, 2013)

Como já observamos antes, o entrevistado 5 salienta que o serviço social é a ponte de


ligação entre a população e o serviço técnico. Também alude a participação com duas
vertentes na questão da regularização fundiária podemos entender com base na fala, que seria
a humanização por ser próximo a população e conhecer as demandas e necessidades bem
como a realidade social. E na vertente do planejamento geral a mobilização popular é
definida como a principal contribuição.

3. E como se dá a relação de trabalho interdisciplinar?

Também foi verificado junto ao entrevistado 5 sobre como se dá a relação de trabalho


interdisciplinar, “ Essa relação de trabalho interdisciplinar a principio né que nem eu falei
tem a parte técnica né, daí como complementação vem essa visão social né, geralmente é
parceria né [...]”(ENTREVISTADO 5, 2013).
99

Com relação a interdisciplinaridade

Na interdisciplinaridade, teríamos uma relação de reciprocidade, de mutualidade, um


regime de copropriedade, possibilitando o diálogo, onde as diversas disciplinas
levam a uma interação, a uma intersubjetividade, condição para a efetivação do
trabalho interdisciplinar (SAMPAIO et al, 2002, p.83)

Como informado pelo entrevistado 5 na relação de interdisciplinaridade se dá a


complementação pela visão do social para contribuir na parte técnica dos projetos.
Compreende essa colaboração como uma parceria. O entrevistado abordou outra questão
importante ao explanar que o trabalho deve ser desenvolvido em parceria, pois existe uma
necessidade de contribuição entre uma profissão e outra. E conforme os autores a
interdisciplinaridade é uma relação de reciprocidade uma interação entre as diferenças.

BLOCO D - Entrevista com acadêmicos, estagiários de Serviço Social

Já outro bloco, as entrevistas foram realizadas junto as estagiárias que fazem parte
deste setor, e buscou-se objetivamente analisar a compreensão destas com relação ao
planejamento, gestão e serviço social ainda na condição de acadêmicas, neste bloco a
entrevista foi realizada com duas pessoas.

1. O serviço social é uma profissão necessária no planejamento urbano?

Na questão que se refere ao serviço social como um profissão necessária ao


planejamento urbano a opinião de ambas se define em sim, conforme ilustrado abaixo

É necessário sim, pois tem muitos projetos que somente a assistente social pode
planejar e executar na nossa área ( ENTREVISTADO 6, 2013)
Sim, pois a mesma vem ao encontro com uma das realidades sociais da atualidade,
certamente que o ato de planejar possibilita um melhor condicionamento a toda
demanda usuária do serviço social, bem como, fortalecendo ainda mais a atuação
deste profissional dentro do setor de planejamento urbano, o qual visa o
planejamento da cidade (ENTREVISTADO 7, 2013)

A visão acerca do assistente social na área de planejamento urbano se consubstancia


pela necessidade de intervenção desse profissional em diversas áreas bem como o
planejamento ser parte constitutiva da formação acadêmica o que proporciona no
100

entendimento de ambas a necessidade de planejar e a capacidade do assistente social em


desenvolver o planejamento em diversas esferas.

2. O curso de Serviço social auxilia, para exercer suas atividades nesta área?

Com relação a contribuição acadêmica para exercer atividade em campo de


planejamento urbano explicita-se as seguintes falas

Auxilia, pois o profissional tem que estar capacitado para atuar em qualquer área
(ENTREVISTADO 6, 2013)
Sim, o mesmo fornece embasamento teórico metodológico, postura critica e alicerce
no código de ética da categoria, sobre a perspectiva do respeito da liberdade
incondicional do cidadão, da luta pelo direito e uma sociedade mais justa e
igualitária, visando e buscando sempre romper com as desigualdades impostas pelo
capital (ENTREVISTADO 7, 2013)

Prima-se então pela compreensão de que o planejamento deve e fará parte da atuação
profissional visto que o mesmo já faz parte enquanto acadêmicos, além do que como
lembrado pelo entrevistado 7 o curso fornece subsídios para a atuação profissional com base
nos alicerces do código de ética e da lei que regulamenta a profissão, bem como cabe ao
profissional complementar seu aporte teórico com vistas a auxiliar em seu processo de
trabalho.

3. Quais são as principais temáticas desenvolvidas na gestão das políticas urbanas, em que o
serviço social atua?

Quando questionadas em relação as principais temáticas desenvolvidas na gestão das


políticas urbanas em que o serviço social atual as entrevistadas abordam em comum dois
pontos

Nós temos aqui o programa de habitação de interesse social, a Regularização


Fundiária e os outros demais quando surgem no decorrer do processo a gente acaba
desenvolvendo (ENTREVISTADO 6, 2013).
Neste item, dentro do setor em que o serviço social está inserido na SEPLAN, temos
o Programa Minha Casa, Minha Vida, a Regularização Fundiária e as demandas que
surgem com a participação em projetos, atividades, conferencias, conselhos,
envolvimento com outras políticas, e parceria com outras secretarias, como a
SEASO que é a Secretaria de Assistência Social (ENTREVISTADO 7, 2013).
101

Esses pontos se referem a intervenção profissional em primazia na Regularização


Fundiária e Programa Minha Casa, Minha Vida como também salientam outras atividades
desenvolvidas com base nas demandas que surgem como outros projetos que a secretaria
desenvolve.
Nessas entrevistas foi perceptível que as entrevistada compreendem o planejamento
como parte constituinte da intervenção profissional e também que o curso auxilia na
apropriação deste instrumental.
Com relação ao planejamento em que o serviço social pode desenvolver o foco de
abordagem de ambas foi com base no setor especifico onde fazem estágio. Nessa perspectiva
podemos observar que as respostas se referem a abordagem técnico operativa da intervenção
profissional visto que a gestão dos dois programas é realizada por um profissional de serviço
social juntamente com o diretor e o secretario da SEPLAN.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
102

O serviço social se inscreve como profissão a qual tem seu objeto de trabalho em
varias facetas da questão social. Nessa dinâmica a intervenção se dará de formas distintas bem
como em campos de trabalhos diversos é nesse contexto que se desdobrou a necessidade de
compreender como os profissionais fazem uso da gestão e do planejamento como ferramentas
do exercício profissional bem como demonstrar a importância da atuação destes em campo de
planejamento e em especifico na SEPLAN.
Os direitos se apresentam como respostas de trabalho dos assistentes sociais frente a
questão social e se definem em direitos civis, políticos e sociais compreender essa
importância nos remete a conhecer de forma ampla as respostas possíveis as questões
amplamente difundidas na sociedade capitalista.
Outra questão importante é de que forma esses direitos serão viabilizados e conforme
demonstramos é nesse ínterim que existe a importância de documentos legais que preconizem
os direitos de forma integra. Desses documentos salientamos a Declaração Universal dos
direitos Humanos e a Constituição Federal de 1988 que foi decorrente de um novo processo
da democracia e dos direitos no país com o fim da ditadura militar.
Esse processos tem sua interferência também na estruturação do Estado pois a
administração pública passou por alterações junto com a constituição e também pela reforma
do estado. É importante conhecer como se dá a estruturação do Estado e como se aplica a
organização e administração neste visto que o mesmo se apresenta como um dos principais
campos de atuação profissional.
Nesses campos a intervenção se desenvolve por meio de políticas, programas, projetos
e outras formas, daí a importância do assistente social estar capacitado para intervir na
realidade e nas diferentes demandas. Contudo além das políticas serem uma forma de
intervenção os profissionais não são mais meramente executivos das mesmas e possuem
capacidade e necessidade de atuação em campos de planejamento, formulação, avaliação e
gestão dessas políticas programas e projetos.
Para tanto é necessário o aprimoramento profissional e conhecimento da realidade e
das demandas bem como das técnicas empregadas. E é nesse sentido que se emprega o objeto
desta pesquisa visto que conhecer a atuação do profissional de serviço social na SEPLAN é
uma forma de apresentar a atuação de trabalho em diferentes esferas.
As principais políticas que permeiam a secretaria e em consequência a intervenção
profissional se dão pela política urbana e de habitação, e é nesse contexto da administração
pública utilizando-se de seus instrumentais que os assistentes sociais fazem uso do processo
de planejamento bem como participam da gestão dessas políticas.
103

Conforme podemos visualizar de acordo com as entrevistas realizadas somado ao


conhecimento obtido pela pesquisa bibliográfica, conclui-se que o serviço social participa da
gestão no que refere a essas políticas supracitadas por meio do Programa Minha Casa, Minha
Vida e da Regularização Fundiária.
No que se refere ao planejamento este apresentou como característica principal o
envolvimento do serviço social pelos planos que a secretaria desenvolve em consonância com
o Estatuto das Cidades e a Constituição Federal. Porem também é perceptível na fala dos
entrevistados que o planejamento perfaz a atuação profissional em diversos aspectos,
tornando-se assim uma ferramenta utilizada para o processo técnico Professional, bem como é
considerado imperativo para o processo de trabalho como um todo.
Porem cabe observar que em nenhuma das entrevistas o planejamento e a gestão
apareceram como a principal intervenção do serviço social na SEPLAN, este se apresenta
como uma necessidade em virtude do campo de trabalho e das intervenções realizadas. No
entanto esta observação não considera que o planejamento não faz parte da dinâmica
profissional, mas que não é a única ferramenta utilizada.
Outro quesito que merece destaque é com relação a mobilização de comunidade e
participação social, são ferramentas da gestão democrática apresentada pelos documentos
legais que norteiam a política da secretaria. Estas outras ferramentas profissionais ganham
destaque em virtude de ser uma exigência dos planos realizados bem como da nova forma da
administração pública que prima pela transparência e eficácia bem como o envolvimento da
população em cumprimento de seu sentido democrático.
Foi também verificado junto aos entrevistados com relação a importância do serviço
social neste campo de trabalho bem como a dinâmica do trabalho multiprofissional e
interdisciplinar visto que essa é uma característica presente na realidade da profissão e
também necessária já que tem o sentido de contribuição e complementação.
Nesse sentido o que pode ser observado de acordo com as falas é que existe esse
trabalho em conjunto até pela necessidade dessa interação para o desenvolvimento do
trabalho, mas o que mais comprova essa realidade é o fato de que o campo para os assistentes
social nesta secretaria já se efetivou e ampliou-se o que corrobora para demonstrar a
importância da atuação deste profissional o que também foi considerado pelos entrevistado de
forma positiva.
Em suma este trabalho propiciou um conhecimento amplo com relação ao processo de
trabalho em campo de planejamento e gestão aliado a experiência da SEPLAN. Foi possível
compreender que os profissionais utilizam-se do planejamento como ferramenta do exercício
104

profissional e se inscrevem em varias facetas profissionais, ou seja, como profissionais de


base e como gestores.
Conclui-se, portanto com base no que foi visualizado até aqui por meio da pesquisa
bibliográfica e das entrevistas realizadas que o profissional de serviço social tem a
necessidade de utilizar o processo de planejamento no seu agir profissional bem como possui
um leque amplo de atividades em que fará uso desta ferramenta em consonância com a lei que
regulamenta a profissão bem como os demais aparatos legais que norteiam o agir profissional.

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SÀ, Jeanete Liasch (org) Serviço Social e Interdisciplinaridade: dos fundamentos
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112

APÊNDICES

APÊNDICE 1- FORMULÁRIO DE ENTREVISTA..................................................... 113

APÊNDICE 2- TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO............ 115


113

APÊNDICE 1 - FORMULÁRIO DE ENTREVISTA

FACULDADE ITECNE DE CASCAVEL


CURSO DE SERVIÇO SOCIAL
ACADÊMICO (A):
OBJETIVO GERAL DA PESQUISA:
INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS: Entrevista
PÚBLICO ALVO:
INSTITUIÇÃO/LOCAL DA ENTREVISTA:
DATA DA ENTREVISTA: 28/08/2013 Nº DA ENTREVISTA: ________________

Roteiro de Perguntas
BLOCO A
Entrevista com os gestores da Política de Planejamento Urbano
 DIRETOR
 1. Qual a importância da atuação do profissional de serviço social no processo de
planejamento da política Urbana?
 2. O Profissional de Serviço Social participa do processo de planejamento,
formulação de políticas, temas que a Secretaria desenvolve?
 3. Qual é o perfil necessário para o exercício no papel de gestor de políticas?
 4. O profissional de Serviço Social está preparado para atuar junto a administração
pública, na gestão e planejamento urbano? Qual o perfil hoje para ser gestor?

BLOCO B
Entrevista com os profissionais assistente sociais da Secretaria de Planejamento
Urbanismo
 PROFISSIONAIS
 1. Qual o papel, atribuições do profissional de serviço social na SEPLAN?
 2. O Serviço Social, contribui, participa do processo de gestão, planejamento e
formulação de políticas urbanas?
 3. Como o profissional utiliza o processo de planejamento no exercício de suas
atribuições e/ou na SEPLAN?
 4. Em que consiste a pratica do planejamento na visão do profissional de serviço
social?
114

BLOCO C
Entrevista com profissionais de outras áreas, a questão da interdisciplinaridade e o
Serviço social.
 ARQUITETA
 1. Qual a importância do serviço social na SEPLAN?
 2. No trabalho interdisciplinar, qual a contribuição do Serviço social para o
planejamento urbano?
 3. E como se dá a relação de trabalho interdisciplinar?

BLOCO D
Entrevista com acadêmicos, estagiários de Serviço Social.
 ESTAGIÁRIO
 1. O serviço social é uma profissão necessária no planejamento urbano?
 2. O curso de Serviço social auxilia, para exercer suas atividades nesta área?
 3. Quais são as principais temáticas desenvolvidas na gestão das políticas urbanas, em
que o serviço social atua?
115

APÊNDICE 2

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

Eu, (informar os dados do sujeito da pesquisa – nome, nacionalidade, idade, estado


civil, profissão, endereço, RG e CPF), declaro ter recebido o convite para participar de um
estudo denominado (informar o título da pesquisa), que tem como objetivos e justificativas
(apresentar a que o estudo se destina e por que está sendo realizado).
A minha participação no referido estudo será no sentido de (descrever qual será o
procedimento do qual o sujeito participará – lembrar-se de utilizar linguagem acessível).
Declaro que recebi todos os esclarecimentos necessários sobre os procedimentos para a
realização da pesquisa e que estou ciente de que minha privacidade será respeitada, ou seja,
meu nome ou qualquer outro dado ou elemento que possa, de qualquer forma, me identificar,
será preservado.
Também fui informado de que o resultado final dessa pesquisa poderá ser objeto de
publicação ou exposição na forma de trabalho científico, no âmbito nacional ou internacional
e ainda que posso me recusar a participar do estudo, ou retirar meu consentimento a qualquer
momento, sem precisar apresentar justificativa para tal ato, não sofrendo qualquer prejuízo ou
penalidade em razão disso.
Os pesquisadores envolvidos com o referido projeto são (nomes dos pesquisadores e
instituições a que estão vinculados em relação à pesquisa) e com eles poderei manter
contato pelos telefones (telefones dos pesquisadores) e/ou pelos e-mails (informar os e-
mails).
Tendo sido orientado quanto ao teor do todo aqui mencionado e compreendido a
natureza e o objetivo do presente estudo, manifesto meu livre consentimento em participar,
estando totalmente ciente de que não há nenhum valor econômico, a receber ou a pagar, por
minha participação.
Em casos de dúvidas, reclamações ou qualquer tipo de denúncia sobre esta pesquisa
poderá entrar em contato com o Comitê de Ética em Pesquisa das Faculdades Itecne –
Cascavel pelo telefone (45) 3326-0110 ou ainda com a Coordenação do Curso de Serviço
Social da referida Instituição pelo e-mail itecne@itecnecascavel.com.br.

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