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Iuri Andréas Reblin

METODOLOGIA DA PESQUISA

2ª edição

São Leopoldo – RS
2019
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Pró-Reitor de Ensino e Extensão Projeto Gráfico


Verner Hoefelmann Rafael von Saltiél
Iuri Andréas Reblin
Pró-Reitor de Gestão Vitória Centeleghe dos Santos
Valério Guilherme Schaper
Diagramação
Conselho Editorial ad hoc deste livro Iuri Andréas Reblin
(ordem alfabética)
André Sidnei Musskopf (EST, São Leopoldo/RS, Capa
Brasil); Iuri Andréas Reblin (EST, São Rafael von Saltiél
Leopoldo/RS, Brasil); Kathlen Luana de Oliveira
(IFRS, Osório/RS, Brasil); Oneide Bobsin (EST, Revisão
São Leopoldo/RS, Brasil); Rudolf von Sinner (EST, Iuri Andréas Reblin
São Leopoldo/RS, Brasil).
Qualquer parte pode ser reproduzida,
desde que citada a fonte.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Ficha elaborada pela Biblioteca da EST


SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO ............................................................................................................ 5
CONSIDERAÇÕES INICIAIS ........................................................................................ 7
1 A PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO: OS PRINCÍPIOS ..................................... 11
1.1 Tudo começa com um problema .................................................................................... 14
1.2 Escolha do tema e primeiro levantamento teórico ........................................................ 18
Anexo A – Leitura complementar .................................................................................. 29
2 A PESQUISA CIENTÍFICA: OS PARÂMETROS ..................................................... 33
2.1 As características da pesquisa científica ......................................................................... 35
2.2 Critérios de cientificidade ............................................................................................... 40
Anexo A – Leitura complementar .................................................................................. 45
3 A FORMULAÇÃO DO PROBLEMA: A PERGUNTA ............................................. 49
3.1 A pesquisa científica e o problema de pesquisa ............................................................. 51
3.2 Estrutura do problema de pesquisa ................................................................................ 57
4 O PLANEJAMENTO DA PESQUISA: O PROJETO ................................................ 63
4.1 Estrutura de um projeto de pesquisa .............................................................................. 67
4.2 Projeto de pesquisa, parte por parte ............................................................................... 71
4.3 Retomadas pontuais ......................................................................................................... 80
4.4 Um exemplo prático ........................................................................................................ 87
5 A REDAÇÃO CIENTÍFICA: CONSIDERAÇÕES..................................................... 93
5.1 Apresentação formal do trabalho científico ................................................................... 95
5.2 Considerações redacionais e de estilo............................................................................. 96
5.3 O perigo do plágio.......................................................................................................... 104
6 ORIENTAÇÕES PRÁTICAS SOBRE O PROJETO DE PESQUISA .................... 109
6.1 Conhecimento marinado ............................................................................................... 111
6.2 O projeto de pesquisa e as etapas finais do curso ........................................................ 112
6.3 Considerações gerais sobre a ABNT ............................................................................ 115
REFERÊNCIAS ............................................................................................................ 125
APRESENTAÇÃO

Olá!

Seja bem-vindo e seja bem-vinda à ―Metodologia da Pesquisa‖.

Este componente curricular tem o objetivo de preparar você para a realização de


uma das etapas mais importantes de seus estudos: a realização do trabalho final.
Diferente dos componentes curriculares, o trabalho final é o momento em que você
poderá exercitar sua autonomia e o diálogo entre diferentes pessoas interlocutoras,
pesquisar algo de seu interesse, trazer nova perspectiva sobre temas, familiarizar-se com
assuntos que você queira aprofundar, etc. Mas ninguém faz isso (e consegue fazer isso)
partindo do zero, sem conhecer os princípios que regem a produção de conhecimento, os
parâmetros da pesquisa científica, os procedimentos para a organização, o planejamento,
a execução e documentação do estudo, a sistematização de ideias, apresentação, análise e
discussão dos resultados de maneira clara, objetiva e crítica. Isto é, para empreender uma
pesquisa, você precisa estar familiarizado com os traquejos aceitos pela comunidade
acadêmica e científica — estamos falando aqui de aprender a jogar as regras do jogo — e
é isso que este componente tem a intenção de fornecer.

Bons estudos!

APRESENTAÇÃO 5
6 APRESENTAÇÃO
CONSIDERAÇÕES INICIAIS

A pesquisa acadêmica e científica é uma experiência fascinante. É o momento


em que nós podemos percorrer um caminho mais autônomo, escolhendo temas de nosso
interesse, experimentar o instrumentário que rege a ciência. É o instante em que
podemos ensaiar (e mesmo deixar) nossa impressão digital, nossa fingerprint, no mundo.
Agora, para fazer pesquisa na academia, fazer ciência, é necessário corresponder a alguns
critérios e seguir certos procedimentos normatizados.

Em primeiro lugar, é importante estar familiarizado e seguir os parâmetros


aceitos pela comunidade científica; isto é, é necessário conhecer os tipos de pesquisa,
saber elaborar um bom planejamento, documentar adequadamente cada etapa do estudo,
apresentar de maneira clara, inteligível e objetiva os resultados finais. Quem faz pesquisa
tem (assim como em outras profissões) uma responsabilidade social muito grande. Isso
porque a pesquisa está relacionada à produção de conhecimento. Depois, a divulgação
desse conhecimento acaba impactando na vida de muitas pessoas, independentemente da
área em que a pesquisa está sendo realizada. Por exemplo, uma pesquisa que fala sobre os
malefícios dos agrotóxicos nos alimentos, ou da transgenia, influenciará diretamente nos
hábitos alimentares e, consequentemente, na sociedade, na cultura, na economia, na
política, etc.; ou ainda uma pesquisa que versa sobre o impacto da internet na educação
de adolescentes, ou que forneça outra perspectiva sobre uma doutrina de fé, acabará
repercutindo diretamente na vida social, o que nos remete ao segundo critério da
pesquisa: o zelo nos processos.

A pesquisa exige um rigor metodológico e um zelo muito grande no uso das


informações, do arcabouço teórico que dispomos. Precisa ser bem documentada. Cada
etapa precisa ser revista. Ideias, teorias e conceitos precisam ser bem apresentados. É
necessário honestidade, serenidade e muito treino; afinal, ninguém nasce pesquisador ou
pesquisadora. Trata-se de um contínuo tornar-se, de um vir a ser. Além disso, a
realização de uma pesquisa impacta diretamente nos hábitos corriqueiros da pessoa
pesquisadora: o estudo irá requerer leitura, muito leitura, disciplina, organização e
gerenciamento do tempo, ensaios de escrita – a assimilação, reflexão e transposição de
ideias são artes que se aprende fazendo – e despertar de um espírito crítico.

CONSIDERAÇÕES INICIAIS 7
A Professora Doutora Débora Diniz caracteriza um perfil muito interessante de
um ideal de pessoa pesquisadora. Associando ao hábito e ao perfil de pessoa leitora ideal,
Diniz ilustra:

Ela tem em si o espírito ironista da dúvida, mas é também capaz de ouvir


e repetir com honestidade e paciência. Ela cultiva a sabedoria, sem
pressa pelo acúmulo arquivista que assola algumas leitoras burocratas. A
leitora criativa é capaz de combinar um senso aguçado para o novo com
um respeito suspeito pelo antigo. Ela não acredita em teses prontas,
duvida de quem lhe diz que as teorias serão capazes de responder a todas
as suas inquietações. A leitora criativa aprende rapidamente a respeitar
seu grilo do tremor e duvida também de si mesma. É cautelosa no que lê,
é seletiva em suas autoras, e tem calma para avançar. Não se intimida
com suas colegas que procuram impressionar pelo obscurantismo do
texto ou pela arrogância de autoras e conceitos enquanto discursam.1

O perfil apontado pela Diniz sugere que a pessoa pesquisadora precisa saber
questionar (inclusive a si mesma) suas convicções, revisar suas informações; ler e estudar
os argumentos do referencial teórico com atenção, de modo a provocar um exercício de
deslocamento e compreensão do pensamento estudado, respeitando o contexto e o lugar
de fala. Além disso, precisa conhecer o estado de arte da discussão e respeitar a tradição
de pesquisa sobre o tema; buscar conhecer e utilizar argumentos para corroborar suas
asseverações. Esse perfil é construído pela experiência, pelo exercício de ausculta e pela
reflexão crítica. Nessa direção, o material preparado neste livro tem o intuito de, como já
reiterado na apresentação, estimular o espírito da pesquisa e fornecer as ferramentas
elementares para a realização de pesquisas acadêmicas e elaboração de textos, sejam estes
artigos, dissertações, trabalhos finais ou mesmo teses.

Longe de esgotar o assunto (há uma infinidade de material a respeito, e cada


pessoa teórica possui suas particularidades; afinal, não há um único método, assim como
não há uma única compreensão do que seja ciência), este material quer antes dar dicas,
truques, sugerir leituras e indicar alguns aspectos gerais para evitar que você caia em
―erros básicos‖.

Para fazer pesquisa e produzir conhecimento não precisamos de muitas coisas.


De um lado, Rubem Alves diria que apenas duas são necessárias: olhos espantados e
inteligência.2 É necessário identificar, observar a realidade a nossa volta e os desafios que
dela emergem, saber perguntar, elaborar hipóteses e pôr-se em ação. Só podemos criar o

1
DINIZ, Débora. Carta de uma orientadora: o primeiro projeto de pesquisa. 2. ed. Brasília: Letras
Livres, 2013. p. 54-55.
2
OS QUATRO Pilares – Rubem Alves. 1. Aprender a Aprender. Direção: Paulo Aspis. Roteiro: Rubem
Alves. São Bernardo do Campo: Nitta‘s Digital Video, [2008]. 1 DVD (28 min), fullscreen 4x3, color.
Produzido por ATTA Mídia e Educação. Cap. 3.

8 CONSIDERAÇÕES INICIAIS
novo quando somos capazes de ver as coisas e pensar sobre elas. Ver – Pensar – Inventar
é a tríade pela qual Rubem Alves resume a educação.3 Essa tríade vale igualmente para
qualquer exercício inventivo, criativo, de gestação de conhecimento, de erupção do novo.
A inteligência, diria ele, é um órgão flácido que só é despertado pela curiosidade.4 E, para
a curiosidade, é necessário ver, espantar-se e maravilhar-se com as coisas a nossa volta.5

De outro lado, o processo de investigação em si requer mais em termos de


postura que em termos de conhecimento, visto que dependendo da postura que
adotamos, conseguimos acessar as informações e construir os argumentos que
precisamos. Essa postura da pessoa pesquisadora requer paciência, serenidade,
humildade, tempo, disciplina, reflexão. Em termos práticos básicos, tem a ver com duas
operações básicas, descritas pela Débora Diniz: leitura e escrita. 6

A leitura será sua atividade mais básica de pesquisa. Ela terá de ser feita
durante todo o período de elaboração do projeto e de redação da
monografia. Ler é escolher, muito mais do que deixar se dominar pelo
que cruzar o seu caminho [...] A leitura nos inspira, permite desvendar
segredos nos dados de campo, estimula os dedos para a escrita. Não sei se
a medicina concorda com o que sinto, mas acho que há uma conexão
neuronal entre os olhos e as mãos – quanto mais leio, mais meus dedos
fluem na escrita.7

Não por último, convém destacar que o ponto de vista a partir do qual este
material estará abordando temas relacionados à ciência, epistemologia, pesquisa, métodos
e técnicas, provém das ciências humanas. Esta é a perspectiva a partir da qual se estará
abordando ou refletindo sobre esses conceitos.

Esperamos que você aproveite bem este material e o estude com atenção.
Seguindo as dicas e as orientações que estão aqui, com certeza, você estará no caminho da
pesquisa científica saudável e significativa para a vida social e para as áreas do
conhecimento.

Desejamos bons estudos!

3
ALVES, Rubem. Por uma educação romântica. 7. ed. Campinas: Papirus, 2008. p. 191-196.
4
OS QUATRO Pilares – Rubem Alves. 2. Aprender a Fazer. Direção: Paulo Aspis. Roteiro: Rubem
Alves. São Bernardo do Campo: Nitta‘s Digital Video, [2008]. 1 DVD (43 min), fullscreen 4x3, color.
Produzido por ATTA Mídia e Educação. Cap.5.
5
OS QUATRO Pilares – Rubem Alves. 1. Aprender a Aprender. Direção: Paulo Aspis. Roteiro: Rubem
Alves. São Bernardo do Campo: Nitta‘s Digital Video, [2008]. 1 DVD (28 min), fullscreen 4x3, color.
Produzido por ATTA Mídia e Educação. Cap. 3.
6
DINIZ, 2013, p. 51-79.
7
DINIZ, 2013, p. 51.

CONSIDERAÇÕES INICIAIS 9
10 CONSIDERAÇÕES INICIAIS
A PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO: OS PRINCÍPIOS

1 A PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO: OS PRINCÍPIOS

Roteiro de aprendizagem

Nesta primeira unidade, nós refletiremos sobre alguns princípios da construção


de conhecimento. Particularmente, abordaremos a construção de conhecimento como
uma atividade relacionada à sobrevivência (e, mais que isso, à vivência e à boa vivência).
O conhecimento nasce de uma necessidade prática: viver no mundo e viver bem. Desse
processo, enfatizaremos a questão da formulação de problema como base para a produção
de saberes. Na sequência, logo nos ocuparemos com uma questão prática: a escolha do
tema de pesquisa e o mapeamento prévio do estado de arte da discussão, realizado por
meio do exercício da garimpagem.

Nessa direção pedimos que leia e estude a unidade com atenção e atente para as
partes em destaque. Mais importante ainda, comece, desde já, a pensar em um tema para
a sua pesquisa, pois, ao final desse nosso percurso, você terá que ter um miniprojeto
pronto. Nesta unidade, você encontrará:

- sugestões práticas para seu estudo individual.

- atividade para definição do tema de pesquisa.

UNIDADE 1 11
Descobertas e criações de receitas

Figura 1: alimentos
Fonte: Pixabay8

Imagine a seguinte situação: você precisa fazer uma refeição, um almoço, um


jantar, para alguém que vai lhe visitar. Você olha na sua despensa, no seu armário, na sua
geladeira e encontra uma série de ingredientes aleatórios, como os da imagem acima. Não
há tempo de ir ao supermercado ou outro lugar, nem emprestar porções do vizinho. Você
terá que inventar a partir do que você dispõe. O que você faz?

Bem, pode ser que o primeiro passo seja identificar todo o material que você
dispõe. Quantas cebolas, quantos tomates, se há ou não alho ou arroz, etc. Depois de
identificado, você teria que imaginar uma refeição (conhecida ou totalmente nova e
inusitada) que pudesse ser feita com aqueles ingredientes. Você teria que pensar se você
prepararia algo cru, cozido, assado, frito, etc. Você teria que organizar o que você faria,
como faria e na ordem que faria para adquirir o melhor resultado possível.

8
<https://pixabay.com/pt/photos/download/vegetables-2338824_1920.jpg?attachment>

12 UNIDADE 1
Figura 2: sopa misteriosa
Fonte: Pixabay9

Agora vamos imaginar outra situação: você provou um prato delicioso. A pessoa
que o preparou disse que não iria lhe contar a receita. Mas você gostou tanto que quer
tentar reproduzi-la. O que você faz? Como descobrir os ingredientes e suas dosagens, o
modo de preparo, o tempo de cozimento? Talvez, você já tenha até assistido essa situação
na televisão, pois há, na verdade, inclusive, um programa de culinária em que um chef
tenta fazer exatamente isso: descobrir a receita de determinado prato.

Bem, vamos lá! Você teria que identificar os ingredientes e suas dosagens,
imaginar modos de preparo. Esse processo requer imaginação e muita criatividade ( a
atividade de criar). É possível que suas primeiras tentativas de replicar o prato deem
erradas e que você tenha que tentar mais de uma vez, o que pode tornar o desafio ainda
mais instigante.

Essas duas situações trazem como pano de fundo a lógica básica da produção de
conhecimento presente tanto na nossa vida cotidiana quanto nas investigações científicas
das academias, das universidades ou dos institutos de pesquisa. Qual lógica é essa?

9
<https://pixabay.com/pt/photos/download/vegetables-2338824_1920.jpg?attachment>

UNIDADE 1 13
1.1 TUDO COMEÇA COM UM PROBLEMA

A primeira delas, e mais fundamental, é que a produção de conhecimento


começa com um problema ou uma situação-problema. O conhecimento humano surgiu
da necessidade básica da sobrevivência, de se ver no mundo e fazer dele seu lar.

Relembrando...

Como vimos lá na unidade 1 de ―Fundamentos e Metodologia da Educação‖, nós


não nascemos com todas as informações básicas necessárias para nossa sobrevivência. Na
relação com o mundo, nós criamos, inventamos formas de sermos humanos para viver. E
fazemos isso criando ordens de sentido a partir de nossa relação com o mundo à nossa
volta (naturezas, pessoas, etc.). Nessa relação, identificamos o que encontramos como
sendo algo ameaçador ou amigável. Isto é, é a leitura de mundo, de contexto, a partir da
relação, da experiência, do corpo e das necessidades do corpo, que nós gestamos
informações e conhecimentos sobre o mundo e sobre como viver nele.

Esse processo é chamado de ―antropologização‖ do mundo.10 Tanto as


informações decorrentes de situações bem-sucedidas quanto de situações malsucedidas
acabam sendo preservadas e propagadas, porque essas informações irão possibilitar a
sobrevivência e a continuidade da vida humana.

Em algum momento, alguém colocou a mão no fogo e descobriu que o fogo


queima (e você sabia que há fogo que não queima?). Em algum momento, alguém comeu
algum alimento que fez mal. Criamos a todo o momento técnicas, hábitos, convenções,
mecanismos relacionados à política, à cultura, à economia, à religião, à sociedade, às
relações, com o intuito de viver e de viver bem. Claro que há, inclusive, algumas dessas
informações e alguns desses conhecimentos que acabam, por vezes, sendo naturalizados e
tidos como uma espécie de ―verdades universais‖.

Mas esse é um assunto complicado aqui, porque nós poderíamos perguntar em


que medida existem, de fato, verdades realmente válidas para todos os casos. Na
construção de conhecimento, acabaremos aprendendo que ―cada caso é um caso‖. Pode
ser que uma afirmação, baseada numa experiência, ou numa construção lógica de
argumentos teóricos, seja válida para uma circunstância dependendo das características
dessa circunstância e pode ser que não seja válida para outras.

Essa é a primeira dica válida em relação à pesquisa (e, posteriormente, em


relação à produção de nossa pesquisa): mesmo que, como veremos, a pesquisa, a ciência,

10
ALVES, Rubem. O suspiro dos oprimidos. 5. ed. São Paulo: Paulus, 2003. p. 12.

14 UNIDADE 1
busque por padrões e afirmações válidas, nós sempre temos que cuidar para não
generalizar em demasia as teorias, os conceitos, que estivermos elaborando e
comprovando. ―Se as pesquisas nas ciências naturais com frequência conduzem ao
estabelecimento de leis, nas ciências sociais não conduzem mais do que à identificação de
tendências‖.11 Temos que cuidar para não generalizar e universalizar demais por um lado
e também para não relativizar em demasia por outro. Cada caso é um caso e precisaremos
expor sempre quais são as circunstâncias, os critérios, os embasamentos que corroboram
ou endossam as afirmações que fazemos. Isto é, nossos discursos, nossas ideias, são
construídos a partir de fatos, experiências, teorias, etc. Em outras palavras ainda,
pesquisa e ciência requerem humildade epistemológica.

Mas, voltando ao nosso tema em questão, lá no início, afirmamos que a


―produção de conhecimento começa com um problema ou uma situação-problema‖. Se
não há uma preocupação, um mistério, uma curiosidade, uma angústia, um desafio, não
há produção de conhecimento. Quando estamos ―de boas‖, gozando a vida, não
―pensamos‖, mas sim usufruímos a vida. Claro que, no descanso, nas férias, na praia, no
campo, devaneios podem acontecer, pensamentos são estruturados, mas estes não
implicam necessariamente na construção de novos conhecimentos.

Figura 3: ―de boas‖


Fonte: Pixabay12

11
GIL, Antônio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2012. p. 6.
12
< https://pixabay.com/pt/photos/download/vegetables-2338824_1920.jpg?attachment>

UNIDADE 1 15
O que não é problemático não é pensado. Você nem sabe que tem fígado
até o momento em que ele funciona mal. Nem sabe que tem coração, até
que ele dá umas batidas diferentes. Você nem toma consciência do
sapado, até que uma pedrinha entra lá dentro. Quando está escrevendo,
você se esquece da ponta do lápis até que ela quebra. Você não sabe que
tem olhos – o que significa que vão muito bem. Você toma consciência
deles quando começam a funcional mal. Da mesma forma que você não
toma consciência do ar que respira, até que ele começa a cheirar mal...
Fernando Pessoa diz que ―pensamento é doença dos olhos‖. É verdade,
mas nem toda. O mais certo seria ―pensamento é doença do corpo‖.
A gente pensa porque as coisas não vão bem – alguma coisa incomoda.
Quando tudo vai bem, a gente não pensa, mas simplesmente goza e
usufrui.
Todo pensamento começa com um problema.
Quem não é capaz de perceber e formular problemas com clareza não
pode fazer ciência.13

Então, se vamos pensar em construção de conhecimento, percorrer um itinerário


investigativo a partir de um tema determinado, temos que ter diante de nós um problema
ou uma situação-problema. Afinal, ―o conhecimento só ocorre em situações-problema‖.14
Ou, como Rubem Alves afirma na sequência, ―Pensamos quando nossa ação foi
interrompida‖.15 Afinal, o que aconteceu? Nas palavras de Miguel de Unamuno, da obra
O sentimento trágico da vida, citado por Rubem Alves, ―Todo conhecimento tem uma
finalidade. Saber por saber, por mais que se diga em contrário, não passa de um
contrassenso‖.16 Portanto, o conhecimento é gestado a partir do instante em que nós nos
dispomos à solução de um problema, de um enigma.

Esse problema não precisa ser algo ruim. Pode ser uma indagação diante de uma
curiosidade, de um maravilhamento. Em nossas considerações iniciais, retomamos que a
inteligência é um órgão flácido que é despertado pela curiosidade. Para despertarmos
nossa curiosidade, temos que olhar o mundo à nossa volta e nos espantarmos com as
coisas para, daí, fazermos perguntas. Sim, o gatilho inicial da inteligência despertada pela
curiosidade, o gatilho inicial do pensamento, é uma pergunta.

O mundo é maravilhoso, está cheio de coisas assombrosas. A


contemplação das coisas assombrosas que enchem o mundo é um motivo
de riso e felicidade. [...] Quem vê bem nunca fica entediado com a vida.
[...] As coisas não são assombrosas para todos. Só para aqueles que
aprenderam a ver. A visão tem que ser aprendida. Os olhos precisam ser

13
ALVES, Rubem. Filosofia da ciência: introdução ao jogo e a suas regras. 10. ed. São Paulo: Loyola,
2005. p. 24. (Grifo no original)
14
ALVES, 2005, p. 34.
15
ALVES, 2005, p. 34.
16
UNAMUNO apud ALVES, 2005, p. 35.

16 UNIDADE 1
educados. Alberto Caeiro disse que a primeira coisa que o Menino Jesus
lhe ensinou foi ―a olhar para as coisas‖. O Menino Jesus lhe ―apontava
todas as coisas que há nas flores‖ e lhe mostrava ―como as pedras são
engraçadas quando a gente as tem na mão e olha devagar para elas‖. Ver
bem é uma experiência mística, sagrada. [...]

Ver não é o bastante. O assombro das coisas vistas provoca o


pensamento. Queremos entender o que vemos. As crianças não cansam
de perguntar: ―Por quê?‖. Os olhos buscam o entendimento, a razão.
Aristóteles estava certo ao iniciar a sua Metafísica dizendo que ―todos
nós temos, naturalmente, o desejo de entender‖. Mas, é claro, o desejo de
entender, que frequentemente tem o nome de curiosidade, só aparece
quando a inteligência é espicaçada pelo assombro das coisas. Se não
houver essa experiência de assombro a inteligência fica dormindo. [...]
Primeiro, o prazer estético diante do assombro. Depois, o prazer de
compreender. Mas, para compreender, é preciso pensar. O pensamento é
um filho do assombro. Quando passamos do assombro das coisas para o
desejo de pensar, passamos do visível para o invisível. Compreender é
ver o invisível. Foi assim que nasceram as ciências. Copérnico: primeiro,
o assombro dos céus estrelados; depois, a compreensão matemática
(invisível!) dos movimentos das estrelas. Darwin: primeiro, o assombro
diante da variedade das espécies vegetais e animais; depois, a
compreensão (invisível!) da sua origem.17

Portanto, a construção de conhecimento se inicia a partir do momento em que


nós nos espantamos, nos assombramos, nos inquietamos com algo que vemos ou com que
nós nos deparamos e buscamos por compreensão. Esse movimento de buscar por
compreensão se dá por meio do exercício de ―problematização‖, de transformar esse
espanto, esse assombro ou essa inquietação em um problema. E nós problematizamos por
meio da elaboração de perguntas.

Figura 4: problematizando
Fonte: Pixabay18

17
ALVES, 2008, p. 193-194.
18
<https://pixabay.com/pt/photos/download/question-mark-2492009_1920.jpg?attachment&modal>

UNIDADE 1 17
1.2 ESCOLHA DO TEMA E PRIMEIRO LEVANTAMENTO TEÓRICO

Chegamos ao momento da realização de suas duas primeiras tarefas em relação a


seu futuro trabalho: escolher um tema e realizar o primeiro levantamento teórico do que
foi pesquisado sobre o tema que você quer estudar e abordar em seu trabalho final.

A primeira tarefa é, pois, escolher um tema! Para tanto, pense nos componentes
curriculares que você cursou até aqui, nos assuntos que chamaram sua atenção (que
espantaram ou inquietaram você), um tema que você gostaria de aprofundar.

Se você irá fazer um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de graduação, seja


licenciatura ou bacharelado, você tem aí uma trajetória significativa de alguns anos de
temas que já lhe chamaram atenção.

Se o seu TCC se refere à especialização, que é um estudo mais pontual, focado,


específico sobre um assunto que você está se aprofundando (como Especialização em
Bíblia, por exemplo), a ideia é que você escolha seu tema a partir dos componentes
curriculares que você cursou. Não precisa ser um tema de um componente específico. Ele
pode ser transversal, pode ser um tema abordado em um tópico, etc. O propósito, em
todo o caso, é que você faça um trabalho teórico e isso por duas razões:

a) Qualquer pesquisa que envolve seres humanos precisa passar por um comitê
de ética em pesquisa (em qualquer nível de ensino, desde a iniciação científica no Ensino
Médio até o nível mais sofisticado como doutorado e pós-doutorado). Para tanto, precisa
ser devidamente registrada na Plataforma Brasil, o que leva seu tempo em termos de
planejamento e tramitação das etapas para aprovação.

Por conta do tempo e do esforço empreendido na realização de pesquisas sociais,


existe a recomendação de que esse tipo de pesquisa seja pensado para níveis stricto sensu,
como mestrado e doutorado; isso porque tanto na graduação quanto na especialização
ainda há um processo de familiarização com os traquejos da pesquisa e ambas se referem
aos primeiros passos no domínio do instrumentário metodológico e no exercício da
autonomia. O importante nessa etapa é, antes, saber apresentar ideias, discutir e
argumentar com diferentes bases teóricas com propriedade, com idoneidade intelectual,
reproduzindo adequadamente ideias e colocando-as em debate. E é isto que será avaliado:
sua capacidade de discutir um tema a partir de um problema, com uma boa hipótese de
trabalho e fundamentação teórica. Como já afirmamos lá nas considerações iniciais,
ninguém nasce pesquisador ou pesquisadora. Trata-se de um tornar-se, de um vir a ser
que requer tempo, prática, estudo, disciplina, aperfeiçoamento.

18 UNIDADE 1
b) O trabalho monográfico final da especialização tem o formato de um artigo
científico, que compreenderá de 12 a 20 páginas. Um artigo científico tem a tarefa de
apresentar um estudo pontual e ―cirúrgico‖ sobre um tema. Ou seja, ele precisa ser bem
delimitado. Além disso, há um tempo específico para a conclusão do artigo: quatro
meses. Uma pesquisa social demandaria muito mais tempo em termos de execução, coleta
e análise de dados e o número de páginas seria insuficiente para dar conta do assunto.

Mas aí pode ser que você pense: ah, mas um trabalho teórico é muito simples.
Essa ideia é propagada no senso comum por conta da compreensão de que uma pesquisa
quantitativa (com técnicas de coleta de dados como questionários, entrevistas, enquetes,
etc.) é mais ―palatável‖, ―tátil‖, que uma pesquisa de viés mais teórico, ao mesmo tempo
em que aparenta ser mais ―fácil‖, do tipo: ―ah, é só aplicar um questionário e computar
os resultados‖. Trata-se de um ledo engano, pois a pesquisa social tem que dar conta de
montar uma boa fundamentação teórica, isto é, tem que dar conta de todas as exigências
de uma pesquisa teórica, e tem que dar conta de uma boa abordagem social, empírica. E,
nessa direção, não é raro encontrarmos pesquisas sociais sem uma boa base teórica ou
sem uma análise apropriada dos dados coletados.

Figura 5: pesquisa, problema, dados, análise, pensamento


Fonte: Pixabay19

19
<https://pixabay.com/pt/photos/download/concept-1868728_1920.jpg?attachment&modal>

UNIDADE 1 19
Para definir o tema de pesquisa (objeto, assunto), há alguns critérios que podem
ser observados para que o estudo contemple seus interesses particulares e vá também ao
encontro do que a comunidade científica espera. Quando fazemos pesquisa, temos um
compromisso de responsabilidade social. Já mencionamos que nós, seres humanos, não
queremos apenas sobreviver no mundo, mas queremos viver e viver bem. Os saberes
produzidos têm como objetivo trazer uma contribuição para nossa vida em sociedade,
para os diferentes grupos que a constituem e assim por diante.

No texto abaixo você encontra algumas dicas para lhe auxiliar a definir seu tema
de pesquisa. Confira!

―Tu és responsável pelo que cativas‖


Definindo o objeto de pesquisa

Iuri Andréas Reblin20

Um zilhão de coisas passam pela nossa cabeça quando chega o momento de


fazermos o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Podemos fazer o maior drama e
imaginar o quão difícil ou trabalhoso pode ser; podemos nos sentir inseguros e pensar
se realmente daremos conta do recado; ou podemos ainda encarar a situação com
otimismo e pensar que representa o processo final de um período de formação
significativo e também uma etapa do rito de passagem que nos lançará a uma nova
etapa, com novos desafios. Independente do que pode passar pela nossa cabeça, fazer o
TCC é fascinante, pois é o momento em que nós podemos ensaiar trilhar nosso próprio
caminho, desvendar os mistérios que sempre nos chamaram a atenção nos temas que
estudamos e, dependendo do orientador ou da orientadora, é possível até ousar e
inventar. Em todo o caso, o TCC não é só mais uma monografia de componente
curricular. O TCC é a nossa primeira impressão digital no mundo acadêmico, no
campo científico da nossa (futura) área de atuação. Por isso, o primeiro passo na
realização do TCC é pensar o tema: o que nós, afinal de contas, queremos pesquisar?

Escolher um tema não é uma tarefa difícil, mas também não deve ser executada
de maneira descompromissada. Se o TCC é nossa primeira impressão digital no mundo
acadêmico, o tema que queremos pesquisar ou o objeto de pesquisa precisa partir de
nossos anseios interiores, aquilo que nos cativa, que nos comove, que desperta em nós a
curiosidade. Esse é o primeiro ponto para se definir o TCC: ser algo que nos envolve,

20
Publicado originalmente em: REBLIN, Iuri Andréas. ―Tu és responsável pelo que cativas‖: definindo o
objeto de pesquisa. HistóriaHoje.com. 8 out. 2014. Disponível em: <http://historiahoje.com/especial-
tcc-definindo-o-objeto-de-pesquisa-2/>. Acesso em: 20 jun. 2018.

20 UNIDADE 1
que nos interessa, que nos instiga à investigação, ou você acha que cientistas passam
horas e horas trabalhando, por vezes, passando noites e noites em claro, em suas
pesquisas apenas por ―obrigação‖ ou para cumprir ―horário‖? Não, cientistas passam
horas a fio porque estão fascinados pelo mistério que ronda seus objetos de pesquisa.
Então, o primeiro critério para se definir um objeto de pesquisa é ir atrás daquilo que
cativa você.

O segundo critério para se definir um objeto de pesquisa, de acordo com


Umberto Eco, nos livrinhos intitulados ―Como fazer uma tese‖ e ―Como fazer uma tese
em ciências humanas‖ é que o tema não deve ser só interessante para você, mas deve
contribuir de alguma forma para a reflexão acadêmica e científica na área. No fundo,
quando pensamos no porque de fazer determinadas pesquisas, nós estamos pensando
na justificativa. Por que é interessante? Por que é interessante para mim? De que modo
seria interessante para outros pesquisadores e outras pesquisadoras da área? De que
modo o tema pode ser útil para a comunidade científica ou para a sociedade? O tema
pode contribuir no quê? Em maior ou menor escala (dado também o grau de exigência
– graduação, especialização, mestrado, doutorado) toda pesquisa sempre contribui em
alguma coisa.

O terceiro critério para se definir um objeto de pesquisa, ainda de acordo com


Umberto Eco, é realizar uma pesquisa que seja possível de ser realizada. Como assim?
Você pergunta. Ora, vamos supor que você quer pesquisar algum aspecto da história
política de seu município. E, para tanto, você necessita consultar atas e documentos
antigos na prefeitura. Entretanto, você não consegue permissão da prefeitura para
consultar esse material historiográfico, quer seja por medida de segurança, quer seja
pelo próprio cuidado em relação ao material, por conta da ação do tempo. Assim, por
mais interessante que uma pesquisa possa ser, você não tem acesso à fonte que
possibilita a sua realização. Portanto, é importante considerar o acesso e a
manuseabilidade das fontes, sobretudo, em trabalhos de abordagem histórica.

Um último critério para a escolha de um tema é o reconhecimento do tema


pela comunidade científica enquanto tema válido. De fato, esse é critério sobre o qual
nem sempre temos o controle e sobre o qual paira uma disputa política que é chamada
por Pierre Bourdieu de ―a disputa do campo científico‖. Uma determinada
comunidade científica precisa reconhecer determinado objeto enquanto objeto válido
de pesquisa. Reconhecer isso implica em reconhecer protagonistas em determinados
temas ou assuntos, o que pesará na balança do ―capital simbólico‖. Um exemplo quase
clássico: histórias em quadrinhos. Durante muito tempo, as histórias em quadrinhos e
as pesquisas que tinha as histórias em quadrinhos enquanto objeto-fonte foram

UNIDADE 1 21
desprezadas pela comunidade científica. Aliás, não se permitia nem que se pesquisasse
sobre histórias em quadrinhos sob a alegação de ser um tema ―banal‖, ―irrelevante‖,
―cultura de massa‖. E pesquisadores e pesquisadoras que se arriscavam a abordar o
tema eram motivo de piada. Mas hoje os tempos são outros e as histórias em
quadrinhos conquistaram tanto o status de arte, de objeto reconhecível.

Enfim, o primeiro passo para a realização do TCC é a escolha de um objeto de


pesquisa, de um tema ou assunto. Esse assunto precisa ser possível de ser pesquisado.
Deve contribuir de algum modo para a reflexão na área e, sobretudo, deve ser
interessante para você, ser capaz de despertar sua curiosidade e motivar você a ir além.
A frase que caracterizou o título desde post remete ao clássico diálogo entre a Raposa e
o Pequeno Príncipe, no livro de Antoine de Saint-Exupéry e, no fundo, é essa relação
de um cativeiro cativante e de suas consequências que permeia (ou deveria permear) a
pesquisa acadêmica saudável. Portanto, hora de escolher seu tema!

Figura 6: escolhas
Fonte: Pixabay21

A segunda tarefa é fazer um levantamento teórico sobre o que já foi abordado


sobre o tema que você escolheu. Isso é importante porque se refere à verificação do
estado de arte do assunto em questão e à familiarização da tradição de pesquisa a respeito.
A partir do momento em que você escolhe um tema, você precisa saber o que já foi
pesquisado sobre ele, para que você possa delimitá-lo melhor e problematiza-lo.

Como podemos realizar essa verificação do estado de arte? Aqui entra em jogo
um exercício que você empreenderá até o final de todo o curso. Trata-se do exercício de

21
<https://pixabay.com/pt/photos/download/doors-1767563_1920.jpg?attachment&modal>

22 UNIDADE 1
garimpagem. O exercício de garimpagem se refere à consulta a bases de dados,
bibliotecas, portais de periódicos, para saber mais sobre o tema que você quer pesquisar.
Ele se refere a cavoucar e selecionar, de maneira semelhante aos garimpeiros atrás de
pepitas de ouro. Teremos que peneirar muita lama (na internet, na biblioteca) atrás dos
achados que possam contribuir substancialmente para nossa pesquisa. Para tanto, é
importante termos já uma ideia clara do que queremos estudar. Vamos às dicas:

 Você pode começar pelo material didático do curso. Revise o material e


confira os documentos utilizados (bibliografia, sites de internet, vídeos,
etc.).

 Em seguida, consulte a Internet por meio de um site de busca


especializado (como o Google Acadêmico), que seleciona artigos, livros,
materiais acadêmicos. Escolha os textos que lhe chamam a atenção.

 Dos textos que chamaram a atenção, observe o título e o resumo, se forem


artigos. Se esses itens trouxeram aspectos de seu interesse, leia a
introdução e a conclusão. Se a introdução e a conclusão apresentarem
elementos que você queira aprofundar (para se familiarizar melhor com o
tema) ou que você percebe que você possa utilizar em seu estudo, leia o
texto todo. Essa mesma lógica se aplica a livros. Se um livro lhe chama a
atenção, leia, primeiro, os textos da orelha e da contracapa (também
chamada de ―quarta capa‖). Em seguida, confira os tópicos do sumário e,
depois, a introdução e assim por diante.

 No material consultado, confira o material utilizado pelas pessoas autoras


e cruze as informações entre artigos ou textos diferentes, para saber quais
documentos se repetem ou quais são utilizados com mais frequência.
Estes, possivelmente, serão obras ―clássicas‖ ou ―de referência‖, que
remetem à ―tradição da pesquisa‖ sobre o assunto.

 Depois dessa seleção, monte uma lista em ordem de prioridade, partindo


do material que você mais utilizará, isto é, que traz um ―fio condutor‖ da
reflexão que você quer desenvolver, até aquele que você utilizará mais
pontualmente, para reforçar uma posição, uma ideia, ou mesmo para
sugerir como ―leitura de aprofundamento‖. Algumas dessas referências
poderão valer um ―fichamento‖, uma leitura mais aprofundada.

 Em seguida, a partir dessa imersão, retome ao tema e verifique como você


pode delimitá-lo melhor.

UNIDADE 1 23
Figura 7: Google Acadêmico
Fonte: Captura de tela realizada pelo autor.

Um exercício que a Débora Diniz sugere é você, numa folha de papel, ou num
arquivo de computador, anotar seu tema e, adicionalmente, o que você não gostaria de
abordar sobre aquele assunto. Ela sugere que você não precisa necessariamente anotar
isso, mas sim que você deve, durante a escolha do tema, descobrir os limites do enfoque
que você quer dar ao estudo.

Nosso leque de interesses e desejos de pesquisa é sempre maior do que


nossas condições efetivas de explorá-lo. Isso acontecerá com você, mas
também atormenta as pesquisadoras experientes. Há um conselho que
ouvirá de mim e de quem mais conversar sobre seu tema de pesquisa:
―Reduza seu tema de pesquisa, deixe-o mais específico‖. O curioso é o
quanto o tema já parecerá claro e bem resolvido para você, mesmo neste
momento tão inicial da pesquisa. Não acredite nesse seu ímpeto inicial
de clarividência – do tema ao objetivo geral da pesquisa, um bom tempo
de conversas e leitura será consumido. Com algumas variações de estilo,
chamo esse de o conselho da suspeita, uma regra inicial para qualquer
aprendiz de pesquisa: duvide de você mesma. Iniciamos com um tema
para, depois de algum tempo, alcançarmos nosso problema de pesquisa.22

Uma sugestão prática para essa atividade é iniciar o enunciado com: ―Meu tema
de pesquisa é...‖. Por exemplo: ―Meu tema de pesquisa é a proposta educativa de Jesus a
partir do evangelho de Mateus‖; ―Meu tema de pesquisa é a contribuição do conceito de
carisma, em Paulo, para a administração eclesiástica sustentável‖; ―Meu tema de
pesquisa são as possíveis aproximações entre o pensamento de Rubem Alves e de Paulo

22
DINIZ, 2013, p. 20-21.

24 UNIDADE 1
Freire sobre educação‖; ―Meu problema de pesquisa é a discussão de gênero nos
quadrinhos da Mulher Maravilha da década de 1970‖.

Um último aspecto sobre essa primeira unidade merece atenção. Ele tem a ver
com o sucesso da realização deste componente, ―Metodologia da Pesquisa‖, e com o
―Trabalho de Conclusão de Curso‖. Trata-se da questão de gerenciamento de tempo,
planejamento do estudo e da inclusão do hábito relacionado às duas operações básicas da
pesquisa, referidas lá no início de nossa conversa: leitura e escrita.

Figura 8: planejar o tempo de estudo


Fonte: Pixabay23

[...] o planejamento é aquilo que organiza etapas, tarefas e produtos. Para


cada um dos momentos da produção acadêmica, precisaremos
determinara prazos. Por isso, a unidade básica de planejamento é o ―uso
do tempo‖. [...]
A produção acadêmica é resultado de um grande esforço intelectual, de
uma curiosidade insaciável e de um imenso senso de suspeita sobre o que
achamos já saber. Uma suspeita deve se manter com você a partir de
agora: antes de se crer diante de uma grande descoberta, desconfie de sua
ingenuidade e lembre-se de quantas pesquisadoras vieram antes de você.
A cada ímpeto de genialidade solitária, saia à procura de um nome de

23
<https://pixabay.com/pt/photos/download/calendar-1990453_1920.jpg?attachment&modal>

UNIDADE 1 25
autora que desconhecia. Verá que beleza de enciclopédia estará à sua
disposição. Isso não significa que o passado deva intimidá-la, mas apenas
que a certeza da anterioridade nos manterá sempre como autoras
cautelosas diante do texto e da pesquisa. Conhecer quem escreveu e
pensou sobre seu tema é um ato de sabedoria e de firmeza intelectual. 24

A Professora Doutora Débora Diniz dá, em seu livro Carta de uma orientadora,
algumas dicas interessantes para o gerenciamento do tempo e planejamento do estudo. A
sugestão da autora é que você reserve horas semanais para o estudo para a elaboração do
TCC. A recomendação dela é que você disponha de 10 horas semanais para isso. Essas
horas valeriam já deste mês (no curso de ―Metodologia da Pesquisa‖) até a conclusão e
entrega final do TCC. Nas palavras de Diniz, a ―pesquisa é essencialmente um ofício
cumulativo e permanente‖.25

Algumas questões práticas:

a) Descubra o seu ritmo e o melhor tempo para o estudo;

b) Elabore um cronograma de leituras e seja fiel a ele;

c) Conheça a si mesmo ou a si mesma, seu ritmo corporal, sua disciplina;

d) Descubra e avalie:26

a. Quanto tempo você precisa para ler uma página de texto teórico?

b. Quanto tempo você precisa para fazer uma pesquisa na internet ou em


uma base bibliográfica?

c. Quanto tempo você precisa para compreender uma leitura, fazer um


fichamento?

d. Quanto tempo você leva para escrever uma página de texto?

e. Quanto tempo você precisa para revisar uma página escrita?

Conhecer esses processos é importante para que o planejamento dê certo.

24
DINIZ, 2013, p. 42-43.
25
DINIZ, 2013, p. 46.
26
Questionamentos parafraseados de DINIZ, 2013, p. 49-50.

26 UNIDADE 1
No curso de Pós-Graduação lato sensu na modalidade de Educação a Distância,
o ―Trabalho de Conclusão de Curso‖, que acontecerá simultaneamente a ―Docência no
Ensino Superior‖, possuirá um cronograma bem estrito para a entrega de cada etapa do
trabalho final. Para evitar atropelos posteriores, organize a partir de agora uma rotina de
pesquisa e leitura. Os passos contidos em ―Metodologia da Pesquisa‖ irão lhe auxiliar
para que você tenha sucesso em sua empreitada acadêmica.

Por fim, para encerrarmos esta primeira unidade, é importante trazer alguns
apontamentos sobre a ―leitura‖ e sua íntima relação com a ―escrita‖.

O primeiro apontamento se refere sobre a escolha da leitura. Já sugerimos a


importante de se realizar um exercício de garimpagem a partir do tema escolhido. Ao
iniciar uma busca, você se deparará com um universo de documentos e bases teóricas
sobre o seu tema. Isso não significa que agora você tenha que ler tudo o que encontrar
pela frente. É necessário ―filtrar‖ a partir dos enfoques que você quer dar para o tema.
Além disso, outro filtro está relacionado à qualidade dos documentos: prefira sempre
textos científicos e acadêmicos como livros teóricos, artigos científicos, documentários,
dicionários especializados, e evite outras fontes como os ―livros de cabeceira‖, para
público geral, dicionários comuns, livros de autoajuda, Wikipédia, blogs, livros de
devoção e meditação, vídeos de youtubers, etc.

O segundo apontamento é que a leitura irá contribuir para sua escrita. Quanto
mais você ler e permitir-se ser deslocado ou deslocada pela leitura, tanto mais essa leitura
vai auxiliar a lapidar sua escrita, enriquecer seu vocabulário e a forma de apresentar suas
ideias. ―Os deslocamentos [provocados pela leitura] nos inquietam, afugentam nossas
certezas temporárias, mas nos movem rumo ao desconhecido de onde nascerá a criação
genuína. É do deslocamento que nascerá sua voz de autora‖.27

O terceiro apontamento é descobrir seus hábitos de leitura: ―onde lê? Quanto


tempo consegue ler sem pausas? Precisa de silêncio para a leitura? Anota enquanto lê?
Que tipo de anotação realiza: visual ou registro literal de trechos da obra?‖. 28 Descubra
qual é o seu estilo: faz anotações? Faz fotocópia de textos e anota a lápis? Utiliza
marcador de texto? Utiliza post-it para marcar as páginas? Faz fichamentos? Elabora
mapas conceituais?

O quarto apontamento é sobre a escrita do texto. Escrever um texto acadêmico,


refletido, dialogado, com citações, que apresenta com precisão o pensamento de

27
DINIZ, 2013, p. 56.
28
DINIZ, 2013, p. 58.

UNIDADE 1 27
diferentes pessoas autoras em interlocução a partir de uma problemática, é uma arte e
leva seu tempo. Não tenham medo de revisar periodicamente o que você escreveu,
conferir citações e referências, etc. Não canse de revisar o material, principalmente, se
você não tem 100% de certeza (e isso não é um eufemismo) do que você está citando,
como está citando e de onde está citando, a fim de evitar incorrer no perigo do plágio.
Uma dica para verificar se a escrita está fluente e inteligível é dar o texto para outra
pessoa para verificar se ela entendeu o que você está querendo dizer. Sobre a redação em
si, abordaremos o tema numa próxima unidade.

Com isso, vamos lá!

Chegou a hora de você escolher seu tema!

PARA RESUMIR:

Nesta unidade, você aprendeu:

 A produção de conhecimento é atinente ao ser humano como um todo


que quer ler, interpretar o mundo e criar mecanismos (desde coisas
concretas como abrigo, roupa, até coisas mais abstratas como ideias,
valores, e coisas práticas como hábitos, comportamentos, etc.) para
melhor viver no mundo. Todo ser humano produz conhecimento.

 A produção de conhecimento começa com um problema ou uma situação-


problema. E o problema é sempre melhor apresentado na forma de uma
pergunta.

 A pesquisa e a ciência requerem humildade epistemológica. Há de se


cuidar para não generalizar em demasia as teorias, os conceitos, que
estiverem sendo elaborados e comprovados, bem como para não
relativizar em demasia certos padrões identificados.

 A escolha de um tema deve considerar as inquietações da pessoa


pesquisadora, as possíveis contribuições para a comunidade científica, ao
capital de conhecimento sobre o tema daquela respectiva área (educação,

28 UNIDADE 1
música, teologia, etc.), a possibilidade de realização da pesquisa (acesso às
fontes, bibliotecas, etc.) e também (não imprescindível) o
reconhecimento da área do saber sobre aquele tema (se é o tema pacífico
ou ―complicado‖ para aquela área do saber).

 A garimpagem se refere ao exercício de investigação, consulta e seleção de


fontes, de bases teóricas, para a pesquisa.

 Para empreender uma pesquisa é muito importante, desde cedo,


organizar e planejar o tempo para o estudo, bem como ler e escrever com
periodicidade.

ANEXO A – LEITURA COMPLEMENTAR

Da Imprensa à Internet: a garimpagem de fontes

Iuri Andréas Reblin 29

Uma das primeiras e mais importantes etapas da pesquisa acadêmica é o


levantamento da literatura especializada. Este levantamento é imprescindível em
qualquer pesquisa científica, pois toda pesquisa científica possui uma base teórica que a
precede, que a sustenta, que lança perspectivas e instiga a curiosidade. Assim sendo, é
fundamental saber encontrar e acessar o conhecimento já produzido. E aqui, as
perguntas elementares que nos guiarão neste post são as seguintes: quais são as
principais fontes do conhecimento humano? Como separar e filtrar o conteúdo em prol
da minha pesquisa?

A principal fonte de acesso ao conhecimento humano já produzido é a produção


bibliográfica. Amado Cervo, Pedro Bervian e Roberto da Silva, em um dos livros mais
referidos quando se trata de metodologia científica, já afirmaram que ―praticamente
todo o conhecimento humano pode ser acessado nos livros ou outros impressos que se
encontram nas bibliotecas‖.30 A literatura impressa foi uma das primeiras formas de
registro e preservação do conhecimento humano, persistindo pelo tempo e pelo espaço e
possibilitando as novas gerações a ir além. O registro da história, das informações, das

29
Publicado originalmente em: REBLIN, Iuri Andréas. Da Imprensa à Internet: a garimpagem de fontes.
HistóriaHoje.com. 12 nov. 2014. Disponível em: <http://historiahoje.com/especial-tcc-da-imprensa-a-
internet-a-garimpagem-de-fontes/>. Acesso em: 20 jun. 2018.
30
CERVO, Amado L.; BERVIAN, Pedro A.; SILVA, Roberto da. Metodologia Científica. 6. ed. São
Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. p. 79.

UNIDADE 1 29
situações, das experiências, dos acontecimentos é chave fundamental para que a vida
humana tenha um ―continua‖ e não seja a mera repetição de ciclos. Atualmente, com o
avanço das tecnologias, o registro da memória e dos conhecimentos em geral assume
formas multimidiáticas de preservação e socialização das informações: filmes, áudios,
textos escritos (documentos, atas, livros, etc.), hipertextos e hipermídias preservadas no
ciberespaço.

Diante dessa pluralidade de informações e veículos de informação, é importante


que nós, enquanto protagonistas de uma investigação científica, saibamos realizar um
levantamento de material especializado para nossa pesquisa. Para fins didáticos,
destacaremos aqui um tipo bem contemporâneo de pesquisas para seleção de material: a
busca pela internet.

Como pesquisar pela internet? Como filtrar as informações disponíveis na


internet? Quais fontes de pesquisa eu posso utilizar como base? Essas perguntas são
mais comuns do que você pode imaginar e são as mais traiçoeiras também, sobretudo,
pela falsa credibilidade que a internet dá em determinadas situações, mas, vamos lá! Em
linhas gerais, o que pode ou não pode na internet está condicionado à regra de ouro de
toda a pesquisa acadêmica e científica: buscar por fontes primárias e confiáveis. Assim
sendo, vamos às dicas:

1) Não cite blogs, nem Wikipédia. Ambos não são considerados fontes
confiáveis, pois são páginas e websites que estão sujeitos à edição constante, como
sabemos, a base da Wikipédia é o texto colaborativo. Além disso, por conta da liberdade
de edição do texto, muitas informações que estão na Wikipédia são simplesmente
copiadas de outras fontes. Isso significa que, por vezes, ao citar a Wikipédia, você pode
estar cometendo o crime de plágio sem saber. De igual forma é a questão dos blogs. Não
há como saber exatamente de onde o texto vem ou se eventuais fontes foram citadas
corretamente. Agora, a Wikipédia pode ser interessante para auxiliar você na lapidação
do conhecimento prévio. Não para você citar em seu trabalho, mas antes para você
buscar uma ou outra informação que pode lhe conduzir a outras fontes, ou a direcionar
sua linha de pesquisa. Em outras palavras, ela serviria para ―uso pessoal‖.

2) Utilize mais de um buscar para encontrar seus documentos e material de


pesquisa na internet. É fato que o Google se tornou a referência primária na internet,
dado o empenho e a dedicação da empresa, mas existem ainda outros buscadores
(Yahoo!, Binq, Altavista, etc.) que podem encontrar conteúdos diferenciados. Isso
porque cada buscador estabelece filtros de busca e de região. Cada buscador possui
parâmetros específicos e uma consulta a mais de um pode trazer referências que, em

30 UNIDADE 1
outras circunstâncias, passariam despercebidas.

3) Uma das principais fontes primárias da internet e propícias para a pesquisa


acadêmica são os periódicos científicos. Por conta da democratização do conhecimento e
do próprio ensejo de órgãos de fomento, como a Capes, revistas científicas de Programas
de Pós-Graduação têm proliferado pelo mundo virtual. Assim, encontrar e acessar
conteúdos ―frescos‖ e ―saídos do forno‖ na internet se tornou algo extremamente
significante. Agora, como saber como encontrar periódicos científicos? Uma alternativa
é buscar no site da própria instituição ou em instituições conhecidas. Os periódicos,
geralmente, estão vinculados diretamente no site das instituições de ensino. Outra
alternativa é buscar em portais específicos como o Scielo (scielo.org) ou no Portal de
Periódicos Capes. Não por último, uma excelente alternativa é utilizar o Google
Acadêmico (scholar.google.com). O Google Acadêmico é uma ferramenta dedicada para
encontrar artigos científicos, utilizando o simples sistema de busca.

O Google Acadêmico indica nos resultados o tipo de arquivo que seu buscador
encontrou em colchetes, com uma descrição (atualmente, em fonte verde) logo abaixo,
indicando o direcionamento. No título principal, ele indica se o que encontrou é
[LIVRO], [CITAÇÃO], [PDF] ou [HTML]. Se o descritivo abaixo indicar uma revista,
você está diante de um artigo. Em geral, o ideal é que você selecione artigos que estejam
em PDF, pois se torna mais fácil para citar. O descritivo também pode indicar livros que
estão disponíveis no Google Books. Esta também é uma ferramenta interessante para dar
uma ―espiada‖ em livros, para saber se dá para adquiri-los, se são relevantes para a
pesquisa ou não.

Enfim, há diversas possibilidades de acessar o conhecimento humano


produzido, da biblioteca à internet. O importante, nesse movimento, é buscar fontes
primárias e confiáveis e citar corretamente a fonte (pois, além de mostrar idoneidade
intelectual, reitera o princípio da verificabilidade do pensamento científico). O mundo
hoje abre muitas possibilidades de acesso ao conhecimento produzido, mas ainda assim,
leitura, paciência para seleção de materiais são cruciais. Até a próxima!

UNIDADE 1 31
32 UNIDADE 1
A PESQUISA CIENTÍFICA: OS PARÂMETROS

2 A PESQUISA CIENTÍFICA: OS PARÂMETROS

Roteiro de Aprendizagem

Nesta unidade, verificaremos alguns dos principais parâmetros da pesquisa


científica. Abordaremos a distinção entre o senso comum e a ciência e os critérios de
cientificidade tanto na escolha de objetos (temas, assuntos) de pesquisa quanto na
formulação do problema. Para tanto, pedimos que leia e estude a unidade com atenção e
atente para as partes em destaque. Nesta unidade, pois, você encontrará:

- leituras complementares.

UNIDADE 2 33
Os caminhos da ciência e da pesquisa científica

Figura 9: Conversa entre Victor e Mr. Rzykruski, em Frankenweenie, de Tim Burton


Fonte: captura de tela do filme. ~ 47‘
© 2012 Walt Disney Company. Todos os direitos reservados.

Mr. Rzykruski: Em casa, todo mundo é cientista. Até meu encanador ganha o
Prêmio Nobel. Seu país não produz cientistas suficientes.
Sempre precisa de mais. Você deveria ser um cientista, Victor.
Victor: Ninguém gosta de cientistas.
Mr. Rzykruski: Eles gostam do que a ciência dá a eles, mas não as perguntas,
não. Não as perguntas que a ciência faz.
Victor: Na verdade, eu tenho uma pergunta.
Mr. Rzykruski: É por isso que você é um cientista.
Victor: Eu estava fazendo uma experiência, meu projeto, e na primeira
vez funcionou, mas na seguinte não. Meio que funcionou, mas
depois não. E eu não sei por quê.
Mr. Rzykruski: Então, talvez, não tenha entendido bem na primeira vez. As
pessoas acham que a ciência está aqui [aponta para a cabeça],
mas ela também está aqui [aponta para o coração]. Na primeira
vez, você amava sua experiência?
Victor: Sim.
Mr. Rzykruski: E na segunda?
Victor: Não. Eu só queria terminar.

34 UNIDADE 2
Mr. Rzykruski: Então você mudou as variáveis.
Victor: Eu estava fazendo pela razão errada.
Mr. Rzykruski: Ciência não é boa nem má, Victor. Mas pode ser usada das duas
formas. É por isso que você sempre deve ter cuidado. 31

2.1 AS CARACTERÍSTICAS DA PESQUISA CIENTÍFICA

Figura 10: fazendo ciência


Fonte: Pixabay32

Quando falamos de pesquisa científica, geralmente, vem à tona a imagem de uma


pessoa fazendo experimentos em um laboratório, ou alguém importante, sério, às vezes,
estressado. Também podemos pensar em alguém meio louco, insano. A cultura pop traz a
imagem de cientista bem ―caricaturada‖, de Dr. Silvana (cientista louco inimigo do
Capitão Marvel/Shazam) ao Professor Pardal, da Disney. A foto tirada de Albert Einstein
na festa de seu aniversário, com a língua de fora, também complementa a imagem que
construímos cotidianamente da pessoa cientista.

31
FRANKENWEENIE. Direção: Tim Burton. Produção: Tim Burton e Allison Abbate. Intérpretes:
Catherine O‘Hara, Martin Short, Martin Landau, Charlie Tahan, Atticus Shaffer e Winona Rider.
Roteiro: John August. Burbank: Buena Vista Home Entertainment, 2012. 1 DVD (87 min), widescreen,
color, remasterizado digitalmente. ~47-49‘
32
<https://pixabay.com/pt/photos/download/laboratory-385349_1920.jpg?attachment&modal>

UNIDADE 2 35
Veja as imagens da ciência e do cientista que aparecem na televisão. Os
agentes de propaganda não são bobos. Se usam tais imagens é porque
sabem que elas são eficientes para desencadear decisões e
comportamentos. É o que foi dito antes: cientista tem autoridade, sabe
sobre o que está falando e os outros devem ouvi-lo e obedecer-lhe. [...] E
os laboratórios, microscópios e cientistas de aventais imaculadamente
brancos enchem os olhos e a cabeça dos telespectadores. E há cientistas
que anunciam pasta de dente, remédios para caspa, para varizes, e assim
por diante.33

A citação acima problematiza a imagem que temos de cientistas no nosso senso


comum. Como ilustrado, a imagem (difundida e propagada pela mídia) remete a uma
pessoa de autoridade, que tem um saber especializado e específico sobre um tema ou uma
área do saber. Há um capital simbólico incutido na pessoa do cientista, e há, também,
hierarquias de saber e de posição que são tensionados entre os agentes do campo
científico. Mantendo a ilustração em relação à mídia, não é raro, numa reportagem de
programa televisivo, os jornalistas recorrerem a pessoas especializadas (se, na área da
saúde, médicas, ou se do direito, pessoas magistradas, ou ainda professoras de
universidade, etc.) para endossarem o tema ou para corroborarem com o argumento do
que está sendo noticiado. Essa tensão constante de trocas simbólicas, validação e
intercâmbio de saberes e posições é explicada pela teoria do campo, de Pierre Bourdieu.

Teoria do campo de Pierre Bourdieu!34

Segundo Pierre Bourdieu, cada microcosmo social dentro do macrocosmo de


uma sociedade (e esta por sua vez em relação a outras) é constituído por constantes
medições de forças e marcado por lutas permanentes que visam estruturar e manter o
controle sobre um determinado ambiente. Chamado por Pierre Bourdieu de campo, esse
microcosmo social é o universo intermediário entre um determinado texto e seu
contexto. Esse universo intermediário é constituído de relações entre agentes e
instituições que visam à aquisição de capital e, logo, poder, com o objetivo final de
manter o controle ou o monopólio sobre o respectivo campo em que se encontram. É o
caso, por exemplo, de emissoras que estabelecem e mantém contratos de exclusividade
com certos atores, diretores e roteiristas consagrados (o que representa grande parte de

33
ALVES, 2005, p. 9-10.
34
Parágrafos extraídos de: REBLIN, Iuri Andréas. Poder & Intrigas, uma novela teológica: considerações
acerca das disputas de poder no campo religioso à luz do pensamento de Pierre Bourdieu e de Rubem
Alves. Protestantismo em Revista, São Leopoldo, v. 14, p. 14-31, set./dez. 2007. Disponível em:
<http://periodicos.est.edu.br/index.php/nepp/article/view/2068/1980>. Acesso em: 20 jun. 2018.

36 UNIDADE 2
seu capital simbólico), pois elas sabem que a atuação de tais profissionais é um
elemento-chave para garantir a boa audiência da novela. A alta audiência significa a
oportunidade de cobrar mais caro pelas inserções publicitárias nos intervalos ou dentro
das próprias novelas. Logo, aquele que detém um maior capital específico daquele e
naquele campo possui o controle do campo. Se uma emissora consegue sucesso com suas
novelas, é provável que a mesma fórmula de sucesso (estilo de narrativa, por exemplo)
seja copiada por outras emissoras. Em outras palavras, quem tem o controle dita as
regras, pelo menos até que outro surja com algo tão revolucionário, inédito, capaz de
inverter ou transformar o polo de forças dentro do campo. Nas palavras de Pierre
Bourdieu,

Qualquer que seja o campo, ele é objeto de luta tanto em sua


representação quanto em sua realidade. A diferença maior entre um
campo e um jogo (que não deverá ser esquecida por aqueles que se
armam da teoria dos jogos para compreender os jogos sociais e, em
particular, o jogo econômico) é que o campo é um jogo no qual as regras
do jogo estão elas próprias postas em jogo (como se vê todas as vezes que
uma revolução simbólica [...] vem redefinir as próprias condições de
acesso ao jogo, isto é, as propriedades que aí funcionam como capital e
dão poder sobre o jogo e sobre os outros jogadores). Os agentes sociais
estão inseridos na estrutura e em posições que dependem do seu capital
e desenvolvem estratégias que dependem, elas próprias, em grande
parte, dessas posições, nos limites de suas disposições. Essas estratégias
orientam-se seja para a conservação da estrutura seja para a sua
transformação, e pode-se genericamente verificar que, quanto mais as
pessoas ocupam uma posição favorecida na estrutura, mais elas tendem
a conservar ao mesmo tempo a estrutura e sua posição, nos limites, no
entanto, de suas disposições (isto é, de sua trajetória social, de sua
origem social) que são mais ou menos apropriadas à sua posição.35

Embora essa distinção (outro conceito abordado por Bourdieu36) exista e acabe,
no campo dos saberes, gerando uma hierarquia social, o fato é que, em termos práticos, a
ciência nada mais é que ―uma especialização, um refinamento de potenciais comuns a
todos. [...] A aprendizagem da ciência é um processo de desenvolvimento progressivo do
senso comum‖.37 Isso significa que a ciência não surge do nada, mas é um desdobramento
da produção de conhecimento comum a todas as pessoas.38

35
BOURDIEU, Pierre. Os usos sociais da ciência: por uma sociologia clínica do campo científico. São
Paulo: UNESP, 2004. p. 29.
36
BOURDIEU, Pierre. A distinção: crítica social do julgamento. São Paulo: Edusp; Porto Alegre, RS:
Zouk, 2007.
37
ALVES, 2005, p. 11-12.
38
ALVES, 2005, p. 14.

UNIDADE 2 37
Onde reside então a diferença entre o senso comum e a ciência? O que distingue
a pesquisa no mercado, realizada por uma pessoa fazendo compras, por exemplo, e uma
pesquisa científica, independentemente da área do saber?

Para nosso propósito aqui, sem nos aprofundarmos em demasia na discussão


filosófica sobre ciência, metafísica, epistemologia e suas variações teóricas e conceituais,
deixando igualmente de lado a problematização da estratificação que hierarquiza o saber
científico sobre os demais ou a pessoa do ou da cientista sobre outras (o que acontece
também em outros ambientes como, na Igreja, por exemplo, quando distinguimos entre
sacerdote, sacerdotisas, e pessoas leigas; ou, na construção civil, entre a função de
arquiteto, engenheiro e pedreiro, por exemplo), importa compreendermos a ciência como
uma especialização de uma atividade comum às pessoas: a produção de conhecimento.
Essa ―especialização‖ da ciência ou da pessoa cientista, como sugere Rubem Alves, não
deve ser sobreposta hierarquicamente ao conhecimento prático do senso comum ou sobre
outras pessoas, como se este ou estas valessem menos. Devemos identificar as limitações
da investigação científica e cuidar para não ―endeusar‖ as pessoas cientistas:

O cientista virou um mito. E todo mito é perigoso, porque induz o


comportamento e inibe o pensamento. Esse é um dos resultados
engraçados (e trágicos) da ciência. Se existe uma classe especializada em
pensar de maneira correta (os cientistas), os outros indivíduos são
liberados da obrigação de pensar e podem simplesmente fazer o que os
cientistas mandam. Quando o médico lhe dá uma receita você faz
perguntas? Sabe como os medicamentos funcionam? Será que você se
pergunta se o médico sabe como funcionam? Ele manda, a gente compra
e toma. Não pensamos. Obedecemos. Não precisamos pensar, porque
acreditamos que há indivíduos especializados e competentes em pensar.
Pagamos para que pensem por nós. E depois ainda dizem por aí que
vivemos em uma civilização científica... O que eu disse dos médicos você
pode aplicar a tudo. Os economistas tomam decisões, e temos de
obedecer. Os engenheiros e urbanistas dizem como devem ser nossas
cidades, e assim acontece. Dizem que o álcool será a solução para que
nossos automóveis continuem a trafegar, e a agricultura se altera para
que a palavra dos técnicos se cumpra. [...]
Antes de mais nada, é necessário acabar com o mito de que o cientista é
uma pessoa que pensa melhor que as outras. O fato de uma pessoa ser
muito boa para jogar xadrez não significa que ela seja mais inteligente eu
os não jogadores. Você pode ser um especialista em resolver quebra-
cabeças. Isso não o torna mais capacitado na arte de pensar. Tocar piano
(como tocar qualquer instrumento) é extremamente complicado. O
pianista tem de dominar uma série de técnicas distintas – oitavas, sextas,
terças, trinados, legatos, staccatos – e coordená-las, para que a execução
ocorra de forma integrada e equilibrada. Imagine um pianista que
resolva especializar-se (note bem esta palavra, um dos semideuses, mitos,
ídolos da ciência!) na técnica dos trinados apenas. O que vai acontecer é

38 UNIDADE 2
que ele será capaz de fazer trinados como ninguém – só que ele não será
capaz de executar nenhuma música. Cientistas são como pianistas que
resolveram especializar-se numa técnica só. Imagine as várias divisões da
ciência – física, química, biologia, psicologia, sociologia – como técnicas
especializadas. No início pensava-se que tais especializações
produziriam, miraculosamente, uma sinfonia. Isso não ocorreu. O que
ocorre, frequentemente, é que cada músico é surdo para o que os outros
estão tocando. Físicos não entendem os sociólogos, que não sabem
traduzir as afirmações dos biólogos, que por sua vez não compreendem a
linguagem da economia, e assim por diante.39

Ao nos referimos à ideia de ―especialização‖, em relação ao ―senso comum‖,


temos que desconstruir o ―mito‖ da ciência e considera-la pelo que ela realmente é: ―Não
é uma forma de conhecimento diferente do senso comum. Não é um novo órgão. Apenas
uma especialização de certos órgãos e um controle disciplinado de seu uso‖. 40 A distinção
entre ciência e senso comum, portanto, por um lado, não deve ser vista numa posição de
detrimento de uma em relação à outra, ou de valorização exacerbada que não percebe as
limitações da ―especialidade‖. Apesar disso, não se pode ignorar também, por outro lado,
que essa especialização implica em responsabilidade, como sugerimos nas considerações
iniciais deste material didático. A responsabilidade social, pública, do conhecimento
científico incide no ―controle disciplinado de seu uso‖.

Figura 11: fazendo ciência - documentando


Fonte: Pixabay41

39
ALVES, 2005, p. 10-11.
40
ALVES, 2005, p. 14.
41
<https://pixabay.com/pt/photos/download/desk-2158142_1920.jpg?attachment&modal>

UNIDADE 2 39
2.2 CRITÉRIOS DE CIENTIFICIDADE

Essa especialização e esse controle disciplinado se referem, entre outras coisas, a


distinções processuais entre a produção de conhecimento do senso comum e daquele
produzido cientificamente. Quais seriam essas distinções processuais? Em outras
palavras, o que distingue um conhecimento científico de um conhecimento ―comum‖?

Umberto Eco, em Como se faz uma tese, indica que um estudo científico precisa
atender aos seguintes critérios:

1) ―O estudo debruça-se sobre um objeto reconhecível e definido de tal maneira


que seja reconhecível igualmente pelos outros. [...] Definir o objeto significa
então definir as condições sob as quais podemos falar, com base em certas
regras que estabelecemos ou que outros estabeleceram antes de nós‖.42
2) ―O estudo deve dizer do objeto algo que ainda não foi dito ou rever sob uma
óptica diferente o que já se disse‖.43
3) ―O estudo deve ser útil aos demais‖.44
4) ―O estudo deve fornecer elementos para a verificação e a contestação das
hipóteses apresentadas e, portanto, para uma continuidade pública. Esse é um
requisito fundamental‖.45

Figura 12: estudo em informática?


Fonte: Pixabay46

42
ECO, Umberto. Como se faz uma tese. 26. ed. rev. atual. São Paulo: Perspectiva, 2016. p. 27. Grifos no
original.
43
ECO, 2016, p. 28. Grifos no original.
44
ECO, 2016, p. 29. Grifos no original.
45
ECO, 2016, p. 30. Grifos no original.
46
<https://pixabay.com/pt/photos/download/notebook-336634_1920.jpg?attachment&modal>

40 UNIDADE 2
Segundo Eco, ―esses requisitos de cientificidade podem aplicar-se a qualquer
tipo de pesquisa‖. Será científica a pesquisa que

[...] documentar, de modo público e controlável, a minha experiência e


permitir a alguém refazê-la quer para obter os mesmos resultados, quer
para descobrir que os meus haviam sido causais e, de fato, não se deviam
à minha intervenção, mas a outros fatores que não considerei.
O bom de um procedimento científico é que ele nunca faz os outros
perderem tempo: até mesmo trabalhar na esteira de uma hipótese
científica para depois descobrir que ela deve ser refutada significa ter
feito algo positivo sob o impulso de uma proposta anterior. Se minha
tese serviu para estimular alguém a começar novos experimentos de
contrainformação entre operários (mesmo sendo ingênuas as minhas
presunções), obtive qualquer coisa de útil.47

Rubem Alves, numa direção similar, indica três critérios, ou ―facetas‖ do que ele
chama de ―espírito da ciência‖: objetividade, construção lógica e verificação.48 Isto é, o
argumento precisa ser objetivo (não pode ser alheio ao contexto, mas também não pode
ser subjetivo), precisa ser descrito adequadamente, numa construção lógica de raciocínio
e precisa ser documentada de tal forma que possa ser verificada. Considerando que a
ciência busca sempre por um tipo de padrão, modelo, receita que possam ser válidos para
mais casos, o critério de verificação também está relacionado a outros objetos similares
ou outras situações similares vindouras de experimentação.
Rubem Alves nos alerta que esses critérios levados à risca contribuíram para
uma percepção conservadora (fundamentalista e positivista) de ciência. Mesmo que hoje
se tenham outras perspectivas sobre ciência, concebendo-a num sentido mais largo,
flexível e complexo, tal como ilustrado pelos critérios indicados por Umberto Eco, temos
que cuidar para que não tomemos nem um único conceito de ciência como ―verdade‖,
tampouco um único método como possível para o fazer científico.

Para lembrar...

A ciência (o estudo científico, a pesquisa científica, etc.) buscará compreender as


coisas, entender os elementos que as constituem, suas relações, suas causas, suas
consequências, etc., adotando para tanto, métodos e procedimentos delineados, cujos
dados coletados são cuidadosamente analisados e testados e bem documentados, visando
o estabelecimento de um enunciado acerca do problema do qual partiu. Os diferentes
usos, aplicações práticas, do conhecimento gestado é passo posterior a um estudo
científico.

47
ECO, 2016, p. 31.
48
ALVES, Rubem. O enigma da religião. Petrópolis: Vozes, 1975. p. 142.

UNIDADE 2 41
Natureza da Ciência49

[Extrato de texto de Antônio Carlos Gil]

Etimologicamente, ciência significa conhecimento. Não há dúvida, porém,


quanto à inadequação desta definição, considerando-se o atual estágio de
desenvolvimento da ciência. Há conhecimentos que não pertencem à ciência, como o
conhecimento vulgar, o religioso e, em certa acepção, o filosófico.

O fato de não se aceitar a definição etimológica não significa, porém, que seja
possível hoje definir-se de forma bastante clara o que seja ciência. Poucas coisas em
ciência são tão controversas quanto sua definição, havendo mesmo autores que
consideram essa discussão insolúvel. [...]

Pode-se considerar a ciência como uma forma de conhecimento que tem por
objetivo formular, mediante linguagem rigorosa e apropriada – se possível, com auxílio
da linguagem matemática –, leis que regem os fenômenos. Embora sendo as mais
variadas, essas leis apresentam vários pontos em comum: são capazes de descrever séries
de fenômenos; são comprováveis por meio da observação e da experimentação; são
capazes de prever – pelo menos de forma probabilística – acontecimentos futuros.

Pode-se definir ciência mediante a identificação de suas características


essenciais. Assim, a ciência pode ser caracterizada como uma forma de conhecimento
objetivo, racional, sistemático, geral, verificável e falível. O conhecimento científico é
objetivo porque descreve a realidade independentemente dos caprichos do pesquisador.
É racional porque se vale sobretudo da razão, e não de sensações ou impressões, para
chegar a seus resultados. É sistemático porque se preocupa em construir sistemas de
ideias organizadas racionalmente e em incluir os conhecimentos parciais em totalidades
cada vez mais amplas. É geral porque seu interesse se dirige fundamentalmente à
elaboração de leis ou normas gerais, que explicam todos os fenômenos de certo tipo. É
verificável porque sempre possibilita demonstrar a veracidade das informações.
Finalmente, é falível porque, ao contrário de outros sistemas de conhecimento
elaborados pelo homem, reconhece sua própria capacidade de errar. [...]

49
Extrato de: GIL, 2012, p. 2-3.

42 UNIDADE 2
Figura 13: estudo do social
Fonte: Pixabay50

PARA ESTUDO DE APROFUNDAMENTO

Para estudo de aprofundamento, sugerimos duas obras que são fundamentais


para pensar os temas dessas duas primeiras unidades. Caso você queira se aventurar mais
sobre a discussão sobre ciência e epistemologia da ciência e os princípios básicos da
pesquisa científica, recomendamos ler (e até adquirir, se preferir), as seguintes obras:

 ALVES, Rubem. Filosofia da ciência: introdução ao jogo e a suas regras. 10. ed.
São Paulo: Loyola, 2005.

 DINIZ, Débora. Carta de uma orientadora: o primeiro projeto de pesquisa. 2. ed.


Brasília: Letras Livres, 2013.

 GIL, Antônio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 6. ed. São Paulo:
Atlas, 2012.

 LAVILLE, Christian; DIONNE, Jean. A construção do saber: Manual de


metodologia da pesquisa em ciências humanas. Porto Alegre: Artmed; Belo
Horizonte, 1999.

50
<https://pixabay.com/pt/photos/download/observation-2816680_1920.jpg?attachment&modal>

UNIDADE 2 43
PARA RESUMIR:

Nesta unidade, você aprendeu:

 A ciência não surge do nada, mas é um desdobramento da produção de


conhecimento comum a todas as pessoas, isto é, pode ser melhor
compreendida como uma especialização de uma atividade comum às
pessoas: a produção de conhecimento. Logo, a distinção entre ciência e
senso comum não deve ser vista numa posição de detrimento de uma em
relação à outra ou de valorização exacerbada que não percebe as
limitações da ―especialidade‖.

 De acordo com Umberto Eco, um estudo científico precisa atender aos


seguintes critérios: ter um objeto reconhecível; buscar uma abordagem
não explorada ou outra perspectiva sobre abordagens já realizadas;
contribuir para a área do saber e para a sociedade; ser bem documentada
de modo que seus processos, argumentos, temas, possam ser verificados e
contestados.

 O estudo precisa ser objetivo (não pode ser alheio ao contexto, mas
também não pode ser subjetivo), descrito adequadamente, numa
construção lógica de raciocínio e documentada de tal forma que possa ser
verificada. Considerando que a ciência busca sempre por um tipo de
padrão, modelo, receita que possam ser válidos para mais casos, o critério
de verificação também está relacionado a outros objetos similares ou
outras situações similares vindouras de experimentação.

44 UNIDADE 2
ANEXO A – LEITURA COMPLEMENTAR

Peculiaridades das ciências sociais51


[Extrato de texto de Antônio Carlos Gil]
Durante muito tempo, as ciências trataram exclusivamente do estudo dos fatos e
fenômenos da natureza. Até a segunda metade do século XIX, o estudo do homem e da
sociedade permaneceu com os teólogos e filósofos, que produziram trabalhos notáveis,
que até hoje despertam admiração. Mas a partir desse período, profundamente marcado
por inovações tanto no campo tecnológico quanto político, passou-se a buscar
conhecimentos acerca do homem e da sociedade tão confiáveis quanto os
proporcionados pelas ciências da natureza. Desenvolveu-se, então, uma concepção
científica do saber, denominada Positivismo, cujas principais características são: (1) o
conhecimento científico, tanto da natureza quanto da sociedade, é objetivo, não
podendo ser influenciado de forma alguma pelo pesquisador; (2) o conhecimento
científico repousa na experimentação; (3) o conhecimento científico é quantitativo; e (4)
o conhecimento científico supõe a existência de leis que determinam a ocorrência dos
fatos.
As ciências sociais foram constituídas principalmente no século XIX, graças à
influência da orientação positivista. Tanto é que Augusto Comte, o Pai do Positivismo, é
considerado também o Pai da Sociologia. Assim, as ciências sociais, fundamentadas na
perspectiva positivista, supõem que os fatos humanos são semelhantes aos da natureza,
observados sem ideias preconcebidas, submetidos à experimentação, expressos em
termos quantitativos e explicados segundo leis gerais. Mas esse modelo proposto para as
ciências sociais logo passou a ser questionado, pois ficaram claras as suas limitações para
o estudo do homem e da sociedade.
Isto não significa que a pretensão de estudar cientificamente o homem e a
sociedade deva ser abandonada. Torna-se necessário, porém, reconhecer que os objetos
das ciências humanas e sociais são muito diferentes dos das ciências físicas e biológicas e
ressaltar algumas das dificuldades daquelas ciências, tais como:
O problema da objetividade
Émile Durkheim (1973), um dos pioneiros da investigação científica nas
Ciências Sociais, estabeleceu em As regras do método sociológico que a primeira e mais
fundamental regra para o sociólogo é tratar os fatos sociais como coisas. Trata-se de clara
tentativa de adotar nas ciências sociais procedimentos semelhantes aos das ciências

51
Extrato de: GIL, 2012, p. 4-6.

UNIDADE 2 45
naturais, plenamente consoantes com a doutrina positivista.
O problema da quantificação
É impossível negar que o cientista social lida com variáveis de difícil
quantificação. Também é difícil discordar da alegação de que o grande adiantamento de
uma ciência pode ser determinado pela precisão de seus instrumentos de medida.
Contudo, o problema da quantificação em ciências sociais, se analisando com a merecida
profundidade, mostrar-se-á bem menos crítico do que aparente.
Mas os fatos sociais dificilmente podem ser tratados como coisas, pois são
produzidos por seres que sentem, pensam, agem e reagem, sendo capazes, portanto, de
orientar a situação de diferentes maneiras. Da mesma forma o pesquisador, pois ele é
também um ator que sente, age e exerce sua influência sobre o que pesquisa.
Frente aos fatos sociais, o pesquisador não é capaz de ser absolutamente
objetivo. Ele tem suas preferências, inclinações, interesses particulares, caprichos,
preconceitos, interessa-se por eles e os avalia com base num sistema de valores pessoais.
Diferentemente do pesquisador que atua no mundo das coisas físicas – que não se
encontra naturalmente envolvido com o objeto de seu estudo –, o cientista social, ao
tratar de fatos como criminalidade, discriminação social ou evasão escolar, está tratando
de uma realidade que pode não lhe ser estranha. Seus valores e suas crenças pessoais o
informam previamente acerca do fenômeno, indicando se é bom ou mau, justo ou
injusto. E é com base nessas pré-concepções que irá abordar o objeto de seu estudo. É
pouco provável, portanto, que ele seja capaz de trata-lo com absoluta neutralidade. Na
verdade, nas ciências sociais, o pesquisador é mais do que um observador objetivo: é um
ator envolvido no fenômeno.
Essa situação não invalida a pesquisa em ciências sociais. Torna-se necessário,
no entanto, valer-se de quadros de referência que ultrapassem a visão proposta pelo
Positivismo, que se mostra insuficiente para o entendimento do mundo complexo das
relações humanas. É preciso admitir que o princípio da objetividade, tão caro ao
Positivismo, aplica-se precariamente às ciências sociais. Não há como conceber uma
investigação que estabeleça uma separação regida [sic. rígida?] entre o sujeito e o objeto.
Os resultados obtidos nas pesquisas não são indiferentes nem à forma de sua obtenção
nem à maneira como o pesquisador vê o objeto. Por essa razão é que nas ciências sociais
a discussão acerca da relação sujeito-objeto é relevante. O que justifica a existência de
diferentes quadros de referência para análise é interpretação dos dados.
O problema da experimentação
É verdade que o experimento em investigações sociais é bem pouco utilizado,
visto que, de modo geral, o cientista não possui o poder de introduzir modificações nos

46 UNIDADE 2
fenômenos que pretende pesquisar. Cabe, no entanto, indagar se de fato o experimento
controlado é realmente indispensável para a obtenção de resultados cientificamente
aceitáveis.
Não há como deixar de admitir que a experimentação representa uma das mais
notáveis contribuições ao desenvolvimento da ciência. Isto não significa, no entanto,
que se deva superestimar o papel do experimento controlado. A guisa de exemplo, pode-
se lembrar que a Astronomia e a Geologia não devem sua respeitabilidade à utilização de
procedimentos experimentais. A Embriologia, até há bem pouco, desenvolveu-se
independentemente da experimentação. E o que dizer da Física Relativista?
Cabe ainda lembrar que as possibilidades de experimentação nas ciências sociais
têm sido muitas vezes negligenciadas. Significativos domínios da Psicologia são
suscetíveis de experimentação. Em Psicologia Social e mesmo em Sociologia já têm sido
criadas situações de laboratório muito parecidas com as que existem nas ciências
naturais. Um exemplo pode ser dado pelas pesquisas em Sociologia Industrial, em que
sistemas ―democráticos‖ e ―ditatoriais‖ são implantados entre grupos de operários de
uma fábrica. Outros exemplos ainda mais amplos são as pesquisas sobre migrações,
comportamento político e variação de índices de natalidade, que, embora não sendo
rigidamente experimentais, possibilitam razoável grau de controle das variáveis
envolvidas.
O problema da generalização
Não há como negar as limitações das ciências sociais; não apenas em relação à
objetividade, mas também à generalidade. Se as pesquisas nas ciências naturais com
frequência conduzem ao estabelecimento de leis, nas ciências sociais não conduzem
mais do que à identificação de tendências. Em relação à criminalidade, por exemplo,
pesquisas poderão indicar áreas em que sua ocorrência é maior, fatores que contribuem
para a maior incidência de delitos criminais ou efeitos de medidas preventivas. O
máximo que um pesquisador experiente pode almejar é a construção de teorias, que
provavelmente não serão tão gerais quanto ele gostaria que fossem. O verdadeiro nas
ciências sociais pode ser apenas um verdadeiro relativo e provisório (Laville, Dionne,
1999).

UNIDADE 2 47
48 UNIDADE 2
A FORMULAÇÃO DO PROBLEMA: A PERGUNTA

3 A FORMULAÇÃO DO PROBLEMA: A PERGUNTA

Roteiro de Aprendizagem

Nesta unidade, nós nos ocuparemos com a formulação do problema de pesquisa,


particularmente, com a elaboração da pergunta central. Estudaremos a estrutura da
pergunta central e explicaremos o passo a passo, com exemplos, da etapa principal da
estruturação da pesquisa. Nessa direção, pedimos que leia e estude a unidade com
atenção e atente para as partes em destaque. Para tanto, nesta unidade você encontrará:

- leituras complementares.

- exercícios para a elaboração do problema de pesquisa.

UNIDADE 3 49
Em busca da pergunta

Figura 14: Cadê o problema?


Fonte: Pixabay52

Um problema de pesquisa é um problema! Pois a mente humana é, em


geral, bastante sábia para não se inquietar inutilmente. Ninguém, com
razão, tem vontade de dedicar muito tempo para saber se a chuva molha,
se os homens e as mulheres são de sexos diferentes, se as zebras são
listradas de preto ou branco... O que mobiliza a mente humana são
problemas, ou seja, a busca de um maior entendimento de questões
postas pelo real, ou ainda a busca de soluções para problemas nele
existentes, tendo em vista a sua modificação para melhor. Para aí chegar,
a pesquisa é um excelente meio.53

52
<https://pixabay.com/pt/photos/download/detective-1424831_1280.png?attachment&modal>
53
LAVILLE, Christian; DIONNE, Jean. A construção do saber: Manual de metodologia da pesquisa em
ciências humanas. Porto Alegre: Artmed; Belo Horizonte, 1999. p. 85.

50 UNIDADE 3
3.1 A PESQUISA CIENTÍFICA E O PROBLEMA DE PESQUISA

O percurso até aqui nos indicou que a pesquisa científica adota procedimentos
específicos na sua investigação, sobretudo, relacionados à descrição e à documentação
acurada, sobre uma problemática identificada, visando a uma contribuição à vida em
sociedade. Quanto nós nos referimos à descrição e documentação, isso significa que não
apenas o texto final precisa ser bem redigido e fundamentado, como todo o estudo
precisa ser descrito antes de sua realização e, em sequência, executado conforme descrito;
isto é, a realização de uma pesquisa requer planejamento. Mas retomaremos a questão do
planejamento na próxima unidade.

Aqui importa nós nos ocuparmos com o exercício iniciado na primeira unidade.
Solicitamos que você 1) escolhesse um tema para sua pesquisa a partir de um dos temas
(ou subtemas ou possíveis decursos destes) do curso, para a realização de um estudo
teórico, reflexivo, que consistirá na atividade monográfica individual, o Trabalho de
Conclusão de Curso, no formato de um artigo científico. A partir do tema de seu
interesse e do enfoque que você quer dar para ele, solicitamos que você 2) realizasse uma
garimpagem, buscando, consultando e selecionando bases teóricas para seu estudo. Na
sequência, pedimos que você 3) elaborasse uma lista de referências, em ordem de
prioridade, e, em seguida, retomasse ao seu tema, buscando delimitá-lo melhor.
Sugerimos, não por último, que você 4) escrevesse seu tema iniciando o enunciado com
―Meu tema de pesquisa é...‖. Ao concluirmos essa etapa de ―pesquisa prévia‖, chegamos
ao ponto nevrálgico da pesquisa: a formulação do problema de pesquisa.

O problema é o centro em torno do qual todas as etapas do planejamento, da


execução e da conclusão e divulgação da pesquisa gravitam. Logo, elaborar um problema
de pesquisa, ou melhor, transformar o tema de pesquisa em um problema, é fundamental
para a realização do estudo. Sem problema, não há pesquisa. Sem problema, não há
produção de conhecimento. Logo, o exercício subsequente desta unidade é problematizar
o tema, para transformá-lo em problema. E nós fazemos isso por meio da elaboração de
perguntas. Para auxiliar nesse processo, sugerimos a leitura dos textos que se seguem.

UNIDADE 3 51
Quem veio primeiro: O ovo ou a galinha?

Definindo o problema de pesquisa

Iuri Andréas Reblin54

Figura 15: o ovo ou a galinha?


Fonte: Pixabay55

Você provavelmente já ouviu essa pergunta. Pode ser que você não a tenha
levado a sério ou que a tenha achado ―óbvia‖ ou ―infame‖ e pode ser até que já tenha
tentado responde-la à primeira vista: ah, é o ovo! Mas a coisa não é tão simples assim.
Na verdade, essa pergunta é um dos grandes dilemas de casualidade sobre o qual
filósofos e cientistas já se ocuparam ao longo da história e que remete à questão da
origem do universo. Ela não tem resposta na verdade (ou, ao menos, não uma resposta
simples), pois ela expressa um paradoxo (em termos simples, um paradoxo é a
coexistência de contrários que se autoexcluem): para ter existido uma galinha é
necessário que tenha existido um ovo, para ter existido um ovo (dentro da dinâmica
desta pergunta) é necessário que tenha existido uma galinha. Nessa direção, como pode
um ter vindo antes do outro? Estamos aqui diante de um problema de pesquisa.

54
Publicado originalmente em: REBLIN, Iuri Andréas. Quem veio primeiro: O ovo ou a galinha?
Definindo o problema de pesquisa. HistóriaHoje.com. 15 out. 2014. Disponível em:
<http://historiahoje.com/especial-tcc-quem-veio-primeiro-o-ovo-ou-a-galinha/>. Acesso em: 20 jun.
2018.
55
<https://pixabay.com/pt/photos/download/animal-1867521_1920.jpg?attachment&modal>

52 UNIDADE 3
Toda pesquisa e toda reflexão sistemática acadêmica ou científica precisa de um
problema para acontecer. Sem problema, não há pesquisa. Mais ainda, sem problema
não há construção de conhecimento. Trata-se daquela máxima que nós só nos
lembramos da importância do ar na nossa respiração quanto estamos sofrendo com a
falta dele. Isto é, o pensamento, a construção de conhecimentos se dá mediante
situações-problema. Em outras palavras, o pensamento (e o conhecimento) emerge de
nossa necessidade de se compreender no mundo para nele melhor viver. Se tudo está
―em paz‖ e nada está nos incomodando, se não há curiosidade sobre nenhum tema, se
não há um problema, não há pesquisa, investigação, novas descobertas, construção de
conhecimento. Portanto, precisamos de um problema!

Quando falamos em problema, geralmente, pensamos em uma dificuldade, um


aborrecimento, um dilema, um incômodo. Na ciência, um problema é um enigma, um
mistério, um quebra-cabeça a ser resolvido. E o mais fascinante no processo é quando
você começa a investigação e vê as peças se encaixando e novas descobertas se
configurando diante de seus olhos. Agora, para isso acontecer é necessário que o tema
que você escolheu para pesquisar no seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) seja
transformado em um problema, seja problematizado. E qual é a forma mais simples,
digamos assim, de se problematizar algo? É fazer perguntas!

Um problema de pesquisa é sempre e melhor elaborado na forma de uma


pergunta, pois a pergunta é a forma mais direta e objetiva de se problematizar um tema.
Antônio Carlos Gil, um dos autores mais referidos em Metodologia da Pesquisa, ilustra
isso da seguinte maneira: ―Se alguém disser que vai pesquisar o problema do divórcio,
pouco estará dizendo. Mas se propuser: ‗que fatores provocam o divórcio?‘ ou ‗quais as
características da pessoa que se divorcia?‘, estará efetivamente propondo problemas de
pesquisa‖. Portanto, um problema é sempre uma pergunta (sim, uma só, pois, mais
perguntas = mais problemas = mais pesquisa = mais TCCs, e você só quer fazer um,
não é?). E as questões mais recorrentes nesta etapa da pesquisa científica são: mas como
elaborar um problema?

O passo a passo para resolvermos nosso problema de encontrar um problema (e


mais importante) um problema que seja passível de solução é o seguinte: Vamos supor
que você enquanto historiador ou historiadora escolheu como assunto, tema de pesquisa,
por exemplo, a história da comunidade indígena que vive no município de São
Leopoldo. Você tem algumas informações gerais acerca da comunidade (conhecimento
prévio) que você leu em algum lugar, na Internet, na escola, no jornal, assistiu uma
reportagem de TV. O seu interesse pelo tema, faz você a cavoucar um pouquinho mais
de informações em artigos, livros ou mesmo sites para saber o que já se discutiu sobre o

UNIDADE 3 53
tema que você escolheu. Assim você já sabe, por exemplo, que o nome do povo é
Kaigang, que eles viveram durante muito tempo às margens da BR-116, etc., e essas
informações adquiridas provocam uma série de outras curiosidades ou outros interesses,
estímulos para a pesquisa.

A partir dessas informações, a sugestão é formular várias questões (uma


tempestade de ideias, ou melhor, de perguntas) relacionadas ao tema na perspectiva de
sua área de pesquisa, a saber, no nosso exemplo proposto, história: qual é a história da
comunidade indígena? Desde quando ela existe? Quais foram as tensões e os conflitos
desencadeados durante o processo de colonização e o contato com os imigrantes
alemães? Quais são seus principais aspectos culturais da tribo? Qual é a sua relação com
a história do município? De que forma o município preserva a história da tribo? De que
forma a própria tribo mantém viva a sua memória, a sua trajetória histórica? Como se
registra essa história? Enfim, diversas perguntas podem ser formuladas, sempre na
seguinte perspectiva: O que eu quero saber? O que eu tenho curiosidade? O que me
interessa? É isso mesmo? Como eu posso ser mais específico? O que exatamente eu
quero saber? Cada nova pergunta formulada vai aproximar você mais do seu foco de
interesse. Depois de você ter escrito uma série de perguntas, bem na dinâmica da
―tempestade de ideias‖, você pode olhar para todas elas e buscar então formular uma
única pergunta que traduza, de algum modo, de maneira clara, direta e objetiva (sem
excessivas frases subordinadas) aquilo que você exatamente gostaria de pesquisar. E é
nesse exercício que surge o seu problema de pesquisa.

Portanto, em linhas gerais, o exercício é o seguinte:

 Escolha um tema que de seu interesse e com o qual você tenha certa
familiaridade;

 Busque mais informações acerca do tema, no sentido de buscar o foco do


que realmente você quer;

 Faça uma tempestade de perguntas, ao menos, umas cinco a dez;

 Dessas perguntas, ou selecione a que mais se aproxima do que você


realmente quer ou, a partir das perguntas que pipocaram na tempestade,
elabore refletidamente uma pergunta que traduza a intenção de fundo
por trás de todos os questionamentos.

54 UNIDADE 3
Pronto, a partir daí já é possível afirmar que você já tem o seu problema de
pesquisa! Agora, como saber se a pergunta que você formulou exige mesmo uma
investigação, isto é, se ela é mesmo um problema de pesquisa, isso nós veremos no
próximo post. Até lá!

Problema de pesquisa:

uma questão de engenharia, valores ou cientificidade?

Iuri Andréas Reblin 56

Figura 16: engenharia Figura 17: valores


Fonte: Pixabay 57 Fonte: Pixabay58

Como saber se a pergunta que você formulou exige mesmo uma investigação,
isto é, se ela é mesmo um problema de pesquisa? Antonio Carlos Gil, num livro quase
clássico de metodologia, intitulado ―Como elaborar projetos de pesquisa‖, afirma que há,
poderíamos assim dizer, três tipos recorrentes de problemas: problemas de juízo de
valor, problemas de engenharia e problemas científicos. 59

56
Publicado originalmente em: REBLIN, Iuri Andréas. Problema de pesquisa: uma questão de
engenharia, valores ou cientificidade?. HistóriaHoje.com. 22 out. 2014. Disponível em:
<http://historiahoje.com/especial-tcc-problema-de-pesquisa-uma-questao-de-engenharia-valores-ou-
cientificidade/>. Acesso em: 20 jun. 2018.
57
<https://pixabay.com/pt/photos/download/construction-370588_1920.jpg?attachment>
58
<https://pixabay.com/pt/photos/download/terrorist-2481808_1920.jpg?attachment>
59
GIL, Antônio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010. p. 7-15.

UNIDADE 3 55
O problema de juízo de valor é aquele que atribui um valor a algo, por exemplo:
―Qual é o melhor sistema econômico: capitalismo ou socialismo?‖; ―A proclamação da
independência por Dom Pedro I em 1822 foi uma atitude correta naquele contexto
histórico?‖; ―Qual é a denominação cristã mais fiel aos preceitos bíblicos?‖; isto é,
questões que atribuem valores, que perguntam se algo é bom ou mau, ou melhor ou pior
que outro ou se algo deveria ou não ser feito pertence antes ao âmbito da subjetividade e
está sujeito aos interesses e posições (pessoais, políticas, religiosas) de quem visa a
abordagem.

O problema de engenharia, tal como ilustrado por Gil, sugere perguntas


procedimentais, isto é, que visam a ―fórmula‖ correta para a solução de problemas, a
―fórmula‖ para executar algo ou compreender algo de maneira mais eficiente, por
exemplo: ―Qual é o procedimento para diminuir a evasão escolar?‖; ―Como aumentar a
compreensão das pessoas acerca da Ditatura Civil-Militar?‖. Como afirma Gil, ―A
ciência pode fornecer sugestões e inferência acerca de possíveis respostas, mas não
responder diretamente a esses problemas. Eles não indagam como são as coisas, suas
causas e consequências, mas indagam acerca de como fazer as coisas‖. 60

O problema científico, portanto, não deve ser construído como uma fórmula
pragmática de se resolver problemas sociais, nem reduzido à enunciação de valores. A
distinção de um problema científico reside na objetividade, na verificabilidade empírica
(isto é, se ele segue procedimentos que podem ser testados), na precisão e na
delimitação, mas também na relevância e na solução e, para estudos avançados, como
uma tese de doutorado, ele precisa ser original e atual. Enfim, o problema de pesquisa
deve ser objetivo, exequível (acesso às fontes), preciso e empírico.

Figura 18: Quem? Quando? Onde? Como? Por quê? O quê?


Fonte: Pixabay61

60
GIL, 2010, p. 8.
61
<https://pixabay.com/pt/photos/download/questions-2245264_1920.jpg?attachment&modal>

56 UNIDADE 3
A partir desses dois textos, podemos então intuir que

1) temos que problematizar nosso tema e nós fazemos isso por meio da
elaboração de perguntas (várias perguntas, bem no estilo de ―levantar a poeira‖, uma
―tempestade de perguntas‖). A ideia é elaborar várias perguntas, pois elas auxiliarão a dar
os contornos da problemática, do problema central de pesquisa.

2) uma pergunta, para ser científica, tem que evitar cair no perigo da engenharia
– isto é, buscar pela compreensão das coisas ao invés de perguntar pela forma de fazer as
coisas – e no perigo do juízo de valor – isto é, precisa ser objetivo, claro, averiguar
variáveis a partir de dados, ao invés de perguntar se uma coisa é simplesmente boa ou
má.

Vamos agora verificar uma dica de como podemos formular uma pergunta sem
cair nesses perigos, considerando clareza, precisão, delimitação, objetividade e passível
de resolução.

Figura 19: investigação


Fonte: Pixabay62

3.2 ESTRUTURA DO PROBLEMA DE PESQUISA

Débora Diniz sugere a seguinte estrutura para a construção de um problema de


pesquisa,63 que aqui adaptamos para o formato de pergunta:

[pronome interrogativo ou expressão][verbo][variável][unidade de análise][recorte]?

62
<https://pixabay.com/pt/photos/download/magnifying-glass-1607160_1920.jpg?attachment&modal>
63
DINIZ, 2013, p. 36.

UNIDADE 3 57
A delimitação do tema precisa conter três elementos dispostos em ordem clara e
direta, a fim de possibilitar uma delimitação. A variável é o tema principal em torno do
qual toda a investigação gravitará. A unidade de análise é a perspectiva ou a ênfase dada
ao estudo da variável e o recorte é a delimitação maior dessa perspectiva. Pode ser que,
em textos mais breves, dependendo da delimitação inicial, a variável e a unidade de
análise se provem suficientes. Em ambos os casos (com o recorte ou sem), o esquema
entre os elementos é do ―maior‖ ao ―menor‖.

Variável > Unidade de Análise > Recorte

Tabela 1 – Exemplos de tema


Variável Unidade de Análise Recorte
a partir do livro
A compreensão de
de Paulo Freire ―Pedagogia do
educação
Oprimido‖
Meu tema de pesquisa é
na parábola do Bom
A teologia do Evangelho de Lucas
Samaritano
O impacto da tecnologia a partir da série Black
na sociedade Mirror, da Netflix
Fonte: do autor

No caso do último exemplo, sobre o impacto da tecnologia na sociedade a partir


da série Black Mirror da Netflix, o recorte poderia ser uma seleção prévia dos episódios
mais significativos para coleta e análise dos dados da variável. Nesse caso, o específico
poderia estar descrito no projeto, na parte que compete aos objetivos ou à metodologia,
por exemplo. O recorte também poderia ser um eixo hermenêutico para a análise, ou,
ainda, a estrutura poderia ser reorganizada enfatizando um episódio específico. Em todo
o caso, há sempre inúmeras possibilidades para se delimitar um tema.

Tabela 2 – Variações do tema da Netflix


Variável Unidade de Análise Recorte
A partir do episódio
O impacto da tecnologia retratado na série Black
USS Callister, quarta
na sociedade Mirror, da Netflix
temporada, episódio 1.
Meu tema de pesquisa é
E suas aproximações
no episódio USS
O impacto da tecnologia com a ―Sociedade em
Callister da série Black
na sociedade Rede‖ de Manuel
Mirror, da Netflix
Castells
Fonte: do autor

58 UNIDADE 3
A delimitação do tema vai depender sempre da tensão entre o tema escolhido, o
conhecimento prévio da pessoa sobre ele, os ―achados‖ e aprofundamentos resultantes da
garimpagem. Em outras palavras, ao definir um tema, a delimitação estará relacionada
diretamente ao exercício de ―buscar maiores informações a respeito‖ e de revisitar o tema
a partir do enfoque que você quer dar. Como expressou Débora Diniz, já citada na
primeira unidade, ―Uma suspeita deve se manter com você a partir de agora: antes de se
crer diante de uma grande descoberta, desconfie de sua ingenuidade e lembre-se de
quantas pesquisadoras vieram antes de você‖.64 Em outras palavras, é o nível da busca por
mais dados, da garimpagem, da exploração do estado de arte do tema, da construção de
um ―conhecimento prévio‖ que implicará significativamente na relevância, no foco, na
delimitação do tema escolhido. Tendo o tema bem delimitado, é hora de convertê-lo
num problema de pesquisa.

Para tanto, vamos resumir mais uma vez sua tarefa até aqui:

1) Escolher o tema (a partir do seu interesse, suas inquietações, pensando


possíveis relevâncias e contribuições do estudo para você, para a área do saber, para a
comunidade).

2) Buscar mais informações a respeito (fazer um exercício de garimpagem, ler e


pesquisar a respeito do tema escolhido, buscando delimitá-lo, considerando o foco que
você quer dar, a partir, também, do que você não quer abordar)

3) Nesse movimento de garimpagem, aproveitar a pesquisa e já montar uma lista


de base teórica a ser usada em sua pesquisa, com os itens elencados em ordem de
prioridade: documentos ―nível 1‖ – que são ―o fio condutor‖ da sua reflexo; documentos
―nível 2‖ – que são bases teóricas complementares, quer seja para endossar o assunto,
quer seja para indicar enfoques sobre o tema, quer seja para indicar argumentos ou
posições contrárias ou tangentes ao tema escolhido.

4) Revisitar o tema, buscando delimitá-lo. A sugestão é partir do enunciado:


―Meu tema de pesquisa é...‖. Para a construção desse tema, sugere-se desdobrar o
argumento em duas sentenças.

64
DINIZ, 2013, p. 43.

UNIDADE 3 59
Exemplos:

a) Meu tema de pesquisa é a compreensão de educação de Paulo Freire descrita


no livro ―A Pedagogia do Oprimido‖. Lançada em 1974, a obra questiona
aquilo que Freire chamou de ―educação bancária‖, apontando para uma
relação dialógica entre pessoas educadoras e educandas, buscando uma
tomada de consciência política. O estudo se ocupa, então, com as
características da compreensão de educação de Paulo Freire transpostas na
respectiva obra.

b) Meu tema de pesquisa é a teologia do Evangelho de Lucas a partir da


parábola do Bom Samaritano, em Lucas 10.25-37. De acordo com Gilvander
Luís Moreira, a proposta do evangelho de Lucas é apontar para uma salvação
universal, não restrita ao povo judeu.65 Nessa direção, o estudo lança um
olhar à parábola do Bom Samaritano, para identificar nela as características
da teologia de Lucas.

c) Meu tema de pesquisa é o impacto da tecnologia na sociedade a partir da


série Black Mirror da Netflix. Percebe-se que a tecnologia tem impacto na
sociedade. Ela cria novos hábitos, modifica a forma como as relações se dão.
Esse impacto é ambíguo, havendo contribuições e malefícios. O estudo,
então, explora como a série apresenta e retrata esse impacto a partir de uma
seleção de episódios.

Note que nos três exemplos acima, o texto é construído com uma média de três a
cinco frases, organizadas da seguinte maneira: uma frase ―escopo‖, que traz a ideia geral
do estudo, seguida de pequenos argumentos ou endossos que contextualizem e que
ilustrem, de maneira inicial, o estado de arte do tema, e uma frase de amarração,
retomando o tema, eventualmente, com o intuito de especificá-lo melhor.

65
MOREIRA, Gilvander Luís. Evangelho de Lucas: teologia da história. Revista IHU Online. 20 fev.
2013. Disponível em: <http://www.ihu.unisinos.br/171-noticias/noticias-2013/517759-evangelho-de-
lucas-teologia-da-historia>. Acesso em: 20 jun. 2018.

60 UNIDADE 3
Figura 20: da tempestade de perguntas à pergunta central
Fonte: Pixabay66

5) A partir da descrição do tema, elaborar uma tempestade de perguntas, a fim de


problematiza-lo, isto é, transformar o tema num ―problema de pesquisa‖.

Exemplos:

a) Qual é a estrutura da obra ―Pedagogia do Oprimido‖? Quando foi escrita?


Qual é o contexto político, econômico, social, histórico, no qual a obra foi
escrita? Qual é o lugar da obra no pensamento geral de Paulo Freire? Quais
são as características gerais do pensamento de Paulo Freire? Quais dessas
características repercutem diretamente em ―Pedagogia do Oprimido‖?

b) Quais são as características gerais do evangelho de Lucas? Qual é o contexto


do evangelho de Lucas? Quais são os principais temas teológicos do
evangelho? Em que medida essas características e esses temas perpassam
todo o evangelho? Qual é o tema central da parábola do Bom Samaritano?
Quais são os temas teológicos gerais que podem ser evidenciados na
respectiva parábola?

c) Qual é o impacto da tecnologia na sociedade? Quais são as contribuições da


tecnologia para a vida em sociedade? Como a tecnologia afeta as relações
sociais e a vida humana? Como essa tecnologia é retratada na mídia e nas
produções artístico-culturais?

66
<https://pixabay.com/pt/photos/download/question-mark-1495858_1920.jpg?attachment&modal>

UNIDADE 3 61
6) A partir da tempestade de perguntas, buscar transformar o tema num
problema, considerando este como a pergunta central, a pergunta em torno da qual todas
as demais gravitam. Você pode, inclusive, começar a sentença com ―Diante dessas
questões, o problema central desta pesquisa é:‖.

Exemplo:

a) Qual é a compreensão de educação de Paulo Freire apresentada no livro


―Pedagogia do Oprimido‖?

b) Quais são as características da teologia do evangelho de Lucas na parábola do


Bom Samaritano, em Lc 10. 25-37?

c) Como a série Black Mirror, da Netflix, retrata o impacto da tecnologia na


sociedade contemporânea?

Com isso, vamos lá!

Chegou a hora de você construir o seu problema de pesquisa!

PARA RESUMIR:

Nesta unidade, você aprendeu:

 Aspectos históricos da teologia, suas fontes gregas filosóficas, poéticas e


políticas até ser apropriada pelo cristianismo;

62 UNIDADE 3
O PLANEJAMENTO DA PESQUISA: O PROJETO

4 O PLANEJAMENTO DA PESQUISA: O PROJETO67

Roteiro de Aprendizagem

Nesta unidade, veremos os elementos que compõem um projeto de pesquisa, a


partir do que sugere a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Com base
nesses elementos, adaptaremos uma estrutura a partir dos parâmetros específicos dos
cursos de pós-graduação lato sensu na modalidade de Educação a Distância da
Faculdades EST.

Nessa direção pedimos que leia e estude a unidade com atenção e atente para as
partes em destaque. Para tanto, nesta unidade você encontrará:

- leituras complementares;

- exercícios para a elaboração do projeto de pesquisa.

67
O texto desta unidade possui extratos e adaptações dos textos publicados originalmente em: REBLIN,
Iuri Andréas. Pink e Cérebro e o domínio do mundo: para conquistar é necessário planejar – parte 1.
HistóriaHoje.com. 30 out. 2014. Disponível em: <http://historiahoje.com/especial-tcc-pink-e-cerebro-
e-o-dominio-do-mundo-para-conquistar-e-necessario-planejar-parte-1/>. Acesso em: 20 jun. 2018. E
REBLIN, Iuri Andréas. Pink e Cérebro e o domínio do mundo: para conquistar é necessário planejar –
parte 2. HistóriaHoje.com. 5 nov. 2014. Disponível em: <http://historiahoje.com/pink-e-cerebro-e-o-
dominio-do-mundo-para-conquistar-e-necessario-planejar-parte-2/>. Acesso em: 20 jun. 2018

UNIDADE 4 63
Planejando a pesquisa

Figura 21: Pink e Cérebro planejando o domínio do mundo


Fonte: captura do vídeo episódios 3, 4 e 5 da primeira temporada. ~ 10‘
© 1995 Warner Bros. Todos os direitos reservados.

Pink e Cérebro (Pinky and the Brain, no original) é uma série animada da
Warner Bros., que conta com produção executiva de Steven Spielberg. O desenho narra a
história de dois ratinhos de laboratório que, a cada episódio, arquitetam planos para
conquistar o mundo. Os planos, mirabolantemente, elaborados, para a comédia da série,
nunca dão certo, quer seja por causa das atrapalhadas de Pink, quer seja por conta de
variáveis que ambos não haviam previsto em seus planos. De toda a forma, a história
ilustra bem a importância de se planejar uma pesquisa.

Uma pesquisa sempre começa pela escolha do tema e da elaboração de um


problema. Uma vez concluída essa etapa, você pode dar prosseguimento a sua pesquisa.
Nessa direção, é muito importante, para fins de organização e clareza de pensamento, a
elaboração de um projeto de pesquisa, independentemente da envergadura do projeto, do
tema escolhido ou do nível da investigação (iniciação científica, graduação,
especialização, mestrado, doutorado, etc.).

64 UNIDADE 4
Talvez você se pergunte ―Por que eu tenho que escrever um projeto, se posso já
ir escrevendo diretamente o trabalho? Afinal, tenho todas as principais ideias na minha
cabeça‖. Mas não é bem assim. Já afirmava Heráclito que ―ninguém se banha duas vezes
no mesmo rio‖; isto é, à medida que vamos lendo e nos envolvendo com o tema de
pesquisa, nosso pensamento vai se transformando e pode ser que ele já não seja mais
exatamente o mesmo daquele no instante em que você iniciou a sua pesquisa. ―Tudo
flui‖, diria o filósofo. E essas variações e, por vezes, possíveis contradições que possam
ser evocadas no processo de investigação são muito interessantes e, em si, já fazem parte
da própria pesquisa. Além disso, o projeto de pesquisa evitará que você ―se perca‖ ou
―ande em círculos‖ ou ―perca tempo‖ ou ainda dispenda forças em focos secundários, ou
mesmo não relevantes, durante a pesquisa. Em outras palavras, o projeto definirá os
eixos, os métodos, os recursos, as estratégias, as bases teóricas da sua pesquisa. É uma
etapa crucial.

Figura 22: Esquema de abordagem e resolução de problema


Fonte: LAVILLE, Christian; DIONNE, 1999, p. 130.

UNIDADE 4 65
Por que elaborar um projeto de Pesquisa?68

[Extrato de texto de Antônio Carlos Gil]

Como toda atividade racional e sistemática, a pesquisa exige que as ações


desenvolvidas ao longo de seu processo sejam efetivamente planejadas. De modo geral,
concebe-se o planejamento como a primeira fase da pesquisa, que envolve a formulação
do problema, a especificação de seus objetivos, a construção de hipóteses, a
operacionalização dos conceitos etc. Em virtude das implicações extracientíficas da
pesquisa [...] o planejamento deve envolver também os aspectos referentes ao tempo a
ser despendido na pesquisa, bem como aos recursos humanos, materiais e financeiros
necessários a sua efetivação.

A moderna concepção de planejamento, apoiada na Teoria Geral dos Sistemas,


envolve quatro elementos necessários a sua compreensão: processo, eficiência, prazos e
metas. Assim, nessa concepção, o planejamento da pesquisa pode ser definido como o
processo sistematizado mediante o qual se pode conferir maior eficiência à investigação
para em determinado prazo alcançar o conjunto das metas estabelecidas.

O planejamento da pesquisa concretiza-se mediante a elaboração de um projeto,


que é o documento explicitador das ações a serem desenvolvidas ao longo do processo de
pesquisa. O projeto deve, portanto, especificar os objetivos da pesquisa, apresentar a
justificativa de sua realização, definir a modalidade de pesquisa e determinar os
procedimentos de coleta e análise de dados. Deve, ainda, esclarecer acerca do
cronograma a ser seguido no desenvolvimento da pesquisa e proporcionar a indicação
dos recursos humanos, financeiros e materiais necessários para assegurar o êxito da
pesquisa.

O projeto interessa sobretudo ao pesquisador e a sua equipe, já que apresenta o


roteiro das ações a serem desenvolvidas ao longo da pesquisa. Interessa também a
muitos outros agentes. Para quem contrata os serviços de pesquisa, o projeto constitui
documento fundamental, posto que esclarece acerca do que será pesquisado e apresenta a
estimativa dos custos. Quando se espera que determinada entidade financie uma
pesquisa, o projeto é o documento requerido, pois permite saber se o empreendimento se
ajusta aos critérios por ela definidos, ao mesmo tempo em que possibilita uma
estimativa da relação custo/benefício. Também se poderiam arrolar entre os interessados
no projeto os potenciais beneficiários de seus efeitos e os pesquisadores da mesma área.

68
GIL, 2010, p. 3-4.

66 UNIDADE 4
Alguns pesquisadores possivelmente consideram que a elaboração de um
projeto, com relações minuciosas, de resultas aferíveis e de atividades correlatas
específicas, poderá limitar a pesquisa, tornando-a um processo mais mecanizado e
menos criativo. Entretanto, a elaboração de um projeto é o que possibilita, em muitos
casos, esquematizar os tipos de atividades e experiências criativas.

4.1 ESTRUTURA DE UM PROJETO DE PESQUISA

O projeto de pesquisa não é a pesquisa em si, mas o planejamento dela. O


planejamento auxilia você a estabelecer os parâmetros da pesquisa a partir do problema
que você quer abordar. Ao passo que inicia o planejamento, você já inicia parte da
pesquisa. Na verdade, todo o processo de pesquisa compreende um antes, um durante e
um depois, semelhante ao que acontece, por exemplo, com os filmes.

Os filmes são um dos produtos artístico-culturais típicos do nosso tempo, e você,


com toda a certeza, já assistiu a algum filme na televisão, no cinema, na internet. É
possível que você já tenha assistido aos bastidores do filme, o making of, a conversa com
artistas, a produção, e tenha, inclusive, assistido a cenas cruas do filme. Pois bem.

A lógica relacionada à pesquisa é semelhante a um filme:

a) Primeiro, surge a ideia.


b) Depois, se transforma essa ideia em uma história.
Há aqui a construção da história, que implica em uma pesquisa, um
conhecimento prévio, elaboração de um argumento.
c) Em seguida, essa história precisa ser vendida para uma produtora ou
acionistas que financiarão o filme. Pessoas produtoras são contratadas.
Elabora-se, então, um projeto, no qual se faz um planejamento prévio sobre
os custos da produção, há conversas sobre quem poderia participar da
produção do filme, onde poderiam acontecer as locações. Monta-se um script
e um planejamento do processo de gravação.
d) Uma vez aprovado, o filme entra em produção. Pessoas artistas fazem testes e
são contratadas, se aprovadas, iniciam-se as filmagens.
e) Concluídas as filmagens, há o trabalho de pós-produção. O filme é editado,
participa de uma audiência-teste para se averiguar a aceitação do público.
Nesse processo podem haver refilmagens, tanto para alterar a história quanto
para incluir cenas adicionais. Grava-se e acrescenta-se a trilha sonora.

UNIDADE 4 67
f) Também faz parte de todo esse processo a criação de campanhas e vendagem
do produto. Pensa-se na publicidade e em como divulgar o filme da melhor
maneira possível.

Posto de maneira simplificada, a produção de um filme possui, grosso modo, três


etapas: planejamento e pré-produção; produção e pós-produção. Essa mesma lógica pode
ser aplicada à pesquisa:

a) Você precisa de um planejamento e uma pré-produção, na qual você define o


tema, realiza uma investigação prévia, identifica a problemática e elabora o
problema de pesquisa e faz um planejamento cujas linhas mestras são
condensadas no projeto de pesquisa.

b) Em seguida, você executa a pesquisa. Realiza a coleta de dados, faz uma


análise e uma discussão a partir do problema de pesquisa e da hipótese de
trabalho e registra os resultados num texto dissertativo final.

c) Por fim, você defende publicamente a ideia para uma banca. Apresenta os
resultados em eventos acadêmicos e feiras científicas. Publica artigos ou
mesmo um livro.

Figura 23: Ideia (Tema) – Plano (Projeto) – Ação (Execução)


Fonte: Pixabay69

69
<https://pixabay.com/pt/photos/download/business-idea-534228_1920.jpg?attachment&modal>

68 UNIDADE 4
Um aspecto importante disso tudo é que o projeto servirá, como já indicamos,
como uma bússola para sua investigação. Como projeto não significa que ele estará
acabado uma vez que você concluiu sua elaboração. Pode ser que, quando você iniciar a
sua pesquisa, você perceberá que a problemática precisa ser pontualmente revisitada, um
enfoque pode ser acentuado, etc. Sem ser radical, a avaliação periódica faz parte do
processo de construção da pesquisa. É por isso que um projeto é um planejamento e não a
pesquisa em si, mesmo que você já tenha que fazer uma investigação inicial para definir
os parâmetros e o foco do estudo. A estrutura formal desse planejamento, do projeto, é
proposta pela Norma Brasileira (NBR) 15287, de março de 2011, da Associação Brasileira
de Normas Técnicas, a ABNT.70

Figura 24: Planejando


Fonte: Pixabay71

Segundo a NBR 15287, um projeto precisa apresentar os elementos centrais da


investigação: o tema, o problema, as hipóteses de trabalho, os objetivos, a justificativa, o
referencial teórico, a metodologia, os recursos e o cronograma de execução, além, claro,
da lista dos documentos consultados para sua elaboração e para a execução da pesquisa. E
sua estrutura pode ser assim organizada:

70
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15287: Informação e documentação:
Projeto de Pesquisa: Apresentação. Rio de Janeiro, 2011.
71
<https://pixabay.com/pt/photos/download/mark-516277_1920.jpg?attachment&modal>

UNIDADE 4 69
Tabela 3: Estrutura de um projeto de pesquisa

Capa
Parte Externa
Lombada
Folha de rosto
Lista de Ilustrações
Lista de Tabelas
Elementos pré-textuais Lista de Abreviaturas e
Siglas
Lista de Símbolos
Sumário
Tema
Formulação do Problema
Apresentação da
Hipóteses
Problemática de Pesquisa
Parte Interna Objetivos
Elementos textuais Justificativa
Descrição do Referencial
Teórico
Descrição da Metodologia
Recursos e Cronograma
Referências
Glossário
Elementos pós-textuais Apêndice
Anexo
Índice

Elemento opcional
Elemento obrigatório
Fonte: elaborado pelo autor

Os cursos de pós-graduação lato sensu na modalidade de Educação a Distância


da Faculdades EST possuem como atividade monográfica individual um artigo científico
de 12 a 20 páginas. Logo, não será necessária a elaboração de um projeto de pesquisa
sofisticado aos moldes da estrutura apresentada, mas sim, o preenchimento de um
―formulário‖ com os itens imprescindíveis para a organização e a apresentação dos
parâmetros de sua pesquisa. Este ―formulário‖ será apresentado na última unidade deste
material. Nela, passaremos algumas orientações de como a etapa final está organizada.

70 UNIDADE 4
4.2 PROJETO DE PESQUISA, PARTE POR PARTE

As partes textuais imprescindíveis do projeto de pesquisa são as seguintes:

a) Título provisório

b) Apresentação da problemática de pesquisa

1. Apresentação do tema

2. Formulação do problema de pesquisa

3. Hipóteses de trabalho

4. Objetivos (objetivo geral e objetivos específicos)

5. Justificativa

c) Descrição do referencial teórico

d) Descrição da metodologia

e) Recursos e cronograma

f) Referências

Atenção:

Nós abordaremos cada uma das partes que compõe o projeto de pesquisa a
seguir. Entretanto, a perspectiva da abordagem será a elaboração de um ―miniprojeto‖
como planejamento para a construção do Trabalho de Conclusão de Curso. Isto é,
elementos não constantes no ―formulário‖ – como recursos e cronograma – não serão
problematizados.

Retomando o tema e o problema

Nas unidades anteriores, afirmamos que o centro de toda a pesquisa, em torno


do qual tudo gravita, é o problema de pesquisa. Portanto, é a partir dele que
desenvolveremos todas as demais partes do projeto de pesquisa. De início importa
retomar a sugestão de estrutura para a construção de um problema de pesquisa.

UNIDADE 4 71
[pronome interrogativo ou expressão][verbo][variável][unidade de análise][recorte]?

Essa estrutura possui três elementos básicos, relacionados ao tema que são, por
assim dizer, o núcleo duro da pesquisa, a saber, a variável, a unidade de análise e o
recorte (que pode ser temporal, histórico, social, político, contextual, a partir de uma
referência, etc.):

Variável - Unidade de Análise - Recorte

Em termos de planejamento, ao afirmarmos que dessa estrutura básica todo o


mais decorre e gravita, significa afirmar que todos os elementos que compõe o projeto de
pesquisa serão ―variações de um tema dado‖. Algumas dessas variações serão mais diretas
que outras, como será o caso do ―título provisório‖ e do ―objetivo geral‖.

O título provisório precisa remeter diretamente ao tema de pesquisa. Ele deve


ser o escopo, uma sentença que resume o tema central e seus possíveis desdobramentos.
A ideia aqui não é pensar em um título com licença poética, mas um título funcional, que
lhe auxiliará a manter o foco da pesquisa.

O objetivo geral precisa ser curto e simples. A ―fórmula mágica‖ que evita erros é
torna-lo diretamente espelho, reflexo, do problema de pesquisa. Ele precisa se iniciar
com um verbo no infinitivo, visto que é uma tarefa a ser empreendida. Partindo da
estrutura para a construção de um problema de pesquisa, poderíamos esboçar isso da
seguinte maneira:

Problema de pesquisa:

[pronome interrogativo ou expressão][verbo][variável][unidade de análise][recorte]?

Objetivo geral:

[verbo][variável][unidade de análise][recorte]

Título provisório:

[variável][unidade de análise][recorte]

72 UNIDADE 4
Trazendo essas estruturas para os exemplos dados na unidade anterior, teríamos
o seguinte:

Exemplo 1

Problema de pesquisa:
[pronome interrogativo ou expressão][verbo][variável][unidade de análise][recorte]?

Qual é a compreensão de educação de Paulo Freire apresentada no livro ―Pedagogia do


Oprimido‖?

Objetivo geral:
[verbo][variável][unidade de análise][recorte]

Identificar a compreensão de educação de Paulo Freire apresentada no livro ―Pedagogia do


Oprimido‖

Título provisório:
[variável][unidade de análise][recorte]

A compreensão de educação de Paulo Freire apresentada no livro ―Pedagogia do Oprimido‖

Figura 25: Em torno do qual...


Fonte: Pixabay72

72
< https://pixabay.com/pt/photos/download/water-1761027_1920.jpg?attachment&modal>

UNIDADE 4 73
Exemplo 2

Problema de pesquisa:
[pronome interrogativo ou expressão][verbo][variável][unidade de análise][recorte]?

Quais são as características da teologia do evangelho de Lucas na parábola do Bom Samaritano,


em Lc 10. 25-37?

Objetivo geral:
[verbo][variável][unidade de análise][recorte]

Descrever as características da teologia do evangelho de Lucas na parábola do Bom Samaritano,


em Lc 10. 25-37?

Título provisório:
[variável][unidade de análise][recorte]

As características da teologia do evangelho de Lucas na parábola do Bom Samaritano

Exemplo 3

Problema de pesquisa:
[pronome interrogativo ou expressão][verbo][variável][unidade de análise][recorte]?

Como a série Black Mirror, da Netflix, retrata o impacto da tecnologia na sociedade


contemporânea?

Objetivo geral:
[verbo][variável][unidade de análise][recorte]

Averiguar o impacto da tecnologia na sociedade contemporânea retratado pela série Black


Mirror, da Netflix, a partir de uma análise do episódio USS Callister.

Título provisório:
[variável][unidade de análise][recorte]

O impacto da tecnologia na sociedade contemporânea retratado na série Black Mirror, da


Netflix, a partir de uma análise do episódio USS Callister.

74 UNIDADE 4
O projeto de pesquisa: descrição das partes que o compõe e construção passo a passo

Título Provisório Conforme afirmamos anteriormente, precisa remeter diretamente ao tema


de pesquisa. Ele deve ser o escopo, uma sentença que resume o tema
central e seus possíveis desdobramentos. A ideia aqui não é pensar em um
título com licença poética, mas um título funcional, que lhe auxiliará a
manter o foco da pesquisa. A sugestão é manter os três elementos básicos
do tema da pesquisa como título funcional

Apresentação do Também pode ser chamado de assunto ou objeto de pesquisa. É, sem


Tema rodeios, a apresentação do tema. Em geral, é constituído de apenas um
parágrafo. A estrutura padrão do objeto de pesquisa é uma frase escopo e
possíveis desdobramentos expressando a delimitação. É uma apresentação
pontual, clara, breve e objetiva. Lembre-se do ―meu tema é...‖

Formulação do É a apresentação da problemática central. É constituída e organizada em


Problema de um parágrafo apenas que pode retomar o escopo (ou não) que é seguido de
Pesquisa uma ―tempestade de perguntas‖, no sentido de problematizar o tema. Ao
final, o parágrafo se encerra com uma frase indicando a pergunta central.
Por exemplo: ―todos esses questionamentos conduzem ao seguinte
problema de pesquisa:‖. É importante lembrar que a pergunta central se
constitui de um único questionamento.

Hipóteses de As hipóteses são tentativas provisórias de dar uma resposta ao problema


Trabalho de pesquisa. São suspeitas, intuições, afirmações baseadas em
conhecimento prévio e até em palpite, que a investigação irá confirmar se
estavam acertadas ou equivocadas. Não são argumentos demasiadamente
longos, mas ensaios de respostas diretas à pergunta que você elencou
como central em sua pesquisa. Pode haver uma hipótese só, como também
duas ou três. Havendo mais de uma, importa lembrar que elas não
precisam ser antagônicas entre si, podem ser complementares ou apenas
diferentes, apresentando outra perspectiva. A estrutura de uma hipótese é
a de uma a duas frases de escopo, seguida de um breve argumento que
endosse ou corrobore com a frase escopo; isto é, como é um argumento
provisório de uma investigação que você ainda irá realizar, elas não são
longas, nem demasiadamente fundamentadas. Pense na ―lógica‖ do
palpite ou da suposição. Você afirma o que você ―acha‖, argumentando
porque você ―acha‖ o que acha.

Objetivos Os objetivos, normalmente, se dividem entre geral e específico. Todos os


objetivos se iniciam com verbos no infinitivo e se referem ao destino, ao
onde você quer chegar e quais etapas são necessárias para se chegar lá. É
apenas um objetivo geral, relacionado diretamente ao problema da

UNIDADE 4 75
pesquisa. Já os objetivos específicos remeteriam às etapas para que você
alcance seu objetivo geral. Isto é, você precisa identificar as palavras-
chave descritas no objetivo geral e resolvê-las para que você alcance o
objetivo geral.
Por exemplo: vamos supor que o seu problema de pesquisa seja: como se
configura o cenário religioso no Rio de Janeiro no período colonial?
E seu objetivo geral, portanto, seja: investigar como se configura o cenário
religioso no Rio de Janeiro no período colonial.
A construção dos objetivos específicos vai olhar para as ―palavras-chave‖
descritas no objetivo geral, a saber ―cenário religioso‖, ―período colonial‖.
A pergunta de fundo para a construção dos objetivos específicos seria:
para eu investigar com propriedade o cenário religioso no Rio de Janeiro
no período colonial, o que eu precisaria fazer?
Vamos lá:
 Descrever o período colonial;
 Averiguar a chegada da religião no Brasil;
 Caracterizar a relação Igreja e Estado.
Portanto, são objetivos específicos, delimitados, que remetem a algo
maior. Não se trata de confecção de estrutura, nem de metodologia. Não
há um limite para os objetivos específicos, pois estes estão relacionados à
complexidade da pergunta e aos possíveis desdobramentos que ela pode
evocar.

Justificativa É a explicação do porquê você quer pesquisar determinado tema. É


objetiva e, geralmente, estruturada da seguinte forma: inicia com uma
contextualização do tema, indica a relevância de se pesquisar o tema (para
você, para a sociedade, para a área do saber) e encerra com uma breve
apresentação das possíveis contribuições que a pesquisa pode trazer para o
campo científico ou para a reflexão acerca do tema escolhido.
A justificativa pode variar bastante de tamanho. Num projeto de TCC
para graduação, por exemplo, pode ter até uma página. Para pós-
graduação stricto sensu, isto é, mestrado e doutorado, a justificativa pode
ter de uma a três páginas.
Para um miniprojeto para pós-graduação lato sensu, cujo trabalho
monográfico individual é um artigo científico, a recomendação é que a
justificativa tenha de um a dois parágrafos.

Na justificativa, é importante apresentar referências para embasar seus


argumentos, referindo pessoas autoras, com citações diretas e indiretas,
indicação de base teórica que corrobore os argumentos dados.

76 UNIDADE 4
Figura 25: Referencial teórico
Fonte: Pixabay73

Descrição do Pode ser chamado também de ―base teórica‖, ―fundamentação teórica‖ e


Referencial Teórico ―revisão de literatura‖. Num projeto de pesquisa, essa parte ocupa em
média 40 a 50% de todo o projeto. Em um projeto de TCC de graduação e
mesmo de especialização, por exemplo, essa parte costuma ocupar de 1 a 3
páginas do projeto. Já em um projeto de mestrado profissional, ocupa
cerca de 6 a 8 páginas e em um de mestrado e doutorado acadêmico, pode
chegar até 10.
O referencial teórico envolve a descrição sucinta da base teórica que você
utilizará na sua pesquisa. Essa parte se refere a anunciar quais serão os
autores e as autoras, os temas ou os conceitos ou as categorias que você
utilizará para fundamentar a sua pesquisa, seguida da justificativa da
escolha deste referencial, isto é, quais foram as razões porque tais e não
outros pessoas teóricas são cruciais em sua investigação. Em outras
palavras, trata-se de todo o arsenal epistemológico necessário para a
resolução do problema. Você vai apresentar aqui as obras que você
utilizará para resolver o problema de investigação. Exige um
conhecimento prévio, prevê leitura preliminar das principais obras.
Convém aqui uma breve descrição dos conceitos e das obras a serem
utilizadas, inclusive, com citações diretas e indiretas. Pode-se dividir esta
parte em categorias, com base nas palavras-chave ou nas variáveis de

73
<https://pixabay.com/pt/photos/download/books-768426_1920.jpg?attachment&modal>

UNIDADE 4 77
investigação da pesquisa. Não se trata de elencar ―todas‖ as obras que você
utilizará, mesmo porque se trata de um ―projeto‖, mas as que irão definir
sua abordagem, o ―fio condutor‖ da sua linha de raciocínio e perspectiva
de análise.
Como veremos nas instruções do ―Trabalho de Conclusão de Curso‖, no
artigo científico, esse é o segundo tópico do texto do artigo. Nele, você
apresentará as pessoas teóricas, os conceitos que embasarão a sua
discussão no artigo. A quantidade de referências vai variar de acordo com
o problema que você elencar.
Para elaborar essa parte, sugerimos a seguinte construção textual
(exemplo): ―Para embasar teoricamente (ou discutir, abordar,
problematizar) o tema... (retome o tema)... esta pesquisa partirá do estudo
de... (do trabalho de, do conceito de, da reflexão de, etc.) na obra...
(indicar um livro, uma pessoa autora, um conceito)‖.
Na sequencia, descrever brevemente o conceito, o pensamento da pessoa
autora ou a obra utilizada, preferencialmente, incluindo uma ou outra
citação direta ou indireta para corroborar aquilo que você estiver
explicando sobre a obra. Nessa parte é importante indicar a referência.
Lembre-se de seguir as especificações de normas técnicas descritas nos
documentos metodológicos (vide próxima unidade).
Para fins de projeto de pesquisa, para essa parte, recomendamos a
apresentação de três referências elementares.

Descrição da Aqui você explicará metodologicamente todos os passos que você realizará
Metodologia para fazer a pesquisa. Trata-se do como resolver o problema, como
alcançar os objetivos propostos. Lembre-se que um dos critérios de
cientificidade está relacionado à reprodução da pesquisa. Um pesquisa só
poderá ser reproduzida se tiver bem claro como ela será desenvolvida,
desde o mapeamento bibliográfico inicial (passo 1) até a redação da
pesquisa na forma de uma dissertação (último passo). Lembre-se que, em
termos de ―fundamentação metodológica‖ não é necessário explicar o
método, apenas referir qual é o teórico da metodologia que você se
baseará. Isso porque cada pessoa teórica apresenta particularidades nas
definições de pesquisa. Ex. ―Está é uma pesquisa bibliográfica quanto aos
meios, de fins exploratórios, de acordo com a classificação de Vergara...‖.
Em seguida, parte-se para a descrição do ―passo a passo‖. Isso porque o
projeto de pesquisa não é uma ―aula‖ de metodologia, mas a exposição dos
parâmetros a serem utilizados na investigação.
Possui uma média de 1-2 páginas, dependendo dos métodos a serem
utilizados. Pesquisas bibliográficas geralmente ocuparão, nesta descrição,

78 UNIDADE 4
de ½ página a uma página. Pesquisas experimentais, pesquisas de campo,
pesquisas-ação, em geral, pesquisas com seres humanos irão requerer uma
descrição mais detalhada da metodologia, pois envolvem cada detalhe
metodológico como que tipo de técnica de coleta de dados será utilizada,
como será realizado o procedimento, considerações em relação ao público
que será objeto da investigação, questões do Termo de Consentimento
Livre e Esclarecido, respeito às questões integrais das pessoas envolvidas,
etc. Algumas pesquisas poderão requerer mais de um tipo de método para
dar conta da problemática.
Para o caso do TCC do curso de pós-graduação lato sensu na modalidade
de Educação a Distância, o procedimento será bibliográfico.

Recursos Refere-se à descrição breve dos recursos necessários para a realização da


pesquisa. Pense nas seguintes questões: Há recursos financeiros/bolsas de
governo? Há livros ou acesso aos livros? Há acesso a documentos
históricos, a escolas ou outros ambientes para eventuais pesquisas
empíricas? São questões a serem pensadas e respondidas nesse tópico.
Vale ressaltar que um projeto de pesquisa é diferente de um projeto de
ação social, de execução de obras, etc.; isto é, não se trata aqui de
descrever um orçamento, do tipo: ―1 computador no valor de R$ 2.000,00;
dois pacotes de folhas A4 no valor total de R$ 24,00, etc.‖, mas sim de
apresentar se há condições que possibilitem a realização da pesquisa.
Como já afirmado, este tópico não será necessário para o projeto do TCC.

Cronograma Trata-se de estipular os prazos relacionados à pesquisa. Pode-se dividir o


cronograma por semestre e o último ano ou o último semestre em mês. O
cronograma compreende todo o processo de pesquisa, do ingresso à
defesa. Sugestão é colocar em uma tabela de duas colunas, num lado, o
período temporal e, de outro, a atividade que será realizada neste tempo.
Como já afirmado, este tópico não será necessário para o projeto do TCC,
pois a produção do trabalho final seguirá os prazos definidos pela
instituição.

Referências Trata-se da lista de referências da pesquisa. Diferente de um trabalho


científico, no qual somente se indica na lista final as obras efetivamente
utilizadas na pesquisa (citadas), no projeto de pesquisa indicam-se tanto
as obras efetivamente utilizadas no projeto quanto as obras a serem
consultadas ou garimpadas durante toda a investigação. Lembre-se que,
quando você definiu o tema e o problema de pesquisa, você realizou um
exercício de garimpagem de material. Nesse exercício, eventualmente,
você identificou livros, capítulos, artigos, que podem vir a ser úteis no seu
trabalho. É essa seleção que você descreverá aqui.

UNIDADE 4 79
4.3 RETOMADAS PONTUAIS

Após conhecermos a estrutura detalhada do projeto de pesquisa, é importante


atentarmos a algumas dicas para a elaboração do projeto de pesquisa. Particularmente,
destacaremos aqui duas: os verbos apropriados para elaboração dos objetivos e a
descrição dos tipos de metodologias, buscando indicar, ao final, uma sugestão para a
elaboração da ―Descrição da Metodologia‖, no projeto. Vamos lá?

Verbos para objetivos

É recorrente encontrarmos em projetos de pesquisa e mesmo em trabalhos


acadêmicos objetivos formulados com verbos inapropriados. São verbos de viés subjetivo
e também verbos que remetem a etapas posteriores à realização da pesquisa. A escolha
dos verbos para a composição dos objetivos dependerá do propósito da pessoa
pesquisadora. Vejamos alguns casos:

Tabela 4: lista de verbos para elaboração de objetivos

Verbos adequados Verbos inapropriados

Apresentar, identificar, descrever, explicar, Promover, prestar assistência, conscientizar,


esclarecer, verificar, averiguar, investigar, mapear, socializar, gostar, achar, capacitar, preparar,
relacionar, caracterizar, distinguir, comparar, articular, escrever, exemplificar, comunicar,
conceituar, enumerar, analisar, demonstrar, acreditar, desejar, opinar, etc.
examinar, exercitar, correlacionar, etc.

Fonte: elaborado pelo autor

Lembre-se que a proposta básica de uma investigação científica é a compreensão


de fatos, fenômenos, coisas, identificação do funcionamento de coisas, etc. Mesmo que
essa investigação vise, posteriormente, uma aplicação, ou mesmo seja uma pesquisa
aplicada, muitos verbos descritos na tabela como ―inapropriados‖ servem em outros tipos
de projeto, como, por exemplo, projetos sociais (promover, conscientizar, socializar, etc.),
desconsiderando, claro, verbos totalmente ―subjetivos‖ como achar, gostar.

Tipos de metodologias

Quando nós nos ocupamos com Metodologia Científica ou Metodologia da


Pesquisa, um dos ―caos‖ com os quais nos deparamos é a classificação e tipologia das
pesquisas. Entre as pessoas teóricas que se debruçam sobre o assunto, não há uma
uniformidade. Mesmo classificações muito similares trazem distinções que impedem o
estabelecimento de qualquer tipo de parâmetro. Assim, como proceder na ―descrição da
metodologia‖, se não há um parâmetro para apresentar o método a ser utilizado na
pesquisa?

80 UNIDADE 4
A resposta para essa questão é simples: Na ―descrição da metodologia‖ você
precisa indicar em qual teórico você está se baseando para a classificação que você está
apresentando. Conforme já indicamos, isso não significa que você precisa explicar o
conceito ou o método. Apenas é necessário indicar que tal método é baseado no
entendimento de pessoa teórica X ou Y.

Tipo de pesquisa74

[Extrato de texto de Sylvia Constant Vergara]

O leitor deve ser informado sobre o tipo de pesquisa que será realizada, sua
conceituação e justificativa à luz da investigação específica.

Há várias taxonomias de tipos de pesquisa, conforme os critérios utilizados


pelos autores. Aqui são propostos dois critérios básicos: (a) quanto aos fins; (b) quanto
aos meios.

Quanto aos fins, uma pesquisa pode ser: (a) exploratória; (b) descritiva; (c)
explicativa; (d) metodológica; (e) aplicada; (f) intervencionista. Quanto aos meios de
investigação, pode ser: (a) pesquisa de campo; (b) pesquisa de laboratório; (c)
documental; (d) bibliográfica; (e) experimental; (f) ex post facto; (g) participante; (h)
pesquisa-ação; (i) estudo de caso.

Investigação exploratória é aquela realizada em área na qual há pouco


conhecimento acumulado e sistematizado. Pela sua natureza de sondagem não comporta
hipóteses que, todavia, poderão surgir durante ou ao final da pesquisa.

Pesquisa descritiva é aquela que expõe características de determinada população


ou de determinado fenômeno. Pode também estabelecer correlações entre variáveis e
definir sua natureza. Não tem compromisso de explicar os fenômenos que descreve.

Investigação explicativa é aquela cujo principal objetivo é tornar inteligível, é


justificar os motivos de alguma coisa. Visa, portanto, esclarecer quais fatores
contribuem, de alguma forma, para a ocorrência de determinado fenômeno. Pressupõe
pesquisa descritiva como base para suas explicações.

74
VERGARA, Sylvia Constant. Sugestão de estruturação de um projeto de pesquisa. Fundação Getúlio
Vargas, Escola Brasileira de Administração Pública, Cadernos de Pesquisa, n. 02, 1991. p. 16-19.
Disponível em:
<https://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/13030/000056762.pdf>. Acesso em: 20
jun. 2018.

UNIDADE 4 81
Pesquisa metodológica é o estudo que se refere a instrumentos de captação ou
de manipulação da realidade. Está, portanto, associado a caminhos, formas, maneiras,
procedimentos para atingimento de determinado fim.

Pesquisa aplicada é aquela fundamentalmente motivada pela necessidade de


resolver problemas concretos, mais, ou menos imediatos. Tem, portanto, finalidade
prática.

Investigação intervencionista é aquela cujo principal objetivo é interpor-se,


interferir na realidade estudada, para modifica-la. Não se satisfaz, portanto, em apenas
explicar. Distingue-se da pesquisa aplicada pelo compromisso de não somente propor
resoluções de problemas, mas de resolvê-los efetiva e participativamente.

Pesquisa de campo é investigação empírica realizada no local onde ocorre ou


ocorreu um fenômeno ou que dispõe de elementos para explica-lo.

Pesquisa de laboratório é experiência realizada em local circunscrito, já que no


campo seria praticamente impossível realiza-la. Exemplo: simulações em computador.

Investigação documental é a realizada em documentos conservados no interior


de órgãos públicos e privados de qualquer natureza, ou com pessoas: registros, atas,
anais, regulamentos, circulares, ofícios, memorandos, balancetes, comunicações
informais, filmes, microfilmes, fotografias, vídeo-tape, disquetes, diários, cartas pessoas
e outros.

Pesquisa bibliográfica é o estudo sistematizado desenvolvido a partir de


material publicado em livros, revistas, jornais; isto é, material acessível ao público em
geral. Fornece instrumental analítico para qualquer outro tipo de pesquisa, mas também
pode esgotar-se em si mesma. O material publicado pode ser fonte primária ou
secundária, bem como fonte de primeira ou de segunda mão. [...]

Pesquisa experimental é investigação empírica na qual o pesquisador manipula


e controla variáveis independentes e observa as variações que tal manipulação e controle
produzem em variáveis dependentes. Neste sentido, permite observar e analisar um
fenômeno, sob condições determinadas.

Investigação ex post facto é aquela na qual o pesquisador não pode controlar


variáveis independentes, seja porque suas manifestações já ocorreram, seja porque as
variáveis não são manipuláveis. A impossibilidade de manipulação e controle das
variáveis distingue, então, a pesquisa experimental da ex post facto. [...]

82 UNIDADE 4
Pesquisa participante é aquela que não se esgota na figura do pesquisador. Dela
tomam parte pessoas implicadas no problema sob investigação, fazendo com que a
fronteira pesquisador/pesquisado seja tênue.

Pesquisa-ação é um tipo particular de pesquisa participante que supõe


intervenção participativa na realidade social. Quanto aos fins é, portanto,
intervencionista. [...]

Estudo de caso é o circunscrito a uma ou poucas unidades, estendidas essas


como uma pessoa, uma família, um produto, uma empresa, um órgão público, uma
comunidade ou mesmo um país. Tem caráter de profundidade e detalhamento.

Uma observação: os tipos de pesquisa não são, necessariamente, excludentes.


Por exemplo: uma pesquisa pode ser, ao mesmo tempo, bibliográfica, documental, de
campo e estudo de caso.

Como você verificou no extrato do texto de Sylvia Vergara, a autora organiza os


tipos de pesquisa a partir de duas categorias fundamentais: quanto aos fins e quanto aos
meios. Pensando nos exemplos que temos utilizado até aqui, a partir da taxonomia de
Vergara, podemos descrever a metodologia de nossa pesquisa da seguinte maneira:

Exemplos:

a) A partir da taxonomia de Sylvia Vergara, o presente estudo sobre a


compreensão de educação de Paulo Freire no livro ―Pedagogia do Oprimido‖ pode ser
classificado como uma pesquisa descritiva em relação aos fins e bibliográfica em relação
aos meios.

b) Para dar conta do problema de pesquisa sobre as características da teologia do


evangelho de Lucas na parábola do Bom Samaritano, este estudo pode ser classificado
como uma pesquisa explicativa em relação aos fins e bibliográfica em relação aos meios,
de acordo com a taxonomia proposta por Sylvia Vergara.

c) Para tanto, a presente pesquisa sobre o impacto da tecnologia na sociedade


contemporânea tal como retratado pela série Black Mirror, da Netflix, a partir de uma análise do
episódio USS Callister, se configura como uma pesquisa descritiva quanto aos fins e
bibliográfica, documental e estudo de caso quanto aos meios, de acordo com a classificação de
Sylvia Vergara.

Ao final da sentença, deve-se indicar a obra de Vergara que apresenta a classificação.


Como já indicado pela questão da verificação, qualquer enunciado precisa ser justificado.

UNIDADE 4 83
Outra referência no campo da metodologia da pesquisa é Antônio Carlos Gil. A
partir de suas obras como Como elaborar projetos de pesquisa 75 e Métodos e Técnicas de
Pesquisa Social,76 é possível delinear uma taxonomia organizada a partir da natureza, dos
objetivos, da abordagem do problema e dos procedimentos técnicos. Confira a descrição
elaborada pelo prof. Maurício Barcellos Almeida, para o Manual de Normalização da
Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais:

Tipos de pesquisa77
As informações a seguir foram elaboradas pelo prof. Maurício Barcellos
Almeida, e gentilmente cedidas para fazer parte deste Manual:
Do ponto de vista de sua natureza:
 Pesquisa básica: objetiva gerar conhecimentos novos para avanço da
ciência sem aplicação prática prevista.
 Pesquisa aplicada: objetiva gerar conhecimentos para aplicações práticas,
dirigidos à solução de problemas específicos.
Do ponto de vista da forma de abordagem ao problema:
 Pesquisa quantitativa: considera que tudo é quantificável, o que significa
traduzir opiniões e números em informações as quais serão classificadas
e analisadas.
 Pesquisa qualitativa: considera que existe uma relação entre o mundo e o
sujeito que não pode ser traduzida em números; a pesquisa é descritiva, o
pesquisador tende a analisar seus dados indutivamente.
Do ponto de vista dos objetivos:
 Pesquisa exploratória: objetiva proporcionar maior familiaridade com
um problema; envolve levantamento bibliográfico, entrevistas com
pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado e
análise de exemplos; assume em geral a forma de pesquisas bibliográficas
e estudos de caso.

75
GIL, 2010, p.25-43.
76
GIL, 2012, esp. p. 26-29.
77
Fonte: TIPOS de Pesquisa. Manual de Normalização para o NITEG e o PPGCI da ECI-UFMG.
Disponível em:
<http://normalizacao.eci.ufmg.br/?Reda%E7%E3o_e_Estilo:Metodologia:Tipos_de_pesquisa>. Acesso
em: 20 jun. 2018.

84 UNIDADE 4
 Pesquisa descritiva: objetiva descrever as características de certa
população ou fenômeno, ou estabelecer relações entre variáveis;
envolvem técnicas de coleta de dados padronizadas (questionário,
observação); assume em geral a forma de levantamento.
 Pesquisa explicativa: objetiva identificar os fatores que determinam
fenômenos, explica o porquê das coisas; assume em geral as formas de
pesquisa experimental e pesquisa ex‐post‐facto.
Do ponto de vista dos procedimentos técnicos:
 Pesquisa bibliográfica: elaborada a partir de material já publicado, como
livros, artigos, periódicos, Internet, etc.;
 Pesquisa documental: elaborada a partir de material que não recebeu
tratamento analítico;
 Pesquisa experimental: pesquisa em que se determina um objeto de
estudo, selecionam‐se variáveis que o influenciam, definem‐se as formas
de controle e de observação dos efeitos que as variáveis produzem no
objeto;
 Levantamento: pesquisa que envolve questionamento direto das pessoas
cujo comportamento se deseja conhecer;
 Estudo de caso: envolve o estudo profundo e exaustivo de um ou poucos
objetos de maneira que se permita o amplo e detalhado conhecimento;
 Pesquisa ex‐post‐facto: quando o experimento se realiza depois dos fatos;
 Pesquisa ação: pesquisa concebida em associação com uma ação; os
pesquisadores e participantes da situação ou problema estão envolvidos
de modo cooperativo ou participativo;
 Pesquisa participante: pesquisa desenvolvida pela interação entre
pesquisadores e membros das situações investigadas.
Referência
GIL, A.C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 4 ed. São Paulo: Atlas, 1994. 207p.

UNIDADE 4 85
A proposta é que você escolha a classificação de uma pessoa teórica e utilize para
caracterizar a sua pesquisa. Nossa sugestão é que você utilize uma das taxonomias acima
apresentadas. Uma observação importante a respeito da classificação das pesquisas é que
não abordamos aqui as ―técnicas de pesquisa‖, que se distinguem da classificação da
pesquisa quanto aos procedimentos técnicos. Técnicas de pesquisa são: entrevistas
(informais, focalizadas, por pautas, estruturadas, etc.), observações (participantes,
sistemáticas), questionários, grupos focais, etc. 78 Por sua utilização não estar prevista no
curso de pós-graduação lato sensu na modalidade de Educação a Distância. A explicação
sobre elas será suprimida aqui.

Figura 26: Aplicação de Questionário


Fonte: Pixabay79

78
Cf. p. ex. GIL, 2012.
79
<https://pixabay.com/pt/photos/download/checklist-2077020_1920.jpg?attachment&modal>

86 UNIDADE 4
4.4 UM EXEMPLO PRÁTICO

Abaixo indicamos abaixo uma ilustração de um miniprojeto de pesquisa, a partir


de um exemplo utilizado ao longo das últimas unidades. Inserimos neste projeto as
construções já realizadas na unidade anterior acerca da ―apresentação do tema‖,
―formulação do problema‖, do ―título provisório‖, do ―objetivo geral‖.

Título Provisório O impacto da tecnologia na sociedade contemporânea retratado na série


Black Mirror, da Netflix, a partir de uma análise do episódio USS
Callister.

Apresentação do O tema de pesquisa é o impacto da tecnologia na sociedade a partir da


Tema série Black Mirror da Netflix. Percebe-se que a tecnologia tem impacto na
sociedade. Ela cria novos hábitos, modifica a forma como as relações se
dão. Esse impacto é ambíguo, havendo contribuições e malefícios. O uso
da tecnologia incide no tema da ética. O estudo, então, explora como a
série apresenta e retrata esse impacto a partir de um episódio especial:
USS Callister.

Formulação do A partir deste tema, surgem alguns questionamentos: Qual é o impacto da


Problema de tecnologia na sociedade? Quais são as contribuições da tecnologia para a
pesquisa vida em sociedade? Como a tecnologia afeta as relações sociais e a vida
humana? Como essa tecnologia é retratada na mídia e nas produções
artístico-culturais? De uma maneira mais específica, a partir do episódio
selecionado para estudo, cabe perguntar: como o limite do uso da
tecnologia pode ser relacionada com a ética no epísodio USS Callister ?
Como o episódio USS Callister apresenta o uso da tecnologia? Quais os
problemas e conflitos decorrentes da utilização da tecnologia? Como o
referido episódio relaciona autonomia, ética e tecnologia? Essas questões
podem ser condensadas na seguinte pergunta central: Como o episódio
USS Callister, da série Black Mirror, da Netflix, problematiza o uso da
tecnologia na sociedade contemporânea?

Hipóteses de O enredo de USS Callister reflete o tema da solidão humana e do não


Trabalho ajuste, a não adequação a uma sociedade. Como fuga da realidade, o
episódio fala sobre a sociedade e a tecnologia que não leva em conta os
desejos e as reinvindicações das pessoas. Há uma instrumentalização de
outros seres. A hipótese de trabalho é a de que o episódio problematiza
que a tecnologia requer uma utilização ética, isto é, considerando a
autonomia, pois ela não da conta de resolver questões existenciais.

Objetivos Assim, o objetivo geral dessa pesquisa reside em problematizar o impacto


[ou uso] da tecnologia na sociedade contemporânea retratado pela série
Black Mirror, da Netflix, a partir de uma análise do episódio USS

UNIDADE 4 87
Callister.
Já os objetivos específicos podem ser assim delineados: Caracterizar a
sociedade contemporânea a partir da tecnologia; apresentar a série Black
Mirror, da Netflix; descrever o episódio USS Callister; analisar o episódio
USS Callister a partir da caracterização da sociedade contemporânea.

Justificativa A tecnologia sempre é vista de uma forma muito positiva ou muito


negativa. Há quem advogue sua utilização quase que indiscriminada e há
quem a conteste. Por exemplo, na educação, percebe-se que persiste ainda
o debate sobre o uso ou não de celular em sala de aula. O que fazer com
essa prática? Se adequar a ela ou ignorá-la? O fato é que a tecnologia têm
modificado as relações humanas, conforme atestou Marshall McLuhan
em seu Os meios de comunicação como extensão do homem.80 Ao que
parece, não se evidencia ainda uma superação das tensões entre discursos
positivos ou negativos a seu respeito. Logo, problematizar o impacto da
tecnologia é algo ainda necessário e vital para se debater as relações
existentes.
Nessa direção, a série Black Mirror traz uma contribuição singular.
Concebida como uma antologia, a série de ficção científica produzida pela
Netflix apresenta temas obscuros para refletir sobre a relação entre
sociedade e tecnologia. Todos os episódios abordam um aspecto dessa
relação. Nessa direção, o episódio USS Callister se torna peculiar, pois ele
discute o tema a partir de uma paródia da série Star Trek, uma das séries
mais conhecidas da cultura pop. Na trama, Robert Daly (personagem
vivido por Jesse Plemons) cria uma realidade virtual capaz de abrigar
cópias das consciências de seus colegas de trabalho que ele utiliza como
entretenimento para aquietar sua solidão. Dada a importância das
produções audiovisuais na sociedade hoje, da ficção científica, a
abordagem da série e, em especial, do episódio USS Callister, poderá abrir
possibilidades para problematizar o rompimento com o pessimismo ou o
romantismo em relação à tecnologia e o comprometimento em seu uso.

Descrição do Para problematizar o impacto da tecnologia na sociedade contemporânea


Referencial retratado pela série Black Mirror, da Netflix, a partir de uma análise do
Teórico episódio USS Callister, diferentes referenciais teóricos servirão de base
para o estudo. Essa descrição do referencial teórico pode ser subdividido
nas seguintes categorias: 1) Sociedade e Tecnologia hoje; 2) Ética e
comportamento humano; 3) Netflix e entretenimento. Essas três
categorias se constituem nos eixos que sustentarão a análise e a discussão
principal. Pontualmente, outras obras integrarão o estudo.

80
MCLUHAN, Marshall. Os meios de comunicação como extensões do homem. 3. ed. São Paulo, SP:
Cultrix, 1971.

88 UNIDADE 4
1) Sociedade e tecnologia hoje
Para trazer subsídios sobre sociedade e tecnologia hoje, as discussões
propostas por Manuel Castells sobre como os meios de comunicação
afetam a vida de uma sociedade conectada tem causado mais repercussão
na atualidade. Nessa direção, em especial, considerar-se-á aqui a obra A
Galáxia da Internet81 e Sociedade em Rede.82
Além disso, para abordar a relação entre sociedade e tecnologia a partir da
cultura da mídia, este estudo se baseará na obra clássica de Marshall
McLuhan, Os meios de comunicação como extensões do homem ,83 e de
Douglas Kellner, A cultura da mídia.84 Ambas as obras trazem uma
contribuição singular para o debate por enfatizarem, justamente essa
relação entre sociedade, cultura, comportamento e tecnologia.

2) Ética e comportamento humano


Para problematizar a narrativa a partir da questão da ética, utilizar-se a
obra de Adela Cortina Orts e Emílio Martinez, Ética.85 A obra compila
todas as vertentes e escolas éticas e possibilitará uma compreensão clara
do que é ética nas relações.

3) Netflix e entretenimento
A Netflix e seus programas têm sido objeto de estudo por parte das
academias e institutos de pesquisa. Uma consulta ao Google Acadêmico
(http://scholar.google.com.br), à Biblioteca Gênesis (http://gen.lib.rus.ec)
e outros mecanismos, revelou algumas obras significativas a esse respeito.
Destacam-se aqui as obras editadas por Cory Barker e Myc Wiatrowski,
The Age of Netflix,86 e por Kevin McDonald e Daniel Smith-Rowsey,
The Netflix Effect.87

4) Black Mirror
Sobre a série Black Mirror, há estudos, sobretudo, artigos em periódicos,

81
CASTELLS, Manuel. A galáxia da internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade. Rio
de Janeiro, RJ: Jorge Zahar, 2003.
82
CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. 3. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1999.
83
MCLUHAN, 1971.
84
KELLNER, Douglas. A cultura da mídia: estudos culturais: identidade e política entre o moderno e o
pós-moderno. Bauru: EDUSC, 2001.
85
CORTINA ORTS, Adela; MARTÍNEZ, Emilio. Ética. São Paulo: Loyola, 2005.
86
BARKER, Cory; WIATROWSKI, Myc (Eds). The Age of Netflix. McFarland, 2017.
87
MCDONALD, Kevin; SMITH-ROWSEY, Daniel (Eds.). The Netflix Effect: Technology and
Entertainment in the 21st century. New York: Bloomsbury, [s.d.].

UNIDADE 4 89
que serão considerados aqui. Ganham destaque os textos de Ekmel Geçer
e Hüseyin Serbes88 e Guillermo Echauri-Soto,89 além da dissertação de
Carl Russell Huber.90
Não por último, entra e, em especial, o episódio USS Callister. Segundo
dados da própria Netflix, o episódio foi ao ar junto com toda a série, no
dia 29 de dezembro de 2017. O episódio foi escrito por Charlie Brooker,
criador da série, e William Bridges.

Descrição da Para tanto, a presente pesquisa sobre o impacto da tecnologia na


Metodologia sociedade contemporânea tal como retratado pela série Black Mirror, da
Netflix, a partir de uma análise do episódio USS Callister, se configura
como uma pesquisa descritiva quanto aos fins e bibliográfica, documental
e estudo de caso quanto aos meios, de acordo com a classificação de Sylvia
Vergara. Operacionalmente, a pesquisa se desdobrará nos seguintes
passos: 1) Levantamento bibliográfico a partir do tema de pesquisa e das
categorias elencadas na descrição do referencial teórico; 2) leitura e
fichamentos de obras selecionadas; 2) Decupagem do episódio USS
Callister; 3) Análise e discussão dos dados; 4) Sistematização dos
resultados em um texto dissertativo final no formato de um artigo
científico.

Referências
BARKER, Cory; WIATROWSKI, Myc (Eds). The Age of Netflix.
McFarland, 2017.

CASTELLS, Manuel. A galáxia da internet: reflexões sobre a internet, os


negócios e a sociedade. Rio de Janeiro, RJ: Jorge Zahar, 2003.

______. A sociedade em rede. 3. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

CORTINA ORTS, Adela; MARTÍNEZ, Emilio. Ética. São Paulo:


Loyola, 2005.

ECHAURI-SOTO, Guilhermo. Black Mirror, McLuhan y la era digital.


Razón y Palabra, Varia, v. 20, n. 3, p.885 -906, jul./set. 2016. Disponível
em:
<http://revistarazonypalabra.org/index.php/ryp/article/view/744/755>.
Acesso em: 20 jun. 2018.

88
GEÇER, Ekmel; SERBES, Hüseyin. Judgment, Surveillance and Cultural Desensitization Triangle in
TV Series: The Case of Black Mirror. OPUS – International journal of Society Researches, v. 8, n. 15,
p. 1669-1695, 2018. Disponível em: <http://doi.org/10.26466/opus.44190>. Acesso em: 20 jun. 2018.
89
ECHAURI-SOTO, Guilhermo. Black Mirror, McLuhan y la era digital. Razón y Palabra, Varia, v. 20,
n. 3, p.885 -906, jul./set. 2016. Disponível em:
<http://revistarazonypalabra.org/index.php/ryp/article/view/744/755>. Acesso em: 20 jun. 2018.
90
HUBER, Carl Russell. A Dark Reflection of Society: Analyzing Cultural Representations of State
Control in Black Mirror. Online Theses and Dissertations, n. 454, 2017. Disponível em:
<https://encompass.eku.edu/etd/454>. Acesso em: 20 jun. 2018.

90 UNIDADE 4
GEÇER, Ekmel; SERBES, Hüseyin. Judgment, Surveillance and Cultural
Desensitization Triangle in TV Series: The Case of Black Mirror. OPUS
– International journal of Society Researches, v. 8, n. 15, p. 1669-1695,
2018. Disponível em: <http://doi.org/10.26466/opus.44190>. Acesso em:
20 jun. 2018.

HUBER, Carl Russell. A Dark Reflection of Society: Analyzing Cultural


Representations of State Control in Black Mirror. Online Theses and
Dissertations, n. 454, 2017. Disponível em:
<https://encompass.eku.edu/etd/454>. Acesso em: 20 jun. 2018.

JENNER, Mareike. Netfix and the Re-invention of Television. Cham:


Palgrave Macmillan, 2018.

KELLNER, Douglas. A cultura da mídia: estudos culturais: identidade e


política entre o moderno e o pós-moderno. Bauru: EDUSC, 2001.

MCDONALD, Kevin; SMITH-ROWSEY, Daniel (Eds.). The Netflix


Effect: Technology and Entertainment in the 21st century. New York:
Bloomsbury, [s.d.].

MCLUHAN, Marshall. Os meios de comunicação como extensões do


homem. 3. ed. São Paulo, SP: Cultrix, 1971.

Perceba que, das versões já ilustradas, alguns desses itens sofreram alteração
redacional. Estas alterações redacionais, indicadas em amarelo, remetem à própria
evolução da reflexão e da delimitação da problemática.

No problema de pesquisa, por exemplo, acrescentou-se o respectivo episódio a


ser analisado e se alterou a ênfase do ―impacto‖ para a questão do ―uso‖. Essa alteração
também poderia ser feita, em consequência no título provisório e no objetivo geral. De
modo semelhante, a partir do instante em que a pesquisa foi definida como ―estudo de
caso‖, na descrição da metodologia, essa especificação também poderia ser incluída no
―título provisório‖, na ―apresentação do tema‖, no ―problema de pesquisa‖, no ―objetivo
geral‖. A elaboração de um projeto compreende um exercício de lapidação e ajustes
constantes, como um oleiro, ao modelar um vaso, por exemplo.

Hora de fazer o seu!


Baixe o formulário, disponibilizado no Ambiente Virtual de Aprendizagem, e inicie seu
preenchimento! Não deixe para a última hora! Dê uma espiadinha na última unidade
para dirimir quais quer dúvidas e bom trabalho!

UNIDADE 4 91
PARA ESTUDO DE APROFUNDAMENTO

Sobre metodologia da pesquisa, especialmente sobre a taxonomia, os métodos de


pesquisa, há materiais muito interessantes para aprofundamento. Fornecemos, aqui,
sugestões de materiais que podem ser consultados e adquiridos a seu critério.

 METODOLOGIA do conhecimento científico. Direção: Paulo Aspis. Roteiro:


Pedro Demo e Paulo Aspis. São Bernardo do Campo: Nitta‘s Digital Video,
[2008]. 1 DVD (42 min), fullscreen 4x3, color. Produzido por ATTA Mídia e
Educação.

[Observação: É possível encontrar esse vídeo em sites de compartilhamento como


o Youtube e Vímeo, por meio da busca ―Metodologia do conhecimento científico
Pedro Demo‖].

 KAUARK, Fabiana da Silva; MANHÃES, Fernanda Castro; MEDEIROS, Carlos


Henrique. Metodologia da Pesquisa: um guia prático. Itabuna: Via Litterarum,
2010. Disponível em:
<http://197.249.65.74:8080/biblioteca/bitstream/123456789/713/1/Metodologia%2
0da%20Pesquisa.pdf>. Acesso em: 20 jun. 2018.

 LIMA, Telma Cristiane Sasso de; MIOTO, Regina Célia Tamaso Mioto.
Procedimentos metodológicos na construção do conhecimento científico: a
pesquisa bibliográfica. Rev. Katál. Florianópolis, v. 10, n. esp., p. 37-45, 2007.
Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rk/v10nspe/a0410spe>. Acesso em: 20
jun. 2018.

PARA RESUMIR:

Nessa unidade você aprendeu:

 A estrutura de um projeto de pesquisa e a descrição das partes que o


compõem, visando o planejamento de seu estudo.

92 UNIDADE 4
A REDAÇÃO CIENTÍFICA: CONSIDERAÇÕES

5 A REDAÇÃO CIENTÍFICA: CONSIDERAÇÕES91

Roteiro de Aprendizagem

Nesta unidade, apresentaremos algumas orientações relacionadas à produção


textual. São algumas dicas que consideramos cruciais para uma boa redação acadêmica.
Mais importante ainda, nessa parte, é atentar para as sugestões de aprofundamento
dispostas no final desta unidade. Como nas unidades anteriores, esperamos que você leia
e estude o conteúdo que dispusemos com atenção. Nesta unidade, pois, você encontrará:

- leituras complementares;

- sugestões de links e vídeos ilustrativos.

91
O texto desta unidade possui extratos e adaptações dos textos publicados originalmente em: REBLIN,
Iuri Andréas. A arte de escrever: aspectos e cuidados redacionais na elaboração de textos científicos
(parte 1). HistóriaHoje.com. 18 nov. 2014. Disponível em: <http://historiahoje.com/especial-tcc-a-arte-
de-escrever-aspectos-e-cuidados-redacionais-na-elaboracao-de-textos-cientificos-parte-1/>. Acesso em:
20 jun. 2018. E REBLIN, Iuri Andréas. A arte de escrever: aspectos e cuidados redacionais na
elaboração de textos científicos (parte 2). HistóriaHoje.com. 26 nov. 2014. Disponível em:
<http://historiahoje.com/especial-tcc-a-arte-de-escrever-aspectos-e-cuidados-redacionais-na-
elaboracao-de-textos-cientificos-parte-2/>. Acesso em: 20 jun. 2018

UNIDADE 5 93
A arte de escrever

Figura 27: A arte de escrever


Fonte: Pixabay92
É evidente a distinção entre escrever e redigir. Escrever é jogar as ideias
no papel ou na tela, quase que automaticamente, sem revisão ou
releitura crítica. Redigir exige reflexão, tomada de decisão,
aprimoramento da produção textual, visando, sobretudo, a
inteligibilidade da mensagem, o que transforma redação na arte de bem
expressar, na escrita, o pensamento. É escrever com ordem e método,
tomando como base o binômio: o público-alvo a que se dirige o texto ou
publicação de que fará parte. Estilo, por sua vez, em essência, é a forma
pessoal e peculiar de exprimir os pensamentos, seja na linguagem
escrita ou oral. Individualiza o modo de expressar-se de escritores,
poetas, jornalistas, acadêmicos, pesquisadores e cientistas.
No entanto, a comunicação no contexto da ciência deve evitar
conotações. A linguagem literária é conotativa, permitindo sentido
translato ou subjacente aos conteúdos, de teor subjetivo e
interpretativo; a linguagem científica é denotativa. Encerra função
essencialmente referencial, com o intuito tão-somente de informar.
Quer dizer, a subjetividade caracteriza o estilo literário, em sua
construção e interpretação; e a objetividade, o estilo científico. O texto
técnico é construído de forma que o leitor entenda, de imediato, o que o
autor quer transmitir. E isso significa reconhecer a clareza como traço
central da linguagem científica, à semelhança do preconizado, já em
1943, por McClelland: ―[...] o cientista tem a obrigação de escrever não
apenas de maneira a fazer-se entendido, como de modo a não ser mal
compreendido [...]‖.93

92
<https://pixabay.com/pt/photos/download/typewriter-801921_1920.jpg?attachment&modal>
93
BARRADAS, Maria Mércia; TARGINO, Maria das Graças. Redação de artigo técnico-científico: a
pesquisa transformada em texto. In: FERREIRA, Sueli Mara Soares Pinto; TARGINO, Maria das
Graças. (Orgs.). Mais sobre Reistas Científicas: em foco a gestão. São Paulo: SENAC, CENGAGE
Learning, 2008. p.17-39. p. 21.

94 UNIDADE 5
5.1 APRESENTAÇÃO FORMAL DO TRABALHO CIENTÍFICO

A produção de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) envolve diferentes


etapas: da escolha do tema e elaboração do projeto de pesquisa à realização da pesquisa e
elaboração do texto escrito final. Cada etapa possui suas peculiaridades e seus desafios: 1)
É importante que o tema tenha a ver com seu contexto, com suas preocupações, com
anseios da comunidade científica e que possa contribuir para a melhora da vida social e
para o conhecimento; 2) É importante que o projeto possa traduzir cirurgicamente os
interesses, o foco, as bases e a metodologia da pesquisa; 3) É importante que o
pesquisador e a pesquisadora tenham acesso ao objeto, dedicação, e que zelem pelos
processos científicos durante suas investigações e, claro, 4) é importante que o
pesquisador e a pesquisadora saibam traduzir o resultado de suas investigações em um
texto lógico, coerente, inteligível, bem fundamentado, redigido e de acordo com o que
―manda o figurino‖ no que tange aos critérios de um texto científico (boa apresentação,
uso correto de fontes, citação, etc.).

É muito importante, desde o início, cuidar da apresentação da pesquisa.


Trabalhos científicos seguem normas de apresentação específicas reconhecidas por uma
comunidade. A apresentação de um trabalho científico expressa muito acerca do
pesquisador e da pesquisadora e de como ele e ela estão familiarizados com as diferentes
etapas da pesquisa e estão em sintonia com o que espera a própria comunidade científica.

A apresentação de um trabalho denota a dedicação e a seriedade do pesquisador


e da pesquisadora durante o processo de investigação científica.

E aqui é muito importante não presumir determinados parâmetros, ou seja,


tenha a absoluta certeza de que a forma com que você citou, por exemplo, determinado
livro na lista de referências realmente está correta. Não hesite de realizar uma
conferência de rotina.

De igual forma, é muito importante o cuidado estético em relação às normas


ortográficas. Não hesite em ter sempre um dicionário atualizado em seu editor de texto e
não hesite em realizar a verificação ortográfica. Além disso, um olhar de outra pessoa
sempre pode auxiliar a identificar determinados lapsos ou vícios de linguagem que você
possa possuir.

UNIDADE 5 95
5.2 CONSIDERAÇÕES REDACIONAIS E DE ESTILO

Diante dessas considerações, vamos apresentar algumas considerações sobre


redação e estilo para a apresentação do texto escrito do TCC.

A primeira consideração é a seguinte: Não pense que escrever um trabalho bom


é fácil, pois não é. Exige muita leitura, estudo, disciplina e paixão. Então, para que você
tenha sucesso em sua pesquisa, é muito importante estabelecer uma disciplina ou uma
rotina de leitura e reflexão e estar apaixonado pelo tema, ao ponto de quer buscar ou ler
ou refletir sobre qualquer coisa que saia sobre o assunto.

A segunda consideração é que escrever bem exige leitura, muita leitura, porque
assimilamos conteúdo e vocábulos novos (refinam nossa linguagem) por meio de
memória visual e memória auditiva. Sem leitura, não há conteúdo, não há linguagem
sofisticada, não há clareza de pensamento. Então, se ler é um hábito rotineiro que
transcende o processo e a necessidade de elaboração do TCC, você está no caminho certo!

A terceira consideração é que um dos primeiros passos de distinção entre um


pesquisador sério ou uma pesquisadora séria e alguém mediano/medíocre reside no
tratamento que é dado à informação e à atenção nos tópicos. Por isso, atente para as
normas de apresentação do TCC, desde aspectos formais externos como paragrafação,
tipo de fonte, margens, posição de número de página, até aspectos internos como citação
correta de fontes, respeito às definições da ABNT quanto ao uso de referências, sumário,
numeração progressiva, etc. É muito comum, ou mais frequente que você imagina,
pessoas não lerem as instruções de formatação, por ―acharem‖ que o jeito que definem a
configuração ―dá pro gasto‖, ou está correto ou mais ou menos correto, quer seja por
preguiça, quer seja por não se importarem, ou não acharem relevante, até por não se
darem conta de que as próprias regras sofrem alterações com o passar do tempo. Por isso,
é muito importante ter um manual atualizado da Instituição de Ensino Superior ou da
ABNT e segui-lo à risca. Nesta perspectiva, ter um pouco de meticulosidade ou
perfeccionismo não faz mal. Abordaremos mais esse aspecto na última unidade.

Nessa mesma direção, é sempre importante ter cuidado para se certificar que
você está sendo preciso no que você está escrevendo; isto é, avalie se você compreendeu
corretamente determinado autor ou autora, se você traduziu ou está transcrevendo seu
pensamento adequadamente. Em outras palavras, seja honesto com quem lê o seu
trabalho, consigo mesmo e com quem inspirou você a expor e a pensar determinadas
ideias, citando corretamente a fonte. Um trabalho teórico, científico sempre parte de um
pensamento precedente, do diálogo entre diferentes teóricos, por isso é muito importante
ser fiel ao pensamento de quem está embasando a sua pesquisa. Não significa que é

96 UNIDADE 5
necessário ser um ventríloquo (isto é, a cada parágrafo escrever ―segundo fulando de tal‖,
―de acordo com‖, etc.), mas ter o bom senso de indicar de onde provém cada nova ideia
apresentada no texto. Dica importante: não ache! Saiba! Se você vai realizar uma ação ou
escrever algo, tenha fundamentos. Não faça algo achando ser assim o método. Saiba,
verifique.

Figura 28: Ensaios de escrita


Fonte: Pixabay94

A quarta consideração é voltada mais à questão da redação: Escrever bem não


tem a ver com escrever difícil ou buscar linguagem rebuscada ou vocábulos refinados.
Escrever bem é, antes de tudo, escrever simples, ser compreensível e manter a fluidez da
linguagem. Como podemos fazer isso? Algumas dicas (velhas e novas) bem práticas
atinentes à redação e à construção do raciocínio no texto:

a) Em geral, textos confusos são reflexos de pensamentos difusos. A


primeira regra é buscar compreender bem o autor e a autora do texto,
buscando resposta às perguntas elementares de interpretação e apreensão:
qual é o tema? Qual é a afirmação principal que o texto está fazendo?
Quais são seus principais argumentos? Contra o que ou qual situação ou
contexto ele está argumentando? Qual é o objetivo do texto?

94
<https://pixabay.com/pt/photos/download/woman-865111_1920.jpg?attachment&modal>

UNIDADE 5 97
b) Procure escrever frases curtas, sem demasiadas subordinadas. Frases
curtas auxiliam a manter o raciocínio claro. Quanto mais longas são as
frases, maiores são as chances de você se perder. Utilizar frases curtas não
significa ―telegrafar‖ o texto. Existem elementos de ligação que podem
dar coerência e fluidez textual. Acerca da fluidez da linguagem também
vale lembrar a importância de buscar, sempre que possível, manter os
elementos frases na sua sequência sugerida pela ortografia. Quanto mais
deslocamentos de elementos (de advérbios, por exemplo), mais vírgulas
são necessárias, o que quebra a fluidez e a leveza do texto. O princípio
elementar da linguagem é comunicar uma mensagem da melhor maneira
possível. E isso pode ser feito utilizando orações curtas, em sua sequência
lógica, com palavras simples.

c) Acerca da redação algumas sugestões gerais: utilize preferencialmente a


linguagem impessoal; evite a todo custo o uso de ―achismo‖ e emissão de
opinião, bem como adjetivações e repetições (de conteúdo, de vocábulos)
desnecessárias.

d) Tenha atenção para algumas confusões redacionais comuns: afim de e a


fim de; entorno e em torno; acerca e a cerca; agente e a gente.

e) Colocar em algum momento o ―por outro lado‖, esquecendo-se de


indicar, anteriormente o ―por um lado‖. Só pode haver outro lado, se
houve um lado antes.

f) Não atentar-se para o paralelismo sintático ou semântico.

Para ilustrar uma das questões mais recorrentes do paralelismo sintático,


segue um exemplo retirado de uma avaliação de tese. Na frase ―Obra
voltada à série em si, o livro traz entrevistas com os atores, produtores e
diretores...‖, perceba que o primeiro substantivo ―ator‖ possui artigo
definido, ao passo que os seguintes não possuem. Para ir ao encontro do
paralelismo sintático, o ideal seria, de duas opções, escolher uma: ou
simplesmente omitir o artigo definido, ou incluir o artigo aos demais
substantivos que sucedem o termo ―ator‖. Em outro exemplo, na frase
―Seus diálogos, porém, não são travados tanto em função das doenças e
diagnósticos...‖, o problema do paralelismo é mais grave, pois há uma
mudança de gênero entre os dois substantivos que estão juntos ―doenças‖
e ―diagnósticos‖. De igual modo, revelam-se aí duas opções: ou
acrescentar o artigo definido, ficando ―em função das doenças e dos

98 UNIDADE 5
diagnósticos‖ ou omitir totalmente o artigo definido, ficando ―em função
de doenças e diagnósticos‖. Esse é o exemplo mais pontual de paralelismo
sintático, embora há outros ainda.

Confira as ilustrações nos textos abaixo extraídos do site ―Norma Culta‖.

Paralelismo sintático95

Paralelismo sintático é uma sequência de estruturas sintáticas, como termos e


orações, que são semelhantes ou possuem igual valor sintático. O uso de estruturas com
essa simetria sintática confere clareza, objetividade e precisão ao discurso.

Exemplos com e sem paralelismo sintático


Sem:
Eu pedi para ele vir cedo e que trouxesse guardanapos.
Com:
Eu pedi que ele viesse cedo e que trouxesse guardanapos.

Sem:
O professor sempre foi disponível, compreensivo e teve paciência.
Com:
O professor sempre foi disponível, compreensivo e paciente.

Sem:
O atleta brasileiro vencedor da maratona foi seguido pelo atleta argentino e do
atleta uruguaio.
Com:
O atleta brasileiro vencedor da maratona foi seguido pelo atleta argentino e pelo
atleta uruguaio.

Sem:
Após o incêndio, eles vieram com coragem mas querendo justiça.
Com:
Após o incêndio, eles vieram com coragem mas quiseram justiça.

Sem:
Ela não só é professora, como também vende perfumes.
Com:

95
Texto Extraído de: PARALELISMO Sintático. Norma Culta: Língua Portuguesa em bom português.
[s.d.]. Disponível em: <https://www.normaculta.com.br/paralelismo-sintatico/>. Acesso em: 20 jun.
2018.

UNIDADE 5 99
Ela não só é professora, como também vendedora de perfumes.
Estruturas de paralelismo sintático mais comuns
Por um lado... por outro...
Não... nem...
Tanto... quanto...
Primeiro... segundo...
Seja... seja...
Quer... quer...
Ora... ora...
Ou... ou...
Quanto mais... mais...
Quanto menos... menos...
Não só... mas também...
Isto é...
Ou seja...

Figura 29: Paralelismo


Fonte: Pixabay96

96
<https://pixabay.com/pt/photos/download/roller-skates-381216_1920.jpg?attachment&modal>

100 UNIDADE 5
Paralelismo semântico97

Paralelismo semântico é uma sequência harmoniosa e simétrica entre as ideias


presentes na frase, havendo correspondência de sentido entre os termos.

Para haver paralelismo semântico, tem que haver um encadeamento lógico de


ideias que sejam correspondentes e que possam ser comparadas entre si.

Sem paralelismo semântico


A cozinheira pediu que o Mateus fosse ao supermercado.

Com paralelismo semântico


A cozinheira pediu que o ajudante fosse ao supermercado.
A Heloísa pediu que o Mateus fosse ao supermercado.

Para criar paralelismo semântico, é importante que se elimine aquilo que


quebra o paralelismo, como uma palavra que não se encontra no mesmo campo
semântico das palavras anteriores.

O paralelismo semântico confere coerência e harmonia aos textos, tornando-os


mais claros e compreensíveis.

Exemplos sem paralelismo semântico


Vou comprar um vestido novo para a festa e pão.
Meu primo é muito simpático, cumprimenta todos com alegria e é alto.
Alice gosta de ginástica, de patinação e de doce de leite.
Exemplos com paralelismo semântico
Vou comprar um vestido novo para a festa e umas sandálias douradas.
Meu primo é muito simpático, cumprimenta todos com alegria e ajuda quem
pode.
Alice gosta de ginástica, de patinação e de natação.

g) Passe sempre um corretor ortográfico do editor de textos e dê o texto para


alguém habilidoso e de sua confiança ler seu trabalho. Por vezes, essa
pessoa poderá identificar erros ou lacunas (de ortografia, de
argumentação) que passam despercebidos de seu olhar, bem como vícios
de linguagem.

97
Texto Extraído de: PARALELISMO Semântico. Norma Culta: Língua Portuguesa em bom português.
[s.d.]. Disponível em: <https://www.normaculta.com.br/paralelismo-semantico/>. Acesso em: 20 jun.
2018.

UNIDADE 5 101
h) Em livros, autores e autoras não dizem, eles e elas escrevem! É comum
encontrar em TCCs, as expressões ―no livro tal, fulando de tal disse
que...‖. É algo que frequentemente utilizamos em nossa linguagem
coloquial oral, que deve ser repensada na linguagem forma escrita.

i) Atentar para as citações diretas. Citações diretas (literais) deverão vir


entre aspas ou paragrafação especial. Citações diretas curtas (até três
linhas) deverão vir no corpo do texto, entre aspas, e acompanhar a
configuração do parágrafo. Citações longas (com mais de três linhas –
quatro em diante) deverão vir em paragrafação especial (em geral com
recuo esquerdo de 4 cm, fonte em tamanho menor, em geral, 10pt, com
espaçamento entre parágrafos antes e depois no ―modo automático‖ ou
―12pt‖), sem aspas.

j) Paráfrase: É muito comum (e imprescindível, na verdade) a utilização de


paráfrase, isto é, traduzir com as próprias palavras o pensamento de um
autor ou de uma autora. No entanto, evite fazer paráfrase de uma frase ou
de trechos curtos de um parágrafo, pois isso pode configurar plágio.
Paráfrases são adequadas para traduzir ideias de conjunto de parágrafos,
páginas ou até a ideia de um capítulo, numa perspectiva de sintetização.
Se você não souber traduzir uma ideia precisa de um autor ou uma autora
com suas próprias palavras, é preferível que você transcreva a ideia, cite.

Figura 30: Início e Fim


Fonte: elaborado pelo autor

A quinta e última consideração é, por assim dizer, na minha perspectiva, a regra


de ouro da redação: garanta que seu texto tenha início meio e fim, desde o sentido macro
ao sentido micro. É isso que tornará também o seu texto leve e, sua ideia, inteligível.
Como fazer isso?

102 UNIDADE 5
Assim como o TCC como um todo está dividido em introdução,
desenvolvimento e conclusão (sentido macro), todas as demais partes textuais deveriam
possuir a mesma estrutura: tanto nos capítulos quanto nos parágrafos. Isso auxilia a
manter a coerência e a conduzir o leitor ou a leitora, de modo que a pessoa que estiver
lendo seu texto saiba exatamente de onde você está partindo e para onde você está indo.

Uma sugestão, portanto, é a de que, em uma instância, cada capítulo tenha uma
introdução (que no início se apresente brevemente os principais tópicos a serem
desenvolvidos e o porquê de eles serem desenvolvidos) e uma conclusão (que também
pode ser chamada de considerações finais ou ―em síntese‖ e que serve para retomar de
maneira sucinta os principais tópicos e interliga-los com tema do capítulo seguinte –
lembre-se: de onde, para onde). Essa mesma lógica, na verdade, permeia também a
construção de parágrafos.

Não existem parágrafos de uma só frase (ou, dito de outra forma, uma frase
sozinha não constitui um parágrafo, mas sim a junção de duas ou mais frases). Parágrafos
são (ou deveriam ser) como microtextos: iniciam com uma ideia, apresentam dois ou três
argumentos, seguidos de uma breve amarração que conduz ao parágrafo seguinte. Essa
seria, a meu ver, a construção adequada de um parágrafo. [Um exercício rápido: confira
como estão construídos os parágrafos deste texto ou de outras partes deste material. Você
irá verificar que eles possuem mais de uma frase e, em geral, uma média de 6 a 15 linhas,
dependendo da densidade do argumento, e sempre dentro da lógica indicada acima e
destacada em sublinhado]. Parágrafos elaborados dão mais consistência e profundidade à
argumentação e ao texto.

Enfatizando a dica do parágrafo anterior...

Tire alguns minutos para observar a maneira como este material foi escrito; isto é,
observe a redação, a construção dos parágrafos, a transcrição e transposição de ideias,
bem como a forma como as citações diretas foram descritas, apresentadas e referidas.

Você perceberá que há um processo de construção textual que respeita as bases teóricas
que referencia, mantendo, ao mesmo tempo, uma dose de autonomia na redação, no uso
da base teórica e na elaboração de argumentos.

UNIDADE 5 103
5.3 O PERIGO DO PLÁGIO

Embora haja indícios de que sempre tenha havido, não há dúvida que um dos
grandes desafios acadêmicos da atualidade é o tema do plágio. Segundo Débora Diniz e
Ana Terra, ―o plágio é uma apropriação indevida e não autorizada de criação literária.
Isso significa que um pseudoautor se apossa de um texto, ou de partes dele, e o apresenta
como seu‖.98

O que é o plágio? Uma cópia ou um pastiche do texto de autoras que


admiramos. A cópia literal é resultado de um procedimento simples no
teclado: recortar e colar. Uma máquina é capaz de perseguir esse tipo de
plágio preguiçoso. O pastiche é uma reconstrução vulgar do texto
original em simulacros que só enganam a máquina. Para entender o
pastiche no texto, minha recomendação é que o visualize na arte.
Interrompa a leitura desta carta e busque duas obras na internet: a
Monalisa de Leonardo da Vinci e a Monalisa de Jean-Michel Basquiat. A
segunda é um pastiche da primeira. Diferente da arte, o pastiche na
escrita científica é uma fraude acadêmica. [...]99

Ora, em um texto, como se sinaliza se um trecho dele é ou não de outrem?


Citando-o devidamente, entre aspas ou em paragrafação especial, como recomenda a
NBR 10520.100 A ausência deste procedimento irá automaticamente levar o leitor ou a
leitora a concluir que o texto, a redação, é de autoria de quem o assina no cabeçalho. Nas
palavras de Diniz e Terra, ―O embaraço é que o plágio engana o leitor, que desconhece o
encobrimento textual feito pelo plagiador: lê como se a assinatura do texto falseado fosse
do autor original‖.101 O respeito a estes processos éticos e de reconhecimento de
―propriedade intelectual‖ devem ser realizados em qualquer tipo de produção textual, de
um trabalho acadêmico a uma postagem no Facebook.

Figura 31: Copiar e Colar


Fonte: do autor

98
DINIZ, Débora; TERRA, Ana. Plágio: palavras escondidas. Brasília: LetrasLivres; Rio de Janeiro:
Editora Fiocruz, 2014. p. 24.
99
DINIZ, 2013, p. 66.
100
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10520: Informação e documentação:
Citações em documentos: Apresentação. Rio de Janeiro, 2002.
101
DINIZ, TERRA, 2014, p. 24.

104 UNIDADE 5
Na avaliação de Débora Diniz, a maioria das pessoas jovens acadêmicas não
plagia por desonestidade, ―mas por inocência, descuido ou pressa‖. 102 Inocência e
descuido estão relacionados à imperícia no trato de atividades acadêmicas. A ausência de
uma maior clareza, no entanto, não relativiza o plágio. Ademais, temos que considerar
que, embora discentes de programas lato sensu já tenham passado pela academia, o
cumprimento dos princípios que regem a ética em pesquisa, das normas técnicas de
citação e do trato de fontes está relacionado a exercícios constantes. Por mais que o
domínio das técnicas da pesquisa acadêmica deva ser pressuposto em cursos de pós-
graduação, não se pode pressupor que tais práticas e procedimentos estejam dirimidos
em todos e todas ingressantes.

O plágio acarreta na violação dos direitos de propriedade intelectual, conforme


previsto pela Lei n. 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, especialmente, pela leitura dos
artigos 7, 22 e 24 e 46. A violação dos direitos de propriedade intelectual é punida pelo
Código Penal, Decreto-Lei n. 2.848, de 7 de Dezembro de 1940, artigos 184 a 186, cuja
nova redação foi dada pela Lei n. 10.695, de 1º de Julho de 2003. A partir da leitura
destes documentos, é possível asseverar que o plágio se constitui como ofensa aos direitos
autorais, o desrespeito ao inciso III do artigo 46 da Lei n. 9.610, que defere que

Art. 46 – Não constitui ofensa aos direitos autorais: [...]

III - a citação em livros, jornais, revistas ou qualquer outro meio de


comunicação, de passagens de qualquer obra, para fins de estudo, crítica
ou polêmica, na medida justificada para o fim a atingir, indicando-se o
nome do autor e a origem da obra.103

Para evitar o plágio, a regra básica é ser honesto. Ser honesto consigo mesmo e
com quem lerá seu trabalho. devemos respeitar a tradição de pesquisa, reconhecer as
ideias que vieram antes de nós e transcrever adequadamente as ideias com as quais
estamos trabalhando. E isso não tem como acontecer, se estamos com o prazo apertado
ou se estamos distraídos no estudo ou no trato da informação.

102
DINIZ, 2013, p. 66.
103
BRASIL. Lei n. 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos
autorais e dá outras providências. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9610.htm>. Acesso em: 20 jun. 2018.

UNIDADE 5 105
PARA ESTUDO DE APROFUNDAMENTO

Para estudo de aprofundamento, sugerimos o texto disponível no ―Espaço


Acadêmico‖ da Faculdades EST, de autoria da profa. Caroline Gomes Motta. Este texto
visa auxiliar você no zelo redacional de seu trabalho.

 MOTTA, Carolina Gomes. Técnicas para redação de textos acadêmicos.


Material Instrucional, Faculdades EST, fev. 2018. Disponível em:
<http://est.edu.br/downloads/espaco-academico/orientacoes-
metodologicas/Tec.Red.Textos.Academicos.pdf>. Acesso em: 20 jun.
2018.

Além disso, sugerimos conferir os vídeos postados Wendel Conninck sobre os


sete tipos de Plagio de Trabalhos Acadêmicos para o site TCC Monografias e Artigos. 104
Os vídeos, intitulados Plágio – como identifica-lo e corrigi-lo, estão disponíveis aqui.105

PARA RESUMIR:

Nesta unidade, você aprendeu que

 Orientações acerca da redação científica. Essas orientações salientam a


importância de se cuidar da apresentação estética, formal, redacional da
pesquisa. Considera, para tanto, a importância da criação de uma
disciplina ou rotina de leitura e de escrita, o cuidado na leitura, na
interpretação e na transmissão acurada do material utilizado na pesquisa
(base teórica, dados coletados, etc.) e que, ao final, toda a apresentação
textual precisa ter claro um início, um meio e um fim e uma condução
adequada da pessoa leitura. Não se pode presumir que a pessoa leitora
tenha os mesmo pressupostos que as pessoas autoras, porque
normalmente não tem.

104
<http://www.tccmonografiaseartigos.com.br >
105
<https://www.youtube.com/watch?v=NryG4H_-
Eo4&list=PLVOlawNnfsbmtzcuWiMUoYJz45BuaHByE>

106 UNIDADE 5
 O perigo do plágio no estudo e transcrição das ideias. O plágio se
constitui com uma cópia indevida da ideia de outra pessoa apresentada
como sua. Para evitar o plágio, devemos respeitar a tradição de pesquisa,
reconhecer as ideias que vieram antes de nós e transcrever
adequadamente as ideias com as quais estamos trabalhando. E isso não
tem como acontecer, se estamos com o prazo apertado ou se estamos
distraídos no estudo ou no trato da informação. É importante nós nos
instrumentalizemos nas técnicas de pesquisa, tornando-nos peritos no
traquejo acadêmico e científico.

UNIDADE 5 107
108 UNIDADE 5
ORIENTAÇÕES PRÁTICAS SOBRE O PROJETO DE
PESQUISA

6 ORIENTAÇÕES PRÁTICAS SOBRE O PROJETO DE PESQUISA

Roteiro de Aprendizagem

Nesta última unidade, explicaremos questões práticas sobre encaminhamentos


das atividades deste mês, especialmente, no que concerne ao envio do projeto e das
próximas etapas do curso. Além disso, indicaremos algumas questões relacionadas às
normas de apresentação de trabalhos, referindo-se, aqui, a ABNT. Para isso, pedimos que
leia e estude a unidade com atenção. Nesta unidade, você encontrará:

- links para conteúdo de aprofundamento.

UNIDADE 6 109
Buscando uma direção

ou simplesmente percorrendo um caminho?

Figura 32: O Gato de Cheshire


Fonte: Divulgação
© 2010 Disney Enterprises, Inc.

―Gatinho de Cheshire‖, começou, muito timidamente, por não saber se


ele gostaria desse tratamento: ele, porém, apenas alargou um pouco
mais o sorriso. ―Ótimo, até aqui está contente‖, pensou Alice. E
prosseguiu: ―Você poderia me dizer, por favor, qual o caminho para sair
daqui?‖

―Depende muito de onde você quer chegar‖, disse o Gato.

―Não me importa muito onde...‖ foi dizendo Alice.

―Nesse caso não faz diferença por qual caminho você vá‖, disse o
Gato.106

106
CARROLL, Lewis. Aventuras de Alice no País das Maravilhas; Através do Espelho e o que Alice
encontrou por lá. Ilustrações de: John Tenniel. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de
Janeiro: Zahar, 2009. p. 81.

110 UNIDADE 6
6.1 CONHECIMENTO MARINADO

Chegamos ao final deste material sobre ―Metodologia da Pesquisa‖. Esperamos


que a caminhada até aqui tenha instigado a reflexão sobre a pesquisa científica e tenha
proporcionado as ferramentas necessárias para você pensar a sua pesquisa de conclusão
de curso. Neste momento, imagino que você já tenha suas ideias organizadas ou em
processo de organização e lapidação. Não se assuste com eventuais mudanças de enfoque
ou com alterações que você queira realizar. Faz parte do processo de maturação do tema e
da pesquisa.

Iniciamos este material com imagens relacionadas à comida para nos referirmos
à construção de conhecimento. E, talvez, neste momento, podemos encerrar com uma
imagem: o conhecimento, para ter sabor, precisa ser marinado. Marinado por leituras,
por reflexões, por diálogos entre diferentes bases teóricas, etc. Portanto, não se preocupe
em ter tudo pronto no sentido de ―acabado‖, ―finalizado‖, ―perfeito‖. A sua intenção de
pesquisa vai passar por nuances e pequenas variações até a versão final. Mesmo durante a
execução da pesquisa, pode ser que você ainda realize pequenos ajustes no enfoque do
problema de pesquisa, por exemplo. Faz parte do processo. O importante é manter a
rotina de leitura, estudo e produção do trabalho.

Figura 33: Batata de Salada, batata marinada em salada


Fonte: Pixabay107

107
<https://pixabay.com/pt/photos/download/potato-salad-2743776_1920.jpg?attachment&modal>

UNIDADE 6 111
Nessa direção, queremos explicar o itinerário formativo do curso nesta fase final.
Apresentaremos o formulário, o ―miniprojeto‖ de pesquisa para a elaboração de seu TCC,
que você preencherá como ―atividade dissertativa‖ deste componente curricular, bem
como as etapas que se sucederão após a entrega deste miniprojeto. Além disso,
apresentaremos, no outro tópico, algumas considerações em relação à ABNT. Preparado?
Preparada? Então, vamos lá!

6.2 O PROJETO DE PESQUISA E AS ETAPAS FINAIS DO CURSO

Você está estudando ―Metodologia da Pesquisa‖, componente obrigatório para a


matrícula no TCC. Ao final deste componente, como atividade dissertativa online, você
precisa postar um miniprojeto de pesquisa. Como já afirmado no decorrer do material,
este projeto será apresentado na forma de um formulário preenchido por você sobre suas
intenções de pesquisa. Ele segue a estrutura do projeto que você estudou na unidade 4
deste material. É bem simples de preencher, e seu preenchimento deve acompanhar o
exemplo disposto naquela unidade. Isto é, o texto do seu miniprojeto deve ser claro,
objetivo, direto, sem enrolações ou decursos, digressões argumentativas desnecessárias.
Como, no entanto, o projeto é uma parte de planejamento. Essa etapa de produção e de
avaliação não se encerra no final deste mês, como em outras atividades dissertativas, mas
você terá mais aproximadamente até 50 dias para terminar e postar o projeto. Nessa
direção, nossa sugestão é que você realmente aproveite bem o tempo disponível, ok?
Afinal, a produção de um projeto de pesquisa envolve todos os aspectos que abordamos
ao longo deste componente. Tá certo?

Figura 33: Escrevendo o artigo científico


Fonte: Pixabay108

108
<https://pixabay.com/pt/photos/download/laptop-2562325_1920.jpg?attachment&modal>

112 UNIDADE 6
Antes, porém, de abordarmos o formulário em si, vamos verificar o itinerário
formativo do curso, para sabermos também como funcionará essa etapa final. Antes,
porém, de abordarmos o formulário em si, vamos verificar o itinerário formativo do
curso, para sabermos também como funcionará essa etapa final.

Tabela 4 – Etapa final do itinerário formativo dos cursos lato sensu EAD

 Realização do componente e das atividades online


Mês 6 Metodologia da Pesquisa
 Início da elaboração do miniprojeto

Mês 7 Componente curricular  Continuação da elaboração do miniprojeto

 Entrega do miniprojeto, deverá ser postado até a


Mês 8 Componente Curricular
data-limite disposta no calendário do curso.

Componente Curricular
 Realização do componente e das atividades online
Específico do Curso

 Solicitação de matrícula no TCC mediante o envio


Mês 9
de um requerimento. Este requerimento indicará
Solicitação de matrícula no TCC dados relacionados ao miniprojeto. Deverá ser
encaminhado dentro do prazo estipulado pelo
calendário do curso.

Componente Curricular
 Realização do componente e das atividades online

 Junto com o décimo componente curricular do


curso, se iniciará a produção do TCC, com
acompanhamento de pessoa docente designada
especialmente para a orientação, a partir da área de
saber do curso.
Mês 10
 As atividades relacionadas ao TCC seguirão um
Início do TCC calendário próprio, com prazos específicos para a
entrega de cada uma das partes que compõe o texto
do TCC.
 Observação: Por isso, é muito importante que a
rotina de leitura e estudo, iniciada no componente
―Metodologia da Pesquisa‖, se torne uma atividade
periódica até o final do curso.

Componente Curricular
Mês 11  Realização do componente e das atividades online
Específico do Curso

Componente Curricular

Mês 12 Ética Contemporânea ou  Realização do componente e das atividades online


Identidade Docente ou outro,
dependendo do curso

UNIDADE 6 113
Meses  Encerramento do cronograma de produção do TCC com o depósito da versão final para
avaliação e agendamento e Realização da prova presencial final e defesa pública do TCC,
13 e 14 assinatura da ata de comparecimento e ata de defesa.

Mês 15 Encaminhamento do Certificado de Conclusão do Curso.

Fonte: Elaborado pelo autor

O formulário para elaboração do miniprojeto de pesquisa está disponibilizado na


sala virtual do componente de ―Metodologia da Pesquisa‖, tanto na estrutura principal
da sala (na unidade 4 e na parte dos downloads) e dentro da atividade dissertativa. Trata-
se de um arquivo no formato Microsoft Word (arquivo com extensão .docx), com
restrições de edição. Apenas as partes com colchetes amarelos [ ] poderão ser editadas. A
proposta é que você baixe este arquivo e elabore seu projeto diretamente nele. É o upload
do arquivo, dentro do prazo estipulado, junto com a realização das demais atividades
online que possibilitarão que você encaminhe o requerimento para matrícula no TCC.

Figuras 34, 35 e 36: Páginas do formulário do projeto de pesquisa


Fonte: captura de tela realizada pelo autor

Como você pode verificar a partir das imagens acima (e do próprio formulário
em si), além das partes para você preencher, ele retoma algumas explicações fornecidas
no curso. Como já reiterado, esse formulário precisa ser postado até o final do período de
atividades do componente curricular. Não é complicado, mas precisa ser pensado com
carinho e atenção.

114 UNIDADE 6
Após postar o miniprojeto como atividade dissertativa, você poderá requerer a
matrícula no TCC. Em outras palavras, a matrícula no TCC independe da avaliação do
miniprojeto realizado pela pessoa docente tutora do curso. No requerimento, será
necessário que você informe dados de sua proposta de pesquisa.

Postado o miniprojeto e encaminhado o requerimento de matrícula no TCC,


durante a realização do próximo componente curricular, você pode aproveitar para
aprimorar seu miniprojeto de pesquisa. A sugestão é que você continue pesquisando,
realizando leituras de garimpagem, eventuais fichamentos de documentos e outros
materiais teóricos que possam subsidiar sua pesquisa. Em outras palavras, uma vez
iniciada essa etapa final de definição da pesquisa, ela só será concluída após o depósito da
versão final para avaliação do artigo científico. Você tem a autonomia para gerenciar e
para organizar seu tempo de estudo. Mas, lembre-se: trata-se de uma ―impressão digital‖
sua no mundo acadêmico.

Junto com o inicio do décimo componente do curso, tem início também o TCC.
Para a elaboração do TCC, haverá uma sala especial com orientações, modelos para a
construção do artigo científico, espaço para interação com a pessoa docente responsável e
as atividades para depósito de cada uma das partes do texto, previstas em intervalos
aproximados de 20 dias. Como já mencionamos, o TCC terá um cronograma específico a
ser seguido que correrá paralelamente aos demais componentes curriculares. Por isso, é
importante manter uma rotina de leitura e estudos.

Programe-se! 

6.3 CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A ABNT

Uma das questões relacionadas ao projeto e ao artigo científico é a apresentação


técnica do texto. No Brasil, essa apresentação técnica é proposta pela ABNT, cujas
normas técnicas são adotadas pela maioria das faculdades no país, visto que há áreas do
saber que se valem de outros formatos normativos para apresentação técnica de texto
científico: Vancouver, American Psychological Association (APA); Modern Language
Association (MLA), que são os mais conhecidos e utilizados. Segundo a própria ABNT,

Norma é o documento estabelecido por consenso e aprovado por um


organismo reconhecido, que fornece regras, diretrizes ou características
mínimas para atividades ou para seus resultados, visando à obtenção de
um grau ótimo de ordenação em um dado contexto.

UNIDADE 6 115
A norma é, por princípio, de uso voluntário, mas quase sempre é usada
por representar o consenso sobre o estado da arte de determinado
assunto, obtido entre especialistas das partes interessadas.109

As normas da ABNT destinadas para a apresentação técnica de documentos


científicos, baseadas na ISO 690 – que é a organização internacional responsável, da qual
a ABNT é representante – são organizadas pelo Comitê Brasileiro de Informação e
Documentação (CB 14). Esse comitê dispõe das seguintes normas:

Tabela 5 – Lista de Normas Brasileiras do CB 15 em vigor


Norma
ABNT NBR ISO 18829:2018
Gerenciamento de documentos - Avaliação das implementações de GCC/GEDDA - Confiabilidade
ABNT NBR ISO 15489-1:2018
Informação e documentação - Gestão de documentos de arquivo
Parte 1: Conceitos e princípios
ABNT NBR 6022:2018
Informação e documentação - Artigo em publicação periódica técnica e/ou científica - Apresentação
ABNT NBR ISO 30302:2017
Informação e documentação - Sistema de gestão de documentos de arquivo - Diretrizes para
implementação
ABNT NBR ISO 30300:2016
Informação e documentação — Sistema de gestão de documentos de arquivo — Fundamentos e
vocabulário
ABNT NBR ISO 30301:2016
Informação e documentação - Sistemas de gestão de documentos de arquivo - Requisitos
ABNT NBR 6021:2015 Errata 1:2016
Informação e documentação — Publicação periódica técnica e/ou científica — Apresentação
ABNT NBR 6021:2015 Versão Corrigida:2016
Informação e documentação — Publicação periódica técnica e/ou científica — Apresentação
ABNT NBR 10719:2011 Emenda 1:2015
Informação e documentação - Relatório técnico e/ou científico - Apresentação
ABNT NBR 10719:2015
Informação e documentação - Relatório técnico e/ou científico - Apresentação
ABNT NBR 6027:2012
Informação e documentação — Sumário — Apresentação
ABNT NBR 6024:2012
Informação e documentação — Numeração progressiva das seções de um documento — Apresentação
ABNT NBR 14724:2011
Informação e documentação - Trabalhos acadêmicos - Apresentação
ABNT NBR 15287:2011
Informação e documentação — Projeto de pesquisa — Apresentação
ABNT NBR 15437:2006
Informação e documentação - Pôsteres técnicos e científicos - Apresentação

109
NORMALIZAÇÃO – Definição. Associação Brasileira de Normas Técnicas. [s.d.]. Disponível em:
<http://www.abnt.org.br/normalizacao/o-que-e/o-que-e>. Acesso em: 20 jun. 2018.

116 UNIDADE 6
ABNT NBR ISO 2108:2006
Informação e documentação - Número Padrão Internacional de Livro (ISBN)
ABNT NBR 6029:2006
Informação e documentação - Livros e folhetos - Apresentação
ABNT NBR 10518:2005
Informação e documentação - Guias de unidades informacionais - Elaboração
ABNT NBR 10525:2005
Informação e documentação - Número padrão internacional para publicação seriada - ISSN
ABNT NBR 6034:2004
Informação e documentação - Índice - Apresentação
ABNT NBR 12225:2004
Informação e documentação - Lombada - Apresentação
ABNT NBR 6028:2003
Informação e documentação - Resumo - Apresentação
ABNT NBR 6025:2002
Informação e documentação - Revisão de originais e provas
ABNT NBR 10520:2002
Informação e documentação - Citações em documentos - Apresentação
ABNT NBR 6023:2002
Informação e documentação - Referências - Elaboração
ABNT NBR 12676:1992
Métodos para análise de documentos - Determinação de seus assuntos e seleção de termos de indexação -
Procedimento
ABNT NBR 5892:1989
Norma para datar
ABNT NBR 6032:1989
Abreviação de títulos de periódicos e publicações seriadas
ABNT NBR 6033:1989
Ordem alfabética
ABNT NBR 9578:1986
Arquivos - Terminologia
Fonte: listagem gerada por consulta em <http://www.abntcatalogo.com.br/normagrid.aspx>

No quadro acima, estão listadas todas as normas em vigor na atualidade. Vale


ressaltar que, periodicamente, essas normas são revistas, canceladas e atualizadas. No
quadro destacamos as principais normas de interesse da produção acadêmica. São elas
normas utilizadas na publicação seriada e não seriada (em azul claro), na elaboração de
projetos (em verde claro), de pôsteres e artigos (em verde-céu), para a construção do texto
em si (em amarelo claro) e de relatório científico, quer seja de projetos de pesquisa, de
pós-doutorado, etc. (em lavanda). Já a utilização de tabelas, quadros, ilustrações e seu
formato é definida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.110

110
IBGE. Centro de Documentação e Disseminação de Informações. Normas de apresentação tabular. 3. ed.
Rio de Janeiro : IBGE, 1993. Disponível em:
<https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv23907.pdf >. Acesso em: 20 jun. 2018.

UNIDADE 6 117
Figura 37: Conheça o percurso acadêmico e as normatizações para não se perder
Fonte: Pixabay111

A respeito das normas da ABNT referentes à apresentação técnica de trabalhos


acadêmicos, é importante destacar o seguinte:

 As principais normas da ABNT para apresentação técnica de textos, à


parte da envergadura destes, são a NBR 14724 (que aborda a apresentação
geral. Exemplo: margens, tipo de papel, fonte, seções que compõe um
trabalho acadêmico, etc.), a NBR 6023 (que explica como descrever as
referências dos materiais utilizados) a NBR 10520 (que versa sobre as
citações no texto, como o sistema autor-data e o sistema de rodapé,
adotado pela Faculdades EST, por exemplo), a NBR 6028 (que explica
sobre como elaborar apropriadamente o resumo). Além disso, há as
normas mais voltadas para trabalhos mais extensos como a NBR 6027
(que versa sobre a disposição gráfica do sumário) e a NBR 6024 (que
aborda a numeração progressiva no texto). Todas essas normas são muito
importantes por proporem um padrão gráfico, estilístico, que é aceito pela
comunidade.

111
<https://pixabay.com/pt/photos/download/map-846083_1920.jpg?attachment&modal>

118 UNIDADE 6
 Importa ressaltar que algumas opções as normas da ABNT deixam em
aberto como, por exemplo, o tipo de fonte, o tamanho da fonte na citação
direta longa, o tipo de grifo de destaque das obras referenciadas, etc.,
sendo essas questões definidas pelas instituições de Ensino Superior.

 É importante atentar-se às diretrizes para pessoas autoras em periódicos e


outros sites de divulgação científica. Por mais que periódicos nacionais
utilizem a ABNT, há diversas particularidades assumidas por cada
instituição ou conselho editorial, com divergências, inclusive, ao que
propõe a própria ABNT. Ao submeter um artigo (quem sabe, o deste
curso, depois de pronto) a uma revista, confira sempre antes as normas de
publicação e realize as adequações em termos de formato de publicação,
familiarizando-se, inclusive, com os critérios para publicação.

Sobre a Faculdades EST e as normas atinentes ao TCC, importa ressaltar que

 A Faculdades EST adota a ABNT por padrão, reservando-se no direito de


definir algumas particularidades por conta de sua herança histórica de
centro de pesquisa na área da teologia (hoje, área de ciências da religião e
teologia no Brasil). Essas particularidades, quando existentes, estarão
descritas em subsídios disponibilizados no Espaço Acadêmico, página
institucional com material, orientações, recursos, acessos, enfim, tudo o
que discentes e docentes necessitam para sua vida acadêmica. Não
estando disponível nesta página, discentes e docentes devem recorrer
diretamente à ABNT.

 O material didático para Educação a Distância (EAD) segue por padrão as


normas da ABNT. Por conta da proposta pedagógica relaciona à EAD, o
material dos cursos possui algumas peculiaridades estéticas (como por
exemplo, caixas de citação direta longa – extratos de texto – que não
possuem paragrafação especial; a disposição e o descritivo de imagens; a
forma de se referir a algumas sugestões de leituras complementares
disponíveis no formato de hipertexto, etc.). Essas peculiaridades são
adotadas para estes materiais didáticos e não devem ser reproduzidas em
trabalhos acadêmicos. Para todos os trabalhos acadêmicos e científicos
produzidos na instituição, a Faculdades EST recomenda por padrão a
ABNT.

UNIDADE 6 119
 Para a elaboração do artigo científico, a Faculdades EST, a exemplo do
miniprojeto, disponibilizará um modelo pré-formatado, com folha de
estilos (para título, parágrafo, citação direta longa, etc.) pré-definida, de
modo que a prioridade residirá em seguir as orientações para a elaboração
de resumos, o uso adequado de referências e sua descrição correta tanto
no rodapé quanto na lista final, e o emprego de citações de bases teóricas
no documento. Isto é, discentes necessitarão observar, sobretudo, as
normas NBR 6023, 6028 e 10520. Esse arquivo-modelo será
disponibilizado com o conteúdo específico do TCC.

Abordaremos com mais detalhes as normas da ABNT para a apresentação e para


a redação de textos acadêmicos e científicos no material de apoio ao TCC. Para a
produção do miniprojeto indicaremos abaixo alguns exemplos de citação de referências.
Todavia, ainda assim, havendo dúvidas, não hesite em consultar o material recomendado
―Para estudo de aprofundamento‖ e ainda em último caso, a própria ABNT.

Para fins funcionais, descreveremos a seguir alguns exemplos de referências.


Nossa sugestão é que você observe com atenção a maneira como essas referências foram
elaboradas. Estude-as, buscando compreender o que é cada elemento, como ele está
disposto e por que ele está disposto desta ou daquela forma.

Livro completo

A BÍBLIA SAGRADA. Tradução na Linguagem de Hoje. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1997.

ALVES, Rubem. O amor que acende a lua. 11. ed. Campinas: Papirus, 2005a.

______. O que é religião? 6. ed. São Paulo: Loyola, 2005b.

______. Variações sobre a vida e a morte ou o feitiço erótico-herético da teologia. São Paulo: Loyola,
2005c.

CAMPBELL, Joseph. O herói de mil faces. São Paulo: Círculo do Livro, [19--].

FINGEROTH, Danny. Disguised as Clark Kent: Jews, Comics, and the Creation of the Superhero. New
York/London: Continuum, 2007.

GEERTZ, Clifford. A Interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, [1989].

LARROSA, Jorge. Pedagogia Profana: danças, piruetas e mascaradas. 4. ed. 3 reimpr. Belo Horizonte:
Autêntica, 2006.

120 UNIDADE 6
MADRID, Mike. The Supergirls: fashion, feminism, fantasy, and the history of comic book heroines.
[Minneapolis?]: Exterminating Angel Press, 2009.

OTTO, Rudolf. O Sagrado: os aspectos irracionais na noção do divino e sua relação com o racional. São
Leopoldo: Sinodal/EST; Petrópolis: Vozes, 2007.

TILLICH, Paul. Dinâmica da Fé. 6. ed. São Leopoldo: Sinodal, 2001.

WEBER, Hans-Ruedi. Jesus e as crianças: subsídios bíblicos para estudo e pregação. São Leopoldo:
Sinodal, 1986.

Uma observação importante: as referências devem ser apresentadas, na lista final com texto alinhado à
esquerda, espaçamento entrelinhas simples e espaçamento entre parágrafos em 12pt antes e depois ou no
―modo automático‖.

Livro completo organizado

SANTOS NETO, Elýdio dos; SILVA, Marta Regina Paulo da (Orgs.). Histórias em Quadrinhos &
Educação: formação e prática docente. São Bernardo do Campo: UMESP, 2011.

Capítulo de livro em obra organizada

BOURDIEU, Pierre. Método científico e hierarquia social dos objetos. In: ______. Escritos de Educação.
[Organizado por Maria Alice Nogueira e Afrânio Catani]. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 2005. p.35-38.

MCALLISTER, Matthew P.; SEWELL, JR., Edward H.; GORDON, Ian. Introducing Comics and
Ideology. In: McALLISTER, Matthew P.; SEWELL, JR., Edward H.; GORDON, Ian (Eds.). Comics
and Ideology. New York: Peter Lang, 2006. p. 1-13. (Popular Culture – Everyday Life; 2)

SPONHEIM, Paul R. O conhecimento de Deus. In: BRAATEN, Carl E.; JENSON, Robert W. (Eds.).
Dogmática Cristã. São Leopoldo: Sinodal/IEPG, 2002. p. 203-272.

VERGUEIRO, Waldomiro. Super-heróis e cultura americana. In: VIANA, Nildo; REBLIN, Iuri
Andréas (Orgs.). Super-heróis, cultura e sociedade: aproximações multidisciplinares sobre o mundo dos
quadrinhos. Aparecida: Idéias e Letras, 2011. p. 143-170.

Verbetes em dicionários especializados são descritos da mesma forma que capítulos de livros.

Artigo de periódico

FAGUNDES, Pedro Ernesto. Anticomunismo, Guerra Fria e a América Latina: o caso da Nicarágua.
Contemporâneos: revista de artes e humanidades, São Paulo, n. 6, p. 1-9, maio./out. 2010. p. 4-5.
Disponível em: <http://www.revistacontemporaneos.com.br/n6/artigo2_anticomunismo.pdf>. Acesso
em: 20 out. 2017.

KLEIN, Remí. A criança e a narração. Protestantismo em Revista, São Leopoldo, v. 24, p. 42-61,
jan./abr. 2011. p. 48. Disponível em:
<http://www.est.edu.br/periodicos/index.php/nepp/article/viewFile/137/169>. Acesso em: 30 Out. 2017.

MATTOS, Paulo André Passos de. Entre a história, a vida e a ficção – artes do tempo. Educação &
Realidade, Porto Alegre, v. 28, n. 2, p. 55-67, dez. 2003.

UNIDADE 6 121
REBLIN, Iuri Andréas. Poder & Intrigas, uma novela teológica: considerações acerca das disputas de
poder no campo religioso à luz do pensamento de Pierre Bourdieu e de Rubem Alves. Protestantismo em
Revista, São Leopoldo, v. 14, p. 14-31, set./dez. 2007. Disponível em:
<http://www3.est.edu.br/nepp/revista/014/ano06n3_02.pdf>. Acesso em: 20 nov. 2017.

Artigo em Magazine (Revista de larga circulação para público geral)

TEIXEIRA, Rafael Farias. O poderoso mercado nerd. Pequenas Empresas Grandes Negócios, São Paulo:
Globo, n. 253, p. 32-37, fev. 2010.

VIANA, Nildo. O que os quadrinhos dizem? Sociologia ciência e vida, São Paulo: Escala, ano 2, n. 18, p.
62-69, 2008.

Artigo em sites de internet

CODESPOTI, Sérgio. DC Comics abandona sistema classificatório da Comics Code Authority. Universo
HQ. 21 jan. 2011. Disponível em: <http://www.universohq. com/quadrinhos/2011/n21012011_10.cfm>.
Acesso em: 20 jun. 2018.

NOGUEIRA JÚNIOR, Arnaldo. Rubem Alves. Projeto Releituras: resumo biográfico e bibliográfico.
[s.d.] Disponível em: <http://www.releituras.com/rubemalves_bio.asp> Acesso em: 23 maio 2013.

REBLIN, Iuri Andréas. ―Tu és responsável pelo que cativas‖: definindo o objeto de pesquisa.
HistóriaHoje.com. 8 out. 2014. Disponível em: <http://historiahoje.com/especial-tcc-definindo-o-
objeto-de-pesquisa-2/>. Acesso em: 20 jun. 2018.

VERGUEIRO, Waldomiro. Charles Clarence Beck e o Capitão Marvel. Omelete. 15 ago. 2000.
Disponível em: <http://www.omelete.com.br/quadrinhos/charles-clarence-beck-e-o-capitao-marvel/>.
Acesso em: 30 maio 2011.

Teses ou dissertações

REBLIN, Iuri Andréas. A Superaventura: da narratividade e sua expressividade à sua potencialidade


teológica. 2012. 257p. Tese (Doutorado em Teologia) — Escola Superior de Teologia, São Leopoldo,
2012.

Filme

BLADE Runner. Direção: Ridley Scott. Produção: Michael Deeley. Intérpretes: Harrison Ford; Rutger
Hauer; Sean Young; Edward James Olmos e outros. Roteiro: Hampton Fancher e David Peoples.
Música: Vangelis. Los Angeles: Warner Brothers, c1991. 1 DVD (117 min), widescreen, color.
Produzido por Warner Video Home. Baseado na novela ―Do androids dream of electric sheep?‖ de
Philip K. Dick.

OS QUATRO Pilares – Rubem Alves. 2. Aprender a Fazer. Direção: Paulo Aspis. Roteiro: Rubem Alves.
São Bernardo do Campo: Nitta‘s Digital Video, [2008]. 1 DVD (43 min), fullscreen 4x3, color. Produzido
por ATTA Mídia e Educação.

122 UNIDADE 6
E-mail

GUSMAN, Sidney. Re: Estatísticas super-heróis [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por
<reblin_iar@yahoo.com.br> em 19 jan. 2011.

Legislação

BRASIL. Lei n. 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos
autorais e dá outras providências. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9610.htm>. Acesso em: 20 jun. 2018.

PARA ESTUDO DE APROFUNDAMENTO

Recomendamos você conferir o documento Orientações para uso de referências


em trabalhos acadêmicos e científicos. É um documento que traz dicas sobre como citar
adequadamente o material consultado na produção de sua pesquisa, apresentando
exemplos dos principais casos, além das particularidades definidas pela Faculdades EST.
É imperativo que você consulte este material para a elaboração do miniprojeto,
particularmente no que tange à descrição das referências, e, sobretudo, para a construção
de seu artigo científico.

 REBLIN, Iuri Andréas; STRECK, Gisela Isolde Waechter. Orientações


para uso de referências em trabalhos acadêmicos e científicos. Material
Instrucional, Faculdades EST, mar. 2018. Disponível em:
<http://est.edu.br/downloads/espaco-academico/orientacoes-
metodologicas/Or.Elaboracao.Referencias.pdf>. Acesso em: 20 jun. 2018.

UNIDADE 6 123
PARA RESUMIR:

Nesta unidade você aprendeu:

 As orientações para a etapa final do curso, especificamente, voltadas à


produção do artigo final.

 A apresentação técnica de trabalhos acadêmicos e científicos é proposta


pela Associação Brasileira de Normas Técnicas, a ABNT.

 As principais normas técnicas utilizadas no mundo para apresentação de


textos científicos são a Vancouver, a American Psychological Association
(APA) e a Modern Language Association (MLA).

 As principais normas da ABNT para a apresentação e a redação de textos


acadêmicos e científicos são a NBR 6023 (referências); 6024 (numeração
progressiva); 6027 (sumário); 6028 (resumo); 10520 (citações) e 14724
(apresentação de trabalhos acadêmicos).

124 UNIDADE 6
REFERÊNCIAS

ALVES, Rubem. Filosofia da ciência: introdução ao jogo e a suas regras. 10. ed. São
Paulo: Loyola, 2005.

______. O enigma da religião. Petrópolis: Vozes, 1975.

______. O suspiro dos oprimidos. 5. ed. São Paulo: Paulus, 2003.

______. Por uma educação romântica. 7. ed. Campinas: Papirus, 2008. p. 191-196.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10520: Informação e


documentação: Citações em documentos: Apresentação. Rio de Janeiro, 2002.

______. NBR 15287: Informação e documentação: Projeto de Pesquisa: Apresentação.


Rio de Janeiro, 2011.

BARKER, Cory; WIATROWSKI, Myc (Eds). The Age of Netflix. McFarland, 2017.

BARRADAS, Maria Mércia; TARGINO, Maria das Graças. Redação de artigo técnico-
científico: a pesquisa transformada em texto. In: FERREIRA, Sueli Mara Soares Pinto;
TARGINO, Maria das Graças. (Orgs.). Mais sobre Reistas Científicas: em foco a gestão.
São Paulo: SENAC, CENGAGE Learning, 2008. p.17-39.

BOURDIEU, Pierre. A distinção: crítica social do julgamento. São Paulo: Edusp; Porto
Alegre, RS: Zouk, 2007.

______. Os usos sociais da ciência: por uma sociologia clínica do campo científico. São
Paulo: UNESP, 2004.

BRASIL. Lei n. 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera, atualiza e consolida a legislação


sobre direitos autorais e dá outras providências. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9610.htm>. Acesso em: 20 jun. 2018.

CARROLL, Lewis. Aventuras de Alice no País das Maravilhas; Através do Espelho e o


que Alice encontrou por lá. Ilustrações de John Tenniel. Tradução de Maria Luiza X. de
A. Borges. Rio de Janeiro: Zahar, 2009.

CASTELLS, Manuel. A galáxia da internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a


sociedade. Rio de Janeiro, RJ: Jorge Zahar, 2003.

REFERÊNCIAS 125
______. A sociedade em rede. 3. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

CERVO, Amado L.; BERVIAN, Pedro A.; SILVA, Roberto da. Metodologia Científica.
6. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007.

CORTINA ORTS, Adela; MARTÍNEZ, Emilio. Ética. São Paulo: Loyola, 2005.

DINIZ, Débora. Carta de uma orientadora: o primeiro projeto de pesquisa. 2. ed.


Brasília: Letras Livres, 2013.

DINIZ, Débora; TERRA, Ana. Plágio: palavras escondidas. Brasília: LetrasLivres; Rio
de Janeiro: Editora Fiocruz, 2014.

ECHAURI-SOTO, Guilhermo. Black Mirror, McLuhan y la era digital. Razón y Palabra,


Varia, v. 20, n. 3, p.885 -906, jul./set. 2016. Disponível em:
<http://revistarazonypalabra.org/index.php/ryp/article/view/744/755>. Acesso em: 20
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ECO, Umberto. Como se faz uma tese. 26. ed. rev. atual. São Paulo: Perspectiva, 2016.

FRANKENWEENIE. Direção: Tim Burton. Produção: Tim Burton e Allison Abbate.


Intérpretes: Catherine O‘Hara, Martin Short, Martin Landau, Charlie Tahan, Atticus
Shaffer e Winona Rider. Roteiro: John August. Burbank: Buena Vista Home
Entertainment, 2012. 1 DVD (87 min), widescreen, color, remasterizado digitalmente.

GEÇER, Ekmel; SERBES, Hüseyin. Judgment, Surveillance and Cultural


Desensitization Triangle in TV Series: The Case of Black Mirror. OPUS – International
journal of Society Researches, v. 8, n. 15, p. 1669-1695, 2018. Disponível em:
<http://doi.org/10.26466/opus.44190>. Acesso em: 20 jun. 2018.

GIL, Antônio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

______. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2012.

HUBER, Carl Russell. A Dark Reflection of Society: Analyzing Cultural Representations


of State Control in Black Mirror. Online Theses and Dissertations, n. 454, 2017.
Disponível em: <https://encompass.eku.edu/etd/454>. Acesso em: 20 jun. 2018.

IBGE. Centro de Documentação e Disseminação de Informações. Normas de


apresentação tabular. 3. ed. Rio de Janeiro : IBGE, 1993. Disponível em:
<https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv23907.pdf >. Acesso em: 20 jun.
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KELLNER, Douglas. A cultura da mídia: estudos culturais: identidade e política entre o


moderno e o pós-moderno. Bauru: EDUSC, 2001.

126 REFERÊNCIAS
LAVILLE, Christian; DIONNE, Jean. A construção do saber: Manual de metodologia
da pesquisa em ciências humanas. Porto Alegre: Artmed; Belo Horizonte, 1999.

MCDONALD, Kevin; SMITH-ROWSEY, Daniel (Eds.). The Netflix Effect:


Technology and Entertainment in the 21st century. New York: Bloomsbury, [s.d.].

MCLUHAN, Marshall. Os meios de comunicação como extensões do homem. 3. ed. São


Paulo, SP: Cultrix, 1971.

MOREIRA, Gilvander Luís. Evangelho de Lucas: teologia da história. Revista IHU


Online. 20 fev. 2013. Disponível em: <http://www.ihu.unisinos.br/171-noticias/noticias-
2013/517759-evangelho-de-lucas-teologia-da-historia>. Acesso em: 20 jun. 2018.

NORMALIZAÇÃO – Definição. Associação Brasileira de Normas Técnicas. [s.d.].


Disponível em: <http://www.abnt.org.br/normalizacao/o-que-e/o-que-e>. Acesso em: 20
jun. 2018.

OS QUATRO Pilares – Rubem Alves. 1. Aprender a Aprender. Direção: Paulo Aspis.


Roteiro: Rubem Alves. São Bernardo do Campo: Nitta‘s Digital Video, [2008]. 1 DVD
(28 min), fullscreen 4x3, color. Produzido por ATTA Mídia e Educação.

OS QUATRO Pilares – Rubem Alves. 2. Aprender a Fazer. Direção: Paulo Aspis.


Roteiro: Rubem Alves. São Bernardo do Campo: Nitta‘s Digital Video, [2008]. 1 DVD
(43 min), fullscreen 4x3, color. Produzido por ATTA Mídia e Educação.

PARALELISMO Semântico. Norma Culta: Língua Portuguesa em bom português.


[s.d.]. Disponível em: <https://www.normaculta.com.br/paralelismo-semantico/>.
Acesso em: 20 jun. 2018.

PARALELISMO Sintático. Norma Culta: Língua Portuguesa em bom português. [s.d.].


Disponível em: <https://www.normaculta.com.br/paralelismo-sintatico/>. Acesso em:
20 jun. 2018.

REBLIN, Iuri Andréas. ―Tu és responsável pelo que cativas‖: definindo o objeto de
pesquisa. HistóriaHoje.com. 8 out. 2014. Disponível em:
<http://historiahoje.com/especial-tcc-definindo-o-objeto-de-pesquisa-2/>. Acesso em:
20 jun. 2018.

______. A arte de escrever: aspectos e cuidados redacionais na elaboração de textos


científicos (parte 1). HistóriaHoje.com. 18 nov. 2014. Disponível em:
<http://historiahoje.com/especial-tcc-a-arte-de-escrever-aspectos-e-cuidados-
redacionais-na-elaboracao-de-textos-cientificos-parte-1/>. Acesso em: 20 jun. 2018.

______. A arte de escrever: aspectos e cuidados redacionais na elaboração de textos


científicos (parte 2). HistóriaHoje.com. 26 nov. 2014. Disponível em:

REFERÊNCIAS 127
<http://historiahoje.com/especial-tcc-a-arte-de-escrever-aspectos-e-cuidados-
redacionais-na-elaboracao-de-textos-cientificos-parte-2/>. Acesso em: 20 jun. 2018

______. Da Imprensa à Internet: a garimpagem de fontes. HistóriaHoje.com. 12 nov.


2014. Disponível em: <http://historiahoje.com/especial-tcc-da-imprensa-a-internet-a-
garimpagem-de-fontes/>. Acesso em: 20 jun. 2018.

______. Pink e Cérebro e o domínio do mundo: para conquistar é necessário planejar –


parte 1. HistóriaHoje.com. 30 out. 2014. Disponível em:
<http://historiahoje.com/especial-tcc-pink-e-cerebro-e-o-dominio-do-mundo-para-
conquistar-e-necessario-planejar-parte-1/>. Acesso em: 20 jun. 2018.

______. Pink e Cérebro e o domínio do mundo: para conquistar é necessário planejar –


parte 2. HistóriaHoje.com. 5 nov. 2014. Disponível em: <http://historiahoje.com/pink-e-
cerebro-e-o-dominio-do-mundo-para-conquistar-e-necessario-planejar-parte-2/>. Acesso
em: 20 jun. 2018

______. Poder & Intrigas, uma novela teológica: considerações acerca das disputas de
poder no campo religioso à luz do pensamento de Pierre Bourdieu e de Rubem Alves.
Protestantismo em Revista, São Leopoldo, v. 14, p. 14-31, set./dez. 2007. Disponível em:
<http://periodicos.est.edu.br/index.php/nepp/article/view/2068/1980>. Acesso em: 20
jun. 2018.

______. Problema de pesquisa: uma questão de engenharia, valores ou cientificidade?.


HistóriaHoje.com. 22 out. 2014. Disponível em: <http://historiahoje.com/especial-tcc-
problema-de-pesquisa-uma-questao-de-engenharia-valores-ou-cientificidade/>. Acesso
em: 20 jun. 2018.

______. Quem veio primeiro: O ovo ou a galinha? Definindo o problema de pesquisa.


HistóriaHoje.com. 15 out. 2014. Disponível em: <http://historiahoje.com/especial-tcc-
quem-veio-primeiro-o-ovo-ou-a-galinha/>. Acesso em: 20 jun. 2018.

TIPOS de Pesquisa. Manual de Normalização para o NITEG e o PPGCI da ECI-UFMG.


Disponível em:
<http://normalizacao.eci.ufmg.br/?Reda%E7%E3o_e_Estilo:Metodologia:Tipos_de_pes
quisa>. Acesso em: 20 jun. 2018.

VERGARA, Sylvia Constant. Sugestão de estruturação de um projeto de pesquisa.


Fundação Getúlio Vargas, Escola Brasileira de Administração Pública, Cadernos de
Pesquisa, n. 02, 1991. p. 16-19. Disponível em:
<https://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/13030/000056762.pdf>.
Acesso em: 20 jun. 2018.

128 REFERÊNCIAS
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