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Determinantes em saúde bucal

1 Rodrigo - O que são os determinantes sociais e biológico (Artigo da infância)


(Artigo que Paula mandou o link), introduzir agravos da saúde bucal ou seja, as
doenças bucais
2 Natália - Destrinchar agravos da saúde bucal, ou seja, as doenças: Cárie,
doença periodontal, Câncer
3 Andrezza - Epidemiologia (SB Brasil e política nacional de Saúde Bucal -
linha do tempo)

4 Paula - Acesso aos serviços odontológico e qualidade de vida (Artigo


que Elma enviou)
O que é acesso em saúde?
Acesso é um conceito complexo, muitas vezes empregado de forma imprecisa,
é um conceito que varia entre autores e que muda ao longo de tempo e de
acordo com o contexto. Acessibilidade – caráter ou qualidade do que é
acessível, enquanto outros preferem o substantivo acesso – ato de ingressar,
entrada 3 – ou ambos os termos para indicar o grau de facilidade com que as
pessoas obtêm cuidados de saúde 4. (TRAVASSOS, MARTINS, 2004)

Conceituar qualidade de vida é difícil, por se tratar de concepção humana e


pessoal. De qualquer forma, hoje o conceito de qualidade de vida leva em
conta fatores ambientais e psicológicos, educação, bem-estar, autoestima,
felicidade e saúde. Para o Centro de Promoção de Saúde da Universidade de
Toronto, qualidade de vida pode ser entendida como o grau com que a pessoa
aproveita as oportunidades que a vida lhe oferece, ou simplesmente quão boa
é a vida para a pessoa. Problemas de saúde podem ter ou não impacto em
atividades diárias, porque os sintomas e consequências são percebidos de
maneiras distintas e influenciam o desempenho dos indivíduos de forma
diferente. “Admite-se que certo nível de doença seja compatível com qualidade
de vida, e a doença seja apenas uma das muitas ameaças à saúde”5
(MESQUITA, VIEIRA, 2009)
No Brasil reflete a desigualdade socioeconômica e as dificuldades no acesso à
atenção à saúde bucal para a maioria da população, sendo necessárias
políticas públicas voltadas para a equidade. Enquanto grupos sociais mais
favorecidos tem acesso aos consultórios odontológicos particulares e às
tecnologias de tratamento que supervalorizam a estética, por outro lado, outros
grupos sociais sofrem com cáries não tratadas, perdas dentárias, dores e
infecções de origem dentária, e ainda com maiores dificuldades de acesso aos
serviços odontológicos, que refletem sinais de exclusão e iniquidades sociais.
Historicamente, os modelos assistenciais à saúde bucal evidenciaram a
predominância de práticas odontológicas mutiladoras, e ainda um modo de
organização voltado para a odontologia privada, bem como conhecimentos
centrados na operacionalidade técnica, que sinalizam desafios. (TRAVASSOS,
MARTINS, 2004) O interesse e a preocupação com as desigualdades em
saúde vêm crescendo de forma impressionante. No Brasil, campeão de
desigualdade social e de renda, a preocupação com as desigualdades em
saúde deve ocupar um lugar de destaque. (BARROS, BERTOLDI. 2002)

Qualidade de vida
os problemas bucais são frequentemente minimizados no contexto de
outras doenças, principalmente quanto às consequências que tais problemas e
seus tratamentos acarretam, em termos de perda de dias de trabalho, faltas à
escola, transtorno para as atividades domésticas e custo econômico.
Mas, se saúde bucal é “uma dentição funcional e confortável que permite ao
indivíduo continuar em seu papel social”, para avaliar a saúde bucal são
necessários indicadores subjetivos, em complemento às medidas normativas
que consideram apenas o diagnóstico profissional, numa visão clínica. Tais
indicadores devem considerar a percepção do próprio indivíduo acerca de sua
saúde bucal, medindo o impacto dessa percepção em atividades diárias e no
desempenho social. (MESQUITA, VIEIRA, 2009).
Pessoas que avaliaram a própria saúde, bucal e geral, como “muito boa” ou
“boa”, registraram menor percepção do impacto da saúde bucal na qualidade
de vida, em todas as dimensões. As variáveis são, evidentemente,
inversamente associadas: quem diz ter boa saúde não percebe bem o impacto
da saúde na qualidade de vida e – ao contrário – quem diz ter pouca saúde é
porque percebe o impacto que isso tem em sua qualidade de vida (MESQUITA,
VIEIRA, 2009). Melhores condições econômicas, maior escolaridade, utilização
de serviços odontológicos pagos para prevenção ou rotina e uso regular de
instrumentos de higiene dental estão associadas a um menor impacto da saúde
bucal na qualidade de vida. (MESQUITA, VIEIRA, 2009)
Dados de estudos sobre o acesso:

Para avaliar a situação de utilização e acesso aos serviços de odontologia no


Brasil e estudar diferenciais entre os estratos socioeconômicos, utilizaram-se
dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD)
de 1998, realizada pelo IBGE. A análise, que levou em conta o desenho
amostral, indicou um nível baixo de utilização de serviços odontológicos.
Setenta e sete por cento das crianças de 0-6 anos e 4% dos adultos de 20-49
anos nunca haviam consultado um dentista. Entre estes adultos, comparando-
se os 20% mais pobres com os 20% mais ricos, observou-se que o número de
desassistidos era 16 vezes maior entre os primeiros. No grupo de 0-6 anos, as
crianças ricas consultaram o dentista cinco vezes mais do que as pobres no
ano anterior à entrevista. Cerca de 4% dos que procuraram atendimento
odontológico não o obtiveram, 8% dos quais entre os mais pobres e 1% entre
os mais ricos. A maioria (68%) dos atendimentos do grupo mais pobre foi
financiada pelo SUS, enquanto 63% deles foram pagos pelos mais ricos. As
maiores desigualdades no acesso e na utilização de serviços odontológicos
foram encontradas, exatamente, nos grupos de menor acesso ou utilização.
(BARROS, BERTOLDI. 2002) Foram também muito grandes as desigualdades
no acesso aos serviços. O grupo mais pobre apresentou uma tendência de
redução de acesso com a idade, contrária à tendência global observada. Isto
provavelmente é explicado pela diferença de financiamento no atendimento:
enquanto nos grupos mais favorecidos uma idade maior propicia mais recursos
para o pagamento do atendimento, no grupo mais pobre, esse avanço na idade
acaba por reduzir a oportunidade de acesso ao sistema público. (BARROS,
BERTOLDI. 2002)

Moreira et al.45 que, por sua vez, investigou a experiência vivida em função
das doenças bucais, no contexto da pobreza de uma comunidade de baixa
renda em Fortaleza, Ceará, por meio de entrevistas etnográficas. Os resultados
desse último estudo revelaram as precárias condições de vida – violências,
desemprego e exclusão social – foram barreiras que dificultaram priorizar a
atenção e o cuidado em saúde bucal, favorecendo a realização de extrações
dentárias como o caminho mais viável diante do difícil acesso e da
complexidade do contexto e condições de vida, sendo que o acesso ao dentista
foi percebido como um luxo e não um direito do cidadão à saúde bucal. O
estudo concluiu que, diante da complexidade estrutural das condições de vida,
é necessário aprofundar a compreensão dos DSS, reduzir injustiças no acesso
à atenção odontológica, remover estigmas e fortalecer a participação social.
(Moreira et al., 2007)
o estudo de Ferreira e coloboradores sobre as representações sociais do
cuidado à saúde bucal em uma população de baixa renda do Nordeste,
mostrando que a perda dentária denunciou a prática mutiladora imposta pelos
serviços de saúde, e a experiência de dor apontou a falta de acesso aos
serviços de saúde bucal, evidenciando-se a necessidade de reestruturação dos
serviços a partir da percepção da população em relação aos cuidados
relacionados à saúde bucal. Vale ressaltar que a redução das iniquidades em
saúde bucal não está relacionada somente ao maior acesso e utilização dos
serviços, torna-se necessário compreender a determinação social sobre o
processo saúde-doença bucal (Ferreira AA et al., 2006).

Objetivou-se identificar fatores associados à falta de acesso aos serviços


odontológicos. A falta de acesso aos serviços odontológicos é maior entre os
mais vulneráveis socialmente. Dos 857 participantes 10,3% necessitaram de
assistência e não a obtiveram. (CARREIRO et al., 2019)
ao considerar as necessidades de saúde bucal não atendidas entre os idosos,
a dificuldade no acesso ao serviço odontológico é uma herança de uma prática
odontológica demarcada pela exclusão e mutilação. Assim, surge a
necessidade de garantir a essas pessoas não só o acesso aos serviços
odontológicos, mas também aceso à informações em saúde bucal ao longo de
toda a vida, a fim de que os indivíduos cheguem a terceira idade consciente de
suas necessidades, seus direitos e dos potenciais benéficos que a odontologia
pode oferecer-lhes. (CARREIRO et al., 2019) Aproximadamente um décimo
dos usuários não teve acesso aos serviços odontológicos. A chance da falta de
acesso aumentou a cada ano de idade, foi maior entre aqueles com menor
renda per capita e entre os que avaliaram a aparência bucal de forma negativa
(CARREIRO et al., 2019)
Avaliar o acesso a serviços de saúde implica identificar quais barreiras existem
quanto à oferta dos serviços odontológicos (CARREIRO et al., 2019) Em
síntese, a situação de saúde bucal no Brasil ainda está abaixo da média
internacional. E, como mostramos, as desigualdades no acesso e na utilização
dos serviços são muito grandes. No entanto, o investimento maciço em
serviços especializados de odontologia, que poderia parecer a providência
mais imediata a ser tomada, talvez não seja a solução para o problema. Num
relatório de 1994, a OMS afirma que a saúde bucal é uma parte essencial da
saúde, da função humana e da qualidade de vida. Afirma também que as
cáries e a doença periodontal podem ser prevenidas e controladas (WHO,
1994). A evidência disponível indica que a maior parte da redução dessas
patologias se deve à utilização de flúor (em cremes dentais e na água) e à
melhora das técnicas de higiene bucal, enquanto os serviços especializados,
sejam curativos ou preventivos, não tiveram grande impacto (Watt & Sheiham,
1999). Uma avaliação mais aprofundada da realidade nacional é claramente
uma necessidade. (BARROS, BERTOLDI. 2002)

Referências usadas:
TRAVASSOS, Claudia; MARTINS, Mônica. Uma revisão sobre os conceitos de
acesso e utilização de serviços de saúde. Cadernos de Saúde Pública, v. 20,
p. S190-S198, 2004.
MESQUITA, Fabiana Andrade Botelho; VIEIRA, Sônia. Impacto da condição
autoavaliada de saúde bucal na qualidade de vida. RGO, v. 57, n. 4, p. 401-
406, 2009.
BARROS, Aluísio JD; BERTOLDI, Andréa D. Desigualdades na utilização e no
acesso a serviços odontológicos: uma avaliação em nível nacional. Ciência &
Saúde Coletiva, v. 7, p. 709-717, 2002. (BARROS, BERTOLDI. 2002)
Moreira TP, Nations MK, Alves MSCF. Dentes da desigualdade: marcas bucais
da experiência vivida na pobreza pela comunidade do Dendê, Fortaleza, Ceará,
Brasil. Cad Saúde Pública 2007;23:1383-92.
Ferreira AA; Piuvezam G, Werner CWA, Alves MSCF. A dor e a perda dentária:
representações sociais do cuidado à saúde bucal. Ciênc Saúde Coletiva
2006;11:211-8.
CARREIRO, Danilo Lima et al. Acesso aos serviços odontológicos e fatores
associados: estudo populacional domiciliar. Ciência & Saúde Coletiva, v. 24,
p. 1021-1032, 2019.
5 Elma - Iniquidades (iniquidades raciais)
6 Rômulo - Educação e promoção da saúde bucal

90.

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