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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS


PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO
ESCOLA DE DIREITO E RELAÇÕES INTERNACIONAIS
COORDENAÇÃO DO CURSO DE DIREITO

APOSTILA
DE PRÁTICA JURIDICA I
AUDIÊNCIA E VISITA
Resumo: Material didático

2019

PRÁTICA JURÍDICA I – Audiência e Visita


Professora: Ana Maria Duarte
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APRESENTAÇÃO

O singelo material didático apresentado tem por objetivo propiciar o aluno de


Prática Jurídica I – Audiências e Visitas o conhecimento prático de algumas das formas
e atos judiciais do direito processual penal e processual civil, a exemplo da ritualística
processual como o movimento de atos destinados à solução da questão penal por meio
de procedimentos e ritos dependendo da natureza do delito ou da respectiva ape nação,
utilizando as diversas técnicas e metodologias atinentes à prática jurídica, em harmonia
com o direito, observando as inovações ocorridas, através de um processo didático-
metodológico atualizado e adequadas à discussão e reflexão sobre a prática jurídica no
contexto social;
Desenvolver através das visitas realizadas nos órgãos públicos, bem como nas
audiências assistidas como parte integrante do processo ensino aprendizagem a
finalidade e objetivos nos estudos e pesquisas realizados no campo de estágio (interno e
externo);
Desenvolver o conteúdo estabelecido no programa curricular, no sentido de
estimular e incentivar a compreensão da prática pelo aluno, capacitando-o e habilitando-
o a exercitar o Direito, nas diversas áreas, subsidiando sua atuação profissional
considerando o aspecto ético e moral e o compromisso perante a comunidade na qual
estará inserido.

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Professora: Ana Maria Duarte
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CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

Previsto na disciplina Prática jurídica I – Audiências e Visitas no curso de Direito


Código JUIR 3323.
Orientações sobre:
1. - Procedimento
1.1 - Ordinário;
1.2 – sumário;
1.3 – Sumaríssimo.
2. – Procedimentos Especiais:
2.1 – Júri – Lei nº 11.689/2008
2.2 – Drogas – Lei nº 11.343/2006
2.3 – Execuções Penais – Lei 7.210/84
2.4 – Procedimento audiência na Justiça do Trabalho
3. – Da segurança Pública
3.2 - Estruturas das Polícias:
3.3 – Federal
3.4 – Estadual
4. - Da Organização Judiciária
4.1 – Federal
4.2 – Estadual
5. - Órgãos auxiliares da Justiça
5.1 – Ministério Público
5.2 – Da Advocacia
5.2.1 – Do advogado
5.2.2 – Defensoria Pública
5.2.3 – História da OAB.
6. – Visitas/Palestras:
6.1 - Delegacia Especializada
6.2 - OAB/GO
6.3- Fórum e Tribunal de Justiça
6.4- Ministério Público Estadual
6.5 – Justiça do Trabalho – TRT

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7. – Audiências:
7.1 – Instrução e Julgamento
7.2 – Juizado especial
7.3 – Audiência na Vara de Execuções Penais
7.4 – Sessão do Tribunal do Júri
7.5 – Sessão da Câmara Criminal

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I - DOS PROCEDIMENTOS

Procedimento é o modo pelo qual o processo anda, ou a maneira pela qual se


desencadeiam os atos do processo. É o rito, ou o andamento do processo. É ainda a
parte visível do processo.

1 - ESPÉCIES DE PROCEDIMENTOS PENAIS:

Os procedimentos penais, a teor do que dispõe o art. 394, do Código de Processo


Penal, com a redação dada pela Lei 11.719/08, subdividem-se em procedimento comum
ou especial, sendo o primeiro composto do rito ordinário (sanção máxima cominada
em abstrato igual ou superior a 04 anos), rito sumário (sanção máxima cominada em
abstrato que seja inferior a 4 anos e superior a 2), e o rito sumaríssimo (para as
infrações penais de menor potencial ofensivo – JECrim (sanção máxima cominada seja
até igual a 2 anos).

Procedimentos Especiais - são os que no todo ou em parte se afastam do andamento


comum, mesmo que a diversidade se refira a um só ato. Sendo que muitas vezes o
procedimento especial só apresenta alguma diferença nos atos iniciais, desembocando
logo depois no rito comum.
Como procedimentos especiais têm os crimes composto pelos ritos dos crimes
de responsabilidade dos funcionários públicos (arts. 513 a 518), crimes contra a honra
(arts. 519 a 523 e, agora de aplicação reduzidíssima) e crimes contra a propriedade
imaterial (arts. 524 a 530-I) todos previstos no próprio Código de Processo Penal, além
de outros ritos previstos na legislação extravagante como o crime de tóxicos (lei nº
11.343/06, o crime de lavagem de capitais (Lei nº 9.613/98), o rito do Tribunal do Júri
(arts. 406 a 497, do CPP – alterações introduzidas pela Lei 11. 689/08). Etc.

Procedimento comum ordinário – previsto nos arts. 399 a 405 do Código de Processo
Penal e serão previstos o procedimento ordinário nos crimes apenados quando a sanção
máxima cominada for igual ou superior a 4 anos de pena privativa de liberdade (art.
394, § 1º, inciso I) e a realização da audiência de instrução e julgamento deverá ser
realizada no prazo máximo de 60 (sessenta) dias (art. 400). De acordo com o disposto

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no § 5º, do art. 394 do CPP, o rito comum ordinário é subsidiário a qualquer outro rito,
ou seja, aplicam-se subsidiariamente aos procedimentos especial, sumário e
sumaríssimo as disposições do procedimento ordinário.

1.1 – DO PROCEDIMENTO COMUM ORDINÁRIO

RESUMIDAMENTE O RITO ORDINÁRIO SEGUIRÁ OS SEGUINTES ATOS:


Recebida a denúncia ou queixa, que deverá preencher os requisitos do art. 41 do
Código de Processo Penal: conter a exposição do fato criminoso, com todas as suas
circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa
identificá-lo, a classificação do crime e, quando necessário o rol de testemunhas.
Recebida então a denúncia ou queixa, o réu será citado para apresentar responda por
escrito a acusação, no prazo de 10 (dez) dias. (o réu não é mais citado para comparecer
em juízo, mas, sim, para apresentação de resposta escrita, conforme dispõe o art. 394, §
4º, c/c art. 396, caput, e 396-A, § 2º. Se o acusado validamente citado não apresentar
resposta no prazo legal por intermédio de defensor constituído, o juiz deverá nomear-lhe
defensor dativo para oferecê-la, em prazo igual de 10 dias (prazo legal), vez que agora
segundo a jurisprudência, a não apresentação da resposta constitui caso de nulidade
absoluta, já que constitui ato formal do processo que garante o exercício constitucional
do contraditório obrigatória em todos os procedimentos penais de primeiro grau.
No caso da citação ter sido realizado por edital, e não ter sido apresentado
resposta, o processo ficará suspenso, bem como o prazo prescricional, nos termos do art.
366, do CPP. E o prazo será contado a partir do comparecimento pessoal do acusado ou
do defensor constituído para apresentar defesa escrita, caso em que será dado
prosseguimento ao processo, com reabertura do prazo para apresentar defesa escrita.
Na resposta, o acusado poderá argüir preliminares, oferecer documentos e
justificações, especificar provas e arrolar testemunhas (sob pena de preclusão) que no
rito ordinário será arrolada o máximo de 08 (por fato ou por réu) excluídas as que não
prestam compromisso e as referidas, conforme o art. 401, caput, e seu § 1º, do Código
de Processo Penal. Por outra poderá a parte arrolar a destempo suas testemunhas, e
essas serem ouvidas como testemunha do juízo, de acordo com o art. 209 do CPP, bem
como o juiz ouvi-las ainda que a parte que as arrolou as dispense.

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A defesa escrita cumpre, pois importantes funções: a fixação de prazo para


oferecimento do rol de testemunhas e de prova pericial para o réu, além da apresentação
das exceções do art. 95 do Código de Processo Penal.
À exceção da prova documental, que poderá ser produzida a qualquer tempo
(art. 231 CPP), as demais (testemunhal, pericial, etc.) submetem-se à preclusão,
devendo o acusado requerê-las na defesa escrita. Ultrapassando tal prazo, não mais
poderá requerer a produção de prova testemunhal, salvo, nos casos de substituição da
testemunhas devidamente arroladas, que não foram encontradas. Devendo em sua
resposta requerer a intimação das testemunhas arroladas, quando necessárias, (art. 396-
A, CPP).
As exceções elencadas nos arts. 95, do Código de Processo Penal,
incompetência, litispendência, ilegitimidade da parte e coisa julgada e 112 do CPP,
suspeição, e incompatibilidade ou impedimento de membro do MP e de serventuários
ou peritos, deverão ser processadas em autos apartados (art. 496, § 1º CPP).

Segundo dispõe o art. 397, que permite ao juiz desde logo absolver
sumariamente o acusado, caso fique reconhecida (inciso I) – causa excludente de
ilicitude, causas excludentes de culpabilidade – salvo inimputabilidade (inciso II), a
atipicidade do fato (inciso III) ou causa extintiva da punibilidade (inciso IV);

A atipicidade manifesta e a extinção da punibilidade deixou de ser fundamento


para a rejeição da peça acusatória e agora são causas de absolvição;

A redação do art. 399, do CPP, dispõe que recebida a denúncia ou queixa,


apresentado resposta a acusação, o juiz deverá designar data para realização de
audiência de instrução e julgamento, ordenando a intimação do acusado, defensor,
Ministério Público, e se for o caso do querelante e do assistente;

Caso tratar-se de réu preso, será requisitado para comparecer a audiência,


devendo ser providenciado sua apresentação, nos moldes do art. 399, § 1º, CPP;

OBS.: o prazo para a resposta e de 10 dias, contados da citação do acusado,


observada, em qualquer situação, a Súmula nº 710 do STF “NO PROCESSO PENAL,

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CONTAM-SE OS PRAZOS DA DATA DA INTIMAÇÃO, E NÃO DA JUNTADA AOS


AUTOS DO MADADO OU DA CARTA PRECATÓRIA OU DE ORDEM”.

RITO PROCEDIMENTAL COMUM ORDINÁRIO: Arts. 394 a 405 e CPP, Lei


11.719/08

a)- Remessa do Inquérito Policial;


b)- Distribuição e vista ao MP;
c)- Oferecimento da denúncia;
d)- Recebimento da denúncia e citação- (pessoal; edital ou por hora certa)
e)- Defesa (resposta a acusação)– prazo 10 dias
f)- Juiz pode absolver sumariamente (art. 397, CPP), se não - prossegue
g)- Audiência de Instrução e Julgamento: Obedecendo a seguinte ordem:
- ouve-se o ofendido;
– testemunhas arroladas na acusação (até 8);
– testemunhas arroladas pela defesa (até 8);
– se necessário ouve-se: perito; acareação e reconhecimento(requeridos
antecipadamente);
h); Interrogatório do acusado, (se necessário novas diligências, põe fim à audiência,
realização da diligência em seguida Alegações finais da acusação no prazo de 05 dias
em seguida por igual prazo a defesa, neste caso a nomenclatura usada será
memoriais);se não houver necessidade prossegue na seqüência sem diligências:
i)- Alegações em forma de debates orais – Acusação 20 minutos prorrogáveis por mais
10;
j)- Alegações defesa – orais, prazo 20 minutos prorrogáveis por mais 10);
l)- Sentença.

Obs nº 1: se houver assistente terá ele 10 minutos para as alegações, após a


sustentação do Ministério Público, abrindo igual prazo à defesa. (§ 2º do art. 403, CPP);

Obs nº 2: se a causa for complexa ou dependendo do número de acusados,


poderá as alegações orais ser apresentados por memoriais, concedido às partes 5 dias

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sucessivamente, para cada uma, e o juiz 10 dias para proferir sentença (§ 3º do art. 403
CPP).

1.2 - RITO SUMÁRIO – (arts. 531 a 538 CPP)

Procedimento sumário – quando tiver por objeto crime cuja pena máxima cominada
seja inferior a 4 anos de pena privativa de liberdade, mas, contudo, superior a 2 anos
(art. 394, § 1º, inciso II).
O prazo de 30 dias para realização da audiência de instrução e julgamento (art.
531) e nenhum ato poderá ser adiando, assim não se pode conceder a apresentação das
alegações mediante memoriais, (art. 535);

Resumidamente o Procedimento comum sumário seguirá os seguintes atos:


a)- Remessa do Inquérito Policial;
b)- Distribuição e vista ao MP;
c)- Oferecimento da denúncia;
d)- Recebimento da denuncia e citação- (pessoal; edital por hora certa)
e)- Defesa escrita – prazo 10 dias
f)- Juiz pode absolver sumariamente (art. 397, CPP), se não - prossegue
g)- Audiência de Instrução e Julgamento: Obedecendo a seguinte ordem:
-ouve-se o ofendido;
– Testemunhas arroladas na acusação (até 5);
– Testemunhas arroladas pela defesa (até 5);
– Se necessário ouve-se: perito; acareação e reconhecimento (requeridos
antecipadamente);
h)- Interrogatório do acusado, (se necessário novas diligências, põe fim à audiência,
realização da diligência em seguida Alegações finais da acusação no prazo de 05 dias
em seguida por igual prazo a defesa, neste caso a nomenclatura usada será
memoriais);se não houver necessidade prossegue na seqüência sem diligências:
i)- Alegações em forma de debates orais – Acusação 20 minutos prorrogáveis por mais
10;
j)- Alegações defesa – orais, prazo 20 minutos prorrogáveis por mais 10);
l)- Sentença.

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Obs: No procedimento sumário não há a aplicação expressa do disposto no art.


399, § 2º, do CPP, que dispõe agora em sede processual penal o princípio da identidade
física do juiz, que dispõe que o juiz que presidir a instrução deverá proferir a sentença.
Contudo, em face de a subsidiariedade do rito ordinário. Deve ser observado, também
no rito sumário esse princípio.
No rito sumário nenhum ato será adiado, salvo quando imprescindível a prova
faltante, determinado o juiz a condução coercitiva de quem deva comparecer.
Também se aplicará o rito sumário, nos casos das infrações penais de menor
potencial ofensivo, quando o juizado criminal encaminhar ao juízo comum as peças
existentes para a adoção de outro procedimento.
Do mesmo modo, há de se aplicar o rito sumário, por expressa previsão legal
contida no art. 185, da Lei nº 11.101/05 (Lei de Falências), aos crimes ali tipificados,
qualquer que seja a pena cominada.

1.3 - PROCEDIMENTO SUMARÍSSIMO (arts. 61 a 92 da Lei 9.099/95)

Noções – de acordo com o art. 98, inciso I, da Constituição Federal, o legislador


constituinte originário determinou a criação dos juizados especiais cíveis e criminais,
possibilitando o instituto da transação penal como nova forma alternativa de resolução
da lide penal de natureza pública.
Assim, em atenção ao mandamento constitucional, o legislador criou os
juizados especiais através da lei. Nº 9.099/95, onde conceituou o que seria infração de
menor potencial ofensivo, e previu o procedimento sumaríssimo para sua persecução
penal. Entretanto, a Lei n 11.719/08, em seu art. 394,§ 1º, inciso III, classificou o
rito sumaríssimo como integrante do procedimento comum.

Procedimento Sumaríssimo – é aplicável para as infrações de menor potencial


ofensivo, tendo como infração de menor potencial ofensivo todas as contravenções
penais, e todos os crimes em que a pena máxima cominada em abstrato seja até igual a 2
anos, cumulada ou não com multa (art. 61 da Lei 9.099/95).

No rito sumaríssimo do Juizado Criminal – JECrim o rito deve ser dividido em


duas fases: a primeira fase, chamada de preliminar, onde será possibilitada a

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composição civil entre autor e vítima e a transação penal como forma de solucionar o
litígio penal, e a segunda que somente ocorre se a lide não for solucionada na primeira
fase, e que se constitui em verdadeiro procedimento judicial, com a observância de
todos os princípios que informam o devido processo legal, e cuja sentença penal possui
efeitos secundários.
Antes de adentrarmos nas explicações do procedimento é importante
mencionar o procedimento administrativo ou policial, que segundo a lei 9.099/95, com
relação à fase administrativa, substituiu o inquérito policial pelo Termo Circunstanciado
de Ocorrência – TCO, simplificando o procedimento policial e possibilitando sua
elaboração, independentemente de representação ou requerimento da vítima, mesmo nos
crimes de ação penal pública condicionada ou privada.
Com referencia a possibilidade de prisão em flagrante, tornou-se discussão
meramente acadêmica, uma vez que não se imporá a cautelar no caso de o autor do fato
ser imediatamente apresentado ao juízo ou se ele se comprometer a comparecer em
juízo em data ali já designada (art. 69 e parágrafo único da Lei 9.099/95).
Assim, praticada a infração de menor potencial ofensivo, será lavrado o Termo
Circunstanciado, com encaminhamento imediato do autor do fato e do ofendido ao
juizado ou o compromisso de comparecer em dia determinado para realização de
audiência preliminar.

Procedimento Preliminar: na fase preliminar dois novos institutos foram


criados para evitar o processo judicial e resolver o litígio penal sem a necessidade da
tutela jurisdicional penal, sendo a possibilidade de composição dos danos civil e a
transação penal
Comparecendo as partes haverá o esclarecimento por parte do juiz da
conciliação sobre:
a)- composição civil: é a possibilidade de acordo entre autor do fato e a vítima nas
ações penais pública condicionada e privada, e constitui em verdadeira audiência de
conciliação prevista nos crimes contra a honra, mas, de forma mais sólida, com a
possibilidade de haver composição dos danos, sejam materiais ou morais.
E como objeto da composição civil pode o autor do fato comprometer-se às
obrigações de dar, fazer ou não fazer. Ato presidido pelo juiz togado ou conciliador.

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Podem as partes realizar acordo, que será reduzido a termo, tendo como
presidente o conciliador, caso em que o acordo será homologado pelo juiz, e nesse caso
torna-se sentença irrecorrível e com eficácia de titulo executivo; se for crime de ação
penal privada ou condicionada à representação, a composição dos danos é causa
extintiva de punibilidade, uma vez que importará necessariamente em renúncia ao
direito de queixa ou de representação, de acordo com o disposto no parágrafo único do
art. 74, não renascendo esse direito em caso de inadimplência do devedor em honrar o
acordado, neste caso, o acordo ganha status de título executivo judicial, que pode ser
executado no próprio juizado cível, até o valor de sua alçada.
Havendo homologação do acordo, este somente poderá ser anulado se houver
ação anulatória baseada em vício, segundo dispõe o art. 486 do CPC.
OBS: se a ação penal for privada, e havendo pluralidade de autores, a
composição é individual, portanto, pode uns aceitar compor-se com a vítima, e outros
não, nesse caso haverá uma exceção ao princípio da indivisibilidade da ação penal
privada, eis que a vítima poderá oferecer queixa em face de quem não quis o acordo
civil.
Se houver pagamento integral do valor desejado pela vítima por um dos
autores, com relação a todos haverá a renúncia do direito de queixa.
Se ao contrário tratar-se de um só autor, e várias vítimas, e sendo também a
composição individual, pode haver o acordo entre o autor e Algumas vítimas, e com
outras não, essas poderão ofertar a queixa contra o autor.
Nas ações penais privadas, não está a vítima obrigada ao comparecimento, vez
que poderá dispor da ação, sendo este o entendimento do STF.

Se o acordo não for realizado, se for crime de ação penal privada ou


condicionada à representação: o ofendido exercerá o direito de queixa ou representação
verbal, caso crime seja de ação penal pública incondicionada, surgirá à possibilidade de
transação penal.

b)- Transação Penal – não sendo possível a composição civil, ou tratando-se


de crime de ação penal pública incondicionada, poderá haver entre o autor do fato e o
Ministério Público a transação penal, que consiste na propositura antecipada de pena
não privativa de liberdade.

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Tratando-se de proposta de pena pecuniária, o juiz pode reduzir até a metade, de


acordo com o art. 76, § 1º, da Lei 9.099/95.

Qualquer que seja a pena imediatamente aplicada, esta não acarretará efeitos
civis (art. 76, § 6º) e nem residência, uma vez que não se trata de pena advinda de
sentença penal condenatória.

O STJ tem admitido a transação penal nas ações penais privadas.

Para que haja a transação penal devem ser observados alguns requisitos:
a)- Que o autor do fato não tenha sofrido condenação anterior transitada em
julgado a pena privativa de liberdade pela prática de crime;
b)- Não ter sido beneficiado anteriormente no prazo de cinco anos.
c)- que os antecedentes, a conduta pessoal, a personalidade do autuado, os
motivos e as circunstâncias indicando não ser necessária e suficiente a transação.
Proposta a transação penal e havendo divergência entre defensor e autor do
fato quanto à aceitação da proposta, prevalece a vontade do autor do fato.
Não há qualquer interferência da vítima na proposta do Ministério Público.
Não raro, no dia a dia dos juizados especiais criminais, a vítima se sentir injustiçada
pelo fato de o autor se safar pagando apenas uma cesta básica, razão pela qual o
legislador ter excluído veementemente a aplicabilidade de qualquer instituto da Lei nº
9.099/95 àqueles crimes definidos na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/06).

Conceito de transação penal – é acordo entre o Ministério Público e o autor do fato;

Objetivo – aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multa;

Efeito – uma vez realizada a transação penal, não haverá instauração de processo;

Aceitação da Transação Penal – se aceita a transação penal, a mesma será


homologada e, por não tratar-se de decisão absolutória e nem condenatória, essa

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homologação tem natureza jurídica de ser homologatória de transação penal – (O STJ


entende ser essa transação penal de efeito condenatório).
Se o juiz não concordar com a transação, deve aplicar o art. 28 do Código de
Processo Penal.
Caso a homologação feita pelo juiz se de de modo diverso do que foi
efetivamente transacionado, prevê o art. a lei nos termos do art. 76, § 5º a possibilidade
do recurso de apelação.
O descumprimento da transação penal homologada, se restritiva de direitos,
não se converte em privativa de liberdade, eis que ausente os princípios e garantias
próprias para ensejar um juízo condenatório com autoridade de suprimir a liberdade do
cidadão.
Segundo entendimento do STJ em caso de descumprimento da transação
penal, que por tratar-se de titulo executivo, deverá, quer seja de multa ou restritiva de
direito, essa pena imediatamente aplicada ser executada. Mas admite condicionar a
sentença homologatória ao cumprimento da transação penal.
Entretanto, o entendimento do STF é o contrário, que descumprida a transação
penal, há de se retornar ao status quo a fim de possibilitar ao Ministério Público a
persecução penal, sendo também o entendimento que prevalece entre as turmas
recursais, portanto, é o entendimento que prevalece.

Prazo tratando-se de representação, quando se tratar de ação penal pública


condicionada: Com referência ao prazo para o oferecimento da representação no
JECrim, o entendimento hoje é pacifico de que o prazo é o do art. 38 do CPP, devendo a
vítima oferecer a representação até o prazo de 6 meses contados da autoria, para não
perecer seu direito. Entretanto, essa representação inicial só tem alcance para assegurar
o direito decadencial, pois o entendimento de que comparecendo em audiência
preliminar e não compondo com o autor do fato, a vítima deverá ofertar nova
representação, essa, sim, como condição de procedibilidade para a ação penal.
Tanto que, uma vez ofertada a representação por ocasião da elaboração do
TCO, se a vítima não comparecer na audiência preliminar, o Ministério Público não
poderá oferecer sua peça vestibular, ate que essa condição seja sanada, sendo, portanto,
um ônus que a vítima assume, sob pena de arquivamento do feito ao mostrar
desinteresse pela persecução penal.

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Sendo esse o entendimento pacífico do STJ e STF.


Com referencia a retratação da representação pode ser feita mesmo após o
oferecimento da denúncia, conforme dispõe o art. 79, desde que não tenha havido o seu
recebimento.

Procedimento Judicial – quando o autor (infrator) não comparecer á audiência


preliminar ou não for possível a transação penal, neste caso deverá ser proposta ação
penal, (só cabe na ação penal pública), caso em que obedecerá à seguinte ordem:
a)- oferecimento da denúncia ou queixa, tendo como base o Termo
Circunstanciado de ocorrência;
Dispensa do exame de corpo de delito, caso a materialidade esteja demonstrada
por boletim médico ou prova equivalente;
Obs.: pode o Ministério Público ao invés de oferecer denúncia, requer novas
diligências; ou, pedir remessa para o juízo comum;
Se o juiz discordar do pedido de remessa ao juízo penal comum, deverá remeter
ao Procurador-Geral (estadual) ou à Câmara de coordenação e revisão federal, que
tomara a decisão final.

b)- Citação do acusado e entrega da cópia contendo data da audiência de


instrução e julgamento, se o acusado encontrar-se em local incerto, remessa ao juízo
comum para proceder a citação por edital, vez que não se admite citação por edital no
procedimento dos juizados especiais. Entretanto cabe a citação por hora certa nos
juizados;
É importante frisar que a citação só ocorrerá com a ciência de que contra o autor
foi proposta uma ação penal. Desde modo, não se constitui citação as notificações, na
fase preliminar, para comparecer em audiência de conciliação ou transação penal.
A propósito a lei que rege os juizados não prevê para o procedimento o número
máximo de testemunhas numerárias. Antes da reforma dos procedimentos comuns,
trazida pela Lei 11.719/08, entendia-se de aplicar o disposto no rito sumário, onde se
poderia arrolar até 5 testemunhas, se se tratasse de crime, ou até 3, se contravenção.
Com a recente alteração, o número de testemunhas para aquele procedimento,
em qualquer hipótese, é de 5, ex vi do art. 532 do CPP. Assim, deve ser arroladas no rito

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sumaríssimo até o máximo de 5 testemunhas numerarias, quer seja crime ou


contravenção, como é também o entendimento de Nucci e Pacelli.
As testemunhas de defesa poderão ser trazidas pelo querelado/denunciado no dia
da audiência, independentemente de terem sido arroladas previamente. Contudo, caso
deseje que as testemunhas sejam notificadas, deve depositar na secretaria o rol até cinco
(05) dias antes da audiência ( art. 78, § 1º);
A intimação das testemunhas pode se dar por AR ou outro meio idôneo (art. 78,
§ 3º);

c)- Audiência de instrução e Julgamento – ao abrir a audiência de instrução


tentativa de e julgamento pode o juiz oportunizar às partes que se proceda a
composição civil ou transação penal, se antes tal possibilidade não foi possível ou
renovar a oportunidade, mesmo já tendo ocorrido e sido em vão, tentado por ocasião da
fase preliminar, sendo esse o entendimento jurisprudencial.
Não sendo esse o caso, é presente o querelado/denunciado, acompanhado de seu
defensor – constituído, público ou nomeado, o juiz lhe dará a palavra para resposta à
acusação (art. 81);

Recebendo a peça vestibular o juiz, ao teor do que dispõe o art. 394, § 4º, c/c art.
397, ambos do CPP, analisa a possibilidade de absolvição antecipada, caso em que não
sendo passa-se à inquirição das testemunhas ali arroladas, em seguida passa a oitiva das
que foram trazidas ou arroladas pela defesa, e em seguida ao interrogatório do réu, a
exemplo dos demais procedimentos comuns, de acordo com as alterações trazidas pela
Lei 11.719/08.
Em seguida será dada a palavra à acusação e à defesa para os debates orais, pelo
prazo de 20 minutos, prorrogáveis por mais 10 minutos, aplicando-se o disposto no art.
403, §§ 1º e 2º, do CPP e, em seguida, prolatará a sentença ou o fará posteriormente,
dispensando seu relatório (art. 81,§ 1º);
Da sentença cabe apelação no prazo de 10 dias, devendo as razões ser
apresentadas junto com a petição de apelação (art. 82);
Cabe ainda a interposição de embargos de declaração, inclusive quando houver
dúvida, no prazo de 5 dias, sendo que a interposição dos embargos suspendem o prazo
do recurso.

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Atos processuais da audiência de instrução e julgamento:


- Oitiva da vítima (se possível)
- Oitiva das testemunhas: acusação e defesa, nessa ordem;
- Interrogatório do acusado;
- Debates orais de 20 minutos prorrogáveis por mais 10 minutos;
- Sentença.
Da decisão liminar do Juiz - será negativa se rejeitar a denúncia ou queixa, caso em
que poderá ser interposto recurso de apelação (art. 82);
- será positiva se receber a denúncia ou queixa;

OBS.: se a decisão do juiz for negativa, ou seja, não receber a denúncia ou


queixa, caberá apelação no prazo de dez (10) dias, cujo julgamento está afeto a turma
julgadora por três (03) juízes de primeiro grau.

OBSERVAÇÕES SOBRE ALGUMAS LEIS QUE PREVÊEM REGRAS DISTINTAS:


- Lei nº 11.340/2006 (Maria da Penha), de acordo com o que dispõe o art. 41,
não se aplica o procedimento da Lei 9.099/95, os procedimentos adotados serão o
ordinário e sumário;
- Lei 10.741/03 (Estatuto do Idoso) segue o procedimento da Lei 9.099/95, e
não o sumário, lembrando que se aplica apenas o rito e não os institutos
despenalizadores, e caso o crime tenha pena máxima superior a 4 anos o procedimento
ordinário;
- Lei nº 11.101/05 Crimes falimentares, segundo dispõe o art. 185, o rito a ser
aplicado é o sumário dos arts. 531 a 536 do CPP, independentemente da pena máxima
cominada.
Turmas recursais: também prevista no texto constitucional, quando da criação dos
juizados Lei 9.099/95, sendo composta por juízes de primeiro grau;
As turmas recursais exercem verdadeiro 2º grau de jurisdição no rito do JECrim,
não se submetem jurisdicionalmente aos tribunais de justiça ou regionais.
À turma recursal do JECrim cabe o processamento e julgamento de todos os
recursos referentes ao procedimento, inclusive o julgamento de recurso do habeas
corpus contra ato do juiz do juizado.

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ATENÇÃO – mudou o entendimento do STF no julgamento do habeas corpus


contra ato da própria turma, segundo a mudança de entendimento do STF, cabe aos
Tribunais de Justiça ou Regionais Federais, razão do cancelamento da Súmula 690 STF.

Suspensão Condicional do Processo do Processo

Noções – de acordo com a Lei 9.099/95 que trouxe alguns institutos despenalizadores, o
legislador inseriu o art. 89, a possibilidade de suspensão condicional do processo, como
forma de evitar mediante certas condições, a aplicação da tutela jurisdicional sobre o
conflito penal, em virtude das notórias conseqüências oriundas de uma sentença penal
condenatória.
Assim, esse novo instituto aplica-se aos processos movidos por meio de ação
penal pública tanto do JECrim quanto do juízo comum, e tem por requisito:
a) - pena mínima cominada em abstrato até igual a 01 ano;
b) - o acusado não estar respondendo a outro processo;
c) – o acusado não ter sido condenado por outro crime;
d) - presença dos demais requisitos que autorizam a suspensão
condicional da pena do art. 77 do Código Penal.

Obs.: segundo entendimento do STJ o benefício da suspensão do processo não é


aplicável em relação às infrações penais cometidas em concurso material, concurso
formal ou continuidade delitiva, quando a pena mínima cominada, seja pelo somatório,
seja pela incidência da majorante, ultrapassar o limite de um ano.

Oferecimento da suspensão do Processo – se não couber a suspensão, o processo


prossegue, se couber a suspensão, o processo ficará suspenso por dois a quatro anos,
neste caso, o acusado pode cumprir as condições impostas requisitos objetivos e
subjetivos com conseqüente extinção da punibilidade.
Obs.: a iniciativa da proposta de suspensão deve ser feita pelo Ministério
Público, quando se tratar de crime cuja pena mínima cominada seja igual ou inferior a
um ano (art. 89 da Lei 9.099/95);

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Se o Ministério Público não oferecer e sendo o entendimento do juiz ser cabível


deverá remeter os autos ao Procurador de Justiça (art. 28 do CPP), não podendo
conceder de oficio o beneficio, ainda que for provocado pela defesa, uma vez que cabe
somente ao Ministério público como titular da ação penal, o poder/dever de propor a
suspensão. Sendo também entendimento do STF e do STJ.

Sendo também entendimento pacifico de que, havendo a desclassificação de um


crime, que não admita o sursis processual, para um que admita (ex. de roubo Para
furto), deve o juiz sentenciar apenas reconhecendo essa desclassificação e, após sua
decisão passar em julgado, deve os autos ser encaminhados ao Ministério Público para
que se manifeste sobre o benefício.
Entretanto o STF não admite o sursis processual nos processos de crimes de
ação privada, enquanto o STJ admite.

Revogação e expiração da Suspensão do Condicional do Processo – de acordo com


os §§ 3º e 4º, do art. 89, sobre a revogação do benefício diante de certas circunstâncias
ocorridas no decorrer da suspensão.
O parágrafo 4º refere-se às causas de revogação do beneficio quando o
acusado vier, no curso da suspensão, ser processado por contravenção, ou descumprir
qualquer outra condição imposta, á exceção da reparação do dano;
Por outro lado o § 3º, trata da revogação obrigatória do benefício quando, no curso, o
beneficiário vier a ser processado por outro crime ou não efetuar, sem motivo
justificado, a reparação do dano.
Sendo entendimento pacífico do STF e STJ que a verificação dessas causas de
revogação obrigatória b- e só da obrigatória – pode se dar mesmo depois de expirado o
prazo do sursis.
Já o § 5º, do art. 89, dispõe que expirado o prazo sem revogação, o juiz
declarará extinta a punibilidade, que parecia, com clareza meridiana, tratar-se de
sentença declaratória, passou a ter contornos constitutivos, exigindo a comprovação de
que não tenha o beneficiário dado causa de revogação obrigatória durante seu curso e
possibilitando a revogação do beneficio mesmo após expiração do prazo.

2. – DOS PROCEDIMENTOS ESPECIAIS

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Dentre os vários procedimentos especiais descrito na legislação como os


descritos como os crimes de responsabilidade dos funcionários públicos (arts. 513 a
518), crimes contra a honra (arts. 519 a 523 e, agora de aplicação reduzidíssima) e
crimes contra a propriedade imaterial (arts. 524 a 530-I) todos previstos no próprio
Código de Processo Penal, além de outros ritos previstos na legislação extravagante
como o crime de Drogas (lei nº 11.343/06), o crime de lavagem de capitais (Lei nº
9.613/98), temos ainda, o rito do Tribunal do Júri (arts. 406 a 497, do CPP – alterações
introduzidas pela Lei 11. 689/08).

Procedimento do Tribunal do Júri - nos processos de competência do tribunal do júri


o procedimento esta estabelecido nos arts. 406 a 497, do Código de Processo Penal, com
as alterações trazidas pela Lei nº 11.698/2008.

RITO DOS CRIMES DOLOSOS CONTRA A VIDA:

2.1 - TRIBUNAL DO JÚRI:

Embasamento Legal – artigos 406 a 497, do Código de Processo Penal e art. 5º,
XXXVIII da Constituição Federal, e rege-se pelo disposto trazido pela Lei nº 11.689/08.

Competência – o Tribunal do Júri tem competência para o processo e julgamento dos


Crimes dolosos contra a vida, que são o homicídio doloso, o infanticídio, a participação
em suicídio e os abortos, sejam eles tentados ou consumados, independentemente de o
crime ser apenado com reclusão ou detenção, também, por força do foro prevalente a
competência do júri atrai os crimes que são conexos com os dolosos contra a vida.

Composição – O Tribunal do Júri é composto por 25 (vinte e cinco) cidadãos não


pertencentes ao Poder Judiciário e por um juiz de direito que será seu presidente.
Dentre os 25 (vinte cinco) jurados, serão sorteados 07 (sete) para o julgamento
no plenário, formando o que se denomina Conselho de Sentença ou Júri Popular.

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RITO ESCALONADO

Rito procedimental para os processos de competência do júri – crimes dolosos


contra a vida tentados e consumados, subordinam-se a um rito escalonado ou bifásico –
previstos nos arts. 121 a 127 do Código Penal.

A primeira fase inicia-se com o oferecimento da denúncia, e se encerra com a


decisão de pronúncia (judicium accusatiunis ou sumário de culpa), ou seja, destina-se à
exaração da pronúncia, e encontram-se regulamentada nos art. 406 a 421, do Código de
Processo Penal.

A segunda tem início com a realização da Sessão do Tribunal do Júri Popular e


esta regulada nos art. 453 a 496 CPP.

EXPLICAÇÕES:

Primeira fase:

A instrução criminal segue o procedimento previsto no rito ordinário dos crimes


apenados com reclusão e esta inserido como de competência do júri os crimes:
homicídio doloso (art. 121 CP), infanticídio (art. 123 CP), participação em suicídio (art.
122, CP) e o aborto (arts. 124, 127, CP) tentados ou consumados

Procedimento – é o mesmo, independente de serem apenados com reclusão ou


detenção:
a)- Remessa do Inquérito Policial;
b)- Distribuição e vista ao MP;
c)- Oferecimento da denúncia;
d)- Recebimento da denuncia e citação- (pessoal; edital por hora certa)
e)- Resposta a acusação (defesa) – prazo 10 dias
f)- Vista Ao ministério Público (art. 409, CPP);
g)- Audiência de Instrução e Julgamento: Obedecendo a seguinte ordem:
– Oitiva da vítima (se possível);
– testemunhas arroladas na acusação (até 8);
– testemunhas arroladas pela defesa (até 8);

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– se necessário ouve-se: perito; acareação e reconhecimento(requeridos


antecipadamente);
h)- Interrogatório do acusado, (se necessário novas diligências, põe fim à audiência,
realização da diligência em seguida Alegações finais da acusação no prazo de 05 dias
em seguida por igual prazo a defesa neste caso a nomenclatura usada será memoriais);se
não houver necessidade prossegue na seqüência sem diligências:
i)- Alegações em forma de debates orais – Acusação 20 minutos prorrogáveis por mais
10;
j)- Alegações defesa – orais, prazo 20 minutos prorrogáveis por mais 10);
l)- Decisão: que pode:
- pronunciar (art. 413 CPP)
- impronunciar (art. 414 CPP);
- absorver sumariamente (art. 415 CPP)
- desclassificar a infração (art. 418 CPP).

Fase de Apreciação da Admissibilidade da acusação - finda a instrução de processo


relacionado ao tribunal do júri, cuidando de crimes dolosos contra a vida e infrações
conexas, o magistrado possui quatro opções:

1)- pronunciar o réu (art. 413) quando se convencer da materialidade e da autoria ou


indícios de autoria de provas existente nos autos.
2)- impronunciá-lo, quando julga inadmissível a acusação, por insuficiência de provas
(art. 414);
3)- absolvê-lo sumariamente, quando considera comprovada uma causa de excludente
da ilicitude ou culpabilidade (art.411);

4)- desclassificar a infração penal, quando julga incompetente p/ cuidar do feito,


assim como o tribunal do júri, remetendo a apreciação do caso a outro juízo (art. 419).

Explicação:

Pronúncia – decisão processual de conteúdo declaratório em que o juiz proclama


admissível a imputação, e encaminha para o julgamento do tribunal do júri, uma vez
que este não tem competência p/ o seu julgamento. Se o juiz se convencer da existência

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24

do crime de indícios suficientes da autoria, deve pronunciar, fundamentando os motivos


e seu convencimento. Trata-se de decisão interlocutória mista não terminativa.
Quando do pronunciamento, deverá o réu ser intimado da sentença (art. 420).

Desclassificação – a desclassificação ocorre quando o juiz se convence da existência do


crime não doloso contra a vida, não podendo neste caso pronunciar o réu. Devendo
desclassificar p/ crime não doloso contra a vida e remeter os autos ao juiz monocrático
competente art. 410 CPP. E não poderá indicar qual o delito desclassificado sob pena de
invadir a esfera do juízo monocrático, ainda que só haja um juiz na comarca.
Da decisão que desclassificar o delito, cabe recurso em sentido estrito com fundamento
no art. 581, II CPP, embora alguns doutrinadores prefiram enquadrar na hipótese do
inciso IV do dispositivo.

Impronúncia – é uma decisão de rejeição da imputação p/ o julgamento perante o


tribunal do júri. O juiz não se convenceu da existência do fato ou dos indícios da
autoria. Para a impronuncia é necessário que haja prova da materialidade ou indicio da
autoria. Trata-se de decisão terminativa de natureza processual (interlocutória mista
terminativa), que não analisa o mérito da causa, e que por esta razão não faz coisa
julgada formal. Surgindo novas provas pode o processo ser reaberto em qualquer tempo,
até a extinção da punibilidade art. 414; ver ainda (parágrafo único do art. 41) o
recurso cabível é o de apelação, conforme determina o art. 417 do CPP, com as novas
alterações trazidas pela lei 11. 689/08.

Absolvição Sumária – se o juiz verificar que nos autos há prova da existência do fato e
da autoria, pode absolver o acusado se convencer de que este agiu ao abrigo de uma
excludente de antijuridicidade ou da culpabilidade, e essa sentença tem caráter de
decisão definitiva, vez que resolve o meritum causae, nela o juiz em vez de
impronunciar, decide que o réu é inocente, pois o fato por ele praticado não é ilícito ou
ele não é culpado. E o crime só existe se o fato for típico, ou seja, se subsume a um tipo
penal, e antijurídico, contrario ao direito.

Daí o art. 415 prevê que o juiz poderá absolver sumariamente o acusado,
quando: a) – estiver provada a inexistência do fato; b) - estiver provado não ser ele o

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autor ou participe do fato; c)- o fato não constituir infração penal e d)- estiver
demonstrada causa de isenção da pena ou de exclusão do crime.

Por tratar-se de uma decisão excepcional, exige-se ampla fundamentação.

obs.: a exceção dos casos de inimputabilidade para os quais seja cabível a aplicação de
medida de segurança.

Obs. Nº 1: - nos processos da competência do júri, quando houver a reunião destes em


razão da conexão e continência (art. 76 e 77), a decisão de absolvição sumária no crime
de competência do Júri não impedirá o prosseguimento do julgamento das demais
infrações, quando for hipótese de aplicação do art. 78, I CPP, já que não mais sujeita se
a reexame necessário. E para tanto, se absolverá o quanto previsto no art. 492, § 1º e §
2º do CPP.

Obs. Nº 2: - contra sentença de pronúncia ou de absolvição sumária o recurso cabível é


apelação;

Segunda Fase:

A segunda fase denominada de judicium causae

Preparação do processo para julgamento – ao receber os autos (caso em que houve


pronúncia), o juiz presidente do tribunal do Júri determinará a intimação do Ministério
Público ou do querelante, no caso de queixa, e do defensor, para no prazo de 5 (cinco)
dias apresentarem rol de testemunhas que irão depor em plenário, até o máximo de 5
(cinco), oportunidade em que poderão juntar documentos e requerer diligências

a)- Abertura dos trabalhos – julgamento iniciado com o toque na companhia, devendo o
juiz verificar se a urna contém as cédulas dos 25 (vinte cinco) jurados sorteados
chamados nominalmente, os quais terão seus nomes lançados na ata;
b)- Oficial faz o pregão;
c)- Confirmada a presença das partes (art. 448 a 451);

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d)- Sorteio dos jurados, para a formação do Conselho de Sentença, em número de sete
jurados, (art. 457);
e)- Compromisso dos Jurados;
f)- Interrogatório do Réu (art. 465);
g)- Relatório do juiz, sem manifestação de sua opinião, ou seja, breve exposição do fato,
das provas, e das conclusões das partes;
h)- Inquirição das testemunhas, primeiro da acusação, e posteriormente as da defesa,
(art. 467 a 470);
i)- Debates, com duas horas para cada parte, (art. 471 a 475);
j)- Réplica;
l)- Tréplica;
m)- Término dos debates, passando o juiz à leitura, explicação e formulação dos
quesitos;
n)- Processamento do julgamento, com a retirada dos jurados para a sala secreta, ou no
plenário evacuado, onde passarão a votar os quesitos propostos, (art. 485);
o)- As decisões dos Jurados são tomadas por maioria de votos, (art. 488);
p)- Terminada a votação, será o termo assinado pelo juiz e jurados, (art. 491);
q)- Retorno à sala de julgamento ou no plenário evacuado, o juiz profere a sentença com
a leitura em plenário com todos de pé (art. 492).

ROTEIRO DA SESSÃO PLENÁRIA DE JULGAMENTO

1) Início – entrada do Juiz-Presidente e do Promotor de Justiça


2) Instalação da Sessão pelo Juiz-Presidente
3) Pregão pelo Oficial de Justiça – momento oportuno para as partes argüirem
nulidades, elaborarem requerimentos;
4) Sorteio dos Jurados presentes e notificados anteriormente (25, com o
comparecimento de, pelo menos, 15 jurados para realização da Sessão Plenária,
pena de nulidade)
- recusas imotivadas – 03 para cada parte;
- recusas motivadas – quantas necessárias, comprovando o alegado
imediatamente

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- primeiro fala a Defesa quanto às recusas, depois o MP


5) Compromisso Legal do Conselho escolhido – todos de pé
EM NOME DA LEI CONCITO-VOS A EXAMINAR COM IMPARCIALIDADE ESTA
CAUSA E A PROFERIR O VEREDICTO CONFORME VOSSAS CONSCIÊNCIAS E OS
DITAMES DA JUSTIÇA
5) Assinatura do Termo de Compromisso e Incomunicabilidade pelos Jurados;
6) tomada de declarações do ofendido (se possível)
7) inquirição das testemunhas arroladas pela acusação, obedecendo a seguinte
ordem: o juiz presidente, o Ministério Público, o assistente e o defensor do
acusado;
Obs.: Poderá os jurados perguntar, neste caso as perguntas serão feitas para o juiz
presidente que as repassará as testemunhas.
Obs.: enquanto no procedimento comum o (rito ordinário e sumário) as partes
iniciam a inquirição, encerrando-a o juiz (art. No procedimento em plenário a
ordem é inversa (Lei 11.689/08).

8) As perguntas serão feitas diretamente às testemunhas, sem intermediação


do juiz presidente (sistema do exame direto), afastando, assim, o antigo sistema
presidencialista;
9) Os jurados poderão formula perguntas ao ofendido e ás testemunhas, por
intermédio do juiz presidente (sistema presidencialista);
10) Quanto às testemunhas arroladas pela defesa, o defensor do acusado
formulará as perguntas antes do Ministério Público e do assistente, mantido no
mais a ordem e os critérios disposto no art. 473.
11) As partes e os jurados poderão requerer acareações, reconhecimento de
pessoas e coisas, esclarecimento dos peritos, leitura de peças que se refiram,
exclusivamente, às provas colhidas por precatória e ás provas cautelares;
12) Interrogatório art. 474, observando a forma estabelecida no capitulo III do
título VII do livro do CPP, o Ministério Público, o assistente, o querelante e o
defensor, nessa ordem, poderão formular diretamente, perguntas ao acusado,
enquanto os jurados o farão por intermédio do juiz presidente;

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Obs. De acordo com o art. 474, § 3º não é permitido o uso de algemas no Plenário
do Júri, vez que afeta a presunção de inocência do acusado, salvo se absolutamente
necessário
13)- Debates
15)- Indagação do Juiz-Presidente se os Jurados estão habilitados a julgar
16)- Sala secreta
17)- Votação e registro do resultado
18)- Lavratura da sentença.
19)- Lavratura da ata dos trabalhos (escrivão);
20)- Leitura da sentença;
21)- declaração de encerramento do Julgamento pelo Juiz-Presidente.

2.3 - CRIMES DE DROGAS Lei 11.343/06

DO PROCEDIMENTO DOS CRIMES DE DROGA LEI 11.343/06

Noções – a Lei 11.343/06 disciplina o procedimento dos crimes de Droga, ligados ao


uso ou tráfico indevido de substâncias que possam causar dependência física ou
psíquica.

Obs.: embora a lei disciplina o procedimento não identifica qual a substância que vem a
causar a dependência, necessita de lei complementar, classificada na doutrina como
normas penais em branco em sentido amplo ou heterogêneas, ou seja é quando o
complemento vêm de fonte formal diversa como no caso do art. 33 da Lei 11.343/06.
Neste caso, a norma complementar, integradora da norma penal em branco, é ato do
poder público, porém, não tem a mesma origem da lei, vez que constitui, em regra, ato
de autoridade administrativa como o decreto ou Portaria que define o que é droga.

Procedimento: a lei traz procedimentos diversos para o porte de drogas sempre a


depender da infração:
a)- Competência: a competência para o processo e julgamento dos crimes relacionados
nesta lei depende de crime, ou mesmo do caráter transnacional do fato;

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b)- Aplicação subsidiária: com as disposições do Código de processo penal e da lei de


execução penal.
c)- conexão: caso haja conexão entre um crime definido na Lei 11.343/06 e outra
infração, o procedimento a ser utilizado será o apenado com a pena mais grave,
ressalvada a competência do júri e das jurisdições especiais.

Competência ao porte de drogas uso próprio: a competência será sempre do juizado


especial criminal, respeitadas as regras de conexão e continência (art. 60, da Lei
9.099/95);
- Se o tráfico for interno, a competência será da Justiça estadual;
- Se o tráfico for internacional, a competência é da Justiça Federal.

Porte de Drogas (art. 28 da lei 11.343/06), salvo se houver concurso com os crimes
previstos nos artigos 33 a 37, o rito será o sumaríssimo, previsto na lei 9.099/95,
conforme dispõe o art. 48, §§ 1º ao 5º, portanto é cabível a transação penal.

Observações importantes:
A pequena quantidade de Drogas não gera a presunção da classificação no art.
28, de mesmo modo a apreensão de porções maiores não afasta a figura do usuário, há
que ser analisado caso a caso.

Assim, a competência da justiça federal será afastada se o crime de tráfico


internacional for desclassificada para a de delito com finalidade de consumo pessoal,
conforme posicionamento do STF, caso que não será hipótese de perpectuatio
jurisdictions.

No caso de procedimento dos juizados não será imposta a prisão em flagrante,


devendo ser encaminhado diretamente ao juízo competente (na falta deste, assinará o
termo de compromisso de comparecimento), neste caso lavra-se o Termo
Circunstanciado e providencia as requisições dos exames e perícias necessários, isso se
não cometido em concurso com outros crimes.

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Na transação penal, a pena imposta consistirá nas penas previstas para o art. 28,
ou seja, advertência, prestação de serviços à comunidade ou comparecimento a curso ou
medida educativa.

Procedimento: praticada o crime, o Estado exercerá o direito de punir através da


persecução penal e execução penal;

Do Inquérito Policial: na fase investigatória será feita a investigação a respeito do


crime e documentada IP, cujo prazo é de 30 dias para conclusão se o indiciado estiver
preso, e de 90 se solto. Caso em que poderá pode ser duplicado pela autoridade judicial,
após oitiva do Ministério Público, mediante pedido justificado da autoridade policial
judiciária (art. 51 da Lei 11.343/06)

Da Prisão em flagrante: comunicação imediata ao juiz, que abre vista ao ministério


Público em 24 horas.
Obs: para a prisão em flagrante, e até mesmo para o recebimento da denúncia,
não é necessária a perícia toxicológica, bastando para tanto o auto de constatação (art.
50, § 1º).

Laudo de constatação: é uma pericia preliminar que serve para a lavratura do auto de
prisão em flagrante e estabelecimento da materialidade do delito. O laudo conterá a
natureza e a quantidade da droga. O laudo será firmado por perito oficial ou, na falta
deste por pessoa idônea. Porém, o aludo de constatação não autoriza a condenação.
O perito que subscrever o laudo de constatação não fica impedido de participar
da elaboração do aludo definitivo.

Conclusão do Inquérito Policial: será feita a remessa dos autos do IP ao juízo, com
relatório sumário das circunstancias do fato, como:
- Razões da classificação do crime;
-indicação da natureza da substancia ou produto apreendido;
- local e condições em que se desenvolveu a ação criminosa,
- Circunstancia da prisão;
- conduta - qualificação e antecedentes do agente;

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Se houver necessidade de outras diligencias, ao invés do relatório final, a


autoridade policial requererá a devolução dos autos para a sua realização. a remessa dos
autos não prejudicará a realização de diligencias complementares – necessárias e uteis á
plena elucidação do fato que poderá ser encaminhadas até 3 dias antes da audiência de
instrução e julgamento (art. 52, parágrafo único).

Procedimento Judicial Previsto na Lei 11.343/06: apesar do procedimento previsto


nos artigos 48 a 59 da Lei de Drogas ser bastante simples, o art. 394, § 4º, do CPP, com
a redação trazida pela Lei 11.719/08, prevê a aplicação irrestrita dos artigos 395 a 397
do CPP a todos os procedimentos de primeiro grau, mesmo que não disciplinadas no
CPP. Assim, há que se fazer apenas algumas adaptações, mas sem revogação dos
dispositivos da lei de drogas.

Da Instrução Criminal: oferecida a denúncia, se não for caso de rejeição liminar, deve
o juiz, nos termos do art. 55 da lei, determinar a notificação do acusado para oferecer
resposta à acusação por escrito no prazo de 10 dias, que deve se assemelhar a uma
verdadeira contestação deve alegar toda a matéria de defesa, processual-oferecendo
exceções processuais, preliminares, razões de defesa, documentos e justificações,
especificação das provas que pretende produzir e, arrolar testemunhas com o numero de
até 5 testemunhas (art. 55, §§ 1º e 2º);
Se o acusado notificado não apresentar a defesa, o juiz nomeará defensor para
apresentar no prazo legal, nesse caso concedendo-lhe vista dos autos no ato da
nomeação (art. 55, § 3º).
Decisão judicial: em 5 dias da apresentação da resposta, o juiz decidirá
fundamentadamente se aceita a denúncia.

Observação importante
Citação e designação de dia e hora para a audiência: após recebimento da denúncia,
será designada data para realização da audiência de instrução, debates e interrogatório e
julgamento. Há de observar que os artigos 396 e 396-A do CPP prevêem resposta a
acusação após o recebimento da denúncia ( réu será citado. Considerando a redação do
§ 4º do art. 394, surge a dúvida se deve ser oportunizada nova defesa escrita pelo
acusado, parte da doutrina entende que as duas defesas devem coexistir, eis que

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32

desdobramento do princípio da ampla defesa. Outra posição, atenta da especialidade e


economia processual, dispensa a segunda defesa do CPP.

Audiência de Instrução e Julgamento: deve ser marcada no prazo máximo de 30 dias,


após recebimento da denúncia (salvo se determinada perícia para testar dependência de
drogas) hipótese em que poderá a audiência ser designada em até 90 dias.

Sentença: pode o juiz proferir em audiência ou no prazo máximo de 10 dias, caso que o
juiz ordenará que os autos lhe sejam conclusos.

Medidas assecuratórias aos bens móveis e imóveis ou valores consistentes em


produtos dos crimes previstos na Lei nº 11. 343/06, ou que constituam proveito
auferido com a prática do crime.

Decisão: juiz

Iniciativa: o juiz, de oficio, a requerimento do Ministério Público ou mediante


representação da autoridade policial judiciária.

Requisito: indícios suficientes;

Oitiva Ministério Público: é necessário;

Momento: no curso do inquérito ou da ação penal;


Defesa do acusado: após decretação da medida, o juiz facultará ao acusado que, no
prazo de 5 dias, apresente ou requeira a produção de provas acerca da origem lícita do
produto, bem ou valor objeto da decisão; provada a origem lícita do produto, bem ou
valor, o juiz decidirá pela sua liberação.

Requisito do pedido de restituição: só será conhecido com comparecimento pessoal


do acusado.
Atos de conservação: pode o juiz determinar a prática de atos necessários á
conservação de bens, direitos ou valores.

PRÁTICA JURÍDICA I – Audiência e Visita


Professora: Ana Maria Duarte
33

Suspensão do seqüestro: pelo juiz, ouvido o Ministério Público, quando a sua


execução imediata possa comprometer as investigações ode o juiz determinar a prática
com o comparecimento.

Destinação dos Bens: não havendo prejuízo para a produção da prova dos fatos e
comprovado o interesse público ou social, ressalvado o disposto no art. 62 da lei
11.343/06, mediante autorização do juízo competente, ouvido o Ministério Público e
cientificada a Senad, os bens apreendidos poderão ser utilizados pelos órgãos ou pelas
entidades que atuam na prevenção do uso indevido, na atenção e reinserção social de
usuários e dependentes de drogas, exclusivamente no interesse dessas atividades.
Recaindo a autorização sobre veículos, embarcações ou aeronaves, o juiz ordenará á
autoridade de trânsito ou o equivalente órgão de registro e controle a expedição de
certificado provisório de registro e licenciamento, em favor da instituição á qual tenha
deferido o uso, ficando esta livre do pagamento de multas, encargos e tributos
anteriores, até o transito em julgado da decisão que decretar o seu perdimento em favor
da União.

2.3 - EXECUÇÃO PENAL LEI 7.210/84

Noções: a execução penal é uma das fases da persecução penal que visa efetivar as
disposições criminais contidas na decisão condenatória, ou seja, tornar efetiva, concreta
a sanção aplicada pelo juiz na sentença, além de possibilitar a reintegração harmônica
do condenado ao meio social. A Execução Penal está regulada na Lei 7.210/84 e é
aplicada tanto ao preso definitivo quanto ao provisório, mas também ao Código de
processo Penal e Código Penal, em sua parte geral, contém matéria essencialmente de
execução penal, como no caso dos artigos 83 e ss que cuidam do livramento
condicional, o que tecnicamente não cuida de pena a ser decidida em sede de sentença e
poderia estar melhor colocada em matéria de execução penal.

PRÁTICA JURÍDICA I – Audiência e Visita


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34

Competência: a execução penal compete a juiz indicado na lei de Organização


Judiciária e, na ausência de Vara especializada cabe a execução, segundo o art. 65 da
LEP ao juiz da sentença.

Conexão sucessiva: é uma expressão doutrinária adotada para os casos em que o


mesmo juiz que decidiu a causa, lavrando sentença condenatória, é também o
competente para a execução. Seria a cumulação de competência.

Atuação do juiz da execução: o art. 66 da LEP dispõe quanto ao campo de atuação do


juiz da execução. Atividades de natureza jurisdicional quanto administrativas ex.:
(saídas temporárias, zelar pelo correto cumprimento da pena, compor e instalar o
Conselho da comunidade e outros).

Competência para execução dos condenados pela justiça militar e federal: a LEP é
aplicada ao condenado pela Justiça Eleitoral ou Militar, quando recolhido em
estabelecimento sujeito à jurisdição ordinária (parágrafo único do art. 2º, da LEP).
De acordo com o disposto na Súmula 192 do STJ: compete ao juiz das
execuções Penais do estado a execução das penas impostas a sentenciados pela A
Justiça federal, Militar Eleitoral, quando recolhidos a estabelecimentos sujeitos a
administração estadual.

Requisitos: exige-se título executivo, que em processo penal é aquele oriundo da


sentença penal condenatória (que impõe pena) ou da absolutória imprópria (que absolve
de pena, mas aplica medida de segurança)

Natureza Jurídica da execução Penal: o entendimento dominante e jurisprudencial é


que a execução penal e de natureza eminentemente jurisdicional, embora existam
questões de natureza administrativas a cargo das autoridades penitenciárias.

Órgãos da Execução Penal:


- Conselho Nacional de Política Criminal e penitenciária (art. 62/64)
- juízo da Execução (art. 65 e 66)
- Ministério Público (art. 67)

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35

- Conselho Penitenciário (art. 69/70)


- Departamentos penitenciários (art. 71 a 75)
- Patronato (art. 78/79)
- Conselho da Comunidade (art. 08/81)

Estabelecimentos penais:
- Penitenciária (art. 87 a 90)
- Colônia Agrícola, industrial ou similar (art. 91/92)
- Casa do albergado (art. 93/95)
- Centro de Observação (art. 96/98)
- hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (art. 99 a 101)
-cadeia Pública (art. 102 a 104)

Processo de execução: deve se utilizar a expressão processo de execução, para designar


o conjunto de atos jurisdicionais necessários à execução das penas e medidas de
segurança como derradeira etapa do processo penal;

Garantias do devido Processo Penal: por se tratar de processo de partes, devem ser
asseguradas todas as garantias do devido processo penal, dentre elas: o contraditório,
ampla defesa, o uso das meios de provas garantidos em geral, a presença do juiz natural,
publicidade, duplo grau de jurisdição, etc.

Pressupostos:
- Título executivo;
- Capacidade do agente;
- guia de recolhimento;

Observações: diferenças entre Guia de recolhimento, Guia de Execução e Carta de


Guia
Guia de recolhimento: segundo a LEP é o termo usado para os casos em que o sujeito
que está preso ou vem a sê-lo. Obs. – somente se expede a guia de recolhimento com a
prisão do sentenciado.

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36

Guia de execução: caso não se cogita de execução de pena privativa de liberdade, tais
como execução de pena restritiva de direitos e suspensão condicional da pena.
- que alguém sofra ou esteja ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade
de locomoção.
Carta de Guia: é um termo genérico também designado pelo art. 676 do CPP. ( não
existe mais desde a Constituição de 88)

Início da Execução: a partir do momento em que o juiz recebe a guia de recolhimento.

Competência do Juiz da execução: alguns doutrinadores entendem que é com a prisão


do condenado e para outros, com o trânsito em julgado da sentença condenatória;

Regimes: o Código penal adotou o chamado sistema progressivo com sua dupla
finalidade: punição e ressocialização do condenado.
O reeducando inicia o cumprimento da pena no regime mais rigoroso,
progredindo até o regime mais brando LEP.
O juiz da condenação é que compete fixar o primeiro regime a que se submeterá
o condenado, de acordo com os requisitos previstos na lei e, uma vez fixado o regime
cabe ao juiz da execução apreciar as progressões e regressões ao longo do cumprimento
da pena segundo o critério objetivo (tempo de cumprimento da pena) e segundo o
mérito do reeducando.

À medida que surgem novas condenações, são elas somadas ao restante da pena
em execução a fim de um novo regime de cumprimento a ser fixado.
Sumulas 718 do STF – “opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime
não constitui motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o
permitido segundo a pena aplicada.”

Súmula 719 do STF; “A imposição do regime de cumprimento mais severo do que a


pena aplicada permitir exige motivação.”

Regime Fechado:
Hipóteses obrigatórias:

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a)- Crimes hediondos (Lei 8.072/90) – ver alterações na Lei 11.464/07;


b)- Quando a pena de reclusão aplicada for superior a 8 anos;
c)- Nos casos de pena de reclusão aplicada ao condenado reincidente;
d)- Organizações criminosas;
e)- Crimes de lavagem de dinheiro.
Obs: sobre a Lei 11.464/07 - permite a progressão de regime para os crimes
hediondos ou equiparados após o cumprimento de 2/5 da pena em se tratando de
condenados primário e 3/5 da pena em se tratando de condenado reincidente (contra 1/6
exigidos nos demais crimes)
Regime semi-aberto
Hipóteses obrigatórias:
a)- Ao condenado não reincidente com pena superior a 4 anos desde que não exceda a 8.

Obs: não se trata de direto subjetivo do condenado, pois o juiz da condenação


deverá observar os critérios previstos no artigo 59 do Código Penal.
b)- Ao condenado à pena de detenção quando a pena ultrapassar a oito anos.
-Saída Temporária (art. 122 da LEP);
-Trabalho externo (art. 37 da LEP).

Regime Aberto
Hipóteses Obrigatórias:

a)- Ao condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 anos.
Obs.: também não se trata de direito subjetivo do condenado, pois o juiz deverá
observar os critérios previstos no art. 59 do Código Penal.

Progressão de regime (art. 112 da LEP:


a)- Requisitos Objetivo:
Cumprimento ao menos de 1/6 da pena no regime anterior;

b)- Requisito subjetivo: no mérito do condenado. A lei 10.792/03 alterou o art. 112
da LEP, dispensando, o prévio laudo de exame criminológico da Comissão Técnica de
Classificação para fins de análise do pedido de progressão de regime. Agora, basta o

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38

cumprimento de 1/6 da pena e atestado de bom comportamento carcerário a ser


expedido pelo diretor do estabelecimento para que o juiz possa decretar a progressão do
regime prisional.

Regressão de regime: é a transferência de um regime para o outro mais rigorosos, tendo


em vista a prática de algum dos fatos descritos no art. 11u8 da LEP;

Remição: é o desconto de parte da pena face o trabalho realizado. A realização é


declarada pelo juiz da execução após oitiva do Ministério Público.
Três dias de liberdade cumprida em regime fechado sou semiaberto.

O condenado a pena em regime aberto não faz jus a esse benefício, haja vista
que neste regime tem no trabalho a própria razão de ser da sua concessão.

Segundo entendimento majoritário da doutrina e da jurisprudência o trabalho do


preso provisório enseja a remição.

Detração: é o cômputo do tempo de prisão provisória ou medida de segurança na pena


ou medida de segurança. A detração do período de prisão a que se seguiu a absolvição
do réu pode ser concedida se se trata de pena de outro crime anteriormente cometido.
Não, porém, em relação á pena por crime posterior à absolvição. (STJ: RTJ 70/324) No
mesmo sentido o STJ ( RT 763/536-537).

Assim na prática da execução penal ocorrem diversos incidentes que


necessariamente necessitam da intervenção da autoridade jurisdicional e da
manifestações das partes, haja vista se tratar de processo (processo de Execução) e
essas manifestações irá depender sempre do caso simulado a ser desenvolvido em sala
de aula que pode consistir em:
- livramento condicional;
- Reabilitação criminal;
- Agravo em execução;
- Pedido de remição;
- pedido de detração penal;

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- Pedido de indulto;
- Pedido de lei penal benéfica;
- Pedido de extinção de punibilidade.

2.4 - PROCEDIMENTOS NO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO

Conceito direito processual do trabalho: O Direito Processual do trabalho revela-se


um conjunto de princípios e regras processuais destinadas a regular a solução de
conflitos individuais e coletivos inseridos na competência da Justiça do Trabalho.

O procedimento comum no Direito Processual do Trabalho Subdivide-se em: ordinário,


Sumário e sumaríssimo.

Sistemática dos procedimentos trabalhista: independentemente de qual procedimento


a ser seguido, a sequência dos atos processuais, na prática, pode seguir a sistemática
una ou fracionada. A escolha regra geral cabe ao juiz titular, sendo esta prática usual,
haja vista que inexiste qualquer norma legal que determine o critério de escolha.

Sistemática Fracionada: Na sistemática fracionada, o procedimento divide-se em três


partes:
1) – audiência inaugural – aberta a audiência, tendo as partes comparecido, o juiz
propõe conciliação (art. 846, CLT). Havendo acordo, lavra-se o termo assinado pelas
partes, sujeitos do processo. Não havendo acordo, o reclamado apresenta defesa escrita
ou oral (prazo de vinte minutos). Saem as partes cientes da data para audiência de
instrução. A replica deverá ser apresentada em prazo conferido pelo juiz.

2) - Audiência de Instrução – as partes deverão comparecer, sob pena de confissão


quanto a matéria de fato. Serão colhidas provas orais (depoimentos pessoais e
testemunhais). Terminada a instrução, poderão as partes aduzir suas razões finais. É
oportunizada nova tentativa de conciliação, caso restar infrutífera, designa-se data para

PRÁTICA JURÍDICA I – Audiência e Visita


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audiência de julgamento. Todavia nada impede que a sentença seja prolatada neste
momento se assim entender o juiz.
3) – Audiência de julgamento – a sentença é prolatada, não se exige o comparecimento
da parte, a qual estava previamente ciente.

Sistemática Una: na sistemática uma, como o próprio nome diz, haveria, em tese, uma
única audiência com a realização de todos os atos processuais anteriormente
mencionados. A replica deve ser apresentada oralmente em audiência. Todavia, revela-
se comum a designação de data para a audiência de julgamento, permitido que o
magistrado possua maior tempo para profira à sentença.
Na sistemática una determinados fatores pode gerar a necessidade de
fracionamento, como a designação de audiência de instrução. Por exemplo, se houver
grande quantidade de documentos juntados com a defesa não permitindo uma análise
rápida para a réplica ou quando o réu apresenta reconvenção (momento em que deve ser
oportunizada a apresentação de contestação e posterior direito à réplica em relação à
defesa da reconvenção).

Procedimento Sumaríssimo

O procedimento sumaríssimo deverá ser seguido nos dissídios individuais cujo


valor da causa não exceda a 40 salários mínimos vigentes na data do ajuizamento da
ação (art. 852-A CLT).
Estão excluídos do citado procedimento as demandas em que é parte a
Administração direta, autárquia e fundacional (art. 852-A, parágrafo único).
O pedido deverá ser certo e determinado (muito embora a lei diga ou ) e deverá
indicar o valor correspondente. Não se fará citação por edital, cabendo ao autor a correta
indicação do nome e endereço do reclamado (art. 852-B, I e II). O descumprimento de
tal exigência implica em extinção do processo sem julgamento de mérito (art. 852-B, §
1 CLT).
Em que pese o art. 852-C prever que as ações sujeitas a tal rito serão instruídas e
julgadas em audiência única, não se revela incomum, na prática, a sistemática
fracionada.

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41

Registre-se que as testemunhas, até o máximo de duas para cada parte,


comparecerão à audiência de instrução ou à audiência uma independentemente de
intimação (art. 852- H, § 2º da CLT), sendo que somente será deferida a intimação de
testemunha que, comprovadamente convidada, deixar de comparecer à audiência (§ 3º).
O convite a ser comprovado pode ser feito de várias formas, como, por exemplo, a
expedição de carta com registro postal de recebimento.
Revela-se dispensável o relatório na sentença (art. 852-I da CLT).

Procedimento Sumário

Tal procedimento aplica-se nas causas cujo valor não exceda a dois salários
mínimos (art. 2º da Lei 5.584/70).
Descabe recurso das sentenças proferidas em tal procedimento, salvo se
versarem sobre matéria constitucional (art. 2º, § 4º).
A doutrina já discutiu intensamente se o surgimento do procedimento
sumaríssimo teria revogado o procedimento sumário. Parte entende que a lei nova
regular inteiramente a lei anterior, havendo revogação tácita. Assim, considerando que o
valor da causa do sumário insere-se no limite do sumaríssimo, inexistiria margem para
dúvidas.
Outros entendem que houve revogação, preservando cada um sua sistemática
própria.
Na prática, o procedimento anteriormente apontado no item anterior acaba sendo
seguido, sendo que os autos são inclusive autuados como procedimento sumaríssimo
independentemente do valor da causa, desde que respeitado, por obvio, o limite de
quarenta salários e as exclusões legais. A diferença prática acaba residindo no campo
recursal.

Procedimento Ordinário

O rito ordinário é residual, ou seja, quando a demanda não se sujeitar a rito


especial, ou ao procedimento sumário ou sumaríssimo, seguirá o procedimento
ordinário.

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42

Os pedidos não precisam indicar o valor correspondente e poderá ser realizada a


citação por edital. Os entes públicos podem ser partes no procedimento ordinário.
Quanto ao número de testemunhas pode ser elevadas até três, exceto no inquérito
para apuração de falta grave em que será até seis (art. 821 da CLT). As testemunhas
podem ser intimadas por mero requerimento da parte. O rol pode ser apresentado na
audiência inaugural (dentro da sistemática fracionada) ou anteriormente à audiência (na
sistemática uma).
No procedimento ordinário, o relatório é indispensável na sentença.

O esquema a seguir demonstra a composição mais comum de uma mesa de


audiência.

O juiz encabeça a mesa; do seu lado direito está o lugar reservado para a
reclamada, enquanto do lado esquerdo fica o reclamante. Os advogados tomam os
lugares mais próximos ao magistrado. Um servidor, encarregado da digitação da ata e
termos, é o elemento final. O advogado deve prestar muita atenção na redação da ata,
certificando-se de que todos os fatos, depoimentos, etc., foram devidamente lavrados,
antes de assiná-la. "As atas de audiências deverão refletir o que realmente aconteceu
naquela sessão, com todos os seus incidentes e percalços (art. 817, CLT)", in Francisco
Antonio de Oliveira, em Manual do Processo do Trabalho.

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43

A audiência é pública e algumas salas de audiências dispõem lugares para os


interessados em assistir. Audiência a portas fechadas é uma exceção. Também
encontramos uma cadeira reservada à testemunha, que fica posicionada de frente para o
juiz.

As audiências são realizadas na sede do juízo ou Tribunal, sempre em dias úteis


no horário de 8:00 às 18:00 horas, podendo ter a duração de até cinco horas seguidas
(artigo 813 da CLT). Casos especiais podem ter locais ou horários diferenciados, mas
iremos nos ater aqui às situações mais comuns.

Procedimento nas Ações Relativas à Nova Competência

Com o advento da nova competência da Justiça do Trabalho, dúvidas surgiram


em relação aos procedimentos que deveriam ser adotados. Sanando as divergências o
TST editou a IN 27/2005, que transcrevemos:
Ementa – dispõe sobre normas procedimentais aplicáveis ao processo do
trabalho em decorrência da ampliação da competência da Justiça do trabalho pela
Emenda Constitucional 45/2004.
Art. 1º - As ações ajuizadas na Justiça do trabalho tramitarão pelo rito ordinário
ou sumaríssimo. Conforme previsto na Consolidação das leis do Trabalho,
excepcionando-se, apenas, as que, por disciplina legal expressa, estejam sujeitas a rito
especial, tais como o Mandado de Segurança, Habeas Corpus, Habeas Data, Ação
Rescisória, Ação Cautelar e Ação de Consignação em Pagamento.
Art. 2º - A sistemática recursal a ser observada é a prevista na Consolidação das
Leis do Trabalho. Inclusive no tocante à nomenclatura, à alçada, aos prazos e às
competências.
Parágrafo único – o deposito recursal a que se refere o art. 899 da CLT é
sempre exigível como requisito extrínseco do recurso, quando houver condenação em
pecúnia.
Art. 3º - Aplicam –se quanto às custas as disposições da Consolidação das Leis
do Trabalho.
§ 1º - As custas serão pagas pelo vencido, após o transito em julgado da decisão;

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§ 2 – na hipótese de interposição de recurso, as custas deverão ser pagas e


comprovado seu recolhimento no prazo recursal (arts. 789,789-A da CLT).
§ 3º - Salvo nas lides decorrentes da relação de emprego, é aplicável o princípio
da sucumbência recíproca, relativamente a custas.

Art. 4º - Aos emolumentos aplicam-se as regras previstas na consolidação das


Leis do Trabalho, conforme previsão dos arts. 789-B e 790 CLT.
Parágrafo único – Os entes públicos mencionados no art. 790-A da CLT são
isentos do pagamento de emolumentos. (acrescentado pela Resolução nº 133/2005).
Art. 5º - Exceto nas lides decorrentes da relação de emprego, os honorários
advocatícios são devidos pela mera sucumbência.
Art. 6º - Os honorários periciais serão suportados pela parte sucumbente na
pretensão objeto da perícia, salvo se beneficiária da justiça gratuita.
Parágrafo único – faculta-se ao juiz, em relação á perícias, exigir depósito
prévio dos honorários, ressalvadas as lides decorrentes da relação de emprego.
Art. 7º - Esta Resolução entrará em vigor na data da sua publicação.

3. - DA SEGURANÇA PÚBLICA

De acordo com o conteúdo programático da Disciplina Audiências e Visitas e


como parte integrante do ensino aprendizagem, devem ser ministradas orientações sobre
a estrutura das Polícias Civis - Federal e Estadual, estando essas afetas à segurança
Pública, conforme dispõe o art. 144, da Constituição Federal, que a Segurança Pública é
um dever do Estado, um direito e uma responsabilidade de todos, e, como a segurança
pública é exercida pela Polícia e tem por objetivo preservar a ordem pública e a
incolumidade das pessoas e seus patrimônios.
Assim, a Segurança Pública consiste numa atuação de preservação ou
restabelecimento de conveniência social que permite que todos gozem de seus direitos e
exerçam suas atividades sem ser perturbadas por outrem.
Desse modo divide-se a polícia em Administrativa e de Segurança, podendo ser
ostensiva ou repressiva.

PRÁTICA JURÍDICA I – Audiência e Visita


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45

Ao nosso estudo nos interessa especificamente a Polícia de Segurança Pública,


que atua em dois momentos – antes e depois da ocorrência das infrações penais.
A Polícia que cuida da prevenção denomina-se Polícia ostensiva, que tem por
finalidade preservar a ordem pública através de medidas gerais de policiamento.
Quanto a Polícia que cuida da repressão é a Policia judiciária ou Civil que
investiga e apura os crimes e contravenções penais cometidos, ou seja, só adentra o caso
após a ocorrência do fato criminoso.
Em princípio, incumbe ao Estado-membro à segurança pública. Mas a Polícia da
União tem algumas atribuições específicas e encontram-se elencadas nos §§ 1º a 3º do
art. 144, da Constituição Federal.

3.1 - ESTRUTURA DAS POLÍCIAS CIVIL - FEDERAL E ESTADUAL

Conceito de Polícia - é uma instituição de direito público destinada a manter a paz


pública e a segurança pública, e como órgãos encarregados pela Constituição Federal
para a manutenção da Segurança Pública, segundo disposto no art. 144, caput, da
CF/88, são:
I – Polícia Federal;
II – Polícia Rodoviária federal;
III – Polícia ferroviária Federal;
IV – Polícias Civis;
V – Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares.
Assim podemos constatar a existência de duas espécies de polícias: polícia
administrativa e polícia judiciária.
Diferença entre policia administrativa e polícia judiciária – é importante e
necessário estabelecer a distinção entre policia administrativa e polícia judiciária.

Polícia administrativa Polícia Judiciária


a)- incide sobre bens, direitos e a)- incide sobre pessoa;
atividades;

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46

b)- atuação no âmbito da função b)- prepara a atuação da função


administrativa; jurisdicional

c)- é exercida por vários órgãos c)- é exercida por órgãos de segurança
públicos, dos mais diversos setores da (polícia civil e policia federal;
administração

Polícia Administrativa ou de segurança – possui atuação preventiva, evitando a


ocorrência do ilícito. Possui atuação discricionária, para evitar a prática de atos lesivos.
Normalmente, no âmbito penal, atua no policiamento ostensivo. Dentre os órgãos
elencados no art. 144, da CF, exercem a função administrativa a PRF, PFF e a PM.

Polícia Judiciária ou Civil – possui a função de auxiliar a Justiça. Atua quando o crime
já ocorreu no intuito de colher elementos de prova do crime para eventual propositura
da ação penal, e exercem a função de polícia judiciária a Policia Judiciária Federal
(art.144, § 1º, inciso I, da /88) e as polícias civis no âmbito estadual (art. 144, § 4º, da
CF/88).
Polícias Civis (art. 144, § 4º, CF), dirigidas por delegados de polícia carreira,
incumbem ressalvadas a competência da União, as funções de policias judiciárias é a
apuração de infrações penais, exceto as militares.

Polícias Militares (art. 144, § 5º, da CF) de acordo com o disposto na constituição
compete à polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; aos corpos de bombeiros
militares, além das atribuições definidas em lei, a execução de atividades de defesa
civil.
A Polícia da união compõe-se de três divisões: polícia Federal; polícia
rodoviária Federal e Polícia Ferroviária Federal.

3.2 - DA POLÍCIA FEDERAL

O Departamento de Polícia Federal (DPF) ou simplesmente Polícia Federal (PF)


é um órgão subordinado ao Ministério da Justiça, cuja função é, de acordo com a

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Constituição de 1988, exercer a segurança pública para a preservação da ordem pública


e da incolumidade das pessoas e do patrimônio.
De acordo com o art. 144, § 1º da Constituição, A polícia federal instituída por
lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em carreira.
Destina-se:
Em apurar infrações contra a ordem política e social ou em detrimento de bens,
serviços e interesse da união ou de suas entidades, autárquicas e empresas públicas,
assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou
internacional que exija repressão uniforme nos termos da Lei.

Repercussão – As infrações penais que tenham repercussão interestadual ou


internacional (como crimes de quadrilha, tráfico de drogas, armas e mulheres, sequestro,
roubos de bancos, cargas, medicamentos ou afins realizados por grupos organizados),
em razão da necessidade de investigação e atividade policial uniforme regional ou
nacional, fixam a competência da Polícia federal.

Interesse da União – Todos os crimes tributários envolvendo tributos federais são


situados sob a competência da Polícia Federal em face da previsão de competência deste
inciso. Também o são os crimes envolvendo servidores públicos federais ou outros
agentes federais, crimes envolvendo bens federais (como furto ou roubo) e quaisquer
crimes envolvendo a prestação de serviços por servidores federais ou órgãos federais.
Crimes Previdenciários – Se cometidos contra o INSS (regime geral de previdência),
são situados sob a competência da Polícia Federal.
Crimes contra a ordem Tributária – são de competência da polícia federal;
Crimes contra a ordem Econômica – são de competência da Polícia federal;
Crimes Contra a relação de consumo – São de competência da Polícia federal.
Exerce ainda funções como polícia administrativa, conforme descreve o inciso
II, prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e
descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos, nas
respectivas áreas de competência, (art. 144, § 1º, II da Constituição).

Prevenção – Entre as atividades de prevenção ao tráfico estão a proibição de plantio,


colheita, cultura e exploração de qualquer planta de que possa ser extraída substancia

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entorpecente, bem como a extração, produção fabricação, transformação, reexportação,


remessa, transporte, exposição, oferecimento, venda, compra, cessão ou aquisição, sem
licença das autoridades competentes, de matéria-prima que possa vir a ser usada no
processo de produção de entorpecentes.
Do mesmo modo exerce as funções de polícia marítima, aeroportuária e de
fronteiras; bem como a de função de polícia judiciária da união (art. 144, § 1º, IV da
CF).
Amplitude – A Polícia Federal, como polícia judiciária da União, tem por funções
precípuas atuar repressivamente nos casos de crimes contra a ordem política e social
(como difusão de ideias racistas, incentivo à desobediência civil, tentativas de secessão
e a divulgação de ideias secessionistas, contestações das autoridades constitucionais), na
investigação de quaisquer infrações criminais contra qualquer bem, serviço ou interesse
da União, suas autarquias e empresas públicas (como furto em órgão público federal,
crimes praticados contra agentes públicos federais). No campo da prevenção e repressão
do tráfico de drogas, a atuação da PF é voltada prioritariamente para o tráfico
internacional e interestadual, ficando a repressão local a cargo das polícias militar e
civil.

Policia Rodoviária federal, (art. 144, § 2º, CF) - é órgão permanente, organizado e
mantido pela União e estruturado em carreira e tem como competência segundo
disposto na lei, o patrulhamento ostensivo das rodovias federais (Lei 9.654/98 - Polícia
Rodoviária federal).

Polícia Ferroviária Federal – (art. 144, § 3º, CF) é órgão permanente, organizado e
mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se, na forma da lei, ao
patrulhamento ostensivo das ferrovias Federais.

Polícias Civis (art. 144, § 4º, CF), dirigidas por delegados de polícia carreira,
incumbem ressalvadas a competência da União, as funções de policias judiciárias é a
apuração de infrações penais, exceto as militares.

Delegados de Carreira – a referência a delegados de carreira deixa clara a imposição


de existência de uma carreira específica para delegados de polícia, pelo que não é

PRÁTICA JURÍDICA I – Audiência e Visita


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constitucionalmente admitida a ascensão funcional de agentes de polícia para a de


carreira de delegado de polícia.

Polícias Militares (art. 144, § 5º, da CF) de acordo com o disposto na constituição
compete à polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; aos corpos de bombeiros
militares, além das atribuições definidas em lei, a execução de atividades de defesa
civil.
Órgão Estadual – As polícias militares são órgãos estaduais, regidas por legislação
estadual, a partir de Lei nacional de normas gerais, conforme previsão do art. 22, XXI,
da Constituição. O mesmo ocorre com os Corpos de Bombeiros Militares.

Distrito Federal – no Distrito Federal, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros Militar


são órgãos federais, regidos por legislação federal, cuja utilização pelo Distrito Federal
depende dos termos da Lei federal, na conformidade do que dispõe os arts. 21, XI, 32, §
4º, todos da Constituição Federal.
Assim As Polícias Militares e os Corpos de Bombeiros Militares, forças
auxiliares e reserva do Exercito, subordinam-se, juntamente com as Polícias Civis, aos
Governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios (art. 144, § 6º, da CF).

Quanto a Policia estadual é composta pela Polícia Civil, Polícia Militar e pelo
Corpo de Bombeiros Militar, que se subordinam ao respectivo governador do Estado.
Á Polícia Civil cabem as funções de polícia judiciária (repressiva), incumbindo-
lhe a apuração de infrações penais, exceto as militares. Vejamos:
Polícias Civis (art. 144, § 4º, CF), À Polícia Civil cabem as funções de polícia
judiciária (repressiva), são dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem-
lhes ressalvadas a competência da União, as funções de policias judiciárias é a apuração
de infrações penais, exceto as militares.

Polícias Militares (art. 144, § 5º, da CF) de acordo com o disposto na constituição
compete à polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; aos corpos de bombeiros
militares, além das atribuições definidas em lei, a execução de atividades de defesa
civil.

PRÁTICA JURÍDICA I – Audiência e Visita


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50

É facultada ao Município a criação de Guardas Municipais, para a proteção do


patrimônio público municipal e seus serviços.

COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL

Justiça Comum Federal (art. 109, CF).


Competência – compete a Justiça Federal processar e julgar os crimes praticados em
detrimento de bens, serviços ou de interesses da União, autarquias ou empresas públicas
federais, inclusive os dolosos contra a vida, ressalvados os crimes eleitorais, os militares
e as contravenções penai (art. 109, IV, CF);
Outros crimes de competência da Justiça Federal são os crimes à distância previstos no
art. 109 da Constituição, desde que previstos em tratados internacionais, sem exceção,
ou seja, ainda que se trate de crime militar (STF, B.I 187), dentre os crimes previstos
em tratados, em que o Brasil é signatário, temos: o homicídio; crimes contra a criança e
o adolescente previsto no ECA; tráfico de entorpecentes, de órgãos e de pessoas; tortura
e etc.
- Crimes Políticos, previsto na Lei de Segurança Nacional - Lei nº 7.170/83;
- Crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro – art. 125 da Lei
6.815/80 e art. 338, do Código penal;
- Crimes contra o sistema Financeiro e a ordem econômica e financeira, desde que
previsto em lei, ver art. 26 da Lei n.º 7.492/86;
- crimes contra a Fauna e a Flora, desde que praticados em bens de domínio ou de
conservação da União, autarquia ou empresa federal, não se inclui em tal conceito os
definidos como patrimônio nacional (floresta Amazônia, Mata Atlântica, Serra do mar,
Pantanal Matogrossense e Zona Costeira – ver art. 225, § 4º da Constituição Federal;
- Crimes praticados contra interesses indígenas, se ofender o interesse de toda uma
coletividade indígena;
- Crime no Espaço Aéreo - será de competência do juízo federal onde ocorrer o pouso
após o crime ou pelo lugar de onde a aeronave partiu;

OBERVAÇÕES IMPORTANTES:
Dos crimes contra a Organização do Trabalho – de acordo com o entendimento do
STF, só surgia à competência da Justiça Federal se o crime contra a Organização do

PRÁTICA JURÍDICA I – Audiência e Visita


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51

trabalho ofendesse interesses coletivamente considerados ou sistema de órgãos


encarregados da defesa dos empregados, entretanto, o STF, recentemente ao julgar o
RE 398041/PA, de 30/11/ 2006, entendeu ser de competência da Justiça federal o
julgamento do crime definido no Art. 149 do Código Penal, ou seja, crime de redução a
condição análoga à escravo, desde que violem qualquer conduta não só o sistema de
órgãos e instituições que preservem, coletivamente, os direitos e deveres dos
trabalhadores, mas também o homem trabalhador, se atingido nas esferas de proteção
máxima em que a Constituição lhe confere, e que enquadram-se na categoria dos
crimes contra a organização do Trabalho, se praticados no contexto de relações de
trabalho;
A Emenda Constitucional nº 45, de 13/12/2004 – estabeleceu a competência da
Justiça Federal para julgar os crimes praticados com grave violação de direitos
humanos, após o julgamento procedente do deslocamento de competência suscitado
pelo Procurador-Geral da República. O STJ entendeu no caso do assassinato da Irma
Dorathy, que para haver deslocamento da competência exige-se a demonstração da
ineficiência da Justiça Estadual (IDC nº 1/PA, DJU 10/10/05, pg. 217).
A competência para processar e julgar os crimes descritos na Lei 10.826/03, Estatuto do
Desarmamento, são de competência da Justiça estadual, salvo se ocorrer, como
concurso entre a competência federal e a estadual prevalece nesse caso a da Justiça
Federal, conforme dispõe a súmula 122, STJ, ou ainda quando se tratar dos crimes
previstos no art. 16 e 18, da Lei 10.826/03.

3.3 - ESTRUTURA DA POLICIA CIVIL ESTADUAL

De acordo com o disposto no § 6º, da Constituição Federal as polícias civis,


militares e corpos de bombeiros, subordinam-se aos Governadores dos Estados, do
Distrito Federal e dos Territórios.

Assim de acordo com a Constituição Estadual, no capítulo que trata da


Segurança Pública, como dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é
exercida para assegurar a preservação da ordem pública, a incolumidade das pessoas, do
patrimônio público e do meio ambiente e o pleno e livre exercício dos direitos e

PRÁTICA JURÍDICA I – Audiência e Visita


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garantias fundamentais, individuais, coletivos, sociais e políticos, estabelecidos, tanto


na Constituição Federal como na Estadual por meio dos seguintes órgãos: Policia Civil;
Polícia Militar; Corpo de Bombeiros Militar;

As polícias Civil e Militar e o Corpo de Bombeiros do Estado, subordinam-se ao


Governador do Estado, sendo os direitos e garantias, deveres e prerrogativas de seus
integrantes definidos em leis especificas, sendo que a função de policial civil na sede
das comarcas de entrância inicial, intermediária e final, é privativo de membro da
carreira, recrutado por meio de concurso público de provas, ou de provas e títulos,
submetidos à formação policial. Assim, o cargo de delegado de polícia é privativo de
bacharel em direito, com, carreira estruturada em quadro próprio, dependendo o
respectivo ingresso, de provimento condicionado à habilitação por concurso público de
provas, ou de provas e títulos, realizado pela Academia de Policia civil do estado de
Goiás, com a participação da OAB do Brasil, seção de Goiás, e do Instituto dos
advogados de Goiás. Nos distritos Judiciários e nos povoados.

De acordo com a Estrutura da Secretaria de Segurança Pública, a polícia Civil do


Estado de Goiás, é dirigida pelo Diretor-Geral - Delegado Geral de Polícia Civil, que
desenvolve os serviços públicos da sua competência, basicamente, através dos Distritos
distribuídos pelo território estadual, são nas suas circunscrições, o centro das
investigações e dos demais atos de polícia judiciária e pontos de atendimento e proteção
à população. São 26 Distritos Policiais na capital e 17 Delegacias Regionais no interior
do Estado, descritas abaixo e que atendem a população das 8 às 12 horas e das 14 às 18
horas, de segunda à sexta-feira. São elas:
1ª Delegacia Regional de Polícia – Goiânia;
2ª Delegacia Regional de Polícia – Aparecida de Goiânia;
3ª Delegacia Regional de Polícia – Anápolis;
4ª Delegacia Regional de Polícia – Goiás;
5ª Delegacia Regional de Polícia – Luziânia;
6ª Delegacia Regional de Polícia – Itumbiara;
7ª Delegacia Regional de Polícia – Iporá;
8ª Delegacia Regional de Polícia – Rio Verde;
9ª Delegacia Regional de Polícia – Catalão;

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10ª Delegacia Regional de Polícia – Uruaçu;


11ª Delegacia Regional de Polícia – Formosa;
12ª Delegacia Regional de Polícia – Porangatu;
13ª Delegacia Regional de Polícia – Posse;
14ª Delegacia Regional de Polícia – Jataí;
15ª Delegacia Regional de Polícia – Goianésia;
16ª Delegacia Regional de Polícia – Ceres;
17ª Delegacia Regional de Polícia – Águas Lindas.

Em apoio às delegacias distritais, surgiram as delegacias especializadas


decorrentes do desenvolvimento da atividade criminosa que também se especializou,
organizou-se em quadrilhas e estendeu as suas ações por largas faixas territoriais. Assim
temos como delegacias especializadas como o tráfico de entorpecentes, o roubo e o
furto, inclusive de veículos, fraudes ou defraudações, delegacias de homicídios entre
outras e a polícia Civil do Estado de Goiás contam com as seguintes especializadas que
atendem à população das 8 às 12 horas e das 14 às 18 horas, de segunda à sexta-feira,
exceto a DIH e a DEAM, da Região Central, que atendem 24 horas. Vejamos:
Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos – DERFRVA;
Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Cargas – DECAR
Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública –
DERCAP;
Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos – DENARC;
Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente – DEMA
Delegacia Estadual de repressão a crimes contra o consumidor- DECON;
Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios – DIH;
Delegacia Estadual de capturas – DECAP;
Delegacia de Polícia interestadual – POLINTER;
Delegacia Estadual de Repressão a Crimes contra a ordem tributária – DOT;
Delegacia Estadual Especializada no Atendimento a Mulher – DEAM (região
central);
Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher - DEAM (Região Noroeste);
Delegacia Especializada em Investigações de Trânsito de Goiânia- DICT;
Delegacia Estadual de Investigações Criminais DEIC, que mantém

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Grupo antissequestro (GAS)/DEIC


Grupo Tático 3 (GT3)/ DEIC;
Grupo anti Assalto a Banco (GAB)/DEIC;
Grupo de Repressão a Latrocínio / DEIC;
Grupo de Repressão a Roubo em Residência / DEIC
Grupo de Repressão a Crimes Rurais e de Divisas (GRCRD)
Grupo de Repressão a Estelionato e Outras Fraudes / DEIC.
Delegacia Estadual de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO)
Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente – DPCA;
Delegacia de policia de Apuração de Atos Infracionais – DEPAI.
Delegacia Especializada no Atendimento ao Idoso – DEAI

4. - ORGANIZAÇÃO JUDICIÁRIA BRASILEIRA E ESTADUAL

No Brasil, cumpre ao Poder Judiciário a tarefa de prestar a jurisdição.


(“Jurisdição” – a palavra vem do latim júris – direito; dicere = dizer), significa o poder
de dizer o direito, que a Constituição dá aos Órgãos do Poder Judiciário.

PODER JUDICIÁRIO – SUA FUNÇÃO ESPECÍFICA

As diferentes funções do Estado são distribuídas entre seus três poderes:


Legislativo, Executivo e Judiciário (art. 2º, da CF). A este último é atribuída à função
jurisdicional, isto é, a função de dirimir os conflitos de interesses individuais,
assegurando, assim, a ordem jurídica e a paz social. No exercício dessa função, pois, o
Poder Judiciário ao compor os conflitos, atua a lei, aplica o direito objetivo que regula o
caso. Assim, o Poder Judiciário tem por função específica exercer a função
jurisdicional.
O poder jurisdicional tanto pode ser definido em função:
a) - da área geográfica (ex.: os Tribunais Estaduais têm poder só no território de
seu Estado);
b) - Da matéria (ex.: Juízes e Tribunais do trabalho, só têm poder de dizer o
direito sobre assunto das relações empregatícias).

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No exercício de suas funções, o Poder judiciário se manifesta através dos seus


órgãos, vez que a sua função especifica é a jurisdição, os órgãos do Poder Judiciário se
chamam com acerto, órgão jurisdicionais ou judicantes, desse modo, podemos entender
que o Poder Judiciário no Brasil é composto por Órgãos que têm jurisdição ampla
(sobre todas as matérias), porém limitada geograficamente, enquanto outros têm
jurisdição especial, ou seja, só podem julgar casos referentes a determinados temas.

Sendo esse poder uma emanação da soberania, é em nome desta que seus órgãos
exercem as atividades que ela lhes atribui. Conseqüentemente, será o direito
Constitucional, como direito político, que determinarão quais sejam os órgãos do Poder
Judiciário.

Dispõe a constituição, em seu art. 92: “São órgãos do Poder Judiciário: I - o


Supremo Tribunal federal; I-A – O conselho Nacional de Justiça, II – O Superior
tribunal de Justiça; III – Os Tribunais Regionais federais e Juízes Federais; IV – os
Tribunais e Juízes do Trabalho; V - os Tribunais e Juízes Eleitorais; VI - os Tribunais e
Juízes Militares; VII – os tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito federal e
Territórios”.

Evidencia-se do texto em exame que órgãos de jurisdição são os Juízes e Tribunais.


O mais importante desses órgãos competentes do Poder Judiciário é o Superior
Tribunal de Justiça, sendo esse o órgão de cúpula do Poder Judiciário. Criou-o a
república, logo após a sua proclamação, pelo decreto nº 848, de 11 de outubro de 1890,
como consectário lógico do programado sistema federativo. É importante por tratar-se,
essencialmente, de uma corte constitucional, tem sede na capital da república e exerce
jurisdição sobre todo o território nacional, compõem-se de onze juízes denominados
Ministros, nomeados pelo Presidente da República dentre cidadãos de mais de 35 anos e
menos de 65 anos de idade, com notável saber jurídico e reputação ilibada, e a
nomeação depende de prévia aprovação do escolhido pelo senado Federal, por maioria
absoluta, sendo o cargo privativo de brasileiro nato.

O Superior Tribunal de Justiça incumbe precipuamente à guarda da Constituição


Federal, funciona como instância de superposição com a justiça ordinária e especial, sua

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56

competência é tríplice, funciona como órgão de justiça especial, em relação a certas


espécies de causas, possui ainda, competência originária para processar e julgar certas
causas.

Conselho Nacional de Justiça introduzido na Constituição pela (EC 45/04, art.92, I-


A), embora como órgão integrante da estrutura do Poder judiciário é dotado apenas de
funções correcionais, compete-lhe, portanto, o controle administrativo e financeiro do
Poder Judiciário e dos deveres funcionais dos juízes, além de outras atribuições
conferidas pelo estatuto da magistratura. Também pelo art. 103-B da Constituição
Federal foram criados: o Conselho da Justiça Federal, o Conselho Nacional do
Ministério Público e o conselho superior da Justiça do trabalho, todas com as mesmas
finalidades.

Superior Tribunal de Justiça é composto de 33 ministros, nomeados pelo Presidente


da República dentre brasileiros natos ou naturalizados com mais de 35 anos e menos de
65 anos de idade, com notável saber jurídico e reputação ilibada.

A nomeação depende de prévia aprovação do escolhido por maioria absoluta do


Senado federal, e um terço de seus membros é recrutado dentre juízes dos TRFs, outro
terço deve ser de Desembargadores dos Tribunais de Justiça Estaduais, e um sexto é
reservado para advogados e outro sexto para membros do Ministério Público.

Possui competência para julgar causas de competência originárias elencadas no


art. 105 da Constituição Federal; em recurso ordinário, os writs constitucionais
denegados em única instância pelos tribunais inferiores e as causas que envolverem
Estados ou organismos estrangeiros; e os recursos especiais envolvendo questões de
interpretação e vigência de lei federal.

Os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais – foram criados 5 Tribunais


Regionais pela atual Constituição, com sedes em: Brasília (1ª região), Rio de Janeiro
(2ª região), São Paulo (3ª região), Porto alegre (4ª região) e Recife (5ª região), com
competência para julgar recursos contra as decisões dos Juízes federais e para processar
e julgar os demais casos elencados no art. 108 da Constituição Federal, e a composição

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57

mínima de um TRF é de 7 juízes recrutados, se possível, na respectiva região, dentre


brasileiros natos ou naturalizados com mais com mais de 30 anos e menos de 65 anos
de idade, , sendo que um quinto dos cargos está reservado para advogados e membros
do Ministério Público com mais de 10 anos de atividade, e o restante deve ser
preenchido por promoção de juízes federais com mais de 5 anos de exercício.

Os Juízes Federais entrarão para a carreira mediante concursos de provas e títulos, e


sua competência está enumerada no art. 109 da constituição Federal.

A Justiça do Trabalho – a Justiça do trabalho está organizada em 3 graus de


jurisdição, a saber: Varas do trabalho, tribunais regionais do trabalho e Tribunal
Superior do trabalho;
Compete à Justiça do trabalho conciliar e julgar os dissídios individuais e
coletivos entre trabalhadores e empregadores, bem como outras controvérsias
decorrentes da relação do trabalho, bem como os litígios que tenham origem no
cumprimento de suas próprias sentenças.

O Tribunal Superior do Trabalho, os Tribunais Regionais do Trabalho e as


Varas do Trabalho.

O tribunal Superior é composto por 27 Ministros, escolhidos dentre brasileiros com


mais de 35 e menos de 65 anos, nomeados pelo Presidente da República após aprovação
pela maioria absoluta do senado Federal, sendo 1/5 dentre advogados com mais de 10
anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério Público do trabalho com
mais de 10 anos de efetivo exercício e os demais dentre juízes dos TRTs, oriundos da
magistratura da carreira, indicados pelo Tribunal Superior.

Os TRTs poderão funcionar de modo descentralizado, constituindo câmaras regionais


(art. 115, §§ 1º e 2º, CF) e instalarão a justiça itinerante, com a realização de audiências
e demais funções de atividade jurisdicional, nos limites territoriais da respectiva
jurisdição, servindo-se de equipamentos públicos comunitários.

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Seus cargos serão preenchidos pela promoção de magistrados do trabalho, sendo


reservados 1/5 das vagas para advogados e membros do Ministério Público, ambos com
mais de 10 anos de atuação.

As Varas do Trabalho onde houver serão ocupadas por um juiz singular, de carreira,
podendo suas funções ser atribuídas aos juízes de direito de acordo com o art. 112, da
Constituição.
Obs.: as antigas juntas de conciliação foram extintas pela EC 24/99, as
quais eram formadas por juiz togado e dois vogais (representantes de sindicato).
A Justiça Eleitoral – tem competência em matéria eleitoral, e possui 3 graus: Juízes
Eleitorais e Juntas Eleitorais, Tribunais Regionais Eleitorais e Tribunal Superior
Eleitoral.

Tribunal Superior Eleitoral – compõe-se no mínimo de 5 membros escolhidos


mediante eleição, por voto secreto (3Juízes dentre os Ministros dos STF e dois Juízes
dentre os Ministros do STJ); 2 membros nomeados pelo Presidente da república dentre
6 advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral indicados pelo STF.

Tribunais Regionais Eleitorais – são compostos de sete Juízes, quatro eleitos por voto
secreto, dois dentre desembargadores do Tribunal de justiça; dois dentre juízes de
direito, escolhidos pelo tribunal de Justiça, um deve ser juiz do tribunal regional
Federal, escolhido pelo tribunal Regional federal respectivo. Dois de livre nomeação do
Presidente da República dentre 6 advogados de notável saber jurídico e idoneidade
moral indicados pelo Tribunal de Justiça, sendo que em cada Capital de Estado da
Federação haverá um Tribunal Regional Eleitoral e os juízes dos TREs, servirão por
dois anos no mínimo, e não mais de dois biênios consecutivos.

Juízes Eleitorais – são os mesmos juízes de direito da Justiça Estadual, nomeados para
esse fim especifico pelo tribunal regional Eleitoral, sendo que a justiça eleitoral é
dividida por zonas eleitorais e não por varas como na Justiça comum.

Juntas Eleitorais - são compostas de um juiz de direito, que é o seu presidente, e dois
cidadãos de notória idoneidade.

PRÁTICA JURÍDICA I – Audiência e Visita


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Justiça Militar – compete a Justiça Militar federal processar e julgar integrantes das
Forças armadas nos crimes militares definidos em Lei exceto quando se tratar dos
crimes dolosos contra a vida cometidos contra civil, que serão de competência do
Tribunal do Júri. (Lei 9.299/96, art. 125, § 4º, da CF).

O superior tribunal Militar – compõe-se de 15 Ministros nomeados pelo Presidente


da república, após aprovação pelo Senado Federal, sendo 10 oficiais-generais da ativa,
do posto mais elevado da carreira, sendo 3 da marinha, 4 do Exercito e 3 da
Aeronáutica. 5 civis brasileiros natos ou naturalizados, maiores de 35 anos, sendo 3
advogados e 2 juízes-auditores ou membros do Ministério Público da Justiça Militar.

Conselhos de Justiça Militar – o processo penal militar de 1ª instância perante um


Conselho de Justiça Militar, pode ser permanente (julgar praças) ou especial (julgar
oficiais). Sendo que o julgamento em primeiro grau foi atribuído a juízes de direito (EC
45/04, art. 125, § 3º CF). Os Conselhos Militares possui composição mista – juízes de
direito, juízes militares e militar mais graduado.

Os Tribunais e Juízes dos Estados do Distrito Federal e territórios.


Como órgãos da justiças dos estados-membros e do Distrito Federal, são estes
órgãos da jurisdição ordinária composta por juízes, órgão de primeiro grau e os
tribunais, órgãos de segundo grau e são federais ou estaduais.

Órgãos Federais – o STF, STJ, os TRFs, os Juízes Federais; os juízes e tribunais do


Distrito federal e territórios; os tribunais e Juízes de Jurisdição especial: trabalhista,
Eleitoral e militar; os Juizados especiais Cíveis e Criminais da Justiça Federal.
OBS.: o Distrito Federal – o Superior Tribunal de Justiça decidiu em 1993, que
a Justiça do Distrito Federal pertence ao Poder Judiciário da União. Em 1995, contudo
mudou sua orientação, para firmar que o Poder Judiciário do Distrito federal, assim
como o Ministério Público, a sua Defensoria Pública e o seu sistema de segurança
pública, embora mantidos pela União não têm natureza jurídica desta, ES que compõem
a estrutura organiza do Distrito federal, entidade politicamente equiparada a Estados-
Membros. Entretanto, no mesmo ano, voltou a firmar que a justiça do distrito Federal é

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um ramo do Judiciário Federal, orientação consolidada e repetida em diversos acórdãos


do STF. Assim, o a justiça do Distrito federal é um ramo do Judiciário Federal.

Órgãos Estaduais – os Tribunais de Justiça, os Juízes estaduais, juizados especiais e


ainda, os da Justiça militar Estadual.
Obs.: a competência da |justiça comum estadual é a geral, abrangendo todas as
causas que não estejam inseridas na competência da Justiça especial ou da justiça
federal Comum.
A Justiça ordinária, como órgão de primeiro grau, está os juízes, estes togados e
vitalícios, exercem a jurisdição nos limites das circunscrições judiciárias em que se
dividem os Estados-Membros, comarcas e municípios, podendo abranger um ou mais
municípios e se denominam juízes de direito.
Na justiça Civil, entre os órgãos de primeiro grau, além dos juízes togados,
temos os juízes de paz, os órgãos da justiça de paz temporária (mandato de 4 anos), é
remunerada e deve ser exercida por cidadãos eleitos pelo voto direto, universal e
secreto, com competência para verificar o processo de habilitação matrimonial e
celebrar casamentos, e outras atividades atribuídas pela lei.
Na esfera penal, além dos juízes togados, inclui-se como órgão de primeiro grau
de jurisdição o Tribunal do Júri com competência para julgamento dos crimes dolosos
contra a vida (art. 5º, XXXVIII, da CF).

Justiça Militar Estadual – compete processar e julgar os policiais militares e


bombeiros militares nos crimes militares, exceto os crimes dolosos contra a vida de civil
estadual depende de lei, privativa do tribunal de justiça do estado e em primeiro grau de
jurisdição é exercido pelos Conselhos de justiça militar estaduais, em segundo grau pelo
Tribunal de Justiça, caso o efetivo da força militar for superior a 20 mil integrantes
poderá ser criado o Tribunal de Justiça militar estadual, que passará a exercer o segundo
grau de jurisdição.

Juizados Especiais - a Constituição em seu art. 98, possibilitou a criação de Juizados


especiais com competência para a conciliação, o julgamento e a execução de causas
cíveis de menor complexidade e infrações de menor potencial ofensivo, tanto na esfera
federal quanto estadual.

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Os juizados são providos por juízes togados, ou togados e leigos, adotando como
princípio a oralidade e o procedimento sumaríssimo, com a finalidade de imprimir
maior celeridade aos julgamentos.
A lei que regula os Juizados Estaduais é a Lei 9.099/95, e a dos Juizados
Federais é a lei 10.259/01.

4.2- ORGANIZAÇÃO JUDICIÁRIA DO ESTADO DE GOIÁS.

A organização da Justiça de cada Estado – membro se condiciona o que dispõe


os artigos 93 a 110 da Constituição Federal, e os artigos 125 e 126 que dizem respeito a
essas normas.
A Constituição do Estado de Goiás em seu capítulo IV dispõe sobre o Poder
Judiciário do Estado, e o art. 41, dispõe que o Poder Judiciário do Estado será exercido
pelos seguintes órgãos:
I – o Tribunal de Justiça;
II – os Juízes de Direito;
III – o Tribunal de Justiça Militar (não instalado)
IV – os Conselhos de Justiça Militar
V – os Juizados Especiais e as Turmas Recursais dos Juizados Especiais – redação
dada pela E/c do Estado nº 46, de 09-09-2010. Vide (Leis 12. 832/96 e 13.111/97),
VI – a Justiça de Paz (nunca foi eletiva)
VII – Os Tribunais do Júri.
Assim em observância ao que descreve o art. 125, da Constituição os Estados
organizarão sua justiça. O estado de Goiás tem como estatuto básico a Lei 9.129 de
22/12/81, (COJEG – Código de Organização Judiciária do Estado de Goiás) publicada
no diário Oficial que circulou em 14/01 de 82, e regula a organização do nosso Estado,
com advento de posteriores modificações regulado pelas seguintes Leis:
- Lei nº 10. 459/88;
- Lei nº 11.029/89;
- Lei nº 13.243/98
- Lei 13. 644/2000,

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OBS. IMPORTANTE - como última lei que rege o funcionamento e competência do


TJ/Goiás tem passado por constantes modificações via emendas regimentais que
poderão ser encontradas no site do TJ/GO.
O art. 2º da lei 9.129/81 dispõe sobre o território do Estado de Goiás, para a
administração da Justiça, dividindo-se em Comarcas e distritos, constituindo um todo
para efeito de Jurisdição do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás e da Justiça Militar.
Sendo que as Comarcas formadas de um ou mais municípios contíguos, constitui
uma unidade judiciária. E a sede da comarca é a do município que lhe dá o nome. (arts.
3º e 4º da Lei).
As comarcas e distritos de acordo com a Organização judiciária do Estado de
Goiás, com as mudanças introduzidas pela (Lei 13. 644/00 – art. 13) classificam-se em:
a)- Entrância Inicial;
b)- Entrância Intermediária;
c)- Entrância Final.
Obs. Os municípios que não sejam sedes de comarcas são distritos judiciários.
Varas Comuns e especializadas – as varas judiciárias são comuns ou especializadas,
conforme a competência. As questões de família são de vara especializada, bem como a
de tóxicos e outras.
Órgãos de primeiro e segundo graus - órgãos de 1º grau são os Juízes, Juizados e
Conselho de justiça Militar;
De 2º grau - o tribunal de Justiça, que funciona fracionadamente ou em plenário,
conforme a competência.

Dos Juízes de paz – em cada sede de distrito judiciário haverá um juiz de paz e seus
suplentes, nomeados pelo Presidente do tribunal de Justiça e as atribuições do juiz de
paz são a de presidir os procedimentos de habilitação para o casamento, celebração de
casamentos entre outros (ver art. 32 a 34 da lei 9.129/88.)
Da Justiça Militar Estadual – a justiça Militar, criada em Goiás pela lei 319/48, ainda
em vigor, com modificações trazidas pelas leis nº 5.999/65 e 6.608/67, tendo como
segundo grau de jurisdição o Tribunal de Justiça (arts. 45/46 da Lei), é um órgão
colegiado composto por dois tipos de Conselhos:

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63

a)- Conselho Permanente de Justiça - formado por um juiz-auditor e quatro (04)


oficiais militares, competente para o processo e julgamento de praças, que funciona por
cada trimestre;
b)- Conselho Especial de justiça – formado por um juiz-auditor e (04) quatro oficiais
militares, de maior na hierarquia ou mais antigos que o réu, competente para o processo
e julgamento de oficiais, que funciona vinculado em cada processo.

Juizados Especiais e Turmas Recursais dos juizados – os juizados especiais,


previstos na lei nº 9.099/95, foram criados em Goiás pela Lei 12.832/96. Podem ser
cíveis, criminais ou mistos (art. 8º da lei 12. 832/96).

Tribunal do Júri – cada comarca terá pelo menos um Tribunal do Júri (art. 41,
COJEG). Havendo mais de um tribunal, cada juiz o presidirá por um semestre, sendo
que o Tribunal do Júri, em reuniões ordinárias, instalar-se-à mensalmente, nos dez
primeiros dias uteis (art. 42 do COJEG com alterações trazidas pela Lei 16.600 de
23/06/2009. Art 10).

Dos Juízes de Direito – de acordo com o art. 29 da Lei 9.129/88, ressalvada a


competência privativa, incumbem ao juiz de Direito exercer toda a jurisdição civil,
criminal ou qualquer outra que lhe for atribuído por lei.

Dos Juízes Substitutos – o cargo inicial do magistrado será o de juiz substituto,


enquanto estiver em estágio probatório. O correto é, então, dizer “juiz de direito
substituto”, “juiz Federal substituto”, etc. não basta dizer, simplesmente, “juiz
substituto”, embora assim seja no Estado de Goiás.

Tribunal de Justiça – Composição –(art. 13 COJEG e art. 1º DO RITJ). O TJ, órgão


máximo do Poder Judiciário do Estado de Goiás, com sede na capital, compõe-se de 36
juízes, com denominação de desembargadores (alteração dada pela Lei 16.307/08) e
corresponde ao órgão de segunda instância ou 2º grau de jurisdição do Estado de Goiás.
Obs. – um quinto dos lugares do Tribunal de Justiça será composto de membros
do MP, com mais de 10 anos de carreira e de advogados de notório saber jurídico e

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64

reputação ilibada e mais de 10 anos de efetiva atividade profissional. Integram o


Tribunal:
Plenário – (nomenclatura alterada pela Lei 16.307/08), composição - compõe-se dos 36
integrantes do Tribunal de Justiça, e suas atribuições esta contida no art. 8º, do RITJ Lei
13. 644/00.
Corte Especial – composição – (art. 9º RITJ) compõe-se dos dezessete
desembargadores mais antigo do TJ.
Atribuições da Corte - art. 9º-A, RITJ/GO;
Competência Corte – art. 9º-B, RITJ/GO;
Seções Cíveis 1ª e 2ª – composição e competência (art. 10 RITJ);
Seção Criminal – composição e competência (art. 11 RITJ);
Câmaras cíveis: 1ª, 2ª, 3ª, 4ª, 5ª e 6ª - composição e competência (arts. 12, 13 e 14
RITJ).
Câmaras Criminais: 1ª e 2ª - competência (art. 15, RITJ);
Presidência e Vice Presidência (arts. 16 e17 RITJ);
Conselho Superior da Magistratura – formado por sete desembargadores, sendo nato
o presidente e o vice-presidente e o corregedor-geral de justiça, enquanto os demais são
eleitos pelo Plenário, todos para mandato de 2 anos (art. 17 COJEG e 18/21 RITJ);

Corregedoria-Geral de Justiça - formada pelo Corregedor Geral de Justiça, e 4 juízes


corregedores, sendo o primeiro, automaticamente, o diretor do foro de Goiânia, todos
para mandato de 02 anos (arts. 25, COJEG e arts.22/29 RITJ);

Comissões Permanentes previstas no Regimento (várias Comissões – arts 27 a 47-A


do RITJ) e referem-se a:
a)- da comissão de Reg. e Org. Judiciária (art. 30/31)
b)- da Comissão de Jurisprudência e Documentação (art. 32)
c)- da Comissão de Seleção e Treinamento (art.33/34)
d)- da comissão de Distribuição e Coordenação (art.35/38)
e) da comissão de Informatização (arts47, 47-A)
Revista Goiana de Jurisprudência (art. 48/49)
Dos serviços auxiliares do Tribunal (art. 50/53).

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65

Da Ordem do Serviço Judicial – (art. 139 e registros por classe no Cível e no Criminal
art. 140, I e II RITJ).
Do Funcionamento do Tribunal:
-das Sessões – art. 153/167 RITJ
- das audiências – art. 168/174 RITJ
- do relator – art. 175/178 RITJ
- do revisor e vogal – art 179/180 RITJ

Da Ordem dos Trabalhos – (arts 180/207 RITJ)


Do julgamento:
No Cível – art. 181, I RITJ;
No Crime – art. 181, II RITJ.
Dos Acórdãos – art. 208

Das ações de Competência Originária – (arts. 234/273 RITJ); tem competência


recursal, em regra, mas também tem muita competência originária, Vejamos:
Do Harbeas Corpus –(art. 234)
Do Mandado de Segurança –(art. 246)
Da ação Penal Originária – (arts 257/277) (ver arts 274/284).
Do Desaforamento- art. 321
Dos Recursos – arts 354/391RITJ
Dos Procedimentos administrativos – art 392/395
Da intervenção do Estado nos Municípios – arts 396/397
Dos Procedimentos Concernentes a fatos funcionais – arts. 398/406
Das Disposições gerais, Finais e transitórias – 407/410 todos os artigos referidos
referem aos artigos do Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás.

Obs.: Quanto à competência dos Tribunais de Justiça decorre de previsão


expressa nos arts. 29, X, e 96, III) ou implícita (princípio da simetria), na Constituição
Federal, bem como por previsão nas Constituições dos Estados, desde que haja
razoabilidade neste último caso. Têm competência para julgar os prefeitos, os juízes
locais e membros do Ministério Público, ressalvados os crimes eleitorais (art. 29, X e
96, III, da CF). O prefeito, quando se tratar de crime federal, será julgado pelo TRF.

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A Constituição do Estado de Goiás, em seu art. 46, VIII, alíneas „c‟ e „d‟,
estabelece que compete ao TJ/Goiás julgar o vice-governador, Deputados estaduais,
secretários de Estado, Procurador Geral de Justiça, Delegados de Policias, Procuradores
do Estado e da Assembleia Legislativa e Defensores Públicos.

Obs.: O STF considerou inconstitucional o foro privilegiado para os Delegados


de polícia, por entender ser incompatível com o princípio constitucional do controle
externo da atividade policial pelo Ministério Público (ADI 2.587/GO, julgamento de
01/12/2004, BI 372). O foro por prerrogativa de função para Procuradores do Estado, da
Assembleia legislativa e Defensores públicos é por previsão exclusiva na Constituição
do Estado de Goiás, por isso não se aplica perante o Júri, Justiça Federal e Judiciário de
outros Estados (não pode o Estado legislar para a Justiça da União e de outros Estados,
pois, senão estaria havendo intervenção de um Estado nos demais estados e na União
Federal).

5. - FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA


5.1 - Do Ministério Público

O Ministério Público – de acordo com o disposto no art. 127, da Constituição Federal


o Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional.
Incumbe-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais
e individuais indisponíveis.
Objetivo Institucional do Ministério Público – O MP, tem sua razão de ser na
necessidade de ativar o Judiciário nos pontos onde permaneceria inerte, vez que o
interesse agredido não diz respeito a pessoas determinadas, mas a um grupo ou a
coletividade (interesses difusos e coletivos). Sua função, de natureza administrativa, ou
judicialiforme, é a de provocar o Judiciário nesses casos, e também a de custos legis, ou
seja, de fiscal da lei, trazendo ao processo, para informar a decisão judicial, informações
sonegadas ou ignoradas pelas partes.
Princípios institucionais do Ministério Público - (art. 129, caput CF), são princípios
institucionais do Ministério Público a unidade, a indivisibilidade e a independência
funcional (art. 129, § 1º CF);

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Princípio da unidade – porque todos os seus membros os promotores, os procuradores


fazem parte do mesmo órgão, com a mesma chefia, ou seja, que por princípio, atuam
com o mesmo fim. Embora, na prática, esta unidade somente é apreciável no âmbito de
cada um dos Ministérios Públicos, que têm organizações próprias e chefias distintas.

Princípio da Indivisibilidade – significa que os integrantes da carreira podem ser


substituídos uns pelos outros, desde que da mesma carreira, segundo forma prevista em
lei, não ocorrendo a vinculação específica a determinado s processos ou procedimentos.

Princípio da Independência funcional – assegura a cada membro do parquet que em


sua atuação funcional, vincula-se somente à sua consciência jurídica quando se tratar de
assunto relacio9nado com a sua atividade funcional. A partir do princípio da
independência funcional, e tendo em mira resguardá-lo, veio a ser deduzida a doutrina
do promotor natural, pelo qual somente o promotor com atribuições legais para agir
naquele caso pode atuar no processo, afastadas as designações casuísticas, de exceção.
Este princípio tem por objetivo preservar a imparcialidade e a independência da atuação
ministerial, inclusive, como meio de defesa do membro do MP até mesmo em face do
chefe institucional.
Obs.: A ideia de promotor natural tem raízes nas garantias constitucionais do
devido processo legal (art. 5º, LIII, CF) e da inamovibilidade do promotor (art. 128, §
5º, I, „b‟ CF).
A chefia e a hierarquia do MP têm limites restritos à esfera administrativa. As
orientações e teses institucionais não têm caráter normativo, nem vinculam os membros
do MP. Constitui crime de responsabilidade do Presidente da República praticar
qualquer ato contra o livre exercício do MP (art. 85, II CF).

COMPOSIÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO

ESTRUTURA – O Ministério Público abrange enquanto instituição dois ramos


básicos: O Ministério Público da União e os Ministérios Públicos Estaduais;
O Ministério Público da União composto de 4 projeções (Ministério Público
Federal, Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Militar, e Ministério
Público do Distrito Federal e Territórios) e os Ministérios Públicos dos Estados.

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Obs.: A Constituição não faz referencia ao MP Eleitoral, que também é da


União. O Ministério Público Eleitoral é organizado de forma sui generis. Compõe-se de
membros dos Ministérios Públicos federal e estadual especialmente designados pelas
respectivas chefias. O Procurador-Geral Eleitoral é o próprio Procurador–Geral da
República.
O ingresso na carreira se dá exclusivamente por concurso público de provas e
títulos, assegurada a participação da OAB do Brasil em sua realização.

Ministério Público da União (MPU) – o Ministério Público é organizado e mantido


pela união. A chefia administrativa é encargo do Procurador-Geral da República, exceto
para o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, que é chefiado pelo
Procurador-Geral de Justiça do Distrito Federal e Territórios. Os Procuradores-Gerais
do Trabalho e da Justiça Militar são escolhidos pelo Procurador da República.

Ministério Público da União – tem por chefe o Procurador-Geral da República, que é


nomeado pelo Presidente da República dentre integrantes da carreira, maiores de 35
anos. A nomeação depende de aprovação pela maioria absoluta dos membros do Senado
Federal. O Procurador-Geral da República pode ser renomeado para o mesmo cargo,
sem limites de vezes, mas é necessário nova aprovação pelo Senado a cada nomeação.
O mandato do Procurador-Geral da República é fixo, de dois anos. Antes desde prazo
somente poderá ser destituído com prévia autorização da maioria absoluta do Senado
Federal.
O membro do Ministério Público Federal denomina-se Procurador da República.
O integrante do MP do Trabalho denomina-se Procurador do Trabalho. O MP da Justiça
Militar é composto por promotores da Justiça Militar (primeira instância) e
procuradores da Justiça militar (segunda instância).

Conselho Nacional do Ministério Público – a EC 45/04 criou o Conselho Nacional do


Ministério Público, e compete-lhe o controle administrativo e financeiro, bem como o
cumprimento dos deveres funcionais de seus membros (art. 130-A CF).

Ministérios Públicos Estaduais – os chefes dos Ministérios Públicos estaduais


denominados procuradores-gerais da Justiça, são nomeados dentre integrantes da

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carreira pelos governadores, sendo que a escolha deve recair nos componentes de uma
lista tríplice elaborada pela própria instituição, e o mandato é de dois anos, permitida
uma recondução. Os procuradores-gerais da Justiça poderão ser destituídos por
deliberação da maioria absoluta do Poder legislativo respectivo. O procurador-geral da
Justiça pode propor diretamente ao Legislativo o projeto de lei complementar que cuida
da organização e das atribuições do respectivo Ministério Público.
Quanto a nomenclatura denominam-se promotores de justiça (primeira instância)
e procuradores de justiça (segunda instância).

Obs.: Muito embora o MP do Distrito Federal e dos Territórios integre o MP da


União, recebeu do constituinte o mesmo tratamento dos Ministérios Públicos Estaduais,
desvinculando-o do Procurador-Geral da República .

De acordo com o que dispõe o art. 88 e 121, da Lei complementar 75/93, todos
os Ministérios Públicos de outros ramos da União (trabalho e Militar) têm sua chefia
nomeada pelo Procurador-Geral da República, o Procurador-Geral da Justiça do Distrito
Federal e dos Territórios é nomeado pelo Presidente da República, mediante lista
tríplice. Sua destituição depende de maioria absoluta do Congresso Nacional (sendo o
respectivo legislativo).
Garantias do Ministério Público – os integrantes do Ministério Público gozam
praticamente das mesmas garantias Constitucionais conferidas aos magistrados como:
- Vitaliciedade: após dois anos de exercício o membro do MP não pode perder o
cargo senão por sentença judicial transitada em julgado.
- Inamovibilidade: o membro do MP não pode ser removido ou afastado
compulsoriamente, salvo se o motivo for de interesse público, mediante decisão do
órgão colegiado competente do MP, por voto da maioria absoluta de seus membros ( ec
45), assegurada ampla defesa.
- Irredutibilidade de subsídio: o promotor não pode sofrer redução em seus
vencimentos, contudo, essa garantia não impede a incidência de impostos, inclusive o
de renda, tampouco os descontos fixados em lei.

Vedações do Ministério Público - é proibido ao Ministério Público:

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- Receber, a qualquer título e sob qualquer pretexto, honorários, percentagens ou


custas processuais;
- Exercer a advocacia;
- Participar de sociedade comercial, na forma da lei;
- Exercer, ainda que em disponibilidade, qualquer outra função pública, salvo
uma de magistério; e
- Exercer atividade político-partidária sem exceções EC 45/04;
- Receber a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas
físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei (art.
128, CF);
- não pode ainda exercer a advocacia, no juízo ou tribunal junto ao qual
funcionou antes de decorridos três anos do afastamento da carreira, por aposentadoria
ou exoneração (art. 128, § 6º, CF).

Funções do Ministério Público – as funções do Ministério Público estão mencionadas


respectivamente nos arts. 128 e 129 da Constituição Federal.
Obs.: embora “o art. 129, da Constituição federal enumera algumas funções do
Ministério Público. Observe que o texto constitucional é meramente exemplificativo,
pois a lei pode atribuir-lhe outras funções, desde que compatíveis com a sua finalidade,
vedadas a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades”

Do Ministério Público do Estado de Goiás - Com referência ao Ministério Público do


Estado de Goiás, encontra-se inserido na Constituição Estadual no título V, que trata da
Justiça e da Defesa da Sociedade, capítulo I, arts. 114 a 117, sendo a Lei Orgânica do
Ministério Público do Estado de Goiás – a Lei Complementar nº 25, de 6 de julho de
1998, e a Lei nº 13.162, de 5 de novembro de 1997, que dispõe sobre sua estrutura
organizacional.

5.2 – DA ADVOCACIA

O constituinte de 1988 teve a preocupação de incluir no capítulo dedicado às


funções essenciais à justiça, normas atinentes a dois tipos de instituição pública e sobre
a advocacia, sendo advocacia pública e defensoria pública.

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71

E de acordo com o que prescreve o art. 133, da Constituição Federal, que “o


advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e
manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei”.

Obs.: a inviolabilidade do advogado não é absoluta e se restringe aos limites da


lei e ao debate da causa. Assim, “o advogado que utiliza linguagem excessiva e
desnecessária, fora de limites razoáveis da discussão da causa e da defesa de direitos,
continua responsável penalmente (...). Seria, pois odiosa qualquer interpretação da
legislação vigente conducente á conclusão absurda de que o novo Estatuto da OAB teria
instituído, em favor da nobre classe dos advogados, imunidade penal ampla e absoluta
nos crimes contra a honra e até der desacato, imunidades essa não conferida ao cidadão
brasileiro, às partes litigantes, nem mesmo aos juízes e promotores. O nobre exercício
da advocacia não se confunde com um ato de guerra em que todas as armas, por mais
desleais que sejam possam ser utilizadas”. (STJ, 5ª T., RHC 4.056-4RJ, rel. Min. Assis
Toledo).

Da Advocacia Pública (art. 131, CF) – a Advocacia-Geral da União é a instituição


que, diretamente ou através de órgãos vinculado, representa a União, judicial e
extrajudicialmente, cabendo-lhe, nos termos da lei complementar que dispuser sobre sua
organização e funcionamento, as atividades de consultoria e assessoramento jurídico do
Poder Executivo.

Da Advocacia-Geral da União - a Advocacia-Geral representa a União judicial e


extrajudicialmente, cabendo-lhe a consultoria e os assessoramentos jurídicos do Poder
executivo. Note-se que quando se tratar de execução da dívida ativa está incumbe à
Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, que é órgão especial da Advocacia-Geral.
A lei que regula a advocacia –Geral é a Lei Complementar 73, de 1993- Lei
Orgânica da Advocacia-Geral.

Órgãos Superiores da Advocacia-Geral da União – são:


a)- o Advogado-Geral da união;
b)- A Procuradoria-Geral da União e a da Fazenda Nacional;
c)- a Consultoria-Geral da União;

PRÁTICA JURÍDICA I – Audiência e Visita


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72

d)- O Conselho Superior da Advocacia-Geral da União, e;


e)- A Corregedoria-Geral da Advocacia da União

O ingresso nas classes iniciais da carreira faz-se por concurso público de provas
e titulo. No entanto, a escolha da chefia, ou seja, do Advogado-Geral da União, que não
é necessariamente integrante da carreira. Mas é nomeado (e destituído) livremente pelo
Presidente da República dentre cidadãos maiores de 35 anos, com formação jurídica e
habilitação a advocacia militante.

Obs.: o nome do indicado a Advogado da União não está sujeito á argüição e


decisão do Senado Federal. A aprovação exige maioria simples do Plenário dessa Casa
Legislativa, em votação secreta realizada em sessão pública.
A investidura do Advogado-Geral da União não está vinculado a mandato, sendo
cargo de provimento em comissão, portanto, sujeito a exoneração ad nutum.

A representação dos Estados-membros é feita pelas procuradorias respectivas.


Os procuradores estaduais gozam de estabilidade após três anos de efetivo exercício e
avaliação de desempenho.
Funções similares são conferidas, no âmbito das regionais da federação, aos
procuradores dos Estados e do Distrito Federal, organizado em carreira (art. 132 CF).
Vejamos:
Estados, Distrito Federal e Municípios (estes facultativamente) contarão com
órgãos responsáveis pela representação judicial e extrajudicial, formados por
profissionais habilitados em concursos públicos de provas e títulos privativos de
bacharéis em Direito.
Os Procuradores dos Estados e do Distrito Federal, organizados em carreira, na
qual o ingresso dependerá de concurso público de provas e títulos, com participação da
OAB do Brasil em todas as suas fases, exercerão a representação judicial e a consultoria
jurídica das respectivas unidades federadas.

Da Procuradoria-Geral do Estado de Goiás – encontra-se inserida na Constituição


Estadual no art. 118, que trata da Procuradoria-Geral do Estado, sendo sua Lei
complementar a Lei º 24, de 8 de junho de 1998.

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5.2.1 -DO ADVOGADO

De acordo com entendimento do doutrinador (SANTOS, Moacyr Amaral, Ed.


Saraiva 2002, V. 1), “ o advogado é um servidor da justiça, assistente técnico e
procurador do cliente. Sendo, portanto, traço característico de servir a justiça, como
técnico do direito, e porque serve ao Estado, porque é função específica deste é a de
fazer a justiça, no exercício de sua profissão exerce o advogado um múnus público, por
reconhecer-lhe essa característica é que o Estado lhe confere o privilégio do exercício
do ius postuland”i.

Serve a justiça, em primeiro lugar, como assistente do cliente em assuntos


jurídicos. Sendo ele, versado na ciência do direito, sistema de princípios e de normas
legais, ele que é jurista, assim assume, por solicitação do cliente, o papel de seu
assistente técnico, a fim de adaptar aqueles princípios e normas às situações de fato em
que o assistido se encontra. Dessem modo, assiste o cliente, ouvindo-o aconselhando-o
quanto aos meios e modos de empregar aqueles princípios e normas, e agindo no seu
interesse, fala e age em nome do cliente, representa-o no processo: é o seu procurador
judicial, por essa razão expõe e pede em juízo, e nesse passo ainda serve a justiça,
assistido auxiliando e representando a parte, o que faz mais curiosa a sua função, haja
vista que serve á justiça exercendo atividade eminentemente parcial. E nenhum maior
serviço resta à justiça, porquanto esta resulta do contraditório das partes.
Razão que a Constituição em seu art. 133, estabelece que “o advogado é
indispensável à administração de justiça, sendo lhe inviolável por seus atos e
manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei.

Advogado - é o que advoga, não bastando ser formado em leis. Exerce uma profissão –
profissão liberal por excelência – a Advocacia

Precisamente porque a profissão do advogado é um múnus público, o advogado


se caracteriza como servidor do direito e da justiça, dele se exigem virtudes apropriadas
à grandiosidade das suas funções, em primeiro lugar deverá ser versado em direito, um
jurisperito, mas, deverá ainda ser um homem de bem na inteireza da expressão, sendo,

PRÁTICA JURÍDICA I – Audiência e Visita


Professora: Ana Maria Duarte
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portanto, probo, honrado, discreto resoluto, generoso, independente e livre, virtudes sem
as quais não se compreenderia lhe fosse concedido o privilégio do ius pustulandi.

Assim, para assegurar o exercício de sua profissão, que sobremaneira interessa o


Estado, deve ter condições condignas e as necessárias garantias que são reguladas pela
Ordem dos Advogados do Brasil.

A Ordem dos Advogados do Brasil foi criada pelo Decreto nº 19.408 de 18 de


novembro de 1930, “é o órgão de seleção, defesa e disciplina da classe dos advogados”.
Instituída com o caráter de autarquia, passou por várias modificações, regendo-se até
seu Estatuto vigente que disciplina atualmente, pela Lei 8.906/94, conhecida pela
denominação de Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil.

Tendo como órgão supremo da OAB o Conselho Federal, com sede na capital da
República, em seguida estão os Conselhos Seccionais, também dotados de
personalidade jurídica própria, com jurisdição sobre os respectivos territórios e Estados-
membros, do Distrito Federal e Territórios, já as Subsecções são partes autônomas do
Conselho seccional, e o quarto órgão são as Caixas de Assistência dos Advogados,
criadas pelos conselhos Seccionais, quando estes contarem com mais de mil e
quinhentos inscritos.

Sobre os fins da organização, órgãos, Conselhos e outros verificar arts. 44 a 87


do Estatuto;
A Ordem, que constitui serviço público federal, exerce nos termos da lei as
funções:
De seleção: ou administrativa, reunindo, organizando e selecionando o corpo de
advogados;

De disciplina: punindo os seus membros achados em falta por desrespeito aos


deveres profissionais, com penas que vão até o cancelamento de sua inscrição.

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75

De defesa: amparando e defendendo os seus membros e a classe, regulando os


seus interesses, direitos e prerrogativas, assegurando-lhes o prestígio inerente ás suas
elevadas contribuições;
Para fins de inscrição, a Ordem compreende dois quadros: Advogados e
Estagiários (arts. 8º e 9º do Estatuto).

Dos Direitos e Deveres do Advogado: art. 6º e 7º do Estatuto.

Da atividade da advocacia: art. 1º ao 5º do Estatuto.

IMPORTANTE: quanto à natureza jurídica da contribuição cobrada pela OAB,


sendo que uma primeira posição entende que a OAB nada mais é que o Conselho de
fiscalização dos advogados e por isso a contribuição (anuidade) teria natureza jurídica
tributária\, NESSE SENTIDO PESQUISAR JULGADO NO STF 1ª TURMA, RESp.
463.258/SC, REL. Min. Luiz Fux, fev. 2003).

Mas não se pode perder de mira que atualmente uma forte tendência no STJ de
considerar a OAB uma autarquia sui generis, de modo que a anuidade não teria natureza
tributária, não se processando, ademais pelo rito da Lei 6.830/80, ou seja, pela execução
fiscal, nesse sentido pesquisar julgados STJ 1ª T..,m MC 7123/PE, rel. Min. Francisco
Falcão, e REsp. 2ª T., RESp 462823/SC, rel. min. Eliana Calmon, DJU 14.06.04.
O entendimento hoje é que a contribuição paga a OAB, não é tributo.

5.2.2- DA DEFENSORIA PÚBLICA

Da Defensoria Pública (art. 134 CF) – a Defensoria Pública é instituição essencial à


função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a orientação jurídica e a defesa, em
todos os graus, dos necessitados, na forma do art. 5º, LXXIV CF.

Objetivos da Defensoria Pública – a finalidade constitucional da defensoria Pública é


a orientação jurídica e a defesa dos necessitados, entendidos esses como os que não
dispõem de renda bastante ao custeio das despesas de um processo judicial sem que lhes
comprometa a própria subsistência (ver Lei 1.060/51).

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A lei complementar organizará a Defensoria pública da União e do Distrito


Federal e dos Territórios e prescreverá normas gerais para sua organização nos Estados,
em cargos de carreira, providos, na classe inicial, mediante concurso público de provas
e títulos, assegurado a seus integrantes a garantia da inamovibilidade e vedado o
exercício da advocacia fora das atribuições institucionais.

Órgãos Federais – a Defensoria Pública da União e a Defensoria do Distrito Federal a


e dos Territórios são órgãos federais, a serem organizados por lei complementar federal.

Órgãos Estaduais – as Defensorias Públicas dos Estados são órgãos estaduais, e sua
organização se fará por Lei estadual obedecidas as normas gerais ditadas por Lei
Complementar Nacional. Sendo asseguradas às Defensorias Públicas estaduais
autonomia funcional e administrativa e a iniciativa de sua proposta orçamentária dentro
dos limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias e subordinação ao disposto
no art. 99, § 2º, da Constituição Federal.

Da Defensoria Pública do Estado de Goiás – é verificada no art. 120, da Constituição


Estadual, e a lei Complementar nº 51 de 19 de abril de 2005, que cria e organiza a
Defensoria Pública do Estado de Goiás.

5.2.3 - A HISTÓRIA DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL

Por ato do Imperador Dom Pedro I, em 11 de agosto de 1827, fundaram-se os Cursos de


Ciências Jurídicas e Sociais no Brasil - um na cidade de São Paulo e outro na cidade de
Olinda.
O surgimento da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) se deu por influência
dos estatutos da associação portuguesa que já em 1838 previam a criação de uma
Ordem dos Advogados nos moldes conhecidos atualmente.
Em 1843, no Brasil, advogados reunidos na casa do Conselheiro Teixeira de
Aragão elaboraram os estatutos do Instituto dos Advogados Brasileiros - IAB - com
uma finalidade precípua: “a constituição da Ordem dos Advogados”, sendo aprovado no
mesmo ano pelo Governo Imperial que objetivava a organização da entidade.

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77

No entanto, a criação da OAB efetivou-se quase um século após a aprovação dos


seus estatutos. Pode-se dizer que a criação da OAB se confunde com a sua primeira
atuação no intento de concretizar os princípios de democracia e justiça social já que
nasce em razão de um momento crítico da vida política do país – revolução de 1930.
O primeiro regulamento da OAB foi aprovado mediante o Decreto n.
20.784/1931, prevendo a criação do Conselho Federal para o exercício das atribuições
da Ordem em todo o território nacional.
Sob a condução de Levi Carneiro na condição de primeiro presidente da OAB e
Attílo Vivácqua a Ordem se consolidou como entidade representativa da sociedade.
Carneiro e Vivácqua, à frente da presidência organizaram a instituição
solucionando os problemas de interpretação do Estatuto atuando em prol da criação das
seções estaduais e elaborando o Código de Ética.
No decorrer da Segunda Guerra Mundial, após o abatimento de cinco navios
brasileiros por submarinos alemães, em 1942, a OAB exigiu do Governo providências
para o desagravo da soberania nacional. A13 repercussão da medida em conjunto com
manifestações populares fez com que o país entrasse na Guerra juntando-se aos Aliados.
Em 1964, com o Golpe Militar, registram-se mais atuações da OAB na defesa
das garantias fundamentais organizando e consolidando uma sociedade livre e
democrática. Teve poder de decisão, no tocante aos Advogados com direitos políticos
suspensos pelo Governo, determinando que estes não mais estariam impedidos de
exercer a advocacia.
Em 1983 a OAB juntamente com entidades e partidos oposicionistas encetaram
a campanha “Diretas Já!”, pleiteando a escolha do chefe do executivo por voto popular.
Ainda, contou com participação direta e efetiva em prol da democracia, para a
promulgação da Constituição de 1988, representando o fim dos vestígios autoritários
provenientes da época da ditadura.
Desse modo, a OAB vem cumprindo seus objetivos e finalidades de forma a
preservar os valores correspondentes à defesa da democracia e das prerrogativas
individuais, não se calando frente a acontecimentos políticos temerários e se mostrando
como entidade indispensável ao cultivo de uma sociedade plenamente livre.

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BIBILIOGRAFIA

CAPEZ, Fernando. Curso de Processo Penal. São Paulo - Saraiva;

GARCIA, Ismar Estulano. Prática Processual Penal – Goiânia – AB.

MATOS, João Carvalho de. Prática Processual Penal. São Paulo – Bookseller

MESQUITA JUNIOR, Sídio Rosa de. Manual de Execução Penal. São Paulo - Atlas.

MILHOMENS, Jonatas e ALVES, Geraldo Magela. Manual Prático do Advogado:


prática civil, penal e trabalhista. Rio de Janeiro.

MIRABETE, Júlio Fabrini. Processo Penal. São Paulo - Atlas;

NASCIMENTO, Manuel Pereira do. Prática de Processo Penal.

OLIVEIRA, Eugênio Pacelli de, Curso de processo Penal, 10ª edição – atualizada de
acordo com a Reforma Processual Penal de 2008 (leis 11.689, 11.690 e 11.719), Rio de
Janeiro - Editora Lumen Juris.

RAMOS, Gisela Gondin. Estatuto da Advocacia – Florianópolis: OAB/SC;

SANTOS, Moacyr Amaral, Primeiras linhas de direito Processual Civil – Vol 1, Ed.
Saraiva 2002.

TOURINHO FILHO, Fernando da Costa. Manual de Processo Penal. São Paulo -


Saraiva;

Sites:
COJERG – Código de Organização Judiciária de Goiás Lei 9.129/81 – encontrado no
site do TJ/Goiás - www.tjgo.jus.br/

RITJ/GO - Regimento Interno do Tribunal de Justiça de Goiás Lei 13.644/2000, encontrado no


site do TJ/Goiás - www.tjgo.jus.br/

TODA A BIBLIOGRAFIA DEVERÁ SER ATUALIZADA DE ACORDO COM


AS MUDANÇAS OCORRIDAS NA LEGISLAÇÃO.

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